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Ficha Catalográfica (Opcional)

Instituto Bíblico Unicista


Shemáh

 Diretor Geral: Pastor Marcos Ribeiro dos


Santos
 Coordenador:
 Consultor Teológico: Marcos R. dos
Santos / Gilberto Souza
 Revisão Ortográfica: Gilberto Souza
 Diagramação: Gilberto Souza
 Capa e Designer gráfico: Isaac
 Editoração Gráfica: Gráfica Mochuara
 Impressão e Acabamento: Gráfica
Mochuara

1° impressão: 125 exemplares - 2019


Credo Unicista
(Deuteronômio 6:4-9) ‫ש ַמע י ְׂש ָראֵ ל יְׂהוָה אֱ ֹלהֵ ינּו יְׂהוָה אֶ חָ ד‬:
ְׂ
“Shemá Yisrael Ado-nai Elohênu Ado-nai Echad – “Ouve
Israel, (YHWH) ADONAI é o nosso Deus, (YHWH) ADONAI é
Um”.

A doutrina Unicista pode ser apresentada


sucintamente em duas propostas: (1) há um só Deus,
indivisível sem distinção de pessoas; (2) Jesus Cristo,
nele está toda a plenitude da Divindade encarnada.
Todos os títulos da Deidade podem ser aplicados para
Ele e todos os aspectos da personalidade divina estão
manifestados nEle.

A base da teologia Unicista é um conceito radical


de monoteísmo. Simplesmente declara, Deus é
absolutamente e indivisivelmente “um”. Não ha
distinções ou divisões essenciais em Sua natureza
eterna. Todos os nomes e títulos da Deidade, tais como
Elohim, Yahweh, Adonai, Pai, Verbo, e Espírito Santo
referem-se a um e o mesmo ser, ou - em
terminologia trinitariana - de uma pessoa.
Qualquer pluralidade associada com Deus C somente
uma pluralidade de atributos, títulos, papéis,
manifestações, modos de atividades, ou
relacionamentos do homem.
Esta é a posição histórica de judaísmo. Tanto
crentes Unicistas como judeus encontram a expressão
clássica desta Fé em Deuteron6mio 6:4: "Ouve, Israel,
o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR".

Muitas outras passagens no Antigo Testamento,


particularmente em Isaias, afirma o monoteísmo
estrito e são interpretadas literalmente de modo
excluir qualquer pluralidade na Deidade. Por
exemplo: “... antes de mim deus nenhum se formou, e
depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o SENHOR,
e fora de mim não há salvador". (Isaias 43: 10- 1 1).
“... eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e n2o ha
outro semelhante a mim”. (Isaias 46:9).

Cremos em um DEUS único, assim como nos


mostra as escrituras sagradas; que se manifesta ao seu
povo e a humanidade em três manifestações.

 Primeira manifestação: Como Deus, O Pai,


arquiteto e construtor dos céus e da terra e de
tudo que neles há, seja visível ou invisível;
tocável ou intocável; imaginável ou
inimaginável.
 Segunda Manifestação: Como Jesus Cristo, O
Filho, nascido de mulher, veio para executar o
plano de salvação da humanidade pecadora.
 Terceira Manifestação: Como Espírito O Santo,
aquele que consola, santifica e prepara os
convertidos para torná-los cidadãos do Reino
dos Céus. (* Referências ao Espírito de Deus, a
Palavra de Deus e a sabedoria de Deus não significa
uma pluralidade de pessoas, assim como quando se
fala do espírito, da palavra, ou sabedoria de um
homem.)

***Os Pentecostais do Nome de Jesus ensinam


que o Pai (um ser divino), está unido com Jesus (um
homem) como o Filho de Deus. Porém, há diferenças
significativas com o modalismo sabeliano, pois eles
rejeitam o sequencialismo modal e aceitam
completamente a crença de que a humanidade do Filho
foi criada (e não é eterna), que foi o homem Jesus que
nasceu foi crucificado e ressuscitou. Esta denominação
cristã acredita, portanto, que Jesus foi "Filho" apenas
quando se tornou humano na terra, mas que era o Pai
antes de ser feito homem. Eles se referem ao Pai como
"Espírito" e ao Filho como "Carne". Mas eles
acreditam que Jesus e o Pai eram essencialmente uma
pessoa operando como diferentes "manifestações".

Tendo assim a nossa fé arraigada nas escrituras


confessamos e adoramos um único Deus, Onisciente,
Onipresente e Onipotente, Pai da Eternidade, Príncipe
da Paz, O Grande Eu Sou.
***

1) Na inspiração divina verbal e plenária da Bíblia


Sagrada, única regra infalível de fé e prática para
a vida e o caráter cristão (2 Tm 3.14-17)
Obs. (Cremos que a Bíblia contém a Palavra
viva de Deus – Leis, Mandamentos, Preceitos,
Ordenanças e Profecias – porém, uma boa
porcentagem são inserções humanas dadas por
inspiração do Espírito Santo, e, outra parte trata de
informações acerca da história dos povos da época).

2) Na natureza humana inclinada para o mal, que o


destituiu da presença de Deus, por ter se
contaminado com o fruto da árvore do
conhecimento da malícia no Jardim do Éden e
que somente o arrependimento e a fé na obra
redentora e expiatória de Jesus Cristo podem
restaurá-lo á condição de cidadão do Reino dos
Céus. (Gênesis 3.6,7 - Romanos 3.23 – Atos
3.19)

3) No batismo bíblico, em águas correntes, por


imersão, uma só vez, em o Nome de Jesus
Cristo. (Atos 2.38 - 22.16)
4) No perdão dos pecados, na salvação plena e na
justificação pela fé no sacrifício efetuado por
Jesus Cristo em nosso favor. (Atos 10.43 –
Romanos 3.24-26; 10.43 – Hebreus 7.25; 5,9)

5) Na necessidade e na possibilidade de termos


vida santa e irrepreensível por obra do Espírito
O Santo, que nos capacita a viver como fiéis
testemunhas de Jesus Cristo (Hebreus 9.14 – I
Pedro 1,15)

6) Na atualidade dos dons espirituais distribuídos


pelo Espírito O Santo ao seu povo, para sua
edificação, conforme Sua soberana vontade para
o que for útil (I Coríntios 12.1-12)

7) Na segunda vinda de Cristo, em duas fases


distintas: a primeira para livrar sua igreja do
derramar das SETE TAÇAS DA IRA DE
DEUS; a segunda: virá para julgar o Anticristo,
o Falso Profeta e a Besta, em seguida Reinar por
Mil Anos na Terra. (I Ts 4.16,17 – I Co 15.51-
54; Ap 20.4; Zc 14.5; Jd v.14)

8) No comparecimento ante o tribunal de Cristo de


todos cristãos arrebatados, para receberem a
recompensa pelos seus feitos em favor da causa
de Cristo na Terra. (II Co 5.10)
9) No Juízo Final, onde comparecerão todos os
ímpios, desde a criação do mundo até o fim do
Milênio para serem julgados pelo Criador dos
Céus e da Terra. (Ap 20.11-15; 21.1-4)

***Cremos também, no casamento como


instituição divino e ratificado por Jesus Cristo como
união entre um homem e uma mulher, nascidos macho
e fêmea, respectivamente, em conformidade com o
definido pelo sexo da criação geneticamente
determinado, que é a base da sociedade e a célula
madre da família fundamental para a subsistência da
humanidade (Gn 1.27 -2.7 -2.18 – 2.24 – Jo 2.1,2)
SUMÁRIO
NOSSO CREDO ...........................ERROR! BOOKMARK NOT DEFINED.
CAPÍTULO 1 - CONCEITO UNIVERSAL DE RELIGIÃO ...................... 21
O QUE É RELIGIÃO? ......................................................................... 21
COMO COMEÇARAM AS RELIGIÕES? .................................................... 25
DEFININDO A RELIGIÃO..................................................................... 26
CONCEITO DE DIVINDADE ................................................................. 31
CONCEITO DE MUNDO ..................................................................... 35
CONCEITO DE HOMEM ..................................................................... 37
A RELAÇÃO DO HOMEM COM O DIVINO .............................................. 39
ÉTICA — A RELAÇÃO ENTRE OS HUMANOS ........................................... 50
MISTICISMO .................................................................................. 54
TIPOS DE RELIGIÃO .......................................................................... 58
CAPÍTULO 2 - RELIGIÕES MAIS ANTIGAS DO MUNDO .................. 62
BABILÔNIA- O BERÇO DA IDOLATRIA ................................................... 62
DEUSES EGÍPCIOS............................................................................ 65
CAPÍTULO 3 - JUDAÍSMO- A ORIGEM DAS TRÊS MAIORES
RELIGIÕES DO MUNDO ............................................................................. 68
CONHECENDO A HISTÓRIA DO POVO JUDEU .......................................... 68
OS LIVROS SAGRADOS DOS JUDEUS ..................................................... 70
AS FESTAS JUDAICAS ....................................................................... 71
ISLAMISMO ................................................................................. 72
VIDA DO PROFETA MAOMÉ ............................................................... 72
LIVROS SAGRADOS E DOUTRINAS RELIGIOSAS. ....................................... 73
PRECEITOS RELIGIOSOS ..................................................................... 74
LOCAIS SAGRADOS........................................................................... 74
DIVISÕES DO ISLAMISMO .................................................................. 75
CATOLICISMO ROMANO ............................................................. 75
SUAS CRENÇAS ............................................................................... 76
ORIGEM DO CATOLICISMO ................................................................ 77
CAPÍTULO 4 – ESPÍRITA KARDECISTA E BUDISMO ........................ 80
ORIGEM ........................................................................................ 80
ESPIRITISMO OU ESPIRITUALISMO?..................................................... 81
ESPIRITISMO: FILOSOFIA, CIÊNCIA OU RELIGIÃO? .................................. 81
OS ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO ................................................ 82
A VIDA E A MORTE .......................................................................... 83
OS MÉDIUNS ................................................................................. 84
A CLASSIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS ....................................................... 86
Terceira Ordem - Espíritos Imperfeitos .................................. 86
Décima Classe - Espíritos Impuros ........................................ 87
Nona Classe - Espíritos Levianos .......................................... 87
Oitava Classe - Espíritos Pseudo-Sábios ............................... 88
Sétima Classe - Espíritos Neutros ......................................... 88
Sexta Classe - Espíritos Batedores e Perturbadores ............ 88
Segunda Ordem – Bons Espíritos........................................... 89
Quinta Classe - Espíritos Benevolentes ................................ 90
Quarta Classe - Espíritos Sábios ............................................ 90
Terceira Classe - Espíritos da Sabedoria .............................. 91
Segunda Classe - Espíritos Superiores .................................. 91
Primeira Ordem- Espíritos Puros ........................................... 92
Primeira Classe - Classe Única .............................................. 92
ANJOS E DEMÔNIOS ........................................................................ 93
Penas Futuras ........................................................................ 94
Existem dois tipos de Passes: .............................................. 106
BUDISMO .................................................................................. 107
OS ENSINAMENTOS, A FILOSOFIA E OS PRINCÍPIOS................................ 108
Capítulo 1 - Conceito Universal de
Religião
O que é religião?

É o batismo numa igreja cristã. É a adoração


num templo budista. São os judeus com o rolo da
Toráh diante do Muro das Lamentações em Jerusalém.
São os peregrinos reunindo-se diante da Caaba em
Meca.
Em seguida podemos perguntar: será que essas
atividades têm alguma coisa em comum? Será que seus
participantes compartilham algum sentimento
semelhante a respeito do que fazem?E por que fazem o
que fazem? O que isso significa para eles? E como
afeta a sociedade em que vivem?São essas as questões
que as ciências da religião procuram responder.
O pesquisador investiga de uma perspectiva
externa todas as religiões, buscando semelhanças e
diferenças, e tenta descrever o que vê. A descrição dele
nem sempre é plena e exaustiva, se comparada aos
sentimentos de um crente acerca de sua religião. É
como o que acontece com a música. Um especialista
em teoria musical pode explicar de que maneira uma
composição foi construída, e descrever suas
tonalidades e seus instrumentos, mas jamais conseguirá
recriar a experiência que a música transmite.

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Isso é ainda mais óbvio quando se trata de
comida. Um nutricionista pode explicar que certo
alimento consiste numa dada mistura de componentes
orgânicos, e que, se for resfriado a uma determinada
temperatura, terá um gosto doce e fresco ao entrar em
contato com o palato humano; mas isso nunca será a
mesma coisa que tomar de fato um sorvete.
Isso não quer dizer que o estudioso das religiões
não possa ser religioso. O escritor italiano Umberto
Eco, falando das relações entre os estudos de literatura
comparada e a própria literatura, fez a seguinte
observação: "Até os ginecologistas podem se
apaixonar". O importante é não deixar que durante a
pesquisa as crenças e os sentimentos pessoais
influenciem a material que está sendo estudado. Esse
distanciamento permite ao pesquisador divulgar
informações sobre a religião que é valiosa, tanto para o
indivíduo como para a sociedade.

Por que ler e estudar sobre as religiões?

Um rápido olhar para o mundo ao redor mostra


que a religião desempenha um papel bastante
significativo na vida social e política de todas as partes
do globo. Ouvimos falar de católicos e protestantes em
conflito na Irlanda do Norte, cristãos contra
muçulmanos nos Bálcãs, atrito entre muçulmanos e
hinduístas na Índia, guerra entre hinduístas e budistas

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no Sri Lanka. Nos Estados Unidos e no Japão há seitas
religiosas extremistas que já praticaram atos de
terrorismo. Ao mesmo tempo, representantes de
diversas religiões promovem ajuda humanitária aos
pobres e destituídos do Terceiro Mundo. É difícil
adquirir uma compreensão adequada da política
internacional sem que se esteja consciente do fator
religião.

Um conhecimento religioso sólido também é útil


num mundo que se torna cada vez mais multicultural.
Muitos de nós viajamos para o exterior, entrando em
contato com sociedades que têm diferentes valores e
modos de vida, ao mesmo tempo em que imigrantes e
refugiados chegam a nossa própria porta,
confrontando-se com um sistema social que lhes é
totalmente estranho.
Além disso, o estudo das religiões pode ser
importante para o desenvolvimento pessoal do
indivíduo. As religiões do mundo podem responder a
perguntas que o homem vem fazendo desde tempos
imemoriais.

