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PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA FEDERAL - GOIÁS Iris Helena

SUMÁRIO

 CÂMARA APROVA PROJETO QUE REDUZ O RECESSO PARLAMENTAR PARA 30 DIAS


– O Popular
 EMPREITEIRO É CONDENADO A PENA DE 19 ANOS - O Popular
 EX-DIRETORES DA VALEC SÃO DENUNCIADOS POR DESVIO DE R$ 900 MIL EM
FERROVIA - O Popular
 OPERAÇÃO TREM PAGADOR: MPF DENUNCIA JUQUINHA E MAIS 7 POR PECULATO
- O Popular
 HISTÓRIA SEM FIM – Folha de São Paulo
 DESAFIO AOS PESSIMISTAS – Folha de São Paulo
 DELEGADAS DA PF: LEI, FORÇA E TERNURA - Folha de São Paulo
 CANDIDATOS À RELATORIA DO CONSELHO DE ÉTICA VEEM EVIDÊNCIAS
CONTRA CUNHA – O Estado de São Paulo
 DILMA COBRA AGILIDADE NA APROVAÇÃO DE MEDIDAS FISCAIS NO CONGRESSO
- Folha de São Paulo
 GOVERNO ENTREGA DEFESA HOJE – Correio Braziliense
 DILMA NEGA CORTES DO BOLSA FAMILIA – Correio Braziliense
 O PAÍS DA ILUSÃO - Correio Braziliense
 DICAS DE PORTUGUÊS - Correio Braziliense
 UM LEGADO DO LULOPETISMO - O Estado de São Paulo
 ´LEVY’ SUGERE EQUETE POPULAR SOBRE CPMF – O Estado de São Paulo
 ARBITRAGEM DESPERTA INTGERESSE DE FUNDOS – Valor Econômico
 STJ VOLTA A JULGAR AÇÃO CONTRA ITAIPU - Valor Econômico
 DESTAQUES - Valor Econômico
 FAMILIA POLIAFETIVA EM ESCRITURA PÚBLICA - Valor Econômico
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JORNAL – O POPULAR – 04.11.2015 – PÁG.9

Câmara aprova projeto que reduz o recesso parlamentar para 30 dias

Aprovado em primeira votação, projeto equipara período sem atividade parlamentar na Casa às férias dos
trabalhadores do País.
Caio Henrique Salgado
Não queremos privilégio nenhum que não seja concedido
ao trabalhador ” Anselmo Pereira

A Câmara de Goiânia aprovou ontem, em primeira votação,


um projeto de lei que reduz o recesso parlamentar dos
vereadores de 93 dias para 30 dias. A proposta, que
equipara o período sem atividade dos parlamentares às
férias dos trabalhadores brasileiros, ainda precisa ser
avaliada pela Comissão Mista da Casa antes de retornar ao
plenário para ser votada mais uma vez.

A alteração do recesso parlamentar entrou na pauta na


manhã de ontem após o presidente da Câmara, o vereador Anselmo Pereira (PSDB), ter avocado da mesma
Comissão Mista uma proposta apresentada em 2013 pelo vereador Paulo Magalhães (SD).

O projeto de lei previa na redação original um recesso de 45 dias, mas nunca foi analisado. Nos últimos dias,
os vereadores foram avisados através de um grupo de WhatsApp sobre o “desarquivamento” da proposta e a
inclusão da mesma na pauta da sessão de hoje.

Retomada a discussão, o projeto de Magalhães sofreu duas emendas. A primeira, de Felisberto Tavares (PR),
previa o fim do recesso parlamentar e foi rejeitada por 17 votos a 12.

Em seguida, foi colocada em votação uma emenda do próprio Anselmo Pereira, estabelecendo 15 dias de
recesso em dezembro e outros 15 dias em julho. A mudança foi acatada pelos 30 vereadores presentes.
Rogério Cruz (PRB), Álvaro Alexandre (PSC), Djalma Araújo (Rede), Richard Nixon (PRTB) e Thiago
Albernaz (PSDB) não estavam em plenário.

Responsável pelo desengavetamento do projeto e pela emenda aprovada, Anselmo Pereira afirma que a
redução do recesso estará aprovada de forma definitiva dentro de 15 dias, “sem dificuldades”.

“Somos agentes públicos, recolhemos INSS e não queremos privilégio nenhum que não seja concedido ao
trabalhador”, afirma Anselmo. “Queremos que isto sirva de exemplo para as Câmaras, Assembleias e,
principalmente, para o Congresso Nacional”, completa.

Enquanto em Goiás a Assembleia Legislativa mantém os 90 dias de folga para os deputados estaduais, os
deputados federais e senadores ficam 55 dias sem trabalhar por ano.
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Matérias esquecidas

Questionado sobre o motivo de o projeto, que ficou sem tramitar por pouco mais de dois anos, retornar à
pauta, o presidente da Câmara afirma que tem a meta de votar todas as matérias que estão “esquecidas”.
“Estou avocando todas as matérias para votar tudo que precisa ser votado antes do fim do ano”, justifica.

Autor do projeto original, o vereador Paulo Magalhães comemora a mudança para o recesso de 30 dias.
“Foi isso que eu sempre quis. Sempre quis que o vereador não tivesse nada além do que tem o trabalhador
brasileiro, mas lá em 2013 me disseram que só passaria se fosse 45. Por isso, apresentei desta forma. O
Anselmo botou na cabeça que tinha de mudar, quis aparecer em cima e colocou 30 dias. Eu apoio porque o
importante é o resultado para a população”, diz.

JORNAL – O POPULAR – 04.11.2015 – PÁG.10

Empreiteiro é condenado a pena de 19 anos

São Paulo - O juiz federal Sergio Moro, que atua nos processos da Operação Lava Jato, condenou um dos
herdeiros da Mendes Júnior, Sergio Cunha Mendes, a 19 anos e quatro meses de prisão. É a pena mais alta
para um executivo envolvido no esquema de corrupção da Petrobras estabelecida até agora e a terceira mais
elevada entre todos já julgados pela Lava Jato.

