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Contabilidade Pública – Curso Regular

Teoria e Exercícios – Aula 18


Professor Marcelo Seco

Aula 18

Contabilidade Pública
Rumo ao Dia da Prova
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Aula 18 - Rumo ao Dia da Prova

Muito bem, Alunas e Alunos! Vamos à Prova!

Terminamos o curso! Fizemos exercícios, vimos a teoria, varremos todo o


edital. Hoje, veremos um resumo dos principais itens. A ideia desse material é
ser um guia de consulta rápida para dúvidas de última hora. Ele deve andar
com você para todos os lados nas próximas semanas antes da prova. Leiam
uma, duas, três vezes.

Nosso objetivo: garantir a maioria dos pontos em contabilidade na prova


objetiva. Temos que trabalhar durante as aulas com uma meta de 90% de
acertos nas questões para que, na prova, obtenhamos entre 75% e 80%.

O grande momento está chegando, e é assim que você deve encará-lo, como
um grande momento. Saiba que não impossível, é apenas uma questão de
preparo. E você está preparado.

Chegue tranquilo ao local de prova. Concentre-se, baixe o ritmo antes de


entrar na sala. Você se preparou, estudou a matéria, resolveu milhares de
exercícios. No dia da prova, você vai apenas chegar lá e resolver mais alguns,
tranquilamente. Não é isso que você está cansado de fazer nos últimos
tempos, resolver umas questõezinhas?

Não existe uma verdade universal que, como receita mágica, possa ser
utilizada nesse momento. O fato é que quando tratamos com seres humanos
as reações frente a determinada situação são únicas. Contudo, a incumbência
que este trabalho me atribui, permite-me fazer algumas recomendações para o
dia da batalha, como gosto de chamá-lo.

Eleja um assunto crítico para dar uma olhada no sábado à noite. Essa história
de não estudar no dia anterior não existe. O que você vir no sábado estará
fresquíssimo na sua memória no domingo. Apenas evite se desgastar mais do
que o normal e alimentar-se de forma diferente da usual. Dormir um pouco é
necessário!

Leve relógio (é tão essencial que eu sempre levava dois) e umas três canetas.
Eu sempre levo uma de ponta mais grossa, para facilitar o preenchimento do
gabarito.

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Chegue cedo ao local da prova. Quando digo cedo, quero dizer o seguinte, na
hora em que o portão abrir você já deve estar lá há uns 20 minutos. Se tiver
algum conhecido seu por lá, evite ficar conversando. Nesse momento você
precisa se concentrar.

Portões abertos, entre imediatamente e dirija-se à sua sala. Se tiver que ir ao


banheiro, faça-o nesse momento. Se o tempo for um ponto crítico para essa
prova, é sempre melhor prevenir. Digo isso porque enquanto você vai ao
banheiro durante a prova, os seus concorrentes estão resolvendo duas
questões.

Nos concursos de algumas bancas, os lugares são de livre escolha. No caso de


outras, são quase livres. Por isso a necessidade de chegar cedo e escolher um
bom lugar para você. Veja se a cadeira não está quebrada ou muito capenga.
Mesmo que sejam cadeiras pré-determinadas, verifique se a sua está
confortável.

A partir desse momento, você deve ter 30 a 40 minutos até o início da prova.
Concentre-se, tranquilize-se, baixe a adrenalina. Isso é essencial para começar
bem. Não puxe conversa com o vizinho. Caso apareça um daqueles chatos
impertinentes, explique educadamente que está precisando se concentrar.
Quando a prova começar você deve estar com a respiração tranquila,
concentração máxima e tranquilidade total.

Se ainda não planejou como vai ser a resolução da prova, faça isso agora.
Você tem que saber em qual matéria vai começar, e qual o tempo máximo que
deve dedicar a essa matéria inicial. Minha sugestão é sempre iniciar por língua
portuguesa, mas isso é muito pessoal. O fato é que para as questões de
interpretação não é exigido nenhum conhecimento que você tenha tido que
estudar ou decorar. São necessários apenas atenção e capacidade de análise, e
isso você sempre tem mais no começo da prova, então a chance de perder um
ponto por bobeira é menor.

Se der de cara com uma questão cascuda, não perca tempo, passe para a
próxima e volte a ela depois. No mais, é detonar as questões e controlar o
tempo, e a ansiedade.

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Fiquem com uma frase inspirada em César, e saboreiem a merecida vitória!

Venimus, vidimus, victoriam!

Nós viemos, nós vimos a vitória!

Boa sorte, e boa prova a todos!

Caros, curtam minha página do Facebook para acessar novidades sobre


concursos, resoluções de questões e outras dicas. É um trabalho que estou
iniciando, conto com a ajuda de vocês. Eis o link:

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Vamos lá!

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CASP

CASP é:

Ramo da Ciência Contábil;


Aplicação de Princípios e Normas
Geração de Informações sobre Patrimônio Público

Aspecto Orçamentário

Resultado Orçamentário = Receitas Arrecadadas menos


Despesas Empenhadas

Aspecto Patrimonial

Resultado Patrimonial = Variações Patrimoniais


Aumentativas menos Variações Patrimoniais
Diminutivas

E o que são entidades do setor público?

Entidade Pública

PJ de Direito Público
PJ de Direito Privado que use recurso público
PF que receba recurso público
Obrigatoriedade de prestar contas

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Campo de Aplicação da CASP

A estrutura conceitual e as demais NBCs TSP aplicam-se, obrigatoriamente,


às entidades do setor público quanto à elaboração e divulgação dos RCPGs.

Estão compreendidos no conceito de entidades do setor público:


 os governos nacionais, estaduais, distrital e municipais e seus
respectivos poderes
 tribunais de contas, as defensorias e o Ministério Público
 órgãos, secretarias, departamentos, agências
 autarquias
 fundações (instituídas e mantidas pelo poder público)
 fundos, consórcios públicos
 outras repartições públicas congêneres das administrações direta e
indireta (inclusive as empresas estatais dependentes).

As empresas estatais dependentes são empresas controladas que recebem


do ente controlador recursos financeiros para pagamento de despesas com
pessoal, despesas de custeio em geral ou despesas de capital, excluídos, no
último caso, aqueles provenientes de aumento de participação acionária.

As empresas estatais independentes são todas as demais empresas


controladas pelas entidades do setor público que não se enquadram nas
características expostas para as dependentes. Em princípio, não estão no
alcance desta estrutura conceitual.

As demais entidades não compreendidas na obrigatoriedade, incluídas as


empresas estatais independentes, poderão aplicar esta estrutura conceitual e
as demais NBCs TSP de maneira facultativa ou por determinação dos
respectivos órgãos reguladores, fiscalizadores e congêneres.

Resumindo, temos 3 situações para a aplicação da CASP:

 obrigatória para as entidades listadas nesta NBC T SP EC;


 obrigatória para as entidades que não são obrigadas pela NBC T SP EC,
mas são obrigadas por outra norma.
 facultativa para as demais entidades;

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Aporte de capital do ente controlador para despesas de


capital, na forma de aumento de participação, NÃO faz
com que se considere dependente uma entidade.

Empresa dependente

 Integra o Orçamento Fiscal e da Seguridade Social

 Deve observar a CASP e a LRF.

Empresa não dependente

 Integra apenas o Orçamento de Investimentos

 Não está sujeita às normas da CASP e nem à LRF.

RCPG

Os RCPGs (Relatório Contábil de Propósito Geral das Entidades do Setor


Público) fornecem informações aos seus usuários para subsidiar os processos
decisórios e a prestação de contas e responsabilização
(accountability).

Portanto, os usuários dos RCPGs das entidades do setor público precisam de


informações para subsidiar as avaliações de algumas questões, tais como:
 se a entidade prestou seus serviços à sociedade de maneira eficiente e
eficaz;
 quais são os recursos atualmente disponíveis para gastos futuros, e até
que ponto há restrições ou condições para a utilização desses recursos;
 a extensão na qual a carga tributária, que recai sobre os contribuintes
em períodos futuros para pagar por serviços correntes, tem mudado; e
 se a capacidade da entidade para prestar serviços melhorou ou piorou
em comparação com exercícios anteriores.

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Características Qualitativas da Informação

Os RCPGs apresentam informações financeiras e não financeiras sobre


fenômenos econômicos, além de outros fenômenos. As características
qualitativas da informação incluída nos RCPGs são atributos que tornam a
informação útil para os usuários e dão suporte ao cumprimento dos objetivos
da informação contábil.

As características qualitativas da informação incluída nos RCPGs são:


 relevância
 representação fidedigna
 compreensibilidade
 tempestividade
 comparabilidade
 verificabilidade.

As restrições inerentes à informação contida nos RCPGs são:


 materialidade
 custo-benefício
 equilíbrio apropriado entre as características qualitativas.

As características-chave de entidade do setor público são:


 ser uma entidade que capta recursos da sociedade ou em nome desta
e/ou utiliza recursos para realizar atividades em benefício dela; e
 existir usuários de serviços ou provedores de recursos dependentes de
informações contidas nos RCPGs para fins de prestação de contas e
responsabilização (accountability) e tomada de decisão.

Elementos das DCs

Os elementos são:
 ativo;
 passivo;
 receita;
 despesa;
 contribuição dos proprietários;
 distribuição aos proprietários.
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Patrimônio Público

É o conjunto de direitos e bens das entidades do setor público, que seja


portador ou represente um fluxo de benefícios, e suas obrigações.

Objetivo CASP

Fornecer aos usuários informações sobre os resultados alcançados e os


aspectos de natureza orçamentária, econômica, financeira e física do
patrimônio da entidade do setor público e suas mutações, em apoio ao
processo de tomada de decisão; a adequada prestação de contas; e o
necessário suporte para a instrumentalização do controle social.

Objeto da CASP

É o patrimônio público.

Unidade Contábil

A soma, agregação ou divisão de patrimônio de uma ou mais entidades do


setor público resultará em novas unidades contábeis.

A unidade contábil pode ser:

Unidade O que é?
Originária Patrimônio de uma PJ
Descentralizada Parcela de uma Originária
Unificada Soma de descentralizadas
Consolidada Soma de originárias

Exercício Financeiro

O exercício financeiro coincidirá com o ano civil.

Pertencem ao exercício financeiro:

 As receitas nele arrecadadas;

 As despesas nele legalmente empenhadas.

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Subsistemas Contábeis

Período Sistemas Subsistemas Obs


Patrimonial
Financeiro
Até 2008 Não existiam
Orçamentário
Compensação
Patrimonial Início da
Patrimonial
Financeiro adaptação.
Financeiro
2009 Orçamentário Criação do
Orçamentário
Compensação Subsistema de
Compensação
Custos Custos
Patrimonial Patrimonial
Fim do
2010 a Financeiro Orçamentário
Subsistema
2012 Orçamentário Compensação
Financeiro
Compensação Custos
Patrimonial Fim dos
Orçamentário Sistemas.
2013 Não existem
Compensação Financeiro não
Custos existe mais.
Patrimonial Ênfase no
Orçamentário conceito de
2017 Não existem
Compensação “natureza da
Custos informação”

Sistema contábil é um conjunto de informações estruturadas que se divide em


quatro subsistemas, a saber:
 Patrimonial
 Orçamentário
 Compensação
 Custos
Subsistema de Informações Orçamentárias
 Orçamento;
 Programação e execução orçamentária;
 Alterações orçamentárias;
 Resultado orçamentário.
Grupos de contas:
 Planejamento aprovado
 Orçamento aprovado
 Inscrição de restos a pagar
 Execução do planejamento
 Execução do orçamento
 Execução de restos a pagar

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Subsistema de Informações Patrimoniais


 Alterações nos elementos patrimoniais;
 Resultado econômico;
 Resultado nominal.

