Você está na página 1de 15

Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento.

Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

INSTITUTO EVANDROBRASIL
Docentes Marcos Evandro Brasil T Pinto e Rosana da Silva Pimentel
Pesquisa destinada a orientação técnica e pedagógica da equipe do
Instituto Evandro Brasil (2018)

Tanatopraxia: a evolução no processo de


embalsamento

Rio de Janeiro
2018

25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

Sumário

Capa, Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento pag. 01

Resumo pag. 03

Objetivo pag. 03

Metodologia pag. 03

Introdução pag.03

Discussão pag. 08

Conclusão pag. 14

Referencias Bibliográficas pag. 14

2
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

Resumo
Por meio desse estudo, esperamos
A Tanatopraxia chegou ao Brasil poder fornecer aos nossos docentes e
no ano de 1994, inspirado por técnicas de instrutores mais uma poderosa fonte de
tratamento de corpos de autoridades que conhecimento para o desenvolvimento das
recebiam especial atenção para seus atividades pedagógicas propostas por nos-
longos velórios e sepultamentos. A so Instituto, e, também, possibilitar a pes-
civilização do Egito Antigo surpreende o quisadores e estudantes para a consulta
mundo até os dias atuais com a tecnologia técnica, desde que, respeitando-se os
aplicada nos processos de mumificação, princípios éticos e morais, seja citada a
pois se acreditava que os faraós após a fonte.
morte se tornariam deuses e viveriam a
imortalidade. No decorrer da evolução da
humanidade foram quebrando inúmeros Metodologia
tabus no que diz respeito ao tratamento a
ser dado aos corpos dos defuntos. Eis que O desenvolvimento deste trabalho
o embalsamento veio a substituir o proces- de pesquisa foi realizado a partir da
so de mumificação, e nos dias atuais, revisão da literatura disponível em revis-
muitas técnicas ainda são discutidas, por tas técnicas, livros, jornais, publicações
exemplo destacamos as faculdades de cientificas e sites especializados. Foram
medicina no Brasil que na conservação selecionados 16 (dezesseis) artigos, des-
das peças anatômicas utilizam o formol- tes, 8 (oito) foram descartados por não
deído ou a glicerização. Quanto a prepara- atenderem aos nossos critérios e/ou não
ção dos corpos, para velórios e sepulta- haver a consistência de conteúdo. Para a
mentos, a tanatopraxia e a tanatoestética pesquisa, portanto, utilizamos 8 (oito)
hão de ocupar cada vez mais espaços de artigos, dos quais estão indexados em
destaque e dominar mercados no Brasil e nossas referências bibliográfica.
no Mundo no que diz respeito a “mercan-
tilização da morte”. Em nosso país a
atividade de tanatopraxista esta inserida Introdução
entre as funções dos agentes funerários,
uma realidade que merece ser avaliada Para entender o processo de tana-
diante das complexas técnicas da topraxia, se faz necessário ter o entendi-
tanatopraxia e da tanatoestética. mento do milenar processo de embalsa-
mento praticado pelos povos na antigui-
dade e medieval. Aqui iniciamos nossas
buscas a partir do Antigo Egito. Osíris era
Objetivo o deus mais popular, pois simbolizava o
próprio Nilo e seu nome estava ligado a
O presente estudo objetiva apre- uma lenda que conta que seu irmão, Set, o
sentar a técnica de tanatopraxia como um assassinou e o cortou em pedaços.
processo evolutivo do já consagrado Depois, Isis, mulher de Osíris, carinho-
samente conseguiu reunir cada parte do
embalsamento praticado pela humanidade
corpo do esposo e as enfaixou. Assim,
desde a antiguidade. Osíris voltou à vida, mas foi afastado do

