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EXCELENTÍSSIMO MINISTRO PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL

FEDERAL.

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:44 16
Impetrante: MIGUEL SOUZA GOMES

:05 C
Paciente: SIDINEI DOS ANJOS PERÔ

18 00 H
Autoridade Coatora: MINISTRO RELATOR JORGE MUSSI - QUINTA TURMA, DO
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
-
Distribuição por Depedência: e-HC 164131
01 700

Numero de origem: 00807879720181000000


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2/1 .2
: 2 106

MIGUEL SOUZA GOMES, brasileiro, casado, advogado,


inscrito na OAB/DF/N. 247232 e TO 3418, com seu escritório
Em por:

profissional consignado no timbre desta, onde receberá intimações,


vem, com o devido respeito à presença de Vossa Excelência, para, sob
a égide dos arts. 648, inciso II, da Legislação Adjetiva Penal c/c
so

art. 5º, inciso LXVIII da Lei Fundamental, impetrar a presente:


s
pre

ORDEM DE HABEAS CORPUS


Im

Substitutivo de Recurso Ordinário


(Com pedido de concessão e extensão de “OFÍCIO”)

em favor de SIDNEI DOS ANJOS PERÓ, brasileiro, casado, impresário,


portador do RG n° 000323882 SSP/MS e CPF de nº 379.001.371-49, nascido
em 09/08/1962, natural de Aquidauana/MS, filho de: Ramão Aguilera
Peró e de Raimunda Maria dos Anjos Peró, residente na Rua Kerman José
Machado, nº 42, Vila Nasser, nesta Capital, atualmente preso
preventivamente, contra decisão monogratica do MINISTRO JORGE MUSSI
- QUINTA TURMA, DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - HC 474536/MS

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(2018/0273292-0); HC/TJMS nº 1409613- 25.2018.8.12.0000, V. Acordão

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proferido pela 3ª Câmara Criminal, do Egrégio Tribunal de Justiça do
Estado do Mato Grasso do Sul (autos principais nº 0009613-

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69.2017.8.12.0800, da 4ª Vara Criminal do Foro da Comarca de Campo

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Grande /MS, pelos motivos que passa a expor em favor do Paciente

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mencionado no relatório do e-HC 164131, sob o enfoque de existir
vedação expressão para tal desiderato, sem a devida motivação, em
-
face de pretenso crime de estelionado que lhe fora atribuído, como
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se verá na exposição fática e de direito, a seguir delineadas.


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1 – DA COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


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Em por:

Extrai-se deste writ que o mesmo fora impetrado em


face de decisão monocratica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça,
so

o qual, por sua 3ª Turma, o qual tramita sob o HC 474536/MS


s

(2018/0273292-0), que até a presente data não analisou o pedido de


pre

liberdade provisória ao Paciente.


Im

Neste diapasão, concretiza-se constrangimento ilegal


originário de Tribunal de Justiça Estadual, onde, por esta banda, em
consonância à ordem constitucional, revela-se esta Corte como
competente para apreciar o presente mandamus.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL

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Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal,
precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-

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lhe:

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I - processar e julgar, originariamente:

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d) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das

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pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado
de segurança e o habeas data contra atos do
Presidente da República, das Mesas da Câmara dos
-
Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas
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da União, do Procurador-Geral da República e do


próprio Supremo Tribunal Federal;
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II - julgar, em recurso ordinário:


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a) o habeas corpus, o mandado de segurança, o


habeas data e o mandado de injunção decididos em
Em por:

única instância pelos Tribunais Superiores, se


denegatória a decisão;
sso
pre
Im

2 – HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO

Requisitos necessários atendidos

Importa ressaltar que a hipótese ora em estudo não


resulta em supressão de instância.
Com as linhas que sucedem, agregadas ao quanto
declinado no r. Acórdão guerreado, verifica-se que o tema em vertente,
estipulados em ambas peças, tratam do tema de negativa de liberdade

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provisória. Assim, as questões agitadas no writ originário, ora são

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trazidas à colação. Não existem, pois, novos fundamentos.

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De outro importe, ressalte-se que a ordem de habeas
corpus, ora agitada como sucedâneo de recurso ordinário regularmente

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interposto, enfrenta os mesmos fundamentos da decisão atacada.
Destarte, todas as conclusões do aresto combatido ora são devidamente
examinadas e debatidas. Não se trata, portanto, de mera reprodução
-
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integral do mandamus agitado perante o Superior Tribunal de Justiça.

Ademais, registre-se que a presente ordem de habeas


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corpus é acompanhada com a cópia integral do acórdão recorrido, do


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qual resultou o ato tido por ilegal e objeto de análise do


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constrangimento ilegal.

Sopesemos, por fim, as lições de Noberto Avena, o


Em por:

qual, no enfoque da interposição de habeas corpus como sucedâneo de


recurso ordinário constitucional, professa que:
so

“ Em ambos os casos, como se vê, existe via recursal


s
pre

adequada para o insurgimento contra a decisão que,


julgando o writ impetrado, manteve a decisão
Im

impugnada. Entretanto, jurisprudencialmente,


construiu-se a figura do habeas corpus substitutivo,
consistente na faculdade outorgada ao interessado,
sendo-lhe negado habeas corpus, de optar, em vez do
recurso previsto em lei, pela impetração de outro
habeas corpus, dirigido este a uma instância
superior. Considera-se, pois, que a circunstância de
um órgão jurisdicional denegar o writ contra ato
considerado pelo impetrante como um constrangimento
ilegal contamina-se com essa ilegalidade, fazendo com
que o prolator da decisão desfavorável assuma posição

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de coator.

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Destarte, na primeira das hipóteses citadas, poderia

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o sucumbente optar entre o ingresso do recurso em
sentido estrito contra a decisão do juiz ou, então,

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impetrar novo habeas corpus junto à instância
superior competente em face da decisão que lhe
indeferiu o habeas corpus anteriormente ajuizado.
-
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Situação análoga ocorre no segundo caso ilustrado, em


que facultado ao prejudicado optar entre a
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interposição de recurso ordinário constitucional


contra o acórdão que deseja atacar, ou deduzir, contra
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esse, um outro habeas corpus, a ser ingressado na


esfera jurisdicional competente.”(Avena, Noberto
Cláudio Pâncaro. Processo Penal: Esquematizado. 4ª
Em por:

Ed. São Paulo: Método, 2012. Pág. 1.230)


so

3 – SÍNTESE DO PROCESSADO
s

O Paciente teve prisão temporária decretada em


pre

16/11/2017 efetivada no dia 21/11/2017, e, foi decretada a prisão


Im

preventiva no dia 24/11/2017, segundo a decisão para garantia da


ordem pública, cessar prejuízos à ordem econômica bem como para a
aplicação da lei penal, cuja prisão cautelar perdura até o presente
momento, há exatamente 12 (doze) meses, ou seja, 340 (trezentos e
quarenta) dias, até a data de 24/11/2018. O decreto de prisão
preventiva alegou a suposta prática da conduta tipificada no art. 7º,
I, II, III, IV; art. 16, ambos da Lei 7.492/86; art. 2º da Lei
12.850/13 e, art. 171 do Código Penal.
Entretanto, não existe motivação plausível, posto
que, o mesmo não contribuiu para adiamento da instrução processual,
que não foi concluída até a presente data (19/11/2018) com isso,

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padece de constrangimento ilegal. Nesse alamiré, a contagem do prazo

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deve ser feita isoladamente, em relação ao IP e às diversas fases do
processo, de modo que, excedido algum prazo, temos configurado um

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constrangimento ilegal. No caso em tela, resta demonstrada a nítida

:05 C
ilegalidade processual, perpetrada pela Autoridade Coatora contra o

18 00 H
alvedrio do Paciente, em decorrência da inércia e morosidade nos atos
instrutórios, uma vez que o Paciente já está preso há mais de 365
-
(trezendos e sessenta e cinco) dias e até o momento não foram ouvidos
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pela Autoridade Coatora. Destaca-se ainda, que o Paciente é


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tecnicamente primário, tem residência fixa, profissão definida e


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família constituída na Cidade de Campo Grande-MS. Diante da


2/1 .2

desnecessidade de manutenção da prisão, o deferimento do pedido é


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medida de Direito e Justiça.

Em face do referida acordão de segunda grau de


Em por:

jurisdição, supra aludida, impetrou-se a ordem de Habeas Corpus em


liça HC/TJMS nº 1409613- 25.2018.8.12.0000, V. Acordão proferido pela
so

3ª Câmara Criminal, do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Mato


s

Grasso do Sul, onde, no mérito, o Tribunal local, denegou a ordem,


pre

cuja cópia integral, devidamente autenticada, ora anexamos (doc. 03),


Im

cujo acórdão assim restou ementado:

Segue V. Acordão:

« 3ª Câmara Criminal Habeas Corpus - Nº 1409613-


25.2018.8.12.0000 - Campo Grande Relator – Exmo. Sr.
Des. Luiz Claudio Bonassini da Silva Impetrante:
Miguel Souza Gomes Impetrante: Helena Amorim
Paciente: S. dos A. P. Advogado: Miguel Souza Gomes
(OAB: 3418/TO) Advogada: Helena Amorim (OAB: 3946/MA)
Impetrado: J. de D. da 4 V. C. da C. de C. G.

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Interessado: C. E. G. de A. Interessado: A. F. de A.

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Interessado: R. M. N. E M E N T A – HABEAS CORPUS –
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E ESTELIONATO – "OPERAÇÃO OURO

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DE OFIR" – ALEGAÇÃO DE EXCESSO DE PRAZO – INOCORRÊNCIA

:05 C
– AUSÊNCIA DE DESÍDIA JUDICIÁRIA – APLICAÇÃO DO

PLURALIDADE
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PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE – EXCESSO JUSTIFICADO –
DE RÉUS – DEFENSORES DISTINTOS –
-
NECESSIDADE DE EXPEDIÇÃO DE CARTAS PRECATÓRIAS –
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CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO – ORDEM


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DENEGADA.
8-

I - O sistema dos prazos relativos à instrução


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criminal não se caracteriza pela fatalidade nem pela


improrrogabilidade; orienta-se pelo princípio da
razoabilidade, segundo o qual somente a desídia na
Em por:

condução do feito configura o excesso de prazo. Não


ofende o princípio da razoável duração do processo
so

eventual excesso decorrente de peculiaridade dos


s

autos, como ocorre quando há 04 (quatro) réus,


pre

defensores distintos, expedição de cartas precatórias


Im

para oitiva de testemunhas arroladas tanto pela


acusação quanto pela defesa. Os autos tratam de uma
organização complexa, que visava a obtenção de grande
numerário de valores pecuniários e bens patrimoniais
mediante induzimento a erro de inúmeras vítimas em
diversos Estados da Federação, atividade investigada
inicialmente pela Polícia Federal na chamada
"Operação Ouro de Ofir", e posteriormente remetida à
Justiça Estadual.

