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Traduções da Bíblia em língua

portuguesa
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ainda que os temas bíblicos tenham sido substância formativa essencial da cultura portuguesa, é tardia a composição
nesse idioma de uma tradução integral da Bíblia, em comparação com as demais línguas europeias. Os primórdios da
transmissão escrita do texto sagrado em português, paralelamente ao seu uso litúrgico tradicional em latim,
relacionam-se à progressiva aceitação social do vernáculo como língua de cultura, no período baixo-medieval. E
mesmo que a oficialização da língua vulgar pela monarquia portuguesa remonte a fins do século XIII, durante o
reinado de D. Dinis, a escritora Carolina Michaëlis de Vasconcelos (1851-1925), por exemplo, pôde sentenciar
categoricamente que, no período medieval, “a literatura portuguesa, em matéria de traduções bíblicas, é de uma
pobreza desesperadora”.

A primeira tradução completa da Bíblia em língua portuguesa foi composta a partir de meados do século XVII, em
regiões específicas do sudeste asiático sob o domínio da Companhia Holandesa das Índias Orientais. O principal
responsável por seu processo de elaboração foi João Ferreira A. d’Almeida (c. 1628-1691), natural do Reino de
Portugal, mas residente entre os holandeses desde a juventude. A primeira edição de sua tradução do Novo
Testamento foi impressa em Amesterdã, no ano de 1681, ao passo que os livros do Antigo Testamento foram
publicados somente a partir do século XVIII, em Tranquebar e Batávia.[1]

Índice
Idade Média
Tradução de João Ferreira de Almeida
Tradução de António Pereira de Figueiredo
Traduções em Portugal, após Almeida e Figueiredo
Traduções parciais
Traduções completas
Traduções no Brasil
Traduções parciais
Traduções completas
Traduções feitas em outros países
Referências

Idade Média
A primeira tradução parcial da Bíblia que se tem notícia é a do rei Dinis de Portugal, conhecida como Bíblia de D.
Dinis, que teve grande tiragem durante o seu reinado. É uma tradução dos 20 primeiros capítulos de Gênesis, a partir
da Vulgata. Houve também traduções realizadas pelos monges do Mosteiro de Alcobaça, mais especificamente o livro
de Atos dos Apóstolos.
Durante o reinado de D. João I de Portugal, este ordenou que fosse traduzida novamente a Bíblia no vernáculo. Foi
publicada grande parte do Novo Testamento e os Salmos, traduzidos pelo próprio rei. A sua neta, D. Filipa, traduziu os
evangelhos do francês. Bernardo de Alcobaça traduziu Mateus e Gonçalo Garcia de Santa Maria traduziu partes do
Novo Testamento.

Em 1491 é impresso o Comentários sobre o Pentateuco que, além do Pentateuco, tinha os Targumim sírios e o grego
de Onquelos. O tipógrafo Valentim Fernandes imprime De Vita Christi, uma harmonia dos Evangelhos. Os
"Evangelhos e Epístolas", compilados por Guilherme de Paris e dirigidos ao clero, são imprimidos pelo tipógrafo
Rodrigo Álvares. Numa pintura de Nuno Gonçalves, aparece um rabino segurando uma Torá aberta.

Em 1505, a rainha Leonor ordena a tradução de Atos dos Apóstolos e as Epístolas de Tiago, Pedro, João e Judas. O
padre Antonio Ribeiro dos Santos é responsável por traduções dos Evangelhos de Mateus e Marcos. Em 1529, é
publicada em Lisboa uma tradução dos Salmos feita por Gómez de Santofímia, que teve uma 2ª edição em 1535. É
bem possível, devido à proximidade com a Espanha, traduções em espanhol fossem conhecidas, como as de João Pérez
de Piñeda, João de Valdés e Francisco de Enzinas. O padre jesuíta Luiz Brandão traduziu os quatro Evangelhos.

Durante a Inquisição houve uma grande diminuição das traduções da Bíblia para o português. A Inquisição, desde
1547 proibia a posse de Bíblias em línguas vernaculares, permitindo apenas a Vulgata latina, e com sérias restrições.

