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VII TC (B)

I. Os períodos de exílio do povo bíblico eram sempre lidos pelos profetas como castigo de
Deus ao povo pela sua infidelidade à Aliança. Deus era SIM para o povo, e o povo
respondia com “NÃOS”, utilizando a linguagem do Apóstolo Paulo. No contexto do exílio
na Babilónia (cerca de 500 anos a.C.), o profeta Isaías anuncia a acção libertadora de Deus,
que acontece sempre pela experiência do Perdão. O perdão gratuito de Deus rasga ao
povo o caminho da Liberdade e da Esperança renovada.

II. Jesus de Nazaré é a plenitude da Revelação e Realização do Perdão Gratuito e


Libertador de Deus, não só para Israel, mas para toda a Humanidade. É isso que simboliza
a entrada deste paralítico pelo telhado, porque lhe tinham obstruído a porta! A multidão
impedia-lhe a passagem, e os escribas estavam lá dentro sentados, símbolo de todos os que
“só estorvam” no encontro com Cristo, a quem ele disse: “Nem entrais vós, nem deixais
entrar quem quer!!!” (Lc 11, 52), “sentados na cadeira de Moisés”, que é a Lei (Mt 23, 2). O
paralítico é o representante de todos os excluídos de Israel, todos os que “não têm
entrada”, especialmente os pagãos. Por isso é “transportado por 4 homens”, ou seja, vem
dos “4 cantos do mundo”. Na bíblia, o número 4 simboliza a totalidade do mundo. Jesus
proclama o perdão ao paralítico, que é significado e comprovado pela cura da sua
paralisia. Com efeito, a dinâmica do pecado é uma dinâmica que bloqueia a marcha do
Homem a tornar-se cada vez mais Humano, configurando-se à imagem e semelhança de
Deus. O perdão do pecado é sempre uma intervenção interior do nosso Deus que nos cura
das nossas exclusões e das nossas paralisias, possibilitando-nos um Caminho novo
acolhido na Liberdade: “Os teus pecados estão perdoados; levanta-te, toma a tua enxerga e
vai para casa!”
Sem condições, sem retribuições, sem penitências… A Graça de Deus manifesta-se
em Jesus como Perdão Gratuito e Incondicional, correndo o risco da liberdade, correndo o
risco da ingratidão, correndo o risco de não se impor…
Os escribas, “peritos da Lei” mas não íntimos de Deus, não conseguiram
compreender isto. E hoje continuam a não conseguir…

III. Jesus Cristo foi o pleno e definitivo SIM de Deus à Humanidade. Foi também o SIM
pleno e definitivo da Humanidade a Deus! Na sua Fidelidade manifestou-se e realizou-se
a Fidelidade de Deus e do Homem. Por isso é o “Mediador da Nova Aliança entre Deus e
os Homens” (1Tim 2, 5), o Centro da História! Viver em Cristo e a partir de Cristo,
significa acolher progressivamente o SIM de Deus, ou seja, o Seu Amor comprometido
connosco, a Sua Graça recriadora e a Sua Vontade que nos conduz ao melhor de nós e da
Vida. Neste Caminho, o acolhimento do Espírito Santo e a escuta da Palavra de Deus
configuram o nosso Coração a Cristo, de modo a aprendermos também a ser um SIM fiel a
Deus e aos irmãos, vencendo todos os “NÃOS” que às vezes ainda nos tentam, e
derrotando todos os “NINS” que muito gostamos de dizer e ser…