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iK.: Proscênio Filosófico (Org.

) Isaías Klipp

Ed. & Revista Eletrônica Proscênio Filosófico, Catalogação da Presente Edição

ONTOLOGIA - Nicolai Hartamnn Vol. 1 / edited by Isaías Klipp


(Klippenstein).
p. cm.
Proscênio Filosófico Sept. 14-09, 2018 in Caxias do Sul - RS, Brasil.
Includes bibliographical references and index.
https://prosceniofilosofico.wordpress.com (Revista Digital : alk. paper)

Change-Congresses: (Org.) KLIPP, Isaías. (Klippenstein)


iK.: Proscenium Philosophical, 2018.
E-mail: Isaíah.klipp@gmail.com

Copyright 2018. ONTOLOGIA - Nicolai Hartmann Vol. I. (Org.) ISAÍAS KLIPP


(Tradução, Comentários e Notas)

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ONTOLOGIA
Fundamentos

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PRÓLOGO

As quatro investigações que apresento juntas nesse livro –


sobre o ente enquanto ente, o “ser-aqui” e o “ser-assim”, a
maneira de dar-lhe a realidade e o ser ideal – formam o prelúdio
de uma ontologia em que trabalho desde dois decênios e cujas
partes subsequentes estão já esboçadas e seguirão dentro de não
muito tempo.

O todo planejado forma o tratado filosófico fundamental


de meus trabalhos sistemáticos aparecidos desde então – a
Metafísica do Conhecimento, a ética do ser. O problema do ser
espiritual –, havendo-se de os feito notar de forma certa e
repetidamente na estrutura deles. Dar-lhes término era uma tarefa
que somente podia amadurecer e realizar-se lentamente. Entra na
essência de uma obra capital estar submetida à distinta lei de
desenvolvimento que a exposição de domínios particulares e
periféricos; alcança sua maturidade mais tarde, porque o campo
do dado em que se encontram seus pontos de partida se estende
aos domínios parciais, mesmo que toda experiência filosófica se
recolha exclusivamente neles. Confirma-se nele a lei de Aristóteles
que diz que o caminho de todo conhecer avança desde o anterior
para-nós até o anterior e mais fundamental em si. A direção do
caminho não pode inverter-se, isto é, se a filosofia não há de
degenerar em especulação. É a impaciência do afã especulativo a
que o quer de outra maneira. Essa impaciência se encontra pronta
em qualquer momento a antecipar o todo e a tomar dele
consequências e dá-las por evidências. Porém justo ela tem que
calar-se ali onde se trata de obter uma evidência efetiva.

Ressuscitar os tempos da antiga ontologia dedutiva a priori


não parece ser do interesse de nenhum dos atuais esforços. Sem
dúvida, quem haverá de retornar em nova vestimenta mais de um
dos velhos temas; os problemas não surgem e sucumbem com os
métodos que se ensaiam sobre os mesmos. Porém a maneira de
tratá-los se faz distinta. A conquista filosófica dos séculos da
Idade Moderna, a escola do pensar crítico, não há passado de
longo e sem deixar pegadas por junto a ela. Se tem feito possível
uma nova ontologia, crítica. Realizá-la é a tarefa. Seu proceder
não se presta a que se o exponha de antemão, não respondendo a
nenhum dos simples esquemas metódicos tradicionais.
Unicamente no avanço por seu objeto poderá pôr de manifesto e
justificar-se. Para ter uma visão de conjunto com a que poderia

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caber julgá-lo conclusivamente, não bastam, em absoluto, nem


sequer a quatro investigações deste tomo.

Essas investigações não pretendem formar um todo


cerrado; é somente o primeiro membro de uma série natural de
problemas que unicamente com a marcha progressiva desse
encargo cobrará todo seu peso. Talvez fosse ousado apresentá-las
separadamente, se a ampla massa do conjunto inteiro de
problemas não prescreverá imperiosamente um pôr de limites
provisórios. Praticamente não é possível recolher em um só livro
uma série tão imponente de investigações como a que requer o
tema total da ontologia.

