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questinnamen los, a obra de Pierre Bo111 h u t
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respostas originals renovando o pens, rn 1nt<


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so br~ as !unções e o f undonamentd
de ensü10 nas sociedades conten1por nf.n .,
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rei.ações que rnantêm os diferentes grupn·.
escola e <..om o saber. Conce itos e catec e r 1 1
por ele construídos constituem hoje n1of d (1ff tH
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pesquisa educacional, írnpreg nando. com 4., •u lto f
xplicat1vo. boa parte das nálises brasileir11s
condições de produçào e de distribuiçao do b r 1.
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cuJ turais e s1mllóíicos entre os quais se ind11 tii
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obviamente os produtos escolares. J>t
EStf1 livro fo~ organizado com o intuito J€ ui n ' •r,
língua portuguesa, a um1público de pesq Isa l r H, " o
e('.tudiosos e especialistas em educação, um ~ ,,
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r lc u11s dos mais importantes escritos do au o n
d educação e de ensino. que ainda não est varri .
t.O

isponiveis em nosso país - boa parte dos q ul 1 ~


publicados originaln1ente na revísta Actes de la R °'ru-·
......,;

en Sciences Socialesr cria.da por Bourdieu ern 1 7' ,


hoje por ele d i ri gida'~_ J:>
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EDITORA -·
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oo v do p lo flon• l•vro
'"Espera-se do·
...
sociólogo
1

que, àmedida do prof~ta., dê 1

resposta~ últimas ,e
(aparenten1 ente) sistemáticas
às questões de vida ou de
n1orte que se cotocam no dia-
!
a..,dj a da existência soe ia l. E '
lhe é .recusada a l unção. q uc
ele tenl direito de rcivindkar,
corno qualquer cíentí sta de
d ar respostas prec i ~as e
verificáveis apenas às
questões qu~ está em
condições de colocar 11

cienti ficament,e: quer dizer,


ron1pendo com as perguntas
1

postas pdo sensQ con1utn. e


tnmb6m pelo jornalisn10.
.Não dtwe entender-se çom
isto que cfo deva assumir o
papel de perito ao s~rvic,;o dos
poderes... Doravan.te, a
~ociologia estará tão "'egura de
s1 mc-s1na q~e dirâ aos
pol ític.os que nao pode1n
pretender governar cm non1e 1

de uni vc~os dos quai ~.


1

ignorem as leis de
funcionamento rnais
el en1 entarcs. ''
Piet"t'e Bourdit>u
PIERRE BOURDIEU
1 ·ÇÃo , "NCIAS SOCIAIS DA E DUCAÇl\O
Coord'9ntidores ~ Maria Alice NoglJ~irn e l.k.a Plnhii!iro Pah~ão

- O su/~ilo da ea't~caçi;jo
Tomt.tz Ti21cfeu da Siiva •:org.)
~ i'"leolll.JeraN.srno, q uf:'Jl1cimfo to tai e e,focação
Tornaz Tadeu ck1 Silva e Ptiblo Genlill (orgs.}

1eol"J'1 ç rHft.-a. ~ & u<:ação


Bruno Pucd {ory. ~
ESCRITOS DE
- Currfctdo- Teorrr:: e histôrlo
Jvor F. GcXldson -
EDUCAÇAO
- C.scri tos de edw:;açào
fl.·fori.a Alice Nogu~lni e Afrânlo Cit~ni (or!~s.)

- 1-àmWa e escola ... Tm.teiórjas de esw!arlzaç.ão ern camadas médkls e popi1la re,.,
Maria Alice Nogueira, Gera ldo Romi!r1clli e Nadir higc1 {orgs.)
Seleção, organização, introdução e notas
- A escola r!.r..açdo das eliles Maria Alice N9gueira
Atrc.l Maria Fonseca de Akr1eldei e Maria .~llcc Nogl1cfra (urg~.) .Afrân.io Catani

Blb Q:._. ~..>\.Cb


Hor,1em pi'w•a! - Os det etrn lricm tes da ação
Bern~r<lLa! 1h'e
Tombo Nit Clj <::5l
Cls.u 3~ ..o~s. lj
C11tter _ ~ "E' 1 J}_
(lti cl ~l ~iCA
rreço ~€ 4
V1t _______

Dados Internacionais de Catalogação na PubJlcação (CCP)


(Câmara Brasileira do Livr-0 1 SP, Bra~U)

Escntos de. educaçã.o / Matla Alice Noguclra e Afrãnío


Catani (organh~.adom.c;}, 9. ed. - Petr6polis 1 ~~ : Vozesr 2007. -
(Cfênda_c; .sociais da ed ucaçàu}.

JSBN 978-85-326.-2053-8

1. Educoçtlo 2. Socio logla cducadonaJ 1. Catem[, Afrân~o .


H. Nogueira, Mnrh Alke. UL Título. IV. Série.

96 0345

fndlccs para C<ltúlogo sisternfl lk:o:


CDD~370. 19
l/i EDITORA
Y VOZES
1. Soclul~U3 P.ducaclarui.I 370.19 Pe1r6poll
® P1erre Bourdieu
© 1998, Editora Vozes Lida.
Rua Frei Lu ls ~ 100
25689-900 Petrópolis, RJ
SuMÃRro
lntern êt: hn p: //v.r1;v\1Y'. vozes. c:om.br
Brasil

Todos os d1re1tos reservados. Nenhurna parte desta obra poderá ser Urna sociologia da produção do mu11do cultural e escolar
reprodu7.lda 01..1 transmltjda por qualquer forma e/ou quaisquer meios (1\IIaria AIJce Nogueiro e Afrdn io Catani), 7
(eletrônlco ou mecânico., incluindo foroc6p1a e. gravação) ou arquivada
em qualquer sistema ou bQnco de dados sem permíssão escrita da E<li1 ora. Prefácio~ Sobre as artimanhas da razão iTnp'2rialista, 17

1. Método científlco e hierarquia social dos objetos, 33


·•Et ouvrag~, publié dans le cadre du programme de partlcipatlon à la n A escola conservadora: as desiguak:lades fn~nte à escola e à cultura, 39
publication, bénéficie du souUen du Ministêre fmnçals. des Affa1rªs
Etrnngéres, de l ~An1bassade de France au Brésil et de. ta MaJson UI. O capita] sod~i - notas provisór•as, 65
Française de R~o de Janeiro."
N. Os três estados do cap)tai cukural. 71
V. Futuro de dass~ e causalidade do provável, 81
"Este livro1 publicado no âmblto do programa de partic]pação à
publicação, contou com o apoio do Ministério francês das Relações VL O diploma e o c-Çirgo; n~Jações entre o sjstema de prcdução e o
Exteriores, da Embaixada du Franca no Brasll e da Maison française do sis1ema de reprodução, 12 7
Rio de Janeiro" .
VII. Cl~ss tficação. desclass ificel~o1 redasslfkaç~o, 145

vm. As categorias do juizo professoral, 185


Edttoraç~oe org. literária : Jaime Clasen
Capa: Susana Callegari IX. Os excluído... do jnterlor: 217
X. As contradições d a herança. 229

XI. M,edalha clª ouro do CNRS 1993. 239


lSBN 978-85-326-2053-8 Anexo I: Quadro cornparatívc dos sistemas de enslno -
Brasil/França, 249
Anexo 11: Significado das siglas, 251

Este llvro foi composto e àmpre.sso pela Edltorn Vo2es Lida.


UMA SOCIOLOGIA DA PRODUÇÃO
DO MUNDO CULTURAL E ESCOLAR

A décad~ de 60
sociais
c1ªnclas
podº S'2r considerada um p_er!odo de IQusro para as
francesas : un1 acelerado processo de desenvolvim,ento,
·»~pressa sobretudo na arctpliação do número ~e pesquisadores e no
crescimento do vollune da produção c1entlfica, levou ao aparecimento de
}Hmsadores como Pierre Bourdieu (l 9;30). cujo nomê despnnra ínltialmen-
P como criacJor, t:!m 1967, do Centro de Soc1ologia da Educação e da
C\tltura (CSEQ. sendo autor, juntamt?nt,e com J.ean-Claude Passeron , do
livro Les Hé ti t Iers (1964) uma das prindpats fanc~s inspiradoras dos
1
1
c""~' udan tes universitários rebelados em maio. de 1968. Desde então, as
.málises de Bourdieu dedicadas à sociologia da educação e da cultura
1 1 1d~carnm gerações de tnteJectuais e ganharam ra[Jidaroence notoriedade
m'c:ional e intémac1onaJ.
Ao mesmo tempo em que colocava novos qu€.f)tlonamentos. sua obra
lr1,neda riespos[M origlnals, reno\•ando o pensamento sociológico sobre as
li tnções e o func3onrun ento socia1 dos sistemas d~ ensjno n~~ sociedadc?S
11 nf\::rnporân~s , e .sabre as. relações que mantêm os diferentes grupos sodals
cr 1m a escola e com o saber. Conceitos e categorias anallticas por ele cons-
1n1ídas. consutuem hoje moeda correnrn da pesquísa educncional~ impregnan-
' 1n, c01n S0J alrn poder explicativo. boa parte das análises brasilekas sobre as
umdtções de produç.ão e de distrLbuição dos bens cu]turais s!mbólicos, º
•nh e os quais se induem obviamente os produtos esco]ares.
ste livro foí organ1zado com o intuito de oferecer em língua porl1,1-
'l'' •sa, a um público de pesquisadores. ·Qstudiosos e especialistas em edu-
'" çao. un a seleção -de aJguns dos n1ais jn1porte.ntes esçretos do aurnr ént
i 11 '1 ',,,lu. de. educaç_ão e de ensino. que ainda não estavam dispon1v~is ~m

'IL'ª " o livro u(! Bour&ru .e d'\!' P{!~C..":!, L~s h'êrit! •r. tum 01 1•'fe, por
I , I ~ 1v11 ~w d /m::ir.. C:S:r l!'y\!LJ
dl t~ 11o;1 llvto d. ceh~crnra dcs <>smà~!l1<'$ d!} maio'' - d. M'emórlas ·:tr<Jd. Oclr:ii,.fa .llJ:·y-e!i
t-.·.111~
Vdh1 '~ Rio ti • J.:mPir'rl. N Ji.'tl Frn1ueim; 2~ t.1tl., l CJ.H6 D· S2J

7
nosso pa1s - boa pa11~ dos quals publicados orlginalm.entf2 na rêvista Actes t 1 11 t~ objetosconsiderados -· d~-valotiz.ados" espernm de uni outro campo
de !a Recheri;he en Sdem;es Soôa:les (ARSS}, criada por Bourdieu en1
1t~ rL'Ct)mp0nsas qu~ o campo cientlfico lhes recusa de a11ten1ào.
1

1975, e até hoj(;! por 12Je dltigida.2


Apenas qua(ro anos antes d~ A Reprodução, o artjgo ''A escola
Ern se tratando d12. obra j"ão extensa, iara forçoso operar escolhas. o ron'.!. rrvadora: as desigualdadés frente à escola eà cultura!' (1966) asstnatou
1

que provaivehnent€ não fizen1os sem certa dose de arbitraliedad~. Gulou-


111 n t1:1pa decish:a na. exp~or.ação das funções ~sco1ares de reprodução
1

nos • .entretanto! a intenção de evitá-J.a ao mãxbno e o propósito de 1 ~hura l EZ d12 conservação sociaJ.
selecionar na obra, !nkialn1ente, aqueles momentos fortes do pensarnento.
marcados por te.xtos que tiveram vasta repercussão e jnfluênda na área; Hurnpendo eom a~ ex.pi kações fundadas em aptidões naturais e
L~m outro cr1tér~ó le\.·ou-nos ã opção por uabalhos que tentassem cobrir 111divldu~is e ensejando - de modo praticamente pioneiro - a crítica. do
os diferentes aspectos da questão educaclona1 que ocuparn o a utor, visando m li w do "dom ' , o autor desvenda as condiçoes soda.Is e culturais que
obt(2r uma certa r~presentattv1dade do conjunto do pensan1ento. p1.·r11 r!tirarn o de.setwolvim€nto deSs€ mito. E desmonta também os meca~
nhmos , través dos quais o sistíZtna de efl!!; lno tran3forrna as diferenças
A disposjção dos textos a partir da ordem cronológica cle public.ação não ltil4 L1I~ - r~sullado da transn1issão familiar da herança cultura] ~ em
nos paréee.u oonvenientà, porque! qu~br.arla a s-~üência rernâtica_ A ela p~·e­
l 1· k1u" ldades dé destino escolar.
foiimos uma êsn·ac~ia de apresentação que os agrupasse segundo os
diferentes aspectos da problernáHca de Bourd1eu no campo da educação. No~se momento da obra 1 já despontavam elementos que irão se reve1ar
T rata-se. pois~ de textos red1gklos ern momentos diferentes e 12rt1. distintos d11~ 'douros no pensamento! conquanto tenham sido ulteriormente 111elhor
çont~xtos, o qu.e toma no mínlmo amsca.do foJar~s42 de um corpus un1fkado. d~ ttc•rLVotvidos ou majs rígorosamerite. demonstrados . É o cas;.o 1 por €Xem-
pl11, da ênfase confer~da à relação çom o saber (em detrimento do saber
Integram assim a pres ente coletânea onie textc)S precédido~ d~ um
11 .1 m~srna) como uma d~s camcrªr[s[rcas princípais da teoria bourdieus-iana.
pri?fácio do autor e acresddo:;; dos anexos [ ~ H que fomecern. respectiva- (J, e·Jucandos proveníenU}~ de fan11lias desprovidas de capital. cu[t1..1rnl .apre-
rnenk~, as equivati2ncias emre os graus e as séries dos sistemas de ensino
~,~1 11 )'E1P l JJna re1ação corri as obras de cultura V€icuiadas pela esoola qu12. rnnde
francês e bra~jJe~~·o! e o signifkado das si.gl~s educadot1ais francesas qua
" ~e 'r Lnter~ssada tabmiosa! tensa, esfórçada, enquanto para os indivíduos
1
a.pan,::.cem nos textos.
o~ lqh1j.rlos de. meios é.'l..tlturQJmente privilegiados essa relação está marcada
ª'Método cientLfico e hierarquia social dos objetos"' {197.5) é um art1gô de: f"M; ll dllRtt.mrtismo,. desenvdtura, e:Jagânda. fadfidade velbal ''natural··_ Ocorre
ab€rhlrn, espécie de edítorbl pubHcado otigi11aln1énte no prirneiro nú.meto t1t1c, ti valiar o des€mpenho dos alunos. a escola leva em conta.sobretudo
de ARSS_ Para Bourdl~u, a exist~ncla nos campos d€ proouçao slmbóltca. de u 1n-.dent~ ou inconsctentemente - esse n1odo de aquísiçá9 (e us.o) do
uma hãerarquia dos objetos legitimos, legitin1áve]s ou lndjgnos corutit:Ui~~ !!!ffi h~·t ~1 1 e m outras palavra,s, €ssa relação com o saber_
umõ das mediações por meio das ·quais se irnpõe a censura e~p~df!ca de um
''Oi; 1r~s e!itadcs do capítal cu1tural ' e "O capital social - notas pro-
1

detmminado campo_ Na seu 12nNmder, • ad~fjniçãodom~nante das coisas boas


vt 1'111, •11 Ll}'.)&recera~n em ARSS, respectivamente1 ·em 1979 e 1980. São
de se dizer e dos Mn1as dignos de ]nteresse é um dos mecanismos 3deolõgtcos
t j(,., fun:damentais para a comp1·e~nsã11 dos esquemas expllcativos
que faze?m com que ·coãsas também muito boas de se dtZE!r rião sejam dltas e
d• ''IW lvidos por Bourdleu. Ele formulou o concdto de capital cultura~
com que temas não menos dignos de interesse. não ~ntere.ssem a ninguém. ou
t)nt.t d,n conta da d~iglJa~dade de desempenho escalar di2 c:rlanç<3s
5Ó possam ser tratados de n1odo envergonhado ou vicioso".
orfurnh,i·· de dfferentes cla!!:ises sociais, procurando rela.clonar o "suces50
Ê a biernrquia dos objeto~ que, consdente ou inconscientemente, oticmta 11
11 11.n (Isto é. os bet11efkios específicos qi1e as crianças clãs diferentes
os irp•.·es~imerito.s inteled\,lai.o; dos agentes, mediados p12la estruru.ra de opo~tu· ( 1 • i í '. e frações de d.asse podem o bt '2T no mercado escol ar) com a
nJdades de tucro macarlul e s1mb611co_ Asstrn, os produtor€S que ~rnbalhatn il h lb 11 dOi dessCt eapitãl êspedfico entre as classes ou frações de classe.
1 l 1u • t1.trLJ sigtüf1ca ··ur'nii) n~ptura com os pressupostos inerentes, tan to à
11 o • J e: Jfl 1urn que considera o sucesso ou fracasso escolar como efeito da5
:2 . Alnda e.sra por ser fdb il f.lrni.lis.:. (Í.::.; ::oruli~ões de, recepçõt (.fa oor-tt <lia BotmJieu oo Br .11, â 1jtlld11f' '11att.1rais, quanto às teoria.') do 'capital liumano'".
$ •tnclh.:i n~i!> &J =lll~ fe.z LoY.:: '1,\'f!lííllmm p:tl°"tl q Estf.l~O!ii Ur.ri::l~s_. em seu 1~to ~_B::iurrll~ll ltL
il c.iptt(lr cult tral ~xiste sob três formas, a 5aber~ .a} no estado rní
/\r:-ierira ! 11oles o n ~:he tmn~r'l~l.:inLic im i::orL(lbi::-n of social thootv l~r. CAL JO~ : N. C.: U~Ui,.1f\.
E. r! POSTON!:. M (·::irgs.f J3011rdiet~ Crti!c:::iJ Po?rsp.E".::J-ii....:.s, C mbrti.Je:. • P~bly Pr1•, , 1' t) '~) 1 111 rN 'rwio~ ~· b r.i forma de disposições du_ rá\.'eis do org.anjsmo. Sua
M~a . desd.a jti. t. pn!:!:i5°·,1lii !ilipar quE, Entre n-:le \o"fil"i~ki'l •SO;! o mesl!'l:.ã Íli!!LÜntúítt: .df:o cl~t~ 1hi:s 1 ' 111 m11 , :J ~.11 ~lgada. aq corpo'. exigindo incorporaç·fü:>. d~mê!rtdal tempo,
11 ~)tO (lo ~r.:in.1"· 1.x;in: ~ doi! ;m,:'iL1s1~ f!l~IJ>:>ku;.as- rrr;>r..ll:.i.:1i:fo1s p-. 1!i Lolaql-'T<1rk w \1 11 1 ~ti 11.
Bourdi~u e ·...·~i::u~d::.s r.<1 reo.isla /\eles do:: io Ru~1e'rch . t:r• $.::!'11~1"'1!' s'J IÇllfo~
bÇJ,I ho de i ncu lcação e as-sjffiilação. Esse ternpo t')ec4$~átlo
111 •0 111 ' • 1r1n 1 tr _
hi 11 , 1•1 ~ qv • l~dn p ~s oalrn et-1t e p~lo receptor - ''to.! eorno o bronieamen-
1

R
d , r;$fratég1as de reprodu~ão que utilizam para me]horar ou 1nanter sua
to , essa incorporação nao pod e efotuar· se por pt'ocuração'\ b)' no esrado
po!-líção na estrutura sociaJ".
ob}enuado. sob a fonna dí=! bens culturais (quadros, livros. dicionários.
instrun1e.r.tos. máquinas) , transmi ssíveis de maneira rel alivam~nte lnsran- A ·causalldade do provável·' é o resultado dessa espécie de dÊalética
1

tãnea quanto à propriedade jurídica. rodavia as condições de sua apro--- •'llh' => o /1abitus~ cujas antecipações prác1cas repousam sobre toda a
priação específica :s.ubme!~ern-se âs n1esmas leis de tran.srnissão do capiral ''>q1e riênda anterior, e as ·'s.ignificações prováve1s··, ou seja, o dado que
cultL1ral em estado incoroorado; e) no estado jnstituciona lizada~ conso1i- • ~l toma como percep~áo seletlva ~uma aprec1a,ç_ão oblíqua dos indicado-
J

dando~se nos titulas e cerliíkados escolares que , da mesrr~a maneira que h•r; do futuro, Assirn. ·'as prátlcas aparecem oomo o resultado desse
o dinheiro, guardarrJ r~latlva independência e.m :rei.ação ao portador do 'ucnnfro entr·e um agente predtsposto e prevenido e um mundo presu- 1

titulo. Essa ce1ijdão cle çnrnpeltência " instrtLJi o capfü~J cultura) pela magia rtiido, i.s[o é. o único que ~he é dado conhecerj'.
coletiva, da rnesma. forma que, segundo Merleau-Pon Ye os vivos ins.títuent O sis tema de estratég]as de reprod Ução pod~ ser def1nído com o
seL s morlos arravés dos ritos do auto''. P or mª-fo cles~a fo rma de cap~tal • •·r ~Oêndas ordenadas e ori~nt adas de prát[cas que todo grupo produz para
cultural é po~sivel colocar a questão das funções socb:1's do siste1ni;l de •,•produzir-se º.nquanto grupo. ~fa.recem destaqµ e, dentre putras, para o
ensino e de apreender as relaçôe::; que mat1tém c om o sistema econõrnlco. 1utor, as estratégzas de fecundidade. limitandosse o número de filhos e,
O capital sodt;l] é , pura B ourdieu. o conjunto de recurso~ (atuais ou l qns qüenmmente, reduzindo o total de pretendentes no patrimônio· ou,

potenciais) que! esi:ão ligados à posse de un 1a rn.d e durável de relações mais ln•1a, -0s estratégias indiretas de limjtação da focundtdade, como o casa·
ou rneno s 1nstitucionahzadas. em que o. age-ntes se reconhecem como l n4 nto tard~o ot1 o celibato. As estratégias sucessó ria s têm por fim a
parC:!~ ou con10 vinculados a dererminado~ s) grupo{s)'. Tais ag~nres são lt ~w1mtssão do patrimõn1o, com a menor possibiJ1dade de degradação. de
dotados de propriedades comuns e, também, encontram-se unldos através 11111u geraç5o a outra. As estra tégras educativas, consdeotes e tnc.onscten·
de Hga.·çoets p~rni.a;rh1ntes e úteis , A ssim ) o vohime do capital sc-c~aJ qua um I• :;, :s.5o investimentos de lotig,o prazo qw~. em geral1 não são percebidos
agente indíviduru possui depende da éxtensão da rede de relações que pode 1111111J tals pe:los agentes . Esrroiégios matrhnoníats existem para assegurar

ou consegue mobiliz:e r 12 do volume. do capitaJ (econômico, culmral ou , r1.1produç.ão biológic~ do grupo~ tratando-se de evitar um '' casarnento
simbóJico} que it. pos~ e exclusiva de cada um daquele$ a quem está l;g~do, <h lRLml" e de prover, atravé5 da aliança çorn un1 grupo ao menos equl~
1

v,1lunlc:?. a manutenção do caplté)I de relações sociais. As estratégras


Bourdieu escreve que a reproduc;c1o do capital social é trfüutária de
fd,•u l6gjcciS por sua vez, visam legiUmar os priviléglo s, naturalizando-os.
1nsti tuições q ue visam iavorec~r ··as t rocas lagítim.as e Q exduh as rrocas 1

ilegíth:nas, produzindo ocasiões (raJl'yes, cruzeiros, caçadas 1 sarausprecep~


1 •.o Rem mencionarmo5 as estralégia.s propriarnenle eco nômicas, de
11u1t•st'im ento ~"ôC ~al, prôfdáttcas etc ..
ções etc.), lugares (baJrros chiques, escolas seletas, cJube. e!tc.) ou práticas
(G!sportes chiques. jogos de sodedade, cenrnõnias c1Jlturnis e e.} que O futuro de classe é determinado pela relação entre o patrin1ônio
reúnem: de. maneira aparentem ente fortuita;. ind ividues tão homog~neos (1 'msic l12rado ~m s12u volurne e composição) e os sisten1as dos instrumentos
quanto pos.sível, soh todos os aspectos peronéntes do ponto de vista di;i tl11 r produção. Nesse senUdo, os detentores de capital não podem Tnan1er
r.?Xistência e p ertinência do grupo" . Tai reprodução paga trfüuto , igua]m€an· u,1 p Jsíção na estrutura social (ou na de um dado campo, como por
t~, .a.o trabalho de sociabilidade. de uma çompet~nctia específka (conheci- ' L 1nplo o a11ístko ou o jurídico) '"senã.o ao preço dr2 reco nversões das
1

mento das re,aÇóé~ g~neal6g~cas e dõs ]igaç,ões reajs e arte.? de. utiJizáplas). 11 ·ci~ de capital que de1~rn~ em outras espécies mais rentáveis. e/ou
3
de um dispêndio de tempo e de esforços para mantê-la - a]ém ~ naLural- 111 sl!-i 1 •gíhn1as no estado considG1udo dos instrumentos de reprodução" •
mente, de cap~ta.I econôrnic:o. O texto "O dip!oma e o cargo: relações éntté e sistema de produção e o
" Futur-o d e classe e causalldade do provável'' (1974) apareceu na 1 h 'tll~ de r~produção'' (1975)~ escrito enl colaboração com Luc BcltansW,
ReDUP. Fra1 1Çolse de Socioiogie~ sendo republicado em parte no livro La 11 111 dginalmente conc.eb~o cmno nota provLsótia. de trabalho, cuja finalidade
Distinction (1979). :\'o entender de Bourdieu! as práticas econõm'i<:as das 1 l1 !\.'• 1 11 ser a de lançar o debate sobrn uma série de rupóteses a respeito das
agentes sociais dep endem das possibiliclaées objetvas com qu e se. ass~gura te·l.1 • ' • entre o sistema de e.ns•no (o diploma} ~ o sistema produtivo (o cargo},
o capital, em 1.,1m dado mornento, a urna da.sse e.spedfka de a·gen es. T 1 11•11 11 1 JU•' na d~cada de 70 mobfüzava não apenas os autores inas grande
siLuaçao ~ detenn1nada p elas disposições d~ráveis, habUus, prind plo
gerador de estratégias objetivas. De maneira mais pr~dsa , 1a1s práti:tai5
~conômicas '·dependem da estrutura das possibilidades dif renCl;,\i ~ dí' 1 ' BI l lftDIEC, J1, l30'_T.l\N~KI , I_, .~f-\INT-M/\nTIN . ~.L
11
:'\s -esiratÊ!gitJs der ~011 1.•CTííl!rJ:
aproveltan1Emto qua .se oforecem a assa dasse Jevanclo-s' ..Lrl con· o ~~lr~l'ír.\ fl,. rri !111)· tn Dnl~}\ND, .1. "',G. ~Org. I, Edu~nr,:d e H eymnanfa rlí?
1

1
1l 1 ,., •IJddl- •' n
é'fo:.r.r• ti } 111lçll~.v ldtJo.'ógico.H fo l?!iCtJ ló tlki tl~ J•.meh'.J, Z(tt r. 1979, !') 1WH76
volume e a est-rutura de se.u capi ai'' como tambérn ·· i:l fl5h utu1d d<J 51 temiJ
1

10
11
parte dos sodó]ogos da educação françeses. Esse programa de estudos watiação d~ um dernrmjnado tipo de conhecimento (domínio do campo,
terá prolongamento no artigo !'OMsiflcação. desdassitlcação, reclassifica- vocabulárto tecnico, entre outros), levam-se em conta~ sobretudo~ ··critérios
ção" (1978), igualmente publicado na revista ARSS e posteriormente f~Xlemos !• tais como: postura corporaJ: maneiras~ ap arência fisiai, dicção.
incorporado ao segundo capítulo do livro La Disttnction. oraque. estUo da linguagem oral e escríta, cultura geral etc.
No prilneíro trnbalho1 os autores Hmitam·se a f0<;a]izar a defasagem Desnudam o sistema de dassificação que orienta a aprectação do mestre.
exiSt~nte entrei de um lado, as transformações que afetam continuamente a ,>que se expressa através de urna ·'ta>donomia propriamente escofar"' que
estn1tura das prciis.sóes e1 de outro, a produção de produto~-" peJo sistema distingiue {e opõe.) qualidades superiores como brilho, originaHdade~ fineza,
escolar, o quaJ, ,e m razào de suas funções mais gerajs de reprodução social (e ~utifeza , elegância, desenvoltura, dlZ virtudes mferiores - ou, até mesmo 1

não apenas de r~rodução técnica) e de sua autonomia reJariva: não se ajusta "negativas·· - cmno esforço, seriedade, precisão, modéstia~ correção.
senão dê modo muito 1mperfr,dto às demandas do merçado de trabalho~ Mesmo se hoje em dia, mais de vjnte anos após a publlcação desse artigo.
possibiJitando o fenômeno da "in!Jaç~o de d]plornas··~. os sodó1ogos não nw1s. se permitem enxergar nos processos sedais de
Já no artigo de 1978~ Bourdiru estº1lde a aná~lse às estratégias empre- (;lvaliaç?lo escolar apenas a ação inexorável de um meranlsrno~ de uma
gadas pelos diferentes grupos socia1s para obter o 1naior rendimento possível ''rnáqulnà k!e0Jógica' de na nsfmmar herança cultural em capitaJ escolar, rIBo
1

de seus investimentos educativos e de seu capita[ escolar. Segundo a posjção ln 1pede que a jrn.aginação criadora e a demonstração soclofógjca dos autores
que ocupam no espaço socialr esses d]ferentes grupos travam, em tomo do cunsave. até hoje. o mérito de ter decifrado as dasslficações P..scolares como
diplo1na, uma verdadeLra luta por sua dassüicaçáo> para não se desdassilica- forrnas de classifkação socia1 e, principalmente. o vaJor hmJ.ristico dª ter
rern ou para s~ reclas.s!ficarern, dado que, com o mesma níve~ de ctiploma, 1 •smit1Ç:ldo e nom~ado o universo fino ~ ~uti] de ºle.rnentos implkitC$ e ocultos

ocupa-se postos cada V€Z menos elevados na hierarquia ocupacional. iiue povoam a apr~ciação professorai. E preciso pois render a esse texto,[}
Esse efeito de depredação relativa! oriundo da rnL1ltiplicação do con- ·ondiç.ão d<2 p jone:lro no terreno da sociologia da avaliação escolar.
tingente d~ diplomados, Jeva a Uma intensifkaçilo da. utillzação da <2sco1a: Bem rnals rocente: o artigo "Os excluídos do ]nterlor": publicado 0J'i-
por parte das cat~gorias já - anti2riormente - urlHzadoras deJa, ~a uma 1linalmente ern ARSS (1992), e reproduzido um ano ap ós. no llvro Ler.
desllus.ãc, por parte dos novos utfüzadores, no que .se refere às aspirações ~ 11 isêre du monde (1 993}~, trata da constituição de noi..ras formas de
que nutriam em relação às credendais escolares obtidas. É no seio d~stes rl~s igualdade escolar. Se. até flns da década de 50 <l grande clivagem se
!

últimos que o processo de desvaJorização faz suas maiores vitimas. pojs t~ ia entre, de um lado, os esco(atizados, e, de omro 1 os exduídos da escola.
que, em geral, são privados de outras espécles de capital i(em pQrticuJar o 1
hufíl en1 dia e!a ope1·a , de modo bem menos $.imp]es. arra\,iés de uma
capital socjaJL capazes d<a rentabilizar seu terüfiéado escola.-. 'i gregação tntema ao s1stema éducaclonal que separei os educandos

No artigo ·'As categorias do ju~zo professorar {1975). exarninando os ~iegundo o fün erário escolar, o tipo de estudos, o estabelecin1ento de
•'nsino, a sala de aula; as opções curriculares . .Exdusllo ''brCJnda' ·'contl~
1

considerandos anotados pºJos professores á margem dos trabalhos esco-
lares de 15 4 alünas de filosofia de un1 curso preparatório à Escola Normal nua\ ··tnsens1ver , ''desperceb]da '~ . A escola segue pois exdulndo nms hoje
Superior de Paris, nos anos 1960, P1erre Bourdieu e Mo11ique de SaLnt- cil _,o faz de modo bem rn.als dtss1mulado conservando em seu lnterior os
1

Martln constatarn que tanto os julgamentos mais favoráveis quanto as notas ~ ·clu1dos, postergando sua eliminaçào, e reservando a 'Zles <Js setores
12levarn-s e à medida ·e m que se ele..,. a a poslção social da a[un a. ~mborn o
1 i:; cQl res rnais desvalorizados.
primeiro eJemento esteja, ma!s fortemenre correlacionado à origem social Talvez: seja ~ € arfgo de 1992, escrito em colaboração com Patrick
d o que a nota. r·1t1111t)dgne, o t exto que melhor d~ixa ver a renova.ção do pensarnento dé
Bem mais relevante entretanto. é .sua demonsiração de que nada lluurdieu no que se re:fere ao papeJ da escola. Das prirneirai; obras dos anos
(JO ~o momento atual, a anáJise se atuali;r.a em funçào da nova conjunttuet
escapa ao julgai11ento operado Pºlo docente. na hora de avaliar o produto
do trabalho discente, Ao lado, ou para alérn, dos "crltérios intemos''de , <}](Ir e também ideológica. M as não renunda ao núcieo da teoria: a escola
t 11rn1êlnece urna das lnstitoições prl.ncipa1s de ma.nur~nção dos privtfégi.os.
1

D modo c?tnelhante, o tex1o ''As contrad1ções da herança" (1993).


<1 . Qt.,a.~e dP2 r.11os n~.!'l is :at"ch•, r~o J1,To Ha.~110 Ar.ad ~mic1.1~· {Pilrls, Y.irrui:. 198.!l ~. S.:iu:n:li ....
!'il! r11<:1str,1J ~ :<lt ido do livro A I'vfiséria do lvfundo. propõ(l novas maneiras dé abordar
m~is 1t~t~n llJ!'ltt: ;:.o ~1 11;:rr~a dil annlogiu dri i.ntlaç~::.;, "a l'f!Jill r.::c:.im .Ili ril.St? 1•mlcri~ de
ma. tri.balhf:o" Ulllit l/ez Q' .e cmt(I~ escra1~ )ftdividtrais 0 11 :-x.1leci'vt:1:s dos ;i9€fi1 í!>I, r.atn• 11 f19T
IZl<~nplo, ., .;:ri 1çdu dr; . G\IC:'5 n1~rcarlo · e prpfh;sõi?.S, i;:-0d m p~a.1.:mr:r p~rl cdQT'"-5 r1 • cr~ltri.-~1..k.
escc a11 -.s riesr..:.-rloúzados (-t. p. 21'1J.

12
o p<.!so da jnstituk;ào escolar na vida dos ind1v1duos. nota.damente o papel proceder dessa esfera, que cada vez mais pauta suas açõ~~ e serviços em
que podem ter seus veredictos nos processes dª tran.sm ls~ãn da herança inatéria de cu1tura, dª denc1a ou de literatura, pf!ia -' tiranjc1. do marketing.
fam1liar. Sº.us efeitos de mudança nas posições e dis posições dos agentes das sondagens, do audh11aI e de todos os registro~:: que se supoem
incldem poderosamente sobre a construção das identidades tndivicJuais. legltimos face ~s 12..xp~ctafü.ras do maior número. da qurinlifil:ação absoluta".
Numa perspectiva mals próxima da intimidade dos sujeitos. o élutor Uma palavra deve ser dita ~ ainda, com reJacào ao texto ··sobnz as
reflete sobre as formas de · sofnm ~nto social'' que têm a fan1ilia e a esco]a
1

artin1anhas da razão in-.pedalista"', publicado driginetlmiJnte ern ARSS


em sl.la or•9en1. Cjta como situação exemplar o caso de pats originários de {1998) e tgndo como co-autor Lo)'c V..•'acquant. Esta coleiânea já c:.:lava
nleios desfavorec]dos cujél rela.ção com a escolaridade prolongada e o con1 todos os textos raou7-idos e nos ·~ nC(Jt1trávamos à ~spera do prefádo
sucesso escolar do filho € marcada por uma. forte ambjvaJ.€mda: ao mesmo de Bourdieu quando. em carta de meado.s de junl-io c.fa l 998, n autor nofi
[erupo em que desejam que este se difarºncie defo~~ torrn~ndo-se alguém sugerill q ue fosse esse trabalho, 'de grande imporlânda paru. sodólogos
1

bem suced1do escolar e socialmente~ te1n em a inevitável distânda dos de dHenmte"S p ais'2s··, transfo~·mado no artigo lnicial - sugestão que
padrões populares - e porranto de st mesmos -que tài processo acarretada incorporamos de imediato .
para o flJho. Cumprindo um destino de ''trânsfuga··, este ú]Umo ~ por sua
vez, enfrenta un1a dilacerante contradição ern refa~ção a si mesmo: ter
sucesso culpabiliza pois sign lHca trair uas origens: reri uc ldar a ~]e Larnbém,
pois representa decepcionar expectativas paternas.
coletânea~
1
.. Medalha de ouro do CNRS 1993 úJtitno artigo desta
' .

const~tu;-s~ baslcanlentc ern um ••texto de combate'' em, qu e o autor re:ali.ia J\lfo ria A 1'tc~ No9ueJr.a
A_frün fo lvler1d s wtani
uma defesa apaixonada da sociologia. dos sociólogos. do mét je r de
Be,1o Horizonlí! - .Sdn Paub
sodólogo e das condições d~ institucionali2ação dessa tiênda, em espec]q] Agos cd 1998
na França. Bourdi. êu ~gradece ao Ministro do Enslno Superior e da
h1vestigação pe]a láurea que lhe foi c;onferida e, ao mesmo tempo em que
enfati.za que a sociologia francesa é ··unir..1erSd1mimte reconhecida como
uma das mí:!lhore.s do m undo'· cobra das autoridades ·'as vantagens
1

simbólicas e rnaterlais "' associadas a tal reconhecimento.


Defende a Ldéia segundo a qual a sociologia deva Sêr sobrettJdo
reflexjva~ que torne a si própria por objeto c.om o trabalho s12 desenvol·
1

Véndo en1 equipes integradas - resultados déSsa po~tura podem ser


encontrados em Homo Acao'emrcus (1984) e nas ações que cukninaram
na edição de A t11~sério do mundo, na revista ARSS e no seu suplemente
internacional. Liber.
Recusando-se a ··pregar aos convertidos", Bourdieu mergulha na
sociolog1a do universo ciendfko , perseguindo a "ps icologia do espír1to
dentl'ficoL' preconizada por Bachelard, desvelando o lnvisíve·I ~ o não dHo,
as cens uras ~ a lógicã dos determinantes sociais da exc1usão~ dos con1itês
dº seleção, do.s critérios de avaliação, das condições sociais do recrulamen-
to e d o tomportamento dos administradores cie ntíficos etc_ E!ê VQi dlssecar
a lógica inerente de un1 {!Spaço social específico : quer dizer. o campo
d~ntlfko 1 situando o socióbgo em Séu jnterior, ··este pequeno profeta
priviJeg1ado e 12Stipend1ado pelo Estado'1 1 nas palavras de \;Veber.
Nesfa sua fala de quase cinco anos arrá.s, Bourdiell faz a defesa do
oJ ~r.:-sr cite:., !;~"i!S ] ilJTOS S u r kr cefí.!!lis ior. (Pari:!>, u~ E.dl~!.<ins, 1CJS17;1\! Contre-Je:ux •:P~rt:;,
6 . \/tt.r.
Estado ~ ..que representa a única liberdade diarite dos constrangimentos Seuil, l 1)9IH bi!m oomo c1ls.1,111s <l,.. s"11s d~obrarnmto.s r.-o ar ligo ·' ,l\ 111Aq 1J Oln lnfrm~J". in .'-fals.1,
do 1nercado'' - 1 diredonàndo sua mtilharia conna a arual maneira de FoJI n ,fo s. Pr:ru ro. 12/ 7; 1998.

14 15
PREFÁCIO:
SOBRE AS ARTIMANHAS DA RAZÃO
IMPERIALISTA

PIERRE BÓURDtEU E LOlC VlACQUANT

Troa'ui;5o~G m.H'l:RMf. J OÃC) [;.(; Flll:'.ITA~ Tle:J};.t;.Jf:,i\


Retifsóo 1êcnrcc; Mi\PJi\ Aucc N'O<.iUrlP.A

Fa-n ce: lfourclieLI. 171-erre e Wa-=qu.a:nt. Lo'lc, -sur J~ nis~ cf~ ~


rn!iiQn lmp.~a l~1·1i ' . publlci'..do oilg h !;i]mi?.r:.1 ~ 11 1 A ç~ê.ll
d<: ra rc:c>i.::r·-1~ . ('!1 U~em.:tt~ S•ºJCio:Jh!-l;, Pari r'l. 1 2!-
12.2. 1 ~rç-u c.fo 1998. p. 109-11.S .

Q hnp etia Hsn10 cultural repousa no poder de universalizar os patiicu]a-


ri.sm os associados a uma hist6rica singular; tomando-ostradtçAo lrrec.onhed-
1
véis como ta~s • Pissim , dô me.5mo mede que, no sécttlo X[X, um cêrto nún1'éro
de questões ditas füosófkas debatidas como universais, en1 tooa a Europa e
para além dela; trnham sua origem, segundo foi muito bem demonstrado por
Fritz Ringer, nas particularidad~s (e nO$ conílitos) históricas pr6pnas do
un lVêrSO singular dos professores universitários alemãe:l, assim tarnbém, hoje
em dia, nu:ineroso~ t6pic.os oriundos diretar-nenté dº confrontos intelectuals
~ssodooo.s à partkularidade social da sodetiade e dàs univers3dades america-
nas impuser~m~se! sob formas apnrentemente des1stotic1zadas ! ao p]ane:tã
int€h'ú. Esses 1uga res~com uns no sf!ntido aristotéllco de noçõ~s OL~ de tc.si2S
1

com as quars se argui11enta.! mas sobre as qua3s não se. argun1enta ou, por

1. Pa~ ,·it3T c~".J::!.l ;:iue- mal-e 1b:m6clo - e a fasta~ a &usai;iio de "a:"Jtiamerkartismo" - ~ p!efcri•.•cl
afirrr~· r, 1.fa :><:1:.d~. qu~ 11ç1u.tt ~ m.:ij:; llnh..-=:rS&.J d:..i q 1..i:1;; ij r.:ir~..:ooEk:- o:JO 111'.iversilJ Oll, tr:.r:.is
prEX::s:!il'r'l~:nle, ,:]. un~-.;'2rSruitw;iio de um:i •,•is.50 p::.rticul.21.J do mur-.do; i:il~n disro. ~ d11mor...:~rl};ilo
<'-"ib:lÇi'td.'I i'l1l~ ~~;5. •Jti.lldn, t11~tofü; r:n :.icandJi'i1 l)ilr~ o utt·os campo.:; <> p;:!iiso;>..s •:prlndpalmar.t:::, ~
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d 'o!'t nlfi\:. -"
1:1 .
p• .B(:~1r:.J1 •;G'.~. ·• ,"""... 'i!t1:-: .mp
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•• J., -,· ~1 l- '....lo )
:- ~11r •. ~ 4 • .,, ~ ~ ·:-;J'I l•·..._.1,11,,
[. '.'1rnénquc d.01; Fra 11çais. ?aris, Ed. François Boulin, 1992:.
2. f. íl.if"!-.jcr ; T'na- ~t::!lt'lé o_( ~n!.' M::i:""!dtirl.ns. C~mbl'idfl.i!', C:mbndse r..;ni·...·ersir~· Prb$, 1961..