Grupos de contas:
 Ativo circulante
 Ativo não circulante
 Variações patrimoniais diminutivas
 Passivo circulante
 Passivo não circulante
 Patrimônio líquido
 Variações patrimoniais aumentativas

Subsistema de Custos
 Custos dos programas, dos projetos e das atividades desenvolvidas;
 Bom uso dos recursos públicos;
 Custos das unidades contábeis.
Grupos de contas:
 Custos
 Apuração de custos

Subsistema de Compensação
 Alterações potenciais nos elementos patrimoniais;
 Acordos, garantias e responsabilidades.

Grupos de contas:
 Atos Potenciais
 Administração Financeira
 Dívida Ativa
 Riscos Fiscais
 Outros Controles

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Subsistema Financeiro – não existe mais


Seus lançamentos agora estão sendo feitos no Subsistema Patrimonial.

Subsistemas Contábeis da CASP

Subsistema Atos ou Fatos? Palavras Chave


Planejamento e execução do
Orçamentário Atos e Fatos
orçamento
Produzem variações do
Patrimonial Fatos financeiros ou não
patrimônio
Podem produzir variações
Compensação Atos de gestão e de controle
no patrimônio
Apuração dos custos de
Custos -
gestão

A CASP segue obrigatoriamente o método das partidas dobradas. Os débitos e


os créditos de um determinado lançamento, em igual valor, devem ocorrer
dentro do mesmo subsistema

Fato contábil
 Possui natureza econômico-financeira;
 Altera qualitativamente ou quantitativamente o patrimônio;
 Suas alterações podem ser efetivas ou potenciais;
 Pode ser orçamentário ou extraorçamentário;

Ato administrativos
 Possui natureza administrativa;
 Não afeta o patrimônio público;
 Tem como objetivo cumprir as atividades da entidade.

Como identificar a qual Subsistema pertence um lançamento?


 1 – Verificar se é um ato (natureza administrativa) ou um fato (natureza
econômica).
 2 – Verificar se é orçamentário ou extraorçamentário. (Em muitas
questões essa análise será essencial).
 3 – Identificar o subsistema ou subsistemas em que serão feitos os
lançamentos, da forma abaixo.

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Fato Ato

Extraorça- Extraorça-
Orçamentário Orçamentário
mentário mentário

Subsistemas Subsistema Subsistema Subsistema de


orçamentário e patrimonial Orçamentário Compensação
patrimonial

Regimes Contábeis na CASP

 A aplicação de um regime misto, com utilização de caixa para receitas e


competência para despesas, quando tratamos do enfoque orçamentário..

 A aplicação do regime de competência quando se trata do enfoque


patrimonial.

4320 – estabelece que devem ser observados enfoques diversos e obriga


regime misto para enfoque orçamentário.
Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro:
I - as receitas nele arrecadadas;
 caixa
II - as despesas nele legalmente empenhadas.
 competência

NBCs - recomendam regime de competência.


As transações no setor público devem ser reconhecidas e registradas
integralmente no momento em que ocorrerem.
Os registros contábeis devem ser realizados e os seus efeitos evidenciados nas
demonstrações contábeis do período com os quais se relacionam,
reconhecidos, portanto, pelos respectivos fatos geradores, independentemente
do momento da execução orçamentária.
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MCASP - deixa claro que está excluído do regime de competência o registro


das receitas no aspecto orçamentário.

Exceções
As duas maiores exceções à aplicação dos regimes são a inscrição em dívida
ativa e o registro de restos a pagar não processados.
A inscrição em dívida ativa é considerada uma receita, e reconhece-se por
competência.
A inscrição de restos a pagar não processados é exceção ao regime de
competência, sendo reconhecida em regime de caixa.

Regime de Caixa
Requer que o reconhecimento das receitas e despesas seja feito no momento
em que ocorre a entrada ou saída de recursos.

Regime de Competência
As receitas são reconhecidas no momento em que são geradas (ganhas) e as
despesas são reconhecidas no momento em que são incorridas,
independentemente de ocorrer ou não a movimentação de recursos
financeiros.

O CPC deixa claro que o regime de competência é o que


retrata com propriedade os efeitos de transações e
outros eventos sobre os recursos e reivindicações da
entidade.

Reconhecimento de Receitas e de Despesas Públicas


Arrecadação e Empenho – Caixa

Na CASP, tratando-se do enfoque orçamentário, as receitas serão reconhecidas


no momento da arrecadação, e as despesas no momento do empenho.

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Confrontação entre despesas e receitas - Competência

As despesas devem ser reconhecidas por associação


com os correspondentes itens de receita. Esse processo,
chamado de confrontação entre despesas e receitas
(regime de competência), envolve o reconhecimento
simultâneo ou combinado das receitas e despesas que
resultem das mesmas transações ou de outras.

Enfoque Orçamentário
Receita
O reconhecimento da receita no enfoque orçamentário é feito no momento da
arrecadação, seguindo o regime de caixa.

Receita orçamentária efetiva


A receita orçamentária efetiva é um fato contábil modificativo aumentativo que
aumenta a situação líquida.

Receita orçamentária não efetiva


A receita orçamentária não efetiva é um fato contábil permutativo que não
altera a situação líquida.

Despesa
O reconhecimento da despesa no enfoque orçamentário deve ser considerado
aquele em que ela se encontrar legalmente empenhada.

Despesa orçamentária efetiva


A despesa orçamentária efetiva é um fato contábil modificativo diminutivo que
diminui a situação líquida.

Despesa orçamentária não efetiva


A despesa orçamentária não efetiva é um fato contábil permutativo que não
altera a situação líquida.

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Enfoque Patrimonial

Receita

No enfoque patrimonial, o fato gerador da receita pode


ser considerado antes da arrecadação, depois da
arrecadação, ou no momento da arrecadação.

Despesa

No enfoque patrimonial, o fato gerador da despesa pode


ser considerado antes da liquidação, depois da
liquidação, ou no momento da liquidação.

Variações Patrimoniais
As variações patrimoniais quantitativas decorrem de transações que aumentam
ou diminuem o patrimônio líquido, subdividindo-se em:
 Variações patrimoniais aumentativas – quando aumentam o patrimônio
líquido (receita sob o enfoque patrimonial);
 Variações patrimoniais diminutivas – quando diminuem o patrimônio
líquido (despesa sob o enfoque patrimonial).

Receita e despesa na NBC TSP EC – Novas definições

Receita corresponde a aumentos na situação patrimonial líquida da entidade


não oriundos de contribuições dos proprietários.

Despesa corresponde a diminuições na situação patrimonial líquida da


entidade não oriundas de distribuições aos proprietários.

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Variações patrimoniais classificam-se em:


 Qualitativas
 Quantitativas
Aumentativas (receita) ou Diminutivas (receita)
Orçamentárias
Extraorçamentárias
 Mistas (qualitativa + quantitativa no mesmo evento)
Aumentativas ou Diminutivas
Orçamentárias
Extraorçamentárias

Variações Patrimoniais Qualitativas


São aquelas em que ocorrem permutações de mesmo valor dos elementos do
Patrimônio, ou seja, as alterações do Patrimônio que não alteram o valor do
Patrimônio Líquido.

Variação Patrimonial

Quantitativa

Aumentativa - Receita Diminutiva - Despesa Qualitativa


Orçamentá Extraorça Orçamentá Extraorça
ria mentária ria mentária

Mutações Patrimoniais
Esse é um conceito que não é mais utilizado no novo sistema da CASP.
Tratava-se de um artifício para integrar os lançamentos na época em que se
utilizava o sistema financeiro.

Realização Variação Patrimonial


Considera-se realizada a variação patrimonial aumentativa:
 Nas transações com contribuintes e terceiros, quando estes efetuarem o
pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, quer pela
ocorrência de um fato gerador de natureza tributária, investidura na
propriedade de bens anteriormente pertencentes à entidade, ou fruição
de serviços por esta prestados;
 Quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o
motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual
ou maior;

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 Pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção


de terceiros;
 No recebimento efetivo de doações e subvenções.

Considera-se incorrida a variação patrimonial diminutiva:


 Quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência
de sua propriedade para terceiro;
 Pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo;
 Pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo.

Resultado Patrimonial

Resultado Patrimonial

VPA maior que VPD = Superávit Patrimonial

VPA menor que VPD = Déficit Patrimonial

Variações patrimoniais independentes da execução orçamentária, ou


extraorçamentárias.
Superveniências e Insubsistências
Variação
Ativo e Passivo PL
Patrimonial
Superveniência
Ativa (ou do Aumentativa Aumenta Ativo Aumenta
ativo)
Superveniência
Passiva (ou do Diminutiva Aumenta Passivo Diminui
passivo)
Insubsistência
Ativa (ou do Aumentativa Diminui Passivo Aumenta
passivo)
Insubsistência
Passiva (ou do Diminutiva Diminui Ativo Diminui
ativo)

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Entendendo as Variações
Resultado em Resultado
Variação Patrimonial Sigla
Ativo e Passivo no PL
Aumentativa (ou ativa)
VPAO A*  PL
Orçamentária
Aumentativa (ou ativa)
VPAEO  A ou  P  PL
Extraorçamentária
Diminutiva (ou passiva)
VPDO  A ou  P  PL
Orçamentária
Diminutiva (ou passiva)
VPDEO  A ou  P  PL
Extraorçamentária
Qualitativa
VPQO
Orçamentária A e P, A e P,
Não se altera
Qualitativa A e A , P e P
VPQEO
Extraorçamentária

* Não ocorre VPAO com  P.

Princípios de Contabilidade na CASP - Extintos


Entidade
O princípio da entidade afirma-se, para o ente público, pela autonomia e
responsabilização do patrimônio a ele pertencente. A autonomia patrimonial
tem origem na destinação social do patrimônio e a responsabilização pela
obrigatoriedade da prestação de contas pelos agentes públicos.
Continuidade
Sob a perspectiva do setor público, a continuidade está vinculada ao estrito
cumprimento da destinação social do seu patrimônio, ou seja, a continuidade
da entidade se dá enquanto perdurar sua finalidade.
Oportunidade
Para o setor público, o princípio da oportunidade é base indispensável à
integridade e à fidedignidade dos registros contábeis dos atos e dos fatos que
afetam ou possam afetar o patrimônio da entidade pública, observadas as
Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público. A integridade e
a fidedignidade dizem respeito à necessidade de as variações serem
reconhecidas na sua totalidade, independentemente do cumprimento das
formalidades legais para sua ocorrência, visando ao completo atendimento da
essência sobre a forma.
Registro pelo Valor Original
Sob a perspectiva do setor público, nos registros dos atos e fatos contábeis
será considerado o valor original dos componentes patrimoniais que, ao longo
do tempo, não se confunde com o custo histórico. Ou seja, o registro pelo
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valor original corresponde ao valor resultante de consensos de mensuração


com agentes internos ou externos, com base em valores de entrada – a
exemplo de custo histórico, custo histórico corrigido e custo corrente; ou
valores de saída – a exemplo de valor de liquidação, valor de realização, valor
presente do fluxo de benefício do ativo e valor justo.
Competência
O princípio da competência é aquele que reconhece as transações e os eventos
nos períodos a que se referem, independentemente do seu pagamento ou
recebimento, aplicando-se integralmente ao Setor Público.
Portanto, o princípio da competência aplica-se integralmente onde a lei permite
que ele seja aplicado.
Prudência
No setor público, o princípio da prudência adquire relevância quando são feitas
estimativas, tais como os passivos contingentes que representam obrigações
possíveis, ou ativos contingentes que são possíveis ativos, cuja existência
depende de fatores imprevisíveis, tais como resultados dos julgamentos de
processos judiciais. Nesse caso, se existirem alternativas igualmente válidas
para a quantificação do fato, será escolhida aquela que resultar no maior valor
para o passivo e/ou o menor para o ativo.

Receita no Enfoque orçamentário


Em sentido amplo, os ingressos de recursos financeiros nos cofres do Estado
denominam-se receitas públicas. São registradas como receitas
orçamentárias quando representam disponibilidades de recursos financeiros
para o erário, ou como ingressos extraorçamentários, quando representam
apenas entradas compensatórias.
Em sentido estrito, chamam-se públicas apenas as receitas orçamentárias.

