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AVALIAÇÃO DO ESTABELECIMENTO DOS PARASITÓIDES (Diachasmimorpha

longicaudata e Fopius arisanus) DA MOSCA DA FRUTA (Bactrocera dorsalis) NOS


DISTRITOS DE MANICA E MACATE

Autor:

Luís Tapera Lucas


UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE ENGENHARIA AGRONÓMICA E FLORESTAL
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA AGRONÓMICA

AVALIAÇÃO DO ESTABELECIMENTO DOS PARASITÓIDES (Diachasmimorpha


longicaudata e Fopius arisanus) DA MOSCA DA FRUTA, ( Bactrocera dorsalis) NOS
DISTRITOS DE MANICA E MACATE

Luis Tapera Lucas

Mocuba, Junho de 2016


UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE ENGENHARIA AGRONÓMICA E FLORESTAL
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA AGRONÓMICA

AVALIAÇÃO DO ESTABELECIMENTO DOS PARASITÓIDES (Diachasmimorpha


longicaudata e Fopius arisanus) DA MOSCA DA FRUTA, (Bactrocera dorsalis ) NOS
DISTRITOS DE MANICA E MACATE

Autor: Luís Tapera Lucas


Orientador: Eng.º Manuel Ismael Martins
Co-Orientador: Eng.º João Jordane

Monografia submetida a Faculdade de


Engenharia Agronómica e Florestal, em
parcial cumprimento para à obtenção do
grau de Licenciatura em Agronomia

Mocuba, Junho de 2016


DECLARAÇÃO

Eu, Luís Tapera Lucas declaro que esta Monografia é resultado do meu próprio trabalho e está a
ser submetida para a obtenção do grau de Licenciado na Universidade Zambeze, Mocuba. Ela
não foi submetida antes para a obtenção de nenhum grau ou para avaliação em nenhuma
Universidade.

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

(Luís Tapera Lucas)

Mocuba ________ de ______________________de 2016


DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho, em memória dos meus pais Tapera Lucas Luís e Rosa Armando, que
infelizmente não presenciaram a minha formação superior. Que suas almas descansem em paz e
que Deus os proteja.

Os meus irmãos José Lindo Magaveia Luís, Noticiana, Virgínia, Maria da Clara.

Em peculiar Victoria da C. Forquilha pelo amor, apoio moral em momentos cruciais em toda
minha formação.

A família Muadeia, Nelcia Carlos em especial minha Filha Maria Eurice de Luís Tapera.

Meus sobrinhos, Mussa José Lindo, Rosineidy, Luís, Neusa da Conceição

A minha tia Maria da Clara, Luisa Ngingi, ao tio Braz, Cheren epelo apoio e educação moral na
vida.

Aos meus amigos: Matamba Jaime Bento, Estrela Braz, Sónia Massicame, Lurdes Cherene,
Samuel Arnaldo, António Carlos, Quiata Trabalho, Castro França, Abegas Veloso, Simão
Supaite, Cantanilio, Pascual Furtunato e Joaquim Celino

Minhas irmãs, sobrinhos e filha, que este trabalho sirva de guião para vossas vidas.

À todos vós, dedico este trabalho………..


Avaliação do estabelecimento dos parasitóides (Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus) da mosca da
fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar dou graças á Deus pela vida e por ter cuidado de mi desde que saí daventre da
minha mãe, sempre me cuido. Por tornar meu sonho uma realidade, pelo seu favor que me faz
crescer eu te agradeço.

Agradeço ao meu irmão José Lindo Magaveia Luís, desde que perdi os meus pais tomou a
responsabilidade de cuidar da família, pelo apoio moral, educacional e financeiro.

Aos Supervisores deste trabalho, os Eng º. Manuel Ismael Martins, Eng.º João Jordane e Eng º.
Luís Domingo Bota, que souberam de forma paciente e sábia, confiar, orientar e conduzir-me a
esta realidade, à estes endereço imensa gratidão, que auxiliaram no fornecimento de dados, na
análise científica e fizeram com que o meu estudo tornasse uma realidade.

De forma peculiar Victoria da C. Forquilha, e todos docentes da FEAF que contribuíram na


minha formação profissional.

A todos colegas da geração 2012 pelo apoio moral e material, amizade e companheirismo, em
particular Graciano B.S. Júnior, Nursan Ange, António Elias, Jeorge Sebastião Nhamunda,
Kelvio da Costa, George Michael, Mário Matundulo, Jacinta Mossa, Amelia Tiago, Aprígio
Sambo, aos demais que não consegui mencionar de forma directa e indirectamente meu muito
obrigado.
Agradeço a todos os colegas do Laboratório da Mosca de fruta em Chimoio, que me apoiaram
nas actividades face a realização deste trabalho.

Agradeço a Unizambeze pela bolsa de estudos, a SDAE Manica (Laboratório da mosca da Fruta)
que directa e indirectamente contribuíram para realização deste trabalho.

A todos vocês recebam o meu muito obrigado do fundo do coração.

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

EPÍGRAFE

“Então vi toda a obra de Deus, que o homem não pode perceber, a obra que
se faz debaixo do sol, por mais que trabalhe o homem para a descobrir, não
a achará; e, ainda que diga o sábio que a conhece, nem por isso a poderá
compreender”
Eclesiastes 8.17

“Quem é sábio observe estas coisas e considere atentamente as benignidades


do Senhor”
Salmo 107.43

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

ÍNDICE
RESUMO .........................................................................................................................................v
ABSTRACT.................................................................................................................................... vi
Lista de figuras............................................................................................................................... vii
Lista de tabelas.............................................................................................................................. viii
Lista de apêndices ........................................................................................................................... ix
Lista de abreviaturas ........................................................................................................................x
I. INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 1
1.1. Antecedentes .................................................................................................................... 1
1.2. Problema de estudo e Justificativa ................................................................................... 2
1.3. Objectivos......................................................................................................................... 3
1.3.1. Geral.......................................................................................................................... 3
1.3.2. Específicos ................................................................................................................ 3
1.4. Hipóteses .......................................................................................................................... 4
1.5. Questões do estudo ........................................................................................................... 4
II. Revisão Bibliográfica........................................................................................................... 5
2.1. Historial da invasão da mosca em áfrica e Moçambique ................................................. 5
2.2. Biologia da Bactrocera invadens ..................................................................................... 6
2.2.1. Ciclo de vida ............................................................................................................. 6
2.3. Controlo biológico pelo uso de insectos parasitóides ...................................................... 9
2.3.1. parasitóides (Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus ) ....................... 12
2.3.1.1. Aspectos gerais.................................................................................................... 12
2.3.2. Parasitismo por Diachasmimorpha longicaudata................................................... 13
2.3.2.1. Biologia D. longicaudata .................................................................................... 14
2.3.3. Parasitismo por Fopius arisanus............................................................................. 15
2.4. Factores que afectam a liberação e a eficiência de parasitóides .................................... 16
2.4.2. Técnica de liberação................................................................................................ 17
2.4.3. Número e intervalo de liberações............................................................................ 17
2.4.4. Características do vegetal........................................................................................ 18
2.4.5. Presença de outros inimigos naturais ...................................................................... 18

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2.4.6. Preferência hospedeira ............................................................................................ 18


2.4.7. Número de insectos liberados ................................................................................. 18
2.4.8. Condições climáticas............................................................................................... 19
2.5. O Complexo tritrófico e a sua interferência na liberação e eficiência de parasitóides .. 19
2.5.1. Interacções com a planta e a comunidade vegetal .................................................. 20
2.5.2. Interacção com o hospedeiro................................................................................... 20
III. MATERIAL E METODOS ............................................................................................... 21
3.1.1. Distrito de Manica................................................................................................... 21
3.1.2. Distrito de Macate ................................................................................................... 21
3.2. Discrição das actividades ............................................................................................... 22
3.2.1. Libertação dos parasitoides ..................................................................................... 22
3.2.2. Colecta de fruto ....................................................................................................... 23
3.2.3. Procedimentos do laboratório ................................................................................. 23
3.2.4. Critério de escolha do local..................................................................................... 24
3.2.5. Delineamento Experimental.................................................................................... 24
3.2.6. Analise dos dados.................................................................................................... 24
3.2.7. Descrição de pomares envolvidos........................................................................... 24
3.2.7.1. Pomar Senhor Jassinão........................................................................................ 25
3.2.7.2. Pomar Missão Jecua ............................................................................................ 25
3.3. Contagem e identificação das Moscas e Parasitóides .................................................... 25
3.4. Variáveis determinados em estudos ............................................................................... 27
3.4.1. Índice de Infestação dos frutos................................................................................ 27
3.4.2. Níveis de parasitismos DF e FA ............................................................................. 27
3.4.3. Abundância dos espécimes (Mosca da fruta e parasitóides)................................... 27
3.4.4. Estabelecimento dos parasitóides............................................................................ 28
IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................................................... 29
V. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................................. 34
5.1. CONCLUSÕES.............................................................................................................. 34
5.2. RECOMENDAÇÕES .................................................................................................... 35
5.2.1. Aos produtores ........................................................................................................ 35

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

5.2.2. Aos investigadores .................................................................................................. 35


5.2.3. Ao governo.............................................................................................................. 35
VI. REFERENCIA BIBLIOGRAFICA ................................................................................... 36

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

RESUMO
O presente estudo realizou-se na Província de Manica em Outubro de 2015 até Janeiro de 2016
nos distritos de Macate e Manica. O objectivo do estudo foi avaliar o estabelecimento dos
parasitóides da mosca-da-fruta (Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus) onde a
colheita das amostras foi de forma aleatória nos locais onde foram libertados os parasitóides.
Depois da colheita as amostras foram levadas ao laboratório da mosca de fruta em Chimoio para
processamento. Mediante o estudo, foram avaliados os seguintes parâmetros: Índice de
infestação dos frutos em Macate e Manica; nível de parasitismo de DL e FA nos distritos;
abundância de espécies (parasitóides e Moscas) em cada local e determinar o nível do
estabelecimento dos parasitóides. Para o estudo três hospedeiros da mosca estavam em causa
(Manga, Papaia e Goiaba), onde através dos resultados obtidos a Bactrocera dorsalis destacou-se
com maior abundancia em Manica com 716 B. invades em relação a Macate que teve 28 B.
invades não sendo capturadas espécies em ambos locais referentes a Ceratitis capita e Dacus ssp
em Macate. Ao analisar o índice de infestação por cada distrito, observou-se maior número de
pupário/fruto em Manica com 0,50 comparada de Macate com 0,11 sendo este o local menos
infestado. Não houve estabelecimento dos parasitóides, justificado pelo baixo número de
parasitóides libertados, efeitos climáticos destacado a temperatura e humidade, e duração de
período de colheita das amostras após a sua libertação.

