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ADVOCACIA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA


CÍVEL DE RIBEIRÃO PRETO/SP.

PEDE PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO DA AÇÃO – FATOR IDADE


(art. 1211-A do CPC)

____________, brasileiro, maior, viúvo, aposentado,


residente e domiciliado na Rua ___, nº. ___, em ___________ – CEP
.______________, inscrito no CPF(MF) sob o nº. ___________, vem,
respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu
patrono regularmente constituído nos autos – instrumento procuratório anexo --
, advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção da
___________, sob o nº. __________, onde, em atendimento ao preceito
contido no art. 39, inc. I, do CPC, indica o endereço constante do timbre desta
para as intimações necessárias, para ajuizar, com fulcro no art. 148, 166, 171,
186, 927, todos do Código Civil Brasileiro; Art. 14 do Código de Defesa do
Consumidor c/c Art. 5º, incisos V e X, da Carta Política, a presente

AÇÃO DE ANULATÓRIA C/C REPARAÇÃO DE DANOS


(MORAL E MATERIAL)
COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA

contra BANCO ________, instituição financeira de direito privado, com sua


sede na Av. ________, nº. ________, em São Paulo(SP) – CEP nº. ________,
inscrita no CNPJ(MF) sob o nº. _____________.
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INICIALMENTE

1 - PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO NO PROCESSO

O Autor, em face do que dispõe o Código de


Processo Civil, assevera que é nascido em janeiro do ano de 1936 –
documento comprobatório anexo --, fazendo jus, portanto, à prioridade na
tramitação do presente processo, o que de logo assim o requer(doc. 01).

CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL


Art. 1.211-A – Os procedimentos judiciais em que figure como
parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 (
sessenta ) anos, ou portadora de doença grave, terão prioridade
de tramitação em todas as instâncias. ( com redação da Lei nº.
12.008/09 )

2 - REQUER, ADEMAIS, OS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA

O Autor, de outro bordo, vem requerer a Vossa


Excelência os benefícios da gratuidade de justiça, por ser pobre, o que faz
por declaração neste arrazoado inicial(LAJ, art. 4º), através de seu bastante
procurador, onde ressalva que não pode arcar com as custas do processo sem
prejuízo do sustento próprio e de sua família, em conformidade com as
disposições da Lei nº 1.060/50, afirmação esta que a faz sob as penas da lei.

I – SÍNTESE FÁTICA

O Autor teve furtada sua carteira, na data de 09 de


setembro próximo passado, a qual continha seu RG, CPF, seu cartão de saque
de benefício de aposentadoria, além da quantia de R$ 37,00(trinta e sete
reais).

Imediatamente, tão logo percebeu o furto dos


referidos documentos, o mesmo tivera o cuidado de comparecer à Delegacia
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Distrital correspondente à sua circunscrição e relatar os fatos mediante Boletim
de Ocorrência(doc. 02).

Passados alguns meses, o Autor fora surpreendido


com a apresentação em seu extrato de um débito mensal de R$ 78,95(setenta
e oito reais e noventa e cinco centavos), o que se comprova pelos extratos ora
anexos(docs. 03/06).

De pronto o mesmo entrou em contato com INSS,


para averiguar o motivo do citado desconto, tendo sido informado, logo naquela
ocasião, que os valores debitados mensalmente referiam-se a um
empréstimo(consignado) feito junto ao Banco x.x.x.x S/A, no valor total de R$
.x.x.x. ( .x.x.x.x.x.x. ).

Logo em seguida, o Promovente ligou o citado


banco, ora Réu, pedindo que lhe fosse restituído os valores debitados e a
suspensão de débito, pois jamais havia feito empréstimo com o mesmo. A
resposta foi negativa, visto que, segundo seus cadastros, a operação havia
sido realizada “dentro da normalidade” e administrativamente nada poderia
fazer.

Se m delongas, inegavelmente isto trouxe ao


Promovente seqüelas de ordem moral, posto que os descontos(indevidos)
diminuíram sua já escassa capacidade financeira, deixando o mesmo inclusive
incapaz de comprar seus remédios necessários, por conta da falta dos
recursos financeiros. Há, mais, lógico, o dano material, na medida em que não
houve contratação alguma com a instituição financeira Ré, sendo devido a
indenização de forma a restituir o que foi até o momento indevidamente
debitado de sua conta.

Cabia à Promovida verificar a correção da


pessoa que habilitou-se a realizar negócio jurídico com a mesma, através
de documentos adulterados. Portanto, a mesma agiu com auto grau de
negligência e culpa, porquanto permitira que esse desiderato se concretizasse.

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II – DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS

2.1 – RELAÇÃO DE CONSUMO CONFIGURADA

O Autor é considerado consumidor por comparação,


sendo submetido, pois, à Legislação Consumerista(STJ – Súmula 297). Como
dito em linhas inaugurais, o Promovente não usufruiu dos préstimos bancários
da instituição financeira ora Ré, entretanto fora prejudicado ao extremo, o que
permite seja albergado pela legislação especial aqui mencionada.

De outro bordo, temos a responsabilidade civil da


Ré é objetiva, sendo, destarte, desnecessária a comprovação de culpa.

