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DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

SUMARIO

PREFÁCIO .............................................................................................................................................. 3
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................ 4
NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE (BR GAAP) ............................................................................ 6
PROCESSO CONTÁBIL ............................................................................................................................. 7
OBRIGATORIEDADE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.................................................................................. 8
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS E O REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA ........................................... 9
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS E A LEI Nº 10.406/2002 C.C. .................................................................... 10
PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE ............................................................................................................ 13
DESENVOLVIMENTO - RESUMO DOS PRINCIPAIS LIVROS E RELATÓRIOS COMERCIAIS .............................. 22
DEMONSTRAÇÕES CONTABEIS .............................................................................................................. 24
BALANÇO PATRIMONIAL....................................................................................................................... 25
DRE – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO ......................................................................... 30
DMPL - DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO .................................................... 40
DVA - DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO .................................................................................. 45
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA............................................................................................... 50
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................................................. 58

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 2


Atualização: Mauricio Barros
PREFÁCIO

Prezado contabilista:

Essa apostila apresenta uma pequena contribuição para o desenvolvimento da cultura


contábil e das práticas adotadas no Brasil diante das normas vigentes e das normas
internacionais de contabilidade. Não obstante, cabe ressaltar que o conteúdo expresso
versa sobre as Demonstrações Contábeis no Brasil observando as características da
legislação brasileira atual como as Leis nº 10.406/02 C.C., Lei nº 6.404/76, Lei nº
11.638/07, Lei nº 11.941/09, Lei nº 11.101/05, Resoluções CFC, Deliberações da CVM,
regras da Receita Federal do Brasil, CPC PME, dentre outras e atrelando os assuntos com
as NIC (Norma Internacional de Contabilidade).

Não é objeto de estudo versar sobre NIC, mas apresentar tratos que não esgotarão o
assunto, pois neste apresentado, nasce apenas a compreensão introdutória de
informações relevantes e que ainda deverão ser tratadas pelos órgãos de classe e
governamentais.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 3


Atualização: Mauricio Barros
Introdução

A globalização da contabilidade é uma realidade principalmente no ambiente vivido como


o atual cenário econômico mundial, principalmente em termos de captação de recursos
internacionais e redução das barreiras comerciais entre as nações.
É sabido que a CVM – Comissão de Valores Mobiliários do Brasil – reconhece tais
divergências, porém com a entrada da Lei nº 11.638/07, com a criação do CPC – Comitê de
Pronunciamentos Contábeis e órgãos correlatos que auxiliam as novas regras de
convergência, se dúvida dominar novos conceitos e entender sobre as divergências é
obrigação do contabilista atual.
As “Demonstrações Contábeis de uso geral são aquelas destinadas a atender às
necessidades dos usuários que não estejam em condições de exigir relatórios adaptados
para atender às suas necessidades específicas de informação. Demonstrações contábeis
de uso geral incluem aquelas que são apresentadas separadamente ou dentro de outro
documento público, como um relatório anual ou um prospecto”.
Ressalta-se que as demonstrações contábeis observarão os Princípios de Contabilidade,
aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade e ainda deverão especificar sua
natureza, a data e/ou o período e a Entidade a que se referem, sem esquecer do grau de
revelação da qual tais demonstrações deverão propiciar, na forma suficiente na questão
de entendimento, do que cumpre demonstrar, inclusive com o uso de notas explicativas
que, entretanto, o contabilista não poderá substituir o que é intrínseco às demonstrações.

O profissional incumbido de preparar as demonstrações contábeis deverá estar atento as


normas atuais diante de sua obrigatoriedade sem negar-se à ciência contábil cujo estudo é
o Patrimônio. A elaboração das demonstrações contábeis está relacionada ao tipo de
sociedade, opção pela regência legal, forma de tributação do Imposto de renda, mercado
e normas da CVM, tratos setoriais atrelados a agências reguladoras como a Susep, Anel,
Aneel, Bacen, dentre outras. Agora o adicional a esse contexto, o profissional deverá

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 4


Atualização: Mauricio Barros
observar o mercado internacional aplicando normas contábeis de origem sabida, porém
não conhecida, sendo que fôra mudada até a forma do regimento legal para tal fim,
situação essa que o Brasil deverá estar preparado para a relevância, ética e presunções
voltadas a clareza, quebrando-se assim, a cultura do “jeitinho brasileiro” e
profissionalizando de fato o desenvolvimento das demonstrações.

Abreviaturas utilizadas:

Neste material apresentam algumas siglas tais como:

• BRGAAP: Normas brasileiras de contabilidade;


• IFRS: Normas Internacionais de Informações Finanaceiras;
• NIC: Normas internacionais de Contabilidade;
• SPC: Secretaria de Previdência Complementar;
• US GAAP : Normas de Contabilidade dos EUA;
• Bacen: Banco Central do Brasil;
• CVM: Comissão de Valores Mobiliários;
• CFC: Conselho Federal de Contabilidade;
• IFRIC: Comitê de Interpretações de Informações Financeiras do IASB;
• IASB: Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade;
• Susep: Superintendência de seguros privados;
• Ibracon: Instituto Brasileiro de Auditores do Brasil;

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Normas Brasileiras de Contabilidade (BR GAAP)

“BRGAAP” são as normas brasileiras de contabilidade cujo fulcro central de estudo são as
Leis nº 6.404/76, a Lei nº 11.638/07, normas expedidas pela CVM e pelo CFC.

Atualmente a “Brgaap” está formalizadas nas seguintes proporções:

• Lei nº 11.638/07 e Lei nº 6.404/76: ambas normas são aplicadas a todas as


Entidades tratadas como S.A.
• Pronunciamentos da CVM das quais são normas aplicáveis às sociedades de
capital aberto ou fechado, ou qualquer forma de sociedade que esteja
apresentada na forma da lei;
• Pronunciamentos do CFC das quais são normas aplicáveis às todas as em
entidades, ou seja, é regra geral;
• Pronunciamentos do IBRACON das quais são normas aplicáveis às todas as
em entidades, ou seja, é regra geral;
• Pronunciamentos do SPC das quais são normas aplicáveis às todas as em
entidades, ou seja, é regra geral;
• Pronunciamentos do Susep das quais são normas aplicáveis às todas as em
entidades seguradoras;
• Pronunciamentos do Bacen das quais são normas aplicáveis às entidades do
setor financeiro;

Vale lembrar que o Brasil tem em sua essência enorme força sobre a área tributária, como
é sabido por todos, o que faz das autoridades fiscais, um dos pontos críticos do Brasil
quanto ao impacto de normas emitidos por esses órgãos, pois os mesmos tendem a
oferecer certos regramentos contábeis que muitas vezes ferem as normas societárias e
até aos princípios contábeis.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 6


Atualização: Mauricio Barros
Processo Contábil

As demonstrações são as peças que unem as informações de um processo que por sua vez
é provindo de um sistema. Os sistemas são procedimentos criados pela Entidade cujo
objetivo é facilitar o desenvolvimento de informações aos terceiros. Um sistema poderá
ser feito de diversas formas como à mãos, mecanizado, informatizado, etc.
Assim o processo é a forma de execução administrativa e o sistema o controle, ou seja, o
armazenamento e o método adotado.
O processo contábil é oriundo das técnicas contábeis oriundas da escrituração contábil,
assim, o processo contábil completo é assim definido:

A Responsabilidade da escrituração contábil

A escrituração contábil, informações contábeis, relatórios, demonstrações, resumos,


mapas técnicos e gerenciais, estudos analíticos, dentre outros são prerrogativas, ou seja
atribuições exclusivas de contabilistas habilitados (Técnico Contábil ou Contador com
registro no conselho de classe em situação regular). Para tanto observa-se o art. 12 do
Decreto-lei nº 9.295/46 que informa a vedação do o exercício da profissão contábil aos
não habilitados:

"Art. 12 Os profissionais a que se refere este Decreto-Lei somente


poderão exercer a profissão depois de regularmente registrados no
órgão competente do Ministério da Educação e Saúde e no Conselho
Regional de Contabilidade a que estiverem sujeitos."

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 7


Atualização: Mauricio Barros
Obrigatoriedade da Escrituração Contábil

A Lei nº 6.404/76 com alterações oriundas da Lei nº 11.638/07 trata da aplicabilidade às


sociedades de grande porte, ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por
ações deverão escriturar seus fatos contábeis e elaborar as demonstrações financeiras,
sem esquecer-se da obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na
Comissão de Valores Mobiliários.

Assim, a Lei nº 6. 404/76 art. 176 combinado com o art. 1º da Lei nº 11.638/07 trata da
obrigação, tendo como responsável a diretoria, em elaborar as demonstrações
financeiras, conforme a seguir:

I – Balanço Patrimonial – relatório obrigatório, exceto para MEI.


II – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados; relatório obrigatório, exceto para
MEI. (RIR/99,Lei 10406/02, CFC, etc), ou a Demonstração das mutações do patrimônio
liquido.
III – Demonstração do Resultado do Exercício; relatório obrigatório, exceto para MEI.
IV – Demonstração dos Fluxos de Caixa; Obrigatória para todas as S.A (art. 176 da Lei
6.404/76 - Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) e também para as empresas
Pequenas e médias conforme CPC PME e Res. CFC 1255/2009. A única exceção são para as
Cias. Fechadas com capital inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais conforme (art.
176, i VI - porém o CPC PME determina a sua execução). Contudo, relatório obrigatório,
exceto para MEI.
V – Demonstração do Valor Adicionado - apenas para as se companhia aberta, (S/A).
(Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007).
VI – Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) – para todas as Entidades.
Fundamento: CPC PME - Res. CFC 1255/2009 e CPC Estrutura Conceitual Básica da
Contabilidade.
VI – Notas Explicativas por demonstração.

NOTA: As demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros


analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação
patrimonial e dos resultados do exercício.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 8


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Demonstrações Contábeis e o Regulamento do Imposto de Renda

A legislação tributária federal, mais precisamente através do Decreto 3000/99 que institui
o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), determina que para fins de apuração do
Imposto de Renda, ao final de cada período de incidência do imposto, o contribuinte
deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da
lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de
apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Essas prerrogativas estão
no art. 274 da lei supracitada.
O mesmo dispositivo legal determina que o lucro líquido do período deverá ser apurado
com observância das disposições da Lei nº 6.404/76.

Para todas as entidades as demonstrações exigidas são: (Art. 274 do RIR/99):


• Balanço Patrimonial;
• Demonstração do Resultado do Exercício;
• Demonstrações de Lucros ou Prejuízos acumulados

NOTA: Há penalidade para o contabilista que infringir o Código de Ética Profissional


quando induzir o cliente a prestar suas declarações de rendimento com base no regime
tributário denominado Lucro Presumido, com o objetivo de não elaborarem a
escrituração contábil obrigatória conforme determina o Código Civil. (Fundamento:
Conselho Federal de Contabilidade, Ofício Circular nº 45 de 18/05/1981).

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 9


Atualização: Mauricio Barros
Demonstrações Contábeis e a Lei nº 10.406/2002 C.C.

A Lei nº 10.406/2002 que institui o Novo Código Civil traz em seu art. 1.179 a seguinte
redação:

(...)
“Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de
contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em
correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço
patrimonial e o de resultado econômico.”
(...)

Código Civil e o Código Comercial

Observe o texto da Lei nº 556/1850 revogado:


Lei nº 556 de 25.06.1850

(...)

“Art. 10 – Todos os comerciantes são obrigados:


1 - a seguir uma ordem uniforme de contabilidade e escrituração, e a ter os livros para
esse fim necessários;
(...)
4 - a forma anualmente um balanço geral do seu ativo e passivo, o qual deverá
compreender todos os bens de raiz móveis e semoventes, mercadorias, dinheiro, papéis de
crédito, e outra qualquer espécie de valores, e bem assim todas as dívidas e obrigações
passivas; e será datado e assinado pelo comerciante a quem pertencer”.

O texto ACIMA foi revogado pela Lei nº 10.406, de 10.01.2002

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 10


Atualização: Mauricio Barros
Observe que a obrigatoriedade da contabilidade está prevista desde a época do império
no Brasil.

O Código Civil atual, tratado na Lei nº 10.406/02 afirma:

(...)
“Art. 1.065. Ao término de cada exercício social, proceder-se-á à elaboração do inventário,
do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico.”
(...)

O Código Civil também trata de tratamento favorecido no art. 970, como segue:

(...)

"Art. 970. - A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao


empresário rural e ao pequeno empresário, quanto à inscrição e aos efeitos daí
decorrentes."

(...)

Em analise ao tratado, a Lei Complementar nº 123/06, no art. 68 trouxe uma definição


técnica de âmbito tributário:

(...)

“Art. 68. Considera-se pequeno empresário, para efeito de aplicação do disposto nos arts.
970 e 1.179 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o empresário individual
caracterizado como microempresa na forma desta Lei Complementar que aufira receita
bruta anual de até R$ 36.000,00 (trinta e seis mil reais).”

(...)

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 11


Atualização: Mauricio Barros
Exercício de Fixação:

1. O que é e qual o papel do CPC?


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2. Quais são as funções da contabilidade?


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3. Qual é o foco da contabilidade financeira?


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4. De forma simplificada, qual a diferença entre tipo societário e enquadramento


tributário?
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Quais são as demonstrações contábeis obrigatórias?


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Autor: Sergio Bispo de Oliveira 12


Atualização: Mauricio Barros
Princípios de Contabilidade (Resolução CFC nº 750/93, alterada pela Resolução CFC 1.282/10)

Os Princípios de Contabilidade representam a essência das doutrinas e teorias relativas à


Ciência da Contabilidade, consoante o entendimento predominante nos universos
científico e profissional de nosso País. Concernem, pois, à Contabilidade no seu sentido
mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio das Entidades.

Conforme a Resolução CFC nº 750 de 29 de dezembro de 1993 seguem:

(...)

Art. 3º São Princípios de Contabilidade: (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1282/10):

I - o da ENTIDADE;

II - o da CONTINUIDADE;

III - o da OPORTUNIDADE;

IV - o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL;

V - o da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA;

VI - o da COMPETÊNCIA e

VII - o da PRUDÊNCIA.

(...)

Todas as ciências apresentam nos seus núcleos princípios. Estes são fontes que norteiam
sua qualidade de ciência. A Contabilidade como ciência também tem seus princípios que
servem como “vigas mestras” da ciência social da qual é atuante.

Assim as regras gerais da ciência contábil no Brasil são os Princípios de Contabilidade e


estão regulamentadas pelas Resoluções CFC nº 750/93, com atualização da Resolução CFC
nº 1.282/10. Segue a exposição da regra que todos os contabilistas tem de seguir como
ponto inicial da profissão:

I)da ENTIDADE: a contabilidade é autônoma e o patrimônio particular no universo dos


patrimônios existentes não poderão ser confundidos.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 13


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II) o da CONTINUIDADE: O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade
continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos
componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.

III) o da OPORTUNIDADE: O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de


mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações
íntegras e tempestivas.A falta de integridade e tempestividade na produção e na
divulgação da informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é
necessário ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação.

IV) o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL: O Princípio do Registro pelo Valor Original
determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos
valores originais das transações, expressos em moeda nacional.

As seguintes bases de mensuração devem ser utilizadas em graus distintos


e combinadas, ao longo do tempo, de diferentes formas:

I – Custo histórico. Os ativos são registrados pelos valores pagos ou a serem pagos
em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos que são
entregues para adquiri-los na data da aquisição. Os passivos são registrados pelos
valores dos recursos que foram recebidos em troca da obrigação ou, em algumas
circunstâncias, pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais serão
necessários para liquidar o passivo no curso normal das operações; e

II – Variação do custo histórico. Uma vez integrado ao patrimônio, os componentes


patrimoniais, ativos e passivos, podem sofrer variações decorrentes dos seguintes
fatores:

a) Custo corrente. Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou


equivalentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos
equivalentes fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações
contábeis. Os passivos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de
caixa, não descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data ou
no período das demonstrações contábeis;

b) Valor realizável. Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalentes de


caixa, os quais poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada. Os
passivos são mantidos pelos valores em caixa e equivalentes de caixa, não
descontados, que se espera seriam pagos para liquidar as correspondentes
obrigações no curso normal das operações da Entidade;

c) Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo
futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso
normal das operações da Entidade. Os passivos são mantidos pelo valor presente,

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descontado do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja necessário
para liquidar o passivo no curso normal das operações da Entidade;

d) Valor justo. É o valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo
liquidado, entre partes conhecedoras, dispostas a isso, em uma transação sem
favorecimentos; e

e) Atualização monetária. Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda


nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis mediante o ajustamento
da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais.

V) o da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA: Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda


nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis através do ajustamento da
expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais.

VI ) o da COMPETÊNCIA: – O Princípio da Competência determina que os efeitos das


transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem,
independentemente do recebimento ou pagamento.O Princípio da Competência
pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas.”

VII) o da PRUDÊNCIA: O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para


os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem
alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que
alterem o Patrimônio Líquido.

Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade

Conforme determina o Comitê de Pronunciamentos Contábeis as “demonstrações


contábeis preparadas com tal finalidade satisfazem as necessidades comuns da maioria
dos seus usuários, uma vez que quase todos eles utilizam essas demonstrações contábeis
para a tomada de decisões econômicas, tais como:

(a) decidir quando comprar, manter ou vender um investimento em ações;


(b) avaliar a Administração quanto à responsabilidade que lhe tenha sido conferida,
qualidade de seu desempenho e prestação de contas;
(c) avaliar a capacidade da entidade de pagar seus empregados e proporcionar lhes outros
benefícios;

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(d) avaliar a segurança quanto à recuperação dos recursos financeiros
emprestados à entidade;
(e) determinar políticas tributárias;
(f) determinar a distribuição de lucros e dividendos;
(g) preparar e usar estatísticas da renda nacional; ou
(h) regulamentar as atividades das entidades.

