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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

Faculdade de Ciências Econômicas

Departamento de Ciências Administrativas

Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração

CEPEAD

CÁLCULO FINANCEIRO

Professor Robert Aldo Iquiapaza

Professor Aureliano Angel Bressan

Belo Horizonte/Minas Gerais

Abril/2014
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ANBIMA Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e
de Capitais
BACEN, BCB Banco Central do Brasil
BM&FBovespa Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros
CDB Certificado de depósito bancário
CDI Certificado de depósito interfinanceiro
CETIP Central de Custódia e Liquidação de Títulos Privados
CVM Comissão de Valores Mobiliários
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IGP-DI Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna
IPCA Índice de Preços ao Consumidor Amplo
LTN Letra do tesouro nacional
NTN Nota do tesouro nacional
SELIC Sistema Especial de Liquidação e Custódia

VP=PV=P Valor presente


VF=FV=S=F Valor futuro
PMT = R Prestação, anuidade

TIR = IRR Taxa interna de retorno


TIRM = MIRR Taxa interna de retorno modificada
TRR Taxa requerida de retorno
SAC Sistema de Amortização Constante
SACRE Sistema de Amortização Crescente
VPL = NPV Valor presente líquido
YTM Retorno até o vencimento
Sumário

1. Introdução .............................................................................................................. 6
2. Conceitos Básicos e Simbologia ......................................................................... 7
2.1. Matemática Financeira ....................................................................................... 7
2.2. Conceitos, símbolos e convenções .................................................................. 7
3. Uso de Calculadora Financeira e Excel ............................................................. 10
3.1. Introdução a calculadora HP12c ..................................................................... 10
3.1.1. Configurações ............................................................................................... 10
3.1.2. O sistema de pilha ......................................................................................... 11
3.1.3. As operações básicas ................................................................................... 11
3.1.4. Trocar o sinal de um número ....................................................................... 12
3.1.5. Teclas f e g ..................................................................................................... 12
3.1.6. Limpeza dos registradores ........................................................................... 13
3.1.7. Memórias........................................................................................................ 13
3.1.8. Operações com datas ................................................................................... 13
3.1.9. Outras operações .......................................................................................... 14
3.1.10. Porcentagem ................................................................................................ 14
3.1.11. Exercícios com a HP-12c ............................................................................ 14
3.2. Introdução à planilha eletrônica Excel ........................................................... 15
3.2.1. Uma planilha Excel para um caso de vendas ............................................. 16
3.2.2. Exercício com Excel ...................................................................................... 17
4. Capitalizações Simples e Composta ................................................................. 19
4.1. Capitalização simples ...................................................................................... 19
4.2. Exercícios com capitalização simples ........................................................... 20
4.3. Capitalização composta................................................................................... 21
4.3.1. A HP-12c e a capitalização composta.......................................................... 25
4.4. Exercícios com capitalização composta ........................................................ 25
5. Classificação das taxas de juros ....................................................................... 27
5.1. A classificação das taxas de juros ................................................................. 27
5.1.1. Inflação ........................................................................................................... 27
5.1.2. Taxas nominais ............................................................................................. 27
5.1.3. Taxas efetivas ................................................................................................ 27
5.1.4. Taxa de juros reais ........................................................................................ 29
5.2. Relações entre taxas de juros efetiva (i) e taxa real (r) ................................. 29
5.3. Taxas de juros equivalentes............................................................................ 29
5.4. Taxas proporcionais ........................................................................................ 30
5.5. Exercícios de taxas de juros ........................................................................... 31
6. Descontos ............................................................................................................ 33
6.1. Tipos de desconto ............................................................................................ 33
6.1.1. Desconto racional simples ........................................................................... 33
6.1.2. Desconto comercial simples ........................................................................ 34
6.1.3. Desconto racional composto ....................................................................... 37
6.2. Exercícios sobre descontos ............................................................................ 39
7. Séries de Pagamentos ........................................................................................ 41
7.1. Primeiras considerações ................................................................................. 41
7.2. Termos vencidos .............................................................................................. 42
7.2.1. Valor futuro em termos vencidos ................................................................ 43
7.2.2. Prestações e valores futuros ....................................................................... 45
7.2.3. Valor presente de uma série de valores ...................................................... 46
7.2.4. Prestações e valores presentes ................................................................... 48
7.3. Termos antecipados......................................................................................... 49
7.3.1. Valor futuro em termos antecipados ........................................................... 50
7.3.2. Prestação em conjunto com valores futuros .............................................. 52
7.3.3. Valor presente em termos antecipados....................................................... 53
7.3.4. Prestações e valores presentes ................................................................... 55
7.4. Exercícios com séries de pagamentos........................................................... 56
8. Equivalência de Fluxos de Caixa ....................................................................... 57
8.1. Equivalência de capitais ou fluxos a juros simples ...................................... 57
8.2. Equivalência de capitais ou fluxos a juros compostos ................................ 58
8.3. Exercícios sobre equivalência de fluxos........................................................ 58
9. Métodos de Avaliação de Fluxos de Caixa ....................................................... 60
9.1. Métodos de análise .......................................................................................... 60
9.2. Payback (Tempo de retorno) ........................................................................... 60
9.3. Taxa interna de retorno (TIR) .......................................................................... 61
9.4. Valor presente líquido (VPL) ........................................................................... 62
9.5. O VPL versus a TIR .......................................................................................... 62
9.6. Taxa interna de retorno modificada (TIRM) .................................................... 64
9.7. Exercícios sobre avaliação de fluxos de caixa .............................................. 67
10. Sistemas de amortização.................................................................................. 68
10.1. Sistema de amortização constante - SAC .................................................... 68
10.2. Sistema Francês de prestação constante .................................................... 69
10.3. Tabela Price, sistema de prestação constante ............................................ 70
10.4. Sistema de prestação crescente - Sacre ...................................................... 71
10.5. Exercícios sobre sistemas de amortização ................................................. 72
11. Operações no sistema financeiro brasileiro ................................................... 73
11.1. Operações com duplicatas ............................................................................ 73
11.2. Operações com títulos públicos ................................................................... 73
11.3. Letra do tesouro nacional - LTN ................................................................... 74
11.4. Nota do Tesouro Nacional - Série F, NTN -F ................................................ 76
11.5. Open market ou operações de mercado aberto .......................................... 78
11.6. Depósitos Interfinanceiros ............................................................................ 78
11.7. Taxa Over ........................................................................................................ 79
11.8. Hot money ....................................................................................................... 80
11.9. Certificado/ Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB) ............................... 81
11.10. Títulos privados: Papeis comerciais e debêntures ................................... 82
11.11. Exercícios sistema financeiro brasileiro .................................................... 85
Bibliografia............................................................................................................... 87
Anexos ..................................................................................................................... 88
Anexo A – Fator para juros compostos. .................................................................... 88
Introdução 6

1. Introdução
A linguagem matemática desenvolveu-se para facilitar a comunicação do
conhecimento matemático entre as pessoas. A Matemática Financeira possui uma
linguagem própria e é uma ferramenta útil na análise de alternativas de
investimentos ou financiamentos de diversos tipos de bens ou serviços. A idéia
básica é simplificar a operação financeira a um Fluxo de Caixa e empregar alguns
procedimentos matemáticos na análise.
O cálculo financeiro e a análise de investimentos são ferramentas essenciais, de
cada dia, na tomada de decisões e na gestão financeira das empresas e das
pessoas. Dessa forma, o estudo da Matemática Financeira constitui-se em uma
ferramenta importante para os diferentes agentes econômicos, que atuam além dos
mercados financeiros e de capitais. Ou seja, a matemática financeira é utilizada por
diferentes pessoas com distintos níveis de conhecimento sobre o assunto. Desde a
dona de casa que faz compras a prazo no supermercado até os analistas financeiros
dos maiores bancos do país que vão avaliar se devem financiar ou não a nova
planta de uma empresa de grande porte.
A Matemática Financeira não é exclusiva dos profissionais das áreas de
Administração, Contabilidade, Controladoria e Finanças, Economia e outras afins à
gestão empresarial, mas são eles os que deveriam ter um bom conhecimento das
técnicas e procedimentos da matemática financeira para desenvolver suas
atividades do dia a dia realizando os cálculos cuidadosamente.
Uma má aplicação dos princípios da matemática financeira pode levar à tomada de
decisões errada, a enganar as pessoas e a ter prejuízos financeiros. Isto significa
que o desconhecimento da matemática financeira nos pode manter na escuridão e
ser uma vítima fácil dos conhecedores do assunto.
No cenário pós-moderno e do ciberespaço, as palavras e termos técnicos, antes
privilégio de alguns poucos, passaram a ser cada vez mais parte da linguagem
cotidiana. Neste curso, os termos como juros, desconto, paridade de taxa,
amortização de dívidas, valor presente, juros descontados, entre tantos outros serão
analisados, especialmente, do ponto de vista prático.
O conteúdo é desenvolvido considerando a seguinte estrutura: Conceitos básicos e
simbologia; uso de calculadora financeira e Excel (esta parte para quem não está
familiarizado com sua utilização); capitalizações simples e composta; descontos;
equivalência de fluxos de caixa; séries de pagamentos; métodos de avaliação de
fluxos de caixa; classificação das taxas de juros; sistemas de amortização e
operações no sistema financeiro brasileiro. Para cada um desses tópicos são
apresentados as idéias principais, um conjunto de exemplos resolvidos e uma lista
de exercícios de prática.
Conceitos básicos e simbologia 7

2. Conceitos Básicos e Simbologia


2.1. Matemática Financeira
A Matemática Financeira é uma área da matemática que aplica seus conceitos no
estudo da variação do dinheiro ao longo do tempo. A origem da Matemática
Financeira está intimamente ligada a dos regimes econômicos, o surgimento do
crédito e do sistema financeiro.
Todo o desenvolvimento da Matemática Financeira está ligado à utilidade do
dinheiro, que gera dinheiro, ao contrário de sua simples propriedade, que por si só
não apresenta rendimento.

2.2. Conceitos, símbolos e convenções


Um dos principais problemas no estudo da Matemática Financeira advém da
Babilônia de termos, símbolos e conceitos desenvolvidos até hoje. A origem desse
problema encontra-se na terminologia emprestada de outras línguas, especialmente
da inglesa. A língua inglesa tem muita influência determinada, especialmente, pela
grande aceitação de calculadoras financeiras que, normalmente, conservam a
simbologia matemática da língua original. Neste texto teremos que utilizar nomes na
língua portuguesa e símbolos de conceitos nas duas línguas.
Para evitar problemas com mudanças de unidades monetárias, utilizaremos sempre
uma unidade fictícia, chamada de unidade monetária, abreviada por u.m. ou
representada por $, junto ao valor.
Capital
Capital ou Principal é valor de uma quantia em dinheiro “na data zero”, ou seja, no
inicio de uma aplicação. Capital poder ser o dinheiro investido em uma atividade
econômica, o valor financiado de um bem, ou de um empréstimo tomado.
Capital pode ser apresentado sob várias siglas e sinônimos: C (de Capital); P (de
Principal); VP (de Valor Presente); PV (de Present Value); C0 (Capital Inicial).
Juros
Os juros são a remuneração paga pelo uso do dinheiro. Pode ser tanto o rendimento
de uma aplicação quanto o juro a ser pago em um financiamento. Diferencia-se do
capital por que resulta da aplicação financeira, enquanto o capital é o motivo da
aplicação financeira. Os Juros sempre são expressos em unidades monetárias, e
representam o montante financeiro referente a uma aplicação.
Os juros podem ser apresentados sob várias siglas e sinônimos: J (de Juros); I (de
Interest).
Taxa de juros
A taxa de juros representa a razão entre o juro e o capital (J/C). O cálculo da taxa de
juros é responsável pela observação da rentabilidade de uma operação financeira,
sendo indispensável para a tomada de decisão de investimentos.
Normalmente é representada em forma percentual. Um valor percentual é um valor
que representa a taxa de juros para um capital de 100 u.m. Para efeito de cálculo
sempre é utilizado a taxa unitária, que é aquela que resulta diretamente no juro de
um período, quando multiplicada pelo capital. Por exemplo: 0,05 = 5%
Conceitos básicos e simbologia 8

A taxa de juros é normalmente apresentada como: i (de interest tax); r (de Rent).
Outro item importante a considerar nas taxas de juro, é que elas sempre devem
estar de acordo com o período de capitalização. Pode-se ter taxas mensais,
bimestrais, trimestrais, quadrimestrais, semestrais, anuais. Veja as mais utilizadas:
a.a. - ao ano
a.s. - ao semestre
a.q. - ao quadrimestre
a.t. - ao trimestre
a.m. - ao mês
a.d. - ao dia
Taxa exata e comercial
A taxa exata é como chama-se a taxa de juros que considera os dias conforme o
calendário anual, ou seja, 365 ou 366 dias no ano, 28, 29, 30 ou 31 dias no mês.
A taxa comercial é a convenção usada nos mercados, onde se considera meses de
30 dias, e anos de 360 dias (12 meses de 30 dias).
Em algumas aplicações no mercado financeiros utiliza-se o número de dias úteis,
assim um ano geralmente tem 252 ou 253 dias úteis.
Taxa efetiva e nominal
A taxa efetiva é a taxa que está sendo referenciada ao período de capitalização.
A taxa nominal é a taxa dada em desconformidade com o período de capitalização.
Usualmente utiliza-se para conversão, a convenção comercial. Assim, uma taxa
anual capitalizada mensalmente deve ser dividida pelo número de meses do ano
para obter a taxa efetiva.
Prazo
O prazo ou período de capitalização é o tempo pelo qual o capital é aplicado.
Pode ser representado por n, t, N, T.
Montante
O montante é o resultado da soma do capital com o juro. Matematicamente:
M = C + J (considerando-se M a representação de Montante)
Como é o resultado da soma do capital com o juro, decorre que o montante é
calculado apenas no fim da capitalização.
Outras representações: S (de Saldo); VF (de Valor Futuro); FV (de Future Value);
Cn.
Prestação
Prestação é a parcela contínua que amortiza o Capital e os Juros
Representações: R (de Renda); PMT (de payment); Pgto (de Pagamento); a, A
(Anuidade).
Conceitos básicos e simbologia 9

Desconto
O desconto é um abatimento oferecido sobre o valor nominal de um título ou sobre o
montante de uma dívida a vencer, quando paga antecipadamente. Geralmente, o
desconto é expresso em forma percentual. Por exemplo, um produto que custa
R$500.00 com desconto de 5% sairá R$475.00
O desconto pode ser representado por: d, D.
Capitalização e Descapitalização
Chamamos de capitalização o processo de aplicação de uma taxa de juros sobre um
capital, resultando de um juro e, por conseguinte de um montante. Quando
queremos saber qual o valor de um montante, estamos querendo saber o resultado
da capitalização do valor atual.
A descapitalização, por outro lado, corresponde a operação inversa, sabemos o
valor do montante e queremos saber o valor atual. Fazemos descapitalização
quando queremos saber, por exemplo, quanto precisamos investir hoje em um
determinado regime de capitalização, durante um determinado número de períodos,
para ter numa data futura um determinado montante.

Apresentação das variáveis na HP


As variáveis acima são utilizadas na calculadora financeira Hp12C de acordo com a
seguinte nomenclatura:

n ; prazo.
i ; taxa de juros.
PV ; valor presente.
FV : valor futuro.
PMT : prestação.
Uso de calculadora financeira e Excel 10

3. Uso de Calculadora Financeira e Excel


Nos dias atuais não se pode pensar o ensino da matemática sem utilizar os avanços
que a tecnologia disponibiliza. Para o aprendizado da matemática financeira existem
numerosas ferramentas disponibilizadas através de softwares que vão desde
planilhas eletrônicas até aquelas que integram software e hardware, no qual se
encontram as calculadoras financeiras. A Matemática Financeira não é praticada
hoje sem o subsídio das calculadoras e das planilhas eletrônicas. As calculadoras
têm uma vantagem insuperável que é a portabilidade, que junto a sua completa
gama de funções permitem sua utilização em diversos ambientes, especialmente
para o aprendizado. As planilhas eletrônicas têm a vantagem da versatilidade e
infinita possibilidade de utilização, desde os mais simples cálculos até programação
de simulações mais avançadas.
Atualmente, encontramos disponíveis no mercado muitos textos de Matemática
Financeira que incluem apêndices sobre o manuseio de calculadoras financeiras e
de planilhas eletrônicas, mas são poucos os que apresentam suas ferramentas ao
mesmo tempo em que ensinam os tópicos da disciplina. Para o desenvolvimento do
presente texto foram selecionadas duas ferramentas comumente utilizadas, tanto no
ambiente de aprendizado como no âmbito financeiro: a calculadora financeira HP12c
e a planilha eletrônica Excel.
3.1. Introdução à calculadora HP-12c
Procurou-se apresentar a teoria de modo independente da operacionalidade da
calculadora HP-12C, porque ensinar Matemática Financeira não é ensinar a apertar
teclas. Embora, a teoria, no que se refere aos conceitos e fórmulas, está toda
casada com os recursos desta calculadora, de modo a permitir ao estudante grande
economia de tempo e dinamismo no ambiente de aprendizado.
Nesta seção, o objetivo é o de entender o funcionamento da calculadora, além de
capacitar o estudante a operá-la com destreza. Ainda não serão introduzidos os
recursos financeiros da mesma, porque os mesmos serão ensinados juntamente
com a teoria nos capítulos seguintes.
3.1.1. Configurações
Para ligar ou desligar, pressione a tecla ON.
Para trocar o ponto decimal pela vírgula decimal (e vice-versa): Desligue a
calculadora. Logo, com a tecla “.” (ponto) pressionada, ligue-a. Contudo, é melhor
deixar a vírgula como separadora das casas decimais, pois este é o modo adotado
no Brasil.
Para limitar o número de casas decimais: pressione a tecla amarela/laranja f e, em
seguida, a tecla numérica indicadora do número de casas decimais com que se
deseja visualizar. A calculadora mostrará apenas o número de casas decimais
especificado, embora os cálculos internos sejam realizados utilizando todas as 9
casas decimais que a memória da HP permite. Como estamos trabalhando com
moeda é aconselhável usar 2 casas decimais (digitando f 2). Se precisar exibir mais
de duas casas decimais, digite f seguido do número necessário. Deve-se ter
cuidado, este procedimento arredonda no visor o número considerado, mas em
alguns casos específicos o que desejamos é o resultado truncado em determinado
número de decimais, isso deverá ser feito “manualmente”.
Uso de calculadora financeira e Excel 11

No exemplo mostrado no quadro 1, observe que o número digitado 2.4506 pode ser
apresentado de forma diferente dependendo do número de casas decimais
selecionado. A calculadora o exibe como 2.451 com três casas decimais, como 2.45
com duas casas decimais e como 2.5 com uma casa decimal. Sempre que o número
posterior à casa decimal selecionada seja maior ou igual a cinco, a decimal
selecionado será arredondado aumentando uma unidade. Quando selecionamos
três casas decimais o número decimal correspondente é zero, mas como o número
localizado na quarta casa decimal é seis o zero é apresentado como um (2.451). O
mesmo acontece, neste exemplo, quando selecionamos uma casa decimal, o
número decimal é quatro, mas como o número na segunda casa decimal é cinco o
quatro é arredondado para cinco (2.5). Já quando selecionamos duas casas
decimais, o número correspondente é oito, e como neste caso a terceira casa
decimal é zero, o número não é aumentado (2.45). A explicação do fato é que
2.4506 esta mais próximo de 2.451 do que 2.450. Já 2.45 por estar no meio, a HP o
arredonda para cima (2.5).
Quadro 1: Representação do número de casas decimais
Pressione Visor
2.4809 ENTER 2.4509
f3 2.451
f2 2.45
f1 2.5

Neste exemplo, caso seja necessário obter o número de decimais truncados em 3, 2,


ou 1 casas decimais, os números a serem considerados seriam 2.450, 2.45 e 2,4
respectivamente.
3.1.2. O sistema de pilha
A calculadora HP-12C trabalha com o sistema de “registro de pilha”, também
designado por Notação Polonesa Reversa (RPN, em inglês). Com isso, armazena os
números digitados em quatro registradores, X, Y, Z e W (T em alguns modelos).
Assim, por exemplo, ao digitar um número, este aparecerá no visor, que é
considerado o registrador X. Ao se pressionar a tecla ENTER, o número digitado
passa a ocupar o registrador Y (entrará em Y) e, embora continue a aparecer no
visor, o registrador X, este é liberado para outro número. Se outro número é digitado
e se pressiona a tecla ENTER, este irá para o registrador Y e o que lá estava irá
para Z, enquanto que o visor (registrador X) será liberado. Isso é semelhante ao
processo de empilhar objetos, como livros ou caixas, sendo que o último objeto
empilhado corresponde ao registrador X, o penúltimo ao Y, o antepenúltimo ao Z e o
anterior a este ao W (ou T). Ilustra-se esse funcionamento no quadro 2. Toda vez
que se pressiona ENTER, os números realizam um movimento para o próximo
registro.
3.1.3. As operações básicas
As operações na HP-12C são feitas normalmente com os registradores X e Y.
Enquanto ao digitar um número qualquer ou ao pressionar a tecla ENTER é
executado um movimento de empurrar os números no sentido do registrador W (no
quadro 3, para cima), as operações executam um movimento no sentido de puxar os
números para o registrador X (no exemplo, para baixo). Por outro lado, ao pressionar
uma simples tecla de operação, digamos, a tecla - ou +, a calculadora entenderá que
Uso de calculadora financeira e Excel 12

deve somar os conteúdos dos registradores X e Y e exibir a soma no registrador X


(que é o visor), conforme mostrado no quadro 3, para a seguinte operação: (8 - 100
+ 110) x 5 ÷ 12.

