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25/12/2018 Fim de ano, férias e trânsito: numa colisão, a quem cabe indenizar?

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25 de Dezembro de 2018

Fim de ano, férias e trânsito: numa colisão, a quem cabe


indenizar?

1. INTRODUÇÃO

Durante as férias e festas de fim de ano é muito comum as pessoas


pegarem a estrada para viajar, rever os entes queridos, ir a shows e
eventos; mas você está antenado com as principais teorias da
responsabilidade civil sobre colisão de veículos? Está preparado para
fazer uma boa interpretação jurídica dos fatos acaso uma batida
ocorra?

O texto que se segue esclarecesse as teorias mais corriqueiras nos


tribunais. Portanto, desejo boa leitura a todos que se interessarem!
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2. PRINCÍPIO DA RESPONSABILIZAÇÃO DO CAUSADOR DIRETO

Na reparação por acidentes de trânsito vige, como regra, o princípio da


responsabilização do causador direto dos danos, ressalvando-se o
regresso contra terceiro causador do perigo ou a aplicação da exclusão
do nexo de causalidade pela teoria dos corpos neutros (que será vista
mais à frente). Portanto, para maioria dos casos, se o acidente se der
por culpa de um causador externo, não se elide automaticamente a
responsabilidade de quem efetivamente colidiu contra o veículo da
vítima. Nesse sentido é a jurisprudência dos Pretórios nacionais, como
nos acórdãos do TJPR, in litteris:

AÇÃO DE RESSARCIMENTO - SEGURADORA - ACIDENTE DE


TRÂNSITO - INVASÃO DE PISTA CONTRÁRIA - ALEGAÇÃO DE
FATO DE TERCEIRO, QUE TERIA EFETUADO MANOBRA DE
MARCHA-A-RÉ SOBRE A PISTA - NÃO COMPROVAÇÃO -
RESPONSABILIDADE DO AUTOR DIRETO DO DANO - O FATO
DE TERCEIRO NÃO SE TIPIFICA COMO CAUSA EXCLUDENTE
DA RESPONSABILIDADE - AÇÃO JULGADA PROCEDENTE -
DESPROVIMENTO DO RECURSO. "Na responsabilidade civil
domina o princípio da obrigatoriedade do causador direto
pela recuperação em acidente de trânsito. A circunstância
de afigurar-se, no desencadeamento dos fatos, culpa de
terceiro, não libera o autor direto do dano do dever
jurídico de indenizar. Na sistemática do direito brasileiro,
artigo 1.520 do Código Civil, concede-se a ação regressiva
em favor do autor do prejuízo, contra terceiro que criou a
situação deperigo, para haver a importância despendida
no ressarcimento do dano"(Arnaldo Rizzardo, in"Reparação
nos Acidentes de Veículos, ed. RT, pág. 70,).

(TJPR - 10ª C.Cível - AC - 304278-0 - Cascavel - Rel.: Ronald


Schulman - - J. 22.09.2005)

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APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO VISANDO
O RESSARCIMENTO DOS DANOS CAUSADOS EM ACIDENTE DE
TRÂNSITO. TESE ACERCA DA DINÂMICA DOS FATOS
ALTERADA EM SEDE RECURSAL, CARACTERIZANDO
INOVAÇÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO NESSE PONTO.
LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO AFASTADO, POIS O
PREJUDICADO TEM A PRERROGATIVA DE ESCOLHER CONTRA
QUEM IRÁ DEMANDAR NA HIPÓTESE DE EXISTIR MAIS
ENVOLVIDOS NO SINISTRO. LASTRO PROBATÓRIO
CONSTANTE NOS AUTOS QUE INDICA O CONDUTOR
DEMANDADO COMO CAUSADOR DIRETO DO DANO.
EVENTUAL CULPA DE TERCEIRO A SER DISCUTIDA EM
AÇÃO REGRESSIVA. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 930 DO
CÓDIGO CIVIL.RECURSO CONHECIDO EM PARTE E, NA
EXTENSÃO, DESPROVIDO.

