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SuprConsdo Brasil para o REAA

Loja de Perfeição “Padre Azevedo”

Loja de Perfeição Padre Azevedo João Pessoa - PB Sup Cons do Brasil do Grau
Loja de Perfeição
Padre Azevedo
João Pessoa - PB
Sup Cons
do Brasil
do Grau 33 para o
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Trabalho para Elevação ao Grau 18

Tema:

O Direito de Reunião

(EDUARDO CHAGAS IME: 090531)

24/11/2018

1. INTRODUÇÃO

Transcorrer sobre um tema que tem por finalidade identificar os possíveis porquês das pessoas se reunirem; é a mesma coisa que tentar contar as estrelas do Universo, dado que há uma gama imensa de probabilidades que seriam a causa, ou principal, ou secundária, motivadora. Nesse sentido, o nosso intuito maior aqui não é contemplar essas razões, explicando-as uma a uma; antes, é delimitar, o modo de como isso deve ocorrer. Tendo como fundamento, o seguinte adágio: “o seu direito acaba onde começa o dos outros”. 1 Assim, fincaremos um estudo panorâmico desse instituto, levando em consideração uma abordagem histórica e essencialmente doutrinária, com base no Direito Brasileiro sob a Luz da Constituição Federal, nossa Lei maior, a qual todo cidadão, maçom especialmente, lhe deve respeito. 2 Ainda, faremos também uma correlação desses índices acima e a Maçonaria, inquirindo um liame entre ambos. Por fim, estamos alegres, contentes e satisfeitos com a indicação desse título. Ao tempo em que, ficaremos regozijados se, ao menos, tivermos instigado o espírito de pesquisa, uma vez que nem de longe o presente trabalho teve o intento de exaurir esse assunto, especialmente quando se trata de um mundo globalizado, suas eras e civilizações.

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1 http://www.suframa.gov.br/cidadao/direitosedeveres.cfm, acessado em: 23/11/2018 19:37. 2 Em princípio, tudo aquilo que se exige ao ingresso em qualquer outra instituição: respeito aos seus estatutos, regulamentos e acatamento às resoluções da maioria, tomadas de acordo com os princípios que as regem; amor à Pátria; respeito aos governos legalmente constituídos; acatamento às leis do país em que viva, etc. E em particular: a guarda do sigilo dos rituais maçônicos; conduta correta e digna dentro e fora da Maçonaria; a dedicação de parte do seu tempo para assistir às reuniões maçônicas; a prática da moral, da igualdade e da solidariedade humana e da justiça em toda a sua plenitude. Ademais, se proíbe terminantemente dentro da instituição, as discussões políticas e religiosas, porque prefere uma ampla base de entendimento entre os homens afim de evitar que sejam divididos por pequenas questões da vida civil. Acessado em: https://www.gob.org.br/o-que-e-a-maconaria/, às 24/11/2018 06:11.

2. UMA VISÃO SISTEMATIZADA

Etimologicamente, a palavra reunir provém do latim re (de novo) + unire (unir). 3 Para o dicionário Infopédia, a palavra reunir, possui o seguinte significado:

1. Como verbo transitivo: unir de novo; juntar (aquilo que se encontra disperso); agrupar; ligar; prender; aliar; juntar (um grupo de pessoas); convocar; congregar; aglomerar; aproximar; angariar.

2. Como verbo intransitivo e pronominal: ter uma sessão; fazer uma reunião; juntar-se; agregar-se; agrupar-se. 4

Na verdade, essa palavra surge como garantia legal na Declaração da Pensilvânia 5 , em 1776, na qual já preconizava o direito de reunião, senão vejamos:

Artigo XXI. Toda pessoa tem o direito de se reunir pacificamente com outras, em manifestação pública, ou em assembleia transitória, em relação com seus interesses comuns, de qualquer natureza que sejam.

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Muito embora, esse direito sempre existiu no prana, e não fora uma inovação do Direito Norte Americano que o fez eclodir, expandindo para todos os recantos da terra. Mas, a percepção de alguns que fora capaz de captar esse fenômeno exotérico. 6 7

5 A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América foi o documento no qual as chamadas Treze Colônias, localizadas na América do Norte, declararam independência da Grã-Bretanha. O texto, que trazia também as justificativas para o ato, foi ratificado pelo Segundo Congresso Continental em 4 de julho de 1776, na Pennsylvania State House (hoje, Independence Hall), na cidade de Filadélfia, acessado em:

este tipo de reunião, sempre existiu: Na Grécia Antiga, na Escola Pitagórica de Crotona; no Antigo Egito, nos

Mistérios de Ísis e Osíris; na Caldeia, no Colégio dos Magos do Fogo; na Palestina, com os essênios; no Império Romano, com os Collegia Fabrorum; na Idade Média, com os Cavaleiros Templários; no Renascimento, com os Irmãos Rosacruzes; na Atualidade, com o nome de Maçonaria.

