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Infoth e s Inform ação e Te s a u ro 5233 Santos, Marcelo O
Infoth e s Inform ação e Te s a u ro
5233 Santos, Marcelo
O poder norte-americano e a América Latina no pós-guerra fria. / Marcelo Santos. - São Paulo:
Annablume; Fapesp, 2007.
256p.; 16 x 23 cm
ISBN 978-85-7419-765-4
I. Política Externa. 2. Relações Internacionais. 3. EUA. 4. América Latina. 5. Programas de Ajustes
Estruturais. 6. Integração Econômica. 7. Política de Segurança. I. Título. 11A. política externa dos ÉUA para
a América Latina.
CDU 327
CDD 327
Ficha elaborada por Wanda Lucia Schmidt - CRB-8-1922
O PODER NORTE-AMERICANO E A
AMÉRICA LATINA NO PÓS-GUERRA FRIA
Coordenação editorial
Joaquim Antonio Pereira
Diagramação .
Lívia C. l . Pereira
Poro emrr1<'11
Pelos Mais Belos RozO('\/
Capa
Carlos Clémen
CONSELHO
EDITORIAL
Eduardo Pefiuela Caiiizal
Norval
Baitello Junior
Maria Odila Leite da Silva Dias
Celia Maria Marinho de Azevedo
Gustavo Bernardo Krause
Maria de Lourdes Sekeff
Cecilia de ,AJmeidaSalles
Pedro Roberto Jacobi
Lucrécia D'Alessio Ferrara
I a edição: novembro de 2007
© Marcelo Santos
ANNABLUME EDITORA. COMUNICAÇÃO
Rua Padre Carvalho, 275 . Pinheiros
05427-1 00 . São Paulo . SP . Brasil
Tel. e Fax (0,1 i) 3812-6764 - Televendas 3031-9727
www.annablume.com.br
no p assa d o , qu a nd o e xp er iên c
no p assa d o , qu a nd o e xp er iên c i as soc i ais e po líti c as l atin o - , am er ica n as
av n ç r, ' ~
n ll'
Capitulo IV
essas temát i cas , não ma l ograram ap en as p e lo s
seus eq uivo c o s ,
m a s , n a m a i o ' "
11\
vezes, por go l pes desses grupos con servadores .
o projeto norte-americano de integração
econômica das Américas
A
c ris e ec on ô mi ca no s paí s es c entrais , juntamen t e com a cri se h ege mô nic a
do poder norte-a meric a no
no iníc io da década de 1 9 70 desencadearam
pr ofunda s tran s forma ç õ es na e c onomia mundial . Um a dela s f oi c ausad a
p i as i ni ci ativas uni laterai s do s EU A p ar a r e s ta be le cer s ua h eg em on ia so b r e o m undo
(, \ i tal i s t a, que l evaram à d estruiç ã o
do sistema monetário
e financeir o
c ria d o em
1\1
tto n W ood s e inau g urar a m um no v o s i s tema ba s eado na desr eg ulamenta ç ão
dos
J1 rcado s finance iro s e na f lex ibilizaç ão
do c â mbio,
Com o
já foi a n a lis a do ,
ne sse
110VO s i ste m a a s elites go ve rnant es nor t e-a me rican as
s e a poiar am n o c a p i tal fi nancei ro
p a ra a res t auraç ã o de s eu po der n o mun do e, p or c o n s e qü ê n c ia,
e ss e cap ital p asso u
I oc upar no vament e uma po sição c ent ra l de ntr o dos grup os d o minantes, tendo uma
l llfi u ên c ia dec i siv a na p o l ítica interna e ex tern a dos EU A
Uma out r a t ransf or m aç ão
impo rt an t e
es t á r e laci onad a
ao processo
de
I est r utura ção
pro duti va des encade a do
a partir da cri s e do f o rdis mo
que, além d e
I o porcionar uma reorgani z ação da s in dús tria s mediante in v estimentos em s etores
I ponta (no v os materiai s, biotecnologia , te lecomunicações , informática) e
m o dern i zação de se t ores d inâm icos (au t omob ilíst i c o , máquinas e equipamentos ,
I t r o química), trou x e também um no v o paradigma tecnológico e orga ni zacio na l
m n ovas t ecn ologias e s t ru t uradas na a u tom a ção inf ormatizad a e nos n ovo s padrões
gestão d o trabalho baseado s na f le xibi l ização das fun ç ões, das jornadas
de trabal ho,
remunera
ão e do s D i re itos traba lhi s tas. A l ém disso, com as pol ítica s de
I sregu lamentação
e l ibera li zação dos mercados f i n a nceiros mundiais es timuladas
p or Was hin g ton, t em se v erif icado um intenso avanço da interpenetração entre f inanças
145
44
e in dú s tri , i~ p ond o a d i s c
e
in dú s tri
, i~ p ond o a d i s c i p l in
l óg i c d s
.I"\Ut.
1
M x i c ,
t i
ld o d o N A I - A ,
u s rvi u c I I m o d 1 0 p a r a a s
co
nt r i b uin d o d ec is i vam e n t e par a a e x p n s ão d
I
11 1 " 1 I
li
«
x i
I
O 5 d AL C A.
p r oduti vo s .
_As s i m , n ess e a m bie nt e d e r ee s trutura ção pr o dut iva
m d z mbro d e 1 994, o p r esi den t e Bi " C l into n co ns e gu iu r eun i r, na
d
i n L' I P (' I H 'I I 1 1 1
1 1 1 c l ' 1, 1 11 11111
úp u lª
d a 1iAm é ri cas
e m M i am i , 33 c h ef es de Es tad os d as A m é ricas,
co m
ent re f in a n ç as e i ndústria , a age nd a g eo e co n ô mi ca n or te -a mer ica n
. Cub a, p ara firm ar o c o mpr om i ss o da regi ão com a
I' I I livr c o m é r ci o q u e dev e ri a s e e s te nder d o ' / \lasca à Ter r a
,
I
d é cada s, não tem s e r e s um i d o ap ena s a
um y ig o r oso em pe nho p e l l i b(' lo Ill I,\ I ,
co nstr uç ã o d e u ma
d o Fogo" - a A LC A.
. dos m e r c a d os f i nance ir o s, m a s , co m a
m e s ma v o n ta de, o s EU A t a mb 1 11I
1 11
I 'I i d Mi a mi seg u i r a m -se a s r euni ões minist e r i a i s d e com é rc i o d e D e nver ( 1995 ) ,
e mpenh ad o pela libera l i zação c o me rc i a l e p e l a i n s t i tuciona l iza ç ã o d e U I l I ' '1 1 11
I 11 1 0 1n1 ( 1 996), B e l o H o r i zon t e ( 1997 ) , San J osé ( 1998) , T or onto ( 1999) , B u en os
ç g l o b a l de d e s reg ul a menta çã o dos inv est i m ent os q u e p re vê am p la l i be rd a d e 8d l llllll l
. de pr o teção aos s eus ca pita is em d etr imento da s p olítica s in du st riai s n a c i o n a i s , I . I
" ( 2 00 I), Q u ito (200 2), M i ami ( 2003) , P uebla (20 04 ) e a s r euni õe s de C ú pul a
I1 1\ é r i cas de Sa nti ago ( 19 98) , Quebec ( 200 I ), Mo nterr ey (2004) e M ar dei
fi co u e viden te na R o dada Uru guai e m 1 9 9 4, na c r iaç ão d a Organi z ação Mun l i .11ri"
Co mé rc io e
na s ú l t imas r od ad as co m e rc i ai s . É ess a e strat égia q ue
va m o s e n
11I I\I
quand o an a l i sa mo s a pol ític a co m e rc i a l no r t e -america n a
n o c o n tin e n te , C 1 11I
1 1,11(,12 00 5 ) n as q u a i s f oram s e es ta belece ndo a estrutura in s tituc i o nal , as diret riz e s ,
, I I n og ram a e a s n egociações d a A L C A. Ao l ongo d ess e processo f oram c r iad o s
IlIIV G ru pos Negoc ia dor es, e nv o l v end o os segu intes tema s: acesso a mer c a do s ;
cr i açõ e s d o North Americon Free Trode
Agreement
(N A FT A), do T r at a d o d
III VI t ime ntos; s erviços; comp ra s gov ern ame nt ai s ; so l ução d e co nt r ovérsias ;
Co mér c i o co m o Ch il e (TL C C h i le - EUA), d o T ratado de L i vre Co mér c io
I i V 1 1
1 1 II 1
' I i u l tu ra: D i r eit os de R r Q l 2ri edaq g
int
~
s u bs í d~ ontidumP.J.Dg e Di r e i tos
Am é r ic a Ce n tr a l e a Repúbl i c a Dom i nicana (CAFT A -DR) e as n e go c ia çõ es p o l i I
u n p n s a tór io s ' e o l íti c a d e conc orrê n c i a. Essesg rupos p assaram a r eceber apo i o
c o n s trui r a Á r ea d e Li v re Com é r c io da s Amé ricas (A L CA). L emb rando a in d a q u o 1 1
\I lministrativo d e u m sec re t ari a d o e o a _ 9i o t écni co d e u m Com~ ê Tr i f2arti t e, f orm a do
pr o p o s t a de i nte gração econ ô m i ca d os EU A par a a reg ião cont emp la, em m '1 111
pl l
O EA , pelo B I D e pel a Cef 2LNo
Plano de Ação fi co u es ta b el ecido que as
gra u, a spec t os ge opolíti c o s e de s e gu ran ç a e tam b ém s e in se re num co n t ex t o c I
'I! oc iaç ões para a cr i ação d a á r ea de li v re co m érc i o h em i s fér i c a dev er i am e s ta r
di s pu t a i nterc ap i ta li s t a e n tr e n o rte -amer i c a nos , as i á tico s e eu r op eu s .
mcluídas a t é 2005.
O Jlli? j eto de in t eg@Ç ãop rev i s t o p elos EU A n ão é s iml ? lesm en te a l or m ~ção
l uma ár ea de liv re co m ér c i o t rad i c i o nal com a e l im i naçã o dos e nt raves a o trânsi t o
I. O projeto norte -america n o da A LCA
(I< be n s , mas , ma is do qu e i sso, e l e . Q r e vê também a i ns ti t uc io n ali z aç ão d e r eg~
muns pa r a t ema s como se rvi ços, i nv est im e ntos , c ompr as gov erna m ent ais,
O . p r i me i ro pa sso p a ra a c r iação do - projet o norte-america n o d a A L CA rOI
I
r o prie d a de in te l e c tu a l , ete . No t e-se q ue a libe ralização p r o po st a p elos nor t ~-
d a d o em 27 de ju n ho de 1990, qua n do o _ go v erno d Ge orge B us h anu n c io u
d
l 1 le r ica no s p os s u i L Im a s é rie d ~ ss a l v as e ex ceções que prese r v a m os i n strum en tos _
o f i ci a l me n te a "Inic i at iv a par a as A mér i cas" , q ue p r e via a fulmaç ã o
de u m a J .r:e . ad e
d
d e f e ~
_c o. m~r ,Çiadosl E UA _cO D} O_ S ~aI ~g j s l a ç ~ o ontiq e s u a p olí t ica de
uC02ing
li v re c o mé rcio n o co n t ine nte. Ta l pr o j e to
conce nt rava-se e m tr ês á r e as f u n dame ntais :
pro
te
ão à agc i cu l tl !r a Ao m esmo tempo, as n egociações n ão i nc l uem t emas como
c omérci o , dívi d a e x t e rna e i n ves timent o . N a ques tã0 (0 m ê " rC@ Do ob je t iv o er a a
I u ni fi ca çã o monet á r ia e c ri aç~ o d ~ m
b an co c e ntr al c omu m, pr ogr a m as d e -
\ e l i min a ç ão d a s b ar r eir as c omerc i ai s e n tre os p a í s e s s ign at á rios e a adoç ão d e u m a
f
in a n c i amento ara os
a ísese re i ões mai s atrasad ase a l i v r e c i r c ul aç ã o e t r ab alh a o re s
leg i s lação qu e e n v olvia , ent re o ut ros a s pe ctos , a gar a ntia to ta l p a r a a li vre c ircu la Ç. ã
(BA TI S T A Jr. , 2002 ). P ara t orn ar m ai s e v idente o t ipo de i nteg ra ç ão econ ômi c a q ue
de b ens, se r v i os e ca it a i s e a ro t e ã o d a !2[Q pr i e d a de in te l ec tual. Em r e l açã o à
ív i da e , a propo s ta d os E U A era de um a batimen to peq u en o da dívida e a
os E UA prop õ em à r egi ão, v a l e a p ena, nesse m om ent o, d es t ac ar a l gu m as d e s u as
p
r o pos ta s nessas n egoc i ações
- -- - -
g ar a nti a de no v os emp r ésti mo s par a o s p a í ses l a tino -americ a n o s , des de que e s se s
Na q u es t ão d a< R . fQ P ried adeint el ec !i d i D a d i pl om aci a n or t e- a me ri can a, a
Es t ado s se c om pro m e tesse m com oS
Q! : Q g ra m asd e
a ju s tes e s trut urai s di tados p e l o
s
e rv i ç o de s ua s g r and es corpora ç õ es d o seto r far m a cêu t i c o e d e a l t a t ecnol ogi a, j á
E
M I e o Ba D co
t 1 u.a . i a L
d
Equ.o oe se r e f er e m ao~ s tim en ~ o s
E UA pr o p u s era m
h
a
v i a co n s eguido in c lui r n o d ocu mento final d a Roda d a U r ug u ai d o GATT o acordo
a
c r i aç ão d e u m fu nd o d e in ves ti m e nt o s Q a r a a reg ião qu e dever ia s er ad m ini strad o
s
o b re Iéode Refoted Aspects
of/ntellectuof Proeerty Rights - TRIPs (A s p ectos Co m e r c i a i s
p
e l o B I D e p elo Ban c o M u ndial (V IG E VAN I & MAR IA NO, 2003)
Doi s a no s d ! =p'o is
d
os Di rei tos da P ropried ad e I nte l ec tual ) . Nesse acordo f oi a mpl iada s i g nifi c ativamente
d o l a n ça m e nt o d a " I nic ia ti v a par a as Amé r i cas", o go v e r no
B ush a ss inou ju n tamen t e
a
Q r ote ç ão às
ate n tes e m â mbi to m undi al . Atr avés d e in s t rumentos ju ríd i c o s
146
147
inter n ac i o n a is garant ir a m-se à s c
inter n ac i o n a is garant ir a m-se
à s c orQora çó .
s t r n s n ci on
i s
p r ot
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Ir 111 1 1 111i cJ'
1111 li 11 I 1\I m o in v
P 1 0 i v s Li d or 5 x t rn o s ; a o bri gação do s Esta d os -m e mb r o s
a
\
,I I
I
i do r s s t r a n ge iro s em s it u açõe s na s
qu a is as d ec i sões so b e ran as
te c n o l ogi as priva das, suas inve n ções , s ua s po s i çõ es mo n o po l i s tas
e a e x t r ç o r 1II I II
200 I ),
O TRIPs
II
IlJl
de r oy alti es
(SHI VA ,
i n c lu íd o
n o GATT - O M C
li nl i l (III
rid d s na c i on a is s ej am co n sid era d as "equiva l entes a uma e x propriação ";
ete .
