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CURSO ON-LINE – DIREITO ADMINISTRATIVO – TRE/ES

PROFESSOR: ARMANDO MERCADANTE

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a 2 – 24 / 11 / 20 10)

Prezado(a) aluno(a),

Nesse segundo encontro será abordado o seguinte tema:

• Ato administrativo: conceito, requisitos, atributos, classificação e espécies.

Desejo-lhe uma ótima aula!

Armando Mercadante
mercadante@pontodosconcursos.com.br

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PONTO 3
Atos administrativos
Conceito
O Estado, na busca da satisfação dos interesses e das necessidades da coletividade,
utiliza-se de diversos instrumentos de exteriorização de vontade, dentre os quais estão
os atos administrativos1.

Contudo, antes de iniciarmos a análise dos elementos que compõe o conceito de ato
administrativo, é preciso saber que diversos critérios foram adotados ao longo dos
tempos para definir tal instituto, sendo certo que alguns já se encontram superados.

Trata-se de tema muito pouco cobrado em concurso público, mas por estar
relacionado ao conceito de atos administrativos não pode ficar de fora. Não podemos
ser surpreendidos na prova!

Dentre todos os critérios, dois serão abordados nessa aula:

• critério subjetivo

• critério objetivo.

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Você deve saber para a prova que os adeptos dessa corrente defendiam que são atos
administrativos apenas aqueles editados pelos órgãos administrativos, sendo estes
apenas os órgãos integrantes da estrutura do Poder Executivo.

Nessa linha de pensamento, um edital de concurso público promovido pela União para
preenchimento de cargos na Receita Federal é ato administrativo, pois referido órgão
integra o Poder Executivo; por outro lado, se o Tribunal de Justiça de Minas Gerais
promove concurso público, o edital de divulgação não será ato administrativo, pois tal
órgão não integra o Poder Executivo, mas sim o Poder Judiciário.

Nesse ponto reside a primeira crítica a esse critério, pois também existe função
administrativa nos Poderes Legislativo e Judiciário, como ocorre, por exemplo,
nas nomeações de servidores para preenchimento de cargos públicos, nas
concessões de aposentadorias, nas demissões e no próprio exemplo dado acima
(realização de concurso público).

Certamente você já estudou a clássica tripartição dos Poderes defendida pelo filósofo
francês Montesquieu.

De acordo com essa teoria, cada Poder do Estado exerce a sua função típica
conferida pela Constituição Federal (o Legislativo exerce função normativa, o
Executivo função administrativa e o Judiciário função jurisdicional). Todavia, a

1
Só destacando que nem todo ato jurídico praticado pela Administração Pública é qualificado como ato administrativo,
conforme será visto no decorrer dessa aula.

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Constituição permite, nas hipóteses nela expressamente previstas, que função
originariamente atribuída a determinado Poder seja executada por outro Poder de
forma atípica, como ocorre, por exemplo, na edição de medidas provisórias pelo Poder
Executivo, regulada pelo art. 62 da CF (nesse caso o Executivo estará legislando, que
é função típica do Legislativo) e no julgamento do Presidente da República por crime
de responsabilidade, que é de competência do Senado Federal, de acordo com o art.
86 também da Carta Magna (aqui o Legislativo exerce função do Judiciário).

Assim sendo, de acordo com esta linha de estudo, mesmo os atos praticados pelos
agentes públicos integrantes dos Poderes Legislativo e Judiciário que tenham
natureza administrativa não poderão ser considerados atos administrativos, o que
constitui flagrante equívoco.

Quanto à segunda crítica, sua origem está no fato de os defensores desse critério não
adotarem a distinção entre atos administrativos e atos da Administração, cuja
existência é pacífica no Direito Administrativo.

Ignoram a existência de atos praticados pelo Poder Executivo que não são
considerados atos administrativos.

A propósito, de acordo com a lição de Maria Sylvia Di Pietro2,

“pode-se dizer, em sentido amplo, que todo ato praticado no exercício da função
administrativa é ato da Administração. A expressão – ato da Administração – tem sentido
mais amplo do que a expressão ato administrativo, que abrange apenas determinada
categoria de atos praticados no exercício da função administrativa”.

De acordo com a respeitada administrativista, dentre os atos da Administração


incluem-se: atos de direito privado (doação, permuta, compra e venda, locação);
atos materiais3 (demolição de uma casa, apreensão de mercadorias); atos de
conhecimento, opinião, juízo ou valor (atestados, certidões, pareceres, votos);
contratos; atos normativos e atos administrativos propriamente ditos.

A autora, e no mesmo sentido, Celso Antônio Bandeira de Mello, ainda faz referência
aos atos políticos (José dos Santos Carvalho Filho discorda nesse ponto, por
considerar que o regime jurídico dos atos políticos é diverso, estando fora das linhas
dos atos da Administração: “estes emanam sempre da lei; são diretamente
subjacentes a esta. Aqueles alcançam maior liberdade de ação, e resultam de normas
constitucionais. O caráter governamental sobreleva ao administrativo”4).

Manifestando-se acerca deste critério, José dos Santos Carvalho Filho critica-o nos
seguintes termos: “alguns autores referem-se a conceito firmado com base em critério
subjetivo, que leva em consideração o órgão de onde se origina a vontade. O critério,
porém, com a devida vênia, não tem relevância, porque é indiscutível que o sujeito de
vontade é a Administração Pública ou quem lhe faça as vezes 5”.

2
DI PIETRO, Maria Sylvia. Direito Administrativo. 20ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 175.
3
São os fatos administrativos que oportunamente serão estudados.

4
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 18ª ed. R.J.: Lumen Juris, 2007. p. 90.
5
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 18ª ed. R.J.: Lumen Juris, 2007. p. 92.

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Portanto, no dia da sua prova, afaste o critério subjetivo para a conceituação dos atos
administrativos, considerando que o três Poderes exercem função administrativa e, por
consequência, editam atos administrativos.

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Já os adeptos dessa teoria defendem que ato administrativo é somente aquele


editado no desempenho concreto de função administrativa, independentemente
do Poder que a esteja desempenhando.

Indicam três características essenciais da função administrativa: é parcial, concreta


e subordinada. Grave essas características!

A parcialidade decorre do fato de o órgão que exerce a função administrativa ser


parte nas relações jurídicas que decide, o que a difere da função jurisdicional,
marcada pela imparcialidade. Como exemplo: a impugnação de um auto de infração
lavrado por agente fiscal da Receita Federal do Brasil será julgada pela própria
Receita Federal do Brasil, por meio de seus órgãos e de seus agentes. Significa que a
Receita Federal autua e ela mesma julga a defesa do contribuinte.

Quanto à concretude, diversamente das leis que possuem como características a


generalidade e abstração, a função administrativa é concreta, pois aplica a leis aos
casos concretos, como ocorre na nomeação ou demissão de um servidor; na
expedição de alvará para funcionamento de estabelecimento comercial.

Por fim, será subordinada6, pois os atos necessários para seu desempenho estão
sujeitos a controle jurisdicional de legalidade (controle do Poder Judiciário), o que os
diferenciam das sentenças, que são dotadas de definitividade (uma vez transitadas em
julgado, em regra não poderão ser objeto de questionamento judicial).

Por exemplo: se um servidor da Receita Federal expedir uma certidão positiva de


débitos, e o contribuinte questionar o conteúdo dessa certidão e ingressar em juízo
para demonstrar que faz jus à certidão negativa de débito, caso obtenha decisão
favorável, o ato administrativo (certidão) será anulado pelo Poder Judiciário, pois
maculado de ilegalidade.

(ESAF/CGU 2006/AFC/Auditoria e Fiscalização) O ato administrativo sujeita-se a


exame de legitimidade por órgão jurisdicional, por não apresentar caráter de
definitividade (adaptada) (correta).

Dessa forma, adotando-se esta teoria, conclui-se de forma acertada que os três
Poderes editam atos administrativos quando no desempenho de função
administrativa. Atenção, pois essa afirmação é questão de prova!!!

No caso do Poder Executivo, a execução dessa função já lhe é inerente, exercendo-a


de forma típica; já os demais Poderes exercem a função administrativa de forma

6
No sentido aqui colocado, os atos legislativos também são subordinados, pois são passíveis de questionamentos
judiciais no que se refere aos aspectos legalidade e constitucionalidade.

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atípica. Trata-se da aplicação da Teoria da Separação dos Poderes (ou Teoria da
Tripartição dos Poderes) comentada linhas acima.

Os doutrinadores da atualidade preferem esse critério ao subjetivo, porém, ainda


assim o consideram insuficiente, motivo pelo qual introduzem novos elementos ao
conceito na busca da identificação da definição ideal de ato administrativo em sentido
restrito.

Em que pese a diversidade de conceitos na doutrina, é possível sintetizá-los com a


seguinte definição:

Declaração unilateral da Administração Pública ou de quem lhe faça às vezes,


regida pelo regime jurídico de direito público (regime jurídico administrativo),
que produza efeitos jurídicos imediatos visando à satisfação do interesse
público.

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Adotando-se para os propósitos deste tópico o último conceito, seus elementos serão
separados e acompanhados de breves comentários:

I) “declaração”:

Alguns autores, ao formularem seus conceitos de atos administrativos, ao invés de


“declaração”, usam a expressão “manifestação”. Portanto, na sua prova, pode
aparecer no conceito de ato administrativo tanto a expressão “declaração unilateral”
como “manifestação unilateral”.

De qualquer forma, já chamo sua atenção para um detalhe importantíssimo: o silêncio


administrativo não é ato administrativo, mas sim fato administrativo, pois não há
declaração de vontade da Administração Pública.

Fique atento(a) para essa informação nas questões envolvendo atos administrativos.
Repito: SILÊNCIO ADMINISTRATIVO, apesar de produzir efeitos jurídicos, não é ato
administrativo!

(TJDF/Serviços Notariais/2009/CESPE) O silêncio administrativo não significa


ocorrência do ato administrativo ante a ausência da manifestação formal de vontade,
quando não há lei dispondo acerca das conseqüências jurídicas da omissão da
administração. (correta)

Um exemplo de silêncio administrativo consta do art. 66, §3°, CF, cujo conteúdo
prescreve que decorrido o prazo de 15 dias, o silêncio do Presidente da República
importará sanção do projeto de lei enviado para sua apreciação.

Observe que o silêncio do Presidente da República produzirá como efeitos jurídicos a


sanção do projeto de lei.

Algumas bancas cobram a diferença entre atos e fatos administrativos e é


importante você conhecê-las...

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Os fatos administrativos, que por si sós são desprovidos de conteúdo de Direito,
revelam-se como toda realização material da Administração que produzem
resultado jurídico relevante para o Direito Administrativo, podendo, inclusive,
gerar direitos para os particulares (ex. um médico do SUS – agente público - realiza
com imperícia uma cirurgia – fato administrativo – causando seqüelas ao paciente,
gerando para este o direito de pleitear a indenização cabível).

(CESPE/TITULAR DE SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO DO TJDFT/2000 -


adaptada) Nem todos os atos do Poder Executivo são atos administrativos; fatos da
administração podem gerar direitos para os particulares. (correta)

(PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPRS/2003) Todo ato jurídico praticado pela Administração


é ato administrativo. (errada)

Não se confundem com os atos administrativos, pois enquanto os fatos


administrativos são acontecimentos (realizações materiais da Administração, como,
por exemplo, a construção de um viaduto), em geral resultante de um ato
administrativo preexistente, aqueles se revelam manifestações (declarações) da
Administração. Para ilustrar: enquanto a apreensão de determinada mercadoria é fato
administrativo (acontecimento), o respectivo auto de apreensão é ato administrativo
(manifestação); enquanto a interdição de estabelecimento por falta de alvará de
funcionamento é fato administrativo, o respectivo auto de interdição é ato
administrativo.

Grave também para sua prova que os fatos administrativos não gozam dos
atributos dos atos administrativos (presunção de legitimidade e veracidade,
autoexecutoriedade, imperatividade e tipicidade), além de não estarem sujeitos à
anulação ou à revogação.

II) “Declaração unilateral”:

Sendo unilaterais os atos administrativos, para sua existência bastará a declaração


de vontade da Administração Pública.

A título de exemplo, um fiscal da vigilância sanitária que se depara com


estabelecimento comercial que não atende às normas regulamentares tem a
prerrogativa de lavrar auto de interdição, sendo indiferente para a existência deste ato
administrativo – o auto de interdição – a participação de qualquer representante da
empresa autuada

III) “da Administração Pública ou de quem lhe faça às vezes”:

Os sujeitos da manifestação de vontade são os agentes da Administração e os


particulares em exercício de função pública (investidos em prerrogativas
estatais).

(PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPRS/2003) Nem todo ato administrativo é praticado pela


Administração. (correta)

(ESAF/CGU 2006/AFC/AUDITORIA E FISCALIZAÇÃO) Provém do Estado ou de quem


esteja investido em prerrogativas estatais. (correta)

(FUNIVERSA/2009/PC-DFAgente de Polícia) A prática de atos administrativos está


exclusivamente afeta às pessoas jurídicas de direito público. (errada)
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(SEFAZ/AC/Auditor/2009/CESPE) Entidades privadas podem praticar atos


administrativos. (correta)

Consideram-se agentes da Administração todos aqueles que integrem a estrutura


funcional da Administração Direta (União7, Estados, Distrito Federal e Municípios) e
Indireta (autarquias8, fundações públicas9, empresas públicas10 e sociedades de
economia mista11).

É importante aqui recordar que não interferirá na caracterização do ato administrativo


saber de qual Poder faz parte o agente público, pois o essencial é identificar se o
mesmo está exercendo função administrativa. Em tese, todo e qualquer agente público
está apto a exercer função administrativa e, por conseqüência, praticar atos
administrativos, independentemente de qual Poder integre.

Já os particulares em exercício de função pública, apesar de editarem atos


administrativos, não integram a Administração Pública, pois não estão vinculados
funcionalmente às entidades integrantes da Administração Direta ou Indireta.

Dessa frase você pode extrair a conclusão que nem todo ato administrativo é
praticado pela Administração Pública.

Na realidade, esses particulares atuam por delegação concedida pelo Poder Público,
como ocorre, por exemplo, com as concessionárias e as permissionárias de
serviços públicos.

Vale a pena destacar que apenas os atos praticados pelos agentes dessas
entidades no exercício de função pública é que serão considerados atos
administrativos.

IV) “regida pelo regime jurídico de direito público ...”:

Outro ponto fundamental para a caracterização de um ato como administrativo diz


respeito à presença do regime jurídico de direito público (ou regime jurídico
administrativo).

(ESAF/CGU 2006/AFC/AUDITORIA E FISCALIZAÇÃO) É exercido no uso de


prerrogativas públicas, sob regência do Direito Público. (Gabarito: correta)

(UnB/CESPE/MMA/agente administrativo/2009) Todo ato praticado no exercício de


função administrativa é considerado ato administrativo. (errada)

7
Exemplos de agente público da União são os Fiscais da Receita Federal do Brasil e os agentes do Departamento da
Polícia Federal.
8
INSS, IBAMA e Banco Central do Brasil.
9
FUNAI e FUNASA.
10
Caixa Econômica Federal e Correios.
11
Banco do Brasil e Petrobrás.

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É crucial que o Poder Público, ao praticar um ato administrativo, coloque-se em
posição de supremacia perante o particular destinatário do ato, em clara posição de
verticalidade. A inexistência dessa superioridade estatal não permitirá a qualificação
do ato como administrativo, passando a ser considerado um ato privado da
Administração (espécie de ato da Administração).

Tome-se como exemplo um auto de apreensão de mercadorias, ato administrativo por


meio do qual o Poder Público impõe sua vontade diante do particular em
inquestionável demonstração de verticalidade na relação. Por outro lado, em caminho
diverso, cite-se uma compra e venda de um imóvel firmada entre União e um
particular. Aqui a relação caracterizar-se-á pela horizontalidade, em contradição à
verticalidade existente no ato administrativo, uma vez que a União não poderá impor a
sua vontade fixando unilateralmente, por exemplo, o valor da operação.

(PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPRS/2003) Todo ato jurídico praticado pela


Administração é ato administrativo. (Gabarito: errada)

(UNB/CESPE/MMA/AGENTE ADMINISTRATIVO/2009) Todo ato praticado no


exercício de função administrativa é considerado ato administrativo. (Gabarito:
errada)

Quanto a este tema, segue o magistério de Raquel Melo Urbano de Carvalho12:

“Com efeito, só é ato administrativo aquele que se rege por normas típicas do
regime jurídico de direito administrativo, o qual exorbita o direito comum. Atos
privados, realizados sem fundamento em prerrogativa especial ou restrição
específica de natureza pública, mesmo se originados no Estado, não se
qualificam como atos administrativos propriamente ditos.”

V) “que produza efeitos jurídicos imediatos”:

Para a caracterização do ato administração é imprescindível a produção de efeitos


jurídicos imediatos, retirando da definição diversos atos praticados pelo Poder Público
que serão classificados como atos da Administração, tais como as certidões (atos de
conhecimento) e os pareceres (atos de opinião).

(ESAF/CGU 2006 – AFC – Auditoria e Fiscalização) O ato administrativo trata-se de


declaração jurídica unilateral, mediante manifestação que produz efeitos de direito.
(adaptada) (correta)

É importante destacar que em diversos livros esses atos aparecem como exemplos de
atos administrativos enunciativos.

Portanto, numa prova, se a banca não levantar qualquer questionamento sobre o fato
dos atos citados serem ou não considerados “atos administrativos”, você pode se
posicionar que são atos administrativos enunciativos.

12
URBANO DE CARVALHO, Raquel Melo. Curso de Direito Administrativo. 1ª. ed. Salvador: Podivm. 2008. p. 357.

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VI) “visando à satisfação do interesse público”:

Todo ato administrativo praticado pela Administração Pública tem como fim mediato
atender aos interesses da coletividade (finalidade em sentido amplo), bem como o
resultado específico que o ato deve produzir (finalidade em sentido restrito).

O ato de demissão, por exemplo, tem como finalidade em sentido amplo atender aos
interesses da coletividade e em sentido restrito punir o servidor faltoso.

(PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPRS/2003) Atendendo o ato administrativo o interesse


público é irrelevante o cumprimento dos fins que a lei lhe destinou. (Gabarito: errada)

Analisado o conceito de ato administrativo, veja se possui alguma dúvida. Releia os


pontos que não foram bem fixados e em caso de dúvidas é só fazer contato por meio
do fórum disponibilizado pelo Ponto.

Requisitos (elementos)
Não adotarei nesse material a teoria que diferencia elementos dos requisitos dos atos
administrativos. Ambos serão tratados como expressões sinônimas, conforme leciona
a doutrina majoritária.

A Lei 4.717/65 (Lei da ação popular), em seu art. 2º, lista os elementos dos atos
administrativos:

• competência (sujeito)
• forma
• objeto (conteúdo)
• motivo (causa)
• finalidade

Parte da doutrina, em que pese a existência de grande divergência quanto ao tema,


prefere usar a expressão “requisitos” como sinônimo de “elementos”.
Para aqueles que sustentam a diferença das expressões, os elementos estão
ligados à existência do ato ao passo que os requisitos à sua validade.

Analisaremos agora cada um dos elementos com suas características...

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Maria Sylvia Di Pietro prefere fazer referência a “sujeito”. Para renomada autora,
“sujeito é aquele a quem a lei atribui competência para a prática do ato”13.