Tolerância

Tolerância, ou seja, respeito pelas pessoas que


têm pontos de vista diferentes do nosso, é uma palavra-
chave no estudo das religiões. Não significa

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necessariamente o desaparecimento das diferenças e
das contradições, ou que não importa no que você
acredita se é que acredita em alguma coisa. Uma
atitude tolerante pode perfeitamente coexistir com uma
sólida fé e com a tentativa de converter os outros.
Porém, a tolerância não é compatível com
atitudes como zombar das opiniões alheias ou se
utilizar da força e de ameaças. A tolerância não limita
o direito de fazer propaganda, mas exige que esta seja
feita com respeito pela opinião dos outros.
Os registros da história mostram inúmeros
exemplos de fanatismo e intolerância. Já houve lutas
de uma religião contra outra e se travaram diversas
guerras em nome da religião. Muitas pessoas já foram
perseguidas por causa de suas convicções, e isso
continua acontecendo nos dias de hoje.
Com frequência, a intolerância é resultado do
conhecimento insuficiente de um assunto. Quem vê de
fora uma religião, enxerga apenas suas manifestações,
e não o que elas significam para o indivíduo que a
professa.
Para os cristãos, a sagrada comunhão tem um
significado especial. No entanto, uma descrição
objetiva do ato da comunhão não poderia oferecer uma
visão real do que a comunhão representa para um
cristão.

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O respeito pela vida religiosa dos outros, por
suas opiniões e seus pontos de vista, é um pré-requisito
para a coexistência humana.
Isto não significa que devemos aceitar tudo
como igualmente correto, mas que cada um tem o
direito de ser respeitado em seus pontos de vista, desde
que estes não violem os direitos humanos básicos.

Como começaram as religiões?

Foram registradas várias formas de religião


durante toda a história. Já houve muitas tentativas de
explicar como surgiram as religiões. Uma das
explicações é que o homem logo começou a ver as
coisas a seu redor como animadas. Ele acreditava que
os animais, as plantas, os rios, as montanhas, o sol, a
lua e as estrelas continham espíritos, os quais eram
fundamentais apaziguar. O antropólogo E. B.Tylor
(1832-1917) batizou essa crença de animismo. Tylor
foi influenciado pela teoria de Darwin sobre a
evolução. Segundo ele, o desenvolvimento religioso
caminhou paralelamente ao avanço geral da
humanidade, tanto cultural como tecnológico primeiro
em direção ao politeísmo (crença em diversos deuses)
e depois ao monoteísmo (crença num só deus). Tylor
concluiu que os povos tribais não haviam ido além do
estágio da Idade da Pedra e, portanto, praticavam esse
mesmo tipo de animismo. Hoje essa teoria do

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desenvolvimento foi rejeitada, e há um consenso geral
de que animismo não é uma caracterização adequada
para a religião dos povos tribais.
Alguns pesquisadores vêm a religião como um
produto de fatores sociais e psicológicos. Essa
explicação é conhecida como um modelo reducionista,
pois reduz a religião a apenas um elemento das
condições sociais ou da vida espiritual do homem. Karl
Marx, por exemplo, sustentava que a religião, assim
como a arte, a filosofia, as ideias e a moral, não
passavam de um dossel por cima da base, que é
econômica. O que dirige a história, de acordo com ele,
é o modo como a produção se organiza e quem possui
os meios de produção, as fábricas e as máquinas. A
religião simplesmente refletiria essas condições
básicas.
Nas modernas ciências da religião predomina a
ideia de que a religião é um elemento independente,
ligado ao elemento social e ao elemento psicológico,
mas que tem sua própria estrutura. Os ramos mais
importantes das ciências da religião são a sociologia da
religião, a psicologia da religião, a filosofia da religião
e a fenomenologia religiosa.

Definindo a religião

Muitas pessoas já tentaram definir religião,


buscando uma fórmula que se adequasse a todos os

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tipos de crenças e atividades religiosas — uma espécie
de mínimo denominador comum. Existe, naturalmente,
até um risco nessa tentativa, já que ela parte do
princípio de que as religiões podem ser comparadas.
Esse é um ponto em que nem todos os crentes
concordam: eles podem dizer, por exemplo, que sua fé
se distingue de todas as outras por ser a única religião
verdadeira, ao passo que todas as outras não passam de
ilusão, ou, na melhor das hipóteses, são incompletas.
Há também pesquisadores cuja opinião é que o
único método construtivo de estudar as religiões é
considerar cada uma em seu próprio contexto histórico
e cultural. Contudo, há mais de um século os
estudiosos da religião tentam encontrar traços comuns
entre as religiões. O problema é que eles interpretam as
semelhanças de maneiras diferentes. Alguns as
consideram resultado do contato e do intercâmbio entre
grupos raciais; segundo eles, as diferentes fés e ideias
se espalharam do mesmo modo que outros fenômenos
culturais, como a roda e o arado. Outros pesquisadores
fazem comparações a fim de descobrir o que
caracteriza o conceito de religião em si. É aí que as
definições entram em cena. Vamos começar por
algumas das mais famosas: A religião é um sentimento
ou uma sensação de absoluta dependência. Friedrich
Schleiermacher (1768-1834)
Religião significa a relação entre o homem e o
poder sobre humano no qual ele acredita ou do qual se

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sente dependente. Essa relação se expressa em
emoções especiais (confiança, medo),conceitos
(crença) e ações (culto e ética).C. P. Tiele (1830-1902)
A religião é a convicção de que existem, poderes
transcendentes, pessoais ou impessoais, que atuam no
mundo, e, se expressa por insight, pensamento,
sentimento, intenção e ação. Helmuth Von Glasenapp
(1891-1963)

O sagrado

Nos primeiros anos do século XX, o sueco


Nathan Söderblom (1866-1931), arcebispo e estudioso
das religiões, ofereceu uma definição baseada nos
sentimentos humanos: "Religiosa ou piedosa é a pessoa
para quem algo é sagrado".
Sagrado se tornou uma palavra-chave para os
pesquisadores da religião no século XX: descreve a
natureza da religião e o que ela tem de especial. Esse
termo ganhou realce numa obra sobre psicologia da
religião, A ideia do sagrado, de Rudolf Otto, publicada
em 1917. O sagrado é das ganz Andere, o
"inteiramente outro", ou seja, aquilo que é totalmente
diferente de tudo o mais e que, portanto, não pode ser
descrito em termos comuns. Otto fala de uma
dimensão especial da existência, a que chama de
misterium tremendum et fascinosum(em latim,
"mistério tremendo e fascinante"). É uma força que por

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um lado engendra um sentimento de grande espanto,
quase de temor, mas por outro lado tem um poder de
atração ao qual é difícil resistir.
Otto já foi criticado, refutado, plagiado e
ampliado. Um dos que adotaram essa noção de sagrado
foi o romeno Mircea Eliade, estudioso de religiões, em
seu livro O sagrado e o profano. Ele elogia Otto e diz
que seu sucesso como estudioso de religiões se deve a
essa nova perspectiva que passou a abraçar.
Em vez de estudar termos como Deus e religião,
Eliade analisou vários tipos de "experiência religiosa"
dos seres humanos. Ele começa com uma definição
muito simples do que é o sagrado: é o oposto do
profano. Em seguida, põe-se a considerar o significado
original dessas palavras. Sagrado indica algo que é
separado e consagrado; profano denota aquilo que está
em frente ou do lado de fora do templo.
Eliade acredita que o homem obtém seu
conhecimento do sagrado porque este se manifesta
como algo totalmente diferente do profano. Ele chama
isso de hierofani, palavra grega que significa,
literalmente, "algo sagrado está se revelando para nós".
E o que sempre acontece, não importa se o
sagrado se manifesta numa pedra, numa árvore ou em
Jesus Cristo.
Alguém que adora uma pedra não está prestando
homenagem à pedra em si. Venera a pedra porque esta
é um hierofani, ou seja, ela aponta o caminho para algo

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que é mais do que uma simples pedra: é "o sagrado".
Neste livro, em vez de darmos uma definição fixa e
universal de religião, nós a estudaremos de quatro
ângulos:

*conceito (crença);
* cerimônia;
* organização, e
* experiência.

Conceito (crença)

A religião sempre teve um aspecto intelectual. O


crente tem ideias bem definidas sobre como a
humanidade e o mundo vieram a existir, sobre a
divindade e o sentido da vida. Esse é o repertório de
ideias da religião, que se expressam por cerimônias
religiosas (ritos) e pela arte, mas em primeiro lugar
pela linguagem. Tais expressões linguísticas podem ser
escrituras sagradas, credos, doutrinas ou mitos.

Mitos

Um mito é uma história que geralmente


acompanha um rito. O rito com frequência reitera um
ato em que o mito se baseia.
Assim, o mito religioso tem um significado mais
profundo do que a lenda e os contos folclóricos. O

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mito procura explicar alguma coisa. E uma resposta
metafórica para as questões fundamentais: de onde
viemos e para onde vamos? Por que estamos vivos e
por que morremos? Como foi que a humanidade e o
mundo passaram a existir?

Quais são as forças que controlam o


desenvolvimento do mundo?

Muitas vezes os mitos elucidam algo que


aconteceu no princípio dos tempos, quando o mundo
ainda era jovem. Por exemplo, a maioria das religiões
tem seus mitos de criação, que explicam como o
mundo surgiu. O objetivo principal deles não é revelar
fatos históricos. A essência do mito é oferecer às
pessoas uma explicação geral da existência.
Os conceitos religiosos, que também encontram
sua expressão em mitos, podem ser divididos, de modo
geral, em três tipos: conceitos sobre um deus ou vários
deuses, conceitos sobre o mundo e conceitos sobre o
homem.

Conceito de Divindade

Monoteísmo

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A crença que prevalece na maioria das grandes
religiões ocidentais é o monoteísmo, isto é, a convicção
de que existe um só deus. Há exemplos em muitas
religiões de que o monoteísmo nasceu como reação à
adoração de vários deuses (politeísmo). O islã tem suas
raízes numa renovação ou reforma da antiga religião
dos nômades árabes, a qual possuía numerosos deuses
tribais.

Monolatria

A monolatria é uma crença situada a meio


caminho entre o politeísmo e o monoteísmo. Implica a
adoração de um único deus, sem negar a existência de
outros. Um deus é escolhido entre vários — por
exemplo, na religião germânica se podia escolher entre
Thor ou Odin, aquele em que se tivesse total confiança.
Aqui a teoria fica em segundo lugar. O importante não
é saber se determinado deus existe ou não, mas se ele é
cultuado. Existem hoje exemplos de monolatria no
hinduísmo.

Politeísmo

Em religiões que possuem diversos deuses, é


comum estes terem funções distintas, bem como
esferas definidas de responsabilidade. A criação de

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animais e a pesca, o comércio e os diferentes ofícios, o
amor e a guerra, podem ter seus próprios deuses.
O mundo dos deuses com frequência é
organizado da mesma maneira que o dos homens,
numa família ou num Estado.
Alguns pesquisadores acreditam que as
divindades indo-européias (isto é, indianas, gregas,
romanas e germânicas) se estruturam em três classes
baseadas na sociedade da época:
* o monarca (que muitas vezes era também
sacerdote);
* a aristocracia (os guerreiros), e
* os artesãos, agricultores e comerciantes.
Era comum, as pessoas venerarem o deus que
ocupava o mesmo lugar que elas na escala social.
Geralmente o deus supremo é o deus do céu.
Isso não implica que ele habite o céu, mas que se
revele no firmamento e nos fenômenos associados à
abóbada celeste.
Em muitas religiões o deus do céu faz par com
uma divindade feminina. A imagem do casal, Céu e
Mãe Terra é de fácil compreensão para uma sociedade
agrária. A terra é fértil e dá o alimento ao homem, mas
só depois de receber sol e chuva do céu.
Além dos "deuses-reis", familiares para nós
porque se encontram na mitologia clássica e na
germânica, há uma grande quantidade de deuses

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menores e espíritos em volta de nós que são patronos
de determinadas doenças ou de certas profissões.

Panteísmo

O panteísmo é uma crença que difere tanto do


monoteísmo como do politeísmo. Aqui a principal
convicção é que Deus, ou a força divina, está presente
no mundo e permeia tudo o que nele existe. O divino
também pode ser experimentado como algo impessoal,
como a alma do mundo, ou um sistema do mundo. O
panteísmo costuma ser associado ao misticismo, no
qual o objetivo do mortal é alcançar a união com o
divino.

Animismo e crença nos espíritos

Em muitas culturas prevalece a crença de que a


natureza é povoada de espíritos. Isso se chama
animismo, da palavra latina animus, que significa
"alma", "espírito". Em certa época os historiadores da
religião pensavam que o animismo havia sido a base de
toda a religião e que mais tarde ele se transformou, via
politeísmo, em monoteísmo. Mas essa é apenas uma
teoria. O que é certo é que o animismo impera em
várias sociedades.
Em nossa própria cultura a noção de espírito está
presente em muitas criaturas relacionadas com as

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forças naturais: espíritos das águas, duendes, fantasmas
e sereias.
Os espíritos dos mortos também continuam a
desempenhar um importante papel na África, na
América Latina, na China e no Japão.
Normalmente as características dos deuses são
mais individualizantes e definidas com mais clareza
que as dos espíritos. E as divindades em geral têm
nome. Mas em inúmeros casos é difícil distinguir de
imediato entre deuses, antepassados e espíritos. Todos
são expressões da força sobrenatural que banha a
existência. A ideia de uma força ou um poder que
regula todos os relacionamentos na vida humana e na
natureza predomina, sobretudo, nas religiões primais.
Os historiadores da religião costumam usar o vocábulo
polinésio mana para descrever essa força, que precisa
ser controlada ou aplacada.

Conceito de mundo

Um conceito de mundo bastante comum é que a


Terra foi criada ou formada por um ser primordial ou
por uma matéria primordial.
A mitologia nórdica conta a história dos deuses
que mataram Ymer, o gigante da montanha, e do seu
corpo formou o mundo.

