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RESUMO DOS INFORMATIVOS - SITE DIZER O DIREITO

DIREITO TRIBUTÁRIO e DIREITO FINANCEIRO

Atualizado em 11/02/2018: novos julgados e questões de concurso.

1. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
1.1. Norma que altera o prazo de pagamento do tributo – (Info 790) – (MPRR-2017)
(TRF4-2016) (TJSE-2015)

Súmula vinculante 50-STF: Norma legal que altera o prazo de recolhimento da


obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.
STF. Plenário. Aprovada em 17/06/2015.

1.2. Princípio da anterioridade tributária e revogação de benefício fiscal – (Info 757)


– IMPORTANTE!!! TEMA POLÊMICO!!!

A revogação de benefício fiscal deverá obedecer ao princípio da anterioridade


tributária?
 SIM. O ato normativo que revoga um benefício fiscal anteriormente
concedido configura aumento indireto do tributo e, portanto, está sujeito ao
princípio da anterioridade tributária. Precedente da 1ª Turma do STF.
 NÃO. A revisão ou revogação de benefício fiscal, por se tratar de questão
vinculada à política econômica, que pode ser revista pelo Estado a qualquer
momento, não está adstrita à observância das regras de anterioridade
tributária. Precedente da 2ª Turma do STF.
STF. 1ª Turma. RE 564225 AgR/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 2/9/14 (Info 757).
STF. 2ª Turma. RE 617389 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 08/05/12.

1.3. Se a lei de conversão aumentou a alíquota prevista na MP, a regra da


anterioridade nonagesimal será contada a partir da publicação da lei – (Info 735)

Nos casos em que a majoração de alíquota tenha sido estabelecida somente na lei
de conversão, o termo inicial da contagem é a data da conversão da medida
provisória em lei.
STF. Plenário. RE 568503/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, j. 12/2/14 (Info 735)
OBS:
Imagine agora a seguinte situação: O Presidente da República editou, em 29/1/04, a
Medida Provisória 164/2004 instituindo o PIS/PASEP. Essa MP foi convertida na Lei
nº 10.865, promulgada em 30/4/04. Durante a tramitação da Medida Provisória
164/2004 no Congresso, foi inserido no projeto de conversão um artigo majorando a
alíquota do PIS incidente sobre a água mineral. Desse modo, a majoração não havia
sido prevista, originariamente, pela Medida Provisória, tendo surgido somente
quando a MP foi convertida na Lei.
O prazo de 90 dias será contado da publicação da MP ou da Lei? O prazo será iniciado
da data da publicação da lei. Em regra, o termo inicial para a contagem do prazo
nonagesimal seria a data da publicação da medida provisória e não a da lei na qual
fosse convertida. Todavia, como no caso houve o agravamento da carga tributária
pela lei de conversão, a contagem do termo iniciar-se-ia da publicação desta. Assim,
segundo decidiu o STF, nos casos em que a majoração de alíquota tenha sido
estabelecida somente na lei de conversão, o termo inicial da contagem é a data da
conversão da medida provisória em lei.

2. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
2.1. Não se pode aplicar a imunidade tributária recíproca se o bem está
desvinculado de finalidade estatal – (Info 861)

A INFRAERO (empresa pública federal) celebrou contrato de concessão de uso de


imóvel com uma empresa privada por meio da qual esta última poderia explorar
comercialmente um imóvel pertencente à INFRAERO. Vale ressaltar que esta
empresa é uma concessionária de automóveis.
A empresa privada queria deixar de pagar IPTU alegando que o imóvel gozaria de
imunidade tributária. O STF não aceitou a tese e afirmou que não incide a
imunidade neste caso.
A atividade desenvolvida pela empresa tem por finalidade gerar lucro.
Se fosse reconhecida a imunidade neste caso, isso geraria, como efeito colateral,
uma vantagem competitiva artificial em favor da empresa, que teria um ganho em
relação aos seus concorrentes. Afinal, a retirada de um custo permite o aumento do
lucro ou a formação de preços menores, o que provoca desequilíbrio das relações
de mercado.
Não se pode aplicar a imunidade tributária recíproca se o bem está desvinculado de
finalidade estatal.
STF. Plenário. RE 434251/RJ, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o ac. Min.
Cármen Lúcia, j. 19/4/17 (Info 861).

2.2. Sociedade de economia mista com finalidade lucrativa e que for arrendatária
de imóvel público não goza de imunidade tributária – (Info 860) – IMPORTANTE!!!

A imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal, não se
estende a empresa privada arrendatária de imóvel público, quando seja ela
exploradora de atividade econômica com fins lucrativos. Nessa hipótese é
constitucional a cobrança do IPTU pelo Município.
Ex: a União, proprietária de um grande terreno localizado no Porto de Santos,
arrendou este imóvel para a Petrobrás (sociedade de economia mista), que utiliza o
local para armazenar combustíveis. Antes do arrendamento, a União não pagava
IPTU com relação a este imóvel em virtude da imunidade tributária recíproca.
Depois que houve o arrendamento, a Petrobrás passa a ter que pagar o imposto.
STF. Plenário. RE 594015/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 6/4/17 (repercussão geral)
(Info 860).
OBS:
Imunidade tributária: Imunidade tributária consiste na determinação feita pela CF/88
de que certas atividades, rendas, bens ou pessoas não poderão sofrer a incidência de
tributos. Trata-se de uma dispensa constitucional de tributo. A imunidade é uma
limitação ao poder de tributar, sendo sempre prevista na própria CF.
Imunidade tributária recíproca: A CF/88, em seu art. 150, VI, “a”, prevê a chamada
imunidade tributária recíproca. Isso significa que a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios não podem cobrar impostos sobre o patrimônio, a renda ou
os serviços, uns dos outros. Vejamos a redação do dispositivo constitucional:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios:
(...)
VI — instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;

Essa imunidade funciona como um instrumento de preservação e calibração do


pacto federativo, impedindo que os impostos sejam utilizados como instrumento
de pressão indireta de um ente sobre outro (Min. Joaquim Barbosa). Ex.: se os
Municípios tomassem decisões administrativas que desagradassem o Governo
Estadual, este poderia, em tese, aumentar os impostos que incidiriam sobre o Poder
Público municipal.

Sabbag menciona que essa imunidade tem como fundamento, ainda, o postulado da
isonomia dos entes constitucionais. Ora, pelo fato de todos os entes estarem em pé
de igualdade, não havendo hierarquia, nenhum deles pode estar sujeito ao poder de
tributar do outro (Manual de Direito Tributário.5. ed., São Paulo: Saraiva, p. 254).

A imunidade tributária recíproca possui status de cláusula pétrea, porque ela é um


instrumento de proteção da forma federativa (art. 60, § 4º, I, da CF/88).

Imunidade subjetiva: Essa imunidade é classificada como subjetiva ou pessoal,


considerando que é outorgada em função da condição pessoal da União, dos Estados,
DF e Municípios. Em outras palavras, é imunidade subjetiva porque incide para
beneficiar uma pessoa.

O contrário da imunidade subjetiva é a imunidade objetiva, que incide sobre bens. É


o caso, por exemplo, da imunidade sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado
à sua impressão (art. 150, VI, "d", da CF).

Autarquias e fundações: As autarquias e fundações mantidas pelo Poder Público


também gozam da imunidade tributária recíproca no que se refere ao patrimônio, à
renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas
decorrentes. Isso está previsto expressamente no § 2º do art. 150 da CF/88:
§ 2º — A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e
às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no
que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados
a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

Empresas públicas e sociedades de economia mista: Embora a CF/88 reconheça a


imunidade recíproca apenas às pessoas políticas (Administração direta), autarquias e
fundações, a jurisprudência estende o benefício também às empresas públicas e às
sociedades de economia mista, desde que prestadoras de serviço público. Assim, as
empresas públicas e sociedades de economia mista que desempenham serviços
públicos também desfrutam da referida imunidade. Por outro lado, se a empresa
pública ou sociedade de economia mista explorar atividade econômica, não irá gozar
do benefício, porque a ela deve ser aplicado o mesmo regime jurídico da iniciativa
privada (art. 173, § 1º, II, da CF/88).

Correios e Imunidade tributária recíproca: O exemplo mais comum de empresa


pública que goza de imunidade recíproca é a Empresa Brasileira de Correios e
Telégrafos — ECT. Isso porque os Correios são entendidos como uma empresa
prestadora de serviço público obrigatório e exclusivo do Estado e não como
exploradora de atividade econômica, embora também ofereçam serviços dessa
natureza.

Concessionária de serviço público e Imunidade tributária: As empresas


concessionárias de serviço público NÃO gozam de imunidade tributária recíproca,
considerando que são empresas privadas que desempenham tais atividades em
busca do lucro.

Feitos estes esclarecimentos, imagine a seguinte situação: a União, proprietária um


grande terreno localizado no Porto de Santos, arrendou este imóvel para a Petrobrás
(sociedade de economia mista), que utiliza o local para armazenar combustíveis.
Antes do arrendamento, a União não pagava IPTU com relação a este imóvel em
virtude da imunidade tributária recíproca (art. 150, VI, "a"). Depois que houve o
arrendamento, a Petrobrás tem que pagar o IPTU ou ela também goza da imunidade
tributária? Tem que pagar o imposto. A imunidade tributária não se aplica a ela. É o
que foi decidido pelo STF.

A situação ocorrida foi a seguinte: A União celebrou contrato de concessão de uso de


imóvel com uma empresa privada por meio da qual esta última poderia explorar
comercialmente determinado imóvel pertencente ao patrimônio público federal. A
empresa privada queria deixar de pagar IPTU alegando que o imóvel gozaria de
imunidade tributária.

A tese da empresa foi acolhida pelo STF? NÃO. A imunidade recíproca prevista no
art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal não foi concebida com o propósito de permitir
que empresa privada atue livremente no desenvolvimento de atividade econômica e
usufrua de vantagem advinda da utilização de bem público. Essa imunidade decorre
da necessidade de observar-se, no contexto federativo, o respeito mútuo e a autonomia
dos entes. Não cabe estendê-la para evitar a tributação de particulares que atuam no
regime da livre concorrência.

Uma vez verificada atividade econômica, nem mesmo as pessoas jurídicas de direito
público gozam da imunidade (art. 150, § 3º, da CF/88).

O IPTU representa relevante custo operacional, comum a todos que exercem a


atividade econômica da recorrida. Afastar tal ônus de empresa que atua no setor
econômico, a partir de extensão indevida da imunidade recíproca, implica desrespeito
ao princípio da livre concorrência (art. 170, IV, da CF/88), por conferir ao particular
uma vantagem inexistente para os concorrentes.

Como o recurso foi decidido sob a sistemática da repercussão geral, o STF fixou a
seguinte tese:
Incide o IPTU, considerado imóvel de pessoa jurídica de
direito público cedido a pessoa jurídica de direito privado,
devedora do tributo. STF. Plenário. RE 601720/RJ, rel. orig.
Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, j. 6/4/17
(repercussão geral) (Infos 860 e 861).

2.3. Os livros eletrônicos gozam de imunidade tributária. Os componentes


eletrônicos que fazem parte de curso em fascículos de montagem de placas gozam de
imunidade tributária – (Info 856) – IMPORTANTE!!! – (TJSP-2017)

A imunidade tributária constante do art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal (CF),
aplica-se ao livro eletrônico (“e-book”), inclusive aos suportes exclusivamente
utilizados para fixá-lo.
STF. Plenário. RE 330817/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 8/3/17 (repercussão geral)
(Info 856).

A imunidade da alínea “d” do inciso VI do art. 150 da CF/88 alcança componentes


eletrônicos destinados, exclusivamente, a integrar unidade didática com fascículos.
STF. Plenário. RE 595676/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 8/3/17 (repercussão geral)
(Info 856).
(TJSP-2017-VUNESP): Considerando-se o disposto no artigo 150, VI, “d” da
Constituição Federal de 1988, notadamente a expressão “… e o papel destinado à
sua impressão”, é de se concluir corretamente que a imunidade deve ser estendida
também aos livros com suportes em CD e outros meios eletrônicos, em face das
interpretações evolutiva e teleológica. BL: Info 856 do STF.

2.4. Os requisitos para o gozo de imunidade devem estar previstos em lei


complementar – (Info 855) – IMPORTANTE!!! – (TJSP-2017)

Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei


complementar.
STF. Plenário. ADI 2028/DF, ADI 2036/DF, ADI 2228/DF, rel. orig. Min. Joaquim
Barbosa, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, j. 23/2 e 2/3/17 (Info 855).
STF. Plenário. RE 566622/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 23/2/17 (Info 855).
(TJSP-2017-VUNESP): A lei referida no parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição
Federal que estabelece os requisitos para o reconhecimento da imunidade para a
seguridade social das entidades beneficentes de assistência social, segundo o
julgamento do tema 32 pelo plenário do STF, deve ter hierarquia de Lei
complementar de caráter nacional. BL: STF, Info 855.

OBS:
Onde estão previstas as hipóteses de imunidade tributária? A imunidade tributária
deverá ser sempre prevista na Constituição Federal. As hipóteses mais conhecidas
estão listadas no art. 150, VI, da CF/88. Existem, contudo, inúmeras outras
imunidades previstas ao longo do texto constitucional. Veja alguns exemplos:
 Art. 5º, XXXIV, “a” e “b”, LXXIII, LXXIV, LXXVI e LXXVII: imunidade que
incide sobre “taxas”.
 Art. 149, § 2º, I: imunidade referente a “contribuições sociais” e CIDE.
 Art. 195, § 7º: imunidade incidente sobre “contribuições sociais”.

Imunidade para entidades beneficentes de assistência social: A Constituição Federal


conferiu imunidade para as entidades beneficentes de assistência social afirmando que
elas estão dispensadas de pagar contribuições para a seguridade social. Veja:
Art. 195 (...)
§ 7º - São isentas de contribuição para a seguridade social as
entidades beneficentes de assistência social que atendam às
exigências estabelecidas em lei.

Atenção: apesar de a redação do parágrafo falar em “isentas”, a doutrina afirma que


se trata, efetivamente, de uma hipótese de imunidade. Não é um caso de “isenção”.

O § 7º do art. 195 da CF/88 traz dois requisitos para o gozo desta imunidade:
1) que se trate de pessoa jurídica que desempenhe atividades beneficentes de
assistência social.

Obs: a assistência social é tratada no art. 203 da CF/88. O STF, contudo, confere um
sentido mais amplo ao e afirma que os objetivos da assistência social elencados nos
incisos do art. 203 podem ser conseguidos também por meio de serviços de saúde e
educação. Assim, se a entidade prestar serviços de saúde ou educação também
poderá, em tese, ser classificada como de “assistência social”.

2) que esta entidade atenda a parâmetros previstos na lei.

A lei a que se refere o § 7º é lei complementar ou ordinária? COMPLEMENTAR. Esse


assunto era extremamente polêmico na doutrina e na jurisprudência, mas o STF
apreciou o tema sob a sistemática da repercussão geral e fixou a seguinte tese:
Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos
em lei complementar. STF. Plenário. RE 566622, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 23/02/2017 (repercussão geral).

Como vimos acima, as imunidades tributárias são classificadas juridicamente como


“limitações constitucionais ao poder de tributar” e a CF/88 exige que este tema seja
tratado por meio de lei complementar. Confira:
Art. 146. Cabe à lei complementar:
(...)
II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar;

Isso gera alguma confusão porque aprendemos na faculdade, que, quando a CF/88l
fala apenas em "lei", sem especificar mais nada, ela está se referindo à lei ordinária. Ex:
art. 5º, XXXII ("o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor"). Trata-
se do Código de Defesa do Consumidor, uma lei ordinária (Lei nº 8.078/90).
Também aprendemos que a CF/88, quando quer exigir lei complementar, o faz
expressamente. Ex: art. 18, § 2º ("Os Territórios Federais integram a União, e sua criação,
transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei
complementar.").
O § 7º do art. 195, contudo, deve ser interpretado em conjunto com o art. 146, II. Assim,
a Constituição exigiu sim lei complementar, mas não diretamente no § 7º do art. 195 e
sim na previsão geral do art. 146, II.
Além disso, o STF afirmou que a imunidade de contribuições sociais serve não apenas
a propósitos fiscais, mas também para a realização dos objetivos fundamentais da
República, como a construção de uma sociedade solidária e voltada para a erradicação
da pobreza. Logo, esta espécie de imunidade não pode ficar à mercê da vontade
transitória de governos. As regras para gozar dessa imunidade devem ser respeitadas
por todos os governos, não sendo, portanto, correto que o regime jurídico das
entidades beneficentes fique sujeito a flutuações legislativas constantes, muitas vezes
influenciadas pela vontade de arrecadar. Assim, um tema tão sensível como esse não
pode ser tratado por lei ordinário ou medida provisória.
Assim, diante da relevância das imunidades de contribuições sociais para a
concretização de uma política de Estado voltada à promoção do mínimo existencial,
deve incidir nesse caso a reserva legal qualificada prevista no art. 146, II, da CF/88 (lei
complementar).

Existe alguma lei que preveja os requisitos que deverão ser atendidos pela entidade
para gozar da imunidade de que trata o § 7º do art. 195 da CF/88? SIM. Os requisitos
legais exigidos na parte final do § 7º, enquanto não editada nova lei complementar
sobre a matéria, são somente aqueles previstos no art. 14 do CTN. Assim, para
gozarem da imunidade, as entidades devem obedecer às seguintes condições:
a) não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer
título;
b) aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus
objetivos institucionais;
c) manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de
formalidades capazes de assegurar sua exatidão.

Mas o CTN (Lei nº 5.172/66) é uma lei ordinária ou complementar? O CTN foi editado
em 1966 como sendo uma lei ordinária. No entanto, ele foi "recepcionado com força
de lei complementar pela Constituição Federal de 1967, e mantido tal status com o
advento da CF/1988, visto que, tanto esta quanto aquela Magna Carta reservavam à
lei complementar a veiculação das normas gerais em matéria tributária, a regulação
das limitações ao poder de tributar e as disposições sobre conflitos de competência."
(ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário. Salvador: Juspodivm, 2017, p. 249). Em
suma, atualmente, o CTN possui status de lei complementar e, portanto, atende o
requisito do art. 146, II, da CF/88.

Observação: Este entendimento do acima explicado (RE 566622) vale também para a
imunidade prevista no art. 150, VI, "c", da CF/88:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
(...)
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos,
inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos
trabalhadores, das instituições de educação e de assistência
social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;

Assim, a lei de que trata o art. 150, VI, "c", da CF/88 é uma lei complementar
(atualmente, é o art. 14 do CTN).

Feitas estas considerações, veja o que decidiu o STF sobre uma lei que tratava a
respeito do tema: a Lei 9.732/98 alterou o art. 55 da Lei 8.212/91 criando requisitos
mais rigorosos para que as entidades beneficentes de assistência social pudessem
gozar da imunidade tributária do § 7º do art. 195 da CF/88. Esta Lei 9.732/98
(atualmente revogada) pode ser considerada constitucional? Os requisitos por ela
criados foram válidos? NÃO. Como já explicado, os requisitos para o gozo de
imunidade hão de estar previstos em lei complementar. A Lei 9.732/98 extrapolou os
requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN criando obstáculos novos, adicionais aos já
previstos na lei complementar, sendo, portanto, formalmente inconstitucional por
afronta ao art. 146, II, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 2028/DF, ADI 2036/DF, ADI 2228/DF, rel. orig. Min. Joaquim
Barbosa, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgados em 23/2 e 2/3/2017 (Info 855).
Assim, as entidades beneficentes que preenchiam os requisitos do art. 14 do CTN, mas
que não tiveram direito à imunidade por conta das exigências mais rigorosas da Lei
9.732/98 ganharam no STF a possibilidade de reaver o valor que pagaram a título de
contribuições para a seguridade social.

Procedimento de habilitação das entidades pode ser estabelecido em lei ordinária


Vale ressaltar que o STF fez a seguinte distinção:
 Os requisitos (exigências, normas de regulação) para que a entidade goze da
imunidade devem estar previstos em lei complementar, com base no art. 195,
§ 7º c/c art. 146, II, da CF/88. Ex: como as entidades deverão atuar para serem
consideradas beneficentes, as contrapartidas que deverão oferecer etc.
 Por outro lado, as regras sobre o procedimento de habilitação dessas entidades
nos órgãos da Administração Pública poderão ser disciplinadas por meio de
lei ordinária. Ex: previsão de que a entidade deverá obter, junto ao Conselho
Nacional de Assistência Social, o Certificado e o Registro de Entidade de Fins
Filantrópicos, renovado a cada três anos. Para o STF, esta norma trata de meros
aspectos procedimentais necessários à verificação do atendimento das
finalidades constitucionais da regra de imunidade.