No Direito Administrativo, o agente, além de ter capacidade14 para praticar


determinado ato administrativo, deve ter também competência, sendo esta

13
DI PIETRO, Maria Sylvia. Direito Administrativo. 20ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 188.
14
Aptidão para ser titular de direitos e obrigações.

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conceituada como o conjunto de atribuições conferido pela lei às pessoas
jurídicas, órgãos e agentes públicos.

José dos Santos Carvalho Filho define competência como “o círculo definido por lei
dentro do qual podem os agentes exercer legitimamente sua atividade”15.

Já Hely Lopes Meirelles diz que “o poder atribuído ao agente da Administração


para o desempenho específico de suas funções”16.

Dentre as suas características, merecem destaque:

• decorre necessariamente de lei: apenas não se esqueça que a competência


também pode se originar da Constituição Federal;

(UnB/CESPE/PCES/agente da polícia civil/2009) A competência é requisito de validade


do ato administrativo e se constitui na exigência de que a autoridade, órgão ou entidade
administrativa que pratique o ato tenha recebido da lei a atribuição necessária para
praticá-lo. (correta)

• é inderrogável, seja pela vontade das partes ou da Administração: a competência


somente pode ser modificada por lei;

• é improrrogável: um órgão incompetente ao praticar determinado ato


administrativo não se torna competente para aquela prática;

• pode ser objeto de delegação e avocação: ressaltando que delegar e avocar não
significa transferir a competência, pois essa expressão – transferir – traz em si um
caráter de definitividade. Tanto delegação quanto avocação são temporárias e
serão estudadas mais adiante;

(JUIZ/TRT 9/2003) Para a prática do ato administrativo a competência é


condição primeira de sua validade. A competência administrativa é intransferível
e improrrogável pela vontade dos interessados. (correta)

• não pode ser alterada por acordo entre a Administração e os administrados


interessados: somente a lei pode alterar a competência;

• é imprescritível: o não exercício da competência pelo seu titular não implica em


sua extinção;

• é irrenunciável: o agente público não pode abdicar de sua competência;

(PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) Em regra, a competência administrativa é


renunciável. (errada)

• é elemento sempre vinculado.

15
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 18ª ed. R.J.: Lumen Juris, 2007. p. 97.

16
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 33ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 152.

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(ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/99) Com relação à competência administrativa,
não é correto afirmar:
a) é inderrogável, pela vontade da Administração
b) pode ser distribuída por critérios territoriais e hierárquicos
c) decorre necessariamente de lei
d) pode ser objeto de delegação e/ou avocação, desde que não exclusiva
e) pode ser alterada por acordo entre a Administração e os administrados
interessados

Outro ponto que deve ser estudado para a sua prova diz respeito aos critérios que
são levados em conta pelo legislador para a fixação da competência:

• matéria (exs. Ministério da Educação e Ministério do Meio Ambiente);

• hierarquia (a distribuição leva em conta o maior ou menor grau de complexidade e


responsabilidade);

• lugar (associado à descentralização territorial, como as delegacias regionais de


órgãos federais);

• tempo (no caso, por exemplo, de calamidade pública);

• fracionamento (distribuição por órgãos diversos nos casos de procedimentos e de


atos complexos).

(PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) A distribuição de competência na esfera


administrativa é fixada exclusivamente mediante a adoção de critérios relacionados à
matéria e ao território. (errada)

- Del
eleg
egação e avo
ação voca
caçã
ção
o de
de com
ompe
petê
tência
ncia

Quanto à delegação e à avocação de competência, é oportuna a reprodução dos


arts. 12 a 17 da Lei 9.784/99, com a inserção de destaques (negrito) nos pontos que
merecem a sua atenção:

Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento
legal17, delegar parte18 da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que
estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente19, em
razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.
Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à delegação de competência
dos órgãos colegiados aos respectivos presidentes.

(ESAF/PROCURADO DO BACEN/2002) É possível a delegação de competência de um


órgão administrativo a outro, ainda que este não lhe seja subordinado, desde que não
haja impedimento legal. Esta hipótese, legalmente prevista em nosso ordenamento
jurídico, pode ocorrer quando a delegação for conveniente em razão de certas
circunstâncias estabelecidas na norma. Assinale, no rol abaixo, entre as naturezas das

17
Demonstrando que a regra é a possibilidade de delegar.
18
Só se admite delegação parcial de competências.
19
Trata-se de ato discricionário, pois a norma faz referência à conveniência da delegação.

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circunstâncias que podem amparar tal procedimento, aquela não prevista na norma legal
para esta delegação de competência:
a) de ordem técnica
b) de ordem social
c) de ordem territorial
d) de ordem política
e) de ordem jurídica

Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:


I - a edição de atos de caráter normativo;
II - a decisão de recursos administrativos;
III - as matérias de competência exclusiva20 do órgão ou autoridade.

(Cespe/Técnico Judiciário/TST/2003) Apesar de a competência, um dos requisitos


essenciais do ato administrativo, ser irrenunciável, ela pode ser delegada ou avocada
nas situações que a lei permitir, sendo exercida pelos órgãos a que foi atribuída como
própria; entretanto, as decisões proferidas em sede de recursos administrativos não
podem ser delegadas. (correta)

(CESPE/ACE-TCU/2004) Em sendo o órgão colegiado competente para decidir sobre


recursos administrativos, ele poderá, por força de disposição legal, delegar essa
competência ao respectivo presidente. (errada)

(TRF1/Juiz/2009/CESPE) Ao delegar a edição de atos de caráter normativo, o


instrumento de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da
atuação do delegado, a duração e os objetivos da delegação, podendo conter ressalva
de exercício da atribuição delegada. (errada)

(PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) A competência administrativa pode ser objeto de


delegação, ainda quando esta competência tenha sido conferida por lei a determinado
órgão ou agente, com exclusividade. (errada)

(TRF1/Juiz/2009/CESPE) A autoridade administrativa superior, caso pretenda delegar a


decisão de recursos administrativos, deverá fazê-lo mediante portaria a ser publicada
no Diário Oficial da União, de modo a garantir o conhecimento da delegação aos
interessados, em consonância com o princípio da publicidade. (errada)

Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial.
§ 1º O ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da
atuação do delegado, a duração e os objetivos da delegação e o recurso cabível,
podendo conter ressalva de exercício da atribuição delegada.
§ 2º O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante.
§ 3º As decisões adotadas por delegação devem mencionar explicitamente esta
qualidade e considerar-se-ão editadas pelo delegado.

(SEFAZ/AC/Auditor/2009/CESPE) O ato praticado sob o manto da delegação é


considerado como praticado pela autoridade delegante. (errada)

Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes


21
devidamente justificados, a avocação temporária de competência atribuída a órgão
22
hierarquicamente inferior .

20
A competência privativa pode ser objeto de delegação.
21
A doutrina não admite a avocação de competência exclusiva.
22
Significando que o superior hierárquico é quem avoca a competência
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(UnB/CESPE/PCES/AGENTE DA POLÍCIA CIVIL/2009) Para que haja a avocação não


é necessária a presença de motivo relevante e justificativa prévia, pois esta decorre da
relação de hierarquia existente na administração pública. (errada)

(PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) De acordo com a legislação de regência, a


avocação de competência é admitida apenas em caráter temporário e por motivos
relevantes devidamente justificados. (correta)

Art. 16. Os órgãos e entidades administrativas divulgarão publicamente os locais das


respectivas sedes e, quando conveniente, a unidade fundacional competente em matéria
de interesse especial.

Art. 17. Inexistindo competência legal específica, o processo administrativo deverá


ser iniciado perante a autoridade de menor grau hierárquico para decidir.

(PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) Na hipótese de omissão do legislador quanto à


fixação de competência para a prática de determinados atos, a atuação administrativa
não é viável, já que nenhuma autoridade pode exercer competência que não lhe tenha
sido atribuída expressamente por lei. (errada)

Da leitura dos dispositivos acima, extrai-se que a delegação é regra, enquanto a


avocação constitui exceção.

(BACEN/Procurador/2009/CESPE) A delegação de competência, no âmbito federal,


somente é possível se assim determinar expressamente a lei. (errada)

Por isso é que órgãos administrativos e seus titulares podem, independentemente de


previsão legal expressa, delegar parte de sua competência a outros órgãos ou
titulares.

(CESPE/MIN. PÚBLICO DO TCU 2004) Um órgão administrativo e seu titular não


podem, sem previsão legal expressa, delegar parte de sua competência a outros órgãos
ou titulares. (errada)

Exemplo de delegação consta do art. 84, parágrafo único, da CF, que permite ao
Presidente da República delegar competências listadas no citado artigo (incisos VI, XII
e XXV, primeira parte) a Ministros de Estado, Procurador Geral da República e
Advogado Geral da União. Eis as competências delegáveis:

• dispor mediante decreto, sobre organização e funcionamento da administração


federal, quando não implicar aumento de despesas nem criação ou extinção de
órgãos públicos (VI, a), e extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos
(VI, b);
• conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, do órgãos
instituídos em lei (XII);
• prover cargos públicos federais, na forma da lei, entendendo o STF que a
competência para prover abrange a para desprover, sendo possível, portanto,
delegar competência para demitir (XXV, primeira parte).

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Não se admite no ordenamento jurídico pátrio a delegação de competências entre os
Poderes, salvo nos casos permitidos na própria Constituição, como, por exemplo, no
caso da lei delegada (art. 68, CF).

Da mesma forma, é vedada a delegação de atos de natureza política, como o poder


de tributar, a sanção e o veto de projetos de leis.

Hely Lopes Meirelles23 sustenta que a delegação não pode ser recusada pelo
subordinado quando originária de superior hierárquico, como também não pode
ser subdelegada sem expressa concordância do delegante.

Quanto ao exemplo de avocação, cite-se o art. 103-B, §4º, da CF, que prevê a
possibilidade de avocação pelo Conselho Nacional de Justiça de processos
disciplinares em curso, instaurados contra membros ou órgãos do Poder Judiciário.

(ESAF/TRF/2002-2) A avocação é um fenômeno, inerente ao poder hierárquico,


aplicável ao processo administrativo, pelo qual a autoridade pode em certos
casos, como assim previsto na Lei nº 9.784/99:
a) delegar competência a órgão inferior
b) rever decisão em instância recursal
c) exercer delegação de órgão superior
d) exercer competência atribuída a órgão inferior
e) rever suas próprias decisões

- Ví
Víci os de
cios de co
comp
mpet
etên
ênci
cia

Quando a regra da competência não é observada pelo agente público24, ou seja,


quando ele extrapola os limites de sua competência, o ato administrativo praticado
será eivado de ilegalidade, sendo passível de anulação pela própria Administração
Pública ou pelo Poder Judiciário.

É o que a doutrina denomina de abuso de poder25 na modalidade excesso de poder.

(ESAF/AFC/SFC/2000) O ato administrativo pode apresentar diversos vícios.


Tratando-se de vício relativo ao sujeito, temos que, quando o agente público
extrapola os limites de sua competência, ocorre:
a) desvio de poder b) função de fato c) excesso de poder
d) usurpação de função e) desvio de finalidade

(ESAF/TC RN 2000) A figura do excesso de poder classifica-se como vício em


relação ao seguinte elemento do ato administrativo
a) forma b) motivo c) finalidade d) competência e) objeto

Os outros vícios relacionados à competência são:

23
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 33ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 123.
24
Como exemplo, agente público que tem competência apenas para advertir seus subordinados, aplica
pena de suspensão.
25
O abuso de poder possui duas espécies: excesso de poder (vício de competência) ou desvio de
finalidade (vício de finalidade).

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• usurpação de função pública

• função de fato

Quanto a esses dois vícios, dê uma lida nos ensinamentos da mestre Di Pietro26:

“A usurpação de função é crime definido no artigo 328 do CP: “usurpar o exercício de


função pública”. Ocorre quando a pessoa que pratica o ato não foi por qualquer modo
investida no cargo, emprego ou função; ela se apossa, por conta própria, do exercício de
atribuições próprias de agente público, sem ter essa qualidade.
( ... )
A função de fato ocorre quando a pessoa que pratica o ato está irregularmente
investida no cargo, emprego ou função, mas a sua situação tem toda a aparência de
legalidade. Exemplos: falta de requisito legal para investidura, como certificado de
sanidade vencido; inexistência de formação universitária para função que a exige, idade
inferior ao mínimo legal; o mesmo ocorre quando o servidor está suspenso do cargo, ou
exerce funções depois de vencido o prazo de sua contratação, ou continua em exercício
após a idade-limite para a aposentadoria compulsória.

Ao contrário do ato praticado por usurpador de função, que a maioria dos autores
considera inexistente, o ato praticado por funcionário de fato é considerado válido,
precisamente pela aparência de legalidade de que se reveste; cuida-se de proteger a
boa-fé do administrado”.

A função de fato diz respeito aos atos praticados por “funcionários de fato”
(“agentes de fato”), que são aqueles irregularmente investidos na função pública
(ex: servidor que ingressou sem o obrigatório concurso público), mas cuja situação
tem aparência de legalidade.

Atribui-se validade aos seus atos sob o fundamento de que foram praticados
pela pessoa jurídica e com o propósito de proteger a boa-fé dos administrados.

Imaginem um servidor que foi nomeado sem concurso público e ao longo dos anos
praticou diversos atos. Há uma irregularidade em sua investidura (ausência de
concurso), o que, com base na teoria do órgão, não invalidará os seus atos se
praticados de acordo com o ordenamento jurídico, pois, conforme já dito, consideram-
se praticados pela pessoa jurídica a qual integra.

Por fim, é importante destacar que nas hipóteses de impedimento27 e suspeição28


previstas na Lei 9.784/99, não há vícios de competência, mas sim vícios de
capacidade do agente público.

26
DI PIETRO, Maria Sylvia. Direito Administrativo. 20ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 222.
27
Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que: I - tenha
interesse direto ou indireto na matéria; II - tenha participado ou venha a participar como perito,
testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e
afins até o terceiro grau; III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou
respectivo cônjuge ou companheiro.
28
Art. 20. Pode ser argüida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade íntima ou inimizade
notória com algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até
o terceiro grau.

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- For ma
orma

De acordo com Hely Lopes Meirelles, é “o revestimento exteriorizador do ato


administrativo”29.

Para José dos Santos Carvalho Filho “é o meio pelo qual se exterioriza a
vontade”30.

Enquanto no Direito Privado a liberdade de forma é a regra, no Direito Público é


a exceção.

Os atos administrativos, em regra, são formais, motivo pelo qual são escritos, em que
pese o ordenamento jurídico admitir a manifestação administrativa por meio de outros
meios, como gestos (ex. guardas de trânsito), palavras (ordens verbais de superiores
hierárquicos) ou sinais (placas de trânsito).

Sobre os atos administrativos não escritos, Hely Lopes Meirelles leciona que apenas
são admissíveis “em casos de urgência, de transitoriedade da manifestação da
vontade administrativa ou de irrelevância do assunto para a Administração”31.

A forma é classificada como elemento vinculado, em que pese existir na doutrina


moderna vozes sustentando que tal elemento não é sempre vinculado, como ocorre na
norma veiculada pelo art. 22 da Lei 9.784/99 preceituando que “os atos do processo
administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei
expressamente a exigir”.

Outro exemplo é o art. 6232 da Lei 8.666/90 que permite, nos casos nela previstos, a
substituição do instrumento de contrato por nota de empenho de despesa, autorização
de compra ou ordem de execução de serviço.

Importante também destacar que quando a lei determina que certa forma é essencial
para a validade do ato, a sua inobservância acarretará a anulação do ato
administrativo. Em caso contrário, em hipótese que a forma não seja essencial, e
diante de sua não observância, o ordenamento33 admite a convalidação do ato
administrativo.

29
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 33ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 152.
30
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 18ª ed. R.J.: Lumen Juris, 2007. p. 102.

31
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 33ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 154.
32
“O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de concorrência e de tomada de preços, bem como
nas dispensas e inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites destas duas
modalidades de licitação, e facultativo nos demais em que a Administração puder substituí-lo por outros
instrumentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra ou
ordem de execução de serviço.”
33
Art. 55, da Lei 9.784/99: “Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público
nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela
própria Administração”.

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Para encerrar este tópico, tenha atenção com a diferença existente entre forma do ato
(meio de exteriorização de vontade) e procedimento administrativo (seqüencia
ordenada de atos).

A existência de defeito em um ou outro é caracterizada como vício de forma, por isso a


omissão ou a observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à
validade do ato constituem vícios de forma.

(FJG/CONTROLADOR DE ARRECADAÇÃO/RIO DE JANEIRO/2002) O vício de


forma do ato administrativo, como definido no direito positivo brasileiro, consiste
na:
a) expedição de ordens verbais
b) lavratura de termos em instrumentos não padronizados
c) contratação de compras, obras ou serviços por meio de notas de empenho
d) omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades
indispensáveis à existência ou seriedade do ato

(TJ/RJ/Analista/2008/CESPE) A publicidade é elemento formativo do ato


administrativo, uma vez que, sem ela, o ato não chega a se formar e, por isso, não pode
gerar efeitos. (errada)

- Ob
Objjeto
eto

É o resultado imediato que o agente público produz com a prática do ato


administrativo.

Maria Sylvia Di Pietro ensina que objeto ou conteúdo “é o efeito jurídico imediato
que o ato produz”34.

Há autores que não aceitam a utilização das expressões “objeto” e “conteúdo” como
sinônimas. Dentre eles, segue magistério de Raquel Melo Urbano de Carvalho35,
adotando as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello:

“Entende-se que a noção de conteúdo distingue-se da idéia de objeto do ato


administrativo. O conteúdo é o que o ato prescreve. O objeto é a coisa ou a relação
jurídica sobre a qual recai o conteúdo. O conteúdo do ato de desapropriação é a
aquisição originária de um bem pelo Poder Público com a extinção da propriedade
alheia. É isso que o ato dispõe; aquisição pública e perda dominial daquele que sofre
a intervenção. O objeto é o bem sobre o qual o conteúdo (desapropriação) recai.
Assim, se um Município desapropria um prédio para construir uma escola (fundado
em utilidade pública), o conteúdo é a aquisição originária do imóvel pelo ente político
e o objeto é o prédio objeto da desapropriação”.

Se o ordenamento jurídico confere ao agente público apenas um comportamento, o


objeto será elemento vinculado.

Todavia, caso o agente tenha liberdade de escolha, o objeto será considerado


discricionário.

34
DI PIETRO, Maria Sylvia. Direito Administrativo. 20ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 191.
35
URBANO DE CARVALHO, Raquel Melo. Curso de Direito Administrativo. 1ª. ed. Salvador: Podivm. 2008. p. 360.

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Nos atos discricionários objeto e motivo formam o denominado mérito do ato
administrativo.

José dos Santos Carvalho Filho36 ilustrando esta lição, cita exemplo de objeto
vinculado a licença para exercer profissão, pois se o interessado preenche todos os
requisitos legais para o exercício da profissão em todo o território nacional, não pode o
agente público negá-la ou restringir o âmbito do exercício da profissão. Quanto ao
objeto discricionário, seu exemplo é de autorização para funcionamento de um circo
em praça pública, em que o ato pode fixar o limite máximo de horário em certas
circunstâncias, ainda que o interessado tenha formulado pedido de funcionamento em
horário além do que o ato veio a permitir.

Haverá vício de objeto quando o resultado perseguido pelo agente com a prática do
ato importar em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo.

