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GESTÃO DE CRISES E CONFLITOS EM TERAPIA INTENSIVA:

O PACIENTE E A FAMILIA
Cenário geral: família em Terapia Intensiva
Exercício de empatia:
- Você recebe a notícia que um familiar muito próximo (marido, pai, mãe...) encontra-se internado na UTI
do hospital, devido a um infarto agudo do miocárdio. Vc deve comparecer ao hospital. Não serão dadas
informações por telefone.

- O seu familiar (internado na UTI), entra pela primeira vez na sua vida no setor. Não conhece o médico de
plantão e as enfermeiras. Estava fazendo suas atividades rotineiras quando teve uma dor no peito.

- Ao entrar na UTI, o setor encontra-se frio, com ruídos e conversas altas. Pessoas comentando sobre
monitorização, medicação, agitação de um paciente, óbito...
O que o paciente leva para o hospital ? Expectativa do cuidado
DOENÇA Identificação dos sintomas

Algo indesejado, visto como risco ao seu maior


bem: sua vida Exames Complementares

Junto à doença o paciente leva para o hospital: Diagnóstico

Sua história
Métodos terapeuticos
Sua família
A família traz para o hospital: Melhora / Cura
A rejeição de algo ruim para seu ente querido: a
doença.

A esperança e expectativa do melhor tratamento Quebra na


para cura e retorno ao lar sequencia:
INCÔMODO
Falta de informação adequada GAP DE INFORMAÇÃO = CRIAÇÃO DE MODELO MENTAL
PRÓPRIO
Má comunicação (principalmente médico e
enfermeiro) • Entender a situação do seu jeito
• Criar ideias semelhantes a ilusões, que viram
conclusões
• Associar conclusões próprias com situações graves
Ter um familiar
próximo na UTI =
Situação de stress
extremo
O outro lado...
Equipe Multiprofissional:
Ambiente de Trabalho e impacto na abordagem à familia

A COMPLEXIDADE DO AMBIENTES DE ALTO RISCO


HOSPITALAR

Ambiente de Trabalho A natureza do trabalho


Variação Incerteza
Interdependencias Singularidade
Dinâmicas Sobrecarga de dados
Atrasos Pressão por tempo e resultado
Irreversibilidade Riscos
Pluralidade de objetivos
Multiplos players
Comunicação pobre

Principal causa de burnout na equipe da UTI

• Falta de informação adequada, levando a respostas incompletas


e cobrança da familia

• O médico (autoridade) tem comunicação pobre com a familia,


direcionando o onus para equipe multi (enfermagem)

• A falta de comunicação para familia das políticas e normas


(deveres) dos usuários/clientes levando a atitudes inadequadas
Pessoas lidando com pessoas
Lidar com pessoas

Comportamento

Emoções

Valores

Crenças

Expectativas

Necessidades
UTI: Ambiente de alto risco, propício a conflitos
Situação
Ambiente (imprevisto, surpresa, desgaste)

STRESS

ANSIEDADE

Equipe multidisciplinar

Suporte à família
Cuidado centrado no
paciente
Razões para estudar a abordagem da família no cuidado
centrado no paciente

• APRENDER A ESCUTAR A FAMILIA E O


PACIENTE
• Obter e entender informações da familia
• Prover de suporte emocional a família
• Esclarecer os valores e desejos do paciente e
da família: vínculo de valor (paciente/família-
equipe multi)
Cortesia , respeito
compaixão

Comunicação

Coordenação de cuidados
Principal necessidade de familiares na UTI:
O que não impacta em redução de da familia na UTI

• Amenidades, ambiente
• Cuidado ofertado por mais de um medico
e mais de um enfermeiro
• Tecnologia e estrutura de atendimento
(monitores, ventiladores etc)
Prevenção do conflito: Ações
Recomendadas
ETAPA ZERO: DIREITOS E DEVERES
• A informação dos direitos e deveres das famílias e pacientes é essencial no
sucesso do atendimento

• Deve ser explicada de forma clara, no momento adequado, para familiares

• Deve ser entregue em forma escrita (impressa)

• A informação deve posteriormente, ser acompanhada por debriefing de


entendimento
DIREITOS
• O cuidado prestado considera e respeita as crenças e valores do paciente
• Necessidade de privacidade
• Medidas para proteger pertences do paciente contra perda e furto
• Proteção contra agressão física
• Crianças, idosos, deficientes, têm proteção apropriada
• Informações tratadas de forma confidencial
• Apoio ao direito de participar no processo do cuidado
• Acesso à informação quanto a direitos e responsabilidades relacionados à recusa ou interrupção do tratamento
• Respeito aos desejos e preferencias do paciente em submeter-se ou não a medidas de ressuscitação e outros
tratamentos de sustenção à vida
• Gerenciamento da dor
• Assistencia respeitosa e compaixão
• Acesso à informação plena
“As 6 certezas necessárias de famílias na UTI”
• A certeza da informação verdadeira
• A certeza que seus questionamentos serão
respondidos com honestidade e clareza
• A certeza que seu familiar está recebendo tratamento
de qualidade e coordenado.
• A certeza de que será notificada sempre que houver
alteração do quadro clínico.
• A certeza da possibilidade da visita a qualquer hora e
do atendimento com respeito e compaixão
• A certeza de que seu familiar não vai sentir dor

Haggeas Fernandes (não publicado)