25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

mundo terreno e passou a habitar a


morada dos deuses, onde os mortos eram Segundo o historiador grego Heró-
julgados de acordo com a vida que doto, considerado o pai da história, os
levavam na Terra. A crença em uma vida egípcios faziam uso de técnicas de
depois da morte e a formação da alma diferentes métodos de preservação, que
entre os egípcios explicou o costume do iria variar de acordo com a classe sócio-
embalsamento dos cadáveres. O povo no econômica do morto. Com o aumento do
antigo Egito acreditava que o homem poder dos faraós no Egito, a mumificação
possuía duas almas, Ba e Ka. A segunda tornou-se privilégio de poucos. Passou a
alma era o elo com o corpo, podendo ser destinada principalmente àqueles que
entrar em estágio de decomposição. Para seriam tornados deuses após a morte. A
evitar o sofrimento ou a destruição do Ka, cada cidadão seria dado um tratamento
era costume o embalsamento dos cada- diferente de acordo com sua importância
veres. Depois de todo o processo de na organização deste império. Inicial-
embalsamento, a múmia era colocada em mente, realizavam-se procedimentos, que
um sarcófago, ao lado do qual eram começavam três dias após a morte,
depositados objetos pessoais do morto e exclusivamente para as pessoas ricas e
estatuetas que o simbolizavam. poderosas. A família levava o corpo para
os embalsamadores, que trabalhavam às
As múmias egípcias foram e ainda margens do rio Nilo devido à grande
continuam sendo mistério para muitos necessidade de água, colocavam o corpo
antropólogos e arqueólogos. Elas são sobre uma mesa de pedra ou de madeira
famosas pelo fato de, depois de milênios, ou de pedra com detalhes de alabastro. Ao
muitas delas, ainda se encontrarem de redor da grande mesa havia vasos menores
forma quase perfeita. para depositar os órgãos do morto. Em
seguida, o corpo era lavado, e os órgãos
No período pré-dinástico da internos retirados. Cada um deles era
história egípcia, aproximadamente 3.100 envolto em um pano de linho e colocado
anos a.C., eles "enterravam seus mortos dentro de um dos quatro vasos sobre a
geralmente desnudos e sem qualquer proteção dos deuses chamados Filhos de
prática de mumificação, em fossas super- Hórus, representados nas tampas destes
ficiais cavadas nas areias do deserto, em recipientes.
posição fetal, com a cabeça na direção sul
e a face voltada para o ocidente". A O único órgão interno que perma-
conservação de alguns corpos aconteciam necia com o corpo era o coração, pois não
de maneira natural, um conjunto de se podia separar um do outro, uma vez
fatores contribuíam para isso: a areia que nele residiam os sentimentos, a
quente e seca do deserto, que desidratava consciência e a vida. O corpo era coberto
o corpo; a falta de contato com o ar com natrón, um tipo de sal que desidra-
ambiente e a alta temperatura diurna do tava o corpo em mais ou menos 35 a 40
deserto; as baixas temperaturas noturnas, dias. As cavidades eram preenchidas com
que contrastavam com as diurnas. Todos limo (qualquer alga, filamentosa ou não,
esses fatores serviam para conservar que forme massas verdes na água doce) ou
lentamente o corpo de forma natural. Ao serrim (espécie de qualquer planta ou grão
ter contato com esses corpos naturalmente para alimentação do gado), secos e
conservados, o povo alimentou a crença, desidratados, provenientes do rio Nilo. O
que já tinham, na vida após a morte. corpo era então costurado com linho ou
Precisava, então, dominar uma técnica placa de cera. Quando se tratava de um
artificial de tratamento desse corpo para rei, uma chapa de ouro era utilizada para o
que pudesse melhor atingir seu objetivo. fechamento de seu corpo. A múmia era
4
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

lavada nas águas do Nilo, ungida com condignas construídas entre os associados.
bálsamos aromáticos e vestida adéqua- Já nos funerais dos ricos, primeiramente o
damente. Em seguida, era envolta em tiras cortejo se dirigia ao fórum, onde se fazia
de linho impregnadas de resina (goma um discurso fúnebre (laudatio). Em
arábica). Um sacerdote vestindo uma algumas ocasiões era comum a máscara de
máscara do deus Anúbis, num ritual cera, que representava o antepassado do
secreto, recitava as fórmulas de encanta- morto. O cemitério situava-se fora dos
mento adequado. Por fim, era posto um muros da cidade, onde acontecia o
sarcófago dentro de outro e entregue aos sepultamento ou a incineração na própria
familiares para se dar seqüência ao ritual tumba, na qual se depositava também
fúnebre. No momento do funeral, a múmia objetos de uso pessoal e alimentos. Em
e os jarros com seus órgãos eram levados seguida, era feito um banquete fúnebre,
do local do embalsamamento até a tumba, próximo à sepultura, iniciando para a
onde seriam sepultados. A demonstração família um rigoroso luto de nove dias
de reverência das pessoas, geralmente, era (novena), sucedido de alguns sacrifícios
o choro. Dentro da tumba ocorriam as de animais.
cerimônias religiosas, preparando a pessoa
para a outra vida, a vida eterna. Na tradição judaico-cristã as
atitudes diante da morte revelam que a
Na Roma Antiga, os rituais morte era considerada um trespasse, uma
fúnebres também estavam ligados a fase. A crença era a de que os mortos
preocupação com a estética. O cadáver era dormiam e que a morte na realidade seria
lavado com água quente, perfumado e um descanso. Esse sono seria despertado
vestido com uma toga ornada com as no dia bem aventurado da ressurreição da
insígnias de que o morto era possuidor. carne. Portanto, o cuidado com o corpo
Por influencia grega, era de costume era de suma importância. Conforme
colocar na boca do defunto uma moeda podemos perceber na Bíblia sagrada:
destinada ao pagamento do caronte,
barqueiro de um dos rios do inferno. Após
ficar exposto em um leito no átrio, onde
seriam colocadas as flores e coroas, o “Os vossos mortos e também o
morto era levado em ataúde aberto num meu cadáver viverão e ressus-
cortejo acompanhado por flautistas, citarão; despertai e exultai, os que
tocadores de trombetas e carpideiras, habitais no pó, porque o teu
especialmente contratadas para chorar e orvalho, ó Deus, será como o
fazer o elogio do finado. orvalho de vida, e a terra dará à
luz os seus mortos.” (Isaías,
Em relação aos túmulos, percebe- 26,19).
se uma tendência à individualização das
sepulturas. Era comum, desde a Roma Tendo em vista a idéia futura de
Antiga, que cada pessoa tivesse um local uma ressurreição do corpo, era essencial
de sepultura marcado por uma inscrição, que o corpo fosse sepultado ao invés de
inclusive os escravos. Isto significava o ser incinerado, prática mais comumente
desejo de se conservar a identidade do utilizada pelos bárbaros germânicos e por
túmulo e a memória do desaparecido. alguns romanos. A boa aparência do corpo
Porém, havia muita diferença entre o também era essencial, pois esse mesmo
enterro do rico e o do pobre na Roma corpo iria ressuscitar e precisava ser bem
Antiga. Os pobres eram enterrados ou conservado. Foi essa a tradição herdada
incinerados sem muitos ritos, mas, mesmo pela cristandade medieval. Apesar da
assim, havia as columbárias, sepulturas invasão germânica sobre o mundo
5
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