(FJG/2002/CONTROLADOR DE ARRECADAÇÃO/PREF. RJ) O vício de objeto do ato


administrativo, como definido no direito positivo brasileiro, ocorre quando:
A) o interesse público a atender é mediato
B) o interesse público coincide com o interesse privado no conteúdo do ato
C) o administrador deixa de explicitar as razões e os fundamentos da decisão
D) o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato
normativo

(TJ/RJ/Analista/2008/CESPE) O governador do estado do Rio de Janeiro emitiu um


decreto, para fiel execução das leis, após aprovação de parecer da procuradoria-geral do
estado, disciplinando a lei X. No entanto, entendeu-se, após o mesmo gerar os efeitos
que dele se esperava, que o referido decreto, em alguns pontos, estaria ultrapassando
os limites legais, regulando matéria que não estava contida na lei X. Na situação
hipotética descrita no texto, o decreto emitido apresenta vício de
a) competência. b) objeto. c) finalidade. d) motivo. e) forma.

- Mo
Mottiv
ivo
o

Pressuposto de fato ou de direito que justifica a pratica do ato administrativo,


sendo que o pressuposto de fato corresponde ao acontecimento que levou a
Administração Pública a praticar o ato, enquanto o pressuposto de direito é o
dispositivo legal em que se baseia o ato.

É a matéria de fato ou de direito em que se fundamenta o ato administrativo,


sendo também denominado de causa.

Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo citam os seguintes exemplos de motivo: “na


concessão de licença paternidade, o motivo será sempre o nascimento do filho do
servidor; na punição do servidor, o motivo é a infração por ele cometida; na ordem
para demolição de um prédio, o motivo é o perigo que ele representa, em decorrência
de sua má conservação; no tombamento, o motivo é o valor histórico do bem; etc.”37.

36
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 18ª ed. R.J.: Lumen Juris, 2007. p. 102.
37
ALEXANDRINO, Marcelo. PAULO, Vicente. Direito Administrativo Descomplicado. 14ª ed. Niterói: Impetus. 2007. p. 341.

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Da mesma forma que o objeto, o motivo pode ser tanto elemento discricionário como
vinculado.

(PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) O motivo, considerado o pressuposto de fato que


antecede a prática do ato, somente pode ser vinculado. (errada)

Haverá vício de motivo quando a matéria de fato ou de direito em que se fundamenta


o ato for materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado
pretendido pelo agente público com a prática do ato.

(ESAF/MPOG/2002) Quando a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta


o ato administrativo é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao
resultado obtido, estamos diante de vício quanto ao seguinte elemento do ato
administrativo:
a) forma b) competência c)motivo d) objeto e) finalidade

(FJG/CONTROLADOR DE ARRECADAÇÃO/RIO DE JANEIRO/2002) O vício de


motivo do ato administrativo, como definido no direito positivo brasileiro, se
verifica quando:
a) a autoridade praticou o ato contrariamente ao parecer de órgão técnico
b) a relação custo-benefício proporcionada pelo ato for inferior ao resultado esperado
c) a autoridade avaliou incorretamente as circunstâncias determinantes da ação
administrativa
d) a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente
inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido

- Mo
Mottiiv
va

çã
ão
o

Não se deve confundir motivo com motivação. Esta é a explicação por escrito do
motivo, isto é, a exposição dos motivos que embasaram a prática do ato
administrativo.

(CESPE PROCURADOR INSS 1999) A motivação de um ato administrativo deve


contemplar a exposição dos motivos de fato e de direito, ou seja, a regra de direito
habilitante e os fatos em que o agente se estribou para decidir. (correta)

A motivação integra o elemento forma e está ligada ao princípio da publicidade.

A motivação pode ser prévia ou contemporânea (simultânea) à prática do ato.

O art. 50 da Lei 9.784/90 lista quais atos administrativos deverão conter motivação:

“Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos
fundamentos jurídicos, quando:
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
V - decidam recursos administrativos;
VI - decorram de reexame de ofício;
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de
pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais;
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.”

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Amparando-se nesse dispositivo legal, José dos Santos Carvalho Filho sustenta que
nem todos os atos administrativos dependem de motivação, só se podendo
“considerar a motivação obrigatória se houver norma legal expressa neste sentido” 38.

Contudo, Maria Sylvia Di Pietro39, discordando do citado mestre, sustenta posição


mais acertada, sendo a que você deve seguir na sua prova:

“Entendemos que a motivação é, em regra, necessária, seja para os atos vinculados,


seja para os atos discricionários, pois constitui garantia de legalidade que tanto diz
respeito ao interessado como à própria Administração Pública; a motivação é que
permite verificação, a qualquer momento, da legalidade do ato, até mesmo pelos demais
Poderes do Estado”.

Raquel Melo Urbano de Carvalho40 segue pelas mesmas trilhas de Di Pietro:

“Em face da Constituição de 1988, não remanesce a possibilidade de se falar em ato


administrativo desprovido de fundamentação. Na medida em que o contraditório e a
ampla defesa encontram-se erigidas como garantias no artigo 5º, LV, da Lei Maior,
inadmissível que a atuação administrativa surja desacompanhada das razões fáticas e
jurídicas que a justificaram, sob pena de, ausente a motivação, afigurar-se impossível o
exercício democrático das citadas garantias constitucionais”.

(CESPE/MIN. PÚBLICO DO TCU/2004) Todo ato administrativo exige motivação, sob


pena de invalidade, podendo esta ser declarada pela autoridade hierárquica superior.
(errada)

Nessa linha, a regra é a motivação dos atos administrativos, constituindo-se em


exceções as hipóteses em que a lei dispensar (ex. nomeação e exoneração de
servidores para cargos em comissão) ou quando a natureza do ato for com ela
incompatível (ex. placas de trânsito).

(PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPRS/2003) O ato administrativo vinculado dispensa a


motivação. (errada)

Por fim, uma expressão que você precisa conhecer: motivação aliunde. Trata-se da
motivação prevista no art. 50, §1º, da Lei 9.784/90 (trecho destacado):

“§ 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em


declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres,
informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do
ato.”

(ESAF/Analista MPU/2004) Um dos elementos essenciais à validade dos atos


administrativos é a motivação, que consiste na indicação dos seus pressupostos
fáticos e jurídicos, o que porém é preterível, naqueles que:
a) importem anulação ou revogação de outro anterior
b) dispensem ou declarem inexigível licitação
c) apliquem jurisprudência indicada em parecer adotado
d) importem ou agravem encargos ou sanções

38
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 18ª ed. R.J.: Lumen Juris, 2007. p. 105.

39
DI PIETRO, Maria Sylvia. Direito Administrativo. 20ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 196.
40
URBANO DE CARVALHO, Raquel Melo. Curso de Direito Administrativo. 1ª. ed. Salvador: Podivm. 2008. p. 379.

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e) neguem, limitem ou afetem direitos
(particularmente discordo dessa questão, pois considero que nesse caso houve sim
motivação, a denominada motivação aliunde)

- Teo
eori
ria
a dos
os mo
moti
tivo
vos
s deter
ermi
minantes
nantes

Por fim, associada ao motivo, apresenta-se a teoria dos motivos determinantes, por
meio da qual a validade do ato administrativo vincula-se aos motivos
apresentados com seu fundamento.

Dessa forma, se o agente indica um motivo falso ou inexistente será conseqüência


inevitável a nulidade do ato administrativo praticado.

(JUIZ/TRT 9/2003) Sobre a teoria dos "motivos determinantes", pode-se afirmar


que:
I - Quando os atos administrativos tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos
motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. (correta)
II - Havendo desconformidade entre os motivos determinantes e a realidade, o ato é
inválido. (correta)
III - Quando a Administração motiva o ato, mesmo que a lei não exija a motivação, ele
será válido mesmo se os motivos não forem verdadeiros. (errada)

(CESPE/SEJUS/ES/2009) O ato administrativo, quando motivado, somente é válido se


os motivos indicados forem verdadeiros, mesmo que, no caso, a lei não exija a
motivação.

- Fin
inal
alid
idad
ade

Todo ato administrativo praticado pela Administração Pública tem como fim mediato
atender aos interesses da coletividade (finalidade em sentido amplo), bem como o
resultado específico que o ato deve produzir (finalidade em sentido restrito).

(PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPRS/2003) Atendendo o ato administrativo o interesse


público é irrelevante o cumprimento dos fins que a lei lhe destinou.

(FJG/2005/AUXILIAR DE FISCAL/SMTU) O zelo da autoridade pelo fiel atendimento


ao interesse público corresponde ao seguinte elemento do ato administrativo:
A) forma B) objeto C) finalidade D) competência

É requisito que se vincula à noção de permanente e necessária satisfação do


interesse público.

(ESAF/TFC/SFC/2000) O requisito do ato administrativo que se vincula à noção de


permanente e necessária satisfação do interesse público é:
a) objeto b) finalidade c) competência d) motivo e) forma

(TÉCNICO DA RECEITA FEDERAL/05TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO/ESAF) Entre


os requisitos ou elementos essenciais à validade dos atos administrativos, o que
mais condiz, com o atendimento da observância do princípio fundamental da
impessoalidade, é o relativo à/ao
a) competência. b) forma. c) finalidade. d) motivação. e) objeto lícito.

A finalidade do ato administrativo é aquela que a lei indicada expressa ou


implicitamente.

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A sua inobservância acarreta o vício denominado desvio de finalidade (desvio de
poder), que constitui espécie de abuso de poder.

(ESAF/AGU/98) Um ato administrativo estará caracterizando desvio de poder, por


faltar-lhe o elemento relativo à finalidade de interesse público, quando quem o
praticou violou o princípio básico da
a) economicidade b) eficiência c) impessoalidade d) legalidade e) moralidade

Portanto, na remoção de servidor como forma de punição está presente o desvio de


finalidade, pois a lei não regula o instituto da remoção com este propósito, mas sim
como meio de atender a necessidade de serviço. Outros exemplos: desapropriação de
imóvel de desafeto político do prefeito municipal; aplicação de verba em educação
quando a lei determina a sua aplicação na área de saúde.

(ESAF/PFN/2003) A remoção de ofício de servidor público como punição por algum


ato por ele praticado caracteriza vício quanto ao seguinte elemento do ato
administrativo:
a) motivo b) forma c) finalidade d) objeto e) competência

(ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/99) Quando a autoridade remove servidor para


localidade remota, com o intuito de puni-lo,
a) incorre em desvio de poder
b) pratica ato disciplinar
c) age dentro de suas atribuições
d) não está obrigada a instaurar processo administrativo
e) utiliza-se do poder hierárquico

(AFRFB/2005/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/ESAF) Analise o seguinte ato


administrativo: O Governador do Estado Y baixa Decreto declarando um imóvel
urbano de utilidade pública, para fins de desapropriação, para a construção de
uma cadeia pública, por necessidade de vagas no sistema prisional. Identifique os
elementos desse ato, correlacionando as duas colunas.
1- Governador do Estado 2- Interesse Público 3- Decreto
4- Necessidade de vagas no sistema prisional 5- Declaração de utilidade pública
( ) finalidade ( ) forma ( ) motivo ( ) objeto ( ) competência
a) 4/3/5/2/1 b) 4/3/2/5/1 c) 2/3/4/5/1 d) 5/3/2/4/1 e) 2/3/5/4/1

(FJG/2005/AGENTE DE INSPEÇÃO/PREF. RJ) Se a autoridade competente declara de


utilidade pública, para fins de expropriação, fazenda de propriedade de inimigo político,
visando a afrontá-lo, embora invocado motivo de interesse público, caracteriza- se:
A) tredestinação
B) desvio de poder ou de finalidade
C) ato eivado de abuso de autoridade
D) exercício de poder político, imune de controle judicial

(PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) Se a administração pública pune um funcionário


pela prática de infração diversa da efetivamente cometida, ela incorre em vício quanto ao
motivo, razão pela qual, segundo a doutrina, a situação configura hipótese de
inexistência dos motivos. (errada)

Por fim, é importante destacar que Maria Sylvia Di Pietro leciona em seu livro “Direito
Administrativo” que a finalidade em sentido amplo “corresponde à consecução de um
resultado de interesse público”, sendo discricionária, “porque a lei se refere a ela
usando noções vagas e imprecisas, como ordem pública, moral segurança, bem-
estar”. Apresenta o seguinte exemplo: “a autorização para fazer reunião em praça
pública será outorgada segundo a autoridade competente entenda que ela possa ou
não ofender a ordem pública”; já em sentido restrito “corresponde ao resultado
específico que decorre, explícita ou implicitamente da lei, para cada ato
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administrativo”, sendo nesse caso vinculado, pois “para cada ato administrativo
previsto na lei, há um finalidade específica que não pode ser contrariada. Traz como
exemplo o fato de a finalidade da demissão ser sempre a de punir o infrator.

(TRF5/Juiz/2009/CESPE) Alguns doutrinadores entendem que o elemento finalidade do


ato administrativo pode ser discricionário. Isso porque a finalidade pode ser dividida
entre finalidade em sentido amplo, que se identifica com o interesse público de forma
geral, e finalidade em sentido estrito, que se encontra definida na própria norma que
regula o ato. Assim, a primeira seria discricionária e a segunda, vinculada. (correta)

Atributos

- Pre
resu
sunção de
nção de le
legi
giti
timi
mida
dade
de e ver
erac
acid
idad
ade

Uma vez editado o ato administrativo há presunção, até prova em contrário (daí
caracterizar-se como presunção relativa – presunção iuris tantum -, e não
presunção absoluta), de que o mesmo foi confeccionado de acordo com a lei e
de que os fatos nele indicados são verdadeiros.

(CESPE ATENDENTE JUDICIÁRIO TJBA 2003) O ato administrativo nulo pode produzir
seus efeitos enquanto não for declarada sua invalidade em razão da presunção de
legitimidade, atributo inerente a todos os atos administrativos.

(CESPE/PROCURADOR INSS 1999) Os atos administrativos são dotados de presunção


de legitimidade e veracidade, o que significa que há presunção relativa de que foram
emitidos com observância da lei e de que os fatos alegados pela administração são
verdadeiros. (correta)

(ESAF/AGU/98) O ato administrativo, a que falte um dos elementos essenciais de


validade,
a) é considerado inexistente, independente de qualquer decisão administrativa ou
judicial
b) goza da presunção de legalidade, até decisão em contrário
c) deve por isso ser revogado pela própria Administração
d) só pode ser anulado por decisão judicial
e) não pode ser anulado pela própria Administração

(FISCAL DE RENDAS/ISS/RIO DE JANEIRO/2002) A presunção de legitimidade e de


veracidade, com que nascem os atos administrativos, é de natureza:
a) absoluta e não admite prova que a desconstitua
b) relativa e admite prova em contrário que a desconstitua
c) excepcional, somente sendo afastável por lei específica
d) mista, dependendo a sua desconstituição do tipo de prova que a Administração
produza

(AFC/2003/2004/ESAF) A presunção de legalidade dos atos administrativos, dotados do


atributo de imperatividade, impõe-lhes a coercibilidade, mesmo sendo ilegais, enquanto
não invalidados. (correta)

(FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) O ato administrativo, em razão da supremacia


de poder pertinente à Administração Pública, é dotado da presunção jure et de jure de
legitimidade. (errada)

(FJG/2002/FISCAL DE TRIBUTOS/PREF. RJ) A presunção de legitimidade e de


veracidade, com que nascem os atos administrativos, é de natureza:
A) absoluta e não admite prova que a desconstitua
B) relativa e admite prova em contrário que a desconstitua
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C) excepcional, somente sendo afastável por lei específica
D) mista, dependendo a sua desconstituição do tipo de prova que a Administração
produza

(DPE/PI/Defensor/2009/CESPE) A prerrogativa inerente aos atos administrativos da


presunção de legitimidade é jure et de jure, motivo pelo qual não admite prova em
contrário. (errada)

Essa presunção decorre do princípio constitucional da legalidade (art. 37, CF), não
dependendo de lei expressa, pois deflui da própria natureza do ato, como ato
emanado de agente integrante da estrutura do Estado41.

Maria Sylvia Di Pietro42 lista três conseqüências desse atributo:

- enquanto não decretada a invalidade do ato pela própria Administração ou pelo


Judiciário, ele produzirá efeitos da mesma forma que o ato válido, devendo ser
cumprido43;

(FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Enquanto não for decretada a invalidade, o ato


administrativo nulo pode ser executado em razão da presunção de legitimidade. (correta)

- o Judiciário não pode apreciar de ofício (ex officio) a validade dos atos
administrativos;

- a presunção de veracidade inverte o ônus da prova, cabendo ao administrado


destinatário do ato provar a sua ilegalidade.

(ESAF/Contador Recife/2003) A inversão do ônus da prova, característica do direito


administrativo, relaciona-se com o seguinte atributo do ato administrativo:
a) imperatividade b) autoexecutoriedade c) presunção de legitimidade
d) exigibilidade e) coercibilidade

Pode-se acrescentar como conseqüências:

- possibilidade de a decisão administrativa ser executada imediatamente


(autoexecutoriedade);

- constitui o particular em obrigações unilateralmente, ou seja, independentemente de


sua concordância (imperatividade).

(ESAF/ Especialista em Pol. Públ. e Gest. Gov./ MPOG/2000) No âmbito do regime


jurídico-administrativo, a presunção de legitimidade dos atos da Administração
Pública não se caracteriza por:
a) classificar-se como presunção absoluta
b) admitir a execução imediata da decisão administrativa
c) ter o efeito de inverter o ônus da prova
d) criar obrigações para o particular, independentemente de sua aquiescência

41
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 18ª ed. R.J.: Lumen Juris, 2007. p. 111.

42
DI PIETRO, Maria Sylvia. Direito Administrativo. 20ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 184.
43
Hely Lopes Meirelles trata desta conseqüência da seguinte forma: “a presunção de legitimidade
autoriza a imediata execução ou operatividade dos atos administrativos, mesmo que argüidos de vícios ou
defeitos que os levem à invalidade”. (obra citada, p. 159)

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e) admitir prova em contrário

- Im
Imp
pe
erra
attiiv
viid
da
ad
de
e

Por esse atributo a Administração Pública impõe sua vontade aos administrados
independentemente da concordância destes. Ou seja, os administrados serão
constituídos unilateralmente em obrigações pela Administração.

(CESPE FISCAL INSS 2001) De acordo com a teoria dos motivos determinantes, é
lícito à administração pública impor um ato administrativo seu a terceiros,
independentemente da concordância do afetado. (errada)

(CESPE/PROCURADOR INSS 1999) Imperatividade é o atributo pelo qual os atos


administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua concordância.
(correta)

Decorre do poder extroverso do Estado, “que permite ao Poder Público editar


provimentos que vão além da esfera jurídica do sujeito emitente, ou seja, que
interferem na esfera jurídica de outras pessoas, constituindo-as unilateralmente em
obrigações”44.

(ESAF/AFRF/2003) O denominado poder extroverso do Estado ampara o seguinte


atributo do ato administrativo:
a) imperatividade b) presunção de legitimidade c) exigibilidade
d) tipicidade e) executoriedade

(FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) A autoexecutoriedade decorre do denominado


poder extroverso do Estado. (errada)

Tal atributo não está presente em todos os atos administrativos, mas tão somente
naqueles que impõe obrigações. Desta forma, inexiste, por exemplo, nos atos
enunciativos (certidões, atestados, pareceres) e nos negociais (licenças, permissões,
autorizações).

(FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Sendo seu atributo, todos os atos


administrativos têm imperatividade. (errada)

(FUNIVERSA/2009/PC-DF/Agente de Polícia) Classificados como atos administrativos,


os pareceres jurídicos, conforme recente decisão do Supremo Tribunal Federal, podem
ser alvo de mandado de segurança. (incorreta)

(DPE/PI/Defensor/2009/CESPE) A imperatividade é atributo inerente a todos os atos


administrativos. (errada)

Vale ressaltar que mesmo nos casos em que o ato administrativo esteja sendo
questionado administrativa ou judicialmente pelo particular, ainda assim o ato poderá
ser imposto imediatamente, salvo nas hipóteses de impugnação ou recurso
administrativo com efeito suspensivo ou decisão judicial que impeça a sua aplicação.

44
BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 23ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 403.

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- Aut
utoe
oexe
xecu
cuto
tori
ried
edad
ade
Por meio desse atributo o ato administrativo pode ser posto em execução
independentemente de manifestação do Poder Judiciário. Como exemplo, o agente da
fiscalização não depende de ordem judicial para interditar um estabelecimento
comercial que não possua alvará de funcionamento.

(FCC/ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO/DIREITO /SE/2009) A Administração


Pública pode editar atos administrativos e cumprir suas determinações sem
necessidade de oitiva ou autorização prévia do Poder Judiciário ou de qualquer
outra autoridade. Tem-se aí a definição de um dos atributos do ato administativo,
consistente na
a) inexorabilidade de seus efeitos.
b) inafastabilidade do controle jurisdicional.
c) presunção de legitimidade.
d) autoexecutoriedade.
e) insindicabilidade.

(FJG/2005/AUXILIAR DE FISCAL/SMTU) A possibilidade de o ato administrativo ser


imediatamente exigível sem a necessidade de intervenção do Poder Judiciário é
garantida pelo seguinte atributo:
A) tipicidade B) autoexecutoriedade
C) presunção de veracidade D) presunção de legitimidade

(TST/Analista/2008/CESPE) Em regra, os atos administrativos são auto-executáveis, o


que significa que eles têm força de título executivo extrajudicial. (errada)

Da mesma forma que os demais atributos do ato administrativo, a autoexecutoriedade


decorre do princípio da supremacia do interesse público, típico do regime jurídico
administrativo.

(CESPE/DEFENSOR PÚBLICO UNIÃO 2001) O atributo da autoexecutoriedade do ato


administrativo decorre do princípio da supremacia do interesse público, típico do regime
de direito administrativo. (correta)

(FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Os atributos de imperatividade e da


autoexecutoriedade confundem-se. (errada)

A autoexecutoriedade não está presente em todos os atos administrativos, como


ocorre na cobrança de multas resistida pelo particular (atentar para o fato de que a
aplicação da multa é auto-executória).

(FUNIVERSA/2009/PC-DF/Agente de Polícia) Como decorrência da prerrogativa da


autoexecutoriedade dos atos administrativos, tem-se que as ações do Estado como
demolição de obra, destruição de bens impróprios ao consumo e cobrança de multas
são auto-executáveis. (errada)

(DPE/ES/Defensor/2009/CESPE) A autoexecutoriedade é atributo presente em qualquer


ato administrativo. (errada)

(DPE/PI/Defensor/2009/CESPE) Nem todos os atos administrativos que impõem


obrigações possuem o atributo da executoriedade. (correta)

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Quanto à cobrança de multa, Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo45 apresentam
exceção, ou seja, situação em que a cobrança de multa será auto-executória. Trata-se
da hipótese prevista no art. 80, inciso III, da Lei 8.666/80, que permite à Administração
Pública reter da garantia oferecida pelo particular o valor equivalente à multa
administrativa devida por este pelo descumprimento do contrato administrativo.

Muito valiosa a lição da consagrada Maria Sylvia Di Pietro46 ao indicar as duas


hipóteses em que estará presente a autoexecutoriedade:

• quando expressamente prevista em lei;

• quando se tratar de medida urgente que, caso não adotada de imediato, possa
ocasionar prejuízo maior para o interesse público (nesse caso, a
autoexecutoriedade não estará prevista expressamente na lei).

(CESPE/MIN. PÚBLICO DO TCU/20004) A autoexecutoriedade, atributo inerente aos


atos administrativos, só não está presente quando vedada expressamente por lei.
(errada)

Com efeito, Celso Antônio Bandeira de Mello não adota a expressão


“autoexecutoriedade”, mas sim executoriedade e exigibilidade.

Conceitua executoriedade como “a qualidade pela qual o Poder Público pode compelir
materialmente o administrado, sem precisão de buscar previamente as vias judiciais,
ao cumprimento da obrigação que impôs e exigiu”47.

Quando à exigibilidade, assim se pronuncia: “é a qualidade em virtude da qual o


Estado, no exercício da função administrativa, pode exigir de terceiros o cumprimento,
a observância, das obrigações que impôs. Não se confunde com imperatividade, pois,
através dela, apenas se constitui uma dada situação, se impõe uma obrigação. A
exigibilidade é o atributo do ato pelo qual se impele à obediência, ao atendimento da
obrigação já imposta, sem necessidade de recorrer ao Judiciário para induzir o
administrado a observá-la”48.

A diferença entre executoriedade e exigibilidade consiste no fato de esta não garantir,


por si só, a possibilidade de coerção material, o que leva à conclusão de que há atos
dotados de exigibilidade, mas que não possuem executoriedade. No exemplo de Celso
Antônio Bandeira de Mello, a Administração pode exigir que o administrador comprove
estar quite com os impostos municipais relativamente a um imóvel para expedir o
alvará de construção, mas não pode obrigar o administrado, por meios próprios, a
pagar o imposto.

Quando a executoriedade está presente, a Administração pode compelir


materialmente o administrado, como o faz na apreensão de mercadorias, interdição de
estabelecimento comercial, dissolução de passeata e etc..

45
ALEXANDRINO, Marcelo. PAULO, Vicente. Direito Administrativo Descomplicado. 14ª ed. Niterói: Impetus. 2007. p. 354.
46
DI PIETRO, Maria Sylvia. Direito Administrativo. 20ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 185.
47
BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 23ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 403.
48
BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 23ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 403.

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- Tip
ipic
icid
idad
ade

É atributo corolário (consequência) do princípio da legalidade, significando que o ato


administrativo deve corresponder a figuras definidas previamente pela lei como aptas
à produção de efeitos. Para cada pretensão da Administração Pública há um ato
definido em lei, o que impede a prática de atos inominados.

Como exemplos: se o Poder Público vai realizar um concurso público precisa divulgá-
lo, a lei prevê a figura do edital como ato administrativo que atenda a esse objetivo; se
vai realizar um pregão, a lei prevê a utilização do aviso.

Classificação
Neste tópico será feita uma coletânea das principais classificações dos atos
administrativos, registrando-se que não há uniformidade entre os administrativistas
face à diversidade de critérios existentes.

Considero que a combinação dos diversos critérios tornou esse tópico bem extenso,
porém, garante a amplitude necessária ao propósito visado por este trabalho: a sua
aprovação no concurso.

As bancas surpreendem muito quando o tema é classificação, pois vez ou outra


cobram aquela que o candidato jurava que não fosse cair. Justamente por isso não
corro esse risco em minhas aulas... prefiro pecar por excesso.

- Qu
Qua
an
ntto
o ao
aos
s se
seu
us
s de
des
sttiin
na
attá
árriio
os
s

Gerais ou individuais

- Gerais: como exemplos, decretos, regulamentos, circulares e instruções


normativas. Também são denominados de regulamentares ou normativos.

São semelhantes às leis, pois se caracterizam pelo comando impessoal (também


chamado de generalidade - não se direcionam para destinatários determinados,
específicos, como ocorre com um decreto que desapropria uma fazenda, cujo
destinatário é o respectivo proprietário, mas sim para destinatários indeterminados e
indetermináveis) e abstrato (regula de forma abstrata as situações que sofrem a
incidência de seus comandos), o que os tornam revogáveis a qualquer momento pela
Administração (princípio da autotutela).

Conforme dito acima, tais atos não possuem destinatários determinados, mas
alcançam todos aqueles que se encontrem na mesma situação de fato regulada por
seus comandos.

Em sua obra, Hely Lopes Meirelles sustenta que “a característica dos atos gerais é
que eles prevalecem sobre os atos individuais, ainda que provindos da mesma

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autoridade. Assim, um decreto individual não pode contrariar um decreto geral ou
regulamentar em vigor. Isto porque o ato normativo tem preeminência sobre o ato
específico”49.

Quando de efeitos externos, dependem de publicação no órgão oficial para vigência e


produção de efeitos jurídicos50. Não existindo órgão oficial, podem ser divulgados por
jornal de circulação local. Também inexistindo imprensa escrita local, deverão ser
afixados na sede de órgão público (no prédio da Prefeitura, por exemplo).

- Individuais: como exemplos, licenças, autorizações, auto de apreensão de


mercadorias, nomeações, demissões e desapropriações.

São chamados por Hely Lopes Meirelles de especiais, sendo todos aqueles
direcionados para destinatários específicos, certos. Nada impede que alcancem
diversos sujeitos, desde que sejam individualizados.

Da mesma forma que os gerais, quando produzem efeitos externos devem ser
publicados na imprensa oficial, ou na imprensa local ou afixados na sede dos órgãos
públicos, conforme já explicado no item anterior.

Também podem ser revogados para atender ao interesse público, exceto se gerarem
direito adquirido, hipótese em que serão considerados irrevogáveis.

- Quan
Quantto
o ao
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alc
ca
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ce
e (ou si
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ua

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ão
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de te
terrc
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Internos e externos

- Internos: produzem seus efeitos apenas no interior da Administração Pública,


alcançando apenas seus agentes e seus órgãos, como ordens de serviço e portarias.

Hely Lopes Meirelles51 critica a utilização desses atos, pois corriqueiramente seus
efeitos são estendidos a terceiros estranhos à Administração Pública.

Como não produzem efeitos diretos sobre os administrados, não dependem de


publicação no órgão oficial para vigência e produção de efeitos.

Em regra, não geram direitos adquiridos, podendo, portanto, ser revogados a qualquer
tempo.

- Externos: são os que produzem efeitos sobre os administrados e os próprios


servidores, como as licenças, decretos, nomeações e admissões.

49
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 33ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 165.
50
Exemplo é o Decreto 6.690/08 que instituiu, no âmbito da Administração Pública federal direta,
autárquica e fundacional, o Programa de Prorrogação da Licença à Gestante e Adotante que regulamenta
o imposto de renda.
51
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 33ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 165.

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Obrigatoriamente devem ser devidamente publicados para produção de seus efeitos


jurídicos perante terceiros.

Hely Lopes Meirelles52 faz a seguinte observação:

“Consideram-se, ainda, atos externos todas as providências administrativas que, embora


não atingindo diretamente o administrado, devam produzir efeitos fora da repartição que
as adotou, como também as que onerem a defesa ou o patrimônio público, porque não
podem permanecer unicamente na intimidade da Administração, quando repercutem nos
interesses gerais da coletividade”.

- Qua
uan ntto ao obobjje
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pre
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ão
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jurí
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Império (ou de autoridade), gestão e expediente

Essa classificação amparou-se na teoria da personalidade dupla do Estado, que foi


construída no sec. XIX. Baseava-se no fato de que o Estado poderia atuar sob dois
regimes jurídicos distintos: o de direito público e o de direito privado, alterando-se sua
personalidade jurídica conforme atuasse num ou noutro regime. Essa teoria não é
mais adotada, pois é certo que a personalidade jurídica do Estado é única: pessoa
jurídica de direito público.

(ESAF/AFRFB/2005/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA) A classificação dos atos


administrativos em atos de império e atos de gestão ampara-se na teoria de
personalidade dupla do Estado.

- Império: a interdição de um estabelecimento comercial é um ato classificado com o


de império, pois nessa situação a Administração Pública age em posição de
supremacia diante do administrado, da mesma forma como ocorre numa
desapropriação e em apreensões de mercadorias. A relação será caracterizada pela
verticalidade, pois a vontade da Administração Pública será imposta coercitivamente.
São os típicos atos administrativos.

(FUNIVERSA - 2009 - ADASA - Advogado) Atos de império: são aqueles que a


Administração impõe coercitivamente aos administrados, não estando sujeitos a controle
judicial. (errada)

- Gestão: não são considerados atos administrativos quando estes recebem uma
conceituação restritiva, pois nos atos de gestão a Administração Pública não se coloca
em posição de supremacia diante do administrado. Diferentemente da relação vertical
existente nos atos de império, nos atos de gestão a relação será caracterizada pela
horizontalidade.

(FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Atos de gestão: são aqueles em que a


Administração utiliza sua supremacia sobre os particulares. (errada)

52
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 33ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 166.

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(DPE/PI/Defensor/2009/CESPE) Quando atua nos atos de gestão, sujeitos ao regime do
direito privado, a administração goza das prerrogativas do poder extroverso. (errada)

Na verdade, em que pese estarem aqui classificados como atos administrativos, são
atos da Administração, pois se igualam aos atos de Direito Privado.

Como exemplos: aluguel de um imóvel pertencente ao INSS, que é uma autarquia


federal, e compra e venda de imóvel formalizada pela União.

- Expediente: são atos sem caráter decisório, vinculado à rotina interna da


Administração Pública. Como exemplos: cadastramento de informações referentes a
administrados no banco de dados dos órgãos públicos e autuações (abertura de
“pastas” que correspondam a um processo) de requerimentos administrativos

- Qu
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ade admi
mini
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Simples, compostos e complexos

- Simples: é o que decorre da manifestação de vontade de um único órgão, seja


esse unipessoal (que atua e decide por meio de um único agente, como a Presidência
da República) ou colegiado (atua e decide por meio da vontade conjunta e majoritária
de seus membros, como o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda). O
número de pessoas que participa da formação do ato é indiferente, pois, o que
importa, é a vontade unitária externada pelo conjunto. São exemplos: decisão do
Conselho de Contribuintes acerca de recurso interposto por contribuinte e nomeação
de servidor pelo Chefe do Executivo

- Complexo: decorre da fusão de vontades autônomas de dois ou mais órgãos, sejam


estes unipessoais ou colegiados. O que importa é a combinação de vontades de
órgãos diferentes para formação de um único ato, pois referidos órgãos,
individualmente, não são suficientes para a constituição do ato.

(ESAF/AFRFB/2005/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA) Ato administrativo complexo é


aquele formado pela manifestação de dois órgãos, cujas vontades se juntam para formar
um só ato. (correta)

O que existe é apenas um ato administrativo e duas ou mais vontades de órgãos


diferentes.

Deve-se ter cuidado para não confundir ato complexo com procedimento
administrativo, uma vez que este é formado por um conjunto de atos independentes
preordenados a prática do ato final, como ocorre, por exemplo, numa licitação (existem
vários atos intermediários, como o edital, julgamento das propostas, homologação da
licitação e etc., e um ato final, que é a adjudicação do objeto licitado). No
procedimento administrativo cada ato intermediário pode ser impugnado
individualmente, o que não ocorre no ato complexo, pois apenas o ato em si poderá
ser atacado e não isoladamente as vontades que se fundem. Ou seja, para questionar
a validade de um ato administrativo complexo deve-se aguardar a sua formação.

Como exemplos: decreto assinado pelo Chefe do Executivo e referendado por Ministro
de Estado; nomeação dos Ministros do STF e do STJ que dependem da aprovação da
escolha pela maioria absoluta do Senado Federal (art. 101, parágrafo único, e art. 104,
115

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parágrafo único, da CF), concessão de aposentadorias, reformas e pensões (não se
aperfeiçoa enquanto não apreciado pelo Tribunal de Contas).

(ESAF/AGU/98) A nomeação de ministro do Superior Tribunal de Justiça, porque a


escolha está sujeita a uma lista tríplice e aprovação pelo Senado Federal, contando
assim com a participação de órgãos independentes entre si, configura a hipótese
específica de um ato administrativo
a) complexo b) composto c) bilateral d) discricionário e) multilateral

(PROCURADORIA GERAL DO ESTADO/MS/2001) - Sob a ótica dos atos


administrativos, pode se considerar o decreto assinado pelo Governador do
Estado e referendado pelo Secretário da respectiva pasta como sendo:
a) Ato vinculado.
b) Ato composto.
c) Ato complexo.
d) Ato condição.
e) Ato acessório.

(SEFAZ/AC/Auditor/2009/CESPE) O ato de aposentadoria dos servidores públicos é


considerado como ato composto, já que exige, para sua formação, manifestação de
vontade do órgão de origem do servidor e, depois, do tribunal de contas. (errada)

- Composto: decorre da vontade de um único órgão, porém só produzirá efeitos após


a prática de outro ato que o aprove. Este segundo ato pode ser aprovação,
autorização, ratificação, visto ou homologação.

(FUNIVERSA/2009/ADASA;Advogado) Atos compostos: são aqueles que resultam da


manifestação de dois ou mais diferentes órgãos. (errada)

(PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) Os atos administrativos que dependem de


aprovação, tais como o parecer e o laudo técnico, são classificados pela doutrina como
atos administrativos complexos. (errada)

Diferentemente do ato complexo, em que duas vontades autônomas se fundam, sendo


elas homogêneas, no composto existe a vontade principal e as demais são acessórias,
existindo tão somente para dar eficácia (produção de efeitos) ao ato principal.

Como exemplo: parecer de advogado público que depende da homologação de


autoridade superior para produzir seus regulares efeitos.

- Quan
Quantto
o à ex
exe
eq
qü biilliid
üiib dade
ade

Perfeito, imperfeito, pendente e consumado

- Perfeito: a perfeição está ligada à presença de todos os elementos do ato


administrativo (sujeito, forma, motivo, objeto e finalidade). Será perfeito o ato
administrativo que completou seu ciclo de formação.

Tome cuidado, pois o ato perfeito não necessariamente será válido, ou seja, produzido
de acordo com o ordenamento jurídico. O ato pode possuir seus cinco elementos,
sendo perfeito, porém possuir vício no seu elemento finalidade (desvio de finalidade).

(PROCURADORIA GERAL DO ESTADO/MS/2001) Um ato administrativo pode ser,


concomitantemente, válido e eficaz.

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(PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPRS/2003) O ato discricionário realizado por agente
incompetente não é inválido.

(PROCURADORIA GERAL DO ESTADO/MS/2001) – Determinado ato administrativo


que consumou o ciclo para a sua formação denomina-se _________. Em se
obedecendo as prescrições legais, com vistas à sua realização, este ato torna-se
________. Gerando efeitos, o mesmo ato configura-se como ________. Assinale a
alternativa que preenche corretamente os espaços em branco:
a) Válido, perfeito e eficaz. b) Perfeito, válido e ineficaz. c) Válido, eficaz e absoluto.
d) Perfeito, válido e eficaz. e) Eficaz, perfeito e válido.

- Imperfeito: diferentemente, o ato administrativo imperfeito é aquele cujo ciclo de


formação não se completou, não podendo produzir os seus efeitos. Como exemplo:
um ato administrativo sem assinatura ou ainda não publicado.

- Pendente: é aquele que, apesar de perfeito, depende, para produzir os seus


regulares efeitos, da ocorrência de um termo, que é evento futuro e certo (por
exemplo: a permissão de uso de box em mercado municipal concedida a determinado
comerciante passa a vigorar a partir de tal data. Esta data será o termo) ou condição,
que é evento futuro e incerto (em período de seca, Prefeito edita Decreto
determinando a suspensão do fornecimento de água caso a quantidade atinge
determinado limite no reservatório. Atingir o limite mínimo de água é um evento
incerto).

