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MEC0253 – INTEGRIDADE

ESTRUTURAL

FALHA POR FADIGA

1
Prof. Me. Eng. Mec. Vagner Grison
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Falha por fadiga – características


• Fadiga, como o próprio nome indica,
caracteriza-se por uma falha ocorrida após
vários ciclos de carregamento flutuante.
• Mesmo materiais dúcteis apresentam uma
falha repentina e sem sinais de escoamento
quando submetidos à fadiga.
• Verifica-se que tensões bem abaixo do limite
de resistência do material são capazes de
fadigar um componente estrutural.
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Falha por fadiga – características


• As falhas por fadiga apresenta similaridades à
uma fratura frágil, com ausência de estricção,
e superfície fraturada perpendicular à tensão.
Alumínio: Aspecto
microscópico de
estrias de fadiga

Aço: Aspecto da
superfície de uma
falha por fadiga

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Falha por fadiga – características


Estágio 1: Estágio 2: Estágio 3:
Início de uma ou Progressão Ciclo de carga final
mais micro para macro que resulta na fratura
trincas. trincas. que pode ser dúctil,
frágil ou combinada.

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Falha por fadiga – estágios


Exemplo de parafuso
fadigado devido à flexão
unidirecional.

A – início da trinca
B – propagação da trinca C
C – falha final por fratura

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Falha por fadiga – características


• A formação e propagação de uma trinca deve-
se a alguma descontinuidade do material.
Shigley aponta alguns fatores relacionados:
– Variações geométricas
– Contato rolante e deslizante sob pressão
– Localização inadequada de marcas, riscos, etc.
– Composição do material devido ao seu processo
de manufatura, tais como laminação, forjamento,
fundição, extrusão, trefilação, tratamento térmico.
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Falha por fadiga – características


• Fatores que modificam a vida em fadiga:
– Tensões residuais trativas
– Concentradores de tensão
– Inclusões, defeitos ou vazios
– Temperaturas elevadas
– Ciclagem térmica
– Ambientes corrosivos
– Ciclagem de alta frequência

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Superfícies de fratura
Tensão nominal alta Tensão nominal baixa
s/ concentração concentração de concentração de s/ concentração concentração de concentração de
de tensão tensão suave tensão severa de tensão tensão suave tensão severa

Tração-tração ou tração-compressão 8
Marcas de praia Zona
Prof. Me. Eng. de fratura
Mec. Vagnerrápida
Grison Entalhe de concentração de tensão
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Superfícies de fratura
Tensão nominal alta Tensão nominal baixa
s/ concentração concentração de concentração de s/ concentração concentração de concentração de
de tensão tensão suave tensão severa de tensão tensão suave tensão severa

Flexão unidirecional

Marcas de praia
Zona de fratura rápida
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Entalhe de concentração de tensão Prof. Me. Eng. Mec. Vagner Grison
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Superfícies de fratura
Tensão nominal alta Tensão nominal baixa
s/ concentração concentração de concentração de s/ concentração concentração de concentração de
de tensão tensão suave tensão severa de tensão tensão suave tensão severa

Flexão completamente invertida

Marcas de praia
Zona de fratura rápida
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Entalhe de concentração de tensão Prof. Me. Eng. Mec. Vagner Grison
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Superfícies de fratura
Tensão nominal alta Tensão nominal baixa
s/ concentração concentração de concentração de s/ concentração concentração de concentração de
de tensão tensão suave tensão severa de tensão tensão suave tensão severa

Flexão Rotativa

Torção

Marcas de praia
Zona de fratura rápida
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Superfícies de fratura

