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Biomoléculas: Introdução

Há quatro classes principais de pequenas moléculas biológicas nas células. São


os carboidratos, os lipídeos, os aminoácidos (formadores das proteínas) e os
nucleotídeos. Os compostos pertencentes às diferentes classes podem ser
identificados por suas características estruturais particulares.

Aminoácidos

1. Os aminoácidos são "blocos de construção" das proteínas.


2. Como mostrado no diagrama, os aminoácidos têm uma mesma estrutura geral,
contendo um grupo amina, um grupo carboxila e uma cadeia lateral de tamanho
variável, chamada grupo R.
3. 20 aminoácidos diferentes são usados para fazer as proteínas. Eles diferem um do
outro pela estrutura e propriedades do grupo R, o qual pode ser polar e carregado,
polar e não-carregado, ou hidrofóbico

Ligação peptídica

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As cadeias polipetídicas das proteínas são polímeros
lineares, constituídos por aminoácidos ligados por ligações
peptídicas. Cada aminoácido tem um grupo amina (-NH2) e
um grupo carboxila (-COOH) que são usados para formar
a ligação peptídica.

Como mostrado no diagrama, a ligação peptídica se forma entre o átomo de carbono


(C) do grupo carboxila e o átomo de nitrogênio (N) do grupo amina. Os elementos que
compõem a água são removidos como um co-produto da reação. A água (H2O) se forma a
partir do -OH do grupo carboxila de um dos aminoácidos e de um átomo de hidrogênio do
grupo -NH2 do outro aminoácido.

Cadeias polipeptídicas

No diagrama abaixo, é possível separar visualmente os aminoácidos nos pontos em que


há ligações peptídicas. Note que o esqueleto do peptídeo é formado por um padrão repetitivo
de átomos N-C-C, que correspondem, respectivamente, aos átomos N-amino, C-alfa e
C-carbonílico dos aminoácidos individuais. Os grupos mostrados como R 1, R2, R3, etc.,
representam as cadeias laterais dos diferentes aminoácidos.

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Fórmulas estruturais de amino ácidos

glutamina
alanina

ácido amino butírico

serina

arginina

asparagina

fenilalanina
ácido aspártico

ácido glutâmico
cisteína

glicina leucina

histidina lisina

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homocisteína serina

valina
tirosina

metionina
triptofano

norvalina

As proteínas também são chamadas de polipeptídeos, porque os aminoácidos


que as compõe são unidos por ligações peptídicas (uma ligação peptídica é a união do
grupo amino (-NH2) de um amino ácido com o grupo carboxila (-COOH) de outro amino
ácido, através da formação de uma amida. A ligação C-N, em um peptídeo, é especial:
é 10% mais "curta" do que uma ligação C-N normal, e o ângulo de ligação também é
diferente do esperado para um carbono sp 2. Isto porque a ligação peptídica, na
verdade, apresenta uma estrutura de ressonância, tendo um forte caráter de dupla
ligação - explicando, também, a rigidez desta ligação e sua planaridade. Através destas
ligações, os amino ácidos formam cadeias longas; a maioria das proteínas tem mais de
200 amino ácidos. Todos os amino ácidos tem, em comum, um carbono (chamado de
carbono alfa) ligado a um grupo amino e a um grupo carboxila. Este carbono alfa é um
centro estereogênico e, com excessão da glicina (porque não é assimétrica), todos os
amino ácidos, em todos os organismos vivos terrestres, só aparecem sob a forma L .

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Cadeias Laterais dos Aminoácidos (grupos R)

Vinte tipos diferentes de aminoácidos são encontrados nas proteínas. As


cadeias laterais (grupos R) diferem nas propriedades químicas. Algumas delas
são polares, mas não têm carga elétrica. Outras são polares e têm uma carga
elétrica positiva ou negativa em solução aquosa.

Os aminoácidos com cadeias laterais polares são ditos hidrofílicos (têm


afinidade pela água), porque estabelecem interações fracas com as moléculas
da água. Os grupos R dos aminoácidos hidrofílicos contêm átomos
eletronegativos como O e N. Alguns aminoácidos são apolares (hidrofóbicos)
porque suas cadeias laterais são constituídas principalmente por cadeias de
hidrocarbonetos.

Exemplos de diferentes classes de aminoácidos:

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Proteínas diferentes têm estruturas e propriedades
diferentes devido à localização específica de aminoácidos
hidrofílicos ou hidrofóbicos.

Identificação de um aminoácido hidrofóbico

Qual dos aminoácidos abaixo tem uma cadeia lateral hidrofóbica?

Aminoácidos hidrofóbicos

Há 20 aminoácidos diferentes nas proteínas. Suas cadeias laterais (grupos R) diferem


em suas propriedades químicas. Algumas são polares, mas sem carga. Outras são polares, e
possuem normalmente uma carga positiva ou negativa quando em solução aquosa. Os oito
aminoácidos mostrados abaixo têm cadeias laterais que são claramente hidrofóbicas. Note
que essas cadeias laterais são compostas quase que exclusivamente por ligações C-C e C-
H, constituindo ou um hidrocarboneto puro ou um hidrocarboneto contendo um único átomo
polar.

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Proteínas

Somos seres protéicos: a vida está intimamente ligada às proteínas. Estas moléculas
especiais realizam as mais variadas funções no nosso organismo, desde o transporte de
nutrientes e metabólitos à catálise de reações biológicas. Apesar da complexidade de suas
funções, as proteínas são relativamente simples: repetições de 20 unidades básicas, os amino
ácidos.

