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O Direito Internacional dos Direitos Humanos – evolução e princípios básicos

A Declaração Universal dos Direitos do Homem, os Pactos e demais Convenções que


receberam a adesão do Brasil

A hierarquia, a incorporação e o impacto dos tratados internacionais de proteção aos direitos


humanos no Direito brasileiro

Orientação sexual e identidade de gênero. Entender o conceito de homofobia e transfobia.


Direitos da população LGBT

Direito Internacional dos Direitos Humanos

Nesse sentido, uma das principais preocupações desse movimento foi converter os direitos
humanos em tema de legítimo interesse da comunidade internacional(3), o que implicou nos
processos de universalização e internacionalização desses mesmos direitos. Esses processos
permitiram, por sua vez, a formação de um sistema normativo internacional de proteção de
direitos humanos(4), de âmbito global e regional, como também de âmbito geral e específico.
Adotando o valor da primazia da pessoa humana, esses sistemas se complementam,
interagindo com o sistema nacional de proteção, a fim de proporcionar a maior efetividade
possível na tutela e promoção de direitos fundamentais. A sistemática internacional, como
garantia adicional de proteção, institui mecanismos de responsabilização e controle
internacional, acionáveis quando o Estado se mostra falho ou omisso na tarefa de implementar
direitos e liberdades fundamentais

O Direito Internacional dos Direitos Humanos é matéria jurídica de recente


construção, sendo que a maioria dos assuntos tratados pela disciplina
ganharam relevância apenas após a Segunda Guerra Mundial e a comoção
que esta causou na comunidade internacional. Como base crucial para a
construção desta modalidade de Direito Internacional temos o Direito
Humanitário, a Liga das Nações e a Organização Internacional do Trabalho.

- O Direito Humanitário elevou a um nível internacional o conceito da proteção


humanitária em casos de guerra, sendo responsável pela sistematização
jurídica da questão do emprego da violência em conflitos armados,
forçosamente impondo limites à liberdade e autonomia dos estados
beligerantes em relação aos seus atos em meio ao conflito.

- No caso dos dispositivos originários da Liga das Nações que temos, ainda
que de forma genérica a referência aos Direitos Humanos, buscando com este
relativizar a soberania dos estados nacionais, principalmente em caso de
guerra.

- A OIT, criada logo após a Primeira Guerra Mundial, em 1919, destinada a


regular as condições de trabalho em âmbito internacional, acaba também por
internacionalizar conceitos básicos de Direitos Humanos, que extrapolam o
campo das relações trabalhistas.
É fundamental lembrar que após a Segunda Guerra Mundial os povos em
todos os continentes não deixaram em momento algum de recorrer ao conflito
armado como resposta para suas disputas, e com a violência que as armas
vinham proporcionando, a discussão de um Direito Humanitário, que abordasse
a proteção humanitária em caso de guerra, além da questão do emprego de
violência em conflitos armados, entre outras discussões similares, levaram a
uma inevitável construção de um repertório jurídico de cunho humanitário que
tivesse alcance internacional. Fazia-se necessário, na visão dos juristas, impor
limites à liberdade e à autonomia dos estados conflitantes, garantindo com isso
um progresso maior da matéria de Direitos Humanos em escala mundial.

Mesmo assim, não bastaram as atrocidades constatadas ao fim do conflito


mundial, para consolidar o Direito Internacional dos Direitos Humanos. Sua
importância na agenda internacional vem com o advento da Carta das Nações
Unidas em 1945, bem como a promulgação da Declaração Universal dos
Direitos Humanos em 1948, consolidando realmente a importância do assunto
no meio jurídico internacional.