III - Ordem denegada COM O PARECER DA PGJ

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A C Ó R D Ã O

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Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam
os juízes da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de

:05 C
Justiça, na conformidade da ata de julgamentos, por
18 00 H
unanimidade, denegar a ordem. Campo Grande, 27 de
setembro de 2018. Des. Luiz Claudio Bonassini da Silva
-
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– Relator.
2/2 10.
8-

R E L A T Ó R I O
2/1 .2
: 2 106

O Sr. Des. Luiz Claudio Bonassini da Silva. Trata-se


de habeas corpus com pedido liminar, impetrado pelo
Em por:

advogado Miguel Souza Gomes e outro em favor de Sidnei


dos Anjos Peró, apontando como autoridade coatora o
Juiz de Direito da 4ª Vara da Campo Grande/MS,
so

almejando, em síntese, a concessão de liberdade


s
pre

provisória sob a alegação de constrangimento ilegal


caracterizado pelo excesso de prazo. Os impetrantes
Im

alegam que a prisão preventiva não merece persistir


pois os pacientes estão sofrendo constrangimento
ilegal em razão do excesso de prazo para formação da
culpa, já que encontram-se encarcerados há mais de 09
(nove) meses e até o presente momento a instrução
processual não foi encerrada. Com arrimo em tais
colocações, requer a concessão do writ em caráter
liminar, para que seja expedido alvará de soltura em
favor da paciente ou a substituição por medidas
cautelares diversas da prisão. As f. 187, restou
indeferida a liminar. Uma vez solicitadas, a

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autoridade apontada como coatora prestou informações

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a f. 191/193. A Procuradoria-Geral de Justiça opinou
pelo conhecimento e denegação da ordem as f. 175/178.

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V O T O

:05 C
Trata-se
18 00 H
O Sr. Des. Luiz Claudio Bonassini da Silva. (Relator)
de habeas corpus com pedido liminar,
-
impetrado pelo advogado Miguel Souza Gomes e outro em
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favor de Sidnei dos Anjos Peró, apontando como


autoridade coatora o Juiz de Direito da 4ª Vara da
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8-

Campo Grande/MS, almejando, em síntese, a concessão


2/1 .2

de liberdade provisória sob a alegação de


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constrangimento ilegal caracterizado pelo excesso de


prazo. Segundo a inicial, o paciente supostamente
Em por:

integrava organização criminosa com atuação em mais


de um Estado da Federação, cuja finalidade precípua
so

era a obtenção de grande numerário de valores


pecuniários e bens patrimoniais, mediante induzimento
s
pre

a erro de inúmeras vítimas, configurando assim o


delito de estelionato. O impetrante alega que a prisão
Im

preventiva não merece persistir pois o paciente vem


sofrendo constrangimento ilegal em razão do excesso
de prazo para formação da culpa, já que encontra-se
encarcerado há mais de 09 (nove) meses e até o
presente momento a instrução processual não foi
encerrada.
Analisa-se o pedido. O sistema dos prazos relativos
à instrução criminal não se caracteriza pela
fatalidade nem pela improrrogabilidade; orienta-se

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pelo princípio da razoabilidade, segundo o qual

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somente a desídia na condução do feito é que configura
o excesso de prazo. Analisa-se o prazo de forma

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global, envolvendo todos os atos e procedimentos até

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o fim da instrução criminal, e não o lapso temporal

de excesso de
18 00 H
previsto para cada ato isolado. Para a configuração
prazo considera-se os elementos
-
constantes nos autos, sobretudo se há justificativa
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para eventual demora, a complexidade do feito, se há


2/2 10.

pluralidade de réus, expedição de carta precatória ou


8-

mesmo algum retardo provocado pela defesa. Nesse


2/1 .2

sentido: "Os prazos legais destinados á consecução de


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cada ato processual, bem como o lapso de tempo total


para o encerramento da instrução criminal não são
Em por:

absolutamente rígidos, não tendo a sua superação, por


si só, o condão de ensejar o imediato e automático
so

reconhecimento de constrangimento ilegal por excesso


s

de prazo na formação da culpa."(TJMG. Habeas Corpus


pre

nº 1.0000.09.497062-1/000. 4ª Câmara Criminal.


Relator: Desembargador Júlio Cézar Gutierrez. Julgado
Im

em24/06/2009). "Para a configuração do excesso de


prazo na instrução criminal é preciso fazer a análise
das circunstâncias que venham a evidenciar prejuízo
ao paciente, por inatividade da justiça ou
negligência no cumprimento das ações necessárias à
instrução do feito. Ainda assim, esta análise deve
ser feita com amparo nos princípios da razoabilidade
e proporcionalidade. E, no caso em tela, verifico que
a pluralidade de réu se testemunhas, bem como a
necessidade de expedição de precatória para comarca
diversa do distrito da culpa evidenciam a

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complexidade do feito, fatos estes que justificam a

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ocorrência de eventual excesso de prazo. Ademais,
havendo adiamentos justificado das audiências, não há

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que se falar em excesso de prazo. Portanto, a

:05 C
denegação da ordem é medida que se impõe."(TJMG.

18 00 H
Habeas Corpus nº 1.0000.09.494236-4/000. 1ª Câmara
Criminal. Relator: Desembargador Fernando Starling.
-
Julgado em26/05/2009). De uma minuciosa análise aos
01 700

autos de origem (nº0009655-21.2017.8.12.0800),


2/2 10.

observa-se que o paciente teve a prisão preventiva


8-

decretada pela Justiça Federal no dia 21.11.2017.


2/1 .2

Após, por entender o Ministério Público Federal a


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inexistência de crimes de competência da Justiça


Federal, promoveu o arquivamento remetendo os autos
Em por:

para a Justiça Estadual de Campo Grande/MS para


apreciação dos demais crimes; em 22.11.2017 foi
so

realizada a audiência de custódia onde foi mantida a


s

prisão do paciente; em 28.12.2017 foi indeferido o


pre

pedido de revogação da prisão preventiva; em 02 de


janeiro de 2018 foi oferecida denúncia; em
Im

08.01.2018foram juntados os antecedentes criminais;


em 08.01.2018 a defesa do paciente pediu o efeito
extensivo na decisão de liminar aplicada aos corréus
Celso e Anderson ao qual foi indeferida pelo TJ/MS;
em 12.01.2018 o Ministério Público alegou que a
competência era do Juízo de Primavera do Leste/MT
porque já existia um processo em curso naquela
comarca; em 12.01.2018 o juízo determinou que o
Ministério Público procedesse com a juntada de cópia
que decida a respeito de eventual prevenção de outro
juízo; em17.01.2018 o Ministério Público reconheceu

47
como sendo este juízo o competente; em15.01.2018

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houve manifestação dos paciente pugnando pela
declaração de competência deste r. Juízo para

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apreciar a matéria, ante a fixação territorial e por

:05 C
conexão, bem como para que fosse avocado o processo

18 00 H
em trâmite pelo Juízo de Primavera do Leste – MT; em
16.01.2018 o Ministério Público ratificou a denúncia
-
e pugnou pelo seu recebimento com regular
01 700

prosseguimento do feito; em 16.01.2018 foi recebida


2/2 10.

a denúncia; em18.01.2018 foi enviada Carta Precatória


8-

para a Comarca de Goiânia/GO para a oitiva do corréu


2/1 .2

Ricardo; em 04.04.2018 foi indeferido o pedido do


: 2 106

paciente e marcada a audiência de instrução para o


dia 02.05.2018; em 06.04.2018 foram expedidas cartas
Em por:

precatórias para oitiva das testemunhas de acusação


e defesa; em 26.04.2018 foi solicitada a designação
so

da audiência de instrução e julgamento para o dia


s

14.05.2018 em virtude da impossibilidade da presença


pre

do promotor de justiça; em 10.05.2018 o juízo


redesignou a audiência para o dia 15.06.2018; em
Im

15.06.2018 foi realizada a audiência onde ficou


consignado que o Ministério Público insistiu na
oitiva da vítima William Urbieta Martins, não
localizada, e requereu vista dos autos para informar
endereço atualizado da mesma, o que foi deferido pela
MM. Juíza pelo prazo de 05 (cinco) dias, contados da
vista dos autos. Os acusados, através de seus
procuradores, informaram pretender ouvir as
testemunhas de defesa apenas após a oitiva de todas
as testemunhas da denúncia, inclusive a que será
ouvida por Carta Precatória; em 22.06.2018 foi

47
enviada carta precatória para oitiva das testemunhas;

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em 14.08.2018 foi realizado mutirão acerca da
possibilidade de revogação da prisão do paciente, a

:44 16
qual se manteve em razão da persistência dos

:05 C
requisitos; em 20.09.2018 foi ouvida a testemunha

18 00 H
William Urbieta Martins através de Carta Precatória
na cidade de São Paulo, o processo atualmente aguarda
-
a oitiva das outras testemunhas conforme solicitado
01 700

pela própria defesa do paciente. Percebe-se,


2/2 10.

portanto, que se trata de processo complexo, em que


8-

se investiga uma sofisticada organização criminosa


2/1 .2

que, segundo a denúncia, emprega documentos


: 2 106

falsificados e grande número de integrantes para


ludibriar elevado número de pessoas em mais de um
Em por:

Estado da Federação. Além disso tem-se a pluralidade


de réus, já que aqui são 04 (quatro) acusados, com
so

defensores distintos, expedição de várias cartas


s

precatórias para inquirir diversas testemunhas de


pre

outros Estados, dentre eles RJ,SP, GO e TO, além de


no DF, tanto arroladas pela acusação quanto pela
Im

defesa, tendo esta informado que não concorda com a


inversão da ordem dos depoimentos, pretendendo ouvir
suas testemunhas, inclusive através de precatória,
somente após a oitiva de todas as da acusação. De
tudo isso é possível concluir que, inobstante se
verifique alguma demora, esta decorre da situação
peculiar do processo, sem configurar ofensa ao
princípio da razoável duração do processo, o qual
comporta temperamentos, justamente quando se trata de
processos da natureza do que ora se analisa. Assim,
não há que se falar em excesso de prazo, pois este

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apenas se configura se houver desídia do Judiciário

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na condução do feito, o que não é o caso dos autos.
Neste diapasão segue o entendimento jurisprudencial:

:44 16
''HABEAS CORPUS – PROCESSUAL PENAL – ORGANIZAÇÃO

:05 C
CRIMINOSA – ALEGAÇÃO DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL –
EXCESSO
18 00 H
INJUSTIFICADO DE PRAZO
DEEXPEDIÇÃO DE CARTAS PRECATÓRIAS – INSUBSISTÊNCIA –
– NECESSIDADE
-
PLURALIDADE DE RÉUS SEGREGADOS EM COMARCA DIVERSA
01 700

DOJUÍZO PROCESSANTE - NECESSIDADE DE EXPEDIÇÃO DE


2/2 10.

