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Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal

Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal

O documento a seguir foi juntado aos autos do processo de número 0603224-63.2018.6.07.0000


em 18/12/2018 15:18:33 por BRUNO BELEZA DE QUEIROS
Documento assinado por:

- BRUNO BELEZA DE QUEIROS

Consulte este documento em:


https://pje.tre-df.jus.br:8443/pje-web/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam
usando o código: 18121815174003200000000766575
ID do documento: 771634
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR WALDIR LEÔNCIO JÚNIOR, CORREGEDOR
REGIONAL ELEITORAL, DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO DISTRITO
FEDERAL.

AIJE. ABUSO DE PODER


ECONÔMICO. USO INDEVIDO DOS
MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL.
DESEQUÍLIBRIO NO PLEITO. REDES
SOCIAIS. IMPULSIONAMENTO.
CAMPANHA EXCLUSIVAMENTE
PELA INTERNET. PROVAS.
GRAVIDADE. ORIGEM DOS
RECURSOS. FONTES VEDADAS.

DIRETÓRIO NACIONAL DO PARTIDO DA REPÚBLICA, pessoa jurídica


de direito privado, devidamente inscrito no CNPJ/MF sob o nº 08.517.423/0001-95, com sede no
SHS, Quadra 6, Conjunto A, Bloco A, Sala 903, Centro Empresarial Brasil 21, Brasília/DF, CEP
70.316-102, neste ato representado por seu Presidente Nacional, Sr. JOSÉ TADEU CANDELÁRIA,
brasileiro, casado, aposentado, portador do RG de nº 4.860.109-3 – SSP/SP, inscrito no CPF/MF
sob o nº 268.528.458-34, com domicílio profissional no SHS, Quadra 6, Conjunto A, Bloco A, Sala
903, Centro Empresarial Brasil 21, Brasília/DF, CEP 70.316-102, e LAERTE RODRIGUES DE
BESSA, brasileiro, divorciado, deputado federal, candidato pelo Partido da República (PR) na
Coligação União e Força – PR/DEM/PSDB com o número 2222 – Rcand nº 0601481-
18.2018.6.07.0000, portador do RG de nº 1.177.939 SSP/DF, inscrito no CPF/MF sob o nº
095.111.721-15, residente e domiciliado na Rua 08 Norte, Lote 1/3, Apt. 304, Bloco A, Residencial
Wave, Brasília/DF, CEP 71.908-360, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, por
intermédio de seu advogado que esta subscreve, BRUNO BELEZA DE QUEIROS, OAB/DF
43.186, com endereço profissional na SHS Quadra 06, Bloco E, Sala 525, Centro Empresarial
Brasil 21, Brasília/DF, CEP 70.316-106, e-mail profissional: queirosadv@gmail.com, nos termos do
que dispoê o art. 22 da Lei Complementar 64/90, apresentar:

AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL POR ABUSO DE PODER ECONÔMICO E


USO INDEVIDO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
em desfavor de LUIS CLAUDIO FERNANDES MIRANDA, brasileiro, casado, candidato e eleito
deputado federal pelo Democratas (DEM) na Coligação União e Força – PR/DEM/PSDB com o
número 2555 - Rcand nº 0601484-70.2018.6.07.0000, portador do RG de nº 207.329 – SRDPF/DF,
inscrito no CPF/MF sob o nº 902.186.471-15, inscrito no CNPJ sob o nº 31.242.598/0001-59, com
domicílio na QE 36, Conjunto D, Casa 05, Guará 2, Brasília/DF, CEP 71.065-043, telefone (61)
99352-4441, e-mail: miranda@giffsword.com, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir
aduzidos:

I. DA LEGITIMIDADE E DAS RAZÕES PARA PROCEDÊNCIA DA AIJE

Trata-se de Ação de Investigação Judicial Eleitoral proposta pelo Diretório


Nacional do Partido da República e pelo candidato a deputado federal Laerte Rodrigues Bessa (PR)
em desfavor do candidato que fora eleito ao cargo de Deputado Federal, Luis Claudio Fernandes
Miranda (DEM).

Não obstante, é evidente a legitimidade ativa dos autores por se tratar de


partido político e candidato1 nas eleições de 2018 que é 1º (primeiro) suplente da coligação (União
e Força – PR/DEM/PSDB) no qual o investigado fora eleito deputado federal2. In verbis art. 22 da
Lei Complementar 64/90:

“Art. 22. Qualquer partido político, coligação, candidato ou Ministério


Público Eleitoral poderá representar à Justiça Eleitoral, diretamente ao
Corregedor-Geral ou Regional, relatando fatos e indicando provas,
indícios e circunstâncias e pedir abertura de investigação judicial para
apurar uso indevido, desvio ou abuso do poder econômico ou do poder de
autoridade, ou utilização indevida de veículos ou meios de comunicação
social, em benefício de candidato ou de partido político, obedecido o
seguinte rito:” Grifo Nosso.

O investigado é notoriamente conhecido na rede mundial dos computadores


(redes sociais) tendo em sua página do facebook, intitulada “Luis Miranda USA”, 3 milhões de
seguidores, aonde durante o período eleitoral praticou condutas que desequilibraram o pleito em

1 Rcand nº 0601481-18.2018.6.07.0000
2 Rcand nº 0601484-70.2018.6.07.0000
benefício de sua candidatura ao cargo de deputado federal no Distrito Federal. As condutas
praticadas pelo candidato na internet por si só são graves, porém tem o agravante de que sua
campanha se deu em sua integralidade pelas redes sociais.

II. DA PROPAGANDA ELEITORAL E DA CONDUTA IRREGULAR DO INVESTIGADO

A propaganda eleitoral tem a finalidade de divulgar ideias e programas dos


candidatos. É o momento em que a legislação eleitoral oportuniza ao candidato exteriorizar o
símbolo real do mandato representativo e partidário3.

A Lei 9.504/97 dispõe em seu artigo 36 que a propaganda eleitoral é


permitida a partir do dia 16 de agosto do ano eleitoral. Vejamos: “Art. 36. A propaganda eleitoral
somente é permitida após o dia 15 de agosto do ano da eleição.” Isto é, a partir do dia 16 de
agosto era o momento permitido para realização de propagandas dentros dos ditames legais.