Assim, após o pioneirismo pré-guerra, o Direito Internacional dos Direitos


Humanos progrediu a olhos vistos, sendo matéria de relevância, presente em
estudos de juristas renomados e passando a ter um respeitoso corpus juris,
integrado principalmente por:

 Carta das Nações Unidas (ou ainda Carta da ONU ou Carta de São
Francisco);
 Declaração Universal dos Direitos Humanos;
 Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos;
 Pacto Internacional dos Direitos Econômicos Sociais e Culturais,
 além de diversas convenções (tratados) internacionais
No caso brasileiro, o processo de incorporação do Direito Internacional dos
Direitos Humanos e de seus importantes instrumentos é conseqüência do
processo de democratização. O marco inicial do processo de incorporação de
tratados internacionais de direitos humanos pelo Direito brasileiro foi a
ratificação, em 1º de fevereiro de 1984, da Convenção sobre a Eliminação de
todas as formas de Discriminação contra a Mulher. A partir dessa ratificação,
inúmeros outros relevantes instrumentos internacionais de proteção dos
direitos humanos foram também incorporados pelo Direito Brasileiro, sob a
égide da Constituição Federal de 1988. Assim, a partir da Carta de 1988,
importantes tratados internacionais de direitos humanos foram ratificados pelo
Brasil, dentre eles: a) a Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a
Tortura, em 20 de julho de 1989; b) a Convenção contra a Tortura e outros
Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes, em 28 de setembro de 1989;
c) a Convenção sobre os Direitos da Criança, em 24 de setembro de 1990; d) o
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, em 24 de janeiro de 1992; e)
o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, em 24 de
janeiro de 1992; f) a Convenção Americana de Direitos Humanos, em 25 de
setembro de 1992; g) a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e
Erradicar a Violência contra a Mulher, em 27 de novembro de 1995.

Principais artigos da DUDH, de 10 de maio de 1948:

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família


humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da
paz no mundo,

Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultam em atos


bárbaros que ultrajam a consciência da humanidade e que o advento de um mundo em que os
homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor
e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,

Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito,
para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a
opressão,

Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,

Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos
humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos
dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores
condições de vida em uma liberdade mais ampla,

Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a promover, em cooperação com


as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a
observância desses direitos e liberdades,

Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta
importância para o pleno cumprimento desse compromisso,
A Assembléia Geral proclama:

A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por
todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da
sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da
educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas
progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua
observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto
entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo 1º

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e
consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo 2º

Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta
Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião
política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra
condição.

Não será tampouco feita qualquer distinção fundada na condição política, jurídica ou
internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território
independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de
soberania.

Artigo 3º

Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4º

Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão


proibidos em todas as suas formas.

Artigo 5º

Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou


degradante.

Artigo 6º

Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo 7º

Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei.
Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente
Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8º

Toda pessoa tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os
atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela
lei.

Artigo 9º

Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado

Artigo 10

Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um
tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento
de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo 11

§1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até
que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual
lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.

§2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não
constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena
mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo 12

Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua
correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção
da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo13

§1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de
cada Estado.

§2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
Artigo 14

§1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros
países.

§2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por
crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 15

§1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.

§2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de
nacionalidade.

Artigo 16

Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou


religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em
relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.

§1. O casamento não será válido senão como o livre e pleno consentimento dos nubentes.

§2. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da


sociedade e do Estado.

Artigo 17

§1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.

§2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo 18

Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a
liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença,
pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público
ou em particular.

Artigo 19

Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de,
sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por
quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Artigo 20

§1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.

§2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo 21

§1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por
intermédio de representantes livremente escolhidos.

§2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.

§3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em
eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo
equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo 22

Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo
esforço nacional, pela cooperação internacional de acordo com a organização e recursos de
cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao
livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo 23

§1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e
favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.

§2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.

§3. Toda pessoa que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe
assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a
que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.

§4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para a proteção de
seus interesses.

Artigo 24

Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das
horas de trabalho e a férias periódicas remuneradas.

Artigo 25
§1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a
sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação,
cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança
em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de
perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.

§2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais.


Todas as crianças, nascidas dentro ou fora de matrimônio, gozarão da mesma
proteção social.

Artigo 26

§1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos
nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória.
A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução
superior, esta baseada no mérito.

§2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da


personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos
e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a
tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e
coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.

§3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que


será ministrada a seus filhos.

Artigo 27

§1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da


comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus
benefícios.

§2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais
decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja
autor.

Artigo 28

Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos
e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente
realizados.

Artigo 29
§1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno
desenvolvimento de sua personalidade é possível.

§2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita


apenas às limitações determinadas por lei, exclusivamente com o fim de
assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de
outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do
bem-estar de uma sociedade democrática.

