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INSTITUTO PEDAGÓGICO DE

MINAS GERAIS
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO
Coordenação Pedagógica – IPEMIG

ETICA CRISTÃ

BELO HORIZONTE
ÉTICA CRISTÃ

O termo “ética”

A palavra ética vem do grego ethos, originalmente tinha o sentido de


“morada”, “lugar em que se vive” e posteriormente significou “caráter”, “modo
de ser” que se vai adquirindo durante a vida. O termo moral procede do latim
mores que originariamente significava “costume” e em seguida passou a
significar “modo de ser”, “caráter”. Portanto, as duas palavras têm um sentido
quase idêntico.

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Não obstante, no contexto acadêmico, o termo “ética” refere-se à


filosofia moral, isto é, ao saber que reflete sobre a dimensão da ação humana,
enquanto que “moral” denota os diferentes códigos morais concretos. A moral
responde à pergunta “O que devemos fazer?” e a ética, “Por que devemos?”
A ética não é nem pode ser neutra.

A ética não se identifica com nenhum código moral, mas isso não
significa que ela seja neutra diante dos diferentes códigos, pois ela é crítica dos
costumes morais.

Funções da ética.

A ética tem uma tripla função: 1) esclarecer o que é a moral, quais são
seus traços específicos; 2) fundamentar a moralidade, ou seja, procurar
averiguar quais são as razões que conferem sentido ao esforço dos seres
humanos de viver moralmente; 3) aplicar aos diferentes âmbitos da vida social
os resultados obtidos nas duas primeiras funções, de maneira que se adote
uma moral crítica em vez da subserviência a um código.

Os métodos próprios da ética.

A moral dogmatiza com seus códigos, enquanto que a ética argumenta


criticamente. Não há totalitarismo em exigir argumentação, mas é totalitário o
dogmatismo da mera autoridade, das pretensas evidências, das emoções e
das metáforas. Filosofar é argumentar. Este é o modo de proceder da filosofia
moral. Os métodos para argumentar podem ser muitos: empírico-racional
(Aristóteles), empirista e racionalista (era moderna), transcendental (Kant),
dialético-absoluto (Hegel), dialético-materialista (Marx), genealógico-
desconstrutivo (Nietszche), fenomenológico (Husserl, Scheler), análise da
linguagem (Moore, Stevenson, Ayer), neocontratualista (Rawls).

O termo “meta-ética”

Meta-ética refere-se aos autores da análise da linguagem. Ela é uma


metalinguagem ocupada em esclarecer os problemas tanto linguísticos como
epistemológicos da ética. Ela tenta discernir a cientificidade, a suficiência, os
caracteres formais, a situação epistemológica da ética.
O ÂMBITO DA FILOSOFIA PRÁTICA

Ética como Filosofia moral.

A ética ou a filosofia moral tem como objetivo explicar o fenômeno


moral, dar conta racionalmente da dimensão moral humana.

A ética é indiretamente normativa. A moral é um saber que oferece


orientações para ações em casos concretos, enquanto que a ética é normativa
em sentido indireto, pois não tem uma incidência direta na vida cotidiana, quer
apenas esclarecer reflexivamente o campo da moral.

Para entender o tipo de saber que constitui a ética, é importante


lembrar a distinção aristotélica entre saberes teóricos, poéticos e práticos. 1)
Os primeiros dedicam-se a compreender a realidade. Eles são saberes
descritivos, porque mostram o que existe, o que é e o que acontece. Eles têm
como referência o ser ou a essência das coisas. 2) Os segundos servem de
guia para elaborar algum produto, artefato ou obra caracterizado por sua
utilidade ou beleza. As técnicas e as artes fazem parte dos saberes poéticos. 3)
os saberes práticos são aqueles que orientam sobre o que se deve fazer para
conduzir a vida de uma maneira boa e justa para alcançar a felicidade. Eles
abarcam não só a ética, mas também a economia (bom governo da casa) e a
política (bom governo da cidade).

Hoje fazem parte da filosofia prática a ética ou filosofia moral, a


filosofia política, a filosofia do direito e a reflexão filosófica sobre a religião em
perspectiva ética.

O termo “moral” aqui e agora.

O termo moral pode ser usado como substantivo. 1) Num primeiro


sentido refere-se ao conjunto de princípios, preceitos, comandos, sendo a
moral um sistema de conteúdos sobre comportamentos. 2) Num segundo
sentido pode referir-se ao código de conduta pessoal de alguém (Fulano tem
uma moral muito rígida ou carece de moral). 3) Num outro sentido compreende
as diferentes doutrinas morais ou a ciência que trata do bem em geral e das
ações humanas marcadas pela bondade ou maldade moral. As doutrinas
morais sistematizam um conjunto de conteúdos morais, enquanto que as
teorias éticas tentam explicar o fenômeno moral. 4) Num quarto sentido moral
refere-se a uma boa disposição de espírito, ter o moral bem elevado, estar com
o moral alto. Aqui moral não é um saber nem um dever, mas uma atitude ou
caráter. 5) Um último sentido de moral como substantivo compreende a
dimensão moral da vida humana que é a âmbito das ações e das decisões.

O termo moral pode também ser usado como adjetivo.

1- Moral no sentido de oposto à imoral, como sinônimos de


moralmente correto ou incorreto.
2- Moral significando o oposto de amoral, isto é, que não tem
nenhuma relação com a moralidade.

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O termo “moralidade”.

Embora moralidade refira-se muitas vezes a algum código moral


concreto (p. ex. quando se diz duvido da moralidade de seus atos ou fulano é
um defensor da moralidade e dos bons costumes), o termo pode ter outros
significados. 1) Moralidade serve para distinguir de legalidade e de
religiosidade, referindo-se à dimensão moral da vida humana, a essa forma
comum das ações humanas para além das diversas morais concretas, isto é,
independente dos conteúdos morais. Por isso existe a distinção em relação à
legalidade referida à lei e à religiosidade referida ao sagrado. 2) Moralidade
pode também ser distinguida de eticidade no sentido que será visto mais
adiante.

EM QUE CONSISTE A MORAL?

Diversidade de concepções morais.

É necessário distinguir entre a forma comum da moralidade (ética) os


conteúdos das concepções morais (moral). Assim é afirmada a universalidade
da moral quanto à forma, ao passo que os conteúdos estão sujeitos às
variações de espaço e de tempo das concepções morais. Trata-se de examinar
critérios para distinguir nas diferentes concepções quais são as que melhor
encarnam a forma moral.

Diferentes maneiras de compreender a moral

Para a filosofia antiga e medieval, centrada no ser, a moralidade era


entendida como uma dimensão do ser humano. A filosofia moderna tem como
referência não mais o ser, mas a consciência e a moralidade é uma forma
peculiar de consciência. No século XX com a virada linguística, a moral começa
a centrar-se na linguagem moral.
A moralidade como aquisição das virtudes que conduzem à
felicidade.

Para a Grécia concebe-se a moral como busca da felicidade ou como


vida boa. Ser moral é sinônimo de aplicar o intelecto para descobrir os meios
oportunos para alcançar a vida plena, feliz e globalmente satisfatória. Por isso
é necessária uma correta deliberação ou seja um uso da racionalidade
prudencial que discorre sobre os meios e estratégias que conduzem ao fim
para o qual todos tendem: o máximo de felicidade. Aristóteles distingue
claramente entre racionalidade moral prudencial (aplicada para os meios
adequados para atingir o fim último de todos) e racionalidade técnica calculista
(aplicada para usar meios em vista de fins pontuais). Entre os gregos houve
divergências sobre o modo de entender a felicidade: hedonistas defendiam a
felicidade como prazer e os eudaimonistas, a felicidade como auto realização.
Para os hedonistas a razão moral é calculista pois se trata de calcular
prazeres.

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A moralidade do caráter individual: uma capacidade para enfrentar
a vida sem “desmoralização”.

A felicidade como auto realização recebeu destaque na obra de


Ortega y Gasset e Aranguren através da sua ética que insiste na formação do
caráter individual, de tal modo que o desenvolvimento pessoal permita que
cada um em frente desafios da vida com um estado de espírito forte e
poderoso. Trata-se manter o moral alto, o contrário de sentar-se
desmoralizado. Isso significa ter um projeto vital de auto realização e uma boa
dose de autoestima.

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A moralidade do dever. A moral como cumprimento de deveres


para com o que é fim em si mesmo.

Trata-se de sistemas morais que colocam o dever em um lugar central


do discurso ético. Já os estoicos colocavam a “lei natural” como centro da
experiência moral. Moralidade consiste em ajustar a própria intenção e conduta
aos preceitos universais da razão que a natureza a todos proporcionou. Kant
segue esta linha superando a perspectiva naturalista, porque a moralidade é
justamente ir além das tendências da natureza. Nesse sentido a moralidade é
não seguir a lei do preço que troca algo pelo valor correspondente. Os
humanos são seres situados para além da lei do preço. Se o ser humano é
aquele que tem dignidade e não preço, isso se deve ao fato de ser capaz de se
subtrair à ordem natural, de auto legislar, de ser autônomo. Isso significa que a
maior grandeza do ser humano reside em agir segundo a lei que ele se impõe
a si mesmo. A moralidade tem o seu foco na autonomia que significa
dignidade, isto é, fim em si mesmo.

A moralidade como aptidão para a solução pacífica dos conflitos.

Nos países democráticos abre-se a perspectiva de pensar a moral no


âmbito social. Por isso, a moralidade é um problema que pertence mais à
filosofia política. Não faltam indícios para essa perspectiva a partir do conceito
de “reino de fins” de Kant e de “vontade geral” em Rousseau. M. Mead propõe
a categoria de “reconhecimento recíproco” como central para a compreensão
da moralidade e como base para a solução dos conflitos na sociedade. Todas
essas propostas estão unidas à virada linguística que irá determinar a
concepção de moralidade a partir da linguagem que é sinal da
intersubjetividade. Assim a moralidade está situada na solução dos conflitos de
ação através do diálogo.

A moralidade como prática solidária das virtudes comunitárias.

Trata-se da proposta comunitarista que se opõe às propostas


individualistas do liberalismo. Ela compreende que um ser humano só chega a
amadurecer enquanto tal, quando se identifica com uma comunidade concreta,
porque só pode adquirir sua personalidade pelo pertencimento a ela e só
desenvolve as virtudes que a comunidade exige, virtudes que constituam a
visão que a comunidade tem em relação às excelências humanas. O positivo
desta proposta é que ela insiste que toda pessoa precisa de uma comunidade
concreta para desenvolver-se; que a comunidade é a detentora das
concepções de virtudes e normas que configuram as pessoas, por fim é
necessário que elas deitem raízes neste húmus das tradições morais. O
problema desta visão é a sua perspectiva particularista, quando precisamos dar
conta de uma solidariedade universalista. Precisamos remeter-nos a uma
moralidade da comunidade universal.

A moralidade como cumprimento de princípios universais.

Essa concepção refere-se à teoria do desenvolvimento moral de L.


Kohl Berg que concebe o amadurecimento moral como progresso de um nível
convencional, para o qual moralidade é identificar-se com as normas concretas
da comunidade, para um nível pós convencional, no qual a pessoa é capaz de
distinguir entre normas comunitárias estabelecidas convencionalmente e
princípios universais de justiça.

Contraste entre âmbito moral e outros âmbitos.

A dimensão normativa da ética e a prescritiva das morais concretas


leva a certa confusão entre normas morais e normas de outros âmbitos da
ação humana

Moral e direito

O direito refere-se a um código de normas destinadas a orientar as


ações dos cidadãos, que emana das autoridades políticas e conta com o
respaldo coativo da força física do Estado para fazer com que sejam
cumpridas. Estas normas estabelecem o âmbito da legalidade.

Existem algumas semelhanças entre as normas da legalidade e da


moralidade: a) aspecto prescritivo; b) referência a atos voluntários; c) o
conteúdo em ambos os tipos de prescrições pode ser o mesmo.

Mas, por outro lado, existem diferenças: a) normas morais conotam


uma obrigação interna e as jurídicas impõem obrigações externas; b) as
normas morais são a instância última de obrigação para a consciência pessoal
e os comandos legais são promulgados por organismos legislativos do Estado;
c) as prescrições morais exibem um caráter universalizável, isto é, elas têm
uma pretensão de universalidade que os preceitos jurídicos não possuem, pois
afetam, pela organização jurídica, o território de um Estado determinado.

Moral e religião

Um código de normas pode ser religioso (prescrições fundadas na


divindade ou no magistério hierárquico das autoridades religiosas) ou moral
(normas fundadas na consciência e exigíveis de todas as pessoas enquanto
tais e não enquanto pertencendo a tal comunidade religiosa). A moral comum
exigível de todos (crentes de diferentes credos e não crentes) não pode ser
uma moral confessional nem tampouco belicosamente laica, isto é, oposta à
livre existência dos tipos de moral de expressão religiosa. Ela precisa ser
simplesmente laica, isto é, independente das crenças religiosas, mas não
oposta a elas. Trata-se da moral cívica dos princípios comumente partilhados,
típica da sociedade pluralista, que permite a convivência de diferentes
concepções morais de caráter geral e abrangente.

Moral e normas de convivência social

Existem normas meramente sociais identificadas com costumes que


apresentam uma obrigatoriedade externa e normas propriamente morais que
obrigam em consciência. O tribunal das normas morais é a própria consciência
e as ações contra as regras de convivência social são julgadas pela sociedade
circundante através da reprovação grupal.

Moral e normas de tipo técnico

O fim da técnica é a produção de bens úteis e belos e o fim da moral é


a ação boa por si mesma. Uma coisa é agir eficazmente e outra agir
moralmente bem. Normas técnicas têm por meta gerar bens particulares e as
morais apontam para a consecução do maior bem prático possível para o ser
humano. Prescrições técnicas tornam as pessoas hábeis no manejo de meios
(ferramentas, utensílios, procedimentos) para alcançar fins particulares, normas
morais orientam meios (ações) que são fins em vista de um fim último e
supremo. Prescrições técnicas são imperativos hipotéticos, porque sua
execução está condicionada “se você quer x tem que fazer y”. As normas
morais são imperativos categóricos tendo como única condição que, no fundo,
não é condição porque significa negar-se como ser humano: “se você quer se
comportar como um ser verdadeiramente racional, então deve...”

BREVE HISTORIA DA ÉTICA

A diversidade de teorias éticas

Os diferentes sistemas ou doutrinas morais oferecem uma orientação


imediata e concreta para a vida moral das pessoas. As teorias éticas não
pretendem responder à pergunta “o que devemos fazer?” ou “de que modo
deveria organizar-se a sociedade “, mas refletem sobre “por que existe moral?”
“Quais motivos justificam o uso de determinada concepção moral para orientar
a vida?”. As teorias éticas querem dar conta do fenômeno moral. Existem
diferentes leituras do fenômeno moral.