Ao par começo com isso a pagar uma velha dívida. Em


meus trabalhos não hão faltado supostos ontológicos, que tive de
tomar sem podê-los fundamentar de modo suficiente. Mediante
uma série de trabalhos menores (como é possível uma Ontologia Crítica,
Leis Categoriais, etc.) tenho tratado de remediar essa deficiência. O
que não podia bastar em última análise, pois não se tratava de
aclarar questões marginais, senão de fundamentar um todo. O
fragmentário de semelhante proceder teria inclusive que suscitar a
sua vez más inteligências. Essas não hão faltado, pois, tampouco,
nos juízos dos colegas. Fazê-los frente em detalhe sem apresentar
por mim mesmo algo concluído, não me parece ou pareceu-me
prometedor.

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INTRODUÇÃO

01 – A forma tradicional de pensar e a força do hábito.


Por que devemos realmente retornar a ontologia? Não era
em outro tempo o ontológico o fundamento da filosofia inteira?
E não se há derrubado sob ela esse fundamento, arrastando-o ao
colapso a ela mesma e a tudo quanto estava em pé junto d’ela?

Não é somente o ceticismo o que há minado. A filosofia


crítica desde Descarte até Kant não era, de modo algum, uma
filosofia cética; e, no entanto, foi quem fez retroceder cada vez
mais a questão do “ente enquanto tal” (ente enquanto ente), até
acabar rejeitando-a como de todo ponto absurdo. A questão de
“como podemos saber algo do ente em si” é substituída pela
questão de “como podemos, sequer, falar univocamente dele”;
muito menos ainda, “referi-lo”. No falar dele e referi-lo está já,
em efeito, ele posto; é algo existente “para-nós” e não em si. As
escolas kantianas de princípios e fins do séc. XIX o hão
expressado assim com toda rudez, robustecendo-o com reflexões
que não resultam em nada mais senil que a derrocada das teorias
idealistas.

Não se deve, certamente, tomar apressadamente essa


hostilidade, ainda quando já não se tenha o papel diretivo na
filosofia atual. As formas em que se move nosso pensar são ainda
as suas, os conceitos são os criados por ela. Se há retornado uma
hostilidade que nos ataca desde dentro, é porque é ela como a
urdidura de nossas próprias reflexões. Fazê-lo frente quer dizer
revisar de raiz os conceitos, transformá-los e aprender a trabalhar
com suas transformações. Porém é difícil deixar as vias muito
recorridas no pensar próprio e aprender a marchar com segurança
pelas recém abertas.

Nada menos que isso significa para o pensar atual do


problema da ontologia. Nem nada menos que a força de alguns
hábitos de pensar fixados ao longo de uma tradição de, com no
mínimo, 150 anos, é o que lhe resiste. Os adversários da questão
do ser já não são hoje verdadeiros idealistas. Porém são de ponta
a cabo herdeiros da forma idealista de pensar. E justo porque já
não o sabem, se aferram com plúmbeo, como chumbo, no pesar
da herança tradicional do pensamento que há determinado o
curso evolutivo do seu pensar.

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Trata-se aqui, em primeira linha, de conceitos e supostos


gnosiológicos. Cada qual leva consigo alguns, mesmo se o sabe ou
não. Porém como a teoria do conhecimento se há desenvolvido
em terreno idealista. Nos problemas que haverão de resolver-se
no que segue entra o de investigar a solidez desses conceitos
gnosiológicos e o de demoli-los até onde seja necessário.

Sendo, pois, o problema tão grande e difícil, que já aos


primeiros passos penetra até os supostos tácitos do pensar
filosófico, por quê teremos que entregar-nos realmente a ele? Não
seria melhor abandonar a si mesma a marcha vacilante e tateante
da investigação, tal qual vem trabalhando por várias vias, em vez
de ousar por, como a metafísica dos velhos tempos, uma
discutível garra sobre os primeiro princípios, sobre os que a fim
não podem edificar-se em nada por definitivo? Por que – assim
há de se ter de perguntar com toda seriedade – devemos, em
suma, retornar a ontologia?