§3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser


exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 30

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o


reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer
qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer
dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

A Declaração de 1948 introduz a concepção contemporânea de direitos


humanos, marcada pela universalidade e indivisibilidade desses direitos.
Universalidade porque clama pela extensão universal dos direitos humanos,
sob a crença de que a condição de pessoa é o requisito único para a
titularidade de direitos, considerando o ser humano como um ser
essencialmente moral, dotado de unicidade existencial e dignidade, esta como
valor intrínseco à condição humana. Indivisibilidade porque a garantia dos
direitos civis e políticos é condição para a observância dos direitos sociais,
econômicos e culturais e vice-versa. Quando um deles é violado, os demais
também o são. Os direitos humanos compõem, assim, uma unidade indivisível,
interdependente e interrelacionada, capaz de conjugar o catálogo de direitos
civis e políticos com o catálogo de direitos sociais, econômicos e culturais.

TRATADOS RATIFICADOS PELO BRASIL

Declarações de Direitos Humanos aprovadas pelo Brasil

A) Sistema Global

10.1. Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)

10.2. Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento (1986)

10.3. Declaração e Programa de Ação de Viena (1993)

10.4. Declaração de Pequim adotada pela quarta conferência sobre as mulheres:


ação para igualdade, desenvolvimento e paz (1995)
B) Sistema regional interamericano

10.5. Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (1948)

Tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil

A) Sistema global

10.6. Convenção para Prevenção e a Repressão do crime de genocídio (1948)

10.7. Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados (1951)

10.8. Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados (1966)

10.9. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966)

10.10 Protocolo Facultativo relativo ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis


e Políticos (1966)

10.11. Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966)

10.12. Convenção Internacional sobre Eliminação de todas as formas de


Discriminação Racial (1965)

10.13. Convenção Internacional sobre Eliminação de todas as formas de


Discriminação contra a Mulher (1979)

10.14. Protocolo Facultativo à Convenção Internacional sobre Eliminação de todas


as formas de Discriminação contra a Mulher (1999)

10.15. Convenção contra a tortura e outros Tratamentos ou Penas cruéis, desumanas ou


degradantes (1984)

10.16. Convenção sobre os Direitos das Crianças (1989)

10.17. Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança referente


à venda de criança, à prostituição infantil e à pornografia infantil (2000)

10.18. Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo


ao envolvimento de crianças em conflitos armados (2000)

10.19. Convenção das Nações Unidas contra corrupção (2000) – Convenção de Mérida

B) Sistema regional interamericano

10.20. Convenção Americana sobre Direitos Humanos (1969) – Pacto de San José
da Costa Rica

10.21. Estatuto da Corte Interamericana de Direitos Humanos (1979)


10.22. Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos
em matéria de direitos econômicos , sociais e culturais (1988) – Protocolo de San
Salvador

10.23. Protocolo à Convenção Americana sobre Direitos Humanos referentes à abolição


da pena de morte (1990)

10.24. Convenção Interamericana para prevenir e punir a Tortura (1985)

10.25. Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra


a Mulher (1994) – Convenção de Belém do Pará

10.26. Convenção Interamericana sobre Tráfico Internacional de Menores (1994)

10.27. Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as formas


de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência (1999)

11. Comércio Internacional

11.1. Acordo Constitutivo da organização Mundial do Comércio (1994)

12. Direito Internacional Ambiental

12.1. Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992)

12.2. Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (1992)

12.3. Protocolo de Quioto à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças


do Clima (1997)

12.4. Convenção sobre Diversidade Biológica (1992)

13. Direito Penal Internacional

13.1. Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (1998)

14. Nacionalidade e cidadania

14.1. Tratado de Amizade, Cooperação e consulta entre a República Federativa


do Brasil e a República Portuguesa (2001)

14.2. Lei 6.815 , de 19 de agosto de 1980 – define a situação jurídica do estrangeiro


no Brasil, cria o Conselho Nacional de Imigração e dá outras providências

14.3. Decreto 86.715, de 10 de dezembro de 1981 – regulamenta a Lei 6.815, de 19


de agosto de 1980, que define a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, cria o
Conselho Nacional de Imigração e dá outras providências

