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SEMIÓTICA

MAÇÔNICA
Aleks Mijic Estevam
Título Original: Semiótica Maçônica ®2009
Aleks Mijic Estevam

2011

Todos os direitos reservados.

A reprodução não autorizada desta publicação, no


todo ou em parte, constitui violação de direitos
autorais. (Lei 9610/98).
PREFÁCIO

Os primórdios da Maçonaria são obscuros, bem como


parte de sua história. Segundo a opinião quase unânime
dos historiadores sérios que a estudaram, sua origem é a
mais verdadeira e verossímil: ela descende de antigas
corporações de mestres-pedreiros construtores de igrejas
e catedrais, corporações formadas na idade média.

A maçonaria é uma associação de caráter universal,


cujos membros cultivam a filantropia, justiça social,
humanidade, os princípios da liberdade, democracia e
igualdade, aperfeiçoamento intelectual e fraternidade, é
assim uma associação iniciática, filosófica, filantrópica
e educativa.

Não se trata de um clube aberto a todos. Trata-se de


uma associação fechada, aonde só podem ter acesso
homens que foram devidamente examinados e
escolhidos por seus representantes, e após uma
cerimônia fechada de Iniciação.

Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células


autônomas, designadas por oficinas, ateliers ou (como
são mais conhecidas e corretamente designadas) Lojas,
"todas iguais em direitos e honras, e independentes entre
si", ligadas sempre a um poder central chamado de
“Potência”.

Suas reuniões são baseadas em Ritos, os quais são


cheios de simbologia e alegorias.
São vários os trabalhos e autores, que com suas
publicações tentam explicar os fundamentos da
Maçonaria. Não irei entrar no mérito dos “segredos”,
bem como fazer especulações dos diversos ritos
espalhados pelas potências maçônicas.

Tratarei apenas do Rito Escocês Antigo e Aceito, pois


este, pelo menos é o mais praticado no Brasil.

Após muita pesquisa, sessões em loja, conversas e


debates com vários irmãos maçons, bem como ao
acesso de rituais da Grande Loja de Londres, Grande
Loja da Itália, Grande Loja de Portugal, publicações em
jornais maçônicos e muitas pesquisas pela rede mundial
de computadores (Internet), cheguei ao mesmo ponto de
partida. A criação das obediências maçônicas, através
de uma simples história em que demonstra os vícios e a
gana pelo poder.

Uma história que nos faz voltar aos tempos do rei


Salomão, e a lenda da construção de um templo
dedicado á Deus, e que eventualmente serviu com o
propósito de guardar a Arca da Aliança.
A maçonaria foi criada tendo esta história como seu
pilar fundamental.

Durante sua longa jornada, a maçonaria, sofreu diversas


alterações, como a criação de Grandes Lojas, os
Landmarks e a criação de vários ritos, com seus rituais
próprios e uma vasta simbologia, mas no contexto geral
ela permanece imutável, tendo como principio a
construção do Templo e a lenda de Hiram.
A muito, a ordem maçônica deixou de ser secreta e suas
lojas estão presentes por todas as partes, sejam ajudando
a população através de ações beneficentes ou
simplesmente através de seus templos, que servem de
local para encontro de maçons.

Este trabalho tratará a semiótica contida na Maçonaria,


sejam através da própria lenda de Hiram, símbolos,
utensílios e rituais.

O Autor
Semiótica Maçônica

I - A LENDA DE HIRAM (POR ELIPHAS LEVI)

Salomão, o mais sábio dos reis do seu tempo, desejando


levantar um Templo ao Eterno, fez reunir em Jerusalém
todos os obreiros de bons costumes para construir o
Fabuloso Edifício.

Publicou um édito em toda a extensão do reino, e o


édito foi conhecido em toda a terra: quem quisesse vir à
Jerusalém para trabalhar na construção do Templo, seria
recebido e bem recompensado, contanto que fosse
virtuoso cheio de zelo e coragem, e exemplo de todo o
vício.

Para logo, Jerusalém se encheu de grande número de


homens que conheciam as altas virtudes de Salomão e
pediam para ser inscrito nos trabalhos do Templo.

Salomão, tendo-se garantido de numerosos obreiros,


realizou tratados com todos os Reis vizinhos,
particularmente com o de Tiro, para que pudesse buscar
no Monte Líbano todos os cedros e madeiras de que
carecesse, assim como de quaisquer outros materiais.

Já tinham começado as obras, quando Salomão se


lembrou de Hiran, homem sóbrio e virtuoso, e o mais
sábio do seu tempo, extraordinariamente querido do Rei
de Tiro por suas grandes qualidades.

Percebeu também que tão grandes números de obreiros


dificilmente seriam dirigidos; e os trabalhos

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prosseguiam já penosamente, por causa da discussão


que entre eles reinavam.

Salomão resolveu dar a eles um chefe digno de mantê-


los em boa ordem, e escolheu Hiram.

Enviou ao Rei de Tiro, expressamente para tal fim,


deputados cheios de presentes, para solicitar-lhe o
famoso arquiteto.

O Rei de Tiro, encantado da alta conta em que o tinha


Salomão, acedeu ao pedido, e lhe remeteu Hiram em
companhia dos deputados, carregados de dádivas e
protestos de amizade, e incumbidos de dizer-lhe que,
afora o tratado que haviam celebrado, perduraria entre
ambos uma eterna aliança, podendo Salomão dispor de
tudo que lhe fosse útil.

Hiram foi recebido com a pompa e magnificência


devida às suas grandes qualidades.

No mesmo dia Salomão deu uma festa a todos os


obreiros em honra de sua chegada.

No dia seguinte, Salomão, reuniu a câmara do conselho


para regular os negócios de importância;

Hiram assistiu a reunião e foi muito honrado; Salomão


disse-lhe em presença de todos:

“Hiram, eu vos escolhi para Chefe e Grande Arquiteto


do Templo, assim como dos obreiros”.

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“Eu vos dou todo o poder sobre eles, sem que sejam
necessárias outras deliberações além das vossas; tenho-
vos como um amigo, e vos confiarei o maior de meus
Segredos.”

Em seguida saíram da câmara do conselho e se


dirigiram para o local dos trabalhos, entre os obreiros,
aos quais disse Salomão, em voz alta e límpida:

“Eis aquele que escolhi para vosso Chefe e para


conduzir-vos; obedeçam a ele como a Eu mesmo; ele
tem todo o poder sobre vós e nas obras; aqueles que se
tornarem rebeldes às minhas ordens e às suas serão
punidos do modo que me parecer melhor.”

Foram, após, visitar os trabalhos; foi tudo entregue entre


as mãos de Hiram, que prometeu a Salomão pôr tudo
em boa ordem.
No dia seguinte, Hiram fez reunir todos os obreiros, e
lhes disse:

“Meus amigos, o Rei, nosso senhor, encarregou-me de


administrar-vos e organizar todos os trabalhos do
Templo”.

