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___RESENHA: REALIDADE SOMATICA — EXPERIENCIA CORPORAL E VERDADE EMOCIONAL Autor: Stanley Keleman Editora: Summus Editorial, 1994 Carla da Silva Santana Aluna do Programa de Pés-GraduagGo em Educagao — Mestrado em Educacao Motora ‘A opedo por apresentar este trabalho de Keleman deve-se ao fato de que o autor con- segue objetivamente abordar a organizagio somética de nossos scntimentos, rcagdes, com- portamentos, excitagdes, relagdes € nos convida a estar participando de todas as nossas experiéncias bioldgicas. Assim como em seu livro anterior Anatomia Emocional, resgata a importancia de estarmos compreendendo os processos que acompanham todas as transforma- des a que nossos corpos esto sujeitos, © que facilita 0 convivio com 0 corpo que a cada instante esta se moldando a novas experimentacdes, a novos saberes, a novos encontros com a nossa histéria, com os outros € com 0 cosmos. Generosamente o autor convida através de trés capitulos, nao poupando esforgos para tomar claros os seus caminhos, as pessoas a participarem das transigdes de suas vidas, através dc um entendimento desta fabulosa vivéncia de seus préprios processos biolégicos. A partir do momento em que nos conscientizamos da necessidade de estarmos engajados nessa via~ gem rumo ao sentido de nés mesmos e “quanto mais entramos em contato com sentimentos de nosso processo organizativo, mais responsivos ficamos para acompanhar a diregio de nossa prépria exisiéncia”. Realidade Somdtica atenta para o perigo do estégio no qial “comegamos a pensar que temos um corpo que deve nos obedecer. Estabelecemos um “eu” mitico e acreditamos que nao temos mais que experienciar como processo bioldgico. Assim, perdemos o sentido do corpo que somos e do corpo que vivemos, perdemos 0 contato com nossa autoformagiio e nos [pensamos como corpos e mentes”. Keleman atribui um lugar especial 20 processo de transigao somatica, que divide em trés etapas: as quais cle chama de endings (que sdo sinais de que partes de nossas vidas fica- ram obsoletas ¢ precisam se reformatar); o middle ground (é uma fase de transigio a partir da qual podem-se formar novas conexdes) ¢ finalmente os estigios de formagao (onde jus- tamente estamos prontos para gestar algo, nos mobilizamos através de recursos internos para formar um novo padrio de ago). Sugere, ento, que durante esses estigios o processo corporal toma-se o educador, ¢ diz que “quem for capaz de prestar atengio e aprender consigo mesmo poderé participar de sua propria reestruturagao, a partir de dentro”. O autor nao se furta a tarefa de traduzir esta “pessoa-processo, que sabe que seu desa- fio 6 deixar-se organizar, que formar-reformar é transcender 0 dado em troca de uma satisfz- ‘COMUNICACOES a fo intensificada”. Alcangamos assim a possibilidade de saber lidar com nossas experincias, convivendo harmoniosamente com nossa individualidade e em comunidade. Mas, acredito que no seja possivel esgotar aqui toda a riqueza e a amplitude da abordagem do autor na maravithosa ¢ ousada Reatidade Somética. Bsté feito ai o convite ao encontro com Keleman, que certamente sera uma troca bastante fértil ¢ atil, que poderd nos ajudar a ter uma visio mais aberta ¢ mais rica da nossa presenga aqui no mundo, enquanto pessoas sométicas. ‘COMUNICAGOES.