Nas palavras do saudoso Min. Teori Zavascki, “a reserva de lei complementar aplicada à
regulamentação da imunidade tributária, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal
(CF), limita-se à definição de contrapartidas a serem observadas para garantir a finalidade
beneficente dos serviços prestados pelas entidades de assistência social, o que não impede seja o
procedimento de habilitação dessas entidades positivado em lei ordinária.”
Vale ressaltar que a lei ordinária somente poderá prever regras que não extrapolem as
exigências estabelecidas na lei complementar (atualmente, o art. 14 do CTN).

2.5. A imunidade tributária subjetiva é aplicada se a entidade imune for


contribuinte de fato? – (Info 855) – IMPORTANTE!!!

A imunidade tributária subjetiva aplica-se a seus beneficiários na posição de


contribuinte de direito, mas não na de simples contribuinte de fato, sendo
irrelevante, para a verificação da existência do beneplácito constitucional, a
repercussão econômica do tributo envolvido.
 Se a entidade imune for contribuinte de direito: incide a imunidade
subjetiva.

 Se a entidade imune for contribuinte de fato: não incide a imunidade


subjetiva.
STF. Plenário. RE 608872/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 22 e 23/2/2017 (repercussão
geral) (Info 855).
OBS:
Imunidade tributária: Consiste na determinação feita pela Constituição Federal de
que certas atividades, rendas, bens ou pessoas não poderão sofrer a incidência de
tributos. Trata-se de uma dispensa constitucional de tributo. A imunidade é uma
limitação ao poder de tributar, sendo sempre prevista na própria CF.

Imunidades subjetiva, objetiva e mista: As imunidades também são classificadas


segundo diversos critérios. Uma das classificações diz que existem três espécies de
imunidades:

a) SUBJETIVA (PESSOAL) b) OBJETIVA (REAL) c) MISTAS


Ocorre quando a imunidade Ocorre quando a imunidade Verifica-se quando ocorre
foi instituída em razão das foi instituída em função de uma combinação entre os
características de uma determinados fatos, bens ou dois critérios anteriores.
determinada pessoa. situações.
Ex: art. 150, VI, "a", "b" e "c", Ex: art. 150, VI, "d", da Ex: art. 153, § 4º, II, da CF/88.
da CF/88. CF/88.
Assim, a imunidade que A imunidade que recai sobre A CF/88 prevê que o ITR
beneficia instituições de livros, jornais, periódicos e o não incide sobre pequenas
educação e de assistência papel destinado a sua glebas rurais, definidas em
social, sem fins lucrativos é impressão é objetiva porque lei, quando as explore o
uma imunidade subjetiva, não interessa quem seja a proprietário que não possua
considerando que foi criada pessoa envolvida, mas sim outro imóvel.
em função da condição esta lista de bens. "Tal imunidade é mista
pessoal dessas instituições. porque depende de aspectos
subjetivos (o proprietário
possuir apenas um imóvel) e
objetivos (a área da pequena
gleba estar dentro dos
limites da lei"
(ALEXANDRE, Ricardo.
Direito Tributário, p. 206).

Tributos indiretos: São aqueles que permitem a transferência do seu encargo


econômico para uma pessoa diferente daquela definida em lei como sujeito passivo.
Exemplos mais conhecidos: IPI, ICMS, ISS e IOF. Assim, quando você recebe a conta
de energia elétrica, por exemplo, vai ter um campo chamado detalhamento da conta.
Nele você irá encontrar a discriminação dos itens que você está pagando enquanto
consumidor:
Consumo: R$ xxx
ICMS: yyy
Total: xxx + yyy
Dessa forma, o "contribuinte de direito" ("pela lei") do ICMS é a empresa
concessionária de energia elétrica. No entanto, ela oficialmente está autorizada a
repassar este tributo para o consumidor. Logo, o consumidor final é quem acaba sendo
o "contribuinte de fato".

Como explica Ricardo Alexandre:


"O ICMS é tributo indireto. Todo o seu ônus econômico-financeiro
é transferido para o consumidor que, ao pagar o preço da mercadoria,
paga também o valor do imposto que naquele preço se acha
embutido". (ob. cit., p. 225).

Tributos diretos são aqueles que, oficialmente, não permitem tal transferência.

Contribuinte de direito e contribuinte de fato: Assim, pode-se dizer que nos tributos
indiretos surgem as figuras do contribuinte de direito e do contribuinte de fato:
a) Contribuinte de direito: é a pessoa que realiza o fato gerador.
b) Contribuinte de fato: é a pessoa que paga efetivamente o imposto considerando que
o contribuinte de direito transferiu para ele este encargo.

QUANDO A ENTIDADE IMUNE É CONTRIBUINTE DE DIREITO, HAVERÁ


IMUNIDADE?
Imagine a seguinte situação: A CF/88 prevê que as entidades de assistência social,
sem fins lucrativos, na forma da lei, gozam de imunidade tributária (art. 150, VI, "c").
Imagine que determinada entidade de assistência social comercialize camisas. A
venda de camisas está sujeita, em tese, ao pagamento de ICMS. Ocorre que esta
entidade argumentou que não deveria incidir ICMS neste caso porque ela goza de
imunidade tributária. O Fisco estadual, por sua vez, refutou o argumento afirmando
que o ICMS é um tributo indireto e que esta entidade iria repassar o encargo
econômico do imposto para o consumidor final (contribuinte de fato). Logo, para a
Fazenda Pública, deveria sim incidir o imposto já que quem iria pagar não era a
entidade imune.

Qual das duas teses foi acolhida pelo STF? A tese das entidades imunes, ou seja,
haverá imunidade neste caso.

E QUANDO A ENTIDADE IMUNE É CONTRIBUINTE DE FATO, HAVERÁ


IMUNIDADE?
Vamos modificar o exemplo: Determinada entidade de assistência social adquire na
loja um forno para preparar comida para pessoas carentes. No momento de pagar o
valor, ao conferir a nota fiscal, o diretor da entidade percebe que está sendo cobrado
dele o ICMS sobre a mercadoria vendida. Ele não se conforma e alega que não deverá
pagar o imposto porque a entidade é imune.

A tese da entidade foi acolhida pelo STF? NÃO. Segundo entende o STF, mesmo que
o comprador da mercadoria seja uma entidade que goza de imunidade tributária,
ainda assim deverá haver a normal incidência do imposto. As imunidades deverão ser
interpretadas sob o aspecto formal (e não econômico). Dessa forma, tem-se que:
 se a entidade imune for contribuinte de direito, o imposto não incidirá;
 se a entidade imune for apenas contribuinte de fato, o imposto incidirá
normalmente.
Assim, a imunidade tributária subjetiva aplica-se ao ente beneficiário se ele for o
contribuinte de direito, não importando discutir se o tributo em questão pode ou não
ter repercussão econômica para terceiros. Não se pode estender ao particular
vendedor (contribuinte de direito) a imunidade tributária subjetiva que detém o
adquirente de mercadoria (contribuinte de fato).
O STF possui um enunciado antigo que transmite essa mesma ideia:
Súmula 591-STF: A imunidade ou a isenção tributária do
comprador não se estende ao produtor, contribuinte do
imposto sobre produtos industrializados.

Sobre o tema, já explicou Leandro Paulsen:


“Importa, para a verificação da existência ou não da imunidade, a
posição de contribuinte, nos moldes do raciocínio que inspirou a
Súmula nº 591 do STF. Conforme orientação atual do STF, seguindo
a linha da referida súmula, descabe verificar se o ente imune é ou não
contribuinte de fato, pois a repercussão econômica não está em
questão. Ora, se a Constituição diz que é vedado cobrar impostos das
entidades de assistência social, é porque nega competência para
tanto, não sendo dado ao intérprete perquirir quanto à repercussão
econômica do tributo para efeito de decidir se é devido ou não."
(PAULSEN, Leandro. Curso de direito tributário. 2ª ed. Porto
Alegre: Livraria do Advogado, 2008, p. 106).

No exemplo que demos acima em que a entidade beneficente compra o forno, tal
pessoa jurídica irá realmente arcar com o ônus financeiro dos impostos envolvidos
nessa venda (IPI e ICMS) caso tenham sido realmente transferidos pelo vendedor
(contribuinte de direito). No entanto, este valor que será pago pela entidade não
possui natureza jurídica de tributo, mas sim de "preço", decorrente de uma relação
contratual. Em outras palavras, a entidade está pagando apenas o preço total no qual,
obviamente, o vendedor embutiu todos os seus custos (a fim de que ele possa ter
lucro). Vale reiterar, porém, que o valor pago pela entidade não é tributo, mas sim
preço.

Resumindo:
 Se a entidade imune for contribuinte de direito: incide a imunidade subjetiva.
 Se a entidade imune for contribuinte de fato: não incide a imunidade
subjetiva.

PAGAMENTO INDEVIDO DE ICMS NAS CONTAS DE ENERGIA ELÉTRICA E


LEGITIMIDADE PARA PEDIR A RESTITUIÇÃO

Como vimos, tributos indiretos são aqueles que permitem a transferência do seu
encargo econômico para uma pessoa diferente daquela definida em lei como sujeito
passivo. Exemplos mais conhecidos: IPI, ICMS, ISS e IOF.
Tributos diretos são aqueles que, oficialmente, não permitem tal transferência.
Se houver pagamento indevido de tributo, o sujeito passivo tem direito,
independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo (art.
165 do CTN). A isso se dá o nome de repetição de indébito.
Nos tributos diretos, a regra relativa às restituições é simples: quem pagou um valor
indevido ou maior que o devido tem direito à restituição.
Nos tributos indiretos, a questão é um pouco mais complexa.

Se o contribuinte de direito repassou oficialmente o encargo econômico do tributo a


um terceiro e, mais tarde, percebeu-se que tal ônus não correspondia ao previsto na
lei, havendo direito à restituição, seria justo restituir o excesso ao primeiro? Em
outras palavras, sendo o tributo indireto, quem detém a legitimidade ativa ad causam
para pleitear a restituição do indébito?
Trata-se de questão difícil e polêmica. O STJ estabeleceu a seguinte distinção:

1) REGRA GERAL: a legitimidade para pleitear a restituição é do CONTRIBUINTE


DE DIREITO.
Argumento: o contribuinte de fato não integra a relação jurídica tributária.
Ex: no caso de pagamento indevido de IPI sobre a fabricação de bebidas, o STJ decidiu
que a legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito é do
fabricante de bebida (contribuinte de direito) (REsp 903.394/AL, DJe de 26/04/2010).

2) No caso de tributos pagos indevidamente por CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA


ELÉTRICA: a legitimidade para pleitear a restituição é do CONTRIBUINTE DE FATO
(consumidor).
Argumentos: a concessionária sempre evitará embates desgastantes com o Poder
Público. Além disso, em caso de aumento de tributos, poderá repassar esse valor nas
tarifas. Logo, o STJ concluiu que não haveria interesse das concessionárias em pleitear
a restituição do indébito em caso de terem sido tributadas indevidamente. Desse
modo, o consumidor iria arcar com a repercussão econômica do tributo pago a maior
e, como a concessionária não iria pleitear a repetição do indébito, essa situação de
abusividade na cobrança iria se perpetuar, em prejuízo ao usuário dos serviços
públicos.
Veja as palavras do Min. Cesar Asfor Rocha:
“Sem dúvida, no caso das concessionárias do serviço público, diante
de tudo o que foi dito acima, entendo que a legitimidade do
consumidor final permanece. Decidir de forma diversa impede
qualquer discussão, por exemplo, sobre a ilegalidade – já reconhecida
neste Tribunal Superior – da incidência do ICMS sobre a demanda
"contratada e não utilizada", contrariando as normas que
disciplinam as relações envolvidas nas concessões de serviço público.
Isso porque, volto a afirmar, em casos como o presente, inexiste
conflito de interesses entre a Fazenda Pública, titular do tributo, e as
concessionárias, que apenas repassam o custo tributário à tarifa por
força do art. 9º, §§ 2º e 3º, da Lei n. 8.987/1995.
(...)
Situação diversa é a da fabricação e do comércio de bebidas, objeto do
REsp 903.394/AL (repetitivo), não aplicável ao caso em debate. Se o
fabricante simplesmente repassar ao preço do seu produto de venda
o valor do ICMS cobrado indevidamente, as suas vendas poderão
cair. Em virtude da concorrência no setor privado – o que
dificilmente ocorre no fornecimento de energia elétrica –, o
distribuidor (adquirente da bebida) poderá buscar outro fabricante,
com produtos inferiores ou importados, com preços menores. Para
compensar o ICMS pago a mais e a fim de não reduzir as vendas,
terá o fabricante que reduzir custos e lucros, ao menos até que volte
a dominar o mercado. Sem dúvida, portanto, nessa situação, há
conflitos de interesses entre o credor do tributo e o fabricante, o que
viabiliza o ingresso de ações na Justiça por parte deste.” (REsp
1.299.303/SC).

Este entendimento do STJ permanece válido mesmo com a decisão do STF acima
explicada.

2.6. Imunidade tributária e imóvel alugado – (Info 790)

Súmula vinculante 52-STF: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao


IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, c,
da CF, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais
tais entidades foram constituídas.
STF. Plenário. Aprovada em 17/06/2015.

2.7. Inconstitucionalidade de CE que prevê imunidade tributária para veículos de


radiodifusão – (Info 755)

Constituição estadual não pode prever imunidade tributária para tributos estaduais
e municipais incidente sobre os veículos de radiodifusão.
STF. Plenário. ADI 773/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 20/8/2014 (Info
755).

2.8. Imunidade tributária e obrigações acessórias

A entidade que goza de imunidade tributária tem o dever de cumprir as obrigações


acessórias, dentre elas a de manter os livros fiscais.
STF. 1ª Turma. RE 250844/SP, rel. Min. Marco Aurélio, 29/5/2012.

3. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA


3.1. Veículos automotores dos Correios são imunes à incidência do IPVA – (Info
769) – IMPORTANTE!!!

Os Correios, mesmo sendo uma empresa pública, gozam de imunidade tributária


recíproca porque desempenham serviços públicos.
No presente julgado, o STF reafirmou o entendimento de que os veículos
automotores pertencentes aos Correios são imunes à incidência do IPVA por força
da imunidade tributária recíproca (art. 150, VI, “a”, da CF/88).
STF. Plenário. ACO 879/PB, Rel. Min. Marco Aurélio, Red. p/ o acórdão Min. Roberto
Barroso, 26/11/2014 (Info 769).

3.2. Correios gozam de imunidade tributária no serviço de transporte de bens e


mercadorias – (Info 767) – IMPORTANTE!!!
Os Correios gozam de imunidade tributária porque são uma empresa pública que
desempenha serviços públicos.
Ocorre que os Correios, além das atividades que desenvolvem de forma exclusiva,
como é o caso da entrega de cartas, também realizam alguns serviços em
concorrência com a iniciativa privada (ex: entrega de encomendas). Quando os
Correios realizam o serviço de transporte de bens e mercadorias, concorrendo,
portanto, com a iniciativa privada, mesmo assim eles gozam de imunidade? Ficam
livres de pagar ICMS?
SIM. O STF decidiu que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT goza
de imunidade tributária recíproca mesmo quando realiza o transporte de bens e
mercadorias. Assim, não incide o ICMS sobre o serviço de transporte de bens e
mercadorias realizado pelos Correios.
STF. Plenário. RE 627051/PE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 12/11/2014 (Info
767).

3.3. Os Correios gozam de imunidade tributária recíproca – (Info 763) –


IMPORTANTE!!!

Embora a CF/88 reconheça a imunidade recíproca apenas às pessoas políticas


(Administração direta), autarquias e fundações, a jurisprudência estende o
benefício também às empresas públicas e às sociedades de economia mista, desde
que prestadoras de serviço público.
Assim, as empresas públicas e sociedades de economia mista que desempenham
serviços públicos também desfrutam da referida imunidade.
Por outro lado, se a empresa pública ou sociedade de economia mista explorar
atividade econômica, não irá gozar do benefício porque a ela deve ser aplicado o
mesmo regime jurídico da iniciativa privada (art. 173, § 1º, II, da CF/88).
O exemplo mais comum de empresa pública que goza de imunidade recíproca é a
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT. Isso porque os Correios são
entendidos como uma empresa prestadora de serviço público obrigatório e
exclusivo do Estado e não como exploradora de atividade econômica, embora
também ofereçam serviços dessa natureza.
Se houver dúvida acerca de quais imóveis estariam afetados ao serviço público,
cabe ao Fisco produzir prova em contrário, haja vista militar em favor do
contribuinte a presunção de imunidade anteriormente conferida em benefício dele.
Assim, para que o Município possa cobrar IPTU sobre o imóvel ele deverá
identificar e provar que aquele imóvel específico não se destina às finalidades
essenciais dos Correios.
STF. Plenário. RE 773992/BA, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/10/2014
(repercussão geral) (Info 763).

3.4. Imunidade tributária recíproca e dívidas tributárias decorrentes de sucessão –


(Info 749) – IMPORTANTE!!!

A antiga RFFSA era uma sociedade de economia mista federal, que foi extinta, e a
União tornou-se sua sucessora legal nos direitos e obrigações.
A União goza de imunidade tributária recíproca (art. 150, VI, “a”, da CF/88). A
RFFSA não desfrutava do benefício pois se tratava de entidade exploradora de
atividade econômica.
Os débitos tributários que a RFFSA possuía foram transferidos para a União e
devem ser pagos, não podendo este ente invocar a imunidade tributária recíproca.
O STF concluiu que a imunidade tributária recíproca não afasta a responsabilidade
tributária por sucessão, na hipótese em que o sujeito passivo era contribuinte
regular do tributo devido.
STF. 1ª Turma. RE 599.176/PR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgado em 5/6/2014 (Info
749).

3.5. Imunidade versus atividade notarial - (MPSC-2014)

As pessoas que exercem atividade notarial não são imunes à tributação, porquanto
a circunstância de desenvolverem os respectivos serviços com intuito lucrativo
invoca a exceção prevista no art. 150, § 3º da CF/88. O recebimento de remuneração
pela prestação dos serviços confirma, ainda, capacidade contributiva. A imunidade
recíproca é uma garantia ou prerrogativa imediata de entidades políticas
federativas, e não de particulares que executem, com inequívoco intuito lucrativo,
serviços públicos mediante concessão ou delegação, devidamente remunerados.
Não há diferenciação que justifique a tributação dos serviços públicos concedidos
e a não-tributação das atividades delegadas. Ação Direta de Inconstitucionalidade
conhecida, mas julgada improcedente.
STF. ADI 3089, Relator p/ Acórdão: Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, j.
13/02/08.

4. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
4.1. Imunidade tributária obtida por assistência social versus cobrança de
estacionamento de veículos em área interna da entidade

IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 150, VI, C, DA CONSTITUIÇÃO.


INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. EXIGÊNCIA DE IMPOSTO SOBRE
SERVIÇO CALCULADO SOBRE O PREÇO COBRADO EM
ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS NO PÁTIO INTERNO DA ENTIDADE.
Ilegitimidade. Eventual renda obtida pela instituição de assistência social mediante
cobrança de estacionamento de veículos em área interna da entidade, destinada ao
custeio das atividades desta, está abrangida pela imunidade prevista no dispositivo
sob destaque. Precedente da Corte: RE 116.188-4. Recurso conhecido e provido.
STF. RE 144900 Rel. Min. ILMAR GALVÃO, 1ª Turma, j. 22/04/97.

(TJCE-2012-CESPE): Está abrangida pela imunidade estabelecida na CF eventual


renda que, obtida por instituição de assistência social mediante cobrança de
estacionamento de veículos em área interna da entidade, destine-se ao custeio das
atividades desta.

5. ISENÇÕES
5.1. Benefícios fiscais concedidos na Constituição Estadual – (Info 755)
I – A Constituição estadual pode conceder benefícios fiscais em seu texto. Isso não
precisa ser tratado mediante lei de iniciativa privativa do Chefe do Executivo, nos
termos do art. 61, § 1º, II, “b”, da CF/88 (aplicável por simetria no âmbito estadual).
II – A CF/88 afirma que uma lei complementar federal irá conferir um tratamento
tributário adequado (diferenciado) para o ato cooperativo praticado pelas
sociedades cooperativas (art. 146, III, “c”). Essa LC ainda não existe, razão pela qual
o STF entende que, enquanto isso, os Estados-membros podem legislar sobre o
tema e dar às cooperativas o tratamento que reputem adequado.
III – A concessão unilateral de benefícios fiscais relativos ao ICMS, sem a prévia
celebração de convênio intergovernamental, nos termos do que dispõe a LC 24/1975,
afronta o art. 155, § 2º, XII, “g”, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 429/CE, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 20/8/2014 (Info 755).

