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SUPERBETTER

O jogo que te ajuda a viver melhor


Sacadas e dicas do livro comentado por Amanda Carbone

Agência4you
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Sinopse

U
m inovador guia para viver a gamificação, baseado no programa
que já ajudou cerca de meio milhão de pessoas a atingirem um
crescimento pessoal fenomenal. Em 2009, a internacionalmente re-
nomada criadora de jogos Jane McGonigal sofreu uma severa concussão. In-
capaz de pensar claramente, trabalhar ou mesmo sair da cama, ela se tornou
ansiosa, deprimida e até mesmo passou a ter pensamentos suicidas. Mas ao
invés de se deixar afundar mais e mais, ela decidiu ficar melhor usando aqui-
lo que mais gostava de fazer: Transformou seu processo de recuperação em
um jogo fortalecedor de resiliência. O que começou como um simples exer-
cício motivacional, tornou–se rapidamente uma lista de regras para o “cres-
cimento pós–traumático” que ela compartilhou em seu blog. Essas regras
evoluíram para um jogo digital e uma extensa pesquisa com os Institutos
Nacionais da Saúde. Hoje, quase meio milhão de pessoas já jogaram Super-
Better, ficando mais fortes, felizes e saudáveis. Mas as ideias transformado-
ras por trás do SuperBetter são muito maiores do que apenas um jogo. Neste
livro, McGonigal revela uma década de pesquisas científicas sobre a forma
como todos os tipos de jogos — incluindo videogames, esportes e quebra–
cabeças — alteram o modo como respondemos ao estresse, às dificuldades e
à dor. Ela explica como podemos desenvolver novos poderes de recuperação
e resiliência na nossa vida diária simplesmente adotando uma mentalidade
mais “gamificadora”. Ser gamificador significa trazer para os nossos objeti-
vos reais as mesmas virtudes psicológícas que mostramos naturalmente nos
jogos — como otimismo, criatividade, coragem e determinação. Baseada
em centenas de estudos, McGonigal mostra que se tornar SuperMelhor é
tão simples quanto fortalecer as três principais virtudes psicológicas que os
jogos conseguem auxiliar: A habilidade de controlar a sua própria atenção e,
com isso, seus pensamentos e sentimentos. O poder de tornar qualquer pes-
soa em um potencial aliado e melhorar seus relacionamentos já existentes. A 3
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capacidade natural de se automotivar e sobrecarregar suas qualidades heroi-


cas, como força de vontade, compaixão e determinação. SuperBetter contém
cerca de 100 divertidos desafios que qualquer pessoa pode completar a fim
de fortalecer essas virtudes gamificadoras. Ele inclui histórias e dados de
pessoas que usaram o método SuperBetter para se tornar mais fortes frente
a doenças, ferimentos e outros contratempos ou que atingiram objetivos
como perder peso, correr uma maratona ou encontrar um novo emprego.
Por mais utópico que pareça, SuperBetter é um planejamento para uma vida
melhor comprovado por diversos e rigorosos estudos. Você nunca mais dirá
outra vez que algo é “apenas um jogo”.

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Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
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Um jogo que te ajuda


a viver melhor

O
método SuperBetter foi criado para tornar você uma pessoa mais
forte, mais corajosa e mais resiliente. Ele é baseado na ciência dos
jogos — e há muita evidência de que funciona.
Um estudo controlado e aleatório, realizado pela Universidade da Pen-
silvânia comprovou que jogar SuperBetter por trinta dias reduz significati-
vamente sintomas de depressão e ansiedade, além de aumentar o otimismo,
a interação social e a convicção dos jogadores em sua própria habilidade de
obter sucesso e alcançar seus objetivos. O estudo também comprovou que
as pessoas que seguiram as regras do SuperBetter por um mês se tornaram
significativamente mais felizes com suas vidas.
Um teste clínico financiado pelos Institutos Nacionais da Saúde e reali-
zado no Centro Médico Wexner da Universidade do Estado de Ohio e no
Hospital das Crianças de Cincinnati descobriu que o método SuperBetter
melhora o humor, diminui a ansiedade e o sofrimento, além de fortalecer as
relações familiares durante a reabilitação e recuperação.
Ao mesmo tempo,  dados coletados de mais de 400.000 jogadores de
SuperBetter me ajudaram a melhorar o método, tornando–o mais fácil de
se aprender e mais divertido de se jogar na vida diária.
Todos os dias nos últimos cinco anos eu ouvi de alguém que o méto-
do SuperBetter mudou sua vida. Meu maior desejo é que SuperBetter aju-
de você a enfrentar seus mais difíceis desafios e buscar seus maiores sonhos,
com mais coragem, criatividade, otimismo e apoio.
Mas, muita atenção: O método SuperBetter não substitui exames clíni-
cos ou tratamentos médicos. Muitos dos mais bem sucedidos jogadores de
SuperBetter — incluindo a maioria dos participantes da Universidade da
Pensilvânia e todos os participantes dos testes clínicos — seguiram o mé-
todo SuperBetter juntamente com alguma forma de orientação, medicação, 5
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reabilitação ou com a supervisão de um médico.  O Método SuperBetter


NÃO é uma alternativa à terapia, orientação, tratamento médico em an-
damento ou medicação — nenhum dos jogos recomendados ou discutidos
neste jogo é.

Agora que você já sabe, vamos jogar!

Viver significa enfrentar desafios como excesso de trabalho, falta de


tempo, problemas de saúde e desilusões amorosas. Para Jane McGonigal,
criadora do jogo SuperBetter, manter bons hábitos pode ser a chave para
driblar esses empecilhos e viver melhor.

Você está Você é o


Você é mais cercado de herói da
forte do potenciais sua própria
que pensa. aliados. história.

Essas três qualidades são tudo de que necessita para ser mais feliz, cora-
joso e resiliente ao enfrentar qualquer desafio.
E aqui a boa notícia: Você já tem essas qualidades dentro de si. Você não
tem que mudar nada. Você já é mais poderoso do que imagina.
Você tem a habilidade de controlar sua atenção — e, consequentemente,
seus pensamentos e sentimentos.
Você tem a força de encontrar apoio nos lugares mais inusitados e inten-
sificar seus relacionamentos já existentes.
Você tem uma capacidade natural de se motivar e sobrecarregar suas
qualidades heroicas, como força de vontade, compaixão e determinação.
Este jogo o ajudará a entender os poderes que você já tem — e vai mos-
trar que acessar esses poderes é tão fácil quanto jogar um jogo.
E, mesmo assim, este jogo não é sobre jogar um jogo — ao menos, não
exatamente. É sobre aprender como se gamificar em momentos de extremo
estresse e desafio pessoal.
Gamificar significa trazer à sua vida real os pontos fortes psicológicos
que você naturalmente apresenta quando joga algum jogo — como oti- 6
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mismo, criatividade, coragem e determinação. Isso significa fortalecer sua


resiliência para enfrentar desafios cada vez mais difíceis, obtendo grandes
sucessos.
O melhor modo de explicar o que significa a gamificação — e como isso
pode torná–lo mais forte, feliz e corajoso — é contar–lhe uma história. É
a história de como eu criei o método SuperBetter — e o desafio de vida ou
morte que tive de vencer para conseguir escrever este livro.

História da autora

No verão de 2009, eu bati a cabeça e sofri uma concussão. O ferimento


não se curou completamente e, após trinta dias, ainda sentia dores de cabe-
ça, náuseas e vertigens. Eu não conseguia ler ou escrever mais que alguns
minutos por dia. Tinha dificuldade para me lembrar de coisas. Quase todos
os dias eu me sentia tão mal que nem saía da cama. Estava numa completa
confusão mental. Esses sintomas me deixavam mais ansiosa e deprimida do
que já havia sido em toda a minha vida.
Eu tinha problema para descrever claramente a familiares e amigos o
que estava sentindo. Pensei que, caso conseguisse escrever alguma coisa,
ajudaria. Lutei muito para juntar algumas palavras que fizessem sentido e
esse foi o resultado:

Tudo é difícil.

Um punho de ferro está empurrando meus pensamentos.

Todo o meu cérebro parece pressurizado a vácuo.

Se eu não souber quem sou?


Infelizmente, não há tratamento para síndrome pós–concussional. Você
deve apenas descansar o máximo que puder e ter esperança de melhorar.
Disseram que eu poderia continuar daquele jeito por meses ou mesmo anos.
Tinha uma coisa que eu poderia fazer para tentar me curar mais rápi-
do. Meu médico disse que eu deveria evitar tudo que desencadeasse meus
sintomas. Isso queria dizer: nada de leituras, escritas, corridas, videogames, 7
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trabalhos, emails, bebidas alcoólicas ou cafeína. Eu até brinquei, quando ele


falou isso: “Em outras palavras, nenhuma razão para viver”.
Havia um pouco de verdade naquela piada. Eu não sabia naquela época,
mas o desejo de se suicidar é bem comum entre pacientes com danos cere-
brais — mesmo os de meia–idade, como eu. Acontece numa proporção de
um para três. E aconteceu comigo. Meu cérebro começou a me dizer: Jane,
você quer morrer. Você nunca vai melhorar. A dor nunca vai acabar. Você
vai se tornar um fardo para o seu marido.
Essas vozes se tornaram tão persistentes e persuasivas que comecei a ver-
dadeiramente temer pela minha vida.
E então algo aconteceu. Tive um pensamento claro como água que mu-
dou tudo. Trinta e quatro dias depois de bater minha cabeça — e nunca vou
me esquecer desse momento — eu disse a mim mesma: Ou eu vou acabar
me matando ou vou transformar isso em um jogo.
Por que um jogo? Na época em que bati a cabeça em 2009, eu estava
pesquisando a psicologia dos jogos por quase uma década. Na verdade, fui
a primeira pessoa do mundo a conseguir um doutorado estudando os pon-
tos fortes psicológicos dos jogadores e como essas características podem ser
usadas para resolver problemas do mundo real. Eu sabia pelos meus anos
de pesquisas na Universidade da Califórnia em Berkeley que, ao jogar um
jogo, enfrentamos duros desafios com mais criatividade, determinação e
otimismo. Também temos mais possibilidade de conseguir ajuda de outras
pessoas. E eu queria trazer essas características de gamificação para o grande
desafio da minha vida real.
Então eu criei um simples jogo de recuperação chamado “Jane, A Matadora
de Concussões”. Essa se tornou a minha identidade secreta, um modo de come-
çar a me sentir mais heroica e determinada, ao invés de perder as esperanças.
A primeira coisa que fiz como matadora de concussões foi chamar minha
irmã gêmea, Kelly, e dizer a ela: “Eu estou jogando um jogo para curar o
meu cérebro e quero que você jogue comigo”. Esse foi um jeito muito fácil
de pedir ajuda. Ela se tornou minha primeira aliada no jogo. Meu marido,
Kiyash, foi o próximo.
Juntos, nós achamos e lutamos contra os caras maus. Eles eram qualquer
coisa que poderia desencadear meus sintomas e, com isso, desacelerar o pro-
cesso de cura — coisas como luzes brilhantes e espaços lotados.
Nós também coletamos e ativamos itens de energia. Esses eram qualquer
coisa que eu poderia fazer e que me deixariam ao menos um pouquinho 8
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melhor ou feliz ou poderosa, até nos meus dias mais difíceis. Alguns dos
meus itens de energia favoritos eram afagar meu cachorro por cinco minu-
tos, comer nozes (boas para o meu cérebro) e dar a volta no quarteirão duas
vezes com meu marido.
O jogo era simples assim: adotar uma identidade secreta, recrutar alia-
dos, derrotar os caras maus e ativar itens de energia. Mas, mesmo com um
jogo tão simples, poucos dias após começar a jogar, aquela névoa de depres-
são e ansiedade foi embora. Ela simplesmente sumiu. Para mim, parecia um
milagre.  Não  foi uma cura milagrosa para as dores de cabeça ou para os
sintomas cognitivos — eles duraram por mais de um ano e esse foi o período
mais difícil da minha vida, sem dúvida alguma. Mas, mesmo ainda apre-
sentando os sintomas, mesmo ainda sentindo dor, eu parei de sofrer. Senti
que tinha mais controle do meu destino. Meus familiares e amigos sabiam
exatamente como me ajudar e apoiar. E comecei a me ver como uma pessoa
muito mais forte.
O que aconteceu a seguir com o jogo me surpreendeu. Após alguns me-
ses, escrevi em um blog e postei um vídeo online explicando como jogar.
Nem todo mundo tinha uma concussão e nem todo mundo queria ser “o
matador”, então eu renomeei o jogo como SuperBetter.
Por que SuperBetter? Todo mundo me dizia para “ficar boa logo ” quan-
do eu estava me recuperando da concussão, mas eu não queria só ficar me-
lhor, do modo como me sentia antes. Eu queria ficar supermelhor: mais feliz
e mais saudável do que era antes do ferimento.
Logo eu comecei a ouvir de pessoas por todo o mundo que estavam
adotando suas próprias identidades secretas, recrutando seus companheiros
e enfrentando seus caras maus. Elas estavam ficando “supermelhores” em
enfrentar desafios como depressão e ansiedade, cirurgias e dores crônicas,
enxaquecas e a doença de Crohn, curando um coração partido ou encon-
trando um emprego após anos desempregados. Algumas pessoas estavam
jogando até para casos extremamente sérios, mesmo casos terminais, como
câncer em estágio avançado e esclerose lateral amiotrófica (ELA). E eu pude
ver, pelas suas mensagens e vídeos, que o jogo as estava ajudando do mesmo
jeito que havia me ajudado.
Esses jogadores falavam sobre se sentirem mais fortes e corajosos. Di-
ziam que seus familiares e amigos os compreendiam melhor após o jogo.
E diziam estar mais felizes, mesmo sentindo dores e enfrentando os mais
difíceis desafios de suas vidas. 9
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Foi aí que eu pensei comigo mesma: O que está acontecendo aqui? Como


pode um jogo tão aparentemente banal, tão reconhecidamente simples, in-
tervir de um modo tão poderoso em casos sérios e até mesmo de vida ou
morte? Para ser honesta, se eu não tivesse vivenciado por conta própria,
nunca acreditaria que fosse possível.
Quando me recuperei o suficiente para pesquisar, mergulhei na litera-
tura científica. E foi isso que descobri: algumas pessoas se tornam mais
fortes e felizes após um acontecimento traumático. E era isso que estava
acontecendo conosco. O jogo estava nos ajudando a experimentar o que os
cientistas chamam de crescimento pós–traumático, que não é algo que nós
ouvimos normalmente. Ao contrário, costumamos ouvir sobre transtorno
de estresse pós–traumático, no qual os indivíduos experimentam ansiedade
e depressão contínuas.
Mas as pesquisas mostraram que eventos traumáticos nem sempre levam
a dificuldades a longo prazo. Ao invés disso, alguns indivíduos descobriram
que lutar contra circunstâncias altamente desafiadoras na vida os ajuda a
liberar suas melhores qualidades e eventualmente leva a uma vida mais feliz.
Para lhe dar uma ideia melhor de como é um crescimento pós–traumático,
aqui estão as cinco coisas que as pessoas que passaram por isso mais dizem:

1. Minhasprioridades mudaram. Eu não tenho mais medo de fazer aquilo


que me deixa feliz.

