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PAISAGISMO

PROFESSORA
Me. Andreia Gonçalves
PAISAGISMO

NEAD
Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4
Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360

C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância;


CAMARGO, Larissa Siqueira.
Paisagismo. Andreia Gonçalves.
Maringá - PR.:UniCesumar, 2017. Reimpresso em 2018.
196 p.
“Graduação em Design - EaD”.
1. Paisagismo. 2. Projeto. 3. EaD. I. Título.

ISBN 978-85-459-0830-2 CDD - 22ª Ed. 711


 CIP - NBR 12899 - AACR/2
Impresso por:

DIREÇÃO UNICESUMAR

Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva,
Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.

NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Design Educacional
Débora Leite, Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho, Diretoria de Permanência
Leonardo Spaine, Head de Produção de Conteúdos Celso L. Filho, Gerência de Produção de Conteúdo
Diogo R. Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey, Supervisão do Núcleo de Produção
de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard,
Coordenador(a) de Conteúdo Larissa Camargo, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração
Arthur Cantarelli Silva, Designer Educacional Agnaldo Ventura, Isabela Agulhon, Revisão Textual
Hellyery Agda, Revisão Textual Érica Fernanda Ortega, Ilustração Marta Kakitani, Fotos Shutterstock.

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Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar

Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10
com princípios éticos e profissionalismo, não maiores grupos educacionais do Brasil.
somente para oferecer uma educação de qualidade, A rapidez do mundo moderno exige dos educadores
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão soluções inteligentes para as necessidades de todos.
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- Para continuar relevante, a instituição de educação
nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional precisa ter pelo menos três virtudes: inovação,
e espiritual. coragem e compromisso com a qualidade. Por
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia,
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro do ensino presencial e a distância.
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, promover a educação de qualidade nas diferentes áreas
com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. do conhecimento, formando profissionais cidadãos
Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais que contribuam para o desenvolvimento de uma
de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos sociedade justa e solidária.
pelo MEC como uma instituição de excelência, com Vamos juntos!
boas-vindas

Willian V. K. de Matos Silva


Pró-Reitor da Unicesumar EaD

Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à A apropriação dessa nova forma de conhecer


Comunidade do Conhecimento. transformou-se hoje em um dos principais fatores de
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar agregação de valor, de superação das desigualdades,
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores propagação de trabalho qualificado e de bem-estar.
e pela nossa sociedade. Porém, é importante Logo, como agente social, convido você a saber cada
destacar aqui que não estamos falando mais daquele vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas tecnologia que temos e que está disponível.
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg
atemporal, global, democratizado, transformado pelas modificou toda uma cultura e forma de conhecer,
tecnologias digitais e virtuais. as tecnologias atuais e suas novas ferramentas,
De fato, as tecnologias de informação e comunicação equipamentos e aplicações estão mudando a nossa
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o
informações, da educação por meio da conectividade conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes
e da mobilidade dos celulares. cativantes, ricos em informações e interatividade. É
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá
a informação e a produção do conhecimento, que não as portas para melhores oportunidades. Como já disse
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”.
segundos. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
boas-vindas

Janes Fidélis Tomelin


Pró-Reitor de Ensino de EAD

Kátia Solange Coelho


Diretoria de Graduação
e Pós-graduação

Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja,
iniciando um processo de transformação, pois quando estes materiais têm como principal objetivo “provocar
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta
profissional, nos transformamos e, consequentemente, forma possibilita o desenvolvimento da autonomia
transformamos também a sociedade na qual estamos em busca dos conhecimentos necessários para a sua
inseridos. De que forma o fazemos? Criando formação pessoal e profissional.
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível e construção do conhecimento deve ser apenas
com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita.
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos
se educam juntos, na transformação do mundo”. fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe
Os materiais produzidos oferecem linguagem das discussões. Além disso, lembre-se que existe
dialógica e encontram-se integrados à proposta uma equipe de professores e tutores que se encontra
pedagógica, contribuindo no processo educacional, disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em
complementando sua formação profissional, seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe
desenvolvendo competências e habilidades, e trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, acadêmica.
autora

Professora Mestre Andreia Gonçalves


Mestre em Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá (2014).
Especialista em Conservação e Restauração do Patrimônio pela PUCPR (2016).
Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual de Maringá
(2009). Atua desde 2013 na docência nos cursos de Arquitetura e Urbanismo,
Engenharia Civil e Tecnologia em Design de Interiores, atuando nas áreas de
Urbanismo, Projeto Arquitetônico e Paisagismo. Concomitante à docência, atua
desde 2010 na concepção e execução de projetos de arquitetura, arquitetura
de interiores e paisagismo.
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e
publicações, acesse o currículo, disponível no endereço a seguir: http://lattes.
cnpq.br/1142136172729134.
apresentação

PAISAGISMO

Caro(a) aluno(a), antes de abordarmos o conteúdo deste livro, comentarei, brevemente,


sobre o meu interesse pela disciplina Paisagismo, o qual ocorreu ainda na graduação,
quando, cursando a disciplina de projeto da paisagem, pude participar de um projeto
de iniciação científica que estudava os espaços livres da cidade. Durante meu mestra-
do em Engenharia Urbana (2012-2014), o interesse ganhou maior espaço, quando,
realizando um estudo aprofundado na arborização urbana da cidade de Maringá, me
apaixonei de vez pelo paisagismo e todas as suas vertentes.

Desde 2013, como docente da graduação nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e


Design de Interiores, tenho me dedicado às disciplinas de paisagismo. Assim, este livro
nasce da experiência em lecionar nesta área e da grande paixão em estudar a paisagem e
suas potencialidades no desenvolvimento de projetos de qualidade estética e ecológica,
garantindo maior qualidade de vida e conforto aos usuários.

Este livro tem como objetivo orientar os estudos e desenvolvimento de projetos de pai-
sagismo na escala do micropaisagismo, voltado ao profissional de design de interiores.
Assim, contém conhecimentos que tratam das definições da atividade de paisagismo;
caracterização de tipologias vegetais utilizadas nos projetos; breve histórico do pai-
sagismo mundial e brasileiro; princípios de composição em projetos de paisagismo;
etapas de projeto e sua representação gráfica, e, por fim, apresenta as tipologias de
projeto paisagístico e demandas de projetos contemporâneas.