Nessas eleições, por meio da Lei 13.488/17 surgiu uma nova modalidade de
propaganda: o impulsionamento de conteúdos na internet, que está disposto no artigo 57-C da Lei
9.504/97 (Lei das Eleições) e art. 24 da Resolução TSE nº 23.551/17 que dispõe sobre a
propaganda eleitoral nas eleições de 2018. In Verbis:

“Art. 57-C. É vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral


paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que
identificado de forma inequívoca como tal e contratado exclusivamente por
partidos, coligações e candidatos e seus representantes. (Redação dada
pela Lei nº 13.488, de 2017)

Art. 24. É vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral


paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que
identificado de forma inequívoca como tal e contratado exclusivamente por
partidos políticos, coligações e candidatos e seus representantes (Lei nº
9.504/1997, art. 57-C, caput).”

Percebe-se que o diploma legal prevê que a contratação deve ser


demonstrada de forma inequívoca na internet com a demonstração clara e legível do número de

3 RAMAYANA, Marcos. 2018. Direito Eleitoral – 16ª Edição. Rio de Janeiro: Impetus. Pág. 522.
inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou do número de inscrição no Cadastro
de Pessoas Físicas (CPF) do responsável4, além da expressão Propaganda Eleitoral.5

Forma permitida pela


legislação eleitoral e
utilizada por todos os
candidatos que realizaram o
impulsionamento pago nas
redes sociais (ex.:
facebook, instagram).

Não obstante, o Facebook disponibilizou o cadastramento em sua


plataforma para publicação dos conteúdos pagos, isto é, a partir do dia 31 de julho de 2018 foi
aberto a possibilidade de cadastro para garantir aos candidatos a publicação de conteúdos pagos
nos primeiros dias legais de propaganda eleitoral, para que não tivessem nenhum tipo de perda de
tempo no cadastramento ou no pagamento realizado via boleto e que demorava 2 (dois) dias úteis
para compensar, bem como para não prejudicá-los no período disponível para realização de
propaganda eleitoral6.

Ressalta-se que, todas as publicações feitas, da forma correta e legal, por


candidatos no Facebook estão disponíveis na biblioteca de anúncios criada pela empresa7, no qual
serve para consulta pública de todas as propagandas pagas e o respectivo desempenho do
anúncio, desempenho este que traz: o teor da propaganda eleitoral, o período de impulsionamento,
o público atingido, o valor gasto e outras informações complementares. O objetivo da biblioteca do

4 Art. 24, §4º da Resolução TSE nº. 23.551/17: O representante do candidato a que alude o caput se
restringe à pessoa do administrador financeiro da respectiva campanha.
5 Art. 24, §5º da Resolução TSE nº. 23.551/17: Todo impulsionamento deverá conter, de forma clara e legível,

o número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou o número de inscrição no


Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do responsável, além da expressão “Propaganda Eleitoral”.
6 https://www.facebook.com/business/m/one-sheeters/ads-with-political-content-brazil?hc_location=ufi
7 https://www.facebook.com/ads/archive/?active_status=all&ad_type=political_and_issue_ads&country=BR
Facebook foi de criar uma transparência maior a modalidade de impulsionamento paga utilizada
nas eleições de 2018.

Ocorre que, como toda modalidade nova, inclusive para a empresa


fornecedora dos serviços de impulsionamento (Facebook) houve uma demora na liberação dos
cadastros dos candidatos. Muitos acabaram perdendo dias na tentativa de regularização de sua
conta na rede social, na compensação do boleto pago para que pudessem efetivamente patrocinar
os conteúdos de campanha e realizar os gastos da forma correta e regular pela conta de
campanha.

O investigado ao contrário dos demais candidatos, em nenhum momento se


preocupou com a regularização do cadastro junto a prestadora de serviços Facebook para que
pudesse impulsionar na forma estabelecida pela legislação eleitoral.
Na contramão da legalidade realizou diversos impulsionamentos durante
toda a sua campanha de maneira equivocada, documentos anexo, e que merecem uma
investigação cautelosa por esta Egrégia Corte Eleitoral.

O investigado é pessoa pública, notoriamente conhecido nas redes sociais


como “Luis Miranda USA”, com página no Facebook com 3 (três) milhões de seguidores; durante
todo o ínicio da campanha residia fora do Brasil, conforme diversas publicações8 realizadas em
suas redes sociais que convocavam seus seguidores para comparecerem à sua chegada ao
aeroporto de Brasília no dia 12 de setembro de 2018 às 8hs, documentos anexo, além da
publicação de vídeo9, vídeo anexo, que comprova a sua chegada ao Brasil.

Ademais, o Sr Luis Miranda realizou praticamente todos os seus atos de


campanha à distância por meio das redes sociais, inclusive programas eleitorais que foram
gravados no exterior e encaminhados para divulgação no horário eleitoral gratuito na TV, vídeo
anexo (veiculado no programa de TV nos dias 04/09, 13/09, 18/09, 20/09, 25/09).

Na própria página do youtube10 o investigado fez publicação para que seus


740 mil seguidores acompanhassem o vídeo feito no exterior: “VT para o Horário Eleitoral Gratuito
em primeira mão para vocês! Meus 15 segundos de fama #SQN! Da internet para a TV e se Deus
quiser para a Câmara dos Deputados lutar juntos com vocês! #LuisMiranda2555” – legenda do
vídeo publicado em 30 de agosto de 2018.

No dia 04 de setembro o candidato publicou vídeo11 (anexo com


degravação), no qual informa seus seguidores sobre o motivo de “não estar no Brasil fazendo a
campanha corpo-a-corpo junto com os eleitores” (fala retirada do vídeo), além disso apresenta
propostas e pede o voto. Todavia, a propaganda eleitoral fora patrocinada de forma ilegal.
Vejamos:

8https://www.facebook.com/LuisMirandaUSA/photos/a.1501170103518948/1929176730718281/?type=3&thea

ter
https://www.instagram.com/p/BnkR0BOhi3T/
https://www.instagram.com/p/BnfW4WIgL20/
9 https://www.facebook.com/LuisMirandaUSA/videos/313012999516260/
10 https://www.youtube.com/watch?v=dPD5g1zaBwQ
11 https://www.facebook.com/LuisMirandaUSA/videos/240474619978205/
Forma vedada de
impulsionamento pago.

No mesmo sentido, em 8 de setembro de 2018 o investigado publicou


propaganda eleitoral12 (vídeo anexo com degravação) aonde fez mais uma contratação de
impulsionamento pago no Facebook de forma vedada pela legislação eleitoral, conforme print
abaixo no qual consta a palavra patrocinado:

12 https://www.facebook.com/LuisMirandaUSA/videos/2110476602348292/
Forma vedada de
impulsionamento pago.

