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SERVIÇO SOCIAL E

TERCEIRO SETOR

Professora Esp. Daniela Sikorski

GRADUAÇÃO

Unicesumar
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de EAD
Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi

NEAD - Núcleo de Educação a Distância


Direção Operacional de Ensino
Kátia Coelho
Direção de Planejamento de Ensino
Fabrício Lazilha
Direção de Operações
Chrystiano Mincoff
Direção de Mercado
Hilton Pereira
Direção de Polos Próprios
James Prestes
Direção de Desenvolvimento
Dayane Almeida
Direção de Relacionamento
Alessandra Baron
Head de Produção de Conteúdos
Rodolfo Encinas de Encarnação Pinelli
Gerência de Produção de Conteúdos
Gabriel Araújo
Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais
Nádila de Almeida Toledo
Supervisão de Projetos Especiais
Daniel F. Hey
Coordenador de Conteúdo
Maria Cristina Araujo de Brito Cunha
Design Educacional
Yasminn Zagonel
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a
Iconografia
Distância; SIKORSKI, Daniela. Amanda Peçanha dos Santos
Ana Carolina Martins Prado
Serviço Social e Terceiro Setor. Daniela Sikorski. Projeto Gráfico
(Reimpressão revista e atualizada)
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2016. Jaime de Marchi Junior
208 p. José Jhonny Coelho
“Graduação - EaD”. Arte Capa

1. Ensino. 2. Serviço Social. 3. Terceiro Setor. 4. EaD. I. Título. André Morais de Freitas
Editoração
ISBN 978-85-459-0081-8 Melina Belusse Ramos
CDD - 22 ed. 362
CIP - NBR 12899 - AACR/2 Qualidade Textual
Hellyery Agda
Nayara Valenciano
Viviane Favaro Notari
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário
Ilustração
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Bruna Marconato, André Onishi
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um
grande desafio para todos os cidadãos. A busca
por tecnologia, informação, conhecimento de
qualidade, novas habilidades para liderança e so-
lução de problemas com eficiência tornou-se uma
questão de sobrevivência no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilida-
de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos-
sos farão grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar
assume o compromisso de democratizar o conhe-
cimento por meio de alta tecnologia e contribuir
para o futuro dos brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a
educação de qualidade nas diferentes áreas do
conhecimento, formando profissionais cidadãos
que contribuam para o desenvolvimento de uma
sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi-
tário Cesumar busca a integração do ensino-pes-
quisa-extensão com as demandas institucionais
e sociais; a realização de uma prática acadêmica
que contribua para o desenvolvimento da consci-
ência social e política e, por fim, a democratização
do conhecimento acadêmico com a articulação e
a integração com a sociedade.
Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al-
meja ser reconhecido como uma instituição uni-
versitária de referência regional e nacional pela
qualidade e compromisso do corpo docente;
aquisição de competências institucionais para
o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con-
solidação da extensão universitária; qualidade
da oferta dos ensinos presencial e a distância;
bem-estar e satisfação da comunidade interna;
qualidade da gestão acadêmica e administrati-
va; compromisso social de inclusão; processos de
cooperação e parceria com o mundo do trabalho,
como também pelo compromisso e relaciona-
mento permanente com os egressos, incentivan-
do a educação continuada.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está
iniciando um processo de transformação, pois quan-
do investimos em nossa formação, seja ela pessoal
ou profissional, nos transformamos e, consequente-
Diretoria de
mente, transformamos também a sociedade na qual
Planejamento de Ensino
estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capa-
zes de alcançar um nível de desenvolvimento compa-
tível com os desafios que surgem no mundo contem-
porâneo.
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de
Diretoria Operacional
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo
de Ensino
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialó-
gica e encontram-se integrados à proposta pedagó-
gica, contribuindo no processo educacional, comple-
mentando sua formação profissional, desenvolvendo
competências e habilidades, e aplicando conceitos
teóricos em situação de realidade, de maneira a inse-
ri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais
têm como principal objetivo “provocar uma aproxi-
mação entre você e o conteúdo”, desta forma possi-
bilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos
conhecimentos necessários para a sua formação pes-
soal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cres-
cimento e construção do conhecimento deve ser
apenas geográfica. Utilize os diversos recursos peda-
gógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possi-
bilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente
Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e en-
quetes, assista às aulas ao vivo e participe das discus-
sões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de
professores e tutores que se encontra disponível para
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
AUTOR

Professora Esp. Daniela Sikorski


Possui Graduação em Bacharelado em Serviço Social pela Universidade
Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Especialista em Política Social e Gestão
de Serviços Sociais, pela Universidade Estadual de Londrina, experiência
profissional na área de Serviço Social na Educação, Terceiro Setor,
Responsabilidade Social, Coordenação de Projetos Sociais, atuando ainda
como Gerente de Responsabilidade Social e Operações na área Hospitalar,
Comitê da Qualidade em Saúde para acreditação de qualidade no padrão
ONA (Organização Nacional em Saúde).
APRESENTAÇÃO

SERVIÇO SOCIAL E TERCEIRO SETOR

SEJA BEM-VINDO(A)!
Seja bem vindo(a) a mais uma etapa da sua formação profissional, é sempre uma con-
quista e você é mais que merecedor(a)! Parabéns!
Onde quer que você esteja, conte comigo para mais este estudo, é um prazer fazer parte
da sua formação profissional, com certeza teremos muito a aprender e a compartilhar!
O estudo sobre o Terceiro Setor é mais que pertinente na formação do assistente social,
vamos conhecer e se aprofundando neste tema. Buscando a qualidade profissional, ca-
pacitando para o trabalho interdisciplinar, uma vez que a atuação no Terceiro Setor não
é exclusividade do Serviço Social.
As reflexões e estudo sobre o Terceiro Setor que iremos realizar nos trará informações
atuais capazes de proporcionar compreensão específica sobre as diversas possibilida-
des de atuação na área.
Temos conhecimento das contradições, pobrezas e desigualdades sociais de nossa so-
ciedade, contrapondo-se a um cenário socioeconômico globalizado, de mudanças e de-
senvolvimento científico e tecnológico acelerado.
Você já parou para pensar em tais contradições? Como pode o ser humano ser capaz de
grandes criações e ao mesmo tempo não dar conta de sanar tamanhas desigualdades?
Para entendermos o Terceiro Setor, você precisa ter claro sua dimensão, seus componen-
tes, compreender o contexto em que está inserido global e localmente. Investigar suas
raízes e as suas mudanças ao longo dos anos.
Adotar uma postura madura e aberta para que não nos enganemos achando que o Ter-
ceiro Setor é o “salvador” dos problemas sociais, tomando para a si a responsabilidade
que é do Estado no que diz respeito ao seu papel de formulador e executor das políticas
sociais nem “incrédulo”, ao ponto de negar a sua relevância nas tratativas em busca do
enfrentamento das diversas manifestações da questão social de nosso país.
Sendo assim, o objetivo deste estudo é que você tenha clareza do papel das organiza-
ções do terceiro setor em nossa sociedade bem como o assistente social, junto a outros
profissionais contribuem para sua execução.
Na Unidade I Estado e Terceiro Setor, buscaremos apresentar o papel do Estado e como
ele se configura junto ao Terceiro Setor. O processo de Reforma do Aparelho do Estado
brasileiro até a composição legal das organizações sociais.
Na Unidade II Conceituando o Terceiro Setor, vamos buscar, a partir de estudos e pesqui-
sas, os conceitos e definições do Terceiro Setor, como ele é composto e caracterizado.
Na Unidade III A Configuração Histórica do Terceiro Setor, vamos dedicar o nosso estu-
do, para compreender como o Terceiro Setor foi se configurando em vários países e no
Brasil, o conhecimento histórico específico sobre o Terceiro Setor, se soma ao conteúdo
apresentado nas duas primeiras Unidades de Estudo.
APRESENTAÇÃO

Na Unidade IV Administração e Terceiro Setor, será apresentado brevemente os ele-


mentos da administração e a sua aplicabilidade junto às organizações do Terceiro
Setor, devido aos novos desafios enfrentados pelo setor. Refletiremos sobre as in-
terfaces com o Serviço Social e a necessidade desses conhecimentos para a práti-
ca profissional do assistente social. Nesta Unidade, também estudaremos sobre o
voluntariado e a figura do voluntário, tão relevantes na história e configuração do
Terceiro Setor, bem como a necessidade da gestão do voluntariado nos dias atuais.
Na Unidade V Serviço Social e o Terceiro Setor, você poderá conhecer um pouco
mais sobre o Serviço Social, atribuições e responsabilidades junto às organizações
do Terceiro Setor. Analisaremos, a partir de alguns artigos, a importância do plane-
jamento estratégico na prática do profissional de Serviço Social.
Conto com você nesta etapa, sucesso! Bons estudos!
Um grande abraço!
Profª Daniela Sikorski
09
SUMÁRIO

UNIDADE I

ESTADO E TERCEIRO SETOR

15 Introdução

16 Reforma do Estado e o Terceiro Setor

25 Organizações Sociais

29 Sociedade Civil e Cidadania

35 Considerações Finais

UNIDADE II

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR

47 Introdução

48 Conceitos e Definições

58 Composição e Caracterização Geral do Terceiro Setor 

73 Considerações Finais

UNIDADE III

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR

79 Introdução

80 O Terceiro Setor no Mundo

88 O Terceiro Setor no Brasil

97 O Terceiro Setor nos Dias Atuais

105 Considerações Finais


SUMÁRIO

UNIDADE IV

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR

113 Introdução

114 A Administração, o Terceiro Setor e o Serviço Social

132 Voluntariado e Terceiro Setor

159 Considerações Finais 

UNIDADE V

SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR

165 Introdução

166 O Serviço Social – Breves Considerações

171 O Serviço Social no Terceiro Setor

188 Considerações Finais


Professora Esp. Daniela Sikorski

I
UNIDADE
ESTADO E TERCEIRO SETOR

Objetivos de Aprendizagem
■■ Entender a Reforma do Estado e o seu papel junto ao Terceiro Setor.
■■ Identificar os objetivos e o papel das organizações sociais.
■■ Compreender o significado de sociedade civil e cidadania.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Reforma do Estado e o Terceiro Setor
■■ As Organizações Sociais
■■ Sociedade Civil e Cidadania
13

INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a),
Nesta unidade,vamos observar as mudanças que ocorrem no Brasil no que tange
a relação entre o público e o privado, considerando o sistema capitalista no qual
vivemos, vamos observar também a redefinição do papel do Estado e a sua rele-
vância enquanto controlador social neste contexto.
A relação público X privado não nasceu pronta, bem como não é estanque,
passou por períodos de crise e precisou ser reformada ou reformulada, neste
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

cenário histórico de mudanças é que ela foi se redefinindo.


Você pode lembrar em muitos momentos desta unidade das suas aulas de
história, o que será muito bom e significativo, fique à vontade para buscar outras
fontes de pesquisa e estudo, aproveite e não se limite ao conteúdo deste material
carinhosamente organizado para contribuir para a sua formação profissional.
Ao nos reportarmos à história, sobretudo a brasileira, você irá atribuir novos
significados ao que aprendeu na época de escola, poderá analisar sob um ótica
profissional os acontecimentos do nosso país e como ele hoje contribui para que
você seja um assistente social informado e devidamente dotado de conhecimento
que lhe permitirá ser um ótimo profissional, com conteúdo e capaz de analisar
o contexto onde está inserido.
Vamos nos aprofundar no entendimento acerca dos conceitos de sociedade
civil e cidadania, terminologias de sociedade civil que faz parte do cotidiano
profissional, basta olhar as amplas discussões e manifestações do nosso país.
E a partir de tantas mudanças, redefinição do papel do Estado, com suas crí-
ticas e avanços como surgem as organizações sociais.
Conto com você, seu empenho e dedicação para juntos ampliarmos nos-
sos conhecimentos.
Bons estudos!

Introdução
I

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
©shutterstock

REFORMA DO ESTADO E O TERCEIRO SETOR

Iniciamos nosso estudo trazendo para o centro de nossas reflexões as contradições


intensas próprias da crise capitalista, uma crise estrutural. Para o entendimento
da configuração do Terceiro Setor, na atualidade, necessitaremos compreender
o contexto histórico brasileiro, pois a história nos permite compreender a cami-
nhada da humanidade ao longo dos tempos: suas ideologias, seus anseios, sua
formação e o seu futuro. O presente não nasce pronto, tal qual vivemos hoje, aliás,
sabemos que o mundo e a humanidade estão em plena e constante transformação.
A expressão Terceiro Setor como vemos hoje é fruto destas transformações
da sociedade e é um tanto quanto recente, suas definições e conceitos ainda são
merecedoras de estudo e consolidação, porém as instituições que as integram
não são recentes, historicamente tem-se o registro de instituições que correspon-
dem as características que hoje entendemos como do Terceiro Setor, algumas
em maior outras em menor grau, o ser humano é um ser social e a sua organi-
zação coletiva é histórica.
Para tanto é importante que dediquemos parte do nosso tempo ao estudo
do Estado, sua configuração e suas transformações, entender como o Estado se
comportou ao longo do tempo e como no Brasil a história se desenrolou para
que hoje possamos entender o papel do Terceiro Setor em nossa realidade e pos-
teriormente compreendermos como o Serviço Social atua nesta área.

ESTADO E TERCEIRO SETOR


15

Utilizaremos o exemplo norte-americano para que possamos refletir acerca


do Terceiro Setor e o Estado: no século XIX, Alexis de Tocqueville narra que a
constituição do Estado Norte-Americano deu-se posteriormente á organização
da sociedade, protagonizada a partir da mobilização social a estruturação do ter-
ritório norte-americano em 13 colônias, que em seguida se consolidaram e se
tornaram independentes, somente então se constitui o ESTADO.
Já no Brasil, ocorreu o inverso, a forma nosso país foi colonizado, trouxe
primeiramente a criação e organização do Estado e posteriormente a organiza-
ção da sociedade.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Caro(a) aluno(a), você conseguiu entender a diferente forma de organização


entre os dois países? A maneira como se organizaram fez muita diferença na
forma como se consolidaram enquanto nação.

O governo brasileiro aponta seu diagnóstico para a crise vivida no país nas déca-
das de 80 e 90, onde dizia que a crise estaria não no capital e sim no Estado e,
portanto, uma das alternativas seria propor um Projeto de Reforma deste Estado.
Logo, o Ministério da Administração e Reforma do Estado (MARE) apresenta
uma proposta.
... deve ser entendida dentro do contexto da redefinição do papel do
Estado, que deixa de ser o responsável direto pelo desenvolvimento
econômico e social pela via da produção de bens e serviços, para for-
talecer-se na função de promotor e regulador desse desenvolvimento
(BRASIL,1995, p. 12).

Embora o terceiro setor exista há anos, ele só ganhou força veio a tomar força a
partir da Reforma do Estado (1995).
A Reforma do Estado no Brasil teve início em 1987 e ganhou impulso em
1990, com medidas de ajuste fiscal, liberalização comercial, privatização e rees-
truturação das empresas privadas. Porém, a alta inflação dificultava a análise e

Reforma do Estado e o Terceiro Setor


I

viabilidade das reformas já implementadas até 1994, quando se criou o Plano Real.
O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado Brasileiro foi aprovado no
primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (FHC), em novembro de 1995.
No Brasil, a Reforma do Estado colocou-se num duplo processo, na década de
80. Ela foi resultante do esgotamento do regime militar e buscava a plena demo-
cracia. Nos anos 90, o governo Collor assumiu a proposta liberal denominada
então de neoliberalismo, a qual permaneceu como horizonte político na pro-
posta de FHC e nas reformas já implementadas no Brasil (COSTA, 2000, p.49).
Dentro da sociedade capitalista, a Reforma do Estado surge como um novo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
elemento da organização do padrão das relações sociais. A reforma
[...] expressa uma nova composição das forças sociais, a concretização
de um movimento conservador que buscou suprimir os avanços cons-
truídos, a partir do modelo do Estado de Bem Estar Social (COSTA,
2000, p.49).

Contudo, as propostas de reforma do papel do Estado, levando em conta a estimu-


lação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentam
medidas voltadas para o mercado como podemos ver a seguir:
Reformar o Estado significa transferir para o setor privado as ativida-
des que podem ser controladas pelo mercado. Daí, a generalização dos
processos de privatização de empresas estatais. Neste plano, entretanto,
salientaremos um outro processo tão importante quanto, e que entre-
tanto não está claro: a descentralização para o setor público não estatal
da execução de serviços de educação, saúde, cultura e pesquisa cientí-
fica. Chamaremos esse processo de publicização. (PLANO DIRETOR,
1995, p. 18)

A Reforma do Estado passou a ser instrumento indispensável, para


consolidar a estabilização e assegurar o crescimento sustentado da eco-
nomia (PLANO DIRETOR, 1995, p. 09).

Ao alinhar-se ao mercado, ao modelo liberal dos anos 90, o governo FHC assume
a crise do Estado como um excesso de Estado. O Governo FHC“ afirmou que a
crise do Estado se expressou pela crise fiscal, pela exaustão do modelo de substi-
tuição de importações e pelo centralismo administrativo” (COSTA, 2000, p.68).
A Reforma do Estado foi divulgada pelo governo FHC com condição para

ESTADO E TERCEIRO SETOR


17

o ingresso do país na modernidade globalizada.


O que penso é que se deixar o mercado solto, pobre país. Não é que ele
não vá crescer, mas crescerá com exclusão. Se ao contrário, deixarmos o
Estado, tal como ele se apresenta, sem as reformas, pobre país também.
Porque esse Estado não vai responder, nem na área econômica, nem
área social, de maneira adequada (COSTA apud FHC, 2000, p.62).

De acordo com Costa (2000, p.53, grifo do autor) “[...]a reforma do Estado é
parte de um conjunto de medidas que criou uma ‘nova ordem mundial’ firmada
a partir de mudanças significativas nas relações internacionais com reflexos na
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

organização interna de diferentes países”, apontando a necessidade do Brasil em


ter a abertura do mercado, a liberalização da economia e o controle dos gastos
públicos.
Observando o exposto pelo autor percebemos que na “[...] proposta de
reforma do aparelho do Estado, o alvo sem dúvida é o funcionalismo público e
a meta, sem ingenuidade, é flexibilizar, as normas do mercado e da previdência
social, inclusive do setor privado” (COSTA, 2000, p. 190).
Quanto à reforma o seu

A Reforma administrativa do Estado teve início ainda no governo do então


presidente Fernando Collor de Mello e consolidada no governo do presiden-
te Fernando Henrique Cardoso.

[...] objetivo era alcançar altos níveis de racionalidade e eficiência no


aparelho estatal, tornando-o mais próximo, ágil e eficaz perante as ne-
cessidades sociais sedimentadas na Carta Magna de 1988. Dentro dessa
perspectiva, foi elaborada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC)
173/95, com vistas a aprimorar e contemporizar disposições constitu-
cionais sobre a Administração Pública.(OAB, 2006, p.57-58).

Depois de amplamente debatida, a emenda constitucional da reforma


foi remetida ao Congresso Nacional em ago/95. À emenda seguiu-se a

Reforma do Estado e o Terceiro Setor


I

publicação de um documento sobre a reforma administrativa – o Pla-


no diretor da reforma do aparelho do Estado -, cuja proposta básica
é transformar a administração pública brasileira, de burocrática a
gerencial. Essa questão passou a ser uma questão nacional. (PEREIRA;
SPINK, 1999. P. 22).

O Plano Diretor apresenta uma divisão da estrutura do aparelho do Estado, cita-


dos a seguir:
a. Núcleo estratégico,centro no qual se definem as leis, políticas e pro-
cedimentos, incluindo a estrutura organizacional do Estado nos três
poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário;

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
b. Atividades exclusivas, compreendidas aquelas que envolvem a exe-
cução do poder estatal, garantindo diretamente o cumprimento da lei
e das políticas públicas, tais como as polícias, as forças armadas, os ór-
gãos de fiscalização e regulamentação e os serviços sociais de distribui-
ção de recursos (SUS, INSS);

c. Serviços não exclusivos, assim entendidos como aqueles que não


envolvem o uso do poder estatal, podendo ser oferecidos tanto pelo
setor privado, quanto pelo poder público não-estatal, dentro os quais
se incluem serviços de saúde, educação, pesquisa científica, cultura etc.;
e, finalmente,

d. Produção de bens para o mercado, representada pelas empresas es-


tatais (OAB, (org), 2006, p.58).

A esses setores correspondem formas de propriedade: estatal para os dois pri-


meiros; pública não estatal para o terceiro; no caso do último, a propriedade
estatal não é desejável; mas deve existir regulamentação e fiscalização rígidas, a
exemplo, supõe-se, de companhias de luz, gás e água. Sobre a administração no
Núcleo Estratégico propõe-se um mix entre administração burocrática e geren-
cial. Nos demais, a administração gerencial.
Para este nosso estudo, iremos nos ater as nossas reflexões ao “item c”: Serviços
não exclusivos, que estão ligados ao Terceiro Setor:

ESTADO E TERCEIRO SETOR


19

De forma genérica, podemos dizer que o terceiro setor adquiriu seu


grande impulso, quando o Estado do bem-estar social (que presumia
poder resolver os problemas sociais da população) e a democracia
liberal não atingiram os objetivos que se propunha. Situação que se
expande, quando a globalização, possibilitada pelo grande avanço tec-
nológico, também deixa a desejar nas melhorias sociais para todos ou
para grande maioria, pois concentrou ainda mais a renda na mão de
poucos. Surge uma nova estrutura social nas relações de trabalho que
se estruturou ao longo dos séculos (MEISTER, 2003, p.27).

Nesse contexto, acabaram por ser considerados como parte integrante dos servi-
ços não exclusivos, as políticas sociais, propriedade pública não estatal ou privada.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O papel do Estado para com as políticas sociais é alterado, pois com este
diagnóstico duas são as prescrições: racionalizar recursos e esvaziar o
poder das instituições, já que instituições democráticas são permeá-
veis às pressões e demandas da população, além de serem consideradas
como improdutivas, pela lógica de mercado. Assim, a responsabilidade
pela execução das políticas sociais deve ser repassada para a sociedade:
para os neoliberais através da privatização (mercado), e para a Terceira
Via pelo público não-estatal (sem fins lucrativos) (PERONI, 2006, p.
14).

Nesse período, o Ministério da Administração e Reforma do Estado aponta a


privatização das empresas públicas ou então que estas assumissem o caráter de
organizações sociais, comandadas não mais pelo Estado, este passaria a ser par-
ceiro dessas empresas e receberia fundos públicos para a sua operacionalização.
Pereira (1999) argumenta que esta transferência só traria benefícios, pois as orga-
nizações sociais atenderiam muito melhor aos direitos sociais por serem mais
competitivas, mais eficientes e flexíveis.

Reforma do Estado e o Terceiro Setor


I

Quem foi Bresser Pereira:


Luiz Carlos Bresser Pereira é professor emérito da Fundação Getúlio Vargas
onde ensina economia, teoria política e teoria social. É presidente do Centro
de Economia Política e editor da Revista de Economia Política desde 1981.
Escreve coluna quinzenal da Folha de S. Paulo.
Em 2010 recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de
Buenos Aires. Foi Ministro da Fazenda, da Administração Federal e Reforma

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
do Estado, e da Ciência e Tecnologia.
Saiba mais da biografia completa de Bresser acesse: <http://www.bresser-
pereira.org.br/curric/2.biograf-2pag.pdf>. Acesso em: 20 Fev. 2015.

O que fundamentou o Plano de Reforma do Estado foi a crise do Estado e a


consequente estratégia social liberal, que utilizou-se do discurso de que não seria
necessário diminuir o Estado, mas, sim,reformá-lo, como podemos ver a seguir:
A causa da crise foi o excessivo e distorcido crescimento do Estado de-
senvolvimentista no Terceiro Mundo, do Estado comunista no segun-
do Mundo e do WelfaireState no Primeiro Mundo. As potencialidades
do mercado na alocação de recursos, na coordenação da economia, ti-
nham sido erroneamente subavaliadas. O Estado tinha se tornado mui-
to grande, aparentemente muito forte, mas de fato muito fraco, inefi-
ciente e impotente, dominado pela indisciplina fiscal, vítima de grupos
especiais de interesse, engajados em práticas privatizadoras do Estado,
ou seja, no rentseeking” (PEREIRA, 1996, p. 16-17).

Fique atento!
Não confunda Terceiro Setor e Setor Terciário da economia, este último diz
respeito ao setor de prestação de serviços, além do setor primário (agricul-
tura) e setor secundário (indústria).

ESTADO E TERCEIRO SETOR


21

As proposições do Plano Diretor de Reforma do Estadoforam elaboradas pelo


Ministério da Administração e da Reforma do Estado(MARE) e aprovado em
setembro de 1995 na Câmara da Reforma do Estado. Na apresentação do docu-
mento, FHC reitera os argumentos de que a crise brasileira da última década foi
uma crise do Estado, que se desviou de suas funções básicas, do que decorre a
deterioração dos serviços públicos, mais o agravamento da crise fiscal e da infla-
ção. Trata-se, para ele, de fortalecer a ação reguladora do Estado numa economia
de mercado, especialmente os serviços básicos e de cunho social.
O Estado brasileiro é caracterizado como rígido, lento, ineficiente e sem
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

memória administrativa. A “reforma” passaria por transferir para o setor privado


atividades que podem ser controladas pelo mercado, a exemplo das empresas
estatais. Outra forma é a descentralização para o “setor público não estatal”, de
serviços que não envolvem o exercício do poder de Estado, mas devem, para
os autores, ser subsidiados por ele, como: educação, saúde, cultura e pesquisa
científica.
Trata-se da produção de serviços competitivos ou não exclusivos do Estado,
estabelecendo-se parcerias com a sociedade para o financiamento e controle
social dessa execução. O Estado reduz a prestação direta de serviços mantendo-
-se como regulador e provedor. Reforça-se a governança por meio da transição
de um tipo rígido e ineficiente de administração pública para a administração
gerencial, flexível e eficiente.
Esse conjunto, caracterizado pela união de cidadãos que se constituem
em entidades de direito privado, é representado pela Sociedade Civil
que atua na esfera pública não estatal, organizada com o  objetivo de
conquistar soluções próprias para atender suas necessidades e seus
problemas, fora da lógica do Estado e do Mercado. Os recursos, qua-
se sempre tem origem em doações e patrocínios de particulares, e em
auxílios, subvenções e transferências voluntárias por parte do poder
público, além de atividades industriais, comerciais e de serviços que
possam vir a executar (NOSSA CAUSA, online).

Reforma do Estado e o Terceiro Setor


I

O conceito de ideologia utilizado neste trabalho é o proposto por Mészá-


ros: “... a ideologia não é ilusão nem superstição religiosa de indivíduos mal
orientados, mas uma forma específica de consciência social, materialmente
ancorada e sustentada. (...) Assim, as ideologias conflitantes de qualquer pe-
ríodo histórico constituem a consciência prática necessária através da qual
as principais classes da sociedade se relacionam e até, de certa forma, se
confrontam abertamente, articulando sua visão de ordem oscila, correta e
apropriada como um todo abrangente”.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Fonte:Mészaros (1996, p. 22-23).

As estratégias de reforma do Estado no Brasil de acordo com o Plano eram:

• Transformação de uma organização estatal em uma


Privatização organização de direito privado, pública, não-estatal.

• Consiste na transferência para o setor público não estatal


Publicização dos serviços sociais e científicos que o Estado presta.

• Processo de transferência para o setor privado dos


Tercerização serviços auxiliares e de apoio.

Figura 1: elaborado pelo autor, baseada em PEREIRA (1997, p.07-08).

De acordo com Silva (2004, p.142, grifo do autor)


Observa-se um hibridismo nas relações entre público e provado ou,
em termos mais precisos, entre o estatal e o privado de interesse públi-
co. No caso das OS [organizações sociais], o instrumento firmado é o
contrato de gestão, pelo qual o poder público repassa para a iniciativa
privada determinados recursos, configurando um parcial processo de
privatização. Ainda que de forma híbrida, combinando o estatal e o pri-
vado na prestação de serviços de interesse público. No terceiros setor, o
instrumento é o termo de parceria, que corresponde, com as mudanças
adiante tratadas, aos convênios há muito tempo firmados entre órgãos

ESTADO E TERCEIRO SETOR


23

do poder público e organizações privadas, laicas ou confessionais, na


prestação de serviços, como os do âmbito de assistência social. No caso
das organizações filantrópicas, há o certificado de entidade filantrópica,
emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social.

Nesse processo de transformações fica exposto que:


Quanto às organizações sociais, conforme previsto no projeto de refor-
ma do Estado, instituições públicas podem se converter em organiza-
ções sociais, passando a atuar como organizações privadas, sem fins
lucrativos. Uma parte dos recursos é proveniente do orçamento, outra
parte pode ser captada no mercado com venda de serviços. Assim, no
âmbito da saúde, uma OS [organização social] pode vender serviços
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ao SUS [Sistema único de Saúde], aos Planos de Saúde e a pacientes


particulares. (SILVA, 2004, p. 142)

Logo, podemos ver em alguns estudos acerca das organizações sociais que estas
[...] constituem estratégia de privatização, pelo repasse de recursos pú-
blicos a instituições privadas, pela possibilidade de contratação de ser-
vidores sem concurso público e pela desobrigação de cumprimento da
Lei de Licitações, aplicável aos órgãos públicos (SILVA, 2004, p.143).

Antes de avançarmos na nossa reflexão, sugiro a leitura do texto complementar


acerca da Reforma Gerencial de 1995, que se encontra no final desta Unidade, pois
é uma maneira de sintetizar e consolidar as informações até aqui apresentadas.

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

O que são as organizações sociais? São entidades públicas não estatais, ou seja, que
atuam fora do aparelho do governo, possuem personalidade jurídica de direito
privado e sem fins lucrativos, são destinadas, a absorver, mediante qualificação,
alguns serviços não exclusivos do governo (serviços prestados simultaneamente
pelo público, por organizações públicas não estatais e entidades privadas) voltados
especificamente a atividades de cunho social – que envolvem direitos humanos
fundamentais. São entes de cooperação com a administração pública que estabe-
lecem parcerias para a implementação das políticas estabelecidas pelo governo.

Organizações Sociais
I

Devido a sua finalidade não lucrativa, as organizações sociais têm obrigato-


riedade de investimento de seus excedentes financeiros no desenvolvimento de
suas atividades. Por integrarem a administração pública, apresenta, por agilidade
de ação, uma vez que não se sujeitam ao corpo de normas públicas.
As organizações sociais são dirigidas por uma diretoria e têm como delibe-
ração superior um conselho de administração compostos por representantes do
poder público e de entidades representativas da sociedade civil por pessoas de
reconhecida capacidade profissional na área e por outros membros indicados
pelo conselho. Essa composição determina o controle social, ou seja, a parti-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
cipação da comunidade na gestão de um organismo público responsável pela
prestação de serviços sociais.
As organizações Sociais possuem como finalidade obter maior qualidade na
prestação de serviços não exclusivos do poder público, por meio da otimiza-
ção dos recursos, enfatizando os seus resultados e a satisfação do cidadão-cliente
mediante maior controle social.
De fato o que podemos constatar é que o controle social vem à tona, impri-
mindo, assim, as mais diversas formas de organização da sociedade.
Não há estágio democrático, mas há processo democrático pelo qual a
vontade de maioria ou a vontade geral vai assegurando o controle sobre
os interesses da administração pública. (...) Qualquer conceito de de-
mocracia, e há vários deles, importa em grau crescente de coletivização
das decisões (VIEIRA, 1998, p. 12).

As organizações sociais atuam em diferentes áreas: social, cultural, esportiva,


ambiental, educacional, saúde, desenvolvimento tecnológico e científico etc.
O governo tende a reduzir o seu papel enquanto executor ou prestador
direto das atividades não exclusivas e a assumir o papel de regulador, provedor
e promotor. Como promotor desses serviços, o governo continua a subsidiá-los
(por meio da cessão de recursos, instalações e equipamentos), passando a con-
trolar os resultados e não mais o processo.
As áreas em que as organizações sociais atuam continuam sob o controle
estratégico do poder público e não envolvem o Poder de Estado. O atendimento
em unidades e postos de saúde, o atendimento em centros municipais de edu-
cação infantil, a fiscalização e a cobrança de tributos municipais, a regulação da

ESTADO E TERCEIRO SETOR


25

ação pública e o ensino básico ministrado nas escolas municipais não são obje-
tos de transferência para as organizações sociais.
As entidades não nascem organizações sociais. Elas são qualificadas como
tal pelo município, após o cumprimento de requisitos fixados em lei, dentre os
quais, constam: finalidade não lucrativa, reversão do seu patrimônio ao patri-
mônio do município ou outra organização social que atue no caso de extinção
ou desqualificação, previsão da participação do Conselho da Administração de
membros do poder público e da comunidade de notória capacidade profissio-
nal, obrigatoriedade de publicação de seus relatórios financeiros e de execução
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

do Contrato de Gestão e, ainda, ter recebido parecer favorável à sua qualifica-


ção do titular órgão público correspondente a seu objeto social.
O mecanismo de controle das organizações sociais é o contrato de gestão,
instrumento efetivo do controle de resultados das ações das organizações sociais.
Dele constam: programa de trabalho, objetivos e metas a serem alcançados e
prazos de execução, critérios de avaliação de desempenho, com indicadores de
qualidade e produtividade, efetiva fiscalização dos resultados pelo poder público
e compromisso do poder público no provimento dos recursos, instalações e equi-
pamentos necessários à execução de seus serviços.
Da mesma forma que uma organização é qualificada, ela pode também
ser desqualificada, isso ocorre quando há o descumprimento de dispositivos
estabelecidos no Contrato de Gestão, o poder público cancela a habilitação da
entidade como organização social. Será assim precedida de processo adminis-
trativo, devendo seus dirigentes responder individual ou solidariamente pelos
danos e prejuízos decorrentes da sua ação ou omissão.
Finalizando essa apresentação, pode-se dizer que as organizações sociais
são entes de cooperação com o setor público e estabelecem parcerias para a rea-
lização de determinadas atividades de interesse coletivo, visando à obtenção de
melhores resultados.
As organizações sociais não são uma forma de privatização, uma vez que o
Estado não transfere domínio das suas atividades. Toda privatização pressupõe
lucro. Nesse sentido, as organizações sociais se contrapõem a essa ideia, visto
terem fins não lucrativos, objetivos claramente fundamentados em interesse cole-
tivo e social e sua qualificação é reversível a qualquer momento.

Organizações Sociais
I

ORGANIZAÇÕES DA
ORGANIZAÇÕES ORGANIZAÇÕES SOCIEDADE CIVIL DE
SOCIAIS FILANTRÓPICAS INTERESSE PÚBLICO
(TERCEIRO SETOR)
Lei nº 9.637 de Lei nº 9.732 de Lei nº 9.790 de 23/03/1999
15/05/1998 11/12/1998

Pessoa Jurídica Privada Pessoa Jurídica Privada Pessoa Jurídica Privada


sem fins lucrativos sem fins lucrativos sem fins lucrativos

Ensino Assistência Social benefi- Assistência social

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Pesquisa científica cente e gratuita a pessoas Cultura
carentes, especialmente
Desenvolvimento Tec- Educação gratuita
crianças, idosos e pessoas
nológico Saúde gratuita
com deficiência.
Proteção e preservação Segurança alimentar
Prestação de Serviços de
do meio ambiente
pelo menos 60% ao SUS. Meio ambiente
Cultura
Oferta de vagas inte- Desenvolvimento
Saúde gralmente gratuitas a sustentável
carentes por entidades Voluntariado
educacionais. Combate à pobreza
Atendimento à saúde “de Novos modelos de
caráter assistencial”. produção, comércio,
emprego e crédito.
Promoção de direitos
humanos, democracia e
outros valores universais.
Estudos e pesquisa
Tecnologias alternativas

Contrato de gestão Certificado de Entidade Termo de Parceria


Ênfase no atendimento Filantrópica Legalidade
ao cidadão-cliente Impessoalidade
Ênfase nos resultados Moralidade
qualitativos e
Publicidade
quantitativos nos
prazos pactuados Economicidade
Controle social das Eficiência
ações
Quadro 1: Elaborado por Silva (2004, p. 143)

ESTADO E TERCEIRO SETOR


27

SOCIEDADE CIVIL E CIDADANIA

Considerando a configuração da política na atualidade, conceituar sociedade


civil traz consigo uma contraposição ao Estado, pois de acordo com Bobbio,
Matteuci e Pasquino (1993), na contraposição Sociedade Civil-Estado, entende-
-se por sociedade civil a esfera das relações entre indivíduos, entre grupos, entre
classes sociais que se desenvolvem à margem das relações de poder que carac-
terizam as instituições estatais.
Ou seja, a sociedade civil diz respeito aos espaços onde as pessoas, indivi-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

dual ou organizadamente,
[...] tomam suas decisões de maneira autônoma, livre e voluntária,
atendendo aos seus próprios critérios, valores, cultura e interesses, à
margem dos limites e das prioridades do Estado.

A diferença está em que os homens na sociedade política (Estado)


estabelecem relações baseadas no exercício coercitivo de poder, as con-
tradições se resolvem com decretos ou leis que as pessoas são obrigadas
a seguir por meio da coerção pública.

Na sociedade civil, as contradições tendem a se resolver com o uso de


mecanismos, como a persuasão e a pressão; as relações não são basea-
das na coerção, mas tendem à hegemonia e ao consenso (DIAS, 2005,
p.123).

Caro(a) aluno(a), creio que você conseguiu visualizar essa explanação no seu
cotidiano, se buscarmos fatos e relatos vivenciados pela nossa sociedade e, pes-
soalmente, por você e por mim conseguiremos perceber essa clara contraposição.
Sintetizando, sociedade civil
[...] é onde ocorrem os problemas econômicos, ideológicos, sociais e
religiosos que o Estado tem a seu cargo resolver, intervindo como me-
diador ou eliminando-os. É na sociedade civil que as forças sociais se
organizam, se associam e se mobilizam (DIAS, 2005, p.123).

Sociedade Civil e Cidadania


I

Quem pertence à sociedade civil e à sociedade política?

SOCIEDADE POLÍTICA
SOCIEDADE CIVIL
ESTADO
Sindicatos Câmaras Municipais
Agremiações Estudantis Prefeituras
OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Assembleias Legislativas
ABI (Associação Brasileira de Imprensa) Partidos Políticos
Associações Profissionais Exército

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Sociedade de Amigos de Bairro (SAB) Marinha
Instituições Religiosas Aeronáutica
Instituições Econômicas (empresas, Polícia Militar
bancos etc.) Polícia Civil
Movimentos Sociais Autarquias (municipal, estadual, federal)
Organizações Não-Governamentais Empresas Públicas
Entre outros...
Tabela 1: Elaborada pelo autor, baseada em Dias (2005, p.123)

É válido citar que alguns autores classificam os partidos políticos na categoria


sociedades políticas, pois exercem:
[...] uma função explícita de articular demandas da sociedade civil.
Nesse sentido, sua atuação tem por objetivo canalizar as reivindicações
ao Estado por meio dos seus representantes, que estão no Congresso,
nas Câmaras de Vereadores ou nas Assembleias Estaduais (DIAS, 2005,
p.123)

Sobre o entendimento do que é e do que significa sociedade civil nesse contexto


capitalista, temos ainda a contribuição de Ellen Wood:
‘Sociedade Civil’ constitui não somente uma relação inteiramente nova
entre o ‘público’ e o ‘privado’, mas um reino privado inteiramente novo
[...]. Ela gera uma nova divisão do trabalho entre a esfera pública do
estado e a esfera privada da propriedade capitalista e do imperativo de
mercado, em que a apropriação, exploração e dominação se desligam
da autoridade pública e da responsabilidade social – enquanto esses
novos poderes privados dependem da sustentação do estado por meio
de um poder de imposição mais concentrado do que qualquer outro
que tenha existido anteriormente.

ESTADO E TERCEIRO SETOR


29

A sociedade civil deu à propriedade privada e a seus donos do poder de


comando sobre as pessoas e sua vida diária, um poder reforçado pelo
Estado, mas isento de responsabilidade, que teria feito a inveja de mui-
tos Estados tirânicos do passado (WOOD, 2003, p. 217, 218).

A autora destaca ainda a sua visão crítica acerca da sociedade civil:


A separação entre Estado e sociedade civil no Ocidente certamente ge-
rou as novas formas de liberdade e igualdade, mas também criou novos
modos de dominação e coerção. Uma das maneiras de se caracterizar
a especificidade da ‘sociedade civil’ como uma forma social particu-
lar única no mundo moderno – as condições históricas particulares
que tornaram possível a distinção moderna entre estado e sociedade
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

civil - é dizer que ela constitui uma nova forma de poder social, em
que muitas formas coercitivas que pertenceram antes ao estado foram
deslocadas para a esfera ‘privada’, a propriedade privada, a exploração
de classe e os imperativos do mercado. Em certo sentido, trata-se da
privatização do poder público que criou o mundo historicamente novo
da ‘sociedade civil’ (WOOD, 2003, p. 217).