(TJPR - 10ª C.Cível - AC - 1329796-0 - Curitiba - Rel.: Carlos


Henrique Licheski Klein - Unânime - - J. 19.05.2016)

Sem destoar, é o entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo:

Responsabilidade Civil – Acidente de trânsito – Colisão em Rodovia


– (Rodovia Fernão Dias) – Alegação de fato de terceiro que, em
regra, não exclui a responsabilidade do causador direto do dano,
ressalvado eventual regresso – - Ingresso inopinado de viatura
policial em rodovia de trânsito rápido – Engavetamento – Ação
julgada procedente - Sentença confirmada. - Recurso desprovido.

(TJSP; Apelação 0010761-39.2013.8.26.0001; Relator (a): Edgard


Rosa; Órgão Julgador: 25ª Câmara de Direito Privado; Foro
Regional I - Santana - 3ª Vara Cível; Data do Julgamento:
10/11/2016; Data de Registro: 11/11/2016)

Assim, o causador direto do dano, na maioria dos casos, será o


responsável pela reparação.

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3. PRINCÍPIO DO CAUSADOR JURÍDICO OU TEORIA DO CORPO
NEUTRO

3. 1. CONCEITO:

Os corpos não demonstram vontade, são incapazes de executar ações


planejadas. Dessa maneira, imagine-se que Tício, em altíssima
velocidade, colida violentamente contra o carro de Caio, este último,
por sua vez, em que pese estar trafegando em conformidade com todas
as normas de trânsito, é arremessado como mero instrumento, e
se choca contra o automóvel de Mévio. No caso em tela, há de se
aplicar a teoria dos corpos neutros para excluir a responsabilidade de
Caio (causador direto do dano) e imputá-la tão somente a Tício
(causador jurídico do dano).

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais já conceituou o instituto com


maestria:

EMENTA: DIREITO CIVIL - RESPONSABILIDADE CIVIL -


ACIDENTE AUTOMOBILISTICO - CULPA EXCLUSIVA DE
TERCEIRO - AUSÊNCIA DE COMPORTAMENTO VOLITIVO DO
CONDUTOR DO VEICULO ABALROADOR - TEORIA DO CORPO
NEUTRO - RECURSO PROVIDO. A teoria do corpo neutro
estabelece uma aplicação especial do fato de terceiro nos acidentes
de trânsito, e aplica-se quando o agente físico do dano, atingido,
sem atuação voluntária, viola direito de terceiro inocente.

Por consequência, os alegados prejuízos materiais devem ser


reparados pelo causador do acidente.

(TJMG - Apelação Cível 1.0245.12.000771-2/001, Relator (a): Des.


(a) Otávio Portes , 16ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em
08/11/2017, publicação da sumula em 22/11/2017)

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Em outro aresto, Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul salientou
que não é necessário que o veículo que é lançado como mero
instrumento esteja inicialmente parado para ser aplicada a teoria do
corpo neutro. É a ementa do acórdão:

Ementa: RECURSO INOMINADO. AÇÃO INDENIZATÓRIA.


ACIDENTE DE TRÂNSITO. APLICAÇÃO DA TEORIA DO CORPO
NEUTRO A AFASTAR A RESPONSABILIDADE DAS RÉS.
TERCEIRO ENVOLVIDO NO EVENTO, QUE TERIA DADO CAUSA
AO ACIDENTE, QUE NÃO FIGURA COMO PARTE NO PROCESSO.
RECURSO DO AUTOR VISANDO A REFORMA DA SENTENÇA,
AFASTANDO A TEORIA DO CORPO NEUTRO. FATO DE O
VEÍCULO DO RÉU NÃO ESTAR PARADO QUE NÃO AFASTA A
TEORIA DO CORPO NEUTRO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE
QUE OS RÉUS CONTRIBUÍRAM NO EVENTO. DECISÃO
RECORRIDA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. (TJRS. Recurso
Cível Nº 71007831902, Segunda Turma Recursal Cível, Turmas
Recursais, Relator: Ana Cláudia Cachapuz Silva Raabe, Julgado
em 26/09/2018)

Assim, ao nosso entender, o acórdão indica que se deve analisar se


houve culpa e conduta intencional daquele que abalroou.