A pena de Mendes foi de 19 anos porque Moro considerou que ele participou de três atos de corrupção ao
assinar três contratos com a Petrobras nos quais teria havido propina. O advogado de Mendes, Marcelo
Leonardo, diz que a pena é desproporcional e que irá recorrer.

A empreiteira foi condenada a pagar uma multa de R$ 31,5 milhões, o mesmo valor da propina que a
companhia pagou à diretoria de Abastecimento da Petrobras, ainda de acordo com o juiz.

O executivo foi condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Mendes foi vice-
presidente da empreiteira da sua família até ser preso pela Lava Jato, em 15 novembro do ano passado. Ele
se entregou, em Curitiba, em seu jatinho.

Ex-diretores da Valec são denunciados por desvio de R$ 900 mil em ferrovia

Brasília - Ex-diretores da Valec (estatal federal que cuida de ferrovias) foram denunciados à Justiça pelo
Ministério Público Federal em Goiás por superfaturamento nas obras de construção de trecho da Ferrovia
Norte-Sul que chegam a quase R$ 900 mil. Segundo a denúncia da Procuradoria, o esquema funcionava com
a emissão, por parte da empresa Valec, de termos aditivos contratuais superfaturados por “jogo de planilha” e
sem justificativas técnicas.

Esse mecanismo é caracterizado pela quebra do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato, em


desfavor da Administração, por meio da alteração de valores durante a execução da obra. A beneficiária do
superfaturamento foi a empresa STE -Serviços Técnicos de Engenharia S/A. Ao todo foram autorizados seis
termos aditivos no período de 2008 a 2012. Os desvios foram investigados na chamada Operação Trem
Pagador.
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Pela Valec foram denunciados os ex-diretores presidentes José Francisco das Neves, o Juquinha, e José
Eduardo Sabóia Castello Branco; Antônio Felipe Sanchez Costa, ex-diretor presidente Interino; os ex-
diretores de engenharia Ulisses Assad, Luiz Carlos Oliveira Machado e Célia Maria de Oliveira Rodrigues e,
ainda, o ex-superintendente Jorge Antônio Mesquita Pereira de Almeida. Já pela STE, foi denunciado o seu
diretor superintendente, Roberto Lins Portella Nunes.

LARANJAS

Deflagrada em julho de 2012 pelo MPF-GO e pela Polícia Federal, a Operação Trem Pagador investigou o
empresário José Francisco das Neves, ex-presidente da empresa pública Valec, a mulher dele, Marivone
Ferreira das Neves, e os filhos Jader, Jales e Karen.
Juquinha é suspeito de usar os familiares como laranjas para ocultar patrimônio possivelmente obtido com o
produto dos crimes de peculato (desvio de dinheiro público) e de licitação praticados no exercício da
presidência da Valec, entre 2003 e 2010. Em março de 2013, eles tiveram recurso negado pelo TRF da 1ª
Região que pedia o desbloqueio de todos os imóveis/móveis, benfeitorias e semoventes existentes em nome
dos investigados. Se condenados, as penas podem chegar a 12 anos de reclusão e multa.

Operação Trem Pagador: MPF denuncia Juquinha e mais 7 por peculato

Eles são suspeitos de superfaturamento nas obras da Ferrovia Norte-Sul em Goiás; prejuízos chegam a quase
R$ 900 mil

O Ministério Público Federal em Goiás (MPF/GO) ofereceu denúncia pelo crime de peculato contra oito
envolvidos em superfaturamento nas obras de construção de trecho da Ferrovia Norte-Sul que corta o estado
de Goiás. O esquema de desvio de dinheiro público foi investigado na chamada “Operação Trem Pagador”.

O esquema funcionava com a emissão, por parte da VALEC – Engenharia, Construções e Ferrovias S/A de
termos aditivos contratuais superfaturados por “jogo de planilha” e sem justificativas técnicas.

Ao todo foram autorizados seis termos aditivos no período de 2008 a 2012, em favor da empresa STE –
Serviços Técnicos de Engenharia S/A, vencedora da licitação para prestar serviços de Supervisão de Obras
de Implantação da Ferrovia Norte-Sul para o Lote 6 (Pátio Jaraguá – Km 93 ao Pátio de Uruaçu – Km 269).
De acordo com a denúncia, os prejuízos aos cofres públicos chegam a quase R$ 900 mil.

Para o procurador da República Helio Telho Corrêa Filho, autor da denúncia, não há explicação técnica que
demonstre que cada um dos novos itens acrescidos ao contrato eram necessários.

Pela Valec foram denunciados os ex-diretores presidentes José Francisco das Neves, o “Juquinha” e José
Eduardo Sabóia Castello Branco; Antônio Felipe Sanchez Costa, ex-diretor presidente Interino; os ex-
diretores de engenharia Ulisses Assad, Luiz Carlos Oliveira Machado e Célia Maria de Oliveira Rodrigues e,
ainda, o ex-superintendente Jorge Antônio Mesquita Pereira de Almeida. Já pela STE, foi denunciado o seu
diretor superintendente, Roberto Lins Portella Nunes.

Operação Trem Pagador


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Deflagrada em julho de 2012 pelo MPF/GO e pela Polícia Federal, a Operação Trem Pagador investigou o
empresário José Francisco das Neves, conhecido como “Juquinha”, ex-presidente da empresa pública Valec,
a mulher dele, Marivone Ferreira das Neves, e os filhos Jader, Jales e Karen.

Juquinha é suspeito de usar os familiares como “laranjas” para ocultar patrimônio possivelmente obtido com
o produto dos crimes de peculato e de licitação praticados no exercício da presidência da Valec, entre 2003 e
2010.