Em muitos dos conceitos do Terceiro Setor aparece a palavra sociedade civil,


logo, é importante que saibamos o que ela significa, para que fique claro ao ana-
lisarmos tais definições. Para fins dessa exposição, vamos considerar “sociedade
civil” aquela compreendida fora do aparato estatal, embora mantenha relação
indissociável com o Estado, à medida que o institui, o legitima e o mantém.
Coutinho (2003, p. 129) conclui que a Sociedade Civil amplia o conceito do
que venha a ser o Estado e ela (sociedade civil)
[...] é formada precisamente pelo conjunto das organizações respon-
sáveis pela elaboração e/ou difusão das ideologias, compreendendo o
sistema escolar, as igrejas, os partidos políticos, os sindicatos, as orga-
nizações profissionais, a organização material da cultura (...) etc.

Logo, é possível afirmar que o Terceiro Setor está situado junto à Sociedade Civil
e pertence a ela. E, sob tal funcionalidade, no entanto, a concepção de Sociedade
Civil é maior do que o lócus do Terceiro Setor, compreendendo outros aspectos e
organismos que não encontram amparo dentro de suas definições. A Sociedade
Civil é, então, o terreno fértil dentro da superestrutura chamada Estado, da qual
se distingue pela sua base material e formas de atuação.
A proposta deste tópico é contextualizar você acerca dos conceitos de socie-
dade civil e cidadania, visto o primeiro item, vamos agora para o que se entende
por cidadania, ok?

Sociedade Civil e Cidadania


I

A questão da cidadania também nos remete ao conceito de sociedade civil,


pois civil implica que a sociedade é formada de cidadãos a quem são atribuí-
dos direitos e deveres; são direitos civis, direitos políticos e direitos sociais.
Os direitos acima citados são apresentados a partir dos estudos de T.H.
Marshall que procurou estabelecer a extensão da cidadania “que o cidadão pos-
sui quanto à efetivação de cada direito no seu cotidiano” (DIAS, 2005, 124).

A QUE SE REFERE
DIREITOS

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Este elemento é composto dos direitos necessários à liber-
dade individual, como liberdade de ir e vir, liberdade de
imprensa, de pensamento e religiosa, o direito à proprie-
DIREITOS CIVIS
dade, o de estabelecer contratos e o direito à justiça. As
instituições mais intimamente ligadas aos direitos civis são
os Tribunais de Justiça.
Este elemento diz respeito à participação no exercício do
poder – o direito de votar e de ser votado. São instituições
DIREITOS POLÍTICOS
correspondentes aos direitos políticos, o Parlamento e as
instituições de governo.
O elemento social da cidadania se refere a tudo o que vai
desde um mínimo de bem-estar econômico e segurança
até o direito de levar a vida de acordo com os padrões que
DIREITOS SOCIAIS
prevalecem na sociedade. As instituições mais ligadas a
este elemento social são o sistema educacional e os servi-
ços sociais.

Quadro 2: Elaborado pelo autor, adaptado de Dias (2005, p.124).

Logo, a partir da Constituição de 1988, temos a ampliação dos direitos sociais.


Nesse momento surge, por exemplo, a noção de direito ao ambiente ecologica-
mente equilibrado.
Mais um ponto é importante ressaltar:
[...] essa inserção legal de novos direitos, não assegura que os cidadãos
desses países gozem esses direitos. Na prática, a cidadania implica só
na luta para a conquista desses direitos, mas também luta permanente
para o gozo desses direitos. Poderíamos falar em cidadania ativa, com-
preendendo os cidadãos que têm consciência da existência dos direitos
e que exigem exercitá-los em sua plenitude (DIAS, 2005, p.124).

ESTADO E TERCEIRO SETOR


31

Ao ver a citação acima, você pode estar se perguntando: como então é possível a
conquista e garantia dos direitos? Como ele se efetiva?A propósito disso, sugiro
a leitura e análise do exposto abaixo:
Na prática, a conquista e a garantia dos direitos da cidadania implicam
a existência de uma sociedade integralmente democrática, que pos-
sibilite a ação de seus cidadãos em permanente atuação perante o
Estado, o qual deve assegurar os direitos fundamentais do cidadão. Só
desse modo pode se efetivar os direitos da cidadania: ao se garantir um
fluxo permanente de novas exigências que a sociedade coloca diante do
poder público, e este, por meio da lei, a incorporação de novos direitos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e, por meio da execução de seus serviços, o efetivo exercício do direito


assegurado legalmente (DIAS, 2005, p.125, grifo nosso).

Pois bem, com esse entendimento podemos dar prosseguimento ao nosso estudo,
sendo assim, a concepção de cidadania:
A palavra ‘cidadania’ originalmente definia a condição daqueles que
viviam nas cidades europeias até o início dos tempos modernos; e limi-
tavam-se às cidades ou aos burgos o reconhecimento de direitos civis e
a sua consagração em documentos escritos (constituições), pois era aí
que se encontravam as forças sociais mais diretamente interessadas na
individualização e na codificação uniforme desses direitos: a burguesia
e a economia capitalista (DIAS, 2005, p.123).

Já no contexto mais atual e moderno, temos o entendimento acerca de cidada-


nia, como se pode ver abaixo:
No sentido mais moderno ‘cidadania’ se refere à condição de um indi-
víduo como membro de um Estado e portador de direitos e obrigações.
Em decorrência, ‘cidadão’ é a condição de um homem livre, portador
de direitos e obrigações, assegurados em lei (DIAS, 2005, 124).

Para finalizarmos, segue uma síntese acerca da evolução da sociedade civil:

Sociedade Civil e Cidadania


I

Sécs. • Religiosas / confessionais / assistenciais


XIX - XX

• Sindicalismo / partidarismo / corporativismo


50’s - 60’s

• ONGs internacionais / movimentos populares


70’s

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
• Atuação em redes / associações
80’s

• Redemocratização / iniciativa privada / 3º setor


90’s

Figura 2: Sociedade Civil e Cidadania


Fonte: CRA- SP Conselho Regional de Administração

É ainda importante observar que as mudanças são constantes, você conseguiu


perceber? Forma de pensar, de agir, de se organizar, assim trago para você mais
uma ferramenta (esquema) para lhe auxiliar nos estudos, observe e leia com
atenção o que mudou nesse tempo:

ASSISTENCIALISMO / CARIDADE CIDADANIA / DIREITOS


Caridade privada Responsabilidade Pública
Voluntário Obrigatório
Bem-estar, donativos, caridade Cidadania / Direitos: Exigibilidade
Prover bem-estar Fortalecer, “empoderar”
Crianças ajudadas Crianças estimuladas a ajudar
Voltado para os sintomas Voltado para as causas
Objetivos parciais Objetivos plenos
Projetos Específicos Abordagem Holística

ESTADO E TERCEIRO SETOR


33

Hierarquização Indivisibilidade, interdependência


Necessidades variam Direitos são universais
Curto prazo Também, médio e longo prazos
Responsáveis difusos Obrigações legais e morais

Quadro 3: Assistencialismo X Cidadania


Fonte: CRA-SP Conselho Regional de Administração de São Paulo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em nosso país, se observarmos o processo histórico, fica claro que a participa-


ção da sociedade não foi efetiva para a sua consolidação, assim como a nossa
experiência democrática é ainda bem recente enquanto em muitos outros paí-
ses do mundo a sociedade, de forma organizada, pedia o investimento nas
políticas sociais, com vistas a sanar as expressões da questão social. Consta nos
registros históricos a luta da sociedade pelos seus direitos. O cidadão não pode-
ria ser responsabilizado pela má administração do governo por meio dos seus
representantes.
Com o Plano de Reforma do Estado, várias leituras foram realizadas: uns
dizendo que essa é uma estratégia para a minimização do Estado, pois ele se reti-
rava, transferindo para a sociedade civil organizada as suas responsabilidades
na resolução dos problemas sociais, outros entendem a possibilidade de com-
plementaridade nas tentativas de sanar os problemas sociais.
Esse processo não pode ser entendido como medidor de forças entre a socie-
dade civil e o Estado, não se trata de saber quem é mais eficiente, trata-se de um
esforço conjunto, transparente e eficaz no enfrentamento dos mais diversos pro-
blemas enfrentados em qualquer sociedade deste planeta.
O Terceiro Setor vem lotado de relevância social, agindo no espaço entre
Estado e Mercado, surge como um espaço privilegiado de participação e a nova
possibilidade de exercitar novas estratégias de ação na sociedade, uma nova

Considerações Finais
I

forma de fazer e existir, rompendo a dicotomia público X privado, em que cada


um atua somente na esfera que lhe diz respeito.
Não estamos dizendo aqui que o Terceiro Setor está acima do primeiro ou
do segundo, ou que ele seja o salvador de todos os problemas sociais, ou ainda
que seja a muleta do Estado, o Terceiro Setor é compreendido como um setor
intermediário entre os dois setores.
Percebemos, ao longo desta unidade, que com a reforma busca-se atingir
um nível de qualidade na prestação dos serviços ao cidadão. Vimos ainda que
o caminho percorrido pelo Estado e a sua configuração são frutos da necessi-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
dade de organização da sociedade, contudo ele não é capaz de mantê-la sozinho.
Toda mudança em sua configuração gera questionamentos, críticas e resistências,
comum em se tratando do Estado que também é operacionalizado por pessoas.
O surgimento do Terceiro Setor vai se configurando gradativamente e assim
consolida-se como um setor forte e contributivo socialmente.
As organizações sociais surgem não como uma forma de privatização, pois
o Estado não transfere o domínio das suas atividades, até porque a privatização
pressupõe lucro, nesse sentido, as organizações sociais se contrapõem a ideia
de privatização, pois não visam lucro, e seus objetivos estão fundamentados no
interesse coletivo e social e a sua qualificação é reversível a qualquer momento.
Parabéns! Conseguimos concluir a unidade I, porém, você precisa ter em
mente que as unidades não são elaboradas de forma isoladas, dessa maneira, você
deve concluir as demais unidades articuladamente, o conhecimento de uma uni-
dade contribui para o entendimento da próxima, conto com você, bons estudos!

ESTADO E TERCEIRO SETOR


35

1. O Plano Diretor apresenta uma divisão da estrutura do aparelho do Estado,


cite-as.
2. A qual dos itens apresentados na divisão da estrutura do aparelho do Estado
está ligado o Terceiro Setor?
3. Qual o objetivo da Reforma do Aparelho do Estado?
4. Dizer Terceiro Setor e Setor Terciário é a mesma coisa? Explique.
5. Como podemos conceituar sociedade civil?
6. Como podemos conceituar cidadania?
7. O que são as organizações sociais?
8. Preencha as lacunas identificando SC para exemplos de sociedade civil e SP para
sociedade política.
( ) Sindicatos, Agremiações Estudantis
( ) Partidos Políticos
( ) Polícia Militar
( ) Movimentos Sociais
( ) Sociedade de Amigos de Bairro (SAB)
( ) Exército
( ) ABI (Associação Brasileira de Imprensa)
( ) Associações Profissionais
( ) Autarquias (municipal, estadual, federal)
( ) Instituições Religiosas
( ) Aeronáutica
( ) Empresas Públicas
( ) Instituições Econômicas (empresas, bancos)
( ) Organizações Não-Governamentais
( ) Câmaras Municipais, Prefeituras
( ) Marinha
( ) Polícia Civil
9. Cite três novos conhecimentos/informações que você adquiriu nesta Unidade.
QUANDO O ESTADO FRACASSA
Por que ocorreu agora esse florescimento de atividade no Terceiro Setor? Quatro
crises e duas mudanças revolucionárias convergiram, tanto para limitar o poder do
Estado quanto para abrir o caminho para esse aumento na ação voluntaria organi-
zada.
O primeiro desses impulsos é a percebida crise do moderno welfarestate. Ao lon-
go da última década, o sistema de proteção governamental aos idosos e aos eco-
nomicamente desafortunados, que se havia moldado nos anos 50 no Ocidente de-
senvolvido, deixa de funcionar. O reduzido ritmo de crescimento econômico global
dos anos 70 ajudou a impulsionar a crença de que o gasto social, que havia crescido
substancialmente nas décadas anteriores, estava tomando o lugar do investimento
privado. Essa convicção converge com aquela de que um governo sobrecarregado
e superburocratizado não seria capaz de realizar as amplas e diversificadas tarefas
sociais que lhe estavam sendo designadas. Além disso, a política do welfarestate ge-
rou pressões para expandir os serviços governamentais, com seus gastos superando
a disposição dos contribuintes em pagar por tais serviços. Mais do que simplesmen-
te proteger os cidadãos dos riscos, o welfarestate estava, na opinião de vários políti-
cos e analistas, reprimindo a iniciativa, absolvendo as pessoas da responsabilidade
individual e estimulando a dependência da população em relação ao Estado.
Acompanhando a crise do welfarestate está a crise de desenvolvimento. Os cho-
ques do petróleo dos anos 70 e a recessão do início da década de 80 mudaram, radi-
calmente, as perspectivas para os países em desenvolvimento. Na África sub-Saara,
na Ásia Ocidental e em partes da América Latina, rendas médias per capita começa-
ram a cair. De fato, o desempenho econômico nas partes menos desenvolvidas des-
sas regiões caiu tão vertiginosamente que, dadas as suas altas taxas de crescimento
populacional, a renda média por pessoa em 1990 situava-se 5% abaixo do que havia
sido duas décadas antes. Apesar do progresso em alguns lugares – notavelmente a
borda do Pacífico e partes da América Latina - , os problemas de desenvolvimento
tornaram-se tão dramáticos que uma em cada cinco pessoas no mundo vive em
condições de pobreza absoluta.
Essas realidades desanimadoras estimularam o repensar dos requisitos para o pro-
gresso econômico. Um dos resultados tem sido o renovado interesse na autoajuda
ou no desenvolvimento participativo, uma estratégia de auxílio que enfatiza o en-
gajamento da energia e do entusiasmo das classes populares por meio de variedade
de organizações não-governamentais. Ao tornar os pobres participantes ativos em
projetos de desenvolvimento, essa abordagem alcançou significativos ganhos de
produtividade, ao mesmo tempo em que evitava as fragilidades encontradas em
muitos lugares nas instituições estatais. o resultado é um crescente consenso a res-
peito das limitações do Estado como agente de desenvolvimento e das vantagens
do envolvimento das instituições do Terceiro Setor para superar essa deficiência.
37

Uma crise ambiental global também estimulou muitas iniciativas privadas, preocupa-
das com as consequências da pobreza contínua e crescente dos países em desenvolvi-
mento, levando-os a destruir o meio ambiente e os recursos naturais para resolver a so-
brevivência imediata. Somados aos padrões de desperdício, de abuso e desatenção dos
países ricos, esse quadro resultou em séria degradação ambiental. Entre 1950 e 1983,
38% das florestas da América Central e 24% das florestas africanas desapareceram e o
ritmo desse declínio acelerou-se no início dos anos 80. A excessiva exploração agora
ameaça transformar em deserto dois quintos da terra não-desertificada na África, um
terço da Ásia e um quinto da América Latina. Em algumas áreas, como na Europa Central
e na Europa Oriental, chuva ácida e poluição do ar e da água ameaçavam suprimentos
alimentares, reduzindo significativamente a expectativa de vida.
À medida que esses e outros aspectos da crise ambiental se fizeram aparentes, cidadãos
tornaram-se crescentemente frustrados com o governo e ávidos por organizar suas pró-
prias iniciativas. O impressionante crescimento de partidos Verdes na Europa Ocidental é
um sinal dessa reação; da mesma forma, a degradação ambiental foi uma das principais
motivações para o surgimento de um setor sem fins lucrativos embrionários na Europa
Oriental, com clubes ecologistas na Polônia, na Hungria, na Rússia e na República Checa.
Finalmente uma quarta crise – a do socialismo - também contribuiu para o crescimen-
to do Terceiro Setor. Embora a promessa do socialismo estivesse sob suspeita há muito
tempo, a substituição do crescimento econômico retardatário por recessão na década
de 70 ajudou a destruir a legitimidade que o sistema comunista ainda detinha. Esse
fracasso conduziu à busca de novas formas de satisfazer necessidades sociais e econô-
micas, o que estimulou a criação de empreendimentos cooperativos orientados para o
mercado e de um conjunto de organizações não governamentais que oferecem serviços
e veículos para a expressão individual, desvinculados de um Estado crescentemente de-
sacreditado.
Além dessas quatro crises, dois movimentos de mudanças estruturais também expli-
cam o recente crescimento das organizações do Terceiro Setor. O primeiro é a dramática
revolução nas comunicações ocorrida durante os anos 70 e 80. A invenção e ampla
disseminação de computador, cabo de fibra óptica, fax, televisores e satélites abriram,
mesmo às regiões mais remotas do mundo, as conexões de comunicação necessárias
à organização de massa e à ação coordenada. Além disso, esse desenvolvimento foi
acompanhado por significativo incremento das taxas de alfabetização e educação.
No mundo em desenvolvimento, as taxas de alfabetização de adultos, aumentaram de
43% para 60%, entre 1960 a 1985; considerando-se apenas a população masculina, o
crescimento foi de 71%.
A expansão combinada de alfabetização e comunicação tornou mais fácil às pessoas
organizarem-se e mobilizarem-se. Comunicações entre capitais e regiões remotas, que
antes levavam dias, agora levam apenas alguns minutos. Regimes autoritários, que con-
trolavam suas redes de comunicação com sucesso, tornaram-se incapazes de impedir o
fluxo de informação por meio de antenas parabólicas e fax. Militantes isolados podem
mais facilmente fortalecer sua convicção, trocar experiências e manter conexões com
colegas simpatizantes em seus próprios países e no exterior.
O último fator crítico para o crescimento do Terceiro Setor foi o crescimento econômico
considerável ocorrido durante os anos de 60 e início da década de 70 e consequente
mudança social acionada por ele. Durante esse período, a economia mundial cresceu à
taxa de 5% a ano, com todas as regiões compartilhando essa expansão. De fato, a taxa
de crescimento da Europa Oriental, da União Soviética e dos países em desenvolvimen-
to superou aquelas das economias industriais de mercado. Esse crescimento não so-
mente permitiu a melhoria material e engendrou várias novas expectativas populares,
mas também ajudou a criar, na América Latina, na Ásia e na África, considerável classe
média urbana cuja liderança foi essencial para a emergência de organizações privadas
sem fins lucrativos. Portanto, se a crise econômica, em ultima instância, levou a classe
média à ação,o crescimento econômico prévio criou a classe média que se organizaria
para reagir.
Fonte: Salamon (1998, p.4-5)
39

REFORMA GERENCIAL DE 1995


Em 1995 teve início no Brasil a Reforma da Gestão Pública ou reforma gerencial do Esta-
do com a publicação, nesse ano, do Plano Diretor da Reforma do Estado e o envio para
o Congresso Nacional da emenda da administração pública que se transformaria, em
1998, na Emenda 19. Nos primeiros quatro anos do governo Fernando Henrique, en-
quanto Luiz Carlos Bresser Pereira foi o ministro, a reforma foi executada ao nível federal,
no MARE - Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado. Com a extinção do
MARE, por sugestão do próprio ministro no final desse período, a gestão passou para o
Ministério do Planejamento e Gestão, ao mesmo tempo em que os estados e municípios
passavam também a fazer suas próprias reformas.
O Brasil, ao iniciar em 1995 sua reforma da gestão pública, foi o primeiro país em desen-
volvimento que tomou essa iniciativa, menos de dez anos depois que Inglaterra, Austrá-
lia e Nova Zelândia iniciaram suas reformas. Desde então, a Reforma da Gestão Pública
de 1995 vem avançando no país, principalmente ao nível dos estados e municípios. A
reforma da gestão pública é historicamente a segunda reforma administrativa relevante
do Estado moderno, mais cedo ou mais tarde ela ocorrerá em todos os países. E, uma vez
iniciada, não há alternativa senão prosseguir.
O objetivo da Reforma da Gestão Pública de 1995 é contribuir para a formação no Brasil
de um aparelho de Estado forte e eficiente. Ela compreende três dimensões: a) uma
dimensão institucional-legal, voltada à descentralização da estrutura organizacional do
aparelho do Estado por meio da criação de novos formatos organizacionais, como as
agências executivas, regulatórias, e as organizações sociais; b) uma dimensão gestão,
definida pela maior autonomia e a introdução de três novas formas de responsabiliza-
ção dos gestores – a administração por resultados, a competição administrada por exce-
lência, e o controle social – em substituição parcial dos regulamentos rígidos, da super-
visão e da auditoria, que caracterizam a administração burocrática; e c) uma dimensão
cultural, de mudança de mentalidade, visando passar da desconfiança generalizada que
caracteriza a administração burocrática para uma confiança maior, ainda que limitada,
própria da administração gerencial.
Um dos princípios fundamentais da Reforma de 1995 é o de que o Estado, embora con-
servando e ampliando sua ação na área social, só deve executar diretamente as tarefas
que são exclusivas de Estado, que envolvem o emprego do poder de Estado, ou que
apliquem os recursos do Estado. Entre as tarefas exclusivas de Estado devem-se distin-
guir as tarefas centralizadas de formulação e controle das políticas públicas e da lei, a
serem executadas por secretarias ou departamentos do Estado, das tarefas de execução,
que devem ser descentralizadas para agências executivas e agências reguladoras autô-
nomas. Todos os demais serviços que a sociedade decide prover com os recursos dos
impostos não devem ser realizados no âmbito da organização do Estado, por servidores
públicos, mas devem ser contratados com terceiros. Os serviços sociais e científicos, para
os quais os respectivos mercados são particularmente imperfeitos, já que neles impera a
assimetria de informações, devem ser contratados com organizações públicas não esta-
tais de serviço, as ‘organizações sociais’, enquanto que os demais podem ser contratados
com empresas privadas. As três formas gerenciais de controle – controle social, contro-
le de resultados e competição administrada – devem ser aplicadas tanto às agências,
quanto às organizações sociais.
A Reforma da Gestão Pública de 1995-98 não subestimou os elementos patrimonialis-
tas e clientelistas ainda EXISTENTES em um Estado como o brasileiro, mas, ao invés de
continuar se preocupando exclusivamente com eles, como fazia a reforma burocrática
desde que foi iniciada nos anos 1930, avançou na direção de uma administração mais
autônoma e mais responsabilizada perante a sociedade. Seu pressuposto é de que a
melhor forma de lutar contra o clientelismo e outras formas de captura do Estado é dar
um passo adiante e tornar o Estado mais eficiente e mais moderno. Embora enfrentando
paralisações previsíveis, a Reforma da Gestão Pública de 1995 está sendo bem sucedida
em tornar gerencial o Estado brasileiro. Sua implementação deverá durar muitos anos
como nos outros países duraram as reformas burocráticas.
Fonte: Reforma Gerencial de 1995: Disponível em: <http://www.bresserpereira.org.br/
rgp.asp>. Acesso em: 10 fev. 2015.
MATERIAL COMPLEMENTAR

Livro: Reforma do Estado e Administração Pública


Gerencial.
Luiz Carlos Bresser-Pereira e Peter Spink.
Editora Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 1998
Sinopse: Reunindo uma série de trabalhos sobre o problema da
reconstrução do Estado e da reforma de seu serviço civil, os autores
deste livro mostram a necessidade de se aprofundar um agir
consciente e eficaz na área pública. Eles partem de uma hipótese
básica: configura-se um marco teórico e uma nova prática para a
administração pública - a abordagem “gerencial”, que substitui a
perspectiva “burocrática” anterior.

Livro: Privado porém Público –O Terceiro Setor na


América Latina
Rubem César Fernandes
Editora: Relume Dumará, Rio de Janeiro:1996.
Sinopse: O livro apresenta ambiciosa mensagem: surge no mundo
um “terceiro setor”. Não governamental, não lucrativo, é, no
entanto organizado, independente, complexo e mutante; mobiliza
os recursos e os vínculos de solidariedade que dão sentido plural
e ativo à cidadania. Sua emergência implica mudanças gerais nos
modos de agir e de pensar. As relações entre Estado e mercado, que
têm dominado a cena pública, também estão sendo transformadas
pela presença desse terceiro setor.

Material Complementar
Professora Esp. Daniela Sikorski

CONCEITUANDO O

II
UNIDADE
TERCEIRO SETOR

Objetivos de Aprendizagem
■■ Conhecer o Terceiro Setor e compreender suas características.
■■ Apropriar-se dos conceitos e definições acerca do Terceiro Setor.
■■ Relacionar a História do Terceiro Setor com o contexto atual.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Conceitos e definições
■■ Composição e caracterização geral do Terceiro Setor
45

INTRODUÇÃO

Iniciando nosso estudo acerca das definições e conceitos do que venha a ser o
Terceiro Setor, é importante que tenhamos em mente o que já vimos na unidade
anterior, o entendimento da existência de um primeiro e segundo setor e a rela-
ção deste Terceiro Setor com o Estado e mercado.
Vimos na unidade anterior, a partir da crise instaurada no contexto fiscal,
bem como na fragilidade da sua capacidade de operacionalização, que o Estado
acaba abrindo uma possibilidade: a divisão das suas tarefas com a sociedade
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

civil. Vislumbra-se, então, uma “esperança” no que diz respeito a diversas alter-
nativas de enfrentamento das problemáticas sociais, ações fora do Aparelho do
Estado. Maior qualidade, efetividade e consistência.
Como vimos, o primeiro setor envolve a existência e papel do Estado, como
se organiza e as instituições que o compõem, esse setor não gera capital, e sim
bens. Já o segundo setor diz respeito ao setor produtivo, aquele que gera riqueza.
E, por fim, o terceiro setor (sem fins lucrativos) que se apresenta como um
ator entre os dois primeiros.
Assim exposto, entende-se que o capital maior do terceiro setor é o “capi-
tal humano”, o investimento no trabalho que contribui para o desenvolvimento
social. Mesmo sendo alvo de muitas críticas, por trazer reflexões acerca do
“afastamento do Estado” e das suas responsabilidades junto ao enfrentamento
das expressões da questão social em nossa sociedade, não podemos deixar de
reconhecer que o Terceiro Setor possui grande relevância no cenário político,
econômico e social na atualidade.
O Terceiro Setor está cada vez mais consolidado enquanto a sua atribuição
de garantir aos cidadãos o acesso a bens e serviços, ocupando seu lugar entre o
Primeiro Setor (Estado) e Segundo Setor (mercado), ele tem mostrado grande
desempenho.
O Terceiro Setor vem se profissionalizando e se aperfeiçoando, buscando sair
do amadorismo, demonstrando clareza quanto ao entendimento acerca do papel
do Estado como principal responsável por implementar as políticas sociais que
visam o enfrentamento das questões sociais e suas expressões.
Para que possamos nos aprofundar no entendimento deste setor (terceiro),

Introdução
II

veremos como diversos autores e estudiosos conceituam e definem o Terceiro


Setor, como se configuram e quem hoje compõe esse setor. Não é nosso objetivo
esgotar esse estudo, para isso, precisaríamos de um material muito mais amplo,
mas, ao longo do livro, haverá sugestões de leituras complementares que pos-
sam lhe auxiliar nessa caminhada.
Vamos lá? Bom estudo e conte comigo!

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Compreender o Terceiro Setor na formação profissional é mais que necessário,


apropriar-se do seu conceito, sua origem e trajetória histórica contribui para
que o assistente social atue com segurança no mercado de trabalho, mesmo que,
em seu início, o Serviço Social tenha se mostrado resistente a sua existência. Há
muita discussão acerca da atuação do serviço social nesse setor, bem como o
papel do Estado perante ele.
Cada vez mais o Terceiro Setor vem se configurando como um grande empre-
gador para os profissionais de Serviço Social. O “setor” que antes era visto até
com “indiferença” se desmistificando e se tornando um campo fértil profissio-
nalmente. Quando se trata de gestão de políticas sociais, não podemos permitir
que se perca essa característica que nos identifica, independente da esfera em
que o profissional atue.
Dizer terceiro setor e sem fins lucrativos é a mesma coisa. Isso não quer
dizer que esse setor não trabalhe com verbas e lucros. Só que os seus
lucros não são para benefício dos fundadores, idealizadores, etc. seu
lucro dá-se em outra dimensão. Tudo o que é gerado é, ao mesmo tem-
po, utilizado para investir nos objetivos para os quais está organizada
a instituição ou para os fins que a fizeram surgir. E esses, com certeza,
não são o ganho de capital ou de lucro. Para isso existe o segundo setor
(MEISTER, 2003, p. 21).

Muitos autores e estudiosos vêm trabalhando no conceito de Terceiro Setor, apre-


sentando a estruturação em três macro setores, compreendidos isoladamente para

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


47

fins didáticos, pois a realidade precisa ser entendida como uma grande articu-
lação indissociável e interdependente.

Organizações da
Sociedade Civil
Estado Mercado que atuam sem finalidade
Primeiro Setor Segundo Setor de lucro com atuações
(esfera estatal) (esfera privada) de interesse público
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

(terceiro setor), esfera


pública não estatal.

Figura 3: Macro Setores e suas especificações


Fonte: o autor

Portanto, ao pontuarmos esses três setores de forma separada, é tão somente


para fins didáticos e de explanação, pois eles, na realidade, são profundamente
interligados e interdependentes, compondo uma realidade social dialética e em
constante processo de mudança; mudanças cada vez mais aceleradas em um
mundo contemporâneo marcado pela complexidade, incerteza e instabilidade.
De acordo com Vital Moreira (1999, p.33),“[...] trata-se de um setor inter-
mediário entre o Estado e o mercado, entre o setor público e o privado, que
compartilha de alguns traços de cada um deles” conforme podemos observar
no esquema abaixo:

ESTADO ESTADO PÚBLICO


SOCIEDADE TERCEIRO SETOR PÚBLICO
SOCIEDADE MERCADO PRIVADO

Quadro 4: Terceiro Setor

De acordo com Costa (2003), o fato de o Terceiro Setor estar superando as


suas características caritativas demonstra a busca pela qualidade, inovação e

Conceitos e Definições
II

profissionalismo, sem perder também o foco na pessoa e seus direitos. Esse cami-
nho só tende a se solidificar, fato é que não tem volta como muitos imaginavam
em seu início. Sobre isso temos ainda a acrescentar:
O ponto de vista de que a sociedade pode ser organizada a partir de três
setores está se consolidando. Mais do que a adoção de um novo con-
ceito, isso denota uma nova mentalidade, apoiada no reconhecimento
da importância das iniciativas que surgem espontaneamente no seio da
sociedade civil e de que o “modelo dualista” não é suficiente para ofe-
recer respostas plenas aos dilemas sociais da atualidade (SILVA apud
COSTA 2003, p.93).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O fato de o Terceiro Setor ter se configurado de diferentes formas em vários
lugares do mundo, tendo também assumido terminologias diferenciadas, pode
ter ocasionado distorções acerca do seu entendimento e essa nova configuração.
Alguns conceitos de Terceiro Setor são trabalhados por diferentes autores
que têm se destacado enquanto estudiosos do assunto:

MARIA LÚCIA PRATES [...] por Terceiro Setor entenda-se (...) a sociedade civil
RODRIGUES (1998 p.31) que se organiza e busca soluções próprias para suas
necessidades e problemas, fora da lógica do Estado e
do mercado.
RUBEM CÉSAR (...) o Terceiro Setor é composto de organizações sem
FERNANDES fins lucrativos, criadas e mantidas pela ênfase na
participação voluntária, no âmbito não governamental,
(1997 p.27)
dando continuidade a práticas tradicionais de carida-
de, da filantropia e do mecenato e expandindo o seu
sentido para outros domínios, graças, sobretudo, à
incorporação do conceito de cidadania e de suas múlti-
plas manifestações na sociedade civil.
FERNANDO G. TENÓRIO Essas organizações não fazem parte do Estado, nem
a ele estão vinculadas, mas se revestem de caráter
(2001 p. 07)
público na medida em que se dedicam a causas e pro-
blemas sociais e em que, apesar de serem sociedades
civis privadas, não têm como objetivo o lucro e, sim, o
atendimento das necessidades da sociedade.

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


49

LESTER SALAMON É uma imponente rede de organizações privadas


autônomas, não voltadas à distribuição de lucros para
(1998, p.5, grifo nosso)
acionistas, os diretores, atendendo propósitos públi-
cos, embora localizada à margem do aparelho formal
do Estado... O crescimento do Terceiro Setor decorre
de várias pressões, demandas e necessidades advindas
das pessoas, como cidadãos, das instituições a até dos
próprios governos. Ele reflete um conjunto nítido de
mudanças sociais tecnológicas, aliado a contínua
crise de confiança na capacidade do Estado.
SIMONE DE CASTRO O terceiro setor pode ser definido como aquele em que
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

TAVARES COELHO as atividades não seriam nem coercitivas nem voltadas


ao lucro. Suas atividades visam o atendimento de ne-
(2000, p. 40- 58-60- 69)
cessidade coletivas, e muitas vezes, públicas. Generica-
mente, a literatura agrupa nessas denominações todas
as organizações privadas, sem fins lucrativos, e que vi-
sam à produção de um bem coletivo. (...) Portanto, essa
característica [de prestação de serviço público] deve
vir sempre casada com outras duas: serem privadas, o
que difere das instituições governamentais; e sem fins
lucrativos, o que as diferencia das empresas inseridas
no mercado.
GUSTAVO HENRIQUE O terceiro setor pode ser concebido como o conjunto
JUSTINO DE OLIVEIRA de atividades voluntárias, desenvolvidas por organi-
(2005, p.86) zações privadas não governamentais e sem ânimo de
lucro (associações ou fundações), realizadas em prol
da sociedade, independentemente dos demais setores
(Estado e mercado), embora com eles possa firmar par-
cerias e deles possa receber investimentos (públicos e
privados)

Quadro 5: Definições do Terceiro Setor


Fonte: O autor.

Portanto, o Terceiro Setor é formado por instituições (associações ou fundações


privadas) não governamentais, que expressam a sociedade civil organizada, com
participação de voluntários, para atendimentos de interesse público em diferentes
áreas e segmentos. O Terceiro Setor avança da perspectiva filantrópica e carita-
tiva para uma atuação profissional e técnica, na qual os usuários são sujeitos de
direitos, tendo em vista o alcance de um trabalho qualitativamente diferenciado

Conceitos e Definições
II

daquele que sempre marcou a história dessas organizações: o assistencialismo


e a filantropia. 

Entidades sem
fins lucrativos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Associações Fundações

Figura 4: Organizações Filantrópicas


Fonte: Elaborada pelo autor

O termo filantropia – significa amor à humanidade - remete à benemerência


e caridade.

Neto (apud SALAMON, 2003, p. 46-47) apresenta um detalhamento do que vem


a ser o Terceiro Setor a partir de três óticas, a saber:
Terceiro Setor como idéia: conceito que engloba os valores sociais,
como o altruísmo, a iniciativa e o livre arbítrio, levando os indivíduos
a agirem de forma a melhorarem suas vidas e a dos outros através da
solidariedade.

Terceiro Setor como realidade: Um dilema: A diversidade do setor é


tão assombrosa, que nos induz a passar por alto as consideráveis simili-
tudes que também existem nele. As pessoas ocupadas com o desenvol-
vimento não querem ser confundidas com as que se devotam à mera
assistência. Associações civis que lutam por direitos humanos não se
identificam com entidades religiosas ou corporações profissionais. Ca-
recendo de um conceito unificador, o todo vem a parecer menor que as

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


51

partes constituintes. Pouco organizado e capacitado enquanto capital


humano.

Terceiro Setor como ideologia: o Terceiro Setor como mitologia e ide-


ologia, substitui facilmente o Terceiro Setor como ‘realidade’ ou ‘ideia’
na mente de muitas pessoas. Convém mencionar aqui, quatro desses
mitos: mito da insignificância ou incompetência, a noção de que as or-
ganizações do Terceiro Setor, na melhor das hipóteses, bisonhas ope-
rações amadorísticas com um pouco de estofo para um impacto sus-
tentado sobre os problemas cruciais que suas sociedades enfrentam; e,
na pior, agitadores irresponsáveis interessados e apresentar exigências
absurdas a fim de solapar a autoridade governamental legítima; o mito
do voluntarismo, a noção de que as organizações sem fins lucrativos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

devem apoiar-se unicamente na ação voluntária não remunerada e a


caridade privada, pois essas formas de ação seriam mais puras e mais
eficientes para a solução dos problemas sociais do que a participação
do Estado; o mito da virtude pura, a noção de que as organizações vo-
luntárias são por natureza instrumentos com propósitos essencialmen-
te públicos, responsáveis pelas camadas necessitadas e obedientes a
normas democráticas; o mito da imaculada conceição, a noção de que a
filantropia e voluntariado constituem fenômenos novos em quase todo
mundo e de que a construção de um setor social podem, em consequ-
ência, ocorrer em solo virgem e copiar livremente modelos de fora .

Essa diversidade mencionada pelo autor configura-se numa das principais


dificuldades de caracterização do setor. O sentimento, a raiz fundante e moti-
vadora de cada uma das diferentes instituições são muitas vezes incompatíveis
ideologicamente.
Ocorre, portanto, que as instituições
voltadas para a conquista e manutenção dos
direitos humanos, por exemplo, são ideolo-
gicamente incompatíveis com instituições
que surgiram e desenvolveram seu trabalho
imbuídas por um sentimento de altruísmo e
benevolência, pois acreditam que esse tipo
de trabalho só vem reforçar na sociedade a
dependência do indivíduo. Embora ocorra
essa divergência ideológica entre as organi-
zações, elas não anulam a importância do
©shutterstock

Conceitos e Definições
II

trabalho de cada uma delas, principalmente em se tratando do resultado obtido,


seja ele imediato ou em longo prazo, capaz de promover a mudança a que se
propôs.
A sociedade civil organizada se organiza em forma de instituições para aten-
der os interesses públicos, nas mais diversas áreas ou segmentos, não tendo a
participação direta do Estado, dessa forma não são organizações ou institui-
ções governamentais.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Para conhecer e se aprofundar mais nesse assunto, sugiro a leitura do artigo
abaixo indicado, ele apresentará elementos que lhe auxiliarão no entendi-
mento do Terceiro Setor, complementando o estudo até agora realizado.
Faça a leitura do texto: Terceiro Setor - Buscando conceituação, de Eduardo
Marcontes Filinto da Silva e Marianne Tham de Aguiar
Disponível em: <http://www.fundata.org.br/Artigos>. Acesso em: 9 abr.
2015.

Podemos compreender que logo as ações e serviços públicos contam com outros
atores nas ofertas das iniciativas além do Estado, complementando-se, e que a
execução das políticas sociais não se esgotam no Primeiro Setor, você se lembra
quem compõe o primeiro setor?
Agora, vamos entender um pouco da articulação entre Terceiro Setor e
Mercado (Segundo Setor), este último não atende em sua totalidade a demanda
posta na sociedade, mesmo que as necessidades por educação, meio ambiente,
saúde etc., sejam hoje grande fonte de geração de renda, existe uma grande parte
desta demanda que não interessa ao mercado, logo uma fatia da população fica
descoberta, abrindo espaço para atuação do terceiro setor no atendimento des-
sas necessidades.

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


53

O Terceiro Setor vem atuando com seriedade na prática de complementari-


dade junto aos demais setores, pois,“[...] se a intervenção é assistencialista, cria
a dependência; se é autoritária, cria a baixa autoestima; se é clientelista, cria uma
cultura de adesão; se é democrática, cria cidadania e autonomia”(TORO 1997,
p.36). É nessa perspectiva de democracia que o Terceiro Setor vem buscando
pautar suas ações, promovendo a emancipação, a cidadania, a inclusão, objeti-
vando um sujeito mais autônomo.
A sociedade se caracteriza cada vez mais pela existência de fenômenos
associativos que são alheios à lógica do mercado e à lógica do Estado,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

porque caem fora da esfera mercantil e da esfera política, na medida em


que não se regem nem pelo beneficio nem pela autoridade. Esse con-
junto de iniciativas constitui essa realidade que nem é administrada,
nem é mercantil. Se no setor estatal domina a coesão e no econômico o
lucro, no ‘terceiro setor’ domina o voluntarismo’(MEISTER apud WU-
THNOW, 2003, p. 21-22).

Conceitos e Definições
WORKSHOP REÚNE CASES DE BOAS PRÁTICAS DO TERCEIRO SETOR
Evento promovido pelo CPCE, com o apoio do IGRPCOM, trouxe seis cases de sucesso de
instituições reconhecidas
(...)
Os cases trouxeram experiências de sucesso em diversos temas de interesse das ONGs,
como captação de recursos, geração de renda própria, gestão de voluntários, alianças
estratégicas, comunicação institucional, marketing e redes de relacionamento (...).