Creio, estão todos dispostos a executar suas ordens e as


minhas.

Há entre vós alguns que merecem melhores salários: a


cada qual poderá ser ele aumentado, pelas provas que
for apresentando de seu trabalho.

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É para vosso repouso e para distinguir vosso zelo, que


vou formar três classes de todos os obreiros: a primeira
será composta a de Aprendizes, a segunda de
Companheiros, a terceira de Mestres.

“A primeira será paga como tal, e receberá o salário na


porta do Templo, na coluna J”.

“A segunda, também à porta do Templo, na coluna B”.

“E a terceira, no Santuário do Templo.”

Os salários aumentavam proporcionalmente aos graus; e


eram todos felizes sob a ordem de tão digno Mestre.

A paz, a amizade, e a concórdia reinavam entre eles; o


respeitável Hiram, como desejava que tudo estivesse em
boa ordem, e não querendo confusão entre os obreiros,
aplicou a cada um dos graus sinais, palavras e toques,
para que se conhecessem, sendo proibido confiá-los a
quem quer que fosse sem a inteira permissão do Rei
Salomão e de seu Chefe. Recebiam, assim, o salário
conforme o sinal, de modo que os Mestres eram pagos
como Mestres, os Companheiros como Companheiros e
os Aprendizes como Aprendizes.

Com tão perfeita regra, andavam todos em paz, e as


obras prosseguiam a gosto de Salomão.

Mas tão bela ordem continuaria por longo tempo ainda?


Não...

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Com efeito, três Companheiros, impelidos pela


Natureza, e ansiosos de receber o salário dos Mestres,
resolveram conhecer a palavra; e como não pudessem
obtê-la senão do respeitável Mestre Hiram, formaram o
desígnio de consegui-la.

Ou por bons modos, ou violentamente...

Como o respeitável Hiram ia diariamente ao Santuário


do Templo orar ao Eterno às cinco horas da tarde,
combinaram esperá-lo na saída, para pedir-lhe a palavra
dos Mestres, e, como havia três portas no Templo (uma
ao Oriente, uma ao Ocidente e outra ao Sul), repartiram-
se pelas três portas.

Um armado com uma régua, outro com uma alavanca e


o terceiro com um malho; e assim o aguardaram.

Hiram, finda a prece, dirigiu-se à porta do Sul, onde


encontrou um dos traidores, que lhe pediu a palavra dos
Mestres.

Hiram, atônito, avisou-lhe que não era por tal modo que
se obtinha a palavra, e que preferiria morrer a revelá-la.

O traidor, encolerizado, tocou-o com a régua.

Hiram, atordoado com a pancada, retirou-se se dirigindo


para a porta do Ocidente, onde estava o segundo traidor
que lhe fez a mesma pergunta que o primeiro.

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Hiram recusou-se a responder, e o traidor feriu-lhe com


a alavanca, fazendo-lhe cambalear.

Hiram voltou-se para a porta do Oriente, na esperança


de poder sair; mas o terceiro traidor, que o aguardava,
fez ele parar e lhe fez a mesma pergunta.

Hiram respondeu que preferiria a morte a revelar-lhe um


segredo que não merecia ainda.

O traidor, indignado, deu-lhe tamanha pancada com o


malho que o estendeu morto.

Como ainda era dia, os traidores tomaram o corpo de


Hiram e o ocultaram em um morro, ao Norte o Templo,
esperando a noite para transportá-lo mais além.

À noite, o levaram para fora da cidade, a uma alta


montanha, onde o sepultaram; e, como resolveram
transportá-lo ainda mais longe, plantaram na cova um
ramo de Acácia, para com facilidade reconhecer o Sítio,
e regressaram à Jerusalém.

(Artigo de autoria de Eliphas Levi e reproduzido nas


páginas de a Esphynge Jornal de Outubro de 1899 ev –
número 4)

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Sabemos que o símbolo do esquadro e compasso é


conhecido nos quatro cantos do mundo, e que as pessoas
independentemente de religiões, camadas sociais e
crenças, já o viram e ouviram falar.

A seguir, trabalharemos com os símbolos e ferramentas,


dando seus verdadeiros significados, de uma forma
clara, e logicamente sem entrar nos “segredos
maçônicos”.

II - O ESQUADRO E O COMPASSO

Como pode se notar são duas ferramentas normais, que


qualquer pessoa tem acesso em uma loja de ferragens, o
que também acontece com a maioria dos símbolos
maçônicos. Elas são utilizadas por uma infinidade de
pessoas e profissionais.

Para os maçons, essas ferramentas são utilizadas juntas


e em perfeita harmonia, pois elas têm valores
simbólicos e esotéricos importantíssimos.

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DESMEMBRANDO O SIMBOLO

O compasso, entre outras coisas, é


considerado o símbolo da espiritualidade e
do conhecimento humano.

O maior ou menor afastamento de suas pernas nos


mostra as diversas fases do raciocínio intelectual sempre
levado de forma positiva.

A abertura indica o nível do conhecimento humano,


sendo esta limitada ao máximo de 90º, isto é ¼ do
conhecimento. Em muitos casos, o compasso é
considerado um símbolo da justiça divina. Em relação à
espiritualidade, costumamos afirmar que o compasso
representa a alma pura e limpa, livre dos desejos da
matéria. Desejos estes, relacionados ao poder, ganância
e tudo o que juntamente vem.

O esquadro representa a matéria ou o


homem. Simbolicamente dizemos que ele
representa a retidão do homem, que ele
deve ser reto em suas atitudes, valorizando
trabalho e os compromissos para com a verdade e para
com o próximo.

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A letra G pode ser representada por Deus


– God em inglês ou Gnose.

È a representação de todo conhecimento,


adquirido por um iniciado através de vias
místicas, transmitidas através dos tempos.

Pode, também, ser representada como a presença


constante e onipotente de Deus.

Em alguns casos, esta letra é substituída pelo desenho


de um olho aberto, que representa a presença de Deus,
observando todos os atos dos homens.

O símbolo do esquadro em compasso, nada mais é que


uma representação simbólica da constante busca do
homem. A busca da retidão e equilíbrio entre o ser
material, emocional e espiritual, ou seja, o homem,
esclarecido, reto em suas decisões, livre de vícios e
justo para com seus semelhantes.

III – AS FERRAMENTAS, OBJETOS E SEUS


SIGNIFICADOS

Em um templo maçônico, é comum encontrar


ferramentas que geralmente são utilizadas por pedreiros.
Mas como tudo em maçonaria é simbólico, devemos
conhecer e quem sabe até nos aprofundarmos nos
estudos destes simbolismos.

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A TROLHA

A trolha, também conhecida como colher de pedreiro, é


simbolicamente conhecida como um elemento neutro e
símbolo de construção. Ela simbolicamente representa
que todos os homens são diferentes e imperfeitos, e que
devemos aceitar estas imperfeições.