Receita Orçamentária

Receita orçamentária
É todo ingresso disponível para cobrir despesas
orçamentárias, mesmo que sem a ocorrência de entrada
de recursos.

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Todas as operações de crédito devem ser autorizadas no orçamento, exceto as


seguintes, que portanto, são consideradas extraorçamentárias:
 antecipação de receita orçamentária (ARO)
 emissão de moeda
 entradas compensatórias

Ingressos Extraorçamentários
São recursos financeiros de caráter temporário e não integram a Lei
Orçamentária. O Estado é mero depositário desses recursos, que constituem
passivos exigíveis e cujas restituições não se sujeitam à autorização legislativa.

Receitas efetivas e não efetivas


Receita Orçamentária Efetiva é aquela que, no momento do
reconhecimento, aumenta a situação líquida patrimonial da entidade. Constitui
fato contábil modificativo aumentativo.
Receita Orçamentária Não Efetiva é aquela que não altera a situação
líquida patrimonial no momento do reconhecimento e, por isso, constitui fato
contábil permutativo, como é o caso das operações de crédito.

Enfoque patrimonial

Definição de receita na NBC TSP EC


Receita corresponde a aumentos na situação patrimonial líquida da entidade
não oriundos de contribuições dos proprietários.

Definição usada anteriormente, do CPC 00:


 Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período
contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do aumento de ativos ou
diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio
líquido, e que não estejam relacionados com a contribuição dos
detentores dos instrumentos patrimoniais (aporte dos controladores).

Aspecto patrimonial da receita no MCASP

Receitas sempre aumentam PL

Orçamentárias - dependem do orçamento


Extraorçamentárias – não dependem do orçamento
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Estágios da Receita Orçamentária


A gestão da receita orçamentária é dividida em 3 etapas:
 planejamento
 execução
 controle

Planejamento Lançamento
Execução ➔ Arrecadação
Controle e Avaliação Recolhimento

Lançamentos iniciais da Receita Orçamentária


Registro da previsão na aprovação da LOA
D Previsão Inicial da Receita
C Receita a Realizar
Durante a execução do orçamento
Registro da arrecadação
D Receita a Realizar
C Receita Realizada
Registro da disponibilidade do recurso
D Controle da disponibilidade do recurso
C Disponibilidade por destinação de recursos

Classificação Doutrinária da Receita

Receitas

Originárias – Atividade econômica do Estado


Derivadas – Tributação, Poder imperativo do Estado

Classificações Oficiais da Receita


As receitas orçamentárias são classificadas segundo os seguintes critérios:
 Natureza;
 Fonte/Destinação de Recursos;
 Indicador de Resultado Primário.

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Teoria e Exercícios – Aula 18
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Nova Classificação da Natureza da Receita

A natureza classifica a receita quanto ao fato gerador, e é a menor célula de


informação no contexto orçamentário para as receitas públicas. Contém todas
as informações necessárias para as devidas alocações orçamentárias. Podemos
considerar que é o nível mais analítico, e auxilia na elaboração de análises
econômico-financeiras sobre a atuação estatal.

Esta classificação é formada por um código numérico de 8 dígitos que se


subdivide em 5 níveis.
A classificação da natureza da receita foi alterada para o exercício de 2016,
pela Portaria Interministerial 5 de 2015. O MCASP já foi alterado a partir da
6ª edição.

O código da natureza de receita passa a ser definido por:

C O E D DD D T
Onde:
 C - Categoria Econômica;
 O - Origem;
 E – Espécie;
 D - Dígitos para desdobramentos;
 T - Tipo da Receita

GRAVE ISSO!

C O E D.DD.D T

1.1.1.1.11.1.1

Exemplo: 1.1.1.3.01.1.1

1 – receita corrente
1 – impostos taxas e contribuições de melhoria
1 – impostos
3.01.1 – IRPF
1 - principal
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Categoria Econômica
É dada pelo primeiro dígito da codificação da natureza, da seguinte forma:

1 para Receitas Correntes


2 para Receitas de Capital

Receitas Correntes
Receitas Orçamentárias Correntes são arrecadadas dentro do exercício
financeiro, aumentam as disponibilidades financeiras, em geral com efeito
positivo sobre o Patrimônio Líquido, e constituem instrumento para financiar os
objetivos definidos nos programas e ações orçamentários, com vistas a
satisfazer finalidades públicas.
Embora no geral as receitas correntes modifiquem o PL, temos a receita
corrente de inscrição na dívida ativa (classificada em outras receitas) como
exemplo de exceção a essa regra, por não gerar alteração patrimonial
aumentativa.
Códigos de Receitas Correntes (origens)
 1 Receita Tributária
 2 Receita de Contribuições
 3 Receita Patrimonial
 4 Receita Agropecuária
 5 Receita Industrial
 6 Receita de Serviços
 7 Transferências Correntes
 9 Outras Receitas Correntes
 7 Intraorçamentárias Correntes (é 7 mesmo)

Receitas de Capital
Receitas Orçamentárias de Capital também aumentam as disponibilidades
financeiras do Estado e são instrumentos de financiamento dos programas e
ações orçamentários. Porém, de forma diversa das Receitas Correntes, as
Receitas de Capital em geral não provocam efeito sobre o Patrimônio Líquido.
Embora no geral as receitas de capital não modifiquem o PL, temos a receita
de transferências de capital como exemplo de exceção a essa regra, por gerar
alteração patrimonial aumentativa.

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Códigos de Receitas de Capital (origens)


 1 Operações de Crédito
 2 Alienação de Bens
 3 Amortização de Empréstimos
 4 Transferências de Capital
 5 Outras Receitas de Capital
 8 Intraorçamentárias de Capital

Receitas de Operações Intraorçamentárias (não são categoria)


São aquelas realizadas entre órgãos e demais entidades da Administração
Pública do mesmo ente federativo. Não representam novas entradas de
recursos.
Origem da Receita
A Origem é o detalhamento das Categorias Econômicas
Espécie
É o nível de classificação vinculado à Origem
Rubrica
Detalha espécie por meio da especificação dos recursos financeiros que lhe são
correlatos.
Por exemplo, a rubrica “Impostos sobre o Patrimônio e a Renda” corresponde
ao detalhamento da Espécie “Impostos”.
Alínea
A alínea é o detalhamento da Rubrica e exterioriza o “nome” da receita que
receberá o registro pela entrada de recursos financeiros.
Por exemplo, a alínea “Impostos sobre a Renda e Proventos de Qualquer
Natureza” corresponde ao detalhamento da Rubrica “Impostos sobre o
Patrimônio e a Renda”.
Subalínea
A subalínea constitui o nível mais analítico da receita, utilizado quando há
necessidade de se detalhar a Alínea com maior especificidade.
Por exemplo, a subalínea “Pessoas Físicas” é detalhamento da Alínea
“Impostos sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza”.

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Relacionando origens e espécies da receita corrente


Origem Tributária
Espécies: impostos, taxas e contribuições de melhoria.
Origem Contribuições
Espécies: Contribuições Sociais, CIDE Contribuições de Interesse das
Categorias Profissionais, COSIP.

Contribuição de melhoria não é receita de contribuição,


é de origem tributária.

Origem Patrimonial
São receitas provenientes da fruição do patrimônio de ente público, como por
exemplo, bens mobiliários e imobiliários ou, ainda, bens intangíveis e
participações societárias.
Origem Agropecuária
Receita Industrial
Receita de Serviços

A distinção entre taxa e preço público está na Súmula


nº 545 do STF
“Preços de serviços públicos e taxas não se confundem,
porque estas, diferentemente daqueles, são
compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia
autorização orçamentária, em relação à lei que a
instituiu”.

Transferências Correntes
Outras Receitas Correntes, neste título, inserem-se multas e juros de mora,
indenizações e restituições, receitas da dívida ativa e as outras receitas não
classificadas nas receitas correntes anteriores. As principais espécies são:
multas e dívida ativa
Multas
Receita pública de caráter não tributário, constituindo-se em ato de penalidade
de natureza pecuniária aplicado pela Administração Púbica aos administrados.

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Dívida Ativa
São os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária,
exigíveis em virtude do transcurso do prazo para pagamento.
Intraorçamentárias
Apenas para controle, como já explicamos.

Relacionando origens e espécies da receita de capital


Operações de Crédito
 Operações de Crédito Internas
 Operações de Crédito Externas
Alienação de Bens
São ingressos financeiros com origem específica na classificação orçamentária
da receita proveniente da alienação de bens móveis ou imóveis de propriedade
do ente público.
A LRF veda a aplicação da receita de capital decorrente da alienação de bens e
direitos que integrem o patrimônio público para financiar despesas correntes,
salvo as destinadas por lei aos regimes previdenciários geral e próprio dos
servidores públicos.
Amortização de Empréstimos

Embora a amortização de empréstimos seja Receita de


Capital, os juros recebidos, associados a esses
empréstimos, são classificados em Receitas Correntes /
Receitas de Serviços / Serviços Financeiros.

Transferências de Capital
São recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou
privado e destinados para atender despesas em investimentos ou inversões
financeiras, sem corresponder contraprestação direta ao ente transferidor.
Inversão financeira é uma designação de cunho econômico que diferencia
investimentos que movimentam a economia e que agregam valor ao PIB e
investimentos que não agregam valor.
 Construir um prédio para a administração é um investimento.
 Comprar um prédio pronto é uma inversão.
Outras Receitas de Capital
Intraorçamentárias

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Fonte
Essa classificação indica como são financiadas as despesas, segundo a origem
dos recursos.
Classificação da Receita para Apuração do Resultado Primário
Esta classificação orçamentária da receita não tem caráter obrigatório para
todos os entes e foi instituída para a União com o objetivo de identificar quais
são as receitas e as despesas que compõem o resultado primário do Governo
Federal, que é representado pela diferença entre as receitas primárias e as
despesas primárias.
Primárias - predominantemente receitas correntes, que advêm dos tributos,
das contribuições sociais, das concessões, dos dividendos recebidos pela
União, da cota-parte das compensações financeiras, das decorrentes do
próprio esforço de arrecadação das unidades orçamentárias, das provenientes
de doações e convênios e outras também consideradas primárias.
Não primárias (financeiras) - não contribuem para o resultado primário ou
não alteram o endividamento líquido, uma vez que criam uma obrigação ou
extinguem um direito, ambos de natureza financeira, junto ao setor privado
interno ou externo, alterando concomitantemente o ativo e o passivo
financeiros.
Dívida Ativa - Conceito MCASP
A Dívida Ativa abrange os créditos a favor da Fazenda Pública, cuja certeza e
liquidez foram apuradas, por não terem sido efetivamente recebidos nas datas
aprazadas. É uma fonte potencial de fluxos de caixa por créditos a receber,
sendo contabilmente reconhecida no Ativo.

Dívida Ativa não se confunde com a Dívida Pública, que


representa as obrigações do ente público para com
terceiros, e que é contabilmente registrada no Passivo.

Dívida ativa tributária é o crédito da Fazenda Pública proveniente da obrigação


legal relativa a tributos e respectivos adicionais, atualizações monetárias,
encargos e multas tributárias.
Dívida ativa não tributária corresponde aos demais créditos da Fazenda
Pública.
As receitas decorrentes de dívida ativa tributária ou não tributária devem ser
classificadas como “outras receitas correntes”.
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O que nos interessa nessa base legal da dívida ativa?


 Pode ter natureza tributária ou não tributária.
 É receita do exercício em que for arrecadada.
 É exigível após o prazo para pagamento.
 Terá apuradas a sua liquidez e certeza.
 Moeda estrangeira será convertida na data da notificação ou, à sua falta,
na data da inscrição.
 Dívida Ativa inclui os créditos, atualização monetária, multa, juros de
mora e encargos.

Classificação Contábil – Aspecto Patrimonial

Dívida Ativa no aspecto patrimonial

Fato permutativo para o ente público.


Fato modificativo para os órgãos envolvidos.
O valor inscrito está sujeito a ajuste para perdas
prováveis.

