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Granthis – os nós psíquicos

Para se conseguir que a energia kundalini se mova com fluidez e de forma sistemática
precisamos de ultrapassar as armadilhas dos vaivéns emocionais. Na terminologia tântrica esses
vaivéns são os Granthis – os nós psíquicos, que dificultam a circulação da energia até que se
desenvolva a consciência.

Os Granthis expressam as defesas e bloqueios que construímos. São como que obstáculos, ou
desafios conforme a perspectiva por que cada um tem que passar ao longo da sua trajectória
rumo ao autoconhecimento face a toda a bagagem que a vida lhe proporcionou.
Eles são mantidos pelas impressões psico-emocionais de cada um, que por sua vez geram as
crenças/tendências/padrões de cada um. Tomar consciência desses padrões/crenças é o
primeiro passo para poderem ser ultrapassados/dissolvidos.

Existem 3 granthis ao longo do Sushumna:


- Brahma Granthi, no Muladhara Chakra
- Vishnu Granthi, no Anahata Chakra
- Shiva ou Rudra Granthi,no Ajña Chakra

O Brahma granthi, que se localiza no 1º chakra, representa o primeiro obstáculo no


crescimento individual que é o apego ao nosso corpo físico, a identificação única e exclusiva do
Ser ao seu corpo físico e às informações fornecidas pelos cinco órgãos dos sentidos – olhos,
ouvidos, nariz, língua e pele, que constroem armadilhas para a mente. Este nó cria agitação
quer a nível físico, quer mental ou emocional que dificulta a prática meditativa.
Brahma Granthi está relacionado com Kriya Shakt, o poder de agir, de actuar. Este poder de
agir pode manter o homem identificado com a energia ilusória da criação, amarrado ao plano
denso da materialidade, ao nível mais tamásico (Guna Tamas).
Superar o Brahma Granthi significa usar positiva e equilibradamente poder de agir com
determinação, objectividade, coragem aceitando que é essencial ao homem ter as suas
necessidades básicas satisfeitas que passam por exemplo pela manutenção da saúde e da
beleza do corpo como também pela prosperidade material.
O deus hindu Ganesha está relacionado a este Granthi, na medida em que o deus com cabeça
de elefante simboliza nosso próprio poder de abrir nossos caminhos, vencer nossos medos,
superar nossos obstáculos e crescer.
Hatha Yoga (o Yoga da saúde psicofísica) e Karma Yoga (o Yoga do desapego) são os caminhos
indicados para este nível, e seu desbloqueio desidentifica o homem do seu egocentrismo,
através da intensificação dos yamas e nyamas e dos asanas por longo período de tempo.
Nadi Shodana – Respiração alternada, ajuda a equilibrar a química do corpo de forma a permitir
que a energia suba ajudando na dissolução deste nó.
O 2º granthi – Vishnu Granthi, que se localiza no 4º chakra, está ligado ao corpo astral e ao
mundo das emoções, produz Karuna – Compaixão.
Vishnu é o Senhor da preservação e este nó cria o desejo de preservar os antigos
conhecimentos, tradições, instituições reforçadas pela energia do Anahata chakra ligada à fé,
devoção e amor, o que se pode concretizar numa limitação na maioria das vezes auto-imposta
que tendencialmente se atribui aos outros.
Para conseguirmos desatar o nó de Vishnu é necessário exercer Iccha Shakt- o poder de
desejar, ou seja exercer uma discriminação profunda, conhecimento e fé para realizar a ligação
com o divino. É necessária a dissolução do Ego individual, ou seja os desejos e necessidades
segundo instintos e apegos, para uma tomada de consciência de se pertencer a um todo maior
do que o indivíduo.

Dissolver o Vishnu Granthi leva a uma interacção afectiva desimpedida, abrindo caminho ao
Amor Total que leva o homem a amar indistintamente toda a Criação, expressando plena e
equilibradamente as suas emoções e dissolvendo suas couraças afectivas e relacionais.
Possibilita ainda que não se reprima nenhuma emoção vivenciada, ao contrário, que se perceba
a emoção, que se sinta, se expresse e deixe que passe.
Bhakt Yoga (o Yoga da devoção e do amor universal) é o processo, no universo hindu, mais
indicado para trabalhar este Granthi, e Prema (o amor universal) é o coroamento deste
processo.

