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CLÁUDIO FRIZZARINI

ENTREVISTA, QUESTIONÁRIO, OBSERVAÇÃO E ANALISE DE

DOCUMENTO

Trabalho de Evolução de Matéria apresentado à


Escola de Artes, Ciências e Humanidades
(EACH - USP Leste) no curso Pós-graduação
em Sistemas de Informação (PPgSI)

Disciplina
Metodologia de Pesquisa em Sistemas de
Informação

Professor
Prof. Dr. Edmir P. V. Prado
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São Paulo
13/10/2010
ENTREVISTA

A entrevista é uma técnica importante que permite o desenbolvimento de uma


estreita relação entre as pessoas. É um modo de comunicação no qual determinada
informação é transmitida de uma pessoa A a uma pessoa B.

O termo entrevista é construído a partir de duas palavras, entre e vista. Vista refere-
se ao ato de ver, ter preocupação de algo. Entre indica a relação de lugar ou estado
no espaço que separa duas pessoas ou coisas. Portanto, o termo entrevista refere-se
ao ato de perceber realizado entre duas pessoas.

Uma entrevista construída com perguntas e respostas pré-formuladas denomina-se


entrevista estruturada, usualmente chamada de questionário.

Entrevista não estruturada, também chamada de entrevista em profundidade, visa


obter do entrevistado o que considera os aspectos mais relevantes de determinado
problema.

Técnicas de entrevista – A primeira técnica (entrevista dirigida) é a que permite o


máximo de liberdade e aprofundamento do assunto junto ao entrevistado, a última
técnica (entrevista não diretiva) é exatamente o oposto.
1. A entrevista dirigida desenvolve-se a partir de perguntas precisas, pré-
formuladas e com uma ordem preestabelecida.
2. A entrevista guiada permite, ao entrevistador, utilizar um “guia” de temas a ser
explorado durante o transcurso da entrevista.
3. A entrevista não diretiva permite ao entrevistado desenvolver suas opiniões e
informações da maneira que ele estimar conveniente.
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Os principais objetivos da entrevista não estruturada são:


• Obter informações do entrevistado, seja de fato que ele conhece, seja de seu
comportamento.
• Conhecer a opinião do entrevistado, explorar suas atividades e motivações.

QUESTIONÁRIO

Um dos instrumentos de coleta de dados mais utilizados é o questionário. O


questionário tem duas funções: descrever as características e medir determinadas
variáveis de um indivíduo ou grupo social.

Questionário de perguntas fechadas


São aqueles em que as perguntas ou afirmações apresentam categorias ou alternativas
de respostas fixas e preestabelecidas.

Vantagens:
• Facilidade em codificar as respostas.
• O entrevistado não precisa escrever.
• Facilita o preenchimento total do questionário.

Desvantagens:
• O entrevistado está forçado a escolher entre as alternativas que pode não se
ajustar a sua maneira de pensar.
• Necessita de cuidado especial para formular as alternativas de respostas.

Exemplos:
1. Sexo?  Pergunta direta
a. ( ) Masculino b. ( ) Feminino
2. Gosto do meu trabalho: Afirmação
a. ( ) Muito b. ( ) Mais ou menos
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c. ( ) Pouco d. ( ) Nada

Questionário de perguntas abertas


São caracterizados por perguntas ou afirmações que levam o entrevistado a responder
com frases ou orações. O pesquisador não está interessado em antecipar as respostas,
deseja uma maior elaboração das opiniões do entrevistado.

Vantagem:
• Possibilita o entrevistado a responder com mais liberdade.

Desvantagens:
• Dificuldade de classificação e codificação.
• Existem pessoas que têm mais facilidade para escrever que outras, isso pode
afetar a análise de determinado assunto.
• Demandam mais tempo para serem respondidas.

Exemplos:
• Qual é a sua ocupação principal? . . . . . . . . . . . . . . . . . .
• Você gosta de telenovelas? Por favor, justifique. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Construção dos questionários


• Todo questionário deve ter um escopo e extensão limitados. Toda entrevista não
deve prolongar-se muito além de meia hora.
• Ao planejar o questionário considerar o tipo de análise que será realizada com os
dados obtidos.
• Não incluir perguntas sem ter uma idéia clara da forma de utilizar a sua
informação.
• Utilizar vocabulário preciso, evitar palavras confusas e termos técnicos
desconhecido pelo entrevistado.
• Usar itens curtos, o entrevistado deve ler a pergunta sem dificuldades.
• Evitar perguntas negativas.
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• Dispor as perguntas no questionário de forma lógica e evolutiva.

Tanto os questionários quanto a entrevista não são um fim em si, são valiosos
instrumentos de coleta. As conseqüências do mau uso dependem exclusivamente
do pesquisador.