Quadro 2: O sistema de pilha da HP12c


Pressione Visor Registradores
W = 12 (lixo)
(inicial após ter Z = -32 (lixo)
feito alguns Y = 23 (lixo)
cálculos) 12.48 X = 12.48
W = -32
Z = 23
Y = 12.48
10 10 X = 10
W = 23
Z = 12.48
Y = 10
ENTER 10.00 X = 10
W = 23
Z = 12.48
Y = 10
8 8 X=8
W = 12.48
Z = 10
Y=8
ENTER 8.00 X=8
W = 12.48
Z = 10
Y=8
100 100 X = 100

Os comandos de operações fazem os conteúdos de X e de Y desaparecerem,


dando origem ao resultado da operação em X. O conteúdo de Z passa a ocupar Y,
W passa ocupar Z e também é mantido em W. Ao pressionar a tecla ENTER, o valor
que estava no visor (7.5), isto é, no registrador X, passa para o registrador Y, mas
continua no visor, ou seja, é temporariamente mantido em X.
3.1.4. Trocar o sinal de um número
Pressione a tecla CHS (change sign, do inglês, mudar sinal) para trocar o sinal do
número (de positivo para negativo e vice-versa).
3.1.5. Teclas f e g
A tecla amarela (laranja) f dá acesso às funções que estão em amarelo acima das
teclas, enquanto que a tecla azul g dá acesso às funções que estão em azul abaixo
das teclas.
Uso de calculadora financeira e Excel 13

Quadro 3: A pilha e as operações básicas na HP12c (modo RPN)


Pressione Visor Registradores Pressione Visor Registradores
W = 23 W = 12.48
Z = 12.48 Z = 10
Y = 10 Y = 18
8 8 X=8 5 5 X=5
W = 12.48 W = 12.48
Z = 10 Z = 12.48
Y=8 Y = 10
ENTER 8.00 X=8 x 90.00 X = 90
W = 12.48 W = 12.48
Z = 10 Z = 10
Y=8 Y = 90
100 100 X = 100 ENTER 90.00 X = 90
W = 12.48 W = 12.48
Z = 12.48 Z = 10
Y = 10 Y = 90
- -92.00 X = -92 12 12 X = 12
W = 12.48 W = 12.48
Z = 10 Z = 12.48
Y = -92 Y = 10
110 110 X = 110 ÷ 7.50 X = 7.5
W = 12.48 W = 12.48
Z = 12.48 Z = 10
Y = 10 Y = 7.5
+ 18.00 X = 18 ENTER 7.50 X = 7.5

3.1.6. Limpeza dos registradores


Pressionando a tecla CLx se pode limpar o visor (registrador X). Para limpar todos
os registradores pressione a tecla f e, em seguida, a tecla que vem com o
sobrescrito amarelo CLEAR (limpar, em inglês) REG. Ao pressionar CLEAR REG,
no entanto, todos os registradores X, Y, Z e W, e também os estatísticos, os
financeiros e as memórias serão “zerados”.
Pressione a tecla x>< y para trocar os conteúdos dos registradores X por Y (e vice-
versa).
3.1.7. Memórias
O número que está no visor pode ser guardado pressionando a tecla STO (store)
seguida de uma tecla numérica de 0 a 9, ou seguida da tecla . (ponto) e uma tecla
numérica de 0 a 9. Para recuperá-lo, basta pressionar a tecla RCL (recall) seguida
do número de 0 a 9, ou de . 0 a . 9 digitado.
3.1.8. Operações com datas
Para digitar datas é necessário escolher o sistema de datas M.DY ou D.MY (mês,
dia, ano ou dia, mês, ano). Quando o visor não mostrar continuamente as letras
D.MY o sistema de datas atual é o americano (M.DY). Pode mudar isso
pressionando a tecla g e em seguida D.MY. Para digitar datas como 18 de junho de
2010, bastará inserir 18.062010 (no sistema americano seria 06.182010).
Uso de calculadora financeira e Excel 14

Para determinar a data que corresponde a um número de dias após a data no visor
utiliza-se a função g DATE. Por exemplo, para determinar o vencimento de uma nota
promissória assinada em 18 de junho de 2010 e vence depois de 90 dias, pressionar
a seguinte sequência: [g D.MY] 18.062010 ENTER 90 g DATE. O visor apresentará
[ 16,09,2010 4 ] onde o último dígito é o dia da semana (neste caso quinta-feira).
Os dias da semana na HP-12C começam na segunda-feira (1) e terminam no
domingo (7). Para se calcular datas retroativas, digitamos o número de dias seguido
de CHS.
A função g ΔDYS pode ser usada para calcular o número de dias entre duas datas.
Por exemplo, determinar o número de dias entre a compra de um título de dívida, 13
de abril de 2010, e o vencimento do mesmo, 30 de junho de 2010. Digitar a
sequência de comandos: [g D.MY] 13.042010 ENTER 30.062010 g ΔDYS. O visor
mostrará [ 78 ] dias.
3.1.9. Outras operações
Elevar à potência: 23 = 8 [ 2 ENTER 3 yx ] = [ 8.00 ]
e3 = 20.09 [ 3 g ex ] = [ 20.0855 ]
Calcular a raiz n-ésima: para calcularmos raízes diferentes da quadrada, devemos
usar as teclas 1/x e yx, lembrando a seguinte propriedade matemática:
5
7  71/ 5 = 1.4757
Assim, tirar a raiz quinta de um número é o mesmo que elevá-lo à potência 1/5. Na
HP-12C, o valor de 5 7 é calculado com a sequência:
[ 7 ENTER 5 1/x yx ] = [ 1.4758 ]
3.1.10. Porcentagem
Cálculos envolvendo a porcentagem utilizam as funções %, Δx e %T. Execute os
seguintes exemplos:
Um produto no valor de $ 120 foi adquirido com um desconto de 3%. O valor do
desconto e o valor pago foram [ 120 ENTER 3 % ] = [ 3.6 ]; [ 120 ENTER 3 % - ] = [
116.4 ]. Isto é, o desconto foi de $ 3.60, e o valor pago foi de $ 116.40.
O preço de uma ação na bolsa caiu de $ 45.4 para $ 34.7. A variação percentual foi [
45.4 ENTER 34.7 Δx ] = [ -23.5683 ], ou seja, houve uma queda de 23.57%.
Assistiram à apresentação do gerente 123 pessoas, que percentual representam
sobre 200 convidadas? [ 200 ENTER 123 %T ] = [ 61.5 ], isto é, assistiram somente
61.5% dos convidados.

3.1.11. Exercícios com a HP-12c


1) Considere o cálculo da expressão A = 13 – 5 x 7. Esboce um quadro similar aos
apresentados, contendo, para cada tecla apertada, o visor e o conteúdo dos
registradores.
2) Considere o cálculo da expressão A = 200 + 321 + 45 x 8. Esboce um quadro
similar aos apresentados, contendo, para cada tecla apertada, o visor e o conteúdo
dos registradores.
Uso de calculadora financeira e Excel 15

3) Uma nota promissória foi assinada em 14 de janeiro de 2010 e paga depois de 55


dias. Calcule a data de seu vencimento.
4) Uma prestação foi paga em 4 de fevereiro de 2010 com 60 dias de atraso. Calcule
a data de seu vencimento.
5) Uma prestação venceu em 11 de abril de 2010 e foi paga em 15 de maio deste
mesmo ano. Calcule o número de dias de atraso.
6) Em que dia da semana cairá o natal deste ano? E o dia 7 de setembro deste ano?
7) Calcule o resultado das expressões:
a) A1 = 95 b) A2 = e4 c) A3 = 234 d) A4 = 3
234 7 144 e) A5 = ln 234

4 x 24  234
8) Calcule o valor da expressão A = = 0.07055
342  4
9) Uma prestação no valor de $ 235 foi paga com atraso e sobre o valor nominal
incidiu uma multa de 5%. Qual foi o valor da multa?
10) O preço de uma TV, que era de $ 520,00, foi reajustado no primeiro mês de 5%
e no segundo mês de 7%. Calcule o salário após o segundo reajuste.
11) Um funcionário, que ganhava $ 680,00, passou a receber R$ 740,00 mensais.
Qual foi o percentual de aumento recebido?
12) Um atacante fez 13 gols dos 18 gols a favor para seu time. Qual o percentual de
gols que o atacante fez?
13) Em certo dia de aula, faltaram 5 pessoas de uma turma de 34 alunos. Qual o
percentual de presença?

3.2. Introdução à planilha eletrônica Excel


Microsoft Excel é uma das mais poderosas planilhas eletrônicas disponíveis na
atualidade. Pode ser considerada como uma grande folha de papel dividida em 256
colunas e 16.384 linhas (versões mais antigas) ou em 16.384 colunas por 1.048.576
linhas (nas versões mais modernas) nas quais podemos armazenar textos e
números.
Mas a grande vantagem do Excel está no fato de que os valores e textos
armazenados nele podem ser manipulados da forma que o usuário achar melhor
para o seu propósito, através de um grande número de fórmulas disponíveis para
serem usadas a qualquer momento que se fizer necessário. Pode ser utilizada para
as tarefas mais simples, como armazenar informações e realizar operações básicas,
até realizar cálculos complexos como simulações que podem demandar vários dias
ou semanas.
Ensinar a usar o Excel está fora do alcance deste texto, para esse objetivo o leitor
pode utilizar a alternativa que julgar mais apropriada. Na bibliografia há indicação de
material que pode subsidiar esse aprendizado. Mas, nesta seção pode se ilustrar
rapidamente a utilização do Excel para o propósito particular da aplicação para
cálculos financeiros. Ao longo do curso serão apresentadas as fórmulas específicas
para os diferentes tópicos abordados no texto.
Uso de calculadora financeira e Excel 16

3.2.1. Uma planilha Excel para um caso de vendas


Considere um caso fictício, onde existem 4 vendedores de um determinado produto.
Os dados mostrados na figura a seguir correspondem às vendas de determinado
dia. O preço mínimo e máximo estabelecido pela empresa é de $ 120 e $125
respectivamente; cada vendedor pode negociar com o cliente dentro desse intervalo.
Os vendedores têm dois incentivos, um primeiro incentivo obtido pela diferença do
preço médio do dia em relação ao mínimo, recebendo 80% do valor adicional por
cada unidade vendida. Um segundo incentivo considera àqueles que venderam mais
de 20 unidades por dia, recebendo 15% do total vendido acima do mínimo (20x120=
$ 2400). Ou seja, se o vendedor consegue vender 22 unidades ao preço médio de
124 ele receberá as duas compensações adicionais ao salário, na diferença de
preço (124 – 120)x22x80% = $70.40 e na quantidade acima do mínimo (124x22-
120x20)x15% = $49.2, fazendo um total de $ 119.60 no dia.
Pode-se construir uma planilha para efetuar esses e outros cálculos como mostrado
na Fig. 1. Comece digitando as informações das colunas A, B e C desde a linha 2
até a linha 6. Depois de abrir o Excel aparecerá, normalmente, uma planilha em
branco, se clicar com o ponteiro do mouse na célula A2 poderemos digitar Vendedor
e pressionar a tecla ENTER, o ponteiro se deslocará para a célula A3; a seguir,
digitar 1 e a tecla ENTER, logo 2 e a tecla ENTER e assim sucessivamente. De
forma idêntica, clicar com o ponteiro do mouse em B2 repetindo o procedimento
anterior, e continuar até completar as informações da coluna C. Igualmente inserir as
informações (parâmetros) nas células entre E9 e F10.
Para calcular a coluna Total clicar em D3, digitar (a fórmula) =B3*C3 e pressionar a
tecla ENTER, o Excel multiplicará os conteúdos das células B3 e C3 e mostrará o
resultado em D3. O mesmo pode ser feito para calcular o total dos outros
vendedores. Mas, podem-se utilizar as múltiplas vantagens do Excel para fazer isso,
vasta clicar em D3 (onde já inserimos a fórmula), pressionar simultaneamente
Ctrl + c (tecla “Ctrl” e tecla “c”), logo clicar em D4 e pressionar simultaneamente
Ctrl + v (tecla “Ctrl” e tecla “v”), neste caso a fórmula será copiada em D4, mas
atualizando as referências as células da linha 4; o mesmo pode ser feito para copiar
a fórmula nas células D5 e D6.

Figura 1. Exemplo de cálculos em planilha Excel


Uso de calculadora financeira e Excel 17

A coluna do Preço base pode ser preenchida digitando os diretamente o número 120
em todas as células ou usando Ctrl + c e Ctrl + v após inserir a primeiro número, por
exemplo, em E3. A coluna Diferença de preço contém a fórmula para calcular a
diferença do conteúdo da coluna B com a coluna E; neste caso, por exemplo,
podemos digitar a fórmula na célula F4 =B4-E4, e depois copiar a mesma para as
células restantes. Na coluna G calculamos o valor da retribuição do vendedor pela
diferença do preço, para isso inserimos a seguinte fórmula em G3 =C3*F3*$F$9, ou
seja, multiplica a quantidade pela diferença de preço e calcula o 80% desse
resultado, esse último parâmetro foi inserido na célula F9. Como essa fórmula será
copiada para as outras células da coluna G utilizamos o símbolo $ antes da coluna e
do número de linha ($F$9) para “fixar” a referência a essa célula. Por exemplo, após
copiar a fórmula de G3 para as outras dessa coluna, a fórmula em G6 será
=F6*C6*$F$9.
A retribuição pela quantidade é um pouco mais complexa e inclui uma condição
lógica, o vendedor só recebe e um percentual sobre o excesso, 15%, inserido na
célula E10, se ultrapassar 20 unidades, parâmetro inserido em F10, caso contrário
não recebe nada. Uma forma de fazer isso é utilizar a função SE do Excel, cujo
formato é: =SE(condição lógica; se verdadeiro resultado1; se falso resultado2). Ou
seja, o resultado vai depender da condição lógica (por exemplo, C3>$F$10), se esta
for verdadeira o Excel mostrará o resultado1 e se for falsa o resultado 2. Neste caso,
podemos digitar a seguinte fórmula em H3:
=SE(C3>$F$10; (D3-E3*$F$10)*$E$10; 0),
e depois copiá-la para as outras células. Em alguns casos o separador usado nas
fórmulas pode ser “,” e não “;”.
Na coluna I calcula-se o Total recebido por cada vendedor inserindo na célula I3
=SOMA(G3:H3), essa fórmula utiliza a função SOMA para mostrar o soma de todos
os números entre G3 e H3. Pode-se também usar uma fórmula alternativa =G3+H3,
mas esta forma é pouco prática quando se tem muitas células a serem somadas.
Por exemplo, podemos inserir o total das retribuições adicionais na célula I7
=SOMA(I3:I6). O Excel pode fazer múltiplas coisas mais com as informações
inseridas, tal como calcular o a participação percentual das retribuições adicionais
dos vendedores. Para isso, inserir na célula J3 =I3/$I$7 e copiá-la para as outras
células. Assim, observaremos que o vendedor 4 conseguiu mais de 39% do total de
retribuições adicionais.
Uma vez concluídos os procedimentos anteriores você terá uma planilha como a
mostrada na Fig. 1. A partir daí pode começar a fazer outras coisas, por exemplo,
simulações “o que acontece se” mudar alguma das informações dos vendedores, ou
dos parâmetros. Assim, verificar que quando o número mínimo de unidades
vendidas cai para 18 (substitua o conteúdo de F10) o vendedor 4 terá uma
participação de 36.3% no total de retribuições adicionais (célula J6).
3.2.2. Exercício com Excel
Construa a planilha a seguir. Algumas das fórmulas a serem utilizadas são:
Total do Ativo em C2 =SOMA(C3;C10:C11)
Ativo circulante em C3 =SOMA(C4:C8)
Capital circulante líquido =C3-E3
Uso de calculadora financeira e Excel 18

Liquidez corrente =C3/E3


Liquidez seca =(C3-C7)/E3
Liquidez imediata =SOMA(C4:C5)/E3
Essas fórmulas podem ser copiadas para outras células, como para o total do
passivo e do passivo circulante, e para os indicadores da Cia. Beta, como
corresponda.

Fig. 2. Planilha de comparação de liquidez dos balanços

Depois de preencher a planilha pode pedir que o Excel o ajude a analisar as


informações. Por exemplo, inserir as seguintes fórmulas:
K4 =SE(ARRED(I4;3)=ARRED(J4;3);"Iguais";SE(I4>J4;CONCATENAR($I$3; " é
melhor");CONCATENAR($J$3; " é melhor")))
H10 =CONCATENAR("Alfa financia ";ARRED(E5/E3*100;2);" % do passivo
circulante com fornecedores e ";ARRED(E4/E3*100;2);" % com inst. financeiras")
H11 =CONCATENAR("Alfa tem ";ARRED(C5/C3*100;2);" % do ativo circulante em
aplic. financeiras e ";ARRED(C6/C3*100;2);" % com clientes")
H12 =CONCATENAR("Beta financia ";ARRED(E17/E15*100;2);" % do passivo
circulante com fornecedores e ";ARRED(E16/E15*100;2);" % com inst. financeiras")
H13 =CONCATENAR("Beta tem ";ARRED(C18/C15*100;2);" % do ativo circulante
financiando seus clientes e ";ARRED(C17/C15*100;2);" % em aplic. financeiras")
Capitalizações simples e composta 19

4. Capitalizações Simples e Composta


Capitalização corresponde à operação destinada a calcular o valor futuro de um
determinado valor presente, considerando uma taxa de juro previamente fixada.
Existem dois tipos ou regimes de capitalização, simples e composta, conforme o tipo
de juro a que se refira: simples ou composto.

4.1. Capitalização simples


A capitalização simples se define naquelas situações em que a taxa de juros
pactuada entre as partes incide apenas sobre o capital inicial, portanto, sem a
incidência do que se conhece como “juros sobre juros”. Neste tipo de capitalização
apenas o capital inicial rende juros, ou seja. A linha de tempo a seguir relata esta
situação e já nos permite elaborar fórmulas de cálculo:
0 1 2 n
i

P S=?

O valor futuro (S) é igual à soma do valor presente (P) e os juros (J). Os juros são
determinados pela multiplicação do valor aplicado (P), a taxa de juros (i) e o número
de períodos (n). A partir dessas definições básicas pode se derivar várias fórmulas
de cálculo:
S = P + J; J = P.i.n ; P = S – J; P = S/(1+i.n)
S S
1 1
i P ; n P
n i
Assim, a fórmula fundamental de capitalização com juros simples e:
S = P (1 + i.n)

Exemplo 1: Qual o montante esperado ao final de 3 meses da aplicação de $500, à


taxa de 2,75% ao mês. Qual o juro ganho na operação?

0 1 2 3

P = 500 S=?
Capitalizações simples e composta 20

De acordo à definição colocada, os juros a serem ganhos na operação seriam dados


por: J  P  i  n
Naturalmente, o montante final arrecadado em 3 meses seria o resultado dos juros
ganhos mais o capital inicial aplicado, ou seja: S  P  J
Por fim, a soma das duas equações nos propicia a fórmula de valor futuro em
capitalização simples: S  P  P  i  n , a qual é desenvolvida para: S  P  1  i  n
Retornando ao nosso exemplo: S  500  1  0,0275  3  $541,25
Vê-se no exemplo acima que o prazo e a taxa de juros estavam definidos na mesma
unidade de tempo, o que nos permitiu fazer uso direto da fórmula. Entretanto, este
não é sempre o caso e o próximo exemplo mostra os cuidados necessários.

Exemplo 2: Qual o montante e os juros relativos a uma aplicação de $8.900, a


1,25% ao mês, pelo prazo de 47 dias?
 0,0125  0,0125
S  8900  1   47   $9.074,29 J  8900   47  174,29
 30  30
Claro que como S  P  J  S  8900  174,29  $9.074,29
Em outras situações, estamos interessados no valor presente (ou valor financiado),
quando, então, a equação deve ser resolvida para P. Vejamos o exemplo seguinte:

Exemplo 3: Quanto deve ser aplicado hoje, à taxa de juros de 1,05% ao mês, para
que se tenha o montante de $35.000 ao final de 24 meses?
Neste caso, lembre-se que: S  P  1  i  n . Portanto, um giro no “eixo” da equação é
necessário para que isolemos P, obtendo-se:
S
P
1  i  n 
35000
E quanto ao nosso problema: P   $27.955,27 , que será o valor a ser
1  0,0105  24
aplicado hoje de forma a possibilitar o valor futuro desejado de $35.000.

4.2. Exercícios com capitalização simples


1) Calcule os juros que devem ser pagos por utilizar o crédito de $ 300,00 de uma
conta corrente durante 15 dias, sabendo que o banco cobra uma taxa de 0,5%
a.d. R. 22,5
2) Um banco cobra uma taxa de juros de 12% a.m. para os excessos em conta
corrente e um cliente utilizou $ 1.540,00 durante 16 dias. Qual deverá ser o valor
dos juros a serem pagos? R. 98,56
3) Quais os juros pagos pelo uso de R$ 600,00 de uma conta especial, se a taxa
cobrada pelo banco é de 11% a.m. e o dinheiro foi usado por 13 dias?. R. 28,60.
Capitalizações simples e composta 21

4) Um capital de $3000 rendeu $800 em 180 dias. Qual é a taxa simples anual
ganha?
5) Juan recebeu $25644,82, produto de um prêmio ganhou em um concurso,
depois de quatro meses e 19 dias. Qual foi o valor do prêmio e qual o valor dos
juros se o dinheiro esteve aplicado em um banco a juros simples de 11% a.a.?
R. Juros = 1044,82.
6) O amigo de Juan resgatou um título por $25168. Se a taxa de juros simples
aplicada foi de 12% a.a. e os juros totalizaram $968, quanto tempo durou a
aplicação? R. 4 meses.