Excelência, a conduta do investigado é reiterada e sabida pelo mesmo. No


dia 02 de outubro de 2018 postou mensagem13 em sua página do Facebook ratificando a prática
ilegal ora investigada:

“Bloquearam o alcance da minha fanpage, do meu Instagram,


bloqueram até para eu impulsionar e já tem uma semana que eu mando
e-mails para eles e ninguém responde. Eu me achava ninguém na política
até começar as conspirações, estou começando a crer que as minhas idéias
incomodam muitas pessoas poderosas!!! GALERA... quem puder, marque o
nome de todos os seus amigos que são de Brasília no post das propostas
ou em algum vídeo que te agradou, ou mesmo neste post, perceberá que

13 https://www.facebook.com/LuisMirandaUSA/posts/1938982263071061
seus amigos não receberão a notificação! Não vou desistir... Deputado
Federal é o primeiro voto e Luis Miranda é 2555”. Grifo nosso.

Vejamos, o candidato Luis Miranda tinha plena consciência que a prática de


impulsionamento era equivocada e, mesmo assim, à manteve durante todo o período eleitoral até
que supostamente o Facebook fez o bloqueio.

Nesse mesmo sentido, após o resultados das urnas, reafirmou em matéria


divulgada pelo G1 da globo.com14 em 09 de outubro de 2018 que o Facebook bloqueou o
impulsionamento de posts durante 15 (quinze) dias.

O fato investigado nos autos é gravíssimo, a referida conduta deseliquibrou


de forma clara a disputa no pleito eleitoral entre os candidatos e não só isso: não sabemos a
origem dos recursos utilizados para patrocínio dessas propagandas, não sabemos o valor
total que foi dispendido em tais publicações, não sabemos o alcance contratado pelo
candidato em cada publicação patrocinada de forma ilegal.

III. DO ABUSO DE PODER ECONÔMICO

III.1 Do Abuso, da Potencialidade e da Gravidade

A Constituição Federal em seu artigo 14, §9º dispõe sobre a proteção da


normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do abuso de poder econômico, levando-
se em conta a vida pregressa do candidato (delineada no item V desta peça). In verbis:

“Art. 14.§ 9° Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade


e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa,
a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa
do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a
influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo
ou emprego na administração direta ou indireta.” Grifo Nosso.

14 https://g1.globo.com/df/distrito-federal/eleicoes/2018/noticia/2018/10/09/youtuber-que-mora-nos-estados-
unidos-e-eleito-deputado-federal-pelo-df.ghtml
O abuso de poder econômico em matéria eleitoral trata-se de utilização
excessiva, antes ou durante a campanha eleitoral, de recursos materiais ou humanos que
representem valor econômico, buscando beneficiar candidato, partido ou coligação, afetando assim
a normalidade e a legitimidade das eleições (AgRgRESPE nº 25.906, de 09.08.2007 e AgRgRESPE
nº 25.652, de 31.10.2006).

De igual forma, o Código Eleitoral no artigo 237 é claro ao dispor que: “A


interferência do poder econômico e o desvio ou abuso do poder de autoridade, em desfavor da
liberdade do voto, serão coibidos e punidos”.

Cediço que no caso em apreço a conduta do investigado foi determinante


para configuração do abuso de poder econômico motivados pelos fatos de: 1. se tratar de pessoa
pública; 2. notoriamente conhecido nas redes sociais; 3. utilizou de sua página no Facebook com
mais de 3 (três) milhões de seguidores; 4. fez campanha em sua totalidade pela internet; 5.
impulsionou propaganda eleitoral de forma ilegal; 6. utilizou de recursos não declarados em sua
prestação de contas; 7. atingiu o objetivo se sua candidatura, sendo eleito deputado federal.

A presente peça investigatória tem o condão de preservar o interesse


público, evitar o desequilíbrio do pleito e o abuso do poder econômico, uma vez que a prática e os
elementos colacionados demonstram com clareza a gravidade dos fatos e a pontecialidade para o
desequilíbro das eleições deste ano, estando sujeitos às sanções previstas no artigo 22, inciso XIV
da Lei Complementar nº 64/90:

“Art. 22. Qualquer partido político, coligação, candidato ou Ministério


Público Eleitoral poderá representar à Justiça Eleitoral, diretamente ao
Corregedor-Geral ou Regional, relatando fatos e indicando provas,
indícios e circunstâncias e pedir abertura de investigação judicial para
apurar uso indevido, desvio ou abuso do poder econômico ou do poder
de autoridade, ou utilização indevida de veículos ou meios de comunicação
social, em benefício de candidato ou de partido político, obedecido o
seguinte rito:

XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a proclamação


dos eleitos, o Tribunal declarará a inelegibilidade do representado e de
quantos hajam contribuído para a prática do ato, cominando-lhes sanção de
inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 8 (oito) anos
subsequentes à eleição em que se verificou, além da cassação do registro
ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela interferência do poder
econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios
de comunicação, determinando a remessa dos autos ao Ministério Público
Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se for o caso, e de ação
penal,ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar; ”
Grifo Nosso.

Ademais, o Douto Procurador Regional Eleitoral do Distrito Federal e


doutrinador José Jairo Gomes preceitua que15:

“... relevante é demonstrar a existência objetiva de fatos denotadores


de abuso de poder, de abuso dos meios de comunicação social, corrupção
ou fraude. É que, quando presentes, esses eventos comprometem de
modo indelével as eleições em si mesmas, porque ferem os princípios
e valores que as informam.
Em tais situações, a responsabilidade eleitoral se funda antes no efeito
(lesão ao bem tutelado) que na causa (ação ilícita). Isso porque nessa seara
sua missão primordial é salvaguardar a lisura e a normalidade do processo
eleitoral, a higidez do pleito, a isonomia das candidaturas, a veraz
representatividade.” Grifo Nosso.

O fato aqui narrado – além de praticado pelo candidato e, agora, deputado


federal – beneficiou diretamente sua eleição, causando um enorme desequilíbrio no processo
eleitoral, atingindo o seu público alvo presente nas redes sociais, em especial, no Facebook, visto
que foi o ambiente no qual existem provas concretas do investigado ter realizado patrocínios
pagos (impulsionamentos) de forma vedada pela legislação eleitoral vigente.

O abuso é traduzido numa série de atos ilegais ou, simplesmente, numa


ação que acarreta gravidade na competição ideal entre os candidatos, isto é, trata-se de
concorrência desleal que pode levar o autor à vitória nas urnas, fato este que aconteceu com o
investigado.

