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FORMAÇÃO MODULAR

MÓDULO

Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

UFCD 0349

Formador: Pedro Raposeira


Índice
Ambiente .............................................................................................................................................. 3
Sinalização .......................................................................................................................................... 16
Incêndios ............................................................................................................................................ 23
Riscos Elétricos ................................................................................................................................... 26
Trabalho com Máquinas e Equipamentos ......................................................................................... 28
Movimentação Manual de Cargas ..................................................................................................... 30
Movimentação Mecânica................................................................................................................... 32
Organização e dimensionamento do posto de trabalho e Posturas de Trabalho ............................. 33
Trabalhos com Equipamentos Dotados de Visor ............................................................................... 42
Arrumação e Limpeza ........................................................................................................................ 43
Substancias Perigosas ........................................................................................................................ 46
Iluminação .......................................................................................................................................... 54
Ruido .................................................................................................................................................. 58
Atmosferas Perigosas ......................................................................................................................... 60
Gestão de Riscos ................................................................................................................................ 61
Proteção Coletiva e Individual ........................................................................................................... 652
Procedimentos de Emergência .......................................................................................................... 75
Acidentes e Doenças Profissionais ..................................................................................................... 78
Saúde, Doença e Trabalho ................................................................................................................. 82
Organização de Segurança e Saúde no Trabalho ............................................................................... 86
Bibliografia ......................................................................................................................................... 89
AMBIENTE
Introdução
 Infelizmente nosso planeta é afetado por vários problemas ambientais, muitos deles provocados por
diversas ações humanas. Estes problemas afetam a fauna, flora, solo, águas, ar e etc.

Principais problemas ambientais atuais:


 Poluição do ar por gases poluentes gerados, principalmente, pela queima de combustíveis fósseis
(carvão mineral, gasolina e diesel) e indústrias.
 Poluição de rios, lagos, mares e oceanos provocada por despejos de esgotos e lixo, acidentes
ambientais (vazamento de petróleo), etc;
 Poluição do solo provocada por contaminação (agrotóxicos, fertilizantes e produtos químicos) e
descarte incorreto de lixo;
 Queimadas em matas e florestas como forma de ampliar áreas para pasto ou agricultura;
 Desmatamento com o corte ilegal de árvores para comercialização de madeira;
 Esgotamento do solo (perda da fertilidade para a agricultura), provocado pelo uso incorreto;
 Diminuição e extinção de espécies animais, provocados pela caça predatória e destruição de
ecossistemas;
 Falta de água para o consumo humano, causado pelo uso irracional (desperdício), contaminação e3
poluição dos recursos hídricos;
 Acidentes nucleares que causam contaminação do solo por centenas de anos. Podemos citar como
exemplos os acidentes nucleares de Chernobyl (1986) e na Usina Nuclear de Fukushima no Japão
(2011);
 Aquecimento Global, causado pela grande quantidade de emissão de gases do efeito estufa;
 Diminuição da Camada de Ozônio, provocada pela emissão de determinados gases (CFC, por
exemplo) no meio ambiente.
Gestão de Resíduos
Principais resíduos gerados
 Os resíduos gerados nas instalações resultam da sua normal atividade de receção e
desembalamento de mercadoria e do funcionamento das várias secções.
 Apresenta-se no Quadro 1 a caracterização dos principais resíduos gerados nos
estabelecimentos. Os códigos LER indicados correspondem aos de utilização mais frequente,
podendo ser adotados outros códigos em conjugação com o operador de gestão de resíduos.
No Anexo II encontra-se uma tabela de correspondência entre os códigos expressos no
Quadro 1 e a sua designação constante da Portaria nº 209/2004, de 3 de Março.

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Principais obrigações legais


 A gestão dos resíduos deve realizar-se de acordo com a Política dos 3R – Reduzir, Reutilizar,
Reciclar. Devem ser seguidas as linhas orientadoras definidas no Plano Estratégico dos
Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU II), nomeadamente a Prevenção e a
Sensibilização/mobilização dos cidadãos para os novos padrões de consumo. Ao nível da
Prevenção, salienta-se a promoção do eco consumo, através da oferta de produtos aos
consumidores em embalagens reutilizáveis, e do incremento da reutilização dos “sacos de
cliente” das cadeias de Distribuição. Ao nível da Sensibilização, destaca-se o reforço da
educação para a gestão de resíduos.
 Deve ser garantida uma adequada separação, recolha, armazenagem e encaminhamento dos
resíduos para operadores licenciados. A eliminação definitiva, nomeadamente a sua
deposição em aterro, constitui sempre a última hipótese a ser equacionada. A gestão dos
resíduos urbanos cuja produção diária não exceda os 1100 l é assegurada pelos municípios.
A partir dos 1100 l, e caso o município não aceite realizar a recolha de resíduos, esta deverá
ser assegurada por um operador de gestão de resíduos licenciado.
 Guias de Acompanhamento de Resíduos (GAR), cada transporte deverá ser acompanhado
da correspondente Guia de Acompanhamento de Resíduos (GAR), à exceção dos casos em
que a recolha é efetuada pela câmara municipal ou em veículo de compressão. As Guias de
Acompanhamento de Resíduos deverão ficar arquivadas por um período de 5 anos.

Sistema Integrado/Sistema Individual


 Os Distribuidores que sejam responsáveis pela colocação no mercado nacional (Produtores
Marca Própria/Importadores) de embalagens, equipamentos elétricos e eletrónicos (EEE),
pilhas e acumuladores, óleos lubrificantes ou pneus devem transferir a responsabilidade pela
gestão dos resíduos produzidos a um sistema integrado, através da adesão a uma Entidade
Gestora. Em alternativa, os Produtores podem optar por assumir as suas obrigações a título
individual, carecendo para o efeito de uma autorização da Agência Portuguesa do Ambiente.
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 Os produtos para os quais existe um sistema integrado de gestão de resíduos (ex. EEE, pilhas,
pneus, óleos lubrificantes) só podem ser comercializados pela Distribuição caso exista um
comprovativo de adesão ao sistema integrado ou a um sistema individual. No caso de
empresas
 nacionais que forneçam produtos não Marca Própria, estas deverão fazer prova de adesão
aos referidos sistemas de gestão. Para a situação das empresas não nacionais, estas não
possuem qualquer obrigação legal relativamente à gestão de resíduos, pelo que deverá ser
a empresa nacional importadora a fazer prova do sistema de gestão.
Boas práticas ambientais
 Redução e Reutilização
 Enquanto Produtor (Marcas-Próprias/Importações), adotar uma abordagem baseada na
Análise de Ciclo de Vida dos produtos, através da promoção do ecodesign:
 Redução da perigosidade dos materiais utilizados na conceção dos produtos (ex. metais
pesados, aditivos, colas, tintas, vernizes);
 Minimização do peso e espessura das embalagens (redução do uso de matérias-primas), sem
comprometer a qualidade e desempenho;
 Redução do tipo de materiais que constituem a embalagem;
 Uso de materiais provenientes de fontes renováveis;
 Incorporação de material reciclado no fabrico da embalagem;
 Melhoria das técnicas de enchimento e ensacagem;
 Utilização do sistema de eco recarga e/ou de produtos concentrados;
 Definição da melhor alternativa de reaproveitamento da embalagem: retornável ou
reciclável;
 Conceção de produtos com a garantia de um consumo eficiente de recursos naturais e
energia e de forma a aumentar a sua vida útil;
 Otimização do processo de desmontagem, reutilização e reciclabilidade do produto.
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Enquanto Distribuidor:
 Promover junto do Produtor a conceção e desenvolvimento dos produtos com base no
ecodesign;
 Promover boas práticas de consumo mais sustentável (eco consumo) junto do Consumidor;
 Disponibilizar ao Consumidor produtos em embalagens reutilizáveis;
 Desenvolver programas de reutilização/reciclagem de sacos de plástico (ex. Saco Verde);
 Garantir que os sacos de compras são, tendencialmente, fabricados em materiais
biodegradáveis;
 Sensibilizar o consumidor para a importância da reutilização dos sacos de compras.

Boas práticas do dia-a-dia


 A gestão de resíduos envolve a otimização de procedimentos e de equipamentos e a dotação
das instalações com as infraestruturas necessárias. Deverá ser assegurada uma correta
gestão de resíduos através de um conjunto de medidas gerais, tais como as que se descrevem
de seguida. Apresentam-se ainda um conjunto de medidas específicas, aplicáveis em função
da natureza da atividade.
Medidas gerais
 Promover o princípio da hierarquia das operações de gestão de resíduos, procurando em
primeiro lugar a prevenção e a redução, seguidas da preparação para reutilização, reciclagem
ou outras formas de valorização. A deposição em aterro constitui a última opção de gestão;
 Identificar e classificar os resíduos segundo a Lista Europeia de Resíduos (LER);
 Gerir os resíduos de forma a evitar contaminações cruzadas;
 Dotar a instalação com recipientes adequados à deposição de cada tipo de resíduo produzido
e à respetiva quantidade;
 Imprimir documentos provisórios no verso de papel já impresso e documentos definitivos
em ambos os lados;
 Reutilizar envelopes, arquivos e caixas;
 Utilizar sempre que possível o e-mail;
 Utilizar preferencialmente pilhas recarregáveis;
 No caso de serem gerados outros resíduos para além dos especificados nos Quadros;
 Ajustar o horário de colocação dos contentores no exterior da loja aos horários de recolha
pelo município ou operador de gestão de resíduos;
 Transportar os resíduos em condições ambientalmente adequadas, de modo a evitar a sua
dispersão ou derrame;
 Assegurar a limpeza das instalações e da zona envolvente; 8
 Realizar uma avaliação sistemática das características dos materiais e produtos de limpeza
utilizados, evitando produtos com maior potencial de perigosidade;
 Assegurar a correta utilização dos materiais e produtos: ler o rótulo, não utilizar produtos
sem identificação; garantir a existência de fichas de dados de segurança; identificar e
sinalizar todos os locais e recipientes que contenham produtos químicos; utilizar dispositivos
para conter pequenos derrames;
 Assegurar a adequada gestão das pequenas quantidades de resíduos perigosos, que
resultam da utilização de certos materiais e produtos (ex. detergentes amoniacais, agentes
à base de lixívia, solventes orgânicos, aerossóis, agentes de desentupimento, tintas, vernizes,
agentes desengordurantes);
 Sensibilizar colaboradores e consumidores para a correta gestão dos resíduos.

Medidas específicas
 Separar e acondicionar embalagens de papel/cartão e plástico em fardos, big-bag ou em
contentor/compactador;
 Assegurar o correto funcionamento dos equipamentos de recolha e armazenamento, tais
como prensas e compactadores;
 Separar e acondicionar resíduos orgânicos e resíduos indiferenciados em sacos para
deposição de resíduos (“sacos de lixo”) e em contentores, de forma a minimizar situações de
maus cheiros;
 Armazenar corretamente óleos alimentares usados, evitando a colocação de óleo quente e
prevenindo eventuais derrames;
 Dar seguimento aos Requisitos técnicos para a colocação de pontos de recolha de Óleos
Alimentares Usados, recomendados pela APED;
 Assegurar a correta segregação e armazenagem dos óleos lubrificantes usados, evitando a
mistura com quaisquer outras substâncias e prevenindo eventuais derrames. Quando
necessário, devem ser utilizados materiais adequados para a absorção de derrames ou
limpeza de superfícies, com posterior deposição em contentor destinado para o efeito;
 Assegurar o encaminhamento dos óleos lubrificantes usados provenientes de motores, de
hidráulicos e fluidos para operadores de recolha licenciados;
 Garantir a limpeza do local de armazenamento de óleos lubrificantes e o cumprimento das
normas de segurança e ambiente, designadamente através de uma zona bem definida e
identificada, afastada de fontes de calor, com superfície impermeável e bacias de retenção.
O local deverá dispor de meios de proteção contra incêndio e kit de absorção de derrames;9
 Não misturar óleos lubrificantes usados com outras substâncias (tais como óleos
alimentares, produtos clorados, solventes, desperdícios, tintas, águas de lavagem, entre
outros);
 Caso o óleo lubrificante provenha de transformadores, verificar se contêm PCB
(policlorobifenilos). Em caso afirmativo, assegurar o seu encaminhamento adequado com
base em legislação específica;
 Para além dos óleos lubrificantes, assegurar também a correta segregação e armazenamento
de líquidos de refrigeração e filtros de óleo e de combustíveis em recipientes adequados.
Assegurar a sua recolha por um operador de gestão de resíduos licenciado.

Benefícios
 Utilizar de forma eficiente a energia e os recursos naturais.
 Evitar a poluição da água e do solo.
 Evitar a poluição visual e a libertação de maus cheiros.
 Assegurar o cumprimento dos requisitos legais.
 Minimizar a violação de contentores e consequentes perigos de saúde pública.
 Evitar queixas por parte das populações vizinhas.
 Evitar penalizações por parte das entidades fiscalizadoras.
 Reduzir custos associados à gestão dos resíduos.

Efluentes Líquidos
Principais efluentes gerados
 Os efluentes líquidos rejeitados pelos estabelecimentos correspondem às águas residuais
domésticas provenientes de cozinhas, refeitórios, cafetarias, da secção de peixaria,
instalações sanitárias, balneários, operações de limpeza e lavagem, bem como de sistemas
de frio industrial, entre outros. São ainda produzidas águas pluviais, em resultado das águas
das chuvas que são recolhidas a partir das áreas cobertas e impermeabilizadas (telhados,
coberturas, pavimentos).

Principais obrigações legais


 Devem ser cumpridos os limites legais de descarga de águas residuais ou os limites definidos
nos Regulamentos Municipais, caso existam. Deverá também existir licença para descarga
das águas residuais nos coletores municipais ou no meio hídrico, bem como o autocontrolo
dos efluentes produzidos, caso seja exigido pela entidade gestora do sistema.
Boas práticas ambientais
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 Define-se um conjunto de medidas a adotar, que visa proteger os sistemas de drenagem de
águas residuais e pluviais e minimizar a produção de efluentes líquidos.

Controlo da rede de drenagem


 Devem ser efetuadas intervenções preventivas nos sistemas de drenagem de águas residuais
e pluviais, de forma a evitar entupimentos, inundações e odores desagradáveis. No sentido
de assegurar que as descargas de efluentes obedecem aos requisitos impostos, deve ser
monitorizada a qualidade das águas residuais e verificada a conformidade com os valores-
limite aplicáveis.

Boas práticas do dia-a-dia


 Limpar periodicamente as caixas de retenção existentes nas diferentes secções e caixas
separadoras de gorduras;
 Retirar restos de resíduos antes de ser efetuada a lavagem do pavimento, colocando-os em
contentor próprio para resíduos “indiferenciados”;
 Retirar os sólidos retidos nas grelhas de drenagem, os quais devem ser colocados em
contentor de resíduos indiferenciados;
 Armazenar óleos alimentares usados em recipientes próprios, prevenindo eventuais
derrames. Não é permitido descarregar óleos alimentares usados na rede de drenagem;
 Efetuar a limpeza periódica do interior dos móveis de frio, prevenindo possíveis
entupimentos do sistema de drenagem de águas residuais com restos de embalagens
danificadas;
 Depositar os resíduos das instalações sanitárias (ex. pensos higiénicos, lâminas, plásticos) em
recipiente adequado existente no local;
 Evitar descarregar as águas de lavagem na rede de águas pluviais;
 Efetuar inspeção visual periódica ao estado de conservação das tubagens;
 Não lançar substâncias perigosas (ex. óleos, solventes e detergentes concentrados) nas
redes de águas residuais ou pluviais;
 Remover os restos de alimentos antes da lavagem da loiça e utensílios de cozinha;
 Não lançar resíduos sólidos (ex. luvas, escamas, papéis) em ralos e caleiras de saneamento;
 Assegurar periodicamente a limpeza e desobstrução dos sistemas de escoamento de águas
pluviais;
 Sensibilizar os colaboradores para a importância da prevenção de entupimentos nos
sistemas de drenagem de águas residuais e pluviais.

Benefícios 11
 Melhorar o estado de conservação da rede de drenagem.
 Reduzir o número de intervenções de manutenção curativa.
 Reduzir o consumo de água.
 Assegurar o cumprimento dos requisitos legais.
 Evitar penalizações por parte das entidades fiscalizadoras.
 Reduzir custos associados à conservação da rede de drenagem.