N as n egoc ia ções d o se tor d e ~ nova m e nt e
os EU A ret o m a ram
a
. si g nific a ti v amente o ace ss o
à tecnologia, a o conhecimento
e ao
ro r e ss o 1 11 11II
I , 1 1II qu
te m e nfre nta d o
resi s t ê n c
ias
n a O M C
e d em a is fó runs
econ ôm i cos
para os paí se s pe r i féric os, Nã o plenamente sa ti s f e ito s com o TRIPs, a s r ' " " JI
n or te- a mer i ca nas
na AL CA
ne ss a á rea v ão al é m do s com p ro mi ss o s
a ss u m id
• .• 11 01
1 111I I II I .\t r i s , p a r a te nt a r imp ô- I a aos p a í ses d a regi ã o , Os E UA
q u e são os m a io r e s
OMe , , am p-li a ndo ainda
mai s a p rn t eç ã o
so br e o copvright,
os segredo s co m
r i .ti' I
I I t d o res d e s e r v iç o s
do p l a ne t a,
pre t e nd e m
in clu ir n a AL CA a libe r a lização
, 1" 1
de to d os
o s t iR OS de se r v i ços , tais como f ina n c e ir os ,
t e leco mun
icaçõ es,
_ - ªª- º at e ntes,
Ri c up ero,
a s ma rca s c o merc i ai s e as indic aç ões ge o gráf i cas , D e acordo co m Ru bt 1 \
I
'I v i d nc ia , se guros, tu r i s mo,
ind ústria edito rial, po s tai s, transp ort es,
á gua , ene r gia,
dentre o s as pe c tos em que o s EUA quere m
ava n ça r m a is do que n o
l l it ll
-I, I n c ia m é dica, ete . Tam b ém estão inc luí das na prop osta n or t e -ame r icana t o d as
aco rdo d o TRIPs, i n c luem- se:
\.u· n t i as pre v ista s aos invest id ores ex t ern os qu e e s t ão c ol oca das n o ca pí t ulo so br e
,
d i spendios a s pa r a a agropecuária ; e a l i mitação ao má x i mo do recur so à " Ii c e n
compulsória ", no caso de medicamentos . Dire i to reconhecido por tod as (\
convenções sobre p r opr i edade i ntelectual e pelo Acordo TR IP s , a lí cen ç i
compulsória é a possibi l i dade de r ompe r a pat ente , qu a ndo e xis te abus o d
t it ul ar, que se r ecus a a man uf at ur ar o me di c amen t o no pa ís ou cobra po r ele pr e ç o
a bus i vo. O p aí s-víti ma pode t ambém u ti l i z ar a "imp o r t aç ão pa rale la" , isto é , em
c a so de neces s i d ade , i m por ta r de fa b ri ca nte nã o -a ut o ri za do. F oi graç as ,
po ssibi l i d ade de r ecorr e r a tai s m e canism o s que o Mini stério da Saúde consegui u
no Br a sil que o s la boratór io s red uzissem em até 70% o preço do s remédios d o
c oquete l an ti-Ai d s. S e es tiv esse em vi g or o capítu l o pr opost o pel a ALCA, o gove rn o
bras i leiro não t e ria obtido tal vitória (2003: 56).
[
]
a poss i bilidade de patentear organismos vivos, com implic a ções negativa
11IV( tirn en tos.
A lém disso , pretend e -s e
J :2 lb l ! : . os E s t a dos de of erece r em
serviços
11( s u 'e it o s a uma ri orosa l óg ica
e conôm ica , a me n os
u e se 'am
rat u itos e nã o
I n it am co m os do s et o r pr i v ado, O pr o ce s so d e neg oci ação do A co rdo G era l
( l re Comércio
de Ser v iços (GA TS) cr i ado em 1994 durante a conclusão da Rodada
I J, u g uai do GATT j á hav i a de ixa d o cl a ro qu e a preten são
d os p aíses centra i s era a
I mp leta li berali zação
do setor de
serviços e a restrição
à atuação dos gov ern os
f 1 I s aá rea, p oré m ,
a res istê nc i a dos
países perif é ricos l evou a um acordo que optou
I Ia l iberalização gradua l do setor , Fi co u acor d ado
que a l ibera lização dos s er v iços
oco rreria
mediante
"l istas pos i ti vas",
nas q u a i s os
países destacav am a s á re a s qu e
II I r ia m lib era l izar, emb o ra
o acor d o
j á t ivess e g a ra nti do
a a bertura
das á re as d e
r v i ç os
financeiros e ser v iços básico s de telecomun icação ,
Poi s bem , na AL CA o s
I UA re t o mam
a age nd a d a lib er ali zação a mpla dos serviços, com po u c as ex c e ç õe s ,
( mo j á acon tece
no
NA F TA
N as pr op os t as sobreê i Iívest i m ~ s
A L C A são as m e s mas do Acordo
Mu lt il ateral de
pre t ensões dos EUA no âmbito d a
In v estimentos (A M/ ) , Esse acor do,
No que s e r efere às c om pras over n am enta is u ~ ra t o ~ y65 f fi ~~ d e
go
verno, a proposta n o r te-amer i cana
par a a A L CA é ev i tar qu e
o s gov er n os â ê e m
que os norte- american o s
e al guns aliados n ão co nsegu iram ap
I : QY.aL nasnegoc iaçõ es
da Organi zação para a Cooperação e [)esen vo l v imento
Econô mico ( OCD E) de vid o
Ir
tam ent Q p ~ É renc i al às em p- resas nacionais devendo oferecer o m es m o tra t ame n t o
à r e s i stência da F rança e do s movi men t os soci ais, _ pre te ndi a l i bera l izar os inv e s ti mento s
p
ra as em resas f o rne ced o ras d e b ens e s e rv i os de to dos os p aí se s pert e nce nt es a ár ea ,
I mundi ais,
oferecendo
inúmeros
D ir _ eitos e n ulas obr i ga ç ões
à s _ cor
2
r ' ! çõ e s
Sob esses aspec tos, pode-se
d i zer q u e o projet o n orte-a m e r i ca n o daALCA
_ tr ans @jona i s
e a Q m~ ? J ' X l Qt ~ mQ o , irl) por duríss imas r~s t riç ões a os E s tados n ac ionai s
pre
t e nde
ins t it ucio n a liza r
no r mas que gara ntam a l i ber aliza ção c o m erc ia l ,
fin an ce i r Q.
-I -~l
J
.
.> ,, 'Ó. ula r: r© llli c
l lJ i i m . mente .,. 9 mov im ento d os inves ti dor es e se u s cap i ta is, E stava
d os i n vest i mentos d e acordo c om os in teresses de seu s c aR ita li s tas , i m p e dindo o s
pr e v i s t o
inc lus i ve
o d i reit o
d os i n v estidores
estrangeiros acio n arem a arb i t ragem
de ma is p aíses da reg ião de m odi fi ca rem
suas políticas e con ô mi c as n a c ion a i s , Nesse
i n t e rnac i onal
sup os tam e nte
contr a o s Es t a dos n ac i o nai s para s e re m re ss ar c idos de prej uízo s
s entido, o p ro j e t o
A LC A po de ser v isto co m o a complem e nt a ção
e a co nso lid ação
ocorrido s
dev i do a m edidas toma das
p elos
poderes p ú bl icos, A o
j ur ídi ca do processo de reformas liberali zantes pr om ovida s
na r e gião nas ú l t i mas
r
to m a r a leg i slaçã o d o frac assado A cord o
Mul ti l a t era l d e In v estimento s,
o pr ojet o
déc adas s ob moni tor ame nt o
de Was hin gt o n, Em c o n 'unt o, a m a io r parte das política s,
j
1 A I C A pr et end id o
pel os EU A pre v ê: a p roibi ç ão d os g ov e r n os
pr a tic a re m p o lít icas
das reformas e d as ins t itu ições recomen d ada s pe l o s E UA s ig nif ic a m negar aos países
I
1I r v or
çam o s in vestidore s
n a ci o nais e m d e trime nt o
dos in v e s tidor e s exte r nos ;
a
da re gião a poss ibi lidad e
d e util iz ar em
in s t r um ent
o s
d e po l ít i c a eco n ô mic a q ue os
'
l iv r tr ans fe r ê nci a
d e ca pitai s de um p a í s ao outro
a uma t ax a
d e c âmbio
ró rios n orte - a me r i canos e os dem a i s aí se s c e n tr a is u s aram dura nt e s eu s r es ec ti vos
(I<
' '1 0 11 1i I d
11 1 I
, \
I
,
imp edindo
os gov ernos
de contro l are m
os f luxos
de ca pi tais;
a
p - r oce ssos d e des en v olvi men to ,
1
111 /II1 , i l il l l
\
I
1 05 g o v e rn os es tab e lec erem
me tas o u re quisi to s d e de sem pe nh o
a
149
I, + - ~\9 J) I I n v ori n taç o eco n
I,
+ - ~\9 J)
I I
n v
ori n taç o eco n ô m i ca
d eco rr eu
d e um q ua d r o
d e c ri se
a
s p r t nsõ
no rt
d
m
~
As n ego C l a ç oe s
a l ia d os , o p os itore s,
,
d a A L C A
d e
o r o co
1111 1 11\110 m o d
1 0 d
s ub s ti tui çã o de imp o rt açõe s
q u e , com a major a ç ã o das ta xas
, '"
o nve r gê nc i as, c o n j unt ur
5,
m t l t,11 1I ,
,
1 1 1' 1 1'.' ''
'nvo l vem
dl ver g e n Cl as, c
di 11 11 n o s países cen tr a i s , c om o e n x u gam e nto
do m e rca d o
mu nd i a l d e capitai s e
, I 1I1t
qu da d o s pr eços
d a s ex p or ta ç õe s
de pr oduto s prim á ri os, acabou s e tradu zind o
~
s trat ég i as que p o de r em os
v e rific a r e m seg u i da ,
11 111\1 1r nd e d í vi d a
e x t e rna
p úb l i ca
e, po r c onse qü ê nci a, na fal ência fis cal do E stado,
I
i
co n ômi c a
e soc i a l pr o v e nie nte
d o endi vid a men to
ex t er no,
bem co m o
o
2. O M éxico como aliad~ ~ os E UA no proje to
de in tegração das Am e ncas
II I
I
rd f c i o, a in e fi c i ên c i a
e a corru pção
p r esent e
n os a p a re l hos es t a tai s t a mb ém
1IIIIl l ufram p ~ a ess a muda n ç à
9~~ raté g i .a _ e cooÔrni c a ,.
Além , c l aro , do f a to d e
.
"
I
III
m e rcad o dos E UA res p ondi a po r cerc a d e 65% do comérci o
e xteri or me x ic an o,
t do
r oje t o " In ic i a ti v a das Amén ,\,
Pa
r a o s EU A, o Méxi c o
cons ti t ui
um p aí s e s tr a tég ico
por um a s érie de
,
~ode-:e d izer que desd:~ I ~~~~~~; ov er~os
m e x i can o .
v êm c ~m ~ il 1<)
1.
\ O 5 q u e es t ão re l ac i o nada s às suas qu e stões de segur an ça , d e v i do à ime n sa
fro n te ir a
p
ela a dm ln l straçao
Geo rge
Bu s h o s EUA no pr ocess o de in t e gra ção
eco no m l Ca cl I
l
i !
os d o i s pa í ses, ao s s eu ) i nt ere ss es geoe con ô mic os,
ligad os aos r ecur sos n a tu rais
um i mp ortan te J :! a p ~ 1 de a li, a?o d
modelo
d e inte graçã o pr ev i s to pe l o N AF TA
(
x i can os e à s s u a s e s traté gi as geo R olíti ca s Ra ra a Am éri ca L at i n a , So b vários a sp e c to s
A méric as , A adesão Incond i cional ~o
dor Bi ol óg ico Me s o a meri ca n o ,
d
'11
d
C
' d
pr o jetos
o
orre
I'l
I
-se d i z er
q ue
as p r ete nsões
dos EUA co m a a d es ã o do
Mé x ico ao NA FT A
e mpenho
para c o n so I ar os
bl
TL C Mé x ico -C e nt roam é r i ca
e do Plan o Pue
P
a - ana
má s ão e xem pl os de sse pr oc ess
nvo l ver a rn t o das ess a s d imen sões
c itada s . Com o acordo , os EU A
esp er av a m
1 1 1ti'tu c i ona li zar
as refor mas ori en t adas
p a r a o me rcad o;
a ss e gurar con d ições m a i s
ib rta s e s e. ura s
a r a se u s in vest i d ore s
e su a Rro -. rl edad e i ntelec t ual '
a ra n t ir o seu
o NAFTA
como modelo de integração subordinada
,
b s te ci m e nto en e rg éti co
a bons R reç ~
o bte r -- ª
9i llJ. R l i ci dad e d o M é x i co
n as sua s
~ ' i ca
ec on o~
do M éxico,
v ia F MI e B an c o Mu n d i a l,
n o
p If t i c a s d e c o mb at e
à i mi g@ . Ção ile . al e ao trá f i co de drQ
as ' e t er o M é xi co co mo
A r ee s tr utur a çao
d
d
1 980
lev o u
as e li t e s g ove rna nt es
e
xe m plo
e a li a d o par a av a n çar n o
pro cesso
de integ raç ã o d o c o nt inente
( AL C A) ,
,
d
di id na déca
a
e
,
,
'
co nt ex to
d a cr is e
a
I V I a
I
di n te d e um con tex t o
de int e n sa ri va li d ad e int ercap it a li sta
com o s a s i áti cos e o s
,
i n i c iarem um ampo
p
r oce sso d e li berali zação eco nom l c a
~
d o min ant es
d esse p a i s a I nl C l
i m e nt
conômi co ba s ea d a nas e x p ort aç o e s,
e uro p eus
(M A RGÁ I N ,
1 99 5 ; COR O NA D O ,
2000 ),
s t t' g i a d e c r esC lme n o e
com o p a r te
de um a e ra e
,
e d e Car los S a li nas
( 1 988
M d ' d (1 9 82-1 988)
, -
d e tanf a s
Pa ra ta nto , a di p lo m acia norte- amer i c an a
não pou p ou
esf or ços i nt e rno s e
Nas admin is tr açõ e s
d e Ml g ue l de Ia
a n
a p o l ít i ca de re dução
( x t e rno s par a a a p rov ação
do a cordo ,
Nos EUA, a aprov a ção
d o t rata d o - q u e p a ra
, GA T I
e avan çou num
19 9 4), o
MéX I C O en tro u
no
d
t a l fo r ma qu e
quan do c o meç ar am
v ic e-p re s id ent e
A lber t
G o re " e ra tão i mporta nte
qua n to a compra
da Lo uis ian a e
r
'
d
a lf an degana s e de a c or o s
de liv re com e rc i O
'
aís iá poss uía uma econo mia
e
,
r
'
do A l as ka "
- o c o rreu
num a
v otação ape rt a d a no C o ng r es so onde ac a b ar a m
89
o
b astan t e
as ne g o cia ç õ e s
do NAFT A ,
e m
1 , 9, '
e m
re va l ece ndo a s d ura s p ressõe s do P oder
E x eçu~v Q , das c Qrp oraçõe s e dos fi n anc is t a s,
id
a o Mex l co
Pn tr aJ da em v i gor do N A FTA,
a e
I d e
"
,
f
de s p ei t o da opos i ç ão P- Q Pu l a ~ d o s si n d ica t os
e da p c
.
.ó p r i a ag ên cia de p e sq ui sa d o
aber ta ,
Ness e senti o , par
' d
mas p a ra o merc ad o
qu e o pa i s J a
• rt
do processo
e r e or
e b . ool , Qg y . h5e5 .s rr u: ; nt) , -. q . u .e
c 9JD.aY.ar:D a at e. oç. ã Q par a os
, mos f i nanceiros
r ' d de c om o s orga nls
,
interna C i on a is e o
d
'
o n res s o (O f fice
J 'a n e iro d e 1 994 , tez p a e
'
termcs.do.acordo
e o s se u s
t ed
,
i s ta e de certa ind epe nd enC la
PQS5
. blci sj mp a d Q ~ ga ti y . Q $~ E.
Qs
tr ª bal hadore s
e o
v inha ado ta ndo
e m c ump I C I a"
a
O
I
d
naCiona lis t a, pro eC l onl
I' d
r
'
meia . amhi en te .
No Méx i co,
al é m d e c ont a r
c o m o i mp orta n te
p ape l c u m pr id o
t es o ur o
d os EU A .
eg a o ~
EUA f oi subst ituído po r um a' es tra t egl a de a I a o
pe l o FMI e pe l q B anco Mu ndi a l n o p r oces so d e r e f o rma s pa r a o m ercado
no p a í s , a
d i p l om ac i a me x i ca n a em relação aos as ues tões econômica s, que
fo i g . i:i l l1ga da com o
di loma c ia dos EU A t am bé m
uti l iz ou os s er vi ç o s d e su a a g ê n c i a de i n f orm ação
( USI A)
p re f e re n c i a l d os n o rte- a men , ca n os
'
nM q d
C
m o
nas pal avras
d o pr óp rio
C arl o s
'
Pr
imei r o
un o,
o
,
r
'
n a campanh a pr ó - NAF T A.
