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Introdução

O presente trabalho cujo título é “Currículo por competência”. Um título que


requer uma escolha seletiva e criteriosa dos conteúdos capaz de responder aos intentos
preconizados, este título remeterá fazer uma reflexão profunda sobre os aspectos
candentes ao currículo por competência, e para descortiná-lo devemos refletir sobre as
seguintes questões que constituem os alicerces da construção teórica: O que é o
currículo? Qual é a sua concepção etimológica e histórica? De que origem etimológica
pertence à palavra competência? O que é a competência? Como podemos definir
currículo por competência? Qual é o objectivo deste tipo de currículo? O que pressupõe
a construção de um currículo por competência? Que exemplo darmos sobre o currículo
por competência? A partir destas indagações traçamos os seguintes objectivos: Objectos
geral: Conhecer e compreender as premissas de um currículo por competência.
Objectivo específico: definir o currículo, competência e o currículo por competência.
Identificar a concepção etimológica e histórica do conceito currículo e competência.
Descrever os objectivos do currículo por competência. Explicar os pressupostos
inerentes a construção do currículo por competência. Destacar de forma exemplificada o
currículo por competência.

Para o desenvolvimento desta temática seguiu-se os métodos: reflexivo,


histórico, bibliográfico e descritivo: procuramos conhecer, refletir e analisar as
contribuições científicas do passado existente sobre o assunto em causa; e preocupamo-
nos em observar, analisar e correlacionar os factos sem manipular a realidade.

Este trabalho está dividido em três subtemas: o primeiro subtema intitulado


“currículo” visou identificar a concepção etimológica, histórica e uma definição
criteriosa sobre o mesmo.

No segundo subtema denominado “competência” apresentou-se a origem


etimológica do conceito competência, a definição do mesmo e refletiu-se sobre o papel
da escola para construção de competência, e os requisitos para aquisição do mesmo.

No terceiro subtema cognominado “Concepções gerais sobre currículo por


competência”, foi abordado de forma explicita a conceituação, os objectivos do
currículo por competência, os pressupostos inerentes para construção do mesmo
currículo, apresentar os documentos legais que se representam como modelos do
currículo por competência em Angola.

4
1.1 Currículo
O termo currículo deriva do verbo latino “currere” que significa carreira,
jornada, trajectória, percurso a seguir, com certa obviedade afirmasse com rigor que os
professores sempre tiveram ligados com o currículo, apesar de o conceito passar a ser
concebido como “institucionalização da educação de massa” 1 apenas no século XX ,
pois para SILVA, apud VARELA: “todas as teorias pedagógicas e filosóficas
educacionais, mesmo antes da institucionalização dos estudos curriculares como campo
especializado, não deixam de teorizar ou fazer especulações 2 sobre o currículo, embora
não sejam, estritamente, teoria sobre o currículo”3 o que até aqui trazemos é uma
concepção etimológica e histórica do currículo e como tal, isto desemboca uma
definição criteriosa de currículo que é a reconstrução do conhecimento e experiência
desenvolvida sistematicamente sob os auspícios da escola4, para tornar o estudante
capaz de aumentar o seu controlo do conhecimento e da experiência (Tener e Tener,
1980), nesta perspectiva se idealiza o currículo como algo que visa conduzir a produção
cultural, que visa dar resposta aos problemas sociais, econômicos, políticos, culturais e
religiosos de uma determinada sociedade. Importa referir que o currículo possui dois
objectos de estudos que são: o ensino considerado por objecto material e a generalidade
dos problemas (sociais, econômicos, políticos, culturais e religiosos) dos conteúdos do
ensino considerado por objecto formal.