Ética das era do ser

Sócrates: a excelência humana se revela pela atitude de busca da


verdade. Isso significa abandonar atitudes dogmáticas e céticas e assumir a
atitude crítica que só se deixa convencer pelo melhor argumento. A verdade
habita no fundo de nós mesmos e podemos atingi-la pela introspecção e o
diálogo. Embora a verdade encontrada pelo método maiêutico (parto de ideias)
é sempre provisória, ela é um achado que ultrapassa simplesmente as
fronteiras da comunidade que se vive.
Sócrates professa o intelectualismo moral, pois quem conhece o bem
se sente impelido a agir bem e quem age mal é porque é um ignorante.

Platão: propõe uma utopia moral no livro A República. O Estado


perfeito é constituído por diversos estamentos com funções determinadas: a)
os governantes tem a função de administrar, vigiar e organizar a cidade; b) os
guardiães e os defensores (militares), de defender a cidade; c) os produtores
(camponeses, artesãos), desenvolver as atividades econômicas. Cada
estamento tem uma virtude específica: a) os governantes realizam sua tarefa
pela prudência e sabedoria; b) os guardiães pela fortaleza ou coragem; c) os
produtores, pela moderação ou temperança. Estes três estamentos
correspondem às três espécies ou dimensões da alma: a) a racional que é o
elemento superior e excelso dotada de autonomia e de vida própria,
caracterizando-se pela capacidade de raciocinar; b) alma irascível que é a sede
da decisão e da coragem nos quais predomina a vontade, fundamentando-se
na força interior colocada em ação quando existe conflito entre os instintos e a
razão; c) apetite ou parte concupiscível que corresponde aos desejos e às
paixões. A virtude correspondente da alma racional é a prudência e a
sabedoria; da alma irascível é a fortaleza e o valor; da parte concupiscível do
apetite, a virtude da moderação. A virtude da justiça harmoniza as diferentes
virtudes tanto na cidade quanto na alma.

Aristóteles: É o primeiro filósofo a elaborar tratados sistemáticos de


ética como a Ética a Nicômaco. Ele se pergunta “Qual é o fim último de todas
as atividades humanas?” Este fim não pode ser outro que a eudaimonia
(felicidade como auto realização), a vida boa e feliz. A partir daí investiga o que
é a felicidade. a) Ela deve ser um bem perfeito que se busca por si mesmo e
não com meio para outra coisa; b) o fim último deve ser autossuficiente,
desejável por si mesmo e que possuindo-o não deseje outra coisa; c) deve
consistir em alguma atividade peculiar de cunho excelente.
Qual é essa atividade? A felicidade perfeita para o ser humano reside
no exercício da inteligência teórica, isto é, a contemplação e compreensão dos
conhecimentos. Mas esse não é único caminho, pois também se pode ter
acesso à felicidade pelo exercício do entendimento prático que consiste em
dominar as paixões e conseguir uma relação amável e satisfatória com o
mundo natural e social. Nesta tarefa, o ser humano tem a ajuda das virtudes
capitaneadas pela prudência (sabedoria prática) que permite obter o equilíbrio
entre o excesso e a falta e é a guia de todas outras virtudes. Por exemplo, a
virtude da coragem é o equilíbrio entre a covardia e a temeridade. Mas uma
pessoa virtuosa precisa viver numa sociedade regida por boas leis, porque o
logos não só nos capacita para a vida intelectual teórica e a vida pessoal
prática, mas também para a vida social, pois a ética não pode desvincular-se
da política.

Éticas do período helenista: Destruída a confiança na polis, o sábio


será aquele que vive de acordo com a natureza. Mas epicuristas e estoicos
divergem quanto à maneira de entender o conceito de natureza e, por isso,
também não estão de acordo sobre o ideal do ser humano sábio.

Epicurismo é uma ética hedonista, isto é, uma explicação da moral


como busca de felicidade entendida como prazer, como satisfação de caráter
sensível. Essa escola foi fundada por Epicuro de Samos (341-270 A.C.). Para
ele, o sábio é aquele que for capaz de calcular corretamente quais atividades
proporcionam maior prazer e menor sofrimento. Trata-se de calcular a
intensidade e a duração dos prazeres. Portanto as duas condições para saber
ser sábio e feliz são o prazer e o entendimento reflexivo para ponderar estes
prazeres.

Estoicismo agrupa um grupo de autores gregos e romanos. Zenão de


Cítio é o fundador, mas teve como protagonistas a Posidônio, Sêneca, Epicteto
e o imperador romano Marco Aurélio. Eles indagaram pela ordem do universo
como orientação para o comportamento humano. Para eles deve existir uma
razão primeira, comum, que é, ao mesmo tempo, a lei do universo. A razão
cósmica é a lei universal a qual tudo está submetido. Esta razão cósmica é o
logos providente que cuida de tudo. Sábio é aquele que vive segundo esta lei
universal do cosmo. Esta atitude cria liberdade interior quanto àquilo que
depende de nós e imperturbalidade quanto ao exterior que não depende de
nós, mas segue uma lei universal previdente.

As Éticas medievais: Os conteúdo da moral antiga serão


reelaborados tendo como referência a matriz judaico-cristã.

Agostinho de Tagaste: Para ele, os filósofos gregos estavam certos


ao afirmar que a moral deve ajudar a conseguir uma vida feliz, mas eles não
souberam encontrar a chave da felicidade humana que se encontra no
encontro amoroso com Deus Pai. A felicidade não está em conhecer como
pensavam os gregos, mas em amar, em desfrutar de uma relação amorosa
com quem nos criou como seres livres. A moral é necessária, porque
precisamos encontrar o caminho de volta para a Cidade de Deus da qual nos
extraviamos por ceder às tentações egoístas. Para nos libertar do pecado,
Deus nos enviou uma ajuda decisiva, a sabedoria encarnada que é o próprio
Jesus Cristo que, pelos seus ensinamentos e pela sua graça, nos reconduz de
volta à Cidade de Deus.

Tomás de Aquino: Ele tenta conciliar as principais contribuições de


Aristóteles com a revelação judaico-cristã contida na Bíblia. Dá prosseguimento
às éticas eudaimonistas numa perspectiva teológica. Para Tomás, a felicidade
perfeita está em contemplar a verdade que se identifica com o próprio Deus.
Esta verdade divina identifica-se com a lei eterna que rege providencialmente o
universo e se expressa nos conteúdo da lei natural. Esta lei contém o primeiro
princípio imperativo: “Faze o bem e evite o mal”. Mas em que consiste o bem e
o mal? Em primeiro lugar nos ditames da Recta ratio, porque ela é a própria lei
natural no ser humano. Em segundo lugar identifica-se com as inclinações
naturais que a lei divina colocou na natureza humana. A sindérese, uma
espécie de consciência moral fundamental, é a intuição ou o hábito que contém
os preceitos da lei natural. A aplicação destes preceitos às circunstâncias
concretas de cada ação particular acontece no juízo formulado pela
consciência situada. A aplicação não pode ser mecânica, mas criativa e
razoável. Aqui entra o papel das virtudes, principalmente a virtude intelectual
da prudência e a virtude teológica da caridade que são os hábitos operativos
do bem para encontrar a ação adequada à pessoa e ao contexto.

Éticas da era da “consciência”: A partir dos séculos XVI e XVII a


moral entra numa nova etapa. A revolução científica, as guerras de religião, a
crise cultural fazem centrar a moral na consciência.

O sentimento moral: Hume.

Ele compreende a razão ou o entendimento como uma faculdade


exclusivamente cognoscitiva, cujo âmbito termina onde deixa de existir a
questão da verdade ou da falsidade de juízos, os quais só podem ser referidos
ao âmbito da experiência sensível. A moralidade é alheia à experiência
sensível que diz respeito a fatos, enquanto que a moral está referida a
sentimentos subjetivos de agrado ou desagrado.

O papel da razão no terreno moral concerne unicamente ao


conhecimento do dado, mas é totalmente insuficiente para produzir efeitos
práticos. Hume delega as funções morais a outras faculdades menos
importantes que a razão, as paixões e o sentimento. A razão não está
encarregada de estabelecer juízos morais. Para ele, as ações morais se
produzem em virtude das paixões orientadas para atingir fins propostos não
pela razão, mas pelo sentimento.

Nesse sentido, a bondade e a maldade das ações dependem dos


sentimentos de agrado ou desagrado que provocam em nós. Por isso, o
fundamento das normas e dos juízos morais é a utilidade e a simpatia. Hume
critica também quem quer extrair juízos morais de juízos fáticos, concluindo um
“deve” a partir de um “é”. Ele chama esta atitude de falácia naturalista.

A ética formal de Kant.

Ele parte de uma distinção típica em Aristóteles: o âmbito teórico que


trata do que ocorre de fato no mundo e o âmbito prático que corresponde ao
que ocorre por vontade livre dos seres humanos. No âmbito prático, o ponto de
partida é um fato de razão: os seres humanos têm consciência de comandos
que eles experimentam como incondicionados, isto é, como dever ou
imperativos categóricos. Aqui existe uma virada copernicana, pois o ponto de
partida da ética não é mais o bem que desejamos como criaturas naturais (a
felicidade), mas o dever que reconhecemos como criaturas racionais. Isto
significa que o dever não é dedutível do bem, mas o bem específico da moral é
o cumprimento do dever.

Os imperativos categóricos são aqueles que mandam


incondicionalmente. Estão a serviço de um valor absoluto que são as pessoas.
Dizem respeito à moral. Os imperativos hipotéticos dependem de uma
condição: “se você quer x, então faça y”. Os imperativos categóricos são uma
experiência da vida cotidiana de convivência entre pessoas. A missão da ética
é descobrir as características formais que tais imperativos devem ter para que
exista neles a forma da razão e, portanto, sejam normas morais.

Essas características, expressas em máximas, são as seguintes: a)


universalidade: “Aja de tal maneira que o teu agir possa ser lei universal”; b)
referir-se aos seres humanos como fins em si mesmo: “Aja de tal maneira que
você trate a humanidade tanto em ti como em qualquer outro, sempre como um
fim em si mesmo e nunca apenas como meio”; c) valer para uma legislação
universal em um reino de fins: “Aja por máximas de um membro legislador
universal em um possível reino dos fins”.

A chave para comandos morais autênticos é que possam ser pensados


como se fossem leis universalmente cumpridas sem que isso implique em
nenhuma incoerência. Em outras palavras, ao obedecer a estes comandos se
está obedecendo a sua própria consciência autônoma. Essa liberdade como
autonomia é a razão de reconhecer aos seres humanos um valor absoluto.
Esse é o sentido de os seres humanos não terem preço, mas dignidade,
porque não podem ser trocados por algo equivalente.

Assim a liberdade torna-se um postulado da razão prática, isto é, um


postulado que não procede da ciência, mas é compatível com o que ela nos
ensina. Somos capazes de decidir por nós mesmos, autonomamente, não
levados pelos instintos biológicos, as forças sociais e os condicionamentos.
Cada pessoa tem o poder da soberania racional sobre si mesmo. Por isso o
próprio da moral é uma boa vontade, ou seja, a disposição permanente de
conduzir a própria vida obedecendo a imperativos categóricos e não às
tendências da natureza.

Portanto o bem moral não reside na felicidade como defendiam as


éticas tradicionais, mas em conduzir-se com autonomia, construir corretamente
a própria vida. Mas o bem supremo não se identifica simplesmente com o bem
moral. Ele só pode ser alcançado com a união entre o bem moral (possível pela
boa vontade autônoma) e a felicidade que aspiramos por natureza. Mas a
razão humana não oferece nenhuma garantia de que se possa alcançar este
bem supremo. A única que pode fazer isso é a fé religiosa. Assim a existência
de Deus é um outro postulado da razão que não se pode provar como também
a imortalidade da alma como seu correlato.

A ética material dos valores: Scheler.

No início do século XX, Scheler opõe-se a Kant na sua obra O


formalismo na ética e a ética material dos valores. Ele critica a existência de
apenas duas faculdades: a razão pela qual se atinge a universalidade e a
incondicionalidade (a priori) e a sensibilidade que capacita a conhecimentos
particulares e condicionados (a posteriori). Scheler propõe uma terceira
faculdade que é a “intuição emocional” que realiza atos não dependentes do
pensamento racional nem da sensibilidade, mas que alcançam o estatuto do
conhecimento a priori, característico do conhecimento moral. Scheler defende o
abandono da identificação kantiana do a priori incondicional com a
racionalidade e do material com a sensibilidade. Por isso conjuga a formalidade
da ética com a materialidade dos valores.

a) Não se pode perguntar o que são os valores, porque eles não são,
mas valem ou pretendem valer. Dizer que não são não significa que são
ficções, mas que se identificam com as maneiras de ser das coisas. b)
Também não é correto identificar os valores com o agradável ou o desejável,
que são realidades variáveis em sua intensidade, enquanto que o valioso não
depende de oscilações, nem com o útil, pois mesmo sendo úteis, os valores
não se esgotam na utilidade, pois eles são um tipo. c) Os valores são
qualidades dotadas de conteúdo, independentes tanto de nossos estados de
espírito subjetivos como das coisas, as quais são bens portadores de qualidade
(valor) que o sujeito dotado de intuição emocional capta.

Scheler afirma uma ciência pura dos valores (axiologia pura) que se
sustenta em três princípios: 1) Todos os valores são negativos ou positivos; 2)
Valor e dever estão relacionados; 3) Nossa preferência por um valor e não por
outro verifica-se porque nossa intuição emocional (estimativa moral) capta os
valores já hierarquizados.

O utilitarismo.

Trata-se de uma versão renovada anglo-saxônica do hedonismo


clássico, mas com uma perspectiva social. Procura conjugar a busca do prazer
com os sentimentos sociais, entre os quais, a simpatia que faz perceber que os
outros também desejam alcançar o prazer. O objetivo da moral volta a ser a
felicidade identificada com o maior prazer para o maior número de seres vivos.
É necessário optar pela ação que proporcione a maior felicidade ao maior
número.

Quem primeiro formulou esse princípio foi o jurista Cesare Beccaria,


mas os clássicos do utilitarismo foram Jeremy Bentham (1748-1832), John
Stuart Mill (18061876) e Henry Sigdwick (1838-1900). Bentham propõe uma
aritmética dos prazeres, pois eles podem ser medidos e comparados. Mill
rejeita essa ideia, dizendo que os prazeres não são uma questão de
quantidade, mas de qualidade, de modo que existem prazeres superiores e
inferiores, sendo preferíveis os prazeres intelectuais e morais. Mill
supervaloriza os sentimentos sociais como fonte de prazer.