(ESAF/PROCURADOR DO BACEN/2002) Tratando-se de ato administrativo,


correlacione as duas colunas:
1 - Ato administrativo imperfeito
2 - Ato administrativo pendente
3 - Ato administrativo consumado
4 - Ato administrativo válido
( ) O ato que está sujeito a termo ou condição para produzir os seus efeitos.
( ) O ato que não pode produzir efeitos porque não concluiu seu ciclo de formação.
( ) O ato que está de conformidade com a lei.
( ) O ato que já exauriu os seus efeitos.
a) 2/1/3/4 b) 1/2/4/3 c) 2/1/4/3 d) 1/2/3/4 e) 1/3/2/4

- Consumado (exaurido): é o ato que já produziu seus efeitos. Ex.: ato administrativo
que autoriza o uso de rua por uma noite para realização de determinada festa. Após o
particular ter utilizado o bem, os efeitos do ato administrativo se exauriram.

- Quant
Quanto
o ao
aos
s ef
efe
eiitto
os
s (o
(ou
u co
con
ntte

úd
do
o))

Constitutivo, desconstitutivo (extintivo), declaratório e enunciativo

- Constitutivo: é aquele por meio do qual a Administração Pública cria um direito,


dever ou uma nova situação jurídica para o administrado. Exemplos: nomeações de
servidores, licenças (uma licença para edificar, por ex.) e sanções (advertência). É
importante destacar que não há inovação no ordenamento jurídico por parte da
Administração, mas apenas concessão de um direito previsto em lei. Não se esqueça
do princípio da legalidade!

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- Desconstitutivo (extintivo)53: é aquele por meio do qual a Administração põe fim a
situações jurídicas existentes. Exemplos: demissão de servidor, cassação de
aposentadoria e cassação de licença.

- Declaratório: por este ato a Administração Pública apenas reconhece uma situação
de direito ou de fato já existente. Exemplos: certidões (ex, certidão de tempo de
serviço), homologações (homologação de licitação) e declarações (declaração de que
determinado imóvel corre risco de desabamento).

(FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Atos declaratórios: são aqueles em que a


Administração apenas reconhece uma situação preexistente, visando a preservar o
direito do administrado. (correta)

- Enunciativo: indicam juízos de valores. Exemplo: pareceres.

(FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Atos enunciativos: são aqueles que modificam


ou extinguem um direito do administrado. (errada)

- Modificativo: são atos que permite à Administração Pública modificar uma situação
preexistente, sem extinguir direitos ou obrigações Exemplos: alteração de horários de
funcionamento de órgãos públicos e mudança de local de reunião.

- Alienativo: é aquele que promove a transferência de direitos de um titular para outro.


Exemplo: decreto que transfere bens da União para o INSS.

- Abdicativo: por meio deste ato o titular renuncia a um direito. Exemplo: parecer de
advogado público renunciado a honorários advocatícios.

- Quan
Quantto
o à na
nattu
urre
ez
za
a da
da at
atiiv
viid
da
ad
de
e

Atos de administração ativa, atos de administração consultiva, atos de


administração controladora ou atos de controle, atos de administração
verificadora, atos de administração contenciosa

- Atos de administração ativa: são aqueles utilizados pela Administração Pública


para constituir uma situação jurídica. Exemplos: licenças (licença para exercer
atividade profissional), nomeações, autorizações (autorização para exploração de
jazida mineral), concessões (concessão de serviços de telefonia) e declarações de
utilidade pública (o Executivo declara determinado imóvel de utilidade pública para
desapropriá-lo).

53
Autores com Celso Antônio Bandeira de Mello e Maria Sylvia Di Pietro não consideram essa
classificação dos atos em desconstitutivos, pois entendem que a extinção ou modificação de um direito ou
situação jurídica correspondem aos atos constitutivos. Ou seja, fundem os conceitos apresentados para
os atos constitutivos, modificativos e desconstitutivos em um só, classificando-os como constitutivos.

118

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- Atos de administração consultiva: servem de suporte para os atos de
administração ativa, pois visam fornecer informações e sugerir providências quando da
prática daqueles atos. Exemplo: pareceres.

- Atos de administração controladora ou atos de controle: exercem controle prévio


ou posterior sobre os atos de administração ativa, analisando-os sob os aspectos da
legalidade e conveniência/oportunidade. Exemplos: homologações e aprovações.

- Atos de administração verificadora: têm como objetivo apurar (verificar se


determinado servidor está doente) ou documentar a existência de determinada
situação de direito ou de fato (inscrições, registros e certificações).

- Atos de administração contenciosa: relacionados ao julgamento de processos


administrativos.

- Quanto
Quanto à es
esttru
ruttu
ura
ra do
do at
ato
o

Concretos e abstratos

- Concretos: têm aplicação em um determinado caso, esgotando-se após sua


aplicação. Exemplo: demissão de servidor público.

- Abstratos: não se direciona a um caso específico, pois são aplicados todas as vezes
que a situação neles previstas ocorre na prática. Alcançam um número indeterminado
de destinatários. Ex.: decreto que regula a cobrança de determinado imposto.

- Quan
Quantto
o à ex
exe
ec
cu
utto ed
orriiedade
ade

Autoexecutórios e não autoexecutórios.

- Autoexecutórios: são aqueles que podem ser executados pela Administração


Pública independentemente de ordem judicial. Exemplos: a grande maioria dos atos
administrativos, tais como apreensões de mercadorias; aplicação de multas;
interdições de estabelecimento comerciais; nomeação, exoneração e demissões de
servidores; circulares, portarias e instruções.

- Não autoexecutórios: dependem da manifestação do Poder Judiciário para serem


executados. Constituem exceções, como ocorre com a cobrança de valores pela
Administração Pública. Como exemplos: a cobrança de multas54 e dos créditos
tributários. Se o administrado resistir à cobrança de multa de trânsito ou do imposto de
renda, a Administração Pública deverá ajuizar a ação competente.

54
Atentar para o fato de que a aplicação da multa é autoexecutório, ao passo que a cobrança da multa
não.
119

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- Quanto aos resultados sobre a esfera jurídica dos administrados

Atos ampliativos e restritivos.

- Ampliativos: são aqueles que ampliam a esfera de direitos dos destinatários.


Exemplos: admissões, licenças, autorizações, concessões e permissões.

- Restritivos: são aqueles que restringem a esfera de direitos dos destinatários ou


lhes impõe deveres ou sanções. Exemplos: demissão e suspensão de servidores,
cassação de licenças e de concessões, proibições.

- Quanto à natureza das situações jurídica que criam55

Atos-regra, atos subjetivos e atos-condição.

Esta classificação foi elaborada por um jurista francês denominado Leon Duguit.
Nessa classificação os atos-regras e os atos condição estão nos extremos, ao passo
que os atos-condição em posição intermediária, posicionando-se entre os outros dois.

- Atos-regra: por meio desses atos a Administração Pública cria situações jurídicas
gerais, abstratas e impessoais, que podem a qualquer tempo ser modificadas, como
ocorre com as leis, regulamentos, regimentos e estatutos. Alguns atos-regra, para
serem aplicados, dependem de uma terceira categoria de atos: os atos-condição.

- Atos subjetivos: estes são caracterizados pela individualidade e subjetividade, pois


criam situações jurídicas concretas e pessoais, como ocorre nos contratos. As regras
neles traçadas aplicam-se apenas às partes envolvidas.

- Atos-condição: servirão como uma ponte entre o ato-regra e o indivíduo. São


aqueles praticados quando alguém se vincula a uma situação jurídica
preestabelecida pelos atos regras, sujeitando-se a alterações unilaterais. Exemplos:
aceitação de cargo público.

(ESAF/AFRFB/2005/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA) Ato-regra é aquele pelo qual


alguém se vincula a uma situação jurídica pré-estabelecida, sujeita a alterações
unilaterais. (errada)

Hely Lopes Meirelles56 apresenta uma definição diferente, conceituando como “todo
aquele que se antepõe a outro para permitir a sua realização”. Cita como exemplo o
concurso que é ato-condição para nomeação e a concorrência que é ato-condição
para os contratos administrativos.

55
Trata-se de classificação dos atos jurídicos em geral e não apenas de atos administrativos, mas já foi
objeto de questões de concursos público.
56
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 33ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 178.

120

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- Quanto à retratabilidade

Revogáveis ou irrevogáveis

- Revogáveis: são aqueles que podem ser extintos pela Administração Pública com
base em critérios exclusivamente administrativos, quais sejam, oportunidade e
conveniência. Exemplo: revogação de autorização que possibilitava o fechamento de
rua para realização de festa junina.

- Irrevogáveis: não podem ser retirados no mundo jurídico por critérios


administrativos, como ocorre com licença concedida para exercer profissão, que se
classifica como ato vinculado. Quando estudarmos mais adiante revogação,
apresentarei outros atos que não são passíveis de revogação.

Finalmente!!! Ufa! Estudar classificação é cansativo, mas é necessário. Quem


pretende obter aprovação em concurso público não pode se contentar com apenas as
principais classificações, pois se na prova cai uma que você não estudou lá se vão
100 posições por conta de uma questão. Prefiro pecar pelo excesso...

Dê uma parada agora para organizar sua cabeça, dar uma descansada. Respire fundo
e daqui a pouco retorne nessa última classificação de atos administrativos que
mereceu um lugar de destaque no material: atos vinculados e discricionários.

Vinc
Vincul
ula

çã
ão
o e di
dis
sc
crriic
ciio
on
na
arriie
ed
da
ad
de
e

Quanto ao regramento ou grau de liberdade da Administração os atos administrativos


são classificados como:

- Vinculado:

É também denominado de regrado. Está presente quando a lei regula todos os


aspectos da atuação estatal. Ou seja, diante de determinada situação, o agente
publico não terá opções em sua conduta, pois a lei já regulou exaustivamente a prática
do ato. Simplesmente executará o ato de acordo com o único possível comportamento
definido na legislação.

(CESPE/FISCAL INSS/97) Caso exista norma jurídica válida, prevendo que o atraso no
recolhimento de contribuição previdenciária enseja multa de 5% calculada sobre o valor
devido, a aplicação desse dispositivo legal será definida como atividade discricionária.
(Gabarito: errada)

(ESAF/AFC/STN/2008) O ato administrativo será discricionário quando a lei não deixar


margem de liberdade para a atuação do administrador e fixar a sua única maneira de
agir diante do preenchimento de determinados requisitos. (Gabarito: errada)

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Como exemplo, qualquer espécie de aposentadoria57 para servidor público, pois, se o
interessado preencheu os requisitos legais, a autoridade competente fica obrigada a
deferir o pedido. Diante desse pedido, a autoridade não terá opções, pois a lei regrou
completamente o seu modo de atuar.

Outros exemplos: licença para exercer profissão regulamentada; licença para


funcionamento de estabelecimento comercial; licença de servidor civil federal
para exercer atividade política (Lei 8.112/90, art. 81, IV); remoção de servidor civil
federal para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público
civil ou militar, que foi deslocado no interesse da Administração (Lei 8.112/90,
art. 36, III, a) e exoneração de servidor em estágio probatório.

- Discricionário:

Diferentemente do que ocorre no ato vinculado, no discricionário, em que pese o


agente público também estar adstrito à lei, esta não regula inteiramente a atuação
estatal, deixando certa margem de liberdade para decisão diante do caso
concreto.

(ESAF/ANALISTA EM PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E FINANÇAS


PÚBLICAS/2009) Ato administrativo discricionário é aquele em que a lei não deixou
opções, estabelecendo que, diante de determinados requisitos, a Administração deve
agir de tal ou qual forma. (Gabarito: errada)

(FCC/TRT16/ANAL. JUD/EXECUÇÃO DE MANDADOS/2009) Quando se fala em ato


administrativo discricionário, quer dizer que a lei deixa certa margem de liberdade de
decisão para a autoridade, diante do caso concreto, de forma que ela poderá optar por
uma dentre várias soluções possíveis. (Gabarito: correta)

(CESPE/AFCE/TCU/1998) O poder discricionário de que o poder público é


eventualmente titular decorre da ausência de lei disciplinando sua atuação. (Gabarito:
errada)

(ESAF/TÉCNICO/RECEITA/2005) O ato administrativo, – para cuja prática a


Administração desfruta de uma certa margem de liberdade, porque exige do
administrador, por força da maneira como a lei regulou a matéria, que sofresse as
circunstâncias concretas do caso, de tal modo a ser inevitável uma apreciação subjetiva
sua, quanto à melhor maneira de proceder, para dar correto atendimento à finalidade
legal, – classifica-se como sendo
a) complexo. b) de império. c) de gestão. d) vinculado. e) discricionário.

A escolha do agente público, que se pautará em critérios de conveniência e de


oportunidade, deverá ser aquela que propicie melhores resultados para o interesse
público.

(ESAF/AFRF/2001) Em relação à discricionariedade, tem por fundamento o binômio


“conveniência e oportunidade“ (Gabarito: correta)

57
A CF/88 prevê três espécies de aposentadoria para servidores públicos: compulsória aos 70 anos de
idade, por invalidez permanente e voluntária (art. 40, §1º).

122

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(ESAF/AGU/98) Quando a valoração da conveniência e oportunidade fica ao talante
da Administração, para decidir sobre a prática de determinado ato, isto
consubstancia na sua essência
a) a sua eficácia b) a sua executoriedade c) a sua motivação
d) o poder vinculado e) o mérito administrativo

O mérito é justamente o aspecto do ato administrativo que diz respeito à conveniência


e oportunidade de sua prática, estando presente apenas nos atos discricionários.

(ESAF/TRF/2002-2) O mérito é aspecto do ato administrativo que, particularmente,


diz respeito à (ao):
a) conveniência de sua prática b) sua forma legal c) sua motivação fática
d) princípio da legalidade e) poder vinculado

(AFRFB/2005/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/ESAF) Motivo e objeto formam o


denominado mérito do ato administrativo. (correta)

Portanto, a discricionariedade administrativa decorre da possibilidade legal de o


agente público poder escolher entre mais de um comportamento, desde que
analisados os aspectos de conveniência e oportunidade.

(FCC/TRT16/ANAL. JUD/EXECUÇÃO DE MANDADOS/2009) Quando se fala em ato


administrativo discricionário, quer dizer que na parte referente à conveniência, a
autoridade não tem liberdade de escolha, devendo obedecer ao que dispõe a lei.
(Gabarito: errada)

(ESAF/Analista MPU/2004) A discricionariedade manifesta-se, exclusivamente,


quando a lei expressamente confere à administração competência para decidir em face
de uma situação concreta. (Gabarito: errada – competência é elemento vinculado do ato
administrativo)

(ESAF/AFRF/2001) Em relação à discricionariedade, somente ocorre quando a lei


expressamente confere à Administração o poder de exercê-la. (Gabarito: errada)

Assim, são exemplos de atos administrativos discricionários: nomeação e


exoneração de ocupantes de cargos em comissão (conhecidas como nomeação ad
nutum e exoneração ad nutum); autorização de porte de arma (enquanto as licenças
são exemplos de atos vinculados, as autorizações são exemplos de discricionários);
gradação de penalidades disciplinares (fixação, por exemplo, dos dias em que
determinado servidor ficará suspenso) e conversão da penalidade de suspensão de
servidor em multa, na base de 50% por dia de vencimento ou remuneração (Lei
8.112/90, art. 130, §2º58).

(ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/1999) Assinale a letra que contenha a ordem que


expresse a correlação correta:
1 – ato vinculado
2 – ato discricionário
( ) aposentadoria compulsória por implemento de idade
( ) gradação de penalidade em processo administrativo
( ) nomeação de servidor para cargo em comissão

58
“Quando houver conveniência para o serviço, a penalidade de suspensão poderá ser convertida em
multa, na base de 50% (cinqüenta por cento) por dia de vencimento ou remuneração, ficando o servidor
obrigado a permanecer em serviço”.

123

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( ) exoneração de servidor em estágio probatório
( ) concessão de alvará para atividade comercial
a) 2/1/1/2/2 b) 1/2/2/1/1 c) 2/2/2/1/1 d) 1/2/1/2/1 e) 1/1/2/2/2

(UnB/CESPE/SEPLAG/DETRAN/DF/2009) Considere a seguinte situação hipotética.


José é deputado distrital e foi nomeado secretário de obras do Distrito Federal (DF),
onde exerceu suas atribuições por dois anos. Ocorre que o governador do DF decidiu
exonerá-lo. Nessa situação, por ser um ato administrativo vinculado, a exoneração de
José deve necessariamente ser motivada. (Gabarito: errada)

(ESAF/ADVOGADO/IRB/2006) Assinale a opção que contemple dois exemplos de atos


administrativos que não são passíveis de extinção por revogação.
a) Autorização para porte de arma/ licença para o exercício de profissão regulamentada.
b) Autorização para uso de bem público/ edital que declare abertas as inscrições para
concurso público.
c) Edital de licitação na modalidade de concorrência/ alvará de autorização de
funcionamento.
d) Posse candidato aprovado em concurso público e previamente nomeado/
atestado médico emitido por servidor público médico do trabalho.
e) Homologação de concurso público/ ato que declare dispensa de licitação.

(FUNIVERSA/2009/PC-DF/Agente de Polícia) A jurisprudência do Supremo Tribunal


Federal recentemente referendou o caráter vinculado das licenças, não se podendo, pois,
cogitar de sua revogação. (errada)

Tomando-se como referência os elementos do ato administrativo (competência, forma,


motivo, objeto e finalidade), pode-se afirmar que mesmo nos atos discricionários os
elementos competência, forma (há exceções59) e finalidade60 permanecerão
vinculados, enquanto motivo e objeto serão discricionários.

(ESAF/ANALISTA MPU/2004) O poder discricionário pode ocorrer em qualquer


elemento do ato administrativo. (Gabarito: errada)

(CESPE/AFCE/TCU/1998) Caracteriza o pode discricionário a faculdade que se outorga


ao administrador para escolher a forma pela qual o ato será praticado. (Gabarito: errada
– a forma, em regra, é elemento vinculado)

(CESPE/AFCE/TCU/1998) Em qualquer ato administrativo, considerar-se-ão sempre


vinculados os elementos da competência, finalidade e forma (Gabarito: a forma pode
ser discricionária em alguns atos administrativo, como nos praticados de acordo com a
Lei 9.784/99, que rege o processo administrativo no âmbito da administração pública
federal).

59
Art. 22 da Lei 9.784/99: “os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada
senão quando a lei expressamente a exigir”.

Art. 50, da Lei 8.666/93: “O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de concorrência e de tomada
de preços, bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites
destas duas modalidades de licitação, e facultativo nos demais em que a Administração puder substituí-lo
por outros instrumentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de
compra ou ordem de execução de serviço.”

60
Maria Sylvia Di Pietro ensina que o conceito de finalidade pode ser visto em sentido amplo (interesse
público) e em sentido restrito (resultado específico que decorre, explícita ou implicitamente da lei, para
cada ato administrativo). Para essa autora, finalidade em sentido amplo é discricionário e em sentido
restrito vinculado.