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As proteínas são macromoléculas complexas, compostas de aminoácidos, e
necessárias para os processos químicos que ocorrem nos organismos vivos.
São os constituintes básicos da vida: tanto que seu nome deriva da palavra
grega "proteios", que significa "em primeiro lugar". Nos animais, as proteínas
correspondem a cerca de 80% do peso dos músculos desidratados, cerca de
70% da pele e 90% do sangue seco. Mesmo nos vegetais as proteínas estão
presentes.

É conveniente descrever a estrutura de uma proteína segundo 4 aspectos


relacionados à estrutura covalente e às formas de enovelamento da cadeia.
Esses diferentes níveis de descrição da estrutura protéica são conhecidos
como estruturas primária, secundária, terciária e quaternária.

Embora sejam quase inúmeras, todas as proteínas são formadas


exclusivamente por apenas 20 amino ácidos, que se repetem numa
seqüência característica para cada proteína. Esta seqüência, conhecida como
estrutura primária, é que, de fato, determina a forma e a função da proteína. A
estrutura primária é somente a seqüência dos amino ácidos, sem se preocupar
com a orientação espacial da molécula. As interações intermoleculares entre
os amino ácidos das proteínas fazem com que a cadeia protéica assuma uma
estrutura secundária e, algumas vezes, uma estrutura terciária.

Estrutura Primária das Proteínas

A estrutura primária é a seqüência de aminoácidos que compõem a cadeia


polipeptídica. 20 aminoácidos diferentes são encontrados nas proteínas. A ordem
exata dos aminoácidos em uma proteína específica é a estrutura primária dessa
proteína.

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A estrutura secundária é uma função dos ângulos formados pelas
ligações peptídicas que ligam os amino ácidos. Segundo a IUPAC, "The
secondary structure of a segment of polypeptide chain is the local spatial
arrangement of its main-chain atoms without regard to the conformation of its
side chains or to its relationship with other segments". A conformação espacial é
mantida graças as interações intermoleculares (ligação hidrogênio) entre os
hidrogênios dos grupos amino e os átomos de oxigênio dos outros amino ácidos.

Estrutura Secundária das Proteínas

A estrutura secundária diz respeito aos padrões regulares e repetitivos que


ocorrem localmente no enovelamento do esqueleto da proteína. Os dois arranjos
locais mais comuns nas proteínas são a alfa-hélice e a folha-beta.

Alfa-Hélice

Numa alfa-hélice, o esqueleto polipeptídico se enrola em torno do eixo de


uma hélice imaginária, no sentido horário.

Nesta ilustração, estão mostrados apenas os átomos do esqueleto N-C-


CO. Observe o enrolamento em espiral do esqueleto em torno de um eixo

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imaginário que passa pelo centro da hélice.

Em geral, estas ligações forçam a proteína a assumir uma forma


helicoidal, como uma corda enrolada em torno de um tubo imaginário. Esta
forma, a mais comum, é chamado de alfa hélice.

Outras duas formas na estrutura secundária são as beta-sheets e turns.


Nas beta-sheets, um segmento da cadeia interage com outro, paralelamente.

Folha-beta

Na estrutura secundária denominada folha-beta, o esqueleto polipeptídico

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está quase completamente estendido. Os grupos R (não exibidos na figura) se
alternam para cima e para baixo ao longo do esqueleto estendido.

Turns" são o terceiro tipo das estruturas secundárias clássicas, e são


responsáveis pela reversão da direção da cadeia polipeptídica. Eles são
localizados na superfície polar da proteína, e contém resíduos com carga. Os
sítios de reconhecimento dos anticorpos, da fosforilação, glicosilação e da
hidroxilação são encontrados, freqüentemente, nos ou próximos dos turns.

Estrutura Terciária das Proteínas

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A estrutura terciária diz respeito à
forma tridimensional específica assumida
pela proteína como resultado do
enovelamento global de toda a cadeia
polipeptídica. A estrutura terciária das
enzimas toma geralmente uma forma
globular compacta.

Estrutura terciária da molécula de triose fosfato isomerase (TPI).

A estrutura terciária relaciona-se com os loopings e dobraduras da


cadeia protéica sobre ela mesma. É a conformação espacial da proteína, como
um todo, e não de determinados segmentos particulares da cadeia protéica. A
forma das proteínas está relacionada com sua estrutura terciária. Existem, por
exemplo, proteínas globulares (que tem forma esférica). O que determina a
estrutura terciária são as cadeias laterais dos amino ácidos; algumas cadeias
são tão longas e hidrofóbicas que perturbam a estrutura secundária helicoidal,
provocando a dobra ou looping da proteína. Muitas vezes, as partes hidrofóbicas
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da proteína agrupam-se no interior da proteína dobrada, longe da água e dos
íons do ambiente onde a proteína se encontra, deixando as partes hidrofílicas
expostas na superfície da estrutura da proteína. Regiões como "sítio ativos",
"sítios regulatórios" e módulos são propriedades da estrutura terciária.

Estrutura Quaternária das Proteínas

Existe, finalmente, a estrutura quaternária: certas proteínas, tal como a


hemoglobina, são compostas por mais de uma unidade polipeptídica (cadeia
protéica). A conformação espacial destas cadeias, juntas, é que determina a
estrutura quaternária. Esta estrutura é mantida pelas mesmas forças que
determinam as estruturas secundárias e terciárias. A figura ao lado mostra uma
imunoglobulina que é, na verdade, um tetrâmero, isto é, constituída por 4
cadeias protéicas (polipeptídeos).