CAPTAÇÃO DE RECURSOS, PARCERIAS, VOLUNTARIADO E


COMUNICAÇÃO
A Escola de Educação Especial Nilza Tartuce iniciou os trabalhos trazendo o case “Gera-
ção de Renda Própria – Empreendimento na Panificação”. A diretora da Escola, da uni-
dade Passaúna, Maria Hilda Lessing Ogliari contou como surgiu o projeto “Nosso Pão
capacitar para incluir”, cuja ideia original era contribuir para a iniciação profissional dos
alunos. Segundo ela, o projeto foi se expandindo com o tempo e, hoje, as capacitações
são estendidas às famílias dos alunos e também para a comunidade. Atualmente, o pro-
jeto oferece quatro capacitações anuais – todas com certificação do Sindicato da Indús-
tria de Panificação & Confeitaria no Estado do Paraná (SIPCEP).  
Assunto recorrente no terceiro setor, as dificuldades para manter voluntários compro-
metidos dentro das instituições foi abordado no case “Gestão de Voluntariado dentro
das instituições do Terceiro Setor”. O tema foi apresentado por Thiago Baise, analista
de projetos do Centro de Ação Voluntária (CAV). Segundo Baise, as ONGs devem estar
cientes de que muitos voluntários entram e saem dos projetos. “Isso é fato. E vai acon-
tecer”, afirmou. O que precisa ser feito é pensar em como mudar essa realidade. Uma
das estratégias é alinhar as expectativas de cada um. “Voluntariado é relacionamento. É
preciso conhecer a pessoa, saber se o perfil é o adequado para a vaga e deixar claras as
expectativas de cada um”, sugere Baise. O CAV vem conseguindo isso. Atualmente, conta
com 25 voluntários comprometidos, atuando em diversas áreas dentro da instituição.
Na sequência, Gustavo Brandão que é presidente da Children Brasil, trouxe a experiência
na construção de redes de relacionamento para o desenvolvimento das organizações.
Ele contou sobre as atividades que desenvolve em parceria com uma instituição nor-
te-americana, de apoio e consultoria para ONGs brasileiras, e falou um pouco sobre a
importância de existir uma base sólida de relacionamentos.
Em relação às parcerias, a Associação Gente de Bem, que trabalha com projetos de edu-
cação, trouxe o case “Como pequenas instituições podem atrair grandes parceiros”. Lu-
ciano Diniz, coordenador geral da instituição, apresentou as etapas que seguiram para
55

terem parceiros de renome e patrocinadores como a Petrobras. “A primeira pergunta


que temos que fazer é ‘quem é nossa instituição? Devemos nos conhecer, saber nossa
história, nossas experiências e onde somos bons para poder transmitir isso com trans-
parência”, disse. Segundo ele, é fundamental também que a instituição mantenha ava-
liações e indicadores bem definidos e registrados, além de ter voluntários capacitados,
competentes e selecionados com muito critério.
Já a Associação dos Amigos do HC apresentou os benefícios obtidos com o investimen-
to em comunicação institucional. Segundo a diretora de Marketing da Associação, Tha-
ís Cristiane da Silva, o trabalho de mídia - que incluiu a reformulação da logomarca,
campanha de divulgação, entre outras peças - contribuiu para reposicionar a instituição
perante a comunidade. 
Por último, a Associação Franciscana de Educação ao Cidadão Especial (Afece), institui-
ção reconhecida pelos eventos que promove para captação de renda, falou sobre sua
experiência nessa área e sobre como conseguem alcançar o sucesso nas iniciativas. A
diretora Nilda Mott Loiola Gonçalves, contou que a necessidade de diversificar e am-
pliar as fontes de recursos levou a instituição a fazer um diagnóstico interno. O exercí-
cio permitiu que identificassem potencialidades internas para a promoção de eventos
próprios. A transparência na prestação de contas foi essencial para torná-los rentáveis e
fidelizar parceiros e voluntários.
Fonte: Institudo Grpcom(online).
II

Estes foram apenas alguns exemplos, mas pesquisando é possível encontrar mui-
tos outros exemplos que irão lhe auxiliar e também inspirar.

COMPOSIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO GERAL DO


TERCEIRO SETOR

A gestão das políticas sociais envolve vários atores, como vimos anteriormente,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
não é exclusividade deste ou daquele setor em especial, funções, ações e iniciativas
são compartilhadas entre os diferentes setores, e não somente o Estado é respon-
sável pela sua gestão, e isto ocorre a partir da implementação da descentralização.
Acerca da descentralização, segue posicionamento de Junqueira (1996, p. 25):
A descentralização surge com uma alternativa de mudança, como um
instrumento para racionalizar e dar eficácia ao aparato estatal das po-
líticas sociais. Apesar de constituir, independente da posição, uma das
estratégias importantes para a reestruturação do Estado, o conceito va-
ria conforme a concepção do seu papel e do entendimento que se tenha
da natureza da crise a ser enfrentada.

Destarte, o Terceiro Setor pode ser entendido como uma das representações
formais do processo de descentralização, pois por meio das parcerias firmadas
formalmente conta com a participação de diversos atores sociais. O Terceiro Setor
se coloca, por suas propostas e ideologias, como um agente propositivo de ações
que visem soluções para os mais diversos problemas sociais e ambientais, isso
vai variar de acordo com a realidade local, regional e/ou nacional.
Alguns autores apresentam características para que uma organização seja
considerada Terceiro Setor, a seguir, veremos duas redações a partir de autores
diferentes. Proponho essa apresentação para que você acostume-se ao exercício
da interpretação e para que você se familiarize com a linguagem deste ou daquele
autor, isso contribui com o nosso vocabulário, bem como amplia a nossa capa-
cidade de compreensão!
O primeiro esquema foi elaborado a partir de Anheier (apud FERNANDES,
2002), ele coloca que, para uma instituição ser considerada do Terceiro Setor,
precisa apresentar as seguintes características:

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


57

Prestar atendimento a uma


diversidade e variedade de Manter um significativo
questões que afetam a envolvimento do voluntariado,
sociedade (assistência social, mesmo que seja somente
saúde, meio ambiente, cultura, a diretoria.
educação, lazer, esporte etc;)

Ser instituição de caráter privado,


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mas desenvolvendo um trabalho


Não ter fins econômicos, de acordo
de interesse público; separada
com o código civil, não sendo
institucionalmente do Estado,
distribuidora de lucros entre
podendo manter parceria com este,
os seus diretores.
mas não depender exclusivamente
dele.

Apresentar um mínimo de
Atender a pessoas que estão
organização, de institucionalização,
excluídas do processo produtivo,
com registro em cartório, Cadastro
fora do mercado de trabalho, em
Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ),
situação de vulnerabilidade social.
endereço e sede própria;

Figura 5: Características do Terceiro Setor


Fonte: Elaborada pela autora, baseada em Anheier (apud FERNANDES, 2002).

O segundo esquema foi elaborado por Aragão (2009), que com outra lingua-
gem, permite-nos identificar as características das instituições pertencentes ao
Terceiro Setor ou não, para isso, o esquema seguinte trará características bási-
cas para essa compreensão:

Composição e Caracterização Geral do Terceiro Setor


II

• Possuir certo grau de institucionalização como: estatuto,


endereço, regimento, registros diversos, com diretoria
Organização legalmente constituída.

• Institucionalizada separadamente do aparelho estatal;


podendo manter convênios, ou parcerias com o poder
Privada
público, deve manter sua autonomia administrativa e
financeira.

• Não retornar nenhum ganho a seus proprietários; toda a

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
receita advinda de doações, parcerias ou prestações de
Não distribuidora de
lucro aos seus
serviços deve ser aplicada na própria instituição e no
associados ou atendimento aos seus usuários.
diretoras

• Ser apta a controlar suas atividades tendo gestão própria.


Auto - governada

• Deve envolver algum tipo de participação voluntária em


Trabalho suas ações.
Voluntário

Figura 6: elaborado pelo autor baseado em Aragão (2009)

Temos ainda um terceiro exemplo de apresentação dessas caraterísticas elabo-


rado por Eduardo Marcondes Filinto da Silva, a partir da análise de Salamon
(1997), observe bem a forma de apresentação e veja as particularidades e proxi-
midades na maneira de se expressar, conto com você neste exercício.

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


59

• Possuem certo nível de formalização de regras e


procedimentos, ou algum grau de organização
Estruturas permanente. São, portanto, excluídas as organizações
sociais que não apresentem uma estrutura interna
formal.
• Essas organizações não têm nenhuma relação
Privadas institucional com governos, embora possam dele
receber recursos.
• Nenhum lucro gerado pode ser distribuído entre seus
proprietários ou dirigentes. Portanto, o que distingue
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Não distribuidora essas organizações não é o fato de não possuirem “fins


de lucros lucrativos”, e sim, o destino que é dado a estes, quando
existem. Eles devem ser dirigidos à realização da
missão da instituição.

• Possuem os meios para controlar sua própria gestão,


Autônomas
não sendo controladas por extremidades externas.

• Envolvem um grau significativo de participação


voluntária (trabalho não remunerado). A participação
Voluntárias de voluntários pode variar entre organizações e de
acordo com a natureza da atividade por ela
desenvolvidas.

Figura 7: Particularidades do Terceiro Setor


Fonte: Elaborada pelo autor a partir FUNDATA (online).

E então, gostaram do exercício? É interessante observar as várias formas como


os autores expressam o seu entendimento sobre um determinado assunto, essa
forma de aprendizado proporciona também o contato com diversas formas de
escrita e contribui para que você assimile e fixe melhor determinados temas, o
que achou?
Você pode fazer suas anotações no final da Unidade ou em seu caderno,
registrando quais são as características das organizações do Terceiro Setor, apro-
veitando para exercitar a sua escrita e compreensão sobre os itens apresentados
nos três esquemas acima, vamos tentar? Tente com suas palavras explicar os itens
apresentados. Conto com você!

Composição e Caracterização Geral do Terceiro Setor


II

ASSOCIAÇÕES

De acordo com o Código Civil, por meio da Lei de nº 10.406 de 10 de janeiro


de 2002, o conceito de Associação fica definido como “união de pessoas que se
organizam para fins não econômicos” (art. 53). No artigo 5º, inciso XVIII prevê
e assegura o direito à livre associação para fins lícitos.
Lembrando as características apontadas anteriormente, uma organização do
Terceiro Setor e nesse caso, a associação (SÓCIO com AÇÃO), não possui fins
lucrativos, seus fins não são de ordem econômica, contudo não está proibida a

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
realização de atividades geradoras de receita, desde que sejam para aplicação e
sobrevivência da própria associação, toda arrecadação financeira deve ser rever-
tida totalmente para o atingimento dos objetivos propostos.
Sendo assim, entendemos que: associação é toda união de pessoas, promovida
com um fim determinado, seja de ordem beneficente, literária, científica, artís-
tica, recreativa, desportiva ou política, entre outras, que não tenham finalidade
lucrativa. Sua finalidade pode ser altruística – como uma associação beneficente
que atende a uma comunidade sem restrições qualificadas – ou não altruística,
no sentido de que se restringe a um grupo seleto e homogêneo de associados.
Como se constitui uma associação? Ela ocorre por meio do registro de seu
Estatuto Social, ele é composto por cláusulas que prevêem os deveres e também
os direitos da associação e seus associados, assumindo a forma de personalidade
Jurídica. Deve ser registrado também a Ata de Constituição, em um Cartório de
Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Conforme previsto no Código Civil:
Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmen-
te responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem
danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do
dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo.

Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se or-


ganizem para fins não econômicos.

Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações re-


cíprocos.

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


61

Somente após o registro é que a associação passa a adquirir a plena capacidade


de direito, isso significa: passa a ter personalidade jurídica, é somente a partir
daí que ela estará apta a contratar pessoas.
Para seu pleno funcionamento, a Associação necessita ainda de outros docu-
mentos, a saber:
■■ Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), ele é como o CPF da pes-
soa física.
■■ Cadastro Municipal, Cadastro Estadual, Cadastro Federal, esses cadastros
possibilitam à associação a solicitação de benefícios e também a isenção
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

de algumas taxas e impostos.

A seguir, algumas definições de associações:


É a congregação de certo número de pessoas que expõe em comum
conhecimentos e serviços voltados a um mesmo ideal e movidos por
um mesmo objetivo, seja associação econômica ou não, com capital ou
sem, mas sem jamais com intuito lucrativo.(...) Sua finalidade pode ser
altruísta – como uma associação beneficente que atende a uma comu-
nidade sem restrições qualificadas – ou egoística, que se restringe a um
grupo seleto homogêneo de associados. (...) Conceitualmente, a asso-
ciação é uma pessoa jurídica de direito privado voltado à realização de
atividades culturais sociais, religiosas e recreativas, além de outas cuja
existência ocorre com a inscrição de seu estatuto no registro competen-
te, desde que tenha objetivo licito e esteja regularmente organizada (...).
(NETO apud CAMARGO, 2003, p.50).

[...] são organizações baseadas num contrato estabelecido livremente


ente indivíduos para exercer atividades comuns ou defender interesses
afins. Constitui-se em um termo que no Brasil, traz uma conotação
de sem fins lucrativos para além de sua definição legal. Evocam fun-
damentalmente organizações voltadas para seus membros, agregando
uma grande variedade de formas organizativas e iniciativas sociais,
desde clubes recreativos e esportivos a sindicatos, passando por entida-
des com objetivos culturais e artísticos, associações de moradores, de
bairros, grupos comunitários e núcleos de produção, alguns dos quais
não chegam a registrar-se legalmente (MENDES, 1997, p.24).

Composição e Caracterização Geral do Terceiro Setor


II

As associações têm como núcleo central o indivíduo.


No site do SEBRAE, encontramos os tipos mais comuns de associações:
• Associação filantrópica: reúne voluntários que prestam assistên-
cia social a crianças, idosos, pessoas carentes. Seu caráter é basica-
mente o da assistência social.

• Associação de pais e mestres: representa a organização da comu-


nidade escolar para obter melhores condições de ensino e de inte-
gração da escola com a comunidade.

• Associação em defesa da vida:  normalmente é organizada para

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
defender pessoas em condições marginais na sociedade ou que
não estão em condições de superar as próprias limitações.

• Associação de consumidores: organização voltada para o fortale-


cimento dos consumidores frente aos comerciantes, à indústria e
ao governo.

• Associação de classe:  representa os interesses de determinada


classe profissional e/ou empresarial.

• Associação de produtores:  incluem produtores, pequenos pro-


prietários rurais e artesãos que se organizam para realizar ativida-
des produtivas e ou defesa de interesses comuns e representação
política.

• Associações culturais, desportivas e sociais:  organizadas por


pessoas ligadas ao meio artístico, têm objetivos educacionais e de
promoção de temas relacionados às artes e a questões polêmicas
da sociedade. Fazem parte desse grupo ainda os clubes esportivos
e sociais (SEBRAE NACIONAL, online).

FUNDAÇÕES

Como se constitui uma Fundação (FUNDO com AÇÃO)?


De acordo com Código Civil:
Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura
pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando
o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de adminis-
trá-la.

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


63

Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins re-


ligiosos, morais, culturais ou de assistência.

De acordo com o Código Civil, como podemos ver acima, faz-se necessário
que seja realizada uma declaração, explícito claramente que o fundador pos-
sui o desejo de constituir tal fundação, bem como especificar os bens que serão
destinados a ela para formação do seu patrimônio. Como vimos na Lei, a decla-
ração pode vir na forma de testamento.
Ainda consta na Lei:
Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorpo-


rados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante.

Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o ins-
tituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real,
sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome
dela, por mandado judicial.

De acordo com o novo Código Civil Brasileiro, as fundações só podem ter fins
religiosos, morais, culturais ou de assistência. Em geral, as fundações são admi-
nistradas pelo:
• Conselho Curador (que decide em linhas gerais quanto à forma de atu-
ação da fundação).
• Conselho Administrativo ou Diretoria (órgão executor).
• Conselho Fiscal (que realiza o acompanhamento das contas da fundação).

Da mesma maneira que as associações, as fundações também devem possuir


Estatuto que a regimente, e deve ser construído de acordo com as regras legais.
Quem autoriza o registro da fundação é o Ministério Público, somente após a
autorização é que a escritura definitiva deve ser lavrada em Tabelião de Notas e
em seguida, deve ser registrada no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas.
Quando a fundação é constituída a partir de testamento, a avaliação e autoriza-
ção do Ministério Público é dispensada.
Logo, as fundações são formadas pela constituição de um patrimônio de
personalidade jurídica e devem ter como núcleo central o patrimônio, que deve
estar voltado para uma finalidade social. Elas podem ser formadas por pessoas,

Composição e Caracterização Geral do Terceiro Setor


II

por empresas ou pelo Poder Público. Quando as fundações são constituídas pelo
Poder Público, são denominadas fundações públicas.
As Fundações não têm tempo pré-determinado para encerrarem suas ativi-
dades e estão sujeitas ao controle e avaliação permanente do Ministério Público.
Assim como as associações, as fundações também devem possuir:
• Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) ele é como o CPF da pes-
soa física.
• Cadastro Municipal, Cadastro Estadual, Cadastro Federal, e outros que
se fizerem necessários, de acordo com a área específica de atuação.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Exemplos de Fundação:
• Fundação Bradesco: fundada pelo Banco Bradesco, em 1956 e possui
como objetivo o desenvolvimento de Projetos Sociais, priorizando a edu-
cação. Possui como missão: “Promover a inclusão social por meio da
educação e atuar como multiplicador das melhores práticas pedagógi-
co-educacionais em meio à população brasileira sócio economicamente
desfavorecida” (FUNDAÇÃO BADESCO, online).
• Fundação das Nações Unidas: criada por Ted Turner, e possui como
objetivo apoiar e divulgar os trabalhos realizados pela ONU (UNITED
NATIONS FUNDATION, online).
• Fundação Telefônica Vivo: Foi fundada em 1999, e apoia projetos na área
da proteção dos direitos da criança e do adolescente em todo o Brasil
(FUNDAÇÃO TELEFÔNICA, online).

Conceitos de Fundação são os seguintes:


É um patrimônio destinado a servir, sem intuito de lucro, a uma causa
de interesse público ou por indivíduos ou empresas, quando assumem
natureza de direito privado (NETO apud SZAZI, 2003, p.51).

Fundações são entidades sem fins lucrativos que adotam uma postura
mais austera, em se tratando de legislação. Pertencem a uma categoria
com fundamentos jurídicos, de direito privado, cuja composição inter-
na resulta da destinação, por pessoas físicas ou jurídicas, de um patri-
mônio vinculado a um fim específico (OLIVEIRA, 2005, p.50).

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


65

PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE FUNDAÇÃO E ASSOCIAÇÃO

FUNDAÇÃO ASSOCIAÇÃO
Caracteriza-se pela união de pessoas, Caracteriza-se pela organização de um
organizadas para um fim determinado. patrimônio (conjunto de bens), desti-
nado a um objetivo determinado.
Na constituição da Fundação, o patri- Não exige patrimônio.
mônio é uma exigência.
Na sua criação deve indicar a sua Na sua criação deve indicar a sua finali-
finalidade, que deve ser permanente, dade, podendo ser alterada pelos seus
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

seguindo o que foi determinado pelo associados.


seu fundador.
Suas atividades são acompanhadas Suas atividades são acompanhadas
acentuadamente pelo Ministério de forma geral e bastante fluída pelo
Público, tendo a fundação a obrigação Ministério Público.
de anualmente apresentar relatórios
contábeis e operacionais.

Quadro 6 :Principais diferenças entre Fundação e Associação


Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em Manual do Terceiro Setor

ONG- ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL

É constituído pelo agrupamento de pessoas e se estrutura sob a forma de insti-


tuição da sociedade civil, também sem fins lucrativos. Traz como seus objetivos
mais comuns a luta pelas causas coletivas ou então o seu apoio.
É uma organização que surge geralmente de forma espontânea, sua cons-
tituição formal é menos burocratizada que as demais já citadas anteriormente.
Colabora com o seu trabalho para a construção da cidadania, pois possui
como marca forte a ação de fiscalização da sociedade civil sobre a sociedade polí-
tica, bem como no gerenciamento de assuntos públicos.
Devido a maior flexibilidade, deve-se ter muito cuidado para que as ONGs
não venham a se tornar um espaço de corrupção, por meio do desvio de verbas
públicas ou até mesmo na sua utilização incorreta, desviando da sua finalidade.

Composição e Caracterização Geral do Terceiro Setor


II

A expressão ONG foi criada pela Organização das Nações Unidas


(ONU) na década de 1940, para designar entidades não oficiais que
recebam ajuda financeira para executar projetos de interesse de grupos
e comunidades. Hoje ela diz respeito a coisas tão diferentes quanto à
Associação Internacional de Uniões de Consumidores, à Anistia Inter-
nacional ou aos Amigos da Terra, uma das maiores organizações ecoló-
gicas do mundo, com filiais em 47 países (DIAS, 2005, p.125).

Em análise sobre as diferenças e semelhanças entre ONGs e movimentos, pode-


mos observar no quadro abaixo:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE ONG E MOVIMENTOS

ONG Movimentos
São institucionalizadas Não são institucionalizados
Podem ser sistemas de relações inter- Os movimentos não, eles têm fluxo e
nas informais pouco burocratizadas, refluxos, não são exatamente estru-
mas precisam ser, no mínimo, eficien- turas funcionais. São aglomerados
tes. polivalentes, multiformes, descontínu-
os, pouco adensados, não necessitam
compromisso com eficácia operacional,
a não ser algum tipo de resultado para
suas bases.
Elas têm de se preocupar com a pereni- Os movimentos não, eles não têm de
dade para sobreviver, e ter um cotidia- fazer balancetes, prestar contas ou
no contínuo. Seus orçamentos ocupam pagar funcionários.
maior parte do tempo dos dirigentes.
A lógica que preside as ONGs tem de Os movimentos são um misto não
se basear na ação racional. racional/racional e até de irracional em
certos momentos.

Quadro 7: Principais diferenças entre ONG e movimentos


Fonte: Gohn (2000, p. 49)

E como viemos trabalhando até aqui, segue algumas definições de ONG, a par-
tir da leitura de alguns autores:
As características das ONGs, resumem-se com nitidez na ideia do ‘pri-
vado com funções públicas’. São instituições propriamente privadas,

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


67

mas sem fins lucrativos. Lucros eventuais devem ser reinvestidos nas
atividades fins, não cabendo a sua distribuição, enquanto tais, entre os
membros da organização. Para que este princípio seja resguardado, os
responsáveis legais de uma ONG (seus diretores) não podem receber re-
muneração através de salários. O capital acumulado por uma ONG não
pode converter no patrimônio dos seus executivos. Não há herdeiros
neste caso. Quando o criador ou criadores de uma ONG desaparece,
seus bens devem ser transferidos para outra organização do mesmo
gênero (NETO apud FERNANDES, 2003, p.50, grifo do autor).

As ONGs, não existem como personalidade jurídica, legalmente são


registradas como sociedades civis sem fins lucrativos (associações) ou
como fundações, são reconhecidos juridicamente no Código Civil Bra-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

sileiro (Lei n.3.107, de 01-01-1916) como pessoas jurídicas de direito


privado (NETO apud TENÓRIO, 2003, p. 50).

ONG – simbolizam o espaço de participação da sociedade civil organi-


zada. Em geral atuam na defesa e luta por causas sociais. Exercem um
papel de destaque na pressão política, estatal e empresarial, usufruindo
prestigio perante a opinião pública e assumindo uma posição de refe-
rência junto à sociedade (OLIVEIRA, 2005, p.50).

INSTITUTOS

Ao pensarmos em Instituto, poderemos verificar que ele,


Não corresponde a uma espécie de pessoa jurídica, podendo ser uti-
lizado por uma entidade governamental ou privada, lucrativa ou não
lucrativa, constituída sob a forma de fundação ou de associação. Usu-
almente, vemos o termo ‘instituto’ associado a entidades dedicadas à
educação e pesquisa ou à produção científica (NETO apud SZAZI,
2003, p.51).

Considerando a citação do autor acima, podemos compreender que instituto, é


a denominação dada a determinadas entidades em que tanto uma organização
quanto uma fundação ou sociedade podem receber a nominação de instituto.
Porém, o termo instituto tem se aplicado para identificação de algumas socie-
dades sem fins lucrativos.
Assim, na prática e tecnicamente correto, podemos dizer que, generica-
mente, as entidades do Terceiro Setor ou as ONGs são pessoas jurídicas

Composição e Caracterização Geral do Terceiro Setor


II

de direito privado sem fins lucrativos (sociedades civis, associações e


fundações) e que todas elas podem ser denominadas institutos ou se-
rem consideradas como tal (RESENDE, 2015, online).

Logo, compreendemos a partir do trecho seguinte que os Instituto(s),


[...] são uma categoria atribuída a entidades de diversas áreas, como
literária, científica, beneficente, entre outras. Dessa forma, implica na
significação do regime particular imposto à entidade, em virtude das
regras em que foi formatada, podendo constituir uma instituição de
qualquer um dos setores da sociedade (OLIVEIRA, 2005, p.50).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
OSCIP

De acordo com o termo OSCIP significa: Organização da Sociedade Civil de


Interesse Público, Lei 9.790 de 23 de março de 1999, regulamentada pelo Decreto
n. 3.100 de 30 de junho de 1999, que dispõe sobre a qualificação de pessoas jurí-
dicas de direito privado sem fins lucrativos. As OSCIP podem relacionar-se com o
Estado por meio de parceria, como visto no quadro 01 ilustrativo, na Unidade 01.
Este título tem como objetivo principal diferenciar aquelas instituições
privadas de interesse público. São organizações que realizam assistên-
cia social, atividades culturais, defesa e conservação do patrimônio
histórico e artístico, educação e saúde gratuita, preservação e conserva-
ção do meio ambiente e promoção do voluntário dentre outras (NETO
apud BNDES, 2003, p.51).

As OSCIP tiveram grande repercussão bem como adesão no Brasil, é muito


comum encontrarmos assistentes sociais que atuam neste segmento, mui-
tos inclusive prestando consultoria e assessoria na sua constituição.
Se você gostaria de saber como se organiza uma OSCIP, acesse a Lei 9.790
de 23 de março de 1999, acesse o link disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/l9790.htm>. Acesso em: 10 abr. 2015.

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


69

INSTITUIÇÃO

Instituição pode ser pública ou privada e não corresponde a uma pessoa jurí-
dica. A palavra Instituição vem do latim institutione, que está ligada a ideia de
sistema, de algo instituído e estabelecido. Ela está ligada também à ordem de
utilidade pública. Como podemos citar: “A equipe de atletas realizou uma visita
em uma instituição educativa”, ou “A gerência organizou uma campanha do
agasalho para uma instituição de caridade social”.
De acordo com alguns autores e com o Manual do Terceiro Setor, a palavra
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

instituição não se trata de uma pessoa jurídica, contudo está associada e pode
ser utilizada, dependendo do contexto, como um sinônimo para organização,
entidade e/ou fundação.
A palavra instituição pode ser usada como sinônimo de fundação,
organização ou entidade, dependendo do contexto. Em alguns casos,
falar de ‘instituição educativa’ é o mesmo que ‘instituto educativo’ ou
‘estabelecimento escolar’.

A instituição, no entanto, não é necessariamente um lugar físico. As


normas de conduta, os preceitos e os costumes que regem uma socie-
dade também são consideradas instituições. Neste sentido, instituições
(no plural) são, para além de uma estrutura de ordem social que rege
o funcionamento de uma sociedade, leis fundamentais por que se rege
um país. Fazer uma reverência em forma de saudação ou fazer o sinal
da cruz ao entrar numa igreja são instituições sociais.

As instituições políticas, por fim, fazem referência às organizações fun-


damentais de um Estado ou de uma nação. Estas instituições são os
órgãos do poder soberano no território em questão (CONCEITO.de,
online)

Composição e Caracterização Geral do Terceiro Setor


II

“As empresas fornecem bens ou serviços. O governo controla. A tarefa de


uma empresa termina quando cliente compra o produto, paga por ele e fica
satisfeito. O governo cumpre sua função quando suas políticas são eficazes.
A instituição sem fins lucrativos não fornece bens ou serviços, nem contro-
la. Seu produto não é um par de sapatos, nem um regulamento eficaz. Seu
produto é um ser humano mudado. As instituições sem fins lucrativos são
agentes de mudanças humanas. Seu produto é um paciente curado, uma
criança que aprende, um jovem que se transforma em um adulto com res-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
peito próprio, isto é, toda uma vida transformada”(DRUCKER, 1994, p.XIV).

Algumas considerações acerca do Terceiro Setor

Ajuda
internacional
Empresas +
Igrejas
pessoas

Terceiro Produtos /
Governo Setor Serviços

Figura 8: Fontes de financiamento


Fonte: o autor

CONCEITUANDO O TERCEIRO SETOR


71

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Finalizando esta etapa, tenho a dizer que fica claro que, ao longo destas primei-
ras unidades de estudo, o surgimento de uma nova ação perante as questões
sociais se fazia necessário, a chegada do Terceiro Setor, com suas características
cada dia mais definidas, vem ampliando cada vez mais a participação do cida-
dão na esfera pública (controlando, propondo, articulando). Algo precisava ser
feito, uma das formas de envolvimento e maior comprometimento da sociedade
civil organizada foi por meio do fortalecimento das ações do Terceiro Setor, pois
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

este congrega em si a faceta com a qual cada cidadão se identifica, em que cada
um é e está livre para contribuir.
Caro(a) aluno(a), espero que tenha ficado claro que as ações desenvolvi-
das pelo Terceiro Setor fogem da ideia do assistencialismo, da ajuda caritativa e
compaixão. Hoje, as organizações possuem suas configurações bem definidas,
pautadas em leis próprias e com propósitos claros. Não abandonaram as suas
finalidades, mas podemos compreender a seriedade com a qual é encarada na
atualidade, constantemente vêm se atualizando e investindo em capacitações e
profissionalização (foco das nossas próximas unidades).
Procurei apresentar os elementos básicos, que possam dar início a este pro-
cesso de construção do conhecimento nessa área, muita coisa tem ainda a ser
compreendida e, para que você que tem e possui interesse no Terceiro Setor, saiba
que estou à disposição juntamente com a equipe, para podermos lhe auxiliar.
É necessário fugir do senso comum de que as organizações do Terceiro Setor
(nas suas mais diversas configurações) significa uma muleta do Estado. O conhe-
cimento profundo desse setor tem propiciado a muitos profissionais de serviço
social uma oportunidade de trabalho e pleno exercício da profissão, uma vez
que o Terceiro Setor acaba se tornando um meio politizador e de criticidade na
sociedade, em que cada vez mais pessoas acreditam no potencial desse setor, isso
reflete no que veremos nas próximas páginas: o Terceiro Setor está crescendo,
qualificando sua administração com vistas na prestação de um serviço de quali-
dade e que possua impacto positivo na vida de cada cidadão, fazendo a diferença.
Contudo, não se esqueça: o Estado é e deve continuar sendo o primeiro e maior
responsável no atendimento aos direitos sociais legalmente constituídos!

Considerações Finais
1. Defina Fundação e Associação, entidades sem fins lucrativos que compõe o ter-
ceiro setor.
2. Localize abaixo algumas das instituições que podem compor o terceiro setor:

C R E S S O A B P M

M A D I O S C I P I

E I O F R A A N A L

I N N I A P I G T I

S H G A T O X A O T

A A E D O I A H G A

I N S T I T U T O S

D I R E C A O M A O

3. Quais podem ser as fontes de financiamento do Terceiro Setor?


4. Quais organizações do Terceiro Setor que você conhece em sua cidade? Em que
área atuam?
5. Cite, pelo menos, cinco novos conhecimentos que você adquiriu nesta unidade.
MATERIAL COMPLEMENTAR

Amor Sem Fronteiras


Ano:2003
Duração: 127 minutos
Gênero: Drama
Sinopse: Uma festa da alta sociedade  londrina  é interrompida
por Nick Callahan (Clive Owen), um  médico  que trabalha em
campos de refugiados na  África. Nessa festa, estava Sarah
Jordan (Angelina Jolie), uma socialite casada com Henry Bauford
(Linus Roache), filho de um influente empresário  inglês. Sarah
decide apoiar as causas humanitárias de Nick e, em vez de
simplesmente desembolsar o dinheiro para enviar suprimentos
e medicamentos, resolve entregá-los pessoalmente na Etiópia. O
contato com a miséria do povo etíope faz com que Sarah, após
retornar a Londres, passe a trabalhar em uma ONG que atua em
causas humanitárias.
Comentário: O filme, mesmo abordando uma história de amor entre os seus atores principais,
proporciona uma interessante reflexão acerca das ações humanitárias, apresentando, de maneira
muito clara, a ajuda com interesses e promoção pessoal e o real envolvimento humano em prol do
humano. Uma ótima opção para que você possa refletir sobre o conteúdo que estamos trabalhando.

Ongs: Filantropia, Éticas e Gestão


Autores:Carlos Roberto do Prado, João Clemente de Souza Neto
e Mary Rosane Ceroni
Editora:  Expressão e Arte Editora, São Paulo: 2007.
Sinopse: A  obra registra os principais resultados das
investigações de Carlos Roberto do Prado, João Clemente de
Souza Neto e Mary Rosane Ceroni, com a preocupação de
apontar indicadores que contribuam, de forma crítica, para o
uso dos pressupostos das ciências gerenciais nas ONGs, bem
como para melhorar o acompanhamento dos projetos sociais.
Seu desafio é compreender de que modo a gestão nas ONGs
pode colaborar para implantar a política da vida, sem reproduzir
a dinâmica das empresas e do poder público, uma vez que o
resultado de seu trabalho repercute nos campos da mudança de
sentido e da inclusão. Além de problematizar as concepções de filantropia, assistência, gestão e
ética, os autores acenam para algumas possibilidades de saída.
Comentário: Este livro auxiliará você, pois traz uma reflexão interessante acerca das configurações
das ONGs no Brasil, transcende o nível prático, oportunizando o estudo e a formação daqueles que
se interessam na atuação no Terceiro Setor, como um setor único e relevante. Irá contribuir inclusive
para as reflexões que iremos fazer nas Unidades seguintes.

Material Complementar
Professora Esp. Daniela Sikorski

III
A CONFIGURAÇÃO

UNIDADE
HISTÓRICA DO TERCEIRO
SETOR

Objetivos de Aprendizagem
■■ Conhecer a História do Terceiro Setor no Mundo.
■■ Conhecer a História do Terceiro Setor no Brasil.
■■ Refletir sobre os desafios e o papel do Terceiro Setor nos dias atuais.
■■ Realizar uma análise a partir da configuração por meio dos tempos.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ O Terceiro Setor no Mundo
■■ O Terceiro setor no Brasil
■■ O Terceiro setor nos dias atuais
77

INTRODUÇÃO

O mundo é movido pelo espírito de mudança e é próprio do ser humano a cons-


tante transformação. De uma maneira simples, pode-se pensar em nossa infância,
do que brincávamos, quais eram as tendências da época, como nos vestíamos,
e quais músicas ouvíamos. Como hoje se configura a infância de nossas crian-
ças? O que mudou? O que está diferente? Essas mudanças não são apenas locais,
elas são do âmbito global.
A percepção da mudança, a compreensão da realidade não acontece de modo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

totalmente isolado, pois sentimos e percebemos de acordo com a realidade social


em que estamos inseridos e os grupos sociais aos quais pertencemos, unidos aos
nossos valores e crenças, isso faz com que estejamos engajados em alguma causa
específica, a saber, a causa que mais nos identificamos.
Conforme o ser humano percebe a realidade na qual está inserido e a rea-
lidade global, vai elaborando novas formas e maneiras de intervir sobre ela, os
fatos ocorridos o impulsionam a buscar novas alternativas de interferência nessa
sociedade, há a busca pela mudança: agindo, fazendo, melhorando, projetando
e refazendo uma nova sociedade, seja ela nacional ou internacional.
Não podemos atribuir essa busca aos outros, pois ainda é comum encontrar-
mos aqueles que atribuem aos outros a culpa pelos problemas de nossa realidade,
esquecendo-se de que, por diversas vezes, todos nós produzimos e reproduzi-
mos em nossas relações aquilo que condenamos no outro.
Para entendermos e compreendermos a história e como se configurou o
Terceiro Setor, vamos estudar, nesta unidade, como ele foi se desenvolvendo no
mundo, no Brasil e como hoje ele contribui com a sociedade.

Introdução
III

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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O TERCEIRO SETOR NO MUNDO

Ao iniciarmos nossa unidade de estudo, meu(inha) caro(a) e futuro(a) assistente


social, é importante perceber que:
A lógica mobilizadora e participativa que move o terceiro setor está
presidida pela lei do amor que, considerado em sua dimensão estrutu-
ral, busca o cumprimento da lei desde a perspectiva do impulso moral
que a assiste. O drama da solidariedade é o mesmo drama que acontece
para cada ser humano; tem que sujar as mãos, como indicara Sartre, há
de modelar-se em fórmulas políticas e econômicas alternativas e viáveis
(GONZALO, 1997, p.111).

E considerando o exposto acima, ressaltamos a necessidade de compreendermos


o processo, como se configurou o avanço do Terceiro Setor em algumas reali-
dades, pois, de acordo com Vieira: “Aqueles que esquecem o passado estão
condenados a repeti-lo” (apud SANTAYANA, 1986, p.98, grifo nosso)
[...] o crescimento do Terceiro Setor decorre de várias pressões, deman-
das e necessidades advindas das pessoas, como cidadãos, das institui-
ções e até dos próprios governos (NETO, 2003, p.25).

O Terceiro Setor reflete um conjunto nítido de mudanças sociais e tec-


nológicas, aliado à contínua crise de confiança na capacidade do Es-
tado. Mudanças históricas de longo alcance abriram o caminho para
que as instituições alternativas possam atender melhor às necessidades
humanas (NETO, 2003, p.25).

O termo Terceiro Setor foi traduzido do inglês: “Third Sector” e, de acordo com
o autor Rubem César Fernandes (1994), faz parte do vocabulário sociológico

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


79

corrente dos Estados Unidos, muito utilizado como forma de identificar as orga-
nizações sem fins lucrativos e organizações voluntárias.
Outras terminologias eram usadas para designar o Terceiro Setor (NETO,
2003):
• Non Profit Organizations: Organizações não governamentais, que
dizem respeito àquelas instituições cujo lucro/benefícios financei-
ros não podem ser repassados ou distribuídos aos seus associados
e/ou diretores. A expressão organização não governamental (ONG)
proveniente da Europa continental, teve sua origem pelas Nações
Unidas. Contudo, na América Latina o que se difundiu foi a termi-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nologia Organização da Sociedade Civil e Terceiro Setor.

• Charites: Significa caridade, termo inglês utilizado nos remete a


um conceito de conotação religiosa.

• Filantropia: Termo mais moderno com a mesma conotação do ter-


mo “sem fins lucrativos”.

Todas as organizações surgem com o mesmo objetivo, tendo o mesmo norte,


que é a distinção da ação do Estado, tendo essas organizações a busca da socie-
dade civil organizada em busca de causas comuns (coletivas). É interessante
observar que hoje o termo Terceiro Setor abrange todas as instituições e orga-
nizações citadas acima.
Na Europa, as Organizações não governamentais nascem fortemente com
a ideia de ajudar os países menos desenvolvidos, por meio de parcerias desses
países com várias organizações sociais, que impulsionaram a criação de inúme-
ras outras organizações pelo Brasil e pelo mundo.
É importante destacar que esse setor [Terceiro Setor] não exime o Esta-
do de seu papel, mas permite estabelecer uma parceria com este, para
que assim, se consiga realizar, mobilizar recursos, e poder, no cotidia-
no, valorizar e ver que não é possível fazer uma sociedade sem partici-
pação e fiscalização dos cidadãos (MEISTER, 2003, p.23, grifo nosso).

O Terceiro Setor é composto de instituições que realizam ações que são execu-
tadas de inúmeras formas e maneiras, em diversas áreas, angariando um valor
e efetividade social, como saúde, esporte e lazer, assistência social, arte, cultura,
comunicação, educação, segurança pública, meio ambiente, entre outras.

O Terceiro Setor no Mundo


III

As instituições de Terceiro Setor vêm para fazer aquilo que o Estado


não consegue fazer, seja por sua própria omissão, seja por sua incapaci-
dade de atingir a todos. O Estado como tal é insubstituível e necessário.
Cabe a todos então partir para a realização daquilo que ele não conse-
gue fazer e cobrar uma ação que pode fazer. Diante destas instituições,
o Estado deve então garantir os direitos essenciais e universais das pes-
soas e também regular as relações entre as instituições e próprio Estado
(MEISTER, 2003, p.23).

Ao estudarmos as literaturas ligadas ao Terceiro Setor, veremos que as orga-


nizações estavam relacionadas às atividades filantrópicas, voluntárias ou de
associativismo comunitário. Ao analisarmos a sua configuração nos mais diversos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
países do mundo, pode-se constatar que cada um assume uma ou outra carac-
terística, mesmo tendo uma origem primária em comum.
Nos Estados Unidos,
[...] o Terceiro Setor é parte de um sistema de promoção social, uma
vez que o governo efetua boa parte de suas políticas domésticas por
meio de terceiros – escolas, universidades, institutos de pesquisa, ban-
cos comerciais, etc. o caráter semi-público das organizações sem fins
lucrativos torna-as parceira privilegiadas nesse sistema de governo por
meio de terceiros (third-party government).