Em março de 2013, eles tiveram recurso negado pelo TRF da 1ª Região que pedia o desbloqueio de todos os
imóveis/móveis, benfeitorias e semoventes existentes em nome dos investigados.

Em caso de condenação as penas podem chegar a 12 anos de reclusão e multa.

JORNAL – FOLHA DE SÃO PAULO – 04.11.2015 - PÁG. A2

editorial
História sem fim
04/11/2015 02h00

Publicada por esta Folha, a reportagem "Mensalão tucano segue parado na Justiça" mostra que se tornou real
um receio manifestado não só por petistas, mas por todos os que esperam do Judiciário uma atuação
imparcial, pouco importando para o desfecho do processo as características pessoais do réu –como sua
filiação partidária.

Encontra-se parada há nada menos que 19 meses a ação movida contra Eduardo Azeredo (PSDB), ex-
governador de Minas Gerais. Remetido aos tribunais mineiros em março de 2014, o caso tardou um ano até
chegar aos cuidados da juíza substituta da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte.

Na última sexta (30), completaram-se mais sete meses sem novidades. Falta apenas a sentença, mas a
magistrada reclama, não sem razão, da extensão da ação penal (são 52 volumes). Afirma que só anunciará a
decisão após estudá-la a fundo. É justo.

Pode-se lembrar, todavia, talvez com ainda mais razão, que o processo estava pronto para ser julgado pelo
Supremo Tribunal Federal em fevereiro de 2014. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedia a
condenação de Azeredo a 22 anos de prisão.

Segundo a acusação, Azeredo desviou recursos públicos para bancar sua campanha à reeleição, em 1998, por
meio de um esquema montado pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza –anos depois condenado
por participação no mensalão petista.

Doze dias após Janot apresentar suas alegações finais, Azeredo renunciou ao mandato de deputado federal.
Com isso, abdicou do foro privilegiado, e o STF enviou o processo à primeira instância.
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A manobra surtiu o efeito que Azeredo desejava, e o exemplo logo foi seguido pelo empresário Clésio
Andrade (PMDB-MG), que renunciou a seu mandato no Senado em julho de 2014. Seu processo também foi
remetido à 9ª vara de Belo Horizonte, onde pouco avançou.

Após tantas delongas, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e o tesoureiro da campanha de 1998, Cláudio
Mourão, já se livraram das acusações; Azeredo poderá se beneficiar da prescrição em 2018.

No ritmo manso da Justiça diante do chamado mensalão tucano, já não espantará se todos terminarem
impunes –e a maior suspeita incidirá sobre o próprio Judiciário.

JORNAL – FOLHA DE SÃO PAULO – 04.11.20154 – PÁG. A3

Desafio aos pessimistas

Ao discorrer sobre a mentira, Razumíkhin, patrício de Raskólnikov, o protagonista do romance "Crime e


Castigo", de Dostoiévski, reflete: "(...) mas nós não somos capazes nem de mentir com inteligência!".
Poderíamos, hoje, à luz das quimeras propagandísticas repetidas "ad nauseam", adaptar aquela sentença:
"eles não são capazes nem de mentir com inteligência".

Refiro-me a diatribes do tipo "o país quebrou" e "vivemos a pior crise da história". O país não quebrou.
Crises, já tivemos muitas. O que está posto hoje no Brasil não é a disputa pelo receituário econômico mais
adequado, é a disputa de projeto político.

Para tanto é preciso constatar os avanços nos últimos 12 anos. Movido pela agenda do Ministério do
Desenvolvimento Agrário, tenho viajado o Brasil. Por conta do projeto Territórios em Foco, quando
mergulho numa região por três dias, experimento as políticas públicas e ouço a comunidade local. As
andanças revelaram um Brasil muito maior do que a crise.

Em especial, chamou a atenção os quatro anos da seca no semiárido nordestino. Há 12 anos poderíamos
prever as consequências da estiagem: levas de retirantes clamando por comida. O cenário hoje é
visceralmente distinto.

Agora vi quilombolas, antes renegados, cultivando a terra e preservando suas tradições no Maranhão. Vi
filhos de agricultores familiares nas escolas Família Agrícola, no Espírito Santo. No Ceará, vi plantação
irrigada de feijão. Vi o sertanejo enfrentando a seca amparado em 1,2 milhão de cisternas.

Vi a eficácia do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que cresceu dez
vezes nos últimos 12 anos e hoje assegura recursos de R$ 28,9 bilhões. Vi agricultoras recebendo títulos de
terras das quais detinham apenas a posse. Vi filhos de agricultores beneficiados pelo Prouni.

Viajando, vi a eficiência dos programas implantados desde que o presidente Lula assumiu a Presidência, em
2003. Senti os efeitos positivos do Bolsa Família, do Benefício de Prestação Continuada.
Quando Lula lançou o Fome Zero, muitos disseram que o programa era inexequível. Duvidavam: "Acabar
com a fome?". Pois em 2014 vi a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)
retirar o Brasil do mapa da fome.
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Tudo isso não é passado, é presente. A propaganda que avassala o país cria o desvario da "terra arrasada",
como se tudo o que foi construído nos últimos 12 anos tivesse desaparecido. Ao contrário, foi incorporado de
forma incontornável à nossa realidade. Por isso precisamos ter consciência da ameaça representada pelo
pessimismo.

Claro que temos desafios pela frente. É preciso avançar nas reformas agrária, tributária e urbana. Acelerar o
desenvolvimento da agricultura familiar, aumentando a produtividade, priorizando a produção de alimentos
saudáveis, incrementando o cooperativismo. Radicalizar a distribuição do poder econômico, pois, sem ele,
não teremos a distribuição do poder político.

É necessário reconhecer que houve equívocos nessa trajetória, mas não podemos olvidar nossas conquistas.
Precisamos perseverar na trilha do país de oportunidades iguais para todos. Prognósticos irreais alimentam a
incerteza e o medo; precisamos de expectativas conscienciosas, que inflem o ânimo dos cidadãos.

