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RECEBIDO: 14.02.

2006
APROVADO: 21.02.2006
ARTIGO ORIGINAL

ESCALA DE AVALIAÇÃO DA
ANSIEDADE-TRAÇO INFANTIL –
UM ESTUDO DE SENSIBILIDADE
E ESPECIFICIDADE
Francisco. B. Assumpção Jr. e Cristiane Renate Resch

TRAIT ANXIETY EVALUATION SCALE VALIDATION- A STUDY


OF SENSIBILITY AND SPECIFICITY

RESUMO: Os autores apresentam estudo para os itens que foram significantes com a The comparison of means obtained for
de validação da escala de avaliação de escala total foi de 0,883. Devido à facilidade healthy asymptomatic controls through t
ansiedade-traço infantil, a partir de sua de uso e sua confiabilidade, acreditamos que, independent test with significance level of
aplicação em 30 crianças de dez a após outros estudos, a escala de avaliação de 5% was significant. The Cronbach´s alpha
dezessete anos (idade média de ansiedade-traço infantil possa ser de utilidade just for the significant items with the total
11,08±2,56), sendo 26 do sexo masculino na prática da Psiquiatria Infantil como scale was 0,883.
e 4 do sexo feminino, e em 30 crianças instrumento de triagem referente aos sintomas Due to its facility of use and reliability, we
portadoras de transtorno de ansiedade de ansiosos em geral. believe that, after more studies, the scale
separação, diagnosticadas conforme os may be useful in Child Psychiatry as a
critérios do DSM-IV (idade média de ABSTRACT: The authors present the screening tool related to anxiety symptoms
11,82±2,56 anos), sendo 16 do sexo childhood trait anxiety evaluation scale in general.
masculino e 14 do sexo feminino, avaliadas validation study by its application in thirty 10-
também pela escala de avaliação de to 17-year-old children, from regular school PALAVRAS-CHAVE: Escala Ansiedade-
ansiedade infantil (SCARED). O coeficiente (mean age 11,08±2,56 years-old), being 26 traço; Criança; Questionário; Estudo de
alfa de Cronbach foi igual a 0,864, e o male and 4 female children, and thirty 10- to Validação.
coeficiente de correlação de Pearson 17-year-old outpatients (mean age 11,82±3,21
mostrou que existiram itens que não se years-old) diagnosed with separation anxiety KEYWORDS: Trait-anxiety scale; Child;
mostraram bem correlacionados. A curva disorder by the DSM-IV criteria, being 16 male Questionnaire; Validation-study.
ROC mostrou ponto de corte com melhor and 14 female children, also evaluated through
desempenho, conjunto de sensibilidade e the screen for child anxiety related emotional
especificidade igual a 41, mostrando boa disorders (SCARED). Cronbach´s alpha was
sensibilidade e especificidade, embora 0,864, and Pearson´s correlation coefficient
diferentes dos obtidos pelos idealizadores showed there were items not well correlated.
do instrumento. A análise fatorial The ROC curve obtained a cut off point with
apresentou os três primeiros fatores the best performance, sensibility and specificity Francisco B. Assumpção Jr. – Professor
reproduzindo cerca de 43% da variabilidade in 41, showing good sensibility and specificity, associado do Departamento de
dos itens. Entre a escala traço-ansiedade although different from the obtained by the Psicologia Clínica do Instituto de
e a SCARED no grupo com queixa, a scale creators. Psicologia da Universidade de São
correlação de Pearson se mostrou igual a - The factorial analysis showed the first three Paulo. Professor livre docente pelo
0,0145, com nível de significância de factors reproduce around 43% of the items´ Departamento de Psiquiatria da
0,9395 para um n=30, caracterizando que variability. The Pearson´s correlation was - Faculdade de Medicina da Universi-
a correlação entre a escala traço-ansiedade 0,0145 between the childhood anxiety-trait dade de São Paulo.
e a SCARED foi fraca. A comparação das evaluation scale and the SCARED in the Cristiane Renate Resch – Psicóloga
médias obtidas com pessoas normais, sem symptomatic group, with significance level of clínica. Especialização em
queixas, pelo teste t independente, com 0,9395 for n=30, showing a weak correlation
nível de significância de 5%, mostrou-se
Psicoterapia Infantil. Orientadora
between both scales. educacional do Complexo Educacio-
significante. O alfa de Cronbach apenas
nal “Pueri Domus”.