17
1,, Lhd'l p. 11'-"VfrJ. • ~se!!. preS!lUposlul:3 da dJscussáo que perrnanocem indis· enquanto , nos Estados Unidos, €]e rem.ete às seqüelas perenes da exclusão
<11tidu!i 1 devem urna parte de sua força. df~ convicção ao fato de que, dos negros e à crise da mito]og1a nacional ~o ··sonho americano'' , correlacio-
tn:ulando de colóqulos ttni'\. ersüários para Livros de sucesso. de revis :as
1 nada ao cresc.ilnento generalizado das desiguafdades no decorn~r das úlUrnas
tU1 ü.,arudnas para n:ak\t6rios de especialistas, dei. ba]aoços de comissões para duas décadas·-- Crise que o vocábulo ''multicu]lural" encobre, confinando--a
rapas de magazines. estão pr~s~ntes por toda parre ao mesmo tempo, d~ artificial e· exclusivamente ao microoosn10 universãt~rio e expressando·a em
Berlln1 a Tóquio e de MiJão a Méxicol e são sustentado5 e imennmiados de um registro ostens ivamente "étnico'' quando~ afinal, ela tem como pr)ndpal
tuna forma pcderosa por esses espClços pre:ten~ilmente neurros como são questão, não o rnconhedmento das cu]turdS margJnaliiadas pelos cânones
os o rgan;~rnos jn lemadonais (tais con10 a OCDE ou a Comissão Eurc.ipi2ia) acadêmicos. mas o acesso aos tnstrurnentos de (re)produçfto das d ás.ses
e os centros de estudos e a.ss~soria par~ polittcas públicas {tal como o tnédia e superior - na prirnelra flla da,s quats figura a universidade - ern
Adam Srnith Jnsrltute ~ a rondation Sai11 -Simon}j. um contexto de descornprorni~so maciço e nlu[tmfonne do Estado •
5

A neulraH2ac;ão do cootexto h1stórjco que resulta da drculação in1er- Através dess.e exemplo, vê-se de passagem que, entre os produtos
nadonaJ dos textos e do esquedm~n(o correlate das condições hlstóticas culturais djfundidos na escala planetária. os mais h1sidlosos n ão são as
de origem piocuz un1a unhle.r:;ali7.áÇão aparente que vern duplicar o teorias dª aparênda si stern.átLca (como o '·firn da história'' ou a ''g lobaliza-
rabalho d e "' teoriza<;ao ·•, Espécie de ~xiomalização fkticta b en1 feita para ção") e as visõ~s do n1undo filos6f,cas (ou que p~éienden1 ser tals i como o
produzir a ilusão d~ uma gênese pura. o Jogo das defüilçóe.s pri:àvias e das ·· pos-mod~rnisrno·' ), no final de contas, fâcel~ de serem identifiCDdas: rnns
decJ1,1çàes que visam substltu ir a contingência das necessLdade!S sociol6gjcas ~obretudo determjnados rermos isolados com aparência técnica, tais como
negadas pe)a aparênda da necessldade lógica tende a ocultar as raízes a :'He.xibi1idade'' (ou sua versão britânjca! a ·en1pregabiJ1dad<i'} quê, peJo
1

históricas de um conjur.to de questões e de. noções que, se.g undo o c~mpo fato de condensarem ou velcularern uma verdadeira fifosofía do 1ndh:Lduo
de acolhin1ento, ~erão co11sideradas iílos6f1cas; sociológicas. h istórkas o u e da organização soda], adaptam -se [J'erfeitarn~nn~ para tundonar como
pol1t~cas. Assirn 1 ptanetarlzados, mundializados , no sentido estritamente verdadeiras p alavras de ordem polHicas (no caso con.c~eto: "mencs Esta-
geogrMico, pelo desenra izarn.ento. ao mesmo tempo que d<:!sparticulariza~ do 1' ~ redução da cobertura soda] e aceitação da gen(?ra1i2açáo da prec.arie-
dos pelo efeito de falso corte que prodtJZ a concelnJaHzação, esses luga· deld e. salarial como uma fa talidade~ inclusive, um bc:m·efício}.
res-cumun:; da gnmde vulgata pJane.tárta transformados. aos poucos. pela
Poder-.se-ia anallsar tan1bém e1n todos os seus detalhes a noção
insistência midiaHca en1 senso comurrl lm]r..,· er-sal chegam a fazer esqu~cer
frntement e põli.ssêm ka de ''niundjal1znção·· q\.lê teitl como efetro1 para não
que têrn sua. origem nas real)dadcs complexas e controvertidas de urna
dizer função. subrne rgtr no ecun1enismo cultural ou no fatal[smo econc-
S.Üdedade histórica parlicular, constltuída tadtamente como mod elo e mL~ta os efeitos do imperialismo e lazer aparecer unia relação de força
medida de todas as coisas . transnacional como umc. necessidade natural. No termo de uma reviravolta
Eis o que se passuu, por exen1plo. com o debate impredso e in- sirnbólLca baseada na naturaUzação dos esquemas do pensan1ento neoHbe-
consistente em torno do ''n1ulliculturn.llsma··. termo que, na Europa, foi ra l, cuja dominação se in1põs nos últhnos \.··•nte anos! graças ao tra balho
uttllzado. sobretudo , para designar o ph..ir~lLc;mo culrnral na esfera cívica, de sapa dos think tanks conservadores e de seus aliados nos campos

4. D. Ma!i!iq~e N D •n;c:m. A1n-•rican Apariheid~i>aris, D ~!i artes 'Õ'( C'1, 1996, cri,0. de 1993); M.
3. Etilr~ os i!LTOs ( llJí( d li.o r ,strn m~nho d.!Ssa McDonatdizaçã rampante do_pens.a:ili:m;~, p;;d ~t.: t;lçai; v"·;i1~s. E01 •1 ~c Opt mris (B.zrkule~·, Llnii.•ml1).' of C~lifort'âci Pr~s. 1990:1; D.A. Bollingar
a jeremitid.a el~tislll dP. f1. , Bl<JOff1 ·nie Cfos!ng cf :fie Arner!c:an .'-fü~ l".'\a·.~ 'fork, Simon & Posil!1J 111rr Americn INt:'.'r:t Yrn k, Bi!iSlc S.01'.Jl<i; 1995): l:! J Hochschüd. ,t:'ar!ing t~p fo Ht'!
Sóusti!t. 19871. lr.!.ldo~idu itr}í.~:fü1(fifl1<'í'lt~ r.m êranc~, prJl! e:iitora Ju!.lii'1rd. w rn o lituk1 l '1i111e 1hnerican Dream: Race. C/QS$, (lnc;J th~ Sot:I o/ tnc No,rio.ri (Pritxeton. P:rlnr.0on Ur:iiv.(l;'JSlt~•
drt~C"mttíe (1987:· ·e o p :::i1 dle~o et:.ri:'li;•.F.i:;i lo do l:tilÇJrt'in~(! ~whl).nQ r..r>::ic.-m;;l!r..•ador (t! biéigr~r,, de Press. 1996): pa.ra uma anttlk-:e diJ er.m /.m.C.O dessm: qi1est&:s q1.2~. OOtl1 Ju~t~~. ·e;.Ju ~ em e"...idê11ri1)
R~gM'.1, tn~'tbr-e tio M?.nhõttr..n lns.tttutQ.. D. DiSouz:i.. IWbcra{ Eduo:.:t1H<.1 n: The Po l~~ lc.s oJ Ràc;e sua dTICQragem ~ vc.rorr"n··i11 ltl~Lóricas. D. Lacome, la C..,·isl!.: d~ ."ideri!ité an;t!-rlc:::irrre. Du
a nd-Scx on Campu.s t;N1Y... d York n 1e Ft1~1) P1<-.s. , l 9LJJ 1 rr;rduzi~c em fr?ncês wm ~ til11I<.~ ft)c>,I~ i ng pO~ C!~ m u ft!cu iruro f~5 111e tPo11rl:c., f ay;,1 I, l r:)l}7).
L'L"cfoca1 1a.11 C·::in!r!? ,' ," .'i fic r1 ·s, Pnri", G;ilhml'lrd ~C(1IW.<1 --ie M<'.ss.-1g:o:r ), 1993. Cm dos
S. S~br. ~ lmtn.Tc1t1v-o de reo:mhe::imento .::ulhJra!, C Tri1/.çr~, Mullicu1'wmJfsm: Exam!olng che
111<!11 1ore; Lrid~ios pi:l.Ta ié.entifa::ar a!!: o·::iras que ~~<'lrlicipim 1 d " ~ct 1i<J'•' P.a dr:x.:1 lnt~ ~:tuzil c:c-m
Poli~ ics r;.f Recognttiun (Pr.llcel :::n, Pr1nc..,1(1n U11L-.,.'érsic~1 Press. 1994). e O!\ tl':'-(tô!\ i:-cl~aôo é
"P
pr~ -~v ple,.ucLfinõ é a ci;:.h?r1d.:2d.~, abs::::h.-1:i.mPr..t€ mal;; lrniL rarr: .~ _qu. 1 ~o tr.;du?1~:; _í!
apH?51?tfü1tl~s par T. G!:!ld:-i.:1f~ ~ed .), Mv.'t kult u ru 1'1.~111: A Cr!.i lco.1 HeCJde,. ICatrbndge, Blt. d<wPll,,
publicadils 00 e.-...letior f:;()bt'E'.·ludo, (!!ti l-CfllpM. ~· o rom ilS ab!as e 1 nilfu::a s). Pr:ira m nil v1s.110
J<:Kli:l); ~01e os t'nlrti·...~:. it:s eslra~égiçs da. pí!f'.J)<'et1.:1c.;o d~ ciass~ t:.Mio r.os Estados Umdos. L.
n(l1A'~'.L rk: C.Ot".l} un:n dos succ::x;::::s. e fracilsso.s elos pror~rl\':S ltr'll\.'~~ stt ~, f<JS .;1.1 11L~nG~nas ai11almen·
\.\.'e.itc •IL'l11l, " Ui _gênernl:.S;:ition de J'it~s;~ url~ · .~,..l~rieil en Ami?r'..:we: restruduraüm•rS d'antrepliS<~
t1i , ··•l:Jr ·} rec:1J111e o(tm l'!Yl' d<~ ,IJ.;::t!díl l~s cor.sagrado .ti 'The l\mer~.1.t1i .o\,t.·,,d rn.~r,: Profes.slon f.n.
~• crisF C{? :rep:roductlon soc~?Je ··, !fl A c~it:s cfo fa re<:he rche en sdences sod ufe.s-, l l. l 15, dez rrr1bro
126. oo.~kmo d~ 19971. pri ncip~lt 11~11:~ B Clark, · Smrrl~ \Vn:rlds, Dlfterer..t ·~·c~lds : T.j)e Uniqu.e:i f(;!S~
&? 1'9'J(i. ll h-S-79~ o p1\:dundo mal·estar da dasse mi')õiirt am<:t1cana ê b~rn d;;s;:rit::i por K
ard Trnuules. cf .~r1t?ricrm Ac.11d1?1nic Prof€'..'isions" [J. Zl-4~ . ~- P , ,A.li h.:ie:h, -An Jr..t 2'.l"r..a1E-anill
;\ nw111Mn1 Df:rt'írtrn~ Fort ~~ries (Nova Y01k, 1:3a~ic 13(JcM, 1993;.
,i.\c...,;J~rnj1,; Crl.31~? Tb • Am, . can PYcfo.~s..".lriate i Ccmpan1ti1,.•e Perspe:tive... p . 3 1 5-~3.!:!

18 19
politko e jornalístico-:. 1 .a remodelagem das rel.aç-ões soda&s e das práticas tos, e não tradu.zjdos. do tnglé.s): iiustra~o exernpJar do etelto de falso
culturai · das sociedades avancadas em conformldade con1 o padr~o co rte e de falsa uniuer~o li'2ação que produz a pa.ssagern para a or<lern
norte:-arnerkano . apoiado na pauperi2aç~o do Estado, mercantfüzação dos do d1scurso com pretensões filos6fkas: definições fundadoras que n1arcam
bens públicos e genera]izaç~o da insegurança sodal. é aceita atua]rnenre uma ruptura aparente com os panicularlsmos históricos que permanecen1
com resignac;ão como o desfecho obrigatório das ê\•oluções nacionais no segundo plano do pensamento do pensador situado a datado do ponto
quando não é. celebrada com wn entusiasmo subservlente que faz 1embrar de v1sta histórico {por exempfo ~ como será possível não ver que, como já
estranhaJnénte a '·febre'' peJa América que, há meio seculo! o plano fo i sug~rido muitas vezes, o caráter dogmático da argumentação de Rawls
MarshaJI tinha suscitado en1 uma Europa devastada'. em favor da prioridade das liberdades de ba~é se t1xplica pelo fato de que
Um grande número de temas conexos pLlblicados rece.ntementr! ·sobr€i! ele atribui tacitamente aos parceiros na posiçãõ origh1al um 1d€ai ratante
a cena lnteJectaJaJ européia €, sin gu1arrnente, paris1ense, axravessaram que não é outra senAo o seu! o de um professor univet·sitârio arrf'2ricano,
ãssJrrJ o Atlâ ntico. seja às d~ras , seja por contra.bando. favorecendo a volta
apegado a urna visão ideal da democracia t.rn1erlcana?) 10; pressupostos
da .lnflu~ncia de qué go;:am .qs produtos da pesquts<;l americana. tajs com o
antropológ1cos antropoiogkam·e ote injusUficáveís., mas dotados d~ toda a
1
o 'polmcament€ ccrreto''1 utmzado de forma paradoxal, nos meios inte1ec- autor1dade sçcia! da teoda ~conômtca neomargm'allsta à q_ual são tmnados
tuaís fra nceses, como lnscrurn~to de reprovação e r~pressão contra
de empréstimo: pretensão à dedução rigorosa ql)~ pem1He encadear
formarmente conseqUêndas tnfaJsificáv~is ~m se expor, em rH2nhµm n10-
qua1quer '\.'e]eidade de subversão, p r1ncipalmente feminista ou homosse-
mento, à menor re·f utação ~mphica; aJternativas rituais e inisóriasf entre
xual; o u o pânico moral em tomo da ·' guªtoi:zação~· dos bairros ditos 1

21tomista.s-indir..1idualistas e 1 olístas-coletlvist:as, e tão visiveln1ente absurdas


" irnigrnntes·', ou alt1cfa o moralismo que se insirjua por toda parte através
na medida em que obr]gam a inv'2ntar ·~ ho!lstas-jndividuaJisras" para
de uma vjsão ética da politka, d() fomlha! etc. conduz1rydo a uma espécie 1
enquadrar Humboldt , ou ''atomistas-coletivistas''; e tudo 'sso expresso em
de dé$polttlzação ;.pnncip1ell.e '' das. problemas sodais e poJfücos. assim
um éXtraordinárjo }Q rgilo, iam u·ma terrível li11gua franca internacional gue
desembaraçados de; qut;l1quer referênda a toda e~pédP- de dominação ou, permite jncJuir, se.m levá-las e1n consldereção de fo tm a conscien te, i odas
enfin1, a oposição QlJ€ se tornou canônka, nos setores do campo lnte]édual as particula ridades e os particu1arismo.s assoc:ados às tradições fUos6ficas
mais próxjmos do jornalismo cultural, entre o ·:01odernis1no·· e o "p6s-rno-
e po Jl t kll s nacionais (s ~TJdo que aJguém pode escrever /fbe rt y ~mtre
dern1sm10 '' que, baseada em un1a relelrura edétlca s1ncré~ ica e. na mélioria 1
parênteses apôs a paJavra hberdade, mas aceitar sem problerna determi-
das vezes, de.sistôriclzôda e bastante jn1precisa de um Pº'tLJeoo número de nados barba.ri srnos conceltuais comu a oposição enne o ·procedural•! e o
1

autores, franceses e alemães, e..stá en1 vtas de se impor, em sua forma ··substandai"). Esse debate e. as ''teorias!· que ele opõe. e entre as quaís
. , ' ~
am~ncan~, aos propnos europeus . :seria inútil te ntar introduzir uma opção política. dev€m , sem dúvida, urna
S~ria
neces.sário atribuir um lugar à parte e conferir um de.sen.volvi- p arte de seu .sucesso entre os filósofas, prlncipaJrnente conservadores (e,
rnento mai:s impoltante ao dgbate que, atualme nte. opõe os ·' l~uera i s'' ao~ em especlal, católlcosL ao fato clé que tendem a reduzjr à poHtica à 1noral!
.;defensores da comunidade"~ (outros tantos t€rmos dircramente transcri- u imenso discurso sabiamente neurrnJ:llado e. pollticamente désreaJizado
que e~e suscita. v:eio ton1ar o Jugar da grande trad~ção al~mã da A ntropo-
i'og~a JUosófi'ca , palavra nobre e falsamente profunda de de negação
6 . P. Gt-~'fTlioci. Pre'JIJeS, l,lr:'e l'~IJl.J~ r! I) 1:vpéic11ne d ~ris, 'Par'.s ~rufliard, l '?Cj9; ,'tiJ~!.'i;,'letlC(' d1.: ,1'crr1:.:,_ic,rrr (Verneinung} que. durank~ rn ujto tempo, ser...·e de anteparo e obstácuJo -
mur. lsme.•1e Co(lg.'1!-.s pour ,'cr ,'ioorré de ,'a ::uf!ul"'!! á Par~s. Paíls, Fif;'H•:1, 1995. J.A. Sn~ltL The I.:.lec. por toda parr~ em q~Je a fi1osofia (al~rnã) podia afirmar sua do minação -
H.t'O.k~~. T11hik fo·1~~ O.'l:i !Fie Rist!. ol rne Ne!.!.1 Pn1'lc_1.· F.1iw, N:.J\.~ York The Freie py~... 1991. K 1
Out17J 1, "u5 fa·~e'.:> du Mru-chi.r". ln Ll~.r, n ]2, se1~1 1br-o de 1997, p. 5 6 .
a qua1quer anállse cienttfica do mundo soc1afl .
7. 5'.::l!-YP. a "m1•r:.di, lit.u,.;;~10" corno · projeto ·~mcr c-..a nç,", N Fl:.g.Sli!in, '' Rbêtc.rique el r~litê3 d4 ln Em um campo rr.ais pr6ximodas realidade5 po]ítkas 1 um debate corno
· n •0 11 =-iabl:ibvn "'. in A f:'ces d~ l.o ret'~ ·· 1'(;/ e cn sci«n.::es $o!lcim'es, n. : 19 , setembro ;:J.} F ' ;') ,i t>. o da ~· raça '' e da identidade dá lugar a semelhantes intrusões etnocêntr1cas.
36-47; sobre o t.:-.sd nlo ~rnbi\.'il1;;nci.;: pi:fa Ammca. no p.:rlodc após a QIL(""r"ii 1... Bull.an:;k,
"Am~~rk...'l , .l\rn ·ri...:d... Le phm M çirshall el l'im porl i's LIOll dl'l ·mein.:i91:.1111ertt',', in ltde.s de 1'a
Uma representação hist6rlca, surgida do fa.[o de que a tradi.ção american~
'es, n . :~ , 1 '}~ J . r>. l 9-41 . ~ íl . K uiHI, Soo uc~ ltrg
iy~d: t:i'tJ1~ i..:n sei ences sc•i:'!o 1 '''e
t1·~11ch; f/;.:
D 11'ern 'TJ•l af Amerirnnlza! 10.11 IB-•ri-: ~i~'. i:...· n1o.."1:1sit:,.· of Coli fomiil Pre!!i!'i , l 99:i ;
8. ::\lk SQ •r'vt~ ~é úni0::1 ;::;;,~o em qu.-= p:-:r ':.Jffl p.<-3.rct~;>;o que rna:iifosta u111 d ::is eff!lLcs ma~ lípko" dJ
0
10. H.L.A. Hrm . "R:?.wls cn Lil~,.,,..r~· tiJ •'1 its Pr.ot"it:./', Jrr N. Dar'li1 Is féd.), Re.:Jding R::iu.I.>. NQVa York.
domina.e.lo !'.il):bt:h~.:t 11m '~~º JILu: leTO da tópkas i:;.ue os Ü't<>.d~ L)t'lldos exrxirlmn e impõem BMic 8ooks, l (J7;. t>. 23S-25'J .
an;:, ''.do o Uf11\·(:'r;o, 1:1 .;:o meç:i.ir pâ:J. Em-opa, fcrnm k:J1·1P<fói> é~ ~• 11J.1rhstimo a es..s,,;:s mes11:1.C1S (~li '
l l . Di!.S:>t: pcnk: de '.~!': 1il ,::i•.rllt.!1<l~111mle sc-dal6gicc, o dJãk:~<1 '1rl lré R~·"'•ls e .tiabzrmas - . ~p ·lto
03 !';xel:em co m o as fa nn<is m:i.is <i\.'ilirlif i'l:1;J~ dn 1ec~td.
dos quais nón '• • ager<"..dc. afimlar qu e, .,......, 'I J~<io 6 1T1.1d:çilo tilo~ófka . 9 ~~l.ml · ~~u~val.i!hh~
9 . Pa:>l'I t1ma bibHogrnfia do jm c-!'\~t) ~;:.~t··, ·... er pJi; 1n sopliy & S1Jcia,1 :: rl!i,;fa>m , 3/ 1 •.•, 14, 19t\8. - .(! 11l~t1n'I •11 ~ sisnif:.rnt!vo l,d p.::;t ux~nplv J. Hab:?rmai;, "H~orir .ihali1J11 throu;&.11Lhé. P11btjc V P.
spe:óill Lc..<;u~, Uri11..'et<: ~ltsrn '-'3. w mrnur.:itiloon!61ll · conlemporç.r; cht!x:it " h) eU 1k s. \ 1é R ·a!ion· Hí!1nal k!'; 0 11 PokHt~J LíbE:-i~lisrri", ln .,'o~4rr)ul o( Ph11'osophy. l ':ii:t5, 'il , p 109-131

20
calca, d€ maneira arbitrária, a dlcotomia entre brancos e negros em unia
da rendai ~·plomas, região de origem!, etc.}! em.função da htstó1ia das relações
r12alidadº lnfinitamente mais complexa 1 pode até mesmo se impor ein
e dos contlitc:.-- entre grupos nas d)versas zonas·u. Os norre-americarios são ·OS
paises em que os prlncipios de v1são e divisão. cod]ficados ou práticos, das
únk.os a déínir "raça·• a partir somente da asc.endênci.a e, ~xdusivamente. em
diferenças étnicas são completamente diferentes e em que, como o Bn~sll ,
reJaçáo cios afro-a1nericanos: €m Chicago~ Los Angeles ou A[lan .~ a. pes ·o~
alnda ernm considerados! recentemente~ como contra-exempJos do ··modelo
2 é ''negra'' não pela cor da pele, mas relo fato de rer um cu vâ.nos parentes
amencano··l . A maior parte das pesquisas recentes sobre a desigUaJdade
ktentificados como negros, isto ét no termo da regressão, como escravos. Os
emorradal no BrasU, en1preendidas por americanos ~ latlno-ame•icanos
Estados Urndos constltL.tern a única soc.~ledade moderna a aphcar ~ ··one-dt·op
fonnados nos Es"ados UnMos, <esforçam-se em provar que~ contrariamente à
nt 11e " e o ptii"LcipJo de '· h~podescendência": segundo 0 quaJ os fllhos d~ ~.JJTla 1

imagem que os brasilekos têm de sua nação. o pa]s das "três tristes raças•!
união mista são, automatkantenre, situados no grupo lnfodor (aquj 1 o~ negros).
{indígenas, negros descendentes dos escravos, brancos otiundos da coloniza-
No Bmsil, a identidade raclaJ defin~~se pela referência a um cont fnu um de
ção e das ·vagas de im~gração européias) nào ê menos ·•racista'· do que os
"cor", isto é, pel~aplicação d'2urn principio ílex[veJ ou 1mpreclsoque, lc.-'vando
outros: além disse. sobre esse capttulo, os brasileiros "brancos·• nada têm
a invejar em relação aos primos norl.e-arn€i:r3canos_ A~nda pior, o racjsmo
em consld'2ração traços físicos. como a textura dos e.abelos, a forrna dos ltib1os
e. do nariz E? a posição de dasse (princlpalmei~te, a renda e a educação),
mascarádo â br~!]e~rn. seria, por deflnição. maís perver.;o já que dissimu-
lado :i negado. E o ·qué pretende, en1 Orpheus and Pov..ter-=-. o cientista ºngendr<ml um grande número de c.ategarias intermedíárias (tTiais de uma
crtntena foran) r~pãrtorizidas no censo de 1980) e não implicam ostracizaiçào
politico afro-amer-1cano Michael Hancharcl; ao aplicar as carng~r1as racia~s
radical nen1 estígmottzaçào sem rernédb. D~o testernunho dessa struãçao,
norte-americanas à situação brasileira, o autor erige a história particular do
por exc?mplo os [nd~ces de segrega~o .a~ibidos pelas cidades brasllelras,
!
Movimento em fovor dos 05reitos Civls corno padrão un1versal da luta dos
nitidamentP inforion!s àt>S das t iett6po1es norte·mne:r1canas, bem como a.
grupos de cor bprim•dos. Em vez de cons~derar a constltuição da ordem
ausênc1a vttiual dessas duas fomrns tip~carnente norte-americanas de viol.ência
e~norrací~I brasile~ra em sua lóg.ica próptiat essas pesquisas contenram-St:?.
raclat con~o são o hnch tmH?ntc e o n lolim urbano i ·:. Pe~o contrário, nos- Estadcs
na majoria das vezes. ern substjtutr nél sua totaJkiad ~ o mito nadonal da
'·dérnocracia radar (tal c01uo é n1endonada. p or exérnplc~, na obra de
Unkios não e.x1st~ categoria que, soc1al e legaln1ente. .seja reconhecida como
'· rnestlço·11:--.. Ai! temos a ver com urna divi~ao que se ass.12nidha 1nais à das
Gilberto Freire'\ pelo mito segundo o qual [odas as sodedi;:l,d~s são
castas definitiuamente defjnjd-0s e delJmH(ldas (corno prova, a caxa
l•radstas'', inclu,sjve aquelas no seio das quais parece que! à prlm eira vjsta,
as relações ··sociais'' são menos dJstan ~es e hostis. De utensmo analítico. o
excepcionalmente baixa de intercasatnentos: menos de 2% d~s afro-ame-
ricanas contraerrL uniões '·mistas ··~ em ç.ontrapo.siçáo à m.etade, aprox1ma-
concelro dª racismo torna~se um simples instrumento de acusQção: s~b
darnente , das mulheres de or1gem hispanizante e asiática que o fazem} que
prere.xlo d e dêncla, acaba por se consolidar a lóg;ca do processo {gàran-
Undo o sucesso de livrarm a, na falla d~ um suce;sso del estirna} 1 ~_ .se ten1a disslmular. submergindo-a pefa "globalização'' no universo dq.s
visões diferenciantes.
Em um artigo clássk.0 publkadc há rrinta anos. o antrop6logo Charles
1
Con10 explicar que sejam as.stm elevadas, tacitamente, à posição de
Wagley mostrava que a concepçao da 'raça· nas Arn~rlcas admíte várias 1 1

d€finjções, segundo o peso atrlbu1do à ascendenci.a, à aparência Hsica (que


padrão universal elll ~~ação ao qualdeve ser analisada € a\.1aliada toda sltua,ção
de dom)naçã,o étnica-"', d(tl-errn!naclas ·'teorias'· das ··relações raciais'' que são
não se limita à cor da p efe} e ao $tatus soc~ocu]t1JraJ {ptoflssão. montante
t ra n sf igt~ ra.ç:ões e once itua rizado s e, 1nc:e5;sant~tYH~nte, renovadas p Q]as

12- S~gur.dc o 12.5tud~ ditssi.::o de C Degler . .'\1e1t her Dlack N.:ir 1A'hi~e· Sfa i..~r.v a rid Racç Ri: ltt r1L?n.ç
fr1 Brozf •' Cr)d ! ri t: Un l 1r!.d. S!.a.' es, ~aclisan. Ut)iVer5il'.y' o f 'Vvisr.or..sir, Press. j 995 :rJUblL-::rido JJclM
')JrirTl~T(l '-'~ ~Ili 1Q74), 16. C' iNngl,1 9. -o,.. 1 ~ ·., Co11 eµ1 úÍ $ocW ílarn in thE? /\meri•·Js". 11; D B. H•.-1Ü 1 (1r.;J H,N Ad:im.i::
0; d s i, Con re D)í)?J rarv Cu.'~ u r~.> and .S".::lcic rfes i n 1-altr. Pi rru::: rica, Nr:r... 11 Yórl-! . Hl'lr'drar. H <illS('.
13. M. l l<mchard, 01'pJ1c tJS a 11d Po~•er; The Mormr.er. to .\•egro of Rio de .lar.eirv 0t1d Súo Pa ulo. 1965. p. 531-545,
1945-1988. Prü1c::etar.., Pnnc t t:.>11 Üi Uiv~:: l~r Pr~S. 994. t:m vo:leroso i':ntidcto :'..O \•erten:::
c'1r1:icé1 L1ricc .scbre ~ tEnl.il erxon1r íYSe na d:ira d'i! Anlhori~; \1i'lrx, Ma~rna Rut·· (Hld .\'a Wm: l 7. E.E Tell~. RaCT Cid~ • .\":1 11d Spar~P. ln H17.l7.l~i1m C iti.c;:s". ln l •Hema rfonc,' ,k1.:.;:rr.aJ o/ Urbon cr11d
A Com.r.il rlian D} 1he Urii.'6'd S ta.t s. & IJ r. Afr10::11 1'.1 '1rl Brc;d' (C:Mn~icl~w. e~. oi 1,:<ld~. Hi::gio t1a.1P.1m :arch, l 9-3 . i:ec~111bnJ dr.? : ~J95 . r. '.l9!5-t,QG. e G.A. Reid, Bla~h and í'.ih~:es 111
Llr~i'\.·~sity Pt· <: , l t..r=J..!;!i qun dP.mor..slrn ;:iue as i.lrJ..;;~ ~ad<t:s !;ã{J estrci1.arnentc Lrib.rLliri<i::: ti~ S~.:J P.;J.1!.a. 1888- 198.B. ~·fadiron, Univl2'1Si":y of 1•1.r.s:xirlSit a P~s , 1092.
.hi!:lóriil r.iclilic~ ~ icloolb:JI 'li ::to pr~1s r.oosll'.l~radr.-. sendo que cada rs.:dêu fdb~ca . Ji:: <1'.gunu1 l S. F · f.D~1:J"l, l-to'h o ls Illa.:k?" One Na l "cm '.s RuÍC'. L:nlv~r~lt~ P.:;14c, Penr~~tv;:i. IA S1.21l1! Press 1g.g1
kwrna, "' oor::cep;ão de ~ ri:!ça'' c;:Je lbe con•Jem. .1 WUl~11),~ nn_ fht~ Neu, Pe::ipJe: J.,.1lsceaeriaticn ônd Mú1 atlocs ~f) ~ h~ u~)tied Scorns. NC'i>.
1

l "1'- G, Freb 2, Mat reJi e~ e.s!'Í.:l'L'es, Pi'lru. Gailinlllrrl, 1978 Yc t:lt Nev.o York Unii.•im;i'l}-· Prcs:l l l 80.

lS- Qu.:indo ~~ri pubbcildo um Ji•.rro in'úlultic!o "O Br'abil rnds:;-a- lio€fll1J)do <J ))1!.:del:J dri obra oom u 19. ~ é!;l.lluto di:: patlr ~e 11~ll 1.•1·rs;:;I. d~ ·ªmerldíarr:J de Greer..i.1ch .. em r~ç~o ao qui"ll 1-áCJ i::.'vi111ttd<:i ..
1

lít1 11~ •a11rlf;.<:01rn<~P. in111Ji)lifi.di1.•el. " La Fr~n.ce racis1.e ". de um soció1c50 fr<lneiS n1a!i3 ~1enl o ~ ~ r)VimÇOS e ÔS
1
à\ri3S~, 0 ' itr1_:.ft;Sfl) 03., (' f:S. -ffiOO.:!IT!Í$lT11::.s'· ia 1;~nguarrl1)I e
Uíllll rJas
ex,pC' l iltii..•as do -:11mpo jornaU!itko <lo q11i:- As eornpl~Ztd\1.i; da rí':~ídaàe? 1i 1>li r.1tl1t'i u nh1ws;:!:l'! dr1'1tM?I es q;ue dorrúrmm simbrili:::-amt nte um unh.'~ r:. fd~. P. C3'lí'inv~71 ,
'e.sr. cc~ 11111 Jrnl •' !'1: 'r'l l~l lcm 11 I, 1(1_qo <l(1 rloutoradà. Paris, ~97).

22
nec~~sldades da atuaJizaçito. de esrere.ótipQs. raciais de uso com11m que, tendência do ponte dé \.•ista a1nericano 1 erucHto ·ou semi-erudito, sobre o
em si nlesmos. não passam de justificações primâr!as da dominaçâo dos nkLindo, para se in1por como ponto de vjsta universal, sobremdo, quando
brancos 5ohrQ os negrosi!º? O fato de que. no decorrer dos últimos anos, se trata de questões, tais como a da .. raça., ern que a particularidade da
a sociodicéia racial (ou raóstçi) tenha conseguido se ·'mundiall.i:ar'' , perden- situação an1er•cana ~ parciclllarmente fJagtante ~ e~tá partkuJarmenre
do ao mesmo rnrnpo suas caracter~sticas de discurso justificador para u5o long<a de ser exemplar. Poder·s&ia ainda •nvocar, evidentemente. .a papel
int~rno cu local! é, sem dúvida, uma das confjrmações mais exemplar<~s motor que desempenham as grandes fundações amerkanas de filantropia
do impéno f:: da jnfluênda simbóllcos que os Estados Unkios exercem sobre e pl2-squls~ na dlfusão da doxa. racial norte-americana no seio do campo
toda espécie de produ~o erudita e. sobretudo, semi-erudita, em pÇ1irtku ar, universitário brasileiro, tanto no ptano das repr\::~entdções, quanto das
atn1vês do poder de consagração que esse paí.s detém e dos benefido$ práticas. As$ím. a Fundacão Rockefeller financia um programa sobre ''Raça
materiais e sirnbóncos que a adesão rnah:>ou n.1enos assumida ou vet·gonhosa e etniddade!· na Unlverslclade Feder.aJ do Rio de Janeiro, bem como o
ao modelo norte-am12ríc-ano pt"Opordona aos pesquIBadores dos paJ5es domi- Centro de Es udos Afro-asiáticos {e sua r'2vlsta Estudos Afro-astátkos) da
nados. Com efeito, é poss]veJ dizer com Thoma5 Bemder, que os produtos LJniversidade Cândido Mende.s, de maneir1a a favorecer o intercân1b2o de
da pesquisa ammicana adquiriran1 ''uma estatura 3ntemacional e urn pod~r de pesquisadores e estudant~s. Para a obtenção de seu patrocínio. a Fundação
atração'' comparáveis aos '·do cinema. da música popular, dos programas de impõe corno condjçâo que as equipes de pesquisa obedeçam aos critérios
inforrnátira e do basquetebol ame.ricanos'' . A violênda .sin ~G6lica nunca se
21
de affrrmatiue action à maneira americana o que Jevanta problemas 1

exerce, de fato ; sem uma fonna de cumplicidade (extorquida) daqueles que a espinhosos jâ que , çomo se viu. a dicotomia branco/ nêgro é de aphcação.
sofrem e a "g)obalL?.açào:·dos temas da doxa social atnericana oll de sua no mínhno , a.rriscada na socie:dadQ brasilr2ira.
trnns.crição. mais ou m€nos SLtblimada, no dlsCUr:io sêmi-erudito não seria AlGirn do papel das fu:r'ldaçoes filantrópicas, deve-se enfim, colocar 1
passive~ sem a col abor<l~o 1 consciente ou inconsciente, direla ou .indlre- entre os fatores que contrlbuecn para a djfusâo da '' pensamento US'' nas
tainente tn'teressadaTnão só de todos os "'passadores" é importadores de ciêndas sociais a lnt0rnadonalização da ativm dad e edüorlal un lversitária. A
produtos c~J]turnjs com grUe ou ''dégriffés'' (ooíton~s, diretor.es de instituj- Integração crescente da edição dos livros acadêm icos em língua inglesa
ções c1..11turaiS, museus; óperas! galerlas de arte revistas ~ etc.) que, no pró· 1 (doravante vendidas, freqüenterncote , p~las me.srnas editoras nos Estados
ptio pa1- OL I nos paises-a.lvo , propõem e propagmn .. muHas vezP~" com toda Unidos! nos diferentes pa!sas dij antiga Con1monwealth britânica, bem como
a boa-fé, os produtos culturais amerkanos, rna5 também de todas as ins~ nos pequenos paíst?S pd iglotas da União Européla, cais como a Suécia e a
t~mcias culturais am ericanas que, sem estarem explidtaménte. coordenadas! Holanda , e n as sociedades submeclclas mais diretamente à dominação cultura]
acon1panham, orqu'2stram e, até. por vezes! organ•zam o processo de anH2r~cana) e o desaparecimento da fronteira entre atividade 0ditoria]
conversão cola1iva à nova Meca simb6lica2:.!_ universitárla e editoras comerciaJs contrjbuíram p ara encorajar a circ.ulaç.âo
Mas todos es.ses rn~canJsmos que tem como efeito favorecer urna de termos, remºs e trapos com Jot1e d:ivu lgaçào pre\. ista ou constatada 1

verdadeira •· globallzaç~o " das problemáckas arnerlcanas, dando assim que, por rkochete , devem seu poder d~ a[ração ao simples fato de sua
razão, em um aspecto. à crença amerkano-cêntrica na ·'g1obaHzação'· ampla difusão. Por exemplo, a grande edir ora sen1icomercial, semi-unlver-
entend;da, simp lesmente, como americaniz.ac;üo do 1nundo ocidenta] e? sirárta (designada peJos anglo-saxões co1no crossover press}. Basil Black~
aos poucos, de todo o tmiverso , não são suftc:i'2ntês para exphcar a \.i.:ell , rJào hesHa em i.rnpor a seus, aulores determinados títulos ~m
consonância cmn e,Sse novo si;'!nso comum p]anetárLo para" instalaç~o do
qua] e]a tem dado su~ contribuêção sob pretexto de repercuti-lo. Assim! à
calet·ânea de textos sobre as novas fo rmas de pobreza urbana! na Europa
20 ' J,,nl~:.:, Me.Ki~:': n<:m.cr..sua. i'l 1Jlllà só 'o/(?Z, \?ln 51.)t' obr:.-.·m~s ni., Scdo1'ogv o 11d H1·· ll·•tê' p~"·' i~rn 1
rr. ~ F:-.i: li.. rc of o P~"St~.C!lt.,~ •:Crl~1nri <md Chir.i'..go-. Ur.1ve:-si~y of úllno]s Pr~. , 9931 . : 101 i:::1 e na Am ética. reunidos em 1996 pelo sociólogo italiano Enzo Mingione,
la 'o que ~Srl!' lrorir.s .;:om pr •ré r\S( 1(!.S ('! i11tlf ('.'t<; 1\1rnrn.;it1~ "' 1~=.ter 'Óti~o d<i irl.:rio:ridade ::-.illu~r.J foi dado o tin11o .Urban Pouerty ond zhe Underdass, contra o parecer de
dü!i 1:.::g_YC6 l'.!1 por Clll~m, que el<Js SE f E!1,.'el1'1 rt1:il sin~ul ..mner.t Q lrli!P~ét& rn:'~ f~(':"!lz:>r P. :fopc..is
seu responsáveJ e dos diferent~s colaboradores uma vez que roda a obra
c:.:r llr;:ir a. m c:biliz.a;:ão negra J o dpós-gu.:rra .., o s rnoti;is r.:icin'l:!õ dos ~nos 60
tende ci dernonsh ar a vacuidade da noção dª undêrckJss {BackweJI chegou
21., T B~Yi•:)', " Potr..::..~. Jrm~llect, ard LheAmeri.crui L.:nr-.•en:.i.t>'· : 94S-l 995 ~, n 1 lJt:ir:.:i.;. ·,·:,s, ri 126. in.. ~rr.~ 2
d~~ 1Y97, p 1-38; rohr~ ri lmpr..rt."1.C~O rla ternitici:I d;::. gucL::: m ret ente dei:H.'lle e111 l<11t'.:"1d a <lrt.-,d."! nlç;smc a se recusar a colocar u termo entr€ a.i;pas} : .:;. Em. caso de :reticência
e de !; ;mlss. L. \.J,.illr.q•Ji\.111 , "Po11r 4'11 'lr-111 m'<$r: ~~ m:,.th.<'.. ,'h!3 'dtê:s-ghet1ao.': les óf~er©i=e:; .:•11l re
l;i Fr.:ir.: ' l lés Lli'l!:i-U11is'·, in Annci'e s d:? la recln:rchc •1rlmrn.z 52, Ctú1nbm d~ 1992. p. ~(kKI.
2 2 . l)mP.i dt>.s(j"içe_;:: roc:~mplm· dt pr-ocesso d ~ trn11:.iertrndõ dv ~Wt'~ ,'1~ •Xlt1'\n~l'ilí,'i!ic da P;m;; pari'! 23 . [. ~·1ir']~cna UrJ:iat~ P:w ert_.. :u~;J :i1c t.'•1rfor:,,'c ss, IL Roo:-i!?r Ox:fad. B.<isll B:!.:':lw,.vll, lGIJ6 N~i;.i ~
Koi.•a 'i't1rl~. cm m ri1fofo d,'!. i"llt~ d.::. ·vr:ingu<i~dri. enror.l:n:i-se no li'-'T'O dà~Ko rl ~: S~gc G11ilbr'1t1L trnrn de Jm :riu&.~ ili!: i9:Jl~o: n::: rn::::mc:n1o em q tJe e:.1 1! artif,10 L'<t~ f)t\Tfi o r.tr'1IO. u mE:"SJmi. e::lilbra
How ,t>•hn.L Y::: r•; SLo,'rz tiie: !dl.lv of M·'.'.l'~ • r',t) A r1" Abs!rarc Jm.iJ:r~.;s10.r1~sm, Freed~m. arid l.ht• 'tnl r · ·ndt'u um c:::mooie b:rie60 r.om ü!i llf -n0log.."'; Rcr:1'11d v&n KempE::'11 e P~er M~rcu!IP, a fim
t:~ IJ lVa r. Cb11::a 9=1 The UmvETSit;: af Chic::.3:;. Pr~i:. l 983. d1:1q11e 1!'.Sl{5modi:iquEffl çi líh1le d s 11.1 oi.# .;:cl li·.·.:., Thc Pcrnittom:d City'. p-ara C"iJl'>ba ,'l:!!l?l9 C1r1 ~

