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Dom IV TQ (B)

I. O Antigo Testamento tinha a ideia de Deus encerrada na lógica matemática da Lei da Retribuição: “Deus dá a bênção
ao bom e o castigo ao mau”. Porquê? “Porque Deus é justo!” Era a partir desta “justiça” à moda dos Homens que os
acontecimentos históricos de Israel eram lidos, especialmente os episódios mais dolorosos do Povo, como por exemplo o
exílio na Babilónia. Isso era um castigo de Deus ao Povo pela sua infidelidade. No exílio, o Povo tinha a oportunidade de
se dar conta da sua culpa e converter-se. Então, Deus realizava de novo a libertação do Povo e conduzia-o até à Terra
Prometida, como se revivesse o Êxodo.

II. Esta “justiça” retribucionista que consiste em dar a cada um segundo o que as suas acções merecem, foi definitivamente
ultrapassada em Jesus Cristo, que é o Exagero da Graça de Deus! A medida da Justiça de Deus não é o nosso merecimento,
mas o Seu Amor! A Justiça de Deus não é dar a cada um segundo o seu mérito, mas dar a cada um a totalidade do que
lhe pode ser dado! Ser Justo ao jeito de Deus significa aprender a dar ao outro a totalidade do que tenho para lhe dar, e
não simplesmente o que ele merece. Segundo a “imagem e semelhança de Deus”, não dar ao outro o que lhe podemos
dar é Injusto! Deus é infinita e perfeitamente Justo porque dá a totalidade do que tem para dar, a plenitude da Sua Vida
pelo dom do Espírito Santo. A “justiça” dos Homens mede-se pelo mérito; a Justiça ao jeito de Deus mede-se pelo Amor.
Jesus de Nazaré é a Revelação e Realização máxima da Justiça de Deus. Por isso é também o Rosto máximo do Dom! A
Justiça de Deus acontece plenamente em Cristo que “veio para Salvar e não para condenar”. No evangelho, Jesus diz
claramente que o Juízo da nossa Vida acontece no quotidiano das nossas coisas e das nossas causas. Ser pessoa significa
ser capaz de ajuizar a Vida! Não existe um “Juízo Final” como um Tribunal Divino para pôr as contas em dia. Isto é
linguagem pagã de uma “justiça” à nossa moda! Deus é Justo porque nos dá a totalidade do que tem para nos dar, que é
a Sua própria Vida! Mas os dons não se impõem… Por isso, o Juízo da nossa Vida não é Final, mas Actual, ou seja,
decide-se e constrói-se todos os dias nas nossas acções, opções e escolhas. Seremos eternamente a plenitude do que
formos fazendo de nós próprios! Por isso, usando a linguagem do evangelho, é importante construir a vida segundo a
Luz e não segundo as Trevas.

III. Jesus foi “elevado” (Ressuscitado) para ser princípio de Vida para toda a Humanidade. O Apóstolo Paulo rejubila:
“Fomos Ressuscitados com Cristo, não pelos nossos méritos mas pela abundante Graça e Bondade de Deus para connosco
revelada em Cristo Jesus. De facto, é por Graça que estamos salvos!”