7 Alcino Pinto Falcão lembra que a doutrina norte-americana, após a Emenda Constitucional n.° 1, passou a admitir que o direito de reunião é um desdobramento do antigo direito de petição, tendo inclusive a Suprema Corte afirmado que "a verdadeira ideia de governo na forma republicana implica no direito de se reunirem pacificamente os cidadãos

para se consultarem sobre os negócios públicos e requererem reparação de agravos”.

6 (

)

Já na Constituição Federal do Brasil de 1988, sob o TÍTULO II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais, CAPÍTULO I - DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS, nos concede a faculdade do ato de se reunir, a qual está abaixo transcrito:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.

Para o ministro do Supremo Tribunal Federal - STF, Alexandre de Moraes, em seu livro Direito Constitucional, o direito de reunir, é mais uma liberdade, e a qual consiste no seguinte ponto que aqui com ênfase, realçamos:

O direito de reunião é um direito público subjetivo de grande abrangência, pois não se compreenderia a liberdade de reuniões sem que os participantes pudessem discutir, tendo que limitar-se apenas ao direito de ouvir, quando se sabe que o direito de reunião compreende não só o direito de organizá-la e convocá-la, como o de total participação ativa. 8

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Nessa vazão, também vale anotar o que diz o Ritual do Grau 17, Cavaleiro do Oriente e do Ocidente, pelo Grande Oriente do Brasil GOB, que adiante copiamos:

A Lei Fundamental da Liberdade proclama o Direito de Reunião. Trata-se do direito do ser humano de se reunir tranquilamente, sem armas, nem aparatos de guerra, sob o escopo de instruir uns aos outros, servir nas necessidades, ajudar-se nos empreendimentos, debater seus interesses e pleitear junto às autoridades, sem excessos de nenhuma espécie, sem perturbar a ordem e sem ofender os bons costumes. 9

Não há dúvidas de que, o direito de reunir é um ato volitivo e de interesse coletivo, em seu sentido “lato sensu”; com o propósito altruísta, ou seja, de unificar um pensamento comum e finalístico em prol de atender uma necessidade de âmbito social, porque não dizer em nível macro de um interesse coletivo. Usque, ainda, destacar que essa unidade de propagação em massa e força

8 Moraes, Alexandre de Direito Constitucional / Alexandre de Moraes 15 ed. São Paulo : Atlas, 2004, pág. 101. 9 REAA, Supr.’. Cons.’. do Brasil do Grau 33 para o Rit.’. Esc.’. Ant.’. e Ac.’., Grau 17, Cavaleiro do Oriente e do Ocidente, editado em 2016, Págs. 32/33.

transformadora visa convencer as pessoas de algo relevante, moldando-as a um determinado comportamento chave, e até lhes modificar as atitudes e incompatibilidades, se assim for o caso, em favor de um pensamento resultante que fora absorvido pelo quórum majoritário e livre. Na esteira desse raciocínio, é razoável vislumbrar que esse objetivo, pois sem um entendimento mais equânime de todos os participantes, não há a menor necessidade para se aglomerar pessoas, em um determinado lugar e horário agendado. Haja vista que, em isso ocorrendo, faltando-lhe, quiçá, uma pauta predefinida, tudo isso não passará de perda de tempo.

3. ELEMENTOS ESSENCIAIS DO DIREITO DE REUNIR

São 04 (quatro) os elementos indispensáveis que compõe esse instituto: pluralidade de participantes, tempo, finalidade, e lugar. Desde que o mundo é mundo, as pessoas se reúnem 10 11 12 . Entende por pluralidade de participantes a quantidade de pessoas presente em um determinado limite geográfico. O tempo, em nosso entender, é muito importante, pois reunião pública não deve seguir por dias a fio; tudo tem o seu tempo. E por isso, uma reunião deve ser limitada, em razão do seu caráter transitório e de acontecimento. Finalidade, nesse item convém salientar, o que já o fizemos acima; e para solidificar esse pensamento, optamos por citar o ministro, Alexandre de Moraes:

A reunião pressupõe a organização de um encontro com propósito

determinado, finalidade lícita, pacífica e sem armas. Anote-se, porém,

como lembra Celso de Mello, que não será motivo para dissolução da

reunião o fato de alguma pessoa estar portando arma. Nesses casos,

deverá a polícia desarmar ou afastar tal pessoa, prosseguindo-se a

reunião, normalmente, com os demais participantes que não estejam

armados. 13 14 15

10 Jesus saiu de Cafarnaum e seguiu para o sul, para os limites da Judeia e para a região a nascente do rio Jordão.

Acorreram multidões a ouvi-lo e, como sempre, ele ensinava-as. (Marcos 10,1).

11 Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a

ensiná-los, dizendo: "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus. (Mateus 5,1-3)

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indivíduos organizados com leis e instituições próprias que coordenam suas vidas e suas mútuas relações. Já

E que por muitas vezes, reúnem-

se em segredo para deliberar sobre temas diversos de interesse comum. (O mundo recôndito das Sociedades Secretas, Márcio J. S. Lima, pág. 16).