CARTASPRECATÓRIASPARAO INTERROGATÓRIODECORRÉUE
8-

INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHAS – DILAÇÃO PROCESSUAL QUE


2/1 .2

NÃO REVELA GÊNESE EM INDOLÊNCIA JUDICIÁRIA –


: 2 106

INSTRUÇÃOPRESTES A SER ENCERRADA – CONSTRANGIMENTO


ILEGAL NÃOVISLUMBRADO - ORDEM DENEGADA. Para a
Em por:

caracterização do excesso injustificado de prazo para


o encerramento da instrução criminal não basta a
so

simples soma aritmética dos prazos processuais, sendo


s

necessária sua análise dentro de um juízo de


pre

razoabilidade à vista das particularidades do caso em


concreto aliadas à ausência de demonstração de
Im

inércia ou desídia por parte da autoridade


judiciária. Não há que falarem constrangimento ilegal
por excesso de prazo para o fim da instrução quando
verificado nenhuma desídia da autoridade judiciária
na condução dos autos. De ofício, RECOMENDA-SE ao
Juízo singular o imediato desmembramento do processo.
(HC 151076/2016, DRA. ANA CRISTINASILVA MENDES,
PRIMEIRA CÂMARA CRIMINAL, Julgado em13/12/2016,
Publicado no DJE 25/01/2017)''Por fim, cabe ainda
ressaltar que, conforme noticiado pela mídia,
recentemente foram presos outros quatro integrantes

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da referida organização, fato que denota que a mesma

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persiste na prática dos delitos aqui investigados, e
que redemonstra que a prisão cautelar deve ser mantida

:44 16
como forma de garantia da ordem pública, no que se

:05 C
refere a coibir a reiteração delitiva. Assim,

18 00 H
inexiste coação ilegal, frente ao impulsionamento
regular dos autos, pois eventual excesso de prazo
-
encontra-se justificado pela complexidade do
01 700

processo, devendo ser mantida a prisão preventiva dos


2/2 10.

pacientes, fundamentada na realidade dos fatos. Por


8-

esses fundamentos, com o parecer, denego a ordem de


2/1 .2

habeas corpus.
: 2 106

D E C I S Ã O
Em por:

Como consta na ata, a decisão foi a seguinte: POR


UNANIMIDADE, DENEGARAM A ORDEM. Presidência do Exmo.
so

Sr. Des. Jairo Roberto de Quadros Relator, o Exmo.


Sr. Des. Luiz Claudio Bonassini da Silva. Tomaram
s
pre

parte no julgamento os Exmos. Srs. Des. Luiz Claudio


Bonassini da Silva, Des. Jairo Roberto de Quadros e
Im

Juiz Waldir Marques. Campo Grande, 27 de setembro de


2018.

Da decisão monogratica da Quinta Turma do SJF, in


verbis:
HABEAS CORPUS Nº 474.536 - MS (2018/0273292-0)
RELATOR : MINISTRO JORGE MUSSI IMPETRANTE : MIGUEL
SOUZA GOMES ADVOGADO : MIGUEL SOUZA GOMES - TO003418

47
IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO

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GROSSO DO SUL PACIENTE : SIDINEI DOS ANJOS PERO
(PRESO) DECISÃO 1. Trata-se de habeas corpus, com

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pedido liminar, impetrado em favor de SIDINEI DOS

:05 C
ANJOS PERO, apontando como autoridade coatora o

18 00 H
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MATO GROSSO DO SUL. Nesta via,
a impetrante alega, em síntese, excesso de prazo na
-
formação da culpa, tendo em vista a ilegalidade na
01 700

manutenção da segregação cautelar, o que


2/2 10.

possibilitaria ao acusado responder ao processo em


8-

liberdade, pois afirma ser ele primário e com


2/1 .2

residência fixa. Requer, liminarmente e no mérito, a


: 2 106

concessão da ordem constitucional para que seja


relaxada ou revogada a prisão preventiva, mediante a
Em por:

aplicação de medidas cautelares diversas da prisão,


com a imediata expedição de alvará de soltura em favor
so

do paciente. 2. Este Superior Tribunal de Justiça


s

firmou entendimento no sentido de não mais admitir o


pre

emprego do habeas corpus para contestar decisão


contra a qual exista previsão de recurso específico
Im

no ordenamento jurídico, exatamente como ocorre no


caso em exame (HC 342.821/RO, Rel. Ministro FELIX
FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 15/03/2016; RHC
52.841/SC, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA
TURMA, julgado em 17/03/2016; HC 336.606/RS, Rel.
Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado
em 17/03/2016, HC 340.235/SP, Rel. Ministra MARIA
THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em
17/03/2016). Dessa forma, depara-se com flagrante
utilização inadequada da via eleita, circunstância
que impede o seu conhecimento. Contudo, compulsando-

47
se os autos, ao menos em um juízo perfunctório,

53
verifica-se que as teses levantadas na inicial
merecem melhor exame, a fim de, no momento processual

:44 16
devido, verificar-se a possibilidade de atuação de

:05 C
ofício deste Superior Tribunal. Não obstante, mostra-

18 00 H
se inviável acolher a pretensão sumária, porquanto,
em princípio, há fundamentação apta para a denegação
-
da ordem mandamental e manutenção da prisão cautelar,
01 700

diante da razoabilidade da duração do processo


2/2 10.

atestada no acórdão objurgado. De mais a mais, a


8-

motivação que dá suporte à pretensão liminar


2/1 .2

confunde-se com o mérito do writ, devendo o caso


: 2 106

concreto ser analisado mais detalhadamente quando da


apreciação e do seu julgamento definitivo pelo
Em por:

colegiado.

Nesse sentido:
so

AGRAVO INTERNO NO HABEAS CORPUS. DECISÃO QUE A5.75 HC


s
pre

474536 C542560551<5050
Im

3. Ante o exposto, indefere-se a liminar. Necessário


sejam solicitadas informações ao Tribunal impetrado
e ao Juízo singular, que deverá trazer aos autos
notícias atualizadas acerca do andamento da ação
penal lá deflagrada contra SIDINEI DOS ANJOS PERO,
encaminhando a esta Corte Superior cópia de eventual
sentença proferida, noticiando ainda acerca da
respectiva situação prisional, bem como enviando
senha para acesso ao processo em 1º grau. Com as
informações, abra-se vista ao Ministério Público
Federal para manifestação. Publique-se. Brasília

47
(DF), 22 de outubro de 2018. Ministro JORGE MUSSI

53
Relator

:44 16
:05 C
18 00 H
Decisão do HC 164.131 – MATO GROSSO DO SUL, in verbis:
-
01 700

HABEAS CORPUS 164.131 MATO GROSSO DO SUL


2/2 10.
8-

RELATOR :MIN. RICARDO LEWANDOWSKI PACTE.(S) :ANDERSON


2/1 .2

FLORES DE ARAUJO PACTE.(S) :CELSO EDER GONZAGA DE


: 2 106

ARAUJO IMPTE.(S) :LUIZ GUSTAVO BATTAGLIN MACIEL E


OUTRO(A/S) COATOR(A/S)(ES) :RELATOR DO PEDIDO DE
Em por:

TUTELA PROVISÓRIA Nº 1.742 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE


JUSTIÇA
so

Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar


s

impetrado em favor de Anderson Flores de Araújo e


pre

Celso Éder Gonzaga de Araújo em face de decisão do


Im

Ministro Jorge Mussi, do Superior Tribunal de Justiça


- STJ, que indeferiu a TP 1.742/MS.

Na espécie, a Polícia Federal de Mato Grosso do Sul


instaurou inquérito policial, a partir de notícia-
crime, para apurar possível ocorrência dos delitos de
negociar títulos ou valores imobiliários falsos (art.
7º, I, da Lei 7.492/1986) e sem prévia autorização da
autoridade competente, quando legalmente exigida
(inciso IV do mesmo dispositivo normativo) e de fazer
operar, sem a devida autorização ou com autorização
falsa, instituição financeira, inclusive de

47
distribuição de valores mobiliários ou de câmbio

53
(art. 16 da mesma Lei).

:44 16
Em atendimento à representação policial, o juízo
federal decretou a prisão temporária dos

:05 C
18 00 H
investigados, posteriormente convertida em preventiva
com justificativa na garantia da ordem pública, ordem
econômica e aplicação da lei penal, além de busca e
-
01 700

apreensão, condução coercitiva, bloqueio de bens e


quebra de sigilo telefônico, fiscal e bancário. Eles
2/2 10.
8-

se encontram presos cautelarmente desde 21 de


novembro de 2017.
2/1 .2
: 2 106

Em 22 de dezembro de 2017, o Ministério Público


Federal - MPF pediu o arquivamento em relação aos
Em por:

crimes dos arts. 7º e 16 da Lei 7.492/1986, porque,


segundo o Procurador da República, “as evidências
so

colhidas não corroboraram a prática de crime


federal”.
s
pre

HC 164131 / MS
Im

Assim, o Juízo da 3ª Vara Federal de Campo Grande/MS


remeteu o feito ao Ministério Público Estadual, que
ofereceu denúncia pela prática, em tese, dos delitos
de organização criminosa e estelionato, em concurso
material, contra quatro corréus, distribuída à 4ª
Vara Criminal Residual da referida capital, cujo
juízo ratificou atos e decisões cautelares prolatadas
na esfera federal, inclusive a decisão que decretou
a prisão preventiva dos pacientes e demais
denunciados.

Inconformada com a custódia cautelar, a defesa

47
impetrou habeas corpus no Tribunal de Justiça do Mato

53
Grosso do Sul - TJMS, que denegou a ordem.

:44 16
Ainda irresignada, recorreu ao STJ, e o Ministro

:05 C
Relator indeferiu a liminar. Posteriormente manejaram

18 00 H
naquela Corte o pedido de tutela provisória, também
indeferida.
-
01 700

Contra esse decisum é a presente impetração.

Os impetrantes sustentam, em suma, “que é patente o


2/2 10.
8-

excesso de prazo para formação da culpa” (pág. 7 do


2/1 .2

documento eletrônico 1).