romano, não foi a pratica de incineração Durante o século XVIII, com o


própria dos germanos indo-europeus que advento do Iluminismo, a sociedade
vingou no ocidente e sim a tradição começou a se influenciar por uma con-
judaico-cristã de enterramento. cepção extremamente racional e cética,
levando a uma laicização da morte por
No século VI, cria-se um costume pelo menos dois motivos básicos: por
de se enterrar o defunto também nas questão de economia, pois os rituais
igrejas e isso aproximou os mortos das fúnebres (missa e funeral) custavam muito
cidades. Os sarcófagos de pedras muitas caro e, tomando por base uma visão
vezes possuíam, além do nome, um retrato racional e céptica, seriam considerados
do morto em seu momento de vida. gastos desnecessários; e por questão de
Porém, com o tempo esse tipo de saúde, pois, por recomendações médicas,
sepultura desapareceu e elas se tornam levavam-se em conta doenças que eram
cada vez mais anônimas, devido ao transmitidas por miasmas ou vapores
enterro ad sanctos, em que o defunto era provenientes do cadáver decomposto que
abandonado na igreja onde ficaria até a causavam várias doenças endêmicas,
ressurreição. sendo com isso necessária a mudança. Era
preciso criar cemitérios extramurais,
Ao analisar os ossos humanos desvinculados das igrejas. Essa laicização
recuperados na antiga aldeia medieval da morte seria um dos motivos que
britânica Wharram Percy, em North fizeram com que os enterros passassem a
Yorshire antropólogos da Universidade de ser feitos em cemitérios fora dos âmbitos
Southampton concluíram que entre os urbanos. Após a revolução popular contra
séculos XI e VIV os corpos dos mortos os cemitérios, na França, foi promovido
eram mutilados para que não voltassem um concurso pela Academia de
para importunar os vivos. Documentos da Arquitetura Francesa de projetos sobre
época ofereciam soluções para lidar com cerimônias e organização de cemitérios.
os mortos que poderiam querer vingar-se Os projetistas em sua maioria criticaram o
dos vivos, entre elas, decapitação e a sistema tradicional de enterro e imagi-
fogueira. A mutilação deveria ocorrer naram cemitérios gramados e arborizados,
pouco tempo após a morte, quando os cemitérios-jardim para serem visitados
ossos estavam ainda suaves ao corte. Os como lugar de tranqüilidade e meditação,
147 pedaços de ossos analisados estavam marcando um novo tipo de culto aos
enterrados em valas comuns, longe da mortos. Por isso, precisaria de um am-
igreja e do cemitério. biente que favorecesse essa nova imagem
da morte, que a tornava sinônimo de
Relacionando a importância dos descanso, de algo bom que aconteceu. A
velórios na Idade Média, percebemos que aparência do lugar onde os mortos
havia um grande medo de ser enterrado descansariam também era muito impor-
vivo. Vários reis e rainhas faziam apelos tante, pois confirmava essa nova
para que fossem apenas enterrados, ou que concepção humana de tratamento do
seu corpo fosse aberto para embalsa- morto como uma pessoa que descansaria
mamento, vinte e quatro ou até quarenta e em paz.
oito horas após o falecimento.
O embalsamamento faz parte da
Entre os séculos XV e XIX muitos evolução da chamada tanatopraxia. Nos
escravos mortos nos navios negreiros Estados Unidos, os primeiros métodos de
eram simplesmente jogados ao mar.
embalsamamento começaram no início do
século XIX, nas escolas de medicina. Para

6
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

servir como estudo, o corpo deveria cada caso. Em média se utilizam 8000 ml
permanecer mais tempo sem se decompor, de líquido por corpo, ocorrendo a
pois isso prejudicava a análise e, conse- drenagem do sangue durante o processo
qüentemente, o aprendizado. Em 1846, o de injeção. O cadáver fica com aparência
Dr. Ellerslie Wallace, professor de Ana- saudável, coloração epidérmica rosada,
tomia da Jefferson Medicai College, na sem marcas de livores mortis, ou seja,
Filadélfia, desenvolveu um produto roxos nas extremidades e posterior
químico composto por zinco e cloreto para abdominal. O tecido epidérmico ganha
preservação de matéria orgânica. Vale uma espécie de celulite, há ganho de
salientar que muitas dessas combinações massa muscular, ficando pernas e braços
possuíam venenos mortais como, por mais grossos e flexíveis, boca e olhos
exemplo, o arsênico. fechados, posição do corpo normalmente
reto, abdome normal para negativo,
Após a Guerra de Secessão (1861- devido à aspiração toraco-abdominal que
1865), nos Estados Unidos, o embal- retira sangue e gases. Após esse processo,
samamento passou a ser muito utilizado que utiliza a abertura de orifício ao lado
pela indústria funerária crescente, do processo xifóide (umbigo), ainda há a
mobilizando com isso a economia ameri- introdução de cerca de 500 ml de liquido
cana e desenvolvendo uma consciência conservante neste local. O tempo médio
profissional. desse preparo é de 2 horas.