Emissões Gasosas

Principais fontes de emissão


 As principais fontes de emissões atmosféricas associadas à actividade dos estabelecimentos
correspondem aos gases de combustão, resultantes da queima de combustíveis em caldeiras
ou fornos de padaria, do funcionamento de empilhadores (a gás ou gasóleo) e de geradores
de emergência.
 Existem ainda emissões de gases refrigerantes, associadas a fugas nos sistemas e
equipamentos de frio, sistemas de proteção contra incêndios, entre outros, e emissões (não
oluentes) associadas ao funcionamento da máquina de assar frangos.

Principais obrigações legais


 As instalações de combustão (designadamente com potência térmica superior a 100 kWth)
estão sujeitas a autorização ou licença. Deve ser efetuada a monitorização das emissões
atmosféricas, nos termos fixados na respetiva autorização ou licença. A monitorização é
dispensada nas fontes pontuais (ex. geradores de emergência) associadas a instalações que
funcionem menos de 25 dias por ano ou por um período anual inferior a 500 horas. Para
estes casos, deverá existir um registo atualizado do número de horas de funcionamento e
consumo de combustível anual. No sentido de permitir uma boa dispersão dos poluentes, as
chaminés devem ser concebidas com altura adequada e de acordo com os requisitos legais
de construção. Deverá ser assegurado que os equipamentos de refrigeração, climatização e
sistemas de proteção contra incêndios utilizam substâncias regulamentadas. Deve proceder-
se à inventariação dos equipamentos que contenham substâncias regulamentadas, bem
como do fluido e das quantidades utilizadas em cada equipamento. Devem ser tomadas
medidas para evitar e minimizar quaisquer fugas e emissões de substâncias regulamentadas
e para reparar eventuais fugas detetadas. As verificações de equipamentos (com mais de 312
kg) devem ser realizadas por técnicos qualificados e de acordo com a periodicidade
estabelecida. Para cada intervenção devem existir registos. As substâncias retiradas dos
fluidos e o equipamento em fim de vida devem ser encaminhados para um destino adequado
através de um operador licenciado.

Boas práticas ambientais


 Com o objetivo de prevenir e controlar as emissões de poluentes para a atmosfera, devem
ser definidas medidas e procedimentos destinados a identificar as origens e reduzir os níveis
de emissão originados pelo funcionamento de alguns equipamentos.

Controlo das emissões


 Identificar origens das emissões atmosféricas e realizar monitorização periódica;
 Verificar a conformidade com os valores-limite aplicáveis.

Boas práticas do dia-a-dia


 Assegurar a utilização racional dos equipamentos, de forma a evitar consumos
desnecessários e a emissão de gases de combustão;
 Assegurar a manutenção e limpeza adequada dos equipamentos (ex. filtros do sistema de
climatização);
 Verificar que todos os equipamentos são desligados após encerramento do estabelecimento;
 Manter corretamente fechados os produtos de limpeza, de forma a evitar a libertação de
compostos poluentes;
 Otimizar os circuitos logísticos de entrega de mercadoria;
 Sensibilizar os colaboradores para a importância da utilização racional dos equipamentos.

Benefícios
 Minimizar a emissão de gases responsáveis pela destruição da camada de ozono.
 Minimizar a emissão de gases fluorados com efeito de estufa.
 Reduzir o consumo de energia.
 Assegurar cumprimento dos valores-limite de emissão.
 Evitar penalizações por parte das entidades fiscalizadoras.
 Evitar queixas por parte das populações vizinhas.
 Reduzir custos associados ao reenchimento dos equipamentos com gases refrigerantes e ao
consumo de energia. 13

Politica dos 5 R’s

 Reduzir, Reutilizar, Recuperar, Racionalizar e Reciclar são as palavras-chave para quem quer ser um
defensor do meio ambiente.
 A política dos 5 R´s inicia o seu ciclo com o reduzir e a reciclagem completa o ciclo dos "R´s".
 Com esta política dos 5 R´s o planeta fica com um sorriso de lado a lado ao ver o lixo diminuir

Reduzir
 Consiste em diminuir a quantidade de lixo produzido, desperdiçando menos e consumindo só o
necessário.
 Reduzir significa ainda sermos cidadãos mais conscientes e mais atentos, quando se trata de
consumir.
O que fazer para reduzir?
 Reduzir o número de embalagens que compramos, preferir embalagens grandes em vez de
muitas embalagens pequenas, evitar alimentos embalados, usar o papel dos dois lados em
vez de comprar mais papel, usar os sacos mais de uma vez, são gastos que permitem reduzir
a quantidade de lixo que produzimos.

Reutilizar
 Reutilizar significa tal como o próprio nome indica, utilizar de novo, dar uma nova utilidade a
materiais que muitas vezes consideramos inúteis.
 Há objetos que são concebidos para serem usados várias vezes. Há outros em que a imaginação ajuda
a potenciar uma nova ou mais duradoura utilização.
 Como podes reutilizar os diversos materiais?
 Há materiais que podem ser utilizados para outros fins:
 - os frascos de compota para guardar especiarias;
 - as embalagens de leite como vasos;
 - os tecidos para fazer almofadas, entre outros.

Reciclar
 A reciclagem consiste em transformar os materiais inúteis em novos produtos ou matérias primas
de forma a diminuir a quantidade de resíduos, poupar energia e recursos naturais valiosos.
 A reciclagem traz os seguintes benefícios:
 Contribui para diminuir a poluição do solo, água e ar;
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 Melhora a limpeza da cidade e a qualidade de vida da população;
 Prolonga a vida útil de aterros sanitários;
 Melhora a produção de compostos orgânicos;
 Gera empregos para a população não qualificada;
 Gera receitas com a comercialização dos recicláveis;
 Estimula a concorrência uma vez que os produtos gerados a partir dos reciclados são comercializados
em paralelo àqueles gerados a partir de matérias primas virgens;
 Contribui para a valorização da limpeza pública e para formar uma consciência ecológica.
 A coleta seletiva é o primeiro passo para a reciclagem, porque permite a separação dos materiais na
fábrica local, onde eles são descartados. Os resíduos colocados nos sacos de lixo estão misturados
ao plástico, metais, restos de comida, papel, vidro. Mas atualmente existem recursos que permitem
a separação e o reaproveitamento de boa parte desse material. Para que isso seja possível é preciso
que cada um dê a sua contribuição adaptando medidas individuais e coletivas.

Recuperar
 Consiste na devolução de garrafas e embalagens reutilizáveis, para que estas possam ser usadas
novamente.
 Nota: devemos preferir sempre as garrafas com depósito.

Racionalização
 A racionalização é uma das ações mais completas para ganhos reais para o meio ambiente, pois
disponibiliza ao consumidor exatamente o que ele necessita com menor consumo de matéria-prima
e, possivelmente, menor emissão de gases do efeito estufa.

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Sinalização
 A sinalização de segurança tem por objetivo chamar a atenção das pessoas, de forma rápida e
inequívoca, para as situações que, nos espaços onde elas se encontram, comportem riscos para
a sua segurança.
 A sinalização de segurança deverá existir em todos os locais de trabalho, qualquer que seja a
atividade, para abranger quer os trabalhadores quer todos aqueles que temporariamente aí se
encontrem (ex.: visitas, fornecedores, prestadores de serviços externos), mas também nos locais
que habitualmente se encontram abertos ao público.
 A sinalização de segurança e saúde reveste várias formas - sinais coloridos; acústicos; verbais;
gestuais - adaptando-se à situação que pretendem prevenir, mas de certo modo, todas elas se
complementam entre si.
 A forma utilizada, a cor, o número e dimensão dos sinais de segurança dependerão da
importância dos riscos, dos perigos existentes e da extensão da zona a cobrir.
 Todos os equipamentos de sinalização de segurança deverão ser mantidos em bom estado de
conservação (limpeza e funcionamento), não devendo ser confundida ou afetada por qualquer
outro tipo de sinalização ou fonte emissora estranha à sinalização de segurança

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FORMAS DE SINALIZAÇÃO

Existem várias formas de sinalização universais e que se complementam entre si:


◦ Sinais coloridos (pictogramas ou luminosos) para assinalar riscos ou dar indicações;
◦ Sinais acústicos habitualmente para assinalar situações de alarme e de evacuação;
◦ Comunicação verbal;
◦ Sinais gestuais para que, quando a comunicação de viva voz não seja possível, se possam dar
as indicações necessárias.

SINAIS COLORIDOS (PICTOGRAMAS)


 A forma geométrica e o significado dos sinais de segurança, bem como a
 combinação das formas e das cores e seu significado nos sinais estão indicados nos quadros 1 e
2
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Sinais de Proibição

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Sinais de Aviso/ Perigo


Sinais de Obrigação

19
Sinais de Salvamento ou de Emergência

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Sinalização Horizontal
 A sinalização de obstáculos e locais permanentemente perigosos, tais como degraus de escadas,
buracos no pavimento ou locais que apresentem um risco de choque, quedas ou passos em falso,
ou ainda risco de queda de materiais, deverá ser feita com a ajuda de faixas preto/amarelo ou
então vermelho/branco.
 A sinalização referida deverá ser feita tendo em conta as dimensões do obstáculo ou do local
perigoso.

SINAIS ACÚSTICOS
 Podem ser de vários tipos e características, por exemplo:
 Intermitentes (indicando um maior perigo);
 Contínuos, normalmente associados a situações de alarme ou evacuação.

SINAIS LUMINOSOS
 Os sinais luminosos de segurança deverão garantir um contraste não excessivo, mas também
não insuficiente, tendo em vista as suas condições de utilização. A superfície luminosa deverá ser
de uma cor uniforme igual, conforme o caso, com as cores usadas nos sinais coloridos
(pictogramas). A alimentação elétrica dos sinais luminosos deverá ser autónoma.

SINAIS GESTUAIS
• Os gestos devem ser simples, fáceis de executar e de compreender.
• Nos quadros seguintes, exemplificam-se alguns gestos codificados

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Legislação Aplicável

Decreto Regulamentar nº 33/88 de 12 Disciplina a sinalização temporária de obras e obstáculos na via


de Setembro pública.

Decreto Lei nº 141/95, de 14 de Junho, Prescrições mínimas para a sinalização de segurança e de saúde no
Alterado pela Lei nº 113/99, de 03 de trabalho.
Agosto
Portaria nº 1456-A/95, de 11 de Prescrições mínimas para a sinalização de segurança e de saúde no
Dezembro trabalho (Regulamenta o Decreto-Lei nº 141/95

Vias de Circulação
 Quando a proteção dos trabalhadores o exija, as vias de circulação de veículos deverão ser
identificados com faixas contínuas que podem ser brancas ou amarelas, localizadas de modo a
garantir as distâncias de segurança necessárias, quer entre os veículos e trabalhadores, quer
entre ambos e os objetos ou instalações que possam encontrar-se na vizinhança.

Legislação Aplicável
 Decreto Regulamentar nº 22-A/98, de 1 de Outubro Alterado pelo artigo 1.º do Decreto
Regulamentar nº 41/2002, de 20 de Agosto e aditado pelo artigo único do Decreto
Regulamentar nº13/2003, de 26 de Junho
 Aprova em anexo o Regulamento de Sinalização do Trânsito

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Incêndios
Objetivos:
 Reduzir os riscos de eclosão de um incêndio;
 Limitar o risco de propagação do fogo e dos fumos;
 Garantir a evacuação rápida e segura dos ocupantes;
 Facilitar a intervenção eficaz às equipas de 1ª intervenção dos bombeiros.

Com vista à satisfação destas exigências devem ser tomadas as precauções necessárias nas instalações, com
o objetivo de:
 Providenciar caminhos de evacuação protegidos contra a propagação do fogo e dos fumos;
 Garantir uma estabilidade satisfatória, dos elementos estruturais face ao fogo;
 Garantir um comportamento satisfatório dos elementos de compartimentação face ao fogo;
 Dispor de equipamentos técnicos (instalação elétrica, de gás, de ventilação e outros) que funcionem
em boas condições de segurança com comandos de emergência devidamente localizados e
sinalizados;
 Dispor de sistema de alarme, alerta, iluminação de emergência e sinalização apropriados;
 Dispor de meios de primeira intervenção apropriados;
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 Organizar a formação e a instrução de pessoal;
 Assegurar a conservação e manutenção dos equipamentos técnicos, incluindo os de segurança.

Natureza do fogo

Principais focos de ignição


De origem térmica:
 Utilização de meios de ignição (fósforos, acendedores, pontas de cigarro);
 Geradores de calor (fornos, caldeiras, etc.);
 Raios solares;
 Soldadura;
De origem elétrica:
 Faíscas provocadas por interruptores, motores, etc.;
 Curto-circuitos;
 Eletricidade estática;
 Descargas atmosféricas.

De origem mecânica
 Chispas provocadas por ferramentas;
 Atrito.

De origem química:
 Reações exotérmicas
 Substâncias reativas e auto oxidantes.

Prevenção e controlo do fogo


De acordo com a NP 1553, os fogos são classificados, em função da natureza do material de combustão
envolvido, em quatro classes:
 Classe A Fogos de materiais sólidos, geralmente de natureza orgânica, e que ao arder,
normalmente deixam brasas.
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Ex.: madeira, carvão, papel, plásticos.
 Classe B Fogos de líquidos ou de sólidos liquidificáveis.
Ex.: óleo, gasolina, gasóleo, alcatrão, ceras, tintas, álcool, etc.
 Classe C Fogos de gases.
Ex.: gás natural, butano, propano, hidrogénio, acetileno, etileno.
 Classe D Fogos de metais.
Ex.: ácido sulfúrico, alumínio, sódio, magnésio, titânio, fósforo.

Métodos de extinção
A extinção de um fogo está relacionada com os quatro elementos (tetraedro) que são necessários para que
exista combustão. São quatro os métodos:
Arrefecimento
O mais utilizado, consistindo em baixar a temperatura do combustível e do meio ambiente, abaixo do seu
ponto de ignição.

Abafamento
Consiste no isolamento do combustível e do oxigénio, ou na redução da concentração deste no ambiente.
Diluição ou eliminação do combustível
Consiste na separação do combustível da fonte de calor.

Inibição da chama ou interrupção da reação em cadeia


Consiste na alteração da reação química, modificando a libertação dos radicais livres produzidos e
libertados na combustão.
Agentes extintores
Agente extintor é o produto cuja ação, ao ser projetado sobre um fogo, provoca a extinção do mesmo.
De acordo com os métodos de extinção, existem agentes extintores capazes de atuar de acordo com os
mesmos.
Deve ter-se em atenção que alguns dos agentes extintores podem ser incompatíveis com alguns dos
produtos, subprodutos, materiais ou substâncias utilizadas em determinados processos de fabrico.
 Água;
 Espuma;
 Dióxido de Carbono;
 Pós químicos secos;

Medidas Estruturais Preventivas 25

Embora os edifícios possam estar protegidos por sistemas de deteção, alarme e até mesmo de extinção de
incêndios, deverá durante a elaboração do projeto de cada edifício ser conferida especial atenção à função
para a qual o edifício é projetado, ao grau de risco existente, aos ocupantes possíveis do edifício e, a partir
destes dados, escolher os materiais de construção, dimensionar as vias de evacuação e protegê-las, ajustar
as portas e escadas.
Riscos Elétricos

Tal como acontece com outras formas de energia, a eletricidade apresenta riscos e pode causar acidentes
cujas consequências podem resultar em danos pessoais, materiais ou ambos.
RISCOS MATERIAIS
Normalmente resultantes de incêndios e/ou explosões provocados por deficiências na instalação.

RISCOS PESSOAIS
Resultantes da passagem de corrente elétrica pelo corpo humano.

Perigos mais Frequentes:


 Contactos Elétricos;
 Incêndios;
 Explosões;
 Queda de pessoas a nível diferente;
 Queda de pessoas ao mesmo nível.