Como o otimismo versejado por João Cabral de Melo Neto ao final de seu "Morte e Vida Severina". Ao
descrever a desventura, apontou a esperança diante do nascimento do rebento: "E não há melhor
resposta/que o espetáculo da vida/ (...) vê-la brotar como há pouco/em nova vida explodida".

PATRUS ANANIAS, 68, professor da PUC-MG, é ministro do Desenvolvimento Agrário.

Delegadas da PF: lei, força e ternura

Estereótipos marcam a imagem do policial, com traços ainda mais fortes quando se trata da mulher policial.
Desempenhando suas atividades em uma instituição predominantemente masculina e culturalmente
identificada como viril, a delegada da Polícia Federal é coberta por características pouco ligadas à figura
feminina.

Força, truculência, ausência de sensibilidade são, normalmente, os atributos associados ao policial. Quão
próxima da realidade seria essa representação?

Muito pouco se sabe sobre os profissionais que atuam como delegados da Polícia Federal. Essa deficiência é
ainda mais injustificável quando se reconhece que a PF tem ocupado um papel central, atuando nas
apurações penais que mobilizaram a atenção da mídia e da sociedade nos últimos meses.

Os resultados de uma pesquisa feita pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF)
permitem delinear um retrato que destaca quem são as delegadas da PF; como avaliam propostas para
melhorar a instituição; como se posicionam frente a temas importantes da agenda democrática.

Trata-se, contudo, de uma imagem com foco exclusivo na ala feminina da instituição. Apesar do recorte, as
respostas trazem importantes aspectos da identidade da PF.

As mulheres representam só 15% do total de delegados. O índice de associação das delegadas à ADPF é
significativo: 88%. Metade das integrantes respondeu a um questionário.
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A primeira imagem revelada indica que a maioria das delegadas é jovem –média de 39 anos–, branca, casada
e tem filhos. A maior parte ingressou na PF a partir de 2003; possui mais de um curso superior; 70% têm
pós-graduação.

Antes de se tornarem delegadas, 60% eram servidoras do Poder Judiciário ou do Ministério Público, ou
advogavam. Um pouco mais da metade pertence a famílias cujos pais têm escolaridade até o ensino médio.
Apenas 20% têm pais com nível universitário.

Indagadas sobre os obstáculos ao bom funcionamento da PF, as delegadas indicaram as três principais
dificuldades. Em primeiro lugar, a falta de autonomia administrativa e orçamentária. Em seguida, a falta de
empenho governamental na implementação de políticas de segurança. Em terceiro, a interferência política na
cúpula da instituição.

Quanto às propostas para melhorar o funcionamento da PF, três iniciativas foram priorizadas: a gestão por
competência, a promulgação da Lei Orgânica da PF e a eleição do diretor-geral pelos integrantes da carreira
de delegado.

Aos entraves de natureza institucional foram acrescidos problemas decorrentes de ser delegada e mulher,
como a dificuldade na conciliação de deveres maternos e escala de plantão e a participação em operações
longe de casa. Há demanda por um tratamento diferenciado.

Elas assumem posições democráticas. Por exemplo, 89% discordam de que a democracia tenha abalado a
autoridade policial; 78% são contrárias à confissão sobre pressão.

O retrato revelado pela pesquisa, embora seja, em muitos aspectos, apenas um instantâneo, mostra que a
instituição abriga policiais comprometidas com os direitos humanos e que o olhar feminino pode apresentar
vantagens na aproximação da PF com a sociedade.
MARIA TEREZA AINA SADEK, 65, é professora do departamento de ciência política da USP.
TATIANE DA COSTA ALMEIDA, 39, é delegada da Policia Federal.

JORNAL – FOLHA DE SÃO PAULO – 04.11.2015 – PÁG. A5

Levy sugere enquete popular sobre CPMF

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participa de


evento no Tribunal de Contas da União (TCU), em
Brasília (DF), nesta terça-feira
EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA

O ministro Joaquim Levy (Fazenda) sugeriu nesta


terça-feira (3) que as discussões sobre a volta da
CPMF saiam do Congresso e ganhem as ruas.
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Durante evento no Itamaraty, logo após uma ida ao Congresso para tratar do tributo proposto pelo governo, o
ministro disse que não está claro o motivo que leva as pessoas a serem contra esse tributo.

"Os jornais poderiam fazer uma enquete. Perguntar assim: o que você não gosta da CPMF? Você não gosta
porque ela é transparente? Você não gosta porque ela é fácil de recolher? Você não gosta porque ela alcança
todo mundo? "Ou porque é mais um imposto?", disse o ministro ao ser questionado se o governo ainda conta
com o tributo para o Orçamento de 2016.

Sobre essa última alternativa, o ministro disse que o governo precisa de mais receitas e que é necessário às
pessoas ter realismo. Disse ainda que a CPMF "não é tão simpática", mas que nenhum imposto é.

"Ia ser interessante ouvir o que as pessoas podiam dizer. As pessoas da rua, o contribuinte, a dona de casa,
que talvez até nem saiba exatamente como é que funciona a CPMF."

O ministro sugeriu ainda perguntar às pessoas se elas ainda se lembram de como funciona a cobrança. "Eu
acho que aqui poucos devem se lembrar."

Levy encerrou a fala sobre o tema dizendo que a CPMF é parte da solução, mas que ela não vai resolver os
problemas do Orçamento. O governo conta com uma arrecadação de R$ 32 bilhões se ela for aprovada neste
ano, algo em que nem mesmo o governo acredita mais.

Dilma cobra agilidade na aprovação de medidas fiscais no Congresso

GUSTAVO URIBE
MARINA DIAS
DE BRASÍLIA

A presidente Dilma Rousseff participa de conferência


sobre alimentação, em Brasília.