CÓDIGO DO CONSUMIDOR

Art. 14 – O fornecedor de serviços responde,


independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação de
serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos. (Não há
destaques no texto original)

Por desvelo de nossa parte, revelamos notas


jurisprudenciais que se coadunam com os fundamentos ora estipulados.

RELAÇÃO DE CONSUMO REPARAÇÃO DE DANOS ASSINATURA DE


REVISTA E CONTRATO VINCULADO DE CARTÃO DE CRÉDITO
FRAUDE NEGATIVAÇÃO INDEVIDA DANO MORAL VALOR DA
INDENIZAÇÃO
1. De acordo com a redação do art. 17 do Código de Defesa do
Consumidor, será considerado consumidor não apenas aquele que realizou
contrato com o fornecedor, mas também aquele que foi vítima do evento

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danoso, devendo todos os fornecedores que causaram o dano figurar no
polo passivo da demanda;
2 Cliente bancário que viu seu nome ser utilizado indevidamente por
terceiro para contratação de um cartão de crédito vinculado a uma
assinatura de revista, sendo ônus tanto do Banco quanto da Editora evitar
que fraudes desse tipo ocorram, arcando com os prejuízos que causar, não
repassando tal responsabilidade ao consumidor, que jamais recebeu as
revistas e não contratou o cartão de crédito;
3 Considerando-se que a negativação indevida durou cerca de DOIS
MESES, mostra-se razoável majorar a indenização para quantia
equivalente a R$ 10.000,00 (dez mil reais), suficiente para reparar os
danos causados e impingir aos réus o dever de aprimorar a prestação de
seus serviços. RECURSO PROVIDO. (TJSP - APL 0045310-
12.2011.8.26.0562; Ac. 6668064; Santos; Vigésima Câmara de Direito
Privado; Relª Desª Maria Lúcia Pizzotti; Julg. 08/04/2013; DJESP
02/05/2013)

2.2 – DO DEVER DE INDENIZAR

Esclarecido antes que a relação jurídica entabulada


entre as partes é consumo, o Código de Defesa do Consumidor é aplicável
à espécie, abrindo, no caso, a responsabilidade objetiva do Réu.

Ficou demonstrado cabalmente nos autos que houve


fraude na concessão do empréstimo.

Se outra pessoa utilizou o nome e documento do


Autor, passando a receber crédito em nome deste, somente a Ré é imputável a
responsabilidade, pois que apenas ela poderia se cercar dos cuidados
necessários à realização do contrato e conseqüente concessão de
crédito.

Ademais, as instituições financeiras são sabedoras


que tal fraude é comum e, ainda mais por esta razão, deveriam redobrar os
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cuidados na realização dos contratos, certificando-se de que as pessoas
interessadas não estejam praticando atos ilícitos, que possam prejudicar
terceiros de boa-fé, como no caso.

Ocorre que há relevante parcela de culpa a ser


imputada à Promovida, ainda que eventualmente a mesma venha a provar que
não seja palpável sua contribuição com terceiro fraudador, que deve ser
considerada apenas como minorante: critério de fixação do valor da
indenização.

Vejamos as lições doutrinárias nesta banda de


raciocínio:

“(...)
A culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro, indicada no
inciso III do § 3º do art. 12 como hipótese de exoneração da
responsabilidade do fornecedor, a rigor vai nos remeter ao inciso
anterior – inexistência de defeito –, uma vez que, havendo culpa
exclusiva do consumidor ou de terceiro, por óbvio, não há defeito no
produto. Se, por outro lado, houve defeito (tendo-se sempre em
mente o “caput” do artigo 12 e seu parágrafo primeiro), e houver a
concorrência e a culpa de terceiro ou do lesado, esta, obviamente,
deixa de ser exclusiva e não se presta como eximente de
responsabilidade, quando muito servindo como minorante, a
exemplo das legislações européias.
Aliás, ressalte-se que a culpa da vítima ou de terceiro somente
é objeto de cogitações, no direito comparado, quando concorrente
com o defeito, como minorante da responsabilidade do
fornecedor.(...)”(ALVIM, Arruda et alii. Código do Consumidor
Comentado. 2ª ed. São Paulo: RT, p. 126)

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Obviamente que o que se imputa à Ré não se trata
de um ato ilícito doloso. Não há o elemento “vontade”, claro. Há, no entanto,
um agir, ou uma forma de agir, que permite este tipo de acontecimento, e
que deve, necessariamente, ser imputado àquele que por ela opta e que dela
extrai suas vantagens.

Ocorre que a maneira eleita pela Promovida para


realizar algumas de suas contratações traz consigo riscos que devem ser por
ela assumidos.

É verdade que a dinâmica das transações diárias


praticamente inviabiliza que todas as medidas de precaução sejam realizadas.
Não é menos verdade que existem diversas formas de falsificação que
dificultam, cada vez mais, a identificação. Ingressa-se, no entanto, em área
de arbítrio da empresa, que ao optar por meios vulneráveis de
contratação assume o risco por eventual contratação fraudulenta.

Em outras palavras: a fornecedora deve se


responsabilizar pelos prejuízos causados a terceiros em razão da sua
atividade.