Ações preventivas para conflito em UTI
Modelo operacional da UTI: Termo de consentimento informado
• Valor informativo
• Intensivista não plantonista (seguimento horizontal)
• Enfermeiro horizontal
• Fisio horizontal Livreto de informações à admissão
• Visita multiprofissional (reconciliação medicamentosa,
profilaxias, protocolos de prevenção, avaliação • Deveres da Familia
preventiva do risco) • Direitos da Familia
• Grupo de apoio à familia • Comunicação de esclarecimento do conteúdo do livro
Boa Comunicação e livreto de informações: Impacto nas
familias
 Redução de sintomas de ansiedade
 Redução de sintomas de depressão
 Redução de suporte psicológico (pos óbito do paciente)
 Redução de uso de drogas controladas
Ações preventivas para conflito em UTI

CHECK LIST DE DIAGNÓSTICOS PARA AVALIAÇÃO PREVENTIVA (RISCO DE CONFLITO)

 Pós Parada Cardiorespiratória (admissão)


 Piora aguda do estado geral
 Doença maligna avançada
 Doentes neurológicos agudos em ventilação mecânica
 Idade > 80 anos com comorbidades
 Paciente extremamente grave (piora progressiva: MODS > 3
 Conflito detectado em outro setor do hospital ou
atendimento prévio

Haggeas Fernandes (Não publicado)


Ações preventivas para conflito na UTI
Horario da visita na UTI: OVERVIEW
 Verificar alarmes
 Avaliar dor e tomar medidas necessárias
 Avaliar agitação
 Checar via aérea; hipersecreção
 Evitar ruídos e conversas
 Arrumar o leito; Checar curativos, sangramentos visiveis
 Evitar procedimentos
 Checar plano terapêutico

Haggeas Fernandes (Não publicado)


Informações nas visitas diárias ou contato com familia
• Comunicação estruturada, clara, concisa, alinhada pela
equipe multi

• Informações preventivas: explicar o tratamento e riscos


(agitação, dificuldade p/ falar, infecção …)

• Evitar jargões/ linguagem técnica

• Avaliar a percepção atual da familia quanto ao tratamento e


prognóstico (quantitativo)

• FEED BACK DO FAMILIAR : Grau de percepção da informação


recebida
Ações preventivas para conflito na UTI

 Aspectos culturais específicos da etnia do paciente e familia

 Aspectos religiosos e espiritualidade envolvidos

 Aspectos relacionados a nível cultural da familia


Ações preventivas para conflito na UTI
Convidando a família para cuidar do seu familiar (paciente)
BENVINDO A UTI DO HOSP. __________________

 Cuidado de cavidade oral


 Sabemos que vc conhece a pessoa que estamos  Exercícios respiratórios leves
cuidando melhor que ninguém  Cuidados com a região do dorso (costas)
 Cuidados com as pernas
 Gostaríamos de convidá-lo a auxiliar-nos no cuidado  Cuidados com as mãos e unhas
do seu ente querido  Auxilio p/ levantar da cama e dar alguns passos
 Assistencia quando da alimentação
 Ao lado, estão listadas opções que vc pode sinalizar  Assistencia durante o banho
possibilidade de cuidado  Barbear
 Posicionamento de travesseiros
 Caso vc queira oferecer outro cuidado, fale com a  Informação sobre músicas, opções de programas de TV
enfermeira responsável pelo leito. Ela irá ajuda-lo que o paciente gosta

 Nós providenciaremos toda a orientação necessária Lembre-se: Estamos juntos nessa jornada de
para deixa-lo o mais confortável possível nessa
importante etapa do tratamento do seu ente querido,
cuidado
com a sua participação
Ações preventivas para conflito na UTI

Barreiras para engajamento familiar:

• Medo da família em cuidar (19%)

• Desconforto com o ambiente ou situação (19%)

• Não disposição para o cuidado (14%)

• Tempo restrito da enfermagem para treinamento das


famílias (14%)
Fluxograma em casos de pacientes de risco
(olhar preventivo)
DETECÇÃO DE CASO DE RISCO Abordagem pelo facilitador
(pelo diagnóstico ou pelo (psicólogo,
comportamento da familia) ouvidoria,capelania)

Preparação Follow up
Sinalização • Pre-conferencia
do risco - formatação da
pela equipe equipe
- definição de lider
- Briefing Debriefing
(Feed back para a equipe
multi)
Conferencia
FLUXOGRAMA DE
PROCESSO • Proposito da reunião
• Escutar a familia (percepção da
queixa e do entendimento do
caso)
• Esclarecer fatos
• Tomar decisões
• Acertar feed back
Mecanismos de reunião em caso de conflito
ESTAGIO I:
Abordagem da familia e
ESTAGIO IV:
partes envolvida p/
Facilitação da resolução do
diagnóstico
problema
(equipe de facilitadores)

Strategies for managing conflict in


healthcare©

ESTAGIO III:
ESTAGIO II:
Conduzir uma reunião
Desenvolver uma lista de
conjunta c/ partes
questões relevantes
envolvidas
The Exchange: Lâmina prática para uso
FASE I FASE II FASE III FASE IV

 Coletar a maior quantidade  Discutir com outros  Ajude as partes a entender  Identificar apos fase III
possível de informação profissionais (especialistas) como a situação impactou questões adicionais e pontos
questões técnicas específicas cada pessoa envolvida para resolução completa do
 Identificar questões e (principalmente o paciente) conflito
preocupações de relevância
 Desenvolver plano de ação  Ajude as partes a entender o  Criar um plano de ação
 Preparar as partes envolvidas para uma eventual reunião impacto do problema a nível
para uma possível reunião conjunta de ambiente (principalmente
para outros pacientes)
 Esclarecer o papel e a
importância das partes na  Esclareça os objetivos
resolução do conflito principais (prioridades)
 Esclareça os objetivos
REALIZAR REUNIÕES SEPARADAS DESENVOLVER UMA LISTA DE secundários FACILITAR A RESOLUÇÃO DO
ENTRE PARTES QUESTÕES PROBLEMA
CONDUZIR UMA REUNIÃO
CONJUNTA

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