Preocupada com o risco das medidas do ajuste fiscal


ficarem apenas para 2016, a presidente Dilma
Rousseff cobrou nesta terça-feira (3) de ministros e
parlamentares agilidade na aprovação pelo Congresso
Nacional do projeto de repatriação de recursos no
exterior e da proposta de prorrogação da DRU (Desvinculação de Receitas da União).

Em reunião da coordenação política, a petista apelou aos líderes do governo no Congresso Nacional e aos
ministros de partidos aliados –como PR, PDT e PP e PSD– que atuem junto às bancadas parlamentares para
aprovar nesta semana o projeto de repatriação em plenário e a prorrogação da DRU na CCJ (Comissão de
Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados.

Segundo a presidente, que manifestou receio em relação à lentidão da tramitação das propostas e estabeleceu
as duas medidas como a prioridade do governo federal nesta semana, é necessário fazer, diante do quadro de
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déficit primário e queda na arrecadação, um aceno ao mercado financeiro e às agências de risco, que
ameaçam tirar o grau de investimento do país.
A presidente esperava conseguir aprovar neste ano a recriação da CPMF, mas o governo federal já admite
que o novo "imposto do cheque" deve ser votado apenas em julho de 2016, diante da resistência a ele tanto
dentro da própria base aliada e na direção nacional do PMDB, que tem criticado publicamente o tributo.

O pedido para dar agilidade às duas propostas também foi feito pelo ministro da Secretaria de Governo,
Ricardo Berzoini, em reunião nesta terça-feira (3) com os líderes da base aliada na Câmara dos Deputados.
Em resposta, os deputados federais acenaram positivamente ao pedido.

No encontro, também ficou estabelecido que o Palácio do Planalto pedirá ao presidente do Senado Federal,
Renan Calheiros (PMDB-RJ), que convoque sessão conjunta do Congresso Nacional no dia 17 de novembro
para a votação dos vetos presidenciais.

O governo federal avalia que, com a concessão de cargos de segundo e terceiro escalões para a base aliada,
conta com maioria para votar as propostas e derrubá-las e, assim, também fazer uma nova sinalização ao
mercado financeiro.

JORNAL – CORREIO BRAZILIENSE – 04.11.2015 – PÁG.4

Governo entrega defesa hoje

Jaques Wagner apresentará a Renan os argumentos do Planalto sobre as pedaladas fiscais em 2014,
condenadas pelo TCU no mês passado.

NÍVEA RIBEIRO
Especial para o Correio

O governo apresenta ao Congresso, na manhã de hoje, a defesa sobre as pedaladas fiscais, irregularidades
apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nos gastos de 2014. A entrega do parecer tinha sido
prevista pela Advocacia-Geral da União (AGU) para ontem, mas a Casa Civil informou que ela não estava
programada na agenda do ministro Jaques Wagner e que ele a levará pessoalmente, às 11h, ao presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Em 21 de outubro, Renan determinou 45 dias para a entrega da defesa do Planalto. Entretanto, o governo
decidiu se antecipar e apresentar a argumentação em duas semanas, não apenas em dezembro. A defesa
passará, inicialmente, pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), composta por parlamentares da Câmara e
do Senado, e depois seguirá para apreciação em sessão conjunta do Congresso. Depois que o presidente do
Senado repassar os documentos, a CMO tem até 40 dias para analisá-los.

De acordo com a presidente da CMO, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), a comissão está preparada e
deseja examinar a questão o quanto antes. Ela já havia criticado a concessão do prazo da entrega de defesa
ao governo, além da demora na entrega do parecer do TCU que recomenda a rejeição das contas pelo
Congresso. O documento, recebido por Calheiros no início de outubro, ainda não foi repassado formalmente
à CMO. O senador garantiu, à época, que o parecer seria encaminhado à comissão assim que chegasse.
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As contas do governo foram rejeitadas por unanimidade em 7 de outubro pelos oito ministros do TCU, que
recomendaram que o Congresso seguisse o mesmo posicionamento — algo que não ocorria desde 1937.
Além da falta de contingenciamento e das pedaladas, que consistem em manobras de repasse de recursos de
bancos públicos como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil para programas sociais, foram
encontrados mais problemas no Programa Minha Casa Minha Vida e no Fundo de Amparo ao Trabalhador,
entre outros.

Segundo Augusto Nardes, relator do processo no TCU, o custo das irregularidades no ano passado chegou a
R$ 106 bilhões, e há indícios de que elas ocorreram, novamente, em 2015. Para o governo, o repasse para
programas como o Bolsa Família sempre foi feito dessa forma e não se configura como ilegal, tampouco dá
base para o impeachment da presidente.

Poucos dias antes do julgamento das contas, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, com os
ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do Planejamento, Nelson Barbosa, pediu a troca do relator do
processo. Adams alegou que Nardes já havia divulgado a decisão que tomaria em relação às contas em
diversas oportunidades, influenciando os outros magistrados, e que, dessa forma, o julgamento não seria
imparcial.
Entretanto, o julgamento não foi postergado: Nardes foi mantido como relator e os outros magistrados
seguiram o entendimento dele, o que deu força às discussões sobre o impedimento de Dilma Rousseff, já que
as pedaladas podem ser consideradas crime de responsabilidade fiscal.

Dilma nega cortes no Bolsa Família

A presidente Dilma Rousseff voltou a garantir que não permitirá cortes no Bolsa Família, uma das bandeiras
do governo do PT. Durante discurso na 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional,
evento organizado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Ela afirmou que
o país passa por um momento temporário de ajuste e que levará o Brasil para condições econômicas
melhores. Dilma ainda disse que as escolhas que têm sido feitas neste momento de ajuste foram no sentido
de evitar impactos nos programas sociais. “As escolhas que fizemos estiveram orientadas por compromissos
de não abrir mão de políticas que mudam o Brasil”, afirmou.

