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UFSC

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS


DEPARTAMENTO DE DIREITO
CURSO DE DIREITO
TURMA 01303 MATUTINO

Luiz Felipe Domingos, Ana Beatriz, Lana Pereira, Gessica Goulart, Wagner Zanotto,
Carlos Valeriano

Esquemas para o seminário: matriz constitucional francesa

Florianópolis
22/06/2018
1. Contextualização histórica (Carlos Valeriano)

- Sociedade Estamental
Privilégios monárquicos:
1° Clero
2° Nobres
Sem participação politica:
3° Camponeses, Trabalhadores Urbanos e Burgueses
- Crise econômica
- Manutenção dos luxos das classes privilegiadas
-Aumento de impostos sobre o 3o estado
- Insatisfação geral do 3o estado
Revolução:
-Primeiro Alvo: Bastilha (1789) Prisão Politica Símbolo da monarquia
- Formação de assembleias populares e burguesas: Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão
- Perseguição aos 1° e 2° estados
- Família real, pega em fuga, executada e destituída
Formação dos partidos nas assembleias, Jacobinos e Girondinos
Jacobinos ganham espaço por massivo apoio popular do trecho não-burguês do 3° estado
Governo Jacobino:
Reformas sociais drásticas, caça aos inimigos da revolução, execuções múltiplas, violência
Queda da legitimidade
A legitimidade da burguesia ascende devido aos problemas do governo jacobino
Destituição e Execução de Robespierre, líder do governo jacobino
Governo Burguês:
França governada por um grupo de burgueses (Consulado)
Ascenção de Bonaparte, general na época e de família burguesa
Escalada de Bonaparte no governo do consulado
Instalação do diretório
Golpe de 18 Brumário: Napoleão imperador da França
2. Análise da declaração de direitos do homem e do cidadão (Luiz Felipe e Wagner)

1° - Fundamentado nas ideias de Rousseau, este artigo consagra a igualdade como pilar
fundamental para o bem estar social, impedindo que privilégios particulares se sobreponham a
direitos consagrados.

2° - Aqui vemos as ideias jusnaturalistas agindo como uma prevenção ao arbítrio de outrem, já
que garante direitos intrínsecos a cada um. Ainda percebemos os ideais de Locke no que diz
respeito a propriedade e o direito de resistência a opressão. E por fim a defesa da segurança,
princípio amplamente defendido por Hobbes.

3° - A soberania reside essencialmente na nação. Com isso, mais uma vez, os ideais de
Rousseau são encontrados, já que este teorizou o conceito de vontade geral.

4° - Aqui vemos a presença de uma reciprocidade de direitos e deveres (algo que não se
encontra em uma sociedade estamental), e ainda o princípio da legalidade, pois os limites a
liberdade de outrem só podem ser determinados por lei.

5° - Novamente é contemplado o princípio da legalidade.

6° - A vontade geral é determinada como a criadora da lei. Assim, todos podem concorrer para
cria-la já que todos estão representados por essa vontade.

7° - Ressalta a importância de vedar o arbítrio particular como garantia dos direitos comuns a
todos.

8° - As leis devem estabelecer penas proporcionais aos crimes. Afinal, a pena deve possuir
uma utilidade social, Não pode ser apenas um mero castigo para o deleite do executor.

9° - Aqui se encontra o princípio da presunção de inocência, pilar fundamental de qualquer


estado democrático de direito.

10° - Ninguém pode ser incomodado por causa de suas opiniões, mesmo religiosas, contanto
que não perturbem a ordem pública estabelecida pela lei.

Ligado ao pensamento de J. Locke, explicitado em sua Carta sobre a Tolerância, que preconiza,
dentre outras coisas, que a crença não pode ser compelida pela violência.

11° - A livre comunicação dos pensamentos e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do
homem; todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo pelo
abuso dessa liberdade nos casos determinados pela lei.

A liberdade de expressão nasce limitada pela lei.

12° - A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma forma pública; por
conseguinte, esta força fica instituída para o benefício de todos, e não para a utilidade
particular daqueles a quem ela for confiada.

13° - Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável


uma contribuição comum; ela deve ser igualmente repartida entre todos os cidadãos, à razão
de suas faculdades.

14° - Todos os cidadãos têm o direito de verificar, por eles mesmos ou pelos seus
representantes, a necessidade de contribuição pública, de consenti-la livremente, de
acompanhar-lhe o emprego, de lhe determinar a quota, a cobrança e a duração.
Aqui se pode destacar um debate que já foi suscitado em sala a respeito da justiça tributária.
Onde o artigo 13 traz que para a manutenção da força pública, já citada no artigo 12, seria
indispensável contribuição comum repartida igualmente entre todos os cidadãos. Ainda que o
artigo traga dessa forma, ele completa “à razão de suas faculdades”, que faz alusão ao
pensamento Kantiano descrito em A Metafísica dos Costumes que vai trazer uma ideia de
responsabilidade tributária das pessoas mais afortunadas para com as pessoas mais pobres.

15° - A sociedade tem o direito de pedir a todo agente público as contas de sua administração.

16° - Toda sociedade na qual a garantia dos direitos não for assegurada, nem a repartição dos
poderes determinada, não tem constituição.

Neste artigo encontram-se compiladas as ideias de Montesquieu, determinando a repartição


dos poderes, e as ideias de J. Locke que fala de direitos assegurados, ou seja, um verdadeiro
estado de direito onde soberana é a lei.

17° - Sendo a propriedade um direito inviolável e sagrado, dela ninguém poder ser privado,
salvo quando a necessidade pública, legalmente verificada, o exigir evidentemente e com a
condição de uma justa e prévia indenização.

No artigo 17 temos uma ideia de direito à propriedade muito ligada ao pensamento do J.


Locke. O interessante quando se analisa o direito a propriedade por esse autor é a ênfase que
se dá a propriedade e como ela se torna quase uma extensão da pessoa. J. Locke constrói seu
pensamento da seguinte forma: Todos temos uma propriedade em nós mesmo, nosso corpo;
logo, o nosso trabalho também é nossa propriedade; segue então que tudo aquilo que
conseguimos transformar do estado natural, para nosso próprio uso, também é nossa
propriedade. O que se tem então é uma supervalorização da propriedade privada, baseada
nesse pensamento, que muitas vezes pode se contrapor e até ser mais valorizada do que
outros direitos, como o direito a vida, por exemplo.

3. Pós-revolução, primavera dos povos e era napoleônica (Gessica Goulart)

PÓS-REVOLUÇÃO FRANCESA

Revolução francesa acaba com o golpe de 18 Brumário

Napoleão era um cônsul e torna-se cônsul vitalício, coroado imperador da França

No 18 de Brumário Napoleão colocou fim ao Diretório e criou o Consulado (governo


provisório). Tornou-se o primeiro-cônsul da França, e passou a governar sozinho. Possuía o
apoio da burguesia.

Consulado:

Aniquilação da oposição

Consolidação da alta burguesia

Sufocamento dos projetos de emancipação da classe popular.

Com os resultados obtidos neste período Napoleão foi nomeado cônsul vitalício devido ao
apoio das elites francesas, que estavam entusiasmadas com os “avanços”. Ele recebeu forte
apoio da burguesia que defendia um governo forte para pacificar o país e gerar um ambiente
de ordem.
Através de um plebiscito, Napoleão torna-se Imperador.

Império:

Código Civil de 1804

Guerras e conquistas (recrutamento, altos impostos)

Tentativa de competir com a Inglaterra

Bloqueio Continental

Impopularidade

1814: golpe dos aliados e retorno dos Bourbons ao trono: Luís XVIII (1814-1824), Carlos X
(1824-1830)

A era napoleônica consolidou as conquistas da burguesia

Congresso de Viena

Os termos de paz foram estabelecidos com a assinatura do Tratado de Paris (30 de maio de
1814), em que se estabeleciam as indenizações a pagar pela França aos países vencedores.