1.2 Competência
O termo competência etimologicamente é de origem latina “competens” que
significa que vai com, o que está adaptado. No campo educativo a competência pode ser
concebida como sendo a capacidades que se apóiam em conhecimento de determinado
tipo de situação, apoiada em conhecimento, mas sem limitar-se a eles, os; um “saber-
fazer, com “saber” e com consciência; “capacidades de agir eficazmente em de saberes
mobilizáveis que devem ser utilizá-los para resolver situações-problema. Neste sentido,
a competência identifica, junta e utiliza um conjunto de saberes que são os
conhecimentos teóricos, saber-fazer (actividades práticas), e saber-ser (comportamento
sócio-afectivo), equivalente a mobilização de situações adversas aos problemas de
aprendizagem adquiridos na escola. Em outras palavras definimos competência como
sendo a aptidão de articular, mobilizar e colocar em acção,valores, conhecimentos e
habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de diversas actividades.

Uma questão importante, desenvolver uma competência é assunto da escola? Ou


a escola deve limitar-se à transmissão do conhecimento? O debate sobre as
competências reanima o eterno debate sobre cabeça bem feitas ou cabeça bem-cheias.
Desde que essa discussão existe, a escola procura seu caminho entre duas visões do
1
VARELA, Bartolomeu Lopes. Currículo e o Desenvolvimento Curricular: Concepções, Práxis
Tendências. 1ª Edição. Vol. 1, Praia, Cabo Verde: Edições Uni-CV, 2013, p. 12.
2
Especulação: (lat. speculatio: observação, contemplação) sem preocupação prática.
3
VARELA, Op. Cit. 2013, p. 12
4
Skholé: schola em latim que significa ócio. Ócio em latim otium negócio e negotuim é para negar o
ócio.

5
currículo: uma consiste em percorrer o campo mais amplo possível de conhecimento, o
que equivale, mais ou menos abertamente, a confiar na formação profissionalizante ou
na vida para garantir a construção de competência; a outra aceita limitar, de maneira
drástica, a quantidade de conhecimento ensinada e exigida para exercitar de maneira
intensiva, no âmbito escolar, sua mobilização em situação completa. O dilema educativo
é, sobretudo uma questão de prioridade: sendo impossível fazer tudo, no tempo e no
espaço de uma formação profissionalizante inicial ou de uma escolaridade básica, o que
fazer de mais útil? Quem, ao longo prazo, poderia defender conhecimentos
absolutamente inúteis para acção, em seu sentido mais amplo? Quem hoje em dia,
poderia continuar defendendo um utilitarismo estreito, limitado a alguns savoir-faire
elementares (ler, escrever, etc.)? Agir em uma sociedade mutante e complexa é, antes,
entender, antecipar, avaliar, enfrentar a realidade com ferramentas intelectuais. “Nada é
tão prático corno uma boa teoria” 5dizia Kurt Lewin, um dos fundadores da Psicologia
social.

Só há competência estabilizada quando a mobilização dos conhecimentos6


supera o tatear reflexivo ao alcance de cada um e aciona esquemas constituídos. Toda
competência está fundamentalmente, ligada a uma prática social de certa complexidade.
Não a um gesto dado, mas sim a um conjunto de gestos, posturas e palavras inscritos na
prática que lhes confere sentido e continuidade. Uma competência não remete,
necessariamente, a uma prática profissional e exige ainda menos que quem a ela se
dedique seja um profissional completo. Toda competência amplamente reconhecida
evoca uma prática profissional instituída, emergente ou virtual.

Para escrever programas escolares que visem explicitamente ao


desenvolvimento de competências, pode-se tirar de diversas práticas sociais, situações
problemáticas das quais serão “extraídas” competências ditas transversais. Em geral, a
característica geral da acção humana quer dependam do “agir comunicacional”, quer da
acção técnica: ler, escrever, observar, comparar, calcular, antecipar, argumentar,
convencer, negociar, adaptar, imaginar, analisar, entender, etc. para tornar comparáveis
as mais diversas das situações, basta despojá-las de seu contexto. Encontram-se, dessa
forma, as características universais da acção humana, interativa, simbólica, não-
programada e, objecto de decisões e de transações. Em certo nível de abstração, pode-se
defini-la independentemente de seu conteúdo e contexto.