As demonstrações contábeis são mais comumente preparadas segundo modelo contábil


baseado no custo histórico recuperável e no conceito da manutenção do capital financeiro
nominal.
O objetivo das demonstrações contábeis é fornecer informações sobre a posição
patrimonial e financeira, o desempenho e as mudanças na posição financeira da entidade,
que sejam úteis a grande número de usuários em suas avaliações e tomadas de decisão
econômica.
As demonstrações contábeis também englobam notas explicativas, quadros
suplementares e outras informações. Por exemplo, poderão conter informações adicionais
que sejam relevantes às necessidades dos usuários sobre itens constantes do balanço
patrimonial e da demonstração do resultado. Poderão incluir divulgações sobre os riscos e
incertezas que afetem a entidade e quaisquer recursos e/ou obrigações para os quais não
exista obrigatoriedade de serem reconhecidos no balanço patrimonial (tais como reservas
minerais). Informações sobre segmentos industriais ou geográficos e o efeito de
mudanças de preços sobre a entidade podem também ser fornecidos sob a forma de
informações suplementares.

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Características qualitativas de informação em demonstrações contábeis

Características Qualitativas das Demonstrações Contábeis de acordo com a Estrutura


Conceitual Básica da Contabilidade são os atributos que tornam as demonstrações
contábeis úteis para os usuários. As quatro principais características qualitativas são
compreensibilidade, relevância, confiabilidade e comparabilidade.

Abaixo, segue na íntegra as informações as informações extraídas da Estrutura Conceitual


Básica da Contabilidade:

Compreensibilidade
Uma qualidade essencial das informações apresentadas nas demonstrações contábeis é
que elas sejam prontamente entendidas pelos usuários. Para esse fim presume-se que os
usuários tenham um conhecimento razoável dos negócios, atividades econômicas e
contabilidade e a disposição de estudar as informações com razoável diligência. Todavia,
informações sobre assuntos complexos que devam ser incluídas nas demonstrações
contábeis por causa da sua relevância para as necessidades de tomada de decisão pelos
usuários não devem ser excluídas em nenhuma hipótese, inclusive sob o pretexto de que
seria difícil para certos usuários as entenderem.

Relevância
Para serem úteis, as informações devem ser relevantes às necessidades dos usuários na
tomada de decisões. As informações são relevantes quando podem influenciar as decisões
econômicas dos usuários, ajudando-os a avaliar o impacto de eventos passados, presentes
ou futuros ou confirmando ou corrigindo as suas avaliações anteriores.
As funções de previsão e confirmação das informações são inter-relacionadas. Por
exemplo, informações sobre o nível atual e a estrutura dos ativos têm valor para os
usuários na tentativa de prever a capacidade que a entidade tenha de aproveitar
oportunidades e a sua capacidade de reagir a situações adversas. As mesmas informações

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 17


Atualização: Mauricio Barros
têm o papel de confirmar as previsões passadas sobre, por exemplo, a forma na qual a
entidade seria estruturada ou o resultado de operações planejadas.
Informações sobre a posição patrimonial e financeira e o desempenho passado são
freqüentemente utilizadas como base para projetar a posição e o desempenho futuros,
assim como outros assuntos nos quais os usuários estejam diretamente interessados, tais
como pagamento de dividendos e salários, alterações no preço das ações e a capacidade
que a entidade tenha de atender seus compromissos à medida que se tornem devidos.
Para terem valor como previsão, as informações não precisam estar em forma de projeção
explícita. A capacidade de fazer previsões com base nas demonstrações contábeis pode
ser ampliada, entretanto, pela forma como as informações sobre transações e eventos
anteriores são apresentadas. Por exemplo, o valor da demonstração do resultado como
elemento de previsão é ampliado quando itens incomuns, anormais e esporádicos de
receita ou despesa são divulgados separadamente.

Materialidade
A relevância das informações é afetada pela sua natureza e materialidade. Em alguns
casos, a natureza das informações, por si só, é suficiente para determinar a sua relevância.
Por exemplo, reportar um novo segmento em que a entidade tenha passado a operar
poderá afetar a avaliação dos riscos e oportunidades com que a entidade se depara,
independentemente da materialidade dos resultados atingidos pelo novo segmento no
período abrangido pelas demonstrações contábeis. Em outros casos, tanto a natureza
quanto a materialidade são importantes; por exemplo: os valores dos estoques existentes
em cada uma das suas principais classes, conforme a classificação apropriada ao negócio.
Uma informação é material se a sua omissão ou distorção puder influenciar as decisões
econômicas dos usuários, tomadas com base nas demonstrações contábeis. A
materialidade depende do tamanho do item ou do erro, julgado nas circunstâncias
específicas de sua omissão ou distorção. Assim, materialidade proporciona um patamar
ou ponto de corte ao invés de ser uma característica qualitativa primária que a informação
necessita ter para ser útil.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 18


Atualização: Mauricio Barros
Confiabilidade
Para ser útil, a informação deve ser confiável, ou seja, deve estar livre de erros ou vieses
relevantes e representar adequadamente aquilo que se propõe a representar.
Uma informação pode ser relevante, mas a tal ponto não confiável em sua natureza ou
divulgação que o seu reconhecimento pode potencialmente distorcer as demonstrações
contábeis. Por exemplo, se a validade legal e o valor de uma reclamação por danos em
uma ação judicial movida contra a entidade são questionados, pode ser inadequado
reconhecer o valor total da reclamação no balanço patrimonial, embora possa ser
apropriado divulgar o valor e as circunstâncias da reclamação.

Representação Adequada conforme Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade


Para ser confiável, a informação deve representar adequadamente as transações e outros
eventos que ela diz representar. Assim, por exemplo, o balanço patrimonial numa
determinada data deve representar adequadamente as transações e outros eventos que
resultam em ativos, passivos e patrimônio líquido da entidade e que atendam aos critérios
de reconhecimento.
A maioria das informações contábeis está sujeita a algum risco de ser menos do que uma
representação fiel daquilo que se propõe a retratar. Isso pode decorrer de dificuldades
inerentes à identificação das transações ou outros eventos a serem avaliados ou à
identificação e aplicação de técnicas de mensuração e apresentação que possam
transmitir, adequadamente, informações que correspondam a tais transações e eventos.
Em certos casos, a mensuração dos efeitos financeiros dos itens pode ser tão incerta que
não é apropriado o seu reconhecimento nas demonstrações contábeis; por exemplo,
embora muitas entidades gerem, internamente, ágio decorrente de expectativa de
rentabilidade futura ao longo do tempo (goodwill), é usualmente difícil identificar ou
mensurar esse ágio com confiabilidade. Em outros casos, entretanto, pode ser relevante
reconhecer itens e divulgar o risco de erro envolvendo o seu reconhecimento e
mensuração.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 19


Atualização: Mauricio Barros
Primazia da Essência sobre a Forma
Para que a informação represente adequadamente as transações e outros eventos que ela
se propõe a representar, é necessário que essas transações e eventos sejam
contabilizados e apresentados de acordo com a sua substância e realidade econômica, e
não meramente sua forma legal. A essência das transações ou outros eventos nem
sempre é consistente com o que aparenta ser com base na sua forma legal ou
artificialmente produzida. Por exemplo, uma entidade pode vender um ativo a um
terceiro de tal maneira que a documentação indique a transferência legal da propriedade
a esse terceiro; entretanto, poderão existir acordos que assegurem que a entidade
continuará a usufruir os futuros benefícios econômicos errados pelo ativo e o recomprará
depois de um certo tempo por um montante que se aproxima do valor original de venda
acrescido de juros de mercado durante esse período. Em tais circunstâncias, reportar a
venda não representaria adequadamente a transação formalizada.

Neutralidade
Para ser confiável, a informação contida nas demonstrações contábeis deve ser neutra,
isto é, imparcial. As demonstrações contábeis não são neutras se, pela escolha ou
apresentação da informação, elas induzirem a tomada de decisão ou um julgamento,
visando atingir um resultado ou desfecho predeterminado.

Integridade
Para ser confiável, a informação constante das demonstrações contábeis deve ser
completa, dentro dos limites de materialidade e custo. Uma omissão pode tornar a
informação falsa ou distorcida e, portanto, não-confiável e deficiente em termos de sua
relevância.