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Superfícies de fratura

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Superfícies de fratura

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Superfícies de fratura

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Tensões Flutuantes
• Em máquinas industriais as tensões flutuantes tendem a assumir um
padrão senoidal.
• Embora algumas aplicações não disponham da mesma regularidade,
observou-se que em padrões periódicos que contenham picos de máximos
e mínimos identificáveis, não são influenciados pela forma da onda.
• Se a força máxima Fmax e a menor é Fmin então uma componente estável,
média, e uma alternante podem ser obtidas pelas equações 01 e 02.
𝐹𝑚𝑎𝑥 + 𝐹𝑚𝑖𝑛 𝐹𝑚𝑎𝑥 − 𝐹𝑚𝑖𝑛
𝐹𝑚 = 𝐹𝑎 =
2 01 2 02
• Além disso, são importantes as relações chamadas de razão de tensões R e
r que são definidas pelas equações 03 e 04.
𝜎𝑚𝑖𝑛 𝜎𝑎
𝑅= 𝑟=
𝜎𝑚𝑎𝑥 03 𝜎𝑚 04
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Tensões Flutuantes

Figura (a) Tensão flutuante com


ondulação de alta frequência
Figuras (b) e (c) Tensões flutuantes
não senoidais.

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Tensões Flutuantes

Figura (d) Tensão flutuante senoidal


Figura (e) Tensão senoidal repetida
Figura (f) Tensão senoidal
completamente invertida

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Métodos da Vida sob Fadiga


• Distinguem-se pelo no de ciclos até a falha
– Baixo Ciclo: 1 ≤ N ≤ 103 ciclos
– Alto Ciclo: N > 103 ciclos
Vida sob Vida sob Mecânica
Tensão Deformação da Fratura
✓ Baseado em níveis ✓ Análise detalhada da ✓ Assume que uma
de tensão deformação plástica trinca já esteja
✓ É adequado para em locais críticos presente ou tenha
altos ciclos ✓ Altamente eficaz em sido detectada
✓ É o mais tradicional análises de baixo ✓ Prevê o crescimento
✓ Implementação ciclo da trinca
simples ✓ Várias idealizações ✓ É mais prático para
✓ Tem muitos dados são necessárias o grandes estruturas
de suporte que gera incertezas aliado à inspeção 19
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Vida sob Deformação


• Considera-se o melhor procedimento para explicar a natureza
da falha por fadiga, principalmente na região de baixo ciclo
(N<103ciclos);
• Há algumas dificuldades na aplicação do método, bem como o
uso dos seus resultados em projetos;
• Os corpos de prova devem ser submetidos à carregamento
axial com inversão de carregamento (tração – compressão);
• Ensaios de flexão não são indicados devido à dificuldade de
medir deformações plásticas;
• Landgraf (1968) investigou o comportamento à fadiga de
baixa ciclagem de uma grande quantidade de aços.
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Vida sob Deformação


Resultados de tensão-deformação cíclico.

Compressão Tração

Compressão
Cíclica
Tensão s, MPa

Tração

Tensão s, MPa
Cíclica

Aço Ausformed H-11 Aço SAE 4142


Dureza Brinell 660 Dureza Brinell 400

Deformação e Deformação e

Particularidades como essas não são explicadas por um método como o da vida sob tensão.
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Vida sob Deformação


1ª inversão
Figura 14 s A 3ª
Cinco 5ª A inclinação
inversões de da linha AB é o
carregamento módulo de
axial elasticidade E.
mostrando o Dee é o
efeito de Ds e intervalo de
histerese deformação
ligeiramente elástica.
exagerado Dep é o
para melhorar 4ª intervalo de
B
a clareza. deformação
2ª Dep Dee
De plástica.
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Gráfico de deformação verdadeira versus inversões até a falha.

Vida sob Deformação


Com base no relatório SAE J1099, 1975. Fatigue Design and

𝜀𝑓′ Figura 15
Amplitude de deformação ∆𝜀 Τ2

𝜎𝑓′
𝐸 Deformação Total
Deformação Plástica
b
Evaluation Steering

Deformação Elástica

Inversões até a falha, 2N 23


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Vida sob Deformação


Da figura 14, observa-se que a deformação total é obtida da soma das componentes
elástica e plástica. Assim, a amplitude é igual a metade da faixa de deformação:

A equação da linha de deformação plástica da figura 15 é dada por:

A equação da linha de deformação elástica da figura 15 é dada por:

A equação da amplitude de deformação pode ser escrita com a soma das anteriores:

Relação de
(01) Manson-Coffin
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Redu- Def. Módulo de Coeficiente Expoente Coeficiente Expoente
Orienta Dure Resistência Ductilidade
Grau Descrição ção Verdad. Elasticidade Resistência Resistência Ductilidade
ção za à tração Sut
Área Fratura E Fadiga s’f Fadiga Fadiga Fadiga

(a) (e) (f) HB MPa kpsi % ef GPa Mpsi MPa ksi b e’f c

Notas: (a) Grau SAE/AISI, exceto se indicado diferentemente; (b) Designação ASTM; (c) Designação do fabricante; (d) Grau SAE HSLA; (e)
Orientação do eixo do corpo de prova, sendo L ao longo das fibras de laminação e LT transversal às fibras; (f)STA, solubilizado e envelhecido;
HR, laminado à quente; CD, trefilado; Q&T, temperado e revenido; CDSR, trefilado com alívio de tensões; DAT, trefilado a quente; A, recozido.
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Redu- Def. Módulo de Coeficiente Expoente Coeficiente Expoente
Orienta Dure Resistência Ductilidade
Grau Descrição ção Verdad. Elasticidade Resistência Resistência Ductilidade
ção za à tração Sut
Área Fratura E Fadiga s’f Fadiga Fadiga Fadiga

(a) (e) (f) HB MPa kpsi % ef GPa Mpsi MPa ksi b e’f c

Notas: (a) Grau SAE/AISI, exceto se indicado diferentemente; (b) Designação ASTM; (c) Designação do fabricante; (d) Grau SAE HSLA; (e)
Orientação do eixo do corpo de prova, sendo L ao longo das fibras de laminação e LT transversal às fibras; (f)STA, solubilizado e envelhecido;
HR, laminado à quente; CD, trefilado; Q&T, temperado e revenido; CDSR, trefilado com alívio de tensões; DAT, trefilado a quente; A, recozido.
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Redu- Def. Módulo de Coeficiente Expoente Coeficiente Expoente
Orienta Dure Resistência Ductilidade
Grau Descrição ção Verdad. Elasticidade Resistência Resistência Ductilidade
ção za à tração Sut
Área Fratura E Fadiga s’f Fadiga Fadiga Fadiga

(a) (e) (f) HB MPa kpsi % ef GPa Mpsi MPa ksi b e’f c

Notas: (a) Grau SAE/AISI, exceto se indicado diferentemente; (b) Designação ASTM; (c) Designação do fabricante; (d) Grau SAE HSLA; (e)
Orientação do eixo do corpo de prova, sendo L ao longo das fibras de laminação e LT transversal às fibras; (f)STA, solubilizado e envelhecido;
HR, laminado à quente; CD, trefilado; Q&T, temperado e revenido; CDSR, trefilado com alívio de tensões; DAT, trefilado a quente; A, recozido.

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Mecânica da Fratura
• As trincas de fadiga nucleiam-se e crescem quando as tensões variam e existe
alguma tração em cada ciclo de tensão.
• Considerando que esta variação seja Ds = smáx - smín
então pode-se escrever: (02)
A figura 16 ilustra a taxa de crescimento de trinca para diferentes níveis de Ds
Figura 16 Assumindo que
uma trinca é
(Ds)3 (Ds)2
descoberta no
Comprimento da trinca, a

(Ds)1
início do estágio 2,
da seu crescimento
a
pode ser estimado
dN pela equação de
Paris:
ai

Log N
(03)
Ciclos de Tensão, N 28
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Mecânica da Fratura

Região 1 Região 2

Iniciação Propagação
da trinca da trinca Região 3
Aumento Isto porque os
da razão Trinca
Instável dados obtidos para
de tensão
R o estágio 2 são
lineares em
coordenadas log-
Uma trinca
só irá se
log.
propagar se C e m são constantes
DK > (DK)th
empíricas.

Kc (03)
(DK)th 29
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log DK
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Mecânica da Fratura
• Substituindo a equação 2 na equação 3 e integrando-a, é possível estimar o número
de ciclos até a fratura Nf, sendo ai e af os comprimentos inicial e final da trinca.
• Cabe observar que b pode variar conforme a trinca se propaga e isso pode exigir o
uso de integração numérica.