A R Q U I V O S B R A S I L E I R O S D E P S I Q U I AT R I A , N E U R O L O G I A E M E D I C I N A L E G A L – V O L 1 0 0 N º 0 1 ; J A N / F E V / M A R 2 0 0 6 19
INTRODUÇÃO a presença de um transtorno de an-
nosografia psiquiátrica, ba- siedade, uma vez que pode ser decor-

A seada principalmente na
experiência com pacientes e
rente de aspectos situacionais e de as-
pectos inerentes à própria personali-
fundamentada em observações psico-
patológicas de cunho eminentemen-
te descritivo com a finalidade de es-
tabelecer a especificidade sintomato-
“Uma vez que são
poucos os instrumentos
dade do indivíduo em questão.
Dessa forma, o conceito traço-es-
tado baseia-se na concepção de ansie-
dade proposta por Spielberger e
lógica e sindrômica, tem grandes di- específicos em nosso Smith,8 que faz a distinção de manei-
ficuldades na Psiquiatria da Infância, ra tal que o estado de ansiedade se
em função da questão do desenvolvi- meio, optamos pela refere a um estado emocional transi-
mento, que propicia uma mudança realização deste tório, caracterizado por sentimentos
contínua nas características do sujei- subjetivos de tensão, que pode variar
to. trabalho a fim de tentar de intensidade todo tempo. Trata-se,
A ansiedade, conceituada por portanto, de uma reação a situações
Sacristán1 como “(...) uma emoção de- validar este instrumento de estresse, enquanto o traço de an-
sagradável característica, induzida com eficácia já siedade se refere a uma disposição
pela antecipação de um perigo ou relativamente estável para responder
frustração, e que ameaça a segurança, devidamente dessa forma ao estresse, com uma ten-
homeostase, ou vida do indivíduo ou dência a perceber uma ampla gama de
do grupo biopsicosocial a que perten- comprovada em outro situações como ameaçadoras. Conse-
ce”, é uma das patologias mais im- ambiente e que pode ser qüentemente, o traço diz respeito à
portantes a serem estudadas, em fun- parte da estrutura de personalidade do
ção de sua prevalência, que chega a de extrema utilidade sujeito.9 Dessa maneira, um instru-
atingir aproximadamente 8 a 10% de mento desenvolvido com essa finali-
crianças com idades inferiores a 10
anos,2 com uma prevalência de 2,5 a
5% na população geral e de 10,6 a
para o pediatra.
” dade mostra-se útil para medir a an-
siedade em diferentes situações rela-
cionadas a ensino, esporte e doenças
24% na população clínica.3 diversas com características clínicas,
Lewis, citado por Andrade e cirúrgicas ou mesmo psiquiátricas,8
Gorenstein,4 caracteriza a ansiedade sem que, no entanto, caracterize obri-
como um estado emocional, com a ligadas a quadros mais complexos que gatoriamente um transtorno ansioso.
experiência subjetiva de medo ou ou- caracterizam um transtorno ansioso. A escala de avaliação de ansieda-
tra emoção relacionada, como terror, Em função dessas dificuldades, faz- de-traço na criança10 (escala traço-an-
horror, alarme e pânico, sendo desa- se necessária a elaboração de testes e siedade) é uma escala clínica, origi-
gradável e podendo chegar a uma sen- escalas como medidas objetivas e padro- nalmente construída com 34 itens, que
sação de morte ou colapso, direciona- nizadas dessa amostra de comportamen- apresenta consistência interna eleva-
da em relação ao futuro, com a sensa- to.6 da (fator a de Cronbach=0,93, sendo
ção implícita de perigo iminente sem Visando ao seu diagnóstico, princi- 0,88 para o fator psíquico, 0,84 para o
risco real, acompanhada de desconfor- palmente em amostras populacionais, comportamental e 0,86 para o
to corporal subjetivo, caracterizado Birmaher7 desenvolveu a escala de ava- somático). A correlação entre itens
por sensação de aperto no peito ou liação de ansiedade infantil (Screen For também é boa, com grau de signifi-
garganta, dispnéia e fraqueza. Para- Child Anxiety Related Emotional cância superior a 0,5 (coeficiente de
lelamente, podem ser observadas ou- Disorders – SCARED), instrumento Pearson). Finalmente, sua validade
tras manifestações corporais involun- auto-aplicável para detecção da ansieda- também é boa, sendo sua zona sob a
tárias, como xerostomia, sudorese, de na criança, que é, freqüentemente, curva ROC de 0,97, com um interva-
tremor, náusea e vômitos, palpitação subdiagnosticada devido à associação lo de confiança igual a 0,945-1,002,
e dores abdominais. com outras patologias psiquiátricas, no qual um escore de 31 oferece uma
Na criança, seu diagnóstico é di- como depressão ou transtorno bipolar. sensibilidade de 82,5% e uma especi-
fícil, uma vez que depende de uma di- Assim, o diagnóstico da ansiedade, seja ficidade de 97%. Mostra-se, assim,
ferenciação com a própria ansiedade ou não um transtorno específico, é im- um instrumento de triagem promis-
decorrente do processo de desenvol- portante, pois ela afeta o desenvolvi- sor na abordagem da ansiedade, con-
vimento, e que deve ser considerada mento infantil, predispondo ao apareci- siderando-se não o transtorno psi-
normal de acordo com as manifesta- mento de outras patologias psiquiátri- quiátrico específico, mas um fenôme-
ções detectadas em cada idade.5 Da cas, e pode persistir no indivíduo adulto no que ocorre em indivíduos sem
mesma forma, manifestações ansio- ou apresentar pior prognóstico, quando transtornos específicos.9 Avalia, assim,
sas podem ser decorrentes somente de não tratada. Entretanto, nem sempre a a ansiedade enquanto sintoma e não
aspectos situacionais ou podem estar presença do sintoma ansioso representa como transtorno ansioso, consideran-