26
Causas Principais:
 Instalações provisórias e expostas a intempéries;
 Reutilizar material elétrico em mau estado;
 Utilizar circuitos ou equipamentos defeituosos;
 Efetuar a manutenção ou reparação com as instalações ou circuitos ligados;
 Efetuar reparações provisórias em instalações ou equipamentos;
 Anular os equipamentos de proteção (nomeadamente os disjuntores diferenciais);
 Posicionar cabos no chão, em locais de acesso e circulação, suscetíveis de provocar tropeções de
pessoas e/ou desgastar o isolamento dos mesmos;
 Trabalhadores sem formação e desconhecimento dos riscos;
Medidas preventivas:
 Todos os cabos devem possuir as características adequadas;
 Deve ser instalada uma rede de terra com resistência máxima de 10 ohm;
 Deve garantir que todos os equipamentos têm ligação terra;
 Deve ser rigorosamente proibida interromper qualquer ligação terra;
 Os cabos de alimentação das máquinas ou equipamento devem ser afastados das zonas de
circulação, para evitar serem danificados com a circulação de pessoas ou maquinas;
 Todas as saídas dos quadros devem estar protegidas por disjuntores;
 O quadro elétrico deve estar em local acessível;
 O quadro elétrico deve estar protegido contra a entrada de águas e pós;
 Deve ser competência explosiva de eletricistas devidamente habilitados a montagem, modificação e
manutenção de bom estado da rede elétrica;
 Deve ser rigorosamente proibida a utilização de arames e fios como elementos fusíveis;
 Devem ser colocados fora do serviço todos os troços de cabo que apresentem defeitos no
isolamento;
 Deve ser proibida efetuar emendas nos condutores flexíveis;
 Deve ser rigorosamente proibida efetuar qualquer trabalho sobre circuitos em tensão.
 Se houver necessidade de enterrar o cabo este deve ser protegido;
27
 Deve ser rigorosamente proibido fazer fogo na proximidade de cabos elétricos;
 Todos os aparelhos de mão para iluminação devem ser alimentados a tensão reduzida, ter pega
isolada e a lâmpada protegida contra choques mecânicos;
 Quando o trabalhador tiver de se ausentar deve desligar o cabo de alimentação da corrente;
 Deve ser proibido puxar cabos de alimentação da corrente;
 As fichas e tomadas devem ser compatíveis;
 Todo e qualquer disparo dos disjuntores deve ser comunicado ao eletricista;
 Deve ser rigorosamente proibida a troca da cor dos fios condutores de energia;
 A iluminação não portátil das zonas de trabalho deve ser efetuada com projetores, colocados, no
mínimo a 2 metros de altura, em suportes que garantam solides e estabilidade adequada;
Trabalho com Máquinas e Equipamentos
Perigos mais frequentes:
 Pancadas e cortes por objetos ou ferramentas;
 Projeção de fragmentos ou partículas;
 Entaladela ou esmagamento por ou entre objetos;
 Sobre esforços ou posturas inadequadas;
 Exposição a substâncias nocivas ou tóxicas;
 Contatos elétricos;
 Explosão;
 Incêndio;
 Exposição a ruídos;
 Exposição a vibrações;
 Queda de pessoas ao mesmo nível e nível diferente.

Causas Principais:
 Utilizar inadequadamente as máquinas ou ferramentas;
 Utilizar máquinas ou ferramentas com defeito ou avaria;
28
 Retirar proteções às máquinas;
 Utilizar máquinas ou ferramentas de má qualidade ou mal desenhadas;
 Abandonar ferramentas em plataformas, andaimes ou locais de circulação ou passagem.

Medidas de prevenção aconselhadas:


 Selecionar e usar a ferramenta correta para o trabalho a executar, nunca ultrapassando a sua
capacidade;
 Utilizar sempre ferramentas em bom estado. Verificar os cabos e pegas das ferramentas, não caindo
na tentação de os fixar de maneira artesanal com emendas, pregos ou parafusos, braçadeiras ou de
qualquer outra maneira menos correta, pois são sempre pontos fracos que, cedendo, podem ser a
causa de acidentes;
 Os trabalhadores devem ser informados sobre a utilização correta de cada ferramenta ou
equipamento;
 Os trabalhadores de
 Utilizar sempre óculos de proteção, luvas, capacetes e outros equipamentos de proteção individuais
adequados ao trabalho a executar;
 Proceder a inspeções periódicas por pessoal especializado verificando o funcionamento das
ferramentas e detetando possíveis pontos de desgaste e de rotura;
 Deve utilizar discos de corte que estejam excessivamente desgastados;
 Os cabos devem ser fortes e flexíveis, manter-se em bom estado sem fissuras nem rebarbas;
 Na utilização de enxadas, picaretas ou outras ferramentas semelhantes, deve-se deixar no mínimo
uma distância de 3 metros entre trabalhadores;
 Ferramentas de corte devem manter-se devidamente afiadas sendo o seu transporte proibido nos
bolsos;
 As folhas de corte de serras devem ser verificadas e substituídas antes de efetuar qualquer trabalho;
 As Maquinas portáteis devem ser inspecionadas antes de se iniciar o trabalho;
 Deve ser proibido retirar qualquer peça ou órgão de proteção da máquina;
 As ferramentas que apresentem defeitos de isolamento devem ser colocadas para arranjar;
 Em locais húmidos devem ser utilizadas ferramentas com duplo isolamento;
 As máquinas portáteis devem, possuir uma superfície de apoio de dimensões suficientes e possuir
meios de pressão e de suporte em número suficiente e corretamente dimensionados e dispostos
para assegurar a estabilidade de máquinas nas condições de funcionamento previstas pelo
fabricante;
 As máquinas portáteis devem ser concebidas, fabricadas ou equipadas de modo a serem suprimidos
29
os riscos devidos ao seu arranque intempestivos e ou à manutenção em funcionamento pedos do
operador ter libertado os meios de preensão.
 A máquina portátil, deve ser projetada e fabricada para permitir, se necessário, controlar
visualmente a penetração da ferramenta no material de trabalho;
 O manual de instruções deve indicar o valor médio quadrático ponderado em frequência de
aceleração ao qual estão expostos membros superiores, quando a aceleração ultrapassar 2,5m/s2.
 Criar para cada ferramenta uma ficha onde esteja indicado quando foi feita a última inspeção ou
reparação, do que constou, das peças substituídas e a data em que deverá ser feita nova inspeção,
"Chek-list";
Movimentação Manual de Cargas
Perigos mais frequentes
 Queda de pessoas ao mesmo nível;
 Queda de objetos em manipulação;
 Choque ou pancadas por objetos imóveis;
 Pancadas e cortes por objetos ou ferramentas;
 Projeção de fragmentos ou partículas;
 Sobre esforços ou postura inadequadas;
 Entaladela;

Causas Principais:
 Desarrumação dos locais de armazenamento e do trabalho;
 Falta de capacidade física;
 Períodos de repousos insuficientes;
 Trabalho desorganizado (atravancamento de locais de passagem, grandes distâncias de elevação ou
transporte, …);
 Não utilizar os EPI (s) necessários;
30
 Má utilização dos EPI (s);
 Trabalhadores sem formação e desconhecimento dos riscos;

Prevenção:
 Devem ser adotadas as medidas de organização de trabalho adequadas ou
utilizados os meios apropriados, nomeadamente equipamento mecânico,
de modo a evitar a movimentação manual de cargas pelos trabalhadores;
 Sempre que não seja possível evitar a movimentação manual de cargas, o
em pregador deve adotar medidas que atenuem a penosidade do trabalho
e evitem os riscos, nomeadamente, os trajetos efetuados com cargas devem ser mais curtos possível;
 O peso das cargas não podem exceder os 20kg em operações frequentes,
até 30kg em operações raramente efetuadas e quando ultrapassar os 30kg
deve ser efetuado no mínimo por dois trabalhadores;
 Deve ser dada formação e informação aos trabalhadores expostos sobre os
riscos que correm devido à má movimentação manual de cargas bem como
a forma correta de o fazer;
 Os locais de movimentação de cargas deve ter espaços livre o suficiente para a movimentação do
pessoal, que o piso não é irregular nem escorregadio de forma a por os trabalhadores em situação
de risco;
 Os trabalhadores devem utilizar os EPI (s) adequados, luvas de proteção mecânica em algodão ou
poliéster com cobertura em látex rugoso (nível de proteção mínimo 2122), calçado com palmilha e
biqueira de aço classe S3;
 Quando a carga é movimentada por dois trabalhadores, um deles deve dirigir as manobras, para que
não haja dessincronização entre os dois;

Elevação da carga:
 Observação das características da cargas antes de iniciar a sua elevação (volume, centro de
gravidade, peso distribuição de peso forma, instabilidade, etc. …);
 Deve colocar-se junto à carga, posicionando um pé atrás da carga e
outro lateralmente à mesma, de forma a manter o corpo equilibrado;
 Com as costas direitas deve agachar-se dobrando os joelhos, de forma
a colocar o peito mais próximo da carga;
 A carga deve ser segurada com as duas mãos, segurando-a com as
palmas das mãos e do dedos para evitar que escorregue;
31
 A carga deve ser elevada de forma a manter as costas direitas e a carga o mais próximo do corpo;
 Deve-se elevar e deslocar a carga com os braços estendidos;
 Para pousar a carga, deve fletir os joelhos mantendo as costas direitas.

Transporte de carga:
 A carga deve ser transportada de forma a manter o corpo direito e em equilíbrio;
 A carga deve ser agarrada de forma proporcional;
 A carga de estar chegada ao corpo;
 A carga deve ser transportada com os braços estendidos, em tracção simples. Sustendo a carga e não
levantá-la;
 O trabalhador deve procurar o equilíbrio tendo em conta a posição dos pés, afastados, um à frente
do outro. Tentando por o centro de gravidade da carga o mais próximo possível do corpo;
 A carga deve ser transportada numa posição que não dificulte a visão nem o andar;
 A carga deve ser transportada com as mãos corretamente colocadas (usando as palmas das mãos e
a base dos dedos, de forma a que a superfície de contacto com a carga seja a maior possível;

Trabalho em Equipa:
 Uma pessoa responsável, em função do peso da carga deve
designar um número de pessoas para necessárias para a sua
movimentação;
 A movimentação em equipa deve ser planeada e explicada a
todos os intervenientes;
 Os trabalhadores devem ser colocados, tendo em vista a sua estatura ficando os mais baixo a frente;

Movimentação Mecânica
Perigos mais Frequentes:
 Queda de objetos por desabamento ou desmoronamento;
 Queda de Objetos por rutura;
 Quedas de objetos desprendidos;

Causas Principais:
 Utilização de aparelhos mal montados;
 Utilizar inadequadamente o aparelho;
 Falta de conservação dos componentes;
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 Não delimitar a zona de trabalhos por debaixo do aparelho;
 Trabalhadores sem formação e desconhecimento dos riscos;

Medidas de Prevenção Adequadas:


 As cordas ou estropos devem ser apropriados ao peso a elevar;
 As correntes devem ser de aço e fator 5 de segurança;
 Todos os ganchos devem ter patilha de segurança;
 O operador deve verificar diariamente o bom estado dos meios de elevação;
 Deve ser sinalizada a área de operação do aparelho e proibida a presença de pessoas nessa zona;
 Deve ser dado um sinal de aviso aquando do início das movimentações;
Organização e dimensionamento do posto de
trabalho e Posturas de Trabalho
A postura pode ser considerada como a posição relativa dos vários elementos do corpo de um indivíduo em
relação ao tipo de atividades que desenvolve.
As posturas adotadas no desenrolar das tarefas (especialmente aquelas que envolvem grandes pesos)
constituem a principal causa de problemas de coluna. Isto acontece porque na maioria dos casos, aquando
do levantamento e transporte de cargas, os trabalhadores mantêm as pernas retas e “dobram” a coluna
vertebral.
Pode ainda ocorrer outra situação ou movimento perigoso. A rotação excessiva do tronco, aquando da
movimentação, levantamento ou abaixamento da carga.
O corpo humano nunca adota posturas perfeitamente estáticas – como corpo vivo que é, realiza
reajustamentos constantes que lhe permitem a manutenção de uma determinada postura corporal.
A postura corporal poder-se-á então definir como sendo a capacidade que um determinado corpo possui,
para manter um certo alinhamento intersegmental (entre os diversos segmentos corporais) sem
consequências nocivas para a saúde ou segurança.

33
A postura corporal normalmente envolve duas variáveis distintas:
1. As características anatómicas e fisiológicas do indivíduo;
2. Tipo de atividade.
As posturas incorretas resultam de diversos tipos de tarefas mais ou menos frequentes em muitos sectores
de atividade, desde a indústria pesada, passando pelo sector da saúde, hotelaria, restauração, comércio e
serviços.
Quando os trabalhadores executam permanentemente tarefas num posto de trabalho mal dimensionado ou
que os obrigue a adotar posturas incorretas, em muitos casos, começam a surgir precocemente sintomas de
fadiga física, lesões, ou outros traumatismos.
São exemplo de lesões dorso lombares: contusões, feridas, fraturas, cortes e sobretudo lesões diversas de
ordem músculo-esqueléticas.
As lesões dorso lombares podem originar hérnias discais, assim como fraturas vertebrais devidas a
esforços muito grandes associados a posturas incorretas.
A OIT (organização internacional do trabalho) referiu que a movimentação manual de cargas associadas às
posturas inadequadas nos locais de trabalho é uma das causas mais frequentes de acidentes de trabalho com
uma percentagem de sensivelmente 20 a 25% do total dos acidentes de trabalho.
As posturas são normalmente adotadas em função de alguns parâmetros ou exigências, tais como:
 Visuais;
 Precisão de movimentos;
 Força necessária para desenvolver a tarefa;
 Espaço onde atua o trabalhador;
 Ritmo de execução da tarefa.
É necessário termos sempre presente que quando se adota uma postura ou realiza um simples movimento,
entram em ação um grande número de músculos, ligamentos e articulações em simultâneo.
Para além das tensões musculares, alguns movimentos ou posturas incorretos obrigam a um dispêndio
energético muscular excessivo e a uma sobrecarga pulmonar e cardíaca.
Para se analisarem e adotarem posturas e movimentos adequados é importante o contributo de outras áreas,
tais como:

Fisiologia
Para entender as estruturas e as funções do corpo humano, estudaremos as ciências da anatomia e da
fisiologia. A anatomia (anatome = cortar em partes, separar) refere-se ao estudo da estrutura e das relações
entre estas estruturas. A fisiologia (physis + lógos + ia) é a ciência que estuda a relação e funções das
diferentes partes do corpo e o seu funcionamento. A função não se pode dissociar da estrutura, por isso, a
anatomia e a fisiologia têm que ser estudadas em conjunto.
34

Antropometria
A antropometria e a ergonomia são indissociáveis. Estudam a interação do homem com os espaços,
construções, instrumentos de controlo, utensílios e meio envolvente. A antropometria estuda as medidas do
corpo humano para posterior classificação antropológica (ex. sob a forma de tabelas).
Os dados referentes às dimensões variam de pessoa para pessoa e de país para país. No geral, as dimensões
dos indivíduos variam também com o decorrer do tempo – variam ao longo das diferentes idades, mas
também cronologicamente (de geração para geração).
Os principais aspetos do binómio ergonomia – antropometria estão relacionados com as medidas dos
segmentos do corpo, forças musculares, posturas, movimentos e padrões motores de manuseamento, uma
vez que, interferem diretamente com o conforto, a segurança e a funcionalidade.

Biomecânica
Em termos de definição, é comum dividir-se a palavra biomecânica em duas partes. No prefixo “bio”, de
biologia, ou seja, relativo aos seres vivos e, mecânica. Logo, a partir da análise morfológica da palavra, a
biomecânica será a aplicação dos vários princípios da mecânica aos seres vivos – mais concretamente ao
corpo humano.
O objeto de estudo da Biomecânica é o movimento. Este estudo dos movimentos consiste na análise da
interação do corpo, que realiza uma determinada ação, com o meio envolvente.
Com as análises e estudos realizados no âmbito da biomecânica pretende-se:
a) Aumentar a eficiência técnica dos indivíduos em diversas atividades e profissões; e
b) Diminuir a probabilidade de se verificarem lesões, do tipo crónico ou agudo, decorrentes da
atividade física realizada pelos indivíduos.
É importante que no decorrer das suas tarefas, os trabalhadores tentem manter os diferentes músculos,
ligamentos e articulações em posições confortáveis. Adicionalmente, as curvaturas naturais da coluna devem
ser “respeitadas” durante a execução do trabalho. Posturas anómalas ou movimentos bruscos podem lesar
os discos intervertebrais, as articulações, os ligamentos e nervos, provocando dor ou outras perturbações.

