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Relatório P2 – Caracterização da Bacia Hidrográfica

do Rio Tocantins e seus Formadores


Avaliação Ambiental Integrada – AAI da Bacia
Hidrográfica do Rio Tocantins e seus Formadores

Empresa de Pesquisa Energética - EPE

São Paulo

Março/2007

Revisão A
Empresa de Pesquisa Energética – EPE
Avaliação Ambiental integrada - AAI da Bacia do Rio Tocantins e seus Formadores
Relatório P2 – Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins

Índice
APRESENTAÇÃO.............................................................................................................1

I. Antecedentes ................................................................................................................3

1. Os Números da Área de Estudo e dos Empreendimentos .............................4

1.1. Abrangência e Extensão da Bacia.......................................................................4

1.2. Principais Características dos Aproveitamentos Hidrelétricos


em Operação e Previstos ..................................................................................................6

2. Histórico de Ocupação ...................................................................................15

2.1. O Início da Ocupação........................................................................................15

2.2. História Recente................................................................................................17

II CARACTERIZAÇÃO DA BACIA DO RIO TOCANTINS ...................................21

1. Caracterização dos Recursos Hídricos e do Ecossistema Aquático...........22

1.1. Caracterização Fisiográfica ...............................................................................23


1.1.1. Aspectos Fisiográficos 23
1.1.2. Redes de Monitoramento Hidrometeorológico 24
1.1.3. Clima 41

1.2. Rede Hidrográfica .............................................................................................44

1.3. Vazões ..............................................................................................................46

1.4. Usos da Água....................................................................................................51


1.4.1. Usos Consuntivos 51
1.4.2. Usos não-Consuntivos 52
1.4.3. Balanço entre Disponibilidade e Demanda Hídrica 54

1.5. Transporte de Sedimentos ................................................................................56

1.6. Águas subterrâneas ..........................................................................................58


1.6.1. Caracterização Hidrogeológica 58

1.7. Caracterização do Ecossistema Aquático..........................................................65


1.7.1. Qualidade da Água e Aspectos Limnológicos 65
1.7.2. Principais Questões 82

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1.7.3. Ictiofauna 84

2. Caracterização do Meio Físico e dos Ecossistemas Terrestres ................120

2.1. Caracterização do Meio Físico ........................................................................120

2.2. Caracterização dos Ecossistemas Terrestres..................................................154


2.2.1. Procedimentos Metodológicos 154
2.2.2. Biomas da Bacia Hidrográfica do Tocantins 158
2.2.3. As Formações Vegetais na Bacia Hidrográfica do Tocantins 160
2.2.4. Fauna de Vertebrados 176
2.2.5. A fauna de Vertebrados Terrestres da Bacia Hidrográfica do Tocantins 177
2.2.6. Áreas Destinadas à Conservação da Biodiversidade 187
2.2.7. Questões 189
2.2.8. Corredores Ecológicos 193
2.2.9. Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade 197
2.2.10. Síntese / Conclusão 198
2.2.11. Aspectos Relevantes 199

2.3. Síntese da Caracterização do Meio Físico e dos


Ecossistemas Terrestres ...............................................................................................201

3. Caracterização Socioeconômica..................................................................215

3.1. Caracterização Econômica..............................................................................217


3.1.1. Magnitudes econômicas – Valor Agregado 217
3.1.2. Caracterização Geral da Estrutura Produtiva Dominante e Padrões Territoriais219
3.1.3. Dinâmica de Evolução dos Segmentos Dominantes 228
3.1.4. Principais Questões 233
3.1.5. Perspectivas 233

3.2. Finanças Públicas Municipais..........................................................................234


3.2.1. Principais Questões 239
3.2.2. Perspectivas 240

3.3. Caracterização do Comportamento Populacional............................................240


3.3.1. Dinâmica do Crescimento Populacional 241
3.3.2. Densidade Demográfica 243
3.3.3. Grau de Urbanização e sua Evolução 244
3.3.4. Principais Questões 245
3.3.5. Perspectivas 246

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3.4. Caracterização das Condições de Vida da População


Residente na Bacia do Tocantins...................................................................................246
3.4.1. Índice de Desenvolvimento Humano – IDH e sua evolução 247
3.4.2. Padrão de Renda Monetária 248
3.4.3. Provisão de Bens e Serviços (renda não monetária) 248
3.4.4. Principais Questões 255
3.4.5. Perspectivas 256

3.5. Populações Tradicionais .................................................................................257


3.5.1. Terras e Populações Indígenas 258
3.5.2. Características principais dos povos indígenas 262
3.5.3. Comunidades Remanescentes de Antigos Quilombos 270
3.5.4. Quebradeiras de coco babaçu 275
3.5.5. Pescadores artesanais e/ou populações ribeirinhas 277
3.5.6. Pescadores de Subsistência 277
3.5.7. Pescadores Profissionais Locais 278
3.5.8. Pescadores Profissionais Barrageiros 278
3.5.9. Organização dos Pescadores e Comercialização 279

3.6. Caracterização do Sistema de Transportes e da Rede Urbana


Regional da Bacia do Tocantins ....................................................................................279
3.6.1. Caracterização do Sistema de Transportes 280
3.6.2. Identificação da Hierarquia Funcional Urbana 285
3.6.3. Principais Questões 291
3.6.4. Perspectivas do Sistema de Transportes e da Rede Urbana Regional 292

3.7. Caracterização do Patrimônio Histórico, Cultural e


Arqueológico..................................................................................................................292
3.7.1. Caracterização do Patrimônio Histórico 293
3.7.2. Caracterização do Patrimônio Cultural 300
3.7.3. Caracterização do Patrimônio Arqueológico 305

3.8. Indicadores Municipais de Sustentabilidade ....................................................317


3.8.1. Conceituação 317
3.8.2. Construção dos Indicadores Municipais de Sustentabilidade 319
3.8.3. Síntese das Compartimentação Socioeconômica segundo Sub-Bacias
Hidrográficas 326

4. Levantamento e Avaliação da Matriz Institucional......................................329

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4.1. Avaliação da Matriz Institucional Atuante – Força da


Governança ...................................................................................................................329

4.2. Enfoque Metodológico para Construção da Matriz


Institucional....................................................................................................................329

4.3. Gestão Ambiental – Mecanismos Institucionais...............................................330

4.4. Órgãos Federais e Estaduais de Meio Ambiente.............................................333

5. Levantamento e Avaliação da Legislação Aplicável...................................338

5.1. Levantamento da Legislação Aplicável............................................................338

5.2. Análise da Legislação em Vigor e Identificação de Conflitos


Legais 338
5.2.1. Aspectos legais relacionados ao uso dos recursos hídricos 338
5.2.2. Aspectos legais relacionados ao uso e ocupação territorial 347
5.2.3. Aspectos legais relacionados à ocupação irregular de terras 361

6. Levantamento e Avaliação de Planos, Programas e Projetos ...................365

6.1. Identificação e Levantamento..........................................................................365


6.1.1. PPAs – Planos Plurianuais 365
6.1.2. Macrozoneamento do Estado do Pará 367
6.1.3. Plano Estratégico de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica dos rios Araguaia
e Tocantins 367
6.1.4. Programa de Revitalização da Região Hidrográfica Araguaia-Tocantins 368
6.1.5. 7.1.5 Projeto PRODECER 368
6.1.6. Estudos do Plano Decenal de Expansão do Setor Elétrico Estudos da Expansão
da Transmissão (2006-2015) - EPE 370
6.1.7. Estudo de Atualização do Portfolio de Oportunidades de Investimento do Estudo
dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento 374
6.1.8. Transposição das Águas do Rio Tocantins para o Rio São Francisco 375
6.1.9. Arranjos Produtivos Locais – APLs 377
6.1.10. Projetos de Irrigação 378

6.2. Principais Questões ........................................................................................379

6.3. Perspectivas....................................................................................................380

7. Histórico dos Estudos de Aproveitamentos Hidrelétricos da Bacia do Rio


Tocantins......................................................................................................................382

7.1. Estudos Pioneiros da CELG e da CIVAT na Década de 60.............................382

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7.2. Estudos da ELETROBRÁS e Subsidiárias realizados nos


Anos 70 382

7.3. Estudos realizados por FURNAS e pela ELETRONORTE na


década de 80.................................................................................................................383

7.4. Estudos realizados na década de 90...............................................................384

7.5. Estudos realizados a partir de 2000 ................................................................385

7.6. Resumo dos Estudos relativos a aproveitamentos


Hidrelétricos realizados na bacia do rio Tocantins .........................................................386

8. BIBLIOGRAFIA ..............................................................................................387

Lista de Tabelas
Tabela 1 - Número de Municípios da Bacia do Rio Tocantins por Estado e por sub-
bacias
Tabela 2 – Principais Características dos Aproveitamentos Hidrelétricos em
Operação e Previstos
Tabela 3 – Potencialidades, Vantagens e Temas/Aspectos Privilegiados da
Caracterização – Foco e Funcionalidade.
Tabela 4 – Fragilidades, Questões e Temas/Aspectos Privilegiados da
Caracterização – Foco e Funcionalidade
Tabela 5 - Características da Bacia do Rio Tocantins
Tabela 6 - Vazões Médias Mensais, Vazões Mínimas e Máximas (m3/s)
Tabela 7 – Características dos Escoamentos de Superfície no rio Tocantins
Tabela 8 - Síntese da Qualidade da Água nos Pontos Amostrados da Bacia do rio
Tocantins
Tabela 9 - Efetivo de Rebanhos na Bacia do rio Tocantins
Tabela 10 – Usinas Hidrelétricas em Operação
Tabela 11 - Disponibilidade Hídrica na Região Hidrográfica
Tabela 12 - Balanço Hídrico
Tabela 13 – Índices de Balanço Hídrico (%)
Tabela 14 – Transporte de Sólidos segundo as Estações Identificadas na Bacia
Tabela 15 - Integração dos dados geológicos e hidrogeológicos em função da
compartimentação das sub-bacias do rio Tocantins
Tabela 16 - Síntese das características dos aqüíferos que ocorrem na Bacia
Hidrográfica do Rio Tocantins

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Tabela 17 - Número de espécies e capturas, em número e peso (kg), por unidade de


esforço (m2 de rede/24 horas) nos locais onde foram efetuadas amostragens com
redes de espera.
Tabela 18 - Resultados de algumas variáveis detectadas nos pontos de coleta do rio
Tocantins, nas diferentes fases
Tabela 19 - Resultados de alguns parâmetros observados nos pontos de coleta dos
tributários, nas diferentes fases
Tabela 20 - Captura (t) desembarcada no Mercado Municipal de Imperatriz (MA) no
período de novembro de 1997 a outubro de 1998
Tabela 21 - Contribuição relativa (%) das cidades vizinhas, ao pescado
comercializado no Mercado Municipal de Imperatriz, no período de novembro de
1997 a outubro de 1998
Tabela 22 - Pescado proveniente do reservatório de Tucuruí, desembarcado no
Mercado Municipal de Imperatriz durante o período de novembro de 1997 a outubro
de 1998
Tabela 23 - Áreas potenciais para ocorrência mineral e unidades geológicas
relacionadas
Tabela 24 - Classificação da vulnerabilidade do relevo e área de abrangência – Bacia
do rio Tocantins
Tabela 25 – Principais Aplicações das Bandas 3, 4 e 5 do Sensor TM do Satélite
Landsat 5
Tabela 26 - Síntese da Caracterização do Meio Físico e dos Ecossistemas Terrestres
Tabela 27 - Algumas Variáveis de Importância na Bacia do Tocantins
Tabela 28 - Valor Agregado dos Dez Principais Municípios e da Bacia do Tocantins
(média de 2001 a 2003, a preços constantes de 2003)
Tabela 29 - Valor Agregado da Bacia do Tocantins, dividido por Unidades da
Federação (média de 2001 a 2003, a preços constantes de 2003)
Tabela 30 - Valor Agregado da Bacia do Tocantins, dividido pelas Sub-bacias (média
de 2001 a 2003, a preços constantes de 2003)
Tabela 31 - Número de Pessoas Empregadas por Setor de Atividade - 2004, segundo
a Bacia do Tocantins e Estados Integrantes
Tabela 32 - Número de Pessoas Empregadas por Setor de Atividade - 2004, segundo
as sub-bacias
Tabela 33 - Número de Pessoas Empregado nas Principais Atividades de Serviços –
2004
Tabela 34 - Pessoal empregado nas principais atividades industriais – 2004
Tabela 35 – Emprego no Setor Industrial dos Dez Principais Municípios da Bacia do
Tocantins (2004)
Tabela 36 - Pessoal empregado nas principais atividades primárias 2004

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Tabela 37 - Área plantada total e porcentagem do município ocupado com


agricultura – 2004
Tabela 38 - Rebanho bovino total e densidade de gado nos Estados da Bacia do
Tocantins (2004)
Tabela 39 - Quantidade extraída dos principais produtos de extração vegetal (2004)
Tabela 40 - Evolução do Valor Agregado nos municípios da Bacia do Tocantins, por
Unidade da Federação, 1999 – 2003
Tabela 41 - Crescimento do Valor Agregado nos municípios que mais contribuíram
para o crescimento da Bacia, 1999 – 2003, em reais constantes de 2003
Tabela 42 - Evolução Populacional da Bacia do rio Tocantins
Tabela 43 - Municípios com Maior Densidade Demográfica, excluindo-se as Áreas
Protegidas – 2000
Tabela 44 - Distribuição das taxas de urbanização municipais, por sub-bacia
Tabela 45 - Grau de variação do IDH-M, por sub-bacia
Tabela 46 - Registro de casos de doença de veiculação hídrica, por local de
internação
Tabela 47 - Municípios com Taxa de Analfabetismo da População acima de 15 anos
abaixo da taxa nacional
Tabela 48 - Terras Indígenas existentes na região da Bacia Hidrográfica do
Tocantins
Tabela 49 - Terras Indígenas existentes por Sub- bacias Hidrográficas do Rio
Tocantins
Tabela 50 - Municípios com ocorrência de Comunidades Remanescentes de Antigos
Quilombos
Tabela 51 - Distribuição espacial das comunidades quilombolas por sub-bacias
Tabela 52 – Características Atuais das Hidroviass do Tocantins e Araguaia
Tabela 53 - Movimentação nos Aeroportos Comerciais na Bacia do Tocantins em
2005
Tabela 54 - Características Gerais dos Centros Urbanos Brasileiros
Tabela 55 - Níveis de centralidade das cidades da Bacia do Tocantins
Tabela 56 - Bens Edificados na bacia do rio Tocantins
Tabela 57 - Municípios com bens tombados, por sub-bacia
Tabela 58 - Composição dos Indicadores da Dimensão Econômica
Tabela 59 - Composição dos Indicadores da Dimensão Demográfica
Tabela 60 - Composição dos Indicadores da Dimensão Social
Tabela 61 - Composição dos Indicadores da Dimensão Ambiental - Pressão
Antrópica

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Tabela 62 - Composição dos Indicadores da Dimensão Institucional


Tabela 63 - Plano de Referência para a região Norte – 2006-2015
Tabela 64 - APLs na Região da Bacia do Tocantins
Tabela 65 - Projetos de irrigação na Bacia Araguaia-Tocantins

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APRESENTAÇÃO
O relatório ora encaminhado é o segundo produto formal no âmbito do Contrato nº EPE-006,
celebrado entre a Empresa de Pesquisa Energética – EPE e o Consórcio CNEC – ARCADIS
Tetraplan, para realizar a Avaliação Ambiental Integrada (AAI) dos Aproveitamentos
Hidrelétricos da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins e seus formadores. O estudo é
considerado prioritário pelo Ministério de Minas e Energia – MME, conforme Convênio nº
013/2004, de 21 de dezembro de 2004, celebrado entre o referido Ministério e a Empresa de
Pesquisa Energética – EPE, para elaboração dos estudos de Avaliação Ambiental Integrada.

De acordo com o exposto no Termo de Referência, tendo em vista avaliar o uso dos solos e
das águas da bacia, bem como os prováveis impactos que a implantação do conjunto dos
aproveitamentos hidrelétricos devem ocasionar na bacia e, assim, dispor-se de elementos
para a proposição de diretrizes que estruturem o planejamento integrado da Bacia a médio e
longo prazo, os trabalhos propostos têm como objetivo geral:
 Avaliar a situação ambiental da Bacia do Tocantins, com os empreendimentos
hidrelétricos implantados e os potenciais barramentos, considerando:

(i) seus efeitos cumulativos e sinérgicos sobre os recursos naturais, as populações residentes
e atividades econômicas;

(ii) os usos atuais e potenciais dos recursos hídricos no horizonte atual e futuro de
planejamento de médio e longo prazo, tendo em conta a necessidade de compatibilizar a
geração de energia com a conservação da biodiversidade e manutenção dos fluxos gênicos,
a sociodiversidade e a tendência de desenvolvimento socioeconômico da Bacia Hidrográfica
do Rio Tocantins.

Como objetivos específicos, enumeram-se:


 Avaliar a situação ambiental da Bacia do Rio Tocantins com os empreendimentos
hidrelétricos implantados e os potenciais barramentos, considerando seus efeitos
cumulativos e sinérgicos mais prováveis;
 Desenvolver indicadores de sustentabilidade da bacia, tendo como foco os recursos
hídricos e a sua utilização para a geração de energia;
 Delimitar as áreas de fragilidades e de restrições ambientais;
 Indicar conflitos frente aos diferentes usos do solo e dos recursos hídricos da bacia e as
potencialidades advindas da implantação dos aproveitamentos hidrelétricos;
 A partir de uma visão mais abrangente, identificar diretrizes ambientais para a concepção
de novos projetos de geração de energia elétrica, visando o desenvolvimento sustentável
da bacia;
 Propor diretrizes para subsidiar: (i) estudos ambientais na Bacia Hidrográfica; (ii)
eventuais readequações de projetos e programas existentes ou em implantação; e a (iii)
implantação de futuros aproveitamentos hidrelétricos na Bacia do rio Tocantins para os
quais não foi outorgada concessão até a elaboração do AAI;

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 Estabelecer diretrizes para reduzir riscos e incertezas para o desenvolvimento


socioambiental e para o aproveitamento energético da Bacia.

Considerando a divisão dos estudos de Avaliação Ambiental Integrada em quatro etapas -


Caracterização da Bacia, Avaliação Ambiental Distribuída – AAD e Conflitos, Avaliação
Ambiental Integrada – AAI e Elementos de Suporte às Recomendações e Diretrizes -, o
produto em questão consubstancia a Caracterização da Região, cujo objetivo é “... obter um
panorama geral da bacia, de modo a permitir a identificação e espacialização dos elementos
que mais se destacam na situação atual, bem como suas tendências evolutivas...1”.

em que se disponibilizam os resultados principais, organizados da seguinte forma:


 Capítulo I - Antecedentes: neste item é abordado o histórico de ocupação da região,
visando resgatar uma primeira análise retrospectiva da Bacia, com destaque para as
últimas três décadas, incluindo-se também um panorama geral da Bacia, seus principais
números, bem como os aproveitamentos hidrelétricos em suas diferentes fases
(operação, implantação e planejamento) e temas e cortes de análises focados e
funcionais;
 Capítulo II – Caracterização da Bacia do rio Tocantins e seus Formadores: envolve
temas e aspectos de clima, recursos hídricos e ecossistemas aquáticos, meio físico e
ecossistemas terrestres e socioeconomia, além da avaliação da matriz institucional, da
legislação aplicável e dos planos, programas e projetos co-localizados.

Cabe destacar que a metodologia proposta para desenvolvimento do presente estudo de AAI
tem como um de seus princípios seguir um processo de retroalimentação, ou seja, as quatro
etapas já mencionadas serão elaboradas de maneira integrada e seqüencial e, à medida que
o trabalho evolui e que decorram as análises, pode-se verificar a necessidade de
aperfeiçoamento de produtos já apresentados.

Considerando a grande extensão da bacia, com cerca de 380 mil km2 distribuídos em 224
municípios em quatro estados e agrupados em cinco sub-bacias, com todas as diferenças
advindas das especificidades regionais e territoriais, envolvendo análises de mais de 20
temas, a presente Caracterização gerou um documento extenso, mas que avalia os aspectos
relevantes de cada um destes temas para a área de estudo. Em função disso, o relatório está
organizado em três volumes:
 Volume I: Caracterização da Bacia do Tocantins;
 Volume II: Atlas do Projeto, composto por três distintos Cadernos de Mapa: Caderno A
(temas apresentados na escala 1:250.000); Caderno B (temas apresentados na escala
1:1.000.000) e Caderno C (reúne basicamente os mapas da caracterização
socioeconômica, em escala 1:4.000.000). Essa diferenciação de escalas decorre do fato
de, dependendo do tema espacializado no mapa, ser necessária a utilização de escalas
específicas para seu correto entendimento e visualização;
 Volume III – Anexos.

1
Conforme item 3.2 do “Termo de Referência para o Estudo: Avaliação Ambiental Integrada dos Aproveitamentos Hidrelétricos
na bacia do rio Tocantins”.
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I. Antecedentes
A grande diversidade hidrológica existente nas diferentes regiões do Brasil possibilita maiores
oportunidades de integração do sistema elétrico, por meio de ligações inter-regionais,
permitindo atender as demandas dos centros de consumo em variadas bacias hidrográficas e
otimizando a distribuição e utilização de energia no país. Essas interligações proporcionam
uma disponibilidade de energia superior à que se poderia obter pela operação isolada desse
mesmo conjunto de usinas, o que otimiza o desempenho do sistema global, tornando
fundamental o planejamento integrado da expansão dos sistemas de energia no país.

Em virtude do tempo demandado para maturação de empreendimentos hidrelétricos, base da


oferta de energia no país, bem como das peculiaridades inerentes à diversidade hidrológica,
o planejamento da expansão da matriz energética brasileira vem evoluindo por meio de uma
seqüência de estudos referenciais, com horizontes temporais abrangentes, e em
aproximações sucessivas, para possibilitar a tomada efetiva de decisão quanto à expansão
da matriz elétrica em tempo hábil. Esses estudos, em função dos horizontes temporais e das
decisões envolvidas, são elaborados em etapas e representados essencialmente por dois
planos.

O Plano Nacional de Energia Elétrica valoriza estudos de longo prazo do setor elétrico,
confrontando horizontes de até 30 anos para: as perspectivas de evolução do mercado de
energia elétrica; as disponibilidades de fontes energéticas primárias para geração, assim
como as tendências de evolução tecnológica e do custo marginal; as necessidades do
processo de desenvolvimento industrial. No caso da geração hidrelétrica, este plano aponta
as bacias hidrográficas prioritárias para a realização de estudos de Inventário Hidrelétrico,
tendo em vista suportar o processo decisório quanto à implantação dos aproveitamentos
hidrelétricos.

O Plano Decenal de Energia Elétrica – PDEE 2006-2015 efetua estudos para subsidiar as
decisões de mais curto prazo, a fim de programar a melhor seqüência de obras para os
primeiros 10 anos do horizonte de longo prazo, valorizando-se custos competitivos, aporte de
energia em locais estratégicos do ponto de vista do sistema interligado, entre outros aspectos
que otimizam a expansão. A priorização das obras indicadas por estes estudos é revista
anualmente em função dos condicionantes de mercado, das avaliações da viabilidade e de
custos marginais de expansão, bem como em função de atrasos de obras e da expectativa
de disponibilidade de recursos financeiros.

Os estudos de planejamento guardam estreita relação com aqueles necessários para o


desenvolvimento de um projeto específico, ou seja:
 Para o caso dos aproveitamentos hidrelétricos, inicia-se com os estudos de inventário,
definindo-se sua concepção inicial e buscando o melhor aproveitamento do potencial
hidrelétrico da bacia hidrográfica;

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 Em seguida, elabora-se a análise de sua viabilidade para subsidiar o processo de


licitação prévio à concessão, seguida da aprovação dos respectivos projetos básico e
executivo.

Considerando-se esses marcos temporais de longo prazo e a função precípua do


planejamento, deve-se ter em mente a importância da Bacia do Rio Tocantins, com sua
notável disponibilidade hídrica e papel estratégico em termos de posição espacial relativa
frente às demais regiões e bacias hidrográficas brasileiras.

É nesse contexto que se insere a presente Avaliação Ambiental Integrada, tendo em vista o
planejamento integrado da Bacia Hidrográfica, considerando-a como um ente único, em que
as sucessivas implantações de aproveitamentos hidrelétricos certamente gerarão impactos e
efeitos que devem ser avaliados de forma acumulada e sinergizada, à luz do seu almejado
desenvolvimento sustentável.

1. OS NÚMEROS DA ÁREA DE ESTUDO E DOS


EMPREENDIMENTOS
Duas referências são importantes logo no início dos estudos: uma primeira diz respeito à
localização da Bacia e sua extensão, com suas Sub-bacias e municípios integrantes, entre
outros aspectos que, desde já, dêem os contornos das questões a serem destacadas; e, uma
segunda, aponta as características básicas dos aproveitamentos hidrelétricos em análise,
sinalizando seu potencial e respectiva inserção nas diretrizes do Plano Nacional de Energia
Elétrica e no Plano Decenal de Energia Elétrica - PDEE 2006-2015.

1.1. Abrangência e Extensão da Bacia


A Bacia do Rio Tocantins insere-se na Região Hidrográfica Tocantins-Araguaia, que abrange
parte do território da região Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país. Trata-se de uma bacia
completamente inserida em território nacional e com um grande potencial hídrico. Em função
desse potencial, atrelado à sua posição que lhe confere vantagens locacionais, a região
assume papel estratégico na matriz hidrelétrica nacional, com uma série encadeada de
aproveitamentos hidrelétricos previstos. Em função disso, o Ministério de Minas e Energia -
MME optou por elaborar AAIs específicas para os rios Tocantins e Araguaia. O presente
estudo trata apenas da Bacia do Rio Tocantins.

A Bacia do Rio Tocantins possui superfície de 379.774 km2, o que representa 39,4% da
região hidrográfica Tocantins-Araguaia, englobando os Estados do Pará (19,4%), Maranhão
(7,6%), Tocantins (46%), Goiás (26%) e Distrito Federal (1%). Grande parte dessa bacia
encontra-se na região Centro-Oeste do país, onde está a nascente do rio, dirigindo-se para a
região Norte, onde está a foz do rio.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, a Bacia do Tocantins está
subdividida em cinco sub-bacias, abrangendo 224 municípios, podendo-se resumir essa
informação, apresentada em tabela anexa, na Tabela 1 - Número de Municípios da Bacia do
Rio Tocantins por Estado e por sub-bacias a seguir:

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Tabela 1 - Número de Municípios da Bacia do Rio Tocantins por Estado e por sub-
bacias

Estado Total SB 20 SB 21 SB 22 SB 23 SB 29

Goiás 79 51 19 9 0 0

Maranhão 20 0 0 0 20 0

Pará 25 0 0 0 1 24

Tocantins 99 2 11 47 39 0

TOTAL 224 54 30 56 60 24
2
TOTAL (km ) 379.830,25 64.393,77 63.211,35 107.556,19 70.980,25 73.691,31

Fonte: Consórcio CNEC-ARCADIS Tetraplan

Uma vez que os limites territoriais das sub-bacias não são coincidentes com os limites
municipais, mas, por outro lado, é na instância do governo municipal que as recomendações
e diretrizes serão recebidas e incorporadas, foi adotado critério territorial com base na divisão
em municípios para delimitação da abrangência da área de estudo, de tal forma que:
 Foram excluídos aqueles municípios cuja área inserida na bacia é inferior a 10%. Essa
linha de corte foi estabelecida uma vez que grande parte dos municípios contidos na
área de estudo apresenta densidade demográfica bastante baixa e, portanto, essas
pequenas porções de áreas municipais localizadas na área de estudo representariam
muito pouco frente ao universo do trabalho;
 Com relação às sub-bacias, adotou-se como critério considerar localizado em
determinada sub-bacia aqueles municípios cuja sede esteja situada na mesma.

Com base nesses cortes, verifica-se que a maioria dos municípios da Bacia Hidrográfica em
questão pertence ao Estado do Tocantins e, na seqüência, a Goiás. O número de municípios
dos Estados do Pará e do Maranhão que compõem a Bacia é praticamente equivalente em
ambos.

Em relação às Sub-bacias, a Sub-bacia 23 abrange o maior número de municípios, seguida


pelas Sub-bacias 22 e 20, cujos números são semelhantes entre si e, por último, está a Sub-
bacia 29.

Em termos regionais, a área dos formadores e as cabeceiras do rio Paranã situam-se na


região Centro-Oeste do país (porção do Estado de Goiás) e todo o Médio e Baixo cursos do
rio Tocantins pertencem à região Norte (porções dos estados do Pará e Tocantins), com
exceção de um pequeno trecho situado no estado do Maranhão, na região Nordeste. Cabe
destacar ainda que os municípios do Pará e do Tocantins, e parte do território maranhense,
estão inseridos na região denominada Amazônia Legal, instituída por lei, para fins de
planejamento econômico e gestão dos recursos.

De acordo com a classificação dos cursos do Rio Tocantins em alto, médio e baixo, é
possível identificar de que forma se inserem as sub-bacias na área:
 Alto Tocantins: engloba as sub-bacias 20, onde estão seus formadores, e a 21. A sub-
bacia 20 está basicamente em território goiano, envolvendo ainda o Distrito Federal e
dois municípios do Estado do Tocantins, e tendo como principais tributários os rios
Descoberto, das Almas, Tocantinzinho e Maranhão. Já a sub-bacia 21 está parcialmente

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inserida nos Estados de Goiás e Tocantins e tem como principal tributário o rio Paranã e
seus afluentes São Domingos e Palma;
 Médio Tocantins: engloba as sub-bacias 22 e 23. A sub-bacia 22, correspondente ao
trecho sul do médio Tocantins, situa-se predominantemente em território tocantinense,
envolvendo ainda alguns municípios de Goiás. Tem como principais tributários os rios
Cana Brava, Santa Tereza, Santo Antonio, São Valério, Manuel Alves e seus afluentes
das Balsas, Perdido, do Sono. Já a sub-bacia 23, correspondente ao trecho norte do
médio Tocantins, compreende porção dos Estados de Tocantins e Maranhão, tendo
como principais tributários os rios Manuel Alves Grande, Farinha e Lajeado;
 Baixo Tocantins: engloba a sub-bacia 29, onde está a foz do rio Tocantins. Essa sub-
bacia está completamente inserida em território paraense e tem como principais
tributários os rios Parauapebas, Sororó, Cajazeiras e Itacaiúnas.

O Mapa A1, que constitui o chamado Mapa Base, ilustra a área de estudo e a divisão das
sub-bacias e encontra-se no Caderno de Mapas A do Atlas do projeto. Adicionalmente, inclui
a localização dos aproveitamentos hidrelétricos, separando-se os já em operação daqueles
previstos, segundo informações da ANEEL, cujos detalhes são discutidos a seguir.

1.2. Principais Características dos Aproveitamentos Hidrelétricos em


Operação e Previstos
A Bacia do rio Tocantins, tendo em vista suas características físicas e grande disponibilidade
hídrica, assume papel de destaque na matriz energética nacional, principalmente quando se
avalia a potência instalada dos aproveitamentos hidrelétricos em operação e a dos previstos.

A Tabela 2 – Principais Características dos Aproveitamentos Hidrelétricos – AHES em


Operação e Previstos e a Tabela 3 – Principais Características das Pequenas Centrais
Hidrelétricas – PCHs em Operação e Previstas, apresentadas a seguir, mostram a relação
dos AHEs e PCHs em operação ou previstas para a bacia do rio Tocantins, destacando a
cena em que se insere, sua situação (fase de implantação), o rio onde está instalado ou
previsto, a unidade da federação e a sub-bacia em que se localizam e sua potência instalada.
Cabe destacar que estão sendo considerados no âmbito desse estudo todos os
aproveitamentos hidrelétricos, inclusive aqueles com potência instalada inferior a 30 MW.
Totaliza-se, portanto, 34 Aproveitamentos Hidrelétricos – AHEs e 62 Pequenas Centrais
Hidrelétricas - PCHs,

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Tabela 2 – Principais Características dos Aproveitamentos Hidrelétricos – AHES em Operação e Previstos

Potência
Sub-
Cena Situação AHE instalada Rio UF
bacia
MW
Cana Brava 450 Tocantins 20 GO
Luis Eduardo Magalhães 22
902,5 Tocantins TO
(Lajeado)
Peixe Angical 452 Tocantins 21 TO
A - Atual: configuração com Em operação
aproveitamentos, contemplando Serra da Mesa 1.275 Tocantins 20 GO
os empreendimentos em Tucuruí I e II 8.370 Tocantins 29 PA
operação, em instalação e com
estudos de viabilidade Isamu Ikeda (1) 27,6 Balsas Mineiro TO
aprovados e licenças prévias
São Domingos (1) 12 São Domingos GO
obtidas
Em construção 20 TO/G
São Salvador 241 Tocantins
LI concedida O
Com concessão 23
Estreito 1.087 Tocantins TO/MA
LP concedida
B - Médio prazo: considerar o EV em análise pela Mirador 80 Tocantinzinho 20 GO
cenário A adicionando os ANEEL
empreendimentos hidrelétricos Serra Quebrada 1.328 Tocantins 23 TO/MA
em processo de licenciamento PDEE 2006-2015
Tupiratins 620 Tocantins 23 TO
prévio e com estudos de
inventário hidrelétrico EV em elaboração ou Buriti Queimado 142 das Almas 20 GO
aprovados (2015) revisão
Maranhão 125 Maranhão 20 GO

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Potência
Sub-
Cena Situação AHE instalada Rio UF
bacia
MW
PDEE 2006-2015 Novo Acordo 160 Sono 22 TO
Tocantins (2) 480 Tocantins 22 TO
C - Longo prazo: considerar o Arraias 93 Palma 21 TO
cenário B com o eventual
potencial hidrelétrico Barra do Palma 58 Palma 21 TO
remanescente (2025) Brejão 75 do Sono 22 TO
Capoeira (3) 13 Urú 21 GO
EV em elaboração ou
revisão Guariba (3) 10,5 do Peixe 21 GO
Heitoraí (3) 9,3 Uru 21 GO
Marabá 2.160 Tocantins 29 PA/MA
Porteiras 86 Maranhão 20 GO
Rialcema (3) 12 do Peixe 21 GO
EIH aprovados pela Cachoeira Velha 81 do Sono 22 TO
ANEEL
Foz do Atalaia 72 Paranã 21 GO
Laguna 36 Maranhão 20 GO
Nova Roma 51 Paraná 21 GO
Paranã 95 Paranã 21 TO
Pau D'Arco 64 Palma 21 TO

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Potência
Sub-
Cena Situação AHE instalada Rio UF
bacia
MW
Perdida II 48 do Sono 22 TO
Rio Sono 168 do Sono 22 TO
São Domingos 70 Paranã 21 TO

Fonte: EPE – Empresa de Pesquisa Energética / ANEEL (Relatório Mensal Outubro/2006)


Legenda:
(1) = nova denominação do AHE Ipueiras
(2) = Estudos de Inventário Hidrelétrico - EIH em elaboração; os dados podem ser alterados após aprovação da ANEEL (partição de queda,
aproveitamentos, potência, níveis, localização etc.)

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Tabela 3 – Principais Características das Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs em Operação e Previstas

Cenários Situação PCH Potência Rio Sub- UF


instalada bacia
MW
A - Atual: configuração com Em operação (6) Taguatinga 1,8 Abreu 21 TO
aproveitamentos, contemplando
os empreendimentos em Lageado 1,8 Lageado 21 TO
operação, em instalação e com Grande
estudos de viabilidade Dianópolis 5,5 Manoel Alvinho 22 TO
aprovados e licenças prévias
obtidas Agro-Trafo 14,04 Palmeiras 21 TO
Diacal II 5,04 Palmeiras 21 TO
Sobrado 4,82 Sobrado 21 TO
LI concedida Muçungo 9,99 Arraial Velho 20 GO
PB aprovado com Palma 27 Maranhão 20 GO
outorga de autorização
(3) São Domingos II 24,34 São Domingos 21 GO
B – Médio Prazo (2015): Com PB aprovado com Mambaí II 12 Corrente 21 GO
projetos básicos aprovados, em outorga de autorização
análise ou em elaboração e que (8) Água Limpa 14 Palmeiras 21 TO
estejam com a entrada em Areia 11,4 Palmeiras 21 TO
operação prevista no horizonte
do PDEE 2006-2015 Boa Sorte 16 Palmeiras 22 TO
Lagoa Grande 21,5 Palmeiras 22 TO
Porto Franco 30 Palmeiras 22 TO

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Cenários Situação PCH Potência Rio Sub- UF


instalada bacia
MW
Riacho Preto 9,3 Palmeiras 22 TO
Piranhas 18 Piranhas 23 GO
Com outorga de Cachoeira da Ilha 9 Farinha 23 MA
autorização (2)
Cachoeira da Usina 12 Farinha 23 MA
PB aprovado São Patrício 3 das Almas 20 GO
encaminhado para
outorga de autorização Lajes 2,06 Lajes 21 TO
(3) Agro-Trafo 5 Palmeiras 21 TO
PB com outorga de do Sal 14,013 Maranhão 20 GO
autorização
condicionada (1)
PB em fase de outorga Santa Mônica 30 das Almas 21 GO
de autorização
condicionada (1)
PB em análise (1) Piquete 12 Maranhão 20 GO
PB em elaboração (4) Galheiros I 8,2 Galheiros 21 GO
Doido 6 Palmeiras 21 TO
Vãozinho 9,63 Ribeirão 20 GO
Cachoeirinha
São Domingos III 16 São Domingos 21 GO
C – Longo Prazo (2025): com EIH aprovados (33) Fazenda Santa Maria 1,7 Angicos 20 GO
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Cenários Situação PCH Potência Rio Sub- UF


instalada bacia
MW
estudos de inventário Boca da Mata 4 Bagagem 20 GO
hidrelétrico aprovados
São Bento 9,3 Bagagem 20 GO
Piracanjuba Eixo 3 4 Buritis 21 GO
Alvorada 10,3 Corrente 21 GO
(revisão)
Mambaí 13,6 Corrente 21 GO
(revisão)
Vermelho 1 7,8 Corrente 21 GO
(revisão)
Vidal 6,3 Corrente 21 GO
(revisão)
Araras 3,4 das Almas 21 GO
Bonsucesso 17 das Almas 20 GO
Ceres 26 das Almas 20 GO
Rialma 17 das Almas 20 GO
Rio Azul 4,4 das Almas 21 GO
Arara 30 do Sono 22 TO
Perdida l 24 do Sono 22 TO
Soninho 20 do Sono 22 TO

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Cenários Situação PCH Potência Rio Sub- UF


instalada bacia
MW
Pindaíba 8,1 dos Bois 21 GO
(afluente rio
Pindaíba)
Verde 04 Baixo 10,5 dos Bois 21 GO
Corredeira do Porão 5,6 Farinha 23 MA
Barra do Mambo 3,61 Manuel Alves 21 TO
Cavalo Queimado 1,51 Manuel Alves 21 TO
Manuel Alves 8 Manuel Alves 21 TO
Manuel Alvinho 2,78 Manuel Alves 21 TO
Rio da Conceição 3,97 Manuel Alves 21 TO
Manuel Alvinho 2 1,26 Manuel Alvinho 21 TO
Cocal (rio Arraial Velho) 10 Maranhão 20 GO
(trecho e
afluente Arraial
Velho)
Cachoeira 4 Palmeiras 21 TO
Piarucum 7 Palmeiras 21 TO
Silvânia 5 Palmeiras 21 TO
Buritizinho 4,04 Ribeirão 20 GO
Cachoeirinha

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Cenários Situação PCH Potência Rio Sub- UF


instalada bacia
MW
Colinas 25,5 Tocantinzinho 20 GO
Pindaíba 4,2 Urú 20 GO
Serra Grande 9 Verde 20 GO
Fonte: EPE – Empresa de Pesquisa Energética / ANEEL (Relatório Mensal Outubro/2006)

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2. HISTÓRICO DE OCUPAÇÃO
A Bacia do Tocantins tem sido base de um processo dinâmico de crescimento econômico,
resultante especialmente da expansão da fronteira agropecuária, intensificada a partir dos
anos 60 e 70, quando da implantação das políticas de integração nacional, via ocupação de
terras disponíveis especialmente na região Centro-Oeste e Norte do país, com destaque para
o território amazônico.

Não há unanimidade nem mesmo entre os historiadores sobre a espacialidade da ocupação


econômica e demográfica. De qualquer forma, os registros indicam, conforme Ilustração 1 –
Principais Rotas de Ocupação do Território da bacia do Tocantins que a ocupação da Bacia
deu-se por meio de dois movimentos praticamente simultâneos: (i) um indo de sua porção
centro-norte em direção ao sul, e (ii) outro, na região de seus formadores, tendo evoluído em
direção ao centro e, finalmente, para o norte.

Ilustração 1 – Principais Rotas de Ocupação do Território da bacia do Tocantins

2.1. O Início da Ocupação

------ Movimentos ligados à expansão da


pecuária
------ Movimentos ligados à captura de índios
------ Movimentos ligados à exploração da
mineração

O descobrimento do atual território da bacia do Tocantins provavelmente deveu-se a


expedicionários franceses. O historiador Antônio Ladislau Monteiro Bueno aponta que “em
1610 uma expedição de quarenta soldados expedidos do Maranhão ao Pará topou com a
serra dos Pacajás”, nas proximidades da atual usina de Tucuruí, na região do baixo
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Tocantins. Em 1613, nova expedição partiu de São Luís do Maranhão, adentrando,


novamente pela foz, as áreas ribeirinhas do rio Tocantins.

O historiador Almeida Prado confirma estes fatos e relata ainda que o fidalgo La Planque
chegou à confluência do rio Tocantins com o rio Araguaia, agregando-se às nações
indígenas. Como neste período o Forte aí existente havia sido tomado pelos portugueses, La
Planque permaneceu na região por treze anos. Almeida Prado ainda escreve: “Os
Tupinambás habitavam a região próxima à cachoeira de Santo Antonio, hoje cidade de
Itaguatins, sendo de presumir que La Planque haja subido mais ainda o rio Tocantins”.

Quase ao mesmo tempo da investida francesa pela foz, foram iniciadas as entradas paulistas
pelas nascentes do Tocantins, seguindo-se até por volta de 1618, com o principal intuito de
capturar índios. Em 1590, uma pequena bandeira atingiu as nascentes do rio Tocantins,
descobrindo metais preciosos.

Durante toda a segunda metade do século XVII, após o fim do saque das missões do sul do
Brasil, os paulistas estavam de volta ao Planalto Central e aos formadores do rio Tocantins,
estimulados pela possibilidade de exploração de minas de ouro e à captura de índios. As
diversas entradas a partir de terras paulistas aparentemente foram paralisadas com a
descoberta de ouro nas Minas Gerais.

A partir desses marcos temporais, os ciclos históricos da economia regional podem ser assim
resumidos:
 Exploração de gado - expansão das fazendas de criação dos sertões da Bahia,
Pernambuco, Piauí, a partir do século XVII, prolongando-se até a terceira década do
século XVIII, quando se descobrem as minas de ouro em Natividade, Arraias, Almas,
entre outros;
 Mineração de ouro, que se estende até o final do século XVIII;
 Novo ciclo da pecuária, a partir do final do século XVIII até o século XIX;
 Lavoura de algodão e fumo, sob o incentivo da coroa Portuguesa com a praça de Belém,
a partir da segunda metade do século XVIII;
 Borracha de mangabeira (caucho), no início do século XX, resultando na colonização do
Vale do rio Araguaia;
 Mineração de cristal de rocha, antes da construção da rodovia Belém - Brasília.

Os principais ciclos econômicos na região, como apresentado, de alguma forma repetem-se e


estão ligados à combinação da mineração e pecuária, sendo o território ocupado lentamente,
dando origem a inúmeros povoados que acabaram por estruturar suas cidades e a frágil rede
urbana.

Cabe ressaltar que, na segunda década do século XIX, com o fim da mineração, os
aglomerados urbanos tiveram seu crescimento estagnado ou desapareceram e grande parte
da população abandonou a região. A população remanescente foi para a zona rural e
dedicou-se à criação de gado e agricultura, produzindo apenas algum excedente para
aquisição de gêneros essenciais. A região entrou em processo de estagnação econômica,
resultando em uma paisagem de abandono, despovoamento, pobreza e miséria nas
primeiras décadas do século XIX.

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Nesse quadro, a política de ocupação da época passou a valorizar cada vez mais o
povoamento, por via da agricultura e da pecuária e, assim, estimulou o comércio com outras
regiões. Como saída para a crise, as atenções voltaram-se para as possibilidades de ligação
comercial com o litoral, por meio da capitania do Pará, pela navegação dos rios Tocantins e
Araguaia.

Nas primeiras décadas do século XIX, já se apontava a navegação dos rios Tocantins e
Araguaia como alternativa para o desenvolvimento da região, estimulando relações
comerciais mais vantajosas, tanto no norte, como em toda a Capitania, diferente do
tradicionalmente realizado com a Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Esse tipo de ocupação,
até a década de 50 do século passado, continuou impondo um padrão de ocupação rarefeito,
com poucos aglomerados urbanos.

2.2. História Recente


A história recente da área da Bacia do rio Tocantins é marcada pela interiorização da Capital
Federal, objetivo sempre presente, no sentido de estabelecer o centro político-administrativo
do Brasil em local afastado da costa atlântica, servindo de ponto de partida para a ocupação
efetiva do Centro-Oeste e da Amazônia.

Nesse sentido, o decreto nº 43.710/58, assinado pelo presidente Juscelino Kubitschek por
ocasião da construção de Brasília, criou a Comissão Executiva da Rodovia Belém-Brasília
(RODOBRÁS), autarquia subordinada à Superintendência do Plano de Valorização
Econômica da Amazônia (SPVEA), posteriormente SUDAM.

A construção e operação da rodovia Belém-Brasília, no início da década de 60, provocou


significativas transformações na realidade socioeconômica da região Araguaia-Tocantins,
mudando a orientação dos fluxos de produção e comercialização e também o comportamento
do processo migratório, que se intensificou, principalmente ao longo da rodovia.

Com a rodovia, iniciou-se o transporte de minérios, de toras de madeira e de bananas, com


destino ao sul do país. Nessa época, o vale dos rios Araguaia-Tocantins apontava
extraordinárias potencialidades em termos de disponibilidade de terras aptas, abundância de
água, presença de minérios, fauna, flora rica e diversificada, mas ainda carente de infra-
estrutura econômica (transporte, energia e comunicações) e social (educação e saúde),
prevalecendo baixos níveis de renda, em que a miséria, a doença e o analfabetismo
conviveram.

Dentre os efeitos provocados pela Rodovia Belém-Brasília, pode-se apontar que, com o
adensamento dos fluxos migratórios, alterações profundas começaram a ocorrer no modo de
vida dos antigos moradores. As derrubadas indiscriminadas e a expulsão dos “posseiros”
alteraram o cotidiano de vida dos sertanejos que, antes, tinham na caça, na pesca e no
extrativismo vegetal a sua forma de sobrevivência.

Desconhecendo seus direitos de posse e outras garantias legais, o sertanejo migrou para as
novas comunidades que se formaram ao longo da Rodovia Belém-Brasília, procurando
melhores condições de educação, saúde e emprego. Em movimento oposto, o migrante com
mais posses avançava nos sertões para estabelecer a propriedade rural, com atividades e
tecnologias antes desconhecidas nas ribeiras: trator, gado de raça, plantação de soja, entre
outros. Num primeiro momento, os latifúndios ainda improdutivos, mas com título de

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propriedade, cercados de arame, traçaram o perfil da especulação do mercado imobiliário


futuro.

Cabe destacar ainda que a porção norte da bacia, em território amazônico, também sofreu a
influência de um processo específico de ocupação. Até meados da década de 60, a porção
amazônica da Bacia permaneceu com reduzida capacidade de sustentação para as
atividades agropecuárias. O elevado custo de transporte e as demais dificuldades para a
exploração econômica (infra-estruturas, mercados consumidores, assistência técnica, entre
outros) inviabilizavam a sua ocupação.

A partir de meados da década de 60 e, principalmente, a partir dos anos 70, a ocupação da


Amazônia em geral, e também no âmbito da Bacia, passou a ser percebida pelo governo
militar como solução para as tensões sociais internas vividas no país, decorrentes da
expulsão de pequenos produtores do Nordeste e do Sudeste, em função da agricultura mais
moderna. A partir daí, intensificou-se um planejamento regional da Amazônia, ainda que de
forma pouco estruturada.

Em 1966, o Banco de Crédito da Amazônia (BCA) transformou-se no Banco da Amazônia


S.A. (BASA) e a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia
(SPVEA), na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). O BASA e a
SUDAM foram os dois instrumentos financeiros do governo brasileiro para desenvolver
atividades agropecuárias na região (VEIGA et. al., 2003; BECKER, 2001). A despeito dessas
novas e modernas instituições, o projeto geopolítico para a Amazônia apoiou-se, sobretudo,
em estratégias territoriais que começaram a implementar a ocupação regional. As principais
estratégias, segundo BECKER (2001), citando BECKER (1990), foram:
 Implantação de redes de integração espacial – rede rodoviária, rede de
telecomunicações comandada por satélite, rede urbana e rede hidroelétrica;
 Subsídios ao fluxo de capital e indução dos fluxos migratórios;
 Superposição de territórios federais sobre os estaduais, pela apropriação de terras dos
Estados.

As medidas do governo militar constituíram-se no ponto de inflexão das características até


então observadas. A atividade agropecuária passou a ser viável, introduzindo-se o elemento
dinamizador e acelerador da velocidade de ocupação. A ainda inexistente infra-estrutura
econômica, associada à baixa densidade demográfica, criou uma situação de preços de terra
reduzidos, quando não se cedia os terrenos pelo Estado, gerando estímulos para a
articulação dessa região com o restante do país.

A dinâmica de ocupação induzida pelo Estado transformou profundamente a região,


principalmente em sua porção norte, deslocando as populações tradicionais que viviam dos
produtos da floresta, tais como a castanha do Pará, a seringa e a pesca, para um novo
modelo de desenvolvimento regional.

O avanço da fronteira econômica estruturou-se de forma a permitir a articulação comercial da


região ao mercado nacional e às demandas de expansão de suas estruturas produtivas,
articulando-se à economia do Centro-Sul do país. Assim, lentamente as imensas áreas
vazias, tanto do centro-sul da bacia quanto de sua porção norte, foram sendo incorporadas
ao processo de crescimento econômico.

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No Pará, o que começou como um garimpo oportunista e desorganizado tornou-se uma área
de mineração na Serra dos Carajás, com escoamento pela Ferrovia Carajás - Porto de Itaqui.
Com a implantação da usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, de vias terrestres, aeroportos,
redes de telecomunicações e a partir dos mencionados incentivos fiscais concedidos pelo
Banco da Amazônia, o setor privado começou a intensificar o fortalecimento econômico
regional.

Enquanto ao longo da Rodovia Belém-Brasília e suas conexões com a região Norte


cresceram e expandiram-se as áreas urbanas, instalando-se também parques agroindustriais,
a navegação no rio Tocantins foi enfraquecendo como meio de transporte principal, tendo
sido desativadas as linhas hidroviárias Porto Nacional-Lajeado, Tocantínia-Pedro Afonso-
Carolina e Carolina-Tocantinópolis-Belém. Tal processo implicou o empobrecimento da região
ribeirinha, principalmente ao sul de Estreito/Carolina.

Com a criação do Estado do Tocantins em 1989, a fundação da capital administrativa Palmas


e a implantação da usina hidrelétrica de Lajeado, neste trecho do rio Tocantins, nos meados
da década de 90, esta região junto ao rio sofreu novo impulso, delineando-se novos focos de
crescimento econômico ligados à prestação de serviços.

Desta feita, o histórico de ocupação permite concluir que a área abrangida pela bacia do rio
Tocantins constitui território em transformação, com modelo de ocupação ainda não esgotado
e, portanto, suscetível a grandes mudanças, não necessariamente lineares.

As obras de infra-estrutura já implantadas e as projetadas (usinas hidrelétricas, hidrovia


Araguaia-Tocantins, ferrovia Norte-Sul, entre outras) formam um capital físico que, em
conjunto, propicia a consolidação dos investimentos produtivos já realizados, podendo surgir
oportunidades econômicas ainda não exploradas na região, intensivas em energia, com
desdobramentos no complexo industrial.

De um lado, cada vez mais se amplia a capacidade econômica da bacia, ao se viabilizar o


escoamento de sua produção tanto para o sul como para o norte, aumentando-se sua
competitividade no mercado nacional e mesmo mundial. Ou seja, cada vez mais se percebe:
 Setorialmente, forte e variado dinamismo econômico na agropecuária (grãos e pecuária
bovina) e a mineração (extração e transformação), com coeficientes de consumo de
água significativos, aliado a um conseqüente e significativo crescimento populacional e,
portanto de abastecimento;
 Espacialmente, com significativa diversidade, padrões de evolução mais rápidos e
consistentes na porção sul da bacia, em áreas de cerrado, e ao norte (mineração e
pecuária bovina), coincidindo com as porções dos estados de Goiás e Pará,
respectivamente sub-bacias 20 e 29; em porções mais ao centro permanecem ainda
vazios econômicos (sub-bacias 22 e 23), com diferenças grandes regidas pelo eixo da
rodovia Belém-Brasília; e o papel de Palmas, a única capital que se insere na bacia,
ainda passando por um intenso processo de transformação.

De outro lado, os recursos hídricos existentes na bacia do rio Tocantins e seus Estados
integrantes fortalecem, no contexto nacional, a função de provedora de energia elétrica.

Este histórico de ocupação diferenciado, ora lento, ora mais veloz e intenso, e as
transformações antevistas constituem uma síntese preliminar, mas que já dá os contornos

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das questões, conflitos, fragilidades, suscetibilidades e potencialidades que serão abordadas


no bojo da caracterização da bacia de forma focada e funcional.

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II CARACTERIZAÇÃO DA BACIA DO
RIO TOCANTINS
Segundo a política energética nacional, a vocação regional e estratégica da Bacia do Rio
Tocantins está ligada ao seu grande potencial hidroenergético, destinando-se à implantação
de múltiplos empreendimentos de geração de energia hidrelétrica. Nesse contexto, o grande
desafio é compatibilizar, de maneira sustentável, a instalação desses empreendimentos com
os aproveitamentos já existentes, com o menor impacto socioambiental possível.

A Avaliação Ambiental Integrada - AII tem papel fundamental nesse sentido, uma vez que
“visa identificar e avaliar os efeitos sinérgicos e cumulativos resultantes dos impactos
ambientais ocasionados pelo conjunto de aproveitamentos hidrelétricos nas bacias
hidrográficas do país”2, nesse caso específico, a bacia do rio Tocantins.

A caracterização da bacia hidrográfica do rio Tocantins está organizada em três grandes


blocos temáticos:
 Recursos Hídricos e Ecossistema Aquático;
 Meio Físico e Ecossistemas Terrestres; e,
 Socioeconomia, envolvendo a economia, o comportamento demográfico, as condições
de vida, as populações tradicionais, o patrimônio histórico, cultural e arqueológico, a rede
urbana e a infra-estrutura de transportes.

Em complementação a essas informações, apresenta-se ainda uma caracterização dos


aproveitamentos hidrelétricos existentes, bem como a análise da matriz institucional atuante,
a legislação pertinente e os planos e programas federais ou estaduais que tenham alguma
interface com a bacia.

Quanto à metodologia proposta para esta caracterização, ela envolve duas partes:

2
Conforme item Apresentação do “Termo de Referência para o estudo: Avaliação ambiental integrada dos aproveitamentos
hidrelétricos na bacia do rio Tocantins”.
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 Parte 1 - Caracterização Geral: de natureza informativa, procura acumular um amplo


conhecimento da ambiência da região, seus grandes números, seu papel principal no
contexto do país, sua posição espacial relativa, entre tantos outros resultados
importantes para o planejamento da Bacia;
 Parte 2 – Questões Principais: entendidas como os principais problemas estruturais,
ainda não resolvidos, que permanecem na evolução da ambiência da Bacia dificultando
sua dinâmica sustentada, especialmente com relação ao uso dos recursos hídricos.

Cada uma das análises temáticas contidas na presente caracterização segue esta
metodologia, apresentando seus resultados com base nessas duas partes.

Para a caracterização, foram realizadas coleta e sistematização de dados secundários que


pudessem identificar os comportamentos e dinâmicas prevalecentes, contribuindo para uma
boa representação das condições existentes nos Municípios que integram a Bacia em exame,
de forma a gerar e acumular o conhecimento necessário para subsidiar as avaliações
ambientais distribuída e integrada.

Conforme já salientado, essa análise é feita com um objetivo claro: garantir os conhecimentos
e informações necessários para que se possa segmentar adequadamente a Bacia do Rio
Tocantins em compartimentos com algum grau de homogeneidade ou interdependência para
que se proceda à avaliação dos impactos e conflitos resultantes da implantação de
aproveitamentos hidrelétricos (considerando as cenas atual, médio prazo - 2015 e longo
prazo - 2025) em cada um desses compartimentos (o que se fará no Bloco III – Avaliação
Ambiental Distribuída e Conflitos) e inter-compartimentos, considerando a bacia como um
todo (o que ocorrerá no Bloco IV – Avaliação Ambiental Integrada), buscando definir diretrizes
e recomendações no contexto de um planejamento integrado, tendo em vista a
sustentabilidade da Bacia.

Apresentam-se, a seguir, os blocos temáticos de caracterização da Bacia do rio Tocantins.

1. CARACTERIZAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS E DO


ECOSSISTEMA AQUÁTICO
Neste capítulo, é apresentada a caracterização dos recursos hídricos e do ecossistema
aquático. Para a caracterização dos recursos hídricos, são considerados os seguintes
tópicos: descrição fisiográfica e climática, rede hidrográfica, vazões, sedimentometria,
potencial de água subterrânea, qualidade das águas e usos da água. Para caracterização do
ecossistema aquático são analisados os seguintes aspectos: macrófitas aquáticas,
fitoplâncton, zooplâncton, ictiofauna e potencialidade de recursos pesqueiros.

A) Caracterização Geral

A Bacia Hidrográfica do Tocantins abrange toda a região dos rios Tocantins-Araguaia com a
rede hidrográfica secundária afluente. Segundo a codificação da ANA – Agência Nacional de
Águas e do Plano Nacional de Recursos Hídricos – PNRH o código da Bacia é 2. A Bacia é
constituída por 10 sub-bacias, das quais as sub-bacias 20, 21, 22, 23 e 29 integram a Bacia
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do rio Tocantins, objeto do presente estudo. As sub-bacias 24 a 28 integram a Bacia do Rio


Araguaia e não são parte integrante deste estudo. O Mapa A2 – Recursos Hídricos e a
Tabela 4 - Características da Bacia do Rio Tocantins apresentam as principais características
hidrográficas da bacia do rio Tocantins.

Tabela 4 - Características da Bacia do Rio Tocantins

Região Sub-Bacia Principais Tributários Classificação


Hidrográfica Adicional
Cód. Rio Principal

2 20 Tocantins Rios das Palmas, Bagagem, Tocantinzinho e Alto Tocantins


Maranhão
Tocantins -
Araguaia 21 Tocantins Paraná e seu afluente Palma Alto Tocantins
22 Tocantins Formiga, Santa Tereza, Santo Antonio, São Médio Tocantins
Valério, Manuel Alves da Natividade, e rio do (Trecho sul)
Sono com seus afluentes Perdidas e Balsas
23 Tocantins Manuel Alves Grande, Farinha e Lajeado Médio Tocantins
(Trecho norte)
29 Tocantins Parauapebas e Itacaiúnas Baixo Tocantins

Fonte: ANA, 2006.

1.1. Caracterização Fisiográfica


1.1.1. Aspectos Fisiográficos
A Bacia do Rio Tocantins, formada pelo sistema hidrográfico composto pelos rios Araguaia e
Tocantins e seus afluentes, localiza-se quase que integralmente entre os paralelos 2º e 18º e
os meridianos de longitude 46º e 56º. Estes dois eixos fluviais unem-se no extremo
setentrional da bacia, formando o baixo Tocantins, que desemboca no rio Pará, pertencente
ao estuário do rio Amazonas.

O rio Tocantins, formado pelos rios Maranhão e das Almas, nasce no norte do Estado de
Goiás, próximo ao Distrito Federal, e flui em direção ao norte do país por cerca de 2.500 km.
O primeiro trecho, de 1.100 km, corresponde ao Alto Tocantins; o trecho de 900 km para
jusante é denominado Médio Tocantins e, o trecho final, a jusante da foz do rio Araguaia, é
denominado Baixo Tocantins.

Nesse trajeto, o rio Tocantins corta todo o Estado do Tocantins, delimita parcialmente o
território do Maranhão e, após receber o rio Araguaia pela margem esquerda, entra no
Estado do Pará, desaguando nas proximidades da Ilha de Marajó. Seus principais tributários,
até sua confluência com o Araguaia, de montante para jusante são: rios Bagagem,
Tocantinzinho, Paranã, Manoel Alves de Natividade, do Sono, Manoel Alves Grande e
Farinha, pela margem direita e Santa Tereza, pela margem esquerda. O rio Araguaia nasce
em Serra Selada, na fronteira de Goiás e Mato Grosso, escoando também no sentido sul-
norte e sua confluência com o rio Tocantins representa o limite entre o médio e o baixo
Tocantins. No baixo Tocantins, o afluente principal, depois do Araguaia, é o rio Itacaiúnas,
também pela margem esquerda.

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A bacia do rio Tocantins, a montante da confluência com o rio Araguaia, é caracterizada por
uma topografia monótona, com altitudes entre 200 e 500 m na maior parte, e superiores a
1.000 m nas cabeceiras. A rede de drenagem é razoavelmente densa. Comparativamente ao
rio Araguaia, as declividades médias são maiores, com poucas áreas alagadiças, o que
concorre para a formação de enchentes de resposta mais rápida.

1.1.2. Redes de Monitoramento Hidrometeorológico


As redes de monitoramento hidrometeorológico na Bacia do Rio Tocantins são mantidas,
basicamente, pela ANA e respectiva operadora CPRM. A partir do final da década de 70,
movidas pelo interesse na exploração energética, outras operadoras passaram a manter
estações de monitoramento na bacia.
 Monitoramento Fluviométrico

Conforme os cadastros da ANA, são operadas atualmente na Região Hidrográfica do


Tocantins-Araguaia cerca de 300 estações fluviométricas, das quais 212 na bacia do rio
Tocantins, destacando-se as 37 mais representativas por estarem em pontos estratégicos da
Bacia. Essas estações estão distribuídas ao longo das cinco sub-bacias, cobrindo todos os
trechos do rio Tocantins.

Cabe destacar também que o transporte sólido é uma antiga preocupação das entidades que
atuam no planejamento e gestão dos recursos hídricos da bacia do rio Tocantins. Nesse
contexto, o monitoramento do transporte sólido começou a ser efetuado no final da década
de 70 e início dos 80, inicialmente pelo Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica -
DNAEE e atualmente pela Agência Nacional de Águas - ANA, em nove locais da bacia,
sendo sete no curso principal do rio Tocantins e nos rios Itacaiúnas e do Sono. Mais
recentemente, foram adicionados três novos pontos de monitoramento pela Tractebel
(Resolução 396).