Nas últimas décadas apareceu a distinção entre “utilitarismo do ato”


que julga os diferentes atos pelas consequências previsíveis e o “utilitarismo da
norma” que defende que é necessário ajustar as ações às regras habituais que
já mostraram sua utilidade geral pelas consequências.

Éticas do movimento socialista.

No início do século XIX, Saint-Simon, Owen e Fourier, defensores do


socialismo utópico, denunciaram as condições de miséria da classe operária,
apelando à consciência moral de todas as pessoas e propondo reformas
profundas na maneira de organizar a economia, a política e a educação. Para
chegar a uma sociedade justa e próspera é necessário aproveitar os avanços
da técnica e eliminar as desigualdades sociais. Insistem em abolir ou ao menos
restringir a propriedade privada dos meios de produção, mas não aceitam a
rebelião violenta. Reivindicam o diálogo social e o testemunho moral de
experiências justas e, sobretudo, a necessidade de uma educação justa.

Os socialistas libertários (Proudhon, Bakunin, Kropotkin, Malatesta,


Abade de Santillán) opuseram-se aos socialistas utópicos, defendendo o
anarquismo cuja tese principal é a abolição do estado. É necessário abolir todo
tipo de opressão e exploração cuja fonte é o estado. Defendem uma sociedade
solidária, autogestionada e federalista. O marxismo quer superar tanto o
socialismo utópico como o anárquico, propondo um socialismo científico
(Materialismo dialético e histórico). Apesar de que Marx não quis propor uma
ética, o seu legado principal é moral pela sua provocação em prol da justiça.
Marxismo prega um progresso moral dependente da superação das
contradições sociais e a mudança das condições históricas. Identifica os
interesses morais com os interesses objetivos e sociais. As dificuldades do
materialismo, professado pelo marxismo, são tanto o postulado da necessidade
mecanicista da evolução histórica que impede a liberdade como o modo de
acesso à verdade moral pregado pelo materialismo dialético.

ETICA CRISTÃ

A fé cristã professa, como elemento essencial da sua identidade, a


unidade da Igreja de Jesus Cristo: “Creio na Igreja una, santa, católica e
apostólica.” Com esta formulação do Credo de Niceia-Constantinopla (381)
afirmam as principais Igrejas e Comunidades eclesiais que a sua fé no Deus
Trino se traduz na realidade da Igreja, comunidade visível de crentes que
procuram viver na fé, na esperança e no amor o seguimento de Jesus ao longo
dos tempos. Nesta afirmação do Credo a Igreja é colocada em relação com o
Espírito Santo e sua ação na história.

A Educação Cristã. Do I ao III século.


O que é educação cristã? O alvo de toda a aprendizagem autêntica é o
processo na direção da maturidade. (Ef. 4:13)
O objetivo geral do programa de educação cristã é levar os alunos a
uma consciência do Deus revelado em Jesus Cristo, a uma relação pessoal
com ele através da fé, à obediência em segui-lo no discipulado cristão, a uma
vida orientada pelo Espírito Santo e ao desenvolvimento contínuo da
maturidade cristã.
O fim da Educação Cristã é um ministério dinâmico do Espírito Santo;
um Ministério em que Ele se desincumbe de sua tarefa, que é transformar os
crentes através de processos que Deus inseriu na natureza humana e na
natureza da igreja. Ela não produz simplesmente homens e mulheres que
sabem, mas homens e mulheres - e uma comunidade - que estão se tornando
semelhantes a Jesus neste mundo. (RICHARDS, 1996, p.97)
A Educação Cristã envolve a pessoa toda, a comunidade toda. Já dizia
Paulo Freire (1983, p. 35) "que não há educação fora das sociedades humanas
e não há homem no vazio". Em Efésios 4.15,16 está escrito: Mas, seguindo a
verdade em amor, cresceremos em tudo em direção àquele que é a cabeça,
Cristo, cujo corpo, em sua inteireza, bem ajustado e unido por meio de toda a
junta e ligadura, com a operação harmoniosa de cada uma das suas partes,
realiza o seu crescimento para a sua própria edificação no amor. (Bíblia de
Jerusalém)
Esse texto mostra a necessidade de crescimento e que a partir da
cooperação de cada junta, de cada membro, o corpo chegará a edificação
plena. O resultado final desse crescimento é o aperfeiçoamento dos santos,
com ação visível através do amor. Lawrence Richards (1996, p. 20) expressa
assim: Considerando a função da edificação e dos dons espirituais, temos de
ver que a Educação Cristã, para promover adequadamente o crescimento
progressivo da vida de Cristo nos crentes, tem de tratar do corpo como um
todo! Isolar o "ministério educacional da igreja" da vida geral da congregação é
um erro fatal. A Educação Cristã tem de levar todos os membros do corpo a
servir uns aos outros.
Ninguém há que possa dizer que sabe tudo. Por isso a Educação Cristã
é destinada a todos, sejam eles líderes ou não. É destinada a promover vidas,
e essas vidas estão sempre num processo de aprendizado, e este aprendizado
deve estar sempre sendo aplicado em sua vida.

O ministério educacional de Jesus


Em o Novo Testamento, podemos encontrar o grande educador: Jesus.
Soube ensinar massas, grupos específicos e chefes de sinagogas. Trouxe uma
mensagem nova e preparou doze homens (os Apóstolos), para serem os
precursores da Boas Novas. Os pequeninos, portadores e comunicadores
diretos dessa mensagem, como esta escrito no Evangelho de Mateus Cap.
11.25. Estes passam também a ensinar, através da prática e mudança de vida,
formando as primeiras igrejas que passam também a serem comunidades
educadoras.
O Didaquê
Também conhecida como O ensino dos doze apóstolos, é o mais antigo
manual eclesiástico conhecido, tendo sido compilado na primeira metade do
segundo século, provavelmente na Síria ou na Palestina. O texto esteve
perdido por muitos séculos e só foi reencontrado em 1873 em Constantinopla
pelo Arcebispo Filoteus Bryênnios. Os primeiros capítulos apresentam um
conjunto de instruções morais denominado os “dois caminhos” (o mesmo
ocorre no final da Epístola de Barnabé). O restante da obra contém instruções
sobre a ministração do batismo, orações eucarísticas, regras sobre profetas
itinerantes, entre os quais havia muitos charlatães, e finalmente uma exortação
a que se elejam bispos e diáconos. A Didaquê demonstra a transição de um
modelo de liderança carismática (profetas, mestres) para a liderança
hierárquica na igreja (presbíteros, diáconos).

As escolas Eclesiásticas e as Escolas Monásticas


As primeiras remontam ao século II. Limitavam-se sendo o ensino
ministrado por qualquer sacerdote encarregado de uma paróquia. À medida
que a nova religião se desenvolvia, passava-se das casas privadas às
primeiras igrejas nas quais o altar substitui a tribuna. O ensino era reduzido aos
salmos, às lições das Escrituras, seguindo uma educação estritamente cristã.
Já as Escolas Monásticas visavam inicialmente, apenas à formação de
futuros monges. Funcionando de início apenas em regime de internato, estas
escolas abriram mais tarde, escolas externas com o propósito da formação de
leigos cultos (filhos dos Reis e os servidores também). O programa de ensino
era de início, muito elementar - aprender a ler escrever, conhecer a Bíblia
(memorizar), canto e um pouco de aritmética. Posteriormente foi-se
enriquecendo de forma a incluir o ensino do latim, gramática, retórica e
dialética.

Escolas Palatinas
Carlos Magno fundou ainda, junto da sua corte e no seu próprio palácio,
a chamada Escola Palatin. Para apoio do seu plano de desenvolvimento
escolar, Carlos Magno chamou o monge inglês Alcuíno É sob a sua direção a
partir do ano 787, surgiu o decreto capitular para a organização das escolas.
Estes incluíam as sete artes liberais, repartidas no trivium e no quadrivium. O
trivium abraçava as disciplinas formais: gramática, retórica, dialética; o
quadrivium abraçava as disciplinas reais: aritmética, geometria, astronomia,
música, e, mais tarde, a medicina.

Escolas Catedrais
As Escolas Catedrais, saem das escolas monásticas. Instituídas no
século XI por determinação do Concilio de Roma (1079), passam, a partir do
século XII (Concilio de Latrão, 1179), a ser mantidas através da criação de
benefícios para a remuneração dos mestres. A atividade intelectual começa
abrir-se de forma lenta, introduzindo elementos das culturas judaica, árabe e
persa, redescobrindo os autores clássicos, como Aristóteles e, em menor
escala, Platão.

Idade Média (Século V ao XVII)


A educação na Idade Média é dominada pela influencia religiosa cristã.
Baseia-se para formação do homem religioso. Ela acontece dentro dos
conventos e mosteiros. Tendo em vista as possíveis contradições entre fé e
razão, A Teologia firma-se como a rainha das ciências. Mesmo assim é uma
educação em que o povo não tem acesso a Bíblia Sagrada e não são
alfabetizados. O Ensino religioso é para os clérigos e ao povo cabe a
obediência à igreja Católica junto com o governo dos reis. Nesta época a
Escolástica dá inicio as primeiras Universidades, a saber, Paris na França
Bolonha na Itália e Oxford na Inglaterra.

Renascimento
O Renascimento começou na Itália, no século XIV, e difundiu-se por
toda a Europa, durante os séculos XV e XVI. O Renascimento é um movimento
que se deu como a uma busca pelos Filósofos clássicos. Dai nasce uma nova
concepção de homem. O aparecimento dos colégios, do século XVI até o XVIII.
Essa sociedade rejeita a autoridade da cultura eclesiástica medieval. Ainda
assim exclui dos propósitos educacionais a grande massa popular, com
exceção dos reformadores protestantes que além da alfabetização para os
textos bíblicos tem uma visão de educação para todos, a qual serviu de
inspiração as escolas públicas modernas.

O Brasil e a Companhia de Jesus (Os Jesuítas)


A Companhia de Jesus é uma ordem que surge como uma contra
reforma para ativar os trabalhos sociais e ampliar o domínio da igreja católica.
Através da atividade missionária vem ao Brasil com os portugueses assume
papel de agente colonizador. Esta educação é aquela em que a herança
cultural é passada de geração a geração com o método de memorização. Os
primeiros missionários católicos chegaram em março de 1545 com o primeiro
governador geral do Brasil, Tomé de Souza. A religião católica então será
imposta a todos Quanto ao Protestantismo temos a expulsão dos franceses
que se tentaram estabelecer-se no Rio de Janeiro de 1555 a 1560 e a segunda
é tentativa é feita pelos holandeses que se estabeleceram no Nordeste entre
1630 a 1654. Mas tem-se noticiam que em 1557, foi celebrado por calvinistas
franceses no Rio de Janeiro, o primeiro culto evangélico cinquenta e sete anos
depois da primeira missa católica. Mesmo assim o culto protestante era
proibido nas colônias Portuguesas.

Era Pombalina:
Em 1750 D. João I nomeia o Marquês de Pombal (Sebastião José de
Carvalho e Melo), para ocupar o cargo de primeiro ministro ficando responsável
pelas reformas nas colônias portuguesas, Ele expulsou os Jesuítas do Brasil.
Aumentando o panorama do analfabetismo e do ensino precário, agravado o
problema da educação brasileira. Durante esse longo período do Brasil colônia,
aumenta o fosso entre os letrados e a maioria da população analfabeta.
No Brasil, uma sociedade agrária e escravista, não há interesse pela
educação elementar, daí a grande massa de iletrados.

Século das Luzes: O Ideal liberal de Educação.


Esse movimento começou na França atingiu toda Europa e outras partes
do mundo No Brasil os jovens que estudavam foram do país foram
influenciados por ideais iluministas. Um exemplo é Tiradentes e a Inconfidência
Mineira em 1789 (mesmo ano da Revolução Francesa) e mais tarde a
Conjuração Baiana de 1798 e a Revolução Pernambucana de 1817.
O iluminismo é um período de reflexões também pedagógico. Influenciou
a nossa LDB (Leis de Diretrizes e Base com ideal de Cidadania, autonomia e
liberdade, Igualdade e Fraternidade). Há um esforço para tornar a escola leiga
a função do Estado.
A Nova Escola de origem Europeia e norte americana data da segunda
metade do século XIX, trouxe uma reação e Escola Tradicional e foi introduzida
no Brasil em finais da década de 1910 após reformas estaduais de ensino só,
na década de 1930, foi implantada nacionalmente, com as Reformas de
Gustavo Capanema. Os intelectuais envolvidos com as causas da educação,
Fernando Azevedo, Lourenço Filho e Anísio Teixeira entre outros lutaram
contra e através de debates a corrente católica e conservadora além da luta
pela mudança de método no ensino e por uma escola pública no Brasil para
todos. Estas concepções se concretizaram na década de 1940. A essa escola
deu-se o nome de Escola Nova, para diferencia-la da Tradicional focada no
método de repetição e memorização ênfase no educando com priorização no
seu mundo psicológico.
Após o Iluminismo temos o período chamado de Racionalismo
contracenando com o Empirismo. O primeiro diz que a razão é a única fonte de
conhecimento e o segundo que o conhecimento procede da experiência em
destaque Bacon; Locke e Hume.
Emanuel Kant (1724-1804) pertencia a uma família do ramo Pietista. O
pensamento de Kant é resolver questões que disputa na sua época, o
Racionalismo e o Empirismo. Para ele o sujeito desempenha um papel
fundamental no processo do conhecimento. Segundo o professor José Ivo
professor de Filosofia no seu livro Filosofia da Educação “Nesse sentido, a
filosofia deve responder a três questões: o que posso saber; o que posso
esperar; o que é o homem. Estas questões são discutidas, respectivamente,
pela metafísica, pela moral, pela religião e pela Antropologia” (IESDE, 2003,
p.36)
Depois de Kant temos Karl Marx com seu materialismo, Hegel,
Nietzsche o Positivismo de Augusto Comte, mas também temos a Escola de
Frankfurt com seus principais pensadores Adorno, Horkeimer e Marcuse que
denunciaram a ciência, pois segundo esta escola a Ciência tornou-se um
instrumento de dominação do próprio homem.
O educador, seja cristão ou secular, deve buscar o passado para
entender como se processou as transformações do presente. A formação do
pensar do o homem de hoje tem uma influencia de correntes e teorias do
passado que à medida que foram se desenvolvendo chegou até mesmo
popularizar-se precisamos com base do conhecido entender e repensar a
educação cristã para hoje sem perder a base desta educação que é a palavra
de Deus.