Consequências das posturas incorretas adotadas no trabalho


Uma má postura ou postura incorreta pode ser definida como sendo aquela que possibilita o aparecimento
de uma incapacidade, determinada dor ou patologia. É necessário ter em consideração que os diferentes
indivíduos possuem também diferentes suscetibilidades de contrair as diferentes patologias.
A postura é determinada pelo sistema locomotor. Este é responsável pelo deslocamento e pelos diferentes
movimentos do corpo no espaço. Todo e qualquer movimento, por menor que seja, requer a participação do
sistema locomotor, mesmo em repouso ou numa posição estática.
Sintomatologia derivada das posturas e movimentos incorretos ao longo do tempo: 35
Etapa 1
Sensação de peso, adormecimento (sensação de formigueiro) e desconforto em áreas específicas. Podem
ocorrer dores ocasionais, durante as atividades mais intensas (no trabalho ou fora dele). Regra geral, este
tipo de sintomas cessa após descanso de horas ou dias.

Etapa 2
Neste estágio a dor é mais persistente e localizada. Geralmente, a dor torna-se mais intensa durante períodos
de atividade mais intensos. Mesmo com períodos de descanso, a dor pode permanecer ou reaparecer
inesperadamente. Apesar disso, o quadro clínico ainda não é considerado muito grave, exemplo: dores nos
pulsos ou início de tendinites.

Etapa 3
O quadro clínico correspondente a este estádio é bastante grave. A doença pode prolongar-se por vários
meses ou até anos. Caracteriza-se pelas dores crónicas que por vezes não cessam com o repouso ou através
de medicamentos; a dor é espontânea e mais ou menos permanente. Geralmente pode haver perturbação
do sono. As dores sentidas pelos pacientes podem tornar-se insuportáveis e provocar pontadas, choques,
perdas de força, etc.
Etapa 4
Este estádio é caracterizado por dores agudas e constantes. Por vezes, as dores tornam-se insuportáveis36
atingindo outras partes do corpo. Os trabalhadores perdem a força e o controlo de determinados
movimentos.
Localização das patologias no organismo humano de acordo com as diferentes posturas inadequadas
adotadas:

Postura Localização da Patologia


Em pé Pés e pernas (varizes)
Sentado sem apoio da coluna Músculos extensores das costas
Assento alto Parte inferior das pernas (gémeos), joelhos e pés
Assento baixo Coluna vertebral e pescoço
Braços muito esticados Ombros e braços
Pegas inadequadas nas ferramentas e
Antebraços e mãos
objetos

Regras de boas práticas para melhorar a atitude postural (aspetos gerais):


 Fortalecimento da musculatura abdominal e dorsal através do exercício físico;
 Exercícios posturais;
 Adequação do peso atendendo ao índice de massa corporal recomendado para os diferentes
indivíduos;
 Formação e informação dos trabalhadores relativamente à movimentação manual de cargas e tipos
de movimentos adequados ao seu trabalho;
 Se necessário utilizar acessórios, como por exemplo, uma cinta de proteção lombar.

Regras de boas práticas para melhorar e corrigir determinadas posturas (diferentes partes do corpo):
 Pés: são os principais responsáveis pela locomoção e equilíbrio do nosso organismo. Deve procurar-
se uma boa base de forma a obter-se o equilíbrio e consequentemente maior segurança e firmeza
na postura do corpo. Os trabalhadores (se possível) devem procurar alternar entre as posições de
sentados e de pé. Quando o tipo de trabalho obrigar à permanência da posição de pé durante muito
tempo, o ideal é variar a sustentação do peso entre os dois pés, mas não de forma prolongada, para
evitar fadiga e tensão. Não se deve colocar o peso apenas sobre os calcanhares ou sobre os dedos.
 Pernas: são muito importantes para a ajudar a fixar e sustentar o corpo. As pernas nunca sofrem um
relaxamento completo. No entanto, elas devem ficar flexíveis, nunca completamente “rígidas”, de
modo a estarem constantemente prontas para o movimento. Não se deve apoiar todo o peso do
corpo somente numa perna, pois haverá uma forte tendência para o desequilíbrio. Para ajudar a
resolver a tensão nas pernas e pés, podem-se fazer alguns exercícios, como por exemplo, pequenos37
alongamentos nesta região.
 Quadris: devem estar equilibrados, evitando que um lado esteja mais elevado que o outro. Porém,
uma leve alternância ou movimentação ajuda a relaxar esta região, pois não é desejável que esteja
completamente rígida e estática.
 Abdómen: o abdómen deverá encontrar-se numa posição neutra (não deve estar exageradamente
projetado para dentro ou para fora). Devem-se evitar tensões excessivas neste local, pois a
musculatura desta região é de extrema importância para controlar a respiração - imprescindível para
o bom desempenho das tarefas.
 Costas: os trabalhadores deverão manter a coluna direita de forma não muito rígida favorecendo a
sua saúde e bom desempenho da estrutura óssea, tendões e articulações. A manutenção de coluna
numa posição vertical melhora ainda as condições da expansão do tórax, e consequentemente,
auxilia todo o processo de respiração. Independentemente do tipo de atividades que são
desenvolvidas, as costas devem permanecer equilibradas, sem inclinações exageradas.
 Tórax: deve procurar-se manter o tórax numa posição relaxada, evitando-se assim, qualquer
contração muscular excessiva de modo para facilitar a respiração e os movimentos cardíacos.
 Ombros: os ombros devem estar descontraídos, isentos de fontes de tensão. Qualquer rigidez nesta
região pode comprometer a ação dos músculos do tórax e pescoço, interferindo diretamente na
coluna e consequentemente na capacidade de movimentos do trabalhador. Os ombros deverão
encontrar-se numa posição neutra (nem voltados para frente, nem para trás, nem para baixo e muito
menos para cima). A rigidez local pode comprometer toda a postura e provocar alguns distúrbios.
Para se evitarem algumas lesões (especialmente quando o trabalho envolve posturas estáticas)
devem ser feitos alguns exercícios de relaxamento para os ombros e coluna.
 Braços e Mãos: devem estar caídos livremente ao longo do corpo ou sobre a bancada de trabalho
(consoante o tipo de atividade) de forma natural e relaxada; deverão estar tão livres quanto possível.
Devem ser evitados movimentos desnecessários, como por exemplo: colocar os braços atrás das
costas, ou ainda movimentar as mãos torcendo-as. Este tipo de movimentos causa uma grande
tensão nos braços e no tórax acabando por interferir na ação dos restantes músculos do corpo. Deve-
se ter sempre o cuidado, de manter os ombros e braços relaxados, para evitar tensões no pescoço e
cabeça.
Na realidade, as mãos são essenciais em quase todos os tipos de trabalho. Desta forma há que ter
em conta ainda as seguintes recomendações:
 Reduzir ao máximo a distância entre a tarefa e o tronco do trabalhador;
 Remover obstáculos existentes na bancada/posto de trabalho que possam impossibilitar o
38
movimento normal das mãos dos trabalhadores no decorrer das diferentes tarefas;
 Colocar sempre os utensílios e ferramentas de trabalho numa posição bem acessível para os
trabalhadores de modo a evitar movimentos bruscos quando for necessário alcançá-los;
 Disponibilizar aos trabalhadores ferramentas/utensílios ergonómicos e versáteis.
 Cabeça: deve estar centrada e em posição de equilíbrio (relativamente aos ombros e coluna). O olhar
do trabalhador deve fixar-se na direção da tarefa que está a executar, e o queixo deve estar em
ângulo reto com a cabeça. Quando as pessoas “enterram” a cabeça no tórax ou alongam o pescoço
para cima, dificultam os movimentos da nuca e pescoço, causando naturalmente tensões que se
podem transmitir à coluna.
Fatores de que depende a estabilidade de um corpo:
 Tamanho da base de apoio;
 Peso do corpo;
 Altura do CG (centro de gravidade) relativamente à base de apoio;
 Localização da linha de gravidade em relação aos limites da base do corpo.
Estudo do posto de trabalho e dos movimentos do trabalhador

O estudo do posto de trabalho e dos movimentos do trabalhador reveste-se de crucial importância na medida
em que se podem evitar alguns tipos de acidentes, patologias ou doenças profissionais. Desta forma, convém
ter em consideração os seguintes pontos:
 Estudar e comparar o desempenho dos trabalhadores mais produtivos com o desempenho dos
menos produtivos;
 Analisar e procurar compreender eventuais queixas apresentadas pelos trabalhadores relativamente
ao seu posto de trabalho.
 Analisar as técnicas de trabalho utilizadas à luz dos princípios fundamentais da mecânica;
 Se possível, utilizar simulações computorizadas, no intuito de melhorar os equipamentos, os
materiais e o próprio “lay-out”.

Trabalhos realizados de pé
A posição parada de pé (parada de pé) é bastante fatigante porque exige muito trabalho estático por parte
dos músculos envolvidos para manter essa posição. O coração está sujeito a maiores dificuldades para
bombear o sangue para as diferentes extremidades do organismo. Os indivíduos que executam trabalhos
dinâmicos em pé, geralmente apresentam menores níveis de fadiga relativamente aos que permanecem39
numa posição estática ou sujeitos a pouca movimentação.
A postura bípede está intrinsecamente associada a trabalhos que exigem utilização de forças consideráveis
e ainda deslocamentos do corpo.
A manutenção desta postura implica a “utilização” constante dos músculos dorsais e do conjunto de
músculos que controlam a posição da bacia.
São várias as profissões e tipos de trabalhos que implicam a permanência dos trabalhadores em pé,
nomeadamente, linhas de montagem e embalagem de produtos, armazenamento, metalomecânica e
restauração. A permanência em pé durante períodos de tempo muito longos, pode provocar diversas
patologias, como por exemplo, dores nas costas, inflamações e inchaço das pernas, diversos problemas de
circulação sanguínea e cansaço muscular.
A seguir, apresentam-se algumas recomendações para evitar ou minorar os riscos derivados dos trabalhos
realizados em pé:
 O piso do local de trabalho deverá estar sempre limpo, desimpedido de obstáculos e nivelado;
 Quando as características do trabalho ou tarefa especificamente obrigam o trabalhador à
permanência em pé, deve dotar-se o posto de trabalho de um tapete anti-fadiga;
 O corpo do trabalhador deve permanecer direito permitindo liberdade de movimentos;
 No horário de trabalho devem estar calendarizados pequenos intervalos ou pausas durante as quais
os trabalhadores possam descansar na posição de sentados;
 Colocação nos postos de trabalho de amparos verticais. Este tipo de apoio permitirá ao trabalhador
encostar-se ligeiramente ao longo da realização das suas tarefas e, em simultâneo, reduzir a pressão
exercida sobre as pernas e coluna vertebral (ainda que por curtos períodos de tempo);
 O raio de ação dos movimentos executados pelos braços dos trabalhadores deve estar próximo do
seu tronco de modo a evitar que haja necessidade dos trabalhadores se debruçarem e curvarem a
coluna;
 O raio de ação das mãos deverá estar compreendido a sensivelmente entre 20 a 30 cm do tronco.
 O calçado de trabalho reveste-se de grande importância. Este deverá ser extremamente confortável
e não possuir saltos.
 Será importante que a bancada de trabalho se possa ajustar às diferentes alturas dos trabalhadores.
Caso esta condição não se verifique (e caso haja necessidade), deve facultar aos trabalhadores um
estrado ou pedestal – para elevar o trabalhador ou a bancada de trabalho (consoante a necessidade);
 A altura dos objetos e ferramentas deve também ser adaptada à tarefa que o trabalhador realiza.

Quando se dimensiona a altura da bancada (superfície de trabalho) devem-se ter em consideração os


seguintes fatores:
40
 A posição dos cotovelos relativamente à bancada de trabalho;
 Distância dos olhos à tarefa ou objeto de trabalho;
 Especificidade do tipo de trabalho ou tarefa;
 O tipo de ferramentas e utensílios utilizados;

Trabalhos realizados na posição sentado


Esta posição exige uma atividade muscular bastante intensa por parte da coluna vertebral e do abdómen. O
consumo energético nesta posição é inferior relativamente à posição de pé. A maior parte do peso do corpo
é suportado pelas nádegas e coxas. Os assentos e cadeiras devem por isso possibilitar pequenas mudanças
na postura adotada de modo a retardar o aparecimento da fadiga. Na posição de sentado, o peso das pernas
deve ser transmitido à superfície de apoio no solo através dos pés.
Hoje em dia são inúmeros os trabalhos que implicam o trabalho na posição sentado. Esta posição de trabalho
é normalmente adaptada em trabalhos que não necessitam de grande força física e podem ser realizados
numa área limitada (normalmente secretária, balcão ou bancada de trabalho).
Regra geral, a posição de sentado é mais confortável e bastante menos cansativa para os trabalhadores. No
entanto, a permanência nesta posição por longos períodos de tempo também não é benéfica para os
trabalhadores, sobretudo para a coluna que sofre normalmente uma ligeira curvatura e para as pernas que
se encontram fletidas e isentas de movimento. Desta forma, facilmente se conclui que, se possível os
trabalhadores que habitualmente trabalham sentados devem alterar de posição.
O layout, equipamento / ferramentas e mobiliário tem neste tipo de trabalhos um papel muito importante
na prevenção e minimização de riscos profissionais.
Projetos inadequados de máquinas, assentos ou bancadas de trabalho obrigam o trabalhador a adoptar
posturas inadequadas. Se estas forem mantidas ao longo do tempo, podem provocar fortes dores localizadas
em todo os conjuntos de músculos solicitados na conservação dessas posturas.

A conceção do posto de trabalho no respeitante aos trabalhos na posição de sentado, deve por isso,
obedecer a uma série de requisitos, nomeadamente:
 O trabalhador deve poder conseguir alcançar todos os objetos e ferramentas de que necessita para
executar as suas tarefas (do inicio até ao fim do ciclo de produção) sem ter que efetuar movimentos
bruscos ou efetuar grandes extensões dos braços ou mãos;
 Os trabalhadores deverão adotar uma posição que permita que a coluna vertebral se mantenha
numa posição reta relativamente às coxas;
 A mesa (bancada ou superfície de trabalho) deve ser concebida de modo a estar mais ou menos
nivelada pelos cotovelos e antebraços, de modo a evitar pressões desnecessárias;
 Caso haja necessidade de utilização de eletricidade, a mesa ou bancada de trabalho devem possuir
tomadas de modo a evitar a passagem de fios através do chão; 41

 A posição da cabeça deve ser neutra - ereta (a flexão ou extensão podem provocar diversas lesões
no pescoço, cabeça e coluna) enquanto o trabalhador está a olhar para a tarefa que realiza;
 Os ombros não devem estar sujeitos a pressões;
 A cadeira deverá ser bastante confortável. Deverá permitir a regulação dos apoios dos braços, costas
e assento.
 Deve evitar-se uma postura incorreta muito comum, ou seja, o deslizamento anterior da bacia, que
provoca uma curvatura na coluna, e consequentemente, aumento da tensão nos ligamentos espinais
posteriores.
 Evitar a concentração de pressões excessivas causadoras de desconforto nas zonas apoiadas nas
cadeiras (coluna vertebral, nádegas e coxas) – estas podem provocar dificuldades ao fluxo sanguíneo
e contrações musculares
Trabalhos com Equipamentos Dotados de Visor
Principais queixas do trabalho com monitores:
 Perturbações oculares.
 Fadiga visual por esforços repetidos.
 Dificuldade de visualização para indivíduos com menor apetência visual
 Posturas forçadas
 Fadiga por solicitação excessiva das capacidades de assimilação e concentração.
 Hoje os riscos associados a estes sintomas são essencialmente provocados por uma ou mais destas
razões.
 Ergonomia
 Iluminação
 Qualidade técnica do equipamento

Recomendações especiais para o trabalho com equipamentos com monitor:


De acordo com as figuras abaixo apresentadas o posto de trabalho deve seguir as seguintes recomendações:
 Colocar sempre o monitor de forma que esteja perpendicular á janela
 Impedir que a luz do sol incida diretamente nos olhos do utilizador ou sobre o monitor
42
Limitar a iluminação do plano de trabalho, na zona onde está o teclado aos seguintes valores:
 200 a 300 lux, quando se trabalha com um monitor de fundo escuro
 300 a 500 lux, quando se trabalha com um monitor de fundo claro.
Garantir a ausência, no monitor, de reflexos e de excesso de brilho, suscetíveis de incomodo.
Assegurar uma iluminação dos documentos superior a 200lux, dado que este valor corresponde à iluminação
mínima admitida para os trabalhos de escritório.
Eliminar qualquer fonte luminosa, na área correspondente ao angulo 30º, acima do nível dos olhos do
trabalhador, de modo a evitar encadeamento

Implantação do posto de trabalho


 Para a avaliação das condições para implantar um posto de trabalho é necessário á partida conhecer
o local ou dispor de uma planta com orientação geográfica.
 Definir a zona de implantação dos postos de trabalho
 Avaliar a luminosidade do local, bem como o potencial a desenvolver
 Definir a localização de cada posto de trabalho
 Avaliar o conforto visual.
Arrumação e Limpeza
Riscos mais importantes
 Quedas ao mesmo nível.
 Pancadas ou golpes contra objetos.
 Queda de objetos por desabamento ou desmoronamento.
 Contactos com substâncias nocivas.
 Perfurações e cortes.
 Incêndios.