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Os gregos imaginavam o mundo como uma
confusa massa (caos) que foi organizada por um poder
divino e se transformou no mundo ordenado que hoje
conhecemos (cosmos).
A criação pode ser vista ainda como uma espécie
de nascimento, semelhante ao dos seres humanos e
animais. No Egito antigo, circulava a ideia de que o
mundo tinha saído de um ovo, ao passo que a religião
xintó explica que as ilhas japonesas são os filhos do
divino casal que criou o mundo.
A história da criação contada aos judeus e
cristãos no Livro do Gênesis não menciona nenhum
material ou substância primordial: conta de uma
criação feita do nada. É por meio da palavra falada que
a criação ocorre. Deus disse: "Haja luz", e a luz se fez.

Muitas religiões também têm crenças a respeito


do fim do mundo, que a mitologia nórdica chama de
ragnarok. A Terra, que foi criada e organizada, está
sob a constante ameaça das forças do mal, as quais
querem destruir o sistema do mundo e um dia Irão
imperar. O cristianismo e o islã vêm o fim do mundo
como algo intimamente relacionado ao julgamento
divino.
As religiões da Índia, da mesma forma, adotam
a ideia de que o mundo teve um início e um dia vai
perecer, mas esse é um processo que se repete
perpetuamente, num ciclo eterno sem começo nem fim,

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assim como o dia se torna noite e depois, outra vez,
dia.

Conceito de homem

A criação do homem

A maioria das religiões acredita que o homem


foi criado por Deus, que suas origens são divinas.
Nesse contexto, com frequência se fala da alma do
homem, termo que tem conotações diferentes em
culturas diferentes.
Costuma-se apresentar a alma em contraste com
o corpo, e muitas religiões mostram um dualismo (a
convicção de que algo é dividido em dois), ensinando
que o corpo é temporal, e a alma, divina. Um conceito
diz que a alma desce de um mundo superior e passa a
habitar um corpo. Aí ela se sente trancada, aprisionada
pela matéria, e anseia por retornar as suas origens
etéreas.
Na história que o Antigo Testamento conta, a
saber, que Deus criou o homem do barro e soprou a
vida em suas narinas, encontramos outro conceito: na
antiga tradição judaica, o homem é visto como um
todo; corpo e alma estão intimamente ligados, e ambos
são obra de Deus.

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Morte

Assim como as origens do homem requerem


uma explicação, a maioria das pessoas se preocupa em
saber o que acontecerá com elas quando morrerem.
As sepulturas dos vikings, nas quais os mortos
eram enterrados com armas, ornamentos e comida,
mostram que a ideia da vida após a morte não é nova.
Os gregos antigos acreditavam no Hades, onde os que
partiram passavam a levar uma existência tênue, feita
de sombras. O ideal guerreiro da era dos vikings se
espelha na crença que tinham no Vahala, onde os
heróis lutam suas batalhas e morrem durante o dia,
voltando novamente à vida durante a noite.
Certas tribos indígenas da América do Norte
ainda têm fé na existência dos "eternos campos de
caça", com uma profusão de caça de todos os tipos.
Em várias sociedades, os mortos continuam
existindo sob a forma de espíritos ancestrais, em íntima
proximidade com os vivos.
Eles oferecem aos vivos, segurança e proteção, e
em troca exigem que se façam sacrifícios em seus
túmulos.
Quando se pergunta o que continua vivo, obtêm-
se diversas respostas. Em geral, diz-se que é algo
chamado de alma, mas em muitas tribos africanas não
existe a divisão corpo e alma. Mesmo no cristianismo,
a "vida eterna" não é associada a uma "alma eterna".

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Menciona-se a "ressurreição do corpo", ou, em
outras palavras, a reconstituição da pessoa inteira. É
verdade que o cristianismo fala num "corpo espiritual",
porém isso serve para enfatizar a ideia de que o
homem, após a ressurreição, não se tornará um espírito
indefinido.
As religiões costumam ter ideias diferentes sobre
a salvação.
Algumas crêem que o homem pode ser salvo por
um poder divino, ao passo que outras afirmam que ele
deve resgatar a si mesmo — e para isso indicam uma
variedade de métodos.
O conceito de transmigração ocupa uma posição
única. Os hinduístas acreditam que a alma se liga a este
mundo pelos pensamentos, pelas palavras e ações
humanas, e que quando um indivíduo morre, sua alma
passa para o corpo de outra pessoa ou de um animal.
Portanto, a alma está presa nesse eterno ciclo, até que
venha a salvação.

A relação do Homem com o Divino

No islã e no judaísmo o homem cumpre suas


obrigações religiosas se submetendo aos mandamentos
de Deus; nas religiões africanas e indianas, seguindo as
regras tribais estabelecidas pelos ancestrais, e na
religião chinesa, alcançando uma harmonia, ou uma

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consonância, com as forças básicas da existência, yin e
yang.
Em certas religiões, sobretudo na Índia, um dos
objetivos é atingir a união com a divindade. Para os
gregos antigos isso seria o equivalente a uma
blasfêmia, um sacrilégio. Romper as barreiras que
separam o humano do divino era algo conhecido como
hybris (arrogância). Uma ideia semelhante se expressa
na história do Antigo Testamento sobre a queda do
homem. A harmonia original do homem com Deus foi
destruída porque o homem tentou imitá-lo.

Cerimônia

A cerimônia religiosa desempenha um papel


importante em todas as religiões. Nessas ocasiões,
segundo certas regras predeterminadas, invoca-se ou
louva-se um deus ou vários deuses, ou ainda se
manifesta gratidão a ele ou a eles. Tais cerimônias
religiosas, ou ritos, tendem a seguir um padrão bem
distinto, ou ritual.
O conjunto das cerimônias religiosas de uma
religião é conhecido como culto ou liturgia. A palavra
culto (do verbo latino colere,"cultivar") é empregada
em geral para significar "adoração", mas na ciência das
religiões é um termo coletivo que designa todas as
formas de rito religioso.

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40
O culto promove o contato com o sagrado, e por
isso costuma ser realizado em lugares sagrados
(templos, mesquitas, igrejas), nos quais há objetos
sagrados (fetiches, árvores sagradas, altares). As
pessoas que lideram o culto religioso também podem
ser sagradas, ou pelo menos especialmente
consagradas a esse trabalho.
As palavras sagradas exercem no culto uma
função relevante: orações, invocações, trechos de
textos sagrados e os mitos, muitas vezes associados a
ritos específicos.
Antes de olharmos mais de perto os diferentes
ritos, falemos um pouco da magia.
Magia é uma tentativa de controlar os poderes e
as forças que operam na natureza. Costuma-se
encontrar a magia em contextos religiosos, e é difícil
traçar uma linha divisória nítida entre a religião e a
magia, entre uma reza e um encantamento. A distinção
que mais sobressai é o fato de, na religião, o indivíduo
se sentir totalmente dependente do poder divino. Ele
pode fazer sacrifícios aos deuses ou se voltar para eles
em oração; porém, em última análise, deve aceitar a
vontade divina.
Quando, por outro lado, o ser humano se vale
dos ritos mágicos, ele está tentando coagir as forças e
potências a obedecer à sua ordem — que com
frequência consiste em atingir finalidades bem
concretas. Desde que os rituais mágicos sejam

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realizados corretamente, o mago acredita que os
resultados desejados decerto ocorrerão, por uma
questão de lógica. Se ele falhar, irá culpar um erro em
seu ritual, ou o uso de um feitiço mais forte contra si.
A magia já foi interpretada por algumas pessoas
como origem da ciência, ou um estágio inicial desta. O
que faz o mago, assim como o cientista, é tentar
descobrir um elo entre causa e efeito. De qualquer
maneira, ele é forçado a fazer observações da
natureza e a adotar processos empíricos de raciocínio.
Sem dúvida, os magos já fizeram numerosas
observações detalhadas sobre as relações naturais, e
muitas das plantas e ervas usadas pelos curandeiros
podem ser utilizadas também pela moderna ciência
médica.

Oração

De certo modo o mais simples de todos os ritos,


a oração já foi chamada de "casa de força da religião".
Pode ser a comunicação espontânea de um indivíduo
com Deus, e nesse caso não costuma ter uma forma
definida, uma vez que é expressa em termos pessoais.
Já a oração coletiva normalmente obedece a um
padrão bem definido. Pode ser lida, ou cantada em
uníssono, ou entoada como uma antífona, na qual se
alternam o que conduz a oração e a assembléia.

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Determinados atos e gestos estão associados à
oração.
Muitas comunidades cristãs rezam ajoelhadas no
genuflexório; alguns oram de mãos postas; os
muçulmanos se inclinam até o chão na direção de
Meca. A oração também pode se relacionar à dança. O
objetivo da dança pode ser invocar a chuva, ou
preparar seus participantes para a caça ou a guerra. Os
dançarinos usam máscaras e disfarces, e sua
apresentação pode se assemelhar bastante a uma
pantomima ou peça teatral. As palavras e a cerimônia
estão intimamente ligadas. Aqui vemos como um mito,
ou narrativa sagrada, se casa com certos ritos. Às vezes
eles se fundem a ponto de produzir um drama.

Sacrifício

O sacrifício é um elemento central no culto de


muitas religiões. Um sacrifício, em geral algo que as
pessoas consideram valioso, é oferecido aos deuses.
Pode ser constituído de frutas, primícias das colheitas,
um filhote de animal; em certas culturas existem até
mesmo exemplos de sacrifício humano. O propósito da
oferenda varia, e podemos distinguir entre vários tipos
de sacrifício, dependendo daquilo que o sacrificante
deseja alcançar. Em todos eles, é constante a
experiência do contato e da fraternidade.

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Oferenda

A oferenda (do latim offerre, "trazer" ou


"oferecer") é o tipo mais comum de sacrifício e
provavelmente o mais antigo. Oferece-se um presente
aos deuses e se espera outro em troca. O intuito do
sacrifício se expressa na frase latina do ut des, ou seja,
"dou para que tu me retribuas o presente".
Uma oferenda de agradecimento deve ser vista
no mesmo contexto. E uma retribuição a algo que os
deuses proporcionaram talvez algo pedido
anteriormente.
À primeira vista, isso pode parecer uma forma
de barganha, mas devemos considerar o contexto. O
ato de dar e receber presentes implica um tipo de
associação. Quem dá e quem recebe ficam unidos; e o
objetivo das oferendas é também, em parte, alcançar
uma comunhão com os deuses.

Sacrifícios de Alimentos

O motivo principal para o sacrifício de um


alimento é alcançar uma comunhão com os deuses.
Quase sempre se trata de uma oferenda animal, que
depois é comida pelos sacrificantes. Em regra, o
sacrifício é oferecido aos deuses, mas pode acontecer
de a oferenda representar o próprio deus. Nesses casos,

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parte do poder desse deus é transmitida àquele que
come a oferenda.

Sacrifícios de Expiação

Se um indivíduo cometeu um crime contra os


deuses e despertou sua ira, deve ser punido. Para
apaziguar os deuses e evitar uma vingança, ele pode
fazer um sacrifício de expiação. A oferenda — por
exemplo, um animal sacrificial — substitui o culpado e
é punida no lugar dele.

Ritos de Passagem

Os ritos de passagem se associam às grandes


mudanças na condição do indivíduo. As principais
transições marcadas por esses ritos são o nascimento, a
entrada na idade adulta, o casamento e a morte.
Tais ritos costumam simbolizar uma iniciação. O
nascimento é a iniciação na vida, enquanto a morte é a
iniciação numa nova condição no reino dos mortos, ou
na vida eterna.
De uma forma ou de outra, todas as sociedades
têm ritos de passagem, mesmo aquelas em que a
religião não desempenha nenhum papel na vida
pública. Em geral, é grande a importância deles nas
culturas ágrafas, nas religiões primais.

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Nestas, os ritos de passagem estão claramente
ligados às noções de tabu. Tabu é uma palavra
polinésia adotada pelos historiadores da religião para
indicar uma severa proibição, restrição ou exclusão, e
se aplica a algo que é considerado perigoso ou impuro.

Nascimento e Morte

Um recém-nascido está fisicamente vivo, mas


em muitas culturas só é aceito pela família e pela
comunidade depois de passar por certas cerimônias. A
cerimônia pode consistir num único ato, como o
batismo, a circuncisão ou a atribuição do nome.
Entre os povos tribais, costuma ser um processo
longo, que tem início já na época da concepção e
termina pouco após o nascimento, quando a criança é
admitida na tribo. A mãe, que se tornou impura com o
ato de dar à luz, deve se submeter a uma série de ritos
de purificação pata poder ser recebida na comunidade.
Assim como um bebê não está "propriamente
vivo" antes dos ritos associados com o nascimento, um
cadáver, em determinadas sociedades, não está
"propriamente morto" antes de ser enterrado. Os ritos
de sepultamento são necessários a fim de que o
falecido possa ser aprovado e acolhido pela
comunidade dos mortos. Alguém que não seja
enterrado de acordo com o costume está arriscado a ter

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46
uma existência errante, sem descanso, vagando entre o
reino dos vivos e o dos mortos.
O significado de vários ritos de passagem se
destaca nas comunidades cuja vida religiosa dá muita
importância ao culto aos ancestrais. Um nascimento
implica o prolongamento da linhagem familiar e a
continuação do culto aos ancestrais. O casamento une
um homem e uma mulher vindos de duas famílias
distintas, e é preciso que os ancestrais de ambos os
lados aprovem o casamento e a união das duas
famílias.
Quando um indivíduo morre, a tribo perde um de
seus membros e advém uma crise. A vida e a tribo são
ameaçadas por forças hostis, e devem se realizar
cerimônias para restabelecer o equilíbrio normal da
vida. Ao mesmo tempo, os ritos de sepultamento
ajudam o falecido a chegar são e salvo ao reino dos
mortos, onde ele continuará a viver juntamente com
seus antepassados.