Por volta de 1530, António Pereira Marramaque, de uma família ilustre de Cabeceiras de Basto, escreve sobre a
utilidade de verter a Bíblia em vernáculo. Poucos anos depois, é denunciado à Inquisição por possuir uma Bíblia na
língua vulgar.

Uma tradução do Pentateuco é publicada em Constantinopla em 1547, feita por judeus expulsos de Portugal e Castela.
Abraão Usque, judeu português, traduziu e publicou uma tradução conhecida como a Bíblia de Ferrara, em espanhol.
Teve que publicar em Ferrara, por causa de perseguição.

Tradução de João Ferreira de Almeida


A tradução feita por João Ferreira de Almeida é considerada um marco na história da Bíblia em português porque foi a
primeira tradução do Novo Testamento a partir das línguas originais. Anteriormente supõe-se que havia versões do
Pentateuco traduzidas do hebraico. De acordo com esses registros, em 1642, aos 14 anos, João Ferreira de Almeida
teria deixado Portugal para viver em Málaca (Malásia). Ele havia ingressado no protestantismo, vindo do catolicismo,
e transferia-se com o objetivo de trabalhar na Igreja Reformada Holandesa local. A sua conversão ao protestantismo
ocorreu a partir da leitura de um panfleto espanhol intitulado "Diferença da Cristandade".[2]

Ele já conhecia a Vulgata, já que seu tio era padre. Após converter-se ao protestantismo aos 14 anos, Almeida partiu
para Batávia. Aos 16 anos traduziu um resumo dos evangelhos do espanhol para o português, que nunca chegou a ser
publicado. Em Malaca traduziu partes do Novo Testamento também do espanhol.

Aos 17, traduziu o Novo Testamento do latim, da versão de Theodore Beza, além de ter se apoiado nas versões italiana,
francesa e espanhola.

Aos 35 anos, iniciou a tradução a partir de obras escritas no idioma original. Não existe informações sobre como e
onde ele aprendeu os idiomas do original. Usou como base o Texto Massorético para o Antigo Testamento e uma
edição de 1633 (pelos irmãos Elzevir) do Textus Receptus. Utilizou também traduções da época, como a castelhana
Reina-Valera. A tradução do Novo Testamento ficou pronta em 1676.

O texto foi enviado para a Holanda para revisão. O processo de revisão durou 5 anos, sendo publicado em 1681, após
terem sido feitas mais de mil modificações[carece de fontes?]. A razão é que os revisores holandeses queriam harmonizar
a tradução com a versão holandesa publicada em 1637. A Companhia das Índias Orientais ordenou que se recolhesse e
destruísse os exemplares defeituosos. Os que foram salvos foram corrigidos e utilizados em igrejas protestantes no
Oriente, sendo que um deles está exposto no Museu Britânico.

O próprio Almeida revisou o texto durante dez anos, sendo publicado após a sua morte, em 1693. Enquanto revisava,
trabalhava também no Antigo Testamento. O Pentateuco ficou pronto em 1683. Há uma tradução dos Salmos que foi
publicada em 1695, anexo ao Livro de Oração Comum, anônima, mas atribuída a Almeida. Almeida conseguiu
traduzir até Ezequiel 48:12 em 1691, ano de sua morte, tendo Jacobus op den Akker completado a tradução em 1694.

A tradução completa, após muitas revisões, foi publicada em dois volumes, um 1748, revisto pelo próprio den Akker e
por Cristóvão Teodósio Walther, e outro em 1753. Em 1819, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira publica uma 3ª
edição da Bíblia completa, em um volume.

Há também as edições impressas na colônia dinamarquesa de Tranquebar, que datam de 1719 a 1765. São edições
parciais da Bíblia, que foram obtidas à medida que os revisores terminavam seu trabalho.