Muitas proteínas são constituídas por mais de uma cadeia polipeptídica. A


estrutura quaternária descreve a forma com que as diferentes subunidades se
agrupam e se ajustam para formar a estrutura total da proteína. Por exemplo, a
molécula da hemoglobina humana, mostrada abaixo, é composta por quatro
subunidades.

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As proteínas podem ser simples (constituídas somente por amino ácidos)
ou conjugadas (que contém grupos prostéticos, isto é, grupos não amino
ácidos, tais como carboidratos, íons, pigmentos, etc., como na figura ao lado). A
hemoglobina é um exemplo de proteína conjugada: contém 4 grupos
prostéticos, cada um consistindo de um íon de ferro e a porfirina. São
justamente estes grupos que habilitam a hemoglobina a carregar o oxigênio
através da corrente sanguínea. As liproproteínas, tal como LDL e HDL, são
também exemplos de proteínas conjugadas - neste caso, com lipídeos.

Uma outra forma de classificar as proteínas é baseado na sua função.


Sobre este prisma, elas podem ser divididas em dois grupos: proteínas
estruturais e proteínas biologicamente ativas. Algumas proteínas, entretanto,
podem pertencer aos dois grupos. A maioria das proteínas estruturais são
fibrosas - compostas por cadeias alongadas. Dois bons exemplos, nos animais,
são o colágeno (ossos, tendões, pele e ligamentos) e a queratina (unhas,
cabelos, penas e bicos).

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A grande maioria das proteínas biologicamente ativas são globulares,
e sua atividade funcional é intrínseca a sua organização espacial. Exemplos são
as enzimas, hormônios protéicos (que atuam como mensageiros químicos),
proteínas de transporte (como as lipo-proteínas, que podem carregar o
colesterol) e imunoglobulinas (ou anticorpos), que protegem o corpo de
microorganismos invasores. Muitas proteínas biologicamente ativas ficam na
região da membrana celular, e atuam de diversas maneiras.

As enzimas são uma classe muito importante de proteínas


biologicamente ativas. Elas são responsáveis pela catálise de diversas
reações em nosso organismo. Reações que, sem o auxílio das enzimas, jamais
aconteceriam ou, ainda, gerariam indesejados produtos colaterais.

Em uma proteína enzimática, existe um certo domínio chamado de "sítio


ativo", que liga-se ao substrato - a molécula reagente - e diminui a energia do
estado de transição que leva ao produto desejado. A ligação entre o sítio ativo
e o substrato é extremamente específica: a molécula precisa ter certas
características eletrônicas e espaciais que permitam o seu "encaixe" com a
proteína. Por isso esta relação tem sido chamada de lock'n'key, ou seja, chave-
fechadura. No exemplo da figura ao lado, uma determinada região da proteína -
o módulo SH2 - liga-se à tirosina fosfatada, que se adapta ao sítio ativo da
enzima tal como uma chave faz a sua fechadura.

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A atividade de uma enzima pode ser bloqueada pela ação de outra
molécula, um inibidor. Quando um inibidor interage com uma determinada região
da enzima, chamado de sítio regulatório, provoca uma alteração na sua
conformação e uma desativação do sítio catalítico. A atividade enzimática,
portanto, pode ser controlada, pelo organismo, através da liberação ou captação
de inibidores.

Cozinhando proteínas

A Reação de Maillard

Como saber quando uma pizza está pronta, o bolo está no ponto ou o frango
está assado? Basta, talvez, olhar: aquele aspecto corado, dourado, é um forte indício
de que a comida está cozida. Sabe de onde vem esta cor?! É da reação de Maillard.
São várias as reações químicas que deixam o alimento marrom, ou escurecido.
Pirólise, por exemplo, é um dos mais comuns: quando deixamos o pão por muito
tempo na torradeira, ele volta preto, queimado; ocorre uma desidratação
termicamente induzida do amido, resultando carbono (carvão) e água. O açúcar, a
200oC, carameliza, através de uma desidratação, uma condensação e uma
polimerização. Entretanto, nem a pirólise ou caramelização inclui o que acontece com
o constituinte alimentar mais importante, as proteínas. Em altas temperaturas, os
aminoácidos das proteínas interagem com açúcares redutores, produzindo as cores,
aromas e sabores característicos do alimento cozido. Esta reação entre proteínas e
carbohidratos foi primeiramente descrita em 1912, por Louis-Camille Maillard - daí o
nome da reação. Durante o cozimento, a reação de Maillard (que envolve uma série
de etapas) inicia com uma condensação entre amino ácidos e açúcares. Estes
compostos, incolores, se rearranjam e desidratam para formar intermediários
amarelados que, finalmente, são convertidos para polímeros vermelhos e marrons.

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Um dos efeitos positivos da reação de Maillard é o aspecto visual de bolos, pizzas e
lasanhas quando cozidas; um negativo é o escurecimento do leite, quando aquecido
por muito tempo (tal como no doce de leite). A cor deriva das melanoidinas formadas
pela reação de Maillard. A reação de Maillard também é responsável pelo
envelhecimento de nosso organismo. Muitos químicos vêm pesquisando drogas que
interrompam as reações de Maillard numa tentativa de minimizar os efeitos do
envelhecimento em nosso corpo.

Carboidratos

O açúcar que utilizamos em casa contém a sacarose: um dos vários


compostos orgânicos de sabor doce, incolores, solúveis em água, encontrados
na seiva de várias plantas (como a cana-de-açúcar) e no leite de mamíferos. O
açúcar mais comum é justamente a sacarose, que, puro, é utilizado na indústria
de alimentos e bebidas.