Nos Estados Unidos, o Terceiro Setor acaba por assumir uma característica de
complemento do papel do Estado, o que gera um distanciamento de sua cono-
tação política ou de caráter reivindicatório, como é visto em outros países. O
Estado se torna uma fonte de suporte financeiro, em sua grande maioria, a prin-
cipal para muitas instituições e organizações nesse país.
Já na Europa, é possível identificar que o movimento associativo é identifi-
cado por duas tradições: a primeira é a tradição romana, concretizada a partir
do surgimento das confrarias religiosas, dos partidos políticos e das corpora-
ções da Idade Média, e a segunda é a tradição germânica,
[...] que se relaciona, sobretudo com a prática das ‘guildas’ – grupa-
mentos de cidadãos que possuíam múltiplas funções, como proteção
mutual, estabelecimento de direitos de mercadores, fixação de preços
e normas de honestidade comercial, entre outras (NETO apud MEIS-
TER, 2003, p.28).

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


81

De acordo com Salamon (2005, p.10), esse tipo de atividade [voluntária] es-
tava presente na China na Antiguidade e foi fortalecida e institucionalizada
sob o Budismo desde o século VII. No Japão, a atividade filantrópica remon-
ta ao período Budista e a primeira fundação japonesa moderna, a Socieda-
de da Gratidão que foi estabelecida em 1829, cerca de um século antes da
primeira fundação norte-americana.

As guildas citadas pelo autor assumiam funções tanto políticas, quanto eco-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nômicas e sociais, pode-se, então, dizer que essas são as raízes das associações
que existem hoje. Ao analisar esses processos históricos, pode-se perceber que
as organizações sem fins lucrativos antecedem ao regime comunista da Europa
Ocidental, sendo as organizações da atualidade a reconfiguração exigida pelos dias
atuais, a fim de atender determinada emergência da sociedade contemporânea.
Logo, assume característica conforme a realidade de cada país, atendendo a
uma determinada demanda de cada local, como podemos ver a seguir:
As organizações que atuam no campo social têm assumido ao mes-
mo tempo funções econômicas (pois geram emprego), políticas (pois
constituem espaço de exercício de cidadania) e sociais (pois permitem
que as pessoas atuem visando transformar a realidade em que vivem)
(NETO apud ANDION, 2003, p. 29).

Cabe ressaltar que as particularidades de cada local imprime em suas organizações


o reflexo da sua realidade, não existindo uma regra única ou uma homogenei-
dade, ou seja, está ligada à dinâmica de cada sociedade, às necessidades de cada
comunidade ou território,
Estas organizações atuam em setores diversos tais como – saúde, edu-
cação, transporte, lazer, desenvolvimento urbano, proteção do meio
ambiente, serviços domésticos, alimentação, etc. – e têm como objetivo
principal a promoção social. Elas assumem também formas jurídicas
diferenciadas. Na França predomina a forma associativa; no Quebec as
organizações comunitárias; na Itália, as cooperativas; na América La-
tina e no Brasil, as organizações não governamentais populares (apud
ANDION, 2003, p.31, grifo nosso).

O Terceiro Setor no Mundo


III

Logo “essa pluralidade não pode ser negligenciada, pois constitui uma das mais
importantes particularidades desse fenômeno social nascente e indica sua enorme
riqueza e complexidade” (NETO apud FERNANDES, 2003, p.32).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


83

(...)
Revelando mitos
A despeito das imensas expectativas que se colocaram sobre o Terceiro Setor, ainda
não está claro quão efetivamente ele é capaz de reagir às oportunidades presentes.
Mesmo com o seu recente dinamismo, esse setor permanece vulnerável a várias
tensões internas e repressões externas. Além disso, várias percepções errôneas a
seu respeito limitam sua capacidade de lidar efetivamente com seus verdadeiros
desafios. Como será a evolução do setor dependerá, em grande parte, de quão bem
compreendidos serão os mitos a seu respeito, como equilibrará os compromissos
com que se depara e como reagirão outras instituições.
A primeira dessas percepções errôneas é o mito da virtude pura. O Terceiro Se-
tor atingiu proeminência, fundamentalmente como um veículo flexível, e digno de
confiança para realização de anseios humanos elementares, como autoexpressão,
autoajuda, participação e ajuda mútua. Com raízes frequentes em ensinamentos
religiosos e morais, ele adquiriu autopercepção de persona santificada e certo ro-
mantismo permeia sua capacidade suposta de mudar a vida das pessoas.
Mesmo sem negar a validade fundamental dessa imagem, é importante, no en-
tanto, reconhecer que essas instituições têm também outros aspectos. Apesar de
sua tão propalada flexibilidade, organizações sem fins lucrativos continuam sendo
organizações. À medida que crescem em escala e complexidade, são vulneráveis
a todas as limitações que afligem outras instituições burocráticas – falta de sen-
sibilidade morosidade e rotinização. Organizações sem fins lucrativos podem ser
menos propensas a essas deficiências do que agências governamentais, mas não
estão imunes às tençõe sinevitáveis que surgem entre flexibilidade e efetividade,
controle distribuído na base e accoutability.
Diversos apoios ao Terceiro Setor têm sido usados, por vezes, para racionalizar ata-
ques aos gastos sociais governamentais, como foi o caso nos Estados Unidos, nos
anos 80. Da mesma forma, motivações mistas contribuíram para o crescimento do
setor voluntário no mundo em desenvolvimento. Longe de ser um instrumento de
independência popular, organizações sem fins lucrativos foram utilizadas como ve-
ículos para estender a influência de líderes políticos nacionais. Além disso, essas or-
ganizações podem acabar desempenhando uma função menor, de mera manuten-
ção do sistema. Por exemplo, Tomas (1987, p. 477), em estudo sobre o movimento
Harambee no Quênia, nota que enquanto o Harambee, canaliza riqueza privada al-
tamente visível para os projetos sociais relevantes, também serve para “justificar a
acumulação de riqueza e pobreza e a perpetuação da iniquidade”. De modo mais
genérico, como argumenta Smith (1990, p. 277), mesmo organizações orientadas
para a mudança podem sustentar a posição de elites locais ao ajudar a “canalizar
as energias de opositores do regime originários da classe média, que poderiam ter
levados a alternativas políticas mais radicais ou mesmo revolucionárias”. Organi-
zações sem fins lucrativos, segundo ele, são frequentemente usadas para sinalizar a
“críticos estrangeiros que governos autoritários, de partido único ou controlados por
elites permitem certo grau de pluralismo e espaço para iniciativas privadas em suas
sociedades.”
Um erro de percepção intimamente relacionado ao anterior é o mito do voluntaris-
mo, a crença de que organizações sem fins lucrativos dependem principalmente, ou
até exclusivamente da ação provada voluntaria e do apoio filantrópico. Esse mito, em
particular, permeia o pensamento americano sobre o nonprofit sector. Ele é sustenta-
do por uma filosofia política conservadora que vê inerente conflito entre Estado as
instituições voluntárias mediadoras. Nessa linha de pensamento, o crescimento do
Estado coloca um desafio fundamental aos grupos voluntários, roubando-lhes suas
funções e, em última, instância levando-os à sua ruína. A chave para a expansão para
do Terceiro Setor seria, portanto, a redução do papel do Estado.
No entanto o relacionamento entre o Estado e o Terceiro Setor tem sido caracteri-
zado mais por cooperação do eu por conflito, na medida em que o Estado se voltou
para esse setor para assisti-lo no atendimento de necessidades humanas. Nos Estados
Unidos, o Terceiro Setor é parte de um sistema de promoção social amplo, uma vez
que o governo efetiva boa parte de suas políticas domésticas por meio de terceiros
– escolas, universidades, institutos de pesquisa, bancos comerciais, etc. o caráter se-
mipúblico das organizações sem fins lucrativos torna-as parceiras privilegiadas nesse
sistema de governo meio de terceiros (third-partygovernment). Assim, o governo
emergiu como uma fonte de suporte financeiro de primeira grandeza para o setor
sem fins lucrativos dos Estados Unidos, correspondendo à dobra das doações de ci-
dadãos isolados. Em outros países avançados, o apoio governamental é ainda mais
acentuado.
Infelizmente, essa ampla parceria não foi notada por muitos observadores. Como con-
sequência, o mito do puro voluntarismo ameaça consignar ao setor um papel mais
marginal do que ele poderia ter. A situação de conformismo sobre a designação sobre
a destinação de recursos governamentais magros e o profundo sentimento de suspei-
ta sobre as atividades não lucrativas voltadas aos excluídos são alguns aspectos que
fortalecem à crença de que a atividade voluntária só surgiria de forma espontânea;
assim, acabam coordenando o abandono e ao fracasso a essas iniciativas. Mesmo em
países desenvolvidos, nos quais o alcance do apoio privado à filantropia privada se-
rem vitais ao caráter especial do setor, eles devem ser mais bem compreendidos como
apenas duas, dentre várias fontes potenciais de apoio.
Outro erro de percepção é o mito da imaculada concepção, a noção de que as or-
ganizações sem fins lucrativos são essencialmente novas na maior parte do mundo.
Embora nos últimos anos tenha-se testemunhado elevado crescimento na atividade
voluntária, tal atividade tem raízes históricas profundas em praticamente, todas as
partes do mundo. Esse tipo de atividade estava presente na China na Antiguidade
e foi fortalecida e institucionalizada sob o Budismo desde o século VIII. No Japão, a
85

atividade filantrópica remonta ao período Budista e a primeira fundação japonesa


moderna, a Sociedade da Gratidão, foi estabelecida em 1829, cerca de um século an-
tes da primeira fundação norte-americana. Na Europa Oriental, também, a recente
emergência de organização sem fins lucrativos remonta à rica tradição filantrópica
que antecedeu o regime comunista. Desenvolvimentos recentes, portanto, não repre-
senta, o surgimento de arranjos inteiramente novos, mas, de maneira significativa, a
reemergência de padrões anteriores.
Esforços cuidadosos devem ser feitos para reconhecer tanto as raízes históricas pe-
culiares como instituições tradicionais baseadas na tribo e em castas. Essas raízes são
substanciais, mesmo em arranjos institucionais na África em que a fraqueza do Estado
nacional há muito obscurece a existência de uma vida associativa vibrante que ante-
cede a era colonial; para os líderes de organizações sem fins lucrativos, a tarefa consis-
te em encontrar formas de utilizar vínculos e instituições tradicionais, mobilizando-os
no apoio às novas formas de ação.
(...)
Fonte: Salamon (1998, p. 5-6).
III

O TERCEIRO SETOR NO BRASIL

De acordo com Antônio Villas Boas Neto (2003), o Terceiro Social no Brasil se
constrói como um conjunto organizacionalmente diferenciado no bojo do pro-
cesso de democratização, sendo em sua maioria, remanescentes dos movimentos
sociais que atuaram na resistência aos governos totalitários e das entidades que
substituíram ou complementaram o papel do Estado, no esforço de estabelecer
algum grau de equidade social.
A utilização do nome ‘terceiro setor’, no Brasil, surgiu para designar um

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tipo de entidade, com um trabalho específico. Esse trabalho em parte
até então estava ligado à Igreja. Mas as atividades da Igreja não eram
tão extensivas ao ponto de responder a todos os anseios. O que realiza-
va era mais um trabalho de caridade: hospitais, escolas, asilos, creches,
orfanatos, etc. hoje as instituições terceiro-setoristas têm um campo
de atividades muito mais amplo. Agem no sentido de construir uma
sociedade mais justa e mais fraterna (MEISTER, 2003, p.28).

O movimento associativo brasileiro já nasceu como um componente de politiza-


ção, no sentido de que era conhecedor e garantidor de direitos, que praticamente
substituiu o componente filantrópico do Setor nos Estados Unidos (SALAMON,
1998).
Caro(a) aluno(a), faremos agora um breve passeio por alguns períodos rele-
vantes da história brasileira em que entenderemos a atuação do Terceiro Setor
na atualidade, analisando algumas fases pelas quais o nosso país passou. A partir
de cada período a ser apresentado, veremos algumas características que contri-
buíram para a construção deste setor.

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


87

HISTÓRICO DA ATUAÇÃO SOCIAL

PERÍODO ATOR SOCIAL PARADIGMA


Séc. XIX
Igreja Caridade Cristã
Estado Oligárquico
Séc. XX – 1930
Igreja e Estado Caridade Estatal
Estado Populista
Séc. XX – 1964
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Estado e Sociedade Controle Estatal


Estado autoritário
Séc. XX – 1988
Sociedade e Estado Cidadania
Estado Democrático

Quadro 8: Histórico da atuação social


Fonte: CRA – SP (online) <http://www.crasp.gov.br/crasp/conteudo/terceiro%20setor%20desafios%20e%20
oportunidades.pdf. >. Acesso em: 20 fev. 2015.

REPÚBLICA VELHA

Esse período vai do ano de 1889 a 1930, configurando-se como um Estado


Oligárquico, que não atendia os problemas sociais que atingiam a nossa popula-
ção. Os pobres eram sujeitos sem direitos efetivos e extremamente dependentes
da caridade de benfeitores. É nessa fase que se institui o monopólio das Igrejas,
sobretudo a Igreja Católica, uma vez que o poder público se demonstrava indi-
ferente e, por diversas vezes, ausente.
Ao analisarmos esse período da história do Brasil, veremos que muitas das
instituições criadas nessa época tiveram como objetivo o cuidado com aqueles
menos favorecidos, os vulneráveis sócio e economicamente falando.
Logo, as instituições da sociedade civil organizada estão presentes antes
mesmo da Proclamação da República (15/11/1889). Com a chegada de novos
imigrantes no país (1930), percebeu-se que eles chegavam já com uma formação
política e começaram a fomentar a necessidade de reivindicação pelos direitos.

O Terceiro Setor no Brasil


III

Nesse sentido, temos o registro de que até os meados da década de 30 todo


o trabalho social realizado se dava por meio das instituições ligadas à Igreja,
com o viés caritativo e de benesse. Somente com a chegada da industrialização
é que começamos a perceber as ações de debate acerca dos direitos sociais. E de
acordo com Meister (2003, p.28), “aparece a própria pobreza como uma reali-
dade produzida e mantida socialmente.”
As ações sociais eram financiadas pelos setores oligárquicos, logo, a Igreja
assume quase que exclusivamente o papel de ajuda aos mais necessitados. É jus-
tamente nessa época (República Velha) que surgem as primeiras Santas Casas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
de Misericórdia.

Em 1498 foi criada em Lisboa a primeira Santa Casa no mundo, já no Brasil a


primeira foi criada em Olinda no ano de 1539.

Alguns fatos marcaram o fim desse período, por exemplo: a crise da oligarquia, a
ascensão dos movimentos sociais urbanos, a greve geral dos trabalhos da indús-
tria de 1917 e a fundação do Partido Comunista.
Findando a década de 20, tais movimentos tomam força e poder, constituin-
do-se, assim, como novo agente político, chamando a atenção do Estado nesse
novo cenário que começava a se desenhar.

REPÚBLICA NOVA

Esse período vai do ano de 1946 a 1946, constituindo-se como umEstado


Corporativo, sob a liderança de Getúlio Vargas, conhecido como “Pai dos Pobres”,
um governo de característica autoritária, corporativista e nacionalista.
Nesse período é criado o sistema de ensino público, a carteira de traba-
lho, sufrágio universal, SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial,

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


89

fundado em 1942), SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial),


LBA (Legião Brasileira da Assistência).
A política de Estado tem uma característica clientelista, fundamentada na
caridade. “O Estado busca então uma estratégia de atrelar às iniciativas autôno-
mas e emergentes da sociedade civil, tornando-as aparelhos para estatais a serviço
do fortalecimento do seu próprio poder” (NETO, 2003, p.34).
Os marcos do fim desse período são a crise do Estado Corporativista, a asso-
ciação dos setores industriais ao capital externo, o fortalecimento dos sindicatos
que cobravam as reformas de base prometidas pelo governo, culminando no
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

esgotamento do presente sistema.

“A Igreja mantém sua importância no campo da assistência aos pobres,


complementada agora pela presença do Estado. Apesar destes avanços, na
prática, os pobres ainda não se constituem como sujeitos deste direito. O
clientelismo permanece como política oficial. A caridade dos cristãos para
com seus fiéis é em parte substituída pela ‘caridade’ do Estado e pela solida-
riedade administrativa. Os pobres continuam sendo objeto de bondade de
algum senhor” (NETO, 2003, p.34).

REPÚBLICA MILITAR

Esse período, que compreende de 1964 a 1985, é marcado historicamente pela


ruptura do Estado com a sociedade. Assumindo o Estado a exclusividade pela
execução das políticas sociais, lançando a clandestinidade e tornando ilegal
qualquer organização da sociedade (ilegal aquilo que estava “fora do poder e
controle” do Estado), além de tornar mínima qualquer participação cívica no
Estado e na sociedade.
Como nos demais setores do governo, o regime militar adota, na área
social, uma postura controladora criando grandes estruturas hierar-
quizadas e centralizadas com vistas a reduzir drasticamente a pobreza

O Terceiro Setor no Brasil


III

e as diferenças regionais: INPS1; BNH2; COBAL3; CEME4; MOBRAL5;


etc. Tais políticas compensatórias distributivas e de integração nacional
mobilizaram pesados recursos públicos (NETO, 2003, p. 35)

Denota-se então que o movimento sindical foi fortemente reprimido, propiciando


o surgimento de diversos movimentos sociais autônomos, que com a ajuda da
Igreja assumem um caráter libertador, politizador e revolucionário.
Então, a partir da década de 60,
[...] tem início um trabalho que se gesta dentro das Igrejas o qual toma
vulto, com o volver dos anos, passando, mais tarde, a denominar-se ins-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tituições do terceiro setor, isto é, organizações sociais sem fins lucrati-
vos, ONG’s (organizações não-governamentais), fundações, institutos,
etc. elas realizam tarefas que a Igreja e o Estado não conseguem mais
atender devido às grandes demandas sociais (MEISTER, 2003, p. 28).

A Igreja manteve sua independência do Estado como antes, o diferencial é que


agora não mantinha nenhum tipo de relação ou diálogo com o Estado e com
a Teologia da Libertação, e a consolidação das Comunidades Eclesiais de Base
(CEB’s), na década de 60, alavancaram novamente a organização da sociedade civil.
É à Igreja Católica, contudo, e mais particularmente à Teologia da
Libertação, que devemos o ímpeto maior do movimento (de emancipa-
ção do indivíduo). O fechamento do Estado pelo exército deixou tam-
bém a Igreja Católica fora dos círculos mais íntimos do poder. Nesta
época, o Vaticano convoca os católicos a buscarem, positivamente, uma
sintonia com os sinais dos tempos. Em resposta ao Concílio Vaticano
II, os bispos, latino americanos reuniram-se em Medellín, Colômbia,
em 1968, e proclamaram a doutrina de que a boa nova do evangelho
implicava uma ‘opção preferencial pelos pobres’. Assim nasceu o movi-
mento inspirado na Teologia da Libertação, apostando no valor a um
tempo sagrado e profético das Comunidades Eclesiais de Base (NETO
apud FERNANDES, 2003, p.36).

Inserido no contexto das “comunidades”, forma-se uma rede invisível em que


se encontravam os círculos bíblicos, os grupos de jovens, os clubes de mães, os

1 INPS: Instituto Nacional da Previdência Social


2 BNH: Banco Nacional da Habitação
3 COBAL: Companhia Brasileira de alimentação
4 CEME: Central de Medicamentos
5 MOBRAL: Movimento Brasileiro de Alfabetização

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


91

cursos de alfabetização, os grupos de reflexão, as associações populares de pro-


dução e autoajuda, como exemplo, as roças comunitárias e as caixas coletivas.
Essas iniciativas eram consideradas como espaços de formação de futuros líderes.
Os movimentos sociais designavam processos dinâmicos, instáveis, de
organizações e ações distanciadas em relação aos aparelhos do Estado.
Tais movimentos buscavam soluções para problemas localizados como
falta d’água, esgoto, luz, segurança, moradia, ocupação de terra, polui-
ção excessiva, preços, trânsito etc. (NETO, 2003, p. 35-36).

Como bem coloca Fernandes(2002, p. 20)


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Sua emergência é de tal relevância que se pode falar de uma “virtual


revolução” a implicar mudanças no modo de agir e pensar. As relações
entre o Estado e mercado, que tem dominado a cena pública, hão de
ser transformadas pela presença desta terceira figura – as associações
voluntárias. Não se pode dizer, é claro, que a atividade dos cidadãos
ou que a vida associativa sejam invenções destes dias. Ao contrário, há
quem prefira denominá-las “o primeiro setor” justamente para enfati-
zar sua antecedência lógica e histórica. A novidade estaria nos núme-
ros, em expansão geométrica, e nos padrões de relacionamento.

Nesse período é que se constituem as primeiras organizações não governamentais


de caráter público, objetivando a luta pela democracia, pelos direitos e qualidade
de vida comunitária, com pessoas motivadas pelo sentimento de ajuda mútua e
solidariedade e o fortalecimento das relações interpessoais.
Passam a unir-se a organismos internacionais e instituições que de cer-
to modo possam fornecer subsidio e auxílio na organização das insti-
tuições no Brasil. O auxílio de organizações internacionais exige que
se estabeleça uma instituição dotada de personalidade jurídica (MEIS-
TER, 2003, p.29).

Um dos fatores que contribuiu em muito para a criação das organizações não
governamentais foi o fato de o Estado estar afastado da área social, percebia-se
no cotidiano que a prestação de serviços era realizada, em sua maioria, por essas
organizações. O Estado imaginava, assim, reduzir seus custos e despesas com
administração e não obrigatoriedade de investimentos na área. A partir desse
momento, intensificam-se o surgimento e o desenvolvimento das organizações
privadas de interesse Público no país.

O Terceiro Setor no Brasil


III

NOVA REPÚBLICA

De 1985 a 2003, tínhamos um Estado e sociedade que buscavam redimensionar


o seu papel nas políticas sociais. Com o fim do militarismo e a consolidação da
democracia que se efetiva de fato a partir da aprovação da Constituição Federal
de 1988, procura-se ampliar os espaços de participação das organizações não
governamentais na sociedade, a Lei reconhece que a tarefa pública é tanto dever
do Estado quanto da sociedade.
Trata-se de uma tentativa de fazer o movimento inverso da nossa tra-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
dição histórica: o de construir o Estado a partir da sociedade e sob
o controle dela. Podemos reconhecer os indicadores deste movimento
nas Leis como o: Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei Orgânica
de Assistência Social, na disseminação dos Conselhos para definir as
diretrizes públicas, no próprio processo de fortalecimento dos municí-
pios (NETO, 2003, p.39).

De acordo com Neto (apud TERRA, 2003, p.39),


O Estado busca redefinir seu papel como fornecedor, e não necessaria-
mente como executor das políticas sociais. Busca-se, com isso, dimi-
nuir o seu tamanho, ampliar e fortalecer as organizações civis. É neste
ambiente que devem ser compreendidas as Leis que instituíram mais
tarde as Organizações Sociais (OS) e as Organizações da Sociedade Ci-
vil de Interesse Público (OSCIPs) e o Programa Comunidade Solidária.

Segundo Neto (apud FERNANDES, 2003, p. 46),


O terceiro setor é composto de organizações sem fins lucrativos, cria-
das e mantidas pela ênfase na participação voluntária, num âmbito não
governamental, dando continuidade às práticas tradicionais da carida-
de, da filantropia e de mecenato e expandindo o seu sentido para outros
domínios, graças sobretudo, à incorporação do conceito de cidadania e
de suas múltiplas manifestações na sociedade civil.

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


93

Ainda de acordo com Neto (apud TERRA, 2003, p.46),


O terceiro setor reflete, de certa forma, o amadurecimento da socieda-
de que busca consolidar sua sustentabilidade com base numa relação
de parceria com demais setores sem, contudo, gerar uma relação de
dependência a um deles. Desloca-se, portanto, na tutela do Estado ou
da hegemonia religiosa para tornar um conjunto de organizações autô-
nomas profissionalizadas e não-governamentais.

O amadurecimento da sociedade, mencionado pelo autor acima, traduz-se na


independência dos cidadãos e na sua capacidade de se articular no sentido de
dar respostas às suas demandas sem depender ou esperar unicamente do poder
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

público, mas que também não o exclui de suas atividades, e sim busca desenvol-
vê-las em parceria com o Estado, e também com o segundo setor. “Descobriu-se
assim que as atividades de interesse público podem ser exercidas fora do governo
e em medidas que ultrapassam as expectativas de uma vida” (NETO apud
FERNANDES, 2003, p.38).
Nesse movimento, as ONGs vão acumulando recursos, assim como conhe-
cimento por meio de experiências para a época inovadoras no que diz respeito
ao enfrentamento das questões sociais de nosso país. Tendo o Estado reconhe-
cido essas iniciativas das ONGs por volta dos anos 90, compreendo o papel de
interlocutoras e parceiras das políticas públicas.
As ONGs, por sua vez, também começarama buscar sua legitimidade.

O Terceiro Setor no Brasil


III

Em 1991, foi criada como forma de repre-


sentar coletivamente as ONGs junto ao Es-
tado e aos demais atores da sociedade civil,
Associação Brasileira de
tendo como principal objetivo representar
1991 Organizações Não Gover-
e promover o intercâmbio entre as ONGs
namentais (ABONG),
empenhadas no fortalecimento da cidada-
nia, na conquista e expansão dos direitos
sociais e da democracia.
Criada pelo sociólogo Herbert de Souza
(Betinho), nacionalmente conhecida como
Campanha Contra Fome, onde foi concla-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Ação da Cidadania Contra mada toda a sociedade (poder público, so-
1993
a Miséria e Pela Vida ciedade civil organizada, partidos políticos,
sindicatos, categorias patronais, profissio-
nais liberais, artistas, organizações comuni-
tárias e populares, Igrejas, entre outros...)
Organização sem fins lucrativos, de caráter
GIFE – Grupo de Institutos, associativo que congrega instituições de
1995
Fundações e Empresas origem privada que realizam investimento
social no Brasil.
Criado com base na constatação de que a
sociedade civil contemporânea se apre-
senta como parceira indispensável de
qualquer governo no enfrentamento da
Conselho Comunidade pobreza e da exclusão social. Se propõe a
1995
Solidária adotar medidas para o fortalecimento da
sociedade civil. Desenvolve a interlocução
política sobre temas sociais com diversos
atores e cria programas sociais sob o co-
mando do Governo Federal.
Iniciativa de um grupo de empresários
para ajudar as empresas a compreender e
1998 Instituto Ethos
incorporar o conceito da responsabilidade
social no cotidiano de sua gestão.

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


95

Conhecida como Marco Legal do Tercei-


ro Setor, regulamentada com o decreto
nº3100, de 30 de junho de 1999. Introduziu
importantes alterações para regularização
do setor, dentre as quais podemos desta-
Lei nº 9.790, de 23 de car: os novos critérios de classificação das
1999
março entidades sem fins lucrativos de caráter pú-
blico, as novas possibilidades no sistema de
articulação entre as instituições de direito
privado e público e a possibilidade de re-
muneração dos dirigentes das instituições
sem fins lucrativos.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Quadro 9: Iniciativas Históricas do Terceiro Setor


Fonte: elaborado pela autora, baseado em Neto (2003, p.40-42)

Desde as iniciativas observadas no quadro anterior, o Terceiro Setor vem ganhando


força no cenário nacional e, sem perder a sua essência, dentre elas, a de ser um
setor fundamentalmente humano.
(...) Ser Terceiro Setor é atuar como um agente de transformação social,
que com sua missão ímpar de prestar um benefício, constrói uma nova
consciência caracterizada pela urgência de reverter indicadores sociais,
paradoxais à grandeza econômica e à diversidade imensa de recursos
naturais que detém o Brasil.

Ser Terceiro Setor é combater o paternalismo do Estado e o individu-


alismo social, integrando a sociedade civil com suas próprias proble-
máticas e soluções. É capacitar o indivíduo, o cidadão, de recursos que
o tornem ativo perante as desigualdades (NETO apud CAMARGO,
2003, p. 42-43).

O Terceiro Setor no Brasil


III

O TERCEIRO SETOR NOS DIAS ATUAIS

O que se tem discutido nas bibliografias é a crescente busca e esforço pela pro-
fissionalização do Terceiro Setor
A cultura do Terceiro Setor no Brasil é forte em voluntarismo e fraca
no aspecto profissional. Nos centros religiosos, prevalece o espírito da
caridade, como é próprio que o seja. Pouco se aproveita contudo da
competência presente entre os membros do culto. Nas organizações
populares predomina a cultura política, herdeira de outros tempos. É o
campo da militância, com seus altos e baixos. Nas associações de mo-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
radores, as lideranças locais se sacrificam, dando gratuitamente de si e
de seu tempo, quase sempre carente de meios. Entre universitários, a
dedicação aos temas de pesquisa e ensino permanece distante do es-
pírito empreendedor que dialoga com as demandas da sociedade ao
redor. Resulta que o imenso esforço acumulado pelas boas intenções
produz resultados muito aquém do que seria possível e desejável. Re-
sulta, ainda, um acúmulo de frustrações. Cresce a expectativa em rela-
ção ao Terceiro Setor, multiplicam-se as oportunidades, mas a resposta
não corresponde. A despeito da expansão do setor, grande parte das
entidades sofre uma crise de recursos (www.rits.org.br).

A transição de um Terceiro Setor amador, para um Terceiro Setor profissionali-


zado faz com que muitas das organizações repensem suas ações enquanto espaço
profissional, abandonando o amadorismo e dedicando tempo em seu planeja-
mento, de acordo com Neto (2003, p.56) “[...] corresponder a essas exigências
torna-se quase um verdadeiro milagre para as instituições que nunca tiveram
como prioridade a administração, mais sim a atividade fim”.
Logo,
A tão falada e difundida ‘profissionalização do Terceiro Setor’ exige
muito mais que uma boa contabilidade. Implica em ter uma missão e
metas bem definidas; baixar os custos; comunicar e difundir o que se
faz; ter clareza e transparência nas ações; planejar; monitorar; avaliar;
construir parcerias; enfim, transformar as instituições com metodolo-
gias que contribuam para a eficácia dos seus resultados e a sustentabili-
dade se seus projetos (NETO, 2003, p.56-57).

A citação acima será abordada de forma mais detalhada na próxima unidade.

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


97

Neto (2003) apresenta a necessidade de buscar a sustentabilidade dos pro-


jetos, para tanto, é necessário que a organização também possua uma gestão
sustentável, mas você sabe o que quer dizer isso no universo administrativo, nos
dias atuais? Veja o quadro abaixo, vai ajudar em nossa reflexão:

DIMENSÃO SUBSITEMA
‘Dimensão social’ ‘Subsistema: Sustentabilidade social’
Práticas trabalhistas e trabalho decen- Gestão do impacto das operações;
te; Gerenciamento do relacionamento Desenvolvimento humano dos tra-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

com consumidor; Cidadania corpo- balhadores; Adequado ambiente de


rativa; Fornecedores e parceria; Setor trabalho; ambiente ético.
público.
‘Dimensão ambiental’ ‘Subsistema: Sustentabilidade am-
Ar; Terra; Materiais; Energia; Água; Bio- biental’
diversidade; Produtos e serviços. Viabilidade ambiental; Avaliação do im-
pacto das operações; Ecoeficiência.
‘Dimensão Econômica’ ‘Subsistema: Sustentabilidade eco-
Relações com investidores; Investimen- nômica’
tos; Lucro e valor; Gerenciamento de Competitividade; Oferta de empregos;
crises. Lucratividade no longo prazo; Retorno
econômico suficiente.

Quadro 10: Componentes da Sustentabilidade Organizacional


Fonte: Delai e Takahashi (2008, p. 26)

Não é de hoje que as instituições do Terceiro Setor enfrentam desafios, aliás,


não é uma realidade desse setor, os demais setores também encontram desafios
permanentes a serem vencidos e superados. Mas como o foco do nosso estudo
é o Terceiro Setor, podemos perceber que alguns desses desafios, além da busca
pela profissionalização, podem ser:
• Investir em maior divulgação sobre seus trabalhos e de sua configuração.
• Administrar com maior eficácia os recursos financeiros, investir na busca
de recursos mais estáveis, garantindo a vida da organização.

O Terceiro Setor nos Dias Atuais


III

• Embora muitas organizações já invistam em processos de gestão social,


ainda se percebe a necessidade de propiciar maior participação e envolvi-
mento dos voluntários, de forma organizada, almejando a continuidade
da sua atuação e o delineamento do perfil do voluntário que cada orga-
nização necessita.

A qualidade e a eficiência da gestão das organizações sociais acaba por valorizar


cada vez mais os profissionais específicos, sobretudo ligados às áreas das ciên-
cias sociais e humanas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Podemos perceber, então, que o Terceiro Setor é formado por institui-
ções não governamentais, sendo formas de expressão da organização
da sociedade civil, a partir da participação voluntária para atender os
interesses públicos em diferentes áreas e segmentos, indo além da pers-
pectiva filantrópica e de caridade, passando a atuar de forma mais téc-
nica e profissional. Nesses casos, os beneficiários passam a ser alcança-
dos por trabalhos diferenciados qualitativamente, abrangendo as áreas
de saúde, educacional, cultural, ambiental, recreativa, defesa de direi-
tos, dentre outras(www.nossacausa.com.br, acesso em 10 fev. 2015).

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


99

(...)

A ARTE DE ASSOCIAR-SE
O terceiro Setor claramente chegou como um ator principal no cenário mundial, mas
ainda está para marcar sua presença na consciência pública, no círculo de políticas, na
mídia e nas pesquisas acadêmicas. Para que as emergentes organizações do Terceiro Se-
tor sejam levadas a sério pelos outros, elas devem primeiro levar-se a sério. As organiza-
ções não-governamentais devem dar maior atenção às trocas que existem entre volun-
tarismo e profissionalismo, entre a informalidade que confere a essas organizações seu
caráter especial e a institucionalização necessária para transformar sucessos isolados
em avaliações permanentes. Avaliações do desempenho de organizações não governa-
mentais em países em desenvolvimento, por exemplo, normalmente reconhecem o mé-
rito dessas organizações para alcançar comunidades distantes, promover a participação,
inovar e operar a baixo custo; culpam-nas, porém, por sua replicabilidade limitada, falta
de capacidade técnica e isolamento de considerações políticas mais amplas.
Gestores de organizações de Terceiro Setor terão de dar mais atenção ao treinamento e
à assistência técnica, e aqueles que contribuem com essas organizações terão de ir além
da filantropia apenas para sentir-se bem consigo mesmo (feel-goodphilanthropy) e do
financiamento de projetos de curto prazo, para o suporte institucional de longo prazo. O
Terceiro Setor claramente atingiu maturidade no cenário global, mas agora deve encon-
trar formas de fortalecer sua capacidade institucional e contribuir mais significativamen-
te para a solução de problemas maiores – sem perder sua base popular e capacidade
de mudança. Finalmente, talvez o mais decisivo fator determinante para o crescimento
do Terceiro Setor será o relacionamento que essas organizações desenvolverão com o
governo. A tarefa para organizações do Terceiro Setor é encontrar um modus vivendi
com o governo que propicie suficientes suportes legal e financeiro, preservando grau
significativo de independência e autonomia.
“Entre as leis que governam sociedades humanas”, escreveu Alexis de Tocqueville há
150 anos, “há uma que parece mais precisa e clara que todas as demais. Se os homens
permanecerão ou tornar-se-ão civilizados, a arte de associar-se deve crescer e desenvol-
ver-se na mesma medida em que a igualdade de condições é aumentada”. Um século e
meio depois, verdadeira revolução associativa parece estar em curso em nível global. O
resultante aumento de interesse em organizações sem fins lucrativos abriu os portões
para vastos reservatórios de talento e energia humanos, ao mesmo tempo em que criou
perigos de impasse e disputa. Embora esteja longe de ser claro o que deve ser feito para
manter abertos esses portões, um primeiro passo essencial é a melhor compreensão do
processo dramático que está em curso e do que ele representa, sob a forma de novos e
imensos desafios.
Fonte: Salamon, (1998, p.6-7)
III

CONFIGURAÇÃO DO TERCEIRO SETOR ATRAVÉS DOS TEMPOS

Proponho a você mais uma paradinha, após essa gostosa leitura, por meio de pes-
quisas, deparei-me com um material muito bacana, que gostaria de compartilhar,
é um texto escrito por Carlos Eduardo Guerra Silva. Trata-se de alguns esque-
mas que nos ajudarão a entender as modificações da configuração do Terceiro
Setor ao longo da História, sobretudo no Brasil. O primeiro deles traz a compo-
sição no século XIX, o segundo no século XX, década de 80, e por fim, no século
XXI, perceba que a cada alteração o componente aparecerá com uma cor dife-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
rente, sinalizando que aquele é um novo elemento na configuração do Terceiro
Setor naquele período.
Espero que te ajude, bom estudo!

Práticas de
Gestão

Terceiro
Setor

Legislação

Fontes de
Recursos

Governo Indivíduos

Igreja
Ítens surgidos no período

Figura 9: Configuração do Terceiro Setor em meados do século XIX


Fonte: Silva (2010, p.9)

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


101

Prestação
Finanças
de Contas

Práticas
de Gestão
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Forma
Terceiro Jurídica
Setor Constituição
de 1934

Código Civil
Fontes 1916

Organizações de Recursos Legislação


Nacionais

Indivíduos Utilidade
Empresas Pública
Entidade
Beneficente
Igreja
Governo

Itens surgidos no período

Figura 10: Configuração do Terceiro Setor em meados do século XX


Fonte: Silva (2010, p.9)

O Terceiro Setor nos Dias Atuais


III

Planejamento

Prestação
Finanças
de Contas

Avaliação de Práticas Captação de


Atividades de Gestão Recursos

Conselhos de
Organizações Políticas Públicas
Nacionais Terceiro Constituição
de 1988

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


Setor Forma
Empresas Jurídica
Código Civil
Organizações 1916
Internacionais Fontes
Legislação
de Recursos

Governo Utilidade
Indivíduos Entidade Pública
Beneficente
Recursos
Próprios
Igreja

Figura 12: Configuração do Terceiro Setor em meados da década de XXI Itens surgidos no período
Fonte: Elaborado por Carlos Eduardo Guerra Silva (2010, p.19)

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Planejamento

Prestação
Finanças
de Contas
Gestão de Pessoas
e Voluntariado
Auditoria
Marketing

Avaliação de Práticas Captação de


Atividades de Gestão Recursos

Conselhos de
Organizações Políticas Públicas
Nacionais Constituição
Terceiro
de 1988 Forma
Setor
Empresas Jurídica
Código Civil
Organizações 2002
Internacionais Fontes
Legislação
de Recursos

Governo Utilidade
Indivíduos Pública

Recursos
Lei do
Próprios Entidade
Igreja Voluntariado
Beneficente
OSCIP

Figura 12: Configuração do Terceiro Setor em meados da década de XXI Itens surgidos no período

O Terceiro Setor nos Dias Atuais


Fonte: Elaborado por Carlos Eduardo Guerra Silva (2010, p.19)
103
III

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Você pôde perceber, ao longo desta Unidade de estudo, que o Terceiro Setor foi
assumindo características diferentes em cada lugar do mundo, mas mantendo
sempre a sua essência.O comprometimento é o mesmo com as causas sociais e
a busca pelo seu enfrentamento.
Um setor que é fundamentalmente humano, ligado à concepção de cidadania,
voltado para ações cidadãs, pode-se constatar em todos os países apresentados
nesta Unidade, cada um à sua maneira e de acordo com a sua realidade. Participar

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ativamente se torna então um valor, que agrega, além da garantia dos direitos,
um re-significado para a vida daquele que está envolvido.
Uma iniciativa particular que contribui para a tarefa do Estado, não reti-
rando desse as suas responsabilidades. Com suas ações pautadas no caráter ético
e político, as organizações do Terceiro Setor vão enfatizando a relevância da
atuação da sociedade civil, saindo da passividade para um papel ativo, configu-
rando o espaço de atuação como um espaço de interação social, um espaço de
manifestação social, com vistas a uma sociedade mais justa, digna e igualitária.
Detemos parte do nosso estudo para analisar como o Terceiro Setor foi
se delineando no Brasil, traçando sempre um paralelo com o governo de cada
período. Não há como ser diferente, pois o Terceiro Setor não existe sozinho e
isolado, a todo instante frisamos que ele se encontra entre as ações do Primeiro
e Segundo Setores.
Mesmo sob diversas críticas em seu desenvolvimento, hoje, o Terceiro Setor
é um caminho sem volta e visto como essencial na atuação junto ao Estado no
enfrentamento das questões sociais. Deve ficar claro que ele não deve e não pode
assumir as responsabilidades que são do Estado, já previsto na Constituição
Federal de 1988. As políticas sociais são de responsabilidades do Estado e este
tem seu papel definido nas parceiras estabelecidas junto às organizações do
Terceiro Setor.
Reforço com você uma necessidade: a da constante atualização sobre a prá-
tica profissional, independente da área em que irá atuar como assistente social,
devemos ser sempre um profissional atualizado, capacitado e disposto a aprender,
pois a academia não nos garante tudo, ela apenas nos habilita para que sejamos

A CONFIGURAÇÃO HISTÓRICA DO TERCEIRO SETOR


105

especializados, é a base e o começo para que sejamos profissionais destacados.