Tratado de Paris tinha como objetivo redefinir as fronteiras alteradas por Napoleão e restaurar
o antigo regime.

PRIMAVERA DOS POVOS

Dá-se o nome de Revoluções de 1848 ou Primavera dos povos à série de revoluções na Europa
Central e Oriental que eclodiram em função de regimes governamentais autocráticos, de crises
econômicas, do aumento da condição financeira e da falta de representação política, das
classes médias e do nacionalismo despertado nas minorias da Europa central e oriental, que
abalaram as monarquias da Europa, onde tinham fracassado as tentativas de reformas
políticas e econômicas.

1848, através de uma nova revolução, a França promulga uma Constituição. Com eleições
estabelecidas, o vencedor foi o sobrinho de Napoleão, Luis Bonaparte. Com amplo apoio da
sociedade francesa, Luis Bonaparte governou por quatro anos e quando chegou o momento de
realizar novas eleições, tal qual seu tio, Luis deu um golpe de Estado para se manter no poder
(seu próprio 18 de Brumário). Instituir um sistema imperialista sem objeções da população.

Luis Felipe Bonaparte, eleito.

Golpe > Segundo imperador da França

Jornadas de fevereiro de 1848. Criaram a Segunda República, estabeleceram o sufrágio


universal.

Jornadas de junho de 1848, marcadas pela revolta operária, lançaram novamente a República
no conservadorismo.

A Segunda República durou até 1852, quando Louis Bonaparte, sob o título de Napoleão III,
proclamou o Segundo Império (1852-1870).
Descontentamento ao notar que as promessas das revoluções burguesas não foram
cumpridas. Esse descontentamento, junto às crises econômicas.

A revolução de 1848 foi o movimento que posicionou definitivamente burguesia e proletariado


em campos opostos, o que marcaria profundamente os embates políticos vindouros.

Publicação do Manifesto Comunista

A crise econômica suscitada pelas más condições de vida em consequência das colheitas
precárias, do aumento dos preços e fechamento de fábricas levou trabalhadores e
camponeses à revolta. Em 1848 Karl Max e Friedrich Engels lançaram o Manifesto Comunista,
o que desperta a população para um ideal socialista que fundamenta a sua luta. Burgueses e
nobres também se juntaram ao movimento; almejavam a democracia.

18 de Brumário de Luís Bonaparte

Karl Marx tentou entender como duas revoluções que pediam mais participação do povo
(defesa do sufrágio universal era um tema recorrente) e consolidaram uma revolta
generalizada contra o governo resultaram em ditaduras. E mais, ditaduras guiadas por dois
homens da mesma família. Marx nos explica como o Governo manobrou a população para que
ela se rebelasse contra um instrumento constitucional que a representava.

4. Contexto histórico pós 1848 até 1975 (Ana Beatriz)

Constituição de 1848:

Os direitos fundamentais presentes na Constituição de 1830 são os seguintes:

Igualdade perante a lei; direitos políticos; liberdade individual; direito de não ser processado
ou preso em casos previstos em lei; liberdade religiosa; liberdade de opinião e expressão;
direito de propriedade e de ser indenizado em caso de restrição à propriedade.

O ano de 1848 inaugurou, pela primeira vez, a revolução social. Era o prolongamento da
Revolução de 1789 e antecipou, em certa medida, a Revolução Soviética de 1917.
Revolucionária, a Constituição de 1848 foi resultado da aliança entre burgueses e operários e
estatuiu a Declaração de Direitos no modelo republicano e fortemente social, prefigurado no
direito ao trabalho previsto na Constituição de 1793, mas, também conservadora, porque
protegeu o direito de propriedade. A fraternidade associou-se à liberdade e à igualdade, o que
inaugurou a trilogia republicana da idade moderna.

A Constituição de 1848 rompeu com a tradição bicameral aristocrática e preconizou o modelo


de assembleia única eleita pelo sufrágio universal direto. O Poder Executivo foi atribuído ao
Presidente da República, à semelhança do modelo americano, possivelmente influenciado
pelas ideias de Aléxis de Tocqueville.

