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PLANO DE DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL (PDI)

E FLEXIBILIZAÇÃO CURRICULAR

Obs.: Precisei fazer o PDI do meu aluno Rian e encontrei um pouco de


dificuldade, mas, diante deste modelo encontrado na internet -
http://educacaoespecialceeeu.blogspot.com.br/2013/05/plano-de-dessenvolvimento-
curricular-e.html) – (lá estava “dessenvolvimento”, com ss mesmo), tudo se tornou mais
fácil. De todos, este é o que me parece mais completo, por isso, resolvi compartilhá-lo,
modificando, somente, alguma formatação.
Muito obrigada a todos que postam seus trabalhos, que muito nos ajudam.
Espero que eu também possa contribuir com vocês!

Quando um aluno com Necessidades Especiais chega à sala de aula da escola


comum, os professores, supervisores e diretores normalmente encontram-se aflitos,
ansiosos e temerosos com o desenvolvimento, participação, desempenho global e a
aprendizagem desse aluno.
Os comentários e questionamentos comuns são mais ou menos assim:

“- A turma está aprendendo frações e ele não sabe nem fazer soma! Como
ele vai acompanhar a classe?”
“- A turma já está lendo e elaborando textos e ele não sabe nem escrever
seu nome! Como ele vai acompanhar a classe?”
“- Esse aluno deve estar na escola especial...!”

Não devemos nos esquecer:

 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, assegura às pessoas com


necessidades educacionais especiais o direito à educação na rede regular de
ensino, para tanto, exigindo adaptação e ou flexibilização de currículos, métodos,
técnicas e recursos para atender as especificidades.

A ansiedade e dúvidas do professor residem no fato de não conseguir que o


aluno aprenda como os demais da sua turma, mas tudo isso é minimizado ao tomar
conhecimento e entender a proposta do PDI, que é direito adquirido do aluno com NEE.

O Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) é um dos documentos mais


importantes da inclusão escolar, pois, através dele, o aluno com NEE é avaliado,
reavaliado e o planejamento é elaborado, com estratégias específicas, levando-se sempre
em consideração as capacidades, habilidades, aptidões e respeitando suas limitações; o
PDI compara o desenvolvimento do aluno com ele mesmo e não com os demais de
sua classe.

Importante esclarecer que ter laudo de deficiência ou de Transtorno Global do


Desenvolvimento, não implica na necessidade do aluno ter um PDI; há alunos com
Paralisia Cerebral que apresentam bom desempenho acadêmico, necessitando apenas da
tecnologia assistiva para facilitar suas tarefas escolares, como carteiras e/ou
computadores adaptados, entre outros.

A responsabilidade do preenchimento do PDI é do professor regente de turma,


com suporte do supervisor, que devem estar familiarizados com esse documento que
garante a progressão escolar do aluno com NEE.

O que deve conter no PDI (Projeto Incluir da SEE-MG e MEC)

1-Folha de Rosto

2-Relatório Circunstanciado

3-Avaliação de Habilidades:

 Cognitivas e Metacognitivas
 Interpessoais/Afetivas
 Comunicacionais
 Motoras/Psicomotoras
 Atividades cotidianas

4-Habilidades Acadêmicas

 Todas as disciplinas

1-Folha de Rosto
 Identificação do Aluno
 Nome - Data de Nascimento- Naturalidade
 Filiação
 Responsáveis pelo aluno
 Diagnóstico
 O laudo médico
 Deficiência
 Física-Intelectual-Sensorial-Múltipla
 TGD
 Autismo- Síndrome de Rett- Síndrome de Asperger- outros
 Necessidades educacionais :
 AEE (professor de Apoio – Sala de Recursos)- Tecnologia
 Assistiva- PDI- Flexibilização Curricular- ASB (cuidador)-
 Acessibilidade.
 Percurso escolar
 Escolaridade
 Documentação
 Data de Admissão
 Proposta Curricular

2-Relatório Circunstanciado

Esse relatório descreve a história de vida do aluno e deve ser atualizado.