Este é o risco do negócio.

Com tal agir, resulta pertinente a responsabilização


da Ré, independentemente da existência da culpa, nos termos do que
estipula o Código de Defesa do Consumidor.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente


da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços,
bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre
sua fruição e riscos.

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Existiu, em verdade, defeito na prestação de
serviços, o que importa na responsabilização objetiva do fornecedor, ora
Promovida.

DIREITO DO CONSUMIDOR. CANCELAMENTO INDEVIDO DO


PLANO DE SAÚDE. PAGAMENTO DE PARCELAS COM ATRASO.
INADIMPLÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NECESSÁRIO
DESBLOQUEIO DO CARTÃO. FALHA NA PRESTAÇÃO DO
SERVIÇO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANO MORAL
CONFIGURADO.
1. Acórdão elaborado de conformidade com o disposto no art. 46 da Lei
nº 9.099/1995, 12, inciso IX, 98 e 99 do Regimento Interno das Turmas
Recursais. Recurso próprio, regular e tempestivo.
2. Defeito na prestação do serviço. A negativa de atendimento na rede
de saúde, no momento em que o consumidor está adimplente com as
mensalidades do plano de saúde, revela a obrigação da ré em indenizar
por danos morais de forma objetiva, nos termos do art. 14 do CDC.
3. Os comprovantes de pagamento das mensalidades, ainda que com
atraso, são documentos hábeis a comprovar que a relação de consumo
estava vigente, não sendo razoável o bloqueio do cartão do plano de
saúde, uma vez que a empresa/ré recebeu os valores da autora.
4. Não deve ser reduzido o valor da indenização, no valor de
R$3.000,00, se esta foi fixada em conformidade com a gravidade da
violação, necessidade de prevenção e condição financeira do agressor.
5. Recurso conhecido, mas não provido. Custas e honorários
advocatícios pela recorrente, no valor de 10% (dez por cento) da
condenação. (TJDF - Rec 2012.07.1.009376-7; Ac. 673.551; Segunda
Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal; Rel. Juiz
Aiston Henrique de Sousa; DJDFTE 06/05/2013; Pág. 265)

Ademais, aplicável ao caso sub examine a doutrina


do “risco criado”(responsabilidade objetiva), que está posta no Código Civil,
que assim prevê:

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CÓDIGO CIVIL

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano
a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único - Haverá obrigação de reparar o dano,


independentemente de culpa, nos casos especificados em lei,
ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor
do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de
outrem.

Neste contexto, cumpre-nos evidenciar alguns


julgados:

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS C.C. PEDIDO DE


TUTELA ANTECIPADA.
Cobrança irregular referente a período posterior ao desligamento de
energia elétrica em seu nome. Inscrição em cadastro negativo de
proteção ao crédito por débito oriundo de tal cobrança irregular.
Reconhecida responsabilidade objetiva da ré pelo dano causado. Teoria
do risco atividade (art. 927, p. Único, CCivil). 2. Indenização moral fixada
em valor moderado, inferior à pacífica jurisprudência do E. STJ a
respeito do tema. Inexistência de enriquecimento sem causa.
Manutenção da condenação da ré quanto à integralidade da
sucumbência. Apelo improvido. (TJSP - APL 0356333-
84.2009.8.26.0000; Ac. 6684790; Ribeirão Preto; Trigésima Quarta
Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Soares Levada; Julg. 22/04/2013;
DJESP 03/05/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. SÚM. 297 STJ.


INSCRIÇÃO INDEVIDA NOS CADASTROS DE CONTROLE DE
CRÉDITO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. CDC ART. 14. DANO

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MORAL IN RE IPSA. REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO.
PRECEDENTES DO STJ E TJ-CE. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS.
PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. RECURSO CONHECIDO E
IMPROVIDO. SENTENÇA CONFIRMADA.
1. Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos casos envolvendo
consumidores e os serviços prestados pelas instituições financeiras,
conforme entendimento da Súmula nº 297 do STJ. 2. Aplica-se às
instituições bancárias a responsabilidade objetiva advinda de sua
qualidade de fornecedora na modalidade de prestadora de serviços de
natureza bancária. Esta responsabilidade deriva da adoção da teoria do
risco, segundo a qual a atividade desenvolvida pelo fornecedor,
colocada à disposição no mercado de consumo e destinada a auferir
lucros, está suscetível aos riscos que lhe são inerentes. 3. Com esteio
no artigo 14 do CDC, o fornecedor de serviços deverá indenizar o
consumidor pelos defeitos relativos à prestação de serviços,
respondendo objetivamente, independentemente de culpa, devendo tão
somente estar presentes os pressupostos da conduta, nexo causal e
dano ou prejuízo. 4. A doutrina e a jurisprudência pátria vêm se
posicionando pela desnecessidade de comprovar o prejuízo
efetivamente experimentado, mas sim a violação do direito
constitucionalmente previsto, operando-se a responsabilidade pelo
simples fato da violação, constituindo o danum in re ipsa, que é
presumido e decorrente do próprio fato; devendo a consumidora ser
indenizada pelo dano moral sofrido com a inscrição indevida nos
cadastros de proteção ao crédito, não se configurando mero dissabor do
cotidiano. 5 A estimativa do quantum indenizatório por danos morais
deve ser pautada nos critérios de proporcionalidade e razoabilidade,
observando-se tanto a condição social do ofendido como a possibilidade
financeira do ofensor. Assim, entendo que neste caso o valor de
R$8.000,00 (oito mil reais) guarda proporcionalidade com a gravidade da
ofensa, o grau de culpa e o porte sócio-econômico do réu, não se
mostrando elevado e devendo, portanto, ser mantido, sem prejuízo da
contabilização de juros moratórios a partir do evento danoso (Súmula nº
54 do STJ) e correção monetária a partir da presente fixação (Súmula nº