14.4. Declaração constitutiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (1996)


14.5. Estatutos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (1996)

15. Mercado Comum do Sul – MERCOSUL

15.1. Tratado para constituição de um Mercado Comum entre a República Argentina, a


República Federativa do Brasil, a República do Paraguai e a República Oriental
do Uruguai (1991) – Tratado de Assunção

15.2. Protocolo Adicional ao Tratado de Assunção sobre a estrutura institucional


do Mercosul (1994) – Protocolo de Ouro Preto

15.3. Protocolo de Buenos Aires sobre Jurisdição Internacional em Matéria


Contratual (1994)

15.4. Protocolo de Defesa da Concorrência no Mercosul (1998)

15.5. Acordo de Extradição entre os Estados Partes do Mercosul (1998)

15.6. Protocolo de Olivos para Solução de Controvérsias no Mercosul (2002)

15.7. Acordo-Quadro sobre Meio Ambiente do Mercosul (2001)

15.8. Acordo de Admissão de Títulos e Graus Universitários para o Exercício


de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do Mercosul (1999)

16. Direito Internacional do Trabalho

16.1. Constituição da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e seu Anexo


(1946) – Declaração de Filadélfia

17. Direito Internacional Privado

17.1. Convenção de Direito Internacional Privado (1928) – Código de Bustamante

17.2. Estatuto da Conferência de Haia de Direito Internacional Privado (1951)

17.3. Decreto-lei 4.657, de 4 de setembro de 1942 – Lei de Introdução às normas


do Direito Brasileiro (antiga Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro – alterada
pela Lei nº 12.376, de 2010)

A hierarquia, a incorporação, e o impacto dos tratados internacionais de


proteção dos direitos humanos no Direito brasileiro

EC nº 45/2003 introduziu o § 3º ao art. 5º da CF, cujo teor é o seguinte: “Os


tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais”.

Os demais tratados tem força de Lei Ordinária.


Orientação sexual e identidade de gênero

A orientação sexual de uma pessoa indica por quais gêneros ela sente-se
atraída, seja física, romântica e/ou emocionalmente. Ela pode ser assexual
(nenhuma - ou raros, ou específicos momentos de - atração sexual), bissexual
(atração por mais de um gênero - ou, por dois gêneros e outros gêneros),
heterossexual (atração pelo gênero oposto), homossexual (atração pelo
mesmo gênero) ou pansexual (atração por todos os gêneros).

O termo orientação sexual é considerado mais apropriado do que opção sexual


ou preferência sexual porque opção indica que uma pessoa teria escolhido a
sua forma de desejo. A psicologia moderna, embora não tenha consenso a
respeito do que exatamente explica a sexualidade de um indivíduo, determina
que a orientação sexual não pode ser mudada com terapias [6][7] e não é uma
escolha.[7][8][9] A orientação sexual pode ser determinada por factores
biogenéticos, sejam questões hormonais in utero ou genes que possam
determinar esta predisposição.[10]

Pesquisas têm identificado diversos fatores biológicos que podem estar


relacionados ao desenvolvimento da orientação sexual, incluindo os genes,
hormônios pré-natais e a estrutura do cérebro humano. Nenhuma causa única
foi identificada até então e a pesquisa continua nesta área.[11] Mesmo que
ainda não haja consenso sobre como e quando são formadas as estruturas
cerebrais (hipotálamo e amídala cerebral) responsáveis pela identidade de
gênero na maioria dos animais (se nascem com a criança ou desenvolvem na
puberdade, ou ambos), é consenso que essas estruturas do cérebro
(hipotálamo) apresenta diferenças estruturais e fisiológicas entre homens
heterossexuais, homens homossexuais, transexuais de homem para mulher,
transexuais de mulher para homem, mulheres heterossexuais e mulheres
homossexuais, com relação a identidade sexual e atração sexual.[12]