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Tabela 5 - Rede Fluviométrica em Operação – Bacia do rio Tocantins

Estação Localização Características

Sub-
Área de Responsável Operadora Observação
bacia Início de
Código Rio Nome Tipo Município UF Latitude Longitude Altitude Drenagem
Operação
(km2)

20 20.001.000 RIO MARANHÃO FAZENDA CHIBATA D BRASÍLIA DF -15,504 -47,749 792,0 517,0 01/01/1986 CAESB CAESB
20 20.001.090 RIBEIRÃO DA CONTAGEM MONTANTE CAPTAÇÃO EPCT-001 DQ BRASÍLIA DF -15,655 -47,655 5,1 01/01/2001 CAESB CAESB
20 20.001.100 RIBEIRÃO DA CONTAGEM JUSANTE CAPTAÇÃO EPCT-001 DQ BRASÍLIA DF -15,650 -47,881 5,2 01/01/1983 CAESB CAESB
20 20.001.500 RIO DA PALMA BIBOCA FDQ BRASÍLIA DF -15,448 -47,968 01/01/2003 CAESB CAESB
20 20.017.000 RIO MARANHÃO MONTANTE PONTE DF-128 FDQ PLANALTINA GO -15,506 -47,611 947,0 142,0 01/08/2004 ANA CPRM
20 20.050.000 RIO MARANHÃO PONTE QUEBRA LINHA FDQ NIQUELÂNDIA GO -14,978 -48,676 414,1 11.008,0 01/04/1966 ANA FURNAS RESOLUÇÃO/396
RESOLUÇÃO-
20 20.090.000 RIO MARANHÃO AHE PORTEIRAS FDT BARRO ALTO GO -14,856 -48,758 13.670,0 01/05/1995 FURNAS FURNAS
396
20 20.100.000 RIO DAS ALMAS JARAGUÁ FD JARAGUÁ GO -15,720 -49,329 545,4 1.978,0 01/11/1964 ANA FURNAS
20 20.130.000 RIO DAS ALMAS UHE SÃO PATRÍCIO - JUSANTE FDT RIANÁPOLIS GO -15,514 -49,485 01/12/2001 CHESP CHESP RESOLUÇÃO/396
20 20.200.000 RIO URU URUANÃ FD URUANA GO -15,496 -49,691 600,0 3.650,0 01/12/1964 ANA FURNAS
20 20.250.000 RIO DAS ALMAS CERES (POSTO BIQUINHA) FRDT RIALMA GO -15,309 -49,553 10.538,0 01/11/1964 FURNAS FURNAS RESOLUÇÃO/396
20 20.489.100 RIO DAS ALMAS FAZENDA CAJUPIRA FDT HIDROLINA GO -14,800 -49,175 01/01/1997 FURNAS FURNAS RESOLUÇÃO/396
20 20.699.000 RIO BAGAGEM MUQUEM - VAU DA ONÇA FDT NIQUELÂNDIA GO -14,568 -48,159 1.610,0 01/08/1994 FURNAS FURNAS RESOLUÇÃO/396
20 20.899.000 RIO TOCANTINZINHO SÃO LUIZ DO TOCANTINS FDT NIQUELÂNDIA GO -14,240 -48,021 4.474,0 01/09/1994 FURNAS FURNAS RESOLUÇÃO/396
20 20.920.080 RIO TOCANTINS UHE SERRA DA MESA T MINAÇU GO -13,833 -48,301 50.975,0 01/11/2001 FURNAS FURNAS RESOLUÇÃO/396
20 20.950.000 RIO PRETO PONTE RIO PRETO FD CAVALCANTE GO -13,989 -47,928 884,0 01/04/1979 ANA FURNAS
20 20.980.000 RIO PRETO FAZENDA DEMÉTRIO FDS MINAÇU GO -13,703 -48,056 3.702,0 01/05/2001 CEM TRACTEBEL RESOLUÇÃO/396
21 21.040.000 RIO SÃO FELIX TORÓ FDQT CAVALCANTE GO -13,541 -48,001 785,0 01/04/2001 CEM TRACTEBEL RESOLUÇÃO/396
21 21.050.080 RIO TOCANTINS UHE CANA BRAVA FRT MINAÇU GO -13,408 -48,144 57.777,0 01/04/2001 CEM CEM RESOLUÇÃO/396
21 21.050.150 RIO TOCANTINS MIRA X FDST MINAÇU GO -13,362 -48,171 01/04/2001 CEM RTK RESOLUÇÃO/396
SÃO SALVADOR DO
21 21.080.000 RIO TOCANTINS SÃO SALVADOR FD TO -12,743 -48,237 63.522,0 01/11/1977 ANA FURNAS
TOCANTINS
21 21.100.000 RIO CANABRAVA FAZENDA BRECHO FD VILA BOA GO -14,961 -46,781 01/10/2003 LARROSA LARROSA
21 21.220.000 RIO PARANÃ FLORES DE GOIÁS FD FLORES DE GOIÁS GO -14,451 -47,047 7.277,0 01/06/1975 ANA FURNAS
21 21.280.000 RIO CORRENTE UHE MAMBAI - JUSANTE FD MAMBAI GO -14,712 -46,303 01/10/2001 CELG CELG
21 21.300.000 RIO CORRENTE ALVORADA DO NORTE FD ALVORADA DO NORTE GO -14,477 -46,491 4.062,0 01/10/1974 ANA FURNAS
21 21.300.100 RIO CORRENTE ALVORADA DO NORTE PCH FDT ALVORADA DO NORTE GO -14,476 -46,491 500,0 4.062,0 01/06/2002 CELG CELG RESOLUÇÃO/396
21 21.500.000 RIO PARANÃ NOVA ROMA (FAZ.SUCURI) FD NOVA ROMA GO -13,763 -46,838 22.834,0 01/10/1970 ANA FURNAS
21 21.510.000 RIO SÃO MATEUS PONTE SÃO MATEUS FD GUARANI DE GOIÁS GO -13,810 -46,649 895,0 01/10/1974 ANA FURNAS
21 21.551.000 RIO SÃO DOMINGOS UHE SÃO DOMINGOS FDT SÃO DOMINGOS GO -13,388 -46,386 01/06/2002 CELG CELG RESOLUÇÃO/396
21 21.560.000 RIO SÃO DOMINGOS FAZENDA VENEZA FD MONTE ALEGRE DE GOIÁS GO -13,499 -46,780 2.921,0 01/04/1976 ANA FURNAS
21 21.580.000 RIO SÃO VICENTE SÃO VICENTE FD SÃO DOMINGOS GO -13,551 -46,469 415,0 01/10/1974 ANA FURNAS
21 21.600.000 RIO PARANÃ PONTE PARANÃ FDT MONTE ALEGRE DE GOIÁS GO -13,424 -47,132 337,0 29.818,0 01/10/1967 ENERPEIXE FURNAS RESOLUÇÃO/396
21 21.660.000 RIO PARANÃ FAZENDA VISÃO DA SANTANA FDT PARANÃ TO -12,691 -47,783 273,0 40.519,0 01/06/2000 ENERPEIXE FURNAS RESOLUÇÃO/396
21 21.740.000 RIO MOSQUITO UHE MOSQUITO FDT CAMPOS BELOS GO -12,953 -46,371 01/06/2002 CELG CELG RESOLUÇÃO/396
21 21.750.000 RIO MOSQUITO LAVANDEIRA FD AURORA DO TOCANTINS TO -12,793 -46,512 1.220,0 01/10/1974 ANA FURNAS
21 21.760.080 RIO SOBRADO UHE SOBRADO FDT TAGUATINGA TO -12,528 -46,278 474,0 125,0 01/10/1996 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
21 21.770.080 RIBEIRÃO DO ABREU PCH TAGUATINGA FDT TAGUATINGA TO -12,469 -46,443 454,0 139,6 01/05/1999 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
21 21.780.080 RIO PONTE ALTA PCH PONTE ALTA DO BOM JESUS FDT PONTE ALTA DO BOM JESUS TO -12,098 -46,484 464,0 137,7 01/05/1999 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
21 21.780.170 RIO PALMEIRAS PCH AGRO TRAFO 2 - MONTANTE FDT DIANÓPOLIS TO -11,605 -46,523 580,0 997,0 01/09/2002 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
21 21.780.180 RIO PALMEIRAS PCH TRAFO 1 - MONTANTE FDT DIANÓPOLIS TO -11,676 -46,664 586,0 996,9 01/04/1995 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
21 21.780.190 RIO PALMEIRAS PCH AGRO TRAFO 3 - JUSANTE FDT DIANÓPOLIS TO -11,677 -46,673 538,0 997,0 01/09/2002 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
21 21.780.270 RIO PALMEIRAS PCH DIACAL - MONTANTE FDT NOVO JARDIM TO -11,736 -46,752 477,1 136,3 01/09/2002 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396

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Estação Localização Características

Sub-
Área de Responsável Operadora Observação
bacia Início de
Código Rio Nome Tipo Município UF Latitude Longitude Altitude Drenagem
Operação
(km2)

21 21.780.280 RIO PALMEIRAS PCH DIACAL - JUSANTE FDT NOVO JARDIM TO -11,745 -46,756 438,0 1.363,0 01/10/1994 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
21 21.810.000 RIO PALMEIRAS PCH SÍTIO CAETANA (LARROSA & SANTOS) FD DIANÓPOLIS TO -11,767 -46,762 01/11/2001 LARROSA LARROSA
PCH SÍTIO PORTO FRANCO (LARROSA E
21 21.820.000 RIO PALMEIRAS FD DIANÓPOLIS TO -11,814 -46,785 01/11/2001 LARROSA LARROSA
SANTOS)
21 21.830.000 RIO PALMEIRAS PCH SÍTIO BOA SORTE (LARROSA & SANTOS) FD DIANÓPOLIS TO -11,890 -52,768 01/03/2002 LARROSA LARROSA
PCH SÍTIO LAGOA GRANDE (LARROSA &
21 21.840.000 RIO PALMEIRAS FD TAIPAS DO TOCANTINS TO -12,147 -52,802 01/03/2002 LARROSA LARROSA
SANTOS)
21 21.850.000 RIO PALMA RIO DA PALMA FDT CONCEIÇÃO DO TOCANTINS TO -12,416 -47,199 308,0 12.527,0 01/06/1973 ENERPEIXE FURNAS RESOLUÇÃO/396
21 21.860.000 RIO PALMA FAZENDA NOVA AREIA FDT PARANÃ TO -12,613 -47,760 269,0 17.047,0 01/06/2000 ENERPEIXE FURNAS RESOLUÇÃO/396
22 22.043.000 UHE PEIXE ANGICAL - Barramento T TO -12,236 -48,386 267,0 125.884,0 01/05/2006 RESOLUÇÃO/396
22 22.045.000 RIO TOCANTINS ANGICAL - JUSANTE FDT PEIXE TO -12,228 -48,404 234,0 126.987,0 01/10/2001 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 22.050.001 RIO TOCANTINS PEIXE FDSQ PEIXE TO -12,023 -48,533 223,9 130.052,0 01/09/1938 ANA FURNAS
22 22.100.000 RIO SANTA TEREZA COLONHA FD PEIXE TO -12,391 -48,711 287,0 8.690,0 01/08/1974 ANA FURNAS
22 22.150.000 RIO SANTA TEREZA JACINTO FD PEIXE TO -11,981 -48,658 13.811,0 01/12/1971 ANA FURNAS RESOLUÇÃO/396
RIO MANUEL ALVES DA PORTO ALEGRE DO
22 22.190.000 PORTO ALEGRE FD TO -11,613 -47,045 1.930,0 01/08/1975 ANA FURNAS
NATIVIDADE TOCANTINS
22 22.200.080 RIO MANOEL ALVINHO PCH DIANÓPOLIS - JUSANTE FDT DIANÓPOLIS TO -11,469 -46,813 516,0 340,0 01/05/1999 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
22 22.220.000 PORTO JERÔNIMO - FAZ. PIRACICABA FD TO -11,759 -47,836 282,0 9.000,0 01/08/1974 SIVAM
22 22.225.080 RIO BAGAGEM PCH BAGAGEM - JUSANTE FDT NATIVIDADE TO -11,372 -47,574 397,0 158,5 01/04/1999 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
RIO MANUEL ALVES DA
22 22.250.000 FAZENDA LOBEIRA FD SÃO VALÉRIO DA NATIVIDADE TO -11,533 -48,289 14.475,0 01/08/1969 ANA FURNAS
NATIVIDADE
22 22.280.000 RIO TOCANTINS IPUEIRAS FD SILVANÓPOLIS TO -11,247 -48,459 01/02/2001 ANA FURNAS RESOLUÇÃO/396
22 22.300.000 RIO TOCANTINS FAZENDA JURUPARI FT PORTO NACIONAL TO -11,152 -48,517 218,0 01/05/2002 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 22.349.080 RIO TOCANTINS PORTO NACIONAL T GUARAÍ (TUPIRAMA) TO -10,767 -48,400 177.800,0 01/01/2003 ELETRONORTE ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
22 22.351.000 RIO TAQUARUÇU TAQUARUÇU GRANDE FD PALMAS TO -10,250 -48,267 180,0 01/12/2002 NATURATINS NATURATINS
22 22.360.000 RIO DOS MANGUES MANGUES FDT PALMAS TO -10,349 -48,637 202,4 2.275,0 01/12/2000 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 22.490.500 RIO TOCANTINS UHE LAJEADO - BARRAMENTO FT MIRACEMA DO TOCANTINS TO -9,756 -48,374 214,0 185.518,0 01/09/2001 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 22.491.000 RIO TOCANTINS UHE LAJEADO - JUSANTE FDT MIRACEMA DO TOCANTINS TO -9,745 -48,363 178,0 185.591,0 01/01/1996 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 22.492.080 RIO LAJEADO PCH LAJEADO - JUSANTE FDT LAJEADO TO -9,833 -48,292 454,0 499,8 01/05/1999 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
22 22.500.000 RIO TOCANTINS MIRACEMA DO TOCANTINS FDSQ MIRACEMA DO TOCANTINS TO -9,568 -48,379 129,0 186.834,0 01/08/1969 ANA CPRM
22 22.680.000 RIO DO SONO JATOBÁ (FAZENDA BOA NOVA) FDT ITACAJÁ TO -9,991 -47,479 200,0 13.850,0 01/06/1973 ANA CPRM SIVAM
22 22.700.000 RIO DO SONO NOVO ACORDO FD DOIS IRMÃOS DO TOCANTINS TO -9,961 -47,675 180,0 18.500,0 01/12/1971 ANA CPRM
22 22.735.050 RIO DAS BALSAS UHE ISAMU IKEDA 2 - MONTANTE FDT MONTE DO CARMO TO -10,835 -47,768 278,5 8.000,0 01/09/2002 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
22 22.735.060 RIO PONTE ALTA UHE ISAMU IKEDA 3 - MONTANTE FDT MONTE DO CARMO TO -10,752 -47,681 293,2 01/09/2002 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
22 22.735.070 RIO DAS BALSAS UHE ISAMU IKEDA 4 FDT MONTE DO CARMO TO -10,699 -47,795 269,5 8.000,0 01/09/2002 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
22 22.735.080 RIO DAS BALSAS UHE ISAMU IKEDA - FASE 1 E 2 FDT MONTE DO CARMO TO -10,694 -47,792 248,0 8.000,0 01/06/1999 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
22 22.850.000 RIO PERDIDA DOIS IRMÃOS FD ITACAJA TO -9,311 -47,813 210,0 9.543,0 01/07/1973 ANA CPRM
22 22.900.000 RIO DO SONO PORTO REAL FDSQT FIGUEIRÓPOLIS TO -9,307 -47,929 200,0 44.910,0 01/08/1969 ANA CPRM SIVAM
23 23.100.000 RIO TOCANTINS TUPIRATINS FD GURUPI TO -8,392 -48,111 125,0 243.841,0 01/08/1969 ANA CPRM
23 23.150.000 RIO MANOEL ALVES PEQUENO ITACAJA FD CENTENÁRIO TO -8,392 -47,765 2.776,0 01/08/1973 ANA CPRM
23 23.220.000 RIO MANUEL ALVES GRANDE CACHOEIRA MONTE LINDO FD CARMOLÂNDIA TO -7,710 -46,926 4.158,0 01/01/1984 ANA CPRM
23 23.230.000 RIO VERMELHO JACARÉ FD CARMOLÂNDIA TO -7,963 -47,261 5.069,0 01/01/1984 ANA CPRM
23 23.250.000 RIO MANUEL ALVES GRANDE GOIATINS (PIACA) FDT CARMOLÂNDIA TO -7,708 -47,312 9.636,0 01/11/1971 ANA CPRM SIVAM
23 23.251.000 RIO ITAPICURU RIO ITAPECURU FD CAROLINA MA -7,462 -47,392 150,0 1.064,0 01/11/2004 ANA CPRM
23 23.300.000 RIO TOCANTINS CAROLINA FDSQT CAROLINA MA -7,334 -47,481 122,0 276.520,0 01/01/1962 ANA CPRM RESOLUÇÃO/396
23 23.460.000 RIO FARINHA CACHOEIRA DA USINA F CAROLINA MA -7,033 -47,000 250,0 3.000,0 01/07/1961 CEMAR CEMAR
23 23.465.000 RIO FARINHA CACHOEIRA DA PRATA F CAROLINA MA -7,017 -47,133 200,0 01/02/1962 CEMAR CEMAR

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Estação Localização Características

Sub-
Área de Responsável Operadora Observação
bacia Início de
Código Rio Nome Tipo Município UF Latitude Longitude Altitude Drenagem
Operação
(km2)

23 23.468.000 RIO FARINHA FAZENDA RIO FARINHA FD ESTREITO MA -6,865 -47,461 01/11/1999 ANA CPRM
23 23.600.000 RIO TOCANTINS TOCANTINÓPOLIS FDSQT LAGOA DO TOCANTINS TO -6,289 -47,392 126,1 290.570,0 01/01/1955 ANA ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
23 23.610.000 RIO LAJEADO RIO ITAUEIRAS FD LAJEADO NOVO MA -6,535 -47,304 150,0 01/08/2004 ANA CPRM
29 29.030.000 RIO TOCANTINS FAZENDA SÃO TOMÉ F MARABÁ PA -5,314 -48,975 76,0 690.521,0 01/09/1980 ANA CPRM
29 29.040.000 RIO TOCANTINS ARARAS FRDT MARABÁ PA -5,350 -48,881 01/11/2005 ELETRONORTE ELETRONORTE
29 29.050.000 RIO TOCANTINS MARABÁ FDSQT MARABÁ PA -5,339 -49,124 69,8 690.920,0 01/10/1971 ANA ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
29 29.061.000 RIO ITACAIÚNAS ACAMPAMENTO CALDEIRÃO FT MARABÁ PA -5,867 -50,483 12.174,0 01/10/1980 ANA CPRM SIVAM
29 29.080.000 RIO PARAUAPEBAS FAZENDA RIO BRANCO FDT MARABÁ PA -5,783 -49,800 9.398,0 01/04/1985 ANA CPRM SIVAM
29 29.100.000 RIO ITACAIÚNAS FAZENDA ALEGRIA FDSQT MARABÁ PA -5,514 -49,221 37.600,0 01/07/1969 ANA ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
29 29.200.000 RIO TOCANTINS ITUPIRANGA FDT ITUPIRANGA PA -5,129 -49,324 65,6 727.900,0 01/07/1969 ANA CPRM SIVAM
29 29.680.080 RIO TOCANTINS UHE TUCURUI - BARRAMENTO FT TUCURUI PA -3,750 -49,683 758.000,0 01/01/1999 ELETRONORTE ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
29 29.680.090 RIO TOCANTINS UHE TUCURUI - JUSANTE FDT TUCURUI PA -3,767 -49,700 758.000,0 01/01/1999 ELETRONORTE ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
29 29.700.000 RIO TOCANTINS TUCURUI FDSQ TUCURUI PA -3,758 -49,665 1,9 742.300,0 01/06/1969 ANA CPRM
29 29.750.000 RIO TOCANTINS NAZARÉ DOS PATOS F TUCURUI PA -3,466 -49,601 745.974,0 01/09/1971 ANA CPRM
Fonte: Agência Nacional de Águas - ANA, 2007

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 Monitoramento Pluviométrico e Climatológico

A cobertura da rede pluviométrica é em geral razoável no que concerne à sua distribuição.


Entretanto, quanto à disponibilidade de séries temporais de longa extensão, ela é, via de
regra, esparsa. O monitoramento climatológico é efetuado em grande parte pelo INMET, o
qual mantém em operação mais de 20 estações climatológicas na Região Hidrográfica
Tocantins-Araguaia. Mais recentemente foram instaladas estações de monitoramento
climático em novas localidades da bacia, porém, ainda perfazendo um quadro apenas
satisfatório no que concerne à cobertura da área monitorada.

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Tabela 6 - Rede Pluviométrica e Climatológica em operação – Bacia do rio Tocantins

Estação Localização Características


Sub-
Responsável Operadora Observação
bacia Código Início de
Código Nome Tipo Município UF Latitude Longitude Altitude
Adicional Operação

20 013.48.000 CAMPINAÇU P CAMPINAÇU GO -13,790 -48,567 01/01/1968 ANA FURNAS


20 013.48.004 UHE SERRA DA MESA PRCT MINAÇU GO -13,820 -48,324 01/04/1983 FURNAS FURNAS RESOLUÇÃO/396
20 014.47.000 ALTO PARAÍSO DE GOIÁS P ALTO PARAÍSO DE GOIÁS GO -14,135 -47,512 01/01/1969 ANA FURNAS
20 014.47.002 SÃO JOÃO D'ALIANÇA PRCT SÃO JOÃO D'ALIANÇA GO -14,707 -47,524 01/12/1968 ANA FURNAS
20 014.47.004 PONTE RIO PRETO P CAVALCANTE GO -13,989 -47,928 453,0 01/11/1984 ANA FURNAS
20 014.48.000 COLINAS DO SUL P COLINAS DO SUL GO -14,151 -48,078 01/07/1968 ANA FURNAS
20 014.48.001 NIQUELÂNDIA PR NIQUELÂNDIA GO -14,475 -48,458 01/07/1969 ANA FURNAS
20 014.48.002 PONTE QUEBRA LINHA P NIQUELÂNDIA GO -14,978 -48,676 01/04/1969 ANA FURNAS
20 014.48.004 MOQUEM - FAZENDA VAU DA ONÇA P NIQUELÂNDIA GO -14,548 -48,166 01/11/1984 ANA FURNAS
20 014.48.005 PALMEIRINHA P CAMPINAÇU GO -14,022 -48,611 01/11/1984 ANA FURNAS
20 014.48.007 AHE PORTEIRAS P BARRO ALTO GO -14,853 -48,764 01/05/1995 FURNAS FURNAS
20 014.48.008 SÃO LUIZ DO TOCANTINS P NIQUELÂNDIA GO -14,240 -48,021 01/09/1994 FURNAS FURNAS
20 014.49.000 PILAR DE GOIÁS P PILAR DE GOIÁS GO -14,764 -49,579 850,0 01/08/1973 ANA FURNAS
20 014.49.001 PORTO URUAÇU P URUAÇU GO -14,519 -49,049 547,0 01/07/1964 ANA FURNAS
20 014.49.005 FAZENDA CAJUPIRA P HIDROLINA GO -14,800 -49,175 01/11/1996 FURNAS FURNAS
20 015.47.002 PLANALTINA P PLANALTINA GO -15,453 -47,613 1.000,0 01/08/1973 ANA FURNAS
20 015.47.010 P04 CONTAGEM PR BRASÍLIA DF -15,653 -47,879 1.242,0 01/10/1970 CAESB CAESB
20 015.47.027 SÃO GABRIEL DE GOIÁS P PLANALTINA GO -15,233 -47,574 01/04/1995 ANA FURNAS
20 015.48.001 MIMOSO P MIMOSO DE GOIÁS GO -15,058 -48,159 750,0 01/03/1973 ANA FURNAS
20 015.48.002 PADRE BERNARDO P PADRE BERNARDO GO -15,169 -48,278 750,0 01/08/1973 ANA FURNAS
20 015.48.003 PIRENÓPOLIS P PIRENÓPOLIS GO -15,850 -48,950 01/01/1969 ANA FURNAS
20 015.48.004 83376 PIRENÓPOLIS PC PIRENÓPOLIS GO -15,854 -48,966 740,0 01/01/1977 INMET INMET
20 015.48.011 FAZENDA MARAJÁ P PADRE BERNARDO GO -15,553 -48,577 01/11/1984 ANA FURNAS
20 015.48.013 P21 FAZENDA SANTA ELISA PR BRASÍLIA DF -15,597 -48,043 1.205,0 01/03/1988 CAESB CAESB
20 015.48.019 BARRO ALTO PCT BARRO ALTO GO -15,067 -48,983 605,0 01/12/1997 SIMEGO SIMEGO
20 015.49.000 CERES PR CERES GO -15,311 -49,604 01/07/1964 FURNAS FURNAS
20 015.49.001 GOIANÉSIA P GOIANÉSIA GO -15,329 -49,121 01/07/1964 ANA FURNAS
20 015.49.002 ITAPURANGA P ITAPURANGA GO -15,564 -49,944 01/01/1969 ANA FURNAS
20 015.49.003 JARAGUÁ P JARAGUÁ GO -15,720 -49,329 01/07/1964 ANA FURNAS
20 015.49.009 URUANÃ P URUANA GO -15,496 -49,691 01/07/1964 ANA FURNAS
20 015.49.011 83350 GOIANÉSIA (USINA) PRCT GOIANÉSIA GO -15,217 -49,000 651,0 01/05/1984 INMET INMET
20 015.49.012 CERES PCT CERES GO -15,348 -49,602 739,0 01/12/1997 SIMEGO SIMEGO
20 015.49.013 UHE SÃO PATRÍCIO - JUSANTE PT RIANÁPOLIS GO -15,516 -49,484 01/02/1985 CHESP CHESP RESOLUÇÃO/396
20 016.49.007 ITABERAÍ P ITABERAÍ GO -16,030 -49,800 680,0 01/09/1973 ANA FURNAS
20 016.49.018 ITABERAÍ PCT ITABERAÍ GO -16,800 -49,793 1.001,0 01/12/1997 SIMEGO SIMEGO
21 011.46.002 UHE DIACAL - MONTANTE P NOVO JARDIM TO -11,745 -46,756 438,0 01/12/1999 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396
21 011.46.003 PCH AGRO TRAFO P DIANÓPOLIS TO -11,676 -46,664 586,0 01/12/1998 CELTINS CELTINS
21 012.46.000 PONTE ALTA DO BOM JESUS P PONTE ALTA DO BOM JESUS TO -12,099 -46,479 600,0 01/08/1973 ANA FURNAS
21 012.46.001 AURORA DO NORTE P AURORA DO TOCANTINS TO -12,714 -46,409 700,0 01/08/1973 ANA FURNAS
21 012.46.003 83235 TAGUATINGA PC TAGUATINGA TO -12,402 -46,438 604,0 01/12/1915 INMET INMET
21 012.47.000 CONCEIÇÃO DO TOCANTINS P CONCEIÇÃO DO TOCANTINS TO -12,219 -47,297 01/08/1973 ANA FURNAS
21 012.47.002 RIO DA PALMA (FAZ. CHUVA MANGA) P BABAÇULÂNDIA TO -12,420 -47,192 400,0 01/06/1973 ANA FURNAS
21 012.47.003 PARANÃ PRC FÁTIMA TO -12,550 -47,850 275,0 01/01/1916 INMET INMET
21 012.47.005 FAZENDA SANTA RITA P FÁTIMA TO -12,585 -47,487 01/02/1984 ANA FURNAS
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Relatório P2 – Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins

Estação Localização Características


Sub-
Responsável Operadora Observação
bacia Código Início de
Código Nome Tipo Município UF Latitude Longitude Altitude
Adicional Operação

21 012.47.006 RIO DA PALMA T CONCEIÇÃO DO TOCANTINS TO -12,416 -47,199 308,0 01/05/2006 ENERPEIXE FURNAS RESOLUÇÃO/396
21 012.47.007 FAZENDA NOVA AREIA T PARANÃ TO -12,613 -47,759 269,0 01/05/2006 ENERPEIXE FURNAS RESOLUÇÃO/396
21 012.47.008 FAZENDA VISÃO DA SANTANA T PARANÃ TO -12,691 -47,783 273,0 01/05/2006 ENERPEIXE FURNAS RESOLUÇÃO/396
21 012.48.003 PALMEIRÓPOLIS P PALMEIRÓPOLIS TO -13,040 -48,492 01/02/1978 ANA FURNAS
21 013.46.000 SÃO DOMINGOS PR SÃO DOMINGOS GO -13,398 -46,316 01/01/1969 ANA FURNAS
21 013.46.001 NOVA ROMA (FAZ.SUCURI) P NOVA ROMA GO -13,742 -46,878 01/01/1969 ANA FURNAS
21 013.46.002 FAZENDA INGAZEIRO P SÃO DOMINGOS GO -13,568 -46,367 01/01/1969 ANA FURNAS
21 013.46.004 CAMPOS BELOS P CAMPOS BELOS GO -13,036 -46,777 600,0 01/08/1973 ANA FURNAS
21 013.46.005 SÃO VICENTE P CAMPOS BELOS GO -13,634 -46,467 01/10/1974 ANA FURNAS
21 013.46.007 FAZENDA PRAINHA (FAZ.ANTAS) P CORRENTINA BA -13,330 -46,062 824,0 01/06/1981 ANA CPRM
21 013.46.008 UHE SÃO DOMINGOS P SÃO DOMINGOS GO -13,414 -46,364 590,0 01/06/2002 CELG CELG RESOLUÇÃO/396
21 013.47.000 CAVALCANTE P CAVALCANTE GO -13,797 -47,462 01/01/1969 ANA FURNAS
21 013.47.001 PONTE PARANÃ P MONTE ALEGRE DE GOIÁS GO -13,424 -47,132 01/01/1969 ANA FURNAS
21 013.47.002 PONTE PARANÃ T MONTE ALEGRE DE GOIÁS GO -13,425 -47,138 337,0 01/05/2006 ENERPEIXE FURNAS RESOLUÇÃO/396
21 013.48.001 SAMA PR MINAÇU GO -13,533 -48,227 01/07/1964 ANA FURNAS
21 013.48.002 SÃO FELIX PR SÃO FELIX DO TOCANTINS TO -13,533 -48,138 01/05/1970 CEM CEM RESOLUÇÃO/396
21 014.46.002 83332 POSSE PRC POSSE GO -14,084 -46,371 826,0 01/08/1975 INMET INMET
21 014.46.004 SÍTIO D'ABADIA P SITIO D'ABADIA GO -14,804 -46,253 01/01/1984 ANA CPRM
21 014.46.005 POSSE PCT POSSE GO -14,082 -46,363 443,0 01/12/1997 SIMEGO SIMEGO
21 014.46.006 UHE MAMBAI - JUSANTE P MAMBAI GO -14,686 -46,300 01/01/2001 CELG CELG
21 014.46.007 FAZENDA BRECHO P VILA BOA GO -14,961 -46,781 896,0 01/11/2003 LARROSA LARROSA
21 014.47.001 FLORES DE GOIÁS P FLORES DE GOIÁS GO -14,450 -47,046 200,0 01/01/1969 ANA FURNAS
21 014.47.008 FLORES DE GOIÁS PCT FLORES DE GOIÁS GO -14,519 -47,016 437,0 01/12/1997 SIMEGO SIMEGO
21 015.47.001 FAZENDA SANTA SÉ P FORMOSA GO -15,216 -47,157 01/01/1969 ANA FURNAS
21 015.47.003 83379 FORMOSA PRC FORMOSA GO -15,549 -47,338 912,0 01/01/1964 INMET INMET
INPE -
22 008.48.005 MET19 PEDRO AFONSO PRCT PEDRO AFONSO TO -8,968 -48,177 01/06/1997 INPE INPE
22 009.46.003 LIZARDA P COMBINADO TO -9,592 -46,681 620,0 01/04/1973 ANA CPRM
22 009.47.001 MANSINHA P ITACAJA TO -9,458 -47,327 320,0 01/01/1983 ANA CPRM
22 009.48.000 MIRACEMA DO TOCANTINS PR MIRACEMA DO TOCANTINS TO -9,564 -48,388 210,0 01/08/1969 ANA CPRM
22 009.48.001 PORTO REAL P FIGUEIRÓPOLIS TO -9,307 -47,929 200,0 01/09/1969 ANA CPRM SIVAM
22 009.48.003 UHE LAJEADO - JUSANTE PT MIRACEMA DO TOCANTINS TO -9,754 -48,367 178,0 01/05/2002 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 010.46.001 MATEIROS P MATEIROS TO -10,533 -46,367 01/03/1998 ANA CPRM
22 010.47.000 JATOBÁ (FAZENDA BOA NOVA) P ITACAJA TO -9,991 -47,479 250,0 01/08/1973 ANA CPRM SIVAM
22 010.47.001 NOVO ACORDO P DOIS IRMÃOS DO TOCANTINS TO -9,961 -47,675 300,0 01/12/1971 ANA CPRM
22 010.47.002 PORTO GILÂNDIA P CRISTALÂNDIA TO -10,786 -47,800 300,0 01/08/1969 ANA CPRM
22 010.47.004 PONTE ALTA DO TOCANTINS P GOIATINS (PIACA) TO -10,751 -47,536 300,0 01/01/1984 ANA CPRM
22 010.47.005 UHE ISAMU IKEDA - FASE 1 E 2 P MONTE DO CARMO TO -10,694 -47,792 248,0 01/12/1998 CELTINS CELTINS
22 010.47.006 UHE ISAMU IKEDA - MONTANTE P MONTE DO CARMO TO -10,835 -47,768 277,0 01/09/2002 CELTINS CELTINS
22 010.48.000 FÁTIMA P FÁTIMA TO -10,763 -48,903 340,0 01/11/1971 ANA FURNAS
22 010.48.003 83064 PORTO NACIONAL PRC PORTO NACIONAL TO -10,704 -48,418 270,0 01/01/1915 INMET INMET
22 010.48.004 83063 PORTO NACIONAL PC PORTO NACIONAL TO -10,717 -48,383 265,0 01/08/1966 DEPV DEPV
22 010.48.005 TAQUARUSSU DO PORTO P TAQUARUSSU DO PORTO TO -10,313 -48,159 01/06/1976 ANA CPRM
22 010.48.007 MANGUES PT PALMAS TO -10,345 -48,635 01/04/2002 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 011.46.000 DIANÓPOLIS PR DIANÓPOLIS TO -11,625 -46,811 01/12/1971 ANA FURNAS
22 011.46.004 PCH DIANÓPOLIS - JUSANTE P DIANÓPOLIS TO -11,466 -46,820 461,3 01/09/2002 CELTINS CELTINS RESOLUÇÃO/396

Consórcio CNEC - ARCADIS Tetraplan 32


Empresa de Pesquisa Energética – EPE
Avaliação Ambiental integrada - AAI da Bacia do Rio Tocantins e seus Formadores
Relatório P2 – Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins

Estação Localização Características


Sub-
Responsável Operadora Observação
bacia Código Início de
Código Nome Tipo Município UF Latitude Longitude Altitude
Adicional Operação

22 011.47.000 ALMAS P ALMAS TO -11,579 -47,175 600,0 01/09/1973 ANA FURNAS


22 011.47.001 NATIVIDADE PE NATIVIDADE TO -11,697 -47,729 272,0 01/08/1973 ANA FURNAS
22 011.47.002 PINDORAMA DO TOCANTINS P FORMOSO DO ARAGUAIA TO -11,141 -47,577 637,0 01/09/1973 ANA CPRM
PORTO ALEGRE DO
22 011.47.003 PORTO ALEGRE P TOCANTINS TO -11,613 -47,045 01/08/1975 ANA FURNAS
22 011.47.004 PORTO JERÔNIMO - FAZ. PIRACICABA T NATIVIDADE TO -11,759 -47,836 01/08/2001 ANA FURNAS SIVAM
22 011.47.005 PORTO JERÔNIMO PT NATIVIDADE TO -11,758 -47,838 260,0 01/04/2002 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 011.48.000 FAZENDA LOBEIRA P SÃO VALÉRIO DA NATIVIDADE TO -11,531 -48,295 300,0 01/08/1969 ANA FURNAS
22 011.48.001 FAZENDA JURUPARI PT PORTO NACIONAL TO -11,152 -48,517 218,0 01/05/2002 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 011.48.002 JACINTO PT PEIXE TO -11,984 -48,659 235,0 01/04/2002 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 011.48.003 IPUEIRAS PT IPUEIRAS TO -11,247 -48,458 220,0 01/04/2002 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 012.48.001 COLONHA P PEIXE TO -12,391 -48,711 01/08/1974 ANA FURNAS
22 012.48.002 83228 PEIXE PRC FILADÉLFIA TO -12,050 -48,533 373,0 01/05/1975 INMET INMET
22 012.48.006 ANGICAL - JUSANTE PT PEIXE TO -12,228 -48,404 234,0 01/05/2002 INVESTCO INVESTCO RESOLUÇÃO/396
22 012.48.007 UHE PEIXE ANGICAL - Barramento T PEIXE TO -12,669 -48,386 267,0 01/05/2006 ENERPEIXE FURNAS RESOLUÇÃO/396
22 012.49.000 ALVORADA PT ALVORADA TO -12,481 -49,124 356,0 01/12/1971 ANA CPRM
22 013.48.003 TROMBAS P TROMBAS GO -13,512 -48,745 450,0 01/09/1973 ANA FURNAS
22 013.48.006 CANA BRAVA PRC MINAÇU GO -13,390 -49,156 01/09/1990 SIMEGO SIMEGO
22 013.49.000 ESTRELA DO NORTE P ESTRELA DO NORTE GO -13,872 -49,071 01/12/1971 ANA CPRM
22 013.49.002 PORANGATU (DESCOBERTO) P PORANGATU GO -13,445 -49,145 600,0 01/01/1974 ANA CPRM
22 013.49.003 ENTRONCAMENTO SÃO MIGUEL P PORANGATU GO -13,269 -49,201 427,0 01/10/1974 ANA FURNAS
22 013.49.004 PORANGATU PC PORANGATU GO -13,310 -49,117 391,0 01/12/1997 SIMEGO SIMEGO
23 005.47.000 82564 IMPERATRIZ PRC IMPERATRIZ MA -5,535 -47,478 124,0 01/08/1913 INMET INMET
23 005.47.004 DESCARRETO PT COLINAS DO TOCANTINS TO -5,767 -47,483 01/09/1969 ANA CPRM SIVAM
23 005.47.006 MAURILÂNDIA DO TOCANTINS P MAURILÂNDIA DO TOCANTINS TO -5,952 -47,512 150,0 01/08/2004 ANA CPRM
23 005.48.001 SÃO SEBASTIÃO DO TOCANTINS P ITAGUATINS TO -5,258 -48,201 01/01/1984 ANA CPRM
23 005.48.002 BOM JESUS DO TOCANTINS P BOM JESUS DO TOCANTINS PA -5,055 -48,625 01/10/1999 ANA CPRM
23 005.48.003 ESPERANTINA P LAGOA DO TOCANTINS TO -5,363 -48,538 90,0 01/08/2004 ANA CPRM
23 006.47.004 TOCANTINÓPOLIS P TOCANTINÓPOLIS TO -6,317 -47,417 01/01/2003 ELETRONORTE ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
23 007.47.000 CAROLINA PRT CAROLINA MA -7,323 -47,464 01/09/1969 ANA CPRM RESOLUÇÃO/396
23 007.47.001 GOIATINS (PIACA) PT CARMOLÂNDIA TO -7,711 -47,315 01/11/1971 ANA CPRM SIVAM
23 007.47.002 82764 CAROLINA PRC CAROLINA MA -7,317 -47,467 181,0 01/01/1967 DEPV DEPV
23 007.47.003 82765 CAROLINA PRCT CAROLINA MA -7,333 -47,467 193,0 01/08/1913 INMET INMET
23 007.47.005 CAROLINA P CAROLINA MA -7,333 -47,467 01/01/1999 ELETRONORTE ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
23 007.47.009 PALMEIRANTE P CAMPOS LINDOS TO -7,860 -47,862 01/01/1984 ANA CPRM
FAZ. PRIMAVERA - ROD. BEL -
23 007.48.002 BRASÍLIA DIVINÓPOLIS DO TOCANTINS TO -7,559 -48,421 200,0 01/09/1973 ANA CPRM
23 008.47.001 ITACAJA P CENTENÁRIO TO -8,392 -47,765 250,0 01/08/1973 ANA CPRM
23 008.47.002 CAMPOS LINDOS P CARMOLÂNDIA TO -7,971 -46,806 01/01/1984 ANA CPRM
23 008.47.003 RECURSOLÂNDIA P CENTENÁRIO TO -8,737 -47,242 01/05/2000 ANA CPRM
23 008.48.000 COLINAS DO TOCANTINS P AURORA DO TOCANTINS TO -8,053 -48,482 01/12/1971 ANA CPRM
23 008.48.001 GUARAI P CARRASCO BONITO TO -8,831 -48,517 300,0 01/08/1973 ANA CPRM
23 008.48.003 TUPIRATINS PR GURUPI TO -8,398 -48,130 01/08/1969 ANA CPRM
23 008.48.004 82863 PEDRO AFONSO PC PEDRO AFONSO TO -8,969 -48,176 187,0 01/05/1936 INMET INMET
23 008.48.006 BOM JESUS DO TOCANTINS P BOM JESUS DO TOCANTINS TO -8,969 -48,091 150,0 01/10/2004 ANA CPRM
29 002.49.001 82263 CAMETÁ PRC CAMETÁ PA -2,239 -49,500 24,0 01/05/1970 INMET INMET
29 002.49.003 BAIÃO P BAIÃO PA -2,793 -49,670 01/05/1984 ANA CPRM

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Empresa de Pesquisa Energética – EPE
Avaliação Ambiental integrada - AAI da Bacia do Rio Tocantins e seus Formadores
Relatório P2 – Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins

Estação Localização Características


Sub-
Responsável Operadora Observação
bacia Código Início de
Código Nome Tipo Município UF Latitude Longitude Altitude
Adicional Operação

29 002.49.004 VILA DO CARMO P MOCAJUBA PA -2,450 -49,438 01/12/1994 ANA CPRM


29 003.49.000 82361 TUCURUI PRC TUCURUI PA -3,760 -49,667 40,0 01/10/1970 INMET INMET
29 003.49.003 JOANA PERES P BAIÃO PA -3,017 -49,750 01/07/1994 ANA CPRM
29 003.49.004 TUCURUI - JUSANTE P TUCURUI PA -3,783 -49,683 174,0 01/01/2003 ELETRONORTE ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
29 004.49.001 NOVA JACUNDA P JACUNDA PA -4,463 -49,118 01/08/1994 ANA CPRM
29 004.49.002 NOVO REPARTIMENTO P JACUNDA PA -4,241 -49,936 01/07/1999 ANA CPRM
29 004.49.003 NOVA IPIXUNA P JACUNDA PA -4,911 -49,073 01/07/1999 ANA CPRM
29 005.49.001 82562 MARABÁ PC MARABÁ PA -5,350 -49,150 97,0 01/07/1956 DEPV DEPV
29 005.49.002 82562 MARABÁ PRC MARABÁ PA -5,366 -49,125 95,0 01/02/1952 INMET INMET
29 005.49.004 SERRA PELADA P MARABÁ PA -5,935 -49,677 01/12/1982 ANA CPRM
29 005.49.006 FAZENDA RIO BRANCO PT MARABÁ PA -5,783 -49,800 01/04/1985 ANA CPRM SIVAM
29 005.49.007 KM 60 / PA-150 P MARABÁ PA -5,803 -49,183 01/01/1988 ANA CPRM
29 005.49.008 ITUPIRANGA PT ITUPIRANGA PA -5,129 -49,324 01/10/1992 ANA CPRM SIVAM
29 005.49.010 MARABÁ P MARABÁ PA -5,350 -49,150 01/01/1999 ELETRONORTE ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
29 005.49.011 FAZENDA ALEGRIA P MARABÁ PA -5,512 -49,212 01/09/2004 ANA ELETRONORTE RESOLUÇÃO/396
29 005.50.001 ACAMPAMENTO CALDEIRÃO T MARABÁ PA -5,867 -50,483 01/12/2003 ANA CPRM SIVAM
29 006.49.000 FAZENDA SURUBIM P MARABÁ PA -6,428 -49,420 01/02/1984 ANA CPRM
29 006.49.001 FAZENDA SANTA ELISA P XINGUARA PA -6,795 -49,549 01/02/1984 ANA CPRM
29 006.49.002 ELDORADO P MARABÁ PA -6,105 -49,378 01/04/1985 ANA CPRM
29 006.50.001 FAZENDA CAIÇARA P MARABÁ PA -6,815 -50,539 01/02/1984 ANA CPRM
29 006.50.002 SERRA DOS CARAJÁS - N5 PE MARABÁ PA -5,935 -50,069 01/04/1985 ANA CPRM
Fonte: ANA (Hidroweb), 2007

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Empresa de Pesquisa Energética – EPE
Avaliação Ambiental integrada - AAI da Bacia do Rio Tocantins e seus Formadores
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 Monitoramento de Qualidade da Água

A operação de estações de monitoramento de qualidade da água teve início ao final da


década de 70 com a adição deste tipo de registro em algumas das estações fluviométricas
existentes naquela época. Atualmente, são operadas 14 estações de monitoramento sendo
10 mantidas pela ANA, 3 operadas pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito
Federal (CAESB) e 1 pela Tractebel (Resolução ANEEL 396/98). Haja visto as dimensões da
bacia em questão, considera-se a cobertura do monitoramento ainda restrita, com
informações, do ponto de vista da espacialidade, ainda pouco representativas. Na seqüência,
são apresentados dados das principais estações de monitoramento da qualidade da água na
bacia do rio Tocantins.
 Rio Tocantins - Estação: 22.050.001

Localidade: Peixe Área (km2) : 130.052


Data Temp.Amostra pH Turbidez Condutividade Elétrica OD

05/04/2002 25,0 8,50 0,43 106,2 9,7


09/07/2002 28,4 8,49 1,30 93,2 7,14
10/09/2002 25,0 8,36 3,10 89,8 6,98
18/12/2002 25,0 8,36 3,10 89,8 6,98
14/03/2003 30,4 8,08 0,60 88,6 4,6
26/06/2003 27,1 8,13 0,19 96,4 8,69
24/09/2003 29,3 8,17 1,10 98,8 7,89
17/01/2004 26,7 7,99 189,00 4,61 6,3
29/03/2004 27,5 7,74 168,00 91,5 6,76
11/08/2004 26,7 8,24 2,00 88,7 7,76
16/10/2004 29,1 7,90 7,50 3,8 6,47
15/01/2005 28,3 5,95 83,00 92,5 7,28
19/04/2005 29,7 8,42 0,23 118,3 8,1
Médias 27,6 8,03 35,35 81,7 7,28
Mínima 25,0 5,95 0,19 3,8 4,60
Máxima 30,4 8,50 189,00 118,3 9,70

 Rio Tocantins - Estação: 22.500.000

Localidade: Miracema do Tocantins Área (km2) : 186.834


Data Temp.Amostra pH Condutividade Elétrica OD Descarga Liquida

22/10/2002 31,3 5,70 42,50 1.835,55


03/02/2003 30,4 7,17 49,40 5,2
19/04/2003 29,0 51,00 3,6 4.894,58
23/08/2003 28,5 5,40 70,20 4,2
27/06/2005 26,2 10,00 26,20 8,6
Médias 29,1 7,07 47,86 5,40
Mínima 26,2 5,40 26,20 3,60 0,0
Máxima 31,3 10,00 70,20 8,60 0,0

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Empresa de Pesquisa Energética – EPE
Avaliação Ambiental integrada - AAI da Bacia do Rio Tocantins e seus Formadores
Relatório P2 – Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins

 Rio Tocantins - Estação: 22.900.000

Localidade: Porto Real Área (km2): 44.910


Data Temp.Amostra pH Condutividade Elétrica OD Descarga Líquida

09/04/2002 27,0 5,70 98,70 4,3


15/06/2002 28,2 5,93 73,40 3,8
24/10/2002 28,9 6,30 28,90 184,735
31/01/2003 26,6 6,63 26,60 5,7
17/04/2003 28,6 7,50 28,60 4,1 1.308,146
27/08/2003 29,1 6,04 29,10
28/11/2003 26,9 5,90 26,90
23/06/2005 26,6 9,80 26,60 10,3
Médias 27,7 6,73 42,35 5,6
Mínima 26,6 5,70 26,60 3,8 0,0
Máxima 29,1 9,80 98,70 10,3 0,0

 Rio Tocantins - Estação: 23.300.000

Localidade: Carolina Área (km2): 276.520


Data Temp.Amostra pH Condutividade Elétrica OD Descarga Líquida

30/04/2002 29,5 6,70 19,70 2,8


27/08/2002 26,8 5,72 26,80 1.336,318
05/12/2002 28,2 5,60 27,60 1,3 2.247,019
08/03/2003 27,9 6,14 27,90 5,8
28/06/2003 27,2 5,61 56,90 2,7 1.981,183
21/10/2003 29,5 5,60 29,50 4,6
05/12/2003 29,5 6,90 29,50 6,9
Médias 28,4 6,04 31,13 4,0 1.854,84
Mínima 26,8 5,60 19,70 1,3 1.336,32
Máxima 29,5 6,90 56,90 6,9 2.247,02

 Rio Tocantins - Estação: 29.050.000

Localidade: Marabá Área (km2): 690,920


Data Temp.Amostra pH Condutividade Elétrica OD Descarga Líquida

31/01/2002 29,7 6,00 45,50 4,4


31/01/2002 29,0 6,08 34,80 4,0
31/01/2002 29,0 6,06 29,40 4,0
31/01/2002 28,9 5,94 35,90 4,2
17/05/2002 26,7 6,10 49,00 3,8
17/05/2002 26,6 6,19 37,10 2,5

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Empresa de Pesquisa Energética – EPE
Avaliação Ambiental integrada - AAI da Bacia do Rio Tocantins e seus Formadores
Relatório P2 – Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins

Data Temp.Amostra pH Condutividade Elétrica OD Descarga Líquida

17/05/2002 26,5 6,33 35,70 1,4


17/05/2002 26,4 6,42 39,70 2,2
10/09/2002 26,4 6,36 46,70 3,9
10/09/2002 26,4 6,93 47,00 4,0
10/09/2002 26,4 6,95 44,10 4,0
10/09/2002 26,4 6,92 45,40 4,0 2438,446
14/12/2002 27,5 6,33 54,70 3,4
14/12/2002 27,6 6,58 49,70 3,6
14/12/2002 27,6 6,33 35,00 3,8
14/12/2002 27,6 6,33 35,00 3,8
23/03/2003 26,3 6,54 29,30 2,1 20914,01
23/03/2003 26,3 6,46 34,80 2,6
23/03/2003 26,3 6,33 32,50 2,3
23/03/2003 26,1 6,47 31,50 2,0
04/07/2003 27,6 6,70 37,70 3,3
04/07/2003 28,3 6,70 42,80 2,6
04/07/2003 28,6 6,70 44,40 3,3
04/07/2003 27,5 6,80 43,80 2,6
01/10/2003 25,9 6,17 44,80 4,7
01/10/2003 25,9 6,32 42,20 4,0
01/10/2003 25,7 6,50 39,20 4,3
01/10/2003 25,6 6,55 42,85 4,3
10/11/2005 32,9 7,63 10,14 4,5
10/11/2005 32,7 7,73 10,01 4,8
10/11/2005 32,1 7,79 9,81 4,4
10/11/2005 32,6 7,83 10,03 4,5
Médias 27,8 6,60 36,58 3,5
Mínima 25,6 5,94 9,81 1,4 0,0
Máxima 32,9 7,83 54,70 4,8 0,0

 Rio Itacaiúnas - Estação: 29.100.000

Localidade: Fazenda Alegria Área (km2): 37.600


Data Temp.Amostra pH Condutividade Elétrica OD Descarga Líquida

30/01/2002 29,6 5,86 99,00 4,6


30/01/2002 30,2 6,09 105,30 4,0
30/01/2002 30,0 6,13 110,10 3,7
30/01/2002 29,2 6,11 105,30 4,4
16/05/2002 26,3 6,40 99,70 2,8
16/05/2002 26,3 6,43 100,50 3,4

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Relatório P2 – Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins

Data Temp.Amostra pH Condutividade Elétrica OD Descarga Líquida

16/05/2002 26,2 6,48 101,80 3,2


16/05/2002 26,2 6,56 100,20 3,8
11/09/2002 26,3 6,53 97,60 4,1
11/09/2002 26,3 6,56 95,80 3,8
11/09/2002 26,3 6,91 96,30 4,0
11/09/2002 26,3 6,90 96,20 4,0 102,759
10/12/2002 27,3 6,49 102,90 3,6
10/12/2002 27,5 6,80 100,50 3,6
10/12/2002 27,5 6,50 99,90 4,0
10/12/2002 27,4 6,56 101,60 3,3
21/03/2003 26,0 6,44 66,30 1,9 1488,364
21/03/2003 26,0 6,38 69,30 1,8
21/03/2003 25,8 6,35 72,40 2,0
21/03/2003 25,8 6,45 69,80 2,3
02/07/2003 27,3 5,20 96,30 2,8
02/07/2003 28,1 6,60 97,50 2,4
02/07/2003 28,4 6,60 99,90 4,2
02/07/2003 27,3 6,70 91,00 4,1
03/10/2003 25,6 6,35 105,30 4,2
03/10/2003 25,5 6,39 104,70 3,6
03/10/2003 25,5 6,42 104,60 4,0
07/11/2005 30,2 7,73 22,30 4,3
07/11/2005 30,1 7,80 22,50 7,4
07/11/2005 30,3 7,89 22,30 4,7
07/11/2005 30,3 7,90 22,40 4,8
Médias 27,5 6,60 86,43 3,7
Mínima 25,5 5,20 22,30 1,8
Máxima 30,3 7,90 110,10 7,4

 Rio Tocantins - Estação: 29.7 00.000

Localidade: Tucuruí Área (km2): 742.300


Data Temp.Amostra pH Condutividade Elétrica OD Descarga Líquida

26/01/2002 28,8 6,17 38,20 4,5


26/01/2002 28,7 6,26 38,40 4,7
26/01/2002 28,5 6,18 40,00 4,3
26/01/2002 28,6 6,17 43,50 4,9
23/05/2002 26,1 6,68 38,20 3,1
23/05/2002 26,1 6,60 39,10 2,9
23/05/2002 26,0 6,56 39,30 2,6

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Data Temp.Amostra pH Condutividade Elétrica OD Descarga Líquida

23/05/2002 26,0 6,63 39,10 3,6


04/09/2002 26,3 6,13 46,20 4,7
04/09/2002 26,3 6,29 45,30 4,1
04/09/2002 26,3 6,33 45,80 4,4
04/09/2002 26,4 6,32 46,00 5,0 5683,423
06/12/2002 25,7 6,38 49,50 3,4
06/12/2002 25,4 6,41 49,10 3,2
06/12/2002 25,4 6,41 49,10 3,2
06/12/2002 24,9 5,96 49,70 4,1
15/03/2003 25,2 6,60 36,30 2,7
15/03/2003 25,0 6,56 36,60 2,6
15/03/2003 25,0 6,45 36,40 3,8
15/03/2003 25,4 6,55 36,30 3,9 18276,45
24/06/2003 27,5 6,30 42,10 5,7
24/06/2003 28,0 6,10 41,50 5,0
24/06/2003 28,0 6,10 40,00 4,9
24/06/2003 27,9 6,20 40,80 3,8
25/09/2003 25,1 6,82 41,00 4,7
25/09/2003 25,1 6,77 40,80 4,2
25/09/2003 25,1 6,79 39,90 4,6
25/09/2003 25,2 6,76 40,80 4,1
16/11/2005 29,7 7,22 9,48 3,9
16/11/2005 29,7 7,25 9,48 3,8
16/11/2005 29,9 7,23 9,53 3,8
16/11/2005 30,3 7,26 9,41 4,2
Médias 26,8 6,51 37,72 4,0 11.979,94
Mínima 24,9 5,96 9,41 2,6 5.683,42
Máxima 30,3 7,26 49,70 5,7 18.276,45

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Relatório P2 – Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins

1.1.3. Clima
A área da bacia hidrográfica do rio Tocantins, conforme mencionado, dispõe de uma rede
reduzida, e espacialmente mal distribuída, de estações meteorológicas, dificultando uma
melhor caracterização das condições climáticas. Os principais pontos de monitoramento
climatológico existentes pertencem ao Instituto Nacional de Meteorologia – INMET, cujos
dados constam da publicação “Normais Climatológicas (1961-1990)”, tendo sido identificadas
28 estações distribuídas pelas cinco sub-bacias. Existem ainda outras 13 estações, operadas
por entidades diversas, como ANEEL e Furnas, também nas cinco sub-bacias, que compõem
a rede meteorológica da Bacia.

A caracterização do clima será feita com base nos dados gerados nessas estações
meteorológicas.

1.1.3.1. Aspectos Climáticos

A bacia hidrográfica do rio Tocantins, do ponto de vista climático, situa-se entre duas
importantes regiões de natureza muito diferenciada, a saber:
 A região amazônica, sob o domínio do sistema Equatorial Continental Amazônico, cuja
origem dá-se na região aquecida e coberta por vegetação do interior do continente;
 O Nordeste Brasileiro, sob o domínio do sistema Equatorial Atlântico, constituído pelos
alísios de sudeste do anticiclone do Atlântico Sul, responsável pelas precipitações
noturnas ao longo do litoral nordestino.

A bacia hidrográfica do rio Tocantins é, portanto, influenciada por mecanismos de produção


de precipitação característicos dessas duas regiões vizinhas e está sujeita à ação de
sistemas de circulação responsáveis pela complexidade do regime de chuvas, conforme
descrito a seguir.

A Zona de Convergência Intertropical – ZCIT: consiste na região de convergência dos


ventos alísios dos dois hemisférios. Dinamicamente, a ZCIT está associada a uma faixa de
baixa pressão e convergência do escoamento dos baixos níveis da atmosfera, que promove
as condições favoráveis ao movimento ascendente e conseqüente presença de nebulosidade
e precipitação.

Cabe ressaltar que a ZCIT situa-se numa faixa de domínio oceânico, sendo, portanto,
razoável esperar que exista uma relação direta entre as anomalias da temperatura da
superfície do mar e as precipitações no continente ou, mais especificamente, na bacia do rio
Tocantins.

Sistemas frontais: estão associados às ondas baroclínicas que transportam massas de ar


de origem polar em direção aos trópicos. Essas ondas, que promovem uma modulação dos
regimes pluviométricos e de temperatura em grande parte do Brasil, ocorrem ativamente em
todas as estações do ano. Os sistemas frontais frios, em geral, organizam-se duas a quatro
vezes por mês nas latitudes médias do continente e deslocam-se na direção SW-NE,
podendo às vezes retroceder, mudar de direção ou permanecer estacionários por alguns
dias, até sua frontólise sobre o continente ou sobre o oceano Atlântico.

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Relatório P2 – Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins

As frentes frias interiores, após transporem a região do Chaco, rica em umidade e sede
natural de uma ciclogênese, podem penetrar até latitudes inferiores aos 20º Sul, alcançando
a região Centro-Oeste e o extremo sul da região Norte.

Linhas de Instabilidade: estão associadas às brisas marítimas na costa Norte-Nordeste.


Estas linhas, decorrentes do gradiente térmico entre o continente e o oceano, podem
ultrapassar a faixa litorânea e propagar-se como linhas de instabilidade em direção às áreas
mais interiores, atingindo, por vezes, a bacia do Tocantins. Na região da Amazônia Central,
persiste na estação chuvosa um esquema de circulação atmosférica da superfície associado
às baixas pressões (doldruns) do continente sul-americano. Na estação seca, ocorre o
avanço dos centros de alta pressão sobre as áreas centrais da América do Sul.

Além dos sistemas de origem tipicamente intertropicais, a Amazônia Centro-Meridional


recebe a influência ocasional e, principalmente durante o inverno austral, dos sistemas
extratropicais, ou seja, a Massa Polar Atlântica e a Frente Polar, provocando o fenômeno da
friagem.

Não obstante essa relativa homogeneidade climática, que confere a toda a região um clima
tropical continental alternadamente úmido e seco, os estudos de inventário hidroenergético
desenvolvidos pela Eletronorte identificaram os seguintes setores climáticos para a bacia do
Tocantins, conforme Ilustração 2 – Setores Climáticos da bacia do rio Tocantins:

Ilustração 2 – Setores Climáticos da bacia do rio Tocantins

Cametá

Tucuruí

Setor 4
clima quente e úmido
Marabá
Imperatriz

Carolina

Setor 3
clima de transição de
tropical para equatorial

Porto Nacional

Setor 2
clima tropical continental, Peixe
Taguatinga
embora bastante úmido pela Paranã

proximidade equatorial
Posse
Setor 1
tropical continental úmido, com Goianésia
amenizações parciais na época Pirenópolis
Goiás
quente devido à altitude;

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 Setor 1 – Alto Curso do Rio Tocantins (porções das sub-bacias 20 e 21)

Este setor constitui parte integrante do Planalto Central, com elevadas altitudes junto ao
Espigão Mestre e à Serra Geral de Goiás. Seu limite setentrional encontra-se entre os
paralelos 13º e 14º Sul. O clima predominante é de natureza tropical continental úmido, com
amenizações parciais na época quente devido à altitude, com temperatura anual média de
22,5º C. O setor apresenta baixas amplitudes térmicas anuais, em torno de 3º C.

O período quente e chuvoso é bem definido, estabelecendo-se de novembro a março, sendo


dezembro o mais chuvoso (chegando ao nível de 325 mm). O período seco abrange os
meses de junho a agosto, com níveis de precipitação muito baixos, sendo abril a maio e
setembro a outubro os meses de transição. O nível de precipitação anual total chegou a
1.766 mm. Em termos de insolação, o setor apresenta uma média anual de 2.400 horas de
sol, com maior incidência nas épocas de estiagem.

Em relação à Umidade Relativa do Ar, verifica-se uma média anual de 69% nesse setor,
obviamente observando-se os maiores valores nos meses correspondentes ao período
chuvoso. A pressão atmosférica média anual verificada nesse setor é de 920 hPa, as
menores registradas na bacia.
 Setor 2 – Transição ao Médio Tocantins (porções das sub-bacias 20, 21 e 22)

É limitado, ao sul, pelo setor 1 e, o norte, pelo paralelo 11º Sul, aproximadamente na região
da cidade de Porto Nacional. A posição latitudinal deste setor propicia uma influência apenas
indireta da Zona de Convergência Intertropical – ZCIT, o que lhe confere um clima
classificado como tropical continental, embora seja bastante úmido pela proximidade
equatorial, com temperatura média anual de 25ºC. O setor também apresenta baixas
amplitudes térmicas anuais, em torno de 3º C.

O período chuvoso estende-se de outubro a março (com índices pluviométricos


ultrapassando os 300 mm), sendo dezembro e janeiro os meses mais chuvosos. O período
seco segue de junho a agosto (em níveis que chegam próximo a 0), sendo abril e maio e
setembro a outubro os meses de transição. O índice de precipitação anual total chegou a
1.722 mm. Em termos de insolação, o setor apresenta uma média anual de 2.480 horas de
sol, com maior incidência nas épocas de estiagem.

Em relação à Umidade Relativa do Ar, verifica-se uma média anual de 70% nesse setor. Já a
pressão atmosférica média anual verificada nesse setor é de 970 hPa.
 Setor 3 – Médio Tocantins (porções da sub-bacia 22 e 23)

É limitado ao sul pelo Setor 2 e, ao norte, pelo paralelo 8º Sul, aproximadamente na região da
cidade de Colinas do Tocantins. Por sua posição central na bacia, caracteriza-se como um
clima de transição de tropical para equatorial, com temperatura média anual de 26,1ºC. Da
mesma forma que nos demais setores, a amplitude térmica anual é baixa, inferior a 3ºC.

Nessas latitudes, as oscilações da ZCIT já se fazem sentir nitidamente. O período chuvoso


vai de novembro a março, sendo janeiro e fevereiro os meses mais chuvosos. O período seco
vai de maio a setembro, sendo julho o mês mais seco. O índice de precipitação anual total
alcançou 1.668 mm e com média anual de insolação de 2.440 horas. Em relação à Umidade
Relativa do Ar, verifica-se uma média anual de 72% nesse setor. A pressão atmosférica
média anual verificada nesse setor é de 985 hPa.
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 Setor 4 – Baixo Tocantins (porções da sub-bacia 23 e sub-bacia 29)

Ao norte do paralelo 6º Sul o clima é quente e úmido, caracteristicamente equatorial. No


extremo norte do rio Tocantins o período seco reduz-se aos meses de junho, julho e agosto e
o período mais chuvoso vai de dezembro a abril. O índice de precipitação anual total
alcançou os 2.227 mm, com temperatura média anual de 26,2ºC. Esse setor apresentou
amplitude térmica anual ainda mais baixa, inferior a 2ºC. Em termos de insolação, o setor
apresenta uma média anual de 2.080 horas de sol, com maior incidência nas épocas de
estiagem.

Em relação à Umidade Relativa do Ar, verifica-se uma média anual de 79% nesse setor, ou
seja, os maiores índices verificados na bacia. A pressão atmosférica média anual verificada
nesse setor é de 998 hPa, as maiores verificadas na bacia.

Em resumo, pode-se constatar que, de forma geral, as temperaturas médias anuais são
bastante uniformes em toda a bacia do rio Tocantins, tendendo a diminuir um pouco a medida
que aumenta a latitude, variando de 26,4º C ao norte até 22,5º C no extremo norte do Estado
de Goiás. As variações sazonais da pluviosidade atuante constituem o fator climático mais
importante na região da bacia do rio Tocantins. Esta sazonalidade é um dos atributos
climáticos característicos de toda a região, condicionando alternadamente uma extrema
carência de água com abundantes excedentes hídricos.

Em termos da insolação, tem uma variação sazonal marcante, com maior número de horas
de sol nos meses de estiagem, já que a circulação atmosférica de macro-escala praticamente
impede a formação de nuvens nos meses de maio a outubro. A Umidade Relativa do Ar
apresenta um comportamento relativamente homogêneo quanto à sua distribuição, variando
de 67 % no Alto Tocantins e chegando a 87% em seu baixo curso.

Já a evaporação anual situa-se em torno de 1.700 mm na região do alto Tocantins,


decrescendo lentamente ao longo do médio Tocantins até 1.400 mm e chegando a 800 mm
no baixo curso do rio. As informações sobre ventos na região da bacia do Tocantins são
escassas. Na Região os ventos mais freqüentes são os do sul, leste e norte, com freqüências
respectivamente de 9,5%, 7% e 6,2%. Outra indicação é que no médio Tocantins em dois
terços do tempo ocorrem calmarias, com velocidades abaixo de 3,6 km/h. Independente da
direção, a velocidade média situa-se em torno de 7,2 km/h, permitindo classificá-los como
ventos fracos a moderados. A análise do comportamento dos ventos ao longo do ano indica
predominância de ventos do sul e do norte entre os meses de outubro e maio. Nos meses de
junho a setembro predominam os ventos do leste.

1.2. Rede Hidrográfica


A bacia hidrográfica do rio Tocantins situa-se ao norte do paralelo 18º de Latitude Sul e o seu
curso é sub-dividido em três trechos, conforme já mencionado: Alto, Médio e Baixo Tocantins.
O Médio e o Baixo Tocantins estão integralmente situados na Região Norte do território
brasileiro, fazendo parte da Amazônia Legal. O Alto Tocantins, incluindo seus formadores, rio
Maranhão e rio das Almas, está incluído na Região Centro-Oeste.

De acordo com a definição da ANA para a subdivisão de bacias do território brasileiro, a bacia
do rio Tocantins enquadra-se no grupo de mananciais integrantes da Bacia 2, denominada
Região Hidrográfica Araguaia-Tocantins. Esta Região é subdividida em 10 sub-bacias, sendo

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as sub-bacias 20 a 23 e a 29 correspondentes ao rio Tocantins, analisadas no presente


estudo. A Ilustração a seguir apresenta os limites de suas sub-bacias.

Ilustração 3 – Sub-bacias do rio Tocantins

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O rio Tocantins tem seu desenvolvimento no sentido sul-norte, sendo formado pela conjunção
dos rios das Almas e Maranhão, cujas nascentes ocorrem no Planalto de Goiás, em níveis
superiores a 1.000 m. Apresenta uma extensão aproximada de 2.500 km desde suas
cabeceiras até sua desembocadura na Baía de Marajó.

Seu principal tributário é o rio Araguaia (2.600 km de extensão). Na margem direita do


Tocantins destacam-se como seus afluentes os rios Bagagem, Tocantinzinho, Paranã, do
Sono, Manoel Alves Grande e Farinha; na margem esquerda, os rios Santa Teresa e
Itacaiúnas.

O trecho denominado Alto Tocantins tem uma área de drenagem de aproximadamente


127.700 km2 e uma extensão limitada pelo paralelo 12º de latitude sul, próximo ao município
de Peixe, no Estado do Tocantins. Neste trecho, os principais afluentes encontram-se na
margem direita, sendo o de maior porte o rio Paranã, que tem uma área de drenagem de
aproximadamente 65 mil km2. Na margem esquerda, o afluente mais importante é o rio Santa
Teresa, com cerca de 14.600 km2 de área de drenagem. A confluência deste rio com o rio
Tocantins dá-se a poucos quilômetros a jusante da cidade de Peixe, já na região do Médio
Tocantins.

O trecho denominado Médio Tocantins tem início no paralelo 12º de latitude sul e termina
junto à confluência com o rio Araguaia, abrangendo territórios dos estados do Tocantins,
Maranhão e Pará. Neste trecho, os principais afluentes também se encontram na margem
direita, com destaque para os rios Manuel Alves da Natividade (área de drenagem de 14.933
km2), do Sono (área de drenagem de 45.600 km2), Manuel Alves Grande e Farinha. Pela
margem esquerda, os afluentes são de pequeno porte, com exceção do rio Santo Antônio,
que é de médio porte.

O trecho denominado Baixo Tocantins tem início na confluência do rio Araguaia com o rio
Tocantins e abrange todo o trecho do rio Tocantins até a sua desembocadura na Baía de
Marajó. Os principais afluentes são os rios Araguaia e Itacaiúnas, ambos pela margem
esquerda.

1.3. Vazões
A configuração espacial da rede de drenagem da bacia hidrográfica do rio Tocantins é
bastante assimétrica: no Alto e Médio Tocantins, conforme mencionado, os principais
afluentes são todos na margem direita, à exceção do rio Santa Teresa, que desemboca no rio
Tocantins na região de transição entre o Alto e o Médio Tocantins. Já no Baixo Tocantins, os
afluentes principais são o Araguaia e o Itacaiúnas, ambos na margem esquerda do rio.

Para uma melhor caracterização do regime fluvial do rio Tocantins, foram consideradas
algumas estações fluviométricas da rede, cujas vazões aparecem indicadas no gráfico a
seguir.

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Gráfico 1 – Vazão Média do rio Tocantins – m3/s (1931-2004)

30.000,0

25.000,0

20.000,0 Ceres
São Salvador
m³/s

15.000,0
Peixe
10.000,0 Tucurui

5.000,0

0,0
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Fonte: ONS, 2004

Ao analisar-se o gráfico, observam-se variações de vazão de baixa amplitude no seu alto e


médio cursos ao longo do ano, enquanto em seu baixo curso elas são bem maiores. Essas
variações de vazão, de uma maneira geral, comportam-se de modo semelhante ao longo de
seu curso, começando a aumentar a partir do mês de novembro, tendo seu ápice em
fevereiro, coincidindo com o verão, que marca período de chuvas. Torna a diminuir a partir de
março, época de estiagem.

Por isso denota-se um forte caráter sazonal que define o regime da vazão do rio Tocantins,
obedecendo as características climáticas que se apresentam em seu curso, que são as do
clima Tropical Continental e Equatorial.

Apesar de se delinearem de maneira similar, a curva do gráfico referente à estação


fluviométrica de Tucurui apresenta-se muito díspare das outras em relação a seus números
absolutos, uma vez que já se encontra no bioma Amazônia, onde são registrados índices
pluviométricos muito elevados. Vale ressaltar que todas as outras curvas são de estações
que se encontram à montante da confluência do Rio Tocantins com o rio Araguaia.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, para as suas funções de planejamento e


programação da operação do Sistema Interligado Nacional – SIN, utiliza séries de vazões
médias mensais para o planejamento de médio e curto prazo, destacando-se a geração de
vazões naturais afluentes aos aproveitamentos e subsistemas eletroenergéticos. Devido ao
horizonte de planejamento, as séries de vazões abrangem tanto os locais de aproveitamentos
em operação, como também aqueles com instalação prevista para até 5 anos.

Em 2005, o ONS publicou as vazões médias mensais, mínimas e máximas para todos os
locais onde foram ou estão sendo instaladas usinas hidrelétricas. As vazões publicadas
abrangem um período de 1931 a 2004 e estão disponíveis para as seguintes usinas
hidrelétricas: Serra da Mesa; Cana Brava; São Salvador; Peixe Angical; Lajeado; Estreito; e,
Tucuruí.

Na tabela a seguir são apresentadas as vazões médias mensais, máximas e mínimas, para
esses locais.

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Tabela 7 - Vazões Médias Mensais, Vazões Mínimas e Máximas (m3/s)

Nome da Usina SB Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual
Med 1.445,0 1.667,0 1.529,0 1.079,0 575,0 397,0 300,0 233,0 225,0 324,0 577,0 1.066,0 785,0

Serra da Mesa 20 Min 434,0 432,0 554,0 330,0 215,0 145,0 111,0 97,0 99,0 98,0 216,0 340,0 97,0
Max 3.330,0 6.163,0 3.827,0 3.524,0 1.689,0 976,0 717,0 543,0 517,0 847,0 1.556,0 3.823,0 6.163,0
Med 1.616,0 1.857,0 1.705,0 1.203,0 645,0 448,0 341,0 268,0 257,0 370,0 654,0 1.192,0 880,0

Cana Brava 20 Min 466,0 462,0 597,0 395,0 263,0 193,0 146,0 136,0 106,0 102,0 236,0 381,0 102,0
Max 3.771,0 7.012,0 4.247,0 3.875,0 1.876,0 1.073,0 785,0 596,0 563,0 921,0 1.690,0 4.275,0 7.012,0
Med 1.782,0 2.027,0 1.891,0 1.357,0 724,0 492,0 374,0 295,0 282,0 400,0 715,0 1.326,0 972,0

São Salvador 20 Min 542,0 520,0 685,0 491,0 275,0 222,0 181,0 144,0 111,0 107,0 238,0 419,0 107,0
Max 4.106,0 7.377,0 4.828,0 4.250,0 2.132,0 1.165,0 840,0 637,0 606,0 995,0 1.817,0 4.569,0 7.377,0
Med 3.193,0 3.633,0 3.442,0 2.407,0 1.203,0 801,0 620,0 502,0 483,0 660,0 1.229,0 2.376,0 1.712,0

Peixe Angical 21 Min 974,0 989,0 1.487,0 781,0 549,0 404,0 322,0 276,0 250,0 228,0 357,0 718,0 228,0
Max 8.383,0 12.561,0 8.264,0 7.929,0 4.317,0 2.139,0 1.553,0 1.210,0 1.032,0 1.864,0 3.122,0 8.897,0 12.561,0
Med 4.566,0 5.301,0 5.282,0 3.890,0 1.924,0 1.154,0 835,0 645,0 591,0 825,0 1.614,0 3.236,0 2.489,0

Lajeado 22 Min 1.392,0 1.573,0 2.216,0 1.347,0 875,0 532,0 416,0 335,0 286,0 285,0 437,0 982,0 285,0
Max 11.869,0 15.250,0 12.273,0 10.014,0 6.060,0 2.867,0 1.934,0 1.462,0 1.201,0 2.535,0 4.295,0 10.978,0 15.250,0
Med 7.037,0 8.466,0 8.911,0 7.305,0 4.057,0 2.366,0 1.703,0 1.321,0 1.197,0 1.550,0 2.674,0 4.862,0 4.287,0

Estreito 23 Min 2.998,0 2.740,0 4.243,0 2.871,0 1.972,0 1.175,0 955,0 676,0 585,0 609,0 1.041,0 1.466,0 585,0
Max 15.826,0 22.600,0 18.399,0 15.155,0 10.727,0 5.274,0 3.278,0 2.466,0 2.013,0 3.775,0 6.252,0 13.671,0 22.600,0
Med 15.417,0 20.654,0 24.070,0 23.930,0 15.393,0 7.359,0 4.282,0 3.038,0 2.396,0 2.679,0 4.401,0 8.651,0 11.023,0

Tucuruí 29 Min 5.249,0 7.199,0 10.319,0 12.956,0 7.242,0 3.772,0 2.278,0 1.657,0 1.392,0 1.269,0 1.715,0 2.764,0 1.269,0
Max 35.804,0 44.250,0 51.539,0 49.445,0 31.611,0 14.345,0 7.742,0 5.559,0 4.379,0 5.642,0 10.298,0 18.684,0 51.539,0

Fonte: ONS, 2004

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Para essas séries de vazões do ONS, apresentam-se na Tabela 8 – Características dos


Escoamentos de Superfície no rio Tocantins as características das variações dos
escoamentos superficiais ao longo do curso principal do rio Tocantins.

Tabela 8 – Características dos Escoamentos de Superfície no rio Tocantins

AHE Área Vazão Média Anual Vazão Mínima Vazão Máxima


2
(km )
3 2 3 2 3 2
m /s L/s.km m /s L/s.km m /s L/s.km

Serra da 50.975 785 15,40 97 1,90 6.163 120,90


Mesa
Cana Brava 57.777 880 15,23 102 1,77 7.012 121,36

São 62.601 972 15,53 107 1,71 7.377 117,84


Salvador
Peixe- 127.104 1.712 13,47 228 1,79 12.561 98,82
Angical
Lajeado 184.219 2.489 13,51 285 1,55 15.250 82,78

Estreito 287.800 4.287 14,90 585 2,03 22.600 78,53

Tucuruí 758.000 11.023 14,54 1.269 1,67 51.539 67,99

Fonte: ONS, 2004

De forma complementar, vale dizer que as vazões médias podem ser relacionadas com as
respectivas áreas de contribuição, obtendo-se expressões regionais que permitem estimar os
deflúvios naturais ao longo de todo o curso do rio Tocantins. Os gráficos a seguir apresentas
as vazões médias e mínimas naturais do rio Tocantins.

Gráfico 2 – Vazões Médias Naturais do Rio Tocantins (QLT)

Rio Tocantins - Vazões Médias Naturais (QLT)


4,5

Log(Q) = 0,9752.Log(A) - 1,7074


Log(vazão - m 3/s)

4,0
R2 = 0,9969

3,5

3,0

2,5
4,5 5,0 5,5 Log(área - km 2) 6,0

Fonte: ONS, 2004

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Gráfico 3 – Vazões Mínimas do rio Tocantins

Vazões Mínim as do Rio Tocantins


1.500 3,0

vazão específica
mínima, l/s/km2
2,5
mínima, m3;s
vazão mensal

1.000 2,0

1,5

500 1,0

0,5

0 0,0
0 200.000 400.000 600.000 800.000
vazão mensal mínima vazão específica mínima área de drenagem , km 2

Fonte: ONS, 2004

Uma apreciação geral do potencial hídrico de superfície, baseada nas séries de vazões
médias naturais definidas para alguns locais do rio Tocantins, mostra que:
 As contribuições específicas médias ao longo do Tocantins, do alto ao baixo curso, são
decrescentes, com exceção do trecho a jusante do município de Estreito, onde se
observa uma ligeira tendência de crescimento, sobretudo devida à entrada das
contribuições dos rios do Sono e Manoel Alves Grande;
 O regime fluvial caracteriza-se por apresentar um período de enchentes entre os meses
de novembro a maio, concentrado no trimestre janeiro a março, e o período de estiagem
entre os meses de junho a outubro, sendo que os menores deflúvios ocorrem no
trimestre de julho a setembro;
 As produtividades hídricas nos meses de estiagem, conforme a figura abaixo,
apresentam valores inferiores a 2,0 l/s/km2, decrescendo gradualmente das cabeceiras
(cerca de 1,9 l/s/km2) para jusante. As vazões específicas decrescem para valores da
ordem de 1,5 l/s/km2 próximo à desembocadura do rio do Sono. A partir dessa
confluência a vazão específica tem um acréscimo súbito (para cerca de 2,0 l/s/km2),
voltando a decrescer gradativamente para jusante;
 As produtividades hídricas nos meses de chuvas decrescem gradualmente das
cabeceiras até a foz do rio Tocantins, na Baía de Marajó.