Ritos de Puberdade

A puberdade indica a transição da infância para


a idade adulta, do menino para o homem, da menina
para a mulher. Ser sexualmente maduro, porém, nem
sempre basta para garantir ao indivíduo o pleno status
de membro da sociedade adulta. A confirmação, ou
crisma, que é de origem religiosa, muitas vezes é

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considerada, no mundo ocidental, uma iniciação na
idade adulta.
Os ritos de puberdade propriamente ditos são
praticados com mais frequência em sociedades tribais.
A seguir, quatro aspectos relevantes desses ritos:
É comum a circuncisão dos órgãos sexuais,
tanto masculinos como femininos. Não se sabe ao
certo a origem desse rito, mas em alguns casos ele
pode ser associado à crença de que o ser humano
originalmente era hermafrodito. O rito realça a
diferença entre os sexos, e mostra aos homens e às
mulheres o lugar que devem ocupar na sociedade.
Enquanto nos meninos a circuncisão pode prevenir
certas doenças, nas mulheres reduz a capacidade de
desfrutar da atividade sexual. Em consequência, existe
hoje uma pressão para se banir a circuncisão
feminina, mais corretamente chamada de excisão do
clitóris, uma mutilação dos órgãos genitais femininos.
A iniciação implica o ensino de tradições
tribais, leis religiosas, direitos e deveres, habilidades
de caça e pesca, perícia na luta e nas tarefas práticas.
O jovem deve aprender as narrativas sagradas e os
ritos tradicionais. Homens e mulheres podem ter seus
respectivos segredos religiosos, que não devem ser
revelados para o sexo oposto. Em muitas tribos, os
garotos têm que passar por testes de resistência para
demonstrar sua coragem e força física. Sofrem
espancamentos e tormentos físicos e psicológicos. Às

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vezes se praticam mutilações, cortando dedos ou
extraindo dentes.

Geralmente a iniciação é tida como um novo


nascimento.

De fato, o simbolismo dos ritos vai ainda mais


longe: a iniciação se torna uma morte seguida de um
renascimento. A infância terminou e a criança deve
morrer, para que possa nascer novamente como
adulto. Em alguns casos, os jovens são deitados em
túmulos especiais ou são pintados de branco para ficar
parecidos com os mortos.
As torturas que os jovens devem suportar
também podem simbolizar a morte, e há exemplos em
que a circuncisão é vista como um falecimento.
Do mesmo modo, o renascimento é simbolizado
de várias maneiras. Pode-se dar ao jovem outro nome,
indicando assim que ele agora é um indivíduo
totalmente novo. Outras vezes ele aprende uma nova
língua, isto é, palavras secretas que só são
compreendidas pelos iniciados. Ou ainda é alimentado
e tratado como se fosse um bebê.
Esse simbolismo do nascimento e da morte pode
ser visto num contexto mais amplo: ele reitera a
história da criação do mundo. A morte representa caos
e confusão, enquanto um novo nascimento, ou nova
criação, significa que a ordem, o equilíbrio e a

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harmonia foram restabelecidos. A transformação de
um estado em outro, sempre uma fase crítica, foi
realizada.

Ética — a relação entre os humanos

As religiões com frequência não fazem distinção


entre o plano ético e o plano religioso. Os costumes da
tribo, as regras ou os princípios morais da casta são tão
religiosos quanto os sacrifícios e as orações. Entre os
dez mandamentos que Moisés deu aos judeus havia os
que tratavam de religião — "Não terás outros deuses
diante de mim" — e os relativos à ética — "Não
matarás". Incluem-se nos cinco pilares dos
muçulmanos tanto o orar a Deus como o dar esmolas
aos pobres. Não há aqui distinção entre a ética e a
religião. A noção do ser humano como uma criação
divina implica que ele é responsável perante Deus por
tudo o que faz ritual, moral, social e politicamente.
Pregadores religiosos muitas vezes iniciaram
debates sobre assuntos especificamente éticos. Os
profetas do antigo Israel atacavam os ricos e poderosos
que observavam fielmente os rituais, mas pisoteavam
os pobres. O ponto de vista moral desses profetas
tinha, porém, uma justificativa religiosa.
As sociedades onde coexistem várias religiões e
vários pontos de vista consideram mais difícil vincular

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50
a ética exclusivamente à religião. A sociedade precisa
ter suas linhas mestras éticas, e algumas delas são
preservadas nas leis. Os romanos foram os primeiros a
tentar de maneira sistemática criar um arcabouço legal
que pudesse ser usado por todos os povos,
independentemente da religião. O direito romano se
tornou a base para todos os sistemas legais
subsequentes nos Estados seculares modernos. Em
certos países muçulmanos há dois sistemas agindo em
paralelo: um baseado no Corão, outro no direito
romano. Hoje muitos países aceitam a Declaração dos
Direitos Humanos, proclamada pelas Nações Unidas,
como uma afirmação ética comum, seja qual for a
religião ou a perspectiva geral do país.

Organização

Um aspecto importante em todas as religiões é a


irmandade entre seus seguidores. Formam-se tipos
específicos de comunidades regulamentadas e são
nomeados representantes para dirigir o culto religioso.
No caso dos povos tribais, existe pouca, ou até
mesmo inexiste, divisão funcional especificamente
religiosa. A tribo constitui uma estrutura social,
política e religiosa, e com frequência o próprio chefe é
o sacerdote. Contudo, há sociedades sagradas das quais
só podem participar pessoas selecionadas — em geral
homens.

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51
No Egito antigo, na Grécia clássica e na Noruega
dos vikings, a relação era simples: a religião era parte
de uma cultura comum.
Situação semelhante se vivia na Europa
medieval, quando a Igreja católica tinha poder
absoluto, ou então, nos dias de hoje, em certos países
muçulmanos, onde todo o poder religioso e político
pertence a um líder nacional (por exemplo, o rei do
Marrocos).
Nos lugares onde várias convicções religiosas
devem conviver lado a lado, a questão da organização
se torna mais complicada.
Quando se funda uma nova religião, rompendo
com as tradições locais de culto, forma-se uma nova
congregação que estará em minoria, pelo menos no
início. Foi essa a situação dos seguidores do Buda, de
Maomé e de Jesus, e através da história tem sido o
destino de todos os grupos que se libertaram das
grandes religiões e criaram suas próprias igrejas ou
seitas. Nessas comunidades o vínculo entre os
membros por vezes é mais forte do que nas religiões
estatais ou locais.
Uma cerimônia realizada logo após o
nascimento é o passaporte para todas as religiões
estatais. Há também religiões tradicionais, nas quais a
pessoa já nasce, ou seja, é incluída sem nenhuma
formalidade particular. Já em outras comunidades

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eclesiásticas, é necessário que o aspirante solicite sua
admissão.
Muitas religiões têm ordens especiais que
impõem regras estritas a seus membros. As mais
comuns são as ordens de monges e freiras, cujos
noviços e noviças devem prometer guardar o celibato e
aceitar a pobreza pessoal.
Excetuando-se certas religiões primais, a maioria
possui "funcionários" próprios, com responsabilidade
exclusiva pelas formalidades do culto e por outras
tarefas religiosas.
Os padres, os líderes de culto e os curandeiros
têm deveres religiosos diferentes, mas todos eles
desfrutam de um status superior especial. Os
sacerdotes também costumam agir como líderes da
organização de seu rebanho e podem pertencer a uma
entidade maior, comandada por um bispo ou arcebispo.
Determinadas organizações (como a Igreja
católica romana) são rigidamente estruturadas em
linhas internacionais e contam com um líder absoluto.
Outras igrejas podem atuar no plano nacional (como a
da Noruega) ou no plano da congregação local (como o
pentecostalismo).

Experiência

A religião nunca é vinculada apenas ao intelecto.


Ela envolve igualmente as emoções, que são tão

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essenciais na vida humana quanto o intelecto e a
capacidade de pensar. A música, o canto e a dança
apelam para as emoções. Na maioria das religiões, as
pessoas extravasam a tristeza ou a alegria pela música
instrumental e pelo canto; em algumas, também pela
dança, que é um meio bastante antigo de expressão
religiosa. Nos rituais cristãos, os hinos cantados em
coro e a música de órgão são parte importante da
experiência geral. Muitas igrejas e templos contêm,
ainda, obras de arte — pinturas, esculturas e peças de
altar — que acendem a imaginação e as emoções.

Misticismo

A experiência Mística

A experiência mística pode ser caracterizada,


resumidamente, como uma sensação direta de ser um
só com Deus ou com o espírito do universo. Apesar de
a oração e o sacrifício implicarem uma grande
distância entre Deus e o homem — ou entre Deus e o
mundo —, o místico tenta transpor esse abismo. Em
outras palavras: o místico não sente a existência desse
abismo. Ele é "absorvido" em Deus, "se perde" em
Deus, ou "desaparece" em Deus. Isso porque aquilo a
que normalmente nos referimos como "eu" não é nosso
eu real. O místico experimenta, pelo menos por

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instantes, a sensação de ser indivisível de um eu maior
— não importa que ele dê a isso o nome de Deus,
espírito universal, o eu, o vazio, o universo ou qualquer
outra coisa.
(Um místico indiano disse certa vez: "Quando eu
existia, não existia Deus — agora Deus existe, e eu não
existo mais". Ele "se perdeu" em Deus.)
No entanto, uma experiência dessas não
acontece espontaneamente. O místico deve percorrer
"o caminho da purificação e da iluminação" até seu
encontro com Deus. E esse caminho — que pode ter
uma série de níveis ou estágios — muitas vezes inclui
o ascetismo, exercícios respiratórios e técnicas
complexas de meditação. É então que, de súbito, o
místico alcança seu objetivo e pode exclamar: "Eu sou
Deus!", ou: "Glória a mim! Como é grande minha
majestade!".
O incentivo de um místico com frequência é um
amor ardente por Deus. Assim como o amante se
esforça para se unir com o objeto de seu amor, o
místico se esforça para se tornar um só com Deus. Há
um anseio que permeia o mundo todo. Essa radiância
divina que se encontra no homem, anseia por se
libertar de sua existência individual. Pois aquele que
anseia por Deus, anseia simplesmente por aquilo que
Deus anseia. É nesse êxtase místico — ou união
mística — que se dá o encontro com Deus. "Eu sou

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aquilo que amo", exultava um místico persa, "e Aquele
a quem amo sou eu!"

Tendências Místicas

Podemos encontrar tendências místicas em todas


as grandes religiões do mundo. E as descrições que os
místicos nos fornecem da experiência mística
demonstram uma notável uniformidade, apesar das
fronteiras sociais, culturais e religiosas, e de enormes
diferenças cronológicas e geográficas. Isso nos permite
falar de uma dimensão mística em todas as religiões, e
foi por essa razão que o filósofo alemão Leibniz
chamou o misticismo de philosophia perennis: a
"filosofia perene".

Características do Estado Místico

Com base nos relatos de místicos de várias


épocas e culturas, normalmente são atribuídas as
seguintes características à experiência mística:
* O místico sente uma unidade em todas as
coisas. Há apenas uma consciência — ou um Deus —
que permeia tudo.
* Embora o místico já venha se preparando há
muito tempo para seu encontro com Deus, ou com o
espírito universal, sente-se passivo quando isso

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acontece. É como se ele fosse tomado por uma força
externa.
* Essa condição se caracteriza pela
atemporalidade. O místico se sente arrancado para
fora da existência normal de quatro dimensões.
* O êxtase em si é transitório, e em geral não
dura mais que alguns minutos.
*Mas ele possibilita um novo insight, que
permanece com o místico depois da experiência.
* Essa compreensão é inexprimível, não pode
ser comunicada a outros.
* Como a experiência é paradoxal em si mesma,
o místico vai usar paradoxos ao tentar descrever o
estado que experimentou. Assim, pode definir o ser
encontrado como "abundância e vazio", "escuridão
ofuscante" ou algo parecido.
É somente quando o místico apresenta uma
interpretação religiosa ou filosófica de sua experiência
mística que o seu contexto cultural entra em foco.
Especialmente no misticismo ocidental
(cristianismo, judaísmo e islã), o místico irá ressaltar
que seu encontro foi com um Deus pessoal. Mesmo
que tenha sido "absorvido em Deus", ele costuma dar
ênfase ao fato de que havia certa distância entre Deus e
o mundo. Algo da relação eu-tu, ou eu-Deus, se
mantém.
Esse tipo de misticismo já foi chamado de
misticismo teísta, no misticismo oriental (hinduísmo,

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budismo e taoísmo) é mais comum afirmar uma
identidade total entre o indivíduo e a divindade, ou o
espírito universal. Poderíamos dizer que esse encontro
do místico com a divindade ocorre como uma relação
eu.
Sim, pois Deus não está presente como uma
mera centelha na alma do homem. O divino existe em
todas as coisas deste mundo, é uma realidade imanente.
Já se denominou esse tipo de misticismo de misticismo
panteísta.
Também para o homem moderno a dimensão
mística pode desempenhar um papel decisivo. Muitas
pessoas reconhecem que tiveram experiências místicas,
sem atribuí-las a nenhuma religião específica. É típico
desses "místicos modernos" o fato de que, de modo
geral, não tomaram nenhuma atitude ativa para se
transportar a um estado místico. De repente, no meio
da agitação rotineira da vida diária, experimentaram
aquilo que chamam de "consciência cósmica",
"sensação oceânica" ou "osmose mental".

Tipos de religião

Religiões e Tipos de Sociedade

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As ciências da religião tentam dividir as
religiões em três categorias, que de certa forma
coincidem com três tipos distintos de sociedade.

Religiões Primais

São aquelas que os estudiosos costumavam


chamar de "religiões primitivas" e que se encontram,
ou se encontravam, em culturas ágrafas, entre os povos
tribais da África, Ásia, América do Norte e do Sul e
Polinésia. A marca mais características dessas religiões
é a crença numa miríade de forças, deuses e espíritos
que controlam a vida cotidiana. O culto aos
antepassados e os ritos de passagem desempenham um
papel importante. A comunidade religiosa não se
separa da vida social, e o sacerdócio normalmente é
sinônimo de liderança política da tribo.

Religiões Nacionais

Estas incluem grande número de religiões


históricas que não são mais praticadas: germânica,
grega, egípcia e assírio-babilônica.
Hoje podemos encontrar vestígios delas, por
exemplo, no xintoísmo japonês.
É típico das religiões nacionais adotar o
politeísmo, uma série de deuses organizados num
sistema de hierarquia e funções especializadas. Elas

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têm também um sacerdócio permanente, encarregado
dos deveres rituais em templos construídos para esse
fim.
Há sempre uma mitologia bem desenvolvida, o
culto sacrificial é básico, e os deuses é que escolhem o
líder da nação (monarquia sacra).