Chamo ainda a atenção para que não sejamos “engolidos” pela rotina, pela neces-
sidade do fazer imediato, muitas vezes, a rotina nos cobra ações rápidas (o que
devemos observar com atenção), porém nunca podemos abandonar a nossa
capacidade analítica e crítica da realidade apresentada, devemos sempre funda-
mentar a nossa ação, pautada no conhecimento teórico, técnico e metodológico.
Iremos aprofundar um pouco mais sobre isso a seguir e ao longo do nosso
curso!
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Considerações Finais
1. Quais países se destacam quanto a história do Terceiro Setor e quais eram a suas
características?
2. Quais são os quatro mitos sobre o terceiro setor apontados pelo autor Lester Sala-
mon? Cite cada um e descreva-o.
3. No tópico: “Configuração do Terceiro Setor através dos tempos”, quais são os elemen-
tos que foram surgindo em cada um deles?
• Século XX:
• Década de 80:
• Século XXI:
4. Por que se diz que um dos grandes desafios para o Terceiro Setor é a sua profissio-
nalização?
5. Aponte cinco novos conhecimentos que você adquiriu nesta unidade de estudo.
107

O FUTURO DO TERCEIRO SETOR


As instituições do Terceiro Setor estão cada vez mais atuantes e aumentando em núme-
ro. O que no passado era algo feito sem muito profissionalismo, por amor a uma causa,
está atravessando uma fase muito interessante no mundo todo. Estamos nós, a huma-
nidade, cada vez mais preocupados com o próximo, com as mazelas da sociedade e não
apenas preocupados, mas envolvidos e interessados em contribuir. Enxergo o futuro do
Terceiro Setor brilhante, reluzente e grandioso.
Vemos casos no mundo todo, como da Fundação Bill & Melinda Gates, muitos artistas,
cantores, músicos criaram institutos, fundações e entidades que, de fato, prestam ser-
viços, arrecadam recursos e efetivamente fazem algo pela sociedade. Como exemplo,
cito a coluna do mês anterior em que divulgamos a oferta de recursos para a área de
saúde da Fundação Bill & Melinda Gates e o valor era substancial.
Mas o que me chama a atenção junto aos alunos com os quais trabalho hoje, tanto na
graduação como na pós-graduação, são duas coisas:
* A primeira é a preocupação em participar, em agir, fazer algo pela sociedade, o que
é fantástico. Muitas faculdades e universidades propiciam atividades extracurriculares
junto ao terceiro setor.
*A segunda constatação é a de que o terceiro setor oferece oportunidades de traba-
lho não apenas na área de atuação destas instituições junto à sociedade, mas também
oportunidades para jovens de talento que podem atuar nas áreas de marketing, finan-
ças, RH, tecnologia da informação, enfim, em todas as áreas de gestão.
Essa nova visão e as novas oportunidades estão abertas em todo o mundo. Assim, para
aqueles que têm interesse em um desafio, é interessante a possibilidade de atuar no
terceiro setor é a chance que estavam procurando.
Um trabalho desafiador e estressante como qualquer outro, porém com uma possibili-
dade de contribuir com a sociedade, além de alcançar o sucesso profissional como em
qualquer outra empresa.
Fonte: O futuro do terceiro setor (20015, online)
MATERIAL COMPLEMENTAR

Terceiro Setor e Questão Social: Crítica ao padrão


emergente de intervenção social.
Autor: Carlos Montaño
Editora: Cortez
Sinopse: O livro visa problematizar o debate sobre o conceito de
“terceiro setor”, caracterizando a origem setorializadora desse
termo, que impede uma visão de totalidade e, portanto, deita por
terra a perspectiva de transformação social.
Comentário: Uma leitura muito interessante e crítica, refletindo e
complementando o nosso estudo, no sentido de apresentar
o Terceiro Setor, não como substitutivo do Estado, e sim como
parceiro e uma das alternativas de conjuntamente enfrentar a crise
contemporânea.

Site oficial contendo informações sobre a qualificação como OSCIP:


<http://www.mj.gov.br/snj/oscip/default.htm>.

Site oficial contendo informações sobre a declaração de utilidade pública federal:


<http://www.mj.gov.br/snj/utilidadepublica/legislacao.htm>.

Site oficial contendo informações sobre a certificação de entidade beneficente de


assistência social:
<http://www.assistenciasocial.gov.br/iframe/cnas/cnas.htm>.
Professora Especialista Daniela Sikorski

ADMINISTRAÇÃO E

IV
UNIDADE
TERCEIRO SETOR

Objetivos de Aprendizagem
■■ Compreender os processos de gestão ligados ao Terceiro Setor.
■■ Analisar o voluntariado no contexto atual e o seu papel junto as
organizações de Terceiro Setor.
■■ Refletir sobre os desafios de gestão de pessoas enfrentados pelas
organizações que compõem o Terceiro Setor.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ A Administração, o Terceiro Setor e o Serviço Social
■■ Voluntariado e Terceiro Setor
111

INTRODUÇÃO

Vamos agora para a nossa quarta etapa de estudo sobre o Terceiro Setor, você
percebeu que iniciamos do contexto mais global e estamos delimitando cada
vez mais as nossas discussões. Isso é extremamente importante para que você,
enquanto futuro assistente social, compreenda que o entendimento sobre algum
assunto deve ser feito, primeiramente, na sua totalidade, para compreender o
contexto no qual o assunto está inserido, para que em seguida, possa ser com-
preendido na sua especificidade.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Tenho certeza que você está se dedicando e certamente será um exímio


profissional.
Nesta unidade, daremos atenção para alguns elementos atuais e que por muito
tempo não foram foco das ações das organizações que compõem o Terceiro Setor.
O tema da administração não será apresentado de forma aprofundada, você verá
ao longo do curso este tema com maiores detalhes. O estudo acerca da admi-
nistração será apresentado por ser relevante para o entendimento da Gestão no
Terceiro Setor, do Serviço Social e dos desafios e interfaces entre ambos.
Primeiramente, citamos que a profissionalização do Terceiro Setor é conside-
rada na atualidade com um dos grandes desafios; a gestão estratégica, a gestão de
pessoas, entre outras, se fazem necessárias para que se garanta a sustentabilidade
das organizações. Focar em profissionais habilitados, contratar, reter e desenvol-
ver pessoas, é, hoje, assunto amplamente discutido não somente nas empresas
privadas, mas atinge também organizações do Terceiro Setor.
Por fim, traremos um estudo sobre o voluntariado e o voluntário, pois mesmo
sendo o voluntariado o principal ator do Terceiro Setor durante anos, devido
a questões religiosas, de benesse, de caridade, hoje tem a mesma importância,
porém com outro foco.O voluntariado deve ser encarado como uma ação com
sentido, social, contributivo, com resultados mensuráveis. Possui uma lei pró-
pria e deve fazer parte do planejamento das organizações e perceber o seu papel
dentro da instituição.
Vamos lá? Bons estudos e sucesso!

Introdução
IV

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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A ADMINISTRAÇÃO, O TERCEIRO SETOR E O SERVIÇO


SOCIAL

Prontos para mais uma etapa do nosso estudo? Nesse momento, você poderá se
questionar: o que tem a ver a questão da administração com o curso de Serviço
Social?Por que preciso dedicar parte do meu tempo para falar de administração
se eu escolhi Serviço Social?
Estou aqui para pensar com você. Analise o cenário a sua volta, analise o
mercado de trabalho, a configuração dos campos de trabalho e o que hoje se
exige de um bom profissional.
É muito comum hoje que o assistente social assuma gerências e cargos de
coordenação. Isso não se deve somente porque é um profissional “bonzinho” ou
um “faz tudo”, como alguns ainda hoje pensam. Muitos empregadores hoje bus-
cam, no profissional, competências além daquelas da sua formação específica,
buscam um profissional capaz de pensar estrategicamente, capaz de lidar com
processo, metas, resultados, isso também se aplica às organizações do Terceiro
Setor, ficando claro que este é um setor que abandona o amadorismo e está a
cada dia se profissionalizando.

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


113

Hoje, quantas organizações do Terceiro Setor existem em sua cidade? Você


conhece alguma delas? Já participou de alguma delas?

É importante esse momento para que você traga à sua memória recente esta
vivência (da participação ou não junto a organizações de Terceiro Setor), pois,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a partir disso, você terá condição de realizar algumas análises, você terá base
para se comparar e se desenvolver. Contudo, se você nunca teve contato com
nenhuma organização ou não conhece, terá a oportunidade de ampliar seus
conhecimentos, ok?
Com certeza se você observar ao seu redor, perceberá que, atualmente,
existem muito mais organizações do que a 10 anos atrás, isso é excelente para a
sociedade, pois significa a potencialização do
[...] processo de universalização dos direitos e deveres e participação
cidadã, pode-se observar, em contrapartida, que a grande maioria des-
tas organizações não está preparada para atender tantas expectativas
que recaem sobre elas (NETO, 2003, p.55).

Com essa nova exigência, que é pró-


pria da evolução e amadurecimento
da sociedade, de que novas práticas
gerenciais e nova postura são muito
valorizadas, é preciso ter ciência que
as exigências também abrangem as
organizações do Terceiro Setor e per-
cebe-se que muitas delas ainda não
se deram conta disso, pois, histo-
ricamente, não acompanharam as
©shutterstock
mudanças em suas administrações.

A Administração, o Terceiro Setor e o Serviço Social


IV

Muitas delas mantiveram-se no amadorismo e boa vontade.


As novas oportunidades exige clareza gerencial. A empresa que se inte-
ressa pelo financiamento de um projeto traz consigo a sua cultura. Pen-
sa a ação como um “produto”. O Ministério ou a Secretaria que propõe
parceria lida com números, próprios à escala das políticas públicas. Os
beneficiários cobram das organizações como se fossem empresas pres-
tadoras de serviços (www.rits.org.br).

Para as instituições que até então tinham como prioridade única e exclusiva-
mente resolver um determinado problema de uma determinada realidade, não
preocupava o planejamento estratégico e os fundamentos de gestão etc. Agora,

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elas terão que se dedicar intensivamente para que passe a atender a essa nova
exigência do mercado, sabendo que isso contribuirá em muito para a sobrevi-
vência da instituição.
Já é sabido que as organizações do Terceiro Setor possuem em seu cerne um
forte desejo de mudar o mundo, o que acaba por imprimir um foco muito maior
na sua atividade fim, mais do que no ato de administrar.
Na década de 90,
[...] o papel das ONGs tornou-se mais claro perante a sociedade e fez-se
necessário um estabelecimento muito mais transparente de diálogo e
parceria com o Estado e o Mercado, as organizações de uma maneira
geral se encontram frente a grandes desafios e dificuldades na execu-
ção das tarefas administrativas exigidas. Isto faz com que seja necessá-
ria uma discussão mais aprofundada sobre a sua gestão (NETO, 2003,
p.57).

É preciso ter claro que a discussão de gestão no Terceiro Setor é considerada


nova, precisando ainda ser mais bem sistematizada, e hoje percebe-se que exis-
tem poucos estudos voltados para as organizações que atuam no campo social,
alguns estudos utilizam-se dos mesmos princípios/instrumentos aplicados às
empresas, públicas e privadas (ANDION, 1998).
É preciso considerar que as organizações do Terceiro Setor são dotadas de
particularidades que são intrínsecas à gestão.
Um dos estudos realizados acerca da administração do Terceiro Setor foi
realizado por Carolina Andion em 1998, o estudo fez parte da sua dissertação
de Mestrado, sob o título: “La gestiondesorganisations de l’économiesolidaire: deu-
xétudes de cas à Montreal”.

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


115

Nesse material, Andion identificou quatro dimensões interdependentes da


gestão no Terceiro Setor:

SOCIAL

ORGANIZACIONAL
ECOLÓGICA
E TÉCNICA
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ECONÔMICA

Figura 13: Dimensões da Gestão no Terceiro Setor


Fonte: Elaborada pelo autor

Sobre cada uma das dimensões a autora fala:


O social refere-se à interação entre as pessoas dentro da comunicação;
a econômica: trata das formas de gestão de recursos financeiros e não
financeiros utilizados na organização; a ecológica considera as relações
da organização com o meio ambiente externo, numa perspectiva de
complementaridade entre noções de autonomia e de dependência e a
organizacional e técnica abordam os aspectos referentes ao funcio-
namento interno das organizações e seus impactos sobre indivíduos
(ANDION, 1998, p.58, grifo nosso).

Dos estudos e pesquisas realizadas por Neto (2003) e Andion (1998), elencamos
sete pontos que irão contribuir para seu estudo acerca das particularidades da
gestão social ou, como alguns chamam, gestão do terceiro setor.
1. Orientação por valores: as pessoas se comprometem e se envolvem
quando acreditam nos valores das organizações, os ideais devem ser par-
tilhados e vivenciados diariamente. A falta de clareza dos valores, ideias
e comunicação são apenas alguns dos fatores que geram desmotivação.

A Administração, o Terceiro Setor e o Serviço Social


IV

2. Manutenção e a Legitimidade do Projeto Social: ter o foco bem defi-


nido, assim como seus objetivos e atores. “O projeto social é a missão da
organização traduzida de maneira planejada em estratégias e ação que vão
legitimar o propósito de sua existência” (NETO, 2003, p.58, grifo nosso).
3. Interface com o Estado e as empresas: interação permanente com governo
e mercado. Ao mesmo tempo em que as organizações possuem autono-
mia para o desempenho de suas atividades, existe também um elo de
dependência com as duas esferas citadas acima.
4. Negociação de várias lógicas: diz respeito à capacidade de desenvol-

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ver alternativas que facilitem fechar acordos satisfatórios entre as partes,
mantendo o equilíbrio, administrando possíveis conflitos de forma efi-
caz. Mediar interesses – necessidades. Nas organizações, “[...]trabalha-se
com diversos públicos (beneficiários direitos e indiretos; funcionários;
voluntários; doadores; empresas financiadoras; comunidade; governo e
imprensa)” (NETO, 2003, p.59, grifo nosso).
5. Hibridação dos recursos: os recursos são provenientes
“da comercialização de bens, e de serviço, promoções de eventos, te-
lemarketing, etc. realizadas pelas próprias organizações; de alianças e
parcerias com empresas; do financiamento do Estado e de outras ins-
tituições (fundações nacionais ou internacionais e agências interna-
cionais); da doação de indivíduos (solidariedade e do voluntariado),
dentre outros” (NETO, 2003, p.59, grifo nosso).

6. Trabalho Voluntário: o voluntário ainda é essencial para a organização,


os voluntários estão presentes na história do Terceiro Setor (a própria
diretoria é voluntária), é necessário ter um olhar estratégico para a pes-
soa do voluntário, para que este entenda o sentido do seu trabalho e se
perceba deveras envolvido com o planejamento da instituição.
7. Profissionalização: desconstruir a ideia de que o Terceiro Setor é só
trabalho voluntário. Hoje, depara-se com uma grande dificuldade de
contratar mão de obra especializada, sobretudo, no que se diz respeito a
processos de gestão.

É interessante frisar que os elementos acima elencados, com as suas devidas con-
siderações, estão ligados especificamente à gestão de organizações do Terceiro

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


117

Setor, o que difere da administração clássica.


A gestão do Terceiro Setor, apesar de utilizar instrumentos gerenciais
tradicionais, o faz através de adaptações que se observam no quotidia-
no administrativo dos grupos e que começam a ser tratados em cursos
e materiais de gestão específicos para a área (NETO, 2003, p.60).

Sendo assim, é importante entender que o estudo e a apropriação dos conhecimen-


tos da gestão, da administração, nos permitem, enquanto assistentes sociais, lidar
com situações em que se exigem análises de causa/efeito com assuntos relaciona-
dos à problemática do trabalhador, bem como os fenômenos sociais correlatos.
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O estudo ainda permite ao profissional de Serviço Social:


■■ Contribuir para a humanização das condições de trabalho.
■■ Proporcionar condições e/ou colaborar para a maximização do grau de
satisfação de todos os envolvidos no processo, sejam eles usuários ou pro-
motores das ações prestadas pela organização (aqui no caso do Terceiro
Setor).
■■ Intervir com maior propriedade, segurança nos fenômenos sociais decor-
rentes das relações humanas e sociais.

Maior desafio para um gestor ou grupo gestores: esperar o inesperado.O Brasil


vive uma crise das suas representações sociais, na qual a vantagem competitiva
está com quem se coloca estrategicamente à frente dos demais.
Para ampliar seus conhecimentos acerca da nossa discussão até aqui, propo-
nho a você a leitura deste texto, interessante e muito contributivo!
Boa Leitura!

A Administração, o Terceiro Setor e o Serviço Social


GESTÃO SOCIAL: A MUDANÇA ORGANIZACIONAL NECESSÁRIA
Todas as organizações, sejam elas com ou sem fins lucrativos, necessitam gerir sua es-
trutura de forma a alcançar os objetivos a que se propõem. Apesar de os propósitos de
ambas se distinguirem – têm missões e objetivos totalmente diferentes –, desenvolvem
produtos ou serviços a partir do trabalho de pessoas e da utilização de recursos.
Nesse sentido, convivem com situações semelhantes e enfrentam desafios também se-
melhantes. Ambas se defrontam com um mundo em constante processo de mudan-
ças, cada vez mais rápidas, envolvendo uma diversidade e uma complexidade cada vez
maiores.
As empresas privadas têm enfrentado essas mudanças empregando sistemas de gestão
cada vez mais flexíveis, ágeis e capazes de se adaptarem às novas situações. Têm conse-
guido não apenas enfrentá-las, como também criar novas demandas e tecnologias que,
por sua vez, aceleram ainda mais esse processo.
A administração pública e as organizações da sociedade civil que atuam no campo so-
cial não poderiam escapar dessa realidade. O agravamento das questões sociais impõe
a necessidade de responderem à sociedade de forma imediata, muitas vezes necessitan-
do mesmo adaptar-se às novas circunstâncias.
E a sociedade tem exigido cada vez mais participação nas definições de prioridades e
transparência na gestão dos recursos públicos, principalmente daqueles utilizados em
programas e projetos sociais.
Para enfrentar o enorme desafio de suplantar e inverter sua atuação descontínua e re-
ativa nesse campo, buscando tornar-se mais ativa e ágil, a administração pública vem
adotando alguns instrumentos de gestão com maior capacidade de monitoramento
dos programas prioritários do governo e investindo na formação de quadros profissio-
nais com perfis mais modernos e sensíveis às necessidades da sociedade, medidas essas
ainda extremamente tímidas diante de nossa realidade social.
As organizações da sociedade civil, por sua vez, têm convivido com as exigências de
agências e órgãos financiadores, que vêm dando crescente importância à forma como
os recursos concedidos para o desenvolvimento dos projetos é gerida, ou seja, à capa-
cidade gerencial e administrativa da instituição em demonstrar clara e eficientemente a
utilização desses recursos.
Uma boa justificativa e uma clara definição de objetivos e resultados pretendidos – com
claros indicadores qualitativos e quantitativos – são elementos fundamentais de um
projeto. Da mesma forma, é de grande importância uma correta e transparente presta-
ção de contas. No entanto, outros requisitos são necessários e igualmente importantes.
Isso tem levado as organizações a procurar rever, quando necessário, sua forma de fun-
cionamento, reestruturando-se ou modernizando-se administrativamente. Além do
119

mais, tornou-se fundamental investir na capacitação de seu pessoal, para que seu de-
sempenho permita responder a essas exigências.
Cabe a elas, portanto, o desafio de ir além de boas intenções e boas propostas, qualida-
des que caracterizam a maioria delas. É preciso que suas ações sejam desenvolvidas de
forma eficiente, eficaz, ágil, participativa e transparente, superando a informalidade e
buscando a concretização de objetivos comuns, com resultados capazes de interferir na
realidade, transformando-a.
Fonte: Ávila (2001, p.103-104)
IV

GESTÃO ESTRATÉGICA

Quando falamos em gestão estratégica, falamos em planejamento, e quando apli-


camos o termo as organizações do Terceiro Setor, para algumas organizações, até
causa certa estranheza, e para outras resistência. Planejamento não é um con-
ceito novo, bem como estratégia.
O planejamento permite que a organização desenvolva suas atividades com
maior solidez, segurança e organização.
O planejamento é uma forma de pensar o futuro para atuar sobre a

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realidade, ou seja, um processo de reflexão que precede e preside a
ação e obriga a instituição a assumir uma atitude pró-ativa, sem impro-
visações. O planejamento permite que se escolham dentre diferentes
alternativas, aquela que oferece as melhores chances de sucesso, levan-
do-se em consideração a receita, a equipe, o tempo, e a estrutura. Ao
planejarmos: pensamos antes, durante e depois. Hoje porem, não basta
apenas planejar, deve-se pensar estrategicamente (NETO, 2003, p.101).

Para isso, cada profissional deve ter claro ao assumir uma


função/tarefa:
■■ Quem quero atingir, quem é o foco da minha
responsabilidade?
■■ O que devo “entregar” ao meu usuário? Qual é o valor
agregado do meu trabalho (faço por fazer ou faço por enten-
der a relevância do meu trabalho e os benefícios que ele
traz?)? Como tornar a minha prática interessante para mim
e para o outro?
■■ Imprimir simplicidade e facilidade de acesso e realização.

Deve compreender em sua prática os conceitos hoje apli-


cados sobre eficácia e eficiência, observe o quadro abaixo
©shutterstock
que nos ajudará a ver como medir o desempenho das ações:

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


121

DESEMPENHO AVALIAÇÃO

Os objetivos propostos foram atingidos com a


Eficaz e eficiente
menor utilização dos recursos disponíveis.

Os objetivos foram alcançados, mas com maior


Eficaz, mas ineficiente
consumo de recursos do que previsto
Os recursos foram utilizados conforme o es-
Eficiente, mas ineficaz tabelecido, porém, os objetivos previstos não
foram alcançados.
Os objetivos não foram alcançados e o consu-
Ineficaz e ineficiente
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mo de recursos ultrapassou o previsto.

Quadro 11: Gestão de ONGs - principais funções gerenciais (2005, p.19)


Fonte: baseado em TENÓRIO, Fernando G.(org)

Não basta apenas planejar, tem que planejar estrategicamente. Para tanto, vamos
aos conceitos do que quer dizer estratégia:
A palavra estratégia significa, literalmente, “a arte do general”, derivan-
do-se da palavra grega strategos, que significa estritamente, general. Es-
tratégia, na Grécia Antiga, significava aquilo que o general fez... Antes
de Napoleão, estratégia significava a arte e a ciência de conduzir forças
militares para derrotar o inimigo ou abrandar os resultados da derrota.
Na época de Napoleão, a palavra estratégia estendeu-se aos movimen-
tos políticos e econômicos visando a melhores mudanças para a vitória
militar (OLIVEIRA apud STEINER, 1969, p.237).

Estratégia diz respeito ao conjunto de ações que definem o posicionamento da


empresa no mercado e na sociedade – o norte/rumo que a empresa seguirá – per-
mitindo-lhe manter o foco e a segurança. Com ferramentas capazes de congregar
diversas áreas organicamente, a estratégia implica em alinhamento, ou seja, todos
os profissionais devem saber para onde a organização pretende ir e o que deseja
alcançar, a quem beneficiar, garantindo aplicação correta dos recursos e a satisfa-
ção daqueles que serão beneficiados a partir daquilo que esta se propõe entregar.
Isso quer dizer que o profissional deve estar atento aos pequenos detalhes.

A Administração, o Terceiro Setor e o Serviço Social


IV

Bom, visto os conceitos separadamente, o que acha de juntarmos os dois e


entender o que é um planejamento estratégico?

O Planejamento Estratégico vai um pouco além de planejar, pois inclui a utilização de


estratégias para a sua ação, ou seja, a capacidade de posicionar-se corretamente frente
às situações do ambiente, tanto interno, quanto exerno da organização (NETO, 2003,
p.101).

Planejamento Estratégico é o processo interno de reflexão e coordenação sistemática


de recursos humanos, financeiros, materiais e tecnológicos que tem como objetivo
ajudar a organização a gerar melhores resultados para si e, em consequência, para a

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sociedade à qual se destina (MENEGHETTI, 2001).

É um modelo de decisão, unificado e integrador que delimita os domínios de atuação


da Instituição. Determina e revela o propósito organizacional em termos de Valores,
Missão, Objetivos, Estratégias, Metas e Ações, com foco em Priorizar a Alocação de
Recursos. Descreve as condições internas de resposta ao ambiente externo e a forma de
modificá-las, com vistas ao fortalecimento da Instituição. Engaja todos os níveis da
Instituição para a consecução dos fins maiores.

Figura 14: Conceituando Planejamento Estratégico


Fonte: Elaborada pelo autor

A Administração Estratégica tem as principais características, considerando a


leitura de vários autores:
• É um modelo que orienta e preside as principais decisões de uma
organização.
• É um meio de estabelecer o propósito da organização em termos de mis-
são, objetivos, programas de ação e prioridades de alocação de recursos.
• É instrumento para definição de domínios de atuação da organização.
• É uma resposta para otimizar oportunidades forças: minimizar e elimi-
nar ameaças e fraquezas, com a finalidade de alcançar um desempenho
competitivo.
• É um critério para diferenciar as tarefas gerenciais dos vários níveis hie-
rárquicos da organização.

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


123

GESTÃO DE PROCESSOS

O que quer dizer processos quando se fala de organização?


O processo pode ser compreendido como o conjunto de atividades que tem
por objetivo levar a um resultado esperado. Os processos transitam pelas diver-
sas áreas da organização, até que se atinja o resultado esperado e definido pela
equipe. Para isso, é preciso que as interfaces “conversem entre si”, pois cada área
deve estar alinhada com o processo macro da organização.
Entenda a interface:
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PACIENTE
RETIRA PORTEIRO ORIENTA
URGÊNCIA SENHA SALA DE ESPERA
PREFERENCIAL

RECEPCIONISTA CHAMA A SENHA. DÁ


TELEFONISTA
MÉDICO CHAMA ATENDIMENTO. EMITE DOCUMENTAÇÃO.
CHAMA O
PACIENTE PEDE PARA PACIENTE AGUARDAR
PLANTONISTA
CHAMADO DO MÉDICO.

Cada "flecha" é uma interface. Se alguma das


caixas não realizar corretamente o seu trabalho,
compromete o trabalho do próximo. Interface é
o ponto em que ocorre a passagem de bastão.

Figura 15: Exemplificando processo e interface


Fonte: Elaborada pelo autor

Você consegue entender o que é processo? Imagine o processo como um con-


junto de atividade, como o fluxograma apresentado anteriormente,passagem de
bastão são as interfaces do processo, ou seja, em que cada uma das partes preci-
sam acreditar e confiar no trabalho da outra parte, para que o trabalho aconteça
sem intercorrências. Quando há falhas, precisa-se buscar sua causa, a raiz do
problema, como se costuma dizer.
É muito comum ouvir, em nossa profissão, que é preciso encontrar as causas
dos problemas com os quais temos contato, as demandas que chegam até nós,

A Administração, o Terceiro Setor e o Serviço Social


IV

enquanto profissional, isso é importante para que não sejamos apenas imedia-
tistas, como já falamos anteriormente.
Olhar somente as consequências e atuar somente sobre elas pode até resol-
ver o problema naquele momento exato, mas com certeza ele voltará a acontecer
numa outra ocasião. Essa reflexão que muito se aproxima da nossa profissão
,também se aplica quando falamos em gestão. Quando se atua somente nas con-
sequências, aumenta-se o custo do trabalho, aumenta-se o tempo dedicado na
imediaticidade.
Quando se fala em processo, designa-se aquilo que precisa ser feito dentro

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da necessidade de tempo.
Uma das dificuldades em se achar as causas dos problemas pode ser a falta de
visão sistêmica e cobranças locais, focada somente num determinado contexto.

GESTÃO DE PESSOAS

Toda organização é formada por pessoas e elas são responsável pelo sucesso
do trabalho ofertado, por meio do seu desempenho. Cada integrante deve ser
observado com atenção, bem como liderado e desenvolvido com competência.
Grande dificuldade notada junto às organizações do Terceiro Setor é a de buscar
uma estrutura profissional, com pessoas devidamente habilitadas, alcançando,
assim, os objetivos determinados.
Para isso, é necessário a participação de todos e, mais que isso, as pessoas
precisam ter claro quais são os objetivos que a organização espera delas, quais
são as estratégias e metas, por fim, compartilhar dos resultados obtidos.
Uma das grandes forças de uma organização sem fins lucrativos é que
as pessoas não trabalham nela para viver, mas por uma causa (nem
todas, mas muitas). Isto também cria uma tremenda responsabilidade
para a instituição: a de manter a chama viva e não permitir que o traba-
lho se transforme em apenas um ‘emprego’ (DRUCKER, 1999, p.110).

Muitas organizações do Terceiro Setor já se deram conta dessa necessidade e já


é possível perceber cases de sucesso, no que tange à gestão participativa. Outras
ainda não, e um dos pontos identificados é justamente a falta de clareza dos

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


125

papéis e funções a serem desempenhados por seus colaboradores.


A partir da tomada de consciência acerca da necessidade de profissionalizar
o Terceiro Setor, muitas propostas e leituras foram realizadas, cada autor apre-
sentando do seu jeito a melhor saída para uma nova configuração do setor, mais
fortalecido administrativamente, mais eficaz e focado em resultados. Dentre
todos, alguns desafios na estruturação do processo de gestão de pessoas foram
identificados:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Captação de
Recursos Humanos

Recompensas
Desenvolvimento dos
(materiais e não
Recursos Humanos
materiais)

Sucessão Remuneração

Figura16:Exemplo de Processo de Gestão de Pessoas


Fonte: Elaborada pelo autor

A discussão acerca de gestão de pessoas perpassa os colaboradores, ela também


diz respeito à gestão de voluntários (item que veremos mais a frente), para que
o voluntariado na organização prospere, é necessário que ele, antes de desempe-
nhar suas atividades, esteja bem orientado e integrado na equipe efetiva, sabendo
a quem responder e a quem recorrer em casos de dúvidas. O voluntário não deve
ser como mais um e ficar solto para agir como bem quiser.
Gerenciar “gente” envolve gerenciar pessoal e profissional, é preciso enten-
der as pessoas, o sucesso com as pessoas auxilia no atingimento das metas, para

A Administração, o Terceiro Setor e o Serviço Social


IV

tanto, é necessário ser justo, um dos grandes fatores que contribuem com a moti-
vação das pessoas, gera confiança.
Atualmente, o assistente social desempenha o papel de liderança, ser líder é
entender de gente, entender como cada pessoa da sua equipe funciona.
Outra questão relevante é que o líder consegue sucesso pelo exemplo.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Na atuação junto ao Terceiro Setor, temos várias funções que podem ser
desempenhadas na administração da organização, espaço para diferentes
profissionais, com formações específicas, se você se interessou e tem curio-
sidade de saber como funciona e as atividades de cada área, pode acessar
os links abaixo:
Captador de Recursos: disponível em: <http://captacao.org/>.
Gestor de Projetos Sociais: disponível em: <http://gestaosocial.org.br/>.
Gestor de redes: disponível em: <http://escoladeredes.ning.com/>.
Facilitador de Processos: disponível em: <http://institutofonte.org.br/>.
Avaliador de Projetos Sociais: disponível em: <http://redebrasileirademea.
ning.com/>.
Gestor de Voluntariado: disponível em: <http://www.voluntariado.org.br/>.

GESTÃO DE MARKETING

O que vem à sua cabeça quando ouve a palavra


Marketing? O que ela representa em sua mente?
Como você define marketing?
A maioria das pessoas associa o marketing
à propaganda, à relação de compra e venda e ao
mercantilismo. A fim de confirmar essa teoria,
observe os trechos seguintes: ©shutterstock

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


127

[...] marketing é o processo pelo qual indivíduos ou grupos obtêm o


que precisam e desejam através de troca de produtos e valores. (...) Ati-
vidades como desenvolvimento de produtos, pesquisa, comunicação,
distribuição, preços e serviços são as atividades centrais do marketing
(KOTLER, 1980).

Marketing é todo empreendimento do ponto de vista do consumidor


(DRUCKER, 1994).

Fica então a pergunta: como associar Marketing ao Terceiro Setor, em que se


aproximam as ações de marketing e iniciativa social?
Para entender essa pergunta e, em seguida, dar seguimento ao nosso estudo,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

leia com atenção o breve histórico dessa relação:


A associação entre marketing e o aspecto social começou a aparecer
no início da década de 70, quando Philip Kotler e Gerald Zaltman es-
tudavam aplicações do marketing que contribuíssem para a busca e o
encaminhamento de soluções para diversas questões sociais. Assim, em
1971 publicaram no Journal of Marketing um artigo intitulado Social
Marketing: ‘Approach to Planned Social Chance’, no qual conceituam
marketing social como sendo: ‘o projeto, a implementação e o controle
de programas que procuram aumentar a aceitação de um ideia, causa
ou prática social entre um grupo-alvo. Utiliza conceitos de segmen-
tação de mercado, de pesquisa de consumidores, de configuração de
ideias, de comunicação, de facilitação de incentivos e a teoria da troca,
a fim de maximizar a reação do grupo-alvo (NETO apud KOTLER;
ZALTMAN, 2003, p.62)

A partir de então, os conceitos de marketing social começam a se estruturar che-


gando ao conceito que vemos hoje.
Os meios massivos de comunicação de ampla cobertura (rádio, televi-
são, e propaganda escrita) propostos por Manoff foram adaptados para
o desenvolvimento de campanhas com temas sociais, que resultaram
em uma importante contribuição para o aumento da consciência dos
indivíduos sobre problemas de saúde, associados a certos comporta-
mentos e a mudanças de hábitos. Após pesquisas de avaliação, verifi-
cou-se que, depois de terminadas as campanhas, o nível de informação
adquirido, ou seja, o público conseguia aumentaro nível de consciên-
cia, mas por diversos outros fatores não modificavam necessariamente
seu comportamento (NETO, 2003, p.63).

A Administração, o Terceiro Setor e o Serviço Social


IV

Conceitos de Marketing Social, de acordo com autores e estudiosos da área:

Estratégia de mudança do comportamento. Ele combina


os melhores elementos das abordagens tradicionais da
PHILIP KOTLER mudança social num esquema integrado de planejamento
e ação e aproveita os avanços na tecnologia das comunica-
ções e na capacidade de marketing.

Ferramenta democrática e eficiente que aplica os princípios


e instrumentos do marketing de modo a criar e outorgar
um valor à proposta social. O marketing social redescobre

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ATUCHA o consumidor por meio do diálogo interativo, o que gera
condição para que se construa o processo de reflexão, par-
ticipação e mudança social. Os resultados são mensuráveis
pelos seus efeitos e avaliados pela sua efetividade.
Marketing Social é a estratégia do processo de mudança so-
cial a partir da adoção de nossos comportamentos, atitudes
e práticas, no âmbito individual e coletivo, orientadas por
princípios éticos, fundamentados nos direitos humanos e na
equidade social.
O termo é empregado para descrever o uso sistemático
SHIAVO E FONTES dos princípios e métodos do marketing orientados para
promover a aceitação de uma causa ou ideia, que levem
um ou mais segmentos populacionais identificados como
público-alvo a mudanças comportamentais quanto a forma
de sentir, perceber, pensar e agir sobre uma determinada
questão, adotando respeito a novos conceitos e atitudes.

Marketing Social é encarado como estratégia de mudanças


comportamentais e atitudinais podendo ser utilizado em
ARAUJO qualquer tipo de organização, seja pública ou privada, lucra-
tiva ou não, desde que tenha uma meta final de produção
de transformação e impactos sociais.

Quadro 12: Conceitos de Marketing Social


Font: Elaborado pelo autor

Um ponto relevante, caro(a) futuro(a) assistente social, e que você deve estar
atento(a) é que não podemos nos equivocar quanto à real essência do marke-
ting social, ela está ligada a mudanças de comportamento, na busca pela adoção
de uma atitude socialmente responsável.

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


129

Segue abaixo algumas definições e atitudes que podem fazer com que você,
enquanto futuro(a) assistente social e possível gestor(a) de uma organização do
Terceiro Setor não se confunda no momento de traçar as estratégias de marke-
ting junto à equipe:

Estratégia de posicionamento A empresa desenvolve um


que associa uma empresa/mar- projeto na área social sem
ca a uma causa social visando se associar a nenhuma
agregar valor à marca e estimu- instituição ligada à causa.
lar vendas, pode ser desenvol- Pressupõe que a empresa
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

MARKETING PARA vido por meio de uma aliança adote uma causa e, por
CAUSAS SOCIAIS estratégica entre uma empresa consequência, contribua
e uma organização voluntária socialmente.
ou beneficente, comprometida
com a área de interesse social
ou diretamente em benefício
da causa em si.
Baseia-se na premissa de que Nesse ponto, o marketing
os consumidores comprarão está associado à compra
produtos ou serviços que e não necessariamente à
M A R K E T I N G oferecem algum tipo de bônus adoção de uma atitude
RELACIONADO A emocional na forma de uma mais responsável social-
UMA CAUSA contribuição para uma organi- mente pelo consumidor.
zação filantrópica (NETO apud Exemplo: MC Dia Feliz.
CORREA, 2003, p. 69).

Tabela 3: Marketing para causas sociais X Marketing Relacionado a uma causa


Fonte: Elaborado pelo autor baseado em Neto (2003)

O que visa o marketing para as organizações do Terceiro Setor? Ele visa além da
transformação social, mudança comportamental, o lucro que bem é preciso para
que as organizações possam se manter sustentáveis. Para isso,deve-se descobrir
novas oportunidades, desenvolver planos para realizá-las e, então, obter lucro com
elas, para que possam garantir a existência das organizações do Terceiro Setor.

A Administração, o Terceiro Setor e o Serviço Social


IV

DESAFIOS PARA A GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO


SETOR

DESAFIO DESCRIÇÃO
A responsabilidade e a transparência na prestação de contas
Transparência
para com aqueles que direcionam recursos para a instituição.
Profissionalismo na captação e aplicação dos recursos –
materiais e imateriais – de maneira suficiente e continuada,
Sustentabilidade
e utilizá-los com competência, de maneira a preservar a

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
organização, bem como atingir seus objetivos institucionais.
Racionalidade Uso eficiente dos recursos e avaliação adequada do que
na aplicação dos deve ser priorizado, em função dos recursos disponíveis, das
Recursos necessidades do público e das alternativas existentes.
Trabalho intersetorial, na articulação de redes, fóruns, asso-
ciações, federações e grupos de trabalho, de forma real ou
Ênfase no traba-
virtual, permitindo articulação e troca de informações, bem
lho em rede
como a complementaridade dos serviços oferecidos aos
usuários.

Quadro 13: Desafios para a Gestão das Organizações do Terceiro Setor


Fonte: Elaborado pelo autor baseado em Falconer(1999)

VOLUNTARIADO E TERCEIRO SETOR

BREVE HISTÓRICO DO VOLUNTARIADO NO MUNDO

O voluntariado surge a partir do momento em que o ser humano toma consci-


ência de si, enquanto ser dotado de razão e sentimento, sendo capaz de perceber
o que lhe faz bem ou não, aquilo que lhe cabe como certo ou errado, o que é
justo ou injusto. O homem como ser pertencente a uma sociedade, deve se per-
ceber enquanto construtor, protagonista e ator dessa sociedade. O homem que
cria é também aquele que pode lutar pela desconstrução dos “desajustes sociais”,

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


131

um poder que é ativo e vivo, construídos pelo tempo, possível somente quando
há autoconsciência.
A autoconsciência (consciência de si), bem como a consciência dos outros,
embora permita a sensação e a experiência de liberdade, ainda sim faz com que
o ser humano seja influenciado pela sociedade e pelo meio onde vive, ao mesmo
tempo em que influencia, é influenciado por ele, formando-se assim o ser social.
O surgimento do voluntariado encontra-se no momento em que o homem
toma consciência de si. Com o evoluir da história, identificou-se que um dos
vários segmentos da sociedade é considerado relevante nesse ponto de estudo,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

um segmento influenciador, sobretudo das ações voluntárias na história da huma-


nidade, a saber, a religião.
Ao observarmos a história, veremos que as religiões na sua totalidade difun-
dem o amor ao próximo, o bem, a caridade, a compaixão e isso é propagado
como virtude. E, em muitas delas, com uma das maneiras de salvar a própria
alma, sendo assim uma atitude individual.
Quando se fala em salvação, tem-se presente na sociedade a concepção de
“castigo” divino, ou seja, aquele que não pratica o bem estaria “condenado” no dia
do seu “juízo final” (pós-morte), seria severamente castigado pelo “Deus punidor”.