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do o grau de ansiedade traço, identi- Essas crianças foram avaliadas também dos obtidos pelos idealizadores do
ficando se esta é uma condição cons- por meio da escala de avaliação de an- instrumento.
tante no indivíduo,11 o que nos po- siedade infantil (SCARED), conforme a Foi realizada, ainda, análise
deria levar a tentar superpô-la, con- validação proposta por Barbosa et al.14 fatorial, na tentativa de formar fato-
forme refere Akiskal,12 como trans- Os dados obtidos foram analisados res com os itens da escala que repro-
torno de ansiedade generalizada. por meio do teste t independente com duzissem de forma mais sucinta as
Considerando-se essas caracte- nível de significância de 5%. O teste t variações existentes nesses mesmos
rísticas, pareceu-nos útil como esca- independente é indicado na comparação itens. Entretanto, o estudo produziu
la de rastreamento de indivíduos com entre dois grupos de informações com poucos fatores consistentes (dois ou
sintomatologia ansiosa,13 porém sem nível de mensuração numérica, com três) que pudessem reproduzir com
diagnóstico obrigatório de transtor- amostras independentes, para saber se boa margem de explicação as varia-
no ansioso, e, assim, estruturamos em média os dois grupos são diferentes. ções dos itens do estudo. Assim, os
este trabalho visando a propiciar mais Considerando-se que o objetivo propos- três primeiros fatores obtidos repro-
um instrumento adaptado à realida- to foi o de validar a escala traço-ansie- duzem cerca de 43% da variabilida-
de brasileira para a utilização clínica dade, utilizamos ainda o cálculo do coe- de dos itens, quando o ideal seria ter
e para o uso em outros projetos de ficiente alfa de Cronbach, as correlações pelo menos 80% dos mesmos. Em
pesquisa na área. Uma vez que são de Pearson entre a escala total e as esca- função desses resultados, não reali-
poucos os instrumentos específicos las individuais e a curva ROC, sendo zamos a fase de definição dos fato-
em nosso meio, optamos pela reali- que, com esta, utilizou-se um grupo de res.
zação deste trabalho a fim de tentar pessoas com diagnóstico clínico de an- Em conseqüência, alguns itens
validar este instrumento com eficá- siedade (traço ansiedade segundo DSM- (aqueles em que não se observou cor-
cia já devidamente comprovada em IV). Para verificar o grau de correlação relação significante com a escala to-
outro ambiente e que pode ser de ex- entre a escala traço-ansiedade e a tal) poderiam ser retirados da escala,
trema utilidade para o pediatra, vi- SCARED no grupo com queixa, aplicou- uma vez que não se correlacionam
sando a sua utilização como instru- se a correlação de Pearson.15 com o escore total. Entretanto, tal fato
mento de triagem de uma sintoma- deve ser melhor estudado e confir-
tologia, nem sempre vinculada a uma RESULTADOS mado com outras amostras, pois,
patologia psiquiátrica. como hipótese para a falta de corre-
presente estudo visou à ava-