3.2. ÔNUS DA PROVA NA TEORIA DO CORPO NEUTRO

Quem tem interesse jurídico na aplicação da teoria do corpo neutro é o


réu abalroador direto, pois é ele a quem aproveita demonstrar os fatos
impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. Deve
então provar que: i) foi lançado como mero instrumento do ilícito de
um terceiro e ii) observou as normas de trânsito, não corroborando de
nenhuma forma para a realização do ilícito.

Por não considerar que houve a comunhão dos requisitos supra, o


TJDFT negou aplicabilidade a teoria do corpo neutro, in verbis:

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INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. COLISÃO VEÍCULOS.
ENGAVETAMENTO. TEORIA DO CORPO NEUTRO.
INAPLICABILIDADE. PROVAS. EVENTOS SUCESSIVOS E
INDEPENDENTES. DISTÂNCIA DE SEGURANÇA.
INOBSERVÂNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.

1. Segundo a teoria do corpo neutro, o veículo lançado à frente,


como um corpo neutro, não pode ser considerado causador do
sinistro e, portanto, seu condutor exime-se de responsabilidade.

1.2. As provas relacionadas à dinâmica do acidente, a ausência de


impugnação quanto à afirmativa de que ocorreram duas colisões
sucessivas, tornando-a incontroversa, e a demonstração de que o
condutor que primeiro abalroou o carro sinistrado não guardou a
distância de segurança prevista no Código de Trânsito afastam a
incidência da teoria do corpo neutro.

2. O STJ consolidou o entendimento no sentido de ser presumível a


culpa daquele que colide na traseira de outro veículo quando não
demonstrado outros fatores de influência no acidente ou prova em
sentido contrário.

3. De acordo com o art. 265 do Código Civil, a solidariedade não se


presume, pois resulta da lei ou da vontade das partes.

4. A ocorrência de duas colisões sucessivas não necessariamente


torna o condutor que por último abalroou o carro sinistrado
responsável solidário para arcar com a reparação das avarias
supostamente agravadas pela segunda colisão, porque o evento
anterior afasta a solidariedade e faz incidir a responsabilidade
proporcional decorrente dos danos causados pelo acidente
posterior.

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4.1. A ausência de prova pericial para demonstrar o nível de


agravamento das avarias provocadas pelo segundo abalroamento
impossibilita mensurar o grau de responsabilidade e o quantum
indenizatório cabível ao condutor que por último colidiu com o
carro sinistrado.

5. Recursos conhecidos e desprovidos.

(TJDFT. Acórdão n.1041848, 20160110859699APC, Relator:


DIAULAS COSTA RIBEIRO 8ª TURMA CÍVEL, Data de
Julgamento: 24/08/2017, Publicado no DJE: 30/08/2017. Pág.:
352/367)

Isso de dá porque a teoria do causador jurídico (ou do corpo neutro) só


se aplica quando o fato de terceiro exclui nexo causal de maneira tal a
se equiparar ao caso fortuito e a força maior, subtraindo totalmente a
ação do abalroador direto. Nesse aspecto, mister se faz ressaltar as
lições do insigne mestre, SERGIO CAVALIERI FILHO que assevera:

Ressalte-se, uma vez mais, que o fato de terceiro só exclui a


responsabilidade quando rompe o nexo causal entre o agente e o
dano sofrido pela vítima e, por si, só, produz o resultado (...).

Se não obstante o fato de terceiro, a conduta do agente também


concorre para o resultado, já não mais haverá a exclusão de
causalidade. Assim, se o motorista, ao se desviar de uma brusca
fechada dada por um ônibus, sobe na calçada e atropela um
transeunte, não poderá invocar o fato de terceiro para afastar a
sua responsabilidade, porque, na realidade, a causa direta e
imediata do atropelamento foi seu próprio ato (...).

(CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade


Civil. 11ª edição. São Paulo: Atlas, p. 87-88)

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A título de exemplo, em engavetamentos, quem colidir deve comprovar
que estava numa distância segura do veículo à frente. Enfim, não é
qualquer alegação de fato de terceiro que tem o condão para excluir o
nexo causal.

Assim, o direito consegue punir a ação de todos aqueles que


contribuíram para o ilícito, excluindo tão somente os que em nada
contribuíram para o evento danoso.

3.3. CRÍTICA AO POSICIONAMENTO DO DOUTRINADOR CARLOS


ROBERTO GONÇALVES: A RESPONSABILIDADE NO TRÂNSITO
DEVE SER INTEGRAL?