Quantas vezes, quando criança, ouvimos: Não faça isso senão Deus castiga!
Ou então: Deus está te vendo, então, não faça nada errado! Isso trouxe vá-
rios momentos de reflexão acerca de “quem era esse Deus tão poderoso”! E
muitas pessoas tiveram suas atitudes norteadas, por crença ou por receio.
Ou ainda, sem saber realmente o objetivo social-humanitário de suas ações:
as mudanças que almejavam, pensavam apenas na não punição de sua
alma e isso bastava.

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

O avanço científico, tecnológico, literário, entre outros, não trouxeram no mesmo


compasso a prática dos valores humanitários, o bem comum, a reciprocidade,
os valores econômicos acabaram por sobressair aos valores humanos, fruto do
individualismo capitalista.
Em muitos países, podemos observar que a insistência acerca da preocu-
pação com o próximo e o desenvolvimento comum e igual se faziam presentes,
como podemos observar na Alemanha do século XIX, em que algumas forças
voluntárias se faziam presentes. Como podemos perceber em algumas termi-
nologias do quadro seguinte:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
TERMINOLOGIA DEFINIÇÃO
Termo mais antigo e também o mais usado,
conhecido desde os primórdios do trabalho
voluntário organizado na área social [...] quando
EHRENAMT o Estado delegou a homens voluntários o atendi-
mento às pessoas carentes. Este termo implica em
‘cargo honorífico’ motivado por caridade e amor
ao próximo.
Usado para designar cidadão participante das de-
BÜRGERSCHAFTLICHES cisões com sua responsabilidade social, atuando
ENGAGEMENT em organizações não governamentais ligadas a
iniciativas políticas e ambientalistas.
Termo mais próximo da semântica anglo-saxã
‘volunteering’ internacionalmente usada. Este
FREIWILIGES termo considera o novo papel do voluntariado na
ENGAGEMENT sociedade civil e ao mesmo tempo por interesse
pessoal em, por exemplo, ganhar novos conheci-
mentos e experiências.

Quadro 14
Fonte: www.portaldovoluntario.org.br/ site/pagina.php?idartigo=46&idmenu=46

Permanecendo ainda na Alemanha, no início do século XX, temos registrado


o trabalho voluntário organizado, sobretudo na área social, trazendo a noção
do “re-construir profissionalmente o social”. Porém essa ideia ocasionou um
tipo de marginalização dos voluntários da época. Nesse período, o trabalho era

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


133

uma das características das donas de casa que estavam dispostas a se dedicar
aos mais necessitados por um motivo caritativo e de benesse, conceituado pela
época como um trabalho desenvolvido e entendido como um tipo de atividade
desenvolvido por leigos.
Já nos meados de 1980, ainda na Alemanha,uma nova concepção de volun-
tariado começa a emergir, sendo encarado timidamente de outra forma:
[...] como a responsabilidade com o bem público e o interesse conco-
mitante em um retorno na forma de novas experiências, aprendizado,
contatos pessoais, trabalho junto à uma estrutura bem organizada e
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

atividade em geral estrita a um intervalo de tempo limitado (PORTAL


DO VOLUNTARIO, online).

Encarado dessa forma, novas exigências também começam a despontar, pede-se,


agora, um trabalho voluntário mais qualificado, com respostas mais eficientes,
têm-se uma ideia do que seria substituir os funcionários por voluntários, pois
estes não teriam custos.
As diferenças sociais se agravam e se acentuam, emergindo assim no século
XX os mais diversos problemas sociais, intensificando o voluntariado feminino,
com fortes raízes morais, religiosas, com o objetivo de educação dos pobres, bem
como os órfãos e as viúvas de guerra. Tornou-se uma prática obrigatória entre
as damas daquela sociedade. O voluntariado acaba se tornando uma máscara
para as práticas masculinas praticadas nos campos de guerra.
No contexto mundial, a Europa foi um dos locais de maior destaque quanto
ao trabalho voluntário no mundo. Dentre eles, cita-se também o trabalho reali-
zado pelo corpo de bombeiros de Portugal, o qual há mais 610 anos, conta com
trabalhos de voluntários, sempre a postos a contribuir com a sociedade.
Nos Estados Unidos, houve um movimento diferente quando se trata de
voluntariado, considerando a forma como seus territórios foram ocupados, con-
siderando os princípios religiosos vigentes naquele momento no país, em que se
pregava que “nada caía do céu”e que o progresso e o avanço não aconteceriam se
não houvesse um esforço conjunto, coletivo, entediam que o desenvolvimento só
aconteceria a partir de uma organização social e não da generosidade ou benesse

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

de alguém.Os registros do exposto acima datam de 1919. Já em 1932, houve o


registro da criação do Comitê Nacional dos Voluntários:
A preocupação do Comitê justificava-se em vista do início da profissão
do Assistente Social, mas também devido às necessidades da época da
depressão econômica. Além disso, também se buscava estimular o tra-
balho voluntário (MEISTER, 2003, p.104).

Em 1933, aos poucos vai sendo implantado o “bureau de voluntários” em várias


cidades dos Estados Unidos, o objetivo é o de indicar mais voluntários para as
organizações sociais, que futuramente se ligam ao Conselho de Serviço Social.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Retomando a história, consta que ao final da II Guerra Mundial houve um
grande aumento das atividades voluntárias (organizadas ou não). Isso ocorreu
por conta dos imensos problemas de ordem, sobretudo social, proveniente da
guerra, com isso, a sociedade civil vem à tona e se faz presente.
O quadro seguinte abordará os principais marcos acerca da história do
voluntariado, o esquema foi baseado no livro de José Antônio Fracalossi Meister
“Voluntariado - Uma ação com sentido” (2003).

ANO/PERÍODO DESCRIÇÃO
1843 Fundada a Cruz Vermelha
O Comitê Nacional dos Voluntários suspende suas operações
e anexa-se ao órgão da defesa civil nos Estados Unidos. Ao fi-
Anos 40
nal da II Guerra, o objetivo era recrutar voluntários para ajuda
às comunidades necessitadas.
É criada a AVB (Association of Volunteer Bureau), que durou
30 anos, tendo como missão: realizar treinamento, buscando
padrões de excelência e o desenvolvimento do voluntariado
nas comunidades. Começa a aparecer aqui a preocupação
com uma ação voluntária qualificada, a ideia de não realizar
a “prática pela prática”, mas obter um corpo de voluntários
Anos 50 realmente eficaz e cônscio de sua atuação e visando
resultados que contribuíssem para melhoria social do campo
onde estivessem inseridos.
Em 18 de outubro de 1951, a Carta Social Europeia vem ga-
rantir a participação dos indivíduos nas associações benefi-
centes, mas não expressa ainda o “voluntariado” como tal.

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


135

As ações assumem a característica de reação às discrimina-


ções sociais: raça, sexo, cor, crenças culturais, situação econô-
mica, ideias e ideais políticos. Participam na sociedade com
Anos 60
um projeto de solidariedade. Em 24 de dezembro de 1964,
na Espanha, é criada a lei de associação, um que aparece pela
primeira vez o conceito de voluntariado.
Com as mudanças sociais acontecendo, busca-se intensificar
o aperfeiçoamento das ações do voluntariado, tarefa que foi
assumida pelo United Way, esta organização desenvolveu em
1971 a NCVA (National Center of Volunteer Action) com o obje-
tivo de proporcionar treinamento e consultoria no campo do
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

voluntariado.
A Constituição Espanhola de 1978, artigo 22, afirma o direito
de se constituir o trabalho voluntário e os fins da ação volun-
Anos 70 tária.
É criado nesta década, pela ONU, um programa de
voluntariado: UNV (United National VolunteersProgram) em
consideração ao importante serviço dos voluntários. Tal
programa foi pensado com intuito de promover o desenvolvi-
mento social, incluindo força de paz.
Devido ao ativismo social em muitos países entre as décadas
de 70 e 80, houve um incremento no interessepelas ações
voluntárias.
A AVB(Association of Volunteer Bureau) deixa de realizar suas
Anos 80 ações e funde-se ao The Volunteer National Center, nascendo,
assim, os Centros de Voluntários.
No dia 14 de setembro em Paris,a Associação Internacional de
Esforço (IAVE) elabora a Declaração sobre o Voluntariado.
Anos 90 No ano de 1994, é criada em Madrid a lei de Voluntariado (19
de maio), estabelecendo-se assim um voluntariado social. Tal
lei foi precedida por uma norma de 1984.

Quadro 15: Principais marcos do voluntariado


Fonte: Elaborado pelo autor

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

Em 1981, a Comunidade Europeia promulga o estatuto da “volunteurope”, com


o objetivo de estimular a colaboração de ações não remuneradas. Ao longo do
tempo, foi se fixando a postura comum que se tem do trabalho voluntário por
parte das instituições.
Se destaca a importância do fenômeno do voluntariado nas sociedades
europeias por sua contribuição na execução de sociedades mais justas
e equilibradas. Ressaltam que sua expansão não deve permitir que des-
de os poderes públicos se relaxasse a necessária satisfação de carências
em determinados coletivos sociais que devem ser atendidos desde a
esfera pública destacam a necessidade de estabelecer uma adequada re-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
gulamentação da realização de serviços voluntários para evitar que se
converta em um substituto do trabalho remunerado (MEISTER apud
AMO, 2003, p. 107).

No ano de 1985, é aprovada a resolução do voluntariado do Conselho de ministros


da Europa e, em 17 de dezembro em Assembleia Geral da ONU, é reconhecido
que o voluntariado contribui para a melhoria da qualidade de vida. Nesse mesmo
dia, a ONU, criou o Dia Internacional do Voluntariado (05 de dezembro), data
em que se divulgam em diversos países as ações voluntárias, a fim de sensibilizar
outras pessoas para essa dimensão da vida. Também tem como objetivo levar as
pessoas a refletirem sobre a cidadania e a Cultura da Solidariedade como valo-
res indispensáveis para a melhoria de vida em nosso planeta.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO VOLUNTARIADO NO BRASIL

No Brasil, assim como em outros países, houve uma forte influência da religião
no desenvolvimento do voluntariado.
Como vimos anteriormente, até os meados de 1930, o trabalho social quase
que exclusivamente, era realizado por quem? Pelas entidades de caridade e bene-
ficência, todas ligadas às igrejas. Contudo, com o crescimento das cidades na
época, a industrialização e a migração, acentuaram-se os problemas sociais do
país. Essa realidade gritante desperta para a reivindicação pelos direitos sociais.
Podemos perceber isso no discurso de EMED, para a Revista RESOL:

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


137

O exemplo bíblico é bastante claro, não se trata de jogar moedas ao alto,


para que todo o templo perceba o gesto de caridade. Não deve ser de
auto-promoção. O sentimento que deve prevalecer é o da humildade e
reserva. Porém, o trabalho individual deve ser cotidiano, ‘silencioso’ e
reverso (2004, p.22).

Quando se propõe a estudar determinado assunto, não há porque se prender a


uma fonte somente, bem como se deve procurar e investigar as origens daquela
determinada questão. Logo, quando buscamos os registros acerca das ações de
voluntariado no Brasil, percebemos que há uma fragilidade em seus registros.
Isso de deve a cultura da caridade e benevolência, uma vez que as ativida-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

des voluntárias, em alguns momentos, configuravam-se como uma atividade


paralela, não sendo registrada como forma de memória e história. Sendo assim,
apresentamos uma síntese de diversos materiais, na busca por uma construção
que contribua para seu entendimento acerca do voluntariado, para que você
entenda caro(a) aluno(a), o porquê hoje ele se configura como uma das carac-
terísticas das organizações do Terceiro Setor.

A prática do registro faz parte do cotidiano profissional, isto será amplamen-


te debatido ao longo da sua formação profissional, enquanto futuro assis-
tente social. O registro não só permite a garantia da história, como sistema-
tiza as ações profissionais e as ações coordenadas por ela, além de ser uma
das exigências das organizações do Terceiro Setor.
Pense por alguns instantes: por qual motivo os pais registram por meio de
fotos e diários a vida de seus filhos? Qual a finalidade disso? Na via profissio-
nal e institucional aplica-se a mesma regra: imortalidade e história.

As lacunas ocasionadas por falta dos devidos registros não permite às gerações
futuras um estudo acerca do passado e, como citei anteriormente, a compreen-
são do passado nos permite a leitura do presente e planejamento do futuro, pois
a história nos permite o exercício de reflexão.

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

Em se tratando do assunto em questão, pode-se concluir que a prática do


voluntariado se dava no contexto imediatista, mo qual a intenção do agir bas-
tava e se encerrava ali, sem muitos planejamentos.
A partir da organização de alguns materiais, pudemos chegar ao quadro
abaixo, no qual você poderá acompanhar um resgate acerca do voluntário no
contexto brasileiro:

ANO / DESCRIÇÃO
PERÍODO

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
1543 Praticamente junto ao seu “descobrimento”, surge no Brasil, na
vila de Santos, a Santa Casa de Misericórdia. Uma instituição
atendia doentes e carentes, cujas ações eram desenvolvidas por
irmãs de caridade e mantida por ajuda advinda da comunidade.
A partir dessa instituição oficialmente constituída é dado o marco
inicial do trabalho voluntário no Brasil, pois os próprios religiosos
responsáveis pelo hospital desenvolviam em sua essência um
trabalho voluntário.
1892 Início do notório trabalho do Corpo de Bombeiros de Joinville
(Santa Catarina). Tal trabalho desde seu início contou com tra-
balho de voluntários. Este Corpo de Bombeiros veio a dar conti-
nuidade aos trabalhos assim já desenvolvidos por seus coloniza-
dores na Europa. Criaram assim a chamada Sociedade Corpo de
Bombeiros de Joinville. Suas ocupações eram/é prestar assessoria,
organizar e treinar equipes de voluntários e criar um serviço em
outros municípios.
1908 Chegada da Cruz Vermelha ao Brasil.
1910 O “escotismo” se estabelece no Brasil, com o objetivo de “ajudar o
próximo em toda e em qualquer ocasião”.
1930 O Estado através do Presidente Getúlio Vargas passou a dar uma
significativa contribuição às ações voluntárias, implementando
uma política centralizadora.
1935 É promulgada a Lei de Declaração de Utilidade Pública para regu-
lar a colaboração do Estado com as instituições filantrópicas.

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


139

1942 O Presidente Getúlio Vargas cria a LBA (Lei Brasileira da Assistên-


cia). “Por estatuto, a direção da instituição era presidida pela espo-
sa do Presidente da República, ou seja, Darci Vargas, a qual trouxe
consigo a figura de ‘mãe dos pobres’ do país” (SBERGA, 2001,
p.81). A LBA foi criada com o intuito de coordenar a política de
assistência social. É neste período que se percebe o Estado como
maior destinador de recursos à área social, porém de acordo com
SBERGA (2001 p.40): “(...) o Estado no controle do voluntariado
teria provado ser ineficiente e estaria sempre ligado a interesses
particulares.”
1961 Surge a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), a
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

fim de assistir deficientes mentais e desmistificar a deficiência na


comunidade. Não se caracterizava como voluntariado, porém em
seu início contou com ações voluntárias de pessoas que auxilia-
ram na estruturação da associação e cuidado com os portadores
de deficiência (Cf. SBERGA, 2001).
1967 Criação do Projeto Rondon, com o objetivo de levar universitários
a dar assistência para as comunidades carentes no interior do
Brasil.
1977 É criada a Pastoral do Menor, com a “modalidade de voluntariado”,
principalmente de casais que tinham como função acompanhar
adolescentes que se encontravam sob o regime de liberdade
assistida. Ações como estas também se desenvolveram nas CEB’s
(Comunidades Eclesiais de Base), onde mulheres se reuniam para
assistir crianças e adolescentes carentes. Pode-se afirmar que
quase todos os projetos elaborados pela Pastoral do Menor se
originaram de ações voluntárias (cf. SBERGA, 2001).
1983 Criada a Pastoral da Criança, com o objetivo de treinar líderes co-
munitários para combater a desnutrição e a mortalidade infantil.
Atualmente é a maior entidade assistencial do Brasil que conta
com voluntários, a maioria atua em sua própria comunidade.
Recebem formação permanente afim de melhor atenderem as
mães e seus filhos, assim como avaliarem a prática exercida pelas
pastorais locais
1993 Criada a Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, pelo so-
ciólogo Hebert de Souza (Betinho), com o objetivo de combater
a fome. Tal programa foi um grande impulso às ações voluntárias
no país.

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

1995 Tem-se registro que desde 1995 várias pessoas procuravam abri-
gos da FEBEM com objetivo de auxiliar crianças e adolescentes
“internados”. Atuavam como “colaboradores” realizando sema-
nalmente brincadeiras, oficinas, passeios, além de lhes dar colo,
carinho e atenção.
Ainda em 1995, o então Presidente da República Fernando Henri-
que Cardoso cria a Comunidade Solidária, para incentivar a parti-
cipação da sociedade civil na resolução dos problemas sociais.
1996 No Paraná é criada a Lei Estadual do Voluntariado de nº 9.315/96,
em que foi instituído o dia 27 de setembro como o Dia do Volun-
tariado Paranaense e os dias 24 a 30 de setembro a Semana do

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Voluntariado Paranaense.
Tentando adaptar-se às exigências do novo voluntariado, a então
presidente da Comunidade Solidária, a primeira dama Ruth
Cardoso, cria, em parceria com outras fundações, o Programa Vo-
luntários da Comunidade Solidária (decreto nº1366) que substitui
a antiga LBA (Legião Brasileira da Assistência). De acordo com
SBERGA(2001, p.25) “[...] a Comunidade Solidária é um novo mo-
delo de atuação com a participação da sociedade civil, baseada
no princípio de parceria”.
1997 São criados os primeiros Centros de Voluntariado no Brasil. A
criação dos Centros de Voluntariado surgiu a partir de alguns
seminários regionais durante as discussões promovidas pelo
Programa Comunidade Solidária, em Porto Alegre, Curitiba, São
Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Fortaleza. Tais Centros
seriam responsáveis pela promoção dos trabalhos voluntários.
Criação da ONG, PARCEIROS VOLUNTÁRIOS, em 25 de maio, no
Rio Grande do Sul, com o objetivo de estimular o exercício da
cidadania, por meio da prática do trabalho voluntário.
1998 É promulgada a Lei do Voluntariado (lei nº 9608) que dispõe sobre
as condições do exercício do Serviço Voluntário e estabelece um
termo de adesão.
1999 Criado o Programa de voluntariado na FEBEM, regularizando e
oficializando a ação já existente.
É promulgada a Lei 9790 que qualifica as Organizações da
Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e disciplina um termo
de parceria que contempla muitas organizações de voluntariado.
2001 Ano Internacional do Voluntariado.

Quadro 16: Elaborado pelo autor

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


141

“O grupo [do Corpo de Bombeiros de Joinville - Santa Catarina] é constituí-


do por 400 pessoas, sendo 100 contratados e 300 voluntários em regime de
revezamento 24 horas. Contando com a brigada contra incêndio, o núme-
ro cresce para 1200 pessoas. Os bombeiros recebem treinamento de duas
horas semanais. Participam dos treinamentos dos bombeiros mirins, que
não são utilizados nas emergências. A função é treinar a futuros bombeiros”
(MEISTER, 2003, p.116).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Quanto ao Ano Internacional do Voluntariado, criado em 2001, temos a dizer


que foi um marco
Após a experiência do Ano Internacional do Voluntariado, ficou mais
evidente a grandeza de humanidade do povo brasileiro que, sensível
ao sofrimento de tantos seres humanos é capaz de se lançar na luta por
novos projetos sociais e por novas posturas éticas, a fim de romper com
os mecanismos de opressão que enganam, ferem, maltratam, margi-
nalizam e matam tantos inocentes. Esse comportamento, muitas vezes
respaldados na emotividade, revela características de um modo de ser
laborioso que acredita na beleza da existência construída de dentro
para fora (SBERGA, 2001, p. 97).

Há quem considere até hoje que o ano internacional do voluntariado tenha sido
mais um “modismo”, porém há quem perceba esse ano como uma oportunidade
de revelar a preocupação de um povo que acredita na cultura da vida, na preser-
vação da dignidade, cidadania e solidariedade. Esse acontecimento foi também
um incentivo às pessoas para se engajarem em algum projeto social.
De acordo com a análise de SBERGA (2001, p. 44), “no Brasil, esse evento foi
o grande estopim para dar visibilidade do trabalho voluntário e emplacar um novo
conceito de voluntariado, mais comprometido com as transformações sociais”.
Nesse mesmo ano, o Brasil criou o Comitê Brasileiro para o ano internacio-
nal do voluntariado, por meio de Millú Vilela,juntamente com mais 40 pessoas,
com a finalidade de atuar na:

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

Coordenação, divulgação e incentivo às atividades voluntárias em


todo país, realizando, ainda, discussões temáticas sobre solidariedade,
cidadania, saúde, educação, meio ambiente. Cultura e arte, defesa de
direitos, infância, esporte e lazer, protagonismo juvenil, portadores de
deficiência e terceira idade, durante o ano todo (SBERGA, 2001, p. 44).

Com tantas iniciativas, com vistas a desmistificar o voluntariado como uma ação
pontual e que esgota em si várias iniciativas, pôde-se perceber nesse momento,
por exemplo, o I Congresso Brasileiro do Voluntariado (São Paulo), que se tor-
nou um marco em se tratando da divulgação da “Cultura do Voluntariado”.
Ainda, frisando a relevância do trabalho voluntário para a sociedade e para

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as organizações de Terceiro Setor, leia-se o trecho seguinte:
O voluntariado é um ato cívico e moral, com uma visão humanista e
democrática. (...) o trabalho voluntário não pode e nem deve substituir
o poder público, mas o estado sozinho é incapaz de resolver todos os
problemas sociais. Saúde, educação, trabalho, direitos humanos, são
obrigações das quais o Estado não pode abrir mão, mas as organizações,
os movimentos da sociedade mostram onde as coisas não funcionam.
(...) Com isso, o voluntariado está incorporando novas concepções nas
organizações que o promovem e no interior da sociedade como a ideia
de equidade e de cidadania (SBERGA apud CARDOSO, 2001, p. 45).

O voluntariado traz hoje consigo outra visão, além daquela da caridade,


(...) uma nova ideia de participação responsável e não objetiva suprir o
que é obrigação e dever do Estado. A intervenção voluntária é motiva-
da a educar a vontade do cidadão para o serviço e o amor ao próximo e
para o discernimento das urgências éticas de que a sociedade necessita
(SBERGA, 2001, p. 45).

Uma análise mais crítica se faz necessária nesse momento, não podemos ser
demasiadamente ingênuos, ao ponto de pensar que o voluntariado e o Terceiro
Setor darão conta de todas as mazelas da sociedade, nem bem acreditar que todo
ser humano possui uma intenção totalmente boa, a generalização nesse quesito
não existe, pois de acordo com Demo (2002, p.24), “a solidariedade é tanto pos-
sível quanto difícil. Faz parte de nossa estrutura evolucionária e histórica, mas
não aparece como hipótese primeira,porque o autointeresse egoísta é ponto de
partida e de chegada.”

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


143

Não podemos cair na armadilha de pensar que se o Estado cumprisse fide-


dignamente com seu papel, com certeza, iria conseguir administrar e resolver
todos os problemas sociais que, porventura, emergissem na sociedade, esse
Estado, ciente de suas responsabilidades e devidamente organizado, teria von-
tade política e ciência quanto à realidade da população.
A sociedade mobilizada não pode se permitir desempenhar o papel de fan-
toche ou marionete nas mãos do Estado.
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O VOLUNTÁRIO E O VOLUNTARIADO - CONCEITOS

Agora que pudemos observar um pouco mais sobre a


questão do voluntariado, vamos dar mais um passo e
perceber, por meio de conceitos porque se faz presente,
sobretudo junto às organizações do Terceiro Setor, desde
suas origens, vamos lá?
O voluntariado se desenvolve em diversas áreas,
assim como o Terceiro Setor, atua na educação, na assis-
tência social, na defesa dos direitos, esporte, lazer, apoio
administrativo etc., desde que a organização esteja aberta
©shutterstock
e preparada para recebê-lo.
Age em benefício do bem comum, a busca pela pro-
moção do ser humano integrante de uma sociedade, logo,
não existe o voluntariado em causa própria.
Como tudo na história da humanidade, o voluntariado também passou por
transformações, como pudemos ver anteriormente, hoje ele possui um outro
formato e, a partir da reavaliação de seus paradigmas, podemos notar que está
muito mais consolidado e seguro das suas ações, imprimindo grandes avanços
no apoio ao enfrentamento da questão social:
De 1950 a 1980, o voluntariado, unido a algumas comunidades de aco-
lhimento, se dispôs, através do serviço solidário, a socorrer os cidadãos
das classes mais pobres da população. Com isso, foi um precursor, um
humanizador, um integrador de intervenções públicas, especialmente
no campo da patologia social, da assistência sanitária, da marginaliza-
ção e da pobreza (SBERGA, 2001, p.136).

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

Grandes mudanças já foram denotadas nas ações de voluntariado, pois “[...] de


1980 até hoje, surgiram novos sujeitos sociais e alguns se transformaram em
organismos do terceiro setor, com possibilidades de uma ação mais profissional,
competente e de longa duração”. (SBERGA, 2001, p.138). Hoje é possível encon-
tramos autores que assumem que “[...] desafio político faz parte da essência do
voluntariado” (SPINGHETTI, 1998, p.32).
Assim como o Terceiro Setor, o voluntariado está focado na pessoa, no ser
humano. O homem é essencialmente um ser político e isso o leva a colocar-se
como voluntário em favor do enfrentamento das desigualdades sociais.

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Mesmo alvo de muitas críticas, muitos autores propõem a discussão e defen-
dem o voluntariado, buscam cada vez mais se aprofundarem em entender os
motivos que levam à ação voluntária, chegando a conclusão de que, primei-
ramente, deve ser uma ação que vem de dentro para fora, imprimindo um
sentido único, mas também coletivo, que não caracteriza um agir profissio-
nal. Voluntariado não é profissão.
A palavra voluntário vem do latim (voluntariu) que está ligada ao conceito
de vontade, isto é, o voluntário é o que age espontaneamente, não necessita ser
fustigado, age com afeição, com intenção. O ato voluntário é aquele que é rea-
lizado à partir de decisões da própria consciência, dos desejos da sensibilidade.
(Cf. MALU MONTORO, www.facaparte.org.br)
De acordo com Meister (2003, p.159), “entende-se por voluntariado o con-
junto de atividades de interesse geral desenvolvidas por pessoas físicas, sem
caráter mercantil, sem retribuição salarial”. Logo, deve-se compreender como
uma categoria ligada às causas sociais, e não um cargo, por isso, repete-se que
voluntariado não é profissão!
Já de acordo com o IAVE (International Association for Volunteer Effort),
voluntariado significa um: “serviço comprometido com a sociedade, baseado na
liberdade de escolha, o voluntariado promove um mundo melhor e um valor
para toda a sociedade” (grifo nosso), aqui, imprime-se mais uma vez a ideia do
comprometimento com as causas sociais e que não deve ser intencional.
A ação voluntária agrega valor sim, difícil de ser mensurado, contudo, par-
te-se do princípio de que o valor ou os valores sociais não se ensinam e nem se

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


145

educam, mas são incorporados por meio de exemplos, atitudes práticas, somente
assim os valores ganham sentido e razão de existir(Cf. MEISTER, 2003).
Como o voluntariado é essencialmente humano, voltado para o humano, não
podemos esquecer de que ele é dotado de valores que variam de um para outro,
não nascemos com uma carga pré-definida de valores incutidos em nós, vamos
nos apropriando desses valores a partir da nossa família, educação e sociedade,
mesmo que não seja correto, algumas pessoas trazem consigo para o exercício
do voluntariado outras intenções que não aquelas que os deveriam impulsionar
(segundas, terceiras, quartas intenções...), ou na busca de conseguir um emprego
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formal, cura para uma depressão, justificar algum desvio financeiro, podendo até
chegar na exploração alheia no que diz respeito a fragilidade do outro.
Entende-se por voluntariado o conjunto de atividades de interesse ge-
ral, desenvolvidas, por pessoas físicas, sem caráter mercantil, sem re-
tribuição salarial. [Ação de] caráter altruísta e solidário. [Realizado] de
modo livre, não gerando uma obrigação ou dever jurídico. Sua retribui-
ção econômica, se a houver, conforme sua vontade [do voluntário] será
para seus gastos [o que é questionável] (MEISTER,2003, p.159-160).

O termo voluntariado se deturpa quando se consegue identificar a intencionali-


dade de tirar proveito de alguém ou algo no desempenho da atividade voluntária.
Ainda mais numa sociedade capitalista, em que se prioriza o capital acima da
condição humana, gerando uma contradição, pois se eu me doo gratuitamente
para uma atividade voluntária, deixo de acumular bens e capital, saio empobre-
cido, uma vez que tempo e dinheiro possuem uma relação íntima na atualidade.
Como lidar com essas contradições sem ser emocionalmente apelativo nas pro-
postas de angariar voluntários para uma determinada organização?
Contamos então com a contribuição de Roca (1994, p.89), para complemen-
tarmos nossa reflexão:
O voluntariado tradicional tem sido vítima das grandes separações
produzidas pela modernidade cultural: a fratura entre a razão e o sen-
timento, entre o interesse e a gratuidade entre a teoria e a prática,
entre o dever e o amor, entre a organização e a espontaneidade (...)
Como outras instituições sociais, também o voluntariado tomou par-
tido por um dos termos de cada par, concretamente pelo sentimento, a
gratuidade, a prática, o amor, a espontaneidade (...)deste modo, cresceu
dentro de uma intensa polarização que o obrigou a construir sua pró-
pria lógica de costas e em contraposição ou outro termo, abandonando

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

assim grandes conquistas sociais: a razão, o interesse, a teoria, o dever


e a organização caíam da outra parte. O voluntariado podia viver um
intenso sentimento altruísta sem preocupar-se demais se era ou não de
acordo dom racionalidade, bastava-lhe o amor, ainda que este tenha
acontecido sem respeitar os direitos; apostava na espontaneidade, com
menosprezo evidente da cultura da organização; elegia a ação concreta,
sem preocupação alguma com a globalização.

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Serviço Social não é caridade é profissão, logo, o voluntariado não caracteri-
za e nem substitui o profissional.

Cabe, nesse momento, contextualizar e entender que o voluntariado, hoje, assume


o seu papel em parte na participação da sociedade civil devidamente organizado
e estruturado, sem perder de vista seus valores.
Como ponderar o altruísmo e a racionalidade? Como achar o equilíbrio e assim
alcançarmos resultados significativos socialmente?
Dessa maneira, trago novamente a contribuição de Roca (1994, p.208), o
voluntariado: “(...) é uma instituição social que se orienta a reduzir a fragili-
dade, ali onde se manifesta, e a moderar a vulnerabilidade dos mundos vitais;
as transformações sociais nos obrigam a redefinir as estratégias operativas que
se mostram viáveis”.
O referido autor traz ao centro da discussão que as mudanças constantes da/
na sociedade e seus problemas exigem também novas formas de enfrentamento,
não se pode buscar uma solução antiga para um problema novo. Aos proble-
mas novos, novas soluções, por isso a importância da compreensão histórica
das coisas, consegue compreender agora? Somente a caridade, a benevolência,
o imediatismo não dão conta de sanar as raízes das desigualdades e problemas
sociais do século XXI.
Caro(a) aluno(a), tenha clareza de que o voluntariado que apresentamos
aqui se refere aquele que soma, que agrega e não aquele que assume e toma para
si a resolução dos problemas do Estado, ok? Entendido como uma das formas

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


147

de participação ativa na sociedade, daquele que compreende o dever cidadão.


Não podemos deixar de citar o exemplo daquele que faz “o bem com o chapéu
alheio”, como diz o ditado, e até mesmo as organizações que fazem campanhas
para angariar voluntários, com vistas a reduzir déficits financeiros e até mesmo
desviar recursos. É preciso atenção e muito discernimento.
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Proponho mais um exercício, como você agiria se presenciasse uma situação


como a exposta acima? Quais caminhos tomar?

Alapanian e Colmán (2003, p.159) questionam tipos de ações por parte de algu-
mas organizações:
(...) a defesa do ‘voluntariado’, feita pelas máximas autoridades (...) me-
rece uma reflexão por tratar-se de um ‘canto de sereia’ despejado sobre
a mente da juventude, que em sua grande maioria é aberta a abraçar
grandes causas que transcendam mesquinhos interesses individuais.

Deve-se então, conceber que o voluntariado consiste também numa ação forma-
dora, pois se realizado adequadamente, aproxima pessoas, permite a interação
entre elas e propicia a reflexão e a consciência de si e do outro.
(...) o voluntariado tornou-se preferencialmente uma atividade de
educação para o desenvolvimento, por exemplo: a formação da cons-
ciência, a construção de redes e o empenho na busca das causas do
sofrimento de tantas pessoas abandonadas pelas entidades públicas
(SBERGA apud OBERTI, 2001, p.21).

Interessante observar que, ao longo da história, a ação voluntária foi sendo repen-
sada e hoje, “[...] esse tipo de ação solidária também foi repensada, e se incorpora
um tipo de voluntariado mais aberto para a promoção da cidadania responsá-
vel e da construção do bem comum” (SBERGA, 2001, p.29, grifo nosso).
Segundo Moratalla (1998), o voluntariado começa a descobrir a importância

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

de obter e desenvolver um trabalho organizado. Não deve ser desenvolvido de


qualquer forma, só porque não implica em remuneração. Já é possível perce-
ber que muitas ações voluntárias têm sido desenvolvidas de maneira a contribuir,
inclusive, com o planejamento estratégico da organização (quando esta o pos-
sui), diminuindo gradativamente o número de voluntários que realizam suas
atividades de maneira individual e sem organização.
Quanto mais organizado o trabalho voluntário, mais é possível alcançar
resultados positivos e o impacto na complexidade das relações humanas e mais
claramente percebido e medido que,de acordo com SBERGA (2001), se o volun-

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tariado agir sob a ótica do “dever ser”, se ele não focar suas ações e desempenhar
uma boa leitura na realidade social concreta, não será capaz de avaliar seus resul-
tados, pois não delimitou seus objetivos e modos de intervenção.
É interessante observar que o voluntariado foi incorporando, ao longo dos
tempos valores “[...] como a partilha, a participação, a co-responsabilidade, a
democracia que operacionalmente se traduz no compromisso de conscientizar
os pobres e marginalizados em vista de seu ativo protagonismo social” (SBERGA,
2001, p.138). Ao pensarmos em protagonismo do voluntariado, cai por terra a
noção, e a ideia de dependência.
Falar em protagonismo é falar em emancipação social, a autonomia sobre
os seus atos e a sua sustentabilidade pessoal em meio a uma sociedade até então
desigual. Sendo assim,o voluntariado pode então ser considerado como um dos
canais que visam “(...) habilitar os excluídos a se tornarem, eles mesmos, promo-
tores da cidadania” (SBERGA, 2001, p.138).
Sendo assim, trazemos ao centro a definição de voluntariado para os dias
atuais apresentada por Ivo Colozzi:
(...) o voluntariado é um serviço feito por um indivíduo ou grupo, de
modo gratuito, desinteressado e possivelmente continuo, para desen-
volver atividades e atuações de natureza solidária, através de compe-
tências adequadas às tarefas que se pretendem fazer, em estruturas
próprias ou no âmbito de estruturas públicas ou privadas, em resposta
à necessidades autonomamente individuais, com finalidade de remo-
ver ou modificar as causas geradoras de problemas ou prejuízos sociais
(apud GUIDOLLIN, 1998, p. 35, grifos nossos).

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


149

Diversas dimensões formam a ação voluntária, algumas conscientes, outras não.


A partir de estudos realizados acerca da prática do voluntariado hoje, apresen-
tam-se as seguintes dimensões: cívico-social; política; ideológico-ético-religiosa;
psicossocial.

Proponho mais uma pausa: Você já havia se dado conta da dimensão acerca
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do que vem a ser voluntariado? Antes dessa nossa discussão, qual era seu
entendimento sobre ele? Aproxima-se ou era diferente? É um novo modo de
olhar o papel do voluntariado na sociedade?

Mais uma contribuição de Sberga (2001, p.183) para nosso estudo:


O voluntariado é uma escola de educação porque leva a pessoa a res-
ponsabilizar-se moralmente pelo próprio bem e pelo bem das outras
pessoas. O voluntariado não é somente uma oferta de tempo, mas um
estilo de vida, um modo de ser e relacionar na sociedade, da cidadania
ativa, da promoção da paz e do desenvolvimento dos povos.

Creio que com essa citação conseguimos compreender ainda mais que o volunta-
riado não é (na sua intencionalidade) e nem deveria ser uma prática demagógica.
Sendo assim,
(...) o novo voluntariado é menos voluntarista e mais profissional, opõe
menos resistência à administração e colabora mais com ela, é menos
massivo e mais seletivo, é menos paroquial, sindical ou vicinal e mais
cívico; em definitivo é um opção livre e autêntica (MORATALLA,
1997, p.37, grifo nosso).

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

Para que possa aprofundar seu conhecimento, você pode realizar a leitura
da Lei que trata do Serviço voluntário no Brasil:
Art. 1º Considera-se serviço voluntário, para fins desta Lei, a atividade não
remunerada, prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer na-
tureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos
cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência so-
cial, inclusive mutualidade.

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Parágrafo único. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício, nem
obrigação de natureza trabalhista previdenciária ou afim.
Art. 2º O serviço voluntário será exercido mediante a celebração de termo
de adesão entre a entidade, pública ou privada, e o prestador do serviço
voluntário, dele devendo constar o objeto e as condições de seu exercício.
Art. 3º O prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despe-
sas que comprovadamente realizar no desempenho das atividades volun-
tárias.
Parágrafo único. As despesas a serem ressarcidas deverão estar expressa-
mente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário.
Art. 3oA (Revogado pela Lei nº 11.692, de 2008)
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 5º Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 18 de fevereiro de 1998; 177º da Independência e 110º da República.
Fonte: BRASIL (1998)

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


151

VOLUNTÁRIO – CONCEITUAÇÕES E COMENTÁRIOS

DEFINIÇÃO / CONCEITO
(...) o voluntário é o jovem ou adulto que, devido ao
seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico dedica
Nações Unidas parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a
diversas formas de atividades, organizadas ou não, de
bem estar social ou outros campos.
Os voluntários são: “(...) sujeitos críticos capazes de
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REIS e KHATER exercer a plena cidadania e de intervir nos processos


sociais, políticos, econômicos e culturais onde vivem”.
Voluntário é o cidadão que, motivado por valores de
Programa Voluntários
participação e solidariedade, doa seu tempo, trabalho
do Conselho da Co-
e talento, de maneira espontânea e não remunerada,
munidade Solidária
por causa de interesse social e comunitário.
Voluntário é um: (...) ator social e agente de transfor-
mação, é aquele que presta serviços não remunerados
em benefício da comunidade, doando seu tempo
Fundação Abrinq e conhecimento, realiza um trabalho gerado pela
pelos Direitos das energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às
Crianças do Brasil necessidades do próximo e aos imperativos de uma
causa como as suas próprias motivações pessoais,
sejam estas de caráter religioso, cultural, filosófico
político ou emocional.
O voluntário é alguém capaz de estabelecer um diálo-
go de sensibilidade com os outros pelo fato de serem
seres existentes. Além de qualquer aptidão, é alguém
José Antônio
capaz de crer que vale a pena sentir-se irmão daque-
Fracalossi
les com quem sabe que pode empregar um tempo,
Meister(2003, p.148)
tão somente porque se sente amigo e não espera nem
pretende receber nada em troca como um benefício
direto. Trabalha-se por um mundo mais justo e melhor

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

O voluntário é quem além de seus próprios deveres


derivados de suas ocupações ou profissionais e de seu
estatuto, de modo contínuo, desinteressado e respon-
sável dedica parte de seu tempo a atividades, não em
TAVAZZA(1993, p.38) favor de si mesmo nem dos associados a sua orga-
nização, e sim em favor dos demais ou de interesses
sociais coletivos. Isso, segundo um projeto que não
se esgota na intervenção mesma, e sim que tende a
erradicar ou modificar as causas da necessidade ou
marginalidade social.

Quadro 17: Voluntário – conceituações e comentários

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Fonte: Elaborado pelo autor

Como acabamos de perceber, cada autor imprime a sua forma para definir o que
venha a ser o voluntário, todos embasados um eixo comum.
Tenho ainda outro questionamento para você, futuro(a) assistente social: O
que será que leva uma pessoa a agir voluntariamente? Pare, pense e responda.