4.3. Capitalização composta


O regime de juros compostos é o mais comum no dia-a-dia, no sistema financeiro e
no cálculo econômico. A capitalização composta fica definida quando os juros de
cada novo período de capitalização são agregados aos juros relativos ao período de
capitalização anterior, gerando a situação que se conhece comumente como “juros
sobre juros”.
Assim, os juros produzidos em cada período são capitalizados, formando um novo
capital que irá render juros no período seguinte. Esta definição é explicitada com
gráfico a seguir, a partir do qual obtemos a fórmula fundamental de toda a
matemática financeira, qual seja, a de montante de um valor aplicado por prazo certo
e a uma taxa de juros especificada.
O valor futuro (S) é igual à soma do valor presente (P) e dos juros (J). Os juros são
determinados pela composição do valor aplicado (P) mais os juros acumulados até o
período anterior, a taxa de juros (i) e o número de períodos (n). A partir dessas
definições básicas pode se derivar várias fórmulas de cálculo com juros compostos:

0 1 2 n

i
P0 P1= P0 + J1 P2= P1 + J2 S = Pn= Pn-1 + Jn

Para o primeiro período:


J1 = P0.i;
P1 = P0 + J1 = P0 + P0.i = P0 (1 + i);
Para o segundo período:
J2 = P1.i;
P2 = P1 + J2 = P1 + P1.i = P1 (1 + i); substituindo P1 derivado anteriormente:
P2 = P0 (1 + i) (1 + i) = P0 (1 + i)2;
Da mesma forma pode-se derivar as fórmulas para os outros períodos, ao final
chega-se a seguinte generalização:
Capitalizações simples e composta 22

Pn = P0 (1 + i)n
Substituindo Pn e P0 pelas representações genéricas S e P têm-se a fórmula
fundamental para capitalização com juros compostos:
S = P (1 + i)n
A seguir chegaremos à mesma fórmula com um exemplo numérico.
Outras fórmulas derivadas da fórmula fundamental são:

S
1log 
S S n
 P ; J S-P
P ; i     1; n 
1  i n
P log 1  i 

Exemplo 4: Qual o valor futuro (montante) de uma aplicação de $500,00 feita à taxa
de juros de 2,75% ao mês, pelo prazo de 3 meses?
Esquematicamente, podemos trabalhar o exemplo com linhas de tempo:

Final do 1o mês:

0 1 2 3

P = 500 S=?

P1  500  0,0275  500


O resultado acima nos diz que ao final do Tempo 1, teremos os $500 iniciais mais
os juros sobre estes $500. Claro que já poderíamos fazer a conta e encontrarmos
$513,75, porém, lembramos que a obtenção de uma fórmula geral é o nosso objetivo
maior. Assim sendo, a equação pode ser desenvolvida para:
P1  500  1  0,0275 .

Final do 2o mês:
0 1 2 3

500 x (1 + 0,0275) S=?


Capitalizações simples e composta 23

Ao final do 2o mês, teremos:


P2  [500  1  0,0275]  [0,0275  500  1  0,0275]
Da forma similar à parte inicial da demonstração, temos ao final do 2º mês o que
tínhamos ao final do 1º mês, mais os juros ganhos ao longo do 2º mês. Claro, como
o termo 500  1  0,0275 se repete duas vezes na equação, podemos simplificá-la
para:
P2  500  [1  0,0275
. 1  0,0275]  500  1  0,0275
2

Poderíamos determinar que o valor capitalizado ao final deste segundo mês é de


$527,88, mas lembramos novamente nosso objetivo de levantar uma fórmula geral
de valor futuro.

Final do 3o mês:
A etapa final desta demonstração revela o montante ao final do 3º mês como sendo
expressa pela linha de tempo a seguir:

0 1 2 3

500 x (1 + 0,0275)2 S=?

P3  [500  1  0,0275 ]  [0,0275  500.1  0,0275 ]


2 2

Como nos casos anteriores, o montante ao final do 3º mês é simplesmente o


resultado da soma do valor capitalizado ao final do 2º mês mais os juros ganhos ao
longo do 3º mês. Outro detalhe que se repete é o de haver termos repetidos, quais
sejam, 500  1  0,0275 , o que nos permite a simplificação final:
2

P3  500.1  0,0275  $542,39


3

Enfim, podemos definir a fórmula para valores futuros (montante) pela simples troca
de valores por literais na equação acima, obtendo:

S  P  1  i 
n
, que é a fórmula principal de toda a matemática financeira.
Após esta demonstração, podemos aproveitar para definir P em função de S ,
gerando:
S
P
1  i n , a qual encontra larga aplicação em problemas na área de finanças.
Capitalizações simples e composta 24

Exemplo 5: É feita uma aplicação de $98.200, à taxa de juros de 1,15% ao mês e


pelo prazo de 12 meses. Qual o montante esperado ao final deste período e qual o
total de juros ganhos?
S  98200  1  0,0115  $112.642,46
12

Ao passo que os juros serão de: S  P  J  J SP


 J  112.642,46  98200  $14.442,46

0 12

i = 1,15%
PV = 98.200 S=?

Exemplo 6: Qual o valor da aplicação que deve ser feita hoje para que se tenha o
montante de $35.000 ao final de 24 meses, sendo a taxa de juros de 1,05% ao mês?
0 24

i = 1,05%
P=? S = 35.000
35000
P  $27.239,33
1,0105 24

Exemplo 7: Foi feita uma aplicação de $23.440 no dia 14/10/2009, à taxa de juros
de 1,15% ao mês e com prazo de vencimento em 38 dias. Qual o montante a ser
resgatado ao final da aplicação?
38

S  23440  1,0115 30
 $23.781,96

0 38

P = 23.440 S=?
Capitalizações simples e composta 25

No anexo A se apresenta o valor acumulado de $1 para determinada taxa de juros e


o número de períodos: f = (1+i)n. Quando não temos ao alcance uma calculadora
financeira ou Excel, poderemos usar essa tabela, junto com a fórmula S=P.f.
Exemplo 8: Qual o valor da aplicação que deve ser feita hoje para que se tenha o
montante de $58.000 ao final de 15 meses, sendo a taxa de juros de 2% ao mês?
No anexo 1 encontramos o fator acumulado f = 1.3459, para 15 períodos e uma taxa
de 2%. Nesse caso, o valor a aplicação deverá ser P = 58000/1.3459 = 43093.83.
Pode existir alguma diferença, com o resultado da calculadora ou do Excel, pelo
arredondamento do fator.

4.3.1. A HP-12c e a capitalização composta


É uma das principais aplicações da calculadora HP-12c. No esquema a seguir se
resume as 5 variáveis principais relacionadas à capitalização com juros compostos.
Inserindo 4 delas a calculadora estima a quinta usando as informações fornecidas.

Entrada 24 1.05 0 35000


n i PV PMT FV
Saída -27239.33

Exemplo 9: Qual o valor da aplicação que deve ser feita hoje para que se tenha o
montante de $35.000 ao final de 24 meses, sendo a taxa de juros de 1,05% ao mês?
Para conseguir o resultado anterior podemos inserir a seguinte sequência de
comandos (alguns não serão necessários caso já tenham sido aplicados
anteriormente):
g END (fluxos são ao final do período, postecipados, ou vencidos)
f CLEAR FIN (limpar as memórias)
24 n
1.05 i
0 PMT
35000 FV
PV [ -27239.33 ]

4.4. Exercícios com capitalização composta

1) O que é mais vantajoso? Investir $ 5.000,00 durante 2 anos a juros compostos


de 2% a.m. ou investir $ 5.000,00 durante 2 anos, a juros simples de 3% ao mês.
R: Investir os 5.000 reais sob o regime de juros simples.
2) Qual o valor presente (PV) de $100 recebidos em 3 anos, se i = 10%? R. 75,13.
Capitalizações simples e composta 26

3) O capital de $ 900,00 foi submetido a uma aplicação e resultou em montante de


R$ 1044,00 após 6 meses. Qual a taxa mensal da aplicação? R. 2.5%
4) Calcule o montante da aplicação de $ 2.000,00 a juros de 3,8% a.m. durante 11
meses.
5) Qual o montante produzido pela aplicação de $ 1.300,00 a juros de 3% a.b.
durante 7 bimestres?
6) Qual o montante da aplicação de $ 1.250,00 a juros de 3,5% a.m. durante 3
anos?
7) Em quanto tempo o montante produzido será o dobro do valor aplicado com
juros de 3% a.s.?, se a taxa de juros muda para 1,49% a.t.?
8) Qual taxa de juros deve ser aplicada para que o montante produzido seja três
vezes o valor aplicado no prazo de 10 anos?
9) Um senhor poupador depositou $1500 em uma poupança. Três meses depois,
deposita mais $2800 e, um mês depois desse último depósito, realiza uma
retirada de $1700. Qual será o saldo da poupança ao fim do sétimo mês,
considerando que a taxa de juros compostos ganha é de 0,65% a.m.? R.
2709,74.
Classificação das taxas de juros 27

5. Classificação das taxas de juros

5.1. A classificação das taxas de juros


Podem existir diferentes critérios para classificar as taxas de juros. Duas mais
utilizadas são:
a) quanto ao regime de capitalização. Como já foi visto em um capítulo anterior,
pode ser simples (ou linear) e composta (ou exponencial);
b) quanto ao valor inicial tomado como base de cálculo: nominal, efetiva e real.
Essas duas classificações não são mutuamente excludentes, isto é uma taxa pode
ser nominal linear ou nominal exponencial, efetiva linear ou efetiva exponencial e
real linear ou real exponencial. Contudo, na prática à taxa de juros real refere-se a
uma capitalização exponencial.

5.1.1. Inflação
Inflação é a aumento generalizado dos preços. A inflação desvaloriza o dinheiro no
tempo, já que diminui o seu poder de compra, por isso, torna-se necessário fazer
uma correção monetária, a fim de recuperar o poder de compra de um determinado
valor.
5.1.2. Taxas nominais
A taxa de juro nominal é a taxa anunciada que, dependendo do produto, em alguns
casos deve ser obrigatoriamente indicada, tal como nos contratos de crédito ou nas
aplicações, e corresponde ao período de um ano. Sendo que, é uma remuneração
monetária sujeita aos efeitos da inflação, além disso, o rendimento efetivo ou taxa
efetiva depende do número de períodos de capitalização no intervalo de um ano.
5.1.3. Taxas efetivas
Sempre que nos deparamos com uma taxa nominal, faz-se necessário se calcular a
taxa efetiva, ou seja, devemos determinar qual a verdadeira taxa que está por trás
da taxa nominal. A taxa efetiva depende da taxa nominal e da frequência de
capitalização. Somente quando o período de capitalização é anual a taxa nominal é
igual à taxa efetiva. A seguinte fórmula relaciona a taxa nominal e a taxa efetiva.
 k  n 
i  1    1
 n  
Onde: k= taxa nominal de juros refere-se anual (a menos que se indique outro
período); i = taxa efetiva anual; n= número de capitalizações em um ano.

Exemplo 10: Se a taxa anunciada é 12%, calcular a taxa efetiva com capitalização
diária, mensal, trimestral, semestral e anual.
k=12% ; n =360 dias = 12 meses = 4 trimestres = 2 semestres = 1 ano
Classificação das taxas de juros 28

 0,12 360 
i  1    1  0,1275  12,75%
 360  
 0,12 12 
i  1    1  0,1268  12,68%
 12  
 0,12  4 
i  1    1  0,1255  12,55%
 4  
 0,12  2 
i  1    1  0,1236  12,36%
 2  
 0,12 1 
i  1    1  0,1200  12,00%
 1  
Assim, quando aumenta a frequência de capitalização por ano a diferença entre a
taxa efetiva anual e a taxa nominal também aumenta. Um caso extremo é quando a
capitalização é contínua. Nesse caso, admite-se que as variações da variável n
(tempo) são infinitesimais, ou seja, a capitalização é instantânea. Nesse caso, o
capital é uma função exponencial da variável tempo.
S  P(1  i ) n  P.e a.n
1  i n  e a.n
a  ln(1  i )
i  ea  1
Onde e= 2,7182818284 representa a base do logaritmo natural ou neperiano, a
representa uma constante ou taxa instantânea de juros. Assim, para uma taxa de
juros do exemplo anterior de 12% com capitalização contínua renderá e0,12 - 1 =
0,127497 = 12,75% em um ano.

Exemplo 11: Qual o montante produzido por um capital inicial de $5.000, ao final de
36 meses, remunerado á taxa de 2% ao mês, no regime de capitalização
descontínua composta? Qual a taxa de capitalização instantânea que produzirá o
mesmo capital final, no regime de capitalização contínua.
S  P(1  i ) n  5000(1  0,02)36  10199,44
1  0,0236  e a.36
a  ln(1  0,02)  0,01980263  1,98%
Comprovação
S  P.e a.n  5000.e 0,01980263x 36  10199,44
Logo, uma taxa de juros de 1,98% com capitalização contínua é equivalente a uma
taxa de 2% ao mês, no regime de capitalização descontínua, em que as
capitalizações são mensais.
Classificação das taxas de juros 29

5.1.4. Taxa de juros reais


A taxa de juros real é normalmente calculada a partir da taxa efetiva, considerando-
se os efeitos inflacionários do período.
Nas relações e nos exemplos a seguir utilizaremos a seguinte notação:
Taxa de juros de mercado  i
Taxa de inflação  j
Taxa de juros real  r

5.2. Relações entre taxas de juros efetiva (i) e taxa real (r)
(1  i )  (1  r ) * (1  j )
i  (1  r ) * (1  j )  1
(1  i )
r 1
(1  j )
(1  i )
j 1
(1  r )
Exemplo 12: Qual a taxa de inflação acumulada no trimestre se em janeiro a
inflação foi 1,7%, em fevereiro 1,1% e em março 2%. Qual a taxa média mensal de
inflação?
As taxas de inflação são taxas efetivas ao período indicado, logo para acumular
deve-se encontrar o produto delas e para calcular a média tirar a raiz n-ésima do
produto acumulado, onde n é o número de períodos de acumulação.
(1  jacum)  (1  j1 ) * (1  j2 ) * (1  j3 )  (1  0,017) * (1  0,011) * (1  0,02)  1,04875
jacum  1,04875  1  0,04875  4,88%
1
jmed  (1  0,04875) 3  1  0,01599  1,60%

Exemplo 13: Continuando com o exemplo anterior, se a taxa de retorno efetiva


trimestral de um investimento foi 5%, qual foi a taxa de retorno real?
Substituindo na fórmula:
(1  i) 1  0,05
r 1   1  0,0012  0,12%
(1  j ) 1  0,04875
A taxa de retorno real no trimestre foi 0,12%.

5.3. Taxas de juros equivalentes


Fizemos a observação de que as variáveis n e i devem se compatibilizar em termos
de unidade de tempo a que se refiram. Assim sendo, se a taxa de juros é definida
em termos mensais, trimestrais ou anuais, o prazo também deverá ser definido
nestas unidades de tempo.
Classificação das taxas de juros 30

A conceituação de equivalência de taxas estabelece que duas taxas referentes a


períodos distintos de capitalização, são equivalentes quando produzem o mesmo
montante, no final de um determinado tempo, pela aplicação de um capital inicial de
mesmo valor.
Em outros termos, isso significa que se um capital P aplicado à taxa mensal im,
durante 12 meses, produz um montante S, e se o mesmo capital P aplicado a uma
taxa anual ia, por prazo idêntico, produz o mesmo montante S, diz-se que as taxas im
(mensal) e ia (anual) são equivalentes.
Enfim, a importância do cálculo de taxas de juros equivalentes se deve exatamente a
obrigatoriedade e sua fórmula de cálculo pode ser dada nos termos abaixo:

iequivalente  1  ioriginal novo prazo  1  100


prazooriginal

 

Exemplo 14: Qual a taxa de juros mensal equivalente à taxa de 35,80% ao ano?
 
imês  1  0,358012  1  100  2,58% ao mês (a.m.)
1

 

Exemplo 15: O banco informa que a taxa mensal cobrada é 4%, e a empresa quer
saber a taxa diária, com juros compostos.
 
idia  1  0,0430  1  100  0,13%
1

 

Exemplo 16: A remuneração é informada como 10% ao trimestre e você quer saber
qual a remuneração mensal, semestral, e anual, com juros compostos.
   
imes  1  0,1012  1  100  1  0,103  1  100  3,23%
4 1

   
   
isem  1  0,102  1  100  1  0,10  1  100  21%

4


2

   
iano  1  0,101  1  100  1  0,10  1  100  46,41%

4


4

5.4. Taxas proporcionais


O conceito de taxa proporcional é utilizado somente para capitalização simples, no
sentido de que o valor dos juros é linearmente proporcional ao tempo. Assim, a taxa
proporcional de 3% ao mês para 10 meses é de 30% (3% x 10); a de 12% ao ano,
para três meses é de 4% (12% / 4), e assim sucessivamente.
Classificação das taxas de juros 31

5.5. Exercícios de taxas de juros


1) A corretora de valores sugere uma aplicação para 60 dias e informa a taxa para
o período de 1,9%. Você que saber quanto receberá por mês, com juros simples.
2) A financeira afirma cobrar juros mensais de 3,5% (capitalização simples), e você
quer saber quanto irá pagar de juros anuais.
3) Juan trabalha em uma instituição bancária, tendo um rendimento líquido de
$3000 mensais. Mesmo que a inflação está baixa, ele verificou que seu poder de
compra diminuiu. Nos últimos seis meses seu padrão de consumo passou para
92% do que consumia antes. Qual o índice de inflação no semestre?
4) O IGP-M é um indicador que mede a taxa de inflação da economia. Tal índice
utiliza uma grande variedade de itens, bens e serviços, e por esse motivo é
muito utilizado por empresas que atuam em diversos segmentos. Sabe-se que a
taxa de inflação de cada um dos meses seguintes atinge 0,7% (março), 0,8%
(abril), 0,72% (maio). Qual o valor da inflação nesse intervalo de três meses? Se
o valor do IGP-M ao início desse período foi 196,867, qual será o valor final?
5) Uma empresa adquiriu um imóvel com a expectativa de ter lucro na venda do
mesmo. Pagou um preço líquido de $800000 em janeiro e recebeu $850000 em
julho do mesmo ano. Se os valores do IGP-M foram de 203,454 e 215,234 para
janeiro e julho, respectivamente, determinar a rentabilidade nominal, a taxa de
inflação e a rentabilidade real.
6) Uma loja de departamentos está vendendo um produto eletrônico a prazo
cobrando juro nominal de 1,2% a.m., sendo a inflação projetada de 7% a.a. Qual
o custo real mensal do financiamento?
7) Um investidor fez uma aplicação em um CDB (certificado de depósito bancário)
que está pagando 0,8% a.m. líquido. Se o investidor pretende resgatar esta
aplicação ao final de 6 meses e obter um ganho real de 4% no período, qual
deverá ser a taxa máxima de inflação do período?
8) De acordo com a informação publicada por determinada instituição financeira, o
retorno ou variação anual das seguintes alternativas de investimento foi;
a. Poupança 6,85%
b. CDB (pré) 12,05%
c. Ouro (BMF&BOVESPA) 12,20%
d. Bolsa de valores (Ibovespa) 28,51%
e. Dólar comercial -7,11%
Se a variação do índice de preços ao consumidor (IPCA) foi de 2,72% nesse
mesmo período, determinar a rentabilidade real de cada um das alternativas.
9) Para uma taxa efetiva de 15% a.a., qual a respectiva taxa nominal anual com
capitalização mensal, trimestral ou semestral?
10) Para uma taxa nominal de 18% a.a. com capitalização mensal, qual a respectiva
taxa efetiva equivalente trimestral?
11) A empresa obteve financiamento a taxa de 18% a.a., com capitalização mensal.
Qual a taxa equivalente mensal? Qual a taxa efetiva anual da operação?
Classificação das taxas de juros 32

12) Uma aplicação financeira rende juros de 0,8% a.m., com capitalização anual.
Qual a taxa equivalente anual? Qual a taxa efetiva mensal?
13) Qual o valor de resgate para um capital de $200 aplicado pelos seguintes prazos
e taxas?
a) 25 dias a 3% a.m. capitalizados diariamente
b) 6 meses a 13% a.a. capitalizados mensalmente
c) 8 meses a 9% a.s. capitalizados mensalmente
d) 27 meses a 7% a.t. capitalizados mensalmente
e) 7 meses a 12% a.a. capitalizados trimestralmente
14) Determinado país lançou um título no mercado internacional pagando juros
semestrais de 12,8%, com capitalização mensal. Qual a taxa equivalente
mensal? Qual a taxa efetiva anual?
Descontos 33

6. Descontos
Desconto é uma operação inversa à Capitalização, ou seja, corresponde a trazermos
um valor futuro para a data presente, descontando os juros que estão embutidos no
valor futuro. O Desconto propriamente é o abatimento obtido por se saldar uma
dívida antes do vencimento.
Conceitos básicos:
Valor nominal: valor de um título na data de seu vencimento.
Valor atual: valor de um título em uma data intermediaria entre a de emissão e a de
vencimento, ou seja, o valor líquido depois de aplicado o desconto.
Título – denominação genérica para qualquer tipo de dívida (Nota Promissória,
Duplicata, etc.).