02 – Carência de problemas, cansaço de problemas, positivismo.


Dar à resposta à pergunta anterior é o propósito desta
introdução. Podemos antecipá-la declarando simplesmente: temos
que retornar a ontologia, porque as questões metafísicas
fundamentais de todos os domínios da investigação em que
trabalha o pensar filosófico são de natureza ontológica, e porque
essas questões não se lançam do mundo com um ignorá-las
“criticamente” ou esquivar-se com toda aplicação. Poderia
assinalar, ademais, que o conteúdo de semelhantes questões não é
senão um produto arbitrário do gosto dos homens por questões,
nem tampouco um lastro do pensamento que se haja retornado
meramente, senão que é a eterna e enigmática do mundo mesmo
e tem suas raízes na constituição deste. Disso resultaria, sem mais,
que o homem está posto ante elas de forma durável e
isoladamente. Mas ainda, poderia apelar-se aqui finalmente a
Kant, que dá conta dessa situação nas primeiras linhas do prólogo
da Crítica da Razão Pura.

Porém nada disso para (ou refreia) o pensar atual. Tem-se


habituado esse pensar a passar por alto questões incômodas. Há
se torando, em efeito, perfeitamente usual confundir o conteúdo
de um problema e o empreendimento de um problema: porém,
com o último é fácil o jogo; pois se pode reformá-lo ou rejeitá-lo
segundo seja necessário. Ao presente não é, de modo algum,
comum do saber a existência, no conteúdo dos grandes
problemas, de algo irrecusável, que não está no poder do homem
alterar. Isso há que deixá-los conscientes e mostrá-los de novo ao

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pensar atual. E como não conhece mais campo de problemas que


o próprio e estreitamente presente, há que mostrar-lhe que o
mesmo encerra os grandes problemas irrecusáveis, só que não
sabe deles.

De outra maneira tampouco pode dar aqui fruto a


apelação a autoridade histórica. Acima, o que Kant sentou como
um destino universal a razão, não concerne, de modo algum, a
totalidade dos problemas metafísicos; não se diga, pois, sua capa
ontológica fundamental. Kant aprovou simplesmente os três
grandes domínios do conhecimento da filosofia especulativa – o
cosmos, a alma, a dignidade –, porém não viu, de modo algum,
que também no mais próximo de tudo e aparentemente
compreensível de si estão contidos fundos de problemas
metafísicos, não menores que os domínios nomeados, porém
muito mais premente que esses.

A tudo isso se acrescenta que no pensar filosófico atual há


certo cansaço dos problemas. O profundamente arraigado
relativismo – na Alemanha, como mais conhecido, sob a forma
do historicismo – há tido aqui um efeito paralisador. Para poder
ver sem ambiguidade problemas e atacá-los, é necessário ver o
sentido do verdadeiro e do falso; pois todo trabalho de
investigação luta para conquistar a verdade. Porém como, se por
verdadeiro passa tudo o que é conforme a situação histórica do
espírito de uma época determinada? O conflitar dessa luta mesma
se volta ilusória, porque parece extinguir-se o sentido daquilo pelo
que se luta. E, então, tampouco pode seguir havendo problemas
que sejam inevitáveis e possam reclamar inexoravelmente algo de
nós. Eles mesmos parecem sucumbir, em efeito, a mesma
relatividade que as conquistas parciais do conhecimento das quais
são anelos.

Assim se acaba por não crer já em problemas. Se os toma


tão pouco a sério como a verdade a que se aponta com eles. E
com isso se anula o sentido da investigação – porém, ao par,
também o sentido inequívoco da posição que se toma justo com
essa anulação. E é a auto-anulação do pensar filosófico.

03 – O problema do ser nos sistemas idealistas.