Ela serve também como um instrumento de paz e


harmonia, sendo que também pode ser utilizado como
uma forma de pedido de desculpas, a fim que reine a
paz e harmonia entre os maçons.
Na antiguidade, após alguma briga, o maçom enviava
uma trolha ao irmão em sinal de pedido de desculpas e
humildade.

O sistema da trolha era normalmente utilizado pelos


primeiros maçons, que em viajem, paravam nas
construções e presenteavam o mestre construtor com
uma trolha, em sinal de amizade. Embora a história da
trolha na maçonaria seja muito bonita, apenas uma
pequena parte dos irmãos á conheça.

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O MALHO

Ferramenta que representa a força de vontade para


mudar as coisas. Utilizado juntamente com o cinzel, é a
primeira ferramenta que o maçom utiliza, com a
finalidade de desbastar a pedra bruta.

É utilizado sempre com a mão direita.

O CINZEL

Ferramenta que representa a virtude, inteligência e a


purificação da alma.

O maçom aprende que para desbastar a pedra bruta, só o


conseguira com a ajuda do malho e do cinzel. È uma
alegoria quanto à força de vontade do maçom, em se
tornar um homem melhor, livre de vícios, humilde e
tolerante.

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O NÍVEL

Simboliza a Igualdade Social, pois sem igualdade entre


os homens, o mundo nunca será livre e unido. Também
simboliza a união fraternal, pois longe dos obstáculos
atribuídos a raças, religiões e pensamentos políticos,
todo maçom é igual e respeita ao seu semelhante.

O PRUMO

Ele simboliza a retidão do Maçom. Que todo maçom


deve ser reto em seus julgamentos, e que estes
julgamentos não sejam interferidos pelos vícios, poder e
interesses.

O Nível e o Prumo devem trabalhar em perfeita


harmonia, sempre juntos, pois a união destas

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ferramentas significa a igualdade e união entre os


homens, sem que hajam interesses velados.

O MALHETE

Símbolo da decisão. Instrumento utilizado pelos 1º e 2º


Vigilante bem como o Venerável da loja.

A RÉGUA

Representa a justa medida, que todo maçom deve ter.


Ferramenta muito importante para o estudo dos
aprendizes, pois remete também á retidão e caminho de
seus atos. A régua, que servindo para traçar ângulos
retos, designa os maçons em suas jornadas, sempre
visando à perfeição do trabalho bem como o seu tempo
é utilizado.

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A ALAVANCA

Instrumento, que também é utilizado no aprendizado do


Companheiro Maçom. É o instrumento que aliado á
força de vontade e os estudos do Companheiro, lhe
ajuda nos trabalhos difíceis.

O BASTÃO

Instrumento de Trabalho, utilizado pelo Mestre de


Cerimônias e pelos Diáconos.

Para cada função, muda-se apenas a jóia do topo do


instrumento.

Parecido com um Cajado, é portada sempre com a mão


direita, deve ser de madeira escura com um
comprimento de 2 metros (aproximadamente 3 côvados)
e 5 centímetros de diâmetro e quando em uso, nunca
deverá tocar o solo.

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A ESPADA

Instrumento utilizado pelos maçons com várias


utilidades; formação de abóbadas, proteção e escolta.
Instrumento de uso obrigatório pelo cobridor externo e
interno.

A espada deverá sempre ser carregada, utilizando a mão


direita, e quando não estiver em uso, deverá ficar na
posição “ombro armas”, e de forma alguma a espada
deverá tocar o solo.

A ESPADA FLAMIGERA OU FLAMEJANTE

A espada do Venerável Mestre. Somente o Venerável


Mestre ou um Mestre Instalado podem tocá-la.

Ela sempre deve estar presente, junto ao trono de


Salomão. Sua simbologia remete ao justo, ao perfeito,
ao homem que é reto em seus julgamentos com total
imparcialidade.

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O AVENTAL

É o símbolo do trabalho. É a parte principal do vestuário


maçônico, constituindo-se um dos símbolos mais
importantes da Maçonaria. Tem a forma de um
retângulo, encimado por um triângulo; nos dois
primeiros graus são simples, sem enfeites ou adornos, e
de tecido branco. O avental dos demais graus tem cor e
desenhos variados, conforme os graus que representa e
conforme o rito adotado. O fundo, porém é sempre
branco. Deverá estar sempre acompanhado da utilização
de luvas brancas.

A BOLSA DE PROPOSTAS E INFORMAÇÕES /


BENEFICÊNCIA

A bolsa de propostas e informações é feita de pano e em


determinado momento, e utilizada pelo Mestre de
Cerimônias, que recolhe a prancha ou proposta de todos
os irmãos, para que sejam decifradas, pelo irmão
secretário.

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A bolsa de beneficência, é feita de pano e em


determinado momento, é utilizada pelo irmão
hospitaleiro, que a passa por todos os irmãos da loja.

III – OBJETOS SIMBÓLICOS

Podemos considerar objetos simbólicos, todos aqueles


objetos que se encontram no interior de um templo
maçônico, e que naturalmente não são ferramentas
manuais, que possam ser carregadas. É tudo aquilo que
faz parte da composição e ornamentação de uma loja
maçônica.

COLUNA DÓRICA

Simbolicamente esta coluna representa a força, e fica


sobre o altar do 1º Vigilante ao Ocidente do templo.

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COLUNA JÔNICA

Simbolicamente esta coluna representa a sabedoria, e


fica localizada sobre o Trono de Salomão, junto ao
Venerável Mestre, no Oriente do templo.

COLUNA CORÍNTIA

Simbolicamente esta coluna representa a beleza, e fica


localizada sobre o altar do 2º Vigilante ao Sul do
templo.

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O PAVIMENTO MOSAICO

Localiza-se ao Centro do templo, e podemos afirmar


que representa a perfeita harmonia entre os diferentes
elementos, que podem viver juntos na mais íntima
fraternidade.

A PEDRA BRUTA

Pedra natural, que se localiza ao lado do trono do 1º


Vigilante. Ela representa o homem que desconhecendo a
Real Arte é cheio de imperfeições.

O trabalho simbólico dos aprendizes é trabalhar


nivelando e tirando as arestas desta pedra, ou seja, o
homem trabalhando para a sua própria evolução.

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A PEDRA POLIDA

Pedra cúbica, que fica localizada ao lado do trono do 2º


Vigilante. Ela representa o homem que no caminho da
Arte Real, já não é cheio de imperfeições.

O Trabalho simbólico do Companheiro Maçom é


manter esta pedra polida, não deixando que as
imperfeições voltem, ou seja, o homem mantendo a sua
evolução. Evitando que perca o conhecimento
adquirido.

O ALTAR DOS JURAMENTOS

Pequeno altar localizado no centro do templo, onde são


feitos os juramentos. Este altar também tem a finalidade
de sustentar o Livro da Lei. É também, a representação
simbólica da escada de Jacó.