Com essa evolução da técnica de A tanatopraxia chegou a Brasil no


embalsamar, surgiu a tanatopraxia, que ano de 1994, e, é realizada em ambiente
podemos entender como uma técnica que equipado apropriadamente (tanatório),
consiste na conservação, higienização e desenvolvida por técnicos habilitados,
restauração de cadáveres humanos. A chamados de tanatopraxistas, e espe-
técnica da tanatopraxia é um método cialmente treinados, inclusive em tanato-
utilizado mundialmente. Dessa forma, o estética e necromaquiagem.
procedimento utilizado no Brasil é igual
ao que se utiliza na Europa ou nos Estados A tanatoestética, ou seja, os
Unidos, por exemplo. As formas de cuidados dispensados ao cadáver para
estabilizar ou retardar a decomposição de devolver sua cor e aparência natural,
matéria orgânica existentes hoje são através de cosméticos e cuidados estéticos
distintas, e cada uma tem característica em geral, visando a sua melhor apresen-
específica cujos resultados são igualmente tação, tem tido uma grande aceitação em
diferenciados. Este é, portanto, um méto- nossa sociedade contemporânea. Antes
do moderno e eficaz de conservação que não era assim. A primeira brasileira (na
utiliza líquidos conservantes com verdade luso-brasileira) a ter maquiagem
concentração máxima do formol em 8%, mortuária, que é um dos itens da tanato-
injetado através de máquinas apropriadas, estética, foi a cantora Carmen Miranda,
com regulagem de pressão e vazão, em 1955, nos Estados Unidos, onde foi
através de artérias junto ao triângulo de embalsamada, vestida e maquiada para ser
escarpa ou carótida, podendo ser feito sepultada no Brasil. Acontece que a
multiponto conforme a necessidade de maquiagem mortuária nos Estados Unidos
7
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

já estava consolidada desde aquela época, aparente, que os médicos chamam de


era muito comum. Lá os rituais fúnebres "fazer o pacote".
são mais longos do que os brasileiros e a
conservação do corpo e de uma boa Na Indonésia, ainda nos dias
fisionomia do morto exigiram que este atuais, os corpos dos mortos são tratados a
base de uma solução de formoldeído e
segmento da maquiagem se desenvolvesse
água e nas casas de seus parentes
de maneira profissional. Os maquiadores permanecem por períodos que podem a
americanos especializados usam técnicas ultrapassar a 1 ano.
de embalsamamento e de recomposição de
pele em casos de acidente. Eles utilizam
um jatinho aerógrafo de maquiagem, com Discussão
massas e produtos, segundo o maquiador
Ulisses Rabelo, que afirma nunca ter visto Falar sobre a morte geralmente
um trabalho desse tipo no Brasil, nem implica desconforto, porque soa como se
pessoas que o façam. Retomando a fosse um convite a pensarmos sobre nossa
história do sepultamento de Carmem vida, quem somos, como nos constituí-
Miranda, ela não pôde ser enterrada mos. O fato de termos a consciência da
maquiada, pois ao chegar ao Brasil, bem finitude nos possibilita atribuir maior
pintada, e usando batom e vestido sentido à vida e ao tempo que ainda temos
vermelhos, o rosto da artista teve que ser para aproveitá-la de forma plena. Porém,
demaquiado, por determinação do padre estar ciente desta condição pode ser muito
que encomendaria o corpo. Isso demonstra angustiante e paralisar o sujeito diante da
tanto o conservadorismo do nosso país reflexão da sua própria existência
nessa época como também a influência do (Câmara, 2011).
catolicismo ao longo da história da morte.
A morte é considerada o último
No Brasil, acontecia freqüente- estágio do desenvolvimento humano e
mente, que o corpo saía do hospital com pode ser entendida como um evento
um tamponamento tradicional, que biológico que encerra uma vida. Porém,
deveria ser feito de forma que os pensá-la apenas por esta perspectiva, a
principais orifícios, nariz, boca e ânus, partir da cessação dos batimentos cardí-
não vazassem sangue. Em seguida, o acos, resulta obsoleto. A morte é muito
corpo era levado para a funerária, onde o mais do que um fato biológico - é um
defunto era vestido, ornamentado com processo construído socialmente, que não
flores e onde também era feita uma se diferencia das outras dimensões das
limpeza superficial, geralmente de alguma relações sociais. É um evento capaz de
mancha. Em geral, essa superficialidade gerar nos seres humanos muito sofri-
no tratamento do cadáver implicava mento, seja naquele que está à beira da
problemas devido ao fato de que o morte, seja naqueles que estão à sua volta
processo biológico de decomposição seria (Brêtas, Oliveira & Yamaguti, 2006).
mais intenso e mais rápido. Então, como
podemos perceber, o corpo não era De fato, a morte constitui um
entregue pronto para o velório à família evento inevitável, sendo um tema pouco
pelo hospital, mas com um tratamento abordado e evitado. Contudo, sob o manto
8
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

