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TRIBUNAL JUDICIAL DA COMARCA DE SANTARÉM

JUÍZO DE COMPETÊNCIA GENÉRICA DE RIO MAIOR

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito,

ANTÓNIO CARVALHO DANTAS, maior, solteiro,


estudante, residente na R. Jaime Moniz, n.º 24, em Rio Maior,

Vem propor AÇÃO DECLARATIVA DE CONDENAÇÃO


SOB A FORMA DE PROCESSO COMUM, contra:

SOCIEDADE GIRACENTROS, S.A, com sede na Av. Da


República, n.º 5, Lisboa, nos termos e com os fundamentos
seguintes:

DOS FACTOS

1.º
No dia 12 de outubro de 2017, pelas 14 horas, António, estudante (conforme doc. 1,
“Certificado de frequência do ano escolar 2017/2018”), residente em Rio Maior,
dirigiu-se ao Centro Comercial Rio Centro, na mesma cidade.

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2.º
Enquanto passava pelo átrio principal do Centro Comercial Rio Centro, na cidade de Rio
Maior, escorregou e caiu.

3.º
O piso desse átrio é em mármore e estava muito escorregadio por ter sido limpo,
momentos antes, pelas empregadas de limpeza do Centro Comercial Rio Centro, com um
produto abrilhantador.

4.º
A queda de António deveu-se à circunstância de o piso estar escorregadio.

5.º
Da queda resultou que António fraturou o perónio da perna direita (conforme doc. 2,
“Boletim Clínico do Hospital”).

6.º
Em consequência da lesão, António, esteve internado 15 dias no Hospital Particular onde
foi operado.

7.º
António, teve de andar de muletas após a alta durante 45 dias, continuando a ser tratado
em regime ambulatório.

8.º
Em resultado da queda, consequente internamento e posteriores tratamentos daí
derivados, António, sofreu dores muitíssimo fortes.

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9.º
A circunstância de andar de muletas impediu António de realizar a sua vida de forma
cómoda e normal para alguém da sua idade.

10.º
António, faltou às aulas do 2.º ano da Faculdade de Direito durante o período que vai
desde o dia da sua queda, 12 de outubro de 2017 a 27 de outubro do mesmo ano,
correspondendo ao dia da sua alta médica.

11.º
O facto de ter faltado às aulas exigiu de António um esforço acrescido para acompanhar
o decorrer do ano letivo.

12.º
Pagou ao hospital pelos serviços prestado € 4.500 (conforme doc. 3, “Recibo do
pagamento dos serviços hospitalares”).

13.º
O Centro Comercial Rio Centro é propriedade e é explorado pela SOCIEDADE
GIRACENTROS, S.A., com sede na Av. da República, em Lisboa.

DO DIREITO

14.º
A situação explanada deve ser entendida como uma situação de responsabilidade civil de
pessoa coletiva (a SOCIEDADE GIRACENTROS, S.A.).

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15.º
Determina o art. 165.º do Código Civil que “As pessoas coletivas respondem civilmente
pelos atos omissões dos seus representantes, agentes ou mandatários nos mesmos termos
em que os comitentes respondem pelos atos ou omissões dos seus comissários”.

16.º
A SOCIEDADE GIRACENTROS, S.A. responderá pelos atos ou omissões dos seus
representantes, agentes ou mandatários, como se de uma relação de comitente-comissário
se tratasse.

17.º
A responsabilidade do comitente está prevista no art. 500.º do Código Civil, segundo o
qual “Aquele que encarrega outrem de qualquer comissão responde, independentemente
de culpa, pelos danos que o comissário causar, desde que sobre este recaia também a
obrigação de indemnizar.”.

18.º
O art. 500.º do Código Civil prevê ainda que “A responsabilidade do comitente só existe
se o facto danoso for praticado pelo comissário, ainda que intencionalmente ou contra
as instruções daquele, no exercício da função que lhe foi confiada.”

19.º
É necessário que esteja verificada a existência de uma relação de comitente-comissário,
que se verifica quando temos uma pessoa que tem poder de direção efetiva sobre outra,
dirige a sua atuação; o comissário encontra-se numa posição de sujeição e subordinação
ao comitente.

20.º
Em segundo lugar é necessário que sobre o comissário recaia a obrigação de indemnizar,
cumprindo todos os requisitos da obrigação de indemnizar. O comissário é responsável
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pelos danos causado nos termos do regime geral da responsabilidade civil


extraobrigacional por facto ilícito.

21.º
Quanto ao terceiro requisito, é necessário que o facto praticado pelo comissário tenha sido
praticado no exercício das funções da comissão.

22.º
A queda de António foi devida ao facto de o chão do átrio se encontrar escorregadio em
consequência da limpeza com um produto abrilhantador, aplicado pelas senhoras da
limpeza em cumprimento de ordens expressas do diretor do Centro Comercial Rio Centro,
neste sentido, verifica-se que estamos perante uma relação de comitente-comissário.

23.º
O art. 483.º do Código Civil estabelece o princípio geral: “Aquele que, com dolo ou mera
culpa, violar ilicitamente o direito de outrem ou qualquer disposição legal destinada a
proteger interesses alheios fica obrigado a indemnizar o lesado pelos danos resultantes
da violação”.