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O ALTAR DOS PERFUMES

Altar em que é posto o incenso que deverá ser queimado


durante a sessão em Loja. A fumaça deste incenso serve
para a limpeza do ambiente, bem como simbolicamente
representa o pensamento do maçom, subindo aos céus
em direção ao Grande Arquiteto do Universo.

O LIVRO DA LEI

É o livro que deve se aberto, sempre sobre o Altar dos


Juramentos. Geralmente é a Bíblia Sagrada. Caso
existam irmãos que pertençam a outras religiões, seus
livros sagrados também poderão ser abertos sobre o
Altar dos Juramentos. Na falta destes livros, algumas
Lojas costumam abrir a Constituição do País ou a
Constituição de suas potências, em substituição a estes.

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AS COLUNAS B.´. E J.´.

São as Colunas localizadas à entrada do Templo, elas


delimitam o interior e o exterior do templo maçônico.

A Coluna B.∙., localiza-se ao lado esquerdo, e representa


os aprendizes.

A Coluna J.∙., localiza-se ao lado direito, e representa os


companheiros e mestres.

Simbolizam as colunas de sustentação do Templo de


Salomão.

A CORDA DE 81 NÓS

Ornamento que simboliza a verdadeira união que existe


entre os maçons.

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Ela fica localizada nas paredes do templo, e suas pontas


se encontram sobre o trono de Salomão. Como em um
elo de corrente, cada nó é um maçom, que juntos e em
perfeita harmonia, tem força para a construção do
templo.

O DELTA LUMINOSO

Simboliza o principio criador, a presença onisciente do


G.∙. A.∙. D.∙. U.∙., que a tudo observa. Fica localizado ao
fundo do Trono de Salomão.

A BALAUSTRADA

A Balaustrada divide o templo maçônico. Separação


entre Oriente e Ocidente No Rito Escocês Antigo e
Aceito, só podem subir ao Oriente os mestres maçons.

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A LUA E O SOL

A Lua é representada em seu quarto crescente,


indicando ao maçom o dever de aumentar o
conhecimento que recebe, assim como, sua propriedade
de reflexão indica ao maçom o dever de retransmitir o
conhecimento adquirido.

O Sol e a Lua iluminam o mundo, assim como o


maçom, captando por intuição a Verdade Divina, Luz
Suprema, ilumina o mundo Esse símbolos ficam
localizados no Oriente do Templo Maçônico, por detrás,
do Trono de Salomão. A Lua é encontrada, também, no
teto, sobre o 1º Vigilante.

AS COLUNAS ZODIACAIS

I – ARIES-FOGO-MARTE. Trata-se
do fogo construtivo interior,
estimulando todo o crescimento e
desenvolvimento. Entorpecido no
inverno, desperta na primavera, faz
germinar a semente e provoca a eclosão
dos rebentos. Representa a iniciativa individual que se
desenvolve sob o impulso de uma influência exterior,

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como a energia encerrada no germe em função sob a


ação do Sol.

Símbolo: O ardor iniciático conduzido à procura da


iniciação.

II- TOURO-TERRA-VÊNUS. A
matéria receptiva na qual se efetua a
fecundação. Elaboração interior.

Símbolo : Judiciosamente preparado, o


recipiendário foi admitido às provas.

III- GÊMEOS-AR-MERCÚRIO. Os
filhos da Terra fecundada pelo fogo. O
duplo Mercúrio dos Alquimistas,
simbolizado por duas cabeças ou por
uma serpente de duas cabeças.
Sublimação da matéria na flor que
murcha.

Símbolo: O neófito recebe a luz.

IV- CÂNCER-ÁGUA-LUA. A seiva


intumesce as formas que atingem a sua
plenitude. A vegetação é luxuriante.
É a estação das folhas, porém os
cereais e os frutos permanecem verdes.
Dias longos, esplendores de luz.

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Símbolo: O iniciado se instrui, assimilando os


ensinamentos iniciáticos.

V- LEÃO-FOGO-SOL. O ardor
interior, o fogo interior de Áries, tendo
completado sua tarefa construtiva, o
fogo exterior intervém para ressecar e
matar toda a constituição aquosa,
cozendo e amadurecendo o invólucro
dos germens. A razão implacável exerce sua critica
severa sobre todas as noções recebidas.

Símbolo: O iniciado julga, por si próprio, com


severidade, as idéias que puderam seduzi-lo.

VI- VIRGEM-TERRA-MERCÚRIO.
A substância fecunda, dá a luz e
recupera a sua virgindade. A colheita
está madura, o calor menos tórrido.

Símbolo: Tendo feito a sua escolha, o


iniciado reúne os materiais de construção e talhá-los
segundo o seu destino.

VII- BALANÇA (LIBRA)-AR-


VÊNUS. Equilíbrio das forças
construtoras e destrutivas. Maturidade:
o fruto no Maximo do seu sabor.

Símbolo: O Companheiro em estado de

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desenvolver seu máximo de atividade utilmente


empregada.

VIII- ESCORPIÃO-ÁGUA-MARTE.
A massa aquosa fermenta. Os
elementos de construção vital se
dissociam, atraídos por combinações
novas. Desorganização revolucionária.
O Sol precipita sua queda para o outro
hemisfério.

Símbolo: Coluna dos maus companheiros. Hiram é


ferido de morte.

IX- SAGITÁRIO-FOGO-JUPITER..
O espírito animador destaca-se do
cadáver e paira nas alturas. A natureza
toma um aspecto desolador.

Símbolo: Os obreiros abandonados,


sem direção, se lamentam e dispersam-se à procura do
Mestre assassinado.

X- CAPRICÓRNIO-TERRA-
SATURNO. Nada mais vive: a
substância terrestre esta inerte,
passiva, mas ainda é fecundável.

Símbolo: Descobre-se o túmulo de


Hiram.

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XI – AQUÁRIO – AR- SATURNO. Os


elementos construtivos se reconstituem
na terra adormecida, mas que se
prepara para novos esforços geradores.
Ela se satura de dinamismo vitalizante.

Símbolo: O cadáver de Hiram é desenterrado e forma-se


a cadeia para ressuscitá-lo.

XII – PEIXES- ÁGUA- JÚPITER. O


gelo se quebra; a neve se funde,
impregnando o solo de fluídos próprios
a serem vitalizados. Os dias se dilatam
rapidamente, o reino da luz impera.
Símbolo: Hiram é levantado e torna a
si; a palavra perdida é encontrada.
Estas Colunas adornam o Interior do Templo, e estão
localizadas nas paredes internas, dispostas seis de cada
lado. Elas servem como base de conhecimento da
história do Mestre Hiram.

A ESTRELA FLAMIGERA

Algumas instruções do rito inglês, altamente místicas,


afirmam: Cinco nasceu de quatro; Seis é formado pelo
ambiente sintético, emanado de Cinco.