Com o início da operação do reservatório da UHE de Serra da Mesa, houve uma modificação
do regime fluvial do rio Tocantins a jusante do aproveitamento, provocando: (i) a atenuação
dos eventos de cheias pelo controle proporcionado pelas comportas e volume de espera
alocado no reservatório; (ii) o aumento das vazões de estiagem devido à capacidade de
regularização de vazões desse reservatório. Todavia a extensão total desta regularização
ainda não foi constatada, já que o reservatório, até meados de 2006, ainda não se encontra
no seu nível máximo operacional.

Os demais reservatórios do Alto e Médio Tocantins operam a fio d´água, não influindo assim
significativamente na regularização do rio Tocantins.

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1.4. Usos da Água


A Região Hidrográfica Araguaia-Tocantins é a segunda maior região brasileira em termos de
disponibilidade hídrica, apresentando 13.624 m3/s de vazão média (Q), equivalente a 9,6% do
total do Brasil e uma vazão específica média de 14,84 L/s.km2, considerando a área de
918.273 km2 (inclui a bacia do Araguaia e o trecho do extremo norte da bacia do Tocantins).

Na bacia hidrográfica do Tocantins como um todo, as demandas hídricas para os diversos


usos dos recursos hídricos, o consumo e as vazões retornadas pelo lançamento de efluentes
totalizam, respectivamente, 19,6 m³/s, 6,9 m³/s e 12,7 m³/s.

As discretizações e particularidades relativas a cada um dos setores de usuários na Bacia do


Rio Tocantins são apresentadas nos tópicos a seguir.

1.4.1. Usos Consuntivos

1.4.1.1. Captações para Abastecimento Público

O fornecimento de água nos Estados que compõem a bacia do rio Tocantins é realizado por
quatro empresas: SANEATINS - Companhia de Saneamento do Estado do Tocantins;
SANEAGO – Saneamento de Goiás; CAEMA – Companhia de Águas e Esgotos do
Maranhão; e COSANPA – Companhia de Saneamento do Pará.

O abastecimento domiciliar nas áreas urbanas é suprido na sua maior parte pelas empresas
de saneamento básico, através de captações em mananciais superficiais ou subterrâneos.
Segundo dados da FIBGE, a quantidade de domicílios ligados às redes de abastecimento
público é da ordem de 86,9% (cerca de 80% da população conforme informação anterior),
patamar pouco inferior ao observado no Brasil (89,8%).

A população não atendida pelos serviços públicos, em geral, abastece-se de água


principalmente pela utilização de poços ou nascentes e, em pequena proporção, por outras
fontes. Encontram-se nesta situação 11,1% (poços ou nascentes) e 2,0% (outras fontes) dos
domicílios da bacia.

Nas sub-áreas correspondentes aos Estados de Goiás e Maranhão, os domicílios atendidos


encontram-se em patamares similares aos observados no Brasil, com 86,1% e 88,4%
respectivamente. No Maranhão, Imperatriz (sub-bacia 23) é a maior cidade situada na bacia,
com 51.658 domicílios, sendo que 92% deles têm fornecimento de água via rede. Em Goiás,
as principais cidades, Porangatu, na sub-bacia 22 (9.1879 domicílios), Uruaçu,(8.345
domicílios) e Minaçu (7.746 domicílios), na sub-bacia 20, têm respectivamente 71,7%, 74,8%
e 96,0% dos domicílios atendidos pela rede geral.

1.4.1.2. Dessedentação Animal e Irrigação

A pecuária é ainda a principal atividade dentro do setor rural, em função da extensão


ocupada. As áreas destinadas a pastagens são preponderantes em relação a outros usos do
solo. Segundo os dados do Censo Agropecuário, em 1995, no Estado do Tocantins as
pastagens (plantadas e naturais) correspondiam a 11.078.155 ha, o que representava cerca
de 69% de sua área total. Situação semelhante acontecia no Maranhão, nas regiões de
Imperatriz e Porto Franco (55,9%), ambos municípios situados na sub-bacia 23 e no Norte

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Goiano (73,1%). Apesar das melhorias tecnológicas observadas nos últimos anos, há, ainda,
um predomínio da produção semi-extensiva.

Na ausência de dados mais precisos, as demandas hídricas para dessedentação animal


podem ser estimadas por métodos indiretos, que associem índices médios de consumo ao
efetivo dos rebanhos. Os índices usualmente utilizados são: 9,0 l/d para consumo de bovinos,
1,5 l/d para consumo de suínos, 0,1 l/d para consumo de aves. Considerando o efetivo de
rebanhos apresentado pela FIBGE em 2002 na pesquisa da Produção da Pecuária Municipal,
conforme Tabela 9 - Efetivo de Rebanhos na Bacia do rio Tocantins, e os índices referidos,
podem ser estimadas as demandas para dessedentação animal na bacia do rio Tocantins,
que totalizam um consumo pouco inferior a 1,0 m3/s.

Tabela 9 - Efetivo de Rebanhos na Bacia do rio Tocantins

Bovino Suíno Eqüino Asinino Muar Bubalino Ovino Caprino Aves


Efetivo 6.450.863 283.694 156.036 19.987 51.449 8.312 58.392 24.049 3.153.901

Fonte: FIBGE Produção da Pecuária Municipal 2002.

A modernização e os investimentos na agricultura são elementos recentes na bacia, com


destaque para o PRODECER III - Programa de Desenvolvimento do Cerrado, localizado no
município de Pedro Afonso, incorporando 40.000 ha de cerrado à produção de grãos,
principalmente soja e milho. Assim, as lavouras, ainda que importantes, ocupam áreas
reduzidas se comparadas às das pastagens. O Censo Agropecuário de 1995 indicava que,
para aquele ano, no Estado do Tocantins, a área ocupada pelas lavouras (temporárias e
permanentes) representava pouco menos de 1,7% da área utilizada.

No entanto, a Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia apresenta grande potencialidade


para a agricultura irrigada, especialmente para o cultivo de frutíferas, de arroz e outros grãos
(milho e soja). Atualmente, a necessidade de uso de água para irrigação corresponde a 66%
da demanda total da região e concentra-se na sub-bacia do Araguaia devido ao cultivo de
arroz por inundação. A área irrigável (por inundação e outros métodos) é estimada em
107.235 hectares.

Em função da disponibilidade de terras aptas, a agricultura irrigada é uma atividade que, hoje,
representa 66% da demanda total da região hidrográfica, ainda com grande potencial de
expansão. No ano de 1996, a área irrigada na bacia do Tocantins era de 39.857 ha.

1.4.2. Usos não-Consuntivos

1.4.2.1. Navegação

O curso do rio Tocantins apresenta condições boas de navegabilidade, mas atualmente


apresenta descontinuidades quanto aos trechos navegáveis, seja em função de restrições de
caráter natural (como corredeiras ou cachoeiras) ou antrópico (resultados de intervenções ou
empreendimentos ao longo do curso do rio). Dessa maneira, o aproveitamento atual utiliza
soluções intermodais, combinando os diversos estirões navegáveis conectados a outros
modos de transporte.

O rio Tocantins, em 715 km, da foz a Imperatriz, no Maranhão, oferece boas condições de
navegabilidade. Há, entretanto, uma descontinuidade no km 280, representada pela não
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conclusão das obras de implantação das eclusas da AHE Tucuruí. O trecho do rio, na
extensão de Abaetetuba (PA) a Tucuruí (PA), é navegável durante todo o ano, para
embarcações com calado de até 2,50 m, sendo que da foz até Cametá (PA) pode ser
utilizado por embarcações marítimas. Em Tucuruí a navegação é interrompida num estirão de
7 km, onde estão sendo realizadas as obras das eclusas de Tucuruí, e do canal de
navegação de 5,50 km que as interliga.

Do lago da barragem de Tucuruí, até a cidade de Marabá, no Pará, numa extensão de 215
km, o rio Tocantins pode ser navegado por embarcações de grande porte, havendo alguma
restrição no trecho a montante de Praia Alta, no km 440, em situações de deplecionamento
mais severo dos níveis daquele lago. No percurso para montante, a navegação pelo rio
Tocantins chega até o porto de Imperatriz (cerca de 180 km), suportando embarcações com
calado de até 1,90 m (operação restrita a cerca de 50% do tempo).

De Imperatriz até Porto Franco (MA), o rio Tocantins não é considerado navegável. Nesse
trecho está prevista a construção, a montante de Imperatriz, da barragem de Serra Quebrada,
a qual deverá ser provida de eclusas, o que permitirá a continuidade da navegação para
montante, até a barragem da usina hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães (AHE Lajeado), onde
já se encontra em construção a eclusa, o que torna viável o acesso da navegação à cidade
de Palmas. Na UHE Peixe Angical também está prevista construção de uma eclusa, faltando
assim somente a eclusa da UHE Tocantins (antiga Ipueiras) para tornar a hidrovia navegável
com comboios de porte desde Belém até a cidade de Paranã.

Com a construção da barragem da usina hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães, na localidade


denominada Lajeado, se provida de eclusas,.

1.4.2.2. Geração de Energia

O potencial hidrelétrico da região hidrográfica do Tocantins-Araguaia, segundo o Plano


Decenal de Energia Elétrica 2006-2015, é de 26.285 MW. O potencial hidrelétrico instalado
na bacia do rio Tocantins totaliza 6.981 MW, distribuídos em 28 centrais hidrelétricas, com
destaque para Tucuruí, localizada no baixo Tocantins, e as usinas Serra da Mesa, Cana
Brava e Luis Eduardo Magalhães (Lajeado), localizadas no alto e médio Tocantins.

A Tabela 10 – Usinas Hidrelétricas em Operação apresenta as usinas hidrelétricas em


operação no curso do rio Tocantins, que integram o Sistema Interligado Nacional.

Tabela 10 – Usinas Hidrelétricas em Operação

Sub-bacia Potência
Usina Rio Estado
(MW)
Serra da Mesa 20 Tocantins GO 1.275
Cana Brava 20 Tocantins GO 465
Peixe Angical 21 Tocantins TO 452
Luís Eduardo Magalhães (Lajeado) 22 Tocantins TO 902
Tucuruí 29 Tocantins PA 8.370
TOTAL 11.464

Fonte: Sistema de Informações do Potencial Hidrelétrico Brasileiro - SIPOT , Jun/2004


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1.4.2.3. Diluição e Afastamento de Efluentes

O índice de atendimento para os serviços de coleta de efluentes domésticos configurado para


o total dos municípios que dispõe de sistemas públicos de abastecimento de água é de
apenas 2%. É de se esperar, portanto, um quadro em que a maioria dos municípios esteja
desprovida desse tipo de serviço, sendo potencial a busca por soluções individuais para a
disposição final dos efluentes, constatando-se como mais freqüentes as alternativas de
disposição em fossas sépticas e, em muito menor grau, o lançamento em corpos d’água.

Apesar do baixo índice de atendimento (2%), dos efluentes coletados, uma grande parcela é
encaminhada para tratamento em ETEs (cerca de 74%).

1.4.3. Balanço entre Disponibilidade e Demanda Hídrica


A Região Hidrográfica do Tocantins - Araguaia é a segunda maior região brasileira em termos
de disponibilidade hídrica, com vazão média de 13.625 m³/s, o que equivale a 8% do total do
País. Essa vazão corresponde a uma produtividade específica média de 14,8 l/s/km2, sendo
praticamente equivalente àquela identificada na Bacia do Tocantins, com 14,7 l/s/km2.

A vazão de estiagem da Região Hidrográfica, considerada como sendo a vazão com


permanência de 95% (Q95), é de 2.517 m³/s, valor que corresponde a 3% do total das
disponibilidades de tempo seco do País, sendo a da bacia de 1.170 m3/s. A disponibilidade
hídrica per capita é elevada na região hidrográfica, de 59.858 m3/ha/ano, sendo ainda
superior quando se analisa isoladamente os dados da bacia do Tocantins, chegando a
66.206 m3/ha/ano. Os dados de disponibilidade hídrica são apresentados na Tabela 11 -
Disponibilidade Hídrica na bacia do rio Tocantins e na Região Hidrográfica Tocantins-
Araguaia a seguir.

Tabela 11 - Disponibilidade Hídrica na bacia do rio Tocantins e na Região Hidrográfica


Tocantins-Araguaia

Unidade Área P E Disponibilidade hídrica Per capita


Hidrográfica
Q q Q95 3
(km2) (mm) (mm) (mm) (m /ha/ano)
(m3/s) (L/s/km2) (m3/s)

Tocantins 380.834 1.699 1.237 5.579 14,7 1.170 3,1 66.206

Total da
Região 921.921 1.839 1.373 13.625 14,8 2.517 2,7 59.858
Hidrográfica
% do Brasil 11 --- --- 8 --- 3 --- ---

Fonte: Plano Nacional de Recursos Hídricos – PNRH / Agência Nacional de Águas – ANA.
Notas: P: Precipitação média anual; E: Evapotranspiração real; Q: Vazão média de longo período; q:
Vazão específica; Q95: Vazão com permanência de 95%

De acordo com a SRH/MMA, 2005, o balanço entre a disponibilidade hídrica e a demanda de


água na bacia hidrográfica do rio Tocantins está resumido na tabela a seguir.

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Tabela 12 - Balanço Hídrico

Sub-divisão Sub-divisão Demanda Vazão Q95 Demanda/Disponibilidade Demanda/Disponibilidade


3
Hidrográfica hidrográfica total média (m /s) 1 (%) 2 (%)
3
1 2 (m /s) acumulada
3
(m /s)

Alto Alto Tocantins 8,376 782,0 163,6 1,07 5,12


Tocantins Santa Teresa 0,744 182,2 38,1 0,41 1,95
Paranã 3,01 1.998,0 216,1 0,15 1,39

Médio Manuel Alves 0,187 199,3 35,9 0,09 0,52


Tocantins Lajeado 1,434 2.547,1 63,0 0,06 2,28
Sono 0,439 777,5 181,4 0,06 0,24
Estreito 3,755 4.527,0 280,6 0,08 1,34

Baixo Tucuruí 1,966 11.006,1 183,1 0,02 1,07


Tocantins Baixo Tocantins 0,369 11.091,5 16,1 0,00 2,29

TOTAL 20,28 33.110,7 1.177,9 - -

Fonte: SRH / MMA, 2005


Dem = Demanda (total das vazões retiradas para usos consuntivos)
Disp.1 = Disponibilidade (vazão média de longo período acumulada de montante para jusante)
Disp.2 = Disponibilidade (vazão com permanência de 95%)

Os índices de balanço hídrico foram classificados pela ANA em 2005, conforme Tabela 13 –
Índices de Balanço Hídrico (%) a seguir:

Tabela 13 – Índices de Balanço Hídrico (%)

Inferior a 5 Excelente

De 5 a 10 Confortável

De 10 a 20 Preocupante

De 20 a 40 Crítica

Superior a 40 Muito crítica

Fonte: ANA, 2005

Na bacia hidrográfica do rio Tocantins, em termos médios anuais, a relação entre demanda
total e disponibilidade de água não alcança 5%, condição em que a água é considerada um
bem livre, quando considerada a vazão média de longo período acumulada de montante para
jusante. Para a vazão com permanência em 95% do tempo, a situação é confortável no Alto
Tocantins e excelente no Médio e Baixo Tocantins.

Diante deste quadro, atualmente, para o conjunto da bacia, os potenciais conflitos pelo uso
múltiplo da água não se referem às questões quantitativas, podendo ocorrer problemas
pontuais, em nível localizado.

A demanda de água corresponde à vazão de retirada, ou seja, a água captada destinada a


atender aos diversos usos consuntivos, da qual, parte retorna ao ambiente hídrico. Os
principais usos consuntivos são, em grande parte, para irrigação (47% do total), seguidos de
criação animal (28%), urbano (17%), rural (4%) e industrial (4%).

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1.5. Transporte de Sedimentos


Para a avaliação do transporte de sedimentos na Bacia do Rio Tocantins será tomado como
base o recente trabalho desenvolvido através do convênio Embrapa / ANEEL / ANA. Nesse
trabalho foram utilizados dados de estações sedimentométricas em operação na Bacia, cuja
espacialização aproximada aparece no perfil esquemático da Ilustração 4 - Estações
Sedimentométricas – Localização Esquemática a seguir.

Ilustração 4 - Estações Sedimentométricas – Localização Esquemática


Miracema doTocantins

Tucuruí - Jusante
Rio Araguaia
Tupiratins

Carolina

Marabá
Peixe

Rio Tocantins

Itupiranga
Rio do Sono

Paranã Porto Real


Rio Paranã

Fonte: Embrapa / ANEEL / ANA

Para todas as localidades acima, conforme o estudo citado, foram desenvolvidas as curvas-
chave de transporte sólido (relação funcional entre vazão líquida e vazão sólida do curso
d’água). Com as curvas-chave do transporte sólido aplicadas às séries de vazões definidas
para as mesmas localidades (através de dados do monitoramento fluviométrico), foram
determinadas as respectivas séries de dados do transporte sólido. Para as séries de vazões
líquidas e sólidas, resultaram as características apresentadas na Tabela 14 – Transporte de
Sólidos segundo as Estações Identificadas na Bacia.

Tabela 14 – Transporte de Sólidos segundo as Estações Identificadas na Bacia

2 3 2 2
Estações / Localidade Área (km ) m /s l/s/km t/dia t/km .ano mg/l

Paranã 58.013 683 11,8 12.234 77 207

Peixe 130.052 1.880 14,5 20.681 58 127

Miracema do Tocantins 186.834 2.258 12,1 30.695 60 157

Porto Real 44.910 713 15,9 6.697 54 109

Tupiratins 243.841 3.401 13,9 36.793 55 125

Carolina 276.520 4.029 14,6 34.289 45 98

Tocantinópolis 290.570 4.553 15,7 37.425 47 95

Marabá 690.920 10.618 15,4 43.564 23 47

Itupiranga 727.900 11.216 15,4 46.737 23 48

Tucuruí 742.300 10.981 14,8 8.388 4 9

Fonte: Embrapa / ANEEL / ANA

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Os valores característicos resultantes para o transporte sólido são explorados no Gráfico a


seguir.

Gráfico 4 – Transporte de Sedimentos

50.000

40.000
Qss - t/dia

30.000

20.000

10.000

0
1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0
distância a foz - km
Rio Tocantins Tributário

Fonte: Embrapa / ANEEL / ANA

Conforme se verifica na figura acima, os pontos consecutivos com aumento do fluxo de


sedimentos (tendências representadas pelas setas amarelas) indicam que a produção de
sedimentos no trecho (da área incremental) é superior à quantidade que se deposita ao longo
do escoamento. Se entre dois pontos consecutivos ocorre a igualdade, os dados mostram
que não há incrementos das taxas e que isto se deve ao fato de que a deposição no trecho
se iguala à produção de sedimentos da área incremental. Finalmente, quando ocorre
diminuição das taxas, configura-se um trecho francamente de deposição de sedimentos.

As zonas de deposição ocorrem entre as localidades de Tupiratins e Carolina e no trecho a


jusante de Itupiranga. Quanto ao primeiro trecho, a zona de deposição caracterizada explica-
se, em grande parte, por constituir a região de confluência dos rios Tocantins e Araguaia,
onde os efeitos de remanso devem influenciar o escoamento nas calhas a montante,
propiciando a sedimentação.

A zona de deposição configurada no baixo curso do rio Tocantins, ocorre, fundamentalmente,


no reservatório de Tucuruí, conforme se verifica no gráfico a seguir. Vale ressaltar que os
efeitos neste trecho são marcantes, reduzindo, sensivelmente, o transporte sólido em direção
ao baixo curso do rio.

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Gráfico 5 – Descargas Sólidas no rio Tocantins

100
Qss - t/km2.ano

80
60
40
20
0
1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0

Rio Tocantins distância a foz - km Tributário

Fonte: Embrapa / ANEEL / ANA

A descarga sólida específica ao longo do rio Tocantins, conforme gráfico acima, mostra
valores que o classificam como de “baixo” fluxo de sedimentos (valores abaixo de 70
t/km2.ano). Apenas o afluente rio Paranã é enquadrado na categoria “médio” fluxo de
sedimentos.

Gráfico 6 – Concentração média de sedimentos em suspensão

250
200
Qss - mg/l

150
100
50
0
1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0

Rio Tocantins distância a foz - km Tributário

Fonte: Embrapa / ANEEL / ANA

Finalmente, quanto à concentração média de sedimentos em suspensão no curso do rio


Tocantins, conforme gráfico acima, o trecho a montante da confluência com o rio Araguaia
tem uma variação muito pequena, entre 100 e 200 mg/L, cuja classificação vai de “moderada”
a ligeiramente “alta”. A jusante da confluência, as concentrações passam a “baixas”,
chegando a sua foz com a água praticamente livre de sedimentos.

1.6. Águas subterrâneas


1.6.1. Caracterização Hidrogeológica
Dados referentes à caracterização hidrogeológica da área em questão são relativamente
escassos, somente os Estados de Goiás, Distrito Federal, Tocantins e Maranhão apresentam
alguns poucos estudos preliminares. Informações relativas aos sistemas aqüíferos presentes
na região foram basicamente compiladas dos relatórios da Agência Nacional de Águas - ANA,
IBGE, Secretaria de Recursos Hídricos, Projeto de Desenvolvimento Integrado da Bacia do
Araguaia-Tocantins - PRODIAT e do Mapa Hidrogeológico do Brasil, elaborado pela CPRM
(CPRM, 1981; Ministério do Interior, 1985; IBGE, 1997; ANA e MMA, 2005; Secretaria de
Recursos Hídricos, 2005).

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Hidrogeologicamente, a área que compreende a Bacia Hidrográfica do Tocantins pode ser


compartimentada em quatro grandes domínios, a saber: embasamento cristalino Pré-
Cambriano e as Bacias sedimentares do São Francisco, Parnaíba e do Amazonas, conforme
será melhor detalhado no item Erro! Fonte de referência não encontrada.. A maioria dos
reservatórios hídricos da área está associada a aqüíferos porosos desenvolvidos em
unidades sedimentares que, em linhas gerais, predominam a leste e norte da área de
interesse.

Toda a porção central da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins é constituída por unidades do
embasamento cristalino. Este é basicamente composto por rochas ígneas e metamórficas
pertencentes a terrenos Arqueanos e Proterozóicos. Não existem muitas informações sobre o
potencial hidrogeológico desta unidade, mas em linhas gerais, este pode ser considerado
muito baixo.

Dentre as bacias sedimentares que ocorrem na região, a do Parnaíba é a maior de todas,


apresentando área total de cerca de 700.000 km2 e espessura do pacote de sedimentos de
3.000 m. Em suas formações paleozóicas e mesozóicas, comumente compostas por litotipos
terrígenos, desenvolveram-se os maiores aqüíferos regionais, como Itapecuru, Corda-Grajaú,
Motuca, Poti-Piauí e Cabeças. Estes sistemas, em sua maior parte, ocorrem sob a forma
confinada intercalados com unidades impermeáveis que funcionam como aquitardes. A Bacia
do Parnaíba é considerada uma das mais importantes províncias hidrogeológicas do país,
contando com um volume hídrico estimado de 17.500 km3. Suas águas subterrâneas
comumente são de boa qualidade e são utilizadas pela população de grandes cidades na
região. O intervalo de vazão nos poços varia muito em função do aqüífero explotado, mas
oscila entre valores mínimos de 10 m3/h até máximos de 1.000 m3/h.

A Bacia do Amazonas está localizada no norte da região de interesse e possui área de


aproximadamente 1.300.000 km2. Suas formações predominantemente siliciclásticas,
desenvolvem sistemas aqüíferos de grande porte, haja vista que o volume de água
armazenado na bacia toda é de cerca de 32.500 km3. Sua importância no âmbito nacional é
enorme, pois grandes centros urbanos dependem da explotação de seus recursos hídricos.
Dados históricos de poços de extração perfurados nos sistemas aqüíferos Barreiras e Alter do
Chão indicam intervalo de vazão entre 10 – 400 m3/h.

As unidades da Bacia do São Francisco ocorrem na porção sudeste e leste da região e são
representadas por formações sedimentares pertencentes ao Grupo Bambuí, ocupando uma
área total de 9.660 km2. O predomínio de rochas calcárias e mármores propiciou o
desenvolvimento de processos cársticos intensos e, com isso, a formação de um grande
sistema aqüífero do tipo fraturado. O potencial hídrico desta unidade é considerado bom e
suas águas localmente apresentam dureza muito alta.

De modo geral, a utilização de recursos hídricos em toda a extensão da Bacia Hidrográfica do


Rio Tocantins pode ser considerada baixa, salvo em certas regiões, como é o caso da
Província São Francisco, a nordeste do Estado de Goiás. Com o crescimento dos grandes
centros urbanos, em especial a partir das décadas de 70 e 80, a explotação e o consumo de
águas subterrâneas aumentou consideravelmente (Ministério do Interior, 1985). Hoje em dia,
nota-se o crescimento na demanda por águas subterrâneas, como nas regiões do nordeste e
sudoeste goiano e em algumas áreas no Estado do Maranhão (IBGE, 1997).

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Apesar de um movimento de aumento no consumo, os métodos de extração aplicados mais


comuns são pouco produtivos, baseando-se principalmente na utilização de poços tubulares
profundos (até 300 m), em geral precários, apresentando curta vida útil e produtividade baixa
(Secretaria de Recursos Hídricos, 2005).

Com o crescimento na explotação de recursos hídricos subterrâneos, começaram a vir à tona


alguns problemas, a maioria relacionada ao aumento de grandes núcleos populacionais,
incremento nas atividades industriais e agrícolas, disposição de lixões em áreas inadequadas
e expansão de áreas de garimpo (Secretaria de Recursos Hídricos, 2005). Outro problema
que atinge os sistemas aqüíferos da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins é a retirada da
cobertura vegetal, incrementando o escoamento superficial e inibindo a infiltração e o
armazenamento de águas meteóricas em reservatórios subterrâneos (IBGE, 1997).

Na área de interesse, estão presentes nove sistemas aqüíferos principais distribuídos nas
quatro mencionadas províncias geológicas, sendo que a maioria não é exclusiva da Bacia
Hidrográfica do Rio Tocantins. Apesar de não haver uma correspondência direta entre os
padrões de drenagens superficiais e aqüíferos subterrâneos, a associação de parâmetros
geológicos e hidrogeológicos a partir destas unidades permitem sistematizar os dados de
maneira mais funcional.

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Ilustração 5 – Ocorrência dos Sistemas Aqüíferos na Bacia Hidrográfica do Rio


Tocantins

Baixo Potencial
Hidrogeológico

Previamente à descrição, em detalhe, de cada sistema em separado, englobando suas


características geológicas, hidrogeológicas, químicas e de explotação e uso, apresenta-se a
Tabela 15 – Descrição do Potencial Hidrogeológico das sub-bacias do rio Tocantins a seguir
com as características de cada sub-bacia.

Tabela 15 – Descrição do Potencial Hidrogeológico das sub-bacias do rio Tocantins

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Sub- Potencial
Domínio Unidade Geológica Sistema Aqüífero
Bacia Hidrogeológico
Embasamento Terrenos metamórfico e ígneos
20 cristalino pré-cambrianos
- Muito Baixo

Bacia do São Grupo Bambuí e formações Bambuí e Urucuia-


21 Francisco Urucuia e Areado Areado
Intermediário a alto

Bacia do São
Formações Urucuia, Areado, Poti, Urucuia-Areado, Poti-
22 Francisco e Bacia
Piauí e Cabeças Piauí e Cabeças
Alto
do Parnaíba
Poti-Piauí, Cabeças,
Formações Poti, Piauí, Cabeças,
23 Bacia do Parnaíba
Corda e Itapecuru
Motuca, Corda e Alto
Itapecuru
Bacia do Parnaíba Restrito, em função da
Formações Itapecurus, Barreiras Itapecuru, Barreiras e
29 e Bacia do
e Alter do Chão Alter do Chão
pequena faixa de ocorrência
Amazonas de aqüíferos

Aqüífero Alter do Chão: ocorre em uma pequena área a norte da bacia do rio Tocantins, na
sub-bacia 29. Apresenta cerca de 3,6% de sua recarga nesta região e desenvolveu-se em
rochas sedimentares cretáceas depositadas em sistemas continentais. Esta unidade é
largamente explorada nas grandes cidades do norte do Brasil como Manaus, Belém e
Santarém. Nessas áreas urbanas, por encontrar-se geralmente sob condições livres, ou semi-
confinadas com níveis de água muito rasos, apresenta explotação não racional associada a
altos índices de contaminação. Salvo estas situações, a água deste sistema é considerada
boa para o consumo, apresentando pH de 4,8, total de sólidos dissolvidos comumente
menores que 100 mg/L e teor de dureza de cerca de 0,36 e 28,03 mg/L de CaCO3 (ANA e
MMA, 2005). No local, poços de extração chegam a atingir vazões máximas de até 300 m3/h
(Souza & Verma, 2006).

Aqüífero Barreiras (PA/MA): encontra-se no extremo norte da área, próximo à foz do rio
Tocantins, na Ilha de Marajó, na sub-bacia 29, onde apresenta cerca de 6,4% de sua área de
recarga (Secretaria de Recursos Hídricos, 2005). A unidade ocorre em rochas sedimentares
terciárias pertencentes à formação Barreiras, compostas por arenitos e conglomerados
heterogeneamente distribuídos. Parte do aqüífero ocorre em sedimentos aluviais e eólicos
quaternários inconsolidados, caracterizando depósitos altamente porosos e permeáveis e
ótimos reservatórios. Poços com profundidades entre 25 a 220 m, que extraem água nesta
unidade, comumente produzem vazões de 18 até 135 m3/h (IBGE, 1997). O aqüífero
Barreiras tem grande participação no abastecimento de águas adequadas ao consumo,
principalmente em grandes centros urbanos como Belém.

Aqüífero Itapecuru: está localizado a nordeste da área, nos Estado do Pará e Maranhão,
nas sub-bacias 29 e 23. Apresenta cerca de 5% de sua recarga na área de interesse, a qual
é realizada pela infiltração direta da chuva e pelos rios locais. Do ponto de vista geológico, o
sistema é composto por camadas de arenitos finos argilosos, intercaladas com níveis de
siltitos e argilitos, ocasionalmente apresentando lentes conglomeráticas. Devido à grande
quantidade de litotipos pelíticos, o aqüífero Itapecuru apresenta potencial exploratório de
médio a fraco. Os poços de explotação locados nesta unidade comumente apresentam
profundidades entre 30 e 100 m e vazões oscilando entre 5 e 12 m3/h, excepcionalmente
atingindo 40 m3/h (IBGE, 1997). As águas em sua maioria são carbonatadas-cloretadas, com
predominância de águas tipo sódica (ANA e MMA, 2005). O sistema Itapecuru é o aqüífero

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mais explorado do Estado do Maranhão, sendo utilizado para abastecimento doméstico em


São Luís e dessedentação de animais no interior do Estado.

Aqüífero Corda: localiza-se na porção nordeste da área de estudo (estados do Maranhão e


Tocantins, na sub-bacia 23) e apresenta 0,9 % de sua recarga na região hidrográfica
(Secretaria de Recursos Hídricos, 2005). Encontra-se desenvolvido em sucessões
sedimentares paleozóicas da Bacia do Parnaíba, constituídas basicamente por camadas de
quartzo, arenitos de granulação fina a média, intercalados com pacotes de folhelhos e
argilitos. O aqüífero Corda ocorre sob as formas livre, semi-confinado e confinado e
apresenta bom potencial exploratório, por ter vazões entre 10 e 20 m3/h e nível estático
médio da ordem de 25 m. Os poços que exploram esta unidade apresentam profundidades
médias a cerca de 150 m, podendo atingir 480 m devido a variações topográficas (IBGE,
1997).

Aqüífero Motuca: ocorre em uma faixa irregular e restrita, localizada a nordeste da área de
interesse, na sub-bacia 23. É uma unidade com aproximadamente 130 m de espessura
associada a seqüências predominantemente pelíticas, composta por pacotes de folhelhos,
siltitos e secundariamente arenitos finos. Estas características justificam o baixo potencial
hidrogeológico deste aqüífero. A restrita extração de água nesta unidade é feita através de
poços manuais de no máximo 20 m, que atingem somente os níveis mais superiores do
lençol (IBGE, 1997).

Aqüífero Cabeças: ocorre no estado de Tocantins em uma estreita faixa contínua a leste, na
sub-bacia 22, apresentando aproximadamente 0,6% de sua recarga na área de interesse.
Apresenta espessuras da ordem de 90 a 120 m e ocorre sob forma livre ou semi-confinada,
localmente a profundidades superiores a 1.500 m. Está desenvolvido em unidades
sedimentares de idade Devoniana da Bacia do Parnaíba, compostas por arenitos finos a
médios, apresentando altos valores de porosidade e permeabilidade. Estas características
conferem-lhe a propriedade de ótimo reservatório para água subterrânea e de melhor
potencial hidrogeológico na Bacia do Parnaíba (IBGE, 1997; Magna, 2001). O aqüífero
Cabeças apresenta águas de boa qualidade, cloretadas mistas e cloretadas magnesianas,
fracamente mineralizadas, normalmente exploradas para uso doméstico e irrigação (ANA-
MMA, 2005).

Aqüífero Poti-Píauí: O aqüífero Poti-Piauí ocorre em uma faixa localizada a leste da Bacia
Hidrográfica do Rio Tocantins, na sub-bacia 22, e apresenta 3,4 % de sua recarga na região
(117.012 km² em área). É constituído pelas formações sedimentares carboníferas Poti e
Píauí, caracterizadas por arenitos finos a médios, intercalados com camadas de folhelhos,
siltitos e ocasionalmente conglomerados (Magna Engenharia, 2001). As formações Poti e
Píaui apresentam espessuras de 200 e 280 m, respectivamente e, do ponto de vista
hidrogeológico, funcionam como uma só unidade (IBGE, 1997). O aqüífero Poti-Piauí é do
tipo poroso e ocorre predominantemente sob condição livre (Secretaria de Recursos Hídricos,
2005), constituindo um sistema com potencial de armazenamento hídrico elevado, cujas
vazões são da ordem de 18 m3/h. Suas águas são consideradas de boa qualidade e são
destinadas principalmente para uso doméstico. Análises químicas realizadas evidenciaram
teores de resíduo seco médio da ordem de 200 mg/L (ANA e MMA, 2005).

Aqüífero Urucuia-Areado: Ocorre na porção leste e apresenta 2,3 % de sua recarga na área
de interesse. A unidade ocorre em rochas sedimentares mesozóicas constituídas por
intercalações de camadas de arenitos finos e argilitos, que foram depositados sobre o Grupo
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Bambuí. O aqüífero Urucuia-Areado possui em média 300 m de espessura e pode ser


considerado do tipo poroso, ocorrendo sob condição livre. A média das vazões registradas
nos poços de explotação gira em torno de 10,4 m3/h. As águas do sistema Urucuia-Areado
são consideradas de boa qualidade e pouco mineralizadas, predominando as do tipo
bicarbonatadas cálcicas, com condutividade elétrica média de 82,2 µS/cm, e pH próximo ao
neutro ou levemente alcalino (ANA e MMA, 2005).

Aqüífero Bambuí: ocorre a leste da área, nos Estados de Goiás e Tocantins, na sub-bacia
21, e apresenta recarga de cerca de 3,2% (181.868 Km² em área) na região da Bacia
Hidrográfica do Rio Tocantins (IBGE, 1997). É caracterizado por aqüíferos do tipo fraturado e
cárstico, devido à presença de litotipos calcários e sedimentares metamorfisados,
pertencentes ao Grupo Bambuí. Devido às características de suas rochas, comumente as
águas do sistema Bambuí apresentam elevada dureza e alta porcentagem de particulados
sólidos dissolvidos (ANA e MMA, 2005; Secretaria de Recursos Hídricos, 2005). Os poços de
explotação locados nesta unidade, em geral apresentam vazões da ordem de 14 m³/h e
profundidades médias em torno de 85 m. As águas do sistema Bambuí são utilizadas para a
dessedentação de animais e para consumo humano em pequena escala.

Domínio do Embasamento Cristalino: A maior parte da Bacia Hidrográfica do Rio


Tocantins, com destaque para a sub-bacia 20, é composta por unidades do embasamento
pertencentes ao Cráton Amazônico e a Faixa Móvel Paraguai-Araguaia. Estas, em linhas
gerais, são terrenos metamórficos e ígneos de idade arqueana e proterozóica, constituídos
por seqüências do tipo Greenstone Belts, rochas vulcano-sedimentares, unidades de alto
grau metamórfico e complexos granito-gnáissicos. Devido à baixa porosidade e
permeabilidade dos litotipos que compõem o embasamento, pode-se afirmar que o potencial
hídrico desta unidade é muito baixo. O padrão de infiltração de águas meteóricas em
sistemas de juntas e fraturas não é conhecido, bem como linhas preferenciais de fluxo hídrico
e vazões. Poucos trabalhos remontam ao tema dos aqüíferos fraturados no Brasil Central,
com exceção de alguns estudos realizados pontualmente no Distrito Federal por Lousada
(1999). Desta maneira, a priori, não se deve considerar as áreas onde ocorrem unidades do
embasamento como sistemas aqüíferos, ainda que localmente possam ocorrer reservatórios
hídricos em aqüíferos fraturados.

A Tabela 16 - Síntese das características dos aqüíferos que ocorrem na Bacia Hidrográfica do
Rio Tocantins a seguir apresenta uma síntese das características dos aqüíferos que ocorrem
na bacia, com destaque para a disponibilidade hídrica e vazões.

Tabela 16 - Síntese das características dos aqüíferos que ocorrem na Bacia


Hidrográfica do Rio Tocantins

3
Área de Vazões Q (m /h)
Espessura Disponibilidade
Nome Tipo
1 recarga
(m) Hídrica (m /s)
3
(Km )
2 Livre Confinado

Alter do Chão P,L - 312.574 249,5 53,8 -

Barreiras P,L,C 60 176.532 217 14,7 18,9

Itapecuru P,L 100 204.979 214,8 12,3 -

Corda P,L,C 160 35.266 9,2 14,5 14,8

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Motuca P,L - 10.717 3 16,3 -

Cabeças P,L,C 300 34.318 7,2 12 50,2

Poti-Piauí P,L,C 400 117.012 130 18 40

Urucuia-Areado P,L 300 144.086 236,4 10,4 -

Bambuí CF - 181.868 40,3 13,4 -

1- P: Poroso; L: livre; C: confinado; CF: cárstico fraturado.


Fonte: Modificado de ANA e MMA, 2005.

1.7. Caracterização do Ecossistema Aquático


1.7.1. Qualidade da Água e Aspectos Limnológicos
A analise da qualidade da água considerou, em linhas gerais, por sub-bacia, a temperatura,
transparência, turbidez, oxigênio dissolvido, pH, alcalinidade e concentração de nutrientes.

Na bacia do rio Tocantins, os principais fatores que alteram a qualidade das águas
superficiais são: a atividade mineradora em garimpos e áreas de extração de areia em
pequenos mananciais, o lançamento de esgotos domésticos, a contaminação por fontes
difusas (agrotóxicos, fertilizantes, sedimentos carreados por ação erosiva em solos mal
manejados, entre outros) e lançamento de efluentes com grande quantidade de matéria
orgânica, de matadouros e frigoríficos.

A poluição de origem doméstica ocorre de maneira localizada, próxima aos principais centros
urbanos. Nesse contexto, as baixas percentagens de coleta e tratamento de esgotos
domésticos fazem com que parcelas expressivas das cargas poluidoras potenciais cheguem
efetivamente até os corpos hídricos. A carga orgânica doméstica remanescente é de 99 ton
DBO/dia na bacia do Tocantins como um todo.

Para o curso do rio Tocantins, além dos fatores causadores de alterações nos padrões de
qualidade da água mencionados anteriormente, ocorrem as alterações provocadas pela
implantação de aproveitamentos hidrelétricos, sobretudo pela formação de lagos artificiais e
pela alteração do regime fluvial para jusante.

A primeira barragem e reservatório do rio Tocantins foram implantados na década de 80,


localizando-se no baixo curso na localidade de Tucuruí (AHE Tucuruí). Em seguida, foram
implantados, nessa ordem, os AHE Serra da Mesa, Cana Brava e Lajeado.

Alguns estudos existentes buscaram avaliar a qualidade da água em trechos do rio


Tocantins, focando situações anteriores à existência de barramentos a montante ou em
situações posteriores e, neste caso, estabelecendo correlações (quando reconhecíveis),
entre as duas realidades, para os padrões de qualidade da água. A espacialização desses
pontos de coleta aparece na Erro! Fonte de referência não encontrada., apresentada no
item 1.1.2. Redes de Monitoramento Hidrometeorológico do presente relatório.

O regime hidrológico do rio Tocantins, em especial do Alto Tocantins, já sofreu alterações em


função do reservatório de Serra da Mesa. O início do enchimento deste reservatório ocorreu
em outubro de 1996 e, até abril de 1998, quando a primeira turbina entrou em operação, as

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alterações a jusante deveram-se à retenção das águas pela manutenção de vazão mínima
(sanitária) para jusante.

Os resultados de algumas das análises efetuadas encontram-se sintetizados na Erro! Fonte


de referência não encontrada., onde são apresentadas as médias calculadas das amostras
para os períodos de chuva e de estiagem. A análise dos dados não permite observar uma
variação espacial definida, exceto para a condutividade, que decresce de montante para
jusante, fato este atribuído à diluição das águas.

Tabela 17 - Síntese da Qualidade da Água nos Pontos Amostrados da Bacia do rio


Tocantins
Pontos amostrados na bacia do rio Tocantins
SB 20 SB 20 SB 21 SB 22 SB 22 SB 23 SB 23 SB 23
(região de (região de (região de (região (região de (região de (região (região de
Parâmetro/
Minaçu) São Peixe) de Lajeado) Tupiratins) de Imperatriz)
Salvador Ipueiras) Estreito)
Período
do
Tocantins)
c e c e c e c e c e c e c e c e
Temperatura 29,40 22,80 27,92 27,18 26,80 25,40 29,40 26,50 27,92 27,42 28,17 29,84 28,75 27,75 28,56 28,63
o
( C)
Transparência 0,20 1,50 1,34 2,93 0,40 1,83 0,37 1,46 0,20 1,60 0,40 1,63 n.d. n.d. 0,49 1,00
(m)
STS (mg/l) n.d. n.d. n.d. 45,17 n.d. 4,27 70,10 14,30 132,30 58,33 55,43 8,70 38,17 8,43 33,44 13,26

Turbidez (UT) 69,80 3,40 <5,00 <5,0 110,00 68,60 13,60 85,50 6,23 60,43 7,00 17,33 2,50 6,75 11,70
9,00

OD (mg/l) 7,20 7,90 7,23 n.d. 7,51 7,79 7,36 7,18 6,30 7,03 7,07 7,66 8,10 7,67 6,51 7,02

pH 8,00 8,30 7,78 7,83 7,15 7,65 7,84 8,60 7,48 7,67 8,05 7,57 7,25 7,43 7,74 7,81

Condutividade
elétrica 81,20 134,00 160,80 95,00 77,00 62,00 75,00 95,00 58,00 81,50 55,43 69,14 43,50 65,83 53,75 57,91
(µS/cm)
Alcalinidade 38,50 71,20 n.d. n.d. 38,00 45,75 59,39 54,87 23,86 39,47 26,16 24,52 20,17 27,20 27,69 23,43
(mgCaCO3/l)
N-Total (mg/l) 0,50 3,83 n.d. n.d. n.d. 0,16 1,56 0,73 n.d. n.d. 0,59 0,42 n.d. n.d. n.d n.d.

Nitrato (mg/l) 0,14 0,06 <0,05 <0,05 0,15 0,046 0,03 0,01 0,115 0,042 0,18 0,08 0,04 0,04 0,012 0,003

Nitrito (mg/l) n.d. n.d. <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 0,00 <0,01 <0,01 <0,01 0,00 n.d. n.d. <0,01 <0,01

Amônia (mg/l) 0,03 0,02 <0,02 n.d. 0,87 0,10 0,01 0,00 0,145 0,049 0,41 0,35 <0,05 n.d. 0,10 0,06

P-Total (mg/l) 0,24 0,02 <0,05 <0,05 n.d. 0,01 0,03 0,01 n.d. n.d. 0,05 0,02 n.d. n.d. 0,025 0,027

Fosfato sol. 0,01 <0,01 n.d. n.d. 0,003 0,004 0,02 0,005 0,020 0,018 0,02 0,01 <0,03 n.d. 0,006 0,003
(mg/l)
Fonte: Hidroweb, ANA, ano.
c = cheia; e = estiagem

Minaçu: média dos valores de 6 pontos de amostragens (julho e janeiro/96). / São Salvador: média dos
valores de 6 pontos de amostragens (2002) / Peixe: média dos valores de 3 pontos de coleta (fev/00) e

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de 4 pontos (junho/00). / Lajeado: média dos valores de 6 pontos de coleta (dez/95 e junho/96). /
Ipueiras: média dos valores de 7 pontos de coleta (nov/01 e junho/01). / Tupiratins: média dos valores
de 7 pontos de amostragens (outubro/00 e janeiro/01). / Estreito: média dos valores de 6 pontos de
amostragens (fevereiro e agosto/01). / Imperatriz - Jusante: média dos valores de 8 pontos de
amostragens (abril e junho/00).

Com o intuito de traçar o panorama relativo à Caracterização dos Ecossistemas Aquáticos da


bacia do rio Tocantins, foram utilizados dados secundários disponíveis na bibliografia
especializada, com destaque para os Estudos de Viabilidade e os Estudos de Impacto
Ambiental – EIA/RIMA de empreendimentos hidrelétricos, relatórios técnicos, estudos
acadêmicos e também informações disponibilizadas pelo projeto “Brasil das Águas”,
conforme apresentado no item 7 - Referências Bibliográficas.

Com base nessas informações, avaliou-se, à luz dos dados de Qualidade da Água (item 1.4),
a estrutura das comunidades aquáticas nos ambientes lóticos e lênticos do rio Tocantins e
dos principais afluentes que compõem as Sub-bacias 20, 21, 22, 23 e 29, em análise.

Nesse sentido, foram empregados como bioindicadores os organismos fitoplanctônicos,


zooplanctônicos e zoobentônicos, sendo abordados também aspectos referentes à
proliferação de macrófitas aquáticas nos corpos d’água analisados.

Em termos gerais, verifica-se que a dinâmica hidrobiológica do rio Tocantins e afluentes é


fortemente condicionada pelo regime climático, período em que ocorre o aporte de elevada
concentração de sólidos aos cursos d’água, aumentando consideravelmente os níveis de
turbidez e de nutrientes no ambiente aquático.

As transformações ocorridas na bacia do rio Tocantins com a implantação de


aproveitamentos hidrelétricos, passando nesses trechos de regime lótico para lêntico,
constituem também fatores determinantes na estrutura das comunidades biológicas nos
ecossistemas aquáticos em estudo.
 Sub-bacia 20

A Sub-bacia 20, que tem como principais cursos d’água os rios Maranhão e Almas,
formadores do rio Tocantins, ocupa a posição mais a montante do sistema aquático em
estudo.

Os trechos do rio Maranhão e Almas são considerados Áreas Prioritárias para conservação
da Biodiversidade Aquática do bioma do cerrado (MMA, 2002).

Contudo, no seu alto curso, o rio Tocantins e afluentes são submetidos a diversos fatores de
intervenção dos recursos hídricos com reflexos no ecossistema aquático. O uso do solo
predominantemente rural, com extensas áreas de pastagem, resultou na supressão da
vegetação incluindo de matas ciliares, favorecendo os processos de erosão das margens e
de assoreamento dos rios, além de promover intensa turbidez das águas nas épocas
chuvosas. Esses fenômenos são intensificados em áreas de mineração.

Adicionalmente ao aporte de sólidos e de nutrientes, as águas nesse trecho são passíveis de


contaminação por agrotóxicos, bem como de lançamento de efluentes sanitários sem
tratamento proveniente dos diversos núcleos urbanos encontrados em maior concentração na
área de drenagem do rio das Almas em Goiás.

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Os aspectos ligados a qualidade da água, revelam que na região de Minaçu, estado de


Goiás, a temperatura da água variou de 21ºC (julho) a 30,5ºC (janeiro). Já o pH das águas do
rio Tocantins apresentou valores básicos, em torno de 8. Os valores elevados do pH estão
associados às características das rochas presentes na área de drenagem (rochas calcárias).
Pelo fato da boa capacidade de tamponamento da água, o pH mantém-se elevado no trecho
a jusante.

A condutividade elétrica, que reflete a composição dos íons presentes na água, foi
relativamente baixa nos períodos de maior vazão (em torno de 70 a 80 µS/cm). Já nos meses
de estiagem, os valores foram significativamente mais elevados (130 a 140 µS/cm). A
diminuição dos valores deste parâmetro na época chuvosa para localidades do rio Tocantins,
deve-se, muito provavelmente, à diluição provocada pelas chuvas.

Outro padrão típico do rio Tocantins em seu alto curso está relacionado com as propriedades
físicas da água, como transparência e turbidez. A transparência da água variou de 0,5m
(março) a 2,50m (julho). A turbidez apresenta comportamento inverso ao da transparência,
tendo sido registrada a seguinte variação: mínimo de 2,1 UNT (julho) e máximo de 140,2 UNT
(janeiro).

Com relação ao oxigênio dissolvido, não foi observado um comportamento sazonal definido.
Em geral os valores foram elevados, com exceção de um dos pontos do rio Tocantins, que
apresentou o mínimo de 5,6 mg/L. O valor máximo foi de 8,7 mg/L .

As concentrações de nutrientes do rio Tocantins foram, em geral, baixas, exceto para a


amônia, que apresentou valor médio de 0,03 mg/L, superior ao limite estabelecido para a
classe 2 (Resolução CONAMA 357/05), que é de 0,02 mg/L. O máximo registrado para este
parâmetro no rio foi de 0,09 mg/L.

Quanto à concentração de metais, também foram detectados valores superiores ao limite


estabelecido para a classe 2 do CONAMA em relação as concentrações de ferro total,
manganês e alumínio.

Já na altura do município de São Salvador do Tocantins, os dados analisados mostram


pequena variação de temperatura da água ao longo do ano, visto que os valores médios de
temperatura da água foram de 27,92ºC na época chuvosa e 27,18ºC na época da estiagem.

A transparência da água apresenta valores elevados, inclusive na época chuvosa (média de


1,34m), certamente devido à existência de condicionantes hidráulicas a montante. A
condutividade elétrica, diferentemente do padrão verificado para o Alto Tocantins em 1996,
apresentou valores mais elevados na época de chuvas (média de 160,8 µS/cm) em relação à
média da época de estiagem (95 µS/cm). Normalmente, durante a época chuvosa, os valores
são mais baixos, o que tem sido atribuído à diluição pelas chuvas. Possivelmente, as coletas
tenham ocorrido no início das chuvas e o material carreado tenha contribuído para o
acréscimo destes valores.

Os valores de pH, assim como nas demais localidades, apresentaram pouca variação
sazonal. Os valores médios da época de chuva e de estiagem foram de 7,78 e 7,83,
respectivamente.

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O oxigênio dissolvido foi determinado somente na época chuvosa. Os resultados mostram,


em geral, valores elevados (média de 7,23 mg/L) tendo sido observada uma heterogeneidade
espacial, com acréscimo dos valores de montante para jusante.

A coleta da época chuvosa contemplou, também, análises dos seguintes elementos: chumbo,
manganês, cromo, zinco, cádmio, cobalto, mercúrio, selênio, lítio e níquel. Os resultados
mostram que o chumbo e o manganês apresentaram, para algumas localidades, resultados
que ultrapassaram o limite estabelecido para a classe 2 do CONAMA. O cádmio, o selênio e
o níquel também ultrapassaram os limites estabelecidos pela classe 2, em todas as
localidades amostradas.

Considera-se, portanto, que os ecossistemas aquáticos nos rios que compõem a Sub-bacia
20 já apresentam algum nível de alteração, porém, não estão severamente comprometidos.

Em relação aos aspectos limnológicos, estudos realizados em meados da década de 90, nos
rios Tocantins e Maranhão, no município de Minaçu, mostram uma alta diversidade de
espécies de organismos aquáticos planctônicos, indicativo de sistemas em equilíbrio
ecológico (IESA, 1996).

Entre a comunidade fitoplanctônica, constatou-se predomínio das classes Bacillariophyceae,


seguida de Chlorophyceae e Nostocophyceae, sendo que Cymbella, Surirella, Gomphonema,
Oscillatoria, destacaram-se como gêneros mais abundantes. Obteve-se também alta riqueza
e diversidade de espécies do zooplâncton, em especial nos períodos de estiagem. A
comunidade zooplanctônica foi dominada por protozoários e por rotíferos, com rara incidência
de cladóceros e de calanoidas, sendo neste caso identificada uma única espécie -
Thermocyclops decipiens. A análise dos organismos bentônicos revelou o grupo
Chironomidae como o mais representativo, seguido de Oligochaeta, Nematoda e Coleóptera.

Nessa região, teve início em 1996 a operação da UHE Serra da Mesa, cuja barragem, no
município de Minaçu, compõe um lago de 1.784 km2.

O monitoramento limnológico conduzido entre 2001 e 2003 nesse reservatório (Multigeo,


2003) evidenciou um alto valor de riqueza de espécies fitoplanctônicas, representantes das
divisões – Cyanophyta (Cyanobacteria), Chlorophyta, Euglenophyta, Bacillariophyta,
Cryptophyta, Chrysophyta e Xantophyta.

O grupo das algas verdes (Chlorophyta) mostrou ampla diversidade taxonômica no


reservatório, com destaque à família Desmidiaceae, constatando-se a supremacia dos
gêneros Staurastrum e Staurodesmus, algas típicas de superfície de lagos, represas e
ambientes de correnteza reduzida.

Em termos quantitativos, o grupo de algas verdes apresentou em geral menor densidade


numérica e abundância relativa quando comparado às cianofíceas (algas azuis),
especialmente no trecho intermediário e próximo ao eixo do barramento do lago.

Em outubro de 2001, a forte estiagem ocorrida na região provavelmente contribuiu para a


ocorrência de um novo patamar de trofia do reservatório, que passou a comportar altas
densidades de algas, dando suporte para o desenvolvimento da espécie de cianofícea
Cylindrospermopsis raciborskii.

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Essa espécie de alga, potencialmente tóxica, é típica de ambientes poluídos, causando odor
e sabor à água. Experimentos com comunidades de Cylindrospermopsis raciborskii
demonstraram que o fósforo é um fator limitante para o seu crescimento, pois a alga absorve
prontamente o fósforo e mais lentamente o amônio (Lindmark, 1997 in Castelo Branco, 1991).
Em estudos desenvolvidos no Lago Paranoá, Castelo Branco (op. cit.) concluiu que a
remoção da carga de fósforo constituiria uma das maneiras de controlar o crescimento dessa
espécie.

A análise qualitativa geral do zooplâncton do reservatório do AHE - Serra da Mesa nesse


período indicou também uma grande variedade de espécies. A diversidade máxima foi obtida
em plena época chuvosa, enquanto que a mínima variedade foi observada ao longo do ano
de 2002, especialmente nas campanhas de abril e julho, época de forte estiagem.

No conjunto amostrado, prevaleceram representantes do grupo Rotifera, que são favorecidos


pelo seu curto ciclo de vida e pela alta capacidade adaptativa frente às condições ecológicas
ainda instáveis do reservatório, como disponibilidade de nutrientes, composição
fitoplanctônica, pressão da ictiofauna, entre outros aspectos.

Os exemplares de Keratella americana f. híspida e Polyarthra vulgaris (rotíferos), Moina


minuta (cladócero), Termocyclops decipiens e T. minutos (ciclopóides) e Notodiaptomus
cearensis (calanóide) surgiram em todas as amostras coletadas entre 2001 a 2003, indicando
um alto grau de adaptação às condições ecológicas de Serra da Mesa.

A dinâmica hidrobiológica do reservatório da UHE Serra da Mesa pode ser entendida de


acordo com os distintos trechos que compõem o lago:
− O setor de montante atua como principal ponto de introdução de elementos orgânicos
e inorgânicos no sistema aquático, por meio dos rios Maranhão e das Almas que
transportam, sobretudo nos períodos chuvosos, altos teores de sólidos em suspensão
e de nutrientes gerados nas zonas rurais e urbanas da área de drenagem.
− O setor intermediário da represa compreende, pela sua estabilidade ecológica, a zona
de máxima assimilação de compostos introduzidos no reservatório. Esse processo se
reflete na composição e na densidade de organismos planctônicos, que resulta em
freqüentes florações de cianofíceas e predomínio de populações de rotíferos e de
ciclopóides.
− O setor de jusante, próximo à barragem, é receptor de toda vazão afluente no
reservatório, refletindo também nas condições das descargas do sistema que, em
última instância, determina a qualidade das águas que passam pelas turbinas,
influenciando o trecho do rio Tocantins situado a jusante da represa.
− Como braço mais importante do reservatório de Serra da Mesa, o rio Bagagem
apresenta dinâmica semelhante ao corpo principal do lago. O rio Bagagem vem
recebendo, possivelmente, aporte de nutrientes e de sedimentos da área de
drenagem, o que repercute na proliferação do fitoplâncton e do zooplâncton, com
grande preponderância de rotíferos.

Nesse período de monitoramento (2001 a 2003), não foram detectadas áreas de proliferação
de macrófitas aquáticas no lago de Serra da Mesa.

No trecho a jusante desse reservatório, o rio Tocantins recebe dois principais afluentes pela
margem direita, rios Preto e São Félix, formadores do reservatório do AHE Cana Brava. Esse
empreendimento, inaugurado em maio de 2002, está localizado entre os municípios de

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Minaçu, Colinas do Sul e Cavalcante na região Norte do Estado de Goiás, formando um lago
de 139 km2.

Na fase anterior ao enchimento do reservatório (EIA/RIMA, IESA/1989), verificou-se que os


afluentes de maior porte, rios Preto e São Felix, apresentaram águas de boa qualidade,
sendo em alguns afluentes registrados elevados teores de sólidos em suspensão, devido à
contribuição da área de drenagem.

Na fase da operação do reservatório, identificou-se por meio do monitoramento limnológico


(Naturae, 2003) que o rio do Carmo, o rio Bonito, bem o rio São Felix apresentaram nesse
período problemas de qualidade da água relacionados à poluição orgânica, apresentando
maiores concentrações de nutrientes, e de coliformes totais e fecais em relação a outros
pontos amostrados. Os locais mais próximos à barragem tiveram acentuada queda na
concentração de oxigênio dissolvido.

O conjunto do fitoplâncton evidenciou, em novembro de 2003, uma menor riqueza de


espécies quando comparado aos dados de UHE Serra da Mesa, sendo encontrados
representantes das classes Chlorophyceae, Bacillariophyceae, Cyanophyceae,
Chrysophyceae, Euglenophyceae, Cryptophyceae, Zygnemaphyceae e Dinophyceae.

A menor diversidade de espécies foi obtida no rio do Carmo, possivelmente em função dos
altos níveis de turbidez, decorrentes das fortes chuvas que ocorreram na região no período
de coleta. Em termos quantitativos, o rio Bonito apresentou densidade elevada de cianofíceas
(algas azuis) e de clorofíceas (algas verdes), sugerindo nesse curso d’água tendência à
formação de ambientes mesotróficos, uma vez que o grupo de algas cianofíceas é favorecido
pela elevada concentração de nutrientes minerais, em especial sais de fósforo.

Entre os organismos zooplanctônicos, foi amostrado, nesse período, em ordem decrescente


de diversidade, o grupo de protozoários (tecamebas), rotíferos, cladóceros e copépodos. Do
ponto de vista quantitativo, destacou-se a reduzida contribuição de rotíferos para a densidade
total do zooplâncton nos locais amostrados e a dominância de microcrustáceos,
principalmente calanoides nas regiões lênticas, cujo predomínio é indicativo de ambiente
oligotrófico.

A comunidade de macroinvertebrados bentônicos reuniu grupos diversificados, sendo que o


de insetos apresentou maior diversidade taxonômica, seguido de crustáceos, moluscos,
anelídeos, aracnídeos e nematóides. As maiores abundâncias foram registradas com relação
aos taxa Oligochaeta e Chironomidae, em geral indicadores de ambientes poluídos, que
apresentaram densidades mais elevadas nos rios Preto, do Carmo e Bonito.

Verificou-se que, provavelmente, o rio Preto sofre maior influência do lançamento de esgotos
sanitários provenientes de algumas residências na região e de depósito de lixo nas suas
margens.

Nos levantamentos realizados não há menção sobre macrófitas aquáticas, inferindo-se que
não houve problemas dessa natureza no reservatório do AHE Cana Brava, na época de
amostragem.

A avaliação limnológica do rio Tocantins no trecho mais a jusante da Sub-bacia 20 ocorreu


em 2004 e 2005, na região do município de São Salvador do Tocantins, onde hoje está sendo
construída a UHE São Salvador (Engevix, 2005).
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Esses resultados representam, portanto, os dados limnológicos mais recentes disponíveis


para a Sub-bacia 20, refletindo as condições predominantes na área de montante do rio
Tocantins, e que exercerá influência no trecho imediatamente a jusante, já na Sub-bacia 21.

O rio Tocantins, nessa porção do seu alto curso, apresenta leito rochoso e várias corredeiras
que contribuem para a oxigenação das águas, propiciando condições adequadas ao
desenvolvimento de organismos aquáticos aeróbicos, em especial para algumas espécies de
peixes. As principais intervenções no ambiente aquático nessa região foram detectadas nos
afluentes, como as margens do rio Traíras, que se se encontravam degradadas e sujeitas aos
processos erosivos. Os demais afluentes apresentaram vegetação marginal relativamente
bem preservada. No período chuvoso, foram registrados baixos valores de oxigênio nos
afluentes desse trecho, com exceção do rio Custódio, possivelmente em função da
quantidade de matéria orgânica carreada para o meio aquático.

A análise do fitoplâncton na época de estiagem resultou na identificação de um conjunto


variado de algas dos grupos Chlorophyta e Cyanobacteria, bem como de Bacillariophyta,
Euglenophyta, Dynophyta, Cryptophyta e Xantophyta. Em termos de densidade numérica,
tiveram supremacia as espécies de algas azuis Synechococcus elongatus e Aphanocapsa
delicatissima.

No período chuvoso, detectou-se uma redução na riqueza de espécies desses grupos,


mantendo-se, porém, maior densidade numérica de espécies de cianofíceas (Synechococcus
elongatus e Aphanothece nubilus).

Com relação ao zooplâncton, o rio Tocantins apresentou riqueza mais elevada quando
comparado aos tributários, embora no período chuvoso tenha ocorrido uma redução no
número de espécies. As densidades numéricas também foram mais pronunciadas nos pontos
de montante do rio Tocantins, devido provavelmente à contribuição do reservatório do AHE
Cana Brava. Os maiores valores de densidades numéricas de zooplâncton foram obtidos na
época de chuvas, devido provavelmente ao aporte de nutrientes.

Os dados da comunidade bentônica evidenciaram, em sua maioria, organismos típicos de


ambientes de águas limpas. A densidade de organismos do rio Tocantins foi semelhante em
ambos os períodos amostrados. Já os tributários apresentaram densidades numéricas
reduzidas no período de chuvas.

Os resultados obtidos nas duas campanhas realizadas nessa região mostram que os rios
analisados apresentam, em geral, condições adequadas para manutenção da fauna aquática.
Contudo, a presença dominante de cianofíceas sugere que esses ambientes estejam sujeitos
à eutrofização.
 Sub-bacia 21

A Sub-bacia 21 é estruturada pelo eixo do rio Paranã, contribuinte da margem direita do rio
Tocantins.

O alto curso do rio Paraná apresenta canal bem encaixado com muitas quedas d’água. A
região de ocorrência de várzeas e de planície de inundação no vale do Paranã é tida como
Área Prioritária para Conservação da Biodiversidade Aquática no bioma de cerrado (MMA,
2002).

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A caracterização do ecossistema aquático nessa sub-bacia realizado em 2000 (Engevix,


2000), abrangeu os rios Tocantins, Paraná e Palma nos municípios de Paraná, São Salvador
do Tocantins e Peixe.

De uma forma geral, os resultados disponíveis em termos de qualidade da água, para a


região do município de Peixe, mostram comportamentos semelhantes aos detectados nos
pontos a montante desse município para as propriedades de natureza física da água, com
exceção da temperatura da água, que não mostrou uma amplitude térmica pronunciada
(variação de 25ºC a 27,2ºC). O valor mínimo da transparência do rio Tocantins foi de 0,40m
(época chuvosa) e máximo de 2,20m (época da estiagem). Já a turbidez variou de 19 a 148
UNT entre os dois períodos de amostragem. Os dados de turbidez da época de estiagem
foram muito superiores ao mínimo detectado em Minaçu (2,1UNT).

Com relação aos valores de oxigênio dissolvido do rio Tocantins verificou-se, para o período
de chuvas, valor médio de 7,51 mg/L e, na estiagem, de 7,79 mg/L. Os valores alcalinos de
pH são verificados na época da estiagem (média de 7,65), enquanto na época chuvosa foi
detectado valor abaixo da neutralidade (mínimo de 6,23), uma vez que os dados de
localidades próximas não acompanharam esse comportamento.

Os valores de condutividade elétrica da época chuvosa foram semelhantes aos registrados


nos pontos de coleta do rio Tocantins no município de Minaçu (média de 77µS/cm). No mês
de julho, no entanto, a média das medições efetuadas no rio Tocantins foi de 62µS/cm, valor
inferior ao esperado para esta época, que normalmente apresenta maior concentração iônica
na água.

Assim como para as localidades amostradas a montante, os valores de nutrientes foram, em


geral, baixos, porém, em relação ao nitrogênio amoniacal (x amônia x íon amônio), os
resultados da região do município de Peixe foram mais elevados. Este nutriente apresentou
valores superiores ao limite estabelecido para a classe 2 da Resolução CONAMA 357/2005.

Foram detectadas concentrações mais elevadas de nitrogênio na forma amoniacal nas águas
do rio Paraná em relação ao Tocantins, o que se refletiu na composição da comunidade
fitoplanctônica. Durante a estiagem, registrou-se a ocorrência de organismos pertencentes às
classes Chlorophyceae e Zygnemaphyceae Chrysophyceae, Diatomophyceae,
Cyanophyceae; Euglenophyceae e Dinophyceae, com predomínio de clorofíceas, seguida de
diatomáceas. Os gêneros Staurastrum e Scenedesmus apresentaram maior número de
espécies, seguidos por Monoraphidium e Pediastrum, algas comuns que habitam ambientes
de menor correnteza.

O rio Palma e o rio Paranã a montante da foz do rio Palma foram os locais que mantiveram
grande riqueza de espécies de fitoplâncton devido à maior disponibilidade de nutrientes e
também à maior transparência das águas.

Em relação aos organismos zooplanctônicos, os rotíferos tiveram maior ocorrência em todos


os pontos de coleta, com abundância relativa superior a 90%, seguido dos representantes do
grupo Cladocera. O maior número de espécies foi registrado no ponto do rio Tocantins, nas
imediações de São Salvador, enquanto que a maior densidade foi obtida no rio Tocantins, a
montante do rio Paraná. Em contraste, a menor densidade de organismos zooplanctônicos foi
observada no rio Palma.

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Os resultados obtidos para as comunidades planctônicas efetuadas nesse período indicam


que os padrões comportamentais das águas dos rios Paranã e Tocantins, no trecho
estudado, são considerados adequados para manutenção da vida aquática.

Como nos demais estudos realizados na bacia do Tocantins, identificaram-se distintas


características nas águas nos períodos de seca e de estiagem, refletindo na composição das
comunidades aquáticas. Durante as chuvas, as águas do rio Tocantins são turvas,
apresentando alto teor de material em suspensão. Nos períodos de estiagem, a transparência
é elevada e os tributários de menor porte tendem a apresentar forte redução de vazão.

Informações limnológicas, obtidas em 2002, nos rios Palmeiras e Palma corroboram essa
avaliação (FUNCATE, 2003).

Identificou-se no período seco e de estiagem composição de invertebrados bentônicos típicos


de ambientes onde predomina leito arenoso, com dominância do díptero Chironomidae,
representado por duas sub-famílias, Chironominae e Tanypodinae.

À luz desses resultados, verificou-se que os rios em análise estavam adequados à


manutenção da biota aquática. Porém, merecem ser investigadas as fontes de introdução de
nutrientes minerais nos ecossistemas aquáticos na área de drenagem dos rios Paranã e
Palma, possivelmente resultante da aplicação de fertilizantes em lavouras, que podem
intensificar os fenômenos de eutrofização em ambientes lênticos.

Nesse sentido, as águas do reservatório da AHE Peixe Angical, cuja operação foi iniciada em
janeiro de 2005, encontram-se mais susceptíveis ao acúmulo de nutrientes minerais. Porém,
esse reservatório, com superfície de 294 km2 e profundidade média da ordem dos 10 m,
apresenta baixo tempo de residência das águas (18 dias), condições consideradas favoráveis
à manutenção da atual qualidade da água e do ecossistema aquático.
 Sub-bacia 22

A Sub-bacia 22 é formada pelo rio Tocantins e pelo rio do Sono, seu principal contribuinte da
margem direita. A margem direita do rio do Sono caracteriza-se por receber rios que drenam
a o Parque do Jalapão, mantendo excelentes condições de preservação do ecossistema
aquático.

Levantamentos limnológicos conduzidos no período de 2001 e 2002 na região do município


de Ipueiras no rio Tocantins abrangeram os rios Santa Teresa, Santo Antônio, São Valério,
Manuel Alves Natividade e Formiga (Themag, 2004).

Os dados considerados foram coletados na altura do município de Ipueiras, incorporando os


deflúvios provenientes do rio Manuel Alves. Esses dados, quando comparados aos obtidos
na região a montante do mencionado município, diferem em relação à condutividade, que
apresentou na época da estiagem (novembro e fevereiro), valores inferiores aos registrados a
jusante dele. A condutividade no rio Tocantins variou entre 75µS/cm (chuva) e 95µS/cm
(estiagem). (Thornton et al., 1990)

Não foi verificada uma sazonalidade definida para o oxigênio dissolvido. As concentrações
foram sempre elevadas (em torno de 7,3 mg/L) , em todas as épocas de amostragem, sendo
também elevados os valores percentuais de saturação. Os valores de DBO foram
extremamente baixos (<2,0 mg/L O2).