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362 do STJ). 6. Além de ter sucumbido em parte mínima do pedido,
observando-se o Princípio da Causalidade não seria justo que a autora
tivesse que arcar com os honorários da parte adversa, porquanto fora a
instituição financeira quem deu causa à demanda e à movimentação do
aparato judiciário. 7. Face ao exposto, firme nos propósitos acima
delineados, CONHEÇO do recurso para NEGAR-LHE PROVIMENTO,
confirmando todos os termos da sentença adversada. (TJCE - AC
0755779-54.2000.8.06.0001; Oitava Câmara Cível; Relª Desª Maria
Iraneide Moura Silva; DJCE 02/05/2013; Pág. 47)

APELAÇÕES CÍVEIS
Ação declaratória de inexistência de débito c/c indenização por danos
morais - Sentença de procedência – Insurgência de ambas as partes.
Recurso da casa bancária demandada. Aduzida a existência do débito,
porquanto não solicitado o encerramento da conta - Defendida a
regularidade do registro do nome do autor em cadastros restritivos e
consequente ausência de ato ilícito - Teses rejeitadas - Demonstração
de que a conta corrente foi contratada exclusivamente para recebimento
de salário - Dívida originada da cobrança de tarifas de manutenção e
demais encargos no período posterior ao término da relação laboral,
quando inativa a conta - Abusividade configurada - Falta de
movimentação bancária que evidencia o desejo de encerrar a relação -
Ausência de cientificação do consumidor quanto às consequências da
inatividade - Princípios da transparência e boa-fé violados -
Lançamentos de encargos que se mostram ilegais - Inscrição no rol dos
inadimplentes indevida - Responsabilidade objetiva da instituição
financeira - Inteligência do artigo 14 do Código de Defesa do
Consumidor - Aplicação da teoria do risco da atividade econômica -
Dano moral in re ipsa - Dever de indenizar inafastável. Juros da mora -
Pretendida sua incidência somente a partir do arbitramento da
indenização - Inviabilidade - Encargo que é devido desde o evento
danoso - Exegese do enunciado da Súmula n. 54 do c. Superior Tribunal
de Justiça. Reclamo de ambas as partes. Quantum indenizatório -

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Postulada a majoração pelo autor e a redução pela casa bancária
demandada - Rejeição - Observância dos critérios da razoabilidade e
proporcionalidade - Condenação que não deve servir como fonte de
enriquecimento sem causa, mas, ao mesmo tempo, deve
consubstanciar-se em sanção inibitória à reincidência - Imperativa a
manutenção do montante arbitrado, o qual se mostra adequado e
condizente com os fins a que se destina - Alteração que não deve
ocorrer em não se verificando a irrisoriedade ou excessividade da verba
indenizatória. Honorários advocatícios - Montante fixado pelo togado a
quo que atende ao disposto no artigo 20, § 3. º, alíneas "a", "b" e "c", do
código de processo civil - Decisum mantido incólume. Recursos
conhecidos e desprovidos. (TJSC - AC 2012.037488-5; Lages; Quinta
Câmara de Direito Comercial; Rel. Des. Cláudio Valdyr Helfenstein; Julg.
25/04/2013; DJSC 02/05/2013; Pág. 482)

O nexo de causalidade, por outro lado, fica


evidenciado na medida em razão de um modo de conduta da Ré, somada à
atitude de terceiro não identificado, o Autor teve valores descontados
diretamente de seu benefício previdenciário, bem como se viu obrigado a
procurar o Judiciário para ver realizado seu direito.

2.3 – DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

A inversão do ônus da prova se faz necessária na


hipótese em estudo, vez que a inversão é “ope legis” e resulta do quanto
contido no Código de Defesa do Consumidor.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente


da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços,
bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre
sua fruição e riscos.

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ADVOCACIA
[...]
§ 3º O fornecedor de serviços só não será responsabilizado
quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Ao Réu, portanto, caberá, face a inversão do ônus


da prova, evidenciar se a culpa pela indevida formalização do empréstimo foi
do consumidor, ora Autor, ou, de outro bordo, em face de terceiro(s), que é
justamente a regra do inc. II, do art. 14, do CDC, acima citado.