As Religiões Mundiais

As religiões mundiais pretendem ter uma


validade mundial, ou, em outras palavras, uma
validade para todas as pessoas. São para todos. São
conhecidas também como religiões universais.
A principal característica das religiões universais
surgidas no Oriente Médio é o monoteísmo: elas têm
um só Deus.
Dá-se grande peso à relação do indivíduo com
Deus e à sua salvação. O papel do sacrifício é bem
menos proeminente nelas do que nas religiões
nacionais, ao passo que o da oração e da meditação é
mais importante. As religiões universais foram criadas
por profetas fundadores cujos nomes são conhecidos:
Moisés, Buda, Lao-Tse, Jesus, Maomé.
Por último, devemos ressaltar que os limites
entre esses três tipos de religião são fluidos. As
religiões nacionais muitas vezes constituem evoluções
que acompanharam o desenvolvimento geral da
sociedade (ao passar de uma sociedade tribal para um

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60
Estado nacional). Assim também, certas religiões
mundiais emergiram de religiões nacionais, como um
protesto contra determinados aspectos de seu culto e de
suas concepções religiosas.

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61
Capítulo 2 - Religiões mais Antigas do Mundo

Babilônia- O berço da idolatria

A Babilônia é um local citado na Bíblia por mais


de 200 vezes. Está localizada no que hoje conhecemos
como Iraque, entre os rios Eufrates e Tigre
(Mesopotâmia) na Planície de Sinear. Tal lugar ficou
bastante conhecido na antiguidade pela construção da
Torre de Babel, sendo a primeira cidade mencionada
após o Dilúvio (Sinear) e chamada posteriormente de
Caldéia. Era a cidade das maravilhas, com enormes
pedras e muito bem ajustadas, os jardins suspensos
(uma das 07 maravilhas do mundo antigo), o templo de
Bel que tinha 200 metros de altura (Bel, que nos
dialetos semitas significa SENHOR). Era o centro do
comércio do mundo antigo. Suas muralhas tinham mais
de 100 metros de altura, e tinham a capacidade de
suportar a passagem de dois carros de guerra, lado a
lado, por cima dela. Cada lado da cidade tinha 25
portas de metal, com uma rua saindo de cada porta,
possuindo 6 km de extensão.
Diante de tal grandeza física a Babilônia se
destacava, todavia, o seu destaque não estava limitado
a sua capacidade e grandiosidade física, mas a suas
características espirituais. Estas marcaram muito mais
tal cidade.

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“E Babilônia, o ornamento dos reinos, a glória e
a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra,
quando Deus as transtornou. Nunca mais será habitada,
nem nela morará alguém de geração em geração; nem
o árabe armará ali a sua tenda, nem tampouco os
pastores ali farão deitar os seus rebanhos. Mas as feras
do deserto repousarão ali, e as suas casas se encherão
de horríveis animais; e ali habitarão os avestruzes, e os
sátiros pularão ali. E os animais selvagens das ilhas
uivarão em suas casas vazias, como também os chacais
nos seus palácios de prazer; pois bem perto já vem
chegando o seu tempo, e os seus dias não se
prolongarão” (Is 13:19-22).
A Babilônia se destaca como: O berço da
vaidade, onde o homem tem o desejo de atrair a
atenção, elogios e homenagens. O berço da ostentação,
onde o luxo, vanglória e pompa são destaques. O berço
da impiedade, onde impera a crueldade e descrença no
Criador (DEUS). O berço da idolatria, onde “deuses”
são adorados, idolatrados e servidos. O berço da
distorção sexual, onde o sexo é parte do culto aos
deuses a satisfação pessoal. O berço do orgulho, onde a
soberba, autoestima exagerada e altivez são
alimentados. O berço da crueldade, onde idosos são
maltratados e a maldade é cultivada O berço da
feitiçaria, onde práticas ocultas, poções mágicas e
drogas são desenvolvidas.

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Na Babilônia a humanidade se organiza em
patente rebelião contra Deus (Ap 17:5), desenvolvendo
um sistema político (Ap 18), trazendo a unificação de
poderes, desenvolvendo forças organizacionais e
militares.
Desenvolvendo um sistema econômico (Ap 18),
criando a unificação de moedas, para a distribuição de
renda e unificação econômica.
Desenvolvendo um sistema religioso, através da
idolatria (Ap 17) e ecumenismo.
Na Babilônia, nós encontramos traços característicos
de nossa sociedade “moderna”. Na sociedade
“moderna” encontramos traços característicos mais
avançados de uma Babilônia que continua viva e
atuante.
Diferentemente da população babilônica, nós estamos
questionando:
A que Deus nós servimos? Ao deus dos prazeres,
interesses, orgulho?
A que Deus nós servimos? Ao deus da
crueldade, insensatez e materialismo?
Creio que, diferentemente da Babilônia,
servimos ao Deus Vivo. Ao Deus que fez
Nabucodonosor andar como animal por causa de seu
orgulho e arrogância até que reconhecesse que existe o
Deus. Belsazar entender que o reino foi medido,
pesado e achado em falta. Hananias, Misael e Azarias
enfrentarem uma fornalha em nome do SENHOR.

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Oro a Deus, para que essas características da
Babilônia, que estão sem dúvida, tão presentes e vivas
na nossa sociedade, não estejam em nossas vidas nos
contaminando como um vírus letal. Que a IGREJA
esteja pronta a seguir Jesus, assim como heróis da fé o
fizeram no passado.

Deuses Egípcios

Para você compreender o politeísmo egípcio, ou


seja, o culto a vários deuses faz-se necessário
esclarecer algumas características da sociedade
egípcia. O governo no Egito Antigo era teocrático: os
administradores governavam em nome dos deuses (da
religiosidade). O principal governante do Egito, ou das
cidades-estados, era chamado de faraó: ele possuía
todo o poder (assumia várias funções: era o rei, juiz,
sacerdote, tesoureiro, general) e era tido como um deus
vivo: filho do Sol (Amon-Rá) e encarnação de Hórus
(deus falcão). Portanto, a religiosidade e o culto aos
deuses no Egito Antigo tinham um grande significado
para a sociedade.
Os egípcios cultuavam vários deuses (politeístas)
e alguns deuses eram animais. Por exemplo: o gato
acabava com as infestações de ratos nos celeiros com
os mantimentos; o cachorro auxiliava na caça; o gado,
na agricultura (puxava a charrua), entre outros.

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Os animais no Egito Antigo eram considerados a
encarnação dos próprios deuses. Os egípcios também
adoravam as formas e forças da natureza, como o rio
Nilo, o Sol, a Lua e o vento. Cada cidade-estado
egípcia possuía o seu deus protetor. Existiam deuses
com formato de animal (zoomorfismo), outros deuses
tinham o formato de homem juntamente com animal
(corpo de homem e cabeça de animal –
antropozoomorfismo) e também existiam deuses
somente com o formato humano (antropomorfismo).
A religiosidade tinha importância para os
egípcios até após a morte, pois eles acreditavam na
imortalidade. Por esses motivos cultuavam os mortos e
praticavam a mumificação (a conservação dos corpos).
Acreditavam que o ser humano era constituído por Ká
(corpo) e Rá (alma). No momento da morte, a alma
deixaria o corpo, mas poderia continuar a viver no
reino de Osíris ou de Amon-Rá – a volta da alma para
o corpo dependia do julgamento no Tribunal de Osíris.
Após o julgamento de Osíris, se a alma retornasse ao
corpo, o morto voltaria à vida no reino de Osíris; se
não, a alma ficaria no reino de Amon-Rá. Daí a
importância da conservação dos corpos pela
mumificação, se a alma retornasse ao corpo, este não
estaria decomposto.
Os principais deuses egípcios eram: Rá, o deus
Sol, unido ao deus Amon, formando Amon-Rá, era o
principal deus.

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A deusa Nut, representada por uma figura
feminina, era a mãe de Rá (Sol). Ela engoliu Rá,
formando a noite e fazendo-o renascer a cada manhã.
Ísis foi esposa de Osíris, mãe de Hórus, protegia
a vegetação e era a deusa das águas e das sementes.
O deus Hórus foi o deus falcão, filho de Ísis e
Osíris, cultuado como o sol nascente.
Osíris, deus dos mortos, da vegetação e da
fecundidade, era representado pelo rio Nilo. Era Osíris
que buscava as almas dos mortos para serem julgadas
em seu Tribunal.
Set foi colocado como grande inimigo de Osíris
(Nilo) era o vento quente vindo do deserto, encarnação
do mal.
O deus Amon, considerado deus dos deuses do
Egito Antigo, foi cultuado junto com Rá (Amon-Rá).
As crenças e cultos religiosos estavam na base
das manifestações culturais, sociais, políticas e
econômicas no Egito. A religiosidade permeava toda a
sociedade egípcia, nas artes, na medicina, na
astronomia, na literatura e no próprio governo do Egito
Antigo.

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Capítulo 3 - Judaísmo- A Origem das Três
Maiores Religiões do Mundo

O judaísmo afirma uma continuidade


histórica que abrange mais de 3.000 anos. É uma das
mais antigas religiões monoteístas e a mais antiga das
três grandes religiões abraâmicas que sobrevive até os
dias atuais judaísmo, islamismo e cristianismo. O
judaísmo é considerado a primeira religião monoteísta
a aparecer na história. Tem como crença principal a
existência de apenas um Deus, o criador de tudo. Para
os judeus, Deus fez um acordo com os hebreus,
fazendo com que eles se tornassem o povo escolhido e
prometendo-lhes a terra prometida. Atualmente a fé
judaica é praticada em várias regiões do mundo, porém
é no estado de Israel que se concentra um grande
número de praticantes.

Conhecendo a história do povo judeu

A Bíblia é a referência para entendermos a


história deste povo. De acordo com as escrituras
sagradas, por volta de 1800 A.C, Abraão recebeu um
sinal de Deus para abandonar o politeísmo e para viver
em Canaã (atual Palestina). Isaque, filho de Abraão,
tem um filho chamado Jacó. Este luta, num certo dia,
com um anjo de Deus e tem seu nome mudado para

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Israel. Os doze filhos de Jacó dão origem as doze
tribos que formavam o povo judeu. Por volta de 1700
AC, o povo judeu migra para o Egito, porém são
escravizados pelos faraós por aproximadamente 400
anos. A libertação do povo judeu ocorre por volta de
1300 AC. A fuga do Egito foi comandada por Moisés,
que recebe as tábuas dos Dez Mandamentos no monte
Sinai. Durante 40 anos ficam peregrinando
pelo deserto, até receber um sinal de Deus para
voltarem para a terra prometida, Canaã. Jerusalém é
transformada num centro religioso pelo rei Davi. Após
o reinado de Salomão, filho de Davi, as tribos dividem-
se em dois reinos: Reino de Israel e Reino de Judá.
Neste momento de separação, aparece a crença da
vinda de um messias que iria juntar o povo de Israel e
restaurar o poder de Deus sobre o mundo.
Em 721 A.C começa a diáspora judaica com a
invasão babilônica. O imperador da Babilônia, após
invadir o reino de Israel, destrói o templo de Jerusalém
e deporta grande parte da população judaica. No século
I, os romanos invadem a Palestina e destroem o templo
de Jerusalém. No século seguinte, destroem a cidade de
Jerusalém, provocando a segunda diáspora judaica.
Após estes episódios, os judeus espalham-se pelo
mundo, mantendo a cultura e a religião. Em 1948, o
povo judeu retoma o caráter de unidade após a criação
do estado de Israel.

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Os livros sagrados dos judeus

A Torá ou Pentateuco, de acordo com os judeus,


é considerado o livro sagrado que foi revelado
diretamente por Deus. Fazem parte da Torá: Gênesis, o
Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio. O
Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é
dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin,
Midrashim e Comentários.
Rituais e símbolos judaicos. Cultos judaicos são
realizados num templo chamado de sinagoga e são
comandados por um sacerdote conhecido por rabino. O
símbolo sagrado do judaísmo é o menoráh, candelabro
com sete braços.

Entre os rituais, podemos citar a circuncisão dos


meninos ( aos 8 dias de vida ) e o Bar Mitzvah que
representa a iniciação na vida adulta para os meninos e
a Bat Mitzvah para as meninas ( aos 12 anos de idade
).Os homens judeus usam a kippá, pequena touca, que
representa o respeito a Deus no momento das
orações.Nas sinagogas, existe uma arca, que representa
a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nesta arca são
guardados os pergaminhos sagrados da Torá.

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As Festas Judaicas

As datas das festas religiosas dos judeus são


móveis, pois seguem um calendário lunisolar. As
principais são as seguintes:
Purim - os judeus comemoram a salvação de um
massacre elaborado pelo rei persa Assuero.

Páscoa (Pessach) - comemora-se a libertação da


escravidão do povo judeu no Egito, em 1300 a.C.

Shavuót - celebra a revelação da Torá ao povo de


Israel, por volta de 1300 a.C.

Rosh Hashaná - é comemorado o Ano-Novo judaico.

Yom Kipur - considerado o dia do perdão. Os judeus


fazem jejum por 25 horas seguidas para purificar o
espírito.

Sucót - refere-se a peregrinação de 40 anos pelo


deserto, após a libertação do cativeiro do Egito.

Chanucá - comemora-se o fim do domínio assírio e a


restauração do tempo de Jerusalém.

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Simchat Torá - celebra a entrega dos Dez
Mandamentos a Moisés.

Islamismo

A religião muçulmana tem crescido nos últimos


anos (atualmente é a segunda maior do mundo) e está
presente em todos os continentes. Porém, a maior parte
de seguidores do islamismo encontra-se nos países
árabes do Oriente Médio e do norte da África. Assim
como as religiões cristãs, a religião muçulmana
é monoteísta, ou seja, crê na existência de apenas um
deus, Alá ou Allah (palavra para designar Deus em
árabe).Criada pelo profeta Maomé, a doutrina
muçulmana encontra-se no livro sagrado, o Alcorão ou
Corão. Foi fundada na região da atual Arábia Saudita.

Vida do profeta Maomé

Muhammad (Maomé) era da tribo de coraich e


nasceu na cidade de Meca no ano de 570. Filho de uma
família de comerciantes passou parte da juventude
viajando com os pais e conhecendo diferentes culturas
e religiões. Aos 40 anos de idade, de acordo com a
tradição, recebeu a visita do anjo Gabriel que lhe
transmitiu a existência de um único Deus. A partir
deste momento, começa sua fase de pregação da

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doutrina monoteísta, porém encontra grande resistência
e oposição. As tribos árabes seguiam até então uma
religião politeísta, com a existência de vários deuses
tribais.
Maomé começou a ser perseguido e teve que emigrar
para a cidade de Medina no ano de 622. Este
acontecimento é conhecido como Hégira e marca o
início do calendário muçulmano.
Em Medina, Maomé é bem acolhido e reconhecido
como líder religioso. Consegue unificar e estabelecer a
paz entre as tribos árabes e implanta a religião
monoteísta. Ao retornar para Meca, consegue
implantar a religião muçulmana que passa a ser aceita
e começa a se expandir pela península Arábica.
Reconhecido como líder religioso e profeta, faleceu no
ano de 632. Porém, a religião continuou crescendo
após sua morte.