da invisibilidade, existem pessoas que, consiste em um ato de mercantilização da


cotidianamente, lidam com a morte em morte. Entretanto, é preciso destacar que
razão de seu fazer profissional. Comu- este tipo de serviço vem crescendo no
mente, quando se fala em profissionais mercado, buscando especialização, procu-
que lidam com a morte, costuma-se olhar rando oferecer novos produtos e ino-
diretamente a realidade hospitalar, em vações (Câmara, 2011).
que, normalmente, profissionais da saúde,
como médicos e enfermeiros, convivem No que se refere à cultura
com tal fato. Nesse sentido, percebe-se funerária, percebe-se que passou por mui-
que há maior interesse científico com tas mudanças, tornando-se um segmento
esses trabalhadores que lidam diretamente cada vez mais caro e complexo. Come-
com a morte no hospital, questão que fica çaram a surgir no mercado novos produtos
evidenciada diante do grande número de e serviços, sendo esses acompanhados
estudos existentes (Almeida & Cardozo, pelos avanços tecnológicos e industriais
2012; Bandeira, Cogo, Hildebrandt, & de uma cultura direcionada para o
Bradke, 2014; Duarte, Almeida, & Popim, consumo. Dentre esses avanços tecnoló-
2015; Kuster & Bisogno, 2010; gicos podemos destacar os serviços de
Magalhães & Melo, 2015; Marques, Tanatopraxia. Diante da Legislação Bra-
Veronez, Sanches, & Higarashi, 2013; sileira os serviços de Tanatopraxia é uma
Medeiros, Azevedo, & Oliveira, 2014; das atribuições do agente funerário,
Salimena, Ferreira, & Melo, 2015; Santos porém, o avanço tecnológico vem tornan-
& Hormanez, 2013). do a prestação desse serviço uma ativi-
dade complexa e dotada de cuidados
Câmara (2011) ressalta que as ambientais e biológicos em função dos
profissões que lidam diretamente com a ambientes adequados para tal atividade,
morte acabam por se tornar um grande que realizam os cuidados com o corpo,
tabu, pois denunciam o que não se quer aplicação de formoldeído e a maquiagem.
ver, nem aceitar. Quando se trabalha com
a morte como ofício, inevitavelmente, O Conselho Regional de Enfer-
denunciam-se as formas mais variadas de magem de Sergipe publicou um Parecer
sofrimento, histórias e dores. Técnico que trata sobre a competência do
Enfermeiro em ser responsável técnico
Para Ruiz e Cavalcante (2007), pelo serviço de gerenciamento de resíduos
responsabilizar-se pelo cuidado da morte e provenientes de procedimentos relacio-
do corpo morto e ganhar dinheiro com tal nados a atividade de Tanatopraxia em
atividade pode soar de extrema crueldade, empresa prestadora deste serviço. No
principalmente porque, naquele momento, referido parecer os procedimentos de
as pessoas estão vivenciando uma conservação de restos mortais humanos
experiência dolorosa. Vivemos em uma e/ou Tanatopraxia poderão ser executados
sociedade na qual temos consciência de por profissionais com escolaridade
que devemos pagar pelos serviços que mínima de 2ª grau e com qualificação
consumimos em nosso dia a dia. Contudo, especifica comprovada (agente funerário
pagar pelos serviços funerários costuma conforme código 5165 CBO/MTE), desde
ser visto como não adequado porque que sejam supervisionados pelo respon-
9
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

sável técnico. O responsável técnico pelo


estabelecimento que procedam a conser- Todo gerador deve elaborar um
vação dos restos mortais humanos e/ou Plano de Gerenciamento de Resíduos de
tanatopraxia deve ser médico regular- Serviços de Saúde (PGRSS), baseado nas
mente no Conselho Regional de Medicina características dos resíduos gerados
e possuir certidão de responsabilidade respeitando a sua classificação, e esta
técnica expedida por esse conselho. deve ser estabelecido nas diretrizes de
manejo dos RSS. Os PGRSS a ser
Os proprietários de estabeleci- elaborado deve ser compatível com as
mentos funerários congêneres são respon- normas locais relativas à coleta, transporte
sáveis legais pelos procedimentos e ativi- e disposição final dos resíduos gerados
dades realizadas no estabelecimento. Para nos serviços de saúde, estabelecidos pelos
o funcionamento do estabelecimento, órgãos locais responsáveis por esta etapa.
além de cumprir as exigências municipais
fazendárias as empresas prestadoras de A Agencia Nacional de Vigilância
serviços de Tanatopraxia, Conservação de Sanitária classifica os estabelecimentos
Restos Mortais Humanos, Higienização funerários e congêneres, as empresas
e/ou Tamponamento é obrigatória dispo- públicas ou privadas que desenvolvam
rem do Plano de Gerenciamento de qualquer uma das seguintes atividades:
Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS)
elaborado e implantado em conformidade a) Remoção de Restos Mortais
com a RDC ANVISA Nº. 306/2004, Humanos: medidas e procedimentos
Resolução CONAMA Nº. 358/2005 e relacionados à remoção de restos mortais
outros atos que vierem a substituí-las ou humanos, em urna funerária, bandeja ou
completa-las. embalagem específica, desde o local do
óbito até o Estabelecimento Funerário,
O Gerenciamento dos Resíduos de adotando-se todos os cuidados de
Serviços de Saúde constitui-se em um biossegurança necessários para se evitar a
conjunto de procedimentos de gestão, contaminação de pessoas e/ou do
planejados e implementados a partir de ambiente.
bases científicas e técnicas, normativas e
legais, com o objetivo de minimizar a b) Higienização de restos mortais
produção de resíduos e proporcionar aos humanos: medidas e procedimentos
resíduos gerados, um encaminhamento utilizados para limpeza e anti-sepsia de
seguro, de forma eficiente, visando à restos mortais humanos, com o objetivo
proteção dos trabalhadores, a preservação de prepará-los para procedimentos de
da saúde pública, dos recursos naturais e conservação, inumação ou outra forma de
do meio ambiente. destino;