Palavras-chave: Libertação dos parasitóides (D. longicaudata & F. arisanus); controlo


biológico; mosca-da-fruta.

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ABSTRACT
This study was carried out in Manica Province in October 2015 to January 2016 in the districts
of Manica and Macate District. The aim of the study was to evaluate the establishment of the
parasitoid fly-of-fruit (longicaudata Diachasmimorpha and Fopius arisanus) where the sample
collection was randomly in places where the parasitoids were released. After harvest the samples
were taken to the fruit fly lab in Chimoio for processing. Through the study, we evaluated the
following parameters: the fruit infestation index in Macate District and Manica; DL and FA of
parasitism level in the districts; abundance of species (parasitoids and flies) in each location and
determine the level of the establishment of parasitoids. For the study three fly hosts were
concerned (Mango, Papaya and Guava), where by the results of the Bactrocera dorsalis stood out
with greater abundance in Manica 716 B. invade regarding Macate District had 28 B. invade not
It is harvested species at both sites regarding Ceratitis capita and Dacus ssp in Macate District.
By analyzing the infestation index for each district, there was a higher number of puparium /
fruit in Manica with 0.50 compared to Macate District with 0.11 being the less infested place.
There was no establishment of parasitoids, justified by the low number of released parasitoids,
weather effects highlighted the temperature and humidity, and duration of the sampling period
after his release.

Keywords: Liberation of parasitoids (D. longicaudata & F. arisanus), biological control, fly-of-
the-fruit.

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Lista de figuras
Figura 1: Ciclo de vida da mosca da fruta............................................................................................8
Figura 2: Mosca da fruta do género Bactrocera de importância quarentenaria em Moçambique ..............9
Figura 3: O. longinoda predando a fase adulta de B. invadens a esquerda e a uma larva a direita........... 12
Figura 4: Estabelecimento da D. longicaudata na manga.................................................................... 14
Figura 5: Fêmea de F. arisamus depositando os seus ovos nas larvas de B. invadens............................ 15
Figura 6: Mapa do local de estudo. Fonte: Feaf/2016......................................................................... 22
Figura 7: Selecção de espécies de moscas (á esquerda) e identificação das moscas (á direita) ............... 26
Figura 8: Transporte de gaiola de parasitoides ................................................................................... 26

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Lista de tabelas
Tabela 1: Abundância das espécies (Moscas e parasitóides) em cada local de estudo ............... 29
Tabela 2: Índice de infestação de hospedeiros em locais de estudo. ........................................... 31

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Lista de apêndices
Apêndice 1: ANOVA ..................................................................................................................... ix
Apêndice 2:Dados climáticos de Manica do ano 2015 ...................................................................x
Apêndice 3:Dados climáticos de Manica 2014 .............................................................................. xi
Apêndice 4: libertação dos parasitoides em Macate e Manica ..................................................... xii
Apêndice 5: Dados de Moscas colhidas....................................................................................... xiii

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Lista de abreviaturas
ANOVA- Análise de Variância
CABI - Commonwealth Agricultural Bureaux Intenational
COV’S - Compostos orgânicos voláteis
CTA - Centro Técnico de Cooperação Agrícola e Rural
DCC - Delineamento completamente casualizado
EPPO - Effective Pest Controls in the European and Mediterranean Region
FDA - Fundo do desenvolvimento agrário
FEAF - Faculdade de Engenharia Agronómica e Florestal
FTD - Flies per trap per day
GPS - Global Positioning System
ICIPE - International Centre of Insect Physiology and Ecology
INE - Instituto Nacional de Estatística
IPEX - Instituto de Promoção das Exportações
MAE - Ministério de Administração Estatal
MIP - Maneio integrado de Pragas
PIB - Produto interno Bruto
SADC - Southern Africa Development Community
TAM - Técnica de Aniquilação de Machos
USAID - United States Agency for International Development
USD - Dólares Americanos.

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I. INTRODUÇÃO
1.1. Antecedentes
As fruteiras em Moçambique são distinguidas como fonte de receitas, olhando para sector
empresarial e familiar. Destacando Manica e Maputo, o sector de fruticultura pode gerar renda
em cerca de USD 20 milhões. Com a introdução da mosca da fruta no País, poderá reduzir as
potencialidades e crescentes investimentos no sector agrário, reduzir a qualidade de produção e
frutas para exportação (Cugala et al., 2008; Cugala et al., 2010; Cugala, 2011; Canhanga, 2012).

Diversas pragas afectam o processo produtivo de fruteiras, olhando principalmente para as


moscas das frutas, estes representam uma grande ameaça para a qualidade dos frutos, sendo ela
uma espécie polífaga, pois possui uma capacidade devastadora, quando coloniza uma região, em
caso de não forem devidamente tomadas as medidas de controlo (Ekesi e Billah, 2007; Cugala et
al., 2010; Cugala, 2011a; Canhanga, 2012).

O controlo biológico de moscas-das-frutas com uso de parasitóides (Hymenoptera) vem


recebendo uma maior atenção, sendo considerado promissor no manejo integrado de tefritídeos
(Ovruski et al., 2000; Nicácio et al., 2011) citado por (Campos, 2012). Segundo Carvalho (2000)
os parasitóides são os principais organismos responsáveis pelo equilíbrio das populações de
moscas-das-frutas.

Para este estudo foi levado a cabo dois parasitóides para combate a mosca da fruta,
(Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus) onde foram libertados em dois pomares dos
distritos de Macate (Associacao AMU-localidade de Nhamutoera) e Manica (Missão Jecua).
Ciente dos desafios da agricultura no país, vários estudos estão sendo levados a cabo com vista a
encontrar medidas contra a mosca da fruta, face a isto, o trabalho foi elaborado para avaliar o
estabelecimento dos parasitóides da Mosca-da-fruta (Diachasmimorpha longicaudata e Fopius
arisanus), Bactrocera invadens (díptera: tephritidae) na província de Manica nos distritos de
Macate e Manica.

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1.2. Problema de estudo e Justificativa

Tem-se verificado anualmente em todo o mundo perdas de bilhões de dólares no sector agrícola
destacando as fruticulturas e horticulturas através da ameaça da mosca das frutas (Usda, 2012;
Sunday, sem data). Aproximadamente 20 milhões de dólares americanos anualmente podem ser
geradas através das receitas no sector de horticultura em Maputo e Manica, estando em causa
esta receita no sector comercial como familiar devido a invasão da mosca da fruta em África e
Moçambique (Cugala, 2011).

Com esta grande problemática no País, podemos ser agravado com varias situações, como
redução de excedentes nos produtores, redução do PIB (Produto Interno Bruto), alto nível de
desemprego justificado pelo impasse da circulação no mercado das frutas, exportação dos
mesmos.
O controlo das moscas-das-frutas é realizado basicamente com a aplicação de insecticidas
químicos, com custos de milhões de dólares por ano. O uso desses insecticidas ocorre por meio
de pulverizações em cobertura de produtos, tais como: piretróides e spinosad, com destaque para
a sua elevada toxicidade, que na maioria das vezes não é selectiva aos inimigos naturais
(Wharton, 2012).

Actualmente, o mercado consumidor de frutas frescas é muito exigente com relação à presença
de resíduos de agro-tóxicos, por isso, observa-se que há uma tendência mundial para minimizar o
uso de insecticidas em pomares, devido aos efeitos negativos que estes produtos causam ao meio
ambiente, aliados aos riscos à saúde humana (Carvalho et al., 2000; Nicácio et al., 2011).

Face a isso, tem-se buscado gradativamente substituir o controlo químico convencional, por
práticas menos impactantes ao meio ambiente, tais como: liberação de insectos estéreis, remoção
de frutas maduras do solo, uso de atractivos biológico natural e/ou aplicados para suprimir as
populações alimentares ou sexuais e principalmente com o uso do controlo biológico natural
(Ovruski e Schliserman, 2012), na qual este ultimo vem sendo o objecto da realização deste
trabalho.

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1.3. Objectivos
1.3.1. Geral
 Avaliar o estabelecimento e dispersão dos parasitóides de mosca da fruta (Diachasmimorpha
longicaudata e Fopius arisanus) nos distritos de Macate e Manica;
1.3.2. Específicos
 Determinar o índice de infestação dos frutos em Macate e Manica;
 Estimar o nível de parasitismo de DL e FA nos distritos de Macate e Manica;
 Determinar o nível de abundância de espécies (parasitoides e Moscas) em cada local;
 Determinar o nível do estabelecimento dos parasitoides DL e FA nos distritos.

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1.4. Hipóteses
Os parasitóides da mosca-da-fruta (Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus), podem
se estabelecer nos locais libertados na Província de Manica.

1.5. Questões do estudo


 Qual é o comportamento da população dos parasitóides em locais libertados?

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II. Revisão Bibliográfica


2.1.Historial da invasão da mosca em áfrica e Moçambique

Em Março de 2003, durante monitorias normais de moscas da fruta realizadas pelo ICIPE
inseridas no African Fruit Fly Initiative (AFFI), espécimes de moscas da fruta até então
desconhecidos foram encontrados no Quénia (Ekesi e Mohamed, 2010). Lux et al. (2003), com
base em características morfológicas básicas concluíra que os espécimes provavelmente
pertenciam ao complexo dorsalis, especificamente Bactrocera dorsalis, que alberga moscas da
fruta tropicais com mais de 75 espécies de grande importância económica (Ekesi e
Mohamed,2010 e De Meyer et al., 2012). Imediatamente a seguir à sua detecção no Quénia, a
espécie foi reportada em vários outros países africanos.