Alguns temem que ao desenvolver competência na escola levaria a renunciar as


disciplinas de ensino e apostar tudo em competência transversais e em uma formação
pluri, inter ou transdiciplinar. Esse temor é infundado: a questão é saber qual concepção
das disciplinas escolares adoptar. Em toda hipótese, as competências mobilizam

5
PERRENOUD, Philippe. Construr as competencias desde a escola. Genegra: Editora Artmed, 2012, p.
6.
6
Conhecimento é uma construção cultural – social e histórico. Escola é o veiculo que transporta o
conhecimento = tem um comprometimento político de caráter conservador e inovador. O conhecimento e
a verdade na realidade escolar devem ser concebidos como descoberta = construção cultural.

6
conhecimentos dos quais, grande parte é e continuará sendo de ordem disciplinar, de
modo que cada uma assuma um nível ou componente da realidade.

1.3 Concepções gerais sobre currículo por competência


Para Marise Nogueira Ramos o currículo por competência é “o meio pelo qual
a pedagogia das competências se institucionaliza na escola, com o objectivo de
promover o encontro entre formação e emprego” 7. Para Perrenoud o currículo por
competência é a “faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes,
capacidades, informações, etc.) para solucionar com pertinência e eficácia uma serie de
situações”8. E para o grande Roegiers define currículo por competência como “a
possibilidade, para um individuo, de mobilizar de maneira interiorizada, um conjunto
integrado de recursos com vista a resolver uma família de situações-problemas” 9.

Abordagem de currículo por competência que propomos levar a cabo neste


trabalho está mais próxima da tradição francesa saber-fazer (savoir-faire10) e saber-ser
(savoir-être), porque nos remete especificamente a epistemologia genética de Piaget que
é sustentada na idéia de que o conhecimento resulta da interação activa do individuo
com meio: neste sentido, a espécie humana tem a capacidade de construir o
conhecimento; de construir o conhecimento na interação com o mundo; de referenciar e
significar o conhecimento social e culturalmente; de mobilizar este conhecimento frente
a novas situações de forma criativa, reconstruindo no desempenho as possibilidades que
as competências ou esquemas mentais permitem.

O currículo por competência visa alcançar a formação do aluno, para


desenvolver neles competências, habilidades e potências que fazem parte do repertorio
pessoal natural. O fundamento deste currículo é a redefinição do sentido dos conteúdos
de ensino, de modo atribuir sentido prático aos saberes escolares, abandonando a
preeminência dos saberes disciplinares para centrar em competências supostamente
verificáveis em situações e tarefas especificas. Essas competências devem ser definidas
com referência as situações que os alunos deverão ser capazes de compreender e
dominar. Somente após essas definições e que se selecionam os conteúdos de ensino.
Segundo Perrenoud “o curriculo voltados para a construcao de competencia devem
promover uma limitação “drástica da quantidade de conhecimentos ensinados” dando
prioridadea conteudos que possa ser exercitados, no ambito escolar pela mobilizacao em
situacoes complexas”.11Em sintese, em vez de partir de um corpo de conteúdos
disciplinares existentes, com base no qual se efetuam escolhas para cobrir os

7
RAMOS, Marise Nogueira. Currículo por competencia [em inha].RJ: fundação Osvaldo Cruz, Actual,
2009. [Consult.19.08.2016]. “ Disponivel: www: < site.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/curcom.html
8
Idem. , p. 48.
9
Ibidem.
10
Savoir-faire, segundo Tanguy (2002), são capacidades numa situação precisa, o grau de habilidade que
o aluno manifesta para resolver um problema proposto.
11
COSTA, Thais Almeida. A noção de competência enquanto principio de organização curricular.
Minas. Revista Brasileira de Educação. N.º 29. Maio/ jun./jul./Gerais: Pontífice Universidade de Minas
Gerais, 2005. P. 53

7
conhecimentos considerados mais importantes, a elaboração do currículo por
competências parte da análise de situações concretas e da definição de competências
requeridas por essas situações, recorrendo as disciplinas somente na medida das
necessidades exigidas pelo desenvolvimento dessas competências.