Resumindo, foram impressas:

Pelo Presbitério da Igreja Reformada da Holanda em Jakarta:

O Novo Testamento (1ª edição); Amesterdã: Viúva de Joannes van Someren, 1681
O Novo Testamento (2ª edição); Batávia: Jan de Vries, 1693 [1] (http://www.sbb.org.br/museu/acervo_virtual1.as
p)
O Novo Testamento (3ª edição); Amesterdã: Jan Crellius, 1712 [2] (http://www.sbb.org.br/museu/acervo_virtual3.
asp)
O Pentateuco; Batávia: Oficina do Seminário, 1747
O Antigo Testamento, de Gênesis a Ester (vol. 1); Batávia: Oficina do Seminário (por M. Mulder), 1748 [3] (http://
www.sbb.org.br/museu/acervo_virtual4.asp)
O Antigo Testamento, de Jó a Malaquias (vol. 2); Batávia: Oficina do Seminário (por G. H. Heusler e M. Mulder),
1753 [4] (http://www.sbb.org.br/museu/acervo_virtual5.asp)
O Novo Testamento, (4ª edição); Batávia: Egbert Heemen, 1773
Pela Real Missão da Igreja Evangélica Luterana da Dinamarca em Taraṅkampāṭi (= Impressões de Tranquebar):

O Pentateuco (Gênesis a Deuteronômio); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1719


Os 12 Profetas Menores (Oseias a Malaquias); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1732
Os Livros Históricos (Josué a Ester); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1738
Os Salmos (1ª edição); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1740
Os Salmos (reimpressão da 1ª edição); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1742
Os Livros Dogmáticos (Jó aos Cânticos); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1744
Os 4 Profetas Maiores (Isaías a Daniel); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1751
O Pentateuco (Gênesis a Deuteronômio; reimpressão de 1719 ou, mais provavelmente, 2ª edição), Tranquebar:
Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1757
Os Evangelhos (Mateus a João); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1760
O Novo Testamento; Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1765
Os Salmos (2ª edição); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1810
O trabalho de João Ferreira de Almeida é para a língua portuguesa o que a Bíblia de Lutero é para a alemã, a Geneva
Version - segundo Shakespeare - e a King James Version para a inglesa, a de Olivétan e as diversas edições e revisões
de Genebra entre 1540 e 1686 para a francesa, a Statenvertaling para a holandesa, a de Diodati para a italiana e a
Reina-Valera para a espanhola. No entanto, a única tradução moderna em Português, que utiliza os mesmos textos-
base em grego e hebraico que foram utilizados por João Ferreira de Almeida, é a versão Almeida Corrigida Fiel, da
Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. As demais traduções modernas, embora utilizem o nome "Almeida", como a
Almeida Revista e Atualizada e Almeida Revista e Corrigida baseiam-se em maior ou menor grau nos manuscritos do
chamado Texto Crítico, que passou a ser utilizado somente a partir do século XIX. Teófilo Braga, ao comentar sobre a
versão original de Almeida, disse: "É esta tradução o maior e mais importante documento para se estudar o estado da
língua portuguesa no século XVIII."
Tradução de António Pereira de Figueiredo
O Novo Testamento foi publicado entre 1778 e 1781, em seis volumes. O Antigo Testamento foi publicado entre 1782 e
1790, em 17 volumes. Após essa publicação, Figueiredo se pôs imediatamente à revisão de sua tradução. Entre 1791 e
1805 a Versão de Figueiredo revisada foi publicada, novamente em 23 volumes, e declarada pela gráfica, ou editora,
como "Segunda Impressão revista, e Retocada pelo mesmo Author". A sigla FRR - Figueiredo Revista e Retocada se
aplicaria.

Figueiredo iniciou o seu trabalho de revisão pelo Antigo Testamento cuja segunda edição foi publicado entre 1791 e
1804, de novo em 17 volumes, sob os títulos:

Testamento Velho, Traduzido em Portuguez segundo a Vulgata Latina, Illustrado de Prefações, Notas e Lições
Variantes, por Antonio Pereira de Figueiredo, Deputado da Real Meza da Comissam Geral sobre o Exame, e
Censura dos Livros (vols. 01 a 04),

Testamento Velho, Traduzido em Portuguez segundo a Vulgata Latina, Illustrado de Prefações, Notas e Lições
Variantes, por Antonio Pereira de Figueiredo, Deputado Ordinario da Real Meza Censoria dos Livros (vols. 09 e 10),
e

Testamento Velho, Traduzido em Portuguez segundo a Vulgata Latina, Illustrado de Prefações, Notas e Lições
Variantes, por Antonio Pereira de Figueiredo (vols. 05 a 08 e 11 a 17):