2. Eu me sinto mais próximo dos meus familiares e amigos.

3. Eu me entendo melhor. Sei quem eu realmente sou agora.

4. Eu sinto um novo significado e objetivo na minha vida.

5. Eu consigo me focar melhor nos meus objetivos e sonhos.

Juntas, essas cinco características representam uma poderosa e positiva transfor-


mação. Mas é ainda melhor. Na verdade, há uma coisa espantosa sobre os benefícios
do crescimento pós–traumático, algo que eu notei no decorrer da minha pesquisa.
Alguns anos atrás, Bonnie Ware, uma trabalhadora de um hospício
australiano, publicou um artigo chamado  Arrependimentos dos Mo-
ribundos (Regrets of the Dying). Ware os conhecia bem — ela tinha 10
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passado uma década cuidando de pacientes até o fim de suas vidas. Ela
escreveu que os mesmos arrependimentos eram repetidos constantemen-
te pelos seus pacientes, ano após ano — e, depois de publicar o artigo,
centenas de funcionários e zeladores de hospícios por todo o mundo
confirmaram que acontecia a mesma coisa com eles. Haviam ouvido os
mesmos cinco arrependimentos por anos a fio. Aparentemente, eles são
quase universais. Nem todo mundo tem arrependimentos no seu leito
de morte — porém, se tiver, é quase certo que será ao menos um dos
seguintes:

1. Eu não deveria ter trabalhado tanto.

2. Eu deveria ter mantido contato com meus amigos.

3. Eu deveria ter me deixado ser mais feliz.

4. Eu deveria ter tido a coragem de expressar meu verdadeiro eu.

5. Eu
deveria ter vivido a vida de acordo com meus sonhos, ao invés de fazer
aquilo que os outros esperavam de mim.

Pense nisso por um momento. Você teve o mesmo momento “Aha!” que
eu tive, dois anos atrás quando li o artigo pela primeira vez?
De fato, os cinco maiores arrependimentos das pessoas que estão para morrer
são o exato oposto das cinco maiores experiências do crescimento pós–traumático.
Com o crescimento pós–traumático, encontramos a força e a coragem para fazer as
coisas que nos deixam felizes, passar a nos conhecer melhor e conseguir expressar
nosso verdadeiro eu. Nós priorizamos as amizades e os trabalhos que nos inspiram.
A propósito, crescimento pós–traumático não é o oposto de transtorno de
estresse pós–traumático. Muitas pessoas que sofrem deste último também ex-
perimentam crescimento pós–traumático. Os dois não são mutuamente exclu-
sivos de maneira nenhuma. Na verdade, um estudo constatou que sintomas de
estresse pós–traumático indicam um eventual crescimento pós–traumático —
provavelmente porque um crescimento que transforma verdadeiramente requer
que se lute de uma forma profunda e contínua contra algo muito complicado.
Se conseguirmos vencer facilmente, não há crescimento. 11
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Um desafio pessoal extremo — se reagirmos adequadamente — ativa


nossa habilidade de viver a vida de acordo com o que sonhamos e livre de
arrependimentos. Colocado desse modo, o crescimento pós–traumático —
ou se tornar SuperBetter — parece ser o melhor candidato para a desejada
transformação pessoal que qualquer pessoa poderia querer.
Mas como você muda de extremo estresse ou trauma para esses cin-
co benefícios? Pesquisas mostram que nem todo mundo que passa por um
trauma apresenta crescimento pós–traumático. Então, qual exatamente é o
processo certo?
Mais importante, há alguma forma de experimentar esses benefícios sem
sofrer um trauma? Estou certa de que ninguém quer sofrer uma terrível per-
da, ferimento, doença ou qualquer outro tipo de trauma só para conseguir
esses benefícios. Mas, ao mesmo tempo, quem não quer uma vida de sonhos
e sem arrependimentos?
E assim eu iniciei outros dois anos de pesquisa. E foi isso que eu descobri:
você podeexperimentar os benefícios do crescimento pós–traumático sem sofrer
um trauma, se estiver disposto a superar um grande desafio em sua vida —
como correr uma maratona, escrever um livro, iniciar um negócio, tornar–se
pai, parar de fumar ou realizar uma jornada espiritual. Os pesquisadores cha-
mam isso de crescimento pós–extático. Ann Marie Roepke, a psicóloga clíni-
ca residente que primeiro identificou o fenômeno em sua tese de doutorado
na Universidade da Pensilvânia, descreve–o como “ganho sem dor” — ou, ao
menos, uma dor bem menor. Funciona da mesma maneira que o crescimento
pós–traumático, exceto pelo fato de que você escolhe o seu desafio. Ao invés de
esperar a vida lhe atirar um terrível trauma, você pode cultivar o crescimento
pós–extático a qualquer momento, bastando empreender intencionalmente um
projeto ou missão que gere estresse e desafios significativos a você. Essa estres-
sante aventura escolhida cria as condições necessárias para você lutar e crescer
tanto quanto uma pessoa que esteja enfrentando um trauma.
Então se crescimento pós–traumático e crescimento pós–extático fun-
cionam do mesmo jeito, qual exatamente é o processo? O que faz a diferença
entre se curvar perante estresse extremo e se erguer por causa dele?
É aí que as pesquisas ficam realmente empolgantes — ao menos para
uma criadora de jogos como eu.
Acontece que há sete modos de pensar e agir que contribuem para o
crescimento pós–traumático e pós–extático. E eles são os modos como nor-
malmente pensamos e agimos quando jogamos um jogo. 12
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1. Adote uma mentalidade de desafios. É preciso que você queira superar obstácu-
los e passe a olhar eventos estressantes da sua vida como um desafio e não uma
ameaça. Nos jogos, nós chamamos isso de “aceitar o desafio e jogar”.

2. Procure o que o torna mais forte e feliz. Quando você está enfrentando um
desafio difícil, precisa de acesso constante a emoções positivas, além de cui-
dar da sua própria saúde. Nos jogos, praticamos essa regra coletando “itens
de energia”, que nos tornam mais fortes, rápidos e poderosos.

3. Lute por flexibilidade psicológica. Esteja aberto a experiências negativas,


como dor ou falha, desde que elas o ajudem a aprender ou o aproximem
do seu objetivo maior. Seja movido por coragem, curiosidade e o desejo de
melhorar. Nos jogos, seguimos esta regra sempre que enfrentamos inimigos
difíceis, ou os “caras maus”, sabendo que podemos falhar várias vezes antes
de nos tornarmos espertos ou habilidosos o suficiente para vencer.

4. Comprometa–se a agir. Dê pequenos passos na direção do seu objetivo


maior, dia após dia. Comprometer–se a agir significa que você tenta dar
um passo à frente, mesmo que seja difícil. Significa sempre manter seus
olhos no objetivo final. Nos jogos, temos uma estrutura para isso. Ela é
chamada de “Missão” e nos ajuda a manter o foco em progredir até o obje-
tivo mais importante.

5. Cultive conexões. Tente encontrar ao menos duas pessoas para quem você pos-
sa pedir ajuda e falar honestamente sobre os seus desafios e dificuldades. Em
jogos cooperativos, nós praticamos a arte de fazer “aliados” — pessoas que
entendem os obstáculos que estamos enfrentando e que podem nos ajudar.

6. Descubra a história heroica. Pense na sua vida e encontre momentos heroi-


cos. Foque na força que você mostrou e no significado e propósito das suas
batalhas. Nos jogos, histórias heroicas estão por toda parte. Várias vezes,
nós assumimos uma “identidade secreta” de personagens heroicos como
parte da jornada. Suas histórias nos inspiram e motivam, fazendo com que
nos esforcemos para nos tornar melhores versões de nós mesmos.

7. Aprenda a habilidade de perceber benefícios. Esteja ciente de bons resulta-


dos que podem surgir mesmo de estresse ou dificuldades. Nos jogos, temos 13
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a noção de “vitórias épicas”, ou resultados extremamente positivos que po-


dem aparecer quando você menos espera, das situações mais improváveis
ou assustadoras.

Não me surpreende que SuperBetter funcione tão bem para tantas pes-
soas! Uma vez que você entenda a ciência, faz total sentido. É claro que uma
criadora de jogos como eu desenvolveria um sistema que utilizasse modos
de pensar e agir voltados para a gamificação. Eu não sabia na época, mas
o SuperBetter era, em sua essência, um roteiro perfeito para o crescimento
pós–traumático e pós–extático. Não porque eu era genial, mas porque eu
era uma boa criadora de jogos e todos os bons jogos nos fazem treinar os sete
modos de pensar e agir que nos ajudam a transformar estresse e dificuldades
em experiências positivas.
Essas sete regras compõem o sistema SuperBetter e são o coração deste livro:

1 Desafie-se

2 Colete e ative itens de energia.

3 Encontre e enfrente os caras maus.

4 Procure e complete missões.

5 Recrute seus companheiros.

6 Adote uma identidade secreta.

7 Obtenha uma vitória épica. 14


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Se você já estiver enfrentando um desafio intenso — doença, ferimento,


perda, alguma luta pessoal, — seguir essas regras não apenas o ajudarão a
lidar com ele; você também estará mais propenso a vivenciar os benefícios
do crescimento pós–traumático.
Se você não estiver enfrentando alguma dificuldade extremamente estressante
neste momento, mas ainda deseja se tornar mais forte, feliz, corajoso e resiliente,
tome para si mesmo um objetivo significativo e desafiador — e siga essas regras en-
quanto tenta conquistá–lo. Você terá a satisfação de fazer algo extraordinário e ain-
da começará a desfrutar dos benefícios do crescimento pós–extático.
Se eu pareço muito confiante de que você pode transformar sua vida
para melhor com uma mentalidade de gamificação e o método SuperBetter,
é porque é verdade.
Desde que eu criei o SuperBetter, mais de 400.000 pessoas jogaram a
versão online do jogo. Nós registramos cada item de energia que elas ativa-
ram, cada inimigo que elas enfrentaram e cada missão que elas completa-
ram — assim nós sabemos o que está funcionando e o que não está. Eu me
juntei a cientistas e analisamos todas as informações que reunimos desses
400.000 jogadores nos últimos dois anos.
Eu queria respostas para algumas das questões que você pode ter:
Para quem o método SuperBetter pode funcionar? Virtualmente para
qualquer um — jovem ou idoso, homem ou mulher, jogador experiente ou
alguém que nunca encostou em um videogame em toda a vida.
Por quanto tempo você precisa jogar seguindo as sete regras antes de
começar a se sentir mais forte, feliz e corajoso? Nossos estudos indicam me-
lhorias consideráveis após duas semanas e resultados ainda melhores dentro
de quatro a seis semanas.
E mais importante, esses benefícios são duradouros? Tanto quanto sabe-
mos, sim. Esse método foi desenvolvido poucos anos atrás, mas acompanha-
mos jogadores bem–sucedidos por seis meses, um ano e, quando possível,
dois anos após começarem a jogar. Descobrimos que o método de pensar e
agir dos jogadores são habilidades que, uma vez aprendidas, provavelmente
nunca mais deixam de ser usadas.
Esperei cinco anos para escrever este livro porque eu queria ter certeza abso-
luta de que o método de gamificação funciona. Eu esperei até que as primeiras
pesquisas sobre os benefícios dos jogos se tornassem estudos maiores, mais ro-
bustos. Esperei que cientistas de vários campos de atuação diferentes, incluindo
neurocientistas e psicólogos comportamentais, tecessem suas teorias de como 15
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a mentalidade de gamificação pode ajudar. E mais importante, eu esperei até


ter a oportunidade de me unir aos próprios cientistas e estudar rigorosamente
o método SuperBetter — e estudei através de testes aleatórios e controlados
na Universidade da Pensilvânia e testes clínicos no Centro Médico Wexner da
Universidade do Estado de Ohio e no Hospital das Crianças de Cincinnati.
Você pode ler sobre esses testes no capítulo “Sobre a Ciência”, ao final deste livro.
Nesses cinco anos, não houve um dia sequer em que eu não tenha rece-
bido um email ou mensagem no Facebook de uma pessoa dizendo o quanto
o SuperBetter a inspirou ou ajudou sua família.
E recebi isso das mais variadas pessoas, como Norman J. Cannon, um
comandante da força aérea:

Eu estava no comando de um esquadrão composto por 2.000 pes-


soas e queria falar com elas sobre resiliência. Em 2002, minha esposa
havia caído da escada e sofrido uma severa concussão. Ela teve os mes-
mos pensamentos e experiências que você mencionou. Eu lhe mostrei
o seu vídeo sobre o SuperBetter. Ela chorou enquanto assistia, per-
cebendo que alguém a entendia. E então eu resolvi mostrar esse mes-
mo vídeo para todos os 2.000 militares e empregados civis em uma
reunião que tive. Ele atingiu profundamente várias dessas pessoas.

Eu recebi mensagens de pais, como Michelle T., uma mãe da Vir-


gínia Ocidental:

Meu filho de 13 anos tem diabetes tipo 1 e era EXATAMEN-


TE isso que eu estava procurando. Nossa família criou o nosso próprio
grupo de super–heróis e a mudança emocional que eu vejo no meu filho é
esplêndida! Eu tenho o meu filho de volta! Muito obrigada!

E eu recebi mensagens de pacientes, como Jessica MacDonald, na época


uma assistente administrativa de 30 anos de Denver que jogou SuperBetter
enquanto batalhava contra múltiplas cirurgias e tinha de ficar hospitalizada
por causa de uma grave infecção por estafilococos:

Quando você está doente ou machucada, o mundo se torna um monte


de “não pode”. Não posso levantar isso por causa do antibiótico I.V.
no meu braço. Não posso ir àquele evento porque estou muito cansa- 16
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da. Não posso trabalhar porque estou tomando medicamentos suficientes


para matar um cavalo e quase nem lembro mais qual é o meu nome. Um
milhão de vezes por dia as palavras não pode passam pela sua mente e
matam um pedacinho da sua alma. Se eu tivesse que escolher o princi-
pal benefício desse jogo, seria esse: SuperBetter transforma não pode em
pode. É claro que há aquelas coisas que você não tem permissão ou não
deveria fazer, mas você para de se focar nas suas limitações. Você passa
a perceber coisas e celebrar suas conquistas.

Jéssica convidou seus médicos e enfermeiros para serem seus aliados e


eles também tinham várias coisas para dizer sobre o jogo:

A pergunta que todo mundo faz é “Isso ajuda a acelerar sua recu-
peração?” Eu não digo inequivocamente que melhorei mais rápido por
causa desse jogo, mas eu vou falar o que o meu médico infectologista me
disse. Em quase cinquenta anos de profissão, ele disse que chegou a uma
conclusão: As atitudes dos pacientes influenciam de forma extrema o
processo de recuperação. Ele me disse: “Eu não sei se você vai melhorar
mais rápido, mas você vai melhorar melhor”.

Não importa se você é um jogador de longa data ou se nunca jogou um


videogame antes. Não importa se você prefere esportes, jogos de cartas ou
de tabuleiro aos jogos digitais. Qualquer que seja a sua história com os jogos,
você tem a capacidade de desenvolver seus pontos fortes jogando algum jogo
— e você pode aprender a fazer com que esses pontos fortes o ajudem com
os desafios da sua vida real.
Muitas pessoas veem os jogos como nada além de uma distração —
ou pior, um vício que faz com que as pessoas percam tempo. Mas eu os
vejo de forma diferente — e não apenas por causa da minha experiência
com o SuperBetter. Eu tenho estudado a psicologia dos jogos por quase
quinze anos. Estudei jogos que diminuem a ansiedade, suavizam a de-
pressão, evitam as dores e tratam transtornos de estresse pós–traumáti-
co. Eu analisei jogos que aumentam a força de vontade, elevam a autoes-
tima, aumentam a atenção e fortalecem os relacionamentos familiares.
As diversas evidências científicas sobre os jogos vindas dos campos da
psicologia, medicina e neurociência mudaram minha ideia sobre o que
os jogos são — e o que eles podem nos ensinar. Jogos não são só uma 17
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fonte de entretenimento. Eles são um modelo de como nos tornarmos


uma versão melhor de nós mesmos.
Eu quero que você também olhe para os jogos de uma forma diferente.
Quero que você descubra as conexões entre os pontos fortes que você natu-
ralmente exibe ao jogar e os pontos que você precisa para ser feliz, saudável e
bem–sucedido na vida real. Para ser mais específica, eu quero que você veja
os jogos como uma oportunidade de praticar as sete habilidades transfor-
madoras que vão tornar você uma pessoa mais forte em todos os aspectos:
mentalmente, emocionalmente, fisicamente e socialmente.
Você não precisa ser apaixonado por jogos para ativar seus pontos fortes na
vida diária, mas se você gosta deles ou joga qualquer jogo regularmente — golfe,
pôquer, caça–palavras, futebol, Candy Crush, paciência, sudoku, — você prova-
velmente já mantém um contato maior com seus pontos fortes de gamificação.
Para viver uma vida mais gamificada, você só tem que estar aberto a
aprender sobre a psicologia dos jogos — e querer experimentar novos meios
de pensar e agir que podem aumentar sua resiliência natural.
O jeito mais fácil que eu conheço de fazer com que você veja os jogos — e
suas próprias capacidades — de maneira diferente é jogando um jogo com você.
Então vamos jogar juntos — aqui e agora.

Eu desafio você a completar


quatro missões transformadoras
nos próximos cinco minutos.

Não se preocupe, é mais fácil do que parece. Eu observei algumas pes-


soas incríveis completarem as mesmas quatro missões que você está para
aceitar — incluindo Oprah Winfrey, o lendário skatista e empresário Tony
Hawk e o coronel Bat Masterson, o cirurgião geral das forças armadas dos
Estados Unidos. Se eles podem fazer isso, você também pode.
Essas são as quatro primeiras missões que todo jogador de SuperBetter
completa. Eu garanto que, se você completar todas elas, daqui a cinco mi-
nutos já será uma pessoa mais forte — mentalmente, emocionalmente, fisi-
camente e socialmente. Você também terá uma ideia muito melhor de como
este livro pode ajudá–lo a desenvolver as suas qualidades de gamificação.
Preparado? Então vamos! 18
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Objetivo

O objetivo do game é fazer o usuário cumprir várias tarefas rápidas


que melhoram a rotina, como beber bastante água, andar mais a pé e abra-
çar a si mesmo. Além disso, o jogador precisa enfrentar vilões como autocrí-
tica exacerbada, sedentarismo e egoísmo.
Quem cumpre as tarefas direitinho alcança uma vitória épica, que pode
ser, por exemplo, parar de fumar, se recuperar de um divórcio difícil ou se
restabelecer após algum tipo de trauma. O SuperBetter, portanto, te deixa
mais forte de verdade.
O SuperBetter é, também, indicado para pessoas que sofrem com pro-
blemas emocionais. Ansiedade e depressão podem ser controladas por meio
das tarefas diárias, que visam restabelecer a autoestima, fazendo a pessoa
acreditar no seu potencial. O usuário pode, também, se tornar mais orga-
nizado e menos estressado, já que adotará hábitos de vida mais saudáveis.
No caso de problemas físicos, o jogo auxilia na superação de traumas
causados por acidentes, ou até mesmo na diminuição de dores resultantes
de doenças crônicas. Jane é prova de que o SuperBetter pode auxiliar pessoas
que passam por esses infortúnios a viver melhor.
Em 2009, precisava se recuperar de um acidente que causou uma lesão
em seu cérebro. Tinha dificuldades de concentração e acabava sofrendo para
enfrentar as tarefas do dia a dia. A ideia de desenvolver o projeto surgiu
nesse momento.
Como especialista em jogos, pensou em uma plataforma que trouxesse
motivação para superar diferentes obstáculos. Outras pessoas ficaram inte-
ressadas e o resultado foi o SuperBetter.

