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Do palanque se ouvia o ruído de repúdio como uma canção geral, os nervos empertigando as

energias, tudo muito confuso e desagradável. A palestra tornara-se um evento insignificante


diante da balbúrdia. Mesmo com os ânimos surtados, os membros não dilataram sua raiva
brutal. Permaneceram proferindo insultos e indignações, citando os maiores exemplos de
humanistas do globo, os olhos tão esbugalhados quanto perdidos. A atenção se dissipou e
agora a sobra é de lacunas até mesmo os eixos enferrujados, giram com pouca vontade e
menos ainda disciplina. Parecem mais espasmos de um tonto sem foco. A preguiça tornada
ferramenta.

A madrugada traz um silvo de silêncio e glória, a quem a reunião de última hora devassou a
graça e promessa. Claro era necessário, prenúncio do que está para vir. As companhias de
telecomunicação e banda larga boicotaram os usuários, atrapalhando os amontoamentos. Vi
Cristina por lá, a cara amassada de sono, pouco interessada com causas e rumos deste
momento caótico, só queria mesmo era estar bem sentada em frente ao PC com um sanduíche
ou um prato de macarronada, sem ser perturbada por conspirações inventadas por quem acha
a vida monótona demais.

Jorge gritava no palanque, o microfone sendo quase sugado pela boca exageradamente aberta,
que tentava, na dicção correta das palavras, apresentar um plano também correto e angariar
soldados para a marcha. Sua fala era passional demais, parecia um louco diante da sentença de
calar-se para sempre. Bradava como se o que tivesse a dizer fosse a coisa mais séria e mais
procurada do mundo, tentando dissuadir o tumulto que se iniciara. Alguns membros
prestavam-lhe apoio e apaziguavam timidamente os demais.