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CAPÍTULO 1.

PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS


PNEUMÁTICOS

1.1. INTRODUÇÃO

A superfície terrestre está envolta por uma camada de ar cuja mistura gasosa é
aproximadamente formada pela seguinte composição:
78,0084% de nitrogênio
20,946% de oxigênio
0,934% de argônio
0,036% de outros gases
Além da composição predominante formada por nitrogênio e oxigênio, o ar atmosférico
contém resíduos de outros gases, como o dióxido de carbono, argônio, hidrogênio, neônio, hélio,
criptônio, xenônio, etc.
Apesar de insípido, inodoro, incolor e de reduzida massa específica, o ar exerce influência na
movimentação dos corpos. Por exemplo, um pára-quedista em queda livre sofre a influência da
resistência do ar durante a queda, sendo esta tanto maior quanto maior for a velocidade de descida.
O mesmo efeito também é observado em aeronaves e automóveis, os quais são projetados com base
nos fundamentos de aerodinâmica visando minimizar o efeito do atrito do ar.
Como qualquer matéria, o ar atmosférico também possui massa e, conseqüentemente, peso.
Para se ter uma noção, o volume de um litro de ar, a 0C e ao nível do mar, pesa Par = 1,293.103 kg.
As camadas inferiores da superfície terrestre estão submetidas a um peso maior do ar e, por isso, são
mais comprimidas do que as camadas superiores. Conclui-se, portanto, que o volume de ar à pressão
normal (ou atmosférica) é mais pesado quando comparado ao volume de ar de altitudes acima do
nível do mar, sendo esta diferença uma conseqüência da variação da massa específica do ar ar.
A atmosfera exerce sobre nós uma força equivalente ao peso de uma coluna de ar de seção
unitária e de altura que se estende desde um ponto de referência até a altura total da coluna de ar,
que corresponde a altura total das camadas atmosféricas. Esta “força” é quantificada pela pressão
local. A pressão atmosférica não é constante, mas muda de acordo com a situação geográfica e as
condições atmosféricas. Ao nível do mar a pressão local é de 1 atmosfera. Abaixo de uma
determinada linha imaginária que corresponde à pressão atmosférica, existe uma região cuja pressão
é inferior à pressão atmosférica, denominada zona de depressão, e uma segunda região localizada
acima da linha da pressão atmosférica, chamada de zona sobre-pressão (Figura 1).
Tanto a zona de depressão como a região de sobre-pressão, adotam como referência à
pressão atmosférica. Isto significa que quando uma pressão for medida, deve-se considerar a
influência da pressão atmosférica, ou seja, a medida realizada quantificará a diferença entre a
pressão real e a pressão atmosférica. Na prática, a maioria dos instrumentos utilizados para medição
da pressão somente mede a sobre-pressão de determinado ambiente ou equipamento. A pressão
medida é denominada de pressão manométrica p man. e o instrumento convencional de medição
manômetro. A pressão real é denominada de pressão absoluta p abs. e pode ser expressa por:

pabs .  patm  pman. (1.1)

Por exemplo, se fosse realizada a medição da pressão ao nível do mar, o manômetro


indicaria pressão = 0 kPa, enquanto que o indicador de pressão absoluta indicaria uma pressão  100
kPa (1 atmosfera).

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Pressão (bar)
Pressão manométrica
Sobre-pressão

Pressão absoluta
1,013 bar

Zona de depressão pabs.


0 bar

Figura 1 – Definição de pressão manométrica e pressão absoluta.

O cálculo da pressão atmosférica utiliza o princípio de coluna de líquido, cuja altura do líquido
em um tubo graduado, com pressão interna praticamente nula (vácuo) e submetido à pressão local
determina a pressão em questão, isto é:

patm.  .g.h (Pa) (1.2)

Segundo o enunciado de Torricelli (1608-1647), constatou-se em seus experimentos que a


uma pressão equivalente à pressão de uma atmosfera é possível equilibrar uma coluna de água de h
= 10,33 m ou uma coluna de mercúrio de h = 0,76 m. Empregando como líquido padrão o mercúrio,
foi verificado que,

kg m (1.3)
patm.  .g.h  13.596 3
.9,81 .0,76 m  100 kPa  1 atm
m s2

Onde:
 (Hg) = 13.596 kg/m³ (massa específica)
g = 9,81 m/s² (aceleração da gravidade)
h = 0,76 m ao nível do mar (altura da coluna de líquido).

1.1.1. Exemplo resolvido 1


Um manômetro mede uma pressão de 5 bar em um reservatório de ar comprimido. Determine
a pressão absoluta no reservatório.
Solução:
De acordo com a Equação (1.1):

pabs.  1,013 bar  5 bar  6 bar

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1.1.2. Exemplo resolvido 2


Um reservatório de vácuo está a uma pressão absoluta de 0,6 bar. Qual será a pressão
indicada no instrumento de medição de pressão?
Solução:
De acordo com a Equação (1.1):

p man.  pabs.  patm.  0,6 bar  1 bar  0,4 bar

1.2. TERMODINÂMICA DOS GASES, REVISÃO

1.2.1. Trabalho
O trabalho é usualmente definido como sendo uma força F que produz um deslocamento x no
sentido da força F, isto é,

2
W   F dx
1
(1.4)

No sistema internacional, a unidade de trabalho é o Joule. A potência, por sua vez, é o


trabalho considerado por unidade de tempo, designada pelo símbolo W  fornecida em watts ou
Joule/s.

  W (1.5)
P W
dt

Dada à definição de trabalho, vamos agora considerar o trabalho realizado pelo movimento
de fronteira de um sistema compressível durante um processo quase-estático.
Consideremos como sistema, um gás contido num cilindro de êmbolo, como mostrado na
Figura 2. Vamos retirar um dos pesos do êmbolo, provocando um movimento para cima, de uma
distância dL. A força total sobre o êmbolo é p.A, onde p é a pressão do gás e A é a área do êmbolo.
Portanto o trabalho W é:

 W  p A dL (1.6)

Porém, A.dL = dV, variação de volume do gás. Portanto,

 W  p dV (1.7)

O trabalho realizado, portanto, é obtido pela integração da Equação (1.7). Entretanto, essa
integração pode somente ser efetuada se for conhecida a relação entre p e V durante o processo.

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dL

gás

Figura 2 – Trabalho efetuado pelo movimento de fronteira.

Consideremos então, a relação p – V, usando como exemplo um processo de compressão de


ar quase-estático em um cilindro, tal como mostrado no gráfico da Figura 3.

dV

b a V
V2 V1
F

Figura 3 – Uso do diagrama pressão – volume para determinação do trabalho realizado.

No início do processo, o êmbolo está na posição 1 e a pressão é relativamente baixa. Ao final


do processo, o êmbolo está posicionado em 2 e a pressão do assume um valor p2. O trabalho
realizado por este processo, pode ser determinado pela integração da Equação (1.7).

2 2

1W 2  
1
 W 1W 2   p dV
1
(1.8)

O símbolo 1W2 deve ser interpretado como sendo o trabalho realizado durante o processo
realizado do estado 1 ao 2, o qual é representado pela área sob a curva 1-2, ou seja, a área a-1-2-b-
a.
O diagrama p-V da Figura 4, ainda nos permite verificar que é possível ir do estado 1 ao
estado 2 por caminhos diferentes A, B, C. Como a área sob cada curva representa o trabalho para
cada processo, torna-se evidente que o trabalho envolvido é uma função não somente dos estados
finais do processo, mas depende também do caminho que se percorre para se ir de um estado a

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outro. Por esta razão, o trabalho é chamado de função de linha, ou em linguagem matemática, W é
uma diferencial inexata.

p 2
C

B
A 1

b a V

Figura 4 – Vários processos quase-estáticos entre dois estados definidos.

1.2.2. Calor
O calor é definido como sendo uma forma de energia transferida através da fronteira de um
sistema, numa dada temperatura, a um outro sistema numa temperatura inferior em virtude da
diferença de temperatura entre os dois sistemas.
O calor pode somente ser identificado quando atravessa a fronteira, sendo caracterizado
como um fenômeno transitório. Quando o calor é transferido para um sistema, ele é considerado
positivo. De igual forma, quando o calor é transferido do sistema, ele é considerado negativo. Um
processo sem troca de calor é denominado adiabático (Q = 0).
Do ponto de vista matemático, o calor (e o trabalho), é uma função de linha e é definido como
sendo uma diferencial inexata, isto é, a quantidade de calor transferida quando um sistema sofre uma
mudança de um estado para outro depende do caminho que o sistema percorre durante a mudança
de estado. Na integração escrevemos

1 Q2   Q
1
(1.9)

Onde 1Q2 é o calor transferido durante o processo entre o estado 1 e o estado 2.

1.2.3. Quantidade de calor e capacidade térmica


Quantitativamente a unidade de calor Q é definida em termos de variação de uma das
grandezas de um corpo durante um processo específico. Por exemplo, se ao aquecermos um
quilograma de água, sua temperatura varia entre 14,5C e 15,5C, dizemos que o sistema recebeu
uma quilocaloria (kcal) de calor.
Para uma dada massa, a quantidade de calor necessária para produzir um determinado
acréscimo de temperatura depende da substância. Chama-se capacidade térmica C de um corpo o
quociente entre a quantidade calor dQ fornecida ao corpo e o correspondente acréscimo de
temperatura dT:

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dQ (1.10)
C = capacidade térmica =
dT

A capacidade térmica de um sistema é uma grandeza extensiva que expressa a quantidade


de calor necessária para elevar em 1C a temperatura do mesmo.
A capacidade térmica por unidade de massa de um corpo, denominada calor específico,
depende da natureza da substância da qual ele é feito e é definido como o quociente entre sua
capacidade térmica e sua massa:

capacidade térmica 1 dQ (1.11)


c= 
massa m dT

As condições de transferência de calor devem ser especificadas para haver uma definição
correta do calor específico. Na prática, são particularmente importantes às transformações a volume
ou a pressão constante, o que permite que, por meio de tabelas e gráficos termodinâmicos, sejam
fornecidos os valores dos calores específicos cp e cv, a pressão e volume constante respectivamente.
O calor específico, de acordo com o sistema internacional, é dado em J/kg K ou ainda em J/kg mol.K
denominado de calor específico molar.
Os calores específicos do ar a pressão e volume constantes nas CNTP são:
cp = 1004 J/kg K cv = 717,4 J/kg K kar = 1,40
A capacidade térmica e o calor específico dos materiais não são constantes, mas dependem
do intervalo de temperatura considerado. Para as temperaturas usuais na pneumática, os calores
específicos normalmente são considerados constantes.
A quantidade de calor que deve ser transferida a um corpo de massa m, cujo material tem um
calor específico c, para elevar sua temperatura deste Ti até Tf é,

Tf
Qm  c dT
Ti
(1.12)

Onde c é função da temperatura.

1.2.4. 1a. Lei da termodinâmica


A termodinâmica estuda as transformações da energia e, em particular, a transformação do
calor em trabalho mecânico.
A primeira lei da termodinâmica estabelece que, durante qualquer ciclo percorrido por um
sistema, a integral cíclica do calor é proporcional ä integral cíclica do trabalho, a qual pode ser
equacionada sob a forma,

 Q   W (1.13)

A aplicação da 1a. Lei da Termodinâmica para um processo que sofre uma mudança de
estado necessita da introdução de uma nova propriedade, a energia, a qual é dada pelo símbolo E.
Consideremos um sistema que percorre um ciclo, mudando do estado 1 para estado o estado 2 pelo
processo A e voltando do estado 2 para o estado 1 pelo processo B. Esse ciclo é mostrado na Figura
5 num diagrama pressão – volume.

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p (Pa)
2
A

B
1
C

V (m3)

Figura 5 – Aplicação da 1a. Lei da Termodinâmica em sistemas com mudança de estado.

Considerando os dois processos separados temos

2A 1B 2A 1B


1A
Q 
2B
Q  
1A
W   W
2B
(1.14)

Agora consideremos um outro ciclo, com o sistema mudando do estado 1 ao estado 2 pelo
processo A e retornando ao estado 1 pelo processo C. Para esse ciclo podemos escrever

2A 1C 2A 1C


1A
Q 
2C
Q 
1A
W   W
2C
(1.15)

A subtração das Equações (1.14) e (1.15) resulta,

1B 1C 1B 1C

 Q   Q   W   W
2B 2C 2B 2C
(1.16)

Reordenando

1B 1C

  Q   W     Q   W 
2B 2C
(1.17)

Visto que B e C representam processos arbitrários entre 1 e 2, concluí-se que a quantidade


 Q   W é a mesma para todos os processos entre o estado 1 e o estado 2. Em conseqüência,
 Q   W depende somente dos estados inicial e final e não depende do caminho percorrido entre
os dois estados, ou seja, a diferença  Q   W é uma função de ponto e, portanto, é a diferencial
de uma propriedade do sistema. Essa propriedade é denominada de energia do sistema sendo
representada pelo símbolo E. Assim, pode-se escrever,

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dE   Q   W (1.18)

ou

 Q  dE   W (1.19)

Integrando a Equação (1.19) temos

1 Q2  E 2  E1 1W 2 (1.20)

Onde 1Q2 é o calor transferido para o sistema durante o processo do estado 1 ao estado 2, E1
e E2 são os valores inicial e final da energia E e 1W2 é o trabalho efetuado pelo sistema durante o
processo.
O significado físico da propriedade E é o de representar toda a energia de um sistema em um
dado estado. Essa energia pode estar presente numa multiplicidade de formas, tal como a energia
cinética ou a energia potencial do sistema com relação a um sistema de coordenadas, a energia
associada com o movimento e posição das moléculas, a energia associada a um capacitor carregado,
ou sob qualquer outra das várias formas existentes. No estudo da termodinâmica, é conveniente
considerarem-se separadamente as energias cinética e potencial e considerar todas as outras formas
de energia do sistema numa única propriedade, a qual é chamada de energia interna representada
pelo símbolo U. Assim, pode-se escrever,
E = Energia Interna + Energia Cinética + Energia Potencial
ou
E = U + EC + EP
A justificativa para esta separação é que as energias cinética e potencial estão associadas ao
sistema de coordenadas escolhido e podem ser determinadas por parâmetros macroscópicos como
massa, velocidade e elevação. A energia interna U inclui todas as outras formas de energia do
sistema e está associada ao estado termodinâmico do sistema. Como cada um dos termos é uma
função de ponto, podemos escrever,

 Q  dU  dEC  dEP   W (1.21)

ou

1 Q2  U 2  U1 
 2
m v 2  v1
2

 mg  Z 2  Z1   1W2 (1.22)
2

Em outras palavras, a Equação (1.22) estabelece que quando um sistema passa por uma
mudança de estado, a energia pode cruzar a fronteira em forma de calor ou trabalho, e cada um
destes termos pode ser positivo ou negativo. Além disso, a energia do sistema pode variar por
qualquer uma das três formas, a saber, por uma variação de energia interna, energia cinética ou
energia potencial.
A forma de representação da Equação (1.22) corresponde ao enunciado da Lei de
Conservação de Energia, ou seja, “a variação líquida de energia do sistema é sempre igual à
transferência líquida de energia através da fronteira do sistema, na forma de calor e trabalho”.
Onde
m = massa (kg)

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g = aceleração da gravidade = 9,8067 m/s²


v1,2 = velocidade (m/s)
Z1,2 = altura de elevação (m)
Em sistemas que não apresentam variação de energia cinética e potencial, a Equação (1.21)
reduz-se a,

dU   Q   W (1.23)

Sendo Q a energia recebida pelo sistema devido à transferência de calor, e W a energia


cedida pelo sistema, devido à realização de trabalho. Então Q  W representa, por definição, a
variação da energia interna do sistema. A Equação (1.23) nos permite que, pela escolha de um valor
arbitrário para a energia interna em um estado de referência padrão, poder-se-á determinar o seu
valor em um outro estado qualquer. É importante lembrar que nesta equação Q é considerado
positivo quando o calor é recebido pelo sistema, e W é positivo quando o trabalho é realizado
pelo sistema.
Com base na Equação (1.23), podemos enunciar a primeira lei como segue: “Todo sistema
termodinâmico possui em um estado de equilíbrio uma variável de estado chamada energia interna U,
cuja variação dU em um processo diferencial é dada pela Equação (1.23), a qual fornece um meio de
medir quantitativamente as variações da energia interna de um sistema”. A 1 a. Lei da termodinâmica
será usada posteriormente no tratamento das transformações dos gases perfeitos.