5.2. Isenções tributárias heterônomas

A isenção de tributos estaduais prevista no Acordo Geral de Tarifas e Comércio


para as mercadorias importadas dos países signatários, quando o similar nacional
tiver o mesmo benefício, foi recepcionada pela Constituição da República de 1988.
O art. 98 do Código Tributário Nacional ‘possui caráter nacional, com eficácia para
a União, os Estados e os Municípios’ (voto do eminente Ministro Ilmar Galvão). No
direito internacional apenas a República Federativa do Brasil tem competência para
firmar tratados (art. 52, § 2º, da CF), dela não dispondo a União, os Estados-
membros ou os Municípios. O Presidente da República não subscreve tratados
como chefe de Governo, mas como chefe de Estado, o que descaracteriza a existência
de uma isenção heterônoma, vedada pelo art. 151, III, da Constituição.
STF. RE 229.096, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 16-8-2007, Plenário,
DJE de 11-4-2008
No mesmo sentido: AI 235.708-AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 24-8-
2010, Segunda Turma, DJE de 17-9-2010; RE 254.406-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie,
julgamento em 2-3-2010, Segunda Turma, DJE de 19-3-2010; RE 234.662-AgR, Rel.
Min. Ayres Britto, julgamento em 13-10-2009, Primeira Turma, DJE de 20-11-2009; AI
223.336-AgR, Rel. Joaquim Barbosa, julgamento em 21-10-2008, Segunda Turma, DJE
de 28-11-2008; RE 385.311-AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 12-8-2008,
Primeira Turma, DJE de 26-9-2008. Vide: RE 543.943-AgR, Rel. Min. Celso de Mello,
julgamento em 30-11-2010, Segunda Turma, DJE de 15-2-2011.

6. PEDÁGIO
6.1. Pedágio possui natureza jurídica de tarifa – (Info 750)

O pedágio cobrado pela efetiva utilização de rodovias NÃO tem natureza tributária,
mas de preço público, consequentemente, não está sujeito ao princípio da
legalidade estrita.
STF. Plenário. ADI 800/RS, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 11/6/2014 (Info 750).

7. TAXAS
7.1. Inconstitucionalidade de taxa de combate a sinistros instituída por lei
municipal – (Info 871) – IMPORTANTE!!!

É inconstitucional taxa de combate a sinistros instituída por lei municipal.


A prevenção e o combate a incêndios são atividades desenvolvidas pelo Corpo de
Bombeiros, sendo consideradas atividades de segurança pública, nos termos do art.
144, V e § 5º da CF/88. A segurança pública é atividade essencial do Estado e, por
isso, é sustentada por meio de impostos (e não por taxa).
Desse modo, não é possível que, a pretexto de prevenir sinistro relativo a incêndio,
o Município venha a se substituir ao Estado, com a criação de tributo sob o rótulo
de taxa.
Tese fixada pelo STF: “A segurança pública, presentes a prevenção e o combate a
incêndios, faz-se, no campo da atividade precípua, pela unidade da Federação, e,
porque serviço essencial, tem como a viabilizá-la a arrecadação de impostos, não
cabendo ao Município a criação de taxa para tal fim.”
STF. Plenário. RE 643247/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 1º/8/17 (repercussão geral)
(Info 871).
OBS:
A segurança pública é atividade essencial do Estado e, por isso, é sustentada por meio
de impostos (e não por taxa). Nesse sentido:
(...) A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal se
consolidou no sentido de que a atividade de segurança
pública é serviço público geral e indivisível, logo deve ser
remunerada mediante imposto, isto é, viola o artigo 145, II, do
Texto Constitucional, a exigência de taxa para sua fruição. (...)
STF. Plenário. ADI 1942, Rel. Min. Edson Fachin, j. 18/12/15.

O Estado-membro poderia criar uma taxa de combate a incêndio? Esse não era o
objeto principal da ação, mas o Min. Marco Aurélio (relator), durante os debates,
sustentou que não. Segundo ele, as atividades precípuas (principais) do Estado são
viabilizadas mediante arrecadação de impostos. Por sua vez, a taxa decorre do
exercício do poder de polícia ou da utilização efetiva ou potencial de serviços públicos
específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à disposição. Assim, as
atividades de segurança pública, dentre elas a preservação e o combate a incêndios,
devem ser sustentadas por meio de impostos, de forma que nem mesmo o Estado
poderia instituir validamente uma taxa para remunerar tais serviços. Vale ressaltar,
contudo, que esse tema não ficou expressamente decidido, havendo vozes em sentido
contrário, como a do Min. Roberto Barroso.

7.2. Base de cálculo da taxa municipal de fiscalização e funcionamento – (Info 870)

As taxas municipais de fiscalização e funcionamento não podem ter como base de


cálculo o número de empregados ou ramo de atividade exercida pelo contribuinte.
STF. 2ª Turma. ARE 990914/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 20/6/17 (Info 870).

A taxa de fiscalização e funcionamento pode ter como base de cálculo a área de


fiscalização, na medida em que traduz o custo da atividade estatal de fiscalização.
STF. 1ª Turma. RE 856185 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 04/08/15.

7.3. Princípio da legalidade tributária e lei que delega a fixação do valor da taxa
para ato infralegal, desde que respeitados os parâmetros máximos – (Info 844)
Não viola a legalidade tributária a lei que, prescrevendo o teto, possibilita o ato
normativo infralegal fixar o valor de taxa em proporção razoável com os custos da
atuação estatal, valor esse que não pode ser atualizado por ato do próprio conselho
de fiscalização em percentual superior aos índices de correção monetária
legalmente previstos.
STF. Plenário. RE 838284/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 19/10/16 (repercussão geral)
(Info 844).

7.4. Princípio da legalidade tributária e lei que delega a fixação do valor da taxa
para ato infralegal, desde que respeitados os parâmetros máximos – (Info 842)

Não viola a legalidade tributária a lei que, prescrevendo o teto, possibilita o ato
normativo infralegal fixar o valor de taxa em proporção razoável com os custos da
atuação estatal, valor esse que não pode ser atualizado por ato do próprio conselho
de fiscalização em percentual superior aos índices de correção monetária
legalmente previstos.
STF. Plenário. RE 838284/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 06/10/16 (repercussão geral)
(Info 842).

7.5. Súmula Vinculante 41 – (Info 777)

SÚMULA VINCULANTE 41-STF: O serviço de iluminação pública não pode ser


remunerado mediante taxa.

8. IPTU
8.1. Alíquota aplicável em caso de lei municipal declarada inconstitucional por
prever progressividade em função do valor do imóvel antes da EC 29/2000 – (Info 806)

Antes da EC 29/2000, a CF/88 permitia para o IPTU apenas a progressividade em


razão da função social da propriedade (art. 182, § 4º, II). A Constituição não previa,
expressamente, a progressividade em razão do valor do imóvel (art. 156, § 1º, I).
Ocorre que mesmo antes da EC 29/2000, muitos Municípios editaram leis prevendo
alíquotas progressivas em razão do valor do imóvel. O STF considera que essas leis
são inválidas:
Súmula 668-STF: É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido, antes
da emenda constitucional 29/2000, alíquotas progressivas para o IPTU, salvo se
destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana.
Com a declaração de inconstitucionalidade da lei municipal, os contribuintes irão
pagar o IPTU com base em qual alíquota?
A mínima prevista. O STF firmou a seguinte tese: "Declarada inconstitucional a
progressividade de alíquota tributária, é devido o tributo calculado pela alíquota
mínima correspondente, de acordo com a destinação do imóvel."
STF. Plenário. RE 602347/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 4/11/2015
(repercussão geral) (Info 806).

8.2. Impossibilidade de majoração da base de cálculo por meio de decreto – (Info


713)
A base de cálculo do IPTU é o VALOR VENAL do imóvel (art. 33 do CTN).
Os Municípios não podem alterar ou majorar, por decreto, a base de cálculo do
IPTU, sob pena de violação ao art. 150, I, da CF/88.
A simples atualização do valor monetário da base de cálculo poderá ser feita por
decreto do Prefeito. Assim, os Municípios podem atualizar, anualmente, o valor dos
imóveis, com base nos índices oficiais de correção monetária, visto que a atualização
não constitui aumento de tributo (art. 97, § 1º, do CTN) e, portanto, não se submete
à reserva legal imposta pelo art. 150, I, da CF/88.
Conclusão: é inconstitucional a majoração, sem edição de lei em sentido formal, do
valor venal de imóveis para efeito de cobrança do IPTU acima dos índices oficiais
de correção monetária.
STF. Plenário. RE 648245/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 1/8/2013
(repercussão geral) (Info 713).

(TJPI-2015-FCC): Banco Gaita S/A, instituição financeira regulamente constituída


segundo as leis brasileiras, com estabelecimento matriz em Porto Alegre, Estado do
Rio Grande do Sul e estabelecimento filial em Teresina, Estado do Piauí, onde
desempenha suas atividades empresariais em imóvel próprio. Em janeiro de 2015,
o Banco Gaita S/A recebeu do Município de Teresina o carnê para o pagamento do
imposto predial e territorial urbano (IPTU) devido em 2015. Surpresos, os dirigentes
do Banco constataram significativo aumento desse tributo em relação àquele devido
em 2014. Além disto, antecipou-se a data do pagamento do IPTU devido, se
comparada àquela anteriormente fixada para liquidação desse imposto municipal
em 2014. Consultando a legislação municipal, os dirigentes do Banco apuraram que,
em novembro de 2014, a municipalidade editou decreto alterando a data de
pagamento desse imposto, corrigindo monetariamente o valor venal dos imóveis
pelo índice oficial de inflação, após o que, também por decreto, alterou as
importâncias constantes da planta genérica de valores em vista da elevação dos
valores venais vigentes. Neste caso, pode-se exigir o IPTU de 2015 na data de
pagamento fixada para liquidação do imposto em 2015, com correção monetária dos
valores venais dos imóveis pelo índice oficial de inflação, mas sem a alteração das
importâncias constantes da planta genérica de valores em vista da elevação dos
valores venais vigentes.

Explicação:
1) Antecipação do vencimento do IPTU: norma que altera o prazo de recolhimento
do tributo não encerra majoração, e, portanto, não se submete aos princípios da
legalidade ou anterioridade (art. 150, I, da CF/88 e Súmula Vinculante 50);
2) Atualização da base de cálculo do IPTU: a atualização monetária também não
constitui majoração, não se submetendo à legalidade ou anterioridade (art. 150, I,
da CF/88 e Súmula 160, STJ);
3) Aumento dos valores da planta genérica do IPTU: constitui majoração da base
de cálculo do IPTU, sendo preciso repeitar os princípios da legalidade e da
anterioridade, à exceção da noventena (art. 150, § 1º, da CF/88).
CONCLUSÃO: No caso, houve desrespeito ao regramento constitucional somente
no que toca ao princípio da legalidade, em relação ao aumento do valor das plantas
genéricas.

(TJPR-2014-PUCPR): A lei que altere a base de cálculo do IPTU, majorando-o, não


está sujeita ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal.
(TJPE-2013-FCC): Prefeito Municipal que entrou em exercício no dia primeiro de
janeiro de 2013 baixou um decreto corrigindo monetariamente, conforme índice de
correção lá indicado, a Planta Genérica de Valores utilizada para apuração da base
de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana - IPTU e
sobre o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis por ato inter vivos a título
oneroso - ITBI. Fez constar o Prefeito que a vigência do decreto é imediata, a partir
da data da publicação, já valendo para o exercício de 2013. Inconformados com esta
medida, que acabou por majorar a base de cálculo do IPTU e do ITBI, alguns
proprietários ingressaram em juízo questionando a constitucionalidade do decreto.

9. IMPOSTO DE RENDA
9.1. Aumento de alíquota e irretroatividade – (Info 810)

É inconstitucional a aplicação retroativa de lei que majora a alíquota incidente


sobre o lucro proveniente de operações incentivadas ocorridas no passado, ainda
que no mesmo ano-base, tendo em vista que o fato gerador se consolida no
momento em que ocorre cada operação de exportação, à luz da extrafiscalidade da
tributação na espécie.
A Súmula 584 do STF permanece válida. No entanto, este enunciado não se aplica
para as hipóteses em que o tributo tenha função extrafiscal.
STF. Plenário. RE 592396/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/12/2015
(repercussão geral) (Info 810).

9.2. Regime de caixa previsto no art. 12 da Lei n. 7.713/88 é inconstitucional – (Info


764)

O art. 12 da Lei n. 7.713/1988 afirma que se a pessoa receber rendimentos


acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o
total dos rendimentos. Assim, se o indivíduo recebe, em um só mês, uma
indenização trabalhista ou algum benefício previdenciário que estava atrasado,
acaba sendo punido duas vezes. Isso porque ele deveria ter recebido as parcelas na
época própria, mas não aconteceu. Quando finalmente consegue auferi-las, é
tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude do valor
recebido considerado globalmente.
Por essa razão, para ao STF, o art. 12 é INCONSTITUCIONAL.
A alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento recebido pela pessoa
mês a mês (regime de competência), e não aquela que incidiria sobre valor total
pago de uma única vez (regime de caixa), e, portanto, mais alta.
STF. Plenário. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min.
Marco Aurélio, julgado em 23/10/2014 (repercussão geral) (Info 764).

10. ICMS
10.1. É válida lei estadual que dispõe acerca da incidência do ICMS sobre operações
de importação editada após a vigência da EC 33/2001, mas antes da LC 114/2002 – (Info
887) – IMPORTANTE!!! MUDANÇA DE ENTENDIMENTO!!!

É válida lei estadual que dispõe acerca da incidência do ICMS sobre operações de
importação editada após a vigência da EC 33/01 (12/12/01), mas antes da LC federal
114/2002, visto que é plena a competência legislativa estadual enquanto inexistir lei
federal sobre norma geral, conforme art. 24, § 3º, da CF/88.
Nesse sentido, o STF julgou válida lei do Estado de SP, editada em 21/12/01, que
prevê a incidência de ICMS sobre importação de veículo por pessoa física e para
uso próprio. Não há inconstitucionalidade uma vez que a lei foi editada após a EC
33/2001, que autorizou a tributação.
STF. 2ª Turma. ARE 917950/SP, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ ac. Min. Gilmar
Mendes, j. 5/12/17 (Info 887).
OBS:
O ICMS é um imposto estadual previsto no art. 155, II, da CF e na LC 87/96:
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir
impostos sobre:
II — operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as
prestações se iniciem no exterior;

Principais características do imposto:


 plurifásico: incide sobre o valor agregado, obedecendo-se ao princípio da não-
cumulatividade;
 real: as condições da pessoa são irrelevantes;
 proporcional: não é progressivo;
 fiscal: tem como função principal a arrecadação.

Fatos geradores: Eduardo Sabbag afirma que, resumidamente, o ICMS pode ter os
seguintes fatos geradores (Manual de Direito Tributário. 4. ed., São Paulo: Saraiva,
2012, p. 1061):
 circulação de mercadorias;
 prestação de serviços de transporte intermunicipal;
 prestação de serviços de transporte interestadual;
 prestação de serviços de comunicação.

Vale ressaltar que incide o ICMS mesmo que “as operações e as prestações se iniciem no
exterior” (art. 155, II, da CF/88).

ICMS importação: A CF/88 prevê que haverá cobrança de ICMS nos casos de
mercadoria importada do exterior ou nas hipóteses de serviço prestado no exterior.
Ex: uma empresa que fabrica roupas deverá pagar ICMS se importou da China uma
máquina têxtil para utilizar em sua linha de produção. Até aqui, tudo bem, sem muitas
dúvidas. A polêmica está na resposta para as três perguntas a seguir:
 Se a pessoa que importou a mercadoria era uma pessoa física não contribuinte
habitual do imposto, haveria incidência de ICMS?

 Se a pessoa que importou a mercadoria era uma pessoa jurídica não


comerciante (não contribuinte habitual do imposto), haveria incidência de
ICMS?

 Se a mercadoria foi importada pela empresa sem finalidade comercial (não


seria utilizada em sua cadeia produtiva), mesmo assim haveria incidência de
ICMS?
A resposta para tais perguntas irá depender do momento em que foi realizado o FG,
isto é, se antes ou depois da EC 33/2001.

Redação originária da CF/88 Redação atual da CF/88


(antes da EC 33/2001) (depois da EC 33/2001)
Resposta: NÃO Resposta: SIM

O STF entendeu que a redação do art. O Governo, com o objetivo de modificar


155, § 2º, IX, “a”, da CF/88 não esse entendimento do STF e autorizar a
autorizava a cobrança do ICMS cobrança do ICMS, editou a EC 33/01
importação nos três casos acima listados. alterando a redação do art. 155, 2º, IX.

Só pagava o ICMS importação quem Assim, atualmente, com a redação dada


fosse contribuinte habitual do imposto. pela EC 33/01, o ICMS incide sobre toda
e qualquer importação.
Independentemente de a pessoa ser
contribuinte ou não do ICMS, deverá
pagar o ICMS importação.
Veja a redação originária da CF/88: Veja a redação atual da CF/88:
Incide também o ICMS: Incide também o ICMS:
a) sobre a entrada de mercadoria importada a) sobre a entrada de bem ou mercadoria
do exterior, ainda quando se tratar de bem importados do exterior por pessoa física ou
destinado a consumo ou ativo fixo do jurídica, ainda que não seja contribuinte
estabelecimento, assim como sobre serviço habitual do imposto, qualquer que seja
prestado no exterior, cabendo o imposto ao a sua finalidade, assim como sobre o
Estado onde estiver situado o serviço prestado no exterior, cabendo o
estabelecimento destinatário da mercadoria imposto ao Estado onde estiver situado o
ou do serviço; domicílio ou o estabelecimento do
destinatário da mercadoria, bem ou serviço;
Na época, o STF chegou a editar uma Diante da nova redação da CF/88, o
súmula espelhando seu entendimento: entendimento exposto nessa Súmula
Súmula 660-STF: Não incide ICMS na 660 está SUPERADO. A referida súmula
importação de bens por pessoa física ou não vale mais.
jurídica que não seja contribuinte do
imposto.

O STF, ao analisar o impacto desta EC 33/01, assim decidiu:


Após a EC 33/01, é CONSTITUCIONAL a instituição do
ICMS incidente sobre a importação de bens, sendo irrelevante
a classificação jurídica do ramo de atividade da empresa
importadora. Antes da EC 33/01 essa prática era
inconstitucional.
As leis estaduais anteriores à EC 33/01 que previam a
cobrança de ICMS importação para pessoas que não fossem
contribuintes habituais de imposto são inválidas,
considerando que o sistema jurídico brasileiro não contempla
a figura da constitucionalidade superveniente.
Para ser constitucionalmente válida a incidência do ICMS
sobre operações de importação de bens, as modificações no
critério material na base de cálculo e no sujeito passivo da
regra-matriz deveriam ter sido realizadas em lei posterior à
EC 33/01.
A súmula 660 do STF está superada.
STF. Plenário. RE 439796/PR; RE 474267/RS, Rel. Min.
Joaquim Barbosa, j. 6/11/13 (repercussão geral) (Info 727).

LC 114/02: A fim de adequar a legislação do ICMS à nova disciplina da EC 33/01, o


Congresso Nacional editou a LC 114/02, alterando a LC 87/96 (que trata do ICMS)
para regular os casos de ICMS importação. Dessa forma, a LC 114/02, que entrou em
vigor em 17/12/02, foi editada com o objetivo de prever expressamente, na legislação
infraconstitucional, a possibilidade de ICMS sobre a importação.

As leis estaduais editadas antes da EC 33/01 e que autorizavam a incidência do ICMS


importação em todos os casos foram “validadas” com a edição da EC 33/2001? NÃO.
Os Estados-membros que se precipitaram e previram em suas leis estaduais a
incidência do ICMS importação em todos os casos fizeram isso sem o necessário
fundamento de validade constitucional. Logo, as leis estaduais e os lançamentos
tributários realizados antes da EC 33/01 são inválidos, considerando que o sistema
jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente.

As leis estaduais autorizando a incidência do ICMS importação e que foram editadas


após a EC 33/01, mas antes da LC federal 114/2002 são válidas? SIM.

Veja o que diz o art. 24, § 3º da CF/88 invocado como fundamento para a validade das
leis estaduais editadas após a EC 33/2001 e antes da LC federal 114/2002.
Art. 24 (...)
§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas
peculiaridades.

10.2. Inconstitucionalidade de lei estadual que concede vantagens no parcelamento


do ICMS para empresas que aderirem a programa de geração de empregos – (Info 856)

É inconstitucional lei estadual que concede, sem autorização de convênio


interestadual, vantagens no parcelamento de débitos do ICMS para empresas que
aderirem a programa de geração de empregos.
O Estado-membro só pode conceder benefícios de ICMS se isso tiver sido
previamente autorizado por meio de convênio celebrado com os demais Estados-
membros e DF, nos termos do art. 155, § 2º, XII, “g”, da CF/88 e o art. 1º da LC 24/75.
A concessão unilateral de benefícios de ICMS sem previsão em convênio representa
um incentivo à guerra fiscal.
STF. Plenário. ADI 3796/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 8/3/17 (Info 856).

10.3. Inconstitucionalidade de lei estadual que concede isenção de ICMS para


empresas patrocinadoras de bolsas de estudo – (Info 856)

É inconstitucional lei estadual que concede, sem autorização de convênio


interestadual, dedução de ICMS para empresas que patrocinarem bolsas de estudo
para professores.
O Estado-membro só pode conceder isenção de ICMS se isso tiver sido combinado
com os demais Estados-membros/DF por meio de um convênio. É o que prevê o art.
155, § 2º, XII, “g”, da CF/88 e o art. 1º da LC 24/75.
STF. Plenário. ADI 2663/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8/3/2017 (Info 856).

