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CENTRO DE ESTUDOS TEOLÓGICOS DA ASSEMBLEIA

DE DEUS NA PARAÍBA CETAD-PB

Disciplina: Preleção em Isaías


Professor: Basílio Henrique
Semestre: 2018.2 Turma: Sexta e Sábado

AS PROFECIAS DE ISAÍAS
1. INTRODUÇÃO

Os profetas do Antigo Testamento tinham a grande incumbência da preservação


da fé em um Único Deus à nação hebraica e preparar a base para a fé na vinda do
Messias, como um Ser, o qual tinha além da Natureza Humana também a Natureza
Divina. Os profetas tinham que falar sobre a Divindade de Cristo de tal maneira, que
não fosse entendido pelos judeus como linguagem pagã, isto é, como politeísmo. Por
esta razão os profetas do Antigo Testamento revelaram gradativamente o segredo da
Divindade do Messias, de acordo com certo grau de fé em Deus Uno, introduzido pouco
a pouco à nação hebraica.
O primeiro a profetizar sobre a Divindade de Cristo foi o Rei Davi. Depois dele,
se aquietaram por 250 anos as profecias e o profeta Isaías, vivendo a mais de 700 anos
antes do nascimento de Cristo, iniciou uma nova série de profecias sobre Cristo, nas
quais é fortemente manifestada a Sua Natureza Divina.
Isaías é o mais importante profeta do Antigo Testamento. O livro escrito por ele,
abrange um número tão grande de profecias sobre Cristo e sobre acontecimentos do
Novo Testamento, que muitos o chamam de Evangelista do Antigo Testamento. Isaías
profetizou dentro da região fronteiriça de Jerusalém, durante o reinado dos reis judeus
Ozias, Acaz, Ezequias e Manassés. O exército israelense teve sua derrota, durante o
tempo de vida de Isaías em 722 antes de Cristo, quando o rei assírio Sargon tomou a
nação hebraica, que ocupava Israel, em cativeiro. O império judeu subsistiu mais uns
135 anos após esta tragédia. O profeta Isaías sofreu tortura durante o reinado de
Manassés, tendo sido serrado ao meio com uma serra de madeira. O livro do profeta
Isaías é célebre pelo elegante hebreu e possui alto valor literário, o qual é transmitido
inteiramente constante, nas traduções de seu livro em diferentes idiomas.
O profeta Isaías escreveu sobre a natureza humana de Cristo, e dele nós
aprendemos, que Cristo deveria nascer de uma forma milagrosa, de uma Virgem:

“Pois por isso o mesmo Senhor vos dará este sinal: Uma virgem
conceberá e dará à luz um Filho e o Seu nome será Emanuel,” o
que significa: Deus está conosco” (Is.7:14).

Esta profecia foi dita ao rei Acaz com o propósito de convencê-lo, de que ele e
sua casa não seriam destruídos pelos reis sírio e israelense. Justamente o oposto ao
plano de seus inimigos que não chegaria a se realizar e um dos descendentes de Acaz
seria o Messias prometido, o Qual nasceria milagrosamente de uma Virgem. Como Acaz
era um descendente do rei Davi, a presente profecia confirma a profecia anterior, de que
o Messias nasceria da linhagem do rei Davi.
Em suas profecias seguintes, Isaías revela novos detalhes sobre a Criança
prodigiosa, a Qual nasceria de uma virgem. Deste modo em seu 8º capítulo, Isaías
escreve que o povo de Deus não deve temer as intrigas de seus inimigos, pois seus
planos não serão realizados:

“[...] formai planos, e eles sairão frustrados; proferi alguma


palavra de mando, e ela não será executada, porque Deus é
conosco (Emanuel)” (Is.8:10).

No capítulo seguinte, Isaías fala das características da Criança Emanuel:

“Porquanto um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado e foi
posto o principado sobre o Seu ombro; e será chamado Admirável,
Conselheiro, Deus forte, Pai do século futuro, Príncipe da paz” (Is.9:6).