2.
detnasiado grande por parte dos autores, Basi' Blc:lckwell estâ em condiçõe~ f~/l.ç concept n~rté-arnericano de .. raça'' sob o efe1to da exportaçao mun-
de pr~tender que. um titulo arraente é o únk.o meio de evitar um p reço de. dial das <Altegonas eruditas arn encanas.•
v~nda elevado qU€, de ql-lãktu~r modo, ]iquidaria o l~vro e1n questão. É assim
. Pod.er-se-ia fazer a mesma demonstraç~o a propósito da difusão
que. certas dºcisões de pura comercializa~o ooitrnia1 orieniarn a pesqu3sa ~o
mt~mactonal do verdadeiro-falso conceito de vndcrclass que. por um
E?nslnô unlversitárlos no setitkio da ho mogeneização e da submi~são às
~fmto de ~ 1fodoxfo t~anscontinental, foi importado pelos sociófogos do
modas oriundas da América, quando não acabam por criar, claramence,
l.·elho contmente desejosos de conseguirem uma segunda ju ventude inte
determinadas ,;disdplinas· tais c:omo os cultura ,' st1Adies. can1po hibrldo!
1

lectual surfand~ na onda da po pularjdade dos conceitos made rn USA 26 •


,

nascido nos anos 70 na lng1Qterra q ue d e,,ie sua difL~são ~nternaclonal a


Para avançar_rap1do, os pesquisadores europeus ouv~m falar de '' c iasse~·
uma politica de propnganda edítoriã.l bem~suce.<llda. Deste modo. o fato
e a~editarn fazer referênda a .uma nova [JOsiçáo na estn.itura do espaço
de que essa ··dtsdplh1a'' esteja ausente dos campos un1t.• er~ltário e intelec-
s oc1al urbano ,quando seus colegas americanos ouvem falar de '·underr' e
tual franceses não jmpediu RoutJedge de publLcar un1 comperidil)rn inUru~
pa~sam cambada de pobres perigosos '2 imoraís, tudo isso sob umã ó plica
lado Fren d~ Cu!tural Studies 1 segundo o nlodelo dos British Cu ttu ra i
dehberadam.ente ~··~toriana e tacistóicJe. No entanto , Paul P~tenmn, profes~
Studíes (existe ta1nb~m um tomo de German Cui't um J Stud2es). E p ode-se
sor de clªnc1a pohtJca en1 Ha~·vard e diretor do ''Comitê de pesquisas sour~
predil-er que! e m i,,drludé do ptindpío de p artenogênese étnico-editorial crn
voga atualmente, ver-se~á ~rn breve aparncer u.ma rnanua.l de French Arob
?, un~erclass urbana " do So·c:ial Sdence Hesearch Counc~ (também
tmanc1ad0 pelas Fundações Rockefell.er e Ford), não detxa sl.Jbsjsttr qual·
Cultural S1udíes qu~ venha a constln.fü o par simé1ríoo de seu primo do
quer eqt1LVoco quando1 com o seu avaJ~ resume os ensinamentos extra!dos
1

alén1-Mancha, B tack British Cultura} Studies, pub]k.ado em 1997.


de _um grande coJóquio sobre a underclass realizado 1 em 1990. em
Ivfa todos esses fatores reunídos não podem justificar compl.~tainente ~h1ca~o, ~est·QS .t:rrnos que não têm necessldade de qualquer comentátio:
a h egemorda que a produção exe rce sobre o mercado mundial É a razão . O s.ufixo cfoss e o componente menos intér~ssante da paJavra. Embora
pela qua.I é nec:es.sár1o levar em consideração o pape] d12. alguns dos unphque unut relação entre doi:; grupos sodais, os tennos dessa tê.lação
responsáveis pelas esrratégias de import-export conceitua~ mistificadores pe-:nane~e1n •tndet~~minaclos enquanto não for acrescentada a palavra
tnis ificado~ que podem veicular, sem seu .c onhecimento. a part~ oculta - rna1s tamdiar under . Esta sugere algo de ba ixo, vil, p assivo, resignado ei
e, muitas vezes! n1aldlta ~ dos produtos culturals que fa2em circu]ar. Com ao r:n~sm~ tem~o, algo d~ vergonhoso, perigoso, disruptivo. sombrio,
~foito, o que pensar desses pesqul.sadores amer!canos que vão ao Brasíl ~lal~ftco, mdustvº, demornaco. E1 além desses atributos pe~s.oajs ela
encorajair os lídi2r~s d.o ..~ovimen to ..'\regro a adolar as 1átic.as do mo\dmec1to irnphca a ld~ta de b-Ubmi$Rão ~ subordlnação e mlsêria'' 2?. ~
afro-ameriamo de defesa dos d ireitos di.,1ls e dem.mdar a categoria pardo Etn cada campo in!~~ectuaJ nacional~ existem "passadores·· (por vezes.
(termo intermediá rio entre branco e preto que desígna as p essoas de. um 5"Ói outras vezes, vanos} que n2tomatn esse mi to erud ito e refon11ulam
aparênda flsic:a rnisra) a fim dé tnobílizar todos os brasileiros de ascendência rn:?sses tern:os alienados a qu~scáo das relações entre pobrezaf imig ração
africana a partir de urna oposição dicotômica entre ''afro-brasile1ros .. e e s~gregaçao em seus países. Ass]n1. já não é poss1vel contar o número de
•·brancos~· no preciso inomento em que, nos Estados Untdos 1 os indiv~duos artigos e obras que têm corno objetivo provar - ou negar , o que acaba
de or~gem m 3sta $C2 mobi lizam a fim de que o Esta;d."o ame~·ica:no (a começar sendo a n1esn121colsa - com uma bela aplkaçâo positivista a 1·ex1srênda''
pelos ~nstitutos de Recense~mQn[o) reconh eça! ofíc lalrnente , os ame~·i~a­
1

d esse "grupo" em tal sociedade. cidade ou bairro, a pardr de indicadores


nos Õ•rnesUços~' . deíxm1:io d~ os class ificar à forca sob a eclqu~ta exdus~va ernpírjcos na rnatoria das vez.es ma] construídos e mal correlacionados entre
de ··negro''?~'1 Semelbanles constatações nos ~utoriiam a pensar que i3 o ]
sJ.2'.'! . ra1co ocar a questão de saber se existe l~ma unde rduss (t12ffilc que
descoberta tão recente quanto r~pentina da 1·globa1ização da n.~ ça=·Z~
resulta, não de un1a bn1sca crmvergência dos m odos de dominação
etnon-ada.I nos diteren es paises, mas antes da quase unàver~.alJzação do 2 6 . Co~m Linh,i!. .slrio. ab$Ct'ô, :1C-D. "~ al9un:; .anos, [)OY John w~..;;tm·~aad ·~ ~,;\ alo~JJ(&o dio!ll 1Le dt:1
1

1
Bl'ltli;h St:tol~t.:il Association f' About ~'~ E3 ~'Ond 1 l 1~ U1L~cll"!SS: Si::; me N::::(C!~ on the ~nih.ienc.e
:'. ~~;~~ l.'.:1ma:le ~n Brlti5b ~ociolcm.· rO<J,.,y"), b 1 Soc1oh;gy. 26 4. julh:::~.::rr.bro de 1992,

24. J ~1. Spc~ru:er, The ,...,rew Co,'ura-d F1?~ 11le. The Mh::cd Roc.1~ ,\.fo :.te.n1cr.11 iri Arrtç .oo. Noo.•,;], York 2..7 • C. Je.nd.-.s e P. Pit..e1SCll1 ~!!d3.), TI-ie l)l'oor• Un!lcrt.'c:ss, 'v'v'ushir..,,ton. B~l.w...-_, (V'f1~ .
· ~~ lrtitituric ~ 1:,-, ., ,
;\"€'.1.· York Cnl·.. ersitv, J997, i?. K DôCO.~i'I, R~.o-.io.k1 ng ··RocE.'"; S ndaJ So;esat~ d lmpJ~r-~tlor.-~
"a- 1-1· ~')

28. Eis trés e.~emplm, :ntr~ n~·.i~os; T. R0d~mt. ",4.n Eme.rging Ethni Urden:li'lss ln 1h12 Nelh(!r.Lmd~·?
o/ the Mu.1 ~1 r.:;::fo f .'.fo1.-eme11 t ln l'i me r~c~, T P!"2 de da.1lc;-..~.do, Uni'ver;:;idade da Cr.'.iifr>tt ia,
S~P.. E:.1npt: li.;l:!I V.·ld~~c , in New Com.rrum11 y. 19-1. outul::ro d~ Jf'/9·2, ri 129-141 ~ J.
B\\l'kdP.Y, 199S. Di'!n~:;Chdl. Ctrn:milr.:itton d Pave.111; i n lh~ Lands.cap "S ot · &n111rl)'.\.•11 ' H<1rrtbtrr<' : Th e Crea~5on
25. H . V..ilnanl. - Radal Fomn.:1IÍ<Jrt and Hegemo ny: Glc;lil)] ard Local Dev.ax,pnt'l:!!"its .. ln.~. Ran.:in:.i d a N"""°:.t.:rb1m C'm:l~d .. ss?" , in Urba.ri S cud.1t.rn. 31-77. ~gos.to dE:: 1994, p. 1133- 147; e C.'F.
<:.ncl S. 'o,.V~lwC>lld (ecls ~. Rocisrn !de:):IC ., Ech.r1iclt~. 0:-:iord, Basil BLadw;iõU, 199'1 , e 1blderr., Wh.P.l~. ~farginal~a110n Dl'r)fl\'rrt.:m , c111d Futu..1'lsm ir'l lhe Heprubli.r; oi lre.lilnd: C!as-s. an,;i l:'nd.,;r-
Radar Ccndt: iuJ ,s. Mlnneapobs. t~nio,.•t.'f .. if\.' ot M~nnesota Pr~s. l 9'.15. iel.:-rs!ii 1 f'f'ill•Yb'i.l."S" ln Eurôpcan Sacio lo,gf::'ll 11 Reu1e w, 12· l . maio d 1t)'lfi , p :~J-S l

26 27
al91.1 ns sod6lôgos fran ce2scs não h es>taram em traduzir por "sub das se". na já éncontrado a propósito de ourros falsos conc~ttos da:vulgata mundta1ir,ada~
expectativa, sem dúvida, de ~ntroduzir o concei[o d€ sub·homens} em essa noçào de u nde rc!ass que nos chega da América surgiu na Europa, bem
Londres, Lyon, Le1den Oll Lisboa é pressupor. no n1ínjmo, por urn lado, corno a de gueto que eJa t€lll por função ocult~r em razão da sev<mi censura
que o termo é dom.do de uma certa consµ;t€nda -anaUtjca e, por outro, que polLtica quº, nos Estados Un1dos. pesa sobre a pesquisa a respeito da desi-
tal ''grupo" existe reafnJ(mt~ nos Estados Unidos~~. Ora a noção sernijor- guaJdad€ utbana e radal. Com efeito~ tal noção tinha .sido forjada, nos anos
natístíca e semi-en-tdtta de underclass é desprovida não só de coarênda 60, a partir da palavra sueca onderk!assr pelo .u..onomista Gunnar Myrdat
semântica, 1nas rambém de existênC1~ soc~aL As populações heter6cHtas Mas sua intenção era, nesse caso, descrever o procºs.sa de rnarginaHzação
que os pesqulsadores americanos colocam 1 habitualmente, sob esse termo
dos segmentos inferíores da dasse operária dos pafaes ricos para criticar a
- beneHdárlos da asstsrnnda social, des(2mpregados: crônlcos mães soltei- !
ideologia do aburguesam.er1to generalizado das sode.dade.s C?.1pjta]istas:t;1. Vê-se
ras, familias monoparentajs, rejei.tados do sist~ma escolar, ct'im]nosos e corno o des\.1o pela América pode transformar 1..lrna idéia: de urn conçeito
membros de gangues, drogados e sem teto , quando. não são todos os
estrutura~ que visava colocar em questão a representação dom1nante surgiu
habitantes do gueto sem distinção - devem sua indusão nessa categor~á
uma categoria behavior)sta recortada sob nledida para reforçá-l.a imputan·
·; fou rte-tcut" ao fato de que são percebidas como ou Lros tantos des1nenti- 1

do aos comportamentos ''anti-sodais dos nlais des1nunldos a responsabt~


1
'
dos vivos do "sonho ar=nerlcano" de sucesso indiv1dual. O -'çonCéito··
]idade por .sua despossessào.
aparentado de '&exclusão'' é comurnente empregado, na França e em oerto
número de outros. países europeus (prindpalmente, sob a lnflu~n cia da Esses ma[· entend1dos devem-s.e 1 em parte, ac foto de que os 11 passa·
1
Comissão Européia), na frontelra dos campos políHco1 jomalistlco e dores ' transat]ãnticos dos diversos campos intelectuais imparladcJres, que
científico, com funções simtlares de deslstorici2ação e despolitizet1.c;ào. [sso produz-em, reproduzen1 e fazem circular ro<ios ·esses (falsos) problemas!
dá urna ídéia da inat':)idade da opernção que çonsist~ en1 retraduzir urna retirando de passagem sua pequena parté de benefíclo material ou s lmbó-
noção jnex~s:tente por uma outra tnals do que incerta.Y.I r lico 1 está.o expostos, P:e!o faro de sua posiçao e. de sells habltus eruditos e
C.-Om efeito. a u n de rc la ss não passa de um grupo fictlc;o, prodl)zido póH~kos, a uma dupJa heteronornta. Por um lado, oJharn em dJreção da
no papel pe~as .práticas de classifkação dos en1ditos, ;orna,isras e oucros Amérira, suposro núdeo· da (p6s-)"modernidadê1' wdaJ e científica. n1as
espeda1istas em gestão dos pobres (negros urbanos.) qtJe comungam da ef~..s próprios são d~panden1es dos pesquisadores americano·s que expor-
crença em sua ex~stência porque tal grupo é constituído para voltar a d~r tam para o exterior dete1·mLnados pradutns intelectuais (muitas vezes , nem
a algumas pessoas uma 1~_9.itimidade ciendfjca ei a outras. um rema tão frescos} ,1~ guê. ern g era]. não têm conh~cirnent-0 direto e especifico
3] 1
pollticam~nt.e compensador . napto e mepto no caso amencano. o
1 - <las h-1stituições e da cultura a.rneiicanas. Por outro tado, indinam-512 para
conceito de importaçãq n ão traz nada ao conhecin1ento das sociedades o j ornalismo ~ para as seduções que elê propõe e os sucessos imediatos q•Je
~r'Opkias . Corr• efeito, os instrurnentos e as modalidades do governo da
ele propordõnc ~ e, ·ao n1esmo terrtpo para os temas que afloram na
1

miséria estão longe de ser idêntkos dos dois ]ados do At]~nttco1 sem falar interseção dos campos midjático e polítlco, portanto, no ponto de rendi-
2 m~nto m áximo sobre e mercado ©{terior (como serla mostrado por um
das divisões étnicas e de seu estatuto pol[cico:t • Segue-se que! nos Estados
Unidos, ~ d efiniçào e o tratame.n~o reservados às ;·populações c:om recenseamenro das r~senhas complacerü~5 que setJs rrabalhos recebem
problemas" dHerem dos que são adotados pe]os diversos países do velho nas revistas err1 voga}. DQ.i, sua predileç.ão po'.r problemáticas soft, nem
tnurido_ E, sem dúvida 1 o mais extraordinár]o é que. segundo um parado>'.o verdade1ra1nente jornalist1cas {estão guarnecidas cmn conce[ros)r nern
completamen te eruditas (orguJham-se por €starem em simbiose com ''o
ponto d~ v'tsta dos atores") que. não passam da retràdu~ão semi-erudita dos
~.11ta r~-F..culdMe para ilrgilir urr1<1 ei,id~·:d<1, cu s.(!] , 0 ia Lo de qi 1e o C(.:CK.ato d-2:
29. T;.7.1 i; li:;. &a"it1do probJemas sodais du mom en1o em Lnn idi01na 1mporlado dos Estados
underclas.s não se b~hc:s às lxla.:11-.;. tr.'ltlr.1~as, (\oi:)l'fon Ai..\'?r..el oceil.-r e r~orç:s f'i .::H.~o. f"1l c:-011(:.:.Cid.çi Unidos {etnicidade.1 id~nr1dade, m inorias, comunidade, fragmentação, etc.)
5"!'.)Ur.do a quill ele serfü O~Cr'>Jio l lvcl f&":Jt,; LJr:_:(ki!i (-Ui ques.fon de j" t..•txfcrc.:11\.tSS J~ dt>i.1. o:."\'t~
~ I AIJom.iqu€ ' 1 inSoc1.:i1 og1e du rrntmf1'. 39-2, dtnlde 1997, p. 211 ·237).
0 1 e que se suceden1 segundô urna ordem e titrno duados pe1a míd:a.: ju-
J Q_ N. 11 ~pbi. - L\mdi:-rcla.ss dei~ 1s l<.1. i;txiol~i·~ (lmr'>ricalnL~: .'!.'l:dusion so_drile I? p11m•reie , 1 in F.'ffüU e
ventude dos subúrbios ~ xenofob~a dà clas~e operár~a em dedinio desajus·1

/ r<Jrn;ç:lsr: ,·Je S<>cL0Jog11:\ 34-4. j uthQ'i;elemoro ti.;: J 993. p '121 -:;3~. talnento dos esb.idantes secundar1stas e unh,;ersitártos, violências vrbartas.
3 J. _ 1~. v,;,, ·'1'· i'tm, ··:..··u111:ladas:; 1
ur.biline da ris 1im::..gk1blr~ soda1 ('.t s:foml,fiqltP. antóic:i.ln ". 111 S. etc. Esses socl6]ogos-jo.rnalistas. sempre prontos a comentar os ''fotos de
P~tl!Ji'.'l= 1 (~'.ti. J_'~c.'i_.• !<;i G,n · ("éracde.~ Paris, E.diticms ln DéooU". .'é.rte, 19'16, p. 2•1,fl.....2(12 ,
so1.'ci1r_i.; 1
sociedade'' 1 ~tn urna Hnguagem. ao me.smo rnmpo, acéSsi\.1 ~] ~ "'modemi..-,
32. oo-: dií iri:mça~ ~â1) .;:õlíi'ilztJd(JSJ ~m prohm::lc5 pedestais hi~côrioos, <:orno lt:a'.'.'.l ic.=t a 1~1llro romi:-a~arla
d::is trrkiruhos de" Gic-.•arl11ij Pn; '!\Cé:l ~ i\tlrh.'ld X..ltz: G. Procac-:i. Gou i.:ê rncr fa tti isi:.l "~. Jú O,l•~~c1'<m
se 1a.'eet: Fn;n.~e. l 7/J9-1B48. P~ris. LeSruil. 1993, (.!. i\1. Karr.. h1 Lh<J $hodnl., o_( !ne Po0orhouse.
r

,~ Hi$:v r:v o{ lt! ·~f(1te 1..1 Arr.erlca, Na,•a York. Basic Books. ~ 997 1 ric~ 001çlfo.

28
1a1" 1 portanto, multas vezes! percebida como vagamente progressfata (em seio de deterrnlnado Estado-nação a partir de traços "cu]turais" ou •· étni.
referênda aos ·'arcaísmos·• do velho pensamento europeu), contribuem, cos'' 'l êm, enquanto tu fa, o desejo eo direlto cle exigir um reconhedmen1o
dº maneira partle;.1..Llarmente para.doxru. para a mrnposição de uma vjsão do dvko e polfüco. Ora! as formas sob as quais os ir:.d]v~dtJos pr.ocuran1 fazer
mundo que está longe de ser incompat~vel, apesar das aparênclas, com as r~c;onhecer sua existência e seu pmtffi1cim~nto p ero Estado variam segLmda
que produzem e veiculam os grandes th rnk ta nks lntemacíona1s, rr1ais ou os lugare. e os momentos em funçào das tradições históricas e constituem
1nenos diretamente plugados às esferas do poder econômico e politlco. sempre um motivo de lu l as na histór~a . É a~~im que uma análise compa-
rdtiva 8paren1<?met1te rigorosa. e generosa pode contribuir . sem que seus
Quanto aos que. nos Estados Unldos, estão comprometidas, mujtas
autores tenham consciênda disso, pàra. faz"~r aparecer como universal uma
vezes sem seu conhecimento, nessa imensa operação ~nternadona~ de
proble1nática féH-a por e para am~ r:ic~ nos.
import-export cuJturaJ. eles ocupam.. em sua maioria Uffta posição dorni-
nada no campo do poder americano, ~ até mesmo, muitas vezes! no campo Chegn·se: assim. a um duplo paradoxo, Na luta pelo n1onopó]io da
intelectual. Do ma.sm.o mcxJo que os produtores da g'.ranch~ indústria cu]tural p redução da visão do rnundo social universalmente reconhecida corno
arn encana con10 o jazz ou o rap, ou as modas d e vestuárto e alimentares unlversal. na qual os Estados Unidos crupa.m cituaJrnen1e uma posição én1i-
mais comuns, como o jeans. devem uma parte da sedução quase un1versal nente, lnclll~ive don1ioarne, essé pais é re.,.altnente ~..:i<c€pcional, mas seu
qu~ exerçem, sobre a juventude ao fato de que são prôdu2~clas é u~'lli2adas excepcionaflsmo nào se ~itt ia exatamente onde a sociologia e a d ênda sociêJ
por minormas domjnadas34 , assin1 tamb~m os t6p!cos da nova vulgata mun- nacionais estão de acorde em situá-~o, isto é, na fluidez de uma ordem sodal
dial tiram , sern dú\,•ida. uma boa parte de sua eficácia slmbólica do faro de que oferece oportunidade:; extraordinàrias (prlncipalmente. ,em comparação
qué, utilizados por es,pedaHstas de disciplinas pércebjdas çomo marginais com us estn.1turas .sodais rigidas do 1J~lho continente) à mobllldad.e: os estudos
é subversivas! tais como os cu lt1.J ral stud ies, os minority stud ies! os ga_v cornp;n-ativos nrn.is rigorosos estão de acordo ~rn concluir que, 1.1e..i;re aspecto.
stt.Adies ou os tuomen studze.s, eles assumem ) por exemplo, a.os olhos dos os Estados Unidos não dtfer~m fundamentalm.e nte das outras nações ~ndus­
~scritores das antigas cotônias européias; a aparência de me:nsag~ns d e ttializadas quando. aHnaf, o leque das desigualdãdes f! aí n1cidamente mais
abert'o~i • Se os Estados Unidos são rnalmQnt(!! excepcio1.ais, segundo a ve1ha
1
libertação. Com efeito, o imperlalismo cultural {àmericano ou outro} há de
se impor sempre melhor quando é servjdo por lnte]ectuais progressistas temática ~ocqu€vililana, incansavelmente retornada e perjodicamente reatu(:l-
(ou ·'de cor'', no c~so da desiglJaJdade racial). pouco suspeitos. aparentP.- )jzadn, ~antes de rudo pelo dualismo rígido das di\•isc)e.::; da ordem sodaL
rnen~é, de pron-tover os interesses hegem.õ nkos de um pais contra o qual
esgnn-tem com a arma da crltica sodal. As.sim. os diversos artjgos que
compõem o número de ver~o de 1996 da revista Dtssertt, órgão da ··velha 11/.-:,'íoc~· do "folso <lmigo" ~ú, .,..•.i: I •11Lemente, os mgl~::;i.s p:'.lrCf.J•~. t~p~ri.nlemente. fali!im ili :;~rlll'I
esquerda" dernocrát ica de Nova York1 consClgrado âs ··Minorias ern lula llr"'ti'.W. mris t~.mbém 1xm11 1<:~ 11111nziiorii'I das va:e:.. WSLLfo i!.pr~.~'di:.lc ti 8:lc'..ologia 1~m n 1,Jtno.'!is. rooders
e 3...ros mT1e!ic.,1r'JOs, 1l~ 1 t~m; 9r.n::f" cois:i. a opor. Sillt,.•: : 11tr1d ~lre:na vigilr\non ('Pif;t~>rr.jl:Jgico po
no p]aneta: direitos, esperanças~ an1eaças" !l, projetam sobre. a h un1ru1idade
3
h1irn. <i tn>:asãc 00111~?.11u'tl ft dtJro. i~lem ptilv.; d.1 1 ~l,;I Kx·i~ decli'lrad!l il h.:?.gc>tllPJ)i~ mnenrnna,
inteira, com a boa consclênda humanista caraderistlca de certa esquerda co::!"J::i. IY.'.ll' <'!<C'!.1 11~0 . no CMO drh e:cudru êlrn~oo, '1tn rrm10 d~ re\iista !:"eh q!r' (11 1d R:;r!a.' Sl!~dJes,
di:rigidt1 prn M.'lr:i:i Bu.1rner. i:? rio gn.rpo da ~~1~.&..1 • !.lo m::isrn::i e da;; mlgr-f1t;xjl.:) de: Rcl;at ,\{íks na.
acadérnka., não só o senso comum fiberal norte-americano, mas. a noção
Uni1,.1~:.i<lt1dc e.!·· Glw~ ,\•: nc- en.c~11;0, ~l.>ll}S pllr.Jdi@nas al~~11.;itli.'O-~, JJl\:c.<:upm:los '21Tt levur
de minorhy {seria necessario consetvar sempre a pa]avrn ing]esa para Jll1:.'.!! 1~n 1eu 1rc r:m car.siC.e:r<.u;âo M '"•Plx:i:ió~b.des. dil a rd;im lwi1.1r"ti ~. n5:::: se ddinem m:~>O~ 1XJr
lembrar que se (tata de urn conceito nativo importado na teoria - e ilinda c:•poS;; ;)o .is ·:o:i~e~c-e; i'lrr1.u''>:"·,1nus ~ seus dc1"1..·ado.s. brlí(!n:cc;~. I Sc.~u~-Ee que. "' lngl~t erm \..'S16
s·;lml urnh ncnte pr.edispc&a a .;:r'l"l,.~r c;;e <:m·<:ilo ~ T róli'l !l~!i:'i qi~p,] M no;6i!:s d-::i :serLi:o comum 1J'i.X.blo
aí, origina rio da Europa} que pressupõe aquilo mesmo cuja exisrênda re.aJ
36 i'lmerica:i o lJ >n.:!tram n:'i C'.t-11 lp;:l inleledual etl!'ClP""J 11s:so ~ ·vtllido tanto em mr t ~n ltuciJ~~:llll.!J, quanto
ou possível deveria ser demonstrada , a saber: categorias recortadas no •!'.!Tt["lClitlu. a~~1r:õ1111 ·.~ tl soàa[J. t na i.nglM<'fr11 qu ~ 1'1t;-iio d:l"S fcrd ;i,ç :5 r'(JllS'frvtld0'.1<15 e c'..o..o;
in:.~~llni•M~lt'l' ::enfuios e:.iá p_:rtal;);,j~~~ h6 mi'lis IEtl~Jl" f' ,.
a mal~ arulr ·l:>o ~ com[-trns<:rdon:i. º!\(,
k,swuu.11 ir 1t.: 'IE!:'..H• sfüiaçila a rlift 1$tt::J dt.:> mico eruc!:to da 1mde.rcfos.:; r. .r, ~~Kii?l d:e intc.>!'l,.\~flÇÔ~
.J!t~ .u\idiuli.::odas<le Cr..ad~, M11rr ·~· esp-t:-ci~liçt:H.b Manhr.na~ !ristl lute e GWU int cl~:".Clf(ll dl'l ci:irdl<l
34. R. Farttilsia, ··E.·.•et>ythh~ an~ Noth~11~ : TI1e ~·k:aró11!J d Fm;::·food ilnd Other l\.me:rk an C\Jlt11!:'BI libertitri<l d :::is J.~'i1(11·k :, Ur ~i;Jns. f! <le sat µar sim ·,1rk~o, tu .sej;:.. :::: ~(!tll" dn "dcr;a'X.léncia '' dcs
(°1<Jl.XfS Í li f r';'lJlC'=( , Ín Tité ( OCQW~l'i.1 .le .~e~ ;i?~..t..'. l 5-- 7, 1994. p . 5 /.,S,9 , C:::sla•,,l)l ,,çi:lo.r; 1•111 ra! "çi10 ii.s ajudas saciais. QUe, .seguro o lJl:'O:;:iCL:.Ut ele T 1)1l~· B!rur, elevem .;er
35. "L-r1\;)nnled Mlncrlt. ~ e.rn 1Jr j ri,. Gk:be: fü<3h~s, Hopes, Thre<1t '' , Dlssent, '.ILmiio dl~ 1996 . n,,J111,;. l,\.::i ~lr,r l i!·.1:;.iem.: ri fim c!e " llh·.>tri'lr" oo p o br.es da -sujé~ei" ~d t'lssii>: -n::ii:., como icl f{'Jta
) 1:r C.Lnton 111 relação aos prin 10!; da Arrnkica no v~ ão d e 1 9-~6.
36. O p::--0blema d~ fing1.1.;;, ('1.'CC~do de pl'IS!iõgem, e um dos m~s .::spinhoso.;. Te:ndo oonhEdm(!llCO
Oi'\S pr cr-...'!t,J(Õ~ ccm1i'ld~::. pt?las et1 i:kigos n:t introdução de :-iBla1,.1ras. nari'..oas, ~bofft taml:i~m 3 7. n . Ir' pnr".:cu:.ar R. fukk l)!f i3 J . GaldlhDIJlt!. 1)F' (À."JS f(Jfl f ,1l'X. : A S.tua\1 of Moti.',11Lp 111
$1~1)111 conh13;:ioos :odos os bendici;.:; sirnb6uoos fC:Jf1<;eldo.s por ~::;e V~rlts dê: rr.ode-r·Ji l.t§t, ~."!dLs~ n a.151::<:t~! t!ts, Oxford, Clilrendon ~ess i 9r~2·; F..rik 01.in V•higbt ::hL~Q~ il:O 1ni.:~111;:; n~sultarló
podem.a s no.; su~preendl!r qul' d Pl(:rl"f: 1r).f!C;.u p:rof ~ioTii!lk'!· d1:1s ciências: .sociais po'..1r..r.m !i~lil m m 1J~rl nl ~· ;-: lu$.:~;.i~ .Sl"llSJVi!:bnt:!lm~ dlfon;nle, P11 1Ci't..'S& Co.unt$! ÜJ1• l('Aro ti1Jc Stu.::fo::s iJ1 Cio~
IJnsuagcim d<=ritidk~ oC"Ot 11 lin)tOS "fois::::: o.lmi!Jos·· (€óricas biJieados. no~ mf')IC'!s d~t..ttklu 1 1'1~ko'l6- .'o~ 1 LJf:'1°i rJI. Czirnbridge·Pari.s. Cambric lg~ C'ni·...·et-.sity Pr~s·Bdltlar.6 di,i llll Mtl:SCn d es s:::i enut>s iil"'
g,ioo (rr.ioorj:~·. min~idade: pro,fess lor~ . prcf..;si\o ]lb,".ri\l, etc .) .r;crn ol:i5-~ que: es.s~ p1:1la ... ré'IS l'i •rnnm. 1997; so re a s c!l1~l vm u11tmles politicos <la <:.'ic:r..la riat1 désigU-Oldad~ oos. IZ$1,"jdo ' l11Jàc ·
mc1fclcgi::mne:nte gfüT..eas esti\o R1~1~''ll ;t:1(1~ po r 1od~ n d~l«fill~ IDl.istent.a w l:re o sistema social e '1c SCH L ' !i imc~1to dtJr.(.!Jlfe <IS úJtim~ dt a.s d~ · ' IM C fiKhe7 l>I aí , ftWql!:ti.lt(~: by Üe"s1~rt·
n o q ual forain p:rc:xi11zxla~ I! o 11oi..•o ·l~lrmà nl} q Ili esliio smdo inl roduzidas. Os mais exp~los r.ruc"',•h .1J 111, 13r:.'r' Cume ,\fytí1 . PYlr1t oJ101'l. Prn~ atem Uni•J r5J~y· rl , 19%.

30 31
Eninda mais por sua capa cidade para impor como universal o que têm de
11mis partkular, ao mesmo tempo q ue fa2ern passar por excepclônal o que
têln de mais cornum_
$~é V'2,rdade que à desistorlcização que resulta quase inevitavelmente
da rnigração das idéias através das fronte•ras nadonals é un1 dos fatore~
de. desrealização e de fa lsa universattzação (por exemplo. com os ·'fo.lsos
<ln'ligos '' t eóricos}. encáo somente unia verdadeira h istória da gênese das
lde~as sobre o mundo social, associada a uma. análise dos m ecani~mos
sociais da. circulação •ntemacional dessas ídélas. poderia condu2ir os erup
diros! tanto nesse c.ampo quanto alhun2s,, a um controle 1nais apertelçoado
dos instrumet'ltos com os q U<Ü5 argutn<2ntam sem flcar'2m inquietos. de
8
antemão, ern argumentar a propós•to dos mesm os:i .

Método científico e
hierarquia social dos objetos
38. F:m •. ma o'nra esser:.ciJL p~r: . ;i·., L:!ir pi •r.a.me.n1e nilo st a petr': da. lni:or.s.di:mte h iJ: tórko <W""· !i:ob
11m.!If;-;r1n.=t !Tli:il~ CU mer.os irre(XJt)li<'1~i~·(!( .-. reprimida, soorei,.•ivc n~ ltt'<:bl~mátic.as erudi~l!!S df.:•
um pnb , rr:.{1$ cmr.bém ::: '.Je-SO bi·.i~Q"r::.:o qu~ da ao lmp'1riahsmo ~.:ide:niiç., An:1~lcano umil parle PIERRE BOURD1EU
de sua {n"IÇlrclJ~1't1:.=i fo r.çi'l de tmpvc.'lçll<.;. Dr.mth'.,' !i.oss TE...,elil rn;n:l ru; c11'•11dr:.s sc....:iais
,,meric.a.n<'l s. (.cccm.at1in. s:.; .lologi<i . cier.ci.J po!lck:& · pslcr:Lõg!.3.) se cons.:rnLrnrn . de .si11id11 ri 1>=! rtit
:io? dois dagmas comrM111 ·ntM<'.'l ccnstit1.rtii..1Cs c.fa ::lo:.:~ n.1 lonal, a !i.<!ber e irdii..·iduoli:1n 10
m· t .:if:i.1():"1 - .;!_a idfu de 1.J:ma v;Josiçf.u diametral C!r.tre o dirnm1~1110 ~ .;i fl.1 :.:ll}jl idd .e dl · nova"
•.>nl~n sc-:··Ial ameJicõna . rc>or u111 k lr), e.. prn outrc , il esl•~grA..;,:ao e .-. rlg~ez da;; ··1,.1elli.as" Tmd~~ô: DENI.-[ BAHlli-'iR.t\ CATAM F. AíRAf\10 ME~JC:, LATANl
torm.i1<;õe.s S':Jd('ll$ ..;ur::::péJas. •:D- Ras-,, The Or1g;rtS o Arr111?r!ca.'1 Soc!m' Sclen<. ', Ca:iT1ln:lge, .Réi.•isrfo técnf.ca · M/..r<v\ AI JCE NOGUD~A
( .11:':'lbrdge l..!ni'.•erstl;..· Pr'~. Y)<Jl ). lJrnr; dogmas hmcldtk•:'11.<: ruJa."i retrndu~óes dir.e1<.iS ~
i'
er: ··< 11l;arn . <:'.rn , ~t;:;iy.'io r.io prtmeiw . 11 flÇ(lf.?-~1!111 astoE!:lsi'.1 i:!lm~Le ·d 'iJUl"~~li'l d.=i éW ri a s.naol6G,]rn
c:::m .11. 1Bflttitf •.1,.. ~:-~:-iic:.:-i. C:e Tulcoro Pan;nns de elabnrar 1..m1t1 '11DJriri l,o\jlur1tl!l'kta d.-~ r.içfü~ ~ e,
:~ais mce11~emmilc 1 t'lb rl"'~.~ur:;;~nda dil tooriti di'l8 ,d(l '1..'leôlha racional; e, em rnwcf'.i:; fl(; 'li.;QUrx:lc, fo11 ce: Bourdi"'-u, Pkrrt>. "f\.U~thcde scien~ifique l!"l l1i{Jr11rr.hl1J :<>a•
l 1i) - , e cria da rn-::id~rniu.ç.hn ·· •)IJ'<I- 1 dn'1'1J s.:m purtllbM oobre o ~'lluoo da rrmdançi'I so::ü:lldl r'l(l~ 1'lo'.ll<! ~i':S cbjels". pu'ulltado C(t~1nrilm.ente in Ade~ de fã
tre:; tlêci>:fa~ .-.pr.s a Segunda G11erril Mundi.:il Q\.e, anmlmenle. f ~ um r~.:.i r..o L i:$p.srado nos rcchc rrh~ crl scre.rir.es soda.~s. Pa~. fl. · , ,ane:lro rlE>
e5.t1x!o.s pti5·rni,.'Jútll'X"l5 1975 p 4-0

32
Q uando Parrnênides indaga a Sócrates. para embaraçá-lo. se ekl admite
a existência de · ' formas ·~
de co1sas .Jque pode~lan L par12ce.r a1é rne:sn10
insigniíicantes, como um fio d.ê cabelo ~ a lamal a sujeira, ou quaiquer outro
objeto sem irnportSncia nem. valor··. S6crat~s ç:onfossa QUe não pode
dec]d lr-se a fazer 1sso. 1-JO]s tem m€do de resvalar par.a um '·abismo de
besteiras''. ]sso~ d iz Parm ênides, é porque º'1e <2 jovem e oovo em fi[o.sofü:i
e preocupa~se ajnda com a o pinião dos homens; a fi1osofü~ vai apoderar-se
dele. urn dia e lhe fará ver a inutilidade dessas arrogânclas das quaj s a lógica
nfto participa {Parmêrúd es. 130 d.). A flfo~ofia dos prok:s~ores de filosofia
não retei.,.•e sufklenternen te a Ução de Pannên]des e. há poucas tradições
onde. sej.a m abi marcada a distinção entre os objetes nobres é! os objetos
1gn óbeis, ou en Lre as m anejras ign6 beis ~ as rnanelras nobre$ - jsto é 1

Q.ltam~nté ;' ti:i óri cas .,, ~ogo idealizadas, n eutraHzadas ! euJemizadas - de
tratá-los. J\.1as as pr6 Drias dlscípllnas denóf]c~s não ignoram os efr~itos
dessas disposi~ões hk~rárqui.cas que. afastam o~. esl11djosos dos gêneros.
ohj~bos, metoclos ou teom,~ menos prestigiosos num dado momenlo do
tempo. Assim fo1 p assivei mostrar que certas rf:lvduções cienHficas for~rn
o prodt1to da lmportação para domfnios sodalrnenle des·~·a lorb:ados das
clhpusiç6es corr~ntes no·s domínios ma~s consagrados L.
A 1-t lerarqu~a <;tos obj<::tos JegHimos, lcgifü11ávels ou ind1gnQs· '2 urna da$
mecliaçõés através das quals se irt1põ€ a censu ra esp ed fica de um cantpo
cl~tt':!rrnlnàdo ·que. no c.asq d~ um campo cu}a independência está ma l
afrrm ada. cotn relação âs dcm121ndas da dass12 don1h1.antº'. padé ser r::.la
pró pria a nlt~scara de uma censura puramente política. A clefinlç.ão
doniLn~nte das coisas. boas de se d3zer e dos temas dignos de interesse é
um dos mºcan ts:.mo~ ideológicos que fazem com que coisas tainbên1 Inulto
boas de se dizer não sejam ditas e com que lema:; não meno5 d1gnos d~
;nteresse. não interessem a ninguém, ou s6 possam Sl~r uatados de. modo
envergonhado ou vk~oso. E isso o qu e faz com que 1472 1lvros sobre
,l\léXandre, o Gr~nde r~n ham sido escritos. do5 q1Jais apena..:;; dols sedam
nect??~s.áricJ~, ca~o se acr~d i tc no autor do 14 73·:t que! a despeito de. sell
~ uror ü:ooodasta. E;s~~ Jnal sfüiado para se perguntar se um livro sobre

1• .J, BEN DAVID & R ,-.OW NS. ·Sn.:i.i: ·.ict.)~:; in Lhe Origim d ri Ne1J, Sci.:!ncl'.:!: 'f1 112 ~·as~ oí
P !ii,at:.hi; k::gy . ir• .4.n:~n.::a t: Sodo.:Jg1rn 1Redew.. 3 J:4 ~. a_gosco de J '.Jt.6 r . 4 5 . -4:(J5
1

2 . íl .L .. OX, Ali!.'(l'.IJ1~rY Lh t> (lr'L'ã~. Lcr..irl5, t~Jlen .."Jní!, J <J7:$, &:1~ d~n~tlfüfo diJ..."l iJll(! L'!..'l.;;11.
' '1liht ald~ (.l é :'ílrf.11 ll.;)J )1-l rul',i;'lo:J'1'11 - d:~ lxir.1rJ c!iJ o,.risla do lurx::ic:m~mmlo 1!!.:;11'1 p(:!rp sb..t:açi'.\'.1 do !:il!Lrni~.
1:'tlidem1.o1n1 11ra -. \J111ij \·Ul {irn .,.., 1xm.1:-titui p.or si u11 i.11 \•@rtladaim dctEStJ ccr;,tra .a. ailitil lí!X'em:i q ue,
f}<lf(i ~d L'XC:r•- L' I d tJl.'e OOr.1fiíf .~wlTI A r11,. a~iJ L.Co.,ah..1 1 - ~Jafa imt nY.i~'.,\,J - 00 111'11 t@;$p~;o::i,1llst(!i,

