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RESUMO DO LIVRO

Visões & Ilusões Políticas


David T. Koyzis

Visões & Ilusões Políticas


David T. Koyzis
1- Análise da Estrutura

1.1- O pensamento do autor é apresenta em quatro partes:

1ª- As Ideologias são um fenômeno moderno da antiga e perene idolatria descrita


desde os tempos bíblicos. Elas isolam um elemento do todo criado e o deificam como uma
alternativa para salvação da sociedade.

2ª- Que é possível transcender as ideologias e adotar um espírito mais compatível


com uma visão cristã da criação, queda e redenção.

3ª- O autor não se propõe a criar uma ideologia explicitamente cristã, nem a se
acomodar no reducionismo ou mesmo a adotar uma das idolatrias que permeiam as
ideologias, ou seja: Uma alternativa não ideológica! Seu objetivo é uma abordagem que
apresente o mundo e a política de forma mais plena e verdadeira. Ele estabelece como
meio para isso uma cosmovisão bíblica, e uma admissão sincera do que ele mesmo chama
de diversidade estrutural ou pluriformidade social que significa lembrar que, nas palavras
de Oliver O’ Donovan, “a unidade é própria ao criador e a complexidade, ao mundo”, e a
nós foi dado um mandato cultura onde somos ordenados a desenvolver o mundo à nossa
volta, em suas múltiplas estruturas, sem dicotomizar a vida em sacro ou profano, pois tudo
é feito em Deus, por Deus e para Deus. Portanto a Política deve ser reivindicada para Cristo
Jesus. Isso é o que se espera de uma cosmovisão cristã.

4ª- Busca orientação para seu pensamento em duas tradições cristãs: Primeiro é a
tradição da doutrina social da Igreja Católica Romana, arraigada no ressurgimento
neotomista do final do século 19 e começo do século 20; a Segunda é a tradição
neocalvinista que se desenvolveu mais ou menos na mesma época na Holanda,
espalhando-se pelo mundo anglófono no final do século 20.

1.2- Organização do assunto

O autor apresenta sua tese através de uma estrutura bem sistematizada. Ele levanta
seu pensamento sobre um extensa e bem organizada introdução sobre a qual ele levanta
as provas de sua tese abordando a origem e desenvolvimento das cinco principais
ideologias que são, como ele mesmo mostra, novas idolatrias. Com uma riquíssima
quantidade de fontes, dados históricos e epistemológicos, o autor escreve na mente de seu
leitor, a história das principais ideologias, mostrando inclusive, que foi justamente a
ausência de uma cosmovisão genuinamente cristã, que propício o ambiente para o
surgimento das principais ideologias.
Mostradas as provas históricas através da parte central, o autor parte para a solução
do problema. Neste ponto ele divide seu trabalho em três etapas: 1- Ele oferece uma
resposta cristã àquilo que nenhuma ideologia conseguiu resolver; 2- Afirma a importância
de uma cosmovisão cristã criação, queda e redenção; 3- De forma prática o autor mostra
as contribuições das abordagens cristãs, não ideológicas, através dos séculos, terminando
com uma proposição bem prática sobre a missão do Estado de promover a Justiça no
mundo de Deus.

2- Análise do Conteúdo

2.1- As principais ideias do autor

Começando com uma rica e esclarecedora definição do termo ideologia através da


história com dados muito precisos tais como: nomes, datas, locais e principais condições
sociais, políticas e religiosas de cada período da história do uso e significação do termo.

O autor mostra o significado de ideologia dentro de cada perspectiva histórica e


religiosa esclarecendo que existem vários entendimentos semelhantes e diferentes sobre
esse termo, bem como diferentes desdobramentos que no fim acabam resultando no que
o autor defende como tese: “Que Ideologia é uma forma moderna da idolatria antiga”. Ele
afirma que “Como as idolatrias bíblicas, cada ideologia se fundamenta no ato de isolar um
elemento da totalidade criada, elevando-o acima do resto da criação e fazendo com que
esta orbite em torne desse elemento e o sirva”.

A partir desse primeiro passo o autor continua sua longa e informativa introdução
mostrando os pré-requisitos para o surgimento de uma ideologia, tais como: 1- ter ciência
da longa tradição de teoria política por trás das ideologias, pois as mesmas podem ser
entendidas como reciclagens das teorias mais antigas; 2- A pregação do Evangelho; 3- A
Secularização da fé cristã e das culturas que foram inicialmente moldadas por essa fé; 4-
O surgimento de movimentos políticos de massa. Daí por diante ele passa a fazer uma
classificação das ideologias em direita e esquerda esclarecendo, inclusive, qual a origem e
quais os significados estas classificações já receberam ao longo da história recente.

O autor finaliza sua introdução alertando os leitores para que percebam e


compreendam o papel das ideologias no mundo com sua forte e decisiva influencia sobre
muitas camadas da sociedade.
Sobre esta base bem fundamentada o autor nos leva então para o eixo central da sua
argumentação: A análise das cinco ideologias mais influentes no mundo de hoje, a saber:
Liberalismo, Conservadorismo, Nacionalismo, Democracia e Socialismo. Nesse ponto o
autor esclarece que usará uma metodologia igual para avaliar cada uma dessas ideologias,
trata-se de seis temas comuns aos quais todas as ideologias serão interrogadas: 1- Qual
a sua base na criação? 2- Quais facetas da criação de Deus elas destacaram
corretamente? 3- Quais incoerências produziram tensões internas dentro da própria
ideologia? 4- O que elas veem como fonte do mal? 5- Onde elas localizam a fonte da
salvação? 6- Qual o lugar de direito cabe à política nesse mundo criado por Deus?

