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OAB – 2ª FASE – DIREITO DO TRABALHO

PROF.ª RENATA ORSI


PETIÇÃO INICIAL – DISSÍDIO COLETIVO + DIREITO COLETIVO

I. DISSÍDIO COLETIVO (arts. 856 a 875, CLT)

PRINCIPAIS ESPÉCIES
a) Dissídio coletivo de greve
b) Dissídio coletivo de natureza jurídica
c) Dissidio coletivo de natureza econômica
à Poder Normativo da JT (art. 114, §2º, CF/88)

PROCEDIMENTO
1. Competência à Originária dos Tribunais (TRT ou TST? à depende da amplitude do
dissídio)
2. Legitimidade (art. 856 e 857, CLT + art. 114, §3º, CF/88)
3. Petição inicial
à Endereçamento?
à DISSÍDIO ECONÔMICO: pressupostos do comum acordo + aprovação em
assembleia + exaurimento da via negociar
à DISÍDIO ECONÔMICO: bases do acordo de forma clausulada
4. Audiência de conciliação (art. 860, CLT), se frustrada...
5. Diligências
6. Sentença normativa
à Prazo (art. 868, par. único, CLT)
7. Recursos
8. “Execução” = ação de cumprimento

II. AÇÃO DE CUMPRIMENTO (art. 872, CLT + S. 286, TST)


à Finalidade
à Competência
à Trânsito em julgado da sentença normativa?
QUESTÃO 1: Determinada empresa foi condenada ao pagamento de vale-refeição a todos
os seus empregados, em sentença normativa que ainda não transitou em julgado, pois houve
interposição de recurso sem efeito suspensivo. O sindicato da categoria, entretanto, ajuizou
ação de cumprimento logo após o proferimento da sentença, pleiteando a imediata concessão
da vantagem. A atitude de sindicato está correta?

MODELOS DE PEÇAS ABAIXO!!!

III. DIREITO COLETIVO DO TRABALHO

A) SINDICATOS (art. 8º, CF/88)


à Proibição de interferência ou intervenção – a questão do registro sindical (S. 677, STF)
à Unicidade sindical
a) Unicidade x Pluralidade
b) Base territorial mínima – art. 517, CLT

c) Conceito de categoria
à Liberdade de filiação – OJ-SDC-20, TST
à Receitas sindicais
a) Espécies de contribuições sindicais
b) Exigibilidade
à Acordos e convenções coletivas de trabalho
a) Conceitos
b) Prevalência do negociado sobre o legislado
c) Conflito entre acordo e convenção coletiva
QUESTÃO2: A convenção coletiva de determinada categoria prevê adicional de
horas extras de 80% sobre o valor da hora normal. Porém, certa empresa,
submetida a tal convenção, em momento de crise econômica, celebrou com o
sindicato acordo coletivo de trabalho prevendo adicional de 60%. Qual
instrumento normativo terá prevalência?
d) Prazo de duração e ultratividade

QUESTÃO 3: João é motorista da Metalúrgica Metais Lustrosos Ltda.. A convenção


coletiva do Sindicato dos Motoristas da localidade prevê pagamento de PLR a todos os
motoristas empregados, independentemente da atividade econômica do empregador.
Nesse caso, João também terá direito a referido benefício?

B) GREVE (art. 9º + L. 7783/89)

CASO PRÁTICO
O Sindicato dos Motoristas em Transporte Coletivo de São Paulo/SP deflagrou greve, visando
ao aumento de benefícios previstos em Convenção Coletiva da categoria, sob a alegação de
aumento dos gastos desembolsados a título de alimentação, transporte e moradia. A
assembleia geral para decidir acerca do movimento grevista foi realizada em quórum de
deliberação inferior ao estipulado pelo estatuto da entidade e o sindicato comunicou a decisão
aos empregadores, aos usuários e aos empregados com antecedência de 48 (quarenta e oito)
horas antecedentes à paralisação, sendo válido ressaltar que a comunicação aos empregados
foi realizada pelo e-mail corporativo, em dia de feriado nacional (07/09). O Sindicato,
utilizando-se de seu poder de convencimento, persuadiu os empregados ao não
comparecimento ao local de trabalho e os serviços prestados aos usuários da cidade de São
Paulo restaram 100% paralisados. Por fim, cumpre esclarecer que a deflagração do
movimento grevista se deu antes mesmo de qualquer tentativa de negociação com a entidade
patronal.
QUESTÃO: Na qualidade de advogado(a) contratado pelo Sindicato da Empresas de
Transporte Coletivo em São Paulo/SP (sindicato patronal), apresente a medida cabível para
defesa de seus interesses