MÉTODO
ara adaptação em nosso meio,
O liação da escala traço-ansieda-
de composta por 34 itens e já
descrita anteriormente. O coeficiente
lação, esse conjunto de itens poderia
formar, na verdade, duas ou mais es-
calas independentes, e não uma só.

P foi solicitada autorização ao


idealizador da escala de avalia-
ção de ansiedade-traço na criança.
alfa de Cronbach foi igual a 0,864. Um
coeficiente de 0,80 ou mais é considera-
do como aceitável para a maioria das
Entretanto, não foi possível demons-
trar esse evento neste estudo.
Para verificar o grau de correla-
ção observado entre a escala traço-
Após seu fornecimento, o questioná- aplicações em ciências humanas, razão
ansiedade e a SCARED no grupo com
rio foi traduzido do francês para o pela qual pode ser considerado bom para
queixa, aplicou-se a correlação de
português por psiquiatra com conhe- a proposta de validação do instrumento.
Pearson, que se mostrou igual a -
cimento da língua, sendo, posterior- Foi, entretanto, menor do que o encon-
0,0145, com nível de significância
mente, feita a retrotradução por pes- trado por seus idealizadores.
p=0,9395 para um n=30. Esses dados
soa com conhecimentos da língua Os coeficientes de correlação de
mostram que a correlação entre a es-
francesa e portuguesa (Anexo I). Pearson entre o escore total e os vários
cala traço-ansiedade e a SCARED foi
Posteriormente, o questionário itens que compõem esse escore são iden-
fraca, ou seja, não há relação entre
foi aplicado em 30 crianças, com ida- tificados na Tabela 1, na qual os itens
elas no grupo com queixa. Assim, elas
des entre dez e dezessete anos (idade marcados com asterisco tiveram corre-
não devem medir as mesmas infor-
média de 11,08±2,56 anos, sendo 26 lação significante (p<0,05) com o esco-
mações, embora a escala em questão
do sexo masculino e 4 do sexo femi- re total. Cabe, porém, observar que exis-
pareça ser um bom instrumento de
nino), provenientes de escola esta- tiram itens que não se mostraram bem
mensuração da forma usual de rea-
dual de primeiro e segundo graus do correlacionados, a saber, os de números
ção dessas crianças, uma vez que
município de São Paulo, sem nenhu- 1, 2, 3, 6, 9, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 18, 19,
apontou diferença significante entre
ma queixa psiquiátrica associada. 20, 21, 24, 25, 26, 28, 29, 32 e 34.
os grupos avaliados. Também esse
Concomitantemente, foi aplicado em A curva ROC mostra que o ponto
fato deve ser confirmado por meio
30 crianças portadoras de transtorno de corte com melhor desempenho con-
de novos estudos.
de ansiedade de separação, diagnos- junto de sensibilidade e especificidade é
A comparação das médias obti-
ticadas conforme os critérios do o ponto 41, no qual se observou sensi-
das com pessoas normais, sem quei-
DSM-IV, por psiquiatra com expe- bilidade de 0,733 (73,3%) e especifici-
xas, pelo teste t independente, com
riência na área (idade média de dade de 0,733 (73,3%). Esses resulta-
nível de significância de 5%, mos-
11,82±2,56 anos, sendo 16 do sexo dos mostram boa sensibilidade e espe-
trou-se significante, observando-se
masculino e 14 do sexo feminino). cificidade, embora também diferentes

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que o grupo com diagnóstico obteve O alfa de Cronbach só para os itens
respostas maiores que o grupo nor- que foram significantes com a escala
mal (Tabelas 3 e 4 e Figura 1). Os total (22) foi de 0,883, maior, portanto,
itens significantes estão marcados que o da escala total, o que pode ser in-
com asterisco e são aqueles que mais dício de que os itens não significantes
contribuem para a diferença no es- não contribuem para uma escala mais
core total. diferenciada.