A tal respeito trazemos à baila as seguintes notas


jurisprudenciais:

APELAÇÃO. AUTORA E REU. CLONAGEM DE CARTÃO


MAGNÉTICO. DANOS MATERIAIS E MORAIS
RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
Saques de conta bancária efetuados por terceiro com utilização
de cartão magnético clonado Relação de consumo. Dever de
segurança não observado pela instituição financeira.
Responsabilidade civil objetiva. Legitimidade passiva do Apelante
para figurar no pólo passivo. Inteligência dos artigos 8.º e 14 do
CDC e da Súmula nº 297 do STJ. ÔNUS DA PROVA. Fato de
serviço. Inversão automática do ônus da prova. Ausência de
provas da excludente de responsabilidade do art. 14, § 3o, do
CDC. DANO MORAL. Configuração in re ipsa. Majoração do
quantum reparatório, atendendo-se aos critérios da razoabilidade
e da proporcionalidade. Recurso do Apelante-réu não provido e
recurso da Apelante-autora provido. (TJSP - APL 991.09.096865-
5; Ac. 4433557; Ribeirão Preto; Trigésima Sétima Câmara de

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ADVOCACIA
Direito Privado; Rel. Des. Tasso Duarte de Melo; Julg.
07/04/2010; DJESP 30/04/2010)

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR


DANO MORAL CUMULADA COM PEDIDO DE
RESSARCIMENTO. SUBTRAÇÃO FRAUDULENTA DE
VALORES DE CONTA-POUPANÇA. CLONAGEM DE CARTÃO
MAGNÉTICO. RESTITUIÇÃO. DANO MORAL.
CONFIGURAÇÃO. VALOR DA INDENIZAÇÃO. HONORÁRIOS.
1 - Comprovada a efetivação de saques eletrônicos em uma
mesma conta bancária, quase que simultâneos mas oriundos de
localidades diversas, resta configurada a hipótese de clonagem
do cartão magnético.
2 - A teor do art. 14, § 3º, do CDC, cabe contra o banco-réu,
responsável pelo serviço posto a disposição do
cliente/consumidor, a inversão do ônus da prova, de modo a
demonstrar a inexistência de fraude ou culpa exclusiva do
autor.
3 - O autor faz jus à restituição dos valores que foram subtraídos
de sua conta-poupança, bem como à indenização pelo dano
moral que suportou, quando, procurando saldar uma compra de
combustível, teve o seu cartão recusado pelo sistema de
pagamento online, por insuficiência de lastro bancário.
4 - A indenização por danos morais deve ser fixada observando-
se os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, de modo
que o ressarcimento do ofendido pelo dano sofrido não lhe seja
motivo de enriquecimento indevido, sem que seja esquecido,
todavia, o caráter punitivo/educativo da reparação em relação ao
causador do dano. É de majorar-se o valor da indenização para
R$ 2.000,00, a fim de adequá-lo aos precedentes deste Tribunal.
5 - Devem ser mantidos os honorários advocatícios fixados em
10% sobre o valor da condenação, nos termos do § 3º, do art. 20,
do CPC. 6 - Apelação improvida e Recurso Adesivo parcialmente

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ADVOCACIA
provido. (TRF 5ª R. - AC 445907; Proc. 2007.82.00.002890-7; PB;
Quarta Turma; Rel. Des. Fed. Lázaro Guimarães; Julg.
26/05/2009; DJU 18/06/2009; Pág. 200)

2.4 – “PRETIUM DOLORIS”

O abalo psicológico sofrido pelo Autor, maiormente


em face de sua avançada idade, em razão dos indevidos descontos é evidente
e inarredável. A angústia, a preocupação, o incômodo são inevitáveis e
inegáveis. Ademais, o fato de ser cobrado injustamente trouxe ao mesmo
sensação de impotência e alterações de ânimo que devem ser entendidas
como dano moral. É presumível e bastante verossímil o alegado desconforto
sofrido pelo Promovente ao perceber que seus parcos rendimentos, oriundos
da aposentadoria, restaram diminuídos pelo desconto de um empréstimo que
não contratou.

Pelas normas de consumo, resulta expressa a


adoção da responsabilidade civil objetiva, assim conceituada pela
professora Maria Helena Diniz:

"Na responsabilidade objetiva, a atividade que gerou o dano é


lícita, mas causou perigo a outrem, de modo que aquele que a
exerce, por ter a obrigação de velar para que dele não resulte
prejuízo, terá o dever ressarcitório, pelo simples implemento do
nexo causal. A vítima deverá pura e simplesmente
demonstrar o nexo da causalidade entre o dano e a ação que
o produziu" (in, Curso de Direito Civil Brasileiro, 17ª ed. , Saraiva,
2003, 7º vol. P. 53). ( destacamos )

De outro plano, o Código Civil estabeleceu-se a


regra clara de que aquele que for condenado a reparar um dano, deverá
fazê-lo de sorte que a situação patrimonial e pessoal do lesado seja

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ADVOCACIA
recomposta ao estado anterior. Assim, o montante da indenização não pode
ser inferior ao prejuízo. Há de ser integral, portanto.

CÓDIGO CIVIL

Art. 944 – A indenização mede-se pela extensão do dano.

Nesta esteira de raciocínio, emérito Julgador,


cumpri-nos demonstrar a extensão do dano( e não o dano ).