: 2 106

Afirmam, destarte, que “cuida-se de ação com apenas


quatro acusados, que em nenhum momento deram causa à
Em por:

procrastinação indevida do feito” (idem).

Alegam que a maioria das testemunhas arroladas pela


so

defesa residem em Campo Grande/MS, o que torna


s
pre

desnecessária a expedição de cartas precatórias e que


desde o início das investigações ficou demonstrado
Im

que os outros dois corréus não interagiam com os ora


pacientes.

Segundo apontam, requereram, para dar celeridade à


tramitação, o desmembramento em razão da absoluta
ausência de vínculo entre os HC 164131 / MS

investigados, pleito, entretanto, indeferido.


Asseveram, ainda, que é impossível falar em
organização criminosa já que, para sua configuração,
a norma estabelece a necessidade de um elo de no

47
mínimo quatro pessoas atuando de forma estruturada e

53
ordenada para a prática reiterada de delitos, o que
não teria ficado comprovado na espécie.

:44 16
:05 C
aduzem os
18 00 H
De outro lado, com relação ao crime de estelionato,
impetrantes que, se forem levadas em
-
consideração
01 700

“a aplicação da pena no mínimo legal (vez que não há


2/2 10.
8-

elementos para exasperação da pena-base, não há


agravantes e causas de aumento), com a causa de
2/1 .2

aumento inserta no art. 71 do mesmo diploma legal em


: 2 106

seu patamar máximo (2/3), ainda assim os recorrentes


já terão atingido o lapso para progressão de regime.
Em por:

Isso na improvável hipótese de fixação de regime


fechado, eis que a regra geral determina que tal
so

regime seja estabelecido somente quando a sanção


s

aplicada for superior a 8 (oito) anos” (pág. 23 do


pre

documento eletrônico 1).


Im

Argumentam, assim, que,

“ainda que não fosse evidente a ausência de


configuração de organização criminosa, considerando
a hipótese de os requerentes venham a ser condenados
também pela prática de tal crime, além do crime de
estelionato, como réus primários que são (pena base
no mínimo legal), eles seriam condenados a uma pena
de 4 (quatro) anos e 8 (oito) meses. Nesse cenário,
se fosse determinado o início do cumprimento da pena
em regime fechado, com nove meses e dez dias (1/6 da

47
pena) já teriam direito a semiliberdade diante da

53
progressão de regime” (pág. 23 do documento
eletrônico 1).

:44 16
Concluem no sentido de se fazer imperiosa a

:05 C
18 00 H
substituição da HC 164131 / MS

custódia preventiva por outras medidas cautelares


-
previstas no art. 319 do Código de Processo Penal,
01 700

especialmente porque “os recorrentes já foram


beneficiados com a aplicação de medidas cautelares
2/2 10.
8-

diversas da prisão e, tão logo a decisão fora


2/1 .2

revogada, apresentaram-se espontaneamente a


: 2 106

autoridade prisional” (pág. 29 do documento


eletrônico 1).
Em por:

Requerem, por fim, a concessão da liminar para que


seja revogada a prisão preventiva decretada, com a
so

concessão definitiva da ordem, ainda que


s

subsidiariamente seja convertida a prisão em medidas


pre

cautelares previstas no art. 319 do Código de Processo


Im

Penal.

É o relatório suficiente. Decido.

Bem examinados os autos, tenho que é caso de não


conhecimento da impetração, uma vez que ela se volta
contra decisão monocrática e, portanto, extravasa os
limites de competência desta Corte descritos no art.
102 da Constituição Federal, que pressupõem seja a
coação praticada por Tribunal Superior, mas de
concessão da ordem de ofício, ante a constatação de
flagrante ilegalidade e situação teratológica a

47
justificarem a superação daquela orientação.

53
Preliminarmente, insta destacar que o caso foi por

:44 16
mim analisado por ocasião do julgamento do HC 162.994,
cujo paciente é um dos quatro denunciados.

:05 C
18 00 H
Consoante observei naquele decisum, a Polícia Federal
de Mato Grosso do Sul instaurou investigação para
-
apurar crimes contra o sistema financeiro, cometidos
01 700

supostamente por uma organização que “celebraria com


‘investidores’ contratos de doação de montantes
2/2 10.
8-

expressivos, requerendo, em contrapartida,


2/1 .2

unicamente, o pagamento dos ‘custos operacionais’


: 2 106

utilizados para a repatriação de suposta comissão


obtida com a negociação de toneladas de ouro ou para
Em por:

liberação de uma antiga HC 164131 / MS

Letra do Tesouro Nacional – LTN” (pág. 33 do documento


so

eletrônico 3). Foi a denominada “Operação Ofir”, na


s

qual, “durante o cumprimento das buscas nos endereços


pre

residenciais foram encontradas letras de câmbio


Im

prescritas e fraudadas” (idem).

Ao término das investigações, “ao Ministério Público


Federal parece que não ficaram comprovados os crimes
contra o Sistema Financeiro Nacional:

[...] Não há prova de que Celso Eder e os outros


denunciados comercializaram ilegalmente LTN's ou
TDA's ou que tenham feito uso desses documentos em
detrimento de instituições federais. A referência que
a autoridade policial fez a esse respeito, mesmo após
a efetivação das buscas, apreensões e prisões diz

47
respeito à pessoa de Celso Araújo, que é avô (já

53
morto) de Celso Eder. A apreensão de LTN falsas na
residência de Sidinei dos demais denunciados não quer

:44 16
dizer que eles comercializavam esses papeis. Talvez

:05 C
estivessem preparando esses papéis para dar início à

18 00 H
execução de golpes. Da mesma forma, e o que é mais
importante não há evidência de que essas LTN foram
-
utilizadas contra instituições federais, por exemplo
01 700

para compensação tributária perante a Receita federal


2/2 10.

do Brasil ou Procuradoria da Fazenda Nacional. O que


8-

foi possível vislumbrar das provas colhidas é que


2/1 .2

Celso Eder, Anderson e Sidnei ostentavam esses


: 2 106

documentos para passar a impressão de solvência a


seus investidores (vítimas). Como informado pela
Em por:

Comissão de Valores Mobiliários (CVM), LTNs, TDAs e


letras de câmbio em geral não são valores mobiliários.
so

Também não há prova de que os denunciados operaram


s

instituição financeira (captação, intermediação de


pre

recursos de terceiros em típica atuação de


instituição financeira). As provas colhidas durante
Im

a investigação, mesmo após as buscas e apreensões


revelam apenas aquilo que o banco Central já indicava,
quando manifestou que essa operação Au-Metal 27058 (e
também a Operação SAP), configura mero estelionato na
modalidade antecipação de pagamento, pela vítima, de
parte do valor desse HC 164131 / MS, mesmo bem (não
há depósitos, mútuos e remunerações pagas por
investimentos ou depósitos realizados). O encontro
fortuito de provas indicou a ocorrência de outros
crimes para os quais houve o necessário
desmembramento. Armas encontradas com Sidinei e Eder

47
resultaram procedimentos perante a Justiça Estadual.

53
Aparente utilização de diploma falso perante
autarquia federal resultou em inquérito na Policia

:44 16
Federal. [...] Sobre o Estelionato e organização

:05 C
criminosa foram apuradas duas situações Distintas:

18 00 H
Operação Au -Metal 27058 1 Entre 2013 e novembro/2017,
em Campo Grande/MS, os denunciados Celso Eder Gonzaga
-
de Araújo e Anderson Flores de Araújo obtiveram para
01 700

si vantagens ilícitas (valores) e prejuízo de um


2/2 10.

grande número de pessoas, as quais eles induziram e


8-

mantiveram em erro mediante a utilização de diversos


2/1 .2

ardis e meios fraudulentos. 2 A fraude tem sua origem


: 2 106

e fundamento na estória de um antigo e fictício


negócio, relacionado com uma compra e venda de grande
Em por:

quantidade de ouro entre as empresas EBRASP e


EUROMILD, negociação esta que teria sido intermediada
so

pelo paymaster Celso Araújo (avô, já morto, de Celso


s

Eder), o qual atuou em nome da empresa Visão


pre

Assessoria Jurídica e Empresarial Ltda. Os pagamentos


dessa suposta transação teriam ocorridos em bancos
Im

estrangeiros. Pela intermediação nessa suposta


transação. Celso Araújo teria direito a uma comissão.
Ai surge a Operação Au -Metal 27058. Os valores
decorrentes dessa comissão a que Celso Araújo teria
direito (cujo valor superaria 1 trilhão de reais),
embora repatriados, estariam bloqueados por suposta
ordem do Banco Central do Brasil, que estaria por sua
vez perquirindo sobre a origem do dinheiro. Celso
Araújo teria cedido esse direito creditório a Celso
Eder. Para liberação desse valor astronômico
(relacionado a'corrtiss5o da 'Família Araújo), seria

47
necessário contratar uma empresa especializada. Dai

53
Celso Eder e Anderson HC 164131 / MS

:44 16
arquitetaram, montaram e mantiveram urna estrutura
para obter dinheiro Ide um número ainda

:05 C
18 00 H
indeterminado. de pessoas) para então viabilizar a
liberação dessa 'fortuna'. A empresa Company
Consultoria Empresarial (CNPJ 22.289.401/0001-46),
-
01 700

com atuação em Campo Grande/MS e constituída por Celso


Eder era exatamente nesse contexto. [...] Operação
2/2 10.
8-

SAP 6 Entre agosto/2016 e novembro/2016, em Campo


Grande/MS, Sidinei dos Anjos Peró obteve para si
2/1 .2
: 2 106

vantagens ilícitas (valores) em prejuízo de um grande


número de pessoas, as quais ele induziu e manteve em
erro mediante a utilização de diversos ardis e meios
Em por:

fraudulentos, relacionados à denominada Operação SAP,


similar à operação anterior, o fundamento dessa
so

operação é o mesmo, tal como descrito anteriormente


s

(item 1). O que mudou neste caso foi o nome da


pre

operação e o seu líder, bem como o campo de atuação


Im

e meios fraudulentos utilizados. Operação SAP remete


a iniciais do nome de Sidinei dos Anjos Peró. Sidinei
se passava por juiz federal, procurador da República,
embaixador (f. 70, por exemplo), Nessa operação (a
SAP) prevalecia o convencimento das vitimas mediante
o abuso da crença religiosa desta, Sidinei
arregimentava pastores evangélicos e estes por sua
vez faziam o papel de corretores em suas respectivas
denominações religiosas, angariando laportes' dos
fiéis. Neste caso predominou a utilização de
planilhas para a inserção e controle da qualificação

