Você está na página 1de 7

Direito Processual do Trabalho 

1. Introdução ao Direito Processual do Trabalho 

▸ Em 1923 foi instituído o Conselho Nacional do Trabalho, no âmbito do Ministério da


Agricultura, Industria e Comercio pelo decreto 16.027/1923;

▸ Comissões mistas de Conciliação → em 1932;

▸ Juntas de Conciliação e Julgamento → em 1932.

▸ A Lei de 1° de maio de 1941 organizou a Justiça do Trabalho, mas já estava prevista pelas
Constituições de 1934 e 1937, porém como órgão não judicial.

▸ O Decreto-lei n. 9.777 de setembro de 1946, elevou a Justiça do Trabalho como órgão do


poder judiciário.

▸ A Constituição de 1967, a Emenda de 1969 e a Constituição de 1988 mantiveram essa


mesma diretriz.

∷ Apenas em 1946: 

▪ Conselho Nacional do Trabalho → em TST;

▪ Conselho Regional do Trabalho → em TRT;

▪ Juntas de Conciliação e Julgamento que vigorou até a EC 24 de 1999.

Emenda Constitucional 92 de 2016 

Alterou os artigos 92 e 111-A da CRFB/1988 passando a explicitar o Tribunal Superior do


Trabalho como órgão do Poder Judiciário, bem como alterou os requisitos para provimento
dos cargos de ministros daquele Tribunal e modificou a sua competência.

4
∷ Atenção: 

A Justiça do Trabalho institucionalizada em 1939 em conjunto com a assistência judiciária


(lei n.1060/1950) aos pobres, o ius postulandi e a coletivização do processo do trabalhista
caracterizam o processo brasileiro no Estado Social.


2. Organização da Justiça do Trabalho 

Art. 111, CRFB/1988. 

São órgãos da Justiça do Trabalho:


I - o Tribunal Superior do Trabalho;
II - os Tribunais Regionais do Trabalho;
III - Juízes do Trabalho.

Foi com base na consciência da realidade do direito material que lhe era, e ainda é,
subjacente, qual seja, a disparidade econômica entre empregados e empregadores, que o
processo do trabalho acabou sendo pensado e organizado.

Dentre seus objetivos, portanto, destacou-se a preocupação de ser o mais simples possível,
para que os empregados tivessem pleno acesso ao judiciário e que pudessem obter desse
órgão estatal uma rápida resposta para suas pretensões.

3. Teoria Geral do Processo 

Escopo social: pacificação dos conflitos com justiça social e correção das desigualdades
sociais e regionais, promovendo o bem de todos, sem preconceitos por motivos de raça, cor,
sexo, orientação sexual, idade, condição socioeconômica ou quaisquer outras formas de
discriminação.

Escopo Político: participação democrática dos cidadãos na administração da Justiça e
implementação de políticas públicas que facilitem a democratização do acesso ao Poder
Judiciário, especialmente por meio da coletivização do processo.

5

Escopo Jurídico: efetivação dos direitos individuais e metaindividuais, observando-se a
técnica processual adequada, fundada em uma hermenêutica jurídica voltada para a
efetivação de tais direitos. Trata-se, aqui, do devido processo justo, que visa, por meio da
tutela jurisdicional, à tempestiva e efetiva realização dos direitos reconhecidos e
positivados no ordenamento jurídico.

4. Direito Processual do Trabalho 

É um direito instrumental que tem por finalidade atuar na prática tornando efetivo e real o
direito substantivo/material do trabalho.
Devendo, assim, ser adequado à natureza e características daquele.

∷ Conceito de Mauro Schiavi 

(...) conceitua-se como o conjunto de princípios, normas e instituições que regem a


atividade da Justiça do Trabalho, com o objetivo de dar efetividade à legislação
trabalhista e social, assegurar o acesso do trabalhador à justiça e dirimir, com justiça, o
conflito trabalhista.

▸ Tem os seguintes objetivos:



Assegurar o acesso do Trabalhador a Justiça do Trabalho;
Impulsionar o cumprimento da legislação trabalhista e social;
Dirimir, com justiça, o conflito trabalhista.

∷ Conceito de Souto Maior: 

Neste momento, o processo é visto como um conjunto prático de ações, com valor de
acesso à justiça, com objetivos a serem cumpridos nos planos social, econômico e
político. (SOUTO MAIOR,p.17,2010).

6
Autonomia do DPT 

Na doutrina, há autores que sustentam a autonomia do mesmo em face do DPC, são


chamados de dualistas.
Outros sustentam que o DPT não tem autonomia em face do DPC, sendo um simples
desdobramento deste, são chamados monistas.
Outros autores defendem autonomia relativa do DPT em face do DPC em razão da
possibilidade de aplicação subsidiária do Processo Civil ao Processo do Trabalho.

∷ Importante: 

 
O Direito Processual possui regras próprias, dispostas na CLT/43 no Título X com cerca
de 150 artigos.
Os vazios deixados pelo legislador tendem a ser preenchidos pelas normas de direito
processual comum como fonte subsidiária. Conforme disposição do artigo 769 da CLT.