Rudra ou Shiva Granthi está ligado ao corpo causal e ao mundo dos pensamentos, ideias,
visões e intuições.
Shiva é o deus hindu dos ascetas, do Yoga e da meditação. Simboliza nosso próprio poder de
transformar nossa vida e transmutar toda a sombra em Luz; e também simboliza a conexão com
nosso interior, com nosso centro.
Quando a kundalini ascende do Chakra Vishuda (5º) ao Ajña (6º) o praticante é agora um yogi e
torna-se um tattvatta – alem dos 5 elementos (terra, água, fogo, ar e éter). São os tattvas que
continuamente alteram a composição química do corpo físico e trazem as flutuações
emocionais para o indivíduo. Após a kundalini passar o 5ºchakra a kundalini segue para o 6º
onde os tattvas se fundem na sua fonte – o Maha Tattva, os Nadis Ida e Pingala cruzam-se e
estando estes ligados ao tempo e ao espaço quando se cruzam essa noção dissolve-se e o yogi
liga-se ao infinito. O desfazer deste nó permite ao yogi ascender a sua energia até ao 7º chakra
permitindo assim que a energia flua por todo o trajecto servindo de veiculo para a evolução do
Ser. Lemos nas escrituras tântricas que quando o yogi atinge o Ajna Chakra ele adquire o poder
de ver o passado, o presente e o futuro com clareza tornando-se um Visionário e neste ponto o
Shiva Granthi surge com o desafio de o yogi manter o compromisso com a sua prática e não se
deixar deslumbrar com os seus poderes intuitivos – os siddhis.
Este Granthi é desbloqueado por Jñana Shakt, o poder de conhecer. De conhecer tanto no
sentido de acumular informações, como conhecer no sentido do próprio “Conhecimento e
Sabedoria”. O desejo pela libertação, pela consciência da Unidade, despertado pela abertura do
segundo Granthi, levando o Ser a usar a sua mente e intelecto para questionar e reflectir sobre
esta Unidade. Dissolvido Shiva Granthi obtêm-se a visão da Realidade Absoluta.
Jñana Yoga (o Yoga do Conhecimento e da Sabedoria) e Raja Yoga (o Yoga da meditação) são,
dentro da perspectiva hindu, os caminhos mais indicados para trabalhar e superar este Granthi.
Dentro do amplo instrumental do Tantra, a principal técnica utilizada para auxiliar na dissolução
dos Granthis, é Bhastrika - Respiração do Fole ou o Breath of Fire – Respiração do fogo, que
além de ser um pranayama (trabalho respiratório e energético), é um poderoso Kriya (técnica
de purificação).

Os bandhas e os 3 granthis
Para que a Kundalini flua livremente precisa de penetrar pelos 3 Granthis e os Bandhas são
muito importante porque desbloquear estas passagens, estes nós.

O Mahabandha faz uma ligeira pressão nos três granthis de forma a que Prana e Apana sejam
equilibrados em Ida e Pingala e se consiga que o fluxo da energia passe por estes nós.
Mahabandha é a conjugação de Mulabandha, Uddiyana bandha e Jalandhara bandha em
simultâneo.
Mulabandha mistura Prana e Apana de forma a que a equilibrar os 3 primeiros chakras com o
fogo do 3º. Udduyana Bandha leva essa energia até ao 4º chakra, e o Jalandhara bandha bem
aplicado permite que o fluido espinal carregado de energia subtil potencializado pelos mantras
passe pelo 5º chakra e tambem pelo 6º abrindo assim o 3º granthi no 6º chakra.

A prática do Mulabandha permite libertarmo-nos dos apegos, dos nomes e das formas das
coisas e desenvolve uma nova forma de aceitar novas sensações e dá-nos uma nova
perspectivas de tudo a que nos apegamos.