Ajuda mútua e empatia

Quando jogamos qualquer tipo de game, precisamos dispor de alguns


artifícios, como coragem, determinação e criatividade. No caso do Super-
Better, o raciocínio é o mesmo. Você irá reunir suas melhores qualidades,
enfrentar desafios, vilões e vencer. Nesse caso, no entanto, é tudo real. Tudo
o que acontece dentro do jogo é aplicado no seu cotidiano.
19
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

O SuperBetter não é feito para ser jogado sozinho. É possível convidar


parceiros que ajudam a completar as tarefas, chamando amigos do Face-
book ou encontrando outros jogadores dentro do jogo. Essa é uma forma
de desenvolver empatia entre as pessoas, que passam a caminhar juntas por
uma vida melhor, ajudando–se de forma mútua.
Além disso, quem atinge seus objetivos é classificado como fonte de ins-
piração para os outros usuários.

“Jogar pode fazer do mundo um lugar melhor”

O SuperBetter que provar que jogar traz felicidade. Para Jane McGonigal,
games como este se propõem a ajudar o jogador a resolver problemas pessoais,
realizar projetos e ser mais feliz. Os jogos podem trazer soluções para resolver os
problemas do mundo real. Praticar pode ser útil para o desenvolvimento da me-
mória e da percepção, além de incentivar a resolução de problemas. Esta visão dos
games como algo útil — em vez de perda de tempo – vem sendo reforçada por
pesquisas mostrando que praticar determinados jogos pode melhorar a memória e
a percepção. Isso vem estimulando a criação de jogos didáticos e de outros elabo-
rados especialmente para desenvolver habilidades mentais. Agora, é a vez dos jogos
de autoajuda. Alguns deles foram elaborados sob encomenda para fins didáticos
ou de publicidade. Outras empresas já tiveram a iniciativa de desenvolver jogos
que aprimorar as habilidades mentais e são didáticos, ou seja, têm o objetivo de en-
sinar. World Of Warcraft, por exemplo, é um jogo de fantasia que dá aos jogadores
habilidades para salvarem mundos, aprendendo hábitos de heróis.
Há, também, jogos que têm foco no aprendizado de uma habilidade es-
pecífica, como falar uma nova língua. O aplicativo MindSnacks, por exem-
plo, conta com nove jogos que podem ser usados por adultos e crianças que
desejam aprender francês.

Visão de Jane

Num vídeo de divulgação de seu jogo SuperBetter, Jane conta que teve


a ideia de desenvolvê–lo enquanto se recuperava de um acidente em 2009. 20
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Uma lesão em seu cérebro tornava difícil concentrar–se e causava sofrimen-


to. Sendo uma especialista em jogos, ela buscou neles a motivação para
superar essa dificuldade e se restabelecer. Jane elaborou um primeiro jogo
com esse objetivo e notou que outras pessoas se mostraram interessadas. O
projeto cresceu até se tornar o SuperBetter, um jogo social de autoajuda.
No jogo, os vilões são obstáculos encontrados pelo jogador em sua vida
real. Ele vai realizando uma série de tarefas rápidas a cada dia com o obje-
tivo de fortalecer–se. Depois de algum tempo, pode conseguir o que Jane
chama de uma vitória épica. Pode ser algo como deixar de fumar ou, como
aconteceu com ela, recuperar–se de um acidente. O tempo todo, o que se
passa no computador espelha a vida real da pessoa.
O jogador do SuperBetter pode compartilhar suas vitórias com outros
jogadores, de modo que elas sirvam de motivação para eles. Assim, há enco-
rajamento mútuo entre os praticantes. Durante o desenvolvimento do jogo,
Jane e sua equipe contaram com o aconselhamento de médicos e psicólogos,
incluindo professores de universidades prestigiadas. 

Curiosidades

O SuperBetter não é o único jogo na linha da autoajuda. Os fundadores do


Twitter Biz Stone, Evan Williams e Jason Goldman, por exemplo, anunciaram,
no ano passado, que estavam investindo no projeto Lift, que, pela descrição,
também vai no caminho do aprimoramento pessoal. Já o Unstuck, lançado no
ano passado em forma de aplicativo para o iPad, procura ajudar o jogador a sair
de uma situação onde ele se sente paralisado frente a um grande desafio. Se esses
primeiros títulos fizerem sucesso, pode–se prever que muitos outros virão.

SuperBetter. Um jogo que ajuda no tratamento


da ansiedade e depressão

O jogo SuperBetter já ajudou meio milhão de pessoas no seu crescimento


pessoal e nos seus desafios do cotidiano. Aqui alguns motivos para usar o
SuperBetter. 21
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

1. Ajuda
a adotar novos hábitos, desenvolver novos talentos, melhorar rela-
cionamentos.

2. Ajudana depressão e ansiedade, assim como outras doenças mentais crôni-


cas, estresse pós traumático e dores físicas.

3. Superar
mudanças dramáticas na vida pessoal como divórcio, mudança de
emprego, perdas e desafios.

4. Terapeutasestão recomendando o jogo para pacientes, empresas e outros


profissionais fazem uso para aumentar a criatividade.

O jogo começa agora


Aqui está a sua primeira missão transformadora. Eu quero que você a
complete agora mesmo, antes que leia outras coisas.
Não pule esta primeira missão. Repito: NÃO PULE ESTA PRIMEIRA
MISSÃO. Se você pular, ficará tentado a pular outras — e aí o jogo vai
terminar antes mesmo de você começar a jogar. Então aqui vamos nós. Sua
primeira missão — eu sei que você consegue!

MISSÃO 1: Resisiência física

Escolha um:

• Ficar de pé e dar três passos; ou


• Fechar as mãos e colocá-las acima
da sua cabeça o mais alto que você
conseguir por cinco segundos.

VALENDO!

Você fez? Muito bem!


Por completar essa missão, você acabou de aumentar sua resiliência física. 22
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Resiliência física é a habilidade que seu corpo tem de resistir ao estresse e


se curar. E as pesquisas mostram que a coisa mais importante que as pessoas
podem fazer para aumentar sua resiliência física é não ficarem sentadas.
Sempre que você fica sentado por mais de alguns minutos, seu corpo co-
meça a diminuir seu metabolismo. Essa diminuição impacta negativamente
cada aspecto da sua saúde, desde o sistema imunológico à sua habilidade de
lidar com o estresse.
Cada segundo em que não fica sentado, entretanto, você está ativamente
aumentando a saúde do seu coração, pulmões e cérebro. Você também terá
mais energia e dormirá melhor — o que é crucial quando você enfrenta
alguma dificuldade, mesmo que ela não seja exatamente de natureza física.
Então se levante por apenas um segundo. Ande três passos. Jogue seus
braços para o alto. Só precisa disso. Agora você está mais forte fisicamente
do que estava trinta segundos atrás.
Preparado para sua próxima missão?

MISSÃO 2: Resiliência mental

Escolha um:

• Estale seus dedos exatamente


cinquenta vezes; ou
• Conte de trás para frente, de sete
em sete, começando em 100 e
indo até 0. Assim: 100, 93,...

VALENDO!

Feito? Bom trabalho.


Por completar essa missão, você acabou de aumentar sua resiliência mental.
Resiliência mental é motivação, foco e força de vontade — virtudes que
são essenciais para atingir qualquer objetivo.
Pesquisadores descobriram que a força de vontade é como um músculo. Fica
mais forte quanto mais você a exercita — contanto que você não a sobrecarre-
gue. Ultrapassar pequenos obstáculos — mesmo aqueles tão absurdos quanto 23
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

estalar seus dedos exatamente cinquenta vezes ou contar de trás para frente de
sete em sete — ajuda você a exercitar esse músculo sem o sobrecarregar. Isso
significa que é mais provável que você tenha motivação e determinação quando
chegar a hora de enfrentar desafios maiores. Então, meus parabéns: você está
agora mais forte mentalmente do que estava um minuto atrás.
Vamos continuar jogando!

MISSÃO 3: Resiliência emocional

Escolha um:

• Se estiver dentro de casa, vá a uma


janela e olhe para fora por 30 segundos;
se estiver do lado de fora, vá a uma
janela e olhe para dentro; ou
• Procure nas imagens do Google ou
nos vídeos do Youtube o seguinte:
“filhote de [seu animal favorito]”.

VALENDO!

Missão cumprida? Excelente!


Por completar essa missão, você acabou de fortalecer a sua resiliência
emocional.
Resiliência emocional é a habilidade de acessar emoções positivas sempre
que quiser. Não importa que você esteja estressado, entediado, nervoso ou
sentindo dores — quando tem resiliência emocional, consegue escolher se
sentir bem ao invés de mal.
Resiliência emocional é uma virtude particularmente importante. As
pesquisas mostram que, se as pessoas experimentam mais emoções positi-
vas do que negativas, adquirem uma grande variedade de benefícios. Ficam
mais criativas para resolver problemas. Ficam mais ambiciosas e bem–suce-
didas na escola e no trabalho. Ficam menos propensas a desistirem quando
as coisas se tornam difíceis. Ficam mais propensas a receber ajuda dos outros
ao redor para atingirem seus objetivos. 24
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Para conseguir resiliência emocional, você não precisa eliminar as emo-


ções negativas — obviamente, isso é impossível. Você só precisa de emoções
positivas suficientes, ao longo do dia, para sobrepujar as negativas.
Ambas as opções dessa missão são métodos cientificamente comprova-
dos para provocar uma emoção positiva específica. Olhar por uma janela
provoca curiosidade – a emoção positiva que psicólogos definem como “um
desejo de gratificar a mente com novas informações ou objetos de interesse”.
Espero que você tenha visto algo interessante pela janela! Por outro lado,
cientistas demonstraram que olhar para fotos ou vídeos de filhotes de ani-
mais é o suficiente para fazer virtualmente qualquer pessoa sentir a emo-
ção do amor. A fofura dos pequenos animais traz à tona nosso instinto do
carinho! E ainda mais, essa rápida demonstração de amor que acontece ao
se olhar para filhotes de animais não é apenas um bom sentimento, mas
também aumenta a atenção e a produtividade.
Mesmo que sinta a curiosidade ou o amor por apenas alguns segundos,
você ficou mais forte emocionalmente. Aproveite!
Vamos tentar mais uma missão.

MISSÃO 4: Resiliência social

Escolha um:

• Apertar a mão de alguém por ao


menos seis segundos; ou
• Enviar a algum conhecido uma
mensagem de texto, e-mail ou Facebook
com um rápido agradecimento.

VALENDO!

Tudo pronto? Incrível!


Por completar essa missão, você fortaleceu sua resiliência social.
Resiliência social é a habilidade de obter apoio dos seus familiares, ami-
gos, vizinhos e colegas de trabalho. Você se torna capaz de pedir ajuda quan-
do precisar — e tem uma possibilidade maior de conseguir. Apoio social é 25
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

crucial para vencer desafios com sucesso. Você pode tentar sozinho, mas
sua probabilidade de sucesso aumenta dramaticamente quando conta com
a ajuda de alguém.
Há vários modos de aumentar a sua resiliência social. Toque e gratidão
são dois dos mais eficazes.
Estudos mostram que apertar ou segurar a mão de alguém por ao menos
seis segundos aumenta o nível do “hormônio da confiança”, a ocitocina,
tanto no seu organismo quanto no da outra pessoa. Altos níveis de ocitocina
fazem com que vocês queiram se ajudar e proteger. Quanto mais ocitocina
vocês liberarem juntos, maior será o laço que os une.
Além do mais, expressar gratidão é uma das formas mais confiáveis de culti-
var boas emoções e fortes conexões. Gratidão é a mais importante emoção para
fortalecer relacionamentos porque, como explicam os pesquisadores, “ela requer
que vejamos como somos ajudados e apoiados pelas outras pessoas”.
Então tenha você tocado ou agradecido alguém, ficou mais forte social-
mente do que estava uma página atrás. Sucesso!
Eu sabia que você conseguiria: completou quatro missões simples e já está
fortalecendo suas habilidades transformadoras. Está descobrindo que você é, de
fato, mais forte do que pensava, está cercado por potenciais aliados e pode real-
mente se tornar um herói para os outros, apenas usando a sua resiliência natural.
Já está se divertindo? Espero que sim. Porque o meu objetivo é fazer
deste o mais divertido livro que você já leu. Você vai completar mais
uma centena de missões antes de terminar sua leitura. Cada uma é ba-
seada em um avança científico diferente sobre algo que o torna mais
resiliente. E, no início de cada missão, você verá um desses quatro íco-
nes, que indicam se está fortalecendo principalmente a resiliência física,
mental, emocional ou social:

Eu prometo que essas missões vão fazer com que se sinta mais confian-
te, controlado e otimista sobre todos os desafios da sua vida. E, como em
todo jogo, elas vão se tornar mais complicadas quanto mais você avançar. 26
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Tentar completar essas missões é só uma das sete habilidades gamificadoras


que vão ajudá–lo a se tornar mais forte, feliz e corajoso na sua vida diária. Agora
que já provou um pouco de como é adotar uma mente gamificadora, deixe–me
dizer um pouco mais sobre o que você pode esperar desse livro.
Não vou pedir que comece a viver de um jeito gamificador sem estar total-
mente convencido da habilidade dos jogos de resolver problemas reais e transfor-
mar a vida das pessoas. Então, na Parte 1, Por que os jogos nos tornam superme-
lhores?, começaremos com uma visão geral da evidência disso nos jogos. Quais
virtudes eles fortalecem e quais benefícios psicológicos eles trazem? Vamos ver
jogos que aumentam a motivação e a força de vontade, que bloqueiam a sen-
sação de dor física de um jeito mais eficiente que a morfina, que o ajudam a
vencer a ansiedade e a depressão, que podem alterar os seus hábitos alimentares,
desenvolver sua compaixão pelos outros e ajudá–lo a conquistar relações mais
fortes e felizes com familiares e amigos. Muitos dos jogos que discutiremos na
Parte 1 estão disponíveis para você jogar em seu celular ou computador como
uma maneira de praticar e conhecer melhor suas habilidades gamificadoras. En-
tretanto, mesmo que você nunca queira jogar esses jogos, a Parte 1 lhe dará uma
sólida base para entender o que significa ser gamificador. Você saberá exata-
mente o que é necessário para melhorar suas três habilidades mais importantes
de resolver problemas: a capacidade de controlar sua atenção, de fazer aliados e
receber ajuda e de se motivar a fazer o que é realmente importante, mesmo que
seja difícil. Terminaremos explorando as pesquisas de por que alguns jogadores
conseguem trazer dos seus jogos favoritos para a vida real essas habilidades mais
facilmente do que outros.
A Parte 1 é cheia de missões gamificadoras para você completar, seme-
lhantes a essas da Introdução — então você terá muitas oportunidades de
jogar e se tornar mais forte a cada página.
Na Parte 2, Como Ser Gamificador, vamos falar sobre a sua vida. Agora
que você conhece as suas virtudes, qual é o melhor jeito de usá–las na sua
vida diária? Vamos nos aprofundar em cada uma das sete habilidades gami-
ficadoras que podem ajudá–lo a fazer frente aos desafios com mais coragem,
criatividade e determinação. Vou dar a você sete regras simples. Seguindo–
as, vai praticar cada uma dessas habilidades na sua vida real. Esse é o mé-
todo SuperBetter e foi projetado para facilitar sua tarefa de levar uma vida
mais gamificadora – tenha você tempo ou não para jogar.
Na Parte 2, você vai conhecer pessoas que usaram o método SuperBetter
para se tornarem mais fortes, saudáveis e felizes ao enfrentarem desafios 27
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

como ansiedade, depressão, dores crônicas e transtorno de estresse pós–trau-


mático. Você vai ouvir histórias de pessoas que adotaram uma mentalidade
gamificadora a fim de encontrar um emprego melhor, ter uma vida amorosa
mais satisfatória, correr uma maratona, abrir uma empresa ou simplesmente
aproveitar melhor a vida. E porque tudo nesse livro se baseia em pesquisas,
você vai descobrir a ciência por trás dessas histórias de sucesso — mais de
duzentos estudos nos campos da psicologia, medicina e neurociência que ex-
plicam exatamente por que viver com base nessas sete regras gamificadoras
fortalece suas virtudes mentais, emocionais, físicas e sociais.
Se você está enfrentando um desafio muito grande na sua vida e quer
começar a usar o método SuperBetter agora, pode pular diretamente para
a Parte 2. Volte à Parte 1 qualquer hora que quiser. Acho que quando você
vir por si mesmo como o SuperBetter funciona, vai ficar ainda mais curioso
para entender a ciência por trás dele!
A Parte 3, Aventuras, junta isso tudo com as três jornadas SuperBet-
ter que eu criei para que possa continuar praticando suas novas habili-
dades gamificadoras. Cada jornada é cheia de itens de energia, inimigos
e missões para ajudá–lo a alcançar um avanço excepcional. Na aventura
“Conexão Amorosa”, você fortalecerá sua resiliência social com dez mis-
sões projetadas para auxiliá–lo a encontrar amor dos jeitos e nos lugares
mais surpreendentes. Na “Transformação do Corpo Ninja”, aprenderá
vinte e uma formas de fortalecer sua resiliência física. E, na aventura
final, descobrirá o que significa ter “Tempo de Sobra” — a sensação
de que tem muito tempo livre para gastar com as coisas que são mais
importantes para você. Ter tempo livre é uma excelente maneira de for-
talecer suas resiliências emocional e mental.
Juntas, essas três aventuras contêm missões suficientes para você conti-
nuar jogando SuperBetter por umas seis semanas. Esse é um número impor-
tante — porque seis semanas são o tempo exato que os participantes segui-
ram as regras do SuperBetter nos nossos testes clínicos e estudos aleatórios
e controlados. Nesses casos, jogar SuperBetter por seis semanas resultou em
um humor significativamente melhor, apoio social mais forte, mais otimis-
mo, menos depressão ou ansiedade e mais autoconfiança. Se você completar
todas as três aventuras — tendo que completar apenas uma missão por dia,
— experimentará uma dose do jogo capaz de mudar a sua vida.
Juntas, as histórias e a ciência nesse livro vão revelar como adotar uma
mentalidade gamificadora pode tornar sua vida bem melhor. Elas não vão 28
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

apenas mudar o seu pensamento sobre o que os jogos são capazes de fazer.
Elas vão mudar o seu pensamento sobre o que você é capaz de fazer.
Então vamos lá nos tornar super melhores.