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As características físicas da água apresentaram padrão sazonal bem definido, com


diferenças acentuadas para os parâmetros cor, turbidez, transparência e sólidos totais em
suspensão. No entanto, a transparência da água na época de estiagem foi um pouco inferior
em relação às demais localidades acima mencionadas (valor médio da época de estiagem de
1,46m). O pH manteve a sua característica básica, com valor médio mais elevado na época
da estiagem (8,60).

Quanto aos nutrientes, também foram constatadas concentrações baixas, semelhantes às


registradas no município de Peixe. Os valores médios do nitrogênio e do fósforo total das
épocas de cheia e estiagem, dos pontos do rio Tocantins, foram os seguintes: nitrogênio total:
1,56 e 0,72 mg/L e, fósforo total: 0,03 e 0,01 mg/L.

Já na porção mais ao norte da sub-bacia, próximo ao município de Lajeado, os dados


mostram elevadas concentrações de sólidos em suspensão na época chuvosa, com turbidez
mais pronunciada e redução da transparência. Situação inversa é verificada na estiagem,
quando a transparência, determinada através do disco de Sechi, alcançou valores de até
1,80m.

No início do período chuvoso, apresentou valores mais elevados de oxigênio consumido


(média de 10,85mg/L) do que no período de estiagem (média de 2,44mg/L). Os valores de
oxigênio dissolvido também foram inferiores na época chuvosa, média de 6,30 mg/L, contra
7,03mg/L. As primeiras chuvas causam modificações nas características da água, por carrear
uma grande quantidade de matéria orgânica, provocando um consumo maior de oxigênio.
Além disto, ocorre o aumento de turbidez pelo incremento de partículas sólidas, dificultando a
penetração de luz subaquática.

As diferenças observadas ao longo do ciclo sazonal para os valores de condutividade não


foram muito pronunciadas. Os valores médios do rio Tocantins mostram uma variação de
58µS/cm (época de chuva) para 81,5µS/cm (época de estiagem).

Os valores de nutrientes foram, em geral, baixos. O nitrogênio foi analisado nas formas de
nitrito, nitrato e amônia e o fósforo, como ortofosfato. Os resultados mostram, com exceção
da amônia, valores compatíveis aos estabelecidos para a classe 2 da Resolução CONAMA
357/2005.

Os resultados das medições de pH deste trecho do rio Tocantins também mostraram


resultados alcalinos, não tendo sido observada variação sazonal pronunciada, embora um
leve acréscimo tenha ocorrido com a diminuição da vazão (de 7,48 em novembro a 7,67 em
junho).

Conforme citação acima, os resultados de qualidade da água mostram que esses rios
apresentam, em geral, boa qualidade, mantendo também comportamento que reflete o
padrão sazonal da região, detectando-se diferenças acentuadas para os parâmetros cor,
turbidez, transparência e sólidos totais em suspensão. Na ausência de chuvas as águas são
mais transparentes e, em função da velocidade reduzida, permitem uma melhor adaptação
do fitoplâncton.

Com relação às comunidades fitoplanctônicas houve predomínio de espécies pertencentes


ao grupo das Chlorophyta e Bacillariophyta, reproduzindo em parte as características
anteriormente descritas nas Sub-bacias 20 e 21. Vale destacar a presença da cianofícea

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Cylindrospermopsis raciborskii, encontrada com maior freqüência no ponto situado a jusante


da cidade de Peixe.

Quanto à comunidade zooplanctônica, verificou-se que o maior número de espécies foi


registrado no grupo dos Rotifera, seguido de Cladocera e Copepoda, indicando
possivelmente aporte de detritos da área de drenagem, condição que é favorecida pela
supressão da mata ciliar.

A partir dos resultados das análises efetuadas no rio Tocantins e tributários nesse trecho,
infere-se que o ecossistema aquático se mantém ainda em padrão adequado, porém,
sinalizando potencial para enriquecimento de suas águas com nutrientes minerais. Os
processos erosivos são mais evidenciados na bacia do Manuel Alves Natividade,
possivelmente em função das atividades do garimpo de ouro, cuja exploração ocorreu com
maior intensidade até um passado recente. Nesse sentido, há também a possibilidade de
ocorrência de mercúrio nos sedimentos dos rios dessa região.

No trecho do rio Tocantins imediatamente a jusante da confluência do rio Manuel Alves da


Natividade, encontra-se a represa de Lajeado, com área de 630Km2, formada a partir da
implantação do AHE Luis Carlos de Magalhães. A operação desse empreendimento foi
iniciada em 2002, mesmo ano em que foi inaugurado o AHE Cana Brava.

A caracterização dos sistemas lóticos da área de Lajeado, na etapa anterior à formação


desse reservatório, foi realizada durante os estudos ambientais.

Para tanto, foram efetuadas três campanhas para levantamento limnológico em diferentes
épocas do ano (dezembro/95; fevereiro e julho/96), sendo amostrados quatorze pontos, seis
deles no rio Tocantins (Brejinho Nazaré; montante Areias; Porto Nacional; montante
Mangues; Palmas; Lajeado), e o restante nos afluentes e em lagoas marginais: lagoa Pedra
do Santo, e lagoa da Capivara.

Estudos limnológicos desenvolvidos, no período de 1995/1996, compreenderam análises em


época chuvosa e seca no rio Tocantins e em diversos afluentes que drenam os municípios de
Lajeado, Palmas e Porto Nacional, entre os quais rio Crixás, rio dos Mangues, rio Areias, rio
Água Suja, ribeirão São João, rio Lajeado, e também algumas lagoas marginais.

As análises da comunidade fitoplanctônica mostraram predomínio do grupo Bacillariophyta na


época chuvosa e de Cyanobacteria no período de estiagem. O grupo de algas cianofíceas
apresentou densidades elevadas nesse período, favorecido possivelmente pela
disponibilidade de fósforo aliada às condições de maior transparência das águas.

As comunidades zooplactônicas foram representadas pelo grupo Rotifera e, em pequena


proporção, de cladóceros. O grupo de copépodos esteve presente somente na época
chuvosa, composto basicamente pelas fases larvais.

Na fase de monitoramento do reservatório de Lajeado, foi observado, a partir de novembro e


dezembro de 2003, que a comunidades fitoplanctônica caracterizaram-se pela abundância de
cianobactérias, em percentual superior a 50% em relação aos outros grupos fitoplanctônicos,
em especial no canal do rio Tocantins, próximo à cidade de Brejinho de Nazaré. Esses
resultados indicam maior nível de eutrofização nesse trecho do sistema aquático formado
pelo rio Tocantins e afluentes.

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Estudos sobre fitoplâncton conduzidos em 2004 e 2005 no reservatório de Lajeado (Marques,


2006) possibilitaram o registro de maior número de espécies representativas dos grupos
Chlorophyceae, Zygnemaphyceae, Cyanophyceae e Euglenophyceae.

Houve o predomínio numérico de Cyanobacteria, algas com características r-estrategistas,


sendo Cylindrospermopsis raciborskii a espécie mais abundante e dominante. Mesmo sendo
detectadas alterações na estrutura das comunidades aquáticas em função da sazonalidade
regional, Cylindrospermopsis raciborskii praticamente não sofreu variações em relação à
densidade média no período analisado. A espécie Microcystis aeruginosa, que também
apresenta linhagens potencialmente tóxicas, esteve presente nas amostras qualitativas na
maioria dos pontos de coleta.

O estudo conclui que o reservatório da UHE Lajeado está, de maneira geral, sujeito ao
fenômeno de “floração”. A presença de Cylindrospermopsis raciborskii e Microcystis
aeruginosa demonstra potenciais efeitos à saúde pública, podendo comprometer os usos
múltiplos das águas do lago.

Até o ano de 2003, não haviam sido detectados problemas em relação à macrófitas aquáticas
flutuantes nesse reservatório. O crescimento de Salvinia molesta, observado em Lajeado,
como conseqüência do acúmulo de matéria orgânica resultante da inundação, constitui um
fenômeno comum em reservatórios de regiões tropicais ficando restritos à região rasa onde a
vegetação primária aparece inundada. Outros tipos de macrófitas denominadas enraizadas
ou submersas que se desenvolvem na região litorânea desse reservatório tais como Elodea,
Myriophyllum, Potamogeton, Ceratophyllum, Najas, Chara, servem de abrigo a muitos
organismos do zooplâncton, larvas de peixes fornecendo substrato para desova de peixes e
proteção aos jovens.

As inspeções realizadas, inclusive dois anos após o enchimento da represa, não apontavam
qualquer indicio de crescimento de Pistia stratioides ou Eichchornia crassipes, macrófitas
características de ambientes eutrofizados e que causam problemas relevantes aos usos
múltiplos das águas.
 Sub-bacia 23

A Sub-bacia 23 compreende o trecho do médio Tocantins, tendo como principais afluentes da


margem direita os rios Manuel Alves Grande e rio Farinha.

Quanto às propriedades físicas da água, verificou-se que os valores médios de temperatura


da água do rio Tocantins nesse trecho variaram de 29,84ºC (outubro) a 28,17ºC (janeiro). Os
valores médios de transparência da água foram de 0,40m (janeiro) e 1,60m (outubro). Já a
turbidez variou de 7a 60,43 UNT, entre outubro e janeiro, respectivamente.

No que se refere aos valores de oxigênio dissolvido do rio Tocantins verificou-se, para o
período de chuvas, valor médio de 7,07 mg/L e, no final da estiagem, de 7,66 mg/L. Os dados
de oxigênio consumido e de DBO, assim como os de oxigênio consumido, foram baixos
mostrando que o rio Tocantins, neste trecho, não se encontra contaminado por substâncias
de origem orgânica.

O pH do rio Tocantins apresentou, em ambas as épocas amostradas, valores alcalinos. No


final da época da estiagem, a média foi de 7,57 enquanto na época chuvosa os valores
foram, em geral, superiores ao de outubro, com média de 8,05.

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O valor médio de condutividade da época chuvosa foi de 55,43 µS/cm. Na campanha


efetuada no final da época da seca, a média das medições foi um pouco superior; 60,14
µS/cm.

Dos nutrientes analisados, a amônia, assim como para as demais localidades a montante,
apresentou valores superiores ao limite estabelecido para a classe 2 do CONAMA. Os
resultados das análises de nutrientes também mostraram um acréscimo nas concentrações
durante a época chuvosa.

Já mais ao centro dessa sub-bacia, na altura do município de Estreito, de acordo com os


dados disponíveis, não foram observadas variações sazonais para a temperatura da água,
tendo em vista que os valores médios de temperatura do rio Tocantins foram de 28,75ºC e
27,75ºC nas campanhas de fevereiro e de agosto, respectivamente.

A turbidez foi muito baixa na campanha da cheia (média de 17,33 UNT); já na época de
estiagem os valores foram ainda mais baixos (média de 2,50 UNT). Os sólidos totais em
suspensão também não foram expressivos na época chuvosa (média de 38,17 mg/L), valores
estes mais reduzidos que das demais localidades amostradas em épocas correspondentes às
cheias.

A alcalinidade de bicarbonato, determinada na época de estiagem, mostrou um acréscimo na


concentração em relação à da época de chuva (de 20,17 a 27,2 mg/HCO3). As formas de
alcalinidade de carbonato e de hidróxido apresentaram resultados nulos.

A condutividade, assim como para outras localidades do rio Tocantins, teve um acréscimo
nos valores durante a estiagem. Este parâmetro apresentou os valores de 43,5 e 65,83
µS/cm respectivamente nas coletas da cheia e de estiagem.

O pH também apresentou valores alcalinos. A média na campanha de fevereiro foi de 7,25,


enquanto que na de agosto o valor médio teve um ligeiro acréscimo, sendo 7,43.

As concentrações de oxigênio dissolvido foram elevadas em ambas as campanhas. Ao


contrário do usual verificado, as coletas da época da cheia apresentaram valores superiores
aos da estiagem. A média dos valores em fevereiro foi de 8,10 mg/l e, em agosto, de 7,67
mg/L. Os valores de DBO, assim como o de DQO, foram baixos em ambas as campanhas,
sugerindo que os ambientes não se encontram contaminados por poluentes.

Na porção mais ao norte da sub-bacia, à jusante da cidade de Imperatriz, no Maranhão,


verificou-se que a temperatura média da água do rio Tocantins foi de aproximadamente
28,5ºC, não tendo sido verificadas diferenças entre os dois períodos amostrados.

Os valores de oxigênio dissolvido foram ligeiramente superiores no período de estiagem


(média de 7,74 mg/L). Nas chuvas, a média foi de 7,81mg/L.

O pH apresentou valores ligeiramente superiores na época da estiagem. As médias dos dois


períodos amostrados foram de 7,74 e 7,81, em abril e junho, respectivamente. Estes valores,
embora com tendência ao básico, foram relativamente mais baixos que os detectados no
trecho de montante.

Outra diferença em relação à parte montante do rio Tocantins refere-se aos resultados da
condutividade. Neste local, a condutividade média do rio Tocantins foi de 53,75µS/cm (abril) e
57,91µS/cm (junho). Embora a tendência de acréscimo de condutividade na estiagem tenha
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sido observada, assim como para a maioria das localidades acima estudadas, os valores, em
geral, foram bem inferiores aos detectados no trecho a montante do rio Tocantins. Os valores
decrescentes de condutividade, à medida que se caminha em direção a jusante, podem estar
relacionados com a diluição.

Os valores de nitrato, nitrito e amônia do rio Tocantins, assim como os de fosfato e fósforo
total, foram superiores na campanha da época de chuvas. Este fato, já verificado na maioria
das localidades amostradas a montante, está associado às contribuições do meio
circundante.

A análise da comunidade fitoplanctônica revelou para o rio Tocantins maior densidade e


diversidade em relação aos outros d’água estudados. Na época chuvosa, os baixos níveis de
transparência e a maior velocidade da água constituíram fatores limitantes ao
desenvolvimento do fitoplâncton. No período de estiagem, as condições se tornaram mais
propícias ao desenvolvimento de algas, sendo que os valores de clorofila, nesta ocasião,
foram significativamente mais elevados.

O índice de qualidade da água neste estudo revelou, em geral, qualidade aceitável a ótima
para o rio Tocantins.

A caracterização do ecossistema aquático no trecho mais a jusante da Sub-bacia 23 (Billiton,


2000 e CNEC, 2001) na região da UHE Serra Quebrada são de 1989 (Themag/Eletronorte,
1991), indicam que a maior diversidade de espécies fitoplanctônicas foi detectada no rio
Tocantins, com representantes do grupo Chlorophyta, destacando-se o gênero Closterium.

Em termos quantitativos, foi contabilizado número significativo de cianofíceas, dentre as quais


diversas espécies do gênero Oscillatoria e Cylindrospermopsis rasciborskii, indicando
potencial eutrofização do sistema aquático.

Como na maioria dos ambientes amostrados em outras sub-bacias, as comunidades


zooplanctônicas revelaram predomínio do grupo Rotifera, que apresentaram maior
diversidade nos tributários do rio Tocantins. Os representantes dos copépodos ocorreram no
rio Tocantins em porcentagem reduzida e geralmente nas formas jovens, em ambas as
campanhas.

Para avaliação dos organismos bentônicos, foram efetuadas coletas em diferentes substratos
como rochas, sedimentos e vegetação macrofítica, sendo que a Classe Insecta foi a mais
representativa.

Na área de influência da AHE Estreito, os resultados das análises das amostras do


fitoplâncton mostraram densidades mais baixas nos pontos de coleta situados na calha do rio
Tocantins, na Ilha do Campo e Pedral, e em pontos mais distantes da foz de afluentes na
localidade de Estreito. Os rios do Ouro, Cana Brava, Tauá e Manuel Alves Pequeno
apresentaram baixa diversidade do fitoplâncton, com elevada dominância de algas da classe
Cyanobacteria, dos gêneros Choococcus e Synechococcus.

A espécie Cylindrospermopsis rasciborskii ocorreu em densidades muito expressivas nos


trechos livres da calha do rio Tocantins. Sua presença foi significativa na Ilha do Campo e
Pedral e nos remansos dos rios do Ouro e Manuel Alves Grande, revelando possível
influência dos trechos de montante.

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Verificou-se que há similaridade quanto à composição de espécies do zooplâncton nos


trechos estudados do rio Tocantins, com níveis de semelhança acima de 80%. Observou-se,
entretanto, uma maior riqueza de espécies e maior densidade de organismos nos pontos
onde desembocam os tributários, indicando a existência de ambientes nutricionalmente ricos.

A composição do zooplâncton dessa região apontou predomínio de exemplares do grupo


Rotifera, em todos os pontos de coleta, condição similar à maioria dos estudos desenvolvidos
no Tocantins, anteriormente citados. Os gêneros mais freqüentes foram Keratella,
Trichocerca, Termocyclops e Mesocyclops.

Na Ilha do Campo e Pedral verificou-se alta densidade dos protozoários dos gêneros
Centropyxis e Diflugia, além de quantidades moderadas de larvas do camarão de água doce,
Macrobrachium cf. amazonicum e de uma das espécies de Copepoda tipicamente
amazônica, Notodiaptomus amazonicus. Estas ocorrências identificam o caráter amazônico
dessa fauna de zooplâncton na região de Estreito.

Foram realizadas coletas de organismos bentônicos em sistemas lóticos, caracterizando


vários ambientes como rochas, sedimento e vegetação de macrófitas.

Observou-se baixa diversidade da fauna bentônica nos rios analisados, devido


provavelmente à degradação das matas ciliares ao longo do rio Tocantins, o que resulta no
assoreamento progressivo das margens do rio e a redução na diversidade dos habitats para
os animais representantes dessas comunidades. Não ocorreram organismos do macrobentos
nas amostras coletadas no rio do Ouro e rio Manoel Alves Pequeno.

Os pontos de coleta onde se obteve registros mais representativos da fauna de


macroinvertebrados bentônicos foram em regiões junto às margens do rio Tocantins e na ilha
do Campo, onde ocorre acúmulo de sedimentos particulados inorgânicos e orgânicos.

Foram amostrados nos pontos de coleta representantes de insetos das ordens Diptera,
Ephemeroptera, Odonata e Coleoptera, freqüentemente registrados na região do Tocantins
em outros estudos. Espécies da família Chironomidae estiveram presentes em praticamente
em todos os pontos de coleta. As espécies da família Simulidae, na forma larval, foram
coletadas em hábitats de água corrente e fundo rochoso.

O ambiente lótico predomina no rio Tocantins, na Sub-bacia 23. Nas margens do rio e das
ilhas, onde a velocidade da água é menor, ocorre um banco de macrófitas aquáticas, com
predominância da canarana. Essa gramínea macrofítica abriga uma diversidade de grupos de
invertebrados associados, típicos de ambiente de curso lento, sendo de grande importância
na cadeia trófica de muitas espécies de invertebrados bentônicos.

Verificou-se a ocorrência pouco significativa das formas flutuantes dos gêneros Eichhornia e
Salvinia, restrita às áreas de remanso do rio Tocantins, na foz dos rios Cana Brava e Tauá,
apenas na coleta de fevereiro (período de chuvas). Na segunda etapa de coletas, com o
rebaixamento das cotas de inundação com a entrada do período seco, não se registrou a
presença dessas macrófitas aquáticas.

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 Sub-bacia 29

A Sub-bacia 29 é formada pelo rio Tocantins, após a confluência do rio Araguaia, tendo como
principal afluente da margem esquerda o rio Itacaiúnas, cuja foz situa-se nas imediações da
sede urbana de Marabá, estado do Pará.

A qualidade da água nessa sub-bacia sofreu alterações ao longo dos últimos anos
especialmente em função da UHE Tucuruí. Estudos realizados pela Eletronorte mostram que
se observou o início de um processo de estabilização, a partir de 1990, sendo constatada
uma gradual amenização dos efeitos negativos sobre a qualidade da água, inicialmente
registrados, decorrentes especialmente do elevado aporte interno de nutrientes gerado pela
inundação de vastas áreas densamente florestadas

As estações localizadas a jusante desse barramento até a cidade de Cametá, exibem uma
forte tendência ao restabelecimento e estabilização das características lóticas. No tocante à
área do reservatório, os pontos localizados nas localidades de Pucuruí, Repartimento e
Caraipé destacaram-se por apresentar as condições mais críticas de qualidade da água, com
reduzidos teores de oxigênio e elevada concentração de amônia, decorrentes de um
processo de eutrofização.

As diferenças entre temperaturas de superfície e de fundo estabeleceram-se ao redor de 2º


C, principalmente em decorrência da elevação das temperaturas de fundo em cerca de 1º C.
Esse padrão pode ter contribuído para a mistura da coluna d’água, beneficiando as condições
gerais de distribuição das variáveis.

Em relação aos teores de oxigênio dissolvido, o reservatório não apresenta áreas de anoxia
nas suas águas de superfície, tanto nas estações da calha central como nas marginais,
localizadas a montante da barragem, com valores de oxigênio dissolvido normalmente
situados acima da concentração de 4,0 mg/L. Com relação às águas de profundidade
intermediária, os padrões de concentração de OD têm se elevado para acima de 4,0 mg/L na
maioria dos meses.

Para as regiões do reservatório mais a montante (compartimento lótico), a maioria dos


valores tem se situado entre 4,0 e 6,0 mg/L, porém, continuam ocorrendo alguns níveis
reduzidos na margem esquerda nos períodos críticos de “seca”. Nos pontos do reservatório
localizados mais a montante, com média geral de 7,0 mg/L (máximo de 8,0 mg/L e mínimo de
5,4 mg/L), os valores se assemelham aos obtidos na fase rio.

Com referência à condutividade elétrica, os valores em todos os compartimentos do


reservatório evidenciam um equilíbrio entre a liberação e a absorção de compostos iônicos.

Em uma avaliação do nível trófico do reservatório, vem se verificando uma redução


significativa nos níveis dos parâmetros envolvidos nos últimos anos. Para o parâmetro fósforo
total, pode-se considerar o reservatório como oligotrófico em todas as estações. Já para a
transparência da água, o reservatório ainda apresenta características mesotróficas.

Cabe destacar que a expectativa de comprometimento da qualidade da água das áreas


marginais, à época da implantação do reservatório, não se concretizou, não tendo ocorrido
desastres ecológicos como mortandade de peixes ou em risco permanente ao
estabelecimento e manutenção dos ecossistemas aquáticos.

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Um estudo comparativo das características limnológicas dos rios Tocantins e Araguaia,


realizado por Santos (1983), mostrou diferenças marcantes na composição qualitativa e
quantitativa do fitoplâncton e nas características físicas das águas que, segundo o autor, são
atribuídas às diferenças de relevo de ambas as bacias de drenagem.

O rio Itacaiúnas, nas proximidades de Marabá, é receptor de esgotos de origem doméstica e


industrial gerada na cidade de Marabá, contribuindo, portanto, com cargas orgânicas ao
reservatório do AHE Tucuruí, situado imediatamente a jusante. Inaugurado em 1984, o
reservatório da AHE Tucuruí, no rio Tocantins, foi projetado para ocupar uma área de 2.875
km².

Os resultados dos trabalhos limnológicos conduzidos na região (Engevix/Themag, 2002),


revelaram que o ecossistema lótico, anterior à formação do lago de Tucuruí, se caracterizava
por apresentar elevada percentagem de saturação de oxigênio dissolvido na água; alta
temperatura; ausência de estratificação térmica e química; pH próximo à neutralidade; ampla
variação dos teores de sólidos em suspensão, condizentes com o regime de seca e chuva;
níveis de nutrientes, principalmente amônia e fosfato, baixos e compatíveis com os de cursos
d’água sem poluição; e relativa pobreza iônica, ilustrada por baixos níveis de condutividade
elétrica.

Essas condições limnológicas, típicas de um grande rio da região amazônica, foram sendo
modificadas a partir do fechamento das adufas e conseqüente início do enchimento do
reservatório.

Com a modificação das características hidrodinâmicas do ecossistema, aumentou também a


quantidade de nutrientes nitrogenados e fosfatados disponíveis no reservatório a partir da
degradação da biomassa inundada. Como decorrência, constatou-se um aumento qualitativo,
e principalmente, quantitativo de comunidades fitoplanctônicas no sistema, em relação às
previamente identificadas no rio Tocantins. As macrófitas aquáticas responderam de forma
contundente ao represamento, colonizando extensas áreas marginais do novo reservatório.

Entretanto, a partir de 1990, constatou-se uma gradual amenização dos efeitos negativos
sobre a qualidade da água, inicialmente registrados. O percentual de área do espelho d’água
ocupada pelas macrófitas recuou de 39% em 1986, para 6% em 2000.

O padrão global de evolução da qualidade da água do reservatório de Tucuruí tem


demonstrado que as condições restritivas de anoxia e teores elevados de formas tóxicas do
nitrogênio amoniacal em grandes profundidades têm se reduzido progressivamente ao longo
do rápido processo de estabilização desse ecossistema que, entretanto, ainda não atingiu as
condições de equilíbrio.

1.7.2. Principais Questões


As principais questões identificadas nas sub-bacias em análise, destacadas a seguir,
referem-se a efeitos decorrentes da eutrofização dos ecossistemas aquáticos, em especial ao
desenvolvimento de algas potencialmente tóxicas e à proliferação de macrófitas nos
reservatórios, que podem comprometer a saúde humana e os usos múltiplos das águas.

Os processos de eutrofização são favorecidos pela inundação de extensas áreas de


vegetação no processo de formação das represas, tendendo a se intensificar nos períodos de
estiagem.
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Como principais fatores exógenos que favorecem o fenômeno de eutrofização nos cursos
d’água, merecem destaque na bacia do rio Tocantins: o desmatamento de extensas áreas,
incluindo de matas ciliares, para implementação de pastagem; a ampliação das áreas de
cultivo agrícola, como soja, nas quais são aplicados fertilizantes químicos; lançamento de
esgotos sanitários e industriais nos cursos d’água nas áreas mais urbanizadas.
 Algas potencialmente tóxicas

De acordo com Carmichael (1992), vários gêneros e espécies de cianobactérias que formam
florações produzem toxinas. Embora ainda não estejam devidamente esclarecidas as causas
da produção dessas substâncias, têm-se assumido que esses compostos tenham função
protetora contra a herbivoria, como acontece com alguns metabólitos de plantas vasculares.

Até o momento, foram caracterizados dois principais grupos de cianotoxinas - as


neurotoxinas e as hepatotoxinas. As neurotoxinas, alcalóides ou organofosforados
neurotóxicos, são caracterizadas por sua rápida ação, podendo nos casos mais graves
causar parada respiratória. O tipo mais comum de intoxicação envolvendo cianobactérias é
causado por hepatotoxinas, que apresentam ação mais lenta, podendo desenvolver
hemorragia intra-hepática e choque hipovolêmico.

Importante destacar que a produção de toxinas está associada a determinadas linhagens de


bactérias que produzem floração nos cursos d’água. Portanto, o fato de se diagnosticar
espécies potencialmente tóxicas em determinado rio ou represa não implica necessariamente
produção de compostos tóxicos no ambiente aquático. Porém, episódios de floração dessas
algas, entre as quais Cylindrospermopsis raciborskii e Microcystis aeruginosa, requerem
especial atenção, sobretudo nos mananciais de abastecimento público.

Os instrumentos legais que tratam sobre o assunto são recentes e visam o monitoramento de
cianobactérias e cianotoxinas em águas destinadas ao consumo humano, bem como à
proteção de comunidades aquáticas e à recreação de contato primário.

A Portaria do Ministério da Saúde N.º 1.469 de 29/12/00 estabelece procedimentos e


responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo
humano e seu padrão de potabilidade, definindo, no caso de tratamento por filtração de água
suprida por manancial superficial e distribuída por meio de canalização, a obrigatoriedade do
monitoramento de cianobactérias e cianotoxinas.

De acordo com essa lei, são definidos como cianobactérias os microorganismos procarióticos
autotróficos, também denominados como cianofíceas (algas azuis), capazes de ocorrer em
qualquer manancial superficial especialmente naqueles com elevados níveis de nutrientes
(nitrogênio e fósforo), podendo produzir toxinas com efeitos adversos à saúde. Nesse
sentido, a referida Portaria recomenda análises para cianotoxinas incluindo a determinação
de cilindrospermopsina e saxitoxinas (STX), observando, respectivamente, os valores limites
de 15,0 µg/L e 3,0 µg/L de equivalentes STX/L.

A Resolução CONAMA 357 de 17/03/05 determina para águas de Classe 2, como é o caso
dos rios em estudo, a densidade de cianobactérias em até 50.000 células por mililitro ou 5
mm3/L.

A ultrapassagem desses valores, como observado em épocas de maior estiagem no


reservatório do AHE Serra da Mesa, indicam a possibilidade de desenvolvimento dessas

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algas nos sistemas lênticos do rio Tocantins sob condições que reúnem: teores elevados de
fósforo no sistema hídrico, maior transparência das águas e temperaturas elevadas.
 Macrófitas Aquáticas

O desenvolvimento de macrófitas aquáticas em reservatórios, principalmente as


denominadas flutuantes tais como do gênero Eicchhornia e Pystia, ocorrem geralmente em
sistemas eutrofizados, apresentando alta produtividade.

Ao se desenvolverem em grande quantidade, essas plantas são levadas pela correnteza e


pelo vento e podem se acumular nas áreas marginais das represas e na barragem,
interferindo no processo de operação das turbinas e em demais usos do reservatório,
incluindo pesca e atividades recreacionais. A morte desses vegetais implica introdução de
matéria orgânica no sistema aquático, com processo de decomposição que leva à redução
dos teores de oxigênio dissolvido e o aumento dos níveis de nutrientes minerais,
realimentando o ciclo de eutrofização.

Há também estudos que mostram a associação de macrófitas aquáticas e a proliferação de


insetos transmissores de doenças. Uma das associações mais significativas apontadas no
documento apresentado pelo INPA à Eletronorte (CNPq, 1983) refere-se à relação entre as
espécies das macrófitas Reussia rotundifolila e Eichhornia sp. e a proliferação de Culicideos
do gênero Mansônia cuja reprodução se dá eficientemente em associação com as raízes
dessas plantas.

Conforme anteriormente citado, os reservatórios que contém biomassa inundada são os mais
propícios ao desenvolvimento desses vegetais, porém, estudos têm indicado amenização do
crescimento de bancos de macrófitas à medida que ocorre a estabilização da matéria
orgânica nos sistemas lênticos.

1.7.3. Ictiofauna

1.7.3.1. Considerações Gerais sobre a Ictiofauna do Rio Tocantins

O rio Tocantins é considerado um rio de planalto que corre, em boa parte de seu trecho, num
vale encaixado. A ictiofauna do rio Tocantins, sobretudo dos trechos alto e médio, é menos
abundante que a do rio Araguaia, atribuindo-se este fato à ausência de extensas planícies de
inundação.

As primeiras descrições de espécies de peixes da bacia do rio Tocantins foram feitas no


século XIX, por Castelnau (in UFT, 2006), porém os levantamentos mais completos são
recentes e estão associados aos estudos realizados por ocasião da implantação de
empreendimentos hidrelétricos na bacia.

Apesar dos vários levantamentos já efetuados, com o intuito de caracterizar a fauna de


peixes do rio Tocantins, o conhecimento completo, em especial no que se refere à taxonomia,
ainda é insatisfatório, visto demandar muito tempo de pesquisa. Certamente, a intensificação
dos levantamentos resultará em novas descobertas como, por exemplo, descrições de novas
espécies. A esse respeito cita-se o Caiapobrycon tucurui, da família Characidae, cuja
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descrição foi feita recentemente por Malabarba e Vari (2000), conforme Informativo Ictiológico
nº 11 de 2002.

Outro aspecto não abordado antes da implantação do primeiro empreendimento está


relacionado às rotas migratórias dos peixes, embora algumas tentativas tenham sido feitas
posteriormente (no final da década de 80), pelo PNUD/ELN/CET e, mais recentemente (final
da década de 90), pela UFT. Sabe-se, no entanto, que o rio Araguaia tem um importante
papel na distribuição da fauna de peixes do rio Tocantins. Os levantamentos dos peixes
associados à implantação de hidrelétricas tiveram início até mesmo antes da exigência do
CONAMA, de 1986, que tornou obrigatório o Estudo de Impacto Ambiental. Basta lembrar
que os primeiros estudos na região foram conduzidos em 1980, onde atualmente está
inserido o reservatório de Tucuruí, correspondente à sub-bacia 29. Dentre os demais
levantamentos pioneiros, levados a termo em outros trechos deste rio, citam-se aqueles na
região do atual reservatório de Serra da Mesa (alto Tocantins, sub-bacia 20) e, em seu trecho
médio, na sub-bacia 23, nas imediações da cidade de Imperatriz (MA), tendo em vista os
estudos ambientais do aproveitamento de Serra Quebrada (não implantado).

As alterações na composição da ictiofauna, resultantes dos barramentos, são inevitáveis e,


no caso do Tocantins, ocorreram inicialmente em 1982, em decorrência da construção da
UHE Tucuruí. Ressalta-se que esta barragem, a primeira implantada neste rio, não dispõe de
mecanismos de transposição de peixes. Dessa forma, as interrupções das rotas migratórias,
bem como outras modificações do ambiente causaram alterações na composição dos peixes,
com reflexos na pesca, atividade relevante especialmente no baixo curso do rio.

Posteriormente, foram implantados os empreendimentos de Lajeado, no médio curso


(enchimento em 2001), e o de Serra da Mesa, no alto Tocantins, respectivamente nas sub-
bacias 22 e 20. O regime hidrológico do rio Tocantins, em especial do trecho alto, sofreu
mudanças significativas em função do reservatório de Serra da Mesa, cujo início de
enchimento ocorreu em outubro de 1996. Desta data até abril de 1998, quando a primeira
turbina entrou em operação, as alterações a jusante foram bem acentuadas, não somente
devido à retenção parcial das águas como, também, pela liberação de águas de qualidade
inferior às originais (vazão sanitária). Destaca-se que o empreendimento de Serra da Mesa
foi concebido como reservatório de acumulação de volumes d’água.

Recentemente (abril/2006) foi concluído o enchimento do reservatório de Peixe Angical,


também no alto curso do Tocantins, no trecho abarcado pela sub-bacia 21.

Apesar de incontestavelmente os empreendimentos hidrelétricos causarem interferências na


ictiofauna e, conseqüentemente, nas atividades pesqueiras, ressalta-se que, no caso do rio
Tocantins, há grande dificuldade para se quantificar estas alterações, principalmente em
função da ausência de dados do ecossistema como um todo, antes da implantação do
primeiro empreendimento. O reservatório de Tucuruí, muito provavelmente, influenciou na
composição dos peixes a montante, o que de certa forma é confirmado pelos relatos de
pescadores mais antigos do trecho médio do rio.

Os levantamentos realizados antes da formação do reservatório de Tucuruí identificaram 270


espécies de peixes. Apesar das alterações na estrutura das comunidades, resultantes da
formação desse reservatório, a ictiofauna da área, vinte anos depois, ainda é bastante rica e
diversificada; cerca de 76% dos peixes antes presentes ainda são encontrados. (Santos et al,
2006).
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Os levantamentos ictiofaunísticos dos reservatórios de Lajeado e de Serra da Mesa, não


obstante terem mostrado mudanças na estrutura das comunidades de peixes, não indicam
modificações acentuadas em relação às condições pré-existentes, conforme será visto
posteriormente. Isto pode estar associado ao fato dos dados disponíveis referirem-se aos
primeiros anos da formação desses ambientes,mas também outros fatores podem ter
contribuído, como a configuração morfométrica dos reservatórios, a presença de afluentes,
entre outros.

Além da hidroeletricidade há de se considerar, ainda, os demais usos da água que produzem


um conjunto diversificado de impactos, com conseqüências na qualidade da água e na fauna
de peixes.

Deve-se, considerar da mesma forma os aspectos relevantes que interferiram na biota


aquática, resultantes da própria dinamização da região, independentemente dos
empreendimentos hidrelétricos. Assim, a composição da ictiofauna atual é conseqüência de
outros processos que vêm interferindo no meio, especialmente as atividades antrópicas,
associadas aos usos e à ocupação da bacia. Essas atividades têm se intensificado nas
últimas décadas, especialmente o desmatamento para a expansão das atividades agrícolas,
a construção de estradas e ferrovias, a mineração, o crescimento urbano, etc.

Especialmente, o intenso desmatamento verificado na bacia hidrográfica do rio Tocantins


está associado ao avanço da cultura de soja. Neste sentido, as alterações na ictiofauna vêm
ocorrendo tanto pela suscetibilidade do meio aos poluentes de origem agrícola como,
também, pela descaracterização de ambientes, especialmente dada a supressão da
vegetação ciliar, que exerce uma função relevante para os peixes.

Os impactos na ictiofauna, quando devidos à formação de reservatórios, são muito


explorados por ocorrerem em pequeno intervalo de tempo. Já as transformações
ocasionadas por outros fatores como poluição, desmatamento, exploração irracional da
pesca, introdução de espécies exóticas, etc., não causam tanta perplexidade, embora
também tenham conseqüências importantes, muitas vezes de forma rápida e com grande
magnitude. Isto, talvez, seja devido ao fato de o agente causador não ser tão perceptível.

Nesse contexto, o rio Tocantins, embora ainda não poluído e praticamente livre de espécies
de peixes exóticas, vem paulatinamente sofrendo alterações resultantes, principalmente, das
ações antrópicas. A introdução de espécies exóticas poderá comprometer a fauna nativa e
dificilmente a bacia do rio Tocantins estará livre deste risco. A tilapia, por exemplo, já foi
identificada na região de Serra da Mesa.

No Anexo I do presente relatório, é apresentada relação das espécies de peixes identificadas


nos levantamentos e estudos da bacia do Tocantins. Estão indicadas as localidades onde tais
espécies ocorreram (alto, médio e baixo), com destaque para as espécies endêmicas, as em
extinção e as sobrexplotadas ou ameaçadas de sobreexplotação. Foram excluídas da relação
algumas espécies identificadas somente no nível de gênero. O número total de espécies é,
portanto, superior ao apresentado.

1.7.3.2. Metodologia

A caracterização da ictiofauna da bacia do rio Tocantins foi realizada com base em dados
secundários, especialmente aqueles obtidos no âmbito dos estudos associados às usinas

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hidrelétricas; existentes ou ainda em planejamento. Assim, os dados disponíveis são relativos


não somente às regiões já represadas como, também, aos trechos lóticos, de localidades
onde não foram implantados empreendimentos hidroelétricos.

As informações disponíveis mais detalhadas referem-se àquelas levantadas para os estudos


ambientais dos reservatórios de Serra da Mesa (sub-bacia 20), Lajeado (sub-bacia 22) e
Tucuruí (sub-bacia 29), sendo para este último os dados enfatizam as questões relativas à
pesca. Pelo fato dos reservatórios alterarem a composição de peixes, a caracterização da
ictiofauna, nestes locais, é apresentada comparando-se a situação atual com a pré-existente.
Para a região do reservatório de Peixe Angical (sub-bacia 22) também há muitas
informações, porém do período que antecede a fase de seu enchimento, ocorrido
recentemente.

Além desses relatórios técnicos foram consultados igualmente artigos publicados em


periódicos, bem como informações disponíveis na internet.

1.7.3.3. Dados disponíveis sobre a ictiofauna - Síntese dos Levantamentos Ictiofaunísticos


efetuados no rio Tocantins

A caracterização da ictiofauna, descrita a seguir, tem como base os dados disponíveis para
os trechos; alto, médio e baixo Tocantins, destacando-se as sub-bacias onde estão inseridas
as localidades estudadas.
 Alto Tocantins – Sub-bacias 20 e 21

O alto rio Tocantins engloba as sub-bacias 20 e 21. Os principais rios da sub-bacia 20 são os
rios das Almas e Maranhão, formadores do rio Tocantins. Modificações na região da
confluência dos rios das Almas e Maranhão ocorreram com a formação do reservatório de
Serra da Mesa, cujo enchimento teve início em outubro de 1996. O trecho situado a jusante
de Serra da Mesa também foi alterado pela implantação do reservatório de Cana Brava,
também na sub-bacia 20, que entrou em operação em maio de 2002.

Já os cursos d’água mais importantes da sub-bacia 21 são o rio Paranã e seu tributário o rio
Palma. O rio Paranã é afluente da margem direita do rio Tocantins. Sua foz, hoje, encontra-se
abrangida pelo reservatório de Peixe Angical.

De uma forma geral, esses rios apresentam muitas corredeiras e fundos rochosos, abrigando
uma ictiofauna adaptada a essas condições. Outro aspecto a ser destacado refere-se aos
inúmeros tributários de pequeno porte (riachos), com fauna de peixes, na maioria das vezes,
diferenciada dos sistemas de maior porte e adaptadas às condições intermitentes.

No caso específico do rio Paranã, é importante ressaltar a presença de áreas de várzea


localizadas ao norte do Estado de Goiás. Embora ainda não estudadas do ponto de vista
ictiofaunístico, sabe-se que essas áreas são importantes como criadouros de peixes.

Tanto os rios da sub-bacia 20 como os da sub-bacia 21 apesar de não apresentarem porte


significativo, têm uma ictiofauna bem diversificada, constituída inclusive por peixes
migradores, normalmente de interesse econômico. É importante mencionar que a pesca,
como atividade profissional, não é permitida na parte alta da bacia do rio Tocantins, embora
seja relevante para a subsistência das comunidades ribeirinhas. Ultimamente tem
apresentado, também, maior expressividade como atividade de lazer.

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Pelos resultados disponíveis verifica-se que os trechos alto e médio (sub-bacias 20, 21, 22e
23), se comparado ao do baixo Tocantins (sub-bacia 29), apresentam um maior número de
espécies endêmicas. Entretanto, isto pode ser atribuído à maior freqüência de amostragens e
ao menor porte dos ambientes estudados.

Os rios Maranhão e das Almas têm destaque por possibilitarem que algumas espécies de
peixes, atualmente confinadas a montante da barragem de Serra da Mesa, continuem suas
migrações. Assim, possivelmente, algumas populações conseguirão manter-se no
reservatório graças aos trechos lóticos remanescentes. Nota-se que o reservatório conta,
também, com dois outros importantes tributários, rios Tocantinzinho e Bagagem, que também
podem desempenhar função semelhante,

Os dados a seguir são os da sub-bacia 20, notadamente na região de Serra da Mesa. São
apresentados alguns resultados obtidos antes, durante o enchimento e depois da formação
do reservatório, tanto para as localidades situadas na área atualmente alagada, como a
montante e a jusante desta.

O texto apresenta, também, as demais informações relacionadas à fauna de peixes do alto


Tocantins, compreendido entre a barragem de Serra da Mesa e a confluência com o rio
Paranã (sub-bacia 20), bem como dados do rio Paranã e de seus afluentes (sub-bacia 21).

As informações atuais a respeito da ictiofauna das sub-bacias 20 e 21 são relativas aos


monitoramentos efetuados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade
Federal do Tocantins. Há, também, dados a respeito da ictiofauna obtitos pela empresa
NATURAE.

A região do atual reservatório de Serra da Mesa conta com cerca de 150 espécies de peixes.
Mesmo não se dispondo de informações que assegurem a estabilidade das comunidades de
peixes no reservatório, os dados mais recentes, quando comparados aos obtidos no período
que antecedeu o barramento, mostram que não houve variação significativa entre o número
de espécies e o número de indivíduos, conforme observado no gráfico a seguir.

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Gráfico 7 - Distribuição dos pontos da regressão entre o número total de espécies e o


total de indivíduos capturados em 35 campanhas (4 fases). Os pontos vermelhos
indicam as campanhas da última fase – monitoramento

120

100
Núm e ro de e s pé cie s

80

60

40
Y = 74,6 + 0,002 X
20
P = 0,106
0
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000
Número de indivíduos

Fonte: FURNAS/ UFRJ (2003)

Em relação ao número de indivíduos capturados na área do reservatório, verifica-se que


houve um aumento significativo de capturas durante o enchimento, a partir de fevereiro de
1997.

De acordo com o relatório FURNAS/UFRJ (2003), o maior número de peixes capturados foi
atingido na fase de enchimento, com média de 2.960 indivíduos. Esse valor é
significativamente superior à média obtida na fase rio.

Na fase operação, ocorreu uma redução do número médio de indivíduos capturados, (1.675
indivíduos), valor este ainda superior ao da fase rio. Na fase monitoramento, ocorreu um novo
aumento da média de indivíduos capturados (2.260 indivíduos), atingindo patamar
semelhante ao da fase de enchimento.

Os resultados mostram ainda que no mês de dezembro de cada ano há um aumento do


número de indivíduos capturados, possivelmente está associado à alta pluviosidade e à maior
movimentação dos peixes nessa época.

Na área do reservatório também foi detectado um aumento significativo da biomassa a partir


do enchimento, que se mantém elevada durante as fases subseqüentes (operação e
monitoramento). Isto mostra que, mesmo quando o número de indivíduos diminui, o seu
tamanho médio aumenta.

No trecho do rio Tocantins, a jusante de Serra da Mesa, onde foram realizadas coletas em
duas localidades, os resultados mostram que as alterações no número de peixes capturados
não foram significativas ao longo do período estudado, com exceção dos dados de 2002,
quando houve um aumento significativo de capturas. Esse aumento foi atribuído ao
barramento do rio Tocantins pela represa de Cana Brava, empreendimento situado a jusante
de Serra da Mesa e que provocou aumento do número de peixes coletados. Os dados
referem-se a dois pontos de coleta a jusante: um situado nas imediações da barragem e, o
outro, cerca de 40 km desta.

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No que se refere ao número médio de espécies capturadas no decorrer dos estudos verifica-
se que, no geral, houve um aumento significativo na fase de enchimento e uma diminuição
nas fases subseqüentes. Uma possível explicação para a redução do número de espécies
reside na redução da área do reservatório, devido ao uso da água para a geração de energia,
em dois anos de baixa pluviosidade. A ilustração a seguir mostra a variação do número de
espécies capturadas ao longo do estudo. Os pontos de montante considerados foram os rios
Maranhão e o rio das Almas, este último afluente da margem esquerda do rio Maranhão.

Ilustração 6 - Variação temporal do número médio de espécies nas localidades de


montante, nas 36 campanhas de coleta padronizada

Área de Montante
70
Nú m e r o d e e s p é cie s

60
50
40
30
20
10 rio enchimento operação monitoramento
0
d e z /95
fe v/96
ab r /96
ju n /96
ag o /96
o u t/96
d e z /96
fe v/97
ab r /97
ju n /97
ag o /97
o u t/97
d e z /97
fe v/98
ab r /98
ju n /98
ag o /98
o u t/98
d e z /98
fe v/99
ab r /99
ju n /99
ag o /99
o u t/99
d e z /99
fe v/00
ab r /00
ju n /00
ag o /00
o u t/00
d e z /00
fe v/01
ab r /01
ju n /01
ag o /01
o u t/01
d e z /01
fe v/02
ab r /02
ju n /02
ag o /02
o u t/02
d e z /02
Fonte: FURNAS/ UFRJ (2003)
Obs: Os pontos em vermelho indicam o mês de dezembro. A linha pontilhada horizontal indica o valor
médio das 36 campanhas. As linhas pontilhadas verticais separam as Fases.

Quando se analisa a distribuição das médias do número de espécies, observa-se que, para
os pontos situados no reservatório, também houve um aumento durante a etapa do
enchimento, conforme pode ser visto na ilustração a seguir. Observa-se, ainda, que nas fases
subseqüentes houve uma redução do número de espécies, porém o valor detectado não
difere muito da fase rio.

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Ilustração 7 - Variação temporal do número médio de espécies, nas localidades do


reservatório, nas 36 campanhas de coleta padronizada

Área do Reservatório
90
Nú m e r o d e e s p é c ie s

80
83
70
70 67
60
60 59
50 56 57
53 49
49 52 50
52
46
40 47 48
30 rio enchimento operação monitoramento 39
20
d e z /9 5
f e v /9 6
a b r /9 6
ju n /9 6
a g o /9 6
o u t/9 6
d e z /9 6
f e v /9 7
a b r /9 7
ju n /9 7
a g o /9 7
o u t/9 7
d e z /9 7
f e v /9 8
a b r /9 8
ju n /9 8
a g o /9 8
o u t/9 8
d e z /9 8
f e v /9 9
a b r /9 9
ju n /9 9
a g o /9 9
o u t/9 9
d e z /9 9
f e v /0 0
a b r /0 0
ju n /0 0
a g o /0 0
o u t/0 0
d e z /0 0
f e v /0 1
a b r /0 1
ju n /0 1
a g o /0 1
o u t/0 1
d e z /0 1
f e v /0 2
a b r /0 2
ju n /0 2
a g o /0 2
o u t/0 2
d e z /0 2
Fonte: FURNAS/ UFRJ (2003)
Obs: Os pontos em vermelho indicam o mês de dezembro. A linha pontilhada horizontal indica o valor
médio das 36 campanhas. As linhas pontilhadas verticais separam as Fases.

Já a análise dos dados das coletas realizadas no rio Tocantins, a jusante do


empreendimento, na região de Porto Garimpo, mostra que, apesar de se verificar uma
redução durante as etapas de enchimento e de operação, o número médio de espécies não
sofreu alterações significativas, conforme figura a seguir.

Ilustração 8 - Variação temporal do número médio de espécies nas localidades de


jusante, nas 36 campanhas de coleta padronizada
Área de Jusante
70
65
Núm e r o de e s pé cie s

60
55
50
45
40
35
30
25 rio enchimento operação monitoramento
20
de z/95
fe v/96
abr /96
jun/96
ago/96
out/96
de z/96
fe v/97
abr /97
jun/97
ago/97
out/97
de z/97
fe v/98
abr /98
jun/98
ago/98
out/98
de z/98
fe v/99
abr /99
jun/99
ago/99
out/99
de z/99
fe v/00
abr /00
jun/00
ago/00
out/00
de z/00
fe v/01
abr /01
jun/01
ago/01
out/01
de z/01
fe v/02
abr /02
jun/02
ago/02
out/02
de z/02

Fonte: FURNAS/ UFRJ (2003)


Obs: Os pontos em vermelho indicam o mês de dezembro. A linha pontilhada horizontal indica o valor
médio das 36 campanhas. As linhas pontilhadas verticais separam as Fases.

Os resultados das análises do ictioplâncton mostram que as localidades amostradas, nos rios
Maranhão e Bagagem (ambientes com características lóticas a montante) e em Porto
Garimpo, a jusante (cerca de 40 km da barragem), foram as que apresentaram maiores
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registros de ovos. Já as lavas foram mais abundantes nas seguintes localidades: rio
Maranhão, rio Almas, principal afluente da margem esquerda do rio Maranhão, e rio
Bagagem.

Nos rios Maranhão e Almas, foram registrados valores elevados de ovos e larvas durante a
fase operação. Provavelmente esses ambientes foram mais favoráveis à reprodução dos
peixes durante essa fase, devido à intensa variação do nível d’água no ambiente represado.

Assim, as localidades Bagagem e Maranhão foram as que apresentaram maior concentração


de indivíduos reprodutivos e/ou áreas com uma dinâmica hídrica que facilita a manutenção
desses estágios de vida dos peixes.

A abundância ovos e de larvas da fase de monitoramento, quando comparados aos obtidos


nas fases anteriores, foi mais reduzida. De acordo com o relatório elaborado pela UFRJ, o
aporte de ovos e formas larvais foi alterado pelo represamento, possivelmente como resposta
à alteração da dinâmica hídrica local. No entanto, algumas localidades se distinguem pela
inversão desse padrão, sugerindo a possibilidade de haver áreas que ainda mantém uma
dinâmica hídrica que possibilita o aporte e a manutenção de ovos e formas larvais. Como
observação conclusiva, o relatório acima citado destaca que a alteração ambiental,
decorrente da implantação do empreendimento nesse trecho do rio Tocantins (sub-bacia 20),
exerceu efeito negativo para o aporte de ovos e larvas oriundos das áreas adjacentes ao
reservatório. A existência de localidades que apresentaram aumento da ocorrência de ovos e
larvas, associada à preservação de áreas adjacentes ao reservatório, são uma alternativa
para a manutenção das espécies da região.

Ainda com relação ao ictioplâncton, verifica-se que as maiores capturas foram registradas à
noite, indicando que os movimentos de deriva dos ovos e o deslocamento das larvas ocorrem
no ciclo diário de 24 h. Os dados mostram, também, que a despeito de o padrão apresentado
pelas larvas ser semelhante ao dos ovos, há uma tendência mais acentuada de movimento
diurno por parte daquelas. A diferenciação entre os períodos diurno e noturno não havia sido
detectada por ocasião das coletas da etapa rio.

O trecho do rio Tocantins abaixo de Serra da Mesa também está atualmente represado pela
barragem de Cana Brava.

Os dados relativos ao período subseqüente à formação do reservatório, considerados no


presente estudo (até abril de 2004), mostram que, no geral, não houve alterações
significativas na composição dos peixes. Por outro lado, os indícios de sucessão ecológica
ficaram evidenciados pela menor ocorrência, na área do reservatório, de peixes de fundo De
acordo com o relatório da NATURAE, os Siluriformes muito provavelmente se dirigiram aos
tributários, em especial para o rio Preto, afluente do rio Tocantins.

Com relação às coletas efetuadas imediatamente a jusante da barragem, os resultados


apontam um número razoável de peixes. A identificação feita pela equipe da NATURAE
indicou que a maioria é migradora, por isso a concentração a jusante da barragem. A
barragem de Cana Brava não dispõe de dispositivos para a transposição de peixes e a
concentração a jusante era um fato de certa forma esperado. Os resultados dessas coletas
apontaram, também, um incremento de peixes predadores e até mesmo a presença de botos,
nas imediações da barragem.

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Além das amostragens de peixes nessa localidade, foram realizadas entrevistas para
caracterizar a atividade pesqueira. Foram entrevistadospescadores sobre a finalidade da
pesca (pesca comercial, de subsistência ou esportiva). Também foram aplicados
questionários para identificar o tipo de aparelho de pesca utilizado e, ainda, as características
do pescador (ribeirinho, esportivo ou turista).

Foram entrevistados 65 pescadores onde a grande maioria, (87%), era procedente de Minaçu
e, 23,08% tinham a pesca como atividade de subsistência. Nenhum afirmou praticá-la com
finalidades comerciais, embora se saiba que o comércio é exercido na região, porém de
forma incipiente.

As técnicas utilizadas mais citadas foram: anzol (barranco e embarcado), pinda, linhada,
espinhel e redes de espera.

O trecho estudado do rio Tocantins antes da implantação do reservatório de Cana Brava já se


encontrava afetado pelos efeitos do reservatório da UHE Serra da Mesa, em decorrência da
operação que determina a oscilação no nível do rio, em alguns metros, com exposição de
grande parte do leito. Além disso, a tomada de água daquele empreendimento ocorre em
zonas profundas e libera águas com características diferentes das pré-existentes. O relatório
da NATURAE salienta ainda a ocorrência de remoção da vegetação na região, que contribuiu
de maneira relevante para a degradação ambiental na região. O garimpo também é citado
como uma das atividades com repercussão negativa para a ictiofauna.

Na conclusão apresentada no relatório da NATURAE consta que este trecho do rio, antes da
formação do reservatório da UHE Cana Brava, já apresentava uma fauna de peixes
depauperada, pelas razões acima mencionadas.

Já o trecho entre a barragem de Cana Brava até as imediações da cidade de São Salvador
apresenta características lóticas. A fauna de peixes deste trecho de rio é, aparentemente,
menos abundante que a do rio Paranã, afluente do rio Tocantins, localizado cerca de 60 km a
jusante da cidade de São Salvador, embora a diversidade seja similar em ambos ambientes.

Esta região foi amostrada em diversos pontos, tanto do rio Tocantins quanto de seus
principais tributários como rios Traíras, Cana Brava e Mucambão, córrego Piabanha e outros.

No que diz respeito às informações da fauna de peixes da sub-bacia 20 tem se dados tanto
ao rio Paranã, nas proximidades da sua foz, como de alguns de seus tributários, como rios
Palma, das Lajes, Areia, São Miguel, vários riachos e, ainda, ambientes lênticos como lagoa
Verde, situada na margem esquerda do rio Paranã.

Esses dados foram obtidos por ocasião dos estudos ambientais de Peixe Angical que dispõe
também de informações do rio Tocantins, no trecho compreendido entre a cidade de São
Salvador e a foz do rio Paraná, ou seja, parte da sub-bacia 21.

Nesta região foram identificadas várias espécies migradoras como, por exemplo: Piaractus
mesopotamicus (caranha), Salminus hilarii (tubarana), Prochilodus nigricans (papa-terra),
Ageneiosus brevifilis (fidalgo), Hemisorubim platyrhynchus (mandubé), Paulicea luetkeni (jaú),
Pinirampus pirinampu (barbado), Pimelodus blochii (mandi-cabeça-de-ferro) e Pseudodoras
niger (cuiú-cuiú), Pseudoplatystoma fasciatum (surubim), Sorubimichthys planiceps (chicote),
Brachyplatystoma filamentosum (filhote) e B. flavicans (dourada).

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Em função da presença de espécies migradoras e, também, pelo fato dos rios Paranã e
Palma (importante afluente do Paranã) não serem barrados, foi prevista uma escada para
peixes no projeto da barragem, com o intuito de minimizar os efeitos negativos que
normalmente ocorrem sobre as espécies reofílicas.

A maior intensidade reprodutiva foi verificada no período de cheia, quando se observou a


maior freqüência de indivíduos em reprodução ou que já se haviam reproduzido (esgotados).
Algumas espécies, no entanto, apresentaram período reprodutivo na estiagem. Entre estas,
destacam as que possuem ciclo reprodutivo longo e preferências por ambientes lênticos,
como Cichla sp (tucunaré), Geophagus altifrons (corró), Plagioscion squamosissimus
(curvina), Serrasalmus rhombeus (piranha) e Hoplias malabaricus (traíra).

Os dados disponíveis do monitoramento que vem sendo efetuado pela Universidade Federal
do Tocantins (UFT), são, conforme já mencionado, da fase anterior ao enchimento e foram
obtidos entre agosto de 2004 e julho de 2005. Procurou-se enfatizar os resultados obtidos no
período compreendido entre outubro e março, tendo em vista ser o mais significativo em
termos de reprodução dos peixes.

As primeiras coletas dessa etapa, efetuadas no período chuvoso, permitiram identificar 112
espécies de peixes, muitas coincidentes com as já identificadas nos levantamentos anteriores
feitos nesta localidade. Foi constatado que tanto o número de espécies quanto o de
indivíduos foram mais expressivos no rio Paranã. O rio Tocantins também apresentou valores
elevados de riqueza e de indivíduos, porém, a jusante da confluência com o Paranã. A
freqüência de espécies em reprodução e a quantidade de fêmeas em atividade reprodutiva
foram igualmente mais elevadas no rio Paranã e no rio Tocantins, abaixo da foz do rio
Paranã. Este fato é um indício de que o rio Paranã seja mais utilizado pelos peixes.

Os dados do período de maior atividade reprodutiva das espécies, ou seja, compreendido


entre outubro e março evidenciam que o rio Paranã é mais utilizado pelos peixes. As
informações disponíveis, no entanto, não são suficientes para a confirmação deste fato.

A ilustração a seguir mostra que, em relação aos aspectos reprodutivos, os dados de outubro
e novembro foram mais expressivos, tanto para o número de espécies em reprodução como
para o percentual de indivíduos que apresentavam essa atividade. Já o ictioplâncton
apresentou valores mais significativos posteriormente, especificamente na coleta de janeiro.
Assim, os locais de maior relevância para a desova podem estar situados a montante da área
estudada.

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Ilustração 9 - Porcentagem de espécies (A) e indivíduos (B) em reprodução e densidade


de ictioplâncton (C) em outubro, novembro e dezembro de 2004 e janeiro, fevereiro e
março de 2005

Fonte: UFT (2005)

Um importante aspecto a ser ressaltado refere-se às várzeas existentes no rio Paranã. Estes
ambientes são fundamentais para a reprodução de peixes e estão presentes, em grande
extensão, a aproximadamente 200 km a montante da cidade de Paranã.

As coletas seguintes, relativas às amostragens de abril, maio, junho e julho de 2005 mostram,
de uma forma geral, um declínio em relação ao número de espécies e de indivíduos em
reprodução, bem como da densidade de ovos e de larvas.

O número de espécies identificadas em cada bimestre foi significativo, conforme mostrado na


Tabela 2. Salienta-se que muitas espécies foram comuns em várias coletas.

Os levantamentos efetuados em 2004/2005 revelam que a diversidade de espécies é


bastante expressiva, totalizando 243 espécies pertencentes a 35 famílias e 10 ordens. De
acordo com o relatório parcial da UFT (2005 b), elaborado com base nos dados do período
acima citado, nessas coletas predominaram os Characiformes, seguidos dos Siluriformes
(51,4% e 31,7% respectivamente). Os Perciformes, conhecidos como corrós, tucunarés e
curvinas, e os Gymnotiformes, representados principalmente pelas tuviras ou espadas,
constituíram 7,4% e 4,5% das espécies registradas.
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Segundo o relatório, as famílias com o maior número de espécies foram Characidae, com 78
(32,1% do total), Loricariidae, com 36 (14,8%), Anostomidae, com 15 (6,2%) e Cichlidade e
Curimatidae, com 13 (5,4%). A representação das espécies das demais famílias foi inferior a
5%.

Dentre os indivíduos de pequeno porte, houve uma predominância dos pertencentes à classe
de comprimento de até 4 cm e peso inferior a 100 gramas. Isto indica que os indivíduos
forrageiros constituem um importante estrato da ictiofauna, por servirem de alimento para os
piscívoros de médio e grande porte. A importância destas espécies na cadeia alimentar é
evidenciada pelo fato de no rio Tocantins, mais de 20% das espécies serem piscívoras
(Marques et al., 2002) in UFT (2005b).

Os peixes de grande porte (comprimento maior que 40 cm) tiveram participação de cerca 12.
As espécies mais representativas deste grupo foram: a cachorra verdadeira Hydrolycus
armatus, a caranha Piaractus brachypomus, o cuiú-cuiú Oxydoras niger, o papa-terra
Prochilodus nigricans, o jaú Zungaro zungaro, a pirarara Phractocephalus hemioliopterus, o
pintado Pseudoplatystoma fasciatum, o barbado Pinirampus pirinampu, entre outras. Estas
espécies são as mais apreciadas pelos pescadores.

Ainda de acordo com o relatório da UFT, a análise dos dados das capturas efetuadas com
redes de espera revela um padrão que pode estar relacionado ao deslocamento reprodutivo
dos indivíduos. No final do período de seca, os peixes se acumulam na foz dos tributários
secos ou com pouca vazão, à espera das primeiras chuvas para que possam realizar o
movimento ascendente, com a finalidade de se reproduzirem nas cabeceiras. Neste período,
a captura nos rios de maior porte foi alta, conforme constatado em outubro, período de
transição entre a seca e o início das chuvas. Com o início das chuvas os cardumes começam
a subir os tributários e as capturas nos rios diminuem fato esse observado no período de
dezembro a março. No período de vazante (abril a junho), o nível hidrológico dos tributários
volta a baixar e os peixes retornam para o canal principal do rio, ocorrendo um aumento nas
capturas neste ambiente. Segundo o relatório da UFT esta é uma hipótese, devendo ser
analisada com maior profundidade. Quanto aos padrões de dominância dos ambientes no
período, observa-se que as espécies Caenotropus labyrinthicus, Hypostomus sp7 e Curimata
acutirostris foram dominantes nos rios analisados. A espécie Caenotropus labyrinthicus é
bentófaga (alimenta-se de organismos e detritos que se acumulam no sedimento), enquanto
as outras duas são iliófagas (alimentam-se de detritos, sedimentos e vegetais). Estas
espécies têm porte pequeno ou médio e não são migradoras. A Hypostomus sp7 é uma
espécie caracteristicamente abundante em ambientes rasos de fundo rochoso, como é o
caso de grande parte da região em estudo durante o período de seca, especialmente o rio
Paranã. Estas três espécies constituíram 23% do total capturado nos rios.

A comparação das 20 espécies mais capturadas, por ambiente, revela que somente uma foi
comum aos ambientes de praia e rio (Geophagus altifrons). Já comparando a composição
das espécies mais capturadas nos ambientes de praia e córrego, identificam-se três espécies
comuns (Knodus spC, Creagrutus britskii e Knodus spF). De uma forma geral, há baixa
similaridade entre os diferentes ambientes estudados.

Com relação ao ictioplâncton, as menores densidades de larvas foram registradas nos


tributários de menor porte e nos riachos, o que pode estar relacionado à dinâmica hidrológica
dos pequenos corpos d´água da região estudada, pois estes não são perenes,
permanecendo secos ou com fluxo reduzido durante a maior parte do ciclo sazonal. No
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período das chuvas, no entanto, o seu nível varia acentuadamente em curtos intervalos de
tempo. Estas condições parecem ser restritivas para a maioria das espécies de peixes,
especialmente as espécies que apresentam ovos aderentes.

O fato da maior densidade de ictioplâncton ter sido detectada nos rios de maior porte parece
estar de acordo com o padrão reprodutivo das espécies tropicais, segundo o qual os peixes
migram para as cabeceiras dos corpos d´água e desovam no período de enchente, sendo
então os ovos e as larvas levados para as planícies. As planícies podem estar localizadas
nos pequenos corpos d´água ou no canal do rio principal. No trecho estudado os rios correm
encaixados, com escassas áreas de planície, e os pequenos corpos d’água, muito
provavelmente, são restritivos a essa função. Essa situação difere do segmento a jusante,
conforme será visto posteriormente.

Embora não explicitado nos relatórios da UFT, deve ser ressaltado que o rio Paranã, a
montante da área estudada é, conforme já mencionado, caracterizado por áreas de várzeas,
ambientes que continuarão sendo relevantes para a manutenção da fauna de peixes desta
sub-bacia, mesmo considerando o reservatório de Peixe Angical.

 Médio Tocantins – sub-bacias 22 e 23

O trecho médio do rio Tocantins, compreendido entre a cidade de Peixe até a confluência
com o rio Araguaia, engloba integralmente as sub-bacias 22 e 23. A rede de drenagem é
mais intensa pela margem direita, visto que pela outra margem, o divisor de águas com a
bacia do rio Araguaia é relativamente próximo. Mesmo assim, destaca-se um importante
afluente pela margem esquerda, na parte mais ao sul da sub-bacia 22, que é o rio Santa
Teresa. O rio Santa Teresa e o rio Santo Antonio, este último também afluente da margem
esquerda do rio Tocantins, apresentam planícies de várzea, com inúmeras lagoas marginais,
que constituem ambientes favoráveis para a fauna de peixes. Muitas lagoas, no entanto, não
apresentam conexão com o rio principal ou, quando apresentam, isto ocorre somente em
ocasiões de cheias excepcionais. Em geral, os ambientes de várzea não fazem parte da
paisagem do médio curso do rio Tocantins, tendo em vista a escassez destes ambientes nos
trechos a jusante. Somente nas adjacências da região próxima à confluência com o Araguaia
(sub-bacia 23) é que são notados ambientes com tais características.

Apesar da importância desses ecossistemas, os mesmos estão sendo descaracterizados pela


intensa atividade antrópica que a região vem sendo submetida, especialmente nas últimas
décadas. Assim, o desmatamento para formar áreas de pastagem ou de culturas,
particularmente da soja, representam uma ameaça constante para tais ambientes. No
monitoramento ictiofaunístico do rio Santa Teresa, realizado pela UFT, foi constatada a
deterioração das margens desse rio, mesmo numa região que teoricamente deveria estar
sendo preservada, devido à existência da Unidade de Conservação do rio Santa Teresa.

Outros afluentes pertencentes à sub-bacia 22, com destaque pelo porte e pela extensão da
área de drenagem e importantes, consequentemente, para a fauna de peixes são: rios São
Valério, Manuel Alves Natividade, Areias, Crixás e Rio do Sono. Já na sub-bacia 23
destacam-se os seguintes: rio Manuel Alves Grande, rio Farinha e rio Lajeado.

Há informações bibliográficas disponíveis para todo o trecho do rio Tocantins, bem como dos
seus principais tributários, na sub-bacia 22. Já a maior disponibilidade de dados
ictiofaunísticos da sub-bacia 23 corresponde ao trecho mais a montante do rio, de Tupirama
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até a região de Imperatriz. Esta sub-bacia dispõe, também, de dados referentes aos recursos
pesqueiros, visto que a pesca comercial é permitida nesta região.

Com relação ao trecho médio do rio Tocantins há de se considerar, ainda, as transformações


já ocorridas na composição dos peixes pela implantação do reservatório de Lajeado, cujo
início do enchimento ocorreu em outubro de 2001 e foi completado em fevereiro de 2002.
Para essa localidade, assim como para o trecho lótico a montante, há informações mais
detalhadas a respeito da ictiofauna, em função dos programas de monitoramento
implantados.

− Principais resultados com base nos levantamentos efetuados

O trecho do rio Tocantins situado entre a barragem de Peixe Angical e o final do remanso do
reservatório de Lajeado tem extensão superior a 100 km e é caracterizado por vários
tributários, dentre os quais o Santa Teresa e o Santo Antonio, conforme já mencionado, têm
importância para a fauna de peixes.

As amostragens realizadas por ocasião dos estudos ambientais de Ipueiras resultaram na


identificação de 218 espécies de peixe, sendo que as ordens mais representativas em
número de espécies foram: Characiformes (55,04%), Siluriformes (28,44%) e Perciformes
(8,26%).

Das 32 famílias registradas, algumas se destacaram pela riqueza de espécies. São elas:
Characidae, Loricariidae, Pimelodidae, Anostomidae e Cichlidae que, juntas, representaram
67,89% das espécies capturadas. Representantes das famílias Parodontidae, Crenuchidae e
Engraulidae foram registrados somente nas capturas com redes de arrasto.

Espécies migradoras de média ou longa distância ocorrem na região. Dentre estas, citam-se:
Salminus hilarii (tubarana), Brycon brevicauda (piabanha), Triportheus albus (sardinha),
Triporteus elongatus (sardinha), Triporteus trifurcatus (sardinha), Myleinae (pacus - 10
espécies), Argonectes robertsi (piau-voador), Hemiodus microlepis (voador), Hemiodus
unimaculatus (piau-pirco), Leporinus (piaus - 10 espécies), Hydrolycus armatus (cachorra-
verdadeira), Hydrolycus tatauaia (cachorra-verdadeira), Psectrogaster amazonica
(branquinha), Raphiodon vulpinus (cachorra-facão), Prochilodus nigricans (curimba),
Ageneiosus brevefilis (fidalgo), Paulicea luetkeni (jaú), Pimelodus blochii (mandi),
Hemisorubim platyrhynchus (jurupoca), Pinirampus pirinampu (barbado), Sorubimichthys
planiceps (surubim-chicote), Pseudoplatystoma fasciatum (pintado), Pseudodoras niger
(baiacu) e Megalodoras irwini (baiacu). As espécies migradoras, Brachyplatystoma
filamentosum (filhote), B. flavicans (dourada) e Phractocephalus hemioliopterus (pirarara) não
foram capturadas durante este estudo, porém, embora raras, já constaram de outros
levantamentos feitos no médio e alto Tocantins.

Assim como para a região a montante as espécies mais representativas foram as de pequeno
porte, com 60% do total amostrado. Este estrato tem um papel importante na cadeia trófica
dos ambientes aquáticos, por constituir a principal fonte de alimento das espécies piscívoras
que, em geral, são de grande porte.

A riqueza de espécies dos afluentes, caracterizada pelo número de espécies presentes em


determinado local foi, em geral, maior nos pontos situados na foz dos afluentes, que nos
pontos amostrados mais a montante nesses mesmos ambientes. A única exceção foi o rio

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Manuel Alves da Natividade. Já o rendimento em peso foi mais expressivo nos pontos de
coleta do rio Santo Antônio (montante e foz) e no rio São Valério.