OBSERVAÇÃO

Em linguagem comum, observação é: “examinar minuciosamente; olhar com


atenção; estudar”. Em ciência, a observação torna-se uma técnica cientifica à medida
que serve a um objetivo formulado de pesquisa, é sistematicamente planejada e
registrada e ligada a proposições mais gerais e, em vez de ser apresentada como
conjunto de curiosidades interessantes, é submetida a verificações e controles de
validade e precisão.

A observação é classificada, tradicionalmente, como um método qualitativo de


investigação. E, como tal, sofre críticas positivas ou negativas, conforme o interesse
do pesquisador.

Observação não participante – Nesse tipo de observação o investigador não toma


parte nos conhecimentos objeto de estudo como se fosse membro do grupo
observado, mas apenas atua como espectador atento. Baseado nos objetivos da
pesquisa, e por meio de seu roteiro de observação, ele procura ver e registrar o
máximo de ocorrências que interessa ao seu trabalho. Ela é uma técnica indicada
para estudos exploratórios, considerando que ela pode sugerir diferentes
metodologias de trabalho, bem como levantar novos problemas ou indicar
determinados objetivos para a pesquisa.

Observação participante – Na observação participante, o observador não é apenas


um espectador do fato que está sendo estudado, ele se coloca na posição e ao nível
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dos outros elementos humanos que compõem o fenômeno a ser observado. Se o


pesquisador está empenhado em estudar as aspirações, interesses ou rotina de
trabalho de um grupo de operários, na forma de observação participante, ele terá que
se inserir nesse grupo de operários como se fosse um deles. Esse tipo de observação
é recomendado especialmente para estudos de grupos e comunidades. Um bom
relacionamento entre o pesquisador e os elementos do grupo é de suma importância
para o desenvolvimento do trabalho.

Vantagens da observação:
• Possibilidade de obter informação no momento em que ocorre o fato, permitindo
o estudo e registro de detalhes do fato.
• O pesquisador está presente ao acontecimento do fato, ele não depende da
observação de outra pessoa.
• É possível observar uma grande quantidade de fenômenos simultaneamente,
enriquecendo a pesquisa.
• Comparada a outros métodos de coleta de dados, a observação é o que menos
exige do sujeito objeto de estudo.

Aparentemente fácil de ser realizada, a observação exige preparo do observador e


requer cuidados especiais para cada tipo de estudo.

ANÁLISE DE DOCUMENTO

O interesse por interpretar textos é uma prática bastante antiga. Já antes da Idade
Média existiam pessoas interessadas em interpretar escritos sagrados ou políticos,
claro, sem um grande rigor científico.

A Análise de Documento é um conjunto de técnicas de análise das comunicações


visando obter, através de procedimentos sistemáticos e objetivos, indicadores
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(quantitativos ou não) que permitam inferir conhecimentos relativos às condições de


produção / recepção dessas mensagens.

Os documentos escritos e as estatísticas não são as únicas fontes que podem fornecer
informações referentes a fenômenos sociais. Existe uma variedade de outros
elementos que possuem um valor documental para as Ciências Sociais: objetos,
elementos iconográficos, documentos fotográficos, cinematográficos, fonográficos,
videocassetes etc.

Características metodológicas:
• Objetividade – Refere-se à explicação das regras e dos procedimentos utilizados
em cada etapa da análise do documento. A objetividade implica que essas
descrições se baseiam em um conjunto de normas, para minimizar a possibilidade
de que os resultados sejam mais um reflexo da subjetividade do pesquisador que
uma análise de conteúdo de determinado documento.
• Sistematização – Refere-se à inclusão ou exclusão do conteúdo ou categorias de
um texto de acordo com regras consistentes e sistemáticas. Isso significa que para
testar diversas hipóteses o pesquisador deve analisar todo o material disponível,
tanto aquele que apóia a suas hipóteses quanto os que não as apóiam.
• Inferência – É a aceitação de uma proposição em virtude de sua relação com
outras proposições já aceitas como verdadeiras.

Fases da análise de documento:


1. Pré-Análise – É uma etapa bastante flexível que permite a eliminação,
substituição e introdução de novos elementos que contribuam para uma melhor
explicação do fenômeno estudado. As principais atividades desta fase são:
a. Leitura superficial do material. – Permite um contato inicial com o
material para conhecer a estrutura da narrativa, ter as primeiras
orientações e impressões em relação à mensagem dos documentos.
b. Escolha dos documentos – É a atividade de selecionar os documentos,
deve-se priorizar os com representatividade científica e os mais
adequados aos objetivos da pesquisa.
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2. Análise do Material – Nesta fase, através da leitura atenta do material


selecionado, o pesquisador irá obter a codificação, categorização e quantificação
da informação.
3. Tratamento dos Resultados – Geralmente a análise de documentos visa a um
tratamento quantitativo que não exclui a interpretação qualitativa. Desde os mais
simples cálculos de freqüência e percentagens que permitem estabelecer a
importância dos elementos analisados, até os mais complexos, tais como analise
fatorial, análise de contingência e outros, que permitem interpretações mais
sofisticadas.

Pesquisa Social
Roberto Jarry Richardson