1.2.5. A propriedade termodinâmica entalpia


Ao se analisar tipos específicos de processos, freqüentemente encontram-se determinadas
combinações de propriedades termodinâmicas que são também, propriedades da substância que
sofre a mudança de estado. Para demonstrar a situação, consideremos um sistema que passa por
um processo quase estático à pressão constante (Figura 6).

1
Q
gás

Figura 6 – Processo quase-estático à pressão constante.

Assumimos também que não ocorram variações das energias cinética e potencial e que o
único trabalho realizado durante o processo é aquele associado ao movimento da fronteira do
sistema. Considerando o gás como o sistema e aplicando a 1 a. Lei da Termodinâmica,

1 Q2  U 2  U1  1W2 (1.24)

O trabalho pode ser calculado a partir da relação

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1W 2   p dV  p  V
1
2  V1  (1.25)

Portanto

1 Q2  U 2  U1  p2V2  p1V1  ( U 2  p2V2 )  ( U1  p1V1 ) (1.26)

Verificamos que para este caso, a transferência de calor durante o processo é dada em
termos da variação da quantidade U + pV entre os estados inicial e final. Como todos os elementos
dessa expressão são propriedades termodinâmicas, funções apenas do estado do sistema, a
combinações dos mesmos deve, obrigatoriamente, ter as mesmas características. Define-se, então,
uma nova propriedade extensiva chamada entalpia,

H = U + pV (1.27)

Ou, por unidade de massa,

h = u + pv (1.28)

Ou ainda,

u = h  pv (1.29)

Sendo h a entalpia específica e u a energia interna específica, ambas fornecidas em Joule/


kg.
Como resultado dessa definição, a transferência de calor num processo quase-estático à
pressão constante é igual à variação de entalpia, que inclui a variação de energia interna e o trabalho.
Como a entalpia é uma função de ponto ou estado, seu uso não está restrito à análise de
processos que ocorrem à pressão constante, uma vez que o cálculo da energia interna nesse estado
não está relacionado nem depende de qualquer processo que possa estar ocorrendo.

1.2.6. Definição de gases perfeitos


Consideremos uma massa nM de um gás, confinada em um recipiente de volume V; M é o
peso molecular (grama/mole) e n é o número de moles. A massa específica  do gás, nM/V, pode ser
reduzida ou pela remoção do gás do recipiente (redução de n) ou pela transferência do gás para um
recipiente de maior volume (aumento de V). A experiência mostra que, se a massa específica  for
suficientemente baixa, todos os gases, qualquer que seja sua composição química, tendem a
apresentar uma determinada relação entre as variáveis termodinâmicas p, V e T. Isto sugere o
conceito de gás ideal, aquele que teria o mesmo comportamento em qualquer condição.
Dada a massa nM de um gás em equilíbrio térmico, podemos medir sua pressão p. sua
temperatura T e seu volume V. Para valores suficientemente baixos da massa específica a
experiência mostra que: (1) para uma dada massa de gás, mantida a temperatura constante, a
pressão varia inversamente com o volume (Lei de Boyle), e (2) para uma dada massa de gás,
mantida a pressão constante, o volume varia diretamente com a temperatura (Lei de Charles e Gay
Lussac).
Durante a produção, preparação e distribuição do ar, ele está sujeito a uma série de
mudanças físicas causadas pela variação em seu estado termodinâmico, considerando-se nesta
transformação as variáveis, pressão, volume e temperatura. Existem vários tipos de transformações

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em gases regidas pelas leis da termodinâmica. De acordo com as variáveis envolvidas nas mudanças
de estado do ar, vamos inicialmente ver três tipos de transformações:
 Isobárica: transformação que se processa a pressão constante.
 Isométrica ou isocórica: transformação que se processa a volume constante.
 Isotérmica: transformação que se processa a temperatura constante.
Embora o ar comprimido não obedeça com exatidão à Lei dos Gases Perfeitos, pode-se
estimar com boa aproximação o comportamento do ar por meio do emprego das equações que serão
deduzidas na seqüência aplicadas aos gases ideais.

1.2.6.1. Lei de Boyle-Mariotte


A lei de BOYLE-MARIOTTE enunciada inicialmente pelo físico inglês Roberto Boyle (1661) e
comprovada experimentalmente, após, pelo físico francês Edmundo Mariotte (1676), estabelece que
“os volumes ocupados pelos gases a uma temperatura constante são inversamente proporcionais
às pressões que suportam”(Figura 7).
Assim,

p1.V1 = p2.V2 = p3.V3 = constante (1.30)

F1 = 0 F2

T, V1, T, V2,
p1 p2

Q

Figura 7 – Transformação isotérmica.

1.2.6.2. Lei de Gay Lussac


As leis de Gay Lussac também chamadas de leis de Charles Gay Lussac se referem às
transformações à pressão e a volume constante dos gases. As leis de Gay Lussac definem alguns
coeficientes de uso bastante prático para esses tipos de transformações.
O coeficiente de dilatação  e o coeficiente de tensão  dos gases são definidos como:

1  V  1  v  (1.31)
        cons tan te
V  t  p v  t  p

1  p  (1.32)
    cons tan te
p  t V

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Os valores de  e  foram determinados experimentalmente para diversos gases, sendo


1 1
== 
273,15 273
A expressão (1.31) do coeficiente de dilatação  permite escrever:

dv  v  dt (1.33)

v  dv  v  v  dt  v 1   dt  (1.34)

Assim, o volume v1 de um gás a uma temperatura t1 pode ser calculado em função de seu
volume vo a temperatura t0 de 0C, ou seja,

v 1  v o  v  v o 1   dt1  (1.35)

E igualmente para uma temperatura t2:

v 2  v o  v  v o 1   dt 2  (1.36)

Relacionando as expressões acima se obtém,

t1
1
v1
 273  t1  273 (1.37)
v2 t t 2  273
1 2
273

Definindo
t + 273,15 = T
Faz-se referência a temperatura absoluta definida em graus Kelvin, isto é,

v 1 V1 T1
  (1.38)
v 2 V2 T2

De onde se define que “os volumes ocupados pelos gases a uma pressão constante são
diretamente proporcionais as suas temperaturas absolutas” (Figura 8).
Assim, a variação do volume do ar V em um invólucro fechado pode ser dada por:

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T2  T1
V  V1 (1.39)
T1

Ou o volume 2 na temperatura 2 pode ser expresso por:

V1
V2  V1  T2  T1  (1.40)
T1

As equações anteriores são válidas somente quando as temperaturas são indicadas em


Kelvin. Quando a temperatura é indicada em graus Celsius, aplica-se a seguinte equação:

V1
V2  V1  T2  T1  (1.41)
273,15  T1

material
p, V2, isolante
p, V1, T2
T1

calor Q

Figura 8 – Transformação isobárica.

A 2a. lei de Gay Lussac se refere a uma transformação isométrica. Se um gás for confinado
em um recipiente, mantendo-se o volume constante e ocorrer uma variação na temperatura, a
pressão exercida pelo gás também apresentará variações.
A expressão do coeficiente de tensão, dada na Equação (1.32) nos fornece:

dp  p  dt (1.42)

p  dp  p  p  dt  p (1   dt ) (1.43)

De forma análoga à dedução anterior

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t1
1
p1 1   t1 273  t1  273  T1
  (1.44)
p2 1   t 2 t t 2  273 T2
1 2
273

Que pode ser enunciada da seguinte forma: “as pressões suportadas pelos gases que
ocupam um mesmo volume são diretamente proporcionais as suas temperaturas absolutas”, ou seja,

p1.T2 = p2.T1 = constante (1.45)

1.2.7. Lei dos gases perfeitos


As leis dos gases tratadas até agora se referem a transformações termodinâmicas de estado,
nas quais uma das variáveis envolvidas permanece constante. No entanto, na prática, geralmente
uma transformação de um estado a outro relaciona variações de todas as grandezas p, V e T, sendo
necessário recorrer a Lei dos Gases Perfeitos, a qual também pode ser aplicada para o ar
comprimido, ou seja,

f  p, v , T   0 (1.46)

Assim, se a partir das condições iniciais p 1, v1 e T1 aquecermos um gás até uma temperatura
T2, conservando constante a pressão p 1, o volume v’ resultante, de acordo com a lei de Gay Lussac,
será:

v 1 T2
v'  (1.47)
T1

Se a partir deste estado a pressão p 1 for alterada para p2, conservando-se a temperatura T2
constante, de acordo com a Lei de Boyle-Mariotte,

p1.v’ = p2.v2 (1.48)

Substituindo v’ na Equação (1.48),

v1 .T2
p1 .  p2 .v 2 (1.49)
T1

Rearranjando

p1 .v 1 p .v
 2 2 = constante para uma massa fixa de gás (1.50)
T1 T2

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 17


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

A relação dada pela Eq. (1.50) entre o produto da pressão pelo volume específico de um gás
e a sua temperatura absoluta recebe o nome de constante do gás considerado e é designada
usualmente por R.
Portanto,

pv  RT (1.51)

A Equação (1.51) recebe o nome de equação geral de estado dos gases perfeitos, a qual também
pode ser escrita como:

pv  RT (1.52)

Onde
p = pressão do gás (Pa)
v = volume específico à base molecular (m³/kmol)
m = massa (kg)
T = temperatura (K)
R = constante universal dos gases = 8314,4 J/kg-mol.K
A partir da Eq. (1.51) podemos definir um gás ideal como aquele que obedece a esta relação
sob quaisquer condições.

Sendo:

v R (1.53)
v  e R
M M

v = volume específico tendo a unidade de massa como base (m³/kg)


R = constante de um gás particular (J/ kg.K)
Como o peso molecular do ar é:
Mar = 28,97 kg/ kmol
Então:
Rar (65% de umidade relativa) = 287 J/ kg.K
O volume específico é expresso como:

V (m 3 ) (1.54)
v 
m (kg )

Substituindo a equação (1.54) na equação (1.51) resulta,

pV  mRT (1.55)

A principal característica do comportamento dos gases perfeitos reside no fato de que a


variação da energia interna potencial Up dos gases é desprezível, pois grandes mudanças de volume
não alteram seu valor. A experiência de Joule mostra que a energia interna dos gases perfeitos

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 18


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

depende unicamente da temperatura, o mesmo não se verificando para os calores específicos


(COSTA, 1967).

1.2.8. Constante geral dos gases


A hipótese de Avogrado afirma que “todos os gases, sob as mesmas condições de pressão e
temperatura apresentam, para volumes iguais, o mesmo número de moléculas”.
Se considerarmos dois gases quaisquer, denominando de M 1 e M2 seus respectivos pesos
moleculares e n o número de moles (com N moléculas cada um, sendo N o número de Avogrado)
contidos em um volume V em condições determinadas de pressão e temperatura, pode-se escrever:

V
m1  n M1  1 V  (1.56)
v1

Semelhantemente

V
m2  n M 2   2 V  (1.57)
v2

Dividindo M1 por M2,

M1 1 v 2
  (1.58)
M 2  2 v1

Generalizando

M1 v 1  M 2 v 2  Vm = constante (1.59)

Conclui-se que “os volumes correspondentes aos pesos moleculares dos diversos gases, nas
mesmas condições de temperatura e pressão, são iguais e recebem o nome de volume molar Vm”.
Nas condições normais de temperatura e pressão CNTP, 0C e 1 atmosfera (101.325
Pa), para um peso molecular dado em kg, o volume molar equivale 22,41 m³/kmol. Substituindo estes
valores na equação geral dos gases perfeitos:

pv  p Vm  R T (1.60)

Rearranjando em função de R ,

m3
p Vm 101325 Pa 22,4138 kmol = 8314,4 J/kmol.K (1.61)
R 
T 273,15 K

Que recebe o nome de Constante geral dos gases.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 19


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Conferir o volume molar!