PRINCIPAIS AUTORES

Johann Heinrich Pestalozzi


Johann Heinrich Pestalozzi é considerado um dos defensores da escola
popular extensiva a todos. Reconhece firmemente a função social do ensino,
que não se acha restrito à formação do gentil-homem. Seu método de ensino
diz que o aprendizado deve partir do mais simples para o mais complexo.
Segundo ele "A vida educa. Mas a vida que educa não é uma questão de
palavras, e sim de ação. É atividade."
A educação começa com a percepção de objetos concretos, o
desempenho de ações concretas e experiência de respostas emocionais reais.
O desenvolvimento é uma aquisição gradativa de poder. Cada forma de
instrução deve progredir de modo lento e gradativo.
A religião é mais profunda do que dogmas, ou credos, ou a
memorização do catecismo ou das Escrituras. Pestalozzi exigia que os
sentimentos religiosos fossem despertados antes que palavras ou símbolos
viessem a ser levados à criança.
Vários recursos metodológicos novos devem sua origem a Pestalozzi.
Empregava as letras do alfabeto presas a cartões e introduziu lousas e lápis. A
inovação mais importante foi a da instrução simultânea, ou em classe. Isso não
era novo, mas não havia sido posto em prática de um modo generalizado.
Pestalozzi revolucionou a disciplina, baseando-a na boa vontade recíproca e
na cooperação entre aluno e professor.
Deu novo impulso à formação de professores e ao estudo da educação
como uma ciência. Pestalozzi tinha uma fé indomável e contagiante na
educação com o meio supremo para o aperfeiçoamento individual e social. Seu
entusiasmo obrigou reis e governantes a se interessarem pela educação das
crianças dos casebres. Democratizou a educação, proclamando ser o direito
absoluto de toda criança ter plenamente desenvolvidos os poderes que Deus
lhe havia dado.

Friedrich Froebel.
Nasceu em Olchnburg em 1776 na Alemanha. Filho de Pastor
Protestante. Foi o Criador do Jardim da Infância. Privilegia a atividade lúdica
por perceber o significado funcional do jogo e do brinquedo para o
desenvolvimento sensório-motor e inventa métodos para aperfeiçoar as
habilidades. “Por meio da educação a criança vai reconhecer como membro
vivo do todo”. Conheceu e visitou Pestalozzi, dirigiu orfanatos ET reinou
professores. Por seu pensamento pode–se dizer que ele foi um percussor da
Psicologia. Foi defensor da educação natural vendo a criança como uma planta
que exige cuidados diários. Através do lúdico a criança recria representações
do mundo concreto exteriorizando seu mundo interior. Para ele a natureza é a
manifestação de Deus. A educação deveria ensinar o conceito de unidade e
harmonia alcançando assim a própria identidade e ligação com o eterno. Era
um defensor do desenvolvimento natural.

Johan Friedrich Herbart


Filosofo alemão. Suas datas são 1762 – 1814. Formulou pela primeira
vez a Pedagogia segundo ele, a conduta pedagógica segue três procedimentos
básicos: o governo, a instrução e a disciplina. Defendia as regras e a disciplina
para conservação do caminho da virtude para a formação do caráter.

Jan Amos Comenius.


Pastor, filósofo e educador. Nasceu em Nivnice, Morávia (República
Theca). Primeiro teórico a respeitar a inteligência e os sentimentos da criança,
escreveu livros de textos ilustrados para o aprendizado. Defendia o respeito
pelas crianças e pelos seus direitos. Escreveu a Didática Magna. Fazia parte
do grupo irmãos Boêmios. (foi ordenado Bispo). Era contra o uso da palmatória
e questionava porque a criança não poderia aprender brincando. Alguém disse
que ele queria mudar a escola com uma Didática e a sociedade com a
educação. Queria trazer a realidade do aluno para a sala de aula. Criou a
expressão didacografia para designar o método universal que pretendia
inaugurar. A criança deveria gostar de aprender e não se sentir ameaçada.

Sociologia com Emile Durkheim.


Durkheim introduz uma atitude descritiva, voltada para o exame dos
elementos do fato da educação, aos quais aplica o método científico. O fato de
que a sociedade que se desenvolve em seus dias está sofrendo de uma
patologia: a ausência de normas. A educação se torna o centro do seu
pensamento.

Psicologia Behaviorista
O método dessa corrente leva em conta o comportamento eterno que
pode ser reeducado. Suas experiências são ampliadas e aplicadas nos EUA
por Watson e posteriormente por Skinner. O behaviorismo está nos
pressupostos da orientação tecnicista da educação. As pessoas agem por
estímulos e resposta. De acordo com esta teoria da aprendizagem as pessoas
por aquisição de comportamentos direcionados pelos estímulos e repostas.

Gestalt: Teoria de campo


Para a Gestalt no processo de aprendizagem, a experiência e a
percepção são mais importantes que as respostas específicas dadas a cada
estímulo. (Pilletti, Nelson, Psicologia Educacional, pág.52)
As aplicações das descobertas gestaltistas na educação são
importantes por recusar o exercício mecânico no processo de aprendizagem.
Apenas as situações que ocasionam experiências ricas e variadas levam o
sujeito ao amadurecimento e à emergência do insight.

J. Dewey
O filósofo John Dewey6 (1859-1952) tornou-se um dos maiores
pedagogos americanos, contribuindo intensamente para a divulgação dos
princípios do que se denominou Escola Nova. Algumas de suas concepções
influenciaram educadores de várias partes do mundo. Suas ideias falam da
necessidade de valorizar a capacidade de pensar dos alunos, de prepará-los
para a realidade, de unir teoria e prática e problematizar.

https://liderancaeticaeservidora.files.wordpress.com/2012/10/eticacarater-e-moral.jpg

No Brasil inspirou o movimento da Escola Nova, liderado por Anísio


Teixeira, ao colocar a atividade pratica e a democracia como importantes
ingredientes da educação.
A moral está dentro das realidades da vida, não a ideais, fins e
obrigações independentes das realidades concretas. Os fatos dos quais ela
depende, que são seus alicerces, procedem das ligações ativas e recíprocas
entre os indivíduos, são consequências das suas atividades entrelaçadas com
a vida dos desejos, das crenças, dos julgamentos, das satisfações e dos
descontentamentos. Nesse sentido, a conduta e, consequentemente, a moral
são sociais. (DEWEY, J. A Natureza Humana e a Conduta, IV, cap. 4, p. 257)
O fim da educação é aproximar-se do aluno e da sua vida prática. O
ensino em sala de aula deve se aproximar com a realidade do aluno para
estimula-lo a solução de problemas. A criança não deve ficar na dependência
de respostas prontas dadas pelo professor e de outros. Ela mesma deve
buscar suas respostas.
As matérias devem ser dadas em forma de problemas para os alunos
resolverem. Ao contrário da educação tradicional, que valoriza a obediência,
John Dewey estimula o espírito de iniciativa e independência, que leva à
autonomia e ao autogoverno, virtudes de uma sociedade democrática. O aluno
deve ser motivado a desenvolver seu raciocínio. Podemos chamar de teoria
cognitiva.

Teoria Fenomenológica
A aprendizagem é feita a partir da experiência do aluno. O material
usado como conteúdo deve ter significado pessoal pra o aluno. Levando em
conta o seu ritmo de desenvolvimento pessoal e assim desenvolver suas
potencialidades sem reprimir, levando-os a expressar suas opiniões.

Questão para o aluno.


Objetivando uma boa compreensão das Teorias apresentadas até o
presente momento, responda em uma folha á parte.
A aluna tem dificuldade de aprender, mesmo se esforçando. Qual a
solução levando em consideração cada uma destas teorias

Escolas de métodos ativos: Montessori e Decroly.


Maria Montessori estimula a atividade livre concentrada, com base no
princípio da autoeducação. Decroly observa, de maneira pertinente, que,
enquanto o adulto é capaz de analisar, separar o todo em partes, a criança
tende para as representações globais, de conjunto. Resta lembrar outros riscos
dessa proposta: o puerilismo ou pedocentrismo supervaloriza a criança e
minimiza o papel do professor, quase omisso nas formas mais radicais do
nãodiretivismo; a preocupação excessiva com o psicológico intensifica o
individualismo; a oposição ao autoritarismo da escola tradicional resulta em
ausência de disciplina; a ênfase no processo faz descuidar da transmissão do
conteúdo.

Teoria Socialista de Antônio Gramsci


A educação proposta por ele está centrada no valor do trabalho e na
tarefa de superar as dicotomias existentes entre o fazer e o pensar, entre
cultura erudita e cultura popular.

Educação numa Sociedade Sem Escolas


O austríaco Ivan Illich, que passou a trabalhar no México a partir de
1962, propôs a desescolarização da sociedade. Segundo ele, a maior parte
dos conhecimentos úteis se aprendiam fora da escola, em contato com as
realidades familiares, sociopolíticas e culturais.
Abolido o "monopólio" dispendioso e irracional do ensino público,
deveria ser instalado um sistema educativo capaz de assegurar simplesmente
a quantos desejassem instruir-se, em qualquer assunto, o acesso aos
conhecimentos adequados. De "funil" seletivo e autoritário, o sistema
educacional passaria a ser uma igualitária "rede de intercâmbio" entre espíritos
curiosos, libertos de toda autoridade docente. Só uma renovação total das
instituições educativas, segundo Illich, propiciaria a esperada mudança social.

Teorias Progressistas de George Snyders Frans Snyders


Contra as pedagogias não-diretivas, defende o papel do professor, a
quem atribui uma função política. Condena a proposta de desescolarização de
Ivan Illich "Os diplomas representam um obstáculo à liberdade da educação,
fazendo do direito de partilhar os seus conhecimentos um privilégio reservado
aos empregados das escolas” (Illich, 1974, pp.38).
Considera ainda desprovido de sentido esperar dos educadores que
inspirem o gosto de aprender nos alunos, já que acredita que esse interesse
existe em cada um. "A instrução tem de partir de uma escolha pessoal" (Illich,
1974, pp.21). Ressalta o caráter contraditório da escola, que pode desenvolver
a contra educação.

Carl Ransom Rogers


Suas teorias buscam antes de tudo colocar o aluno como centro do
processo educativo, como sujeito, livrando-o do papel controlador do professor.
O professor deve acompanhar o aluno sem dirigi-lo, o que significa dar
condições para que ele desenvolva sua experiência e se estruture, por conta
própria. Segundo ele, a própria relação entre as pessoas é que promove o
crescimento de cada uma, ou seja, o ato educativo é essencialmente relacional
e não individual.

Escola Tecnicista
A pedagogia tecnicista aparece nos Estados Unidos na segunda metade
do século XX e é introduzida no Brasil entre 1960 e 1970, onde proliferou o que
se chamou de “tecnicismo educacional’, inspirado nas teorias behavioristas da
aprendizagem buscando adequar a educação às exigências da sociedade
industrial e tecnológica”.

A EDUCAÇÃO NO BRASIL NO SÉCULO XX

A Escola Nova chegou no Brasil em finais da década de 1910 e levou à


reforma estaduais de ensino. Em 1930 foi implantada nacionalmente nas
reformas de Gustavo de Capanema.
A Nova Escola é focada no aluno. Sua preocupação é com a educação
integral (intelectual, moral, física); educação ativa; educação prática, sendo
obrigatórios os trabalhos manuais; exercícios de autonomia; vida no campo;
internato; educação; ensino individualizado. Para tanto as atividades são
centradas nos alunos, tendo em vista a estimulação da iniciativa.
A Nova Escola abarcou várias correntes pedagógicas. Reagindo contra
a organização tradicional do ensino em compartimentos, o médico e educador
belga Ovide Decroly criou o método globalizador, que se concentrava no
princípio do interesse da criança. Já o francês Célestin Freinet valorizou o
ensino baseado em métodos ativos e no trabalho de equipe como meio de
formação do educando, centralizando as atividades escolares em torno do uso
da imprensa na escola.
A partir do princípio de que o ensino simultâneo não levava em conta as
diversas aptidões e tipos de inteligência dos alunos, procurou-se estabelecer a
"diferenciação pedagógica" em graus e ciclos sucessivos, da qual já se havia
cogitado anteriormente. Nesse sentido, o psicólogo suíço Edouard Claparède,
que deu a seu método a denominação de "educação funcional", criou o
"sistema de grupos móveis". Desse sistema, a pedagogia passou à
individualização do aprendizado, no que sobressaiu o trabalho da italiana Maria
Montessori, baseado no princípio da autoeducação. Na América Latina,
Lorenzo Luzuriaga, Lourenço Filho e Anísio Teixeira foram os grandes
pedagogos da escola ativa.

BRASIL NO SÉCULO XX: O DESAFIO DA


EDUCAÇÃO.

Nesse contexto, os educadores da escola nova introduzem o


pensamento liberal democrático, defendendo a escola pública para todos, a fim
de se alcançar uma sociedade igualitária e sem privilégios. Podemos dizer que
Paulo Freire10 é um dos grandes pedagogos, não só no Brasil, mas também
no mundo. Em sua obra Pedagogia do Oprimido faz uma abordagem dialética
da realidade, cujos determinantes se encontram nos fatores econômicos,
políticos e sociais.
Na década de 70 destaca-se a produção teórica dos
críticosreprodutivistas, que desfazem as ilusões da escola como veículo da
democratização. Com a difusão dessas teorias no Brasil, diversos autores se
empenham em fazer a releitura do nosso fracasso escolar. A tarefa da
pedagogia histórico-crítica se insere na tentativa de reverter o quadro de
desorganização que torna uma escola excludente, com altos índices de
analfabetismo, evasão, repetência.
Já a partir de 1970, começam a ser discutidos os determinantes sociais,
isto é, a maneira pela qual a estrutura socioeconômica condiciona a educação.
O nosso país hoje considerado em sexto lugar na lista dos países mais ricos
contrasta com o fato de está numa. A educação ainda está em defasagem. No
Brasil existem hoje (dados de 2011) 16 milhões de analfabetos. Segundo O
Ministério da Educação e Cultura (MEC) 50% dos analfabetos estão em menos
de 10% dos municípios brasileiros. As Regiões Norte e Nordeste têm a maior
taxa de analfabetismo: 50% do total dos 16 milhões.
A cidade de Jordão/AC possui a maior taxa de analfabetismo do Brasil:
60,7% de seus 4,45 mil habitantes e a cidade com menor taxa de
analfabetismo é São João do Oeste/SC, com 0,9 % dos 5,78 mil habitantes.
O alvo do MEC era ensinar todos os brasileiros acima dos 15 anos a ler
e escrever até o ano de 2010, ou seja, o prazo já se esgotou e o objetivo não
foi alcançado. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD),
divulgada no ano de 2007, diz que há 2,5 milhões de pessoas com 15 anos ou
mais em cursos de Alfabetização de Jovens e Adultos.
Existe também o chamado “Analfabetismo funcional”: 15% de nossos
jovens não tem habilidades de leitura e escrita compatíveis com sua
escolaridade. Deste percentual 2% são analfabetos absolutos (não sabem ler e
escrever) e 13% são alfabetizados de nível rudimentar, ou seja, leem textos
curtos, lidam com números em operações simples). Estes dados são do INAF
(Indicador de Analfabetismo Funcional).