Em Moçambique a B. invadens foi identificada pela primeira vez em 2007 no distrito de


Cuamba, província de Niassa. Há evidências de que este mesmo tenha sido introduzido da nossa
vizinha Tanzânia. Em 2008 trabalhos de monitoria realizados no país, mostraram que a B.
invadens ocorria na província de Manica, Niassa, Nampula e Cabo Delgado, sendo este último o
que apresentava os maiores níveis de infestação, as restantes Províncias foram consideradas
como zonas livres da mosca, Cugala et al. (2008).

No âmbito do programa nacional de monitorias, B. invadens foi detectada em Vanduzi-Manica


(Julho e Agosto de 2008), Pemba-Mieze, Chiure e Alua-Nampula (Outubro de 2008), Chimoio-
Manica (Setembro de 2009), Zobue-Tete (Fevereiro de 2010), Zambezia, Dondo-Sofala e
Dombe-Manica (Março de 2010) e Muxungue-Sofala (Junho de 2011). Nenhuma detecção foi
feita a Sul do Rio Save, assim, a zona Sul do País é considerada livre desta espécie, sendo
Muxungue a zona de detecção mais a Sul do País.

O Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) do Ministerio da Agricultura, como forma de evitar


a dispersão da praga das zonas afectadas para as não afectadas, estabeleceu em 2008 medidas de
quarentena doméstica, para o controlo interno do movimento de produtos hospedeiros da mosca
(Cugala e Mangana, 2010). Assim foi proibida a movimentação de frutas e vegetais dentro do
país e foram estabelecidos postos de físcalização ao longo das principaís vias de comunicação no

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país: Ponte Armando Guebuza, fronteira de Machipanda, Cruzamento de Inchope, Ponte sobre o
Rio Save, Rio Limpopo (Xai-Xai) e Incoluane (Canhanga,2012).

2.2.Biologia da Bactrocera invadens

A Bactrocera invadens Drew, Tsuruta e White, também chamada de mosca invasiva africana, é
uma espécie de mosca de fruta pertencente à ordem Díptera, família Tephritidae e tribo Dacini.
Primeiramente foi chamada de Bactrocera dorsalis, só apenas em 2005 é que foi descrita e
atribuída o nome Bactrocera invadens (Drew et al.,2005).

2.2.1. Ciclo de vida

O ciclo de vida da Bactrocera invadens tem uma duração média de cerca de 40 a 60 dias,
podendo completar várias gerações num ano, dependendo das condições climáticas da região e
da abundância de hospedeiros (Drew et al.,2005).

Nome científico: Bactocera invadens Drew, Diptera, Tephritidae (Tsuruta e White, 2005)

Nome comum: Mosca invasiva Africana ou mosca invasiva da fruta.

Descrição taxonómica:

Reino: Animal,

Filo: Artropoda,

Classe: Insecta,

Ordem: Diptera,

Família: Tephritidae,

Tribo: Dacini,

Género: Bactrocera,

Espécie: Bactrocera invadens.

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Devido ao seu Impacto na fruticultura e horticultura, é considerada praga de grande importância


económica (Ekesi e Billah, 2007; Mokwele, 2012). De acordo com Ekesi e Billah (2006) o ciclo de
vida da B. invadens pode ser subdivido em cinco fases a descrever.

1a Fase - Acasalamento: o acasalamento ocorre quando os adultos já se encontram sexualmente


maduros, o que acontece cerca de 10 dias após a emergência.

2a Fase - Oviposição: a colocação dos ovos no fruto acontece logo apôs o acasalamento, a fêmea
usa o ovipositor comprido para colocar os ovos no fruto. O número de ovos colocados varia com
o decorrer da oviposição, sendo de 7 a 10 ovos nos primeiros dias da oviposição, cerca de 30
ovos nos próximos 14 a 20dias. O número de ovos produzidos aumenta com o aumento de fruta
hospedeira. Durante o período de vida de um adulto que varia de 40 a 60 dias, uma fêmea pode
colocar até cerca de 1000 ovos.

3a Fase - Desenvolvimento das larvas: as larvas desenvolvem-se na polpa da fruta cavando


galerias, que constituem uma porta aberta para as infecções secundárias quando as larvas
emergem do fruto. O crescimento das larvas acelera a maturação da fruta, que se desprende e cai
no chão. Esta fase dura cerca de 5 a 10 dias.

4a Fase - Pupa: após a queda do fruto as larvas migram ao solo onde pupam durante um período
de 10 a 20 dias dependendo das condições climáticas.

5a Fase - Emergência do adulto: nesta fase o adulto emerge do solo e logo de seguida começa a
procurar alimentos de que necessita para atingir a maturidade sexual.

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

Figura 1: Ciclo de vida da mosca da fruta

Fonte: Cugala (2011).

O género Bactrocera apresenta muitas semelhanças, mas a B.invadens apresenta algumas


características que o diferenciam das demais espécies. A B.invadens apresenta um tórax castanho
a preto com variações de castanho-escuro a completamente preto. O lóbulo pós-frontal e o
escutelo são de cor amarela. O térgito médio é lateralmente preto e vermelho-castanho
centralmente. Todos os fêmures são amarelos e todas tíbias pretas, com tíbias posteriores mais
escuras (Ekesi e Billah, 2006).

Uma das mais importantes características que diferencia facilmente a B. invadens das demais
espécies de moscas de fruta é a presença de apenas duas listras amarelas laterais no seu
abdômen. As asas são transparentes com duas faixas pretas, sendo a superior maior em relação a
anterior (Ekesi e Billah, 2006).

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

a) b) c) d)

a) Bactrocera invadens, b) Bactrocera curcubitae, c) Bactrocera zonata d)Bactrocera latifrons.

Figura 2: Mosca da fruta do género Bactrocera de importância quarentenaria em Moçambique

Fonte: a) Cugala (2010) e (b,c,d) R.Copeland. Citado por Canhanga (2012).

2.3.Controlo biológico pelo uso de insectos parasitóides


Segundo (Parra e Bento, 2006) citado por Nascimento (2011) As espécies de insectos cujas
larvas se desenvolvem no corpo de outro artrópode, usualmente um insecto, ou em uma massa
única ou gregária de hospedeiros, como ootecas ou massas de larvas galhadoras, acarretando a
morte do hospedeiro ao final do seu desenvolvimento são denominados parasitóides.

Os parasitóides são organismos que possuem um comportamento intermediário entre os


predadores e os parasitas, pois residem dentro de um hospedeiro vivo se alimentando de seus
tecidos e matam seus hospedeiros de forma inevitável. Os adultos são de vida livre e se
alimentam de néctar e pólen. Ao encontrar um hospedeiro, que pode ser um ovo, uma larva, uma
pupa de outros insectos, a fêmea deposita um ou vários ovos sobre ele e a larva do parasitóide se
alimentará do tecido desse hospedeiro o qual morre nessa relação (Marchiori et al., 2006) citado
por Nascimento (2011).

Os parasitóides de ovos matam o hospedeiro antes mesmo que este inicie seu ataque sobre a
plantação. Já os parasitóides de larvas e de pupas reduzem o tamanho das populações
hospedeiras apenas nas gerações seguintes. Do ponto de vista do controle biológico os

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parasitóides de ovos são mais importantes que os demais (Campos e Araújo, 1994) citado por
Nascimento (2011).

De acordo com Garcia (1991) citado por citado por Nascimento (2011), em função do local de
deposição dos ovos, esses insectos podem ser classificados como endo ou ectoparasitóide, em
que os ovos são depositados no interior ou sobre os hospedeiros, respectivamente. Eles também
podem ser divididos quanto ao modo de ataque do hospedeiro após ser parasitado em idiobiontes
e coinobiontes. Os primeiros cessam o desenvolvimento do hospedeiro e o segundo permitem
que o hospedeiro permaneça vivo até o seu desenvolvimento.

Os parasitóides podem ser ainda especialistas ou generalistas. Aqueles que utilizam


exclusivamente uma determinada espécie de hospedeiro são ditos como especialistas. Estes
dependem inteiramente de sua espécie hospedeira e comummente são endoparasitóides
coinobiontes. Já os generalistas, utilizam uma gama variável de espécies hospedeiras distintas
(Campos e Araújo, 1994) citado por Nascimento (2011).

Os insectos parasitóides ocorrem nas ordens Coleóptera, Lepidoptera, Trichoptera, Neuroptera


sendo mais comuns na ordem Hymenoptera, onde as estimativas actuais indicam que as vespas
parasitóides podem constituir de 10 a 20% do total de insectos. Esta última ordem é composta de
espécies que habitam os diferentes tipos de ambientes, com aproximadamente 115.000
representantes, e uma perspectiva aponta que existem cerca de 250.000 espécies em diferentes
regiões do mundo (Santos, 2008).

Os Hymenoptera endoparasitóide podem ser encontrados nas superfamílias Platygastroidea e


Cynipoidea; nas famílias Monomachidae, Diapriidae e Heloridae; indivíduos ectoparasitóides
são evanioidea, Ceraphronoidea, Ichneumonoidea e Chalcidoidea (Santos, 2008).

Para o sucesso de um programa de controlo biológico utilizando parasitóides é importante


observar alguns aspectos relacionados ao comportamento e a biologia destes insectos no campo
As variações comportamentais destes insectos estão relacionadas com factores bióticos e

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abióticos, que de forma directa ou indirecta, influenciam na eficiência do parasitismo (Bueno,


2008). O hospedeiro, a adaptabilidade e a capacidade intrínseca da linhagem sob as condições de
cada agro ambiente são alguns factores bióticos que proporcionam alterações comportamentais
em parasitóides. Já, os factores abióticos que podem ser descritos são as condições climáticas, as
características dos cultivos e o impacto ambiental dos agro tóxicos (Pratissoli et al., 2002).