Construir um currículo por competência não pressupõe abandonar a transmissão


dos conhecimentos nem a construção de novos conhecimentos, ao contrário, esses
processos são indissociáveis na construção destas competências. A diferença que se
estabelece nesta proposição curricular é que o centro do currículo e, portanto da prática
pedagógica será não a transmissão dos saberes, mas o processo mesmo de construção,
apropriação e mobilização destes saberes. A construção de competências depende de
conhecimentos em situação, significados.

Construir um projeto pedagógico que assuma um currículo por competências


pressupõe a centralidade do aluno e, portanto, da aprendizagem, um foco na qualidade e
na autonomia, uma prática pedagógica diversificada, uma escola diferenciada, uma
pedagogia activa. Isto implica uma mudança do papel da escola e, conseqüentemente,
de um novo ofício de professor, como considera Meirieu, cujo objetivo é fazer aprender
e não ensinar. Mas, também, de um novo ofício do aluno, que precisa ser o agente
inegociável da aprendizagem.

O currículo por competência representa a transformação da educação e mudança


de ensinar a “conhecer” o ensino do conhecimento para “agir”. No currículo organizado
por competência os conhecimentos passam a ser definidos em termos da identificação
com acção que deve ser realizada pelo aluno.

Dentro do quadro institucional do nosso país, existem diplomas legais que são
modelos do currículo por competência, no caso da lei suprema do país “Constituição”,
no seu artigo 79 ª número diz que “O Estado promove a ciência e a investigação
científica e tecnológica” 12 e dentro deste âmbito estabelece as normas referentes à
organização curricular de cursos na formação profissional com equivalência ao sistema
de educação. Para isso cada curso é organizado no chamado “dossier de curso” que é
constituído por13:

 Perfil profissional, do qual fazem parte o referencial de emprego, o referencial


de competências mobilizáveis e do referencial de profissão;
 Os planos curriculares e as linhas das unidades de aprendizagem de cada
disciplina;
 O programa de cada disciplina, onde se inclui a sua apresentação (finalidade,
objectivos gerais, visão geral dos conteúdos/temas, sugestões metodológicas gerais,

12
Assembleia da República de Angola. Constituição. 1.ª Edição. Luanda: Imprensa Nacional, 2010, p.30.
13
INIDE. Currículo do 2º Ciclo do Ensino Secundário. 2.ª Edição. Luanda: Editora Moderna S.A, 2013,
p. 9-10

8
organização da carga horária, recursos, avaliação, competências a desenvolver), o seu
desenvolvimento (objectivos, conteúdos, sugestões metodológicas) e bibliografia;
 Referencias ao desenvolvimento de actividades de inserção profissional;
 Tipologia das instalações;
 Tipologia dos equipamentos.

Como é obvio deve possuir uma matriz curricular – que elaboram os planos de
estudo, e o currículo são realizados com ênfase na aquisição de competência, com
recurso ao ensino prático experimental – laboratorial e/ou oficial e cada curso é
caracterizado pelo seu perfil profissional, onde são previstos as competências a
apresentar pelos alunos no final do ensino do mesmo.

Falando de um caso concreto, o 2.º Ciclo do Ensino Secundário, contempla dois


grandes objectivos14:

 Preparar o ingresso no mercado de trabalho e/ou no subsistema de ensino


superior;
 Desenvolver o pensamento lógico e abstracto e a capacidade de avaliar a
aplicação de modelos científicos na resolução de problemas da vida práticativa

Para além dos objectos referenciado deste nível de ensino, deve-se destacar que
o perfil de saída dos alunos deste ciclo é ampliado nas seguintes dimensões:

 Fortalecer a utilização da Língua Portuguesa com correcção fluência nos


diferentes modos de comunicação;
 Assegurara as condições necessárias para que os alunos possam exprimir-se com
fluência, pelo menos numa língua estrangeira;
 Assegurara as condições necessárias para que os alunos se identifiquem
criativamente com a realidade angolana, proporcionando conhecimentos sólidos sobre a
sua história, geografia, aspectos socioculturais e sociodemográficos;
 Proporcionar as bases teóricas necessárias para que os alunos se familiarizem
com alguns grandes sistemas de interpretação da realidade;
 Favorecer a formação profissional dos jovens através da preparação técnica e
tecnológica com vista há entrada no mundo do trabalho;
 Promover o desenvolvimento, consolidação e aprofundamento de formas
científicas de raciocínio;