Quedas ao mesmo nível


Fatores de Risco:
 Pisos sujos, impregnados de substâncias escorregadias, ou pisos em mau estado.
 Objetos, materiais ou resíduos colocados de forma desarrumada.
Medidas de Prevenção e/ou Proteção a adotar:
 Arrumação e recolha de equipamentos e materiais residuais.
 Iluminar corretamente as zonas de trabalho, de trânsito e de armazenamento.
 Manter os pisos limpos e em bom estado e, se possível, utilizar pisos antiderrapantes.
43
 Colocar as linhas de condução aéreas ou subterrâneas (sinalizar).

Pancadas ou golpes contra objetos


Fatores de Risco:
 Equipamentos e máquinas situados fora do lugar.
Medidas de Prevenção e/ou Proteção a adotar:
 Iluminar corretamente as zonas de trabalho, de trânsito e de armazenamento.
 Aplicar um bom sistema de controlo dos equipamentos.
 Manter os corredores e zonas de serviço limpas e desimpedidas.
Queda de objetos por desabamento ou desmoronamento
Fatores de Risco:
 Método incorreto de armazenagem.
Medidas de Prevenção e/ou Proteção a adotar:
 Conhecer as limitações de carga das estantes.
 Evitar a altura excessiva no empilhamento de materiais.
 Colocar o material de forma acessível.

Contactos com substâncias nocivas


Fatores de Risco:
 Existência de substâncias nocivas nos armazéns e locais de trabalho.
 Medidas de Prevenção e/ou Proteção a adotar:
 Colocar as substâncias nocivas em locais afastados e bem iluminados.
 Utilizar recipientes adequados, fechados hermeticamente e com os respetivos rótulos de
identificação.
 As Fichas de Segurança dos produtos nocivos devem estar sempre disponíveis em todos os locais
onde tais produtos estejam presentes.

44
Perfurações e cortes
Fatores de Risco:
 Utilização de ferramentas cortantes e/ou perfurantes.
 Desarrumação nos resíduos de materiais, aparas, etc.
Medidas de Prevenção e/ou Proteção a adotar:
 Correta arrumação das ferramentas e utilização de caixas de ferramentas portáteis.
 As ferramentas cortantes ou perfurantes não utilizadas devem permanecer nas respetivas capas.
 Recolher os resíduos imediatamente após a sua geração e colocá-los em recipientes adequados.
 Utilizar os equipamentos de proteção individual apropriados.
Incêndios
Fatores de Risco:
 Utilizar roupa de trabalho impregnada de substâncias inflamáveis.
 Colocar panos ou estopas impregnadas de óleo sobre equipamentos ou máquinas quentes.
 Eliminar de forma incorreta os resíduos inflamáveis e acumular lixo nas proximidades.
Medidas de Prevenção e/ou Proteção a adotar:
 Proibição de fumar.
 Recolher rapidamente os líquidos inflamáveis caídos no chão.
 Retirar rapidamente os resíduos, impedindo a sua acumulação.
 Sinalizar as instalações e o material contra incêndios.

45
Substâncias Perigosas
Caracterização dos agentes
Os riscos inerentes aos produtos químicos perigosos para a segurança e a saúde dos trabalhadores podem
ser analisados sob dois aspetos relacionados com:
 A comercialização;
 Os agentes perigosos na atividade laboral das empresas aquando da sua produção, utilização,
manipulação e exposição.

Os produtos químicos perigosos são classificados com base na Portaria 732-A/96, de 11 de Dezembro,
em:
Propriedades físico-químicas:
- Explosivos
- Comburentes
- Inflamáveis
- Facilmente inflamáveis
- Extremamente inflamáveis

46
Propriedades toxicológicas:
- Tóxicos
- Muito tóxicos
- Nocivos
- Corrosivos
- Irritantes
- Sensibilizantes
- Os que provocam efeitos graves para a saúde em caso de exposição prolongada

Efeitos específicos na saúde humana:


- Carcinogénicos
- Mutagénicos
Com efeitos tóxicos na reprodução
Efeitos no ambiente:
- Perigosos para o ambiente aquático
- Perigosos para o ambiente não aquático

Fatores de Risco
Os riscos das substâncias e preparações químicas perigosas dependem de:´
 Fatores intrínsecos aos próprios produtos químicos, em consequência das suas propriedades físico-
químicas ou reatividade química determinantes da sua perigosidade;
 Fatores extrínsecos relativos à insegurança com que estes se utilizam, como por exemplo
deficiências da organização dos equipamentos e das instalações;
 Comportamentos humanos inadequados gerados basicamente por um desconhecimento da
perigosidade do produto ou processo químico em questão, e por falta de formação que permita
adotar procedimentos de trabalho seguros;

Tipos de Risco
Os produtos químicos podem ser analisados de acordo com os diferentes tipos de risco e em especial das
suas consequências:
 - Riscos de explosão e de incêndio; 47

 - Riscos de irritação e de queimaduras por contacto;


 - Riscos de intoxicação;
 - Riscos para o ambiente;

Devido às características físico-químicas dos produtos químicos, podem desencadear-se incêndios e


explosões quando da presença de substâncias inflamáveis explosivas e comburentes. Em consequência de
desprendimento de calor e devido à incompatibilidade química de algumas substâncias pode dar-se o
inflamação ou explosão dos reagentes e dos produtos do reação libertando matérias muito tóxicas.

Riscos de explosão e de incêndio


Os riscos de inflamação ou de explosão dependem das propriedades físicas do produto e do seu ponto de
inflamação que, em especial para os líquidos, é a temperatura mais baixa a partir da qual se desprendem
quantidades suficientes de vapores que se inflamam na presença de uma fonte de energia de ativação
externa.

Assim, conforme o seu ponto de inflamação, as substâncias e preparações líquidas podem classificar-se em:
 Extremamente inflamável;
 Facilmente inflamável;
 Inflamável;

Medidas preventivas:
 Atuar ao nível da conceção e métodos de funcionamento das instalações, de maneira a eliminar
vapores gases ou poeiras inflamáveis, e adotar procedimentos corretos de evacuação;

Eliminar ou controlar as fontes de ignição] com especial incidência nas medidas destinadas a evitar
descargas eletrostáticas sobretudo nas operações de trasfega;

Efetuar a separação das instalações e/ou processos em que se utilizem produtos químicos
inflamáveis das zonas de armazenagem e dos locais onde estejam presente pessoas;

Instalar dispositivos para detetar aumentos da pressão finos recipientes e de sistemas automáticos
de redução de gases, destinados a evitar explosões;
 Reduzir ao mínimo as quantidades presentes no local de trabalho e separar os produtos químicos
incompatíveis entre si;
48
 Utilizar vestuário e equipamento adequado, como por exemplo, ferramentas que não produzam
chispas sobretudo quando se trabalha com material inflamável a baixa temperatura;
 Medir as atmosferas inflamáveis, para as quais existem detetores (explosímetros) para avaliar da sua
perigosidade;
 Fechar sempre os recipientes que contêm produtos inflamáveis. pois os seus vapores e todo o líquido
ardem facilmente se na sua proximidade existe um foco de ignição;
 Atender à incompatibilidade de certos produtos químicos com a água. pois podem libertar-se
produtos inflamáveis;
 Manter os produtos químicos oxidantes afastados dos inflamáveis e combustíveis. devido à sua
reatividade e à sua tendência a gerar calor;
 Conceber vias de acesso adequadas à zona de armazenagem;
 Instalar sinalização de segurança adequada e introduzir equipamento apropriado na deteção e/ou
extinção de incêndios. que deve estar sempre em bom estado de funcionamento e de fácil acesso;
 Instalar dispositivos elétricos que devem ser antideflagrantes e com ligação à terra;
 Proibir fumar.

Riscos de irritação e de queimaduras por contacto


Medidas preventivas
 Fechar sempre os recipientes, depois de extraída a quantidade necessária, pois em caso de derrame
de produtos corrosivos podem ocorrer acidentes graves;
 Colocar os produtos corrosivos separados e em recipientes de pequena capacidade o mais perto
possível do solo, com tabuleiros que retenham possíveis derrames por rotura;
 Instalar duches de emergência e "lava olhos" para minimizar as consequências resultantes de
projeções e salpicaduras em operações manuais;
 Evitar manipular produtos químicos irritantes ou corrosivos sem equipamento de proteção individual
adequado (ex.: luvas e óculos de proteção);
 Lavar a cara e as mãos depois da utilização.

Riscos de intoxicação
As intoxicações podem manifestar-se de maneira diferente provocando efeitos:
 Asfixiantes
 Alergizantes e sensibilizantes
 Tóxicos sistémicos
 Pneumoconiáticos
49
 Anestésicos e narcóticos
 Carcinogénicos, mutagénicos e tóxicos na reprodução.

Medidas de prevenção
 Atuar ao nível da conceção e métodos de funcionamento das instalações
 Modificar e corrigir o processo produtivo, impedindo a formação do contaminante, nomeadamente
trabalhando em meios isolados
 Substituir uma substância tóxica por outra menos tóxica
 Automatizar o processo para evitar a manipulação direta do contaminante
 Introduzir ventilarão geral e/ou extração localizada adequadas
 Alterar a organização do trabalho diminuindo o tempo de exposição aos contaminantes químicos e
reduzir a um mínimo absolutamente necessário o número de trabalhadores expostos
 Introduzir equipamentos e sistemas de trabalho que em caso de fugas permitam detetá-las
rapidamente e circunscrever a área contaminada
 Armazenados produtos tóxicos em locais bem ventilados
 Proibir comer, beber e fumar em zonas contaminadas
 Usar equipamento de proteção individual até que os riscos sejam eliminados ou reduzidos a níveis
considerados inofensivos para a saúde dos trabalhadores, ou ainda como complemento da proteção
coletiva. Além do controlo ambiental da exposição, é necessário fazer controlo biológico, que implica
medição e avaliação dos contaminantes em fluidos biológicos (sangue, urina).

Rotulagem de substâncias e preparações


O rótulo é para o utilizador a primeira fonte de informação relativa ao produto. É pois fundamental, lê-lo e
compreendê-lo, pois ele evidencia os riscos relativos a determinado produto.

O rótulo:
 Informa imediatamente o utilizador do produto;
 Permite evitar confusões e erros de manipulação;
 Ajuda a organizar a prevenção;
 É um guia para a compra dos produtos;
 É um auxiliar da armazenagem dos produtos;
 É importante em caso de acidente;
 Dá conselhos sobre a gestão de resíduos e a proteção do ambiente.

50
Informação fornecida pelo rótulo
Conforme consta da legislação, o rótulo deve conter as seguintes informações, redigidas em língua
portuguesa:
 Nome da substância ou designação comercial da preparação
 Origem da substância ou preparação (nome e morada completa do fabricante. importador ou
distribuidor)
 Símbolos e indicações de perigo que apresenta o uso da substância ou da preparação
 Frases-tipo indicando os riscos específicos que derivam dos perigos que apresenta o uso da
substância (frases"R")
 Frases-tipo indicando os conselhos de prudência relativamente ao uso da substância (frases"S")
 Número CE, quando atribuído
 Indicação "Rotulagem CE", obrigatória para as substâncias incluídas no anexo 1 da Portaria n° 732-
A/96, 11 de Dezembro.
51
Símbolos

52

Fichas de segurança
Sempre que se armazenem ou manipulem substâncias e/ou preparações perigosas, é essencial estar
informado sobre os principais riscos representados pela utilização desses produtos.
A Portaria n.º 732-A/96 de 11 de Dezembro obriga os fabricantes e ou importadores e fornecedores dos
produtos assim classificados a fornecerem ao utilizador a designada ficha de dados de segurança, que
transmite informações fundamentais sob o ponto de vista da segurança, designadamente:
• Identificação do fabricante
• Identificação do perigos
• Primeiros socorros
• Medidas de combate a incêndios
• Medidas a tomar em caso de fugas acidentais
• Manuseamento e armazenamento
• Controlo da exposição / proteção individual
• Propriedades físico-químicas
• Estabilidade e reatividade
• Informação toxicológica
• Informação ecológica
• Informações relativas à eliminação
• Informações relativas ao transporte
• Informação sobre regulamentação
• Outras informações

53
Iluminação

Importância de uma iluminação eficiente no local de trabalho


Atualmente, a iluminação artificial ultrapassa o simples objetivo de possibilitar a visão em locais com
iluminação natural deficitária. Uma boa iluminação representa um conjunto de benefícios para o ser humano.
Existem vários estudos científicos que relacionam o desempenho do sistema de iluminação com o
rendimento de um trabalhador no seu local de trabalho. Está provado que uma iluminação artificial adequada
além de diminuir a possibilidade de erro ou acidente, diminui a fadiga e exerce uma boa influência sobre a
motivação do trabalhador, melhorando o ambiente de trabalho.

54
De facto, a qualidade da iluminação nos postos de trabalho pode ter um efeito significativo na produtividade
da organização. Certos estudos científicos estimam que o incremento de produtividade se situa normalmente
no intervalo 10% a 50% quando se intervém na melhoria das condições de iluminação numa situação em que
as condições de partida não são favoráveis.

Estima-se também que uma boa iluminação reduz a ocorrência de erros de trabalho entre 30% a
60%, diminui o cansaço visual, dores de cabeça, náuseas e dores de pescoço que muitas vezes acompanham
o cansaço visual.

O nível e a qualidade de iluminação necessária dependem de vários fatores onde se inclui a natureza da
tarefa, a acuidade visual de cada trabalhador e o ambiente onde a atividade é realizada.