1.2.9. Fator de compressibilidade Z


A equação dos gases perfeitos, em condições de baixa massa específica , pode ser aplicada
para todos os gases e vapores, uma vez que, nestas condições, eles manifestam um comportamento
semelhante ao dos gases perfeitos, onde a relação p  v  T é dada pela equação de estado dos
gases perfeitos.
Para se verificar a validade da aplicação da equação dos gases perfeitos aos gases reais,
considerando que na prática os gases estão sujeitos a diferentes valores de massa específica, a
equação (1.51) pode ainda ser colocada na seguinte forma:

p.v (1.62)
Z
R.T

Sendo Z =1 para um gás perfeito e o desvio de Z em relação à unidade uma medida do


desvio da relação de um gás real em comparação à equação dos gases perfeitos. Em outras
palavras, o fator de compressibilidade Z é usado para verificar em quanto um gás real, a uma
determinada pressão e temperatura, desvia-se do comportamento de um gás perfeito.
Valores de Z  1 significam que a massa específica real é maior do que aquela que seria
obtida pela aplicação dos gases perfeitos.
Segundo Van Wylen e Sonntag (1976), pode-se assumir com boa exatidão que, a baixas
densidades, o comportamento dos gases reais é bastante próximo do comportamento de um gás
perfeito, independentemente da temperatura. Além disso, quando a temperatura de um gás real for
igual ou superior ao dobro da temperatura crítica Tcr., pode-se assumir que o seu comportamento
também é semelhante ao comportamento de um gás perfeito para pressões de pelo menos 69 bar,
que é um valor satisfatório para as aplicações pneumáticas de baixa pressão que geralmente se
limitam a pressões máximas de aproximadamente 16 bar.
Definir temperatura crítica
Para se ter uma noção, a temperatura crítica do nitrogênio é de 126,2 K; portanto, o dobro da
temperatura crítica é Tcr. = 252,4 K, que corresponde a uma temperatura de  20,75C. Isto significa
que se assumirmos uma temperatura de operação de 300 K (27C), o nitrogênio (e também o ar)
pode ser tratado como um gás perfeito.
Uma equação de estado teórica deduzida a partir da teoria cinética dos gases ou da
termodinâmica estatística permite calcular o valor do fator de compressibilidade Z por meio de uma
série de potências do inverso do volume específico. A equação pode ser escrita como:

p.v B(T ) C(T ) D(T ) (1.63)


Z  1  2
 3
 ...
R.T v v v

Onde B(T), C(T), D(T) são funções da temperatura e denominadas de coeficientes viriais.
O segundo coeficiente virial B(T) pode ser considerado como a correção de primeira ordem
quando se trabalha com um gás não-perfeito. Assim, a Equação (1.63) pode ser simplificada para:

p.v B(T ) (1.64)


Z  1
R.T v

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 20


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Um modelo empírico de função potencial usado para a determinação do coeficiente B(T),


denominado de potencial de Lennard-Jones, contém duas constantes de força, /k e bo cujos valores
para diversas substâncias podem ser encontrados na Tabela 1 (Van Wylen e Sonntag, 1976).
A expressão de B(T) pode ser colocada na forma adimensional em termos do parâmetro T  ,
o qual é função da temperatura do gás T, ou seja:

T
T  (1.65)
 k

Ficando então, em função do segundo coeficiente virial adimensional B  (T  ) definido pela


relação:

B(T )
B  (T  )  (1.66)
bo

Os valores do parâmetro adimensional B  (T  ) calculados utilizando o potencial de Lennard-


Jones, são dados na Tabela 2 e dependem do valor calculado de T  .

1.2.9.1. Exercício resolvido 3


Uma instalação pneumática opera a uma pressão de regime de 12 bar e a uma temperatura
de 40C. Quantifique o desvio Z do comportamento do ar comprimido com relação a um gás perfeito.

Solução do problema:
Dados do problema:
T = 40C = 313,15 K p = 12 bar = 12.105 Pa R = 8.314,4 J/ kg-mol.K

De acordo com a equação (1.64),

p.v B(T ) (1.64)


Z  1
R.T v
Rearranjando em termos do volume específico do ar,

p.v R B(T ) (1.64-a)


1  0
R.T vR

Por definição, o volume específico de um gás ideal é dado por:

R.T 8.314,4 J / kg.mol .K .303,15 K m3


vi    2,1697
p 12.10 5 Pa kg.mol

Substituindo v i na equação (1.64-a),

vR B(T ) (1.64-b)
1  0
vi vR
Rearranjando,

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 21


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

2 (1.64-c)
v R  v i .v R  B(T ).v i  0

Que é uma equação do 2o. grau, cujas raízes de v R são facilmente obtidas pela Equação de
Báscara, sendo v i = volume específico de um gás perfeito e v R é o volume específico do ar sob
condições reais (m³/kg-mol).

Tabela 1 – Constante de força para o potencial de Lennard-Jones a partir de dados experimentais dos
coeficientes viriais (Van Wylen e Sonntag, 1976).

Substância  /k (K) bo (cm³/mol)


Ne 35,8 26,2
Ar 119,0 50,2
Kr 173,0 58,3
Xe 225,3 85,4
N2 95,05 63,5
O2 117,5 57,8
CO 100,2 67,5
NO 131,0 40,2
CO2 186,0 118,0
N2O 193,0 118,0
CH4 148,1 69,8
CF4 152,0 131,0

Tabela 2 – Segundo coeficiente virial reduzido B  (T  ) para o potencial de Lennard-Jones (Van


Wylen e Sonntag, 1976).

T B  (T  ) T B  (T  )

0,3 27,881 2,6 0,26613


0,4 13,799 2,8 0,18451
0,5 8,7202 3,0 0,11523
0,6 6,1980 3,2 0,05579
0,7 4,7100 3,4 0,00428
0,8 3,7342 3,6 0,04072
0,9 3,0471 3,8 0,08033
1,0 2,5381 4,0 0,11542
1,1 2,1464 4,2 0,14668
1,2 1,8359 4,4 0,17469
1,3 1,5841 4,6 0,19990
1,4 1,3758 4,8 0,22268
1,5 1,2009 5,0 0,24334
1,6 1,0519 6,0 0,32290
1,7 0,92362 7,0 0,37609
1,8 0,81203 8,0 0,41343

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 22


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

1,9 0,71415 9,0 0,44060


2,0 0,62763 10,0 0,46088
2,2 0,48171 20,0 0,52537
2,4 0,36358 30,0 0,52693

O valor do coeficiente virial B(T) é dado por:

B(T )  B  (T  ).bo (1.66)

O qual depende de T  , cujo coeficiente virial /k é encontrado na Tabela 1.

T 313,15 K
T    2,6315 (1.65)
 k 119 K

O coeficiente bo é dado na Tabela 1, enquanto que o valor do parâmetro adimensional


 
B (T ) é encontrado na Tabela 2, sendo:
bo ar = 0,0502 m³/kg mol
B  (T  ) =  0,25327 (obtido a partir da tabela por interpolação)
Substituindo na Equação (1.66):

m3 m3
B(T )  0,25327 .0,0502  0,01271415
kg.mol kg.mol

A aplicação dos valores dos coeficientes na Eq. de 2 o. grau (1.64-c), resulta


v R = 2,157 m³/kg.mol,
Assim,

B(T )
Z 1  0,9941
vR

que equivale a um desvio de 0,0059 ou um erro de 0,59% com relação a um gás perfeito de
volume específico v i .

1.2.9.2. Exercício resolvido 4


Um reservatório de ar comprimido possui um volume útil de V = 250 litros. Em condições
normais, a temperatura média do reservatório é de 20C. Considerando o comportamento do ar
comprimido semelhante à de um gás perfeito, e que a carga máxima é atingida a uma temperatura de
50C a uma pressão de 15 bar, calcular:
(a) A massa de ar comprimido nas condições atmosféricas;
(b) A massa de ar comprimido nas condições de carga máxima;
(c) O volume de ar comprimido em Nm³ (metros cúbicos Normais) nas condições de
carga máxima;
(d) A pressão atual nas condições normais de operação, supondo que não houve
consumo de ar, somente a queda na temperatura de 50C para 20C.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 23


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Solução do problema:
a.) A massa de ar comprimido nas condições atmosféricas
De acordo com a equação dos gases perfeitos
pV  mRT
ou rearranjando a equação em função da massa de ar,

po .V 1,013.10 5 Pa 0,25 m 3
mar    0,3 kg
R ar .T 287 J / kg.K 293,15 K

b.) A massa de ar comprimido nas condições de carga máxima


Seguindo os mesmos passos do item (a),

pV 15 .10 5 Pa 0,25 m 3
mar    4,043 kg
R ar .T 287 J / kg.K 323,15 K

c.) O volume de ar comprimido em Nm³ nas condições de carga máxima


De acordo com a equação dos gases perfeitos
poVo pV
 1 1
To T1
ou
p1 To V1 15 bar 273,15 K .250 l
Vo    3129,1 N litros
po T1 1,013 bar 323,15 K

d.) A pressão atual nas condições normais de operação


mar R ar .T 4,043 kg 287 J / kg.K 293 ,15 K
p  3
 13,61.10 5 Pa  13,61 bar
V 0,25 m

1.2.10. Calor específico dos gases perfeitos


Conforme definido anteriormente, um gás perfeito é um gás cuja massa específica seja
suficientemente reduzida de modo que as forças intermoleculares e a energia associada possam ser
desprezadas. A teoria cinética dos gases prediz e, pode-se demonstrar matematicamente, que a
energia interna de um gás ideal é diretamente proporcional a sua temperatura em Kelvin e depende
apenas desta temperatura, sendo independente da pressão e do volume. Isto é,

u  f T  (1.67)

Isto significa que um gás perfeito a uma dada temperatura tem uma energia interna específica
u definida, qualquer que seja a pressão.
Em 1843, Joule demonstrou este fato ao efetuar a seguinte experiência: dois vasos de
pressão (Figura 9), ligados entre si por um tubo contendo uma válvula, eram imersos num banho de
água. Inicialmente o vaso A continha ar a 22 atm e o vaso estava submetido a um alto vácuo. Quando
era atingido o equilíbrio térmico, a válvula era aberta permitindo a equalização de pressões entre A e
B. Nenhuma variação de temperatura foi detectada durando ou após o processo, o que levou Joule a
concluir que nenhum calor havia sido transferido para o ar. Como o trabalho também era nulo ele
concluiu, a partir da primeira lei da termodinâmica, que não houve variação de energia interna do gás.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 24


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Como a pressão e o volume haviam sofrido variação durante o processo, pôde-se concluir que a
energia interna não é função da pressão e do volume.
O ar não se enquadra perfeitamente na definição de um gás perfeito e por isso uma pequena
variação de temperatura será detectada quando se realizaram medições de precisão na experiência
de Joule.

A B

água

Figura 9 – Experiência de Joule.

A relação entre a energia interna u e a temperatura pode, então, ser estabelecida, usando-se
a definição de calor específico a volume constante dada pela Eq. (1.12).

qV  c v dT (1.68)

Da 1a. lei da termodinâmica,

dQv dU (1.69)
  du
m m

Assim

u (1.70)
cv 
T

Como a energia interna de um gás perfeito não é função do volume, podemos escrever para
um gás perfeito,

du (1.71)
c vo 
dT

ou

du  c vo dT (1.72)

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 25


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

onde o índice “o” indica calor específico de um gás perfeito. Para uma dada massa m

dU  m c vo dT (1.73)

Da definição de entalpia h e da equação de estado de um gás perfeito segue-se que

h = u + p.v = u + R.T (1.74)

Como R é uma constante e u é função apenas da temperatura, segue-se que a entalpia h de


um gás perfeito é também função apenas da temperatura, isto é,

h  f T  (1.75)

A relação entre entalpia e temperatura é obtida a partir do calor específico à pressão


constante.

dQ p (1.76)
 q P  dh  c p dT
m

Onde:

q P  du  dw  du  pdv  dh (1.77)

Como a entalpia de um gás perfeito é uma função apenas da temperatura e é independente


da pressão, segue-se que,

dh  c po dT (1.78)

Para uma dada massa m,

dH  m c po dT (1.79)

Em virtude da energia interna e entalpia de um gás perfeito serem funções apenas da


temperatura, segue-se que os calores específicos a pressão e a volume constante são também
funções apenas da temperatura. Isto é,

c vo  f T  ; c po  f T  ; (1.80)

Uma relação importante entre os calores específicos à pressão e a volume constante de um


gás perfeito pode ser desenvolvida a partir da definição de entalpia.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 26


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

h = u + p.v = u + R.T (1.74)

Diferenciando e substituindo as Equações (1.72) e (1.78) na Equação (1.74), tem-se,

dh = du + R.dT (1.81)

c po dT  c vo dT  R dT (1.82)

Portanto,

cpo  cvo = R (1.83)

Na base molecular essa equação seria escrita da seguinte forma:

c po  c vo  R (1.84)

Esta equação nos diz que a diferença entre os calores específicos à pressão e a volume
constante de um gás perfeito é sempre constante, embora ambos sejam funções da temperatura.
A relação entre o calor específico à pressão constante e o calor específico a volume
constante é designada normalmente pela letra “k” e assume importância fundamental no estudo das
transformações dos gases. O valor de k varia com a temperatura, podendo ser aproximado, para
gases biatômicos com temperatura inferior a 200 C, por:

cp
k  1,4 (1.85)
cv

As relações das pelas Equações (1.83) e (1.85) nos permitem calcular os calores específicos
cv e cp dos gases, a partir de suas grandezas características R e k.
Assim,

c p  cv  k cv  cv  R (1.86)

Reordenando em função de cv

R (1.87)
cv 
k 1

e ainda

kR (1.88)
c p  k cv 
k 1

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 27


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Para determinadas faixas de temperaturas, os calores específicos de um gás ideal podem ser
tratados como constantes para a maioria dos cálculos normais de engenharia. Nestas condições:

cv dT  c v T2  T1 
u2 T2
u 2  u1  
u1
du  
T1
(1.89)

c p dT  c p T2  T1 
h2 T2
h2  h1  
h1
dh  
T1
(1.90)

Estas equações podem, portanto, ser usadas para simplificar a análise de problemas.

1.2.11. A propriedade entropia


A propriedade entropia é extremamente útil na análise de escoamentos compressíveis.
Diagramas de estado, sobretudo, o diagrama Temperatura-entropia (T s) são usados na interpretação
física de resultados analíticos. Nesta seção, far-se-á uma breve revisão de algumas relações úteis
envolvendo a propriedade entropia.
A entropia é definida pela equação

Q  Q 
S   rev T
ou dS   
 T  rev
(1.91)

A desigualdade de Clausius, deduzida da segunda lei da termodinâmica, diz,

Q
 T
0 (1.92)

Como uma conseqüência da segunda lei, estes resultados podem ser estendidos para,

Q (1.93)
dS  ou T dS  Q
T

Para processos reversíveis, é válida a igualdade:

Q (1.94)
T ds  (processo reversível)
m

A desigualdade é válida para processos irreversíveis,

Q (1.95)
T ds  (processo irreversível)
m

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 28


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Para um processo adiabático, Q/ dm  0. Portanto,

ds = 0 (processo adiabático reversível) (1.96)

ds  0 (processo adiabático irreversível) (1.97)

Dessa forma, um processo que é reversível e adiabático é também isentrópico; a entropia


permanece constante durante todo o processo.
Uma relação útil entre as propriedades (p, v, T, s, u) pode ser obtida a partir da primeira e
segunda leis da termodinâmica conjuntamente. O resultado é dado pela equação de Gibbs, ou
equação T ds (FOX e Mc DONALD, 1992).