O nome Emanuel, tanto quanto os outros nomes dados aqui à Criança, não
aparecem como nomes próprios, evidente, mas indicam as características de Sua
Natureza Divina.
Isaías profetizou, que o Messias pregaria na região norte da Terra Santa, nas
fronteiras das tribos de Zabulon e Naftali, a qual era chamada de Galiléia:

“No tempo passado foi levemente combatida a terra de Zabulon,


e a terra de Naftali, e no tempo futuro serão cobertas de glória a
costa do mar, além-Jordão, a Galiléia das nações. Este povo, que
andava nas trevas, viu uma grande luz; aos que habitavam na
região da sombra da morte nasceu-lhes o dia” (Is.9:1-2).

Esta profecia foi mencionada pelo Evangelista Mateus, quando ele descreveu o
sermão de Jesus Cristo nesta região da Terra Santa, a qual era religiosamente,
particularmente ignorante (Mt.4:16). Nas Sagradas Escrituras a luz é o símbolo do
conhecimento religioso: a verdade.
Nas profecias avançadas, Isaías denomina, no entanto, várias vezes, o Messias
por outro nome — Rebento. Este nome simbólico confirma profecias anteriores sobre o
nascimento milagroso e não comum do Messias, especificamente, que ele ocorreria sem
a participação de um homem, igual a um ramo, sem semente, que nasce diretamente da
raiz da planta.
“Sairá uma vara do tronco de Jessé, (assim era chamado o pai
de Davi) e uma flor brotará da sua raiz. Repousará sobre ele o
Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento,
Espírito de conselho e de fortaleza, Espírito de ciência e de
piedade; e será cheio do Espírito do temor do Senhor” (Is.11:1-
3).

Aqui Isaías profetiza a Unção de Cristo com as Sete Dádivas do Espírito Santo,
isto é, com toda a Graça do Espírito, a qual sucedeu no dia de Seu batismo no rio
Jordão.
Em outras profecias, Isaías fala dos feitos de Cristo e Suas qualidades, em
particular, de Sua compaixão e humildade. A profecia aqui apresentada transmite as
palavras de Deus o Pai:
“Eis o Meu Servo, Eu O ampararei; o Meu escolhido, no Qual a
Minha alma pôs a Sua complacência; sobre Ele derramei o Meu
Espírito, Ele espalhará a justiça entre as nações. Não clamará,
nem fará acepção de pessoas, nem a Sua voz se ouvirá nas ruas.
Não quebrará a cana rachada, nem apagará a mecha que ainda
fumega.” (Is.42:1-3).

Estas últimas palavras falam da grande paciência e condescendência com a


fragilidade humana, com a qual Cristo tratará as pessoas arrependidas e necessitadas.
Uma semelhante profecia Isaías pronunciou um pouco mais tarde, falando em nome do
Messias:
“O Espírito do Senhor repousou sobre Mim, porque o Senhor Me
ungiu; Ele Me enviou para evangelizar os mansos, para curar os
contritos de coração, pregar a redenção aos cativos e a liberdade
aos encarcerados; para publicar o ano da reconciliação do
Senhor e o dia da vingança do nosso Deus, para consolar todos
os que choram.” (Is.61:1-2).

Estas palavras determinam precisamente a finalidade da vinda do Messias: curar


os males espirituais das pessoas.
Além das doenças espirituais, o Messias tinha como incumbência a cura das
enfermidades físicas, como Isaías profetizou:

“Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os


ouvidos dos surdos. Então saltará o coxo como um cervo e
desatar-se-á a língua dos mudos; porque rebentarão mananciais
de águas no deserto e torrentes na solidão” (Is.35:5-6).

Esta profecia foi cumprida, quando o Senhor Jesus Cristo, pregando o


Evangelho, curou milhares de pessoas de várias doenças; aqueles cegos de nascença e
aqueles possessos. Com Seus milagres Ele confirmou a verdade de Seus ensinamentos e
Sua unicidade com Deus o Pai.
Pelos planos de Deus, a salvação das pessoas deveria ser realizada no Reino do
Messias. Este Reino abençoado dos fiéis era às vezes comparado pelos profetas a uma
construção (edificação) harmoniosa (veja no apêndice as profecias sobre o Reino do
Messias). O Messias Criatura por um lado, o Fundador do Reino de Deus e por outro o
Fundamento da verdadeira fé, é chamado pelos profetas a Pedra, ou seja, a Fundação
sobre a Qual está edificado o Reino de Deus. Esta nomenclatura simbólica do Messias é
encontrada na seguinte profecia:

“Portanto estas coisas diz o Senhor Deus: Eis que colocarei nos
fundamentos de Sião uma Pedra, uma Pedra escolhida, angular,
preciosa, assentada em (solidíssimo) fundamento; aquele que
crer, não se apresse” (Is.28:16).