Comparabilidade
Os usuários devem poder comparar as demonstrações contábeis de uma entidade ao
longo do tempo, a fim de identificar tendências na sua posição patrimonial e financeira e
no seu desempenho. Os usuários devem também ser capazes de comparar as

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 20


Atualização: Mauricio Barros
demonstrações contábeis de diferentes entidades a fim de avaliar, em termos relativos, a
sua posição patrimonial e financeira, o desempenho e as mutações na posição financeira.
Conseqüentemente, a mensuração e apresentação dos efeitos financeiros de transações
semelhantes e outros eventos devem ser feitas de modo consistente pela entidade, ao
longo dos diversos períodos, e também por entidades diferentes.
Uma importante implicação da característica qualitativa da comparabilidade é que os
usuários devem ser informados das práticas contábeis seguidas na elaboração das
demonstrações contábeis, de quaisquer mudanças nessas práticas e também o efeito de
tais mudanças. Os usuários precisam ter informações suficientes que lhes permitam
identificar diferenças entre as práticas contábeis aplicadas a transações e eventos
semelhantes, usadas pela mesma entidade de um período a outro e por diferentes
entidades. A observância dos Pronunciamentos Técnicos, inclusive a divulgação das
práticas contábeis utilizadas pela entidade, ajudam a atingir a Comparabilidade.
A necessidade de comparabilidade não deve ser confundida com mera uniformidade e
não se deve permitir que se torne um impedimento à introdução de normas contábeis
aperfeiçoadas. Não é apropriado que uma entidade continue contabilizando da mesma
maneira uma transação ou evento se a prática contábil adotada não está em
conformidade com as características qualitativas de relevância e confiabilidade. Também
é inapropriado manter práticas contábeis quando existem alternativas mais relevantes e
confiáveis.
Tendo em vista que os usuários desejam comparar a posição patrimonial e financeira, o
desempenho e as mutações na posição financeira ao longo do tempo, é importante que as
demonstrações contábeis apresentem as correspondentes informações de períodos
anteriores.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 21


Atualização: Mauricio Barros
DESENVOLVIMENTO - Resumo dos Principais Livros e Relatórios Comerciais

Livro Diário

O Decreto Lei nº 486/69 regulamentou a escrituração contábil no Brasil. A partir daí a


escrituração contábil tornou-se obrigatória para todas as entidades e deverá conter no
mínimo:

 Termo de abertura;
 Livro Diário;
 Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados;
 Demonstração do Resultado do Exercício;
 Demonstração do Resultado Abrangente (CPC PME)
 Balanço Patrimonial;
 Notas Explicativas;
 Termo de encerramento.

NOTA: As informações acima são para as empresas em geral conforme regras do CFC. As
pessoas jurídicas que apuram os tributos com base no Lucro Real são obrigadas a
apresentarem as demonstrações acima para o fisco quando solicitadas.

As Sociedades Anônimas deverão apresentar as demais demonstrações conforme


determina a Lei nº 6.404/76, Lei nº 11.638/07 e Lei nº 11.941/09, além das regras da CVM,
CFC e CPC.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 22


Atualização: Mauricio Barros
Livro Razão

O Livro Razão é obrigatório para todas as entidades que mantenham a escrituração


contábil completa, conforme determina a Lei nº 8.218/91 art. 14, Lei 8.383/91 artigo 62 e
RIR/99 artigo 259 (pessoas jurídicas optantes do Lucro Real).

O Livro Razão deve conter no mínimo as seguintes informações:

 Nome da Conta
 Data do lançamento
 Contrapartida
 Histórico do lançamento
 Débito
 Crédito
 Saldo
 Indicação de saldo devedor (D) ou credor (C)

Balancete de Verificação do Livro Razão

O Balancete de Verificação é um relatório que apresenta o saldo das contas que fizeram
parte da operação da Entidade que em primeiro momento foram classificadas e lançadas
no Livro Diário e em seguida no Livro Razão. Os saldos apresentados no Livro Razão são
transportados ao Balancete de Verificação, que como o próprio nome diz, tem como
serventia a análise, apoio à conciliação e para decisões técnicas e até administrativa.

NOTA: O a Lei nº 9430/96 em seu art 2º, combinado com a Instrução Normativa SRF nº
93/97, art. 10, cita a obrigatoriedade de balancetes mensais para apontar a suspensão ou
redução do tributo aos optantes pelo Lucro Real Anual.Porém esse relatório é
estritamente para fins fiscais.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 23


Atualização: Mauricio Barros
DEMONSTRAÇÕES CONTABEIS

Para fins de atendimento dos usuários da informação contábil, a entidade deverá


apresentar suas demonstrações contábeis (também usualmente denominada
"demonstrações financeiras") de acordo com as normas regulamentares dos órgãos
normativos.

De acordo com o CPC 26 – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, as demonstrações


contábeis são uma representação estruturada da posição patrimonial e financeira e do
desempenho da entidade. O objetivo das demonstrações contábeis é o de proporcionar
informação acerca da posição patrimonial e financeira, do desempenho e dos fluxos de
caixa da entidade que seja útil a um grande número de usuários em suas avaliações e
tomada de decisões econômicas. As demonstrações contábeis também objetivam
apresentar os resultados da atuação da administração, em face de seus deveres e
responsabilidades na gestão diligente dos recursos que lhe foram confiados. Para
satisfazer a esse objetivo, as demonstrações contábeis proporcionam informação da
entidade acerca do seguinte:

(a) ativos;
(b) passivos;
(c) patrimônio líquido;
(d) receitas e despesas, incluindo ganhos e perdas;
(e) alterações no capital próprio mediante integralizações dos proprietários e distribuições
a eles; e
(f) fluxos de caixa.

Essas informações, juntamente com outras informações constantes das notas explicativas,
ajudam os usuários das demonstrações contábeis a prever os futuros fluxos de caixa da
entidade e, em particular, a época e o grau de certeza de sua geração.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 24


Atualização: Mauricio Barros
Balanço Patrimonial

O Balanço Patrimonial é uma demonstração que apresenta os saldos das contas


patrimoniais (Bens, Direitos, Obrigações) e o investimento feito pelos sócios ou acionistas,
com as respectivas reservas, ajustes de avaliação patrimonial, ações em tesouraria e o
saldo do prejuízo se houver.

O objetivo dessa demonstração é apresentar a situação patrimonial da Entidade de um


determinado período a outro. Sendo assim a necessidade de apresentar o exercício
anterior é parte do requisito.

Para composição do Balanço Patrimonial, além da estrutura proposta pelas normas já


mencionadas, é obrigação do contabilista seguir as Normas Brasileiras de Contabilidade e
estar em acordo com os Princípios de Contabilidade.

O Novo Código Civil Brasileiro destaca em seu artigo 1.188 o seguinte texto:

(...)

“Art. 1.188. O balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação
real da empresa e, atendidas as peculiaridades desta, bem como as disposições das leis
especiais, indicará, distintamente, o ativo e o passivo”. (Grifo nosso)

(...)

No Balanço Patrimonial, as contas serão classificadas de acordo com os elementos do


patrimônio que registrem, e deveram ser divida em grupos do modo em que facilite o
conhecimento e a análise da situação financeira da companhia.

O Ativo e o Passivo deverão ser divididos da seguinte forma:

ATIVO:

 Ativo Circulante
 Ativo Não Circulante

PASSIVO:

 Passivo Circulante
 Passivo Não Circulante

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 25


Atualização: Mauricio Barros
Classificação Patrimonial apresentada no Balanço Patrimonial

ATIVO

De forma simplificada, ATIVO é a composição dos Bens e Direitos apresentados no curto e


longo prazo, sendo dividido em dois grandes grupos, Ativo Circulante e Ativo Não
Circulante. A seguir apresentamos de forma simplificada os conceitos e composição
desses grupos:

ATIVO CIRCULANTE:

Conforme a Lei nº 6.404/76 são apresentadas neste grupo todas as disponibilidades e


direitos realizáveis até o fim do exercício social subsequente, bem como todos os
Créditos, os Estoques e as Despesas Antecipadas.

Os Créditos apresentados neste grupo são representados por direitos realizáveis até o
exercício social subsequente.

Os Estoques são bens adquiridos pela empresa e cada atividade fim requer um tipo de
estoque.

ATIVO NÃO CIRCULANTE:

De acordo com o artigo 178 da Lei nº 6.404/76 são apresentadas neste grupo:

a) Realizável a longo prazo: são direitos a serem realizados a longo prazo, ou seja,
que estarão disponíveis após o final do exercício social subsequente. Exemplo:
Supondo que um cliente comprou determinada mercadoria da Empresa ABC e irá
pagar em 36 parcelas. Na Empresa ABC constará o valor a receber em longo prazo.

São exemplos de contas: Duplicatas a Receber a Longo Prazo, Clientes a Longo Prazo,
Aplicações Financeiras de Longo Prazo, etc.

b) Ativo Investimento: são bens e direitos que a Entidade aplica para obtenção de
algum retorno. Em regra os bens e direitos contabilizados neste subgrupo não
pertencem a atividade fim da empresa. Exemplo de contas: Obra de Arte, Ouro,
Participações Societárias, etc.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 26


Atualização: Mauricio Barros
c) Ativo Imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à
manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa
finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os
benefícios, riscos e controle desses bens. Exemplos de contas: veículos, máquinas,
equipamentos, computadores, etc.

d) Ativo Intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à
manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de
comércio adquirido. Exemplo: Marcas, Patentes, Fundo de comercio, etc.

PASSIVO

São classificadas nesse grande grupo todas as obrigações, exigibilidades, tanto a curto
como de longo prazo, resultados de exercícios futuros e o Patrimônio Líquido.

PASSIVO CIRCULANTE:

Neste grupo são classificadas todas as obrigações bem como exigibilidades até o término
do exercício seguinte.