T ds  du  p dv (1.98)

Esta é uma relação entre propriedades válida para todos os processos entre os estados de
equilíbrio. Uma forma alternativa da Eq. (1.98) pode ser obtida substituindo-se

du  d  h  pv   dh  p dv  v dp (1.99)

Para obter

T ds  dh  v dp (1.100)

Para um gás ideal, a variação da entropia pode avaliada por meio das Equações (1.98) e
(1.100), isto é,

du p dT dv (1.101)
ds   dv  cv R
T T T v

dh v dT dp (1.102)
ds   dp  c p R
T T T p

Para calores específicos constantes, estas equações podem ser integradas fornecendo,

T2 v
s 2  s1  c v ln  R ln 2 (1.103)
T1 v1

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 29


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

T2 p
s 2  s1  c p ln  R ln 2 (1.104)
T1 p1

Para o caso especial de um processo isentrópico de um gás ideal, ds = 0, as Equações (1.98)


e (1.100) se reduzem a,

0  du  p dv  cv dT  p dv (1.105)

0  dh  v dp  c p dT  v dp (1.106)

Resolvendo em função de dT,

v dp p dv
dT   (1.107)
cp cv

ou

dp c p dv dp dv (1.108)
  k 0
p cv v p v

Expressão cuja integral, considerando k constante, é:

ln p  k ln v  ln c (1.109)

Aplicando os antilogarítmos, esta equação reduz-se a,

p v k  constante (1.110)

ou

p (1.111)
 constante
k

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 30


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

1.3. TRANSFORMAÇÕES DOS GASES PERFEITOS

1.3.1. Transformação isométrica


Para as transformações a volume constante, a equação geral dos gases perfeitos nos
fornece:

p R (1.112)
  constante
T v

Ou seja, “as pressões suportadas pelos gases são diretamente proporcionais às suas
temperaturas absolutas” (Lei de Charles Gay Lussac).
A equação da primeira lei da termodinâmica aplicada a um sistema em repouso, a volume
constante e de massa unitária, fornece:

dQv (1.113)
 dq v  du v
m

Sendo a energia interna de um gás perfeito independente de sua pressão e volume e


dependente somente da temperatura, por definição:

dq v  du v  du  c v dT  f (T ) (1.114)

As transformações isométricas que se verificam em recipientes fechados e inextensíveis,


apresentam como representação gráfica num plano de Clapeyron uma reta perpendicular ao eixo das
abscissas (Figura 10).

p
2
p2 T2

1
p1 T1

0 v1 = v 2 v

Figura 10 – Plano de Clapeyron de uma transformação isométrica.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 31


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

O trabalho mecânico W realizado neste caso é nulo. A quantidade de calor Q calculada em


função da temperatura pode também ser calculada em função da variação da pressão. Como v =
constante, então a partir da equação dos gases perfeitos,

v dp  R dT (1.115)

Substituindo a Equação (1.115) na Equação da quantidade de calor (1.114),

v dp (1.116)
dq v  c v dT  c v
R

Mas o cálculo de cv foi mostrado na Equação (1.87), onde:

R (1.87)
cv 
k 1

Substituindo

1 (1.117)
dq v  v dp
k 1

Integrando

1
qv  v  p2  p1  (1.118)
k 1

A quantidade de calor obtida é referida à unidade de massa do sistema, onde v é o volume


específico do gás. Se o volume específico for substituído pelo volume V do gás, a equação da
quantidade de calor pode ser escrita como:

1
Qv  J ou kcal   V  p2  p1  (1.119)
k 1

1.3.2. Transformação isobárica


A equação dos gases perfeitos a pressão constante pode ser escrita na forma:

v R (1.120)
  constante
T p

A qual foi anteriormente enunciada como a Lei de Gay Lussac. A transformação isobárica
segundo a 1a. Lei da Termodinâmica é dada por:

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 32


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

dQ p  dU  dW (1.121)

Ou por unidade de massa (unitária)

dq p  du  dw (1.122)

c p dT  c v dT  p dv (1.123)

Sendo p constante, a lei dos gases assume a forma diferencial:

p dv  R dT (1.124)

O que permite que a Equação (1.123) possa ser escrita como:

c p dT  c v dT  R dT (1.125)

De onde novamente obtém-se:

c p  cv  R (1.83)

Equação que recebe o nome de equação de Mayer.


A quantidade de calor à pressão constante pode ser calculada em função da variação do
volume, uma vez que:

dq p  c p dT (1.126)

p dv (1.127)
dT 
R

Substituindo

cp p (1.128)
dq p  dv
R

Mas, da Equação (1.88) vimos que:

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 33


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

kR (1.88)
cp 
k 1

Substituindo a expressão de cp na Equação (1.128), resulta

k (1.129)
dq p  p dv
k 1

Integrando entre dois valores finitos quaisquer e lembrando que v  V m ,

k
Qp  J   p V2  V1  (1.130)
k 1

No diagrama de Clapeyron, o aquecimento isobárico é caracterizado por apresentar uma


linha reta perpendicular ao eixo das ordenadas (Figura 11).

( T1 ) ( T2 )
p1 = p2

W
V
V1 V2

Qp F

Figura 11 – Diagrama de Clapeyron de uma transformação isobárica.

1.3.3. Transformação isotérmica


Para transformações isotérmicas, a equação dos gases perfeitos assume a forma da
expressão analítica da Lei de Boyle-Mariotte, onde

p v = R T = constante (1.131)

Durante a evolução da transformação, a energia interna do gás também não varia, pois, dU =
cv dT = 0
Da 1a. lei da termodinâmica,

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 34


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

dqT = du + dw = p dv (1.132)

Isto significa que em uma transformação isotérmica, a quantidade de calor é integralmente


convertida em trabalho. Assim,

qT   p dv (1.133)
1

RT
Fazendo p  , a integral torna-se,
v

2
1 v2
qT  R T  v dv  R T ln v
1 1
(1.134)

v 2 p1
Mas considerando que  , a Equação (1.134) pode ser escrita como
v 1 p2

p1
qT  R T ln (1.135)
p2

Onde a quantidade de calor qT é dada em J/kg.

1.3.4. Transformação Isentrópica ou Adiabática


Na transformação adiabática não há transferência de calor com o meio externo, ou seja, dQ =
0. Para esta transformação, desprezando-se o atrito, a equação da 1 a. lei da termodinâmica assume a
forma:

dq S  c v dT  p dv  0 (1.136)

Mas a equação geral dos gases nos fornece,

p dv  v dp  R dT (1.137)

Ou

p dv  v dp (1.138)
dT 
R

Substituindo a Eq. (1.138) na Eq. (1.136),

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 35


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

p dv  v dp (1.139)
cv  p dv  0
R

c v p dv  c v v dp  R p dv  0 (1.140)

Mas, na Eq. (1.83) verificou-se que R = cp – cv; substituindo em (1.140), resulta

c v v dp  c p p dv  0 (1.141)

cp
Dividindo (1.141) por cv e lembrando que k  obtém-se,
cv

v dp  k p dv  0 (1.142)

Reordenando

k p dv   v dp (1.143)

ou

dv dp (1.144)
k 
v p

Expressão, cuja integral entre dois limites quaisquer, considerando k constante, é:

v2 p2 p1
dv dp dp
k 
v1
v

p1
 p
 
p2
p
(1.145)

que resulta em,

v2 p
k ln  ln 1 (1.146)
v1 p2

ou

k
 v2  p (1.147)
   1
 v1  p2

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 36


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

ou ainda

1
 p1 k v (1.148)
   2
 p2  v1

que pode ser escrita como

k k (1.149)
p1 v 1  p2 v 2  p v k = constante

Equação conhecida como Equação de Poisson, cuja inclinação em relação ao eixo das
abscissas pode ser dada por:

dp p
tan     k (1.150)
dv v

sendo diretamente proporcional ao valor de k.


As transformações adiabáticas sem atrito são transformações puramente teóricas, em vista
da impossibilidade de obter-se, na prática, a isenção de atrito e o isolamento térmico perfeito.
Em termos comparativos, as hipérboles de transformações isentrópicas apresentam linhas
mais inclinadas do que as hipérboles de transformações isotérmicas, cuja diferença é atribuída ao
fator k, ou seja, na transformação isentrópica é necessária uma quantidade maior de trabalho para
alterar o volume dv do ar.
A relação entre os volumes e pressões de um gás ao longo de uma linha isentrópica, dada
pela Eq. (1.147) e a equação de estado dos gases perfeitos, que nos fornece a relação entre dois
estados quaisquer:

T2 p2 v 2
 (1.151)
T1 p1 v 1

permite estabelecer as demais relações entre as grandezas de estado p, v e T, que seguem,

k 1
T2 v 2  v1  p  p1  (1.152)
    2   k
T1 v 1  v2  p1  p2 

que resulta em,

k 1
1 k
T2 v  p  k
(1.153)
  2    2 
T1  v1   p1 

A 1a. lei também nos permite calcular o trabalho mecânico absoluto realizado em uma
transformação isentrópica na sua forma infinitesimal,

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 37


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

dw  p dv   c v dT (1.154)

Considerando o calor específico a volume constante cv e a relação de calores específicos k


como constantes dentro dos limites de integração,

R (1.87)
cv 
k 1

Substituindo na Eq. (1.154),

R R
w  dT   T2  T1  em Joule/ kg (1.155)
k 1 k 1

Fazendo
R T1  p1 v 1 e
R T2  p 2 v 2
O trabalho absoluto também pode ser escrito como:

1
w   RT2  RT1   1  p1v 1  p2 v 2  (1.156)
k 1 k 1

Lembrando as relações vista em (1.153), podemos ainda escrever,

 1 k
  k 1

R T1  T2  R T1  v2  R T1   p2 
 1 
k
w    1      1     (1.157)
k 1 
T
 1  k 1 
  v1  

k 1
  p1  

1.3.5. Transformação Politrópica


As transformações politrópicas caracterizam-se por apresentar calores específicos C
constantes, isto é,

dq (1.158)
C = constante
dT

A 1a. lei da termodinâmica aplicada aos gases perfeitos resulta em,

dq  du  dw (1.159)

Onde

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 38


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

dq  C dT (1.160)

du  c v dT (1.161)

dw  p dv (1.162)

Substituindo estes três termos,

C dT  c v dT  p dv (1.163)

 C  cv  dT  p dv (1.164)

Mas a equação geral dos gases nos fornece,

p dv  v dp  R dT (1.165)

ou

p dv  v dp (1.166)
dT 
R

Substituindo a Eq. (1.166) em (1.164),

p dv  v dp
 C  cv   p dv (1.167)
R

Lembrando que cp – cv = R e aplicando na Eq. (1.167),

 C  c v  p dv  v dp  R p dv   c p  cv  p dv (1.168)

Reordenando

cv  C
v dp  p dv  0 (1.169)
cp  C

Dividindo a Eq. (1.169) por “p” e “v”,

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 39


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

c v  C dp dv
 0 (1.170)
cp  C p v

ou

c p  C dv dp
 0 (1.171)
cv  C v p

Fazendo

cp  C
 = constante (1.171-a)
cv  C

a Eq. (1.171) torna-se,

dv dp (1.172)
  0
v p

o que implica que cp e cv são considerados constantes. A integração de (1.172) resulta

v2 p2
dv dp
 
v1
v

p1
p  (1.173)


v v  p p (1.174)
 ln 2  ln  2    ln 2  ln 1
v1  v1  p1 p2

Portanto


 v2  p (1.175)
   1
 v1  p2

ou

1
v 2  p1  (1.176)
 
v 1  p2 

Mas, a partir da equação dos gases perfeitos,

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 40


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

T2 p 2 v 2
 (1.177)
T1 p1 v 1

E para uma transformação politrópica:

  1
T2  v 1  v 2  v 2  v2  v2  (1.178)
     
T1  v 2  v 1  v 1  v 1  v 1 

Similarmente, a relação entre a temperatura e a pressão pode ser escrita como:

1 1  1

T2  p1   p2  p2   p 2  p2  
(1.179)
     
T1  p2  p1  p1  p1  p1 

A Eq. (1.175) ainda nos permite escrever

 
p1 v 1  p2 v 2  p v   constante (1.180)

Onde o coeficiente , assumido como sendo uma constante, depende basicamente do valor
do calor específico C da própria transformação, o qual, com base na Eq. (1.171) pode ser calculado
por:

cp  C
 (1.171)
cv  C

 cv   C  c p  C (1.181-a)

 c v  c p  C    1 (1.181-b)

cp
Mas k 
cv
Assim,

 c v  k c v  C    1 (1.182-a)

c v    k   C    1 (1.182-b)

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 41


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

cv    k  (1.182-c)
C
 1

A quantidade de calor transferida durante a transformação politrópica será,

cv    k  (1.183)
dq  C dT  dT
 1

Por meio da 1a. lei da termodinâmica, o trabalho específico w realizado será,

dw  p dv  dq  du  C dT  c v dT  (C  c v ) dT (1.184-a)

  k  1k (1.184-b)
dw  (C  c v ) dT    1  c v dT  c v dT
   1   1

Mas da Eq. (1.87),

R (1.87)
cv 
k 1

Aplicando em (1.184):

1k R R R (1.185)
dw  dT  dT  dT
 1 k 1  1 1 

A integração entre dois estados limites quaisquer fornece:

R
T2
R R T1  T2 
w
1   dT  1   T
T1
2
 T1  
1 

 T1
 1 

(1.186)

Da relação obtida na Eq. (1.178), onde

1
T2  v 2  (1.178)
 
T1  v 1 

A substituição de (1.178) em (1.186) resulta,

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 42


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

R T1  v 2  
1

 dw   
1    v 1 

 1


(1.187)

Ou ainda, da relação obtida na Eq. (1.179), onde

 1
T2 p  
(1.179)
  2 
T1  p1 

A substituição de (1.179) em (1.187) resulta,

  1

R T1   p 2  
w     1 (1.188)
1     p1  
 

Uma terceira relação também igualmente interessante é obtida a partir da equação do


trabalho. Sabe-se que,

R
w  T2  T1  (1.186)
1 

Considerando-se que:

p 1 v1 = R T 1

p 2 v2 = R T 2

A Eq. (1.186) pode ser rescrita como:

p2 v 2  p1 v 1 (1.189)
w
1 

Considerando a hipótese formulada de calores específicos constantes, as transformações


politrópicas constituem o caso mais geral das transformações estudadas, e que geralmente se aplica
as transformações ocorridas em compressores de deslocamento positivo com refrigeração por meio
de ar ou fluido líquido, cujo expoente politrópico situa-se entre os expoentes das transformações
isotérmicas e isentrópicas.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 43


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

1.3.6. Resumo das transformações


Como a transformação politrópica é o caso mais geral das transformações estudadas, vamos
realizar a análise das transformações fazendo o valor do calor específico C varia desde 0 até   na
Equação (1.171-a), a qual define o expoente politrópico .