Um pensar que se houvesse ficado efetivamente sem
problemas, tampouco, poderia, provavelmente, ensinar-se. Porém
a verdade é que não há ido tão longe. Apesar de todas as
tendências contrárias, tem cada época seus problemas, não
havendo relativismo capaz de varrer-se com eles. O que em nosso

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tempo há necessário de que o despertem, são melhores tão


somente os problemas metafísicos do fundo. E a esse despertá-
los é favorável o espontâneo despertar do sentido para as
questões metafísicas em geral que se anuncia desde o começo do
século ao que somente há reprimido o relativismo.

Por que se há sobrevivido realmente a si mesmo o


idealismo teorético? Era em outro tempo o suporte e o
articulador de uma filosofia do espírito que abriu verdadeiramente
caminhos, e a plenitude de problemas vistos por sua culminação
no grande período de Kant a Hegel não está ainda hoje esgotado
ou exausto de qualquer maneira. Mas o idealismo teria ainda
outro lado, de teoria do ser – se o conhece como teoria idealista
do conhecimento –, e esse lado passou cada vez mais ao primeiro
término depois de haver excedido o idealismo seu mais alto
ponto. Esse lado é o que se fez notar, já nos começos, com a luta
contra a “coisa em si” e experimentou a intensificação mais
extrema no neokantismo.

Esbarra-se até hoje com a opinião de que o idealismo


consequente não necessita empreender, em absoluto, a questão
do “ente enquanto tal”; mas ainda, de que de feito não a há
empreendido jamais. Porém como entendê-lo, ao ver que as
teorias do caso se esforçam em todas as formas por provar a
“identidade do ser”? Pode dizer-se que semelhante empenho não
a empreende com a questão do ser, nem é uma teoria do ser?

Kant admitiu a “realidade empírica”, das coisas, porém a


declarou como uma mera aparência; declarando-a
“transcendentalmente ideal”. Fichte se a fez produzir ao EU;
porém como o “EU” a tem em sua vida por real, não pode saber
da reprodução dela. Schelling chamou com retidão a essa de
“produção consciente”. É uma teoria que faz, certamente,
impressão de artificial, e que tampouco se há mantido, de modo
algum, na história. Porém por escabrosas que sejas suas
consequências, não pode haver dúvida aqui, sem dúvida, uma
aparência, mais justo essa declaração é uma declaração daquilo
pelo que se tem ao fenômeno da realidade e sua maneira de dar-
se. É, pois, tão exatamente como qualquer explicação realista,
uma teoria do ente enquanto tal. A questão do ser é a mesma, e o
é sobre a base dos mesmos fenômenos. Tão somente se a pode a
responder de outra maneira (...).

O mesmo é válido das formas do idealismo lógico entre


os neokantianos. Pode partir do ser predicativo o juízo, em lugar
de fazê-lo das funções do eu, e reduzir toda realidade a validez

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lógica. Será muito arbitrário, porém, é, em definitivo, também


uma explicação da maneira de ser.

A trama ontológica tampouco a esquiva, pois, aquelas


teorias das quais com mais facilidade pudesse se esperar que a
evitasse efetivamente do todo. Nem sequer o mais extremado
subjetivismo pode menos do que explicar, de alguma forma ao
menos, a “experiência” do ser. Com o que faz a experiência de
que não é nada mais fácil explicar a experiência que o ser mesmo.
Por isso resultam tão artificiosos os sistemas dessa espécie.
Desprezando, por assim dizer, o peso da questão do ser, e tendo
que pagar a arrogância com íntima fragilidade.

Para o ceticismo segue sendo o mesmo, só que com signo


inverso. Tampouco pode escapar tratar do real, justo ao mostrar
que é questionável. A maneira de ser dos objetos se refere, em
efeito e em primeira linha, a epoché (επογη) com a qual o
ceticismo se contém resignado. E no ceticismo é onde se vê com
mais pureza por que é e tem que ser assim. Um pensar teorético
que não seja ontológico no fundo, não existe de forma alguma e é
coisa de impossibilidade. É patentemente a essência do pensar o
somente poder pensar “algo”; não, o poder pensar “nada”. Assim
o expressou já Parmênides. Para o “algo” se apresenta em todo
momento uma pretensão de ser e conjura a presença da questão
do ser.