O gerenciamento deve abranger c) Tamponamento de restos mortais


todas as etapas de planejamento dos humanos: uso de tampões para vedação
recursos físicos, dos recursos materiais e dos orifícios do cadáver;
da capacitação dos recursos humanos
envolvidos no manejo destes resíduos.
10
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

d) Conservação de restos mortais autoridades pública, no prazo de 30 dias,


humanos: empregos de técnicas, através poderá ser destinado às escolas de
das quais os restos mortais humanos são medicina, para fins de estudo e pesquisa
submetidos a tratamentos químicos, com de caráter científico. O Código Civil
vistas a manterem-se conservados por Brasileiro relata que após a morte diversos
tempo total e permanente ou previsto, direitos de personalidade são perdidos,
quais sejam, o embalsamamento e a porém o único mantido é o direito à honra,
formolização, respectivamente. umbilicalmente associado à natureza
humana. Dessa forma, o respeito ao
e) Tanatopraxia: emprego de técnicas cadáver deve ser mantido, algo que é
que visam à conservação de restos mortais reforçado pela famosa “Oração ao
humanos, reconstrução de partes do corpo Cadáver Desconhecido”, de autoria de
e embelezamento por necromaquiagem; Karl Rokitansky.

f) Ornamentação de Urnas funerárias: Os docentes possuem a função de


consistem na colocação de flores, véus e conscientizar os acadêmicos sobre o
adornos decorativos e religiosos, respeito perante o cadáver, pois aquele
conforme tradições e orientação religiosa; corpo antes da morte construiu uma
história influenciada por vários senti-
g) Necromaquiagem: consiste na mentos humanos e que agora continua o
execução de maquiagem de cadáveres, seu legado servindo a sociedade de uma
com aplicação de cosméticos específicos; outra maneira, algo que deve ser honrado.

h) Comércio de artigos funerários: Diante da dificuldade na aquisição


exposição para venda de artigos de novos cadáveres pelas Faculdades de
funerários, tais como urnas funerárias Medicina no Brasil, a solução adotada de
(caixões), objetos decorativos e religiosos; imediato é adoção de métodos eficazes de
conservação de cadáveres. Constatou-se
i) Velório: consiste nas honras fúnebres, que o principal método de conservação
conforme tradições e orientação religiosa. adotado pelas Faculdades de Medicina no
Ato de velar cadáveres; Brasil é a formolização. Isso se deve ao
fato desse método ter um custo menor e
j) Translado de restos mortais conservar por um tempo bem prolongado,
humanos: todas as medidas relacionadas ou seja, um bom custo e benefício.
ao transporte de restos mortais humanos, Entretanto, possui uma alta toxicidade,
em urna funerária, inclusive aquelas que provoca irritação no bulbo ocular, nas
referentes à sua armazenagem ou guarda vias aéreas superiores, desconforto
temporária até sua destinação final. respiratório e efeito carcinogênico.

Devemos observar, também, o uso Outro método de conservação de


de cadáveres para fins de ensino e peças anatômicas utilizadas nas
pesquisa. Estes são regularizados de Faculdades é a glicerinação apesar do alto
acordo com a Lei 8501/92. Esta Lei prevê custo, todas as faculdades que a utilizam,
que cadáver não reclamado junto às não planejam mudar tal processo de
11
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

