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Os limites da liberdade de expressão do mundo contemporâneo

A eleição presidencial de 1989 ficou marcada pelo fervoroso embate entre os


candidatos Brizola e Maluf. As ofensas herdadas do período ditatorial permaneceram ao
longo de todos os encontros e chegaram à boca do povo. Mais de 20 anos depois, nada foi
diferente: os debates presidenciais mostraram o quanto as palavras podem definir posições,
e, desta vez, não chegaram só à boca do povo, mas também aos dedos, às redes sociais.
Diante da falta de respeito em qualquer assunto e local, é válido refletir: quais os limites da
liberdade de expressão no mundo de hoje?
Em primeiro lugar, para entender esse problema, é necessário analisar suas causas.
Resultado de uma sociedade que dá espaço para a manifestação dos anônimos, o que se
pensa tem sido refletido na fala sem qualquer edição, ou seja, o “pensar duas vezes antes
de falar” já não faz mais sentido. A Internet e as redes sociais têm alimentado o debate
anônimo e, consequentemente, a manifestação de ideias sem enxergar o respeito ao
próximo chegou aos debates. Um exemplo claro disso está nas próprias eleições
presidenciais, quando amizades se desfizeram como resultado de opiniões divergentes. O
problema, porém, não se resume só ao espaço virtual.
Não se atendo à Internet, a opinião sem medições chegou às ruas. A campanha dos
adesivos, dos debates em universidades, das manifestações e os atentados a jornais
considerados desrespeitosos — e, com eles, uma chuva de mais opiniões e posições
ofensivas — provaram que o respeito ao próximo já não é mais limite para a liberdade de
expressão. Dessa forma, o posicionamento de grupos midiáticos se tornou mais firme e
reconhecível, e as divisões de ideias ficaram mais claras. Em um cenário de perda do
respeito, é impossível não perceber que a liberdade de opinião, nos dias de hoje, se tornou
uma arma.
Diante de uma sociedade que atira no outro sem pensar nos efeitos desse tiro, é
importante planejar soluções que busquem não desarmar — o que seria censura, ferindo
os direitos de expressão —, mas educar, de forma que cada palavra seja consciente e
busque um debate produtivo. Em um primeiro plano, as instituições de ensino, em parceria
com as ONGs (Organizações Não Governamentais), podem ajudar nisso, promovendo
palestras, discussões e até projetos que envolvam a questão da consciência na
manifestação de ideias. Além disso, a mídia e o poder público, juntos, podem trabalhar a
temática e suas consequências em novelas, programas de TV e campanhas publicitárias.
Assim, poderemos, finalmente, educar sem precisar desarmar e evitar que debates como
os de 1989 e 2014 se repitam no Brasil e no mundo.
O silêncio desapareceu na esquina da irracionalidade com a intolerância, no cruzamento do
cinismo com a cara de pau. Deu lugar à hiperinflação das opiniões raivosas, dos julgamentos
sumários, das explicações esdrúxulas. Aquela, acredite, é pior que a escalada frenética dos preços,
velha conhecida dos brasileiros, sepultada há duas décadas. A cobiçada visibilidade nas redes sociais
ou a mera incapacidade de emudecer detonaram o movimento. E a barulheira se espalhou. O habitual
já não é a contrição, mas o falatório. Ao fim da semana de tristezas enfileiradas, #ficaadica: é preciso
o silêncio. Diante do inexplicável, que venham o olhar solidário, o calar respeitoso.
Não é caso de um minuto, mas de horas, quem sabe, dias de silêncio. A vontade de opinar
instantaneamente exterminou a discussão cordial, o debate embasado. E momentos dramáticos
tornam-se campeonatos de grosseria, ralis de vergonha alheia. No raiar de 2015, exemplos se
sucedem. Quarta-feira passada, em Paris, homens armados de AK-47 adentraram a redação do
semanário “Charlie Hebdo”, fuzilaram uma dúzia de pessoas, entre jornalistas e policiais; feriram
outras 11. Uma França aturdida fez um minuto de silêncio no dia seguinte. A Internet não se calou
um segundo.