Sião era chamada a montanha (colina), sobre a qual se encontrava o Templo e a


Cidade de Jerusalém.
É digno de nota que nesta profecia é enfatizada pela primeira vez, a importância
da FÉ no Messias: “Aquele que crer, não se apresse!”
No salmo 117, escrito depois de Isaías, é mencionado a respeito desta Pedra:
“A Pedra rejeitada pelos edificadores esta foi posta por Pedra angular.
Foi o Senhor que fez isto, e é uma maravilha aos nossos olhos”
(Sal.117:22-23, ver também Mat.21:42).

Ou seja, apesar dos “construtores” –– pessoas de prestígio no comando do


poder, terem rejeitado esta Pedra, Deus todavia O colocou como alicerce de uma
estrutura abençoada — a Igreja.
A próxima profecia completa as profecias anteriores, na qual ela fala do Messias
como um Conciliador e uma fonte de benção, não somente para os judeus, mas também
para todas as nações:

“Ele disse-Me: É pouco que Tu sejas Meu servo para restaurar as tribos
de Jacó e converter os restos depreciados de Israel; eis que Eu Te
restabeleci para luz das gentes, a fim de seres a salvação que Eu envio
até à última extremidade da terra” (Is.49:6).

Mas apesar da intensa luz espiritual emanada do Messias, Isaías previu que nem
todos os judeus veriam esta luz em razão de sua insensibilidade espiritual. Eis o que o
profeta escreveu a respeito disso:

“O Senhor disse-me: Vai e dize a esse povo: Ouvi o que vos digo, e não o
entendais. Vede a visão, e não a conheçais. Obceca o coração deste
povo, ensurdece-lhe os ouvidos, entenda com seu coração, e se converta,
e Eu o sare” (Is.6:9-10).

Por se preocuparem unicamente com o bem-estar terreno, nem todos os judeus


reconheceram o seu Salvador no Senhor Jesus Cristo, prometido pelos profetas. Como
que prevendo a falta de fé dos judeus, o rei Davi tendo vivido antes de Isaías, invocou-
os em um de seus salmos, com estas palavras:

“Se hoje ouvirdes a Sua voz (do Messias), não queirais endurecer os
vossos corações; como aconteceu quando Me provocaram à ira, no dia
da tentação no deserto, onde vossos pais Me tentaram, Me provaram, e
viram Minhas obras” (Sl.94:8-9).

Ou seja, quando vocês ouvirem o sermão do Messias, acreditem em Suas


palavras. Não persistam, como seus ancestrais no tempo de Moisés no deserto, os quais
tentaram Deus e murmuraram contra Ele (ver Êxodo 17:1-7), “provocaram” significa
“censuraram.”

2. O SOFRIMENTO DO MESSIAS

Os sacrifícios de purificação ocupavam o lugar central na vida religiosa do povo


hebreu. Todo hebreu ortodoxo desde a infância, sabia que o pecado poderia ser remido
somente com o sacrifício do sangue redentor. Todos os dias de solenidade sagrada e de
eventos familiares eram acompanhados de sacrifícios.
Os profetas não explicavam, em que consistia a força purificadora do sacrifício.
Porém, de suas profecias sobre os sofrimentos do Messias, observa-se que os Sacrifícios
do Antigo Testamento, apontavam para o Sacrifício Redentor do Messias, o qual Ele
deveria oferecer para a remissão dos pecados do mundo. Deste grande sacrifício, os
Sacrifícios do Antigo Testamento tiravam seu significado e força. A ligação intrínseca
entre o pecado e os sofrimentos subsequentes e a morte de um indivíduo, tanto quanto
entre os sofrimentos voluntários e a salvação subsequente do povo — permanece até
hoje em incompleto entendimento. Nós não iremos tentar explicar aqui esta ligação
intrínseca, mas queremos nos estender na profecia, sobre os sofrimentos futuro do
Messias para a nossa salvação.
A predição mais vívida e detalhada sobre os sofrimentos do Messias é a profecia
de Isaías, a qual ocupa um capítulo e meio de seu livro (o final do cap.52 e todo o
cap.53). Esta profecia contém certos detalhes dos sofrimentos de Cristo, que o leitor tem
a impressão, que o profeta Isaías a escreveu aos pés do Gólgota, embora como nós
sabemos, ele viveu a mais de setecentos anos antes de Cristo. Apresentamos aqui a
referida profecia:

“Eis que o Meu Servo procederá com inteligência, será exaltado e


elevado, chegará ao cúmulo da glória. Assim como pasmaram muitos à
vista de Ti, assim será sem glória o Seu aspecto entre os homens, e a Sua
figura desprezível entre os filhos dos homens. Ele borrifará (ou
purificará com o Seu sangue) muitas nações, diante Dele os reis taparão
a boca; porque O viram aqueles a quem nada tinha sido anunciado a
Seu respeito; os que não tinham ouvido falar Dele O contemplarão.
Quem deu crédito ao que nós ouvimos? E a quem foi revelado o braço
do Senhor? Ele subirá como o arbusto diante Dele, e como raiz que sai
de uma terra sequiosa; Ele não tem beleza, nem formosura; vímo-Lo,
não tinha parecença do que era, e por isso não fizemos caso Dele. Ele
era desprezado, o último dos homens, um Homem de dores,
experimentado nos sofrimentos; o Seu rosto estava encoberto; era
desprezado, e por isso nenhum caso fizemos Dele.
Verdadeiramente Ele foi O que tomou sobre Si as nossas fraquezas, Ele
mesmo carregou com as nossas dores; nós O reputamos como um
leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado. Mas foi ferido
por causa das nossas iniqüidades, foi despedaçado por causa dos nossos
crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre Ele, e nós fomos
sarados com as Suas pisaduras. Todos nós andamos desgarrados como
ovelhas; cada um se extraviou por seu caminho; e o Senhor carregou
sobre Ele a iniqüidade de todos nós. Foi oferecido (em sacrifício),
porque Ele mesmo quis, e não abriu a Sua boca; como uma ovelha que é
levada ao matadouro, como um cordeiro diante do que o tosquia,
guardou silêncio e não abriu sequer a Sua boca. Ele foi tirado pela
angústia e pelo juízo. Quem contará a sua geração? Porque Ele foi
cortado da terra dos viventes; eu O feri por causa da maldade do meu
povo. E (o Senhor) Lhe dará os ímpios (convertidos) em recompensa da
Sua sepultura, e o rico em recompensa da Sua morte; porque Ele não
cometeu iniqüidade, nem nunca se achou dolo na Sua boca. O Senhor
quis consumí-Lo com sofrimentos, mas, quando tiver oferecido a Sua
vida pelo pecado, verá uma descendência perdurável, e a vontade do
Senhor prosperará nas Suas mãos. Verá o fruto do que a Sua alma
trabalhou, e ficará satisfeito. Este mesmo justo, Meu servo (diz o
Senhor) justificará muitos com a Sua ciência, e tomará sobre Si as suas
iniqüidades. Por isso Eu Lhe darei por sorte uma grande multidão e Ele
distribuirá os despojos dos fortes, porque entregou a Sua vida à morte,
foi posto no número dos malfeitores, tomou sobre Si os pecados de
muitos e intercedeu pelos pecadores” (Isa.52:13-15, 53:1-12).