47
e ordenação dos Investidores ou `planilhados', como

53
eram chamados nessa operação os 'investidores' (f.
60648). A inserção do nome do investidor nessa

:44 16
planilha dependia do pagamento antecipado,

:05 C
normalmente via transferência bancária, e daria

18 00 H
direito a milhões de reais no futuro, imediatamente
após a liberação do dinheiro da operação. (,.,) 8 As
-
provas desses e respectiva autoria estão, da mesma
01 700

forma, juntadas no IPL, nos autos de interceptação


2/2 10.

telefônica e na vasta documentação apreendida apos a


8-

efetivação da busca e apreensão, minudentemente


2/1 .2

analisadas pela autoridade policial no volume IV


: 2 106

destes autos, relacionado ao que foi apreendido na


residência de Sidinei e de Sebastião Sérgio da Silva,
Em por:

corretor e braço direito de Sidinei na Operação SAP,


nomeadamente na arrecadação de dinheiro e controle
so

via planilhas". [...] Embora o quadro inicial tenha


s

motivado essa investigação por esse juízo, as


pre

evidências colhidas não corroboram a prática de


crimes federal, como fundamentado anteriormente,
Im

razão por que o MPF sugere o declínio da competência


em favor da Justiça Estadual de Campo Grande/MS,
pedindo o arquivamento em relação aos crimes dos
artigos 7 e 16 da Lei 7.492/1986 e sem prejuízo de
que o resultado de perícia em material apreendido
revelem encontro fortuito de prova de outros crimes"
(págs. 46 a 52 do documento eletrônico 3 dos autos do
HC 162.994).
Remetidos os autos à justiça estadual, para
processamento dos crimes de estelionato e organização
criminosa, a prisão preventiva e demais atos foram

47
ratificados.

53
:44 16
Esta a decisão mais recente que indeferiu o pedido de

:05 C
revogação da prisão dos pacientes:

18 00 H
“Anderson Flores de Araújo e Celso Éder Gonzaga de
Araújo formularam novo PEDIDO DE REVOGAÇÃO DE PRISÃO
-
01 700

PREVENTIVA, alegando, em síntese, excesso de tempo na


duração da prisão preventiva, sendo, portanto,
2/2 10.
8-

imperiosa a liberação de ambos, razão porque


pleitearam o direito de responder ao processo
2/1 .2

criminal em liberdade, e se comprometendo a


: 2 106

comparecer a todos os atos processuais. Com o


requerimento, foram juntados procuração, cópia de
Em por:

processo e cópia de mandados de prisão. O Ministério


Público opinou pelo indeferimento do pedido, aduzindo
so

ser a preventiva necessária para evitar o descrédito


s

da justiça, bem como garantir eficácia de futuro e


pre

certo provimento jurisdicional.


Im

É o relatório. Decido. Trata-se de requerimento


distribuído por dependência à ação Penal de nº
0009613-69.2017, onde Anderson Flores de Araújo,
Celso Eder Gonzaga de Araujo, Ricardo Machado Neves
e Sidinei dos Anjos Peró são acusados pela prática,
em tese, do delito capitulado no art. 2º da Lei nº
12.850/2013; art. 171, caput do Código Penal, por
inúmeras vezes (art. 71 do CP), em concurso material
de crimes (art. 69 do CP), ocorrido no decorrer do

47
ano 2017. Os requerentes encontram-se presos desde a

53
data de 24/11/2017, uma vez que fora decretada prisão
preventiva por Juiz Federal com ratificação deste

:44 16
Juízo (fl. 1267), o qual também converteu a prisão em

:05 C
flagrante em prisão preventiva, para garantia da
ordem pública
criminal. Com
18 00 H
e para
efeito,
conveniência
em que pese
da
os
instrução
relevantes
-
argumentos expendidos pelos requerentes, entendo não
01 700

estarem presentes sinais de plausibilidade jurídica


2/2 10.

do pedido. A prisão preventiva é medida excepcional,


8-

só admitida quando presentes os pressupostos para sua


2/1 .2

decretação, quais sejam, indícios suficientes de


: 2 106

autoria e prova da materialidade do crime, somando-


se a isso algum dos seguintes fundamentos: a garantia
Em por:

da ordem pública ou econômica, a conveniência da


instrução criminal e para assegurar aplicação da lei
so

penal, ex vi do disposto no art. 312 do Código de


s

Processo Penal. Ab initio, é necessário observar que


pre

o prazo para conclusão da instrução criminal, em se


tratando de crime de organização criminosa e
Im

estelionato, não é fatal e nem improrrogável, e deve


ser analisado caso a caso, à luz do princípio da
proporcionalidade. Assim, apesar de os requerentes
estarem presos preventivamente desde 24/11/2017, não
se verificou por parte deles qualquer medida visando
acelerar a instrução processual. Ao contrário,
manifestaram nos autos postulando a oitiva das
testemunhas de Defesa somente após a oitiva de todas
as testemunhas de acusação (fls. 2401, linhas 13/15),
sendo relevante notar haver que várias testemunhas de
outros Estados, dentre eles, RJ, DF, SP, GO e TO.

47
Desta forma, mesmo ciente da usual demora para

53
cumprimento das precatórias, o que importaria na
demora também para o encerramento da instrução

:44 16
processual, optaram os requerentes na produção das

:05 C
referidas provas. Vale ressaltar, inclusive, ter sido

testemunhas,
18 00 H
expedidas Cartas Precatórias para oitiva de algumas
as quais retornaram com intimação
-
negativa por divergência de endereços, como consta às
01 700

fls. 2366, fls. 2367, fls. 2365, fls. 2475. Não


2/2 10.

bastasse isso, eventual demora ou excesso na


8-

conclusão da instrução processual, no caso em tela,


2/1 .2

é plenamente justificado pelas peculiaridades do


: 2 106

feito, fundamento pelo qual a prisão cautelar deve


ser mantida, como forma de garantia da ordem pública.
Em por:

A ação penal, do qual são réus os requerentes, revela


alcance além das fronteiras do nosso Estado, por
so

existirem supostamente vítimas em outros Estados da


s

Federação, o que gerou grande divulgação da mídia


pre

nacional, ensejando a este Juízo imensurável


necessidade de oferecer às eventuais vítimas e à
Im

sociedade em geral, a paz social (garantia da ordem


pública). Com isso, o sagrado direito à liberdade, do
qual todo cidadão é dotado, cede, diante da
necessidade de preservar o bem estar coletivo,
ameaçado por eventual conduta de quem insiste em
praticar delitos sem se importar com a repercussão de
seus atos no meio social, desmoronando, de igual
forma, os argumentos dos requerentes de
constrangimento ilegal por excesso de prazo da prisão
preventiva. Consoante ensina JULIO FABBRINI MIRABETE,
"É pacífico, porém, que para o reconhecimento da

47
ilegalidade por excesso de prazo na instrução, seja

53
a demora injustificada. Não é ele reconhecido quando
a mora está justificada nos autos, quando há caso de

:44 16
força maior provocada por processo complexo (vários

:05 C
réus, necessidade de citação edital, e de expedição
de carta
18 00 H
precatória, instauração de incidente
insanidade mental etc.). [...] A duração da instrução
de
-
deve ser considerada sempre com relação à
01 700

complexidade do processo, de acordo com um critério


2/2 10.

de razoabilidade" (MIRABETE, Júlio Fabbrini. Código


8-

de processo penal interpretado, 8. ed., São Paulo:


2/1 .2

Atlas, 2000, p. 900). No mesmo sentido, como se extrai


: 2 106

dos seguintes julgados, os quais foram colhidos entre


muitos de igual teor: [...]" Ademais, no caso em tela,
Em por:

foi realizada audiência de instrução neste Juízo e


está sendo dado o impulso necessário para a regular
so

tramitação do feito, situação consonante à recente


s

jurisprudência (1), que entende não configurar


pre

excesso de prazo na conclusão da instrução criminal


em situações tais, ante o princípio da razoabilidade.
Im

Com efeito, a ação penal foi proposta em face de 04


(quatro) réus, havendo necessidade de prática de atos
processuais em quádruplo, e tais réus compareceram
aos autos representados por defensores distintos, o
que implica em manifesta demora na tramitação do
feito. Ainda, deve-se considerar ter sido expedidas
diversas cartas precatórias para oitiva de
testemunhas arroladas tanto pela denúncia quanto
Defesa, bem como constam vários incidentes de pedidos
de revogação da prisão preventiva, pedidos de
restituição de bens e documentos apreendidos,

47
incidente de falsidade documental e pedidos de

53
informação em Habeas Corpus, que acabam tornando mais
moroso o andamento do feito. Diante disso, eventual

:44 16
atraso no encerramento da instrução criminal não pode

:05 C
ser atribuída ao Juízo, mas sim às peculiaridades do

18 00 H
processo, justificando a permanência dos requisitos
invocados para decretação da medida extrema, devendo
-
ser indeferido o pedido de revogação da prisão
01 700

preventiva. Por todo o exposto, vistos e examinados


2/2 10.

também em razão do MUTIRÃO CARCERÁRIO (Provimento


8-

415/2018), INDEFIRO O PEDIDO DE REVOGAÇÃO DE PRISÃO


2/1 .2

PREVENTIVA formulado por Anderson Flores de Araújo e


: 2 106

Celso Éder Gonzaga de Araújo, por reputar que


persistem no caso em tela os requisitos do art. 312
Em por:

do Código de Processo Penal. Intimem-se.


Oportunamente, traslade-se cópia desta decisão para
so

os autos de ação penal, arquivando estes autos. Campo


s

Grande – MS, 14 de agosto de 2018. (págs. 71 a 75 do


pre

documento eletrônico 6).Diante do cenário aqui posto,


tenho que assiste razão aos impetrantes. Da análise
Im

detida dos autos e da situação concreta de cada


paciente, aparentemente primários e sem maus
antecedentes, a dosimetria da pena que eventualmente
lhes seria imposta dificilmente culminaria na fixação
de regime fechado para o início de seu cumprimento,
especialmente se se considerar a fragilidade do
contexto probatório relacionado à autoria e
materialidade de um dos quatro pacientes da ação penal
objeto deste writ e sobre o qual me debrucei quando
do julgamento do HC 162.994.

Consoante deixei consignado naquele decisum, parece-

47
me, à primeira vista, que os indícios de materialidade

53
e autoria do paciente R.M.N ainda seriam frágeis, uma

:44 16
vez que, da própria narrativa do Parquet Federal, não
se vislumbra a sua participação na empresa e nas

:05 C
18 00 H
operações AU-METAL e SAP, referentes aos ora
pacientes.
-
Nesses termos, não restariam preenchidos os
01 700

requisitos para a configuração do delito de


organização criminosa, o qual pressupõe “ a
2/2 10.
8-

associação de 4 (quatro) ou mais pessoas


2/1 .2

estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão


: 2 106

de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de


obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer
Em por:

natureza, mediante a prática de infrações penais


cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro)
so

anos, ou que sejam de caráter transnacional” (art.