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A atmosfera psíquica, que envolve nossa personalidade,


compõe-se, sob o ponto de vista hermético, da água
vaporizada pelo fogo, ou de água ígnea, ou seja, do
fluido vital, carregado de energias ativas. Essa união do
Fogo e da Água é representada, graficamente, pela
figura muito conhecida do Signo de Salomão. Dos dois
triângulos entrelaçados, um é masculino-ativo e o outro
é feminino-passivo.

O primeiro simboliza a energia individual, o ardor que


emana da própria personalidade ; o segundo,
representado por um triângulo invertido, em forma de
taça, destina-se a receber o orvalho depositado pela
umidade, através do espaço.

A Estrela Flamejante corresponde ao microcosmo


humano, ou seja, ao homem, considerado como um
mundo em miniatura, enquanto os dois triângulos
entrelaçados designam a estrela do macrocosmo, ou
seja, do mundo, em toda a sua infinita extensão.

A Estrela Flamejante poderá ser de cinco pontas,


pentagonal, ou de seis pontas, hexagonal. A estrela-
símbolo tem sua origem entre os sumerianos --- na
antiga Mesopotâmia --- onde três estrelas, disposta em
triângulo, representavam a trindade divina : Shamash,
Sin e Ichtar (Sol, Lua e Vênus). Entre os antigos
hebreus, toda estrela pressupõe um anjo guardião; e,
segundo a concepção chinesa, cada ser humano possui
uma estrela no céu.

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A estrela Polar, em torno da qual gira o firmamento,


sempre foi considerada como o primeiro motor, símbolo
da proeminência; na China era o pilar solar, o centro do
mundo.

Todavia, desde a mais remota


Antiguidade, a estrela
hexagonal era o símbolo do
matrimônio perfeito, porque as
duas naturezas --- os dois
triângulos --- a masculina e a
feminina, interpenetram-se e se harmonizam, para
formar uma figura inteiramente nova (a estrela).
Todavia, apesar da perfeita interação, ambos os
princípios originais conservam a sua individualidade.
Como no matrimônio, ou conúbio: um macho e uma
fêmea, que se juntam, para criar uma nova figura (uma
nova vida), sem que cada um deles perca a sua
individualidade.

A Estrela Flamejante corresponde ao microcosmo


humano, ou seja, ao homem, considerado como um
mundo em miniatura, enquanto os dois triângulos
entrelaçados designam a estrela do macrocosmo, ou
seja, do mundo, em toda a sua infinita extensão.

Lavagnini escreve que a estrela de cinco pontas


simboliza a imagem de um homem, com as pernas e os
braços abertos, em correspondência com as quatro
pontas laterais, sendo a cabeça correspondente à ponta
superior, representando o equilíbrio ativo e a sua
capacidade de expressão. Desta forma, simboliza que o

30
Semiótica Maçônica

homem se acha no centro da vida e, com a sua


atividade, irradia de si mesmo a sua própria luz interior,
exatamente como se acha a estrela no espaço.
O nome de Estrela Flamejante foi dado, à Estrela de
Cinco Pontas, pelo teólogo, médico e alquimista
alemão, Enrique Cornélio Agrippa de Neteshein,
nascido em Colônia, no final do século XV e que
também se dedicava à magia, à alquimia e à cabala.

Na maçonaria, a Estrela Flamejante só foi introduzida


na metade do século XVIII, na França --- consta que a
iniciativa foi do barão de Tshoudy --- sendo um símbolo
totalmente desconhecido das organizações medievais de
ofício e dos primeiros maçons aceitos.

Esclareça-se que, no Craft inglês, a Estrela Flamejante


(Blazing Star) é a de seis pontas.

AS PIAS DE ÁGUA E FOGO

A Pia de água se encontra por detrás do 1º Vigilante, e


representa o Mar de Bronze, onde o iniciando deverá
mergulhar suas mãos. Sua simbologia é “a purificação
pela água”.

31
Aleks Mijic Estevam

A Pia de fogo se encontra por detrás do assento do


cobridor interno, junto à porta de entrada do templo,
pode ser substituída por uma pequena pira, onde o
iniciando passara suas mãos entre as chamas. Sua
simbologia é “a purificação pelo fogo”.

CRÂNIO COM DUAS TÍBIAS CRUZADAS

Este é um símbolo muito forte para os maçons, pois


representa o “fim do ser”, ou seja, que no final, somente
restarão os ossos. Que deste mundo, somente levaremos
nosso conhecimento e os atos praticados. Símbolo que
também se localiza no templo maçônico, e é utilizado
em determinados graus.

O PAINEL V.I.T.R.I.O.L.

32
Semiótica Maçônica

O primeiro contato, que um neófito tem com a


maçonaria, é na Câmara de Reflexões, onde ele encontra
este painel cheio de símbolos.

A palavra V.I.T.R.I.O.L significa: Visita Interiora


Terrae, Retificando, Invennies Occultum Lapidem, sua
tradução quer dizer : “Visita o interior da terra e,
retificando, encontrarás a Pedra Oculta”.

DESMEMBRANDO O PAINEL V.I.T.R.I.O.L.

I – O GALO

Símbolo de Vigilância e de Pureza, pois


seu canto simboliza o sagrado alvorecer
e a vitória das forças da luz sobre as
forças das trevas.

II – A AMPULHETA

Símbolo do tempo. Sua areia que nunca


para, simboliza ao maçom, que sua vida é
curta e deve aproveitar seu tempo para a
instrução, a família e a humanidade.

33
Aleks Mijic Estevam

III – O ENXOFRE

Simboliza o espírito do ser humano.

IV – O SAL MARINHO

Principio Neutro – Representa o corpo.

É o símbolo da mão estendida,


representando a hospitalidade. Os antigos
Greco-Romanos o simbolizavam pela
amizade, finura e limpeza da alma e da alegria. Seria
como se fosse algum dizer de boas vindas ao iniciante,
mostrando-lhe que ele será acolhido alegremente, com
todo o coração, e que ele há de se sentir em “sua casa”.

V – JARRO COM ÁGUA

A água representa o espírito humano


Como a água, o espírito humano deve ser
limpo e puro, livre de qualquer sujeira.
(vícios).

34
Semiótica Maçônica

VI – O CRÂNIO E A FOICE

O crânio simboliza a inteligência humana,


pois é nele que tudo fica guardado. Pode
também simbolizar a morte do ser.

A foice é o símbolo da destruição e da


morte, que pode vir, não escolhendo a classe social, pois
vem a todos os seres. Uma outra explicação é que ela
pode representar também o útero da mulher, que
também sem distinções de classes sociais podem dar
inicio ou até mesmo o fim de uma nova vida.