E ss a ag ência ofici al de prop aganda d o gov e rno n ort e -
M
a e ntra da do
, ~
S a l in as , n a ocas iao
e Xl co no
d
~
'naug ura çao
I ,
d ' " Com
do acor o,
o trat a do
de li vre co m erc i O
americ a no
- que a p ós o f i m da G u e r r a Fria foi
i nte gr ada ao Departame nto
de E stado
e
,
I b li zan d o e i s to é a chav e pa ra o Ingre sso
~
ro C O l J o di s c u rsQ ant i CQmun i s t a pel a n ov a ofen siva d o go vern o Cli nto n de p r om over
c o m os E UA e o ~ an a da e sta r e~ o~ ;~ ~ ~
:pud SA X E-FERNÁNDEZ,
200 2 :
124) ,
a e x an são dos i nt ere 5ses fi na
. as,e co m e rciais
d os EUA no exter ior
-
cumpr iu
d o Méx i c o
no Pr ime i r o
Mundo
(
, iranas era de que o aco r
do pude ss e fa c i lita r a ent rada d e
,
um i mpo rta nt e
p a pe l n o pr ocess o de g aran t ir a ad e s ão de dete rm i nados
s egmentos
 s p r n ç
da s e li tes me xl ,~ana
aís com o b ase t e cn ológic a
e pro duti v a
par a
da
soc i e da de me x icana
ao t ra t a d o,
Um f rag me nto
d o r e la t ór i o
i nte r n o
d a USI A
' "t il iL i
tr n ge ir os que ~Iliza :sem
f
a o mod elo econ ô mic o ex portador ,
\ 6 5 o s E UA , dinamizando ,
° d P
ess a orm
,
,\,
XI
I
\
151
d e n o m i n a d o USIA ond NAFTA: Building o
d e n o m i n a d o USIA ond NAFTA: Building o Foundotion ror ucc
111 [u i
5 d e c i s ões so b eran as d as a uto r i d a de s n ac i o n ai s se j am co ns id era da s
p a p e l d o ó r g ã o n o p ro ce s so d e imp l e me n t ação d o NAFTA :
" '1l 1 iv I n t es a u m a ex p r opr i ação" . O a rtigo I I 06, d o r u~?To ca pí tul o, p or s ua v e z ,
11 1 I 5 s t a d o s n ac i o n ai s o d i re i to d e im o r " determinad( )f ; r e ui s itos ou e x i ênc i a s
Trabalhamos para most rar aos segmentos m a is inf luent e s d a s o c i e d a d e m exi. 1111
que os interesses dos Estados Unidos no México era m m u ito m a is pro fun d o I I
que meras margens de lucro . Alimen t ando o inte r e s se e re s pe i to am er ica n o p 1(1
valores e cometimentos intelectuais e culturais mexica n os, pu d e mos c on struir
uma base socia l para a c o operação econômica e pol ític a a o m esm o tem p o 111
que desarmávamos a maior oposição potencial do M é x ico ao NAFTA (Apu I
SNOW, 2004 : 66).
,I
mpo rta m e nto" ao s i n v es ti d o res , como aceit a r uma det e r m in a da p orcentagem
I
r o n te úd o l o ca l o u n aci o nal na Q ro dl l Ç ã o o u na cont ra ta ç ão d e e mpr eg ado s . O I
1111 o
I 102 o briga os Es tad os n aci o nai s a oferecere m " o me s m o tr atamento a os
"'V t i d ores e x t e r n o s p ro v e nien t e s d o NA F T A que o da do aos in v e s t i d ores nac i ona i s
".I m e s m a s c i r c uns tâ nci as " . O
a rti g o I I 0 9 a s s i nalaque tod os o s ganho s e d ivi dendos
,I, I i v d o s d e in ve s time nto s d e al gum a d as p artes, goza rão d e l iberd ade ir r es trita par a
l i l l t ra n s f e rê n c ia. A l é m dis so, o m ec a nismo de s oluç ã o de co ntr ovér s ia s do c apítulo
Par a a ex -pesquisador a da agê n c i a, Nanc y Sno w (2004: 66):
I I ma rg inaliz a a s no r m as j urídica s dos paí s e s ao i ntr o duzir a a rbitrag em de lei s
1111 r n ac ion a is de comé rcio p ~i va do. 9sI s to s i gnifica que, qua ndo um a e mpresa mov e
A edifrcação dessa base social foi facilitada pelo fato de q u e o então P resid e n t
Salinas, seis de seus ministros e seus três prin c ipa is negocia do res na qu e st ão d
u
r n a açã o contra qualquer gov erno membro do tratado sob a alegação de uma
VI
l a çã o de seus direitos de in v es t i dor, a so lução f i ca subme t ida à a rb i tragem de lei s
NA F TA haviam recebido
tre inamento e educação nos E stados Unidos , muit os.
lI1t r n ac i ona is, que, muita s vezes , estão completamente des v i ncu l adas da l egi s l ação
sombra do p r ograma da Fulbright patrocinado pela USIA.
(
d as necess ida d es l ocai s . "
Um Q Os ê fe ito s p ráticos dessa l egi ~ ão tem s i do o desencadeamento de
S em a pretensão de fazer uma a náli se detalhada do tratado e d e t od o s o
se u s e f e i tos , q ue ce rtamente de m and a ria m novos trab alh os, p rocurare mos ap e n a s
v,
r i os p rocessos de em R r§ a s e .~ tra D g eir ascontra p<2 l fticase s tatai s nos tribunais criado s
p
10 C entro Internacion a l d e Aj ~s te d ~_ Di s l 2 ut~ em Mat~ i ª - d ~~ v es timent os (Cl ADI )
co n
s t a ta ~ po ntos
im p ortante s q ue se re ferem
aos g rande s o bjet ivos da p o lít ica e x tern s
(
p e l a Re g ras de Arbitra gem d a_ C ºmi ss ã ? da~ N. 9 :çõ~sl d
~
i das~o bre Dir e it o mercant i l
d
os
E UA para o
Méx ico, co nf or me j á e n u n c i a d o . Um d esses as p ec tos ce n tra i s e s t á
I
nte rnac ional ( UNC lTR 6 L).
N o M éx i co, em 1997, a empresa n orte- a me ri c ana
r e l ac ionado ao em p e n ho da d i plo m ac i a nor t e-ame ricana n o se nt id o d e garan tir O
Me ta l c lad Co rpo e ntrou co m u m pedi do d e inden i zaçã o de U S$ 9 0 m il hõe s con tr a
ace ss o d e s e u gran de c a p ital ao s r ec urs os natura i s , à f or ç a de tra b a lho e ao capi ta l d
Es t a d o me x ic ano, a pós o gove rno mu ni cip al d e Guada l cáz a r cance l ar a in stal a ç ão
outras ~açõe s e. ao me s m o tem p o , p rotegê-I o do cont ro le p ol ític o e demo cr á tic o
das S OCi e dades .Quando ob ser v amo s a lguns ca pít ul os e artigos d o NA FT A, p ar ec e
eV i denteq u e o tr a t a d o prete nd e u in s t~uci o n a l i z arreformas q ue garant iss emes sasd i re tri ze s.
I um de pós ito de r es í duos tóxico s q ue com pr ov ad am en te v in ha c ontam i na ndo a
, g u a da reg ião e o E s t ad o de San Lui s Potos í ter dec l arad o o l ocal co mo zona ecol ógi c a.
A e mp r e s a alegou qu e a s l eis de zoneament o p r ej udica r am seus neg óci os. Em ago s to
. , .
O s capí ~ u l osX. I, X l V, X I X e XX do N A FTA c ontêm uma s érie de di spos içõe s
d
e 2000,
um t ribuna l d o CI ADI o bri gou o gov er no me x i ca n o a p agar um a i nden ização
l l u ndl cas s up ra n a c lo nals q ue protegem a m o bi l ida d e do c api ta l e do comé r cio n a
de US $ 16,5 mil h õ es à em pr esa p or p r e judica r as p oss ib i li dades d e luc ro da m esm a
\
A m ér i c a d ~ No rt e
Qi : a .p í tul o I I, c ujo c on h e ci ment o p úblic o só ocorre u dep o is
(F AZ IO , 200 I ; WA LL AC H, 2003; GUT IÉ R RE Z -H ACE S , 2004). A inda nesse p aís ,
d
a ra t l f i ca ç ao do t ra t a d 9 , e s ta b e l e c eu n o r mas s o b r e o s i n v e s time ntos e x t erno s d o s
e m abr il d e 1 999, Marv in R o y F eld m an , c idadão d os EUA , enc a minhou um ped i d o
tr
ês paí s e s , que c o nfer i ram di rei tos , g ar anti a s e v a ntagens imp o r tan te s par a o tr ân s i to
d
e
indenizaç ão de US$ 50 milhões co ntra o Estado mex ican o, depoi s que o gov erno
d ess es in ves tidores dentro da á r ea de l ivre com é rcio . Um le itor men o s a t ento p od e ria
d
o
Mé x i c o negou à e mpr esa CEM SA (uma companhi a e s trangeira e x por t adora de
a f i r mar q u e o e s t a belecimento de regra s c omerc iais que pr o tejam in ves tido re s é
c iga rros ) os benefíci o s d e uma l e i que reembolsava certos impo s t os a os e x portadores.
I g o p ecu li a r a qualque r t r atado de li v re c omérc i o . Porém , as d i s posiçõ e s do capítul o
E m 16 de dezembro d e 2002, um tr i bunal do C l AD I ordenou ao governo me x i cano
I I v ã o a l ém d es sa q uestão , na med i da e m qu e ~ ~r IL aos
inv J ~. stidor e s
tr.m i r~s d e te rm i nad os pri v l l ég i 2 § guesobre p õem e a nulam as legi s l açõesnacion a i s :
I I V ncJ I n c l u s iv e pun i ções a qual q uer ti p o de i nterven ão 'ur ídica ou o l ítica nac i o n a l
95. NAFTA, 1994.
ILI I
ti l i v l"
ç- o d e sse s investid or e s . O
art i go I I 10, do capítulo I I , p o r e xe mp l o ,
11 11'01
, I I' I -rn m b ros a indeni za r em
os in v est i dores es trangeiros em s i tu aç õ es
96. Cabe lembrar que o NAFTA é um acordo de caráter mercantil, exclusivamente centrado no intercâmbio de
bens e mercadorias. Nesse sentido, não foram criadas instituições supranacionais que pudessem regular a
aplicação desses capítulos.
I
~
153
p ag r a C -M A u m i nd n i z d
p ag r a C -M A u m i nd n i z
d U S $ I, J rnilhõ
(
11(11 I II A
,)
( )~),
o
I d
d
li pl o m c i do s
U A, O e mp nh o se m co n c e ss ões
p a ra a
No s pr oce ss o s m ov i d o s p e l a e mp r e s a W s t e M n g m n t m 19 8 000, x i il I 1
u m a ind eni zação d e U S $ 60 m il h ões d o go v e r n o m exi c
no
p 10 c
n c I m nt o dll
concessão de ser v i ç os púb li co s n o s e t o r d e l i mp eza , os t ri bu n ai s d o C l AO I f ora 1"r1 , I
fa v or do Esta do me xican o n a s deci sõ e s d e 2000 e 2004
(G U T IÉ RR EZ - H A
I .,
2004).97 No Cana d á, em abril de 1997, o parl a ment o can a d ense p ro ib i u o u so do
d s s S l C p ttu l o s e rt i gos d o N AFTA , t e v e o in t ui t o d e n ã o s o me nt e
I I1II I m nt r ag nda d e s u as c o r p s : >r açõe se m I '! l a t ér i a d e lib e r~ !i z ação com e rc i a l e
1I I ul am en tação d os in v es ti me nt o s , m as também c umprir uma d ir etriz de l onga
1III t t d su a p o l íti ca ex t e rn a qu e é impo r ac ord os , p ol ítica s e r eg ul amento s c ome r ciai s
! l l I impeça m os d e ma i s p _aísesde p ro mov er RoI í ticasde desenvo l v im e nto s ob base s
a ditiv o M m t na gaso l in a, so b a alegação de que o ma n gan ê s q u e se e m i t e
n a combustão
111\'
ais.nue.possarn,
o_
_fu íur. 9 . ,_ J : r i ar_ poderosos - ª c :lv ~r ~ ár il? s _! la. s : . () Q 1.2~~ ~ç ~ o
do motor dos auto m óve i s pode a f etar a coorde n ação mot or a e a me mó ria da',
pessoas . A empresa dos E UA, E thy l Corp o de Rich mond, que v end ia a ga so lin a com
Mmt no p aís , apoiando- s e no capítulo I I do N A FT A, ent ro u co m um p ed id o c.I(1
inden ização de US$ 250 mi lh ões contra o go v erno canadense, alega n d o que t1
proib ição co n st i tuía u m grav e d a n o p ara se u s i n t e r esses fi n ance iros e sua reput ação
comerc i al. Punido, o go v erno ca n a de n se teve que negociar um acordo no qua l f icav a
li v re do pa g ame nt o de indeni z a ç ão a empre s a no va l or de US $ 13 milhõ es e , em
com pens a ç ão, as s umi a publica mente que o Mmt não r ep resenta va perigo par a
saúde da popul a ção (F AZI O, 200 I) .
I I1I rca pit ali st a e int e res t a ta l. E ss esa rt igos e cap í tu l os do NA F TA p ouco l evaram em
n
s ide ra ç ão o s g ra u s I ere nt e s de desenv o lv imento econômico do s paíse s
I n mbro s ." Por e xem pl o, EU A e Canad á j á po ss u í am um A co r d o de L i v re C o mércio
(I\ LCC E U ), qu e pre v ia d is po s ições em torno da p ro teção dos in v e s tidore s e da
li b ra li zação dos in ves time nt os. Pa ra o Méx i co, p aí s s ubdese n vo lv i do, q ue aca b o u
I1 e nd o vár ias modificaçõ e s nas s uas le i s para adeq u ar - se ao NAF TA , i nc or por ar es sa
I g i s lação si g n ifi cou . diminu ir a c q pa ci d ade do E s tado d e pl ane jar o des env olv imen t o
o
nô mico nac i o JJ . al (S AX E-FERNÁNOEZ , 2002).99 A qui, ca be uma per gunta: Q u a l
,
ri a a p osição do s E U A no s ist e ma mun dial h oje se, ao l o ng o de s ua h i stória d e
Em con ju nt o , e ses a[ l :i os a c a b ara m confer ind o aos in ves tidore s dess e s
J?~ s~ ~atr L bu iç . õesde sujeito do D i r e ito inte rna c i o nal , g ue -, ant es do tratado, e sta vam
, rese r v adas exc l u s iv amente a os E s tad os . C o m isso , as empr esas transn acio n ais
c o nquist a r am, n o â mb i to r eg i o n al da A mé rica d o No r t e, determinadas pre r r oga ti va s
qu e não c onseguiram imp o r na e sfera mu n dia l , ap esar de todos os esf orço s d o
gover n o C lin t on no senti d o d e aprovar o Acordo Multil ateral de I nve st imento s , q u e
fracass ou d e v ido às r es i s t ê n c i a s nac i o n a i s e s oc iai s p el o mundo tod o.
d
ese n volv i men to, t i ves s e adotado l egi s l aç ão semelh ant e?