 Gestação – Nascimento – Hospitalizações;
 Cirurgias – Doenças – Histórico familiar;
 Início e percurso escolar - Medicação em uso;
 Equipamentos que utiliza (cadeira de rodas- órteses, outros);
 Terapias que realiza - outros.

Esse relatório deve estar sempre atualizado; qualquer nova informação como
alteração da medicação utilizada pelo aluno ou nas terapias que está frequentando,
deve ser inserida no relatório.

3-Avaliação de habilidades - Sugestões

 Habilidades Cognitivas

Atenção em sala - Interesse no ambiente

Concentração nas atividades

Memória auditiva-visual-sequencial

Raciocínio lógico matemático

Sequência lógica dos fatos

Interesse por objetos

Exploração adequada dos objetos

Comparação – Associação - Classificação

Abstração (conduta simbólica)

Discriminação visual-auditiva-táctil

Organização

Noções de autopreservação
 Habilidades Metacognitivas

Conhecimento do próprio conhecimento, conhecimento da falta de conhecimento,


dos próprios processos cognitivos e controle executivo.

Utilização de estratégias para adquirir, organizar e utilizar o conhecimento.

Planejar

Estabelecer estratégias

Avaliar

Executar correções

Julgamento adequado de situações

 Habilidades Interpessoais/Afetivas

Relações Sociais

Autoestima - Resistência a frustação

Cooperação – Humor – Agressividade

Autoagressão

Timidez - Iniciativa - Respeito

Colaboração – Motivação - Isolamento

Segue regras e rotina

Olha nos olhos de outros

Aceita a proximidade de outros

Iniciativa social

Comportamento adequado em público

Permanência em sala

 Habilidades Comunicacionais

Responde ao ser chamado

Compreende o que é falado


Forma de comunicação: olhar- gestos- expressão facial- movimentos de cabeça-
sons guturais

Tecnologia Assistiva utilizada

Fala palavras inteligíveis

Em quais situações se comunica

Realiza muito esforço para comunicar-se

Correspondência entre pensamento / fala

Relata experiências pessoais

Transmite recados

Respirador nasal

Controla salivação

 Habilidades Motoras/Psicomotoras

Permanece sentado com/sem apoio

Rola, engatinha, arrasta-se

Anda com/sem apoio

Corre, pula, cai com frequência

Equilíbrio estático/dinâmico

Toca cadeira de rodas

Ritmo – Diadococinesia motora

Dominância manual – Esquema Corporal

Discriminação de direita esquerda

Coordenação grossa/fina - Coordenação gráfica/visomotora

Conceitos básicos (cores/posição no espaço etc.)

Empurra/apreende/manipula/mantém objetos

Realiza atividades bimanuais -Tipo de preensão do lápis

Usa borracha/tesoura - Presença de estereotipias

Agitação psicomotora - Consegue realizar “push-up”


Adequação Postural -Desenvolvimento Motor

Coordenação Motora -Equilíbrio

 Habilidades do Cotidiano

Alimentação – usa sonda, leva alimento com a mão à boca, usa a colher, come sólidos,
derrama alimentos, bebe em mamadeira/copo/copo, engasga, tem disfagia, reflexo de
mordida.

Controle esfincteriano – Pede para ir ao banheiro, vai ao banheiro sozinho, avisa quando
está sujo, faz higiene íntima, usa fralda.

Vestuário – Veste e despe roupas, utiliza os complementos do vestuário

(botões, zíper, laço), calça descalça tênis, sandália.

 Habilidades Acadêmicas

Antes de prosseguir nas habilidades acadêmicas, vamos conhecer a FLEXIBILIZAÇÃO


CURRICULAR ,que caminha junto com o PDI.

>Flexibilização Curricular

Oportunidade rica para valorizar a diversidade de toda a classe e não somente para o
aluno com NEE.

>Adaptação Curricular

Toda e qualquer ação pedagógica que tenha como objetivo flexibilizar o currículo.

Flexibilizar = Tornar flexível

Adjetivo> Que se dobra ou curva facilmente.

Figurado> Brando, complacente, dócil.

Sinônimo> Maleável

Currículo = É todo o conjunto de ações desenvolvidas pela escola, oportunizando a


construção do conhecimento, da aprendizagem.