40 DIAS
Tempo que a Comissão Mista de Orçamento terá para analisar a defesa apresentada pelo governo.

JORNAL – CORREIO BRAZILIENSE – 04.11.2015 – PÁG.13

O país da ilusão

PAULO NASSAR
Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) e professor livre-docente da Escola de
Comunicações e Artes (ECA-USP)
FRANCISCO VIANA
Consultor de empresas e doutor em filosofia política
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Não. Não falaremos do presidente da Câmara e das suas contas na Suíça. Também, não falaremos do batido
tema do impeachment ou não da presidente da República. Igualmente, não abordaremos o erro crasso de
comunicação do PT de discutir o destino do ministro da Fazenda pela imprensa e muito menos abordar a
candente questão do volta ou não volta Lula em 2018. Tratar da crise econômica, nem pensar. O nosso
propósito é tratar de algo que se encontra na raiz de todas essas questões: a ilusão que hoje envolve a
sociedade brasileira.

Nos primeiros anos da volta das eleições diretas para a presidência da República, imaginamos que a
modernização política seria rápida e inexorável. Houve o impeachment do primeiro presidente eleito, sob o
bombardeio de denúncias de corrupção, a moeda se estabilizou e a inflação foi tomada. Uma após outra, as
heranças da ditadura, entre elas a famigerada Lei de Imprensa, foram lançadas na lixeira da história, o país
passou a ser referência internacional de transição para a democracia, privatizações deram novos impulsos à
economia, o consumo explodiu e mais de 30 milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza. A sociedade
parecia caminhar para um duradouro ciclo de desenvolvimento.

Pura ilusão. Como o mitológico Proteu, a ilusão apenas estava mudando de forma. Se no passado, fazia –s
presente pela ingerência do Estado nos diferentes campos da economia, prática que alcançou seu apogeu
com o Estado Novo nos idos de Vargas e, mais tarde, com a ditadura militar instaurada em 1964, e,
consequentemente, na vida do cidadão, nos dias atuais era mercadejada pelo
marketing político. Elaborou-se a narrativa de um país inclusivo, onde os
sonhos podiam se realizar; o cidadão, no cotidiano, bateu de frente com um
outro país, este recordista em violência, com impostos que desafiam a
gravidade e práticas burocráticas que fazem os tempos da Coroa Portuguesa
parecerem brincadeira de criança. Isto sem falar da perversa infraestrutura e
da corrupção que se tornou endêmica. Como um veneno,se espalhou por
toda a parte.

Como abandonar o labirinto da ilusão e resolver os verdadeiros impasses da


realidade? É uma questão de vontade. Entre as heranças positivas das últimas
décadas, pode-se alinhar a legalização das esquerdas, a organização e
mobilização da sociedade — que encontra o seu ápice na mobilização pelas
Diretas já e, posteriormente, nos protestos de junho de 2013 — e, acima de
tudo, a percepção de que o País precisa de uma nova narrativa política, voltada para o cidadão comum, que
não mais aceita ser tratado como artigo de manipulação de marqueteiros e políticos inescrupulosos. As peças
da ilusão estão se liquefazendo porque a sociedade manifesta o direito de participar. Parece passiva, mas na
realidade observa, transmitindo a sensação de que amadureceu enquanto seus representantes permanecem no
passado, cultivando os tumores da hipocrisia em lugar de perfurá-los.

Etimologicamente, a palavra ilusão deriva do verbo latino illudo. Significa, ao mesmo tempo, divertir-se,
recrear-se e, também burlar, camuflar e enganar. É sobre esse aspecto que a ilusão se distingue da mentira,
do sensacional e do espetáculo. A mentira é o trivial. Os jornais estão repletos de exemplos cotidianos: os
mentirosos são desmascarados pelas contradições dos fatos. A ilusão, por sua vez, esta associada à
percepção. Em termos de comunicação, pode ser explicada pelo poder da indução ou na produção do
consenso, isto é, o poder da “verdade”. O segredo do processo é estimular o impulso, a emoção em lugar da
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razão. A lógica combina propaganda, informações negativas, o culto aos valores tradicionais e às lideranças
personalistas, a rejeição às mudanças.

A identidade da ilusão encontra-se no ato de repetir: a repetição engendra a surdez da razão, inibe a reflexão
e a consciência. Coage o pensamento a não pensar. Basta refletir em torno desses cânones para se perceber
por que não adianta mais falar das contas bancárias de Eduardo Cunha na Suíça, falar do impeachment como
panaceia para os problemas brasileiros ou saber qual será o destino do ministro da Fazenda. O que é real e o
que é ilusório se tornou visível na prática. O fio de saída do labirinto está em retomar os sonhos inconclusos
da sociedade e escolher por não mais repetir o conteúdo ilusório do passado. Caso contrário, cedo ou tarde, a
sociedade irá se manifestar. E os mercadores de ilusões serão defenestrados do poder. Que disso não exista
dúvida.

JORNAL – CORREIO BRAZILIENSE – 04.11.2015 – DIVERSÃO & ARTE

Dicas de português

por Dad Squarisi

Recado
“Se quem fala várias línguas é poliglota, quem fala três línguas é triglota e quem fala duas línguas é biglota,
quem fala uma língua o que é? Provavelmente americano.”
Luiz Fernando Veríssimo

Totalmente demais
Vem aí a nova novela das sete. Cheia de charme, traz no elenco a bela Juliana Paes e o gatíssimo Fábio
Assunção. Manequins e passarelas farão a festa na trama. O que chama mais a atenção? Acredite: não é a
produção nem são os atores. É o nome do folhetim — Totalmente demais.

Muitos estranharam a combinação das duas palavras. Ambas têm mania de grandeza. Totalmente não deixa
margem pra faltas. Abrange o todo. Daí se dizer totalmente perdido ou totalmente apaixonado. Demais,
informa o dicionário, é em excesso, além da justa medida, de maneira muito forte.