conservação. Sabe-se que as peças é um serviço de qualidade indiscutível." A


glicerizadas são mais fáceis de se manu- tanatopraxia pode ser feita para todos os
sear e apresentam menor intensidade de casos de morte, seja por enforcamento,
peso e cheiro, devido à diminuição de por afogamento, acidente automobilístico,
vapores prejudiciais aos manipuladores e queda. Para todos estes casos existe
excelentes resultados estéticos e morfo- tratamento específico. Podemos dividir a
lógicos. Já nas intituições que utilizam o tanatopraxia em três níveis básicos, nos
formol, mesmo com as suas desvantagens, quais variam a técnica e os líquidos
60,7% não planejam alterar o método. utilizados.
Acredita-se que isso se deve ao fato do
formaldeído ainda possuir algumas A tanatopraxia nível um é
qualidades, tais como baixo custo, rápida recomendada para casos em que o velório
penetração e adequada conservação por durará aproximadamente doze horas,
longo período. Entretanto, uma quantidade levando em consideração a hora do
considerável dos docentes das faculdades falecimento. É um trabalho simples,
que utilizam a formolização estão porém indispensável.
insatisfeitos e uma boa parte pretende
mudar tal método de conservação, por A tanatopraxia nível dois é
conta da insalubridade do formol, pois o recomendada para velórios que ultrapas-
uso do formaldeído é prejudicial a saúde, sarão as doze horas de duração. Esse
em que os principais afetados são os método é o tradicional, mais utilizado,
docentes, pesquisadores e técnicos de pois se destina a pessoas vítimas de morte
laboratórios, ou seja, aqueles que estão em natural, e acontece pela infusão do líquido
contato por longos períodos. formodeíldo no sistema circulatório.

Para escolher a melhor forma de Já a tanatopraxia nível três é


conservação das peças anatômicas, vários recomendada para casos necropciados, ou
fatores são analisados: os custos, a seja, examinados pelos médicos. Geral-
toxicidade, a técnica, o manuseio das mente se destina às pessoas que morreram
peças no pós-preparo, a necessidade de em casa ou no hospital sem assistência
manutenção da morfologia e coloração a médica, ou que morreram em casa ou no
mais próxima possível do estado real e o hospital sem que os médicos conse-
odor. Assim, por conta da insalubridade guissem diagnosticar a causa da morte.
do formol, o principal método almejado Quando o médico tem dúvida sobre a
pelas faculdades, que planejam alterar a causa da morte, ele envia o corpo para o
metodologia de conservação, é a gliceri- Serviço de Verificação de Óbito (SVO).
nação. Através do exame é que o médico vai
definir a causa do falecimento. Porém,
Com a tanatopraxia as coisas quando se trata de morte violenta
mudaram no ramo funerário, porque (acidentes, enforcamento, suicídio, arma
solucionou o problema de quem precisava de fogo, arma branca), o corpo não é mais
de um velório mais estendido sem que o tratado pelo SVO, e sim pelo IML,
corpo entrasse em processo de decom- Instituto Médico Legal, pois esse corpo
posição antes do enterro. "A tanatopraxia foi necropsiado e retirados fragmentos dos
12
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

órgãos para se fazer a autópsia. Quando palmente em casos delicados em que se


isso ocorre, torna-se mais trabalhoso fazer precisou de maiores cuidados. Como já
a infusão do líquido conservante pelo havíamos falado, a tanatopraxia é
sistema circulatório que apresenta acompanhada da tanatoestética, que cuida
rompimentos de artérias, veias e vasos. No da aparência do corpo morto. A
interior do corpo humano adulto há uma maquiagem mortuária tem pouca saída, as
ramificação muito extensa de aproxima- pessoas ainda não a solicitam muito.
damente cinqüenta mil quilômetros de Geralmente, pessoas de classes mais
veia e artérias, que, quando um de seus abastadas são quem mais utilizam este
vasos é rompido, ocorrem infiltrações em tipo de serviço, subtende-se pelo fato de
alguns lugares. Dessa forma, um serem mais vaidosas e quererem que o
rompimento em algum lugar pode gerar corpo tenha uma boa apresentação em
problemas sérios a outros lugares do publico no velório. Porém, vale salientar
corpo, como inchaços, equimoses, que há um grande cuidado para que seja
vazamento de líquidos, entre outros. algo bem discreto, nada chamativo nem
extravagante, pois se trata de um funeral e
É interessante lembrar que o de sentimentos que ali estão envolvidos.
embalsamamento substituiu a mumifica- Outro caso de comum utilização dentro da
ção, e hoje percebe-se que aos poucos a tanatoestética é a da restauração facial.
tanatopraxia está substituindo o embalsa- Muito comum em acidentes automo-
mamento. Por isso acreditamos ser a bilísticos em que vidros trespassam
tanatopraxia o que há de mais moderno no tecidos da face ou quando há perda de
mercado funerário no mundo contem- parte do lábio, vítimas de PAF (perfuração
porâneo. Isso se deve ao fato de que, por arma de fogo), perfurações de diversas
apesar de semelhante ao embalsamento, a naturezas ou até mesmo suicídio.
tanatopraxia é bem menos agressiva que Utilizando as técnicas da tanatoestética, é
os outros procedimentos, além de ser mais possível deixar essas marcas imper-
eficaz. ceptíveis. E isso é muito importante para o
velório e para a apresentação do morto em
A aceitação da tanatopraxia vem público. Também conhecida como necro-
crescendo, principalmente nas grandes maquiagem, consiste na reparação da pele
cidades. A média de casos de utilização da da pessoa falecida, Por meio de técnicas
tanatopraxia é de aproximadamente 5 a 6 de maquiagem. O objetivo principal é
vezes por dia, por turno de 12 horas. À minimizar os efeitos de marcas de
noite essa média cai para 2 ou 3 casos. enfermidades e acidentes, devolvendo ao
Ainda existem muitos questionamentos a falecido a aparência e tons naturais, dando
respeito do que é feito no corpo do a impressão de que está dormindo, propor-
falecido através da tanatopraxia. O cionando assim, conforto aos entes
tratamento do corpo assemelha-se a um queridos. “A preocupação da aparência,
procedimento cirúrgico, e, assim como sem marcas que tragam tristes lembranças,
são poucos os casos em que o médico terá um efeito psicológico confortante
permite a família entrar na sala de junto à família e amigos” (BRANCO.
cirurgia, o tanatopraxista também procede FERNANDES. GRIFFO, 2003 p. 89).
da mesma forma no tanatório, princi-
13
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