Com qual dos conceitos você se identificou? Qual deles se aproxima do seu
entendimento acerca do voluntário?
Procure reler as definições acima e procure identificar os elementos comuns
entre elas, anotando em seu caderno ou no final do livro, e assim procure
construir a sua definição. Esse é um exercício de escrita e síntese, arregace as
mangas e mãos à obra!

Pois então, muitos confirmam que o que motiva e leva alguém a realizar um
trabalho voluntário é, primeiramente, uma inquietação pessoal, o senso de con-
tribuição e mudança social. Algo que vem de dentro para fora, a partir de uma
realidade percebida de fora para dentro.
Essa inquietação, no momento que se torna ação, ganha vida e se reverte em
iniciativas de transformação social, deve ser analisada com olhar crítico, a união
da subjetividade humana (de dentro para fora) com a análise social (de fora para

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


153

dentro) é que faz nascer o voluntário, é o encontro de ideais.


Como não nascemos nem herdamos nosso ser voluntário, mas nos tor-
namos voluntários, podemos dizer que ser voluntário é um processo
de formação que desenvolvemos no decorrer da vida. Por isso as prin-
cipais causas de ímpeto voluntário dá-se pelo sentimento de solida-
riedade, de contágio, de empatia. Ao canalizar esses valores para uma
ação organizada, objetivada, surge o que denominamos voluntariado
(MEISTER, 2003, p.144).

Voluntariado não é e não pode ser algo imposto, se não deixaria de ter sentido
a palavra, o ser voluntário é uma escolha livre, a obrigação é interna e esta gera
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um compromisso. O compromisso gera expectativas em ambas as partes envol-


vidas, fazendo do voluntariado, uma ação simples e complexa ao mesmo tempo.
Destarte, o tempo que o voluntário dedica a sua ação deve ser considerado
como único, e não como resto ou esmola, ou até mesmo, como uma maneira de
evitar o tédio ou ocupar o tempo ocioso apenas.
Atualmente, espera-se que o voluntário dê continuidade as suas ações e que
ele perceba que toda ação deve ter início, meio e fim e que não seja, como diz
o ditado, “fogo de palha”, algo que se inicie e encerre, sem que ambas as partes
tenham percebido que ações voluntárias ocorreram.
O objetivo essencial do voluntariado é promover, ampliar, qualificar e
organizar a ação que se faz em vista de um efetivo exercício da cida-
dania. Com isso contribui com, quando e onde houver necessidade”
(MEISTER, 2003, p.148).

Falamos de tempo, então, voltemos a ele por um instante:


A nova estrutura de tempo, que se baseia em um tempo livre, um
tempo ocupado e um tempo liberado, abre novas perspectivas à ação
voluntária. Condição primeira para a realização do voluntariado é a
aparição de um tempo livre suscetível de converter-se em tempo dis-
ponível. Quanto menor for o tempo de que se dispõe, tanto são as
possibilidades de converter-se em simples usuários de serviços ou em
meros consumidores de bens de mercado. (...) O voluntariado moder-
no nasce com o tempo liberado, que se baseia sobre uma racionalidade
que não é estritamente econômica; não nasce do tempo vazio, que se
emprega em atividades de evasão, nem do tempo parado, que possui
a amargura da impotência e sim do tempo disponível (ROCA, 1998,
p.31, grifo nosso).

Voluntariado e Terceiro Setor


IV

O voluntariado passa a ser visto com maior seriedade quando passa a ter uma
razão de ser compreendida, quando refletimos sobre ela, tornando-se um com-
promisso, sobretudo ético.
Para finalizar, nos valemos das palavras de Meister (2003, p.155), quando diz
que é necessário enxergar o voluntário como aquele que “(...) promove a demo-
cracia, por isso tem em si uma dimensão utópica (não entendida aqui como
irrealizável, mas como o que ainda não está sendo realizado, como possível)”.
Então, futuro(a) assistente social, pensando no seu futuro profissional, como
será que podemos ter em nossas instituições voluntários engajados e conscientes

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de seu papel social? Quais são as alternativas para que não venhamos a perpe-
tuar a ideia do voluntário como imediatista e sem sentido? Pense nisso!

ADMINISTRAÇÃO E TERCEIRO SETOR


155

5 MANEIRAS DE ENVOLVER VOLUNTÁRIOS USANDO O FACEBOOK


A maioria das organizações sem fins lucrativos mantêm uma conta no Facebook, mas caso
ela não seja usada corretamente, pode muito bem nem existir.
O Facebook é uma excelente plataforma para essas organizações, permitindo que elas
possam envolver a comunidade e voluntários de forma única, porém muitas delas es-
tão subutilizando esta incrível plataforma. Ao promover uma comunicação aberta por
meio da exposição dos círculos sociais dos usuários uns para os outros, a plataforma de
mídia social cria uma forma instantânea de fazer contatos com grupos de usuários. Ter
uma presença forte no Facebook pode beneficiar sua organização, permitindo que você
descubra novos voluntários e promova os trabalhos dos atuais, apenas para mencionar
algumas ideias.
Veja 5 formas de envolver voluntários com o Facebook:
1. Agradeça
Mesmo que os voluntários não dediquem o seu tempo apenas pelos louros, agradecer
pelo trabalho duro é sempre uma coisa apreciada por eles. O Facebook é uma platafor-
ma pública que pode ser usada para reconhecer e elogiar os seus esforços. Esse reco-
nhecimento não será apenas apreciado pelos voluntários, mas os amigos e família serão
expostos ao trabalho daqueles que amam e se envolverão também.
2. Envolva a comunidade
Um número mínimo de membros da comunidade contam com formas tradicionais de
comunicação para informações locais. Jornais e informativos comunitários não são uti-
lizados por muitas pessoas abaixo dos 30 anos. O Facebook está se tornando cada vez
mais o local para as pessoas descobrirem quais atividades estão acontecendo localmen-
te. Manter uma página ativa no Facebook exporá a sua mensagem para aqueles que
ainda não sabem da sua presença e fornecerá um meio para envolver a comunidade nos
diálogos e discussões sobre os seus trabalhos sem fins lucrativos.
Não conte somente com os membros atuais, doadores e voluntários para espalhar a sua
mensagem. Ao invés disso, use o Facebook para conectar você a diferentes comunida-
des através de páginas compartilhadas, grupos e negócios locais. Chegue até a comu-
nidade local online com a sua missão e suas necessidades. Envolver-se com páginas e
negócios locais aumentará a sua presença online, permitindo que os membros da co-
munidade que apoiam a sua mensagem, reconheçam e ajudem a organização.
3. Faça novos amigos
Voluntários e doadores não vivem em vácuo social. Eles têm amigos, familiares e vizi-
nhos com quem interagem diariamente e muitos deles compartilham as mesmas pai-
xões e interesses. Uma conexão no Facebook abre a sua organização sem fins lucrativos
para um público inteiramente novo que pode querer doar tempo, dinheiro, recursos ou
conhecimentos específicos. O simples ato de fazer uma conexão com atuais defensores
da sua missão no Facebook pode encorajá-los a promover a organização.
4. Promova o trabalho voluntário atual
Voluntários em potencial podem ser afugentados por formulários de contatos impesso-
ais de páginas ou feiras de voluntariado intimidadoras. Apesar de muitas pessoas terem
uma ideia de uma causa que queiram apoiar, elas frequentemente não sabem como
transformar essa paixão em ação. O Facebook oferece para essas organizações uma
oportunidade única de anunciar necessidades atuais que possuem de forma concreta e
não intimidadora.
Um simples post explicando uma necessidade de determinada organização dará aos
futuros voluntários um senso de objetivo e uma tarefa concreta. O Facebook tem uma
interface simples que encoraja o diálogo, então ao invés de fazer ligações telefônicas ou
esperar respostas de e-mails, voluntários em potencial podem interagir com a organiza-
ção e receber uma resposta imediata e tomar uma iniciativa de ajudar. Membros da co-
munidade que em contrapartida não se voluntariem, podem ver um nicho que possam
atender e oferecer os seus serviços.
5. Ligue para ajudar
Emergências podem acontecer em um piscar de olhos, e organizar equipes e voluntá-
rios em tempo hábil pode ser um desafio. Apesar de que ter uma listagem telefônica
e um plano de emergências seja imperativo, o Facebook também pode oferecer um
meio de contatar ajuda disponível. Voluntários com disponibilidade limitada podem
não ser incluídos em um plano de emergência, mas eles podem estar disponíveis em
uma emergência. Um alerta geral no Facebook pode avisar voluntários ou doadores da
sua necessidade.
Em emergências, recursos comuns normalmente não são suficientes. Organizações sem
fins lucrativos precisam de ajuda adicional para enfrentar situações particularmente di-
fíceis. Encorajar amigos a curtir e compartilhar as suas necessidades no Facebook pode
expor mais membros da comunidade à sua missão. Uma necessidade urgente pode ins-
pirar seguidores que estejam buscando uma razão para doarem seu tempo a darem o
primeiro passo. O Facebook pode ser crucial quando essas organizações precisam de
ajuda rapidamente.
O Facebook é uma arma poderosa do arsenal de uma organização sem fins lucrativos,
quando usado corretamente. Uma página no Facebook bem administrada não apenas
encoraja e envolve os atuais voluntários, mas também encoraja membros da comunida-
de a apoiar a organização e seus esforços.
Por meio de uma comunicação e atualizações consistentes usando o Facebook, você
pode conectar-se com atuais e futuros voluntários.
Autor: Ken Myers, traduzido por Débora Carvalho
Fonte: Nossa causa (online)
157

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo desta unidade, pudemos perceber o quanto é importante a capacita-


ção do assistente social, bem como de todos os profissionais envolvido na gestão
das organizações do Terceiro Setor.
Com a conscientização de que o Terceiro Setor deve abandonar o amado-
rismo e cada vez mais se profissionalizar, é evidente que a sua estruturação e
atualização devem ser permanentes, tornando-se cada vez mais transparentes,
participativas e contributiva socialmente.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Alguns elementos da administração foram apresentados de forma rápida


e sucinta, pois não é nosso objetivo especializar você em Terceiro Setor, mas
trazer informações e conhecimentos sobre a área. A partir disso, você pode ir
percebendo o quanto a nossa profissão é abrangente, ampla e oferta campos de
trabalho nas mais diferentes áreas. Você está vendo e verá muito mais as rique-
zas que a nossa profissão oferece, ao final do curso, você saberá o que mais te
encanta e em que área irá querer especializar-se. Independente da área, todas
exigirão de você muita dedicação, pois acredito que todo profissional deve ser o
melhor naquilo que se propõe a fazer.
Retomando o nosso assunto, vimos ainda nesta unidade, que o trabalho com
pessoas é essencial, e o assistente social deve ser exímio nesse trato, lidamos com
pessoas diariamente e no Terceiro Setor não é diferente.
As estratégias, para serem executadas devem ser bem planejadas, porém
precisam de pessoas, os processos devem ser bem desenhados, mas para funcio-
narem, precisa de pessoas, o marketing precisa ser bem elaborado, tem seu foco
em pessoas. Ou seja, tudo está voltado para as pessoas, as ações das organiza-
ções sociais possuem como seus destinatários as pessoas, a partir do momento
em que são atingidos pelas expressões da questão social.
Por fim, a nossa unidade IV trouxe uma ampla apresentação sobre o volun-
tariado, procurando desmistificar a ideia equivocada do voluntariado como uma
ação vazia ou para tirar proveito de algo ou alguém. Afastando também a ideia
de que o profissional de serviço social é um profissional voluntário.
O voluntariado, como uma das características do Terceiro Setor, e que merece
gestão adequada, de acordo com a legislação vigente no país, merece atenção e
incentivo, pois é uma ação essencialmente humana, voltada para o ser humano.

Considerações Finais
1. Por que os conhecimentos de gestão são importantes para a ação profissional
do assistente social?
2. O que é planejamento estratégico?
3. Por que a gestão de pessoas é tão relevante nos dias atuais?
4. Como podemos conceituar voluntariado?
5. Qual o conceito de voluntário?
6. Na sua opinião, o que leva uma pessoa a ser voluntária?
7. Você já realizou alguma ação voluntária? Onde foi? Como foi? O que levou você
a ser voluntário em alguma ação ou atividade?
8. Cite pelo menos cinco novos conhecimentos que você adquiriu nesta unidade
de estudo.
MATERIAL COMPLEMENTAR

A Corrente do Bem
Gênero: Drama
Direção: Mimi Leder
Roteiro: Leslie Dixon
Elenco: Angie Dickinson, Haley Joel Osment, Helen Hunt, James
Caviezel, Jay Mohr, Jim Caviezel, Jon Bon Jovi, Kevin Spacey
Produção: Paddy Carson, Peter Abrams, Robert L. Levy
Fotografia: Oliver Stapleton
Trilha Sonora: Thomas Newman
Duração: 115 min.
Ano: 2000
Filme: Kevin Spacey vive Eugene Simonet, um professor de Estudos
Sociais que desafia seus alunos a criarem algo que possa mudar o
mundo. Um de seus alunos, Trevor McKinney (Haley Joel Osment),
aceita o desafio e cria um novo jogo - “Pay it forward” -, em que a cada
favor que recebe você retribui a três outras pessoas. A ideia é surpreendente e acaba ajudando o
próprio Eugene a se desvencilhar de segredos do passado e também a mãe de Trevor, Arlene (Helen
Hunt), a encontrar um novo sentido em sua vida
Comentários: Vimos ao longo do nosso estudo que o Terceiro Setor é o setor fundamentalmente
humano e que o voluntariado implica numa ação que provém de uma necessidade que nasce de
dentro para fora. Independente das críticas, devemos, enquanto seres humanos, imprimir um sentido
para nossas vidas e investir na construção da justiça, da inclusão e do bem. Independente de estar
ligado a uma organização ou não.

COMO PROFISSIONALIZAR SUA ONG


Autor: Fábio Anselmo Ribeiro
Editora: Thesauris, 1997
Sinopse: Este livro apresenta temas fundamentais para o início da
profissionalização de uma organização não governamental. Ele
está voltado para uma reflexão sobre a realidade organizacional
e enfoca aspectos práticos de planejamento estratégico, gestão
por objetivos, análise de problemas e tomada de decisões, e
elaboração de projetos para a captação de recursos.
Comentários: o livro traz elementos que contribuem para o nosso
estudo, vale a pena conferir, uma leitura de fácil entendimento e
aplicação.

Material Complementar
Professora Esp. Daniela Sikorski

SERVIÇO SOCIAL E O

V
UNIDADE
TERCEIRO SETOR

Objetivos de Aprendizagem
■■ Compreender brevemente o que é o Serviço Social.
■■ Apresentar algumas atribuições do Assistente Social no Terceiro
Setor.
■■ R
elacionar os elementos sobre o Terceiro Setor apresentados nas
unidades anteriores e o papel do assistente social no cotidiano
profissional.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ O Serviço Social – breves considerações
■■ O Serviço Social no Terceiro Setor
163

INTRODUÇÃO

Seja bem vindo(a) em nossa última unidade de estudo, ela não se encerra aqui,
você pode ainda buscar outras fontes de estudo, não se acomode, invista em você
e em sua futura profissão. É impossível apresentar aqui todos os elementos que
compõem o Terceiro Setor, assim como todo conteúdo que diz respeito à atua-
ção do assistente social nas organizações do Terceiro Setor. Até porque nenhum
conhecimento se encerra em si mesmo. O conhecimento não é finito.
Nesta unidade, preparei uma breve explanação sobre como o assistente social
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

era visto na antiguidade e algumas reflexões atuais. Você verá a história com-
pleta da nossa profissão em outra oportunidade.
Após esta primeira apresentação, você terá contato com algumas atribui-
ções do assistente social junto às organizações do Terceiro Setor, elas não devem
ser encaradas como se fosse uma cartilha ou “receita”, são orientações a partir
da legislação que norteia a nossa profissão. As responsabilidades atribuídas aos
profissionais variam também de acordo com a realidade de cada campo profis-
sional. Vai variar também de acordo com o planejamento de cada organização
e do perfil de cada profissional, não existe um jeito único de fazer, porém fique
atento a todas as Leis, Normativas, Parâmetros e Código que regem e norteiam
a nossa profissão, pois somos uma profissão especializada.
O que você deve considerar, caro(a) aluno(a), é a formação inicial, pois
estamos no processo de formação profissional. Nesse início, vamos formando a
nossa visão de homem e de mundo. Em nossa vida acadêmica, vamos revendo
conceitos, estudando a história e revendo nossas convicções acerca da socie-
dade, do mundo no qual estamos inseridos. É muito comum que conceitos que
tínhamos antes deixem de existir, dando lugar a outros conceitos reelaborados,
vamos saindo do senso comum, formando nosso senso crítico, tão importante
para a nossa profissão.
Ainda se faz relevante frisar que a mente deve estar aberta a novos conheci-
mentos, pois à medida que exercitamos nossa mente, alargamos nossa capacidade
de contribuir para a construção da história: pessoal e profissional.
Estude com carinho e dedicação esta unidade, assim como as demais unida-
des, esta trará mais elementos sobre a história da profissão, sua existência, seus
desafios e sua relevância para a sociedade.

Introdução
V

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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O SERVIÇO SOCIAL – BREVES CONSIDERAÇÕES

O Terceiro Setor é um campo que absorve um grande número de assistentes


sociais no Brasil, possibilitando ao profissional o trabalho inter/multidiscipli-
nar, devido ao seu crescimento.
CONVITE: antes de irmos adiante, gostaria de fazer uma pausa e trazer
para você a introdução do livro “O que é serviço social”, que teve sua primeira
edição publicada no ano de 1984, na qual a autora, Ana Maria Ramos Estevão,
apresenta, de uma forma clara e simples, o que é o serviço social e quem é o assis-
tente social, a partir da conjuntura da época (década de 80).
Nesse momento, falaremos sobre o seu início, mas convido vocês a busca-
rem a leitura integral do livro, que possui uma linguagem agradável e de fácil
entendimento.

SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR


165

‘ASSISTENTE SOCIAL É AQUELA MOÇA BOAZINHA QUE O GOVERNO


PAGA PARA TER DÓ DOS POBRES’
Qualquer definição popular e até algumas definições dadas por profissionais sobre o
Serviço Social contêm estes dois elementos: a moça e o pobre. Isso tem uma aparência
de verdade, mas apenas aparência.
As origens do Serviço Social estão fincadas na assistência prestada aos pobres, por mu-
lheres piedosas, alguns séculos atrás. De lá para cá, apesar de muita coisa ter mudado, o
Serviço Social continuou sendo uma profissão essencialmente feminina, só que as ricas
damas de caridade cederam lugar às filhas da classe média ou trabalhadores urbanos.
Mas, claro que isto não é suficiente para descrever a profissão.
De fato não é fácil descrever o que é o Serviço Social, para que serve o trabalho da assis-
tente social e como ele se realiza.
Fazemos Assistência Social ou Serviço Social? Já se disse que o Serviço Social ‘é uma
ciência’, ‘uma engenharia social’, ‘uma arte’.
Alguns mais irônicos dizem que a assistente social ‘assiste o social’; outros mais sérios
disseram que somos ‘artífices das relações sociais’ ou ‘modernos agentes da caridade’.
Para os de ‘esquerda’ somos os que põem panos quentes nas feridas do capitalismo.
Enfim, tanto leigos como profissionais já deram mil e um palpites e até agora não se
conseguiu definir o que é Serviço Social. Para se resolver o caso, até se tentou mudar o
nome da profissão.
Talvez perguntar o que é Serviço Social não seja a questão certa.
Acho que o melhor seria dizer o que fazem e pensam os assistentes sociais, contando
um pouco de sua história, mostrado que o Serviço Social tem pai e mãe, inclusive, até já
se deitou no divã do analista.
O Serviço Social é fruto da união da cidade com a indústria.
Seu nascimento teve como cenário as inquietudes sociais que surgiram do capitalismo
e como qualquer bom filho, quis possuir a mãe (cidade) e de identificar com o pai (in-
dústria).
Na adolescência, negou várias vezes suas origens e hoje pode-se dizer que tem feições
próprias, com contornos definidos na luta pela sobrevivência e, identificado com seus
pais, chegou para ficar.
É claro que, em sua fase de maturação, mantém todas as ambiguidades inerentes a uma
profissão que, buscando comprometer-se com a população à qual presta serviços, é
também cana de ligação entre instituições públicas e cidadãos, empregados e patrões.
Daí, a consciência infeliz de muitos assistentes sociais que acreditam na profissão, mas
não sabem o que fazer com ela.
Se me disponho a escrever sobre o que é Serviço Social não é só porque, apesar de tudo,
acredito na profissão.
Fonte: ESTEVÃO, Ana Maria Ramos. O que é Serviço Social. 5ª reimpr. da 6ª ed. De 1992.
São Paulo: Brasiliense, 2006, p.07-09.
167

A partir da leitura complementar que acabou de fazer, como você imagina que
eram os profissionais de serviço social da época? Como eram os campos de atua-
ção, como eram vistos pela sociedade e como se viam? E hoje será que a profissão
e os profissionais continuam iguais?
A ação profissional do assistente social não diz respeito ao Terceiro Setor, ele
é e deve ser direcionado pelo Código de Ética e Lei que Regulamenta a Profissão.
Os conhecimentos exigidos do assistente social irão variar a partir do setor em
que irá atuar. Por isso, entendemos a nossa formação ampla, fornecendo ele-
mentos para que o profissional seja absolutamente capaz de desempenhar a sua
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

prática, sem, contudo, desconsiderar os pressupostos legais do Serviço Social.


O profissional não atua exclusivamente no Terceiro Setor, ele pode atuar
tanto no Primeiro Setor (Estado/Poder Público), nessa área o assistente social
precisará, por exemplo, ter conhecimentos sobre:
■■ Reforma do Estado, privatização, descentralização, municipalização; gestão de pro-
gramas e projetos sociais, controle social, conhecimento e atualização continuada
da legislação de cunho social e Programas Federais,Estaduais e Municipais etc.

Quando se fala da atuação do assistente social junto às organizações do Segundo


Setor (Mercado/organizações privadas), o profissional necessita de alguns conhe-
cimentos específicos, por exemplo:
■■ Aspectos da reestruturação técnico-produtiva; produtividade, qualidade total;
flexibilização das relações de trabalho; planejamento estratégico; informática;
conhecimento de idiomas; gestão de recursos humanos visando agregar valor
ao negócio; ações sociais na empresa com objetivo de marketing social; relação
custo-benefício dos programas e serviços sociais, gerenciamento participativo,
direitos sociais do trabalhador, programas de motivação, integração, preparação
para desligamento e demissão voluntária etc.

No Terceiro Setor, é necessário o domínio de conhecimentos sobre:


■■ Governo e Sociedade Civil; a relação entre eles; democracia, cidadania, direitos
humanos, movimentos sociais, gestão do Terceiro Setor, voluntariado, trabalhar
em rede, dentre outros.

O Serviço Social – Breves Considerações


V

Mais uma vez digo a você: não se trata de uma cartilha ou receita pronta, mui-
tos dos conhecimentos citados anteriormente se aplicam a diversas áreas dos
três setores.
Algumas habilidades requeridas que perpassam todos os setores:
• Saber analisar as relações sociais, políticas e econômicas.
• Fazer análise de conjuntura, identificar situações-problema.
• Saber comunicar-se.
• Elaborar projetos.
• Realizar estudos sociais, levantamentos, pesquisas.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
• Organizar documentação científica, relatórios.
• Entrevistas, estudos socioeconômicos.
• Monitoramento de convênios.
• Prestar orientações, individuais e coletivas.
• Identificar perfil socioeconômico da população atendida.
• Visitas domiciliares.
• Trabalho com grupos de acordo com a realidade institucional.
• Criar protocolos que viabilizem a rotina de atendimento.
• Ações socioeducativas etc.
O assistente social deve pautar a sua ação na viabilização do fortalecimento de
espaços democráticos, propiciar a participação dos usuários, ou seja, atuar na
perspectiva da garantia dos direitos. O processo de descentralização vem cada
vez mais proporcionando ao assistente social a atuação nos níveis de planeja-
mento, gestão, coordenação de equipes, programas e projetos, enfim, tudo o que
já estava estabelecido na Lei que regulamenta a profissão.

SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR


169

De acordo com as Diretrizes Curriculares do Curso de Serviço Social –


ABEPSS, no item que trata dos Pressupostos da Formação Profissional, com-
partilho com você:
1 - O Serviço Social se particulariza nas relações sociais de produção e repro-
dução da vida social como uma profissão interventiva no âmbito da questão
social, expressa pelas contradições do capitalismo monopolista.
2 - A relação Serviço Social com a questão social – fundamento básico da
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

sua existência – é mediatizada por um conjunto de processos sócio-históri-


cos e teórico-metodológicos constitutivos do seu processo de trabalho.
3 - O agravamento da questão social em face das particularidades do pro-
cesso de reestruturação produtiva no Brasil, nos marcos da ideologia neoli-
beral, determina uma inflexão no campo profissional do Serviço Social. Essa
inflexão é resultante de novas requisições postas pelo reordenamento do
capital e do trabalho, pela reforma do Estado e pelo movimento de orga-
nizações das classes trabalhadoras, com amplas repercussões no mercado
profissional de trabalho.
4 - O processo de trabalho do Serviço Social é determinado pelas configu-
rações estruturais e conjunturais da questão social e pelas formas históricas
de seu enfrentamento, permeadas pela ação dos trabalhadores, do capital e
do Estado, através das políticas e lutas (p.54-55).
Fonte: CRESS, 2007

O SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR

O Serviço Social assim como o Terceiro Setor traçaram sua história a partir da
filantropia e princípios da caridade até atingirem o status atual, o primeiro se
constitui como uma profissão reconhecida e inserida na divisão sócio técnica do
trabalho, o segundo por sua vez, constitui-se num setor reconhecido e atuante na
sociedade. O objetivo de ambos é trabalhar pela garantia dos direitos dos cida-
dãos por meio da gestão e implementação das políticas sociais.
O Serviço Social sempre passou por transformações movidas por fato-
res conjunturais: pelo movimento da História, impulsionada pela luta

O Serviço Social no Terceiro Setor


V

entre as classes que resultava em transformações na profissão de or-


dem técnica-operativa, teórico-metodológica e político-idealizadora.
O Movimento de Reconceituação, que se inicia na segunda metade dos
anos de 1960 e ganha força na passagem das décadas 1970 para 1980, é
um marco das transformações vivenciadas pela profissão, cenário em
que os assistentes sociais buscam romper com um modelo de prática
conservadora, optando por uma autonomia no seu fazer profissional;
autonomia que lhes deu a maturidade de se posicionar enquanto pro-
fissão que luta pelos direitos da classe trabalhadora. A direção que re-
sulta nesse enfrentamento é a chamada ‘intenção de ruptura’ (SILVA,
2008, p.83).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Nossa profissão passou inúmeras transformações e é somente assim que se é
possível crescer e amadurecer, clareando seus ideais, objetivos e posicionamento
perante a divisão sócio- técnica do trabalho.
A partir do que pudemos aprender até aqui, vimos o Terceiro Setor como um
campo de trabalho para o assistente social, uma área que emprega muitos profis-
sionais, sendo esse setor fundamentalmente ligado aos interesse de fins públicos.
As atividades desenvolvidas pelo Terceiro Setor são as mais variadas possíveis
(como já vistas anteriormente) e em muito contribui para o seu desenvolvimento
e melhoria social: assistência social, educação, saúde, esportes, lazer, comuni-
cação, meio ambiente, artes, cultura, ciência e tecnologia, segurança pública,
geração de emprego e renda, entre outras.
Os profissionais que atuam no Terceiro Setor devem possuir conhecimentos
e requisitos que lhes possibilitarão o desempenho profissional na gestão da ins-
tituição, imprimindo o profissionalismo que o setor exige na atualidade.
Esta profissão [Serviço Social] é necessária por atuar na sobrevivên-
cia social e material dos trabalhadores, intervindo na vida dos sujeitos;
tem-se uma objetividade social, que nem sempre é material, mas que
tem resultados concretos na vida social. É importante que os profissio-
nais criem uma autoconsciência de seu trabalho, já que seu produto
reforça a hegemonia ou cria uma contra-hegemonia do capital (SILVA,
2008, p.89).

Consideram-se as ferramentas e instrumentos necessários para o reordenamento


administrativo das instituições, na busca pela gestão com qualidade (estudado
na unidade anterior), atentos às particularidades e especificidades de cada área
profissional de atuação no Terceiro Setor.

SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR


171

É importante ressaltar que, atualmente, o assistente social tem assumido


cada vez mais cargos estratégicos nas organizações. Devemos contribuir para
que se descontrua a imagem de que o assistente social é somente um profissio-
nal operacional, o assistente social é sim um “estrategista social”. Mas, para que
se mantenha como tal, é necessário constante atualização, muito estudo e pos-
tura profissional.
Posto isso, Costa (2005, p.1) apresenta os principais requisitos para esses
profissionais.
1. Ter um conhecimento básico sobre o que é o Terceiro Setor e as
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

instituições que o compõem, bem como, mais especificamente,


sobre a instituição onde irá desenvolver a sua ação: histórico, ob-
jetivos, missão, recursos, proposta de trabalho, dificuldades, possi-
bilidades, limites, público alvo [...].

2. Ter a visão da totalidade institucional, conhecendo o ambiente


interno e externo da organização e, principalmente, o papel que
pretende cumprir naquele determinado momento histórico e pelo
qual deseja ser reconhecida!

3. Conhecer a legislação atual que fundamenta a política de atuação


junto ao segmento atendido pela instituição. Isso significa buscar
nas leis pertinentes à ação institucional, respaldo legal para a um
trabalho voltado para a garantia dos direitos da população atendi-
da. A Constituição Federal de 1988; a Lei Orgânica da Assistência
Social (LOAS), o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, a
Lei Orgânica da Saúde, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional - LDB, etc., são exemplos do aparato legal que podem
contribuir para garantir à ação do técnico, do Serviço Social ou
de outras áreas, uma ação mais contextualizada, interdisciplinar e
abrangente;

4. Ter a concepção clara de que população atendida pela instituição


é constituída por sujeitos de direitos e não meros objetos da ação
profissional;

5. Saber atuar em equipe, pois essa participação pressupõe o traba-


lho conjunto de pessoas que discutem e analisam situações e fatos
concernentes ao âmbito de atuação, tomando decisões de encami-
nhamento e executando-as. Traz a idéia do trabalho coletivo, cujos
membros partilham de uma visão claramente definida sobre os
objetivos a serem alcançados, tendo em vista a totalidade institu-
cional e a ação interdisciplinar;

O Serviço Social no Terceiro Setor


V

6. Produzir respostas profissionais concretas e práticas para a pro-


blemática trabalhada pela instituição, a partir de uma postura
reflexiva, crítica e construtiva. Exercer a práxis profissional com
compromisso e responsabilidade, primando pela capacidade de
denunciar situações que necessitam ser superadas, mas também
anunciando as formas de fazê-lo (grifos nossos).

Além do exposto na citação anterior, quando se fala em desempenho profis-


sional do assistente social, acrescenta-se que ele deve considerar em sua ação:
■■ Os determinantes da questão social brasileira e suas diferentes manifes-
tações.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ As políticas sociais setoriais para o enfretamento dessas manifestações.

■■ A relação Estado, Mercado e Terceiro Setor, discernindo o papel e fun-


ção de cada um no contexto da formulação e execução dessas políticas;
não esquecendo que cabe ao ESTADO o dever de prover políticas sociais
adequadas e eficientes para o enfrentamento da questão social. O terceiro
setor é parceiro do Estado, e não o contrário.

Caro(a) aluno(a), toda profissão possui uma Lei que a normatiza, regulamenta e
a orienta, fornecendo subsídios necessários que permitem ao profissional atuar
em conformidade e segurança com aquilo que lhe é específico, com o Serviço
Social não é diferente, logo, em se tratando de Terceiro Setor (foco deste estudo),
elencamos algumas atribuições específicas do assistente social mais ligadas ao
Terceiro Setor, porém fique atento(a), pois as demais contribuições jamais devem
ser desconsideradas, devem ser entendidas em sua totalidade e analisada pelo
profissional em seu nicho de atuação.
Segue abaixo, embasado na Lei nº. 8.6662, de 07/06/93 (Lei de Regulamentação
da Profissão de Assistente Social), atribuições mais especificamente relacionadas
ao profissional que atua no Terceiro Setor:
• Implantar, no âmbito institucional, a Política de Assistência So-
cial, conforme as diretrizes da Lei Orgânica da Assistência Social
(LOAS /93) e Sistema Único da Assistência Social (SUAS /04), de
acordo com a área e o segmento atendido pela instituição;

SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR


173

• Subsidiar e auxiliar a administração da instituição na elaboração,


execução e avaliação do Plano Gestor Institucional, tendo como
referência o processo do planejamento estratégico para organiza-
ções do terceiro setor;

• Desenvolver pesquisas junto aos usuários da instituição, definindo


o perfil social desta população, obtendo dados para a implantação
de projetos sociais, interdisciplinares;

• Identificar, continuamente, necessidades individuais e coletivas,


apresentadas pelos segmentos que integram a instituição, na pers-
pectiva do atendimento social e da garantia de seus direitos, im-
plantando e administrando benefícios sociais;
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• Realizar seleção sócio-econômica, quando for o caso, de usuários


para as vagas disponíveis, a partir de critérios pré-estabelecidos,
sem perder de vista o atendimento integral e de qualidade social; e
nem o direito de acesso universal ao atendimento;

• Estender o atendimento social às famílias dos usuários da institui-


ção, com projetos específicos e formulados a partir de diagnósticos
preliminares;

• Intensificar a relação instituição/família, objetivando uma ação


integrada de parceria na busca de soluções dos problemas que se
apresentarem;

• Fornecer orientação social e fazer encaminhamentos da população


usuária aos recursos da comunidade, integrando e utilizando-se da
rede de serviços sócio assistenciais;

• Participar, coordenar e assessorar estudos e discussões de casos


com a equipe técnica, relacionados à política de atendimento ins-
titucional e nos assuntos concernentes à política de Assistência
Social;

• Realizar perícia, laudos e pareceres técnicos relacionados à matéria


específica da Assistência Social, no âmbito da instituição, quando
solicitado.

Na sua atuação junto ao Terceiro Setor como assistente social deve-se primar e
ter como objetivo a qualidade social, atuar na busca contínua pela garantia dos
direitos do cidadão, a inclusão social. Para que seus objetivos sejam alcançados,
você deve se munir de conhecimento e ferramentas que contribuam significati-
vamente para sua intervenção, como vimos nas unidades anteriores.

O Serviço Social no Terceiro Setor


V

Vamos fazer mais uma parada! Convido você a realizar mais uma leitura
complementar. Fiz questão de transcrever para você um trecho das considera-
ções finais do livro “O que é Serviço Social?”, aquele do qual lemos um trecho
no início desta unidade, lembra-se?
Não sei se você gosta de história, ou então se interessa em saber da origem
das coisas, mas, acredite, é extremamente necessário que saibamos como a rea-
lidade era antigamente para entendermos por que atualmente temos a sociedade
que temos e assim traçarmos os próximos passos da humanidade.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
DICA: durante a leitura, tenha em
mente a década de 80, período no
qual o livro foi escrito, ao mesmo
tempo, tente relacionar com os
dias atuais e, assim, perceber as
diferenças. Boa leitura!

©shutterstock

SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR


175

NOVOS HORIZONTES ESTÃO SURGINDO PARA O SERVIÇO SOCIAL.


Muita gente está escrevendo sobre participação social, cidadania, direitos sociais, e mui-
tos se ocupam em fazer análise institucional, isso é, tentam descobrir para que servem
as instituições, como se dividem e se organizam os vários saberes e poderes dentro de-
las e como este poder se espraia pelo resto da sociedade.
Fala-se também muito em práticas alternativas ou alternativas às práticas tradicionais.
De qualquer forma, temos alguns momentos que foram marcantes nesta fase de mu-
danças pelo qual passamos. Cabe frisar momentos em termos da organização da cate-
goria profissional.
O primeiro deu-se em 1978, quando a Associação Profissional das Assistentes Sociais de
São Paulo (APASP), que já existia há muitos anos, mas estava em banho morno desde
1968, se rearticulou. Nestes dez anos (68/78), muitas associações profissionais se desar-
ticularam ou ficaram na moita, especialmente as mais combativas, pois era impossível,
nesse período, qualquer luta organizativa mais forte, dada a negra conjuntura política
da época.
O 2º momento foi em 1979, durante a realização do II Congresso Brasileiro de Serviço So-
cial, quando demos a grande virada de mesa. Um Congresso que a princípio tinha muito
de bajulação dos nossos empregadores, acabou sendo, graças às pressões da base, um
momento de reafirmação dos interesses da categoria.
A inserção dos assistentes sociais na vida política do país, hoje, torna-se evidente quan-
do observamos os moradores da periferia defendendo-os no recente caso criado pelo
ex-secretário da Família e do Bem Estar Social (o coronel); e quando um assistente social
sai da entidade profissional para exercer mandato na Câmara de Vereadores de São Pau-
lo. São vitórias que indicam mudanças.
Hoje nos defrontamos com muitas possibilidades e por isso estamos diante de muitas
dúvidas.
A sociedade como um todo tem colocado a questão da democratização do Estado e
dos serviços públicos, como ponto central de suas muitas lutas. Essa democratização
pressupõe não só a exigência de novos e melhores recursos de atendimento aos traba-
lhadores urbanos e a população em geral, mas supõe também a repartição dos recur-
sos já existentes (creches, escolas, postos de saúde, água, esgotos, energia, transportes,
empregos, salários, equipamentos de lazer, terra, moradia) de maneira menos desigual.
Aí entra a questão e a nova proposta para o Serviço Social, porque é evidente que, no
bojo da luta pela democratização do Estado, o fato da assistente social ser funcionária
deste Estado lhe coloca muitas ambiguidades.
Dá para imaginar o que seria um assistente social trabalhando, digamos, numa FEBEM
democrática? Ou exercendo funções representativas?
Acho que cabe como resposta: nós nunca fizemos isto, teremos de aprender fazendo e
ir nos preparando para fazê-lo bem feito.
Pensar o papel do Serviço Social no aparelho de Estado é a grande questão. Mesmo que
a solução para a crise econômica que sofremos não seja social e a necessidade de res-
ponder a esta questão não se coloque de imediato, é certo que o Estado está mudando,
e esperamos que se afirme a tendência de mudar para melhor. Precisamos nos preparar
para isto.
Será que o Serviço Social está preparado para atender a população nos menores prazos,
como baixos custos e garantindo os melhores resultados.
Fonte: Estevão (2006)
177

Você conseguiu perceber que a autora aponta naquela época (dec. 80) elementos
que hoje o assistente social vive em sua prática profissional? Aponta já as mudanças
no aparelho do Estado e a necessidade da profissão, de estar preparado tecnica-
mente para ela? Fica então fácil perceber a necessidade que o assistente social
tem em se manter permanentemente atualizado e capacitado, pois não existe
um cartilha ou receita mágica que permita ao assistente social atuar na prática,
é preciso um olhar crítico e atualizado das mudanças societárias.
Dando seguimento em nosso estudo, vale ressaltar que:
Historicamente, o Serviço Social constituiu-se como uma especializa-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ção do trabalho coletivo, na divisão sóciotécnica do trabalho, no qua-


dro do desenvolvimento das relações sociais capitalistas (IAMAMO-
TO, 1982). Para Netto (1992), o surgimento do Serviço Social como
profissão vincula-se às peculiaridades da “questão social” em um mo-
mento histórico específico, o da ordem monopólica, a partir do qual
se internaliza na ordem econômica, passando a ser alvo das políticas
sociais. No marco histórico de crescente potencialização das contradi-
ções do capitalismo, alterou-se a dinâmica da sociedade, o qual redi-
mensionou e refuncionalizou o Estado (CRESSRN, online).

Considerando as atribuições profissionais do assistente social, percebe-se que


a cada dia novos espaços profissionais surgem, demandando o trabalho junto à
gestão de programas sociais, exigindo, como já vimos anteriormente, o desenvolvi-
mento de habilidades e competências relacionadas ao planejamento – formulação
e avaliação das políticas sociais, como podemos ver a seguir:
Sendo assim, há uma grande tendência de crescimento das funções só-
cio institucionais do serviço social para o plano da gerência de progra-
mas sociais, o que requer do profissional o domínio de conhecimentos
e saberes, tais como de: legislações sociais correntes, numa atualização
permanente; análises das relações de poder e da conjuntura; pesquisa,
diagnóstico social e de indicadores sociais, com o devido tratamento
técnico dos dados e das informações obtidas, no sentido de estabelecer
as demandas e definir as prioridades de ação; leitura dos orçamentos
públicos e domínio de captação de recursos; domínio dos processos de
planejamento e a competência no gerenciamento e avaliação de progra-
mas e projetos sociais (CRESSRN, online).