Na Unidade I, será abordado os conceitos e definições de paisagismo, a origem do termo


e suas aplicações. Contudo, a maior parte da unidade se ocupará com a apresentação e
caracterização das tipologias vegetais, sua divisão em grupos, suas características par-
ticulares e as formas de emprego de cada tipologia vegetal nos projetos de paisagismo.

A Unidade II se dedica a fazer um passeio pela história do paisagismo, desde a antigui-


dade até os tempos contemporâneos, discutindo a evolução da atividade paisagística e
apresentação

suas referências. Abordará como a atividade de paisagismo se desenvolveu no Brasil.


Neste percurso, serão abordados os estilos de jardins, suas características e influências
nos projetos paisagísticos atuais.

A Unidade III trará a discussão sobre os princípios de composição em paisagismo,


os elementos de composição de projetos, suas características e propriedades e como
trabalhar esses elementos visando a qualidade de projeto.

A Unidade IV abordará as etapas de um projeto paisagístico, desde a concepção do


projeto junto ao cliente até o projeto executivo de implantação do jardim. Abordará
também as formas de representação gráfica destes projetos: desenho à mão livre, de-
senho técnico e simbologias.

A Unidade V fechará o livro apresentando as temáticas de projeto paisagístico apli-


cáveis ao micropaisagismo. Serão estudados os projetos da temática residencial, seus
requisitos e particularidades, projetos comerciais e institucionais. Esta unidade buscará
refletir também sobre os projetos contemporâneos, as demandas e tendências atuais.

Dessa forma, este livro busca contemplar os conteúdos necessários à formação de um


profissional capacitado e atento às questões técnicas e criativas relacionados à atividade
de concepção de projetos paisagísticos de qualidade estética e funcional, atendendo às
demandas do mercado de trabalho.
sum ário

______________ _______________
UNIDADE I UNIDADE IV
RECONHECENDO A VEGETAÇÃO REPRESENTAÇÃO GRÁFICA EM PAISAGISMO
14 Definicão de Paisagismo 130 Representação Gráfica à Mão Livre
16 Caracterização das Espécies 136 Representação Técnica
20 Uso Paisagístico 139 Peças Gráficas do Projeto Paisagístico
24 Classificação das Tipologias de Vegetação 143 Etapas de Projeto
40 Referências 154 Referências
41 Gabarito 155 Gabarito

_______________ _______________
UNIDADE II UNIDADE V
HISTÓRIA DO PAISAGISMO PROJETOS PAISAGÍSTICOS
48 Breve Histórico do Paisagismo: Da Pré-História à 162 Tipologias de Projeto: Paisagismo Residencial
Idade Média
165 Tipologias de Projeto: Paisagismo Comercial
59 Breve Histórico do Paisagismo: Renascimento
168 O Micropaisagismo
65 Breve Histórico do Paisagismo: Modernismo e
173 Demandas Paisagísticas Contemporâneas
Pós-Modernismo
179 Paisagistas e Projetos Contemporâneos
68 Paisagismo no Brasil
193 Referências
79 Referências
194 Gabarito
80 Gabarito
195 CONCLUSÃO GERAL

_______________
UNIDADE III
COMPOSIÇÃO EM PAISAGISMO
86 Princípios de Composição
94 Elementos de Composição no Paisagismo
110 Características dos Elementos de Composição
123 Referências
124 Gabarito
RECONHECENDO A VEGETAÇÃO

Professora Me. Andréia Gonçalves

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta
unidade:
• Definição de paisagismo
• Caracterização das espécies
• Uso paisagístico
• Classificação das tipologias de vegetação

Objetivos de Aprendizagem
• Reconhecer as tipologias vegetais.
• Conhecer conceitos do paisagismo.
• Identificar as características das plantas.
• Aprender as formas de uso da vegetação nos projetos de
interiores.
unidade

I
INTRODUÇÃO

Olá, caro(a) aluno(a), damos início aqui à primeira unidade do livro


de paisagismo. Nesta unidade, serão abordados alguns conceitos impor-
tantes de paisagismo e suas divisões, porém o foco desta unidade serão as
plantas, principais elementos de composição de jardins.
Abordaremos a vegetação a partir de suas características físicas, seu
comportamento e suas formas de implantação e uso no paisagismo, ten-
do como objetivo a identificação e reconhecimento das tipologias vege-
tais disponíveis, suas características e estrutura que nos permite classi-
ficá-las em grupos. Serão abordados desde a nomenclatura das espécies
até suas características quanto ao clima, solo, temperatura e crescimento
adequados ao seu desenvolvimento. Sabendo que os elementos vegetais,
por se tratarem de elementos vivos, não se comportam de forma exata
e previsível. As plantas são facilmente influenciadas pelo clima, solo e
ambiente onde estão inseridas; assim, ter conhecimento destes fatores é
fundamental para a atividade do paisagista.
Neste livro, as espécies serão divididas em: arbóreas, arbustos, pal-
meiras, herbáceas, aquáticas, trepadeiras e bromélias, para facilitar sua
identificação. Como a diversidade de plantas passíveis de uso no paisa-
gismo é imensa, não é foco desta unidade a identificação de todas as espé-
cies vegetais, mas sim sua identificação com relação à estrutura, textura,
forma, porte e principalmente suas formas de uso nos jardins, tornando
o aluno capaz de classificá-las dentro de grupos.
Trataremos dos conhecimentos necessários de cada espécie para seu
emprego de forma adequada nos projetos de interiores, de modo a pro-
mover conforto e qualidade estética aos usuários. A classificação da ve-
getação será seguida de ilustração de espécies e formas de composição
delas, visando ilustrar ao aluno as principais características reconhecíveis
nos grupos vegetais e de que forma estes podem ser explorados estetica-
mente dentro dos jardins, sejam em espaços abertos como quintais ou
espaços internos às edificações.
PAISAGISMO

DEFINICÃO DE
PAISAGISMO

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DESIGN

A palavra paisagismo deriva da palavra paisagem. micropaisagismo e macropaisagismo. O primeiro