VII – O PÃO

O Pão simboliza o corpo humano, mas


também o alimento, pois sem ele nada
seriamos. Também pode ser
simbolizado como o alimento da alma.

Até este ponto, espero ter solucionado a algumas


dúvidas sobre os símbolos maçônicos e seus
significados. Posso dizer que estes símbolos são
considerados novos, pois já é de conhecimento de todos.
Só que durante minhas pesquisas, achei alguns símbolos
interessantes, e que infelizmente ainda não foram
devidamente traduzidos, pois foram catalogados por
arqueólogos portugueses, estes que não conheciam a
fundo a maçonaria e que a especulação fundamental, era
que se tratava de marcas deixadas por maçons
operativos ao final de cada construção.

35
Aleks Mijic Estevam

(Marcas maçônicas deixadas na parte exterior da


cisterna do Castelo do Conde A.de Raczynki)

(Marcas maçônicas deixadas na mesma cisterna, só que


na parte interior)

(Marcas maçônicas que se encontram nas muralhas e na


torre do mesmo Castelo)

Marcas maçônicas
que se encontram
espalhadas pelo
interior do mesmo
Castelo.

36
Semiótica Maçônica

Marcas maçônicas que


se encontram talhadas
nas paredes do exterior
da antiga Catedral de
Coimbra, datadas do
ano de 1.111 d.c.

Marcas Maçônicas que se


encontram talhadas no
interior da igreja de Santa
Maria do Olival, datadas
do ano de 1.146 d.c

Marcas Maçônicas que se


encontram talhadas no
interior da Sé do Porto,
datadas do ano de 1.146d.c

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Aleks Mijic Estevam

Marcas Maçônicas que


se encontram talhadas
nos arcos da Sé de
Lisboa, datadas do ano
de 1.170d.c.

Marcas maçônicas que se


encontram talhadas no
interior das muralhas do
Castelo de Moncorvo,
datadas do ano de 1.221 d.c.

Marcas Maçônicas que se


encontram talhadas no interior
do Palácio Real de Cintra,
datadas do ano de 1.411 d.c.

Finalizando este trabalho, explicarei com mais


profundidade os símbolos; Oroborus e o Selo de
Salomão, bem como a Egregora e o Ósculo, que tanto os
maçons comentam.

38
Semiótica Maçônica

O OROBORUS

Ele é um símbolo complexo que representa o masculino


e feminino e também a imortalidade na forma da cobra
comendo o seu próprio rabo.
O Oroborus, também chamado de Ouroborus,
Ourobolus ou Orobolus, é uma serpente engolindo a
própria cauda. A figura é uma das mais antigas e
universais da antiguidade, sendo encontrada desde os
tempos mais remotos, em culturas tão diversas quanto
distantes no tempo e no espaço, tanto que não há como
estabelecer sua data ou local de origem. Há
representações de Oroborus em figuras persas, maias,
egípcias, celtas, chinesas, nórdicas, gregas, medievais e
hindus.

Mesmo apresentando muitas variações de formato


(enrolado em oito, em círculo ou em oval) ou de animal
(serpentes com milhares de cabeças, homens com rabos
ou dragões alados), ou ainda sendo usado em conjunto
com outros símbolos místicos, o Oroborus sempre
manteve um significado singular em todas as culturas
em que esteve presente: o infinito, a imortalidade,
fertilidade a eternidade, o renascimento. Por

39
Aleks Mijic Estevam

conseguinte, era também associado à regeneração, às


fases lunares, à vida após a morte e também à totalidade
universal, com seus ciclos transformadores de
destruição e reconstrução.

Pesquisando profundamente a respeito, notei que, a


certo momento, e por perseguição religiosa, este
símbolo se “maquiou” em Guirlanda. Com isso, seus
adeptos não foram mais perseguidos pelos religiosos,
pois naquela época, esse símbolo era considerado
“demoníaco”.

ALGUMAS CULTURAS E SUAS APLICAÇÕES:

Egito

Símbolo Utilizado pelos sacerdotes durante as


cerimônias de mumificação, cura e fertilidade.

As mulheres da Alta-Classe Egípcia utilizavam o


Oroborus, em forma de uma fina jóia, sobre seus
ventres, buscando tanto a satisfação sexual, como a
fertilidade.

Durante os combates, os guerreiros o utilizavam em


busca de proteção divina e força.

Grécia

Símbolo relacionado aos Deuses Gregos, como Apolo,


Zeus e Demeter.

40
Semiótica Maçônica

Era também, em cerimonial, oferecido a Nirode,


Semirames e Tamuz, e representava as boas vindas a
esses Deuses.

Nas cerimônias de casamento, esse símbolo era portado,


pelas mulheres, em seu ventre, a fim de obter uma boa
fertilidade e saúde.

Viking

Acreditava-se que podia fazer milagres, dando


fertilidade a humanos e animais, curando pessoas e as
protegendo de bruxarias. O poder de ressuscitar as
pessoas.

O poder de ressurreição era levado em conta a história


da ressurreição de Balder, Deus do Sol.

A fertilidade era atribuída a Frigga, deusa do amor.

O Oroborus ou guirlanda era confeccionado em visgo.

Rússia

Símbolo utilizado em larga escala, na forma de


Guirlanda, durante os festejos de Solstício de Inverno,
onde as jovens moças colocam guirlandas de flores nas
águas dos rios, a fim de obter fertilidade, proteção e
sorte.

41
Aleks Mijic Estevam

Índia

Símbolo utilizado pelos curandeiros locais.

Uma vez colocado entre o pescoço de um homem, por


uma mulher, caracteriza a intenção de casamento.

Astecas

O Povo Asteca utilizava o Oroborus na sua forma


original, ou seja, uma cobra comendo seu próprio rabo.
Pois a religião assim o determinava.

O Oroborus era utilizando em dedicação a


Huitzilopochti – Deus da Guerra e do Sol – principal
guardião da metrópole de Tenochitlan, Quetzalcoatl –
Deus da Civilização e Aprendizado – Forças da
Natureza.

As jovens utilizavam esse símbolo, também sobre o


ventre, em busca de fertilidade.

Romano

Símbolo utilizado em estandartes, pelo exercito romano,


em busca da vitória, ressurreição e força dos deuses
durante os combates.

Este símbolo era posto nas portas ou batentes das casas,


desejando as visitas boa saúde e paz.

42
Semiótica Maçônica

Símbolo utilizado durante eventos sociais, visando a


fertilidade e o prazer
.
Bom, em busca da simbologia do Oroborus, podemos
ver que o símbolo sofreu uma tremenda alteração ao
passar dos anos.

Sabemos que na antiguidade, o poder da religião era


absolutista, impondo condições e regras estabelecidas,
simplesmente pelo desconhecimento do que chamavam
de sobrenaturais.

E na vontade de persistir com suas tradições, os povos


continuaram a utilizar seus símbolos, mas com pequenas
maquiagens e até mesmo com algumas explicações
simples.