Ta l vez sej a por i ss o qu e,
pass ada m ai s de uma d éc ada d o
n as cimen to d o
N
A FTA e d uas d éca da s de r ef orm a s par a o m erc a d o , n ão h á nen h u m ind í c io de q ue
o
paí s po ssa in gressar n o chamad o Primei ro Mundo , ou mai s e spe c ificame nte n o
c l eo centra l do s istema mundia l de E s t ados. A es t ratég i a de abertura e con ômica -
qu
e prioriz o u a atra ção d e inv est i me nt o s ex te rnos dir etos qu e pud essem din a m izar
as
export ações e, p or cons e qü ênci a , pro move r o d ese nv olv imento eco n ômico do
P ode- s e d i ze r que o i nter e s s e m ai or d as g randes corpo r ações n es se t ip o
paí s - t em se d e m on strado u m frac a sso, s obretu do q ua n d o o bse rv amos a s t ax as de
d e le gi s l ação nã o é a qu e s t ão d a ind e ni zação , t a nt o q ue a maior par te dos process o s
contra o s E s tado s tê m sido feito s por empresa s méd i as, qu e , mui tas vezes , inve ste m
em regiõ es en volvi da s co m q u e s tõe s amb i enta i s , traba lh i stas e soci ais, e s perando
cres ciment o e os indicad or es soc i ai s do p a í s . D it o d e
o utr a f or ma p od e - s e d iz e r que
o
inc r emento do s nívei s de e x po rtaç ões , d e in vest i me nto s ex te rnos diret os ede
es
p e cia l izações oc orrido s depoi s do tra t ad o n ão t êm s i gnifi cado para o Méx ic o uma
qu e , e m al g um m ome n to , o s p oder e s p ú bl ic os se o ponha m às s uas operaç õe s par a
e ntão
ap ro v eit a r as c láu s u la s do c a pitu l o XI e b usc ar in den iz ações. Par a a s gra nde s
co r po raç õ e s, a que stão qu e e s tá posta é est a b e le c er n orma s que possa m pro tegê - Ia s
de medi da s protec i on istas, popu l a r es e n a c i ona l is ta s tom adas por deter minad o s
go v erno s , de ix ando a s at i v i dades e c onômi cas d os p aí ses ao s abor de s eus
melh or i n s erç ão n o mun do e muito m en os o a lm ej a d o de se n v ol v i me nto .
No que s e ref e r e às e x po rt ações m exi c a n as , e mbo ra o perío d o 1994-
2003 tenha apres en tado índ ice s de c r escim e nt o , e l es f or a m m en or e s que os
i n v e s timen tos .
98. Cabe ressaltar que o capítulo XI prevê algumas exceções que estabelecern as áreas onde os investimentos
estrangeiros não podern operar livremente. No caso rnexicano, no início do tratado, foram os setores de
petroqurnca, energia e transporte. No Canadá, a indústria cultural e nos EUA, as linhas aéreas e comunicações
via rádio.
97. Em interessante pesquisa sobre o assunto, Teresa Gutiérrez-Haces (2004) demonstra que além dos casos
citados existe uma série de demandas pendentes de investidores externos que pedem indenização do
99. Ao modificar sua legislação sobre investimentos externos, o México rompeu com várias diretrizes que
haviam norteado a conduta
do país ern relação
a esse tema.
Dentre elas, a Cláusula Calvo de 1896, que
governo Mexicano nos
tribunais
do CIADi e da UNClTRAL. Até 2004, eram os seguintes:
as empresas dos
FUA: Adams, Calmarc, firernan "s Fund, Gami Investments, RobertJ. Frank, Corn Products International. E
determinava que a legislação do país era a única a ser utilizada em qualquer questão ocorrida dentro do seu
território, impossibilitando aos investidores estrangeiros recorrer ao apoio de outras legislações extra-
t: c n d nse Thunderbird Gaming. Tal processo também ocorre no Canadá
e, em menor grau, nos EUA.
nacionais (TAMBURINI, 2002).
154
155
verifica d os no i níc i o do pr oce sso d e a
verifica d os no i níc i o do pr oce sso d e a b e r tura d a eco n o m i n o d
ni o 1984 11)\ I,
i v
p a
d o 5 t o
xp
l d o do
sto d a
co no m i . Se for ce rto
q u an d o o t ra t ado ai nda não e s ta v a e m vi go r . O co njun t o d a s ex p or t açõ 5 t o ta l t h I
Mé xi co (envo l vend o não s omente a s d estin a d a s ao s s ó c i os d o N AFTA) , exduind« II
1111111, I q u
s. x p o rt çõ 5 m exi c a n s c r escer am c o m a p o l ít i c a d e ab e rtur a e co m o
I j I 11\, u m n ta n d o i n c l u s iv e a p ar t i c ip a ç ão d o p a ís n as ex p ortaç õ es mundi a i s d e
pet ró l eo , c resce u I 1,9% entre 1994 e 2003 enqu a nt o q u e n o p e r í o d o
191H
11, ')(, I ar 2 , 2% n a d éc a d a d e 1990, o m e s m o n ão p o d e ser a f i rm a d o em r e l açã o
1993 o au mento foi de 15, I %. Sendo que a s e xp ortações par a o s E U A, q u e ',I
m u l ti plica r am por 3.4 a p ós o a cor d o, foram re s ponsáv e i s p o r g r a nde
p a rt e1(","
I \11 I r t ic ip ação n a f o rmaçã o do va l or ag r egado m a nufatur e i ro g l ob a l que d e cre s ceu
,I, I , % p ara 1,2% ex pr imindo a d es arti c u l ação da s cadeias p ro duti v a s d e poi s d o
índice no per í odo 1994-2003. Al i ás, ain d a q u e depo i s da entrad a e m vi go r d o tra l dlh I
11,11,,<10
tenha ocorrido uma mul t ip l icação por 2,3 nas importaç õ e s p rove ni e nte s d o s E U A, 1
111 li"
e x pa n são das ex p ortações mex icanas para esse pa í s promove u u m a i n v e rsã 11( I
a f a lta d e uma p o líti ca indu st ria l a tiv a. S e m esquecer que, segundo d a do s
cent e s , o Méx ic o te m d esc ido no rank i ng de competiti vidade mundia l.
Al é m di sso, co m as corporações c o ma ndando boa parte das e x porta ç ões
sa l do comerc i al bil atera l em fa vor do
Mé x ico, ge ran d o um s up e ráv i t d e U S$ I I
I I, \( 1\ g ra nte q u e o Mé x ic o co ntinue o btendo
g randes saldo s po s it i vos na su a ba l ança
I I l i n r~ ia l c o m
os EUA , pois b a sta es s as corporaçõe s modificarem suas e s tratégia s
b ilh õ e s e m 2003 (SÁNCH EZ, 2004).
Uma bre v e an áli se de s ses núme r o s pode re velar em pa r te a din âmica qll
está p osta neste modelo de integração . A ju l gar pe l o s i m ple s i n crem e n t o 1 , \
111\ dutivas p a r a qu e o corra u ma d i mi nu i ção de ssase x portações e, p or conseqüênc i a,
'11 I I . It e r ação n os f lu xos de co m é rcio , in ve s tim e nto s e emprego. A c on c o rrê ncia
11,1' x po rt açõ e s asiáticasao s E UA e a própr i a tran s ferê nc i a de empre sas maqui ladora s
e x portaçõe s aos EUA , algu ns ana li sta s são l e vados a deduz i r que o acord o f o i U I I l
suce s so para o Mé x ico. Po r ém , e xi stem alguma s co n statações i mportante s a se r I tI
menc ionadas nessa questão . Uma de l as é o fato de q u e o NAFT A con so lid o u , \
Ilt I Mé x ic o pa r a a Chin a são bon s e x empl os
( .impos e Leon a rd o L o melí V anegas:
de ss a que s tã o. Se g un do R oland o Cor de ra
tend ênc ia pr é-ex i s t e nt e n a econ o mia m ex icana de con centração s et o r i a l e re g ion \ 1
das e xportações aos EUA De aco r do com Antonio Ga zo l Sánchez (2004), 80% d i ' ,
ex port aç õ es me x ican as a os EUA e stã o comp os t as po r p e tr ó l eo, vendas da indústi i I
maquil a dora, au t omó v ei s e a uto peça s
e alguns produt os de o ri gem agrope cu ár ia
pe s queira. Tod os e sses p ro d u tos j á compunham a pa ut a de ex porta ção me x ic ana a o
E UA muit o a nte s d o t rat ad o, se nd o que o c o n s umo d e petróle o obedece à d em and I
do mercado norte - amer i cano; as empresas maquilado r as dos EUA já po ssuí am
tra ta m ento alf and egá rio especia l para e xp orta r ao se u paí s; e o s et or aut omobi l í st ico
já tinha acordo com o g overno mexicano
para dinamizar as s ua s ex portações. N e s s
s entid o, à e x ce ç ão da i ndú st r ia têxti l que s e di na m izou c om o trat a d o, nã o oco rr
U
As t en d ênc i as a tuais apontam para uma queda nas expor t ações mexic anas pa ra
os Estados Unidos em alguns dos setores que trad i cionalmen t e tinham si d o os
ma i s dinâm i cos , mas que nos últimos quatr o anos se ressentiram da concorrên c ia
das exportações asiáticas de m a nufat u ras e componentes. Entre os setores mais
af e tados , destacam - se os de au tomóveis , roup as , t êxteis de algodão , t elevisões e
equip a mento de v í deo, t ransfor m adores e ge radores , aparelhos elé tricos e pa rtes ,
acessórios para co m putadores e par t es e equipamentos de t elecomunicações.
Apesar da r ecuperação da economi a nor te -am e rica n a, as exportações mexicanas
par a os Estados Unidos cresceram 1, 9% f ren t e a um aum e nto de 8 , 5% na demanda
de importações desse país. Se se exclu i o petróleo, as compras de p r odutos
mexicanos pelos Estados Unidos, em 2 003 , f ora m 2 , 6 bi lhõ es d e dól ares menores
uma di v ers ificaç ão da paut a e x portadora m ex i c a na p ara os EU A
Certamente i sso não ocorr e u pe l o fato de o Mé xi co ter mergulhado nu m
pol ítica de r ef or ma s para o me rcad o , e stimu l ad as p o r Wash ington , que ret i rou b o a
do que as registradas no ano 2000 [ Tudo parece indicar que o que se ap r esenta
]
parte da capacida de do E stado de prat i ca r uma polít i c a in d u st ri a l a t iva, que pud e ss
de se nvo l v er outro s s etore s p a ra e xp o rt a çõe s q u e c ompreendes s em produt os c o m
ma i or va lor agregado e que exigissem o ut ro perf i l da mão- d e - o b ra e outro tip o d
assim il a ção e inov a ç ão tecno l ógicas. Segundo a s diretr i zes de Wa s h i ngton, ba sta va o
é um esgot amento pr ematuro da estratég i a de c r escimento baseado na
exportação . Al ém de não ter podid o f uncionar como lo como t iva da economia
po r sua desar ticulação com o sistema produtivo, o s e tor e xpo rta dor da economia
mexicana baseou sua estratégia em uma combina ç ão qu e nã o resiste à competiç ão
c o m os países asiáticos: baix o s salários e baixos a um e n tos de produtividade
M é x i co p r omover as reformas que o s capitai s cumpririam o re s tante. Ta l vez p or
assoc i ados também a baixos ní v eis de quali fic a ç ão d a fo rça de t rabalho e a o
baixo componente t ecnológico das atividades maquil ador as . A queles setores que
iss o , a s e lites dom i nantes e gover n antes me xicanas imagina ram que o Pri m e ir o Mu nd o
i v ess e tão perto com a as sina t u r a d o tratado . N a p r ática, o que hou v e f o i u m
e stão em melhores condiçõ es de r esistir ao embate expo rt ador a siá tico sã o a quele s
qu e c o ntam com maior qualific açã o e um componente tecnológico ma ior e ma is
sof i sticad o (2005: 58-9).
n
ntração
d a s ati v i dades expor t adoras n as mãos d as c or p orações t r ans n aciona i s,
I
I tu do d bas e norte - amer i ca na , que imp li cou o in c remento das i mporta çõ e s d
I' P \I ti mp or se u s produtos , gerando uma desarticulação de cade i as produtiv a s
Em relaçã o a os in v es ti m e nto s e xtern os di retos n o Mé x i co, à e x ceção do s
p r o ceden t es dos EUA, pode- se di z er q u e o trat ado tamb é m n ão representou u m
I
,
157
aume n to v i g oroso co m o se i m ag i
aume n to v i g oroso co m o se i m ag i n u . O i nv Um nl m 1 i n os 11
d
t
b, lh d o r
mlg r t6rlos n a b a l nça d e p aga me n t o s c onstitui u ma co n tunde nte
p er íodo 1994-2.002 fora m d e U S $ 35,40 I bilhó qu m m o s o c or ri d "
r
po t a à antiga pr evi são d e 1992 -1994 no sentido
de qu e , co m o trat ado , o
ent re 1984 e 1993 q ue for am d e U S$ 35,343. Dos UA , d
s d e n t ra da m v i g 1
M
éx i c o n ão expo rta ria p e ssoas, porque ex p ortar ia m erca do r ias . Se tem
exportado
d o t r at a d o até 2002, vie r am anua l ment e em m éd i a U S $ 7 bi l h ões , m ui t o m a is de
m
erca dorias, tem também exp o rta do pe s soas, e mui t o mais que em 1 9 94 ( 2004 :
29)
.
que o ve rificado n o p e r ío do 1984-1993 que f ic o u em U S$
1,9 b i l h ão (S ÁN C H - I,
2004). Nessa qu es t ão, c abe n ov ament e faz er a l gum as co ns i d e ra ções qu e e x tr apol t i l
o s núm e ros. Prime ir o que, no co ntexto das polí t icas de li bera li z a çã o e privatização
P a ra n ã o e s q u ecer, a taxa m éd ia a nua l de c rescim e nto d o PIB mexican o
p rat ica d as no M éxi co desde a década de 1980, os inv e s ti mentos e s tr a n gei r o s
I l 6s o tr a t a d o f oi d e
a penas 2,5%, n a d a a l é m do s 2,3% d o per íod o 1984-2003 e
prod utivos
no p a ís foram, em b oa part e , fei tos na aq uisição de empresas es t ata i s
p r i v ad as d o país . Desse modo , na maior i a dos casos , esses in v es timent os n ã o
repr esentaram no v a s b ases produti va s e tecnológ icas , além de serem re s p o nsá v e is
pela desar ticu l ação de cadeias produ t ivas nac i ona i s e por aumenta r em as re m e ss a s
de lucro s p ara o e xterior . U m a o ut ra cons i de r ação a ser feita está r elacionada ao f a t o
mu ito d i s ta nte dos í ndices das d éc a das d e 1960 e 1970. Para Weisbrot , Ros ni ck e
I k e r (2004), o impacto do NA FTA para o cresc im en to do P I B f o i muito pequ e no ,
. lI g o e m t o rno
de 0,5% ao ano . E nquanto que o salário mínimo
do
pa ís ficou 21 ,34%
i nf e rio r ao v igente em 1994.
de que os i n vestime ntos estra n geiros dese nvo l v idos após o tr ata d o c o n t ri buí ram
pa r a aprofundar as di fere nças regi on ai s exi s te ntes no país e nt re
os pob r es
~stad os d o
s u deste e os dema i s o nde se concentrar a m os in v esti ment os (S O LlS , 2004;
o Plano Puebla-Panamá e o
Corredo r Biológico Mesoamericano
SÁNCHEZ, 2004; CA MPOS & VANE GAS, 2005). O s i nves tim ento s d a s
maquiladoras no norte trans f ormaram a r e g i ão num a extensão do e s paço econômi co
No Q ro'eto de i ntegração da s Amé ricas, a f ro n teira sul do M éx ico e a
dos EU A , contr ibuind o pa ra a fragmentação ec on ôm i ca
do terri t ório me x ican o, a l ém
A m é r i ca Central
c q , n~ tituem regL õ es de ra nde i m po rtância Q ara a g e o e co nomi a
de aumentar o grau d e dependência da econo mi a do paí s em relaç ão à ec on omi a
dos E UA . Ainda a r e s peito dos in v es t i ment os e xtern o s, sobretud o de bas e n o r te -
norte-a ~r ica. I @, dey j d o - ª - Io ca liz~ã o es tr atég ica e à abundâ n cia d e re c ur so s, t ais
c o mo : d o i s o c ean os, ex ten sas c os ta s, um a gra nd e va ried a de de so los , v a s t asf lo re s t as,
am eric ana , cabe r e ssa lt a r que o Mé x i c o v em p erd en do atr at i v idade p a ra outra s re giõe s
c om o a Chi na e Hong Ko ng , por e xemp l o. Com o avanço de nov o s t ra t ados d o s
E UA com os paí s es da região, talv ez e ssa t endênc i a possa acentuar - se ainda ma is .