1.º, § 1.º, da Lei 12.850/2013).
s
pre

Em tese, os pacientes podem, portanto, estar presos


Im

há exato 1 ano pelo cometimento do crime de


estelionato, cuja pena varia de 1 (um) a 5 (cinco)
anos, sem que sequer tenha sido encerrada a instrução
processual. Parece-me, assim, patente o excesso de
prazo, sendo que inexistem nos autos elementos que
indiquem que a demora processual na formação da culpa
possa lhes ser imputada.
Sobre o tema, a jurisprudência da Corte está
consolidada no sentido de conceder a ordem nos casos
em que configurado o excesso de prazo da custódia

47
cautelar, como se vê das ementas dos julgados de ambas

53
as Turmas:

:44 16
“PRISÃO PREVENTIVA IMPUTAÇÃO. A gravidade da
imputação, considerado o princípio da não

:05 C
18 00 H
culpabilidade, é insuficiente, por si só, a levar à
prisão provisória. PRISÃO PREVENTIVA excesso DE
prazo. Configurado o excesso de prazo da custódia
-
01 700

preventiva, impõe-se a devolução da liberdade ao


imputado” (HC 130927/SP, Rel. Min. Marco Aurélio -
2/2 10.
8-

Primeira Turma).
2/1 .2

“HABEAS CORPUS. Homicídio qualificado. Júri.


: 2 106

Desaforamento. Solicitação pelo magistrado de


primeiro grau. Paciente preso preventivamente há três
Em por:

anos e meio. Ausência de previsão do julgamento pelo


Tribunal do Júri. Demora não imputável à defesa, mas
so

sim ao aparelho judiciário. Precedentes.


Constrangimento ilegal por excesso de prazo
s
pre

configurado. Direito à duração razoável do processo


(art. 5º, LXXVIII, CF). Ordem concedida para se
Im

revogar a prisão preventiva do paciente,


determinandose ao juízo de primeiro grau que avalie,
motivadamente, a necessidade de imposição de medidas
cautelares diversas (art. 319, CPP). 1. Nos termos do
art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal, a todos,
no âmbito judicial e administrativo, são assegurados
a razoável duração do processo e os meios que garantam
a celeridade de sua tramitação. 2. Segundo a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, não há
constrangimento ilegal quando a complexidade do
feito, as peculiaridades da causa ou a defesa

47
contribuírem para o excesso de prazo. Precedentes. 3.

53
Na espécie, o paciente, preso preventivamente há três
anos e meio, ainda aguarda julgamento pelo Tribunal

:44 16
do Júri, sem data prevista para ocorrer. 4. Embora

:05 C
louvável a postura do juízo de primeiro grau, ao

pela
18 00 H
solicitar o desaforamento do julgamento, de zelar
imparcialidade do júri, por vislumbrar a
-
existência de elementos concretos que pudessem
01 700

comprometê-la, o atraso na submissão do paciente a


2/2 10.

julgamento por seu juiz natural não pode ser imputado


8-

à defesa, mas sim ao aparelho judiciário. 5. O julgado


2/1 .2

ora hostilizado, corretamente, partiu da premissa de


: 2 106

que o magistrado de primeiro grau não agiu com


desídia. Equivocada, todavia, a conclusão de que a
Em por:

demora no julgamento não poderia ser imputada ao


Estado, haja vista que a solicitação de desaforamento
so

foi feita pelo próprio juízo processante.


s

Precedentes. 6. Em que pesem a gravidade do crime


pre

homicídio duplamente qualificado e os recursos


anteriormente interpostos pela defesa que não
Im

interpôs recurso especial contra o acórdão


confirmatório da pronúncia, limitando-se a opor
embargos declaratórios -, a ação penal não é complexa
e, após o deferimento do desaforamento, ainda não foi
designada data para o julgamento do paciente. 7. Ordem
concedida, para revogar a prisão preventiva do
paciente, determinando-se ao juízo de primeiro grau
que avalie, motivadamente, a necessidade de imposição
de medidas cautelares diversas (art. 319, CPP) (HC
136183/PE, Rel. Min. Dias Toffoli - Segunda Turma).

Sob outra perspectiva, é preciso também registrar que

47
“mesmo graves, os crimes apurados durante o inquérito

53
policial foram praticados sem violência ou grave

:44 16
ameaça”, exatamente como se posicionou o Ministro
Gilmar Mendes em caso análogo ao destes autos, no HC

:05 C
18 00 H
159.798/GO, writ relacionado à ação penal em que os
pacientes respondem por suposta prática dos delitos
de estelionato e quadrilha.
-
01 700

Naquele mandamus, o quadro fático era o de pacientes


que foram presos preventivamente, “pois, na condição
2/2 10.
8-

de pastores evangélicos, utilizavam-se da igreja para


2/1 .2

aliciar fiéis a fim de obter vantagem financeira”,


: 2 106

soltos após a decisão do Relator.

Também no HC 161.610/PA, de relatoria do Ministro


Em por:

Alexandre de Moraes, Sua Excelência destacou que


so

“o paciente está segregado preventivamente desde


29/6/2018 pela suposta prática da conduta prevista no
s
pre

art. 171, caput, do Código Penal, delito punido com


pena de 1 a 5 anos de reclusão. Acrescente-se que a
Im

natureza do crime imputado, praticado sem violência


ou grave ameaça, sinaliza que a manutenção da prisão
decretada não se mostra medida adequada e
proporcional, sendo possível sua substituição por
medidas cautelares diversas (CPP, art. 319), que se
revelam, na espécie, suficientes para garantir a
ordem pública, a aplicação da lei penal e a regular
instrução criminal (cf. HC 154.096, Relator(a): Min.
ALEXANDRE DE MORAES, DJe de 30/05/2018; HC 127650,
Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, DJe de
17/11/2015)”.

47
Reputo cabível, no entanto, a imposição das seguintes

53
medidas cautelares previstas no art. 319 do Código de

:44 16
Processo Penal, sem prejuízo de que o magistrado de
primeiro grau aplique outras que entender

:05 C
18 00 H
pertinentes:

I - comparecimento periódico em juízo, para informar


-
e justificar suas atividades;
01 700

III - proibição de ausentar-se da Comarca sem prévia


2/2 10.
8-

autorização judicial;
2/1 .2

IV - proibição de manter contato com os demais


: 2 106

acusados;

V - entrega de seu passaporte ao juízo.


Em por:

Nesses termos, não conheço da impetração, mas concedo


a ordem de ofício, para suspender a prisão preventiva
so

decretada em desfavor dos pacientes, se por outro


s
pre

motivo não estiverem presos, com a aplicação das


medidas cautelares acima elencadas (art. 192 do
Im

RISTF).

Comunique-se com urgência.

Publique-se.

Brasília, 16 de novembro de 2018

Ministro Ricardo Lewandowski Relator


Não é preciso muitas delongas para saber-se que é
regra fundamental, extraída da Carta Magna, que é dever de todo e

47
qualquer magistrado motivar suas decisões judiciais, à luz do que

53
reza o art. 93, inc. IX da Constituição Federal. Urge asseverar que

:44 16
é direito de todo e qualquer cidadão, atrelando-se aos princípios da
inocência e da não-culpabilidade – perceba-se que o Paciente negara

:05 C
18 00 H
o que lhe fora imputado – o que reclama, por mais estes motivos, uma
decisão devidamente fundamentada acerca dos motivos da permanência
do Paciente no cárcere, sob a forma de segregação cautelar.
-
01 700

Neste azo, o julgador, ao convolar a prisão em


flagrante para prisão preventiva, mesmo diante da absurda e descabida
2/2 10.
8-

pretensa alegada gravidade do crime em liça, deverá motivar sua


2/1 .2

decisão, de sorte a verificar se a prisão preventiva conforta-se com


: 2 106

as hipóteses previstas no art. 312 do Código de Processo Penal, ou


seja: a garantia da ordem pública ou da ordem econômica, a
Em por:

conveniência da instrução criminal e a segurança da aplicação da Lei


Penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente
so

da autoria.
s

Note-se, pois, que o Tribunal Local não cuidou de


pre

elencar quaisquer fatos ou atos concretos que representassem


Im

minimamente a garantia da ordem pública, não havendo qualquer


indicação de que seja o Paciente uma ameaça ao meio social, ou, ainda,
que o delito fosse efetivamente de grande gravidade. Mesmo assim
demonstrando, o Tribunal de Justiça cometeu o mesmo erro ao denegar
a ordem e, equivocadamente, entender que houvera fundamentação no
decisório de primeiro grau.

Outrossim, inexiste qualquer registro de que a


Paciente cause algum óbice à conveniência da instrução criminal, nem
muito menos fundamentou-se sobre a necessidade de assegurar a
aplicação da lei penal, não decotando, também, quaisquer dados
(concretos) de que a Paciente, solta, poderá evadir-se do distrito

47
da culpa.

53
Dessarte, o fato de tratar-se de imputação de “crime

:44 16
grave”, como implícito no acórdão, não possibilita, por si só, manter
a decretação da prisão preventiva do Paciente e, via reflexa, negar-

:05 C
18 00 H
lhe a liberdade provisória.

Desta forma, a decisão em comento é ilegal, também


-
por mais este motivo, sobretudo quando vulnera a concepção trazida
01 700

no bojo do art. 93, inc. IX, da Carta Magna e, mais, do art. 315 da
Legislação Adjetiva Penal.
2/2 10.
8-

‘’Colhemos, pois, as lições doutrinárias de Eugênio


2/1 .2

Pacelli de Oliveira, o qual, destacando linhas acerca da necessidade


: 2 106

de fundamentação no decreto da prisão preventiva, assevera que:


Em por:

“ Se a prisão em flagrante busca sua justificativa e


fundamentação, primeiro, na proteção do ofendido, e,
so

depois, na garantia da qualidade probatória, a prisão


preventiva revela a sua cautelaridade na tutela da
s
pre

persecução penal, objetivando impedir que eventuais


condutas praticadas pelo alegado autor e/ou por
Im

terceiros possam colocar em risco a efetividade do


processo.

A prisão preventiva, por trazer como conseqüência a


privação da liberdade antes do trânsito em julgado,
somente se justifica enquanto e na medida em que puder
realizar a proteção da persecução penal, em todo o
seu iter procedimental, e, mais, quando se mostrar a
única maneira de satisfazer tal necessidade.