1.3.6.1. Transformação isentrópica ou adiabática


Na transformação isentrópica não ocorre transferência de calor, ou seja, dQ = 0 e, portanto, C
= 0. Aplicando este valor na relação que define o expoente politrópico , onde

cp  C cp  0 cp
   k (1.190)
cv  C cv  0 cv

Verificamos que a equação politrópica torna-se uma transformação isentrópica, uma vez que
o calor específico da transformação é nulo.

1.3.6.2. Transformação isométrica


Na transformação isométrica C = cv. Substituindo esta igualdade na Eq. (1.171-a), o expoente
politrópico torna-se

cp C c p  cv
   (1.191)
cv  C cv  cv

Da relação obtida na Eq. (1.176), sabe-se que,

1
v 2  p1  (1.176)
 
v 1  p2 

ou

1 1
(1.192)
p1  v1  p2  v 2

De onde concluímos que

1 1
(1.193)
p 
v  p  v  v = constante

O que representa analiticamente a linha reta de uma transformação isométrica.

1.3.6.3. Transformação isobárica


Na transformação isobárica C = cp. Substituindo esta igualdade na Eq. (1.171-a), o expoente
politrópico torna-se

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 44


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

cp  cp 0
  0 (1.194)
cv  c p cv  c p

Assim para a relação dada pela Eq. (180),

p v   p v 0  p = constante (1.195)

O que caracteriza uma transformação isobárica.

1.3.6.4. Transformação isotérmica


Uma transformação que se realiza a temperatura constante requer um condutor ideal de
modo que dT = 0.
Portanto,

dQ dQ (1.196)
C  
dT 0

Substituindo C em (1.171-a):

cp cp
cp  C 1 1
  C   1 (1.197)
cv  C cv cv
1 1
C 

Substituindo  na Eq. (1.180),

p v   p v 1  p v  constante (1.198)

O que caracteriza uma transformação isotérmica.


Desta forma, o expoente politrópico pode variar de 0 a  , enquadrando-se não somente nos
casos particulares de transformações estudados, mas também em muitos outros, desde que
resguardada a hipótese de constância de cp e cv.

1.3.6.5. Exercício resolvido 5.


Um compressor ideal de simples estágio fornece uma vazão mássica qm = 1 kg/s sob as
seguintes condições de operação:
T1 = 25 C Temperatura de aspiração
p1 = 1,013 bar Pressão de aspiração (absoluta)
p2 = 9 bar Pressão de regime (absoluta)
Considere que o compressor trabalha sob condições ideais isotérmicas. Para este
problema, calcular:

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 45


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

A. O trabalho realizado w e a quantidade de calor transferida qT ambos por unidade de


massa .
B. A vazão volumétrica de aspiração qV1 e descarga qV2.
C. A taxa de compressão i.

Solução do problema:
A. Cálculo do trabalho realizado w e da quantidade de calor transferida qT
Como neste problema o ar comprimido sofre uma transformação isotérmica, o trabalho
realizado, bem como a quantidade de calor transferida para o ambiente serão dados pela Eq. (1.135).
Assim,

p1
w  qT  R AR T ln (1.135)
p2
Substituindo os valores fornecidos pelo problema,

J 1,013 J
w  qT  287 298 K ln  187.032,7
kg K 9,013 kg

B. Vazão volumétrica de aspiração qV1 e descarga qV2.


O cálculo da vazão volumétrica depende da vazão mássica e do volume específico do ar nas
condições de sucção e descarga. Nestas condições,

qV 1  q m v 1

qV 2  q m v 2

O volume específico pode ser obtido a partir da equação de estado dos gases perfeitos. De
acordo com a Lei de Gay Lussac, Eq. (1.38),

v 0 T0
 (1.38)
v 1 T1

T1 v 0
v1 
T0

Assim, para as CNTP,


0 = 1,2933 m³/kg
T0 = 273,15 K

Substituindo os valores numéricos,

298,15 K 1 m3
v1   0,844
273,15 K kg kg
1,2933
m3
ou

1 1 kg kg
1    1,185 3
v 1 0,844 m 3 m

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 46


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

De acordo com a Lei de Boyle-Mariotte para processos isotérmicos

p1.v1 = p2.v2 = constante (1.30)

Reordenando a Eq. (1.30) em função de v2:

p1 1,013 m3 m3
v2  v1  bar 0,844  0,09486
p2 9,013 kg kg
ou

1 1 kg kg
2    10,542 3
v 2 0,09486 m 3
m

A vazão mássica será:

kg m3 m3
qV 1  1 0,844  0,844  50.640 lpm
s kg s

kg m3 m3
qV 2  q m v 2  1 0,09486  0,09486  5.691 lpm
s kg s

C. A taxa de compressão i.
A taxa de compressão para um escoamento compressível isotérmico é dada pela relação
entre as pressões de aspiração e descarga. Assim,

qV 1 p 2  2 v 1
i   
qV 2 p1 1 v 2
Substituindo os valores numéricos,

9,013
i  bar  8,9
1,013

Desta forma, todo calor gerado durante o processo de compressão é dissipado permitindo a
obtenção da compressão do ar sem a necessidade de um resfriamento posterior (sistema ideal).

1.3.6.6. Exercício resolvido 6.


Refaça o exemplo 5, admitindo que o processo de compressão do ar possa ser considerado
politrópico. Para este exemplo,  = 1,25. Nestas condições, calcular:
A. O trabalho realizado w por unidade de massa.
B. A temperatura de descarga do ar T2.
C. A quantidade de calor transferida qPOLITRÓPICA por unidade de massa
D. A vazão volumétrica de descarga qV2.
E. A vazão volumétrica qV3 na saída do resfriador posterior e a quantidade de calor
transferida qP para o ambiente sob condições isobáricas caso a temperatura do ar
seja reduzida de T2T3, sendo T3 = 50 C.

Solução do problema:
A. O trabalho realizado w por unidade de massa:
O trabalho realizado para transformações politrópicas é dado pela Eq. (1.188):

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 47


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

  1

R T1   p 2  
w     1 (1.188)
1     p1  
 

Substituindo os valores numéricos fornecidos do exemplo na Eq. (1.188),

J
287  298,15 K  1, 25 1

kg K 
 9,013  1, 25
J
w    1  187 .666
1  1,25  1,013   kg
 

B. A temperatura de descarga do ar T2:


A relação entre as temperaturas de na entrada e saída do compressor é dada pela Eq.
(1.179):
 1
p  
(1.179)
T2  T1  2 
 p1 
Assim,
 1 1, 25 1
p  
 9,013  1, 25
T 2  T1  2   298,15K    461,6K  188,5  C
 p1   1,013 

C. A quantidade de calor transferida:


A quantidade de calor transferida durante a transformação politrópica será,

cv    k 
q POLITRÓPIA  T2  T1  (1.183)
 1

Mas como,

J
287
R kg K J (1.87)
cv    717,5
k 1 1,4  1 kg K

Substituindo os valores numéricos na Eq. (1.183), resulta

J
717 ,5 1,25  1,4 
kg K
q  461,6  298,15 K  70.365 J
1,25  1 kg

D. A vazão volumétrica de descarga qV2:


Neste item, é necessário calcular o volume específico v2 para as condições de descarga do
compressor. Assim, por meio da Equação dos gases perfeitos, Eq. (1.50),

p1 .v 1 p .v
 2 2 (1.50)
T1 T2
ou em termos de v2,

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 48


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

m3
1,013 bar  0,844  461,6K
p1 .v 1 T2 kg m3
v2    0,1469
T1 p 2 298,15K  9,013 bar kg
e

1 kg
2   6,81 3
v2 m

Nestas condições, a vazão volumétrica de descarga qV2 será,

kg m3 m3
qV 2  q m v 2  1 0,1469  0,1469  8812,2 lpm
s kg s

E. A vazão volumétrica qV3 na saída do resfriador posterior e a quantidade de calor transferida


qP para o ambiente sob condições isobáricas caso a temperatura do ar seja reduzida de T 2T3,
sendo T3 = 50 C:
Aplicando a lei dos gases, de acordo com a Eq. (1.38),

T3 m 3 323,15 K m3
v3  v2  0,1469  0,10284
T2 kg 461,6 K kg
Portanto,

kg m3 m3
qV 3  q m v 3  1 0,10284  0,10284  6170,4 lpm
s kg s

Após o resfriamento do ar, observa-se que a vazão volumétrica de ar diminui


significativamente, o que quer dizer que somente parte da energia do ar contida na saída do
compressor pode ser aproveitada, sendo uma parcela considerável retirada na forma de calor nas
regiões de troca térmica.

O calor da quantidade de calor transferida por unidade de massa sob condições isobáricas é:

k
qP  p v 3  v 2  (1.130)
k 1
Então,

1,4 m3 J
qP   9,013.10 5 Pa   0,10284  0,1469   138.989,5
1,4  1 kg kg

1.3.6.7. Exercício resolvido 7.


Refaça o exemplo 5, admitindo que o processo de compressão do ar possa ser considerado
isentrópico. Nestas condições, calcular:
A. O trabalho realizado w por unidade de massa.
B. A temperatura de descarga do ar T2.
C. A vazão volumétrica de descarga qV2.
D. A vazão volumétrica qV3 na saída do resfriador posterior sob condições isobáricas
caso a temperatura do ar seja reduzida de T2T3, sendo T3 = 50 C.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 49


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

E. A quantidade de calor transferida qP para o ambiente sob condições isobáricas caso a


temperatura do ar seja reduzida de T2T3, sendo T3 = 50 C.

Solução do problema:
A. O trabalho realizado w por unidade de massa:
O trabalho realizado para transformações isentrópicas é dado pela Eq. (1.157):

 k 1

R T1   p 2  k

w    1  (1.157)
k  1   p1  
 

Substituindo os valores numéricos fornecidos no exemplo na Eq. (1.157),

J
287  298,15 K  1, 4 1

kg K  9,013  J
1, 4
w   1  185.538
1  1,4  1,013   kg
 

B. A temperatura de descarga do ar T2:


A relação entre as temperaturas de na entrada e saída do compressor é dada pela Eq.
(1.153):
k 1

p  k
(1.153)
T2  T1  2 
 p1 
Assim,
1, 4 1

 9,013  1, 4
T2  298,15 K    556,74 K  283,6  C
 1,013 

C. A vazão volumétrica de descarga qV2:


Neste item, é necessário calcular o volume específico v2 para as condições de descarga do
compressor. Assim, por meio da Equação dos gases perfeitos, Eq. (1.153),
1k
T2  v 2 
  (1.153)
T1  v 1 
ou em termos de v2,
1 1
T  1 k m 3  556,74 K  11,4 m3
v 2  v 1  2   0,844    0,3207
 T!  kg  298,15 K  kg
e

1 kg
2   3,12 3
v2 m

Nestas condições, a vazão volumétrica de descarga qV2 será,

kg m3 m3
qV 2  q m v 2  1 0,3207  0,3207  19242 lpm
s kg s

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 50


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

D. A vazão volumétrica qV3 na saída do resfriador posterior sob condições isobáricas caso a
temperatura do ar seja reduzida de T2T3, sendo T3 = 50 C:
Aplicando a lei dos gases, de acordo com a Eq. (1.38),

T3 m 3 323,15 K m3
v3  v2  0,3207  0,1861
T2 kg 556,74 K kg
Portanto,

kg m3 m3
qV 3  q m v 3  1 0,1861  0,1861  11 .169 lpm
s kg s

A vazão qV3 calculada é a máxima vazão volumétrica que pode ser obtida com a manutenção
da pressão constante na saída do compressor. Se o objetivo fosse manter a vazão volumétrica
constante, o processo de transformação seria isométrico, o qual ocorreria em detrimento da redução
da pressão de regime.

E. A quantidade de calor transferida q P para o ambiente sob condições isobáricas caso a


temperatura do ar seja reduzida de T2T3, sendo T3 = 50 C:
O calor da quantidade de calor transferida por unidade de massa sob condições isobáricas é:

k
qP  p v 3  v 2  (1.130)
k 1
Então,

1,4 m3 J
qP   9,013.10 5 Pa   0,1861  0,3207   424.602
1,4  1 kg kg

1.4. ESTÁTICA DOS FLUIDOS

Num fluido em repouso, a diferença de pressão entre dois pontos é função da diferença entre
a massa específica  para cada ponto. Logo, se a pressão em um ponto variar, ocorrerá igual
variação em todos os outros pontos, desde que a massa específica não se altere.
A massa específica do ar em CNTP é de 1,205 kg/m³. Entretanto, seu valor é
significativamente alterado para ar = 6,5 kg/m³ a uma temperatura de 0C e pressão de 50 atm. Isto
significa que a massa específica dos gases é muito sensível a variações de temperatura e pressão.
Um fluido confinado está sujeito, além da pressão produzida pelo seu próprio peso, à pressão
adicional devida à aplicação de uma força externa, isto é, a pressão num ponto é o somatório das
pressões da coluna líquida e da força aplicada sobre uma área. Em sistemas pneumáticos, as
pressões devidas às forças externas são muito maiores do que as geradas pelo próprio peso do ar.
Segundo o princípio de Pascal, “se uma força externa for aplicada sobre uma parcela de área
de um fluido confinado, a pressão decorrente será transmitida instantaneamente a todo o fluido e a
área do recipiente que o contém”. Este princípio pode ser estendido para demonstrar a transmissão e
multiplicação de forças, conforme mostrado na Figura 12, onde a aplicação de uma força F 1 de baixa
magnitude é capaz de fazer com que seja suportada uma força F 2 de maior magnitude.
Sempre que um circuito estiver em estado de equilíbrio, isto é, os êmbolos estiverem
parados, a pressão estará igualmente distribuída em todo o fluido de modo que:

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 51


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

F1 F
p  2 = constante (1.199)
A1 A2

F2 (N)
F1 (N)

A2 (m2)
p (N/m2)

A1 (m2)

Fonte Atuador

Figura 12 – Princípio de Pascal.