Em matérias divulgadas por diversos sites (globo.com16, uol.com.br17,


r7.com18) o investigado é considerado como “youtuber” que mora nos Estados Unidos, com número

15 GOMES, José Jairo. Direito Eleitoral. 14 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Atlas, 2018. p. 374.
de seguidores vultuosos, famoso por dar dicas na internet de como empreender no exterior, sendo
eleito com 65.107 (sessenta e cinco cento e sete mil votos).

No entanto, essa quantidade de votos foi abaixo do esperado, visto que a


previsão do investigado era de obter 150 mil votos. Vejamos:

Excelência, neste ponto faz-se necessário uma reflexão. Como um


candidato que morava nos Estados Unidos, não era conhecido no Distrito Federal pelos eleitores,
estreante na vida política (primeira eleição), que chegou no Brasil para as eleições somente em 12

16 https://g1.globo.com/df/distrito-federal/eleicoes/2018/noticia/2018/10/09/youtuber-que-mora-nos-estados-
unidos-e-eleito-deputado-federal-pelo-df.ghtml
17 https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/11/youtuber-eleito-mora-nos-eua-e-quer-
reforma-tributaria-de-trump-no-brasil.htm
18 https://noticias.r7.com/prisma/coluna-do-fraga/deputado-youtuber-eleito-pelo-df-esta-de-mudanca-de-
miami-10102018
de setembro de 2018, pode esperar uma votação de 150 mil votos? No mínimo estranho, ou
extremamente otimista.

Mas é importante ir além: é claro que o investigado esperava uma votação


significativa. Como empresário e conhecedor do ramo fez investimentos direcionados ao campo
que ele é conhecido, as redes sociais, com o patrocínio de “posts” de propaganda eleitoral.
Investimentos estes, que por enquanto não se sabe o valor gasto, pois não há declaração em sua
prestação de contas, documentos anexos (demonstrativos de despesas da prestação de contas
final e da prestação de contas final retificadora), de qualquer gasto com impulsionamento de
conteúdos (item 2.38 dos demonstrativos que encontra-se zerado) mas que com certeza tratam-se
de cifras consideráveis para atingir um público ainda maior do que aqueles 3 (três) milhões de
seguidores da sua página. Objetivo este alcançado com sucesso com a conquista de 65.107 mil
votos nas urnas.

Reforço a preocupação com este, pois a provas colacionadas e os indícios


presentes demonstram a gravidade da conduta do investigado com a respectiva pontencialidade
que desequilibrou o pleito eleitoral na disputa para o cargo de deputado federal no Distrito Federal.

Em que pese não seja o caso dos autos, haja vista a existência de
potencialidade e gravidade no ato praticado pelo investigado, a Lei Complementar 64/90 em seu
artigo 22, inciso XVI preleciona que: “para configuração do ato abusivo, não será considerada a
potencialidade de o fato alterar o resultado da eleição, mas apenas a gravidade das circunstâncias
que o caracterizaram.” Ou seja, sendo a conduta abusiva gravosa surge o ilícito eleitoral.

III.2 Da Origem dos Recursos e da Omissão na Prestação de Contas

É inquestionável que houveram publicações patrocinadas (impulsionadas),


não declaradas à justiça eleitoral, conforme já relatado e juntado nos autos os prints com a conduta
ilegal praticada pelo investigado.

Tal fato é gravíssimo, pois não sabemos a origem desses recursos, não
sabemos se são recursos oriundos de fontes vedadas o que compromete a própria regularidade
das contas apresentadas pelo candidato no processo de nº 0602479-83.2018.6.07.0000, contas
estas julgadas desaprovadas, acórdão anexo, pelo plenário deste Egrégio Tribunal Regional
Eleitoral em 11 de dezembro de 2018.
Vem disposto no artigo 33 da Resolução 23.553/17. In verbis:

“Art. 33. É vedado a partido político e a candidato receber, direta ou


indiretamente, doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive por
meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de:
I – pessoas jurídicas;
II – origem estrangeira;
III – pessoa física que exerça atividade comercial decorrente de permissão
pública.” Grifo Nosso.

Além da proibição expressa na legislação eleitoral do recebimento de


recursos oriundos de fontes vedadas é preocupante para o equilíbrio da disputa eleitoral a omissão
de gastos, bem como a utilização de recursos para a obtenção de vantagem. In casu, o
impulsionamento de propaganda eleitoral foi realizada com recursos de origem não declarada e
possivelmente vedada.

Como fartamente citado nesta exordial, o investigado morava nos Estados


Unidos, além de ser divulgado nos diversos veículos de comunicação19 que possui empresas no
exterior e estas continuarão em pleno funcionamento.

Ocorre que, dentre as fontes vedadas existe a proibição do recebimento de


doação em dinheiro pelo candidato oriundo de pessoas jurídicas ou origem estrangeira, o que pode
perfeitamente ter acontecido no caso em apreço dada as circunstâncias do investigado ter se
mudado para os Estados Unidos antes da Copa do Mundo de 2014 (informação retirada da matéria
do G120) e ter criado sua página, dos impulsionamentos ilegais, no Facebook em 15 de dezembro
de 2015, conforme informação retirada do campo “informações e anúncios” das página “Luis
Miranda USA”21. Inclusive, é informado na referida página que existem 6 (seis) pessoas dos
Estados Unidos que administram a página. Vejamos:

19 https://noticias.r7.com/prisma/coluna-do-fraga/deputado-youtuber-eleito-pelo-df-esta-de-mudanca-de-
miami-10102018
20 https://g1.globo.com/df/distrito-federal/eleicoes/2018/noticia/2018/10/09/youtuber-que-mora-nos-estados-
unidos-e-eleito-deputado-federal-pelo-df.ghtml
21 https://www.facebook.com/pg/LuisMirandaUSA/ads/?ref=page_internal
Nesse diapasão, para a regular apuração do abuso de poder econômico
existente na presente investigação, é necessário a quebra do sigilo da conta da página do
Facebook (“Luis Miranda USA”), nos termos do artigo 22, inciso VIII da Lei Complementar 64/9022,
para que a empresa Facebook informe a esta Egrégia Corte Eleitoral:

1. Quantos “posts” foram patrocinados do dia 16 de agosto de 2018 a 07


de outubro de 2018?;
2. Quanto foi pago em cada publicação e qual o valor gasto no período
citado no item 1?;
3. Qual era a forma de pagamento cadastrada na conta do investigado?
Se cartão, quem era o proprietário deste cartão?;
4. Se nessa forma de pagamento (cartão) era de empresa do Brasil ou do
exterior?;
5. Se a forma de pagamento era por boletos, em qual nome estavam
sendo emitidos?