(04)

Valores conservadores do fator C e expoente m nas equações 03 e 04 (R = 0)


C
Material m

Aços ferríticos-perlíticos 6,89 x 10-12 3,6 x 10-10 3,00


Aços martensíticos 1,36 x 10-10 6,6 x 10-9 2,25
Aços inoxidáveis austeníticos 5,61 x 10-12 3,00 x 10-10 3,25
De J. M. Barsom e S. T. Rolfe, Fatigue and Fracture Control in Structures, 2nd ed., Prentice-Hall, Upper Saddle River, N.J., 1987, p. 288-291, copyright
ASTM International.
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Vida sob Tensão


Baixo ciclo Alto ciclo
Neste método,
corpos de
prova padrão
são sujeitos a
Resistência à fadiga Sf, kpsi

um ensaio de
flexão rotativa,
sob diferentes
magnitudes,
onde são
registrados os
ciclos até a
falha.
31
Número
Prof. Me. Eng. Mec. Vagner de ciclos de tensão, N
Grison
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Vida sob Tensão


Baixo ciclo Alto ciclo
Neste método,
Vida Finita
corpos de Vida
Infinita
prova padrão
são sujeitos a
Resistência à fadiga Sf, kpsi

um ensaio de
flexão rotativa,
sob diferentes
magnitudes,
onde são
registrados os
ciclos até a
falha.
32
Número
Prof. Me. Eng. Mec. Vagner de ciclos de tensão, N
Grison
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Vida sob Tensão


Faixas S-N 1 - Forjado
para ligas de 2- Fundido Molde Permanente
3 – Fundido Molde de Areia

alumínio
típicas,
Pico da tensão alternada de flexão

excluindo ligas
1
forjadas com
Sut < 38 kpsi. 2

Vida N, ciclos (log)


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Limite de Resistência à Fadiga


Aços carbono
Aços liga
Ferros forjados
Resistência à fadiga S’e, kpsi

Resistência à tração Sut , kpsi 34


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Limite de Resistência à Fadiga


Materiais não ferrosos não apresentam um limite de resistência à fadiga
definido, devendo-se, então citar o nº de ciclos correspondentes.
Segundo Mischke, que analisou uma grande amostra de dados reais, os
valores abaixo podem ser utilizados para aços:
S’e = 0,50 Sut Sut ≤ 1460 MPa
S’e = 740 MPa Sut > 1460MPa

Para ferros fundidos: S’e = 0,35 Sut Valores de referência. Devem ser usados se nenhuma
outra informação mais específica estiver disponível

Para alumínios*: S’e = 0,4 Sut Sut ≤ 330MPa


* Considerando N = 107 ciclos
S’e = 130 MPa Sut > 330MPa
Uma vez que a área de incerteza em problemas de fadiga é grande,
estes valores podem desviar-se significativamente de valores obtidos
experimentalmente para materiais com especificações estritas. Nestes casos
recomenda-se o uso de um coeficiente de segurança maior ou a realização de
ensaio de fadiga do material especificado. 36
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Limite de Resistência à Fadiga


Propriedades mecânicas típicas de diversas classes ASTM de ferro
fundido cinzento
Fator de
Resistência ao
Resistência à Resistência à Módulo de Resistência à Dureza concentração de
Classe Cisalhamento
tração Sut compressão Suc Elasticidade E Mpsi Fadiga (a) S’e Brinell tensão em
Ssu fadiga

ASTM kpsi kpsi kpsi Tração (b) Torção kpsi HB Kf

(a) Corpos de prova polidos ou usinados


(b) O módulo de elasticidade do FoFo cinzento em compressão é similar ao maior valor de tração e mais constante do que sob tração.