Para a avaliação das características biológicas dos parasitóides, é necessário seguir algumas
etapas para se ter sucesso na utilização de Trichogramma sp. (Hymenoptera), um parasitóide de
ovos tanto com Fopius arisanus de diversas pragas-chave de 34 culturas em mais de 30 países.
Um dos limitadores enfrentados para o desenvolvimento do programa de controlo biológico com
o uso de parasitóide é a falta de informações sobre a tecnologia de liberação destes inimigos
naturais nas diversas regiões (Pinto e Parra, 2002).

Para eficiência das liberações destes parasitóides no campo depende basicamente de alguns
factores, tais como a capacidade de “busca”, preferência hospedeira, tolerância às condições
climáticas, intervalo, número e época de liberações, número de insectos liberados, arquitectura
da planta, entre outros. Portanto, o conhecimento desses factores e suas interacções possibilitam
melhor manejo do controle natural de uma praga ou conjunto delas (Brogliomicheletti et al.,
2007; Bueno, 2008).

Segundo (Ekesi e Billah, 2006), O controlo biológico é o uso de organismos úteis


especificamente seleccionados para reduzir o dano causado por uma praga ou espécies
associadas a uma praga. Os agentes de controlo biológico da Bactrocera invadens identificados e
usados nos países africanos são o predador Oecophylla longinoda, o parasitóide de ovos Fopius
arisamus, e o fungo fitopatogênico Metarhizium anisopliae

A formiga alfaiate (Oecophylla longinoda) é uma espécie que ocorre naturalmente nas fruteiras,
vivendo em interração com cochonilhas e insectos escamas, alimentando-se da melada produzida
por estes, e também das larvas e adultos de moscas de fruta.

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

Figura 3: O. longinoda predando a fase adulta de B. invadens a esquerda e a uma larva a direita.

Fonte: Vayssières et al., (2009).

2.3.1. parasitóides (Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus )


2.3.1.1.Aspectos gerais
Dentre os inimigos naturais das moscas-das-frutas, os himenópteros parasitóides, principalmente
aqueles pertencentes à família Braconidae, são quase que exclusivamente os responsáveis pelo
equilíbrio das populações dessas pragas (Wharton, 1993).

Os braconídeos parasitóides de moscas-das-frutas pertencem às Subfamílias Opiinae (mais


comuns) e Alysiinae. São endoparasitóides de Diptera Cyclorrhapha, ou seja, a fêmea oviposita
nos ovos ou larvas de seu hospedeiro, que permanece vivo até a fase de pupa, para o completo
desenvolvimento do parasitóide (Wharton, 1997).

Os opiíneos parasitóides de moscas-das-frutas pertencem aos géneros Opius, Utetes,


Doryctobracon, Bioesterese Diachasmimorpha. Os opiíneos são preferidos nos programas de
controlo biológico de moscas das- frutas devido à especificidade hospedeira para a família
Tephritidae. Todas as espécies registradas nos géneros Utetese Doryctobracone a maioria das
espécies do género Diachasmimorphasão parasitóides de Tephritidae (Wharton, 1997).

A Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus são os principais parasitóides usados no


controlo bilogico da mosca invasiva da fruta. Deferenciam-se pela forma de inoculação aos seus
hospedeiros, a Diachasmimorpha longicaudata ataca as larvas da mosca da fruta enquanto

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Fopius arisanus ataca os ovos pre-pupa de mosca da fruta, podendo parasitar as larvas jovens em
primeiro estádio (Bautista et al.,1998).

2.3.2. Parasitismo por Diachasmimorpha longicaudata


O parasitóide exótico Diachasmimorpha longicaudata (Ashmead) (Hymenoptera:
Braconidae),sinonímia (Opius longicaudatus Ashmead e Biosteres longicaudatus Ashmead), é
um endoparasitóide originário da região indo-australiana e está entre as cinco espécies de
braconídeos da subfamília Opiinae, de importância na regulação das populações de moscas das-
frutas, parasitando preferencialmente larvas de 2º e 3º estádio (Purcell et al., 1994).

Esse parasitóide tem sido a espécie mais utilizada, em nível mundial, no controle biológico
clássico de moscas, com exemplos de utilização prática em diversos países. Essa espécie destaca-
se pela facilidade de criação em laboratório e rápida adaptação aos ambientes onde é liberada,
bem como pela condição de especialista no parasitismo de grande número de espécies de
tefritídeos (Baranowski et al., 1993).

Em setembro de 1994, o Brasil importou o parasitoide exótico D. longicaudata, oriundo do


Departament of Plant Industry, Gainesville, Flórida (EUA), pela EMBRAPA Mandioca e
Fruticultura Tropical, com apoio do Laboratório de Quarentena Costa Lima da Embrapa Meio
Ambiente. O objectivo da introdução foi avaliar o potencial de utilização desse agente de
controlo biológico no manejo das moscas-das-frutas neotropicais do género Anastrepha e da
espécie exótica Ceratitis capitata (Carvalho e Nascimento, 2002).

Originalmente recuperado de espécies de Bactrocera, D. longicaudata é nativo da região indo-


filipina (Clausen et al., 1965) e foi introduzido na Flórida para o controlo das moscas,
estabelecendo-se rapidamente (Cancino, 1992).

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Figura 4: Estabelecimento da D. longicaudata na manga

Fonte: Cugala (2012).

2.3.2.1.Biologia D. longicaudata
O Braconídeo D. Longicaudata é um endoparasitóide que apresenta suas fases imaturas no
interior da larva de mosca-das-frutas, entretanto, existem citações de que possa se desenvolver
ocasionalmente em larvas de outros dípteros. Outra característica importante é o fato de ser um
parasitóide larva-pupa, pois os ovos são colocados na fase larval do hospedeiro e emerge do
pupário do mesmo. A descrição dos estádios morfológicos de D. longicaudata é pouco estudada,
podendo-se mencionar apenas algumas características de importância, tais como as fases de ovo,
larva e adulto, descrito por (Cancino,1997).

D. longicaudata localiza as frutíferas por meio de substâncias voláteis produzidas pelos frutos
maduros e deteriorados (Greany et al., 1977; Messing e Jang, 1992). Lawrence (1981) relatou
que as larvas de último instar nos frutos são localizadas pela vibração produzida pelo hospedeiro
quando se movimenta ou se alimenta. Este mesmo autor verificou que as larvas do parasitóide
eclodem antes da pupação do hospedeiro, e a muda para o segundo instar ocorre dentro do
pupário e o desenvolvimento do parasitóide é completado no interior do pupário da mosca.

O órgão directamente responsável pela selecção do hospedeiro é o ovipositor. Acredita-se que as


espécies de endoparasitóides solitários consigam discriminar entre hospedeiros parasitados e não
parasitados (Van Alphen e Visser, 1990).

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O ovipositor de D. longicaudata possui sensores orgânicos que conseguem alocar ou detectar


estímulos tácteis e/ou químicos oriundos das larvas hospedeiras. A discriminação pelo
hospedeiro é feita por meio de respostas de contacto com unidades receptoras para substâncias
específicas associadas com hospedeiros parasitados. Esses receptores também podem detectar
agentes que induzem a oviposição (Greany et al., 1977b).

2.3.3. Parasitismo por Fopius arisanus


O Parasitoide Fopius arisanus foi introduzido em 2012, em projecto coordenado pela Dra.
Beatriz Paranhos, da Embrapa Semiárido, em Petrolina, PE. Este parasitóide, detectam os ovos
de moscas-das-frutas no interior dos frutos, dentro dos quais depositam seus ovos, de onde sairá
também um novo parasitóide (Lawrence, 1981).

O Fopius arianus vem sendo usado nos países africanos para o controlo de Bactrocera invadens
e Bactrocera dorsalis. Ele é um endoparasitoide solitário que ataca os ovos da mosca e
desenvolve-se durante a fase de larva do hospedeiro e emerge como um adulto na pupa da
mosca.

Figura 5: Fêmea de F. arisamus depositando os seus ovos nas larvas de B. invadens.

Fonte: (Ekesi e Billah, 2006).

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2.4.Factores que afectam a liberação e a eficiência de parasitóides


A liberação de um parasitóide é o acto de soltura deste inimigo natural no campo para que este
venha reduzir o índice populacional de um determinado insecto praga (Pinto e Parra, 2002). As
formas de liberação de inimigos naturais são inoculativa, inundativa e inoculativa estacional ou
sazonal que são dependentes do sistema visado (Parra e Bento,2006).

A liberação inoculativa é comum em controlo biológico clássico, pois é feita em locais abertos e
com baixa variabilidade temporal e principalmente em culturas perenes ou semi perenes e
florestais. O segundo tipo de liberação é para culturas com alta variabilidade temporal como as
anuais. Já a liberação inoculativa estacional é feita para cultivos de curta duração, sendo comum
em casa de vegetação (Parra e Bento, 2006).

Alguns factores, tais como o número de pontos, a técnica, a frequência e o intervalo de


liberações, a arquitectura e idade da planta e as condições climáticas prejudicam a eficiência
destes tipos de liberação e, consequentemente, a eficiência dos parasitóides no campo. A
eficiência do parasitóide pode ser prejudicada, além destes factores, pela presença de outros
inimigos naturais, preferência hospedeira, número de insectos liberados, entre outros (Bueno,
2008; Pinto e Parra, 2002). Neste sentido, o sucesso do programa de controlo biológico depende
de pesquisas que avaliem tais factores.

2.4.1. Número de pontos de liberação


O número de pontos de liberação por unidade de área é determinado a partir da capacidade de
dispersão do parasitóide no campo. Esta dispersão pode ocorrer de forma activa ou passiva,
sendo influenciada pelos factores abióticos, tais como o vento, a temperatura e a humidade, pela
arquitectura da planta e/ou espécie do parasitóide (Parra e Bento, 2006).