6.1. Tipos de desconto


Existem dois tipos de descontos: Racional e Comercial. Ambos podem ser utilizados
tanto em juros simples quanto em juros compostos. Na prática, o desconto
Comercial é utilizado somente sob o regime de juros simples.
O desconto racional (ou por dentro) corresponde à verdadeira operação de
desconto. Tanto com juros simples, quanto com juros compostos é o procedimento
inverso ao processo de capitalização, utilizando as mesmas fórmulas. O desconto
comercial (ou por fora) nada mais é do que uma variação do desconto racional
adotada pelo mercado, onde a taxa de desconto se aplica sobre o valor futuro.
O desconto com capitalização composta aplicado em alguns casos na atividade
comercial e financeira pode ser desconto racional (também conhecido como
financeiro) e desconto comercial. No primeiro a taxa de desconto é estimada com
base em uma taxa de juros composta antecipada, e no segundo com base em uma
taxa de juros postecipada.

6.1.1. Desconto racional simples


Neste tipo de desconto, a taxa é aplicada sobre o valor atual da dívida, considerando
o número de períodos que faltam para o vencimento da dívida. A fórmula de
desconto racional simples (Dr) é dada por:
S  P  Dr; Dr  S  P;
S  P(1  d  n)
S d n
Dr  ; Dr  P  d  n
1 d  n
Onde d é a taxa de desconto racional simples.

Exemplo 17: Caso você desconte um título de R$ 35000,00 dois meses antes do
vencimento, a uma taxa de 2,5% a.m., qual será a importância recebida?
S= 35000; n=2; d=2,5%; P=?
Descontos 34

S  d  n 35000 x0,025 x 2
Dr    1666,67
1 d  n 1  0,025 x 2
P  S  Dr  35000  1666,67  33333,33

Exemplo 18: Um título foi descontado à taxa de 2% a.m. Sabendo-se que o valor
nominal era $ 7500,00 e o valor descontado racional $ 6800,00, qual o prazo da
antecipação?
d= 2%; S=7500; P=6800; n=?
S  P(1  d  n)
 S  1  7500  1
n    1     1   5,147 meses  5 meses e 5 dias
 P  d  6800  0,02

6.1.2. Desconto comercial simples


Neste tipo de desconto, a taxa é aplicada sobre o valor nominal ou valor ao
vencimento, considerando o número de períodos que faltam para o vencimento da
dívida. A fórmula de desconto comercial simples (D) é dada por:
D  S d n
onde D é o valor do desconto a ser aplicado sobre o título, a taxa nominal d, de
forma a levantar o valor líquido creditado na fórmula abaixo:
S  PD  P  S D
Trata-se de uma forma de financiamento pela qual as empresas entregam títulos
(duplicatas) às instituições financeiras, relativos a vendas que tenham feito,
recebendo um valor descontado pela taxa de juros e tendo em conta o prazo para os
vencimentos. Lembrando que, o valor líquido creditado tem seu valor calculado de
acordo às normas da capitalização simples, ou seja, não se considera “juros sobre
juros”.
Como d é uma taxa nominal, a taxa efetiva (i) também pode ser calculada com a
fórmula:
S
1
i P
n

Exemplo 19: Qual o valor do desconto bancário de um título de $300000 com


vencimento para 93 dias, se a taxa é de 6% ao mês?

S = valor do título = $300000


n = prazo de vencimento = 93 dias
d = taxa de desconto = 6% ao mês
Assim, teremos em termos gráficos que:
Descontos 35

0 93
d = 6% ao mês

P=? S = 300000

E sua resolução é dada por:


93
D  300000 x0,06 x  55800
30
onde o prazo é dividido por 30 (ou seja, passa a ser definido em meses) dado que a
taxa é mensal.
P  300000  55800  $244200 que é o valor que a empresa recebe na operação.
A taxa efetiva desse financiamento é
S 300000
1 1
i P  244200  0,0737  7,37%
n 93
30
Muitas vezes, clientes comerciais de instituições financeiras levam uma série de
títulos para desconto, os quais são descontados simultaneamente. Além disso, caso
os valores dos títulos sejam iguais e se os prazos de vencimentos dos mesmos
acontecerem com uma dada frequência, podemos então lançar mão das fórmulas
apresentadas abaixo, desenvolvidas a partir do raciocínio do exemplo a seguir.

Exemplo 20: Uma empresa desconta 4 títulos no valor de $90.000 cada um, com
vencimento em 15, 30, 45 e 60 dias, respectivamente. Sabendo-se que a taxa de
desconto cobrada pelo banco é de 2,50% ao mês, calcular o valor do desconto total
e o valor líquido obtido pela empresa.

0 15 30 45 60

90.000 90.000 90.000 90.000

Dados:

S = 90.000
d = 2,50% ao mês
Descontos 36

N = 4 títulos
Obs: os títulos são vencíveis a cada 15 dias, sendo que o primeiro deles vence em
15 dias.

A fórmula de desconto apresentada anteriormente pode ser aplicada a cada título


individualmente, resultando em:
Dt  desconto total
0,025 0,025 0,025 0,025
Dt  90.000   15  90.000   30  90.000   45  90.000   60
30 30 30 30
0,025
Colocando em evidência os termos 90.000  que se repetem em todos as
30
parcelas, teremos:

 15  30  45  60
0,025
Dt  90.000 
30
Como os termos dentro dos parênteses estão em progressão aritmética, estes
podem ser somados através da fórmula para a Soma dos Termos em Progressão
Aritmética (STPA), dada por:
N  T1  Tn 
S TPA 
2
onde N é o número de termos; T1 é o prazo de ocorrência do 1o termo e; Tn é o
prazo de ocorrência do último termo. Aplicando esta nova equação na fórmula para
DT, teremos:
0,025 4  15  60
DT  90.000    11.250 , que é o desconto total relativo aos 4 títulos
30 2
entregues à instituição financeira. Por fim, é intuitiva a fórmula abaixo, que coloca
que:
S  N  PT  DT
Assim,
90.000  4  PT  11.250 , e
PT  90.000  4  11.250  $348.750 , que é o valor líquido recebido pela empresa.

Exemplo 21: A empresa JB leva 5 duplicatas de mesmo valor para desconto em um


banco. À par de uma taxa de desconto de 2,25% ao mês e sabendo-se que os
títulos são vencíveis de 30 em 30 dias, com o 1o a vencer em 14 dias, pergunta-se:
qual o valor de cada título, sabendo-se que o valor creditado à empresa foi de
$320.600. (Desconto simples)
PT = 320.600
Tendo-se que:
S=?
Descontos 37

PT = 320.600
d = 2,25% ao mês

0 14 44 74 104 134

S S S S S

N  T1  Tn 
DT  S  d 
2
0,0225 5  14  134
DT  S    DT  S  0,2775
30 2
Ademais, S  N  PT  DT  S  5  320.600  S  0,2775  S  5  S  0,2775  320.600

S  5  0,2775  320.600  S  4,7225  320.600  S 


320.600
 $67.887,77
4,7225
que é o valor de cada um dos 5 títulos levados a desconto.

6.1.3. Desconto racional composto


A única diferença do desconto racional composto em relação ao desconto racional
simples diz respeito ao regime de juros utilizado, o princípio é o mesmo.
Também chamado de desconto financeiro (Df), porque o valor é determinado
multiplicando-se o valor nominal pela taxa de juros composta antecipada.

S  P  Df ; Df  S  P; S
ln  
n  
P
S  P(1  d ) n
ln 1  d 

Df  S 1 
1 
n
 
; Df  P  1  d   1
n

 1  d  

Exemplo 22: Qual o valor do desconto racional composto de um título de $


10.000,00 descontado três meses antes do vencimento a taxa de 2,8% a.m.
S=10000; n=3; d=2,8%; Df=?
 1 
Df  100001  3
 795,07
 1  0,028 
Como se trata de juros compostos pode-se utilizar a HP-12c para encontrar o valor
presente, e depois calcular o valor do desconto, fazendo a diferença entre o valor
futuro (FV) e o valor presente (PV).
Descontos 38

Entrada 3 2.8 0 10000


n i PV PMT FV
Saída -9204.93

Depois de ter o resultado no visor da calculadora (ou de pressionar as teclas RCL


PV) podemos recuperar o valor futuro com RCL FV, e pressionar o operador + para
ter o resultado desejado [ 795.0665 ].

Exemplo 23: Um título com valor nominal de $ 2500,00 foi descontado antes do
vencimento, tendo o detentor desse titulo recebido $ 1975,00. Considerando uma
taxa de 22% a.a., determine o período de antecipação (juros compostos).
S=2500; P= 1975; i=22%; n=?
S  2500 
ln   ln  
n  P
  1975 
 1,1854 anos  1 ano e 2 meses e 7 dias
ln 1  d  ln 1  0,22

Utilizando a HP-12c

Entrada 22 -1975 0 2500


n i PV PMT FV
Saída 2

Depois de inserir as informações e pedir para calcular o número de períodos, alguns


modelos poderão gerar um erro ou mostrar o número arredondado ao próximo
inteiro.
Uma solução, para alguns modelos da HP-12c, é inserir uma taxa de juros com uma
maior frequência de capitalização. Por exemplo, podemos inserir a taxa efetiva diária
i=(1+0,22)^(1/360)-1 = 0,055252% e pedir para calcular n, nesse caso a resposta
correta será 427 dias.

Exemplo 24: Um capital de $20000 aplicado em 11/02/2010 a juros efetivos de


2,25% a.m. rendeu $580 em um determinado prazo. Determinar o prazo e a data de
resgate da aplicação considerando ano civil.
P = 20000; J = 580; i = 2,25%; n = ?; resgate = ?
Taxa de juros efetiva diária i=(1+0,0225)^(1/30)-1=0,0741%a.d.
S = P + J = 20000 + 580 = 20580
Descontos 39

Utilizando a HP-12c

Entrada 0,0741 -20000 0 20580


n i PV PMT FV
Saída 39

A data de resgate pode ser estimada usando as funções de calendário da


calculadora:
f CLEAR FIN
g D.MY (prepara para entrada de datas dia/mês/ano)
11.022010 ENTER (entra a data inicial)
39 g DATE (entrar o número de dias e pedir para calcular a data final)
[ 22,03,2010 1 ] (o vencimento foi o 22 de março de 2010, segunda feira).

6.2. Exercícios sobre descontos


1) Paulo, ao resgatar um Título com valor nominal de $ 80.000,00 sob o critério de
desconto racional simples, desembolsou a quantia de $ 72.000,00.
Considerando que a operação foi efetuada com base em uma taxa de 13% a.a.,
calcule o período de antecipação.
2) Qual o valor a ser pago hoje por uma Duplicata de $ 7.000,00, com vencimento
para 60 dias, se for descontada sob o critério de desconto racional simples, a
uma taxa de 2,4% a.m.?
3) Por um Título com valor nominal de $ 2.200,00, com vencimento para 16 de
outubro, Manuel obteve o valor de $ 2.110,00, em 1º de setembro do mesmo
ano. Qual foi a taxa mensal de desconto racional simples utilizada pelo banco?
4) Um título a vencer em 150 dias, no valor de $ 15.000,00 foi descontado por $
13.400,00. Calcular a taxa anual de desconto comercial simples e a taxa efetiva
de desconto.
5) O valor de certo Título no vencimento é de $ 125.000,00. O detentor do mesmo,
desejando saldar algumas dívidas, resolveu antecipá-lo, recebendo um valor de
$ 102.000,00, sendo utilizada, para tanto, uma taxa de desconto racional
composto de 2,5% a.m. Qual foi o período de antecipação?
6) Carlos Alberto deseja antecipar o pagamento de um empréstimo no valor de $
25.000,00, que vencerá daqui a 6 meses, tendo negociado com o credor o
pagamento de $ 22.635,00 para liquidar a dívida. Qual foi a taxa de desconto
racional composto acordada nessa operação?
7) Calcule o valor nominal de um Título cujo valor do desconto racional composto
foi de $ 854,00, antecipação de 3 meses e taxa de juros de 3% a.m.?
8) Um capital aplicado a juros efetivos de 13% a.a. durante 3 anos e 9 meses
resultou em um montante de $10000. Determinar o valor do capital.
Descontos 40

9) Um Título cujo valor nominal era de $ 25.000,00 foi antecipado em 4 meses,


utilizando-se uma taxa de desconto racional composta de 3,5% a.m. Pergunta-
se: qual o valor líquido que foi recebido pelo dono do Título?
Séries de pagamentos 41

7. Séries de Pagamentos
7.1. Primeiras considerações
As rendas certas ou também chamadas séries periódicas uniformes podem ser
divididas em: séries postecipadas, onde os pagamentos ocorrem no fim de cada
período; séries antecipadas, onde os pagamentos são feitos no inicio de cada
período; e séries diferidas, porque têm período de carência onde não há
pagamentos.
As linhas de tempo abaixo ilustram o conceito de séries de pagamentos, o qual deve
ser entendido como uma distribuição de entradas e saídas de recursos de
aplicações/financiamentos ao longo do tempo.

a) 0 1 2 3 4 5 6 7

-800 1.300 580 -730 760 980 -1.500 1.980

b) 0 1 2 3 4 5 6 7

-3.940 645 645 645 645 645 645 645

Exemplo 25: O primeiro exemplo (a) poderia ser o fluxo de caixa líquido de uma
empresa, com valores positivos e negativos se sucedendo no tempo. Já o segundo
exemplo (b) tem as características de um financiamento concedido por uma
instituição bancária, a qual concede empréstimo de $3.940, na expectativa de
receber $645 líquidos por mês.

Há ainda a se considerar os conceitos de “termos vencidos e antecipados”, os quais


são explicitados com os exemplos abaixo.

c) 0 1 2 3 4 5

-3.500 750 750 750 750 750

Neste exemplo, uma empresa poderia estar sendo creditada em $3.500, ao mesmo
tempo em que se obriga ao pagamento de 5 prestações mensais de $750, cada uma
delas ao final do mês (daí o termo “vencido”).
Séries de pagamentos 42

d) 0 1 2 3 4 5

733 733 733 733 733


-3.500

O tipo de operação expresso pela linha de tempo acima é comum no comércio


varejista, no qual as prestações são pagas no início de cada período, “inclusive” a
primeira. Em outros termos, as prestações são pagas antecipadamente em cada
período, de onde surge o nome de “termos antecipados”.
As fórmulas de valor presente e futuro de cada uma dessas séries serão mostradas
junto com o desenvolvimento de exemplos.

7.2. Termos vencidos


Nosso próximo passo é o de levantarmos uma fórmula geral para cálculo de
prestações em termos vencidos e, para isto, temos o seguinte exemplo:
Exemplo 26: um investidor que deseja saber quanto terá (montante) ao final de 4
meses se fizer aplicações mensais, iguais e consecutivas de $500, à taxa de juros
de 1,50%. Ainda mais, a situação de termos vencidos se efetiva pelo fato de que o
mesmo fará sua aplicação em 30 dias.

0 1 2 3 4

500 500 500 500

500 x (1 + 0,015)3

500 x (1 + 0,015)2

500 x (1 + 0,015)1

500 x ( 1+ 0,015)0

Claro está que poderíamos soma as quatro parcelas e obter o resultado desejado (=
$2.045,45), porém, isto se daria de modo tedioso e pouco prático. Aliás, imaginem
Séries de pagamentos 43

se fosse pedido o valor futuro de 24 parcelas! No entanto, podemos definir uma


equação geral para cálculo deste tipo de valor, o que faremos a seguir.

7.2.1. Valor futuro em termos vencidos


Conforme se recorda, a fórmula principal da matemática financeira é dada por:

S  P  1  i 
n

com a qual podemos encontrar o valor futuro como a soma das quatro parcelas
mensais do problema, ou seja:
S  [500  1  0,015 ]  [500  1  0,015 ]  [500  1  0,015 ]  [500  1  0,015 ]
3 2 1 0

que pode ser desenvolvida para:


S  500  1,0150   500  1,0151   500  1,0152   500  1,0153 
com o valor de 500 se repetindo em todos os termos, levando-nos a colocá-lo em
evidência:
S  500  1,0150  1,0151  1,0152  1,0153 
Nosso próximo passo é o de somar os termos entre parênteses, o qual está em
progressão geométrica. Para isto, lançamos mão da fórmula para soma de termos
em progressão geométrica, qual seja:
a1  q n  a1
S tpg 
q 1
sendo,
a1 = o primeiro termo entre parênteses, ou 1,015 0 ;
n = o número de termos (as aplicações mensais do investidor);
q = a razão de variação, igual a 1,015. Aliás, este valor multiplica o saldo obtido a
cada final de mês.
A aplicação desta equação aos dados do problema resulta em:
1,015 0  1,015 4  1,015 0
S  500 
1,015  1
como qualquer número elevado a zero é igual a 1, segue-se daí que:
1,015 4  1
S  500   $2.045,45
0,015
Por fim, substituímos os valores pelos literais definidos no começo deste texto para
obtermos:

R.[1  i   1]
n
S , lembrando que R é o valor da prestação.
i
Séries de pagamentos 44

Exemplo 27: Uma pessoa decide aplicar $1.500 por mês, durante 2 anos. Sabendo-
se que a taxa de juros média mensal é de 1,20%, qual o montante esperado ao final
deste período?

0 1 2 24

1.500 1.500 1.500

1500  [1  0,012  1]


24
S  $41.434,10
0,012
Com a HP-12c
g END (fluxos são ao final do período, postecipados, ou vencidos)
f CLEAR FIN (limpar as memórias)
24 n
1.20 i
1500 CHS PMT
FV [ 41434.10 ]

Entrada 24 1.20 0 -1500


n i PV PMT FV
Saída 41434.1

Exemplo 28: Caso a pessoa do exemplo anterior devesse fazer sua primeira
aplicação apenas ao final de 60 dias, de quanto seria seu montante ao final das 24
aplicações mensais?

0 1 2 3 25

1.500 1.500 1.500

1500  [1  0,012  1]


24
S  $41.434,10
0,012
Séries de pagamentos 45

7.2.2. Prestações e valores futuros


Neste tópico, estamos diante de situação inversa àquela do item anterior, quando
tínhamos que calcular o montante a partir do valor dado de uma prestação. Aqui,
temos o contrário, pois desejamos levantar a prestação a partir do valor futuro. Por
exemplo, alguém deseja comprar um ativo no valor de $30.000 e, para tanto, quer
saber quanto deve aplicar durante 12 meses para alcançar aquele valor. Neste
sentido, nosso primeiro passo é o de relembrar a fórmula de valor futuro:

R.[1  i   1]
n
S
i
da qual pode ser obtida fórmula desejada apenas com um simples giro no eixo da
mesma:
S i
R
1  i n  1

Exemplo 29: Uma empresa planeja um investimento de $45.000 para o final de 10


meses, pretendendo aplicar parcelas mensais à taxa de juros de 1,25% ao mês.
Sabendo-se que a primeira aplicação se dará em 30 dias, qual o valor desta
aplicação mensal?

0 1 2 10

R R R
S = 45.000

45000  0,0125
R  $4.252,64
1,012510  1
Na HP-12c
g END (fluxos são ao final do período, postecipados, ou vencidos)
f CLEAR FIN (limpar as memórias)

Entrada 10 1.25 0 30000


n i PV PMT FV
Saída -4252.64
Séries de pagamentos 46

Exemplo 30: Uma empresa deseja se preparar para uma dívida de $125.000 ao
final de 15 meses e para isso pretende fazer aplicações mensais, iguais e
consecutivas começando ao final do final do 2o mês. Sendo de 1,25% a taxa de juros
mensal esperada, pergunta-se o valor da prestação mensal.

0 1 2 3 4 15

R R R R
S = 125.000
125000  0,0125
R  $8.225,64
1,012514  1

Valor este que garante a obtenção dos $125.000 desejados para o final dos 15
meses. Além disso, chamamos atenção para o fato de que não importa o fato de que
a primeira prestação se dá ao final de 2 meses para efetivar o cálculo. Neste sentido,
basta saber que o valor futuro “cai” junto com a última prestação.

7.2.3. Valor presente de uma série de valores


Alguns exemplos de tipos de operações que deste item seriam:
a) renegociações bancárias, quando é necessário saber o saldo de dívidas;
b) negociação de prestações menores ou maiores em planos de pagamentos;
c) cálculo de valor à vista de um ativo para o qual foi apresentado um plano de
prestações.

Enfim, precisamos de uma fórmula de valor presente e a dedução desta começa


com a re-apresentação daquelas duas definições para S , de que já dispomos:

R.[1  i   1]
n

S  P  1  i  S
n

i
Naturalmente, o fato de ambas estarem definidas para S nos permite igualar as
expressões e obter:
R[1  i   1] R[1  i   1]
n n
P  1  i   P
n

i 1  i n  i
que se constitui na fórmula geral de cálculo de valores presentes em termos
vencidos. Vejamos os exemplos seguintes para entendermos suas especificidades.
Séries de pagamentos 47

Exemplo 31: Uma torno de comando numérico é oferecido em 36 parcelas mensais


de $8.500, sendo a primeira em 30 dias e com uma taxa de juros internalizada nas
prestações de 2,25% ao mês. Caso a empresa adquirente desejasse fazer o
pagamento à vista, qual seria o valor a ser pago?

0 1 2 36

P= ? 8.500 8.500 8.500

P
 
8500  1,022536  1
 $208.204,66
1,022536  0,0225
Os $208.204,66, enquanto valor presente das 36 parcelas de $8.500, representa a
soma que seria indiferente tanto para o vendedor como para o comprador de ser
feita à vista ou no prazo estipulado. Além disso, temos o ponto fundamental de que
P (valor presente) “cai” um período antes da primeira prestação.

Entrada 36 2.25 -8500 0


n i PV PMT FV
Saída 208204.66

Exemplo 32: No mesmo caso anterior, digamos que a empresa vendedora oferece o
atrativo do pagamento da primeira das 36 parcelas em 60 dias. Neste caso de
carência para pagamento, qual seria o valor à vista do veículo?