Os açúcares pertencem a uma classe de compostos orgânicos


chamada carbohidratos*, ou hidratos de carbono. O nome deriva da reação
de fotossíntese que ocorre nas plantas, com a ação catalítica da clorofila: o
dióxido de carbono se combina com a água e formam a glucose. As
moléculas de glucose podem se combinar e formar outros dois componentes
característicos das plantas: a sacarose, a celulose e o amido. As moléculas de
celulose garantem a sustentação da planta, e as de amido servem como um
armazenamento de alimento para servir à nova planta, durante o crescimento
inicial.
Tanto a sacarose, amido ou celulose são vitais para as necessidades
básicas do homem. Todos os livros, jornais e revistas que lemos são impressas
em papel - feito de celulose. O pão nosso de cada dia é feito com amido e
adoçado com sacarose. Mesmo a cervejinha gelada deve a sua existência à
sacarose: é a fermentação desta que produz o álcool e o CO2.

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glucose
frutose

Os carbohidratos são, provavelmente, os compostos orgânicos mais


abundantes nos organismos vivos. Estruturalmente, podem ser vistos como
aldeídos poli-hidroxilados ou cetonas polihidroxiladas; ou, ainda, compostos que,
pela hidrólise, podem se transformar nestes. Eles podem sem divididos em
quatro grandes grupos: monossacarídeos, dissacarídeos, oligossacarídeos e
polissacarídeos. Os monossacarídeos são os mais simples: apenas uma
unidade de açúcar em cada molécula. A glucose, a frutose e a galactose são os
monossacarídeos mais comuns, e possuem a mesma fórmula molecular:
C6H12O6. A frutose e a glucose são encontradas em frutas e no mel e a
galactose no leite dos mamíferos. Embora tenham a mesma fórmula molecular,
estes compostos tem estruturas químicas diferentes, isto é, são isômeros. O
sabor de cada um também é diferente. Sabe-se que o doce do açúcar depende
grandemente da posição dos grupos -OH que compõe a estrutura molecular.

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Quando duas moléculas de um açúcar simples se unem elas formam um
dissacarídeo. A sacarose, por exemplo, é um dissacarídeo formado por uma
unidade de frutose e outra unidade de glucose. A energia contida nas ligações
químicas na frutose, glucose ou sacarose é a resposável por suprir, na maioria
dos seres vivos, a energia necessária para suas atividades.
Os monossacarídeos podem, também, se combinar e formar macromoléculas,
com longas cadeias de unidades de frutose, glucose ou galactose repetidas.
Estes são os polissacarídeos: moléculas com mais de 10.000 unidades de
açúcares. Mais de uma centena de espécies foram identificadas, mas as mais
comuns são a celulose e o amido.

Os carbohidratos são muito importantes para os seres vivos. O


mecanismo de armazenamento de energia, para quase todos os seres vivos de
nosso planeta, baseia-se em carboidratos ou lipídeos - os carboidratos são uma
fonte de energia imediata, enquanto que os lipídeos queimam em uma
velocidade menor, servindo para longo prazo. O ciclo metabólico da glucose, por
exemplo, é vital para os organismos vivos, tal como o homem: falhas neste ciclo
acarretam vários males, tal como os desencadeados pelo diabetes. Os seres
ruminantes, tal como o boi, são capazes de converter os polissacarídeos como
a celulose (indigesto para o homem) em açúcares menores e proteínas; e são
justamente estes seres a maior fonte protéica para a humanidade. Vários
antibióticos, tal como a streptomicina, são derivados de carbohidratos. O
iogurte também deve sua existência aos carbohidratos: os lactobacilos

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(bactérias que habitam o leite) convertem o açúcar em ácido lático, gerando o
iogurte.
A quantidade total de energia (ou, como a mídia normalmente chama,
"caloria") requerida para um indivíduo depende da idade, ocupação e outros
fatores, mas geralmente gira em torno de 2.000 a 4.000 calorias (uma caloria,
por definição, é a quantidade de calor necessária para aumentar a temperatura
de 1,000 grama de água de 15o para 16o C). Um grama de carboidrato produz
cerca de 4 calorias, quando metabolizado, no homem. Para efeito de
comparação, um grama de gordura produz cerca de 9 calorias e 1 grama de
proteína produz também 4 calorias. Como são rapidamente metabolizados e
altamente energéticos, os carboidrato são, geralmente, os pratos principais dos
atletas antes das competições.

Esta alta capacidade calórica pode ser, para alguns, um problema: muitas
pessoas, por motivo de saúde ou estética, precisam evitar o consumo de açúcar.

Carboidratos

1. Os carboidratos podem ser açúcares simples (monossacarídeos) como a


glicose, dissacarídeos como a sacarose, ou então uma série de
monossacarídeos unidos por ligações glicosídicas.
2. Os monossacarídeos mais comuns nas células têm 4, 5, ou 6 átomos de
carbono e vários grupos OH polares.
3. Nos açúcares comuns, a proporção entre C, H e O é de 1 : 2 : 1.

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4. Os açúcares de 5 e 6 carbonos normalmente existem nas células como
estruturas contendo um anel de 5 ou 6 átomos, com um átomo de
oxigênio no anel.
5. A abundância de grupos OH, a razão C : H : O de 1 : 2 : 1 e a estrutura
com um O no anel são características-chave para a identificação dos
carboidratos.