10.4. Constitucionalidade de regime tributário opcional com redução da base de


cálculo condicionada à renúncia ao regime de apuração normal de créditos e débitos –
(Info 855)

No Rio Grande do Sul foi editada uma lei prevendo que as empresas
transportadoras teriam duas opções de tributação do ICMS:
1ª) poderiam continuar com o sistema normal de créditos e débitos inerente ao
ICMS;
2ª) poderiam aderir a um regime tributário opcional no qual teriam a redução da
base de cálculo para o percentual de 80%, condicionada ao abandono do regime de
apuração normal de créditos e débitos.
O STF entendeu que não é inconstitucional lei estadual que permita que o
contribuinte opte por um regime especial de tributação de ICMS com base de
cálculo reduzida, mediante expressa renúncia ao aproveitamento de créditos
relativos ao imposto pago em operações anteriores, ainda que proporcional. Esta
norma não viola o princípio da não cumulatividade.
Assim, se a empresa contribuinte optar pelo sistema da base de cálculo reduzida,
não terá direito ao creditamento de ICMS.
STF. 1ª Turma. AI 765420 AgR-segundo/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o
ac. Min. Rosa Weber, j. 21/2/17 (Info 855).

10.5. Reconhecida a omissão do Congresso Nacional em editar a LC de que trata o


art. 91 do ADCT – (Info 849)

O ICMS é um imposto estadual. A CF/88 e a LC 87/96 determinaram que não deveria


incidir ICMS nas operações e prestações destinadas ao exterior. Como isso causou
uma perda de arrecadação, foi prevista uma forma de compensação por meio da
qual a União deveria transferir recursos aos Estados.
Os critérios para compensar os Estados por conta das desonerações de ICMS sobre
as exportações estão previstos no art. 91 do ADCT.
O caput do art. 91 exige que seja editada uma nova lei complementar para
regulamentar os critérios de compensação dos Estados. No entanto, o § 3º prevê que,
até a edição da nova lei complementar, devem ser adotados para o repasse os
critérios estabelecidos no Anexo da LC 87/96, com a redação da LC 115/2002.
Como já se passaram muitos anos sem que o Congresso Nacional tenha editado a
lei complementar de que trata o art. 91 do ADCT, foi proposta uma ADI por omissão
por conta desta lacuna.
O STF julgou procedente a ação e declarou haver mora, por parte do Congresso
Nacional, em editar a aludida lei complementar. Diante disso, o STF fixou um prazo
de 12 meses para que o Legislativo faça a lei.
Na decisão, o STF consignou que, se for ultrapassado o prazo de 12 meses sem que
a lei seja editada, o Tribunal de Contas da União (TCU) deverá:
a) fixar o valor total a ser transferido anualmente aos Estados-Membros e ao Distrito
Federal, considerando os critérios dispostos no art. 91 do ADCT, a saber, as
exportações para o exterior de produtos primários e semielaborados, a relação entre
as exportações e as importações, os créditos decorrentes de aquisições destinadas
ao ativo permanente e a efetiva manutenção e aproveitamento do crédito do
imposto a que se refere o art. 155, § 2º, X, “a”, do texto constitucional;
b) calcular o valor das quotas a que cada um fará jus, levando em conta os
entendimentos entre os Estados-Membros e o Distrito Federal realizados no âmbito
do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
STF. Plenário. ADO 25/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 30/11/16 (Info 849).
OBS:
Dever constitucional de legislar: Existe, no caso, um dever constitucional de legislar,
previsto no art. 91 do ADCT, e uma omissão legislativa que perdura por mais de 13
anos. Isso traz consequências econômicas relevantes, sobretudo em relação a
determinados Estados-Membros. Embora falte a lei complementar exigida pela
Constituição, a legislação em vigor traz critérios provisórios para os repasses. Isso,
entretanto, não basta para afastar a omissão em debate. Ao contrário, o sentido de
provisoriedade do § 2º do art. 91 do ADCT só confirma a lacuna legislativa e não tem
o condão de convalidá-la. Está, portanto, configurado o estado de
inconstitucionalidade por omissão, em razão de mora do Poder Legislativo.

10.6. Judiciário não pode alterar os critérios de compensação das desonerações de


ICMS decorrentes das exportações previstos no art. 91 do ADCT e na LC 87/96 – (Info
849)

O ICMS é um imposto estadual. A CF/88 e a LC 87/96 determinaram que não deveria


incidir ICMS nas operações e prestações destinadas ao exterior. Como isso causou
uma perda de arrecadação, foi prevista uma forma de compensação por meio da
qual a União deveria transferir recursos aos Estados.
Os critérios para compensar os Estados por conta das desonerações de ICMS sobre
as exportações estão previstos no art. 91 do ADCT.
O caput do art. 91 exige que seja editada uma nova lei complementar para
regulamentar os critérios de compensação dos Estados. No entanto, o § 3º prevê que,
até a edição da nova lei complementar, devem ser adotados para o repasse os
critérios estabelecidos no Anexo da LC 87/96, com a redação da LC 115/02. Portanto,
o próprio texto constitucional transitório já previu a solução a ser adotada até a
vinda da nova lei complementar.
Dessa forma, o Poder Judiciário não pode alterar os índices de repasse da União aos
Estados previstos no art. 91 do ADCT e na LC 87/96, criando novos critérios. Tal
atitude equivaleria a uma inovação no ordenamento jurídico contra o direito posto,
violando a cláusula da separação dos Poderes.
STF. Plenário. ACO 1044/MT, Rel. Min. Luiz Fux, j. 30/11/16 (Info 849).

10.7. Substituição tributária progressiva e restituição do ICMS pago a mais quando


a BC efetiva da operação for inferior à presumida – (Info 844) – IMPORTANTE!!!
ATUALIZE SEUS LIVROS!!!

É devida a restituição da diferença do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e


Serviços (ICMS) pago a mais, no regime de substituição tributária para a frente, se
a base de cálculo efetiva da operação for inferior à presumida.
STF. Plenário. ADI 2675/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski e ADI 2777/SP, red. p/
o ac. Min. Ricardo Lewandowski, j. 19/10/16 (Info 844).
STF. Plenário. RE 593849/MG, Rel. Min. Edson Fachin, j. 19/10/16 (repercussão
geral) (Info 844).

(AGU-2015-CESPE): Por dispositivo legal expresso, a obrigação de recolhimento de


determinado imposto foi atribuída a pessoa diversa da do contribuinte, devendo
esse pagamento ser feito antecipadamente, em momento prévio à ocorrência do fato
gerador, previsto para ocorrer no futuro. Na situação considerada, trata-se do
instituto denominado substituição tributária progressiva, que tem previsão
expressa relativa ao ICMS.

OBS:
O ICMS é um imposto estadual previsto no art. 155, II, da CF e na LC 87/96:
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir
impostos sobre:
II — operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as
prestações se iniciem no exterior;

Principais características do imposto:


 plurifásico: incide sobre o valor agregado, obedecendo-se ao princípio da não-
cumulatividade;
 real: as condições da pessoa são irrelevantes;
 proporcional: não é progressivo;
 fiscal: tem como função principal a arrecadação.

Fatos geradores: Eduardo Sabbag afirma que, resumidamente, o ICMS pode ter os
seguintes fatos geradores (Manual de Direito Tributário. 4. ed., São Paulo: Saraiva,
2012, p. 1061):
 circulação de mercadorias;
 prestação de serviços de transporte intermunicipal;
 prestação de serviços de transporte interestadual;
 prestação de serviços de comunicação.

Substituição tributária progressiva: Também chamada de substituição tributária


“para frente” ou subsequente, é uma técnica de arrecadação de alguns impostos, em
especial o ICMS. Na substituição tributária progressiva, a lei prevê que o tributo
deverá ser recolhido antes mesmo que ocorra o fato gerador. Desse modo, primeiro
há um recolhimento do imposto e o fato gerador se dará em um momento posterior.
Diz-se, então, que o fato gerador é presumido porque haverá o pagamento do tributo
sem ter certeza de que ele irá acontecer.

A substituição tributária progressiva é prevista na própria CF/88:


Art. 150 (...)
§ 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação
tributária a condição de responsável pelo pagamento de
imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer
posteriormente, assegurada a imediata e preferencial
restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador
presumido.
Vale ressaltar que, mesmo antes da EC 3/93, que incluiu esta previsão na CF/88, os
Estados já adotavam a técnica da substituição tributária progressiva e o STF
considerava legítima. Assim, mesmo antes da EC 3/93 era possível a substituição
tributária para a frente.

Exemplo dado por Ricardo Alexandre: “A” é uma refinaria de combustíveis que vende
a gasolina para os distribuidores (“B”), que revendem para os postos de gasolina
(“C”), que, por fim, vendem ao consumidor final (“D”). Para o Estado é mais fácil
cobrar de “A” todo o tributo que irá incidir sobre a cadeia produtiva. Assim, “A”
pagará o imposto por ele devido como contribuinte e também os impostos que irão
incidir sobre as vendas futuras (nesse caso, pagará como substituto
tributário/responsável tributário). (ALEXANDRE, Ricardo. Direito tributário
esquematizado. 10ª ed. São Paulo: Método, 2016, p. 317-319).

Veja como fica a cadeia de vendas e a incidência do imposto:


 “A” vende para “B” (“A” paga o tributo como contribuinte e também já paga,
como responsável tributário, o imposto relacionado com as vendas futuras).
 “B” vende para “C” (“B” não pagará mais o imposto, uma vez que este já foi
pago por “A”, como substituto tributário).
 “C” vende para os consumidores (“C” não pagará o imposto, uma vez que este
já foi pago por “A”, como substituto).

Assim, todo o tributo é pago de uma só vez por “A”, sendo calculado sobre o valor
pelo qual se presume que a mercadoria será vendida ao consumidor. (ALEXANDRE,
Ricardo, p. 319).

E se o fato gerador presumido não ocorrer? Ex: a refinaria pagou o imposto


relacionado com as vendas futuras na qualidade de responsável tributário;
suponhamos, no entanto, que houve um acidente no distribuidor e ele perdeu toda a
gasolina que revenderia; logo, o FG que se presumiu que ocorreria não aconteceu,
apesar de o imposto já ter sido pago. O que fazer neste caso? A CF/88 determina
expressamente que, se o fato gerador presumido não se realizar, a Administração
Pública deverá restituir a quantia paga, de forma imediata e preferencial (art. 150, §
7º).

E se o fato gerador presumido ocorrer, mas com um valor diverso do que foi presumido
e calculado? Ex: a refinaria pagou o imposto relacionado com as vendas futuras na
qualidade de responsável tributário; suponhamos que o imposto foi calculado
presumindo que o distribuidor venderia o combustível por R$ 1,00 o litro, mas, na
realidade, diante de uma crise no mercado, ele só conseguiu vender por R$ 0,70; logo,
a base de cálculo do imposto (valor da mercadoria efetivamente vendida) foi inferior
àquela que havia sido presumida; diante disso, na prática, pagou-se um valor de
imposto maior do que o que seria realmente devido. O que fazer neste caso? Haverá
direito à restituição do valor pago a mais de imposto? SIM. O STF decidiu que é
devida a restituição da diferença do ICMS pago a mais, no regime de substituição
tributária para a frente, se a base de cálculo efetiva da operação for inferior à
presumida.

A substituição tributária, prevista no art. 150, § 7º, da CF/88, tem como fundamento o
princípio da praticidade. Por meio desta técnica, o Estado consegue comodidade,
economicidade e eficiência na execução administrativa das leis tributárias. No entanto,
a praticidade tributária encontra freio nos princípios da igualdade, capacidade
contributiva e vedação do confisco, bem como na arquitetura de neutralidade fiscal
do ICMS.

Desse modo, é papel do Poder Judiciário tutelar situações que extrapolem o limite da
razoabilidade, como é o caso em tela, no qual o contribuinte paga um valor maior do
que efetivamente devido, tendo, portanto, direito de ser restituído.

Para o Min. Edson Fachin, a tributação não pode se transformar em uma ficção
jurídica, em uma presunção absoluta (juris et de jure) na qual o fato gerador presumido
assuma um caráter definitivo e sejam desprezadas as variações decorrentes do
processo econômico.

Não permitir a restituição nestes casos representaria injustiça fiscal inaceitável em um


Estado Democrático de Direito, fundado em legítimas expectativas emanadas de uma
relação de confiança e justeza entre Fisco e contribuinte. Desse modo, a restituição do
excesso atende ao princípio que veda o enriquecimento sem causa, haja vista a não
ocorrência da materialidade presumida do tributo.

Precedente anterior do STF em sentido diferente e overriding: Em 1997, 23 Estados-


membros assinaram, o Convênio ICMS 13/97, no qual previram que eles iriam adotar
a sistemática da substituição tributária para frente na cobrança do ICMS. Uma das
cláusulas deste Convênio afirmava que se a base de cálculo efetiva da operação fosse
inferior à presumida, não haveria restituição do ICMS cobrado a maior (cláusula
segunda).

Este Convênio foi impugnado por meio de uma ADI, tendo o STF, em 2002, julgado
improcedente a ação, declarando que essa previsão de não-restituição do imposto não
violava a Constituição Federal. Em outras palavras, o STF, ao contrário de agora,
decidiu que não deveria haver a restituição do imposto caso a base de cálculo efetiva
fosse menor do que aquela presumidamente calculada. Veja trecho da ementa:

(...) O fato gerador presumido, por isso mesmo, não é


provisório, mas definitivo, não dando ensejo a restituição ou
complementação do imposto pago, senão, no primeiro caso,
na hipótese de sua não-realização final. Admitir o contrário
valeria por despojar-se o instituto das vantagens que
determinaram a sua concepção e adoção, como a redução, a
um só tempo, da máquina-fiscal e da evasão fiscal a dimensões
mínimas, propiciando, portanto, maior comodidade,
economia, eficiência e celeridade às atividades de tributação e
arrecadação. (...)
STF. Plenário. ADI 1851, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgado em
08/05/2002.

Todos os Ministros que votaram pela rejeição da ADI 1851 já saíram do STF e houve,
no caso, um overriding, que ocorre quando o Tribunal supera parcialmente um
entendimento anterior da própria Corte, modificando o âmbito de incidência do
precedente.
E por que se diz que houve uma superação parcial? Porque o caso julgado na ADI
1851 não é idêntico ao que foi apreciado novamente pela Corte. Na ADI 1851 estava
sendo analisada uma espécie de substituição tributária facultativa, na qual a empresa
poderia aderir ou não e, se aderisse, teria direito a alguns incentivos fiscais, tendo, por
outro lado, que seguir as regras do Convênio, que não previa a restituição.

Nas ADI 2675/PE e ADI 2777/SP e no RE 593849/MG estava sendo discutida


substituição tributária obrigatória, na qual o contribuinte tinha que compulsoriamente
aderir.

Esta distinção, contudo, não é mais importante. Isso porque a tese fixada no RE
593849/MG foi bastante ampla e enfática, abrangendo inclusive os casos envolvendo
o Convênio ICMS 13/97, que já havia sido julgado constitucional e que agora não é
mais válido.

Vale ressaltar que Pernambuco e São Paulo, que não aderiram ao Convênio, possuem
leis estaduais que determinam a restituição caso a base de cálculo da operação seja
menor. Desse modo, tais leis estaduais, ao contrário do Convênio, asseguram o direito
aos contribuintes. Referidas leis estaduais também foram questionadas no STF e a
Corte decidiu que tais atos normativos estão corretos ao assegurar a restituição caso
haja um pagamento antecipado do ICMS a maior. Por isso, as ADI 2675/PE e ADI
2777/SP propostas contra as leis foram julgadas improcedentes.

Assim, atualmente, não importa se a sistemática da substituição tributária é facultativa


ou obrigatória para o contribuinte. Também não importa se o Estado-membro é ou
não signatário do Convênio ICMS 13/97 ou se ele possui lei local tratando o tema. Se
for realizada a técnica da substituição tributária progressiva e a base de cálculo efetiva
da operação for inferior à presumida, será devida a restituição da diferença do ICMS
pago a mais.

STF não está vinculado aos efeitos de suas decisões anteriores: As decisões definitivas
de mérito proferidas pelo STF em ADI produzem eficácia contra todos e efeito
vinculante. Tais efeitos, contudo, não vinculam o próprio STF. Assim, se o STF
decidiu, em uma ADI, que determinado ato normativo é constitucional, a Corte
poderá, mais tarde, mudar seu entendimento e decidir que este mesmo ato é
inconstitucional. Isso para evitar a petrificação da interpretação constitucional. Em
suma, o efeito vinculante conferido à decisão proferida na ADI está limitado aos
demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo, mas não à Suprema Corte.

Modulação dos efeitos: Vimos acima que a decisão do STF no RE 593849/MG


representou uma superação parcial do entendimento anterior da Corte. Como houve
essa mudança, o STF decidiu modular os efeitos do novo julgamento. Ficou definido
o seguinte:
1) Este entendimento do STF permitindo direito à restituição vale:
 para todos os processos judiciais que já haviam sido ajuizados e que estavam
aguardando o posicionamento do STF na repercussão ora decidida; e
 para as operações futuras, ou seja, para as situações em que, após a decisão do
STF, houver pagamento a maior, surgindo o direito à restituição.

2) Por outro lado, este posicionamento do Supremo não se aplica:


 para situações ocorridas antes da decisão e que não tenham sido judicializadas;
e
 para situações que foram judicializadas, mas o contribuinte perdeu (não teve
direito à restituição) e houve trânsito em julgado.

Segundo o Min. Edson Fachin, a modulação é necessária para se atender ao interesse


público, evitando surpresas, como o ajuizamento de ações rescisórias e de novas ações
sobre casos até agora não questionados.

10.8. Incide ICMS sobre a tarifa de assinatura básica mensal de telefonia – (Info 843)
– IMPORTANTE!!!

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incide sobre a tarifa


de assinatura básica mensal cobrada pelas prestadoras de serviço de telefonia,
independentemente da franquia de minutos concedida ou não ao usuário.
STF. Plenário. RE 912888/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 13/10/16 (repercussão
geral) (Info 843).
Cuidado. Não confundir com o RE 572020/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/
o acórdão Min. Luiz Fux, j. 6/2/14 (Info 734).

10.9. Somente lei em sentido formal pode instituir o regime de recolhimento do


ICMS por estimativa – (Info 790)

Quando se fala em regime de apuração, isso significa a forma por meio da qual o
valor tributo será calculado.
No caso do ICMS, existem vários regimes de apuração do imposto.
A LC 87/96 autoriza que os Estados membros adotem o regime de apuração por
estimativa.
O Estado-membro pode estabelecer o regime de estimativa por meio de Decreto?
NÃO. Somente lei em sentido formal pode instituir o regime de recolhimento do
ICMS por estimativa.
STF. Plenário. RE 632265/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/6/2015 (Info
790).

10.10. ICMS importação e desembaraço aduaneiro – (Info 787)

Súmula vinculante 48-STF: Na entrada de mercadoria importada do exterior, é


legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro.
STF. Plenário. Aprovada em 27/05/2015.

10.11. É inconstitucional lei estadual que concede benefícios fiscais relacionados com
o ICMS sem a prévia celebração de convênio intergovernamental – (Info 777)

É inconstitucional lei estadual que concede benefícios fiscais relacionados com o


ICMS sem a prévia celebração de convênio intergovernamental (art. 155, § 2º, XII,
“g”, da CF/88 e LC 24/1975).
No caso concreto, o STF julgou inconstitucionais dispositivos da lei estadual que
previam parcelamento do pagamento de ICMS em quatro anos sem juros e correção
monetária e também os artigos que conferiam créditos fictícios de ICMS de forma
a reduzir artificialmente o valor do tributo. Além disso, a Corte entendeu
inconstitucional dispositivo que autorizava o Governador do Estado a conceder
benefício fiscal por ato infralegal, tendo havido violação à regra da reserva legal
(art. 150, § 6º, da CF/88).
Por outro lado, o STF considerou constitucional dispositivo de lei estadual que
estabeleceu a suspensão do pagamento do ICMS incidente sobre a importação de
matéria-prima ou de material intermediário, e transferiu o recolhimento do tributo
do momento do desembaraço aduaneiro para o momento de saída dos produtos
industrializados do estabelecimento. O Supremo entendeu que tais dispositivos
são constitucionais porque a jurisprudência permite o legislador estadual, mesmo
sem convênio, preveja o diferimento (retardamento) do recolhimento do valor
devido a título de ICMS se isso não implicar redução ou dispensa do valor devido.
Diferir o recolhimento do valor não significa benefício fiscal e, portanto, não
precisa da prévia celebração de convênio.
Modulação dos efeitos. O STF decidiu modular os efeitos da decisão para que ela
tenha eficácia somente a partir da data da sessão de julgamento. Ponderou que se
trata de benefícios tributários inconstitucionais, mas que se deveria convalidar os
atos jurídicos já praticados, tendo em vista a segurança jurídica e a pouca
previsibilidade, no plano fático, quanto às consequências de eventual decretação
de nulidade desses atos, existentes no mundo jurídico há anos. Deve-se chamar
atenção para esse fato porque, em regra, a jurisprudência do Supremo não tem
admitido a modulação dos efeitos nessas hipóteses.
STF. Plenário. ADI 4481/PR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 11/3/2015 (Info
777).