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(CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2000) Quando a lei admite que a autoridade


administrativa pratique ato administrativo com base no poder discricionário, a autoridade
poderá estabelecer a competência para a prática do ato. (Gabarito: errada)

(ESAF/AFRF/2001) Em relação à discricionariedade, jamais se manifesta em relação ao


sujeito do ato administrativo. (Gabarito: correta)

(ESAF/AFRF/2001) Em relação à discricionariedade, não está presente em todos os


elementos do ato administrativo. (Gabarito: correta)

(FCC/TRT16/ANAL. JUD/EXECUÇÃO DE MANDADOS/2009) Quando se fala em ato


administrativo discricionário, quer dizer que a autoridade tem liberdade de atuação
quanto à finalidade, em sentido estrito, do ato administrativo. (Gabarito: errada)

(ESAF/ANALISTA JURÍDICO/CE/2006) Assinale a opção que contenha os elementos


do ato administrativo passíveis de reavaliação quanto à conveniência e oportunidade no
caso de revogação.
a) Competência/finalidade b) Motivo/objeto c) Forma/motivo
d) Objeto/finalidade e) Competência/forma

(ESAF/TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ANEEL/2004) Relativamente à vinculação e


discricionariedade dos atos administrativos, correlacione as colunas apontando como
vinculado ou discricionário cada um dos elementos do ato administrativo e assinale a
opção correta.
1. Vinculado 2. Discricionário
( ) Competência. ( ) Forma. ( ) Motivo. ( ) Finalidade. ( ) Objeto.
a) 1 / 1 / 2 / 1 / 2
b) 2 / 2 / 1 / 1 / 2
c) 1 / 1 / 1 / 2 / 2
d) 2 / 2 / 2 / 1 / 1
e) 1 / 2 / 2 / 1 / 2

(FJG/2005/FISCAL DE TRANSPORTES/PREF. RJ) Atos administrativos discricionários


são aqueles em que há valoração quanto aos seguintes elementos:
A) competência e forma
B) finalidade e motivo
C) forma e finalidade
D) motivo e objeto

Daí estar correta a afirmação de que nos atos discricionários a discricionariedade


não é absoluta, mas sim relativa, pois nem todos os seus elementos são
discricionários; ao passo que nos atos vinculados a vinculação é absoluta,
porque todos os elementos são vinculados.

(ESAF/AFC/STN/2008) A discricionariedade presente num ato administrativo nunca é


total, pois, em geral, ao menos a competência, a forma e a finalidade são elementos
definidos em lei e, portanto, vinculados. (Gabarito: correta)

Importante também destacar que discricionariedade não se confunde com


arbitrariedade, pois essa constituiu ofensa a ordem jurídica. Agindo dessa forma um
agente público inevitavelmente terá seu ato anulado por conta de sua ilegalidade.

Da mesma forma, é errado afirmar que discricionariedade significa ausência de lei


disciplinando a atuação do agente público, bem como que a discricionariedade só se
faz presente quando a lei expressamente confere à Administração Pública a
prerrogativa para exercê-la.

125

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Por fim, vale destacar que os atos discricionários têm como limite a lei, e não os
critérios conveniência/oportunidade. Não se pode esquecer que a liberdade que o
agente público possui para a prática de ato é concedida e delimitada pela lei.

(FCC/TRT16/ANAL. JUD/EXECUÇÃO DE MANDADOS/2009) Quando se fala em ato


administrativo discricionário, quer dizer que a autoridade competente tem arbitrariedade
para atuar, podendo, desde que justificadamente, ultrapassar os limites
estabelecidos na lei. (Gabarito: errada)

(ESAF/ESPECIALISTA EM POL. PÚBL. E GEST. GOV./MPOG/2002) O ato


administrativo discricionário tem por limite:
a) a consciência do administrador
b) os costumes administrativos
c) a norma legal
d) os critérios de conveniência e oportunidade
e) a decisão do juiz quanto ao mérito do ato

Dessa necessária conformação do ato administrativo com o ordenamento jurídico


decorre a possibilidade de o Poder Judiciário exercer controle sobre a legalidade da
discricionariedade administrativa, preservando-se, contudo, a liberdade assegurada
pela lei ao agente público.

Para o exercício de tal controle, o Poder Judiciário deverá confrontar o ato


discricionário com a lei e com os princípios, em especial com os da
razoabilidade e da proporcionalidade, o que lhe propiciará aferir a legalidade do ato.

(ESAF/ANALISTA MPU/2004) O princípio da razoabilidade é o único meio para se


verificar a extensão da discricionariedade no caso concreto. (errada)

(PGE/CE/Procurador/2008/CESPE) O ato administrativo discricionário é insuscetível


de exame pelo Poder Judiciário. (errada)

(TRF5/Juiz/2009/CESPE) Cada vez mais a doutrina e a jurisprudência caminham no


sentido de admitir o controle judicial do ato discricionário. Essa evolução tem o propósito
de substituir a discricionariedade do administrador pela do Poder Judiciário.
(errada)

(TJ/DFT/Analista/2008/CESPE) A possibilidade da análise de mérito dos atos


administrativos, ainda que tenha por base os princípios constitucionais da administração
pública, ofende o princípio da separação dos poderes e o estado democrático de
direito. (errada, pois o mérito pode ser apreciado pelo Poder Judiciário sob a ótica de
sua legalidade)

(TJ/DFT/Analista/2008/CESPE) Mesmo nos atos discricionários, não há margem para


que o administrador atue com excessos ou desvio de poder, competindo ao Poder
Judiciário o controle cabível. (correta)

Es
Espé
pécies
cies

Adotando-se como base as lições de Hely Lopes Meirelles, os atos administrativos


constituem-se nas seguintes espécies:

Atos
Atos no
norrmattiiv
ma os
vos

São manifestações da Administração Pública com conteúdo geral e abstrato, cujo


objetivo é esclarecer o conteúdo das leis, viabilizando a sua aplicação.
126

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Devem ser fiéis às disposições legais, restringindo-se aos limites por ela impostos.

Seu conteúdo é semelhante ao das leis no aspecto da generalidade, abstração e


obrigatoriedade, porém, diferentemente destas, não podem inovar no ordenamento
jurídico pátrio, criando direitos e obrigações que não estejam previstos em lei. Daí
serem considerados lei em sentido material, pois o seu conteúdo assemelha-se em
alguns aspectos à lei, e não em sentido formal, uma vez que são aprovados como atos
normativos derivados (não são aprovados como leis).

- Decretos: é a forma dos atos praticados privativamente pelos Chefes do Podes


Executivos (Presidente da República, Governadores e Prefeitos), podendo ser gerais
ou individuais.

Se gerais (decreto geral), são considerados lei em sentido material, pois seus
comandos alcançam indeterminados destinatários que se encontram na mesma
situação jurídica, como ocorre com o Regulamento do Imposto de Renda. Porém, não
criam direitos ou obrigações (não inovam). Daí serem considerados ato normativo
derivado, pois têm como escopo esclarecer o conteúdo da lei viabilizando a sua
aplicação. A lei é considerada ato normativo originário, porque cria direito novo.

O decreto geral é também denominado pela doutrina de decreto regulamentar ou


decreto executivo.

Se individuais (decreto individual), direcionam-se a pessoa ou grupo de pessoas


determinados, como é o caso de um decreto de desapropriação de imóvel ou
nomeação de servidor.

Retomando aqui à discussão quanto ao conceito de ato administrativo, em sentido


amplo tanto o decreto geral como o individual seriam exemplos desta categoria de
atos. Contudo, em sentido restritivo, que é a posição majoritária, apenas os decretos
individuais podem ser considerados atos administrativos.

- Regulamentos: o art. 84, IV, da Constituição Federal, preceitua que compete


privativamente ao Presidente da República (e também aos demais Chefes do
Executivo, por força do princípio da simetria constitucional) expedir decretos e
regulamentos para fiel execução das leis.

De acordo com lição de José dos Santos Carvalho Filho61,

“A despeito de serem exteriorizados através de forma própria, constituem apêndices de


outros atos, mais comumente de decretos (embora nem sempre). Esses atos é que os
colocam em vigência. Trata-se, no entanto, de atos diversos – um é o regulamento e
outro é o ato administrativo que o põe em vigor no mundo jurídico. No que concerne à
função regulamentadora, no entanto, o objeto (ou conteúdo) de decretos regulamentares
é regulamentos mostra-se idêntico, isto é, destinam-se aos mesmos fins.

Dois são os aspectos que distinguem os decretos e os regulamentos: 1º) os decretos


têm força jurígena própria, ou seja, vigoram por sim mesmos como atos independentes,

61
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 18ª ed. R.J.: Lumen Juris, 2007. p. 123.

127

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ao passo que os regulamentos são atos dependentes e, por isso, não têm força própria
que os impulsione para a vigência; 2º) os decretos podem ser normativos (como é o caso
dos decretos de execução) ou individuais; os regulamentos, ao contrário, só se projetam
como atos normativos”.

- Instruções normativas: nos termos do art. 87, parágrafo único, da Constituição


Federal, são atos expedidos pelos Ministros de Estado com o objetivo de viabilizar a
execução das leis, decretos e regulamentos. Também são utilizadas por outros órgãos
superiores com o mesmo propósito.

- Regimentos: têm como objetivo regulamentar o funcionamento dos órgãos


colegiados (ex: regimento interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da
Fazenda) e das corporações legislativas e judiciárias (exs: regimento interno do
Senado Federal e do supremo Tribunal Federal). Em regra, são colocados em vigência
por resoluções.

- Resoluções: é o modo pelo qual se externam as deliberações dos órgãos


colegiados e casas legislativas e judiciárias. São atos inferiores aos regulamentos e
aos regimentos. Não são expedidos pelos Chefes do Poder Executivo.

- Deliberações: são atos normativos (quando serão atos gerais) ou decisórios


(hipótese que serão atos individuais) emanados dos órgãos colegiados e das casas
legislativas ou judiciárias. As deliberações gerais são superiores às deliberações
individuais, uma vez que aquelas só se revogam por outra deliberação geral.

Atos
Atos or
ord
diin
na
attó
órriio
os
s

São utilizados para disciplinar o funcionamento da Administração Pública e a conduta


funcional de seus agentes. Têm por origem o poder hierárquico e apenas alcançam os
agentes públicos que estejam subordinados à autoridade que os expediu. Não atingem
os particulares.

- Instruções: constituem-se em ordens internas emanadas dos superiores


hierárquicos para os subalternos. São escritas e gerais, tendo como objetivo orientar
os subalternos quanto ao modo e forma de execução de determinado serviço público.

- Circulares: possuem o mesmo objetivo das instruções, porém são de menor


generalidade, pois alcançam determinados servidores ou agentes públicos incumbidos
da prática de certo serviço ou de atribuições especiais.

- Avisos: podem ser utilizados como veículos de notícias ou assuntos relacionados à


atividade administrativa. Em regra, são utilizados pelos Ministros de Estados para
tratarem de temas relacionados aos seus respectivos ministérios.

- Portarias: são utilizadas pelos chefes de órgãos para expedição de ordens gerais ou
especiais a seus subalternos. Também são usadas para dar início a sindicâncias e
processos administrativos.

128

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- Ordens de serviço: são instrumentos utilizados para transmitir determinações aos
subordinados de como executar determinado serviço. Ocorre de serem substituídas
por circulares.

- Provimentos: servem como veículos para determinações e instruções que visem à


regularização e uniformização de serviços. São utilizados pelos tribunais e
Corregedorias.

- Ofícios: são comunicações escritas entre autoridades, entre superiores e


subalternos e entre a Administração Pública e os particulares.

- Despachos: são atos administrativos praticados no curso de processos


administrativos, abrangendo manifestações rotineiras dos agentes como também
aquelas de caráter decisório. Serão considerados normativos quando, em que pese
serem proferidos em caso individual, passem a produzir efeitos, por força da
autoridade competente, para todas as situações idênticas.

Atos
Atos ne
neg
go
oc
ciia
aiis
s

São editados pela Administração Pública quando seus interesses, ainda que
indiretamente, coincidem com a pretensão do particular. Ocorre, por ex., quando o
particular requer autorização para a prática de determinado ato e a Administração
concorda, expedindo o respectivo ato negocial (no caso em questão, a autorização).

- Licença: é ato administrativo vinculado, definitivo e declaratório pelo qual a


Administração Pública faculta ao administrado que preenche os requisitos legais o
exercício de determinada atividade.

É vinculado porque se o administrado preenche os requisitos legais, a Administração


Pública não pode negar a concessão da licença. O agente público não possui
liberdade para análise de sua conduta.

É definitivo pelo fato de a Administração Pública não poder desfazê-la por


conveniência/oportunidade após sua concessão, salvo se a licença por concedida por
prazo determinado.

É declaratório, pois o particular quando manifesta sua pretensão, se preencheu os


requisitos previstos na lei, já possui direito subjetivo de ver concretizada a sua
pretensão, restando à Administração Pública apenas confirmar a sua preexistência.

Importante destacar também que a licença não pode ser concedida de ofício, ou seja,
depende sempre de requerimento do interessado.

São exemplos: licença para exercer atividade profissional e para execução de obra.

- Autorização: é ato administrativo discricionário, precário e constitutivo pelo qual


a Administração Pública faculta ao administrado o exercício de determinada atividade
ou a utilização de bem público, ambos em seu (do administrado) exclusivo ou
predominante interesse.
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(PGE/PB/Promotor/2008/CESPE) A autorização é o ato administrativo vinculado e


definitivo pelo qual a administração reconhece que o particular detentor de um direito
subjetivo preenche as condições de seu gozo. (errada)

É discricionário porque o administrado não tem direito subjetivo à concessão da


autorização, ficando a critério da Administração Pública, mediante análise pautada
pelos critérios oportunidade/conveniência, concedê-la ou não.

É precário uma vez que a Administração Pública a qualquer momento pode revogá-la,
independentemente de pagamento de indenização ao administrado.

É constitutivo pelo fato de inexistir direito preexistente do administrado à sua


pretensão. No momento que a autorização é concedida é constituído o direito do
particular interessado.

São exemplos: autorização para porte de arma; autorização para pesquisa e lavra de
recursos minerais e para aproveitamento dos potenciais de energia hidráulica (art.
176, CF) e autorização para operar distribuição de sinais de televisão a cabo;
autorização para fechamento de ruas para comemorações festivas.

Por fim, vale a pena ressaltar que a professora Maria Sylvia Di Pietro admite a
autorização para prestação de serviços públicos, indicando, como exemplos, os
incisos XI e XII do art. 21 da Constituição Federal. Tal posição encontra críticas de
alguns doutrinadores, como José dos Santos Carvalho Filho, que rejeitam a
possibilidade de autorização para serviço público, sustentando que as atividades
listadas nos referidos incisos que forem executadas como serviço público devem ser
precedidas de concessão ou permissão. Todavia, quando executadas no exclusivo
interesse do interessado, será perfeitamente possível a presença da autorização,
porém, não se tratará de serviço público, mas sim de serviço de interesse privado.

- Permissão: é ato administrativo discricionário, precário e constitutivo pelo qual a


Administração Pública faculta ao administrado a utilização de bem público no
interesse predominantemente da coletividade.

(DPE/ES/Defensor/2009/CESPE) A permissão de uso configura ato administrativo


unilateral, discricionário e precário, por meio do qual a administração faculta a utilização
privativa de bem público no interesse particular do beneficiário. (errada)

(PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) Ato unilateral, precário e discricionário quanto à


decisão de outorga, pelo qual se faculta a alguém o uso de um bem público. Sempre que
possível, será outorgada mediante licitação ou, no mínimo, com obediência a
procedimento em que se assegure tratamento isonômico aos administrados. Celso
Antônio Bandeira de Mello. Curso de direito administrativo. 19.ª ed., São Paulo:
Malheiros, 2005, p. 859 (com adaptações). O texto acima traduz o conceito de
a) autorização de uso de bem público.
b) permissão de uso de bem público.
c) concessão de uso de bem público.
d) cessão de uso de bem público.
e) concessão de direito real de uso de bem público.

A permissão de serviço público não possui natureza de ato administrativo, mas sim de
contrato administrativo. Tanto a permissão de serviço público como a concessão de
serviço público devem ser precedidas de licitação, nos termos do art. 175 da CF.

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- Aprovação: é ato administrativo discricionário62 através do qual a Administração


Pública exerce controle sobre outro ato sob os aspectos da oportunidade e
conveniência do interesse público. Pode ser prévia63 (a priori) ou posterior (a
posteriori), como ocorre, respectivamente, na manifestação do Senado Federal quanto
à nomeação dos Ministros do STF (art. 52, III, CF) e na manifestação do Congresso
Nacional quanto à aprovação do estado de sítio (art. 49, IV, CF).

- Admissão: é ato administrativo vinculado através do qual a Administração Pública


permite ao particular o gozo de determinado serviço público prestado em
estabelecimento oficial. Como exemplo, a admissão em Universidades de Ensino e
hospitais públicos.

- Visto: é ato administrativo através do qual determinada autoridade pública atestada


a legitimidade formal de outro ato. Não equivale à concordância com o conteúdo, mas
apenas concordância quanto aos aspectos formais. Alguns atos de subordinados só
podem ser encaminhados para as autoridades superiores se receberem um visto de
determinado agente indicado na legislação.

- Homologação: é ato administrativo vinculado através do qual a Administração


Pública exerce controle sobre outro ato sob o aspecto da legalidade, como ocorre na
homologação de licitação. Difere-se da aprovação pelo fato de limitar-se à análise da
legalidade do ato controlado e apenas ser posterior.

- Dispensa: é ato administrativo em regra discricionário que libera o administrado do


cumprimento de determinado dever. Como exemplo: dispensa do cumprimento de
obrigação militar.

- Renúncia: é ato administrativo através do qual a Administração Pública extingue um


direito próprio, liberando definitivamente o devedor da obrigação. Por ter caráter
abdicativo depende de autorização legal.

- Protocolo administrativo: é ato administrativo através do qual a Administração


Pública negocia com o administrado a realização de determinada atividade ou
abstenção de certa conduta.

Atos
Atos en
enu
un
nc
ciia
attiiv
vo
os
s

Não são considerados atos administrativos em sentido formal, apenas no sentido


material, pois não expressam manifestação de vontade da Administração Pública.

62
Hely Lopes Meirelles, defendendo posição minoritária, admite a possibilidade de autorização vinculada.

63
Maria Sylvia Di Pietro, fazendo referência à lição de Oswaldo Aranha Bandeira de Mello, diz que quando prévia
equivale à autorização.
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Através deles, o Poder Público, a pedido do interessado, certifica ou atesta a
existência de um fato, ou emite opinião sobre determinado assunto.

- Certidões: são cópias de registros, de interesse do administrado, constantes de


processo, livro ou documento que se encontre em poder da Administração Pública. O
direito à obtenção de certidões tem amparo constitucional (art. 5º, XXXIV, b)64.

- Atestados: através destes atos a Administração comprova a existência de


determinado fato ou situação não constante de processo, livro ou documento que se
encontre em seu poder. Daí residir a primeira diferença entre certidão e atestado. A
segunda diferença é que as certidões comprovam fatos permanentes, ao passo que os
atestados situações passíveis de modificações.

- Pareceres: são manifestações técnicas de órgãos especializados, de caráter


opinativo, acerca de assuntos submetidos à sua apreciação.

Quando um parecer é convertido em norma de procedimento interno, tornando-se


vinculante para todos aqueles que estejam subordinados à autoridade que o aprovou,
passa a ser denominado parecer normativo.

- Apostilas: possuem o mesmo significado de averbação, pois correspondem a


anotações feitas em atos e contratos administrativos com o propósito de corrigi-los ou
registrar alterações. Como exemplo: anotação na ficha funcional de servidor do seu
tempo de serviço em cargos anteriores.

Atos
Atos pu
pun
niittiiv
vo
os
s

Através destes atos a Administração Pública impõe sanções aos seus agentes
públicos e aos administrados.