A Tabela a seguir mostra os resultados obtidos através do uso de redes de redes


padronizadas.

Tabela 18 - Número de espécies e capturas, em número e peso (kg), por unidade de


esforço (m2 de rede/24 horas) nos locais onde foram efetuadas amostragens com
redes de espera.

Campanha 1 Campanha 2
LOCAL número de espécies número peso número de espécies número peso
n % (CPUE/m2 24h) (CPUE/m2 24h) n % (CPUE/m2 24h) (CPUE/m2 24h)
Rio Tocantins
T-ST 52 38,52 0,60 143,57 52 41,27 4,95 116,16
T-SA 55 40,74 1,28 244,38 43 34,13 0,88 40,58
T-SV 30 22,22 0,27 92,62 21 16,67 0,21 45,89
T-Ip 37 27,41 0,36 52,57 35 27,78 0,63 17,53
T-Fo 37 27,41 0,70 89,59 30 23,81 0,24 8,60
Tributários
STm 39 28,89 0,60 95,70 56 44,44 1,76 90,15
STf 53 39,26 0,77 127,18 38 30,16 0,56 45,47
SAm 48 35,56 2,34 167,80 21 16,67 1,35 80,01
SAf 51 37,78 1,14 239,04 60 47,62 4,10 113,11
SVm 35 25,93 0,65 109,53 23 18,25 0,45 60,23
SVf 44 32,59 0,42 93,39 62 49,21 1,16 51,90
MAm 38 28,15 0,58 62,33 46 36,51 0,86 42,93
MAf 29 21,48 0,38 40,97 26 20,63 0,18 20,69
Fof 56 41,48 0,72 98,46 62 49,21 2,63 89,89
Lagoa
L-AB 33 24,44 1,28 89,81 63 50,00 1,46 138,06
Total 135 126

Fonte: EIA/RIMA Ipueiras (2005)


Campanha 1: Outubro de 2001
Campanha 2: Fevereiro de 2002

As espécies mais representativas foram: Hemiodus unimaculatus (voador), Psectrogaster


amazonica (branquinha), Moenkhausia dichroura (piaba) e Lycengraulis batesii (sardinha-de-
lata), todas de pequeno e médio porte.

Os resultados das capturas com rede de espera apontam, ainda, 13 espécies que foram mais
abundantes, tanto no rio principal como nos afluentes e na lagoa. Estas foram: o voador
(Hemiodus microlepis), a branquinha (Psectrogaster amazonica), a piaba (Moenkhausia
dichroura), a sardinha-de-lata (Lycengraulis batesii), a branquinha (Cyphocarax spilurus), o
joão-duro (Caenotropus labyrinthicus), o piau-pirco ou voador (Hemiodus unimaculatus), o
piau-flamengo, (Leporinus tigrinus), a cachorrinha (Roeboides affinis), o cachorrinho
(Galeocharax gulo), o cari (Hypostomus sp), a branquinha (Curimata acutirostris) e a piabinha
(Moenkausia sp9). Estas apresentaram captura superior a 50 indivíduos/m2 rede em pelo
menos um dos ambientes analisados.

O índice de diversidade dos afluentes variou entre 1,21 (rio Santo Antonio, ponto de
montante) e 1,56 (foz dos rios Manuel Alves da Natividade e Santa Teresa). De uma forma
geral, a diversidade dos tributários foi maior nos pontos situados na foz.

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No rio Tocantins a maior diversidade foi detectada no ponto próximo à foz do rio Santo
Antonio, e a menor nas proximidades do rio Santa Teresa. Já a única lagoa estudada
apresentou valores baixos de diversidade e de riqueza de espécies.

A maior diversidade foi registrada por ocasião das coletas feitas no mês de outubro. A
explicação para este fato pode estar relacionada ao intenso movimento dos peixes, tendo em
vista que as primeiras chuvas na região já haviam ocorrido. O aumento do volume de água
propicia essa movimentação, pois os peixes se direcionam em busca de alimento, proteção
e/ou locais de reprodução.

De fato, os resultados da análise dos processos reprodutivos mostram uma maior intensidade
em outubro. Nesta ocasião, tanto a freqüência de indivíduos como a de espécies em
maturação e em reprodução foi maior. Já os indivíduos com gônadas esgotadas foram mais
abundantes em fevereiro, sugerindo que a reprodução tenha ocorrido de forma mais intensa
nessa ocasião.

Os resultados das análises de ictioplâncton também indicam que a maior intensidade


reprodutiva tenha ocorrido antes, visto que os resultados das coletas de outubro mostram
predomínio de ovos e, da coleta de fevererio, de larvas de peixes.

A maior densidade do ictioplâncton foi registrada no período noturno, independentemente da


época de coleta. Este resultado, provavelmente, está relacionado com as estratégias para
evitar a predação sobre os ovos e as larvas e, ainda, com o padrão de deslocamento vertical
das larvas para a alimentação, seguindo a migração do plâncton.

Em geral, a densidade de ictioplâncton dos tributários foi mais elevada nos pontos
amostrados a montante, tendo-se verificado que a diversidade de ambientes e a existência
de planícies de inundação são importantes para a fauna de peixes.

Alguns ambientes da região de Ipueiras foram estudados por ocasião do monitoramento da


ictiofauna dos reservatórios Peixe Angical e de Lajeado, especialmente deste último, que
contemplou vários pontos a montante. Os resultados serão apresentados a seguir,
juntamente com as demais informações dos estudos efetuados em Lajeado.

Dos tributários amostrados na fase anterior ao reservatório de Lajeado, o rio Santa Teresa
(localizado a montante, na região de Ipueiras) destacou-se em termos de capturas, seguido
dos rios Crixás e São Valério, este último também da região de Ipueiras. Embora as capturas
tenham sido registradas nos demais tributários, os valores não foram tão expressivos, sendo
que o rio Lajeado e rio do Sono, ambos tributários da margem direita do rio Tocantins, a
jusante do eixo da barragem, apresentaram os valores mais reduzidos.

Além das capturas de peixes o monitoramento feito pela equipe da UFT aborda, ainda, outras
variáveis como, por exemplo, índice de atividade reprodutiva, participação das formas jovens
de peixes em relação ao total capturado, variações no tamanho médio dos exemplares, etc. A
apresentação dessas variáveis será feita conjuntamente com os dados obtidos na fase
reservatório, objetivando comparar as variações ocorridas nas condições originais do rio após
a implantação do empreendimento.

Quanto aos resultados das análises do ictioplâncton da fase rio, tem-se que os ovos
estiveram presentes na maioria dos pontos de coleta do rio Tocantins, com maior abundância

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nas seguintes localidades: nas imediações da foz do rio Formiga, no rio Tocantins, próximo à
cidade de Ipueiras e no rio Tocantins – Capivara, local situado acima de Brejinho de Nazaré.

As larvas foram classificadas em dois estágios de evolução (larva 1 e larva 2). A proporção
de larva 1 foi mais expressiva nos locais situados abaixo daqueles com freqüências de ovos
maiores. Isto, de acordo com UFT (2006a), pode ser um indicativo da ocorrência de áreas de
criadouros naturais ao longo da calha do rio Tocantins.

Após a etapa rio, mais especificamente de outubro de 2001 a outubro de 2002, os dados da
UFT são apresentados como sendo relativos ao período de transição e, posteriormente, de
outubro de 2002 até setembro de 2004, como relativos à fase reservatório. A denominação
“transição” justifica-se em função da acomodação das espécies ao novo ambiente..

Os estudos efetuados na região direta e indiretamente afetada por Lajeado, no período entre
outubro de 1999 e setembro de 2004 (compreendendo as fases: rio, transição e reservatório)
resultaram na caracterização de uma ictiofauna bem diversificada. Segundo o relatório da
UFT (2006a) foram identificadas 343 espécies, distribuídas em 42 famílias e 12 ordens.

Desse total, aproximadamente 15 espécies foram identificadas em caráter provisório, e


aproximadamente 15% são endêmicas.

Segundo o relatório da UFT (2006b Cap.3) as maiores capturas, em número de famílias,


espécies e indivíduos, foram registrados para a ordem Characiformes, seguidas de
Siluriformes e Perciformes. Na região litorânea e no reservatório, a ordem dos Clupeiformes
foi bem representativa, em número de indivíduos.

O número de espécies foi elevado (>100) em todos os biótopos. Os tributários e a calha do


rio Tocantins apresentaram as maiores riquezas de espécies.

Do total de espécies, 6,4% foram registradas em todos os biótopos. Isto, de acordo com a
UFT, indica que estas possuem uma ampla distribuição, muito provavelmente relacionada ao
alto potencial de colonização específico ou, ainda, ao fato de apresentarem uma
estratificação das populações. Dentre estas espécies citam-se: o papa-terra (Prochilodus
nigricans), o piau (Leporinus friderici), o pacu (Myleus torquatus), a sardinha (Triportheus
albus), a piaba (Tetragonopterus argenteus), as branquinhas (Curimatella imaculata e
Cyphocharax spilurus), a beiradeira (Brycon spA) e os corrós (Geophagus altifrons,
Retroculus lapidifer e Satanoperca juruparii), entre outras.

Por sua vez, 22,2% apresentaram distribuição restrita a um único biótopo, indicando um
grande número de espécies raras ou acidentais. Este fato, no entanto, é característico de
regiões tropicais.

As espécies com valores altos de persistência e captura são aquelas que têm uma
distribuição espacial e temporal ampla no biótopo e ocorrem em densidades altas. Dentre as
espécies com tais características destacaram-se as seguintes: Auchenipterus nuchalis (filho-
d´égua), Hemiodus unimaculatus (voador) e Rhaphiodon vulpinus (cachorra-facão), presentes
no rio Tocantins, nos tributários e no reservatório, e Hypostomus spE (cari) e Pimelodus
blochii (mandi), com ocorrência na calha do rio Tocantins.

A composição dos indivíduos capturados mostra que a grande maioria, 45,8%, é de pequeno
porte. Os indivíduos de pequeno porte, juntamente com os juvenis das espécies de maior

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porte, constituem o estrato forrageiro que sustenta um grande número de piscívoros na


região. As espécies de grande porte constituíram 11,7% da assembléia de peixes. Pertencem
a essa categoria os seguintes peixes: o jaú (Zungaro zungaro), a arraia-maça (Paratrygon
aiereba), o filhote (Brachyplatystoma filamentosum) e a pirarara (Phractocephalus
hemioliopterus), entre outros. A Zungaro zungaro é uma das espécies considerada de
importância ecológica nos estudos de Serra da Mesa.

A comparação de alguns parâmetros obtidos nos estudos sobre comunidades de peixes,


entre os vários pontos amostrados, permite concluir que tanto o rio principal como os
tributários apresentaram diferenças nas diversas etapas do estudo. Essas diferenças
ocorreram, sobretudo, em relação ao número de peixes capturados, riqueza e diversidade de
espécies, comprimento médio dos exemplares, percentual de formas jovens capturadas e,
ainda, com relação à categoria trófica, ou seja, hábito alimentar dos peixes.

A Tabela a seguir foi elaborada a partir das informações obtidas do relatório da UFT (2006a),
e tem como objetivo sintetizar os resultados do referido relatório. Os dados contidos nessa
tabela são aqueles relativos ao rio principal, tanto da área diretamente alagada por Lajeado
como a montante e a jusante do local represado. Os valores médios do comprimento padrão,
assim como os valores dos índices de atividade reprodutiva, foram extraídos dos gráficos
contidos no relatório acima citado e são apresentados com valores aproximados. Objetiva-se
a comparação não somente entre as diferentes fases analisadas como, também, entre os
diferentes pontos de amostragem.

Tabela 19 - Resultados de algumas variáveis detectadas nos pontos de coleta do rio


Tocantins, nas diferentes fases

Captura Predomínio Índice


Juvenis Média Comp.
Local Atividade
Ind./1000 Categoria
2 % (cm) Reprodutiva
m /24 h Trófica
Fases Rio Tran. Res. Rio Tran. Res. Rio Tran. Res. Rio Tran. Res. Rio Tran. Res.

Toc. 629 1761 843 3,1 22,6 3,6 20,1 15,8 20,1 - I B 1,2 1,5 1,5
Sta.Teresa
Toc. 399 555 360 3,1 16,8 11,0 19,8 16 23,5 - P I/O 2,1 1,2 1,6
Ipueiras
Toc. n.c. n.c. 270 n.c. n.c 6,3 n.c. n.c. 19,9 n.c. n.c. P/In n.c. n.c. 1,0
Brejinho
Toc.
P. 411 1646 467 9,4 20,1 10,5 16,0 13,0 19,7 I/B P/In/I P/In 2 0,2 0,6
Nacional
Toc. n.c. n.c. 247 n.c. n.c. 21,8 n.c. n.c. 21,1 n.c. n.c. P/In/O n.c. n.c. 0,6
Mangues
Toc.
n.c. n.c. 239 n.c. n.c. 11,3 n.c. n.c. 21,4 n.c. n.c. P/In/O n.c. n.c. 1,1
Sta Luzia
Toc. n.c. n.c. 251 n.c. n.c. 16,4 n.c. n.c. 20,1 n.c. n.c. P/In n.c. n.c. 0,9
Barragem
Toc. Funil 358 846 464 6,9 11,8 14,2 16,8 18 19,8 - - O 1,8 1,1 1,5

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Toc.
311 489 n.c. 4,1 4,8 n.c. 17 15,3 n.c. B/I/H B/I/H n.c. 2,1 2,0 n.c.
P. Afonso
I: iliófago; P: piscívoro; In: insetívoro; O: omnívoro; B: bentófago; H: herbívoro; n.c = não coletado
Fonte: UFT (2006).

As maiores capturas ocorreram, em geral, na fase de transição, ou seja, imediatamente após


o enchimento do reservatório. Os aumentos mais significativos referem-se a dois pontos de
coleta do rio Tocantins, um situado nas imediações da foz do rio Santa Teresa e outro
próximo a Porto Nacional. Os pontos de coleta Tocantins - Santa Teresa e Ipueiras não foram
afetados diretamente pelo enchimento, pois estão situados a montante da área inundada.
Nessas localidades ocorreram, no entanto, alterações na comunidade de peixes, tanto pelo
incremento das capturas como pelas alterações na proporção dos peixes de diferentes
categorias tróficas.

As alterações na composição das diferentes categorias de peixes em todas as localidades.


Nos pontos de coleta afetados diretamente pelo reservatório houve uma maior participação
de peixes das categorias dos piscívoros e insetívoros.

O percentual mais elevado de juvenis é, de acordo com a UFT, um indicativo de áreas de


crescimento, o que pode ser corroborado pela diminuição do tamanho médio dos indivíduos.
Já o aumento do comprimento médio dos indivíduos, detectado em algumas localidades tanto
na fase de transição como na fase de reservatório, muito provavelmente está associado à
chegada de adultos de espécies de médio e grande porte, possivelmente migradoras. A
ocorrência de áreas de crescimento, sugerida pela maior participação de formas jovens, não
está necessariamente associada aos locais de reprodução.

Como nem todas as localidades foram amostradas nas diferentes etapas, as Figuras 6 e 7
apresentadas a seguir, buscam enfatizar os resultados dos pontos com maior
representatividade a montante e a jusante da barragem, de forma semelhante à análise feita
para o reservatório de Serra da Mesa.

A riqueza ou número de espécies foi significativamente maior na fase de enchimento e mais


elevada na etapa reservatório. Esta situação assemelha-se à verificada no monitoramento de
Serra da Mesa (sub-bacia 20). A esse respeito cabe destacar que, se a apresentação fosse
restrita apenas ao número de espécies, poder-se-ia questionar sobre o porquê da presença
de algumas delas em número reduzido, sem significância na amostragem. De fato, isto tende
a ocorrer neste ponto, visto que os valores do índice de diversidade (índice que considera
tanto a riqueza de espécies como a equitabilidade, ou seja, quantifica o grau de uniformidade
das distribuições das espécies) decaem na etapa reservatório, embora de forma não
acentuada.

A representação gráfica do ponto de jusante (Tocantins-Funil) encontra-se na Figura a seguir.

Nesse ponto há uma redução do número de espécies na etapa reservatório. Os valores de


riqueza, no entanto, são similares aos obtidos na fase rio.

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Ilustração 10 - Captura por unidade de esforço (CPUE), riqueza de espécies,


diversidade e equitabilidade por mês e fase de estudo. Ponto: Tocantins-Porto
Nacional
4000 2500
Fase 1 Fase 2 Fase 3
2000 b
3000
CPUE (N)

1500

CPUE (N)
2000
1000
a a
1000 500

0 0
1 2 3
1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57

60
75
c
54
60
b
RIQUEZA (S)

48

RIQUEZA (S)
45
42
30 a
36
15 30

0 1 2 3
1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57
5
3 ,2

4
DIVERSIDADE (H')

a a

DIVERSIDADE (H ')
3 ,0
a
3
2 ,8

2
2 ,6

1
2 ,4
1 2 3
0 a
1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57

1,0
0,84 a
EQUITABILIDADE (E)

0,8
0,80 ab

EQUITABIL IDADE (E)


0,6
0,76 b
0,4
0,72
0,2
0,68
0,0 1 2 3
1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57
FASES
MESES

Fase 1 = Rio, Fase 2 = Transição e Fase 3 = Reservatório Fonte: UFT (2006b)

Ilustração 11 - Captura por unidade de esforço (CPUE), riqueza de espécies,


diversidade e equitabilidade por mês e fase de estudo. Ponto: Tocantins-Funil.
4000 2500
Fase 1 Fase 2 Fase 3
2000 b
3000
CPUE (N)

1500
CPUE (N)

2000
1000
a a
1000 500

0 0
1 2 3
1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57

60
75
c
54
60
b
RIQUEZA (S)

48
RIQUEZA (S)

45
42
30 a
36
15 30

0 1 2 3
1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57
5
3 ,2

4
DIVERSIDADE (H')

a a
DIVERSIDADE (H ')

3 ,0
a
3
2 ,8

2
2 ,6

1
2 ,4
1 2 3
0 a
1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57

1,0
0,84 a
EQUITABILIDADE (E)

0,8
0,80 ab
EQUITABIL IDADE (E)

0,6
0,76 b
0,4
0,72
0,2
0,68
0,0 1 2 3
1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57
FASES
MESES

Fase 1 = Rio, Fase 2 = Transição e Fase 3 = Reservatório Fonte: UFT (2006b)


Nota: Os gráficos com barras, à direita, representam a média. As barrras com a mesma letra não
diferem significativamente.

A Tabela a seguir também foi elaborada com o intuito de sintetizar algumas informações a
respeito das comunidades de peixes dos tributários.

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Após a formação do reservatório, o rio Areias foi aquele com o maior valor de capturas por
unidade de esforço. Este afluente drena diretamente para o reservatório, assim como os rios
Crixás e Lajeadinho, que também apresentaram valores de captura expressivos.

A montante da área inundada houve uma redução nas capturas, em relação às condições
originais, conforme pode ser observado nos resultados dos rios Santa Teresa e São Valério.
O rio Manuel Alves, apesar de também se situar acima da área inundada, apresentou um
acréscimo nas capturas, sendo o valor da fase reservatório o dobro daquele na fase rio.

Houve uma maior participação de jovens nas capturas na fase de transição especialmente
nos Manuel Alves da Natividade, Crixás, Mangues e Lajeadinho, que continuou elevada na
fase reservatório. O aumento de juvenis indica, conforme mencionado, locais de crescimento.

Tabela 20 - Resultados de alguns parâmetros observados nos pontos de coleta dos


tributários, nas diferentes fases

Predomínio Índice
Captura Juvenis Média Comp.
Local Categoria Atividade
2
Ind./1000m /24h % (cm)
Trófica Reprodutiva

Fases Rio Tran Res Rio Tran. Res Rio Tran Res Rio Tran Res Rio Tran Res
ta 836 667 588 5,4 11,1 5,6 18,7 18,2 20,0 - O O 2,3 1,8 1,2
S Teresa
São 454 n.c 343 4,8 n.c 5,9 17,8 n.c 20,1 - n.c P 2,1 n.c 2,0
Valério
Man. 307 n.c 654 4,1 n.c 16,9 18,1 n.c 19,6 - n.c P/O/In 1,9 n.c 0,7
Alves
Crixás 496 1152 528 4,3 10,4 9,6 18,1 18,2 21,0 I I P/In 1,2 1,3 1,3

Areias 305 n.c 1127 4,1 n.c 6,0 18,0 n.c 20,0 In/D n.c P/I 1,8 n.c 0,9

Mangues 325 n.c 390 2,5 n.c 14,8 20,5 n.c 20,5 - n.c P/O 2,1 n.c 1,0
a 272 n.c 383 8,1 n.c 10,6 17,0 n.c 25,5 - n.c P/O 1,9 n.c 1,7
St Luzia
Lajeadinho 224 1290 455 5,0 20,9 18,0 17,5 15 19,7 - B/P 1,5 1,0 1,7

Rio Sono 228 302 n.c 2,8 5,6 n.c 16,1 15,5 n.c - O n.c 2,4 1,5 n.c

I: iliófago; P: piscívoro; In: insetívoro; O: omnívoro; B: bentófago; H: herbívoro; n.c: não coletado
FONTE: UFT (2006).

Assim como para os pontos situados no Tocantins (corpo do reservatório e regiões lóticas a
montante e a jusante de Lajeado, cujos dados já foram apresentados na Tabela anterior),
houve uma alteração na proporção de indivíduos em relação à categoria trófica. Essa se
traduz numa maior participação de piscívoros e omnívoros, após a formação do novo
ambiente.

Apesar das condições fisiográficas favoráveis à fauna de peixes, o rio Santa Teresa, com
suas planícies de inundação e lagoas marginais, não apresentou resultados tão diferenciados
em relação aos demais ambientes amostrados. O mesmo ocorreu em relação ao ictioplâncton
da fase rio, embora na fase reservatório os ovos e larvas tenham sido um pouco mais
expressivos, conforme será visto posteriormente. O índice de atividade reprodutiva dessa
localidade manteve-se praticamente inalterado nas diferentes etapas estudadas. No entanto,

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após a formação do reservatório, verificou-se a ocorrência de algumas mudanças na


assembléia de peixes, especialmente pelo incremento de peixes omnívoros e decréscimo dos
iliófagos. A diminuição do comprimento padrão, registrada na fase de transição, não foi tão
acentuada e, de certa forma, está relacionada ao incremento de juvenis ocorrido nessa etapa.
Dentre os juvenis detectados nessa localidade destacaram-se algumas espécies migradoras
como o papa-terra (Prochilodus nigricans), o mandi (Pimelodus blochii), a branquinha
(Psectrogaster amazonica) e o cuiú-cuiú (Oxydoras niger).

De uma forma geral, verifica-se um aumento no tamanho médio dos exemplares na fase
reservatório, em todas as localidades amostradas, mesmo havendo uma maior participação
de juvenis.

Apesar da identificação de juvenis de tucunarés essa espécie, em geral, não figurou entre as
mais freqüentes do total capturado. Já a piranha Serrasalmius rhombeus, aparece dentre as
mais freqüentes, assim como os voadores (Hemiodus spp), o filho-d’égua (Auchenipterus
nuchalis), a cachorra-facão (Raphiodon vulpinus) a branquinha (Psectrogaster amazonica) a
sardinha-de-lata (Lycengraulis batesii), o cuiú-cuiú (Oxydoras niger), etc. Algumas são
freqüentes tanto antes como após a formação do reservatório.

A piranha, Serrasalmus rhombeus, também conhecida na região como piranha-preta,


apresentou maior captura e maior percentual de indivíduos imaturos na fase transição. A
intensidade reprodutiva não diferiu significativamente entre as fases, mas o período
reprodutivo estendeu-se por um período maior na fase reservatório. Esta espécie foi
capturada em todos os ambientes analisados. A sardinha-de-lata também foi capturada em
todos os biótopos, apresentando aumento significativo das capturas após a formação do
reservatório, especialmente em alguns dos pontos amostrados. A reprodução se dá
principalmente a montante e na região do remanso do reservatório

Os estudos de ovos e larvas de peixes também são importantes por fornecer indicações
sobre os locais de reprodução. Os resultados obtidos nas diferentes fases são apresentados
na Figura a seguir.

Ilustração 12 - Densidade de ovos e larvas em cada um dos locais amostrados no rio


Tocantins e nos Tributários, durante as fases rio, transição e reservatório. Notar
diferenças na escala gráfica

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Fonte: UFT (2006a)

A análise da Figura acima indica que tanto os ovos, quanto as larvas estão presentes na
região a montante do reservatório, e têm uma sensível redução na área represada. Na
localidade Funil, situada imediatamente a jusante da barragem, os ovos estão novamente
presentes, embora em concentrações reduzidas.

A esse respeito cabe mencionar que as amostragens foram efetuadas somente na superfície,
ao contrário das coletas feitas na etapa rio onde, em alguns locais, amostras foram obtidas
também na profundidade. Naquela ocasião não foram detectadas variações, fato atribuído à
homogeneidade da coluna vertical, típica de ambientes lóticos. Nesse sentido, teria sido mais
conveniente realizar amostragens em diferentes profundidades nos pontos onde a natureza é
tipicamente lêntica.

Essa mesma sugestão vale para os afluentes que drenam diretamente para o reservatório,
pois grande parte dos pontos, apesar de terem sido deslocados para o segmento superior
após o enchimento, encontra-se em áreas de remanso do reservatório. Apesar disto, não se
pode menosprezar a redução do ictioplâncton, em especial dos afluentes, onde a
comparação entre os valores das diferentes etapas mostra uma redução acentuada nos
valores.

A barragem de Lajeado, assim como a de Peixe Angical, conta com uma escada para a
transposição dos peixes. O monitoramento dessa escada foi iniciado em novembro de 2002 a
partir de coletas quinzenais, com o intuito de avaliar sua eficiência. Os resultados disponíveis
desse monitoramento são do período compreendido entre novembro de 2002 e outubro de
2003 e constam do relatório da UFT (2006b).

Os resultados mostram que os Characiformes foram dominantes, tanto para o número de


espécies como para o de indivíduos, seguido dos Siluriformes, grupo representado
especialmente pelos peixes de couro.

Com relação ao tamanho dos peixes, foram registradas 17 espécies de grande porte, com
comprimento superior a 40 cm. Essas espécies eram essencialmente migradoras, de
interesse comercial, como o surubim Pseudoplatystoma fasciatum, o jaú Zungaro zungaro, o
barbado Pinirampus pirinampu, a caranha Piaractus metopotamicus e a cachorra-verdadeira
Hydrolycus armatus. Outras espécies de grande porte não migradoras, porém predadoras,
como o tucunaré Cichla sp, a bicuda Boulengerella cuvieri e a curvina Plagioscion
squamosissimus, também marcaram presença na escada. De acordo com a UFT, estas
espécies utilizam a escada como local de alimentação.

A predação ocorre tanto pela presença de determinadas espécies de peixes como, também,
por quelônios (tracajás e tartarugas) e mamíferos aquáticos (botos). Estes são observados a

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jusante, nas proximidades da entrada da escada. A predação, de forma geral, ocorre tanto na
entrada como na saída dessa estrutura e, também, nos tanques de descanso.

O período com maior concentração de peixes na escada foi aquele entre dezembro e maio,
com picos de abundância em dezembro e fevereiro.

Na escada, o número de peixes migradores foi maior que o de não migradores. Já o número
de espécies migradoras foi inferior ao das espécies não migradoras, conforme pode ser visto
na Figura a seguir.

Ilustração 13 - Número de indivíduos e de espécies migradoras (MLD) e não migradoras


(NMLD), registradas na escada no período de novembro de 2002 a outubro de 2003
NUMERO DE INDIVÍDUOS (10 )

5
3

NMLD
MLD
4

0
NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT

50

NMLD
NÚMERO DE ESPÉCIES

40 MLD

30

20

10

0
NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT

Fonte: UFT (2006b)

Entre as espécies migradoras detectadas na escada, há uma dominância de três: cachorra-


facão Raphiodon vulpinus, branquinha Psectrogaster amazonica e cuiú-cuiú Oxydoras niger,
que representam 67,3% dos indivíduos capturados nesta estrutura (UFT, 2006b). A outra
espécie com alta freqüência de indivíduos foi a surumanha Aughenipterus nuchalis que, por
sua vez, não é migradora.

O relatório conclui que a escada é seletiva, por apresentar composição das espécies
diferente daquela verificada a jusante. Este fato pode, realmente, implicar conseqüências
negativas, por alterar a forma como as comunidades estão estruturadas, especialmente a
jusante. Por outro lado, muitos processos podem influenciar este resultado, visto que na
escada há permanência de determinadas espécies por períodos mais longos, além do fato
dessa estrutura permitir maior facilidade de captura em relação a jusante, o que pode levar a
resultados com diferenças na proporção de espécies.

Além da elevada predação é apontado como fator negativo o fato da movimentação


descendente ser extremamente baixa, como demonstrado nos experimentos efetuados. Além
disso, a análise das gônadas de alguns desses indivíduos mostrou que estas estavam em
repouso, ou seja, não apresentavam evidências de desova recente.

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Outra crítica em relação a essa estrutura refere-se ao retorno de ovos e larvas. Os dados
mostram um gradiente do ictioplâncton, com forte redução da densidade de ovos e de larvas
que derivam do rio Tocantins e dos tributários, conforme visualizado na Figura 8.

Além de alguns pontos a jusante terem sido contemplados no monitoramento da UHE de


Lajeado, esta região também foi estudada pela UFT no âmbito de outros trabalhos. Os
resultados destes consistem de coletas feitas no rio principal e em seus tributários, como: rio
Feio e ribeirão Tranqueira, afluentes da margem esquerda, rio do Sono, rio Soninho e rio
Manuel Alves Pequeno, pela margem direita.. Além desses tributários, amostrados nas
proximidades da foz, outros de menor porte (córregos) também foram contemplados nos
estudos, identificando-se um número significativo (mais de 200 espécies) de peixes.

Algumas espécies que efetuam migrações ocorreram na região, tais como: Phractocephalus
hemiliopterus (pirarara), Piaractus cf. mesopotamicus (caranha), Prochilodus nigricans (papa-
terra), Ageneiosus brevifilis (fidalgo), Hemisorubim platyrhynchus (mandubé), Paulicea
luetkeni (jaú), Pinirampus pirinampu (barbado), Pseudoplatystoma fasciatum (surubim),
Pimelodus blochii (mandi-cabeça-de-ferro), Pseudodoras niger (cuiú-cuiú) e Sorubimichthys
planiceps (chicote).

Entre as espécies de grande porte encontram-se algumas de importância comercial como:


Phractocephalus hemiliopterus (pirarara), Pseudodoras niger (cuiú-cuiú), Paulicea luetkeni
(jaú), Lithodoras sp (baiacu), Pinirampus pirinampu (barbado), Pseudoplatystoma fasciatum
(surubim), Sorubimichthys planiceps (surubim-chicote), Megalodoras irwini (jaú-de-serrilha),
Hypophthalmus marginatus (mapará) e Piaractus cf. mesopotamicus (caranha).

A densidade média de larvas, para todos os pontos amostrados, em outubro foi ligeiramente
superior à média registrada em janeiro. Este resultado indica a ocorrência de reprodução nos
dois períodos analisados, o que pode estar relacionado com a presença de espécies que
apresentam longos períodos reprodutivos e/ou espécies que possuem estratégias
reprodutivas diferenciadas e que se reproduzem com diferentes intensidades ao longo do
período hidrológico.

As amostragens efetuadas no trecho do rio entre as cidades de Carolina e Estreito (sub-bacia


23) foram feitas pela equipe da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e não
resultaram em número expressivo de espécies. Isto não significa que a região não tenha
expressividade em termos ictiofaunísticos. O fato, provavelmente, é devido aos diferentes
esforços de captura empregados, visto que as coletas foram efetuadas por equipe diferente
daquelas que realizaram nas demais regiões estudadas a montante.

A classificação por tamanho revelou que 20% das espécies registradas pertencem à
categoria de grande porte. Entre elas, foram encontradas Prochilodus nigricans, Cynodon
gibbus, Raphiodon vulpinus, Boulengerella ocellata, Leporinus affinis, Schizodon vittatum,
Hemisorubim platyrhynchus, Pinirampus pirinampu, Pterodoras granulosus, Oxydoras niger,
Cichla ocellaris e Plagioscion surinamensis.

Das espécies migradoras, registradas na literatura, ocorreram na região: Brycon brevicauda


(ladina), Salminus hilarii (tubarana), Prochilodus nigricans (curimatá), Semaprochilodus brama
(jaraqui), Ageneiosus brevifilis (fidalgo), Paulicea luetkeni (jaú), Pinirampus pinirampu
(barbado), Pseudoplatystoma fasciatum (surubim), Sorubimichthys planiceps (chicote) e
Pseudodoras niger (cuiú-cuiú).

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Segundo os estudos realizados, a pesca nesta região é realizada prioritariamente por


pescadores profissionais e de subsistência, utilizando vários tipos de aparelhos. A pressão da
pesca profissional ocorre, principalmente, sobre as espécies migradoras.

Dentre as espécies mais comercializadas pela Colônia de Pescadores de Estreito (Z- 35),
citam-se: Colossoma brachypomum (caranha), Semaprochilodus brama (jaraqui) e
Prochilodus nigricans (curimbatá), dentre outras.

Os dados mais recentes da ictiofauna do trecho do rio Tocantins compreendido entre as


cidades de Estreito e de Imperatriz são do no ano 2000. Esse trecho tem extensão superior a
100 km, sendo caracterizado por várias corredeiras. Embora, os afluentes não apresentarem
porte significativo, têm alguma relevância para os peixes, especialmente o rio Lajeado,
tributário da margem direita. O rio Botica, na margem esquerda, apresenta canais que
permitem a comunicação nas cheias com algumas lagoas situadas na área da reserva
indígena dos Apinayés,

Os resultados das coletas da ictiofauna desse trecho do rio Tocantins constam dos estudos
feitos pela THEMAG/BILLINGTON/ALCOA (2000), onde há menção de 198 espécies de
peixes, pertencentes a 32 famílias. Assim, como nas demais localidades amostradas a
montante, as Ordens mais representativas foram Characiformes e Siluriformes, com 52,25%
e 34,34% do total das espécies. A família Characidae foi a que apresentou o maior número
de espécies, principalmente de pequeno porte.

Nesses levantamentos destacaram-se como mais freqüentes as espécies Curimata


acutirostris, Galeocharax spp, Auchenipterus nuchalis, Hemiodus unimaculatus e
Pseudoloricaria punctata.

Das espécies apontadas como migradoras pela literatura especializada ocorreram na região
Brycon brevicauda (ladina), Salminus hilarii (tubarana), Prochilodus nigricans (curimbatá),
Semaprochilodus brama (jaraqui), Ageneiosus brevifilis (fidalgo), Paulicea luetkeni (jaú),
Pinirampus pinirampu (barbado), Pseudoplatystoma fasciatum (surubim), Sorubimichthys
planiceps (chicote) e Pseudodoras niger (cuiú-cuiú).

A avaliação da atividade reprodutiva teve por base a freqüência de estádios de maturação


gonadal. Foi constatado que apenas onze espécies apresentaram maior atividade reprodutiva
no rio Tocantins e doze espécies nos tributários.

A baixa atividade reprodutiva pode ser atribuída ao fato de não terem sido efetuadas coletas
no período característico das cheias. De acordo com os resultados dos estudos feitos nesta
mesma região, do final da década de 80, ficou evidenciado que o período reprodutivo ocorreu
durante as cheias.

 Baixo Tocantins – sub-bacia 29

O baixo Tocantins compreende a sub-área 29, onde o principal afluente é o rio Itacaiúnas,
pela margem esquerda. A fauna de peixes dessa região possui uma estreita relação com
outro importante afluente, o rio Araguaia, que não é objeto da presente avaliação. Conforme
já mencionado, possivelmente o Araguaia, com suas extensas planícies de inundação, tenha
destaque para a manutenção da fauna de peixes do rio Tocantins. Há lagoas marginais tanto
a montante como a jusante do reservatório de Tucuruí.
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A região do baixo Tocantins é, sem dúvida, a que mais foi alterada pela implantação do
reservatório de Tucuruí. Os dados da região, antes da implantação do empreendimento,
ocorrido em 1982, são relativos, sobretudo, ao canal do rio principal, que foi amostrado num
percurso de aproximadamente 500 km. Em que pesem as alterações ocorridas, os resultados
atuais, conforme estudos efetuados por Santos (2004), quando comparados aos da etapa
que antecedeu o enchimento, mostram que cerca de 76% das espécies ainda estão
presentes na região. No trecho do rio onde foi implantado o reservatório havia uma forte
corredeira que dificultava, e até mesmo impedia, a migração de algumas espécies de peixes
como, por exemplo, o mapará (Hypophthalmus marginatus).

Um aspecto negativo para a fauna de peixes da região do baixo Tocantins é o garimpo de


ouro, com a conseqüente contaminação por mercúrio.

Os estudos ictiológicos, feitos pelo INPA, abordaram os aspectos reprodutivos como o


tamanho na primeira maturação sexual, a época reprodutiva e os locais de desova. Foram
contemplados, ainda, estudos sobre hábitos e regimes alimentares dos espécimens bem
como a importância destes na pesca comercial da região.

A situação da ictiofauna antes do enchimento é relatada por Efrem et al (2000), fazendo


menção a 280 espécies de peixes encontradas no rio Tocantins, na área de influência da
UHE Tucurui. De acordo com esses autores, a distribuição em número de espécies de
peixes, por ordem, está dentro do padrão geral para a ictiofauna de água doce da Amazônia,
com predomínio dos Characiformes. A diversidade, medida pelo Índice de Shannon-Weaver,
variou entre 3,23 e 5,10, com média de 4,34. Estes valores estão entre os mais elevados já
encontrados em rios da Amazônia, onde geralmente variam entre 0,97 e 5,35 (Ferreira, 1993,
in Efrem, 2000).

É importante ressaltar que Efrem e colaboradores fizeram uma análise dos dados
ictiofaunísticos disponíveis para Tucuruí, com base nos estudos realizados entre 1980 e
1984, para a fase de pré-enchimento, e entre 1985 e 1998, para a fase de pós-enchimento,
com informações relativas à ictiofauna do rio Tocantins obtidas das seguintes fontes:
ELETRONORTE/INPA (1981; 1982; 1984; 1985), Santos et al (1984), Merona (1985;
1986/87), Resende (1985), Carvalho & Merona (1986), Leite (1986; 1993), Leite & Bittencourt
(1991), ELETRONORTE (1992; 1999) e Santos & Merona (1996). Os autores salientam que
houve dificuldades na análise destas informações, pois elas apresentavam inconsistências,
lacunas ou mesmo dados contraditórios entre os relatórios, embora fossem referentes a um
mesmo local e uma mesma época.

Imediatamente após o enchimento do reservatório, os primeiros resultados demonstraram


que o represamento afetou o processo reprodutivo dos peixes tanto a montante como a
jusante da barragem. O comprometimento foi maior para as espécies de piracema.

Com relação aos hábitos alimentares, os levantamentos apontaram que houve uma explosão
demográfica de peixes com hábitos piscívoros no reservatório, especialmente de piranhas
(Serrasalmus spp). Além destas, foi constatado um aumento significativo na população de
tucunarés (Cichla ocellaris e C. temensis), cujo suporte no reservatório foi atribuído aos
peixes iliófagos e perifitiófagos, favorecidos, por sua vez, em função da maior produtividade
do ambiente (ELETRONORTE, 1988; Efrem et al, 2000).

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Leite e Bittencourt (1991) também relatam o predomínio de piranhas e tucunarés, típicos de


ambientes lênticos. Variações na proporção entre as categorias tróficas dos peixes a jusante
também foram detectadas. Verificou-se um aumento de piscívoros e onívoros, e uma
diminuição nas demais categorias tróficas.

A ilustração a seguir mostra o número de espécies registradas nas pescarias experimentais


em três regiões (montante, jusante e reservatório), nas fases pré e pós-enchimento de
Tucuruí.
Ilustração 14 - Número de espécies de peixes coletas pelas pescarias experimentais
nas três áreas, antes e depois do fechamento da barragem

Fonte: Efrem, 2000

Houve, portanto, uma redução de espécies de peixes após a implantação do


empreendimento.

Cabe aqui mencionar a constatação de Santos et al (2004) de que, das 270 espécies de
peixes registradas por Santos et al em 1984, cerca de 76% ainda podiam ser encontradas.

Houve, também, redução no tamanho das populações das espécies migradoras de


importância comercial como a ubarana (Anodus elongatus), o curimatá ou curimatã
(Prochilodus nigricans) e o mapará (Hypophthalmus marginatus). Essa redução ocorreu no
segundo ano após o fechamento, conforme constatado nas pescarias experimentais. O fato
é, em parte, creditado à interrupção das rotas migratórias de espécies que subiam o rio,
passando pelas corredeiras e indo desovar no Alto Tocantins ou no rio Araguaia.

Dados da época de pré-enchimento, na região de Cametá, indicavam uma participação


relativa do mapará (Hypophthalmus marginatus) de 37% dos desembarques (Carvalho &
Merona, 1986, in Efrem, 2000). Entre 1988 e 1998, esta participação caiu para 16,7%. O
curimatã, que na fase de pré-enchimento era responsável por cerca de 35% dos
desembarques, neste período apresentou uma queda acentuada, chegando a um mínimo de
4,4% em 1989, mas mantendo quase a mesma produção entre 1988 e 1998. A ubarana (A.
elongatus) foi a espécie que sofreu o maior impacto, praticamente desaparecendo desta
região. Isto pode ser explicado porque ela migrava para os cursos superiores dos rios
Tocantins e Araguaia, para reprodução, e a construção da barragem impediu que a região de
jusante recebesse novo recrutamento a cada ano.

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Constata-se este fato pela presença significativa desta espécie nas pescarias experimentais
na região de montante, e pela sua presença nas capturas comerciais naquele trecho.

As questões sobre a pesca em Tucuruí serão relatadas com maiores detalhes quando da
descrição dos Recursos Pesqueiros.

Foi constatada ainda uma redução dos valores de diversidade medidos pelo índice de
Shannon-Weaver, que variava entre 4,2 e 5,1 antes do represamento, e passou a oscilar em
torno de 3,5. Muitas espécies características de zonas de corredeiras desapareceram da
região do lago, bem como aquelas bentônicas, que se afastaram da área pela ausência de
oxigênio nas camadas mais profundas. O número de espécies de peixes antes e após o
represamento também diminuiu, conforme já mostrado anteriormente.

A participação relativa das dez espécies mais freqüentes nas capturas experimentais mudou
entre as fases de pré e pós-enchimento (Figura 15). Na fase anterior ao enchimento, a
branquinha-baião (Curimata cyprinoides) era a espécie mais freqüente. Após o enchimento a
piranha (Serrasalmus geryi) passou a sê-lo.

Ilustração 15 - Participação relativa das dez principais espécies, nas pescarias


experimentais, na área do reservatório, nas fases pré e pós-enchimento

Fonte: Efrem et al 2006

As informações a respeito da ictiofauna de Tucuruí mostram que o empreendimento provocou


mudanças na composição das comunidades, com o desaparecimento de algumas espécies
na área de influência da UHE (jusante, reservatório e montante). Segundo Efrem et al (2006)
o número total de espécies caiu de 181 para 169, mas a proporção entre os grupos de
espécies (Ordens) permaneceu quase constante entre as duas fases e nas três áreas.

Das três áreas amostradas (reservatório, montante e jusante), a do reservatório perdeu mais
espécies após o represamento (50), equivalentes a 28%. A região de jusante foi a que menos
perdeu espécies, 18,8% e, também, apresentou o maior número de espécies após o
enchimento (133). De acordo com Efrem et al (2000) possivelmente no trecho de jusante, por

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ser aberto à recolonização, a melhora na qualidade da água após o impacto inicial permitiu a
(re) entrada de espécies no sistema do rio Tocantins, a partir de estoques do rio Amazonas.

Algumas espécies migradoras, presumivelmente com problemas para as migrações


reprodutivas, conseguiram reproduzir-se na região de montante e, atualmente, estão entre as
principais espécies do reservatório, como o mapará (Hypophthalmus marginatus), o curimatã
(Prochilodus nigricans) e a ubarana (Anodus elongatus).

1.7.3.4. Recursos Pesqueiros


 Considerações gerais sobre a pesca

A pesca no alto curso do Tocantins (sub-bacias 20 e 21) é uma atividade de subsistência


para as comunidades ribeirinhas. Embora existam espécies de valor comercial, o volume de
pescado comercializado é muito pequeno. Isto se deve à baixa rentabilidade das capturas,
associada às restrições legais, que fazem com que a pesca tenha apenas caráter restrito.
Ultimamente a pesca tem-se intensificado como opção de lazer, inclusive com a modalidade
de pesca subaquática.

A pesca como atividade profissional tem maior relevância no médio e baixo Tocantins, (sub-
bacias 23 e 29), sobretudo a partir da região de Carolina/Estreito, onde passa a ser permitida.
Nesta Na cidade de Estreito há, inclusive, uma Colônia de Pescadores (Z-35), que em 1999,
segundo THEMAG/BILLINGTON/ALCOA (2000), contava com cerca de 150 pescadores
associados.

Outra Colônia de Pescadores do médio curso do rio Tocantins é a de Imperatriz (MA). Esta
colônia, a Z-29, possui bom nível de organização e contava, em 1999, com 245 pescadores
filiados.

Já a região de Tucuruí apresenta vários pontos de concentração de pescadores. As principais


Colônias são a de Marabá, Z-30, Tucuruí, Z-32, Jacundá e Cametá. A cidade de Imperatriz,
na margem direita do rio Tocantins, localiza-se aproximadamente 420 km a montante do
reservatório da UHE de Tucuruí, sendo que os pescadores lá residentes atualmente também
exercem suas atividades no reservatório desta hidrelétrica.
 Características principais

As informações relativas à pesca do médio rio Tocantins (sub-bacia 23) são aquelas dos
estudos efetuados pelo consultor Miguel Petrere Jr., por ocasião dos levantamentos
ambientais na região de Imperatriz.

Os dados foram obtidos junto às Colônias de Estreito e de Imperatriz, principalmente dessa


última, com coletas de informações diárias junto aos pescadores no principal local de
desembarque de peixes destinados à comercialização – Mercado Municipal de Imperatriz
(THEMAG/ELETRONORTE, 1989). Naquela ocasião os dados foram coletados por meio de
entrevistas realizadas no período de janeiro a dezembro de 1988. As entrevistas, realizadas
pelo agente de coleta de dados previamente treinado, abordavam cada um dos barcos que
chegavam ao mercado. Eram anotados os dados de interesse, tais como: data de saída e de
chegada a Imperatriz, nome do barco, tipo de aparelhos utilizados, número de canoas
empregadas, número de pescadores que participaram da pescaria, dias efetivos e locais de

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pesca. Também eram anotados o peso do pescado e o preço de comercialização (pescador e


marreteiro).

Posteriormente, no período compreendido entre novembro de 1997 e outubro de 1998, a


coleta de dados nessa região teve continuidade (Ministério do Meio Ambiente, 1998; Cetra,
1998). As informações adicionais compiladas constam dos estudos efetuados para o
empreendimento de Serra Quebrada, pela THEMAG/BILLINGTON/ALCOA (2000). Os dados
de ambas as épocas foram analisados pelo consultor Miguel Petrere Jr e constam dos
relatórios citados.

Os dados do desembarque de peixes em Imperatriz, do ano de 1988, revelaram que a pesca


comercial se dava, sobretudo, no trecho compreendido entre a cachoeira de Santo Antonio (a
montante de Imperatriz) e a confluência com o Araguaia. Apesar da existência de um
complexo de lagoas nas proximidades da confluência do Araguaia com o Tocantins, os
pescadores de Imperatriz concentravam suas pescarias no canal principal (92%), sendo as
redes de arrasto seu principal aparelho (47%), seguidas pelas tarrafas (29%) e malhadeiras
(24%), que são responsáveis pela mistura ou “salada” (peixes mais baratos comercializados
em grupo). O desembarque registrou um total de 45 espécies, das quais o curimatá
(Prochilodus nigrigans) e a branquinha (Psectrogaster amazonica) foram as mais
representativas.

A pesca foi considerada significativa, atingindo 148.537 kg no mês de julho. Do total


capturado no ano de 1988 (841.440 kg), o curimatá (P. nigricans) contribuiu com 451.314 kg,
perfazendo 53,6% (THEMAG/ELETRONORTE, 1988). Segundo Petrere (1985) esse peixe,
em geral, destaca-se nas pescarias efetuadas na calha do Amazonas e em alguns de seus
afluentes, como Purus e Juruá. Uma das razões para isso pode estar associada ao seu
hábito alimentar, pois, sendo iliófago, alimenta-se de matéria orgânica depositada no
substrato e de detritos e, portanto, a sua fonte de alimentos é muito abundante. A outra
razão, mencionada pelo autor, pode relacionar-se à sua facilidade de locomoção, buscando
novos ambientes sempre que determinado habitat se torne desfavorável.

Apresentam-se, a seguir, os dados obtidos junto ao Mercado Municipal de Imperatriz no


período de novembro de 1997 a outubro de 1998. É importante mencionar que nos meses de
dezembro, janeiro e fevereiro há proibição da pesca – período de defeso. O mês de julho,
assim como verificado em 1988, foi o que apresentou o maior valor de desembarque.

Tabela 21 - Captura (t) desembarcada no Mercado Municipal de Imperatriz (MA) no


período de novembro de 1997 a outubro de 1998

Mês Captura ( t )

Novembro 22,29

Dezembro 9,74

Janeiro 4,11

Fevereiro 0,50

Março 28,91

Abril 36,90

Maio 29,54

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Mês Captura ( t )

Junho 27,65

Julho 38,74

Agosto 26,90

Setembro 13,91

Outubro 9,84

Total 249,03

Fonte: Petrere (2000).

O total comercializado, no período de novembro de 1997 a outubro de 1998, foi de 249


toneladas. Diferentemente do observado em 1988, quando a pesca ocorria na região
compreendida entre a cachoeira de Santo Antonio e a confluência do rio Araguaia, no final da
década de 90 verificou-se que cerca da metade (44%) dos peixes era proveniente de outras
cidades, sendo 22% do reservatório de Tucuruí. Este fato é atribuído à crescente demanda
do mercado mostrando também a importância da produção pesqueira do reservatório de
Tucuruí.

No mês de março de 1998, ocorreu a maior importação de pescado, quando o total


comercializado foi de aproximadamente 29 t, sendo 21 toneladas importadas (74%). A maior
contribuição percentual do pescado proveniente de Tucuruí ocorreu em dezembro de 1997,
conforme tabela a seguir.

Tabela 22 - Contribuição relativa (%) das cidades vizinhas, ao pescado comercializado


no Mercado Municipal de Imperatriz, no período de novembro de 1997 a outubro de
1998

Local Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out

Itupiranga - - - - 4% 21% 6% - 12% 3% - -

Jacundá 4% - - - 15% - 4% - 6% - 10% -

Marabá - - - - - 2% - - - - - -

Porto Novo 14% - - - 1% 8% 1% 15% 24% 19% 14% 5%

Tucuruí 5% 62% - - 54% 32% 29% 22% 3% 13% 4% 5%

TOTAL 23% 62% - - 74% 63% 40% 37% 46% 35% 28% 10%

Fonte: Petrere (2000).

Do pescado proveniente de Tucuruí, o tucunaré (27%), a corvina (23%) e o mapará (13%),


contribuíram com cerca de 63% do volume importado deste local, conforme tabela a seguir.

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Tabela 23 - Pescado proveniente do reservatório de Tucuruí, desembarcado no


Mercado Municipal de Imperatriz durante o período de novembro de 1997 a outubro de
1998

Pescado Nov Dez Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Total

Tucunaré 111 5126 3575 3823 1476 300 85 306 14802

Curvina 237 1643 4820 980 2191 1684 113 873 325 12866

Salada 1 3987 2806 547 1351 203 150 9044

Mapará 345 1832 1840 1062 1763 422 7264

Salada 2 190 1343 1271 518 3322

Piau-vara 2303 273 2576

Mandi-moela 416 489 492 485 422 2304

Curimatá 160 812 720 1692

Filhote 335 194 529

Voador 300 300

Pirarucu 119 119

Cachorra 45 37 82

Piau-cabeça- 71 71
gorda
Jaraqui 32 32

Fonte: Petrere (2000).

Os dados do final da década de 90 mostram, ainda, 32 espécies sendo comercializadas no


Mercado Municipal de Imperatriz, onde o curimatá (Prochilodus nigricans) continuou
abundante (desembarque próximo a 58 toneladas), seguido do mapará (Hypophtalmus
marginatus), com aproximadamente 29 toneladas. A curvina (Plagioscion surinamensis), a
branquinha (Psectrogaster amazonica) e o tucunaré (Cichla spp) também tiveram boa
participação no total comercializado.

Com relação aos dados da sub-bacia 29, aqueles relativos à pesca na região de Tucuruí,
antes da implantação do reservatório (1976-1979), mostram que o curimatá, o pacu-
manteiga, a caranha e os grandes bagres - filhote e dourada - dominavam as pescarias no rio
Tocantins (IBGE, 1987, in THEMAG/BILLINGTON/ALCOA, 2000).

Após o fechamento da represa de Tucuruí, em 1984, as pescarias foram beneficiadas em


função da maior abundância e do tamanho dos peixes criados no reservatório, com
aproximadamente o dobro de capturas de curimatás e aumento de quatro vezes nas capturas
de jaraquis (Ribeiro et al., 1995).

De acordo com Efrem et al (2000), houve redução no tamanho das populações das espécies
migradoras, de importância comercial, a jusante de Tucuruí, no segundo ano após o
fechamento, conforme já salientado anteriormente.

O mapará foi um dos que apresentou uma redução nas capturas a jusante e é oportuno
mencionar algumas peculiaridades sobre esse peixe. Pertence ao grupo dos bagres onde a
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maioria é habitante de fundo e tem hábito carnívoro. Os maparás por sua vez, são adaptados
à vida pelágica, ou seja, à meia água e planctófagos. Formam grandes cardumes, sendo
muito importantes na pesca comercial da região amazônica, tocantina e paranaense.
Alimentam-se de fito e zooplâncton, os quais são filtrados na boca através dos rastros
branquiais longos e finos (THEMAG/BILLINGTON/ALCOA, 2000).

Antes da construção da barragem de Tucuruí, Santos et al. (1984) e Merona (1993) relatam
que este peixe era o mais capturado na área que vai da foz do rio Tocantins até a cidade de
Mocajuba (PA). Os adultos, geralmente maduros, eram capturados mais a montante, na
região de Icangui (PA), no período de dezembro a março. Os autores destacam que os
cardumes não ultrapassavam as cachoeiras de Tucuruí, provavelmente, pela incapacidade
da espécie de nadar contra correntezas violentas, e as capturas acima desta área eram
insignificantes. Atualmente o mapará apresenta uma contribuição na pesca a montante da
barragem.

Apesar do aumento das capturas a montante, a análise feita por Efrem et al (2006) mostra
que, na área do reservatório, houve redução de algumas espécies, especialmente as
detritívoras, que antes representavam 40% das capturas e passaram para 15%. Estes
autores salientam ainda a proibição da exploração pesqueira no reservatório, desde após o
enchimento até o final de 1985. Com base nas informações de desembarque de pescado
disponíveis, no entanto, tem-se que a produção pesqueira desta região aumentou
significativamente, entre 1981 e 1998, de 319 t/ano para 3211 t/ano, ou seja, mais de dez
vezes.

Na área do reservatório também houve mudanças na participação relativa das espécies mais
importantes, entre 1988 e 1998. Em 1988 o tucunaré (Cichla sp) era a espécie mais
abundante, com cerca de70% da produção total, caindo para 22% em 1998. Já o mapará
(Hypophtalmus marginatus), praticamente inexistente em 1988, subiu para 37% da produção
em 1998. A pescada (Plagioscion spp) também teve um aumento de participação relativa na
produção, subindo de 17% para aproximadamente 29%, mas permanecendo como a
segunda espécie em importância. Destaca-se que o mapará não é o peixe preferido para o
consumo da população do entorno de Tucuruí. Mesmo assim tem sido alvo da pesca devido
à grande demanda do mercado de Belém (Carmargo et al, 2004).

Nos estudos desenvolvidos pelos autores acima mencionados há menção de que, até o início
dos anos 90, cerca de 6.000 pescadores atuavam no reservatório de Tucuruí, movimentando
R$ 4,2 milhões por ano. Por ocasião dos levantamentos de 1999/2000 a situação ainda era
similar.

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Ilustração 16 - Participação relativa das principais espécies capturadas pela pesca


comercial na região do Reservatório, nos anos de 1988, 1989 e 1998

Fonte: Efrem et al (2006)

Ainda com relação ao pescado na região de influência de Tucuruí, é oportuno citar que não
somente a ictiofauna foi afetada pelo represamento, mas também a população do camarão
Macrobrachium amazonicum, um crustáceo relevante para a pesca do baixo Tocantins.
Estudos efetuados por Collart (1988) indicam que a pesca camaroeira caiu 50% entre 1985 e
1986, sugerindo um recrutamento muito baixo depois da formação do lago.

No lago foi observada uma mortalidade de camarões, em dezembro de 1984. No entanto, a


população se restabeleceu alguns meses depois. As duas populações de M. amazonicum do
rio Tocantins apresentam características biológicas distintas. Os camarões das águas
correntes a jusante da barragem possuem comprimentos maiores. De acordo com os estudos
efetuados por Collart, no trecho de jusante, os adultos foram observados de março a julho,
durante a época de migração e de reprodução, enquanto o recrutamento ocorre de setembro
a fevereiro. A população do reservatório apresenta, em média, comprimentos menores, com
uma maturidade sexual mais precoce. A reprodução atinge seu máximo em setembro. A
correlação entre a ausência de camarões grandes no lago e a modificação na composição da
ictiofauna é atribuída, por Collart (1988), à maior presença de peixes predadores como
Hydrolicus scoinbroides, cachorra-facão (Raphiodon vulpinus), piranhas (Serrasalmus spp) e
tucunaré (Cichla sp) após o represamento.

Na bibliografia consultada não há informações recentes a respeito do Macrobrachium


amazonicum do baixo Tocantins, que pudessem ser comparadas com os resultados obtidos
no final da década de 80. De acordo com Juras (s/d), atualmente o camarão e o mapará são
responsáveis por cerca de 50% do total pescado a jusante de Tucuruí.

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2. CARACTERIZAÇÃO DO MEIO FÍSICO E DOS


ECOSSISTEMAS TERRESTRES
O presente capítulo apresenta a caracterização do Meio Físico e dos Ecossistemas
Terrestres.

O Meio Físico está caracterizado considerando-se os seguintes aspectos: características da


geologia regional, suscetibilidade dos terrenos aos diferentes processos do meio físico, o
potencial mineral, a sismicidade; os compartimentos geomorfológicos, a vulnerabilidade do
relevo à erosão e suas potencialidades; a pedologia e a aptidão agrícola. As análises
discorrerão de acordo com as sub-bacias proposta pela ANA, sendo elas a 20, 21, 22, 23 e
29.

Os Ecossistemas Terrestres são abordados do ponto de vista da Fauna, Flora e Áreas


Protegidas.

2.1. Caracterização do Meio Físico


Do ponto de vista da geologia, a porção de montante da Bacia insere-se em uma das áreas
mais complexas da região central brasileira, que faz parte da Plataforma Sul-americana. Os
eventos geotectônicos registrados resultam, em sua estratigrafia, em unidades cujos dados
radiométricos fornecem idades extremamente variáveis. O mapa A3 – Compartimentos
Geológicos e Títulos Minerários apresenta a espacialização das informações a seguir
apresentadas, cuja descrição foi elaborada a partir da integração de diversas cartas
geológicas ao milionésimo do projeto RADAMBRASIL, bem como da carta geológica do
CPRM, obtida pela integração de mapas digitais de escalas maiores e, portanto, mais
detalhada.

Segundo SCHOBBENHAUS et al (1984), essa região é marcada principalmente pela


presença de importante faixa de dobramentos proterozóicas, envolvendo um conjunto de
unidades estratigráficas de evolução policíclica e assentadas sobre um embasamento
arqueano de alto grau metamórfico, essencialmente granito-gnáissico, com sequências
vulcano-sedimentares do tipo greenstone belt associadas a cinturões granulíticos. Consiste
de rochas metassedimentares dobradas e metamorfizadas em pelo menos dois ciclos
tectônicos (Uruaçuano e Brasiliano), situadas entre o cráton de São Francisco e o maciço
mediano de Goiás, orientadas submeridianamente e que mostram nítida polaridade
sedimentar, tectônica e metamórfica, exibindo vergência geral para o cráton do São
Francisco.

Durante o Brasiliano, às bordas dos crátons São Francisco e Amazônico evoluíram as faixas
dobradas Brasília e Paraguai-Araguaia, respectivamente, separadas pelo maciço mediano de
Goiás.

Cabe assinalar na porção extremo sudoeste da Bacia do Tocantins, onde se encontra a Sub-
bacia 20, a presença da megaflexura dos Pirineus, que provocou brusca mudança das
direções estruturais da faixa Brasília e de seu embasamento, o que é evidenciado pela forte
inflexão sofrida pela extremidade sul do maciço de Barro Alto.

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As estruturas geológicas são, antes de tudo, resultados de processos endógenos, ou seja,


interiores à superfície terrestre. Mesmo assim, processos muito longos de deposição
sedimentar, por exemplo, que se configuram como processos exógenos, também são
domínio da geologia, uma vez que podem configurar novas estruturas de rochas. Saber da
importância de tais estruturas é fundamental para os estudos geomorfológicos, já que a
configuração interna da superfície terrestre é uma das maiores responsáveis pela
conformação do relevo (superfície) apresentado. Para a geomorfologia, além da estrutura
interna, os fatores exógenos (clima, sobretudo) são de extrema importância.

A caracterização da geomorfologia da Bacia fundamentou-se no levantamento da bibliografia


existente sobre a Bacia do rio Tocantins, tanto correspondente a trabalhos específicos, como
a estudos sistemáticos, como os mapeamentos ao milionésimo desenvolvidos pelo
PROJETO RADAMBRASIL (Folha SA.22-Belém, SB.22-Araguaia, SB.23/24-
Teresina/Jaguaribe, SC.23/24-São Francisco/Aracaju, SD.22-Goiás, SC.22-Tocantins e
SD.23-Brasília) e pelo PROJETO SIVAM (2004), correspondente às folhas que compõem a
Amazônia Legal. Outros trabalhos em maior escala foram consultados, como o Zoneamento
Ecológico-econômico para o Estado do Tocantins (SEPLAN, 2002), na escala 1:500.000 e o
Zoneamento Ecológico-Econômico para a Região do Bico do Papagaio-TO (SEPLAN, 2002),
na escala 1:250.000.

Além dos trabalhos sistemáticos destacam estudos de impactos ambientais como da Hidrovia
Tocantins (CTE, 1998), Plano de Manejo das APAs do Jalapão (CTE, 2000) e Serra do
Lajeado (CTE, 2003), que oferecem importantes subsídios ao estado atual dos
conhecimentos sobre a bacia. A descrição metodológica completa aparece descrita no Anexo
IV.

Finalmente, ampliando-se o foco sobre a Bacia do rio Tocantins, a análise pedológica nada
mais é do que um estudo mais aproximado da estrutura geológica/geomorfológica da
superfície, considerando-se, sobretudo, a estrutura química do solo que, em última instância,
determina a aptidão agrícola de uma região e também em grande parte a biodiversidade.

Para a análise pedológica da Bacia do rio Tocantins, utilizou-se do Mapa Exploratório de


Solos da Bacia do rio Tocantins que foi elaborado por meio das informações extraídas dos
vários mapas de solos elaborados pelo Projeto RADAM/RADAMBRASIL, em seu trabalho de
Levantamento de Recursos Naturais do Território Nacional. Procedeu-se ainda à conversão
da legenda e da simbologia dos mapas de cada uma das unidades de mapeamento originais,
empregando-se terminologia, critérios e conceitos contidos no Sistema Brasileiro de
Classificação de Solos (SiBCS), lançado em 1999 (EMBRAPA, 1999) com modificações
introduzidas em 2003 (EMBRAPA, 2003).

Os métodos de trabalhos foram basicamente a compilação direta a partir dos mapas de solos,
dos limites das unidades de solos, que foram digitalizados sobre base cartográfica específica.
Em seguida as várias unidades de mapeamento dos vários mapas foram sistematizadas e
ordenadas conforme normas constantes no Manual Técnico de Pedologia, da Fundação
IBGE (OLIVEIRA, 2005), que considera a terminologia empregada no SiBCS.

Também foram extraídas deste Manual as normas e critérios para separação e


caracterização das classes de solos e de fases de unidades de mapeamento.

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Os critérios adotados para separação e caracterização de solos e de fases de unidades de


mapeamento, com definição dos atributos diagnósticos e horizontes diagnósticos,
grupamentos de classes de textura, distinção das fases de unidades de mapeamento, bem
como a caracterização das principais classes de solo, estão apresentados no Anexo V do
presente relatório.
 Sub-Bacia 20

Em relação à estrutura geológica, os terrenos da Sub-bacia são suportados


predominantemente por rochas pré-cambrianas metassedimentares do Grupo Araxá e de seu
fácies marginal, o Grupo Araí, subdividido nas formações Traíras e Arraias, unidades que
envolvem os grandes Complexos Básicos-Ultrabásicos de Barro Alto, Niquelândia e Cana-
Brava e os Granitos Serra da Mesa, Serra Dourada, Serra do Encosto e Serra Branca.

A porção centro-sul da Bacia é ocupada por rochas sedimentares clásticas e químicas do


Grupo Paranoá e por rochas pelítico-areno-carbonáticas do Subgrupo Paraopebas, do Grupo
Bambuí.

As rochas granito-gnáissico-migmatíticas do embasamento cristalino, representado pelo


Complexo Goiano, estão confinadas na porção sudoeste da sub-bacia, juntamente com as
poucas exposições do Grupo Pilar de Goiás, bem como contornam o flanco leste do
Complexo Barro Alto e perfazem uma exposição contínua a leste do reservatório da UHE
Serra da Mesa.

Esta região apresenta um relevo bem diferenciado, dada sua estrutura geológica complexa. A
unidade geomorfológica desta Sub-bacia tem como origem o Planalto Goiás-Minas,
representado pelas Unidades Geomorfológicas do Planalto do Distrito Federal, Planalto do
Alto Tocantins-Paranaíba e Chapadas do Alto Rio Maranhão. As Sub-bacias dos rios
Maranhão e Tocantinzinho têm seus cursos de primeira ordem desenvolvidos a partir dos
residuais das Chapadas do Alto Rio Maranhão (800-1.200m) e Planalto do Distrito Federal
(900-1.200m), com topos caracterizados por Superfícies de Aplainamentos Degradada (Pgi) e
Retocada (Pri). Essas superfícies são mantidas em parte pela resistência litológica dos
quartzitos e couraças ferralíticas. Os formadores principais descem os patamares estruturais,
com forte entalhamento dos vales e desenvolvimento de ravinas (tipo badland). A norte dessa
unidade predominam relevos residuais mantidos por rochas quartzíticas. A drenagem
contorna esses residuais e ingressa na Depressão do Alto Tocantins, ainda sendo
interceptadas por outras formações serranas. O rio Tocantinzinho percorre a seção
meridional do Complexo Montanhoso Veadeiros-Araí, com forte grau de incisão da drenagem
em metassedimentos falhados da Formação Arraias.

A Sub-bacia do rio das Almas nasce no Planalto do Alto Tocantins-Paranaíba, separado da


Bacia do rio Maranhão pelo Complexo Barro Alto. O Planalto do Alto Tocantins-Paranaíba
encontra-se pediplanado entre 900 e 1.000m, embora ultrapassando esses valores no
Complexo Barro Alto (em torno de 1.400m), sustentados por couraças ferruginosas sobre
rochas intusivas básico-ultrabásicas. O forte entalhamento da drenagem proporciona o
desenvolvimento de modelados dissecados aguçados e convexos, com predomínio de
Neossolos Litólicos, Cambissolos Háplicos e subdominância de Argissolos Vermelhos
Distroférricos. O contato dessas estruturas com as Depressões Intermontanas ou Depressão
do Alto Tocantins é abrupto, marcado por ressaltos acentuados ou escarpas estruturais.

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De forma geral, o solo desta Sub-bacia desenvolveu-se para uma melhor potencialidade
agrícola, o que a coloca num posto importante, também por sua proximidade de grandes
centros urbanos. Nela, há que se considerar que ainda se verificam expressivas áreas de
solos de baixa potencialidade agrícola, como os Cambissolos cascalhentos derivados de
micaxistos e Neossolos Litólicos também derivados de micaxistos e de outros materiais como
arenitos, quartzitos e outros. Em contrapartida, são também expressivas as ocorrências de
chapadas e chapadões com Latossolos Vermelhos Distróficos, muito utilizados com lavouras
comerciais de grãos (foto 1).

Foto 1 – Aspecto de lavoura comercial de grãos (soja) sobre chapadão (Latossolo Vermelho Distrófico
típico,textura argilosa). Próximo a Planaltina – DF

Além dos chapadões com uso de lavouras comerciais, merecem destaque os solos
desenvolvidos a partir da alteração de rochas básicas e ultra-básicas do Complexo Básico –
Ultra-básico de Barro Alto, Niquelândia e Canabrava. Tratam-se de seqüência de ocorrências
de rochas básicas e ultra-básicas diversas, se estendendo em faixa sudoeste-nordeste na
parte central da sub-bacia, que originam solos como Nitossolos Vermelhos Eutroférricos
(antigas Terras Roxas Estruturadas) e Latossolos Vermelhos Distroférricos (antigos
Latossolos Roxos), comuns na região do Vale do São Patrício em Goiás (foto 2), na serra de
Niquelândia-GO (próximo à represa de Serra da Mesa) e nas proximidades de Minaçu-GO, e
de Chernossolos Argilúvicos e Cambissolos Ta Eutróficos associados à alteração de rochas
ultra-básicas (noritos, peridotitos, etc).

Foto 2 – Perfil de Nitossolo Vermelho Eutroférrico típico. Próximo a Ceres – GO.

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Todos correspondem a solos de boa fertilidade natural, portanto passíveis de exploração com
uso de técnicas rudimentares, para exploração com pequenas lavouras, mas que
freqüentemente são explorados com pastagens plantadas.

Por fim, é oportuno mencionar a ocorrência expressiva, no extremo sul da Sub-bacia, de


Argissolos Vermelho-Amarelos Eutróficos, associados à alteração de rochas do Complexo
Granulítico Anápolis-Itaucú, que ocorrem em condição de relevo desde suave ondulado a
forte ondulado e são muito utilizados com pastagem plantada com uso de forrageiras mais
exigentes, como capim jaraguá e colonião, e também com pequenas lavouras irrigadas de
hortícolas e olerícolas, quando em vales aplanados (foto 3).

Foto 3 – Aspecto da paisagem e uso com pastagem plantada, sobre Argissolo Vermelho –Amarelo
eutrófico típico, relevo forte ondulado. Itapuranga – GO

Em suma, esta região apresenta a segunda maior concentração de terras, em seguida à Sub-
bacia 29, consideradas aptas para a utilização com agricultura, quer sob manejo tecnificado e
capitalizado ou não. Em qualquer circunstância a sua porção sudoeste, é a que concentra a
maioria destas terras.