Esta significa espaço de terreno que se abrange em se refere aos trabalhos de paisagismo de menores
um lance de vista. Seu significado popular remete a dimensões, realizados em pequenos espaços. Neste
uma vista pitoresca, agradável, seja o ambiente natu- tipo de projeto, a escala de representação se encon-
ral ou uma figura (DEMATTÊ, 2006). tra entre as escalas de 1:50 até 1:1.000 e normalmen-
O paisagismo é uma atividade que trabalha com te envolve soluções técnicas mais simples. Por outro
a organização dos espaços, tendo como objetivo pro- lado, o macropaisagismo é o trabalho de paisagismo
porcionar bem-estar aos seres humanos, atendendo realizado em grandes espaços, no qual a escala usual
suas necessidades e conservando os recursos desses está em geral entre 1:5.000 a 1:50.000, envolvendo
espaços. Portanto, o paisagismo reúne a arte de criar problemas técnicos complexos e multidisciplinares
com a técnica de viabilizar. (DEMATTÊ, 2006).
No paisagismo, falaremos sempre sobre o jar- São exemplos de projetos de micropaisagismo
dim. A palavra jardim tem origem: Gan = proteger, os jardins internos, jardins residenciais, jardins de
defender + eden = prazer, satisfação, delícia, for- inverno e jardins comerciais e institucionais de pe-
mando assim o termo garden, no inglês, e jardim, no quenos espaços. São exemplos de projetos de ma-
português. Em diferentes culturas, o jardim sempre cropaisagismo o paisagismo rodoviário, arborização
está associado a um espaço perfeito, um ambiente urbana, projetos de praças e parques. Neste livro,
de harmonia, beleza e satisfação espiritual, um ver- debruçaremo-nos apenas sobre os projetos de mi-
dadeiro paraíso. Justamente desse conceito vem a cropaisagismo.
referência cristã ao jardim do éden como o paraíso.
Um jardim é a representação idealizada da pai-
sagem como cada civilização desejaria que ela fosse.
Para Roberto Burle Marx, principal nome do paisa- SAIBA MAIS
gismo brasileiro, era importante que o jardim fosse
bem sucedido ecologicamente, adaptando-se à pai-
No Brasil, ao contrário de outros países, não
sagem e ao clima local. existe uma formação específica em paisagis-
O paisagismo é única expressão artística que en- mo. A atividade paisagística é exercida aqui
volve os cinco sentidos. A visão por meio das cores, por profissionais graduados em cursos como
arquitetura e urbanismo, agronomia, enge-
movimento dos ventos e formas. O tato por meio do nharia florestal, biólogos, geógrafos, ecólogos,
contato direto do usuário com o jardim. O paladar artistas plásticos (DEMATTÊ, 2006) e designers
com o uso de frutos e flores comestíveis. O olfato de interiores, estes focados no micropaisagis-
mo e espaços interiores.
pelo perfume fornecido pelas plantas. E a audição
por meio do som da água, das folhas e dos pássaros. Fonte: a autora.

A atividade paisagística pode ser dividida em

15
PAISAGISMO

CARACTERIZAÇÃO
DAS ESPÉCIES
Por se tratarem de seres vivos, o desenvolvimen- identificação e utilização do vegetal. Envolve seu
to das plantas depende de várias características do comportamento, sua relação com o meio e suas ne-
ambiente. Segundo Vilaça (2005), as plantas são se- cessidades básicas. São eles:
res vivos e se comportam como tal, sendo assim, • nome popular;
quanto mais o jardim se aproximar da realidade • nome científico;
natural, mais bonito ele será. O jardim deve ser • origem geográfica;
pensado como um meio de integração e não um • temperatura;
espaço onde as plantas funcionam apenas como • solo adequado;
adornos. • luminosidade;
Para se conceber um jardim, é necessário o co- • rega;
nhecimento de fatores importantes para o bom • multiplicação;
desenvolvimento da vegetação. Estes fatores com- • espaçamento de plantio;
preendem um mínimo de dados que permite a • crescimento.

16
DESIGN

NOME POPULAR ORIGEM GEOGRÁFICA

Como é comumente (popularmente) conhecida a Refere-se ao lugar de procedência da espécie, o qual


espécie, podendo variar de uma região para outra. indica os fatores de altitude, temperatura, solo, lumi-
nosidade e umidade ideais. No entanto, vale lembrar
NOME CIENTÍFICO que existem espécies que se adaptam às condições
diferentes do ambiente natural, elas são chamadas
Diz respeito à forma correta de dar nome aos vege- de espécies aclimatadas.
tais. Normalmente está relacionado ao nome de seu
descobridor. O nome científico é reconhecido inter- CLIMA E TEMPERATURA
nacionalmente e é composto por dois nomes:
• O do gênero (classificação mais ampla), vem Estão relacionados à temperatura exigida por cada
em primeiro lugar e é iniciado por maiúscula; e, planta, permitindo o seu cultivo, o que não significa
• O da espécie (classificação mais particular), ser a temperatura ideal. Normalmente as tempera-
vem em seguida ao gênero e é iniciado por turas são divididas em cinco categorias, sendo elas,
minúscula.
quente, quente a ameno, ameno, ameno a frio e frio
Por convenção, o nome científico aparece grifado ou (VILAÇA, 2005).
em itálico e escrito em latim (VILAÇA, 2005).
Exemplo: LUMINOSIDADE
Nome popular: Ixora
Refere-se à intensidade e duração da luminosidade exi-
gida pelas plantas para seu cultivo. As plantas possuem
necessidades diferentes com relação à intensidade da
luz incidente, mesmo estando em um mesmo clima.
A luminosidade é dividida em pleno sol, quando as
plantas necessitam estar sob o sol para se desenvolve-
rem melhor; meia-sombra quando necessitam de certo
sombreamento, com luz no entorno; e, sombra, quando
as plantas necessitam de sombreamento e pouca luz ao
redor para melhor se desenvolverem (VILAÇA, 2005).