A punição dos servidores públicos (punição interna) tem amparo no poder disciplinar
da Administração Pública, ao passo que a dos particulares (punição externa) no seu
poder de império. Em geral, a punição externa está atrelada ao exercício pela
Administração Pública do seu poder de polícia.

Por fim, não se deve confundir as punições administrativas com o exercício do jus
puniendi do Estado. Este representa a aplicação do Direito Penal com o propósito de
reprimir as infrações tipificadas como crimes ou contravenções. Sua concretização
depende da intervenção do Poder Judiciário, o que não ocorre na aplicação das
sanções administrativas.

São exemplos: multas administrativas, interdição de atividade, destruição de


coisas e sanções disciplinares.

64
São assegurados, independentemente do pagamento de taxas, a obtenção de certidões em repartições públicas,
para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal.

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QUESTÕES INDICADAS NESSA AULA

1. (CESPE/TITULAR DE SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO DO TJDFT/2000 -


ALTERADA) Nem todos os atos do Poder Executivo são atos administrativos; fatos da
administração podem gerar direitos para os particulares.

2. A respeito do fato administrativo, julgue os seguintes itens.


1) Pode ser entendido como uma realização material da administração.
2) Pode ser visto como resultante de um ato administrativo preexistente, que o determina.
3) É exemplo de fato administrativo a construção de um viaduto.
4) É, por si só, desprovido de conteúdo de Direito, mas indiretamente pode vir interessar ao
Direito, em razão das conseqüências jurídicas que dele possam advir para a Administração
e para os administrados.
5) Assim como o ato administrativo, goza dos mesmos atributos – presunção de legitimidade,
imperatividade e autoexecutoriedade – e também pode ser revogado ou anulado pela
Administração.

3. (PROCURADORIA GERAL DO ESTADO/MS/2001) Um ato administrativo pode ser,


concomitantemente, válido e eficaz.

4. (ESAF/AGU/98) A nomeação de ministro do Superior Tribunal de Justiça, porque a


escolha está sujeita a uma lista tríplice e aprovação pelo Senado Federal, contando
assim com a participação de órgãos independentes entre si, configura a hipótese
específica de um ato administrativo
(a) complexo (b) composto (c) bilateral (d) discricionário (e) multilateral

5. (ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/99) O decreto, com função normativa, não tem o


seguinte atributo:
(a) novidade
(b) privativo do Chefe do Poder Executivo
(c) generalidade
(d) abstração
(e) obrigatoriedade

6. (PGE/CE/Procurador/2008/CESPE) O ato administrativo discricionário é insuscetível de


exame pelo Poder Judiciário.

7. (PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPRS/2003) Assinale a assertiva correta:


a) Todo ato jurídico praticado pela Administração é ato administrativo.
b) Nem todo ato administrativo é praticado pela Administração.
c) O ato discricionário realizado por agente incompetente não é inválido.
d) Atendendo o ato administrativo o interesse público é irrelevante o cumprimento dos fins que
a lei lhe destinou.
e) O ato administrativo vinculado dispensa a motivação.

8. (ESAF/PROCURADOR DO BACEN/2002) Tratando-se de ato administrativo,


correlacione as duas colunas:
1 - Ato administrativo imperfeito
2 - Ato administrativo pendente
3 - Ato administrativo consumado
4 - Ato administrativo válido
( ) O ato que está sujeito a termo ou condição para produzir os seus efeitos.
( ) O ato que não pode produzir efeitos porque não concluiu seu ciclo de formação.
( ) O ato que está de conformidade com a lei.
( ) O ato que já exauriu os seus efeitos.
a) 2/1/3/4
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b) 1/2/4/3
c) 2/1/4/3
d) 1/2/3/4
e) 1/3/2/4

9. (PROCURADORIA GERAL DO ESTADO/MS/2001) - Sob a ótica dos atos


administrativos, pode se considerar o decreto assinado pelo Governador do Estado e
referendado pelo Secretário da respectiva pasta como sendo:
a) Ato vinculado. b) Ato composto. c) Ato complexo. d) Ato condição. e) Ato acessório.

10. (PROCURADORIA GERAL DO ESTADO/MS/2001) – Determinado ato administrativo


que consumou o ciclo para a sua formação denomina-se _________. Em se obedecendo
as prescrições legais, com vistas à sua realização, este ato torna-se ________. Gerando
efeitos, o mesmo ato configura-se como ________. Assinale a alternativa que preenche
corretamente os espaços em branco:
a) Válido, perfeito e eficaz.
b) Perfeito, válido e ineficaz.
c) Válido, eficaz e absoluto.
d) Perfeito, válido e eficaz.
e) Eficaz, perfeito e válido.

11. (ESAF/CGU 2006 – AFC – Auditoria e Fiscalização) No conceito de ato administrativo,


arrolado pelos juristas pátrios, são assinaladas diversas características. Aponte, no rol
abaixo, aquela que não se enquadra no referido conceito.
a) Provém do Estado ou de quem esteja investido em prerrogativas estatais.
b) É exercido no uso de prerrogativas públicas, sob regência do Direito Público.
c) Trata-se de declaração jurídica unilateral, mediante manifestação que produz efeitos de
direito.
d) Consiste em providências jurídicas complementares da lei, em caráter necessariamente
vinculado.
e) Sujeita-se a exame de legitimidade por órgão jurisdicional, por não apresentar caráter de
definitividade.

12) (TJ/PI/Juiz/2007/CESPE) O ato que convalida ato anterior tem efeitos ex nunc.

13. (ESAF/AFRFB – 2005: tributária e aduaneira) Ato administrativo complexo é aquele


formado pela manifestação de dois órgãos, cujas vontades se juntam para formar um só ato.

14. (ESAF/AFRFB – 2005: tributária e aduaneira) Ato-regra é aquele pelo qual alguém se
vincula a uma situação jurídica pré-estabelecida, sujeita a alterações unilaterais.

15. (ESAF/AFRFB – 2005: tributária e aduaneira) A classificação dos atos administrativos em


atos de império e atos de gestão ampara-se na teoria de personalidade dupla do Estado.

16. (PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) Independentemente do tipo de vício em que incorra o


ato administrativo, a convalidação será sempre possível, desde que assegurados os efeitos
retroativos à data em que o mesmo foi praticado.

17. (UnB/CESPE/MMA/agente administrativo/2009) Todo ato praticado no exercício de


função administrativa é considerado ato administrativo.

18. (UnB/CESPE/SEPLAG/DETRAN/DF/2009) Considere a seguinte situação hipotética. José


é deputado distrital e foi nomeado secretário de obras do Distrito Federal (DF), onde exerceu
suas atribuições por dois anos. Ocorre que o governador do DF decidiu exonerá-lo. Nessa
situação, por ser um ato administrativo vinculado, a exoneração de José deve necessariamente
ser motivada.

19. (ESAF/Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Públicas/2009) Acerca da


teoria geral do ato administrativo, assinale a opção correta:
134

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a) Ato administrativo discricionário é aquele em que a lei não deixou opções, estabelecendo
que, diante de determinados requisitos, a Administração deve agir de tal ou qual forma.
b) O decreto não pode ser considerado como ato administrativo, pois representa, em verdade,
manifestação legislativa por parte do Poder Executivo.
c) O ato administrativo não está sujeito a controle jurisdicional.
d) Todo ato praticado no exercício da função administrativa é ato administrativo.
e) Licença é o ato administrativo unilateral e vinculado pelo qual a Administração faculta àquele
que preencha os requisitos legais o exercício de uma atividade.

20. (FCC/TRT16/Anal. Jud/execução de mandados/2009) Quando se fala em ato


administrativo discricionário, quer dizer que
(A) o controle judicial é impossível, pois, a autoridade tem liberdade de atuação na prática do
ato administrativo.
(B) a lei deixa certa margem de liberdade de decisão para a autoridade, diante do caso
concreto, de forma que ela poderá optar por uma dentre várias soluções possíveis.
(C) a autoridade competente tem arbitrariedade para atuar, podendo, desde que
justificadamente, ultrapassar os limites estabelecidos na lei.
(D) a autoridade tem liberdade de atuação quanto à finalidade, em sentido estrito, do ato
administrativo.
(E) na parte referente à conveniência, a autoridade não tem liberdade de escolha, devendo
obedecer ao que dispõe a lei.

21) (FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Atos de império: são aqueles que a Administração


impõe coercitivamente aos administrados, não estando sujeitos a controle judicial.

22) (FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Atos compostos: são aqueles que resultam da


manifestação de dois ou mais diferentes órgãos.

23) (FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Atos declaratórios: são aqueles em que a


Administração apenas reconhece uma situação preexistente, visando a preservar o direito do
administrado.

24) (FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Atos de gestão: são aqueles em que a


Administração utiliza sua supremacia sobre os particulares.

25) (FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Atos enunciativos: são aqueles que modificam ou


extinguem um direito do administrado.

26) (ESAF/TFC/SFC/2000) O requisito do ato administrativo que se vincula à noção de


permanente e necessária satisfação do interesse público é:
a) objeto
b) finalidade
c) competência
d) motivo
e) forma

27) (ESAF/PFN/2003) A remoção de ofício de servidor público como punição por algum
ato por ele praticado caracteriza vício quanto ao seguinte elemento do ato
administrativo:
a) motivo
b) forma
c) finalidade
d) objeto
e) competência

28) (ESAF/MPOG/2002) Quando a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta o


ato administrativo é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado
obtido, estamos diante de vício quanto ao seguinte elemento do ato administrativo:
a) forma
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b) competência
c) motivo
d) objeto
e) finalidade

29) (ESAF/AFC/SFC/2000) O ato administrativo pode apresentar diversos vícios.


Tratando-se de vício relativo ao sujeito, temos que, quando o agente público extrapola
os limites de sua competência, ocorre:
a) desvio de poder
b) função de fato
c) excesso de poder
d) usurpação de função
e) desvio de finalidade

30) (ESAF/TRF/2002-2) A avocação é um fenômeno, inerente ao poder hierárquico,


aplicável ao processo administrativo, pelo qual a autoridade pode em certos casos,
como assim previsto na Lei nº 9.784/99:
a) delegar competência a órgão inferior
b) rever decisão em instância recursal
c) exercer delegação de órgão superior
d) exercer competência atribuída a órgão inferior
e) rever suas próprias decisões

31) Julgue a assertiva abaixo e assinale a opção correspondente. De acordo com


disposição expressa da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito
da administração Pública Federal, não podem ser objeto de delegação a edição de atos
de caráter normativo, a decisão de recurso administrativo e as matérias de competência
exclusiva de órgão ou autoridade.
a) Correta a assertiva.
b) Incorreta a assertiva, porque pode ser delegada a edição de ato normativo.
c) Incorreta a assertiva, porque pode ser delegada a decisão em recurso administrativo.
d) Incorreta a assertiva, porque pode ser delegada a matéria de competência exclusiva de
órgão ou autoridade.
e) Incorreta a assertiva, porque podem ser delegadas quaisquer das hipóteses previstas.

32) (ESAF/Analista MPU/2004) Um dos elementos essenciais à validade dos atos


administrativos é a motivação, que consiste na indicação dos seus pressupostos fáticos
e jurídicos, o que porém é preterível, naqueles que:
a) importem anulação ou revogação de outro anterior
b) dispensem ou declarem inexigível licitação
c) apliquem jurisprudência indicada em parecer adotado
d) importem ou agravem encargos ou sanções
e) neguem, limitem ou afetem direitos

33) (Cespe/Fiscal INSS 1997) Segundo a lei e a doutrina majoritária, motivo, forma, finalidade,
competência e o objeto integram o ato administrativo.

34) (Cespe/Técnico Judiciário/TST/2003) Apesar de a competência, um dos requisitos


essenciais do ato administrativo, ser irrenunciável, ela pode ser delegada ou avocada nas
situações que a lei permitir, sendo exercida pelos órgãos a que foi atribuída como própria;
entretanto, as decisões proferidas em sede de recursos administrativos não podem ser
delegadas.

35) (Cespe/Min. Público do TCU 2004) Um órgão administrativo e seu titular não podem, sem
previsão legal expressa, delegar parte de sua competência a outros órgãos ou titulares.

36) (Cespe/ACE-TCU/2004) Em sendo o órgão colegiado competente para decidir sobre


recursos administrativos, ele poderá, por força de disposição legal, delegar essa competência
ao respectivo presidente.
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37) (Cespe Procurador INSS 1999) A motivação de um ato administrativo deve contemplar a
exposição dos motivos de fato e de direito, ou seja, a regra de direito habilitante e os fatos em
que o agente se estribou para decidir.

38) (ESAF/TC RN 2000) A figura do excesso de poder classifica-se como vício em relação
ao seguinte elemento do ato administrativo
a) forma
b) motivo
c) finalidade
d) competência
e) objeto

39) (ESAF/AGU/98) Um ato administrativo estará caracterizando desvio de poder, por


faltar-lhe o elemento relativo à finalidade de interesse público, quando quem o praticou
violou o princípio básico da
(a) economicidade
(b) eficiência
(c) impessoalidade
(d) legalidade
(e) moralidade

40) (ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/99) Com relação à competência administrativa,


não é correto afirmar:
(a) é inderrogável, pela vontade da Administração
(b) pode ser distribuída por critérios territoriais e hierárquicos
(c) decorre necessariamente de lei
(d) pode ser objeto de delegação e/ou avocação, desde que não exclusiva
(e) pode ser alterada por acordo entre a Administração e os administrados interessados

41) (ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/99) Quando a autoridade remove servidor para


localidade remota, com o intuito de puni-lo,
(a) incorre em desvio de poder
(b) pratica ato disciplinar
(c) age dentro de suas atribuições
(d) não está obrigada a instaurar processo administrativo
(e) utiliza-se do poder hierárquico

42) (ESAF/PFN/2003) A remoção de ofício de servidor público como punição por algum
ato por ele praticado caracteriza vício quanto ao seguinte elemento do ato
administrativo:
a) motivo
b) forma
c) finalidade
d) objeto
e) competência

43) (FJG/2002/CONTROLADOR DE ARRECADAÇÃO/PREF. RJ) O vício de forma do ato


administrativo, como definido no direito positivo brasileiro, consiste na:
a) expedição de ordens verbais
b) lavratura de termos em instrumentos não padronizados
c) contratação de compras, obras ou serviços por meio de notas de empenho
d) omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à
existência ou seriedade do ato

44) (FJG/CONTROLADOR DE ARRECADAÇÃO/RIO DE JANEIRO/2002) O vício de objeto


do ato administrativo, como definido no direito positivo brasileiro, ocorre quando:
a) o interesse público a atender é mediato
b) o interesse público coincide com o interesse privado no conteúdo do ato
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c) o administrador deixa de explicitar as razões e os fundamentos da decisão
d) o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo

45) (FJG/CONTROLADOR DE ARRECADAÇÃO/RIO DE JANEIRO/2002) O vício de motivo


do ato administrativo, como definido no direito positivo brasileiro, se verifica quando:
a) a autoridade praticou o ato contrariamente ao parecer de órgão técnico
b) a relação custo-benefício proporcionada pelo ato for inferior ao resultado esperado
c) a autoridade avaliou incorretamente as circunstâncias determinantes da ação administrativa
d) a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou
juridicamente inadequada ao resultado obtido

46) (ESAF/PROCURADO DO BACEN/2002) É possível a delegação de competência de um


órgão administrativo a outro, ainda que este não lhe seja subordinado, desde que não
haja impedimento legal. Esta hipótese, legalmente prevista em nosso ordenamento
jurídico, pode ocorrer quando a delegação for conveniente em razão de certas
circunstâncias estabelecidas na norma. Assinale, no rol abaixo, entre as naturezas das
circunstâncias que podem amparar tal procedimento, aquela não prevista na norma legal
para esta delegação de competência:
a) de ordem técnica
b) de ordem social
c) de ordem territorial
d) de ordem política
e) de ordem jurídica

47) (JUIZ/TRT 9/2003) Sobre a teoria dos "motivos determinantes", pode-se afirmar que:
I - Quando os atos administrativos tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos
motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos.
II - Havendo desconformidade entre os motivos determinantes e a realidade, o ato é
inválido.
III - Quando a Administração motiva o ato, mesmo que a lei não exija a motivação, ele
será válido mesmo se os motivos não forem verdadeiros.
(a) Apenas as proposições I e III estão corretas.
(b) Apenas as proposições II e III estão corretas.
(c) Apenas as proposições I e II estão corretas
(d) Todas as proposições estão corretas
(e) Todas as proposições estão incorretas

48) (JUIZ/TRT 9/2003) Para a prática do ato administrativo a competência é condição


primeira de sua validade. A competência administrativa é intransferível e improrrogável
pela vontade dos interessados.

49). (JUIZ/TRT 9/2003) A competência administrativa em nenhuma hipótese pode ser delegada
ou avocada.

50) (AFRFB – 2005: tributária e aduaneira) Motivo e objeto formam o denominado mérito do
ato administrativo.

51) (AFRFB – 2005: tributária e aduaneira) Analise o seguinte ato administrativo: O


Governador do Estado Y baixa Decreto declarando um imóvel urbano de utilidade
pública, para fins de desapropriação, para a construção de uma cadeia pública, por
necessidade de vagas no sistema prisional. Identifique os elementos desse ato,
correlacionando as duas colunas.
1- Governador do Estado
2- Interesse Público
3- Decreto
4- Necessidade de vagas no sistema prisional
5- Declaração de utilidade pública
( ) finalidade
( ) forma
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( ) motivo
( ) objeto
( ) competência
a) 4/3/5/2/1
b) 4/3/2/5/1
c) 2/3/4/5/1
d) 5/3/2/4/1
e) 2/3/5/4/1

52) (Técnico da Receita Federal/05 - Tecnologia da Informação) Entre os requisitos ou


elementos essenciais à validade dos atos administrativos, o que mais condiz, com o
atendimento da observância do princípio fundamental da impessoalidade, é o relativo à /
ao
a) competência.
b) forma.
c) finalidade.
d) motivação.
e) objeto lícito.

53) (UnB/CESPE/PCES/agente da polícia civil/2009) A competência é requisito de validade


do ato administrativo e se constitui na exigência de que a autoridade, órgão ou entidade
administrativa que pratique o ato tenha recebido da lei a atribuição necessária para praticá-lo.

54) (UnB/CESPE/PCES/AGENTE DA POLÍCIA CIVIL/2009) Para que haja a avocação não é


necessária a presença de motivo relevante e justificativa prévia, pois esta decorre da relação
de hierarquia existente na administração pública.

55) (UnB/CESPE/SEPLAG/DETRAN/DF/2009) Considere a seguinte situação hipotética. João


é servidor público responsável por gerenciar obra pública levada a efeito pela entidade em que
exerce suas funções. Ocorre que João, nos limites de sua competência administrativa,
determinou a pavimentação de uma rua, sem que houvesse previsão no contrato
administrativo, em local que beneficia um imóvel de propriedade de sua mãe. Nessa situação,
João praticou conduta abusiva com desvio de finalidade.

56) (UnB/CESPE – TRT 17.ª Região/ES/ADMINISTRATIVA/2009) Em algumas circunstâncias,


pode um agente transferir a outro funções que originariamente lhe são atribuídas, fato esse
denominado delegação de competência. Entretanto, não se admite delegar a edição de atos de
caráter normativo, a decisão de recursos administrativos e as matérias de competência
exclusiva do órgão ou autoridade.