,' 11)
H
Alexandte é ou não necessãrio, e se a redundânc1a observada nos Jom[nios LJposiçõ'2s são re h:itivo~ ã estn..1 tu :i-·a do campo considerado, m esn10 que o
ma~s con$ag~a.dos não é o preço cio siléncio que pa'ira sobre. outros ob}etos . funcionam~nt'o de cada campo 'tenda a fazer com que eles nao possam ser
A hierarquia dos dorn[nios e dos objetos orienta os in L'es.rimentos percebido:; como tais e aparêçam a todos aqueles que interiorizarem os
inldeçtuais pe1a m edtaçào <la.estru tura das oportunidad€2 s (méd1as) de lucro sistemas d e cJasslfic:aç§o que reprod uzem .a.s estruturas objetivas do campo
cna{erial e s1mb6Hco que ela cont ribui para definir. O pesquisador partidpa como intrinseca. substanc~al e real m~nte importante$, interessantes, vulga~
~emp re da in1portânda e do valor que são comumente atribu~dos ao seu res, chiques. obscuros ou prestigiosos. Baslará ~ pa~·a baUzar esse espaço)
objeto e é pouco provável q ue e e não leve em conta, consciente ol~ in- marcar v..guns pontos com exempios tomados das dênclas sodajs, Por um
conscientem€nte. m.~ alocação de seus interesses Intelectuais! o fato de qLH~ lado, te1n~se a gré\nde stntese t~6rica , s~n1 ouh o ponlo de ap o io na
os trabaJhos {cierHJflcan)ente) JTtais 1rnporfonh:~.s sobre os objetos mai.s realidade a não ser a referência sacraHzante aos textos cat õr~icos ou, na
"insignificantes" têrn poucas cponunidades de "er, aos olhos daquéfes que melhor das hipóteses! aos objetos mais lmporrn.ntes e mais nobre-$ do
b1teriorizaram o sistenla de dassiíicação cm vigor! tanto va.!or quanto os mundo sublunar , isto é, de preferênciã ·'plan€tários e constltu1dos por 1
'

trabalhos mals insignificantes {denli!;cç.mente ) sobre os objeros mais ''im- uma tradição ant1ga. Por outro lado. ·1em-se a n1onografia p.rovinctanu.
portante~· · que. com fre.qüênda , são iguc. lmente os mais tnsigniflCZlntes, duplamente infima. pelo objê:to - rnin(~scu]o e 5ocialm~n te inferior - e pelo
islo e. os mais anódínoi. É por isso que aqueles que abordam os objetos método, vu]garn1ent·e mnphico. Oposta a uma e outra, tern-se a anális~
desvalorizados por sua '·futllidade'' ou sua '·indignidade'': como o jomalis- s fd.Jn3ológka. da fotono,..~e.la ! dos senmnários ilustrados, das histórias er1~
n10. a moda ou. as hlst6r~as en1 quaurinhos, fraqüentementi:! esperam de qu~drinhos, ou da moda, a plicaçao bastante h erética de urn méi:odo
um ôutro campo esse mesmo qt.:.e eles estudam: as gratificações que o
1 leg[timo, para atrair os pr~sflgi os do vangL1a.rd3smo"' objetos condenados
campo ciencifico lhes recusa de anten1ão. e isso não contribui para pelos guardiães da ortodoxia que estão predispos~.os pela atenção que
inchná-los a uma abc)r<lage1n c~entífic~. recebem nas frontehas do camp o iht.e]ectual e do campo ardsrico - a quem
Sºria necessário anali sar ó forma que assume a divjsão! aJmitida como fasdnam Iodas as form :;\:::; do kitsch - a apostar em estratégias de
4
naiural em dom]nios nobres ou vulgares . r.édos ou fúteis. inlere.ssantes ou reabilitação que são Ianto ena.is rentáveis quanto mais arrfacadas • Assim ,
trlviais nos c.HferQ=-tle.s campos, em diferentes n1omentos. Cert.anumte se o conflito titual entrn a grande ortodoxia do sac~rd6cio acad~mlco a ª
descobriria que o campo do~ obi~tos de pesquisas possJveis tende sempre h '2rns1a notavel dos jndepend entes inofenslvos faz parte de n1ecan.lsmos
a organ:zar-se de acordo com duas dimen sõas inJependentes, ~sto é . que contribu~n1 para man[er a hierarqui~ dos objetos e, ao mesmo tempo,
segundo o grau de legitimidade e $egundo o grau de prestígio no inrnrior a hierarquia dos gn1pos que dekl tir<lm seus lucros ninte_riais € sirnbóliço5_
dos limites da deftniçáo . A oposição entr~ o prestigioso e o cbscuro que A experiência mestra que o.s objetos que a repr€sentação dominante
pocl~ d~zcr respeito a dom1nio. dos gêneros, objetos ~ formas (maL ou trata como inferiores ou menores. atraem freqüentªm~nt 12 aque!~s qllê estão
m enos ''teórk.os'! ou ··~rnp~rlcos·· de acordo con1 a!;; taxionomias rdn àn[~s}, menos preparados para tratá~los. O reconhecin-tento da indignidade domi-
é o produ1·0 da aplicação de critério~ domlnan rns que detennina graus de na ainda aqueles q ue se aventurnm no terreno profüido, quando eles se
e.xc;~lªnc~a no h1te.rior ào univer~o da~ práticas legitirnas. A oposição entre crêern obrigados a cx•b11· uma indignação de uoyeu r pulit.ano, que deve
os o bjetos {ou os dorníniüs, etc. ) ortodoxos e os objetos com preten são à condenar p ara poder consu1nir, ou uma pr11!ocupação de reabiJítaçiio que
consagração. q ue po<lem ser consir3eradus de vanguarda ou he rêticos, ~urõe a subm issão íntima à hierarquia dils legltimidades ou. ainda, uma
conforme s~ situem ao laào dos defea-uor12s da ~1 ierarquia estabelecida ou hilbil c:ombinução de disrnncia e parUdpaç~;o, de desprezo e valorização
ao lado dos que ten tam in1por uma no·.,/a de lin1ção dos objetos legítin os~ que permite brincar con ~ fogo, à moda do arjsrocrata que S€ abastarda.. A
rn ~nHeslil o potarlzação ciue .:ie estabelece em ~ oclo ca.mpo entP insti.tu ~ções c1€nda do ob}eto tem p or co ndiç.50 absoluta . aqu~ c.:omo ~m outros casos,
ou agenrns que ocupat-r:r posi.ções opostas na e5~n~1ura da d ·stribuiçào do n ci ênda das diforente.s fonnas da reJacáo ingênua com o objeto (dentrº as
cupitaJ espedik o. Isto qu~r dizer. evidentemente. que os termos dessa$ quo.is a que o pesquisador pode manter com ele na práticu comum). rsto
é. a cl~nc.i a da po.sfr,:ào do o bjeto estudado na hierarqu;a objetiua dos graus

3. /i. li:i~l•~!-l;' .~i.mLl:ic.a Lulu :i. ••!: p i <.t\·1·.J s d:1. lir ·i..3~;~m :-:rd ina1-õ.a enLroi U$].h)S kt G. B.r'\CI tü\RD Lu
.1'1dêrit:i,11s r 11 'í;lil'.Jõ ' tlc;d. r i'.rÍ!;. t;..·Ur , 1<)51. 1~ · 2l fi:• 1:dJél l tWrar '.llTiil. n1pJL11'(1 C:..:rJ ~ ( 1 Ih:;"; C'OITil.ll.Ci

que pcG.(' ser o d~ di,.c.111ua ablL?lt~·<1n:e •:·=>bj 'las " ir1...111ilir~1~Y1 r~ · uu - i1l':.vort::.nl e'$" ~~) ,!i:)1l'1Cb 4. Do mesLT!.<: m odo quL~ ri .l-ri,'~?.i1'1·.Jiri 1~:1f. •. ;minh ~ 11iô"-li 1t l:1n u1r. rx~l.'11.;nn ~ in·it., (m i"..ii i;.o;m1pl , xJ pm~1u\3
mool.1~~Zfifli'I r d.-, GXito .;''.!'"<:r,I t') ('01) 1 ri <:ri"i!}•lm w it'tl ;d. r BOL!HDIEU. L BOLTAKSKJ E p
, ;.:-;í!~~~enle J'(!cc nhe:.:id·:Js ci.;r~):: 1n 1;mr ta =-1tes o u 1m:i!)r.:J:,;:il11Les m 11 n d"lr!<.t mc.-tn :r.1Lo do- Lern-p ) o;,, ,, •>
d· rcr.i::: fi n iÇ-.lú 1~:"l:rt ri. :":1\:-:iliciL:l que cit{.::orrt~ria il !m1?;;.:ic., num !:i!ilcm~ de \'.o, 1c<r:J\(.'tõ,, d..i pala'.'Yi)!<
.,_.lALDlf)[[.íl . ' LH:léil.!r~Bciu.::urµi:' i:-1 /;)forrr1orfon sur.'·s s.:.'t.!t~c ss:Xi°!2.le:.. 10 (41. 197_), (.;
11n :•.•· ,.. -·I Qlll? .1. -ri E:llLIJ'TdC p<u 11m ;li llliu poruo du L' raç.o ::lm c.bj 1L~ de P• q11ls.;~ L!Xphl 11.-t
L 1
ctdir.iina~ il!:!:i' i1 oa.-.ht Ji:Jh.~ r,om o · int<?iramer::.e reL LT..-;;.,, 1~ cl ;i:I~ k órica
c1 po!'> i , D 110 r.i111p t e•" Ir h•l órlo 1.. n• rx 11:..: lw · ,, ~~....

36
de legifünidade que comanda roda-S a.; foiri:nas de experl ~ncia 1ngênua. A
únk:a maneira de escapar à relação ingênua de absolucizaçáo ou de
contra-absoh..itização consiste! de fato, e1n apreender como tal , estnnura
objetiva que comanda essas disposlçõas. A ciênda não 1oma partido L1a
]uta pela manutenção ou su6versáo do siste1na de classiflcação don11nante 1

da o toma por objeto. Ela não díz que a hierarquia dominante que trata a
pintura concelrué'\' como un1a art~ e as hístótias em quadrinhos como um
modo de expressão inferior é necessária (a não .:)er sociologican1ente). E
nem di2 que a hiernrquia dom1rtante é a.rbjtrâria, como aqueles qL e se
armam do relativismo para destru~·la ou modiflcá-Ja mas que. ao final, não
faz.ern senão acrescent~r mais urn grau, o 1.Jltimo, à Qscala das práticas
c1.;Jturals constderad;;is l'2g•linu1s . Em suma, a c~ênda não cpõé um julga-
mento de valor a outro julgan1ento dE! valor. n1as consw ~a o fato dê.que
a referêncma a wna hierarquia de valores ~stà objeUvarn~nrn insctita nas
prát3ca.s e, em particula1, na luta da qual essa hierarquta e o objeto d~
disputa é que se exprime em julgan1entos d e valor antagôn1cos.
Cmnpos situados em uma posição infe~ior na hierarquia das Jeg~dn1i~
clades oferecem à po]êmica da ra_zão dentifica urna oca.s1ão pdvlleg:iada de
exercer-se, com toda liberdade, e de atingir po r procuração , con1 base na
homologia que se estabelece entre carn pos de l<2.gitlrrüdade deslguaJ. os
m~canismo.s sodai.s fettchizados que larnbén1 fundona.m sob as censuras
e as máscaras de autoridades no unh,ierso protegido da alta legitimidade.
Daí o ar de pilródía que tomam todos os atos do cuJto de celebração
quando, abandonando :;t2us objetos habil"Uais. fllósofos pré-socrátlcos ou
poesia malarmaica, volttun~se pa.ra unt ubj.eto tão n1a] sjtuado na hie rarquia
en1 vigor q uanto as histór1as em quadrinhos! traindo a verdade de todas as
acumulações ~ruditas. E o pr6prto efoito de dessacralização que a ciência
clevc produz\r para se conslitutr e reproduzir para se comunicar ~ rnals
facilmente obrído quando se vê obrigada a p€nsãr o univ~rso por demais
prestigioso e por demais fammar da p1ntura o u da Uterawra mediante uma
c:máillsé da alqu1mia simbóli ca pela qual o unive rso da a lla costura produz A Escola conserva dora ~ as d'esigualdades
a fé 110 valor insubsHcuível de seus produtos. frente à escola e à cultura

PIERRE BOURDJEU

Trad tq;cfo. APARECIDA JOl .Y GocJVrli\


Rt!ufs-Jo tE}cn icô : MARL-\ ALJCE N OGL:EIRA

.i::a 11 te: Bnurd~eu. ~t:!í'Te, "L \~ccil-e <"Ons11tv.:11r1Vl!. LA:1S irks<ibtés


dei..1(~11• I' {':e~ • '1t la culture · , publicado c.rig~nalmP.ntP. ín
R,wue Jrnn~ts~ de so.clnl-0g lí!, Pr>lMs, 7 ·:3}, l 9&6. p .
32'::.t·~4 7.

38
,
E prouavelmente por um efeito de i nércja c ult ural que contrn Lwmos
tomando o .siste1na escôlar corno um fator de rn obLíidade soc ia! 1

segundo a ídeologia da r•e.scola libertadora,., quando, ao con/ rá rfo 1

tudo tende a mos trar que e le é um dos fat o res mats ejic:azes de
conservação socza 1~ po~s fornece a aparéncia de legitir't"1idade às desi-
gualdades socia is. r3 sanciona a fl'erança cultural e o dom social tratado
com o dom natural.
Justamente porque os rnecan]s9nos de eliminação agam durante todo
o cu rsus*, e legítimo apreender o efeito desses rnecan1smos nos graus muis
elevados da carreJra escolar. Ora, \.'ê-se nas oportunkiades de acesso ao
enslno superjor o resukado de urna seleção diretu ou indireta que 1 ao longo
dà csco~aridad e~ pesa com rigor desigual sobre os sujeitos das dif~rant es
classes sodais. Un1 jow2m da camada superior tern oit~mta vezes 1na)s
chances de 12n1rõr na Universidade que o filho de l.m1 assalariado agricora
e qu~renta veze.'i mais que um filho d ~ operário, e suas cha:nc<?S são, a1nda:
3
duas vezes s·Jp eriores àquelas de um jovem de cJasse mêdia • É digno de
nota o fato de que as institu]ções de ensino mais eJevadas tenham tmnbérn
o recrutamento n1uis a1i31ocrático: nssicn. os filhos de quadros superiores
e de profi$~lona~s Uberais constituem 5 7% dos alunos ela Escofal Politécnk<.1,
54% dos da Esco!a Normal Superior (freqüentemente dtada por seu re-
1
cn1tamento ' den10crátlco'·) ~ 4 7% dos. da Escola Central e 44% dos do
l nstlt ur.o de Estudos PoHticos.
Mas não ~ suflciente enunciar o fato da d@Sigualdad e dinnt~ da esc.da: é
necessário descrever os meranismos obj eUvus q uc d~termínam a eltrrrlnaçào
co~tinua das crianças deslav-oreddas. Par{~çe. con1 efejto, que a explicação
sodológka pode esclarecer completamente as di(erenças de êxilo que se
atribuem. snajs freciüentemente, às d•ferençus d~ dons. A ação do p·tii..ilégio
cucLural só é pe.rcebida, na mn~or parte das vezes, sob suas formai; mais
grosse.irQ.S, isto é 1 como rec.omendaçõas ou rei.ações. ajuda no trabalho esco~r
OLl ensino suplementar, in(onnC1çâo sobre o sjstema de e nsino e as perspec·
tivas profissional~. Na t'&lÜdade, cada famtlin transmite a seus (ilhos, n1ais
por vias ind~retas qu e diretas, um c~xto capital cultural e um certo etho.s,

• N.l ,: Opl~1T1os pc!' rn;mfo1. J1~ lr.:rd ção. il expr1?Ss!o l.:1tl~t1 "cu::-su!i", erip1 ~~itcf1_11 pelo .i1,;.1b :- pa1,
~l~J~r"..<:.r O parcur Q ~lll'Jb t '.J 111 no~ '~ngo, fl _o;!IC <JU naquele rarno Ô~ ('~lSir.c , r.c.:s.,,c C ~t)qud •
cs~~lcom .1~)) (•f 1;l uni• • 1•rlD ahu~a .1 J 1:.r~;qo de s1,,2, c.am~lr?. ~..;;:olrir
l. c r. P. Eo:mou..u (1.1. {' IJ/;~'.';thON , /... . . u, !f1:,·•1;, P··r'.s, t-.dlticn·. r1, ,\~hi'.ii~. 19Gil, p. :1 ,,_, l.

11
slsten1c• de valores implícitos e prof11ndamenk ir1teriolizcdos. que contri~.;u,i conjuntamenrn i n1as. por outra lado, para um valor fixo de cada uma des5'ls
variáveis, a Olüra tende!, por si só, a hierarquizar os esco~·es . Asshn, ~m
3
para definir, enlrc! coisas. a.s •:3JHude.s foce ao a.iplLal cultura l e ~ ins1itu1ç5o
e~col~r. A herança cultun:1I, qi.;e difere. sob os dois aspectos. segundo é'.IS v•rtude da lm,tidão do processo de ac:u1utação, dJf erenças sutis ligadas às
das.ses 5cda1s, é a responsáv'J.!I pe.i.-\ diferença inida. cfas crianças diante da antlgmdades do acesso à cuhura continuam a separar )ndivíduos aparent12_.
e.."iCperiência m;cdar e~ conseqü~nL ernente, pelas 1axns d~ Cl"Xito. n1ente iguais qt1anto ao êxito social e mesn10 ao êxito escolar. A nobreza
cu]turaJ també1n te1n seus graus de descendências.
Alênt disso . sabcmdo-se que çi resídêncizl p~risiense ou provinciana (e!a
A TRANSMISSÃO DO CAPITAL CULTURAL própria f011emente ligada à categoria sociopro'fissiona] do pai} está Iarnbén1
assoc1ada às vuntagens e desvantagens culturais cujo efeito Se? nota em
A ]nHuência do capitaJ cultura] se delxa apreend~r sob u fe rma d() todos os se' ore.s, quer se trate de resultados escorares anter~oras, de práticas
relação, muitas vezes consrata<la, entre o nívd cult 1raJ global da fan1ilâa e e d.~ conhecimentos culturais (em m~téria de têatro, rnús!ça 1 jazz; ou
o êxito escolar dã criilnça. A parcela de "b-ons alunos'' en1 u1na an-Lostra cinem,a) ou ainda da fad1ld.ade ~•ngüistica, vê·se que a cons~deração d~ um
da qujnta s€1ie cresce em função Ja renda de suas fa1níljêls. Paul CJerc mostrou conjunto relativamente r12strito de varláveis - a saber, o n[vel cultural do5
que, com dipfoma 1gual, a reL 1da não exerce nenhuma inílu ência própria sobre ant:epassados <la prhneira ('. da segunda geração, e a resid~ncia ~ permite
o êx1to escoJnr e que, uo conlrá1io1 com rend~ igual a proporção de Lons explicar as varre;1ções ma·s importnntes do ê.xito escolar, rn~smo em um
a[w1os wuia de mZJne1ra signmcauva segundo o paí riso seja dipJomado cu seja níve] elevado do cursus.
bache1ier'4, o que p~rm)L e conclulí que '1 ação do 1neio fan1Uiar sobr.c~ o êxHo
escol.ar é qL~ase ~dusivan1e.nte cultural. Ma1s que os diplomas ob(~dos pelo Ê até n1es1no poss1vel que a combinação des~es critério~ permita
compreender as v~r~ações observadas no Interior de grupos de estudantes
pa1! miliS 1n(2scJ10 do q•Je o ti po d e es.coli=!ridade que ele seguju, é o ntvc..1
culturnl. glubal do gn1po fan1iliar que mantém a relação nmis estreita com homogêneos em relação à categoria sodoprofissional de origem~ é assinl
o éxi~o escolar da ciian~"'I.. Ainda que o êxito €".scolar pareça ligado igllêlknen~e que os jovens das camadas superiores tendern a obter regularment,e
~esullados qu~ se distribuem de maneira b11no<laJ, isso tafl[o em suas
no n1vel cu 1tura l d o pai ou da mãe. percebern ~se a~nda variaç~ éS ~ igni fi Ca·
civas no êxito da criança quando os pais são d.e nh.1d desigual .
prt11kas e s~us conhochnentos cuhurnis quanto na sua capacidade para a
con1preensão e o rt1.anejo dti Jíngua (um t2rço deles se disting,ue pelos
A anánse dos rasos em qu~ os níveis culturais dos pais são desiguais nfto desempenhos nJlidmnente supenores ao resto da categoria). U1na análise
de:!V~ fazer es:1uecer que eles se encontram fr~üentcrnl-->nl e .lgados {e.n-1. r.az5.o multlvarlada , levando en1 conta não srnnan1e o nivel cultural do paj e da
da horr)cgamia de classes), e ns var fü:1yens cuJturais que estão assodadas ao n1fie, o dos avós paternos e 1Tmten1os e a res~dcnda no rnrnnento dos
n[vel c1Jkura] c..k>.s r;xiis 51.~o ctu11ulati\.ias., corno se vê já na quintn séri~, ern que estudos supcrjores e durante a adolC2.Scencia~ lTu:"'lS também um conjunto de
os fi~os de pais füulares do baccalauréat obtl!..m un1a taxa de êxito d~ 77% caracterís~]cas do passado esco]at, como, por e-x~mplo, o rãmo do curso
contra 62% para os filho$ de u111 b.1che lier e de lUTu) pessoa sem diplomn~ secundário (dãssko~ rnodemo ou ou'ro) e o ttpo de estabeJecimento (coJég1o
éS~ di ferença :;e. n1nnifc:sta n1ai.s nitidamente ãinda nos grdl1.s rnais elevados ou [keu. institu:ção pública ou privada}, permite explicar quase inteiramen-
do curst.Js. lJ m~ a'•..:a1iaç5o pr'2cisa ti.as vanl-agens e das dºsvantag,eris transm]- te os diierentas graus de êxjto ohndos pelos d~ferentes subgrupos definidos
tid as pelo meio fan~illar deve.tin ]evar em conta não son1enta o nível cu[Lural pe~a cornbinação desses critGrios; e 1sso sein ape!a r. absolurame.nte, para
do pai ou da n1ãe, mas também o dos ~scrndentcs de wm e outro ITlffJO da a.s des1gualdade.s inatas. Conseqüentemente, urn rr.odelo que leve em.conta
tarnilla (e tambérn sem dúvida. o do conjunto dos n1embróS da fomfüa extensa}.
1
ess.as diferentes variáveis - e também as características d<~n-iográficas do
Assim; o con hechnento que os estlldf!ntes de [et1tis mm do t12<:'lrtu {medido grupo farnmar, como o tamanho d~ fanülía - pennitiria fazer Llm çálculo
pelo n ú1nero de peç~.s de tea1ro v istas) se hiernrquiza p eiieitanrnr~1e muíto preciso das esperanç.é.'Js de vlda escolar.
segundo a ca.Legoria socioprof1ssional do pai ou <lo avô seja majs eleva.dn, Da mesma fonn~ que os jovens das camadas sup~riores se distlngue:rn
ou à rnedkfa que o caregorta $odoproflsstona] do pai e <lo avô se elevan1 por difQr~nças que podem '2.Stnr 1igadas a d i.ferenças de condição sodal1
tarnben1 os filhos das classes popu[ar.es que chegam até o ensino superior
parecem perrnncer a fmní1ias que diforem deç inédia de sua aitegoria~ tanto
N.T.: No !'L'>t1Jl":'1CI 1r(u · r&>, p r.?SSr:..1 que r.rn:luln c.:;~1 !<lX c:.:;,sv. ~E:·u.:> e.s~. L:.cb::: seaJr.dfniiY.' L~ to•:"rtY.1-Sc?.
t-
por SQU n1vel cu tl.Jral g]obal corno por seu tamanho: dado que, como se
p 111d..,'.o. purnri-::::-a do "b?..::i.: Ftl;:i1.::i wnr'' ~iY-1 1 11..1 êorr::-i:.t .<1b::-evinda, - bac: .1 , 1:<.JjA rr~' lu~fin :iL1·1-ul. \:r.'.l
:i:;or'tu~u-s , seria. '·baà..cr:?iat(J.. , ~1o1s t il=~. f.:rr. !rnnccs. da~Sgr:.a, .:>.o m..-~· ''''-' 1:..:r11~0, .s exz.m cs e o viu, as chances objaJiva.s d e. chegar ao ensino superior são quartmta vezes
ci1plc..'Tl1tí conJeridc ao ibal fi0 2 cicl:..> Ô'J er.sir.c de 2' grau,
2 . Ci. p. CLE.RC. "la ~i:lm~:~ 1"!t I' ri J ;~.1tion .s::ol:"'l-lrc <:!..I nivcau de 11 sblit.""flC. Er;q.1ê~ lle juir~ 1r ó3 d;:ir.s
1':-.ç.g~~1b;:itlm ~ri!Si~1 ;;H:". in Popw1at~::i.11 1 l'',ni:::, \4:í, ,-,g,;sto/Sé".emb~o de l % 4, p. (13 7·f 1 ~4.
mais fortes para um jovem de camnda superior que para um filho de liceu mais próximo, aringínclo essa taxa 3617(, entre as fomHias dos alunos
operário ~ poder-se-ia esperar encontrar! numa população de estudantes da classe de hn1 de estudos primiujos. O liceu niio faz parte do unh1erso
investigada, a m~ma relação (40/ 1) entre o número n1éd1o de indjvíduos concreto das famUlas- popu lares, e é necessária uma série cont[nua de
com estudos super]orn.s nas familias de estudàntes fl1hos de operários e nas suc12ssos ~cepdonais e conselhos do professor ou de a lgurn membro da
farnfüas de estudantes das ~rn()das sup erlcres. Oru, numa amos1ra de. fan1i~]a para que se cogjte de enviar para Ja a criança. Ao e on trár1o, é t ado
estudantes de n1edicina. o n úm ero mc~dio de membros da íamília ext~nsa um rapttal de ir'lfortnações sobre o cursu s~ sobre a signiHcação das grand~
que fizeraJn o u fazem estudes super1ores não varia 5enáo d ~ 1 a 4 entre escoU1as da qu]nta série. da sétima ou d2.s clas~es terminais do en sino
os estudantes oriundos das classes popu la res e os es.tudnnc:es o riundos das secundário, sobrG as rarre ir(;ls futuras e sobre as orientações que normal·
camadas slJper]ores, A presença no circulo fammar de pe]o menos uni mente conduzem a e ]as, sobre o fundonamento do siste1na runivers.í ár3o,
paremte que tenha feito o u esteja fazendo e.urso superior testen1Lmha quQ sobre a slgniíicação dos resultndos as sanções e as recompensas qtH~ as
1

essas famtlias apresentam urna situação c u]tural original~ quer tenham sido crianças düs da<ises cultas investem em suas çondut3s escolares .
aferada.s por uma mobil&dade descendente ou tenham uma niitude frente A:s crianças oriundns dos rne1os mQis favorecidos. n5o devem ao .seu
à a scensão que as disUngue do conjunto das. farn1llas d e sua categoria. 1nelo somcm1e os há bitos e treinmn~nto diretamente utUizávQ.is nas tarefas
P rova lndireta. cio fato de que as oportunidades de chegar a o ensino escolares, e a vantagem mats importante não ~ aqu~la. que retiran1 dn ajuda
s€.Cl...mdário ou sup~r]or e as chances de ser bem sucedldo são função , direta que seus pais lh e.s possam dar·'. " EJa:s herdam também sabere:s (e um
fundasneotaJmente. do n[vel cultural do me1o famJljar no momento da ··~voir- íalre '') ~ gostos e LUn ''bo m gosto '' . cuja rentab ilidade escolar é tanto
entrada na quinta série (isto é, quando a ação hornogeneizante da escola rnaior quanto majs freqüentemente esse.s hnponde:ráve~s da atiti..tdé são
e do meio escolar não se ex'2rceu por n1uito te mpo) temo-la no fato de as atribu1dos ao dcrn. A cu lLura "livre·\ cond1çfto jmplidta do ê xito em certas
desigualdades de êxito e nt re crianças francesas e crianças estra ngeiras carreiras escolares, é muito desigualmente t·12.pm1ida entre os estudantes
seretn quase total~nente explicáveis pelas difet~nças na composição social universitários orlginlirios das djferentes classes socküs ~. a fortiori entre 1

dos dols g rupos de fon11lias. Cotn níve l social igual, as crianças estrangeiras os d~ Jiceus ou os de colégios pols as desjgualdades de seleção e a aci'io
tlim um níve l de êxito sensivelm ente ,e quivalente àquele das crianças fran- Lornogeneizante da esco]() m'lo lizQram s~náo reduzir ns diferenças. O
cesas : co111 efeito . se 45% dos fflhos de operá rjos franceses Côn tra 38% ptiv1Mg1o cultural 1otna-se patente quando se trata da famlliandadc cotn
d os fiJho.s de operltrios ~-'ltrangeircs entram na q uinta série, pode-se supor obras de arre, il qual só pode advir da freqüência n~gu lar ao teatro. ao
oue urna boa parte dessa diferença (relativamente rninima} é 1111putável ao museu ou a concertos (freqilênda que não é organizélda pda escola, ou o
f~to d e que ô ·S operár]os est rangeiros têrn urna tÉ)xa de qualificação menor é somente de manºira esporádica). Em todos os domínios da cuJtura, teatro.
do que os operários franceses~ . musica, pintura, jazz, cinem<.l, os conhecimentos dos estudant€s são tã o
Mas o nh..-el de ]nstruç5o dos m ernbros da famllld restrita ou extensa mais ricas e extensos quanto ma]s elevada é sua origen1 soclnL tvlas é
ou ainda a resid~nda são apenas
~ndkadores que pe nnite n1 situar o nível particuJarmente notável que a d ~ferença e ntre o~ astuciantes oriundos d e
c:.ultural de. cada família, sem nada mfom1l)r sobre o conteúdo da herança me1os diferentes SÉZ}a tanto n1ais n1En-cada quanto mals se afasta dos
que as familias majs culla.s transrnitem a seus filhos, nem sobre as vias de domínios dimt~inentl! con1ro!ado5 pela escola~ por e.xemp)o, qt1a ndo se
trcmsmissão. As pesqu1sus sobre os estudantes das facu]dades de letras pllssa do teatro clássico p(]ra o tentro Je vanguarda ou para o teatt(J de
tendem a n1ostrar que a parle do capita~ cultural que é a rnais djretament e bouleuard, ou a ind~ , para a pint ura que não é d iretamente objeto de
ren[ável na vida es<::ola r é con$htuida pelas informações sobré o mundo e nsino 1 o u para a m úsica clássica, o jazz ou o cinema.
universitário e sobre o cu rsus, pela facilidade verbal e pela cultura livre S~ os exercícios d e
co111preensão e <le m anejo d a üngua escolar não
adquirida nas experi~rtci~s extra-escolares. deixan1 aparecer a relação diretc:i. entra os t'esultados e a origen1 social,
As desigualdades d e. lnformaçtlo são por demais evidentes e conheci· que se obse.rvu c:ornurnc:.nte cm Ol~tros cloin]nios, c)u se acon tece, a'"é
das para q\.rn haja necess]dade de recordá-las n1ais tongarnante. Conforme me.sino, qJe ~ re1ução parece inverter-se. ]s.so não deve Jevar à conclu.são
Paul C!erc, 1 5·:.~. das fornfüas de a!unos dos C.E.G. (col~ios de ensino geral ue que, nesse dom~nio, a desvamagem seja m enos iI11portante que ern
cujo recruta. ne.nto é ma is popular que o dos liceus) ignoram o nóme do
5. P CU~RC r1fl'l(!r..\1 t.P a \.~;]i'f:.n ·iu ·&Xc<rcida p ela> p;:'J fs seba ..., tt"(llx:i 1ho d?.s criJ;1ç<::.s é ti'lnl o mil'.!!i
fi 't'f~1c11te t iootllo 1 ~is elci.·iXh.l ê s;Jo PÇiS~~o n.:-1 hfora:rqHi.~ w ·.-.1. :sr::m Cllle: exis1a. L:.."Ti a liga.; tio
4 . P. CLERC. '"-:\' ~.r., .:..r.s doortl?c:s s·Jr ~·m·i d ation H.:ol;:ii: · ~IJ 11~0!'!",Q::;-.t d~ l'crnêe c.m sixiêrr:e (li). Les Ll~r ,, J r.Lre n fr · {!ri.da dl'! L.,:'11.v .,.wlc ri:::~ i=·~'.t. • o 51d'1 ci e êxili:.i e.scolar •:d . "la faml:l • el
éiei.:e> de r~lioniJW: t:lr<1~·· e• ~". b F"r.JJmia! 1o n P<1~is , ou:Li:::iro/d~IJ..-...> (lu 19-6'1, p. 87l , l°C'Ticnt~tl• >ll scoli'.\lfu r.11 n i'J•'Ol l d• l.1 l~l ' it .B... , .'nc. nt. , p. 631"'.·36).
outros. É necessárlo ter e1n rnente que os ~s _udant~s cl~ létrHs são o produto d asses sodaís ent·íam à quinta sé1ie. partes tão deslguais d 1a suas crkmças.
de uma série contínua de ;elêÇÕi;!S sêgundo o pr6pr1o crltérlo de apt1dão invocam-~e, freqüentementer explicações tão vagas como ··a vontade dos

para o manejo da i;ngua, e· que a superwse~eção dos estud~ntes oriundos pais··. i\1as, de fato, pcd~-se a~ncla faJar d12 ·· vontacl e11 , a não ser riu m $en1 ido
dos mêiOS rnenos favorecido~ vem compensar a desvantagem in1dal que m~l:êlf6rlco. quando a jnvesligação rno5lr-Q ql.le ''de rnaneira gera.l, ~xis.te
devem ã atmosfera cultural de seu m eio. Corn efeito , o ê.xlto nos esh.1do.s concordZ.nc1a plena. en tre (.) vontade d()s frim1 liELs e ns or1~nu1ções tomadas"~
titeritrios éstá multo estreitamente ligado à apUdão par.e o m_aneJo da língua cu. 1nelhor d izendo. na malür pmte dos casos, ns f~rnHias têrn asp1rações
escolar! que só é. Un1a llngua mate.ma para as crianças oriundas das classes estritmnente Jimitadci..s p-elas oporlunidades objetivas?J El11 reaUdade. tudo se
cuJtas. De todos os obstáculo.s culturais, aq ue]es que se reladonam com a passa corno se as atltucle...;; dos. pai$ em lace da ~dl1cação das crianças, atitudes
língua falada n o m eio fam iliar .são1 sem dúv~da os mais graves e o.s ma is
1
que se manifestarn na decisão de enviêlr seus nlhos a um ~stabeledrnento d~
insidlosos, sobreh1do nos primeíros anos da escolaridade, quando a con1- ensina secundário ou de deixá-]os na d nsse de fon de estudos ptimbrio.s, de
preensão e o manejo da llngtm constituem o ponto de c=1tenção principal inscrevê..los em um liceu {o que implica ~m projeto de estudos" longos t\O 1

n.a avaliação doi; mestres. Mas a 1nfüJ<2nda do m eio lingüíst3co de origem menos aié o ooccalai.Lréat) ou. em um co~égio d~ en~ina gereJ (o que si.Jpõe a
não cessa jiarnais de se ex,ercer, de mn lado porque a rlq ueza, a fineza e o resigrm~o n estudos curtos, atr1 os certificados de ensino profissional, por
QStilo da ,ex,press5o sem pre serão considerados, implldta ou explicitamen- . e-:<e.r nplo) fosse.rn1 antes de tudo, a interiotização do destino objetivrunt211.te
te, consciente ou inc.ons-Cientetnê.nte, em todos os níveis do cursus, e> ainda. detetminado (e medido em termos de probabilidades estat[sticas) pum o
que em.graus diversos ~ em toda$ .a s carreiras un~versitârias, até n1es1no nas conjunto da ca'l.iego,Jía social à qual perlence:m. Esse destino é con.tinuamente
dent1ficas. De outro Indo, porque a lingua não é. um shnples 1nstrumento~ letnbre<lo pela e..xperi&m::Lçl direta ou cnediata e pela e~tatí..<rtica lnrultiw1 d'°'s
:mais ou rne.nos efü;az ~ m~is ou rnenos adequado. do pensarn1211to rnas dl'.m'otas ou dos ©titos pardais dns crianças do sr.2.u n1e~o e também, mais
fornece - a lém de um vocabulário 1nals ou menos Iico - urna sintaxe, isto indiretamente, pelas apredações do professor, que, ao dese.m penha r o
é, m11 sistema de categorias rnaís ou tne.nos complexas, de m.i::meim que a papel de conseiheiro, !eva em con~a , consciente ou inconscientemente, a
apUdão para o dedfrarnento e a manipulação de estruturas complexas. orig~rn social cl~ sBUS a.lunu$ e corrige, assjJn. sern sabê-lo e sem de-.:;ejá-lo,
qu~r lógica s quer ~tétlcas . parece função direta da complexidade da o q u~ pcclerLa tet cle abslrato um p rognóstico fundado unicarnx!!nte na
estrutura da Hnguu inicinln1ente falad~ no n1eio fan1Siiar que ~ega sempré nprQcinçiio dos resu]~ a:dos escolares. .. Os objetivos dr:tS fammns" , escrevem
1

uma parte de suas caracter~stk~s à língua adquirida na escola 6.


1
Alain Girard & Henri Basttd~ ·•reproduzr:aln de.aJgurna n1aneira a estratHkaçâo
9
social, alíás tàl como -ela se enconlm nos diversos tipos de ensino•! • Se os
A p arte mais lmportante e. mais ativ~ (escolam1ente) da herança
Hlernbros das cli:iSses populares (;:! médias Lornarn a realldac.fe por seus d~ejost
cultural, quer !H~ nnh~ da cultura livre ou da 11ngua transmjte.-se de me:me~rn.
1
é que, nessé têrreno como ern outros, as aspiraç-Oes e as exigênc-ias são
osmótica, mesmo na falta de qualquer esforço m etódico e de qu.alquer aç~o
def~nidas . cm sua fcmhl e conteúdo, pruas co ndições objetivas, que e..xcluem
tnanifesta~ o que contribui para reforçar, nos m.embro.s dQ clas~e cu ta, a
a poss~bilidade de desejm· o in1poss]vel. Dizer~ a propósito dos estlJdos clássicos
convicção de qu~ des só devern aos sc::us dons esses conhecimentos, essas em um liceu, por exemplo. ''isso nao é para nós" , é dizer ma1s do que '·não
aptidões e css~s atitudes r q uet desse modo, não lhes parecem n:?sultar de terno~ rne~os para isso.,. Expressão da nocessidade tnte.r1or1zada, essa fónnula
uma aprendi.ulg12n1.
estâ, p or El.Sf5ím di2<ar, no iinpcratlvo-Jndicatlvo, pois i.=.xprirne, ao mesmo
ten1po, uma impossibilidade e uma jnterdjção.
A ESCôLHA DO DESTINO As me~mas condições objetivas que definem as at1tudes dos pals e
dm11i11am as esco]ha!i importantes da carreira escolar regem também a
As,atitudes dos membros das diferentes classes soda]s, pa~s ou crianças atitud e das ctianças diante dessas mesmas escülhas e, cooseqü~nlemen e,
e, muito particularmente! as atitudes a respeito da escofa. da cultura escolar
e do fL~turo ofereddo pelos estL-1dos s.ãot em gnmde parte,() expr~ssão do
7 . O aoo:rdó á 1nt;;;1a freqili::T:rl.e i!:iln.! t:6 d~as k:nnulados pelos piJi.5, ante:; do tennino ck c:xo'._.L p!imilra,
sistema de valore~ impJícttos ou explidtos que eles develn à sua posição a:; ar:-'-"'llôes ei-:pressas r~.rusp1:rltv"Nm(lnte !':Obm a .e:scdra de tal o.J tiJL tJp::t de fSlabelecim~lo E: ü
scdaL Para explicar como, ~m nk.rel igua] de futito escolar, as dlferentes L~olk1 :'ca;;fJ1,!nl c ~r~JJda . "/'i..e.i11bl~J'.!o d ' .ir..u~rw:V.:ci 1 ~â longi.;d.:?s,crçc:e-.i;..'1~.J 1<~li!'I p::;c- todas
as fort:JlkiS". ~rre\.IC.U P. ~-.;, "Trê.; ffln 5M etn di2.1: scrc,0 -:it ie r"1Spor:rl~a~'f1 p~!:~v~mcn•, •}, c-fl:r~
..:iuelas cujo filho ~iâ no C.E.G, 0-..1 :1~'!. cl~ <le fim cJ(:! E::Sb:.I!..:$ prirr:.á:'.i?.>S-, t: ~.so qi_;ulqu~"r qu'!:
pos..~1 !ii;?r o dx:IL9 (1.Tl~ior de se.J filho •:P. C'.:erç. foc. clt., p. '655-659).
6 . Cf. P. BOUH >fHJ. J.-C. Pl~SSF~O~ fo SAlNT-M/\RTIN. "les eaxlitints et la h ns:..ie
(,! 1v1. c

d'mscig:ier.im;C, 1n l'.~ppo rJ pêd;:ioogiqvi:! ·CJ wmml.Jtlfçr:H -'ort. Pri.is. l...;:1 H:=iyL'!. Mo1,1.t01), l 9G5
8. l~- GlRARD e H. Bi\STlDE., "L.i 51:riJl ifü:11tt•:nl s d~lc €1. ]~ IÍ~rnlii:a'fü:n
0
de l el'l!oeigr.;m1er~1 ". m
(Cai1iers du Cenlre de liocio}o-.:;ie europê1mm1. 2').
f~p1 1 frrrlli1rt, I" 1 • IUJl1t1/ dt>n irru '"ll! 19G3. p 443.