O Oroborus sofreu esta transformação, de forma sutil.


Com o avanço do Cristianismo, era certo que as
influências pagãs se fixariam de alguma forma.

A explicação para a utilização da “guirlanda” vem da


coroa de espinhos, que posta por um soldado romano,
Cristo utilizou durante a crucificação.

A Igreja, mesmo não concordando em vários aspectos,


acabou por aceitar esta explicação e a aderir á
utilização, da “guirlanda”, em determinadas datas do
ano.

43
Aleks Mijic Estevam

O interessante, é que utilizamos esse símbolo em várias


ocasiões, e nem sempre tivemos esse conhecimento,
posso citar os seguintes exemplos;

Casamento – Arranjo floral feito no interior das igrejas

Funerais – Arranjo floral – Coroa de flores – que


geralmente é posto próximo ao caixão.

Nascimentos – Arranjo floral, enfeitando a residência.

Natal – Guirlanda na Porta da Casa, bem como na


decoração.

A Mutação de um símbolo através dos tempos é uma


coisa natural, pois o próprio ser humano, durante sua
evolução, sofre mutações.

Na atualidade o Oroborus é utilizado por Ordens ou


Seitas iniciáticas, com o sentido de mutação, força
astral, saúde, fertilidade e sexualidade.

A força deste símbolo vem da egrégora desejada, não


sendo ele, responsável pelo certo ou errado, lógico ou
ilógico, força ou fraqueza. É na egrégora, que vamos
obter os fundamentos desejados.

44
Semiótica Maçônica

O SELO DE SALOMÃO

O selo de Salomão, que no judaísmo é conhecido como


Maguen David (Escudo de David, em hebraico) é
composto por dois triângulos: Um com seu vértice para
cima, e o outro com o vértice para baixo. Sua origem - e
isso quase ninguém sabe - remonta à Índia, onde tem o
nome de Signo de Vishnu, que é o Deus mantenedor na
trindade Hindu. Era utilizado como amuleto contra o
mal, e esse significado se perpetuou como atestam os
nomes "selo" e "escudo" do Hebraico. No Kabbalah (ou
na Cabalá, como queiram) vemos que os dois triângulos
representam as dicotomias inerentes ao homem: o bem e
o mal, o espiritual e o físico. É mais um aspecto do
positivo/negativo que se unem, como no símbolo do
Yin/Yang.

O Maguen David também significa a Onipresença de


Deus. Suas seis pontas correspondem às direções do
microcosmo: norte, sul, leste, oeste, o céu e a terra.

O triângulo com a ponta para baixo representa tudo o


que desce; é o símbolo hermético da Água e da
Umidade. No mundo espiritual representa a ação da
Divindade sobre Suas Criaturas; no mundo físico
corresponde à corrente involutiva que parte do Sol,

45
Aleks Mijic Estevam

centro de nosso sistema planetário, até chegar ao Centro


da Terra.

Estes dois triângulos combinados expressam, não só a


Lei do Equilíbrio, como também a Lei da Atividade
Eterna de Deus e do Universo; representam o
movimento perpétuo, a Degeneração, e a Regeneração
incessantes pela Água e pelo Fogo; quer dizer, mediante
a Putrefação - termo usado antigamente, em lugar da
palavra mais cientifica de Fermentação.

EGRÉGORA

Termo grego significando envolvimento, clima


envolvente, estado de espirito resultante de fatores
externos e internos. Música, odor, misticismo em suma
a conjugação de diversos fatores criando no individuo
um estado emocional próprio, de fé,de contemplação,
etc.
Egrégora provém do grego "egrégoroi" e designa a força
gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e
mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem
com qualquer finalidade. Todos os agrupamentos
humanos possuem suas egrégoras características: todas
as empresas, clubes, religiões, famílias, partidos, etc.

Em miúdos, uma egrégora participa ativamente de


qualquer meio, físico ou abstrato. Quando a energia é
deliberadamente gerada, ela forma um padrão ou seja,
tem a têndência de se manter como está. No mais, as
egrégoras são "esferas" (concentrações) de energia
comum. Quando várias pessoas tem um mesmo objetivo

46
Semiótica Maçônica

comum, sua energia se agrupa e se "arranja" numa


egrégora. Esse é um conceito místico-filosófico com
vínculos muito próximos à teoria das formas-
pensamento todo pensamento e energia gerada têm
existencia, podendo circular livremente pelo cosmo.

Um exemplo de egrégora - tenhamos em mente um


hospital. O principal objetivo dos que ali estão é
promover a cura (independente de um êxito ou não) ou
serem curados, portanto, um hospital carrega consigo
uma "Egrégora de Cura". Aonde está essa egrégora? No
chão, nas paredes, no nome, nos frquentadores do
hospital, nos funcionários, pacientes e visitantes. Muitas
mentes voltadas para um único ojetivo, eis a
concentração de energia!

Seguindo essa teoria, se você deseja algo, deve


mentalizar calmamente seu objetivo (como se já
estivesse concretizado) com um período e frequência
estabelecidos, conforme suas possibilidades e seu senso
de disciplina.

Suponhamos que a fictícia Yoko está solteira há anos,


tendo apenas alguns casos superficiais e passageiros
nesse período. Ela não encontra um par ideal
simplesmente por que não estabeleceu o que quer. À
partir do momento que ela conseguir "idealizar" essa
pessoa, encontrá-la é mais fácil do que parece. Yoko,
diariamente, mentalizava seu desejo (ela feliz com seu
namorado, como ele seria, etc) pontualmente as 3 horas
da tarde. Realizou suas mentalizações por um tempo
considerável, de mais de três meses. Seus pensamentos

47
Aleks Mijic Estevam

criaram uma força capaz de atrair a pessoa certa, criram


em torno dela uma "Egrégora de Amor". Garanto que
Yoko conseguiu encontrar quem procurava.

Da mesma maneira, uma missa, um encontro de


algumas pessoas (ou muitas) voltadas para promover
um mesmo fim (a cura de alguém, o fim de um
problema, a superação de uma perda) tem um grande
poder de formação de egrégoras.

Uma casa que foi palco de cenas de um crime violento,


uma tragédia ou algo do tipo ficará maculada para
sempre com sua egrégora de dor, confusão e sofrimento.
Difícilmente um futuro morador daquela casa não sinta
as energias nefastas da egrégora local atrapalharem sua
vida. Egrégoras atraem energia semelhante. A tendência
para uma casa como essa é atrair mais crimes, perdas e
dor, eternamente. Mesmo que seja demolida, e
construída uma nova edificação sobre o local, ele estará
maculado. Apenas uma egrégora de luz, paz, amor e
harmonia mais forte que a anterior poderá anulá-la e
fazer retroceder seus efeitos danosos.

Por isso que têm coisas que parecem não mudar nunca.
Pessoas presas a suas vídas, seus problemas. Presas às
suas egrégoras negativas. Só atrairão energia
semelhante. Sua negatividade sempre aumenta.