22Art. 22. VIII - quando qualquer documento necessário à formação da prova se achar em poder de terceiro,
inclusive estabelecimento de crédito, oficial ou privado, o Corregedor poderá, ainda, no mesmo prazo,
ordenar o respectivo depósito ou requisitar cópias;
6. Se nessa forma de pagamento (boleto) a quitação foi feita no Brasil ou
no exterior?;
7. Qual o alcance de cada postagem patrocinada? Quantas curtidas?
Quantos compartilhamentos? Quantos comentários?;
8. Se esses posts patrocinados foram publicados em outras redes sociais
(como o Instagram23)? Se sim, qual a quantidade de publicações? Qual
o alcance de cada publicação?;
9. Quem eram os responsáveis por administrar a conta?

Imperioso destacar que seja ordenado a empresa Facebook que faça a


juntada nos autos de toda a documentação comprobatória e informações requisitadas para a
análise da prática ilegal com a consequente apuração do abuso de poder econômico cometido pelo
investigado que culminou com a sua eleição ao cargo de deputado federal.

Além disso, outras redes sociais (Youtube24) devem ser convocadas para
apresentar as mesmas informações, visto que o investigado pode ter feito o impulsionamento de
maneira equivocada em outras plataformas, além da possibilidade de compra de buscador de nome
(priorização paga de conteúdos resultantes de aplicações de busca na internet25) com a empresa
Google (Google Adwords26), por exemplo.

IV. DO USO INDEVIDO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

A Lei 9.504/97 dispõe em seu artigo 57-A que: “É permitida a propaganda


eleitoral na internet, nos termos desta Lei, após o dia 15 de agosto do ano da eleição.”, além disso
as formas de realização da propaganda eleitoral vem previstas no artigo 57-B:

“Art. 57-B. A propaganda eleitoral na internet poderá ser realizada nas


seguintes formas:
(...)

23 https://www.instagram.com/luismirandausa/?hl=pt-br
24 https://www.youtube.com/channel/UC6zNxvEzH2LsX9lWewUd9_A
25 Resolução 23.553/17. Art. 37. São gastos eleitorais, sujeitos ao registro e aos limites fixados nesta

resolução (Lei nº 9.504/1997, art. 26):


XII - custos com a criação e inclusão de páginas na internet e com o impulsionamento de conteúdos
contratados diretamente de provedor da aplicação de internet com sede e foro no País;
§ 1º Inclui-se entre as formas de impulsionamento de conteúdo, de que trata o inciso XII deste artigo, a
priorização paga de conteúdos resultantes de aplicações de busca na internet.
26 https://ads.google.com/intl/pt-BR_br/start/
IV - por meio de blogs, redes sociais, sítios de mensagens instantâneas e
aplicações de internet assemelhadas cujo conteúdo seja gerado ou editado
por:
a) candidatos, partidos ou coligações; ou
b) qualquer pessoa natural, desde que não contrate impulsionamento
de conteúdos.
§ 1o Os endereços eletrônicos das aplicações de que trata este artigo,
salvo aqueles de iniciativa de pessoa natural, deverão ser comunicados à
Justiça Eleitoral, podendo ser mantidos durante todo o pleito eleitoral os
mesmos endereços eletrônicos em uso antes do início da propaganda
eleitoral.
(...)
§ 5o A violação do disposto neste artigo sujeita o usuário responsável
pelo conteúdo e, quando comprovado seu prévio conhecimento, o
beneficiário, à multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$
30.000,00 (trinta mil reais) ou em valor equivalente ao dobro da quantia
despendida, se esse cálculo superar o limite máximo da multa.” Grifo
Nosso.

Desta feita, percebe-se que a legislação eleitoral permite a veiculação de


propaganda eleitoral na internet por meio de redes sociais, no entanto faz-se necessário que os
endereços eletrônicos sejam comunicados à Justiça Eleitoral.

Em consulta realizada, na data de hoje, no divulgacand27 verificou-se que o


candidato não informou sobre a página da rede social aonde cometeu ilícitos (impulsionamentos
ilegais): https://www.facebook.com/LuisMirandaUSA/, motivo este que demonstra o intuito do
investigado de burlar a legislação eleitoral no cometimento de ílicitos visando a obtenção de
vantagem em cima de seus concorrentes.

27 http://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/2018/2022802018/DF/70000625533
Nessa seara, o Tribunal Superior Eleitoral tem jurisprudência pacificada no
sentido que:

“Eleições 2010. [...]. Uso indevido dos meios de comunicação social.


Inelegibilidade. Incidência. LC nº 135/2010. 1. Em AIJE foi julgado procedente o
pedido para cassar o diploma do primeiro Recorrente e decretar sua inelegibilidade.
No período de disputa eleitoral, quando apenas era permitida propaganda
eleitoral gratuita em rádio e TV, foram concedidas entrevistas pelo candidato e por
terceiro em seu benefício e veiculada campanha promovida pela TV Serra Azul. 2. É
desnecessário, em AIJE, atribuir ao réu a prática de uma conduta ilegal, sendo
suficiente o mero benefício eleitoral angariado com o ato abusivo e a
demonstração da gravidade da conduta. Precedente. [...]”(Ac. de 3.12.2013 no
RO nº 406492, rel. Min. Laurita Vaz.)”

O referido julgado pode ser utilizado por conexão ao caso dos autos, visto
que apesar de ser permitida a veiculação de propaganda paga na internet, o investigado não o fez.
Impulsionou no Facebook de maneira incorreta, o que por consequência tem-se a utilização
indevida dos meios de comunicação social.
Como visto não há necessidade de atribuir ao réu a prática de conduta
ilegal, sendo suficiente o mero benefício eleitoral conquistado com o ato abusivo e a consequente
gravidade da conduta, o que no caso em apreço resta devidamente comprovado.

V. DA CONDUTA DO INVESTIGADO

Excelência, a presente Ação de Investigação Judicial Eleitoral merece


atenção especial para analisar um caso, o primeiro no Brasil, que após a possibilidade trazida
nessas eleições de utilização de impulsionamento pago, desde que declarado, para a fomentação
de propagandas eleitorais, em que o candidato eleito, ora investigado, flagramente cometeu abuso
de poder econômico com a utilização indevida da modalidade com o patrocínio de conteúdos na
internet, somado ao agravante de ser notoriamente conhecido, em benefício próprio para obtenção
de resultado favorável nas urnas, o que aconteceu: foi eleito.