Alguns municípios contêm em seus limites terras serranas com solos férteis, que são aptas
para agricultura não mecanizada, ou seja, terras ricas, porém com limitações fortes por relevo
e pedregosidade (classes (???) 1Ab, 1A(b) ou 1 Abc), e por outro lado, alguns possuem
terras de baixa fertilidade natural (Latossolos) que por ocorrerem em relevo plano, se prestam
à exploração com lavouras tecnificadas e capitalizadas (classe 1bC).

A porção oeste e norte desta sub-bacia se assemelha muito às demais, sendo constituída por
terras em sua maior parte avaliadas com aptidão para pastagens natural ou nativa (classes
4p ou 5n) e/ou áreas de preservação (classe 6).

 Sub-Bacia 21

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A porção centro-norte da Sub-bacia é constituída por rochas granito-gnáissico-migmatíticas


do embasamento cristalino, representado pelo Complexo Goiano, que alojam corpos
granodioríticos da unidade Granodiorito São José e corpos graníticos do tipo Serra Branca.

Na porção noroeste da Bacia, de formato triangular, e em sua porção oeste, ocorrem rochas
metassedimentares do Grupo Araxá e do Grupo Araí (formações Arraias e Traíras).

Uma ampla faixa formada pelas bordas sul e leste da Bacia é quase que inteiramente
constituída por rochas pelítico-areno-carbonáticas do Subgrupo Paraopebas e de suas
formações Sete Lagoas e Três Marias, do Grupo Bambuí. Sobre esta faixa ocorre uma
profusão de coberturas detríticas terciário-quaternárias.

As porções extremo sudeste e extremo nordeste da Bacia são constituídas por arenitos da
Formação Urucuia, de idade cretácea.

Do ponto de vista geomorfológico, a Sub-bacia 21 corresponde às Sub-bacias dos rios


Paranã e Palma, localizados na margem direita do rio Tocantins, e sub-bacias secundárias na
margem esquerda. O rio Paranã tem suas nascentes no Chapadão Ocidental Baiano e nas
Chapadas de Paracatu, e o rio Palma no Chapadão Ocidental Baiano. A erosão remontante
dos cursos de primeira ordem, em função do elevado gradiente dos topos pediplanados em
relação ao piso dos respectivos patamares, responde pela intensidade erosiva remontante
desses divisores, expondo cornijas em parte mantidas por couraças ferralíticas.

No caso do rio Paranã, a seção meridional da Sub-bacia, após deixar o compartimento de


chapadas (800-900m), percorre os Patamares do Chapadão Ocidental Baiano (600-700m),
formando canions nas estruturas cársticas da Formação Lagoa do Jacaré (nível mais elevado
dos patamares), ingressando a seguir no Vão do Paranã (400-500m), onde prevalecem
formas de dissolução, caracterizadas principalmente por depressões relativas (dolinas e
uvalas) e planícies cársticas (poljés). A partir de então, o Vão do Paranã conecta-se com a
Depressão do Alto Tocantins.

O rio Palma deixa o Chapadão Ocidental Baiano e ingressa em seus patamares estruturais.
Um pouco mais ao sul, na Bacia do rio São Domingos, os Patamares do Chapadão Ocidental
Baiano encontram-se caracterizados por dois níveis altimétricos, sendo que no mais elevado
são presenciadas gargantas epigênicas desenvolvidas em linhas de falhas, estimuladas por
efeitos epirogenéticos positivos (fenômeno de superimposição). Após percorrer os residuais
pelito-carbonáticos do Subgrupo Paraopeba Indiviso, faz contato com a Depressão do Alto
Tocantins através de patamares cársticos. No domínio da referida depressão, contorna
estruturas serranas como o Complexo Montanhoso Veadeiros-Araí e a Serra de Arraias e da
Canoa. Estas unidades referem-se a dobramentos proterozóicos, cujas diferenças litológicas
e tectônicas proporcionam o desenvolvimento de formas específicas como sinclinais alçadas,
cristas assimétricas (hogbacks e relevo do tipo “apalachiano”), patamares estruturais,
escarpas de falhas e forte grau de entalhamento dos talvegues, prevalecendo formas
dissecadas aguçadas nas vertentes imediatas aos topos pediplanados.

Nas Superfícies de Aplainamentos Degradadas (Pgi) e Retocadas (Pri) do teto orográfico


regional e nas Superfícies de Aplainamentos Retocadas (Pru) e Retocadas (Pri) dos níveis
intermontanos, como das depressões intermontanas, predominam os Latossolos, com
exceção dos patamares residuais, onde a pediplanação proporcionou a exposição de
metassiltitos e metafilitos da Formação Serra da Saudade, caracterizadas por Cambissolos

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Háplicos. Nas bordas escarpadas dos residuais, a intensa dissecação justifica o domínio dos
Neossolos Litólicos e afloramentos rochosos.

Esta Sub-bacia corresponde à porção sudeste da área drenada pelo rio Tocantins e abrange
terras do sudeste do Estado do Tocantins e nordeste do Estado de Goiás. Em ambos os
Estados, apesar de ocorrências localizadas de solos de potencialidade agrícola considerável
como os Nitossolos Vermelhos Eutróficos associados à presença de calcário do Grupo
Bambuí, a pobreza ou as limitações dos demais solos é fator comum para a maioria dos
mesmos.

Além dos Plintossolos Pétricos Concrecionários, Neossolos Quartzarênicos e Neossolos


Litólicos comuns nas demais sub-bacias, a presença de Cambissolos originados de
micaxistos do Grupo Araxá, via de regra, muito cascalhentos e pedregosos (foto 4), começa a
ser significativa nesta sub-bacia. Em comum com os demais solos, apresentam severas
limitações de ordem física ao uso agrícola.

Foto 4 – Perfil de Cambissolo Háplico Tb Distrófico típico, originado de micaxisto. Próximo à São
Domingos – GO

Dentro desta Sub-bacia, encontra-se a região da Chapada dos Veadeiros,superfície muito


antiga, de idade Terciária Inferior, e que apesar de estar em elevadas altitudes, em média
superiores a 1.000 metros, encontra-se bastante desgastada, sendo comum em sua
superfície a exposição de rochas do embasamento, o que traz como conseqüência a
ocorrência de Latossolos de forma apenas localizada. Portanto, além de Afloramentos de
Rochas, são comuns sobre a mesma, Neossolos Litólicos, Cambissolos cascalhentos e
pedregosos.

Ainda nesta Sub-bacia, chapadões dotados de Latossolos Vermelhos, em condição favorável


à agricultura comercial mecanizada, começam a ser expressivos em sua porção sul, como se
pode verificar em locais como São João da Aliança –GO e Planaltina – DF, porém, no geral
ainda predominam terras de baixíssima potencialidade agrícola. (foto 5).

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Foto 5 – Aspecto da área de Latossolo Vermelho Distrófico típico textura argilosa. Próximo a São João
da Aliança - GO

No que concerne à potencialidade agrícola das terras, pode-se de forma resumida destacar
como terras boas para utilização com agricultura, apenas uma ocorrência contínua na sua
porção centro-sul, em que as mesmas foram avaliadas como classe 1ABC de aptidão, ou
seja, terras com aptidão boa para lavouras climaticamente adaptadas, e também pequenas
ocorrências no extremo sudoeste onde, sobre chapadões, as terras possibilitam a exploração
com lavouras mecanizadas (classe 1bC)

No restante da Bacia as outras terras são avaliadas, ora como de aptidão regular ou restrita
para pastagens nativa ou plantada e ora como inaptas para agricultura, quando devem ser
destinadas à preservação.

 Sub-Bacia 22

A borda oeste desse trecho da Bacia, até a latitude 11º, é ocupada quase que inteiramente
por rochas granito-gnáissico-migmatíticas do Complexo Goiano, ocorrendo ainda
metassedimentos dos Grupos Araxá e Estrondo, quartzitos, metaconglomerados e ardósias
do Grupo Santo Antonio, corpos graníticos e tonalíticos da Suíte Intrusiva Ipueiras, o maciço
da unidade Alcalinas do Peixe e duas grandes exposições de coberturas detríticas terciário-
quaternárias.

A porção sul da Bacia é ocupada por rochas granito-gnáissico-migmatíticas do Complexo


Goiano, por rochas da Formação Riachão das Neves, do Grupo Bambuí, e rochas tonalíticas,
graníticas e granodioríticas da Suíte Serra do Boqueirão.

A porção central e norte da Bacia é ocupada pelas formações carboníferas Poti e Piauí e
pelas formações devonianas Pimenteiras, Cabeças e Longá da Bacia do Parnaíba. Em sua
porção leste, ocorrem ainda arenitos da Formação Itapecuru, de idade cretácea, e
subordinadamente, arenitos da Formação Sambaíba, do Triássico e basaltos da Formação
Orozimbo, de idade jurássica.

Geomorfologicamente, como importa em grande medida a drenagem de um terreno, deve-se


ressaltar a proveniência das águas e o fluxo que seguem. As nascentes da margem direita do
rio Tocantins, representadas pelas Sub-bacias dos rios do Sono e Manuel Alves, iniciam na
Chapada das Mangabeiras e Chapadão Ocidental Baiano, apresentando grosso modo,
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direção geral Leste-Oeste. No trajeto, a drenagem passa pelos Patamares da Chapada das
Mangabeiras e Patamares do Chapadão Ocidental Baiano, onde os cursos de primeira ordem
respondem por intensa dissecação do relevo, expondo cornijas estruturais representadas
principalmente pelos arenitos cretáceos da Formação Urucuia. Tendo como nível de base
regional a Depressão do Médio Tocantins, que mais ao sul conecta-se com a Depressão do
Alto Tocantins, a drenagem comandada principalmente pela Sub-bacia do rio Manuel Alves
disseca as estruturas proterozóicas dobradas, correspondentes ao Complexo Montanhoso,
regionalmente caracterizado pelas Unidades Geomorfológicas das serras Malhada Alta, da
Natividade e de Santo Antônio-João Damião. A Depressão do Médio Tocantins, na unidade
hidrográfica em questão, apresenta topos pediplanados em seqüências permo-carboníferas
da Bacia Sedimentar do Parnaíba (formações Pimenteiras, Cabeças e Piauí), enquanto a
Depressão do Alto Tocantins encontra-se pediplanada em estruturas do embasamento
cristalino.

Identificam-se, portanto três grandes compartimentos nessa seqüência: as chapadas que


constituem o divisor Tocantins - São Francisco, que apresentam características de cuestas,
com cornijas estruturais mantidas por arenitos cretáceos e principalmente encouraçamentos
lateríticos, com fronts de aproximadamente 200m de altura. O contato com a Depressão do
Médio ou Alto Tocantins é feito de forma gradual, presenciando chapadas e morros
testemunhos desligados da estrutura principal. Os cursos anaclinais intensificam a erosão
remontante das estruturas cretáceas, sobretudo em função do forte gradiente das escarpas,
favorecendo a inumação dos patamares, com formação de ambientes de veredas. No
domínio da depressão destacam-se os residuais serranos mantidos por quartzito, cujos
dobramentos proterozóicos favoreceram o desenvolvimento de cristas assimétricas. As
formações superficiais encontram-se relacionadas ao comportamento morfológico,
destacando os materiais argilosos (Latossolos) nos topos pediplanados, sustentados nas
bordas por materiais autóctones (Solos Petroplínticos), enquanto nas escarpas e rupturas
estruturais prevalecem pedimentos detríticos associados a afloramentos rochosos (Neossolos
Litólicos).

Do ponto de vista pedológico, nesta Sub-bacia, grosso modo, pode-se considerar duas
grandes regiões. A primeira, que se posiciona em sua porção norte, mais especificamente a
norte da cidade de Palmas, e que se estende também para sul, em grande faixa na porção
leste. Nesta porção, as terras têm características semelhantes àquelas da Sub-bacia 23, com
exceção da inexistência de manchas esporádicas de solos de boa potencialidade agrícola, ou
seja, há uma continuidade no padrão de ocorrência dos solos em relação à Sub-bacia 23

Assim, nesta porção da Sub-bacia, alternam-se Plintossolos Pétricos Concrecionários,


Neossolos Quartzarênicos e Neossolos Litólicos, todos com significativas limitações ao
aproveitamento agrícola. Cabe frisar que nesta porção se encontra o Parque Estadual do
Jalapão, popularmente conhecido como “Deserto do Jalapão”, área constituída por Neossolos
Quartzarênicos Órticos, sob vegetação de Campo Cerrado e Neossolos Quartzarênicos
Hidromórficos sob vegetação de Vereda, nas planícies dos córregos (foto 6).

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Foto 6 – Paisagem da área de Neossolo Quartzarênico Hidromórfico típico, sob Vereda Tropical.
Parque Estadual do Jalapão - TO

A outra porção da Sub-bacia que merece destaque refere-se à extensa faixa de terras
posicionada no lado oeste da mesma, que se inicia à norte aproximadamente na altura da
cidade de Palmas e estende-se para sul até as nascentes do rio Santa Tereza, já em terras
do Estado de Goiás. Nesta parte, os solos dominantes são Latossolos Vermelho-Amarelos
Distróficos de textura argilosa e média, ocorrendo em regime de associação com Plintossolos
Pétricos Concrecionários, e apresentando em seu perfil, muitas vezes, ocorrência de
petroplintita na forma de cangas ou concreções, o que representa uma limitação forte à plena
exploração dos mesmos com agricultura. Por tal razão, foram julgados com aptidão regular
para exploração com pastagem plantada, uso este já consolidado hoje em toda sua extensão.

Áreas de maior potencialidade agrícola, com Latossolos de textura argilosa e livres de


petroplintita, com aptidão boa para lavouras com emprego de manejo tecnificado, existem
localizadamente e nelas já se desenvolve agricultura comercial, como é o caso de áreas nas
proximidades de Gurupi – TO e Porangatu – GO.

Com relação à potencialidade agrícola das terras da Sub-bacia como um todo, grosso modo
pode-se destacar grande faixa de terras no sentido norte-sul, a oeste da Sub-bacia. Nesta
faixa, por sua vez, destaca-se uma considerável porção no seu extremo sul, já dentro do
Estado de Goiás, abrangendo terras de vários municípios, mais precisamente a região das
nascentes do rio Santa Tereza, que é constituída de terras avaliadas com aptidão boa para
lavouras mecanizadas com emprego de tecnologia e capital, e que se prestam para grandes
lavouras comerciais (classe 1bC). Vale mencionar pequenas ocorrências deste tipo de terras
mais ao norte desta faixa.

O restante das terras desta faixa não se presta para exploração com lavouras, pelo menos no
que concerne aos solos dominantes, porém se prestam razoavelmente bem ao uso com
pastagens plantadas (classe 4(p)), podendo localizadamente ocorrer pequenas manchas de
melhor potencialidade.

No restante da Sub-bacia, é absoluto o predomínio de terras indicadas apenas para


pastagens nativas (classe 5n), onde a vegetação natural de cerrado pode ser utilizada para
pastoreio, ocorrendo secundariamente terras com indicação para pastagens plantadas,
porém com severas restrições (classe 4(p)), e/ou, terras inaptas para uso agrícola (classe 6).

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 Sub-Bacia 23

Geologicamente, a Sub-bacia 23 está constituída pelas seguintes formações:


− Formação Itapecuru (Cretáceo): constitui-se quase que exclusivamente de arenitos
finos, argilosos, com estratificações cruzadas e silicificações, principalmente no topo.
Intercalam-se leitos de siltitos e folhelhos cinza-esverdeados e avermelhados;
− Formação Orozimbo (Jurássico): constitui-se de um único derrame basáltico,
correspondente a uma só fase de extensos derrames. O basalto é de cor preta a
verde escuro, sendo frequente a presença de amígdalas preenchidas por zeólitas ou
calcita;
− Formação Sambaíba (Triássico): é formada predominantemente por arenitos finos a
médios, pouco argilosos, bem selecionados e arredondados, com finas intercalações
de sílex e abundância de estratificações cruzadas;
− Formação Pedra de Fogo (Permiano): é constituída por arenitos, siltitos e folhelhos
que se intercalam em proporções variadas. Os arenitos são finos a muito finos,
enquanto que os siltitos e folhelhos são pouco micáceos e de baixa fissilidade. Leitos
e bancos de sílex estão presentes em vários níveis estratigráficos, enquanto que
calcários brancos, leitos de gibsita e aragonita são mais freqüentes no topo da
formação;
− Formação Piauí (Carbonífero): nesta unidade predominam arenitos finos a muito finos,
com acamamento delgado e localmente com aspecto lajeado; em algumas regiões
torna-se grosseiro a conglomerático, com grandes estratificações cruzadas;
− Formação Longá (Devoniano): constitui-se predominantemente de folhelhos e siltitos
cinza-escuros a preto, em geral carbonosos, com intercalações de arenitos finos
laminados;
− Formação Cabeças (Devoniano): é constituída por arenitos de granulação média a
grosseira, frequentemente conglomerático, muito pouco argiloso. Apresenta aspecto
maciço, sendo comum estratificações cruzadas bem desenvolvidas. Eventualmente,
apresenta intercalações de siltitos e arenitos finos, laminados;
− Formação Pimenteiras (Devoniano): é constituída por folhelhos contendo nódulos e
leitos de oólitos piritosos. São comuns intercalações de arenitos e siltitos no topo da
formação;
− Formação Serra Grande (Siluriano): a sedimentação desta unidade inicia-se com
arenitos grosseiros, conglomeráticos, contendo leito de até 20m de espessura de
conglomerado oligomítico grosseiro, com seixos de até 20cm de diâmetro; os seixos
são de quartzo, havendo granodecrescência da base para o topo; seguem-se arenitos
grosseiros com estratificação cruzada diagonal.

Do ponto de vista geomorfológico, este trecho é marcado por sub-bacias secundárias, tanto
na margem esquerda quanto direita do rio Tocantins, evidenciando-se estreitamento de forma
nas imediações da confluência do rio Araguaia, em função da exclusão dessa Bacia no
presente estudo, com tendência de alargamento em direção ao divisor com a Bacia
Hidrográfica do rio Parnaíba.

As nascentes da margem direita do rio Tocantins iniciam seus cursos a partir dos divisores
representados pelo Planalto Dissecado Gurupi-Grajaú (350m), na porção nordeste, e na
seção oriental pelo Chapadão do Alto Parnaíba (em torno de 800m), tendo como sub-
compartimentos as Cabeceiras do Parnaíba (600m) e o Vão da Bacia do Alto Parnaíba (entre
200 e 600m). A partir de então a drenagem busca as áreas depressionárias, representadas
pela Depressão do Médio Tocantins e Depressão de Imperatriz (entre 250 e 350m).
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Mais ao sul da referida unidade, destacam-se as Chapadas e Planos do rio Farinha,


sustentada por derrames basálticos da Formação Mosquito, contornada pelas estruturas
areníticas da Formação Sambaíba que constitui localmente a Depressão do Médio Tocantins.
O contato é marcado por ressaltos topográficos, associados a escarpas erosivas e
estruturais, promovidas pela erosão diferencial. A drenagem é comandada pela Sub-bacia do
próprio rio Farinhas.

Na Bacia do rio Manuel Alves Grande constata-se a presença dos Patamares de Porto
Franco-Fortaleza dos Nogueiras, com topos pediplanados aos 650m, que também faz contato
com a Depressão do Médio Tocantins através de escarpas. Os tributários da margem
esquerda cortam sedimentos carboníferos das formações Poti e Piauí, e na margem direita
repete as seqüências das Chapadas e Planos do rio Farinha, ou seja, patamares sustentados
por derrames basálticos da Formação Mosquito e arenitos da Formação Sambaíba, os quais
encontram-se assentados nos sedimentos permianos da Formação Pedra de Fogo.

Na margem esquerda do rio Tocantins as sub-bacias hidrográficas dissecam o Planalto do


Interflúvio Tocantins-Araguaia e acompanham a Depressão do Médio e Baixo Araguaia até a
confluência com o grande rio.

A região abrangida pela Sub-bacia 23, estendendo-se para sul até as proximidades da cidade
de Tupirama, dentro do Estado do Tocantins, constitui definitivamente a porção da Bacia que
reúne a maior quantidade de terras de baixa potencialidade agrícola, embora se verifique
localizadamente solos com boa aptidão agrícola, como é o caso dos Chernossolos
Argilúvicos e Latossolos Vermelho Distroférricos, originados de basaltos da Formação
Mosquito, nas proximidades de Estreito e Porto Franco, no Estado do Maranhão, e
Aguiarnópolis, no Estado do Tocantins.

A região desta Sub-bacia já está em sua quase totalidade dentro do Bioma Cerrado,
conforme IBGE (2004) e, portanto, com solos de baixa fertilidade natural. Neossolos
Quartzarênicos Órticos e Plintossolos Pétricos Concrecionários sob vegetação de Cerrado,
ambos com severas limitações ao aproveitamento com agricultura, são os principais solos
ocorrentes, ocupando a maioria absoluta da área da mesma.

Os Neossolos Quartzarênicos Órticos e os Plintossolos Pétricos Concrecionários foram


respectivamente denominados Areias Quartzosas e Solos Concrecionários Lateríticos nos
mapas de solos elaborados anteriormente à criação do Sistema Brasileiro de Classificação de
Solos (SiBCS). Estes últimos têm sido utilizados com pastagens plantadas, empregando–se
forrageiras rústicas como o capim andropogom e que mostram resposta considerável, pelo
menos no período chuvoso, entretanto, no período da seca, ressentem muito, reduzindo
ainda mais a capacidade de suporte dos pastos.

Sobre os Neossolos Quartzarênicos, verifica-se também o uso com pastagens plantadas,


com emprego da Brachiaria decumbens, entretanto, o rendimento também deixa muito a
desejar e mesmo este tipo de forrageira se ressente muito com o déficit hídrico acentuado
destes solos.

Sobre siltitos da Formação Pedra de Fogo, nas proximidades de Carolina-MA e Filadélfia –


TO, verificam-se ocorrências de Argissolos e Cambissolos Eutróficos com argilas de atividade
alta, alguns deles apresentando caráter vértico (foto 7). Embora com boa fertilidade natural,

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apresentam limitações de ordem física suficientes para limitar o seu aproveitamento, sendo
utilizados basicamente com pastagens plantadas.

Foto 7 – Perfil de Cambissolo Háplico Ta Eutrófico vértico, originado de siltito da Formação Pedra de
Fogo. Filadélfia – TO

Pequenas ocorrências em terraços antigos do rio Tocantins de Argissolos Vermelho-


Amarelos Eutróficos junto a solos hidromórficos (Gleissolos), são a base de desenvolvimento
de pequena agricultura rudimentar de subsistência da população ribeirinha.

Cabe ainda mencionar ocorrências isoladas de Argissolos e Latossolos de baixa fertilidade


natural, que são na maioria das vezes explorados com pastagens plantadas, incluindo-se aí
os Latossolos Vermelho-Amarelos com textura média da região do “Bico do Papagaio”.

Demais solos ocorrentes de maneira expressiva são solos jovens (Neossolos Litólicos),
muitas vezes cascalhentos e pedregosos e, por vezes, ocorrendo em condição de relevo
acidentado, o que faz com que sejam solos ou terras mais apropriadas para preservação da
fauna e flora.

Assim, no que se refere à potencialidade agrícola das terras da Sub-bacia, no contexto geral
verifica-se que a maioria absoluta dos solos apresenta limitações fortíssimas ao
aproveitamento com agricultura, pelo menos para agricultura mecanizada.

Ocorrências localizadas de terras de potencialidade agrícola considerável, como nas


proximidades de Imperatriz no Maranhão e Aguiarnópolis no Tocantins, são terras de boa
fertilidade natural, porém pedregosas e muitas vezes em condição de relevo declivoso, e que
permitem, portanto, apenas a exploração com lavouras em sistemas de exploração mais
primitivos (sem mecanização), caracterizadas no mapa de aptidão como terras da classe
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1Ab. Ocorrências nas proximidades de Porto Franco e Carolina no Maranhão e também em


Aguiarnópolis no Tocantins, caracterizadas como classes 1bC ou 1ABC no mapa de aptidão,
correspondem a terras com baixa fertilidade natural, porém sem pedregosidade, permitindo a
mecanizaçã. São essas as situações de terras agricultáveis e que merecem destaque nesta
Sub-bacia.

O restante da Bacia é constituído por terras sem potencialidade para uso com agricultura,
que foram avaliadas, na melhor das hipóteses, como regulares para pastagem plantada
(classe 4(p)) ou, como na maioria das vezes, regulares para pastagens nativas, com o
aproveitamento das espécies de cerrado (classe 5n). Extensas superfícies são ainda
avaliadas como adequadas apenas à preservação da flora e da fauna (classe 6).

Alguns municípios da porção sul da Sub-bacia têm a totalidade de suas terras julgadas ou
como inaptas para uso agrícola (classe 6) ou indicadas com restrições para pastagens
nativas (classe 5n).

A região do “Bico do Papagaio”, constituída em sua maioria por Latossolos de textura média,
é avaliada em sua maioria como terras regulares para pastagens plantadas (classe 4p), não
suportando usos mais exigentes.

 Sub-Bacia 29

A Sub-bacia 29 é, em grande parte constituída, por migmatitos, granitos, granodioritos,


dioritos, metamorfitos em fácies epidoto-almandina à granulito, quartzitos, gnaisses e xistos
do Complexo Xingu. A porção centro-sul da Bacia é ocupada pelo grupo Grão-Pará,
constituído por jaspilitos hematíticos, metabasitos espilíticos, quartzitos, itabiritos e filitos, pela
Formação Rio Fresco do Grupo Uatumã, constituída por argilitos, folhelhos e arcóseos
carbonosos e micáceos (membro Naja) e por folhelhos manganesíferos, siltitos, argilitos,
arenitos e grauvacas (membro Azul) e pelas unidades Granito da Serra dos Carajás e Granito
Velho Guilherme.

A borda leste da Bacia é ocupada por uma ampla faixa de metassedimentos (filitos, clorita
xistos, metarcóseos e metagrauvacas, quartzitos, metassiltitos, metargilitos) do Grupo
Tocantins, que se estreita de sul para norte, ocorrendo ainda na porção norte da Bacia, a
jusante da barragem da UHE Tucuruí, juntamente com depósitos aluviais.

Este conjunto da Bacia do rio Tocantins também apresenta uma relativa complexidade, que
se manifesta no ponto de vista geomorfológico. A seção mais alta da Sub-bacia tem como
divisor de águas as serra de São Félix, Antonhão e Seringa, seccionadas por pediplanação
aos 450m, associadas a metassedimentos dobrados do Supergrupo Andorinhas e corpos
graníticos da Suíte Intrusiva Serra dos Carajás. O contato com a Depressão Itacaiúnas-
Cajazeiras se dá de forma abrupta, envolvendo os maciços residuais. A partir de então o rio
Itacaiúnas secciona a Unidade Geomorfológica Serra dos Carajás, constituída pelos
metassedimentos dos Grupos Rio Fresco e Pojuca. A passagem do rio Itacaiúnas por esta
unidade é caracterizada por extensa garganta epigênica associada a processo de
falhamento, resultante de superimposição. A partir de então entra no domínio da Depressão
Marginal Sul Amazônica até sua confluência com o rio Tocantins, dissecando seqüências
cretáceas da Formação Alter do Chão, correspondentes aos Tabuleiros do Tocantins-Xingu e
Tabuleiros Paraenses. Estes se apresentam com topos pediplanados aos 100m,

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representados por extensos interflúvios e incisão incipiente da drenagem. Os ressaltos


observados referem-se a escarpas erosivas que contornam esses residuais. Remanescentes
de planaltos, como o Planalto Residual do Sul do Pará e o Patamar Dissecado de Tucuruí
caracterizam um conjunto de relevos intensamente dissecados no patamar periférico da
borda sul da Bacia Sedimentar do Amazonas, escavados no embasamento cristalino
(Complexo Xingu) por processo de circundesnudação.

A partir de Tucuruí prevalecem as planícies fluviais conectadas aos Leques Aluviais do rio
Tocantins, até a confluência com o rio Amazonas.

Ainda nessa unidade, a margem direita é marcada pelo Patamar Dissecado Capim-Moju, que
se constitui no divisor do baixo curso, a partir do qual as planícies fluviais assumem o domínio
territorial.

Toda a Sub-bacia 29, como ocorre de forma geral nas outras sub-bacias, há também grandes
distinções de solo. Cabe, no entanto, destacar a grande importância dos Argissolos
Vermelho-Amarelos Distróficos, pela sua expressiva ocorrência.

Tratam-se de solos profundos, bem desenvolvidos, de boa drenagem e que se prestam bem
à exploração agrícola, desde que corrigidas as suas exigências de ordem química (calagem e
adubação). Com visto anteriormente, esta região apresenta a maior concentração de terras
consideradas aptas para a utilização com agricultura. São caracterizados como solos de
aptidão agrícola boa para lavouras em sistemas de manejo tecnificado. Apesar de serem
dotados de tal potencial, é comum ocorrerem associados a solos de menor potencialidade e,
muitas vezes, apresentam presença de cascalhos e pedregosidade, além de em algumas
situações ocorrerem em relevos declivosos, fatores estes que limitam o uso de mecanização.
Por esta razão, são atualmente muito utilizados com pastagens plantadas (fotos 8 e 9).

Foto 8 – Perfil de ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Distrófico típico, textura média/argilosa, relevo


ondulado, fase floresta. Próximo a Canaã dos Carajás –PA.

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Foto 9 – Aspecto de uso com pastagem plantada, sobre ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO


Distrófico típico, textura média/argilosa. Próximo a Canaã dos Carajás – PA.

No que concerne à vulnerabilidade natural à erosão, são muito vulneráveis em razão da


presença de horizonte textural de baixa permeabilidade interna, condicionando a aceleração
dos processos erosivos.

Ainda nesta bacia cabe ressaltar as ocorrências menos expressivas de Latossolos, tanto
Amarelos como Vermelho-Amarelos, que também apresentam boas características físicas e
ocorrem em condição de relevos aplanados, sendo preferidos para agricultura em relação
aos Argissolos, por possibilitarem um melhor desempenho de máquinas agrícolas. São,
portanto, solos considerados com boa aptidão agrícola, quando há emprego de recursos
tecnológicos para correções de ordem química. No que concerne à vulnerabilidade à erosão,
são solos com perfil vertical muito homogêneo e com boa permeabilidade interna, o que
dificulta a ação destruidora das águas superficiais e, por outro lado, torna-os muito propensos
à erosão em profundidade (boçorocas).

Mais precisamente nas partes mais baixas (faixa norte da sub-bacia), nos terraços e planícies
do rio Tocantins, ocorrem expressivas manchas de terras influenciadas por forte
hidromorfismo, o que dificulta ou limita sobremaneira o seu uso com agricultura comercial.
Entretanto, lavouras ribeirinhas sobre os Neossolos Flúvicos que ocorrem nas ilhas e nos
diques marginais à água dos rios são uma constante por toda a região.

A vegetação natural de Floresta que recobre esta Sub-bacia tem experimentado nos últimos
20 anos uma avassaladora destruição, na abertura de novas fronteiras agrícolas (foto 10).

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Foto 10 - Aspecto de uso com pastagem plantada, sobre ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO


Distrófico típico, textura média/argilosa. Próximo a Curionópolis –PA.

Em síntese, no que diz respeito à potencialidade agrícola das terras, a Sub-bacia 29


contempla, na maior parte de sua superfície, terras que se prestam bem à exploração com
lavouras climaticamente adaptadas, desde que com emprego de sistema de manejo
tecnificado e capitalizado que possibilite a mecanização e a utilização de insumos para as
devidas correções de ordem química e o controle de pragas e doenças.

Tais terras são avaliadas como boas para lavouras com uso de manejo tecnificado e
capitalizado (manejo C) e regulares para lavouras empregando-se sistema de manejo
intermediário (classe 1bC de aptidão),; ocupam grande parte da porção sul e central da Sub-
bacia. Excluem-se naturalmente as situações de ocorrência em relevos declivosos e com
pedregosidade, que são indicadas com restrições para uso com pastagens plantadas (classe
4(p)).

A porção situada ao norte da Sub-bacia contempla razoável concentração de terras com


limitações significativas ao uso com agricultura, que são representadas por solos como
Latossolos Amarelos de textura média, Gleissolos e Plintossolos Háplicos, prestando-se ora
com muitas restrições para uso com lavouras temporárias (classe 3abc) ou apenas com
pastagens plantadas (classe 4(p)), embora em algumas ilhas e diques marginais ao rio
ocorram manchas de terras que possibilitam a exploração com lavouras de subsistência, em
sistemas de manejo bem primitivos, descapitalizados e não tecnificados, porém são situações
de diminutas dimensões e com possibilidade de uso apenas temporário.

Há ainda a se considerar que, por ser uma região no seu todo com cobertura vegetal natural
de Floresta, este fato de certa forma dificulta a introdução de lavouras mecanizadas
imediatamente após a derrubada, pelos elevados custos para a derrubada e destoca. Por tal
razão, é comum se empregar o fogo e fazer a semeadura da brachiaria, que permanece até o
apodrecimento da madeira dos tocos, prática generalizada entre os agricultores de baixo
poder aquisitivo. Este fato de certa forma induz ao crescimento da pecuária de corte em
detrimento da agricultura comercial, que fica restrita aos produtores de maior poder
econômico.

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2.1.1.1. Suscetibilidade dos Terrenos aos Diferentes Processos do Meio Físico

A suscetibilidade dos terrenos aos processos do meio físico constitui fator fundamental para a
compartimentação da Bacia Hidrográfica do rio Tocantins e para o estabelecimento de
critérios de ocupação do solo e seus efeitos no meio ambiente. O mapeamento das áreas
com diferentes graus de suscetibilidade permite a identificação das respostas dos terrenos a
esses processos e a previsão dos problemas decorrentes da implantação de obras de
engenharia. No entanto, observou-se que uma metodologia somente de suscetibilidades no
contexto geológico não seria suficiente. Portanto, uma metodologia para análise de
vulnerabilidade do relevo à erosão, do ponto de vista geomorfológico, também foi
desenvolvida.

Como o embasamento geológico corresponde à base de um terreno, seu comportamento


geotécnico e sua suscetibilidade aos processos do meio físico dependem basicamente da
natureza do substrato litológico, sendo a cartografia geológica o ponto de partida para a
elaboração de mapas de suscetibilidades e delimitação de áreas com características
distintas. Devem, no entanto, ser considerados outros fatores intervenientes na classificação
dos terrenos, como o relevo, o clima e a cobertura vegetal, de modo a gerar cartas
multidisciplinares integradas.

Para elaboração dos mapas de suscetibilidades foram assim levados em conta esses fatores,
de modo a se integrar às características dos terrenos com a topografia, dados de precipitação
pluviométrica, regimes fluviais, tipos de ocupação do solo e demais aspectos envolvendo os
meios físico, biótico e socioeconômico. Como exemplo da influência do clima nas
suscetibilidades dos terrenos, na vasta região da Bacia do Tocantins, destacam-se as
coberturas de solos, que no alto curso do rio, onde as chuvas só ocorrem em períodos bem
definidos, têm características distintas daquelas dos terrenos do baixo curso, já sob o clima
amazônico, com chuvas mais bem distribuídas ao longo do ano.

As unidades lito-estratigráficas foram agrupadas de acordo com suas características comuns


dentro de cada grupo, de modo a se reunir aquelas com respostas semelhantes a cada um
dos processos do meio físico. Foram assim identificados nove tipos de terrenos no âmbito da
Bacia do Tocantins, quanto à suscetibilidade aos diferentes processos do meio físico. Deve-
se ter em mente que as unidades mapeadas são apenas indicativas da potencialidade de
ocorrência dos processos abordados, os quais são passíveis de ocorrer apenas em locais
específicos no âmbito de cada unidade.

I. Terrenos com alta suscetibilidade à erosão por sulcos, ravinas e boçorocas.

II. Terrenos com alta suscetibilidade à erosão no horizonte C (solos de alteração de


rocha).

III. Terrenos com alta suscetibilidade a movimentos de massa e escorregamentos.

IV. Terrenos com alta suscetibilidade a afundamentos cársticos.

V. Terrenos com possíveis problemas de fundação e estabilidade de taludes por


expansão/ contração de solos.

VI. Terrenos sujeitos a recalques por colapso do solo.

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VII. Terrenos com alta suscetibilidade a recalques por adensamento de solos moles,
inundações, assoreamento e erosão fluvial das margens.

VIII. Terrenos com alta suscetibilidade à contaminação de aqüíferos.

IX. Terrenos com baixas suscetibilidades aos processos do meio físico.

Os mapas temáticos, numerados de B1 a B8, constantes do Caderno de Mapas B do Atlas


do projeto de acordo com processo do meio físico ao qual é suscetível, foram elaborados com
base nos atributos acima relacionados, de modo a se representar cartograficamente os
diferentes tipos de terrenos, quanto aos problemas que poderão ocorrer em conseqüência de
ações neles desenvolvidas, especialmente em relação a empreendimentos hidrelétricos e
obras associadas.

Os dados geológicos consultados consistiram basicamente em mapas da CPRM na escala de


1:500.000, mapas geológicos do Projeto RADAM, na escala de 1:1.000.000, e mapas
geológicos, na escala de 1:250.000, das bacias hidrográficas dos diversos aproveitamentos
hidrelétricos do rio Tocantins e afluentes.

Segundo a abordagem geológica, o substrato litológico é essencial para a determinação das


vulnerabilidades à erosão dos terrenos. Na abordagem geomorfológica, embora muito
semelhante, as análises são mais genéricas, vinculadas, sobretudo, às drenagens presentes
no terreno em questão. Por isso mesmo, a metodologia adotada para a geomorfologia é
outra, como segue a seguir, conforme consta do Mapa B-10 - Geomorfologia
Vulnerabilidades , que se encontra no Caderno de Mapas B do Atlas do projeto:
 Vulnerabilidade baixa ou fraca corresponde à maior extensão superficial nos limites da
Bacia. Apresenta uma área de 265.289,79 km2, equivalente a 68,26% do total. Ocorre em
praticamente todos os setores da Bacia, com destaque para as planícies fluviais, topos
de planaltos, chapadas e depressões pediplanadas, e áreas especiais como aqueles
caracterizadas por modelados de dissolução cobertos. Esses setores encontram-se
relacionados aos domínios de depósitos sedimentares inconsolidados e níveis de
aplainamento relativamente preservados nas diferentes unidades estruturais
(sedimentares, dobradas e embasamentos cristalinos);
 Vulnerabilidade moderada refere-se ao segundo maior domínio espacial, abrangendo
uma área de 90.300,89 km2, equivalentes a 23,24% da Bacia do rio Tocantins. Esse
compartimento encontra-se relacionado a modelados de dissecação convexos, com
dimensões interfluviais e intensidade de aprofundamento da drenagem variado,
prevalecendo em praticamente todas as unidades geomorfológicas. Ocorrem
principalmente nas faixas de contato entre planaltos, chapadas e complexos
montanhosos com depressões marginais. A intensidade de dissecação da drenagem
muitas vezes encontra-se associada à sua densidade e implicações de natureza
tectônica, além do grau de intemperização das rochas, como no domínio úmido
amazônico;
 Vulnerabilidade forte e muito forte corresponde a uma área de 27.474,84 km2,
equivalentes a 7,07% da Bacia. Restringe-se a determinados setores, sempre
associadas a zonas de cisalhamento, faixas de dobramentos em estruturas
proterozóicas, escarpas monoclinais de cuestas e hog-backs, com evidente imposição da
estrutura. No baixo curso da Bacia do rio Tocantins destacam-se estruturas do complexo
serrano; no médio curso os planaltos residuais e escarpas de patamares ou de
chapadas; no alto curso os complexos montanhosos vinculados a processos de
dobramentos ou imposições de corpos intrusivos.
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Tabela 24 - Classificação da vulnerabilidade do relevo e área de abrangência – Bacia do


rio Tocantins

Área
Classe de vulnerabilidade
2
Km %

Forte 27.474,84 7,07

Moderada 90.300,89 23,24

Fraca 265.289,79 69.26

Massa de água 5.553,95 1,43

Total 388.619,47 100,00

Elaboração: Consórcio CNEC-ARCADIS Tetraplan

A seguir, é apresentada a discussão da suscetibilidade dos terrenos aos diversos processos


do meio físico, por sub-bacia.

 Sub-Bacia 20

Na metodologia adotada pela geologia, para a representação da suscetibilidade dos terrenos


a afundamentos cársticos, as análises apontam o Subgrupo Paraopebas, do Grupo Bambuí,
como de alta suscetibilidade e o Grupo Paranoá como de baixa suscetibilidade.

No que se refere à suscetibilidade à contaminação de aqüíferos, verifica-se suscetibilidade


média para as rochas graníticas afetadas pelas falhas da inflexão dos Pirineus da porção
sudoeste da Sub-bacia.

Para o caso da suscetibilidade dos terrenos à erosão no horizonte C, verifica-se


suscetibilidade alta para as rochas graníticas e para o Complexo Goiano e suscetibilidade
média para o Grupo Araxá.

No que se refere à erosão por sulcos, ravinas e boçorocas, verifica-se suscetibilidade média
para os grupos Araxá, Paranoá e Subgrupo Paraopebas e suscetibilidade alta para a
Formação Arraias.

Terrenos suscetíveis a problemas decorrentes de expansão e contração de solos não existem


na Sub-bacia. Também não foram identificadas áreas suscetíveis a recalques por colapso do
solo.

Já do ponto de vista geomorfológico, o Planalto do Alto Tocantins-Paranaíba é uma das


unidades que apresenta maior extensão superficial com predisposição aos processos
erosivos. Essa condição é marcada pelas estruturas circulares que integram os complexos
básico-ultrabásicos de Barro Alto, Niquelândia e Cana Brava. Alta vulnerabilidade também
pode ser evidenciada nas escarpas das serras Dourada, do Encosto e Branca, associadas a
rochas intrusivas graníticas.

Ainda na presente unidade hidrográfica, destacam-se os residuais das Chapadas do Alto Rio
Maranhão e as bordas do Planalto do Distrito Federal, caracterizados por forte incisão dos
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talvegues e intenso processo de erosão remontante nas escarpas estruturais pelos tributários
do mencionado curso.

As áreas de baixa vulnerabilidade correspondem aos topos aplainados dos divisores


hidrográficos (Chapadas de Paracatu, Planalto do Distrito Federal e Planalto do Alto
Tocantins-Paranaíba), bem como os níveis de aplainamento intermontano da Depressão do
Alto Tocantins.

 Sub-Bacia 21

As análises geológicas realizadas apontam o Subgrupo Paraopebas, do Grupo Bambuí,


como de alta suscetibilidade dos terrenos a afundamentos cársticos.

No que se refere à suscetibilidade à contaminação de aqüíferos, verifica-se suscetibilidade


média para as exposições do Subgrupo Paraopebas da porção oriental da Sub-bacia e
suscetibilidade alta para a rede de drenagem desenvolvida sobre esta unidade. Os arenitos
da Formação Urucuia que ocorrem no limite oriental da Bacia são considerados com de alta
suscetibilidade.

Da mesma forma, são identificadas suscetibilidades dos terrenos à erosão no horizonte C:


alta para as rochas graníticas e Complexo Goiano e média para o Grupo Araxá, bem como
suscetibilidade alta à erosão por sulcos, ravinas e boçorocas para a os depósitos terciário-
quaternários sobrepostos à Formação Paraopebas.

A Formação Três Marias, do Subgrupo Paraopebas, aparece com terrenos suscetíveis a


problemas decorrentes de expansão e contração de solos. Por fim, no que se refere a
terrenos com possibilidades de recalques por colapso do solo, aponta-se a região de
ocorrência de coberturas terciário-quaternárias sobrepostas ao Subgrupo Paraopebas como
áreas de menor possibilidade de ocorrência.

Com relação à vulnerabilidade do relevo à erosão, no ponto de vista geomorfológico,


destacam-se as estruturas serranas do Complexo Montanhoso Veadeiros-Araí, a Serra de
Arraias e da Canoa, além das escarpas e patamares estruturais do Chapadão Ocidental
Baiano. Inserem-se nessa condição as escarpas estruturais das Chapadas de Paracatu, além
dos níveis cársticos dos Patamares do Chapadão Ocidental Baiano na região de Terra
Ronca.

As superfícies pediplanadas, como os topos das Chapadas de Paracatu, Chapadão Ocidental


Baiano e Pediplano do Tocantins, se individualizam como áreas de baixa vulnerabilidade,
considerando o domínio da pedogênese em relação à morfogênese. O Vão do Paranã,
principalmente em função das formações superficiais, pedologicamente caracterizadas pelos
Cambissolos Háplicos, se individualiza por uma vulnerabilidade moderada.

 Sub-Bacia 22

Geologicamente, no que se refere à suscetibilidade dos terrenos a afundamentos cársticos,


verifica-se o Grupo Natividade como de baixa suscetibilidade. Já com relação à
suscetibilidade à contaminação de aqüíferos, as faixas quartzíticas do Grupo Santo Antonio e
as áreas de afloramento da Formação Itapecuru são identificadas como de alta
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suscetibilidade e, as áreas de afloramento da Formação Pimenteiras, como de média


suscetibilidade.

Com relação à suscetibilidade dos terrenos à erosão no horizonte C, verifica-se


suscetibilidade alta para as rochas graníticas e Complexo Goiano e suscetibilidade média
para o Grupo Araxá.

Quanto à erosão por sulcos, ravinas e boçorocas verifica-se suscetibilidade alta para as
formações Itapecuru, Cabeças, e suscetibilidade média para as demais formações da Bacia
do Parnaíba. As faixas quartzíticas e metaconglomeráticas do Grupo Santo Antonio são
consideradas de alta suscetibilidade.

Os terrenos suscetíveis a problemas decorrentes de expansão e contração de solos são


assinalados para as formações Pimenteiras, Cabeças, Piauí e Sambaíba como áreas
possíveis. Por fim, no que se refere a terrenos com possibilidades de recalques por colapso
do solo, verifica-se áreas de ocorrência de coberturas terciário-quaternárias existentes na
mesopotâmia do rio Palma como áreas de menor possibilidade de ocorrência.

No que diz respeito à metodologia adotada pela geomorfologia, nesta Sub-bacia destacam-se
as escarpas que compõem os patamares estruturais da Chapada das Mangabeiras e do
Chapadão Ocidental Baiano, bem como remanescentes desligados das estruturas primárias,
a exemplo da serra do Espírito Santo, na região do Jalapão. Na seção nordeste da área, os
Tabuleiros de Balsas, mantidos por derrames basálticos da Formação Mosquito, são
contornados por escarpas representadas por forte vulnerabilidade à erosão. A norte de Porto
Nacional, os residuais do Planalto Dissecado do Tocantins, representados pela serra do
Lajeado, individualiza-se por forte vulnerabilidade, considerando o domínio de modelados
dissecados aguçados.

Na unidade Serra de Santo Antônio-João Damião, correspondente a extenso graben


posteriormente reativado, as dobras sinformais e antiformais proporcionam o
desenvolvimento de cristas paralelas assimétricas, bastante dissecadas, evidenciando forte
vulnerabilidade aos processos erosivos. Essas estruturas serranas, com direção concordante
(SW-NE) ao Lineamento Transbrasiliano, encontra-se interceptada pela superimposição do
rio Tocantins, onde se desenvolve importante gap epigênica.

Na margem esquerda do rio Tocantins, destacam-se pela elevada suscetibilidade à erosão as


escarpas do Planalto do Interflúvio Tocantins-Araguaia, caracterizado pela serra do Estrondo.

 Sub-Bacia 23

Na metodologia de suscetibilidade da geologia, a Formação Itapecuru, junto à Sub-bacia 29,


tem baixa suscetibilidade a afundamentos cársticos. As áreas de afloramento da Formação
Sambaíba são de alta suscetibilidade e as exposições das formações Itapecuru, Pedra de
Fogo e Pimenteiras são de média suscetibilidade no que se refere à suscetibilidade à
contaminação de aqüíferos.

É verificada suscetibilidade alta para as formações Sambaíba e Pimenteiras e média para as


demais formações da Bacia do Parnaíba, no que se refere à erosão por sulcos, ravinas e
boçorocas.

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No que se refere a terrenos suscetíveis a problemas decorrentes de expansão e contração de


solos, são identificadas as formações Itapecuru, Pedra de Fogo, Longá, Piauí e Sambaíba
como áreas possivelmente suscetíveis.

E, finalmente, no que se refere a terrenos com possibilidades de recalques por colapso do


solo, aponta-se as áreas de ocorrência do grupo Barreiras situadas na borda leste da Sub-
bacia como áreas de menor possibilidade de ocorrência e depósitos detríticos situados junto
à cabeceira do rio Farinha como áreas de maior possibilidade de ocorrência.

Nesta unidade hidrográfica, assim considerada pela geomorfologia, as áreas de maior


vulnerabilidade encontram-se relacionadas às escarpas do Vão da Bacia do Alto Parnaíba e
às escarpas residuais do Chapadão do Alto Parnaíba. O Planalto Dissecado Gurupi-Grajaú,
posicionado no divisor entre as Bacias dos rios Tocantins e Parnaíba, também se caracteriza
pela alta vulnerabilidade, agravada pela friabilidade dos arenitos cretáceos da Formação
Itapecuru.

A Depressão do Médio Tocantins assume expressão espacial, com remanescentes de


aplainamento ou modelados de dissecações tabulares, que determinam baixa a moderada
vulnerabilidade aos processos erosivos. O mesmo pode-se afirmar com relação à Depressão
de Imperatriz.

 Sub-Bacia 29

De acordo com o embasamento geológico desta Sub-bacia, no que se refere à


suscetibilidade dos terrenos a afundamentos cársticos, verifica-se baixa suscetibilidade das
rochas dos grupos Grão-Pará e Tocantins. Quanto à suscetibilidade à contaminação de
aqüíferos, verifica-se suscetibilidade média para o Grupo Grão-Pará e suscetibilidade alta
para a Formação Rio Fresco do Grupo Uatumã.

Já a suscetibilidade dos terrenos à erosão no horizonte C é alta para as unidades Granito da


Serra dos Carajás e Granito Velho Guilherme e média para o Complexo Xingu. O Granito
Serra dos Carajás e Formação Rio Fresco têm suscetibilidade média para o Grupo Grão-Pará
à erosão por sulcos, ravinas e boçorocas.

No que se refere a terrenos suscetíveis a problemas decorrentes de expansão e contração de


solos, o mapa elaborado aponta a Formação Pedra de Fogo como área possível.

No que se refere a terrenos com possibilidades de recalques por colapso do solo, apontam-
se as áreas de ocorrência do grupo Barreiras na margem direita do reservatório da barragem
de Tucuruí e a jusante desta, ao longo das margens do rio Tocantins, como de menor
possibilidade de ocorrência.

Segundo a geomorfologia, as áreas de maior vulnerabilidade encontram-se associadas à


serra de São Félix-Antonhão-Seringa, divisor entre as Bacias do Tocantins e Xingu e a serra
dos Carajás. Os metassedimentos residuais apresentam disposição geral associada aos
lineamentos estruturais (W-E, WNW-ESE), responsáveis tanto pela incisão epigênica do rio
Itacaiúnas, na serra dos Carajás, como nas escarpas de falhas que contornam esses
remanescentes.

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O Planalto Residual do Sul do Pará e os Patamares Dissecados de Tucuruí se individualizam


por uma vulnerabilidade moderada.

As Depressões Itacajunas-Cajazeiras e Parauapebas-Caeté individualizam-se por baixo grau


de vulnerabilidade. Também as Planícies Fluviais e Leques Aluviais do Tocantins se
individualizam por baixa vulnerabilidade, caracterizadas geneticamente por processo de
agradação.

2.1.1.2. Potencial Mineral

O objetivo do presente item é caracterizar os recursos minerais presentes na Bacia do rio


Tocantins e de avaliar o seu potencial metalogenético. Para atingir o objetivo proposto foram
selecionadas, inicialmente, as principais áreas de ocorrências minerais dentro da Bacia e, em
seguida, estas ocorrências foram correlacionadas com as respectivas unidades geológicas.
Os estudos tiveram como base a compilação de dados bibliográficos, análise de material
cartográfico e consultas ao cadastro minerário do DNPM. Para uma melhor caracterização
dos recursos minerais, cada uma das sub-bacias componentes da Bacia Hidrográfica do rio
Tocantins foi descrita separadamente.

A Bacia do rio Tocantins, conforme apresentado no item anterior, apresenta um arcabouço


geológico bastante diversificado, englobando rochas formadas desde o Arqueano até o
Triássico, na forma de Terrenos TTG, Greenstones Belts, Complexos Máfico-Ultramáficos,
Formações Ferríferas, bacias sedimentares proterozóicas, bacias sedimentares fanerozóicas,
além dos componentes quaternários representados por depósitos aluvionares e coberturas
detrito-lateríticas.

Esta grande diversidade propicia uma disponibilidade de recursos minerais igualmente


diversificada. A área da Bacia, no geral, apresenta uma boa potencialidade mineral, para
níquel, ferro e ouro. A principal ocorrência do minério de níquel está na porção sul da Bacia,
nas proximidades da cidade de Niquelândia (TO), entre outras localidades. O minério de ferro
encontra-se fortemente vinculado à região da Serra dos Carajás (PA) e na região de Monte
do Carmo (TO). Há referências a ouro espalhadas por toda região, em maiores ou menores
quantidades. Outras substâncias referenciadas no cadastro do DNPM são: calcário, cobre,
zinco, titânio, bauxita, fosfato, ilmenita, magnésio, cassiterita, tântalo, manganês, argila, turfa,
gipsita e alumínio.

Com base nos dados e estudos mencionados, bem como nos processos existentes no
cadastro do DNPM, foram delimitadas cinco áreas de alta potencialidade mineral, e mais
quatro áreas de média potencialidade, conforme tabela a seguir. A potencialidade de cada
uma destas ocorrências foi confirmada por meio de consulta a dados disponíveis na literatura
e da sua correlação com as respectivas unidades geológicas.

Tabela 25 - Áreas potenciais para ocorrência mineral e unidades geológicas


relacionadas

Quadro I – Áreas de Alta e Média Potencialidade Mineral

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Área Potencialidade Sub-bacias Recursos Unidade Geológica


Relacionadas
20 Complexo Niquelândia, Complexo
1 Alta Ni, Au, Zn, Ti, Ca, Ilm, Barro Alto, Grupo Paranoá, Grupo
Serra da Mesa/Serra Dourada
20, 21 e 22 Formação Traíras, Seqüência
2 Média Au, Cu, Ag
Palmeirópolis
21 Au, Ca, Mg, Cass, Fo, Seqüência São Domingos, Grupo
3 Alta
Tant Bambuí
21 e 22 Almas-Dianópolis,
4 Alta Au, Fe, Ni, Mn, Cu
Formação Pimenteiras

5 Alta 22 Cu, Ni, Au Arco Magmático de Goiás

6 Média 22 Au, Ni Grupo Tocantins

23 Arg, Tf, Ca, Gips, Al,


7 Média
Titan
Grupo Balsas

23 e 29 Complexo Xingu, Grupo Grão-


8 Média Au, Fe, Cu, Ni
Pará
29 Complexo Xingu, Grupo Grão-
9 Alta Au, Fe, Cu, Ni
Pará

Elaboração: Consórcio CNEC – ARCADIS Tetraplan

A figura a seguir espacializa as áreas de potencialidade definidas.

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Ilustração 17 - Mapa com as principais áreas com potencialidades minerais

Fonte:

O Mapa A3 – Compartimentos Geológicos e Títulos Minerários encontra-se no Caderno


de Mapas A do Atlas do Projeto.

Segue descrição, por sub-bacia, do potencial mineral verificado na Bacia do Tocantins.


 Sub-bacia 20

Nesta Sub-bacia ocorre uma área com alto potencial mineral (área 1), e parte de uma área de
médio potencial (área 2).

A área 1 situa-se na parte central da Sub-bacia, nas proximidades dos municípios de


Niquelândia e Barro Alto. Nessa região, encontra-se uma das maiores reservas de níquel do
mundo e a maior produção nacional desse minério, além de zinco, ouro, titânio, ilmenita,
calcário, cobre e fosfato, com menor importância. Tal reserva está associada diretamente às
rochas das unidades geológicas dos Complexos Niquelândia e Barro Alto.

Os depósitos de níquel desses complexos tratam-se de depósitos lateríticos, formados a


partir da alteração intempérica, e encontram-se em altitudes que variam de 900 a 1.150 m
sustentadas por rochas que, freqüentemente, apresentam um capeamento silicoso. As
jazidas do Complexo Niquelândia possuem reservas totais correspondentes a cerca de 60 Mt
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de minério com 1,45% de Ni, e as do Complexo Barro Alto foram avaliadas em torno de 72,39
Mt de minério com 1,67% de Ni (CPRM, 2003).

Segundo o mapa de títulos minerários do DNPM e o Mapa Geológico do Brasil ao


milionésimo, da CPRM, as ocorrências de minério de zinco e calcário estão associadas às
rochas pertencentes à unidade rítmica pelito-carbonatada do Grupo Paranoá. Este grupo de
idade Mesproterozóica é caracterizado como uma seqüência deposicional em ambiente
marinho, subdividido em doze litofácies e agrupadas em quatro megaciclos sedimentares. Os
megaciclos, com status de formação, foram denominados da base para o topo em: Unidade
Conglomerática Quartzítica; Unidade Síltica Ardosiana; Unidade Rítmica Quartzítica e
Unidade Rítmica Pelito-Carbonática. A Unidade Rítmica Pelito-Carbonatada caracteriza-se
por um pacote no qual predomina uma alternância de metassiltito, metargilito, ardósia e,
subordinadamente, quartzitos finos a médios, lentes de metacalcário cinza e dolomito com
estromatólitos.

A mineralização de ouro, assim como parte da de zinco, associam-se aos Grupos Serra da
Mesa e Serra Dourada, caracterizados por granitos anorogênicos em meio aos quartzitos,
xistos, metaconglomerados e mármores.

Na área 2, classificada como de médio potencial mineral, a qual abrange os rios das Almas,
Atalaia e Cana-Brava, os bens minerais são ouro, cobre, e, subordinadamente, prata. Estes
ocorrem na Formação Traíras e Seqüência Palmeirópolis. A Formação Traíras corresponde à
parte superior do Grupo Araí, e consiste de sedimentos pelíticos, químicos e espessas
camadas de psamitos.

A seqüência de Palmeirópolis é dividida em três unidades maiores: unidade inferior


(anfibolitos BIFs e cherts); unidade intermediária (metavulcânicas félsicas); e, unidade
superior (metassedimentos pelíticos e químicos). Os corpos mineralizados são hospedados à
unidade anfibolítica, e associados à alteração hidrotermal na fácies anfibolito. Os depósitos
foram estimados em torno de 4 Mt de minério com 1,23% Cu e 25,1 g/t Ag.
 Sub-bacia 21

Nesta Sub-bacia ocorre uma área de alta potencialidade mineral, 3, além de parte da área 2,
já descrita acima.

A principal ocorrência mineral desta área é o ouro, com uma grande concentração de
processos no DNPM, localizados no extremo leste. Com distribuição semelhante, porém, com
menor importância, ocorrem depósitos de calcário e magnésio, além de fosfato, cassiterita e
tântalo na região próxima ao limite entre os dois Estados.

A ocorrência de ouro e cassiterita, principalmente nos arredores do município de São


Domingos, vem sendo explorada desde o século XVIII pelos bandeirantes. Está associada à
Seqüência Metavulcanossedimentar São Domingos, que juntamente com rochas plutônicas
associadas e seu embasamento siálico constituem uma janela erosiva de aproximadamente
20 km segundo a direção N-S e 10 km de largura, cuja superfície aplainada é relacionada ao
Ciclo Velhas.

A ocorrência de ouro compreende veios de quartzo, conseqüentes de processo tardio de


deformação rúptil, variando de 3 cm a 1 m de espessura, presentes principalmente em
tonalitos, granada filitos, filitos carbonosos, metavulcânicas ácidas (riolito). As concentrações

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de ouro nesses veios variam entre 0,84 a 14,36 ppm, sendo as maiores concentrações
atribuídas aos veios encaixados nos riolitos.

As ocorrências de cassiterita são hospedadas por veios de greisen, quartzo e,


predominantemente, pegmatito milonitizados, controlados por fraturas de direção N70°-80°W,
subverticais, coincidente com a direção de falha de cisalhamento existente na região. Estes
veios encontram-se geralmente encaixados nos xistos da Seqüência São Domingos.

A potencialidade para calcário, fosfato e magnésio na região está vinculada às rochas


pertencentes ao Grupo Bambuí, neoproterozóico, dividido nas Formações Sete Lagoas,
Santa Helena e Lagoa do Jacaré. A Seqüência Sete Lagoas é constituída por rochas
carbonáticas depositadas em plataforma rasa. Apresenta, em algumas regiões, ciclos de
deposição de carbonatos superpostos, agradacionais e que raseiam ascendentemente,
acumulados em períodos de mar alto. A Seqüência Santa Helena-Lagoa do Jacaré assenta-
se em discordância erosiva sobre a seqüência Sete Lagoas e é formada por rochas
siliciclásticas (folhelho, ardósia, siltito e marga) ,que gradam para o topo para carbonatos com
níveis subordinados de siltito e marga.

Ocorrem anomalias em zinco e chumbo associadas a um horizonte de dolomito rosado,


sacaroidal, situado na parte superior do primeiro ciclo carbonático regressivo do Grupo
Bambuí.
 Sub-bacia 22

Na Sub-bacia 22 ocorrem duas áreas de alto potencial a mineralização (4 e 5) e uma de


médio potencial (área 6).

A principal área, a área 4, localiza-se na porção central/sudeste da Sub-bacia, onde estão os


rios Manuel Alves, das Balsas e do Peixe, e as cidades de Conceição do Tocantins,
Dianópolis, Natividade, Almas, Porto Alegre do Tocantins, Pindorama do Tocantins, Monte do
Carmo, entre outras. As substâncias mais representativas são minérios de ouro, ferro, níquel,
manganês e cobre.

O Terreno Granitóide-Greenstone de Almas-Dianópolis, portador de mineralização de ouro,


localiza-se na porção sudeste do Estado do Tocantins.

As mineralizações de ouro da região estão controladas por zonas de cisalhamento


subverticais de direção nordeste. A deposição do ouro, em escala local, teria sido controlada
pela presença de rochas reativas ricas em ferro (metabasaltos de alto-Fe) e por zonas
dilatacionais ao longo das superfícies de cisalhamento, sendo estes de origem metamórfica.

Nesta região, há a ocorrência de ferro oolítico da Formação Pimenteiras, que forma,


juntamente com as formações Itaim, Cabeças, Longá e Poti, o Grupo Canindé, pertencente à
Bacia do Parnaíba. Esse depósito constitui importante guia litoestratigráfico e caracteriza uma
época metalogênica no Fanerozóico (devoniano). Esse minério depositou-se num ambiente
costeiro na borda de um continente aplainado, profundamente alterado. A Formação
Pimenteiras, de modo geral, é caracterizada por fácies de mar aberto, formada por arenitos,
siltitos e folhelhos pretos.

A área 5 situa-se nas redondezas dos Rios do Ouro e Santa Tereza, nos municípios de Santa
Tereza de Goiás, Trombas, Estrela do Norte e Porangatu. As ocorrências de cobre, ouro e

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níquel estão vinculadas à Seqüência metavulcano-sedimentar do Arco Magmático de Goiás,


pertencente à Província Tocantins.

Na área 6, de médio potencial mineral, encontra-se o rio Orixás, e está próxima à cidade de
Porto Nacional. Os títulos aí se referem predominantemente a ouro e níquel, e relacionam-se
ao Grupo Tocantins, integrante do Supergrupo Baixo Araguaia.
 Sub-bacia 23

A Sub-bacia 23 apresenta alguns poucos títulos minerários em uma área de média


potencialidade em sua porção central, mais precisamente no município de Carolina,
referentes a argila, turfa, calcário, gipsita, alumínio e titânio. As referências a argila e turfa
estão, provavelmente, relacionadas à Formação Pedra de Fogo, do Grupo Balsas, que
representa a Superseqüência Carbonífero-Triássica da Bacia do Parnaíba.

A Formação Motuca, acima da Formação Pedra do Fogo, consiste de folhelhos vermelhos


com níveis de siltito, localmente com estromatólitos dômicos, representando deposição em
ambiente lacustre ou lagunar. A esta devem se referir os títulos de calcário.
 Sub-bacia 29

Esta Sub-bacia refere-se à região nos arredores da represa do Rio Tocantins, e dos Rios
Pucuruí, Cajazeiras, Igarapé Vermelho, Sororó, Vermelho, Parauapebas e Itacaiúnas. A área
apresenta uma grande quantidade de títulos, estando eles presentes em toda sua extensão,
principalmente na feição geomorfológica da Serra dos Carajás (áreas 8 e 9). Os títulos de
ouro, ferro, cobre e níquel encontram-se em rochas pertencentes ao Complexo Xingu e
Grupo Grão-Pará, constituindo a principal província mineral do país. A potencialidade mineral
concentra-se, principalmente, nas cidades de Água Azul do Norte, Parauapebas, Canaã dos
Carajás, Marabá, Eldorado dos Carajás e Curionópolis.

As rochas metamórficas do Complexo Xingu, nas proximidades do Rio Itacaiúnas,


Paraopebas, Cinzento e Tapirapé, constituem uma associação de rochas ígneas e
metamórficas, composta por granitos, granodioritos, gnaisses migmatitos, dioritos, granulitos
e anfibolitos. Estas rochas dispõem-se em faixas orientadas segundo a direção WNW-ESE. O
grau de metamorfismo geral é de fácies anfibolito a granulito.

A ocorrência de falhamentos nessas rochas, seguidos por processos hidrotermais, propiciou


a formação de veios de quartzo e de rochas pegmatóides, os quais apresentam potencial
para ouro. Estes veios raramente ultrapassam um metro de espessura.

O potencial metalogenético do Complexo Xingu encontra-se principalmente associado às


seqüências metavulcano-sedimentares, interpretadas como restos de greenstone belts mais
antigos.

Os depósitos de ferro nesta Sub-bacia distribuem-se ao redor da Serra dos Carajás. As


principais unidades litológicas encontradas no distrito ferrífero são descritas como granito
gnaisse, anfibolito, xisto e quartzito, também pertencentes ao Complexo Xingu. Além deste,
também são descritas rochas de baixo a médio grau metamórfico do Grupo Grão-Pará,
datado de 2,76 Ga por U-Pb em zircão, que se encontra em discordância angular com o
Complexo Xingu. Na área dos depósitos, o Grupo é composto por seqüência vulcânica de
rochas básicas espilitizadas e alteradas, e pela formação ferrífera (Formação Carajás)
constituída por jaspilitos hematíticos, itabirito, minério de ferro lixiviado, intercalações e diques
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de rochas máficas. Contemporâneas ao vulcanismo Grão-Pará, ocorrem intrusões de corpos


máfico-ultramáficos diferenciados.

A produção atual da jazida de Carajás é da ordem de 54Mt/ano de minério com teor médio de
60,9% Fe. As reservas totais foram estimadas em 18 bilhões t de minério com teores entre 60
e 67%.

2.1.1.3. Sismicidade
 Caracterização da Geologia Estrutural e Neotectônica

O presente item tem por objetivo caracterizar e avaliar o potencial sísmico da Bacia
Hidrográfica do rio Tocantins, procurando enfocar de maneira integrada aspectos relativos à
geologia, neotectônica e sismicidade natural e induzida por reservatórios (SIR). De modo
geral, este relatório baseia-se na compilação de dados bibliográficos disponíveis e
informações oriundas de estações de monitoramento sísmico pertencentes ao Observatório
Sismológico da Universidade de Brasília (OBSIS).

A ampla extensão da área de drenagem da Bacia Hidrográfica do Tocantins materializa-se na


complexidade de seu substrato, dado que o rio Tocantins atravessa um grande número de
unidades geológicas distintas, como já mencionado. Em seu trecho inicial, no Estado de
Goiás, o rio Tocantins corre sobre terrenos metamórficos e ígneos de idade arqueana e
proterozóica. Estes são caracterizados pela presença de seqüências do tipo Greenstone
Belts, unidades de alto grau metamórfico, suítes graníticas, complexos granito-gnáissicos e
vulcano-sedimentares, apresentando metamorfismo e retrabalhamento associado ao Ciclo
Brasiliano (HASUI, 1988). Na porção central, leste e nordeste da área de interesse ocorre
extensa cobertura paleozóica não deformada, representada por rochas sedimentares
pertencentes à Bacia do Parnaíba. Localmente e, em especial nas proximidades da foz do rio
Tocantins, ocorrem unidades sedimentares neógenas associadas a sistemas deposicionais
continentais.

Do ponto de vista estrutural, a área em questão encontra-se inserida nas províncias de


Tocantins, Borborema e Parnaíba (ALMEIDA et al. 1977). A primeira e a segunda província
caracterizam-se por um complexo padrão de lineamentos, suturas e arcos, evidenciando um
complicado arcabouço arquitetural entre os blocos crustais do embasamento. Dados
gravimétricos e magnetométricos (HASUI & HARALYI, 1985) indicam presença de
lineamentos com direção principal nordeste e falhas noroeste na porção centro-sul da área e
norte e nordeste a norte. Grande parte destas descontinuidades, possivelmente está
condicionada por estruturas antigas presentes no embasamento e por seqüências dobradas
de maior porte, como as faixas móveis brasilianas do Paraguai-Araguaia e Brasília
(THEMAG, 1987). A província estrutural do Parnaíba compreende a bacia intracratônica
homônima, e é caracterizada por falhamentos normais com direções principais leste-nordeste
e norte-noroeste, apresentando rejeitos de até 200 m.

Trabalhos recentes voltados à análise neotectônica e sismológica (SAADI et al. 2002;


MIOTO, 1993), indicam que a área de interesse apresenta-se próxima a três grandes
descontinuidades, denominadas de “Zona de Falha de Porangatu” (HASUI & MIOTO, 1988),
“Zona de Falha da Serra do Estrondo” (figura a seguir) e “Lineamento de Bacajá”.

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Ilustração 18 - Mapa dos principais lineamentos e falhas brasileiros com indício de


quaternária. Na área hachurada, estão contempladas a “Zona de Falha de Porangatu” e
a “Zona de Falha da Serra do Estrondo” (modificado de SAADI et al., 2002)

A primeira grande estrutura regional apresenta direção preferencial de Nordeste-Sudoeste


(22°) e corta os Estados de Mato Grosso, Goiás e Tocantins, apresentando cerca de 669 km
de comprimento total. É caracterizada por composições de falhas transcorrentes destrais,
com taxa de movimentação menor que 1 mm/yr e evidências de reativação durante o período
Pleistocênico (SAADI et al. 2002). Possivelmente, a origem da estrutura está associada a
zonas de cisalhamento meso-proterozóicas que foram sucessivamente reativadas durante o
ciclo orogênico Brasiliano e durante a era Mesozóica. Do ponto de vista fisiográfico e
geomorfológico, a “Zona de Falha de Porangatu” forma as escarpas da “Serra Dourada” na
porção oeste do “Planalto Central de Goiás”, condicionando o rio Araguaia no se alto curso.