Vol. 01: O Gênesis; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1791


Vol. 02: O Êxodo e Levítico; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1791
Vol. 03: Os Números e Deuteronômio; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1792
Vol. 04: Os Livros de Josué, Juízes e Ruth; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1793
Vol. 05: Os 2 Livros de Samuel, declarados segundo a tradição católica como Livros 1º e 2º dos Reis; Lisboa:
Régia Oficina Tipográfica, 1795
Vol. 06: Os 2 Livros dos Reis, declarados segundo a tradição católica como Livros 3º e 4º dos Reis; Lisboa:
Régia Oficina Tipográfica, 1796
Vol. 07: Os 2 Livros das Crônicas, declarados segundo a tradição católica como Livros 1º e 2º dos
Paralipômenos; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1797
Vol. 08: Os Livros de Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester e Jó; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1798
Vol. 09: A primeira parte do Livro dos Salmos (Salmos 1 a 67 na contagem católica); Lisboa: Régia Oficina
Tipográfica, 1782
Vol. 10: A segunda parte do Livro dos Salmos (Salmos 68 a 150 na contagem católica); Lisboa: Régia Oficina
Tipográfica, 1782
Vol. 11: Os Livros dos Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1799
Vol. 12: Os Livros da Sabedoria e Eclesiástico; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1799
Vol. 13: A Profecia de Isaías; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1800
Vol. 14: A Profecia de Jeremias e o Livro de Baruque; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1802
Vol. 15: A Profecia de Ezequiel; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1803
Vol. 16: A Profecia de Daniel e Os 12 Profetas Menores; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1803
Vol. 17: Os 2 Livros dos Macabeus; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1804
O Novo Testamento dessa mesma 2ª edição foi publicado, novamente em seis volumes entre 1801 e 1805, sob o título:

Novo Testamento, Traduzido em Portuguez segundo a Vulgata Latina, Illustrado de Prefações, Notas e Lições
Variantes, por Antonio Pereira de Figueiredo

Vol. 1: Os Evangelhos de Mateus e Marcos; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1805
Vol. 2: Os Evangelhos de Lucas e João; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1805
Vol. 3: Os Atos dos Apóstolos e A Epístola de Paulo aos Romanos; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira,
1801
Vol. 4: As Epístolas de Paulo aos Coríntios, Gálatas e Efésios; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1802
Vol. 5: As Epístolas de Paulo aos Filipenses, Colossenses, Tessalonicenses, Timóteo, Tito, Filémom, e aos
Hebreus; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1802
Vol. 6: As Epístolas de Tiago, Pedro, João, Judas, e o Livro do Apocalipse; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu
Ferreira, 1803
A versão em sete volumes, que é considerada padrão, foi publicada em 1819, sendo que a versão em volume único foi
publicada em 1821 pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sendo que os Livros Apócrifos/Deuterocanônicos
inicialmente estavam incluídos na edição e só foram removidos da edição em 1828.

Por ser uma versão com português mais recente, foi considerada melhor que a de Almeida, apesar de não ter sido
baseado nos idiomas originais. Nota-se que foi a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira que editou as revisões de
1821 (completa) e 1828 (sem os Apócrifos/deuterocanônicos). A Sociedade Bíblica de Portugal foi fundada em 1835 e
distribuiu essa, além da versão de Almeida. Teve boa acolhida entre católicos e protestantes.

Traduções em Portugal, após Almeida e Figueiredo

Traduções parciais
Padre António Ribeiro dos Santos traduziu os Evangelhos de Mateus e Marcos no final do século XVIII ou começo do
século XIX, baseado na Vulgata.

Traduções completas
O comerciante natural de Hamburgo Pedro Rahmeyer traduziu a Bíblia toda para o português. Ficou conhecida como
"Bíblia de Rahmeyer" e está em exposição no Museu de Hamburgo. Supõe-se que, durante os 30 anos que ficou em
Lisboa, tenha traduzido do alemão.

Como a interpretação pessoal das Sagradas Escrituras é condenada pela Igreja Católica e todos os sacerdotes de Rito
Romano – ao qual pertence a Igreja em Portugal e suas colônias – eram fluentes em latim, o uso da Vulgata de São
Jerônimo dispensou a necessidade de uma tradução para a língua vernácula. No ano de 1933, contudo, com apoio
papal, o padre Manoel de Matos Soares publicou sua tradução completa da Bíblia em português, a partir da mesma
Vulgata. Ganhou a aprovação da Igreja Católica, sendo a mais popular no Brasil, desde que foi publicada em 1942.

