Você está na página 1de 3

Estado de direito

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O estado de direito é uma situação jurídica, ou um sistema institucional, no qual cada um é


submetido ao respeito do direito, do
simples indivíduo até a potência pública. O estado de direito é assim ligado ao respeito da
hierarquia das normas, da separação
dos poderes e dos direitos fundamentais.

Em outras palavras, o estado de direito é aquele no qual os mandatários políticos (na


democracia: os eleitos) são submissos às
leis promulgadas. A teoria da separação dos poderes de Montesquieu, na qual se baseiam a
maioria dos estados ocidentais
modernos, afirma a distinção dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) e suas
limitações mútuas. Por exemplo,
em uma democracia parlamentar, o legislativo (Parlamento) limita o poder do executivo
(Governo): este não está livre para agir à
vontade e deve constantemente garantir o apoio do Parlamento, que é a expressão da vontade
do povo. Da mesma forma, o poder
judiciário permite fazer contrapeso à certas decisões governamentais (especialmente, no
Canadá, com o poder que a Carta dos
Direitos e Liberdades da pessoa confere aos magistrados). O estado de direito se opõe assim às
monarquias absolutas de direito
divino (o rei no antigo regime pensava ter recebido seu poder de Deus e, assim, não admitia
qualquer limitação a ele: "O Estado,
sou eu", como afirmava Luís XIV) e às ditaduras, na qual a autoridade age frequentemente em
violação aos direitos fundamentais.
O estado de direito não exige que todo o direito seja escrito. A Constituição do Reino Unido, por
exemplo, é fundada unicamente
no costume: ela não dispõe de disposições escritas. Num tal sistema de direito, os mandatários
políticos devem respeitar o direito
baseado no costume com a mesma consideração que num sistema de direito escrito.

O poder do Estado é uno e indivisível. A função do poder se divide em três grandes funções: a
função legislativa, a função judicial e
a função executiva.

Conceito de estado democrático de direito


Estado democrático de direito é um conceito que designa qualquer Estado que se aplica a
garantir o respeito das liberdades civis,
ou seja, o respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais, através do
estabelecimento de uma proteção jurídica.
Em um estado de direito, as próprias autoridades políticas estão sujeitas ao respeito da regra de
direito. Trata-se de um termo
complexo que define certos aspectos do funcionamento de um ente político soberano, o Estado.

O termo "estado democrático de direito" conjuga dois conceitos distintos que, juntos, definem a
forma de funcionamento
tipicamente assumido pelo Estado de inspiração ocidental. Cada um destes termos possui sua
própria definição técnica, mas,
neste contexto, referem-se especificamente a parâmetros de funcionamento do Estado ocidental
moderno.

Democracia
Neste contexto específico, o termo "democracia" refere-se à forma pela qual o Estado exerce o
seu poder soberano. Mais especi-
ficamente, refere-se a quem exercerá o poder de estado, já que o Estado propriamente dito é
uma ficção jurídica, isto é, não
possui vontade própria e depende de pessoas para funcionar.
Em sua origem grega, "democracia" quer dizer "governo do povo". No sistema moderno, no
entanto, o povo não governa
propriamente (o que representaria uma democracia direta). Assim, os atos de governo são
exercidos por membros do povo ditos
"politicamente constituídos", que são aqueles nomeados para cargos públicos através de
eleição.
No Estado democrático, as funções típicas e indelegáveis do Estado são exercidas por
indivíduos eleitos pelo povo para tanto,
de acordo com regras pré-estabelecidas que regerão o pleito eleitoral.

Direito
artigo principal: Direito

O estado de direito é aquele em que vigora o chamado "império da lei". Este termo engloba
alguns significados: primeiro que,
neste tipo de estado, as leis são criadas pelo próprio Estado, através de seus representantes
politicamente constituídos;
o segundo aspecto é que, uma vez que o Estado criou as leis e estas passam a ser eficazes
(isto é, aplicáveis), o próprio Estado
fica adstrito ao cumprimento das regras e dos limites por ele mesmo impostos; o terceito
aspecto, que se liga diretamente ao
segundo, é a característica de que, no estado de direito, o poder estatal é limitado pela lei, não
sendo absoluto, e o controle desta
limitação se dá através do acesso de todos ao Poder Judiciário, que deve possuir autoridade e
autonomia para garantir que as leis
existentes cumpram o seu papel de impor regras e limites ao exercício do poder estatal.

Outro aspecto do termo "de direito" refere-se a que tipo de direito exercerá o papel de limitar o
exercício do poder estatal. No estado
democrático de direito, apenas o direito positivo (isto é, aquele que foi codificado e aprovado
pelos órgãos estatais competentes,
como o Poder Legislativo) poderá limitar a ação estatal, e somente ele poderá ser invocado nos
tribunais para garantir o chamado
"império da lei". Todas as outras fontes de direito, como o Direito Canônico ou o Direito natural,
ficam excluídas, a não ser que o
direito positivo lhes atribua esta eficácia, e apenas nos limites estabelecidos pelo último.

Nesse contexto, destaca-se o papel exercido pela Constituição. Nela delineiam-se os limites e as
regras para o exercício do poder
estatal (onde se inscrevem as chamadas "garantias fundamentais"), e, a partir dela, e sempre
tendo-a como baliza, redige-se o
restante do chamado "ordenamento jurídico", isto é, o conjunto de leis que regem uma
sociedade. O estado democrático de direito
não pode prescindir da existência de uma Constituição.

Origem
Considera-se o livro Die deutsche Polizeiwissenschaft nach den Grundsätzen des
Rechtsstaates (A Ciência Policial Alemã de
acordo com os princípios do estado de Direito), do escritor alemão Robert von Mohl, como a
obra seminal, inauguradora do
pensamento teórico sobre o "império da lei". A obra foi escrita entre 1832 e 1834 e publicada
em 1835. Além disso, existe
corrente teórica do pensamento político alemão, que foi comandada pelo influente filósofo
político Friedrich Hayek, que considera
os escritos de Immanuel Kant como a base sobre a qual se construiria, mais tarde, o
pensamento político de von Mohl.