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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO E PROCESSO DO TRABALHO E DIREITO


PREVIDENCIÁRIO

Resenha de Estudo de Caso

Priscila Martins

Trabalho da disciplina Direito e Processo Coletivo do Trabalho


Tutora: Prof.ª LUCIANI LISBOA KASTRUP

Palhoça/SC
2018
ESTUDO DE CASO:

DIREITO E PROCESSO COLETIVO DO TRABALHO


Sem acordo, ônibus voltam a parar nesta terça feira

REFERÊNCIA: Sem acordo, ônibus voltam a parar nesta terça feira. Motoristas e
Cobradores decidiram iniciar greve de 48 horas após audiência com representantes do
sindicato patronal. Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/sem-acordo-onibus-
voltam-a-parar-nesta-terca-feira-no-rio-de-janeiro. Acesso em: 17 de dezembro de 2018.

Em 12 de maio de 2014, às 00h00min foi deflagrada uma greve de 48 horas, feita


por motoristas e cobradores do transporte público do Estado do Rio de Janeiro, visando
reajuste salarial de 40% e o aumento no valor da cesta básica que deveria passar de R$ 150,00
(cento e cinquenta reais) para R$ 400,00 (quatrocentos reais).
A interrupção dos serviços foi ocasionada sem a presença do sindicato da
categoria, o SINTRATURB, tendo em vista que os rodoviários divergiram do dissídio coletivo
assinado pelo referido Sindicato. Assim, na semana seguinte, a comissão dos trabalhadores
participou de uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a fim de obter um novo
acordo.
No entanto, restou infrutífera a tentativa de acordo na audiência em questão, pois
a Desembargadora Maria das Graças Paranhos, os representantes do Rio Ônibus e o Sindicato
das Empresas da Capital entenderam não ser legítimo dar prosseguimento a negociação, uma
vez que o grupo dos rodoviários não estava representado através de sua categoria, o que
nessas condições origina a ilegitimidade sob a presença dos mesmos quanto a negociação.
Assim, o Desembargador Nelson Tomaz Braga indeferiu a liminar solicitada em
face do movimento dos rodoviários, em resposta ao pedido de dissídio coletivo de greve
ajuizado pela Rio Ônibus.
Segundo o TRT, o SINTRATURB deverá apresentar em cinco dias sua defesa,
embora o problema visualizado seja que a ação movida pela Rio Ônibus é em face do
sindicato em discussão, que não só discorda da greve, como não tem o poder de mediação
com os rodoviários favoráveis à paralisação.
Pois bem, a não legitimação da comissão dos trabalhadores quanto à negociação
do reajuste salarial das categorias, não merece amparo, pois no caso em discussão, quando o
sindicato não demonstra atuação condizente com os anseios de sua própria categoria é cabível
sim, aos trabalhadores assumirem diretamente as negociações, embora, por outro lado, a
ausência dos sindicatos nas mesas de negociações possa causar ofensa direta a Constituição
Federal, conforme prevê o inciso IV, do artigo 8 o da CF/88, que diz “é obrigatória à
participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;”.
Com base nesse entendimento, a ausência da deflagração da greve através do
aparato sindical, e consequente ausência do sindicato nas mesas de negociação, fere
diretamente preceito constitucional. No entanto, tal interpretação não merece prosperar.
Conforme supramencionado, o artigo 8ª e os incisos constantes na Constituição
Pátria, obedecem a regra de garantir aos trabalhadores, com nítido caráter protetivo, a lógica
dos direitos sociais, resguardando livre associação profissional ou sindical. Assim, a norma
cogente não impõe associação direta aos sindicatos, mas sim garante efetividade aos
movimentos reivindicatórios face ao poder econômico, detentor de maior força negocial,
assegurando igualdade nas relações coletivas de trabalho. Logo, admitir que os trabalhadores
não podem assumir a negociação quando o sindicato não estive de acordo ou agindo
adequadamente, implica no esgotamento protetivo constante no texto constitucional com
relação aos Direitos Sociais.
Há ainda, o argumento disposto no artigo 4ª da Lei 7.783/89, que traz à baila no
segundo parágrafo o seguinte entendimento “na falta de entidade sindical, a assembleia geral
dos trabalhadores interessados deliberará para os fins previstos no "caput", constituindo
comissão de negociação”. Portanto, existe previsão legal acerca da criação de comissão a fim
de resguardar os direitos aos sindicalizados, inclusive de difundir o movimento grevista e
realizar as negociações com a parte conflitante. Cumpre ressaltar ainda, que a comissão
mencionada acima, não se limita apenas a inexistência do sindicato, mas abrange também os
casos de atuação insuficiente na defesa dos interesses dos trabalhadores.
Por fim, mas não menos importante, as normas que asseguram os direitos sociais,
são fundamentais conforme previsão em nosso ordenamento jurídico. Todavia, interpretações
que limitem o caráter social e democrático da legislação não merecem perseverar, devendo
haver evolução objetivando uma sociedade justa e igualitária. A greve dos trabalhadores do
transporte coletivo elucidou questões importantes não só para categoria, mas também para
democracia brasileira.

LOCAL: Biblioteca virtual da Universidade Estácio.