29
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Parte 1 — Por que os jogos


nos tornam super melhores?

A evidência de que os jogos podem nos tornar mais fortes está ao nosso
redor. Nas últimas décadas, milhares de cientistas e pesquisadores traba-
lhando em hospitais e universidades pelo mundo documentaram como é
grande o alcance do impacto dos videogames e mundos virtuais na vida real.
Nesta parte do livro, você conhecerá jogos que:

1. aumentam sua motivação e força de vontade

2. bloqueiam a sensação de dores físicas de um jeito muito mais eficiente do


que a morfina

3. o ajudam a superar a ansiedade e depressão

4. o tornam um estudante mais aplicado

5. o inspiram a se exercitar mais

6. ajudam a prevenir transtorno de estresse pós–traumático

7. o deixam mais propenso a ajudar desconhecidos

8. constroem relacionamentos mais fortes e felizes com familiares e amigos

Há chances de você já ter jogado ao menos um desses jogos potencial-


mente transformadores — de Tetris, passando por Words with Friends, Call
of Duty  até  Candy Crush. Mas, mesmo se você já joga regularmente, é
provável que não obtenha todos os benefícios que eles podem oferecer. Isso
porque, quando se trata de receber benefícios dos jogos, não importa o que 30
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

você joga ou o quanto joga — mas sim por que joga, quando joga e com


quem joga. Em outras palavras, você precisa jogar com um propósito.
Nesta Parte 1 você vai aprender que, quando joga com um propósito,
afeta três virtudes psicológicas fundamentais:

• A habilidade de controlar sua atenção  e, consequentemente, seus pensa-


mentos e sentimentos.
• Seu poder de transformar qualquer pessoa em um potencial aliado e forta-
lecer seus relacionamentos já existentes.
• Sua capacidade natural de se automotivar e sobrecarregar suas qualidades
heroicas, como força de vontade, compaixão e determinação.

Essas virtudes já existem dentro de você. Os jogos são apenas uma forma
incrivelmente confiável de descobri–las e praticá–las — para que consiga
acessá–las na sua vida diária.
Jogar não é o único meio de conseguir isso. Mas as pesquisas científicas
de por que os jogos tornam essa tarefa muito mais fácil o ajudarão a enten-
der esses poderes mais profundamente.
Serei bem clara: O objetivo da Parte 1 não é persuadi–lo a passar mais
tempo jogando. Você não precisa se tornar um jogador apaixonado para se
beneficiar das pesquisas sobre os jogos. Ao invés disso, eu quero ajudá–lo a
aprender da ciência dos jogos como ser mais forte, feliz, corajoso e resiliente
– quer você jogue algum desses jogos ou não.
Uma coisa importante a se notar: Embora todos os tipos de jogos desen-
volvam essas virtudes gamificadoras, incluindo esportes, quebra–cabeças,
jogos de tabuleiro e de cartas, por vários motivos, a Parte 1 foca principal-
mente nos jogos digitais.
Em média, atualmente mais de um bilhão de pessoas no mundo todo
jogam algum jogo digital pelo menos uma hora por dia. Sem dúvida, esse
número vai aumentar no futuro. De acordo com um estudo do centro de
pesquisas Pew Internet Life, nos Estados Unidos, 99% dos meninos e 92%
das meninas com menos de dezoito anos jogam videogame regularmente
(numa média de treze horas semanais para os meninos e oito para as meni-
nas). O tempo gasto e a energia despedida nos jogos digitais por um número
já grande — e ainda em crescimento — de pessoas tornam crucial entender
como os jogos digitais nos impactam psicologicamente. A ciência dos jogos
31
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

pode ajudar a minimizarmos algum potencial dano e maximizarmos os po-


tenciais benefícios.
Igualmente importante é o fato de, nas duas últimas décadas, as pes-
quisas científicas na psicologia dos jogos se focarem quase exclusiva-
mente nos jogos digitais, principalmente pelas razões descritas acima.
Este livro se baseia na ciência dos jogos, o que significa ser necessário
nos concentrarmos nos tipos de jogos que os cientistas dedicaram mais
tempo e energia para entender.
Finalmente, como você verá nos próximos quatro capítulos, a tecnologia
digital pode realmente aumentar e acelerar muitos dos benefícios psicoló-
gicos que recebemos dos jogos. Por exemplo, todos os jogos nos ensinam a
ser mais tolerantes com a perda, porque perder é sempre uma possibilidade.
Entretanto, os jogos digitais tendem a apresentar uma taxa de falhas maior
e mais rápida. Neles, falhamos por volta de 80% das vezes, com uma média
de doze a vinte vezes por hora. Essa taxa de falhas extremamente alta e rá-
pida ajuda os jogadores a fortalecer rapidamente sua coragem e perseveran-
ça, assim como a habilidade de aprender com os próprios erros. Você pode
fortalecer essas mesmas qualidades perdendo no basquete, caça–palavras
ou xadrez, mas a capacidade dos jogos digitais aumentarem a dificuldade
automaticamente para forçá–lo a levar suas habilidades ao limite ajuda a
desenvolvê–las mais rápido.
Esse é só um exemplo do tipo de pesquisas que você vai ler nessa parte
do livro. Mas, antes de nos aprofundarmos mais na ciência dos jogos, você
tem uma missão especial para completar.
O Capítulo 1 tem algumas das informações mais surpreendentes e es-
clarecedoras deste livro. Ele contém algumas descobertas científicas  mui-
to inesperadas.
Quero que você esteja bem preparado para absorver essas descobertas e
passe a integrá–las na sua própria vida, não importando quão surpreenden-
tes elas sejam! Então, aqui está uma missão para ajudá–lo a se preparar.

32
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

MISSÃO 5: Palmas para cima!

Tentando resolver um problema? Quer


aprender algo novo? Você pode treinar seu
cérebro a ser mais aberto para soluções
criativas e mais receptivo para ideias
surpreendentes. Aqui está como.

O que fazer: Coloque a palma das suas


mãos para cime e as deixe assim. Você deve
começar a notar uma mentalidade mais
aberta em alguns poucos segundos.

Por que funciona: Colocar as palmas das


mãos para cima ativa uma poderosa resposta
entre mente e corpo. Com as palmas para
cima, adotamos uma mentalidade de “abordar
e considerar”. Ficamos menos propensos a
rejeitar novas informações ou ideias e mais
capazes de vislumbrar novas oportunidades e
soluções. Com as palmas para baixo, entretanto,
adotamos uma mentalidade de “recusar e
resistir”. Ficamos mais propensos a rejeitar novas
informações e deixar passar ideias criativas.

Parece uma ação muito simples para gerar


um efeito tão grande, mas a evidência é
atraente: pesquisas publicadas pela Associação
Americana de Psicologia mostram que, de
sete diferente experimentos com o fenômeno
das palmas para cima, todos revelaram
o efeito de mentalidade mais aberta.

Os pesquisadores teorizam que essa ligação


entre a mente e o corpo se originou pelos
33
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

comportamentos físcos que exibíamos milhares


de anos atrás, antes de inventarmos a linguagem.

Quando damos a mão para ajudar alguém, nossas


palmas ficam para cima. Quando somos nós
a pedir ajuda ou quando nos preparamos para
receber alguma coisa, também as deixamos para
cima. E quando abraçamos alguém, elas também
ficam para cima. Mas quando queremos rejeitar
alguma coisa, dizemos que não com as palmas
para baixo. Quando empurramos alguém, as
palmas também ficam viradas para longe de nós.

Através de milhares de anos realizando esses


gestos, estamos biologicamente condicionados
a associar palmas para cima à receptividade
e abertura e palmas para baixo à rejeição e
ao ato de nos fecharmos em nós mesmos.

Então, antes de você ler o próximo capítulo,


vire suas palmas por ao menos quinze
segundos. Faça isso agora. 15... 14... 13...

Missão completa: Feito? Bom trabalho.


Você está pronto para um pouco de ciência
surpreendente! E, no futuro, sempre que
fizer um brainstorm, tentar resolver um
problema ou aprender algo novo, lembre-
se do poder que você tem em abrir sua
mente com um simples virar de mãos.

34
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Você é mais forte do que pensa

Sua missão
Ativar a habilidade de controlar o que pensa e
sente, mesmo durante do ou estresse intenso.

J ogos são famosos por prenderem a atenção. Os jogadores frequen-


temente se tornam tão imersos que perdem a noção de tempo e
parecem ignorar tudo e todos ao seu redor. Muitas vezes, pais e
cônjuges reclamam que é quase impossível afastar os jogadores dos seus
jogos favoritos. Mas a altamente imersiva qualidade dos bons jogos pode
realmente ser uma pista para como nossa atenção funciona — e como
podemos controlá–la melhor?
Neste capítulo, daremos uma olhada nas pesquisas sobre videogames
que revelam o poder que temos para evitar ansiedade, depressão, trauma
e dor física ao aprendermos a controlar nossa atenção. Esteja você lutando
contra uma dessas dificuldades atualmente ou apenas queira aumentar sua
resiliência mental e emocional, jogos proporcionam a plataforma perfeita
para dominar habilidades transformadoras relacionadas à atenção. Este ca-
pítulo vai lhe mostrar a ciência por trás do controle da atenção e ensinar as
técnicas práticas e gamificadoras que você pode usar para descobrir e desen-
volver seus superpoderes ligados à atenção. 35
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Nada dói mais que uma queimadura. Médicos a descrevem como a


maior e mais prolongada dor que um humano pode experimentar. Natu-
ralmente, vítimas de queimaduras recebem fortes medicamentos durante o
tratamento, mais frequentemente morfina. Mas a medicação não é muito
eficaz para aliviar especificamente essa dor intensa. Pesquisadores passaram
décadas procurando uma alternativa melhor. Existe alguma coisa que possa
tratar a dor mais forte do mundo de forma mais eficaz que a tradicional
abordagem com morfina?
Sim. E é um jogo.
Snow World (Mundo da Neve) é um ambiente virtual em 3D criado
pelos pesquisadores da Universidade de Washington para ajudar os pa-
cientes que se submetem ao tratamento de queimaduras graves. A eles
são dados óculos de realidade virtual e um controle para navegarem por
um mundo virtual congelado. Há cavernas de gelo para explorar, bolas
de neve para atirar e toda uma paisagem de delícias de inverno para
encontrar. Os pacientes colocam os óculos e jogam esse jogo durante a
parte mais dolorosa do tratamento, enquanto seus ferimentos são limpos
e os curativos refeitos.
Os pesquisadores usaram o Snow World em testes clínicos. Aqui o que
descobriram: Esse jogo de realidade virtual reduziu a dor dos pacientes
de 30 a 50%. E para aqueles com queimaduras mais sérias, o jogo teve um
impacto na dor e no sofrimento total ainda maior que a morfina.
Melhor ainda, os jogadores de  Snow World  foram capazes de ignorar
quase toda a dor que porventura tenha permanecido. Eles relataram estar
cientes da dor somente 8% do tempo. Compare isso ao tratamento tradicio-
nal: mesmo com as maiores doses de opiáceos que podem ser administradas
com segurança, os pacientes geralmente dizem passar  100%do tempo de
tratamento pensando na dor excruciante.
Simplesmente por jogarem Snow World, descobriram que eram capazes
de controlar o que pensavam e sentiam, extraordinariamente, em 92% do
tempo. Como resultado, os médicos descobriram que, com o jogo, podem
reduzir o nível de medicamentos e dramaticamente melhorar a adminis-
tração da dor, ao mesmo tempo. E os benefícios são mais que psicológicos.
Quando os pacientes sentem menos dores, os médicos podem usar terapias
físicas e tratamentos de feridas mais agressivos — dois fatores que podem
acelerar a recuperação e reduzir os custos clínicos. Mais importante, os pa-
cientes sentem mais controle e sofrem muito menos. 36
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Como exatamente um videogame criou uma mudança tão poderosa?


Nos documentos científicos que descrevem os impactos positivos do jogo,
os criadores do Snow World, doutor Hunter Hoffman e doutor David Pat-
terson, atribuem seu sucesso a um fenômeno psicológico bem conhecido: a
teoria da atenção seletiva.
De acordo com essa teoria, a atenção humana é como um holofote; seu
cérebro só consegue processar e absorver uma pequena parcela de informa-
ções novas a cada momento. Assim, você foca em uma fonte de informa-
ção por vez, ignorando o restante. Como resultado, informações vindas de
todos os lados competem constantemente pela sua atenção — vistas, sons,
gostos, cheiros, pensamentos e sensações físicas.
O que isso tem a ver com a dor? As sinapses nervosas que causam a dor
também estão competindo para transmitir sua informação. E são transmissoras
particularmente fortes. Seus nervos enviam sinais ao cérebro dizendo que você
está ferido — o que é uma informação muito importante! Faz sentido que, sem
intervenção intencional, é mais provável que você foque o holofote da atenção
nesses sinais de dor do que em qualquer outra fonte de informação.
Mas você não é impotente perante os sinais de dor. Na verdade, se apren-
der a controlar o holofote da atenção, pode realmente fazer com que seu
cérebro pare de gastar seus limitados recursos de processamento nos sinais
de dor vindos dos seus nervos.
Para as vítimas de queimaduras, é aí que entra o Snow World. A fim de
prevenir que sinais de dor se tornem uma dor consciente, os pacientes devem
apontar o holofote da atenção para outro lugar — e mantê–lo lá. Como?
Monopolizando deliberadamente todo o poder de processamento do cére-
bro com um alvo o mais desafiador e informativo possível. Jogos, particu-
larmente mundos virtuais ricos em imagens 3D, servem perfeitamente para
esse fim. Eles requerem tanta atenção o tempo todo que os pacientes ficam
sem recursos cognitivos para processar a dor.
Isso é exatamente o que os cientistas observaram quando decidiram es-
tudar a atividade cerebral dos jogadores de Snow World usando imagem por
ressonância magnética funcional (IRMf). Essa tecnologia permite aos pes-
quisadores verem em que partes do cérebro o sangue está fluindo. — quan-
to mais o sangue flui, mais ativa está aquela região. Nos estudos de Snow
World, as medições de IRMf indicaram uma redução do fluxo sanguíneo
nas cinco regiões do cérebro associadas ao processamento da dor. Sem re-
cursos cognitivos, sem dor. 37
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Essa é a característica central da técnica do Snow World: o jogo não


é uma mera distração da dor; ele ativamente evita que o jogador sinta
a dor conscientemente. E é possível aprender a usar essa técnica na sua
própria vida.
Pode ser que você nunca sinta tanta dor quanto uma vítima de queima-
duras. Mas caso se encontre em uma situação dolorosa, agora já sabe: Você
não tem que prestar atenção nos sinais vindos dos seus nervos. Pode escolher
prestar atenção em qualquer coisa que quiser. Mesmo que esteja dolorido,
mesmo que esteja sofrendo, pode controlar o holofote da atenção e mudar
sua experiência para melhor.
E não são necessários óculos 3D ou equipamentos caros para isso. Em-
bora a avançada tecnologia dos videogames torne mais fácil comandar seus
recursos cognitivos, outros estudos de dor e jogos mostram que, em casos
menos graves, um jogo simples de celular ou tablet também consegue blo-
quear os sinais de dor com eficácia.
Ou, caso prefira uma solução que não tem nada a ver com jogos, pode
escolher qualquer atividade desafiadora que capture toda a sua atenção. Pes-
quisadores sugerem, por exemplo, que tricô e artesanato requerem proces-
samento cerebral suficiente para reduzir dores crônicas. A chave é simples-
mente perceber que é você que controla os seus recursos cognitivos. Se não
quiser que seu cérebro preste atenção aos sinais de dor, dê a ele outra coisa
com o que se ocupar!
Snow World é uma importante inovação na área de saúde — mas tam-
bém é muito mais que isso. É uma clara lição de quanto poder latente todos
nós temos sobre o que sentimos fisicamente. Mesmo quando sentimos dor
ou sofremos, podemos controlar o holofote da atenção e mudar para melhor
nossa experiência.
Como você verá nas próximas páginas, essa descoberta se repete várias
vezes nas pesquisas sobre os videogames: nós temos mais força e controle
mental sobre o que sentimos do que imaginamos.
Você tem esse poder — que vem da sua habilidade de controlar o holofote
da atenção e, ao fazê–lo, alterar o que acontece no seu corpo e no seu cérebro.
Vamos começar a praticar esse poder agora com a sua próxima missão.