46
tcda sua a .. irude corn r~Jaçi10 à escola. De tal fonna que, p ara explicar sua geral. as crianças e sua iamllia se 0 1i f:ln tarn sempre em
De n1ti neita
rerúncia a enviar seus hlhos a um estabalcci1nento S{;!Cund ário·, os pa_is refe rência às forç.c..1s q ue as <ldem1inam. Até mesmo quando suas escolhas
pod~rn invocar in1cdiatan1ente np6s o cust<J elos estudos (42 ~ 45%.). o Jh~s parecern obedecer à inspiração irredut[vel do gosto ou da vaccç§.o ~
desejo da crjança de não prosseguir os estudos (16 a 26'H;( M'ats e~as traem e. ação transfiguradél das concli ço~s objetiv'Õs, Em o utros t·f!nnos ,
profundamente, pc.mirn. é porqué o desejo razoável de ascen~lO através da n estrutura das opo11u11idades objetivas. J e ascensão social e, mais preci.sa-
escota não pode \!Xlstlr enquanto as chances objetivas de êxito íorern ínflm.as, n1ente! das oportunidades de ascensão pe a escola çondicionan1 as a tiiudes
que. os operários - ernbora ~r1orandc comple1arnente q estatLstica objcti'.,;ci frente à esco]a e à ascen~ão p ela escola - atitudes que ccnhibuern, por
que estabelece que tun fiU10 de operârio tern duas chances em cem de chegar uma parte determinante, pura deHnir as oportunidadczs de ~~ chegar à
ao e.nsklo superior - regulam seu comportrunento obje~~vam<2nte pela esfünÇl- escola, de aderir a seus va!ores ou a suas nom1as e de nefa ter [~it o; de
tiva ®npírlc:a d~sas esperanç.as abjeti~1as, con1tms a todos os indivicluos da rea~~zar, port~nto. u1na ascens5o social - e isso por lnte.tmédio de espe-
sua categoria. As~im~ compreende-se por que a pequena burguesia dasse de 1 ranças su Djetivas {part]]ha.das por todos os individu os definidos pG]o n1es1no
trans~ção, cdere mais fotiemente aos valore1S escolares, po~s n escola lhe futuro objetivo e reforçadas pelos apelos à ordern do· grupo). q'IJe não são
oforece ch(lnces razoáveis de sa..'sfazer a todas suas expectaiívas, confundjndo senão as oponunidades obj12tivas intuitivamente apreendidas e progressí-
1
os valores do êxito social com os do presHgio cukural Diferentemente dM va1r:ente interlorizada.s t •
cri~mç.ns orJundu.s d.us dasso..s populares. que $ão duplan1e..nte. prejudicadas no Ser1a necessário d ~crever a lógica do processo de intL!tio li:zaçáo ao
que respeita à faciü<lElde de ass' rnUar ~ çultura e a propensão para adquiri-]~. flnal do qual as oportlm1dadas objetivas se encontratn transformadas €JTI
as cria11ças das classes médias devem à sua fammn não só os ~ncorajamentos esp~rança!'i ou desesperanças subj~ri\.ras. Essa dimensão fundamental do
~ excrtaçóes ao esforço escokir. mas tambén1 um e thos d"2 ac;cer:s~o sedai e ethos de c1nsse, que é a atitude com relação ao f:Jluro, seda, cotn efelto.
de E!.sp~raç~o ao êxito na escola e. pela esco!a, q ue Jhe.s permj1 e compensar a outra coisn além da tntc"Jrlorlzação do futuro objetivo que se Caz presente e
privaç~o cultural com a aspiraçao fo.n. orosa à aquisição de cu]tura. Trata-se,,
1
se impõe progressiva1nentÇ! a todos os men1bros de. uma mesrna classe
ao que parece; do mesmo ethos a~célico de ascensão social que constiLUi através da experiênc1LI dos sucessos e da.s den-otas? Os pslcóJogôs obser-
o princípio das condutas en1 rnatérla de fecund1dad~, b~rn C<-1rrto das van) quê o nível de aspjrnçâo dos indivíduos se dete rmina: mn grand~ parte ,
atitudês a r~spelto da escol~ de urna parte dn c:lasse média : e nq uanto,
10
er11 J"efetência às prcbabl1idadcs {intuirir;;an1en re ~"1in1adas através dos
na~ categorias soda!s maJs fecundas~ con10 né)s dos assalarindos agricolas, sucessos ou Jas derrotas anteriores) de atingir o alvo visado: " Aquele que
ngticukorcs e Opí2rá r1os, a$ oportqnidQde.s de ingressar na stxieme decres .. rJence M, escravê Lewin. ·· s~tua seu próximo uivo um pouco (n1as não tnuito)
cem nítida e regularmente à mecHda que as fan1í1ias aun1Emlatn em uma adma de SGU lihin10 êxito. Assitn, ele eleva regularmftn.e SeL1 nivel de
unidade, essas oponun1dades apn2sc::ntarn urna quà.da Lm l'l al [)ara as asp1racão (. ..). Aquele que malogra. por outro lado , pode t.cr duas r~çóes
categorias menos fecundas (artesãos e corn~rciant lM, cmpreg<:ldos ~ quu- d '.Ierentes: ele pode situar o seu alvo rm.1lto ba~xo, freqüentelnente aqu.é rn
dros m&lios) nris fammas de quatro a cinco crianças (ou mais), isto é. nris d~ seu ~ito passado (...}1 ou então e]e siLua seu alvo admu da sua~
familias qu~ se. distinguem do conjunto do grupo por sua grande fecundi· possibllldade-s1·l . V~-se, com dareza. que, segundo urn 1 roce.sso drcu1ar,
dade. Isso indica que 1 em vez de v.cr no numero de filhos a explicação ''um mera] bzüxo .e.ngenJra urna perspe.ct'.Í'~'a ten1poral ruim : qu e. por sua
caus()] para Ui ba1x~ brutal du taxa de cscolaridac..k~, é. necessário, talv~z, V'2Z, engendra un1 moral ainda mais baixoi enquanto que um moral ck~·. .rado
supor que a von·ade de llmitar o número de naschnentos e. a vontade de
dar uma educação secundária à:.;; c rianças exprimem. nos sujeitos que as
reúnem, uma mQ.Smu disposição as.c:~[kau. t :2. O pr.:;!:s1~1xisto d •sLe • is.h :i 11; 1 ilu ~;:.;li:: ~ilo pez p:r<.:c:;')Ç~'> oc~'l1111~ d a.'! opo11·,1~: idfül (!!; c:b}l3fü'i:.'S e
c.:oletJ•n,.:; ~ cy.IC~ l';IS •...·~1!"!rog'3ns (Jlt: M; t.léS'...t1nl ilger.s p e11;eb! ~'I r::-:u:..tlt'.Jl:tll o r;x1ul·...·a k:n'.a f1Jnc;i• na:
~ vi'ln:.:1 5l~''ls 'i!:e~~\·U:tl~r.te experim(~ti'ldas r:t. ç;~J,,..tli..•,11 r; :..<:ile.· •.1cr ific;:idi:i!: , d, da q Jc e!.as e:.:i:.!rcl'..!m

!J. P. CLEl{C, Jor- CH . , ll. fj(!fí ,


ic,fJuén.c:..:. -sd:m:~ o -:::on-:.JX1:1~m('.J':t:), O li'-~ ' '&o :m;-il:.:-iJ q·.m s e s.1bes:im~ a lr~pC"rl~n.::!<-1.
" t:'11.::.1 11<l
dttS op:n1.un:d~.des c bjetlva:'i: cfo fatô, ~'~lls .:is cl.. t!l'.'ilÇÕas cimLifo:as, em sltuaçõí:.~ !IDfÍi;ll" ~
1 O. Cf. p. no um.>IEtJ ~ A.
IJAHDEL, "L:! 1ir. d'U.:1 1:1l:olll t•.isict.,i!t-JTII?.. 1ri DARR.A.S. Le. Pu rt;;gc d li cub..:.r ais l~i.Jl:o à lfor,'"::"1:(':$, ~~~l<•m •l r r.-=!:~:'~r qL'E EXi'.'"-fc: lL'Tlu ÍC~u D~di1Ç..:1b ~1111 ' t..' 4:.'Sl>tlrt.Jr.-:;ils
1Jétiéffc.!.'>, Pa~~ . ~··:Ciirlor~ d • Mh··,.1k (;: 1 - Le scn!- e mrnur. "). l 966. su~jeti•,•;:is C? t'ls "'l'C~ 1nlded12S o~jc~:-..-a~ . as scgur:clas te1x fondo ~· 1:-iooil~c. r i'Í i:;ll•_1;ii,1:~11 e "~ n'.3Lu::les
11. An.J~i:>ar..do a ~n~uônd(I riií r,r<:r~:-•~I ' I' '"° b <li;·1e1r::fuJ 'Jil íarrj lia e:x€rt"e, 5'eg"Jr.d::::i o ~Tido. s.obrn e " B~ cçn~I t ~(I~ t-=cl.J mediai;&:< ci':lS pr.méras (e . P. !30L'l{Dií! LI 1 T r(õl,'{1 i' ' :
r-cwo 1 u rs en A Ígérie,rre
pari ~. p . ~fü-38 . Jh:hr~rd i\. CLOVv /''!.RD & Uo:~d E:. 0:-IUN.
1
.:ic~o (\ V r.:n~ir.o .sc.·t'.rnui·.r.o. A. Giran:l e H. Bt1!i~~ c:..~crzi..'C!!). . s~ d:-i!~~· :.~:~o.o:: d;.~ f1:} 1fX3 rl Pél:-is. ;\bJLc:i. 1962. 2ü
e1 n1-::-~l.'lclris a..J de ~r'.E:S.5.cs e comcrd.:iritos 1?.n:::-a.-at~
n, ,;ixi''-ml', ·" I Jrop1..,~r~:> ~ 11~.,55 ,o!<:C r:t.,1r...;'h.1 D ! .'Oi]IJ<'.1fl V nml 1-:ippurnJn,t~•11: ~J fÍl4Y)ric of '~e l!r-iqut7r.t gar.g~. Nm·~ v~k Fn~ ' flt~ d
e111Ie iJS crinr:ç<:is de fo!"."li'.las cem 1 O'J 2 fLh -;i.;) , M~:; n(' $<:'. ~•\JI ~. os fíll ~=~d · foimíli~:s nu;ntroi;t,S
1 G:en -ce., l 960i Cl;-i~f!1.Ú SCl-!Hl', G, - Dtllnr:;uer:q.1 and c ppo1tw·•.li:!J. i'tl ;~11,,.sl::t ril · Thr:011./ , ln
l4 cu n:::.ls~ rn•t) ~ ..11rr1rr1 1n-:f~ ri CI s:ix-1êm~ do Cj'L1e os fi,lhos de ope.rri rios q u~ r.-ão .!:~m sê1·1.3:J .~Jr.10 lr~y 1111rJ S<..i ·fci T f?c "rçrch (46), jor.eir.::: de 1'J ,2, ~- l"ir,· 176.
LJ.'JJ ou â:Ji:< rnn6~... ,,,, rrrr.cs·· 1:10::, .-f: _p. ::158, !)riío m eu). 13. J<ur\ Jn.=.•tX, ~n1 111· ;('l.,l" d i.\ · ~I Ni, 1.ili r , irr J1&.·..'1 ·<it-1 ~ ·11·'· ,· ç .' 1_ii1r:~. i\'(1..il Yorl:.. 1948, p. 113.

4' 11
não sorn01te suscita alvos elevadas. rnas ai~1d a tem opmtunidades de criar /V1as o mecanismo de supe:rs12leção funciona t~nto m ~ lhor quanto mais
14
situtiçóes de progressos Ci:lpa.ZBS de. conduzir a um moral ainda melh or'' • se?. s~ él@a na hierarqula dos QStabeJecimentos se.cundârtos º" no interbr
Por outro !ado, corr.o se sahe qu~ ''os ideals e os a1os do i ndi·~'1duo desres. na hjerarquia {socialmmite adrnlt;da} das seções: aqui a ind a, com
dependem do grupo ao qua~ ele pertence e dos fins e expedalivas des-se resultado igual, as cr~an~1s dos mefos favorecidos vão mutto mais freqllen-
qrupo'·!S ve-S~ qU'2 él ~nfluênda .(io grupo de pares - smnpre re]atiVélnl C?;Ol€ temente que ~s outras para os lkeus e para as s~ções dásskas desses t~ceus;
hornogê;)QO quanto â origen1 s.odal1 de vez qu~. por exerr1plo ~ a distribuk;ão devendo as crianças de o rigem desfuvoredda, t'la. maioria das vezes, pagar
das crianç.as cn re os colégios técnicos 12 õs Hceus e, no interior destes. [Xlr s1.ta entrada na quinra série o preço de serern rekigadas em um colégio
ent rG us seções. é, muito estrita mente. funçáo da classe social - vf!rTI de e nsino geral, enquanto aquelas crianças das classes abastadas que se
redobrar, Emir~ os d esfavorecidos, a influência do meio fam iliar a do veem impedidas de freqüentar o lkeu. dado o seu resuJtl)clo rnediocre,
contexto social, que tendern a desencorajar arnbiç6cs p{!rc<!bidas con10 J:'lodem encontrar ab tigo no ensino privado.
desmctdidas e smnpre mais ou menos suspr!ll as de rQnegar as origens . Vê-se, a]ndn nqu1, que as va ntaç;ens e desvantagens são c umula tivas,
Ass im 1 tudo concorre pa rê\ concJamar aqueles que. como se diz. '"não cêm pelo fato de as escolhas inícia.is~ escolha de est~be1cdmento e escolha de
futuro~·. a terem esperanças '·razoáveis '', ou, como dii l_ewjn, ·'realistas'', seção! defln1rmn irreversivelmen te os destinos ~scolarns . É assim que uma
ou seja, rnuJto freqüe.n emente~ a renunciarem à ·esperanc;~ - p esqu]sa mostrou qu~ ·Os resuhados obtidos pelos estudantes universitários
0 capital cultura] e o ethos, ao se con1binarem! concorrem pan:l <lcfinir de ]e tras eJTI um conj unto de exercidos destlnado5 a medir a compreensão
us condutas escolares a as atlmdes diant·e da e-.scola, que con!itltuern o e a l nanipulação da língt.Ja , e e3n partlcu~ar da J]ngua acadêmica, erarn
principio de eliminaçao d1fe.rencial das crianças das diferentes classes funç~o dirnta do Hpo de estabelecimento freqUe.ntado durante os Qstudos
sodals . Ainda que o êxito escolar~ diretamente? ligado ao capital cultura~ secundá rios, bem como do conhecimento do grego e btlm. As escolhas
legado pe]orne]o familiar 1 de..~emp~nh~ Lnn papel nn escolha da orjenlação, operados no momento da entradL>J na quinta S-érie selam. de uma VC2 por
parece que o determinante prinçipal do p1~osseguimento dos estudos Sºja todas, os d~s~h'l os es.colares. convertendo a herança culruraJ e.rn passado
a atitude da ·família a resp elto da escola! ela mesma funç.iio, como se viu1 escolar. De fato, essas e.scolha~ qL1e comprometem todo o (uh.iro sã.o
d~tuacJas con1 referência a. imagens diferentes do fururo: 31% dos pals de
das esperanças objetivas de êxito escolar enconl radai; crn cada cntegoria
social. P~u l Clcrc tnostrcu que, ainda que a 1nxa dB frx ito escolar e a taxa
alunos do (ke1t dc.sejan1 que seus fi lhos a.Unj am o erlsjno superLor e. 27'% o
dE: enlrada na quintt!I série depe.ndarn estreitarnent~ da classe social. a5
bocca la u réct t~ u nm parte ínHma destina seus fllhos a 1.1m bre ue t * t~cnlco
{4%} ou ao B .E-P.C . (2%). A o contrário, 27% dos pais de alunos elo C.E.G .
desigualdades das mxas de entrada nessa série são n1ais afetadas p~Ja
1 desejam vê-los obter o bret~er técn1co o u prons.sional, 15% o B_E,P.C.,
o rigem social do que pela de.siguatdade de exito esco1a r c.. De falo, isso 1
14'·J·ú o boccalavréat: 7% apenns espºram \.1ê-los atingir o ensino s.uperjorL •
s·gn~flcci q ue os o bstáculos são c::urnulativos, pois a5 cr~ariçrts das classes Ass im : tlS e.statlsticos globa;s que rnostram um crescltnento da taxa de
populares. e mécilas que obtfün glob~lmen~e uma taxa de êxito rna3s fraca escdarir.açtio secundária dissimula rn o fato de que as crlanças das classes
precisam ter um é.xi.to mais forte para que sua fomllia e seus professores pop uJares devem pllgar seu acesso a esse. nível de ensino com urn estretta~
Pº-nse;n1 em fazê-las prosseguir seus estudos. O mesmo n-tecanismo de rnento considerável do carnpo cle suas possibilidades d e fuhJro.
su.perselc.ção atua segunda o crit~rio da 1dade: as criança.5 das cla~~es
As d fras slste-máticas que a.inda separam, ao final do cursus escolar~
carnponesa. e operária, g~raltnente n1a~s velhas do quf! as. crianças de m·e1os
os estudantes oriundos dos difor~n res 1nelos sociais devem sua fo rma e sua
mais f~vãr~c.idos , s.50 mtliS fortem ente elin:-1inadas. 1 cOtl'l idade igual, do que
as cria.n ças desses tneios. Enfim , o prindpío geral que conduz às 1perse-
leç5o das crianças da5 dasses populares e tnédj()s, estcibelecê-Se assim ~ as T N.T.: Nq sl'ltcma ~l1 1C.t.ó:xiill Jrnncé!.s. f! o certi..f...<..c1do f:!SOOl.:•t 1bç;cb ~pós e:. renl2açâ.o cfo lr.n wno
crianças de.s5'1S da~ses sociais que; por falm de capil-al cultu~aL têrn menos pnofl.-· i0;'11:1l!Znn te de Z anos. foi:o em se.2u!cl::i :=io 1~· ô:!o_
oportunidades que as outras de demonstrar ucri ~>::1to ~xce.pcional devem~ 17_!'.:, pr1r~c. .:?l't', r"·!ert:1cfo ., rnmi ck!imlc:'io social ~ di;llon:-..:i. rtll{i\)vclrr..ente acessíve'.: CJll.(! 0!'i pr()jf:'Los
hYllvld1.1 .'.l!s de ctu".l"eirn se det<?rminilrn e. d'CSSé roodo, :s l'ILitucles frerrt• á «oi~. F-~~ dêfbiç·;fo
contudo . <lemo nstmt um êxlto excepcional pata chegZlr ao ensino secun- SXW] V<:tri<i, ei. 1idl'!"lte1r.<l!"lte1 .:.O Üf.lllr'do ~ clrtSSi.?S EQci<l:.Sj Cl1Lt'J:!cn:o p.:i.rn C'.IS '.m('l'tlb~ UOS estrn.tos.
dário, itJer!Ores dilS dass.<>s t~OClld . O OCITO lcrLtrea 1 pélTC'Cfl scr p:?rce'::;lclo . (: 111.;.fe. ht>)~. como O tem.n o
nonni.ll do.! e<.1'.d >; - JX::- ur:1 c.:fd l o de lné~da C'ul·.u ral e pa:- falr•. d.u in~ort':Jt'..ç5o. rr.zs tam':-if?rn,
~..-:ni d~i.·ldo~ 1 porque os er.:iprcr:iudos ec-i; q~l(ld1 c1~ t:1é::lic:s tQn .. 111.ll.lsqi..;.e todo!i 0$ O'lJtro~ . [IJ ôcilsiãc
de cxp121un~11wr , e!icácin tkss.c'l b r.rrrl:'l'I 6 ~:.cer~o W cii)I - , e:e a.p;i:r~i:'<'- c~lfi '"t·.: r.i~is aas
1•1- fr1Jil., P- 11 5. trntos s-.ipertcr~ d;:;JE; cio 5 m ~J 1, !l · tis di.lss.e:s supeior.~ cl)n~o 'JOla ~!R:de de ~ma. de
E!1 Hradt'I f--.:Ui'I o ni;lí'..() • lllà •r h 1. : . ... ~esenU:.çtio do eu i'.~lJ. · Dnderí_~ e11p l::cã:r par que filhm de
15_ Ítl!d.
('mfiíi!g<1d::~ " ri . qu.t\cln • rn ·li• IS t ~)lll ~ inm, (m.) r:~ l)) t(ll\:Lil!S pmtic~tl 1rme11:.'.? el01.1ncl!'l!1 , "'
16. P. Clorc. loc. d t·-· p. 640. prc.:6S.f-:~1 rir • • 1-i --1u:lrJ( . 1~ 11 .tr, ;... . ,·ot~-T11 ri'-1 d .

50
natureza ao fato de q uc a seleção que eles sofrem é d e-síguahnen hi s~era, O FUNCIONAMENTO DA ESCOLA E SUA FUNÇÃO DE
e qtle as vantagens ou desvantagens soc]ai]s ~o c-0nve;rtl<la5, progre~siva­ CONSERVAÇÃO SOCIAL
fl1e·nta em võnlagens e de~vamagens escolate.s pélo jog() das orientações
precoc.es, qu~, clir~ta~11~n[~ Hga~as à origem soc;al,. subst~tu.0n e redobram Concordar-se-â facLln1Mt12., e talvez até facfüne.n te denrais, com tudo o
a 1nflu.ênda dGsta últmma. 54? a ação COlnpensadora que a escola. exerce nas que precQde_M~s rgstringtt·ftse a isso s~gniftcana a.bdkoITTlos de nos 1nterrogar
matérias diretamente ensJnadas expltca~ ao menos parciaimcmte! que a sobre a responsabilldélde da esco!a na perpetuação d.as desigualdades sociats.
Vê'.m~agem do.s estudantes or~undos da.s classes superiores seja tan~o mais Se essa questão é raramente colocada~ é porque a ideologia jacobina que
rna,rcada quanto mais :se se afasta dos domínios cu1L1lrais cHre'la.mcnLe insp1ra a maior parte das crítkas dirlg!das ao sistema universttilrto e'i.rita kwar
ensinados e totalrnenrn conuolados pefa ascola. s.ome-11te: o efoito de em çonta realmente as deslgu.a]dadcs lrente ao sisterna eseolar1 mn virtude do
compensação ]Jgado à superseleção pode .expllcar q ue para un1 compor- 1
apego a uma delmtção social d.e e::iüldaàe nas oportunidades de. escolari.zaçã-o.
tanrn.n.i.o con10 o uso da Jlngua esco!ar. as diferenças tenda~n a se atenuar Ora. se considerarmos seriamente .as deslçfua1dc.des &acialmente condiclona.-
ao máximo e mesrno ~ se; inverter, pois qo a os estudantes altament€;!: das diante da es>Cola e da cu~tu1a, somos obng,ados a çondu1r que a eqülck'"'lcle
s-eJedonado5- das dess~ pop1..1lares obtêm, nesse Jomlnto, resu]tados formal à qual ·obedec~ tcd:o a sis1€ma (!l;;Colar ê injusta de fato, e que" ~m toda
equivalerltes àqueles. dos estudar1tes das classes altas, menos fonemente sodedada onde se proc:k"Ull.run ideais de~nocrátkos~ e1a. protege melhor os
selecionados, e superiores àqueles dos esti..idantes da..s classes mé<:Uas, ptivilêgios do que a transm]ssão aberta dos prb.:ilé.g bs.
•guaJn1ente desfavored dos pela atmosfera l~ngü1stica de suas famílias, mas Com efeito, para que seJam favorecidos os m~is favorecidos e desfa-
menos fortemente seledoo~dost~ . Da rnes·ma fonTJa, o conjtmto de carac- vorecidos os mats desfavorecidos é necessário e suficiente que a escola
1

terística$ da carreira e..=;c.oJar, as seçõé-s ou os cstabelecimentot> 1 são tndkios ignore~ no àmbito dos conteúdos do ensino que transnme, dos métodos é
da influ~ncia direta domei.o fami1iar, que eles traduzem na lógica propria- técnicas de transmlssão e dos crjtédos de avaliação, as de~iguafdaJes
n1ente escolar: por exernplo. se no estado atual d.as tradlçõe:s e das técnicas
1 clJlturats en.tre a...s crianças das diferentes dasse$sôc]ais. Em outras paiavras,
pedagógkas um maior domín:o da língua ainda é encontrado entre os
1 tratundo todos os educandos, por maki d~smgual$ que s€jam eles de foto;
estudantes dê letras qrue optararn, ern seus estudos secundários, p12Ja s~ç~o corno lguais ~n1 dtreltos. e deveres , o ststerna escolar é levado a dàr sua
de línguas antigast ê ql)e a formação dássica é a mediação pela qua~ S€ sanção às desigualdades inJciais diante dn cultura.
ex:prlm12ro ~ sª ·ex.etc.em ou[ras influê;nctas., como a infortnaç.ão das pa!s
A Egua]dad~ formal que pauta a prática p0dag6gmca serv~ como máscara
sobre as saç.ões e as carreh~s, o sucesso n;ns primeiras etapas do cu rs us,
e jL~stiflcação para a indlferença no que diz respelto às deslguak:l1ades reais
ou, atnda a vantagem constltuida peta. entrada nos ramos de ensino em
1
diante do eI'ls1no ~ da cultura transmitida. ou! rnelhor dizend~, e.xigida. As.s~m!
que. o s iste111a reconhece a sua elite. Procurando recobrar a 1óg.ica segundo 1
por exemplo, a 'ped~gogja~· que é utilizada no ensino secundário ou superior
a qua] se opera a transmutação da heranç..a sodal em herança escol.a r nas aparece. objetmmente como unia p€dagogta 'pàra o despertar"~ corno diz
1

diforenle.s situa.çoes de; dasse, observar-s,e-ã que a escolha da .seção ou do \Ve:bet, visa·ndo a d~L)0tar os "'dons adom1ecidos ~ alguns i.ndMduos
estabeJedmc.nto e os resultados obtidos nos prin1eiros anos d~ escolar-Idade excepdonais, a.través de técnicas encantatórias, tajs como a proeza Vêrbal dos
secundãrta (e]es próprios ligados a essas esco]has) condicionam a utUização rngstres, em.oposição a L1r'l:la pedagogia mdonal e universal1 que~ partlr1do do
qu·e as crianças dos (Hferentes meios podem fazet• de sua herança, pos!Ova lero e nâo consi<lerarido como dado o que a~nas alguns herclararn, se
ou negativa. Sem dL'wlda, serh~ imprudenta pr~tender isolar, no sistema dê ob1igaria a tudo em favor de todos e .se organi~ria metodkamentla! em
re.l.a.çõ12s que !.'lão as carrn.iras escolares , fator~ dete.nntnant~s e., a forttori) referênc~ aa fln) exptlcito de dar a todos os meios dº' adquirir aquilo que nã-o
un1 fator predominEinte. Mas, se o âxito no n!vel Inais alto do cursus é dado. sob a aparênda do dom natural, senão às oi~ças da~ classes
permanece muito fortemente ligado ao passado escolar mais longtnquo, privilegiadas. Mas o fato é. que a tradição pedagógica só .se diriget por trás das
há que se admil1r que e.scoJhas p recoces cômprornet~rn rnu1to fonemrmre idéias ~nquestionáveís de Igualdade e de universalidade~ aos e.ducandos que
as oportunidades de a1ingir ~a~ ou tal ramo do cns ino !;Uperlor a de neJe estão no caso particular de deter uma herança cultural. de acordo con1 .as
tr~unfo.r . Em s~nh:~se, as cartas são jogadas muito cede. <~xigencias c.ukurais da escola. Não somente º~º exclui us interrogações
sobre o.s meios mais eficazes. de transmltír a todos O$ corthed mentos e as
lB . cr. P. BüUlt..1íEU, J ,-{;, )A.SSEí{ü N e M. de S.t\INT-MARHN . •1u->;. Cit.. P.e. ta 'ffl('À~t· <::orn~li;;.~ll·
habilidadas que a ºsco~a exigGde todos e que as dlferentes dnsses sociais
rr:n:1:11 e o ;zrd k: do r..~qi.lal l~1gl!.ístir::ti, é nu.:C!:"ário ost~u'2:10;:~, ritr{!.\.~ de ü..':'ttidc.:-i ~~<'l"'i•n<':r.tf.11 só trnns1111tem de forma d1esigual rna5 ek~ tetide ainda a desvabriz.a.r corno
1

<1r.il.ICfSCG it 'J e.ks rmliuu:k.s. pr.'T Barnstrun , se ·EKis~em rdaçõBS i:1gr.ific~Liv~s entr·• i"I :s.in1.axil ~l.!1 ''primâtiêls'; (com o dupJo santido de priml'tivas e vulgares) e, paradoxal-
l'.n gua fa!âda lj."<:~ exi:mplo, st.:a com p le.-.;id :!()e:• e o b:~l.o em cdra.; dc·m inios que não <:.queles
dm cstudru l'.t CJrâ:tlas (c:r..da , r&::aç~o ô. a~~rad.a.l. p or ID:..empla, i'I r::,,a,lrnnátlG1..
mente, como .,es~olares ''. ~ ,. çõ~ p~d~gógicas voltadas para tais fü1s.

t:l".I
·- I!.
Não é por ac~so que o en~h10 prlmárlo super1or, quandô concorria :;,x p ecta1ivas. freqüente1nen.te inconscientes ~ dos mestres e, mi'tis a1nda . às
com o l~ceu clássko! cans.titu1a um mundo rnénos estranho, do que o liceu ·xigQ.nd<ls objeth··arncm1e insclita_s na 'ins.ti uição. Não há ]ndído algum d.e
para as crianç.as otiundas das classes porJul~rl2S, att·Ei indo ~ nss1111, o despre- pt!1i~ncb nen1o .soda], nern mesmo a postura corporal oLt a lndumentária,
zo das elite.s ! precisamente. ixirq ué. era n1a1:s expHdto e metodkamante o estLc dª Q:Xpres~ão ou o s-oiaque, que. náo sejam objeto de ' pequenas 1

escolar. São tambérr1 duas concepções de cultura que 1 sob inten~-ss.es percepções!• da e.asse e que ttão êorm·ibutim para oriuntar - milís freqüen(e-
corporativos, se exprin1em ainda hoj'e nos conflito.s entrs os rnesrres rnente. de n1i:mciim lnconsci~te - o jwgnmenrn dos rnestres_m, O prufés$0r
pb"or.;e.níentes do ensino pnmário e os profossores 1'radidormls das e$cola..-; que, ao julg,:ir apar~ntemente "dot1S inatos" rnecle, pelos critérios do etilos 1

secundárlasl'). Serja preciso qoe se jndagasse tamb~m1 sobrº as funções que da. elite c;: uJLivada, cor~.du~as jnspirndr..s por um ethos ascético do I rabaU10
exerce junto aas professores e membros das das.ses cultivadas o horror t?.;XºL':.Jtado ~1brnio;.;a e clif.icilrnente~ opõe dois tipos de relação com unla culti..:ira
sagrado ã ';bachotag~'' * • ern oposição ei cultura geral . O ''bachotage" não lJ. qual 1nd1•.A duo5 d~ rn€l-Qs soda.is clifcren1e-s e5l"ão cleslgva mente destinados
é o mal ~bsoluto, quando consiste tâo·some:1te em r~onhe.CG!:r que SG desde o nascimento. A cultura da ehr~ é 1Eio pr6xin1a ili) cultura (2Sco!ar que
prepara os a lun os para o baccalaurêat, e determiná-los. pôr isso n1esmo 1 as crianças orlgin.árias de um nieio pequeno burgllê.s (ou~ a fortJorl~ camponês
a reconhe-cer que eles e$tão ~é prépar:ando pm-a o ·'bachof'. A desvalór&- e open:ír1o) não podem adquh-ir. senão penosamente. o que é herdado pelos
zação das técnkas não ~ senão o revm-so da exaltação da proeza intelectuat flU1os dns clc:tSses cul1ivada~: o '2Sülo, o borr~ôsto, o talento, e.fn sínL~e. essas
a qual tem aflnidade ·e strutural com os vaJoTes dos grupos prlvl]egiados do atitudes e aptidões que só parecEm naturais e naturalrnente ex~tveis dos
ponto de vista cultural, Os detentores estç.tu.târios dtis ;.b~ mane.iras•! membros da <:lasse cultivada porque constituem a ·'cultura., (no smi.ti<lo
1

estão sempre inclinados a desvalorizar como labc.'.>riosa5i. e laboriosa1n ente empregado pêlos etnólogos.) dessa classe. Não recebendo de Slkl.$ fum:tllas
adquiridas as qualidades, que não vak~m senão sob as a.parêndas do inato. nada que lhes possn selv1r ~rn sua atividarle escolar. a. não ~e.r uma espécie
de hoa \JontEJde. cuJturnl vazia, os filhos dçts cla5$es médias sào (orçado~ a
Produtos de um s1stema voltado para a transm~ssáo de uma cu]tura
tudo esperar e a tudo receber da czrs.co a. e sujeitos, ainda por dma.• e ser
a.ristocrátka em sei..~ conteúdo e espiríto, 0$ educadores ~nclinam·s.Cl .a 1
repreendidos pela e.sea la por suas cc ndutas por d1.1n1a]s cscolure.s "'. '
desposar os seus valores t com mai$ ardor talv12z porqu.e lhe devem o
suc€sso un1versitárlo e sciciaL AM~m do n12üs , corno não integrariam! mesmo É L1ma cultura arístocrátka e. sobrntudo urna relação ari.5tocrática cm11
e sobretudo sern que di$SO tenham consciê.ndu. os valores de seu melo de 12.Ssa cultura, qu~ o sistQfna de ensino transn1ite. e exig1/n. Isso nunca fica
orlg.em ou d~ pêrt~ndmento às suas mii.rieiras de julgar e de ensinar'? tão claro quantci nas rela.çõ.e.s que cs. professorê.S rnantêm corn llnguagem.
Assirn, no ensino supe1ior, os estudantes originálios da~ ciEiss.es. popu]ares Pendendo entre um uso carismé1lco da palavra cerno encantamcn10
e mooias serao julgados segundo a escala de valor~s das classes prlvil~gla­ cle-..stinado a colocar o a luno ein condições de i . receber Q graça;, € um uso
das1que n Llmerosos educadores devem .;l .sua or1g~m sodal e que assumem Lrad icional da linguagem universitária como vE!.lculo consagrado de uma
de bon1 grado, sobretudo 5e o seu pertL.:i.ncime.t to à elite datnr de sua cultura .co11~agràdà, os profo..:;;s.ores
. paliem da hipótese d e que ex]ste, entra
ascensão ao tnagistério. Dâ·se uma inversão dos valores - a qual. através o ensinantQ. e o ensinado, uma cornunldacle lingilisHc:a e d~'! cultura. urna
d~ un a niud.ança de s!gno, transforma o sério e:m esp1ttto d~ sér!o e a cumplicidade pré\.1i() nos valores, o que só ocorre quando o .sistelna escolar
valmtzaçno do esforço em uma mesquinharie1 indigente e laboríosa. suspei~
ta de compensar a ausência de dons - a p~rt]t do momento em que o
e thos pequ.eno-burguês é julgado seg.undo o ponto de ~Asta do ethos da 20. Do rr~~no mt>:.lo que o ;·..Jlg 1mentoi: que o.s t~rdi<':..so~ ~ flrnGrSci.;, írr1;ir~11 .... tl~ d~ •.·rilores d~~
d.:!$$~ tcldhu ~ .qu...ds pe..-Llí::l'ltE::llt é c.I~ -qL:iD.is µra..~c:. cedi:i o.' ei. 1r.c.is. fu21Í!m <le se"..1s n..\Jn.os lev<:.'"11
eJite., ou seja aferido pelo dt!etant3smo do homem culto e beJTI na~ddo. De
1 sem.,"J::e err:. c o:nlil a colornçi:.o éticil das O...'°'Od1.;fas e il .:::.tltude: err.. ~clai.5.c ;)0 p rofosro:: C!. à.i::
tnodo oposto~ o dUetantlsmo que os estu<la:1tº-5 elas classes favorecidas distlplim1s .esi:ol"res.
exprimem e·m vária5 coriducas e e próprio est~lo de suas relações con1 t-Una 21 . No cer.tro dil da{f:niçüo nmis 1mdidooal de cullu!a 151ã. Sl!m cr.11..'i::la, a J:SLir:.ç,ãCJ C!ntre a oonteúda
di:í c:..1lt rn:il ~n.a sen::do s.rb~e-J...'O d.:i i::uhwa ab'..c=.rJa. !::rm2~iorl~a~ 011, st:! sr: qu!s.er, o saber, q; a
.ç,J]tura QIJé eles não de.vem jarnais totalmente à escola, respondem às rnorltil:.dad(.I c.arncieris.ti~ d.:!. ~o!ise d.::ss.L:! 52.'::icr, i lL'e U1e. J.~ too~ a !i~nlfu:.'ilç:lo Q todo o i_o,pJ .-:.f,
.i'\ql!llOq~:,2 .e i::i 1,~r)ça l1 ...:d~ d!(! 1tt:"I rr· ·•h') i':t..•lti'J(ilÍO ~i~o t! !a~111 ru-"1~ 'Jir~._1 ~ ·1tt 1r :n!) ?Sl~'lt;dQ obje1i\/r;.).
111;is. w1~ e<'rlo : 1 tl!o do ~Gl~~.'.lo (;'.•m ~1 c::u.'. Ltlr...: {jl..:,.;} prt.~'fl pl"oci&:irnent · do rnôdo de m1.ui:;:çfio
de:;::m cufü.ira. .l\ rel~ç5o que um b&·...~uo milnten:i cco1 ilS ob::-.:1.5 da çi.;:t.Jroil ;:e a modal!<;la_d.e d~
l 9. Ver. neste mesmo nL:..'Tiéro, o i'lrli{}(J d~ V. 1Sr'\:·1BF.RT-..1r\:'.{,'\-M. -IJ., rlg'.dl:~ d \ me lnslitu~:or:i: toci.as as suas cxpi.?rifu1ciils c1,Lt-t.1r.;l.i!i) ~. p:::rtan:-ó, 1~ai9. O".J 11~e:-.os "fac!.'!'', '·t:'l'l'. h11!:"ttC!", "::-.("JQ:.1.:il'',
i;t1u~'l:r' sr.rJ.e.lr~ et ~is.teme dz \.'a.leu~s" . p. 306. w~1;;:q 1O!;B" , •• Ç;'.·rduali , .. ._.ram"
" ' • L. '~ .e.ti cu 1 , ~ tcn~ l i • ::: "'Rll•11..10
~-1 ..Jl,..,,t_,.,
as oon:z_ ..,v ...:.S nas. ;:ji ~ •IS G\'.! acktu: nu
::il.J~
'* N.T. : Par ~ bach~ag-e'' E!Tltfflde·!:~ bxli:1 pr~iJr~.;;.So rn~cl.OCt1-=.3l t~tillUui..t! ~'l!Xl::'ldo n:~(.ln-:,rn-it~ t:. (t,!llwi·: ~- ..r,' v.lii:!r1.".1fl o~.m ~o'I. .11~ íd:ilíl il:'I ~~"''LYrec-t;;d'J 11:~'11.l; expL"!rie:icii:i :J~ "[ilrnil:..:~ r::dt'l;:!Qo.
(•f)l'ú\'.;:1.y:.11:> em i:?:-;arr~ e ~nnru~ (fi:?lrn, 12m g~al, de '·rh::as" e eKpttJiar:.t·es prntioos~. O;:iõt.'-SC, \fom·~ dJ i~~t-iã1) Chr ~' nJ l:h •.t), q11 n . pt'iJ; 1diZiJ9-m:i i.~ulm· ria~ i::r..a )<:mnis fo17112rnr c.ç1.1p]r:L<:t
po::H~n~o. ilO dik:1,(J~'lll&r111) l:nt ' i<:etual d~ni~~sado. O lermo deriva. dq; "b:l::haler". que. G"n 111o1r.L • V.l-::: LlsSJ 11. f jll~, ,, , f oJh11 •1 1 ·nf<.1 I:! n, m!~ií• HDITI iJ c:.1llur~ -e iJO ·y·.:i'.n~izar o EStilô dc.:
tra!K.ês., sigr..ificil ::;ussar pelo "bíltho(', ill'tô é. p1u::; - b:-1r. 1~;1:i'!.1 1rA11''. t·•l.:Jçi"• mi:lb 1i:-1 - 1 111Lr1 I,! Ud !l I•• " to lirilnn), <'I scd<J. .f.a·.....,-,r"~I;! c;-e. ~ 1f'll!l 'l(!.'k.'Of~ldc..;.,

.r:4
.) '
està lidando com seus próprios h erdeiros. Fazendo como se a Hnguagem Mais profunda1nerite: é porque o ensino ffad1cional se dii;ige dojetiva-
do ~-rt~i no 1 li ngu~ folta de ah.isões e crnnp1iddade. fo sse natural aos suj eltos tnc n1e àqueles que deve"m ao seu Jneio o CÇipitn] l1ngülstico e cl11tural q ue
·' inteligQnt~s" e ·' do~ados''. os educadores µ odem-se poupar o trabalho cie ele ·~x ige objec:varnente é que esse Enstno pod e p ermitir senão e..xplic;itar
controlar tecn~cm.n ente seu n1anejo da ltnguagem e a cnrnpreen~ão que suas exigêhdas e não se obrignr ~ dai· a todos os n1e[os de satisfaze-tas. A
dela 1êln os estudantes. Eles p~d em também experiE!nciar, corno estrita- moda de um d ircito çonsuetudlnário, a tmdição universitária prevê. apen ns
mente equânimes, as a\•a11açóe.s escola res qu12 consl'lgrarn, de. fa o, o lnfrações e sanções partjculares. sem jamais explicitar os prir.dpios que as
prjvilégio cultura!. Com efeito , como a linguagem é a parte mõis inatjngível (undamentam. A verdade dez um 1al sisten1a deve ser. então, encontrada nas
e n trmls atunnt~ da herançn cultural, porque1 enquanto sintax e~ e]a fornece suas exigend'1s b1pHcitas e no cará1er Jn1pHcito de suas ex1g~ncias. A ssitr)l
Uln slsternn de posturas n1entais transfortveis~ soHdáttas com va]ore.s quº tornando-se o exemplo do exnm.e , pcrceh12.-s12 ei..•identemente que quanto
dominam toda a experiência, e como. por o utro lado, a l' nguag~1n m<l]s as provas escritas propostas se nproximam c1é um exercício retórico mais
universitária é muilo desigualcne.nt ª dista nte dn ltngua efetivamenle falada t ~-adkional~ majs fm;oráve] à exibição de qualidades ilnpond~ráveis, tanto no
pelas d·forentes classes soclt.ds. não se pode conceber educ'1ndos tgual:s ern estilo qu~nto na sintaxe do p ensIDTiento ou nos conheci.1.n entos mohi~zados,
d1re1tos e deveres fre nte à língua universitárja e frente ao uso uolversitârJo a ''di.sse,rtatio de om.nJ re scibU]'t que dmnlna os grandes concursos ]Jt:erários
da Hngua, sem se condenar ã cre.c.füar ao dorn um grande nún1ero de (e que aJndn desempenha um papel in1portante nos C<'.mcursos científicos),
desigualdad es q u e. sá o , antes da tudo . deslgualdades sod ais. Além de um mais clQS m arcam as d1ferenças ªxist~ot es entre os candidatos d ~ diferentes
lc)..xlco e. de um<l shi t:axe, cnda indivíduo herda, de seu m eio1 uma cert~ or~g<2ns ~odai s . Segundo a ln~ma lógica, os ·'h erdeiros" silo innts favéx e-
abtude em relação às palavras e ao seu 1.~so q ue o prepara mãiS ou 1nenos ddos nos exarn es o ra]s do que nos escrtro.s r prindpalrnente quando o
parn os jogos escolares. que são sempre , ern pa rt12 , n a tradição francesa exame oral se rorna explicitamente aquilo que ele s~mpre é implid tamente. 1
de ensino llle.rário, jogo de palavras. a saber, o tes+e das nianelras cultivadas e distintaszz.
Essa ligação com as palavras ~ revéi;~nc:lal ou livra, artificial ou fomillar , No ta-se , e:videntmn an1-0! , q ue trm siste1n a de ens incJ como este só p ode.
sóbria ou :n tcmpemnte, não é nunca tão manifesta q uan to nas provas o rals, funcionar pérfo.lLamente e nquanto se limite a recruta r e a selecionar os
nas quais os professores, consden te ou 1ncon sc1entemen te. diferenciam a educandos capazes de Sl)tisfazerem iis e.xigêndas que SQ; U1~ impõem ,
facilidnde ''natural'1 ~ constituída da facilidade. de expressào e de. des~nvol · obJetivmnente, QU seja, enquanto se d ~rija é:I indiVÍ<lt1os dotados de capital
tura e]ega nle, da cl ~trêza '·forçada."\ frL:.qüente nos estudantes das cJasses cut ure] (e da aptidão para fazer frrn ilkar esse capital}q ue ele p ressupõe e
pupula.res e l oédias, e q ue t rai o esforço para se çonforrnar (~ custa de consagra, SQJTI exigi-lo cxplk itatnente e sen1 transm iti-lo metodicamente.
dissonfü1c1ns e cfo un1 c~rto tom arüfldal) às nonnas do dh;cu rso universL- A ún1ca prova de que ele possa realm~nte se ressentir não é, como se va,
tár~o. Essa falsa d aslr€za, ~rn quie dº:>ponw u êlns~edad e de se in1por1 deixa a do número , mQs a da qualidade d os educandos. 'Ó Qns1no de. massa, do
rràn,sparecer por den1r.üs sua função de autovaloril..açào r par~ nüo ser qual se fala tanto hoje em dit:~ , o p õe-se. ao cn12smo te mpo, tanto ao ensino
suspeitÇ\ de v·ulgaridCJde inlere.s. ada, Em síntese1 a ''ce rtitudo st.1i'' dos reservado a um p e.q ueno número de he rdeiros da cultura exjgida pela
pro(essores, que não se exprime nunca tão bern quanto no prestigio do escola, quanto ao ensirio r~ervado a un1 pequeno número de indivíduos
cur~o 1nag1srral, a!irnenta-se de ut11 ·· ~tnocen l rismo de dasse", que autQrit.a quc)isqu cr. De fato, o sisten1a de ensino p ode acolh er um núrnm·o de
tanto um uso del cznn inad u da 11nguagQ.rn p~·ofessoral quan o cettzi atltude <2ducanc.los cada vez maior - como já ocorreu na pr3n1eirn metade do sé cu1o
ern relc:::.ção aos usos que o s educandos fazem da l inguagem e, em pmi ic:ul(lr, XX - sem ter que se rransfrnm ar profundamente, de.sdft que os recém.-che·
da llnguagetn professoral. gados seje.nn também portadores das nptidõ~s soda)mente adquiridas qur<'. !
Assim, o que está lm:pl"icitc néssas r12lações con1 a ]jnguagem é todo o a e-scola exige lradiciona hncnte. Ao contrário , ele está cond ~natlo a uma
s;gnHicado que as classes culms conferen1 a o s.aber erudito e à lns1iLl.J1ção crise p erceb1da per 12..xernp)o como de ··queda de n1ve1", qtrando recebe
1