TABELA 1 – COEFICIENTES DE CORRELAÇÃO DE PEARSON ENTRE O


ESCORE TOTAL E OS VÁRIOS ITENS QUE COMPÕEM ESSE ESCORE “avaliamos
Neste estudo,
uma
Item Correlação de Pearson Nível de significância (p) N
escala específica
I1 0,717 0,00001 30
para sintomas
I2 0,491 0,00587 30
I3 0,443 0,01420 30
de ansiedade
I4 0,060 0,75168 (*) 30 infantil como
I5 0,324 0,08027 (*) 30 forma usual de
I6 0,497 0,00523 30
resposta de
I7 0,292 0,11694(*) 30
I8 -0,042 0,82573(*) 30
determinadas
I9
I10
0,488
0,309
0,00622
0,09628(*)
30
30
crianças.

I11 0,472 0,00844 30
I12 0,651 0,00010 30
I13 0,390 0,03324 30
I14 0,675 0,00004 30
I15 0,396 0,03011 30
I16 0,665 0,00008 29
I17 0,200 0,28931(*) 30
I18 0,601 0,00044 30
I19 0,383 0,03696 30
I20 0,783 0,00000 30
I21 0,491 0,00592 30
I22 0,343 0,06370(*) 30
I23 0,070 0,71156(*) 30
I24 0,423 0,01995 30
I25 0,710 0,00001 30
I26 0,468 0,00906 30
I27 0,279 0,13610(*) 30
I28 0,503 0,00462 30
I29 0,369 0,04452 30
I30 0,268 0,16839(*) 28
I31 0,223 0,23547(*) 30
I32 0,522 0,00306 30
I33 0,086 0,65166(*) 30
I34 0,537 0,00221 30

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TABELA 2 – CURVA ROC PARA O PONTO TABELA 3 – MÉDIAS E DESVIOS-PADRÃO ENTRE
DE CORTE COM MELHOR DESEMPENHO AMOSTRAS NORMAL E ANSIOSA, AVALIADOS POR
CONJUNTO DE SENSIBILIDADE MEIO DA ESCALA TRAÇO-ANSIEDADE
E ESPECIFICIDADE
Com queixa Sem queixa
Pontos de Corte Sensibilidade Especificidade Média 47,90 31,70
Desvio-padrão 11,10 13,20
9,00 1,000 0,000
N 30 30
11,00 1,000 0,033
Teste t: p<0,001
12,50 1,000 0,067
14,50 1,000 0,133
16,50 1,000 0,167
17,50 1,000 0,200
19,50 1,000 0,233 FIGURA 1 – GRÁFICO DESCRITIVO DA DIFERENÇA
0,267 ENTRE ESCORES OBTIDOS NA AMOSTRA NORMAL
22,50 1,000
E NA AMOSTRA DIAGNOSTICADA
24,50 1,000 0,300 POR MEIO DA ESCALA TRAÇO-ANSIEDADE
26,00 1,000 0,333
27,50 0,967 0,333 60
28,50 0,933 0,367 50
29,50 0,933 0,400 40
30,50 0,933 0,500 30
31,50 0,933 0,533
20
32,50 0,900 0,533
10
34,50 0,900 0,600
0
36,50 0,867 0,600 Com Queixa Sem Queixa
37,50 0,800 0,667
Intervalo de confiança para a média:
média ± 1,96 x desvio-padrão / o (n-1)
39,00 0,800 0,700
41,00 0,733 0,733
42,50 0,633 0,800
43,50 0,600 0,800
45,00 0,533 0,833
47,50 0,467 0,867
49,50 0,433 0,900
50,50 0,433 0,933
51,50 0,400 0,933
53,00 0,367 0,933
54,50 0,333 0,967
56,00 0,267 0,967
57,50 0,233 0,967
58,50 0,200 1,000
59,50 0,167 1,000
61,50 0,133 1,000
64,00 0,100 1,000
65,50 0,067 1,000
67,00 0,000 1,000

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DISCUSSÃO
avaliação psicopatológica da criança é difícil, embora