38
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

MISSÃO 6: Pare o elefante rosa!

Não pense num elefante rosa. O que quer


que faça, não pense em um elefante rosa.

Pare de ler este livro por dez segundos


e, durante esse tempo, tenha absoluta
certeza de não pensar nem uma vez sequer
pensar em um elefante rosa. Valendo!

10... 9... 8...

Você pensou em um elefante rosa? É claro que


sim, mesmo eu tendo dito para não fazer isso.
Falizmente, essa não é sua missão. Ao menos
não ainda — não até você ter uma estratégia
concreta para controlar o holofote da atenção.

O comando “Não pense em um elefante” (ou


algumas vezes “Não pense em um urso”) é
um dos exercícios mais usados na psicologia
cognitiva. Imaginado por Daniel Wegner, um
professor de Harvard, e mais tarde popularizado
por George Lakoff, um professor da Universidade
da Califórnia em Berkeley, a ideia é simples: uma
vez que você evoque um conceito na mente
de alguém, essa pessoa se torna incapaz de
bloqueá-lo. Apesar da instrução de não pensar
em um grande mamífero com tromba e orelhas
engraçadas, o cérebro é incapaz de obedecer.
A palavra elefante evoca a ideia de um elefante
e você fica preso a ele, por bem ou por mal.

Vamos tentar um experimento diferente. Quero que


você continue tentando não pensar em um elefante
rosa, mas vou lhe ensinar uma estratégia para isso: 39
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

O que fazer: Desta vez, você vai controlar o holofote


da atenção focando seus recursos cognitivos em
uma tarefa desafiadora e que requer muita atenção.

Para impedir que o elefante rosa controle


sua atenção, quero que você imagine as
letras E e R gigantes (iniciais de elefante
rosa, naturalmente). E e R, ok?

Agora vou lhe dar sessenta segundos — use


um cronômetro ou apenas faça uma estimativa
— para listar o máximo de palavras que você
conseguir que contenham as duas letras, E e R, em
qualquer ortem. Alguns exemplos para ajudá-lo a
começar: socorrer, esperança, conserva, árvore.

Escreva as palavras ou, se achar dificil,


apenas pense nelas, enquanto conta nos
dedos ou contabiliza mentalmente.

Se conseguir pensar em pelo menos mais dez


palavras com E e R em sessenta segundos, muito
bem. Se conseguir pensar em vinte ou mais,
impressionante. Se conseguir mais de trinta, você
é um mestre nisso, um dos melhores do mundo.

Tente conseguir ao menos dez — e lembre-


se, enquanto estiver fazendo isso, não
pense em um elefante rosa. Valendo!

Certo, agora eu quero que você


perceba duas coisas:

1 - Foi mais fácil não pensar no elefante rosa


enquanto estava concentrado nessa tarefa?
Espero que sim. Quanto maior for sua pontuação, 40
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

é mais provável que tenha conseguido bloquear


completamente aquele animal bobo da sua
mente. Se não gostar da pontuação ou não
tiver conseguido impedir o elefante rosa de
ocupar seus pensamentos, tente outra vez
com as letras S e B, de Superbetter.

2 - Enquanto continua lendo este livro ou durante


o resto do seu dia, veja o que é mais fácil de
acontecer: você continuar a imaginar um elefante
rosa ou pensar aleatoriamente em palavras que
contenham as letras E e R. Se você for como a
maioria das pessoas, será mais fácil voltar ao
jogo de palavras do que à imagem mental do
elefante. Isso porque o holofote da atenção tende
a apontar paa aquilo que utiliza mais recursos
cognitivos. Certifique-se de prestar atenção
no que acontece nos próximos minutos ou
horas para ver se isso se aplica a si mesmo.

Missão completa: Se percebeu que esse jogo


de palavras é uma técnica eficaz para controlar o
holofote da atenção, parabéns. Agora você tem
uma nova ferramenta para bloquear pensamentos,
sentimentos ou sensações físicas indesejadas.
Use-a sempre que quiser, com quaisquer
duas letras, praticando apontar o holofote da
atenção de forma mais rápida e eficiente.

Só por diversão: Aqui estão vinte palavras


fom E e R em que você poderia pensar:
Ser, pregar, acontecer, livreto, terra, prece,
macieira, alarma, cordame, amortecedor, livre,
rudimentar, ornamento, penumbra, galhardete,
narceja, obscurecer, epicentro, vértebra,
arrebatamento, transporte, príncipe, empurrão. 41
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Como você deve estar começando a perceber, os pesquisadores descobri-


ram vários jeitos diferentes para as pessoas melhorarem o controle que têm
sobre o holofote da atenção. Vejamos outros tipos de resiliência mental e
emocional que você pode desenvolver ao dominar essa importante habilida-
de — como o poder de evitar trauma, combater ânsias, bloquear ansiedade
e curar depressão.
É bem provável que você já tenha visto Tetris, o quebra–cabeça dos blo-
cos que caem, mesmo nunca o tendo jogado. Ele é um dos jogos mais joga-
dos de todos os tempos, com quase meio bilhão de jogadores até o momento.
Apesar do seu lançamento ter ocorrido em 1984, apenas recentemen-
te os pesquisadores perceberam que Tetris pode fazer mais do que apenas
nos entreter. Ele pode ajudar a nos recuperarmos mais rapidamente de
eventos traumáticos.
O transtorno de estresse pós–traumático, ou TEPT, é uma condição
psicológica que pode aparecer após um indivíduo testemunhar ou viven-
ciar um acontecimento aterrorizante ou trágico. O sintoma mais marcante
do TEPT são memórias constantes. Lembranças indesejadas e inoportunas
que podem atormentar as pessoas por meses ou até anos após um aconteci-
mento traumático, perturbando o sono, desencadeando ataques de pânico
e causando graves aflições emocionais. Normalmente, essas memórias apre-
sentam um forte componente visual. A pessoa “vê” repetidas vezes o evento
traumático em sua mente, de forma tão viva como se estivesse acontecendo
naquele momento. Psicólogos consideram essas lembranças o sintoma do
TEPT mais estressante e difícil de se tratar.
Mas e se, ao invés de tentar tratá–las como um inevitável sintoma do
trauma, pudéssemos evitá–las? Cientistas cognitivos mostraram que as me-
mórias se alteram e tomam forma em até seis horas após o acontecimento
traumático. Isso os fez pensar: Existe alguma coisa que podemos fazer para,
nas seis primeiras horas após o trauma, não deixar o cérebro formar o tipo
de memória visual que leva às lembranças?
Sim, existe. Você pode jogar Tetris.
Em 2009 e 2010, uma equipe de psiquiatras da Universidade de Oxford
completou dois estudos demonstrando que jogar Tetris nas seis primeiras
horas após presenciar um evento traumático ajudou a reduzir as lembranças
do acontecimento. Na verdade, funcionou tão bem que os pesquisadores
propuseram que uma única sessão de dez minutos de Tetris poderia servir
de forma eficaz como uma “vacina cognitiva” contra TEPT. Caso passe por 42
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

um evento traumático, jogue Tetris o mais rápido possível e assim poderá


reduzir significativamente a probabilidade de experimentar um grave estres-
se pós–traumático.
Como os pesquisadores de Oxford descobriram isso? Não é fácil estudar
trauma em laboratório, como você deve imaginar. Simplesmente não é ético
que os pesquisadores façam coisas horríveis aos participantes apenas para
estudar e medir suas respostas ao trauma. Então a equipe de Oxford usou
um método experimental que já foi testado e aprovado em centenas de ou-
tros estudos sobre trauma: o pessoal juntou alguns indivíduos em um labo-
ratório e lhes mostrou uma série de imagens sangrentas de mortos e feridos
(acredite em mim, foi o tipo de imagem que você nunca iria querer ver na
vida). Depois, os pesquisadores mediram a resposta emocional das pessoas
às imagens, para se certificarem de que elas ficaram realmente perturbadas
com aquilo.
Nas horas que se seguiram, metade dos indivíduos jogaram Tetris por
dez minutos, enquanto os outros não fizeram nada em especial. E este é o
resultado: quase todos os integrantes do grupo que não fez nada disseram
ter um grande número de lembranças das imagens na semana seguinte ao
teste. Entretanto, do grupo que jogou Tetris, apenas metade afirmou ter as
lembranças. E quando os dois grupos completaram uma pesquisa psicoló-
gica uma semana depois, os jogadores de Tetris apresentaram bem menos
sintomas de TEPT que os do outro grupo.
Então, como dez minutos de um jogo podem prevenir sintomas de TEPT
e lembranças ruins? Os pesquisadores de Oxford explicam que Tetris ocupa
o circuito de processamento visual do cérebro com uma coisa diferente do
que normalmente ocupa aquele lugar após um trauma — lembrar–se do
trauma e vivenciar aquilo de novo e de novo. É semelhante a como o Snow
World trabalha para evitar a dor, mas tem uma abordagem mais orienta-
da. Para impedir as memórias visuais do trauma, você precisa apontar o
holofote da atenção para algo que especificamente demande uma grande
quantidade de atenção visual.
É importante notar que os pesquisadores de Oxford descobriram que
nem todo videogame consegue atingir os centros de processamento visual.
Precisa ser um jogo que necessite de uma grande e constante quantidade
de processamento visual — de preferência um jogo de reconhecimento de
padrões, como  Tetris  ou  Candy Crush, nos quais seu objetivo é mover e
conectar as peças seguindo um padrão visual. Esses tipos de jogos são tão 43
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

visualmente atraentes que os jogadores normalmente reportam lembranças


dos próprios jogos — geralmente peças coloridas caindo ou doces corres-
pondentes trocando de lugar — sempre que fecham os olhos, mesmo horas
após pararem de jogar. Mas se você jogar um jogo menos visual, como caça–
palavras ou perguntas e respostas, essa técnica não funciona. Seu cérebro
ainda terá muitos recursos de processamento visual disponíveis para repetir
as imagens traumáticas.
Outro detalhe importante do estudo de Oxford: jogar Tetris não evitou
que os jogadores se lembrassem voluntariamente dos detalhes vistos. Uma
semana mais tarde, quando responderam perguntas como “Qual a cor dos
cabelos do homem que se afogou?” ou “Qual a faixa etária do homem na
maca?” os jogadores de Tetris se lembraram de tantos detalhes quanto os
membros do outro grupo. Suas memórias estavam intactas — eles só não
eram atormentados por elas.
Isso é extremamente importante, então direi outra vez: a técnica do Te-
tris não apaga memórias; ela simplesmente interrompe o processo cognitivo
da memória involuntária. Ela lhe dá controle sobre a memória. Você não vai
pensar naquilo que não deseja.
Os pesquisadores de Oxford não aprofundaram o estudo inicial com pes-
quisas de quão boa é essa técnica em contextos do mundo real. Entretanto,
desde que compartilharam publicamente esse trabalho cinco anos atrás em con-
ferências científicas e na mídia, muitas pessoas tiveram a chance de aprender e
testar o método fora de um estudo científico. Como parte do meu trabalho de
entender como as pessoas usam os jogos para se tornar mais fortes e se curarem
mais rapidamente, ouvi que muitas delas tiveram experiências positivas aplican-
do essa técnica em suas vidas: uma atleta que, após os atentados da maratona de
Boston de 2013, não sabia se algum dia conseguiria pensar em voltar a correr de
novo; um estudante de ensino médio norueguês que perdeu um amigo na cha-
cina de 2011 e que continuava repetindo as imagens da tragédia em sua mente;
uma mulher que não queria ficar se lembrando dos últimos momentos de vida
do seu pai, que não foram nada felizes. O que ouvi de indivíduos como esses é
que um curto período de jogo por horas, dias e até semanas após o trauma lhes
deu controle sobre seus pensamentos e memórias — e que esse nível de controle
não apenas ajudou a diminuir as lembranças, mas também deu a eles uma sen-
sação de conforto e força.
Vamos estender a perspectiva dessa pesquisa sobre o Tetris. O poder de
evitar lembranças pode ajudar qualquer um, mesmo alguém que não te- 44
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

nha se envolvido diretamente em um evento traumático. Varias vezes vemos


imagens de acidentes ou violência nos jornais. As crianças podem ser espe-
cialmente afetadas por elas. Mas uma rápida sessão de um jogo visualmente
intenso pode ajudá–los a evitar pesadelos ou memórias inoportunas.
A técnica do Tetris também tem o potencial de alterar como você res-
ponde a eventos negativos mais comuns. Sempre que passar por um dia
particularmente difícil ou se não conseguir parar de pensar em alguma coisa
que não deu certo, pode ativar essa habilidade gamificadora.
Você pode impedir pensamentos involuntários de forma rápida e sim-
ples. Esse poder de controlar suas lembranças a qualquer momento garante
que seja capaz de verdadeiramente deixar para trás os momentos difíceis.
E há ainda outro jeito surpreendente — e potencialmente transformador
— de usar a técnica do Tetris na sua vida diária.
Para descobrir como, experimente esta rápida missão!

MISSÃO 7: Controle o olho da mente

O que fazer: pense em algo que almeja


— uma coisa que, uma vez que começa a
pensar nela, geralmente é impossível resistir.
Imagine-a em detalhes. Pense em si mesmo
usufruindo dessa coisa, como se fosse
real. Você tem algo em mente? Bom.

A próxima vez que essa coisa entrar em ação


— incluindo agora, se você já estiver sentindo!
— jogue um jogo de reconhecimento de
padrões, como Tetris por três minutos. Faça
isso e será bem mais fácil resistir ao desejo.

Por que funciona: Múltiplos estudos


demonstram que jogar Tetris por três minutos

45
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

consecutivos enquanto sente um desejo


incontrolável diminui esse desejo em 25%.

Pode não parecer muito, mas uma redução


de 25% em um desejo é suficiente para uma
mudança de comportamento. É o suficiente para
dar à sua força de vontade uma chance de lutar.
Tenha em mente que, se você estiver faminto
ao jogar Tetris, continuará com fome depois —
mas ficará menos propenso a comer algo pouco
saudável e poderá escolher melhor a comida.

Essa estratégia funciona pelo mesmo princípio


científico de evitar lembranças indesejáveis e
TEPT. Pesquisas mostraram que os desejos
têm um forte componente visual. Quanto
mais você se imagina apreciando aquilo que
quer, fica mais fácil se entregar. Para resistir
a um desejo, simplesmente dê aos centros
de processamento visual do seu cérebro
algo mais para visualizar — e perceberá
como a intensidade do desejo diminui.

O que jogar: você pode encontrar uma infinidade


de jogos de reconhecimento de padrão gratuitos
na internet e no seu dispositivo móvel. Caso
nunca tenha jogado nenhum, os mais fáceis
são Tetris, Bejeweled e Candy Crush. Esse
último é o primeiro jogo que a minha mãe de
sessenta e sete anos jogou em toda a sua vida
— e ela aprendeu em menos de um minuto.

Se não quiser jogar um jogo digital,


excelentes opções são quebra–cabeças,
jogo da memória ou mahjong.
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Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Uma História SuperBetter :


A Noiva e o Noivo

Q uando Joe e Elisa decidiram se casar, ambos prometeram parar de


fumar até o dia do casamento.