éncarregadn àe pct1)e.tuá-lo e transn1iü-lo. São as funções latentes que e_i;sas um número cada \.:ez rnaior de educandos q ue não dominam ffta is, no
classes otribuern à instituição escolar, a saber, organiza.r o cuko de un1a lnctSmo grau que seus predec~s.soras ~ a herança cultural de sua ,c:bsse social
cultura q ue pode ser pro posta a todos, porque está reservada de fato ao s
(con10 acc nt,ece quando as taxas de escofarização secundára e. sl.lperior
membros da~ class(2S às quais ela pert.e.nce,_ E a hierarquia dos valores
intelecl uaãs qt)e dá aos rnarlipuladores presttgiosos de palavras e id~las. 2 2 . l1t. re.'ll!icl!rtcla dc3 ;_)t'CÍ· '"' ras iem rolt'!Çiio à ''dc:u:!.•"lld.og!~- l'N.T.: E'.st~ ll....., 110 desior.ll. em fra.""lr.ê.'i, fJ
supe.rloricl;ide sobre os hum1ldes servidores das técnkas. É, mfirn , a 16gica ~t,fltl !li:t :1.1 r '. ~ o dil'í fcrITT"..;is d 1 avcll~.io de& cc:r.~ 1 ..~iro ·ri'J:.:t:;I ~. mnit: ::.inda. oo: rQJi'li;.:fo ii f ( 1(11)
,-.;.forçl7 r i11r.. TL ..iomil!Zii!:" ~ p~c..·a.... \\hk cs ~(:( -·~10:1 irdis~ que cle!:?e1-::çim as (]111."St . '-· focl1ati~1~)
própria de tun siste1na q ue te:i1 p or fünç.ão ó bjf!tiva conserv8.r os valo res
~· ul··rilru rirnmdr=il crn1.m~1 • 111 i me· 1r~ •·t l1rJS u:i~lôeri'ltiao dil r<:.C.·.1'".a de~ :HY.i11tt1~ .. õi11d.1 riue -e
que fundamentmn a rn·de.m social. .ill h 1 ~ 011cait1u •.1m ~1111 ! ·'d (•1111 ' ' •11-:o :ri. rlr:iúr:dti ! IO rt:u.il ilu j.J.~+ 1 1·1~ -ratirn.
dbs d~sses trad k ionatrr1E!n te ·asco]a,rizadas crescem contlnuarnente, ca lnd p dades de ''dons'' ou de rnérito, e~a tran.;:.forma, as desigualdades de fat o em
a tm~a. de se!~ção paralelan1ente.}, ou que., procedendo de da~s€s socia is des igud~d ad~~ de d lreito, as diferenças econômicas e . . ociais em '"distinção
culruralrnente des favorecidas~ 5ão desprovidos de qualquer herLJ.nça cultu- de qualLdade ., e legitima a transmissão da herança culmrõl. Por isso, rua
ral. [núm eras transformnçôes p or que pc.t5sa atual1nente o s,stema di'e ens1no exerce uma funç5o misüficadora. Al0n de: perrnirir à elite se justlt~car de
são imputáveis aos J~termintsn1os propriamente rnorfo16gicos; assim se ser o que&., a '·ideo]ogja do don1"'. ch av e do :s~sret11a esc~o ar e do sistema
compreende que elas não toqvern no e.ssendBI e que se questiDne Ião social, contribui para encerrar os membros das classes desta1,.rorecida.s no
pouco nos programas d~ r~f om1a, ben1 corno nas re1vind1caçõ es dos de.51ino que a sociedade lhes assinala, levando-os a p~n:eberern como
educadores e educandos, a especiíiddau~ <lo sistema esco~a1· Lraôicianal e inaptidões natura1s o QU<i! não é senão efeito de uma condkão 3ntericr, e
de se.u (Lmci<.m amento. É verdade que~ dernoc:ratl.zaçâo do acesso à quinm p-2rsuo.dinJo-os de que e!es d evem o seu destlno soc1al (c{:lda vez J11als
sétie constituiria, sem dúvida. u1na p r ova clecisjo;,.'a, capa2 de impor mna estreitamente ligado ao SIZU de~tino escolar, à medida que a sock~dad se º
transformação profunda ao fundonarn(:ffi.to do sistmna de ensino nc que radonaliza) - à sua natureza individual e. à sua falta dé d(ms. O sucesso
ele tem de mais espedflco, se a segregaçáo di;tS criançrrs~ segundo a excepcional de alguns lndlvídu os q ue escapam ao destino co]etivo dá u ma
hierarquia dos tipos de esla.beledn1entos e das seçóes (dos colégios de aparênda de k~gllirrridade à sel.ecâo e-Scolar~ e dá crMito ao mlto da e.sr.ola
ensjno geral ou de ensino técnico às seçôes d ãssicas dos liceus). não libeitadora junto àqueles pr6prios indiv1duos que ela ellm!nou, fazendo crer
fornecesse a o s1sterrLa uma p rot eção de acordo com u l6gic~ do sistema: qu~ o suces50 é uma simp]es questão de rrabalho e de dons. Enfim , aqur;des
qt; e a escola ''Hb erou' meslres ou prafessorQ...i.;, c.:o lncom sua fé na escola
1

a$ ·crlanças das classes popularczs que ntio empregam na ativi.d ade escola r •

nem a boa vontade cultural das crian ça~ das classGS rné<lias nem o çapital lfüertaclorn a servtço da es·colé cons.ert..·adora, que deve ao mito da escol~
culmral das d a.sses super}orE:!S refug iam-se numa esp~cic de rrtitude nega- lf..1eli ado r~ uma palie de seu poder de conservação. A~sim o si5tenia
tiva, que d esconcerta os edue-adore.." e se e.xprin1e em formas Je desordem escolar pode, por sua lógica ptôpria, sêrvir à perpetuação do - p:riv:légios
até então de.sçonhecidas. Evidentemente que, nc..sse caso. é su fidente culturais s12m qu~ O$ pdvileg,iados tenham de se servir dele.. Conferindo às
"lals5erAfaire' para que aluem com a maior brutalidade os ' ' handicnps~·
1
.Jeslguald ade.s culturais uma sanção fom1almente contorme .a os id~..ais
culturais, e para que tudo retorne~ ordCc:!.rn . Para responder verdadeira.men- democráticos. ele fomac12 a m~~hor jus!ifkati"'ª para ess~s desigualdades.
te a essa d Mufío~ o sistema e.scclar de.veria dotar-se dos rncíos paru realizar
um empreendhnento sistmnáüco e generõlizado de aculturação, do qual
ele pode presdndir quando se d ir1ge às cJasses mais favorecidas;.:~. A ESCOlA E A PRÁTICA CULTIJRAL
Seria, pois~
1ngênuo e:$perar que! do fu ndonarnento de um sistema
Porque um fenômeno de moda ]ntelectual 1'2va a reconhec~r ern todo
que def~ne ele próprio seu recrutamento (irnpondc exigência.s Jantü lrnis
lug1'ros sin a.is de uma hom.ogen~l1ação da soc iedade, numerosos. autores
eficazes talvez, quan1o mé:lis i:m pllcitas) ~ surg]ssem as contradições cãpazes
[JretP.ndem que as distâncias culturais cntn~ a~ classes t~nd<J:rn a se reduzir.
de dêterm3nar urna transfonnação profund a na lógica segundo a guru
funciona esse s1stenm, e de impedir a insfütLição encarregada da conserva- Contra as mitologias da homogeneização cu11ura1quP. (entre outras coisas.
ção ~ da transmissão da cultura legitima de exerce.t· suas funções de e sem que s~ precise jmna1s a pane q\Jé cabe a ttm ou a outro fator) o
conserva ção social. Ao atribuir aos ~ndtvtcluos esperanças da vlda e.sco]ar enfraquecln-::en1o das dlferenç.as econômicas e das barreiras de elas'"'º · por
e.strttamente dimensionadas pela sua p osjçáo na hlerarquia social, e um ladu ; e à õÇào dos meios n1cden1os de cotnun1cac;áo, por ou Lro ,
op erando u1na sel eç~o q uª- - sob as aparên cias da eqUlda.de forn1õl - determ!narian1, a pesquisa científica mo~ tra que o acºs:;o às ouro$ ç~ illtJrais
sanciona e consagrtl as desigua e.Jades rea1s1 a escol.a contrfüui pc'lra permanece corno prtvilêgto da$ dn.sses cullivadas. Assim . por exemp lo. a
perpetuar as desigualdadesi ao m esmo tempo ern que as legitima. Confe- freqü&nci~ a museu~ {quf::! -- c.:o mo se sahi?. - '~s1 ~ fortemente ligada a rodos
rindo uma san ção que se pret~n de neutm ~ e. que é aJLamente roconhec]da os outros Bpos dê prá1kas cu.tura1s ~ as ·istêncl.a a concertos ou freaüfü1cia
corno lal, a apt1dõ~ sociaJmente cond~c:ionadus que trata corno d B.Sigua]- katro~) dep ende estreit a1nent e do nível dQins.t~ução: 9%:i <lo." vi;~tantes
âo de.sprovidos de qualqLL(?r diploma~ 11% sáo füulargs do C.E.P., 17%
1

do C.A.P. ou do B.E.P.C., 31% são b..'1cheUers e 21% sao .r~cenciésw , o


23. A pressão d.. dcmilnrfa a:crxmiai p: · impor t~'L'IÍcn-:-.::.çõe:. d.:x:i.::!vras'" PC'I~~(! c:cnceber ql:.e. a!'
~rk-d"'cl~ fr..dustr'..a!s ~·r=il lilm Mti!iÍ&Zer bS ~ ll,'1 11C!~<-.:1~ld,1de.!i de qui.'dro.s s~irn ernp~le.r r1:xnsk;lerm:d-
mu11lu a ltl'Sc e~ ro:;nuarnen"Xl do ensino !íE'<:w-.dhlt ê srh1'('.n.1.-k1oo ensino s•.~ri:x. C~fl >:clt:-;.. se
se :rociocbt~ b!A"M (!:11 tenr.o.; de CLSiOS, ou. se !:!lquis.zl', ué~.edonalld.=iddcmial. pode se·r ;Jrdt..'11'-~
rec!".Jlar. ccm';re. a.; i111(:-t(;'f,~1 h. 1s da )31!.ça es:dilr, :n~ dnss · · ~1J~ t,;l:.;tl.."f?J soclul e r.:-Ji:.is p:ró:-;ir:'.ol & • :'\ .T P ...s1> p~1rt r1d í'.e11 " ' 1h1 lr.{, ,, 11P'l'H"T:;iW1io ª'' licertce ' . L1Lulo mta·me&t.r.c e11r~ o 1'' e o ~:.1
n.1~:,1,:::-a ~oolar, <::se d i! p enSt, r, <l~-~ 1o trr.a, d" •..fn (!fflflr'Cern:l :.- nrnto da i'trullUn'lçij('I, c~kr dolo I• I~ li<Upnrl' l'c:..
que sígnifk<.i que os visitantes com o haccafouréa r ,.,ou um di p loma. mais s~ a ação ind1reta da escola {produtora dessa djsposição geral d iante de
elevado constituem ma1s da metade do púbUco tota]~... todo tipo de b€m cultural que define a atirud&? ·'culta'') é determina:nrn! a ação
c..H:-efa, sob a fom1a do enstno art[stico ou dos djfereme.s Hpos de incltação à
A ex1s1t1nd a de uma hgação tão fo rte e ntre a instrução e a freqüência
a museus mcs1ra que só a escola pode crlar {ou desenvolver, segundo o
prálica {i..·~sêtas organ!zadas. erc.}. permanece fraca ; d~xando de. dar a todos,
atrnvíds <le t trrJa educação metódica, aq.1I)o qué QJguns devem ao seu m e1o
caso ) a aspíração à cultura. mesmo à cu ura menos escolal.j. Falar de
~ÇJm iliar , a esco!a sar1c1ona. portanto, aqw2!as de:;igualdad~ que somente ela
··n ecessidade5 cukur ais., , s e1n lembrar que ª las são. diferente.mente das
•ô neçr,;.$sidades p t·tmár1as'', produtos da ~ducação, é. corn ~fa lto. o melhor pod0')a reduzir. Com efeito, somente uma instituição cuj~ função -esped{ica
fo %é tran~cnit~r ao maior n úmero poss[vel de pessoos; pelo a préridizadô ·e
rnejo de d1sslniular {m ais u ma vaz recorre ndo-se à ~d eolog la do dom) que
pelo ex t!rdcio ; as aUtucl.êS ~ as aptidóes que faze1n o homem '·culto··, pod~rla
as des]gualdades fre-nte às obras da cultura erudita não são senão um
compensar (pelo m enos p ardalm ente) QS desvantage~1s daqueles quG não
a.spe cto e um efeiro das desigua lda des frente à escola, que crla a n ecessj-
encontram em seu meio familiar a lnd1ação à p rática cultura].
dade cul1 urnJ ao mesm o rernpo ern que dá e define os m e ios de satisfazê-la.
Se as d e.s1gtmldades nà<J sã.o jamais tão a centuadas quan o dian[e das
l\ pr~vaçáo ern matéria de çultura n5.o é necessariamente pe rcebida
obras d.;! r:ul1 ura erud ita, e las pem1an'2cem cooav1a, muiLo fortes nas
corno ral, sendo o aumento da privação acon1p anhado , ao comrário, de
1

;xáticas cuJturiüs que uma c.~rta ideologia apresenta con10 mais universais,
urr1 enfraquecim ento da con sci~n c~a da privação. O priv1légio h'ml, pn~s.
porque mais largan)e11te acessiveis. P o r exe1nplo, as enquét~i; !lohre a
rodos os s1nç.ís exteriores da l eglt~rnidade: nada é mats acessível que os
a: td iênda ra diofôn ica mostram que a posse de aparelhas de rádto e
museus, ~ o~ obs1áculos econô micos, cuja ação se deixa pczrcebºr e m
1elevis5o é mui(G desigual entre os diferentes u~eios .,ceia.is: e inúmeros
OL.h.ros dominios. são aqui tnf.!n o res, de modo que: p arece ter-se majs. indícios pe rrnite tn inferir qu e as desigua]dadcs se r cHetcrTi nã~ sur'n<2n te n a
h.mdamento, aqui, pa ra invocar a desigualdade natural das ne.cessklad~s e!!i<:Oll a dos programas visros ou ouv1dos (escolhci que d ep~n de estreita-
cult\trais. O c:dáter a utodestrutivo dessa tdeo lo gia é tão ev1Jente quanto mente do nível de insrn_Jç.ão , tantc-J quan1o r.i freqüênda a museus ou n
sua 'função justificadora. co :lccrtos), também, e sob retudo 1 no tipo de atenção dedicada.
tild.S
Verif~ca-.se, rnais uma vez! q ue as vantagens e desvantagens são Sab~-se, com efelto, para usar a Jlnguagem da t ºorra da cornuoicação. que
curnulallvas. A sslm ; sáo os rnesrnus indiv~duos que têm oror1unidades nlais a rece pção adequada de un1a m ensagem supõe um a adequação entr " as
nutnerosas. mais dura douras. e rna is extensas de freqCienrn.r os m useus, por aptldões do recep to r (aquí!o q·Je chamamos grosse]ramenrn de sué'.l cultura)
ocas1ão de giros mristicos. os que sao também dotad os di"I cull ura, sem a e a natureza 111.ais ou menos or1ginal, macs. o u m~nô.s redt.mdant12 , da
qual a5 .._.;agens turisUc~s n ão ennquecem em nada {ou .some nte por acaso mensagem. Essa adequaçiio pode, evldentem e.nte, r~3lizar-se en1 todos os
e sen1 maiores conseqüf'-ndas) a prática cultural. níveis. mas é igual rn~nte evidente que o conteúdo informativo e. esrét1co
Da nu.:-sma rn.<:ine;ra. corno se prucurou mostrar nas an áli s~::; preceden- da mcmsage1n 12fe1'ivarnent e receb1da tetn tanto mais chanc;es de ser mai.s
pobre, quanto a ··cuJtu ra .. do receptor for ela própria mois pobre.
res, os indiv1duos que Lêm um nivel de in strução rnais ele vado têm as
ntalores chances de 1"2r crescido num melo culto. Ora. nesse dom~nlo . o Como toda mçm.:-.agern é objeto de u1na recepção diferencia, segundo 1

pa pel das íncitações difusas p ropid adas pe~o m Qio fa1n iHar é p.a.riici..1larmen~ as CEtractetísticas soc:ia i ~ e culturajs do recep tor, não .se pode afin 1ar q ue
t~ dernrrninantQ ~ a ma ioria dos vi5~cantes faz sua prim~b·a visita ao museu e.~ homogen eização das m ensagens emíHdas l ~ve. a umá homogeneização
anres da idade de quinze cinos e a p<Jrte relativa das vis~r.as preco ces cresc.:é . da:; m ensag~n:, recebldas, e! menos a1nda, a urn hc n ogene]zaçao d os
regu lar~1 ente, à medida que se se e leva n a hierarquia sociaL rccepr.or~s . E pr~dso denunciar a ficção egundo a qu al '' as nleío~ de:
comunicação de ff.1 ass.a" seriam cri pazes d e. hom ogeneizar os grupôs
sociais. transtnitir~do uma "'cutrnra de massa'' jdêntica para tcx.l.cs € idc:mt1-
ame11te percebida prn· todos.
2 4. () p(~:'.l::c, d::: h:illro t:ip;~:('fGi w:ru es:rutura a11iilt:.;; , e J req1..1··~1'~" =>..() D n e m il. rnnsider, rfo 1XJ111:·:
111 r"!rt ?Jrt~ r.);u:. popubr. e ~n111l:;{i11 1 111~!0 d~1 1:>.: !:11-gUn:Jo ti~ diJ~~:.: ::1;,I<., :'~';mdo de 82·1: r-xm..1 É preciso, tarnbérn. pôr P.ffi dúi,,rida a eficácia de (odas as iécn :cas de
e~ q 11,°rd1Y\:. ~li~ 1'!1k/1·1?_"i r~:-.EI ~:J:.rçs de í-lfl)rSS.:"11"'$ 7 q:.:. Jltlr.:I ' t?ll1f 'TL~.~ .(I;~ (J7 ~·I :·n~ra a;.
1ílJ C1 lniS i'I
ução cul:urn.l direta, desde os C en tros Culwrals até os '2mpreend·m~ntos
(! 1

r p ~ritn;.;s P 64 :.~, 1)(tr.~ r.~ p;,,;;_ •.tz.-.cs propr>e'lár..vs. O . ~m"' GC i::.;l ,i-\. •L~ ;:-br·111 .... :fleti: rirrl ~u
m.:1 l·1 d• 1 " , 11 : L 'f..o.J.:.:=-1~s1 ::: ., ,Jc la r1~d1~rd1e s..-:~e.-1tí f:q ue :Z l (kZ;~11bm d~ 1Q(,4, :r :10 <le educação p opula1'". Qu12.r esteja apoiado num museu , como no J-[avre,
25. O logõ r!,1s, i'ln::.k..gíns v;cr;..i ....i~ t,(JI 1ui .,lg,' 1t'.s ,, Ídla~ ,,,m " 1:;.rop;-11·=(>t~" 1)é1roit íJ'JliSIJlnir" e:1 e eh. •-1.1.'-n-:-' 1' 1U nurri .. -2(.lt:-o ! com o em, Ca(m.. o c~ntrc) Cultural atraiu e reagrJp{)U - e
li: :1n ·11h .1a !, ··omo ii!e-s foi, m d• ' 1 :?:~ 1!'.um:~ cuJlural ' . Dissoo.:iilr M (1 'f,_1 ittJr/>~tc: •:t.:ll q1ml d.~ silo
medidas alrn•.::~ Jl't~ L'11f1\Jh r;?SI e.o~ -:.:or,;.1il:k~11.1f1:~:~ 11 0$ L}:;:.CJf 6r~~1ccs e .S!; - j.,;._. trJe .-1:, t11'!1 11rm1 nc1~
i· !>..:r r1L 1c.-Trr:1r n s~ :::il u s :;i 1w ~ <•1 n~ttr-;.~ rl\1 (:!r:.Jn ciilr e eh.· c.k111J~f"IM !ll!i!S .::au5as: i?. prmbir·!il:! de
1~.:;qul:i<!~ ~ · ··1.:.ud:;ões C'::1:i1y}ir:J!"'<t.s I? ·~J t\l"l rk. t_m o-~ Lipo d'!. ..i:.:.JJÍ •'\. <-J•~

60
jsso iá € sufide.nt~ para justificar sua exisCênc:ia - aqueles cuja fonnaçào escolar eon10 o decó·nmerno dº urna oltn-.j. da cultura eru d lta su p6..: o
ou. ~Lek:J soda haviam prepanldo para a prát~ca cultura]. S~ a ação de ccnhetin1ento do código segundo o qtJal eJa está codificada , pode"'s e
organizações profissicnajs, esportivas ou familiares r-mze.xistentes pode incitar ccnsiderar que os i enõm eno3 de difus,ê(J cult1.1ral são um caso particular dt.ii
un1a parle da~ dasses méd]as e uma minoria dac; dasses populares a uma ·t eor~a da con1unicação. Mas {) domínio do co ]jgo ~6 pod e ser adqu irido
práUca cultural qu€ não lhíts era fàmiliar: o Centro Cult~..1raJ ~e viu imedtata- nt~x:liant.e o preço de uma apren dizagem mdádica e organizada por unrn.
ment€ investido clas característi.C€1s das institu!ções, .eatros o ll museus, qu~ ele insl ir.uk.ào expressan1ente orde.Lada para esse fim. Ora. as:s.im como a
préltend1a dup~car ou subst:itl-dr: os membros da claS5e ··culta" se sentem no cóml1rilcação que se estabelece entr~ as ubr~' da cul1Jra en~dita e o
direito e no déver de treqüent~r esses a]tos centros de cultura, dos qua1s "='spectador d€pend e da intens1dade e da n"lodaHdacfo d a cu l'l ura (no sentido
os ou tros, por falta de urna cultura sufidente. se sentem. exd uidos . l~nge subjet1vo) d ~sc e t'J ltimo, da mesma n1aneira a comunicação pe.dagégica
d~ pre€ncher ~ função que Lnua certa m1stica da ''cultura pop·ular lh~ depende es,[reita1n~mte da cul1-ura que o receptor deve , nesse caso, a. seu
atribuiu. o Centro Cu ltura~ corir'nua sendo a Casa dos homQns cultos. rne1o familiar, detentor é 1ransrnJ1;;sor de L·m.a cullura (no sentido etnc lógi.co)
E como poderi~ ser difer~n lº'? Se 3e sabe que o interesse que u1n ouvinte mats c u n1enos próxilna, em seu conteüdo e vaJores~ da culhira erudlta que
pode ier por urna n1ensagem , qualquer que seja ela; e. mais a1nda, a d É!scota tran sm lte e dos 1nodelc s lil·,güístico$ e cu 1tum is segundo os q uaJs
compreensão qu~ dela venha ter. sào, dlreta. e esttitement~, função de?. Si~a ·~sa rransmissão é feita. Se é verdade que a experiência das obra~ d~ cultura
''cul1ura'' , ou saja, de sua educaçáo e de .seu m elo cultural nao se puJ € sen<Jo :irudita Q a aqujsição ln::;titi.Lciorializada da culnu'ã que essa exp~ri@nçia
duvidar da e'icád3 d~ todas tlS técnicas de ação cultural direta. d~e os pressupõe obeJ étém â Lnesma lógica, enquanto fenômenos de co1nunica-
C.e:1tros Culturais até os e."Tipre.(:!ndin1e,ntos de educação popular: que, en- çào, compreende-se o quanto é diflcil rnmpfir o '.)rocesso circulru· quc tende
ouanto perdurtlrern as desigualdades frente. à escola (única instituição capaz a p~rp e luar as desiguald ades frente à cukura Jeg it~:lla.
de criar a <:lfüud~ oJIUvada), apel1as contribuir.f~o para d)sfar~r as desiguaJdack~5
Platão relntd. no fim de seu Hvro A Repú blica., que as almas devern
cu turc.is que ri ão consegue111 r&-ft1t1r r<~ahnente e~ sob retudo, de maneira
duradourQ. Nã o há atat"'los no camjnho qu~ l~va às obras da ClL ltura º os ernpref!nder uma outra vida: devem, €las t.H2smas. P.sçolher seu destlno -
~nrre rnodelo5 de ·vida de todo tipo, dentre lOdêlS aS V]das anima]s e
encortros artifidahnente arranjados e diretamente pJ'ô \.rocados não têm fucuro.
1-:umanãs possivets - e que. feita a e.sco)ha ~ e]as deve111 beber a água do
Significaria ]sso qu e \"?ss~s empreendimentos. $Ó Np;x±erão t~1: algu~a 1i o An1éles ~ agua do esquecht1enlo, an1es de retomarem à T erra. A função
e'ficf-tc;a sª se dotarem aos
1
me~o~ de que a esco]a dtspoe. Corn eretto. al€m
d~ reodicél<=i que Platão confo.re ao n-itto con1[_,ete. em nossas s óci edades~
do fato dí2 q1..ie roda k~ritativa de impor tarefas ~ cl!scipHnos esoo1are.s oOS
ao tri.buna2s Lm iVQrsitâ~·ios. Mas é n e(;essá.rio citar PJatão rna1s rnna v~:z :
orgati isn1os margina}; dª difusão culhLral encontraria resistências id eo~6gl·
cas p or parte dos responsàveis por ess,es organisn1os, pode1nos a1nda '"'Qtwndo e les c hega rctJ11'J tive ram que se apresentar frnedia tamen-
interrogar-nos sobre a \.'·erdadeh"a {unç§.o da polltica que cons1ste ern en· w a Lachê.sis. E prJrneiro um hú3.rofante os alinhou e m ordem. depois,
com.j.::n e. sustentar 1 aí~ o rgnn ismos 111arg~nais e pouco eficazes1 enquanto apa nhando so bre os joe i'Jios de Lachêsís destinos e rnode.ros de uida,
não se [ ]Ve t fo~to tudo para obrigar e autorizar a mstiru1ç5o escolar a g•:lÍgou 1Jm estrado e J'et~odo e gritou: ·Proei'ama ção da ofrgem Lachesfs,
dese1npcnhar a funç-5o que ~h e cabe, de fam e de dir~it~. ?u .se~a. ~ ~e. fíi'ha da ~rece.i;;~ídade. Almas efem e ras, ides começar umo notJrJ ca rr.ejra
~es12nvolvar .em todos os membros da soc~edadº , sern d1stmçao: a apt1.d ao e renasce r t1a cond Jção rnortal. J\lão será um !}êr'lló qLiE'.i! há de vos
p. ra as nráti cas cultura is que a sodedade cons1dern como as mais nobres: surtear, so~s t.Jós r11 es mas que esco lhe re is vosso gên io. O pdme~ro
Não .e s·ar[amos nós no d1reito de fonnular · s~a qu12.stão, uma vez qu~~ esta designado pela so, te escolherá , em pdmeiro ,'ugar. a vjda à quaJ ficará
esi obo.leddo cientihcament e que, a uni .:usto equivakmte , a ex,ensão da Ugado pela necessjdade (. . .)_ Cadu qua 1é responsái;eJ pela sua escoIF1a,
escola1idade cu u uurneato da patie cc1.sagL·ada nos progra mas 12.sco.é.".lre.s a div 2nJudc~ r1ão é. responsáve ,1t.<r. .
<:io ensino ht11stico le·ui3ti.arn , a longo prazo, aos nmse11s. teatros e concer- Para que os. d estinos .sejam rnetamorfoseados € 111 ,escolhas livres, é
tos um número inçoc nparn.velmente maior de ind& v[duôs que oclás as i;ufk iente qui.:: a e.scola, hi~ro fante da NE:ces.sidade! consiga com. •ence~· os
t éc.nicas de açZ.o d1rern. reunidas : quer se trate de anir_naç~o cul1 urai ou de 1r.divklu oç; a se subm etet·e1n ao sº u i... eredicl o e persi.JadHos de que eles
1

pub])cidade atravé~; cla irn p~-cm_a, rádio ou celévisão?.i~ 111esn1os esc0Jheran1 os destnos que lhes haviam sido a prjori atr1buídos.
/\ p.) rtir desse ffH mente, a divindC;lde sociaJ e.stá fora de questão .

26, p ~OURDIIU e ,A,., D:\R~EL , I . ºAr1. r>IJ r .: i ~ ,I' o r•. f , s ni '. Jsé.t..s e.: L le tJ: .oubílc, P.:.ri'S , ÊdLtio; rl<>
MirnJi:. (.;:' 1. ·•L~ 5P.os ccmmu::-i''i, :.9b1.J .
Ao mito p 'atónko dn escolha inicial dos destinos s.e pQderl~ opor
aq uele q ue propõ~ C'_:nnpnneUa na Cidade do Sol: para ~:1s1aurar 1m.ed~a­
tam ente uma siruaçf)o de mobilidade social perfetta ,e assegurar à inde-
pendência ab s o1uta entre a .. posição do pa l e a posição do fiJho 1

in-erdi~ando-se a transrnlssáo do captral cultural. é nec(;!ssârl.o e suficiente


- como se sabe - élfasmr. de.sde o nasciJnento , as crianças de seus pais.
Ess.e é o miro da mobilidade perí~i!a que os estat[sticos<:-.:i invocc.;m implici-
tamen1ej quando constroem 1nd1ces de mobilldacle socJciJ referindo a
sih.J~çào en1p~ricamente OU~ervada E1 uma siluaÇdO de lrniep~.ndênti~
completa entre a p osiçãc social dos herdeiros e dos genitores. Sern dúvida,
~ preci::o atrjbuir a es~ e r.nlto., e aos ir1dices quc2 c:d~ permite ccnsLrujr, umEl
função d e. cri ko ~ pols c:!les concorrem parà desvend~r .a ral[a d.,, crnTe.spon-
d ência entre os idet1ls democráticos a reahdade social. Mas mesmo o ª
exame ·ma!s. supet{icia~ mostr~ria que a constden~ção dessas abstraçõ~~
supõe o desconhe.chn erJto dos custos soda~s e das cond1çoes sociais da
pusslbiJidade de um alto grau de :i1obiJidadc/'i_
Ass~rn ~ a rne]hor maneira de provar em que medida e realtdade de 1rna.
sodf;!dad e. ·'de?rnocrática" éstii de acordo com -rn is ldeais não consistirla
em n1a....rlir as chQnc:es de ace-::;~a aos instn..tn'iento~ ~n.stit1..idr..malLzados de
uscensào ~ocial e de salvação cukural que ela concede a.os lndivíducs das
diferent 12s classes sociais?~º Som os levC1dos ent ão, a rQconhecer a ··rigidez ·· 1

extrema de. un1a orclern soctal que autotit.a a.s classes soda Is mais fL!Vore-
c~das a monopoli.zçir a utilização da instfü1lção esco]ar dei en 1ora r como diz 1

Jvfax V~.'c~ber. do monopó]io da rnanipulaçâo dos. bens c~hurais e dos signos,


ir1stituciona>s da sa~vação cu] ura].

O capitat socia l - notas provisórias


28. Ct. ;\1 , 1~ 5DOD:',K, ··Chitc.r''' ' in iORl ,,. l1orncs /\ study· o1 m •1 ;1.11 :fav~.opmerX' ~" 5! L....fi;· · 1r1
rf11 ícfo, lfur .. , l ~ni•ser~i~· oi ::r.•-'i\ S~L ..dl,·~ '··'-'I. X\/L n. 1, l•:mr'iro .{'. J<J39, p. 1-) 56; 13 PIERRE BOURDIEU
L 1t'U MAíl , :h~ Fkl<I~ IG". i.n Srgma X. Qu(I rce ri.V 2812;1, J940 p. f:.t:-6': 1
2 9. S-:ia1 folh:t u~s dlf;..: ~I ":.:i a:i.;:s L(U e l1i!. en 51:'. 0:1b~ ·r 11·;) - mt"idir..-'! ;iri?C:.S!l ci<i rm.1 bl" i: bíl<-> e 5:..:m rell!rr.bnir
M .1f.C.'!Esões em Wrc):J d l) d e. íK!nt:J .d r;.1 rre-Am d~ 1, i ,, ~-::; ~Lho qui? ;,t' :J,;::•.·r~ l '11.':! 1 ei"
~ .~::::: l 1a
l~:1; 1'lfdç;r?.;:t'i0 p ilr::. c.'::iter ·.,1111;:i ~:~mp>:ir'<tç#to 1-"l-t'I intmle. e l 'T!lÔ oi(), ~O 'ff1P.füºJ.3. mer..:ior t 41_.e, :"úm ú
Trod!JÇào: DE.NICE BARB.~HACAT.!i.Nl E AFHA\fK:t MENDES C~TAl\I
r r 1.:1:t1t.n1 ;3\' tidix & Up!:et ··mo't iil ii.1. u k f'L ' 1: tJiº.<1 • ·:11.::. sPrr·d o ci 2 u·: '~ "if.'··"-liz.1 çâo p erí l'll tl d.:i:;
RevJsdo t éc11fca : M. \HIA ALICE N OGL'"EIRA
rh..1 :-.:::!!" di:' m d,,il; ln~I«.) <' · mobi~id:lC.e m~io.irr- >! · 11~1 J 1·· 1?c:; r ,~res!ô<i~i.im c.-11 ~ ' if}1(1il:; . <' :i·.:~· .} ~red.:o
u::.tl! 1quir ~1 1tre <1 n~ir r..i · 0 11 o · 11h"'I Hlid<1d2" l~rç.cié.ti<> ~ a · n!'.j!Jcl' ou , " mr::bib.ltJd,.-· Ó1,..")1~ii\~l€J!i.
30. s~~~ la 1Jf",2ci!:O. LLll r b~·11 : 1 ! ~·\·.ti' em ~e 11si .!irfrJ .'ltt •IS d 1anr.o:·... c.lbll';'!"IC.~is dõ! \J~CL'lf':t•O ':f:.::i.:i l .:-0 111
1;Jt:r.~1:·.;i 1ic~)IZ?.c~o dc-s mei.:6 ~11:::r.:.l t11:11 >11(1!: , Or , !iitb-::..-sc qllf' . mrn ·)f.:d . :~ i:L:.lr:,;ão f'.'l'.t11i·-·.,11.:-r 1'i! . .r..r:i ntc: ~eu , Pierre. "le cupfü1l rooilil - notes pr.;:wis01r<!S".
{15 iru :1d:foo:: ::rí1.11dcis dí~ di')sse:= sc-~i::.i:.; t:.!11 1;•1"1.i.-.s n;i.:.~ dar. ... r1i\•~is m.-:.i :':li 1tl(:rn:i~ e.lt?':(laos pul>liC'.ado origi""..a.Jmer.1e. m A cres de ,10 re he rche cn
d . l:it?ra~qu~::i soc~J ...cJ ·11 ·s i;rx lcrres, Peim, >t 31. Jdm..'1r0dc 1980, p. 2-3
A noção de c~pital sodal tmpôs-se como o únlco meio de designar o
fundan:1~n[o de efoHos sociais que! m ,e smo sendo d~rament€ compreendi-
dos no n.tve] dos agent~s singular~s - em que se sHua inf2vitaveln1ente a
pesq~risa estatística-! não são redt.Jtmveis ao conjunto das propriedad~
~ndividuais. po~suidas por un1 agente determinado. Tals efeitos.. ern que a
sociologia espontânea reconhece d.e bom grado~ ação das '·relações '· ~ são
purtlcu~arm.ente visfveis e1n todos os casos em que diferentes indiv3duos
obt~rn um rendirnento n1uito desigual de; um capita] {e.conõmtco ou cultural)
mats ou 111enos equivalente, segundo o grau em que: eles podem mobili2ar,
por procuração o capital de um grupo (fanniiia. antigos alLmos de escolas
1

de ··elite·', dube seleto, nobre-za, etc.) mais ou menos constiturdo.t:orno tal


e mais ou menos provido de capital.
O capttaJ social é o cônjunto de recursos atuais ou potenciais que estão
ligados à posse de uma rede dtJráue1 de re~ações mai.s ou menos instítudo-
n<:Jlzadas d~ interconhecimEmto e de 3nter·reconhl'.K:hYt1~mto ou, '2m outros
tennos. à vtncu laçao a um grupo, como conjunto de agentes que não
somente são dotados de propriedades ç-0muru {pass~veis de serem perce-
bidas p'2lo obs~ri.~ador. pelos outros ou por ~l es m'2smos), mas tambªm são
unidos por ligações perff1anentes e úteis. Essas ]jga,yões são 'irredutiveis às
reJaçõe.s objetivas de pro:·dmidade no espaço fisko (se-0gráfico) ou no e~paço
êconômic.o e social porque .são funda.das em trocas iru€paravelmmre materia~s
e slmbólicas cuja instau ração e perpetuação supõem o re·conhecin1ento dessa
proximidade. O vofume do capital sodC'Jl que um agentt: ind!vidu.al posslll
depende então da extensão d.a roo~ de relações qu~ g)e pode efetl-vam~ntª
•nobüizar e do volw11e do capital (econômico ~ cultura] ou simbólico) qu(:! é
posse exclusiva de cada um daqu-etes a quem está bgado. 1sso significa que 1

ernbora seja re!ativamente ~rrooutlvel ao capitaJ econôrnico e cuhuraJ possuído


por um agente detem1inado ou mesmo pe]o conjunto dl!. agentes a qu~ ·E!st:á
ligado (como bem se ve no caso do novo rico}, o capital s.octal não ~ jama1s
completarnente independente deles pelo fato de que as trocas que instituem
o inter-reconhedm-ento supõem o reconhecimento de um mínimo de
bomog,eneidade '·objéh.•a'' ~ de que ele exerce t,un efejto mulrlplicador
sobre o capitaJ possuido c:om e:xdLuúvidade.
Os lucros que o pertencil11ento a u n1 grupo propordon2' estão na base
da soUdariedade que QS torna poss.ivel. O que nao signifka que eles sejam
consden.ternenié persegu2dos conto ta.ls~n1esmo no caso dos grut~s que,
corno O$ dubes seletos, são expressamente arr,anja<los com vistas a concen-
trar o copJtat social e obt~·r Es n1 o pl~no benefid o do efeito multiplicador

"/'
impdcado pela concentração e assegurar os luc~·os proporcionados pelo de! acumulação e mano.tenção do capital soclal é tanto malor quanto mais
pertencimento - ]ucros materiais como todas as espécies dº '·set"\.'1ços·· importante for esse capital, sendo que o limite é representado pelos
assegurados por rela.ções úteis., e luc~·os simbólicos 1ais con10 aque:!es que detentores de um capital sodaf herdado, slmbohzada por um sobrenome
estão associados â participaçã.o num grupo raro e prestig1oso. importante, qlle náo tf,!m qll€ •··relacionar-se'' com todos os seus ''conhecl-
A exist~ncla de uma rede de relações não ·é um dado naturaf. nem dos ··. que são conhecidos por mais pessoas do que as que conhecem e
mesmo um ''dado social". constituido de tun a vci por todas e para sem pre que 1 sendo procurados por seu cap1tal social, e tendo valor porque
por um füO social de instituição (represenraclo no caso do grupo famiHar. 'conh.ecidos!' {d. '"eu o conheci bem r-), estão em .condição de trdnsformar
pela definição gen.ea/6gica das relações de parentesco que é característica todas tis re~açóes circunstanciais em Jigações duráveis.
de uma formação social), mas o produto do trabalho de lnstauração e de Enquanto não houver instituições que pem1•tam concentrar nas m ãos
rr.ariutenção que é necessàrlô pa ra produzir e repi-oduz]r relações duráveis de um agen[e singular a totalidade do capital sodaJ que funda a ex]stêrida
e úteis. aptas a p roporc]onar lucros marêrials ou simbólicos. Em outras do grupo (famma, n~çào , mos também associação ou pa11ido) e delegá-]o
pa~ai...1ras a rede de ligações € o produto de es[rategias de investimento para exercer, graças a esse capital coletivamente possufdo, uro poder sem
social consciente ou inconscientemente orier'l tadas para a instituição ou a relação con1 sua .::ontdbuição pessoal, cada agente deve participar do
reprodução de relações socta~s dir~t~m,e nte utilizáveis. a curto ou longo capita] coletivo: simbolizado pelo nome da famiHa ou da linhagem, mas na
pra2o, isto é, orientàdas para á transfom1açã..o dr.2 relações contingentes ~ proporção direta de sua contribuição, isto é, na medida E!m que suas ações,
como as relações de viZinh ança~ de trabafl10 ou mesmo de parentesco, em ua.s palavras ~sua pessoa honr.ar em o gnipo {lrwerX11mente 1 enquanto a
relações, ao mesmo tempo. nécessárias e eletivas. que 1mpllcam obr~gações dºlegaçáo 1nstitucionalizada, que é acompanhada de uma definição expli-
duráveis subjeUvamenfe sP-ntidas { entit11Q.íttos de r~conhedn1ento, de cita da.s responsabjJidades, tende a limitar as conseqüências de falh(3.s
respeito, de amizadt;!, ek.}ou jnstitucionéllmente gar.:;:inUdas (direitos). E isso individuais, a dele9ação difusa. correlata do pertencimento, impõe conse-
graças à a]qu ]mia da troca (de palavras, de presentes~ de mulheres~ €te.} qü~nterrJente a todos os. membros do gn•po. sem distinção ~ a caução do
como comunicação que supõe e produz o conhecim en o e o reconheci- capital coletivamente possuido, sem colocá· los a salvo do d~crédito que
mento mútuos. A troca transforma as coisas Lrocadas em signos de pode ser acarretado pela conduta de qualquer um deles. o qu~ explica que
reconhedme_nto e, mediante o reconh~c i mento mútuo e o reconhecirn~n:to us ''grandes'' d12.varn. nesse caso, empenhar-se em defender a honra
da inclusão no grupo que el~ imp lka: produz o grupo e determina ao coletiva na honra dos membros mais desprovidos do seu g.r upo)_ Certa-
nlesmo ten1po os seus Umites~ isto é. os 11ffü[l2S além dos quais a troCBI mente, é o mesmo prindpio que p roduz o grupo instiruído c.orn vistas à
constitutiva, c,om€rc'o comensalidade, c.asacttento, não pode ocorrer. Cada
1 concentração do capital e a concorr~nda, no interior desse grupo, pela
membro do gmpo encontra-se assim i.nstllu1do como guardião dos Jimite5 do apropriação do capirnl social prOdL Jzido por esta concentração. Para
grupo: pelo fato de que a definição de critérios de entrada no grupo está em circunscrever a concorrência interna em limites alé!m dos quais ela com-
Jogo em cada nm.·a indusão, um novo membro pod erla n1odificar o grupo prometerêa a acumulação do capital que funda o grupo, os grupos devem
rnudando os limites da troca legltíma por uma forma qualquer de ·'casarn'2-nto regufar a d]stribuição. entre seus mern bros, do dir~ito de se mnstituir como
desigual.,. É por isso que a reprodução do capital soctaJ ~ lr~butárta , por w11 ·tfol~gado clo grupo (mandatário, plenipotenclário r representa·nte, porta.-
Jad.0 de toda~ as institujçóes que visan1 n favor~cer as trocas Jegfümas e a
1 voz), d<t engajar o capital socjal de todo o grupo, Ass irn os gnipos
1

~xduir as trocas ilegítimas. produzindo ocasiões ( ra11~. :es, cruze.1ros. caç~das, insUtuidos delegam seu capital social a ~odes os seu.s membros ~ mas em
saraus. recepções. ºte.), lugares (bairros chiques, escolas seletas, clubes. etc.} graus muito d ~siguais (do simples Jeigo ao papa ou do militante de base ao
ou pr~ticas (esportes chiqu<3s, jogos de sociedade. cerilnônias culrurais, erc.) secretário-geral}, podendo todo o capital colt!tiVo s~r jndit,iiduo 1'izado n un1
que reúnem de. n1ru1e.ira apar~nLemente fmi\ü(a! individues tão homog~neos
1 agenrn s1ngular que o cone.entra e que. embora tenha todo seu poder
quanto posslvel~ sob todos os aspectos perUnentes do ponto de v]sla da oriundo do grupo , pode. ·exercer sobre o grupo (e em certa n'ledlda contra
e:·dstência e da persistência do grupo, Por outro lado! a reprodução do capílãl o grupo) o poder que o grupo lhe p~rm~1e concentrar. Os mecanismos de
sedai também &m'burária do trabalho de sociabilidade. série conilnua de trocas ddegaçeô e de rep resem tação (no dup]o senr3do do teatro e do din~ito) qué
c-,md e se afinna e se reafirma ince5sôntemen te o reconhecimento e que SU[X>º-, $C i mpõem ~ sen1 dúvida, rn.nto mais r•gorosarnente quanto rnals numeroso
al~m dº urna competência espedfic.a (conh~ciml?.r'l.to da~ relações geneaJéJ9ícas Jo r o grupo - como urn a das condições dr:1 concentração do capital social
e das ligações reais e arte de u1i))zá-las etc.} e de. uma dlsposição adqu1rld~
1 (enrre outras razões porque t)erm~tern a numerosos agentes diversos e
pcxa obter e Cllan1~r essa competência, um dispéndiô con -h~nte. de tempo dispersos agír ··ccxno urn únlc(> homem'' e u~trapassar os efeitos da füütude
e esforços (que t~n1 seu €Qllávalente ·em capital econômico) e també111, qt 1 os iiga 1 a1rtJvés do 'U corpoi a um lugar e.a um letrlpo) contêm! assim!
:i

muito freqüentemente, de capirnl econõm:co. O rendjmento desse trabalho u pt·in 'plo de um desvlo do e pH ] que eles fazem exisnr.