Lipídeos - as biomoléculas hidrofóbicas.

Os lipídeos abrangem um conjunto de substâncias químicas que, ao contrário

das outras classes de compostos orgânicos, não são caracterizadas por

algum grupo funcional comum, e sim pela sua alta solubilidade em solventes

orgânicos e baixa solubilidade em água. Juntamente com as proteínas, ácidos

nucléicos e carboidratos, os lipídios são componentes essenciais das

estruturas biológicas, e fazem parte de um grupo conhecido como

biomoléculas. Os lipídios se encontram distribuídos em todos os tecidos,

principalmente nas membranas celulares e nas células de gordura.

Triglicerídeos

O traço mais facilmente reconhecível destas moléculas é a presença de

três ácidos graxos com suas longas caudas hidrofóbicas constituídas

principalmente por grupos -CH2. Os três ácidos graxos estão covalentemente

ligados a uma molécula de glicerol. Este composto é uma gordura neutra, do

tipo que é utilizado para armazenar reservas de energia no nosso tecido

adiposo.

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1. Os lipídeos ou gorduras caracterizam-se por sua insolubilidade em

água e sua solubilidade em solventes orgânicos ou em detergentes.

2. Os lipídeos são as moléculas mais eficientes como reserva

energética das células.

3. Boa parte da estrutura dos lipídeos é muito apolar, sendo formada

quase exclusivamente por átomos de carbono e hidrogênio.

4. Os triglicerídeos, usados como reserva energética no tecido

adiposo, são compostos por uma molécula de glicerol condensada

com três ácidos graxos. Os ácidos graxos têm longas caudas

hidrofóbicas que consistem essencialmente em repetições de

grupos -CH2.

5. Os diglicerídeos, que ocorrem principalmente nas membranas

celulares, são compostos de um glicerol, dois ácidos graxos de

cadeia longa e uma "cabeça" contendo um grupo mais hidrofílico.

6. A presença de longas cadeias de ácidos graxos é uma

característica-chave para a identificação de muitos lipídeos

importantes.

Existem diversos tipos de moléculas diferentes que pertencem à

classe dos lipídios.

Uma das leis clássicas da química diz que "o semelhante dissolve o

semelhante": daí a razão para estas moléculas serem fracamente solúveis em


água ou etanol (solventes polares) e altamente solúveis em solventes

orgânicos (geralmente apolares).

Ao contrário das demais biomoléculas, os lipídios não são polímeros,

isto é, não são repetições de uma unidade básica. Embora possam apresentar
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uma estrutura química relativamente simples, as funções dos lipídios são

complexas e diversas, atuando em muitas etapas cruciais do metabolismo e na

definição das estruturas celulares.

Os lipídios podem ser separados de uma amostra biológica através de

uma técnica conhecida como extração; um solvente orgânico é adicionado a

uma solução aquosa da amostra e, com um auxílio de um funil de separação,

obtém-se a fase orgânica rica em lipídios. Com a evaporação do solvente

orgânico obtém-se o lipídio. É desta maneira que, em escala industrial, se

obtém o óleo vegetal.

Função dos Lipídeos

· Componentes das membranas celulares, juntamente com as proteínas

· Reserva de energia

· Combustível celular

· Funcionam como isolante térmico sobre a epiderme de muitos animais

(tecido adiposo) ;

· Isolamento e proteção de órgãos;

· Funções especializadas como hormônios e vitaminas;

· Sinalização intra e intercelulares.

Ácidos Graxos

A hidrólise ácida dos triacilglicerídios leva aos correspondentes ácidos

carboxílicos - conhecidos como ácidos graxos. Este é o grupo mais abundante

de lipídios nos seres vivos, e são compostos derivados dos ácidos

carboxílicos.

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Os Ácidos Graxos são ácidos orgânicos, a maioria de cadeia alquila longa,
com mais de 12 carbonos. Essa cadeia alquila pode ser saturada ou
insaturada;
Representação : R - COOH , onde R é uma cadeia alquila longa.

Os ácidos graxos são chamados de lipídios saponificáveis, porque a reação

destes com uma solução quente de hidróxido de sódio produz o

correspondente sal sódico do ácido carboxílico, isto é, o sabão.

A natureza do cátion (contra-íon) determina as propriedades do sal

carboxílico formado. Em geral, sais com cátions divalentes (Ca2+ ou Mg2+) não

são bem solúveis em água, ao contrário do formado com metais alcalinos (Na +,

K+, etc.), que são bastante solúveis em água e em óleo - são conhecidos como

sabão. É por este motivo que, em regiões onde a água é rica em metais

alcalinos terrosos, é necessário se utilizar formulações especiais de sabão na

hora de lavar a roupa. Na água, em altas concentrações destes sais, ocorre a

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formação de micelas - glóbulos microscópicos formados pela agregação

destas moléculas. Nas micelas, as regiões polares das moléculas de sabão

encontram-se em contato com as moléculas de água, enquanto que as regiões

hidrofóbicas ficam no interior do glóbulo, sem contato com a água.

Os ácidos graxos também podem ser classificados como saturados ou

insaturados, dependendo da ausência ou presença de ligações duplas carbono-

carbono.

Os insaturados (que contém tais ligações) são facilmente convertidos

em saturados (cadeias carbônicas sem duplas e/ou triplas ligações) através

da hidrogenação catalítica (este processo é chamado de redução). A


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presença de insaturação nas cadeias de ácido carboxílico dificulta a

interação intermolecular, fazendo com que, em geral, estes se apresentem, à

temperatura ambiente, no estado líquido; já os saturados, com uma maior

facilidade de empacotamento intermolecular, são sólidos. A margarina, por

exemplo, é obtida através da hidrogenação de um líquido - o óleo de soja ou

de milho, que é rico em ácidos graxos insaturados.