Dá pra ver, não? A dissílaba joga no time dos exagerados. Comer demais é comer além do necessário. Beber
demais é abusar de umas e outras. Dormir demais é permanecer nos braços de Morfeu mais do que aconselha
o relógio.

E daí?
Vamos à classe gramatical. O advérbio é pra lá de versátil. Pode modificar um adjetivo (muito bonito), um
verbo (correu muito) ou um advérbio (muito bem). A língua aceita a construção numa boa. O xis da confusão
é o exagero. São dois bicudos... que se beijam. Vem, licença poética.

Por falar em...


Licença poética? É isto: autorização pra fazer gato e sapato com a grafia, a fonética, a sintaxe. A língua não
pode servir de camisa de força para a criação. Por isso, o artista tem autorização para desrespeitar gramáticas
& companhias regradas. Drummond conhecia muito bem a permissão. “Cacilda Becker morreram”, escreveu
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quando a Fernanda Montenegro das décadas de 1950 e 60 nos deixou pra animar o andar de cima. Foi em
1969.

Dupla da pesada
Demais e de mais são formados pelas mesmas palavras (de + mais). Mas exprimem ideias diferentes:

1. Advérbio, demais tem dois empregos. Um deles: com o sentido de muito, excessivamente (comeu demais,
trabalhou demais). O outro: com a acepção de ademais, além disso: Na viagem, esteve em museus, foi ao
teatro, visitou amigos, fez compras. Demais, proferiu duas conferências.

2. Pronome indefinido, quer dizer os restantes. Aí, tem a companhia do artigo: Cinco dos presentes se
levantaram. Os demais permaneceram sentados.
E de mais? O separadinho se opõe a de menos: No Brasil há processos de mais e juízes de menos. Recebi
troco de mais, não de menos. Até aí, nada de mais.

É pleonasmo
“A greve do metrô começa a partir de hoje”, anunciaram jornais, rádios e tevês. Exageraram. Começar e a
partir de dão o mesmo recado — início de processo. Melhor ficar com um ou outro. Assim: A greve do metrô
começa hoje. Os metroviários cruzam os braços a partir de hoje. Até quando? Sabe-se lá.

Por quê?
“O backstage do espetáculo de Bibi Ferreira no Theatro NET São Paulo em que a cantora brasileira desfilou
sucessos do repertório de Frank Sinatra como My way e Night and day”, escreveu a revista Monet de
outubro de 2015. Roldão Simas Filho comentou: “Por que esquecer um termo consagrado como bastidores e
usar o pouco conhecido backstage?”

É pronominal
“No jornal desta segunda, lê-se: avião partiu em dois antes de atingir o solo. Vamos combinar? O verbo
partir, no sentido de quebrar, despedaçar, é transitivo direto e exige o complemento. O avião partiu o quê?
Ah, sim, entendi: o avião partiu-se em dois.” (João Manoel Moreira Aparecida)

Leitor pergunta
Qual é a pronúncia de oximoro? A palavra rima com namoro?

Edilson Zafira de Sousa, lugar incerto.

Oximoro é paroxítona. Rima com namoro sim, senhores. Em ambas, a sílaba tônica é mo. O significado?
Trata-se de figura de linguagem pra lá de brincalhona porque reúne palavras contraditórias. É o caso de
silêncio eloquente, valentia covarde, culpa inocente.

JORNAL – O ESTADO DE SÃO PAULO – 04.11.2015 – PÁG.A03

Um legado do lulopetismo
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Não deveria espantar a projeção, publicada pelo Estado, de que 3,3 milhões de famílias que haviam chegado
à classe C entre 2006 e 2012 farão o caminho de volta para a base da pirâmide até 2017. Também não
deveria causar surpresa a previsão segundo a qual o PIB per capita brasileiro terá em 2020 o mesmo nível de
2010, afetando drasticamente o padrão de vida da festejada “classe média emergente”. Trata-se da
confirmação das advertências que há tempos vêm sendo feitas a respeito da fragilidade dessa ascensão
social, tratada na última década pelo governo petista como a prova do acerto de sua política econômica.

Em meio a uma recessão que promete ser longa e dolorosa, ficaram claros os erros grosseiros dessa política,
em especial aqueles que arrebentaram as contas públicas em nome do assistencialismo travestido de
redistribuição de renda e que construíram a tal “nova classe média” com base exclusivamente no aumento do
poder de consumo, garantido pelo crédito farto que só existia em razão da conjuntura externa favorável. Na
época de ouro do lulopetismo, no entanto, quem quer que ousasse apontar a vulnerabilidade dessa nova
classe média era logo classificado de “pessimista” – ou, pior, inimigo do povo.

No décimo aniversário do Bolsa Família, em outubro de 2013, quando a tempestade que se aproximava
ainda era confundida com chuva de verão, o ex-presidente Lula caprichou na retórica divisiva, atribuindo as
críticas à política petista a uma certa “elite” incomodada pela “ascensão do pobre”. “O cidadão vai para o
aeroporto, chega lá e vê a empregada dele com a família no avião, pegando o lugar dele. Eu sei que é duro”,
discursou Lula. No mesmo embalo, durante a campanha de 2014, a presidente Dilma Rousseff disse que “33
milhões viajaram de avião em 2002, hoje são 113 milhões e, em 2020, serão 200 milhões” – algo que,
segundo ela, “incomoda muita gente”.

Ao final de 2015, o sonho da classe C que viaja de avião se transformou no pesadelo dos pobres que mal
conseguem pagar a passagem de ônibus para ir atrás de um emprego. “Estamos vivendo, infelizmente, o
advento da ex-nova classe C”, resumiu o economista Adriano Pitoli, responsável pelo estudo da Tendências
Consultoria Integrada que mediu o impacto da crise nessa faixa socioeconômica.