24.º
Não se trata, contudo, de uma ação premeditada das empregadas da limpeza, não se
verificando o requisito da ação, exigido pelo art. 483.º do Código Civil.

25.º
Estamos, portanto, perante uma omissão da parte das empregadas de limpeza, passível de
gerar responsabilidade civil, nos termos do art. 486.º do Código Civil: “As simples
omissões dão lugar à obrigação de reparar os danos, quando, independentemente dos
outros requisitos legais, havia, por força da lei ou de negócio jurídico, o dever de praticar
o ato omitido.”

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26.º
Verificando-se que recai sobre as empregadas de limpeza a obrigação de indemnizar
António nos termos da responsabilidade civil extraobrigacional por facto ilícito
decorrente de uma omissão, enquanto comissárias.

27.º
Recai também obrigação de indemnizar sobre o diretor do Centro Comercial Rio Centro
enquanto comitente, pois estão verificados os requisitos do art. 500.º do Código Civil,
conforme explanado.

28.º
O diretor do Centro Comercial Rio Centro é um representante da SOCIEDADE
GIRACENTROS, S.A., enquanto membro da direção do referido estabelecimento, que
é propriedade e é gerido por esta Sociedade.

29.º
Estamos perante uma obrigação de indemnização, conforme o art. 562.º do Código Civil:
“Quem estiver obrigado a reparar um dano deve reconstituir a situação que existiria, se
não se tivesse verificado o evento que obriga à reparação”.

30.º
Apurado o responsável em última instância, ou seja, a SOCIEDADE GIRACENTROS,
S.A., cabe apurar a extensão dos danos.

31.º
No que respeita ao apuramento dos danos, são indemnizáveis os danos não patrimoniais
(art. 496.º do Código Civil), e os danos patrimoniais decorrentes das despesas de
tratamento em que teve de incorrer o lesado, fazendo ainda parte do elenco de danos
indemnizáveis os juros moratórios (art. 804.º, n.º 1, e 806.º, n.º 1, do Código Civil)
enquanto danos futuros determináveis.
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32.º
São indemnizáveis as despesas de tratamento em que António incorreu enquanto prejuízo
causado pelo facto que está na origem da lesão, no montante de € 4.500.

33.º
Do mesmo modo são indemnizáveis os danos não patrimoniais previstos no art. 496.º do
Código Civil, “Na fixação da indemnização deve atender-se aos danos não patrimoniais
que, pela sua gravidade, mereçam a tutela do direito.”

34.º
Ora, conforme se retira dos factos alegados, António, sofreu dores fortíssimas ao longo
de todo o período de tratamento, não apenas durante o período de internamento. O
sofrimento em consequência das dores constitui um dano avaliável em € 2.500.

35.º
A fratura, para além do incómodo causado pelas dores, causou ainda a António fortes
constrangimentos sociais.

36.º
António, que é um estudante exemplar e está acima do estudante médio, foi obrigado a
esforçar-se mais do que qualquer aluno da sua idade a fim de acompanhar o ano letivo,
tendo de alocar mais tempo aos estudos.

37.º
O constrangimento decorrente desse esforço adicional traduz-se num dano avaliável,
também em € 2.500.

38.º
Por último, a decorrência do tempo e a inércia da ré impõem a que se exija também o
pagamento de juros moratórios, a acrescer ao valor total da indemnização, contados desde

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a data da citação (artigo 805.º, n.º 3, do Código Civil), à taxa definida por lei (artigo 806.º,
n.º 2, do Código Civil) que é de 4% ao ano (artigo 559.º, n.º 1, do Código Civil, e Portaria
n.º 291/2003, de 8 de abril).

NESTES TERMOS e nos melhores de direito, deve a


presente ação ser julgada procedente e provada e
consequentemente a Ré condenada a pagar ao Autor:

1. € 4.500 relativos à quantia despendida com os


tratamentos hospitalares;

2. € 2.500 pelas dores e incómodos sofridos;

3. € 2.500 pelo esforço suplementar que teve que fazer


para acompanhar o ano escolar;

4. Juros de mora, desde a data da citação até ao efetivo


pagamento das quantias acima referidas, calculados à
taxa legal de 4% ao ano.

PARA TANTO:

Deverá a ré ser citada, para contestar, querendo, no prazo e sob cominação legal.

VALOR:

€ 9.500 (nove mil e quinhentos euros).

PROVA:

1. Documental: 3 documentos:

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a. Doc. 1 - Certificado de frequência do ano escolar 2017/2018;

b. Doc. 2 - Boletim Clínico do Hospital;

c. Doc. 3 - Recibo do pagamento dos serviços hospitalares.

2. Testemunhal:

a. JOSÉ MIGUEL COSTA, residente na R. 5 de outubro, n.º 40, em Rio


Maior;

b. MANUEL MARIA LOPES, residente na Av. da República, n.º 18,


Lisboa;

c. RICARDO SILVA, residente na R. Jaime Moniz, n.º 26, em Rio Maior;

d. RITA CARVALHO DANTAS, residente na R. Jaime Moniz, n.º 24, em


Rio Maior;

e. SILVINA RODRIGUES, residente na R. 1 de novembro, n.º 40, em Rio


Maior.

JUNTAM-SE:

 3 documentos;

 Procuração; e

 Comprovativo do pagamento da taxa de justiça;

A ADVOGADA

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Sofia Rodrigues Pires (004545)

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