Pode - se d i zer qu e o mode l o de i ntegração previsto pe l o NAF T A foi m a i s
um e l e mento d o process o de re f orma s estru tu rai s par a o me rca do a dotado no
u m a r i c a bi odi v e rsid a de , e n orm e
q uantidade de ág u a , ja zid as d e m in é ri os e
h i drocarbone t os . A l ém di sso,
e ssA regiã o é m ot i vo d ~ p reocup aç~ o Ra r ª , a R olítica d e
se urança n orte - am ~I ical J a R . 0 r2 ~ u m j err i tó! " i o qu e vive n c i a o , c Q nflito n eoz a atista ,
trá f ico de drogas . ede armas e o grand e flu xo d e mi g r a . Q te 2il~ g "ª isc o m d es tino ao s
E UA . Por .essas razõ e s, o su l-sudeste do
Mé x ic o e a A m ér i ca ce ntra l t ê m d es pertado ,
Méx i co nas du as ú l timas décadas, que c ont ri bu i u
para co nsol i dar as t en d ênc ias d e
d i minui ç ão da renda dos traba lh adores, d e de ses trutu ração de cade ias prod u ti va s
nacionai s, de in v iabil i zação de polític a s industria i s a tiv as, de de s truiç ão de pequenas e
méd i a s empre s as , de de struição d a produção nacional v oltad a a o mercado inter no ,
de ga r anti a do l ivr e trânsito de corpo rações t r ansnaciona i s e de redução da sobe ran ia
econômica naciona l. Segu rame n te , e s perar que o merca d o, contro l ado pe l a s g r ande s
co rporações transnaciona i s, pro du za os meios necessár i os p ara uma integraçã o
r egi onal q ue f o r ta l eça e desen vo l va os esp aços n aci ona i s d e paísesp eri fé r icos co n s ti tui
um g ra nde equívo co. A nton io G azo l Sánch e z ressa lta qu e:
re ce n temente, um g r ande interess e por pa r t e não só do gov e rn o n o rt e-a m e ricano e
s uas c orporações , mas também do Estad o me x ic a n o, do Ba nco Mu n di a l , d o BID e
d e ONGs dos paíse s centra i s , como f ica evi dent e n a s s eg uin tes ini c ia ti vas: os
investimentos d o Banco Mundia l no p r o jet o d enom i nad o
Corredor B io l óg i co
Mesoame n cano CB M); os tratados de l i vr e c omérci o corno o TLC Mé x i co-A mérica
C e n tral e o CAFTA -DR ; e o lançamento pe l o go v e r n o m e x i c a n o do P l a n o Pueb l a -
Pan a m á (EP P) .
Pas s a dos de z a nos e o qu e f ica c l aro é que nem a consol idação do im pu lso
ex portado r iniciado an t e s , nem o aumento dos i nves time n tos ex t e r nos , n e m a
p eci a lizaçã o têm implicado em maior es t axas d e cr es ciment o e me l hores
o ndl ç ões de v ida para os m e xica n os . A i mport ânc i a q u e tê m adqu ir ido a s r e mes sas
Em 21 de mar ç o de 200 I , o p re s i de nt e me x i ca n o V i ce nt e F ox anu n c i o u o
P l a no Puebl a - P a namá, q u e, seg undo o docum e n to o fi c i al co n s t i tu i um pr o jeto de
des envolvi me n to su s t e n táve l co m o obj e ti vo d e m e lh ora r o padrão de v ida da s
populaç ões das r eg iõe s do s E st ados d o s ul e sudeste m ex i c a n o ( C am p eche , Ch iap as,
G uerrero , Oax a ca, Pueb la, Q u i n t ana Roo , Tabasc o, Verac ru z e Yucatán) e d e se te
paí s es da América c e ntr a l ( B e liz e, Costa R i ca , EI Sa l va d o r , G u atema l a , H o nduras,
N i ca r água e P a namá). De a cord o com o t e x to o fi c i a l d o PPP:
I '
159
P r r g l o ul - u d enôrnlee ml l l r.
P r
r g l o
ul - u d
enôrnlee
ml l l r. rru
pr
nt. c o mo u m plano
e
m
u m c onj u nt o d
go v rn m n t I
I c l on d
tr t
I
I'
'/ I , 111
I
1 0
no, d
n v olvl m nto
c ri ç O d
mp r g o . É um a manifes t ação
at
a c a r d e fo rma dire t a a l gum as
das ca u sas e s tr utu ra i s do at r e o
d. I
I 11,1
nu l n do ca plt I I s m o c o nt e mpo râne o.
For m a pa r t e de um proj eto
de alcance
particular das ár e a s de dese nv olv im e n t o huma n o, mfr a-es t ru r u m,
mu I 11
,
o tr t gl c o c on t in e ntal e imper ia l dos EU A, n o qua l partic i p am setores do
i nstitucionais e regula mentos, e políti c as de Es t ad o q ue p r om o v a m, 1M 1111'1 III
c: plt a l fi n a n ce i ro, c ons ó rcios m ulti nac ion ais e ol igarqui as do M éx ic o e da América
facilitem os investimentos produtivos privados [
] Os b e ne fíc i o s pa r .i : I I I,
C
n tra l. O ov erno de Vicente
Fox arti c i a de m a neira subo r d i nada aos interesses
sul-sudeste do Méxi co e América Central sã o subst a n c i ai s e os p e rml t 111 '11 1 I I
d
Çasa Branc a , Wall Str e et e à s t ransnac i onai s com ma triz nos EUA [
] O
o atraso existente, melhorando a qualidade de v ida d e se u s h ab i ta nt • t i IV
I
pro
p ós ito dos EUA com o PPP é intervir no co nfli to pol ít ico e socia l do M éxico
uma ma i or e melhor educação , um crescimento econ ô mico sust en t á v I" H I ,
de empregos bem remunerados , a harmonização do d ese n vo l vim en to I I I
p a r a impor e fa v o r ece r as tra nsnacionais do pe tróleo ; facil i tar a pr i vatização dos
.na i s aére os e o rtu ários a ener ia elétric a, a á ua, o ás e a Pemex ; proteger
humano da população com um aproveitamento e fic iente d os r e c ur so III I
expansão e integração comercial (PRESIDÊNCIA D A R EPÚBL I CA D O M X I I
os pr o pr ietá rios de terras empenhados no desenvolvime nto agroindustrial e,
principalme nt e,
apoder ar -se
se m restr ições
das eno rmes
ri q uezas
da
2001: 4 -37).
bio
di versi d ad e da s el va da Lac a ndona , os Chimala pas em Oaxaca e o Corredor
bio
lógico Mesoamer i cano que chega a t é o Panamá ( FA Zi a apud DELGADO-
o plano s e con c entra em algumas áreas que, s egundo os se u s i d e a li z d O I t
,
RAMOS , 200 4 : 94 - 5).
dar iam um gr and e i mp uls o e c o n ô mi c o
à re gião: agr o indús tria, bi ot e cn ol )~:I l ,
au t ope ças, turis m o sustent áve l, p e tro qu ímic a , tê x t e is e co mpon entes e l etrô ni (t
V i sto ass i m, o PPP é um p roje to que v i sa comp l eme nt a r
a
in teg r ação
Para tant o, o PPP pre vê a rea liza ç ão d e g r a nd es pr ojetos de infr a- estru t u r a n,,!! ,
.e nvoJv endo a cons tr uçã o de r o do v i as , po rto s m arí tim os, r edes de t ran s mi s sã o el I1 i 11
I nô rni ca da r egião de a cordo c o m
os p a r âmetro s es tab e le c idos pe l os EU A e
e
d e com uni caç õ es , termoelé tricas, h i d r el ét ricas , o I eo dutos, gasod utos , f e rrovi I ,
I r ofundar a inserção subordinada das e c onomi as da região na e c onomi a mu nd i a l
( l ocando à disposição do cap i ta l tra n s n acio n al s uas va nt age n s comp arativas que são:
ae
r opo r tos, etc . E spe ra-se que o s eu f in a n c ia m e nt o seja f e ito principal m ent e p I,
10
l i z açã o geo g rá fic a, re c urso s e n e r g éti cos, m ão - de - o bra b a rat a e bi o d ive rs i d a d e
inicia tiv a privada d e c ad a n aç ã o, os gov e r n os
fed era i s e es t ad uai s d~ reg i ã o , )
J n .\ Le ~Li _
a d os .s ;x te r n0 2 • 9 B ID c o B a n co Mundial , o Banc o m e x t, o Ban )
.s
.
t e m cont a do com a s imp a tia do s p a íses d a A mé rica C e n t ral e do
.en tro- am e r : is : -ªf 22
d
~ t ~ g r ação ~ co n ôm i ca , entr e o ut ro s. De sde
o i ~ í c i o,
o PI I '
« HA NONA , 2003; PÉ REZ, 2003; BELLO, 2002; SO Lí s, 2004; DEL GADO -
I \A M O S, 2004) .
Tal v ez se j a po r essas r azões que o pro j eto a nun c iado por V i ce n te Fox
gover no nort
I nha ganh ado uma inf i nidade de inimi go s j u sta men t e e n tre a gu eles setores so c ia i s
americano, que chegou a prome t er ajuda econômica, porém , tem si d o al vo con stant
de críticas de vár i os s e to re s da s soc i e d a de s e n v ol vid as, t ai s com o a cadêmi cos ,
I lue s upos t amente o PPP e s pera b e n e fi c i ar , co mo o s trabalha dores, os ind í genas e o s
,aw po n es~~ nal, ning uém t e m dú v id a de que f a lt a infra- es tru t ura n a r eg iã o, de
ca mpon e ses , s indic a t o s e pequen os em p re sá rio s ce nt ro -a me ri ca nos .
Os an alis t as d o assun t o se d i v i dem em duas pos i ções qu e coi n cide m em
que as p opu l aç ões dessas regiõ e s p o s s u e m ní ve i s d e po b re z a
e exclusão maiores q u e
os demai s E stados d o centr o e do n o rte d o M é x i c o, de qu e os í n dices de ana l fabeti s mo
reco nhecer qu e o PPP é par t e d o pr o j e to de i nte g raçã o e con ô mic a das Am ér i cas
d ir i gido p e los EUA , projeto e m que o M éx ico cumpre
um p apel de im p ortan t
des i st ê ncia escolar sã o al t os , d e qu e o s nív e i s de qualific a ção d a m ão- de -o br a sã o
íntimos e de que a l go p recisa se r f e it o. Porém, ca bem a l gum a s p er gu nt as so b re a
a li a do . Para os s eu s def en sores, o pl ano po de tr azer várias con t ri bui ções par a a
r e g ião, tais c o m o: a es ta bil izaç ã o e c o n ô mi ca e p olí tic a, a int eg ração a o m und o
d es en vol v ido e a contenção do flu x o migrat ó rio par a o s EUA (PORTA LES , 2003).
f o rma como o PP P pretende d e f at o
c o ntribuir
para a r esol u ção desse s probl emas.
S er á q u e desreg ul am en tar o ace ss o d as g ra n d e s co rp or a ções t ra n sna c io n a i s ao s
rec ur sos nat ura i s e à biodi vers i d a d e co n s t i t ui um caminh o a ra o de se n v ol v imento ,
Enqu anto os críticos co n s ider a m o R roje to u ma a gr e ssã o c ontra os rec u rsos nat urai s
os p ovos da r egi ã o .
s o bre tudo num con te x t Q em qu e a s l eg i s l aç õe s d os acor d os co merciais com os EUA
pr o curam gefend er os Direi to s d e p ro Qr i e d ade int e lectu al e c ontr o l e de 1 2 atent es?
S o b vário s a sp e cto s, o plano cont e mpla o s i nter es ses geo econômi cos e
Será que par a o Mé x ico a prof u nd a r um m o delo e x p o rtado r l igad o prin c ipal mente à s
J opol lt i co s dos EU A , como c hama a a tenção Carl os F a zio :
ma quil as, que já se mostr o u p ro b l e mát i co pa r a o se u d es en vo l v i men t o , como
pr ocu ramos apo nta r n o NA FT A, s i g nific a i ns erir o p aís no mundo d e um a f o r m a que
o PPP n ão é um projeto novo e sua autoria intelectual n ã o está n o México , e si m
possa res o lv er s eus gra v es p rob l e m as soc i a i s o u, a o c o ntrário, imp l ica reprodu z ir o
m W s hl n gt on [
] forma parte de um
programa int egral que combin a o
subdesenvol vi mento? M esmo a q u e s tão do mei o a mb ien t e e o dese n vo i vi m en t o
160
161
s u s t e n t á ve l. Se rá q u e
s u s t e n t á ve l. Se rá q u e é possível pr s
rv r
I)
I
I
1 1 'Ltl
)1 1\ II
P< t rl r
nl
u l C llI\ I d r
I
pr omo v
r
um no v 1m g m d a Am ri ca Ce ntra l
din âmi c a d e u m pr oje t o q u e pr ev ê a co n s tr u çã o d e um in fr - truíur q u f r rY1 1\111
n o mund o (A pu d seus, 2 0 04 : 4 0) .
o
e s paço da s re s er vas mai s imp o rt a n t e s d o Cor re d o r
B io lóg ic o M 5 0 m r i d f Kl ,
c
o m o a bios fera Ma y a, por e x empl o? E s s a s s ão q u e s t õ e s imp orta n t e s p r
t nl.u
t
di fíc i l a c r e dit a r q ue , num a c o nj untur a n a qua l o s p aí ses ce nt r ai s d efend em
entende r para onde es sas refo rma s e p ro j e t os pod e m l e var a r eg ião. S e r á qu e ("
v i rosa m e n t e o s D i re ito s d e pr o pri ed ad e i nt el e c t ua l e a s gar anti a s de patente s de
o
c aminh o do d es env o l v imento em t emp os d e g l oba li zação?
A p ós c in co ano s do s eu lan ça ment o , o PPP cami nh a d e form a le nta, p i"
U
5 c o rp o r açõe s , esse t i p o d e p r oje to d ir igi do pel o B a nc o Mundi al p ossa ter como
b
j e ti v os fund a m e n ta is a pen as a s j u stas c ausas d a cons e r vaçã o d o me i o ambiente e
po
u cas obras
do
plano co ns e g u iram fin ancia men t o. Iss o s e d eve a um a s ér i
1(,
I
re d u ç ão d a p o br eza . ParaJa ime Ornela s Delg ad o:
que st õ es q u e de v em s er menci onad as . P ri m ei ro que o Esta d o me x ican o p e r d ' l i
si g n i ficativ amente s ua capa c idade de fin a nc i amento de g r an de s p ro jet os. S eg un 1 0
Esse p r ograma promovido , f inan c iado e dirigido pel o Banco Mundial compreende
que o g o v ern o nort e- ameri cano ; e nv olv ido em outro s proble ma s e p r io r id ade s , n - )
tem f or ne c ido a ajuda econômi ca prometid a . E te r ce i r o que a re s i s tê n c ia d e u m .!
conhecer e uantificar os recursos natura~2 <ist ent ~ gião
ara ermitir ao
3 Q ital R r~ o
ex p- Io r á-Ios em seu exclusivo bene f ício (2003: 44).
he t e ro ge n e id a de de atores sociai s , incluind o a ameaça d e reto m a d a d o co nflito p O I
Co ncordando com e s sa anál i se , John Sax e- Fern ánd ez e Gian Carlo
parte do Exé rcito Zapat i sta de Li berta ç ão Naciona l (EZLN),
tem d ificu lt a d o a c a p t a ç ã
D
e lg a do - Ramos afirma m:
de recurso s e a implantação dos pr o jetos . Tanto que nas ú l timas o br as d e in fr
estrutura, aeroportos e rodovias inauguradas no Estado do Chiapas, o s gov e rna n t
não têm men c ionado as rea l izaçõe s como pertencentes ao PPP .