0 1 2 3 37

P=? P1 = ? 8.500 8.500 8.500

Neste caso, a aplicação da fórmula para P leva ao valor presente no tempo 1 e,


portanto, devemos “trazer” (ou descontar) este valor para o tempo 0. Vejamos:

P1 
 
8500  1,022536  1
 208.204,66  P
208204,66
 $203.623,14
1,022536  0,0225 1,02251
Que seria o novo valor à vista, caso a empresa concedesse este tipo de incentivo.
Séries de pagamentos 48

7.2.4. Prestações e valores presentes


Esta é a função mais utilizada da matemática financeira, com literalmente milhares
de operações ocorrendo ao redor do mundo a cada dia, em instituições financeiras,
industriais e comerciais. Quanto a sua fórmula de cálculo, ela resulta apenas de um
giro em torno do eixo da equação definida para P, a qual relembramos abaixo:

R  [1  i   1] P  1  i   i
n n
P  R
1  i n  i 1  i n  1

Exemplo 33: Qual o valor da prestação mensal a ser paga por uma empresa que
demanda um empréstimo de $55.500 junto a uma instituição financeira, a ser pago
em 24 prestações mensais, à taxa de juros de 2,75% ao mês.

0 1 2 3 24

P = 55.500 R R R R

55500  1,0275 24  0,0275


R  $3.189,51
1,0275 24  1

Exemplo 34: Qual seria o valor da prestação caso a primeira das 24 parcelas se
desse ao final de 3 meses?

0 1 2 3 26

P = 55.500 P2 = ? R R

A linha de tempo acima revela que o valor presente para o cálculo da prestação
deve estar localizado um período antes da primeira prestação, o que quer dizer que
o valor à vista deve ser “levado” (capitalizado) para o tempo 2. Vejamos:
58594,47  1,0275 24  0,0275
P2  55500  1,0275 2  58.594,47  R  $3.367,34
1,0275 24  1
Séries de pagamentos 49

Os exemplos acima devem ter deixado claro a necessidade de que P (valor


presente) esteja sempre um período antes da primeira prestação para que se
caracterize uma operação em termos vencidos. Caso isto não ocorra, é forçoso fazer
uso da fórmula de capitalização composta para atendermos esta restrição. Aliás, o
exemplo acima trabalha de novo com este conceito, agora com prazo fracionário.

Exemplo 35: Uma rede de varejo permite o pagamento da primeira prestação em 45


dias quando de vendas a prazo. Assim sendo, qual o valor de cada uma das 4
parcelas mensais de um equipamento de valor à vista de $1.450, o qual é vendido à
taxa de juros de 2,45% ao mês?

0 15 45 75 105 135

P = 1.450 P1 R R R R

Como exposto pela linha de tempo, P deve estar localizado um período antes da
primeira prestação, ou seja, no 15o dia. Após levantarmos este valor, podemos
aplicar a fórmula para R e obtermos o resultado desejado.
15 1467,66  1,0245 4  0,0245
P15dia  1450  1,0245 30
 1467,66  R  $389,66
1,0245 4  1

7.3. Termos antecipados


Os termos antecipados ocorrem quando valores são pagos ou recebidos no início de
cada período. Começando pela determinação da fórmula de valor futuro e
seqüenciando o desenvolvimento como no item anterior, podemos ver as
características básicas de valores em termos antecipados.
Uma simples inspeção da figura abaixo revela que em termos antecipados, a
entrada ou saída dos valores relativos às prestações se dá no início de cada
período, e com o valor futuro ( S ) “caindo” um período após a última prestação.
Ademais, será realçado que em termos antecipados, o valor presente “cai” junto com
a primeira prestação, o que nos leva a quatro situações distintas quando juntamos
as operações em termos vencidos. Neste sentido, o quadro a seguir apresenta as
diferenças quanto ao período de ocorrência de P e de S , quando de operações em
termos vencidos e antecipados.
Séries de pagamentos 50

0 1 2 3 4 5

R R R R R S

Quadro 4: Valor presente e futuro com termos antecipados e vencidos


Termos Antecipados Termos Vencidos
Valor Presente P  Junto com a 1 prestação.
a
Um período antes da 1a
prestação.
Valor Futuro S  Um período após a última Junto com a última prestação.
prestação.

7.3.1. Valor futuro em termos antecipados

As deduções das fórmulas para termos antecipados são feitas com os mesmos
valores utilizados para aquelas em termos vencidos, o que fazemos com a intenção
de contrastar os dois procedimentos. Assim sendo, começamos com o caso de um
investidor que deseja saber quanto terá ao final de 4 meses se aplicar $500 por mês,
à taxa de 1,5% ao mês, com a primeira aplicação se dando hoje.
A partir da ilustração a seguir, a soma dos quatro termos será:
S  500  1,0154   500  1,0153   500  1,0152   500  1,0151 
que pode ser desenvolvida para:
S  500  1,0151  1,015 2  1,0153  1,0154 
Claro está que devemos aplicar a fórmula para soma de termos em progressão
geométrica para os termos em parênteses, qual seja:
a1  q n  a1
S tpg 
q 1
lembrando que a1 é o primeiro termo, q a razão de variação e n o número de termos.
Daí:
Séries de pagamentos 51

0 1 2 3 4

500 500 500 500 S

500 x (1 + 0,015)4

500 x (1 + 0,015)3

500 x (1 + 0,015)2

500 x ( 1+ 0,015)1

S  500 
1,0151  1,015 4  1,0151
 S  500 

1,015  1,015 4  1 
 $2.076,13
1,015  1 0,015
Por fim, a fórmula para valores futuros em termos antecipados é obtida apenas com
a troca dos números por literais.

R  1  i   [1  i   1]
n
S
i
A realçar, a fórmula acima diverge daquela para termos vencidos pelo fator 1  i ,
cuja presença se deve ao fato de que a saída ou entrada das prestações se dar no
início de cada período de capitalização.

Exemplo 36: Um investidor decide aplicar $1.500 por mês durante os próximos 24
meses do próximo governo, a uma taxa de juros mensal esperada de 1,20%. Sendo
que sua prestação aplicação se dará hoje, quanto ele terá ao final do período
acima?

0 1 2 3 23 24

1.500 1.500 1.500 1.500 1.500 S


Séries de pagamentos 52

S

1500  1,0120  1,0120 24  1 
 $41.931,31
0,0120
Na HP-12c
g BEG (fluxos são ao início do período ou antecipados)
f CLEAR FIN (limpar as memórias)

Entrada 24 1.20 0 -1500


n i PV PMT FV
Saída 41931.31

Exemplo 37: Uma empresa planeja aplicar 24 parcelas mensais de $15.500, a uma
taxa média mensal de juros de 1,10%. Sendo que a primeira aplicação será feita
apenas ao final do 3o mês, pergunta-se qual o montante a ser obtido um mês após a
aplicação da 24a parcela?

0 1 2 3 26 27

15.500 15.500 S

S

15500  1,0110  1,0110 24  1 
 $427.737,14
0,0110
Realçamos que a ênfase deste exercício se dá sobre o aspecto de que em termos
antecipados, o valor futuro “cai” um período após a última prestação, ou seja, no
tempo 27.

7.3.2. Prestação em conjunto com valores futuros

Neste item, buscamos valores de prestações a partir de valores futuros conhecidos.


Assim sendo, a fórmula de cálculo nestas situações resulta apenas de giro sobre a
fórmula para S , ou seja:

R  1  i   [1  i   1]
n
S S i
 R
i 1  i   [1  i n  1]

Exemplo 38: Uma empresa deseja acumular $105.000 para compra de


equipamentos especiais ao final de 18 meses. Para tanto, ela se dispõe a fazer 18
Séries de pagamentos 53

aplicações mensais a partir de hoje, a uma taxa de juros mensal média de 1,15%. A
partir destes dados, responda de quanto deverá ser o valor destas?

0 1 2 17 18

R R R R S = 105.000

105000  0,0115
R  $5.223,68

1,0115  1,011518  1 

Este é o valor da prestação que irá compor os $105.000 e enfatizamos que a última
prestação se dá um mês (período) antes da ocorrência S .

Exemplo 39: Um equipamento no valor de $95.600 está a venda para pagamento


simples ao final de 12 meses. Entretanto, possíveis compradores podem financiá-lo
em 7 parcelas mensais, sendo que a primeira destas é devida ao final do 5o mês.
Qual o valor da prestação, sabendo-se que a taxa de juros mensal da operação é de
2,25%?

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

R R R R R R R

S = 95.600

R

95600  1,0225  1,0225 7  1 
 $12.481,78
0,0225

Novamente, verifiquem que a definição de termos antecipados fica atendida pelo


fato de que a última prestação “cai” um mês antes do montante, S .

7.3.3. Valor presente em termos antecipados

Este item é importante em operações no comércio varejista, em que a primeira


prestação é paga à vista. Quanto a sua fórmula, procedemos de forma similar ao
Séries de pagamentos 54

efetuado em termos vencidos (item 6.3), juntando as fórmulas já desenvolvidas para


o montante, S . São elas:

R  1  i   [1  i   1]
n

S  P  1  i  S
n
e
i
Igualando-as, obtemos:

R  1  i   [1  i   1]
n
P  1  i  
n

i
e resolvendo para P :
R  1  i   [1  i   1]
n
P
1  i n  i

Exemplo 40: Um veículo está sendo oferecido em 36 prestações mensais, iguais e


consecutivas de $2.150, as quais internalizam a taxa de juros mensal de 1,75%.
Sabendo-se que a primeira prestação já é devida à vista, qual o valor também à vista
do veículo?

0 1 2 3 35 36

2.150 2.150 2.150 2.150 2.150


P=?

P

2150  1,0175  1,017536  1 
 $58.065,59

1,017536  0,0175 
A observação a ser feita aqui é que o valor presente (hoje) de $58.065,59 “cai” junto
com a primeira prestação, como é o caso de termos antecipados.

Exemplo 41: Se o veículo acima fosse oferecido nas mesmas condições, exceto
que a primeira parcela se daria em 60 dias, ainda seria possível levantar o valor à
vista usando fórmulas de termos antecipados? Em caso afirmativo, qual seria este
valor?

A resposta é sim e a linha de tempo de tempo abaixo revela a nova situação.


Naturalmente, este é um problema a ser resolvido em duas etapas, com o cálculo
inicial de P2 (o valor presente no tempo 2) e, após, o cálculo de P (valor à vista).
Assim:
Séries de pagamentos 55

0 1 2 3 36 37 38

P=? 2.150 2.150 2.150 2.150


P2 = ?

P2 

2150  1,0175  1,017536  1
 58.065,59

1,017536  0,0175
que é o valor ao final do 2o mês e que deve ser descontado para o tempo 0, de
modo a termos o valor à vista:
58.065,59
P  $56.085,42
1,0175 2
Enfim, enfatizamos que em termos antecipados, o valor presente, P, “cai” junto com
a primeira prestação.

7.3.4. Prestações e valores presentes


Este último ponto de séries de pagamentos tem aplicação extremamente freqüente
no comércio varejista, sendo muito comum estabelecerem-se planos de pagamentos
nos quais a primeira prestação já é paga à vista. Quanto à fórmula de cálculo,
procedemos como em termos vencidos, ou seja, com um giro no eixo da equação
para P (valor presente). Vejamos:
R  1  i   [1  i   1] P  1  i   i
n n
P  R
1  i n  i 1  i   [1  i n  1]
Outro detalhe importante de prestações em termos antecipados é sua fórmula de
cálculo se presta bastante bem a resolver problemas com prazos de carência
incomuns, em casos onde o primeiro pagamento se dá em questão de poucos dias.
Tais casos são tratados nos dois últimos exemplos a seguir.

Exemplo 42: Um equipamento de valor à vista de $22.750 é vendido em 4


prestações mensais, à taxa de 2,50% ao mês e com a primeira parcela também à
vista. Á par destes dados, qual o valor da prestação mensal?

0 1 2 3 4

R R R R
P = 22.750
Séries de pagamentos 56

22750  1,0250 4  0,0250


R  $5.899,86 ; que é o valor a ser pago mensalmente.

1,025  1,0250 4  1 

Exemplo 43: E qual seria a parcela mensal caso a empresa permitisse o primeiro
pagamento em 10 dias?

0 100 1 400 2 700 3 1000 4

R R R R
P = 22.750

A resolução deste problema se dá em duas partes, sendo que a primeira é a do


cálculo do valor presente no 10o dia, no qual é pago a primeira prestação. Assim
sendo:
10
P10dia  22750  1,0250 30  22.938,03 ; valor este que internaliza 10 dias de juros,
calculados sobre a taxa mensal de 2,50%.
Já a segunda parte do cálculo é a da prestação em si, que se dá conforme abaixo:
22938,03  1,0250 4  0,0250
R  $5.948,62

1,0250  1,0250 4  1 
Enfim, o uso da fórmula de prestação em termos antecipados eliminou a
complicação trazida pelo primeiro pagamento em 10 dias.

7.4. Exercícios com séries de pagamentos


1) Uma construtora diz financiar suas vendas a juros de 2,90% a.m. O
financiamento é em 12 prestações mensais: 2,90%x12 = 34,8%. Se o valor
financiado for $24000, então o cliente deverá pagar VF= 24000x(1+0,348) =
32352. Como o cliente irá pagar em 12 prestações, então pagará R = 32352/12
= 2696. O cliente irá pagar 12 prestações mensais de $2696 para um
financiamento de $24000. A taxa de juros é na verdade 2,9% a.m.?
2) Uma TV cujo preço a vista é de $4500 será pago em oito prestações mensais
iguais pagas ao fim de cada mês. Considerando que o juro composto cobrado é
de 2,5% a.m., calcular o valor das prestações.
3) No exercício anterior, para a TV de $4500, considere que no ato da compra foi
paga uma entrada de 20% juntamente com a primeira prestação (prestações
antecipadas), calcular o valor das prestações.
Equivalência de fluxos de caixa 57

8. Equivalência de Fluxos de Caixa

Dois capitais ou fluxos de caixa são equivalentes quando têm o mesmo valor em
uma determinada data de avaliação (data focal). As características são diferentes
para fluxos a juros simples e fluxos a juros compostos.

8.1. Equivalência de capitais ou fluxos a juros simples


Se dois fluxos têm o mesmo valor em determinada data focal, então são
equivalentes nessa data. Quando se muda a data focal, a equivalência dos capitais
não se mantém; ou seja, a juros simples, capitais ou fluxos equivalentes em
determinada época não o serão em outra. Tal resultado é produto do processo de
cálculo adotado no regime linear ou de juros simples, em que não se pode fracionar
o prazo de aplicação.

Exemplo 44: O diagrama de fluxo a seguir ilustra a equivalência, na data focal 3, a


juros simples de 12,5% de dois capitais, um de $3500 que ocorre na data 5 e outro
de $2448,89 que ocorre na data 2.

3500/(1+0,125x2) 3500
= 2800
2448,89 2448,89(1+0,125x1)

0 1 2 3 4 5
Na data 3 o valor futuro de 2448,89 e o valor presente de 3500, considerando juros
simples de 12,5% por período, são ambos iguais a 2800. Nessa data os fluxos são
equivalentes.

Exemplo 45: Uma empresa tem os seguintes compromissos a pagar: $1900 daqui a
três meses e $2150 daqui a seis meses. Ela quer trocar esses débitos por dois
pagamentos iguais, um para 12 meses e outro para 15 meses (rolar a dívida).
Calcular o valor desses pagamentos considerando uma taxa de juros simples de
10,8% a.a.
O diagrama seguinte ilustra o problema da empresa. Os dois esquemas de
pagamentos serão financeiramente equivalentes na data zero, de outra forma o
credor não aceitaria a troca de montantes e de datas de pagamento. Ou seja, a
soma do valor presente da dívida atual deve ser igual ao valor presente da dívida
renegociada.
A taxa de juros é 10,8%/12 = 0,9% a.m.
O valor presente da dívida é
P = 1900/(1+0,009x3) + 2150/(1+0,009x6) = 3889,8969
O valor presente da dívida refinanciada deve ser igual ao mesmo valor, ou seja:
Equivalência de fluxos de caixa 58

P = R/(1+0,009x12) + R/(1+0,009x15) = Rx[1/1,108 + 1/1,135]


Logo, R = P/[1/1,108 + 1/1,135] = 3889,8969/1,783584 = 2180,94

R R
2150
1900
0 3 6 9 12 15

8.2. Equivalência de capitais ou fluxos a juros compostos


Quando se considera juros compostos, a determinação da data focal deixa de ser
importante, pois se pode utilizar qualquer data focal porque o resultado da operação
será do mesmo valor.

Exemplo 46: Um Notebook custa $ 1.800,00 à vista. Caso você queira adquirir esse
bem a prazo, para pagamento em cinco vezes iguais, vencendo o primeiro um mês
após a compra, qual será o valor dos pagamentos se for considerado o critério de
desconto racional composto e taxa de 2,8% ao mês?

X X X X X

0 1 2 3 4 5
1800

X X X X X
1800     
1  0,028 1  0,028 1  0,028 1  0,028 1  0,0285
1 2 3 4

1800
X  390,80
4.605977

8.3. Exercícios sobre equivalência de fluxos


1) Uma pessoa deve pagar $300 daqui a três meses e $ 560 daqui a sete meses. A
juros simples de 15% a.a., determinar o valor de um pagamento único a ser
efetuado daqui a quatro meses que liquide a dívida. R. 844,30.
2) Uma empresa contratou dois financiamentos com uma entidade financeira.
Recebeu emprestado $2000 para ser pago em 4 meses com juros simples de
5% a.m. O segundo financiamento, foi feito dois meses após o primeiro, por um
valor de $2500 com taxa de 7% a.m. com prazo de 5 meses. Estamos
exatamente a um mês antes do vencimento da primeira dívida e a empresa
estima que não vai ter caixa para realizar esse pagamento, mas receberá
Equivalência de fluxos de caixa 59

dinheiro de seus clientes depois de 5 e 9 meses. Além disso, a empresa estima


que as taxas de juros diminuam nos próximos meses para 6% a.m. Determine os
dois pagamentos iguais que a empresa poderia propor, como alternativa de
refinanciamento das duas dívidas, ao banco credor. R. 3514,76.
3) Duas dívidas, a primeira no valor de $ 5.500,00 com vencimento para hoje, e
uma segunda, com o valor de $ 8.000,00 com vencimento para dois meses
estão sendo negociadas por duas outras dívidas. A primeira no valor de $
6.500,00 com vencimento para quatro meses e a segunda para ser paga a seis
meses. Considerando o critério de desconto comercial simples, e data focal três
e taxa de 3% ao mês, calcule o valor do segundo pagamento.
4) Calcular o valor presente do conjunto de capitais apresentado a seguir e verificar
se a juros compostos de 10% eles são equivalentes.
Capital Mês de vencimento
2000 1
2200 2
2410 3
2662 4
5) TRATEC tem uma dívida a cobrar com as seguintes condições de pagamento:
$3200 vencíveis o próximo mês e $5000 vencíveis daqui a 5 meses. O devedor
propõe a renegociação da dívida nas seguintes condições: $3800 daqui a quatro
meses, $4200 daí a três meses e o restante 3 meses depois desse último
pagamento. Para uma taxa efetiva de juros de 42,58% a.a., calcular o saldo a
pagar utilizando juros compostos.
6) Uma dívida tem o seguinte esquema de pagamento: $3612,01 vencíveis em 4
meses a partir de hoje, $4000 vencíveis de hoje a 6 meses e $3000 vencíveis de
hoje a 8 meses. O devedor propõe ao credor refinanciar esta dívida mediante 4
pagamentos trimestrais, iguais e sucessivos, vencendo o primeiro de hoje a um
mês. Sendo de 28,33% a.a. a taxa efetiva do financiamento original e de 3%a.m.
a taxa de juros a considerar no refinanciamento, determinar o valor de cada
prestação.
Métodos de avaliação de fluxos de caixa 60

9. Métodos de Avaliação de Fluxos de Caixa


9.1. Métodos de análise
Uma vez determinado o fluxo de caixa esperado de um projeto, cabe aplicar os
métodos de avaliação com vista à aferição de viabilidade econômica do mesmo.
Neste aspecto, deteremo-nos sobre as metodologias abaixo, realçando que à
exceção do primeiro, todos os demais são métodos que se apegam a fluxos de caixa
descontados no tempo.

 Payback
 Valor Atual Líquido
 Taxa Interna de Retorno
 Taxa Interna de Retorno Modificada

Além disso, nossa análise básica se fará sobre o seguinte fluxo:


0 1 2 3 4 5

(18.000) 5.660 5.660 5.660 5.660 6.660

9.2. Payback (Tempo de retorno)

Este método nos diz o número de períodos requeridos para se recuperar a saída
inicial de caixa, sendo resultado apenas da relação entre o investimento inicial sobre
o fluxo de caixa por período. Por exemplo, no caso acima, teríamos:
$18.000
Payback   3,18 anos
$5.660
Naturalmente, surgiriam problemas de cálculo caso o fluxo de caixa não fosse
uniforme. Por exemplo, no próprio caso assinalado, o retorno dado pelo valor
residual da máquina nova ao final do 5o ano não foi considerado e nem teria como.
Entretanto, este não é nem de longe um grande problema com o método se
comparado, em primeiro lugar, à desconsideração que é feita sobre os fluxos de
caixa que ocorreriam após o período do Payback. Assim é que no exemplo acima,
deixa-se de considerar um montante de $11.300 de entradas.
Outro aspecto negativo do método refere-se à desconsideração da máxima de que o
“dinheiro tem valor no tempo”, dado a não consideração de uma taxa requerida de
retorno para expressar o custo de oportunidade de recursos nas análises para
aceitação ou rejeição de projetos.
Como observações finais, devemos lembrar que apesar destes seríssimos
problemas metodológicos, o método do Payback recebe relativa importância na
análise de investimentos. Mas, por quê? Talvez porque as administrações entendam
Métodos de avaliação de fluxos de caixa 61

tal método como uma aproximação ao risco dos projetos. Vale dizer, entende-se que
quanto maior o período de recuperação de investimentos, maior o risco inerente a
cada projeto. De qualquer forma, quando se deseja utilizar o Payback, que isto seja
feito como análise suplementar a outros métodos, buscando com ele apenas uma
abordagem superficial ao risco do negócio.