O Serviço Social no Terceiro Setor


V

E, ainda, podemos visualizar


[...] a possibilidade de desenvolvimento de trabalhos de assessoria e
consultoria aos movimentos sociais e à gestão de políticas sociais o qual
vem sendo demandada por diferentes sujeitos, dentre os quais se desta-
cam os conselhos de direitos e de políticas, mas também representantes
dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; os gestores empresa-
riais; profissionais que atuam nos setores públicos e privados (MATOS,
2006). Embora essa não seja uma prerrogativa exclusiva do assistente
social, percebe-se que, nos últimos anos, tem aumentado significati-
vamente a realização dessas atividades ao assistente social, principal-
mente a partir dos anos 1990 com os processos de descentralização das

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
políticas sociais e da perspectiva da participação popular nos processos
de gestão das políticas sociais. (CRESSRN, online).

Logo, caro(a) aluno(a), tenha em mente que o profissional de Serviço Social,


o assistente social, não restringe a sua
atuação profissional somente à instân-
cia pública, às políticas sociais ligadas
e executadas pelo Estado, nem somente
à Política de Assistência Social. Como
vimos, existe um horizonte amplo e
vasto de demanda cada vez maior e a
necessidade do trabalho do profissional
©shutterstock
especializado. Não devemos ter medo
de ousar, nunca!
O profissional de serviço social está presente nas organizações públicas, pri-
vadas, sem fins lucrativos, organizacionais ou outros que se fizerem necessários,
basta que você esteja aberto e disposto para se capacitar cada vez mais e inves-
tir na sua carreira profissional.
Agora, proponho que você analise a seguinte frase:
Existem cinco tipos de profissionais: aqueles que fazem as coisas acon-
tecerem; aqueles que acham que fazem as coisas acontecerem; aque-
les que observam as coisas acontecerem; aqueles que se surpreendem
quando as coisas acontecem; e aqueles que não sabem o que aconteceu
(ANÔNIMO, grifo nosso).

SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR


179

Agora que você já analisou, vamos fazer um exercício? Substitua a palavra


PROFISSIONAL por ASSISTENTES SOCIAIS e vamos fazer uma nova aná-
lise, procure se ver na frase e diga que tipo de profissional é ou pretende ser:
“Existem cinco tipos de ASSISTENTES SOCIAIS: aqueles que fazem as coisas
acontecerem; aqueles que acham que fazem as coisas acontecerem; aqueles que
observam as coisas acontecerem; aqueles que se surpreendem quando as coi-
sas acontecem; e aqueles que não sabem o que aconteceu.
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PERFORMANCE PROFISSIONAL

Um ponto interessante que o profissional deve ficar atento e analisar é: por que
não consegue executar as estratégias definidas? Muitas vezes, o profissional está
muito focado no operacional, dedicando todo o seu tempo a execução e pouco
para o planejamento.
Estar alinhado às estratégias e o seu planejamento aumenta em muito as
chances de sucesso do profissional e, por consequência, o sucesso da equipe e
da organização como um todo.
Sempre é válido dizer que o assistente social (como os demais profissionais
da equipe de trabalho) precisa SER e ESTAR preparado para a realização das
tarefas propostas. O assistente social precisa sair do universo restrito e ampliar
os seus horizontes, praticar realmente o mediatismo e dar à profissão o caráter
estratégico que realmente tem.
Dicas para o assistente social que atua como gestor de uma organização do
Terceiro Setor (que, por sinal, também se aplica a outras áreas):
■■ Mobilizar as lideranças para atuarem como patrocinadoras dos projetos
e ações da organização.

■■ Converter a estratégia em processo contínuo, um hábito.

■■ Alinhar a organização (todos os envolvidos), transformando-a em tarefa


de todos.

■■ Estruturar a estratégia para o crescimento da estratégia.

O Serviço Social no Terceiro Setor


V

Algumas vezes, discutiu-se se o assistente social estaria apto a assumir respon-


sabilidades gerenciais, dentro da própria academia, não se focava tanto nos
conhecimentos sobre administração, percebe-se, ainda, que algumas faculda-
des não trazem com a devida importância tais conhecimentos.
Considerando o mercado atual de extrema competitividade, temos o com-
promisso de garantir que você, caro(a) aluno(a), saia preparado e capaz de se
destacar como profissional independente da área em que irá atuar.
O assistente social deve ter foco na entrega das suas tarefas, contudo não
como um “bombeiro”, característica daquele que apenas apaga incêndios, ou seja,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
lida apenas com aquelas tarefas emergenciais, os problemas que surgem ines-
peradamente (estes devem ser resolvidos sim!), entretanto, o profissional deve
habituar-se a ter uma rotina onde possa planejar, executar e avaliar o seu desem-
penho e suas ações (eis o grande desafio). Para que isso aconteça, deve-se ter em
mente que é necessário disciplina constante e comunicação clara.

FOCO NA INOVAÇÃO

Inovar é alterar o processo produtivo!


Inovar é recombinar rotinas, a forma como eu,
como profissional, faço as coisas!
Inovar é fazer diferente aquilo que eu faço sem-
pre, sem deixar de lado os valores, princípios, a ética!
Para que o assistente social consiga entender a
organização em que atua, precisa, primeiramente,
entender seus processos, como as coisas acontecem,
©shutterstock
porque acontecem e de que forma acontecem, qual
a finalidade de cada ação.
Assim, entramos num ponto de extremo desafio, sobretudo ao profissional
de serviço social: rotinizar as suas ações, de forma que consiga compreender os
processos de trabalho pelo qual é responsável.
O assistente social é a alma de sua ação, o primeiro responsável pela execu-
ção do seu projeto profissional, aquele assumido junto à organização contratante.

SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR


181

Ele é o único capaz de operar as funções específicas da sua profissão, profissional


tecnicamente habilitado para desempenhar com vigor trabalhos exigidos junto
ao usuário foco de sua ação.
Para finalizar e fazer os devidos alinhamen-
tos, proponho um estudo a partir do artigo
“Planejamento Estratégico: instrumental para
a intervenção do serviço social?”, escrito por
Rosângela Fnitsch e publicado na Revista Serviço
Social e Sociedade, nº 52 de 1996.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Procure trazer à mente todo o conteúdo que


trabalhamos até aqui e ir, aos poucos, fazendo uma
síntese de todo conhecimento adquirido.
Atualmente, o planejamento estratégico é
apontado como um instrumental para atuação
do assistente social frente aos diversos espaços de
atuação profissional.
©shutterstock
A sua qualidade é de ser um instrumento que
pode ser escolhido com o objetivo de racionalizar e dar direção à necessidade de
redefinições futuras de uma organização, setor ou atividade, contribuindo com
o profissional que atua no Terceiro Setor e também em outras áreas.
O planejamento estratégico pode imprimir dinamicidade, organicidade e
concretude à intervenção profissional; seu valor e significado estão dados pela
medida com que as pessoas são envolvidas na ação, participantes da realidade a
ser mudada (é uma metodologia de ação).
A análise da relação entre o planejamento estratégico e o Serviço Social se
dará por intermédio de poder e participação. O poder evidencia-se como uma
categoria essencial do planejamento estratégico e participação do Serviço Social.
Além disso, elas se interpenetram, considerando ser fundamental a posição
ocupada pelas pessoas nos processos de mudança ou manutenção de determinadas
situações. Como seres humanos, as pessoas devem ser valorizadas, garantindo-
-se a participação nos processos decisórios, em diferentes níveis.
O projeto profissional do assistente social precisa necessariamente transcen-
der os discursos ideológicos de transformação social e se empenhar em exercer

O Serviço Social no Terceiro Setor


V

uma prática realista inserida no contexto atual que oportunize às pessoas a vivên-
cia de experiências concretas de participação na gestão do seu cotidiano.
Planejamento significa, fundamentalmente, o contrário de improvisação e,
enquanto método, relaciona-se com o caminho a ser seguido, devendo estar a
serviço da ação.
O Planejamento pode ser utilizado em diferentes níveis de intervenção – do
macro ao micro –, gerando distintos níveis de mudança também. Por um lado,
temos aquelas que redefinem as grandes linhas, diretrizes, a razão de existir
de determinada sociedade, organização, grupo ou setor, as quais são, acima de

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tudo, políticas e estratégias. Por outro, as mudanças introduzidas no cotidiano,
nas ações concretas, nas necessidades e problemas imediatos, caracterizando o
nível operacional.
Sendo o planejamento um processo de racionalidade, ele é um processo inte-
ligente, por meio do qual exercemos uma ação sobre determinada situação para
a construção de outra nova, acoplando em si as dimensões técnica e política.
Um dos problemas que se verifica é a falta de cuidado, dificuldade ou inte-
resse de que as pessoas envolvidas estejam comprometidas no planejamento,
correndo-se o risco de se tornar um fim em si mesmo, uma técnica de melho-
rar as ações, desvinculando do compromisso com o crescimento das pessoas (o
planejamento como instrumento é apenas um meio, uma ferramenta, utilizada
com o objetivo de antecipar melhores resultados, obter soluções alternativas,
reduzir riscos e incertezas).
O planejamento é um instrumento de administração, com enfoque sistê-
mico, que se constitui em ferramenta gerencial indispensável para impor uma
racionalidade central às decisões, estimular a convergência de esforços e foca-
lizar a atenção dos decisores nos fatores-chave para o sucesso da organização.
Existe uma tendência de pensarmos o Planejamento Estratégico como ins-
trumental de uma administração estratégica que se relaciona com a forma de
se conduzir o processo, desde o posicionamento, passando pelas respostas e se
mantendo na gestão sistemática.
Segundo os diversos autores estudados, a administração estratégica tem a
preocupação de capacitar a organização para a mudança de atitude das pessoas
de decisão.

SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR


183

A implementação do plano, que é a formalização escrita, um mero documento,


do que se quer, é consequência de uma administração estratégica realizada por
profissionais competentes, com o comprometimento e envolvimento daqueles que
participam da vida organizacional. O plano é, portanto, um corte do processo,
um referencial, uma condição necessária; ele não garante a mudança, porque ela
ocorre pela vontade política individual e coletiva das pessoas.
Baptista (1995) caracteriza o instrumental do planejamento estratégico
como uma nova forma de pensar e um novo padrão de racionalidade que vai
determinar uma nova forma de agir. Aponta que suas principais mudanças se
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

dão com referência:


a. À abrangência (mudanças na totalidade do processo social).

b. À relação com os sujeitos (população como ator central).

c. À inovação (caráter criador) e à valorização da descentralização, da des-


burocratização e da horizontalização das decisões, reduzindo ao mínimo
as funções de controle.

Fnitsch (1996) passa a examinar, a partir das categorias1 de participação e poder,


a metodologia em questão. A participação, segundo ela, manifesta-se de maneira
mais visível e objetiva que o poder. Contudo, a participação somente se concretiza
e se consolida por intermédio do poder. O exercício do poder é uma expressão
essencial, profunda e subjetiva do movimento participativo.
A participação provoca um efeito irreversível nas pessoas que a vivenciam
e, consequentemente, nos processos de mudança em geral. Torna-se o elemento
pedagógico fundamental que garante a possibilidade de articulação entre o
instrumento Planejamento Estratégico e a consecução do projeto político pro-
fissional do assistente social.
Utilizando Foucault, a autora sinaliza sobre a questão do poder; ele é “uma
coisa enigmática, ao mesmo tempo visível e invisível, presente e oculta, inves-
tida em toda parte” (2001, p.75).

1 Categorias – as categorias são conceitos básicos que pretendem refletir os aspectos gerais e essenciais do real, suas conexões e
relações. Elas surgem da análise da multiplicidade dos fenômenos e pretendem um alto grau de generalidade (CURY, 1989).

O Serviço Social no Terceiro Setor


No final desta unidade, você verá a indicação de um filme chamado “Quanto vale ou é
por Quilo?”, do diretor Sérgio Bianchi, sugiro que você o assista, pois trará elementos que
contribuirá tanto para o seu entendimento quanto ao Terceiro Setor. Quanto à profissão,
abaixo separei para você uma comentário sobre o filme, que o ajudará na análise.
Por sua definição clássica, o terceiro setor é composto por organizações que nascem
para preencher as lacunas do Estado em promover o bem estar público. São diferentes
das organizações do 1º setor (governo), que usam dos recursos públicos para o interesse
público (nem sempre, né?); ou das organizações do 2º Setor, que usam dos recursos pri-
vados para o interesse privado. Elas usam dos recursos privados (doações de indivíduos
ou organizações) para o bem público, e por isso merecem uma classificação única.
No entanto, faz-se necessário refletir se é somente por boa vontade que essas organiza-
ções e seus indivíduos empreendem esforços pela sociedade. O filme “Quanto vale ou é
por quilo?” deu uma grande contribuição na medida em que provocou discussões sobre
o terceiro setor. O filme mostra histórias paralelas onde levanta reflexões sobre o real
interesse e comprometimento dos financiadores de projetos sociais, sobre a capacidade
das organizações de empreendê-los e ainda sobre a real motivação dos indivíduos que
fazem parte das ONGs.
Houve um tempo em que as Organizações Sociais no Brasil viveram uma época de
abundância. Durante a década de noventa, o conceito era relativamente novo e as or-
ganizações sociais e indivíduos investiam muito dinheiro para projetos sociais no Brasil.
Isso levou ao aparecimento de organizações de fachada e projetos fantasmas, o que,
inevitavelmente, resultou em escândalos e numa crise de confiança no 3º Setor. Para
completar, veio o Tsunami de 2004 que arrasou países inteiros e atraiu os investimentos
internacionais para a região, fazendo com que o dinheiro destinado ao Brasil, por exem-
plo, também fosse levado pela enxurrada. O fato levou a um reposicionamento dos in-
vestidores internacionais, que passaram a ver o Brasil não mais como um país pobre,
mas desigual, e determinaram que o dinheiro para projetos sociais teria que vir do bolso
de nossos próprios compatriotas.
Esses acontecimentos levaram a uma competição e a uma crise sem precedentes no
terceiro setor brasileiro. As organizações foram obrigadas a fazer downsizening ou a en-
cerrar suas atividades. As remanescentes foram obrigadas a obter receitas através da
venda de produtos ou serviços para o mercado interno. Além disso, foram obrigadas a
profissionalizar-se: hoje em dia, até o líder comunitário é obrigado a fazer um curso de
gestão de organizações sociais se ele quer receber algum apoio, e as universidades ofe-
recem desde cursos de especialização à pós-doutorados na área. A competição levou à
eficiência, como não poderia deixar de ser.
Mas quanto à motivação das pessoas e indivíduos, é realmente por boa vontade?
Se observarmos que o terceiro setor movimenta bilhões de reais por ano e que é um
dos maiores empregadores do Brasil, vemos que há mais do que boa vontade em jogo
para os indivíduos. Além disso, as empresas que desejam investir em projetos sociais e
185

optam pelo sistema de arrecadação por lucro líquido têm o direito de descontar até 2%
do que devem à receita, e ainda lucram em termos de aumento de vendas e ganho de
imagem. Sendo assim, a decisão de patrocinar projetos sociais é mais estratégica do que
emocional.
No entanto, vemos aqueles indivíduos que trabalham para o terceiro setor e são real-
mente comprometidos com a causa que defendem. Eles são obrigados a salvar um leão
por dia – sim, porque quem trabalha numa organização social não mata leões, e sim os
salva – e muitas vezes abrem mão de carreiras mais bem pagas pela satisfação de servir
à sociedade. São voluntários todos os dias, mesmo recebendo salários. Além disso, não
nos esqueçamos que por trás das organizações doadoras existem pessoas, e que elas to-
mam decisões estratégicas mas também têm um sincero desejo de ajudar à sociedade.
Isso porque, não importa quanto dinheiro se ganhe, o caminho para a autorrealização é
através do serviço ao próximo.
Sendo assim, na minha opinião, o terceiro setor é sim por boa vontade, embora que
também seja por quilo.
Fonte: Rodrigues (online)
V

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao final da unidade 5 e com ela foi possível vislumbrar a importân-


cia do profissional de Serviço Social junto às organizações do Terceiro Setor, um
profissional que na sua origem se assemelha as origens do Terceiro Setor, pelos
ideais da caridade, assistencialismo e ajuda ao próximo.
O Serviço Social também passou por transformações em sua história, como
citamos brevemente, até que pudesse se consolidar como uma profissão interven-
tiva, inserida na divisão sóciotécnica do trabalho, e de extrema relevância junto

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ao planejamento, execução e operacionalização das políticas públicas da socie-
dade, visando a garantia dos direitos e atuando no enfrentamento das expressões
da questão social, objeto do seu trabalho.
Sendo assim, é importante que você perceba que o Serviço Social precisa
estar capacitado para apresentar propostas, sempre alinhadas ao contexto no qual
estamos inseridos, na análise da realidade, olhando sempre o micro e o macro,
ou seja, olhando para a realidade local e global.
O assistente social ainda é desafiado a romper com a figura da “moça boazi-
nha”, assumindo cotidianamente a figura profissional, um profissional que deve
facilitar o acesso a direitos, promover a emancipação do sujeito.
Não diz respeito somente ao profissional repassador de benefícios, o assis-
tente social é um profissional capaz de elaborar estrategicamente suas ações e
intervenções, podendo assumir funções gerenciais, de coordenação e, até mesmo,
de assessoria. Ao exercer a função de coordenador deve preocupar-se em dis-
tribuir funções entre os diferentes agentes, repassando responsabilidades, que
devem ser assumidas para que se alcancem os objetivos fixados, por exemplo.
Tenho sempre comigo que o assistente social deve ser: objetivo, capacitado,
informado, atualizado, comunicativo, ético, competente, confiante, determinado,
qualificado, crítico etc. Minha responsabilidade juntamente com a equipe é zelar
pela construção de um profissional crítico, equilibrado, cuidadoso, propositivo
e criativo, e, para isso, não medimos esforços.
Essa unidade, sobretudo, reforçou a necessidade de termos uma mente aberta
ao novo, rompendo paradigmas e ressaltando o real valor da profissão, para isso
,digo novamente: Serviço Social não é filantropia, não é caridade: é profissão! E
uma profissão apaixonante!

SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR


187

1. Como o profissional do Serviço Social pode contribuir com o desempenho das


organizações do Terceiro Setor?
2. Em que o planejamento estratégico pode contribuir com a prática cotidiana do
assistente social?
3. A partir da primeira leitura complementar desta unidade (‘Assistente Social é
aquela moça boazinha que o governo paga para ter dó dos pobres’) responda:
como você imagina que eram os profissionais de serviço social da época? Como
eram os campos de atuação, como eram vistos pela sociedade e como se viam?
4. Na leitura complementar: “Novos Horizontes... estão surgindo para o Serviço So-
cial”. quais elementos de mudança a autora aponta que eram necessários para
o serviço social na época que o livro foi escrito e nos dias atuais?
5. Faça uma síntese a partir da sua leitura, sobre a atuação do assistente social
junto às organizações do terceiro setor, procure elencar, pelo menos, 5 pontos.
MATERIAL COMPLEMENTAR

Quanto Vale ou é por Quilo?


Ano: 2005
Duração: 104 minutos
Gênero: Drama
Direção: Sérgio Bianchi
Elenco: Ana Carbatti, Ana Lúcia Torre, Caco Ciocler, Cláudia
Mello, Herson Capri, Lena Roque, Leona Cavalli, Myriam Pires,
Silvio Guindane
Sinopse: Adaptação livre do diretor Sérgio Bianchi para o
conto “Pai contra Mãe”, de Machado de Assis, Quanto Vale ou É
Por Quilo? desenha um painel de duas épocas aparentemente
distintas, mas, no fundo, semelhantes na manutenção de uma
perversa dinâmica sócioeconômica, embalada pela corrupção
impune, pela violência e pelas enormes diferenças sociais.
No século XVIII, época da escravidão explícita, os capitães do
mato caçavam negros para vendê-los aos senhores de terra
com um único objetivo: o lucro. Nos dias atuais, o chamado
Terceiro Setor explora a miséria, preenchendo a ausência do
Estado em atividades assistenciais, que na verdade também
são fontes de muito lucro. Com humor afinado e um elenco poucas vezes reunido pelo cinema
nacional, Quanto Vale ou É Por Quilo? mostra que o tempo passa e nada muda. O Brasil é um país
em permanente crise de valores.
Comentário: O filme faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da
miséria pelo marketing social, que formam uma solidariedade de fachada. O filme critica ONGs e
suas captações de recursos junto ao governo e empresas privadas.

Para saber mais sobre a atuação do assistente social e o que o termo serviço social
significa, acesse o artigo de Vicente de Paula Faleiros, “O que Serviço Social quer
dizer”.
Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/sssoc/n108/a10n108.pdf>.
189
CONCLUSÃO

Caro(a) amigo(a), ao final deste livro já podemos considerar que crescemos, apren-
demos, nos dedicamos e aumentamos o nosso conhecimento e a crença de que
estamos no caminho certo.
Vamos relembrar um pouco do que vimos ao longo deste estudo?
Na unidade I, vimos o papel do Estado, como ele se configura junto ao Terceiro Setor
e breve do processo de Reforma do Aparelho do Estado brasileiro até a composição
legal das organizações sociais. Os conceitos de sociedade civil e cidadania.
Já na unidade II,você estudou os conceitos e definições do que vem a ser Terceiro
Setor a partir da exposição de diversos autores e estudiosos, também foi possível
entender como o Terceiro Setor é composto e suas características.
Partindo para unidade III, você pode compreender a configuração histórica do Ter-
ceiro Setor no Brasil e em alguns países do mundo, relacionando com os conteúdos
apresentados nas duas primeiras unidades.
Na unidade IV, abordamos os elementos da administração e a sua aplicabilidade
junto às organizações do Terceiro Setor, a necessidade da profissionalização dele e
como se faz necessária a capacitação dos gestores. Foi possível também o estudo
acerca do voluntariado e a necessidade do entendimento sobre a figura deste no
Terceiro Setor.
Na unidade V, tratou-se especificamente sobre o Serviço Social e o Terceiro Setor e
você pôde conhecer um pouco mais sobre o Serviço Social, atribuições e responsa-
bilidades junto as organizações do Terceiro Setor.
A você que concluiu esta leitura, mais uma vez, parabéns! Mas tenha certeza que
ela não se encerrou, está apenas começando, este foi o ponta pé inicial. Afinal, com
transformações constantes não é possível ficar parado e desatualizado.
Busque sites, livros, artigos, visite organizações do Terceiro Setor do seu município,
procure exercitar e analisar os conhecimentos que adquiriu aqui, isso é muito im-
portante. O profissional que transcende as paredes da universidade e dá vida aos
livros amplia o seu diferencial.
Até uma próxima oportunidade, grande abraço e sucesso sempre!

Professora Esp. Daniela Sikorski


ANEXOS

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI No 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002.
Institui o Código Civil.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu
sanciono a seguinte Lei:
 P A R T E G E R A L
 LIVRO I
DAS PESSOAS
 TÍTULO I
DAS PESSOAS NATURAIS
 CAPÍTULO I
DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE
Art. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.
Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei
põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.
Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:
I - os menores de dezesseis anos;
II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discer-
nimento para a prática desses atos;
III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.
Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer:
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, te-
nham o discernimento reduzido;
III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial.
Art. 5o  A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica
habilitada à prática de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento
191
ANEXOS

público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ou-


vido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;
II - pelo casamento;
III - pelo exercício de emprego público efetivo;
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior;
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de em-
prego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha
economia própria.
Art. 6o A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto
aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva.
Art. 7o Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado
até dois anos após o término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá
ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença
fixar a data provável do falecimento.
Art. 8o  Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo
averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão
simultaneamente mortos.
Art. 9o Serão registrados em registro público:
I - os nascimentos, casamentos e óbitos;
II - a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz;
III - a interdição por incapacidade absoluta ou relativa;
IV - a sentença declaratória de ausência e de morte presumida.
Art. 10. Far-se-á averbação em registro público:
I - das sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do casamento, o divórcio,
a separação judicial e o restabelecimento da sociedade conjugal;
II - dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação;
(...)
ANEXOS

 TÍTULO II
DAS PESSOAS JURÍDICAS
 CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito
privado.
Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:
I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
III - os Municípios;
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas;  (Redação dada pela Lei nº
11.107, de 2005)
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito pú-
blico, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber,
quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código.
Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e
todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público.
Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis
por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressal-
vado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes,
culpa ou dolo.
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:
I - as associações;
II - as sociedades;
III - as fundações.
IV - as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
V - os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada.  (Incluído pela Lei nº
12.441, de 2011) (Vigência)
§ 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento
das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconheci-
mento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (In-
cluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
193
ANEXOS

§ 2o As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às so-


ciedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei
nº 10.825, de 22.12.2003)
§ 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em
lei específica. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a
inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário,
de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as
alterações por que passar o ato constitutivo.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas
jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publi-
cação de sua inscrição no registro.
Art. 46. O registro declarará:
I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando
houver;
II - o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores;
III - o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e ex-
trajudicialmente;
IV - se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo;
V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais;
VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse
caso.
Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites
de seus poderes definidos no ato constitutivo.
Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela
maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diver-
so.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se refere
este artigo, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simu-
lação ou fraude.
Art. 49. Se a administração da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, a requerimento de
qualquer interessado, nomear-lhe-á administrador provisório.
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de
finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da par-
te, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos
de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens parti-
ANEXOS

culares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.


Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para
seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua.
§ 1o Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua
dissolução.
§ 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicam-se, no que couber, às
demais pessoas jurídicas de direito privado.
§ 3o Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa
jurídica.
Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da
personalidade.
 CAPÍTULO II
DAS ASSOCIAÇÕES
Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para
fins não econômicos.
Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.
Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá:
I - a denominação, os fins e a sede da associação;
II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados;
III - os direitos e deveres dos associados;
IV - as fontes de recursos para sua manutenção;
V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; (Redação
dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução.
VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (Inclu-
ído pela Lei nº 11.127, de 2005)
Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir cate-
gorias com vantagens especiais.
Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o
contrário.
Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio
da associação, a transferência daquela não importará,  de  per si, na atribuição da
qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do
estatuto.
195
ANEXOS

Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reco-
nhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos
previstos no estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que
lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos
na lei ou no estatuto.
Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral:  (Redação dada pela Lei nº
11.127, de 2005)
I – destituir os administradores; (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
II – alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo
é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo
quorum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos ad-
ministradores. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, garan-
tido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovê-la. (Redação dada pela
Lei nº 11.127, de 2005)
Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois
de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único
do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto,
ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou
federal, de fins idênticos ou semelhantes.
§ 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados,
podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber
em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado
ao patrimônio da associação.
§ 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em
que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que
remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal
ou da União.
 CAPÍTULO III
DAS FUNDAÇÕES
Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou tes-
tamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e
declarando, se quiser, a maneira de administrá-la.
Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos, mo-
rais, culturais ou de assistência.
ANEXOS

Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados
serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação
que se proponha a fim igual ou semelhante.
Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obri-
gado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e,
se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial.
Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo
ciência do encargo, formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatu-
to da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da autoridade
competente, com recurso ao juiz.
Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor,
ou, não havendo prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério
Público.
Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas.
§ 1o Se funcionarem no Distrito Federal, ou em Território, caberá o encargo ao Mi-
nistério Público Federal. (Vide ADIN nº 2.794-8)
§ 2o Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada
um deles, ao respectivo Ministério Público.
Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma:
I - seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fun-
dação;
II - não contrarie ou desvirtue o fim desta;
III - seja aprovada pelo órgão do Ministério Público, e, caso este a denegue, poderá
o juiz supri-la, a requerimento do interessado.
Art. 68. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os
administradores da fundação, ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério
Público, requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la, se quiser,
em dez dias.
Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou
vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer inte-
ressado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposi-
ção em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada
pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante.
I - se a pessoa, de cuja autorização necessitava o mutuário para contrair o emprésti-
mo, o ratificar posteriormente;
II - se o menor, estando ausente essa pessoa, se viu obrigado a contrair o emprésti-
mo para os seus alimentos habituais;
197
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203
GABARITO

ATIVIDADES DE AUTO ESTUDO UNIDADE I

Questão 01 – Resposta: Núcleo estratégico; Atividades exclusivas; Serviços não-ex-


clusivos; Produção de bens para o mercado.
Questão 02 – Resposta: Serviços não-exclusivos.
Questão 03 - Resposta: Alcançar altos níveis de racionalidade e eficiência no apare-
lho estatal, tornando-o mais próximo, ágil e eficaz perante as necessidades sociais
sedimentadas na Carta Magna de 1988. Dentro dessa perspectiva, foi elaborada a
Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 173/95, com vistas a aprimorar e contem-
porizar disposições constitucionais sobre a Administração Pública.(OAB (org), 2006,
p.57-58)
Questão 04 - Resposta: Não. Pois o Setor Terciário da economia: diz respeito ao se-
tor de prestação de serviços, além do setor primário (agricultura) e setor secundário
(indústria) e Terceiro Setor é composto de organizações sem fins lucrativos, criadas
e mantidas pela ênfase na participação voluntária, num âmbito não governamental.
Questão 05 - Resposta: Sociedade civil: “...é onde ocorrem os problemas econômi-
cos, ideológicos, sociais e religiosos que o Estado tem a seu cargo resolver, inter-
vindo como mediador ou eliminando-os. É na sociedade civil que as forças sociais
se organizam, se associam e se mobilizam. (DIAS, 2005, p.123)”. Sendo formada “...
precisamente pelo conjunto das organizações responsáveis pela elaboração e/ou
difusão das ideologias, compreendendo o sistema escolar, as igrejas, os partidos po-
líticos, os sindicatos, as organizações profissionais, a organização material da cultura
(...), etc.” (Coutinho, 2003, p. 127).
Questão 06 – Resposta: No sentido mais moderno ‘cidadania’ se refere à condição
de um indivíduo como membro de um Estado e portador de direitos e obrigações.
Em decorrência, ‘cidadão’ é a condição de um homem livre, portador de direitos e
obrigações, assegurados em lei. (DIAS, 2005, 124).
Questão 07 – Resposta: São entidades públicas não-estatais, ou seja, que atuam fora
do aparelho do governo, possuem personalidade jurídica de direito privado e sem
fins lucrativos, são destinadas, a absorver, mediante qualificação, alguns serviços
não-exclusivos do governo (serviços prestados simultaneamente pelo público, por
organizações públicas não-estatais e entidades privadas) voltados especificamente
à atividades de cunho social – que envolvem direitos humanos fundamentais. São
entes de cooperação com a administração pública que estabelecem parcerias para
a implementação das políticas estabelecidas pelo governo.
Questão 08 - Respostas
(SC) Sindicatos, Agremiações Estudantis
(SP) Partidos Políticos
GABARITO

(SP) Polícia Militar


(SC) Movimentos Sociais
(SC) Sociedade de Amigos de Bairro (SAB)
(SP) Exército
(SC) ABI (Associação Brasileira de Imprensa)
(SC) Associações Profissionais
(SP) Autarquias (municipal, estadual, federal)
(SC) Instituições Religiosas
(SP) Aeronáutica
(SP) Empresas Públicas
(SC) Instituições Econômicas (empresas, bancos)
(SC) Organizações Não-Governamentais
(SP) Câmaras Municipais, Prefeituras
(SP) Marinha
(SP) Polícia Civil
(SC) OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)
(SP) Assembléias Legislativas
Questão 09 - Resposta livre, onde o(a) aluno(a) deverá apresentar os novos conhe-
cimentos que apreendeu e aprendeu no decorrer da unidade.

ATIVIDADE DE AUTOESTUDO UNIDADE II


Questão 01 – Resposta: Dentre as definições de Associação citadas na unidade
o aluno poderá citar dentre elas: “... congregação de certo número de pessoas que
expõe em comum conhecimentos e serviços voltados a um mesmo ideal e movidos
por um mesmo objetivo, seja associação econômica ou não, com capital ou sem,
mas sem jamais com intuito lucrativo.(...) Sua finalidade pode ser altruísta – como
uma associação beneficente que atende a uma comunidade sem restrições qua-
lificadas – ou egoística, que se restringe a um grupo seleto homogêneo de asso-
ciados. (...) Conceitualmente, a associação é uma pessoa jurídica de direito privado
voltado à realização de atividades culturais sociais, religiosas e recreativas, além de
outras cuja existência ocorre com a inscrição de seu estatuto no registro compe-
tente, desde que tenha objetivo lícito e esteja regularmente organizada. (...)” (NETO
apud CAMARGO, 2003, p.50), ou ainda: “... são organizações baseadas num contrato
estabelecido livremente ente indivíduos para exercer atividades comuns ou defen-
205
GABARITO

der interesses afins. Constitui-se em um termo que no Brasil, traz uma conotação
de sem fins lucrativos para além de sua definição legal. Evocam fundamentalmente
organizações voltadas para seus membros, agregando uma grande variedade de
formas organizativas e iniciativas sociais, desde clubes recreativos e esportivos a
sindicatos, passando por entidades com objetivos culturais e artísticos, associações
de moradores, de bairros, grupos comunitários e núcleos de produção, alguns dos
quais não chegam a registrar-se legalmente” (MENDES, 1997, p.24)
Fundação: “É um patrimônio destinado a servir, sem intuito de lucro, a uma causa
de interesse público ou por indivíduos ou empresas, quando assumem natureza
de direito privado.” (NETO apud SZAZI, 2003, p.51). “Fundações são entidades sem
fins lucrativos que adotam uma postura mais austera, em se tratando de legisla-
ção. Pertencem a uma categoria com fundamentos jurídicos, de direito privado, cuja
composição interna resulta da destinação, por pessoas físicas ou jurídicas, de um
patrimônio vinculado a um fim específico.” (OLIVEIRA, 2005, p.50).
Questão 02 – Resposta:

C R E S S O A B P M

M A D I O S C I P I

E I O F R A A N A L

I N N I A P I G T I

S H G A T O X A O T

A A E D O I A H G A

I N S T I T U T O S

D I R E C A O M A O

Questão 03 – Resposta: Ajuda Internacional; Igrejas; Produtos / Serviços; Governo;


Empresas e pessoas.
Questão 04 – Resposta: Resposta livre a partir dos conhecimentos e vivência do
aluno.
Questão 05 – Resposta: Resposta livre, onde o aluno deverá apresentar os novos
conhecimentos que apreendeu e aprendeu no decorrer da unidade.

ATIVIDADE DE AUTOESTUDO UNIDADE III


Questão 01- Resposta: Estados Unidos, Europa, China, Japão.
Questão 02 – Resposta: Mito da virtude pura; mito do voluntarismo, mito do puro
GABARITO

voluntarismo, mito da imaculada concepção.


Questão 03 - Resposta:
- Século XX: Prestação; Finanças; Organizações Nacionais; Empresas; Constituição de
1934; Código Civil de 1916, Utilidade Pública; Entidade Beneficente.
- Década de 80: Planejamento; Avaliação de Atividades, Captação de Recursos; Or-
ganizações Internacionais; Recursos Próprios; Constituição de 1988; Conselhos de
Políticas Públicas.
- Século XXI: Gestão de Pessoas e Voluntariado; Marketing; Auditoria; Lei do Volunta-
riado; Código Civil 2002; Forma Jurídica; OSCIP.
Questão 04 – Resposta: Nesta questão, o aluno poderá discorrer com suas pala-
vras, trazendo para o centro argumentos relacionados ao rompimento com a prá-
tica pautada apenas na caridade; valorização do espaço institucional como espaço
profissional e gerador de recursos para contribuir com seu alto sustento; valorização
da administração etc. Como pode ser visto no exemplo: “A tão falada e difundida
‘profissionalização do Terceiro Setor’ exige muito mais que uma boa contabilidade.
Implica em ter uma missão e metas bem definidas; baixar os custos; comunicar e di-
fundir o que se faz; ter clareza e transparência nas ações; planejar; monitorar; avaliar;
construir parcerias; enfim, transformar as instituições com metodologias que con-
tribuam para a eficácia dos seus resultados e a sustentabilidade se seus projetos.”
(NETO, 2003, p.56-57).
Questão 05 – Resposta: livre, onde o(a) aluno(a) deverá apresentar os novos conhe-
cimentos que apreendeu e aprendeu no decorrer da unidade.

ATIVIDADE DE AUTOESTUDO UNIDADE IV


Questão 01 – Resposta: O(A) aluno(a) poderá se utilizar de uma das definições apre-
sentadas na unidade, aquela com a qual tiver afinidade com a escrita do autor mais
proximidade linguística: O Planejamento Estratégico vai um pouco além de plane-
jar, pois inclui a utilização de estratégias para a sua ação, ou seja, a capacidade de
posicionar-se corretamente frente às situações do ambiente, tanto interno, quanto
externo da organização (NETO, 2003, p.101).
Planejamento Estratégico é o processo interno de reflexão e coordenação sistemá-
tica de recursos humanos, financeiros, materiais e tecnológicos que tem como ob-
jetivo ajudar a organização a gerar melhores resultados para si e, em consequência,
para a sociedade à qual se destina (MENEGHETTI, 2001). É um modelo de decisão,
unificado e integrador, que: Delimita os domínios de atuação da Instituição. Deter-
mina e revela o propósito organizacional em termos de Valores, Missão, Objetivos,
Estratégias, Metas e Ações, com foco em Priorizar a Alocação de Recursos. Descreve
as condições internas de resposta ao ambiente externo e a forma de modificá-las,
com vistas ao fortalecimento da Instituição. Engaja todos os níveis da Instituição
207
GABARITO

para a consecução dos fins maiores.


Questão 02 – Resposta: A resposta do(a) aluno(a) deverá guiada pela seguinte re-
flexão: Toda organização é formada por pessoas e elas são responsável pelo sucesso
do trabalho ofertado, por meio do seu desempenho. Cada integrante deve ser ob-
servado com atenção, bem como liderado e desenvolvido com competência. Gran-
de dificuldade notada junto às organizações do Terceiro Setor é a de buscar uma
estrutura profissional, com pessoas devidamente habilitadas, alcançando assim os
objetivos determinados.
Questão 03 – Resposta: [...] o voluntariado é um serviço feito por um indivíduo ou
grupo, de modo gratuito, desinteressado e possivelmente contínuo, para desenvol-
ver atividades e atuações de natureza solidária, através de competências adequadas
às tarefas que se pretendem fazer, em estruturas próprias ou no âmbito de estru-
turas públicas ou privadas, em resposta à necessidades autonomamente individu-
ais, com finalidade de remover ou modificar as causas geradoras de problemas ou
prejuízos sociais (COLOZZI apud GUIDOLLIN, 1998, p. 35, grifo nosso). Poderá ser
considerado outras fontes pesquisadas pelo(a) aluno(a).
Questão 04 – Resposta: O(a) aluno(a) poderá escolher a resposta que melhor se
familiarizar trazendo elementos como: “Voluntário é o cidadão que, motivado por
valores de participação e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento, de ma-
neira espontânea e não remunerada, por causa de interesse social e comunitário.
(Programa Voluntários do Conselho da Comunidade Solidária) (obs: ao longo da
unidade, foram apresentados ao(a) aluno(a) conceitos a partir de diversos autores,
fica livre a escolha).
Questão 05 – Resposta: livre, a partir dos conhecimentos e vivência do(a) aluno(a).
Questão 06 – Resposta; livre, a partir dos conhecimentos e vivência do(a)
aluno(a).
Questão 07 – Resposta: livre, na qual o(a) aluno(a) deverá apresentar os novos co-
nhecimentos que apreendeu e aprendeu no decorrer da unidade.

ATIVIDADE DE AUTOESTUDO UNIDADE V


Questão 01 – Resposta: Tendo um conhecimento básico sobre o que é o Terceiro
Setor e as instituições que o compõem. Tendo uma visão da totalidade institucio-
nal. Conhecendo a legislação atual que fundamenta a política de atuação junto ao
segmento atendido pela instituição. Tendo a concepção clara de que população
atendida pela instituição é constituída por sujeitos de direitos e não meros objetos
da ação profissional. Sabendo atuar em equipe. Produzindo respostas profissionais
concretas e práticas para a problemática trabalhada pela instituição, a partir de uma
postura reflexiva, crítica e construtiva.
GABARITO

Questão 02 – Resposta: Sobretudo para evitar a improvisação, transcendendo o


discurso ideológico na busca por uma prática realista, inserida no contexto social.
O planejamento estratégico passa a ser um dos elementos pedagógicos de atuação
do assistente social.
Questão 03 – Resposta: pessoal do(a) aluno(a) a partir da leitura proposta.
Questão 04 – Resposta: Um dos elementos apontados pela autora era se o profis-
sional de serviço social estava preparado: “Será que o Serviço Social está preparado
para atender a população nos menores prazos, como baixos custos e garantindo os
melhores resultados.” Este elemento ainda continua presente nos dias atuais, mes-
mo com a preocupação de profissionais devidamente habilitados para tais ques-
tões. Hoje, busca-se ainda um profissional de capacidade de planejar-se estrategi-
camente para o alcance de resultados consolidados e de maior permanência. (Obs:
o(a) aluno(a) poderá pontuar outras questões que julgar relevantes).
Questão 05 – Resposta: livre, na qual o(a) aluno(a) deverá apresentar os novos co-
nhecimentos que apreendeu e aprendeu no decorrer da unidade.