As frases desta profecia: “Quem deu crédito ao que nós ouvimos? E a quem foi
revelado o braço do Senhor?” dá a confirmação da natureza extraordinária do
acontecimento descrito, exigindo um esforço voluntarioso considerável por parte do
leitor, para acreditar nele. Verdadeiramente as profecias antecipadas de Isaías falavam
da grandeza e glória do Messias.
A profecia apresentada fala sobre Sua humilhação voluntária, sofrimento e
morte! O Messias, criatura completamente imaculada de pecados pessoais e sagrado,
resiste a todos estes sofrimentos, para a purificação das ilegalidades humana.
O rei Davi também descreveu os sofrimentos do Salvador na Cruz muito
vivamente em seu salmo 21. Ainda que a fala neste salmo esteja na primeira pessoa do
singular, o rei Davi não poderia naturalmente escrever sobre si próprio, porque ele não
experimentou tais sofrimentos. Ele aqui, como o protótipo do Messias, atribuía
profeticamente para si, o que de fato dizia respeito ao seu Descendente — Cristo. É
notável, que diversas palavras deste salmo, foram repetidas precisamente por Cristo
durante Sua crucificação. Apresentamos aqui várias frases do salmo 21 e o texto
paralelo do Evangelho:

 2° versículo: “Ó Deus, Deus Meu, olha para Mim, por que Me desamparaste?”
assim exclamou o Senhor antes de Sua morte (compare Mateus 27:46).
 8º versículo: “Todos os que Me viram escarneceram de Mim.” (compare Marcos
15:29).
 9° versículo: “Esperou no Senhor, livre-O; salve-O, se é que O ama.” Esta frase foi
literalmente dita pelos príncipes dos Sacerdotes e escribas (compare Mateus 27:43).
 17º versículo: “...Transpassaram Minhas mãos e Meus pés...” (compare Lucas 23:33).
 19º versículo: “Repartiram entre si as Minhas vestes, lançaram sorte sobre Minha
túnica” (compare Mateus 27:35).

Além disso, o profeta Isaías escreveu as seguintes particularidades sobre os


sofrimentos do Messias, as quais também foram realizadas meticulosamente. A fala está
na primeira pessoa do singular:

“O Senhor deu-Me uma língua erudita, para Eu saber sustentar com a


palavra o que está cansado... Eu entreguei o Meu corpo aos que Me
feriam, e a Minha face aos que Me arrancavam a barba; não desviei a
Minha face dos que Me injuriavam e cuspiam. O Senhor Deus é o Meu
protetor, por isso não fui confundido.” (Isa.50:4-7, compare Mateus
26:67).

Levando em consideração estas profecias sobre os padecimentos do Messias,


torna-se compreensível a antiga e inexplicável profecia enigmática do patriarca Jacó,
relatada ao seu filho Judá, a qual já foi por nós parcialmente mencionada no segundo
capítulo. Mencionaremos aqui inteiramente a profecia de Judá:

“Judá é um cachorro de Leão; correste, meu filho, para a presa;


deitaste-Te para descansar como o leão, e como a leoa, quem O
despertará? O cetro não será tirado de Judá, nem o príncipe da
sua descendência, até que venha Aquele que deve ser enviado. E
Ele será a expectação das nações. Ele atará à vinha o Seu
jumentinho, e à videira, ó meu filho, a Sua jumenta. Lavará a Sua
túnica no vinho, e a Sua capa no sangue da uva” (Gn.49:9-11).

Nesta profecia o Leão com Sua grandeza e poder, simboliza o Messias, O qual
teria de nascer da tribo de Judá. A indagação do patriarca sobre quem despertará o Leão
adormecido, se refere alegoricamente à morte do Messias, designado nas Sagradas
Escrituras como “o Leão da tribo de Judá” (Apo.5:5).
As seguintes palavras proféticas de Jacó sobre a lavagem das vestes no sangue
da uva, também falam a respeito da morte do Messias. Uvas são o símbolo do sangue.
As palavras sobre a jumenta e o lombo do jumento foram realizadas, quando o Senhor
Jesus Cristo antes de Seu padecimento na Cruz, sentado no lombo de um jumento,
entrou em Jerusalém. O profeta Daniel também profetizou sobre o tempo, quando o
Messias iria sofrer, como veremos no próximo capítulo.
A profecia não menos definida de Zacarias, que viveu duzentos anos depois de
Isaías (500 anos A.C.), sobre os sofrimentos do Messias, deverá ser acrescentada a estas
antigas afirmações. No 3º capítulo de seu livro o profeta Zacarias descreve a visão do
sumo sacerdote Josué, primeiramente com vestimenta ensanguentada então
posteriormente com vestes claras. O vestuário do sacerdote Josué simboliza a condição
moral (situação) do povo: primeiramente a pecaminosa, então mais tarde a honrada.
Na visão descrita existem muitos detalhes interessantes relatando o sacramento
da redenção, mas nós iremos apresentar aqui somente as palavras finais de Deus o Pai:

“... Porque eis que farei vir o Meu servo Oriente. Porque eis a
Pedra que Eu pus diante de Jesus (Jesus Navin ou Josué); sobre
esta Pedra Única estão Sete Olhos; eis que Eu mesmo a lavrarei
com o cinzel, diz o Senhor dos exércitos; Eu num dia tirarei a
iniquidade desta terra... eles porão os olhos em Mim, a Quem
traspassaram; chorá-Lo-ão com pranto, como se chora um filho
único... Naquele dia haverá uma Fonte aberta para a casa de
Davi e para os habitantes de Jerusalém, para se lavarem as
manchas do pecador e da mulher impura” (Zac.3:8-9; 12:10;
13:1).

O nome Rebento já vimos anteriormente com o Profeta Isaías. Ele se refere ao


Messias, assim como também Nosso Senhor Jesus Cristo simbolicamente era chamado
de Pedra (Angular). É notável que, de acordo com a profecia, a absolvição dos pecados
das pessoas ocorrerá em um só dia. Em outras palavras, um Sacrifício individual
realizará a redenção dos pecados! A Segunda parte da profecia, encontrada no capítulo
12, fala dos padecimentos do Messias na Cruz, de Seu corpo perfurado por uma lança e
do arrependimento das pessoas. Todos estes acontecimentos ocorreram e estão escritos
nos Evangelhos.
Mesmo sendo difícil para as pessoas do Antigo Testamento intensificarem a fé
na necessidade destes sofrimentos do Messias; calados, diversos escritores judeus
daquela época entenderam corretamente a profecia do capítulo 53 do livro de Isaías.
Apresentamos aqui pensamentos valiosos a este respeito contidos nos livros dos
antigos hebreus. “Qual é o nome do Messias?” é perguntado no Talmude e a resposta é:
“O Único piedoso, como está escrito” “Estes nossos pecados Ele carrega e sente
compaixão por nós” (tratados (Massektoth), Talmude Babli).
Em outra parte do Talmude é dito:
“O Messias assume para Si, todos os sofrimentos e martírios, pelos
pecados dos Israelitas. Se Ele não assumisse estes sofrimentos para Si,
nenhuma pessoa no mundo conseguiria suportar a inevitável pena como
uma consequência da ruptura da lei” (Jalkut Chadach, fol.154, col.4,
29, Tit.)
.
O Rabino Moshe Goddarshan escreve no Medrash (o livro que interpreta as
Sagradas Escrituras):

“O Santíssimo e Abençoado Deus fez o seguinte acordo com o Messias


dizendo-Lhe: Messias, Meu Único Justo! Os pecados da humanidade
impor-se-ão a Ti como um pesado jugo: Teus olhos não verão a luz, Teus
ouvidos ouvirão terríveis blasfêmias, Tua boca sentirá o amargor, Tua
fala separar-se-á de Tua garganta... e Tua alma sucumbirá de angústia e
ansiedade. Tu estás de acordo com isto? Se Tu assumes para Ti a
responsabilidade de todos estes sofrimentos: então, muito bem. Se não
assumes, então Eu extinguirei neste instante a humanidade — os
pecadores. O Messias respondeu a isto: Senhor do universo! Eu aceito
de boa vontade todos estes padecimentos sob uma condição: que Tu,
ressuscite da morte durante os Meus dias, começando por Adão, até o
dia de hoje e não salve somente apenas eles, mas também a todos
aqueles que Tu planejastes criar e não criastes até agora. O Santíssimo e
Abençoado Deus respondeu a isto: sim, Eu concordo. Naquele momento
o Messias tomou para Si de boa vontade, todos os sofrimentos, conforme
estava escrito: Ele foi torturado, mas sofreu voluntariamente... como um
carneiro conduzido para abater” (da argumentação no livro de Gênesis).

Estes depoimentos dos hebreus ortodoxos, especialistas nas Sagradas Escrituras


são valiosos, porque eles mostram qual o grande significado que a profecia de Isaías
tem, para o fortalecimento da fé no poder dos sofrimentos do Messias na Cruz para a
nossa salvação.