SOLO

Trata do tipo de solo no qual a planta se desenvolve


melhor. Seguir a realidade natural é a melhor ma-
Figura 1 - Nome científico: Ixora coccinea neira de se obter um jardim. Os solos podem ser di-
Fonte: Shutterstock. vididos em:

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PAISAGISMO

• Argiloso: para plantas que precisam estar em


ra ou o porte da planta depende das características
condições de solo úmido, áreas pantanosas
ou brejos, necessitando de grande quantida- climáticas, portanto são alturas médias, pois as plan-
de de água. tas podem atingir altura maior ou menor de acordo
• Arenoso: para plantas que necessitam de solo com o clima, solo ou região onde esteja implantada
seco, com pouca umidade e pobres em nu- (VILAÇA, 2005).
trientes.
• Areno-argiloso: este tipo de solo atende a SAIBA MAIS
necessidade da maioria das plantas, pois pos-
sui umidade balanceada e boa capacidade de
reter nutrientes e, apresentam assim, carac- Outras informações podem complementar a
terísticas mais equilibradas (VILAÇA, 2005). ficha técnica das espécies vegetais. Uma delas
é a forma de inserção das espécies, ou seja, de
quais formas determinada espécie pode ser
REGA utilizada no paisagismo. Algumas espécies se
adaptam melhor se forem plantadas de forma
Refere-se à necessidade de rega da planta. A quanti- isolada, destacando seus aspectos estéticos
e suas necessidades de crescimento e desen-
dade de água no solo depende da temperatura e da
volvimento. Outras adquirem melhor aspecto
luz recebidas e da estrutura do solo. Além da água visual quando inseridas em agrupamentos.
absorvida pelo solo, as plantas também têm exigên- Há ainda aquelas espécies que podem ser
usadas de ambas as formas, isoladas ou em
cia da umidade do ar.
grupos, diretamente plantadas no solo ou
inseridas em vasos, formando cerca viva ou
ESPAÇAMENTO DE PLANTIO barreiras visuais.

Fonte: a autora.
Trata da distância ideal para o desenvolvimento
confortável da muda. Esta característica pode ser
adaptada no projeto e, para criar efeitos, pode-se di-
minuir ou aumentar este espaçamento. REFLITA

CRESCIMENTO
No desenvolvimento de projetos paisagísticos,
é fundamental que seja sempre considerado
O crescimento é a velocidade com que a planta atin- o porte adulto da vegetação, que é variável
ge a maturidade, podendo variar conforme as con- de acordo com cada espécie e tipologia; as-
sim, o aspecto final do jardim será o mesmo
dições ambientais e de manutenção; podendo ser concebido em projeto. Deve-se lembrar que
de crescimento lento, que na maioria dos casos tem a vegetação é um elemento vivo e que se mo-
uma durabilidade maior, ou de crescimento rápido, difica de acordo com o crescimento.

que normalmente morrem rápido também. A altu-

18
DESIGN

19
PAISAGISMO

USO PAISAGÍSTICO
 uso paisagístico trata da forma que as plantas podem ser usadas dentro de um jardim.
O
Formas de composição e associação de espécies vegetais, buscando criar aspectos visuais
que podem ser estéticos ou de proteção.
As plantas podem ser usadas como:

BARREIRA FÍSICA

São possíveis por meio do uso de plantas que, por sua textura, porte ou forma, criam uma
barreira física que impede a passagem. Comumente chamado de cerca viva, este elemento
tem função de proteção e cercamento, barreira visual, proteção contra ventos, além da fun-
ção estética. Nesse tipo de elemento, as plantas mais utilizadas são as arbustivas.

20
DESIGN

FORRAÇÕES

As forrações têm a função de cobrirem o solo pro-


tegendo-o da erosão causada pelas chuvas e ventos.
Constituem-se de plantas rasteiras, normalmente her-
báceas que não excedem 15 cm de altura (VILAÇA,
2005).
Os gramados são o tipo de forração mais co-
mum e, com exceção destes, todos os outros tipos
de forração são muito sensíveis ao pisoteio, o que
Figura 2 - Cerca viva formada por pinheiros restringe o espaço a um uso contínuo.
Fonte: Shutterstock. As forrações, na maioria dos casos, são as plantas
responsáveis por trazerem mais cor aos jardins. Por
BORDADURAS proporcionarem um bom cobrimento da superfície
do solo, é possível criar canteiros bem desenhados e
As bordaduras são constituídas por plantas que são ricos em coloração.
alinhadas, normalmente de baixo porte, delimitan-
do canteiros, criando formas e delimitação de pas-
seios e circulações. As espécies herbáceas, por seu
baixo porte e variedade de cores, são o principal tipo
a ser utilizado nesta composição.
As bordaduras são utilizadas como contorno
de canteiros ou formando desenhos no jardim. Elas
podem ser utilizadas também para limitar o cresci-
mento de outras plantas, avançando sobre passeios
ou áreas gramadas.

Figura 3 - Bordadura ao longo da circulação Figura 4 - Canteiro com forrações


Fonte: Shutterstock. Fonte: Shutterstock.

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PAISAGISMO

Figura 5 - Cerca viva


Fonte: Shutterstock.

CERCA-VIVA

São plantas, normalmente arbustivas, que por seu


porte, textura e forma possibilitam a formação de
cercas e muros naturais que bloqueiam a visão, im-
pedem a passagem de pessoas e animais, auxiliam
na delimitação dos espaços do jardim e podem até
redirecionar os ventos e amenizar a incidência de
radiação solar nas edificações.

ISOLADO

As plantas organizadas de forma isolada normal-


mente possuem caráter estético ornamental, ou
que necessitam serem implantadas isoladas para
se desenvolverem adequadamente. Alguns tipos de
palmeiras são bastante ornamentais e se destacam
quando utilizadas isoladamente. O efeito de isola-
mento pode ser reforçado com o uso de iluminação
direcional, destacando ainda mais a planta dentro
do jardim.
Figura 6 - Palmeira plantada de forma isolada
Fonte: Shutterstock

22
DESIGN

Figura 7 - Maciço vegetal formado por plantas de espécies diferentes


Fonte: Shutterstock.

SAIBA MAIS
MACIÇOS
Muitas espécies permitem seu plantio e uso
Os maciços são formados por meio do agrupamen- em vasos, seja a pleno sol, meia sombra ou
em ambientes internos, o que pode ser muito
to de plantas, seja de uma mesma espécie ou de es-
explorado em projeto de interiores. Os vasos
pécies diversas. Os maciços podem ter tamanhos e podem ser usados isoladamente ou em agru-
formas diversas, desde pequenos maciços até agru- pamentos, com vasos de tamanho igual ou
em tamanhos, alturas e materiais diversos.
pamentos de grande extensão. Em um maciço, po- Os vasos podem são encontrados prontos em
dem ser associadas plantas de tipologias diferentes formas, cores e texturas diversas e são facil-
mente integrados à composição do jardim.
como herbáceas mais junto ao solo, arbustivas fa- Um tipo de vaso muito utilizado no paisagismo
zendo o fechamento mediano, e arbóreas que pro- contemporâneo é o chamado vaso vietnamita.
movem recobrimento no plano mais alto, buscan- Fonte: a autora.
do criam linhas de visão que preencham o espaço.