Presunção de Certeza e Liquidez e Inscrição de Dívida Ativa


A Lei de Execução Fiscal (LEF) dispõe que a inscrição constitui-se no ato de
controle administrativo da legalidade e “será feito pelo órgão competente para
apurar a liquidez e certeza do crédito”.
O ato da inscrição confere legalidade ao crédito como dívida passível de
cobrança. A Dívida Ativa inscrita goza da presunção de certeza e liquidez
(relativa), e tem equivalência de prova pré-constituída contra o devedor,
facultando ao Ente Público, representado pelos respectivos órgãos
competentes, a iniciativa do processo judicial de execução.
O crédito que origina a dívida ativa:
 deve estar reconhecido a favor da entidade pública
 pode ser de origem tributária ou não tributaria
 deve estar vencido
 deve estar registrado contabilmente no órgão originário

A LEF atribui a responsabilidade da apuração dos valores a serem inscritos aos


órgãos competentes na União, Estados, Distrito Federal e Municípios,
caracterizando-a como ato de controle administrativo de legalidade.

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Cabe aos órgãos responsáveis pelos créditos a serem inscritos:


 estabelecer o processo administrativo de reconhecimento da existência e
quantificação do crédito
 encaminhar o processo para o órgão competente para inscrição, nos
prazos definidos em Lei
 encaminhar para inscrição o valor do principal em atraso, acrescido da
atualização monetária, dos juros e multas e de outros encargos
incidentes até a data do encaminhamento
Cabe ao órgão competente para inscrição:
 apurar a certeza e liquidez do crédito
 verificar as condições gerais que permitam proceder à inscrição
 inscrever em Dívida Ativa ou a rejeitar a inscrição, com consequente
devolução do processo à origem.
Lançamentos
Registro do crédito no Ativo do órgão originário
D Créditos a Receber
C Variação Patrimonial Aumentativa
Registro facultativo do crédito a ser encaminhado para Inscrição em
Dívida Ativa em contas de controle, da seguinte forma:
D Créditos da Dívida Ativa
C Créditos a Encaminhar para Inscrição em Dívida Ativa
Inscrição do Crédito em Dívida Ativa – simultâneo nos dois órgãos
No órgão originário (em contas de controle) facultativo
D Créditos a encaminhar para inscrição em Dívida Ativa
C Créditos encaminhados para inscrição em Dívida Ativa
No órgão de inscrição (em contas de controle) facultativo
D Créditos da Dívida Ativa
C Créditos a Inscrever em Dívida Ativa
Na inscrição efetiva, também em lançamentos simultâneos
No órgão originário (em contas patrimoniais)
D Transferências concedidas independentes de execução orçamentária
C Créditos a curto prazo
No órgão competente para inscrição
Em contas patrimoniais
D Créditos a longo prazo
C Transferências recebidas independentes de execução orçamentária

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Em contas de controle
D Créditos a Inscrever em Dívida Ativa
C Créditos Inscritos em Dívida Ativa a Receber

Cobrança
As baixas da Dívida Ativa podem ocorrer:
 pelo recebimento
 pelos abatimentos ou anistias previstos legalmente
 pelo cancelamento administrativo ou judicial da inscrição
As formas de recebimento da Dívida Ativa são definidas em lei, destacando-se
duas formas:
 em espécie
 na forma de bens, tanto pela adjudicação quanto pela dação em
pagamento
A receita relativa a Dívida Ativa tem caráter orçamentário, e pertence ao
exercício em que for realizada.
Lançamentos
Baixa por recebimento do principal
No órgão competente para inscrição:
D Caixa e equivalentes de caixa em moeda nacional
C Créditos a longo prazo
Baixa por recebimento de juros, multas e outros encargos:
No órgão competente para inscrição:
D Caixa e equivalentes de caixa em moeda nacional
C Créditos a longo prazo
Baixa por abatimentos e anistias
No órgão competente para inscrição:
D Variação Patrimonial Diminutiva – Baixa de DA por abatimento
C Créditos Inscritos em Dívida Ativa
D Variação Patrimonial Diminutiva – Baixa Juros da DA por abatimento
C Créditos Inscritos em Dívida Ativa
Por cancelamentos
No órgão competente para inscrição:
D Variação Patrimonial Diminutiva – Baixa de DA por cancelamento
C Créditos a longo prazo
D Variação Patrimonial Diminutiva – Baixa Juros DA por cancelamento
(ou multas, ou outros encargos)
C Créditos Inscritos em Dívida Ativa
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Despesa Pública: conceito


Despesa no Enfoque Orçamentário
A despesa pública é o conjunto de dispêndios realizados pelos entes públicos
para o funcionamento e manutenção dos serviços públicos.
Os dispêndios são orçamentários e extraorçamentários.
Despesa Orçamentária
Despesa orçamentária é toda transação que depende de autorização
legislativa, com dotação orçamentária, para ser efetivada.
Aspecto Orçamentário

Despesa Orçamentária - É toda transação que depende


de autorização legislativa.

Dispêndio Extraorçamentário - É aquele que não consta


na LOA.

Despesas Extraorçamentários
Dispêndio extraorçamentário é aquele que não consta na lei orçamentária
anual, compreendendo determinadas saídas de numerários decorrentes de
depósitos, pagamentos de restos a pagar, resgate de operações de crédito por
antecipação de receita e recursos transitórios.
Despesas efetivas e não efetivas
 Efetiva - aquela que, no momento de sua realização, reduz a situação
líquida patrimonial da entidade. Constitui fato contábil modificativo
diminutivo.
 Não Efetiva – aquela que, no momento da sua realização, não reduz a
situação líquida patrimonial da entidade e constitui fato contábil
permutativo.
Em geral, a despesa orçamentária efetiva é despesa corrente. Entretanto, pode
haver despesa corrente não efetiva como, por exemplo, a despesa com a
aquisição de materiais para estoque e a despesa com adiantamentos, que
representam fatos permutativos.
A despesa não efetiva normalmente se enquadra como despesa de capital.
Entretanto, há despesa de capital que é efetiva como, por exemplo, as
transferências de capital, que causam variação patrimonial diminutiva e, por
isso, classificam-se como despesa efetiva.

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Enfoque patrimonial
No enfoque patrimonial, as despesas possuem o conceito definido na NBC TSP
EC, e, para nomeá-las, utiliza-se apenas o termo despesa:

Despesa corresponde a diminuições na situação patrimonial líquida da


entidade não oriundas de distribuições aos proprietários.

O conceito utilizado anteriormente era o do CPC 00:


 Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o
período contábil, sob a forma da saída de recursos ou da redução de
ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do
patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com distribuições aos
detentores dos instrumentos patrimoniais.

Despesa Orçamentária no enfoque patrimonial


São despesas que dependem de autorização orçamentária para ocorrerem
(previstas em orçamento), e resultam em diminuição do PL.

Despesa Extra Orçamentária no enfoque patrimonial


São despesas decorrentes de fatos que resultam em diminuição de PL e que
ocorrem independentemente da execução do orçamento.

Aspecto patrimonial da despesa no MCASP

Despesas sempre diminuem PL

Orçamentárias - dependem do orçamento


Extraorçamentárias – não dependem do orçamento

Estágios da Despesa Orçamentária


A gestão da despesa orçamentária é dividida em 3 etapas:
 planejamento
 execução
 controle

A etapa de execução possui 3 estágios, que são os mais pedidos em prova.

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Gestão da Despesa
Etapas Estágios da Execução
Planejamento Empenho
Execução ➔ Liquidação
Controle e Avaliação Pagamento

Descentralização da despesa
Entre unidades de um mesmo órgão é chamada de interna ou de provisão.
Entre unidades de órgãos ou entidades diferentes é chamada de externa, ou de
destaque.
Empenho
É o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação
de pagamento pendente ou não de implemento de condição.
Os empenhos podem ser classificados em:
 Ordinário: utilizado para as despesas de valor fixo e previamente
determinado, cujo pagamento deva ocorrer de uma só vez;
 Estimativo: utilizado para as despesas cujo montante não se pode
determinar previamente, tais como serviços de fornecimento de água e
energia elétrica, aquisição de combustíveis e lubrificantes e outros;
 Global: utilizado para despesas contratuais ou outras de valor
determinado, sujeitas a parcelamento, como, por exemplo, os
compromissos decorrentes de aluguéis.
Nos casos em que o contrato é facultativo, pode ser substituído nota de
empenho de despesa, e o empenho representa o próprio contrato.

Liquidação
Consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os
títulos e documentos comprobatórios do crédito e tem por objetivo apurar:
 - a origem e o objeto do que se deve pagar;
 – a importância exata a pagar;
 – a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação.

As despesas com fornecimento ou com serviços prestados terão por base:


 – o contrato, ajuste ou acôrdo respectivo;
 – a nota de empenho;
 – os comprovantes da entrega de material ou da prestação do serviço.

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Pagamento
É a entrega de numerário ao credor por meio de cheque nominativo, ordens de
pagamentos ou crédito em conta, e só pode ser efetuado após a regular
liquidação da despesa.

Classificações da Despesa
As despesas orçamentárias são classificadas nas NBCASP segundo os seguintes
critérios:
 Institucional;
 Funcional;
 Estrutura programática
 Natureza
 Fonte/Destinação de Recursos;

Classificação Institucional da Despesa


Órgão orçamentário
Unidade orçamentária
Classificação Funcional da Despesa
Função
Subfunção
Classificação por Estrutura Programática
Programa
É o instrumento que articula um conjunto de ações que concorrem para a
concretização de um objetivo, visando à solução de um problema ou ao
atendimento de determinada necessidade ou demanda da sociedade.
Ação
São operações das quais resultam produtos (bens ou serviços), que
contribuem para atender ao objetivo de um programa. Incluem-se também no
conceito de ação as transferências obrigatórias ou voluntárias a outros entes
da Federação e a pessoas físicas e jurídicas, na forma de subsídios,
subvenções, auxílios, contribuições e financiamentos, dentre outros.
As ações classificam-se em atividades, projetos ou operações especiais.
Atividade
Operações que se realizam de modo contínuo e permanente, das quais
resulta um produto ou serviço necessário à manutenção da ação de
Governo.

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Projeto
Operações, limitadas no tempo, das quais resulta um produto que
concorre para a expansão ou o aperfeiçoamento da ação de Governo.
Operação Especial
Despesas que não contribuem para a manutenção, expansão ou
aperfeiçoamento das ações de governo, das quais não resulta um
produto, e não gera contraprestação direta sob a forma de bens ou
serviços.

Natureza da despesa orçamentária


Segundo a sua natureza, a despesa classifica-se em:
 Categoria Econômica;
 Grupo de Natureza da Despesa;
 Elemento de Despesa.
Porém, a codificação da natureza da despesa contempla elementos adicionais:
 Categoria Econômica;
 Grupo de Natureza da Despesa;
 Modalidade de Aplicação (não é classificação, apenas controle gerencial);
 Elemento de Despesa;
 Desdobramento do Elemento (opcional).
Assim, a classificação é formada por um código numérico de 6 dígitos, ou,
opcionalmente por 8 dígitos, que se subdivide em até cinco níveis:
 Categoria Econômica C 1
 Grupo de Natureza G 1
 Modalidade MM 11
 Elemento EE 11
 Desdobramento Elemento DD 11

GRAVE ISSO!

C G MM EE DD

1 1 1 11 11

Essa estrutura vale para todas as esferas de governo.


O código 9.9.99.99 é destinado à classificação da Reserva de Contingência e
da Reserva do Regime Próprio de Previdência Social.

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Categoria Econômica
3 para Despesas Correntes
4 para Despesas de Capital

Despesas Correntes
Classificam-se nessa categoria todas as despesas que não contribuem,
diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital.
Despesas de Capital
Classificam-se nessa categoria aquelas despesas que contribuem, diretamente,
para a formação ou aquisição de um bem de capital.
As despesas orçamentárias de capital estão relacionadas ao registro de
incorporação de ativo imobilizado, intangível ou investimento , ou ao registro
de desincorporação de um passivo.