De registar também que em alguns casos o incremento da qualidade das condições de iluminação nos postos
de trabalho pode ser conseguido sem recurso ao aumento de luminárias, mas apenas através de um uso
mais eficaz da luz natural, reposicionamento relativo entre os pontos de luz e os postos de trabalho, melhor
uso da luz refletida nas superfícies do ambiente entre outros meios.
As principais consequências de uma iluminação incorreta ou inadequada, são:
 fadiga ocular;
 dores de cabeça;
 stress;
 posturas incorretas;
 menor motivação;
 menor produtividade:
 maior probabilidade de ocorrência de acidentes;

Sempre que verificar uma situação de iluminação inadequada deve:


 Alertar para a situação, seja em caso de insuficiência ou excesso de luminosidade
 Comunicar a necessidade de substituição de lâmpadas ou a deteção de qualquer dano no sistema de
iluminação
 Fazer pausas regulares, especialmente nos trabalhos com equipamentos dotados de
visor/monitor/ecrã, em que é exigido um maior esforço de visão
 Evitar situações de reflexos e encadeamentos nos planos de trabalho
 Evitar cores taciturnas e melancólicas
55

Verifique a eficiência da iluminação no seu local de trabalho, considerando os seguintes pontos:


 A luz é suficiente e adequada? O excesso de luz é um problema comum nas empresas e nos
escritórios. Contudo, muita luz não significa luz adequada. Pelo contrário, pode atrapalhar e gerar
uma sensação de desconforto.
 Limites mínimos e máximos de iluminância. A iluminação da área de trabalho depende do tipo de
local e de tarefas a desempenhar. Por exemplo, para tarefas de escritório com necessidades visuais
normais os limites min./max. são 500–750(lx).
 Para além da iluminação geral, algumas atividades exigem também uma iluminação mais pontual, na
mesa de trabalho (desklight).
 O excesso da luz solar deve ser controlado com cortinas e persianas. Há uma tendência para
aproveitar a luz natural, complementando-a sempre com a iluminação artificial o que pode levar a
um excesso de luminosidade no local de trabalho.
 As necessidades de iluminação das pessoas variam ao longo do dia. Identificar essa variação pode
ajudar no rendimento do trabalho.
 Uma iluminação com cores diferentes torna o ambiente de trabalho menos monótono, causando
uma sensação de bem-estar.
 Possibilidade de utilizar recursos de iluminação em paredes, para torná-las mais aconchegantes.
 Certificar que os computadores não estão diretamente expostos à luz natural. O monitor do
computador nunca deve ficar exposto à luz natural proveniente das janelas/montras/portas. O
ofuscamento prejudica a concentração e a saúde.
 Remoção das lâmpadas onde há mais luz do que o necessário, certificando que se mantém uma boa
iluminação nos locais de trabalho, de modo a não prejudicar o desempenho ou evitar acidentes
(muito importante em zonas de trabalho com máquinas).
 Com a limpeza das paredes, tetos e pisos a utilização de cores claras no ambiente de
trabalho melhora a iluminação do local e os funcionários sentem-se mais confortáveis e motivados
para o trabalho.
 Os níveis de iluminação nas zonas de descanso e refeitórios devem ser mais ténues que as de trabalho

Relevância da Cor nos fatores de conforto

Assim sendo, e uma vez que a utilização da cor influencia o conforto e a perceção visual que se tem das
coisas, sempre que possível deve privilegiar-se:
 cores que estimulem a limpeza e a ordem (cores claras),
 cores que melhorem o rendimento luminoso,
 cores que evitem os encadeamentos, 56

 cores que satisfaçam, no possível, os gostos dos trabalhadores,


 cores cuja combinação seja estimulante, de modo a evitar a monotonia,
 cores para as zonas de descanso que ofereçam uma mudança de atmosfera por comparação com as
cores utilizadas nos pontos de trabalho,

Recomendações práticas
 Nas áreas de grande permanência de pessoas devem dominar as cores neutras, para que não causar
fadiga e permitir ressaltar os elementos mais importantes: máquinas, obstáculos, sinalizações, etc.
 Áreas de escassa permanência (como corredores, salas de reuniões), admitem um tratamento
cromático com cores mais intensas, tendo em conta o efeito que se pretende reforçar: amplitude,
intimidade, relaxamento, etc.
 Áreas com muito escassa permanência, como cantinas, halls, podem tratar-se com cores atrevidas,
fortes contrastes que por um lado estimulem, separem e as caracterizem dos restantes ambientes.

A exposição à luz natural melhora as condições de trabalho, a motivação, aumenta a resistência a doenças, e
melhora o sentido de humor. Não ignore a luz natural. É mais agradável, mais saudável e muito mais
económica

57
Ruído
A exposição diária a ruídos é calculada pela média de ruídos
permitida.
O cálculo feito para exposição a ruídos é combinado com o nível e
quantidade de tempo de exposição.

A exposição diária a ruídos está diretamente relacionada ao risco de


dano causado à audição. Muitos países recomendam a exposição
diária abaixo de 85 dB (decibéis). A exposição a ruídos é calculada de
forma que 85 dB(A) representa o dobro de exposição de 82 dB (A) .

Os seguintes níveis de som constituem a exposição diária de ruídos


de 85 dB:
 85 dB (A) por oito horas
 88 dB (A) por quarto horas
 91 dB (A) por duas horas
Ao se expor a ruídos num período de oito horas, segundo a tabela supracitada, equivale a uma exposição
diária, o que significa dizer que essa cifra corresponde ao dobro do nível de 88 dB (decibéis), cujos danos são58
altamente prejudiciais à saúde auditiva.

O Ruido Provoca:
 Perda de capacidade auditiva até à surdez;
 Dificuldade de comunicação;
 Diminuição de capacidade de concentração
 Perturbações do sono;
 Fadiga;
 Efeitos ao nível cardiovascular e fisiológico;
 Efeitos na saúde mental (ansiedade, stress emocional, dores de cabeça…);

Medidas Preventivas:
 Reduzir tempo de exposição;
 Diminuir o ruído onde ele se produz;
 Intercalar o trabalho em ambientes ruído excessivo com outros em ambientes menos ruidosos;
 Colocar na máquina ou no local de trabalho o sinal de “ Proteção obrigatória de ouvidos”;
 Sempre que os trabalhadores esteja, expostos a um nível de exposição diária igual ou superior a 85
db(a), ou sempre e que utilizarem equipamentos de trabalho considerados com nível de ruido
elevado, devem:
 Utilizar proteção auricular adequada às características do ruido;
 Ser objeto de vigilância médica;
 Deve certificar-se de que quer com os tampões auriculares, quer com as conchas, continua a poder
ouvir os seus colegas e falar. Isto é muito importante pois eles podem ter de p avisar de um perigo e
você tem todo o interesse em ouvi-los.

59
Atmosferas Perigosas
 Atmosferas explosivas
 Atmosferas perigosas por deficiência de oxigénio
 Atmosferas perigosas por excesso de oxigénio
 Atmosferas perigosas pela existência de substâncias tóxicas

Medidas técnicas de proteção:


Prevenção da formação de atmosferas explosivas perigosas
 substituir as substancias inflamáveis
 limitar a concentração
 inertizar
 prevenir ou reduzir a formação de atmosferas explosivas em torno das instalações
 utilizar detetores de gás
Prevenção das fontes de ignição adotar medidas de proteção destinadas a evitar a presença de fontes de
ignição ou a reduzir a probabilidade de ocorrência.

Proteção contra os efeitos:


60
 conceção resistente à explosão
 descarga de explosão
 supressão da explosão
 prevenção da propagação de chamas e da explosão

Medidas organizativas de proteção contra explosões:


 Sistema de autorização de trabalho
 Qualificação suficiente dos trabalhadores
 Vigilância dos trabalhadores
 Formação dos trabalhadores
 Manutenção
 Inspeção e controlo
 Sinalização das atmosferas potencialmente explosivas
 Normas e procedimentos
Gestão de Riscos
CONSEQUÊNCIAS DOS ACIDENTES

Muitas vezes, pior que o acidente em si, são as suas consequências.


Todos sofrem:
 a vítima, que fica incapacitada de forma total ou parcial, temporária ou permanente para o
trabalho;
 a família, que tem seu padrão de vida afetado pela falta dos ganhos normais, correndo o risco de
cair na marginalidade;
 as empresas, com a perda de mão-de-obra, de material, de equipamentos, tempo etc., e,
consequentemente, elevação dos custos operacionais;
 a sociedade, com o número crescente de inválidos e dependentes da Previdência Social.

Sofre, enfim, o próprio país, com todo o conjunto de efeitos negativos dos acidentes do trabalho. Um
acidente do trabalho pode levar o trabalhador a se ausentar da empresa apenas por algumas horas, o que é
chamado de acidente sem afastamento. É o que ocorre, por exemplo, quando o acidente resulta num
pequeno corte no dedo, e o trabalhador retorna ao trabalho em seguida. Outras vezes, um acidente pode
61
deixar o trabalhador impedido de realizar suas atividades por dias seguidos, ou meses, ou de forma definitiva.
Se o trabalhador acidentado não retornar ao trabalho imediatamente ou até na jornada seguinte, temos o
chamado acidente com afastamento, que pode resultar na incapacidade temporária, ou na incapacidade
parcial e permanente, ou, ainda, na incapacidade total e permanente para o trabalho. A incapacidade
temporária é a perda da capacidade para o trabalho por um período limitado de tempo, após o qual o
trabalhador retorna às suas atividades normais.
A incapacidade parcial e permanente é a diminuição, por toda vida, da capacidade física total para o
trabalho. É o que acontece, por exemplo, quando ocorre a perda de um dedo ou de uma vista. A incapacidade
total e permanente é a invalidez incurável para o trabalho. Nesse caso, o trabalhador não tem mais condições
para trabalhar. É o que acontece, por exemplo, se um trabalhador perde as duas vistas em um acidente do
trabalho. Nos casos extremos, o acidente resulta na morte do trabalhador. Os danos causados pelos
acidentes são sempre bem maiores do que se imagina à primeira vista. Como exemplo propomos, a seguinte
situação: Um trabalhador desvia sua atenção do trabalho por fração de segundo, ocasionando um acidente
sério. Além do próprio trabalhador são atingidos mais dois colegas que trabalham ao seu lado. O trabalhador
tem de ser removido urgentemente para o hospital e os dois outros trabalhadores envolvidos são atendidos
no ambulatório da empresa. Um equipamento de fundamental importância é paralisado em consequência
de quebra de algumas peças. Resultados imediatos: três trabalhadores afastados, paralisação temporária das
atividades da seção, equipamento danificado, tensão no ambiente de trabalho.

Importância da Avaliação de Riscos Profissionais

A diminuição dos investimentos em matéria de segurança e saúde tem como consequências a degradação
das condições de trabalho, a que se associa uma maior probabilidade de ocorrência de acidentes de trabalho,
doenças profissionais e desmotivação dos trabalhadores.
A avaliação de riscos constitui a base de uma gestão eficaz da segurança e da saúde e é fundamental na
redução dos acidentes de trabalho e doenças profissionais. Se for bem realizada, esta avaliação pode
melhorar a segurança e a saúde dos trabalhadores, bem como, de um modo geral, o desempenho das
empresas, ao identificar:
 Aquilo que é suscetível de causar lesões ou danos;
 A possibilidade de os perigos serem eliminados e, se tal não for o caso;
 As medidas de prevenção ou proteção que existem, ou deveriam existir, para controlar os riscos.

Em Portugal, a obrigatoriedade de realização da avaliação de riscos está estipulada no artigo 15º da Lei n.º
102/2009 de 10 de Setembro, segundo o qual “o empregador deve zelar, de forma continuada e permanente,
pelo exercício da atividade em condições de segurança e de saúde para o trabalhador, tendo em conta os62
seguintes princípios gerais de prevenção:
a) Identificação dos riscos previsíveis em todas as atividades da empresa, estabelecimento ou serviço, na
conceção ou construção de instalações, de locais e processos de trabalho, assim como na seleção de
equipamentos, substâncias e produtos, com vista à eliminação dos mesmos ou, quando esta seja inviável, à
redução dos seus efeitos;
b) Integração da avaliação dos riscos para a segurança e a saúde do trabalhador no conjunto das atividades
da empresa, estabelecimento ou serviço, devendo adotar as medidas adequadas de proteção;
c) Combate aos riscos na origem, por forma a eliminar ou reduzir a exposição e aumentar os níveis de
proteção;
d) Assegurar, nos locais de trabalho, que as exposições aos agentes químicos, físicos e biológicos e aos fatores
de risco psicossociais não constituem risco para a segurança e saúde do trabalhador;” (…)

QUEM REALIZA E QUEM PARTICIPA NA AVALIAÇÃO DE RISCOS?


O empregador tem o dever de:
 Garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores em todos os aspetos relacionados com o trabalho;
 Organizar a avaliação de riscos;
 Selecionar quem irá efetuar a avaliação;
 Avaliar os riscos e aplicar medidas de proteção;
 Consultar os trabalhadores ou os seus representantes sobre a organização da avaliação de riscos, as
pessoas que vão efetuar a avaliação de riscos e a aplicação das medidas de prevenção;
 Ter disponível a avaliação de riscos;
 Elaborar registos das avaliações, após ter consultado os trabalhadores ou os seus representantes, ou
promovendo inclusive a sua participação nesse trabalho, e disponibilizar-lhes esses registos;
 Garantir que todas as pessoas afetadas sejam informadas de todos os perigos, de todos os danos que
estão em risco de sofrer e de todas as medidas de proteção tomadas para evitar esses danos.

Pessoa responsável pela realização da avaliação de riscos:


Ao empregador compete selecionar as pessoas que serão responsáveis pela realização da avaliação de riscos,
que poderão ser:
 O empregador;
 Trabalhadores designados pelo empregador;
 Técnicos de segurança e serviços externos, caso não existam pessoas competentes no local de
trabalho.

As pessoas designadas pelo empregador para efetuar a avaliação de riscos devem demonstrar que:
1. Têm um bom conhecimento da abordagem geral de avaliação de riscos; 63
2. Têm capacidade de aplicação dessa abordagem no local de trabalho e à tarefa requerida; nomeadamente:
 Identificar os problemas de segurança e saúde,
 Avaliar a necessidade de intervenção e estabelecer prioridades,
 Sugerir possíveis opções de eliminação ou redução dos riscos e comparar as respetivas vantagens,
 Avaliar a sua eficácia,
 Promover e comunicar as melhorias da segurança e saúde e as boas práticas.
3. Têm capacidade para identificar as situações em que seriam incapazes de avaliar adequadamente os riscos
sem a ajuda de terceiros, avisando da necessidade dessa assistência.

Trabalhadores e seus representantes: os trabalhadores e os seus representantes têm o direito/dever de:


 Ser consultados sobre as questões de organização da avaliação de riscos e de designação dos
responsáveis por essa tarefa;
 Participar na avaliação de riscos;
 Alertar os seus supervisores ou os empregadores para os riscos percecionados;
 Informar sobre as mudanças no local de trabalho;
 Ser informados sobre os riscos para a sua segurança e saúde e as medidas necessárias para eliminar
ou reduzir esses riscos;
 Solicitar ao empregador que tome as medidas adequadas e apresentar propostas de minimização
dos perigos e de eliminação dos riscos na origem;
 Cooperar para permitir que o empregador garanta um ambiente de trabalho seguro;
 Ser consultados pelo empregador para a elaboração dos registos das avaliações.

Custos dos acidentes de trabalho

 Custos Diretos - salários, indemnizações, gastos de assistência medica.


 Custos Indiretos - o tempo perdido pelo acidentado e /ou o tempo consumido na investigação do
acidente tempo decorrente de um substituto temporário.
 Custos Suplementares - na fase da conceção existem outros custos, resultantes das intervenções
necessárias para restabelecer a normalidade de funcionamento apos a ocorrência de um acidente
ou incidente.
 Despesas com a proteção do ambiente – no ambiente exterior a empresa devem ser previstas as a
adoção de medidas de controlo necessárias, visando os agentes poluentes emitidos (físicos, químicos
e biológicos) de acordo com a legislação em vigor.
 Custo Global – custos de prevenção de rotina, que se concretizam antes da ocorrência de acidentes
e que resultam da identificação de situações de risco. Englobam as despesas realizadas na sequência
da ocorrência dos acidentes e as despesas excecionais de prevenção. 64

 Despesas fixas de prevenção - custos de funcionamento dos serviços de segurança e saúde


ocupacional.
 Custos fixos de seguros - podem ser de vários tipos, para cobertura dos danos materiais como para
cobertura das lesões profissionais.
 Custos variáveis de prevenção – ações complementares de formação e informação, campanhas de
sensibilização, ações de motivação, pesquisas, etc...
 Custos Variáveis com seguros – custos relativos aos mecanismos de majoração e de redução dos
prémios em função das variações registadas quer na frequência, quer na gravidade dos sinistros.
 Custos imputáveis às lesões profissionais - primeiros socorros administrados na empresa aos
sinistrados, transporte das vítimas para os cuidados de prestação de cuidados médicos, custos
administrativos e judiciais litigiosos.
 Custos dos danos materiais – tipo de custos bastante aleatórios. Não existe relação nem proporção
entre a frequência dos acidentes e os prejuízos materiais decorrentes.
 Custos de prevenção de natureza excecional - despesas para fazer face a riscos que passaram
despercebidos e que não foram controlados aquando da fase de conceção e do projeto.
Segurança
Proteção Coletiva e Individual
Proteção coletiva – Técnica em que se protege o conjunto dos trabalhadores, afastando-os do risco ou
interpondo barreiras entre estes e o risco.

Proteção individual – Técnica de proteção relativamente a um ou mais riscos aplicada diretamente ao


trabalhador.
Enquadramento Legal :
Europa - Diretiva 89/656/CEE
Portugal - Decreto Lei 348/93
- Portaria 988/93
- Lei 23/2012
Lei 23/2012 – Código do Trabalho

Este diploma contem os princípios, que visam promover a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho.
Estipula que o empregador deve:
Proceder na conceção das instalações, dos locais e dos processos de trabalho, à identificação dos riscos
previsíveis, combatendo-os na origem, anulando-os ou limitando os seus efeitos, por forma a garantir um
nível eficaz de proteção. 65

Dar prioridade à proteção coletiva em relação às medidas de proteção individual.