23
PAISAGISMO

CLASSIFICAÇÃO DAS
TIPOLOGIAS DE VEGETAÇÃO
As espécies são divididas em grupos de acordo com suas características físicas e
seu comportamento. Neste livro, elas serão divididas em 7 grupos a saber: arbó-
reas, arbustos, palmeiras, herbáceas, aquáticas, trepadeiras e bromélias.

24
DESIGN

ARBÓREAS ARBUSTIVAS

As árvores são plantas perenes, ou seja, possuem Os arbustos, como o próprio nome sugere, apresen-
vida longa, possuem porte elevado (de modo geral tam algumas semelhanças com as árvores. No en-
acima de 5 metros) e tem como características físi- tanto, há diferenças que permitem distinguir as duas
cas um tronco lenhoso e bem definido e a presença categorias, sendo uma delas o porte. A maioria dos
de copa. As árvores podem ser classificadas quanto arbustos não atinge mais do que três metros de al-
ao porte em: pequeno porte (normalmente até 12 tura, os considerados grandes geralmente não ultra-
metros), médio porte (até 25m) e grande porte (aci- passam os seis metros.
ma de 25m). Como elementos de projeto, permitem diversi-
ficada forma de uso e apresentam-se volumetrica-
mente em uma infinidade de formas, tamanhos e
cores. Alguns se assemelham às pequenas árvores,
outros se mostram finos e pontiagudos, verdadeiros
elementos escultóricos, outros possuem folhagens
de cores diversas.

Figura 8 - Flamboyant - Delonix regia


Fonte: Shutterstock.

Figura 9 - Ipê amarelo - Tabebuia alba Figura 10 - Buxinho - Buxus sempervirens


Fonte: Shutterstock. Fonte: Shutterstock.

25
PAISAGISMO

Este grupo de vegetal possui espécies que permitem


ao homem sua modelagem em várias formas (poda
constante), conhecida como topiaria, muito utiliza-
da nos jardins clássicos europeus do período renas-
centista.
Certos arbustos são usados pelo colorido das fo-
lhas, que variam do verde ao vermelho, do branco
ao vinho, ao multicolorido, como é o caso do cróton
(Codiaeum variegatum). Os arbustos são o grupo
que apresentam maior variedade de cores nas folha-
gens; além das diversas tonalidades de verdes, verme-
lhos, cinzas e amarelos, muitos arbustos apresentam
várias cores em uma mesma folha. Esses tons podem
aparecer em manchas disformes e variáveis em cada
Figura 12 - Hibisco – Hibiscus rosa-sinensis
folha ou apresentarem um padrão de desenho que se Fonte: Shutterstock.

repete em todas as folhas (ABBUD, 2006).


No paisagismo, os arbustos podem ser utilizados nas
mais diversas formas: como barreira física, borda-
duras, cercas-vivas, revestimento de muros, cercas
vivas, canteiros, vasos, podendo ser implantadas
isoladas ou em maciços. É o grupo vegetal com mais
opções de uso no paisagismo (VILAÇA, 2005).

PALMEIRAS

As palmeiras são plantas tropicais, que por possuí-


rem porte elegante são facilmente distinguíveis das
demais tipologias. Quando de porte elevado, con-
correm com as árvores na paisagem. Quando de
pequeno porte se assemelham aos arbustos, poden-
do ser utilizadas com funções semelhantes (VILA-
ÇA, 2005). Muitas espécies de palmeiras possuem
características ornamentais, o que valoriza seu uso
Figura 11 - Cróton - Codiaeum variegatum
Fonte: Shutterstock. no paisagismo. Umas das principais características
das palmeiras é o caule, ou estipe, que não se rami-
Outros arbustos atraem mais pelo colorido das flo- fica, e apresenta uma coroa de folhas no topo. Os
res, como o hibisco: caules podem ser lisos, cilíndricos ou “barrigudos”.

26
DESIGN

Possuem anéis ao longo de seu comprimento, alguns


com anéis espinhentos.
Em certas palmeiras, as folhas ao se destacarem
do caule deixam marcas (em outras as folhas não se
destacam), formando uma saia ao redor do tronco,
o que potencializa seu caráter ornamental, como
exemplo vemos a Tamareira.

Figura 13 - Tamareira - Phoenix dactylifera


Fonte: Shutterstock.

As palmeiras podem ter um único tronco, simples,


Figura 15 - Palmeira real - Archontophoenix cunninghamiana
solitário (Palmeira real) ou vários, formando uma Fonte: Shutterstock.

touceira (Areca bambu). Neste caso, o tronco po-


derá ser subterrâneo, tornando-as aparentemente As folhas podem ser grandes, em forma de leque,
acaules. botanicamente denominadas flabeladas.

Figura 14 - Areca bambu - Dypsis lutescens Figura 16 - Palmeira azul - Bismarckia nobilis
Fonte: Shutterstock. Fonte: Shutterstock.

27
PAISAGISMO

Outras apresentam folhas semelhantes a uma pena, lidocarpus lutescens), Camedórea (Chamaedorea
chamadas pinadas (Syagrus romanzo�anum, Jeri- oblongata), Coralina (Chamaedorea erumpens),
vá). As raízes das palmeiras são fasciculadas, não Rafis (Rhapis excelsa) e a Tamareira anã (Phoenix
profundas, o que permite o transplante mesmo de robelinii).
indivíduos já adultos. Quanto ao porte, podemos
encontrar desde espécies de palmeiras de pequeno HERBÁCEAS
porte, atingindo cerca de 2m de altura, até as de por-
te maior que podem atingir 50m de altura. As herbáceas são plantas de pequeno porte, poden-
As palmeiras, por seu porte elegante e esguio, do alcançar altura de um metro ou pouco mais. Essas
conferem leveza e harmonia aos jardins. Em função plantas possuem tecidos pouco resistentes, ricos em
de seu crescimento vertical, são comumente utiliza- água, de corte fácil e sem caules definidos. Podem
das em áreas estreitas, tendo em vista a inexistência ser anuais, cujo ciclo de vida ocorre durante uma ou
de uma copa de grande diâmetro. Quando planta- duas estações do ano, ou perenes e se multiplicam
das isoladamente, principalmente as de grande por- por sementes, bulbos ou mudas. Algumas espécies
te, funcionam como marco ou referencial dentro de deste grupo podem ser utilizadas como forração
uma área qualquer, ao mesmo tempo em que as de (VILAÇA, 2005).
pequeno porte podem atuar como esculturas vivas. As espécies herbáceas são ricas em flores colo-
Algumas espécies podem ser cultivadas em ridas, sendo muito utilizadas para promover mais
interiores, são exemplo a: Areca bambu (Chrysa- vida ao jardim.