3. A RESSURREIÇÃO DO MESSIAS

Entretanto, falando da necessidade e salvação, graças ao sofrimento do Messias,


os profetas também profetizaram a Sua ressurreição dos mortos e a Sua posterior glória.
Descrevendo os padecimentos de Cristo, Isaías conclui seu relato com as seguintes
palavras:

“O Senhor quis consumi-lo com sofrimentos, mas, quando tiver


oferecido a Sua vida pelo pecado, verá uma descendência perdurável, e
a vontade do Senhor prosperará nas Suas mãos. Verá o fruto do que a
Sua alma trabalhou, e ficará satisfeito. Este mesmo Justo, Meu servo
(diz o Senhor) justificará muitos com a Sua ciência, e tomará sobre Si as
suas iniquidades. Por isso Eu Lhe darei por sorte uma grande multidão e
Ele distribuirá os despojos dos fortes, porque entregou a Sua vida à
morte, foi posto no número dos malfeitores, tomou sobre Si os pecados
de muitos e intercedeu pelos pecadores” (Is.53:10-12).
Em outras palavras, após a morte o Messias reviverá para comandar o Reino dos
justos e ficará moralmente satisfeito com o resultado de Seus sofrimentos.
O rei Davi também profetizou a ressurreição de Cristo no salmo 15, o qual é
proferido na voz de Cristo:

“Eu contemplava sempre o Senhor diante de Mim; porque Ele


está à Minha direita para Me sustentar. Portanto, alegrou-se o
Meu coração, e exultou de alegria Minha língua, e, além disso,
também a Minha carne repousará na esperança. Porque não
deixarás a Minha alma no inferno, nem permitirás que o Teu
Santo experimente a corrupção. Mostraste-Me as sendas da vida,
a plenitude da alegria com Tua presença, as eternas delícias à
Tua destra” (Salmos 15:8-11).

No profeta Oséias, há menção a respeito do terceiro dia da ressurreição, embora


a escrita nesta profecia esteja no plural:

“Eles, vendo-se na sua tribulação, dar-se-ão pressa a recorrer a


Mim: Vinde (dirão), e voltemos para o Senhor; porque Ele nos
cativou, e Ele nos livrará, Ele nos feriu, e Ele nos curará. Ele nos
dará a vida em dois dias; ao terceiro dia nos ressuscitará, e nós
viveremos na Sua presença.” (Os.6:1-3, ver também 1Co. 15:4).

Além das profecias sobre a imortalidade do Messias, na realidade, todas estas


colocações do Antigo Testamento, nas quais o Messias é chamado Deus, dão
testemunho disto (por exemplo nos Salmos 2, 45 e 110; Isa.9:6; Jer.23:5; Miq.5:2;
Mal.3:1).
Deus em Sua verdadeira essência é imortal. A imortalidade do Messias também
pode ser firmada, após lermos as profecias sobre Seu Reino Eterno (por exemplo em
Gên.49:10; 2Sam.7:13; Salmos 2, 131:11; Ezeq.7:27; Dan.7:14). Para um Reino Eterno
supõe-se um Rei Eterno!
Desta maneira, recapitulando o conteúdo deste capítulo, vemos que os profetas
do Antigo Testamento, falavam de forma muito definida sobre os sofrimentos, morte,
ressurreição e glória do Messias. Ele teria que morrer para a redenção dos pecados
humanos e ressuscitar para comandar o Reino Eterno daqueles, os quais Ele salvou.
Estas verdades reveladas primeiramente pelos profetas, formaram mais tarde os
fundamentos da fé Cristã.

REFERÊNCIAS

1. RIDDERBOS, J. Isaías - Introdução e Comentário. 1.ed. São Paulo. Mundo


Cristão. 1996. 515p.
2. PRICE, R. E; GRAY, C. P; GRIDER, J. K. & SWIM, R. E. Comentário Bíblico
Beacon. Vol. 4. Isaías a Daniel. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
3. CRABTREE, A . R. A Profecia de Isaías. 1.ed. Rio de Janeiro. Casa Publicadora
Batista. 1967. Vol. 1 e 2.