DANO MORAL

Dano moral, conforme o conceitua S.J. de Assis


Neto é a lesão ao patrimônio jurídico materialmente não apreciável de uma
pessoa. É a violação do sentimento que rege os princípios morais tutelados
pelo direito. (Dano Moral - Aspectos Jurídicos, Ed. Bestbook, 1ª ed., segunda
tiragem, 1.998.).

Acerca desta mesma questão ensina Carlos Alberto


Bittar:

"Qualificam-se como morais os danos em razão da esfera


da subjetividade, ou do plano valorativo da pessoa na
sociedade, em que repercute o fato violador, havendo-se,
portanto, como tais aqueles que atingem os aspectos mais
íntimos da personalidade humana (o da intimidade e da
consideração pessoal), ou o da própria valoração da
pessoa no meio em que vive e atua (o da reputação ou da
consideração social). "Localiza-se, assim, a temática dos
danos morais na teoria da responsabilidade civil, na exata
medida da consideração da pessoa em si, ou em suas
projeções sociais, individualizando-se aqueles nas lesões
às sedes assinaladas. São, no fundo, reações na

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ADVOCACIA
personalidade do lesado e agressões ou a estímulos
negativos recebidos do meio ambiente através de da
ação de terceiros, que atinjam seus bens vitais, no dizer
de Lanrenz. "Com isso, os danos morais plasmam-se, no
plano fático, como lesões às esferas da personalidade
humana situadas no âmbito do ser como entidade
pensante, reagente e atuante nas interações sociais, ou
conforme os Mazeaud, como atentados à parte afetiva e à
parte social da personalidade". (BITTAR, Carlos Alberto.
Reparação Civil por Danos Morais. - São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 1999. 3ª ed. rev., atual e ampl. 2ª
tir., págs.45 e 46).

Quanto ao valor da reparação, tocantemente ao


dano moral, assevera Caio Mário da Silva Pereira, in, Responsabilidade Civil,
8ª ed. p.97, Ed. Forense que:

“... quando se cuida de reparar o dano moral, o fulcro do


conceito ressarcitório acha-se deslocado para a
convergência de duas forças: `caráter punitivo` para que o
causador do dano, pelo fato da condenação, se veja
castigado pela ofensa que praticou; e o `caráter
compensatório` para a vítima, que receberá uma soma
que lhe proporcione prazeres como contrapartida do mal
sofrido. Deve ser considerado, também, o objetivo
pedagógico e ao mesmo tempo coercitivo, no sentido de
que a vida das pessoas seja considerada com maior valor,
com maior segurança e atenção a qualquer sintoma ou
desconforto vivenciado pelo paciente, assim como a suas
peculiaridades.

17
ADVOCACIA
No caso em debate, ficou cabalmente demonstrada
a ilicitude do defeito na prestação do serviço, inclusive com a subtração da
parca aposentadoria do Autor, dificultando sobretudo manutenção da saúde
pela impossibilidade de adquirir seus remédios, em face da subtração mensal
dos valores pelo fraudulento empréstimo, o que não se pode negar que este
fato trouxe a mesma forte constrangimento, angústia e humilhação, capazes,
por si só, de acarretar dano moral de ordem subjetiva e objetiva.

Desta maneira, o nexo causal ficou claríssimo.


Logo, evidente está o dano moral suportado pela Autora, devendo-se tão-
somente ser examinada a questão do quantum indenizatório.

É certo que o problema da quantificação do valor


econômico a ser reposto ao ofendido tem motivado intermináveis polêmicas,
debates, até agora não havendo pacificação a respeito. De qualquer forma,
doutrina e jurisprudência são pacíficas no sentido de que a fixação deve se dá
com prudente arbítrio, para que não haja enriquecimento à custa do
empobrecimento alheio, mas também para que o valor não seja irrisório.

Ademais, a indenização deve ser aplicada de forma


casuística, supesando-se a proporcionalidade entre a conduta lesiva e o
prejuízo enfrentado pelo ofendido, de forma que, em consonância com o
princípio neminem laedere, inocorra o lucuplemento da vítima quanto a
cominação de pena tão desarrazoada que não coíba o infrator de novos atos.

Dever-se-á observar, desta maneira, a partir das


condições financeiras do Autor( beneficiário do INSS ) e da Ré, instituição
financeira de grande porte, bem como o grau de ilicitude da conduta em
estudo.

2.5 – RELAÇÃO DE CONSUMO


DEVOLUÇÃO EM DOBRO DO VALOR INDEVIDAMENTE SACADO

18
ADVOCACIA
De bordo, os valores indevidamente descontados
deverão ser restituídos de forma dobrada, à luz do que rege o § único do art.
42, do Código de Defesa do Consumidor.

AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR


DANOS MORAIS CONTRA ENTIDADE FINANCEIRA. CHEQUES
FRAUDADOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. SALDO
BANCÁRIO QUE RESULTOU NEGATIVADO,
IMPOSSIBILITANDO AO CLIENTE O USO DO CARTÃO DE
CRÉDITO PARA EFETIVAR PAGAMENTOS. ERRO
GROSSEIRO E DEMORA DO BANCO NA SOLUÇÃO DO
PROBLEMA, O QUE ENSEJOU NOTÓRIOS PREJUÍZOS AO
CORRENTISTA, QUE, POR ALGUNS DIAS, NÃO TEVE COMO
USAR E GOZAR DOS SEUS SALDOS BANCÁRIOS. CULPA
OBJETIVA DO BANCO. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL,
DEVIDA. OBRIGAÇÃO DE RESTITUIÇÃO EM DOBRO DOS
VALORES INDEVIDAMENTE SACADOS (CDC, ART. 42,
PARÁGRAFO ÚNICO). PRECEDENTES JURISPRUDENCIAL JÁ
EXISTENTES:"APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO.
RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA. SAQUE INDEVIDO DE
CONTA CORRENTE. PROCURAÇÃO COM ASSINATURA
FALSA. PREJUÍZO DEMONSTRADO. RESPONSABILIDADE DA
INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. RECURSO DESPROVIDO. "Não há
como se eximir a instituição bancária da responsabilidade de
reparar os prejuízos decorrentes da inércia de seu preposto, ainda
que este tenha sido levado a erro, por procuração falsa, embora
com firma reconhecida. Essa responsabilidade resulta do dever
de guarda, que é inerente ao contrato bancário, no qual, acima de
tudo se deve zelar pela proteção do numerário que mantém"
(apelação cível n. 2002.001036-7, de são José. Relatora: Desa.
Salete Silva sommariva). "ação de repetição de indébito. Furto de
cartão de crédito. Débitos de terceiros. Relação de consumo.
Responsabilidade objetiva. Restituição do valor pago em
dobro. Possibilidade. Pagamento indevido. Parágrafo único

19
ADVOCACIA
do artigo 42 da Lei n. 8.078/90. Recurso conhecido e improvido"
(recurso cível n. 5.332 (2006.100639-3), da capital (foro distrital
do norte da ilha. Juizado especial cível) relatora: Juíza rejane
andersen).. Recurso conhecido e improvido. Sentença mantida.
(TJSC - Rec. 2007.700480-0; Itajaí; Sétima Turma de Recursos
Cíveis e Criminais; Rel. Juiz José Carlos Bernardes dos Santos;
DJSC 23/05/2008; Pág. 482)

IV – DA TUTELA ANTECIPADA

Os descontos indevidamente efetivados incidem


sobre pensão por morte, ou seja, verba de caráter alimentar, com valor
equivalente a um salário mínimo, o que, por si só, revela fundado receio de
dano irreparável ou de difícil reparação, circunstância esta suficiente para
caracterizar a urgência do provimento.

O art. 84 da lei consumerista autoriza o juiz a


conceder a antecipação de tutela, e mais, “Sendo relevante o fundamento da
demanda” deve o Juiz impor uma multa diária para que não haja por parte do
prestador dúvidas em cumprir imediatamente o designo judicial:

Art. 84 - Na ação que tenha por objeto o cumprimento da


obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela
específica da obrigação ou determinará providências que
assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.

§ 1° - A conversão da obrigação em perdas e danos somente


será admissível se por elas optar o autor ou se impossível a
tutela específica ou a obtenção do resultado prático
correspondente.

§ 2° - A indenização por perdas e danos se fará sem prejuízo da


multa (art. 287 do CPC).

20
ADVOCACIA

§ 3° - Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo


justificado receio de ineficácia do provimento final, é lícito ao
juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação prévia,
citado o réu.

§ 4° - O juiz poderá, na hipótese do § 3° ou na sentença, impor


multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se
for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando prazo
razoável para o cumprimento do preceito.

§ 5° - Para a tutela específica ou para a obtenção do resultado


prático equivalente, poderá o juiz determinar as medidas
necessárias, tais como busca e apreensão, remoção de coisas e
pessoas, desfazimento de obra, impedimento de atividade
nociva, além de requisição de força policial.

Não bastasse o comando emanado do Código de


Defesa do Consumidor, o Código de Processo Civil também autoriza o Juiz a
conceder a antecipação de tutela “existindo prova inequívoca”:

Art. 273 - O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total


ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido
inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se convença da
verossimilhança da alegação e:

I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil


reparação; ou
II - ...

§ 1° - Na decisão que antecipar a tutela, o juiz indicará, de modo


claro e preciso, as razões do seu convencimento.

21
ADVOCACIA
§ 2° - Não se concederá a antecipação da tutela quando houver
perigo de irreversibilidade do provimento antecipado.

§ 3° A efetivação da tutela antecipada observará, no que couber


e conforme sua natureza, as normas previstas nos arts. 588, 461,
§§ 4° e 5°, e 461-A.

No presente caso, estão presentes os requisitos e


pressupostos para a concessão da tutela requerida, existindo prova inequívoca
e verossimilhança das alegações, além de fundado receio de dano irreparável
ou de difícil reparação.

O fumus boni júris caracteriza-se pela juntada de


documento, dotado de fé pública, o qual relata a ocorrência do furto dos
documentos do Autor.

Evidenciado, igualmente, está o periculum in mora,


eis que a demora no resultado desta querela, irá onerar financeiramente em
demasia o Autor, o qual detém parcos recursos para sobreviver e, ainda por
cima disto, ter que parcialmente ver reduzida sua aposentadoria em face do
fraudulento empréstimo, não podendo sequer mais pagar os remédios que se
fazem necessários ao gozo de uma boa saúde.