14
INIDE, Op Cit. 2013, 10

9
 Promover o desenvolvimento capacidade de integração elaboração e assimilação
de informações e mensagens;
 Assegurara o desenvolvimento de capacidade de observação e de análise critica;
 Fomentar o desenvolvimento de atitudes e capacidades de relacionamento
interpessoal com base num espírito de confiança e cooperação;
 Favorecer o desenvolvimento da autonomia pessoal, reforçada numa consciência
crítica dos interesses e valores;
 Incentivar o conhecimento pelos valores da autodisciplina, da persistência e do
trabalho;
 Desenvolver atitudes de respeito e de solidariedade para com as pessoas e povos
de diferentes culturas.

Para o desenvolvimento global dos alunos deste ciclo se deve ter em conta
diferentes habilidades, incluindo contexto cultural de parte do do país, ou grupo
educacional:

Competência social e cívica: Estabelecer relações com colegas e adultos,


respeitando as regras de convivência e diversidade. Usando a frase do Pensador
britânico do século XIX de nome BENJAMIM DISRAELI15 “a vida é muito curta
para ser pequena”16.

Neste sentido, a competência social e cívica ajuda a não apequenar a vida, a não
ter uma vida banal, fútil, superficial, inútil e envergonhada17.

Conhecimento e interação com o mundo físico: A partir da observação,


pesquisa, descobrimos as características dos diferentes ambientes. Ajuda a não
degradar, depravar, corromper, degenerar e aviltar a convivência biológica,
particularmente falando, o meio ambiente.

Competência audiovisual e tecnologia da informação: Para transmitir


informações através de diferentes meios. Ter capacidade tecnológica não apenas para
transmitir informações, mas também conhecimentos através de uma navegação decente
e racional, que bani o naufrago tecnológico.

Competência cultural e artística: Essa parte da observação dos elementos que


formam a linguagem plástica (linha, forma, cor, textura, espaço...). Obra livre e

15
BENJAMIM DISRAELI: (1874 – 1881) Foi um político conservador britânico, escritor aristocrata e
primeiro-ministro do Reino Unido em duas ocasiões. Ele teve papel central na criação do partido
conservador moderno, definindo suas políticas e ampla divulgação. Disraeli é mais lembrado por sua
influencia em assuntos internacionais, suas batalhas políticas com William E, Gladstone, líder do Partido
Liberal e o seu conservadorismo.
16
ISSENGUEL, António. Resumo da obra: Ética e vergonha na cara! 2015, p.22
17
VERGONHA: Latim verecundia – confusão que se apodera do nosso espírito pelo receio de desonra.

10
expressão criativa. Técnicas de plástico. Exploração e utilização das possibilidades de
som: a voz, o corpo, objetos e instrumentos musicais.

A competência matemática: Permite explorar as propriedades dos objetos que


eles entrar em contato. Use linguagem matemática em descrever situações.

Competência de comunicação linguística: Desenvolve abordagem da


linguagem escrita com uma abordagem construtiva. Ouvir e falar. Engajar-se em
conversas na medida de suas possibilidades.

Competência do pessoal na autonomia e iniciativa: Antes de agir tomar suas


próprias decisões. Levantando actividades que desenvolvem a sua autonomia nas
necessidades básicas (alimentação, higiene, prevenção de acidentes de descanso) para
promover a sua saúde. Conhecendo o seu corpo suas possibilidades e limitações, para
construir a sua identidade.

O maior equívoco da abordagem do currículo por competência reside na


pretensão de que as competências substituem os objectivos e conteúdos, o que é
refutado por Roldão, apud Varela:

(...) A competência é, no fundo, o objectivo último dos vários


elementos que para ela contribuem.