Prioridade da proteção coletiva sobre a individual
1º - Medidas de carácter construtivo
2º - Medidas de carácter organizativo
3º - Medidas de proteção individual

Medidas de Carácter Construtivo


 Eliminar o risco na origem, na fonte.
 Envolver o risco, isolamento do risco;

Medidas de Carácter Organizativo


 Afastar o trabalhador da exposição ao risco

Medidas de Proteção Individual


 Envolver o trabalhador
Proteção coletiva
Exemplo - Isolamento de máquinas ruidosas
Deve ser concebida para que, na medida do possível, os trabalhadores não tenham que ficar no interior do
compartimento.

Decreto-Lei 348/93
Estabelece as prescrições mínimas de segurança e saúde dos trabalhadores, na utilização de equipamentos
de proteção individual.

Portaria 988/93 66
Descrição técnica do equipamento de proteção individual, bem como das atividades e sectores para os quais
aquele pode ser necessário.

Decreto-Lei 348/93
Define equipamento de proteção individual, como: “...todo o equipamento, complemento ou acessório,
destinado a ser utilizado pelo trabalhador, para se proteger dos riscos, para a sua segurança e para a sua
saúde”.

Decreto-Lei 348/93
De acordo com o Decreto-Lei, o empregador deve:
 Fornecer o equipamento de proteção individual, e garantir o seu bom funcionamento.
 Fornecer e manter disponível nos locais de trabalho, informação adequada sobre cada equipamento
de proteção individual.
 Informar os trabalhadores dos riscos contra os quais o equipamento de proteção individual os visa
proteger.
 Assegurar a formação sobre a utilização dos equipamentos de proteção individual, organizando se
necessário, exercícios de segurança.
De acordo com o Decreto-Lei, o trabalhador deve:
 Utilizar corretamente o equipamento de proteção individual, de acordo com as instruções que lhe
forem fornecidas.
 Conservar e manter em bom estado o equipamento que lhe for distribuído.
 Participar de imediato todas as avarias ou deficiências do equipamento de que tenha conhecimento.

Portaria 988/93
A Portaria define:
Esquema indicativo para o inventário de riscos.
Lista indicativa dos equipamentos de proteção individual.
Lista indicativa das atividades e sectores de atividade para os quais podem ser necessário equipamentos de
proteção individual.

Equipamentos de Proteção Individual


Entende-se por equipamento de Proteção Individual qualquer dispositivo ou meio destinado a ser utilizado
por uma pessoa com vista à sua proteção contra um ou mais riscos suscetíveis de ameaçar a sua segurança
ou a sua saúde.
67

Princípio geral
Os equipamentos de proteção individual devem ser utilizados quando os riscos existentes não puderem ser
evitados ou suficientemente limitados por meios técnicos de proteção coletiva ou por medidas, métodos ou
processos de organização do trabalho
 Um EPI deve ser concebido e executado em conformidade com as disposições regulamentares em
vigor.
 Devem ser adequados relativamente aos riscos a prevenir.
 Devem ter em conta parâmetros pessoais associados ao utilizador e à natureza do seu trabalho.
 Os EPI utilizados simultaneamente devem ser compatíveis entre si e manter a sua eficácia
relativamente aos riscos contra os quais se quer proteger o trabalhador.
 O EPI é de uso pessoal.
 Em casos devidamente justificados, o EPI pode ser utilizado por mais do que um trabalhador,
devendo, neste caso, ser tomadas medidas apropriadas para salvaguarda das condições de higiene e
saúde dos diferentes trabalhadores.
 Os EPI devem exibir marcação CE, a qual estabelece uma presunção de conformidade.
 As instruções do fabricante, são obrigatoriamente disponibilizadas pelo fornecedor.
 O equipamento de proteção individual deve ser usado de acordo com as instruções do fabricante.

Características:
 Adequados relativamente aos riscos a prevenir.
 Que não sejam eles próprios geradores de novos riscos.
 Que tenham em conta parâmetros pessoais associados ao utilizador e à natureza do seu trabalho.
 Atender ás exigências ergonómicas e de saúde do trabalhador.

Seleção (deverá ter em conta):


 Os riscos a que está exposto o trabalhador.
 As condições em que trabalha.
 A parte do corpo a proteger.
 As características do próprio trabalhador.
68

Ouvidos: auriculares, que previne a surdez, o cansaço, a irritação e outros problemas psicológicos. Deve ser
usado sempre que o ambiente apresentar níveis de ruído superiores aos aceitáveis, de acordo com a norma
regulamentadora.

Mãos: luvas, que evitam problemas de pele, choque elétrico, queimaduras, cortes e raspões e devem ser
usadas em trabalhos com solda elétrica, produtos químicos, materiais cortantes, ásperos, pesados e quentes.

Cabeça: capacete de segurança contra impactos, perfurações, ação dos agentes meteorológicos, etc.

Vias respiratórias: protetor respiratório, que previne problemas pulmonares e das vias respiratórias, e deve
ser utilizado em ambientes com poeiras, gases, vapores ou fumos nocivos.

Pernas e pés: botas de borracha, que proporcionam isolamento contra a eletricidade e humidade. Devem
ser utilizadas em ambientes húmidos e em trabalhos que exigem contacto com produtos químicos.
Olhos: óculos contra impactos, que evita a cegueira total ou parcial e a conjuntivite. É utilizado em trabalhos
onde existe o risco de impacto de estilhaços e limalhas.

Equipamentos de Proteção Auditiva


Os protetores de ouvidos, devem:
 Ser adaptados ao utilizador.
 Estar conforme com as normas existentes e certificados.
 Ser adaptados às características e condições de trabalho.
 Proporcionar a atenuação adequada da exposição ao ruído
 Há fundamentalmente, dois tipos de protetores de ouvidos: os auriculares e os auscultadores (ou
protetores de tipo abafador)

69

Proteção das mãos e membros superiores


Os ferimentos nas mãos constituem o tipo de lesão mais frequente que ocorre na indústria. Daí a necessidade
da sua proteção.
O braço e o antebraço estão, geralmente menos expostos do que as mãos, não sendo contudo de subestimar
a sua proteção.
Sempre que as luvas causem qualquer irritação ou alergia na pele, deve ser aplicado um creme de proteção
antes de calçar as luvas
Características das luvas (NP 2310-1989)

CLASSE MODALIDADE DE PROTECÇÃO

A Riscos de origem química: ácidos e bases

B Riscos de origem química: água e detergentes

C Riscos de origem química: solventes orgânicos

D Riscos de origem mecânica: cortes de qualquer origem e perfurações

E Riscos de origem térmica: calor de contacto, chamas, frio de contacto

R Riscos de origem elétrica: luvas com capacidade isolante

G Radiações ionizantes: em alguns casos são reforçadas com folhas de chumbo

H Riscos de origem biológica

 Luvas térmicas até 200ºC - indicada para manuseamento de peças fundidas, produtos esterilizados,
retirar tabuleiros de comida de fornos.
 Luvas térmicas até 550ºC - ideais para o manuseamento de barras de aço, chapas metálicas,70
produção de garrafas, metalurgia e todas as indústrias onde exista risco mecânico e térmico
associados
 Luvas de proteção mecânica: ideal para montagem de componentes, manutenção, operações de
estampagem, manuseamento de metais leves.
 Indicadas para indústria automóvel / fabrico de componentes
 Luvas de proteção química - Boa resistência química a uma variedade de ácidos, acetonas e gorduras
naturais.
 Luvas descartáveis em látex – indicadas por exemplo para manuseamento de alimentos

Proteção da Cabeça
A Norma Portuguesa que especifica os capacetes de proteção é a NP-1526
Os capacetes são constituídos por duas partes:
Casco – parte exterior resistente
Arnês – Fitas interiores que absorvem a pancada dada no casco.
Proteção das Vias Respiratórias
A atmosfera dos locais de trabalho encontra-se, muitas vezes, contaminada em virtude da existência de
agentes químicos agressivos, tais como gases, vapores, neblinas, fibras, poeiras.
A proteção das vias respiratórias é feita através dos chamados dispositivos de proteção respiratória -
aparelhos filtrantes (máscaras).
Os equipamentos de proteção respiratória dividem-se em dois grupos distintos:
 Respiradores que filtram o ar
 Respiradores com fornecimento de ar

Respiradores que filtram o ar


Efeitos fisiológicos causados pela diminuição do O2
É o mais comum nos locais de trabalho, dada a sua Percentagem de
Sintomas
oxigénio
facilidade de utilização por parte dos trabalhadores. Estão
incluídos neste grupo as “semi-máscaras” e as “máscaras 20,50% Nenhuns - coordenacão normal

integrais” de utilização individual.


Dificuldade de coordenação
A sua aplicação é indicada para situações em que o teor de 17%
muscular.
contaminantes no ar atmosférico não é muito elevado.
Estas máscaras não devem ser usadas em locais com teor
12% Dores de cabeça e fadiga
de oxigénio inferior 17%.
9% Inconsciência 71

6% Morte em poucos minutos


Seleção de filtros para as máscaras de proteção
 Ter em atenção qual é o mais indicado de forma a conseguir uma proteção adequada.

Manutenção de Filtros
 Filtros só devem ser “abertos” para colocação na máscara.
 Enquanto fechados, têm uma duração de vários anos (ver data de validade).
 Após abertura, essa duração é reduzida para 6 meses, mesmo sem utilização.
 Quando se coloca o filtro na máscara deve-se escrever a data.

Classificação de Filtros
 Filtros de partículas
 Filtros de gases e vapores

Existem também os filtros com proteção múltipla, conhecidos como “filtros combinados”, integram
dispositivos de proteção simultânea contra agentes de diferentes tipos (gases, vapores e partículas).

Escolha dos Filtros

Quanto às partículas:
72

Tabela 1 – Filtros das partículas


Classe Uso
P1 Protecção contra às particulas de materiais inertes.
P2 Partículas de materiais levemente tóxicas.
P3 Partículas de materiais tóxicos.
Partículas de materiais cancerigenos.
Partículas de materiais radioativos.
Bactérias, vírus, enzimas.
Quanto aos gases e vapores:

Tabela 2 – Filtros de gases e vapores


Tipo de Cor Sector de uso principal
filtro característica
A
CASTANHO Gases e vapores orgânicos
EN 141
B Gases e vapores
CINZENTO
EN 141 inorgânicos
E Gases ácidos, como por
AMARELO
EN 141 ex: dióxido de enxofre
K Amônia, Vapores de
VERDE
EN 141 mercúrio
HG
VERMELHO Vapores de mercúrio
EN 141

Proteção de Pés e Membros Inferiores 73

A proteção dos pés deve ser considerada quando há possibilidade de lesões a partir de efeitos mecânicos,
térmicos, químicos ou elétricos.
Quando há possibilidade de queda de materiais, deverão ser usados sapatos ou botas revestidos
interiormente com biqueiras de aço, eventualmente com reforço no artelho e no peito do pé.

A Norma Portuguesa NP 2190 diz-nos que o calçado de segurança pode ser de três tipos:
 Sapato – quando apenas resguarda o pé abaixo do artelho
 Bota – quando resguarda o pé e a perna ao nível do artelho
 Botim – quando resguarda o pé e a perna acima do artelho.

As solas devem ser de material antiderrapante e apresentar um rasto que possibilite boa aderência aos pisos
Para trabalhos em superfícies molhadas, o rasto da sola deve ter um perfil que facilite a evacuação dos
líquidos, à semelhança do que acontece com os pneus dos automóveis.
Proteção dos Olhos e Rosto
Os olhos constituem uma das partes mais sensíveis do corpo onde os acidentes podem atingir a maior
gravidade.
As lesões nos olhos, ocasionadas por acidentes de trabalho, podem ser devidas a diferentes causas:
74
- Ações mecânicas, através de poeiras, partículas ou aparas.
- Ações químicas, através de produtos corrosivos (sobretudo ácidos e bases) no estado sólido, líquido ou
gasoso.
- Ações químicas, através de produtos corrosivos (sobretudo ácidos e bases) no estado sólido, líquido ou
gasoso.
Procedimentos de Emergência
Os procedimentos em caso de emergência definem-se como um documento orientador com normas de
atuação dos vários sectores em situação de emergência, destinadas a minimizar os efeitos das catástrofes
que se prevê que possam vir a ocorrer em determinadas áreas, gerindo, de forma otimizada, os recursos
disponíveis.
Através da sua ativação procurar-se-á desenvolver as ações operacionais mais eficazes tendo em vista
responder no mais curto espaço de tempo a uma situação de emergência, garantindo a salvaguarda de
pessoas e bens.
Para além disso, tentar-se-á repor, tanto quanto possível, a normalidade nas áreas mais afetadas do edifício
para que se consiga um regresso rápido à vida habitual.
Contudo, estes objetivos também passam pela sensibilização de todos para a necessidade de conhecer e
adotar medidas de autoproteção em caso de acidente e para a urgência de rotinar procedimentos de
segurança, pelo que toda a comunidade educativa deverá ser corresponsabilizada no cumprimento das
normas de segurança.
Este documento contém a estrutura da organização de segurança, os procedimentos a seguir e as
responsabilidades dos diversos intervenientes nas ações de intervenção e de apoio em situação de
emergência. Foi elaborado com base no cenário previsível de incêndio ou de outras situações de emergência
decorrentes dos riscos previstos. 75

O Plano de Emergência contém os seguintes elementos:


1. Organização da segurança;
2. Procedimentos de alarme em caso de incêndio;
3. Procedimentos de alerta;
4. Procedimentos de evacuação;
5. Técnicas de utilização de meios de primeira intervenção;
6. Procedimentos de encaminhamento dos bombeiros;
7. Reposição da normalidade;
8. Posto de segurança
PROCEDIMENTOS EM CASO DE INCÊNDIO
1. Acionar o alarme e chamar os bombeiros
2. Desligar a eletricidade
3. Molhar suas roupas
4. Cuidado com a maçaneta, pode estar quente
5. Sentir a temperatura da porta antes de abri-la
6. Não trancar portas ao sair
7. Combater o fogo no início
8. Utilizar equipamento extintor correto
9. Primeiro preservar a vida, depois os objetos
10. Acalmar as pessoas afetadas/envolvidas
11. Não usar elevadores
12. Usar lenço umedecido junto ao nariz
13. Caminhar abaixado (a fumaça fica suspensa)
14. Livrar-se de tudo que possa se queimar
15. Manter a calma

QUE FAZER DURANTE UM TREMOR DE TERRA?

a) EVITE 0 PÂNICO por todos os meios ao seu alcance. Mantenha serenidade e acalme as outras pessoas.

b) SE ESTÁ EM CASA OU DENTRO DUM edifício:


- Nas habitações coletivas não vá para a rua. As saídas e escadas poderão estar obstruídas. Nunca utilize os
elevadores.
- Tenha cuidado com a queda de objetos, candeeiros ou móveis 76
- Mantenha-se afastado das janelas, espelhos e chaminés
- Proteja-se no vão de uma porta interior, no canto de uma sala ou debaixo de uma mesa ou mesmo de
uma cama

c) SE ESTÁ NA RUA:
- Dirija-se para um local aberto, com calma e serenidade.
- Enquanto durar o sismo não vá para casa
- Mantenha-se afastado dos edifícios velhos, altos ou dos postos de electricidade e outros objectos que lhe
possam cair em cima.
- Afaste-se de taludes ou muros que possam desabar

d) SE ESTÁ NUM LOCAL COM MUITA GENTE (CINEMA; ETC):


- Não se precipite para as saídas.

e) SE VAI A CONDUZIR:
- Pare a viatura afastada de edifícios, muros, taludes, postes e cabos eléctricos, e permaneça dentro dela.
Acidente de Trabalho
Sempre que um trabalhador sofre de um acidente, existe uma série de passos a ter em conta no sentido de
melhorar e de não agravar o seu estado de saúde.