Nos meses que precederam o grande dia, o casal de Michigan passou a


usar adesivos de nicotina, o que ajudou a lutar contra o desejo no trabalho.
Mas Joe me disse que, quando voltavam para casa, à noite, era difícil não
retornar aos velhos hábitos.
“Tinha tanta coisa acontecendo no trabalho que só os adesivos eram
suficientes — nós não precisávamos de mais nada. Mas em casa, com pouca
coisa acontecendo, ficávamos realmente tentados. Pensávamos em fumar o
tempo todo.”
Graças à terapia de substituição de nicotina, suas necessidades físicas es-
tavam sob controle. Mas os noivos ainda não conseguiam controlar suas ne-
cessidades mentais. Continuavam se imaginando com um cigarro na boca
e como se sentiriam bem ao fazer isso. Essas imagens mentais eram o ver-
dadeiro problema.
A solução gamificadora? Joe e Elisa decidiram iniciar um novo hábito:
noites de quebra–cabeça. Toda noite após o jantar, eles se sentavam à mesa
da cozinha para montar um quebra–cabeça gigante.
“Funcionou de verdade para nós,” Joe me disse. “Nenhum cigarro nas
noites de quebra–cabeça”. Na verdade, funcionou tão bem que passaram a
montar quebra–cabeças toda noite até o casamento. Dois anos mais tarde, o
feliz casal não tinha voltado a fumar.
E as noites de quebra–cabeça ainda deram um benefício surpresa à du-
pla: trabalhar cooperativamente nas peças por tantas horas, noite após noite,
melhorou sua comunicação e fortaleceu suas habilidades de solucionar pro-
blemas. “Ficamos realmente bons em agir juntos e completar os quebra–ca-
beças como parceiros”. Um jeito nem um pouco ruim de se preparar para
um casamento! 47
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Como se pode ver, Joe e Elisa ficaram acima da média com sua solução
criativa. Em 2014, uma equipe de pesquisadores da Sociedade de Câncer
Americana, da Universidade Brown e da Universidade Stony Brook desco-
briram que fumantes privados de nicotina foram capazes de reduzir o desejo
de fumar ao jogar cooperativamente com seus parceiros. Digitalizações de
imagens por ressonância magnética funcional (IRMf) mostraram que jogos
cooperativos e resolução de quebra–cabeças afetam os mesmos centros de
recompensa do cérebro que a nicotina. Os cientistas acreditam que isso seja
uma evidência de que jogos sociais e quebra–cabeças possam prover aos
fumantes um caminho neurológico alternativo para se sentirem recompen-
sados quando tiverem vontade de fumar.
Em outras palavras, os jogos são um poderoso golpe duplamente eficaz
na mudança de comportamento. Primeiro, dão a você controle sobre os seus
pensamentos e necessidades mentais ao usar completamente o centro de
processamento visual do cérebro. Segundo, dão uma prazerosa recompensa
neuroquímica — do mesmo tipo que você obtém de um cigarro, chocolate
ou qualquer coisa de que necessite. Quem precisa de um cigarro ou choco-
late quando já se sente profundamente satisfeito pelo jogo?
O feliz casal Joe e Elisa não precisa ficar surpreso se ouvir falar de uma
última descoberta científica da mesma equipe de pesquisadores das digi-
talizações de IRMf: Apaixonar–se também diminui o desejo por comida,
álcool e drogas, pois ativa as mesmas áreas de recompensa. “Amor intenso e
apaixonado”, como os pesquisadores chamam, é a kriptonita dos vícios —
eles não podem resistir a ela.
Moral da história: Se você quer acabar com um vício, não importando
qual seja, resolva um quebra–cabeça — ou se apaixone. Caso seja realmente
sortudo, como Joe e Elisa, faça as duas coisas!
Agora você já deve compreender: Controlar sua atenção intencionalmen-
te causa todos os tipos de benefício à sua vida. Mas por que os jogos são tão
eficientes no controle de atenção, se comparados a outras atividades? Vamos
explorar essa pergunta analisando outra virtude que você pode desenvolver
através dos jogos: a habilidade de bloquear ansiedade, mesmo nas situações
mais estressantes.
Cirurgias são assustadoras — principalmente para as crianças. Nos últi-
mos vinte e cinco anos, médicos testaram todas as ideias imagináveis para
reduzir a ansiedade e inquietação das crianças na sala de operações. Tenta-
ram medicamentos fortes. Permitiram que os pais segurassem as mãos dos 48
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

filhos no momento em que estes eram anestesiados e ao acordarem. Até


mesmo levaram palhaços para as cirurgias.
Qual deu mais certo? Não é de se espantar que não tenham sido os
palhaços. Mas também não foram os medicamentos ou mesmo os pais.
Crianças que puderam jogar videogames portáteis — como Super Mario no
Nintendo DS — não apresentaram nenhumaansiedade antes da cirurgia.
E após o procedimento, acordaram da anestesia com menos da metade da
inquietação daquelas que receberam medicação — além de zero efeito cola-
teral causado pelo remédio.
Este é outro resultado científico digno de nota: “Videogames comuns impe-
dem ansiedade e inquietação de maneira mais eficaz do que os mais fortes me-
dicamentos usados para esse fim”. Mas por que funciona? A equipe de pesquisa
do departamento de anestesiologia da Escola de Medicina de New Jersey diz
que — assim como acontece com as técnicas do Snow World e Tetris – ocupa-
ção cognitiva é a chave. Ao focar intensamente em outra coisa além da cirurgia
iminente, os pacientes mais jovens não se sentem nervosos ou com medo.
Essa hipótese faz total sentido, pelo que já sabemos a respeito da teo-
ria do holofote da atenção. Ansiedade e inquietação — assim como dores,
memórias traumáticas e desejos — requerem atenção consciente para se de-
senvolver e manifestar. São abastecidas por pensamentos ativos sobre o que
pode dar errado. Medo é uma resposta a algo que está realmente dando
errado naquele momento. Ansiedade, por outro lado, é a antecipação de que
alguma coisa pode dar errado no futuro. Quanto mais vividamente imagi-
namos um acontecimento ruim, mais ansiosos ficamos.
Sensações físicas podem fortalecer a ansiedade — por exemplo, cafeína
pode fazer o coração bater mais rápido e as mãos suarem, assim como to-
mar um susto pode liberar uma injeção de adrenalina. Se notarmos essas
sensações físicas, podemos começar a torturar nosso cérebro, procurando
alguma coisa que nos torne nervosos. Isso pode levar a um verdadeiro caso
de ansiedade ou até um ataque de pânico. Mas sem uma história consciente
sobre o que pode acontecer de errado, esses sintomas se tornam apenas sen-
sações físicas. Passam a ser um sentimento emocional de ansiedade somente
quando começamos a imaginar ativamente coisas terríveis acontecendo no
futuro. Tais imagens podem gerar mudanças fisiológicas — mais adrenali-
na, batimentos cardíacos ainda mais acelerados — que interpretamos como
motivo extra para nos preocupar e assim continua o círculo vicioso da an-
siedade e inquietação. 49
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Pesquisas mostram que jogar faz com que paremos de imaginar o que
pode dar errado. Jogos quebram o ciclo da atenção. Mesmo se sentirmos os
sintomas físicos de ansiedade enquanto jogamos, estamos tão preocupados
com o jogo que não ficamos pensando no pior. E, sem uma imaginação
nervosa, não há inquietação ou ansiedade.
Em algumas situações, a ansiedade pode ser uma emoção valiosa — para
alertá–lo sobre um possível problema no futuro, caso você tenha tempo e as
habilidades necessárias para se preparar para ele. Por exemplo, se estiver ansioso
por causa de uma prova ou apresentação, a ansiedade pode ser uma dica valiosa
para estudar ou praticar mais. Por isso, você não precisa tentar bloqueá–la todas
as vezes. Entretanto, para a maioria das pessoas, em muitas situações, ela não
leva a ações produtivas. Ao invés disso, simplesmente cria sofrimento desne-
cessário e nos impede de agirmos de verdade. Aqui a regra de ouro para saber
quando evitá–la com segurança, usando uma técnica gamificadora: se a ansie-
dade não o está ajudando a identificar passos positivos e concretos que pode
tomar, mas apenas está criando aflição, jogue algum jogo. Da mesma forma,
se ela está lhe dizendo para não fazer alguma coisa que você realmente queira
ou precise fazer (como pegar um avião, apresentar um trabalho, ir a um evento
social), vá em frente e bloqueie–a com alguns minutos de jogatina.
Alguma forma de distração prazerosa é uma ferramenta viável para in-
terromper o ciclo da ansiedade? Acontece que não. Estudos mostraram que
outras tentativas similares de evitar ansiedade nas crianças antes de uma
cirurgia têm pouco ou nenhum impacto. Revistas em quadrinhos, músicas,
desenhos — nenhuma dessas distrações chegou perto do efeito dos jogos na
sala de operações. O problema? Elas não oferecem o mesmo grau de ocupa-
ção cognitiva.
Quando jogamos, não estamos apenas prestando atenção no jogo —
estamos prestando um  tipo especial  de atenção. Esse tipo é chamado de
engajamento total.
Engajamento total é o estado de alguém completamente absorvido em
uma atividade. Não é apenas uma distração ou ocupação. É estar totalmente
imerso nela, ser motivado por ela e se energizar ao enfrentar o desafio. Em
um estado de engajamento total, você não apenas perde a noção do tempo,
mas também perde a autoconsciência. Experimenta um “profundo foco” na
atividade, ignorando completamente outros pensamentos ou emoções.
Inicialmente identificado pelo pesquisador e psicólogo Mihaly Csiks-
zentmihalyi na década de 1970, o engajamento total é considerado um 50
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

estado psicológico extremamente positivo — de fato, talvez o mais po-


sitivo dentre todos os estados psicológicos. Um estado de engajamento
total pode ser alcançado de diversas maneiras, contanto que as condi-
ções necessárias sejam atendidas. Ele aparece quando temos um objeti-
vo claro, uma tarefa desafiadora para cumprir e habilidades suficientes
para completá–la — ou ao menos para chegarmos perto e nos sentirmos
energizados para tentar outra vez e fazer melhor. As pessoas encontram
o engajamento total tocando violão, cozinhando, correndo, cuidando
do jardim, fazendo cálculos matemáticos complexos e dançando — para
dar apenas alguns exemplos. Entretanto, comparadas a uma rápida par-
tida de videogame, essas atividades nem sempre são fáceis de se fazer
em contextos estressantes e ambientes cotidianos (e definitivamente não
em uma sala de operações antes de uma cirurgia). Além disso, quando
Csikszentmihalyi escreveu pela primeira vez sobre o fenômeno, identifi-
cou os jogos como a atividade primordial do engajamento total.
Talvez seja surpreendente que muitas atividades de lazer que normal-
mente classificamos como uma boa fonte de distração  não  levem tipica-
mente a um estado de engajamento total: assistir à televisão ou filmes, ouvir
música ou mesmo ler. Embora sejam prazerosas e possam mesmo afastar
nossa mente dos problemas, geralmente não são tão desafiadoras e interati-
vas quanto devem ser as atividades que levam ao engajamento total. Esse é
um conhecimento importante, pois muitas pessoas naturalmente recorrem
a atividades relaxantes como um meio de lidar com estresse, ansiedade ou
dor. Mas as pesquisas sobre engajamento total mostram que, na verdade,
uma atividade interativa e desafiadora nos dá mais controle sobre o que
pensamos e sentimos do que uma atividade passiva e relaxante.
Engajamento total é o motivo pelo qual os jogos, mais que qualquer
outra coisa, são excepcionalmente capazes de nos ajudar a exercermos mais
controle sobre ansiedade, inquietação e muitas outras emoções. Jogos nos
dão um objetivo claro. Eles exigem foco e esforço para sermos bem sucedi-
dos. E os jogos digitais fornecem respostas quase constantes para podermos
melhorar nossa performance. Assim que aprimoramos nossas habilidades,
eles se tornam mais difíceis, garantindo que sejamos sempre desafiados. Na
verdade, videogames são uma forma tão confiável de atingir o estado de
engajamento total que, quando os cientistas querem estudar seus fenômenos
em laboratório, normalmente fazem com que os participantes joguem. Não
conhecemos nenhuma outra atividade que crie o estado de engajamento 51
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

total mais rapidamente e para tantas pessoas quanto os jogos digitais. E


quando estamos em engajamento total, temos controle absoluto do holofote
da atenção.
Se puder entrar em engajamento total por si mesmo, não bloqueará sen-
timentos negativos apenas, como dores ou ansiedade. Você também terá
uma melhor saúde física e mental.
Cientistas do Laboratório de Psicofisiologia e Clínica de Biorresposta da
Universidade da Carolina do Norte recentemente concluíram uma série de
três estudos medindo o impacto dos videogames no corpo e na mente dos
jogadores. Eles se concentraram em um gênero em particular: jogos casuais,
aqueles mais simples, para apenas um jogador, como Angry Birds, paciência
e Bejeweled. Esses jogos são fáceis de se aprender e você pode começar e ter-
minar uma sessão de jogo rapidamente. Eles são altamente correlacionados
aos estados de engajamento total. E, ao contrário de jogos mais complexos,
como World of Warcraft e Madden NFL Football, não requerem habilida-
des especiais, experiência prévia ou dedicação constante dos jogadores.
O interesse dos cientistas em jogos casuais surgiu quando um executivo
sênior da  PopCap Games, uma das maiores produtoras de jogos casuais
do mundo, compartilhou resultados de uma pesquisa realizada com seus
jogadores. Descobriu–se que 77% de todos eles não apenas buscavam en-
tretenimento, mas também alguma forma de benefício para a saúde mental
ou emocional. Esses jogadores relataram que usavam os jogos casuais para
melhorar seu humor, impedir ansiedade, aliviar estresse e, em alguns casos,
até mesmo como uma forma de “automedicação”.
Os benefícios mentais dos jogadores eram reais ou imaginários? Era isso
que a  PopCap Games  queria descobrir. Então ela criou um programa de
pesquisa juntamente com a Universidade da Carolina do Norte, conhecida
por suas análises na área de biorresposta. O objetivo era medir mudanças
nas ondas cerebrais, batimentos cardíacos e padrões de respiração dos jo-
gadores para ver se tinham relação com sinais fisiológicos de melhora de
humor, diminuição de depressão e resiliência ao estresse.
Os cientistas colocaram dispositivos de monitoramento nos jogadores
para medir dois sinais específicos de resiliência física e emocional: alterações
das ondas cerebrais alfa através de eletroencefalograma (elas indicam se você
está angustiado, deprimido ou de bom humor) e variações dos batimentos
cardíacos (que refletem quão rapidamente seu corpo pode se recuperar de
estresse físico ou emocional). 52
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

O primeiro teste aleatório e controlado da equipe descobriu que sessões


diárias de vinte minutos de algum jogo casual diminuíram as ondas cere-
brais frontais, o que normalmente indica bom humor. De fato, em uma
pesquisa, jogadores que apresentaram essa diminuição das ondas alfa relata-
ram estar se sentindo bem. Eles mostraram significativamente menos raiva,
depressão e tensão, além de mais energia. Outro grupo que simplesmente
navegou pela internet por vinte minutos não apresentou mudanças significa-
tivas das ondas cerebrais e nenhuma melhora de humor ou aumento de nível
de energia. Por outro lado, os jogadores ainda experimentaram melhoras
expressivas nos batimentos cardíacos. Depois de apenas vinte minutos de
jogo, seus corações foram capazes de suportar mais estresse e de se recuperar
mais rapidamente.
Essas descobertas iniciais foram tão promissoras que a equipe decidiu
conduzir um estudo a longo prazo dos jogos casuais. No seu teste seguinte,
os cientistas estudaram o impacto de trinta minutos de jogo, três vezes por
semana, no humor, mantendo o mesmo monitoramento anterior. Todos os
participantes sofriam de ansiedade e depressão no início do estudo. Após
um mês dessa rotina de jogo, mostraram reduções significativas nos níveis
de depressão, ansiedade e estresse, de maneira geral. Tanto os eletroence-
falogramas quanto as medições dos batimentos cardíacos apresentaram
melhoras, confirmando que essas alterações emocionais ocorreram em um
nível fisiológico.
Em breve, é bem provável que seja normal vermos médicos ou psicólogos
receitando Angry Birds para reduzir ansiedade, Peggle para tratar depressão
ou Call of Duty para controlar raiva. De fato, já ouço falar frequentemente
sobre terapeutas e conselheiros que fazem isso! E a ciência está cada vez
mais do lado deles. Em 2012, uma metanálise de trinta e oito testes de jogos
aleatórios e controlados publicada no Jornal de Medicina Preventiva Ameri-
cano mostrou que os jogos melhoram significativamente resultados na área
da saúde. O artigo também encorajou pesquisadores e a indústria dos jogos
a conduzir testes de longa duração como o próximo passo necessário para
esse emergente campo de pesquisa.
Tenha em mente que receitas gamificadoras não são necessariamen-
te uma alternativa às tradicionais formas de terapia ou medicação. De
fato, 23% dos participantes dos testes de jogos casuais da Universidade
da Carolina do Norte continuaram a tomar antidepressivos durante o
estudo. Apenas começamos a entender o alcance e profundidade total 53
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

dos impactos positivos que os jogos podem causar na nossa saúde e bem–
estar. Por enquanto, e talvez por um bom tempo ainda, eles devem ser
vistos apenas como um complemento e não necessariamente uma alter-
nativa às outras formas de apoio e tratamento.
Jogar não é a única atividade de engajamento total que pode levar a esses
resultados positivos para corpo e mente. Assim que começar a praticar as
técnicas gamificadoras deste capítulo, você se tornará cada vez melhor em
visualizar novas atividades que o ajudam a desenvolver sua habilidade natu-
ral de controlar a atenção.
Monitoramentos de meditação, por exemplo, mostraram benefícios simila-
res aos jogos casuais. Durante a meditação, os participantes são desafiados a se
focar em sua respiração, deixando de lado pensamentos, emoções e sensações
físicas. Na verdade, essa é uma tarefa realmente difícil e que requer uma imensa
quantidade de atenção! Se quiser tentar, sente–se por alguns minutos em um
lugar quieto e tranquilo e conte suas respirações. Após Inspirar e expirar, conte
uma respiração. Veja até quanto chega antes de ser distraído por um pensa-
mento, som ou sentimento e perder a conta. Recomece do zero e tente outra
vez. Continue tentando sempre aumentar o número máximo de respirações que
você consegue contar sem se distrair até que se passem cinco ou dez minutos.
Como pode ver, é possível garantir uma abordagem gamificadora à meditação
apenas atribuindo um placar máximo a ela!
Verifica–se que essa atividade é quase idêntica a se jogar um jogo ca-
sual, em termos de benefícios fisiológicos. Duas décadas de pesquisas mos-
tram que meditar leva a uma significativa melhora da taxa de batimentos
cardíacos, do humor e a menos estresse. Recentemente, os pesquisadores
propuseram que o conceito de engajamento total explica essas alterações
fisiológicas durante e após a meditação. Eles descrevem os benefícios da
meditação como sendo decorrentes diretamente de “um estado de imersão
total e positiva em uma atividade que requer esforço”. A meditação acaba se
tornando uma forma de jogo!
Devo admitir que me sinto encorajada por essa ligação científica entre
os benefícios da meditação — que muitos já aceitam como uma prática
importante e valiosa para a saúde mental e física — e os benefícios dos jogos
casuais — que são mais tipicamente vistos como um passatempo trivial ou
mesmo uma perda de tempo. Graças aos esforços dos pesquisadores, agora
sabemos que, além dos jogos serem divertidos, podemos e devemos levá–los
a sério como um instrumento que nos torna mais fortes, felizes e saudáveis. 54
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Uma História SuperBetter :