Essas técnicas servem para É um campo de trabalho promis-


amenizar os traços mortais e aliviar as sor, que, para atender o seu crescimento
dores da família. Apenas os casos em que os estabelecimentos prestadores desses
há uma grande perda de tecidos podem serviços devem cumprir a legislação
não ser solucionados. Outro caso comum vigente e pareceres técnicos estabelecidos
é quando há doação de órgãos, e pelos governo federal, estadual e muni-
principalmente da córnea, em que há uma cipal, como também dos órgãos de
grande agressão à região do rosto, pois o Vigilância Sanitária, de Controle
médico não retira apenas a córnea para a Ambiental, além das normativas e deli-
doação, e sim todo o globo ocular. Em berações expedidas pelos Conselhos de
lugar do globo ocular, uma grande Classe como Enfermagem, Medicina e
quantidade de gazes e algodão é enxertada Biomedicina. E, por outro lado, em função
e daí uma grande quantidade de vasos é da formação específica, dos preceitos da
rompida e sangram excessivamente, biossegurança, do ambiente de realização
causando uma enorme olheira que através dos serviços e das exigências da legislação
da tanatopraxia será solucionada. vigente se faz necessário o reconhe-
cimento por parte do Ministério do
Trabalho das funções do profissional
tanatopraxista distintas das funções do
Conclusão agente funerário.

Podemos concluir que desde o


inicio da civilização em todas as regiões e
continentes os povos desenvolveram por
meio da sua fé uma relação entre a vida e Referencias Bibliográficas
a morte, e também, reencarnação,
eternidade, ressurreição e os riscos da Portal UOL Mundo Educação. A Religião do
Antigo Egito. Liliam Maria Martins de Aguiar.
alma penar sobre a Terra ou que o espírito
Pode ser visto em: https://mundoeducacao.bol.uol.
do defunto retorne para perseguir outras com.br/historiageral/a-religiao-antigo-egito.htm
pessoas. visitado em 18/12/2018, às 17h49min.

No tempo contemporâneo a tanato- Portal Ciência e Saúde. Porque se mutilavam os


mortos na idade média? Susana Lucio. Publicado
praxia e a tanatoestética vem suprir uma em 03/04/2017. Disponível em: https://www.
necessidade da própria sociedade em sabado.pt/ciencia---saude/detalhe/porque-se-mutila
propiciar aos seus ente queridos um vam-os-mortos-na-idade-media, visitado em
ultimo cuidado garantindo uma aparência 18/12/2018 às 19h22min.
saudável, higiene e assepsia, livre dos
FLORES, V. D. C., & MOURA, E. P. G. (2018).
odores e dos riscos de contaminação.
Significados do trabalho, prazer e sofrimento
Assim como o embalsamento foi a no ofício de Agentes Funerários. Revista
evolução da mumificação, a tanatopraxia é Psicologia: Organizações e Trabalho, 18(1), 326-
a evolução do embalsamento, este por 334. doi: 10.17652/rpot/2018.1.13337.
sinal, em breve deve entrar em desuso.
COREN-SE (Conselho Regional de Enfermagem
de Sergipe), Parecer Técnico N.º 65/2015.

14
25 de dezembro de 2018
Citação: PINTO, M.E.T. & PIMENTEL, R.S. Tanatopraxia: a evolução no processo de embalsamento. Instituto
Evandro Brasil, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro (2018).

Aprovado em Plenário na 399ª Reunião Ordinária


realizada em 18/12/2015.

BRASIL – ANVISA (Agencia Nacional de


Vigilância Sanitária). Referencia técnica para o
funcionamento de estabelecimentos funerários e
congêneres. Brasília-DF, dezembro de 2009.

SILVA, GRS, et al. Métodos de conservação de


cadáveres humanos utilizados nas faculdades de
medicina.

DA SILVA, Andrey Fernandes. As práticas


humanas relacionadas à morte em uma
perspectiva histórica e suas mudanças com o
advento da tanatopraxia em Natal no final do
século XX. Universidade Federal do Rio Grande
do Norte. Natal, 2008.

PADILHA, Mayara; GIRADI, Yonara Cristini.


Tanatopraxia e Necromaquiagem: Um mercado
para profissionais da estética. Universidade do
Vale do Itajaí – UNIVALE, Balneário Camboriu,
Santa Catarina.

15
25 de dezembro de 2018

Interesses relacionados