Montado o ringue, a rede mundial pôs de um lado os radicais da liberdade; de outro, o
esquadrão da relatividade. Foi um Fla-Flu de ofensas. A obsessão pelo confronto aniquilou o diálogo,
fez desaparecer a busca pelo consenso. Caiu em desuso o ditado que ensina: “Melhor ouvir tal coisa
do que ser surdo”. Nos dias de hoje, só interessa falar.
Na Babel das redes sociais, a gentileza foi soterrada. Bastou um escrever #JeSuisCharlie
(#EuSouCharlie), slogan da corrente de luto pelos chargistas mortos, para outro devolver com um
#Nãosouetenhoraivadequemé. No lugar de argumentações civilizadas, imperou o mesmo festival de
agressões que, nas eleições de 2014, semeou o ódio e destruiu amizades.
Sim, é legítimo defender com paixão a liberdade de expressão, bem como se indignar com
uma charge, uma frase, uma criação artística considerada de mau gosto ou ofensiva. Não é incomum
o humor resvalar para interpretações racistas, homofóbicas, machistas ou de intolerância religiosa.
Cabe de um tudo no pote de mágoas.
Há uma gama de reações ao alcance de quem se sentir desrespeitado. O leque inclui de
campanhas de protesto a boicote comercial, de pressão sobre patrocinadores a medidas judiciais.
Tampouco sobram razões para defender a livre expressão do pensamento. Mas nada justifica, em
nenhum dos lados do debate, as ofensas pessoais, a brutalidade difamatória, a violência física ou,
como na tragédia francesa, os homicídios em série. (…) Quando não há nada de bom a ser dito, o
silêncio é sagrado.
O Brasil sofre graves danos coletivos e individuais constantemente com as conturbações causadas
no meio da segurança pública e das instituições que velam por ela em todo o Estado brasileiro. A
greve das policias militares aumenta mais ainda essa questão e deixa a sociedade a mercê de um
pânico generalizado socialmente e estatal.
A Polícia Militar, que é um órgão baseado nos princípios da disciplina e hierarquia tem vedada sua
participação em movimentos grevistas pela própria carta magna de 1988 em seu artigo 142.
Premissa fundamentada também, em consonância com o pensamento do sociólogo Émile
Durkheim, sobre que a consciência coletiva deve sobrepor as individuais, já que a atividade de
segurança pública é primordial para a sociedade e sua paralisação afeta a todos.
No entanto, o principio da dignidade da pessoa humana é a base de todo o ordenamento jurídico
brasileiro e deve ser observado para todos os cidadãos, inclusive para os militares. Salário baixo,
falta de estrutura, leis brandas são alegações para as greves policiais. A diferença salarial entre os
estados brasileiros é exorbitante, segundo estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança
Pública. Fatores que desmotivam o policial militar, pois exercem o mesmo serviço em quaisquer
Estado em que servem. A impunidade contra criminosos também são alegações desmotivadoras no
âmbito castrense, onde o indivíduo é preso várias vezes e não sofre qualquer tipo de punição severa.
Ademais, a segurança jurídica é luta contínua das classes policiais, pois o policial quer maior
autonomia para exercer o trabalho cobrado e não ter que enfrentar diariamente vários processos
no exercício de suas funções para proteger a sociedade.
Portanto, os entes políticos brasileiros juntamente com os altos comando das instituições militares
devem trabalhar de forma a dar suporte aos policiais militares em sua missão de preservação da
ordem pública e patrulhamento ostensivo e preventivo, para que estes consigam de forma efetiva
prestar o serviço de que necessita o estado e também esteja amparado por seu poder-dever de
proteger a sociedade e não tenha seus direitos feridos no cumprimento do seu exercício rotineiro,
nem em sua dignidade humana individual.