O que fazer em caso de Acidente


 Suprimir imediatamente a causa do acidente;
 Manter a calma;
 Não tocar na vítima e não deixar que lhe toquem;
 Não dar de beber à vítima;
 Chamar a emergência médica;
 Chamar um eventual Socorrista do serviço;
 Afastar os curiosos;
 Colaborar com o Socorrista, quando solicitado;
 Conversar com a vítima para a acalmar;
 Informar os respetivos superiores hierárquicos para registarem a ocorrência

77
Acidentes e Doenças Profissionais
 A definição de acidente de trabalho está estipulada na Lei n.º 98/2009. É acidente de trabalho o
sinistro, entendido como acontecimento súbito e imprevisto, sofrido pelo trabalhador que se
verifique no local e no tempo de trabalho.

Considera-se também acidente de trabalho o ocorrido:


 No trajeto de ida e de regresso para e do local de trabalho
 Na execução de serviços espontaneamente prestados e de que possa resultar proveito económico
para a entidade empregadora;
 No local de trabalho, quando no exercício do direito de reunião ou de atividade de representante
dos trabalhadores;
 No local de trabalho, quando em frequência de curso de formação profissional, ou fora do local de
trabalho, quando exista autorização expressa da entidade empregadora para tal frequência;
 Em atividade de procura de emprego durante o crédito de horas para tal concedido por lei aos
trabalhadores com processo de cessação de contrato de trabalho em curso;
 Fora do local ou do tempo de trabalho, quando verificado na execução de serviços determinados
pela entidade empregadora ou por esta consentidos.
78

Prestativa Prevencionista
 O acidente do trabalho pode ser definido como uma ocorrência não programada, inesperada ou não,
que interrompe ou interfere no processo normal de uma atividade, ocasionando perda de tempo útil
ou lesões aos trabalhadores e/ou danos materiais

Fatores que podem provocar um acidente


 Fator Humano;
 Fator Material;
 Fator Organizacional;
 Fator Ambiental.
Fator Humano
 - Fisiológicos
 Idade;
 Diminuição física para as funções;
 Falhas súbita de um órgão ou função;
 Fadiga, impossibilidade de concentração;
 Habituação a tóxicos.
 - Psicológicos:
 Emotividade;
 Negligência ou distração;
 Falta de motivação;
 Rotina;
 Falta de domínio social;
 Predisposição para o risco;
 Zelo excessivo.

Fator Material
 Trabalho de risco evidente e perigosidade elevada;
 Instalações mal concebidas; 79
 Ferramentas inadequadas às funções;
 Órgãos de comando dos equipamentos não adaptados às características do operador;
 Dispositivos técnicos ou mecânicos complexos;
 Inexistência de proteção de máquinas.

Fator Organizacional
 Mudança nas regras e nas normas das instituições, podem deixar os funcionários inseguros e estes
sentem-se alheios e desvalorizados quando eles não participam nestas mudanças.
Fator Ambiental
 Insalubridade dos locais de trabalho;
 Iluminação deficiente;
 Elevada sobrecarga de ruído;
 Ventilação não adequada;
 Stresse térmico;
Como prevenir acidentes de trabalho?
 As ações e medidas destinadas a evitar acidentes de trabalho dependem diretamente do tipo de
atividade exercida, do ambiente de trabalho e das tecnologias e técnicas utilizadas. Porém, tenha em
atenção o seguinte:
 Faça com que o seu local de trabalho seja confortável
 Tenha muito cuidado e siga todas as regras de segurança na realização de atividades mais perigosas
 Organize o local de trabalho ou o seu posto de trabalho, não deixe objetos fora dos seus lugares ou
mal arrumados. Se tudo estiver no seu lugar não precisa de improvisar perante imprevistos e isso
reduz os acidentes;
 Saiba quais os riscos e cuidados que deve ter na atividade que desenvolve e quais as formas de
proteção para reduzir esses riscos;
 Participe sempre nas ações ou cursos de prevenção de acidentes que a empresa lhe proporcionar;
 Aplique as medidas e dispositivos de prevenção de acidentes que lhe são facultados,
designadamente o uso de vestuário de proteção adequado, como as proteções auriculares para o
ruído, óculos, capacetes e dispositivos anti-queda, e equipamento de proteção respiratória, entre
outras;
 Não receie sugerir à empresa onde trabalha a realização de palestras, seminários e ações de
formação sobre prevenção de acidentes. 80
O que são doenças profissionais?
 Doença profissional é aquela que resulta diretamente das condições de trabalho, consta da Lista de
Doenças Profissionais (Decreto Regulamentar n.º 76/2007, de 17 de Julho) e causa incapacidade para
o exercício da profissão ou morte.

E se eu tiver uma doença que não consta da Lista de Doenças Profissionais?


 A Lei também considera que a lesão corporal, a perturbação funcional ou a doença não incluídas na
lista serão indemnizáveis, desde que se provem serem consequência, necessária e direta, da
atividade exercida e não representem normal desgaste do organismo (Código do Trabalho, n.º 2 do
art. 310).
Legislação de referência
 Lei n.º 7/2009 (Lei n.º 23/2012 Procede à terceira alteração ao Código do Trabalho, aprovado pela
Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro) de 25 de junho
 Decreto-Lei n.º 352/2007
Aprova a nova Tabela Nacional de Incapacidades por Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais,
revogando o Decreto-Lei n.º 341/93, de 30 de Setembro, e aprova a Tabela Indicativa para a
Avaliação da Incapacidade em Direito Civil
 Decreto Regulamentar n.º 76/2007, de 17 de Julho
Altera o Decreto Regulamentar n.º 6/2001, de 5 de Maio, que aprova a lista das doenças profissionais
e o respetivo índice codificado
 Decreto-Lei n.º 503/99, de 20 de Novembro
Aprova o novo regime jurídico dos acidentes em serviço e das doenças profissionais no âmbito da
Administração Pública

81
Saúde, Doença e Trabalho

Conceito de Contaminação
Introdução de microrganismos, substâncias químicas e/ou resíduos no meio ambiente (água, ar ou solo)
em quantidade suficiente para desequilibrar as propriedades do meio e torná-lo prejudicial à saúde e à
preservação ambiental.

Conceito de Intoxicação
 É um processo patológico causado por substâncias endógenas ou exógenas, caracterizado por
desequilíbrio fisiológico, consequente das alterações bioquímicas no organismo. Processo é
evidenciado por sinais e sintomas ou mediante dados laboratoriais.

CLASSIFICAÇÃO DOS PERIGOS


Biológicos
 Bactérias, vírus, fungos e parasitos;
Químicos
 Toxinas (venenos) naturais, micotoxinas e ficotoxinas (origem microbiana), pesticidas, herbicidas,
82
antibióticos, anabolizan-tes, aditivos, lubrificantes, pinturas (tintas) e desinfetantes.
Físicos
 Vidros, metais, madeira ou quaisquer objetos que possam causar danos ao consumidor, ferimentos
de boca, quebra de dentes, entre outros.
PERIGOS BIOLÓGICOS
 Microrganismos patogênicos e/ou suas toxinas que causam doenças de origem alimentar
 Infecção
 Toxinose
 Toxinfecção

PERIGOS QUIMICOS
São contaminantes de natureza química ou seus resíduos presentes em níveis inaceitáveis nos alimentos.
Produtos de limpeza
 Detergentes
 Desinfetantes

Medidas preventivas
 Utilizar produtos aprovados e em concentração adequada
 Otimizar sistema de limpeza
 Treinar os funcionários
 Armazenar separadamente
 Nunca transportar junto com alimentos

Pesticidas
 Inseticidas
 Herbicidas
 Fungicidas
 Raticidas
 Repelentes

Medidas preventivas 83
 Utilizar produtos aprovados
 Armazenar adequadamente
 Controlar e acompanhar as aplicações
 Nunca transportar junto com alimentos

Microtoxinas
 Aflatoxina (A. flavus e A. parasiticus)
 Ocratoxina (A.alutaceus)
 Patulina (P. expansum)

Medidas preventivas
 Controlar umidade relativa/tempo/temperatura

Alérgenos
 Podem produzir alergias ou reações de intolerância em indivíduos sensíveis
 Reações variam de leves a extremamente sérias
Medidas preventivas
 Rotulagem adequada
 Higiene de equipamentos
 Treinamento dos manipuladores

PERIGOS FÍSICOS

São corpos estranhos em níveis e dimensões inaceitáveis


Causam danos físicos ao consumidor, incluindo os antiestéticos e desagradáveis

Lascas de madeiras

Medidas preventivas
 Manter dispositivos e acessórios utilizados para arrumação e
fixação da carga em bom estado de conservação
 Substituir superfícies e utensílios de madeira por polipropileno
ou similar

Pedras e poeira 84

Medidas preventivas
 Proteger a carga com lonas ou encerados quando forem
transportadas em unidades de transporte abertas.
 Garantir a integridade das embalagens no transporte.

Fragmentos de metais

Medidas preventivas
 Realizar manutenção dos equipamentos, dispositivos e acessórios
complementares adequadamente.
 Garantir a integridade das embalagens durante o transporte

Fragmentos de vidro
Medidas preventivas
 Proteger lâmpadas contra queda e explosão
 Controlar rigorosamente produtos embalados em recipientes de vidro
 Manusear cuidadosamente as cargas embaladas em vidros
 Não utilizar termômetro de vidro

Pragas

Medidas preventivas
 Estabelecer programas de controle integrado de pragas
 Proteger as embalagens adequadamente durante o transporte

85
Organização de Segurança e Saúde no Trabalho

Gestão de segurança
A função de Higiene e Segurança, ou, simplesmente, Prevenção, é, essencialmente, uma função consultiva.
O seu objetivo reside na informação, no aconselhamento, na motivação e na coordenação, remetendo para
a hierarquia e direção e execução das soluções que propõe.
As medidas de segurança não devem solucionar problemas de forma não sistemática, isto é, à medida que
surgem os acidentes (ou incidentes). Devem, pelo contrário, ser metodicamente programadas e integradas
na gestão da empresa. Esta integração exigirá um elevado grau de organização da Segurança Higiene da
Empresa com vista a uma metodologia de trabalho consequente, sem intervenções ou correções isoladas.
Segundo a Diretiva-Quadro, a entidade empregadora é obrigada a asseguras a segurança e a saúde dos
trabalhadores em todos os aspetos relacionados com o trabalho. Tendo em vista o cumprimento deste
objetivo, tomará as medidas com base nos seguintes princípios gerais de prevenção:
1. Evitar os riscos;
2. Avaliar os riscos que não possam ser evitados;
3. Combater os riscos na origem;
4. Adaptar o trabalho ao homem, especialmente no que se refere à conceção dos postos de trabalho,
86
bem como à escolha dos equipamentos de trabalho e dos métodos de trabalho e produção, tendo
em vista, nomeadamente, atenuar o trabalho monótono e o trabalho cadenciado e reduzir os efeitos
destes sobre a saúde;
5. Ter em conta o estádio de evolução da técnica;
6. Substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso;
7. Planificar a prevenção com um sistema coerente que integre a técnica, a organização do trabalho, as
condições de trabalho, as relações sociais e a influência dos fatores ambientais no trabalho;
8. Dar prioridade às medidas de proteção coletiva face as individuais;
9. Dar instruções adequadas aos trabalhadores.

Legislação Específica Aplicável

O artigo 281º do Código do Trabalho estabelece que o empregador, na aplicação das medidas de prevenção,
deve mobilizar os meios necessários, nomeadamente nos domínios da prevenção técnica, da formação,
informação e consulta dos trabalhadores e de serviços adequados, internos ou externos à empresa.
Conforme já referido, na Lei nº 102/2009, de 10 de Setembro, regulamenta o regime jurídico da promoção e
prevenção da segurança e saúde no trabalho, de acordo com o previsto no artigo 284º do Código do Trabalho,
no que respeita à prevenção.
O artigo 74º do regime jurídico da promoção e prevenção da segurança e saúde no trabalho estabelece, em
princípio, três modalidades de organização dos serviços de Segurança e Saúde no Trabalho (SST):
 Serviços Internos (instituído pelo empregador)
 Serviços Comum (instituídos por acordo entre várias empresas ou estabelecimentos);
 Serviços Externos (contratado a outras entidades).
Este último pode revestir as seguintes modalidades: associativo, cooperativo, privativo e convencionado.
No entanto, a empresa ou estabelecimento, qualquer que seja a modalidade de organização dos serviços,
deve ter uma organização interna que assegure as atividades de primeiros socorros, combate a incêndios e
de evacuação.
Estabelece-se, no artigo 78º do regime jurídico mencionado, que os estabelecimentos com, pelo menos, 400
trabalhadores no mesmo estabelecimento ou no conjunto dos estabelecimentos distanciados até 50 Km, a
partir daquele que ocupa maior número de trabalhadores, deve organizar um serviço interno, qualquer que
seja a atividade desenvolvida.
Prevê-se, contudo, que em certas condições de melhoria objetiva das condições de trabalho possa haver
dispensa daquele serviço e eventual substituição por um serviço externo ou comum.
Os estabelecimentos ou empresas com pelo menos 30 trabalhares e que exerçam atividades de risco elevado87
devem, por seu turno, organizar um serviço interno.
Consideram-se trabalhos de risco elevado:
 Trabalhos em obras de construção, escavação, movimentação de terras, de túneis, com risco de
quedas em altura ou de soterramento, demolição e intervenção ferrovias e rodovias sem interrupção
de tráfego;
 Atividade de indústrias extrativas;
 Trabalho hiperbárico;
 Atividades que envolvam a utilização ou armazenagem de quantidades significativas de produtos
químicos perigosos suscetíveis de provocar acidentes graves;
 Fabrico, transporte e utilização de explosivos e pirotecnia;
 Atividade de indústria siderurgia e construção naval;
 Atividades que envolvam contacto com correntes elétrica de média e alta tensão;
 Produção e transporte de gases comprimidos, liquefeitos ou dissolvidos, ou a utilização significativa
dos mesmos;
 Atividades que impliquem a exposição a radiações ionizantes;
 Atividade que impliquem a exposição a agentes cancerígenos, mutagénicos ou tóxicos para a
reprodução;
 Atividades que impliquem a exposição a agentes biológicos dos grupos 3 ou 4;
 Trabalhos que envolvam exposição a sílica.

Nas empresas ou estabelecimentos com um efetivo máximo de 9 trabalhadores, vulgarmente designado por
microempresas, e cuja atividade não seja de risco elevado, as ações de segurança e higiene no trabalho
podem ser exercidas diretamente pelo próprio empregador ou pelo trabalhador por ele designado, desde
que tenha preparação adequada e permaneça habitualmente nos estabelecimentos.
As atividades técnicas de segurança e higiene do trabalho devem ser exercidas por:
 Técnicos superiores habilitados com curso superior e formação especifica nele integrada ou
complementar, legalmente reconhecida, ou
 Técnicos com, no mínimo, uma qualificação técnico-profissinal de nível 3, equivalente ao 12º ano,
especifica para a área de segurança e higiene no trabalho
As atividades dos serviços de segurança devem ser asseguradas regularmente no próprio estabelecimento,
durante o tempo necessário.
A afetação dos técnicos às atividades de segurança e higiene do trabalho, por empresa, é estabelecida nos
seguintes termos:
 Em estabelecimento industrial – até 50 trabalhadores, 1 técnico, e, acima de 50, 2 técnicos, por cada88
1500 trabalhadores abrangidos ou fração, sendo, pelo menos, um deles técnico superior;
 Nos restantes estabelecimento – até 50 trabalhadores, 1 técnico, e, acima de 50, 2 técnicos, por cada
3000 trabalhadores abrangidos ou fração, sendo, pelo menos, um deles técnico superior;
Por sua vez, o médico do trabalho desenvolve a sua atividade nos seguintes termos:
 Em estabelecimento industrial, pelo menos uma hora por mês por cada grupo de 10 trabalhadores
ou fração;
 Nos restantes estabelecimentos, pelo menos, uma hora por mês por cada 20 grupo de 20
trabalhadores ou fração.
Numa empresa com mais de 250 trabalhadores, o médico do trabalho deve ser ajudado por um enfermeiro
com experiencia adequada.
Bibliografia
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 Miguel, Alberto Sérgio S. R., “Manual de Higiene e Segurança do Trabalho”, 7.ª Edição, Porto
 Editora, 2004, Porto;
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 Edição, Cooptécnica Gustave Eiffel, 2009;
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