Livros Sagrados e doutrinas religiosas.

O Alcorão ou Corão é um livro sagrado que


reúne as revelações que o profeta Maomé recebeu do
anjo Gabriel. Este livro é dividido em 114 capítulos
(suras). Entre tantos ensinamentos contidos, destacam-
se: onipotência de Deus (Alá), importância de praticar
a bondade, generosidade e justiça no relacionamento
social. O Alcorão também registra tradições religiosas,

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passagens do Antigo Testamento judaico e cristão. Os
muçulmanos acreditam na vida após a morte e no Juízo
Final, com a ressurreição de todos os mortos.
A outra fonte religiosa dos muçulmanos é a Suna que
reúne os dizeres e feitos do profeta Maomé.

Preceitos religiosos

A Sharia define as práticas de vida dos


muçulmanos, com relação ao comportamento, atitudes
e alimentação. De acordo com a Sharia, todo
muçulmano deve seguir cinco princípios:
- Aceitar Deus como único e Muhammad
(Maomé) como seu profeta;
- Dar esmola (Zakat) de no mínimo 2,5% de seus
rendimentos para os necessitados;
- Fazer a peregrinação à cidade de Meca pelo menos
uma vez na vida, desde que para isso possua recursos;
- Realização diária das orações;
- Jejuar no mês de Ramadã com objetivo de
desenvolver a paciência e a reflexão.

Locais sagrados

Para os muçulmanos, existem três locais


sagrados: A cidade de Meca, onde fica a pedra negra,
também conhecida como Caaba. A cidade de Medina,

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local onde Maomé construiu a primeira Mesquita
(templo religioso dos muçulmanos). A cidade
de Jerusalém, cidade onde o profeta subiu ao céu e foi
ao paraíso para encontrar com Moises e Jesus.

Divisões do Islamismo

Os seguidores da religião muçulmana se dividem


em dois grupos principais: sunitas e xiitas.
Aproximadamente 85% dos muçulmanos do mundo
fazem parte do grupo sunita. De acordo com os sunitas,
a autoridade espiritual pertence a toda comunidade. Os
xiitas também possuem sua própria interpretação da
Sharia.

Catolicismo Romano

O catolicismo é uma das mais expressivas


vertentes do cristianismo e, ainda hoje, congrega a
maior comunidade de cristãos existente no planeta.
Segundo algumas estatísticas recentes, cerca de um
bilhão de pessoas professam ser adeptas ao
catolicismo, que tem o Brasil e o México como os
principais redutos de convertidos. De fato, as origens
do catolicismo estão ligadas aos primeiros passos
dados na história do cristianismo.

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Em sua organização, o catolicismo é marcado
por uma rígida estrutura hierárquica que se sustenta nas
seguintes instituições: as paróquias, as dioceses e as
arquidioceses. Todas essas três instituições são
submetidas à direção e ensinamentos provenientes do
Vaticano, órgão central da Igreja Católica comandado
por um pontífice máximo chamado de Papa. Abaixo de
sua autoridade estão subordinados os cardeais,
arcebispos, bispos, padres e todo o restante da
comunidade cristã espalhada pelo mundo.
Esse traço centralizado da administração
eclesiástica católica acabou promovendo algumas
rupturas que, de fato, indicam a origem da chamada
Igreja Católica Apostólica Romana. Uma das primeiras
e fundamentais quebras de hegemonia no interior da
Igreja ocorreu no século XI, quando as disputas de
poder entre o papa romano e o patriarca de
Constantinopla deram origem à divisão entre o
catolicismo romano e o catolicismo ortodoxo.

Suas Crenças

As principais crenças do catolicismo estão


embasadas na crença em um único Deus verdadeiro
que integra a Santíssima Trindade, que vincula a figura
divina ao seu filho Jesus e ao Espírito Santo. Além
disso, o catolicismo defende a existência da vida após a

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morte e a existência dos céus, do inferno e do
purgatório como diferentes estágios da existência
póstuma. A ida para cada um desses destinos está
ligada aos atos do fiel em vida e também determina o
desígnio do cristão na chegada do dia do Juízo Final.
A liturgia católica reafirma sua crença através
dos sete sacramentos que simbolizam a comunhão
espiritual do fiel junto a Deus. Entre esses sacramentos
estão o batismo, a crisma, a eucaristia, a confissão, a
ordem, o matrimônio e a extrema-unção. A missa é o
principal culto dos seguidores do catolicismo. Neste
evento, celebra-se a morte e a ressurreição de Cristo; e
o milagre da transubstanciação no qual o pão e o vinho
se transformam no corpo e no sangue de Cristo.

Origem do Catolicismo

Segundo consta nos ensinamentos católicos, a


origem de sua igreja está relacionada ao nascimento de
Jesus Cristo, líder judeu que promoveu uma nova
prática religiosa universalista destinada à salvação de
toda a humanidade. Após a morte de Cristo, a principal
missão de seus seguidores era pregar os ensinamentos
por ele deixados com o objetivo de ampliar o
conhecimento de suas promessas. Nessa época, os
primeiros cristãos tiveram que enfrentar a oposição

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ferrenha das autoridades romanas que controlavam
toda Palestina.
Entretanto, a crise do Império Romano e a franca
expansão dos praticantes dessa nova religião acabaram
forçando o império a ceder a essa nova situação no
interior de seus territórios. Por isso, ao longo do século
IV, o catolicismo se tornou a religião oficial do
Império Romano, favorecendo enormemente a
expansão dessa religião ao logo de uma vasta região
compreendendo a Europa, a África e partes do mundo
oriental. Com isso, a Igreja adentra os últimos séculos
da Antiguidade com expressivo poder.
Em meados do século III, houve o primeiro
rompimento sério entre os cristãos, decorrente da
introdução do batismo de crianças. O incidente foi
denominado “desfraternização” e depois disso nunca
mais houve unidade entre eles, O grupo que queria
manter a pureza dos ensinamentos não aderiu à
novidade. Contudo, toleravam-se mutuamente, por
serem vítimas dos mesmos algozes, os imperadores
romanos.
Em 313 já era grande a distância que os
separava, e, como era de esperar, os judaizantes, que
jamais cederam em suas malévolas intenções,
aproveitaram-se da oportunidade de discórdia. Por essa
época, o Imperador Constantino estava em guerra
contra Maxêncio e aproveitou o ensejo para engrossar
as fileiras de seu exército propondo, primeiro, um ato

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de tolerância e, depois, acenando com promessas mais
tentadoras, como cargos públicos e até a aliança
Estado-Igreja. Astuto, o general disse que viu uma cruz
no céu com a inscrição “In hoc signo vinces” (“Com
este sinal vencerás”).
Mas, cessadas as perseguições, houve um
enfraquecimento espiritual, o que facilitou o
entrosamento dos cristãos daquela época com o
paganismo; por fim, os judaízantes sobrepuseram-se
aos irmãos.
O Estado pagão nunca exigiu de seus súditos
obediência à religião oficial. Portanto, para os pagãos,
tanto fazia permanecer no paganismo como no
cristianismo. A conversão é uma questão de foro
íntimo. Todo um império não se poderia converter por
uma decisão política. Assim, com o ato de tolerância
de Constantino, as igrejas encheram-se de ímpios.
O Estado pagão nunca exigiu de seus súditos
obediência à religião oficial. Portanto, para os pagãos,
tanto fazia permanecer no paganismo como no
cristianismo. A conversão é uma questão de foro
íntimo. Todo um império não se poderia converter por
uma decisão política. Assim, com o ato de tolerância
de Constantino, as igrejas encheram-se de ímpios.

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Capítulo 4 – Espírita Kardecista e Budismo

Origem

O Espiritismo Kardecista segue as teorias


formuladas por Allan Kardec.
Allan Kardec, pseudônimo de Léon-Hippolithe-
Denizart Rivail, nasceu em Lyon a 03 de outubro de
1804 e morreu, em Paris, em 1869. De família católica,
foi educado em país de religião protestante, onde
sofreu intolerâncias religiosas que o motivaram a
pensar, desde cedo, numa alternativa que visava à
unificação das crenças. Estudou em Iverdum, Suíça, e
foi professor de química, matemática, astronomia,
fisiologia, física, retórica e anatomia comparada.
Em 1850, ele começou a se dedicar a estudos
mais profundos de fenômenos, que começaram a
chamar a atenção, a partir de 1848, nos Estados
Unidos. Essas primeiras manifestações espíritas
consistiam em ruídos, batidas e movimentos de objetos
sem causa conhecida, que ocorriam com frequência.
Uma vez controladas, percebeu-se que se tratava de
fenômenos inteligentes. Os resultados dessas
observações foram recolhidos nas seguintes obras: O
Livro dos Espíritos, publicado em Paris, em 1857, e
que tornou o texto base do movimento espírita

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Kardecista, em seu aspecto filosófico; O Livro dos
Médiuns, publicado em 1861, para a parte
experimental e científica; O Evangelho Segundo o
Espiritismo, publicado em 1864 para a parte moral; O
Céu e o Inferno, publicado em 1865 que trata da justiça
de Deus segundo o Espiritismo; A Gênese, os Milagres
e as Predições, publicados em 1868, que trata do
princípio do mundo.
A partir do Livro dos Espíritos, funda-se o
Espiritismo, que até então se constituía apenas de
elementos esparsos, sem coordenação, e cujo alcance
não havia sido compreendido suficientemente.

Espiritismo ou Espiritualismo?

Espiritismo e espiritualismo são duas definições


que não se confundem. Todas as religiões são
espiritualistas, uma vez que acreditam na existência de
algo além da matéria. Porém, o espiritualismo não
implica necessariamente na crença nos espíritos e nas
suas manifestações. A aceitação, compreensão e estudo
metódico destes fenômenos é o Espiritismo.

Espiritismo: Filosofia, Ciência ou Religião?

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, ciência


experimental e doutrina filosófica de consequência

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religiosa. Como ciência prática, tem a sua essência nas
relações que se podem estabelecer com os espíritos;
como filosofia e religião compreendem todas as
consequências morais decorrentes dessas relações.

Os Elementos Gerais do Universo

A matéria é o corpo palpável que retém o


espírito. O espírito utiliza a matéria para agir e é sobre
a própria matéria que recai a sua ação.

O espírito é "o princípio inteligente do


universo", independente da matéria. Não é de natureza
palpável e a inteligência é o seu atributo essencial.
Apenas a união da matéria e do espírito concede
"inteligência" a matéria. Pode também ser chamado de
Alma, quando utilizando a matéria.

O fluído universal é o intermediário entre o


espírito e a matéria, possibilitando a união dos dois.
Sem esse fluído, o espírito não exerceria seus efeitos
sobre a matéria, condenando-a a um permanente estado
de inércia. Podemos chamar esse envoltório fluídico de
perispírito. É através deste corpo etéreo que os
espíritos conseguem produzir fenômenos e chamar a
atenção dos encarnados.

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A trindade universal é o princípio de tudo o que
existe. É formada pela matéria, pelo espírito e, acima
de tudo, por Deus, criador de todas as coisas. "Deus é
eterno, é imutável, é imaterial, é único, é Todo-
Poderoso e é soberanamente justo e bom".

O espaço universal é infinito, não existe o vazio,


pois há sempre ocupação, mesmo que seja por matéria
desconhecida aos nossos sentidos.

A vida e a Morte

A morte, para os espíritas, é a exaustão dos


órgãos, da matéria. É necessária porque com a morte a
matéria se decompõe, sendo possível formar novos
seres. A vida é a matéria, animada pelo princípio vital
que tem como fonte o fluído universal. É ele que dá
atividade à matéria inerte. A quantidade deste fluído
segundo as espécies e não é sempre igual em um
mesmo indivíduo. Essas diferenças permitem um
intercâmbio deste fluído entre os seres humanos,
possibilitando, em casos especiais, o impedimento da
morte de uma pessoa. Ao romperem-se os laços, a
morte da matéria permite ao espírito recuperar a sua
liberdade e sua identidade, conservada pelo perispírito,
seu corpo etéreo.

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Os Médiuns

Médiuns são todos que sentem, de alguma


maneira, a presença dos espíritos, independente da
intensidade e da diversidade dessas manifestações.
Segundo a doutrina, essa faculdade é inerente ao ser
humano e não constitui. Privilégio de ninguém, pois
todas as pessoas possuem mediunidade mesmo que em
"estado rudimentar". Os médiuns mais desenvolvidos
acabam se sobressaindo e recebem a denominação com
mais frequência, dando a falsa impressão de que é a
minoria. Os médiuns têm, na sua maioria, faculdades
especiais de captação das manifestações espirituais,
fazendo que eles se tornem diferentes entre si ao se
expressarem. As principais variedades dessas
manifestações estão relacionadas a seguir:

Médiuns de efeitos físicos: produzem fenômenos


materiais como movimentação de objetos, ruídos,
batidas, etc.
Médiuns sensitivos ou impressionáveis: são
capazes de sentir a presença dos espíritos através de
arrepios ou de uma impressão da sua presença. Ao
desenvolverem essa sensibilidade, podem até
identificar se o espírito é bom ou ruim.

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Médiuns audientes: são capazes de ouvir as
vozes dos espíritos e de conversarem com eles. A boa
conversa depende de uma presença boa; um "mau"
espírito pode trazer transtornos ao seu ouvinte.

Médiuns videntes: possuem a faculdade de ver


os espíritos. Raramente esse tipo de mediunidade se
manifesta por um longo período. Essa visão não é
propiciada pelos olhos, e sim pela alma, o que torna
possível a alguns cegos desenvolverem esta
sensibilidade.

Médiuns sonâmbulos: são dois tipos de


sonâmbulos: os sonâmbulos propriamente ditos, que
antecipam seu estado de espírito ignorando a matéria, e
os médiuns que servem de instrumentos, nos quais as
vontades manifestadas não são as vontades dos seus
próprios espíritos.