Grupo de Natureza da Despesa - GND


É um agregador de elementos de despesa com as mesmas características
quanto ao objeto de gasto.
 Pessoal e Encargos Sociais
 Juros e Encargos da Dívida
 Outras Despesas Correntes
 Investimentos
 Inversões Financeiras
 Amortização da Dívida

Modalidade de Aplicação
Não é um elemento de classificação. A sua finalidade é indicar se os recursos
são aplicados diretamente na mesma esfera de Governo ou por outro ente da
Federação, que os recebeu em transferência. Seu objetivo é possibilitar a
eliminação da dupla contagem dos recursos transferidos ou descentralizados.

Elemento de Despesa
Tem por finalidade identificar os objetos de gasto.

Desdobramento Facultativo do Elemento de Despesa


Conforme as necessidades de escrituração contábil e controle da execução
orçamentária fica facultado por parte de cada ente o desdobramento dos
elementos de despesa, para ajudar no detalhamento do registro.

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Orientação para a Classificação quanto à Natureza da Despesa.


Para classificar a despesa é preciso seguir os seguintes passos:
1º – Identificar se o desembolso é orçamentário ou extraorçamentário.

Orçamentários
São as despesas que necessitam de recurso público para sua realização e
constituem instrumento para alcançar os fins dos programas governamentais.
Extraorçamentários
São aqueles decorrentes de:
 Saídas compensatórias no ativo e no passivo financeiro – representam
desembolsos de recursos de terceiros em poder do ente público, tais
como:
 Devolução dos valores de terceiros (cauções/depósitos);
 Recolhimento de Consignações/Retenções;
 Pagamento das operações de crédito por antecipação de receita
orçamentária (ARO);
 Pagamentos de Salário-Família, Salário-Maternidade e Auxílio-
Natalidade – os benefícios da Previdência Social adiantados pelo
empregador, por força de lei, têm natureza extraorçamentária e,
posteriormente, serão objeto de compensação ou restituição.
 Pagamento de restos a pagar – são as saídas para pagamentos de
despesas empenhadas em exercícios anteriores.

Se é extraorçamentário, não há registro de despesa orçamentária, mas uma


desincorporação de passivo ou uma apropriação de ativo.
Se o desembolso é orçamentário, vamos para o 2.
2º – Identificar a categoria econômica (despesa corrente ou de capital).
Despesas de capital implicam o registro de incorporação de ativo imobilizado,
intangível ou investimento (e inversões) ou o registro de desincorporação de
um passivo.
3º – Identificar o GND.
4º – Identificar o elemento de despesa, ou seja, o objeto fim do gasto.
Normalmente, os elementos de despesa guardam correlação com os grupos,
mas não há impedimento para que alguns elementos típicos de despesa
corrente estejam relacionados a um grupo de despesa de capital.

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Créditos Orçamentários Iniciais e Adicionais

Crédito Inicial
Aquele aprovado pela lei orçamentária anual, constante dos orçamentos fiscal,
da seguridade social e de investimento das empresas estatais não dependentes

Crédito Adicional (veja quadro)


Créditos Adicionais
Suplementar Especial Extraordinário
Despesa sem Despesa urgente e
Finalidade Reforço de dotação.
dotação. imprevista.
Incorpora-se ao Sim, na mesma
Não Não
Orçamento? dotação.
Decreto do Decreto do Decreto do
executivo, após executivo, após executivo com
Abertura
autorização autorização exame posterior
legislativa. legislativa. do legislativo.
Necessidade de
recursos Sim Sim Não
disponíveis?
Se abertos nos Se abertos nos
últimos quatro últimos quatro
meses poderão ser meses poderão ser
Vigência Restrita ao exercício.
reabertos até o fim reabertos até o fim
do próximo do próximo
exercício. exercício.

Reconhecimento da Despesa Orçamentária


Os registros contábeis do reconhecimento são os seguintes:
No empenho
Subsistema Orçamentário
D Crédito disponível
C Crédito empenhado a liquidar

Subsistema Orçamentário
D Crédito empenhado a liquidar
C Crédito empenhado em liquidação

Subsistema de Controle
D Execução da disponibilidade de recursos
C Disponibilidade por destinação de recursos comprometida por empenho
Na liquidação
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Teoria e Exercícios – Aula 18
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Subsistema Orçamentário
D Crédito empenhado em liquidação
C Crédito empenhado liquidado a pagar
Subsistema de Controle
D Disponibilidade por destinação de recursos comprometida por empenho
C Disponibilidade por destinação de recursos comprometida por
liquidação e entradas compensatórias
Transferência
A designação “transferência”, nos termos do art. 12 da Lei no 4.320/1964,
corresponde à entrega de recursos financeiros a outro ente da Federação, a
consórcios públicos ou a entidades privadas, com e sem fins lucrativos, que
não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços ao transferidor.
Os bens ou serviços gerados ou adquiridos com a aplicação desses recursos
pertencem ou se incorporam ao patrimônio do ente ou da entidade
recebedora.
Delegação
Delegação é a entrega de recursos financeiros a outro ente da Federação ou a
consórcio público para execução de ações de responsabilidade ou competência
do ente delegante. O recebedor executa ações em nome do transferidor.
Os bens ou serviços gerados ou adquiridos com a aplicação desses recursos
pertencem ou se incorporam ao patrimônio de quem os entrega, ou seja, do
transferidor.

Restos a Pagar
No fim do exercício, as despesas orçamentárias empenhadas e não pagas
serão inscritas em restos a pagar e constituirão a dívida flutuante.

Temos dois tipos de restos a pagar:

Processados (despesas liquidadas)


Não processados (despesas não liquidadas)

Processados
São referentes a despesas liquidadas, ou seja, aquelas em que houve a
entrega do material ou serviço.
Não Processados
São restos a pagar referentes a despesas não liquidadas.
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Restos a pagar fazem parte da Dívida Flutuante.

Pagamento de restos a pagar empenhados por valor estimado


No momento do pagamento de restos a pagar referente à despesa empenhada
pelo valor estimado, verifica-se se existe diferença entre o valor da despesa
inscrita e o valor real a ser pago.
Se existir diferença:
 Se o valor real a ser pago for superior ao valor inscrito, a diferença
deverá ser empenhada a conta de despesas de exercícios anteriores;
 Se o valor real for inferior ao valor inscrito, o saldo existente deverá ser
cancelado.

Fórmulas usadas na prova


RP ➔ Restos a pagar
RPP ➔ Restos a pagar processados
RPNP ➔ Restos a pagar não processados
EMP ➔ Despesas Empenhadas
PAG ➔ Despesas Pagas
LIQ ➔ Despesas Liquidadas (Ceperj já chamou de executadas, erroneamente)
Pelo MCASP, Executadas = Liquidadas e Não Liquidadas

Fórmulas:
RP = EMP – PAG
RP = RPP + RPNP ou RPP =RP - RPNP
RPNP = EMP - LIQ
EMP + Crédito Disponível = Orçamento

Despesas de Exercícios Anteriores


Despesas não processadas em época própria
Restos a pagar com prescrição interrompida
Compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício

Suprimentos de Fundos (Regime de Adiantamento)

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O suprimento de fundos é caracterizado por ser um adiantamento de valores a


um servidor para futura prestação de contas. Esse adiantamento constitui
despesa orçamentária, ou seja, para conceder o recurso ao suprido é
necessário percorrer os três estágios da despesa orçamentária: empenho,
liquidação e pagamento.
Não representa uma despesa pelo enfoque patrimonial, pois, no momento da
concessão, não ocorre redução no patrimônio líquido.
O suprimento de fundos deve ser utilizado nos seguintes casos:
 Para atender a despesas eventuais, inclusive em viagem e com serviços
especiais, que exijam pronto pagamento;
 Quando a despesa deva ser feita em caráter sigiloso, conforme se
classificar em regulamento; e
 Para atender a despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas
cujo valor,
Não se concederá suprimento de fundos:
 A responsável por dois suprimentos;
 A servidor que tenha a seu cargo a guarda ou utilização do material a
adquirir, salvo quando não houver na repartição outro servidor;
 A responsável por suprimento de fundos que, esgotado o prazo, não
tenha prestado contas de sua aplicação; e
 A servidor declarado em alcance.
Por servidor em alcance, entende-se aquele que não efetuou, no prazo, a
comprovação dos recursos recebidos ou que, caso tenha apresentado a
prestação de contas dos recursos, a mesma tenha sido impugnada total ou
parcialmente.

Fonte e Destinação de Recursos


A classificação orçamentária por fontes/destinações de recursos tem como
objetivo identificar as fontes de financiamento dos gastos públicos.
 Vinculada – é o processo de vinculação entre a origem e a aplicação de
recursos, conforme estabelecido pela norma;
 Ordinária – é o processo de alocação livre entre a origem e a aplicação
de recursos, para atender a quaisquer finalidades.

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Dívida Pública: conceito e classificação

Dívida Pública no conceito da STN


A Dívida Pública refere-se a todas as dívidas contraídas pelo governo para
financiamento do seu déficit orçamentário, nele incluído o refinanciamento da
própria dívida, e para finalidades específicas, definidas em lei.

Dívida Flutuante

Conceito da 4320
A dívida flutuante compreende:

 - os restos a pagar, excluídos os serviços da dívida;


 - os serviços da dívida a pagar (parcelas de amortização e de juros da
dívida fundada);
 - os depósitos (consignações ou cauções e garantias recebidas em função
de execução de obra pública, por exemplo);
 - os débitos de tesouraria (ARO – operações de crédito por antecipação
de receita destinadas a cobrir insuficiências de caixa ou tesouraria).
Também podemos definir a dívida flutuante como aquela que compreende
compromissos para os quais a quitação independa de autorização legislativa,
ou dotação orçamentária específica.

Consignações
A consignação é uma modalidade de pagamento, um modo indireto de o
devedor liberar-se de sua obrigação, consistente no depósito judicial da coisa.

Retenções
Dizem respeito à retenção de obrigações de terceiros para posterior
recolhimento.

Serviços da dívida a pagar


Compreende o pagamento de juros, encargos adicionais e de resgate dos
títulos da dívida interna consolidada e flutuante. É uma referência à totalidade
dos pagamentos que o devedor faz para amortizar os acessórios da dívida.

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Débitos de tesouraria.
Valores recebidos em consequência da contratação de operações de crédito de
curto prazo, denominadas operações de crédito por antecipação de receita
orçamentária (ARO).
A partir da arrecadação, ou recebimento, toda e qualquer operação de crédito
passa a compor a dívida pública.

Dívida Fundada
A dívida fundada é baseada em contratos de empréstimo ou financiamentos
com organismo multilaterais, agências governamentais ou credores privados,
que geram compromissos de exigibilidade superior a doze meses, contraídos
para atender a desequilíbrios orçamentários ou a financiamento de obras e
serviços públicos.

Plano de Contas Aplicado ao Setor Público


Objetivos gerais do PCASP
 Estabelecimento de normas e procedimentos para o registro contábil das
entidades do setor público.
 Viabilização da consolidação das contas públicas.
Objetivos específicos do PCASP
 Atender às necessidades de informação das organizações do setor
público;
 Observar formato compatível com as legislações vigentes, os Princípios
de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao
Setor Público (NBCASP);
 Adaptar-se, tanto quanto possível, às exigências dos agentes externos,
principalmente às Normas Internacionais de Contabilidade do Setor
Público (NICSP).

As contas são agrupadas segundo suas funções, possibilitando:


 Identificar, classificar e efetuar a escrituração contábil, pelo método das
partidas dobradas;
 Determinar os custos das operações do governo;
 Acompanhar e controlar a aprovação e a execução do planejamento e do
orçamento;
 Elaborar as DCs do setor público;
 Conhecer a composição e situação do patrimônio;
 Analisar e interpretar os resultados econômicos e financeiros;

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 Individualizar os devedores e credores, com a especificação necessária


ao controle contábil do direito ou obrigação;
 Controlar contabilmente os atos potenciais.