A descontinuidade conhecida como “Zona de Falha da Serra do Estrondo” apresenta direção


Norte-Nordeste Sul-Sudoeste (7°) e aproximadamente 632 km de extensão. Ocorre em
praticamente toda a porção central do Estado de Tocantins, compondo grandes escarpas de
falha conhecidas como “Serra do Estrondo” e formando o divisor de águas N-S entre os rios
Tocantins e Araguaia. A estrutura apresenta movimentação normal, com o bloco baixo
localizado a oeste, e mergulho subvertical com leve caimento para oeste. De maneira

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semelhante a “Zona de Falha de Porangatu”, a “Zona de Falha da Serra do Estrondo”


apresenta indícios de reativação durante o Quaternário (Holoceno) e taxa de movimentação
inferior a 1 mm/yr. Possivelmente a origem da descontinuidade esteja relacionada a
estruturas Pré-cambrianas pertencentes a faixa de dobramento Paraguai-Araguaia,
reativadas durante o ciclo orogênico Brasiliano. Do ponto de vista geotectônico, a “Zona de
Falha da Serra do Estrondo” pode ser considerada o limite formal entre o Cráton Amazônico,
a oeste do Estado de Tocantins e a Bacia do Parnaíba, a leste do mesmo Estado.

A descontinuidade de Bacajá pertence à unidade denominada de “Escudo Brasil Central” e


localiza-se na porção norte da área de interesse. A estrutura ocorre associada a “Sutura
Central do Pará” que articula os blocos crustais de Belém e Araguacema, e também a
sistemas de lineamentos e falhas transcorrentes de direção NE.
 Sismicidade natural

De modo geral, a ocorrência de qualquer tipo de sismo está associada a processos


envolvendo movimentação de placas tectônicas e blocos crustais a partir de
descontinuidades pré-existentes. Deste modo, a proximidade com grandes estruturas
geológicas, ou zonas de interação de placas tectônicas, diminui significativamente a
estabilidade geológica da região, e assim aumenta a possibilidade da ocorrência de tremores.
Do ponto de vista geotectônico, o Brasil encontra-se na porção central da placa sul-
americana e, por conseguinte, distante de zonas sísmicas importantes como a Cordilheira
Andina e a Dorsal Meso-oceânica. Desta maneira, toda a extensão territorial brasileira
encontra-se fora da área de perigo sísmico, definida em função da ocorrência de eventos de
grande poder destrutivo.

A maioria dos tremores que ocorrem no Brasil são sismos rasos com profundidades focais
inferiores a 33 km e que dificilmente excedem a intensidade 4,0 na Escala Gutemberg-Richter
(ER). Não raro, estes eventos atingem somente áreas restritas e próximas à superfície e
somente são sentidos por meio de sismógrafos em estações de monitoramento. A origem dos
sismos na porção interna da placa sul-americana ainda não pode ser definida de maneira
conclusiva, no entanto as hipóteses mais aceitas indicam que tremores estariam vinculados a
processos envolvendo, desde a propagação de esforços oriundos da subducção dos Andes,
variações laterais de densidade litosférica, até o efeito de carga de material intrusivo de alta
densidade na crosta inferior (NUNN & AIRES, 1988).

Desde o final dos anos 70, diversos trabalhos vêm tentando estabelecer a relação entre a
origem da atividade sísmica no Brasil e as grandes zonas de fraqueza crustal regionais. Em
1981, estudos conduzidos pelo Instituto de Pesquisas Tecnológica (IPT), definiram zonas de
maior ocorrência de sismos inseridas dentro das províncias tectônicas brasileiras. Dentro
desta ótica, o clássico trabalho de BERROCAL et al (1984), definiu sete “Regiões
Sismotectônicas” a partir da associação entre dados sísmicos históricos e escopo tectônico
do território brasileiro.

Segundo BERROCAL et al (1984), a maior parte área de interesse situa-se na Região


Sismotectônica Paraguai-Araguaia, representada por dobramentos brasilianos que se
estendem desde o Mato Grosso do Sul até a divisa do Estado do Tocantins com o Pará.
Dentro desta macro-unidade foram identificadas duas principais zonas onde a incidência de
tremores é sensivelmente maior (figura a seguir), a Zona de Porangatu (HASUI & MIOTO,
1988; MIOTO, 1993) localizada na porção sudoeste da área e a Zona de Itacaiúnas a

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noroeste (THEMAG, 1987), ambas apresentando correspondência com estruturas regionais


de grande porte.

A foz do Rio Tocantins, a sudeste da Ilha de Marajó, está formalmente inserida na Região
Sismotectônica do Amazonas (BERROCAL et al, 1984), mais especificamente na Zona
Sismogênica de Belém (MIOTO, 1993). Apesar de a área abrangida contemplar apenas uma
pequena parte desta província, decidiu-se por incluí-la na descrição, tendo em vista sua
importância para o arcabouço estrutural e sísmico do norte do Brasil.

Ilustração 19 - Mapa sísmico do Brasil, destacando a localização aproximada das zonas


sísmicas de Porangatu, na área central, e Itacaiúnas na porção superior da figura
(Dados do Observatório Sismológico da UnB e MIOTO, 1993)

Cerca de 40 tremores foram identificados na Zona Sismogênica de Porangatu, a maioria com


magnitudes oscilando entre 3,0 e 3,7. A localização dos epicentros sísmicos evidenciou que
estes compõem um padrão fortemente alinhado, possivelmente respeitando a estruturação
do embasamento local. Os maiores registros sísmicos ocorreram em Itapirapuã e Redenção,
e atingiram magnitude entre 4.0 e 5.0 e 4.7, respectivamente.

A Zona Sismogênica de Itacaiúnas está localizada na porção noroeste da área de interesse e


pertence aos domínios do Cráton Amazônico e da Bacia do Parnaíba, sendo subdividida pela
Faixa Araguaia (MIOTO, 1993). Apresenta direção Noroeste-Sudeste e cerca de 700 km de

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extensão e 350 km de largura, ocupando geograficamente grande parte da unidade


conhecida como Depressão Periférica do Sul do Pará.

A Zona Sismogênica de Itacaiúnas encontra-se associada à faixa de cisalhamento de Bacajá


e aos lineamentos de Carajás e Cinzento, ambos caracterizados por movimentação
transcorrente sinistral. Os sismos incidentes na região apresentam epicentros alinhados a
Norte-Sul e Noroeste-Sudeste, coincidindo com a direção dos lineamentos de Itacaiúnas e
Bacajá, respectivamente. A magnitude média dos tremores associados a Zona de Itacaiúnas
oscila entre 3 e 4 Mb.

Na região pertencente à Bacia do Parnaíba, existe registro de apenas um único evento


sísmico captado por instrumentos, ocorrido na localidade de João Lisboa. A baixa atividade
sísmica nesta província, possivelmente se deve a inexistência de estações de monitoramento
permanente, pela baixa densidade demográfica e também pela maior atenuação das ondas
sísmicas, característica dos estratos sedimentares (THEMAG, 1987).

Nas proximidades da foz do Rio Tocantins, localizada a sudeste da Ilha de Marajó (PA),
existem relatos de sismos de magnitude fraca a moderada, apresentando valores máximos
de 4,8 Mb. Estes eventos ocorreram na região nordeste da Ilha de Marajó e devem estar
relacionados a esforços associados a reajustes isostáticos devido ao acumulo sedimentar na
foz do Rio Amazonas (RODRIGUEZ, 1993).

Segundo MIOTO (1993), a Zona Sismogênica de Belém apresenta uma área retangular com
cerca de 450 por 400 km, sendo delimitada por grandes estruturas regionais, representadas
pelo Arco de Gurupá e por linhas tafrogênicas cretáceas de direção SE. A estruturação da
área corresponde a um complexo de bacias de rifte atulhadas por sedimentos meso-
cenozóicos da Bacia de Marajó e condicionadas por falhamentos transcorrentes e lístricos. A
existência de estruturas com indícios de reativação holocênica e eventos sísmicos
associados, permitem considerar que a Zona Sismogênica de Belém apresenta intensa
mobilidade contemporânea.

Em todos os Estados pertencentes à área de interesse, foram verificadas historicamente 101


ocorrências de sismos, sendo que a maior parte destes encontram-se inseridos, ou sob
influência, na Zona Sísmica de Porangatu (GO) e, secundariamente de Itacaiúnas (PA, TO,
MA). Dados históricos indicam que a maioria dos sismos apresenta baixa magnitude, com
valores entre 0.8 e 3.7 e valor médio de 2.8, e que apenas dois abalos atingiram 4.5 e 4.7.
Estes dados permitem associar a origem dos tremores com eventos localizados, envolvendo
pequenas movimentações e reajustes de blocos crustais (THEMAG, 1987).

Pode-se considerar a região localizada entre os rios Tocantins e Araguaia (da localidade de
Juçara a Natividade), como a área da Bacia mais ativa sismicamente, devido à maior
freqüência de eventos com magnitude moderada (THEMAG, 1987). Em segundo lugar,
destaca-se a região compreendida entre 50 e 120 km da margem esquerda dos rios Araguaia
e Tocantins, a qual inclusive pertence o segundo maior sismo em quantidade de energia
liberada em evento isolado (sismo de Redenção, 4.7 Mb). O evento de 4.8 registrado na Zona
Sísmica de Belém é o tremor de maior magnitude, no entanto, a influência direta desta
província na área de drenagem da Bacia do Rio Tocantins pode ser considerada secundária
em relação às zonas de Porangatu e Itacaiúnas.

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Cabe mencionar, ainda, os eventos ocorridos em Tucuruí e que foram confirmados devido à
inexistência de sismos antes da formação da represa e pela posição dos epicentros, que
comumente ocorriam na porção central ou na área marginal do lago. Segundo MIOTO (1993),
a atividade sísmica em Tucuruí estaria diretamente associada ao reajuste de fraturas
orientadas a SW-NE devido ao sobrepeso do reservatório.

Até o ano de 1999, segundo o EIA/RIMA do CHE-Belo Monte (ELETRONORTE) e o Relatório


Técnico de Acompanhamento da Hidrelétrica de Tucuruí (Convênio FUB/ELETRONORTE),
ocorreram outros pequenos tremores na área de influência do reservatório, seguindo um
padrão cíclico de altas e baixas magnitudes (figura IV). Esta oscilação pode estar relacionada
a variações do nível d’água da represa, influenciando diretamente a ocorrência e intensidade
da SIR.

2.2. Caracterização dos Ecossistemas Terrestres


O presente item objetiva caracterizar os aspectos bióticos que configuram os ecossistemas
terrestres da Bacia Hidrográfica do Tocantins. Para tanto, busca-se evidenciar: (i) os tipos de
formações vegetais existentes e sua fauna associada; (ii) os níveis de alteração atuais
nessas formações; (iii) o estado de conservação dos diversos setores da Bacia Hidrográfica,
dadas suas particularidades; (iv) as localidades investigadas e aquelas consideradas
prioritárias para conservação.

Pretende-se com esta descrição fornecer um panorama do componente biótico das


paisagens atuais que constituem o espaço de análise. Nesse sentido, os aspectos biológicos
(vegetação e fauna) e conservacionistas a seguir apresentados fornecem um quadro das
condições da Bacia Hidrográfica, que auxiliará a identificação de subespaços ou
compartimentos, necessária à etapa posterior dos estudos, referente à Avaliação Ambiental
Distribuída.

2.2.1. Procedimentos Metodológicos


 Análise de dados secundários

Para a análise dos componentes bióticos da área da Bacia Hidrográfica, foram examinados
material cartográfico, imagens de satélite e relatórios técnicos disponíveis, bem como
literatura especializada. Foi realizada compilação de trabalhos sobre a vegetação e fauna de
vertebrados terrestres e de ecossitemas aquáticos na região da Bacia Hidrográfica,
abrangendo publicações de estudos científicos, dissertações e teses, mapeamento de
vegetação, relatórios técnicos relativos a estudos ambientais de empreendimentos
hidrelétricos e estudos no âmbito do Zoneamento Ecológico-Econômico do Estado do
Tocantins (SEPLAN, 2000) e de banco de dados oficiais (SIEG, 2006).

Foram ainda realizadas análises de similaridade de flora e de fauna da Bacia Hidrográfica,


utilizando-se para este fim dados de levantamentos realizados por ocasião dos Estudos de
Impacto Ambiental (EIA) de empreendimentos hidrelétricos construídos ou em estudo na
Bacia, bem como dados de levantamento de aves realizado na região do “Bico do Papagaio”,
no âmbito dos estudos do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). Optou-se por utilizar
estes estudos devido aos procedimentos adotados e condições de amostragem relativamente
semelhantes. Foram organizadas listas de espécies dos estudos referentes às UHEs Serra
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da Mesa, São Salvador, Peixe Angical, Ipueiras, Lajeado, Estreito e Serra Quebrada.
Procedeu-se à revisão da nomenclatura, eliminando-se espécies identificadas em nível de
gênero quando mais de uma estava presente, bem como aquelas que ocorriam em todas as
localidades que, portanto, não contribuem para evidenciar diferenças. Para análises de
similaridade/dissimilaridade, utilizou-se o Índice de Similaridade de Jaccard e algoritmo
UPGMA para construção dos dendrogramas.

 Mapeamento da cobertura vegetal e do uso do solo


− Georreferenciamento
O georreferenciamento das imagens de satélite obedece a uma malha sistemática de pontos
de controle, no sentido de garantir uma precisão dos dados que serão extraídos. Esse
procedimento pode ser efetuado em softwares apropriados, como o ENVI ou o Erdas, que
são muito eficientes e bem conceituados.
− Equalização das imagens
Foi adotado o procedimento de equalização das imagens através da correção da resolução
radiométrica das imagens, a fim de criar um mosaico que não apresente mudanças abruptas
de uma imagem para outra. Essas correções são importantes a fim de se evitar que, durante
as classificações semi-automáticas, classes de uma imagem sejam diferentes em outra.
− Classificação semi-automática das imagens
A classificação das imagens de satélite baseou-se nos cálculos de reflexão das faixas
espectrais das bandas, assim, cada banda atua numa faixa do espectro eletromagnético.
Neste caso, foram utilizadas as bandas TM3, TM4 e TM5, cujas principais aplicações são
listadas na Tabela 26 – Principais Aplicações das Bandas 3, 4 e 5 do Sensor TM do Satélite
Landsat 5 a seguir:

Tabela 26 – Principais Aplicações das Bandas 3, 4 e 5 do Sensor TM do Satélite


Landsat 5

Banda Faixa Espectral Principais Aplicações

3 0,63 a 0,69 µm Região de forte absorção pela vegetação verde. Permite bom contraste entre áreas
ocupadas com vegetação e aquelas sem vegetação (solo exposto, estradas e áreas
urbanas). Permite análise da variação litológica em locais com pouca vegetação. Apresenta
bom contraste entre diferentes tipos de cobertura vegetal (exemplo: campo, cerrado e
floresta). Permite o mapeamento da rede de drenagem através da visualização da mata de
galeria e entalhamento dos cursos dos rios em regiões com pouca cobertura vegetal. É a
banda mais utilizada para delimitar a mancha urbana.

4 0,76 a 0,90 µm Permite o mapeamento de corpos d’água pela forte absorção da energia pela água nesta
região. A vegetação verde, densa e uniforme reflete muito a energia, aparecendo em tom de
cinza claro nas imagens. Apresenta sensibilidade à morfologia do terreno, permitindo a
obtenção de informações sobre a geomorfologia, solos e geologia. Serve para separar as
áreas ocupadas com vegetação das que foram queimadas.

5 1,55 a 1,75 µm Apresenta sensibilidade ao teor de umidade das plantas, servindo para observar estresse na
vegetação, causado por deficiência hídrica. Esta banda sofre perturbações em caso de
ocorrência de chuvas antes da obtenção da imagem pelo satélite.

Fonte: DGI/INPE, em Fundamentos do Sensoriamento Remoto e Metodologias de Aplicação,


(MOREIRA, 2004).

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A classificação das imagens pode ser feita, nos moldes digitais, de forma totalmente
automática ou semi-automática, essa última conhecida como classificação assistida ou
classificação supervisionada.

A classificação assistida, utilizada neste trabalho, foi elaborada a partir de áreas alvo,
devidamente identificadas e classificadas. Essas classificações foram, então, extrapoladas
para toda a área através de estatísticas bayseanas de probabilidade.

Esse resultado passou, ainda em gabinete, por uma série de avaliações técnicas no sentido
de definir se os procedimentos adotados apresentaram resultados satisfatórios, definindo-se
a Confiabilidade do Mapeamento, bem como sua exatidão, podendo, neste momento, ter
início trabalhos de correção de eventuais problemas de classificação.

O material resultante foi submetido ao crivo de especialistas para a ratificação ou retificação


de tais dados; neste momento também é feita a qualificação dos fragmentos vegetais ora
mapeados.

Os principais padrões de mapeamento encontram-se apresentados na Ilustração 20 –


Processo de Interpretação Preliminar a seguir.

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Ilustração 20 – Processo de Interpretação Preliminar

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2.2.2. Biomas da Bacia Hidrográfica do Tocantins

2.2.2.1. Cerrado

A Bacia Hidrográfica do Tocantins insere-se, em sua maior parte, no Bioma Cerrado, definido
essencialmente pela estacionalidade climática que marca grande parte deste território.
Conforme a conceituação utilizada por AB’SABER (1970), corresponde ao Domínio
Morfoclimático (1970) descrito como “chapadões recobertos por cerrados e penetrados por
florestas de galerias”.

Este bioma ocupa a região central e centro-oeste do Brasil e localiza-se basicamente no


Planalto Central do Brasil, estendendo-se por mais de 2.000.000 km², o que corresponde a
cerca de 23% do território brasileiro. Ocupa distintos terrenos nesta ampla área de
ocorrência, com variações fisiográficas regionais relacionadas a altitude, modelado dos
terrenos e tipos de solos. De modo geral, entretanto, predomina em chapadões e nas
vertentes convexas dos terrenos movimentados, sobre solos lixiviados e/ou aluminizados,
onde a passagem de fogo é freqüente, em altitudes que variam de 300 a 1200m (RIBEIRO;
WALTER, 1998; IBAMA, 2002; REDFORD; FONSECA, 1986).

O termo Cerrado é utilizado no Brasil para designar uma formação vegetal internacionalmente
conhecida como savana, sendo expressões de índole fisionômica e não florística ou
ecológica (FERRI et al, 1988). Sob o conceito de Cerrado encontram-se as formações
savânicas e campestres brasileiras, caracterizadas por uma flora em grande parte endêmica,
com forte xeromorfismo. Constituem ambientes abertos, onde a insolação incide até o nível
do solo, favorecendo o componente herbáceo e a fauna heliófila. São estruturalmente mais
simples que as florestas, apresentando dois estratos, um dos quais herbáceo, cuja
expressividade relaciona-se com a densidade do segundo, arbustivo arbóreo.

Distintas denominações são utilizadas, guardando relação com o gradiente de biomassa


crescente dessa vegetação, desde fisionomias abertas ou savânicas, quais sejam, campos
limpos, campos sujos e campos cerrados, até fisionomias densas, como o cerrado stricto
sensu e o cerradão, este último constituindo a expressão florestal do cerrado.

Outros tipos de formações vegetais fazem parte da paisagem desse bioma. Nas áreas de
afloramentos d’água junto a nascentes, formações com claro predomínio da palmeira buriti
(Mauritia vinifera) compõem as veredas. À medida que o curso d´água se desenvolve e o
dique passa a ser mais bem estruturado, outras espécies florestais passam a ocorrer,
verificando-se um aumento gradual da diversidade específica. Formam-se, assim, as florestas
ripárias, ciliares, de galeria ou de dique, que acompanham os cursos d’água, associadas a
solos mais férteis e úmidos, contrastando com os amplos interflúvios revestidos de cerrados.
Estas florestas desempenham importante função, uma vez que proporcionam abrigo à fauna
umbrófila, favorecendo sua movimentação e dispersão.

Localmente, em áreas deprimidas das planícies aluviais, as florestas ripárias assumem


caráter peculiar, formando florestas paludosas, compostas por espécies tolerantes às
condições de saturação hídrica dos solos.

Citam-se ainda as florestas estacionais ou matas secas, presentes localmente, condicionadas


por características de substrato. Compreendem representantes do domínio atlântico e
caracterizam-se pela deciduidade do componente arbóreo. Na área de estudo, são mais

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evidentes a sul e sudeste e são relacionadas, de modo geral, a solos calcários. Caracterizam
também a franja de contato das formações abertas do bioma Cerrado e das formações
florestais do bioma Amazônia, ocorrendo em manchas disjuntas.

Esse conjunto de formações campestres, savânicas, florestais e paludosas encontra-se


intimamente associado nos cerrados e é importante constituinte deste domínio, contribuindo
para a diversidade da paisagem e para a diversidade biológica.

2.2.2.2. Amazônia

A região denominada “Bico do Papagaio” marca aproximadamente o limite sul de ocorrência


da Floresta Ombrófila, que se estende ao norte, na Depressão da Amazônia, e caracteriza
essa porção territorial da Bacia do Rio Tocantins.

O Bioma Amazônico é definido por AB’SABER (1970) como Domínio Morfoclimático das
Terras Baixas Equatoriais. Caracteriza-se, entre outros aspectos, por conter um amplo
gradiente de tipos vegetacionais florestais e, localmente, não florestais, em um padrão
fitogeográfico intrincado ainda não completamente decifrado (CAMPBELL; HAMMOND,
1988).

A Floresta Amazônica pode ser definida como uma coleção de espécies de exigências
ecológicas, aparentemente similares, que ocorrem em combinações, flutuando na
composição de um local para outro (MUNIZ et al 1994). Esse conceito aproxima-se ao de
comunidades contínuas (continuum), onde possivelmente comunidades situadas nos
extremos de uma série contínua sejam floristicamente distintas (MCINTOSH, 1967).

Isso significa que extensas áreas de florestas tropicais contêm variações ao longo de sua
área de ocorrência, determinando derivações de composição, de associações e de estrutura
significativas o suficiente para configurar heterogeneidades e dissimilaridades em uma
cobertura vegetal aparentemente homogênea. Nesse sentido, COLINVAUX et al (1999)
denomina de “complexo florestal” as formações vegetais amazônicas.

Diferentemente do ambiente aberto, característico do cerrado, a presença de dossel na


floresta funciona como uma interface entre o solo e a atmosfera, estabelecendo marcadas
diferenças em suas características físicas e biológicas. Há um gradiente vertical de
intensidade lumínica, de temperatura, de umidade e de concentração de CO2, contribuindo
para a diversificação de ambientes, explorados por grupos animais exclusivamente umbrófilos
e/ou arborícolas.

A delimitação florística da Amazônia apresenta uma série de dificuldades. Grande número de


táxons amazônicos penetra a distâncias variáveis no Cerrado pelas florestas de galeria, cuja
função como corredores de dispersão foi comentado anteriormente.

O Mapa B-13 - Biomas encontra-se no Caderno de Mapas B do Atlas do projeto.

2.2.2.3. Área de Transição ou de Tensão Ecológica

Áreas de transição ou de tensão ecológica correspondem a ecótonos, áreas de paisagens


distintas que se interpenetram. Apresentam um conjunto de características não organizadas,
sendo denominadas de áreas de “tensão ecológica”. Assim, a paisagem presente nem
sempre corresponde à esperada em função de seus condicionantes, por exemplo, o clima. A

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forma como este contato ocorre é variável. Quando em mosaico, os elementos das paisagens
intercalam-se, resguardando suas características e formando encraves. Às vezes, porém, a
transição caracteriza-se por um gradiente de fisionomias e de comunidades biológicas,
formando fisionomia própria.

A região do Bico do Papagaio e ao sul desta, até aproximadamente a região de Estreito, no


Estado do Tocantins, e a leste, já no Estado do Maranhão, delineia-se a faixa de transição
entre os biomas Cerrado e Amazônia. A transição é marcada por um mosaico de formações
savânicas e florestais que se alternam, estas relacionadas aos solos mais produndos que
ocorrem em manchas. É marcada ainda por extensas faixas de babaçuais, favorecidos pela
intervenção antrópica, ocorrendo como formações secundárias após a supressão da
vegetação nativa.

2.2.3. As Formações Vegetais na Bacia Hidrográfica do Tocantins


A presente análise tem por objetivo descrever as formações vegetais observadas na Bacia
Hidrográfica do rio Tocantins, de forma a contribuir para a compreensão das características
dos ecossistemas que constituem e organizam a paisagem.

A Bacia Hidrográfica do rio Tocantins abarca um espaço geográfico de cerca de 15º de


latitude, estando submetida a grandes variações climáticas e atravessando diferentes
unidades de relevo e de solo, conforme já apresentado. Estes aspectos têm importantes
reflexos na vegetação e na distribuição da fauna.

Ressalte-se que a vegetação, além de representar, per si, um fator biológico, representa
também fator estruturador de habitats, dando a tridimensionalidade aos ambientes, bem
como alterando as condições de umidade, temperatura e insolação. Constitui ainda estoque
de nutrientes e desempenha importantes funções ambientais, notadamente na contenção e
estabilidade dos solos.

Assim, conhecer os tipos de vegetação existentes e compreender sua distribuição no espaço


em análise, bem como os vetores de antropização que a modificam ou reduzem, auxilia na
compreensão da dinâmica da paisagem que se pretende avaliar.

2.2.3.1. Caracterização da Vegetação

O Mapa A6 – Imagem de Satélite no Caderno de Mapas A do Atlas do projeto apresenta


uma visão geral da cobertura vegetal e uso do solo de maneira preliminar. A representação
espacial e tipológica preliminar da cobertura vegetal que caracteriza a Bacia Hidrográfica foi
determinada por meio do estabelecimento da legenda apresentada no Anexo VII.

Desenvolvendo-se no sentido de sul a norte, o território abarcado pela Bacia Hidrográfica do


rio Tocantins é marcado, até a altura da região do Bico do Papagaio, pelo predomínio das
formações de cerrado, com suas várias fisionomias, e às quais se associam formações
florestais e paludosas, sendo as formações florestais umbrófilas restritas ao trecho
correspondente ao baixo curso.

Estudos nessa Bacia Hidrográfica concentram-se a sul, nas proximidades do Distrito Federal,
e ao longo do rio Tocantins, notadamente na região de Palmas (conforme Ilustração 21 –
Localidades de Coleta e Observação de Flora e Fauna a seguir). A partir dessas informações

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disponíveis e do mapeamento realizado, descreve-se, a seguir, a organização de sua


cobertura vegetal.

Ilustração 21 – Localidades de Coleta e Observação de Flora e Fauna

 Região do Alto Tocantins – sub-bacias 20 e 21


 Sub-bacia 20

O alto curso do rio Tocantins, incluindo a área abarcada pelos formadores deste rio (sub-
bacia 20), assim como os afluentes da margem direita deste trecho (sub-bacia 21), encontra-

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se na região nuclear do domínio do Cerrado. Este aspecto tem importância ecológica, pois
implica a ocorrência de paisagens típicas desse domínio ou bioma.

De fato, o Planalto do Alto Tocantins – Parnaíba, parte do Planalto Goiano, condiciona a


presença de extensas formações savânicas que dominam nos interflúvios, sendo as
formações florestais ripárias relacionadas aos fundos de vale, conforme característica do
bioma ou domínio, associadas aos solos mais profundos e úmidos que concorrem para um
menor estresse hídrico em relação aos ambientes de interflúvio.

A região próxima à Brasília é bastante estudada, o que decorre em grande medida das
atividades de instituições de pesquisa como a Universidade de Brasília (UnB) e a EMBRAPA,
aliadas à existência de um grande número de Unidades de Conservação (UC), possibilitando
a pesquisa de diversos aspectos da biologia, ecologia de espécies vegetais, manejo e
utilização dessas espécies. De fato, os dados disponíveis em site oficial apontam o
predomínio de coletas de flora no entorno imediato da capital federal (SIEG, 2006).

Embora, de modo geral, esses estudos não tenham sido realizados no território abarcado
pela Bacia Hidrográfica do Tocantins, foram feitos em seu limite imediato e podem ser
considerados representativos para a porção sul deste setor da área de estudo.

RATTER (1980) realizou um dos primeiros estudos sobre a composição florística das
diferentes fisionomias da fazenda Água Limpa (UnB): cerrado lato sensu, campos úmidos,
campos com murundus e matas ciliares e, posteriormente, FELFILI et al (1989) estudaram a
fenologia de espécies arbóreas no mesmo local. Posteriormente, FILGUEIRAS & PEREIRA
(1990) listaram 2.336 espécies de plantas, entre nativas e introduzidas para a flora do Distrito
Federal.

Outros estudos podem ser citados, como PEREIRA et al (1993) encontraram 1.686 espécies
de 154 famílias botânicas em cerrado, matas ripárias, veredas, brejos e campos úmidos na
Reserva Ecológica do IBGE (DF); FELFILI et al (1993) que analisaram a composição e
estrutura da vegetação nas diferentes localidades, identificando 139 espécies; RIBEIRO et al
(1985).que analisaram a estrutura fitossociológica de três fisionomias do cerrado (cerrado
ralo, cerrado típico e cerradão) em área do centro de Pesquisa Agropecuária da EMBRAPA,
Planaltina (DF), identificando 91 espécies lenhosas.

No que se refere a florestas ripárias, SILVA et al (1990) identificaram na Reserva Florestal


Tamanduá da EMBRAPA (DF) as seguintes espécies como mais importantes: angico
(Piptadenia macrocarpa), garapa (Apuleia leiocarpa), peroba-rosa (Aspidosperma sp.),
guatambu (Aspidosperma sp.), copaíba (Copaifera langsdorfii) e açoita-cavalo (Luehea
divaricata). Citam-se,ainda, FELFILI (1994; 1997), que estudou a mata ripária do ribeirão do
Gama (DF). Posteriormente, SILVA Junior (1999) investigou a mata ripária do Monjolo
(RECOR) e PIRES et al (1999) pesquisaram a composição florística, fitossociologia e padrões
de distribuição de espécies arbóreas em Cerrado stricto sensu, na APA de Cafuringa, na
porção noroeste de Brasília. Identificaram 86 espécies pertencentes a 36 famílias.

SAMPAIO et al (2000) estudaram as matas associadas aos córregos Riacho Fundo e


Açudinho, no DF. Trechos sob mesmas condições ambientais, em matas diferentes,
mostraram-se mais semelhantes que trechos contíguos da mesma mata, mas sob condições
distintas.

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Cita-se ainda, entre outros, o estudo de HERINGER Paula (1989) que realizou o inventário
florestal da mata ripária do riacho Roncador, nos limites da Reserva Ecológica do IBGE
(RECOR), no DF, com vistas a fornecer subsídios para os projetos de manejo sustentável.

Verifica-se, assim, o claro predomínio da vegetação de cerrado e a presença de formações


florestais e palustres associadas, bem como a elevada riqueza de espécies que caracteriza
estes ambientes e as variações estruturais em formações similares. Verifica-se, ainda, uma
produção científica importante nesse trecho da Bacia Hidrográfica, menos evidente no
restante da área de estudo.

Em direção norte, o relevo que caracteriza a Depressão do Tocantins assume formas mais
movimentadas, via de regra revestidas de cerrado (foto 1). Na região onde se encontra a
UHE Serra da Mesa, doze tipos de fitofisionomias, entre formações florestais, savânicas e
campestres, podem ser reconhecidos (WALTER, 1999). O autor diferencia mata ciliar, mais
próxima floristicamente das florestas secas (mesofíticas ou estacionais) e com características
semidecíduas, das florestas de galeria, tipicamente de cerrado. São identificadas matas
ripárias (definidas como matas ciliares) estreitas e em transição gradual para florestas
estacionais (ou matas secas, de acordo com a terminologia utilizada pelo autor). Citam-se,
entre as espécies mais freqüentes, angico (Anadenathera spp.), pau-jangada (Apeiba
tibourbou), tamboril (Enterolobium contortisiliquum), jatobá (Hymenaea courbaril), aroeira
(Myracrodruon urundeuva), entre outras. É comum também a presença de babaçu (Orbignya
phalerata) em locais abertos ou clareiras. Já nas florestas ripárias definidas como de galeria
por sua característica perenifólia, inundáveis e não inundáveis, predominam espécies como
pau-pombo (Tapirira guianensis), jequitibá (Cariniana domestica), ipês (Tabebuia spp.), à
semelhança do observado a norte, onde estas florestas tornam-se novamente expressivas,
conforme apresentado mais adiante.

Foto 1 – Região de Alto Paraíso de Goiás, na sub-bacia 21, evidenciando a influenciado relevo na
organização da cobertura vegetal: presença de cerrados abertos nas encostas convexas, mais
expostas, e de formações florestais nas vertentes côncavas. No fundo do vale, prevalece vegetação
antropizada.

O cerrado prevalece revestindo os morros e serras que caracterizam a região. Localmente,


cerrados rupestres associados a topos com afloramentos rochosos, podem ser encontrados
(MARINHO Filho et al, 2000). Esta feição de paisagem foi observada na área afetada pelo
reservatório da UHE Serra da Mesa, atualmente modificada pela implantação do
empreendimento, formando ilhas de cerrado rupestre no corpo do lago artificial.

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Importante fator de organização da paisagem, o modelado do terreno assume maior


diversidade ao norte/nordeste, onde o relevo movimentado alterna-se com amplos vales
revestidos de fisionomias campestres de cerrado (campos limpos e campos sujos) às quais
se associam veredas de buritis (RIALMA S. A., 2001). Uma extensa área representativa
dessas paisagens encontra-se sob proteção legal, compondo o Parque Nacional da Chapada
dos Veadeiros (foto 2).

Foto 2 – Região de Alto Paraíso de Goiás, na sub-bacia 21, evidenciando a linha de buritis (Mauritia
flexuosa) formando vereda.

Associadas às formações savânicas e florestais ripárias do bioma Cerrado, florestas


estacionais semideciduais e deciduais marcam a paisagem ao sul/sudeste e leste.
Denominadas também Matas Secas (WALTER, 1999) ocupam relevos em morros e morrotes,
geralmente sobre solos calcários associados a rochas básicas, geralmente de origem
granítica. Note-se que ocorrências cársticas são evidenciadas a sul da sub-bacia 20 e
estendem-se a leste/sudeste da Bacia Hidrográfica do rio Tocantins, já na sub-bacia 21.

Compõem o estrato arbóreo dessas formações espécies decíduas e semidecíduas,


destacando-se angicos (Anadenanthera spp.), cedro-rosa (Cedrela fissilis), caroba
(Jacarandá sp.), tamboril, aroeira, maria-pobre (Dilodendron biopinnatum), entre outras.

Estudos florísticos e fitossociológicos realizados nos cerrados situados mais ao norte, já em


território tocantinense, foram conduzidos por ocasião dos Estudos de Impacto Ambiental
(EIA) do AHE São Salvador. Embora fazendo parte desta sub-bacia, encontram-se descritos
mais adiante, juntamente como outras informações referentes à sub-bacia 21, dada a
proximidade geográfica e a relativa similaridade florística.
 Sub-bacia 21

A maior parte dessa sub-bacia desenvolve-se na margem direita do rio Tocantins. Na


margem esquerda, esta se apresenta relativamente estreita, em decorrência da rede
hidrográfica de menor extensão.

Ao sul e a oeste, esta sub-bacia limita-se com a anterior, podendo-se considerar que as
informações apresentadas para aquela sub-bacia são representativas para o trecho su dessa
sub-bacia. Assim como na sub-bacia 20, prevalecem, nas proximidades do Distrito Federal,
cerrados típicos, aos quais se associam florestas ripárias e veredas.

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Nesse setor da Bacia Hidrográfica situa-se o contato entre as unidades geomorfológicas da


Depressão do Tocantins e dos Patamares do Chapadão Oriental Baiano, presente a leste.
Em direção norte, já no território tocantinense, predominam relevos suavemente ondulados,
onde se sobressaem as serras das Caldas, Dourada, do Boqueirão, do Bananal, dispostas no
sentido longitudinal.

O cerrado continua sendo a vegetação predominante (foto 3). Condicionada localmente pelas
variações de solo, verifica-se que a vegetação assume fisionomias abertas quando presente
sobre cambissolos, onde afloramentos rochosos bastante freqüentes propiciam a presença
de bromeliáceas e cactáceas. Já as fisionomias densas predominam em latossolos,
apresentando por vezes marcante deciduidade foliar, resultando em fisionomias peculiares e
pouco comuns de cerrado (THEMAG/CELTINS/EDP/FURNAS/ENGEVIX, 2000).

Foto 3 – Região próximo ao município de Peixe, TO, na sub-bacia 21, onde predominam formações de
cerrados (THEMAG/CELTINS/EDP/FURNAS/ENGEVIX, 2000)

Com relação às formações vegetais ripárias, estas são estreitas e restritas, conforme
observado no mapa A6, encontrado no caderno de mapas, à semelhança daquelas descritas
por WALTER (1999), e denominadas matas ciliares. Nas bacias dos rios Palma e Paranã,
essas florestas justafluviais são muito estreitas, por vezes restringindo-se a uma faixa
imediatamente próxima ao rio. As formações de cerrado estão em contato com essas matas
ripárias, formando um gradiente decrescente de biomassa da margem do rio em direção aos
terrenos mais elevados, fora da influência do rio.

Estudos fitossociológicos foram desenvolvidos em cerrados dessa região, em duas


localidades, uma delas na sub-bacia 20 (São Salvador) (REDE/EDP/FURNAS/ENGEVIX,
2001) e outra já na sub- bacia 21 (Peixe Angical)
(THEMAG/CELTINS/EDP/FURNAS/ENGEVIX, 2000). As espécies de maior importância, de
acordo com as amostragens realizadas, foram respectivamente Qualea grandiflora e
Curatella americana. Ambas constam entre as dez espécies de maior valor de importância
nas duas localidades. Além dessas, apenas Davilla elliptica também foi comum entre as
espécies de maior importância. Essas amostragens apontam baixa densidade de indivíduos,
equivalente a 892,06 indiv/ha na região de São Salvador, enquanto nos cerrados situados
mais ao norte (nas proximidades da UHE Peixe Angical), a densidade observada é maior,
equivalente a 1456 indiv/ha. O índice de diversidade de Shannon (H´) também foi crescente
em direção norte, respectivamente 3,53 e 3,905.

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Para as formações florestais, foram realizadas amostragens apenas na região de Peixe e


evidenciam Terminalia cf. lucida como a espécie de maior importância. Dentre as espécies
mais importantes, encontram-se ainda Anadenanthera macrocarpa, Astronium fraxinifolium,
Tabebuia impetiginosa, todas decíduas, e Dilodendron bipinatum, espécie semidecídua,
sugerindo semelhanças entre esta flora e aquela situada mais a sul (WALTER, op.cit.). A
densidade observada foi relativamente baixa, com 428,44 ind/ha e o índice de diversidade de
Shannon de 3,457.

No trecho situado nas proximidades da cidade de Peixe, junto ao rio das Almas, formações
vegetais singulares representadas por florestas paludosas estão presentes localmente, além
da vegetação higrófila dos campos úmidos e lagoas, ocorrentes nos terraços, não tendo,
portanto, relação com os rios. Esses ambientes tornam-se mais freqüentes e expressivos a
jusante, já no médio curso, na sub-bacia 22, conforme explicitado mais adiante, bem como no
setor leste da sub-bacia 21. No que se refere às florestas paludosas, amostragens
fitossociológicas indicam baixo número de espécies (24) e baixa diversidade (H´= 2,253), o
que é esperado em ambientes restritivos.

A pecuária prevalece associada às fisionomias abertas de cerrado, de forma extensiva,


sendo o manejo realizado por meio de fogo. Menos freqüentemente são observados pastos
formados com gramíneas exóticas. Nas proximidades do rio Tocantins, esta forma de uso do
solo é observada principalmente entre o ribeirão Tucum e do rio das Almas e nas
proximidades da área urbana de Gurupi, associada ao eixo da BR-153, rodovia Belém -
Brasília.

A peculiaridade deste cerrado reside em seu aspecto decíduo no período de estiagem. Esta
característica, observada ao sul do Estado do Tocantins e a leste, pode estar relacionada a
pressões antrópicas, a variações locais de solo e de litologia
(THEMAG/CELTINS/EDP/FURNAS/ENGEVIX, 2000) (Foto 4).

Foto 4 – Florestas ripárias do rio Tocantins e cerrados em período de estiagem, evidenciando-se as


características de deciduidade dessa vegetação (THEMAG/CELTINS/EDP/FURNAS/ENGEVIX, 2000)

Embora o padrão de distribuição de vegetação florestal esteja fortemente associado à


hidrografia, as serras existentes nessa região também favorecem sua ocorrência, associadas
às vertentes côncavas, onde a umidade é mais elevada e os solos mais profundos. Essas
formações florestais, com elementos de florestas estacionais, tornam-se gradativamente mais
densas e vigorosas em direção ao sopé das elevações, onde prevalecem sobre os cerrados

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que se apresentam como fisionomias abertas nas vertentes convexas, mais expostas à
insolação e aos processos erosivos.

Ressalte-se que os terrenos da sub-bacia 21, na margem direta do rio Tocantins,


apresentam-se mais extensos e marcados por variações de clima, gradativamente mais frio e
seco em direção leste. Variações de relevo também são evidentes, passando de
movimentado a suave ondulado, no limite com o Estado da Bahia, marcado pelas encostas
da Chapada do Urucuia. As colinas e vales encaixados encontram-se recobertos pelos
cerrados com características decíduas. Este aspecto da vegetação é acentuado com a
presença de rios intermitentes, o que restringe as florestas ciliares a estreitas faixas ao longo
dos rios. Estas formações estendem-se até aproximadamente a região de Dianópolis, onde
se observam também manchas de florestas estacionais deciduais (foto 5)
(ENGECORPS/TETRAPLAN, 2004).

Foto 5 – Florestas estacionais deciduais da região do município do Dianópolis, TO.

Em direção às cabeceiras dos rios dessa sub-bacia, o relevo suave com amplos interflúvios e
os solos arenosos favorecem a presença de cerrados abertos. Ao longo dos cursos d´água,
amplas áreas úmidas, provavelmente relacionadas ao lençol freático superficial, condicionam
a ocorrência de extensos campos palustres pontuados de buritis e em contato com florestas
de galeria. Estas, localmente bastantes largas, em algumas situações apresentam-se
naturalmente fragmentadas e formam ambientes úmidos e sombreados que cruzam o cerrado
no sentido aproximadamente transversal da Bacia Hidrográfica (foto 6).

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Foto 6 – Fisionomias abertas de cerrado em solos arenosos, campos úmidos e florestas paludosas
presentes na região leste da sub-bacia 21, no Estado do Tocantins

Na divisa com a Bahia, uma forte ruptura de relevo marca o contato com a Chapada ali
existente, formando escarpas íngremes e morros residuais, recobertos por cerrados e
florestas nos grotões e fundos de vales. Floresta estacionais estão presentes em manchas,
como extensão das florestas observadas mais ao sul, e relacionadas com o substrato calcário
presente nesse trecho.
 Médio Curso do rio Tocantins – sub-bacias 22 e 23
 Sub-bacia 22

Estudos desenvolvidos na região situada entre Ipueiras, que faz parte da sub-bacia 22,
indicam o registro de 783 espécies vegetais. Amostragens fitossociológicas em cerrados
situados a norte desse trecho, nas proximidades do rio Manuel Alves da Natividade, apontam
o pequi (Caryocar brasiliense) como a espécie de maior importância, e pau-terra (Qualea
grandiflora) nos cerrados situados nas proximidades do rio Santa Teresa, coerentemente com
as amostragens realizadas no estudo anteriormente citado.

Note-se que é a partir aproximadamente da altura do ribeirão das Almas, situado


imediatamente a jusante da UHE Peixe Angical (extremo norte da sub-bacia 21), no limite do
alto e do médio curso do rio Tocantins, que as florestas de dique deste rio e de seus
tributários tornam-se mais vigorosas e de maior porte, ainda que em grande parte submetidas
à pressão antrópica (Foto 7).

Foto 7 – Floresta de dique do rio Tocantins nas imediações do rio Manuel Alves da Natividade,
Tocantins (Themag, 2003)

As florestas ripárias que, de acordo com as características locais de substrato, podem ser
paludosas, aluviais (inundáveis) ou de dique, assumem nesse trecho maior expressão,
comparativamente às situadas mais ao sul. Apesar das perturbações de origem antrópica,
mantêm certa continuidade ao longo dos rios e formam faixas estreitas, característica natural
ou reflexo da antropização, em alternância com formações secundárias. Tornam-se mais
largas localmente, quando a planície dos rios dilata-se ou quando se situam junto à foz de
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afluentes como nas proximidades do rio Manuel Alves da Natividade, do São Valério, na
margem direita do rio Tocantins, e nas desembocaduras dos rios Santo Antônio e Santa
Teresa, tributários da margem esquerda.

Pouco mais distantes dos rios, em zonas muitas vezes sujeitas ao encharcamento na época
chuvosa, devido ao afloramento do lençol freático ou à impermeabilidade do solo, são
observadas áreas úmidas e fisionomias abertas de cerrado em suas expressões campestres.
Ao longo das pequenas drenagens ou córregos, estão os buritis, formando às vezes linhas
contínuas indicadoras de pequenas depressões. Estas áreas úmidas são evidenciadas
principalmente no limite dos varjões do rio São Valério.

São evidenciadas também nas proximidades de lagoas presentes em terrenos distantes da


influência dos rios. Ressalte-se a presença destas lagoas, importante elemento da paisagem,
uma vez que propiciam ambientes diferenciados em meio aos extensos cerrados que
caracterizam os interflúvios. Nesse trecho da Bacia, estes ambientes são freqüentes,
evidenciando-se uma franja de campos úmidos ao seu redor, ou o desenvolvimento de
estreitas florestas ripárias que passam gradativamente a fisionomias florestais de cerrado
(cerradão), em transição com as fisionomias savânicas do cerrado. Uma parte desta
encontra-se sob proteção legal, como parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Foz do
Rio Santa Teresa, parcialmente incluída também na sub-bacia 21. O avanço da pecuária,
entretanto, tem promovido o isolamento destas lagoas, processo evidenciado inclusive na
APA.

Também nesse trecho da Bacia Hidrográfica do Tocantins, os cerrados interfluviais


predominam na paisagem, formando um mosaico de fisionomias densas e abertas de
cerrados. Estas formações savânicas, em parte fragmentadas pelo uso antrópico, ainda
revestem áreas relativamente extensas, ao longo das sub-Bacias 21 e 22 e em grande parte
da 23, que compõem o trecho médio do rio Tocantins.

Aos cerrados interfluviais associam-se manchas disjuntas de florestas estacionais


semideciduais, cuja presença é condicionada por solos mais profundos e férteis, o que se
evidencia na porção situada a oeste da margem esquerda da sub-bacia. Atualmente muito
reduzidas em decorrência da expansão da pecuária, restringem-se a remanescentes de
formato geométrico, parcialmente alteradas e com características secundárias. Este padrão
pode ser evidenciado nas proximidades da mancha urbana de Gurupi, onde a ocupação
agropecuária tem promovido a redução das áreas de vegetação natural. Amostragens
fitossociológicas realizadas em um desses fragmentos permitiram o registro de 48 espécies,
verificando-se baixa diversidade (H´= 2,65) e baixa densidade (551,25 ind/ha). Entre as
espécies mais importantes estão breu (Protium heptaphyllum), aguaí (Chrysophyllum
marginatum), simaruba (Simarouba versicolor) (THEMAG, 2003).

No sentido norte desta sub-bacia, notadamente no trecho do rio Tocantins entre Porto
Nacional e Palmas, na região central do Estado do Tocantins, as formações florestais ripárias
que compreendem as florestas de dique, florestas paludosas e buritizais (ou veredas),
assumiam sua maior expressividade (THEMAG, 1998). Estas formações, que definiam as
peculiaridades desse trecho, em um contraste marcante entre locais secos e locais úmidos,
dando a identidade deste trecho do rio Tocantins, foram em grande parte suprimidas pela
formação do reservatório da UHE Luis Eduardo Magalhães (UHE Lajeado).

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Estudos realizados naquela região (incluindo trechos de afluentes, em cotas situadas acima
da área alagada) indicam, para as formações paludosas, 35 espécies e diversidade (H´) de
2,86, sendo a densidade de 1.241 ind/ha. Entre as dez espécies de maior importância, seis,
a saber, jequitibá (Carinia rubra), mate (Ilex cf.paraguariensis), buriti (Mauritia flexuosa),
(Richeria grandis) e pau-pombo (Tapirira guianensis) foram comuns à amostragem realizada
na região da UHE Peixe Angical, evidenciando grande semelhança entre as formações.
Evidencia-se também maior riqueza e diversidade nas florestas paludosas situadas ao norte,
em relação às presentes mais ao sul, de menor expressividade em termos de área.

Verificou-se, ainda nesses estudos, a presença de espécies estacionais e de elementos da


flora amazônica, conforme registrado nos estudos da UHE Lajeado (THEMAG/CELTINS,
1996). Assim, fica evidente que as florestas que se desenvolvem ao longo do rio Tocantins e
seus tributários constituem importantes vias de dispersão de espécies da Hiléia dentro do
domínio dos Cerrados, bem como da flora estacional.

Entre as espécies características do bioma Amazônico, observadas nas florestas ripárias


nesse trecho estão jeniparana (Gustavia augusta) e sororoca (Phenakospermum guianense).
Provavelmente essa região corresponde ao limite sul de sua ocorrência, sendo o rio
Tocantins e seus afluentes os corredores mésicos que propiciam sua ocorrência até esse
limite.

Este trecho da Bacia apresenta, a leste, a Serra do Lajeado, que atinge até cerca de 600m de
altitude, e outras pequenas serras que se desenvolvem aproximadamente no sentido norte-
sul. Pequenas Bacias Hidrográficas formam-se na encosta oeste dessa serra, desaguando no
Tocantins (ribeirões Água Fria, Taquaruçu e São João). A peculiaridade desse trecho está na
distribuição da vegetação em um complexo mosaico a partir da encosta da Serra do Lajeado
para as cotas mais baixas, devido às variações de relevo, associadas a essa rede
hidrográfica.

Estudos florísticos e fitossociológicos foram realizados em cerrados no Parque Estadual da


Serra do Lajeado por Santos (s/d) e evidenciam diferentes fisionomias savânicas, desde
expressões campestres até florestadas (cerradões), florestas ripárias, florestas estacionais
semideciduais e deciduais, zonas ecotonais e veredas. Entre as endêmicas do domínio do
cerrado, estão (Acosmium subelegans) e (Parkia platycephala), além das espécies protegidas
– pequi (Caryocar brasiliense) e ipê-roxo (Tabebuia impetiginosa) (Seplan – TO, 2000).

No restante dessa sub-bacia permanece a paisagem tipicamente de cerrado com suas


distintas fisionomias, entremeada por formações florestais ripárias, acompanhando as linhas
de drenagem, ou por manchas de florestas estacionais, de ocorrência disjunta. Os cerrados
ocorrem na região em fisionomias mais ou menos abertas, resultado das condições de solo,
concrecionário ou não, e da ingerência antrópica.

Mais a leste, na região conhecida como Jalapão, o relevo de colinas, a presença de solos
arenosos e de dunas propicia uma paisagem peculiar, onde se alternam extensos areais,
cerrados abertos, áreas úmidas e buritizais, nascentes e lagoas, formando um complexo
mosaico de grande beleza cênica. Áreas representativas dessa paisagem encontram-se
protegidas por Unidades de Conservação, conforme apresentado no item 2.2.6.1 Unidades
de Conservação.

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 Sub-bacia 23

A sub-bacia 23, que abarca os tributários do médio curso do rio Tocantins, no seu trecho
inferior, caracteriza-se, em grande parte, pelo predomínio de formações de cerrado, ainda
pouco alterados na margem direita, onde fisionomias densas são freqüentes, associadas ao
relevo movimentado.

Já as formações de cerrados na margem esquerda, notadamente a leste da BR-153, Rodovia


Belém-Brasília, apresentam-se fragmentadas e descaracterizadas devido à sua utilização
como áreas de pastoreio extensivo e ao uso contínuo do fogo para regeneração das
pastagens.

Essa sub-bacia caracteriza-se também pela transição do bioma Cerrado para o bioma
Amazônia, situado a norte, e que determina a identidade ecológica do baixo curso do rio
Tocantins, correspondente à sub-bacia 29.

Aproximadamente na altura dos municípios de Carolina e Estreito, o relevo caracteriza-se


pela presença de serras mesetiformes e morros isolados, recobertos por cerrados densos e
florestas estacionais. Conhecida como região das Mesas de Carolina e Estreito, pode ser
considerado, grosso modo, o limite de transição entre o bioma Cerrado e as formações
amazônicas que se desenvolvem ao norte. Caracterizado pela presença desses morros
residuais, este trecho da Bacia Hidrográfica do rio Tocantins apresenta elevado interesse
conservacionista.

Estudos florísticos preliminares realizados nessas formações, no município de Carolina,


estado do Maranhão, indicam 79 espécies observadas em um mosaico de fitofisionomias
compostas por campos cerrados, cerrados e cerradões, que caracterizam os interflúvuos,
encostas e sopés, florestas estacionais com acentuada deciduidade, freqüentemente
associadas aos topos, campos úmidos, veredas e florestas ripárias associadas a áreas
deprimidas, nascentes e cursos d´água (ALBINO, 2005).

De acordo com o referido autor, há dificuldade em tipificar a vegetação devido ao caráter


transicional dessa região, constituída por um complexo vegetacional caracterizado pela
confluência entre as floras amazônica, de cerrados e, inclusive, da caatinga nordestina.

Ressalta-se esse aspecto devido à importância das áreas de transição, que podem comportar
elementos de diferentes biomas, e à importância de se compreender a forma de organização
da paisagem e o tipo de contato entre as formações ocorrentes.

Grandes extensões de babaçuais, presentes na região de Babaçulândia e Filadélfia, no


estado do Tocantins, e Carolina, no Maranhão, indicam o caráter de transição desse setor da
Bacia.

De forma semelhante, a ocorrência de manchas florestais onde se mesclam elementos


estacionais e ombrófilos, torna-se mais evidente, tendo sua maior expressão nas florestas do
córrego Água Fria, na margem esquerda, nas proximidades de Guaraí e Presidente Kennedy.
Nesse trecho da Bacia, a presença de diabásio no substrato geológico favorece o
desenvolvimento dessas formações. Apresentando extensão significativa, essa mancha de
florestas encontra-se sob pressão antrópica e com sinais evidentes de passagem de fogo
(foto 8).

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Foto 8 – Vista do interior da mancha de floresta ocorrente nas proximidades de Guaraí.

O caráter transicional evidencia-se mais fortemente em direção norte, nas proximidades de


Itaguatins, até a região do denominado “Bico do Papagaio”.

A faixa de transição entre os dois biomas, cujas características são contrastantes, é do tipo
mosaico, com manchas de cerrado e de florestas que se alternam, sendo que a floresta
passa progressivamente a ocupar os interflúvios. O babaçual surge como uma formação
bastante homogênea, composta principalmente pela palmeira (Orbignya speciosa), após o
desmatamento e queima da floresta. Lagoas e brejos presentes na área contribuem para uma
maior heterogeneidade da paisagem. Assim, a peculiaridade da paisagem refere-se ao
mosaico de distintas formas de vegetação florestal e de cerrados em situações ecotonais,
bem como formações de transição, como é o caso dos babaçuais, propiciando grande
heterogenidade ambiental (THEMAG/ELETRONORTE, 1989).

Os últimos cerrados setentrionais mais preservados encontram-se na margem esquerda do


rio Tocantins, em grande parte situados no interior da Terra Indígena (TI) Apinajé.
Considerada Área de Prioridade Extremamente Alta para Conservação da Biodiversidade,
esse trecho poderá assegurar a preservação de um segmento da paisagem transicional em
situações ecotonais, se medidas de proteção forem efetivamente tomadas.

Dados de região onde está prevista a implantação da UHE Serra Quebrada indicam 217
espécies, registro obtido no levantamento florístico, realizado no âmbito dos estudos
ambientais deste empreendimento. Já as amostragens fitossociológicas indicam a ocorrência
de espécies características de vegetação secundária principalmente. Note-se que, das
espécies anotadas, açaí (Euterpe oleracea), sumaúma (Ceiba pentandra), munguba (Pachira
aquática), sombreiro (Clitoria fairchildiana), jeniparana, entre outras, são tipicamente
amazônicas, denotando a forte influência da flora desse bioma nas florestas ripárias do rio
Tocantins (ELETRONORTE/ENGEVIX/THEMAG, 2001), bem mais evidente do que o
observado em direção sul.

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De acordo com o estudo, espécies que compõem as comunidades com babaçu, seja ele
dominante ou não, são oriundas tanto das florestas ombrófilas amazônicas, que sobem o vale
a partir do rio Amazonas, quanto das florestas estacionais do Brasil Central, que descem dos
platôs em direção ao vale do Tocantins. Predominam, porém, as primeiras.

Todo o extremo norte do Estado do Tocantins e o oeste do Estado do Maranhão estão


situados nessa região fitogeográfica complexa, onde se misturam formações florestais
distintas (floresta ombrófila, floresta estacional, savana ou cerrado, além da caatinga),
característica da transição.

 Baixo Curso do Rio Tocantins – Sub-bacia 29


 Sub-bacia 29

O baixo curso do rio Tocantins encontra-se no bioma Amazônia, para o qual são definidas 22
ecorregiões. Destas, duas são representadas nesse trecho da Bacia: o interflúvio do
Tocantins-Araguaia-Maranhão, que caracteriza a margem direita do Tocantins e o interflúvio
do Xingu-Tocantins, na margem oposta (CAPOBIANCO et al, 2001).

Os afluentes da margem esquerda do rio Tocantins nesse trecho drenam uma área
originalmente revestida por florestas ombrófilas, atualmente reduzidas a fragmentos de
pequenas extensões, dispersos em meio a áreas de pastagens.

O processo de ocupação antrópica, relacionado com a mineração, e associado à rodovia


Transamazônica e à implantação do reservatório de Tucuruí, ocorreu de maneira mais
intensa até a década de 1990, embora vetores de desflorestamento sejam ainda observados
(conforme figura anexa).

Em remanescentes destas florestas, presentes na região de Tucuruí, amostragens florísticas


apontam a predominância de vegetação fragmentada e secundária. As fitofisionomias
apresentam-se entremeadas por manchas e clareiras associadas a antropismos.

Em que pese o processo de antropização, observou-se alta diversidade de espécies e baixa


dominância, sendo que as amostragens realizadas em remanescentes permitiram identificar
372 espécies distribuídas em 53 famílias botânicas. Muitas das espécies identificadas in loco
certamente são importantes para a população local como fontes de alimento, madeira,
energia e matéria-prima para diferentes fins como fibra, medicamentos, látex, resina e outros
usos (ELETRONORTE/ENGEVIX/THEMAG, 2001).

Os estudos demonstram também a presença de elevado número de espécies de floresta


ombrófila clímax, destacando-se Ceiba pentandra, Copaifera duckey, Caryocar glabrum,
Bertholletia excelsa, Vouacapoua americana e Manilkara huberi. Outro ponto de grande
relevância foi o registro freqüente de cupuaçu (Theobroma grandiflorum).

As formações florestais mais expressivas são observadas no extremo norte, já nas


proximidades da foz do rio Tocantins e correspondem à feição aberta da floresta ombrófila.
Esta fisionomia foi considerada, durante anos, como um tipo de transição entre a Floresta
Amazônica e as áreas extra-amazônicas.

Cita-se, ainda, extensa área protegida da Serra dos Carajás, com alto endemismo de flora
herbácea (MMA/SBF 2002), asssociada aos alforamentos rochosos dos topos.
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2.2.3.2. Florística e estrutura da vegetação da Bacia Hidrográfica

A análise dos dados de flora obtidos a partir das informações dos EIAs e do ZEE permitiram
compilar 1.166 espécies botânicas. As localidades com maior número de registros foram
Serra da Mesa (SM) e Lajeado (LA), nos municípios de Palmas e Porto Nacional, seguida de
Ipueiras (IP) e Peixe (PE), sendo que a localidade do Bico do Papagaio (PA) apresentou o
menor número de registros, totalizando 95 espécies.

Ressalte-se que esses números podem estar superestimados, uma vez que muitas das
identificações são realizadas in loco ou com material vegetativo. Além disso, não foram
realizadas comparações entre essas espécies, nem sempre representadas por meio de
material testemunho em coleções oficiais.

Não obstante esses limites da análise, foi elaborada a análise de cluster, cujo resultado é
apresentado na figura a seguir.

Ilustração 22 - Dendrograma de similaridade Jaccard, utilizando algoritmo UPGMA para


composição de espécies de flora da Bacia Hidrográfica do rio Tocantins. SM: Serra da
Mesa; SS: São Salvador; PX: Peixe, MI: Mirador; IP: Ipueiras; LA: Lajeado (municípios
de Palmas e Porto Nacional); BP: região do Bico do Papagaio; SQ: Serra Quebrada

SQ
UPGMA

BP
LA
PX
MI
IP
SS
SM
0,04 0,2 0,36 0,52 0,68 0,84 1

Jaccard's Coefficient

Elaboração: Consórcio CNEC – ARCADIS Tetraplan

A resposta da análise onde se verifica baixa similaridade entre as diversas localidades, pode
resultar em parte de variações locais, uma vez que diferentes ambientes foram amostrados
nos vários estudos, com diferentes representatividades. Devem-se considerar, ainda, as
variações existentes ao longo de gradientes de clima, de latitude e de distância, que se
refletem nos conjuntos florísticos, mesmo quando se trata de formações similares.

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Da mesma forma que se constata para as florestas, também nos cerrados as variações ao
longo de sua área de ocorrência determinam derivações de composição que respondem por
graduais heterogeneidades e dissimilaridades, embora suas fisionomias aparentem
homogeneidade. O mesmo conceito de continuum, adotado para formações florestais, pode
ser utilizado para as formações de cerrado.

Apesar da baixa similaridade entre os agrupamentos, o dendrograma permite observar a


ocorrência de um gradiente, com maior proximidade entre o conjunto florístico de Lajeado
(LA) e de Peixe (PX) parte das sub-bacias 22 e 21, respectivamente, o que pode estar
vinculado à presença de espécies de ambientes paludosos, amostrados em ambas as
localidades. Também as localidades situadas mais ao sul têm alguma proximidade. Já as
espécies da região norte, correspondente ao Bico do Papagaio (PB) e Serra Quebrada (SQ)
(sub-bacia 23), apresentam forte dissimilaridade com as demais áreas, o que certamente está
relacionado com a influência da flora amazônica que caracteriza a região norte.

Note-se ainda que a região de Serra da Mesa, intensamente estudada em função dos
programas ambientais associados à implantação da UHE Serra da Mesa, diferencia-se das
demais áreas situadas ao sul. Este fato pode estar vinculado ao esforço amostral, muito
maior nessa localidade que nas demais.

2.2.3.3. Espécies de Interesse Econômico e Conservacionista

Muitas das espécies botânicas presentes nas formações de cerrado e nas florestais têm
importância econômica e são utilizadas pelas populações locais, seja para produção
madeireira, de alimentos ou de produtos medicinais. Um total de 112 espécies, dentre as
relacionadas para a Bacia do Rio Tocantins, apresenta algum interesse econômico.

Prevalecem frutíferas, totalizando 36 espécies, citando-se pequi (Caryocar brasiliense), caju


(Anacardium spp.), maracujá (Passiflora spp.), açaí (Euterpe oleracea), bacaba (Oenocarpus
spp.), entre outras. Também é significativo o uso para extração de madeira, tendo-se
identificado 26 espécies, entre elas perobas (Aspidosperma spp.), landim (Calophyllum
brasiliense), ipês (Tabebuia spp.). Como medicinais, têm-se 15 espécies, citando-se
barbatimão (Striphodendron spp.), caroba (Jacaranda spp.), etc. A relação destas espécies é
apresentada no Anexo VIII.

Espécies presentes na listas oficial de flora brasileira ameaçada de extinção encontram-se


presentes, quais sejam, aroeira (Myracrodruon urundeuva), de ampla distribuição na região
do cerrado e observada em várias localidades da Bacia do Rio Tocantins (Serra da Mesa e
São Salvador, situadas na sub-bacia 20; Peixe Angical, na sub-bacia 21; Ipueiras, região da
serra do Lajeado e Bico do Papagaio, situados na sub-bacia 23), castanheira (Bertholletia
excelsa), espécie amazônica e observada na sub-Bacia 29 apenas, e Dorstenia cayapia,
herbácea registrada na região de Serra da Mesa e na região de Ipueiras, respectivamente
sub-bacias 20 e 21.

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2.2.4. Fauna de Vertebrados

2.2.4.1. Aspectos Zoogeográficos

Do ponto de vista zoológico, a fauna presente no trecho caracterizado por cerrados da Bacia
Hidrográfica faz parte do conjunto faunístico ocorrente na faixa diagonal de formações
abertas que se estende das Caatingas, a nordeste, até o Chaco, a sudoeste (VANZOLINI,
1963 In: Themag, 1998).

O setor norte da Bacia, correspondente ao baixo curso do rio Tocantins, distingue-se do


restante por se inserir no bioma Amazônia, compreendendo tipologias florestais, às quais
correspondem conjuntos faunísticos específicos.

O cerrado recebe influência desse conjunto faunístico amazônico que se dispersa a sul pelas
florestas ripárias, que se interiorizam no bioma Cerrado. Observa-se também que a fauna
fluvial compreende elementos amazônicos, presentes ao longo dos grandes rios, podendo-se
citar o boto (Inia geoffrensis), o tracajá (Podocnemis unifilis), a tartaruga (Podocnemis
expansa), além dos crocodilos.

Na escala regional, a racional ecológica é a oposição entre ambientes florestados (sombrios)


e abertos (expostos ao sol) (THEMAG, 1998). Considere-se ainda a presença de varjões e
áreas úmidas, elementos estruturais da paisagem dos cerrados nucleares. Embora com
diferentes dimensões, esses ambientes têm equivalente importância ecológica, pois
comportam uma fauna específica.

De um modo geral, o Cerrado compartilha a fauna de vertebrados de outros biomas. Todavia,


existem diversos endemismos entre pequenos roedores, répteis e pássaros, pelo menos no
nível de espécies.

No que se refere à distribuição das aves, o cerrado é considerado por CRACRAFT (1985)
como um centro de endemismo, enquanto para STOTZ et al. (1996) trata-se de uma Sub-
Região Zoogeográfica que, ao lado da Caatinga e do Chaco, forma a região Zoogeográfica
denominada de “Centro da América do Sul” (Central South America).

No que se refere à biogeografia de lagartos, estudos recentes têm evidenciado que a riqueza
e o endemismo desse grupo de répteis do Cerrado concentram-se nos ambientes abertos,
sendo a fauna destes hábitats a que melhor caracteriza as comunidades de lagartos do
Cerrado (NOGUEIRA, 2006). De acordo com o autor, os padrões de distribuição dessa fauna
determinam diferentes sub-regiões faunísticas, dentre elas, o interflúvio central e do
Tocantins/Araguaia e o Vale do Paranã e Bacia do Parnaíba, que fazem parte da Bacia
Hidrográfica do Tocantins.

A fauna de lagartos do cerrado distribui-se de acordo com o mosaico de ambientes


disponíveis, com pouca sobreposição faunística entre habitats abertos e florestais, que
podem funcionar como barreiras mútuas para esses animais. Interpretações recentes (COLLI
et al. 2002) apontam a estratificação horizontal e a distribuição em mosaico dos habitats
como importantes fatores de estruturação das ricas, complexas e características
comunidades de lagartos do Cerrado (NOGUEIRA, 2006.).

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Também a fauna de mamíferos tem elementos endêmicos relacionados com ambientes


abertos e a diversidade de ambientes responde pela diversidade de espécies, devido à
seletividade de habitats. Diferencia-se, assim, uma fauna de formações florestais, com forte
relação com os biomas florestados (Amazônia e Atlântico), a partir dos quais as espécies se
dispersam pelas florestas ripárias, e de formações abertas, em parte compartilhada com a
Caatinga e o Chaco, conforme citado inicialmente. Também os ambientes úmidos respondem
por uma fauna diferenciada, evidenciando a importância dessa formação para a manutenção
da diversidade (CARMIGNOTO, 2004).

Assim como para a herpetofauna, também neste grupo são reconhecidas diferentes regiões
faunísticas. A Bacia do Rio Tocantins integra várias delas: (i) central, abrangendo Goiás e o
Distrito Federal; (ii) nordeste, que abrange o leste de Goiás, Tocantins, norte de Minas Geais
e Oeste da Bahia e sul do Piauí e; (iii) norte, abrangendo Maranhão, Tocantins, norte de
Goiás e leste de Mato Grosso (CARMIGNOTO, 2004).

2.2.5. A fauna de Vertebrados Terrestres da Bacia Hidrográfica do Tocantins


Relacionada principalmente com o bioma Cerrado e, subordinadamente com o Amazônico, a
fauna de vertebrados deste espaço de análise foi objeto de estudos em diversas localidades.
Apresenta-se, a seguir, os aspectos considerados mais relevantes desse conjunto faunístico,
segmentando-se a área por compartimento (alto, médio e baixo curso do rio Tocantins) e,
dentro destes, por sub-bacia.
 Alto Curso do Rio Tocantins – Sub-bacias 20 e 21
 Sub-bacia 20

Uma série de estudos foi realizada na região de Brasília, situada fora do limite sul da Bacia
Hidrográfica, a exemplo do verificado para a vegetação. BORCHERT & HANSEN (1983)
desenvolveram estudos no Parque Nacional de Brasília com objetivo de avaliar o efeito do
fogo e de inundações em populações de roedores. O padrão de distribuição de pequenos
mamíferos em diferentes habitats de Cerrado na Fazenda Água Limpa foi analisado por
ALHO (1981). Também em 1983, PAULA desenvolveu estudos sobre relações espaciais de
pequenos mamíferos em Floresta-galeria no Parque Nacional de Brasília, FONSECA;
REDFORD (1985) analisaram a relação da Floresta-galeria e a diversidade de mamíferos e
FONSECA; REDFORD (1986) identificaram cerca de 60 espécies de roedores e marsupiais,
o que aponta a diversidade potencial de mamíferos desse bioma, resultado em grande parte
da diversidade de ambientes.

Salienta-se o estudo de pequenos mamíferos, realizado por MENDONÇA (2003) em um


fragmento de Cerradão, no qual se observou riqueza decrescente em direção ao centro do
fragmento de Cerradão, resultante da elevada densidade de um marsupial (Gracilinanus
agilis) neste último. Já no Cerrado, as densidades populacionais mostraram-se mais
eqüitativas, sugerindo que em pequenos fragmentos há maior possibilidade de uma única
espécie tornar-se dominante, fenômeno que tende a reduzir a diversidade das comunidades
biológicas.

Em relação à avifauna, cita-se a lista elaborada por NEGRET et al (1984), onde 420 espécies
estão assinaladas, demonstrando a grande diversidade deste grupo no bioma do Cerrado.
Embora relativamente antiga, esta lista pode ser considerada bastante completa. É suficiente
também para visualizar o quadro ornitológico da região, bem como identificar várias espécies

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ameaçadas de extinção: codorna-mineira (Nothura minor) e inhambu-carapé (Taoniscus


nanus), entre os tinamídeos, o ardeídeo socó-boi (Tigrissoma fasciatum), o acipitrídeo águia-
cinzenta (Hapyhaliaetus coronatus), o furnarídeo bata-bunda (Geobates poecilopterus), bem
como os tiranídeos galito (Alectrutus tricolor) e papa-mosca (Culicivora caudacuta).

Afora esses estudos, relacionados, de modo geral, com as Unidades de Conservação (UCs)
situadas no Distrito Federal, importantes registros de fauna foram realizados por ocasião dos
estudos ambientais para licenciamento, conforme se verifica no Banco de Dados do Estado
de Goiás (SIEG, 2006) para as sub-bacias 20 e 21. Cita-se, principalmente, a área de
influência da UHE Serra da Mesa. Um total de 492 espécies foi assinalado, dentre as quais
313 aves, 104 mamíferos, 99 répteis e 43 anfíbios.