A EDUCAÇÃO NO TERCEIRO MILÊNIO

Com a explosão da tecnologia, vemos que há uma necessidade grande


de uma educação permanente, no campo secular e mesmo na educação cristã
pois a tecnologia pode ser considerado um recurso mas tem influenciado a
maneira de pensar de todos, este novo modelo de mundo tem dado ênfase a
educação Construtivista.
O que é o construtivismo?
Quem adotou e tornou conhecida a expressão construtivismo foi uma
aluna e colaboradora de Jean Piaget, a psicóloga Emília Ferreiro, nascida na
Argentina em 1936 e que atualmente mora no México, e trabalha dentro da
alfabetização já sistematizada.
A diferença desta linha para as demais, é que o aluno participa mais
ativamente do seu aprendizado construindo o seu conhecimento, daí o nome
construtivismo. Rejeita a rigidez nas avaliações a apresentação de
conhecimentos prontos ao estudante.
Esta linha baseia-se nos estudos do psicólogo suíço Jean Piaget
(18961980). Piaget demonstrou que a criança raciocina segundo estruturas
lógicas próprias evoluem conforme faixas etárias definidas, e são diferentes da
lógica do adulto. De acordo com Piaget as crianças aprendem os valores
morais construindo-os interiormente, a autonomia para ele é
indissociavelmente moral e intelectual.
Ao contrário do que muitos imaginam, Jean Piaget nunca se preocupou
em formular uma pedagogia, pelo contrário dedicou sua vida a investigar os
processos da inteligência. Outros especialistas é que se valeram das suas
descobertas para desenvolver propostas pedagógicas inovadoras.
No começo, o nome construtivismo se aplicava só à teoria de Emília
Ferreiro. Com o tempo, passaram a ser chamadas de construtivistas as novas
propostas pedagógicas inspiradas em sua teoria, a própria teoria de Piaget e
até mesmo pedagogias anteriores, porem compatíveis, como a do educador
russo Lev Vygotsky (1896-1934). A Ferreiro aplicou a teoria mais geral de
Piaget na investigação dos processos de aprendizado da leitura e da escrita
entre crianças na faixa de 4 a 6 anos. Constatou que a criança aprende
segundo sua própria lógica. Em resumo, as crianças não aprendem do jeito
que são ensinadas.
A teoria de Emília Ferreiro abriu aos educadores a base científica para a
formulação de novas propostas pedagógicas de alfabetização sob medida para
a lógica infantil. A lógica infantil nesta faixa etária tem uma sequência.
Observe: na pré silábica a criança se agarra a uma letra para ela, não a atribui
ao sonoridade . Já na fase silábica interpreta a letra dividindo valor silábico a
cada uma comparando a outras palavras. No Silábico- alfabético, mistura a
lógica da fase anterior com a identificação de algumas outras silabas e
finalmente na Fase Alfabética ela domina o valor das letras e silabas.
O Construtivismo é usado em todas as séries não somente na
alfabetização e enfatiza o aprendizado não pronto, mas, criado dentro de um
conteúdo de aquisição de informações. O professor nesta linha deve ser uma
presença motivadora do ensino e o trabalho em grupo deve ser presentes no
processo de conhecimento, devendo valorizar “o individual e enriquecer o
grupo”.

Principais teóricos construtivistas


Jean Piaget: O suíço Jean Piaget destacou-se entre os educadores que
preconizaram o respeito à liberdade e à individualidade da criança, defendendo
um sistema educativo menos diretivo, menos autoritário e uniforme. Piaget
procurou demonstrar que a educação devia ajustar-se às leis e etapas do
desenvolvimento psicológico da criança. Segundo ele, à medida que a
influência do meio altera o equilíbrio, a inteligência, que exerce função
adaptativa por excelência, restabelece a auto regulação.
Lev Vygotsky: Ao analisar os fenômenos da linguagem e do
pensamento, busca compreendê-los dentro do processo sócio histórico como
"internalização das atividades socialmente enraizadas e historicamente
desenvolvidas". Portanto, a relação entre o sujeito que conhece e o mundo
conhecido não é direta, mas se faz por mediação dos sistemas simbólicos.

Educação Contemporânea
No século XX surgiram vários movimentos, experiências e teorias
educacionais destinadas a renovar os métodos da escola tradicional. Assim, a
herança dos conhecimentos pedagógicos do século XIX permitiu que se
chegasse no século XX a um conceito bem mais pragmático da educação.
O inglês Alexander S. Neill, em sua escola de Summerhill, pôs em
prática a educação em liberdade. Aboliu a hierarquia professor-aluno e,
portanto, a relação de autoridade na experiência pedagógica, encaminhando a
criança à autoeducação, de acordo com seu ritmo individual de
desenvolvimento.
Em 1965 a UNESCO passou a usar o termo "educação permanente"
para designar a educação contínua, planejada para cobrir todo o ciclo da
existência humana. Diferencia-se do conceito tradicional de educação, dado
que este sempre se compreendeu como processo de integração social e
cultural a consumar-se durante parte da vida, ou seja, durante o transcurso da
infância e da adolescência.
A educação permanente constitui, portanto, um conceito novo, uma
tendência da educação contemporânea, e não um ramo especial da educação.
Figura ao lado de outros que o complementam, oferecendo-lhe meios de
realização, como por exemplo, o de educação extraescolar ou paralela. Esta
engloba todas as formas assistemáticas de educação, como: educação de rua,
educação familiar, educação de grupos etc. Atinge, assim, a sociedade inteira.
Os jovens podem ampliar sua formação cultural e profissional com
programas especiais desenvolvidos pelos centros docentes. A formação de
adultos pode variar desde a necessidade de alfabetização até os cursos de
reciclagem profissional. A educação permanente de adultos tende a apoiar-se
no desenvolvimento de sistemas de autoaprendizagem e nos métodos de
treinamento para a formação ou reciclagem de profissionais que devem
adaptar-se às mudanças de uma sociedade submetida a constantes avanços
científicos e tecnológicos.

Educação e Tecnologia
Todas as correntes citadas abordaram, sob ângulos diversos, os
problemas gerados pelo desenvolvimento tecnológico no âmbito da educação.
As novas situações criadas pela sociedade pós-industrial, o avanço contínuo
da informática e dos meios de comunicação e a complexidade crescente dos
novos conhecimentos e técnicas acentuaram o conflito entre dois tipos de
orientação educacional: a educação científica e a humanista.
Além disso, a desigualdade econômica entre as nações industrializadas
e os países subdesenvolvidos constituiu um obstáculo a um planejamento
global da educação, que sempre foi reflexo das condições socioeconômicas.
Todavia, a educação no século XX procurou assumir um caráter
internacional. Em 1919, surgiu o Bureau International des Écoles Nouvelles
(Escritório Internacional das Escolas Novas) localizado em Genebra.
Expandiram-se os centros de estudos de âmbito internacional; sucederam-se
os congressos, assembleias e simpósios sobre educação; lançaram-se várias
publicações especializadas na matéria.
A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura, fundada em 1946) procurou dar ênfase à luta contra o
analfabetismo, à educação dos adultos, bem como à "educação permanente",
já que as mudanças se processavam com grande rapidez, exigindo, portanto,
uma constante atualização de métodos e programas educacionais. Até então
se achavam excluídas dos programas educacionais. Entre as causas de tais
modificações destacou-se a convicção de que, com a crescente distribuição do
poder político, o estado tinha o direito de exigir um mínimo de conhecimento de
cada cidadão.
Duas instituições educativas, em particular, sofreram uma profunda
redefinição e reorganização na Modernidade: a família e a escola.

EDUCAÇÃO CRISTÃ

Jesus e seu Ministério Educacional


Os quatro Evangelhos nos dão muitas evidências de que Jesus se
considerava um mestre. Em muitas ocasiões de seu ministério público Jesus
aparece ensinado. Mesmo exercendo curas e milagres, nota-se que Jesus
tinha um interesse muito grande em ensinar. “A evidência final de ser Jesus um
mestre se vê na declaração direta de Cristo – ‘Vós me chamais o Mestre
(Professor) e Senhor, e dizeis bem; porque eu o sou’ (João 13:13). A palavra
traduzida do grego didaskalos é o equivalente de rabi, mestre, ensinador,
professor.” (HURST, 1979, p. 67)
A maioria das vezes em que os discípulos de Cristo se dirigiram a ele o
chamaram de mestre. Isso para eles era muito natural. (Lc 21:7; Mc 4:38)
Muitas pessoas que se aproximaram de Jesus para lhe fazerem perguntas,
também o trataram por mestre. Podemos alistar aqui Nicodemos e o jovem
rico. Na realidade até mesmo seus inimigos mais ferrenhos (entre eles os
fariseus e os herodianos) chamavam Jesus de mestre.
Passados já mais de dois mil anos da passagem de Jesus por este
mundo, ele ainda é considerado um grande mestre, e isso não só por seus
seguidores. “Mesmo o homem típico de rua, não regenerado e ignorante
quanto às verdades bíblicas, atribui a Jesus a posição de um grande mestre.
Sem o conhecer como Salvador, Senhor e Filho de Deus, sabe que Jesus
ensinou grandes verdades” (HURST, 1979, p. 68).
Jesus sempre foi verdadeiro, aliás em João 14:6 ele se descreve como
sendo “a verdade”. Ele é Deus e portanto possui as perfeitas qualidades de
Deus. Não devemos ignorar que devemos ser alguma coisa para poder
eficientemente dizer alguma coisa. “Aquilo que você é troveja tão alto que não
posso ouvir o que você diz” (PRICE, 1986, p. 9). As pessoas se admiravam dos
ensinos de Jesus e isso não acontecia com os escribas: Jesus ensinava com
autoridade. O seu modo de vida reforçava aquilo que ele ensinava.
Jesus Cristo demonstrou possuir um conhecimento muito grande das
Escrituras Sagradas. Ao ser tentado por Satanás utilizou citações do livro de
Deuteronômio para vencer as ciladas o Inimigo. No caminho de Emaús,
mostrou á seus dois discípulos sua própria trajetória fazendo uso das
Escrituras. Citou passagens de pelos menos vinte livros do Antigo Testamento
em seu ministério público. Sua educação religiosa começou ainda na tenra
infância, certamente guiada por Maria, sua mãe.
Ao contrário da tendência moderna de buscar resultados por meio de
grandes reuniões, Jesus enfatizava em seu ensino o contato pessoal. O
Evangelho de João registra estas entrevistas pessoais: Nicodemos, a
Samaritana, seus discípulos, a mulher apanhada em adultério, etc. Ele gastava
tempo conversando com seus alunos, coisa que muitos professores de hoje
simplesmente desconhecem. As multidões são inconstantes e Jesus buscava
provocar a reação de pequenos grupos. A maior parte do tempo do ministério
público de Jesus foi gasto com indivíduos.
Hurst (1979, pp. 80 e 81) declara “a totalidade do capítulo dezessete de
João é uma oração proferida pelos lábios de Cristo, a maior parte dela sendo
feita em prol de seus discípulos. Disse; ‘É por eles que eu rogo’, por aqueles
que me deste’. Foi esta uma das muitas ocasiões em que Jesus orou. Suas
orações visavam o bem dos outros, e muito frequentemente eram aqueles a
quem ensinava que Jesus levava ao Pai em oração”.
A partir de Jesus, o ensino passa ser incumbência dos apóstolos, que
tornaram-se pessoas qualificadas pois aprenderam diretamente de Jesus,
foram por "Ele" capacitados para essa missão de ensinar. Podemos ver
claramente nos escritos Lucanos, especificamente no livro dos Atos dos
Apóstolos que a evangelização e o crescimento da igreja são sempre
acompanhados pelo ensino, e esse ensino visava levar os ouvintes a
experimentarem a verdadeira fé. Também vemos claramente que o livro dos
Atos dos Apóstolos fala diretamente da centralidade do ensino, levando os fiéis
a enfrentarem com fé as perseguições. Esse ensino tem também uma
dimensão ética confrontando com o mundo pagão, através da adoração e do
testemunho. Fica evidente também que o ensino era "um ministério integrado e
impulsionado pelo Espírito na igreja primitiva". Esse ensino é um processo
lento e contínuo, pois tem como objetivo levar pessoas a transformações
radicais como podemos constatar em Atos 18.24-28:
O texto fala de Apolo, que apesar de mestre e qualificado era limitado,
por isso foi lhe oferecido ajuda no sentido de progredir na fé. Como vemos
nesta passagem, a mensagem Cristã, o Kerigma, está acompanhado de uma
doutrina, ou seja, um depósito de verdades que desembocam na mensagem
principal. As Epístolas pastorais estão diretamente ligadas à "sã" doutrina, que
é transmitida, ensinada e conservada fielmente, 1Timóteo 4.6: "Propondo estas
coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, nutrido pelas palavras
da fé e da boa doutrina que tens seguido...".
Ensinar significa transmitir o evangelho que se anuncia sempre novo, e
esse ensinamento deve ser recebido em toda sua pureza e defendida contra
todos os ensinos falsos e errôneos.

Paulo e seu Ministério educacional


O Apóstolo Paulo, seguindo o modelo de Jesus, dedicou sua vida ao
ensino do começo ao fim de seu ministério. Pregou e ensinou, desempenhou o
ministério de "pastor e mestre", soube anunciar as boas novas e fazer uma
releitura com os ensinamentos veterotestamentários. O principal objetivo de
Paulo em escrever suas Epístolas era que seus irmãos de fé entendessem
melhor a verdade do Evangelho.
Um exemplo disso é que para corrigir conceitos errôneos acerca da
segunda vinda de Cristo Paulo escreveu uma carta aos irmãos
tessalonicenses. Aos cristãos da cidade de Corinto procurou tratar de suas
condições éticas e ensinar-lhes normas espirituais para guiar suas relações
sociais.
Nas Epístolas Pastorais o apóstolo Paulo demonstra especial interesse
no ensino. Mesmo estando já com idade avançada ele mostra preocupação
com a propagação das doutrinas cristãs. Paulo diz que o ensino é essencial
para manejar corretamente a Palavra inspirada (II Tm 2:14,15; 3:16,17); é
necessário para a firmeza na fé (I Tm 4:6, 11, 16; 6:3-5; II Tm 4:3); é útil para o
estabelecimento de lares harmoniosos (I Tm 6:1,2); a capacidade para ensinar
é um dos requisitos para pastores e outros líderes espirituais (I Tm 3:2; II Tm
2:24) e o ensino é essencial da leitura bíblica, da exortação e da pregação (I
Tm 4:13, II Tm 4:2). O apóstolo Paulo foi um grande missionário e pregador,
mas também um grande mestre: em Éfeso ficou três anos ensinando At 20.30;
em Corinto um ano e meio ensinando a palavra Atos 18.11 e em Roma em sua
própria casa Atos 28.30.