Plantas Herbáceas Lavanda - Lavandula Sangue de Adão Tulipas

28
DESIGN

AQUÁTICAS

As plantas aquáticas pertencem ao grupo de plantas herbáceas, porém que possuem


uma característica específica: necessitam da água para se desenvolverem. Geralmente
são plantas de pequeno porte. As plantas aquáticas classificam-se em: submersas, flu-
tuantes livres e fixas, emergentes e anfíbias, conforme ilustra a figura abaixo.

Figura 17 - 1- anfíbia; 2 - emergente; 3 - flutuante fixa; 4 – submersa livre; 5 – submersa fixa; 6 – flutuante livre; 7 – epífita

1 anfíbia 2 emergente 3 flutuante fixa

4 submersa livre 5 submersa fixa 6 flutuante livre 7 epífita

29
PAISAGISMO

SUBMERSAS FLUTUANTES FIXAS

Aquelas que se desenvolvem totalmente embaixo São aquelas plantas que flutuam sobre as águas, mas
da água, podendo ser livre ou terem as raízes fixas. tem suas raízes fixas no fundo do lago. A Vitória Ré-
Normalmente estas espécies não são utilizadas no gia é um exemplo deste tipo de aquática. Esta espé-
paisagismo. cie apresenta folhas gigantes flutuantes que podem
atingir 2,2m de diâmetro (LORENZI, 2013).
FLUTUANTES LIVRES

Aquelas que flutuam sobre a água, podendo se des-


locar de acordo com o movimento da água ou ven-
tos. Como exemplo temos o alface d’água. Esta es-
pécie é utilizada com frequência no paisagismo em
aquários, lagos, tanques e espelhos d’água. Como se
multiplica rapidamente, em pouco tempo cobre a
superfície da água, proporcionando um efeito deco-
rativo muito interessante (LORENZI, 2013).

Figura 19 - Vitória régia – Victoria amazonica


Fonte: Shutterstock.

EMERGENTES

As plantas emergentes são aquelas de bordas, que


tem suas raízes fixam no lodo, porém a maior par-
te de sua estrutura fica acima do nível da água. São
comuns em bordas de rios e lagos. O papiro é um
exemplo, sendo uma planta de grande efeito or-
namental quando cultivada em jardins aquáticos,
à beira de lagos, lagoas, espelhos d’água e tanques
Figura 18 - Alface d’água – Pistia stratiotes
Fonte: Shutterstock. (LORENZI, 2013).

30
DESIGN

TREPADEIRAS

As trepadeiras são plantas de caules compridos e


fracos que não se sustentam, precisando de suporte
ou tutor para se apoiarem e se desenvolverem, isso
permite a manipulação de sua forma de crescimen-
to. Podem ser plantas lenhosas ou herbáceas. As tre-
padeiras multiplicam-se geralmente por sementes e
estacas e apresentam raízes superficiais, o que é ou-
tro fator que dificulta sua sustentação.
Quanto ao porte, as trepadeiras não são medidas
pela altura e sim por seu comprimento, o que pode ser
muito variável de espécie para espécie, sendo muitas
vezes difícil determinar seu porte de forma precisa.
Figura 20 - Papiro – Cyperus giganteus
Fonte: Shutterstock. De acordo com a forma de crescimento, as trepadei-
ras podem ser classificadas em quatro grupos:
ANFÍBIAS
Volúveis
São aquelas plantas que já saíram da água, porém
precisam de solos alagadiços para se desenvolverem. São aquelas plantas, normalmente herbáceas, que para
Como exemplo o inhame-preto, que pode ser utili- seguirem sua trajetória ascendente utilizam um sistema
zado em margens de lagoas e tanques, tanto dentro, similar ao da reação muscular, ou seja, os ramos ao to-
quanto fora da água (LORENZI, 2013). carem no tutor/apoio enrolam-se subindo em espiral.

Figura 21 - Inhame-preto – Colocasia esculenta var. Aquatilis Figura 22 - Tumbérgia - Thunbergia alata
Fonte: Shutterstock. Fonte: Shutterstock.

31
PAISAGISMO

Sarmentosas

São plantas dotadas de órgãos especiais de fixação


chamadas de gavinhas, provenientes de raízes, fo-
lhas, caules e até de flores modificadas. Outra ma-
neira que algumas espécies deste grupo usam para
subir são raízes adventícias. Na realidade, esse tipo
de trepadeira desenvolve raízes ao longo dos ramos,
fora, portanto, do lugar em que aparecem normal-
Figura 24 - Jasmim-estrela - Jasminum nitidum
mente. A unha de gato é um exemplo. Fonte: Shutterstock.

Arbustos escandentes

As espécies assim chamadas fazem parte de um grupo


intermediário entre os arbustos e os cipós. Estas plan-
tas crescem até atingir uma determinada altura, depois,
com o próprio peso, os galhos caem, se debruçando so-
bre o solo, necessitando assim de tutores para determi-
nar seu crescimento ascendente. A melhor maneira de
educá-los como trepadeira é por meio de amarrilhos.
Feito isso, os arbustos escandentes são uma ótima opção
para cobrir pergolados e caramanchões. Como exem-
Figura 23 - Unha-de-gato - Ficus pumila
Fonte: Shutterstock. plo, tem-se as espécies: Bougainvillea spectabilis (pri-
mavera); Plumbago campensis (bela-emília); Allamanda
Cipós cathartica (alamanda) e algumas rosas trepadeiras.