A Tradução Interconfessional em Português Corrente foi fruto de um trabalho conjunto entre católicos e protestantes.
Iniciada em 1972, foi revista em 2002.

Traduções no Brasil

Traduções parciais
A primeira tradução realizada no Brasil foi feita pelo bispo Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré. Era um Novo
Testamento traduzido a partir da Vulgata. No prefácio, havia acusações contra os protestantes, chamando suas versões
da Bíblia de "falsificadas". Foi publicada em São Luís, no Maranhão, em 1847, sendo impressa em Portugal em 1875.

Em 1879, a Sociedade de Literatura Religiosa e Moral publica uma revisão do Novo Testamento de Almeida. Foi
revista por José Manoel Garcia, pelo pastor M. P. B. de Carvalhosa e pelo pastor Alexandre Latimer Blackford.

O imperador D. Pedro II era um profundo admirador da cultura judaica. Após aprender o hebraico, que era a sua
língua favorita, traduziu partes da Bíblia, como o livro de Neemias, além de partes do Velho Testamento para o latim.

F. R. dos Santos Saraiva, autor de um dicionário latino-português, traduz os Salmos, com o título de Harpa de Israel,
em 1898.
Duarte Leopoldo e Silva traduz e publica os Evangelhos em forma de harmonia. O Colégio da Imaculada Conceição,
Botafogo, Rio de Janeiro, publica uma tradução dos Evangelhos e Atos, do francês, preparada por um padre, em 1904.
Padres franciscanos iniciam um trabalho de tradução a partir da Vulgata, sendo concluído em 1909. No mesmo ano, o
padre Santana traduz o Evangelho de Mateus diretamente do grego. É a primeira tradução parcial da Bíblia, em
português, dos idiomas originais feita por um padre católico, embora tenha sido apoiado pelo latim.

J. L. Assunção traduz o Novo Testamento a partir da Vulgata em 1917. Surge, no mesmo ano, o livro de Amós,
traduzido por Esteves Pereira. Foi traduzido do etíope. Em 1923, J. Basílio Pereira traduz o Novo Testamento e os
Salmos a partir da Vulgata.

O então padre Huberto Rohden foi o autor de uma tradução do Novo Testamento. Começou a traduzir enquanto
estudava na Leopold-Franzens-Universität Innsbruck, Áustria, completando em 1930. Foi publicado pela Cruzada da
Boa Imprensa (atualmente é pela editora Martin Claret). Utilizou como base o Textus Receptus.

O rabino Meir Matzliah Melamed traduz a Torá, numa edição sem data, com o nome de A Lei de Moisés e as Haftarot.
Foi publicada em 1962. A tradução foi revista e lançada, em 2001, com o nome de A Lei de Moisés. Está disponível
pela Editora Sêfer.

Em 1993 é publicado o Novo Testamento da Nova Versão Internacional. Em 2005, o pastor batista Fridolin Janzen
traduz o Novo Testamento em português, baseado no Textus Receptus. O texto está disponível no seu website (http://
www.nt.batistas.net/), e está para ser imprimida.

O juiz de direito e estudioso do grego e hebraico antigos, Haroldo Dutra Dias, publica o Novo Testamento pela Editora
da Federação Espírita Brasileira em 2010.