O Monge Jogador

C
onheci Vasily do outro lado do mundo, nas montanhas da Ilha
Ganghwa, a uma hora de Seul, na Coreia do Sul. Resolvi passar o
final de semana longe da cidade, no antigo Templo Jeongdeungsa,
construído no ano 381, no qual os visitantes podem aprender sobre a cultura
budista e suas tradições.
Vasily foi o nosso professor naquele final de semana. Alto, bonito e russo,
não era exatamente o tipo de monge que eu esperava encontrar em um tem-
plo da Coreia do Sul. Logo descobri que, embora tenha sido ordenado como
monge na Rússia, ele escolhera tornar Jeongdeungsa seu lar, já que preferia
a paz e as belezas daquela paisagem.
Depois de dois dias praticando os métodos budistas de meditação, ora-
ção e cânticos com nosso grupo de vinte estudantes, tive a chance de bater
um papo com Vasily. Queria perguntar qual era a sua opinião sobre o papel
dos jogos em uma vida espiritualizada e feliz. Eu sabia que Buda rejeitava os
jogos, tendo até feito uma lista dos que nunca jogaria — incluindo aqueles
com bolas ou dados e até mesmo “adivinhar as letras desenhadas no ar com
um dedo ou nas costas de alguém”. Ainda assim, por tudo que a ciência
contemporânea tem dito sobre os jogos como um meio aprender a controlar
a nossa atenção — que é um dos principais objetivos da prática do budismo!
— eu me perguntava (talvez sendo um pouco imprudente) se realmente não
havia um lugar para os jogos em um templo budista.
Vasily começou explicando que Buda rejeitava os jogos em razão de
serem uma “perda de tempo” (você se preocupa com os jogos serem con-
siderados uma perda de tempo? Aparentemente as coisas não mudaram
muito nos últimos 2500 anos!). O problema, de acordo com Buda, era
que os jogos distraíam os jogadores do trabalho mais importante de
busca da iluminação. Vasily compartilhou essa informação e me desen-
corajou de usar jogos para “escapar da realidade” ao invés de me manter
presente no momento. 55
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Foi aí que Vasily baixou a voz e disse algo que me deixou chocada: “Na-
turalmente, eu jogo Angry Birds todas as noites”. Parecendo um pouco aca-
nhado, ele explicou: “Nós meditamos por horas. Nós oramos por horas. E
há ainda tantas horas em um dia”. Ele não via os jogos como uma forma de
escapar da realidade: “Principalmente à noite, quando me sinto mais can-
sado, uma hora de Angry Birds é o caminho para focar e acalmar os meus
pensamentos. É uma prática de habilidade, não para escapar da realidade”.
Ali estava uma pessoa que passou anos treinando as práticas budistas, domi-
nando algumas das mais poderosas técnicas de controle de atenção existentes. E
mesmo ele, um mestre das formas de meditação, respiração e oração altamente
complexas, decidiu integrar os jogos nos seus rituais diários!
Já se passaram quase três anos desde que conheci Vasily, mas sempre que
pego meu telefone para uma sessão rápida de Angry Birds, dou por mim
pensando nele. Imagino–o na sua túnica, sentado em uma almofada de
meditação no templo mais antigo da Coreia, lançando os mesmos pássaros
adoráveis pelo mesmo espaço virtual que eu e apreciando a tranquila expe-
riência de controlar o holofote da atenção.
De  Snow World  e  Tetris  a  Super Mario  e  Bejeweled, os jogos me-
dicinais ensinam uma importante lição que se estende muito além do
mundo virtual: você tem mais força mental e emocional do que pensa,
principalmente ao lidar com estresse, trauma ou dor. Você pode con-
trolar o holofote da atenção. E assim, pode controlar seus pensamentos,
emoções e até sensações físicas.

56
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Habilidades destravadas

Missão Completa
Por que você é mais forte do que pensa.

1. Ocontrole do holofote da atenção é um superpoder oculto que você já


possui e que pode ajudá–lo a combater estresse, ansiedade, depressão e dor.

2. Os
jogos o ajudam a descobrir e praticar esse poder — e tornam você capaz
de usá–lo mesmo nas mais difíceis situações do mundo real.

3. Para
prevenir lembranças traumáticas ou desejos incontroláveis, aponte o
holofote da atenção para algo que tenha um grande apelo visual, como
Tetris ou quebra–cabeças.

4. Para
bloquear dores, ansiedade ou inquietação, não tente relaxar. Ao invés
disso, foque sua atenção em uma atividade que leve ao engajamento total
— algo que o desafie e requeira esforço constante. 57
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

5. Se
precisar desviar rapidamente sua atenção de um pensamento ou senti-
mento indesejado, jogue o jogo de palavras das duas letras (no qual você
tenta listar tantas palavras que contenham ambas as letras quanto possível).

6. Trinta
minutos de uma atividade que exija “foco profundo” — como um
jogo casual ou meditação — três vezes por semana pode melhorar seu hu-
mor, diminuir o estresse e ajudar a reduzir sintomas de depressão. Isso
também melhorará seus batimentos cardíacos, uma das melhores formas
de medir a resiliência física.

7. Osjogos não são uma perda de tempo e você não deve se sentir mal por
jogar. São uma importante atividade que desenvolve a habilidade e ainda
lhe dá controle direto sobre seus pensamentos e sentimentos.

58
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Sua missão

Você está cercado


por potenciais
aliados
Descobrir quantas pessoas estão prontas
para ajudá–lo com qualquer problema, não
importa quando.

E
se você estivesse cercado por pessoas prontas a ajudá–lo com qual-
quer problema e a qualquer hora? Até onde poderia chegar? O quan-
to poderia almejar?
Você já possui este poder. Consegue transformar quase todas as pessoas
em aliadas — mesmo um estranho, até alguém que acha que não gosta de
você — apenas jogando com elas.
Neste capítulo, examinaremos as propriedades incomparáveis que os jo-
gos têm e que os tornam a plataforma perfeita para aprender como fortalecer 59
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

relacionamentos no mundo real e descobrir mais semelhanças com os ou-


tros. Você verá como os benefícios de se jogar com alguém permanecem por
muito tempo após a jogatina. E mais, aprenderá estratégias práticas para tra-
zer à sua vida diária os modos positivos de interação que ocorrem nos jogos.
Hedgewars é um jogo adorável e divertido, apesar da palavra wars (guer-
ra) no seu título. Nele, os jogadores devem comandar um exército de ouriços
rosas em batalhas espaciais intergaláticas. Imagine Angry Birds, porém um
pouco mais desafiador — e com espinhosos mamíferos voadores ao invés
de pássaros. É relativamente simples de se aprender e funciona em qualquer
computador ou smartphone – e, como os pesquisadores da Universidade de
Helsinki descobriram recentemente, causa um poderoso efeito nos nossos
corpos e cérebros.
Quando duas pessoas jogam Hedgewars juntas, uma ao lado da outra,
experimentam o que os doutores Michiel Sovijärvi–Spapé e Niklas Ravaja
descrevem como “união neurológica e psicológica”. Os dois jogadores co-
meçam a fazer as mesmas expressões faciais, sorriem e franzem as sobran-
celhas ao mesmo tempo. Seus corações passam a bater no mesmo ritmo.
Seus padrões cerebrais sincronizam. E o mais incrível, suas ondas cerebrais
sincronizam e os neurônios de um começam a “espelhar” os do outro — um
processo que ajuda cada um deles a antecipar o próximo movimento do
companheiro/adversário. Todas essas mudanças ocorrem quase imediata-
mente após o início do jogo.
Surpreendentemente, essa sincronização ocorre tanto se os dois estiverem
cooperando quanto se estiverem competindo. Não importa se você considera o
outro jogador um aliado ou um oponente. Quando jogam Headgewars juntos,
suas mentes e corpos passam a cooperar em quase perfeita harmonia.
O que faz com que essas uniões biológicas sejam tão interessantes para
os pesquisadores? Como os psicólogos descobriram recentemente, todos os
quatro tipos de sincronização — expressões faciais, batimentos cardíacos,
respiração e atividade neural — são fortemente correlacionados com o au-
mento da empatia e dos vínculos sociais. Quanto mais sincronizamos com
uma pessoa, mais gostamos dela — e maior é a tendência de a ajudarmos
no futuro.
Assim, não é surpreendente que, em pesquisas realizadas após os estudos
citados anteriormente, jogadores de Hedgewars tenham relatado altos níveis
de empatia e conexão com quem jogaram — repetindo, sem importar se
jogaram cooperativa ou competitivamente. 60
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Headgewars  não é um caso isolado quanto a isso. Na verdade, como


um campo de estudo em expansão mostrou, qualquer jogo que seja jogado
por duas pessoas no mesmo local cria esse tipo de “fusão mental” e sincro-
nização de corpo — servindo de base para um relacionamento mais forte e
positivo após o jogo.
Mas como os jogos ativam uma conexão de mente e corpo tão rápida e
de forma tão efetiva — e existe alguma outra coisa que você possa fazer para
alcançar um efeito semelhante? Vamos nos aprofundar um pouco mais na
ciência da sincronização para descobrirmos.
Inconscientemente, os humanos imitam os outros o tempo todo. Nós
andamos no mesmo ritmo quando caminhamos juntos. Respondemos o
sorriso de alguém com outro sorriso naturalmente, sem mesmo pensar. Al-
teramos nossa linguagem corporal para igualar à postura de quem gosta-
mos. E isso não é um fenômeno de um para um. Em eventos esportivos ou
concertos, fazemos as mesmas expressões faciais e nos movemos ao mesmo
tempo que os outros fãs, criando multidões inteiras de indivíduos biologi-
camente ligados.
Nem toda sincronização é fácil de se observar. Por exemplo, pesquisas
mostram que os batimentos cardíacos da mãe sincronizam com os do
bebê em seu colo. E, quando um amigo íntimo lhe conta como foi seu
dia, você experimenta o que os cientistas chamam de acoplamento neu-
ral. Sua atividade cerebral se comporta como a do seu amigo e você sente
como se fosse uma experiência sua que ele está descrevendo. É surpreen-
dente quando você pensa no assunto: seu cérebro processa a história do
seu amigo como se fosse sua.
Por que essas conexões biológicas espontâneas são tão comuns? Os cien-
tistas dizem que, sem elas, a sobrevivência — ou ao menos uma interação
social bem–sucedida — seria impossível.
A fim de interagir com outras pessoas, devemos ser capazes de com-
preendê–las. O que elas estão pensando? O que estão sentindo? Que ações
estão prestes a realizar? Será que querem machucá–lo ou ajudá–lo? Mas não
é fácil ler a mente de outra pessoa ou adivinhar o que ela está sentindo. Na
verdade, o único jeito de fazer isso é recriando seus pensamentos e sentimen-
tos em nossas próprias mentes e corpos.
Veja este exemplo: Um desconhecido está sorrindo para você. Ele
deseja lhe fazer o bem ou o mal? Você involuntariamente sorri de volta
— com um sorriso igual ao dele. Seu sorriso pode ser fugaz — talvez 61
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

durando apenas um microssegundo, quase indetectável. Mas agora seu


cérebro compreende as intenções do estranho. Ele sabe se o sorriso que
você acabou de retribuir é do tipo caloroso que costuma dar às pessoas
de quem você gosta ou um sorriso falso que dá às pessoas de quem você
não gosta. Somente se tornando um espelho para alguém você é capaz
de deduzir com precisão suas intenções.
Aqui está outro exemplo: Você corre para alcançar alguém e passa a ca-
minhar ao seu lado. Vocês naturalmente entram em sincronia, e ao fazer
isso, você obtém informações importantes sobre o estado de espírito daquela
pessoa. Talvez seus passos estejam um pouco mais largos e rápidos que o
habitual — e você começa a sentir fisicamente a urgência dela. Ou talvez se
sinta relaxando, andando mais lentamente do que o normal. Você começa a
sentir a mesma calma que a outra pessoa. Ao imitar inconscientemente seu
movimento físico, subitamente você tem acesso às suas emoções!
Nós sincronizamos desse modo centenas de vezes todos os dias sem nos
darmos conta. As pessoas que fazem isso tendem a obter pontuações mais
elevadas em quantidade de empatia e inteligência social. Isso porque quanto
mais espelha e imita, mais você entende as pessoas ao seu redor.
Isso faz surgir uma pergunta importante: por que  gostamos mais  das
pessoas quando as imitamos e nos espelhamos nelas? Não é apenas uma
questão de melhor compreensão. Inúmeros estudos têm mostrado que nos
tornamos mais próximos, mais carinhosos e mais propensos a ajudar as pes-
soas com quem sincronizamos. Por quê?
Os cientistas teorizam que a sincronização cria uma “espiral ascen-
dente” de conexão positiva entre duas pessoas. Ela nos ajuda a com-
preendermos melhor o outro, o que significa termos interações sociais
mais suaves — e isso nos torna mais dispostos a interagir com aquela
pessoa novamente no futuro. Estudos mostram que, quando estamos
biologicamente sincronizados, também nos tornamos mais eficazes jun-
tos, porque somos mais capazes de antecipar as ações do outro. Expe-
rimentar o sucesso em sincronia nos torna mais propensos a ajudar uns
aos outros no futuro. Além disso, é natural gostarmos mais das pessoas
que se parecem conosco. Então, quando percebemos inconscientemente
outra pessoa se espelhando em nós, desenvolvemos sentimentos mais
positivos com relação a ela. E quanto mais gostamos de alguém, mais
tempo tendemos a passar com essa pessoa, o que nos dá mais oportuni-
dades para sincronizar e fortalecer o nosso vínculo. 62
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Nem toda sincronização leva a sentimentos positivos ou vínculos mais


fortes. Se achar, através de uma conexão neural rápida, que alguém quer
lhe fazer mal, você não vai fazer amizade com essa pessoa. E sincronizar se
apoiando em uma emoção como raiva ou frustração pode criar mais estres-
se, ao invés de empatia. Pesquisas sugerem, por exemplo, que casais infelizes
no casamento, na verdade, entram em espirais descendentes de sincroniza-
ção ao discutirem. Quanto mais eles brigam, mais suas mentes e corpos se
alinham — mas com emoções negativas, em vez de positivas (casais mais fe-
lizes, por outro lado, são na verdade menos biologicamente ligados durante
as brigas. Pesquisadores acreditam que eles são mais capazes de se espelhar
e processar rapidamente os sentimentos negativos do seu parceiro sem ter de
incorporá–los plenamente).
Entretanto, a sincronização com base em sentimentos negativos pode ter
pelo menos um benefício. O aumento da conexão biológica que alguns ca-
sais apresentam ao brigar pode explicar por que tantos dizem que uma boa
discussão pode levar a um excelente sexo. Ao sincronizar, você está muito
mais em sintonia com a mente e o corpo do outro. Ainda assim, conside-
rando todos os fatos, os maiores benefícios vêm de sincronizar com base em
emoções positivas, como interesse, entusiasmo, curiosidade e admiração —
emoções que são extremamente comuns ao se jogar.
Você vai notar a próxima vez em que estiver em uma espiral ascendente
com outra pessoa? Aqui está uma missão para ajudá–lo a aumentar sua in-
teligência social agora mesmo.