A Igreja Educadora
Igreja educadora é aquela que possui a qualidade de ensinar, e essa
igreja do primeiro século levou a sério a ordem de Jesus quanto a fazer
discípulos:
Essa igreja cresceu não só em número, mas também em maturidade,
em espiritualidade, em comunhão, em resultado de ensino de Atos 5.42: "E
todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e de
anunciar a Jesus, o Cristo. Havia um ministério distinto na igreja primitiva, o do
chamado ‘mestre’ (didáskalos). Fala-se de ‘profetas e mestres’ na igreja de
Antioquia (At.13.1). A liderança desse período consistia em Apóstolos, profetas
e mestres. Depois elegeram bispos, presbíteros e diáconos” (SHERRON, 1993,
p.76).
Estes líderes teriam que ser "aptos para ensinar" e com isso assumirem
as funções didáticas da igreja. Além de grandes mestres que surgem neste
período, começa a aparecer também documentos de ensino. Com essa ênfase
ao ensino, muitos se convertem ao cristianismo, e houve a necessidade de um
programa de preparo, conhecido como "catecumenato", que nada mais era do
que um programa de preparação dos neoconvertidos para o batismo. Nascem
então às escolas preparatórias, a duração dessa instrução era de três anos.

OS PAIS DA IGREJA E AS INSTITUIÇÕES


EDUCACIONAIS

Os Pais da Igreja
O nome Pais Apostólicos12 surgiu no século XVII. Os seus escritos
eram muito importantes, sendo que o Antigo Testamento era usado e
respeitado como Bíblia. Os pais apostólicos são os seguintes (alguns de
autores conhecidos e outros anônimos):
1º. Clemente – trata-se de uma longa carta dirigida pela igreja de Roma
à igreja de Corinto por volta do ano 96. Seu objetivo principal foi exortar os
coríntios a restaurarem ao seu ofício os presbíteros da igreja, que haviam sido
afastados. Cerca de um quarto da epístola contém citações do Antigo
Testamento, usado como fonte de muitos modelos de ordem e virtude. O
documento pressupõe uma igreja governada por bispos ou presbíteros e
diáconos, que receberam o seu ofício em sucessão regular a partir dos
apóstolos. A carta fala do martírio dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma. Sua
autoria é tradicionalmente atribuída a Clemente, um bispo romano.

2º. Clemente – apesar do título, esse documento não foi escrito por
Clemente e nem é uma carta. Trata-se de uma homilia ou pequeno sermão,
produzido provavelmente em Corinto por volta do ano 150, na forma de uma
exortação ao arrependimento, um tema importante naquele período de
crescentes perseguições.
Cartas de Inácio – o idoso bispo Inácio de Antioquia foi preso e
condenado à morte por volta do ano 110, sendo levado por dez soldados até
Roma, para a execução. Em Esmirna, onde recebeu a visita de representantes
de várias igrejas, ele escreveu cartas aos bispos das igrejas de Éfeso,
Magnésia e Trales. A carta á Roma não foi endereçada ao bispo, o que da a
entender a ausência de um. De Trôade, escreveu também às comunidades de
Filadélfia e Esmirna, bem como ao bispo desta última, Policarpo. Essas sete
cartas muito pessoais e apreciadas tratam de vários temas: atacam uma
heresia sincretista que negava a encarnação de Cristo (docetismo), dão forte
ênfase à figura do bispo como elemento de preservação da unidade e
ortodoxia da igreja e valorizam grandemente o martírio cristão. Na carta aos
esmirnenses, aparece pela primeira vez a expressão “igreja católica”.

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Epístola aos Filipenses – esse documento singelo, sem grande


relevância teológica, foi escrito pelo bispo Policarpo de Esmirna, que afirma ter
ouvido na juventude o apóstolo João. É basicamente uma coletânea de
alusões e citações de pelo menos treze livros do Novo Testamento e 1
Clemente. Adverte contra as heresias, o docetismo e a avareza, e atesta que a
igreja de Filipos ainda não tinha um bispo monárquico.
Martírio de Policarpo – é uma carta da igreja de Esmirna à igreja de
Filomélio, na Frígia. Relata a prisão, julgamento e execução do bispo
Policarpo, morto na fogueira aos 86 anos, provavelmente no ano 156. É o mais
antigo relato de um martírio cristão, destacando-se pela sua simplicidade e por
sua descrição da fidelidade e coragem de Policarpo. Aponta para o início da
veneração dos mártires, que mais tarde deu origem ao culto dos santos
católicos.

Epístola de Barnabé – é talvez o mais estranho escrito dentre os pais


apostólicos. Trata-se de uma carta anônima, escrita provavelmente em
Alexandria, no Egito, entre 130 e 140, que dá grande ênfase à interpretação
espiritual (alegórica) do Antigo Testamento.

O Pastor de Hermas – é o documento mais longo dos pais apostólicos,


tendo sido escrito por volta de 140-150. O autor, Hermas, é um homem
simples, talvez o irmão do bispo Pio, de Roma. Embora possua fortes
elementos apocalípticos (contém cinco visões, doze mandatos e dez
similitudes), seus temas principais são a pureza e o arrependimento
pósbatismal. Vários autores antigos o consideraram parte do Novo
Testamento.
Didaquê – também conhecida como O ensino dos doze apóstolos, é o
mais antigo manual eclesiástico conhecido, tendo sido compilado na primeira
metade do segundo século, provavelmente na Síria. O texto esteve perdido por
muitos séculos e só foi reencontrado em 1873. Os primeiros capítulos
apresentam um conjunto de instruções morais denominado os “dois caminhos”
(o mesmo ocorre no final da Epístola de Barnabé). O restante da obra contém
instruções sobre a ministração do batismo, orações eucarísticas, regras sobre
profetas itinerantes, entre os quais havia muitos charlatães, e finalmente uma
exortação a que se elejam bispos e diáconos. A Didaquê demonstra a
transição de um modelo de liderança carismática (profetas, mestres) para a
liderança hierárquica na igreja (presbíteros, diáconos).
Epístola a Diogneto – nunca foi mencionada na antiguidade, tendo sido
descoberta na era moderna. Essa epístola anônima, escrita em um grego
elegante e endereçada a um pagão, foi escrita no final do segundo século.
Trata-se de uma explicação ou apologia do cristianismo. O final desse
documento é parte de outro escrito, talvez uma homilia.

Explanações dos ditos do Senhor – uma obra em cinco livros escrita


pelo bispo Papias de Hierápolis por volta do ano 130. Consiste numa coleção
de relatos das palavras e ações de Jesus recolhidos da tradição oral. Somente
algumas páginas de fragmentos sobrevivem, incluindo relatos da origem dos
evangelhos de Mateus e Marcos e uma passagem sobre a morte de Judas.
Devido a suas crenças milenistas, mais tarde Papias foi motivo de desdém.

Citamos abaixo alguns destes Pais mais relevantes:


Justino, o mártir (cerca de 100-165 d.C.) — Apologista fundador de
uma escola filosófica cristã em Roma. Foi martirizado em l66 d.C. Era filósofo
grego e mestre antes de converter-se, e continuou sua profissão depois de
convertido. Suas apologias esclareceram assuntos doutrinários e éticos.

Clemente de Alexandria. (cerca de 150 - 218 d.C.). Professor e chefe


da escola catequética de Alexandria. Junto com Orígenes, a escola
Catequética, que veio a se tornar uma Universidade. Acreditava que o cristão
devia aproveitar todas as oportunidades de aprender, seja qual fosse o ramo o
conhecimento humano.

Orígenes. (l85 - 253 d.C.). Professor e chefe da escola catequética de


Alexandria (203 a 231 d.C.) e em Cesaréia (232 a 252 d.C.). Escreveu a
primeira teologia sistemática cristã. Foi torturado sob Décio e morto pouco
tempo depois. Obras principais: Suas contribuições à educação cristã
consistem de sua notável erudição e de seus escritos teológicos, que
dominaram a erudição eclesiástica durante os séculos III e IV.
Irineu (l30/35 - 195 d. C.). Nasceu em 130 à 135 d. C.; discípulo de
Policarpo aos 20 anos de idade; missionário e Bispo de Lião (Gália, 178-195).
Lutou contra o gnosticismo. Acreditava que o ensino era a ferramenta própria
para edificar uma igreja forte.

Hipólito (170 - 235 d.C.). Discípulo de Irineu; Bispo em Roma (na época
de Calixto); foi considerado um dos quatro grandes estudiosos de sua época.
Foi o primeiro cristão a ter um monumento erguido em sua homenagem. Sua
principal obra: "Refutação de todas as heresias". Um livro de quase dez
volumes (1º. ao 4º mostra que os gnósticos trouxeram a sua doutrina do meio
pagão; 5º ao 9º faz uma exposição sobre 33 sistemas do agnosticismo).

Tertuliano (cerca de l60 - 220 d. C.). Apologista e Teólogo em Cártago


na África. Seu pai era um centurião romano. Estudou Direitos Humanos até se
converter com mais ou menos 30 anos. Passa a estudar o grego. Tinha
domínio pleno sobre o latim. Foi o primeiro Teólogo a usar o termo TRINDADE.
"Apologia" (l97 d. C.); "Contra Márcion" (207 d. C.); "Contra o Bispo de Roma",
tratando sobre pecados imperdoáveis da igreja. A maior contribuição de
Tertuliano à educação foi a quantidade de escritos que deixou à igreja para uso
de seus sucessores e para teólogos de futuras gerações.
Os pais apostólicos podem ser classificados em torno de três tendências
ou escolas de acordo com sua origem geográfica: (a) Ásia Menor (Inácio,
Policarpo, Papias) – ênfase na união com o Salvador pela qual se alcança a
imortalidade; (b) Roma (Clemente e O Pastor de Hermas) – ênfase no aspecto
prático e ético: o cristianismo como obediência a uma nova lei; (c) Alexandria
(Epístola de Barnabé) – combina o interesse ético com a abordagem
especulativa por meio da interpretação alegórica. Os elementos comuns
desses escritos são, entre outros, o entendimento de Cristo como preexistente,
divino e humano; o batismo e seu poder de purificação; a eucaristia como o
centro do culto cristão.

Jerômino (340- 420 d.C.). Seu nome completo era Sofrônio Eusébio
Jerônimo. Natural de Dalmácia, foi considerado o mais ilustre dos Pais da
Igreja. Educado em Roma, sendo o fundador do Mosteiro de Belém. Suas
“principais contribuições de Jerônimo à educação cristã foram: 1) sua tradução
latina das Escrituras, e 2) sua ênfase sobre a igualdade do homem perante
Deus. Essa última contribuição preparou o caminho para a futura adoção do
princípio da educação universal” (ARMSTRONG. 1992, p. 53).

Agostinho de Hipona (354-430 d.C.). Bispo de Hipona (395-430 d.C.).


O maior teólogo da igreja antiga. Foi o primeiro escritor de Filosofia Cristã.
Escreveu obras específicas na área de educação, a saber, Educação Cristã,
um manual de instrução para clérigos e leigos e Instrução para os nãos
instruídos, um manual que trata da metodologia do professor cristão. A
influência de Agostinho foi ampla, profunda e duradoura.

Alcuíno (735-804 d.C.). Alcuíno, entre o período de Agostinho e a última


parte da Idade Média, foi o personagem mais importante. Era o educador
responsável pelo treinamento do clero e do pessoal administrativo no reino de
Carlos Magno. As reformas educacionais e eclesiásticas durante sua
administração e o reino de Carlos Magno deram força á igreja e á cultura para
se mantiver durante os anos de trevas que se seguiram.
Tomás de Aquino (1255-1274). Tentou descobrir ou criar uma aliança
entre a fé e a razão. O resultado de seu trabalho foi a Suma Teológica.

AS INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS DA IDADE


MÉDIA
Escolas catequéticas. Eram escolas para treinar os cristãos ao mesmo
nível intelectual dos seus críticos. Estas vieram a ser as instituições de
treinamento para líderes da igreja. A primeira e mais famosa escola
catequética foi a de Alexandria, no norte da África. Foi nestas escolas que a fé
e a doutrina cristã se estruturaram num sistema de pensamento.
Escolas catedrais. O bispo governava sobre um bispado, e a igreja do
bispo era chamada de catedral. Estas igrejas centrais tinham de preparar
clérigos para as paróquias próximas. Para resolver este problema surgiram
escolas nas catedrais para o treinamento destes líderes. O que de melhor
havia nestas escolas contribuiu para o desenvolvimento das universidades na
parte final da Idade Média. Quando as escolas episcopais cresciam muito, os
bispos designavam chanceleres, como supervisores dos mestres. Alunos e
professores se organizavam em grêmios, que posteriormente passou a se
chamar universitas.
Monasticismo. O termo significa Vida Solitária. Afastando-se do mundo,
pessoas, dando os bens aos pobres, imitando a Cristo em seu estilo da vida e
mediante a pobreza, virgindade e obediência. Os monges tinham como centro
da vida a oração, contemplação, asceticismo (pobreza, celibato) e o trabalho.
No III século milhares ingressaram na igreja, no IV ao V a maioria do Império
professou ser cristão.
O monacato surgiu como reação á frouxidão espiritual. O primeiro
eremita ("solitário") foi Paulo de Tabes, que com 22 anos (250 d.C.) se afastou
para uma caverna onde morou por 90 anos, sem comunhão, sem ser visto,
sem igreja, sem Bíblia e sem participar de culto ou Ceia. O Monacato no
Ocidente era mais prático e ajudou o cristianismo a civilizar os bárbaros. O
monacato ocidental contribuiu para a agricultura, na cópia de manuscritos, na
educação, nas missões, na arquitetura e nas artes.
Uma das principais ocupações de um monge era a leitura da Bíblia, que
incluía: Legere (leitura de livros) e meditare (pensar, refletir). Nas escolas
monásticas ensinava-se as crianças a ler. Para ter o que ler, os noviços
copiavam os manuscritos da igreja primitiva e as obras da literatura romana
antiga. Desse modo a literatura bíblica, histórica e secular foi preservada para
a posteridade.
As Universidades. Com o surto da Escolasticismo houve transformação
completa das escolas no ocidente. Também, o período de relativa paz imposto
pelos recém-chegados normandos á França e a Inglaterra permitiu reflexão e
estudo nos séculos X e XI. Muitas escolas catedrais decaíram enquanto outras
se tornaram proeminentes. A Universidade de Paris foi reconhecida pelo papa
e pelo rei da França, em 1180.
Esta escola se notabilizará por Pedro Abelardo (1097-1142) e o grande
número de alunos que ali fluíra. Em pouco tempo surgiu outras: Nápoles,
Bolonha, Oxford, Cambridge, Louvaina, etc. Só no século XIII dezenove
Universidades receberam cartas de fundação ou aprovação por papas e reis.
Os diversos graus de aprendizagem eram os seguintes: Após estudos por
alguns anos sob a direção de algum "mestre", o estudante era admitido,
mediante um vestibular rigoroso ao bacharelado. Outros exames igualmente
severos conduziam à licença. Ao defender tese diante da congregação o
candidato recebia o grau de Doutor ou Mestre. Naturalmente, tudo isto em
latim, Isto permitia alunos de qualquer lugar estudar em qualquer Universidade.
Como consequência do surto das Universidades nos séculos XII e XIII,
surgiu escolas primárias, condição indispensável para chegar a Universidade.
Em todas as paróquias abriram-se escolas paroquiais em que o Cúria, ajudado
por auxiliares ministrava o ensino primário. Também as corporações
mantiveram sacerdotes tanto para serviços religiosos como para a educação
da comunidade. O caráter secular destas escolas era mais acentuado e tornou-
se uma transição entre o espírito da Idade Média a Renascença.