Não obstante, a presente conduta merece sanção exemplar com a cassação


do mandato, inelegibilidade para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à
eleição em que se verificou e aplicação de multa em seu grau máximo, visto que o investigado por
mais de uma vez assumiu que o Facebook havia bloqueado o impulsionamento de “posts” da sua
página “Luis Miranda USA”, isto é, não se fala de conduta que o candidato não sabia que estava
cometendo um ilícito e sim, de candidato que sabia da conduta ilegal desde o início com o objetivo
claro de levar vantagem em cima dos seus adversários, inclusive do 2º autor, ora 1º suplente e
benficiário direto na procedência desta AIJE.

Tal vantagem era necessária para o sucesso nas urnas no dia 07 de


outubro, pois a campanha do investigado estava sendo feito exclusivamente pela internet e como
ele só chegou no Brasil em 12 de setembro era necessário um “jeitinho” para ficar à frente dos
demais candidatos na disputa para o cargo de deputado federal do Distrito Federal.

A referida conduta deve ser analisada com cautela e rigor por esta Egrégia
Corte Eleitoral levando também em consideração o histórico do investigado. Em sua primeira
campanha eleitoral, na prestação de contas, o candidato cometeu diversas irregularidades que
ensejaram a respectiva desaprovação. Irregularidades estas consideradas graves e insanáveis, por
este Douto Corregedor, Relator do processo, além de claramente demonstrar o total descaso do
investigado com a legislação eleitoral vigente.
Nessa esteira, o exercício do cargo de Deputado Federal exige reputação
ilibada e idoneidade moral. Pelo menos, não há duvida de que este é o ensejo de nossa sociedade
e o que se espera da Justiça Eleitoral é a atuação firme para coibir qualquer prática abusiva,
inclusive a analisada nos autos. O próprio sentido da Lei da Ficha Limpa retrata esta realidade
brasileira quando procura afastar da vida pública os agentes envolvidos em atos escusos.

Diante deste cenário, não é possível afirmar que o investigado, o Senhor


Luis Cláudio Fernandes de Miranda, ostenta os referidos atributos, uma vez que tem contra si
diversas ocorrências criminais e processos judiciais. Trata-se de uma pessoa, ora deputado federal
eleito e investigado, que reiteradamente vem descumprindo a Legislação Brasileira. A título de
exemplo, segue alguns casos:

1. Ocorrência 7.581/2013 (3ª DP);


2. Ocorrência 7.925/2013 (3ª DP);
3. Processo 2013.01.1.167387-3 (17ª Vara Cível de Brasília);
4. Inquérito Policial 536/14 (12ª DP – Art. 339 do CP);
5. Ocorrência 2.877/2015 (3ª DP);
6. Ocorrência 7.978/2013 (3ª DP);
7. Inquérito Policial 347/1998 (23ª DP – Art. 289 do CP, flagrante);
8. Inquérito Policial 304/1999 (4ª DP – Art. 180, §1º do CP);
9. TC 492/2010 – DRPI (art. 129, caput do CP, flagrante);
10. TC 663/2010 – 4ª DP (art. 147, caput, CP);
11. TC 83/2011 – 9ª DP (art. 129, §6º do CP);
12. TC 252/2013 – DRPI (art. 21 LCP, flagrante);
13. Processo 2010.01.1.014101-7 (4ª Vara Cível de Brasília);
14. Processo 2010.07.1.016632-4 (Vara de Execução de Título Extrajudicial
de Taguatinga);
15. Processo 2011.01.1.177777-4 (Vara de Execução Fiscal do Distrito
Federal);
16. Processo 2011.01.1.177820-5 (Vara de Execução Fiscal do Distrito
Federal);
17. Processo 2012.01.1.190122-5 (Vara de Execução Fiscal do Distrito
Federal);
18. Processo 2016.01.1.080282-7 (Vara de Execução Fiscal do Distrito
Federal);
19. Inquérito Policial 239/2012 (23ª DP – Art. 171 do CP, Preso em
Flagrante em 2012 e concedida Liberdade Provisória em 2013).

Percebe-se, portanto, que a vida pregressa do investigado deve ser levada


em consideração para julgamento28 e sua conduta, juntamente com os fatos noticiados. Os casos
citados acima demonstram que o Sr Luis Miranda tem-se envolvido, reiteradamente, em práticas
ilegais, tanto de natureza criminal, quanto na esfera cível. O conhecimento desse histórico é
importante para demonstrar como o investigado costuma lidar com sua vida privada e,
provalvemente, com sua vida pública, conforme já ocorrera nas irregularidades graves presentes
em sua prestação de contas eleitoral.

Logo, não estamos diante de uma pessoa que tem um passado incólume e
indene de mácula, razão pela qual esta Egrégia Corte Eleitoral não deve fechar os olhos para os
numerosos acontecimentos que envolvem o candidato eleito. Vale frisar, que não estamos diante
de meros fatos do cotidiano de qualquer pessoa de bem, mas sim cercados de fortes
denúncias/condenações penais, cíveis e eleitorais.

Sendo assim, diante do abuso de poder econômico perpetrado pelo


investigado, da gravidade dos fatos, impõe-se, após o devido processamento do feito, a sanção
prevista no artigo 22, inciso XIV da Lei Complementar 64/9029.

VI. DOS PEDIDOS

Diante do exposto, preenchidos os requisitos do art. 22, caput, da Lei


Complementar 64/90, requer:

28 Art. 14.§ 9°, da CF - Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua
cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato,
considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a
influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração
direta ou indireta.
29 Art. 22. XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a proclamação dos eleitos, o Tribunal

declarará a inelegibilidade do representado e de quantos hajam contribuído para a prática do ato, cominando-
lhes sanção de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à eleição em
que se verificou, além da cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela
interferência do poder econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de
comunicação, determinando a remessa dos autos ao Ministério Público Eleitoral, para instauração de
processo disciplinar, se for o caso, e de ação penal,ordenando quaisquer outras providências que a espécie
comportar;
a) O processamento da presente Ação de Investigação Judicial Eleitoral
(AIJE) e a citação do investigado LUIS CLAUDIO FERNANDES DE
MIRANDA, a fim de que, no prazo de 5 (cinco) dias, ofereça defesa, nos
termos do art. 22, inciso I, alínea a, da Lei Complementar nº 64/90;
b) Seja oficiada e empresa FACEBOOK DO BRASIL LTDA com o fim de
quebra do sigilo da conta da página do investigado no Facebook (“Luis
Miranda USA” - https://www.facebook.com/LuisMirandaUSA/), nos
termos do artigo 22, inciso VIII da Lei Complementar 64/9030, para que a
empresa Facebook informe a esta Egrégia Corte Eleitoral, com a juntada
da documentação comprobatória, os seguintes questionamentos:

(a) Quantos “posts” foram patrocinados do dia 16 de agosto de 2018 a


07 de outubro de 2018?;
(b) Quanto foi pago em cada publicação e qual o valor gasto no período
citado no item 1?;
(c) Qual era a forma de pagamento cadastrada na conta do investigado?
Se cartão, quem era o proprietário deste cartão?
(d) Se nessa forma de pagamento (cartão) era de empresa do Brasil ou
do exterior?;
(e) Se a forma de pagamento era por boletos, em qual nome estavam
sendo emitidos?;
(f) Se nessa forma de pagamento (boleto) a quitação foi feita no Brasil
ou no exterior?;
(g) Qual o alcance de cada postagem patrocinada? Quantas curtidas?
Quantos compartilhamentos? Quantos comentários?;
(h) Se esses posts patrocinados foram publicados em outras redes
sociais (como o Instagram -
https://www.instagram.com/luismirandausa/?hl=pt-br)? Se sim, qual a
quantidade de publicações? Qual o alcance de cada publicação?;
(i) Quem eram os responsáveis por administrar a conta?

c) Seja oficiada e empresa YOUTUBE com o fim de quebra do sigilo da


conta da página do investigado (“Luis Miranda USA” -
https://www.facebook.com/LuisMirandaUSA/), nos termos do artigo 22,

30Art. 22. VIII - quando qualquer documento necessário à formação da prova se achar em poder de terceiro,
inclusive estabelecimento de crédito, oficial ou privado, o Corregedor poderá, ainda, no mesmo prazo,
ordenar o respectivo depósito ou requisitar cópias;
inciso VIII da Lei Complementar 64/90, para que a empresa Youtube
informe a esta Egrégia Corte Eleitoral, com a juntada da documentação
comprobatória, os mesmos questionamentos inseridos na alínea “b)”;
d) Seja oficiada e empresa GOOGLE BRASIL INTERNET LTDA com o fim
de quebra do sigilo da conta do Investigado no GOOGLE ADWORDS,
nos termos do artigo 22, inciso VIII da Lei Complementar 64/90, para
que a empresa Google informe a esta Egrégia Corte Eleitoral, com a
juntada da documentação comprobatória, os seguintes
questionamentos:

(a) O investigado contratou a possibilidade priorização paga de


conteúdos resultantes de aplicações de busca na internet entre o
período de 16 de agosto de 2018 à 07 de outubro de 2018?31;
(b) Se contratou, quais conteúdos foram priorizados pelo investigado?
Qual o alcance dessas priorizações de busca?;
(c) Qual era a forma de pagamento cadastrada na conta do investigado?
Se cartão, quem era o proprietário deste cartão?;
(d) Se a forma de pagamento era por boletos, em qual nome estavam
sendo emitidos?;
(e) Se nessa forma de pagamento (boleto) a quitação foi feita no Brasil
ou no exterior?;
(f) Quem eram os responsáveis por administrar a conta?;
(g) Em quais plataformas da empresa google o investigado contratou
publicidade paga? Cite todas as redes sociais e para cada uma sejas
respondidas as perguntas feitas acima (dos itens “a” ao “g”).

e) Em caso de negativa dos questionamentos pelas empresas citadas nos


pedidos das alíneas “b), c) e d)”, seja aplicada a sanção disposta no
artigo 22, inciso IX da Lei Complementar 64/9032 aos representantes
legais das empresas;

31 Art. 37. São gastos eleitorais, sujeitos ao registro e aos limites fixados nesta resolução (Lei nº 9.504/1997,
art. 26):
XII - custos com a criação e inclusão de páginas na internet e com o impulsionamento de conteúdos
contratados diretamente de provedor da aplicação de internet com sede e foro no País;
§ 1º Inclui-se entre as formas de impulsionamento de conteúdo, de que trata o inciso XII deste artigo, a
priorização paga de conteúdos resultantes de aplicações de busca na internet.
32 Art. 22. IX - se o terceiro, sem justa causa, não exibir o documento, ou não comparecer a juízo, o Juiz

poderá expedir contra ele mandado de prisão e instaurar processo s por crime de desobediência;
f) A quebra do sigilo bancário do investigado para apuração de valores
pagos a empresa FACEBOOK DO BRASIL LTDA ou à empresa
ADYEN DO BRASIL LTDA33 e PAYU BRASIL INTERMEDIAÇÃO DE
NEGÓCIOS LTDA34 (responsáveis por gerenciar os pagamentos do
Facebook), assim como as empresas YOUTUBE e GOOGLE BRASIL
INTERNET LTDA, nos termos do que dispõe o artigo 22, inciso VI da Lei
Complementar 64/9035;
g) Nos termos do que dispõe o art. 22, inciso VII, da Lei Complementar
64/90 a oitiva das seguintes pessoas:

(a) Alexandre Capelo de Barros, administrador financeiro responsável


pela prestação de contas do investigado, conforme documento de
qualificação e contrato anexos, residente e domiciliado na QE 36,
Conjunto D, Casa 05, Guará 2. Brasília/DF, telefones: (61) 3973-
3338, 99535-4441, e-mail: alexandrecapelo@yahoo.com.br;
(b) FACEBOOK DO BRASIL LTDA, represente legal da empresa;
(c) YOUTUBE, represente legal da empresa;
(d) GOOGLE BRASIL INTERNET LTDA, represente legal da empresa.

h) A intimação do Ministério Público Eleitoral;


i) Após o regular trâmite processual, seja julgada procedente a presente
ação, nos termos do art. 22, inciso XIV da Lei Complementar 64/90, para
cassação do diploma do investigado Luis Claudio Fernandes de
Miranda (eleito deputado federal pelo DEM na Coligação União e Força
– PR/DEM/PSDB com o número 2555) com a consequente posse do
primeiro suplente, Laerte Rodrigues de Bessa (candidato pelo PR na
Coligação União e Força – PR/DEM/PSDB com o número 2222), além
da aplicação da sanção de inelegibilidade para as eleições que se
realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à eleição em que se verificou
e multa prevista no artigo 57-B, §5º da Lei 9.504/97 em seu importe
máximo.