Como os sistemas pneumáticos têm por objetivo fundamental a geração de uma forca ou
torque através de uma haste ou eixo, o circuito apresentado na Figura 12 pode ser considerado a
essência dos circuitos pneumáticos reais, onde um compressor transfere fluido através de tubulações
e válvulas de controle para um atuador, seja linear ou rotativo.
A lei de Pascal é valida quando se desconsidera o peso próprio do fluido, o que é
perfeitamente válido para a maioria das aplicações em pneumática, sendo aplicável para fluidos
compressíveis e incompressíveis, desde que se aguarde tempo suficiente para que seja atingido o
equilíbrio de pressão em todo o sistema. Entretanto, nos fluidos compressíveis as variações locais de
pressão propagam-se através do fluido por uma onda com velocidade igual à velocidade do som no
fluido, até que o equilíbrio seja restabelecido. Isso significa que, nestas condições, haverá um
comportamento dinâmico do fluido entre dois estados de equilíbrio, onde o Princípio de Pascal não é
aplicável.
Quando se estudam os sistemas que utilizam ar comprimido, o fluido é tratado como sendo
não-viscoso, isto é, não é requerido nenhum esforço para movimentar uma placa de fluido em
relação à outra independentemente da velocidade desta placa.
Observa-se que alguns fluidos sofrem pequena variação da massa especifica mesmo com
grandes variações de pressão, sendo tratados como incompressíveis. Estes fluidos apresentam-se
permanentemente no estado líquido. Quando não se pode considerar a massa especifica constante,
como em um gás, o fluido é denominado compressível.
Como a massa específica é dada pela relação entre a massa de fluido e o volume que este
ocupa, isto é,

m (1.200)

V

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 52


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

a sua variação implica que em um mesmo volume pode conter diferentes massas.
Considerando-se o efeito da compressibilidade na Figura 13, a redução do volume V1, devido a um
aumento na força F1 não provoca um aumento equivalente no volume V2, mesmo quando atingida
uma pressão p uniforme e constante.

F1 (N)

F2 (N)

y2
A1 y1

Vazão (lpm) A2

V1 V2

Figura 13 – Transmissão de pressão e forças.

A consideração nos modelos matemáticos dos efeitos da compressibilidade é usualmente


realizada através da variável que representa a rigidez do fluido, a qual é denominada de módulo de
compressibilidade . De acordo com FOX e McDONALD (1992),

dp (1.201)
 
d

Muitos efeitos são originados pela compressibilidade de um gás, ou mais particularmente,


pela compressibilidade do ar comprimido, que conforme mencionado, corresponde à variação da
massa específica com a pressão e/ou temperatura. Alguns desses efeitos facilmente perceptíveis são:
 O movimento não-uniforme de cilindros pneumáticos quando sujeitos a cargas
externas variáveis, exigindo mudas vezes o uso de atuadores hidro-pneumáticos.
 O atraso na movimentação de um cilindro pneumático após o acionamento da válvula
direcional.
 As variações e os picos de pressão que ocorrem em instalações e circuitos.
 As oscilações e sobre-passagens que ocorrem no posicionamento de um cilindro
sujeito à variação de carga em um sistema servopneumático.
O atraso gerado apresenta conotação eminentemente negativa sobre o desempenho de
posicionadores, pois representa um atraso na resposta do sistema. A variação de posição, apesar de
apresentar conotação negativa torna-se, em alguns casos, uma característica positiva do sistema,
pois representa uma proteção natural contra sobrecargas.
Uma influência significativamente negativa da compressibilidade do ar, intensificada pela
variação da força de atrito nos atuadores pneumáticos e pela variação da carga manipulada, é a
oscilação da velocidade do atuador durante o deslocamento entre duas posições de referência
(VIEIRA, 1998).

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 53


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

1.5. DINÂMICA DOS FLUIDOS: ESCOAMENTO COMPRESSÍVEL

1.5.1. Equação da continuidade ou conservação da massa


Para a obtenção da equação de conservação da massa, considere o volume de controle
mostrado na Figura 14. Como pode ser observado na figura, existe um fluxo de massa entrando e
saindo do volume de controle e, além disso, pode ocorrer um aumento líquido de massa no interior do
mesmo. Durante o intervalo de tempo t, a massa mE entra no volume de controle e a massa mS
sai. Além disso, podemos denominar mt a massa no interior do volume de controle no início deste
intervalo de tempo e mt + t a massa ao fim deste intervalo de tempo. Pela lei de conservação da
massa podemos escrever,

m t  t  m t  mE  mS (1.202)

ou

 m t  t  mt    mS  mE   0 (1.203)

A Eq. (1.202) estabelece que a variação de massa no interior de um volume de controle


 
durante o intervalo de tempo t, isto é,  m t  t  m t é igual ao fluxo líquido de massa que entra
 
no volume de controle durante t, isto é, m E  mS . Entretanto, é conveniente descrever a
equação de conservação da massa em termos de vazão mássica, o que envolve o fluxo instantâneo
da massa através da superfície de controle e a taxa instantânea de variação da massa no interior do
volume de controle.
Assim, dividindo a Eq. (1.203) por t,

 m t  t  mt 

m E  mS 
0 (1.204)
t t

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 54


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

m v  t = Massa no interior do volume


de controle no instante t

p Fronteira da sistema
AE
mE
pE
Superfície de
controle
vE m v  t AS
 AE
 mS
vS
m v  t  t

 AS pS

m v  t  t = Massa no interior do volume de


controle no instante t   t

Figura 14 – Diagrama de um volume de controle para análise da equação da continuidade.

Fazendo-se t tender a zero, determina-se o limite de cada termo a fim de obter a Eq. (1.204)
em termos de vazão mássica, ou seja,

 m t  t  mt  dmVC (1.205-a)


lim 
 t 0
t dt

 mS 
lim    m
S (1.205-b)
 t
 t 0

 m E 
lim    m
E (1.205-c)
 t 0 
 t 

Onde:
mVC = massa no interior do volume de controle.
 E = vazão mássica que entra no volume de controle através da área AE.
m
 S = vazão mássica que sai do volume de controle através da área AS.
m
Na prática, podem existir diversas áreas na superfície de controle através das quais ocorra o
fluxo. Este fato pode ser representado incluindo-se somatórios, o que caracteriza implicitamente a
soma de fluxos pelas diversas áreas existentes. Para esta condição,

dmVC
 m
 S  m
E 0 (1.206)
dt

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 55


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Embora esta forma de equação seja suficiente para a maioria das aplicações, muitas vezes é
necessário expressar cada uma das quantidades de massa em termos das propriedades locais do
fluido. O estado da matéria dentro do volume de controle não é necessariamente uniforme no
decorrer do tempo. No entanto, pode-se dividir o volume de controle em elementos de volume V
arbitrariamente pequenos, contendo a massa  V, sendo  a massa específica local. Desse modo, a
massa total dentro do volume de controle em qualquer instante será,

mVC  V
 dV (1.207)

Na modelagem de sistemas pneumáticos, normalmente o que se busca são os valores


 que entram ou saem do
médios globais das variáveis. Para o caso das várias correntes de vazão m
volume de controle, podem ser assumidas as seguintes hipóteses (VAN WYLEN e SONNTAG, 1976):
1. A superfície de controle é estacionária.
2. O fluxo é normal à superfície de controle.
3. O estado termodinâmico e a velocidade v do fluido são uniformes em toda área A de
escoamento e a qualquer instante t.
Assim, para as condições assumidas,

 
m 
A
 v dA   v A (1.208)

Nestas condições, a Equação (1.206) pode ser reescrita como:

d (1.209)
dt 
V
 dV  
A
 v dA  0

Desta forma, o princípio de conservação de massa para um volume de controle qualquer


estabelece que “o fluxo líquido de massa através da superfície de controle é igual à variação de
massa no interior do volume de controle”.

1.5.2. Equação da quantidade de movimento para um volume de controle


A segunda lei de Newton diz que a soma da forças externas que agem sobre um corpo em
uma dada direção é proporcional à variação da quantidade de movimento na direção dada. A
quantidade de movimento é definida para um elementode massa dm movimentando-se com

velocidade v em um campo de escoamento, pelo produto v dm .
Aplicando a segunda lei de Newton a esta quantidade vetorial, em relação a um referencial
inercial, a resultante variação da quantidade de movimento da partícula em qualquer das direções
coordenadas será:

 d 
 dF  dt v dm  (1.210)


Onde dF é o vetor soma de todas as forças externas que agem sobre o elemento, como
forças de atrito, pressão, gravidade, etc.
Reescrevendo a Eq. (1.210) para a direção x temos

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 56


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

d
F x
  m Vx  (1.211)
dt

O desenvolvimento da equação da quantidade de movimento para um volume de controle


pode ser obtido integrando-se a Eq. (1.210) para toda massa de fluido contido no volume de controle
selecionado, a fim de avaliar o efeito produzido pela variação da quantidade de movimento nas
fronteiras do campo de escoamento.
Considere o volume de controle mostrado na Figura 15. O volume de controle é fixo com
relação ao sistema de coordenadas. Durante o intervalo de tempo t, a massa me entra no volume
 
de controle com uma velocidade v r E com as componentes v x E , v y E e v z E . Durante esse      
mesmo intervalo de tempo, a massa mS deixa o volume de controle com velocidades v r   S com os
componentes v x   , v 
S y S
 
e vz S .

p0
pE  mE
TE
vE
(vr )E
m v  t

m v  t  t
 mS (vr )s

ps
Ts
vs

Figura 15 – Volume de controle para o desenvolvimento da equação da quantidade de movimento.

Se equacionarmos a componente da equação da quantidade do movimento na direção x para


o sistema durante este intervalo de tempo, teremos:

  m Vx  m V    m Vx  1
F x 
t
 x 2

t
(1.212)

Seja m v x  t  quantidade de movimento na direção x no volume de controle no instante t,


e
m v  x t  t
 quantidade de movimento na direção x no volume de controle no instante t + t.
Então
 m v    m v   v 
x 1 x t x e  me  quantidade de movimento do sistema na direção x no
volume de controle no instante t.
m v  x 2  m v x  t  t   v x  s  ms  quantidade de movimento do sistema na direção x no
volume de controle no instante t + t.
Segue que

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 57


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

 m V    m V   m V 
x 2 x 1 x t t   m Vx  t     v x  s  ms   v x  e  me  (1.213)

O primeiro termo entre colchetes, à esquerda da Eq. (1.213), representa a variação da


quantidade de movimento na direção x, no interior do volume de controle durante o intervalo de tempo
t. Esta expressão pode ser descrita por uma integral de volume na forma:

m V  x t t
  m Vx  t   v x  dV
 (1.214)
V

Dividindo por t, teremos

m V    m Vx  t 
v  dV
x t  t
 (1.215)
t t
x
V

O segundo termo entre colchetes da Eq. (1.213) representa o fluxo da quantidade de


movimento através da superfície de controle durante t, o qual pode ser representado por uma
integral de superfície:

 
v 
x s
 ms   v x  e  me    v x  v r cos  dA  t (1.216)
A m

Dividindo por t, obtemos a razão média na qual a quantidade de movimento cruza a
superfície de controle durante t.

v 
x s  ms   v x  e  me  
   v x  v r cos  dA (1.217)
t A m

Substituindo as Equações (1.213), (1.215) e (1.217) na Eq. (1.212), temos

   
 F   V v  dV    v  v cos  dA  
 (1.218)
 t
x m x x r
A m 

Se estabelecermos o limite para cada um destes termos quando t  0

lim
 t 0
 F  x m  F x
(1.219-a)

 d
lim 
 t 0
t v
V
x
 dV 
dt v
V
x
 dV (1.219-b)

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 58


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

 
lim   v x  v r cos  dA 
 t 0 v x
 v r cos  dA (1.219-c)
A m A

Assim, quando t  0 obtém-se a equação da quantidade de movimento para o volume de


controle expressa na forma de uma razão.

 
F  v  dV   v x  v r cos  dA  (1.220)
 t
x x
V A 

Se for admitida a hipótese de escoamento em regime permanente, a integral de volume da


Eq. (1.220) torna-se igual à zero. Se, além desta hipótese, o fluxo ocorrer em um único caminho com
propriedades uniformes na entrada e saída da superfície de controle, a equação da quantidade de
movimento para um volume de controle, reduz-se a,

F x
  v s  x  v e  x 
m (1.221)

Equações semelhantes à Eq. (1.221) também podem ser obtidas para as direções y e z.

1.6. ESCOAMENTO EM REGIME PERMANENTE DOS GASES


IDEAIS

1.6.1. Propriedades da estagnação


A introdução do conceito do estado de estagnação isentrópico juntamente com suas
propriedades permite a simplificação de muitas equações na solução de problemas termodinâmicos
que tratem com escoamento compressível.
O estado de estagnação isentrópico é um estado que um fluido teria se sofresse uma
desaceleração adiabática reversível até a velocidade nula. Este estado é indicado nesta seção pelo
índice “0”.
A aplicação da 1ª. lei da termodinâmica para um escoamento em regime permanente fornece:

v2 (1.222)
h  h0
2

O estado de estagnação real é o estado encontrado depois de uma desaceleração real até a
velocidade nula, cujo processo de desaceleração pode ser considerado irreversível. Entretanto, o
termo, propriedade de estagnação é, algumas vezes, reservado para as propriedades associadas ao
estado real e o termo propriedade total é usado para o estado isentrópico de estagnação.
A entalpia é a mesma para ambos os estados real e isentrópico (admitindo que o processo
real seja adiabático). Entretanto, para um gás perfeito, a temperatura de estagnação real é a mesma
que a temperatura de estagnação isentrópica. Contudo, a pressão de estagnação real pode ser
menor que a pressão de estagnação isentrópica, e por esta razão é atribuída à pressão de
estagnação isentrópica o termo pressão total.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 59


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

A Figura 16 mostra o ponto de estagnação em uma região de escoamento, onde se observa


que a extremidade do tubo de Pitot empregado para realizar a medição da pressão de estagnação é
posicionada em uma corrente de fluido de forma que a velocidade v0 atual do fluido seja nula.

Linha de fluxo

Ponto de estagnação

Figura 16 – Pressão de estagnação em um escoamento subsônico.