Identidade de gênero

A identidade sexual como sinônimo de identidade de gênero pode ser


exclusivamente masculina ou feminina. Entretanto, também pode manifestar
uma mistura entre a masculinidade e feminidade, admitindo várias categorias
entre homossexualidade, afetividade intermasculina, interfeminina, inversão
sexual de papéis de gênero, travestibilidade e transexualidade. A identidade
sexual difere em conceitos da orientação sexual pois a identidade sexual
fundamenta-se na percepção individual sobre o próprio sexo, masculino ou
feminino percebido para si, manifestado no papel de gênero assumido nas
relações sexuais e a orientação sexual fundamenta-se na atração sexual por
outras pessoas. Difere também da identidade de gênero no sentido em que a
identidade de gênero está mais correlacionada com a maneira de se vestir e de
se apresentar na sociedade enquanto a identidade sexual correlaciona-se mas
diretamente com o papel de gênero sexual. Algumas vezes considera-se que
um transexual do biotipo masculino, cuja orientação sexual é somente por
homens e que se relacione sexualmente apenas no papel feminino, possa ser
considerado heterossexual. Nos casos mais comuns, homens e mulheres
identificam-se no biotipo sexual natural, sem manifestar desejos pela
transgenereidade.

Homofobia

Homofobia (homo, pseudoprefixo de homossexual,[1][2] fobia do grego φόβος


"medo", "aversão irreprimível"[3]) é uma série de atitudes e sentimentos
negativos em relação a pessoas homossexuais, bissexuais e, em alguns casos,
contra transgêneros e pessoas intersexuais. As definições para o termo
referem-se variavelmente a antipatia, desprezo, preconceito, aversão e medo
irracional.[4][5][6] A homofobia é observada como um comportamento crítico e
hostil, assim como a discriminação[4][5] e a violência com base na percepção de
que todo tipo de orientação sexual não-heterossexual é negativa.

Entre as formas mais discutidas estão a homofobia institucionalizada (por


exemplo, patrocinada por religiões[7] ou pelo Estado[8]), a lesbofobia (a
homofobia como uma intersecção entre homofobia e sexismo contra as
lésbicas), e a homofobia internalizada, uma forma de homofobia entre as
pessoas que experimentam atração pelo mesmo sexo, independentemente de
se identificarem como LGBT.

Em um discurso de 1998, a autora, ativista e líder dos direitos civis, Coretta


Scott King, declarou: "A homofobia é como o racismo, o anti-semitismo e outras
formas de intolerância na medida em que procura desumanizar um grande
grupo de pessoas, negar a sua humanidade, dignidade e personalidade."[9] Em
1991, a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra
homossexuais uma violação aos direitos humanos.[10]

Em maio de 2011, em referência ao Dia Internacional contra a Homofobia, a


Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay,
declarou:

"[...] Em última análise, a homofobia e a transfobia não são diferentes do


sexismo, da misoginia, do racismo ou da xenofobia. Mas enquanto essas
últimas formas de preconceito são universalmente condenadas pelos governos,
a homofobia e a transfobia são muitas vezes negligenciadas. A história nos
mostra o terrível preço humano da discriminação e do preconceito. Ninguém
tem o direito de tratar um grupo de pessoas como sendo de menor valor,
menos merecedores ou menos dignos de respeito.

Transfobia

A transfobia é uma série de atitudes ou sentimentos negativos em relação às


pessoas travestis, transexuais e transgêneros. Seja intencional ou não, a
transfobia pode causar severas consequências para quem por ela é assim
discriminado. As pessoas trans também podem ser alvo da homofobia, tal
como homossexuais podem ser alvo de transfobia, por parte de pessoas que
incorretamente não distinguem identidade de género de orientação sexual.

Como outras formas de discriminação, o comportamento discriminatório ou


intolerante pode ser direto (desde formas fisicamente violentas ou verbais até
recusas em comunicar com a pessoa em causa) ou indireto (como recusar-se a
garantir que pessoas transsexuais sejam tratadas da mesma forma que as
pessoas cissexuais).