▸ CPC;
▸ Lei de Execuções Fiscais (6830/80);
▸ Ação Civil Pública (7347/85);
▸ CDC, etc.

Possível impacto do artigo 15 do CPC/15 

O fato é que o novo CPC insere dispositivo expresso em que cita, pela primeira vez, o
processo do trabalho.
Art. 15 do CPC/15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas
ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e
subsidiariamente.

7
Formas de Solução de Conflito: 

Autodefesa: a greve e o Lockout.


Autocomposição: Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Disputa.
Heterocomposição: Arbitragem → antes apenas ao direito coletivo
Atualmente: o Artigo 507-A da CLT/1943.

Comissão de Conciliação Prévia 

▸ Composição paritária;
▸ Criação é facultativa;
▸ Podem ser criadas no âmbito da empresa ou sindicato.

Caso exista na mesma localidade e para a mesma categoria comissão de empresa e de


sindicato, o interessado escolhe e será competente o primeiro que conhecer o pedido.

∷ Importante: 

A Comissão instituída em sindicato terá sua constituição e as normas de funcionamento


regidas por AC ou NC.

A Comissão instituída na empresa tem as regras definida na própria CLT/1943.

5. Princípios Gerais Fundamentais 

▸ Princípio da Igualdade ou Isonomia;

▸ Princípio do Contraditório;

▸ Princípio da Ampla defesa;

8
▸ Princípio da Imparcialidade do Juiz;

▸ Princípio da Motivação das decisões;

▸ Princípio do Devido Processo Legal;

▸ Princípio do Juiz e do Promotor Natural;

▸ Princípio do Duplo grau de Jurisdição.

Princípio da Proteção 

O princípio da proteção, aplicável ao direito do trabalho, tendo seu maior expositor o jurista
uruguaio Plá Rodriguez, também possui importantes reflexos no processo do trabalho,
tendo em vista que a mesma hipossuficiência do empregado na relação jurídica material
também é verificada na relação processual.

 Gratuidade do processo – custas pagas ao final:  

O art. 789, §1º da CLT prevê o pagamento das custas pelo vencido, após o trânsito em
julgado, o que importa dizer que o ajuizamento da ação será gratuito, o que facilita o acesso
à justiça. Além disso, conforme dispor a Lei n. 5584/70, poderá ser requerido o benefício da
justiça gratuita, provando-se que o reclamante não possui condições de arcar com as custas
processuais.

 Arquivamento da reclamação trabalhista caso o reclamante falte à audiência:  

O art. 844 da CLT dispõe que a ausência do reclamante à audiência gera o arquivamento da
reclamação trabalhista, gerando a extinção do processo sem resolução do mérito. Tal regra
protege o empregado pois propicia o ajuizamento da demanda novamente, já que a
pretensão não foi analisada.

 Inversão do ônus da prova:  

A inversão do ônus da prova não é regra no processo do trabalho, tal como ocorre no direito
consumidor, em que o instituto é um direito básico. No processo do trabalho, a distribuição
do ônus da prova é feita com base no art. 818 da CLT, cuja redação é bastante simples: “A
prova das alegações incumbe à parte que as fizer”. A inversão do ônus é feita em hipóteses
concretas, nas quais são criadas presunções favoráveis ao obreiro, tal como ocorre nas
Súmulas n. 212 e 338, III do TST, respectivamente, sobre rescisão do contrato de trabalho e
prova da jornada.

 Depósito recursal:  

Os recursos trabalhistas possuem um pressuposto de admissibilidade especial, denominado


depósito recursal, previsto no art. 899, §1º da CLT, cujos valores máximos são definidos por
ato da Presidência do TST, que é utilizado para garantir uma futura execução por quantia
certa. O referido depósito, que hoje tem o valor de R$ 17.919,26.somente é exigido do
empregador, razão pela qual está relacionada ao princípio da proteção.

 Impulso oficial na execução:  

A execução definitiva, conforme art. 878 da CLT, pode ser iniciada de ofício pelo Magistrado,
o que evidentemente auxilio o obreiro no recebimento de seus créditos, pois o início do
módulo executivo não fica vinculado ao pedido a ser formulado pelo credor.

A reforma trabalhista mudou isso, pois agora o juiz só poderá apenas nos casos em que
as partes não estiverem representadas por advogados!

 Efeito meramente devolutivo dos recursos:  

Outro importante aspecto do princípio da proteção revela-se no recebimento dos recursos


trabalhista apenas no efeito devolutivo, isto é, sem suspensão da eficácia da decisão
recorrida, possibilitando desde logo a liquidação ou execução provisória, o que, em outros
termos significa dizer que o processo continua o seu trâmite, mesmo que a decisão possa
ser alterada em sede recursal. Essa rega encontra-se no art. 899 da CLT.


Princípio da Inércia ou Dispositivo ou da Demanda 


“Art. 2º do CPC/15 O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso
oficial, salvo as exceções previstas em lei. ”
Trata-se, pois, da livre-iniciativa da pessoa que se sente lesada ou ameaçada em relação a
um direito que se diz titular. (LEITE,2014,p.68).
SEM AUTOR NÃO HÁ JURISDIÇÃO!

10