1.6.2. Velocidade do som e módulo de compressibilidade de um gás perfeito


Quando ocorre uma perturbação de pressão em um fluido compressível, esta perturbação se
movimenta com uma velocidade que depende do estado do fluido. Uma onda sonora pode ser
considerada como sendo uma perturbação muito pequena de pressão. A velocidade do som, também
chamada de velocidade sônica, é um parâmetro importante no escoamento de fluidos compressíveis.
A velocidade de propagação da onda acústica é designada por c sendo, para um processo
isentrópico1, dada por (SHAMES, 1973):

 p 
   c 2 (1.223)
   S

Quando um gás perfeito sofre uma mudança isentrópica de estado, pode-se mostrar que para
este processo, desde que o calor específico seja constante, que

p (1.111)
 constante
k

Tomando os logaritmos da Eq. (1.111) obtemos

ln p  k ln   ln constante (1.224)

e diferenciando

dp d (1.225)
k 0
p 

1
O processo pode ser considerado isentrópico porque as variações de massa específica, pressão e temperatura são
infinitesimais durante a propagação da onda.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 60


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

ou

 p  p
   k (1.226)
  S 

Substituindo a Eq. (1.226) na Eq. (1.223), obtemos a velocidade do som em um gás perfeito:

p (1.227)
c2  k

p
Mas como  R T , esta equação também pode ser escrita como:

c  k RT (1.228)

Observa-se que uma característica importante da velocidade de propagação de som num gás
ideal, é que esta depende somente da temperatura.
De acordo com a definição do módulo de compressibilidade dado pela Eq. (1.201), a
velocidade do som pode ainda ser escrita como,

 (1.229)
c

A partir da Eq. (1.228), introduz-se um importante parâmetro adimensional que caracteriza os


escoamentos compressíveis, o número de Mach M, o qual é definido pela relação entre a velocidade
real vreal e a velocidade do som c.

v REAL (1.230)
M
c

De acordo com o Número de Mach, os escoamentos nos quais M  1 são considerados


supersônicos, quando M  1 o escoamento é subsônico e quando M = 1 o escoamento é sônico.
Por fim, a partir das Equações (1.201) e (1.226-b), pode-se obter a equação do módulo de
compressibilidade para escoamentos compressíveis isentrópicos de um gás ideal.
Assim,

  dp  p
(1.201)
  k
  d  S 

que resulta em,

  k p ABS (1.231)

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 61


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Por outro lado, se o escoamento for isotérmico,

 = p ABS (1.232)

1.6.3. Escoamento isentrópico em um duto


A Eq. (1.222) fornece uma relação entre a entalpia, a entalpia de estagnação e a energia
cinética.

v2 (1.222)
h  h0
2

De onde obtemos

v 2  2  h0  h   c p T0  T  (1.233)

De acordo com as Equações (1.88) e (1.153),

kR (1.88)
cp 
k 1

k 1

T0 p  k
(1.153)
  0 
T  p 

ou ainda

k 1

 p  k
(1.234-a)
T  T0 
p 
 0 

 k 1

 p  k 
T  T 0  T0    1 (1.234-b)

 p0 
 

 

 k 1

  p  k 

T0  T  T0 1    (1.234-c)
  
  p0  
 

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 62


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Aplicando as Equações (1.88) e (1.234-c) na Eq. (1.233), obtemos a relação entre a


velocidade de escoamento de um fluido compressível e a pressão total, definida como sendo a
pressão de estagnação isentrópica local p0 :

 k 1

2 k R T0   p  k 
v 2
 1  (1.235)
k 1  p  
  0  
 

Se agora considerarmos a canalização mostrada na Figura 17, onde:


A01 = seção da canalização
v1 = velocidade do fluido
p0 = pressão total
p1 = pressão estática

A 01

0 v1 1

Figura 17 – Canalização com escoamento de um gás ideal.

e supondo o escoamento de um fluido compressível, então a pressão total no ponto


considerado será dada por:

1 (1.236)
p0  p1  1 v 1
2

Considerando a velocidade uniforme na seção A01, a vazão mássica será, Eq (1.208):

qm 01  1 A01 v 1 (1.237)

A Eq. (1.235) pode ser substituída na Eq. (1.237). Entretanto, é conveniente expressar 1 em
termos de pressão total e temperatura total. Da equação dos gases perfeitos:

p0
0  (1.238)
R T0

Mas da Eq. (1.148) verifica-se que:

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 63


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

 p0 k v  (1.148)
   1  0
 p1  v 0 1

Assim, reordenando (1.148) em termos de 1 juntamente com a Eq. (1.238),

1 1

p k p0  p1 k (1.239)
1   0  1    
 p0  R T0  p0 

Aplicando as Equações (1.235) e (1.239) na Eq. (1.237), obtém-se:

1
  2 k 1
  2

A01 p0  2k   p1  p  
k k

qm 01     1   (1.240)
   p0   
T0  R (k  1)    p0  
  

A Equação (1.240) é válida para cálculo da vazão mássica em qualquer ponto do duto, não
sendo específica para orifícios, o que fatalmente irá ocasionar diferenças entre os resultados obtidos
teórica e experimentalmente. Assim, quando se trabalha com orifícios, fato que ocorre na maioria das
aplicações práticas, deve-se utilizar o coeficiente de correção experimental denominado coeficiente
de descarga CD (DE NEGRI, 2001).
É importante ainda observar que quando a compressibilidade do fluido é considerada no
escoamento, a vazão mássica torna-se uma função da razão das pressões através do duto ou orifício
em questão, não sendo mais uma função do diferencial de pressões, como é a relação válida para o
escoamento considerado incompressível.

1.6.4. Escoamento isentrópico em um bocal


Um bocal é um dispositivo no qual a energia cinética de um fluido é aumentada segundo um
processo adiabático. Este aumento de energia cinética está relacionado à diminuição de pressão, que
é obtida por uma redução apropriada na seção de escoamento.
Consideremos o bocal mostrado na Figura 18 e admitamos um escoamento adiabático,
unidimensional, em regime permanente de um gás ideal.

p
p + dp v + dv
v
T T + dT
  d

Superfície de
controle

Figura 18 – Escoamento através de um bocal.

Para o volume de controle mostrado, as seguintes relações podem ser obtidas:

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 64


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

 Da primeira lei da termodinâmica:

h
v2
  h  dh  
v  dv  2
(1.241-a)
2 2

que resulta em,

dh  v dv  0 (1.241-b)

 Da Eq. (1.100),

dp (1.242)
T ds  dh  v dp  dh  0

 Da equação da continuidade:

   v A  constante
qm  m (1.208)

Derivando,

d   v A   A v d   v dA   A dv  0 (1.243-a)

Dividindo por  A v, resulta

d dA dv (1.243-b)
  0
 A v

Combinando as Equações (1.241-b) e (1.242),

dp (1.244-a)
dh    v dv

Reordenando

dp (1.244-b)
dv  
v

Substituindo (1.244-b) na Eq. (1.243-b),

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 65


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

dA d dv d  dp  dp dp  1 1 (1.245)
         2 
A  v   dp   v 2
  d / dp v 

Como o escoamento é isentrópico, das Equações (1.223) e (1.230) verifica-se que,

dp v2 (1.246)
 c2  2
d M

Aplicando (1.246) em (1.245), obtém-se,

dA dp M2 1  dp
  2  2   1  M 2  (1.247)
A  v v  v
2

A obtenção da Eq. (1.247) nos permite verificar que, para a condição em que M = 1, dA = 0.
Esta condição representa o escoamento na região de área mais estreita do bocal, denominada de
garganta.
Na seqüência, são desenvolvidas algumas relações importantes entre as propriedades reais,
as propriedades de estagnação e o número de Mach, as quais são influenciadas pelas condições
verificadas na garganta. Essas relações são bastante úteis em se tratando de escoamento isentrópico
de um gás perfeito em um bocal ou canalização.
Assim, a partir das Equações (1.153) e (1.235),

2 k RT  T0  (1.248)
v2   1 
k 1 T 

Da Eq. (1.228) sabe-se que c2  k RT . Substituindo a Eq. (1.228) na Eq. (1.248):

2 c2  T0  (1.249-a)
v2   1 
k 1 T 

v2 2  T0  (1.249-b)
 M2   1 
c 2
k 1 T 

T0 k 1 (1.249-c)
 M2 1
T 2

Para um processo isentrópico

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 66


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

k 1
 T0  k 1
p0  T0  k 1
0
   ,    (1.153)
T  p T  

Portanto,

k
p0  k 1  k 1
(1.250)
 M 2  1
p  2 

1
0  k 1  k 1
(1.251)
 M 2  1
  2 

Os valores de p/p0, /0 e T/T0 são dados em função de M nas tabelas termodinâmicas para
gases de acordo com o valor de k. A Tabela 3 fornece estes valores para um gás ideal com k = 1,4.
As condições na garganta podem, portanto, ser encontradas observando que, neste caso,
M = 1 (ver Eq. 1.247). As propriedades na garganta estão indicadas com o sub-índice “ crítico ou * ”,
que correspondem à condição de escoamento sônico. Estas propriedades são frequentemente
chamadas de pressão crítica, temperatura crítica e massa específica crítica e as relações dadas pelas
Equações (1.252), (1.253) e (1.254) são chamadas de relação crítica de pressão, temperatura e
massa específica (Van WILEY e SONNTAG, 1976).
Assim,

1
 CRIT  2  k 1
(1.252)
 
0  k  1

k
pCRIT  2  k 1
(1.253)
 
p0  k  1

TCRIT 2 (1.254)

T k 1

A relação crítica de pressão, massa específica e temperatura para o escoamento isentrópico


de um gás ideal de expoente isentrópico k = 1,4 é:
pCRIT
 0,5283
p0
 CRIT
 0,6340
0
TCRIT
 0,8333
T

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 67


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Tabela 3 – Funções de escoamento compressível isentrópico unidimensional de um gás ideal, k = 1,4


(Van WILEY e SONNTAG, 1976).

A p  T
M M
A p0 0 T0

0,0 0,0  1,0 1,0 1,0


0,1 0,10943 5,82180 0,99303 0,99502 0,99800
0,2 0,21822 2,96350 0,97250 0,98027 0,99206
0,3 0,32572 2,03510 0,93947 0,95638 0,98232
0,4 0,43133 1,59010 0,89562 0,92428 0,96899
0,5 0,53452 1,33980 0,84302 0,88517 0,95238
0,6 0,63480 1,18820 0,78400 0,84045 0,93284
0,7 0,73179 1,09437 0,72092 0,79158 0,91075
0,8 0,82514 1,03823 0,65602 0,74000 0,88652
0,9 0,91460 1,00886 0,59126 0,68704 0,86058
1,0 1,00000 1,00000 0,52828 0,63394 0,83333
1,1 1,08124 1,00793 0,46835 0,58169 0,80515
1,2 1,15830 1,03044 0,41238 0,53114 0,77640
1,3 1,23110 1,06631 0,36092 0,48291 0,74738
1,4 1,29990 1,11490 0,31424 0,43742 0,71839
1,5 1,36460 1,17620 0,27240 0,39498 0,68965
1,6 1,42540 1,25020 0,23527 0,35573 0,66138
1,7 1,48250 1,33760 0,20259 0,31969 0,63372
1,8 1,53600 1,43900 0,17404 0,28682 0,60680
1,9 1,58610 1,55520 0,14924 0,25699 0,58072
2,0 1,63300 1,68750 0,12780 0,23005 0,55556
2,1 1,67690 1,83690 0,10935 0,20580 0,53135
2,2 1,71790 2,00500 0,09352 0,18405 0,50813
2,3 1,75630 2,19310 0,07997 0,16458 0,48591
2,4 1,79220 2,40310 0,06840 0,14720 0,46468
2,5 1,82580 2,63670 0,05853 0,13169 0,44444
2,6 1,85720 2,89600 0,05012 0,11787 0,42517
2,7 1,88650 3,18300 0,04295 0,10557 0,40684
2,8 1,91400 3,50010 0,03685 0,09462 0,38941
2,9 1,93980 3,84980 0,03165 0,08489 0,37286
3,0 1,96400 4,23460 0,02722 0,07623 0,35714
3,5 2,06420 6,78960 0,01311 0,04523 0,28986
4,0 2,13810 10,71900 0,00658 0,02766 0,23810
4,5 2,19360 16,56200 0,00346 0,01745 0,19802
5,0 2,23610 25,00000 189 10 5 0,01134 0,16667
6
6,0 2,29530 53,18000 633 10 0,00519 0,12195
7,0 2,33330 104,14300 242 10 6 0,00261 0,09259
8,0 2,35910 190,10900 102 10 6 0,00141 0,07246
9,0 2,37720 327,18900 474 10 7 0,00082 0,05814
7
10,0 2,39040 535,93800 236 10 0,00050 0,04762
 2,44950  0,0 0,0 0,0

Nota: o asterisco representa as condições críticas de escoamento.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 68


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Se agora for considerado o efeito da variação da pressão p 2 a jusante de um bocal


convergente sobre a relação de pressões p/p 0 ao longo do comprimento do bocal, conforme mostra a
Figura 19.

V1
p0
v 0 p1 p2
T0
restrição
regulável
p
p0
a
b
c
d

Figura 19 – Comportamento da pressão e vazão ao longo do bocal com variação na pressão de


saída.

As condições a montante são consideradas de estagnação e admitidas constantes. A pressão


no plano de saída do bocal é designada por p 1 e a pressão a jusante por p 2. Por meio da abertura
sistemática da válvula V1 e da conseqüente redução na pressão p2, vamos analisar o comportamento
da vazão mássica m  e da pressão de saída p1/p0. O resultado qualitativo é mostrado na Figura 20.

m
d c
 MÁX .
m

b
m b

a
0 pCRIT 1 p2
p0 p0

Figura 20 – Comportamento da vazão mássica e da relação de pressão para um bocal com variação
na pressão de saída.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 69


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Quando p2/p0 = 1 (ponto a da Figura 20-b), a vazão é nula. Se a pressão p 2 for reduzida até
p2 p
ao ponto indicado pelo ponto b de tal forma que  CRIT , a vazão de descarga terá determinado
p0 p0
valor m b e p1 = p2. Nesta condição, o número de Mach é menor do que 1. Se a pressão p 2 for
novamente reduzida até a pressão crítica, indicada pelo ponto c. O número de Mach na saída do
bocal torna-se igual a unidade e p1 = p2. Se a pressão a jusante p2 tornar-se inferior à pressão crítica
indicada pelo ponto d, não haverá posterior aumento na vazão mássica de descarga e p 1 permanece
constante com um valor igual ao da pressão crítica e o número de Mach na saída, unitário. A queda
de pressão de p1 a p2 ocorre externamente à seção de saída do bocal e o escoamento torna-se
saturado, o que significa que, para as condições de estagnação dadas, a vazão através do bocal é
máxima.
Podemos chegar a uma conclusão semelhante à obtida no parágrafo anterior se aplicarmos a
relação crítica de pressão obtida através da Eq. (1.253) na Eq. (1.235), ou seja,

 k 1
  k 1

2 k R T0   p  k  2 k R T0   2  k 1 
k k

v 2
 1    1      (1.235)
k 1   p   k 1 k  1
 0   
  
 

 
  

que resulta em

1
 2 k R T0  2
(1.255)
v   
 k 1 

Substituindo também a Eq. (1.253) na Eq. (1.153),

k 1
k 1

T  p  k  2  k 1 
k k

 (1.153)
T0 p    
k  1

 0  
 

resulta,

2 (1.256)
T  T0
k 1

Substituindo agora a Eq. (1.256) na Eq. (1.255), obtém-se novamente a Eq. (1.228), que
corresponde à velocidade do som à temperatura T.