10.12. Princípio da não-cumulatividade e redução da base de cálculo equiparada a


isenção parcial – (Info 763)

A redução da base de cálculo de ICMS equivale à hipótese de isenção parcial, a


acarretar a anulação proporcional de crédito desse mesmo imposto, relativo às
operações anteriores, salvo disposição em lei estadual em sentido contrário. Assim,
reduzida a base de cálculo, tem-se impossibilitado o creditamento integral, sem que
se possa falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade (art. 155, § 2º, II, “b”,
da CF/88).
Para o STF, a redução de base de cálculo deve ser considerada como se fosse uma
“isenção parcial”. Logo, também acarreta a anulação proporcional do crédito do
ICMS relativo às operações anteriores, salvo disposição em lei estadual em sentido
contrário.
Assim, se foi reduzida a base de cálculo do ICMS, não será permitido que a empresa
faça o creditamento integral, sem que se possa falar em ofensa ao princípio da não-
cumulatividade (CF, art. 155, § 2º, II, “b”).
Em outras palavras, se houver redução na base de cálculo em uma das operações da
cadeia de circulação de mercadorias, aplica-se a regra do art. 155, § 2º, II, “b”, da
CF/88.
STF. Plenário. RE 635688/RS, Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/10/2014
(repercussão geral) (Info 763).
STF. Plenário. RE 477323/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 16/10/2014 (Info
763).
10.13. Protocolo ICMS 21/2011 do Confaz é inconstitucional – (Info 759) –
DESATUALIZADO EM DECORRÊNCIA DA EDIÇÃO DA EC 87/2015

O Protocolo ICMS 21/2011 do Confaz permitiu que fosse cobrado ICMS nas
operações interestaduais em que o destinatário da mercadoria estivesse localizado
em seu território, independentemente de se tratar de consumidor final
(contribuinte do tributo) ou de mero intermediário.
Em outras palavras, de acordo com o referido Protocolo, se a pessoa residente no
Estado “X” adquirisse, de forma não presencial (ex: pela internet), uma mercadoria
oriunda de um vendedor localizado no Estado “Y”, o Estado “X” poderia também
cobrar ICMS sobre essa operação interestadual.
O STF, contudo, decidiu que esse Protocolo é inconstitucional e que a CF/88 não
permite a cobrança de ICMS pelo Estado de destino nas operações interestaduais
de venda de mercadoria a consumidor final realizadas de forma não presencial
(internet, telemarketing ou showroom).
A CF/88 adotou como critério que a cobrança do ICMS ocorra pelo Estado de origem
das mercadorias. Mudar a cobrança para o Estado de destino depende de alteração
da própria Constituição (depende de uma reforma tributária).
Desse modo, a CF/88 determinou que, nas operações interestaduais cuja mercadoria
seja destinada a consumidor final não contribuinte, apenas o Estado-Membro de
origem deverá cobrar o tributo, com a aplicação da alíquota interna.
Se fosse permitido que o Estado de destino também cobrasse o ICMS haveria
bitributação.
STF. Plenário. ADI 4628/DF e ADI 4713/DF, Rel. Min. Luiz Fux; RE 680089/SE, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgados em 17/9/2014 (Info 759).

10.14. ICMS e leasing internacional – (Info 758 e 761)

Há incidência de ICMS no caso de leasing internacional?


REGRA: NÃO. Em regra, não incide o ICMS importação na operação de
arrendamento mercantil internacional, uma vez que no leasing não há,
necessariamente, a transferência de titularidade do bem. Em outras palavras, pode
haver ou não a compra. Assim, não incide o imposto se existe a possibilidade de o
bem ser restituído ao proprietário e o arrendatário não efetuou a opção de compra.
EXCEÇÃO: incidirá ICMS importação se ficar demonstrado que houve a
antecipação da opção de compra. Isso ocorre quando não existe a possibilidade de
o bem ser restituído ao proprietário, seja por circunstâncias naturais (físicas), seja
porque se trata de insumo.
STF. Plenário. RE 540829/SP, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 11/9/2014
(repercussão geral) (Info 758).
STF. Plenário. RE 226899/SP, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min.
Cármen Lúcia, julgado em 1º/10/2014 (Infos 758 e 761).

10.15. O ICMS não incide sobre o serviço de habilitação de telefone celular – (Info
734)
O ICMS é um imposto estadual que tem como um dos fatos geradores a prestação
onerosa de serviços de comunicação. Existem alguns serviços prestados pelas
empresas que são acessórios aos serviços de comunicação.
Exs: troca de titularidade de aparelho celular, conta detalhada, troca de aparelho etc.
Não incide ICMS sobre a prestação de serviços acessórios aos serviços de
comunicação.
STF. Plenário. RE 572020/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Luiz Fux, julgado em 6/2/2014 (Info 734).

10.16. É devido o ICMS nas operações ou prestações de serviço de transporte terrestre


interestadual e intermunicipal de passageiros e de cargas – (Info 734)

É devida a cobrança de ICMS nas operações ou prestações de serviço de transporte


terrestre interestadual e intermunicipal de passageiros e de cargas.
STF. Plenário. ADI 2669/DF, rel. orig. Min. Nelson Jobim, red. p/ o acórdão Min.
Marco Aurélio, j. 5/2/2014 (Info 734).

11. ISSQN
11.1. Lei municipal que veicula exclusão de valores da base de cálculo do ISSQN –
(Info 841)

É inconstitucional lei municipal que veicule exclusão de valores da base de cálculo


do ISSQN fora das hipóteses previstas em lei complementar nacional. Também é
incompatível com o texto constitucional medida fiscal que resulte indiretamente na
redução da alíquota mínima estabelecida pelo art. 88 do ADCT, a partir da redução
da carga tributária incidente sobre a prestação de serviço na territorialidade do ente
tributante.
STF. Plenário. ADPF 190/SP, Rel. Min. Edson Fachin, j. 29/09/16 (Info 841).
OBS:
Alíquota do ISSQN: A alíquota máxima do ISS é de 5% (art. 8º, II, da LC 116/03).
Com o objetivo de evitar “guerra fiscal” entre os Municípios, o art. 88 do ADCT da CF
estabeleceu uma alíquota mínima de ISS no valor de 2%. Assim, nenhuma lei
municipal, a pretexto de atrair empresas para ali se instalarem, poderá prever alíquota
inferior a 2%. Confira o texto do ADCT:
Art. 88. Enquanto lei complementar não disciplinar o disposto
nos incisos I e III do § 3º do art. 156 da Constituição Federal, o
imposto a que se refere o inciso III do caput do mesmo artigo:
I - terá alíquota mínima de dois por cento, exceto para os
serviços a que se referem os itens 32, 33 e 34 da Lista de
Serviços anexa ao Decreto-Lei nº 406, de 31 de dezembro de
1968;
II - não será objeto de concessão de isenções, incentivos e
benefícios fiscais, que resulte, direta ou indiretamente, na
redução da alíquota mínima estabelecida no inciso I.

Base de cálculo: A base de cálculo do ISS é o PREÇO DO SERVIÇO, ou seja, o valor


pago pelo tomador do serviço ao prestador como contraprestação pela utilidade
oferecida. Assim, o valor que o contribuinte irá pagar é de 5% sobre o preço do serviço
prestado (no caso de AL máxima).
Preço do serviço = valor total da nota: Quando se fala em preço do serviço, isso
significa o valor total cobrado pelo serviço, ou seja, a “receita bruta” obtida pelo
prestador, sem descontar impostos e outros custos que ele tenha. Ex: se a consulta do
médico é R$ 1.000,00, o ISS a ser pago é de R$ 50,00, ou seja, 5% sobre o valor total da
nota, não importando que o médico ainda vá pagar impostos e que ele receberá ao
final um valor líquido menor.

11.2. Incide ISS sobre o serviço prestado pelos planos de assistência à saúde – (Info
841)

As operadoras de planos privados de assistência à saúde (plano de saúde e seguro-


saúde) realizam prestação de serviço sujeita ao Imposto Sobre Serviços de
Qualquer Natureza - ISSQN, previsto no art. 156, III, da CF/88. STF.
Plenário. RE 651703/PR, Rel. Min. Luiz Fux, j. 29/09/16 (repercussão geral) (Info
841).
OBS:
ISSQN: Significa Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Algumas vezes, você
encontrará apenas a sigla ISS. É a mesma coisa. Trata-se de um tributo de competência
dos Municípios. Em âmbito nacional, o ISSQN é disciplinado pela LC 116/03, que
estabelece suas normas gerais. Vale ressaltar, no entanto, que cada Município, para
cobrar este imposto, precisa editar uma lei ordinária municipal tratando sobre o
assunto. Esta lei local, obviamente, não pode contrariar a LC 116/2003 e nem prever
serviços que não estejam expressos na lei federal.

Fato gerador: O ISSQN incide sobre a prestação dos serviços listados no anexo da LC
116/2003. Confira o texto constitucional:
Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:
III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art.
155, II, definidos em lei complementar.
(...)
§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput
deste artigo, cabe à lei complementar:
I - fixar as suas alíquotas máximas e mínimas;
II - excluir da sua incidência exportações de serviços para o
exterior;
III - regular a forma e as condições como isenções, incentivos
e benefícios fiscais serão concedidos e revogados.

Veja agora o que diz o art. 1º da LC 116/2003:


Art. 1º O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de
competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como
fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa,
ainda que esses não se constituam como atividade
preponderante do prestador.

Exemplos: quando o médico atende o paciente em uma consulta, ele presta um serviço,
sendo isso fato gerador do ISSQN; quando o cabeleireiro faz uma escova progressiva
na cliente, ele também presta um serviço e deverá pagar ISSQN.
Todos os serviços que estão sujeitos ao pagamento de ISSQN encontram-se previstos
na lista anexa à LC 116/03. Se não estiver nesta lista, não é fato gerador deste imposto.
Vale ressaltar que esta lista é taxativa (exaustiva).

Serviços que não podem ser objeto de ISS: Existem determinados serviços que não
podem ser objeto de ISSQN, seja por vedação constitucional, seja porque foram
excluídos pela LC 116/2003. Assim, não incide ISSQN sobre:
a) prestação de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, considerando que se trata
de fato gerador de ICMS (art. 156, III, da CF/88);
b) exportações de serviços para o exterior do País (art. 156, §
3º, II, da CF/88);
c) prestação de serviços em relação de emprego (art. 2º, II, da
LC 116/03);
d) prestação de serviços pelos trabalhadores avulsos (art. 2º,
II, da LC 116/03);
e) prestação de serviços pelos diretores e membros de
conselho consultivo ou de conselho fiscal de sociedades e
fundações, bem como pelos sócios-gerentes e gerentes-
delegados (art. 2º, II, da LC 116/03);
f) prestação de serviços pela Administração Pública direta,
autárquica e fundacional, em virtude da imunidade tributária
recíproca (art. 150, VI, “a”, da CF/88);
g) operações de locação de bens móveis (Súmula vinculante
31).

Planos privados de assistência à saúde (plano de saúde e seguro-saúde): A LC 116/03


estabelece que as operadoras de planos privados de assistência à saúde (plano de
saúde e seguro-saúde) deverão pagar ISS, considerando que este serviço encontra-se
previsto no item 4 da lista anexa:
4 – Serviços de saúde, assistência médica e congêneres.
(...)
4.22 – Planos de medicina de grupo ou individual e convênios
para prestação de assistência médica, hospitalar, odontológica
e congêneres.
4.23 – Outros planos de saúde que se cumpram através de
serviços de terceiros contratados, credenciados, cooperados
ou apenas pagos pelo operador do plano mediante indicação
do beneficiário.

As operadoras de planos de saúde defendiam a tese de que essa previsão da LC seria


inconstitucional e que eles não deveriam pagar ISS. Os dois argumentos principais
eram os seguintes:
1) As operadoras de planos de saúde prestam um serviço de seguro, nos
termos da Lei 9.656/98, e a competência para instituir impostos sobre a
atividade de seguro é da União, conforme previsto no art. 153, V, da
CF/88:
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos
ou valores mobiliários;
2) A atividade principal desempenhada pela operadora de plano de saúde
seria uma obrigação de dar (e não de fazer). Logo, não seria caso de ISS.

A questão chegou até o STF. As operadoras de planos de saúde devem pagar ISS? SIM.

Serviço, para fins de ISS, não significa, necessariamente, obrigação de fazer: O STF
entende que a interpretação do conceito de "serviços", para fins de ISS (art. 156, III, da
CF/88), tem um sentido mais amplo do que o conceito de “obrigação de fazer”.
Portanto, “prestação de serviços” não tem por premissa a configuração dada pelo
Direito Civil. Prestação de serviços, para efeitos de ISS, é o "oferecimento de uma
utilidade para outrem, a partir de um conjunto de atividades imateriais, prestado com
habitualidade e intuito de lucro, podendo estar conjugado ou não à entrega de bens
ao tomador" (Min. Luiz Fux).

O fato de ser seguro não afasta a incidência do ISS: A natureza jurídica securitária
alegada pelas operadoras de planos de saúde para infirmar a incidência do ISSQN não
indica fundamento capaz de afastar a cobrança do tributo no caso. Diferentemente dos
seguros-saúde, nos planos de saúde a garantia oferecida é somente a utilidade obtida
mediante a contratação do respectivo plano, o que não exclui o fato de as atividades
por elas desempenhadas — operadoras de plano de saúde e operadoras de seguro-
saúde — serem “serviço”. Nesse sentido, o ISSQN deve incidir sobre a comissão, assim
considerada a receita auferida sobre a diferença entre o valor recebido pelo contratante
e o repassado para os terceiros prestadores dos serviços médicos.

12. Não dedução do ISS sobre os serviços de subempreitada – (TJRS-2016)

O fato gerador do ISS - a prestação de serviços - tem matriz constitucional no art.


156, III (serviços de qualquer natureza definidos em lei complementar), não sendo
possível entender o ato de subempreitar como sendo um serviço passível de
tributação. O imposto não grava o ato de subempreitar, nem a subempreitada em
si, mas, unicamente, a prestação do serviço pela subempreiteira.
Ora, o serviço executado pela subempreiteira é exatamente aquele que a empreiteira
deixou de executar.
Portanto, a empreiteira só pode se sujeitar à tributação na parte do serviço que ela
executou. A dedução de subempreitada já tributada foi a técnica encontrada pelo
legislador para conferir praticidade ao cálculo do imposto devido pela empreiteira.
Não permitir a dedução seria o mesmo que exigir o imposto sem prestação de
serviço, ou seja, sem que houvesse ocorrência do fato gerador, o que conduz à
inconstitucionalidade gritante.
Se o fisco recebe duas vezes por um determinado serviço prestado resta claro que
um deles (o recebimento) é ilegítimo e inconstitucional. Por isso, o STF, ao contrário
do STJ, vem considerando inconstitucional a tributação da subempreitada já
tributada."
STF. RE 603.497.
(TJRS-2016): O preço das subempreitadas e dos materiais empregados na obra, na
atividade de construção civil, não integra a base de cálculo do ISS.
13. IPI
13.1. O art. 2º da Lei 8.393/91 era constitucional – (Info 860)

Surge constitucional, sob o ângulo do caráter seletivo, em função da essencialidade


do produto e do tratamento isonômico, o art. 2º da Lei 8.393/91, a revelar alíquota
máxima de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI de 18%, assegurada
isenção, quanto aos contribuintes situados na área de atuação da Superintendência
de Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE e da Superintendência de
Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM, e autorização para redução de até 50%
da alíquota, presentes contribuintes situados nos Estados do Espírito Santo e do
Rio de Janeiro.
Obs: o art. 2º da Lei nº 8.393/91 encontra-se atualmente revogado. Dessa forma, este
julgamento do STF refere-se a casos concretos ocorridos na época em que vigia essa
norma.
STF. Plenário. RE 592145/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 5/4/17 (repercussão geral)
(Info 860).
OBS:
Lei nº 8.393/91: O art. 2º da Lei nº 8.393/91 previa o seguinte:
Art. 2º Enquanto persistir a política de preço nacional
unificado de açúcar de cana, a alíquota máxima do Imposto
sobre Produtos Industrializados - IPI incidente sobre a saída
desse produto será de dezoito por cento, assegurada isenção
para as saídas ocorridas na área de atuação da
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste -
SUDENE e da Superintendência do Desenvolvimento da
Amazônia - SUDAM. (Revogado pela Lei nº 9.532/97)
Parágrafo único. Para os Estados do Espírito Santo e do Rio
de Janeiro, é o Poder Executivo autorizado a reduzir em até
cinquenta por cento a alíquota do IPI incidente sobre o açúcar
nas saídas para o mercado interno. (Revogado pela Lei nº
9.532/97)

13.2. Incide o IPI em importação de veículos automotores por pessoa natural – (Info
813) – IMPORTANTE!!!

Incide o IPI em importação de veículos automotores por pessoa natural, ainda que
não desempenhe atividade empresarial, e o faça para uso próprio.
A tese firmada (incidência do IPI) se aplica também às operações de importação
realizadas anteriormente à decisão do STF. Isso significa que quem importou
veículos para uso próprio confiando nas decisões do STJ e do STF vai ter uma
surpresa desagradável e terá que pagar o imposto.
STF. Plenário. RE 723651/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 03/02/2016 (Info
813).
OBS:
A CF/88 estabelece a imunidade do IPI para produtos exportados. Isso não ocorre
para produtos importados. Não existe imunidade no caso de importação de veículos.
E não importa se quem importou é pessoa física ou jurídica, assim como também não
interessa o fato de o importador não exercer o comércio e adquirir o bem para uso
próprio.
Não há bitributação e o princípio da não cumulatividade não autoriza a dispensa do
imposto.
A cobrança do IPI para importação de veículos está de acordo com o princípio da
isonomia, uma vez que promove igualdade de condições tributárias entre o fabricante
nacional, já sujeito ao imposto em território nacional, e o fornecedor estrangeiro. Isso
porque o fornecedor estrangeiro, como está exportando o produto, não paga imposto
no país de origem e este chegaria ao Brasil em condições muito mais favoráveis que
os produtos produzidos na indústria nacional.
Vale ressaltar que o julgamento acima representa radical mudança de entendimento.
Isso porque tanto o STF como o STJ entendiam que NÃO incidia IPI na importação de
veículos para uso próprio.
O tema havia sido recentemente firmado pelo STJ em sede de recurso especial
repetitivo: “É firme o entendimento no sentido de que não incide IPI sobre veículo
importado para uso próprio, tendo em vista que o fato gerador do referido tributo é a
operação de natureza mercantil ou assemelhada e, ainda, por aplicação do princípio
da não cumulatividade.” (STJ. 1ª Seção. REsp 1396488/SC, Rel. Min. Humberto
Martins, julgado em 25/02/2015).
Havia também precedentes do STF neste mesmo sentido: RE 550170 AgR, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, julgado em 7/6/2011; RE 255090 AgR, Rel. Min. Ayres Britto,
julgado em 24.8.2010.

13.3. Descontos incondicionais e sua não incidência na base de cálculo do IPI – (Info
757)

Os descontos incondicionais não devem integrar a base de cálculo do IPI. Ex: se o


preço “cheio” do produto era 120, mas foi dado um desconto de 20 para o
adquirente, a base de cálculo do IPI será 100 (e não 120).
É inconstitucional, por ofensa ao art. 146, III, a, da CF/88, o § 2º do art. 14 da Lei
4.502/1964, com a redação dada pelo art. 15 da Lei 7.798/1989, no ponto em que
determina a inclusão de descontos incondicionais na base de cálculo do IPI.
STF. Plenário. RE 567935/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 4/9/2014
(repercussão geral) (Info 757).

13.4. Selo para controle de recolhimento de IPI não pode ser cobrado do contribuinte
– (Info 735)

É incompatível com a CF/88 o art. 3º do Decreto-Lei 1.437/75, que autorizava que o


Fisco exigisse do contribuinte o ressarcimento pelo custo dos selos do IPI.
Assim, o selo para controle de recolhimento de IPI não pode ser cobrado do
contribuinte, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária (art. 150, I,
da CF/88).
STF. Plenário. RE 662113/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12/2/2014 (Info
735).