Traduções completas

1898
A Almeida Revista e Corrigida foi a primeira Bíblia completa a ser impressa no Brasil. Está
em circulação a revisão de 2009.
1917
A segunda tradução, porém literal e completa foi a Tradução Brasileira ou Versão Brazileira.
Foi uma tradução da Bíblia que não contava somente com teólogos, como H. C. Tucker,
William Cabell Brown, Eduardo Carlos Pereira, mas também com eruditos como Ruy
Barbosa, José Veríssimo e Virgílio Várzea. Iniciou-se em 1902. Os dois primeiros
evangelhos foram editados em 1904, e depois de alguma crítica e revisão, o Evangelho de
Mateus saiu novamente em 1905. Os Evangelhos e o livro dos Atos dos Apóstolos foram
publicados em 1906, e o Novo Testamento completo em 1910. Publicada inteira em 1917,
tem características eruditas, sendo bastante literal e fiel em relação aos textos originais.
1950
A Editora Paulinas publicou desde a década de 1950 até 1990 a Bíblia traduzida da Vulgata
Latina pelo padre português Manoel de Matos Soares na década de 1930.
1959
Publicada a Almeida Revista e Atualizada utilizando o Texto Crítico, ao invés do Textus
Receptus. Ganhou aprovação da CNBB.
1959
Publicada a tradução católica dos monges Maredsous em português. O trabalho de
tradução foi coordenado pelo franciscano João José Pedreira de Castro, do Centro Bíblico
de São Paulo. Foi traduzida a partir da versão francesa publicada na Bélgica. É conhecida
atualmente como Bíblia da Ave Maria.
1967
A Sociedade Bíblica da Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová publicou a Tradução do
Novo Mundo das Escrituras Sagradas, da versão inglesa de 1950. Recebeu revisão em
1984 (em português em 1986), sendo publicada pela Sociedade Bíblica da Torre de Vigia no
mesmo ano sua primeira Bíblia de estudo, com notas marginais, referências cruzadas,
mapas, índice, concordância e quadros doutrinários. Em 2015, foi publicada uma versão
totalmente revisada, que passou a adotar uma linguagem mais moderna e uma capa cinza.
1967
A Imprensa Bíblica Brasileira, da Juerp (batista), publicou a Versão revisada segundo os
melhores textos.
1976
Bíblia de Jerusalém, das Edições Paulinas. Baseada na versão francesa, sendo que as
notas e comentários são traduzidos. Em 2002 é publicada a revisão, chamada de Nova
Bíblia de Jerusalém.