2
v CRIT .  c 2  k R T (1.228)

Por causa deste comportamento dos gases, no caso do ar a relação crítica de pressão é
particularmente importante, pois a mesma indica a relação teórica entre as pressões a montante e a
jusante de um bocal ou orifício em que ocorre saturação no componente pneumático, ou seja, a
relação que provoca a máxima vazão mássica de um fluido compressível, sendo este um dos
principais critérios para o dimensionamento de componentes pneumáticos, especialmente válvulas.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 70


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Logo, a máxima vazão mássica que pode escoar através de qualquer área ocorre à
velocidade do som local. Com isto, conclui-se que,
p 2  p2 
Faixa subsônica   
p1  p1  CRIT .

p2  p2 
Faixa sônica   
p1  p1  CRIT .

p2  p2 
Faixa supersônica   
p1  p1  CRIT .

Onde p1 e p2 são as pressões genéricas a montante e a jusante de um bocal ou orifício.


É importante mencionar que a Eq. (235) descreve o escoamento ideal isentrópico em um
bocal. Entretanto, como existe atrito do fluido com as paredes do bocal, a velocidade média na saída
do bocal (v2 REAL) é menor do que a velocidade ideal isentrópica v2. Assume-se, portanto que
(ANDERSEN,1967),

v 2 REAL   0,95 à 0,98  v 2 ISENTRÓPICA


 CV v 2 ISENTRÓPICA
(1.257)

Onde CV é o coeficiente de velocidade.


A vazão crítica é obtida substituindo-se a Eq. (1.253) na Eq. (1.240), ou seja,

1
 K 1
 2
A p1  k  2  K 1  (1.258)
qmCRIT .   
T1  R  K  1  
 

Além disso, definindo-se


1
  2 k 1
  2

 k   p 2  p  
k k

    2   (1.259)
  p1   
 ( k  1)   p1   
 

A Eq. (1.240) pode ser reescrita como

2 (1.260)
qm  A p1 
R T1

De acordo com ANDERSEN (1967), para razões de pressões inferiores à razão de pressões
crítica a vazão mássica decresce apesar da velocidade do escoamento continuar aumentando com a
progressiva redução da razão de pressões. Esta redução ocorre tendo em vista que a massa
específica do fluido decresce a uma taxa superior à do aumento da velocidade, conforme Eq. (1.239).

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 71


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

1.6.5. Vazão em orifícios


Todas as considerações feitas até agora a respeito de escoamento em bocais podem também
ser aplicadas a orifícios. Porém, a diferença fundamental entre um bocal e um orifício é que neste
último ocorre uma mudança abrupta na seção de entrada, forçando o escoamento separar-se da
parede do orifício de modo a formar seu próprio bocal depois ou na própria seção de entrada. Ao
estreitamento formado dá-se o nome de vena contracta, o qual corresponde a menor área da seção
transversal do escoamento ou a área efetiva do orifício (Figura 21).

A12

1 2

A0

Figura 21 – Área da vena contracta.

A área do orifício A0 é relacionada à área da vena contracta A12 por:

A0 = CC A12 (1.261)

O coeficiente de contração CC é levado em conta a fim de descrever a contração do jato do


fluido após a seção de saída de um orifício, a qual vai formar a vena contracta. Em acréscimo, o atrito
faz com que a velocidade real do jato da vena contracta seja levemente inferior à estabelecida pela
velocidade ideal. Para corrigir esta diferença, é empregado o coeficiente de velocidade CV, obtido
empiricamente (Eq. 1.257). A combinação dos coeficientes de contração e velocidade conduz ao
chamado coeficiente de descarga CD.
Logo,

CD = CC CV (1.262)

Assim sendo, a equação da vazão mássica em orifícios será dada por:

1
  2 k 1
  2

CD A0 p1  2 k   p2  p  
k k

qmORIFÍCIO    2   (1.263)
   p1   
T1  R ( k  1)   p1  
  

ou na forma aproximada para fluidos compressíveis (DE NEGRI, 2001),

qmORIFÍCIO   C D A0 2  2 p (1.264)

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 72


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

ou

2 p2 p
qmORIFÍCIO   C D A0 (1.265)
R T2

Sendo

3 p
1
2  p1 (1.266)

p
1
 p1

Para as equações (1.263) a (1.266):


p1 = pressão estática a montante do orifício
p2 = pressão estática a jusante do orifício
T1 = temperatura estática a montante do orifício
T2 = temperatura estática a jusante do orifício
Se a vazão for expressa em termos volumétricos, esta deve ser relacionada à vazão
mássica por:

qm (1.267)
qVi 
i

Portanto, quando se especifica a vazão volumétrica de um fluido compressível, deve-se


especificar também sua temperatura e pressão. Para as (CNTP) TÉCNICAS:
T0 = 293 K = 20C
p0 = 1,0133  10 5 Pa
0 = 1,205 kg/m³
Assim as Equações (1.264) e (1.265) tornam-se,

 C D A0
qmORIFÍCIO  2  2 p (1.268)
i

ou

pi
qmORIFÍCIO   C D A0 2  2 p (1.269)
R Ti

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 73


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

1.6.5.1. Exercício resolvido 8


Um bocal convergente tem uma seção de saída de 6 cm². O ar comprimido entra no bocal
com uma pressão de estagnação p0 = 7 bar e uma temperatura de estagnação T0 = 100 C.
Determinar a vazão mássica de descarga para pressões à jusante de (a) 5,6 bar, (b) 3,7 bar e (c) 2,1
bar, admitindo escoamento isentrópico.

Solução do problema:
Dados adicionais para o ar
k = 1,4
 p 
   0,528  Relação crítica de pressão para o ar
 p0  CRÍTICO

A vazão de descarga é dada pela equação da continuidade, isto é,


  1 v 1 A1
qm  m
Para o cálculo de qm é necessário encontrar v1 e 1, que dependem do estado do
escoamento.

(a). Para uma pressão a jusante p = 5,6 bar, a relação de pressões será,
p 5,6
  0,8
p0 7,0
T
Da Tabela 3, M = 0,573 e  0,938
T0
A temperatura de estagnação do ar é T0 = 100 C. A temperatura de descarga do ar T1 é,
portanto,
T1  T0 0,938  373 K  0,938  349,87 K
A velocidade de escoamento na saída pode ser dada por:
v
M 
c
Mas a velocidade do som, de acordo com as condições locais é,
J
c k R T1  1,4  287  349,87 K  374,94 m / s
kg K
Assim,
v 1  M c  0,573  375 m / s  215 m / s
A massa específica pode ser encontrada por meio da equação de estado dos gases perfeitos.
Então,
p1 5,6  10 5 Pa kg
1    5,58 3
R ar T1 J m
287 349,87 K
kg K
Substituindo estes valores na Eq. da vazão de descarga,

  5,58 kg3 215 m 6  10 4 m 2  0,72 kg


qm  m
m s s

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 74


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

(b). Quando a pressão a jusante for igual a 3,7 bar, a relação entre as pressões de
estagnação e a pressão do bocal será,
 3,7 
   0,528 ,M = 1
 7,0  CRÍTICO
o que implica que o bocal está “bloqueado”. Isto significa que, mesmo que haja diminuição na
pressão de saída, não haverá aumento ulterior na vazão de descarga.
O calculo da vazão mássica de descarga segue as mesmas observadas no cálculo anterior,
ou seja,
  1 v 1 A1
qm  m
Para o cálculo de qm é necessário encontrar v1 e 1, os quais estão operando na condição
crítica.
Da Tabela 3,
T
 0,833
T0
A temperatura de descarga do ar T1 é, portanto,
T1  T0 0,833  373 K  0,833  311 K
A velocidade de escoamento na saída pode ser dada, considerando a condição de
escoamento sônico:
v
M 1
c
De acordo com as condições locais é,
J
v c k R T1  1,4  287  311 K  353,5 m / s
kg K
A massa específica pode ser encontrada por meio da equação de estado dos gases perfeitos,
p1 3,7  10 5 Pa kg
1    4,15 3
R ar T1 J m
287 311 K
kg K
Substituindo estes valores na Eq. da vazão de descarga,
kg m kg
qm  m
  4,15
3
353,5 6  10 4 m 2  0,88
m s s

(c). Para uma pressão a jusante menor do que a pressão crítica, o bocal está bloqueado e a
vazão não aumenta. Portanto, para uma pressão de saída de 2,1 bar, a vazão mássica de descarga
é de 0,88 kg/s.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 75


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

1.6.5.2. Exercício resolvido 9


O reservatório de ar, dentre outras funções, auxilia na estabilização da pressão na rede de
distribuição e serve como fonte auxiliar de energia. De acordo com o equacionamento desenvolvido
para escoamentos compressíveis, determine o tempo necessário para carregar o reservatório de ar
até a pressão de trabalho p1, assumindo as seguintes hipóteses simplificativas:
D. O ar pode ser tratado como um gás ideal.
E. O escoamento é isentrópico.
F. As vazões mássicas de entrada e saída são constantes.

dmVC
dt
2
m
1
m

Figura 22 – Variação de pressão em um reservatório de ar comprimido.

Dados para o problema:


T0 = 20 C = 293,15 K temperatura de aspiração
T1 = 40 C = 313,15 K temperatura do reservatório
V = 0,5 m³ volume do reservatório
Rar (65% UR) = 287 J/kg K
k = 1,4 coeficiente isentrópico
p0 = 1,013 bar pressão inicial (absoluta)
p1 = 7 bar pressão absoluta de trabalho no reservatório
0 = 1,204 kg/m³ massa específica do ar na entrada do compressor
m 1  0,1 kg / s vazão volumétrica de entrada
 2  0,05 kg / s
m vazão volumétrica de saída

Solução do problema:
De acordo com a Equação da Continuidade,

d (1.209)
dt 
V
 dV  
A
 v dA  0

Se considerarmos o volume interno do reservatório como sendo volume de controle


analisado, pelo princípio de conservação da massa,

dm d   V  d d dp (1.209-a)
 V V m
1 m
2
dt dt dt dp dt

Mas, de acordo com a Eq. (1.201):

dp (1.201)
 
d
Assim, a Eq. (1.209-a) pode ser reescrita como:

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 76


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

V  1 dp (1.209-b)
m
 1 m
2
 dt

De acordo com a equação de estado dos gases

p
 
RT
O módulo de compressibilidade para o escoamento isentrópico é:

  k p ABS (1.231)

Substituindo  e  na Eq. (1.209-a)

V dp (1.209-b)
m
1 m
2
k R T1 dt
ou

dp k R T1 
  m1  m 2  (1.209-c)
dt V

Assumindo a hipótese de constância da temperatura T1, a variação da pressão no interior do


reservatório pode ser obtida por integração direta. Assim,

k R T1 
p t     m1  m 2  dt  k R T1  m 1  m 2  t  c (1.209-d)
V V

Considerando como condição inicial, p 0   p0 , a equação (1.209-b) pode ser escrita como:

k R T1 
p t    m1  m 2  t  p0 (1.209-e)
V

Substituindo os valores numéricos dados pelo problema:

 J kg 
 1,4  287  313,15 K  0,05 
kg K s 
7.10 Pa  
5
(1.209-f)
t  1,013 .10 5
Pa
 0,5 m 3 
 
 

Que resulta em
t = 47,6 segundos.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 77


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISMEMAS PNEUMÁTICOS....................4


1.1. INTRODUÇÃO................................................................................................................ 4
1.1.1. Exemplo resolvido 1..............................................................................................5
1.1.2. Exemplo resolvido 2..............................................................................................6
1.2. TERMODINÂMICA DOS GASES, REVISÃO..................................................................6
1.2.1. Trabalho.................................................................................................................... 6
1.2.2. Calor......................................................................................................................... 8
1.2.3. Quantidade de calor e capacidade térmica...............................................................8
1.2.4. 1a. Lei da termodinâmica.......................................................................................... 9
1.2.5. A propriedade termodinâmica entalpia....................................................................12
1.2.6. Definição de gases perfeitos...................................................................................13
1.2.6.1. Lei de Boyle-Mariotte.......................................................................................14
1.2.6.2. Lei de Gay Lussac............................................................................................ 14
1.2.7. Lei dos gases perfeitos........................................................................................... 17
1.2.8. Constante geral dos gases.....................................................................................18
1.2.9. Fator de compressibilidade Z..................................................................................19
1.2.9.1. Exercício resolvido 3........................................................................................ 21
1.2.9.2. Exercício resolvido 4........................................................................................ 23
1.2.10. Calor específico dos gases perfeitos....................................................................24
1.2.11. A propriedade entropia.......................................................................................... 28
1.3. TRANSFORMAÇÕES DOS GASES PERFEITOS........................................................31
1.3.1. Transformação isométrica.......................................................................................31
1.3.2. Transformação isobárica......................................................................................... 32
1.3.3. Transformação isotérmica.......................................................................................34
1.3.4. Transformação Isentrópica ou Adiabática...............................................................35
1.3.5. Transformação Politrópica......................................................................................38
1.3.6. Resumo das transformações..................................................................................44
1.3.6.1. Transformação isentrópica ou adiabática.........................................................44
1.3.6.2. Transformação isométrica................................................................................44
1.3.6.3. Transformação isobárica..................................................................................44
1.3.6.4. Transformação isotérmica................................................................................45
1.3.6.5. Exercício resolvido 5........................................................................................45
1.3.6.6. Exercício resolvido 6........................................................................................47
1.3.6.7. Exercício resolvido 7........................................................................................49
1.4. ESTÁTICA DOS FLUIDOS............................................................................................ 51
1.5. DINÂMICA DOS FLUIDOS: ESCOAMENTO COMPRESSÍVEL...................................54
1.5.1. Equação da continuidade ou conservação da massa.............................................54
1.5.2. Equação da quantidade de movimento para um volume de controle.....................56
1.6. ESCOAMENTO EM REGIME PERMANENTE DOS GASES IDEAIS...........................59
1.6.1. Propriedades da estagnação..................................................................................59
1.6.2. Velocidade do som e módulo de compressibilidade de um gás perfeito.................60
1.6.3. Escoamento isentrópico em um duto......................................................................62
1.6.4. Escoamento isentrópico em um bocal....................................................................64
1.6.5. Vazão em orifícios................................................................................................... 72
1.6.5.1. Exercício resolvido 8........................................................................................ 74
1.6.5.2. Exercício resolvido 9........................................................................................ 76

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 78


CAPÍTULO 1. PRINCÍPIOS FÍSICOS GERAIS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS

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