Avaliando cada uma dessas ideologias sob as lentes propostas o autor conclui sobre
cada uma delas fazendo as seguintes observações:

Liberalismo - O Liberalismo ofereceu contribuições construtivas para a proteção dos


genuínos direitos humanas, mas fracassou em dois planos: Primeiro, ele oferece uma falsa
salvação baseada numa crença religiosa na autonomia do indivíduo humano diante da
autoridade política externa; Segundo, o liberalismo é incapaz de ver o Estado como uma
comunidade dotada de autoridade.

Conservadorismo - Como teoria política o Conservadorismo falha em dois aspectos:


Primeiro, ele não tem nada intrinsecamente cristão; Segundo, essa ideologia nada oferece
em termos de uma visão coerente do Estado como uma comunidade especializada,
diferenciada, dentro da sociedade humana.

Nacionalismo - O nacionalismo falha ao entender erroneamente as promessas


bíblicas feitas ao Corpo de Cristo aplicando-as a uma única concentração geográfica; Por
isso, os cidadãos, iludidos, facilmente rendem à nação uma honra que cabe somente a
Deus.

Democracia - A democracia dá forma concreta à noção de cidadania, de participação


no corpo político, e isso ela faz melhor que as formas menos democráticas de governo.
Todavia, não devemos supor que democracia seja a mesma coisa que governo justo. A
democracia pode ser um bem, mas não um Deus.

Socialismo - O socialismo, embora identifique alguns potenciais do Estado


negligenciados por outras ideologias, é incapaz de reconhecer limites normativos à missão
estatal.

Desafiando os leitores a transcender as ideologias o autor insiste que os crentes que


não conseguem entender os perigos de privilegiar as agenda ideológicas acabam por
ontologizar ou instrumentalizar essas ideologias. Ontologizar significa ignorar o seu caráter
espiritual e direcional, atribuindo-lhes um status estrutural, criacional. A natureza distorcida
de todo pensamento ideológico deveria ser o bastante para nos mostrar de imediato por
que o cristão não pode simplesmente aderir a uma ou a várias dessas ideologias.

Na apresentação da sua cosmovisão, que é bíblica, o autor nos diz que o ensino do
cristianismo é que Deus redime a pessoa como um todo, não somente a sua vida espiritual
ou moral. O alcance cósmico da redenção significa que a vida como um todo é redimida,
incluindo a família, o trabalho, a recreação, a vida acadêmica e a vida política. Para o cristão
biblicamente correto, não existe ocupação “sacra” e “secular” e sim obediência e
desobediência. Portanto a Política deve ser reivindicada para Cristo Jesus. Isso é o que se
espera de uma cosmovisão cristã.

Uma política não ideológica não implica implantar a justiça onde ela não existe, mas
sim reequilibrar a missão jural do Estado naquelas áreas onde a justiça foi pervertida, isto
é, onde a injustiça se faz presente.

Quanto à missão e autoridade do Estado, o cristão deve, afirmar sempre que Deus é
a fonte primária de autoridade governamental é o próprio Deus, todavia, isso não significa
que toda forma existente de governo e todo aquele que ocupa um cargo governamental
têm o selo divino de aprovação.

Portanto, devemos sempre saber que as ideologias prometem o que não podem
cumprir, mas A Palavra de Deus deixa muito claro que cada ato que promove a justiça, seja
ele na política ou em qualquer outro âmbito da atividade humana, aponta para a plenitude
final do Reino de justiça de Deus no Novo Céu e na Nova Terra.

2.2- Contribuições

Acredito que além da leitura, é claro, muito esclarecedora sobre o tema que dominou
a maior parte do livro: o surgimento, consolidação e deformação das principais ideologias;
Também foi profundamente relevante a quantidade de informações sobre o
desenvolvimento histórico da política feita através das principais ideologias. O autor me
proporcionou uma visão histórica das ilusões políticas, como ele mesmo diz, de tal forma
que entre tantas outras contribuições da literatura dele, juntamente me ajudou a
compreender melhor as correntes politicas do mundo e seu desenvolvimento.

Portanto, além do bom exemplo de cosmovisão cristã, o autor contribui para a nossa
aquisição de uma visão política equilibrada com a cosmovisão bíblica, além, é claro, de nos
ajudar a lidar com as tentações ideológicas.
3- Avaliações crítica

Na minha avaliação crítica, o livro é muito bom! Apesar de sua profundidade em fontes
e conteúdos históricos, o texto tem fluência e é de fácil leitura. As teses do autor são
apresentadas de forma clara e trazem ampla base de sustentação mostrando coerência e
bom desenvolvimento do assunto.

Acredito que uma vez que o autor compara ideologia com as idolatrias do período
bíblico, talvez um capítulo a mais ou um subtítulo dentro da introdução, mostrando o
movimento idólatra entre as nações antigas nas mudanças políticas em Israel (Teocracia,
monarquia e por fim subjugados aos grandes impérios), inclusive no próprio desejo de Israel
por ter um Rei e depois as divisões do reino, enfim, um cenário antigo, desse mesmo
fenômeno que ele tão bem descreveu, poderia ajudar a fundamentar ainda mais o seu
pensamento.

Quanto à apresentação da cosmovisão cristã aplicada a política o autor é muito


coerente e prático mostrando que as ideologias prometem o que não podem cumprir, mas
A Palavra de Deus deixa muito claro que no fim, Deus mostrará a plenitude do Seu Reino
de justiça no Novo Céu e na Nova Terra. Eu gostei muito disso!