É assim muito claro que a competência não exclui, mas exige a


apropriação sólida e ampla de conteúdo, organizados numa síntese
integradora, apropriada pelo sujeito de modo a permitir-lhe
“convocar” esse conhecimento face às diferentes situações e
contextos. A competência implica a capacidade de ajustar os saberes a
cada situação – por isso eles têm de estar consolidados, integrados e
portadores de mobilidade 18.

Tantos os objectivos, que indicam o caminho, a seguir, ou seja, orientação


teleológica da actividade educacional, como os conteúdos, que especificam o objecto de
aprendizagem ou fatias de conhecimento a ensinar, converte em assunto escolar, através
do processo de realização curricular, pelo que não deixam de coexistir com a noção de
competência. Desta forma pode afirmar que o objectivo antecede e acompanha a
competência no processo de concepção e realização do currículo, porquanto um
objectivo de aprendizagem pode ser formulado e aplicado na perspectiva da
mobilização interna e externa do conhecimento, operando, mudanças significativas
tanto ao nível da estrutura cognitiva dos aparentes como em termos de desenvolvimento
da sua capacidade de resolução de problemas.

Um currículo por competência não representa o fim do objectivo, pois a


originalidade do currículo concebido e realizado na óptica de competência reside no
facto de promover actividade de mobilização do conhecimento, com base num objectivo

18
VARELA, Bartolomeu. Abordagem por competências no currículo escolar em Cabo Verde:
Desfazendo equívocos para uma mudança significativa nas políticas e práxis educacionais. Cabo Verde:
Universidade de Cabo Verde, 2012, p. 8

11
previamente identificado, para a procura de resolução de problemas num dado contexto
ou situação, seja no interior do espaço escolar como fora dele.

O exemplo claro que temos oferecer, e, por conseguinte nos é apresentado por Roldão
que diz:

Se tenho por objectivo que os meus alunos (1) memorizem as capitais


africanas, ou que (2) saibam situar as capitais africanas nos
respectivos países, (3) consigam localizá-las num mapa ou ainda (4)
consigam situar umas em relação as outras do ponto de vista
geográfico, todas estas formulações correspondem a objectivos”, mas
o objectivo 1 “só por si não aponta para uma competência construir”,
enquanto os exemplos 2, 3, 4 (associados ao objectivos 1, nota-se)
apontam claramente para uma competência – ser capaz de situar e
relacionar locais espaços e na sua representação em mapas” 19.

A abordagem curricular por competência surge como palavra-chave nos


discursos e nas políticas educacionais, vai além do objectivo, conferindo um sentido
mais transversal aos conteúdos das áreas e disciplinas que integram. Objectivos e
competências interligam-se na medida em que o educando seja capaz de mobilizar os
conhecimentos previstos nos diversos enunciados de aprendizagem (objectivos) para
resolução dos problemas em diversos contextos da vida pessoal, familiar, profissional e
social (competências). A pedagogia por competência reforça a pedagogia activa,
centrada na resolução de problemas, e destaca a “praticidade” e dinâmica do
conhecimento, em oposição e um conhecimento limitado as operações cognitivas.
Destaca- se vietimente que o principal desafio da pedagogia por competência em
contexto escolar, é justamente substituir esse “saber morto” por um “saber vivo” que
permita responder a problemas, esclareça o mundo, enfim, tome o individuo
competente.

As competências no âmbito da educação escolar, inseri-se na óptica da


preparação dos alunos para a vida, mediante o desenvolvimento da capacidade de
mobilização do conhecimento para resolução de problemas e assunção de
responsabilidade nos diversos contextos. Segundo Philippe Perrenoud:

A escola teme abordagem por competência por causa dos


questionamentos a respeito da transposição, do planeamento dos
contratos didácticos tais como costumem funcionar, é mais fácil
avaliar os conhecimentos de um aluno do que suas competências, pois
para apreendê-las, deve-se observá-lo lidando com tarefas complexas,
o que exige tempo e abre o caminho a constetação; sempre existem
muitos “conformistas” para atacar, em nome da cultura, toda e
qualquer tentativa de distanciar-se das pedagogias do saber; a
implementação de dispositivos construtores de competências é
apresentada como a garantia de uma “queda do nível”; as didácticas
das disciplinas mal-entendidas podem reforço o estatuto dominante
dos conhecimentos e

19
Idem., p. 9

12
ruditos no imaginário pedagógico, pois os trabalhos concernem,
essencialmente, aos saberes20.