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Limite de Resistência à Fadiga


Propriedades mecânicas típicas de diversas ligas de alumínio
Tratamento Resistência ao Resistência à Resistência à Alongamento Dureza
Liga
Térmico Escoamento Sy Tração Sut Fadiga** S’f em 2” Brinell
MPa (kpsi) MPa (kpsi) MPa (kpsi) % HB

Molde de areia ** Valores de resistência à fadiga correspondem a 5x108 ciclos de tensão completamente invertida 38
Molde permanente Prof. Me. Eng. Mec. Vagner Grison
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Limite de Resistência à Fadiga


Propriedades mecânicas típicas de diversas ligas de aço

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Limite de Resistência à Fadiga


• Observa-se que até cerca de 103 ciclos a resistência à fadiga é ligeiramente
menor que a resistência à tração Sut.
• A estimativa do limite de resistência no trecho de baixo ciclo (1 a 1000 ciclos) é
estabelecida com base na parcela de deformação elástica do gráfico de tensão
verdadeira, resolvendo a equação 01 conforme o procedimento abaixo:
Amplitude de deformação ∆𝜀 Τ2

∆𝜀𝑒 𝜎𝑓′ ∆𝜀𝑒


= 2𝑁 𝑏 𝐸 = 𝜎𝑓′ 2. 10𝑛 𝑏 𝑆𝑓 = 𝜎𝑓′ 2. 10𝑛 𝑏
2 10𝑛 𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜𝑠
2 𝐸

𝜎𝑓′ • Sendo f uma fração de


Sut . Colocando f em
𝐸 evidência, obtém-se a
equação 05:

Deformação Elástica
𝜎𝑓′
𝑆𝑓
103 𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜𝑠
= 𝑓. 𝑆𝑢𝑡 𝑓= 2. 103 𝑏
𝑆𝑢𝑡 (05)
40
Inversões até
Prof.aMe.
falha, 2N
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Limite de Resistência à Fadiga


• O coeficiente de resistência à fadiga 𝜎𝑓′ pode ser obtido em tabelas de propriedades
como as dos slides 25 a 27.
• Experimentalmente, esse coeficiente pode ser obtido da relação entre a tensão
verdadeira e a deformação verdadeira que respeita a seguinte relação: 𝜎 = 𝜎𝑜 . 𝜀 𝑚 .
𝑚
Fazendo 𝜎 = 𝜎𝑓′ e 𝜀 = 𝜀𝑓′ fica: 𝜎𝑓′ = 𝜎0 . 𝜀𝑓′ .
• Porém, se o engenheiro não dispõe destas informações nem tem meios de ensaiar o
material, pode usar a aproximação SAE para aços com HB≤500 conforme as eq. 06.

log(𝜎𝑓′ Τ𝑆𝑒 )
𝜎𝑓′ = 𝑆𝑢𝑡 + 345MPa (06a) 𝑏=−
log(2. 106 ) (06b)

• Há ajustes populares do fator f sendo tratado como um parâmetro que varia de


acordo com Sut.

Sut [MPa] 414 620 827 1380


f 0,93 0,86 0,82 0,77
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Limite de Resistência à Fadiga


• Na região de alto ciclo (103 até 106 ciclos), a curva S-N é ajustada empiricamente de
acordo com a equação 07.
• As constantes A e D são definidas pelos pontos
𝑆 = 𝐴. 𝑁 𝐷 (07) extremos de uma linha reta traçada em escala
𝜎𝑎 𝑓
logarítmica. Estes pontos estão em destaque:

𝑆𝑢𝑡 𝑆𝑓103
2

𝐴=
𝑆𝑒
𝑆𝑓103 (08)
1 𝑆𝑓103
𝐷 = − 𝑙𝑜𝑔
3 𝑆𝑒
(09)

𝑆𝑒

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Limite de Resistência à Fadiga


• Tendo as constantes empíricas A e D calculadas, é possível obter uma certa tensão
alternante 𝜎𝑎 = 𝑆𝑓 para uma dada vida de N ciclos. De forma semelhante, é possível
estimar uma vida do componente sujeito à uma tensão alternante 𝜎𝑎 .

ALTO CICLO 1ൗ
𝜎𝑎 𝐷
𝑆𝑢𝑡 𝑁=
𝐴
(10)
𝑆𝑓103

𝜎𝑎

𝑆𝑒

N 43
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Limite de Resistência à Fadiga


• De forma conservadora também, é possível obter, para a região de baixo ciclo, uma
certa tensão alternante 𝜎𝑎 = 𝑆𝑓 para uma dada vida de N ciclos. De forma semelhante,
é possível estimar uma vida do componente sujeito à uma tensão alternante 𝜎𝑎 .