A. Ácidos Graxos Saturados :

· Não possuem duplas ligações


· São geralmente sólidos à temperatura ambiente
· Gorduras de origem animal são geralmente ricas em ácidos graxos saturados

Exemplos :

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· Ácido Palmítico - CH3(CH2)14COOH
· Ácido Esteárico - CH3(CH2)16COOH
· Ácido Araquídico - CH3(CH2)18COOH

B. Ácidos Graxos Insaturados:

· Possuem uma ou mais duplas ligações sendo mono ou poliinsaturados.


· São geralmente líquidos à temperatura ambiente
· A dupla ligação, quando ocorre em um ácido graxo natural, é sempre do tipo
"cis".
· Os óleos de origem vegetal são ricos em Ácidos Graxos insaturados.
· Quando existem mais de uma dupla ligação, estas são sempre separadas por
pelo menos 3 carbonos. As duplas ligações nunca são adjacentes e nem
conjugadas

Exemplos :

· Ácido Palmitoléico - CH3 - (CH2)5 - HC = CH - (CH2)7 - COOH


· Ácido Oléico - CH3 - (CH2)7 - HC = CH - (CH2)7 - COOH
· Ácido Linoléico - CH3 - (CH2)3 - (CH2 - HC = CH)2 - (CH2)7 - COOH
· Ácido Linolênico - CH3 - (CH2 - HC = CH)3 - (CH2)7 - COOH
· Ácido Araquidônico - CH3 - (CH2)3 - (CH2 - HC = CH)4 - (CH2)3 - COOH

C. Propriedades

· O ponto de fusão dos ácidos graxos aumenta com o aumento da cadeia, mas
diminui com o aumento do número de insaturações. Isso ocorre porque a
configuração "cis" das duplas ligações provoca uma dobra de 30o na cadeia, o
que dificulta a agregação das moléculas.

· Os ácidos graxos podem sofrer reações de hidrogenação, halogenação,


saponificação esterificação e oxidação.

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Hidrogenação: é a reação do ácido graxo insaturado + H2, formando ácido

graxo saturado.

Halogenação : é a reação do ácido graxo insaturado com um halogênio,

formando ácido graxo saturado halogenado.

Saponificação : é a reação de um ácido graxo + base, formando sal (sabão).

- Trialcigliceróis

Os Triacilgliceróis são lipídios formados pela ligação de 3 moléculas de ácidos


graxos com o glicerol ou propanotriol um triálcool de 3 carbonos, através de
ligações do tipo éster. São absolutamente hidrofóbicos, sendo também
chamados de "Gorduras Neutras", ou triglicerídeos. Os ácidos graxos que
participam da estrutura de um triacilglicerol são geralmente diferentes
entre si.

A principal função dos triacilgliceróis é a de reserva de energia, e são


armazenados nas células do tecido adiposo, principalmente. São armazenados
em uma forma desidratada quase pura, e fornecem por grama
aproximadamente o dobro da energia fornecida por carboidratos.

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- Fosfoglicerídeos ou Fosfolipídeos

São lipídios que por hidrólise liberam 1 mol de glicerol, 2 mols de ácidos
graxos e 1 mol de ácido fosfórico. O glicerol geralmente está ligado a uma
base nitrogenada (grupamento X), através de ponte fosfodiéster, o que faz
desses compostos moléculas anfipáticas de caudas apolares (por conter
ácidos graxos) e cabeças polares (fofatidil-X).

Os fosfoglicerídeos são o principal componente lipídico das membranas


biológicas.
O grupamento X pode ser :

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Os Fosfolipídeos formando a membrana celular

- Ceras

São lipídios que por hidrólise liberam 1 mol de ácido graxo de cadeia longa e 1
mol de álcool alifático de cadeia longa.

Possuem estrutura linear o que facilita a agregação entre as moléculas,


formando cadeias hidrofóbicas que configuram sua função impermeabilizante.
São utilizadas como impermeabilizantes tanto por animais como por vegetais.
Ex: cera de ouvido (cerume), lanolina (lã de carneiro), cera de carnaúba, cera
de abelha, etc.

A seguir a fórmula do palmitato de miricila (principal componente da cera de


abelhas).

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· Lipídios sem Ácidos Graxos em sua Composição:

Não são saponificáveis. As vitaminas lipossolúveis e o colesterol são os


principais representantes destes lipídios que não são energéticos porém
desempenham funções fundamentais no metabolismo.

- Esteróides

São Lipídios que não possuem ácidos graxos em sua estrutura. São derivados
do ciclopentanoperidrofenantreno, um composto que consiste de quatro anéis
não-planares fusionados.

O esteróide mais importante é o colesterol, que possui um grupamento OH na


posição C3. Este esteróide é um componente majoritário das membranas
plasmáticas animais; enquanto que seu sistema de anéis fusionados lhe
fornece uma rigidez maior do que outros lipídios de membrana.

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O colesterol é o precursor metabólico dos hormônios sexuais, do
glicocorticóides, mineralocorticóides, ácidos e sais biliares e vitamina D.

Alguns dos seus principais derivados do colesterol:

CORTISOL PROGESTERONA
TESTOSTERONA

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Estradiol

Cortisol: é um hormônio corticosteróide produzido pela glândula supra-renal


que está envolvido na resposta ao estresse; ele aumenta a pressão arterial e
o açúcar do sangue, além de suprimir o sistema imune.