PASSIVO NÃO CIRCULANTE:

Neste grupo são classificadas as obrigações e exigibilidades cujo vencimento seja após o
exercício seguinte. Além disso, classificam-se também os resultados de exercício futuro,
ou seja, os adiantamentos de clientes.

PATRIMÔNIO LIQUIDO:

Diversas são as respostas para o Patrimônio Líquido, porém para compreensão desse
grupo, observamos a Lei nº 6.404/76 e a Lei nº 11.638/07.

Patrimônio Líquido é a composição dos subgrupos a seguir:

• Capital Social: são classificadas neste subgrupo as discriminações do montante


subscrito e por dedução, a parcela ainda não realizada pelos sócios ou acionista da
Entidade.

• Reservas de capital: são contribuições de acionistas por ágio na subscrição de


ações, alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição e outros valores
previstos na legislação societária
• Reservas de Lucro: será classificado neste subgrupo as contas constituídas pela
apropriação de lucros da Entidade.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 27


Atualização: Mauricio Barros
• Ações em tesouraria: serão classificadas nesse subgrupo as ações adquiridas pela
própria Sociedade Anônima emissora de ações.

• (-) Prejuízos Acumulados: ao final do exercício social a Entidade deverá apurar o


resultado do exercício, sendo que o resultado negativo, o mesmo deverá ser
classificado como prejuízo no PL.

Modelo simplificado de Balanço Patrimonial

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO 31.12.X1 31.12.X0 PASSIVO 31.12.X1 31.12.X0

CIRCULANTE CIRCULANTE
Caixa e Equivalentes de Caixa Fornecedores
Contas a Receber Empréstimos e Financiamentos
Estoques Obrigações Fiscais
Outros Créditos Obrigações Trabalhistas e Sociais
Contas a Pagar
Provisões

NÃO CIRCULANTE NÃO CIRCULANTE


Contas a Receber a Longo Prazo Financiamentos
Investimentos
Imobilizado PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Intangível Capital Social
(-) Depreciação Acumuladas Reservas de Capital
Reservas de Lucros
Lucros Acumulados
(-) Prejuízos Acumulados

TOTAL TOTAL

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 28


Atualização: Mauricio Barros
EXERCÍCIO:

1) O Balancete de Verificação da empresa COI LTDA em Dezembro/2012 apresentava os


seguintes saldos:

Caixa R$ 59.747,25 Computadores R$ 48.000,00


Fornecedores R$ 18.958,33 Pis a recolher R$ 288,75
Banco c/ Movimento R$ 115.483,33 (-) Deprec. Acum. Computadores R$ 2.400,00
Salarios a Pagar R$ 2.992,47 Cofins à recolher R$ 1.330,00
Duplicatas a Receber R$ 30.000,00 Capital Social R$ 210.000,00
INSS à Recolher R$ 1.187,45 Lucros do Exercício R$ 12.439,86
FGTS a Recolher R$ 272,73 Investimento a Longo Prazo R$ 1.000,99
IRRF à recolher R$ 210,99 Serviços a pagar R$ 1.621,99
ICMS à Recolher R$ 3.150,00 Investimento a Curto Prazo R$ 621,00

Com base no balancete acima, elabore o Balanço Patrimonial:

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO

ATIVO

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 29


Atualização: Mauricio Barros
DRE – Demonstração do Resultado do Exercício

A Demonstração de Resultado do Exercício tem como objetivo informar aos usuários


como a Entidade obteve seu resultado (Lucro ou Prejuízo) em um determinado período.
Esta demonstração é elaborada de forma adequada seguindo o regime de competência,
ou seja, a empresa registra no resultado as despesas e receitas incorridas não importando
se o pagamento ocorreu, por isso há uma distorção do lucro líquido contábil para o caixa,
pois quando apuramos um lucro líquido na DRE este não é o mesmo representado no
fluxo de caixa;

A partir do conhecimento das Receitas e Despesas, podemos estruturar a Demonstração


dos Resultados, que tem como objetivo principal apresentar de forma vertical resumida o
resultado apurado em relação ao conjunto de operações realizadas num determinado
período. Abaixo estão identificadas as principais atividades geradoras de lucro de uma
empresa:

 Resultado Operacional Bruto ou Lucro Bruto: obtido na venda de mercadorias ou


serviços, que é a diferença entre o valor das vendas e os impostos incidentes sobre
elas, deduzidos de seus custos de aquisição;

 Resultado Operacional Líquido ou Lucro Operacional: corresponde ao lucro básico


das operações de compra/produção/venda, diminuindo do lucro bruto os gastos
com os setores administrativos e comerciais;

 Resultados Financeiros ou Lucro não Operacional: as atividades não relacionadas


à especialidade da empresa (atividade-fim) devem ser segregadas dos resultados
operacionais, pois têm uma administração alheia as operações principais;

 Resultado Líquido do Exercício ou Lucro Líquido: é a linha final da demonstração


do resultado que mostra o efeito de ganho ou perda em um dado período de
tempo, precedida da retirada de impostos no caso de período com lucro.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 30


Atualização: Mauricio Barros
Modelo tratado na Lei 6404/76, art. 187 e Lei 11638/07:

Receita Operacional Bruta 201X 201X


Vendas de Produtos / de Mercadorias / Prestação de Serviços
(=) Receita Bruta
(-) Deduções da Receita Bruta
Devoluções de Vendas / Abatimentos
Tributos Incidentes sobre Vendas / Prestação de Serviços
(=) Receita Operacional Líquida
(-) Custos das Vendas
Custo dos Produtos Vendidos/ Mercadorias /Serviços Prestados
(=) Resultado Operacional Bruto
(-) Despesas Operacionais
Despesas Com Vendas / Despesas Administrativas/Gerais
(-) Outras Despesas Operacionais
(-) Despesas ou Receitas Operacionais
(=) Lucro ou Prejuízo Operacional
(-) Outras Despesas
(+) Outras Receitas
(=) Resultado Líquido Antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social
sobre o Lucro
(-) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro
(=) Lucro Líquido antes das Participações
(-) Participações de debêntures, empregados, administradores e partes
beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições
ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se
caracterizem como despesa

(=) Resultado Líquido do Exercício

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 31


Atualização: Mauricio Barros
CONCEITOS:

RECEITA: é a soma das vendas executadas por uma Entidade, sendo essa venda de
mercadorias, produtos ou serviços.

NOTA: A RECEITA BRUTA DE VENDAS, nome dado aos títulos das contas de Receitas não é a mesma coisa
que Faturamento. Observe:

Somente para fins fiscais e empresas que tem em sua composição o IPI (Imposto sobre o Produto
Industrializado) em seu faturamento, deverá extraí-lo dessa base para determinar a Receita Bruta, por ser
um tributo fiscal (assunto a ser estudado adiante).

Exemplo: Faturamento ........................100 000,00


(-) IPI_..................................... 10 000,00
(=) Receita Bruta de Vendas...90 000,00

As receitas são classificas em :

Receitas Operacionais: São as receitas obtidas através da venda de produtos


industrializados, ou da comercialização ou ainda da prestação de serviços da pessoa
jurídica, nos mercados interno e externo, em regra geral é ;

Receitas Não Operacionais: São aquelas receitas e decorrentes de transações não


incluídas nas atividades principais ou acessórias que constituam objeto da
empresa.Exemplo: a Empresa é uma industria de calçados. Sua atividade e construir
sapatos e vende uma máquina. A venda da máquina é uma receita não operacional.

Deduções da Receita: São compostas por valores que deduzem o valor das vendas de
mercadorias, produtos ou serviços tais como:

a) Abatimentos: por razões de qualidade da mercadoria ou outros;

b) Vendas canceladas: correspondem à anulação de valores registrados como receita


bruta de vendas e serviços.

c) Descontos Concedidos: são descontos comerciais e deverão estar presentes na nota


fiscal de vendas.

d) Tributos sobre as vendas e serviços: são os tributos (impostos, taxas e contribuições)


que no ato de obter a receita com a venda e /ou prestação de serviços incidem sobre
as mesmas. Os tributos são Pis (tributo federal) , Cofins (tributo federal), Icms (tributo
estadual), ISS(tributo municipal).

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 32


Atualização: Mauricio Barros
CMV - Custo da Mercadoria Vendida

Para compreender o CMV – Custo da Mercadoria Vendida, é necessário dominar o


conceito básico de custo.

Mas o que é custo?

De forma simplificada “Custo” é o gasto efetuado pela Empresa ou Entidade pelo qual se
obtém um bem, direito ou serviço.

O custo insere-se no montante do gasto com matéria-prima, mão-de-obra e outros


encargos diretamente ligados à produção de bens ou serviços. Ele é, portanto, o
desembolso que a Empresa ou Entidade adquire um bem ou serviço, bem como o valor
que se tem no processo interno da empresa para prestação de serviços ou obtenção de
bens, para venda ou uso interno. Exemplo: Compra de mercadorias para o estoque onde,
na entrada dessa mercadoria na Entidade a mesma fará parte do Patrimônio. Porém na
venda, nascerá uma receita (entrada de numerários) e para saber o resultado da
operação, é necessário conhecer o valor do custo pago por essa mercadoria vendida.