(... )

47
53
Em razão da gravidade, e como decorrência do sistema
de garantias individuais constitucionais, somente se

:44 16
decretará a prisão preventiva ‘por ordem escrita e

:05 C
fundamentada da autoridade judiciária competente.’,

18 00 H
conforme se observa com todas as letras no art. 5º,
LXI, da Carta de 1988.” (Oliveira, Eugênio Pacelli
-
de. Curso de Processo Penal. 16ª Ed. São Paulo: Atlas,
01 700

2012. Págs. 542-543)


2/2 10.
8-

( os destaques são nossos )


2/1 .2

Em nada discrepando deste entendimento, com a mesma


: 2 106

sorte de entendimento lecionam Nestor Távora e Rosmar Rodrigues


Alencar que:
Em por:

“ O art. 315 do CPP exige fundamentação no despacho


que decreta a medida prisional. Tal exigência decorre
so

também do princípio constitucional da motivação das


s

decisões judiciais (art. 93, IX, CF). O magistrado


pre

está obrigado a indicar no mandado os fatos que se


Im

subsumem à hipótese autorizadora da decretação da


medida. Decisões vazias, com a simples reprodução do
texto da lei, ou que impliquem meras conjecturas, sem
destacar a real necessidade da medida pelo perigo da
liberdade, não atendem à exigência constitucional,
levando ao reconhecimento da ilegalidade da
prisão.”(Távora, Nestor; Alencar, Rosmar Rodrigues.
Curso de direito processual penal. 7ª Ed. Bahia:
JusPODIVM, 2012. Pág. 589).

Vejamos, também, o que professa Norberto Avena:

47
53
“Infere-se do art. 315 do CPP, e também por
decorrência constitucional (art. 93, IX, da CF), que

:44 16
o decreto da prisão preventiva deve ser fundamentado

:05 C
quanto aos pressupostos e motivos

Processo Penal:
18 00 H
ensejadores.”(Avena, Norberto
esquematizado.
Cláudio
4ª Ed. São
Pâncaro.
Paulo:
-
Método, 2012. Pág. 951).
01 700

Vejamos, a propósito, precedentes do STF, próprios a viabilizar a


2/2 10.
8-

concessão da ordem, mais especificamente pela ausência de


fundamentação:
2/1 .2
: 2 106

HABEAS CORPUS. PEDIDO DE EXTENSÃO DA ORDEM CONCENDIDA


A CORRÉU. ART. 580 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. PRISÃO
Em por:

EM FLAGRANTE POR TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA


O TRÁFICO. INDEFERIMENTO DE LIBERDADE PROVISÓRIA.
so

AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. PEDIDO DE EXTENSÃO


DEFERIDO.
s
pre

I. No caso sob exame, o indeferimento do pedido de


Im

liberdade provisória formulado pelo ora requerente


também se fundou na necessidade de se preservar a
ordem pública em razão da gravidade abstrata dos
delitos e por conveniência da instrução criminal,
fazendo-se alusão, ainda, à hediondez do crime de
tráfico, fundamentos insuficientes para manter o
requerente na prisão. II. Segundo remansosa
jurisprudência desta corte, não basta a gravidade do
crime e a afirmação abstrata de que os réus oferecem
perigo à sociedade e à saúde pública para justificar
a imposição da prisão cautelar. Assim, o STF vem

47
repelindo a prisão preventiva baseada apenas na

53
gravidade do delito, na comoção social ou em eventual
indignação popular dele decorrente, a exemplo do que

:44 16
se decidiu no HC 80.719/SP, relatado pelo ministro

:05 C
Celso de Mello. III. Requerente que se encontra em

18 00 H
situação fático-processual idêntica à do paciente
beneficiado neste writ (valdecir), pois ambos foram
-
condenados pelos delitos de tráfico ilícito de drogas
01 700

e associação para o tráfico, o que faz incidir o art.


2/2 10.

580 do CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. LV. Extensão da ordem


8-

concedida para colocar o ora requerente em liberdade


2/1 .2

provisória, devendo ser expedido o respectivo alvará


: 2 106

de soltura somente se por outro motivo não estiver


preso, sem prejuízo de que o magistrado de primeiro
Em por:

grau, caso entenda necessário, fixe, de forma


fundamentada, uma ou mais de uma das medidas
so

cautelares previstas no art. 319 do CÓDIGO DE PROCESSO


s

PENAL (na redação conferida pela Lei nº 12.403/2011).


pre

(STF - HC 110.132; SP; Segunda Turma; Rel. Min.


Ricardo Lewandowski; Julg. 16/10/2012; DJE
Im

08/11/2012; Pág. 65)

HABEAS CORPUS. PEDIDO DE EXTENSÃO DA ORDEM CONCENDIDA


A CORRÉU. ART. 580 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. PRISÃO
EM FLAGRANTE POR TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA
O TRÁFICO. INDEFERIMENTO DE LIBERDADE PROVISÓRIA.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. PEDIDO DE EXTENSÃO
DEFERIDO.

I. No caso sob exame, o indeferimento do pedido de

47
liberdade provisória formulado pelo ora requerente

53
também se fundou na necessidade de se preservar a

:44 16
ordem pública em razão da gravidade abstrata dos
delitos e por conveniência da instrução criminal,

:05 C
18 00 H
fazendo-se alusão ao potencial intimidador em crimes
dessa natureza, fundamentos insuficientes para manter
o requerente na prisão. II. Segundo remansosa
-
01 700

jurisprudência desta corte, não basta a gravidade do


crime e a afirmação abstrata de que os réus oferecem
2/2 10.
8-

perigo à sociedade e à saúde pública para justificar


a imposição da prisão cautelar. Assim, o STF vem
2/1 .2
: 2 106

repelindo a prisão preventiva baseada apenas na


gravidade do delito, na comoção social ou em eventual
indignação popular dele decorrente, a exemplo do que
Em por:

se decidiu no HC 80.719/SP, relatado pelo ministro


Celso de Mello. III. Requerente que se encontra em
so

situação fático-processual mais favorável do que o


s

paciente beneficiado neste writ, pois foi condenado


pre

apenas pelo delito de tráfico ilícito de drogas, sendo


Im

absolvido do crime de associação para o tráfico, o


que faz incidir o art. 580 do código de processo
penal. LV. Extensão da ordem concedida para colocar
o ora requerente em liberdade provisória, devendo ser
expedido o respectivo alvará de soltura somente se
por outro motivo não estiver preso. (STF - HC 110.132;
SP; Segunda Turma; Rel. Min. Ricardo Lewandowski;
Julg. 24/04/2012; DJE 15/05/2012; Pág. 24)
47
53
Regras de hermenêutica

:44 16
:05 C
É consabido que uma lei posterior, de mesma

18 00 H
hierarquia, revoga (expressa ou tacitamente) a lei anterior, naquilo
que for colidente.
-
01 700

Novamente colhemos as lições de Noberto Bobbio,


quando, sob o trato de colisão de leis no tempo, professa que:
2/2 10.
8-

“ As regras fundamentais para a solução de antinomias


2/1 .2

são três: a) o critério cronológico; b) o critério


: 2 106

hierárquico; c) o critério da especialidade;


Em por:

O critério cronológico, chamado também de Lex


posterior, é aquele com base no qual, entre duas
normas incompatíveis, prevalece a norma posterior:
so

Lex posterior derogat priori. Esse critério não


s
pre

necessita de comentário particular. Existe uma regra


geral do Direito em que a vontade posterior revoga a
Im

precedente, e que de dois atos de vontade da mesma


pessoa vale o último no tempo. Imagine-se a Lei como
a expressão da vontade do legislador e não haverá
dificuldade em justificar a regra. A regra contrária
obstaria o progresso jurídico, a adaptação gradual do
Direito às exigência sociais. Pensemos, por absurdo,
nas conseqüências que derivariam da regra que
prescrevesse ater-se à norma precedente. Além disso,
presume-se que o legislador não queria fazer coisa
inútil e sem finalidade: se devesse prevalecer a norma
precedente, a lei sucessiva seria um ato inútil e sem

47
finalidade. “( ob. E aut., cits., pág. 92-93).

53
:44 16
4 – DO EXCESSO DE PRAZO

:05 C
O paciente teve sua prisão temporária decretada em
18 00 H
16/11/2017 efetivada no dia 21/11/2017, portanto, encarcerado há 340
dias sem formação da culpa, o que por si só gera constrangimento
-
01 700

ilegal, ancorando-se no apontada a ofensa à liberdade de locomoção


do paciente, encontra-se presente, in caus, o fumus boni iuris.
2/2 10.
8-
2/1 .2

No mesmo sentido, verifica-se a ocorrência do


: 2 106

periculum in mora, pois, a liberdade do paciente, primário, somente


ao final importará em inaceitável e temerária manutenção de violação
Em por:

ao seu status libertatis.

Presentes, portanto, os requisitos autorizadores para


so

a concessão da extensão.
s
pre
Im

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL

Art. 400 - Na audiência de instrução e julgamento, a


ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à
tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas
arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o
disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos
peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas,
interrogando-se, em seguida, o acusado.

Nossa Corte Maior, resta saber, inclusive já tem

47
precedentes indicando que, não obstante já julgada a ação penal,

53
ainda assim deve ser reconhecido o constrangimento ilegal em face de

:44 16
demora no julgamento do recurso. Vejamos:

:05 C
HABEAS CORPUS. RECURSO DE APELAÇÃO. JULGAMENTO.

18 00 H
EXCESSO DE PRAZO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL.

1. Extrapola o limite do razoável o não julgamento de


-
01 700

recurso de apelação interposto há quase dois anos e


meio.
2/2 10.
8-

2. Impõe-se rever o entendimento de que o excesso de


2/1 .2

prazo deve ser computado somente até a prolação da


: 2 106

sentença, quando há a formação da culpa. Há de se


impor, também, tempo razoável para o julgamento dos
Em por:

recursos, notadamente porque o CPP contém previsão


expressa nesse sentido. Ordem concedida. (STF - HC
so

99.425; SP; Segunda Turma; Rel. Min. Eros Grau; Julg.


15/12/2009; DJE 16/04/2010; Pág. 74)
s
pre

Portanto, e corroboramos com tal entendimento, os


Im

prazos legais não se computam tão-somente pela soma aritmética, mas


sim, devem ser analisados tendo por norte o princípio da
razoabilidade.