9.3. Taxa interna de retorno (TIR)

Este método se insere de fato dentre aqueles que lidam com fluxos de caixa
descontados, onde é tomado em conta tanto o aspecto do valor do dinheiro no
tempo, como a magnitude e o "timing" dos fluxos ao longo de toda a duração do
projeto. No que se refere à sua definição, a TIR é a taxa de desconto que zera a
diferença entre os valores presentes dos fluxos de entradas e de saídas de caixa de
projetos sob análise. Enfatizando, ela será a taxa que leva a zero a equação a
seguir:
n
FC t
 1  i 
t 0
t
0

onde,
FC t : o fluxo de caixa líquido (entradas menos saídas) relativo a cada período "t";
i : a taxa de desconto, que expressa o custo de oportunidade sobre recursos da
empresa;
n : número de períodos considerados ou a dimensão de vida do projeto.

Perfazendo o cálculo da TIR sobre os dados básicos, teremos a seguinte equação:

5.660 5.660 5.660 5.660 6.660


 18.000      0
 
1  i1 1  i 2 1  i 3 1  i 4 1  i 5

Perfazendo os cálculos por interpolação (exatamente como o faria uma planilha


eletrônica em computador), encontraríamos a taxa de 18,33% a.a. Com isto, se diz
que o projeto propiciaria um retorno sobre o investimento de exatos 18,33% ao ano.
Como critério de aceitação de propostas com base neste método, sua "regra de
ouro" seria verificar se: TIR > Taxa requerida de retorno.
Assim sendo, caso a empresa em apreço impusesse uma taxa de 12% ao ano como
o mínimo aceitável para aceitação de projetos, o projeto seria aceito sem problemas.
Entretanto, se tal exigência fosse de 20%, tal iniciativa seria rejeitada dado que o
projeto não estaria promovendo acréscimo de valor para a empresa.
Métodos de avaliação de fluxos de caixa 62

9.4. Valor presente líquido (VPL)


Da mesma forma que o método da TIR, este se constitui em método baseado em
fluxos de caixa descontados, sendo que tal desconto se dá pela inserção de uma
taxa requerida de retorno (TRR) ou mais usualmente taxa de desconto do projeto.
Vejamos:
n
FC t
VPL   0
t 0 1  i t
Com vista à aceitação de projetos, a pertinente "regra de ouro" fica sendo: VPL  0 .
Desta forma, um VPL maior do que zero implica em dizer, por exemplo, que o
projeto possibilita um retorno superior ao caso de aplicações no mercado financeiro,
onde se constata o retorno certo de uma taxa "i". Em outros termos, a base
geradora de riquezas da empresa se elevaria à par da aceitação do projeto em
questão.
Atendo-nos novamente ao nosso exemplo e impondo-se uma taxa mínima de
retorno da ordem de 12% a.a., teremos:
5.660 5.660 5.660 5.660 6.660
VPL  18.000       $2.970,46
1,121 1,12 2 1,12 3 1,12 4 1,12 5
o que nos capacita à aceitação do projeto.
Obviamente, um VPL  0 representaria um retorno aquém do nível demandado de
12% ao ano. Naturalmente, a aceitação de projetos nestas condições representaria
perda de valor por parte da empresa, na medida em que ela deixaria de ganhar mais
em aplicações alternativas.

9.5. O VPL versus a TIR

Pontos de convergência
Ambos os métodos proporcionam o mesmo "sinal" de aceitação ou de rejeição
quando de análises de propostas únicas. Com a Fig.1 abaixo, podemos visualizar a
relação que se estabelece entre ambos:
Neste exemplo hipotético, temos que a uma taxa de desconto zero, o VPL será tão
somente a diferença entre entradas e saídas ao longo da vida do projeto. Por outro
lado, à taxa de 18,33% ao ano, ainda aceitaríamos o projeto, visto que neste ponto o
VPL iguala-se a zero. Claro, qualquer outra taxa requerida de retorno que se
situasse entre 0 e 18,33% levaria à aceitação da proposta, enquanto que a taxas
superiores o projeto seria rejeitado.
Pontos de divergência
Situamos tais pontos nos aspectos de:
 Taxa de reinvestimento dos fluxos intermediários
 Taxas múltiplas de retorno
Métodos de avaliação de fluxos de caixa 63

Figura 1. VPL e TIR


VPL
($)
Taxa interna de retorno

Taxa de juros (i%)

Tal divergência na sinalização para aceitação ou rejeição de propostas de


investimentos ocorre quando da comparação de projetos mutuamente excludentes,
onde somente um será selecionado. Vejamos o exemplo a seguir:

FLUXO DE CAIXA
Ano 0 1 2 3 4
Proposta A -$23.616 $10.000 $10.000 $10.000 $10.000
Proposta B -$23.616 $0 $ 5.000 $10.000 $32.675

Procedendo aos cálculos do VPL e da TIR, a uma taxa requerida de retorno de 10%,
teremos:

Projeto A Projeto B
VPL $8.083 $10.347
TIR 25% 22%

Com isto, vemos um evidente conflito gerado da consideração simultânea dos dois
métodos, onde preferimos o Projeto A a partir do uso da TIR, enquanto o Projeto B é
o escolhido pelo método do VPL. Qual então a decisão mais sensata? Tal será o
Projeto B, visto que ele tomou em conta o custo de oportunidade da empresa,
representado por aplicações alternativas que poderiam lhe render até 10% ao ano. E
quanto a TIR? Qual a razão de seu preterimento? Tal se deve à suposição "heróica"
do reinvestimento dos fluxos intermediários à própria TIR, o que se constitui em
equívoco evidente, já que colocamos que o custo de oportunidade da empresa seria
de 10% ao ano.
Selecionamos um segundo problema com o método da TIR, que ocorre nos casos
onde a programação de fluxos de caixa não apresenta o padrão "usual", com apenas
um período com valor negativo. Nestes casos, podemos às vezes observar a
Métodos de avaliação de fluxos de caixa 64

ocorrência de taxas múltiplas, as quais, realçamos, devem ser rejeitadas. Vejamos


os exemplos:

Ano 0 1 2 3
Fluxo de caixa -$1.000 $6.000 -$11.000 $6.000
TIR ===> 0% 100% 200%

Ano 0 1 2
Fluxo de caixa -$1.600 $10.000 -$10,000
TIR ===> 25% 400%

Ano 0 1 2
Fluxo de caixa -$1.000 $1.400 -$100
TIR ===> 32,5%; que se constitui na única com resposta simples.

Mas qual a solução para problemas desta natureza? Deixamos a resposta à frente,
quando proporemos modificações sobre o método da TIR, a fim de tomarmos em
conta o custo de oportunidade sobre os recursos da empresa.
Mas enfim, qual a razão da ampla aceitação da TIR no mundo empresarial, pois,
afinal, os motivos apontados restringem enormemente sua significação econômica e,
em especial, a idéia do reinvestimento dos fluxos intermediários à própria TIR
mostra-se um equívoco grosseiro. As razões se prendem ao fato de que sendo uma
taxa, ela é mais fácil de ser visualizada e interpretada. Diferentemente disto, o VPL
baseia sua decisão sobre um número absoluto, "descontado" para o momento zero.
Naturalmente, tais coisas dificultam o entendimento para muitos profissionais.
Adicionalmente, sendo a taxa requerida de retorno apenas uma aproximação ao real
custo de oportunidade da empresa, o uso do VPL não recebe apoio unânime da
comunidade empresarial, deixando campo para a aceitação do método da TIR. Além
disso, temos o fato real de que as empresas não se defrontam frequentemente com
análises de projetos mutuamente excludentes e nem com projetos cujos fluxos não
apresentem o padrão usual (que poderia trazer taxas múltiplas de retorno). Então, se
o que importa na análise de projetos únicos é uma correta sinalização quanto a
aceitá-los ou rejeitá-los, e desde que ambos os métodos apontariam sinal idêntico,
tem-se a preferência pelo método da TIR.

9.6. Taxa interna de retorno modificada (TIRM)


Se os problemas aludidos acima constituem de fato sérias restrições ao uso do
método da TIR, a solução estaria num método que tomasse em conta o custo de
oportunidade sobre os recursos da empresa nos cálculos para levantamento de uma
taxa de retorno para iniciativas empresariais.
Métodos de avaliação de fluxos de caixa 65

A figura a seguir ilustra a ideia principal da taxa interna de retorno modificada


(TIRM), isto é: somar os fluxos de caixa positivos (VF) capitalizados até o período
final à taxa de reinvestimento, ou taxa de juros disponível no mercado financeiro; e
ao mesmo tempo somar os fluxos de caixa negativos (VP) descontados até o
período inicial à taxa requerida de retorno do projeto, ou taxa de desconto usada no
VPL; calcular a taxa de retorno modificada, ou seja, a taxa que está implícita entre
VP e VF, considerando os n períodos do projeto.

0 1 2 3 ... n
Taxa de Reinvestimento VF

Taxa Requerida de Retorno


VP
VPx 1  TIRM   VF
n

 VF  1n 
TIRM     1 x100
 VP  

Vejamos a aplicação do conceito, através do nosso primeiro exemplo:

Avaliação de projeto

0 1 2 3 4 5
-18.000 5.660 5.660 5.660 5.660 6.660

Taxa de desconto: 12% ao ano


Taxa de juros do mercado financeiro: 14% ao ano

Assim, procedendo ao reinvestimento dos fluxos posteriores ao fluxo inicial (1 a 5) à


taxa de juros do mercado financeiro (que representa o custo de oportunidade sobre
recursos disponíveis da empresa em cada período), neste caso, como tem-se
apenas um desembolso inicial a equação de cálculo será:
 1

 VF 
TIRM     1 x100
n

 II  
 
Relembrar que:
Métodos de avaliação de fluxos de caixa 66

VF = valor futuro (no último período) dos fluxos de caixa da empresa, capitalizados
à taxa de juros do mercado financeiro;
n = período de vida considerado para o projeto;
II = investimento inicial.

Já a operacionalização dos cálculos da TIRM no problema acima se daria como


abaixo:

Ano 1: 5.660 x 1,144 = 9.559,51


Ano 2: 5.660 x 1,143 = 8.385,54
Ano 3: 5.660 x 1,142 = 7.355,74
Ano 4: 5.660 x 1,141 = 6.452,40
Ano 5: 6.660 x 1,140 = 6.660,00

VF => 38.413,19


TIRM  38.413,19 / 18.000
1
5 
 1  100  16,37% aa

Neste caso, são dois os passos para aferição da viabilidade de projetos de


investimentos:
a) TIRM > TRR; se isto ocorrer, o projeto é viável por superar a taxa requerida de
retorno, a qual é julgada suficiente para os propósitos de crescimento e
sustentação da empresa no longo prazo.
b) TIRM > im; se esta nova restrição é atendida, isto implica em que a rentabilidade
do projeto supera possíveis aplicações de recursos no mercado financeiro. Em
outros termos, a empresa ganha terá retornos superiores aplicando na produção
do que se investir em produtos financeiros.

Outro detalhe com respeito à fórmula acima diz respeito a casos onde ocorra o
padrão usual na análise de projetos, com investimentos num período inicial sendo
seguidos no tempo por fluxos de caixa líquidos. Caso houvesse outros fluxos de
caixa negativos, o critério internacionalmente aceito é o de se descontar tais fluxos
negativos para o momento zero à taxa requerida de retorno, aumentando o valor de
"II" na fórmula acima.
Em todo o caso, fica a observação de que não importa o padrão do fluxo de
entradas e de saídas, pois que poderíamos adaptar novas configurações quando
necessário. Inclusive, planilhas eletrônicas como a Excel da Microsoft, já incorpora
soluções nesta direção.
Quanto à aceitação de projetos, o procedimento para tanto repete aquele da TIR, ou
seja:
TIRM > Taxa requerida de retorno
Métodos de avaliação de fluxos de caixa 67

Para nosso exemplo acima, temos que a TIRM se iguala a 16,37%, superando a
taxa requerida de retorno de 12%. Neste sentido, o projeto contribuirá decisivamente
para acrescer a base geradora de riquezas da empresa.

9.7. Exercícios sobre avaliação de fluxos de caixa

1) A TRATEC trocou uma dívida a cobrar de $4200 vencíveis o próximo mês e


$5100 vencíveis daqui a 6 meses pela alternativa proposta pelo devedor, na
renegociação da mesma: $3700 a serem pagos daqui a quatro meses, $3200
daí a três meses e $3015 como último pagamento a ser feito 3 meses depois do
penúltimo pagamento. Determinar a taxa de juros compostos utilizada nessa
operação.
2) Considerando as seguintes opções de investimento representadas na tabela
abaixo, determinar a melhor opção utilizando cada um dos critérios analisados
no texto, utilize um custo de oportunidade de 12,5%:
Anos
Alternativas 0 1 2 3 4
A -3500 1200 1500 1100 1100
B -6800 2000 2100 2300 2800
C -10300 1100 3000 2100 9000
3) Uma loja oferece um microcomputador com duas alternativas para o pagamento.
Alternativa 1: $ 800,00 de entrada, mais duas parcelas mensais de $ 1200,00
cada uma. Alternativa 2: Sem entrada, 4 parcelas mensais de $ 600,00 cada
uma, vencendo a primeira um mês após a compra, mais uma quinta parcela de $
900,00. Considerando custo de oportunidade de 2% a.m., indique a melhor
alternativa, considerando o VPL. R: Alternativa 2.
4) No exercício anterior, qual será o custo do financiamento se o preço a vista
fosse $3000.
5) Determine o valor presente líquido com um custo de oportunidade de 12%,
assim como a taxa interna de retorno:
t Fluxo de Caixa - FC
0 -140
1 55
2 -20
3 40
4 35
5 40
6 -30
7 50
8 110
9 95
TMA 12%
Sistemas de amortização 68

10. Sistemas de amortização


São utilizados para financiamento de longo prazo para pessoa física ou jurídica. Tais
empréstimos são ressarcidos a entidade financeira através de um sistema de
amortização da dívida. O total da dívida inclui o valor financiado (principal) mais os
juros. Esse total é pago em parcelas ou prestações, mas o pagamento de uma
parcela só não amortiza o capital devido.
PRESTAÇÃO = AMORTIZAÇÃO + JUROS
Os juros são calculados normalmente pela incidência da taxa de juros sobre o saldo
devedor, a prestação pode ser constante ou variável e a amortização é a diferença
entre o valor da prestação e o valor dos juros. O saldo devedor inicial é o saldo
devedor final do período anterior, menos a amortização do período.
Algumas vezes incorporam taxas de juros reais, com o pagamento corrigido
monetariamente na data do vencimento, pela inflação acumulada do período (taxa
pós-fixada).
Os principais sistemas de amortização são: Sistema Hamburguês (Sistema de
Amortização Constante – SAC); Sistema Francês; e Tabela Price; e Sistema de
Amortização Crescente - SACRE.

10.1. Sistema de amortização constante - SAC


Nesse sistema as amortizações são constantes no tempo. A amortização é
calculada dividindo o valor do empréstimo pelo número de parcelas. Os juros são
calculados sobre o saldo devedor e a prestação é a soma da amortização com os
juros.

Exemplo 47: Considerando um empréstimo no valor de $10000 para ser liquidado


em 4 prestações mensais consecutivas, com juros de 2% a.m. Elaborar a tabela do
financiamento pelo SAC, se a primeira prestação vence ao final do primeiro mês,
sem incidência de impostos nem taxas.
O valor da Amortização = 10000/4 = 2500. O saldo devedor ou inicial é a diferença
entre o saldo anterior menos a amortização. Para calcular os juros e a prestação
utilizamos as fórmulas:
Juros = Saldo devedor x taxa de juros
Prestação = Amortização + Juros
A tabela a seguir apresenta todas as informações:
Mês Saldo Inicial Amortização Juros pagos Prestação Saldo Final
1 $10000 $2500 $200 $2700 $7500
2 7500 2500 150 2650 5000
3 5000 2500 100 2600 2500
4 2500 2500 50 2550 0
TOTAL 10000 500 10500 -
Sistemas de amortização 69

Como a amortização é constante, a saldo devedor é cada vez menor, e o mesmo


acontece com o valor dos juros. Assim o valor da prestação também se reduz a cada
período.

10.2. Sistema Francês de prestação constante


Caracteriza-se pela amortização do principal e o pagamento dos juros com
prestações constantes, periódicas e sucessivas. Como os juros incidem sobre o
saldo devedor, que por sua vez decresce a medida que as prestações são pagas,
eles são decrescentes, e consequentemente as amortizações são crescentes. Esse
sistema foi utilizado desde o século XIX primeiramente na França.

Exemplo 48: Determinar a tabela de amortização, método de amortização


constante, de um empréstimo de $1000 a 3 anos, com taxa de 10%a.a.
O primeiro passo será calcular o valor da prestação, para isso podemos usar a HP-
12c (determinar PMT), só lembrando que FV=0 porque nos interessa amortizar a
dívida.

Entrada 3 10 -1000 0
n i PV PMT FV
Saída 402,11

A seguir podemos preencher uma tabela com as informações da prestação, dos


juros pagos, amortização do principal e dívida vigente a final de cada período.
O valor dos juros do primeiro período é 1000x10% = 100; como fazemos um
pagamento de 402,11, estaremos amortizando 402,11 – 100 = 302,11 da dívida.
Logo o saldo da dívida ao final do primeiro período será 1000 – 302,11 = 697,89.

Ano Saldo Inicial Prestação PMT Juros pagos Amortização Principal Saldo Final
1 $1000 $402,11 $100 $302,11 $697,89
2 697,89 402,11 69,79 332,32 365,57
3 365,57 402,13 36,56 365,57 0
TOTAL 1206,35 206,35 1000 -

No segundo período o valor dos juros será 697,89x10% = 69,79, o valor da


amortização 402,11 – 69,79 = 332,32, e o saldo da dívida 697,89 – 332,32 = 365,57.
Repetindo esse procedimento se podem determinar os valores da tabela para os
seguintes períodos. No último período o saldo final da dívida será zero, ou seja,
estará paga na sua totalidade, assim como os juros da operação.
Sistemas de amortização 70

Percebe-se que o valor dos juros pagos cai com cada pagamento devido à redução
do saldo da dívida. Por sua vez, o valor da amortização aumenta com cada
pagamento.

10.3. Tabela Price, sistema de prestação constante


O sistema foi originalmente desenvolvido pelo inglês Richard Price, incorporando os
juros compostos às amortizações de empréstimos, no século XVIII.
Na prática comercial e financeira o sistema Price é um caso particular do sistema de
amortização francês, em que a taxa de juros é dada em termos nominais
(normalmente anuais) e as prestações têm frequência menor que aquela a que se
refere a taxa de juros (em geral, com base mensal). Nesse sistema, o cálculo das
prestações é feito usando-se a taxa proporcional ao período a que se refere a
prestação, calculada a partir da taxa nominal.
O sistema Price é normalmente empregado pelas instituições do sistema financeiro,
como as cooperativas de crédito. A principal característica é que as prestações são
constantes ao longo do tempo. Más as parcelas de juros e amortização dentro de
cada prestação são diferentes.

Exemplo 49: Considere um empréstimo de $10000 para ser liquidado em 4


prestações mensais iguais e consecutivas. A taxa de juros nominal é 15% a.a. com
capitalização mensal. Elaborar a tabela de financiamento pelo sistema Price, sem
considerar impostos nem taxas.
O primeiro passo será calcular a taxa de juros i = 15%/12 = 1,25%a.m., logo o valor
da prestação pode ser calculado usando a HP-12c (determinar PMT), só lembrando
que FV=0 porque nos interessa amortizar a dívida.