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A dispersão activa é estimulada pela temperatura e inibida pela densidade de ovos do hospedeiro.
Já o segundo tipo é controlado pela acção do vento (Canto-Silva et al., 2006). O conhecimento
da capacidade de dispersão de parasitóide é uma ferramenta importante na determinação do
número de pontos de liberação e, consequentemente, na elaboração de metodologias que
viabilizem a eficiência deste grupo de insectos no campo, principalmente em liberação
inundativas. Já a determinação do número de pontos de liberação por unidade de área possui
papel fundamental na adopção do programa de liberação de um agente de controlo biológico,
uma vez que os custos de liberação estão directamente relacionados a este número (Zachrisson e
Parra, 1998).

2.4.2. Técnica de liberação


No momento da liberação do parasitóide no campo alguns aspectos importantes, tais como o tipo
de recipiente para liberação, fase de desenvolvimento em que o parasitóide é liberado e o modo
de liberação, devem ser considerados para que se tenha sucesso no programa de controlo
biológico (Pinto e Parra, 2002).

O recipiente utilizado para a soltura do parasitóide deve ser de material atóxico, economicamente
viável e de fácil manuseio, transporte e distribuição pela área. Ele tem como função principal
proteger os inimigos naturais de outros agentes biológicos e adversidades climáticas.
Os modos de liberação dos parasitóides no campo podem ser manual ou mecanicamente, de
forma aérea ou terrestre, em pontos fixos ou em vários pontos dentro de uma área. Porém, todos
estes modos de liberação devem ser testados para que a eficiência do parasitóide não seja
diminuída (Pinto e Parra, 2002).

2.4.3. Número e intervalo de liberações


A actuação de um parasitóide no campo ocorre em um curto período de tempo logo após sua
liberação. Neste sentido, estudos que determinem o número e o intervalo de liberação destes
insectos no campo são necessários para a sua maior eficiência no campo (Pinto e Parra, 2002).

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2.4.4. Características do vegetal


As características vegetais como o tamanho da planta ou de sua área superficial, largura e o
comprimento das folhas, quantidade de ramificações, a variação entre suas partes, como as
flores, as folhas e ramos, a conectividade destas partes na planta e a presença de estruturas na
superfície foliar como os tricomas são alguns componentes principais de sua arquitectura que
interferem na capacidade de busca deste grupo de insectos (Rodrigues et al.,2005).

2.4.5. Presença de outros inimigos naturais


Além da acção dos parasitóides no controle de insectos-pragas outros inimigos naturais podem
ser utilizados para diminuir a população destes. Porém, predadores e patógenos podem reduzir a
eficiência dos parasitóides no agro ecossistema e anular o impacto do parasitismo sobre as
populações hospedeiras (Campos e Araújo, 1994) citado por Nascimento (2011).

2.4.6. Preferência hospedeira


A especificidade dos parasitóides na escolha de seu hospedeiro está relacionada com a maior
dependência da fisiologia e desenvolvimento de seus hospedeiros, principalmente os
coinobiontes (Parra e Bento, 2006). Neste sentido, cada espécie de parasitóide possui uma
preferência por um tipo de hospedeiro, a partir da qual estes desenvolveram mecanismos que os
guiam até esses hospedeiros, através de sinais químicos, físicos e visuais. Estes mecanismos são
fundamentais para a localização, a aceitação e reconhecimento dos hospedeiros (Cordeiro, 2006)
citado por Nascimento (2011).

2.4.7. Número de insectos liberados


Os factores que determinam o número de parasitóide a ser liberado no campo estão relacionados
com a fenologia da planta, espécie ou linhagem do parasitóide, condições climáticas, bem como
a intensidade de infestação da praga no campo e densidade de plantio Sá e Parra (1993) citado
por Nascimento (2011).

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2.4.8. Condições climáticas


Os insectos são seres pecilotérmicos, ou seja, seu metabolismo sofre influência das condições
climáticas. Consequentemente, a sua sobrevivência é drasticamente afectada pelos factores
abióticos. Muitas vezes, se as condições climáticas forem favoráveis à sobrevivência do agente
biológico, a técnica de liberação não interfere na taxa de parasitismo (Pinto e Parra, 2002).
Muitos autores recomendam que a liberação dos parasitóides no campo deva ocorrer nos
períodos mais frescos do dia, evitando-se dias chuvosos ou com muito vento (Botelho e Macedo,
2002; Pinto et al., 2006; Leal, 2007; Bueno, 2008).

O comportamento de busca dos parasitóides pelo seu hospedeiro é influenciado por factores
adquiridos, genéticos, fisiológicos e ambientais. Este último inclui factores bióticos como
estímulos que conduzem o parasitóide ao habitat do seu hospedeiro, assim como os factores
abióticos, como temperatura, velocidade do vento e a chuva. A temperatura afecta o
desenvolvimento durante o ciclo de vida, na viabilidade dos ovos e na razão sexual dos insectos.
O vento é um agente regulador de sua dispersão no campo e a chuva pode prejudicar a
metodologia de soltura destes insectos no campo (Silva, 2007b).

2.5.O Complexo tritrófico e a sua interferência na liberação e eficiência de parasitóides

Segundo (Heil, 2007), citado por Nascimento (2011), As plantas e os insectos mantêm uma
relação de mútua dependência na busca de alimentos e reprodução. Juntos, eles formam os dois
maiores grupos de organismos que ocupam diferentes habitats na natureza. As plantas fornecem
recursos alimentares, abrigo e locais de reprodução para os insectos. As abelhas, vespas,
borboletas, mariposas e moscas são alguns exemplos de insectos que contribuem com os
processos reprodutivos das plantas actuando como agentes polinizadores, o que favorece a
fecundação cruzada e incrementa a diversidade genética de várias espécies vegetais.

Neste sentido, o conhecimento e a conservação das relações entre os organismos pertencentes a


um sistema tritrófico, ou seja, a interacção planta-herbívoro-inimigo natural, servem não somente
para manter a dinâmica do ecossistema natural, como também para ser aproveitada

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economicamente pelo homem no controle biológico de insetos-pragas em agro ecossistema


(Heil, 2007) citado por Nascimento (2011).

2.5.1. Interacções com a planta e a comunidade vegetal


As propriedades individuais ou da comunidade de plantas podem influenciar nas interacções de
insectos-praga e seus inimigos naturais. O teor de nitrogénio, água e outros nutrientes, bem como
a presença de substâncias do metabolismo secundário podem afectar o crescimento, a
sobrevivência e a reprodução de insectos herbívoros e de seus inimigos naturais (Campos e
Araújo,1994).

Os COV’s apresentam-se em quantidades variáveis, de acordo com os diferentes estágios da vida


das plantas, podendo variar, ainda, segundo a localização, grau, tempo e tipo da injúria
ocasionada pelo insecto-praga. É hoje amplamente aceito que estes compostos orgânicos podem
atrair artrópodes predadores e/ou repelir herbívoros e, assim, servir como meio de resistência de
plantas (Heil, 2007; Arruda, 2011).

2.5.2. Interacção com o hospedeiro


A relação entre o parasitóide e seu hospedeiro está relacionada com aspectos fisiológicos e
comportamentais. Nesta interacção, o parasitóide segue algumas etapas, tais como a localização
do habitat do vegetal e do seu hospedeiro, aceitação, adequação e regulação do hospedeiro, que
favorecem o sucesso do seu parasitismo (Campos e Araújo, 1994; Silva et al., 2006; Fatouros et
al., 2008) citado por Nascimento (2011).

Neste sentido, os estudos sobre as respostas sensoriais dos insectos são importantes para
compreender as interacções entre a capacidade de busca e o comportamento dos parasitóides
(Campos e Araújo, 1994; Silva et al., 2006; Fatouros et al., 2008). A localização do habitat do
hospedeiro pelo parasitóide é favorecida pela liberação de sinais importantes que podem vir da
planta, do hospedeiro, da relação planta-hospedeiro ou uma combinação destes factores.

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III. MATERIAL E METODOS


3.1.Descrição do local do estudo
3.1.1. Distrito de Manica

O distrito de Manica situa-se na região Central da província, contendo limites a Norte com o
distrito de Barúe, a Sul com distrito de Sussundenga, Este com distrito de Gondola e Oeste com a
Republica do Zimbabwe. De acordo com a classificação climática de Koppen , o distrito em
referência apresenta o clima do tipo temperado húmido (Cw), com precipitação médias anuais de
1000mm a 1200mm, contudo caracterizada por uma distribuição irregular no decurso do ano, a
temperatura média anual é de 21.2ºC (Mae, 2005).

3.1.2. Distrito de Macate

Na divisão administrativa do distrito de Gondola, encontra-se o posto administrativo de Macate


com destaque a quatro localidades destacando: Chissassa, Macate, Maconha e Marera. Gondola
está situada na zona central a leste da província de Manica com uma densidade populacional
41.2hab/km2 tendo como precipitação média anual na zona planática é relativamente alta na
ordem dos 1000-1500mm e evapotranspiração mais baixa (Mae, 2005).

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Figura 6:Mapa do local de estudo. Fonte: Feaf/2016

3.2.Discrição das actividades


3.2.1. Libertação dos parasitoides

Os parasitoides foram libertados em dois momentos, onde a primeira ocorreu no dia 22 de Julho
de 2014 no distrito de Macate, posto administrativo de Macate Sede, região de Nhamutoera no
pomar de Sr. Jassinao, membro de Associacao Moyo Umwe, sendo libertado 800 parasitoides de
D.L e 500 de F.A, totalizando 1300. A segunda foi no dia 12 de Setembro do mesmo ano no
distrito de Manica, Posto administrativo de Machipanda, região Jecua (Missao Jecua), sendo
libertado 500 especimes de DL.

O trabalho realizou-se na Província de Manica em Outubro de 2015 até Janeiro de 2016 nos
distritos de Macate (Associação AMU-localidade de Nhamutoera) e Manica (Missão Jecua). Na
qual representa os locais onde foram libertados os parasitóides. Selecionou-se de uma forma

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

aleatória áreas para recolha das amostras, na qual o ponto de partida foi o local onde libertou-se
os parasitoides, na farma de Senhor Jassinao em Macate e Missao Jecua em Manica. O mesmo
procedimento efectuou-se em Macate e Jecua. Atravez do GPS georreferenciou-se todas as
farmas na qual foram colhidas as amostras e deu-se uma distancia de 100 m para verificar a
dispersão das mesmas nas áreas circunvizinhas.