04 – Fundo ontológico do relativismo.


O mesmo pode mostrar-se mutatis mutandis de todas as
teorias que relativizam o conceito da verdade, tanto se se apoiam
em argumentos pragmatistas quanto em argumentos historicistas.

Se há mostrado com frequência que tais teorias se anulam


a si mesmas, declarando radicalmente impossível o sentido
rigoroso do verdadeiro e do falso que para si mesmas reclamam
suas teses. Voltando em forma positiva, significa isso que em
realidade somente relativizam a validez dentro das convicções da
época e não a verdade mesma. Modesto resultado que nada
discute sem necessidade de tanto aparato. Não é justamente uma
ea mesma coisa que algo “seja” verdadeiro e que “valha” por
verdadeiro. Também os erros podem valer por verdade para uma
larga série de generalidades, também o verdadeiro pode
permanecer oculto ou ser incompreensível para o ‘pensar’ delas
(ou nelas) e desacreditar-se como erro ali onde se o enuncie.

É uma sensível reflexão. Embora após a confusão de


verdade e validez se esconda uma muito mais perigosa: a da

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verdade e a do critério da verdade. Essa é de índole gnosiológica e


se anseia muito mais profundamente nos fundamentos de nosso
saber do ente. Se a verdade fosse uma nota do conteúdo do
conhecimento, o falso se denunciaria necessária e constantemente
por si mesmo na consciência – fosse como discordância ou como
quer que fosse ou queira –, e não haveria erro que pudesse nessa
afirmar-se. A lei do erro é justamente a que se anula tão pronto
como se lhe reconhece por tal. A verdade era de fato, então, a
“norma de si mesma e da falsidade”. Porém não é assim na
economia do “conhecer humano”. O erro e o conhecimento se
dão indiscriminadamente mesclados em todos os domínios da
vida e do saber; todo avançar com a vista do espírito é um
progressivo retificar de erros, e é necessário conquistar primeira e
constantemente a crítica do erro começando desde muito longe.
Aqui radica a íntima razão da aparente relatividade da verdade,
tanto da particularizada na opinião pessoal quanto da histórico-
objetiva na sucessão dos tempos.

Porém, tão pronto quanto o relativismo histórico toca


também no problema do Ser, acomete uma falta, todavia, muito
mais importante e grave. Esta expressão da teoria é fácil, porque
“ser verdade” significa ainda, contudo, dar-se no Ente. Também a
realidade do mundo se entende, segundo isto, como relativa ao
espírito da época. E com tal se engana não somente a trivialidade
de que no mundo real mesmo se alteram muitas coisas, dado uma
só vez, segundo a conformação histórica do espírito que faz dele
seu objeto (do mundo).

Sobre a extravagância de semelhantes conclusões não é


coisa de malgastar palavras. Porém se é instrutivo que a teoria
experimente justo por esse lado da consequência de uma correção
que a aniquila. Em contrapartida, da conformação do espírito
desta, em efeito, está suposto aqui mesmo como um movimento
real, e somente este suposto pode causar aquela “variabilidade”.
Porém, pertence a esse mesmo mundo real, cuja relatividade da
conformação do espírito se inferia. Em primeiro caso, não é
efetivo o movimento de mudança do espirito, e nem, portanto,
pode-se também efetuar relatividade alguma do ente; que em
último caso, subsiste, sem dúvida, em pé. Porém, o ente não
possa ser relativo a ele.

Isso soa, quando assim expresso, grandemente artificioso.


Só que a artificialidade está na teoria, não na refutação. Porém, o
resultado sensivelmente positivo dessas considerações é a
evidência de que inclusive o relativismo extremo supõe um
fundamento ontológico. Do qual bem se pode concluir que

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teóricas “capazes” de passá-las sem tal fundamento são coisa de


simples e pura impossibilidade (flutuações fadadas ao fracasso).

05 - Fundo Metafísico da Ciência Natural

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