Se assim considerar-mos, existem muitos locais


considerados sagrados no mundo. Certas matas,
montanhas, construções... o que elas têm em comum?
As pessoas acreditam ou acreditaram que elas eram

48
Semiótica Maçônica

sagradas, sobrenaturais, prodigiosas. Suas crenças


alimentaram a egrégora desse local, que passou a
adquirir essas características. Crer no sacro tornou-as
sagradas!

Uma egrégora que confere poder a um amuleto. Você


acredita que ele irá proteger-te. Ele adquire essa
propriedade protetora, pos cria uma "Egrégora de
Defesa".

Para alguns Ocultistas, uma egrégora pode tomar "vida


própria". Assim, uma "Egrégora Sacra" (de um local
sagrado) fará de tudo para manter sua sacralidade, nem
que tenha que liquidar as energias intrusas que
perturbam seu padrão energético. Assim, ela tomaria o
caminho de menor resistência para conseguir manter-se
intacta, seja ele qual for. Por isso, egrégoras podem ser
destrutivas e gerar problemas. Essa teoria é controversa,
e o parágrafo a seguir trata de explicá-la melhor.

"Egrégora é como um filho coletivo, produzido pela


interação "genética" das diferentes pessoas envolvidas.
Se não conhecermos o fenômeno, as egrégoras vão
sendo criadas a esmo e os seus criadores tornam-se logo
seus servos já que são induzidos a pensar e agir sempre
na direção dos vetores que caracterizaram a criação
dessas entidades gregárias. Serão tanto mais escravos
quanto menos conscientes estiverem do processo. Se
conhecermos sua existência e as leis naturais que as
regem, tornamo-nos senhores dessas forças colossais."

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Aleks Mijic Estevam

O ÓSCULO

Em nossas Lojas, muito se fala sobre o Ósculo ou


Osculum, mas para que possamos entender os seus
significados, devemos conhecer a sua história.

Os historiadores não sabem muito sobre a história


inicial do beijo. Quatro textos em Sânscrito Védico,
escritos na Índia por volta de 1500 a.C., parecem
descrever pessoas se beijando. Isso não significa que
ninguém tenha se beijado antes, nem que os indianos
tenham sido os primeiros a se beijar.

O poema épico indiano "Mahabharata" descreve o beijo


nos lábios como um sinal de afeto. O "Mahabharata" foi
transmitido oralmente por milhares de anos antes de ser
escrito e padronizado, em torno de 350 d.C. O texto
religioso indiano "Vatsyayana Kamasutram", ou o
"Kama Sutra", também descreve uma variedade de
beijos. Ele foi escrito no século VI d.C. Os antropólogos
que acreditam que o beijo é um comportamento
aprendido afirmam que os gregos souberam sobre ele
quando Alexandre, o Grande, invadiu a Índia em 326
a.C.

Os romanos costumavam usar o beijo para


cumprimentar amigos e familiares. Os cidadãos
beijavam a mão do Imperador e, naturalmente, as
pessoas beijavam seus parceiros. Os romanos tinham
três categorias para o beijo:

50
Semiótica Maçônica

• osculum era um beijo na bochecha

• basium era um beijo nos lábios

• savolium era um beijo profundo

Os romanos também iniciaram várias tradições


relacionadas ao beijo que perduram até hoje. Na Roma
antiga, os casais ficavam noivos beijando-se
apaixonadamente na frente de um grupo de pessoas.
Essa é, provavelmente, uma das razões pelas quais os
casais modernos se beijam ao final de cerimônias de
casamento.

Além disso, embora a maioria das pessoas pense que


somente cartas de amor são "seladas com um beijo", os
beijos foram utilizados para selar contratos jurídicos e
comerciais. Os antigos romanos também costumavam
beijar como parte de suas campanhas políticas.

O beijo também teve sua função nos primórdios da


Igreja Cristã. Os cristãos com freqüência se
cumprimentavam com um osculum pacis, ou beijo
sagrado. De acordo com essa tradição, o beijo sagrado
causava uma transferência de espírito entre as duas
pessoas que se beijavam. A maioria dos pesquisadores
acredita que o objetivo desse beijo era estabelecer
vínculos familiares entre os membros da igreja e
fortalecer a comunidade.

Até 1528, o beijo sagrado era parte da missa católica.


No século XIII, a Igreja Católica o substituiu por um

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Aleks Mijic Estevam

cumprimento de paz. A Reforma Protestante no século


XVI removeu totalmente o beijo da prática protestante.
Na verdade, o beijo sagrado não exercia uma função na
prática católica religiosa moderna, embora alguns
cristãos beijem símbolos religiosos, como o anel do
Papa, por exemplo.

O Ósculo na Bíblia

Na bíblia, o ósculo é sagrado:

Lucas 7:45 - Não me deste ósculo, mas esta, desde que


entrou, não tem cessado de me beijar os pés.

Romanos 16:16 - Saudai-vos uns aos outros com santo


ósculo. As igrejas de Cristo vos saúdam.

Coríntios 16:20 - Todos os irmãos vos saúdam. Saudai-


vos uns aos outros com ósculo santo.

Coríntios 13:12 - Saudai-vos uns aos outros com


ósculo santo. Todos os santos vos saúdam.

1ª Tessalonicences 5:26 - Saudai a todos os irmãos


com ósculo santo.

1ª Pedro 5:14 - Saudai-vos uns aos outros com ósculo


de amor. Paz seja com todos vós que estais em Cristo
Jesus. Amém.

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Semiótica Maçônica

Acredito que as explicações acima, devam ter sanado


várias dúvidas, sobre a origem dessa prática.

Devemos analisar que existe uma diferença significante,


quanto ao ósculo, pois ele pode ser de afeto e carinho,
quando dado de pais para filhos; entre pessoas que
tenham afeto mutuo; de amor e desejo; de falsidade.

Cada caso é um caso, mas que o ósculo esta embutido


em várias culturas á anos, disso não podemos negar. Na
Maçonaria, o ósculo é utilizado, na forma de um beijo
na face, e simboliza a união, carinho e respeito que
temos pelos outros.

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Aleks Mijic Estevam

Bibliografia consultada;

Jornal a Esphinge nº 4, Eliphas Levi, Outubro de 1899

Ritual do Aprendiz Maçom, Grande Loja do Estado de


São Paulo, 1.928

Portugal, Diccionario Histórico,Chorographico,


Biographico,Bibliographico, Heráldico,Numismático e
Artístico, Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, 1.908

Cartilha do Aprendiz, José Castellani, Editora Maçônica


“A Trolha”,2001

Tracy V. Wilson. "HowStuffWorks

Kamasutra

Bíblia Sagrada

Enciclopédia Maçônica, David Caparelli.

Wikipédia, Enciclopédia livre

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