3.2.2. Colecta de fruto

A colheita dos frutos ocorreu em dois momentos, primeiro na época em que os frutos
encontravam-se meio maduras no dia 13.11.2015 e a segunda no pico, dia 10.12.2015. na
primeira fase foram colhidas em Macate 221 frutos referente a Manga somente, e em Jecua 143,
3 e 9 Manga, Papaia e Goiaba respectivamente, totalizando o número de frutos colhidos 376.

Na segunda fase colheu-se 342 frutos somente de Manga em ambos os locais, sendo 135 para
Jecua e 207 Macate, não havendo disponibilidade das outras frutas.70% dos frutos eram colhidos
no solo e 30% das árvores.

Em cada distrito após a colheita, colocou-se os frutos em baldes diferentes para cada farma em
ambiente fechados e com orifícios para respiração dos insectos com a respectiva etiqueta em
cada área amostral de acordo com os procedimentos descrito por Ekesi e Billah (2007) e levou-se
ao laboratório da mosca da fruta em Chimoio.

3.2.3. Procedimentos do laboratório


Contou-se o total dos frutos colhidos em cada distrito, pesando uma de cada e registando o peso,
para o processo de incubação. Num período de 15 dias incubou-se os frutos nas tigelas cabendo
em média 6-7 frutos dependendo do tamanho dos frutos e da tigela. Após ter passado este
período, levou-se os frutos com objectivos de recolher, contar e pesar as pupas. Este processo era
feito usando pinça para colher as larvas, faca para fazer o corte dos frutos. As pupas foram
colocadas em gaiolas para emergência de adultos.

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

3.2.4. Critério de escolha do local


Escolheu-se Manica porque possuem muitos produtores de frutas, banana, laranja, mangas, tanto
ao nível comercial como familiar, não só por isto, mas sim pelo facto também de ter sido
registada de acordo com Kazulu (2014), ocorrência da mosca invasiva da fruta (Bactrocera
invadens) ao nível da província de Manica. A escolha dos locais, refiro distrito de Macate e
Manica deveu-se ao facto de serem os únicos locais onde foi feita a libertação de parasitoides de
moscas da fruta ao nível da província.

3.2.5. Delineamento Experimental


A amostragem foi realizada com base no delineamento completamente casualizado (DCC), Onde
cada local de amostragem representa um tratamento e os pontos de amostragem dentro do local
às respectivas repetições.

3.2.6. Analise dos dados


Inicialmente os dados foram introduzidos numa folha de cálculo Excel 2007 para a estimativa de
valores médios estudos. De seguida foi usado o pacote estatístico ASSISTAT versão 7.7 beta (Pt)
a 5% de Significância.

3.2.7. Descrição de pomares envolvidos

Em ambos locais onde foram envolvidos este estudo, nunca antes se observou o uso de métodos
de controlo biológicos para controlo da mosca da fruta. Sendo esta a primeira vez um estudo
novo, tanto para o distrito e quanto para a Província, possivelmente não sendo intensificado a
nível do país. As práticas que são envolvidas em ambos locais são podas, aplicação atractivos
químicos para captura das moscas.

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3.2.7.1.Pomar Senhor Jassinão

Este pomar está localizado no Distrito de Macate, no posto administrativo de Macate sede, na
região de Nhamutoera, geograficamente localizada com 19º 22’ 20,8” de Latitude, 0,33º 30’
01,1’’ de Longitude com uma elevação cerca de 556m acima de nível médio do oceano, na qual
está coberta por mangueiras (Mangifera indica L.) variedades locais, numa distância de
100metro era atingido o outro ponto da referência Sr. Jassianao para colheita de outras amostras.

3.2.7.2.Pomar Missão Jecua

Localizada geograficamente entre 18º 58’34’’ de Latitude e 032º 49’ 31,7’’ de Longitude com
uma elevação de 798m acima de nível médio do oceano, no Distrito de Manica, posto
administrativo de Machipanda na região Jecua (Missão Jecua), destacando fruteiras como Litchi,
Papaia e Mangueiras, em 100 metros de distância colheu-se também amostras dos mesmos
hospedeiros para estudo.

3.3.Contagem e identificação das Moscas e Parasitóides

Cada espécie correspondente à mosca invasiva da fruta foi colocada em placa de petri, e com
auxilio de uma pinça foi observada com base em lupa electrónica calibrada entre (30X) a (40X),
sendo posteriormente contabilizadas. A identificação da Bactrocera invadens e dos parasitóides
procedeu-se com base nas características especificas de moscas de frutas tal as dos parasitóides,
estabelecidas por Drew (2005), levando-se igualmente em conta o padrão alar e o ápice dos
acúleos, conforme metodologia descrita por Zucchi (2000) e verificando tanto a chave de
identificação ilustrada por Ekesi e Billah (2007), como a chave de identificação electrónica de
espécimes de moscas de fruta, relacionando as constatações ópticas resultantes do processo
observação de cada espécimen através da lupa electrónica.

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Figura 7:Selecção de espécies de moscas (á esquerda) e identificação das moscas (á direita)


Fonte: Autor

Figura 8: Transporte de gaiola de parasitoides

Fonte: Autor

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3.4.Variáveis determinados em estudos


3.4.1. Índice de Infestação dos frutos

Finalizado o processo de identificação e contagem das espécies de capturadas, procedeu-se à


quantificação segregada das espécies por cada local de amostragem. O índice de infestação em
cada local foi estimada com base no total das pupas por total dos frutos colhidos em cada local,
(Canhanga, 2012).

I.inf = ( 1)

Onde:

I.inf = Índice de Infestação

3.4.2. Níveis de parasitismos DF e FA

O cálculo da percentagem de parasitismo é dado pela razão entre Moscas parasitadas por pupas
de parasitoides formadas, multiplicado por 100. Parasitismo superior a 20%, evidencia um bom
controlo; abaixo desse valor deve-se realizar nova liberação inundativa dos parasitoides (Pinto et
al., 2006).

N= (2)

N = níveis de parasitismos

Mp = moscas parasitadas

pp = pupas de parasitóides formadas

3.4.3. Abundância dos espécimes (Mosca da fruta e parasitóides)

Após ter terminado o processo de identificação e contagem das espécies de moscas de frutas
capturadas, procedeu-se à quantificação segregada das espécies por cada local de amostragem. A
abundância absoluta das espécies capturadas em cada local foi estimada com base no somatório
de indivíduos capturados de cada espécie, durante a amostragem, enquanto a abundância relativa
foi determinada pela razão percentual entre o número moscas de cada espécie capturadas em

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cada local e o número total de moscas de todas as espécies em cada local (Kazuru, 2014;
Vayssières et al., 2014).

Abr = (3)

Onde:

Abr = Abundância relativa

n = número de moscas da espécie em referência

N= número total de moscas capturadas

3.4.4. Estabelecimento dos parasitóides

Para avaliar o estabelecimento dos parasitóides, olhou-se para o número de adultos emergidos no
laboratório. Onde colectou-se os hospedeiros destacando Manga, Papaia e Goiaba nos locais
libertados e posterior levado ao laboratório. No laboratório os frutos foram incubados até retirada
das pupas, em que finalmente as tais pupas foram colocadas na Gaiola para emergência dos
adultos.

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IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO


4.1.Abundância das espécies (Moscas e parasitoides) em cada local de estudo

No total de 1707 moscas capturadas em todas áreas de estudo, durante a amostragem,


encontrando-se distribuído 178 Macate, representando 28 Bactrocera invades (37,33%) eram
macho e 47 fêmea (62,67%), (Ceratitis rosa 50% para cada género), (40 Ceratitis cozira macho
(39,60%) e 61 fêmea (60,40%)), e 1529 em Manica, distribuído da seguinte maneira: 716
Bactrocera invades eram machos (54.70%) e 593 fêmea (45,30%), (Ceratitis rosa 100% macho),
(Ceratitis cosyra 94 macho (44,13%) e 119 eram fêmeas (55,87%), (5 Dacus ssp macho
(83,30%) e uma fêmea (16,70%). Não sendo capturadas espécies em ambos locais referentes a
Ceratitis capita e Dacus ssp em Macate (Vide Tabela 1).

Tabela 1: Abundância das espécies (Moscas e parasitóides) em cada local de estudo

Local B. dorsalis C. rosa C. cosyra C.capitata Dacus spp


M F M F M F M F M F
MANICA 716 593 1 0 94 119 0 0 5 1
% Por Total
género 54,70 45,30 100 0 44,13 55,87 0 0 83,30 16,70
Abundancia
Absoluta 1309 1 213 0 6 1529
Abundancia
Relativa % 85,61 0,06 13,93 0,00 0,39 100

MACATE 28 47 1 1 40 61 0 0 0 0
% Por
género 37,33 62,67 50 50 39,60 60,40 0 0 0 0
Abundancia
Absoluta 75 2 101 0 0 178
Abundancia
Relativa % 42,13 1,12 56,74 0 0 100

Onde:
M – Mancho e F- Fêmea

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

Resultados contraditórios foram observados por Januário (2015), ao avaliar a dinâmica espácio-
temporal da mosca da fruta, obteve nos seus estudos 99,94 % (1561) foram identificadas como
Bactrocera invadens e somente 0,06 % (1) era Ceratitis cosyra. Em relação ao pomar Produssola
fruits, 99,8% (1954) era Bactrocera invadens e 0,2% (4), pertenciam a espécie Ceratitis cosyra,
e quanto ao pomar Mário Meneses, os resultados mostram que 99,87% (3718) de indivíduos
capturados foram identificadas como sendo da espécie Bactrocera invadens e 0,13% (5) eram da
espécie Ceratitis cosyra, estes resultados comparados aos de presente estudo diferem
completamente tanto ao número de moscas capturadas quanto às espécies encontrados.