MODELOS DE PEÇA

à DISSÍDIO COLETIVO DE GREVE

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR/MINISTRO


PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA ___
REGIÃO/TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO

(Espaço de 5 linhas)

SUSCITANTE, pessoa jurídica de direito público/privado, CNPJ, endereço completo,


por intermédio de seu advogado abaixo assinado (procuração anexa, com indicação de
endereço profissional), vem à presença de Vossa Excelência, com fundamento nos art. 856 a
875 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), pessoa jurídica de direito público/privado,
CNPJ, endereço completo, propor/ajuizar/suscitar DISSÍDIO COLETIVO DE GREVE em
face de SUSCITADO, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:

I – DOS FATOS
Os empregados da categoria xxx deflagaram greve sem respeitar os ditames da Lei n.
7.783/89, haja vista que...

II – FUNDAMENTOS JURÍDICOS
1) Detalhar o que aconteceu para que a greve seja considerada abusiva;
2) Especificar os artigos da Lei 7783/89 que evidenciam a abusividade da greve;
3) Concluir requerendo o reconhecimento da abusividade.

III – PEDIDOS
Ante o exposto, pede a procedência da ação para que a greve seja reconhecida como
abusiva.
Requer a citação do réu para comparecer à audiência e, em querendo, apresentar defesa.
Requer, ainda, a remessa dos autos ao MPT para parecer.
Nos termos do art. 791-A da CLT, requer a condenação do suscitado ao pagamento de
honorários advocatícios de sucumbência.
Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos.
Dá à causa o valor de R$ ___.
Termos em que pede deferimento.
Local e data.
Advogado/OAB n. ___.

à DISSÍDIO DE NATUREZA ECONÔMICA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR/MINISTRO


PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA ___
REGIÃO/TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO

(Espaço de 5 linhas)

SUSCITANTE, pessoa jurídica de direito público/privado, CNPJ, endereço completo,


por intermédio de seu advogado abaixo assinado (procuração anexa, com indicação de
endereço profissional), vem à presença de Vossa Excelência, com fundamento nos art. 856 a
875 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), c/c art. 114, §2º, CF/88 (SE FOR
DISSÍDIO ECONÔMICO pessoa jurídica de direito público/privado, CNPJ, endereço
completo, propor/ajuizar/suscitar DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA
em face de SUSCITADO, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:

I – DOS FATOS
Apesar de muitas tentativas, as partes não conseguiram entabular a norma coletiva da
categoria, pelo que o conflito deve ser decidido pela Justiça do Trabalho.

II – DOS PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS


Estão presentes todos os pressupostos processuais, gerais e específicos, tais como o
esgotamento das tentativas de conciliação (art. 114, §2º, CF e art. 616, §4º, da CLT), o
comum acordo (art. 114, §2º, da CF) e a autorização em assembleia (art. 859 da CLT).

III – DAS BASES DA CONCILIAÇÃO E SEUS MOTIVOS


O presente dissídio tem as seguintes bases e justificativas
A) TEMA / CLÁUSULA 1ª
Apresentar as bases da conciliação e as justificativas

B) TEMA / CLÁUSULA 2ª
Apresentar as bases da conciliação e as justificativas

III – PEDIDOS
Ante o exposto, pede a procedência da ação para que para que sejam aceitas as
reivindicações do autor.
Requer a citação do réu para comparecer à audiência e se manifestar sobre as bases da
conciliação.
Requer, ainda, a remessa dos autos ao MPT para parecer.
Nos termos do art. 791-A da CLT, requer a condenação do suscitado ao pagamento de
honorários advocatícios de sucumbência.
Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos.
Dá à causa o valor de R$ ___.
Termos em que pede deferimento.
Local e data.
Advogado/OAB n. ___.