BAIXO CICLO 3ൗ
𝜎𝑎 log 𝑓
𝑆𝑢𝑡 𝑁=
𝑆𝑢𝑡
𝜎𝑎 (11)
𝑆𝑓103

𝜎𝑎 = 𝑆𝑢𝑡 𝑁 log 𝑓 /3
(12)

𝑆𝑒

N 44
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Fatores de redução do limite de resistência a fadiga


O limite de resistência a fadiga de um elemento de máquina, Se, pode
ser muito menor do que aquele determinado no ensaio de flexão rotativa, S’e .
Várias condições fornecem fatores de correção. Assim, escrevemos:

Se = ka . kb . kc . kd . ke . kdiv . S’e
Se limite de resistência a fadiga da peça;
S’e limite de resistência a fadiga do corpo de prova no ensaio de flexão
rotativa;
ka fator de superfície;
kb fator de tamanho;
kc fator de tipo de carregameto;
kd fator de temperatura;
ke fator de confiabilidade;
kdiv fator de efeitos diversos.

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Fator de superfície ka
Um corpo de prova para ensaio de fadiga tem sua superfície altamente polida.
Com a finalidade de encontrar expressões quantitativas para acabamentos
comuns de peças de máquinas, as coordenadas dos pontos de dados foram
recaptadas de um gráfico de limite de resistência versus resistência à tração de
dados coletados por Lipson e Noll e reproduzidos por Horger, os quais podem
ser obtidos da relação abaixo:

ka  a.S b
ut
Acabamento Superficial Coeficiente (a) Expoente
Sut, ksi Sut, MPa (b)
Retificado 1,34 1,58 -0,085
Usinado ou laminado a frio 2,7 4,51 -0,265
Laminado a quente 14,4 57,7 -0,718
Como forjado 39,9 272 -0,995
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Fator de tamanho kb
Conforme Shigley, o fator de tamanho foi avaliado usando 133 conjuntos de
pontos de dados. Sob flexão rotativa e torção, corpos de prova cilíndricos tem
seu diâmetro externo igual a de e o fator kb pode ser obtido pelas relações
abaixo:

 0,879d e 0,107  0,11  d e  2"


  0 ,157
 0,91d e  2  d e  10"
kb    0 ,107
1 , 24 d e  2,79  d e  51mm
 1,51d 0,157  51  d  254mm
 e e

Para carregamento axial não há efeito de tamanho, de modo que:


kb(axial) = 1
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Fator de tamanho kb
O fator de tamanho pode ser explicado pelo efeito estatístico. Ele considera que
com maior volume de material, há maior probabilidade de existência de pontos
fracos, com menor resistência ou com defeitos de dimensões maiores.
Essencialmente esse volume característico é significativo nas regiões onde
agem tensões de tração.
Considera-se como parâmetro, no corpo de prova sob flexão rotativa, a área
que suporta as tensões de 95% a 100% da tensão trativa máxima:

Flexão Rotativa
𝐴0,95𝜎 = 0,0766. 𝑑 2
ou Torção

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Fator de tamanho kb
Quando temos uma barra redonda não girante ou de seção transversal não
circular deve-se empregar uma dimensão efetiva de igualando-se o volume (ou
área) de material tensionado a, e acima de, 95% da tensão máxima ao mesmo
volume (ou área) em um espécime de viga rotativa padrão.

Flexão Rotativa ou
Torção

Flexão não
rotativa com 0,95d
Equivale
inversão de
tensão

𝐴0,95𝜎 = 0,01046. 𝑑 2
𝑑𝑒 = 0,37. 𝑑
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Fator de tamanho kb
Quando temos uma barra redonda não girante ou de seção transversal não
circular deve-se empregar uma dimensão efetiva de igualando-se o volume (ou
área) de material tensionado a, e acima de, 95% da tensão máxima ao mesmo
volume (ou área) em um espécime de viga rotativa padrão.