13 Op. cit., pp. 101.

"sociedades secretas", definimos como grupos fechados com ritos, crenças, doutrinas

não confundir "Sociedade" com "sociedades secretas". Compreendemos por "Sociedade" o conjunto de

(

)

5

Finalmente, o lugar, nesse quesito, a Lei não proíbe que reunião possa vir a ocorrer independente do local, até porque há, ainda, percursos móveis, como passeatas, ou desfiles, ou ainda comícios eleitorais, por exemplos; contudo, essa concessão deve atender aos requisitos constitucionais, e com prévia análise prévia das autoridades públicas no afã de que não seja agredido o direito de ir e vir alheio, principalmente no tocante a regularização do trânsito, a garantia da segurança e da ordem pública, ou ainda o impedimento de realização de outra reunião já marcada. Assim, apontamos os dizeres do Ilustre professor, Marcio Cammarosano, que faz uma alusão aos limites aceitáveis do direito de reunião, o qual elenca uma série de hipóteses, que está infraescrito:

Direito à circulação pelas estradas e sistema viário da cidade, de acesso aos locais de consumo, de trabalho e à própria residência ou domicilio, e estabelecimentos de ensino e de atendimento médico- hospitalar. Direito à fruição, enfim, de tudo que seja inerente à cidadania, ao estado de liberdade, especialmente de ir, vir e permanecer, transitando e ficando em locais públicos e particulares consoantes sua destinação legal. 16 17

Vale também destacar que em casos extraordinários, como o Estado de Sítio, e Estado de Defesa, poderá haver restrições ao direito de reunião, ainda que exercido em lugares privados, admitindo inclusive a suspensão temporária deste direito até mesmo que individualmente. 18 19

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14 Hoje no Brasil vigora a Lei 10.826/2006, ou seja, o Estatuto do Desarmamento, que se trata de uma lei federal que entrou em vigor no dia seguinte à sanção do então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 23 de dezembro de 2003, cuja finalidade principal é restringir o acesso ao uso de arma de fogo, apontando como crime o porte não

autorizado de arma de fogo.

15 Mas, nem sempre isso acontece: O candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) levou uma facada na barriga em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG) nesta quinta-feira (6). A informação foi confirmada pela Polícia Militar mineira e pela Polícia Federal. Um homem identificado como Adélio Bispo de Oliveira, foi preso em flagrante. Bem que

poderia

05:12.

em:

24/11/2018 04:42.

17 Dezessete pessoas foram detidas na manhã desta terça-feira (17) quando faziam uma manifestação na Praça dos Três Poderes, em João Pessoa. Eles são policiais licenciados e, através de ações na justiça, tentam o retorno à corporação. Acessado em: https://www.portalt5.com.br/noticias/paraiba/2018/4/81081-17-policiais-licenciados-sao-detidos-durante-

manifestacao-em-jp, às 24/11/2018 05:11.

18 CF, Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza. § 1º O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração, especificará as áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei, as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes: I - restrições aos direitos de: a) reunião, ainda que exercida no seio das associações.

19 CF, Art. 139. Na vigência do estado de sítio decretado com fundamento no art. 137, I, só poderão ser tomadas contra as pessoas as seguintes medidas: IV - suspensão da liberdade de reunião.

grifo nosso. acessado em:

ter

sido

uma

arma

de

fogo,

16

acessado

4. CONCLUSÃO

Para nós ficou visível que não devemos confundir direito e a prática regular de exercício. Visto que, pensar assim é entender o direito como se o mesmo fosse uma garantia matemática, quando na verdade o que se tem sobre ele é uma possibilidade de exercê-lo perante as demais pessoas, ou juridicizar o pleito ante a tripartição dos poderes. E isso foi o ponto controvertido em nosso trabalho, ou seja, de que as pessoas têm o direito sim de se reunirem, mas desde que não frustrem a moral, o direito, os princípios e os costumes da sociedade organizada. Nesse sentido, o que vale mesmo é o espírito de solidariedade e tolerância, repudiando evidentemente os excessos a fim de que a liberdade possa prevalecer nas relações humanas sob o crivo da convivência ordeira e pacífica de uma sociedade justa e perfeita.

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5. BIBLIOGRAFIA

Constituição Federal do Brasil

Conte, Carlos Brasílio A doutrina maçônica: síntese de suas origens,

história, filosofia, ritos, símbolos e ações: Um Livro-Guia para Aprendizes,

Companheiros e Mestres Maçons / Carlos Brasílio Conte. - São Paulo: Madras, 201l.

Lei de nº. 10.826/2003

Lima, Márcio Jose Silva - o Mundo Recôndito das Sociedades Secretas - São Paulo/SP -

Ed. Ixtlan, 2015.

Moraes, Alexandre de Direito Constitucional / Alexandre de Moraes 15 ed. São

Paulo : Atlas, 2004.

REAA, Supr.’. Cons.’. do Brasil do Grau 33 para o Rit.’. Esc.’. Ant.’. e Ac.’., Grau 17,

Cavaleiro do Oriente e do Ocidente, editado em 2016

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