68
Os três estados do capifal cultural!

PIERRE BOURDIEU

Trnduçôo; :MAGAf..l DE CASTRO


Revisõo ~écnjççi: MM!i'\ AL.ICE Í\°Olfi JrJfl,.!i,

Fan~e; Boi rrdieu. Pl13'1e, nl es trais.étal.s du ca.pilzll a.tllwd". 1;ubli-


~o -0tigit\.:ib11en1'.l lo Acre.s àe 1'rJ reclir;!rçfle en .r;.:;lences
sqçíales., Paris. n. 30, OCt.oemhro de 197'9, p. 3~.
A noção de. capital cultural primeiramente, como
jmpôs-se, hipó-
tese indispensável para.dar conta da desigualdade de desempenho ,escolar
urna

de crianças pro\..ieniet1tes das diferentes classes sociais. relacionando o


·· ~u cesso escolar", ou seja, os ben'3ficlos espedúccs qu~ as crianças das
diferentes classes e frações de classe podem obter no n1ercado escoiar1 à
cllstribuiçâo do capitaJ cultural entre as classes ~ frações de classe. Este
ponto de pa:tlda intp1ica em urna ruptura com os pressupostos inerentes.
t~nto à visão comwn que considera o sucesso ou fracasso escolar como
~Jeito das •·aptidões" naturais, quanto às teorias do ·capital humano '' •
1

Os economistas tern o m~rito apar12nte de cobcar exphcítan1ente a


questão da re]aç~o entre as taxas de lucro a.sseguradé\Js pelo investimenro
educ~tivo e p~lo investimento econôn1ico (e de sua evolução}. Entretanto,
alérn de sua medida do rendimento do investimento ·escolar só !evar em
conta os investin1entos 12. os bºneficios monetá rios 1o ll diretmnente
.
. dos estuclo5 e o
co;1 uer.s:foeis em d inhe iro.. como as des•)esas decorrentes
"Jqulvalente eln dinhe1ro do tempo d edir.ado ao ,estudo! eles também não
podem dar conra. da prute reiativaque os difer~ntes ~gentes ou as diferentes
classes concede~'r1 ao investimento econôn11co e ao [nvestlmento cultural
por não considerare1n1 sjstematicaménte, a estrutura das chances diforen·
c.ials d e lucro que lhes são destinadas pelos diferentes mercados, em função
do voltune ~ da és:trulut·a de sel.l patrimônio (d. em particular, G.S.
BECKER Ht~man C apital, Nova York, Columbia Unjversity Press 1964),
1 1

Além disso. deixando d12. co.locar as estratégja~ de; LnVéStirnent,o escol~r no


'Onjunto das estratég~as edL~caUvas e n o sistern~ de ·estratég~as de repro-
dução! sujeitarn-se a d~ixar escapar, por um paradoxo necessárjo, o mais
1 cu lto e de.tenn·n21nie soclaJmente dos inve.sHmentos educativos, a saber 1

a transrnissão dornéstica do capUal cultura I. Stias jnterrogaçõ es sobre


relação entre a ,;i:tptidão" (abiltty) puta os estudos e o j11vestim er.to nos
1 1
Gstudo:; provam que eles ignoram que a ' apt;dão· ou o ·'dom·· são lambém
produtos d~ um in•...eslim€nto e1n tempo e em capital culrural (Id., p. 63-66}.
Comprcendekse. e:ntão, que , em se tratando de avaliar os benefidos do
investimento escdar, s6 U1es. res1a se interrogar sobre a rentabtlid~de das
despesas com educação para a ''sociedade '' eml seu conjunto (social rate

L f\•J tnl. I' ri,;: 1 rn co r.cit't.} ~n :;• rn( · n c:, cun t-1 L1q11i. m ~gnr dt! faze- lo f111~i~L:::u 11lr1.:1-~iJ rm r,:;
i-. n• d~· " í?f, ~o m ' tnl) tni11 • 1.• 1uC)fn.'i11co t! frmnal. i t _ . '"1("()n i;i" JlO ~.ei:rthfo rnJJs i.:oroum
" 11 1. 1t n n1· 1mh·t.1,, ,, ::-~ 11 1:1 d1. 11• t .1 1~ 11
11
of 1·e tu rr1 ~ rd., p. 121 ) ou se bre a contribu1çi)o que a educaçi:lo traz à integrante dd '"pessoa", um l1~bitus:1 • Aquele que o possui "'pagou cem sua
"produtividadê nacionar' (the sodal g<J in of educa tion os me,asvrnd by própria pessoa" e com aquiJo que tem de mais pessoaJ ~ ~eu tempo, Esse
its elfects on na tional produçtJuHy: ld. , p . 155}. Essa deHnk;~o tipica~ capital ''pessoal" não pode ser cransmiHdo instantaneamente (diferente·
mente fundonali~ta das ftmç.õe~ da educação. que irrnora a contribuição mente do dtn he1ro, do t1tu1o dº- proptiedad e ou mesn10 do titulo de nobreza}
que o si~ t ema dº ensino tra7. à reprodução da ~strurura sodat, sancionando por doação ou transmissão nereditár;a,, por compra cu troca. Pode ser
a transm issãô h.ereditátia do capl1<l! cuJtural, encontra-se., d e fato, ~mplica­ adquirido, no essendat d e n1ane1ra totalrnent~ .dj55irnulada e inconscic:;mte,
daj desde ª origem. numa d~'!finiçáo do ''capltal humano " quº, apesar de e permanece marcado por suas condições primitivas de aquisição. Não
suas conotações ' hum ~n.ls.ta.s '', náo escapa ao econmn.icismo e ignora, pode ser acumulado para a!én1 das capacidades de apropriaç~o de um
1

dentre outra~ coisas, qU€ o rendhn ento escolar da aç.iio escolar depende agentª síngular: de paupera e morre com seu portador (com suas c.apaci·
do cap[ca[ cultural prev1am nte investido pela famíHa e que o rendime!nto
0
dªde.s biológicas: sua m,e mória , etc.). P (;>.lo fato de estar l;gado, de múltiplas
econômlco e sodal do cerhfl~do esco]ar depende do capí1aJ Sbcial - fonnas, à pessoa em sua síngu(aridade biológica e ser objeto de un1a
tan1bém h 0 rdado - que pode ser colocado a s~u setViço. transmissão h ereditária que é sempre altament,e dissimulada, e até mesmo
O capltüJ cuhural pode existir .sob três forrn~s: no estod o incorporado. invisiveJt ele conscítu i um desafio para todos aqueles que ll le aplicam a veJha
ou sejat sob a forma de dl posíç.Õe5 duráveis do organismo; no estado C! inextírpâvel distinção dos j1i.irista.s gregos entre as propriedades herdadas
obje ti0Qa'o. sob a fonna de bens culrurais - quadros. nvros, dklonários, (ta patróa} e as propriedades adqu~ridas (epikt€ita) , jsto é, acrescentadas
lnstrumenlos, máquinas. que constituen1 indít:los ou a realização de teorias PªJo próprio indivíduo ao seu património hereditário; de forma que
ou de çriricas dessas Leor~as, de problemáHcas 1 etc.: e, e.ufirn . no es tado çons€gue acumular os presHglas da propriedade tnata e os m~rjtos da
1nsrHudona /jzodo1 frnma de objetivação q ue é predso colocar ~ parte aquisição. Por conseqüência1ele apresenta um grau de djssimulação maJs
porque. corno se observa em r~lação ao certUrcado escola.r. da confere elevado do que o capita[ econômico e , por esse foto está ma]s predJsposto 1

ao capital cultural - de que é, supostamente. ô garantia - propriedades a funcionar cOlno capitaf simbólico! ou seja, desconhecido e reconhecido)
tnt12iramente o ri9inais. exercITTldo um efaito de {des}conhechnento, por e.xemplo r 110 mercado
mutrimonJal ou no mercado de bens cuJru rais, ondt2 o capHal econõm1co
não é. plenam ente reconh ecido . A econom ia das grandes coleções de
O ESTADO INCORPORADO plr:itura ou das grandes fundaçõ€s culturais, assirn con10 a economl.a da
assistencia, da generosidade e dos donatlvos, repousam sobre proprieda-
A maior pa rte das propr1edades do capita] cultural pode infertr-se dC1 des d() capital cuttural, das qua'is os economistas n~o conseguem,dar conta.
fato de que! em sQ.U esté)do fundamQntaJ, está !Jgado ao corpo e p ressupõe Com efeito, o econon1icistno deixa escapar, por defjnição, a alquimta
sua ~ncorporo~ao . A acurnulaçAo de capital culLural exige uma r'ncorpó proprian1enle sedar peJa qual o capital econôrnico se transforrna eln caplcal
ração que, enquanto pressupõe um trabalho de ,nculcação e de ~ssin1iJa­ slmbólko. capjtal denegado ou. mçiis exatamente. não reconhecido. Ela
ç~o, custa tempo que ch~·.;e ser inw~stido pessoai1mente pelo inve.scidor (ta]
jgnora. paradoxalmente r a !ógii:;a propriamente simbó]ic.a. da distjnção que
como o bronzeam ento , essa incorporaç-80 r1ão pod~ efetuar-se por pro- assegura. por acrésclmo, benefidos matmiais e sjmbólico~ aos detentores
cl1raçãof_ S~ndo pe.5soal, o trabaH10 de aquisição ~ un1 trabalho do de um forte capirnl cu ltura] que retira~ de sua pcsiç8,o na -estrutura da
"sujeito '' sobre si me.smo (f~la·se em ''cuHivar-se''}. O capítal culL'liral é urn distribuição do capital cultura', um i·a 1or de rarfd<Jc..fo (~ste valor de rartdade
ter que se tornou ser, uma [Xôprj€dade que se fez ,c orpo e tornou-se pane tem por principio, em últin1a an~Jise. o fato de ciue nem rodos os agentes
têtn lT)e los €conômkos e cukuraís para profongar os estudos dos fJJhos
2. S~u ~-.~.P, que. d.? ~t'l.-; ~ me:-Jda.~ d r:~:pil nl ~JJk11r;1l. itS mmos ir~fll B3 s?.ci i!iCJUehs ti·,:i.1 r~:n?..m por
µí>dr.11:> (f,~ n-teéld~ o ~f."lli,DO rú: o~wslç,fo - ram tt ,•if.d 1;r'io, certrirrL':'nW de n~ o re:lmr .y 11,m,,uC•
o'e e~rn!:.:rr1?.ni;..:::o t? ch le\.'ar i.'1n conln a pri111,;:ira a-11 -ri~';.1() fa11niliar, dvrxk1-lht? 11m 1J<ilai pusiliv1J ( ~
11111 L1.~mro g.t..11ho . d<'. 11m r:i•.·a~v:• .:.111 rH!Qõb'v , (de um tcnir.xi r>e:'t<lido e, d~4pru rnrm fe. n 1::i. "'uz q1 1c 3. Sl:!:Jlli""se qiwe a uüliL1 ç<'io ~~J P.Xpk 1ra.::ho d o ci'lp it.ll ctJILural cck :-c. pH.blli!m:1s ,, rt';;,:11;,J.Tês t.Oi>
~;!;O'~ 1 i.~ressàrio }iil!tlt1T1"!m)Jt"> p;ira oorr!~ifr ~JJ ' o1t:rn1..:i5) se.gunrlo i'I cl'b1(!1~..:;1a an rel::..:;i:"k; lis. fô!Ífl.~i:las de~et'l'l<:::::-es do Ci'lf')1tal fi'11:;o~1rn 11ico ou poolico, q•.u:r ,;~ 1r;;il e cfo tl:!("Cí.!l~S µrivc.th.>t· ou. rn-i ou~rn
::lo r11c1151r';.o:J <".!:OOlc1r ISmiil no:.:e.SS.:hY.i dizer. pifü' '!1•.-t;ir .:11J kTuer m~1l ..:h. 'f.l2 l?S&I rNo;.1~ IÇ'l1 J P.Xtr~•~, rk ll•11t:ir~rim q·.~e eni p> cgam ·• q11a::lr~:s - d:-:rndos cl1:: e m;:i cornpetenda -~ul1'.J1 nl
1-:.0 O im[) lja:i ~rr; (.(11, kll I lf" !e:c1J 10:'.ÍI 11001 <lt. 1•1 ~br cf.os \.~r~'t lic1CJ!I (l.!iCTJ~T•"'!S e lirr1i;1•Hi> <lo rogisb"i'.'ú a 171p11'·rí1r' t 1.~'Clll r1! l~r d os 1tü•.•r:s .'.•Jt!\'~rl{!S (fo E.s~\7CÚ:) .:.-::.."1J1C compra~ esse r.~r.,tnl ('Slr~1a o 11?nl~
r;:faç.ão que .se e• l ;:,hr~e:e, llU.:. (,i1os, e.11tri' u:m CE!'lo ~JJÍ <il .::111f.1rral e i'l'i lei . tlJ rr11~r..-"ldo e;.:cl1fl hriaJn i pe-.sct1 s.un çõm1.,r.1~ u p1•,·' t:<1 - e que signitici:ln: pk·.i-..:,;j b p tÚ~Jno eJei1a d::
T<ilv!'.'J. nê.ir: Sl~ja in~rl.11, lo· li't'via re::odar 1111 i~ dt~po:=i....çõ.~ r narci'lo!ifl~ (:om tnn i,.•alnr 11~~trç(J na 1 • k11Ti.1i:;.to q ui' P Yl>il lf)ÔC d1.,sl "füloçfrc dn depend~di11,? C<:i1r10 ' L>t11: enl1'.n rapi~at- o qu.:
' , 1
me-.:,,dro 1 da: l'ti&-:n1 ter um i,.r1l1 >"1 ;1ltami;!nle p::isilrvu é ff• 0 11tros rnercoclcs - e, em r.11irnein:: ~·..r:•itr, 'I' l',fX',•:.sa t l)ur' l't'Ttil~ C:'tnpn:!Si'JS - :1 ,fll 1"'.< 1 ~n1r. r ~ f11.:irlridvr&i d(.!:S.Sa ~pll r\I - t; <Jll~ f.;Q::J'!
cl&i .•, 1:.;is roi!l.:i1; f?es h :.'.~üft!'. ti Sã.a ck aul,~l k l t lo tipo de c:orj(ífX1Lh n ~ r11•'.i1W'1..,..,

74
além do minin10 necessário à reproduç~a da força de trabalho menos O ESTADO OBJETIVADO
valorizada em um dado momento histórico}.
J\.1as é, sem dúvida, na própria lógica da transrnrssào do capltal cu1tural O capital cultural no estado objetivado detém um certo n(m1ero de
que res~de o prindpio mais pod_f!roso da eficácia ideológic~ de.ssa espécie propr1edades que se definem aper'Jas em sua relação com o capital cultural
de capfü~l. Sabe-se por un1 fado, que a apropriação do capitat cuJtural
1
eln sua forma jncorporada. O capital cultura) objetivado ern suportes
ob)erívado - portanto, o tempo necessário para realizá-la - depende, ma.teriats~ tais como escritos! pinturas, monurnentos etc ., é transn1issível
principalmente, do capltal cultural incorporado p elo conjunto da famllia - em sua materialidade. Uma.coleção de quadros, por e..xernp~o ~ transrntte-se
4
por intermédio. entre outras co~sas ! do efeito Arro\V generafü.~ado e de tc~c) bern (sénão rneJhor, porque num grau de eufemlzação superior} quant-0
todas as. forrn as d e transm lssão implldta. Sabe-se! por outro lado, gu e. a o capital econômko . .Mas o que é transmjss1vel é a propri.edade jurldica e
acumulação inicial do capital cultural - cond~ção da acumulaç8o rápida e não (ou não nec'2s:Sartaff)(;!Jl fe) o que constitui a condiçao da apropriaçêo
fácil de 1·oda espécie d0 capital cultura] util - só coméç.a désde a origem. spedftc:a, isto é, a [)osse.ss.ão dos instrumentos que permilem dºsfrurnr d~
sem atraso, sem perda d.e ternpo, pelos n1ernbros das fa.rnUías dotadas de um quadro ou utilizar uma mâqu~na e qw~. Jin1itando-se a ser capital jncor·
um forte capital coltural; nesse caso, o tempo de acumulação engloba a parado, são subn1etidos às mesmas lels de transn1issão.
totalldade do tempo de socialização. Segue·se que a transmissão do Assim. os bens culturais podem ser objeto de uma apropriação
capital cultural é, sem dúv1da , a forma majs dissimulada da transmis&ão rnatet[al. que pressupoe o ca.p ital econômico! e de un1a apropriação
h12red1tária da capitali por Isso, no sjstema das ~stratégias de reprodução, ·irnbóllca, que pressupõe o caph:al cultural. Por conseqGência. o propne-
recebe un1 peso tanto maior quanto n1als as formaS_ diretas e v•sive]s de tário dos instrumentos de produção deve encontrar meios para se nproprl<lr
rransmtssão tendem a ser mais fortemente cenSUt'Çidas e controladas. o u cio caplrnJ lncorporado que é a condiçâO' da aproprêação espº'cífka. ou
dos serdços dos detentores desse capital. Para po.s~u]r rnàquir'tas 1 basta ter
Vê, se! in1ediatarnerite! qLJe é por intermédio do tempo necessário à
capHal econõmlco; para se aproprlar cl~las e utili~-:l~s de acordo com sua
aquisição que se estabelece a ltgaçáo entre o capital econõmlco e o capital
d<Jstini)çào ru:pecífk:a (definida pelo C<1pital cientifico e tecnol6gjco que se
culturaJ. Com efelto, as diferenças no capltal cultural posstüdo pela forn1Hci ·ncontra lncorporado nelas), é predso dispor. pessç}alm ente ou por
ímpltcaJn em diferenças: primeiramente, na prQcocidade do inicio de proctiração! de capital incorporado. Ess.e é, sem duvida. o fundamento do
empreendimcmto de transmissão e de acumulaçáo, tendo por llmite a plena st()h.1s ambíguo dos "quadros'': se acentua1nos o fato de que não são os
u1ili.zaçãc da totalidade do t empo biologic-0mente. disponfvel. ficando o pos~uidores {no sentido estritamente econômico) dos lnstrumentos de
tempo llvre máxlmo a serviço do capital cultural mâxímo; e depojs na produção que utilizam e que só ti.ratn proveito âé seu capital cultural
capçicldacle assim defintda para satisfazer às exlgêndas propriamenta vendendo os ser\.1iços e os prcK.lutos que esse capital torna p0$5Íveis,
culturais de um emprºendim ento de aquisiyao prdongado. Além disso, e colocamo-lcs do lado dos dominados; se ins~stimos no fato de que tiram
correlativamen1e , o tempo durante o quaJ determinado indiViduc pode •;eu~ benefidos da utilização de uma forrna partictJlar de capital. coJocamo-
prolongar seu ernpnumdinrn.n to d12 aqu1siçao depende do tempo Hi.. 1re que los do lado dos dominantes. Tudo parece indicar que: na moolda ~rn que
sua família pode lhe assegU rar ~ ou seJa. do tempo llherado da necessidade cmsçe o çapite-1cult1ural incorporado nos instrum'2;ntos. de ptoduçáo (e 1 pela
econfünjca que é a condição da acLunulaçno 1n~cia l (tempo que pode ser 1n e.sma razão . o tempo de incorporação necessáir>o para adquirir os melo~.
avaliado como tempo em que se deixa de ganhar)·. ]U12 pennitam sua apropriação~ ou seja, para obedecer à sua sntenção
objcUva , sua destinação, sua função}. a força coletiva dos deter. ores do
·.J pital cuJtural tenderia a crescer, se os detentores da e.spéde dominante
1 1" capl ai não estivessem em condlções de pôr em conccnência os

d :tentares de cap~tal cu]~ural (aliás, mcHnados à concorrência pe as própr!as


4. O e: ue designe p01 Ed~ito Anu.•./' getiC'r~il:ddo <llJ <'J.'I o fat<1 d~ qu(? o rnnju:ntc de ber~~ cultu~i~.
1 ondiçôes de sua seleção e formação - e, em particular, pela lógica da
quaàos, mornimen~os. m ãqui11Us, dtijelois 1n~IJ..ilba;.lt:-s .. i..:1n 1;.:i'ftk11~v. t~do.s llqueles que f;:.~em
p~1w 1:-: 1n.;il 1 am~JL~m.::: nural. exe"em um otl.:im <!duczrli\IQ 1:-::i;r 1:1.~~ slm plL'.5 Ç:XI.. : "' .:a, ~. !'.em r\ ... mpe iç.ão escolar e do cm1curso).
::lú...id!i, uttl de~ ÍMC'4 s esu'ulur~ü; dõ!. e.'<plcsão escolar. 110 si:m1x:lo em 'JUe o .;:ru..-.u n1..:r.10 rl.:i
riu~ntl6ide de Cil[)it<ll c.1.1lturL'll a.::ui nul edv r..:; ~li!do 00J1"!li'..1nclo ?.O 1m.:!1 JI :i. a a.ção ocuCDtwa O capital cultural no esrn.do objetivado apresenta-se com rodas as
(llltô 1llacl(' ~mcnt<!. ~~•o!'c!du pelo m~5::> 1:imb5eJ1le. Se ~e ~Kril8.;;C1 tM1 ri 1<;1o !,/ fa~o : 1.: q\Je o .:-a'piic.tl
r.111111· .1i11i;;mr.iotad 1 cil'•~C.i: 1~;Jn=rt;P.ir.1~n~n:.a. vl'l:·~.e que. E!m .:ildi!l g~.!J.~iio, LT~C•! o (~ti o "lis•.;:111.a
º
1lp" rend t:is de um universo autónomo co12n:ml e. que , apesar de s.e.r o
l'-~c..:il,1~ vc..::f it .;;1111!iokl•.m lr ~01 fl•) t1q\.il5~~o. O fP.i to de que o mesmo inveslime:11Co e<lu ..:Mh.'i..:· t('r:1um
111 odt.llo da ação histórica, em suas pr6prlas le5s, transcendentes ils.
h~:n:.Ji1nf!11:0 ("í G:à"lt l! h! 'Jl1~ d c5 fillt;JCS · ~':rULllJôls &, lnílí!i('âO d~ d~flkJll'!.rt.<õ. [.'10 lodo d.os filtor-és vo1 r des individuais, e que ~ como bem mosn-a. o exemplo da Jtngua -
conjunlur'...1!.s '-Ili e estr~o llgrtdll5 " ti!"11as d~ :rea:llr.ver.>ão do ca.p~l;))j 11 ·rmanecc irredLJtí1..·d~ por isso mesmo, àquilo qu~ cadc agente ou m~srno

76 TI
o conjunto dos agentes pode se apropr1ar {ou seja ! ao capita! cuJtural comparaçao entre os diplomados e. até mesmo. sua ''permuta" (substitt.dn-
incorporado). É preciso não esquecer 1 todavia, que ele só e.xis1e e subsi.stº c.lo~os uns pelos outros na sucessão); perrntte tarnbêm estabelecer taxas de
como capita~ ativo e atuante , de forma mllteda] e simbólica, na cond1çáo conve1iibilidadf:! entrº o capiral cultural e o capital econômico, garan1indo
de ser apropriado pelos agentes e utilizado corno anna e oujeto das lutas r i.,•alor em dinheirlJ de detei·minado capitol escolar. Produto da con\.'ersào
que se travam nos campos da produção cu ltural (campo artisttco. cíentifico. J e r.apitaJ econõmico em capital cultural. ºJe estabelece o va1or, no pJar10
etc.) e, para além desses, no carnpo das dasse::s sodals, onde os agentes. do capl1a1 cukura], do de..entor de determlnado diploma em relação aos
obtêm benefídos propordoneds ao dom[nic que possuem desse capLtal m.Jlros detentorºs de diplomas e , inseparaveJm.ente, o valor em diuheiro
objetjvado, portàf'l~O. na mºdtda de seu capital •ncorporadoz., pe)o qua] pode ser trocado no mercado de trabaJho - o investlnu:mto escolar
s6 1Qm sentido se u1Tt rn]nimo de reuers•bilidade da conversão que e.le
implica for objetivarnenre garnntido. Pelo fato de que os beneficios mate-
O ESTADO INSTITUCIONALIZADO riais e simb6Hcos que o certificado escolar garante. de.pendem também de
- ::11 nnidade, pode ocorrer que os invesr:mentos {em rempo ~ esforço )
A objetivação do capital cultural sob a forma do dipJoma é um dos ~;e1arn menos rentáveis do que s<2 prQvia no momento em que eles foram
modos de neutraJizar certas propriedades d~vjdas ao fato de que. estando rn~lizados (com a rnod}fkação. de fci cto~ da taxa de convertibilidade. entre
incorporado, ele tem os me~mos limites b1ol6gicos de seu suporte. Coni o c3pjtal éscoJa r ~ capitaJ econômico). As eslratégías de reconversão do
dip)oma, ~ssa cert1dão de competêncü~ culh Lral que confere ao seu porlador c:~pital t:?conôrrüco em capital cultural, que estão ~nrre o~ fatores conjun-
um va]or convencional, constante e juddk:amente. garantldo no que diz turais da explosão escolar e da inflação de diplmnas ; são comandadas pelas
respeito à cultura, a alquimia sodal produz urna forma d€ caplml cultural transfonnações da estrurnra das oportuntdades de lucro asseguradas pelas
1

que tem uma autonorni.a relariva em relação ao seu portador e, até mesmo Jifere11tes espéc1es de cap~tal.
em relação ao ·Côipítal cultural que ele posstei: ef~tLvarrtér.ite , em um dado
mrnnento hlstórico. Ela rnstf tur o ~pita) cultural pela magia coletiva, da
mesn1a forma que, s.egundo Merk~au·Ponly. os vivos .instiiuem seus
mortos através do, titos do luto. Basta pensar no çoncUr$u que, a partir
do conljnuum das diferenças infinitesjmais entre as perfonnances. produz
desconUnujdades durá1Jeis e bru tars. do tudo ao nada, como a.quela que
separa o último apro\'ado do prinHúro reprovado, (! ínst1tui uma diferença
de ess~ncia entre a competência estatutari~ment~ naconhecida e garantida
e o simples capita[ cultural. cooshmt~rnente intimado a demonstrar
seu
vctlor. Vê-Sé c.larar11ente, nesse caso: a magj.a perfo1·m·ãzico do poder de
jnstifujr~ poder de fazer ver e de fazer crer, ou, nun-ta só palavra, de fazer
recon hecer. Não existe fronMira que não seja m~gica, isto é, impos1a e
mantida (às vezes. c om risco de v1da) pela crença co,'etiva. ''VerJade
.aquém dos Pireneus; erro além ''. É a mesma d~acd.sis origlnárla que institu~
o grupo con10 realidade, ao mesmo ternp-0, constante (ou seja , transc~m­
clente aos 1ndividuos): homogênea e diferenrn, pela instituição arbitrária e
desconhecida como tal cle uma fronte•rn juridica, e qu€ !n5titui os valores
últimos do grupo, Qiquelés que tê:tn por princípio a crença do grupo em seu
próprio valor e quº se definem na oposição aos outro;; grupos.
Ao confermr ao capital cultural possuído par determinado agente um
reconhecimento institudon~I, o certificado escolar permite.~ além disso, a

5 . Tcim-se, na rrraio:.Jrii'I de.s *'


~·~~;:P_'i, rnduzidc il rnlaçãv dirMlio::i:'J ~ntre o t:ilDlíal ::Liliural Lbje-1ivodn (ci
forma pur ·t!oi.Celen::.i il e .1 e:;ailo) , o cãplt.'ll e1ultur?_ lru:orporad::>, .~ umi.'l d~JCt'i~·ao <:>:i'111ooa da
d~1 <1rl{tç:\r.. do espiriLc pela Ia ra . oo vivo prl" inerte-, da c11a~~o 9"'Ja rotin;,. d~ gn:.~ pekl pt!;'l;(.k:

78 7c
Futuro de classe e
causal idade d'o provável *
1

PIERRE BOURDIEU

T rad,1,,1ç6 o.- ALBCRT STL:cK.rNBRt.: '"'K


Reuisd.Q C~criica: GUILHERME JOÃD DE FRfifA.S T[IXEIR.tt.

Fon ie; Brnmjk,.y, 1::i1erre, ",0.•.,11mlr d4 rl<1s ~ .;.."l" :.!lü.'alllt! éhJ p:'Obo-
ble''. µl~l-:-hdo mt~iMlmente in Relltte fm riçai5ê! de so-
c10.'ogi!!, \.d . XV. n 1, jar.kiro-março <ie 914. p. 3-42.

• Este artigo re:presern:a o rnomi:!Tlfo d~ umi!i pesqut:sa m;)i!> 'Y".:isM cr,ue ;>:rt~1.s d cJ1t.1o&v~mdo, h!'.\ lg~ 1s
a11~. mnt L'Jc. BolLBr'Li'.kl .4.llás. rilg111 IS> rnSlJlt<tOOS p.m.iai5 <ld rr"•~1i11.'1 j~ l~n sido di..u!gi.ldos em
oucr::i.s publichçõe.s (d. P. BOURDIEU, L. BOLTANSKJ cP. MAU)ID!ER. -u. .d ~l~t15.-:>. mJ oor~".
i11 Jnjomrn~lon Slir 11es· flt;ren c~.f .s:<.1cl~.1 Ps, 10 l4), 19/" l. p 45-SG e r> BOURDlEL:. L
Bo t ANSKJe M. dP. SAINT-MARTIN, " 'i: ~tmtégi de n:oo1;·... ~mon- • i11 /nformation &u r les
scJ~rire.s .91 .1alcs 12 i5)1 197"'1, p 61· 11 31 Agradeo::i ~ J.-C. Chambored n "' O. Mcrllit> pelas
obs 7rvaçõ~ (? ~ug.. ·~ó ..!i l) lll fl' lf' fll'ílt lrm:• 11' l'1 nml:• 1ram 1 il.l'a ~w ~Cll ki
A
~stado
teoria da prática utill4ada pelas dêndas humanas, quase sempre ern
irnpJkito quando predsam expllcar a econornia das práticas, isto
1

é, a lógica imanente às ações~ o sentido objetivo das obras e institu~ções ,


oscila, para além das divergências entre as tradíções teóricas, entre o
nl~canici.srno e uma versão gera.lm~té intelectualista do flnalismo. Por
recon hecer apenas díferent~s variantes da ação rocíorial ou da re.oção
me.ccín icl1 ê.\ uma determinação tal como a imposição do pre.ço nu~.cankrunen-
1e formado pelo mercado, delxa-se de compreender a lógica especifica de
todas as ações qmz trazem Cl marca da razão sem serem o produro de uma
meta t'adonali.zada ou, ainda ma3s 1 de u111 cfJculo racional~ que são habitadas
por urna espécie de finalidade objetiva sem s~r.em consd€ntemente. organiz.a·
das ein relação a um fim expllcitarnente constituído; que são inteltgii...rei.s e
coerentes sein sererrt provenientes de urna intenção lnte1~gt!n1e e. de uma
deds8.o de~liberada; que são ajustadas ao Jururo sem sérem o produto de tun
projeto ou de um planoL. A força da altêma1iva é tan1anJ1a que aqu'21~ que
pret·endern reagir conrra o mecanidsn10 de cetta tradição da economia sem
cair rto intelectua1lsrno do '·cálculo econômico., (ou ria ··pskoJogia" a pdori
herdada do utililorlsn10 e do pragrnatlsrrio) com o qual ele comumente
a lterna! só rarmnente escapam às ingenujdades do subjetiv-isrno con1 seu
aparato persona1ista de ··aspirações•! e '"projetos''; e que. inversamente,
aquéles que pretendem romper com as lngenu1dades das teorias subjeti\~stas
da ação recaem, de modo quase: inevitâvél, em um ·m ecanidsino quase tão
ingênuo quanto o da teoria que! transpondo para a ec::.onomia a axiomática
da meca:nic:a clássl~. trata os agentes económicos çomo particulas indiscer·
n1veís submetid~s .às leis de um equilfürio quase mecânico. Com ef e lto>para
dar cabo da velh~ aJ1emaUva. não basta vo]rnr a ur11a fonna de mec.anicismo
majs bem dissimulada ! com aqueles e.struturalis1as que tratam os agentes
- convenientemente rn.duiiclos, grQiças a uma su.pertradução de Marx. ao
papel de ''supol1es!' da estrutura (Trager) - corno reflexos r€dundantes das

L 1 i"-'if' ..,. 11 i'-tises Lem o mente C.<:: ofor,;cli!T 11ma fr~m:a ~>: pressa a r1,, dl1 pia :eoriil C.3 açã.<:1 qw•
li:!Sdrflbra. em estado im1:~idto, t enríi'I ocor: :;miei'l . Cons:iclermi::h~ qua:q11er &:;~o c.-:n:;C)ent • ~
.'I
intencional ç~:) "ac;~I":\ ~f!i~..ó~1nr (L'X prec;sim que. se;;jun.i1~ ;;ua ::-1L~;~'.fl'i'· (), p(k;S~ a :Ser urn
pl('I Jl1.'1!<t,n.~:·, c-I('" 1i:iei ~-=r1ht1.":c nenhum r.:!.iirti mo:kJ dr açêo .;il~ll ~ t"t~ ilo reílexa il eslimt~os
(d ,,.,.m MlSf~<;, Nu11 t111 Arnc11 ti Treà'tis.c 0 11 Eco11otr.1cs. NwHilven. 1949, p. 18·2t:-).
estruturas, ou situar no prindpio das práticas um inconsdente definldo r bj etivas e as disposições. Ela também explka e be.n1! os ca~os em que as 1

corno operador mecânico de fina11rdad,/ . disposições funcionam a contratempo (segundo o paradigma de Dom Quixote.,
De fato~ na grande ma;ona de suas ações. o agente econômico é tanto lão caro a Marx} e em que as prátlc.as sao objetivamente inadap~s às
calcu]ador racionaJ! obedecendo. exdusivam~te à avaltaç.ão racional das oondições pr~ntºS por sª1'ern obj.zUvan1énte ajustadas a condlções esgotadas
chances 1 quanto autômato, de erminado mecanicamen e pelas leis do merca· ou abolidas: basta menc:onar o caso~ prut:icul.an11ente paradoxa!, das formações
do. Prindp)o gerador de estratégjas objetJuas, como seqüências de prátkas sedais em qm~ s~ obs~arn uma mudança pernlanente das cond jções objetLvas
estruturadas qu~ são orlentadas por referência a funções objecivas. o babltus - portanto1uma defasagem permanente entre as condições às quais o habitus
~ncerrc. ç,. solu.ç~o dos paradoxos do s~tido objcljvo sem intenção subjetiva, está aju5tado ~as concllçõe.s às quals deve ajustar-se - e, ao n1esn10 tempo,
entre outras razões porql~~ - a própria palavra o diz - -ele propõ~ e.xpli.citaª uma simples translação da estrutura das relaçõ~s de das.se; nesse caso. a
meme a questão de sua própria gênese cok:!tNa e individual. Se ·cada um dos hLsrere..se dos habltus pode levar a urna defasagem enlre as expectativas e
111on1entos da s~rle de ações ordenadas e orlentadõ.s que constltu~m as as condições objetivas! que induz a impaciência dessas condições objetivas
estratég~as objec~vas pode parecer deterrninado pela antecipação do futuro e, (é o caso; por exempJo, quando os dºtentores de certincados escolares
em particular. de suas próprias conseqüêndas (o que jtisrtftc.a o ºmprego do clesva1orizados que, nornina1men1e, perrn~neceram idênücos esperam. 1

conce1to de estratégia). é porque as prâ icas que o habitus engendra e que são peJo fato de sua divulgação. obter as vanragens reais que>na época anterior,
conmndadas pelas concüções passadas da produção de seu prindpio gerador cstavatn \.inCllJacla~ aos mesmos). E ma1s; de tudo aquilo que marca as condições
já estão prnviamént~ adapradas às condições objettvas todas as vezes em que ptimárws que o habitus . :espera'~ e ''exige'\ ainda que seja a contrarempo, pois
as condjçôes nas quais o hahlt11s funciona rnnham pem1aneci.do idênticas (ou P.le as supõe como condição de seu funcionamento, nada é mais detennlname
semelhantes} às cond~ções nas qua1s ele se c:onstltu1LI. O ajustamento às e.lo que o sjstema dos tndices pelo qual e evocado o sentído' da trajetórfo
ieondiçõe.s objE!tiVá~ é com efelto. pexfejta- e imediatamente bem-sucedido e ocia1da linhagem - o s·enridoit- nulo das fom1ações sociais ou das classes
1

a ilusão da finaHdade ou~ o que vem a dar no mesmo! do rn ecanidsmo mais ·estáveis '' é um caso particL11ar de todas as cônclic;õcs que encerram
auto-n:~g-ulado, é. total no coso e somente no caso em que. as cond•ções de as marcas da ascensão ou do dedínio. Em suma, a. tendência a petseverar
produção e as condições d12 efetuaç~o cojncidam perfeitamenre .
3 ~m seu ser~ que os grupos devem - entre outras razões - ao fato de que
s agentes que os compõem1 são dotados de d;sposições duráveis, capazes
A remanênda, sob a forma do bab itus~ do efeito dos conc.Hd onamentos de sobre.v1v(lr às condiçóes eco:nôn1ícas e soclals de sua própria produção,
prlmár;os. impl2ca qu·e a corr~pond~ncia in1ediata entre as est11.Jluras ~os pode estar na ortg~m. tanto da inadaptação quanto da adaptaçâ.0 tanto da 1
habi[Us (com as representações - a experiência dóxlca do mundo soc;al -
t·evolta quanto da resignação.
e as expécrnHvas - o amor Jati ~ que eles engendram) não é senão um
coso particular do sistema dos casos possíve~s de relações entre as estn,,1turas Era pr~dso evocar, sem entrar em uma análise sistemática.q. o universo
das formas possiveis da re)ação enrre as disposlções e as condições para
pens~r no ajustam<2nto ant~dpado do habitus às condições objetivas con10
2. Assim. ti respeí10 d ~ c~l l'ili~1 i'i!i ili: Durkh~im pr1ra ' !!XpÜCcl:r i11 .gàni'IS~ ,, lo pen. itm~tf'> simbólico·· 1lrn ··caso par[icul~r do possíveri segundo a expr·essâo de Bachelard1 e
1
(e'm ;-'~!?. d~ •·comá-lo c!'.:lmo dado · 1 Clm.icle l h'l·Slrauss ~::n.i;~ o s.0;ulr1tP.. '" Os sociólogos e os
psli;61ogas mi.;dC!lt ~5 reso li.·rmi tl'li5 pmbli?nli"ls '1 p..-J0:1ad!> r<'l'ª lt t:.tlvid.-.ddnccm~cien':..c d..:J ;i.spi1i10:
·evltilr assim unluersolizar lnconsci. ~ntemente o modeb da relação quase
m?.s. ii i2po::.a em c;.ue D11rkhR11n ~rl?v~ , d p k:r)lc:t~~ 2 i) l:.ngill:;ticil mcdem!:'l ll.ÍI 1d e)~() 1i.1vl(lm lrcular de r~produção ÇJuase perfeita. que não vale co-rrjpiernmente. sen ãc
aüngld ::> seus r.TI:m:1pais Nsult~~s . t; :1 qt 1<' <;.'l(:pl~;i a razáo p.:La qual D~kbeirn se :1 li,:irt~::i nMt ullo
0
para os c~sos em que as condições de produção do habitus e as condições
qua \lia 0J111u ui ria. .=intlnonrn~. i:rrdulli.·cl (e já er.:i ·u m progre;."<J <X'Jn...x:l~rii'•'el ·~ rnlaçi10 •.10
p~rl'!> ; 1) 11-:1-.ta :"to flr..-J do si:culo X:X ~j qtil:ll f! llus.11i>do, 11 '" ~:<í!mplo. por SJ.ier.cer): o .;:i'Jrilti!:r de seu funcionamento são ~dent1cas t>u homotétk:as. Nest'2 taso parricUlar,
c~g•) dic!. hls161~il P. o fir.alismo dt'- CóJisC1~nd.1 F:n1r1~ os dois cmcc.ntra-se evidc11tem1m' a «s disposjç.ões consr]tutivas do habitus que estão durave]mente 1ncukadas
} lnrli!dode itKonsciet~te do e.spiriio' (C. L '\1i-S~t~1 1!!S. (n Cl. UUH'•..JL"rCH e W E. :'-~OORE., crls
La s~:m '.Jh,7i~ al" XX" .si ée'c, Pculs, VH'-'l!IL~~ Unir.•i::rrsUair-Fs de Fra.ncc>, l q47, 1 :1, ti 527
pelas cond;ções obj et~vas e per urna ação pa1ôg6gíc:a tendericialm ente
~'Ubli:nb:.do pc:- t in:-.l. As d1Ji1!i )e1Lura~. 1ne.:<miosl.a ou f:ntil:.stri, EdO isu Ir 1 1~-.1 e rn (l,:iJ ..•Ç?is aju5tada a essa~ condições tendem a engendrar expectativas e práticas que
::J t~r"'dil ou Sl1r1•~l ~l'..1:.~mcmrn. :ocla; as ,,.-eze;; que l't ciér-.ci.a d i:c00r•~ n'L:~lc>s.i'.S r~.Jlar.idj)d~s são objetiva.mooce compatíveis com essas condições e prf.>\Jiamru-tte adapti'.'ldas
•:oor6,tl~r..,..·~a::, ()!)r f'i{f'lnj,ik, ::: ::ido - ecu. d eriEtx:L d1is "'Cv1,vmi8S ~!lr'á'l'las trach:fon:iis - d~
:' •Jlh;-.:JId .'lbllr:.di'ln:e q •.1e -imp.ica O r ve.c;L..ll1i'f'1kl dol p:ip1 il11çim l~llíJ -imrlic,!!. '' i'l ~t'l1"2nÓi:. e <I vol:_J 'i suas exigênc1as objetivas; em out:ras palavras sendo o produto de uma 1

i!:: .:?fJl~1m)1fo .1, d(! mndo m<1is ~crul, a iodas as ' L~:1 .di?11cii\s ·· d~m0~r3 f1:- .'l!i ) . .•\ilusão do 1~:-rnosklu classe determ1nada de regu ark!ades objetiva~ (aqu~las q1Je, por (!xernp~o ,
r;u , .;;~undc- ~;utra mel M~ro. ~o l-o.t1 mooi.;t.\ ti'i! . 11 ~ oi>. m Bis Ç,~ que u.~il i ::::rrm1 l"JJ~ ~·' 1 ic.:l' d;is
lt ·q Hnuld;'u:les fmal:Stas .:i. .'.!1 B err.iirdirJ de 5Hinl ·Pi~
3 . Patei ~ri'.. COOC!' d.'i nei."R~~rl(! d(? ser ab1:1n.c!.011, dil ..:1 cilLm 1~tr...\ 1 1-=)ttc meci'lnii:=is n a B li11L1lhm 10, nSo h:i.
m1~lho1 L'!5 .;.x.,m-.pk:s do que' il Ju~o-elitnir'W.Çt'i!; ($;. C.:M da~ manÇ<1s oour.i..1!: dus las.~s 1--.;;ip• l!m~ ,
• 0 d.o R No or..~irn:.11 pe:-ite_
mnls ?.iinrla. u ,:c·~spor~ii"l t'Jllie ., cJu.~ n~ dtC' ~!P.115i\n 5L.:.:::ial e as eslrnt~<l~ rlli! r~~111::Jirlad 1 , íl, ,1\ tan tom.1di1 péa d!:!fa.si}gem im1re as; r:L- pos.)(Õe.5 e: as esLrul 11ra s na Gt~O éa rri\·11sla., Ac i.];,.'()et•..da
cnso em qu.:;. a hipóte::~ oo â J;:1,1lo rti:::.;r:lj1nice i :-ionnl ~ particuà.rm~m.e ÍffilÉ1 múl·.i~ l:!ll{jl tii11co '1' 'ª •·lruí'l b!l111 t o rno nti c.:i 1.J, pm lirnlilm nmta ir.tcrcssar:.I e, .e m q1 1c <!Sse prôel'.'.sso s~ <<f'lr.on1rn
ru. apQréncias eh fimili:.fade $€ ·-,;µ(;~n 1l:(n11 1t:-r\it ÍC>Y~;\ partkuleir. 5'Ju i1m111:J11tQin1aromplda , 1 tà i'lr~lt.sodi1 cm 11m .trtlgc- .ir., í::i..:;12 de llT.r:;Jara ~o.