14. IOF
14.1. IOF e transmissão de ações de companhias abertas – (Info 813)
É constitucional o art. 1º, IV, da Lei nº 8.033/90, uma vez que a incidência de IOF
sobre o negócio jurídico de transmissão de títulos e valores mobiliários, tais como
ações de companhias abertas e respectivas bonificações, encontra respaldo no art.
153, V, da CF, sem ofender os princípios tributários da anterioridade e da
irretroatividade, nem demandar a reserva de lei complementar.
Art. 1º São instituídas as seguintes incidências do imposto sobre operações de crédito,
câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários:
IV - transmissão de ações de companhias abertas e das consequentes bonificações
emitidas.
STF. Plenário. RE 583712/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 4/2/2016
(repercussão geral) (Info 813).

15. PIS/COFINS
15.1. O valor pago a título de ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do
PIS/PASEP e COFINS – (Info 857) – ATUALIZAR INFO 594 DO STJ!!!

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não compõe a base


de cálculo para a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS.
STF. Plenário. RE 574706/PR, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 15/3/2017 (repercussão
geral) (Info 857).
Obs: o STJ possui entendimento em sentido contrário: STJ. 1ª Seção. REsp
1.144.469-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Mauro
Campbell Marques, julgado em 10/8/2016 (recurso repetitivo) (Info 594).

16. PIS/PASEP
16.1. Incide PIS/PASEP sobre negócios jurídicos praticados por cooperativa com
terceiros – (Info 835)

A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios


jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao
PIS/PASEP.
STF. Plenário. RE 599362/RJ ED, Rel. Min. Dias Toffoli j. 18/08/16 (repercussão geral)
(Info 835).

16.2. Incide PIS/PASEP sobre negócios jurídicos praticados por cooperativa com
tomadores de serviço – (Info 766)

Duas conclusões foram expostas no julgamento em conjunto desses recursos:


1) Incide o PIS/PASEP sobre atos ou negócios jurídicos praticados por cooperativa
prestadora de serviço com terceiros tomadores de serviço, resguardadas apenas as
exclusões e deduções legalmente previstas.
2) São legítimas as alterações introduzidas pela MP 1.858/99, que revogou a isenção
da COFINS e PIS concedidas às sociedades cooperativas pela LC 70/91. Isso porque
a LC 70/91, ao tratar sobre esse tema, é apenas formalmente complementar, sendo
materialmente uma lei ordinária.
STF. Plenário. RE 599362/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli e RE 598085/RJ, Rel. Min. Luiz
Fux, julgados em 5 e 6/11/2014 (repercussão geral) (Info 766)
17. IR / IPI
17.1. União pode conceder incentivos relacionados com o IR e o IPI mesmo que isso
diminua os repasses destinados ao FPM – (Info 847)

É constitucional a concessão regular de incentivos, benefícios e isenções fiscais


relativos ao Imposto de Renda e Imposto sobre Produtos Industrializados por parte
da União em relação ao Fundo de Participação de Municípios e respectivas quotas
devidas às Municipalidades.
STF. Plenário. RE 705423/SE, Rel. Min. Edson Fachin, j. 17/11/16 (repercussão geral)
(Info 847).
OBS:
Transferência de percentual do IR e do IPI para o FPM: O Imposto de Renda (IR) e o
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) são dois tributos federais. Apesar disso,
o legislador constituinte determinou que parte da arrecadação desses dois impostos
deveria ser repassado aos Municípios a fim de auxiliar na manutenção desses entes.
Assim, 24,5% dos valores arrecadados com o IR e com o IPI deverão ser repassados ao
Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Isso está previsto no art. 159, I, da
CF/88:
Art. 159. A União entregará:
I - do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e
proventos de qualquer natureza e sobre produtos
industrializados, 49% (quarenta e nove por cento), na seguinte
forma:
(...)
b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de
Participação dos Municípios;
(...)
d) um por cento ao Fundo de Participação dos Municípios,
que será entregue no primeiro decêndio do mês de dezembro
de cada ano;
e) 1% (um por cento) ao Fundo de Participação dos
Municípios, que será entregue no primeiro decêndio do mês
de julho de cada ano;

Atenção: são 22,5% distribuídos ao longo do ano + 1% até o dia 10 do mês de julho de
cada ano + 1% até o dia 10 do mês de dezembro de cada ano. Logo, o total é 24,5%.

Obs: o Fundo de Participação dos Municípios é um instrumento contábil utilizado


para facilitar o repasse, permitindo uma melhor organização dos valores para que
depois eles sejam repartidos entre os Municípios. Para fins didáticos, você pode
imaginar o FPM como sendo uma conta bancária onde o dinheiro é depositado para
depois ser dividido entre os Municípios, segundo critérios previstos na legislação.

Isenções fiscais e impacto na arrecadação dos Municípios: Algumas vezes a União, a


fim de fomentar determinados setores da economia, concede incentivos, benefícios ou
isenções fiscais relacionados com o IR ou o IPI. Em outras palavras, são conferidos
"descontos" desses impostos. Ocorre que, com esses incentivos, o valor da arrecadação
diminuiu e, consequentemente, o repasse que é destinado aos Municípios também fica
menor. Diante disso, alguns Municípios começaram a ingressar com ações judiciais
questionando todas as vezes que a União concede tais benefícios afirmando que eles
são diretamente prejudicados. Foi o caso do Município de Itabi (SE). A União
concedeu isenção de IR e IPI para determinado setor econômico e este Município
ajuizou ação pedindo que a desoneração concedida pelo Governo Federal não fosse
computada na cota do FPM destinado a ele (Itabi). Em outros termos, requereu que,
mesmo havendo a isenção, o valor repassado a ele não diminuísse.

A questão chegou até o STF. O pedido do Município de Itabi foi acolhido? NÃO. O
poder de arrecadar atribuído à União implica também o poder de isentar. Assim,
quando a CF/88 determina que o FPM será composto pelo produto dos dois impostos
(IR e IPI), isso inclui o resultado das desonerações. De acordo com o inciso I do art.
159 da CF/88, a União deve entregar um percentual sobre o “produto da arrecadação”
do IR e do IPI ao Fundo de Participação dos Municípios. De fato, essas transferências
efetuadas pela União são de suma importância para as finanças municipais e para a
manutenção de sua autonomia financeira. Entretanto, aceitar o pedido do Município
iria contra o modelo de repartição de receitas previsto na Constituição Federal.

Tese fixada: Como o recurso extraordinário do Município foi julgado sob o rito da
repercussão geral e havia inúmeros outros processos sobrestados, o STF definiu uma
tese sobre o tema que valerá para os casos semelhantes:
É constitucional a concessão regular de incentivos, benefícios
e isenções fiscais relativos ao Imposto de Renda e Imposto
sobre Produtos Industrializados por parte da União em
relação ao Fundo de Participação de Municípios e respectivas
quotas devidas às Municipalidades. STF. Plenário. RE
705423/SE, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 17/11/2016
(repercussão geral) (Info 847).

18. COFINS
18.1. Portaria nº 655/93 e parcelamento de débitos de COFINS – (Info 851)

Não viola o princípio da isonomia e o livre acesso à jurisdição a restrição de


ingresso no parcelamento de dívida relativa à Contribuição para Financiamento da
Seguridade Social - COFINS, instituída pela Portaria nº 655/93, dos contribuintes
que questionaram o tributo em juízo com depósito judicial dos débitos tributários.
STF. Plenário. RE 640905/SP, Rel. Min. Luiz Fux, j. 15/12/16 (repercussão geral) (Info
851).

18.2. O valor retido em razão do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da
COFINS – (Info 762) – Tema polêmico!

O valor retido em razão do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da
COFINS, sob pena de violar o art. 195, I, “b”, da CF/88.
Obs: nesse julgado participaram vários Ministros que já se aposentaram. Assim, o
tema poderá ser alterado no futuro. Por enquanto, vale o que foi decidido.
STF. Plenário. RE 240785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 8/10/14 (Info 762).

19. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS


19.1. A contribuição social do empregador rural sobre a receita bruta, prevista no art.
25 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 10.256/2001, é constitucional – (Info 859)
É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural
pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida
com a comercialização de sua produção.
STF. Plenário. RE 718874/RS, Rel. Orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, j. 29 e 30/3/2017 (repercussão geral) (Info 859).

19.2. Mesmo antes da EC 20/98, a contribuição social a cargo do empregador incidia


sobre quaisquer ganhos habituais do empregado – (Info 859) – IMPORTANTE!!!

A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do


empregado, quer anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional 20/1998.
STF. Plenário. RE 565160/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 29/3/17 (repercussão geral)
(Info 859).
OBS:
Julgado em harmonia com a jurisprudência do STJ: Sobre o tema, talvez você já tenha
estudado o seguinte julgado:
Incide contribuição previdenciária sobre prêmios e
gratificações pagos com habitualidade.
Não incide contribuição previdenciária sobre prêmios e
gratificações de caráter eventual.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.275.695-ES, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 20/8/2015 (Info 568).

A jurisprudência deste Tribunal Superior firmou-se no


sentido de que, configurado o caráter permanente ou a
habitualidade da verba recebida, bem como a natureza
remuneratória da rubrica, incide contribuição previdenciária
sobre adicional de sobreaviso.
STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1559389/PR, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 09/03/2017

19.3. Constitucionalidade da cobrança de alíquotas diferenciadas para instituições


financeiras (art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/91) – (Info 819)

É constitucional a previsão legal de diferenciação de alíquotas em relação às


contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salário de instituições
financeiras ou de entidade a elas legalmente equiparáveis, após a edição da Emenda
Constitucional 20/1998.
STF. Plenário. RE 598572/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/3/2016
(repercussão geral) (Info 819).
OBS:
Contribuição previdenciária: é uma espécie de tributo cujo montante arrecadado é
destinado ao pagamento dos benefícios do RGPS (aposentadoria, auxílio-doença,
pensão por morte etc.). Existem duas espécies de contribuição previdenciária:
 1ª) Paga pelo trabalhador e demais segurados do RGPS (art. 195, II);
 2ª) Paga pelo empregador, empresa ou entidade equiparada (art. 195, I).
EC 20/98: Vale ressaltar que a redação atual do inciso I do art. 195 da CF/88 foi dada
pela EC 20/98. Veja:

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade,


de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos
provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na
forma da lei, incidentes sobre:
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou
creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço,
mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela EC 20/98);
b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela EC 20/98)
c) o lucro; (Incluído pela EC 20/98)

Lei 8.212/91: Esta Lei trata sobre o custeio da Previdência Social e, no seu art. 22,
regulamenta o art. 195, I, da CF/88:

Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade


Social, além do disposto no art. 23, é de:
I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou
creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados
empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços,
destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,
inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades
e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos
serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do
empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do
contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou
sentença normativa.

Valor adicional para o caso de instituições financeiras: Ocorre que a Lei 8.212/91
decidiu cobrar das instituições financeiras, além da contribuição de 22% prevista no
art. 22, I, um "extra", um adicional de mais 2,5% incidente sobre a folha de salários, na
forma do § 1º do art. 22, cuja redação é a seguinte:

Art. 22 (...) § 1º No caso de bancos comerciais, bancos de


investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas,
sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de
crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos
e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil,
cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de
capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito
e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das
contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a
contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base
de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.

Tese das instituições financeiras: As instituições financeiras questionaram a


constitucionalidade do § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, afirmando que ele teria
instituído uma nova contribuição previdenciária sem previsão no art. 195 da CF/88.
Além disso, sustentavam que a alíquota é desarrazoada e ofenderia os princípios da
isonomia, da capacidade contributiva e da equidade de forma de participação e
custeio.

O STF concordou com a tese? O § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 é inconstitucional?


NÃO. Segundo entendeu o STF, não houve a instituição de nova modalidade de
contribuição, mas apenas de majoração de alíquota. O § 1º do art. 22 não criou uma
nova contribuição ou fonte de custeio para a Previdência. Ele apenas previu uma
alíquota diferenciada para as instituições financeiras, não havendo qualquer
inconstitucionalidade sob o ponto de vista formal. As instituições financeiras possuem
maior capacidade produtiva, de forma que não há qualquer inconstitucionalidade na
exigência de uma alíquota maior para que estas entidades contribuam para a
manutenção do sistema de seguridade social. Dessa forma, não houve violação ao
princípio da igualdade nem aos seus dois subprincípios: o da capacidade contributiva
e o da equidade para manutenção do sistema de seguridade social. Vale ressaltar que
esta cobrança diferenciada foi autorizada expressamente no § 9º do art. 195 da CF/88
(que foi acrescentado no texto constitucional pela EC 20/98):

Art. 195 (...)


§ 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste
artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em
razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão-de
obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de
trabalho.

Atenção: Não compete ao Poder Judiciário substituir o legislador na escolha das


atividades que terão alíquotas diferenciadas relativamente à contribuição social. Em
outros termos, a CF/88 autorizou que as alíquotas pudessem ser diferenciadas e a
escolha de quais empresas se enquadram nesta situação cabe ao legislador, que o fez
na Lei 8.212/91. A escolha legislativa em onerar as instituições financeiras e entidades
equiparáveis, com alíquota diferenciada para fins de custeio da seguridade social, é
compatível com a Constituição.

20. CONTRIBUIÇÕES
20.1. É inconstitucional o art. 2º da Lei 11.000/04 quando delega aos conselhos
profissionais a competência para definir as anuidades sem parâmetro legal – (Info 844)
– (Analista Judiciário/TRERJ-2017)

É inconstitucional, por ofensa ao princípio da legalidade tributária, lei que delega


aos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas a competência de fixar
ou majorar, sem parâmetro legal, o valor das contribuições de interesse das
categorias profissionais e econômicas, usualmente cobradas sob o título de
anuidades, vedada, ademais, a atualização desse valor pelos conselhos em
percentual superior aos índices legalmente previstos.
STF. Plenário. RE 704292/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 19/10/16 (repercussão geral)
(Info 844).
OBS:
NOÇÕES GERAIS SOBRE AS ANUIDADES COBRADAS PELOS CONSELHOS
PROFISSIONAIS
Qual é a natureza jurídica dos Conselhos Profissionais (exs.: CREA, CRM, COREN,
CRO etc.)? Os Conselhos Profissionais possuem natureza jurídica de autarquias
federais.

Exceção: a OAB que, segundo a concepção majoritária, é um serviço público


independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no
direito brasileiro.

Anuidades: Os Conselhos podem cobrar um valor todos os anos dos profissionais que
integram a sua categoria. A isso se dá o nome de anuidade (art. 4º, II, da Lei nº
12.514/2011).

Qual é a natureza jurídica dessas anuidades? Tais contribuições são consideradas


tributo, sendo classificadas como “contribuições profissionais ou corporativas”.

Fato gerador: O fato gerador das anuidades é a existência de inscrição no conselho,


ainda que por tempo limitado, ao longo do exercício (art. 5º da Lei nº 12.514/2011).

Execução fiscal: Como a anuidade é um tributo e os Conselhos profissionais são


autarquias, em caso de inadimplemento, o valor devido é cobrado por meio de uma
execução fiscal.

Competência: A execução fiscal, nesse caso, é de competência da Justiça Federal, tendo


em vista que os Conselhos são autarquias federais (Súmula 66 do STJ).

ANTIGO REGIME DE DEFINIÇÃO DO VALOR DAS ANUIDADES - LEI 11.000/2004


Quem define o valor das anuidades? Como isso é feito? O art. 2º da Lei 11.000/04
previu que os próprios Conselhos Profissionais seriam responsáveis por definir o
valor das anuidades por meio de resoluções internas (atos infralegais). Veja:

Art. 2º Os Conselhos de fiscalização de profissões


regulamentadas são autorizados a fixar, cobrar e executar as
contribuições anuais, devidas por pessoas físicas ou jurídicas,
bem como as multas e os preços de serviços, relacionados com
suas atribuições legais, que constituirão receitas próprias de
cada Conselho.
§ 1º Quando da fixação das contribuições anuais, os Conselhos
deverão levar em consideração as profissões regulamentadas
de níveis superior, técnico e auxiliar.

Essa previsão é constitucional? NÃO. O STF entendeu que o art. 2º, caput e o § 1º da
Lei nº 11.000/2004 são inconstitucionais. Vamos entender os motivos.

Flexibilização do princípio da legalidade tributária: O princípio da legalidade


tributária tem passado por um movimento de flexibilização em todo o mundo. Está
ultrapassado o dogma da reserva absoluta da lei ou da tipicidade fechada. Vigora
atualmente a ideia de que o princípio da reserva de lei não é absoluto, podendo o
legislador tributário valer-se de cláusulas gerais, tal como ocorre nos demais ramos
do Direito. Isso porque é necessário que a legislação tributária possa ter uma certa
flexibilidade para poder ser adaptar mais rapidamente às mudanças da sociedade que
está em constante transformação. Nesse sentido: TORRES, Silvia Faber. A
flexibilização do princípio da legalidade no direito do estado. Rio de Janeiro: Renovar,
p. 268. Marco Aurélio Greco também concorda com esta concepção e afirma que o
princípio constitucional da legalidade tributária exige que haja uma "legalidade
suficiente" e não uma "legalidade estrita”. (Planejamento Tributário. 3ª ed. São Paulo:
Dialética, 2011, p. 147).

Critérios para se respeitar o princípio da legalidade tributária? Dessa forma, é


possível que uma lei tributária autorize que um ato infralegal defina alguns aspectos
relacionados com o tributo que está sendo tratado. A isso o Min. Dias Toffoli chama
de "diálogo com o regulamento". Vale ressaltar, contudo, que este diálogo com o
regulamento deve ocorrer respeitando-se três parâmetros: subordinação,
desenvolvimento e complementariedade.

Art. 2º da Lei 11.000/04 não atendeu a esses parâmetros: O art. 2º da Lei 11.000/04
estabeleceu a possibilidade de os Conselhos de fiscalização fixarem livremente o valor
das anuidades pagas. Houve, portanto, um diálogo com o regulamento com o objetivo
de otimizar os princípios da capacidade contributiva e da isonomia, permitindo que
os próprios Conselhos defina, no caso concreto, o valor das anuidades de acordo com
os níveis superior, técnico e auxiliar.

Porém, o que se observa é que a Lei conferiu uma autorização muito ampla e genérica,
não impondo limites de "subordinação" e de "complementariedade" para o
regulamento. Com isso, a Lei 11.000/04 criou situação de instabilidade institucional,
deixando ao puro arbítrio do administrador o valor da exação. Não há previsão legal
de qualquer limite máximo para a fixação do valor da anuidade.

Percebe-se que a definição do valor do tributo, um poder outorgado pelo povo para o
Parlamento, foi inteiramente delegada, sem critérios, para os conselhos de fiscalização
que são entidades autárquicas eminentemente administrativas e destituídas de poder
político (legitimação democrática).

Para o contribuinte, surge uma situação de intranquilidade e incerteza por não saber
o quanto lhe poderá ser cobrado; para o fisco, significa uma atuação ilimitada e carente
de controle.

A remissão ao regulamento se deu de maneira insubordinada, sem delimitação do


grau de concreção com que o elemento do tributo (seu valor) pode ser disciplinado
pelo ato autorizado. De acordo com o art. 2º da Lei 11.000/04, o regulamento do
Conselho não complementa o valor do tributo, mas sim o cria, inovando a ordem
jurídica.

Desse modo, o grau de indeterminação do art. 2º da Lei 11.000/04 foi tão grande que
violou a reserva legal, consagrada pelo art. 150, I, da CF/88. Isso porque a remessa ao
ato infralegal não pode resultar em desapoderamento do legislador para tratar de
elementos tributários essenciais. O legislador não pode abrir mão de todos os critérios
em prol do regulamento.

Para que o art. 2º da Lei 11.000/04 respeitasse o princípio da legalidade seria


indispensável que ele previsse o limite máximo do valor da exação, ou os critérios para
calculá-lo, o que não ocorreu na espécie.
Majoração das anuidades em patamar superior ao teto fixado em lei: Da mesma
forma que é vedado aos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas fixar
em abstrato as contribuições anuais, também é proibido que eles, a pretexto de
atualização monetária, aumentem as anuidades em patamar superior ao teto fixado
em lei. Entendimento contrário possibilitaria a efetiva majoração do tributo por ato
infralegal, em nítida ofensa ao art. 150, I, da CF/88.

Conclusão: Ante o exposto, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei


11.000/04, de forma a excluir de sua incidência a autorização dada aos Conselhos de
fiscalização de profissões regulamentadas para fixar as contribuições anuais devidas
por pessoas físicas ou jurídicas, e, por arrastamento, declarou a inconstitucionalidade
da integralidade do seu § 1º.