MISSÃO 8: O Detector de Amor

Quando entende como a sincronização funciona,


você nota quando ela ocorre ao seu redor. É
quase como desenvolver um sexto sentido —
você vê relacionamentos feiscando e conexões
se fortalecendo bem diante de seus olhos.

Quero que pense nesse seu novo sexto sentido


como um poderoso detector de amor.
63
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

O que fazer: Procure o sinal revelador


de uma profundasincronização
biológica entre duas pessoas.

O que é o sinal revelador? Quando


duas pessoas estão se sentindo ligadas
positivamente, a linguagem corporal de uma
começa a espelhar a da outra. Quando uma
pessoa se inclina para frente, a outra se inclina
para a frente. Quando uma apoia a cabeça
de um jeito pensativo na mão direita, a outra
segue o exemplo. Quando uma se senta de
pernas cruzadas, logo a outra vai também.

Esse tipo de espelhamento espontâneo e


inconsciente acontece em todas as situações:
no horário do café conversando com amigos,
durante as reuniões de trabalho, em entrevistas
de emprego, no primeiro encontro e em
festas. É o que acontece sempre que você se
sente realmente “em sintoria” com alguém.

Por que funciona: Doutora Barbara


Fredrickson, uma das maiores pesquisadoras de
emoções positivas do mundo, descreve estes
momentos espelhados como “micromomentos
de amor”. Sempre que nossa atividade
cerebral e bioquímica se alinham, diz ela,
estabelecemos as bases de uma futura amizade
ou até mesmo de intimidade. Por mais que
amor pareça uma palavra forte demais para
designar esses momentos do dia–a–dia, as
pesquisas da doutora Fredrickson mostram
que toda vez que sincronizamos em um
contexto seguro e positivo, estamos realmente
64
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

sentindo uma pequena explosão de profunda


conexão humana. Sempre que espelhamos,
é como se estivéssemos praticando e
fortalecendo nossa capacidade de amar.

Algumas pessoas podem aconselhá-lo a


imitar propositalmente a linguagem corporal
do seu chefe ou do seu pretendente para dar
aquele empurrãozinho no amor, mas eu não
recomendo. Em vez disso é mais divertido
(e definitivamente menos assustador!)
simplesmente tomar consciência do
espelhamento quando ele acontecer —
e se deliciar com esses micromomentos
de amor, sempre que os perceber.

Então aqui está a missão para aprender a usar


seu novo detector de amor: nas próximas vinte
e quatro horas, preste atenção especial à
linguagem corporal das pessoas ao seu
redor (e à sua própria linguagem corporal).

Missão cumprida: Se você vir linguagens


corporais sendo espelhadas, parabéns
— completou esta missão detectando
um micromomento de amor.

65
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Se a sincronização acontece o tempo todo, o que torna tão especial aque-


la que ocorre durante o jogo?
Em alguns aspectos, não há nada especial sobre ela — funciona exa-
tamente igual à de qualquer outro tipo de interação social. Porque você e
seu parceiro jogador estão concentrando sua atenção na mesma atividade
ao mesmo tempo, os neurônios de um começam a espelhar os do outro.
E porque as emoções são contagiosas, você vai passar as suas e receber as
dele — quer se trate de felicidade ao realizar um movimento bem sucedido,
frustração ao encarar um obstáculo difícil ou surpresa ao obter um resulta-
do inesperado. Assim como seus sentimentos se alinham, o mesmo ocorre
com os seus corpos — desde os músculos do seu rosto que expressam sen-
timentos diferentes até a quantidade de suor em sua pele que revela o quão
animado ou estressado você está.
Todas as atividades compartilhadas — como assistir a um filme, con-
versar ou ouvir música — têm um potencial similar para criar ligações de
mente e corpo. No entanto, a intensidade das ligações criadas pelos jogos é
normalmente muito mais forte.
Lembre–se do Capítulo 1 quando falamos do tipo especial de atenção
que damos aos jogos: quando jogamos, entramos em um estado de foco
profundo, ou  engajamento total. E quando duas pessoas estão juntas em
engajamento total, a sincronização é muito maior (e muito mais agradável)
do que quando participam de atividades menos mentalmente absorventes.
Da mesma forma, já que tendemos a sentir grandes emoções, como entu-
siasmo e alegria, durante o jogo, a qualidade da ligação emocional é eleva-
da também. Quanto mais fortes os nossos sentimentos sincronizados, mais
profunda a nossa conexão de mente e corpo.
Mas o que é realmente especial sobre a sincronização durante o jogo é
melhor explicado pelo que os psicólogos chamam de teoria da mente que,
resumindo, indica o que está acontecendo na mente de alguém em deter-
minado momento. Quando você joga com alguém, gasta uma quantidade
enorme de tempo tentando antecipar o que a outra pessoa vai fazer a seguir,
tanto se estiver jogando cooperativa ou competitivamente: quanto mais pre-
cisamente você consegue prever o que o seu companheiro está pensando,
mais bem sucedido você será no jogo.
Jogar requer uma poderosa teoria da mente, muito mais do que as inte-
rações sociais comuns. Em comparação com caminhar ou conversar com
alguém, os jogos — com toda a sua imprevisibilidade e tomadas de decisões 66
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

constantes — requerem uma sincronização muito mais firme e contínua. É


devido a este ambiente social de alta demanda que as ligações neurológicas
e fisiológicas acontecem tão rapidamente e de forma tão fácil sempre que
jogamos. É simplesmente a natureza do jogo.
Como a sincronização acontece de uma maneira tão rápida, confiável e
profunda durante o jogo, muitos jogadores o consideram particularmente
útil para criar laços sociais mais fortes. Isto é especialmente verdadeiro para
os indivíduos introvertidos, que parecem se beneficiar imensamente com as
conexões sociais fáceis e poderosas oferecidas pelos jogos.
Estudos do mundo real oferecem ainda mais informações sobre os bene-
fícios da sincronização através dos jogos. Uma pesquisa da Escola da Vida
Familiar da Universidade Brigham Young, por exemplo, mostra que jogar
regularmente no mesmo espaço físico aumenta a sensação de ligação entre
pais e filhos. E para crianças com autismo, jogos para mais de um jogador
causam um aumento da cooperação, melhoram as interações sociais fami-
liares e aumenta a inteligência social. Crianças com autismo se comunicam
mais diretamente e mais confiantes com os seus colegas e irmãos depois de
jogarem juntos. Eles também elogiam mais e dão toques positivos com mais
frequência, como bater na mão de um colega ao comemorar.
Se você não joga frequentemente, mas existe um jogador em sua vida,
considere passar o tempo jogando com ele mais vezes. Isso é uma das coisas
mais produtivas que você pode fazer com seu tempo livre — se quiser des-
frutar de um relacionamento mais próximo e feliz.

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Sua missão

Caminhar juntos
ou mudar os
móveis da sala
Melhorar a empatia do grupo.

V
ocê passa o dia todo em frente ao computador e se levanta apenas
por alguns instantes para usar o banheiro ou ir almoçar? Pois isso
pode não estar ajudando na sua produtividade.
Para um livro com um nome tão grande, é de se esperar que aspectos
muito interessantes sejam abordados. Superbetter apresenta uma série de
dicas — que Jane chama de “inventários” — de como usar a gamificação
para lidar com diferentes áreas psicológicas e melhorar a produtividade
em equipe, por exemplo. É como se a pessoa adotasse um estilo de vida
que envolvesse «gaming» para ajudar também no crescimento pessoal de
cada um.
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Jogar juntos.

No estudo, Jane propõe que quando uma equipe de trabalho joga junto
isso faz com que seus cérebros e corpos fiquem “sincronizados”, e acabam
reproduzindo as mesmas expressões faciais, além de a atividade direcionar o
foco para um mesmo ponto. 
O jornalista do site Inc. Bob Gower sugere que, antes de reuniões impor-
tantes, a equipe jogue por uns 10 minutos qualquer game. Ele afirma que
os grupos com os quais trabalhou operaram notavelmente melhor depois de
jogar. A opção da autora do livro é o game “Hedgewars” — um joguinho
baseado em estratégia e artilharia –, por ser “fácil e divertido”. McGonigal
aponta que é possível conseguir algum efeito jogando de forma colaborativa
ou competindo.
Dois minutos de caminhada juntos pode surtir bons efeitos. “Uma equi-
pe que trabalhava com McGonigal retira uma pesada mesa da sala de confe-
rência toda vez que as coisas ‘esquentam’. Eles dizem que acrescenta leveza,
e a sincronização os ajuda a encontrar uma solução mais rápido do que
fariam”, escreveu Gower em artigo. 
Os “gamings” contidos no livro são basicamente motivacionais. O suge-
rido por Jane McGonigal no site oficial do livro é o Gameful Strengthful
Inventory, que é um de seus inventários usados para medir características
pessoais mais subjetivas.

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Sua missão

Por que jogar?


Por muitos motivos.

S
e você esta em forma, faz muito exercício físico, dorme vem, esta sem-
pre em dia com suas obrigações e nunca briga com filhos, esposa, ou
marido, esqueça este questionário.
No entanto, se você se considera razoavelmente saudável, mas gostaria
de perder um pouco de peso, se algumas vezes se sente sobrecarregado e
ansioso com tudo o que precisa resolver, se eh dessas pessoas que acham
que o relacionamento com familiares, amigos ou colegas de trabalho po-
deria ser muito melhor, este eh o questionário perfeito para você.
Ele chegou para simplificar as decisões que somos obrigados a tomar
no dia a dia.

Vamos começar?

1. Como fortalecer o seu relacionamento?


Dica: As pessoas têm medo de se envolverem e de se amarem, gastam tempo e dinheiro
com elas próprias, pessoas de todas as idades. As formas de interagir com outras pessoas
e com meio ambiente se perdem da parte da vida que são abrange emoções, conexões
sociais, engajamento, paixão, irracionalidade.
Resposta:

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Comentado por Amanda Carbone

2. Como adquirir uma nova habilidade?


Dica: Neste processo, atividades chatas e sem sentido passam a ser mais divertidas, envol-
vidas em um ambiente de arte e diversão. Assim permitimos frutificar os nossos talentos,
potencializar resultados e criar um ambiente favorável e com grandes resultados.
Resposta:

3. Como encontrar a sua vocação profissional?


Dica: Saber o que queremos fazer da vida é extremamente difícil. Escolher o curso da fa-
culdade, carreira a se seguir e afins não é fácil, especialmente se você não souber qual é a sua
vocação. Veja 5 atividades que o ajudarão a descobrir a sua vocação: Ler sobre assuntos do
seu interesse, perceba o que você realmente gosta de fazer, peca ajuda dos seus amigos, estude
e viaje.
Resposta:

4. Como perseguir um sonho de infância?


Dica: Parece óbvio, mas poucas pessoas conseguem. Não é à toa que 87% das pessoas
no mundo (segundo o instituto de pesquisa Gallup) estão trabalhando em algo que não
gostariam ou nunca realizaram um sonho de infância. O que você está fazendo hoje, está
te levando para onde?
Resposta:

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5. Como viver uma rotina mais leve?


Dica: Como é bom viver plenamente. Como é bom saber que hoje, ao deitar a cabe-
ça no travesseiro, estarei me sentindo feliz por ter aproveitado mais um dia. Assuma
responsabilidades, é claro, mas não tenha medo de encarar os problemas, obstáculos e
atividades do dia a dia com maior leveza. Acredite, vale a pena!
Resposta:

6. Quais os objetivos que você quer atingir?


Dica: Pense quais são as competências e/ou conceitos que precisa que os seus líde-
res dominem. Se é a aprendizagem orientada para o comportamento (como a liderança
de equipas virtuais ou aumentar a responsabilidade), a gamificação pode ser uma forma
ideal para usar o role playing e atribuir pontos com base no desempenho. Se precisa de
cobrir tópicos mais técnicos, pode considerar os cursos individuais online ou de e–lear-
ning, e atribuir pontos por cada curso concluído.
Resposta:

7. Como vamos medir o sucesso?


Dica: Será que ganhar quer dizer que se entende melhor a matéria? Ou vencer pode ser
apenas um caso de sorte? Medir o sucesso depende do tipo de jogo que é jogado. A gamifi-
cação pode complementar as abordagens tradicionais de avaliação de liderança e de desenvol-
vimento. Embora não seja um substituto das sessões regulares de coaching ou das avaliações
de desempenho, a performance de uma pessoa em jogos orientados para a formação pode ser
uma maneira de avaliar se aprendeu a aplicar novas capacidades. Por isso é importante ter
uma forma de medir e acompanhar os resultados ao longo do tempo. 
Resposta:

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8. Quais são os incentivos?


Dica: Quando dada a opção de ouvir uma palestra ou participar num jogo, o mais provável é os
funcionários votarem na segunda hipótese. Pode ser mais divertido, mas há outros incentivos para
que eles joguem? Os formandos recordam apenas 10% do que leem e 20% do que ouvem;
mas lembram–se de 90% se o fizerem eles próprios, mesmo que seja algo tão simples como uma
simulação ou um cenário de role playing. As experiências interativas tendem a ser mais memoráveis;
e colocar as teorias em prática pode ser uma forma motivadora de aprenderem. Saber que eles vão ter
uma sólida compreensão do material enquanto jogam é um poderoso incentivo, mas fornecer outro
tipo de encorajamento — como prémios, crachás ou credenciais que podem incluir no currículo ou
perfil para mostrar que passaram pela formação ou que ficaram certificados — pode motiva–las.
Resposta:

9. Que tipo de jogos vão ajudar–nos a alcançar os objetivos?


Dica: A gamificação é a aplicação de técnicas de jogo ou elementos de jogos no local
de trabalho ou noutros contextos nos quais não são tradicionalmente utilizados ​​com
o intuito de motivar os colaboradores a atingirem os objetivos. Embora na maior parte
das vezes envolva tecnologia digital, como programas de computador que permitem aos fun-
cionários completar tarefas simuladas e ganhar pontos, o termo pode ser aplicado de forma
mais ampla para incluir uma variedade de técnicas de aprendizagem interativas, como role
playing (interpretação de papéis). Independentemente do formato, a chave está em encontrar
uma maneira única de tornar a aprendizagem interativa, competitiva e divertida.
Resposta:

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10. Fizemos esta opção pelas razões certas?


Dica: Há muitas razões para utilizar a gamificação na aprendizagem — pode querer
criar uma experiência de formação mais interativa, elevar a disposição dos trabalhadores
ou melhorar a colaboração entre funcionários. Mas se já existe tensão no escritório ou
problemas de coesão, aumentar o nível de concorrência pode fazer mais mal que bem.
Por fim, considere a frequência com que a sua empresa recorre à gamificação e para
que tipo de formação. A chave é não contar com este método como o único tipo
de formação, mas usá–lo o suficiente para manter os funcionários envolvidos.
A gamificação tem sido implementada com sucesso em grandes multinacionais e pode
tornar–se ainda mais popular no futuro, transformando–se numa opção acessível para
a sua empresa. Tenha em mente, contudo, que deve ser parte de uma estratégia maior
que inclui avaliações e uma variedade de programas de desenvolvimento. E é aqui que
perguntamos “Como está o sistema de desenvolvimento sua organização?”.
Resposta:

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Amanda
Carbone

Amanda Carbone é formada pela Socie-


dade Brasileira de Coaching em Professio-
nal, Life e Gamification Coach, possuindo
especialização em inteligência competitiva
e gamificação. No último ano desenvolveu
um sistema gamificado onde reuniria to-
dos recursos necessários para o bom fun-
cionamento da gamificação tanto para o
ensino quanto para treinamentos corpo-
rativos, além de todo o suporte necessário
para qualquer eventualidade.
Como especialista em gamificação, dedi-
cou-se à compreensão de tendências tecno-
lógicas que poderiam representar grande
destaque e transformação, desenvolvendo
um jogo gamificado como meio de ensino
para conscientização ambiental. 75
Superbetter - O jogo que te ajuda a viver melhor
Comentado por Amanda Carbone

Nota sobre os direitos autorais:

O livro SuperBetter, de Jane McGonigal, foi publicado originalmente


em 2015.
Este guia não oficial é disponibilizado por Gamification Express com o
objetivo de oferecer conteúdo de altíssima qualidade que pode ajudar incon-
táveis pessoas, mudando completamente sua vida para melhor, mas que não
podem usufruir de seus benefícios pelo fato do livro nunca ter sido lançado
oficialmente no Brasil. 76
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Comentado por Amanda Carbone

Diagramado nas fontes Adobe Garamond Pro e Helvetica Neue para leitura em formato PDF pela 77
Agência Flecha - Marketing Artesanal. Distribuído digitalmente pela Gamification Express.