Estrutura
Subsistema de Informações Orçamentárias
Atos e os fatos relacionados ao planejamento e à execução orçamentária.

Subsistema de Informações Patrimoniais


Fatos financeiros e não financeiros relacionados com as variações do
patrimônio público.
Subsistema de Custos
Custos da gestão dos recursos e do patrimônio públicos.

Subsistema de Compensação
Atos de gestão cujos efeitos possam produzir modificações no patrimônio da
entidade do setor público, bem como aqueles com funções específicas de
controle.
Natureza da informação das contas do PCASP
As contas são classificadas segundo a natureza das informações que
evidenciam.
 Contas de Natureza Patrimonial
 Contas Natureza Orçamentária
 Contas com Natureza de Controle

Níveis de desdobramento das contas


O Plano de Contas Aplicado ao Setor público está estruturado por níveis de
desdobramento, classificados e codificados como segue:
1 . 1 . 1 . 1 . 1 . 11 . 11
 1° Nível – Classe
 2º Nível – Grupo
 3º Nível – Subgrupo
 4º Nível – Título
 5º Nível – Subtítulo
 6º Nível – Item
 7º Nível - Subitem
Os entes da Federação podem ter mais níveis de desdobramento além desses.

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Classes do PCASP
O PCASP está dividido em 8 classes:
 1 - Ativo;
 2 - Passivo e Patrimônio Líquido;
 3 - Variações Patrimoniais Diminutivas;
 4 - Variações Patrimoniais Aumentativas;
 5 - Controles da Aprovação do Planejamento e Orçamento;
 6 - Controles da Execução do Planejamento e Orçamento;
 7 - Controles Devedores; e
 8 - Controles Credores.

Subsistemas e Classes do PCASP


Subsistema Patrimonial – Natureza Patrimonial
1 – Ativo 2 - Passivo e Patrimônio Líquido
3 - Variações Patrimoniais Diminutivas 4 - Variações Patrimoniais
Aumentativas
Subsistema Orçamentário – Natureza Orçamentária
5 - Controles da Aprovação do 6 - Controles da Execução do
Planejamento e Orçamento Planejamento e Orçamento
Subsistema de Controle – Natureza de Controle
7 - Controles Devedores 8 - Controles Credores.
Subsistema de Custos – Natureza de Controle
O controle dos custos é feito com contas da Classe 8.

Grupos do PCASP
Cada grupo pertence exclusivamente a uma classe. A estrutura é a seguinte.

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Subsistemas, Classes e Grupos do PCASP


Subsistema Patrimonial – Natureza Patrimonial
1 – Ativo 2 - Passivo e Patrimônio Líquido
1.1 - Ativo Circulante 2.1 - Passivo Circulante
1.2 - Ativo Não Circulante 2.2 - Passivo Não Circulante
2.3 - Patrimônio Líquido
3 - Variações Patrimoniais Diminutivas 4 - Variações Patrimoniais Aumentativas
3.1 - Pessoal e Encargos 4.1 - Impostos, Taxas e Contribuições de
3.2 - Benefícios Previdenciários e Melhoria
Assistenciais 4.2 - Contribuições
3.3 - Uso De Bens, Serviços e Consumo 4.3 - Exploração e venda de bens,
de Capital Fixo serviços e direitos
3.4 - Variações Patrimoniais Diminutivas 4.4 - Variações Patrimoniais Aumentativas
Financeiras Financeiras
3.5 - Transferências Concedidas 4.5 - Transferências Recebidas
3.6 - Desvalorização e Perda De Ativos 3.7 4.6 - Valorização e Ganhos Com Ativos
- Tributárias 4.9 - Outras Variações Patrimoniais
3.9 - Outras Variações Patrimoniais Aumentativas

Subsistema Orçamentário – Natureza Orçamentária


5 - Controles da Aprovação do 6 - Controles da Execução do
Planejamento e Orçamento Planejamento e Orçamento
5.1 - Planejamento Aprovado 6.1 - Execução do Planejamento
5.2 - Orçamento Aprovado 6.2 - Execução do Orçamento
5.3 - Inscrição de Restos a Pagar 6.3 - Execução de Restos a Pagar

Subsistema de Controle – Natureza de Controle


7 - Controles Devedores 8 - Controles Credores.
7.1 - Atos Potenciais 8.1 - Execução dos Atos Potenciais
7.2 - Administração Financeira 8.2 - Execução da Administração
7.3 - Dívida Ativa Financeira
7.4 - Riscos Fiscais 8.3 - Execução da Dívida Ativa
7.8 - Custos 8.4 - Execução dos Riscos Fiscais
7.9 - Outros Controles 8.8 - Apuração de Custos
8.9 - Outros Controles

Subsistema de Custos – Natureza de Controle


7.9 - Outros Controles 8.9 - Outros Controles

É importante saber as classes, pois essa informação


pode ser decisiva na hora de identificar um lançamento.

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Regras para os lançamentos


Consistências
Fatores a serem considerados pelas unidades:
 -Análise de saldos invertidos
 - Classificações inadequadas de receitas e despesas
 - Utilizações indevidas de contas contábeis
 - Saldos irrisórios ou residuais.
 - Saldos em contas descritas como “outros” ou “outras” deve ser limitado
a 10% do total do grupo.

Demonstrações contábeis na CASP


MCASP estabelece a obrigatoriedade das seguintes demonstrações:
 Balanço Patrimonial (BP);
 Balanço Orçamentário (BO);
 Balanço Financeiro (BF);
 Demonstração das Variações Patrimoniais (DVP);
 Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC);
 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL); e

Consolidadas
Para compor a Prestação de Contas Anual de Governo, que recebe parecer
prévio pelo Tribunal de Contas competente;
Não-Consolidadas
Para compor a tomada ou prestação de contas anual dos administradores
públicos.
Balanço Orçamentário - BO
Características
 Demonstra as receitas e despesas orçamentárias previstas e realizadas
 Confronta o orçamento inicial (e alterações com) a execução
 Demonstra o resultado orçamentário
 Discrimina as receitas por categoria econômica, origem e espécie
 Discrimina as despesas por categoria econômica e grupo de natureza da
despesa
 Receitas e despesas intraorçamentárias devem ser apresentadas em
notas explicativas.
 Refinanciamento da dívida deve constar destacadamente em receitas e
despesas de operações de crédito internas e externas.
 As receitas deverão ser informadas pelos valores líquidos das deduções

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 Superávit Orçamentário = Receita executada –


Despesa Executada
 Superávit Orçamentário + Despesa Empenhada =
Receita Orçamentária

 Déficit Orçamentário = Receita executada – Despesa Executada


 Déficit Orçamentário + Receita Realizada = Despesa Orçamentária

SupO ou DéfO = REX – DEX


SupO ou DefO = (REX corr + REX cap) – (DEX corr + DEX cap)
SupO + DEMP = RecO
DéfO + RRE = DespO

Balanço Financeiro - BF
O Balanço Financeiro evidencia a movimentação financeira, e discrimina:
 a receita orçamentária realizada por destinação de recurso (vinculada ou
ordinária);
 a despesa orçamentária executada por destinação de recurso (vinculada
ou ordinária);
 os recebimentos e os pagamentos extraorçamentários;
 as transferências financeiras decorrentes, ou não, da execução
orçamentária;
 o saldo inicial e o saldo final em espécie.

Trata-se de um quadro com duas seções:


 Ingressos (Receitas Orçamentárias e Recebimentos Extraorçamentários)
 Dispêndios (Despesa Orçamentária e Pagamentos Extraorçamentários)

No qual o equilíbrio ocorre com a inclusão de:


 saldo do exercício anterior na coluna dos ingressos
 saldo para o exercício seguinte na coluna dos dispêndios.

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Resultado financeiro do exercício


É a diferença entre o somatório dos ingressos orçamentários com os
extraorçamentários e dos dispêndios orçamentários e extraorçamentários.
 Ingressos maiores que os dispêndios, ocorrerá um superávit.
 Ingressos menores que dispêndios, ocorrerá um déficit.

Este resultado não deve ser entendido como superávit


ou déficit financeiro do exercício, cuja apuração é obtida
por meio do Balanço Patrimonial.

Análise do BF
O objetivo do BF é evidenciar os ingressos e dispêndios de recursos, da
seguinte forma:
Disponível do Exercício Anterior (saldo inicial)
+ receita orçamentária (RO)
+ transferências financeiras recebidas (TR)
+ recebimentos extraorçamentários (RE)
- despesas orçamentárias (DO)
- transferências financeiras concedidas (TC)
- pagamentos extraorçamentários (PO)
= Disponível para o Exercício Seguinte (saldo final).

Resultado Financeiro
O BF possibilita a apuração do resultado financeiro com as seguintes fórmulas
(precisamos sabê-las):
 Resultado Financeiro = Saldo final – Saldo inicial ou
 Resultado Financeiro = (RO + TR + RE) – (DO + TC +PE)

Balanço Patrimonial - BP
O BP é a demonstração contábil que evidencia, qualitativa e
quantitativamente, a situação patrimonial da entidade pública, por meio de
contas representativas do patrimônio público, além das contas de
compensação, conforme as seguintes definições (aqui lembramos um pouco da
contabilidade societária):

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ANÁLISE BP
Liquidez Imediata (LI) = Disponibilidades /PC
Liquidez Corrente (LC) = AC/PC

Liquidez Seca (LS) = (Disponibilidades + Créditos a Curto Prazo) /PC


Liquidez Geral (LG) = (AC + ANC Realizável Longo Prazo) / (PC + PNC)
Índice de Solvência (IS) = (AC + ANC) / (PC + PNC).
Endividamento Geral (EG) = (PC + PNC) / Ativo Total
Composição do Endividamento (CE) = PC / (PC + PNC).

Demonstração das Variações Patrimoniais – DVP


Objetivo da DVP
Seu objetivo é apurar o resultado patrimonial do período. Possui uma
função semelhante à Demonstração do Resultado do Exercício da contabilidade
societária.
Estrutura da DVP
A DVP é elaborada utilizando-se as seguintes classes do PCASP:
 3 (variações patrimoniais diminutivas)
 4 (variações patrimoniais aumentativas)
 6 (variações qualitativas)

Variações qualitativas na DVP


Ao elaborar a DVP utilizaremos apenas as variações qualitativas
decorrentes das receitas e despesas de capital, considerando a relevância
da informação, conforme os ditames do CPC 00:

Para ser considerada útil, a informação deve possuir as


características fundamentais de relevância e de
representação fidedigna. E somente a existência
simultânea dessas duas características é que permite
que se considere útil uma informação.

Análise da DVP
A DVP permite avaliar o resultado patrimonial, que é afetado por fatos
orçamentários e extraorçamentários, observando os itens mais relevantes
que interferiram no superávit ou déficit patrimonial.

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Quociente do Resultado das Variações Patrimoniais


Temos apenas um quociente para analisar as variações, e ele é resultante da
relação entre o Total das Variações Patrimoniais Aumentativas e o Total das
Variações Patrimoniais Diminutivas.
RVP = VPA/VPD
Se positivo, representa superávit. Se negativo, temos déficit.

Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC


Seu objetivo é contribuir para a transparência da gestão pública, pois permite
o gerenciamento e o controle financeiro dos órgãos e entidades do
setor público.
A Demonstração dos Fluxos de Caixa deve ser elaborada pelo método
direto e evidenciar as movimentações havidas no caixa e seus equivalentes,
nos seguintes fluxos:
 das operações
 dos investimentos
 dos financiamentos

Fluxo de caixa das operações


Compreende os ingressos, inclusive decorrentes de receitas originárias e
derivadas, e os desembolsos relacionados com a ação pública e os demais
fluxos que não se qualificam como de investimento ou financiamento.
Fluxo de caixa dos investimentos
Inclui os recursos relacionados à aquisição e à alienação de ativo não
circulante, bem como recebimentos em dinheiro por liquidação de
adiantamentos ou amortização de empréstimos concedidos e outras operações
da mesma natureza.
Fluxo de caixa dos financiamentos
Inclui os recursos relacionados à captação e à amortização de empréstimos e
financiamentos.
Análise da DFC
A DFC fornece uma visão do desempenho financeiro da entidade pública,
oferecendo:
 comparações entre ingressos e desembolsos por tipos de atividades
(operacionais, de investimento e de financiamento), para avaliar as
decisões de investimento e financiamento;
 situação presente e futura do caixa da entidade, permitindo análise de
liquidez;
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 capacidade de expansão das despesas com recursos próprios gerados


pelas operações;
 análise da disponibilidade e impacto nas finanças da entidade da inserção
de nova despesa na programação;
 previsão de quando é possível contrair novas despesas sem que isso
comprometa as finanças públicas;

Fluxo de caixa líquido operacional = Caixa Líquido Oper/ Resultado Patrimonial


Capacidade de amortização = Caixa Líquido Oper/ Passivo
Atividade Operacional = Caixa Líquido Oper/ Total Geração Caixa

Fundeb

Trata-se de um fundo de natureza contábil, formado com recursos


provenientes das três esferas de governo, cuja arrecadação e distribuição são
realizadas pela União e pelos Estados, com a participação do Banco do Brasil,
como agente financeiro do fundo. Os créditos dos seus recursos são realizados
automaticamente em favor dos Estados e Municípios de forma igualitária,
com base no número de alunos.

Parcerias Público Privadas – modalidade de concessão

As parcerias público-privadas (PPP) são uma forma de contratação por meio da


qual o Governo transfere a uma empresa privada a atribuição de realizar
um projeto de interesse público. Pode ser remunerado por cobrança de
tarifa dos usuários e por contraprestação pública.

PPP com concessão patrocinada

Concessão de serviços públicos ou de obras públicas quando envolver,


adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários, contraprestação pecuniária
do parceiro público ao parceiro privado.

PPP com concessão administrativa

Concessão com contrato de prestação de serviços de que a Administração


Pública seja usuária direta ou indireta, envolvendo ou não a execução de
obra ou fornecimento e instalação de bens.
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Concessão comum

Concessões em que não há contraprestação pecuniária do parceiro público


ao parceiro privado não são PPP e são chamadas de concessões comuns.

Operações de crédito

O conceito de operação de crédito foi estabelecido de forma exemplificativa


pela LRF e corresponde ao compromisso financeiro assumido em razão de:

 Mútuo;
 Abertura de crédito;
 Emissão e aceite de título;
 Aquisição financiada de bens;
 Recebimento antecipado de valores venda a termo de bens e serviços;
 Arrendamento mercantil;
 Outras operações assemelhadas, inclusive com derivativos financeiros.

Equiparam-se a operações de crédito e estão vedados:

 A captação de recursos a título de antecipação de receita de tributo ou


contribuição cujo fato gerador ainda não tenha ocorrido;
 O recebimento antecipado de valores de empresa em que o poder
público detenha, direta ou indiretamente, a maioria do capital social com
direito a voto, salvo lucros e dividendos, na forma da legislação;
 A assunção direta de compromisso, a confissão de dívida ou operação
assemelhada, com fornecedor de bens, mercadorias ou serviços,
mediante emissão, aceite ou aval de título de crédito, não se aplicando
esta vedação a empresas estatais dependentes;
 A assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, com
fornecedores para pagamento a posteriori de bens e serviços.

Não se equipara a operações de crédito

A assunção de obrigação entre pessoas jurídicas (administração direta, fundos,


autarquias, fundações e empresas estatais dependentes) integrantes do
mesmo Estado, Distrito Federal ou Município.

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Antecipação de receita orçamentária – ARO

A operação de crédito por antecipação de receita orçamentária – ARO, espécie


do gênero operação de crédito, destina-se a atender insuficiência de caixa
durante o exercício financeiro e deverá cumprir, dentre outras, as exigências
da LRF aplicáveis às operações de crédito em geral.

Regime Próprio de Previdência Social - RPPS

As contas contábeis utilizadas seguem o Plano de Contas aplicado ao RPPS,


que tem a mesma estruturação e codificação do Plano da Administração
Pública Federal, cujo objetivo precípuo é a padronização dos
procedimentos contábeis nas três esferas de governo.

Precatórios

Os precatórios são ordens judiciais contra o ente público, determinando


o pagamento de importância por parte da fazenda pública. Sua constituição
decorre de decisão judicial transitada em julgado e a forma de execução é
prevista na Constituição.

Ente devedor do Precatório não pertence à esfera do TJ

A conta especial para pagamento de precatórios será administrada pelo


Tribunal de Justiça, mas a disponibilidade financeira deve ser escriturada no
próprio ente devedor do precatório.

Ente devedor do Precatório pertence à esfera do TJ


Se a unidade transferidora pertencer à mesma esfera do Tribunal de Justiça,
pode haver opção pela consignação ou descentralização de crédito para
que o tribunal realize a execução orçamentária, caso observado em
alguns entes da esfera estadual ou distrital, ou pode haver opção pela
execução orçamentária na própria unidade devedora do precatório.

Consórcios Públicos

Os consórcios públicos são parcerias formadas por dois ou mais entes da


Federação para a gestão associada de serviços públicos.
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O consórcio público com personalidade jurídica de direito público integra a


administração indireta de todos os entes da Federação consorciados, possui
natureza autárquica, e, por isso, a execução orçamentária das receitas e
despesas do consórcio público deverá obedecer ao MCASP.

Os consórcios públicos de direito privado também são entendidos como


integrantes da administração indireta de todos os entes consorciados tendo,
portanto, as mesmas implicações contábeis e fiscais aplicáveis aos consórcios
públicos de direito público, ou seja, devem também seguir o MCASP.

Responsabilidade Fiscal

Responsabilidade fiscal é a ação planejada e transparente, que previne


riscos, corrige desvios, estabelece metas de resultados, limites e
condições para renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da
seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de
crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição
em Restos a Pagar.

Instituir tributos é requisito para responsabilidade


fiscal.
Deixar de instituir algum dos impostos é causa para a
vedação de transferências voluntárias.

Despesas

Serão consideradas não autorizadas, irregulares e lesivas ao patrimônio


público a geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o
disposto na LRF.

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Teoria e Exercícios – Aula 18
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A criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental que acarrete


aumento da despesa será acompanhado de:
 estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva
entrar em vigor e nos dois subsequentes;
 declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem adequação
orçamentária e financeira com a LOA e compatibilidade com o PPA e com
a LDO.

Despesa obrigatória de caráter continuado

São as despesas correntes derivadas de lei, medida provisória ou ato


administrativo normativo que fixem para o ente a obrigação legal de sua
execução por um período superior a dois exercícios.

Prorrogação de despesa criada por prazo determinado é considerada


aumento da despesa.

Exigências para criação ou aumento das despesas obrigatórias de caráter


continuado:
 atos que criarem as despesas ou as aumentarem deverão ser instruídos
com estimativas do impacto orçamentário-financeiro, no exercício que
deva entrar em vigor e nos dois subsequentes;
 demonstração da origem dos recursos para seu custeio;
 comprovação de que a criação ou o aumento da despesa não afetará as
metas de resultados fiscais previstas no anexo de metas fiscais da LDO;
 compensação dos seus efeitos financeiros, nos períodos seguintes, pelo
aumento permanente de receita ou pela redução permanente de
despesa.

Renúncia de receitas

Compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de


isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de
cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e
outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado.

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A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da


qual decorra renúncia de receita deverá obedecer ao seguinte:
 estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que
deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes;
 atendimento ao disposto na LDO;
 uma das duas condições abaixo:
 demonstração de que a renúncia foi considerada na estimativa de
receita da LOA, e de que não afetará as metas de resultados fiscais
previstas no anexo da LDO.
 medidas de compensação, no período mencionado, por meio do
aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação
da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição.
Neste caso, o benefício só entrará em vigor quando implementadas as
medidas citadas.

Limites das despesas com pessoal em relação à RCL

Distribuição pelos poderes

União % Estados % Estados % Municípios %


com TCM
Legislativo 2,5 Legislativo 3 Legislativo, 3,4 Legislativo 6
e TCU e TCE TCE e TCM e TCM
Judiciário 6 Judiciário 6 Judiciário 6
Executivo 40,9 Executivo 49 Executivo 48,6 Executivo 54
MPU 0,6 MPE 2 MPE 2
Total 50 Total 60 Total 60 Total 60

A verificação do cumprimento dos limites será ao final de cada


quadrimestre. Se a despesa total com pessoal exceder a 95% do limite, são
vedados ao poder ou órgão que incorrer no excesso:

 Concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de


remuneração a qualquer título, salvo os derivados de sentença judicial ou
de determinação legal ou contratual, ressalvada a revisão geral anual,
sempre na mesma data e sem distinção de índices;
 Criação de cargo, emprego ou função;

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 Alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa;


 Provimento de cargo público, admissão ou contratação de pessoal a
qualquer título, ressalvada a reposição de aposentadoria ou falecimento
de servidores das áreas de educação, saúde e segurança;
 Contratação de hora extra, salvo no caso das situações previstas na
LDOs e no caso de convocação extraordinária do Congresso Nacional.

Seguridade social

A Seguridade Social compreende o benefício ou serviço de saúde, previdência e


assistência social, inclusive os destinados aos servidores públicos e militares,
ativos e inativos, e aos pensionistas.

Nenhum benefício ou serviço relativo à seguridade social poderá ser criado,


majorado ou estendido sem a indicação da fonte de custeio total, atendidas
ainda as exigências da LRF sobre as despesas obrigatórias de caráter
continuado.

É dispensada a compensação por aumento permanente de receita ou pela


redução permanente de outras despesas se o aumento de despesa
decorrer de:
 concessão de benefício a quem satisfaça as condições;
 expansão quantitativa do atendimento e dos serviços prestados;
 reajuste de valor do benefício ou serviço, a fim de preservar o seu valor
real.

Regra de Ouro

É vedada a realização de operações de créditos que excedam o montante


das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos
suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder
Legislativo por maioria absoluta.

Considerar-se-á, em cada exercício financeiro, o total dos recursos de


operações de crédito nele ingressados e o das despesas de capital
executadas, observado o seguinte:

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 não serão computadas nas despesas de capital as realizadas sob a


forma de empréstimo ou financiamento a contribuinte, com o intuito de
promover incentivo fiscal, tendo por base tributo de competência do
ente da Federação, se resultar a diminuição, direta ou indireta, do ônus
deste tributo;
 se o empréstimo ou financiamento do item anterior for concedido por
instituição financeira controlada pelo ente da Federação, o valor da
operação será deduzido das despesas de capital.

As operações de crédito por antecipação de receita – ARO não serão


computadas para efeito da regra de ouro, desde que liquidadas, com juros e
outros encargos incidentes, até 10 de dezembro.

Além disso, existe dispositivo estabelecendo que as operações de crédito


realizadas em desacordo com a LRF serão consideradas nulas,
procedendo-se ao seu cancelamento, mediante a devolução do principal,
vedados o pagamento de juros e demais encargos financeiros

LDO na LRF

 Equilíbrio entre receitas e despesas.


 Critérios e forma de limitação de empenho, caso a realização da receita
possa não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou
nominal previstas.
 Normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos
programas financiados com recursos dos orçamentos.
 Demais condições e exigências para transferências de recursos a
entidades públicas e privadas.

O Anexo de Metas Fiscais integrará a LDO e conterá:


 As metas anuais relativas a receitas, despesas, resultados nominal e
primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se
referirem e para os dois seguintes.
 A avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior.
 Demonstrativo das metas anuais, com memória e metodologia de cálculo
que justifique os resultados pretendidos, comparando-as com as fixadas
nos três exercícios anteriores, e evidenciando a consistência delas com
as premissas e os objetivos da política econômica nacional.
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 Evolução do patrimônio líquido nos últimos três exercícios, destacando a


origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos.
 Avaliação da situação financeira e atuarial:
 - do RGPS, RPPS e FAT;
 - dos demais fundos públicos e programas estatais de natureza
atuarial.
 Demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da
margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.