A EDUCAÇÃO NO PERÍODO DA REFORMA

Os Precursores da Reforma
João Wycliffe (1330-1384). Entrou em luta com o papado em 1375.
Homem mais culto e mais destacado da Universidade de Oxford. Era pároco
de Lutterworth, alcançando a simpatia das classes pobres. Investiu contra o
suposto direito do Papa de cobrar impostos ou taxas na Inglaterra. Denunciou
o papado e toda a organização clerical, sustentando a tese de que não deveria
haver distinções de classe dentro do clero. Negou fundamento bíblico à
doutrina da transubstanciação. Em muitos tratados, atacou todo o sistema da
igreja medieval e declarou que a Bíblia é a única e verdadeira regra de fé e
prática. Wicliffe trabalhou em seu maior projeto que foi a tradução da Bíblia, da
Vulgata (versão latina) para o inglês. Organizou a ordem dos "sacerdotes
pobres" (irmãos Lollardos), com o intuito de espalhar a Bíblia e os seus ensinos
entre o povo. Embora perseguidos no século XV, continuaram sua obra até
nos tempos da grande reforma. As maiores influências dos seguidores de
Wycliffe foi ensinarem somente a Bíblia e a produção de uma nova literatura,
que chamavam de tratados.
Chefiada por João Huss (1373-1415), originou-se outra revolta maior
contra a igreja papal, cansada por forte espírito nacionalista. Huss era muito
culto e exercia poderosa influência na Universidade de Praga, além de
sacerdote. Tornou-se o porta-voz nacional dos anseios políticos e religiosos do
seu povo. Protestou fortemente para que o clero imoral e de atitude afrontosa
à Boêmia fosse reformado. Ensinando as doutrinas de Wycliffe, considerando
herege, entrou em conflito com os chefes da igreja papal.
Foi julgado em Constança e condenado à fogueira, onde sofreu martírio.
Depois, apareceram os "Irmãos Boêmios", uma poderosa organização religiosa
fora da igreja, cuja atividade com o cristianismo evangélico empolgou toda a
Boêmia e a Morávia e também algumas partes da Alemanha. Os husitas
traduziram a Bíblia para a língua do povo e desenvolveram um sistema de
escolas, inclusive uma universidade, para promover a prática do cristianismo.
Jerônimo Savanarola (1452-1498). Também é colocado na lista dos pré-
reformadores. Abrasado com o fogo do Espírito Santo e sentindo a iminência
do julgamento de Deus, trovejava contra o vício, o crime e a corrupção
desenfreada da própria igreja. O povo abandonou a leitura de publicações
torpes e mundanas, para ler os sermões do ardente pregador; deixou os
cânticos das ruas para cantar hinos a Deus. Savonarola clamava por um
retorno à vida cristã baseada na Bíblia. Em Florença as crianças fizeram
procissões, coletando máscaras carnavalescas, os livros obscenos e todos os
objetos supérfluos que serviam a vaidade. Com isso formaram em praça
pública uma pirâmide de vinte metros de altura e atearam-lhe fogo.

Reformadores
Durante a Reforma Protestante, o ministério docente passa por uma
grande transformação, em sua forma e conteúdo. A principal preocupação do
sacerdote passa a ser a pregação do Evangelho e do arrependimento. O
Movimento da reforma anuncia a salvação do homem pela fé em Jesus Cristo
(Lc 19:0; I João 3:16-17; Rm 3:21-26). Neste sentido, a relação pessoal do
homem com Deus, em Cristo, leva ao arrependimento e á fé (Rm 5:1-2; Ef
3:12).
É a partir daí que o culto passa a ser centralizado nas Escrituras. Devido
a isso a reforma deve ser entendida como um restabelecimento da Palavra, um
esforço extraordinário para restaurar o verdadeiro rosto da Igreja, devolvendo à
Bíblia o lugar central que lhe correspondia nos tempos apostólicos. Observe o
seguinte comentário:
Um empreendimento desta extensão provocaria uma revolução no
processo de educação cristã. Quando surgiu a Reforma, havia uma lacuna na
preparação dos princípios fundamentais da fé cristã. Lutero percebeu esta
necessidade premente e exortava os pais cuidar da instrução de seus filhos,
escrevendo no prefácio de seu Catecismo Maior: ‘Aquele que ignora essas
coisas não pode ser contado entre os cristãos, e não deve ser admitido aos
sacramentos, assim como é despedido e considerado incompetente um
artesão que não conhece os direitos e habilidades de seu ofício’ (CARVALHO,
2000, p. 17).
Alistamos aqui a contribuição dos grandes reformadores protestantes
para a Educação: Martinho Lutero, Phillipp Melanchton, Ulrico Zwínglio, João
Calvino, Apresentaremos também os conceitos educacionais de João Amós
Comenius.

Martinho Lutero (1483-1546)


A ideia que se tem de Martinho Lutero como reformador tende a
obscurecer seu valor no mundo da educação. Um dos grandes reformadores,
desafiou as estruturas da Igreja antiga nas suas estruturas e no que ele
entendia: falta de preparo dos clérigos que tinham a responsabilidade de
preparar o rebanho e não o estavam fazendo. Passou a combater as vendas
de indulgências, declarando que o Papa e a Igreja não possuíam autoridade
para introduzir artigos de fé contrários aos ensinamentos bíblicos. Surge então
seu pensamento sobre a autoridade da bíblia, sola scriptura, que passou a ser
o fundamento da Reforma.
A Dra. Sherron escreve que "um grande desejo de Lutero era que cada
cristão tivesse a bíblia na sua própria língua. Daí, outro passo no programa de
Educação Cristã na Reforma foi à tradução da Bíblia para o Alemão"
(SHERRON, 1993, p. 79). Este passo foi importantíssimo na Educação Cristã
porque aproximou a leitura, dando oportunidade para que cada um lesse na
sua própria língua. Pode ser colocada também como grande avanço na
Educação, a preparação dos catecismos, que continham perguntas e respostas
a respeito da Bíblia, auxiliando os pastores no preparo de seus estudos e na
preparação das crianças na aprendizagem cristã.
À semelhança de alguns de seus antecessores, Lutero achava que a
educação devia ser obrigatória para todos, para que todos pudessem aprende
a ler a Bíblia. O currículo que propunha incluía estudos bíblicos, línguas,
gramática, retórica, lógica, literatura, poesia, história, música, matemática,
educação física e estudos da natureza. De todos esses temas, sua ênfase
sobre a música foi a principal característica de sua filosofia da educação. A
música ocupava o segundo lugar em importância, depois da teologia, na
filosofia educacional de Lutero.

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Talvez a maior contribuição de Lutero à posteridade, no que se refere à


educação, tenha sido sua ênfase sobre a arte de ensinar e a importância do
mestre. Para ele a pregação e o ensino tinham quase o mesmo valor, um
aspecto relevante para ele no processo ensino-aprendizagem era a disciplina e
a obediência combinadas com amor e moderação.
Sua ideia de disciplinar com amor, em parte, representa uma reação às
práticas dos mosteiros que usavam disciplina e castigos drásticos. Para Lutero
“se o Estado deve prover educação para todos, deve-se assinalar que sua
preocupação é concernente ao dever e acesso de todas as pessoas em
relação à educação" (LOPES, 2003, p. 46). Analisando os escritos de Martinho
Lutero concluímos que para ele a família era uma instituição educativa, pois “a
educação deveria começar dentro de casa e, para aperfeiçoamento, continuar
na escola. Possivelmente seu pensamento estava centrado na vida dos
patriarcas do Antigo testamento, quando eram os pais os responsáveis para
ensinar a lei do Senhor. (Deuteronômio 6:1-7) " (LOPES, 2003, p. 47).
O currículo escolar “deveria conter o latim e grego, que constituíam a
base maior do currículo de Lutero. A essas disciplinas acrescentou o hebraico,
que também tentou colocar ao alcance de todos" (LOPES, 2003, p. 47). A
razão disso é que estas línguas são as originais das Escrituras. Martinho
Lutero escreve:
É realmente um pecado e uma vergonha que tenhamos de ser
estimulados e incitados ao dever de educar nossas crianças e de considerar
seus interesses mais sublimes, ao passo que a própria natureza deve-nos-ia
impelir isso e o exemplo dos brutos no que este deve saber, exceção feita ao
avestruz, de quem diz ‘Ela (a fêmea do avestruz) põe seus ovos na terra e os
aquece na areia; e é dura para com seus filhotes, como se não fossem dela’. E
de que adiantaria se possuíssemos aquilo por que, essencialmente vivemos, a
saber, cuidar dos jovens? Em minha opinião não há nenhuma outra ofensa
visível que, aos olhos de Deus, seja um fardo tão pesado para o mundo e
mereça castigo tão duro quanto a negligência na educação das crianças. Os
pais negligenciam esse dever por vários motivos. Em primeiro lugar, há alguns
com tanta falta de piedade e honestidade que não cumpririam esse dever
mesmo que pudessem, mas, como a fêmea do avestruz, têm coração duro
em relação a sua própria prole e nada fazem por ela. Em segundo lugar, a
grande maioria de pais não possui qualificação para isso e não compreende
como as crianças devem ser criadas e ensinadas Em terceiro lugar, mesmo
que os pais fossem qualificados e estivessem dispostos a educar eles
mesmos, em virtude de outras ocupações e deveres do lar não têm tempo para
fazê-lo, de modo que a necessidade exige que tenhamos professores para as
escolas públicas, a menos que cada genitor empregue um instrutor particular.
Portanto, será dever dos prefeitos e conselhos ter o maior cuidado com os
jovens. Pois dado que a felicidade, honra e vidas da cidade estão entregues
em suas mãos, eles seriam considerados covardes diantes de Deus e do
mundo caso não buscassem, dia e noite, com todo o seu poder, o bem-estar e
progresso da cidade. (GADOTTI, 1997, p. 70 e 71).

Philipp Melanchton (1497-1560)


Phillipp Melanchton foi amigo e colega de Lutero. Era de origem judaica,
aprendeu Hebraico com seu tio e foi deserdado por ele por ter aceitado a fé
cristã. Foi presidente da Universidade de Wittemberg, e nessa posição exigiu
que os professores ensinassem de acordo com o Credo Apostólico, o Credo de
Nicéia, o Credo de Atanásio e a Confissão de Augsburgo. A adoção desses
credos deu à educação superior condição de ensinar a verdade baseada em
princípios bíblicos, sem receio das tendências modernas.
Segundo ele a ignorância era a maior adversária da fé, por isso devia
ser combatida mediante uma radical reforma das escolas e uma recuperação
da autoridade cultural e moral dos educadores. Para ele a finalidade da escola
é promover a piedade evangélica.

Ulricho Zwínglio (1484-1531)


Zwínglio, reformador suíço, foi um educador na tradição humanística de
Erasmo. Contribuiu muito para a Reforma ao escrever Breve Introdução Cristã,
na qual descreve a posição dos pastores da Reforma. Sua história pessoal é
muito interessante, mas deixamos seu relato aos historiadores da igreja. A
maior contribuição educacional do ministério de Zwínglio foi à fundação de um
instituto teológico, o Prophezei. Nesse instituto, mestres e alunos participavam
juntos, como iguais e com respeito mútuo, na busca da verdade.

João Calvino (1509-1564)


João Calvino, mestre da Reforma, dedicado nas leituras e tinha como
alvo escrever sobre a nova fé. Calvino era um grande mestre e educador nato,
prova disso são suas obras deixadas e conhecidas por todos. Entendia que a
instrução servia para manter união nas igrejas e preservar a doutrina além de
fortalecer a fé. Possuía visão e grande paixão educacional, e grande
envolvimento sociocultural.
Foi ele que propôs escola pública e grátis para as crianças pobres,
fundando nos últimos anos de ministério a Academia de Genebra (inaugurada
no dia 5 de junho de 1559) , que ensinava crianças e adultos, sustentada e
protegida pelo Estado. “Este foi um passo gigantesco rumo á universalização
do ensino público, se lembrarmos que, na Idade Média, não se educava o
povo, mas apenas o clero e os nobres, instruídos nos ‘mistérios do fé’.
Percebe-se, então, na época da Reforma, o conceito amplo de uma tarefa
docente necessária ao povo de Deus” (CARVALHO, 2000, p. 17)
“O pressuposto básico de Calvino é que a ignorância é a mãe da
heresia". (LOPES, 2003, p. 65)

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Educadores Posteriores à Reforma.


João Amós Comenius (1592-1672)
O contexto histórico em que Comenius nasceu foi o final do século XVI,
contesto este que indica a expansão da Reforma Religiosa Protestante. Seus
pais (o casal Martinho e Ana) faziam parte dos Irmãos Morávios, grupo muito
apegado ás Escrituras e com a questão educacional. Esse grupo tem sua
origem ligada a John Huss, reitor da Universidade de Praga.
Segundo este grupo a educação era importante para que às pessoas
pudessem entender às Escrituras, e esse ambiente influenciou João Amós
Comenius, um dos maiores pedagogos de todos os tempos. Nasceu em
Nivnece, (Moravia, República Checa e Eslováquia), no dia 20 de março de
1592. Com 12 anos perdeu toda à família e foi levado por uma tia a uma escola
em Stranznice. Instala-se então na Holanda e em 1657 edita a Didática Magna.
(sua maior obra) Morre em 15 de novembro de 1672.
Ele demonstra que o homem foi criado por Deus, pode relacionar-se
com o Criador, foi criado para dominar todas as coisas, é a única criatura em
que Deus se encarnou, além de ser criado á imagem e á semelhança de Deus.
Portando, todos devem ser educados.