O Banco M un d ial e ou t ros orga nismos, mediante projetos tipo Co r redor Biológico
Mesoame r ica n o , es t ão dando os primeiros passos para construir u m sistema de
Um
outro ~
em cur so na s reg iões su l- sudeste d o Mé x ico e A m ér ica
]; >Í Q j 2irataria co n tinenta l subo r dinado aos i nteresses em eresarias dos Estado ~
Centr al é o do r Corredor B i ol Q gk . o I j e s o am ericano ( CBM ),
que , p ara mu i to s
Unid os e seus a l iados eu r op~
(2005: 7 6) .
e s tudi osos, co n s ti tui junt a mente c o m o P l a n o Puebla-Panam á e o T LC Mé x ic o
C e ntr oam é ri ca,
m ai s uma ini cia ti v a qu e co mpl eme n t a a tent ativ a nor te-a merican
A fa v or de ssa s a fi r m açõe s podem os c i tar, p or ex empl o, o f ato de que o
de co n stru i r a A L CA . Ness e c as o trata - se de um QJ -ª J 2eame ntoda biod iv er s idad e d
Ba n co Mu n d ia l tamb é m foi o pr i ncip al admini s t rado r do pr o j e to " Re v olu çã o Ve r de "
E . g @ o so Q
o ol h a r a t e nto das co r g o ra ç õe s t r an s na ci o nai s.
pa
r a o Te rcei r o M u ndo,
n os ano s 1960, e que t ev e c o ns eqü ê nc i as d esa s tro sas para
A i nicia t i v a do CB M f o i f or mal m e nte
Centro - am e r ican a , real i zada n o Pan a má , e m
la n ça da na X I X Cúpula P res id e n c i a l
12 d e junh o d e 1997, p o r é m t ev e
o
me io a mb iente, a l ém d e a mp l ia r a d ependên c i a d os p aí ses em rel ação à s
co
r p o r aç õ e s trans n acionai s da a groind ústr ia. ' ? ' Pode -se d izer que , o g erenc i amen to
i níc i o some n te a pa rti r d o a n o 2000, q uand o pass ou a ser a dmin i s tra do p el o B an c o
d o
ro ' e t o C B M
e l o Banc o Mun di al e dem ais i n s t i tui çõe s i nt ernaci o na i s c ri a u,, ! -
Mll od j al 'OO Segun d o o Banco . o p ro j et o do CBM, que en v o lv e os E s t a d os me xi c ano s
es paço par a ue e s sas agê ncias ir .) .t e rfi r amnas I ?0 l íticas i n t erna s dos aís e s fazend o
d
e C a m p eche, Y u ca t án , Q uin tana Roo e C hi a p as e o s paí s e s ce ntro -a mer ica n os ,
r e v a lece r as s uas v i sõe s d e -. Q 1 j t i c aam b i enta l , q ue mu i ta s v ezes p od em es tar
d
iri g e s e à c o n s e rva ç ão da bi od i v ersidade e s eu u s o c o m f ios eco n ô m i co s d e fo rm a
s
into ni zadas com o s int eresse s d os p aí s e s c e ntrais e de s u as c o rpnr ações e, po r
s
u s t e nt á v e l . U m d o cumento d o B a n co Mun d i a l so bre o pro jeto d i z qu e :
c
o
n s eqü ê n c i a, d i s tant es d os a ns e i os d os p ovo s e da s u s te nta bil id ade e c ol ó g i ca.
A área representa apenas 0 , 5% da supe r fíc i e t erres t re total do mundo , po rém
estima-se que contenha 7% da biodiver sidade conhecida do planeta . O progr ama
utiliza a conservação ambiental como um catalizador para reduzir a pobre z a e
melhorar a qua lidade de vida, fomentar a cooperação regio n al , preservar o ri c o
101. A "Revolução Verde" nos anos 1960 foi oficialmente justificada como um projeto para aumentar a produção
agrícola dos países do sul e, por conseqüência, resolver as necessidades das populações locais. Porém, seus
efeitos foram outros, como demonstra Vandana Shiva: ''A Revolução Verde é um exemplo cabal do
paradigma do desenvolvimento. Ela destruiu sistemas agrícolas diversos adaptados aos diferentes ecossistemas
100. Este projeto conta com o apoio da Secretaria de Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat). da Comissão
Centro-americana de Ambiente e Desenvolvimento (CCDA), da UNDP (United Nations Developmenl
Programme) e de outras instituições internacion~s, com financiamento do GEF (Global Enviromments
, c il ity) dministrado pelo Banco Mundial (SOLlS, 2004).
do planeta, globalizando a cultura e a economia de uma agricultura industrial.
Ela eliminou milhares
de
culturas e variedades de culturas, substituindo-as por monoculturas de arroz, trigo e milho através do
Terceiro
Mundo. Ela substituiu os insumos internos por
insumos intensivos de capital e produtos químicos,
gerando dívidas para os agricultores e a morte para os ecossistemas" (200 I; 134).
162
163
() 1'011I!1NOIIII AMIIIIIANOI A AMr IIII AI AIINA NOI'Ó', I,IIIIIIIA IIIIA P aravá ri o
() 1'011I!1NOIIII AMIIIIIANOI A AMr IIII AI AIINA NOI'Ó', I,IIIIIIIA IIIIA
P aravá ri o s a n a l i s t a s ,o C or re d or B i o l óg i c o M es o a m c ri ca n o t em u m a relaçã
h c ga rn a ma is d e U S$ J.S b il i 1 0es . anu ai s . Ao m esmo t emp o, n ão a bri ram m ão d e
ínt ima c om o P l ano Pu e b l a-P a namá, s o br e tud o n o que se re fe r e às q u es tões d
t
c má t ic a s co m o a ga r an t i a d a p r opr i ed ad e i n t el ec t ua l , co m p ras gove rn a m en t ai s ,
a p r o v e i ta m e nto da biodive rs i d a d e pe l a s cor p o raçõe s tra n s n a c io n a is , pr i nc i p a lme nt e
b er tu ra do
m e rc ado d e serv i ços e a li b e ra l i z a ção e pro t eç ão d os i n vesti m e nto s
de
b a se n o rt e- a meri cana. C om o n as p a l avras d e G ia n C a r lo
D e lga . d . o.::.B .a . rn os"S.e: m
x te rn o s (C L A UDE , 2003), I ss o l evou o C hil e a aceit ar a l egi s l ação d e def esa d a
d úv id a a l g um a , o CBM não é o utr a co i sa q u e a "v e rsão v e rd e " do P l a n o Pu e b l
, P a na m á q u e b u s ca co J ocar o s recu r ~ os _ m esoa rrJe r ica nos n a s m ão s d o s a t ores
p r o pr ie d ad e i n te l ec t ua l ; r eduz i r a inda m ai s seus r egul ame nt os so bre i n vest i m e nt os
ex t er n os ; e n a á r ea d e c o mpr as gove rnamentai s, o gove rno f i co u im poss i b ili tado de
e
s t ra ng e ir os" (2004: 187).
b
C
o m a s in ic i a t ivas d o P Pp , d o C BM e d o TL C México-A m é rica Centr a l,
e n efic ia r o s f o rnece do re s n acion ais, C abe ressa lt ar , q ue n o q ue se re f e r e à res t r i ção
ao ca p i tal ex t e rn o, d esd e a c ri se d e 1998, o C hil e j á h av i a r ed uz i do o encoje
p
o de- s e diz e r que, ai nd a qu e d e f or ma l e n ta, vem ocor r e ndo um a te nt a ti v a d e
(m
eca n is m o d e co n trol e s obre a ent r ada e o s mov im ento s do c apit a l ) d e 30% p ar a
r eco nf i g u r a ç ão d as regiõe s s ul - su des t e d o Mé x ico e A m éri ca Cen tra l em pl ena sinto ni a
0%, Co m o tra t a do, o C hil e c o ns egu i u m ant er ape nas a res t r i ção d e um a no p ar a a
co m os o bjet i v o s ce n trai s d o pr o j et o n o rt e -a me rica n o de in teg ração e c onô mica da s
A m é ric a s. Ne ss e p r oc e sso , co mo tent a m o s d e m o n s tr ar, os cam inh os e c o n ômic o s
a
d o t ad os pe las e lit es g over n a nt es d o Mé x i co , n a s ú l timas du as d éc adas, t êm s i d o
r e p a tr i a ç ão d e ca p i ta isf in an c ei r os ex ter no s , Note- s e a i nda q ue ao n egoci ar um ca pítul o
so br e in vesti me nt os e x terno s s emel h an te a o capítul o II d o N A FT A , o s c hil e nos
co n seg u ir a m i n c lui r u ma c l áus u l a q ue es ta b el ece q ue um i n vesti d o r so me nte p ode
d
ec i s i vos .
a
p rese n t ar u m a ação con tr a um Estad o d epoi s d e e s ta r oper an do h á d oi s a nos no
p
a ís . ,o2 No
qu e
se r efe r e à propr i ed ade int el ec tual , não f oi d i fíc il p ara o s c h il e nos
a
ce i ta r em o s in te r esses dos n or t e- a merica nos , poi s p ar a u m p aí s q ue op tou p el a
3. O Tratado de Livre Comércio Chile-EUA
s
u b s ti tui ção d a pr o dução
n aci o n al pel a s im portaç õ es , o p atr i m ôni o in tel ec tua l é mu i t o
p e qu e n o e n ão ex i s tem p ol íti cas es traté g i c as que p roc urem reverter e ss a s i tu ação,
E
m jan eir o
d e 2QO.i e ntr o u
e m v i g o r o . tr a tado d e li vre c o mé r :c i o
e
n v o l v e nd o o Ch il e e os E U A. Do l a d o c hi l e no, es se aco rd o co n sag ra a Qolí ti ca
L E ?.f9 n Ô miCalib e ra l adota d a d u ra n te a e ra P in o c h et e c ont in u ad a n os g o v ern os d a
Concertoción 1 qu e se b ase ia n a ~ W I J~ª - o d e me rcª - d ºs pa@§ u ase ~po~ções p r i már i a s
através d e acor dos c om erc i a i s l i be r a li zant es e da diminu ição d a s t a rif as a lfa n d egári as.
Um aco r do co m os EU A se mpre f o i um dos so n h os da Concertoción, t a nto qu e , n a s
So b ess e a s pect o o t rat ado co ntr ibui para a pro f u ndar a in ser ção do paí s n a econom i a
inter n ac i onal co m o um e x po r ta dor de r ecu rsos n atu rai s ,
los eph S t ig l i t z n uma e ntrev i s t a e m B u en os Ai re s a firmo u l ogo depoi s da
ass i n at u rado t rata d o q ue :n .c tll i e. ba~áapff C ljdQS obffaoi ;L (S T I G L l TZ apud PIZ AR R O ,
2003: 12). E de fato f o i i sso que ocor r eu . N ão se tra ta a qu i d e n egar a i mp o r t ân c i a
d e acordo s co m erc ia is , p or ém , como e s tam os v e ndo, ness es a c ordo s a ss i nados
s u as a dmi nis tra ç ões, o Ch i le foi en t u s i a s t a d a " I nic i at i va d as Amé r i cas" la n ç ada p or
George B us h e m 199!; te n t ou se m s u c ess o e nt ra r n o N A F T A ; aban dono u a
per s pec ti va de n e gociar a A L CA com os EUA num b l oco l atin o-a me ri ca no , to man d o
co m os E U A e stão prev i s t as uma s é ri e d e c l áus ul as q ue impe d em a flexibilização das
p o l ítica s pú b lic as p a r a a l t erar e m a l gum mom ento a estraté g i a d e d ese nvol v im ent o.
É prec is o d e i x ar c lar o
n ovam ente que esses a cor dos n ão
o cam inh o b il ateral; e tc ( R AMO S & U R R U T I A, 2003).
l i v re co m érc i o, m a s e s ta bel ecem
toda u ma l egi s l aç ão q ue
pr e v êem s impl esmente o
res t r i n ge, p or ex em pl o, a
P a ra o s EUA , o aco r do f o i ma is u m p a s so n a t ent ati v a de i ntegração da s
p os s ib ilida d e d e um m an ej o d a p ol í t ica t r ibut ári a e co me r c i a l e m pro l de um a pol í ti ca
Amér i cas co n fo r me os se u s int ere sse s g e oe c o n ôm ico s
e geo p ol ítico s . Na s
in dus tr ia l efi caz (CA NO, 2000;
PI Z ARRO , 2003), P ar a Hu go Faz i o :
n egoc i a ções co m o C hile , a e xe m p l o do q u e ocor r eu co m o s dema is p aíses d a
r egião, pre v a l eceu o m od e l o d e i ntegração econ ô mica pr ega do p e l os EU A , n o q u a l
o
s n orte -a m e ri c an os oferec e m o acesso ao seu mercado d e acor d o co m suas re g r as
o a cordo reali zado e n tr e EUA e Ch ile chamado d e " Trata do d e L i vre Co mér c io "
- e mbor a a te má tica en v ol vid a seja ex t rao r di nari am ente mai s ampl a e a
e
, e m t ro ca , ex i g em a i n sti t u c i o n a l i zação d e re f o rm a s qu e
gara nta m a libe rda de
co mp l e t a p a ra s eus ca pit a i s e a nul e m a p oss ibi li d ade de e s tratég ia s nac ion a i s d e
" libe rd ade" se ja a ss imét ri ca - a marra o Chil e aos p receitos do Consenso d e
Was h i n gto n si gnif i cando u ma p e r da co l o ss al d e au t o n omi a p ar a decidir pol í tic as
d
e s e n vo l v im e nto a os d e m a i s p a í s e s .
não somen te n o p r esent e quant o n o futuro
Q u ov e rnantes com p ro m et em as
g er aç . Qe s -p . Qst er j ore .s
af
elaI D
<
l §9 bec;an ia . Datrcionaata ml, de im p edi r o su rg i mento
N
ess e ac o rd o , o s EU A n ão ace it ara m n egoc iar te mas q u e e nvo lv esse m,
s le proje tos . a lternat iv os _ e _ n e.g ÇLm
e
x p cessõeb ásis c a s deA g l1 l . o .f! acia (20 03 : 6) .
p
or
e x emp l o,
o s e u sis tem a ontidumping, q ue é co n s i derad o pe l o mu nd o todo co m o
u
m forte i n s tr um e nt o de p ro t eção co m erci a l e os s e us s u b s íd i os à ag r icul tur a que
102, Tratado de Livre Comércio Chile-El.A, 2003.
165
164
0 1 ' 0 111N1O1II IIA M I I I IA( NOI AA M I'
0 1 ' 0 111N1O1II IIA M I I I IA( NOI AA M I' l l l rAIA II N AN
11( )l i l 1 1I 1II1III1A1A
Â.e2reffiplo dos demais acordos.propostos p losEUb, oJ:rânsito d P SSO 'I
,e trabalhadores ficou de fora das negociações. Como lembra Paul Wald r:
or
nl mo fl n n
Ir o In t rn c l or e I .D
rur I , Am 6r lca
C ntra l t ra n s formo u-
e m " m q ui d or ". C rca d
3 5 0 mi l f un c ion ários , tr ê s q u artos d e les mu lh eres,
traba lh a m at u al me n t e n e ss a s fá b r icas d a A mé rica
Ce n t ral. E ss e s et or re presenta ,
em re l a ção ao t ota l de ex p or t ações de ca d a país : 58,7 % p ara EI S al vado r; 47 ,2%
Só as mercadorias podem e n trar nos EU A livr e de tar i fas. A s p es so as,
o
p a ra Hond ura s ; 58% p a ra a Ni c ará gu a ; 18% pa ra a Guatema la - e os gove rno s
trabalhadores, que também são me r cados e s uje it os econô mi c o s não e n t r am n a
negociação. Ficam fora da fronteira, como um produ to defeituoso , c omo um be m
l oca is o ap rese n ta m c omo um motor de desenvol vim ento da região. N o en t antO'1
se u a por t e à e cono mia na cional dev e se r rela tivi z a d o: as ma té r i as -p r im as sã o
b iológico q u e n ão c u mpre co m as n o rma s fitosa nitá ri as. O T L C é um novo e stat u t
i m porta d as e a s m aquia do r as, que não pa g am i mpostos, não c ontribuem em nada
nac i ona l e l aborado em conjunto por agent es financei r o s de Wal l S tr eet , o s f a lc õ
pa ra a ar recadação do E stado . Q uan t o aos empregos que ge r am , e l es são i n stá veis ,
de Washington, al guns produto r es de bens tangíveis e int angí v ei s, o setor privad o
p o uco qual ifica dos e ma l r e r n u nerados.l'"
ch ileno e seus divulgado res oficiais (2 0 04: 15) .
As facilidades para exportar ao mercado norte-americano foram ampliada
São sob essas condições de grande dependência
! de crise nas suas exportações agrícolas tradicionais
das empresas maquiladoras
que os governos centro-
com o tratado, fato muito comemorado
por alguns setores sociais chilenos, porém,
.unericanos passaram a solicitar ao governo norte-americano um tratado de livre
as concessões de soberania econômica podem trazer custos ao país no futuro.