O Anexo de Riscos Fiscais integrará a LDO e conterá:

 Avaliação dos passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as


contas públicas, informando as providências a serem tomadas, caso se
concretizem.

LOA na LRF

 ter seu projeto elaborado de forma compatível com o PPA e a LDO.


 conte, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da programação dos
orçamentos com os objetivos e metas constantes do anexo de metas
fiscais da LDO;
 ser acompanhada do demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as
receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões,
subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia, bem
como das medidas de compensação a renúncias de receita e ao aumento
de despesas obrigatórias de caráter continuado;
 conter reserva de contingência, cuja forma de utilização e montante,
definido com base na receita corrente líquida, serão estabelecidos na
LDO, destinada ao atendimento de passivos contingentes e outros riscos
e eventos fiscais imprevistos.
 conter todas as despesas relativas à dívida pública, mobiliária ou
contratual, e as receitas que as atenderão.
 mostrar o refinanciamento da dívida pública separadamente

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Estatal dependente integra o Orçamento Fiscal e da


Seguridade Social e segue a LRF.

Estatal não dependente integra o Orçamento de


Investimentos e não segue a LRF.

Relatório Resumido da Execução Orçamentária – RREO - Bimestral

Composição do RREO – 4 itens

 Balanço orçamentário, que especificará, por categoria econômica:


 as receitas por fonte, informando as realizadas e a realizar, bem
como a previsão atualizada;
 as despesas por grupo de natureza, discriminando a dotação para
o exercício, a despesa liquidada e o saldo;
 Demonstrativos da execução das receitas, por categoria econômica
e fonte, especificando a previsão inicial, a previsão atualizada para o
exercício, a receita realizada no bimestre, a realizada no exercício e a
previsão a realizar;
 Demonstrativos da execução das despesas, por categoria
econômica e grupo de natureza da despesa, discriminando dotação
inicial, dotação para o exercício, despesas empenhada e liquidada, no
bimestre e no exercício;
 Demonstrativo das despesas por função e subfunção.

Os valores referentes ao refinanciamento da dívida mobiliária constarão


destacadamente nas receitas de operações de crédito e nas despesas com
amortização da dívida.

Acompanharão o RREO os seguintes demonstrativos:


 Apuração da RCL e sua evolução, assim como a previsão de seu
desempenho até o final do exercício;
 Receitas e despesas previdenciárias;
 Resultados nominal e primário;
 Despesas com juros;

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 Restos a Pagar, detalhando, por Poder e órgão, os valores inscritos, os


pagamentos realizados e o montante a pagar.

No último bimestre o RREO será acompanhado por demonstrativos:


 do atendimento da regra de ouro (CF, 167, III)
 das projeções atuariais dos regimes de previdência social, geral e próprio
dos servidores públicos;
 da variação patrimonial, evidenciando a alienação de ativos e a aplicação
dos recursos dela decorrentes.
Quando for o caso, serão apresentadas justificativas:
 da limitação de empenho;
 da frustração de receitas, especificando as medidas de combate à
sonegação e à evasão fiscal, adotadas e a adotar, e as ações de
fiscalização e cobrança.

Relatório de Gestão Fiscal – RGF - Quadrimestral

Composição do RGF

 comparativo com os limites de que trata a LRF, dos seguintes


montantes:
 despesa total com pessoal, distinguindo a com inativos e
pensionistas;
 dívidas consolidada e mobiliária;
 concessão de garantias;
 operações de crédito, inclusive por antecipação de receita;
 indicação das medidas corretivas adotadas ou a adotar, se ultrapassado
qualquer dos limites;
 demonstrativos, no último quadrimestre do montante:
 das disponibilidades de caixa em 31/12;
 da inscrição em Restos a Pagar das despesas;
 liquidadas;
 empenhadas e não liquidadas;
 empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do saldo
da disponibilidade de caixa;
 não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos
empenhos foram cancelados;
 do cumprimento das regras sobre operações de crédito por ARO.
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Teoria e Exercícios – Aula 18
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Os relatórios deverão ser elaborados em formato padronizado e divulgados,


também, em meio eletrônico.

Deverão ser efetuadas audiências públicas para divulgação das informações


nos meses de maio, setembro e fevereiro.

Orçamento

A lei orçamentária anual compreenderá:


 o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos,
órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive
fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;
 o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou
indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto;
 o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e
órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como
os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.

O examinador vai tentar confundi-lo:

PPA – diretrizes, objetivos e metas


LDO - metas e prioridades
LOA – previsão da receita e fixação da despesa

Durante o primeiro ano de um governo está vigente o


PPA elaborado no governo anterior.

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O ciclo orçamentário é o seguinte:

 Elaboração – executivo
 Aprovação – legislativo (a banca chama de aprovação e estudo)
 Execução – executivo
 Controle e Avaliação – executivo e legislativo

Princípios contemplados no MCASP

Unidade ou Totalidade

Determina existência de orçamento único para cada um dos entes federados,


com a finalidade de se evitarem múltiplos orçamentos paralelos dentro da
mesma pessoa política.

Dessa forma, todas as receitas previstas e despesas fixadas, em cada exercício


financeiro, devem integrar um único documento legal dentro de cada esfera
federativa: a Lei Orçamentária Anual – LOA.
Não há múltiplos orçamentos em uma mesma esfera. O fato do Orçamento
Geral da União possuir três peças (Fiscal, Seguridade e Investimento) não
representa afronta ao princípio da unidade, pois o Orçamento é único,
válido para os três Poderes.

Universalidade

Estabelece que a LOA de cada ente federado deverá conter todas as receitas
e despesas de todos os poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações
instituídas e mantidas pelo Poder Público.

Anualidade ou Periodicidade

Delimita o exercício financeiro orçamentário: período de tempo ao qual a


previsão das receitas e a fixação das despesas registradas na LOA irão se
referir.

Segundo a Lei 4320/64, o exercício financeiro coincidirá com o ano civil, ou


seja, de 1 de janeiro a 31 de dezembro de cada ano.

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Exclusividade

A LOA não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da


despesa.

Estão fora dessa proibição a autorização para abertura de crédito suplementar


e a contratação de operações de crédito, nos termos da lei, ou seja, essas
podem constar da LOA.

Orçamento Bruto

Obriga que receitas e despesas sejam registradas, na LOA, pelo valor total e
bruto, vedadas quaisquer deduções.

Legalidade

Apresenta o mesmo fundamento do princípio da legalidade aplicado à


administração pública, segundo o qual cabe ao Poder Público fazer ou deixar
de fazer somente aquilo que a lei expressamente autorizar.

Não por outro motivo, PPA, LDO e LOA, são leis.

Publicidade

Princípio básico da Administração Pública. Justifica-se especialmente pelo


fato de o orçamento ser fixado em lei, sendo esta a que autoriza aos Poderes a
execução de suas despesas.

Transparência

Mais um princípio da administração pública, que se aplica ao orçamento,


determinando ao governo, por exemplo:
 divulgar o orçamento público de forma ampla à sociedade;
 publicar relatórios sobre a execução orçamentária e a gestão fiscal;
 disponibilizar, para qualquer pessoa, informações sobre a arrecadação
da receita e a execução da despesa.

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Não Vinculação ou Não Afetação da Receita de Impostos

É vedada, pela CF, a vinculação da receita de impostos a órgão, fundo ou


despesa, salvo exceções estabelecidas pela própria Constituição Federal.

Especificação, discriminação ou especialização

São vedadas autorizações globais no Orçamento. As despesas devem ser


especificadas, no mínimo, por modalidade de aplicação.

Princípios definidos na doutrina

Equilíbrio

As despesas fixadas no orçamento devem ser iguais às receitas


previstas. Não pode haver desequilíbrio acentuado entre dispêndio e a entrada
de recursos.

Programação e Tipicidade

Na proposta de orçamento e, posteriormente, na LOA, são seguidas as


classificações orçamentárias existentes. Há tabelas funcionais para a
receita e para a despesa, as quais devem ser observadas.

Vimos algumas dessas classificações durante o curso. Quando determinado


gasto ou receita não se adequa a nenhuma das classificações existentes,
ocorre o que chamamos de atipicidade.

Clareza

O princípio da clareza estabelece que o orçamento público deve ser


apresentado em linguagem clara e compreensível. De certa forma, o princípio
da clareza apresenta-se como elemento necessário ao atendimento do
princípio da transparência.

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Controle da Execução Orçamentária

O controle da execução orçamentária compreenderá:


 a legalidade dos atos de que resultem a arrecadação da receita ou a
realização da despesa, o nascimento ou a extinção de direitos e
obrigações;
 a fidelidade funcional dos agentes da administração, responsáveis por
bens e valores públicos;
 o cumprimento do programa de trabalho expresso em termos
monetários e em termos de realização de obras e prestação de serviços.

Finalidades dos documentos no Siafi

Darf eletrônico ‑ DF

Permite registrar a arrecadação de receitas federais efetivadas pelos Órgãos e


Entidades, por meio de transferências de recursos intra SIAFI entre a UG
recolhedora e a Conta Única do Tesouro Nacional.

GPS Eletrônica ‑ GP ou GPS ou GRPS

Permite registrar o recolhimento das contribuições para a Seguridade Social


por meio de transferências de recursos intra SIAFI entre a UG recolhedora e a
Conta Única do Tesouro Nacional.

Nota de Movimentação de Crédito ‑ NC

Permite registrar a movimentação de créditos interna e externa e suas


anulações.

Nota de Dotação ‑ ND

Permite registrar valores decorrentes de desdobramento, por Plano Interno


e/ou por Fonte de Recursos (quando detalhada), dos créditos previstos no OGU
(orçamento geral da união), bem como a inclusão dos créditos nele não
consignados.

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Tipos de ND
 ND ‑ permite registro de dotação pelo gestor, através da transação ND;
 DS ‑ permite o registro da dotação consignada pela STN através da
transação NDSOF;

Nota de Empenho – NE

Permite registrar o comprometimento de despesa, bem como aos casos em


que se faça necessário o reforço ou a anulação desse compromisso.

Nota de Lançamento por Evento ‑ NL

Permite registrar eventos contábeis não vinculados a documentos específicos.

Nota de Lançamento de Sistema ‑ NS

Permite registrar eventos contábeis de forma automática.

Tipos de NS
 SE ‑ permite a extinção de saldos por meio da transação NSSALDO.
 SC ‑ permite efetuar acertos contábeis, na ausência de eventos
específicos por meio da transação NSCCONT.
 SI ‑ permite a incorporação de saldos por meio da transação NSSALDO.
 ST ‑ permite a transferência de saldos por meio da transação NSSALDO.
 SH - permite a integração de saldos de Balanço ao SIAFI.

Os tipos de NS, conforme o caso, são definidos nos próprios eventos utilizados
pelas transações NSSALDO e NSCCONT. Para as transações ATUPRETRAN,
EXECTRANSF e INCADITIVO deve-se informar apenas o documento NS.

Ordem Bancária ‑ OB

Permite registrar o pagamento de compromissos, bem como a transferência de


recursos entre UG, liberação de recursos para fins de adiantamento,
suprimento de fundos, cota, repasse, sub‑repasse e afins.

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Pré Empenho ‑ PE

Permite registrar créditos orçamentários pré‑compromissados, para atender


objetivos específicos, nos casos em que a despesa a ser realizada, por suas
características, cumpre etapas com intervalos de tempo desde a decisão
administrativa até a efetivação da emissão da NE.

Transação GRU - Guia de Recolhimento da União - Eletrônica

Não é tratada expressamente como documento, mas trás o mesmo conceito.

Permite recolhimento de receitas da União de uma UG para outra UG via SIAFI.

Muito bem pessoal, chegamos ao fim!

Estudem bem esse material. Façam nele as suas anotações, levem-no para a
prova. E lembrem-se: o dia da prova é o dia da batalha final! Cheguem lá
preparados e tranquilos.

Boa prova a todos!

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