Flexão Rotativa ou
Torção

0,95.r
Flexão não
rotativa sem Equivale
inversão de
tensão

𝐴0,95𝜎 = 0,00523. 𝑑 2 𝑑𝑒 = 0,261. 𝑑

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Esta tabela refere-se a


Fator de tamanho kb quatro formas sob flexão
não rotativa e com inversão
de tensão.
Diâmetro equivalente de
formas não rotativas é
obtido pela relação abaixo
aplicando sua área A0,95s .
A0,95s
d equiv 
0,0766

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Fator de tipo de carregamento kc


O ensaio padrão de fadiga é realizado com carregamento de flexão rotativa.
Quando ensaios de carregamento axial (tração-compressão) e de torção são
realizados, os limites de resistência diferem de acordo os índices abaixo:

 flexão  1

kc   axial  0,85
cisalhamento  0,59*

* Este coeficiente deve ser utilizado somente para carregamento de fadiga de


cisalhamento ou torção puros. Quando o cisalhamento está combinada com
outros carregamentos, tais como flexão, então kc = 1 e o carregamento
combinado é tratado usando a tensão efetiva de von Mises.
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Fator de temperatura kd Temp. oC kd=ST/SRT


Baixas temperaturas podem tornar frágeis materiais 20 1,000
tipicamente dúcteis. Assim a fratura frágil pode ocorrer.
Quando as temperaturas de trabalho são mais altas 50 1,010
que a temperatura ambiente, o escoamento deve ser 100 1,020
investigado a princípio, pois a resistência a ele cai muito 150 1,025
rapidamente com o aumento da temperatura.
200 1,020
250 1,000
Sut 300 0,975
350 0,943
Charpy, J

Sy 400 0,900
ST/SRT

450 0,843
500 0,768
FRÁGIL 550 0,672
600 0,549
RT Temperatura, oC 54
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Fator de confiabilidade ke
Os ensaios mecânicos, incluindo os de fadiga, possuem uma dispersão
estatística nos seus resultados. A maioria dos dados de resistência é relatada
como valores médios. Os dados apresentados por Haugen e Wirching mostram
desvios-padrão da resistência de menos de 8%. A equação abaixo reflete os
efeitos observados, os quais também estão apresentados na tabela abaixo.

Confiabilidade % za Ke
ke  1  0,08 z a 50 0 1
90 1,288 0,897
Sendo que: 95 1,645 0,868
a  ma 99 2,326 0,814
za 
sˆ a
99,9 3,091 0,753
99,99 3,719 0,702
mx = média dos valores a 99,999 4,265 0,659
sa = desvio padrão dos valores a
99,9999 4,753 0,620
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Fator de efeitos diversos kdiv


Este fator serve de lembrete para que se leve em consideração os mais
diversos efeitos não considerados e que podem afetar a resistência à fadiga.
Tensões residuais podem melhorar o limite de resistência ou piorá-lo.
Geralmente, tensões residuais compressivas na superfície da peça tendem a
melhorar a resistência à fadiga.
Peças fabricadas a partir de chapas ou barras laminadas ou repuxadas, ou
peças forjadas podem ter sua resistência reduzida entre 10% e 20% ao longo
de uma direção transversal ao sentido do seu processo de fabricação.
Outros fatores a serem considerados:
• Corrosão;
• Recobrimento Eletrolítico (cromagem, niquelação, anodização, etc.).
Zincagem não afeta a resistência à fadiga;
• Pulverização de Metal;
• Frequência Cíclica;
• Corrosão com microabrasão.

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Referências
• Callister Jr., W. D. “Ciência e Engenharia de
Materiais”. 5ª edição. LTC. 2002.
• Da Rosa, Edison. “Análise de Resistência Mecânica
(mecânica da fratura e fadiga)”. UFSC. 2002.
• Dowling, Norman E. “Mechanical Behavior of
Materials”. Prentice-Hall. 1993.
• Norton, Robert L. “Projeto de Máquinas”. Editora
Bookman. 2a edição. 2004.
• Shigley, J. E., et. al. “Projeto de Engenharia
Mecânica”. 7ª edição. Bookman. 2004.
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