Duas espécies estavam em destaque no presente estudo comparado ao do Januário (2015), que
não foi possível a sua captura, é o caso da Ceratitis capita e Dacus ssp. Umas das razões que
podem estar por detrás desta diferença, é pelo facto do autor em causa ter usado atractivo para
captura das moscas, diferentemente deste que não se uso nenhum atractivo. Outra razão pode ser
explicada pelo tempo de colheita das amostras na condução do ensaio, Januário (2015), conduziu
à partir do Setembro 2014 até Maio de 2015, diferente do presente estudo que foi conduzindo
desde Outubro de 2015 até Janeiro de 2016, justificado por Ekesi e Billah (2007), refere que a
distribuição das espécies de mosca da fruta em África não se encontra distribuída de forma igual.

Não foi possível mensurar a abundância dos parasitóides em ambos distritos referente ao estudo,
justificado pelo não estabelecimento dos parasitoides tanto a Diachasmimorpha longicaudata,
quanto ao Fopius arisanus.

4.2.Índice de infestação em áreas estudadas

O número de pupário/fruto para hospedeiro da Manga apresentou como infestação de 5,14 no


total de 1430 pupas proveniente de 278 mangas. Este índice, foi inferior quando comparada a da
Goiaba com 8,78 (Vide Tabela 2), pesa embora os frutos colhidos (Goiabas) tenham sido de
pouca quantidade, fazendo a proporção de três simples com as de Manga obteríamos sempre um
número elevado de infestação para distrito de Manica. Em Macate, obteve-se menor infestação
comparando aos hospedeiros em causa Manga (Mangifera indica L.), Papaia (Carica papaya) e
Goiaba (Psidium guajava), com índice de infestação de 0,51 na manga e “Zero” para os restantes
de hospedeiro por não ter sido identificado os tais hospedeiros no local de estudo.

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Tabela 2: Índice de infestação de hospedeiros em locais de estudo.


Local Hospedeiro Total de Frutos Total de Índice de
Pupas infestação
Manga 278 1430 5,14
Manica Papaia 3 0 0
Goiaba 9 79 8,78

Manga 428 218 0,51


Macate Papaia 0 0 0
Goiaba 0 0 0

O nível de infestação (pupários/frutos) em Macate em relação a Manica apresentaram diferenças


significativas com base no teste Tukey a um nível de 5% sendo Macate com (0,11b) e Manica
(0,50a), (Vide Gráfico 1). A infestação em Manga (Mangifera indica L.) com 5,14 foi baixa em
Manica quando comparada a de Goiaba (Psidium guajava) com 8,78 puparios/frutos. Resultados
similares foram verificados por Brandao, et al., (2007) no seu estudo sobre níveis de infestação
em Manga, Papaia onde obrservou-se baixa infestação em manga quando comparada a outros
hospedeiros; 4,9 Manga (Mangifera indica L.) e 7,99 para Papaia (Carica papaya), e Goiaba
(Psidium guajava) foi detectada com maior índice com (8,8) pupários/frutos.

Resultado idêntico forma observado por Da Costa (2013), no seu estudo sobre atractividade do
Parasitóides de Moscas-das-Frutas, onde a Goiaba foi mais infestada com 46,7 pupários/frutos
seguida de Manga com 37,4; Pera (20); e Carambola com 18,7 pupários/frutos. Pesa embora os
resultados não sejam tão significativos para caso de MENDES (2001) detectou índices em seus
estudos em 3,52 para Manga e 7,00 pupários/frutos para Goiaba. Tendo verificado maior
infestação na Goiaba devido maior odor na atractividade dos insectos e apresentar uma epiderme
mais leve em relação as outras frutas, facilitando maior infestação, segundo justifica (Vargas, et
al.,1993) citado por Da Costa (2013).

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Nivel de infestacao (puparios/frutos)


0.50 a
Nivel de Infestacao

0.6
0.5
0.4
0.3 0.11b
0.2
0.1
0
Manica Macate
Distritos em estudo

Gráfico 1: Níveis de infestação em Macate e Manica (puparios/frutos).


4.3.Estabelecimento dos parasitóides aos níveis dos distritos
4.3.1. Quantidade e período de libertação
Ao nível dos distritos onde ocorreu a libertação dos parasitóides não se observou a estabilidade
dos Parasitóides. Resultados contraditórios foram observados por Gallardo (2010) citado por
Nascimento (2013), ao avaliar numero de indivíduos de D. longicaudata para libertar em cada
hectare, conclui que ao libertar 1500 a 2500 parasitóides/há resulta num parasitismo de 69,9% de
A. Ludens em forma terrestre e para forma aérea um parasitismo de 42,4%. o que concluiu que a
libertação semanal de 1000 parasitóides/há possibilita um parasitismo acima de 70%. Onde para
Gallardo (2010) diz que a densidade para liberação deve ser de 1500 a 2500 parasitóides/há
dependendo de tipo de área ecológica e a hora deve ser das 4:00 e 5:00 a.m sendo finalizado
10:00 a.m.

O resultado do presente estudo difere com de Gallardo (2010) podendo ser justificado pelo
numero de quantidade dos parasitóides libertados que foi de 500 parasitoides de DL para mais de
5 há em campo disperso em Manica, e 500 parasitoides de F.A e 800 parasitoides de DL
totalizando em ambos os distritos 1800 parasitoides o que não prefaz a libertação recomendada.
Outro factor deve ser justificado pela hora da libertação dos parasitoides que foi as 9:43 a.m.

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De acordo com SÁ et al. (1993) ao avaliar o efeito do número e intervalo entre liberações de D.
longicaudata no parasitismo e controle de Helicoverpa zea na cultura do milho (Zea mays) em
duas localidades no Estado de São Paulo. Foram realizadas quatro liberações deste parasitóide,
espaçadas de sete e quatro dias com a soltura de 100.000 insectos por hectare. Onde estes
resultados diferiu com o presente estudo pelo facto da cultura em estudo ser diferente, também
podendo ser justificado pela diferença do local de estudo, este foi em Moçambique e em causa
foi em Brasil.

4.3.2. Factores climáticos


Temperaturas médias anuais registado na província com 17,3 º C para Manica e 21,6 º C Macate
com humidade relativa de 73 e 70 % respectivamente possivelmente tenham influenciado ao não
estabelecimento dos parasitoides.

Rousse, et al., (2009), ao avaliarem a influência de factores abióticos (temperatura, humidade,


pressão atmosférica, intensidade de luz e velocidade do vento) na capacidade de voo e na taxa de
parasitismo de Fopius arisanus Sonan (Hymenoptera: Braconidae) para o controlo da mosca das
frutas Bactrocera zonata Saunders (Diptera: Tephritidae) obtiveram mesmo resultados aos de
presente estudo.

Os autores concluíram que a temperatura e a humidade influenciaram na actividade de voo e na


taxa de parasitismo com 28º C e Hr de 28%, o que para estabelecimento dos parasitoides ou
desenvolvimento, o ambiente favorável é de 23º C á 25º C com Hr de 67 % para
Diachasmimorpha e Fopius. Estes resultados diferem com Rousse et al., (2009) quer para
temperatura quanto para humidade. Possivelmente possa também ser justificado ao não
estabelecimento pelo facto de que no dia seguinte após a libertação dos parasitóides, na província
tenha registado precipitações uma vez que este factor tem impacto no sucesso do
estabelecimento dos parasitóides.

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V. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

5.1.CONCLUSÕES
 De acordo com os resultados obtidos através das amostragens efectuadas nos locais em
estudos Macate e Manica, na Província de Manica, dentre todas as espécies capturadas a
Bactrocera dorsalis destacou-se com maior abundancia em Manica com 716 machos
(54.70%) e 593 fêmea (45.30%) em relação a Macate que teve 28 Bactrocera invades
(37.33%) eram macho e 47 fêmea (62.67%), Não sendo capturadas espécies em ambos locais
referentes a Ceratitis capitata e Dacus ssp em Macate.

 O nível de infestação nos dois distritos foi maior em Manica com 0,50 comparado de Macate
com 0,11 Puparios/ Fruto. Onde, o distrito de Manica foi o local mais atacada “ Infestada”
pelas moscas das frutas das espécies capturadas.

 Dentre os hospedeiros em causa Papaia (Carica papaya), Manga (Mangifera indica L.) e
Goiaba (Psidium guajava), este ultimo foi o hospedeiro mais infestado em Manica com 8,78
por número de puparios por frutos seguido de Manga com 5,14 puparios/frutos. Em Macate o
hospedeiro mais infestado foi a Manga com 0,51 de nível de infestação. A papaia (Carica
papaya), foi a fruta em que não sofreu nenhuma infestação em Manica e em Macate não foi
possível obter o resultado da infestação porque não foi possível colher este fruto.

 Sobre a estabilidade dos parasitóides nos dois distritos, não houve o estabelecimento dos
parasitóides sendo justificado possivelmente pelo efeito climáticos como temperatura e
humidade relativa; quantidade de parasitoides libertados e época de colheita ou captura dos
mesmos.

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5.2.RECOMENDAÇÕES
5.2.1. Aos produtores
 Recomenda-se aos produtores comerciais que colaborem com a equipa de pesquisadores com
vista a colher mais amostras para estudos determinados. Uma vez que fala da mosca-de-
frutas, é bom que se faça monitória nas áreas de produção em todo ano para melhor controlo
desta praga.
 Ao laboratório da Mosca da fruta de Chimoio, que proporcionem sempre pesquisas
inovadoras como a do tema em causa, com vista a melhorar a forma controlo biológico
através de inimigos naturais, o que reduz o índice de uso de químicos tendo as suas
consequências para a saúde humana e acarretam custos elevados para sua aderência.
 Que façam sempre monitoria das áreas e usem técnicas adequadas olhando principalmente
nas épocas em que os frutos já estão na fase pico de amadurecimento.
5.2.2. Aos investigadores
 Recomenda-se aos investigadores que continuem com pesquisas do género, olhando para o
número de quantidade de parasitoides a libertar, época de libertar, factores climáticos pois
não deve ser com temperaturas não recomendadas, olhar direcção do vento e chuvas pois
estes factores influenciam no sucesso de estabelecimento. Libertem sempre os parasitóides
nas épocas frescas e nas primeiras horas do dia. Que estudo similar possa ser feito em todos
os locais onde foi detectado a presença da mosca da fruta no País.
5.2.3. Ao governo
 Recomenda-se ao governo que apoiem e colaborem através de (financiamento, material) com
as pesquisas do género e outras com vista a colmatar o assunto que preocupa o país. Lembrar
que muitas das nossas frutas já não estão sendo exportadas para além fronteiras, facto
justificado pelo perigo que a Mosca da fruta tem causado.