ATUAL REGIME DE DEFINIÇÃO DO VALOR DAS ANUIDADES - LEI 12.514/2011


O legislador buscou "corrigir" os vícios que maculavam o art. 2º da Lei 11.000/04 e
editou a Lei 12.514/11 trazendo regras menos genéricas para a definição do valor das
anuidades. Com efeito, a Lei 12.514/11 fixou valores máximos para as anuidades e
previu os critérios de reajuste. Veja:

Art. 6º As anuidades cobradas pelo conselho serão no valor


de:
I - para profissionais de nível superior: até R$ 500,00
(quinhentos reais);
II - para profissionais de nível técnico: até R$ 250,00 (duzentos
e cinquenta reais); e
III - para pessoas jurídicas, conforme o capital social, os
seguintes valores máximos:
a) até R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais): R$ 500,00 (quinhentos
reais);
b) acima de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) e até R$
200.000,00 (duzentos mil reais): R$ 1.000,00 (mil reais);
c) acima de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) e até R$
500.000,00 (quinhentos mil reais): R$ 1.500,00 (mil e
quinhentos reais);
d) acima de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) e até R$
1.000.000,00 (um milhão de reais): R$ 2.000,00 (dois mil reais);
e) acima de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e até R$
2.000.000,00 (dois milhões de reais): R$ 2.500,00 (dois mil e
quinhentos reais);
f) acima de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) e até R$
10.000.000,00 (dez milhões de reais): R$ 3.000,00 (três mil
reais);
g) acima de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais): R$
4.000,00 (quatro mil reais).
§ 1º Os valores das anuidades serão reajustados de acordo com
a variação integral do Índice Nacional de Preços ao
Consumidor - INPC, calculado pela Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, ou pelo índice
oficial que venha a substituí-lo.
§ 2º O valor exato da anuidade, o desconto para profissionais
recém-inscritos, os critérios de isenção para profissionais, as
regras de recuperação de créditos, as regras de parcelamento,
garantido o mínimo de 5 (cinco) vezes, e a concessão de
descontos para pagamento antecipado ou à vista, serão
estabelecidos pelos respectivos conselhos federais.

Art. 7º Os Conselhos poderão deixar de promover a cobrança


judicial de valores inferiores a 10 (dez) vezes o valor de que
trata o inciso I do art. 6º.

Obs: em razão de não possuir natureza jurídica de autarquia, a OAB não está
vinculada a esses valores, podendo fixar anuidade em patamares superiores.

O STF já decidiu que a Lei 12.514/11 é constitucional e que respeita os princípios da


capacidade contributiva, da vedação ao confisco e da legalidade. Para maiores
informações, veja: STF. Plenário. ADI 4697/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 06/10/16
(Info 842).

21. PROTESTO DE CDA


21.1. É constitucional o protesto de CDA – (Info 846) – IMPORTANTE!!!

O protesto das certidões de dívida ativa constitui mecanismo constitucional e


legítimo por não restringir de forma desproporcional quaisquer direitos
fundamentais garantidos aos contribuintes e, assim, não constituir sanção política.
STF. Plenário. ADI 5135/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 3 e 9/11/16 (Info 846).
OBS:
O que é um protesto de título? Protesto de título é o ato público, formal e solene,
realizado pelo tabelião, com a finalidade de provar a inadimplência e o
descumprimento de obrigação constante de título de crédito ou de outros documentos
de dívida.

Regulamentação: O protesto é regulado pela Lei nº 9.492/97.

Quem é o responsável pelo protesto? O tabelião de protesto.

Quais são as vantagens do credor realizar o protesto? Existem inúmeros efeitos que
decorrem do protesto, no entanto, as duas principais vantagens para o credor são as
seguintes:
a) Serve como meio de provar que o devedor está inadimplente;
b) Funciona como uma forma de coerção para que o devedor
cumpra sua obrigação sem que seja necessária uma ação judicial
(como o protesto lavrado gera um abalo no crédito do devedor, que
é inscrito nos cadastros de inadimplentes, a doutrina afirma que o
receio de ter um título protestado serve como um meio de cobrança
extrajudicial do débito; ao ser intimado do protesto, o devedor
encontra uma forma de quitar seu débito).

Qual é o procedimento do protesto?


1) O credor (ou outra pessoa que esteja portando o documento) leva o título até o
tabelionato de protesto e faz a apresentação, pedindo que haja o protesto e informando
os dados e endereço do devedor;
2) O tabelião de protesto examina os caracteres formais do título;
3) Se o título não apresentar vícios formais, o tabelião realiza a intimação do suposto
devedor no endereço apresentado pelo credor (art. 14 da Lei de Protesto);
4) A intimação é realizada para que o apontado devedor, no prazo de 3 dias, pague ou
providencie a sustação do protesto antes de ele ser lavrado;
Após a intimação, poderão ocorrer quatro situações:
4.1) o devedor pagar (art. 19);
4.2) o apresentante desistir do protesto e retirar o título (art. 16);
4.3) o protesto ser sustado judicialmente (art. 17);
4.4) o devedor ficar inerte ou não conseguir sustar o protesto.

5) Se ocorrer as situações 4.1, 4.2 ou 4.3: o título não será protestado;


6) Se ocorrer a situação 4.4: o título será protestado (será lavrado e registrado o
protesto).

Qual é o objeto do protesto? O que pode ser protestado? Segundo o art. 1º da Lei nº
9.492/97:
Art. 1º Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a
inadimplência e o descumprimento de obrigação originada
em títulos e outros documentos de dívida.

Assim, conclui-se que podem ser levados a protesto:


a) Títulos de crédito;
b) Outros documentos de dívida.

O que é um documento de dívida? É todo e qualquer meio de prova escrita que


comprove a existência de uma obrigação líquida, certa e exigível.

Protesto extrajudicial de certidão de dívida ativa (CDA) e posição inicial do STJ:


Como a Lei 9.492/97 inovou o tratamento jurídico sobre o tema e permitiu, em seu art.
1º, que o protesto fosse realizado não apenas sobre títulos, como também com relação
a outros documentos de dívida, iniciou-se uma intensa discussão acerca da
possibilidade e conveniência do protesto da certidão de dívida ativa da Fazenda
Pública.

Lei 12.767/2012: A fim de espancar quaisquer dúvidas, foi publicada a Lei 12.767/12
incluindo um parágrafo único ao art. 1º da Lei 9.492/97 e permitindo, expressamente,
o protesto de certidões da dívida ativa. Confira:
Art. 1º (...)
Parágrafo único. Incluem-se entre os títulos sujeitos a protesto
as certidões de dívida ativa da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios e das respectivas autarquias e
fundações públicas. (Incluído pela Lei nº 12.767/2012)

Desse modo, foi incluída expressa previsão do protesto de CDA na Lei nº 9.492/97.

Alegação de inconstitucionalidade: Como vimos acima, a Lei 12.767/12 incluiu um


parágrafo único ao art. 1º da Lei 9.492/97 prevendo expressamente a possibilidade de
haver protesto de CDA. A mudança, contudo, não agradou a todos. A Confederação
Nacional da Indústria (CNI) ajuizou ação direta de inconstitucionalidade contra este
dispositivo invocando dois argumentos principais:
 A Lei 12.767/12 padece de vício formal. Esta Lei é fruto da conversão da MP
577/12. Ocorre que esta MP tratava sobre "concessões de serviço público de
energia elétrica" e, durante a sua tramitação no Congresso Nacional, foi
incluído o artigo que permite o protesto de CDA. As medidas provisórias até
podem ser objeto de emendas parlamentares, mas desde que tenham a mesma
pertinência temática tratada originalmente na MP, ou seja, as emendas devem
versar sobre o mesmo assunto da MP original. Quando uma emenda
parlamentar insere assunto estranho durante a tramitação da MP, diz-se que
houve "contrabando legislativo", conduta proibida pela CF/88. Desse modo, a
autora pediu que o STF declarasse formalmente inconstitucional o artigo
acrescentado pelo Congresso Nacional e que trata sobre protesto de CDA,
considerando que ele foi inserido indevidamente durante a tramitação da MP.

 2) A Fazenda Pública já dispõe de um meio ágil de cobrança, que é a execução


fiscal (Lei 6.830/80). Logo, ela não precisa do protesto. Diante disso, conclui-
se que o protesto de CDA pela Fazenda tem como único propósito funcionar
como meio coativo de cobrança da dívida tributária, procedimento esse que
revela verdadeira "sanção política", que não é admitida pelo ordenamento
jurídico brasileiro.

A ADI foi acolhida? A previsão do protesto de CDA viola a Constituição Federal?


NÃO. É o que foi decidido no Info 846.

Pertinência temática e contrabando legislativo: Realmente, o STF, ao julgar a ADI


5127/DF, fixou o entendimento de que, durante a tramitação de uma MP, os
parlamentares só podem apresentar emendas caso estas possuam pertinência temática
com a proposta original. Vamos relembrar o que foi decidido:
Durante a tramitação de uma medida provisória no
Congresso Nacional, os parlamentares poderão apresentar
emendas?
SIM, no entanto, tais emendas deverão ter relação de
pertinência temática com a medida provisória que está sendo
apreciada. Assim, a emenda apresentada deverá ter relação
com o assunto tratado na medida provisória.
Desse modo, é incompatível com a Constituição a
apresentação de emendas sem relação de pertinência temática
com medida provisória submetida à sua apreciação.
A inserção, por meio de emenda parlamentar, de assunto
diferente do que é tratado na medida provisória que tramita
no Congresso Nacional é chamada de "contrabando
legislativo", sendo uma prática vedada.
STF. Plenário. ADI 5127/DF, rel. orig. Min. Rosa Weber, red.
p/ o acórdão Min. Edson Fachin, j. 15/10/2015 (Info 803).

Ocorre que o STF, ao julgar esta ADI 5127/DF acima, decidiu modular os efeitos da
decisão. Assim, a Corte afirmou que esse entendimento só deverá valer para as
medidas provisórias que forem convertidas em lei depois da decisão da ADI 5127/DF.
As medidas provisórias que foram aprovadas antes da ADI 5127/DF, mesmo que
nelas tenha havido contrabando legislativo, não serão julgadas inconstitucionais (por
razões de segurança jurídica).
É como se o STF tivesse dado uma chance ao Congresso Nacional e, ao mesmo tempo,
feito um alerta: o que já foi aprovado não será declarado inconstitucional, porém não
faça mais isso.
Dessa forma, a decisão do STF contrária ao “contrabando legislativo” (ADI 5127/DF)
teve eficácia prospectiva. A MP 577/2012, que resultou na Lei 12.767/2012 permitindo
o protesto de CDA, foi aprovada antes do mencionado precedente, motivo pelo qual
não padece de vício de inconstitucionalidade formal.

Sanção política (cobrança do tributo por vias oblíquas): Antes de enfrentar o


argumento da autora, é preciso relembrar em que consiste a chamada "sanção
política". A Fazenda Pública deverá cobrar os tributos em débito mediante os meios
judiciais (execução fiscal) ou extrajudiciais (lançamento tributário) legalmente
previstos. O Fisco possui instrumentos legais para satisfazer seus créditos. Justamente
por isso, a jurisprudência entende que a Administração Pública não pode proceder à
cobrança do tributo por "meios indiretos", impedindo, cerceando ou dificultando a
atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte devedor. Quando isso ocorre, os
Tribunais afirmam que o Poder Público aplicou “sanções políticas”, ou seja, formas
“enviesadas de constranger o contribuinte, por vias oblíquas, ao recolhimento do
crédito tributário” (STF ADI 173). Exs.: apreensão de mercadorias, não liberação de
documentos, interdição de estabelecimentos.

Desse modo, sanções políticas, em matéria tributária, são restrições e impedimentos


impostos pelo Fisco às atividades desenvolvidas pelos contribuintes com a finalidade
de, indiretamente, forçá-los ao pagamento do tributo. Existem quatro exemplos de
sanções políticas reconhecidas em súmulas do STF e STJ:
Súmula 70-STF: É inadmissível a interdição de
estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de
tributo.

Súmula 323-STF: É inadmissível a apreensão de mercadorias


como meio coercitivo para pagamento de tributos.

Súmula 547-STF: Não é lícito à autoridade proibir que o


contribuinte em débito adquira estampilhas, despache
mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades
profissionais.

Súmula 127-STJ: É ilegal condicionar a renovação da licença


de veículo ao pagamento de multa, da qual o infrator não foi
notificado.

Para que seja considerada sanção política, a medida deverá ser


desproporcional/irrazoável:
A tese central defendida pela autora da ADI foi a de que o protesto da CDA pelo fisco
constitui “sanção política” – pois seria uma medida extrajudicial que restringe de
forma desproporcional os direitos fundamentais dos contribuintes ao devido processo
legal, à livre iniciativa e ao livre exercício profissional – imposta, de forma indireta,
para pressioná-los a quitar seus débitos tributários. O STF não concordou com o
argumento. Para Min. Barroso, o simples fato de o Poder Público adotar medidas
coercitivas ou que restrinjam direitos dos contribuintes como forma de cobrar o tributo
não significa que isso seja considerado como uma sanção política. Exige-se, além disso,
que tais restrições sejam desproporcionais, irrazoáveis. No caso do protesto de CDA,
apesar de ele acabar impondo uma restrição ao contribuinte (o devedor ficará com
nome "negativado", terá mais dificuldades para conseguir obter empréstimos etc.),
esta medida não foi considerada desproporcional ou irrazoável.

Não há violação ao princípio da proporcionalidade: O protesto de CDAs não viola o


princípio da proporcionalidade. Com a edição da Lei 9.492/97, registrou-se sensível
ampliação do rol de títulos sujeitos a protesto, que passou a incluir, além dos cambiais,
“títulos e outros documentos de dívida”. Hoje podem ser protestados quaisquer
títulos executivos, judiciais ou extrajudiciais, desde que dotados de liquidez, certeza e
exigibilidade, nos termos do art. 783 do CPC/2015. A partir dessa alteração legislativa,
o protesto passou também a desempenhar outras funções além da meramente
probatória. De um lado, ele representa instrumento para constituir o devedor em mora
e comprovar o descumprimento da obrigação. De outro, confere ampla publicidade
ao inadimplemento e consiste em meio alternativo e extrajudicial para a cobrança da
dívida. A remessa da CDA a protesto é medida plenamente adequada às novas
finalidades do instituto. Ela confere maior publicidade ao descumprimento das
obrigações tributárias e serve como importante mecanismo extrajudicial de cobrança,
contribuindo para estimular a adimplência, incrementar a arrecadação e promover a
justiça fiscal, impedindo que devedores contumazes possam extrair vantagens
competitivas indevidas da sonegação de tributos. O protesto é, em regra, mecanismo
que causa menor sacrifício ao contribuinte, se comparado aos demais instrumentos de
cobrança disponíveis, em especial a Execução Fiscal. Assim, o protesto de CDA
proporciona ganhos que compensam largamente as leves e eventuais restrições aos
direitos fundamentais dos devedores. Daí por que, além de adequada e necessária, a
medida é também proporcional em sentido estrito.

Ademais, não configura uma “sanção política”, já que não constitui medida coercitiva
indireta que restrinja, de modo irrazoável ou desproporcional, direitos fundamentais
dos contribuintes, com o objetivo de forçá-los a quitar seus débitos tributários. Tal
instrumento de cobrança é, portanto, constitucional.

Não são proibidos mecanismos extrajudiciais de cobrança: Realmente, a execução


fiscal constitui o mecanismo próprio (típico) de cobrança judicial da Dívida Ativa.
Apesar disso, não podem ser considerados proibidos os mecanismos extrajudiciais de
arrecadação tributária. O protesto é um instrumento extrajudicial que pode ser
empregado para a cobrança dos valores inscritos na dívida ativa, com expressa
previsão legal, nos termos do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 9.492/97. Não há,
assim, qualquer incompatibilidade entre a execução fiscal e o protesto da CDA. Eles
são até mesmo complementares. Frustrada a cobrança pela via do protesto, o
executivo fiscal poderá ser normalmente ajuizado pelo Fisco. Ressalta-se, ainda, que
em relação à cobrança de créditos de pequeno valor, o protesto será, muitas vezes, a
única via possível. Isso porque um processo de execução fiscal tem elevado custo e
com frequência não vale a pena economicamente propor a ação para cobrar dívidas
de baixo montante. Assim, diversas Fazendas Públicas optaram por autorizar o não
ajuizamento de execuções fiscais nos casos em que o custo da cobrança judicial seja
superior ao próprio valor do crédito. Nestas hipóteses, o protesto da CDA é medida
de fundamental importância e que atende ao interesse público.

Não há ofensa ao princípio da inafastabilidade da jurisdição: A autora da ADI


alegava que o protesto da CDA violaria o princípio da inafastabilidade da jurisdição,
considerando que o devedor é protestado mesmo sem que haja um processo judicial.
Tal conclusão não é correta. O protesto da CDA é realizado extrajudicialmente, mas
não impede que o devedor possa buscar o Poder Judiciário para discutir a validade
do crédito tributário ou para sustar o protesto. Além disso, o protestado pode,
inclusive, pleitear judicialmente uma indenização por danos morais e materiais, caso
o protesto seja indevido. Não existe qualquer ofensa à inafastabilidade do controle
judicial. Por esses motivos, não se vislumbra fundamento constitucional ou legal que
impeça o Poder Público de estabelecer, por via de lei, o protesto como modalidade
extrajudicial e alternativa de cobrança de créditos tributários. Portanto, o protesto de
Certidões da Dívida Ativa não importa em qualquer restrição ao devido processo
legal.

Não há embaraço ao exercício das atividades empresariais: O protesto de Certidões


de Dívida Ativa não representa um embaraço ao regular exercício das atividades
empresariais e ao cumprimento dos objetos sociais dos administrados. A principal
finalidade do protesto é dar ao mercado conhecimento a respeito da existência de
débitos fiscais contra aquela pessoa e permitir a sua cobrança extrajudicial. É certo que
o protesto irá trazer algumas restrições ou dificuldades para o devedor obter linhas
de crédito. No entanto, o STF considerou que esta restrição creditícia não atinge o
núcleo essencial da atividade empresarial, ou seja, não impede, de forma absoluta, que
o contribuinte continue exercendo suas atividades. Desse modo, tal medida não traz
um impacto direto na vida da empresa.

Abusos poderão ser corrigidos pelo Poder Judiciário: Ressalta-se, por fim, que nas
hipóteses de má utilização do protesto de CDA, permanecem os juízes de 1º grau e os
demais tribunais do País com a prerrogativa de promoverem a revisão de eventuais
atos de protesto que, à luz do caso concreto, estejam em desacordo com a CF/88 e com
a legislação tributária, sem prejuízo do arbitramento de uma indenização compatível
com o dano sofrido pelo administrado. Desse modo, o protesto de CDA é uma prática
compatível com a Constituição Federal, mas os abusos poderão ser corrigidos pelo
Poder Judiciário.

Posição do STJ sobre o tema: Atualmente, é pacífico também no STJ que é válido o
protesto de CDA. Veja trechos da ementa do julgado que foi o leading case naquele
Tribunal:

(...) 4. No regime instituído pelo art. 1º da Lei 9.492/97, o


protesto, instituto bifronte que representa, de um lado,
instrumento para constituir o devedor em mora e provar a
inadimplência, e, de outro, modalidade alternativa para
cobrança de dívida, foi ampliado, desvinculando-se dos
títulos estritamente cambiariformes para abranger todos e
quaisquer "títulos ou documentos de dívida". Ao contrário do
afirmado pelo Tribunal de origem, portanto, o atual regime
jurídico do protesto não é vinculado exclusivamente aos
títulos cambiais.
(...)
6. Dada a natureza bifronte do protesto, não é dado ao Poder
Judiciário substituir-se à Administração para eleger, sob o
enfoque da necessidade (utilidade ou conveniência), as
políticas públicas para recuperação, no âmbito extrajudicial,
da dívida ativa da Fazenda Pública.
(...)
9. A Lei das Execuções Fiscais disciplina exclusivamente a
cobrança judicial da dívida ativa, e não autoriza, por si, a
insustentável conclusão de que veda, em caráter permanente,
a instituição, ou utilização, de mecanismos de cobrança
extrajudicial.
(...)
13. A possibilidade do protesto da CDA não implica ofensa
aos princípios do contraditório e do devido processo legal,
pois subsiste, para todo e qualquer efeito, o controle
jurisdicional, mediante provocação da parte interessada, em
relação à higidez do título levado a protesto.
(...)
16. A interpretação contextualizada da Lei 9.492/97
representa medida que corrobora a tendência moderna de
intersecção dos regimes jurídicos próprios do Direito Público
e Privado. A todo instante vem crescendo a publicização do
Direito Privado (iniciada, exemplificativamente, com a
limitação do direito de propriedade, outrora valor absoluto,
ao cumprimento de sua função social) e, por outro lado, a
privatização do Direito Público (por exemplo, com a
incorporação — naturalmente adaptada às peculiaridades
existentes — de conceitos e institutos jurídicos e extrajurídicos
aplicados outrora apenas aos sujeitos de Direito Privado,
como, e.g., a utilização de sistemas de gerenciamento e
controle de eficiência na prestação de serviços). (...)
STJ. 2ª Turma. REsp 1126515/PR, Rel. Min. Herman Benjamin,
julgado em 03/12/2013 (Info 533).

22. RESTITUIÇÃO DE VALORES DEVIDOS AO CONTRIBUINTE


22.1. Incidência de correção monetária em caso de mora injustificada ou irrazoável
do Fisco em restituir ao contribuinte os valores devidos – (Info 820) –
IMPORTANTE!!!