Assim, a título de exemplificação, o CMV (empresas comerciais) é composto por:

CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final

Exemplo:

A empresa SP Comercial LTDA., apresenta no seu estoque em 01/01/2012 o montante de


R$ 600.000,00 em mercadorias.
Em 10/01/2012 comprou mais R$ 450.000,00 e novas mercadorias. O exercício corre e em
31/12/2012 o estoque final é de R$ 35.000,00. Qual o CMV?

Usando a fórmula temos?

CMV = EI + C – EF
CMV = (EI 600.000 + C 450.000) – EF 35.000
CMV = 1.050.000 – 35.000
CMV = 1.015.000

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 33


Atualização: Mauricio Barros
DESPESAS

Despesa é o sacrifício que a Entidade necessita para comercializar os bens ou serviços,


objetos da atividade, bem como para a manutenção da estrutura empresarial
independentemente da sua frequência. A despesa, embora direta ou indiretamente
necessária para a geração da receita, não está associada à prestação do serviço ou à
produção do bem, não sendo, agregada ao custo.

As despesas são classificadas em duas:

Despesa Operacional: São as despesas não computadas nos custos, necessárias à


atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. As despesas
operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou
atividades da empresa, entendendo-se como necessárias as pagas ou incorridas para a
realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (RIR/99, art.
299).

Despesa Não Operacional: São as despesas decorrentes de transações não incluídas nas
atividades principais ou acessórias que constituam objeto da empresa.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 34


Atualização: Mauricio Barros
Exercicios

1) Elaborar a Demonstração de Resultado do Exercício conforme os dados abaixo.

a) Exercício 2011

Vendas de Mercadorias R$ 950.000,00 Vendas Canceladas R$ 13.500,00


Cofins S/ Faturamento R$ 70.802,00 PIS sobre Faturamento R$ 15.372,00
CMV R$ 313.000,00 Imposto de Renda R$ 44.875,00
Descontos Incond. Concedidos R$ 10.000,00 Contribuição Social R$ 26.925,00
Despesas Administrativas R$ 55.000,00 Rendimento Apl. Financeira R$ 5.111,00
ICMS sobre Vendas R$ 166.770,00 Despesas Financeiras R$ 11.500,00

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO 31.12.12 31.12.11

VENDAS DE PRODUTOS, MERCADORIAS E SERVIÇOS


Vendas de Produtos, Mercadorias e Serviços
(-) Deduções de Tributos, Abatimentos e Devoluções

(=) RECEITA

(-) CUSTO DAS VENDAS


Custo dos Produtos, Mercadorias e Serviços

(=) LUCRO BRUTO

(-) DESPESAS OPERACIONAIS


Despesas Administrativas
Despesas com Vendas
Outras Despesas Gerais

(=) RESULTADO OPERACIONAL ANTES DO RESULTADO FINANCEIRO

(+/-) RESULTADO FINANCEIRO


(+) Receitas Financeiras
(-) Despesas Financeiras

(+/-) OUTRAS RECEITAS E DESPESAS OPERACIONAIS

(=) RESULTADO ANTES DAS DESPESAS COM TRIBUTOS SOBRE O LUCRO


(-) Despesa com Contribuição Social (*)
(-) Despesa com Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (*)

(=) RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 35


Atualização: Mauricio Barros
b) Exercício 2012:

Vendas de Mercadorias 3.050.000,00 Receitas Financeiras 80.000,00


Vendas Anuladas 50.000,00 Despesas Administrativas 701.000,00
ICMS sobre Vendas 540.000,00 Depreciação 20.000,00
PIS sobre Faturamento 19.500,00 Lucro Venda de Ativo Imobil. 125.000,00
Cofins sobre Faturamento 60.000,00 Prejuízo Venda de Ativo Imobil. 26.000,00
CMV 1.000.000,00 Contribuição Social 40.227,00
Despesas com Vendas 321.000,00 Imposto de Renda 78.068,00
Despesas Financeiras 19.000,00 Participações a empregados 37.278,00
Participações a Administradores 33.550,00

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO 31.12.12 31.12.11

VENDAS DE PRODUTOS, MERCADORIAS E SERVIÇOS


Vendas de Produtos, Mercadorias e Serviços
(-) Deduções de Tributos, Abatimentos e Devoluções

(=) RECEITA

(-) CUSTO DAS VENDAS


Custo dos Produtos, Mercadorias e Serviços

(=) LUCRO BRUTO

(-) DESPESAS OPERACIONAIS


Despesas Administrativas
Despesas com Vendas
Outras Despesas Gerais

(=) RESULTADO OPERACIONAL ANTES DO RESULTADO FINANCEIRO

(+/-) RESULTADO FINANCEIRO


(+) Receitas Financeiras
(-) Despesas Financeiras

(+/-) OUTRAS RECEITAS E DESPESAS OPERACIONAIS

(=) RESULTADO ANTES DAS DESPESAS COM TRIBUTOS SOBRE O LUCRO


(-) Despesa com Contribuição Social (*)
(-) Despesa com Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (*)

(=) RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 36


Atualização: Mauricio Barros
c) Elabore compração entre os exercícios 2011 e 2012

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 37


Atualização: Mauricio Barros
DLPA - Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados

Objetivo: Evidenciar a movimentação da conta Lucros e Prejuízos Acumulados ocorrida no


exercício.
Obrigatoriedade: Sociedades por Ações e pelas pessoas jurídicas tributadas pelo Imposto
de Renda com base no Lucro Real (art. 274 do RIR/99).

A DLPA está prevista no artigo 186 da Lei nº 6.404/1976 conforme reprodução a seguir:

(...)

Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará:


I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção
monetária do saldo inicial;
II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao
capital e o saldo ao fim do período.
§ 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes
de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a
determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes.
§ 2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do
dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações
do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia.

(...)

Modelo de DLPA
DEMONSTRAÇÃO DE LUCRO OU PREJUÍZOS ACUMULADOS EM 31/12/2012
DISCRIMINAÇÃO Valores
Saldo de Lucros Acumulados do Exercício anterior (31/12/2011)
(+/-) Ajustes de Exercícios Anteriores
(+) Lucro líquido do exercício
(=) Lucro Total Disponível
(-) Destinação do Lucro:
a. Reserva Legal
b. Reserva Estatutária
c. Reserva para Contingência
d. Reserva Orçamentária
e. Reserva de Lucros a Realizar
(-) Dividendos a Distribuir
Saldo de Lucros Acumulados do Final do Exercício (31/12/2012)

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 38


Atualização: Mauricio Barros
1) Elaborar a DLPA - Demonstração dos Lucros e Prejuizos Acumulados, com base nas
informações do exercicio aplicado no capitulo de “Demonstração do Resultado do
Exercicio”.

Informações:

 A DLPA será do exercicio de 2012;


 Havendo lucro, deverá ser distribuido 10% aos sócios;
 Constituição de reserva legal;
 Constituição de reserva de contingencia em 3%;

DLPA – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 39


Atualização: Mauricio Barros
DMPL - Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido

A DMPL é uma demonstração facultativa para a maioria das Entidades, exceto as


sociedades anônimas de capital fechado por força das normas da CVM – Comissão de
Valores Mobiliários.

As entidades que elaborem a DMPL, não necessitará apresentar a DLPA, pois a DMPL
contempla todas as informações da DLPA. Cabe ressaltar que a DLPA é obrigatória
conforme as regras destacadas nos capítulos anteriores.

Para elaborar a DMPL são necessários: Balanço Patrimonial e Demonstração do resultado


do Exercício.

Detalhes importantes:

a) A coluna principal deverá ser composta com os mesmos itens da DLPA,


denominada de “Histórico” como segue:

1. SALDO NO INÍCIO DO PERÍODO...............................


2. (+ OU -) AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. .
3. SALDO AJUSTADO......................................................
4. (+ OU -) LUCRO OU PREJUÍZO DO EXERCÍCIO........
5. (+ )REVERSÃO DE RESERVAS................................... .
6. SALDO À DISPOSIÇÃO..................................................
7. DESTINAÇÃO DO EXERCÍCIO
* Reserva Legal............................ .............. .............. ..
* Reservas Estatutárias.............. .............. .............. ...
* Reservas p/ Contingências.............. .............. ..........
* Outras Reservas.............. .............. .............. ...........
* Dividendos Obrigatórios (R$ XXX por ação) .........
8. SALDO DO FIM DO EXERCÍCIO....................................

b) No cabeçalho deverá compor de forma sumária e coordenada, a movimentação


ocorrida durante o exercício nas diversas contas do Patrimônio Líquido:

RESERVAS DE AJUSTES DE AVALIAÇÃO Ações em Prejuízos Total


Capital RESERVAS DE LUCROS Tesouraria Acumulados
CAPITAL PATRIMONIAL
Ágio na Reserva para
Instrumento
Realizado Emissão Contingência Lucros Reserva
Financeiro
de Ações / Estatutária, Retidos
etc Legal