57) (ESAF/ Especialista em Pol. Públ. e Gest. Gov./ MPOG/2000) No âmbito do regime
jurídico-administrativo, a presunção de legitimidade dos atos da Administração Pública
não se caracteriza por:
a) classificar-se como presunção absoluta
b) admitir a execução imediata da decisão administrativa
c) ter o efeito de inverter o ônus da prova
d) criar obrigações para o particular, independentemente de sua aquiescência
e) admitir prova em contrário

58) (ESAF/Contador Recife/2003) A inversão do ônus da prova, característica do direito


administrativo, relaciona-se com o seguinte atributo do ato administrativo:
a) imperatividade
b) auto-executoriedade
c) presunção de legitimidade
d) exigibilidade
e) coercibilidade

59) (ESAF/AFRF/2003) O denominado poder extroverso do Estado ampara o seguinte


atributo do ato administrativo:
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a) imperatividade
b) presunção de legitimidade
c) exigibilidade
d) tipicidade
e) executoriedade

60) (Cespe Fiscal INSS 2001) De acordo com a teoria dos motivos determinantes, é lícito à
administração pública impor um ato administrativo seu a terceiros, independentemente da
concordância do afetado.

61) (Cespe/Procurador INSS 1999) Os atos administrativos são dotados de presunção de


legitimidade e veracidade, o que significa que há presunção relativa de que foram emitidos com
observância da lei e de que os fatos alegados pela administração são verdadeiros.

62) (Cespe {Procurador INSS 1999) Imperatividade é o atributo pelo qual os atos
administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua concordância.

63) (Cespe/Min. Público do TCU/20004) A autoexecutoriedade, atributo inerente aos atos


administrativos, só não está presente quando vedada expressamente por lei.

64) (Cespe/Defensor Público União 2001) O atributo da auto-executoriedade do ato


administrativo decorre do princípio da supremacia do interesse público, típico do regime de
direito administrativo.

65) (ESAF/AGU/98) O ato administrativo, a que falte um dos elementos essenciais de


validade,
a) é considerado inexistente, independente de qualquer decisão administrativa ou judicial
b) goza da presunção de legalidade, até decisão em contrário
c) deve por isso ser revogado pela própria Administração
d) só pode ser anulado por decisão judicial
e) não pode ser anulado pela própria Administração

66) (FISCAL DE RENDAS/ISS/RIO DE JANEIRO/2002) A presunção de legitimidade e de


veracidade, com que nascem os atos administrativos, é de natureza:
a) absoluta e não admite prova que a desconstitua
b) relativa e admite prova em contrário que a desconstitua
c) excepcional, somente sendo afastável por lei específica
d) mista, dependendo a sua desconstituição do tipo de prova que a Administração
produza

67) (JUIZ/TRT 9/2003) A doutrina indica como atributos dos atos administrativos a presunção
de legitimidade, a imperatividade e a auto executoriedade.

68) (AFC 2003/2004) A presunção de legalidade dos atos administrativos, dotados do atributo
de imperatividade, impõe-lhes a coercibilidade, mesmo sendo ilegais, enquanto não
invalidados.

69) (FCC/Analista do Ministério Público/Direito /SE/2009) A Administração Pública pode


editar atos administrativos e cumprir suas determinações sem necessidade de oitiva ou
autorização prévia do Poder Judiciário ou de qualquer outra autoridade. Tem-se aí a
definição de um dos atributos do ato administativo, consistente na
a) inexorabilidade de seus efeitos.
b) inafastabilidade do controle jurisdicional.
c) presunção de legitimidade.
d) autoexecutoriedade.
e) insindicabilidade.

70) (UnB/CESPE/MMA/agente administrativo/2009) Pelo atributo da presunção de


veracidade, presume-se que os atos administrativos estão em conformidade com a lei.
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71) (FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) O ato administrativo, em razão da supremacia de


poder pertinente à Administração Pública, é dotado da presunção jure et de jure de
legitimidade.

72) (FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Os atributos de imperatividade e da


autoexecutoriedade confundem-se.

73) (FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) A autoexecutoriedade decorre do denominado


poder extroverso do Estado.

74) (FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Sendo seu atributo, todos os atos administrativos


têm imperatividade.

75) (FUNIVERSA/2009/ADASA/Advogado) Enquanto não for decretada a invalidade, o ato


administrativo nulo pode ser executado em razão da presunção de legitimidade.

76) (ESAF/TRF/2002-2) O mérito é aspecto do ato administrativo que, particularmente, diz


respeito à (ao):
a) conveniência de sua prática
b) sua forma legal
c) sua motivação fática
d) princípio da legalidade
e) poder vinculado

77) (ESAF/Especialista em Pol. Públ. e Gest. Gov./ MPOG/2002) O ato administrativo


discricionário tem por limite:
a) a consciência do administrador
b) os costumes administrativos
c) a norma legal
d) os critérios de conveniência e oportunidade
e) a decisão do juiz quanto ao mérito do ato

78) (ESAF/Analista MPU/2004) Com referência à discricionariedade, assinale a afirmativa


verdadeira.
a) A discricionariedade manifesta-se, exclusivamente, quando a lei expressamente confere
à administração competência para decidir em face de uma situação concreta.
b) O poder discricionário pode ocorrer em qualquer elemento do ato administrativo.
c) É possível o controle judicial da discricionariedade administrativa, respeitados os limites
que são assegurados pela lei à atuação da administração.
d) O princípio da razoabilidade é o único meio para se verificar a extensão da
discricionariedade no caso concreto.
e) Pela moderna doutrina de direito administrativo, afirma-se que, no âmbito dos
denominados conceitos jurídicos indeterminados, sempre ocorre a discricionariedade
administrativa.

79) (Cespe/AFCE/TCU/1998) A administração pública tem sua atuação limitada pelo


princípio constitucional da legalidade. Assim, há situações em que toda a atuação
administrativa é disciplinada por lei, restando ao administrador pouca ou nenhuma
margem de liberdade; em outras situações, confere-se ao administrador determinada
margem de atuação, em que deverão ser consideradas a conveniência e a oportunidade
para a prática do ato. Em face do poder discricionário ou vinculado da administração
pública, julgue os itens seguintes:
a) O ato discricionário escapa ao controle do Poder Judiciário;
b) O poder discricionário de que o poder público é eventualmente titular decorre da ausência
de lei disciplinando sua atuação;
c) Caracteriza o pode discricionário a faculdade que se outorga ao administrador para
escolher a forma pela qual o ato será praticado;

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d) Quando a administração tiver praticado ato vinculado, poderá verificar-se a sua revogação;
não poderá, porém, o ato vinculado ser anulado;
e) Em qualquer ato administrativo, considerar-se-ão sempre vinculados os elementos da
competência, finalidade e forma.

80) (Cespe Papiloscopista PF 2000) Quando a lei admite que a autoridade administrativa
pratique ato administrativo com base no poder discricionário, a autoridade poderá estabelecer a
competência para a prática do ato.

81) (Cespe ACE TCU 2004) A discricionariedade do ato administrativo decorre da


possibilidade legal de a administração pública poder escolher entre mais de um
comportamento, desde que avaliados os aspectos de conveniência e oportunidade.

82) (ESAF/AFRF/2001) Em relação à discricionariedade, não é correto afirmar:


a) jamais se manifesta em relação ao sujeito do ato administrativo.
b) somente ocorre quando a lei expressamente confere à Administração o poder de exercê-la.
c) tem por fundamento o binômio “conveniência e oportunidade“
d) pode ser controlada mediante ato do Poder Judiciário.
e) não está presente em todos os elementos do ato administrativo.

83) (ESAF Assistente Jurídico AGU 1999) Assinale a letra que contenha a ordem que
expresse a correlação correta:
1 – ato vinculado
2 – ato discricionário
( ) aposentadoria compulsória por implemento de idade
( ) gradação de penalidade em processo administrativo
( ) nomeação de servidor para cargo em comissão
( ) exoneração de servidor em estágio probatório
( ) concessão de alvará para atividade comercial
a) 2/1/1/2/2
b) 1/2/2/1/1
c) 2/2/2/1/1
d) 1/2/1/2/1
e) 1/1/2/2/2

84) (CESPE/FISCAL INSS/98) No âmbito da administração pública, a lei regula


determinadas situações de forma tal que não resta para o administrador qualquer
margem de liberdade na escolha do conteúdo do ato administrativo a ser praticado. Ao
contrário, em outras situações, o administrador goza de certa liberdade na escolha do
conteúdo, da conveniência e da oportunidade do ato que poderá ser praticado. Acerca
desse importante tema para o direito administrativo – discricionariedade ou vinculação
administrativa e possibilidade de invalidação ou revogação do ato administrativo - ,
julgue os seguintes itens.
(1) O ato discricionário não escapa do controle efetuado pelo Poder Judiciário.
(2) A discricionariedade administrativa decorre da ausência de legislação que discipline o ato.
Assim, não existindo proibição legal, poderá o administrador praticar o ato discricionário.
(3) Um ato discricionário deverá se anulado quando praticado por agente incompetente.
(4) Ao Poder Judiciário somente é dado revogar o ato vinculado.
(5) O ato revocatório desconstitui o ato revogado com eficácia ex nunc.

85) (ESAF/AGU/98) Quando a valoração da conveniência e oportunidade fica ao talante


da Administração, para decidir sobre a prática de determinado ato, isto consubstancia
na sua essência
(a) a sua eficácia
(b) a sua executoriedade
(c) a sua motivação
(d) o poder vinculado
(e) o mérito administrativo

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86) (CESPE/FISCAL INSS/97) Caso exista norma jurídica válida, prevendo que o atraso no
recolhimento de contribuição previdenciária enseja multa de 5% calculada sobre o valor devido,
a aplicação desse dispositivo legal será definida como atividade discricionária.

87) (Técnico da Receita Federal/05 - Tecnologia da Informação) O ato administrativo, –


para cuja prática a Administração desfruta de uma certa margem de liberdade, porque
exige do administrador, por força da maneira como a lei regulou a matéria, que sofresse
as circunstâncias concretas do caso, de tal modo a ser inevitável uma apreciação
subjetiva sua, quanto à melhor maneira de proceder, para dar correto atendimento à
finalidade legal, – classifica-se como sendo
a) complexo.
b) de império.
c) de gestão.
d) vinculado.
e) discricionário.

88) (TCU/Analista de Controle externo/05/06) Assinale entre os atos administrativos


abaixo aquele que não está viciado.
a) Ato de remoção de servidor para localidade distante como forma de punição.
b) Portaria de presidente de autarquia rodoviária declarando imóvel de utilidade pública para
fins de desapropriação.
c) Ato de interdição de estabelecimento comercial, sem prévio contraditório, em caso de risco
iminente para a saúde pública.
d) Contratação direta, amparada em notória especialização do contratado, para serviços
singulares de publicidade.
e) Decreto de governador de Estado declarando utilidade pública de imóvel rural para fins de
desapropriação para reforma agrária.

89) (AFC 2003/2004) O mérito administrativo, na atuação do administrador público, cujo


controle jurisdicional sofre restrições, condiz em particular com o exercício regular do
seu poder discricionário.

90) (UnB/CESPE/TRT17.ª/ES/administrativa/2009) A prática de atos administrativos está


exclusivamente afeta às pessoas jurídicas de direito público.

91) (UnB/CESPE/TRT17.ª/ES/administrativa/2009) Como decorrência da prerrogativa da


autoexecutoriedade dos atos administrativos, tem-se que as ações do Estado como demolição
de obra, destruição de bens impróprios ao consumo e cobrança de multas são auto-
executáveis.

92) (FJG/2002/FISCAL DE TRIBUTOS/PREF. RJ) A presunção de legitimidade e de


veracidade, com que nascem os atos administrativos, é de natureza:
A) absoluta e não admite prova que a desconstitua
B) relativa e admite prova em contrário que a desconstitua
C) excepcional, somente sendo afastável por lei específica
D) mista, dependendo a sua desconstituição do tipo de prova que a Administração produza

93) (FJG/2005/FISCAL DE TRANSPORTES/PREF. RJ) Atos administrativos discricionários


são aqueles em que há valoração quanto aos seguintes elementos:
A) competência e forma
B) finalidade e motivo
C) forma e finalidade
D) motivo e objeto

94) (FJG/2005/AUXILIAR DE FISCAL/SMTU) O zelo da autoridade pelo fiel atendimento ao


interesse público corresponde ao seguinte elemento do ato administrativo:
A) forma
B) objeto
C) finalidade
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D) competência

95) (FJG/2005/AUXILIAR DE FISCAL/SMTU) A possibilidade de o ato administrativo ser


imediatamente exigível sem a necessidade de intervenção do Poder Judiciário é
garantida pelo seguinte atributo:
A) tipicidade
B) autoexecutoriedade
C) presunção de veracidade
D) presunção de legitimidade

96) (FJG/2005/AGENTE DE INSPEÇÃO/PREF. RJ) Se a autoridade competente declara de


utilidade pública, para fins de expropriação, fazenda de propriedade de inimigo político, visando
a afrontá-lo, embora invocado motivo de interesse público, caracteriza- se:
A) tredestinação
B) desvio de poder ou de finalidade
C) ato eivado de abuso de autoridade
D) exercício de poder político, imune de controle judicial

97) (SEFAZ/AC/Auditor/2009/CESPE) Entidades privadas podem praticar atos administrativos.

98) (TJDF/Serviços Notariais/2009/CESPE) O silêncio administrativo não significa ocorrência


do ato administrativo ante a ausência da manifestação formal de vontade, quando não há lei
dispondo acerca das conseqüências jurídicas da omissão da administração.

99) (PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) Na hipótese de omissão do legislador quanto à


fixação de competência para a prática de determinados atos, a atuação administrativa não é
viável, já que nenhuma autoridade pode exercer competência que não lhe tenha sido atribuída
expressamente por lei.

100) (PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) A distribuição de competência na esfera


administrativa é fixada exclusivamente mediante a adoção de critérios relacionados à matéria e
ao território.

101) (PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) Em regra, a competência administrativa é


renunciável.

102) (BACEN/Procurador/2009/CESPE) A delegação de competência, no âmbito federal,


somente é possível se assim determinar expressamente a lei.

103) (TRF1/Juiz/2009/CESPE) Ao delegar a edição de atos de caráter normativo, o


instrumento de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da
atuação do delegado, a duração e os objetivos da delegação, podendo conter ressalva de
exercício da atribuição delegada.

104) (PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) A competência administrativa pode ser objeto de


delegação, ainda quando esta competência tenha sido conferida por lei a determinado órgão
ou agente, com exclusividade.

105) (TRF1/Juiz/2009/CESPE) A autoridade administrativa superior, caso pretenda delegar a


decisão de recursos administrativos, deverá fazê-lo mediante portaria a ser publicada no Diário
Oficial da União, de modo a garantir o conhecimento da delegação aos interessados, em
consonância com o princípio da publicidade.

106) (SEFAZ/AC/Auditor/2009/CESPE) O ato praticado sob o manto da delegação é


considerado como praticado pela autoridade delegante.

107) (PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) De acordo com a legislação de regência, a avocação


de competência é admitida apenas em caráter temporário e por motivos relevantes
devidamente justificados.
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108) (DPE/ES/Defensor/2009/CESPE) Segundo a doutrina, integra o conceito de forma, como


elemento do ato administrativo, a motivação do ato, assim considerada a exposição dos fatos e
do direito que serviram de fundamento para a respectiva prática do ato.

109) (TJ/RJ/Analista/2008/CESPE) A publicidade é elemento formativo do ato administrativo,


uma vez que, sem ela, o ato não chega a se formar e, por isso, não pode gerar efeitos.

110) (TJ/RJ/Analista/2008/CESPE) O governador do estado do Rio de Janeiro emitiu um


decreto, para fiel execução das leis, após aprovação de parecer da procuradoria-geral do
estado, disciplinando a lei X. No entanto, entendeu-se, após o mesmo gerar os efeitos que dele
se esperava, que o referido decreto, em alguns pontos, estaria ultrapassando os limites legais,
regulando matéria que não estava contida na lei X. Na situação hipotética descrita no texto, o
decreto emitido apresenta vício de
a) competência. b) objeto. c) finalidade. d) motivo. e) forma.

111) (PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) O motivo, considerado o pressuposto de fato que


antecede a prática do ato, somente pode ser vinculado.

112) (TRF5/Juiz/2009/CESPE) Alguns doutrinadores entendem que o elemento finalidade do


ato administrativo pode ser discricionário. Isso porque a finalidade pode ser dividida entre
finalidade em sentido amplo, que se identifica com o interesse público de forma geral, e
finalidade em sentido estrito, que se encontra definida na própria norma que regula o ato.
Assim, a primeira seria discricionária e a segunda, vinculada.

113) (PGE/PE/Procurador/2009/CESPE) Se a administração pública pune um funcionário pela


prática de infração diversa da efetivamente cometida, ela incorre em vício quanto ao motivo,
razão pela qual, segundo a doutrina, a situação configura hipótese de inexistência dos motivos.

114) (DPE/PI/Defensor/2009/CESPE) A prerrogativa inerente aos atos administrativos da


presunção de legitimidade é jure et de jure, motivo pelo qual não admite prova em contrário.

115) (DPE/PI/Defensor/2009/CESPE) A imperatividade é atributo inerente a todos os atos


administrativos.

116) (DPE/ES/Defensor/2009/CESPE) A autoexecutoriedade é atributo presente em qualquer


ato administrativo.

117) (DPE/PI/Defensor/2009/CESPE) Nem todos os atos administrativos que impõem


obrigações possuem o atributo da executoriedade.

118) (TST/Analista/2008/CESPE) Em regra, os atos administrativos são auto-executáveis, o


que significa que eles têm força de título executivo extrajudicial.

GABARITO: 1) C, 2) VVVVF, 3) V; 4) A; 5) A; 6) F; 7) B; 8) C; 9) C; 10) D, 11) D, 12) F, 13) V, 14) F, 15)


V, 16) F, 17) F, 18) F, 19) E, 20) B, 21) F, 22) F, 23) V, 24) F, 25) F, 26) B, 27) C, 28) C, 29) C, 30) D, 31)
A, 32) C, 33) V, 34) V, 35) F, 36) F, 37) V, 38) D, 39) C; 40) E; 41) A; 42) C; 43) D; 44) D; 45) D; 46) D;
47) C, 48) V, 49) F, 50) V, 51) C, 52) C, 53) V, 54) F, 55) V, 56) V, 57) A, 58) C, 59) A, 60) F, 61) V, 62)
V, 63) F, 64) V, 65) B; 66) B, 67) V, 68) V, 69) D, 70) F, 71) F, 72) F, 73) F, 74) F, 75) V, 76) A, 77) C, 78)
C, 79) FFFFF, 80) F, 81) V, 82) B; 83) B, 84) V F V F V; 85) E, 86) F, 87) E, 88) C, 89) V, 90) F, 91) F,
92) B, 93) D, 94) C, 95) B, 96) B, 97) C, 98) C, 99) F, 100) F, 101) F, 102) F, 103) F, 104) F, 105) F, 106)
F, 107) C, 108) C, 109) F, 110) B, 111) F, 112) C, 113) F, 114) F, 115) F, 116) F, 117) C, 118) F.

Data Nº questões Acertos % acerto Data Nº questões Acertos % acerto


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Data Nº questões Acertos % acerto Data Nº questões Acertos % acerto
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Data Nº questões Acertos % acerto Data Nº questões Acertos % acerto
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Com essas questões, chegamos ao final desse encontro.

Iniciarei a próxima aula com um simulado de atos administrativos, por isso aproveite a
semana para tirar todas as dúvidas por meio do fórum.

Grande abraço

Armando Mercadante
armandomercadante@pontodosconcursos.com.br

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