1981 Bíblia Viva, a primeira paráfrase da Bíblia em português. A versão original foi elaborada por Kenneth Taylor
e traduzida na base da equivalência dinâmica (ideia por ideia). Atualmente já está na 2ª edição.
1982 É publicada a Bíblia Vozes, pela editora Vozes, traduzida por uma comissão, presidida pelo franciscano
Ludovico Garmus. No mesmo ano é publicada uma versão pela editora Santuário. No ano seguinte é publicada a
Bíblia Mensagem de Deus pelas edições Loyola.
1988 É publicada a parafraseada A Bíblia na Linguagem de Hoje, caracterizada por ter uma linguagem popular e
tradução flexível. Um exemplo é a tradução de Juízes 3:24: Aí os empregados chegaram e viram que as portas
estavam trancadas. Então pensaram que o rei tinha ido ao banheiro. Muitos eruditos veem uma excessiva
utilização de linguagem popular, que pode comprometer a fidelidade com o texto original. Devido a esses
problemas, essa tradução passou por um grande processo de revisão, que resultou na Nova Tradução na
Linguagem de Hoje, em 2000.
1990 É publicada a Edição Pastoral. Coordenada pelo teólogo Ivo Storniolo, é uma tradução afinada com a
teologia da libertação, sendo voltada para uso dos leigos. Ver artigo principal: Edição Pastoral.
1990 A Editora Vida publicou a sua Edição contemporânea da Bíblia de Almeida (EAC). Essa edição eliminou
arcaísmos e ambiguidades do texto original de Almeida, mas com a promessa de preservar as excelências do
texto que lhe serviu de base.
1994 A Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil publicou a Versão Corrigida Fiel, ou simplesmente Almeida
Corrigida Fiel (ACF), baseada no Texto Recebido (Textus Receptus).[3]
1997 É publicada a Tradução Ecumênica da Bíblia (sendo baseada na versão francesa), sendo parte de sua
comissão católicos, protestantes e judeus. O Antigo Testamento foi mantido do modo como se utiliza nas Bíblias
judaicas.
2001 A CNBB produziu uma tradução comemorativa dos 50 anos da CNBB, e já está na 3ª edição e envolveu
cooperação entre sete editoras católicas.
2001 É publicada a Torah Viva, traduzida por Adolfo Wasserman, baseada na versão inglesa.
2001 É publicada também a versão completa da Nova Versão Internacional.,
2002 É publicada a Bíblia do Peregrino, traduzida por Luís Alonso Schökel. É uma tradução da versão
espanhola.
2006 É publicada a Bíblia Hebraica. É o primeiro Tanakh completo publicado em português, desde 1553. Os
tradutores foram David Gorodovits e Jairo Fridlin e foi revista por rabinos e professores.
2007 É publicada a Bíblia Almeida Século 21, uma atualização da "Versão Revista" do texto de Almeida (também
conhecida como "Versão revista segundo os melhores textos") por uma parceria entre a Imprensa Bíblica
Brasileira/Juerp, Edições Vida Nova, a Editora Hagnos e a Editora Atos.
2009 É publicada a versão Reina-Valera em Português, uma tradução brasileira a partir da versão espanhola
Reina-Valera, mas que verte o nome de Deus 'JEHOVÁ' por 'SENHOR', é publicada pela Unipro em parceria
com a Sociedad Bíblica Intercontinental.
2010 É publicada e impressa a Tradução Brasileira pela Sociedade Bíblica do Brasil, com grafia e Português
atualizado de acordo com a reforma ortográfica de 2009.[4]
2012 É lançada no Brasil pela Abba Press e pela Sociedade Bíblica Ibero-Americana a Bíblia King James sob
sua edição de estudos comemorativa de 400 anos com o título "Bíblia King James Atualizada", distinguida pela
excelente tradução das línguas originais conservada em um vocabulário rico, erudito, e compreensível. Edição já
célebre nos países de língua inglesa, foi traduzida dos originais aramaico, hebraico e grego para a língua
portuguesa por inúmeros exegetas, linguistas, filólogos, biblistas, arqueólogos, teólogos, e eruditos de diversas
áreas do saber.
2014 É publicada a Nova Bíblia Viva, uma revisão da Bíblia Viva motivada pela dinamicidade da língua e pela
necessidade de trazer algumas opções semânticas e sintáticas da primeira edição.
2015 É publicada a parcialmente parafraseada Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada. A paráfrase é
parcial, já que a tradução literal consta nos comentários ao pé da página permitindo a análise do texto como
escrito originalmente. Além disso, não é o objetivo principal desta tradução a paráfrase, sendo tal recurso
colocado em segundo plano em várias situações para que não haja sacrifício de expressões importantes ao
entendimento profundo. A TNM é baseada na segunda grande revisão da versão inglesa da Sociedade Bíblica
da Torre de Vigia em 2013 (em português em 2015), sendo considerada "revisada e atualizada" pela Sociedade
Bíblica da Torre de Vigia passando a ser chamada "Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada".[5]
Traduções feitas em outros países
A Sociedade Bíblica Trinitariana, fundada no Reino Unido em 1831, também produziu uma versão do Novo
Testamento em português, em 1883. É baseada no Textus Receptus, como todas as Bíblias da dita sociedade.

Referências
1. «A literatura religiosa polemista nas Índias Orientais seiscentistas e a elaboração da primeira tradução regular da
Bíblia em língua portuguesa (1642-1694)» (https://www.academia.edu/11758108/A_literatura_religiosa_polemista
_nas_%25C3%258Dndias_Orientais_seiscentistas_e_a_elabora%25C3%25A7%25C3%25A3o_da_primeira_trad
u%25C3%25A7%25C3%25A3o_regular_da_B%25C3%25ADblia_em_l%25C3%25ADngua_portuguesa_1642-16
94_). Consultado em 17 de julho de 2016
2. «Differença d'a Christandade: João Ferreira de Almeida e a controvérsia católico-protestante nas Índias Orientais
seiscentistas» (https://www.academia.edu/11712282/Differen%25C3%25A7a_da_Christandade_Jo%25C3%25A3
o_Ferreira_de_Almeida_e_a_controv%25C3%25A9rsia_cat%25C3%25B3lico-protestante_nas_%25C3%258Dndi
as_Orientais_seiscentistas). Consultado em 17 de julho de 2016
3. «Introdução à Edição Almeida Corrigida Fiel (ACF)» (https://www.biblias.com.br/introacf.asp). Sociedade Bíblica
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4. http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=255
5. http://www.jw.org/pt/testemunhas-de-jeova/atividades/publicacoes/tnm-biblia-feita-para-durar/

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