Entrada 4 1.25 -10000 0


n i PV PMT FV
Saída 2578.61

A seguir podemos preencher a tabela Price com as informações da prestação, dos


juros pagos, amortização do principal e dívida vigente a final de cada período.
O valor dos juros do primeiro mês é 10000x1,25% = 125; como fazemos um
pagamento de 2578,61, estaremos amortizando 2578,61 – 125 = 2453,61 da dívida.
Logo o saldo da dívida ao final do primeiro período será 10000 – 2453,61 = 7546,39.
No segundo mês o valor dos juros será 7546,39x1,25% = 94,33, o valor da
amortização 2578.61 – 94,33 = 2484,28, e o saldo da dívida 7546,39 – 2484,28 =
5062,11. Repetindo esse procedimento se podem determinar os valores da tabela
para os seguintes períodos. No último período o saldo final da dívida será zero, ou
seja, estará paga na sua totalidade, assim como os juros da operação.
Sistemas de amortização 71

Mês Saldo Inicial Prestação PMT Juros pagos Amortização Principal Saldo Final
1 $10000,00 $2578,61 125 2453,61 7546,39
2 7546,39 2578,61 94,33 2484,28 5062,11
3 5062,11 2578,61 63,28 2515,33 2546,78
4 2546,78 2578,61 31,83 2546,78 0
TOTAL 10314,44 314,44 10000,00 -

10.4. Sistema de prestação crescente - Sacre


O Sacre, também conhecido como Sistema Misto, é baseado no SAC e no Sistema
Price, já que a prestação é igual à média aritmética entre as prestações desses dois
sistemas, nas mesmas condições de juros e prazos. A queda do saldo devedor é
mais acentuada e são menores as chances de ter saldo ao final do contrato. Más, as
prestações iniciais são mais altas as do sistema Price.
Este sistema de amortização é utilizado pela Caixa Econômica Federal (CEF) e
alguns bancos privados. No Sacre as prestações decrescem de acordo com uma
progressão aritmética e podem ser calculadas com as seguintes fórmulas:
A primeira prestação R1:
1 
R1  R.(1  q)  P.q.  i 
n 
Onde:
P = montante da dívida ou valor financiado
R = valor da prestação no sistema Price
i = a taxa efetiva do período de capitalização
q = 0,5 no sistema Sacre, no SAC q=1 e no sistema Price q = 0.
A razão da progressão aritmética (corresponde ao decréscimo das prestações)
P. i
rq
n
Se q=0,5
P R 1  P. i
R1     i e r 
2 P n  2n
O valor das prestações em t (t>1)
Rt 1  Rt  r
Exemplo 50: Considere um empréstimo de $10000 para ser liquidado em 4
prestações mensais pelo sistema Sacre. A taxa de juros nominal é 15% a.a. com
capitalização mensal. Elaborar a tabela de financiamento, sem considerar impostos
nem taxas.
P=10000; n=4; i = 15%/12 = 1,25%a.m., S=0; R=PMT=?
Sistemas de amortização 72

Utilizando a HP: R = $ 2578.61


O valor da primeira prestação R1 , sendo q=1/2
1  1 
R1  R.(1  q)  P.q.  i   2578,61x0,5  10000 x0,5.  i   2601,81
n  4 
P. i
rq  0,5 x10000 x0,0125 / 4  15,63
n
R21  R1  r  2601,81  15,63  2586,18
Na tabela a seguir tem-se todas as informações do financiamento.
Mês Saldo Inicial Prestação PMT Juros pagos Amortização Principal Saldo Final
1 $10000 $2601,81 125 2476,81 7523,19
2 7523,19 2586,18 94,04 2492,14 5031,05
3 5031,05 2570,55 62,89 2507,66 2523,39
4 2523,39 2554,93 31,54 2523,39 0
TOTAL 10313,47 313,47 10000 -

10.5. Exercícios sobre sistemas de amortização


1) Calcular a tabela de financiamento, para um empréstimo de $1200 a taxa de 2%
mensal para ser pago em prestações durante 8 meses, utilize e compare os
métodos SAC, Price e Sacre.
Operações no sistema financeiro brasileiro 73

11. Operações no sistema financeiro brasileiro


Existe uma grande variedade de aplicações específicas dos cálculos de matemática
financeira, tanto com juros simples quanto com juros compostos, para os diferentes
títulos e tipos de operações do sistema financeiro brasileiro. Algumas dessas
aplicações são consideradas a seguir, sem fazer maior aprofundamento quanto aos
detalhes de cada uma delas, para isso recomenda-se ao leitor utilizar manuais
específicos sobre o mercado de capitais e financeiro, do tesouro direto, entre outras
fontes.

11.1. Operações com duplicatas


Em diferentes operações comerciais, alguns comerciantes adquirem mercadorias de
outras empresas e se propõem a pagamento posterior, para que possam revendê-
las primeiro. Normalmente, nesses casos, é assinado um documento denominado
duplicata onde os comerciantes se comprometem a pagá-lo dentro de um prazo
combinado. Este título poderá ser negociado, no entanto, antes deste vencimento,
geralmente entre o distribuidor e uma instituição financeira, que se torna o novo
credor do comerciante. O interesse que a empresa tem em negociá-la antes do
prazo é o de obter capital de giro, enquanto que a instituição financeira visa lucro.
Assim, a duplicata é negociada por um valor inferior ao seu valor de face, que é o
valor acertado que o comerciante terá que pagar no futuro. Normalmente se
consideram juros simples.
Para determinar o valor a ser pago pela duplicata, a instituição financeira aplica um
desconto sobre o seu valor de face, que é o valor da compra do comerciante. Assim,
a instituição financeira compra esta duplicata por um valor inferior ao que a mesma
valerá quando vencer.

Exemplo 51: Um comerciante adquiriu mercadorias de um distribuidor e assinou


uma duplicata no valor de $ 800,00 com vencimento para pagamento no prazo de 50
dias. De posse de tal documento e necessitando de dinheiro, o distribuidor vai até a
um banco e faz o desconto de tal duplicata, vendendo a mesma para esta
instituição, naquele mesmo dia. O banco cobra uma taxa de desconto de 7,5% a.m.
Qual será o valor a ser negociado pela duplicata?
A taxa de 7,5% a.m. corresponde a 7,5%/30 = 0,25% a.d. Como são 50 dias, tem-se
uma taxa de juros para o período de 0,25%x50=12,5%. Logo, o valor do desconto
será 12,5%x800 = $ 100. Finalmente, o valor negociado 800 – 100 = $ 700.
Nessa operação a taxa de juros (de investimento) do banco é de 100/700 =
14,3%a.p., ou 14,2857x30/50 = 8,6% a.m.

11.2. Operações com títulos públicos


Se a arrecadação de impostos é insuficiente para cobrir os gastos do governo, a fim
de financiar esse déficit público, os Estados, bem como a União, emitem títulos que
pagam ao portador juros anuais ou semestrais e são resgatados em prazos de
alguns meses até 30 ou 40 anos.
Operações no sistema financeiro brasileiro 74

A matemática destes títulos é bastante simples. Os juros anuais ou semestrais


(cupons) são calculados sobre o valor de face ou valor nominal dos mesmos. Assim,
por exemplo, um título, emitido pelo Brasil no mercado internacional, de US$
100.000 com rentabilidade de 12% a.a. dá a seu portador uma renda anual de US$
12.000 até a data de resgate. No entanto, estes títulos são transferíveis e seus
valores no mercado oscilam muito conforme a credibilidade do Brasil onde são
negociados, principalmente no exterior.
Diversos fatores fazem com que haja muita oscilação no preço de um título na hora
de transferi-lo de portador. Assim, o título acima no valor de US$ 100.000 que paga
juros anuais de 12% poderá ser negociado com ágio ou com deságio. Por exemplo,
se é negociado com ágio de 6%, significa que é vendido a outro investidor por 6% a
mais do valor nominal, isto é, US$ 106.000. Por outro lado, se é negociado com
deságio de 8%, será vendido com 8% a menos, isto é, por US$ 92.000 e assim por
diante.
O preço unitário, PU, representa o valor negociado de um título para cada 100
unidades monetárias do mesmo. Por exemplo, se um título da dívida pública está
sendo negociado com deságio de 12%, o mesmo terá um PU de $ 88,00. Isto
significa que, para cada $ 100,00 de valor de face, estão pagando $ 88,00. Estes
conceitos de ágio, deságio e de preço unitário são bastante utilizados no mercado
financeiro.
Exemplo 52: Um C-bond, um dos títulos brasileiros mais comercializados no
exterior, paga juros de 22% a.a. e seu resgate se dará em 15 de abril de 2014. Seu
portador pretende vendê-lo com deságio de 8%, obtendo por isso US$ 920.000.
Calcule: a) seu valor de face; b) seu preço unitário; c) seu rendimento anual.
O valor face é 920/(1-0,08) = UD$ 1.000.000; o preço unitário será:
PU = (920.000/1.000.000)x100 = 92%
O possuidor do título receberá anualmente 1.000.000 x 22% = US$ 220.000
Uma medida simples de rentabilidade é o retorno corrente definida pelos juros e o
preço de mercado, ou (220.000/920.000)x100 = 23,91%

11.3. Letra do tesouro nacional - LTN


São títulos com rentabilidade definida (taxa prefixada) no momento da compra.
Você sabe de antemão quantos reais vai ganhar. Forma de pagamento: no
vencimento. As LTNs não possuem um fator de remuneração explícito, pois os juros
pré-fixados a serem pagos estão implícitos no deságio do título quando de sua
emissão, ou seja, no Preço Unitário - PU de emissão do título.
Assim, a taxa de juros praticada a cada instante pelo mercado vai influenciar
diretamente o PU de negociação em mercado das LTN que, por esta razão, irá subir
quando a taxa de juros de mercado cair, e cair quando a taxa de juros de mercado
subir. As LTNs constituem a principal aplicação em renda fixa pré-fixada dos fundos
de investimento.
A LTN é um título zero-cupom pré-fixado, esquematizada na Fig. 1, cuja fórmula
básica é dada por:
VP ou PU = VF / [ 1 + Taxa](N / 252)
Operações no sistema financeiro brasileiro 75

Onde:
VP = é o valor presente do título e também é conhecido em mercado pela
denominação de Preço Unitário – PU, e sempre é medido com seis casas decimais;
VF = é o valor futuro do título e que representa o seu preço no vencimento de acordo
com as condições de emissão do título e conhecido no momento da emissão,
normalmente R$ 1000 ou algum múltiplo;
Taxa = é taxa anual de juro de emissão ou de negociação em mercado, na base de
252 dias úteis anuais; e
N = é o número de dias úteis a decorrer entre a data da liquidação financeira da
emissão do título ou de sua negociação em mercado, e a data de seu vencimento.

Figura 1. Diagrama de fluxo de uma LTN

Um título similar a LTN, mas com rendimento pós-fixado recebe o nome de Letra
Financeira do Tesouro – LFT. São títulos com rentabilidade diária vinculada à taxa
de juros básica da economia (a taxa SELIC). Pode encontrar maiores detalhes no
tesouro direto:
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/divida_publica/downloads/Parte%203_2.pdf.

Exemplo 53: “Em 22/4 a taxa média ficou em 11,18% ao ano ... Já o Preço Unitário
(PU) médio ficou em R$ 904,753699”. Utilizando essas informações publicadas no
jornal, determinar o preço das LTNs, com vencimento em 01/04/2011, colocadas em
22/4, logo de três meses, se a taxa de retorno exigida aumenta 20 pontos base
(a.a.).
A taxa de retorno três meses depois será 11,18% + 0,20% = 11,38%. A liquidação
da operação, no tesouro direto, é normalmente o seguinte dia útil; neste caso,
consideramos o 23/4 para a operação anterior e 22/7 para operação futura. O
número de dias úteis é calculado desde a data de liquidação até o dia anterior ao
vencimento do título. Para isso podemos considerar os feriados do sistema
financeiro. Por exemplo, podemos usar a planilha disponibilizada pela ANBIMA em
http://www.anbima.com.br/feriados/feriados.asp. E depois utilizar o Excel para
calcular o número de dias com a seguinte fórmula:
=DIATRABALHOTOTAL(“23/04/2010”;”01/04/2011”-1;[FERIADOS.xls]Plan1!$D:$D)
As datas com os feriados encontram-se dentro da planilha FERIADOS.xls, na coluna
D da pasta Plan1.
Com essas informações pode-se construir o seguinte quadro, onde se observa que o
preço aumentará para R$ 927,886787, se a taxa aumenta para 11,38%.
Operações no sistema financeiro brasileiro 76

Vencimento 01/04/2011 01/04/2011


Liquidação 23/04/2010 22/07/2010
N (du)-1 238 175
VN 1000 1000
Taxa Retorno 11,180% 11,380%
PU 904,753699 927,886787

Pode-se usar a calculadora HP-12c, mas para isso teremos que entrar com o
número de dias úteis e a taxa efetiva diária. Para a taxa de 11,38%, a taxa efetiva
diária será i=(1+0,1138)^(1/252)-1=0,04277803%.

Entrada 175 0.0427783 0 1000


n i PV PMT FV
Saída -927.886787

11.4. Nota do Tesouro Nacional - Série F, NTN -F


Os títulos públicos federais com cupom são emitidos com a denominação de Notas
do Tesouro Nacional – NTN –, tanto na forma pré como pós-fixada. Existe uma
grande variedade desses títulos que, de acordo com as suas características de
emissão e de finalidade de aplicação, se diferenciam por uma letra adicional ao seu
nome. Os títulos de renda fixa pré-fixada com cupom correspondem a série F das
NTNs e recebem a denominação de NTN-F.
Por esse tipo de título normalmente se paga um preço na data de compra (PU), o
qual pode ser com ágio ou deságio em relação ao valo de face do título (VN), de
acordo com a taxa de retorno negociada (Taxa). O valor face serve como referência
para determinar os cupons e é devolvido pelo emissor do título no vencimento deste.
O título dá o direito ao possuidor a receber periodicamente montantes em dinheiro
ou cupons (Ci), determinados pela taxa de cupom e o valor face ou nominal do título.
Na figura 2 está representado o diagrama de fluxo de um título tipo NTN-F.
Figura 2. Diagrama de fluxo de uma NTN-F
Operações no sistema financeiro brasileiro 77

A rentabilidade da NTN-F é definida pelo ágio ou deságio sobre o seu valor nominal
quando de seu lançamento. O título paga juros (cupons) semestralmente com ajuste
de prazo no primeiro período de fluência quando couber. O primeiro cupom de juros
a ser pago contemplará a taxa integral definida para seis meses, independente da
data de emissão do título. A taxa de juros é definida quando da emissão do título,
em porcentagem ao ano, e é aplicada sobre o seu valor nominal.
Para as NTN-F, o preço unitário é definido por:
PU = Σ Ci / [1 + Taxa](Ni / 252) + VN / [1 + Taxa](Nt / 252)
Onde:
PU = é o valor presente do título e que representa o seu preço de emissão ou de
negociação praticada em mercado, e sempre é medido com seis casas decimais;
Σ Ci /[1 + Taxa](Ni / 252) = é o somatório do valor presente de cada um dos cupons
semestrais Ci que ainda restam a ser pagos pelo título. No momento de emissão do
título todos os cupons participam do somatório, sendo que o prazo entre a data da
emissão do título e do pagamento do primeiro cupom pode ser menor do que um
semestre (ajuste de prazo no primeiro período de fluência dos juros intermediários).
Na NTN-F, por convenção, os valores dos cupons semestrais (cs) são determinados
considerando a capitalização composta da taxa de cupom anual (ca), ou seja
cs = (1+ca)½ -1.
VN = é o valor nominal do título (valor futuro ou valor de face) e que representa o
seu preço no vencimento de acordo com as condições de emissão do título. Na
fórmula, se o cupom é dado pelo seu valor em percentual do VN, então, o VN é dado
como 1000.
Taxa = é taxa anual efetiva de juro de emissão ou de negociação em mercado, na
base de 252 dias úteis anuais. Essa taxa, na prática, representa o retorno até o
vencimento (YTM - yield to maturity); e
Ni = é o número de dias úteis a decorrer entre a data da liquidação da negociação, e
o vencimento de cada um de seus cupons, e a data de vencimento do título (Nt).

Exemplo 54: Determinar o PU de negociação de uma NTN-F com cupom de 10%


a.a. considerando um YTM de 8,75% a.a.; sendo que faltam 61 dias úteis para o
pagamento do próximo cupom e, além deste, serão feitos ainda mais dois
pagamentos de cupom, com o último acompanhado do valor de face de $1.000,00.

VN 1000 Determinação do PU
Tx. Cupom (a.a.) 10% t d.u. FC VP
YTM 8,75% 1 61 48,80885 47,8277955
Cupom semestral 4,88088% 2 187 48,80885 45,8633455
3 313 1048,809 945,037151
PU R$ 1 038,728292

Neste caso, têm-se três cupons a serem pagos nos próximos três semestres. A taxa
de cupom semestral é (1+10%)½ -1 = 4,88088%, pelo qual o valor de cada cupom é
Operações no sistema financeiro brasileiro 78

o produto do valor nominal do título ($1000) e a taxa de cupom semestral:


1000x4,88088% = $48,80885. Ao final do terceiro semestre junto com o cupom
também recebemos o valor nominal, fazendo um total de 1048,80885. Todas as
informações incluindo o cálculo do valor presente são apresentadas no quadro ao
lado.
O comprador pagará aproximadamente $1038,73 pelo título, e se o mantiver até o
vencimento terá uma taxa de retorno de 8,75% a.a.
Para as NTNs pós-fixadas pode se consultar a mesma fonte do tesouro direto,
indicada anteriormente.

11.5. Open market ou operações de mercado aberto


Os títulos públicos são oferecidos em leilões formais realizados pelo Banco central
(BC) e nos quais participam Bancos comerciais, Corretoras, Financeiras e Bancos
de Investimento. Os títulos negociados nestes leilões são registrados no Sistema
Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) e a liquidação financeira é feita no
mesmo dia.
Além disso, o BC injeta ou retira recursos do mercado vendendo e comprando títulos
diariamente. Nesse caso, só participam dealers credenciados, em operações de um
dia, denominadas de overnight. É nessas operações diárias de open market, ou
seja, oferta e demanda de títulos públicos, que se forma a taxa Selic.
A taxa Selic é uma taxa cotada por dia útil (du) e não por dia corrido, considera o
ano de 252 dias úteis, ou seja, 12 meses de 21 dias úteis cada. Normalmente
nessas operações são aplicados juros compostos.

Exemplo 55: Qual a taxa Selic diária, sabendo que a taxa anual é de 9%?
=(1+0,09)^(1/252)-1 = 0,034%

Exemplo 56: Um banco captou recursos por 1 dia útil no montante de $ 1milhão,
pagando uma taxa Selic de 8,9% a.a. Quanto ele terá que devolver no dia seguinte?
= 1 000 000*(1+0,089)^(1/252)
= 1 000 338,39

11.6. Depósitos Interfinanceiros


Os certificados de depósito interfinanceiros (CDIs) são emitidos pelas instituições
financeiras (IFs), que lastreiam (garantem) as operações do mercado interfinanceiro.
São negociáveis apenas pelas próprias IFs nas operações de transferências de
recursos entre elas (deficitárias e superavitárias de caixa). A negociação é
eletrônica, registrada na CETIP – Central de Custódia e Liquidação de Títulos
Privados.
São operações de um dia, podendo ser de prazos maiores, com taxas pré ou pós-
fixadas.
Operações no sistema financeiro brasileiro 79

As taxas negociadas nos CDIs (ou DIs) servem para estabelecer a taxa média diária,
CDI over, a qual é referência para às operações de curtíssimo prazo ou hot money.

11.7. Taxa Over


É uma taxa de juros nominal (simples) com capitalização diária, válida somente para
os dias úteis do mercado financeiro. Expressa ao mês pela multiplicação da taxa ao
dia por 30 dias, aplicada a operações de curto prazo. Uma taxa over de 2,4% a.m.o.
com 20 dias úteis, equivale a uma taxa efetiva de:
2,4%
i  0,0008  0,08% a.d.
30
ief  (1  0,08%) 20  1  1,61% a.m.

Diretamente, pode se usar as seguintes fórmulas:


 taxa over  dias úteis 
ief  1    1
 30  

Taxa over  1  taxa efetiva dias úteis  1 x30


1

 

A taxa over pode ser expressa em termos anuais, ou taxa over anual efetiva,
considerando (por determinação do BACEN) 252 dias úteis.

Exemplo 57: Uma taxa efetiva de 12,74% a.a.o. representa:


1
i  (1  12,74%) 252
 1  0,047596% ao dia util
i  0,047596% x 30  1,43% a.m.o. (taxa nominal)
i  (1  0,047596%) 22 - 1  1,05% a.m.o (efetiva c/ 22 dias úteis)

Exemplo 58: Uma instituição financeira tomou um empréstimo com prazo de 3 dias.
As taxas over mensais para cada dia foram: 2,2%, 2,18% e 2,4%. Calcular a taxa
efetiva do período e a taxa over média da operação.
Operações no sistema financeiro brasileiro 80

2,2% 2,18%
Over1   0,07333%; Over2   0,07267%
30 30
2,4%
Over3   0,08000%
30
iefetiva  (1  0,07333%) x(1  0,07267%) x(1  0,08000%)  1
iefetiva  0,22617% em três dias
1
iefetiva  (1  0,22617%) 3
 1  0,0753% a.d. (taxa média)

11.8. Hot money


É uma operação de curtíssimo prazo (um dia) para atender necessidades imediatas
de caixa de uma empresa. Se for necessário é liquidada e renovada diariamente.
Tem como referencial a taxa do CDI, acrescida de um spread (comissão do
intermediário), e há incidência do IOF – Imposto sobre operações financeiras.

Exemplo 59: Empresa contrata hot money de $500.000 e renova por três dias. As
taxas over mensais foram 1,8%, 1,9% e 2,1%. Se esse mês tem 21 dias úteis e o
spread do banco é 0,1% ao dia, o IOF é 0,0041% ao dia, descontado
antecipadamente. Determine os juros a pagar (ao final) e o custo efetivo mensal.
A taxa de juros mais o spread será, por exemplo, para o primeiro dia:
= 0,1% + 1,8%/30 = 0,16% a.d.
Dia 0 1 2 3
Taxa a.m.o $ 1,80% $ 1,90% $ 2,10% $
Juros + spread 0,160% 800,00 0,163% 817,94 0,170% 852,68
Saldo Devedor 500779,50 501576,91 502409,02
Empréstimo 500000,00 500779,50 501576,91
IOF 0,0041% 20,50 0,0041% 20,53 0,0041% 20,56
Valor
liberado 499979,50 500758,97 501556,34

O custo efetivo mensal admitindo que os juros ($ 2409,02) são pagos ao final será a
taxa interna de retorno do seguinte fluxo:
Dia Fluxo de Caixa
0 $ 499 979,50
1 $ (20,53)
2 $ (20,56)
3 $ (502 409,02)
TIR 0,164% a.d.
0,4942% a.p.
3,51% a.m.
Operações no sistema financeiro brasileiro 81

11.9. Certificado/ Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB)


Estes títulos revelam no ato da aplicação, o valor da rentabilidade a ser alcançada
ao termo do prazo de vencimento. Emitidos por bancos (comerciais, múltiplos, de
investimento) e caixa econômicas. As taxas oferecidas podem ser prefixadas ou pós-
fixadas. Os pós-fixados são atrelados a um índice de inflação (TR ou IGP-M) como
fator de correção e a taxa pactuada no momento da aplicação. O CDB- DI paga uma
parcela dos ganhos obtidos com o DI, que podem chegar até a 100%.
A diferença entre CDB e RDB é que o primeiro pode ser negociado antes do
vencimento, já o segundo é intransferível.
Assim como outros instrumentos de renda fixa, a tributação inclui o imposto de
renda (IR) e o IOF (imposto às transações financeiras). A base de cálculo é a
diferença entre o valor aplicado e o valor resgatado, subtraindo-se o IOF. O IOF se
aplica quando ocorrem resgates antes de 30 dias.

