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Superior Tribunal de Justiça

AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 627.014 - RJ (2004/0121767-8)

RELATOR : MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR


AGRAVANTE : GOLDEN CROSS ASSISTÊNCIA INTERNACIONAL DE SAÚDE
LTDA
ADVOGADO : LUIZ FELIPE CONDE E OUTROS
AGRAVADO : NEID CARREGAL COSTA
ADVOGADO : JACINTA MARIA R T LIMA - DEFENSORA PÚBLICA E
OUTROS
EMENTA

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. DEPÓSITO.


CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. PLANO DE SAÚDE. FAIXA
ETÁRIA. ALTERAÇÃO. APLICAÇÃO DO CDC. CONTRATO. IMPACTO
DA MODIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE ESCLARECIMENTO. CLÁUSULA
ABUSIVA. ART. 15 DA LEI N. 9656/98. REVISÃO DE CLÁUSULAS
CONTRATUAIS E DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULAS
N. 5 E 7/STJ. IMPROVIMENTO.

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas,


Decide a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, à unanimidade, negar
provimento ao agravo regimental, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes dos
autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Participaram do julgamento os
Srs. Ministros Jorge Scartezzini, Barros Monteiro, Cesar Asfor Rocha e Fernando Gonçalves.
Brasília (DF), 1 de março de 2005(Data do Julgamento)

MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR


Relator

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AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 627.014 - RJ (2004/0121767-8)

RELATÓRIO

EXMO. SR. MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR: -


Golden Cross Assistência Internacional de Saúde Ltda. interpõe agravo regimental
contra decisão do seguinte teor (fl. 341):

"Trata-se de agravo de instrumento manifestado por


Golden Cross Assistência Internacional de Saúde Ltda. contra
decisão que inadmitiu recurso especial, no qual se alega negativa de
vigência aos arts. 15 da Lei 9.656/98 e 6º, III, do Codecon, em
questão disposta nesta ementa (fl. 252):

'CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. DISCUSSÃO


QUANTO AO DEPÓSITO DO PRÊMIO MENSAL DE
PLANO DE SAÚDE. RELAÇÃO CONSUMERISTA.
MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. Violação do dever de
informar do fornecedor, ao deixar de definir com clareza
no contrato, de forma criteriosa e específica, o impacto
que representa aquela modificação, tornando a cláusula
abusiva e, consequentemente, írrita, a fazer incidir o
disposto no art. 15 da Lei n. 9.656/98. Depósitos
subsistentes. Recurso desprovido.'

A violação dos dispositivos legais invocados depende de


interpretação de cláusula contratual e de reexame dos elementos
probatórios do processo, o que é vedado pelas Súmulas 05 e 07 do
STJ.
Pelo exposto, nego provimento ao agravo."

Afirma que o recurso versa sobre a aplicação e interpretação dos arts.


6º do CDC e do art. 15 da Lei n. 9.656/98.

Faz um breve resumo dos fatos, dizendo que a agravada ajuizou Ação
de Consignação em Pagamento por não concordar com o reajuste realizado em
agosto/2002.
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Sustenta que a aplicação da Lei n. 9656/98 aos contratos celebrados


anteriormente à sua vigência importa em violar a proteção ao ato jurídico perfeito,
prescrita pelo art. 5º, XXXVI, da CF.

Alega que não se aplica ao caso o art. 6º do CDC, uma vez todos os
reajustes por mudança de faixa etária da ora agravada foram suspensos por Ação Civil
Pública, que visava resguardar o direito dos consumidores que celebraram contratos
em data anterior à Lei n. 9656/98, além do que as exigências foram cumpridas e os
índices foram aprovados pelos Órgãos Reguladores.

Requer, dessa forma, o provimento do recurso.

É o relatório.

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VOTO

EXMO. SR. MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR


(Relator): - Correta a decisão agravada. Fundamentou o julgador aplicar-se o art. 6º,
III, da Lei n. 8078/90, no sentido de que o consumidor tem direito "a informação
adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de
quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos
que apresentem" (fls. 253).

O acórdão recorrido cita cláusula contratual que diz não esclarecer


adequadamente sobre a mudança de faixa etária, bem como ser omissa quanto aos
percentuais aplicáveis ao caso e, por fim, o julgador aplica o art. 15 da Lei n. 9656/98
(redação da Medida Provisória n. 1665/98) que exige a fixação dos percentuais
pertinentes a cada faixa etária.

Diante disso, incidem, de fato, as Súmulas n. 5 e 7 desta Corte.

Quanto à ação civil pública, foi dito no julgamento estadual que o


fundamento e o objeto das ações são diversos, não se cogitando de decisões
contrastantes, além do que, na lide direta, entre as partes, a decisão prefere à geral, da
ação civil pública, se porventura dela diferenciar.

Ante o exposto, nego provimento ao agravo.

É como voto.

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
QUARTA TURMA

AgRg no
Número Registro: 2004/0121767-8 AG 627014 / RJ

Números Origem: 20041354063 20043614


EM MESA JULGADO: 01/03/2005

Relator
Exmo. Sr. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro FERNANDO GONÇALVES
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. MÁRIO JOSÉ GISI
Secretária
Bela. CLAUDIA AUSTREGÉSILO DE ATHAYDE BECK
AUTUAÇÃO
AGRAVANTE : GOLDEN CROSS ASSISTÊNCIA INTERNACIONAL DE SAÚDE LTDA
ADVOGADO : LUIZ FELIPE CONDE E OUTROS
AGRAVADO : NEID CARREGAL COSTA
ADVOGADO : JACINTA MARIA R T LIMA - DEFENSORA PÚBLICA E OUTROS
ASSUNTO: Civil - Contrato - Plano de Saúde

AGRAVO REGIMENTAL
AGRAVANTE : GOLDEN CROSS ASSISTÊNCIA INTERNACIONAL DE SAÚDE LTDA
ADVOGADO : LUIZ FELIPE CONDE E OUTROS
AGRAVADO : NEID CARREGAL COSTA
ADVOGADO : JACINTA MARIA R T LIMA - DEFENSORA PÚBLICA E OUTROS

CERTIDÃO
Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto
do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Jorge Scartezzini, Barros Monteiro, Cesar Asfor Rocha e Fernando
Gonçalves votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília, 01 de março de 2005

CLAUDIA AUSTREGÉSILO DE ATHAYDE BECK


Secretária

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