TABELA 4 – COMPARAÇÃO ENTRE DOIS GRUPOS


AVALIADOS PELA ESCALA TRAÇO-ANSIEDADE, UM
A deva ser estabelecida visando à determinação de seus
índices populacionais, para que medidas preventivas
e terapêuticas possam ser implementadas.
Neste estudo, avaliamos uma escala específica para sin-
DELES COMPOSTO POR PESSOAS CONSIDERADAS tomas de ansiedade infantil como forma usual de resposta de
NORMAIS E SEM QUEIXA E OUTRO GRUPO COM determinadas crianças. A importância desse tipo de validação
DIAGNÓSTICO CLÍNICO DE ANSIEDADE REALIZADO deve-se ao fato de termos pouquíssimos instrumentos ade-
SEGUNDO OS CRITÉRIOS DO DSM-IV
quados à abordagem da criança, da mesma forma que os
Com queixa Sem queixa Mann-Whitney idealizadores deste instrumento referem quando a conside-
Desvio-
ram o único instrumento realizado em árabe dialetal. No Bra-
Desvio-
Média n Média p sil, como instrumento destinado à avaliação de transtornos
padrão padrão n
de ansiedade na infância, temos tão-somente a SCARED, va-
1 2,2 0,8 30 1,3 1,0 30 0,001 (*)
lidada por Barbosa et al.14 Para avaliação do sintoma ansieda-
2 2,0 1,0 30 1,0 0,9 30 <0,001 (*) de-traço, não possuímos muitos instrumentos padronizados.
3 1,2 0,9 30 1,0 0,8 30 0,390 As diferenças observadas em relação ao trabalho original
4 1,2 1,1 30 0,9 1,0 30 0,304 talvez possam ser compreendidas em razão da tradução reali-
zada e das diferenças culturais entre ambas as populações.
5 1,5 1,2 30 1,5 1,1 30 0,891
As diferenças com a SCARED podem ser compreendidas
6 1,3 1,3 30 0,8 1,0 30 0,130 em função de essa escala ser auto-aplicável e, assim, oferecer
7 1,0 0,9 30 1,1 1,0 30 0,708 uma visão pessoal da criança referente a um quadro de ansie-
8 1,2 0,9 30 0,7 0,7 30 0,033 (*) dade de separação, enquanto a escala traço-ansiedade reflete
a visão dos genitores (ansiedade-traço) sobre a maneira usual
9 2,2 1,0 30 1,4 1,0 30 0,005 (*)
de resposta da criança. Também deve ser considerado o fato
10 1,7 1,1 30 1,2 0,9 30 0,072 de a SCARED procurar avaliar transtornos ansiosos propria-
11 0,5 0,9 30 0,7 1,0 30 0,645 mente ditos, ao passo que o instrumento em questão se pro-
12 2,1 1,0 30 1,4 1,1 30 0,013 (*) põe a avaliar formas usuais de reação da criança diante de
determinados eventos. A irregularidade dos valores obtidos
13 1,6 1,3 30 0,9 1,1 30 0,039 (*)
nos diferentes itens pode também ser compreendida pelo fato