A Corte Européia dos Direitos Humanos fixou quatro


critérios para nortear a análise da razoabilidade do prazo de duração
dos procedimentos, a saber (GAJARDONI, 2007, p. 114):

a) a complexidade do assunto (complex litigation);


b) o comportamento dos litigantes e de seus procuradores;

c) o comportamento do órgão jurisdicional;

47
d) a importância do objeto do processo para o recorrente (este, mais

53
como critério de fixação do quantum indenizatório).

:44 16
Nesta mesma esteira de entendimento, vejamos as
lições de Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar, os quais professam

:05 C
que:
18 00 H
Princípio da duração razoável do processo penal.
-
01 700

A justiça como tal, não pode ser tardia. A Emenda


Constitucional de nº 45, de 30 de dezembro de 2004, dispôs que ‘a
2/2 10.
8-

todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável


duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua
2/1 .2

tramitação’(art. 5º, LXXVIII, CF/1988).


: 2 106

(... )
Em por:

A razoável duração do processo implica decisivamente


na legalidade da manutenção da prisão cautelar,
so

afinal, o excesso prazal da custódia provisória leva


s

à ilegalidade da segregação, entendimento consagrado


pre

inclusive no âmbito do STF, eis que a súmula de nº


Im

697 reconheceu que a ‘a proibição de liberdade


provisória nos excessos por crimes hediondos não veda
o relaxamento da prisão processual por excesso de
prazo’.”(Távora, Nestor; Alencar, Rosmar Rodrigues.
Curso de direito processual penal. 4ª Ed. Bahia:
JusPODIVM, 2010. Pág. 64)

A propósito, estas também são as mesmas orientações defendidas por


Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino:
“ Diante desta realidade, é indiscutível a
importância que assume a consagração, em favor dos
cidadãos, do direito de ver julgados, em prazo

47
razoável, sem demora excessiva ou dilações indevidas,

53
os litígios submetidos à apreciação do Poder
Judiciário (e também da Administração Pública, no

:44 16
âmbito dos processos administrativos).

:05 C
18 00 H
A relevância do reconhecimento desse direito, mesmo
antes do acréscimo do inciso em comento pela EC nº
45/2004, vinha sendo assentada pela jurisprudência do
-
01 700

Supremo Tribunal Federal, que, em mais de um julgado,


teve oportunidade de afirmar a necessidade de
2/2 10.
8-

acelerar a prestação jurisdicional, de neutralizar


retardamentos abusivos ou dilações indevidas na
2/1 .2
: 2 106

resolução dos litígios, por parte de magistrados e


Tribunais. “(Paulo, Vicente; Alexandrino, Marcelo.
Direito Constitucional Descomplicado. 3ª Ed. São
Em por:

Paulo: Método, 2008. Pág. 186)


so

Como asseverado em linhas anteriores desta peça, este


processo não apresenta qualquer complexidade, havendo tão-somente
s
pre

três acusados e, mais, cujo o assunto não importa dificuldades


(estelionato simples).
Im

Não cabe ao Paciente responder, pois, pelas eventuais


deficiências da máquina judiciária, maiormente quando implica, como
na hipótese em estudo, na manutenção da prisão de alguém que, segundo
Estado Democrático de Direito, é tida como presumidamente não culpado
até o trânsito em julgado do decreto condenatório.

O encarceramento por prazo superior ao regido pela


lei penal, sacrifica o direito fundamento da dignidade da pessoa
humana, onde o preso, ademais, tem direito ao julgamento do processo
em prazo razoável.

47
53
5 - CONSTITUIÇÃO FEDERAL

:44 16
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada
pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do

:05 C
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático
18 00 H
de Direito e tem como fundamentos:
-
III - a dignidade da pessoa humana;
01 700

Art. 5º - (... )
2/2 10.
8-

LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e


2/1 .2

administrativo, são assegurados a razoável duração do


: 2 106

processo e os meios que garantam a celeridade de sua


tramitação.
Em por:

O caso, portanto, é de imediato relaxamento da prisão.


sso

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
pre
Im

Art. 5º - (... )

LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada


pela autoridade judiciária;
Outrossim, sob o enfoque da ilegalidade da segregação
cautelar por excesso de prazo na formação da culpa, deste Pretório
Excelso se espraiam julgados desta mesma ordem de entendimento:

47
PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. PRISÃO EM

53
FLAGRANTE. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA.

:44 16
DEMORA QUE NÃO PODE SER IMPUTADA À DEFESA. FALTA DE
ESTRUTURA DO APARELHO JUDICIÁRIO ES TADUAL. SÚMULA Nº

:05 C
18 00 H
697 DO SUPRE MO TRIBUNAL FEDERAL. PEQUENA QUANTIDADE
DE DROGA APREENDIDA. ORDEM CONCEDIDA.
-
I – Paciente preso por um ano e quatro meses sem que
01 700

haja sido sequer concluído exame de dependência


química. Excesso de prazo configurado.
2/2 10.
8-

II – Mera vedação legal de liberdade provisória não


2/1 .2

impede o reconhecimento do excesso de prazo.


: 2 106

Precedentes. Súmula nº 697.


Em por:

III – Ordem concedida. (STF - HC 94.767-1; RJ;


Primeira Turma; Rel. Min. Ricardo Lewandowski; Julg.
so

24/03/2009; DJE 24/04/2009; Pág. 33)


s

PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. PRISÃO


pre

PREVENTIVA. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA.


Im

AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA Nº 697 DO SUPREMO


TRIBUNAL FEDERAL. ORDEM DE PRISÃO QUE NÃO SE FUNDA EM
DADOS CONCRETOS. ORDEM CONCEDIDA.

I - Paciente preso há um ano e nove meses sem que


haja sido sequer designada audiência para ouvida de
testemunhas de acusação, configura excesso de prazo.
II - Mera vedação legal de liberdade provisória não
impede o reconhecimento do excesso de prazo.
Precedentes. Súmula nº 697.

III - Fundamentos do Decreto prisional que devem fazer

47
referência ao caso concreto, e não à simples gravidade

53
genérica do delito. Art. 93, IX, da CF, e 315 do CPP.

:44 16
lV - Ordem concedida. (STF - HC 93.361-1; BA; Primeira

:05 C
Turma; Rel. Min. Ricardo Lewandowski; Julg.

18 00 H
15/04/2008; DJE 16/05/2008; Pág. 75)

HABEAS CORPUS. DECRETO DE PRISÃO PREVENTIVA. AUSÊNCIA


-
01 700

DOS PRESSUPOSTOS DO ARTIGO 312 DO CÓDIGO DE PROCESSO


PENAL. EXCESSO DE PRAZO. CONCURSO DE AGENTES. CO-RÉU
2/2 10.
8-

FORAGIDO. PACIENTES EM SITUAÇÕES DIVERSAS.


2/1 .2

1. Considera-se devidamente fundamentada a prisão


: 2 106

preventiva decretada para resguardar a instrução


criminal, se há provas de que os denunciados, em
Em por:

liberdade, ameaçaram as testemunhas.

2. Configura ilegalidade e abuso de poder a


so

manutenção, por quase quatro anos, da custódia


s

preventiva, decretada para resguardar a instrução


pre

criminal. Inversão da natureza instrumental da prisão


Im

preventiva.

3. Não há que se falar em ilegalidade e abuso de poder


pelo retardamento da formação da culpa, se o réu está
foragido.

4. Ordem parcialmente concedida para reconhecer o


excesso de prazo para a formação da culpa daquele
paciente que, preso, aguarda julgamento há quase
quatro anos. (STF - HC 88.091-6; MG; Primeira Turma;
Rel. Min. Carlos Britto; Julg. 21/06/2007; DJE
11/04/2008; Pág. 70)

47
53
6 - EM CONCLUSÃO

:44 16
A leitura, por si só, da decisão que negou a liberdade
provisória e manteve a segregação cautelar do Paciente, demonstra na

:05 C
singeleza de sua redação a sua fragilidade legal e factual.
18 00 H
A ilegalidade da prisão se patenteia pela ausência de
-
algum dos requisitos da prisão preventiva e, mais, porquanto não há
01 700

óbice à concessão da liberdade provisória aos delitos da espécie,


além da ausência de fundamentação na decisão que negou o intento
2/2 10.
8-

formulado nos autos em favor do ora Paciente e excessiva demora na


2/1 .2

formação da culpa.
: 2 106

Diga-se, mais, que o endereço do Paciente é certo e


conhecido, mencionado no caput e provado por documentos imersos nesta
Em por:

peça, desta impetração, não havendo nada a indicar se furtar ela à


aplicação da lei penal.
so

A liminar buscada tem apoio no texto de inúmeras


s
pre

regras, inclusive do texto constitucional, quando revela, sobretudo,


a ausência completa de fundamentação na decisão em enfoque.
Im

Por tais fundamentos, requer-se a Vossa Excelência,


em razão do alegado no corpo deste petitório, presentes a fumaça do
bom direito e o perigo na demora, seja concedida nos mesmos termo do
e-HC 164131, a extensão da ordem de ofício, para suspender a prisão
preventiva decretada em desfavor do SIDINEI DOS ANJOS PERÔ, garantido
ao Paciente a sua liberdade de locomoção, maiormente porque tamanha
e patente, como ainda clara, a inexistência de elementos a justificar
a manutenção do encarceramento.

A fumaça do bom direito está consubstanciada, nos

47
elementos suscitados em defesa do Paciente, na doutrina, na

53
jurisprudência, na argumentação e no reflexo de tudo nos dogmas da

:44 16
Carta da Republica.

:05 C
O perigo na demora é irretorquível e estreme de

18 00 H
dúvidas, facilmente perceptível, não só pela ilegalidade da prisão
que é flagrante. Assim, dentro dos requisitos de OFICIO, sem dúvida,
-
o perigo na demora e a fumaça do bom direito estão amplamente
01 700

justificados, verificando-se o alicerce para a concessão da , para


suspendençao da prisão preventiva do paciente, com expedição
2/2 10.
8-

incontinenti de alvará de soltura.


2/1 .2

Requer ainda, que Vossa Excelência venha a conceder


: 2 106

de OFÍCIO à extensão para suspenpeder a prisão preventivas aos demais


presos pelos mesmos fatos e motivos alegados no processo de origem
Em por:

n. 0009613-69.2017.8.12.0800, da 4ª Vara Criminal do Foro da Comarca


de Campo Grande /MS, onde se deu origem a outros inquerito e processo
so

que foi distribuido para a mesma vara, do seguinte paciente (preso):


s

SANDRO AURÉLIO FONSECA MACHADO (00169-27.2018.8.12.0001).


pre
Im

Respeitosamente,

Pede deferimento.

Brasília – DF, 20 de novembro de 2014.

MIGUEL SOUZA GOMES

OAB/DF 24723 e TO 3418