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Aula 2 - Fórum – Tira dúvidas com Eliane Considera (coordenadora)

1. O que era o sistema de mecenato e patronato que acontecia no século XIX?


O sistema de mecenato e /ou patronato nas artes vem de muito longe, embora tenha se tornado muito
mais importante na Renascença, com os grandes reis e papas financiando a vida e a obra dos artistas e
lintelectuais que recebiam uma ajuda de custa e encomendas para criarem obras que em geral
engrandeciam os governos. O sistema de patonato e mecenato mudou seu carater no mundo capitalista
onde os grandes capitalistas passaram a valorizar as artes e criaram museus, fizeram encomendas e etc,
mas onde muitos deles não buscavam apenas a distinção simbólica. Eram grandes investidores nas obras
de artistas desconhecidos, mas promissores, incluindo-se aí as grandes vantagens pecuniárias que as
obras destes "gênios" poderiam lhes fornecer. Por isso mesmo, os dois sistemas permanecem no mundo
das artes, mas foram modificados pelo capital, que sofisticou o processo de distribuição das obras e
também influenciou na criação artística.

2. Sobre o "Artista de Florença", Alberto Magnelli, por que suas obras foram tão pouco difundidas?
Teria a crítica oficial o ignorado ou haveria outros motivos para que tão notável artista estivesse fora
do cânon?

Eu não havia ouvido falar de Alberto Magnelli até uns 20 anos atrás. Foi lendo o livro de Argan, que eu
incorporei este artista no meu "museu imaginário".

Ele é um exemplo típico de como a crítica cria o artista. No caso, apesar da vanguarda italiana ter sido
muito debatida entre nossos artistas e acadêmicos, sobretudo o futurismo, nós sempre ficamos restritos à
vanguarda da Escola de Paris, como se o modernismo fosse apenas um fenomeno da Europa ocidental e
sobretudo francês. É claro que Paris, pelas circunstancias políticas e culturais, atraiu grande parte dos
artistas da época, que se projetaram no circuito mundial e dos quais a intelectualidade francesa se
apropriou. Nós quase esquecemos que Picasso, Miró, Dali eram espanhóis, que Kandinsky era russo,
Klimt austríaco, e etc , tão convincente foi a crítica francesa sobre eles.

ESte fenomeno da invenção de um artista e de sua apropriação é tão comum quanto o do esquecimento
de vários artistas que, por falta de contatos com críticos renomados, acabam tendo sua obra esquecida,
necessitando que algum crítico ou marchand chame atenção sobre suas criações para que se lhes dê
valor.

Normalmente, nós precisamos que nos chamem a atenção sobre algum fato para passar a valorizá-lo.
Mas, com o visível crescimento da valorização do capital cultural como elemento de distinção entre as
classes, nosso leque de artistas se abriu e mesmo aqueles não tão expressivos em sua época se tornaram
alvo de exposições, ensaios, reproduções e etc.

Os cursos universitários e o desenvolvimento da pesquisa também ajudaram a desenterrar ótimos


artistas, assim como a globalização, que nos fez conhecer a arte de regiões nunca citadas em nossa
bibliografia.

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