Estas plantas emitem longos caules que, depois de su-


birem consideravelmente, começam a ficar arqueados
devido ao peso próprio. São plantas que não se enrolam
no suporte e não possuem órgãos fixadores, portanto
se debruçam sobre os apoios construídos ou outras
plantas. Os caules são resistentes, longos e de cresci-
mento rápido. Com um suporte para se apoiar, estas
trepadeiras atingem grandes alturas. Como exemplo
tem-se as espécies: Pandorea ricasoliana (sete-léguas);
Cuspidaria convoluta (cipó-rosa); Congea tomentosa
Figura 25 - Primavera - Bougainvillea spectabilis
(congéia); Jasminum nitidum (jasmim-estrela). Fonte: Shutterstock.

32
DESIGN

No paisagismo, as trepadeiras podem ser utilizadas


para revestir arcos, caramanchões, cercas, grades,
muros, paredes, pérgolas, portais e treliças (VILA-
ÇA, 2005).

Bromélias

As bromélias não são especificamente outro grupo


vegetal, mas sim uma família de herbáceas muito uti-
lizadas no paisagismo. São plantas de origem tropical,
com folhas que se organizam e formam uma roseta.
Figura 27 - Vaso prateado – Eechmea fasciata
Fonte: Shutterstock.

A multiplicação se dá por sementes ou por separa-


ção dos próprios brotos que se formam lateralmente
(LORENZI, 2013).

SAIBA MAIS

As plantas suculentas são espécies herbá-


ceas de aspecto carnoso e espesso, capaz
de armazenar grande quantidade de água,
o que lhe permite se desenvolver bem em
solos secos, arenosos ou rochosos (VILAÇA,
2005).

No paisagismo, podem ser utilizadas em va-


Figura 26 - Bromélias
Fonte: Shutterstock.
sos, isoladas ou em maciços. São as plantas
principais dos jardins de pedra, inspirado
nos ecossistemas desérticos existente mun-
Se comportam bem quando em conjunto com ou- do afora. Necessitam de alta luminosidade.
tras plantas tropicais, podendo ser utilizadas em Caracterizam-se também por necessitarem
de solos bem drenáveis com predominân-
maciço ou em vasos. Estas espécies não se adap- cia de areia e cascalho (LORENZI, 2013).
tam a solos encharcados e preferem climas quentes,
Por serem espécies de pequeno porte, as
não se adaptando em geadas ou em ambientes com suculentas são ideias para composição de
temperaturas baixas (VILAÇA, 2005). As bromélias jardins em pequenos espaços como varan-
apresentam grande variedade de cores. Apresentan- das, sacadas, floreiras, desde que recebam
luminosidade abundante.
do porte variado também. Além das cores presentes
nas próprias folhas, as bromélias também possuem Fonte: a autora.

floração exuberante.

33
considerações finais

E assim, finalizamos a primeira unidade do livro de paisagismo. Nesta unidade,


foram abordados conteúdos introdutórios à atividade paisagística, porém não
menos importantes. Desde o entendimento da atividade paisagística, suas defini-
ções e divisões até conhecimentos específicos dos vegetais, os elementos princi-
pais de qualquer jardim.
O reconhecimento das tipologias vegetais, assim como o conhecimento das
características de comportamento de cada espécie é fundamental para o bom
desempenho da atividade profissional do paisagista. Seja para a composição do
projeto enquanto obra de arte e criação, como para o bom desenvolvimento das
plantas dentro do jardim, lembrando que cada espécie apresenta exigências par-
ticulares com relação à luminosidade, solo, rega e implantação.
Outro aspecto de suma importância para o desenvolvimento de projetos pai-
sagísticos de qualidade é o entendimento de como cada tipologia vegetal pode
ser utilizada no paisagismo, podendo o profissional potencializar as qualidades
singulares de cada espécie, enriquecendo e valorizando ainda mais a qualidade
estética, funcional e ambiental do jardim.
Esta unidade reuniu os conhecimentos básicos sobre a vegetação, que serão
base para a compreensão dos conteúdos abordados nas unidades seguintes, per-
mitindo ao aluno e futuro profissional o entendimento da vegetação no processo
de projeto e seu comportamento no espaço concluído, enquanto ser vivo, que se
modifica ao longo do tempo.
O conhecimento aqui apresentado permite ao aluno relacionar com a história
do paisagismo princípios de composição e representação de projetos paisagís-
ticos, que serão abordados na sequência, dando-lhe um conhecimento crítico
sobre as formas de uso e inserção dos elementos vegetais nos diferentes períodos
históricos, além das diferentes formas e possibilidades de composição por meio
das tipologias vegetais e sua correta representação gráfica.

34
LEITURA
COMPLEMENTAR

HORTA DE TEMPEROS

As hortas têm sido uma opção para se ter elementos verdes em pequenos espaços,
tendo tanto função utilitária, quanto estética.
Quando se deseja implantar uma horta é necessário saber que está necessitará de
pelo menos duas horas de sol todos os dias. O plantio das hortaliças pode ser feito em
pequenos vasos, floreiras de modo que tenham boa drenagem. Os vasos podem ser
colocados nas varandas ou até mesmo no peitoril das janelas, permitindo que as hor-
taliças recebam a luz solar.
Quando se tem pouco espaço disponível é possível montar uma horta vertical, utilizan-
do pequenos vasos que podem ser fixados em um painel ou diretamente nas paredes
ou por meio das bolsas vivas, estas fazem a função do vaso e recebem os temperos ou
hortaliças.
As regas devem ser feitas diariamente e em quantidades razoáveis, sempre em perío-
dos em que o sol esteja mais ameno; o indicado é regar as plantas no início da manhã
ou no fim da tarde.
Uma dica importante é que na hora do plantio as ervas sejam separadas, tendo em
vista que cada uma delas requer um cuidado especial. Para manter a boa drenagem do
solo, uma dica importante é usar pequenas pedras no fundo dos vasos, essas farão a
drenagem e o controle do excesso de água no vaso.
Na escolha das espécies que irão compor a horta, deve-se optar pelas espécies de
maior consumo. São exemplos de espécies para uso em hortas de temperos o alecrim,
manjericão, hortelã, orégano, tomilho, sálvia, pimenta e salsão.
Saiba algumas características dessas espécies:
O manjericão prefere temperaturas mais altas ou amenas. É muito utilizada em pratos
da cozinha italiana, como pizzas e molhos para massas.
O alecrim, por se tratar de uma planta muito resistente, é ideal para hortas com baixa
manutenção. Ele se adapta a climas mais quentes e secos, podendo passar até três dias
sem ser regado. É utilizado para temperar carnes, especialmente peixe e frango.
O salsão resiste bem ao inverno e necessita ser regado todos os dias para se desenvol-
ver bem. É recomendado para uso em sopas, saladas, omeletes e sanduíches.
A hortelã tem suas raízes mais profundas que as das demais ervas, assim indica-se que
seja plantada sozinha em um vaso, de modo que não prejudique o desenvolvimento de