Os resultados da operação de resgate da UHE Serra da Mesa apontam 82.943 espécimes de


vertebrados, dos quais, 17,2% anfíbios; 60,4% répteis, destacando-se representantes de
serpentes, notadamente colubrídeos; 0,3% aves, representadas principalmente por
Tinamiformes, e 7,9% mamíferos. Destes últimos, é relevante o número elevado de primatas,
notadamente bugio (Alouatta caraya) e marsupiais, relacionados com as florestas ripárias
originais, bem como de dasipodídeos (tatus), quando o alagamento atingia terras planas
(NATURAE, 1999). Assim, ainda que resultados de resgate de animais por ocasião do
enchimento de um reservatório permitam a obtenção de dados parciais da fauna presente na
área afetada, fornecem importantes informações acerca da composição e das densidades de
muitos grupos animais.

Além dos levantamentos de espécies, a formação do reservatório da UHE Serra da Mesa


permitiu o acompanhamento de comunidades de pequenos mamíferos terrestres durante a
formação do lago. Estes estudos apontaram redução da população desses animais,
decorrente do alagamento, com a maioria dos indivíduos mantendo fidelidade aos habitats
ocupados, mesmo com a iminência da inundação (CARMIGNOTTO, 1999).

Outros resultados de monitoramentos de vertebrados terrestres apontaram alterações


importantes na composição de espécies em ilhas formadas com o alagamento do vale pelas
águas do reservatório de Serra da Mesa. Cada grupo animal produziu respostas diferentes
em qualidade e intensidade. Ocorreram extinções locais de répteis, alterações na composição
de aves, com redução daquelas associadas a ambientes florestais e acréscimo daquelas
relacionadas com ambientes aquáticos. A presença significativa de aves de rapina, bem
como de predadores nos sítios de soltura, permite supor a ocorrência de forte predação
nesses locais. Dados de acompanhamento de tamanduás apontaram o estabelecimento dos
indivíduos nas áreas de soltura, enquanto que felídeos apresentaram deslocamento contínuo
e rápido, indicando dispersão por extensas áreas no entorno do empreendimento (JADER-
FILHO et al, 2000).

Mais a norte, na Chapada dos Veadeiros, algumas espécies endêmicas estão presentes
(Odontophrynus salvatori e Leptodactylus tapeti.), o que determina a prioridade desse trecho
paraa conservação (MMA/SBF 2002).

Outros estudos nessa sub-bacia referem-se à localidade de São Salvador, onde 293 espécies
foram observadas, sendo 14 répteis, 7 anfíbios, 195 representantes de aves e 23 de
mamíferos.

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No que se refere a aves, os estudos apontam uma fauna essencialmente relacionada às


áreas abertas, coerentemente com as fisionomias abertas de cerrado observadas.
Caracterizam esses cerrados abertos espécies como a seriema (Cariama cristata), a curicaca
(Theristicus caudatus), o gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis), o periquito (Brotogeris
versicolorus), o pica-pau-do-campo (Colaptes campestris), o sabiá-do-campo (Mimus
saturninus), a gralha-do-cerrado (Cyanocorax crystatellus), entre outros
(REDE/EDP/FURNAS/ENGEVIX, 2001).

Nos cerrados com um componente arbóreo mais acentuado, estabelece-se uma estruturação
e estratificação relativamente pronunciada, o que faz com que esses difiram dos campos
cerrados. Nessas áreas aparece, então, uma justaposição das espécies descritas acima com
outras que somente são capazes de habitar áreas de vegetação mais densa. Os jacupembas
(Penelope superciliaris) e os mutuns (Crax fasciolata), que embora escassos localmente,
ocupam alguns remanescentes de cerradão em região (REDE/EDP/FURNAS/ENGEVIX,
2001).

Ressalte-se que a avifauna pode ser considerada boa indicadora de qualidade de habitats,
uma vez que diferentes comunidades de aves ocupam distintas formações, refletindo os tipos
de ambientes e o nível de antropização. Nessa região, de acordo com o estudo, espécies
tipicamente florestais não foram observadas, o que pode ser creditado em parte ao processo
de ocupação e, em parte, às características das formações ripárias desse trecho, onde
prevalecem florestas decíduas e estreitas, restritas às margens dos cursos d´água, conforme
descrito anteriormente, no item referente à vegetação.

Pode-se inferir que prevalecem espécies características de ambientes abertos na maior parte
desta sub-bacia, com representantes florestais restritos às formações ripárias.
 Sub-bacia 21

A fauna de vertebrados do trecho compreendido pela sub-bacia 21 foi analisada em estudos


nas localidades de Paranã e Peixe, no âmbito dos estudos para o aproveitamento de Peixe
Angical. (THEMAG/CELTINS/EDP/FURNAS/ENGEVIX, 2000).

As amostragens permitiram identificar 295 espécies, das quais 32 anfíbios, 39 répteis, 186
aves e 38 mamíferos. A relativamente elevada riqueza de espécies de anfíbios pode ser
explicada pela grande heterogeneidade de habitats observados na área, colocados lado a
lado (mata ciliar, mata paludosa, cerrado, campos úmidos, buritizais, lagoas perenes, lagoas
de inundação, etc), notadamente nas proximidades do rio das Almas. Nos buritizais e
banhados ali presentes, foi observada a maior concentração de anfíbios da área estudada,
com representantes de seis espécies de anuros.

Cabe ressaltar a anotação de Elachistocleis piauiensis, espécie registrada, até então,


somente para a localidade tipo, em área de caatinga no Estado do Piauí. Da mesma forma, o
registro de Pleurodema diplolistris no cerrado, espécie amplamente distribuída nas caatingas,
reforça a idéia de que existem relações biogeográficas entre essa área de cerrado e o bioma
Caatinga.

Outro fato relevante é o reduzido número de espécies exclusivamente florestais (Barycholos


savagei, por exemplo, ocorreu apenas em locais úmidos nos leitos de riachos secos nas
matas de galeria em Paranã e às margens do rio das Almas em Peixe). Cita-se ainda
Osteocephalus taurinus e Scinax. gr. rostratus, elementos tipicamente amazônicos.
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No que se refere às aves, espécies típicas de cerrado foram encontradas (Rhynchotus


rufescens, Cariama cristata, Elaenia cristata), embora os cerrados da região encontrem-se
bastante alterados. Espécies predominantemente amazônicas também podem ser
mencionadas, como Hypocnemoides maculicauda, espécie da família Formicariidae, e
Melanerpes cruentatus, da família Picidae.

Por outro lado, as florestas paludosas, ainda pouco expressivas em relação às localidades
mais ao norte, têm grande importância devido à presença de buritizais, essenciais para
algumas espécies de psitacídeos como Amazona aestiva, A. amazonica e Orthopsittaca
manilata. Banhados e lagoas também comportam algumas espécies especifica de aves,
ressaltando-se o registro de garça-azul (Egretta caerulea)
(THEMAG/CELTINS/EDP/FURNAS/ENGEVIX, 2000).

Com relação aos mamíferos, foram anotadas espécies que habitam apenas ambientes
florestais, como, por exemplo, Marmosa murina, O. megacephalus e Proechimys sp, e
espécies que habitam preferencialmente áreas de vegetação aberta, como Monodelphis
domestica, Calomys sp., Oryzomys gr. subflvaus, Oxymycterus sp. e Thrichomys apereoides.

Entre as formações de áreas abertas, o campo úmido é um habitat que difere muito em
relação à composição de espécies. Portanto, para os pequenos mamíferos, tanto as áreas
florestais quanto as áreas abertas e as áreas úmidas são extremamente importantes, pois
apresentam comunidades totalmente diferentes.

Em síntese, os levantamentos permitiram identificar uma fauna característica de regiões de


cerrado. A presença de espécies relacionadas com ambientes áridos sugere, contudo, a
existência de relação biogeográfica desta região de Cerrado com a Caatinga. A presença de
espécies do domínio amazônico, por outro lado, verificado para répteis e aves, aponta a
importância das formações ripárias para a dispersão da fauna.

Espécies consideradas pela legislação brasileira como ameaçadas de extinção estão


presentes, citando-se a arara-azul-grande ou arara-preta (Anodorhynchus hyacinthinus).

Os resultados apontam ainda a importância do conjunto de ambientes ocorrentes na região,


quais sejam, cerrado, formações florestais e paludosas e áreas úmidas, tanto nas
proximidades do rio Tocantins como nas serras situadas nas proximidades, para a
manutenção da diversidade de fauna observada.

Diante desses resultados, pode-se inferir a predominância provável de espécies de


ambientes abertos nos cerrados situados no extremo leste da Bacia, onde prevalecem
cerrados abertos sobre solos arenosos. A presença de buritizais e de encostas íngremes no
limite com o Estado da Bahia favorece a presença de psitacídeos, notadamente a arara-azul-
grande. Outras formações associadas a esses cerrados, como os campos úmidos presentes
nas cabeceiras e altos cursos dos rios, podem abrigar espécies animais paludícolas, das
quais se destacam anfíbios. É também nestes ambientes que ocorre o cervo-do-pantanal
(Blastocerus dichotomus), cuja área de distribuição estende-se até o oeste da Bahia
(FONSECA et al, 1994).

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 Médio Curso do Rio Tocantins sub-bacias 22 e 23


 Sub-bacia 22

Estudos conduzidos no trecho entre o município de Peixe e Ipueiras identificaram 319


espécies, das quais 24 anfíbios, 12 répteis, 213 aves e 70 mamíferos (o que inclui
informações sobre espécies de ocorrência provável) (THEMAG, 2003).

À semelhança dos estudos anteriores, destacam-se exemplares de répteis de ampla


distribuição nos cerrados, bem como representantes amazônicos e da caatinga (Apostolepis
cearensis).

Dentre as espécies de aves registradas, destacam-se alguns visitantes setentrionais,


provenientes da América do Norte, como os escolopacídeos maçaricos (Tringa solitaria e
Actitis macularia), além de águia-pescadora (Pandion halieatus).

O estudo aponta, ainda, a ocorrência de espécies especialistas dependentes e/ou


semidependentes dos ambientes florestais, potencialmente mais vulneráveis e, em sua
maioria, mais raras, que respondem de forma drástica às modificações ambientais. Foram
citadas espécies como Daptrius americanus, Penelope ochrogaster, Aramides cajanea,
Pteroglossus castanotis e Anodorhynchus hyacinthinus. De ampla distribuição, essas
espécies estão presentes ao longo da Bacia Hidrográfica, sempre relacionadas com os
ambientes florestais ou com o mosaico de ambientes abertos e fechados que caracteriza, por
exemplo, as vertentes das várias serras da região.

A ocorrência de espécies de grande porte e cuja presença relaciona-se com um mosaico de


formações relativamente bem conservadas, caso da arara-azul-grande (Anodorhynchus
hyacinthinus), acima citada, e do urubu-rei (Sarcoramphus papa) indica ainda que, embora
com elevado nível de antropização, notadamente nos interflúvios, a região ainda comporta
espécies mais sensitivas.

Do conjunto, destacam-se espécies que merecem consideração especial. Uma delas refere-
se ao cervo do pantanal (Blastocerus dichotomus), que ainda ocorre em número reduzido na
região, associado às lagoas de interflúvio presentes nas proximidades do rio Santa Tereza e
Manuel Alves da Natividade.

Destaca-se, ainda, o registro de jacaré-açu (Melanosuchus niger), em lagoa marginal do rio


Tocantins, bem como o relato incidental da presença de um macaco do gênero Cebus,
provavelmente Cebus albifrons. Além desta espécie, os demais primatas ocorrentes na
região, macaco-prego, guariba e souim (Cebus apella e Alouatta caraya, Callithrix penicillata),
dependentes do ambiente florestal, podem apresentar populações relativamente grandes.

A localidade mais bem amostrada nessa sub-bacia, contudo, refere-se à área de influência da
UHE Luis Eduardo Magalhães (UHE Lajeado) e da Serra do Lajeado, protegida parcialmente
por Unidades de Conservação, e que tem sido objeto de estudos, assim como o entorno do
reservatório do referido empreendimento hidrelétrico.

Além das informações procedentes da área alagada pelo reservatório da UHE Luis Eduardo
Magalhães, uma série de estudos foi realizada no entorno ou por ocasião dos
monitoramentos previstos para esse empreendimento. BRITO et al (2001) realizaram
levantamento de mamíferos terrestres de médio e grande portes dessa região, tendo

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identificado 38 espécies, dentre as quais se destacam onças (Panthera onca; Puma


concolor), o gato-palheiro (Oncifelis colocolo), o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus)
e o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o que denota que, em que pese o
processo de antropização observado nessa região, o mosaico de formações vegetais ainda
comporta uma fauna importante de mamíferos de grande porte. Esta constatação pode ser
estendida a toda a região ao sul da Bacia Hidrográfica, onde prevalecem esses mosaicos de
ambientes contínuos ou com conectividade.

Pequenos mamíferos não voadores foram estudados por PASSAMANI (2001), tendo-se
verificado maior abundância e riqueza de espécies em ambientes florestais. Mais
recentemente, os resultados de coletas sistemáticas ampliaram a lista para 29 espécies
PASSAMANI (2202/2004). MACIEL (2001), por sua vez, investigou as espécies de primatas
dessa região, confirmando a ocorrência das espécies identificadas nos estudos anteriores.

BRANDÃO e PÉRES Jr. (2001) realizou levantamento da herpetofauna, tendo obtido o


registro de 122 espécies, sendo 40 anfíbios, 20 lagartos, seis anfisbenídeos, 51 serpentes, 5
quelônios (Phrynops gibbus, Ph. geoffroanus, Podocnemis unifilis, P. expansa, Geochelone
carbonaria) e um crocodiliano (Caiman crocodilus). Destaca-se a ocorrência de espécies
endêmicas, novas e de grande número de espécies fossoriais.

Mais recentemente PAVAN;DIXO (2002/2004) realizaram levantamento da herpetofauna na


área de influência da UHE Luis Eduardo Magalhães, com base nos resultados do resgate e
de coletas sistemáticas de monitoramento, ampliando a lista de espécies para 164 répteis e
anfíbios. Incluem-se espécies de distribuição amazônica, além de várias outras restritas aos
ambientes abertos da Depressão do Tocantins.

Também na serra do Lajeado foram desenvolvidas pesquisas, com o intuito de inventariar as


espécies de aves ali presentes (BAGNO;ABREU, 2001), tendo-se evidenciado 347 espécies,
das quais 79,6% florestais, com forte influência amazônica. Posteriormente a lista foi
ampliada para 378 espécies (PINHEIRO, 2002/2004).

Estes estudos atestam a grande riqueza de espécies animais existentes na Depressão do


Tocantins, a importância do mosaico de ambientes para diversidade biológica e o papel que
as florestas ripárias desempenham na dispersão da fauna amazônica nos cerrados.

 Sub-bacia 23

A fauna presente nos ambientes de cerrado e formações associadas, situados mais ao norte,
na sub-bacia 23, já sob forte influência da faixa que marca o contato com o bioma Amazônia,
foi avaliada de forma expedita por meio de amostragem de aves, na região das Mesas de
Carolina e Estreito (TUBELLIS, 2005). Um total de 155 espécies foi anotado em seis dias de
observações. Destas, oito são endêmicas do bioma Cerrado. Uma delas, chororozinho
(Herpsilochmus longirostris), é associada a ambientes florestais, sendo as demais de
ambientes campestres ou savânicos.

Espécies ameaçadas, totalizando quatro representantes, também foram registradas (ferreiro


– Procnias averano; papagaio-curau – Amazônia xanthops; mineirinho – Cvharritospiza
eucosma; ema – Rhea americana). Menciona-se novamente o registro, por meio de
entrevistas, de arara-azul-grande, que nidifica em paredões das serras (TUBELLIS, 2005).

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Entre os mamíferos citados para essa região, encontram-se o veado-campeiro (Ozotoceros


bezoarticus) e o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla). Já nas áreas de matas,
ocorrem espécies partilhadas com a Floresta Amazônica, como o macaco-da-noite (Aotus
sp.), o mico-de-cheiro (Saimiri scirius) e o tamanduaí (Cyclops didactyla). Também ocorrem
na fauna regional espécies partilhadas com a Caatinga. Tal fenômeno se caracteriza pela
localização do Estado do Maranhão, onde ocorre transição entre os Biomas Cerrado,
Amazônia e Caatinga (IC;Instituto Ecológica; MMA;IBAMA, 2006).

Mais ao norte, onde o contato entre os biomas torna-se mais evidente, estudos realizados
para a avaliação de impactos da UHE Serra Quebrada apontam uma fauna de mamíferos,
aves, répteis e anfíbios relativamente pouco diversificada, em comparação com as
possibilidades esperadas para a região. A causa mais provável por esta baixa diversidade é o
alto grau de antropização observado nas fitofisionomias, mesmo as florestais, nas quais a
retirada seletiva de madeira alterou a estrutura das matas e diminuiu a oferta de
abrigos/alimentos (THEMAG, 2000).

A maioria das espécies encontradas é adaptada aos ambientes abertos; a presença de


elementos amazônicos, como o rato-do-bambu (Dactylomys dactylinus), o lagarto verde
(Kentropyx calcarata), a cobra coral de Spixii (Micrurus spixii spixii) e o jacaré-açu
(Melanosuchus niger) mostram a influência das florestas úmidas, à semelhança do mosaico
existente na vegetação (THEMAG, 2000).

As formações florestais dessa região, ainda que descontínuas, favorecem a existência de


uma maior diversidade de fauna arborícola em relação às localidades mais ao sul. Neste
sentido, são mais abundantes os representantes de grupos como os primatas, marsupiais,
determinadas famílias de aves, anfíbios e ainda serpentes e lagartos.

Dentre os primatas, destacam-se o guariba (Alouatta sp), o macaco-prego (Cebus apella), e o


macaco-da-noite (Aotus sp), identificado na região de Lajeado (Palmas) por ocasião do
resgate. Há ainda indícios de ocorrência de mão-de-ouro (Saimiri sciureus) ou mico mão-de-
ouro (Saguinus midas), de menor porte que o anterior. Segundo EMMONS (1997), o limite sul
de distribuição do Saimiri sciureus mais próximo seria a confluência dos rios Araguaia e
Tocantins. Ainda segundo a autora, o limite de distribuição do Saguinus midas seria a
margem esquerda do rio Tocantins, o que indicaria sua ocorrência nas matas da margem
oeste do rio Tocantins, já na sub-bacia 29.

 Baixo Curso do Rio Tocantins – sub-bacia 29


 Sub-bacia 29

De um modo geral, as análises sobre a fauna estão vinculadas ao suporte vegetal


encontrado, já que a dinâmica sucessional de ocupação do espaço envolve estes dois fatores
bióticos simultaneamente. À medida que a vegetação se estabelece, seguindo determinantes
edafo-climáticos, desenvolve-se junto uma fauna característica de acordo com a estrutura
oferecida pela formação vegetal (THEMAG, 2000).

Assim, a passagem do ambiente campestre ou savânico observado a sul desta sub-bacia,


para os ambientes florestais, implica alterações na composição faunística. Ainda que pareça
senso comum, a ocupação vertical das florestas não é bem conhecida. Neste sentido,
tornam-se relevantes os estudos de PASSAMANI (1994) e VOLTOLINI (1997) que, embora
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realizados em Mata Atlântica, comprovam e exemplificam a preferência de determinadas


espécies de pequenos mamíferos por estratos específicos da mata. Os autores também
chamam a atenção para a possível sub-amostragem de levantamentos que não explorem
corretamente os estratos mais altos da vegetação (THEMAG, 2000.).

Nessa porção amazônica da Bacia do Rio Tocantins, tem-se estudos realizados nas
proximidades de Tucuruí. Baseado em levantamento bibliográfico e amostragens de campo,
foi apontada a ocorrência comprovada ou provável de 69 espécies de anfíbios na área de
influência da UHE Tucuruí. São 67 anuros, uma salamandra e uma cecília. As famílias mais
diversas são Hylidae (33 espécies) e Leptodactylidae (17). Quanto aos répteis, 150 espécies
podem estar presentes na região, sendo 3 crocodilianos, 9 quelônios, 4 anfisbenas, 41
lagartos e 93 serpentes (ELETRONORTE/ENGEVIX/THEMAG, 2001).

A lista de aves de provável ocorrência nessa área abrange 401 espécies, distribuídas em 61
famílias. Destaca-se a ocorrência de alguns táxons distintos em ambas as margens do rio
Tocantins, característica do bioma Amazônia, onde os grandes rios isolam faunas umbrófilas
dos interflúvios de uma margem e de outra. Os seguintes táxons estão presentes apenas na
margem esquerda: Conopophaga aurita, Cercomacra nigrescens, Knipolegus poecilocercus e
Thryothorus coraya (ELETRONORTE/ENGEVIX/THEMAG, 2001).

No que se refere aos mamíferos, um total de 142 espécies de mamíferos são consideradas
de ocorrência comprovada ou provável. O habitat mais expressivo na área de influência é a
floresta de terra firme, sendo que os poucos remanescentes de várzea revestem-se de
importância, por abrigarem uma fauna associada própria, contribuindo, assim, para a
manutenção da diversidade regional. Nota-se, ainda, uma rápida expansão das áreas
antrópicas, especialmente na margem direita do reservatório e que pode ser exacerbada com
a iminente pavimentação da BR 230, na margem esquerda
(ELETRONORTE/ENGEVIX/THEMAG, 2001.).

2.2.5.1. Análise de Agrupamento de Fauna da Bacia Hidrográfica do Tocantins

Objetivando comparar as faunas registradas nas diversas localidades da Bacia do Rio


Tocantins, foram compilados os dados dos levantamentos realizados no âmbito dos diversos
estudos ambientais para avaliação de impactos (EIA) de empreendimentos hidrelétricos.
Optou-se por esse conjunto de dados, uma vez que estes representam uma amostragem
bastante significativa da Bacia Hidrográfica.

Em que pesem os limites inerentes aos estudos desta natureza, optou-se por realizar esta
análise, de caráter exploratório, com o intuito de auxiliar, em alguma medida, na identificação
de variações espaciais.

A localidade com maior número de registros foi Serra da Mesa (SM), com 559 registros,
seguida de Lajeado (LA), com 534 espécies. Ressalte-se que são aproximações e, portanto,
artefatos de amostragem e imprecisões de identificação devem ser considerados,
principalmente para mamíferos de médio e grande porte, usualmente amostrados por meio de
observações diretas e indiretas e, em parte, para aves, também amostradas por meio de
observações. O dendrograma de similaridade, considerando o conjunto de espécies, é
apresentado a seguir:

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Figura 1 – Dendrograma de similaridade Jaccard, utilizando algoritmo UPGMA para


composição de espécies de vertebrados terrestres da Bacia Hidrográfica do rio
Tocantins. SM: Serra da Mesa; CB: Canabrava; SS: São Salvador; PX: Peixe; IP:
Ipueiras; LA: Lajeado (região de Palmas e Porto Nacional); SQ: Serra Quebrada (região
de Itaguatins).

Elaboração: Consórcio CNEC – ARCADIS Tetraplan


Os agrupamentos obtidos não correspondem totalmente ao esperado, onde as localidades
geograficamente mais próximas seriam mais semelhantes. Tal resposta pode ser resultado
de alguns fatores, como influência dos biomas envolvidos (Amazônia e Cerrado) em cada
localidade, diversidade de ambientes amostrados em cada localidade (matas, cerrados, áreas
úmidas, etc.), diferenças nos métodos e esforços de amostragem, além das imprecisões
anteriormente citadas. Diferenças de esforço podem ser responsáveis pela presença ou
ausência de um considerável número de espécies na lista final, e, por conseqüência, pela
maior ou menor similaridade com outras localidades. No caso dos levantamentos analisados,
poucos foram os que relataram o esforço empregado em unidades comparáveis,
impossibilitando grandes discussões sobre diferenças amostrais.
Em que pesem os eventuais problemas de amostragem e de identificação, os resultados da
análise de similaridade apontam um gradiente de sul para norte, e sugerem a separação dos
conjuntos faunísticos em três compartimentos, sendo um constituído das localidades do
extremo sul (Serra da Mesa e Canabrava), outro abrangendo as localidades situadas
aproximadamente no médio curso do rio Tocantins e um ao norte, incluída a região de
Estreito e Serra Quebrada. Essa distribuição é consistente para os grupos analisados
separadamente e para o conjunto de espécies. Note-se que Lajeado aproxima-se das regiões
de Serra da Mesa e Cana Brava, o que pode decorrer de artefato de amostragens, mais
intensas nessas localidades.
Assim, alguns padrões puderam ser verificados nas análises de agrupamento realizadas para
todos os grupos de fauna amostrados, como o agrupamento de Cana Brava e Serra da Mesa,
ambos situados ao sul da Bacia do Rio Tocantins. Na maioria dos casos Peixe e Lajeado
apareceram como um agrupamento próximo ao de Cana Brava e Serra da Mesa.

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São Salvador e Ipueiras, quando presentes, mostraram maior similaridade com o grupo
[Peixe, Lajeado]. Estreito, localizado bem ao norte, e Rio do Sono, um afluente do Tocantins
também ao norte, foram as localidades com menor similaridades com as demais.

2.2.5.2. Espécies de Interesse Conservacionista


Um total de 175 espécies anotadas na Bacia Hidrográfica do Tocantins encontram-se
assinaladas como de interesse conservacionista, fazendo parte da lista oficial brasileira ou
citada no apêndice I ou II do CITES. Destas, 121 correspondem a aves, 34 mamíferos, 17
répteis e 3 anfíbios, conforme Anexo IX.
Entre as espécies de aves, destaca-se a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus),
espécie rara e avistada em três localidades de estudos (Ipueiras, Peixe e Estreito), porém
registrada também em outros estudos (Serra do Lajeado, Mesas de Carolina, divisa TO/BA).
É uma espécie rara e dependente de extensas áreas bem conservadas e do mosaico de
florestas, buritizais, bem como de paredões.
Citam-se ainda espécies que apresentam sensitividade alta para perturbações antrópicas, a
saber: gralhão (Daptrius americanus), três potes (Aramides cajanea), batuíra-de-coleira
(Charadrius collaris), trinta-reis-grande (Phaetusa simplex), corta-águas (Rhinchops niger) e a
já citada arara-azul-grande.
Outra espécie que chama a atenção é o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus),
características das planícies do rio Araguaia, porém rara na Bacia do Rio Tocantins, onde as
áreas alagadas são menos freqüentes. Cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus) e
gato-palheiro (Oncifelis colocolo) também são espécies naturalmente raras em sua área de
distribuição.

2.2.5.3. Vertebrados Aquáticos da Bacia Hidrográfica


Ressalta-se a ocorrência de boto (Inia geoffrensis) no rio Tocantins, cuja distribuição estende-
se até a área de influência da UHE Serra da Mesa, no norte de Goiás, correspondendo ao
registro mais sul-ocidental da espécie (SILVA et al, 1998). Este cetáceo, comum nos rios
amazônicos, penetra pelos afluentes de maior porte do rio Tocantins e, no período das
chuvas, também nos rios de menor porte.
Inia geoffrensis é o maior cetáceo de água doce do mundo (BEST & da SILVA 1989) e sua
distribuição parece estar limitada por grandes cascatas, corredeiras e águas muito frias.
Embora bastante comum na Amazônia, foi declarado vulnerável pela União Internacional
para a Conservação da Natureza – IUCN (WILSON & REEDER, op.cit.). Estudos recentes,
realizados na Venezuela indicam que sua abundância é variável entre diferentes rios e
ecossistemas. PILLERI & PILLERI (1982) estimaram densidade de 0,02; 0,03 e 1,16
indivíduos/km respectivamente nos rios Orinoco, Casiquiare e Apure.
De acordo com Vera da Silva (com. pes.), a espécie pode se deslocar em trechos muito rasos
de corpos d´água, com até 0,5m, desde que entre locais de maiores profundidades, dentro de
sua área natural. Grupos desta espécie têm sua área de vida dilatada nos períodos de
cheias, quando os animais se movimentam ao longo dos rios e de seus afluentes,
acompanhando os deslocamentos de cardumes de peixes, dos quais se alimentam (NOWAK
& PARADISO, 1983). O barramento dos rios e o comprometimento da ictiofauna refletem-se,
portanto, de forma muito negativa em suas populações. Ocorrem, no corpo de reservatórios,
mas aparentemente preferem os ambientes mais próximos às margens. Por serem carnívoros

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do topo da cadeia alimentar, acumulam em seus tecidos eventuais toxinas presentes nas
águas.
Assim, embora os indivíduos utilizem os reservatórios, a espécie é particularmente suscetível
à construção de barragens, que promovem a fragmentação das populações, impedem
movimentos e interferem no fluxo genético e alteram a disponibilidade dos recursos tróficos.
Não há informações sobre a distância percorrida pelos indivíduos nos tributários.
Monitoramento de indivíduos da espécie, realizados na região da UHE Serra da Mesa por um
período de 18 meses, apontam boas condições dos exemplares ocorrentes a jusante do
barramento, com movimentos entre essa barragem e a região de Canabrava (SILVA et.al,
1998).
Embora anotada até a altura da UHE Serra da Mesa, boto tucuxi (Sotalia fluviatilis) tem sua
distribuição restrita ao baixo curso, onde as corredeiras que ocorriam na região de Tucuruí
constituíam barreira à dispersão a montante.

2.2.6. Áreas Destinadas à Conservação da Biodiversidade


Este item tem como objetivo indicar a ocorrência e caracterizar as áreas destinadas à
conservação da biodiversidade, existentes na região de estudo, de forma a contribuir para a
identificação dos ecossistemas protegidos e daqueles com carência de instrumentos de
planejamento e conservação.
As Unidades de Conservação federais, estaduais e municipais; os Corredores Ecológicos; e,
as Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade representam, neste estudo, as
áreas destinadas à conservação da biodiversidade.
As Unidades de Conservação e Corredores Ecológicos existentes são legalmente
demarcados e instituídos. O mesmo não ocorre com as Áreas Prioritárias para a
Conservação da Biodiversidade; porém, ainda que não estejam legalmente instituídas, devem
ser utilizadas como instrumento de planejamento territorial, visando a utilização sustentável e
conservação in situ da biodiversidade, uma vez que representam áreas de interesse para
conservação. Entretanto são reconhecidas legalmente (Portaria nº 126, de 27 de maio de
2004) e indicadas para uso quando da formulação e implementação de políticas públicas,
programas, projetos e atividades voltadas à criação de novas Unidades de Conservação,
entre outras ações identificadas como prioritárias.

2.2.6.1. Unidades de Conservação


As Unidades de Conservação (UCs) têm por finalidade preservar bancos genéticos, proteger
os recursos hídricos e paisagens de relevante beleza cênica, conduzir a educação ambiental,
propiciar condições para o desenvolvimento de pesquisas e proteger áreas que venham a ter,
no futuro, utilização racional do solo.
Para cumprir os objetivos de preservação e de uso sustentável dos recursos naturais e da
diversidade biológica e de paisagens, dois tipos de UC são previstos: Unidades de
Conservação de Proteção Integral e Unidades de Conservação de Uso Sustentável.
As UCs de Proteção Integral têm como objetivo preservar a natureza, sendo permitido
apenas o uso indireto de seus recursos naturais (com exceção de casos previamente
analisados). São unidades de uso indireto e conceitualmente restritivas, em relação ao

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consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais e à presença de populações


humanas.
Já as UCs de Uso Sustentável têm como objetivo compatibilizar a conservação da natureza
com o uso sustentável de uma parcela dos seus recursos naturais. Ou seja, são UCs de uso
direto, onde a coleta e uso comercial ou não dos seus recursos naturais é permitida, assim
como a presença e diferentes níveis de atividades humanas.
As UCs, com exceção das Áreas de Proteção Ambiental – APAs e das Reservas Particulares
do Patrimônio Natural – RPPNs, são envolvidas por respectiva Zona de amortecimento, onde
as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de
minimizar os impactos negativos sobre a unidade” (artigo 2º, inciso XVIII, da lei 9.985/00).
É importante ressaltar que a lei 9.985/00abriu a possibilidade de se integrar num único marco
legal UCs com diferentes níveis de restrição de uso, criadas nas diferentes esferas
governamentais (federal, estadual e municipal).
Por meio da listagem das UCs existentes na região de estudo, pode-se identificar quais
biomas/ecossistemas estão mais bem representados, assim como aqueles não
representados, com necessidade de proteção e de diretrizes que preencham lacunas de
conservação dos recursos naturais, diante da atual e futura exploração dos espaços
territoriais.
Além de saber quais são as UCs existentes na região de estudo, é importante conhecer a
situação atual de cada uma delas, em termos de representatividade (biodiversidade, beleza
cênica, populações humanas, dentre outros) e de efetividade (administração, situação
fundiária, relação da UC com o entrono, existência de plano de manejo, entre outros
instrumentos de gestão e planejamento), visto que nem sempre a criação de uma UC
significa a efetiva conservação dos recursos naturais ali existentes.
As UCs identificadas na Bacia Hidrográfica do rio Tocantins e Sub-bacia 20 encontram-se
listadas nas tabelas no Anexo XI e espacializadas no mapa anexo B11 – Unidades de
Conservação, Terras Indígenas e Corredores Ecológicos.
Cabe esclarecer que nem todas as UCs listadas na tabela encontram-se espacializadas no
mapa B11. Não foi possível obter base de dados georreferenciada para as UCs municipais e
para algumas UCs estaduais.
As UCs pertencentes à categoria de Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN
apresentam base de dados georreferenciada pontual, ou seja, o polígono dessas áreas não é
apresentado, e algumas das RPPNs não foram mapeadas por ausência de dados
disponíveis.
Apesar de o Distrito Federal (DF) apresentar uma pequena porcentagem de seu território
contida na área de estudo (Sub-bacia 20), considerou-se importante apresentar a listagem
das Unidades de Conservação aí existentes. O DF é considerado exceção entre as Unidades
da Federação em termos de extensão e número de áreas destinadas à conservação da
biodiversidade, sendo que as mesmas apresentam localização estratégica para a
conservação de alguns dos principais rios da sub-bacia 20, como é o caso do rio Maranhão e
de alguns dos seus contribuintes.

Na seqüência, apresenta-se uma síntese/conclusão relativa à situação atual dessas UCs e da


sua distribuição pelas sub-bacias da área de estudo.

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Por fim, são apresentadas, no Anexo XII, fichas individuais para cada uma das UCs,
contendo informações adicionais, que proporcionam um conhecimento um pouco mais
aprofundado sobre cada uma delas, apesar das lacunas de informações disponíveis.

2.2.7. Questões
De forma geral, as Unidades de Conservação existentes na Bacia Hidrográfica do rio
Tocantins e Sub-bacia 20 encontram-se distribuídas por toda a sua extensão, contudo,
quando analisadas por sub-bacia, percebe-se a ausência de UCs em determinados espaços
territoriais, de forma que as mesmas representem, inclusive, as diferentes fitofisionomias dos
Biomas Cerrado e Amazônia.

Como mencionado anteriormente, as UCs são analisadas quanto ao seu grau de


significância, composto pela sua representatividade e efetividade. Apesar das lacunas de
informações referentes à caracterização das UCs, quanto aos dois aspectos, pode-se dizer
que todas apresentam alta representatividade, considerando-se suas peculiaridades e a
distribuição na Bacia Hidrográfica, mas não há informações suficiente que permitam avaliar
sua efetividade. Das 45 Unidades relacionadas na tabela 31 (excetuando-se as Reservas
Particulares do Patrimônio Natural - RPPNs), não se obteve informações referentes ao Plano
de manejo para um total de 23 Ucs. Outras oito UCs não possuem Plano de manejo e apenas
em sete o Plano de manejo está elaborado ou em elaboração. São elas: Parque Estadual
Terra Ronca (GO), Parque Estadual Serra dos Martírios/Andorinhas (PA), Parque Estadual do
Jalapão (TO), Parque Estadual do Lajeado (TO), Monumento Natural das Árvores
Fossilizadas (TO), além da Floresta Nacional Tapirapé-Aquiri (PA) e Floresta Nacional
Carajás. Para outras 7, há previsão de elaboração do Plano de manejo. Com relação à
instituição de Conselho, obteve-se informação apenas para 5 UCs (Parque Nacional de
Brasília, Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, APA Planalto Central, APA João Leite
e Parque estadual Serra Dourada), as quais possuem Conselho, para as outras UCs
informações não foram obtidas. Além disso, embora apresentem memorial descritivo em seu
decreto ou lei de criação, a situação fundiária é irregular na maior parte das UCs, não há
informações a respeito ou estas abrangem terras públicas e privadas. Muitas não foram
demarcadas fisicamente e o levantamento fundiário não foi realizado até o momento.

Além disso, as informações disponíveis sobre essas áreas protegidas, apresentadas no


Anexo, apontam problemas como: ausência de quadro de funcionários; desconhecimento por
parte da comunidade quanto ao conceito e importância das UCs tanto de Proteção Integral
como de Uso Sustentável; exploração irregular dos recursos naturais (turismo predatório,
ocupação desorganizada nas APAs, dentre outros); ausência de planejamento e fiscalização
das Zonas de Amortecimento (entorno das UCs) conciliados à falta de envolvimento e
sensibilização por parte dos proprietários do entorno quanto a co-responsabilidade pela
gestão ambiental dessas áreas (avanço e invasão das fronteiras agrícolas sobre as UCs). Na
grande maioria, todos esses problemas são decorrentes da pequena quantidade de recursos
financeiros destinados ao planejamento e gestão destas áreas, por parte dos governos
federais, estaduais e municipais.

No que diz respeito aos ecossistemas aquáticos, as áreas com prioridade de proteção são as
cabeceiras e as planícies sujeitas a inundação. Para proteger todas as formas de vida
existentes no sistema aquático do Cerrado, uma UC deve abranger ambas as margens do

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curso d’água e ter seus limites estabelecidos com base na área de vida das espécies
migradoras.

Segue análise sucinta da distribuição das UCs em cada uma das sub-bacias hidrográficas
que compõem a área de estudo:
 Sub-bacia 20

Na região do Distrito Federal, as APAs do Planalto Central e do Cafuringa e a Estação


Ecológica Águas Emendadas protegem as cabeceiras de alguns dos formadores do rio
Tocantins, citando-se como exemplo o rio Maranhão.

Por outro lado, a região do rio das Almas, importante formador do rio Tocantins, encontra-se
desprovida de proteção por UCs.
 Sub-bacia 21

Toda a Sub-bacia 21 encontra-se inserida no Corredor Ecológico Paranã – Pirineus. No limite


entre Goiás e Bahia encontram-se, mais ao norte, as UCs Parque Estadual de Terra Ronca e
APA da Serra Geral de Goiás e, mais ao sul, a APA das nascentes do Rio Vermelho.

O rio Paranã percorre toda a Sub-bacia 21 e o Corredor Ecológico Paranã – Pirineus, sendo
que tanto suas cabeceiras como o vale encontram-se desprovidos de proteção por UC.

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e a APA de Pouso Alto encontram-se


inseridas no Corredor Ecológico Paranã – Pirineus e estão em parte inseridas nas Sub-bacias
21 e 22.
 Sub-bacia 22

O Corredor Ecológico Jalapão – Serra das Mangabeiras está integralmente inserido na Sub-
bacia 22 e, em conjunto com outras cinco UCs, tem o objetivo de proteger os ecossistemas e
belezas cênicas da região do Jalapão e confluência dos Estados do Tocantins, Maranhão,
Piauí e Bahia.

Especificamente a região dos rios Bagagem e Manuel Alves da Natividade, ao sul do


Corredor Ecológico Jalapão – Serra das Mangabeiras, encontra-se desprovida de áreas
legalmente protegidas. O mesmo ocorre na região norte deste Corredor Ecológico, onde se
encontra o município de Lizarda.

As APAs da Foz do Santa Tereza e Lago Peixe Angical encontram-se inseridas no Corredor
Ecológico Paranã – Pirineus, em parte dentro da Sub-bacia 22.

Apesar da APA da Foz do Santa Tereza, o rio Santa Tereza tem seu médio e alto curso
(terrenos sujeitos à inundação e cabeceiras), ao sul de Gurupi, desprovido de UC. A porção
leste do Corredor Ecológico Paranã – Pirineus, cortada pelas águas do rio Palma, também
encontra-se desprovida de UCs.

Apenas mais ao norte, os ecossistemas estão representados pelas APAs Lago de Palmas e
Serra do Lajeado, pelo Parque Estadual Serra do Lajeado e pelas Terras Indígenas Funil e
Xerente. Cabe destacar que nenhuma dessas UCs e TIs (Terras Indígenas) abrange ambas
as margens do rio Tocantins.

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 Sub-bacia 23

Os ecossistemas da Sub-bacia 23 são representados apenas por quatro UCs: três Reservas
Extrativistas e um Monumento Natural. Não há UC de Proteção Integral nesta Sub-bacia.

Os ecossistemas da porção mais central desta Sub-bacia não estão representados em UC,
principalmente, no que diz respeito à margem direita do rio Tocantins, na divisa entre os
Estados do Tocantins e Maranhão, entre as Terras Indígenas Kraolândia, Apinayé e Krikati.

Tal observação é corroborada pelos resultados dos estudos relativos às Áreas Prioritárias
para a Conservação da Biodiversidade do PROBIO. Nesta região, foi indicada como ação
prioritária a criação de uma Unidade de Conservação abrangendo as fitofisionomias de
cerrado existentes no município de Carolina (MA) e os ecossistemas aquáticos e belezas
cênicas relacionados ao rio Farinha.

Como resultado dos workshops dos Biomas Cerrado e Amazônia, as Áreas Prioritárias
denominadas Polígono das Águas – Sudoeste do Maranhão e Carolina – Porto Franco (MA)
até Itacajá (TO) foram consideradas de prioridade extremamente alta e receberam como
principal recomendação a criação de Unidade de Conservação. Seguindo esta
recomendação, foi realizado, em 2005, por Conservation International (CI), Instituto Ecológica
(IE), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) Relatório Técnico relativo à criação do Parque
Nacional da Chapada das Mangabeiras – Carolina (MA).

Conforme o Relatório Técnico supramencionado, o relevo da região se caracteriza pela


presença de elevados morros testemunhos escarpados, esculpidos pela ação da erosão
eólica e hídrica sobre o arenito, localmente denominados serras ou mesas, correspondentes
às Chapadas Intermediárias associadas à Chapada Alta das Mangabeiras. Com o processo
erosivo dos arenitos formaram-se grandes áreas de deposição de solo arenoso associadas
às áreas rebaixadas de planícies ligadas ao rio Tocantins.

A região abrange terras dos municípios maranhenses de Carolina, Estreito e Riachão, assim
como as cabeceiras e o curso de diversos rios tais como o rio Farinha, Itapecuru, Urupuchete,
Corrente e Lajinha e, inclusive, as cachoeiras do rio Farinha. A região ainda abriga sítios
arqueológicos caracterizados pelas pinturas rupestres, que correm risco de
descaracterização, como resultado de atividade turística desordenada.

A vegetação da área corresponde à do Bioma Cerrado, caracterizada pela distribuição em


mosaico de diversas fitofisionomias de aspecto savânico e florestal, muitas vezes distribuídos
lado a lado na paisagem, de acordo com diferenças sutis na fertilidade do solo,
disponibilidade de água e presença de afloramentos de rocha. Nas áreas de solo arenoso
ocorrem fisionomias de campo cerrado, campo sujo e cerrados abertos. Ao longo dos cursos
d’água ocorrem matas de galeria, que substituem as veredas presentes nas cabeceiras. Em
locais de solo mais rico existem grandes manchas de matas semideciduais, onde se
destacam espécies típicas de cerradões, como o carvoeiro (Sclerolobium sp.) e a pimenta-de-
macaco (Xylopia sp.). Nos paredões rochosos ocorrem bromélias, canelas-de-ema (Vellozia
spp.) e cactáceas, criando ambientes semelhantes aos encontrados em certas regiões do
semi-árido.

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Estudos preliminares citam para a região 82 espécies de répteis, mais de 350 espécies de
aves e 62 espécies de mamíferos. Nos campos e cerrados ocorrem espécies típicas de
ambientes campestres, tais como a ema (Rhea americana), o veado-campeiro (Ozotoceros
bezoarticus) e o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla). Já nas áreas de matas,
ocorrem espécies partilhadas com a Floresta Amazônica, como o macaco-da-noite (Aotus
sp.), o mico-de-cheiro (Saimiri scirius) e o tamanduaí (Cyclops didactyla). Também ocorrem
na fauna regional espécies partilhadas com a Caatinga. Tal fenômeno se caracteriza pela
localização do Estado do Maranhão onde ocorre transição entre os Biomas Cerrado,
Amazônia e Caatinga.

Cabe destacar que esta região corre o risco de ser fortemente degradada pelo
desenvolvimento de atividades como turismo desordenado, prática de queimadas e avanço
da fronteira agrícola. Por outro lado, a ocupação humana ainda é rarefeita e os danos
causados pelas atividades atualmente desenvolvidas são de pequena escala, passíveis de
regeneração, não descaracterizando a importância biológica da região.
 Sub-bacia 29

Os ecossistemas da Sub-bacia 29 são basicamente representados por UCs de Uso


Sustentável (Florestas Nacionais, Áreas de Proteção Ambiental, Reservas de
Desenvolvimento Sustentável), sendo a Reserva Biológica do Tapirapé a única exceção.

A Sub-bacia 29 caracteriza-se pela intensificação e expansão das fronteiras das atividades


pecuárias. Os municípios do sudeste do Pará caracterizam-se pelo baixo percentual de áreas
ainda florestadas (menos de 20% do território municipal, excluindo-se as áreas legalmente
protegidas), indicando a inobservância do Código Florestal pelos proprietários rurais, quanto
a Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente.

As atividades mineradoras e agropecuárias competem com as áreas prioritárias de


conservação do Baixo Tocantins, configurando a necessidade do aumento de Unidades de
Conservação de Proteção Integral. Estas são fundamentais para possibilitar a preservação
das zonas de recarga e permanência de corredores ecológicos, cada vez mais fragmentados
pelos avanços das fronteiras agrícolas, construção de reservatórios e crescimento de centros
urbanos (Plano Nacional de Recursos Hídricos - 2005).

Apesar de os limites das UCs e TIs aparentemente estarem sendo respeitados pelo avanço
das atividades agropecuárias, percebe-se que estas áreas legalmente protegidas
apresentam-se como testemunhos isolados de biodiversidade, visto que as áreas
desmatadas avançam até o limite máximo. No seu entorno imediato, a vegetação original
encontra-se reduzida a fragmentos de pequena extensão e pouco significativos em termos de
representatividade. Como exemplo, apresenta-se, a seguir, imagem de satélite com destaque
para a Terra Indígena Parakanã. Os diferentes usos do solo avançam até o limite da referida
TI.

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Ilustração 23 - Detalhe da Terra Indígena Parakanã

As conseqüências para a biodiversidade em situações como essa podem ser episódios


localizados de extinção de espécies da flora e da fauna associada, devido à redução e
fragmentação dos remanescentes de vegetação nativa, intensificação dos efeitos de borda
(inclusive sobre as UCs e TIs) e redução da conectividade entre fragmentos.

2.2.8. Corredores Ecológicos


Os Corredores Ecológicos têm o objetivo de unir e aumentar a proteção das Unidades de
Conservação e das Terras Indígenas, por meio de incremento das ações de vigilância,
fiscalização, monitoramento e controle. Implantados estrategicamente, os corredores e Zonas
de Amortecimento das UCs, podem mudar fundamentalmente o papel ecológico das áreas
protegidas (MMA 2004).

O SNUC não só dá respaldo legal aos Corredores Ecológicos, como também os define em
seu artigo 2o, como: “porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando unidades de
conservação, que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando
a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas, bem como a manutenção
de populações que demandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que
aquela das unidades individuais”. Essa estrutura de mosaicos permite que a diversidade de
tipos de Unidades de Conservação possa ser administrada de forma conjunta, sem deixar de
atender às peculiaridades locais.

O desafio é interligar os fragmentos existentes dentro de um Corredor Ecológico. Além das


Unidades de Conservação e das Terras Indígenas, é preciso considerar outras áreas

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legalmente protegidas pelo Código Florestal (Lei no 4.771/65), também de grande


importância para a conservação dos recursos naturais: as Reservas Legais e as Áreas de
Preservação Permanente (matas ciliares, topos e encostas de morros).

O planejamento de um Corredor Ecológico é realizado de forma participativa e


descentralizada, buscando promover mudanças comportamentais dos atores sociais
envolvidos (governamentais, não governamentais e privados) e de criar oportunidades de
negócios e de incentivo às atividades que agreguem a conservação ambiental aos projetos
de desenvolvimento.

Para a região da Bacia Hidrográfica do rio Tocantins e Sub-bacia 20 foram identificados três
Corredores Ecológicos, sendo eles denominados: i) Corredor Ecológico Jalapão - Chapada
das Mangabeiras; ii) Corredor Ecológico Paranã – Pirineus; e, iii) Corredor Ecológico Sul da
Amazônia (IBAMA 2004).

Os Corredores Ecológicos Araguaia/Bananal e Ecótones sul-Amazônicos (IBAMA 2004)


apresentam sobreposição entre si e estão localizados a oeste da a área de estudo, pelo seu
limite oeste, englobando a Bacia Hidrográfica do rio Araguaia.

Seguem abaixo as fichas com alguns dados e informações que caracterizam os Corredores
Ecológicos Jalapão - Chapada das Mangabeiras e Paranã – Pirineus. O Mapa B11 -
Corredores Ecológicos, UC’s, TI’s indica a localização de ambos Corredores Ecológicos.

2.2.8.1. Corredor Jalapão – Chapada das Mangabeiras

Estados: Tocantins, Bahia, Piauí e Maranhão

Área: 9.275.000 ha

Objetivos: “manejar os ecossistemas por meio da gestão biorregional, para manter a sua
conectividade e analisar a possibilidade de criação de novas áreas protegidas”.

Caracterização:

Situado na confluência dos Estados do Tocantins, Bahia, Piauí e Maranhão, o projeto


Corredor Ecológico Jalapão – Chapada das Mangabeiras vem sendo implementado pelo
IBAMA, pela ONG Conservation International – CI e pelos governos estaduais e municipais
envolvidos. Grupos de referência serão criados em cada um destes municípios para
acompanhar a implantação dos projetos de sustentabilidade da região com base no
planejamento biorregional.

Os onze municípios do Tocantins que fazem parte do corredor Jalapão - Chapada das
Mangabeiras são: Lizarda, Rio Sono, Porto Alegre do Tocantins, Mateiros, São Félix do
Tocantins, Novo Acordo, Dianópolis, Rio da Conceição, Almas, e, Lagoa do Tocantins. Os
quatro municípios do Piauí são: Barreiras do Piauí, Gilbués, São Gonçalo da Gurguéia e,
Corrente. O único município baiano é Formosa do Rio Preto e o único maranhense é Alto
Parnaíba.

O Corredor Ecológico Jalapão - Chapada das Mangabeiras conecta cinco Unidades de


Conservação: a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins; o Parque Nacional Nascentes
do Parnaíba; a APA da Serra da Tabatinga; a APA do Jalapão; e, o Parque Estadual do
Jalapão. Pretende-se que essas UCs, em conjunto, formem um grande corredor de proteção
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da biodiversidade por onde os animais possam transitar e procriar em segurança, onde a flora
seja conservada e as belezas cênicas preservadas para as futuras gerações.

Os ecossistemas abrangidos pelo corredor apresentam grande importância ecológica, tendo


esta região sido considerada pelo PROBIO (MMA/SBF 1999) Área Prioritária para a
Conservação da Biodiversidade do Cerrado, de extrema importância. O corredor abrange as
nascentes dos rios Parnaíba e Tocantins e apresenta composição de rochas sedimentares,
que vêm sofrendo intenso processo erosivo, correndo sério risco de desertificação.

Com esta iniciativa, o IBAMA pretende evitar que a região, também conhecida como "oásis
do cerrado", se transforme em um imenso deserto devido à constante erosão, ao turismo e
uso do solo desordenados, que afetam os frágeis ecossistemas também danificados pelo
fogo.

2.2.8.2. Corredor Paranã - Pireneus

Estados: Goiás, Tocantins e Distrito Federal

Área: 10.000.000 ha

Objetivos: “contribuir para a efetiva conservação da diversidade biológica do cerrado,


adotando técnicas de biologia da conservação e estratégias de planejamento e gestão
socioambiental de forma compartilhada”.

Sub-bacias: Este Corredor Ecológico abrange uma pequena área da Sub-bacia 20 (sudeste)
e abrange a Sub-bacia 21 integralmente.

Caracterização:

O projeto do Corredor Paranã-Pireneus foi proposto pelo IBAMA e aprovado pela Agência de
Cooperação Internacional Japão – Jica. A Jica aprovou nova proposta de financiamento para
o projeto, por um período de três anos, para aquisição de equipamentos e promoção de
atividades.

De acordo com os estudos do PROBIO (MMA/SBF 1999) a área do Corredor Ecológico foi
considerada Área Prioritária para a Conservação da Biodiversidade do Cerrado, de extrema
importância. Analisando-se as regiões e áreas-núcleo que o compõem, fica fácil entender o
motivo de tal classificação:
 Região do Parque Estadual de Terra Ronca e da APA Serra Geral de Goiás;
 Região de Mambaí e Posse (APA Nascentes do Rio Vermelho);
 Região de Pouso Alto/Chapada dos Veadeiros (PARNA da Chapada dos Veadeiros e
APA de Pouso Alto);
 Parque Municipal de Itiquira;
 Parque Estadual dos Pirineus;
 Região da APA de Santa Tereza;
 Vale do Paranã;
 Região do Distrito Federal (Estação Ecológica de Águas Emendadas, Parque Nacional
de Brasília e APA do Planalto Central); e,

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 Reserva da Biosfera do Cerrado.

Todos os governos estaduais e municipais, abrangidos por este corredor, estão integrados ao
projeto e compartilham de workshops e reuniões decisórias realizados no âmbito deste.

2.2.8.3. Corredor Ecológico Sul da Amazônia

Estados: Amazonas, Pará, Tocantins e Maranhão

Área: 31.646.600 ha

Objetivos: “fortalecer a gestão participativa, visando o planejamento, monitoramento e


controle de ações para conservar a biodiversidade biológica; aumentar a representatividade
das áreas conservadas (...), por meio do estabelecimento e expansão das áreas protegidas,
priorizando a conectividade entre elas; reduzir a pressão do desmatamento em áreas
conservadas e contribuir para a proteção e uso sustentado da diversidade biológica em
Terras Indígenas”.

Sub-bacias: este Corredor Ecológico abrange, em parte, a Sub-bacia 23 e o extremo norte da


Sub-bacia 29.

Caracterização:

O Projeto Corredores Ecológicos – MMA/PPG7 foi proposto pelo Programa Piloto de


Proteção das Florestas Tropicais – PPG7 e negociado entre o Ministério do Meio Ambiente,
IBAMA e Banco Mundial. O Corredor Ecológico Sul da Amazônia é apenas um dos sete
corredores desse projeto.

O Corredor Ecológico Sul da Amazônia abrange as seguintes Unidades de Conservação,


localizadas respectivamente na Sub-bacia 23 e Sub-bacia 29:
 Sub-bacia 23:
 Reserva Biológica do Tapirapé
 Floresta Nacional Itacaiúnas (parte)
 Floresta Nacional de Carajás (parte)
 Floresta Nacional Tapirapé-Aquiri
 APA do Igarapé Gelado
 Área de Proteção Ambiental do Lago de Tucuruí
 Reserva de Desenvolvimento Sustentável Pucuruí-Ararão
 Reserva de Desenvolvimento Sustentável Alcobaça
 Terra Indígena Xikrin do Catete (parte)
 Terra Indígena Paracanã (parte)
 Terra Indígena Sororó (parte)
 Terra Indígena Nova Jacundá
 Terra Indígena Mãe Maria

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 Sub-bacia 29:
 Reserva Extrativista do Extremo Norte do Estado do Tocantins
 Reserva Extrativista Mata Grande
 Reserva Extrativista do Ciriaco
 Terra Indígena Apinayé (parte)

O Projeto Corredores Ecológicos – MMA/PPG7 propõe estabelecer estrutura de gestão


descentralizada e participativa, onde cada um dos agentes envolvidos será considerado co-
gestor e co-executor, sendo que as instituições diretamente envolvidas na sua execução são:
MMA, IBAMA, FUNAI, órgão estaduais de meio ambiente e as prefeituras municipais.

A estrutura de gestão também deve incluir associações, movimentos sociais e ONGs.

O Projeto Corredores Ecológicos – MMA/PPG7 também prevê o desenvolvimento de ações


de coordenação, planejamento e monitoramento do corredor; criação, planejamento e
monitoramento das Unidades de Conservação, das áreas de interstício; e, proteção da
biodiversidade existente nas Terras Indígenas.

2.2.9. Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade


As Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade foram geradas dentro de uma
Estratégia Nacional de Diversidade Biológica, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, que
criou o Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira –
PROBIO, estruturado especialmente para traçar estratégias regionais de conservação da
biodiversidade para os principais ecossistemas brasileiros.

O PROBIO apoiou a realização de workshops de consultas regionais divididos por bioma, de


acordo com os componentes biogeográficos do PRONABIO, sendo eles: Amazônia, Cerrado
e Pantanal, Mata Atlântica e Campos Sulinos, Caatinga e Zonas Costeira e Marinha.

Esses workshops regionais envolveram especialistas, tomadores de decisões e organizações


não governamentais, com o objetivo de sistematizar o conhecimento sobre esses biomas, de
forma que seus resultados passassem a nortear a política do Ministério do Meio Ambiente
para a conservação e o manejo sustentável da biodiversidade brasileira.

As Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade foram classificadas de acordo


com sua relevância/importância para a conservação da biodiversidade, tal como se segue:
 Extremamente alta;
 Muito alta;
 Alta; e,
 Insuficientemente conhecida.

Dos workshops realizados, dois deles – Amazônia Brasileira e Cerrado e Pantanal –


abrangem a região da Bacia Hidrográfica do rio Tocantins e Sub-bacia 20.

O processo de identificação de Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade tanto


do Cerrado, como da Amazônia foi baseado nas seguintes áreas temáticas: vegetação e
flora, invertebrados, biota aquática, répteis e anfíbios, aves e mamíferos, analisadas uma a

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uma separadamente, para uma posterior integração e recorte dentro de cada Bioma. De
forma geral, ao menos parte das Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade,
identificadas para cada uma das áreas temáticas, foi contemplada ao serem definidas as
Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade de cada um dos Biomas tratados.

A delimitação das áreas foi realizada com base na distribuição de elementos da biota,
enfatizando áreas de alta riqueza de espécies, com alto grau de endemismo e presença de
comunidades únicas.

A lista das Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade do Cerrado e da


Amazônia brasileira, presentes na Bacia Hidrográfica do Tocantins e se seus formadores, e o
Mapa B12 – Áreas Prioritárias, são apresentados no Anexo XIII.

2.2.10. Síntese / Conclusão


Dentre as 30 Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade identificadas para a
região da Bacia Hidrográfica do Tocantins e Sub-bacia 20, 24 delas encontram-se na
categoria de extremamente alta importância; 5 na categoria de muito alta importância; e,
apenas 1 na categoria insuficientemente conhecida, denominada Sul Tocantins – Região
Conceição/Manuel Alves.

Entre as ações indicadas como prioritárias a serem desenvolvidas nessas Áreas tem-se, de
forma geral: proteção, criação de UCs, recuperação, uso sustentável dos recursos naturais,
inventário (necessidade de estudos), elaboração de plano de manejo e fiscalização.

A identificação das Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade, assim como das
recomendações para cada uma delas é de grande importância para o presente trabalho, visto
que em conjunto com outros aspectos do meio físico e dos ecossistemas terrestres e
aquáticos a serem trabalhados, poderá fornecer subsídios para a identificação de corredores
de fauna e de cobertura vegetal significativos, assim como para a indicação de áreas com
potencial para a criação de Unidades de Conservação de Proteção Integral ou de Uso
Sustentável, colaborando para a elaboração de diretrizes relacionadas à conservação da
biodiversidade do da Bacia Hidrográfica do Tocantins e Sub-Bacia 20.

Ainda que não se viabilize a proteção legal do conjunto de Áreas Prioritárias identificado, é
importante ressaltar que estas constituem importante subsídio que não pode deixar de ser
considerado na análise de prioridades referentes ao sistema de UCs dos Estados integrantes
da Bacia Hidrográfica do Tocantins e Sub-bacia 20.

Por fim, é interessante notar a forma como as Áreas Prioritárias para a Conservação da
Biodiversidade estão distribuídas pela região de estudo. Estas áreas encontram-se
distribuídas, principalmente, do lado direito do rio Tocantins, ao longo do limites estaduais
Goiás – Bahia, Tocantins – Bahia e Tocantins – Maranhão, quase conectadas entre si,
formando corredores. Já na porção do Baixo Tocantins, as Áreas Prioritárias encontram-se
agrupadas ao longo do rio Itacaiúnas (porção alto/médio Itacaiúnas) e entre o reservatório da
UHE Tucuruí e a foz do rio Tocantins.

As únicas Áreas Prioritárias localizadas ao longo do rio Tocantins são aquelas denominadas
Médio-Tocantins, Polígono das Águas – Sudoeste do Maranhão, Carolina – Porto Franco
(MA) até Itacajá (TO), TI Apinayiés, TI Trocará e Baixo Tocantins.

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De forma simplificada, pode-se concluir sobre o grau de estabilidade das Áreas Prioritárias
para a Conservação da Biodiversidade, analisando-se a inserção das mesmas em UCs e TIs.
Dentre as Áreas Prioritárias existentes na área de estudo, aquelas sem representatividade
por UC e/ou TI são:
 Rio das Almas;
 Pirenópolis – minimamente representada pela APA da Serra dos Pirineus;
 Vale do Paranã;
 Chapada dos Veadeiros e Pouso Alto – minimamente representadas pela APA Pouso
Alto;
 Florestas Semidecíduas do Sudeste do Tocantins;
 Sul Tocantins – Região Conceição – Manuel Alves; e,
 Polígono das Águas – Sudoeste do Maranhão e Carolina – Porto Franco (MA) até Itacajá
(TO) – Áreas Prioritárias com sobreposição - minimamente representadas apenas pela
UC Monumento Natural das Árvores Fossilizadas do Estado do Tocantins.

2.2.11. Aspectos Relevantes


O rio Tocantins tem as nascentes de seus formadores na área nuclear do Bioma Cerrado e a
maior parte do território que compõe sua bacia de drenagem encontra-se nesse bioma, até
penetrar, já no baixo curso, no setor amazônico da bacia hidrográfica, onde prevalecem
florestas ombrófilas.

Nesse contexto, as florestas ripárias do rio Tocantins desempenham importante papel como
via de dispersão de elementos bióticos estacionais a partir do sul, onde florestas estacionais
estão presentes, associadas freqüentemente a solos calcários. Inversamente, elementos
amazônicos, umbrófilos, se dispersam para sul, penetrando na região dos cerrados. Os
estudos realizados até o momento apontam esse papel das florestas ripárias do rio Tocantins
e indicam a influência amazônica até a região central do Estado do Tocantins,
aproximadamente.

Outro aspecto importante, que contribui para a complexidade das paisagens dessa bacia
hidrográfica, refere-se ao contato entre os biomas cerrado e amazônico, de características
contrastantes. O mosaico de florestas e cerrados ao qual se associam extensos babaçuais
que surgem como resultado dos desmatamentos e queimadas, marca essa faixa de transição
no setor norte do Estado do Tocantins, atualmente muito descaracterizada devido à
ocupação antrópica.

Note-se, ainda, a influência do bioma Caatinga, principalmente a sudeste, em


correspondência às formações deciduais ali presentes, e a nordeste, já no contato com as
formações amazônicas.

Ao sul dessa faixa de transição, prevalecem os cerrados interfluviais, pontuados localmente


por manchas de florestas estacionais e cortados pelas formações ripárias florestais e,
localmente, varjões. Embora com diferentes extensões, esses elementos têm equivalente
importância ecológica, pois representam distintos ecossistemas que comportam flora e fauna
específicas, contribuindo, portanto, para a diversidade da paisagem.

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A aparente homogeneidade dos cerrados é amenizada pela alternância de fisionomias mais


abertas e mais densas. Do ponto de vista florístico e zoológico verifica-se, ainda, um
gradiente no sentido sul - norte dos conjuntos de espécies, sugerindo que derivações de
composição de flora e de fauna determinam graduais heterogeneidades e dissimilaridades
dentro do espaço em análise, relacionadas com sua grande extensão.

Nessas circunstâncias, ações conservacionistas devem compreender vários setores da bacia


hidrográfica, de maneira a abarcar toda a heterogenidade das formações que se pretende
preservar. A análise do sistema de Unidades de Conservação, contudo, aponta lacunas
importantes seja na distribuição das áreas sob proteção legal, seja na efetividade destas.

Outro aspecto importante a ser considerado diz respeito à transformação dos ecossistemas
naturais para agroecossistemas e pastagens, que tem alterado substancialmente as
paisagens da Bacia Hidrográfica do Tocantins. No baixo curso, onde se situa a sub-bacia 29,
a apropriação dos recursos naturais promoveu a intensa fragmentação da cobertura florestal.
Em que pese essa intensa pressão de ocupação, os estudos apontam ainda uma ponderável
riqueza de espécies nos remanescentes, testemunha da diversidade biológica das formações
amazônicas, cuja maior representatividade está, atualmente, nas Florestas Nacionais
(FLONAs) implantadas nesse setor da bacia.

No trecho caracterizado pelo cerrado, ainda que o manejo pelo fogo e pelo desbaste
favorecessem as fisionomias abertas, a pecuária extensiva, praticada por longo período,
preservou grande parte das formações savânicas. A partir das décadas de 1980/90,
entretanto, o avanço da pecuária intensiva e, principalmente, de grãos, passou a responder
pela conversão dos cerrados para sistemas agropecuários. Este aspecto é mais evidente na
margem esquerda, em grande parte associado ao eixo representado pelo BR-153.

Finalmente, as florestas ripárias do rio Tocantins e, em grande medida, de seus afluentes de


maior porte, representam o elemento de conectividade mais importante entre as formações
florestais presentes a sul e a norte. Da mesma forma, o rio Tocantins funciona como corredor
de dispersão de cetáceos, cuja distribuição chega atém a região de Serra da Mesa, já no alto
curso do rio, em área nuclear do bioma Cerrado.

De forma geral, as Unidades de Conservação existentes na Bacia Hidrográfica do rio


Tocantins e Sub-bacia 20 encontram-se distribuídas por toda a sua extensão, contudo,
quando analisadas por Sub-bacia percebe-se a ausência de UCs em determinados espaços
territoriais, de forma que as mesmas representem, inclusive, as diferentes fitofisionomias dos
Biomas Cerrado e Amazônia.

Sendo assim, entende-se que as UCs existentes são insuficientes para garantir a
conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos existentes na Bacia Hidrográfica do
rio Tocantins e Sub-bacia 20. São mal distribuídas quanto às categorias de manejo
(proporção das UCs de Uso Sustentável em relação as de Proteção Integral) e são
insuficientes para conservar a heterogeneidade de fitofisionomias, tanto no que diz respeito à
quantidade como ao tamanho das UCs.

Dentre as 30 (trinta) Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade identificadas


para a região da Bacia Hidrográfica do Tocantins e Sub-bacia 20, 24 delas encontram-se na
categoria de extremamente alta importância; 5 na categoria de muito alta importância; e,
apenas 1 na categoria insuficientemente conhecida.

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Dentre as ações indicadas como prioritárias a serem desenvolvidas nessas Áreas têm-se, de
forma geral: proteção, criação de UCs, recuperação, uso sustentável dos recursos naturais,
inventário (necessidade de estudos), elaboração de plano de manejo e fiscalização.

Analisando-se a distribuição das Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade em


conjunto com as UCs, verifica-se que 23 das Áreas Prioritárias encontram-se em parte
representadas por UCs e/ou Terras Indígenas, enquanto, 7 Áreas Prioritárias não são
representadas por áreas legalmente protegidas.

É interessante enfatizar que aqueles espaços indicados por Sub-bacia, como carentes de
representação por UC, em muito coincidem com as Áreas Prioritárias ainda não
representadas por áreas legalmente protegidas ou mesmo com frações ainda não
representadas dessas Áreas Prioritárias.

Por fim, a identificação das Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade, assim
como as recomendações para cada uma delas é de grande importância para o presente
trabalho, visto que em conjunto com outros aspectos do meio físico e dos ecossistemas
terrestres e aquáticos, poderá fornecer subsídios para a identificação de corredores de fauna
e de cobertura vegetal significativos, assim como para a indicação de áreas com potencial
para a criação de novas Unidades de Conservação de Proteção Integral ou de Uso
Sustentável, colaborando para a elaboração de diretrizes relacionadas à conservação da
biodiversidade do da Bacia Hidrográfica do Tocantins.

2.3. Síntese da Caracterização do Meio Físico e dos Ecossistemas Terrestres


A tabela a seguir apresenta uma síntese, por sub-bacia, das principais características da
bacia do rio Tocantins, em termos do meio físico e dos ecossistemas terrestres.

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Tabela 27 - Síntese da Caracterização do Meio Físico e dos Ecossistemas Terrestres

Meio Físico Ecossistemas Terrestres

Sub-Bacia
Susceptibilidade à
erosão e potencial Geomorfologia Pedologia Fauna Flora Áreas protegidas
mineral

Os ecossistemas da
sub-bacia 29 são
Suscetibilidade: Expressiva
Bioma Amazônico, basicamente
Média Depressão do ocorrência de Fauna característica
originalmente representados por
suscetibilidade à Parauapebas- Argissolos do bioma Amazônia.
revestido por florestas UCs de Uso
Contaminação de Caeté, Serras dos Vermelho- Destacam-se alguns
ombrófilas, Sustentável, sendo a
aqüíferos na Carajás e Amarelos táxons distintos em
atualmente reduzidas Reserva Biológica do
margem direita do Depressão do Distróficos, de ambas as margens
a fragmentos, com Tapirapé a única
rio Tocantins. Itacajunas- aptidão agrícola do rio Tocantins,
remanescentes mais exceção.
Cajazeiras BOA para característica do
Média caracterizam o sul e lavouras em representativos em As atividades
bioma, onde os
suscetibilidade à centro, drenadas sistemas de áreas sob proteção mineradora e
grandes rios isolam
erosão por sulcos, pelo rio Itacaiúnas e manejo legal. agropecuária
faunas umbrófilas dos
ravinas e seus tributários tecnificado, competem com as
Sub-bacia 29 interflúvios. Os Não obstante as
boçorocas na embora áreas prioritárias de
O Patamar seguintes táxons alterações antrópicas,
margem direita do vulneráveis à conservação do Baixo
Dissecado Capim- estão presentes uma diversidade
rio Tocantins. erosão. Muitas Tocantins,
Moju, a leste, é o apenas na margem ponderável pode ser
Erosão no vezes estão esquerda: observada. configurando a
divisor do baixo
horizonte C: Alta associados a necessidade
curso. A partir da Conopophaga aurita, Ao norte, prevalecem
suscetibilidade solos de menor premente do aumento
região de Tucuruí, Cercomacra Formações Pioneiras
para as unidades potencialidade, de UCs de Proteção
inicia-se o Patamar nigrescens, associadas às
Granito da Serra com presença de Integral para a
Dissecado do Knipolegus planícies fluviais e ao
dos Carajás, região cascalhos e e preservação das
Tucuruí e as poecilocercus leque Aluvial do
de Parauapebas. pedregosidade.