A pesquisa levou em conta uma projeção segundo a qual a economia deverá recuar 0,7% ao ano entre 2015 e
2017 e a massa real de rendimentos cairá 1,2% ao ano, ao mesmo tempo que o desemprego deverá chegar a
quase 10%. Nesse cenário de dificuldades, emergem os problemas estruturais que tornam difícil para os que
chegaram à classe C lá permanecer: baixa escolaridade, que limita a possibilidade de obter empregos de
melhor remuneração; acesso a trabalho apenas no mercado informal, com escassa proteção social; e
nenhuma poupança, já que, graças ao estímulo oficial ao consumo, a pouca renda acabou sendo
comprometida integralmente na aquisição de bens, geralmente por meio de forte endividamento.

A situação calamitosa da economia afeta especialmente a base da pirâmide, mas será sentida em quase todas
as outras faixas de renda. “É uma década perdida em termos de padrão de vida”, disse ao jornal Valor o
pesquisador Armando Castelar, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV).

E a perspectiva é sombria para os próximos anos: segundo o economista Antonio Corrêa de Lacerda,
também ouvido na reportagem, o PIB per capita em dólares deve cair de US$ 11.566 em 2014 para US$
8.490 neste ano e para US$ 7.900 em 2018. Isso significa que a renda dos brasileiros estará cada vez mais
distante do padrão de países desenvolvidos – mesmo aqueles que enfrentam brutais dificuldades, como a
Grécia, cujo PIB per capita é de US$ 21.682.
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Esse é, pois, em resumo, um dos grandes legados do lulopetismo, que será sentido por gerações, e que só
poderá ser superado por meio de uma grande mobilização nacional em torno de um projeto de país
radicalmente distinto das fantasias irresponsáveis criadas por Lula e companhia bela.

JORNAL – O ESTADO DE SÃO PAULO – 04.11.2015 – PÁG. A04

Candidatos à relatoria do Conselho de Ética veem ‘evidências’ contra Cunha

Daniel CarvalhoDaiene

Colegiado abre processo que pode levar à cassação do presidente da Câmara; três deputados – do PT, PRB e
PR – foram sorteados e um deles será escolhido para ser o relator; eles defendem que há indícios para o
prosseguimento da ação por quebra de decoro.

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados sorteou ontem parlamentares do PT, PR e PRB para compor
a lista da qual será escolhido o relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da
Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os três sorteados afirmam que há evidências suficientes para levar
adiante o processo que pode levar à cassação do peemedebista.

O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), disse que iria conversar com os sorteados – Zé
Geraldo (PT-PA), Vinícius Gurgel (PR-AP) e Fausto Pinato (PRB-SP) – e anunciar sua decisão na tarde de
hoje. Ele quer garantir que o relator escolhido não arquive o processo logo no parecer inicial, que deve ser
feito em dez dias úteis apontando a admissibilidade ou a inépcia da ação.

Segundo deputados ouvidos pela reportagem, o favorito para relatar o processo é Fausto Pinato. A
interlocutores, ele disse entender que as provas contra Cunha são fortes. No entanto, em público, por
orientação de colegas mais experientes, o deputado de primeiro mandato preferiu se esquivar.

“Tem que fazer avaliação das provas, garantir direito de ampla defesa e contraditório. Não posso fazer juízo
de valor para não incorrer em suspeição”, disse o parlamentar, que se recusou a responder perguntas como,
por exemplo, em quem havia votado na eleição de presidente da Câmara no início deste ano. O deputado
disse não temer a pressão. “Nunca tive medo, desde que nasci. Não vou aceitar nenhum tipo de pressão”,
ressaltou Pinato, que deixou às pressas a reunião do Conselho de Ética.

Indícios. Os outros sorteados foram mais incisivos ao apontar o impacto das provas contra Cunha. “As
evidências são bastantes. As evidências são muitas. Isso quem está dizendo não somos nós, membros da
comissão. São os delatores. Nós, membros da comissão, temos que agir com isenção”, declarou o petista Zé
Geraldo.

Se escolhido, o deputado disse que não será um “engavetador”, optando por apontar ausência de
admissibilidade. “Sendo o relator, tenho que relatar. Não posso engavetar”, afirmou.

O petista negou ter sido procurado por emissários do governo ou do PT, como o ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. “Nossos três membros da Comissão de Ética nunca receberam nenhuma manifestação de
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ninguém. Nem de governo, nem de partido, nem de Lula, nem de ninguém”, disse. “A posição nossa vai ser
uma posição de Comissão de Ética. Partido é partido, governo é governo, religião é religião e Comissão de
Ética é Comissão de Ética.”

No entanto, ele admitiu que conversará com seu partido caso seja escolhido. “Vou conversar, vou ouvir todo
mundo. Naturalmente, vou ser procurado. Não é qualquer processo.”

‘Provas’. Apesar de ter sido cabo eleitoral de Cunha durante a campanha pela eleição para presidente da
Câmara no início do ano e se manter próximo ao peemedebista durante todos esses meses, Vinícius Gurgel
disse que, se escolhido, será um relator que vai apurar as irregularidades “até o final”. “Vou pedir auxilio à
Procuradoria-Geral da República, órgãos que estão com documentos contra Eduardo (Cunha), para analisar
as fundamentações”, disse. “Pelas provas que se apresentam, acredito que não (há indicação pela inépcia).
Na minha opinião, não.”

Eduardo Cunha é acusado de ter mentido à CPI da Petrobrás ao negar que possuía contas no exterior.
Posteriormente, a pedido da Procuradoria-Geral da República, um inquérito foi aberto no Supremo Tribunal
Federal para apurar se contas atribuídas ao peemedebista na Suíça foram abastecidas com propina do
esquema de corrupção na Petrobrás investigado na Lava Jato.

JORNAL – VALOR ECONÔMICO – 04.11.2015 – PÁG. E1


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