Médiuns curadores: são capazes de curar com


um simples toque, uma prece, um olhar e sem qualquer
medicação. É uma faculdade espontânea, não havendo
necessidade de o médium estar preparado por estudos
de medicina ou formas de magnetização.

Médiuns pneumatógrafos: são aqueles que


recebem diretamente dos espíritos mensagens por
escrito. Essas mensagens podem ser frases completas,

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desenhos ou alguns poucos traços. Para o médium
pneumatógrafo, o lápis é dispensável, o que o difere do
médium escrevente. É uma mediunidade muito rara
que requer oração e concentração.

Médiuns escreventes: são aqueles que recebem


mensagens por escrito. A psicografia, mais comum,
fornece uma vasta literatura e possibilita uma
comunicação, entre os encarnados e os desencarnados,
essencial ao estudo e formação espírita.

A Classificação dos Espíritos

Terceira Ordem - Espíritos Imperfeitos

Características gerais: Predominância da matéria


sobre o espírito. Propensão ao mal, ignorância,
orgulho, egoísmo e todas as más paixões que lhes são
consequentes. Tem a intuição de Deus, mas não o
compreendem. Não são essencialmente maus. Em
alguns há mais inconsequência e malícia, do que
maldade. Uns não fazem o bem, nem o mal, e por não
fazerem o bem demonstram sua inferioridade.
Outros procuram a maldade, aliam sua malícia à
inteligência e qualquer que seja seu desenvolvimento
intelectual, suas ideias são pouco elevadas e seus
sentimentos mais ou menos inferiores. Só podem nos

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dar impressões falsas e incompletas, pois o pouco que
sabem se confunde com as ideias e os preconceitos da
vida corpórea.
O seu caráter se revela pela linguagem.
Observam a felicidade dos bons e isso, para eles, é um
tormento incessante, porque experimentam todas as
angústias que a inveja e o ciúme podem produzir.
Pode-se dividi-los em cinco classes especiais:

Décima Classe - Espíritos Impuros

São inclinados ao mal. Como espíritos, dão


conselhos desleais, fomentam a discórdia, a
desconfiança e se mascaram de todas as formas para
melhor enganar. Ligam-se aos homens de caráter
bastante fraco para cederem às suas sugestões, a fim de
prejudicá-los, satisfeitos em poderem retardar o seu
progresso e fazê-los sucumbir nas provas por que
passam. Quando encarnados, são inclinados a todos os
vícios das más paixões.

Nona Classe - Espíritos Levianos

São ignorantes, maliciosos, inconsequentes e


zombeteiros. Envolvem-se em tudo, respondem a tudo,
sem se preocuparem com a verdade. Sentem prazer em
causar pequenos desgostos e pequenas alegrias,
atormentando, induzindo maliciosamente ao erro por

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meio de mistificações e travessuras. Nas comunicações
com os homens, sua linguagem é algumas vezes
espiritual e engraçada, mas, quase sempre, sem
conteúdo. Compreendem os defeitos e o ridículo
humanos, exprimindo-os em tiradas mordazes e
satíricas. Usam-se nomes supostos, é mais por malícia
do que maldade.

Oitava Classe - Espíritos Pseudo-Sábios

Seus conhecimentos são bastante amplos, mas


crêem saber mais do que realmente sabem. Sua
linguagem tem um caráter sério que pode iludir sobre
suas capacidades e sua iluminação interior. Em geral,
porém, isso não passa de um reflexo dos preconceitos e
ideias sistemáticas da vida terrena. É uma mistura de
algumas verdades ao lado dos erros mais absurdos, nos
quais se percebe a presunção, o orgulho, a inveja e a
obstinação das quais puderam se desvincular.

Sétima Classe - Espíritos Neutros

Não são muitos bons para fazerem o bem, nem


tão maus para fazerem o mal, inclinando-se tanto para
um como para o outro. Apegam-se às coisas do mundo,
cujas alegrias grosseiras não têm mais.

Sexta Classe - Espíritos Batedores e Perturbadores

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Esses espíritos não formam, propriamente
falando, uma classe distinta, podendo pertencer a todas
as classes da terceira ordem. Eles manifestam
frequentemente, a sua presença por meio de efeitos
sensíveis e físicos, tais como pancadas, o movimento e
o deslocamento anormal dos corpos sólidos, agitação
do ar, da água e do fogo. Reconhece-se que estes
fenômenos não são devidos a uma causa fortuita ou
física, quando tem um caráter intencional e inteligente.

Segunda Ordem – Bons Espíritos

Características gerais: Predominância do espírito


sobre a matéria e desejo de fazer o bem. Suas
qualidades e seu poder de fazer o bem estão
relacionados com o adiantamento que atingiram: uns
têm a ciência, outros a sabedoria e a bondade.
Não estando ainda completamente
desmaterializados, conservam mais ou menos, segundo
sua categoria, os traços da existência corpórea, seja na
forma de linguagem, seja nos seus hábitos onde se
descobrem mesmo algumas de suas manias; de outro
modo, seriam Espíritos perfeitos. Compreendem Deus
e o infinito e já desfrutam da felicidade dos bons;
sentem-se felizes quando fazem o bem e quando
impedem o mal. Todavia, todos ainda têm provas a
suportar, até que alcancem a perfeição.

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Como suscitam bons pensamentos e desviam os
homens do caminho do mal, neutralizam a influência
dos Espíritos imperfeitos. A esta ordem pertencem os
Espíritos designados pelas crenças vulgares sob o
nome de gênios bons, gênios protetores e Espíritos do
bem.
Nos tempos de superstições e ignorância, foram
consideradas divindades benfazejas. Pode-se dividi-los
em quatro classes principais:

Quinta Classe - Espíritos Benevolentes

Sua qualidade dominante é a bondade. Alegram-


se em prestar serviço aos homens e protegê-los, mas
seu saber é limitado. Seu progresso é mais efetivo no
sentido moral do que no sentido intelectual.

Quarta Classe - Espíritos Sábios

São os que se distinguem, principalmente, pela


extensão dos seus conhecimentos. Preocupam-se
menos com as questões morais do que com as
científicas, para as quais têm mais aptidão. Não
consideram a Ciência senão pelo ponto de vista de sua
utilidade, e não a misturam com nenhuma das paixões
que são próprias dos Espíritos imperfeitos.

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Terceira Classe - Espíritos da Sabedoria

Caracterizam-se pelas qualidades morais de


natureza mais elevada. Sem possuírem conhecimentos
ilimitados, são dotados de uma capacidade intelectual
que lhes possibilita um julgamento sadio sobre os
homens.

Segunda Classe - Espíritos Superiores

Reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. Sua


linguagem, que só transpira benevolência, é sempre
digna, elevada e freqüentemente sublime. Sua
superioridade os torna, mais que os outros, aptos a nos
proporcionar as mais justas noções sobre as coisas do
mundo incorpóreo, dentro dos limites do que nos é
dado a conhecer. Comunicam-se voluntariamente com
os que procuram de boa fé a verdade, e cujas almas
estejam bastante libertas dos laços terrenos para
compreendê-lo; mas afastam-se dos que são movidos
apenas pela curiosidade, ou que, pela influência da
matéria, desviam-se da prática do bem.
Quando por exceção, se encarnam na Terra, é
para cumprir uma missão de progresso, e então nos
oferecem o tipo de perfeição a que a humanidade pode
aspirar neste mundo.

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Primeira Ordem- Espíritos Puros

Características gerais: Não sofrem influência da


matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta em
relação aos Espíritos das outras ordens.

Primeira Classe - Classe Única

Percorreram todos os graus da escala evolutiva e


se despojaram de todas as impurezas da matéria.
Havendo atingido a soma de perfeições de que é
suscetível a criatura, não tem mais provas nem
expiações a sofrer. "Não estando mais sujeitos à
reencarnação em corpo perecíveis, vivem a vida eterna,
que desfrutam no seio de Deus.
Gozam de uma felicidade inalterável, porque não
estão sujeitos nem às necessidades nem às vicissitudes
da vida material, mas essa felicidade não é a de uma
ociosidade monótona, vivida em contemplação
perpétua. São os mensageiros e os ministros de Deus,
cujas ordens executam, para a manutenção da
harmonia universal.
Dirigem a todos os Espíritos que lhes são
inferiores, ajudam-nos a se aperfeiçoarem e
determinam as suas missões. Assistir os homens nas
suas angústias incitá-los ao bem ou à expiação de faltas
que os distanciam da felicidade suprema, é para eles
uma ocupação agradável. São às vezes designados

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pelos nomes de anjos, arcanjos ou serafins. “O homem
pode comunicar-se com eles, mas bem presunçoso
seria o que pretendesse tê-los constantemente às suas
ordens." (O Livro dos Espíritos).

Anjos e Demônios

Os anjos e os demônios estão presentes em todas


as crenças, recebendo os mais diferentes nomes e
causando os mais diferentes efeitos entre seus
seguidores. Para o Espiritismo, trata-se de uma
evolução espiritual. Nem os anjos nem os demônios
são anteriores à humanidade, porque Deus criou todos
os espíritos puros e bons e criou também uma lei de
conduta voltada para o bem.
Como os espíritos tem o direito de exercer o
livre arbítrio, é a aproximação ou o distanciamento em
relação às essas leis que determinam a condição da
espiritualidade, popularmente denominada angelical ou
demoníaca. Essa condição não é permanente, pois o
espírito tende sempre à evolução, com maior ou menor
rapidez, porém constante, porque o efeito do
aprendizado é cumulativo e tem como alvo a perfeição.
Essa evolução segue a escala espírita de classificação
dos espíritos, na qual os espíritos imperfeitos,
identificados popularmente por "demônios", estariam

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na terceira Ordem e os espíritos puros, ou "anjos" na
Primeira Ordem.

Penas Futuras

O Espiritismo não se apoia numa teoria


preconcebida para apresentar o seu "código penal da
vida futura". As leis que compõem esse código não são
frutos da imaginação e nem de imposições dogmáticas,
mas sim, relatos de espíritos desencarnados,
manifestados através de médiuns, em diferentes partes
do planeta. Esses espíritos relataram suas aflições e
alegrias decorrentes de suas vidas terrenas.
Compiladas, essas manifestações geraram um "código
penal da vida futura". Essas leis podem ser resumidas
em:

1. A Alma ou Espírito sofre na vida espiritual as


consequências de todas as imperfeições de que
não se libertou durante a vida corpórea. Seu
estado feliz ou infeliz é inerente ao grau de sua
depuração ou das suas imperfeições.
2. A felicidade perfeita é inerente à perfeição, quer
dizer a purificação do Espírito. Toda
imperfeição é ao mesmo tempo uma causa de
sofrimento e de privação de ventura, da mesma
maneira que toda qualidade adquirida é uma

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causa de ventura e de atenuação dos
sofrimentos.
3. Não há uma só imperfeição da alma que não
acarrete conseqüências desagradáveis,
inevitáveis, e não há uma só qualidade boa que
não seja fonte de ventura. A soma das penas é
assim proporcional à soma das imperfeições,
como a dos gozos é proporcional à soma das
boas qualidades.
4. Em virtude da lei de progresso, tendo cada alma
a possibilidade de conquistar o bem que lhe falta
e libertar-se do que possui de mal, segundo os
seus esforços e a sua vontade, resulta que o
futuro está aberto para qualquer criatura. Deus
não repudia nenhum dos seus filhos. Ele os
recebe em seu seio à medida que eles atingem a
perfeição, ficando assim a cada um o mérito das
suas obras.
5. O sofrimento sendo inerente à imperfeição,
como a felicidade é inerente à perfeição, a alma
leva em si mesma o seu próprio castigo onde
quer que se encontre. Não há, pois, necessidade
de um lugar circunscrito para ela. O inferno está
assim por toda a parte, onde quer que existam
almas sofredoras, como o céu esta por toda a
parte, onde quer que as almas estejam felizes.
6. O bem e o mal que praticamos são resultados
das boas e das más qualidades que possuímos.

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Não fazer o bem que se pode fazer é uma prova
de imperfeição. Se toda imperfeição é fonte de
sofrimento, o Espírito deve sofrer não só por
todo o mal que tenha feito, mas também por
todo bem que podia fazer e que não fez durante
a sua vida terrena.
7. O Espírito sofre segundo o que fez sofrer, de
maneira que sua atenção estando
incessantemente voltado para as conseqüências
desse mal, ele compreende melhor os
inconvenientes, do seu procedimento e é levado
a se corrigir.
8. A justiça de Deus sendo infinito, todo o mal e
todo o bem é rigorosamente levada em conta. Se
não há uma única ação má, um só pensamento
que não tenha conseqüências fatais, também não
há uma única ação boa, um só bom movimento
da alma, numa palavra, o mais ligeiro mérito que
fique perdido. E isso, mesmo entre os mais
perversos, porque representam um começo de
progresso.
9. Toda falta que se comete, todo mal praticado é
uma dívida contraída e que tem que ser paga. Se
não for nesta existência, será na próxima ou nas
seguintes, porque todas as existências são
solidárias entre si. Aquilo que se paga na
existência presente não será cobrado na seguinte.