4. O C AF T A-DR
comércio. Para os EUA, desde a administração Clinton, a iniciativa de realizar um
acordo comercial com a América Central faz parte do processo de construção da
I\LCA. Como nas palavras do enviado especial da Casa Branca para a América Latina
no governo Clinton, Thomas Mclarty, em 3 de maio de 1997: ''A América Central
Um dos aspectos da reestruturação capitalista ocorrida nas últimas décadas,
a partir dos países centrais, foi o de promover a abertura das economias periféricas
direcionando seus modelos econômicos para a exportação. As reformas para o
mercado, disseminadas principalmente pelo FMI e pelo Banco Mundial no mundo
junto com o Caribeé
uma região chave no caminho para a Área de Livre Comércio
elas Américas no ano de 2005".104 Ou ainda nas declarações de George W Bush,
m 16 de janeiro de 2002: ''Agora estou anunciando que os Estados Unidos buscarão
um acordo de livre comércio com a América Central. Meu governo trabalhará junto
periférico, foram decisivas para adequar esses países às novas diretrizes do mercado
mundial controlado pelas grandes corporações transnacionais
.
.E9c.a as elites
ao Congresso
que já temos
com esse objetivo. Nosso propósito é fortalecer os laços econômicos
com essas nações, reforçar seu caminho até a reforma econômica,
governant~?~_~país~s_~<2.n.2<:2_g.;;_da!-mér.icaCe~tr~I:_9ue_yi~~m ~~ereç_os de ~a~
política e social, e dar outro passo até a Área de Livre Comércio das Américas [
] O
Jr-ª2Lc_~D2!.?_~122 r_t,9S2eU g rí c Q.I-ª-Lº e s p.e n c a r~ m c o Ql
a_li.Qe
r'!l iz ª-ç3-0 e
xito na economia mundial chega aos países que mantêm uma disciplina fiscal, abrem
i~
regu!am.e~t~.ç~S?".9g2_r:!}~r: ca~02 ~os~
. 9 .2
J 1 9 0~ saíga tem sido o eml2enho
de~32.erado
ara ~~~~2r_~.?~s estrangeiras transfiram parte~.~~~~y~~d.ustrial
produtiva '-para seus territórios. Para atraírem esses investimentos, dentro de uma
conjuntu-;a econômiéà;)undialmã'rcadà pelã intensa flnánceiri;ãção e por uma imensa
competição
por investimentos
entre os países periféricos,
esses Estados têm
promovido uma abertura de suas economias, que tem colocado à disposição dos
capitais externos ~~ãssT;:;'chamadas Y
é!ntaçenscomparativas,
ue são mãg-de-
\ obra barata, recursos naturais, isenção fiscal, garantia de livre rel2atriamento de cal2i!ais
~e proximidade geográfica com o mercado dos EUA. Não é por outra razão que a
América Central transformou-se num dos paraísos das maquiladoras do setor têxtil
I sd a década de 1990. Como destaca Phillipe Revelli (2005):
suas fronteiras ao comércio, privatizam as empresas estatais eficientes, e investem
m saúde e educação de seus povos. Aqueles que prometem protecionismo ou
segurança através de estatismo asseguram um futuro sombrio e estagnado". 105 Além
da dimensão geoeconômica, um acordo com a América central pode representar
para os EUA uma cumplicidade maior da região com sua política de segurança,
sobretudo nos temas ligados à migração ilegal e ao narcotráfico.
A partir de 2003, a administração Bush deu início a uma intensa agenda de
negociações com a Costa Rica, EI Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e
República Dominicana visando à construção do Tratado deJ
ivre
Comércio com a
103. Le M onde D i p l omat iqu e .
ediç ã o bras i lei r a ,
ano 6 , n0 67 . agos t o de 2005,
V e r: < http ://
w ww .d i p l o . uo l.com. br >
Af ta d a pe la queda do preço do café e outr os produtos de exportação, a agric u ltu r a
10 4 . En tr e vi s ta d ad a a o j orn al m exican o fI Financiero, e m 3 d e ma i o de 1 9 97,
, r I o pa g a as contas da s medidas de ajuste est rutural impo s ta s pel os
105.
D e c laração pu b li cada no j orna l sa lv a do re nho f i Diario de Hoy, e m 1 7 de jan e ir o de 2002,
167
() l'01111tNOIOI AMIItIl ANOI A AMl'lm AI AIINA Nlll'Ó',lIIIlllltA 11liA A l 1 J é
() l'01111tNOIOI AMIItIl ANOI A AMl'lm AI AIINA Nlll'Ó',lIIIlllltA 11liA
A l 1 J
é ri c:~ e ntra l e
a Re l 2 úb l i ca~ o min i c a n a C A FTA- D R. 106 N S 5 n goc i
IlIll
o
,
I
m o
m o
mp nho p s so I d o p r s id n t B u s h. N o 5 n ad o,
era de
se espera r , p redomi n a r a m o s in t e r es s e s d as gr a ndes corporaçõ
n
III
m O d junh o d 2005, f or a m 54 v oto s a fa v o r e 45
a meri canas, co m o g ove rn o Bu s h pr es s i o n a nd o o s de ma is p a í se s p a r a qu e c it
I
/ d ju lh o d e 2005, f or a m 217 voto s a f avor e 215
co ntr a, e , n o C o ngr esso, e m
c o ntra.
a i nc lu são de d et er m in a d os
a r t i gos n o t rat ado q u e, em g e r a l, o s E U A nã
O C AFTA -DR e ntro u e m v i gor e m m ar ço 2006, se m a p re s ença .da .C ost a
'i
cons e guido ap r o v ar na s cú p ul a s da OM e . De n tre os p rinc i pa is t e rmo s d <,',,1.
, qu e
d e v i do às res i s tê nc i as soc i ai s a i nda n ão r ati f i co u o acor do, a pe sar de tod o s
negoci a ç ões d e s t acaram- s e: o
re s pei to às norma s de or ige m ; o Di rei to d e p r o pr i dddr
es f o rç o s do pres ide nte Os car A ri as e m defes a d o t r at ado . C o m a penas um ano d e
intelectu a l , co m a g aranti a de p ate nt es d e re méd io s e ag ro qu í m icos p or e xe mp l : , I
libera l i zação dos s erv iç o s , co m o e du cação e saú de; o t r at a m e nt o n acio n al p ar a () ',
in ves t i do r e s e x t er n os; a pr oteção ao l i v re t râ n s it o de ca pita i s ex te rnos no s p aí ses : ' I (
Ir p l e me n tação , o CA E TA- DR já so fr e d ur as
críti c a s n as soc ieda des c e nt r o-amer i canas .
I
m
E I Sa l va dor, os p eq u e nos e m édi os agr i cultor e s dizem q ue o trat ad o t r az g anhos
o
m e nt e a o s g r ande s e xportadores e e s tá co l ocando em ri s co a agricultura naciona l .
T
o d os ess e sa ss un t o st ê m impli ca d o m u danças n a s le gi s l açõesd os f r agili z
I
I .
5
e s tu da n tes e os m ov imentos s o c iais do l 2 aís já a [lresentaram a Co rte Su rem a de
pa
í s e s ce n tro- american os. Ao l o n _o d o s ú ltim os a n os ocorr eram in te n sos e m b
l(" ,
jl
ls
t
iça u m recurs o de in coQg~ u ºoQ a lidad. e- º Qt cª tado alegand() , en. ! ~_ < 20ra sg ues t ões,
int e r n os e nt re os resi d en t es c entr o -amer iç i 1no s e as opos içõe s _ a ot ra t a d o _agrup
1,1
"
s
i m e tr ia s ~ ~on ô mica s entre os países signatár io s, t r ans gres s õe s cons tituci onai s e
n o s C o ngressos n ac io nais e n o s m o v im entos sociais . N a Co s ta Ric a, p o r e xe m p lo ,
l imin a ão de di reit os so c iais. ~ a Guatemala , os mo v im ento s s o c i ai s têm denunci ado
as pr ess ões no rte- american as p ara a a be r tura dos setores d e te leco municaçõ e s d
c a pítul o IOdo tra tado , que confere aos in v es t i dor es estr angeiro s determin a dos
e l e tri c id a d e c omo pressup os t o par a a e ntr a da do país no C AFTA - DR ge r a r a m uni"
g ra nd e o p o siç ã o de congr e s s i s t as c o s t a rriquenhos ao acordo, t a nt o que o p a í s a i n 1 , \
n ão ra tifi co u o a co rdo . No s d e m a i s p aí s esda r e gião ocor re ra m in ten s a s ma nif e s t aç õ "
d
i
re i tos que s obrepõe m e a nul a m a s l egislaçõesnacionai s, poss ibi li tando, por exempl o,
mpr e s as estrang eir as m ov e r em a ções contra o governo, que s erão julgadas p or
trib un a i s internacion a i s d e c o mér c i o pri v ado . Note-s e que j á tem empresa estr angei ra
do s movi me n t o s s oc iai s d en unci a n do o s su po s to s imp ac t os n eg a tiv o s d o trat a do
l x ig indo indeniz ação do g o v erno gua t em alteco, como n o caso d a co m panhia fer rov i ári a
s obre a ren d a dos tr aba lh a do res , os D ir e i to s trabalh is tas, o m e i o a m b ie nte , ti
n o
r te-a me r ica n a R ai l r oad D evel op ment Corp
co
m ercia li za ç ão de medi camentos g e n ér i co s , os ser v iços c o n tr o l ad os pel os E s t ad
e
a se g u ran ça al i me nt a r n a Amé r ica Ce n t ra l . Po rém , a f r agilid a de e a d epend ê n i,l
eco n ô m i ca d ess e s p a íse s, a ade s ã o d e p arcelas d e suas p o pu la çõ e s ao acord o e o
5. ALCA: impas s es e resistências
gra nde poder i o n o rte-americ ano n as ne goc i a çõ e s d ificul t aram s ig nifi c a tiva m en te 1
As neg o ciaç õ es ara a co ns t i tui ç ão d a ALC A, a des pei to das d i v er g ên c ia s
resis tênci as soc i a i s tanto
às r ef orma s f un d a me n t a i s ex ig id as pe l o t rat a d o q ua n to a s u a
nvo l vendo alg u n s p aís e s , cump r iram até nov em br o de 2002 tod o o cr on ogr a m a
rat i f ica ção n os re s pe c t iv o s Co n gr e ssos. As press õe s d os E UA l eva r am, por e x em pl ,
s ta b elecid o na Quar ta Reuni ã o M i ni ste ri a l d e SanJ o s é em m ar ço d e 199 8, sobr etudo
G u at em al a e C ost a
Rica a a ban dona r-e m o G - n, g rup o d e pa í s e s que e x i g e , I
no qu e d i z res p e ito à ques tão processual c o m o a montagem d a estrutura i n st itucio n al .
e lim i nação dos sub s ídi o s
a gr íco las dos p aíses desenvo lv idos.
A a r ti r d a Sét ima Reuniã o Mini ~ e d9 1~ ~ ~ ' ª & ta e m Q uito , ~ r n .l } Q v embr o de 2002,
No s
E UA , as ne go c i aç õ es do CA FTA -DR c o l oca ra m de um lad o a
na qu a l a p r e sidência das n egoci ações foi trans fer i da d o Equador p ar a ' LÇQ : Qre s id ê nc i a
cor po ra ç ões e d e o ut r o os
mo v i me n t os s oc i a i s preocu pado s c om as qu e s tõ "
de B rasil e E UA , a A LCA entr ou n _a . fa. s
e
d_ e_ d efinidaçãos r eg ra
sde.
s e u f u c i o a mento
t rab al hi s ta s e amb i e nta i s e o f o , :! e lobby a gr iç o la , sob r: etUd O_ à _ ligado ~ d efe sa d o
m qu e o em b ate p a sso u a s er e m t orno das propo s t as p ara o a c ess o ao merc ado
aç úc ar . 107 T ant o qu e o a cor d o f o i rat i f i c a do co m d ific u ld ades n as v otaçõ es no Sen a d
na s ár e as de agricu ltur a , indú s tr i a, in v estimento s , se r v iç os e c ompr as gov ernamentai s .
F
o
i ness e mome nt o q ue a AL C A e ntrou nUr Y Lr i tt y l SU } l . i l -l?lento marcado _ [leia
d
i ~ cordância de 1 2!: . Q J 20 _esnt ast r e os EU,=, ~- º - ~ _e;:r : s :osul ,o q' : ! e I ~y aria a um im as s e
106. Para divulgar os supostos benefícios do acordo e, por conseqüência, ajudar os governos da região
ganharem cada vez mais adeptos ao tratado nos seus países, os EUA utilizaram os serviços da Agência do
EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Segundo o OakJand Institute, em novembro de 200~,
USAI D doou 700 mil dólares para a criação da Aliança para a Ação no Acordo de Livre Comércio COI,I
I Am rica Central e a República Dominicana (Cafta-DR) (jornal Brasil de Fato, 29/10/2005).
I () /, Nol
que apesar de alguns setores oposicionistas norte-americanos considerarem que o acordo tr,IH'!
ti, "11l1 O que seus capítulos e artigos sobre Direitos trabalhistas e arnbientais são fracos demai , rI
AI IA I H 11' v sanções nacionais se as empresas instaladas na América Central não cumprirem lei
trabalhistas e ambientais. Em relação aos lobistas do açúcar, foi incluído no CAFrA-DR um mecanismo de
compensação que permite aos EUA limitar as importações de açúcar da América Central em um teto de
100 mil toneladas.
I I
169
n 1'011111 NIIII I I AMI I I I I ANO I A AMI I
n 1'011111 NIIII I I AMI I I I I ANO I A AMI I III A I AlINA NO I o II II II I I IA II I IA
na s futur as n egoc i a ções d e ta l fo rm a q u e a pr e v i são o f ici a l d in u ura r
comércio até dezembro de 2 00 5 n ão se c um priu.
I r a d li v r
11 rf 01 s,
po i s d
I1t U1t d o c o m é r c i o
x t r i or d o s UA (USTR), Ro b rt
1 .0 Il i e k r s p o n s b i li z r
B s i l p 1 0fr ca s so d as n egoc i ações e m C a n c ún , o s n o r t e -
O Brasil, respaldado principalm e nt e p e l a Arge ntin a n o Me rc o s ul , pa sso u a
defender aquilo que ficou conhecido como ':ALCA li g h t " , n a qua l t em as d e ma i r
m ri ea n os a ca b ara m co n co rd a nd o a c o n tr ago s t o e m
r'l x fv e l p a r a a AL C A , n a O i t ava R e uni ão Mini s ter i a l d e
formu l ar um aco rd o m a i s
Co mérc i o e m Mi a mi, e m
impo r tância seriam discutidos no esquema "4+ I" e os t em as se n s í v ei s co m o
propriedade intelectual, serviços, investimentos e compras governam ent a i s d e ve ria m
ser tratados na OMCl 08 Ao contrário, a posição norte-americana f oi a de de f es a cI
'f\LCA abrangente" que deveria envolver todos os assuntos, inclusive os relaci onad o s
no v e mb r o de 2 00 3. N a d ec l a raç ão de Miami ficou decidido q ue o s paí s e s p od e ri a m
u m ir ní vei s de cor ll p- romissos distintos na 8 . 1C 6 . p-reve rr ç j odois níveis de negocia ç ão .
f nq J . J-ª nto. D-º -p- rimeiro nível ficaria estabelecido um coniunto comum e equilibrado
d e d i r e itC 2~ ~_2Q ri gê :Ções!
.~ l 2 licáveis- ª --t.2do ~C 2 . ~ . I2.'? - i . ~ ~segunç? t !l 0 [ ,? ,era facultativo aos
a investimentos, propriedade intelectual e compras governamentais, porém, a ssun to s
p aí sl S ?d e finirem _ ob ~ iga <2.e~e k !2 5: f ~ '! .dicionais
no ª~ da ALCA por meio de
como política ontidumping e apoio interno aos produtores agrícolas são considerad o s
n e oci ações_ p!L! ila t ~ ais."o Evitando os temas mais polêmicos, que poderiam ser
pelos EUA como temas sistêmicos que devem ser tratados na OMC e não na AL C A.