14 2,0 0,9 30 0,9 1,0 30 <0,001 (*) de que, como a ansiedade corresponde a uma reação comple-
15 1,7 1,0 30 1,2 0,8 30 0,035 (*) xa, ela pode ser expressa de maneiras diferentes e, freqüente-
16 2,2 0,9 30 1,9 0,8 29 0,125 mente, imbricadas.
Devido à sua facilidade de uso, bem como sua
17 1,7 1,3 30 1,0 1,1 30 0,029 (*)
confiabilidade, acreditamos que, após outros estudos, este ins-
18 2,4 0,9 30 1,8 1,0 30 0,014 (*) trumento diagnóstico possa ser de utilidade na prática da Psi-
19 2,0 1,2 30 1,3 1,1 30 0,026 (*) quiatria Infantil como instrumento de triagem referente aos
20 1,9 1,1 30 1,1 1,1 30 0,009 (*) sintomas ansiosos em geral, mais do que para sua classifica-
ção diagnóstica. Poderia ser utilizado, portanto, principalmente
21 1,2 1,3 30 0,8 1,1 30 0,246
em Pediatria, para posterior encaminhamento a serviços es-
22 1,8 1,2 30 1,1 1,2 30 0,038 (*) pecializados. Sugerimos, assim, que o estudo deve prosseguir,
23 0,7 1,0 30 0,3 0,6 30 0,073 aumentando-se a amostra estudada para que se observem as
24 0,9 1,3 30 0,8 1,0 30 0,948 diferenças relativas às variações de idade e sexo, devendo-se
ainda verificar a estabilidade da mensuração al longo do tem-
25 1,6 1,3 30 1,0 1,1 30 0,103
po, uma vez que ansiedade-traço é manifestação crônica, dis-
26 1,5 1,1 30 0,9 0,9 30 0,021 (*) criminando-se o sintoma em questão dos sintomas
27 1,0 1,2 30 1,3 1,2 30 0,393 depressivos.
28 0,6 0,9 30 0,1 0,3 30 0,004 (*)
29 1,9 1,3 30 1,0 1,2 30 0,011 (*) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Sacristán JR. La ansiedad en la infancia. La experiencia de la
30 0,1 0,4 30 0,0 0,2 28 0,980 angustia en niños. In: Sacristán JR. Psicopatologia del niño y del
31 1,2 1,2 30 0,4 0,6 30 0,023 (*) adolescente. Sevilla: Universidad de Sevilla; 1995.
2. Bell-Dolan D, Brazeal TJ. Separation anxiety disorder, and school
32 0,8 0,9 30 0,6 0,9 30 0,309 refusal. Child Adolesc Psychiatr Clinics N Am 1993;2(4):563-80.
33 0,3 0,7 30 0,1 0,3 30 0,150 3. Jouvent R, Bungener C, Morand P, Millet V, Lancrenon S, Ferreri
M. Distinction trait/état et anxieté en médecine génerale: étude
34 0,9 1,2 30 0,3 0,7 30 0,011 (*) descriptive [Distinction between anxiety state/trait in general
practice: a descriptive study]. Encephale 1999;25(1):44-9.
Teste t-independente com nível de significância de 5% 4. Andrade LHSG, Gorenstein C. Aspectos gerais das escalas de
avaliação de ansiedade. In: Gorenstein C, Andrade LHSG, Zuardi