A EDUCAÇÃO CRISTÃ NA IDADE MODERNA

A Escola Bíblica Dominical


O movimento da EBD surgiu na cidade de Gloucester (Inglaterra) e seu
fundador foi o jornalista congregacional Robert Raikes. Em julho de 1780,
Raikes começou a reunir crianças pobres e abandonadas nas ruas numa casa
particular, com a finalidade de ensinar-lhes civismo, aritmética, linguagem e
religião. O ensino religioso era feito através da leitura e recitação de textos
bíblicos e era destinado “para meninos de rua, aos domingos, como meio de
evitar a criminalidade” (ARMSTRONG, 1992, pp. 73 e 74).
Em 1783, novas escolas foram fundadas e o método foi sendo cada vez
mais bem elaborado com os comentários de versículos bíblicos. As Escolas
Bíblicas se expandiram rapidamente e outras cidades inglesas começaram a
implantá-las. Em 1785, William Fox, batista fundou a primeira organização para
promover as Escolas Dominicais. Logo, a ideia popularizou-se e o interesse
pela nova instituição resultou no arrolamento de 250.000 alunos nas escolas da
Inglaterra no ano de 1797. As crianças aprendiam a ler, e provavelmente sua
cartilha era a Bíblia.
Estas primeiras EBDs foram as precursoras do atual movimento de
educação cristã e da educação pública. Em 1876, foi fundada nos EUA a
primeira EBD e, em 1924, foi fundada a União Americana das Escolas
Dominicais. Esta associação era interdenominacional e promovia convenções
anuais e cursos de treinamento para leigos. Em 1914, a EBD atingiu um ponto
de desenvolvimento que permanece estacionário na maioria das
denominações evangélicas.
A primeira EBD no Brasil foi organizada em 19 de agosto de 1855, na
cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro, pelo casal missionário congregacional
Robert e Sara Kalley. Atualmente, uma boa parte das denominações
evangélicas no Brasil, possuem EBDs que funciona regularmente. O propósito
principal da EBD é ensinar as Escrituras. A EBD abrange todas as faixas de
idades, alcançando a todas as pessoas com a mensagem divina,
proporcionando oportunidades de participação, expressão de convicções,
compartilhamento de experiências e esclarecimentos de possíveis dúvidas.
As pesquisas feitas criteriosamente, bem como a verificação que é feita
no cotidiano evidenciam o seguinte: um grande percentual das pessoas que
vêm à igreja através de grandes movimentos de massas, após 5 anos já não
estão mais na igreja; o percentual de perseverança de pessoas que vêm à
igreja através da evangelização consistente feita com base em estudo das
Escrituras é muito elevado e o maior número de obreiros vem de alunos da
EBD.
Além disso, às pessoas mais prontas para se envolver nas demais
atividades da igreja são via de regra, as que participam da EBD; a EBD
contribui decisivamente para o fortalecimento e crescimento da vida cristã,
inclusive as relações de comunhão fraternal e onde houver uma EBD forte,
dinâmica e bem estruturada, ensinando fielmente a Bíblia, certamente teremos
aí uma igreja igualmente forte, dinâmica e bem estruturada.

Escola Bíblica de Férias


A Escola Bíblica de Férias em a cidade de Nova Iorque como seu berço.
Nova Iorque em 1898 era uma cidade de muito movimento, crianças brincando
e vivendo nas ruas e sem nenhuma esperança de um futuro melhor. O Dr.
Walker Aylett Hawes e sua esposa Elisa Hawes chegaram neste ano para
especializar-se num ministério médico para crianças. “A Sra. Hawes sentiu-se
desafiada pelas crianças nas ruas de Nova Iorque. Como superintendente do
Departamento de Primários na Igreja Batista Epifany, ela quis alcançar as
crianças para Jesus Cristo, mas era difícil.” (ANGUS, 1992, p. 13)
Em 1898 ela resolveu levar a Escola Bíblica até ás crianças e criou no
fundo de uma taverna a Daily Vacation Bible School, ou seja, Escola Bíblica de
Férias Diária. Ali ensinava às crianças leitura e ginástica, mas o tempo principal
na escola era dado ao estudo da Bíblia e ao doutrinamento. Essa escola teve
cinquenta e sete crianças; a de 1899, contou com a participação de cento e
quatorze crianças. No ano seguinte mais uma Escola foi realizada. Devido ao
sucesso, a Sociedade Batista de Missões Urbanas de Nova Iorque, por
intermédio de seu secretário executivo Dr. Robert G. Boville, começou a
promover a EBF.
Em 1911 foi criada a Associação da Escola Bíblica de Férias, para
promover e fornecer materiais e recursos para as EBF. Em 1924, pelo menos
233 igrejas batistas realizaram uma EBF. Neste mesmo ano, este importante
trabalho educacional chegou ao Brasil. A igreja pioneira foi a Igreja Batista de
Vitória/ES. O Rev. L. M. Reno escrevendo em O Jornal Batista, de 25 de
dezembro de 1924 dizia: “é grande o material de que dispomos; maior o
interesse, e ainda maiores serão, cremos, os resultados” (ANGUS, 1992, p. 15)

A EDUCAÇÃO CRISTÃ NA ATUALIDADE

Na Atualidade
Podemos assegurar a partir do que vimos, se a Igreja chegou aos
nossos dias deve-se ao ensino, ou seja, homens de visão educacional
produziram, registraram, elaboraram, sistematizaram vasto e importantes
materiais. Também legaram para nos a importância do ensino na igreja. É por
meio do ministério docente que a igreja pode preparar seus membros no
conhecimento bíblico e doutrinário, levando-os ao crescimento na vida cristã.
Esse conhecimento leva os cristãos a um envolvimento comprometido com
uma ética cristã e com o Reino de Deus.
É importante que o educador cristão estude e compreenda algo da
cultura para exercer seu ministério. A educação é parte de cada cultura; a
educação é condicionada pela cultura, e a cultura pode ser afetada pela
educação. A igreja de Cristo é o meio que Deus utiliza para transformar o
mundo. A educação é sempre um agente de mudança. Por isso, a Educação
Cristã pode ser usada por Deus e sua igreja para produzir mudanças
necessárias no meio sociocultural brasileiro, na população em geral e dentro
da comunidade cristã.
Na população em geral, a igreja evangélica deve projetar-se no mundo
secular, expressando suas opiniões, gerando mudanças, ensinado um melhor
caminho através e atitudes, ações e testemunho. O pastor como docente deve
levar á sua igreja a envolver-se com os problemas do mundo, buscando e
ensinando soluções para as misérias que existem na sociedade. Como a vida
tem duas esferas (uma espiritual e outra física) o testemunho e ministério da
igreja não devem mudar de rosto, dependendo de onde se encontre a igreja.
Deve ser a igreja no mundo, apresentadora das verdades e princípios
dos quais é portadora, para que os problemas sociais e culturais sejam
solucionados. Observe como ás palavras de Armstrong (1992, p. 87) são
relevantes: “ás vezes a sociedade é tão apática ou tão letárgica que não se
interessa pela solução de seus problemas. Alguns membros da sociedade já se
acostumaram tanto aos males ao seu redor que ficaram cegos aos problemas
e à necessidade de mudança.” A igreja deve ter uma base doutrinária e prática
bem fundamentada, permanecer firme em suas convicções e insistir, com
urgência dosada de paciência, que o caminho de Cristo é o caminho que
conduz a soluções.
Se a igreja vai propagar-se e se vai enfrentar os problemas sociais e
culturais, tem de ser uma igreja instruída naquilo que crê e como aquilo que crê
deve afetar a vida cotidiana de seus membros.

Novos caminhos para a educação cristã


Vista como ministério indispensável e relevante para a vida da
comunidade, seja através da escola dominical, em busca de renovação, seja
através dos pequenos grupos, seja através das comunidades eclesiais de
base.
Nessa primeira década do século XXI, entretanto, vivemos tempos
radicalmente diferentes. As igrejas cristãs não mais descrevem sua identidade
a partir dos referenciais daqueles dias, mas a partir dos desafios que a
sociedade de consumo e a mercantilização da religião cristã lançam às igrejas
e a suas lideranças. São tempos de pouca ou nenhuma esperança, a não ser
no sucesso individual, no crescimento numérico das congregações, na
espetacularização dos “ministros” do evangelho.
Diante das falhas constantes do povo, os profetas surgem com anúncios
de esperança: de que Deus enviaria um Messias para libertar seu povo. Foi
vivendo essa expectativa de um libertador que o povo conseguiu superar os
duros desafios. O escritor Carlos Mesters (1991, p. 79) diz que: “Para realizar a
missão do Messias, Deus não mandou qualquer um. Mandou seu próprio filho!
Jesus o Filho de Deus, realizou a promessa do Pai, trouxe a libertação
para o povo e anunciou a Boa Nova do Reino. (Mesters, 1991)”
Jesus, o Filho de Deus, começa então a andar na contra mão de sua
época. Coloca-se ao lado dos pobres, dos marginalizados, e contra o sistema
religioso do Templo. A partir do Antigo e Novo Testamento, podemos entender
que o projeto principal de Deus é o ser humano, e seu olhar amoroso de Pai
está sempre voltado para aqueles que são desprezados, oprimidos,
injustiçados e violentados na sua liberdade. Olhando para nosso contexto de
América Latina podemos discernir o que Deus espera de seus ministros, seus
agentes de libertação.
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ATIVIDADES DE FIXAÇÃO

1- A palavra ética vem do grego ethos, originalmente tinha o sentido de


“morada”, “lugar em que se vive” e posteriormente significou
“caráter”, “modo de ser” que se vai adquirindo durante a vida. O
termo moral procede do latim mores que originariamente significava
“costume” e em seguida passou a significar “modo de ser”, “caráter”.
Portanto, as duas palavras têm um sentido quase idêntico. Conclui-
se que a frase esta:
a- Verdadeira
b- Falsa

2- A ética tem uma tripla função:


a- Esclarecer o que é a moral, quais são seus traços específicos;
b- Fundamentar a moralidade, ou seja, procurar averiguar quais são
as razões que conferem sentido ao esforço dos seres humanos
de viver moralmente;
c- Aplicar aos diferentes âmbitos da vida social os resultados obtidos
nas duas primeiras funções, de maneira que se adote uma moral
crítica em vez da subserviência a um código.
d- Todas as alternativas estão corretas.

3- A excelência humana se revela pela atitude de busca da verdade.


Isso significa abandonar atitudes dogmáticas e céticas e assumir a
atitude crítica que só se deixa convencer pelo melhor argumento. A
verdade habita no fundo de nós mesmos e podemos atingi-la pela
introspecção e o diálogo. Embora a verdade encontrada pelo método
maiêutico (parto de ideias) é sempre provisória, ela é um achado que
ultrapassa simplesmente as fronteiras da comunidade que se vive.
Estamos referindo a qual autor:
a- Platão
b- Aristóteles
c- Sócrates
d- Gasset
4- Propõe uma utopia moral no livro A República. O Estado perfeito é
constituído por diversos estamentos com funções determinadas: a)
os governantes tem a função de administrar, vigiar e organizar a
cidade; b) os guardiães e os defensores (militares), de defender a
cidade; c) os produtores (camponeses, artesãos), desenvolver as
atividades econômicas. Estamos referindo a qual autor:
a- Gasset
b- Platão
c- Aristóteles
d- Sócrates

5- É o primeiro filósofo a elaborar tratados sistemáticos de ética como a


Ética a Nicômaco. Ele se pergunta “Qual é o fim último de todas as
atividades humanas?” Este fim não pode ser outro que a eudaimonia
(felicidade como auto realização), a vida boa e feliz. A partir daí
investiga o que é a felicidade. a) Ela deve ser um bem perfeito que se
busca por si mesmo e não com meio para outra coisa; b) o fim último
deve ser autossuficiente, desejável por si mesmo e que possuindo-o
não deseje outra coisa; c) deve consistir em alguma atividade
peculiar de cunho excelente. Estamos nos referindo a qual autor:
a- Gasset
b- Platão
c- Aristóteles
d- Sócrates

6- É uma ética hedonista, isto é, uma explicação da moral como busca


de felicidade entendida como prazer, como satisfação de caráter
sensível. Essa escola foi fundada por Epicuro de Samos (341-270
A.C.). Para ele, o sábio é aquele que for capaz de calcular
corretamente quais atividades proporcionam maior prazer e menor
sofrimento. Trata-se de calcular a intensidade e a duração dos
prazeres. Portanto as duas condições para saber ser sábio e feliz são
o prazer e o entendimento reflexivo para ponderar estes prazeres. O
texto refere-se a:
a- Estoicismo
b- As Éticas medievais
c- Agostinho de Tagaste
d- Epicurismo

7- O utilitarismo. Trata-se de uma versão renovada anglo-saxônica do


hedonismo clássico, mas com uma perspectiva social. Procura
conjugar a busca do prazer com os sentimentos sociais, entre os
quais, a simpatia que faz perceber que os outros também desejam
alcançar o prazer. O objetivo da moral volta a ser a felicidade
identificada com o maior prazer para o maior número de seres vivos.
É necessário optar pela ação que proporcione a maior felicidade ao
maior número. O texto esta:
a- Verdadeira
b- Falsa

8- Agrupa um grupo de autores gregos e romanos. Zenão de Cítio é o


fundador, mas teve como protagonistas a Posidônio, Sêneca,
Epicteto e o imperador romano Marco Aurélio. Eles indagaram pela
ordem do universo como orientação para o comportamento humano.
Para eles deve existir uma razão primeira, comum, que é, ao mesmo
tempo, a lei do universo. A razão cósmica é a lei universal a qual
tudo está submetido. Esta razão cósmica é o logos providente que
cuida de tudo. Sábio é aquele que vive segundo esta lei universal do
cosmo. O texto refere-se a:
a- Estoicismo
b- As Éticas medievais
c- Agostinho de Tagaste
d- Epicurismo

9- Para ele, os filósofos gregos estavam certos ao afirmar que a moral


deve ajudar a conseguir uma vida feliz, mas eles não souberam
encontrar a chave da felicidade humana que se encontra no encontro
amoroso com Deus Pai. A felicidade não está em conhecer como
pensavam os gregos, mas em amar, em desfrutar de uma relação
amorosa com quem nos criou como seres livres. A moral é
necessária, porque precisamos encontrar o caminho de volta para a
Cidade de Deus da qual nos extraviamos por ceder às tentações
egoístas. O texto refere-se a:
a- Estoicismo
b- As Éticas medievais
c- Agostinho de Tagaste
d- Epicurismo

10- A ética formal de Kant. Ele parte de uma distinção típica em


Aristóteles: o âmbito teórico que trata do que ocorre de fato no
mundo e o âmbito prático que corresponde ao que ocorre por
vontade livre dos seres humanos. No âmbito prático, o ponto de
partida é um fato de razão: os seres humanos têm consciência de
comandos que eles experimentam como incondicionados, isto é,
como dever ou imperativos categóricos. Conclui-se que a frase esta:
a- Verdadeira
b- Falsa