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Avaliação do estabelecimento dos parasitóides (Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus) da mosca da
fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

 NASCIMENTO, J.B. (2011). Factores que afectam a liberação e a eficiência de parasitóides


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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

APÊNDICES

Apêndice 1: ANOVA

Normalidade dos dados (alfa = 5%)


----------------------------------------------------------
Teste (Estatística) Valor p-valor Normal
Shapiro-Wilk (W) 0.91189 0.06925 Sim
-----------------------------------------------------------

EXPERIMENTO INTEIRAMENTE CASUALIZADO


QUADRO DE ANÁLISE
-----------------------------------------------------------------------------
FV GL SQ MS F P
-----------------------------------------------------------------------------
Tratamento 1 0,74827 0,74827 77,78 0,0000
-----------------------------------------------------------------------------
Resíduo 17 0,16354 0,00962
-----------------------------------------------------------------------------
Total 18 0, 91181
---------------------------------------------------

GM: 0,3149 CV% = 31,15

MÉDIAS E MEDIDAS

Médias de tratamento
-------------------------------------
1 0.50313 A
2 0.10761 B
--------------------------------------
Dms = 0.08961

Ponto médio = 0.32143

As médias seguidas pela mesma letra não diferem


estatisticamente entre si. Foi aplicado o Teste
de Tukey ao nível de 5% de probabilidade

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

Parâmetros Meses
Meteorológicos
Jan Feve Marco Abri Maio Junho Julho Agosto Setembr Outubr Nove Dez
Temperatura 24.2 24.3 23.6 21.8 20.4 17.9 18.6 19.0 21.6 24.6 24.7 25.9
média o C
Temperatura 28.2 28.7 28.6 26.3 26.1 24.0 25.3 26.2 28.2 32.1 31.5 32.1
máxima média
o
C
Temperatura 20.1 20 18.6 17.3 14.6 11.8 11.9 12.0 14.9 17.6 18.5 20.3
mínima média
o
C
Precipitação 135.4 189.9 46.2 30.4 1.4 2.2 0.2 20.0 17.2 0.4 35.9 212.9
total mensal
(mm)
Humidade 77 78 75 79 71 71 65 67 70 64 67 75
relativa média
%

Apêndice 2:Dados climáticos de Manica do ano 2015

Fonte: INAM - Chimoio /2015

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

Parâmetros Meses
Meteorológicos
Jan Feve Marco Abri Maio Junho Julho Agosto Setembr Outubr Nove Dez
Temperatura 23.8 21.1 23.6 20.5 19.2 0 17.3 19.2 21.3 22.3 24.8 23.8
média o C
Temperatura 28.3 27.8 28.7 26 25.5 0 23.8 25.8 28.3 29.2 30.8 29.4
máxima média
o
C
Temperatura 14.7 14.4 14 11.4 8.6 0 12.1 13.9 15.6 16.8 18.4 20
mínima média
o
C
Precipitação 209.3 207.6 39.6 173.2 14.4 0 5.8 2.3 5.8 8.6 11.2 472.2
total mensal
(mm)
Humidade 84 77 83 83 82 0 73 70 69 67 69 81
relativa média
%

Apêndice 3:Dados climáticos de Manica 2014


Fonte: INAM - Chimoio /2015

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fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae) nos distritos de Manica e Macate

Dados referentes a 1ª libertação e colheita em Macate e Macate


Período
Localidade Hospedeiro de Data da Número de Números de
libertação recolha adultos libertados adultos recolhidos
Manga,
Macate Goiaba e F.A D.L F.A D.L
papaia 22.07.14 13.11.2015
Manga, 500 800 0 0
Manica Goiaba e 0 0
papaia Total: 1300

Dados referentes a 2ª libertação e colheita em Macate e Macate


Manga,
Macate Goiaba e 500 0 0 0
papaia
Manga, 12.09.14 10.12.15 0 0
Manica Goiaba e Total: 500
papaia
Apêndice 4: libertação dos parasitoides em Macate e Manica

Fonte: Adaptado por Autor (2015)

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Apêndice 5: Dados de Moscas colhidas

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Percentagem de Infestacao (1 se infestado vs 0 se infestado)

Total de moscas da frutas emergidas


Nivel de infestacao ou severidade
Peso dos frutos (gramas)

Peso das pupas (gramas)


Nome comum da fruta

Variedade da fruta

Nome do colector

B. dorsalis female
B. dorsalis macho
Numero de frutas
Nome da Farma

Nome cientifico
Data de recolha

Total de larvas

Total de pupas

C. rosa female
Fonte da fruta

C. rosa male
Rearing No

Localidade
Distrito

M1 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0


indica solo, 3 962,5 infestada
da
arvore
M2 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 822,9 infestada
da
arvore
M3 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 1 1 1000 1 fruto 1 0 0 0 0
indica solo, 3 683,9 infestado
da
arvore
M4 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 6 do 9 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 762,3 infestada

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nos distritos de Manica e Macate

da
arvore
M5 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 6 do 9 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 720,2 infestada
da
arvore
M6 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 736,2 infestada
da
arvore
M7 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 7 do 10 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 926,0 infestada
da
arvore
M8 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 6 do 9 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 782,2 infestada
da
arvore
M9 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 7 Tapera 1 1 1000 1 0 0 0 0 0
indica solo, 2 776,6 infestada
da
arvore
M10 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 26 43 43000 8 frutos 24 1 4 0 0
indica solo, 3 775,1 infestado
da
arvore
M11 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 6 do 9 Tapera 6 5 5000 2 frutos 0 0 0 0 0
indica solo, 3 822,2 infestdo
da
arvore
M12 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 6 do 9 Tapera 14 14 14000 6 frutos 16 5 3 0 0
indica solo, 3 907,9 infestado
da

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Avaliação do estabelecimento dos parasitóides (Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus) da mosca da fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae)
nos distritos de Manica e Macate

arvore
M13 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 6 do 9 Tapera 3 3 3000 2 infestdo 3 0 0 0 0
indica solo, 3 758,2
da
arvore
M14 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 6 do 9 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 767,3 infestada
da
arvore
M15 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 6 do 9 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 855,6 infestada
da
arvore
M16 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 714,4 infestada
da
arvore
M17 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 6 do 9 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 732,9 infestada
da
arvore
M18 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 6 7 7000 5 8 4 4 0 0
indica solo, 3 741,0 infestadas
da
arvore
M19 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 723,4 infestada
da
arvore
M20 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 769,4 infestada
da
arvore

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nos distritos de Manica e Macate

M21 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 748,5 infestada
da
arvore
M22 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 2 2 2000 1 2 0 2 0 0
indica solo, 3 742,1 infestada
da
arvore
M23 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 8 Tapera 14 17 17000 4 4 2 2 0 0
indica solo, 3 794,7 Infestadas
da
arvore
M24 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 7 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 677,5 infestada
da
arvore
M25 10.12.15 Macate Macate Jassinao Manga local Mangifera 5 do 6 Tapera 0 0 0 Nenhuma 0 0 0 0 0
indica solo, 3 562,9 infestada
da
arvore

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Avaliação do estabelecimento dos parasitóides (Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus) da mosca da fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae)
nos distritos de Manica e Macate

Adultos emergidos
% % de
Bactrocera Ceratitis rosa Ceratitis cosyra Ceratitis Dacus spp Tota Rel emer
Peso dorsalis capitata l ati gênci
Núme Total méd va a
ro de de io de T T
MACA Hospedei frutos pupas pupa Tot o Tot o T
TE ro colhid s al M F t M F al M F t M F ot M F
o (mg) a a al
l l
Manga 221 125 10 47 0.34 0.66 2 0.5 0.5 58 0.34 0.66 0 0 0 0 0 0 107 85.6
Papaia 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
Goiaba 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
Total 221 125 47 2 58 0 0 107
Abundân
cia
relativa

Manga 143 181 10 135 0.30 0.70 1 1 0 40 0.33 0.67 0 0 0 6 0.83 0.17 182 100
Papaia 3 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
MANIC Goiaba 9 79 10 79 0.27 0.73 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 79 100
A
Total 155 260
Abundân
cia
relativa

1. Dados da Primeira colheita feita a nível dos distritos

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Avaliação do estabelecimento dos parasitóides (Diachasmimorpha longicaudata e Fopius arisanus) da mosca da fruta, Bactrocera (dorsalis díptera: Tepritidae)
nos distritos de Manica e Macate

Adultos emergidos
%

R
Peso e % de
méd Bactrocera dorsalis Ceratitis rosa Ceratitis cozira Ceratitis Dacus spp Total l emer
Núme io de capitata a gênci
ro de Total pupa ti a
Hospedei frutos de s v
MACA ro colhid pupas (mg) a
TE o T T T
Total M F ot M F Total M F ot M F ot M F
al al al
Manga 207 93 10 27 0.44 0.56 0 0 0 43 0.47 0.53 0 0 0 0 0 0 70 75.3
Papaia 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
Goiaba 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
Total 27 0 43 0 0 70
Abundân
cia
relativa

Manga 135 1249 0 1095 0.60 0.40 0 0 0 173 0.47 0.53 0 0 0 0 0 0 1268 100
Papaia 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
MANIC Goiaba 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
A
Total 0
Abundân
cia
relativa

2. Dados da segunda colheita feita a nível dos distritos

Luís Tapera Lucas Página xix