A transfobia pode também ser definida como aversão sem controle,


repugnância, ódio, preconceito de algumas pessoas ou grupos contra pessoas
e grupos com identidades de gênero travestis, transgêneros, transexuais,
também denominados população trans. Historicamente, há uma sobreposição
dos papéis socialmente construídos para homens e mulheres às anatomias
genitais tradicionalmente entendidas como feminina (vagina) ou masculina
(pênis). Essa sobreposição leva ao entendimento da categoria sexo como algo
universal (todos os seres vivos teriam sexo), binário (macho e fêmea) e
globalizante das identidades e papéis sociais. Assim, pessoas e grupos trans
vivenciam vários níveis de discriminação, o que incorre em sofrimento e
negação de direitos. [1]

Apesar, por exemplo, de haver diversos registros da homossexualidade na


história da humanidade, Foucault (1988) considera que o homossexual só
surgiu como tipo psicológico em 1870, quando passou a ser considerado como
categoria psicológica, psiquiátrica e médica. Surge, então, uma nova
especificação de indivíduos: aqueles que são perversos, desviantes da
sexualidade socialmente “recomendada” para uma vida saudável. Ao fugirem
de uma sexualidade “decente” voltada para a procriação e para o sexo oposto,
os desviantes passam a ser vistos como possuidores de uma natureza
perversa. Não se trata mais de focar em um tipo de relação sexual incoerente,
como ocorria até o final do século XVIII, mas de enfatizar o caráter daquele que
assim age.
Uma das obras que melhor ilustra esse novo zêlo classificador da sexualidade
é “Herculine Barbin: o Diário de um Hermafrodita”, dossiê organizado e
prefaciado por Foucault sobre as memórias de Herculine, hermafrodita francês
do século XIX. O “Diário” mostra as agruras de Herculine frente ao que os
médicos afirmavam ser seu “verdadeiro sexo”. Resumidamente, Herculine
nasceu com um sexo “indeterminado” (não era possível dizer se tinha um pênis
ou uma vagina), fato que era considerado uma anomalia não muito comum na
época, mas que também não era totalmente desconhecida. Inicialmente criada
como uma menina (Alexina), Herculine foi obrigada a trocar legalmente de sexo
após um processo judiciário. O corpo ambíguo da hermafrodita já não
encontrava um lugar seguro dentro das transformações culturais e
históricas que transcorriam na sociedade ocidental. A tentativa de adequação
de
Herculine a esse novo paradigma não resultou vitoriosa. Por não se sentir
“confortável” com sua nova identidade imposta (Abel Barbin), acabou ceifando
a própria vida em 1860. A insistência em encontrar um sexo verdadeiro para
Herculine reflete a preocupação por parte de advogados, doutores, psiquiatras
e outros especialistas com a classificação e a fixação de diferentes
características e tipos sexuais. A presença de algo parecido com um pequeno
pênis em Alexina/Herculine, “evidência”, mesmo que não perfeita, de um corpo
masculino, tornava-a irremediavelmente em um “ele”. A ênfase na definição
precisa das verdadeiras características masculinas e femininas alia-se à
preocupação dos discursos judiciário, político e médico em definir o que é
“anormal” ou “normal”. Ao evidenciar o que é anormal (no caso de Alexina, uma
“moça” com evidências masculinas em seu corpo), tornou-se possível delimitar
o que era normal: a plena correspondência entre o corpo e a identidade de
gênero socialmente aceitável.

Direitos da população LGBT

O presente artigo tratou dos direitos dos homossexuais a ter os mesmos direitos
assegurados a todas as pessoas. As previsões de igualdade e de dignidade da
pessoa humana não podem ficar restritas ao campo meramente retórico, mas
devem ser traduzidas em ações efetivas, em benefício de toda a população. A
homossexualidade é um fato social, uma realidade que necessita ser reconhecida
pelo direito e pelos juristas.
Há que se reconhecer que já houve grandes avanços. Os Tribunais pátrios
vêm, aos poucos, assegurando direitos aos homossexuais. Ocorre que os desafios
ainda são grandes. Todo um histórico de preconceito e discriminação não se altera
em pouco tempo e com decisões isoladas.
Necessária se faz uma verdadeira mudança de consciência de todos os juristas,
desde a época de sua formação. Os cursos de Direito não podem servir de palco
para a reprodução de inculcações de arbitrários culturais, tendo como suporte um
modelo heteronormativo e sexista. Discutir, desde os bancos escolares, temas
relacionados à igualdade de todos perante a lei pode ser um relevante passo para
que, progressivamente, consigamos efetivamente concretizar na República
Federativa do Brasil um dos seus objetivos fundamentais, que é a construção de
uma sociedade cada vez melhor e mais justa.