Comparação entre programas educacionais baseado sem programas baseados em


competência21

Elementos Programa educacional


Baseado no processo e estrutura Baseado em competência
Força propulsora do currículo Conteúdo – aquisição de Resultados – aplicação
conhecimento conhecimento
Força condutora do processo Professor Aprendiz
Organização e fluxo do Hierárquico – professor aprendiz Não hierárquica – professor ↔
aprendizado aprendiz
Responsabilidade sobre o Professor Professor e aprendiz
currículo
Objectivo do encontro Aquisição de conhecimento Aplicação de conhecimento
educacional
Instrumento típico de Medidas subjectivas simples Múltiplas medidas objectivas
avaliação
Tipos de avaliação. Nomo-referência, com ênfase em Critérios-referenciada com
seu carácter somativo ênfase em seu carácter
formativo

´ Idem., 7
21
DOS SANTOS, Wilton Silva. Organizacao curricular baseada em competencia na Educação médica.
Brasil: Revista Brasileira de Educação Médica. 35 (1) , 2011. P. 88

13
Conclusão
Portanto , concebemos currículo como sendo a construção do conhecimento e
experiência desenvolvida sistematicamente sob os auspícios da escola, para tornar o
aluno capaz de aumentar o seu controlo do conhecimento e da sua e experiência. Desta
feita concebemos o conceito currículo e competência termos que provêm do latim, onde
currículo significa trajectória e competência significa o que está adaptado e sublinhamos
veemente que a institucionalização do currículo foi feita precisamente no século XX.
Em linhas gerais, competência é a capacidade que se apóiam em conhecimento de
determinado tipo de situação, ou seja, é um “saber-fazer” com consciência. Quanto a
definições de currículo por competência concebemos de forma genérica como sendo a
faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos de modo a solucionar com
pertinência e eficácia uma serie de situações. O objectivo deste currículo é de formar o
aluno para desenvolver competências, habilidades e potencias que fazem parte do
repertório pessoal natural. O currículo por competência pressupõe um ensino de
qualidade, uma prática pedagógica diversificada, uma escola diferenciada, uma
pedagogia activa. O exemplo que trazemos sobre o currículo por competência
referencia-se ao currículo do 2.º Ciclo do ensino secundário.

14
Bibliografia
Assembleia da República de Angola (org.). Constituição. 1.ª Edição. Luanda: Imprensa
Nacional, 2010.

COSTA, Thais Almeida. A noção de competência enquanto principio de organização


curricular. Minas. Revista Brasileira de Educação. N.º 29. Maio/ jun./jul./Gerais:
Pontífice Universidade de Minas Gerais, 2005.

DOS SANTOS, Wilton Silva. Organizacao curricular baseada em competencia na


Educação médica. Brasil: Revista Brasileira de Educação Médica. 35 (1) , 2011.

INIDE. Currículo do 2º Ciclo do Ensino Secundário. 2.ª Edição. Luanda: Editora


Moderna S.A, 2013.

ISSENGUEL, António. Resumo da obra: Ética e vergonha na cara! 2015, p.22

PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola. Genegra: Editora


Artmed, 2012.

VARELA, Bartolomeu. Abordagem por competências no currículo escolar em Cabo


Verde: Desfazendo equívocos para uma mudança significativa nas políticas e práxis
educacionais. Cabo Verde: Universidade de Cabo Verde, 2012.

VARELA, Bartolomeu Lopes. Currículo e o Desenvolvimento Curricular: Concepções,


Práxis Tendências. 1ª Edição. Vol. 1, Praia, Cabo Verde: Edições Uni-CV, 2013.

RAMOS, Marise Nogueira. Currículo por competência [em inha].RJ: fundação Osvaldo
Cruz, Actual, 2009. [Consult.19.08.2016]. “ Disponivel: www: <
site.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/curcom.html

15