O doutrinador e desembargador aposentado do TJSP, CARLOS


ROBERTO GONÇALVES comenta sobre a teoria do risco nos acidentes
automobilísticos, defendendo que a imprudência de terceiros não tem
o condão de excluir a responsabilidade do causador direto. É o
entendimento:

Em matéria de responsabilidade civil, no entanto, predomina o


princípio da obrigatoriedade do causador direto em reparar o
dano. A culpa de terceiro não exonera o autor direto do dano do
dever jurídico de indenizar.

O assunto vem regulado nos arts. 929 e 930 do Código Civil,


concedendo o último ação regressiva contra o terceiro que criou a
situação de perigo, para haver a importância despendida no
ressarcimento ao dono da coisa.

(...) Segundo entendimento acolhido na jurisprudência, os


acidentes, inclusive os determinados pela imprudência de
terceiros, são fatos previsíveis e representam um risco
que o condutor de automóveis assume pela só utilização
da coisa, não podendo os atos de terceiros servir de
pretexto para eximir o causador do dano do dever de
indenizar.
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(GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. vol. 4;


responsabilidadecivil. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, pág. 468.)

Com a devida venia, discordo parcialmente do entendimento do autor


em questão, pois os artigos 929 e 930 do CC/02 tratam do caso de
estado de necessidade ofensivo, ou seja, daquele em que para se livrar
de mal iminente, alguém sacrifica bem jurídico alheio de igual ou
menor valor do que se quer proteger. Nesse caso, quem sacrificou o
bem alheio deve indenizar e, se quiser,agir de regresso contra o
causador do perigo.

Outra coisa bem diferente é o caso daquele que é arremessado como


mero instrumento, sem fazer escolha nenhuma, ter que indenizar os
demais prejudicados. Ora, mas ele é tão vítima quanto! O fato de o
cidadão imaginar que acidentes de trânsito podem acontecer não o
deve obrigar a ressarcir todos os danos, em todas as hipóteses;
sobretudo quando em nada contribuir para o mal. A teoria do risco não
pode tornar o cidadão comum em pagador universal, sob pena de se
aplicar o a teoria da responsabilidade do risco integral como regra ao
brasileiro comum, quando até mesmo para o poderoso Estado ela é
exceção!

3.4. DIFERENÇA ENTRE TEORIA DO CORPO NEUTRO E ESTADO


DE NECESSIDADE (OFENSIVO E DEFENSIVO)

Não se deve assim, confundir estado de necessidade com teoria do


corpo neutro. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão antigo,
já bem delineou a questão:

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DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE
AUTOMOBILISTICO. CULPA EXCLUSIVA DE TERCEIRO.
AUSENCIA DE COMPORTAMENTO VOLITIVO DO CONDUTOR
DO VEICULO ABALROADOR. INAPLICABILIDADE DOS ARTS.
160, II E 1.520, CC. HIPOTESE DIVERSA DA APRECIADA NO
RESP 18.840-RJ (DJU DE 28.03.94). DENUNCIAÇÃO DA LIDE.
IMPROCEDENCIA DO PEDIDO DEDUZIDO NA AÇÃO PRINCIPAL.
ONUS DA SUCUMBENCIA. PRECLUSÃO. RECURSO
DESACOLHIDO.

I - NÃO HA DE ATRIBUIR-SE RESPONSABILIDADE CIVIL AO


CONDUTOR DE VEICULO QUE, ATINGIDO POR OUTRO,
DESGOVERNADO, VEM A COLIDIR COM COISA ALHEIA,
PROVOCANDO-LHE DANO, SENDO TAL SITUAÇÃO DIVERSA
DAQUELA EM QUE O CONDUTOR DO VEICULO, AO TENTAR
DESVIAR-SE DE ABALROAMENTO, ACABA POR CAUSAR
PREJUIZO A OUTREM.

II - CASO EM TELA, O PREJUIZO EXPERIMENTADO PELO DONO


DA COISA DANIFICADA NÃO GUARDA RELAÇÃO DE
CAUSALIDADE COM QUALQUER ATITUDE VOLITIVA DO
REFERIDO CONDUTOR, CUJO VEICULO RESTOU ENVOLVIDO
NO ACIDENTE COMO MERO INSTRUMENTO DA AÇÃO
CULPOSA DE TERCEIRO.