35
LEITURA
COMPLEMENTAR

outras plantas. A hortelã é muito utilizada na culinária árabe, em assados e grelhados,


podendo ser utilizada também na decoração de pratos e no preparo de chás.
O orégano exige pouca água para se desenvolver e se adapta bem em qualquer am-
biente. É uma espécies utilizada em pizzas, em molhos e assados.
A pimenta é uma planta resistente que gosta de espaço para se desenvolver. O indicado
é o plantio de forma isolada. É recomendada, devido ao seu sabor picante, em molhos,
conservas e temperos.
A sálvia resiste bem às baixas temperaturas e assim como o alecrim é indicada para
hortas de baixa manutenção. É utilizada para a decoração de pratos e para temperar
carnes mais gordurosas, como carne de caça.
O tomilho é uma planta que não necessita de muita água, podendo ser regado a cada
dois dias. Quanto menor for a umidade no vaso, mais cheiroso o tomilho ficará. É usado
em ensopados e molhos à base de vinho (JARDINEIRO, 2016, on-line)1.
A horta trará ao espaço a presença de elementos naturais ao mesmo tempo em que
terá muita utilidade. É possível preparar diversas receitas com ervas, temperos e horta-
liças fresquinhas, colhidas em casa, sem custo e com garantia de qualidade.

Fonte: a autora.

36
atividades de estudo

1. O que difere um projeto de micropaisagismo de um de macropaisagismo?

2. Sobre os tipos de espécies é correto afirmar que:


I. As árvores são plantas perenes e possuem porte elevado.
II. Os arbustos possuem pouca variedade formas e cores, o que limita sua
forma de uso no paisagismo.
III. As trepadeiras podem ser utilizadas para revestir arcos, caramanchões,
cercas, paredes, pérgolas, portais e treliças.
IV. As plantas aquáticas pertencem ao grupo de plantas arbustivas e tem
como característica a necessidade da água para se desenvolverem.
V. As palmeiras são um grupo de plantas arbóreas, que atingem grandes al-
turas, podendo chegar até 50m.

Assinale a alternativa correta:


a. As alternativas II e III estão corretas.
b. As alternativas I, III e V estão corretas.
c. As alternativas III, IV e V estão corretas.
d. As alternativas II, IV e V estão incorretas.
e. As alternativas I, II e IV estão incorretas.

3. Os maciços são:
a. Os maciços são formados por meio do agrupamento de plantas de uma
mesma espécie.
b. Os maciços sempre assumem os mesmos tamanhos e formas.
c. Em um maciço, podem ser associadas plantas de tipologias diferentes
como herbáceas, arbustivas e arbóreas.
d. Os maciços são formados por plantas herbáceas que promovem o reco-
brimento do solo.
e. Os maciços são usados para demarcar caminhos, circulações destacando
elementos construídos.

4. Dentre as características mínimas que se deve conhecer de uma espécie


antes de sua inserção em um projeto de paisagismo estão, exceto:

37
atividades de estudo

a. Origem geográfica, tipo de solo e luminosidade.


b. Temperatura, rega e espaçamento de plantio.
c. Origem geográfica, e rega luminosidade.
d. Temperatura, solo, cor e multiplicação.
e. Espaçamento de plantio e crescimento.

5. São características das plantas suculentas:


a. Necessitam de pouca luminosidade.
b. Adaptam-se melhor em solos argilosos.
c. Podem atingir grandes alturas quando adultas.
d. Possuem estrutura carnosa e espessa que acumula água.

e. São plantas características de lagos, lagoas e espelhos d’água.

38
Plantas para Jardim no Brasil: herbáceas, arbustivas e trepadeiras
Harri Lorenzi
Editora: Instituto Plantarum
Ano: 2013
Sinopse: esta obra apresenta de forma objetiva e ilustra-
da as principais plantas ornamentais cultivadas no Brasil,
para composição de jardins e parques, arranjos florais, e
plantas de vaso para usos em interiores. Este livro abor-
da uma imensidão de espécies efetivamente utilizadas na
composição de jardins, com fins ornamentais.
Comentário: esta obra comporta-se como um grande
book de espécies ornamentais, o que tem facilitado muito
a atividade do paisagista na escolha das espécies que irão
compor os projetos.

Este vídeo apresenta 11 espécies que necessitam de pouca luz direta e que, portanto, al-
gumas delas podem ser facilmente usadas em interior. O vídeo destaca espécies do tipo
folhagem.
Em: https://www.youtube.com/watch?v=1dnkMo7vlBY
referências

ABBUD B. Criando Paisagens: Guia de trabalho em Arquitetura Paisagística. São Paulo: SENAC, 2006.

DEMATTÊ, M. E. S. P. Princípios de paisagismo. 3. ed. Jaboticabal: Funep, 2006.

LORENZI, H. Plantas para jardim no Brasil: herbáceas, arbustivas e trepadeiras. Nova Odessa, SP: Instituto
Plantarum, 2013.

VILAÇA, J. Plantas Tropicais: guia prático para o novo paisagismo brasileiro. Editora Nobel, 2005.

Referências On-Line
1
Em: <http://www.jardineiro.net/>. Acesso em: 23 mai. 2017.

40
gabarito

1. O micropaisagismo se refere aos trabalhos de paisagismo de menores dimensões,


realizados em pequenos espaços, enquanto o macropaisagismo é o trabalho de pai-
sagismo realizado em grandes espaços, envolvendo problemas técnicos complexos
e multidisciplinares.
2. D.
3. C.
4. D.
5. D.

41
UNIDADE
II