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10.O Espírito sofre de acordo com as suas
imperfeições, seja no mundo espiritual, seja no
corporal. Todas as misérias, todas as
dificuldades que ele enfrenta na vida corpórea
são as conseqüências de suas próprias
imperfeições, as expiações de faltas cometidas
nesta mesma existência ou nas existências
anteriores. Pela natureza dos sofrimentos e das
dificuldades que ele enfrenta na vida corpórea,
podemos julgar a natureza das faltas cometidas
numa existência anterior e quais as imperfeições
que as causaram.
11.A expiação varia segundo a natureza e a
gravidade da falta. A mesma falta pode assim
provocar expiações diferentes, segundo as
circunstâncias atenuantes ou agravantes nas
quais ela foi cometida.
12.Não há, no tocante à natureza e a duração do
castigo, nenhuma regra absoluta e uniforme. A
única lei geral é a que toda falta recebe uma
punição e toda a boa ação tem a sua recompensa
segundo o seu valor.
13.A duração do castigo está subordinada ao
melhoramento do Espírito culpado. Nenhuma
condenação é pronunciada conta ele por tempo
determinado. O que as leis que regem o universo
exigem para o fim dos sofrimentos é uma
melhora verdadeira, efetiva com um retorno

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sincero ao bem. O Espírito é sempre o árbitro do
seu próprio destino. Pode prolongar os seus
sofrimentos pelo seu endurecimento no mal e
abrandá-los e até mesmo abreviá-los pelos seus
esforços em praticar o bem.
14.A duração do castigo estando subordinada ao
melhoramento do Espírito, disso resulta que o
culpado que não se melhorasse continuaria
sofrendo sempre, e que para ele a pena seria
eterna.
15.Uma condição que inerente à inferioridade dos
Espíritos é a de não ver o fim de sua situação e
acreditar que sofrem para sempre. Isso faz que
para eles o castigo pareça eterno.
16.O arrependimento é o primeiro passo para o
melhoramento. Mas ele apenas não basta, sendo
necessárias ainda a expiação e a reparação.
Arrependimento, expiação e reparação são as
três condições necessárias para apagar os traços
de uma falta e as suas conseqüências. O
arrependimento suaviza as dores da expiação,
porque desperta esperança e prepara a
reabilitação, mas somente a reparação pode
anular o efeito ao destruir a causa. O perdão
seria uma graça e uma anulação da falta.
17.O arrependimento pode ocorrer em qualquer
lugar e tempo. Se ele for tardio, o culpado sofre
por mais tempo. A expiação consiste nos

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sofrimentos físicos e morais que são a
consequência da falta cometida, seja desde a
vida presente, ou seja, após a morte, na vida
espiritual, ou ainda numa nova existência
corpórea, até que os traços da falta tenham
desaparecido. A reparação consiste em praticar o
bem para aquele mesmo a quem se fez o mal.
Aquele que não repara os seus erros nesta vida,
por fraqueza ou má vontade, tornará a encontrar-
se, numa outra existência, com as mesmas
pessoas que ofendeu e em condições escolhidas
por ele mesmo para poder provar-lhes o seu
devotamento, fazendo-lhes tanto bem quanto o
mal que havia feito. É dessa maneira que o
Espírito progride, tornando proveitoso seu
passado.
18.Os Espíritos imperfeitos são afastados dos
mundos felizes porque perturbariam a sua
harmonia. Permanecem nos mundos inferiores
onde expiam as suas faltas pelas tribulações da
vida e se libertam das suas imperfeições, até
merecerem encarnar-se em mundos moral e
fisicamente mais adiantado. Se pudermos
conceber um lugar de castigo determinado é
precisamente nos mundos de expiação, pois é ao
redor desses mundos que se multiplicam os
Espíritos imperfeitos desencarnados, esperando
uma nova existência que lhes permitindo a

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reparação do mal que fizeram, os ajudará a
progredir.
19.Como o Espírito conserva sempre o seu livre
arbítrio, melhora às vezes de maneira lenta e sua
obstinação no mal é bastante tenaz. Pode
persistir nessa situação durante anos e séculos,
mas chega sempre o momento em que sua
teimosia em desafiar as Leis Divinas se abate
diante do sofrimento, é então, ele reconhece o
poder superior que o domina. Nenhum espírito
está na condição de nunca se melhorar. Se assim
fosse ele estaria fatalmente destinado a uma
eterna situação de inferioridade e escaparia a lei
da evolução que rege providencialmente todas as
criaturas.
20.Sejam quais forem as inferioridades e a
perversidade dos Espíritos, Deus jamais os
abandona. Todos têm o seu espírito protetor que
vela por eles, vigia as expansões de sua alma e
se esforça para despertar-lhes bons pensamentos,
desejos de progredir ede reparar numa nova
existência o mal que tenham feito. Não obstante
o guia ou protetor age na maioria das vezes de
maneira oculta, sem exercer nenhuma pressão. O
Espírito deve agir bem ou mal em virtude de seu
livre arbítrio.
21.Cada um só é responsável pelas suas próprias
faltas. Ninguém sofre penalidades pelas faltas

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alheias, a menos que para isso tenha dado algum
motivo, seja provocando-as pelo seu exemplo,
seja deixando de impedi-las quando podia fazê-
lo. É assim, por exemplo, que o suicida é sempre
punido, mas aquele que, por sua dureza de
coração, leva um indivíduo ao desespero e daí ao
suicídio, sofre uma pena ainda maior.
22.Embora a diversidade de punições seja infinita,
existem as que são inerentes à inferioridade dos
Espíritos e cujas conseqüências, salvo algumas
diferenças, são mais ou menos idênticas. A
punição mais comum, entre os que são,
sobretudo, apegados à vida material e
negligenciam o progresso espiritual, consiste na
lentidão que com que se processa a separação da
alma e do corpo, e, portanto nas angústias que
acompanham a morte e o despertar na outra
vida, na duração das perturbações que podem
então durar desde meses até anos. Entre os que,
pelo contrário, tendo uma consciência pura,
identificam-se durante a vida corpórea com a
vida espiritual e libertam-se das coisas materiais,
a separação é rápida, sem dificuldades, e o
despertar aprazível, sendo a perturbação quase
inexistente.
23.Um fenômeno muito frequente entre os Espíritos
de certo grau de inferioridade moral consiste em
se acreditaram ainda vivos após a morte, e essa

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ilusão pode se prolongar durante anos, através
dos quais eles experimental todas as
necessidades, todos os tormentos e todas as
perplexidades da vida.
24.Para o criminoso, a visão incessante de suas
vítimas e das circunstâncias do crime é um
suplício cruel.
25.Alguns Espíritos são mergulhados em trevas
espessas. Outros são postos num isolamento
absoluto, no mundo espiritual, atormentados
pelo fato de não saberem qual a sua condição e o
seu destino. Muitos ficam privados de verem os
seus entes queridos. Todos, em geral, passam
por sofrimentos cuja intensidade é relativa aos
males que praticaram às dores e necessidades
que fizeram os outros sofrer, até que o
arrependimento e o desejo de reparação venham
trazer-lhes um abrandamento de fazê-los
entrever a possibilidade de dar, por si mesmos,
um fim a essa situação.
26.É um suplício para o orgulhoso ver acima dele,
gloriosos e radiantes de alegria, os que ele havia
desprezado na Terra, ao mesmo tempo em que
ele é relegado aos últimos lugares. Para o
hipócrita, ver-se trespassado pela luz que revela
os seus mais secretos pensamentos, que todos
podem ler, não havendo para ele nenhum meio
de esconder ou se disfarçar. Para o sensual é um

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suplício passar por todas as tentações, todos os
desejos, sem poder satisfazê-los. Para o
avarento, ver o seu ouro desperdiçado e não
poder retê-lo. Para o egoísta, ser abandonado por
todos e sofrer tudo aquilo que os outros sofreram
dele, pois ele só pensou em si durante a vida e
ninguém agora pensa nele nem o lamenta após
sua morte.
27.O meio de evitar ou atenuar as conseqüências de
suas faltas na vida futura é desfazer-se o mais
possível de suas faltas na vida futura é desfazer-
se o mais possível dos seus defeitos na vida
presente, reparar aqui mesmo o mal para não ter
de repará-los mais tarde e de maneira mais
terrível. Quanto mais demorarmos a deixar os
nossos defeitos, mais as suas conseqüências se
tornarão penosas e mais rigorosas será a
reparação que tivermos que fazer.
28.A situação do Espírito, desde a sua entrada na
vida espiritual, é aquela que ele mesmo se
preparou durante a sua vida corporal. Mais tarde,
outra encarnação lhe é concedida para expiar e
reparar a anterior, passando por novas provas.
Mas ele a aproveitará em maior ou menor grau,
segundo o seu livre arbítrio. Se não a aproveitar,
terá um trabalho de recomeçar, e cada vez em
condições mais penosas.

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29.A misericórdia de Deus é sem dúvida infinita,
mas não é cega. O culpado que ela perdoou não
está dispensado de satisfazer a justiça, passando
pelas conseqüências de suas faltas. Por
misericórdia infinita é necessário entender que
Deus não é inexorável, deixando sempre aberta
ao culpado a porta de retorno ao bem.
30.As penas sendo temporárias e subordinadas ao
arrependimento e à reparação, que dependem da
livre vontade do homem, acontecem o mesmo
com os castigos e os remédios que devem ajudar
a curar as feridas do mal. Os Espíritos em
punição não se encontram na situação dos
antigos condenados às galeras, mas como os
doentes no hospital. Sofrem a doença que
freqüentemente decorre de suas próprias faltas e
passam por meios dolorosos de cura de que
necessitam, mas tem a esperança de ser curados
e se curam mais rapidamente se observarem com
exatidão as prescrições do médico que
solicitamente vela por eles. Se eles prolongam
os sofrimentos por sua própria culpa, o médico
nada tem com isso.
31.Às penas que o Espírito sofre na vida espiritual
juntam-se às da vida corporal, que são a
consequência das imperfeições dos homens, de
suas paixões, do mau emprego de suas
faculdades e a expiação de suas faltas presentes

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e passadas. É na vida corporal que o Espírito
repara o mal de suas existências anteriores que
põe em prática as resoluções tomadas na vida
espiritual. É assim que se explicam as misérias e
as dificuldades que, à primeira vista, parecem
não ter razão de ser, mas na verdade são justas
desde que foram determinadas no passado e
servem para o nosso adiantamento.
32."Deus, pergunta-se, não demonstraria maior
amor por suas criaturas se as criasse infalíveis e,
portanto, isentas das vicissitudes decorrentes da
imperfeição? Seria necessário para isso, que ele
criasse seres perfeitos, nada tendo a conquistar,
nem em conhecimentos e nem em moralidade.
Os homens são imperfeitos e , como tal, sujeitos
às vicissitudes mais ou menos penosas. Este é
um fato que temos que aceitar. Mas inferir disso
que Deus não é bom, nem justo, seria uma
rebeldia. Todos tem o mesmo ponto de partida;
não há nenhum que seja , na sua formação, mais
bem dotado que os outros. A via da felicidade
está aberta a todos , o objetivo de todos é o
mesmo, as condições para atingi-lo são as
mesmas para todos e a lei gravada em todas as
consciências foi ensinada à todos. Deus fez da
felicidade o prêmio do trabalho e não do
favoritismo para que cada um tenha o seu
mérito. Todos são livres para trabalhar ou nada

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fazer para seu adiantamento. Aquele que
trabalha bastante e com rapidez é recompensado
mais cedo, mas aquele que se desvia do caminho
ou perde o seu tempo, retarda a sua chegada e só
pode lamentar de si mesmo. O bem e o mal são
facultativos e dependem da vontade de cada um.
O homem por ser livre, não é fatalmente levado
nem para um, nem para o outro"(O Céu e o
Inferno).
Passes e Radiações.

Os passes e radiações são recursos de cura física


ou espiritual muito difundido nas seções espíritas. Esse
método de socorro espiritual tem na imposição das
mãos, na força da oração e radiações magnéticas suas
principais ferramentas.
Os passistas, médiuns que aplicam os Passes,
devem permanecer em estado de profunda
concentração onde a fé, a prece e mente pura, e os
sentimentos de amor são indispensáveis à finalidade do
ato.

Existem dois tipos de Passes:

A. O Passe ministrado com recursos magnéticos do


próprio médium;
B. O Passe ministrado com recursos provenientes
do Plano Espiritual.

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Quanto à aplicação, os Passes podem ser:
A. Passes individuais, no qual as aplicações são
feitas individualmente;
B. Passes coletivos, quando o Passe é aplicado em
grupo;
E existem dois tipos de receptores:
a. O receptor direto, presente no momento do
Passe;
b. O receptor indireto, ausente no momento do
Passe, porém atingido através das irradiações
magnéticas.
Esses fluídos magnéticos serão automaticamente
aceitos ou não pelo receptor. Se consciente e sincero na
sua fé há a chamada receptividade desses fluídos, se
descrente e ignorante às leis de Deus, há a chamada
refratariedade à recepção do passe, ocasionando uma
perda de intensidade e de absorção dos fluídos.

Budismo

O budismo não é só uma religião, mas também


um sistema ético e filosófico, originário da região
da Índia. Foi criado por Sidarta Gautama (563? - 483
a.C.?), também conhecido como Buda. Este criou o
budismo por volta do século VI a.C. Ele é considerado
pelos seguidores da religião como sendo um guia
espiritual e não um deus. Desta forma, os seguidores

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podem seguir normalmente outras religiões e não
apenas o budismo.
O início do budismo está ligado ao hinduísmo,
religião na qual Buda é considerado a encarnação ou
avatar de Vishnu. Esta religião teve seu crescimento
interrompido na Índia a partir do século VII, com o
avanço do islamismo e com a formação do grande
império árabe. Mesmo assim, os ensinamentos
cresceram e se espalharam pela Ásia. Em cada cultura
foi adaptado, ganhando características próprias em
cada região.

Os ensinamentos, a filosofia e os princípios.

Os ensinamentos do budismo têm como


estrutura a ideia de que o ser humano está condenado a
reencarnar infinitamente após a morte e passar sempre
pelos sofrimentos do mundo material. O que a pessoa
fez durante a vida será considerado na próxima vida e
assim sucessivamente. Esta ideia é conhecida como
carma. Ao enfrentar os sofrimentos da vida, o espírito
pode atingir o estado de nirvana (pureza espiritual) e
chegar ao fim das reencarnações.
Para os seguidores, ocorre também a reencarnação em
animais. Desta forma, muitos seguidores adotam uma
dieta vegetariana.
A filosofia é baseada em verdades: a existência
está relacionada a dor, a origem da dor é a falta de

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conhecimentos e os desejos materiais. Portanto, para
superar a dor deve-se antes livrar-se da dor e da
ignorância. Para livrar-se da dor, o homem tem oito
caminhos a percorrer: compreensão correta,
pensamento correto, palavra, ação, modo de vida,
esforço, atenção e meditação. De todos os caminhos
apresentados, a meditação é considerada o mais
importante para atingir o estado de nirvana.
A filosofia budista também define cinco
comportamentos morais a seguir: não maltratar os
seres vivos, pois eles são reencarnações do espírito,
não roubar, ter uma conduta sexual respeitosa, não
mentir, não caluniar ou difamar, evitar qualquer tipo de
drogas ou estimulantes. Seguindo estes preceitos
básicos, o ser humano conseguirá evoluir e melhorará
o carma de uma vida seguinte.

PAZ SEJA CONVOSCO!

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