Finalidade da Flexibilização Curricular:

>A Flexibilização Curricular se destina a todos os alunos, especialmente para aqueles


com NEE.
>Permitir a maior participação e envolvimento possível dos alunos com NEE em todas
as atividades da escola e da sala de aula.
>Levar os alunos com NEE a atingirem os objetivos da cada nível de ensino.
>Evitar a elaboração de currículos específicos para os alunos com NEE ou com
característicassignificativamente diferenciadas de seus pares, no que se refere à
aprendizagem e à participação.

A Flexibilização Curricular, não implica em reduzir ou eliminar aspectos dos conteúdos


e dos objetivos curriculares, mas torná-los acessíveis, ajustando-os às condições e
capacidade de aprendizagem do aluno.

As Adaptações Curriculares são modificações realizadas no planejamento, nos objetivos


da escola, nos conteúdos, nas atividades, nas estratégias de aplicação desse conteúdo e
de avaliação, no currículo como um todo ou em aspectos dele.

As adaptações curriculares devem ocorrer em três níveis do planejamento educacional:


1 – No Projeto Político Pedagógico (Fundamentado nos PCNs considerando os objetivos
gerais e os conteúdos e outros);
2 – No Planejamento de Ensino (desenvolvido na sala de aula);
3 – No Plano de Desenvolvimento Individual do aluno (PDI), observando as necessidades
educacionais especiais.

TIPOS DE ADAPTAÇÃO CURRICULARES:

1- ADAPTAÇÕES DE ACESSO AO CURRÍCULO


2- ADAPTAÇÕES NÃO SIGNIFICATIVAS
3- ADAPTAÇÕES INDIVIDUAIS
4- ADAPTAÇÕES INDIVIDUAIS SIGNIFICATIVAS

Adaptações de acesso ao currículo

Referem-se aos recursos técnicos e materiais específicos (Tecnologia Assistiva), bem


como a remoção de barreiras arquitetônicas.

Adaptações não significativas

Conjunto de ajustes nos diferentes elementos da proposta curricular para possibilitar o


processo de ensino-aprendizagem e interação do aluno com necessidades educacionais
especiais na dinâmica geral da aula:
>contexto de sala de aula
>priorização de objetivos e atividades
>formas de agrupamentos de alunos
>organização dos recursos materiais
>procedimentos de avaliação
>metodologia variada

Adaptações individuais
Ocorrem quando todas as alternativas de adequações de aula foram tentadas e o aluno
possua um nível curricular significativamente abaixo do esperado pela sua idade.
Caracterizam-se como um conjunto de modificações propostas para um determinado
aluno, com o objetivo de responder às suas necessidades educacionais especiais,
podendo ser compartilhadas com os demais alunos.

Adaptações individuais significativas


Aplicada para que seja útil ao aluno em curto, médio e em longo prazo.
Favorece o acesso ao conhecimento, considera os ambientes, os materiais, o modo de
ensinar e a lógica nas atividades. Normalmente os alunos que necessitam desse tipo de
adaptação curricular, apresentam graves comprometimentos e para eles são designados
professores de Apoio.
É uma Educação para a vida.

Dessa forma a Flexibilização Curricular nos dá a ideia de um currículo tão maleável


e flexível que englobe também o aluno com NEE.

HABILIDADES ACADÊMICAS

Em sala de aula, o aluno com NEE deve estar no mesmo contexto dos demais e não
realizando atividades completamente diferentes como, por exemplo, a classe está
resolvendo problemas de matemática e o aluno pintando as letras do alfabeto. Os
conteúdos devem ser passados, com a flexibilização, adaptação e estratégias necessárias
para que o aluno absorva o que sua capacidade permitir e o que isso significa?
Exemplificando:

1- O professor, seguindo as matrizes curriculares, está ensinado frações para sua turma; o
aluno com NEE também recebe essas informações com as estratégias que o permitam
participar desse conteúdo, seja com material concreto, práticas ou experimentações. Se
esse aluno, de acordo com sua capacidade, entendeu que existe um inteiro (uma coisa
inteira) que pode ser divido (partida em pedaços iguais) e cada pedaço é um
pedacinho desse inteiro, de acordo com o planejamento individual elaborado pelo
professor, o aluno alcançou os objetivos, pois de todo o contexto e de acordo com sua
compreensão, foi essa noção de “frações” que ele conseguiu aprender e pode utilizar na
vida.