III - NOS CASOS EM QUE NÃO OBRIGATORIA A DENUNCIAÇÃO


DA LIDE, AO REU-DENUNCIANTE, UMA VEZ RECONHECIDA A
IMPROCEDENCIA DO PEDIDO DEDUZIDO NA AÇÃO PRINCIPAL,
INCUMBE ARCAR COM O PAGAMENTO DA VERBA HONORARIA
DEVIDA A DENUNCIADA E DAS DESPESAS PROCESSUAIS
RELATIVAS A LIDE SECUNDARIA.

(REsp 54.444/SP, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO


TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 18/10/1994, DJ
21/11/1994, p. 31776)

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O Código Civil deixa claro que estado de necessidade ofensivo é aquele
em que uma pessoa escolhe sacrificar um bem alheio (de valor igual
ao inferior ao protegido) para livrar-se de um perigo iminente causado
por terceiro.

O estado de necessidade defensivo ocorre quando a vítima é quem


causa o perigo. Nesse caso, não há indenização.

É a literalidade da norma:

Art. 188. Não constituem atos ilícitos:

I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um


direito reconhecido;

II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a


pessoa, a fim de remover perigo iminente.

Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente


quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário,
não excedendo os limites do indispensável para a remoção do
perigo.

Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II


do art. 188, não forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à
indenização do prejuízo que sofreram.

Art. 930. No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por


culpa de terceiro, contra este terá o autor do dano ação regressiva
para haver a importância que tiver ressarcido ao lesado.

Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em defesa


de quem se causou o dano (art. 188, inciso I).

O ilustre penalista ROGÉRIO GRECO, com maestria, comenta os


efeitos civis do estado de necessidade:
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O Código Civil, como se percebe pela redação do art. 188, II, não
considera ilícito o ato daquele que atua em estado de necessidade e
que, por se encontrar diante de uma situação de perigo iminente,
vê-se obrigado a deteriorar ou a destruir a coisa alheia ou produzir
lesão a pessoa a fim de remover este perigo.

Contudo, embora o ato não seja considerado ilícito, como ambos os


bens em conflito estão amparados pelo ordenamento jurídico, o
Código Civil permitiu àquele que sofreu com a conduta daquele que
agiu em estado de necessidade obter uma indenização deste último,
correspondente ao prejuízos experimentados.

Na verdade, o legislador civil quer dizer o seguinte: Mesmo que a


conduta do agente que atua em estado de necessidade não seja
ilícita, porque seria uma incongruência o Código Penal considerá-
la lícita, enquanto para o Código Civil seria ilícita, se o terceiro que
sofreu com a conduta do agente não tiver sido o causador da
situação de perigo, permanecerá a obrigação de indenizar os
prejuízos causados.

Caso o perigo tenha sido criado por aquele que sofreu o dano, não
lhe caberá, aqui, direito a indenização.

(GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: vol. I. 18º ed. Rio de


Janeiro: Impetus, 2016, pg. 441)

Hipótese muito diferente é a daquele que é lançado como mero


instrumento contra outrem. O causador direto não fez nenhuma
escolha, não há o aspecto volitivo. Daí diz-se que somente o
causador jurídico deve indenizar, aplicando-se a teoria do corpo
neutro.

4. Síntese conclusiva

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Via de regra, a figura do causador direto e jurídico coincidem. E mesmo
que haja mais de um causador, presume-se a responsabilidade
solidária entre eles.

Cabe ao abalroador direto para eximir-se da culpa (os dois primeiros


requisitos devem ser conjugados): a) que foi lançado como um corpo
neutro, como mero instrumento do ilícito de um terceiro; b) que não
contribuiu, assim, para o evento lesivo e reguardou as normas de
trânsito ou c) o perigo foi causado pela suposta vítima (estado de
necessidade defensivo) e/ou culpa é exclusivamente dela (culpa
exclusiva da vítima).

Ressaltamos que no caso de estado de necessidade ofensivo, deve-se


indenizar a vítima, mas haverá direito de regresso contra terceiro
causador do perigo.

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