À luz do art. 273, I, do CPC, a antecipação dos


efeitos da tutela deve ser concedida se estiverem presentes a verossimilhança
das alegações do requerente e o risco de dano irreparável ou de difícil
reparação. Neste diapasão, mostra-se inquestionável a concessão da tutela,
para possibilitar a suspensão dos descontos do empréstimo em liça.

A reversibilidade da medida também é evidente,


uma vez que a requerida, se vencedora na lide, poderá ressarcir-se dos valores
eventualmente tidos por corretos e devidos, quando assim ficar definido nesta
lide, por definitivo.

22
ADVOCACIA

DIANTE DISTO, REQUER-SE, COMO TUTELA


ANTECIPADA, INAUDITA ALTERA PARS, MEDIDA JUDICIAL NO SENTIDO
DE:

A) Determinar a suspensão imediata dos


descontos do empréstimo originário do contrato nº. x.x.x.x, onde figuram
o ora Autor e a Ré, bem como a devolução imediata de todos os valores
descontados a título de empréstimo, inclusive que se abstenha de
apontar a pretensa dívida em cadastros de inadimplentes;

B) em sendo deferida a tutela antecipada ora


pleiteada, pleiteia-se que a Ré seja instada a cumprir a determinação
judicial no prazo máximo de 10(dez) dias, sob pena de pagamento de
multa diária de R$ 500,00(quinhentos reais), até o limite de R$
20.000,00(vinte mil reais) .

V – DOS PEDIDOS

Em arremate, requer o Autor que Vossa Excelência


se digne de tomar as seguintes providências:

A) DETERMINAR A CITAÇÃO DA REQUERIDA, POR CARTA,


COM AVISO DE RECEPÇÃO, PARA, QUERENDO,

APRESENTAR DEFESA, COM AS COMINAÇÕES DE ESTILO;

B) PLEITEIA-SE SEJA CONFIRMADA, POR DEFINITIVO, A

TUTELA ANTECIPADA ORA REQUERIDA NESTA PEÇA

VESTIBULAR;

C) COMO QUESTÃO DE FUNDO, SEJA A RECONHECIDA A

AUSÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA ENTRE O AUTOR E A

23
ADVOCACIA
REQUERIDA, ANULANDO O CONTRATO DE EMPRÉSTIMO Nº
000000, E, PASSO SEGUINTE, CONDENÁ-LA A:
1 – REPARAR O DANO MATERIAL SOFRIDO, RESTITUINDO-
SE TODOS OS VALORES DEBITADOS NA CONTA DO AUTOR,

A TÍTULO DO EMPRÉSTIMO ORA EM DEBATE, E EM DOBRO,

DEVIDAMENTE CORRIGIDO COM JUROS E CORREÇÃO

MONETÁRIA, CONTADOS A PARTIR DO EVENTO DANOSO,

ALÉM DE CUSTAS E HORÁRIOS ADVOCATÍCIOS;

2 – REPARAR O DANO MORAL SOFRIDO PELO AUTOR, NO


MÍNIMO NA IMPORTÂNCIA DE 30(TRINTA) VEZES O VALOR
DO EMPRÉSTIMO;

D) REQUER, MAIS, QUE A PROMOVIDA SEJA CONDENADA

A NÃO INSERIR O NOME DO AUTOR EM QUAISQUER

ÓRGÃOS DE RESTRIÇÕES, ALÉM DE ABSTER-SE DE

INSCRIÇÃO JUNTO AO SISBACEN(CADIN, SCI E CCF),

SOB PENA DE MULTA DIÁRIA DE R$ 500,00(QUINHENTOS;

CASO ASSIM TENHA PROCEDIDO, SEJA DETERMINADA SUA

EXCLUSÃO DE PRONTO, SOB PENA DE INCORRER NA

MULTA ACIMA;

E) PEDE, DE LOGO, COMO PROVA, QUE A REQUERIDA

SEJA INSTADA A APRESENTAR EM JUÍZO TODA A

DOCUMENTAÇÃO PERTINENTE AO EMPRÉSTIMO (CPC,


ART. 355 E SEGS.), ONDE SE POSSA, SOBRETUDO,

INDETIFICAR AQUELE(S) QUE PERMITIU(IRAM) A

ABERTURA DA(S) CONTA(S), CONCEDEU(ERAM) O

CRÉDITO;

F) PROTESTA PROVAR O ALEGADO POR TODA ESPÉCIE DE


PROVA ADMITIDA(CF, ART. 5º, INC. LV), NOMEADAMENTE

PELO DEPOIMENTO DO REPRESENTANTE LEGAL DA RÉ,

PENA DE TORNAR-SE CONFITENTE FICTA, OITIVA DE

24
ADVOCACIA
TESTEMUNHAS, INCLUSIVE INVERSÃO DO ÔNUS DA

PROVA, PERÍCIA, TUDO DE LOGO REQUERIDO.

Dá-se à causa o valor de R$ ___________________

Respeitosamente, pede deferimento.

__________, __ de ____ do ano de ________.

______________________
Advogado(a)

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