à DISSÍDIO DE NATUREZA JURÍDICA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR/MINISTRO


PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA ___
REGIÃO/TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO

(Espaço de 5 linhas)

SUSCITANTE, pessoa jurídica de direito público/privado, CNPJ, endereço completo,


por intermédio de seu advogado abaixo assinado (procuração anexa, com indicação de
endereço profissional), vem à presença de Vossa Excelência, com fundamento nos art. 856 a
875 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), pessoa jurídica de direito público/privado,
CNPJ, endereço completo, propor/ajuizar/suscitar DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA
JURÍDICA em face de SUSCITADO, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:

I – DOS FATOS
Na convenção coletiva da categoria, celebrada entre ..., há cláusula expressa prevendo
xxx – a qual dá margem a interpretações divergentes, conforme abaixo exposto.

II – FUNDAMENTOS JURÍDICOS
1) Transcrever a cláusula normativa questionada;
2) Explicar, fundamentando, quais as divergências acerca da interpretação da
cláusula;
3) Requerer a manifestação do Tribunal acerca da melhor interpretação da cláusula.

III – PEDIDOS
Ante o exposto, pede a procedência da ação para que a seja dada a melhor interpretação
à cláusula normativa, i.e....
Requer a citação do réu para comparecer à audiência e, em querendo, apresentar defesa.
Requer, ainda, a remessa dos autos ao MPT para parecer.
Nos termos do art. 791-A da CLT, requer a condenação do suscitado ao pagamento de
honorários advocatícios de sucumbência.
Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos.
Dá à causa o valor de R$ ___.
Termos em que pede deferimento.
Local e data.
Advogado/OAB n. ___.

à AÇÃO DE CUMPRIMENTO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA __ VARA DO


TRABALHO DE ___.

AUTOR, qualificação completa, vem à presença de V. Excia., por intermédio de seu


advogado (procuração anexa e endereço), ajuizar AÇÃO DE CUMPRIMENTO em face do
RÉU, qualificação completa, com fundamento no art. 872 da CLT, pelas seguintes razões de
fato e de direito.

I – DOS FATOS
A empresa ré não vem cumprindo o disposto na norma coletiva / sentença normativa
da categoria.

II – DOS FUNDAMENTOS
1) resumo da cláusula não cumprida.
2) mencionar que a empresa não está cumprindo.
3) conclusão pela procedência.

III – DOS PEDIDOS


Ante o exposto, pede a procedência da ação para que a empresa seja condenada a
cumprir a norma / sentença.
Requer a citação do réu para comparecer à audiência e, em querendo, apresentar

defesa.
Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos.
Dá à causa o valor de R$ ___.
Termos em que pede deferimento.
Local e data
Advogado / OAB

LIÇÃO DE CASA

• Exercícios para treino

1) (Analista Executor de Mandados - TRT1/2018 – ADAPTADA) Um sindicato patronal e


um sindicato obreiro do Rio de Janeiro resolveram discutir as disposições de convenção
coletiva para uma determinada categoria, estipulando que a vigência se daria no ano seguinte
à discussão. As cláusulas convencionais foram pactuadas nos seguintes termos: haverá
supressão do valor nominal do décimo terceiro salário; o prazo máximo para o gozo de
licença-maternidade será de cem dias; as férias anuais remuneradas serão acrescidas de
metade do salário normal; haverá o aumento de cem reais ao adicional para atividades
perigosas. Referida convenção pode ser considerada válida, no que tange às matérias objeto
de negociação?1

2) (Analista Judiciário - TRT12/2017 – ADAPTADA) Determinada empresa, atendendo à


solicitação do sindicato representativo da categoria profissional, efetuou os descontos da
contribuição assistencial prevista em convenção coletiva de trabalho nos salários de todos os
seus empregados, independentemente de serem ou não filiados à respectiva entidade sindical.
É válido referido desconto?2

3) (III Exame Unificado – ADAPTADA) O Banco Ômega S.A. ajuizou ação de interdito
proibitório em face do Sindicato dos Bancários de determinado Município, postulando a
expedição de mandado proibitório, para obrigar o réu a suspender ou a não mais praticar,
durante a realização de movimento paredista, atos destinados a molestar a posse mansa e
pacifica do autor sobre os imóveis de sua propriedade, com a retirada de pessoas, veículos,
cavaletes, correntes, cadeados, faixas e objetos que impeçam a entrada de qualquer
empregado ao local de trabalho, abstendo-se, também, de realizar piquetes com utilização de
aparelhos de som, sob pena de aplicação de multa diária no valor de R$ 10.000,00 (dez mil
reais), por agência. Em contestação, o sindicato-réu sustentou que a realização de piquetes
decorre do legítimo exercício do direito de greve assegurado pelo artigo 9o da Constituição da
República e que o fechamento das agências bancárias visa a garantir a adesão de todos os
empregados ao movimento grevista.
Com base na situação hipotética, responda aos itens a seguir, de forma fundamentada:

1
A convenção é apenas parcialmente válida, pois, entre as cláusulas, constituem objeto lícito de negociação
somente aquelas quanto: a) às férias serem acrescidas de metade do salário normal; e b) aumento referente ao
adicional para atividades perigosas, ambas por força do princípio da norma mais favorável. A respeito, cf. art.
611-B da CLT.
2
Não é válido, na forma da SV 40 do STF ou PN 119 do TST. O desconto nos salários dos empregados não
sindicalizados viola o direito de livre associação e sindicalização, sendo passíveis de devolução.

a) Procede a pretensão empresarial quanto à cessação dos bloqueios ao local de trabalho?
b) Procede a pretensão empresarial quanto à cessação da utilização de aparelhos de
som? 3

4) (V EXAME UNIFICADO) Em certo estabelecimento, em função de ordem do


empregador, gerentes iniciam o dia de trabalho convocando, um a um, vários empregados até
uma determinada sala. Cada empregado, ao sair da referida sala, relata aos demais
trabalhadores a mesma situação, isto é, os gerentes informam ao empregado que deve assinar
vários recibos salariais em branco, e quem se recusar vai ser sumariamente dispensado, sem
que a empresa pague verbas rescisórias e sem que seja formalizada a dispensa por ato do
empregador.
Após cerca de quarenta empregados passarem por tal situação e os outros 200 trabalhadores
demonstrarem muito temor, pois seriam os próximos, o empregado Zé, que não exerce cargo
no sindicato da categoria nem é sindicalizado, convoca os colegas para que parem de
trabalhar e se retirem do estabelecimento, de forma a iniciar um protesto na rua, o que se
realiza com sucesso, já que os gerentes cessam a prática acima descrita.
Com base no caso exposto, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos
apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.
a) Tendo em vista a Constituição Federal e a legislação ordinária e também os princípios
do Direito do Trabalho, é possível qualificar tal movimento paredista dos
trabalhadores como uma greve?
b) Tendo em vista os princípios gerais de direito, é possível considerar legítimo o ato do
empregado Zé e a adesão dos demais empregados?4


3
a) Sim, pois se trata de prática expressamente vedada pelo art. 6º, §3º da Lei 7783/89
b) Não, pois, entre os direitos assegurados aos grevistas, encontra-se o de livre divulgação do movimento – o
qual pode ser exercido, inclusive, mediante utilização de aparelhos de som, na forma do art. 6º, II, Lei 7783/89.
4
PADRÃO FGTS:
a) Opção A: Em que pese a suspensão coletiva para efeito de protesto sobre os ilegais e abusivos procedimentos
adotados pelo empregador, o movimento de paralisação não pode ser considerado como greve, cujo exercício
está condicionado à decisão pela categoria em assembleia geral destinada à definição das reivindicações e
deliberação sobre a paralisação coletiva da prestação de serviços (art. 4º da Lei 7.783/89), necessitando-se, para
evitar-se abusividade, notificação, com 48 horas de antecedência, da paralisação (art. 3º, parágrafo único), além
da observância dos demais requisitos previstos em lei (§§1º e 2º do art. 4º).
Opção B: Em que pese a inobservância dos requisitos formais previstos no art.4º, da Lei nº 7.783/89, tratase de
greve, reivindicatória da cessação da abusividade patronal descrita na questão, caracterizada pela suspensão
coletiva, temporária e pacífica, da prestação pessoal de serviços e fundada no art. 9º da CRFB e no princípio da
dignidade da pessoa humana (art. 170, da CRFB).
b) Sob o ângulo do direito de autodefesa ou resistência contra os abusos do poder diretivo, o ato do empregado e
de seus colegas é legítimo e tem fundamento nos princípios da proteção e dignidade da pessoa humana, além dos
princípios da boa-fé, razoabilidade e proporcionalidade.