Progesterona e Estradiol: hormônios sexuais femininos. São secretados


pelos ovários e são responsáveis pelo desenvolvimento de
características sexuais femininas secundárias e pela menstruação
normal.

Testosterona: hormônio sexual responsável pelo desenvolvimento das


características sexuais masculinas.

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Nucleotídeos

1. Os nucleotídeos são os "blocos de construção" do RNA e do DNA.


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2. Eles são constituídos por um açúcar de 5 carbonos (ribose ou
desoxirribose, um grupo fosfato e uma base nitrogenada púrica ou
pirimidínica. As pirimidinas têm anéis de 6 átomos com dois átomos de
nitrogênio no anel. As purinas contêm anéis de 4 e de 6 membros
reunidos, com 3 átomos de nitrogênio nos anel.
3. Para identificar um nucleotídeo, procure pela porção açúcar-fosfato,
ligada a um anel complexo contendo átomos de nitrogênio.

Os nucleotídeos são as unidades monoméricas do RNA e do DNA. Eles


são constituídos por uma pentose (ribose no caso do RNA e desoxirribose no
caso do DNA), um grupo fosfato e uma base nitrogenada.

Como o nome indica, uma pentose é açúcar que possui um anel com 5
átomos. Ligado ao anel há um grupo fosfato, composto de um átomo de fósforo
ligado covalentemente a 4 átomos de oxigênio. Os nucleotídeos também têm
uma base nitrogenada ligada à pentose.

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Bases nitrogenadas: purinas e pirimidinas

Pirimidinas são anéis planos com 5 átomos de carbono e 1 átomo de nitrogênio.


As purinas são anéis planos fusionados, contendo átomos de nitrogênio. As bases
púricas e pirimidínicas do RNA e do DNA estão mostradas abaixo.

DNA e RNA

O RNA e o DNA são polímeros de nucleotídeos. O esqueleto do polímero é


uma seqüência repetitiva de açúcar-fosfato-açúcar-fosfato- etc. Esses polímeros
têm "polaridade", no sentido de que possuem uma direção definida: o fosfato da
posição 5' de um nucleotídeo liga-se à posição 3' do próximo nucleotídeo. No
modelo do DNA (à esquerda), a fita da esquerda tem a direção 5'-3' (de cima para
baixo), e a outra fita tem a polaridade inversa. Diz-se que as duas fitas de DNA
são "antiparalelas".

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No modelo do RNA, note o grupo -OH extra na pentose, além do uso da
base uracila (U) no lugar da timina (T) usada no DNA.

A estrutura mostrada no diagrama é um exemplo de DNA.

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O polímero mostrado no diagrama pode ser identificado como um ácido
nucléico porque em seu esqueleto covalente se alternam um açúcar e um
fosfato.

Qual ácido nucléico?


DNA ou RNA ? Há duas diferenças principais na estrutura da cadeia de
DNA quando comparada à do RNA.

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1.
O açúcar presente no esqueleto de DNA não possui um grupo hidroxila (-OH) na
posição 2'.
O RNA tem uma hidroxila na posição 2';

2. As bases do DNA são A, G, C e T.

As bases do RNA são A, G, C e U.

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REGULAÇÃO RESPIRATÓRIA DO pH

OBJETIVOS: Descrever a ventilação pulmonar, a produção e o transporte


de dióxido de carbono para os alvéolos pulmonares. Analisar a pressão
parcial do dióxido de carbono e a eliminação pulmonar na regulação do pH
do sangue. Descrever o mecanismo de ação do centro respiratório.

CONCEITOS GERAIS

Os principais mecanismos reguladores do equilíbrio ácido-base do organismo


são os sistemas tampão, a regulação respiratória e a regulação renal. Esses
mecanismos atuam em conjunto e, em circunstâncias normais, mantém
inalterada a concentração de íons hidrogênio dos líquidos orgânicos,
assegurando as condições ideais para a função celular. A alimentação e a
atividade física produzem desvios do pH que são prontamente compensados,
quando as funções respiratória e renal são adequadas.
Em determinados estados patológicos ou em certas alterações pulmonares ou
renais, a produção de ácidos ou a retenção de bases no organismo, podem ser
tão intensos que os mecanismos de compensação tornam-se incapazes de
manter o equilíbrio adequado. Nessas condições, o sistema regulador colapsa e
o pH dos líquidos orgânicos se altera; as funções celulares deterioram e quando
a condição persiste, em geral, ocorre a morte do indivíduo. Os sistemas tampão
e os mecanismos respiratórios são os principais reguladores do pH dos líquidos
do organismo diante de alterações bruscas do equilíbrio entre os ácidos e as
bases.

VENTILAÇÃO PULMONAR

O pulmão humano possui cerca de 300 milhões de alvéolos, que equivalem a


uma superfície de aproximadamente 70 metros quadrados, destinada a trocar

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gases com o ar atmosférico. A função respiratória se processa mediante três
atividades distintas, mas inter-relacionadas e coordenadas:

 ventilação, que consiste no processo através do qual o ar atmosférico


alcança os alvéolos, para as trocas gasosas;
 perfusão, que consiste no processo pelo qual o sangue venoso alcança os
capilares dos alvéolos, para as trocas gasosas;
 difusão, o processo pelo qual o oxigênio da mistura gasosa alveolar passa
para o sangue, ao mesmo tempo em que o dióxido de carbono (CO2)
contido no sangue passa para o gás dos alvéolos.