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 40


Atualização: Mauricio Barros
Modelo de DMPL

DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO


EXERCÍCIO 31.12.12

Capital Social
Histórico RESERVAS DE CAPITAL RESERVAS DE LUCROS Lucros Acumulados Total
Integralizado

Saldo em 31.12.x1
Ajustes de Exercícios Anteriores:
efeitos de mudança de critérios contábeis
retificação de erros de exercícios anteriores
Aumento de Capital:
com lucros e reservas
por subscrição realizada
Reversões de Reservas:
de contingências
de lucros a realizar
Lucro Líquido do Exercício:
Destinação do Lucro:
Transferências para reservas
Reserva legal
Reserva estatutária
Reserva de lucros para expansão
Reserva de lucros a realizar
Dividendos a distribuir (R$ ... por ação)
Saldo em 31.12.X2

Pontos fundamentais:

Itens que não afetam o total do patrimônio:

 Apropriações do lucro líquido do exercício reduzindo a conta Lucros Acumulados


para formação de reservas, como Reserva Legal, Reserva de Lucros a Realizar,
Reserva para Contingência e outras;
 Aumento de capital com utilização de lucros e reservas;
 Compensação de Prejuízos com Reservas.
 Reversões de reservas patrimoniais para a conta de Lucros ou Prejuízos
acumulados;

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 41


Atualização: Mauricio Barros
Itens que afetam o patrimônio total:

 Acréscimo ou redução por ajuste de exercícios anteriores.


 Acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício;
 Acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações
integralizadas ou o preço de emissão das ações sem valor nominal;
 Acréscimo pelo valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;
 Acréscimo por doações e subvenções para investimentos recebidos;
 Acréscimo por prêmio recebido na emissão de debêntures;
 Acréscimo por reavaliação de ativos (quando o resultado for credor);
 Acréscimo por subscrição e integralização de capital;
 Redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda;
 Redução por dividendos;

Exercício

Empresa Mamão com Açúcar Ltda., apresenta a seguinte evolução:

Patrimônio líquido (PL) Ano 1 Ano 2


Capital Social
Subscrito 420.000 420.000
(-)A integralizar (100.000) -
Realizado 320.000 420.000
Reserva de Reavaliação - 52.000
Reserva de Lucros
Legal 600 900
Estatutária 480 720
Contingencia 240 -
Expansão 360 -
Lucros ou Prejuizos Acumulados 12.000 30.060
Total do Patrimônio Liquido 333.680 503.680

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 42


Atualização: Mauricio Barros
Fatos:

Operações do ano 2:

1) No ano 2 os sócios integralizam o montante de $100.000, aumentando o capital


realizado;
2) Ocorreu uma reavaliação referente à valorização de imóvel no valor de $52.000
3) No ano 2, o lucro líquido apurado foi de $18.000. Desse montante, 5% foi destinado à
reserva legal, 4% para reserva estatutária. Contabilizou-se apenas o complemento aos
saldos já existentes.
4) houve reversão dos saldos do ano 1 das reservas de contingência e expansão;

Elabore a DMPL:

DMPL
Saldo Final Ano 1
(+/-) Ajustes de exercícios anteriores
Aumento de capital
Reversão de reservas
Doações e subvenções
Reavaliação
Lucro líquido do exercício
Proposta da adm. para destinação do Lucro:
Reserva legal
Estatutária
Contingencia
Lucros a realizar
Para expansão
Dividendos a distribuir
Aquisição de ações próprias
Saldo final ano 2

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 43


Atualização: Mauricio Barros
DMPL
Saldo Final Ano 1
(+/-) Ajustes de exercícios anteriores
Aumento de capital
Reversão de reservas
Doações e subvenções
Reavaliação
Lucro líquido do exercício
Proposta da adm. para destinação do lucro:
Reserva legal
Estatutária
Contingencia
Lucros a realizar
Para expansão
Dividendos a distribuir
Aquisição de ações próprias
Saldo final ano 2

Total

DMPL Total
Saldo final ano 1
(+/-) ajustes de exercícios anteriores
Aumento de capital
Reversão de reservas
Doações e subvenções
Reavaliação
Lucro líquido do exercício
Proposta da adm. para destinação do lucro:
Reserva legal
Estatutária
Contingencia
Lucros a realizar
Para expansão
Dividendos a distribuir
Aquisição de ações próprias
Saldo final ano 2

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 44


Atualização: Mauricio Barros
DVA - Demonstração do Valor Adicionado

Em conformidade com a Lei nº 11.638/07 a Demonstração do Valor Adicionado é


obrigatória para as companhias abertas (S/A) com o objetivo de evidenciar ações sociais
das quais tais organizações participam.
A DVA deverá ser extraída das informações das demonstrações contábeis, que regra geral
será da DRE - Demonstração do Resultado do Exercício e do Balanço Patrimonial. Em
tempo, deve sempre ser elaborada de forma comparativa e conter percentual de
representação participativa.

Considerações sobre a DVA:

a) Deverá ser elaborada com base no Principio Contábil da Competência;


b) Apresentada de forma comparativa (ano atual X anterior) e em percentuais;
c) Deverá ser consistente às demonstrações contábeis.

Modelo de Demonstração do Valor Adicionado

DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO 201X 2012


1-RECEITAS

Vendas de mercadoria, produtos e serviços


Provisão p/devedores duvidosos – Reversão/(Constituição)
Não operacionais

2-INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS e IPI)


Matérias-Primas consumidas
Custos das mercadorias e serviços vendidos
Materiais, energia, serviços de terceiros e outros
Perda/Recuperação de valores ativos
3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2)

4 – RETENÇÕES
Depreciação, amortização e exaustão
5 –VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4)

6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA


Resultado de equivalência patrimonial
Receitas financeiras
7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6)

8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO


Pessoal e encargos
Impostos, taxas e contribuições
Juros e aluguéis
Juros s/ capital próprio e dividendos
Lucros retidos / prejuízo do exercício
NOTA: O TOTAL DO ITEM 8 DEVE SER EXATAMENTE IGUAL AO ITEM 7.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 45


Atualização: Mauricio Barros
Passo a passo para preencher a DVA:

Quanto ao corpo e composição monetária:

1) RECEITAS: Nesse item o resultado será composto pela soma entre os itens 1.1 a 1.3.

1.1) Vendas de mercadoria, produtos e serviços: Nesse item deverá o contabilista


preencher com a receita bruta ou faturamento bruto, isto é, deverá ser incluso o ICMS, IPI,
COFINS, PIS, incidentes na receita.

1.2) Provisão Devedores Duvidosos - Reversão/(Constituição): Nesse item deverá ser


incluso os valores constituídos para a Provisão de Créditos de Liquidação Duvidosa
(PCLD) tanto a constituição quanto a sua baixa.

1.3) Resultados Não operacionais: Nesse item inclui-se todos os ganhos e perdas que não
pertencem a atividade principal da empresa. Exemplo: Ganho ou perda referente a baixa
de ativo imobilizado.

2) INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS e IPI): Nesse item o resultado será
composto pela soma entre os itens 2.1 a 2.4

2.1) Matérias-Primas Consumidas: Nesse item o saldo deverá ser composto pelo valor das
matérias primas inclusas no custo do produto vendido.

2.2) Outros custos das mercadorias e serviços vendidos: Nesse item adiciona-se os custos
das mercadorias e serviços vendidos diminuídos dos gastos com o pessoal;

2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros: Nesse item o saldo deverá compor
todos os valores oriundos das aquisições e pagamentos a terceiros, sem esquecer que,
além desses valores, deverão ser incluso (junto) os tributos dessas operações
(IPI,ICMS,PIS,COFINS) das quais são incluídos no ato da aquisição (indiferente se
recuperável ou não).

2.4) Perda/Recuperação de valores ativos: Nesse item deverão ser considerados os saldos
oriundos da avaliação a valor de mercado, assim se o valor for positivo, deverá ser
adicionado, se negativo, subtraído.

3) VALOR ADICIONADO BRUTO: Nesse item bastará o contabilista fazer a subtração entre
os resultados dos itens 1 e 2.
Autor: Sergio Bispo de Oliveira 46
Atualização: Mauricio Barros
4) RETENÇÕES: Nesse item deverão ser mencionados os resultados das somas do grupo.
Nesse caso as Depreciações, amortização e exaustão.

4.1) Depreciação, Amortização e Exaustão: Nesse item deverão ser mencionadas as


despesas ou custo auferidos pelo período.

5) VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE: Nesse item deverão ser
informados a subtração entre os itens 3 e 4.

6) VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA: Nesse item deverão ser


apresentadas a soma entre os item do grupo, de 6.1 a 6.3.

6.1) Resultado de Equivalência Patrimonial: Nesse item deverão ser inclusos os valores
recebidos por investimentos feitos em terceiros tais como dividendos (oriundos de
investimentos avaliado ao custo) ou por equivalência patrimonial.

6.2) Receitas Financeiras: Nesse item deverão ser compostas todas as receitas financeiras
independentemente de sua origem.

7) VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR: Nesse item deverão ser compostos a soma
dos saldos dos item 5 e 6. (100%).

8) DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO: Nesse item deverão ser compostos a soam


dos saldos dos itens desse grupo, de 8.1 a 8.5.

8.1) Pessoal e Encargos: Deverão ser inclusos todos os encargos com pessoal excluído o
INSS. Exemplo: Encargos com férias, transporte, 13º salário FGTS, etc.

8.2) Impostos, Taxas e Contribuições: Nesse item deverão ser considerados o Imposto de
Renda, a CSLL, e qualquer outra taxa, contribuição ou ainda imposto.Ressalta-se que o
ICMS, PIS,COFINS, IPI deverão ser apresentados pelo valor devido ou pago. Assim
caracterizará a diferença das quais foram consideradas no item 2 - Insumos adquiridos de
Terceiros.

8.3) Juros e Aluguéis: Nesse item deverão ser somadas todas as despesas oriundas de
juros e de âmbito financeiro. Vale ressaltar que nesse item refere-se a qualquer

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 47


Atualização: Mauricio Barros
empréstimo ou financiamento junto a instituições financeiras. Exemplo: empréstimos
adquiridos em geral, leasing, etc.

8.4) Juros s/ Capital Próprio e Dividendos: Nesse item são considerados os valores
contabilizados como reserva de lucros retidos para os quais foram pagos ou creditados
aos acionistas.

8.5) Lucros Retidos / Prejuízo do Exercício: Nesse item considera-se o lucro do período em
questão das quais foram classificados em reserva de lucros, além de montantes das quais
não tenham nenhuma destinação.

NOTA: O TOTAL DO ITEM 8 DEVE SER EXATAMENTE IGUAL AO ITEM 7.

Exercício:

1- Com as informações a seguir elabore uma Demonstração do Valor Adicionado:

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 48


Atualização: Mauricio Barros
Autor: Sergio Bispo de Oliveira 49
Atualização: Mauricio Barros
Demonstração dos Fluxos de Caixa

A Demonstração do Fluxo de Caixa é uma demonstração obrigatória para as companhias


abertas e companhias fechadas desde que o patrimônio líquido superior a R$ 2 milhões.

Seu objetivo principal é demonstrar todo o recebimento e pagamento, como na


linguagem técnica, aplicação e a origem, em dinheiro das quais transitaram pelo caixa de
uma Entidade.
Essa demonstração apresenta ao usuário ou leitor as transações ocorridas tanto na forma
direta como na forma ou indireta, onde ambas detalham as mudanças que tiveram reflexo
no caixa.

Termologia conceitual apresentada pelo CPC 03:

• Caixa compreende numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis.

• Equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, de Alta liquidez,


que são prontamente conversíveis em um montante conhecido de caixa e que
estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor.

• Fluxos de caixa são as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa.

• Atividades operacionais são as principais atividades geradoras de receita da


entidade e outras atividades diferentes das de investimento e de financiamento.

• Atividades de investimento são as referentes à aquisição e à venda de ativos de


longo prazo e de outros investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa.

• Atividades de financiamento são aquelas que resultam em mudanças no tamanho


e na composição do capital próprio e no endividamento da entidade, não
classificadas como atividade operacional.

De acordo com a Lei nº 6.404/76, art. 188 com redação da Lei nº 11.638/07 a
Demonstração dos Fluxos de Caixa apresenta três fluxos que envolvem as:

a) atividades operacionais;
b) atividades de investimento; e
c) atividades de financiamento.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 50


Atualização: Mauricio Barros
Como já mencionado, a Demonstração dos Fluxos de Caixa apresenta os métodos Direto e
Indireto.

Método Direto:
São apresentadas nesse método as 03 (três) atividades (Operacionais, Investimento e
Financiamento), porém a atividade operacional tem característica diferente se comparada
ao método indireto.
No método direto são consideradas as entradas e saídas brutas que fazem parte da
operação, como por exemplo, os recebimento de vendas de produtos, mercadorias e
serviços e por conseqüência os pagamentos a fornecedores e funcionários.

Exemplo:

Atividades operacionais

Entradas
 Recebimento de clientes
 Recebimento de outros ativos circulantes
 Recebimento de juros
 Recebimento de dividendos
 Outros recebimentos

Saídas
 Pagamentos de fornecedores
 Pagamentos de salários
 Pagamentos de despesas a pagar
 Pagamento de despesas antecipadas
 Pagamento de juros
 Outros pagamentos

NOTA: As atividades de investimento e financiamento são iguais nos dois métodos (Direto
e Indireto).

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 51


Atualização: Mauricio Barros
Método Indireto:
São apresentados nesse método os saldos apresentados na Demonstração do Resultado
do Exercício, que em regra geral inicia-se pelo:

 Lucro liquido
 Ajustes pelos fatos que não afetam o caixa (exemplo depreciação, amortização,
etc), fatos que não pertencem a atividade operacional ( exemplo ganho ou perda
na venda de ativo imobilizado), somar as reduções ou subtrair os acréscimos do
Ativo Circulante e do Ativo Não Circulante (apenas o realizável a longo prazo) e
subtrair as reduções dos saldos do passivo Circulante e do passivo não circulante
(apenas o exigível a longo prazo).

Passo a passo para elaboração da DFC:

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 52


Atualização: Mauricio Barros
Continuação do passo a passo para elaboração da DFC:

Exemplo passo a passo para elaboração da DFC


Geração de Caixa

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 53


Atualização: Mauricio Barros
Conciliação

Exemplo passo a passo para elaboração da DFC :

DFC - Método Indireto

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 54


Atualização: Mauricio Barros
Exemplo passo a passo para elaboração da DFC:

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 55


Atualização: Mauricio Barros
Variação de clientes

Variação de valores do contas a pagar

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 56


Atualização: Mauricio Barros
Método Direto

A empresa Brasil S/A apresenta inicialmente os seguintes saldos contábeis:

Banco – 100.000
Duplicatas a receber – 80.000
Financiamentos – 80.000
Capital Social – 100.000

No decorrer do mês realizou as seguintes operações:

1) comprou 100.000 em mercadorias com ICMS de 20.000, sendo 50.000 a vista;


2) comprou um veículo por 40.000 a prazo;
3) obteve um empréstimo de 60.000;
4) recebeu 60.000 das duplicatas com juros de 10%;
5) apropriou o aluguel do mês de 10.000;
6) pagou os juros do financiamento de 8.000;
7) vendeu a vista o estoque por 200.000 com ICMS de 40.000;
8) emprestou 20.000 para receber a longo prazo;
9) comprou a vista um imóvel por 100.000;
10) aceitou um novo sócio com 100.000 em dinheiro;
11) apropriou os salários do mês de 10.000.

O objetivo do exercício: elaborar o fluxo de caixa direto e indireto.

Elabore os lançamentos contábeis, BP e DRE.

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 57


Atualização: Mauricio Barros
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ernest & Young e FIPECAFI. Manual de Normas Internacionais de Contabilidade - IFRS 1ª


Ed. São Paulo. Editora Atlas. 2006.

DIAS DE SOUZA, Ernesto - Como elaborar Demonstrações contábeis - Editora IOB. 2006

SZUSTER, Natan et al. Contabilidade geral: introdução à contabilidade societária. 2. ed.


São Paulo: Atlas, 2008.

BRASIL, Lei 6.404 de 15 de dezembro de 1976. Lex: Legislação Federal. Disponível em:
<www.planalto.gov.br>. Acesso em: 27 mai. 2013.

BRASIL, Lei 10.406 de 10 de janeiro de 2002. Lex: Legislação Federal. Disponível em:
<www.planalto.gov.br>. Acesso em: 27 mai. 2013.

BRASIL, Lei 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Lex: Legislação Federal. Disponível em:
<www.planalto.gov.br>. Acesso em: 27 mai. 2013.

BRASIL, Lei 11.941 de 27 de maio de 2009. Lex: Legislação Federal. Disponível em:
<www.planalto.gov.br>. Acesso em: 27 mai. 2013.

BRASIL, Lei 12.249 de 11 de junho de 2010. Lex: Legislação Federal. Disponível em:
<www.planalto.gov.br>. Acesso em: 27 mai. 2013.

BRASIL, Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2) de 03 de setembro de 2010 – Demonstração


de Fluxos de Caixa. Acesso em: 12 jul. 2013

BRASIL, Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) de 02 de dezembro de 2011 – Apresentação


das Demonstrações Contábeis. Acesso em: 12 jul. 2013

BRASIL, Resolução CFC 750 de 29 de dezembro de 1993. Dispõe sobre os Princípios de


Contabilidade. Acesso em: 27 mai. 2013

BRASIL, Resolução CFC 1.255 de 10 de Dezembro de 2009. Aprova a NBC TG 1000 -


Contabilidade para pequenas e médias empresas. Acesso em: 27 mai. 2013

BRASIL, Resolução CFC 1.282 de 28 de maio de 2010. Atualiza e consolida dispositivos da


Resolução CFC nº 750/93. Acesso em: 27 mai. 2013

Autor: Sergio Bispo de Oliveira 58


Atualização: Mauricio Barros