Em fevereiro de 2003, novamente Mercosul e EUA entraram em rota de coli s ão
quando os norte-americanos apresentaram suas propostas de redução de tarifa s e m
produtos
industriais e agrícolas sob a forma de quatro listas diferentes dividindo os 3 4
paísesdo hemisfério ocidental em Caribe, América Central, Grupo Andino, Merc osu l .
Em tese, todos os produtos foram incluídos nas quatro listas, mas os itens e os
n egoc i a dos com o tempo, a declaração de Miami procurava impedir um novo choque
nt re as posições do Mercosul e as dos EUA na medida em que tornava facultativa a
pa r ticipação dos países em áreas consideradas por eles problemáticas.
É importante destacar que os EUA, o Canadá, o México, o Chile e outros
pa í ses não se contentaram com o acordo "Iight" estabelecido em Miami . Des s a
f orma , as divergências não demoram
em reaparecer nas negociações, como ocorreu
prazos para a liberalização total, isto é, para eliminar a totalidade das tarifas até chega r
a zero, variaram de acordo com os interesses de grupos internos norte-american o s.
Por exemplo , pa ra os países do Mercosul , os EUA propuseram a s upressão t otal d a s
barreiras para 58% das manufaturas e 50% dos bens ag rícolas, não contemplan do
itens agrícolas de interes s e do bloco, principalmente do Brasil.109
Uma outra divergência en v olvendo brasileiros e norte-american o s
na Reunião do Comitê de Negociação Comercial, principal órgão técnico da ALCA,
em Puebla , fevereiro de 20 Q . i Nas negociações, para se chegar a um formato final
pa ra a constituição da ALCA, ocorreram novas divergências e a reunião fraca ss ou nos
se us propósitos. Novamente as g U ~ ~ !? E ; s J ~ ~ ~ l l bsídios _ norte ~ rica n os ,".à
a g ricultural . ao ? tema s d ª -J2 ro riedade intelectual, olíticas de concor r ên c ia ,
Qntidu!!lJ2inK~Alc.e.it22SQ!lll2ensatórios e Q debate entre ALCA "Ii g ht " o abra ~
aconteceu durante a Quinta Confe r ência Ministerial da . 9J : :g ª -.rJ izaç ãoMundial d o
Comércio , realizada em Cancún ~m . setemQ [Q . de 2 .Q 03 ,
Ç Jua f ldoa _ d ip - J.om aci a
p rasileira liderou um b !9 .f 0 d ~ l?§ ;íse . ~(G-. 21 t g ue l,Q y iabilizoua rodada de negociaç õ e s
. d ey ido ~ agenda do enÇ 2 ntro cont em .k ê; [ ?~ as os interesses dos EUA e da Un i ão
~ uroR éia.,. g l l i Ue ç us ~ - ª -r : : D. discutir os _ sut> ~ L ~ gr: is :o. @soferecidos aos seus I 2 roduto re s
l ev aram a reunião " a. J 2 ! I L i O: l I 2 ª - â s e .c J :) Jote-seque, nessa reunião, os EUA, Canadá,
Chile e Mé xico articul ara m o G 14, grupo de países sintonizados com as propo sta s
n o rte-americanas da AL CA .
Um mês de p o i s do f r aca s so da reunião de Puebla, em 4 d e março d e
2 004, o USTr, em do cu me n to e n v i a do ao Congresso dos EUA, deixou clara a intenção
d e insistir na s n egoc i ações da A L C A abrang e nte. Como relata o documento:
A l gum as delegações que negocia m a A L CA vêm ques tiona nd o esses pr in cíp ios e
108.
A estratégia de negociação "4+ I" nasceu no Acordo
do Jardim das Rosas, em
1991. no âmbito da
ob j etivos, p r opondo q ue
a AL C A f ique conce n trada apenas no acesso a mercado s
"Iniciativa das Américas" do presidente George Bush. Diante do poderio econômico norte-americano nas
negociações com os países da região, a estratégia do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) tem
sido a negociação em bloco com os EUA, como forma de tentar equilibrar essas relações assimétricas.
[
] A ALCA deve ser a b rangente e incluir
um c o nju n to c om um de direi tos e
I
obr i gaç õe s a ser aplic a do p ara todos os país e s e m t o d as
negoci ad as. I I I
as á r eas que estão sendo
109.
Nas áreas agrícolas em que o Brasil apresenta vantagens competitivas, tais como açúcar, soja, algodão,
milho, suco de laranja e etanol, existe um poderoso lobby de produtores agrícolas norte-americanos que
dificulta a diminuição das barreiras nessas áreas. Em maio de 2004, depois de sucessivos fracassos nas
negociações devido, entre outra razões, a insistência do Brasil em abrir o mercado agrícola dos EUA, o
Com a inter r u Q ç ão das negociações da ALCA em Puebla devido às
divergências com o Merc osu l o o verno Bush l .v. i endo-se do TrosLe ProlJ1Q!ill!:J.f.uthotjJY
\
negociador norte-americano Peter Allgeier afirmou aos negociadores brasileiros em Washington que vários
dos produtos agrícolas brasileiros correm o risco de jamais terem tarifa zero no mercado americano. Não
( j v esquecer ainda que em 2002, os EUA aprovaram a Form Sill, concedendo US$ I 80 bilhões em
I l ul ) k ll o O produtores agrícolas norte-americanos.
110. Ver Declaração Ministerial de Miami, 18 de novembro
de 2003. Em: <http//www.ftaa-alca.org>.
I
I
I.
Fragmento publicado no Jornal Folha de São Paulo, em 5 de março de 2004.
170
171
OI'OI)! Ii NOIIII AMII\I( ANOI MMrlUrWllNA NrJPÓi, (1\111\lIAI IIIA ou fost trock J~assou-ª-Q!:ivilegj~acordos
OI'OI)! Ii NOIIII AMII\I( ANOI MMrlUrWllNA
NrJPÓi, (1\111\lIAI IIIA
ou fost trock J~assou-ª-Q!:ivilegj~acordos bilaterais e plurilaterais com os dernais
países do continente nos mesmos termos da ALCA abrangente. Pode-se dizer que,
com essa ofensiva, os EUA pretendem minar a resistência do Mercosul ~ ALCA e, ao
abe reafirmar que a estratéga de acordos bilaterais e plurilaterais adotada pelos
I· UA não significa que esse pais tenha
desistido da ALCA.
Tanto que na Quarta Reunião
-
mesmo tempo, blogY~ill:.-ª
\f.i'lnç9 ?cjsdnteg[aç~º r.~gional
latino-americana fora c/li
5ua lideranÇLNos últimos anos, os EUA fecharam o acordo do CAFTA-DR, iniciaram
as negociações de um acordo bilateral com o Panamá, tentaram iniciar uma discuss
com o Paraguai e o Uruguai e, de certa forma, conseguiram desestruturar ti
Comunidade Andina de Nações (CAN) com as negociações do Tratado de Livn·
Comércio Andino com a Colômbia, o Equador e o Peru (a Bolívia chegou a participa I
como observadora). 1 12 Desses países andinos,
o Peru com o presidente AJejandro
Toledo e a Colômbia com o presidente Álvaro Uribe, apesar das resistências sociais
internas, já assinaram o TLC com os EUA, faltando apenas a ratificação dos Congressos
nacionais. Por outro lado, as negociações com o Equador foram interrompidas o
não deverão ser retomadas pelo novo presidente Rafael Correa, e a Bolívia de Evo
Morales passou a se opor ao TLC Andino, embora os dois países pretendam renová!
com os EUA a Lei de Promoção Comercial Andina e Erradicação das Drogas
(ATPDEA).
íe Cúpula das Américas, realizada em novembro de 2005 em Mar dei Plata, os
l:UA queriam incluir no documento final o compromisso dos demais países para
tomar as discussões da ALCA a partir de abril de 2006. O Mercosul e a Venezuela
opuseram à inclusão de qualquer menção que implicasse prazos para negociar a
ALCA. Diante do impasse para retomar as negociações, a Colômbia chegou a cogitar
uma proposta, que foi logo apoiada pelo México, de criar a ALCA para os 29 países
que não se opõem ao acordo. Essas contradições também demonstram a divisão
dos países latino-americanos em_ relação ao r2roje~o.~CA. Qeve-se notar ainda que,
mbora muitos governos estejam negociando com os EUA, isso não implica que em
suas sociedades não existam resistências, como vem ocorrendo em quase toda a
região andina.
Quando se observam as razões que levaram a um impasse naALCA, torna-
se necessário recuar no tempo e refletir sobre a seguinte questão. AALCA foi lançada
durante um período de euforia das elites dominantes e governantes latino-americanas
com as reformas disseminadas pelos EUA, acreditando que liberalizando, privatizando
Em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo, em 8 de janeiro de 2006,
subsecretário de Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado norte-americano,
Thomas Shannon fez uma avaliação dessa estratégia:
e estabilizando esses países teriam uma melhor inserção num mundo em que se
Enq uanto a A LC A v em nesse c am i n h o m a is lon g o , te m os pr e ssi on ado fo rt em ent
e ss a agend a q ue res ul tou em a c ordo s c om
o Chi le, a C a ft a-DR ( Ár e a de Li v r
Com ér cio d a A m ér ic a C e ntral e R epúb l i c a D om in ica na ), o P eru e, esp eram os ,
n um fu t u r o p róx i mo , co m Equ a d o r, país e s a n d i n os, C olômb i a e Panamá . Quand o
s e c omb ina m to d os os países c o m os quai s já fi rma m os aco rdo ma is os qu
es tamo s ne goci a n d o s er ia m ente, is s o co br e cer c a de doi s t erços do PI B do
hem isf ér i o, o q u e é s ig ni f icati v o.
anunciava como "um novo século americano" com uma nova ordem mundial pós-
Guerra Fria, baseada nos princípios e valores norte-americanos da democracia de
mercado e na força convergente da globalização. Ocorre que as crises econômicas e
os resultados extremamente desiguais da globalização foram deixando mais claro
para os movimentos sociais e alguns governantes da região os verdadeiros significados
da adesão incondicional às diretrizes dos EUA. Mais do que isso, nessas negociações
da ALCA ficou evidente a histórica visão Pan-americanista dos EUA, na qual a soberania
dos países latino-americanos é duramente violentada. Baseado na idéia de unidade
das Américas e buscando receptividade aos seus projetos, os EUA mais uma vez
partiram do pressuposto da existência de uma comunidade e unidade de objetivos e
Vale lembrar mais uma vez que, nesses acordos, os EUA utilizam a sedução
da oferta de acesso a seu mercado, a fragilidade econômica e a dependência dos
demais países para impor somente as cláusulas de seu I2róQrio intecesse. Também
interesses econômicos, políticos, culturais e militares de todos os países do hemisfério
ocidental. Porém, paradoxalmente, divulgando os princípios de igualdade, cooperação,
solidariedade e parceria, os EUA foram deixando claro durante as negociações que o
acordo deveria ocorrer fundamentalmente em conformidade com os seus interesses
geoeconômicos, o que para a América
Latina significaria restringir ainda mais sua
I 12. Em relação aos países andinos, os EUA já haviam lançado a Lei de Preferências Comerciais Andina (AW)
para a Bolívia, Colombia, Equador e Peru, que reduzia as barreiras comerciais dos EUA para esses países,
No contexto da Iniciativa Regional Andina, o govemo Bush conseguiu aprovar no Senado dos EUA elil
a gos t ode 2 00 2, a Lei de Preferências Alfandegárias Andinas e de Erradicação da Droga, que reduz as tarifa,.
ollfimdegárias norte-americanas a outros produtos andinos como confecções e calçados e, exige em troc
1 compromisso desses países no combate ao tráfico de drogas (Departamento
de Estado dos EUA,
capacidade de traçar políticas autônomas de desenvolvimento, como, por exemplo,
praticar políticas industriais ativas.
Tudo isso acabou gerando resistências de determinados governos e
movimentos sociais à ALCA, que, em alguns casos, passaram a exigir uma reformulação
das propostas dos EUA, e, em outros, iniciaram campanhas pelo fim das negociações
"~,I'l11l1dl")dos FUA aprova renovação e ampliação ATPDEA:', 2 de agosto de 2002. Disponível em http://
I mil 1ft ),~llllfl.llOv/espanol/aril).
173
U 1'0111 li NOIIII AMI III( ANil I A AM(IIII A I AIINA NO 1'0'
U 1'0111 li NOIIII AMI III( ANil I A AM(IIII A I AIINA NO 1'0' , I,IIIIU(AIIIIA
do acordo. 113 Daí decorrem algumas inieiativ s tais como
Mercosul; a criação da Comunidade Sul-Americana d Naçõ s (CA A) 111 1
Capitulo V
aproximação dos países sul-americanos com alguns países da Comunid d I\n<lillll,
as negociações
em torno
da entrada da Venezuela no
Mercosul; a adoção d p 'iç li '
conjuntas dos países do Mercosul em processos de negociações interna ion,li',; I1
Campanha Continental contra a ALCA, envolvendo vários movimento soei i" d,
diversos países, inclusive dos EUA; e o projeto da Alternativa Bolivariana p r t l ( I
Povos da Nossa
América - Tratado de Comércio dos Povos (ALBA - TCP), I n t ld( I
por Hugo Chávez da Venezuela e Fidel Castro de Cuba em dezembro de 2004, qu
propõe uma integração regional alternativa à ALCA.
Ao mesmo tempo em que essas iniciativas têm procurado dernonsu 011
que a ALCA não é inevitável, nem é a opção para a América Latina e que exist
vontade de uma outra integração , por outro lado, padecem ainda das d.ifk.uidad
A política de segurança dos EUA para a
América Latina no pós-Guerra Fria
I
que estiveram presentes em todas as tentativas de integração regionallatino-americall,l,
que estão relacionadas não somente ao modelo, aos instrumentos,
à forma â,
l!lobilizE! -º.~l2ovos
e às qssibilidades de colocarem o desenvolvimento econômi )
~ serviço de ~us
po~
he.emônicas e!ltr:~os Qaíses da reg@o.
como também as rivalidadê;,"d'esconfi-;;:nças e retensôe-
--
. -
o s primeiros anos posteriores ao final da Guerra Fria foram marcados P
<2.':'
uma redefini ão
9-ª.
política de se uré!D a nor:t~!icªrJ
a
no2 undo ~_D_ª-
América Latina. Com o desaparecimento
de um inimigo sistemático
e x tracon t inental, em torno do qual se articulava todo o sistema de segurança
h misférica, os EUA voltaram as suas atenções para os novos atores e as novas
I máticas que pudessem representar
ua condição de única superpotência
problemas à sua segurança e à manutenção da
mundial, Em relação a América Latina, durante
a década de 1990 ao mesmo tempo em ue tentaram difundir as reformas neoliberais
os acordos de liberalizaçãosomercial, procuraram também estabelecer as novas
amea as hemisféricas. Nessa reformulação, dependendo de cada sub-região ou país,
urgiram preocupações
relacionadas a temas como a d e
biiLd.ad.e
das.jo.s.tituiç.6.e2
democráticas, a produção de armamentos
de destrui~ão em massa, o papel das
aniza ões re ionais de se u@[lça, as insurgências armadas, o tráfico de drogas, a
fillJig@.ção clandestina e o terrorismo. Note-se que depois dos atentados de I I de
setembro e o lançamento posterior do Documento de Se urança Nacional de 2002 l i '
(Doutrina Bush), a luta contra o terrorismo passou a orientar toda a política de
segurança dos EUA, subordinando
Nos órgãos e encontros
os demais temas a essa nova cruzada.
de cooperação multilateral, como a OEA, ajunta
I ll . No EUA,
vem crescendo a pressão dos sindicatos sobre o Partido Democrata para que sejam incluída,
IIU acordos de livre comércio, cláusulas trabalhistas que protejam os trabalhadores norte-americanos da
((!l U 11 nci da mão -d e-o b ra barata dos latino-arrericanos. Com o NAFTA, ficou evidente para os
11,111"",Idor norte-americanos que o acordo foi feito para beneficiar às corporações dos EUA.
de Defesa Inter-Americana, a Cúpula das Américas, as Reuniões de Ministros de
Defesa das Américas, os EUA têm se empenhado em envolver os países latino-
americanos tanto em suas prioridades de segurança quanto em suas formas de tratar
os problemas. Nesse processo, ao mesmo tempo em que os EUA têm conseguido
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