84
caractetiiam uma condiç.ão de clãsse e que a ciênda apreende através das
SP:: l ~indo o que é "objetivamente vãlidop..J, é aquela que •·ter-se-ia desenrolado
regularidades construídas~ tais C<omo as probabmdades objetivas), essas dis-
posições gerais e transponiveis tendem , então, a engendrar todas as prá·
cr o cs atores tive..."'Sem conhecldo todcis its cb·cunstância~ e toda~ as intenções
dos p~r1idpantesdi, isto é, aquilo que é '\,.é]xfo aos oJhos do especiaUsta'',
ticas ··razoáveis ' que são possíveis dentro dos lirnit€s de..~sas regularidades,
1

un~co capaz de constp.tlr pelo cálrulo o sm


s en1a d.as chances objetivas às quais
e somente aque las1 exdujndo às ' loucuras ~sto é, as condutas vo~adas .a
1 11
,

serem negativamente sandcnadas por serem incompaüve.is com as e,xj-


deveria ajustar-se uma ação ·efetuada corn perfeito conhecimento de causa,
í'i-1ax \oVeber mostra claramente quê o rncdelo puro da ação raci.onal não pode
1

gêncla$ objeI1vas. Em outras palavras. elas tendem a assegurar. fora de


ser considerado como uma desctição antropol6gica da p~'ática. i\tas se é por
todo cálcu~o rado naJ 12. d~ toda esUmativa consdenre das chances de êxito .
~ correspondência lmedi~ta entre a probabiJidade a priod ou ex ante qu.e
riem.a h; evidente que. sa!vo excG!ção, os G1gentes reais estão muilo longe de
deter a informaçó{) comp i'eta sobre a siluaçào que urna aç5.o racional supotia,
está ligada a um evento (con1 ou sem -acompanhamento de experiências
subjetivas ta1s como esperanças, temores, etc.} e a probabiHdãd ~ a poste-
c:olno e.xplicar que os modelos ec.on6n1icos fundados sobre a h lpótese da
correspond~ncla ºrum as chances objetivas e as práricas dão conta, com boa
riori ou ex pos t qu€ p oda ser estab eledda a p arllr da experiência passada !i.
e..xatidao e na 1naioria dos casm;_ de práticas que não têm c:onhedmento dessas
Mas isso não corresponde a voh:ar, p or ot.l'tn~s vias, à teoria da prática d1antcs objetlvas por prind pio'? 1l ' Contentando~se em postular in1plad ta-
utilí:zada, ao menos jmpUcitarnen1e, por certos econon1istas quando postulam, mente a correspond ência entre as chances objedvas e as práticas - por
po r ~xen-Lp~o. que os investimentos tendem a ajustar·se às taxas de tucro cxen1plo, entre a taxa de luc,;:ro e a propensão a inv~slir - e un 1iljnJo
esperado ou réalment€ obtkfo no passado? Par~ tornar rnanif esta a diferença fmmular ~questão das condições d~ po5sib illdade - portanto, dcs Jln~ites
í!, ao rr.esmo te111po, pred~ar as análises anteriores, basta considerar a teoria teóricos e empíricos - dessa corres pondênda, c.k~ixa-se o campo llvre ãs
weberiana das =·probabilidades objetivai;'' que tem o métito de reveJar um dos m~i s contraditórias teorjas e.1<phcativas •
11

postulado5 mais fundamentais - ainda que tácltos - da economia, a sab€r, a


exis1encia de uma ·'rnlaç:áq de causalidade Jntaligíi,..rel'' entre as chances
genérfcas f tlpicas •!) ··existentes objetivam~nte em n1édia' e as 'expºctatlvas
1 1
8 . ~.f. \l.riliE!R. op d1 p. 335-336.
subjetivas''r1_ F~ümdo de '·chances médias··~ isto é, válldas paJ.t;) qualque r um, ~- >t Wi:BER Ê:conc.rnfo sl ;Soei". te. Par:G. Plon 1967, 1. I, p 6
1
para um agente indewrm tnado e in tercamblá1Jei - um ··on ' "" . como dMa 1 O. êr:.::011Lrnm 0.S n1'1 llt~ _trn·~ f~~.loolúgki!i a.-gur.s exi:mp.· :. de C'.ir:.t.n;..,-;:is par.i veri fü:i'ir riire1ame11~"
~:i:.a a:itl-an· , qL• ·• ~ r!.'lr:-ria 0.~onémic:-. <i<:ei'.a cem l n(!i~ f1,111u,'!J~l~1 de rr~neirn iin plkHlil \d. E.
Heidegger7 - e ~embrando qu.f:! a c~Ção raciona!, orientada ·' crit~riosanwnte' 1 Bar;; N5~'.i1K. -.S:i,.os.ti!:m;:.Lic ond reclr~ ·t~1(iÜ'.. " d~lgn of ps.,.ch..:ilo-;liGI cx1;.l?Tinm11r:. - , 'n ,). NJ:.Y
.\~EN' ei .. .Procel"dins.;s o.' rh . fü! ..~:~.'ey S:.,1:iip~.; i !J!)) 011 1\.fo~ li ema ~rro i Stçtl. Lf!;'." ~mo' !?rooo-
c!Jlty. l3i!'J'k~I~~. Unlv. oí Call lamla P°r!'.?Ss. 1 9~9 . p i. 43-:202; M.G. Pl'ili.STON onJ P
Bi\ R..-,,1TA, ''.4.n expe-irne11tal slud~· of Lhi? C"~~;;H·Jb iC o f i'Jn uncer.ain inc:::me" ~P A rYI<: r.car}
5 . l\ia<;i é, lnfdlnn~nt.:.. necess:J.rio kmc;~•r u-.BCJ dt\ l 11'.'l&e.i;e da in::ompreensão ir 1Ccr1Q.:Jti.'.!I ~t~ cm'.praendm· ..b11 r11a ~ af f>sydl:1!og:,.. (61:1. 1948. 1; HIJ- 19:~; f. i\':1'N LJ\\.'I.. "P.-Y.>'cl 1ok:.qiG<i: Proll.:1.bilitli as
que utu soci~ogt: {Jue ::;e rc r-;·,ou ~- •lh\'?LV..ia i;:cr sí!Us ir,1bo1l~u::s sr::bn: i1 tm~fae matP,m:i1:.Ci'l dos faJ:Q.; ar
a r:u1 LCLion. Experi& 11:eâ f r~1i..,ei1cy.. 1 ln j' r,f fx-peri!TIE.';'1~01 P:c>~•::+w~· 4 6 .:2:.. 1<:15-.3. p . 8.J ~füi).
1

50dilis r..50 püSS/J. >:.:Ci 1111t;~'nr1.:t • anttlise das re!.l....;óes dinlc~tiras ·11CIX', (1.,, dL=.po:..:a;&s sul:jetn:ns e as ir<ita:r-se·ia. de Íi}lô . d.;'. cJ"Lm·a~ os pocedi."nentos de l•lflh •... ·rdltdr:1ra ocla.'cg lo t!Xperimeril al,
pr<1b.'lb1ll:fadl?i cblE:f.iVZ6 i!1 rli•.1 s~ a trib.;mdo n;:;:- ~~<'H~<'-'i il )ntenç.ão de nao fiu~ m· r.tl...t .i $ t i!.1isk1: .;.•.,~11"1g de m~lr ~:;variações d.ilos d1s:~s içõcs .11 !..:111lt'lda$ s.<>.gunJo ~ rn1 1d!ç6e.... s-::Jdtii~ d;; c1q1Jl$1~ao.
-0:ijgtj•.1amenl12, is:lo é, SFIJ' •rAio M C!b1citi... tl(".Ji1S, ()S ch~n.c(>:S que um ftli.rt: c!R. ór;...,,.At'x1 rnm ~ emrar Poomi.:1.mos pel1.Silr por ex.err:.1Jlo ;'fr~ l ta nst)Of ~ t~cnk:as 1?mprngolrl.'1 Fkl p~1r.6l~"<l!': le.g. H..
na Cnio.'él:id!ide &io muijo lrí'lt.o.:;, E:..~d.ftdo ~ inclke:lil~ote pi:n:;d.1ldo. l"/Um ,o!a no sub1i;:i;L'O, 1)€]i:;. l IPl!.on:• para estudar l.:Orr'lQ f11ncln11n ~i senso das dist.ãnrL:.s, l ·ll11:{1fllius <•U f~\.1Tr71S grand.:zas., e
aooleE.:1;:11113 (lJÕ\llmie1Ih.!, (X J' ~ >mpki, de Wilil'• fan1ilin Ope'~n::I: í).:1t'11!·P, $~S ~as WTI f)CllC\J m11::; e.orno et'le s.;i: oor:stltlQ: a n1'iájl~e fó:perimer.lal 1 ;em li"llHirtltÓTio iJ i~m •·11rr.bier..tf. natunil ~; d.::
velhQS qi '"' ·lt! ;~ 11Wt1m1X.:.1.; 1<'.S oo mesrri::: meio , '~mi 111tr~ <JI1CJl la::~ nl?.flhum c1Lir,;';.J a ni•.ii u.nii,.~~lár.< dis r.;osi;,;õ1.:s •)1 ;.;, l~11W1!1 e cõnsliLuldas. lai!; .;: 0 1110 o siZl ~'J 1fo · uonl:o·• 2do "foio'' ~~pliti.Kli..> ".l •·n1;;~~
O .=ii!oles.cente çotnpo:rta1~s~'-â, .i--orlar fo. "k r-r1ad o a r-1..~o'lzar aqwki que psrrnc.i: ~rm':-: um d.ado t t.J p.,:)as, a obj elos '·le;ttirr.o!: ~ - ~m qre1 "5 dlf 1'1"ó"ltl?_~ cu üegiLirt;,os et ), da .. rira ... e dti
dr. fale: Q'..lill-d:::> se pertenc~ o llm m -.,::l <fl.!Sl,1i..·~reci!Jo niic se µ1:da entrnr rli.1 IJrtlvrrr.~l:iCY.:le. 1°\ l:lilt1i~ "bãra10 ", ck, "brilh. n le" e do · !ôV.n:.i-, ti<i "dic;tlnto" e oo ·\.ul~~r ·, €h.:. d~1,,·1~t a. lc<..•ar a 15lãb.:il.ecl?T
dea!:~ rup<.)t~'e, di;: 1.~ :"Jlh~ aS L!.~aCislicas relatiOJ:'I$ â fk'>Si!]UDkl~~f· d1~ Of)<ntlJl'.i!Íades dinn.te d::: enSÍr;o os si!:~.:n~ de irclice.5 iµQr <'-"<~Jl;plu, os sotaqu~s.) pi.:::~ i;·.1t~i" $(' fl,,,~f'\.:nu ~16 s.w~eos sor ia is.
niib pod ·111 m:-rllflc:~-$!? nc tempo. um.:i w?z que us mdid:li11)'l SCT l)."lmportarn. no fini:il de cL:n1•1s. d'a e p~r.rnili,r ligaJ ns thf IJ:l'('t'~t~ fotm~!i r.:;vestidas. p01 ele:; ~11 1 \n. "' fanna~.;io scclt1I r..r.~erminl'ldn l1:s
mod o i;i ;ti.Çmler o,,•IZ!'dadcnas LJS est:\fu'licilS prct:iXÍ<'1 ~i~.-· IR. BOUOO):, .L !r.b.;cr!té d.E's crKrrK" \: d~sse:; cr..'rr.;;, p<-md r>:i1t~s d.i=; con.ilições s:::dnib d>.:i p1c)fltJÇ~f~.
Pnrls. P..mmnd Co'Jn. 197 3, i; !J5. srilv ni •11:· 5,~ 11"0 ré d~ficukfode ~m u~ce& 1) r;1Z:'10 µe'..a qual 11. .s..j.) •'"º ;.r q 1~1 ic.11<1rdo svbre <:1& eordic;:;~ QJ...Gr;:"lm.1c.1s e cultúrê:iis do -:.:61·ui• ··~' :nômic~
e ~ulor d~ s111 11i\rio u·n l.J'11o ~urr- · ~:"! 11~P p~cle npre-mder a <m~li···· f.'TC-)'):"iSLi'I s "n~c- tom:i ;r," ;i: :ri"'I ~ a11 .~'l1 1lda a.os ag,enl !!S "': onõmicos- mn ,)l!i'l • ;r.1•.irJ"salidade o u somei1te ~o · í!1njlr~io"
"ftru.lt5i:t1'', e prcdso LID €10 JnLifM . a l)YP@'l!nci::. do par ep~1ertÍo(Jl4Jh'{: CO..""L".1illi!oo pela.s (.'-:rsi~ÕB!i - umi!i n(...tid,;jo para perceber e a:...ollaJ ~iJ.,,~·.J~..l.:11 n<=.ntP. i)!'l c.him:es objel f·_o~ okr1<k'l:ll.S p IC6
apaienii'rr.enl~ o'm{<P CI !tStl! 1 ~li,!. f;1ito Cl"'l'fl(:fl!ft..enltJr~ o;J1) n ·e,;i>.nleu,.nv:-,, e Jo flll~15mD. (;.';Ir.'! Ili' •trE1 1t1E m arcado;;. a p'tid5o q'JI!- tJr~:!t,1 por~a ~UT1t.1 infor.:YJ:.t-;f!o q•.uise 1.,11!.nrlfü'it e:u um .. se11!:.a"
to111;w oKb 4u•J Í' l))~!l a1~li.se seja €scolarrn~nt ~; :'n1akig,a6, a.lgu111.J.::; ~ir..lills 11ci111'1. c.:::~;XJ q ui'lse c..~vi1 :o t.l.is ::: a!iióo..!JS 'fdv111 ~·.1 1;4, S1~J~. 110 lado ~oL~lrh~le 1;pc)~l<,1 t en~arido ffl"'r~s ne;s~·
- 1i~p-Jc i;; <lri rn..:iC"-=rnlsm o cfa repeti~5o .. caso. no merr..-:do tio ;,:o::t 1);1'1 1 d(~ riu<:. no mercildo do lr1J1.xi: hv (JU ( k~ prc..odu~o:'iii de c:;ns1m ·,v. i!
6. Cf M. WEBF R. fa~ll l ....- .çur la thé:; r1í::! J e i'c sci.'!'we. tMJ d"·•~. F~ellné. Pru-i~. Plon. 1965, l• '.'Afl alTihuiciv orA'o mc~t1i t~'?•S itUta-r :2g1.lliY.:IO<S cio mli!r{1Jdo L: ;11xl1•r ei1 1ase: ãl•~C:.uLn d-e. r'2:,~l"." (• 1cg11lét!"
'* N rJo R : én lrc:w i:::l. rnonMt. p1"!l;:...::ial :.rddind::: d:! bcr..:rn-t1r);~ nl'\, <?<e-ce:i
1
s1:.1 r..pre a. lí~; o de suidr0. ·. ."Oni.icies ~ prd"rur) .las flL:.<:., .~m (Jl~-mil an6li<:>e, ~ ~i-ên.-1,~ n. · ~ pr:?Cisa cunh r·:r, ;a qu.-. .,c>:1 f :<?-: 1~
de serir.l ©i11•.i1 ;11(lo , O!l n~<'l"lff'..S n;'Jo t !Ibn c•;.trn escúÜli.'1 $~·1~c1 ~ :'lc 51'.' d l'.!l ermmar em e m fuiiieilu
1. rleide99er 1i~11 ':O.[ lldt.~llh~l í! o oor~ai:a dQ"ml·· ao d .. n 1i ' li{!" t.~l uma pàgiM so.:k-l.o9k~n1~ 11.P
dl~<l f )T~f-:6 dol'in1do~ pelos mecnnis1 noS db (.lfo•rlit r. da prc ura •:e!i5ü5 tlu;1:,:; 1iOsio;~ \J)r,IY.:!'ll)itLi•,•iii:;
~mr>i1t, dL~ lnl modo i: t,, i!:i el D êlfi!:LOtn:o1lisr.'1:.'.l , n1nftrlô q uÇ! ni d~sponli'.'J dit;S~lllllladO r()b <1$
1 0 1

11. J pc1ri ei l,;i~ coi;?Xisti.r sem o duilli~m;:, IJ)er~1t1.i: d ki eolo!]l.a ÔJm111<ir1ti? q•..il' f.!;n •.: 11iêl fY.lS.fürq

aµ"tem..i ;:i:; oo 1nr!1.=&.:.i ~ 1 r. M liE.IDEGGER. L ·t 1rn e i ie teri1ps 1r iid. de R. 13ohtiti ~ A rh~


li1 ~ 1.:>111.~ r'h~~•f:lmw p "~~ Tlol é ~e Cotl\1t1r~nt~ ou 1ti1$ .J1Jlri\$ cl.lsses· c. LLIT!]lli:S G'J!.1 '• t'NI hir-itlmcmt~
'oA.'1:1iilh1:.J '. Po~ L,11<1Uim.:v::J. l 964. p. 158· l 60i, "i1lr-lfll(l!J: li'\ pt.111 !oi 111\t<·mp I' ll Llt •J1,,h• 'l1J 1 ti'I (.t,:; Q IJlnJ , ul~ral p:tTil SH 1 rir rl;,1(.t f)',i'í;, (J 1H)U'll;'C!>,

86
K7
"A CAUSALIDADE DO PROVÁVEL''H A situaç.âo-fün ~te dos ~ubprol12tátios, cuta total ãmpotênda condena à
ltemância entre: o ~nirl smo e a demissão. toma vish:~l urn dos aspectos
A a bstração inerente a u ma teoria econênnica q ue não conhece sen5o da relação e ntre o poder atual e as cljspos1ções: as praticas. sem econorrila
as "respostas " racionais de tun agente 1ndet~nnim1do e intercambiável ein nem estratégia desses h mnens sem futuro e~ em parti cu lar , o abandono
'-'ocasiões pot~ndais '' (responses tô potentJol opponunrtfrzs) ou 1 mais pre- fal ali ~ta à fecund ldu.de natural! testem un ham que. aquém de um certo
dsarnente, a chances ITLêdja.s {como as ''taxas médJas de lucro·· asseguradas palam a r, não € passive] constltuir a pr6 prla disposição es tracégic.a que
p~los dlforentf!.5 n1ercade5.} jamajs sº- rnvela tão daramenm a ·não ser quando írnpltca a referência prática a um futuro, por vezes mui o distante, co1TJ0
os cc:onomistas 1ratam das erono1nias pr~capitaJistas s1.Jbmetlda!; ã domina- se a an1bjçlio ef eti1x1 de dominar o futuro fosse, inconsdentememe,
çSo ec.onômtca e/ou po][tica. Essa espécie de situação expenmental e m que proporc1onal ao p oder ~fottvo pa:ra dorniná~lo. E. ]onge de repr~set1tar um
as cond1çôes do acordo emre as e:)trutur-as e as disposições não se encontram de.smenHdo, as amblções sonhadas e as esperanças milenaristas mcrüfes·
preenchir~a.s, uma Vf!.Z que os agentes não são o produto das condições tadas , por vezes! pelos rnals carentes dão ainda testemunho de que.
econômic.as às quais devem adaptãrlt.se1 rr~ostra com toda ci ei..rjdêncja que a dlferentcmente dessa ''demanda s.e111 efélto", baseada. como diz ~·farx , na
adaptação às exigências da ecooointa é o efeito tanto de t.lma conversão da necessidade e no de5ejo, a ··d º manda efetiva·: encontra seu fundamento e,
oon.scmncia qua nto de uma adaptação mec§nk:a .às r.estrições da necessidade ambém, s€· J-5 ~im iré$ no poder, ined1dos pe]as chançes <le .saciar o d esejo
econôm ira: a invenção pressuposta por eJa não é acesslvel senão àqueles que e satlsJazer a necessidade. As aspíraçõ(ls éfotivas. capnzes de orientar
det~m Lm1 min~rno d€ capital Qçonômico-e çu~tura1, isto ~ 1 un1 nlinitno de poder realmente e.is prátkas. por serem dotadas de urna probabiJidade razoável
sobr€ os rn ecanb mos que devem estar sob seu controJe. Através dos de serem seguidas d€ efeito, não tê1n nada em comum com as aspirações
sonhadas, cfo_ejos ·'sem deLto . sem ser real. sem objerc;}', como djz Marx ~,
1
rn ecanismos auto-regulados do mercado que reveJam a necessidade previsive.J
e calc.i.LláveJ do nl Li:ndo natural o "cosmos econõmico'·, importado e imp osto,
1 ou com os siinples proj(:!1os, proj12ções crn1scl12ntes e explk itas de po$sivejs
exige tadtam•12,ntQ de tooos os agentes econôrn:icos dctP.rminada.s di::.posjções que, igualment e, venheim a acontecer ou não e expre.s~mer"ltº constltu~das
e.., em parl icular, di$posjções no que diz respeito ao tem.po, ta[s como a como flns da nção desUnada a fazê-los advir: no termo do processo ~ isto
predisposição e a aptidão para regular suas prâ tkas en1 função do futuro é. à medida que se livr.:un d~ todas as restrições e de todas a.s limllaçóes,
e dominar os m is~anisn1os econômicos pela previ.são e pelo cálcu]o que para se situar~n1, corno se diz, no ''ideal'\ 12sses desejos 1mag~nários
1
e·;;;tão subrnetidos ao co11trol~ exercido! efetiva mente , sobre os mcsrnos ~ a temJern , como no caso estudado por Shubkin. \ a reproduzir a estn.r,tura
p ropensão prá tica e. por razão ainda ma1s forre. a an1bicão cooscienr~ de social. mas em serr tido irwerso, sendo as posiçoes mais rara.;; na reaüd.ade
apropriar-se do futuro pelo cálculo rac.icna]. dependem ~treirarnente das, ~s m~is freqü~ntes no ideal. Ao contrário, a voco çõo efetiua inclu•,
chances - inscrjtas nas condiçõe~ econômicas presen1es - de conse2guir tal enqwrnto dispos2ção adquirida dentro de certas condições soda1s., a
apropriação. A com. mêntia exig~da peia "'e.scolha das melhores e.straté- 1
' referê nda às suas condlções {sociais} de realização de. modo que iende a
a}ustar..se às potenc ialid~des objetji;.;as ~.
1
gías obje'livas (por exemplo, a escolha de urna aphcação fina nceira , de un1
e:stabeku:irnento escola r ou de uma carreira profissional} é repartida de
rnodo 111uito desigual. urna vez quê varia quase e.\\atan1enh!! como o p oder
do qual de pendê o êxlto dessas estmtégjas , 13. K, MAR..X, Cbauch~ di..me cri.Liq•.n: ~~ l' t•c:ii1():JT1k! j'):::tlitlqe l.!- . ir~ Ü"'Lwres. &on o,mrn. Jf, P,,ri~.
G~llrnard IP!~fnde:. 1968 :J. 117.
11. Sh.1bki11 a hseri,.ia que <J tu1rv-rRJ da · pr::sir.;-6 ~..s :stX:•~ls ld~o: "profis.sõ::::s") dl3::jndas uµre.:.elll~ ri b n
se,gue i'!I r:n n 1,:, lõi;iica ao Sü LnLelectw11ís1a par.il si e m'lf:1'11 1:d~Lil :-::iara ~ ' IJCr-ó!-). Seja en~I m, d.ê um a l~ir~1 11id .,, rnM l:JLI•' repr.<,JScui~ 1m1 s lô',J ·...ér\ic<.:, t ·fJ .~•:!'"11id:-,i 11 ...•err-i:::- da pirnmlàí? clils posiç.õ~
um est01~· foi~o na .5.:;>nj!xJti de escaµut i'l ."::istraçãc l..?1,'..0 1do "rr; l':Jt'ltu a dl:.rrtb ul-:áo dos ra":u. '106 !'° l '.:llrc:."·11i: ;>lê!1\'!l:~das, i,;ll 5e:ia. 1.1 r.•.DTH
::ro UM p J7.'.i.çÕi!s 8 tcml('l m i:.1 !'. qu~.11t1~ in".nc-s 1::-rec::4;;io.s;:,si efo.s
Q d"!.'i ~Jlas irdi'..•i l'.F. 1i'lil) c e P''P.tzr, r'lei"', a s "gJJ!::ru" ou ~ ··mofr.·;)~:"J,,_;:- drJS consun 1lí1(.)r ~ {JU a s~o .V. SHl;.BKIX, - Lc cl 1Gix d\.aJl~ µra ft?SSi.:.in Rtsulmls à 'una e:nquel~ r;OCif:~ó3i1thJ _aLpr&i dl>s
rompei l.?TIL i~ L! .-, hf~rm.açáo Ó(1S '' empresãrins". 11}1.\S fozer_d:~ &b 'l l'i'.'t;"ito da.;; con::t1.:;6~ ecc nôml- ;oi!u~)E°.t cl.;? '" réi.ll•' 1de N:-:'..1C'5lbir!ik.. , in ReL•ue /ra:n.;a1~ dí.! :.c;c.10 ,'u 31e 9 (l :•. 196$, P :i-&-5-0).
r.as ei s:::ci.11~ <f(' produçiio d~<l i'IS d~p:::si(Óf: tJ tfa lôgk a c>~l~ÍÍftll do fu1i.-ior~unl'!1 i~Q das 1r.~m,11~1 15. /\.;sim , ~"1b~i:. ~r:.J, ~m~:-: i'I iibandoncu os .est.udos ~ trufü> mui.S f1.:rte - p~mrinl;'('enda 1guais
E as:;lffJ qu'-'> umil tL~ntetil.•tt tiio origiM~ q1,, nlb ~ ,fa .AJl uzrt: Htrsd um.n 'li •e. rum pendo -::0111 0 1oJ !i CrS { llJ trC.G f;11or!?"õ ~ :i , 1m 1 f.l• ~1'jr,1~1;.;r, ( 1 1°"XICO ;~S40l~rj - q uar:to mtlis Ín'IC"'1S fOR;'r ,, p ;ir;o, i!.
mec.:mlds~ m, coloc,;i ~~~ e 1,:.id!}nt i<1 as J 1it1S estr::.tzjj~s ~lr :tJi•.•idl!ais} que 1~s. ( r.>mumidore" p:.1Jan .:las~ de c rigerr.., <15 ~:1;:irt.;:t,!.S obj~~·.,.·a~ C;_i ('.! ·~90 .i'.! C~ ni~1 1~.I !:: mais "21~<..•;:,::los do Sisl í!JI h.1 d':' ~r~111 :
orx;1 h empr~.'!.:; - ex 1t a d P.lc.!.'Ç<•r> (em pm•.11.!JI:;; dT:. 11111 · m 1::.crif!r.h•) e v:::!c!':', o J?t(.]t~k1 - rião , 0 ;; eff'll~~ · 1-s::.:l -causab:J,.J~ do r;m-..il·Jel" ;; ob.ser.• :1~ pí'lr<t (llún~ ci.as pratkas e .:i.Lé nrh
tlse<:.pa cotrilrr~1·n1. a.e i m.,l.·~1'•.mJismc, ~l'iinéimmen~e.. p 1 1;<!<.> s ituar ~"'.i!.S ~tr:Jilt?_gii>is rJ.:i5 repre-J'i:'.~il l'l~ilt"• ,.11l*"'.~v,1s. c:.C. '1 1tu!:'o e nâ ex pr~são de:liJr:!dlli d(!!. IU;p•JT'bl , ~ A~irl':., i'>ll~ ::nt?..s.mo
siruaç J1::..-: l!;K lroon: ir.árl.r!.i. ft"r~ ielaçiic .;,t, t:Slra1~li'~ n:'lrmali w ~:íle: ada p~arl.fl::: l!:: liihll~Õl'.!3 c ()l)lUJls em um ni·y·..:I ii:!li"Jliltlo tio c-ur . ll IN.T : P<:.r.::urso ef 1!1.u?..clú µdo .r.lur..o iJO 10:100 cfa ~u.1 <:flr'! JJlrn
;: e, p:lr i~::i 111es:i.1,J, ~nd.tlci::i..:; a l>hs~1'lren 1 di.:bp.''H'. ~bi l!l.S) e ,::;c:hr~r 1 •l'<J . p ;;ir rãu ~l~CT~i..·.er i:IS f2:S.:o lr:irl ~ il deSp~t:: :i ~o~ efl!l1t: :~ d(• _1ipí\rs:<l.eç~c.. observa•se. q ue os e.s~•JJ.+.~mú 550 t~1 1rr:;i 111 ~"
cond:çfü:.!s eoon~it";)ic~s e ~i...1t1 11 lS do ::.~ ~: !•ÕJJ uu.::. 2t>.b .:, 1:A O 1flRSC11~.'J\N , Ex-ir, l/01· e 1n1xl1~•to:1 •"m H Ji!.3 ambições es::ol~rss (co1110 , a~~..:, J 1P1 <•'..·,1lla\:• o de. sL?. ts rn.:iulc dos) C' 1a1 L(j n l.<.llS
cmd !.oj.1(~(1 ~. Cnm!m1g..:.. Y..ass.. r!ar.:dr<l C'11iv. Pn':'..~. 1970:. 1111 !lados •!111 :"(-,_..-. Tf~ ~:"10~ ~fo ('.Ilrre.irn qutir.tv mui~ fl'ui..·e.s (111 Ili _.:; Cip• t1•,Jllida.:h.!5 <iSCclaJt.?.i;
12. G. B/\.C:'"iF;;l.ARD, L! j\,'v.t1l"3 espi·ú. .sclrJ ,rifiqul!, Paris, r-t~~,... '~.;âv~':ilii 1~d~ fr.m.ce. J934, p. 117 d . r :d.lS- ri!I c:.a1-t"Sr.d.1· ,~ •• ql••: ~l NI•\ pttrto, l)a m<?.'irni!i forrr~:i, npesar clu. !rrc.JlkJ, íl ' drt

88
As estratégias econôm icas. nâo s~o re~postas a uma situação abstra a tealtza·ç óes, ~stá no principio dessa espécie de ··:realismo ", enquanto
e o.tnnibus 1 taJ como um estado detºrrninado do mercado de. trabalho ou .ser.ilido da reaUdade e .senso das realidades que faz com que. para a].êm
Ltma taxa ·méd1a de lucro, mas a UJ'fla configu ração singuíar d e índice.s dos sonhos e das revoltas, cada um tenda a viver ••J e acordo co m a sua
posfüvos ou negativos, in;;etic9s no espaço social, onde se exprime uma condição" r segundo a máxima tom]sta. e tornar-se rnconscientemQn te
relação espedffr:.a éntre o patrü.n ónio p ossu:do e os dHerente.s rnerc;:idos, cúmpHc~ d os procrl.S~os que tendem a realizar o provável.
isto é, um grau de.tenn hnEtdo de poder arua;I e po~endal sobre os instn.Jrntin-
tos de produção t! reprodu ~tto. As ,chances de domJnar os instrUêllf=!ntos. de A definição normativa da prática econômica ad~ptaàa que a teoria
econômica implicitamente assume - e o mi.tlodo form~J lar a questão das
produção ~ reprodução (que o discurso erudlEo expr!m~ . por exenlplo 1 ~ob
forn1a de prohabiHda des d~ a cesso a bens ou inS[Lmições) estão u n1das, por
condiçóes que a tomam poss~vei - tem co mo efeito e, sem dúvida, como
uma rel.aç.ão dJalétka. à ap1'id ão e pt(edispo sicão para dominar esses função, dissknu!ar que a adap tação das d1sposjções às condições objetivas
instrumcri ms, isto ~. perceb~r as aeasiões de apllcação e. lucro. organizar tais comia foram deHn idas ~ pode, no caso das classes cultura[ e economi·
c~ente de~favorºcidas, ser o prtncípio d~ urnai jn adap~ção à ,;situação··
0$ rT'I eio5 dispôtiÍ\.'e·S. etc. 1 enl suma, a tudo O que BCOn'lUTli.e h h~ d @.S~gnado
~ de tuna resignação ai essa inadaptaçâo; são as mesmas. disposh;ões que,
pelo nom'2 de "esplrjto empresarial". P.elo fato de &s co ndições o bjetivas
(por oposição à ~; situação·· ab~tr~ta dos '2 conom•stas e psicólogos} se t:1 daptando os mais desprovidos à cond1ç.ão espedflca da qual elas são o
pr oduto , contribue m pa.ra tornar tmprovâvel ou hnpossivel a sua adaptação
definirem por uma re1ação espedfica entr€ n1ecarüsmos. tais como o
rn º rcadô dº traba lho ou o m ercado escolar e o conjunto da$ pro priedades ãs ~ig~ncias gen~ricas do cosmos econôm ico {por exemplo. no que toca
constitutivas. do patrh11ôn]o de uma d as5e parl icu l~r dé! ag12nt12.S, ~s p ráticas o cálculo ou a prnv1são} e qu~ os levam a aceitar as sanções negativas que
1

engendradas pelo h abjtus sã-o ~justadas a essas condlções objetivas toda resultain dessa •nadaptação~ isto é, sua condtção de~favorecida . Vê·se o
. .~.az qu12 ~sre k:H"o p roduto de conchções semelhantes àque1as às qu-ais deve que diss lmu lam as noções a bstratas da teoria econôm ka q ue 1 em virlud~
de uma ftci·~o ju ris, converrn a le i imane nte da econo mia em no rma
responder. isto é: em todos os casos em que as e.strutllras e os m ec..anismos.
que as reproduzem e/ ou a pos.~ção dos agentes relatlvainente a essas universal da prátÉca econômica conven~ente : o habitus racional q ue é
estrutura~ não tenhan1 sofrido a lteração 1rnr:i.ortante. Nesse caso. a con cor-
condição d.e trma prâtka. econômka irnedjata e petf,eitamente a dapta da é
o produto de. uma condição econ õm1c.a parr:icular, aquela que é definida
dância das expectativas com as probahmdade:s , das antºdpa.çõ es com as
pela posse do capHal econ6mlco e cultural r1ecessârio para p€rceber
efelivatn ente as ··ocasiões poh::ndais '' formalmente oferecldas o todos, mas
ITT'espcnsaoilidl..a~ ligackis i)O Simp leô de,scio\.~~I '! i!I d~p6to do~'.!11(1 d~1 1m pc1!;lç!li de leg111mzj2':ie
realmente acessíveis un icamente aos detentore·s dos instrumantos neces·
qJe a r:ri1~e.~stt'l €.'<erce por si, o pi'lr:li! dos pnis. que jul9\,i11 1'r-,:,1nr\'.ll' y ;n;:~.(..,I (3.? ~f~l,15. flll1Qs l 13.
lb"lh.·zr~~ pi)ssa de 13% enll"e G'5 oparrui ::v.: pim:i 22.% sllre cs rf;r·nvr...:.goo.-: ,, qLJaílrei, rnt,-dlos e sários à sua apropr1açâo11",
per..i 61/~. <}i'lh-1~ cs q u?>dn-.r.:. si..r.p eriorl.!S: ~m"t:r:sa111m~e. a parte dl'lqueles q.;:e esli1 ni:lrn c~1 itlf[resso
' 111ui~n :'lifir:11" rn 1 • h11p~·.. Q'.·" p~.;s. d~ 41% LmlrtJ rn -operfü1os p:irili 27% ~"ltre ::::s ecr.prea<ld.os é
A cornpet~ncla econõmlca não é, portanto, uma apt1dão unlversal e
p <'! ro J~; r;.l (ítrt! ~ 411<1dl't.is ~lJ['ji~k:r~ ~ mL~DiõS dt1..s proti:;:;.õ~ liberal:;. ~lS.O. P .. Enq!.H)te mtpr6 miformen1ente d~strlbuída : a arte de avaliar e pe rceber as chances, ver na
t1'.:s mê rc:.1 de fcrri.'N ~ d(~ lo 1-.19~c.<:? /;)fl,iSl~~t1e, ~P.'k!lnb-o de 19(,~); .:1 parte do-s pi!lis que aiinnrurr~ configuraç,ào presente eia sHuaçao o futuro ;.appré~entê " (com o diz Hussed,
~7j1lr ql~e os_fill 1os M i~ i....;.~f.1q.~ na .i;lx ldr. 1r; 0 11 ~ drl~ltfdJ'r'J~) pr~~ig<.un :S-êl ;.:s: .z.i;tudos pat"i:I alêm
ao oocra.1a.:.irea t IN.T :'\°{] :::sL~il'l frarn:é5. desi!Jril!l, ~o l\;i!!>"'r:11ô 1~mpo. oo exr.inw.$ <!. ( 1 d~r,-~:::m.a. para opõ-Jo a o futuro · lmaginâr1o do projeto), a z.pt1dão para antecitJar o
r.cn;er;:fo ao fm<1l d-;:i 2 · C1cl::: do snsim; d a: 2• graul pass~ dt' l 5C}~ ~· ,~~u <):; (m ··r.=it it)S -~ 1 6~~ emrn futuro por uma espécje de lndução práEica o u até lançar o pos.s]vel contra,
os agritu1Lmss pi'lrn 311': er.ire {J& i1rléslii:::& e pt..i.q•1eiocis 001rii::rrticmt~. 3~·rr. entre ("1~ r.nmrr~i>..dos.
'~ q·..i3.dm:; méc.b;.;::., 6 ; r,-: er~tm as qlta.drc•s s uperi·::ires. m Eml::r:::s da& p r.;::di5We.1". lib;::r1'li~. i~du~11i.:i:t.
o provável por um risc o calculado, são o utra5 tantas disposições que não
'~ gra;n:ii:>.:: c::imt~íi ianll.15. Do 11 t~mo niooc, a p!!.r te d.os µm.s q11-e ded<1mm d 13Se.ji:.r que os fil hOE- podein s,er adquiridas s12não ~ ob c12:