2- Na disciplina de Português o professor está trabalhando a produção escrita e grafia


correta com sua turma, o aluno com NEE, que na maioria das vezes não lê nem escreve,
pode realizar seu texto oralmente, sendo observada a concordância verbal, conteúdo,
sequência de pensamento e outros, segundo sua capacidade.

3- Na matemática a turma está aprendendo equação do primeiro grau e, após esgotarem


todas as estratégias, o aluno com NEE compreendeu que um problema escrito com
palavras ou falado pode ser escrito com números,
(equação linear) ou simplesmente entendeu o significado da incógnita (o X da questão),
esse aluno cumpriu os objetivos, pois, do contexto das equações do primeiro grau, foi o
que ele teve condições de aprender.

4- Um exemplo interessante aconteceu com uma aluna com Síndrome de Down no ensino
médio: A professora falava sobre a segunda guerra, especificamente com documentários
sobre Mussolini e Hitler e ao final da aula perguntou o que a aluna havia entendido sobre o
apresentado e ela respondeu: - Um era mau, mas o outro era “muito mais mau” ainda! A
professora considerou a resposta certa, porque dentro da sua capacidade de
compreensão, a aluna demonstrou seu entendimento da situação exposta.

5- Existem muitos casos, como na Deficiência Intelectual grave, em que o aluno exigirá
uma adaptação individual significativa. Em Ciências, por exemplo, de todo o Eixo 2- Ser
Humano e Saúde, o aluno aprendeu que não se pode beber qualquer água, que ela deve
ser filtrada ou fervida antes de beber para não ficar doente e que a água é importante para
todos e não se deve desperdiça-la. Podemos dizer que, de todo o Eixo 1, esse aluno com
grave deficiência intelectual atingiu os objetivos, pois, de acordo o planejado e aplicação
de estratégias específicas, ele absorveu o conhecimento que estava ao alcance de sua
compreensão, conhecimento esse que será utilizado em sua vida.

Os exemplos acima citados demonstram a oportunidade de acesso ao currículo; em


muitas situações o aluno também necessitará de acesso aos materiais e a comunicação,
quando a Tecnologia Assistiva deve ser utilizada. O suporte da Sala de Recursos e do
Professor de Apoio, quando necessários, tem papel fundamental do processo educacional
do aluno com NEE.

Se não existisse o PDI e a Flexibilização Curricular, os alunos com NEE estariam para
sempre na “alfabetização”, marcando passo no mesmo lugar ou teriam seus boletins
sempre com notas em vermelho, o que seria, no mínimo, um desrespeito. O boletim do
aluno com NEE é justificado e apoiado pelo seu Plano de Desenvolvimento Individual
(PDI), o que deve acontecer durante todo o percurso escolar.
Muitos irão perguntar: como esse aluno pode estar no sexto ano se não sabe ler, nem
somar e ainda seu boletim apresenta-se com boas notas?
A resposta é: porque ele tem um PDI e está em uma escola que valoriza suas
capacidades e respeita suas limitações.
Como foi dito anteriormente, o preenchimento do PDI é responsabilidade do professor
regente de turma. A partir do sexto ano, cada professor deve ser responsável pelo
preenchimento da sua disciplina; a parte das
habilidades cognitivas/metacognitivas/comunicacionais/interpessoais/afetivas/
motoras/psicomotoras/cotidianas pode ser considerada parte comum e deve ser
preenchida uma única vez, com o consenso dos professores.

É importante que o planejamento pedagógico do professor seja o mais realista possível e


o PDI o mais fiel possível ao aluno.

Abaixo segue como sugestão o formato do PDI utilizado pelo CEEEU, documento esse
que vem sendo aperfeiçoado desde 2004.

http://educacaoespecialceeeu.blogspot.com.br/2013/05/plano-de-dessenvolvimento-
curricular-e.html

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