Este trabalho foi utilizado como base: file:///C:/Users/luizf/Downloads/328326582-O-


Constitucionalismo-France-s-PFD.pdf

5. Constituições de 1791, 1946 e 1958 (Lana)

1791

- primeira constituição francesa

- pós-revolucionária
- elaborada pela assembleia nacional

- adoção do constitucionalismo e estabelecimento da soberania popular

- a declaração dos direitos do homem e do cidadão torna-se o preâmbulo dessa constituição,


abolindo assim as instituições que feriam a liberdade e a igualdade dos direitos.

- liberdade de produção e de comércio e proibição das greves dos trabalhadores

- separou ainda o Estado da Religião

- instituiu a divisão entre os três poderes, o legislativo, executivo e judiciário, e instituiu o voto
censitário nas eleições

- essa constituição marcou ainda a abolição dos privilégios do clero e da nobreza e também a
do feudalismo

- recebeu grande influencia da constituição dos estados unidos

1946

- essa é a constituição que fixa a atitude do regime no que concerne aos grandes problemas
sociais, políticos e internacionais.

- adota um modelo democrático baseado no princípio da democracia representativa

-ainda confirmando os direitos e liberdade do homem e do cidadão, contudo adotando novos


princípios tornados como necessários pela evolução social e econômica das sociedades
(exemplo: combate a não discriminação, o direito à educação e à cultura para todos, afirmou
também direitos aos trabalhadores, como o direito sindical e o direito a greve)

- quanto a filosofia política, essa constituição foi a responsável por afirmar o regime
democrático social e representativo, uma república leiga, democrática e social

- afirma ainda uma submissão às normas de direito internacional

1958

- inaugura a quinta república francesa, procurando colocar fim na instabilidade política


característica da quarta república

- o projeto passou por um comitê consultivo, diferente das outras constituições que foram
aprovadas em assembleia

- os direitos fundamentais garantidos por essa constituição foram ampliados pelas Cortes
Internacionais independentes dos tribunais nacionais

- em seu preâmbulo é renovado o compromisso com os direitos humanos e os princípios da


soberania nacional, que foram proclamados na Declaração de 1789

- essa constituição surge então para corrigir graves defeitos, propiciando a estabilização do
executivo e o reforço da eficácia de sua atuação, uma vez que no ano se sua criação a França
passava por uma crise de natureza política, encontrando solução na mudança de governo e de
orientação política

- o presidente da república adota então o papel de arbitro, aumentando os poderes do


presidente em relação às demais constituições conselho constitucional: estatui antes da
promulgação sobre a constitucionalidade das leis, delibera sobre a delimitação entre os
domínios legislativo e regulamentar, sobre os tratados, acordos e convenções internacionais
que contrariem a constituição

6. Síntese das características do constitucionalismo francês (Luiz Felipe)

1. Direitos individuais, universais e naturais dos indivíduos. O naturalismo destes direitos


vem como uma proteção contra o arbítrio dos governantes. Assim, cada um possui
direitos inexoráveis e perpétuos intrínsecos a si.
2. Os estamentos de cada pessoa não asseguram qualquer privilégio já que a igualdade
entre os homens prepondera.
3. As rupturas com o antigo regime se dão através de uma constante luta contra os
privilégios. Daí decorre a natureza crítica e politicamente ativa do povo francês.
4. Segundo Canotilho, a criação de novas categorias políticas como: nação, poder
constituinte, soberania nacional. Sem contar o implemento de uma constituição
escrita. Não é a toa que a escola da exegese tem suas origens na França.
5. Formatação teórica do poder constituinte, este sendo um poder pertencente apenas à
nação soberana capaz de então elaborar independentemente sua constituição escrita.
6. Separação do poder constituinte e dos poderes constituídos, elaborando então uma
hierarquização das normas.
7. Criação da separação de poderes como uma medida para evitar medidas arbitrárias e
o totalitarismo em geral.