Exemplo 60: Para uma aplicação em CDB de $5000 prefixado a 1,5% a.m. por 80
dias. Determinar o valor de resgate líquido do IR (para esse prazo é 22,5%);
rentabilidade líquida considerando o IR, rentabilidade real considerando inflação de
0,8% no período.
80
FV  5000 x(1,015) 30
 5202,51
Lucro bruto  5202,51  5000  202,51
IR  22,5% x 202,51  45,56
Resgate líquido  5202,51  45,56  5156,95

Rentabilid ade :
5156,95
i  1  3,139% em 80 dias
5000,00
30
i  (1  3,139%) 80
 1  1,17% a.m. (líquida)
1  3,139%
r  1  2,32% para 80 dias
1  0,8%
30
r  (1  2,32%) 80
 1  0,864% a.m. (real)

Exemplo 61: Para uma aplicação em CDB $5000 prefixado a 1,5% a.m. resgatada
após 20 dias (para esse prazo o IOF é 33%). Determinar o valor de resgate líquido.
Operações no sistema financeiro brasileiro 82

20
FV  5000 x(1,015) 30
 5049,88
Lucro bruto  49,88
IOF  33% x 49,88  16,46
Lucro tributado por IR  49,88  16,46  33,42
IR  22,5% x33,42  7,52
Resgate líquido  5049,88  16,46  7,52  5025,90
30
 5025,90  20
i   1  0,778% a.m. (efetiva )
 5000,00 

Exemplo 62: Um banco oferece um CDB 98% do DI. Se em determinado período a


taxa DI é 10% a.a., a taxa de juros obtida será 9,8% a.a. Nesse caso, uma aplicação
em CDB-DI de $5000 a 365 dias corridos, sob essas condições, oferecerá um ganho
líquido, após IR, de $ 404,25. Para mais de 360 dias o IR é 17,5%.
Taxa juros após IR  10% x0,98 x(1  0,175)  8,09% a.a.
252
VF  5000 x(1  8,09%) 252
 5404,25 (líquido de IR)

11.10. Títulos privados: Papeis comerciais e debêntures


Os papeis comerciais (comercial papers) são notas promissórias emitidas pelas
empresas para financiamento de curto prazo, menor de um ano. Normalmente, são
emitidas pelas grandes empresas para reduzir o custo de captação, exige registro na
CVM.
As debêntures são títulos de longo prazo, emitidos por S.A.'s e registrados no SND
(Sistema Nacional de Debêntures) e na CVM. Podem ser resgatadas em dinheiro ou
convertidas em ações no vencimento e, além disso, podem estipular cláusulas de
resgate antecipado. São também conhecidas como obrigação, bônus ou bond.
Os papeis comerciais e as debêntures podem ser pré ou pós-fixadas. Para papeis
comerciais, o funcionamento é semelhante às LTNs. Para debêntures prefixadas, o
funcionamento é semelhante às NTN pré. Em ambos os caos a diferença encontra-
se apenas na forma de expressão da taxa de juros, que adota o critério do dia
corrido (30/360).
Um investidor compra um título desse tipo pagando um preço (P) que é determinado
de acordo com o fluxo de pagamentos do título e a taxa de retorno (até o
vencimento) exigida pelo investidor (r). O emissor do título oferece pagamentos
periódicos de cupons (C) e devolve o principal ou valor nominal (VN) no vencimento.
Para determinar o preço das debêntures pré-fixadas pode se utilizar a seguinte
fórmula:
 n C  VN
P    
j 
 j 1 1  r   1  r 
n

Onde:
C = cupons (taxa cupom x VN)
Operações no sistema financeiro brasileiro 83

VN = valor nominal ou valor de face


r = retorno até o vencimento
n = períodos até o vencimento
Os valores dos cupons (juros = C) são calculados sobre o valor de face. Exemplo,
título com cupom de c= 8% e valor face de VN=$100, oferece pagamento de C= $ 8
em todo o ano, este pode ser pago semestralmente, $ 4 em cada semestre. Aqui a
convenção é usar juros simples para a taxa de cupom e não juros compostos como
na NTN-F, ou seja 8%/2 = 4% por semestre.
Quando o título é negociado antes do pagamento do próximo cupom (ou entre
pagamentos de cupom) tem que se realizar um ajuste no preço para refletir o fato de
que uma parcela do próximo cupom corresponde ao vendedor. Mais detalhes serão
dados em exemplo posterior.
Podem ser calculadas diferentes taxas de retornos para as debêntures. As mais
conhecidas são:
 Taxa de retorno corrente: relaciona o valor dos juros do cupom em relação ao
preço de mercado
 Taxa de retorno até o vencimento (yield to maturity- YTM): É a TIR que iguala
o preço corrente com os fluxos futuros de cupons e o resgate do principal no
vencimento.
 Taxa de retorno com ganhos de capital: relaciona a variação do preço em
relação ao preço de aquisição (inicial).

Para debêntures com taxas flutuantes, o funcionamento é semelhante a uma NTN


pós. A única diferença, novamente, é a forma de cotação da taxa de juros em termos
de dias corridos. Maiores informações sobre as emissões e suas características
pode consultar:
http://www.debentures.com.br/
http://www.cvm.gov.br

Exemplo 63: Uma nota promissória de 4 meses que paga taxa básica de juros
(TBF) mais juros de 16% a.a. foi adquirida por $980,00. Calcule a rentabilidade
mensal obtida, sabendo que a TBF no período foi de 2,9%.
Neste caso, trata-se de um papel comercial pós-fixado, e o indexador é a TBF. O
primeiro passo é determinar o valor nominal atualizado na data de vencimento
(VNA= VN x Indexador)
VNA = 1000 (1+2,90%) = 1029
A seguir determina-se o valor a ser resgatado (VF) acrescentando os juros ao valor
nominal atualizado
VF = VNA (1+ taxa)^(n/12) = 1029 (1+16%)^(4/12) = 1029 (1+1,2445%)^4
VF = 1081,1884
Operações no sistema financeiro brasileiro 84

Como o título foi comprado por 980, a taxa de retorno efetiva do período foi
1081,1884/980 -1 = 10,33% ou 2,49%a.m. ou 34,28% a.a.

Exemplo 64: Uma debênture prefixada de 6 anos foi adquirida pelo preço de
$972,00. Calcule a rentabilidade obtida pelo investidor, considerando uma taxa de
cupom de 18% a.a., em termos nominais, e que são pagos semestralmente.
O valor dos cupons será C = 1000x18%/2 = 1000x9% = 90. Serão 12 pagamentos
de cupons (6x2). Utilizando a HP-12c:

Entrada 12 -972 90 1000


n i PV PMT FV
Saída 9.40

O investidor terá uma rentabilidade de 9.40% a.s., que pode ser expressa como
18.8% nominal anual (caso mais frequente) ou como (1+9.4%)2 – 1 = 19,7% efetiva
anual.

Exemplo 65: Uma debênture prefixada com cupom de 20% a.a. em termos nominais
e pagos semestralmente, foi adquirida no dia 20/4/2010. Calcule o preço pago pela
debênture considerando uma rentabilidade até o vencimento de 12%, o próximo
cupom foi pago no dia 15/6/2010 e o título vence em 15/6/2016.
Têm-se as informações: Valor face =1000; Cupom=20% a.a.; YTM=12% a.a.; n=13
semestres; Taxa retorno efetiva = (1+0,12/2)2-1=12,36%; Data liquidação (DL)
=20/04/2010; Próximo cupom = 15/06/2010; Vencimento (DV) = 15/06/2016;
Na HP-12c podemos ingressar os seguintes comandos:
12 i
20 PMT
g M.DY ; 4.202010 ENTER
6.152016
f PRICE [ 134.0618 ]
+ [ 140.98488 ]
10 x [ 1409.8488 ] preço incluindo juros acumulados
RCL n [ 0.30769 ] proporção do semestre da data de compra até próx. sem.
RCL FV 10 x [ 1100 ] = resgate + cupom
Ou seja, o preço do título será $1409,8488, uma parte corresponde à parcela do
primeiro cupom repassada ao vendedor = 100(1-0.30769)=$69.2310, resultando um
preço “limpo” de $1340.618.
Nota: A HP-12c somente considera títulos com cupom semestral, preço expresso
como percentual do valor nominal $100, utilizando dias corridos para contagem dos
dias.
O Excel possui a função específica para títulos, que calcula diretamente o preço
limpo:
Operações no sistema financeiro brasileiro 85

=PREÇO(DL;DV;20%;12%;100;2;1)= 134,0618
Neste caso, as taxas devem ser inseridas em termos anuais, o valor nominal de
resgate para cada $100 de valor nominal, o número de cupons pagos no ano (2) e
um parâmetro (1) para contagem dos dias, como mostrado na Tabela 1.
Tabela 1. Contagem de dias nas funções financeiras do Excel
Base Base de contagem diária

0 ou omitido EUA (NASD) 30/360

1 Real/real

2 Real/360

3 Real/365

4 Europeu 30/360

11.11. Exercícios sistema financeiro brasileiro


1) Uma duplicata no valor de $ 400,00 é descontada num banco que cobra uma taxa
de desconto de 6,9% a.m., 25 dias antes de seu vencimento. Determine: a) o
valor negociado; b) a taxa mensal de investimento para o banco. R. 377;
7,32%a.m.
2) Uma promissória com valor nominal de $300820,00 e vencimento para 65 dias foi
descontada á taxa de 12% a.a. Qual o valor do desconto racional dessa
operação?
3) Uma dívida documentada por uma nota promissória no valor de R$ 3.000,00 é
negociada 36 dias antes de seu vencimento. Se a taxa de desconto for de 0,54%
a.m., calcule: a) o valor do desconto; b) o valor negociado; c) o diagrama de
fluxos de caixa para o devedor. R. 19,44.
4) Uma operação com duração de 35 dias corridos foi contratada a uma taxa over de
1,8% a.m. Se durante esse prazo houve 25 dias úteis, calcular a taxa efetiva
mensal e o montante ao término do prazo considerando-se que foi aplicado
$100.000. R. 101510,85.
5) O global 40 é um título da dívida externa brasileira com grande negociação no
mercado de títulos soberanos de economias emergentes. O papel tem prazo de
40 anos, emitido em 17/8/2000 e vencimento para 17/8/2040. Foi emitido em
dólar, com cupom de 11% a.a. No dia 21/4/2010 foi negociado a (PU) US$
134,65. Calcule: a) o ágio/deságio da transação; b) os juros anuais se o valor face
é US$ 1.000; c) a taxa de retorno corrente. R. ágio 34,65%; $110; 8,17%.
6) Um título de renda fixa com vencimento em 18/6/2014, comprado em 18/6/2009
por R$ 889, possui um valor de resgate de R$ 1000. O título paga um cupom
semestral de R$45. Determinar a rentabilidade do título no dia da negociação. R.
TIR = 6,01% a.s.
7) A Petro emitiu Eurobonds a 10 anos com valor face US$ 1000, cupom anual de
US$ 85,00. Se obrigações semelhantes têm retorno de 9%.
Operações no sistema financeiro brasileiro 86

a. Faça o fluxo de caixa da obrigação


b. Determine o valor presente do valor resgatado, dos cupons e o preço
c. Após um ano, a taxa de juros de mercado mudou para 11% a.a. Qual o
valor do título (obrigação)?
d. A obrigação é negociada com ágio ou deságio, por quê?
e. Por quanto seria negociada a obrigação se as taxas de juros caíssem
para 7% ao invés de 9%?
8) Qual o preço a ser pago em 28 de maio de 2010 pelo título de uma corporação
que vence em 4 de junho de 2016, com juros de 8,75 a. a., se você deseja obter
uma rentabilidade anual de 9,25%? Se o mercado de títulos passa a cotar o título
a 92%. Qual o lucro que o mesmo proporciona? Utilize cupons anuais e refaça
suas estimativas com cupons semestrais. Como a frequência de pagamento de
cupons influencia o preço e o retorno?
Referências 87

Bibliografia
ASSAF Neto, A. Matemática Financeira e Suas Aplicações. 8ª Edição. São Paulo:
Atlas, 2001.
ASSAF NETO, A.; LIMA, F.G. Curso de Administração Financeira. São Paulo: Atlas,
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KASSAI, J. R. Conciliação entre a TIR e ROI: uma abordagem matemática e contábil
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Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
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VIEIRA S, J. D. Matemática financeira. 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009.
VIEIRA S, J. D. Taxa de Juros: Nominal, Efetiva ou Real? RAE - Revista de
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Anexos 88

Anexos
Anexo A – Fator para juros compostos.
n\i 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7% 8% 9% 10% 11% 12% 13% 14% 15%
1 1.0100 1.0200 1.0300 1.0400 1.0500 1.0600 1.0700 1.0800 1.0900 1.1000 1.1100 1.1200 1.1300 1.1400 1.1500
2 1.0201 1.0404 1.0609 1.0816 1.1025 1.1236 1.1449 1.1664 1.1881 1.2100 1.2321 1.2544 1.2769 1.2996 1.3225
3 1.0303 1.0612 1.0927 1.1249 1.1576 1.1910 1.2250 1.2597 1.2950 1.3310 1.3676 1.4049 1.4429 1.4815 1.5209
4 1.0406 1.0824 1.1255 1.1699 1.2155 1.2625 1.3108 1.3605 1.4116 1.4641 1.5181 1.5735 1.6305 1.6890 1.7490
5 1.0510 1.1041 1.1593 1.2167 1.2763 1.3382 1.4026 1.4693 1.5386 1.6105 1.6851 1.7623 1.8424 1.9254 2.0114
6 1.0615 1.1262 1.1941 1.2653 1.3401 1.4185 1.5007 1.5869 1.6771 1.7716 1.8704 1.9738 2.0820 2.1950 2.3131
7 1.0721 1.1487 1.2299 1.3159 1.4071 1.5036 1.6058 1.7138 1.8280 1.9487 2.0762 2.2107 2.3526 2.5023 2.6600
8 1.0829 1.1717 1.2668 1.3686 1.4775 1.5938 1.7182 1.8509 1.9926 2.1436 2.3045 2.4760 2.6584 2.8526 3.0590
9 1.0937 1.1951 1.3048 1.4233 1.5513 1.6895 1.8385 1.9990 2.1719 2.3579 2.5580 2.7731 3.0040 3.2519 3.5179
10 1.1046 1.2190 1.3439 1.4802 1.6289 1.7908 1.9672 2.1589 2.3674 2.5937 2.8394 3.1058 3.3946 3.7072 4.0456
11 1.1157 1.2434 1.3842 1.5395 1.7103 1.8983 2.1049 2.3316 2.5804 2.8531 3.1518 3.4785 3.8359 4.2262 4.6524
12 1.1268 1.2682 1.4258 1.6010 1.7959 2.0122 2.2522 2.5182 2.8127 3.1384 3.4985 3.8960 4.3345 4.8179 5.3503
13 1.1381 1.2936 1.4685 1.6651 1.8856 2.1329 2.4098 2.7196 3.0658 3.4523 3.8833 4.3635 4.8980 5.4924 6.1528
14 1.1495 1.3195 1.5126 1.7317 1.9799 2.2609 2.5785 2.9372 3.3417 3.7975 4.3104 4.8871 5.5348 6.2613 7.0757
15 1.1610 1.3459 1.5580 1.8009 2.0789 2.3966 2.7590 3.1722 3.6425 4.1772 4.7846 5.4736 6.2543 7.1379 8.1371
16 1.1726 1.3728 1.6047 1.8730 2.1829 2.5404 2.9522 3.4259 3.9703 4.5950 5.3109 6.1304 7.0673 8.1372 9.3576
17 1.1843 1.4002 1.6528 1.9479 2.2920 2.6928 3.1588 3.7000 4.3276 5.0545 5.8951 6.8660 7.9861 9.2765 10.7613
18 1.1961 1.4282 1.7024 2.0258 2.4066 2.8543 3.3799 3.9960 4.7171 5.5599 6.5436 7.6900 9.0243 10.5752 12.3755
19 1.2081 1.4568 1.7535 2.1068 2.5270 3.0256 3.6165 4.3157 5.1417 6.1159 7.2633 8.6128 10.1974 12.0557 14.2318
20 1.2202 1.4859 1.8061 2.1911 2.6533 3.2071 3.8697 4.6610 5.6044 6.7275 8.0623 9.6463 11.5231 13.7435 16.3665
21 1.2324 1.5157 1.8603 2.2788 2.7860 3.3996 4.1406 5.0338 6.1088 7.4002 8.9492 10.8038 13.0211 15.6676 18.8215
22 1.2447 1.5460 1.9161 2.3699 2.9253 3.6035 4.4304 5.4365 6.6586 8.1403 9.9336 12.1003 14.7138 17.8610 21.6447
23 1.2572 1.5769 1.9736 2.4647 3.0715 3.8197 4.7405 5.8715 7.2579 8.9543 11.0263 13.5523 16.6266 20.3616 24.8915
24 1.2697 1.6084 2.0328 2.5633 3.2251 4.0489 5.0724 6.3412 7.9111 9.8497 12.2392 15.1786 18.7881 23.2122 28.6252
25 1.2824 1.6406 2.0938 2.6658 3.3864 4.2919 5.4274 6.8485 8.6231 10.8347 13.5855 17.0001 21.2305 26.4619 32.9190
26 1.2953 1.6734 2.1566 2.7725 3.5557 4.5494 5.8074 7.3964 9.3992 11.9182 15.0799 19.0401 23.9905 30.1666 37.8568
27 1.3082 1.7069 2.2213 2.8834 3.7335 4.8223 6.2139 7.9881 10.2451 13.1100 16.7386 21.3249 27.1093 34.3899 43.5353
28 1.3213 1.7410 2.2879 2.9987 3.9201 5.1117 6.6488 8.6271 11.1671 14.4210 18.5799 23.8839 30.6335 39.2045 50.0656
29 1.3345 1.7758 2.3566 3.1187 4.1161 5.4184 7.1143 9.3173 12.1722 15.8631 20.6237 26.7499 34.6158 44.6931 57.5755
30 1.3478 1.8114 2.4273 3.2434 4.3219 5.7435 7.6123 10.0627 13.2677 17.4494 22.8923 29.9599 39.1159 50.9502 66.2118
31 1.3613 1.8476 2.5001 3.3731 4.5380 6.0881 8.1451 10.8677 14.4618 19.1943 25.4104 33.5551 44.2010 58.0832 76.1435
32 1.3749 1.8845 2.5751 3.5081 4.7649 6.4534 8.7153 11.7371 15.7633 21.1138 28.2056 37.5817 49.9471 66.2148 87.5651
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Continua
Anexos 89

Continuação
n\i 16% 17% 18% 19% 20% 21% 22% 23% 24% 25% 26% 27% 28% 29% 30%
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18 14.4625 16.8790 19.6733 22.9005 26.6233 30.9127 35.8490 41.5233 48.0386 55.5112 64.0722 73.8698 85.0706 97.8622 112.4554
19 16.7765 19.7484 23.2144 27.2516 31.9480 37.4043 43.7358 51.0737 59.5679 69.3889 80.7310 93.8147 108.8904 126.2422 146.1920
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34 155.4432 208.1226 277.9638 370.3366 492.2235 652.6834 863.4441 1 139.6560 1 500.8500 1 972.1523 2 585.8215 3 383.1910 4 417.1177 5 755.0639 7 482.9696
35 180.3141 243.5035 327.9973 440.7006 590.6682 789.7470 1 053.4018 1 401.7769 1 861.0540 2 465.1903 3 258.1350 4 296.6525 5 653.9106 7 424.0324 9 727.8604
36 209.1643 284.8991 387.0368 524.4337 708.8019 955.5938 1 285.1502 1 724.1856 2 307.7070 3 081.4879 4 105.2501 5 456.7487 7 237.0056 9 577.0018 12 646.2186
37 242.6306 333.3319 456.7034 624.0761 850.5622 1 156.2685 1 567.8833 2 120.7483 2 861.5567 3 851.8599 5 172.6152 6 930.0709 9 263.3671 12 354.3324 16 440.0841
38 281.4515 389.9983 538.9100 742.6506 1 020.6747 1 399.0849 1 912.8176 2 608.5204 3 548.3303 4 814.8249 6 517.4951 8 801.1900 11 857.1099 15 937.0888 21 372.1094
39 326.4838 456.2980 635.9139 883.7542 1 224.8096 1 692.8927 2 333.6375 3 208.4801 4 399.9295 6 018.5311 8 212.0438 11 177.5113 15 177.1007 20 558.8445 27 783.7422
40 378.7212 533.8687 750.3783 1 051.6675 1 469.7716 2 048.4002 2 847.0378 3 946.4305 5 455.9126 7 523.1638 10 347.1752 14 195.4393 19 426.6889 26 520.9094 36 118.8648
Fonte: Adaptado de Bruni e Famá (2007).