33 https://www.adyen.com/pt_BR/contato
34
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/estreante-em-campanhas-facebook-e-o-maior-fornecedor-da-
eleicao.shtml
35 Art. 22. VI - nos 3 (três) dias subseqüentes, o Corregedor procederá a todas as diligências que determinar,

ex officio ou a requerimento das partes;


Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos,
conforme diposição prevista no artigo 22 da Lei Complementar 64/90.

Por fim, requer-se que as publicações/intimações, sob pena de nulidade,


sejam sempre lançadas em nome do patrono BRUNO BELEZA DE QUEIROS, OAB/DF 43.186.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Brasília/DF, 18 de dezembro de 2018

BRUNO BELEZA EDSON ALFREDO SMANIOTTO


OAB/DF N.º 43.186 OAB/DF N.º 33.510
DEGRAVAÇÃO DO VÍDEO PUBLICADO NO DIA 04 DE SETEMBRO DE 201836 - 01m46s.

LUIS MIRANDA: Muitas pessoas me questionando porque não estou no Brasil fazendo a
campanaha corpo-a-corpo com eleitores? O que eles esquecem é que eu não sou um
político profissional. Eu sou um empresário que tenho que trabalhar dezesseis horas
diariamente para manter o meu negeocio funcionando e proesperando. Fora isso, eu ainda
tenho a minha família que eu precisei organizar tudo que de tal forma que eu não tivesse
nenhum tipo de preocupação durante esse período. Lembrem: que tomei essa decisão aos
quarenta e cinco do segundo tempo. Apesar de estar filiado no Partido há quase dez anos,
em nenhum momento passou pela minha cabeça ser político. Porém, estamos passando por
um momento no nosso país muito importante. É um chance de mudarmos. Teremos ai
provavelmente o Bolsonaro como Presidente da República e ele terá pulso forte para lutar
pelo nosso país desde que ele tenha deputados que vão apoiá-los lá dentro. E lembre disso:
hein. Mesmo eu estando no DEM, quando eu avisei que tinha pretensão de ser candidato o
Presidente do DEM de Brasília, o Fraga, me apoiou e falou para mim: “Luizão, é o seguinte:
nosso Partido passou por problemas como todos os outros, mas não são todos assim. Aqui
dentro temos pessoas honestas e você pode ser mais um. Vamos lutar, vamos conseguir
vencer a assim como você eu também vou apoiar o Bolsonaro.” Provavelmente verba do
Partido não vai vir né!? Vocês já sabem. Quem apoia o Presidente de outra coligação perde
tudo, porém não perde a sua honra, não perde a sua hombridade e eu tenho certeza em
alguns momentos eu dudvidei que Bolsonaro ia ter pulso forte para ele fazer o que está
fazendo até agora: ir até o fim. E agora eu tenho certeza absoluta de que não só ele vai
vencer no primeiro turno como nós vamos vencer junto com ele para que possamos apoiar o
nosso país. Então galera, estamos juntos. Nós vamos vencer. 2555 Luis Miranda deputado
federal e para Presidente da República e Governador vocês já sabem 17 e 25. Estamos
juntos e juntos somos mais fortes.

36 https://www.facebook.com/LuisMirandaUSA/videos/240474619978205/
DEGRAVAÇÃO DO VÍDEO PUBLICADO NO DIA 08 DE SETEMBRO DE 201837 - 3m42s.

MÚSICA DE FUNDO
LUIS MIRANDA: Estacionamento da empresa da google olha lá o que a gente vê, vários
postes elétricos de abastecimento elétrico dos carros e os carros aqui ó. Os caras chegam –
isso aqui tem nos Estados Unidos inteiro né, mas aqui eu achei maneiro porque tem uma
quantidade maior do que o normal. E ai todos esses carros parados recarregando bateria.
MÚSICA DE FUNDO
LUIS MIRANDA: Fala galera, to pedalando no google. Isso mesmo. Peguei uma bike do
google, google bike e to pedalando aqui no estacionamento da google. Pensa num cara
doido menino. Ihhhriri. Ó ih ó by google bike. To aqui nos estacionamentos do google. Vim
aqui para uma reunião com o objetivo de levar pro Brasil algumas grandes companhias,
alguns grandes projetos. Inclusive, algumas startups que o google possui aqui. Projetos de
pequenas e médias empresas que viram gigantes quando se unem com o google. E eu
quero que essas gigantes vão para o Brasil. Borá Brasil. Vamos mudar o Brasil. Vamos
fazer uma reforma tributária através de uma reforma tributária. Vamos incentivar o livre
comércio entre os países, principalmente para que estrangeiros levem grandes companhias
para gerar emprego em nosso país. Crescimento econômico. Isso revolta problema da
segurança pública, resolve problema de saúde, resolve problema de tudo. Bom, se eu não
cair a Juju fica ali só assistindo, papai maluco. Ih, Ih, Ih, yeah como uma mão só hein. Se
liga, pedalando aqui. Subindo o meio-fio, fazendo bagunça e mostrando que para ser
doido...Oh my God, oh my God man. Look, I’m good. I’m crazy. Vamos entrar lá vamos.
Vamos entrar aqui no google e mostrar que para fazer um bom trabalho é seo blá, blå, blå
não. Escuse guy. Google. Vamos lá. Daqui a pouquinho a gente vai ter uma reunião, uma
mega reunião com a o departamento de startup para pode levar para o nosso país as
melhores empresas, tão bombando. E precisam crescer, precisam de terreno, precisam de
espaço, precisam investir, e dizem. Todos disseram a mesma coisa que no Brasil é
complicado. Olha ai ó o satélite do google funcionando. Orgulho disso ai. Eu tenho orgulho.
Abriu. Ai Ai, perfeito, sensacional.
MÚSICA DE FUNDO
LUIS MIRANDA: Vamo bora. Vamo bora pra cima, porque para ser bom político o cara não
tem que ser só blá, blá, blá não. O cara tem que saber relacionar, ter networking pra levar
grandes projetos e blá, blá, blá meu irmão, tomar dinheiro público eu já estou cansado.
Borá? Vocês estão comigo? Tamo juntos. Luis Miranda 2555.
MÚSICA DE FUNDO E ENCERRAMENTO COM PROPAGANDA COM NOME E NÚMERO.

37 https://www.facebook.com/LuisMirandaUSA/videos/2110476602348292/