O sistema respiratório pode ser representado simplificadamente, por uma


membrana com enorme superfície em que, de um lado existe o ar atmosférico e
do outro lado o sangue venoso. Através desta membrana, ocorrem as trocas
gasosas. A enorme superfície disponível para as trocas gasosas permite que em
um minuto o organismo possa eliminar até 200 mL de dióxido de carbono (CO 2).
Por esta grande capacidade de eliminar o CO2 do sangue, o pulmão é o mais
importante regulador do equilíbrio ácido-básico do organismo. O mecanismo
regulador respiratório pode manter o pH na faixa normal, variando a quantidade
de dióxido de carbono eliminada nos alvéolos.

PRODUÇÃO DO DIÓXIDO DE CARBONO (CO2)

As etapas terminais do metabolismo celular consistem na combustão da


glicose e de outros metabólitos, com liberação de energia química e produção
de dióxido de carbono e água. O dióxido de carbono formado no organismo
difunde-se para os líquidos intersticiais e destes para o sangue. O dióxido de
carbono (CO2) combina-se com a água (H2O), para formar o ácido carbônico
(H2CO3); uma pequena parte se dissocia nos íons bicarbonato (HCO 3-) e
hidrogênio (H+), conforme esquematizado na figura. A maior parte do ácido
carbônico existe no sangue como CO2 dissolvido e água, em equilíbrio. O
dióxido de carbono é transportado pelo sangue venoso para os capilares
pulmonares, sob três formas:

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 Gás dissolvido - Cerca de 5% do CO2 é transportado simplesmente
dissolvido na água do plasma.
 Íon bicarbonato - Cerca de 75% do total de CO2 é transportado sob a
forma de íon bicarbonato, produto da reação com a água das hemácias,
catalisada pela enzima anidrase carbônica, que torna a reação 5.000
vezes mais rápida. O íon hidrogênio resultante da reação é captado pela
hemoglobina (sistema tampão das hemácias).
 Combinado à hemoglobina - Os restantes 20% do CO2 ligam-se à
hemoglobina em local diferente do que se liga o oxigênio, mediante uma
ligação química facilmente reversível, para transporte pelo sangue
(carbamino hemoglobina).

ELIMINAÇÃO DO DIÓXIDO DE CARBONO

Figura 8 . Representa a eliminação do CO2, muito volátil, ao nível da


membrana alvéolo-capilar.

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A produção diária de dióxido de carbono é elevada e depende da atividade
metabólica dos indivíduos. O índice metabólico é o fator determinante da
produção do CO2 e, portanto, da sua eliminação pelos pulmões. Os gases tem
um comportamento especial quando estão em solução. A quantidade de gás
existente em uma solução é medida pela sua pressão parcial, ou seja, a pressão
ou a tensão exercida pelo gás na solução, independente da presença de outros
gases. A pressão parcial é proporcional à quantidade de gás existente na
solução. Por essa razão, a quantidade de CO2 existente no sangue é medida
pela sua pressão parcial. A pressão parcial do dióxido de carbono é
representada pelo símbolo PCO2. Nos capilares alveolares, o dióxido de
carbono do sangue venoso se difunde para o gás dos alvéolos. A difusão do
CO2 para os alvéolos é comandada pela diferença de pressão parcial ( PCO2)
entre o sangue venoso e o gás alveolar; esta difusão rapidamente equilibra a
pCO2 do sangue com a PCO2 do gás dos alvéolos pulmonares. A eliminação do
CO2, reduz a quantidade de ácido carbônico, conforme representado na figura.
A redução do CO2 do sangue, elimina ácido e eleva o pH. O aumento da
quantidade de dióxido de carbono no sangue, altera o pH para o lado ácido; a
redução da quantidade (ou da tensão parcial) do dióxido de carbono no sangue,
altera o pH para o lado alcalino. É com base nessa relação que o sistema
respiratório modifica o pH.

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MECANISMO DA AUTO-REGULAÇÃO DO pH

Figura Mecanismo de regulação respiratória do pH, através da variação da


eliminação do CO2.

A concentração de íons hidrogênio do sangue ou, em outras palavras, o


pH do sangue, modifica a ventilação alveolar, através do centro respiratório.
Esta estrutura do sistema nervoso central se comporta como um “sensor” do pH
do sangue. Quando a concentração de íons hidrogênio do sangue está elevada
(pH baixo) o centro respiratório aumenta a freqüência dos estímulos
respiratórios, produzindo taquipneia. Com o aumento da freqüência respiratória,
aumenta a eliminação do CO2 do sangue; a redução dos níveis sanguíneos do
CO2 eleva o pH. A concentração de H+ no sangue é permanentemente
acompanhada pelo centro respiratório, que regula seus estímulos de acordo com
ela, conforme demonstra o diagrama da figura 9. Ao contrário, quando a
concentração de íons hidrogênio (H+) está baixa (pH elevado), o centro

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respiratório diminui a freqüência dos estímulos à respiração e ocorre bradipneia,
que reduz a eliminação do CO2 tentando corrigir o pH do sangue.
Na realidade, a regulação respiratória do pH, por estímulos do centro
respiratório, não normaliza o pH do sangue, porque, à medida que a
concentração do íon hidrogênio se aproxima do normal, o estímulo que modifica
a atividade respiratória vai desaparecendo. Apesar disso, a compensação
respiratória é extremamente eficaz para impedir grandes oscilações do pH.

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