24 V O L 1 0 0 N º 0 1 ; J A N / F E V / M A R 2 0 0 6 – A R Q U I V O S B R A S I L E I R O S D E P S I Q U I AT R I A , N E U R O L O G I A E M E D I C I N A L E G A L
AW, eds. Escalas de avaliação clínica
ANEXO I 14. Abandona rapidamente as ta-
em psiquiatria e psicofarmacologia. refas iniciadas.
São Paulo: Lemos; 2000. ESCALA TRAÇO-ANSIEDADE INFANTIL 15. Chora facilmente
5. Gemelli R. Normal child and
adolescent development. Washington: 16. Procura situações de seguran-
American Psychiatric Press; 1996. p. Nome:________________________ ça (por contato físico, pela presença e
406-11. Sexo:______________Idade:______ pessoa familiar, por encorajamento).
6. Anastasi A. Testes psicológicos. São Data:______________ 17. Tem medo de escuro.
Paulo: Herder; 1965. p. 3-24. 18. É sensível às críticas.
7. Birmaher B, Khetarpal S, Brent D, 19. Apresenta recusas sistemáticas
Cully M, Balach L, Kaufman J, et al. Vocês encontrarão aqui indicações
The Screen for Child Anxiety Related descrevendo os comportamentos infan- e apresenta “caprichos” (para levan-
Emotional Disorders (SCARED): scale tis ou seus problemas. Leiam atenta- tar-se pela manhã, para se vestir, para
construction and psychometric mente as indicações e escolham o grau lavar-se, para fazer as lições da escola
characteristics. J Am Acad Child
de sofrimento da criança em relação ao etc.).
Adolesc Psychiatry 1997;36:545-53. 20. Duvida de seu valor e de seu
8. Spielberger, CD; Gorsuch, RL; Lushene, problema apresentado.
Indique sucesso (escolar, esportivo etc.).
RE. IDATE – Inventário de Ansiedade
Traço-Estado. Centro Editor de 0: ausente; 21. Justifica os maus resultados es-
Psicologia Aplicada. RJ, 2a. ed. 2003. 1: raramente; colares por esquecimento ou falhas de
9. Biaggio, AM; Natalicio, L; Spielberger, 2: freqüentemente; memória.
CD. Desenvolvimento da forma 3: sempre. 22. É instável, agitado, superexci-
experimental em portugues do tado.
Inventário de Ansiedade Traço-Estado 23. Tem tendência a apresentar
(IDATE), de Spielberger. Arq. Bras. 1. Tem tendência a se mostrar inqui-
eto ou a ficar preocupado a propósito de problemas digestivos (náuseas, vômi-
Psic. Apli. RJ, 1977, 29 (3): 31- 44.
10. Bouden A, Halayem MB, Fakhfakh R. qualquer coisa (exames, competições, tos, diarréias).
Étude préliminaire de validation d’une doenças de pessoas próximas, brigas en- 24. Tem dificuldades para se ali-
échelle d’anxieté-trait chez l’enfant. tre os pais...). mentar (apetite caprichoso, recusas
Neuropsychiatr Enfance Adolesc
2. Tem tendência a preocupar-se, evi- alimentares).
2000;50(2):25-30. 25. Preocupa-se em ter mau de-
11. Birmaher B, Brent DA, Chiappetta L, tar ou recusar situações novas.
3. Tem tendência a ter dores de bar- sempenho ou fazer mau aos outros
Jeffrey Bridge BS, Suneeta Monga BS,
Buagher M. Psychometric properties riga. (exames, competições, relacionamen-
of the Screen for Child Anxiety 4. Tem tendência a preocupar-se ou to com os colegas ou professores).
Related Emotional Disorders evitar pessoas que não lhe são familia- 26. Tende a se distrair ou apresen-
(SCARED): a replication study. J Am
res. ta dificuldades em se concentrar.
Acad Child Adolesc Psychiatry 27. Rói unhas.
1999;38(10):1230-6. 5. Tem tendência a perguntar muito
a respeito de fatos cotidianos. 28. Queixa-se de opressão no pei-
12. Akiskal HS. Toward a definition of
6. Tem tendência a preocupar-se com to ou dificuldades em respirar (inde-
generalized anxiety disorder as an
anxious temperament type. Acta a volta às aulas, as idas ao quadro ne- pendentemente de esforço físico).
Psychiatr Scand Suppl 1998;393:66-73. gro, os exames. 29. Tem dificuldades de sono (re-
13. Andreoli SB, Blay SL, Mari JJ. Escalas 7. Queixa-se de dores de cabeça. cusa-se a deitar, tem rituais de ador-
de rastreamento aplicadas na
8. Queixa-se de vários tipos de do- mecimento, exige companhia).
população geral. In: Gorenstein C, 30. Dificuldades em engolir (quei-
Andrade LHSG, Zuardi AW, eds. res.
9. Tende a ser irritável, nervoso, re- xa-se de uma bola na garganta).
Escalas de avaliação clínica em
psiquiatria e psicofarmacologia. São clamando de tudo. 31. Sobressalta-se com ruídos.
Paulo: Lemos; 2000. 10. Tem a tendência de perguntar 32. Apresenta pesadelos freqüen-
14. Barbosa GA, Gaião AA, Gouveia VV. muito no que se refere a temas insóli- tes.
Transtorno de ansiedade na infância e
tos ou surpreendentes. 33. Queixa-se de que o coração
adolescência: um estudo de prevalência bate muito forte (independentemen-
e validação de um instrumento 11. Queixa-se, espontaneamente, de
esquecimento ou lacunas de memória. te de esforço físico).
(SCARED) de triagem. Infanto
2002;10(1):34-47. 12. Preocupa-se com o que os outros 34. Tem tendência a apresentar
15. Glantz SA. Primer of biostatistics. 4. pensam a seu respeito (colegas, profes- movimentos nervosos (tremores, ti-
Ed. New York: McGraw-Hill; 1997. sores, instrutores etc.). ques).
13. Recusa-se a ficar sozinho ou tem
medo da solidão. (Bouden et al. Neuropsychiatr Enfance
Adolesc 2002;50(2):25-30)

Endereço para correspondência

Francisco. B. Assumpção Jr.


Rua dos Otonis, n. 697 – Vila Clemen-
tino
04025-002 São Paulo; SP; Brasil
E-mail: cassiterides@bol.com.br

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