A mora injustificada ou irrazoável do Fisco em restituir o valor devido ao


contribuinte caracteriza a resistência ilegítima autorizadora da incidência da
correção monetária.
STF. Plenário. RE 299605 AgR-ED-EDv/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
6/4/2016 (Info 820).
OBS:
IPI e princípio da não-cumulatividade: O IPI é um imposto não cumulativo (art. 153,
§ 3º, II, da CF/88), o que significa que é possível compensar o que for devido em cada
operação com o montante cobrado nas anteriores, ou seja, o valor pago na operação
imediatamente anterior pode ser abatido do mesmo imposto em operação posterior
(art. 49 do CTN).
"A cada aquisição tributada de insumo, o adquirente registra
como crédito o valor do tributo incidente na operação. Tal
valor é um "direito" do contribuinte, consistente na
possibilidade de recuperar o valor incidente nas operações
subsequentes (é o "IPI a recuperar").
A cada alienação tributada de produto, o alienante registra
como débito o valor do tributo incidente na operação. Tal
valor é uma obrigação do contribuinte, consistente no dever
de recolher o valor devido aos cofres públicos federais ou
compensá-los com os créditos obtidos nas operações
anteriores (trata-se do "IPI a recolher").
Periodicamente, faz-se uma comparação entre os débitos e
créditos. Caso os débitos sejam superiores aos créditos, o
contribuinte deve recolher a diferença aos cofres públicos.
Caso os créditos sejam maiores, a diferença pode ser
compensada posteriormente ou mesmo, cumpridos
determinados requisitos, ser objeto de ressarcimento."
(ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário esquematizado.
São Paulo: Método, 2016, p. 586).

Feito esse esclarecimento, imagine a seguinte situação hipotética: Determinada


indústria adquiriu matéria-prima para sua produção, pagando R$ 110 mil. Desse total,
R$ 10 mil foi de IPI. Ao final do período, como a empresa não utilizou estes créditos,
ela formulou junto à Receita Federal um pedido de ressarcimento de créditos do IPI.
O Fisco reconheceu administrativamente que os créditos eram devidos, mas só
efetuou a restituição após 16 meses, contados do deferimento do pedido de
ressarcimento, sem qualquer justificativa para este atraso. Ao realizar a restituição, o
Fisco pagou apenas o valor original, ou seja, sem incidência de correção monetária. A
Receita invocou a Súmula 411 do STJ ("É devida a correção monetária ao creditamento
do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima
do Fisco"). Segundo argumentou a Administração Tributária, não houve resistência
de sua parte em reconhecer o aproveitamento do crédito. O que existiu foi apenas uma
demora na restituição, mas não no deferimento do pedido. A empresa não concordou
com a argumentação e ingressou com ação requerendo o pagamento da correção
monetária.

O pleito da contribuinte foi acolhido pelo STF? SIM.

Este também é o entendimento do STJ. Confira:

(...) Ocorrendo resistência ilegítima do Fisco caracterizada


pela mora no ressarcimento de créditos escriturais de PIS e
Cofins (em dinheiro ou mediante compensação), é de se
reconhecer-lhes a correção monetária. Incidência, por
analogia, do recurso representativo da controvérsia REsp.nº
1.035.847 - RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
24.6.2009, e do enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida
a correção monetária ao creditamento do IPI quando há
oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência
ilegítima do Fisco". (...)
(STJ. 2ª Turma. AgRg no AgRg no REsp 1466507/RS, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, julgado em 19/05/2015).

Assim, apesar de a Súmula 411 do STJ não falar expressamente em "demora" (mora),
este enunciado é aplicado por analogia também para os casos em que o Fisco aceita
prontamente o pedido de aproveitamento ou restituição, mas demora
injustificadamente para efetivar na prática.

Segundo entendimento do STJ, a correção monetária deve ser feita pela taxa SELIC.

Vale ressaltar, ainda, que o STF fixou uma tese geral sobre o tema, de forma que não
abrange apenas a situação do IPI, mas também de outros tributos sujeitos à mesma
sistemática de restituição, como é o caso do ICMS e da COFINS.

23. NOTA FISCAL


23.1. Lei estadual não pode exigir garantia de empresa inadimplente para que esta
emita nota fiscal – (Info 748)

É INCONSTITUCIONAL a lei que exija que a empresa em débito com a Fazenda


Pública tenha que oferecer uma garantia (ex: fiança) para que possa emitir notas
fiscais. Tal previsão configura “sanção política” (cobrança do tributo por vias
oblíquas), o que viola as garantias do livre exercício do trabalho, ofício ou profissão
(art. 5º, XIII), da atividade econômica (art. 170, parágrafo único) e do devido
processo legal (art. 5º, LIV).
STF. Plenário. RE 565048/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/5/2014 (Info
748)

24. DEPOSITÁRIO INFIEL DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS


24.1. Inconstitucionalidade da Lei nº 8.866/94 – (Info 851)

É inconstitucional a Lei nº 8.866/94, que estabelece a possibilidade de prisão do


depositário infiel de débitos tributários.
Esta é uma ferramenta desproporcional de aumento de arrecadação, que viola os
princípios do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e as súmulas
vinculantes 28 e 25.
STF. Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 15/12/16 (Info 851).
OBS:
DEVER FUNDAMENTAL DE PAGAR TRIBUTOS: Os contribuintes possuem uma
série de direitos fundamentais, que estão previstos nos arts. 150 a 152 da CF/88 e que
se constituem em limitações impostos aos poder de tributar. Existe, no entanto, uma
corrente de pensamento no Direito Tributário que defende que, por outro lado, os
contribuintes possuem também um dever fundamental de pagar os tributos. Desse
modo, é como se fosse um outro lado da moeda. Se por um lado, os contribuintes
possuem garantias, por outro, possuem também um dever: o de pagar regularmente
os tributos cobrados. Existe, inclusive, um livro muito famoso sobre o tema chamado
"O dever fundamental de pagar impostos" (Editora Almedina), de autoria do
Professor português José Casalta Nabais. Quando se entende que existe um dever
fundamental de pagar tributos, isso traz algumas consequências jurídicas, como por
exemplo:
a) é possível, em tese, utilizar isso como argumento para declarar constitucional uma
lei que imponha enorme controle para evitar sonegação;
b) é possível, em tese, declarar inconstitucional uma lei que conceda isenções de
impostos de forma desproporcional, sem justificativas.

Este dever fundamental de pagar tributos existe porque o Estado possui obrigações
para com as pessoas e estas somente podem ser atendidas se houver arrecadação.
Assim, o Poder Público precisa fornecer saúde, educação, segurança, direitos sociais e
isso é custeado, em sua grande parte, pelos recursos arrecadados com os tributos.

O dever fundamental de pagar tributos está previsto na CF/88? SIM. Esta é a opinião
do Ministro Gilmar Mendes. Em seu voto, ele afirma que tal dever está previsto no art.
145, § 1º, que tem a seguinte redação:
§ 1º - Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e
serão graduados segundo a capacidade econômica do
contribuinte, facultado à administração tributária,
especialmente para conferir efetividade a esses objetivos,
identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da
lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas
do contribuinte.

Isso tem grande importância para o debate acadêmico sobre o tema e poderá também
ser cobrado na sua prova. Por essa razão, fique atento. Confira o trecho do Informativo
que transcreve as palavras do Ministro:
"É cediço que há o dever fundamental de pagar tributos,
entretanto os meios escolhidos pelo Poder Público devem
estar jungidos à necessidade da medida, à adequação e à
proporcionalidade, em sentido estrito, de restringir os meios
de adimplemento em caso de cobrança judicial, as quais não
estão presentes na apreciação da legislação ora questionada.
O Estado brasileiro baseia-se em receitas tributárias. Um texto
constitucional como o nosso, pródigo na concessão de direitos
sociais e na promessa de prestações estatais aos cidadãos, deve
oferecer instrumentos suficientes para que possa fazer frente
às inevitáveis despesas que a efetivação dos direitos sociais
requer. O tributo é esse instrumento. Considera-se, portanto,
a existência de um dever fundamental de pagar impostos. No
caso da Constituição, esse dever está expresso no § 1º do art.
145."

25. DEPÓSITOS JUDICIAIS


25.1. Inconstitucionalidade das leis estaduais que permitem que o Estado utilize tais
verbas – (Info 841)

Diversos Estados editaram leis estaduais prevendo que o Poder Executivo pode
utilizar os valores constantes dos depósitos judiciais não apenas relacionados com
processos em que os Estados sejam parte, mas também oriundos de outros feitos
em que estejam litigando somente particulares. Tais leis estão sendo questionadas
por meio de ADIs. É o caso, por exemplo, da Lei 21.720/15, do Estado de Minas
Gerais.
O STF tem entendido, ainda em um juízo sumário e provisório, que tais leis
estaduais são inconstitucionais por violarem:
1) O princípio da separação dos poderes.
2) A iniciativa privativa legislativa da União (art. 22, I, da CF/88).
3) A LC federal 151/15 apenas autoriza o levantamento de 70% dos valores que
sejam objeto de depósitos vinculados a processos em que os entes federados sejam
parte.
STF. Plenário. ADI 5353 MC-Ref/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 28/09/16 (Info 841).
OBS:
Depósitos judiciais: Todos os valores em dinheiro que ficam à disposição da Justiça
enquanto o processo não se encerra são depositados em uma conta bancária em nome
do Poder Judiciário. A isso chama-se de depósito judicial. Exs: João ingressa com ação
de consignação em pagamento em face de Pedro, depositando em juízo R$ 100 mil
reais. Maria ajuíza execução contra Antônio e consegue a penhora on line de R$ 200
mil. Tais valores ficarão em depósito judicial e, quando o juiz autorizar, eles poderão
ser levantados pela parte vencedora, devidamente atualizados.

Lei complementar federal 151/15: Como se sabe, o Brasil vem passando por uma crise
econômica e os Estados e Municípios têm enfrentado enormes dificuldades para pagar
suas despesas, especialmente com precatórios. Diante disso, uma das medidas
encontradas pelo Governo para contornar esse problema foi o de permitir que o Poder
Executivo estadual utilize parte dos valores que estão nos depósitos judiciais. Para
tanto, foi editada a LC 151/2015, que prevê, resumidamente, o seguinte:
 Dos valores que estão na conta do Poder Judiciário como depósito judicial,
deve-se identificar aqueles que sejam oriundos de processos nos quais os
Estados, o DF e os Municípios sejam parte.
 Desses valores, 70% poderá ser transferido para a conta única do Tesouro do
Estado, do Distrito Federal ou do Município.
 Os 30% restantes ficarão como um fundo de reserva, a fim de serem utilizados
para o pagamento dos valores devidos à outra parte, caso o Estado, o DF ou o
Município perca a causa.

Assim, em outras palavras, a LC 151/2015 autorizou que os Estados, o DF e os


Municípios utilizem 70% dos valores que sejam objeto de depósitos vinculados a
processos em que tais entes federados sejam parte.

Segundo o art. 7º da LC 151/2015, esses recursos repassados ao Estado, ao Distrito


Federal ou ao Município serão aplicados, exclusivamente, no pagamento de:
I – precatórios judiciais de qualquer natureza;
II – dívida pública fundada, caso a lei orçamentária do ente
federativo preveja dotações suficientes para o pagamento da
totalidade dos precatórios judiciais exigíveis no exercício e
não remanesçam precatórios não pagos referentes aos
exercícios anteriores;
III – despesas de capital, caso a lei orçamentária do ente
federativo preveja dotações suficientes para o pagamento da
totalidade dos precatórios judiciais exigíveis no exercício, não
remanesçam precatórios não pagos referentes aos exercícios
anteriores e o ente federado não conte com compromissos
classificados como dívida pública fundada;
IV – recomposição dos fluxos de pagamento e do equilíbrio
atuarial dos fundos de previdência referentes aos regimes
próprios de cada ente federado, nas mesmas hipóteses do
inciso III.

Obs: poderá o Estado, o Distrito Federal ou o Município utilizar até 10% da parcela
que lhe for transferida para constituição de Fundo Garantidor de PPPs ou de outros
mecanismos de garantia previstos em lei, dedicados exclusivamente a investimentos
de infraestrutura.

Leis estaduais: Ocorre que, antes da LC 151/15, diversos Estados já haviam editado
leis estaduais prevendo que o Poder Executivo poderia utilizar os valores constantes
dos depósitos judiciais não apenas relacionados com processos em que o Estado fosse
parte, mas também oriundos de outros feitos em que estivessem litigando somente
particulares. Em outras palavras, os Estados poderiam utilizar indistintamente os
valores dos depósitos judiciais. Tais leis estão sendo questionadas por meio de ADIs
propostas pelo Procurador Geral da República.
É o caso, por exemplo, da Lei 21.720/2015, do Estado de Minas Gerais.

O que o STF vem decidindo? O STF tem entendido, ainda em um juízo sumário e
provisório, que tais leis estaduais são inconstitucionais pelos seguintes motivos:
1) Violam o princípio da separação dos poderes. Segundo já
decidiu o STF, cumpre ao Poder Judiciário a administração e
os rendimentos referentes à conta única de depósitos judiciais
e extrajudiciais. Atribuir ao Poder Executivo essas funções
contraria o disposto no art. 2º da CF/88, que afirma a
interdependência - independência e harmonia - entre o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário. (STF. Plenário. ADI
3458, Rel. Min. Eros Grau, j. 21/02/08).
2) Ofendem a iniciativa privativa da União. A Lei que versa
sobre depósitos judiciais é de competência legislativa
privativa da União, por tratar de matéria processual, nos
termos do art. 22, I, da CF/88 (STF. Plenário. ADI 2909, Rel.
Min. Ayres Britto, j. 12/05/10).
3) Contraria a LC federal 151/15. A lei federal apenas autoriza
o levantamento de 70% dos valores que sejam objeto de
depósitos vinculados a processos em que os entes federados
sejam parte (art. 2º).

25.2. Inconstitucionalidade das leis estaduais que permitem que o Estado utilize tais
verbas – (Info 809)

Diversos Estados têm editado leis complementares estaduais prevendo que o Poder
Executivo pode utilizar os valores constantes dos depósitos judiciais não apenas
relacionados com processos em que os Estados fossem parte, mas também oriundos
de outros feitos em que estivessem litigando somente particulares. Tais leis estão
sendo questionadas por meio de ADIs propostas pelo Procurador Geral da
República. É o caso, por exemplo, da LC 42/15, do Estado da Bahia.
O STF tem entendido, ainda em um juízo sumário e provisório, que tais leis
estaduais são inconstitucionais por violarem:
1) O princípio da separação dos poderes.
2) A iniciativa privativa legislativa da União (art. 22, I, da CF/88).
3) A LC federal 151/15 apenas autoriza o levantamento de 70% dos valores que
sejam objeto de depósitos vinculados a processos em que os entes federados sejam
parte.
STF. Plenário. ADI 5409 MC-Referendo/BA, Rel. Min. Edson Fachin, j. 25/11/15 (Info
809).

26. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL


26.1. Inconstitucionalidade de lei estadual que amplia os limites máximos de gastos
com pessoal fixados pela LRF – (Info 817) – IMPORTANTE!!!

A Lei de Responsabilidade Fiscal, cumprindo o que determina o art. 169 da CF/88,


estabelece, em seus arts. 19 e 20, valores máximos que a União, os Estados/DF e os
Municípios poderão ter gastar com despesas de pessoal.
É inconstitucional lei estadual que amplia os limites máximos de gastos com
pessoal fixados pelos arts. 19 e 20 da Lei de Responsabilidade (LC 101/2000).
O art. 169 da CF/88 determina que a despesa com pessoal da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em
lei complementar. Esta lei complementar de que trata a Constituição é uma lei
complementar nacional que, no caso, é a LC 101/2000.
A legislação estadual, ao fixar limites de gastos mais generosos, viola os parâmetros
normativos contidos na LRF, e, com isso, usurpa a competência da União para
dispor sobre o tema.
STF. Plenário. ADI 5449 MC-Referendo/RR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em
10/3/2016 (Info 817).
OBS:
Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): A Lei Complementar nº 101/2000 estabelece
normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. Ela é
popularmente conhecida como "Lei de Responsabilidade Fiscal".

Limites de gastos com pessoal: A LRF estabelece valores máximos que a União, os
Estados/DF e os Municípios poderão gastar com despesas de pessoal (despesas com
servidores públicos). A Lei prevê esses limites por força de uma determinação contida
no art. 169 da CF/88: “A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em
lei complementar”.

Quais são os limites previstos na LRF? Tais limites estão fixados nos arts. 19 e 20 da
LRF e podem ser assim resumidos:
Os Estados-membros/DF e os Municípios poderão editar leis alterando estes
percentuais? Depende:
 Se a alteração for para tornar os limites mais rígidos: SIM.
 Se a alteração for para tornar os limites mais flexíveis: NÃO.

“A expressão ‘não poderá exceder’, presente no artigo 169 da CF/88, conjugada com o
caráter nacional da lei complementar ali mencionada, assentam a noção de marco
negativo, imposto a todos os membros da Federação, no sentido de que os parâmetros
de controle de gastos ali estabelecidos não podem ser ultrapassados, sob pena de se
atentar contra o intuito de preservação do equilíbrio orçamentário (receita/despesa)
consagrado na norma.
Com vistas ao atendimento dessa finalidade, eventual acréscimo normativo
promovido pelo Estado-membro, voltado ao enrijecimento do controle de despesas,
não se mostra, a princípio, incompatível com a Constituição Federal." (STF. Plenário.
ADI 4426, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 09/02/2011).
Assim, nada impede que um Estado-membro edite uma lei estadual prevendo que o
limite total de gastos com pessoal naquela unidade da Federação será de 50% da
receita corrente líquida. Isso estará de acordo com o art. 169 da CF/88.

Vamos agora imaginar uma situação um pouco diferente: Determinado Estado-


membro previu na LDO que o limite máximo de gastos com pessoal seria de 60% da
receita corrente líquida. Até aí, tudo bem, já que está de acordo com o art. 19, II, da
LRF. Ocorre que a lei estadual alterou os limites que cada "Poder" pode gastar, fixando
o seguinte:
 Executivo: 47,5%
 Legislativo (e TCE): 4,5%
 Judiciário: 6%
 MPE: 2%

Desse modo, perceba que a lei estadual reduziu o percentual que o Executivo pode
gastar com pessoal, mas em compensação aumentou o limite do Legislativo (a LRF
prevê um máximo de 3% e a lei estadual fixou 4,5%).

Diante disso, indaga-se: essa lei estadual é válida? NÃO. Ressalte-se que, no caso,
não há um mero conflito de legalidade (lei estadual x LRF). A lei estadual, ao afrontar
os limites de gastos com pessoal previstos na LRF, ofendeu diretamente o texto
constitucional, qual seja, o art. 169 da CF/88.

27. ORÇAMENTO PÚBLICO


27.1. Expropriação de recursos administrados pelo poder público estadual – (Info
869)

O Estado do Rio de Janeiro vive uma grave crise econômica, estando em débito com
o pagamento de fornecedores e atraso até mesmo no pagamento da remuneração
dos servidores públicos. Os órgãos e entidades também estão sem dinheiro para
custear os serviços públicos.
Diante disso, diversas ações (individuais e coletivas) foram propostas, tanto na
Justiça comum estadual como também na Justiça do Trabalho, pedindo a realização
desses pagamentos. Os órgãos judiciais estavam acolhendo os pedidos e
determinando a apreensão de valores nas contas do Estado para a concretização dos
pagamentos.
Neste cenário, o Governador do Estado ajuizou ADPF no STF com o objetivo de
suspender os efeitos de todas as decisões judiciais do TJRJ e do TRT da 1ª Região
que tenham determinado o arresto, o sequestro, o bloqueio, a penhora ou a
liberação de valores das contas administradas pelo Estado do Rio de Janeiro.
O STF afirmou que esse conjunto de decisões representa uma usurpação das
competências constitucionais reservadas ao Poder Executivo (a quem cabe exercer
a direção da administração) e ao Poder Legislativo (a quem compete autorizar a
transposição, remanejamento ou transferência de recursos de uma categoria de
programação para outra, ou de um órgão para outro). Logo, isso significa uma
ofensa ao art. 2º, art. 84, II e art. 167, VI e X, da Constituição Federal.
Diante desse cenário, o STF determinou a suspensão dos efeitos das decisões que
tenham determinado o arresto, o sequestro, o bloqueio, a penhora ou a liberação de
valores das contas administradas pelo Estado do Rio de Janeiro e que tenham
recaído sobre recursos escriturados, com vinculação orçamentária específica ou
vinculados a convênios e operações de crédito, valores de terceiros sob a
administração do Poder Executivo e valores constitucionalmente destinados a
municípios, devendo, ainda, ser devolvidos os recursos que ainda não tenham sido
repassados aos beneficiários dessas decisões judiciais.
STF. Plenário. ADPF 405 MC/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, j. 14/6/17 (Info 869).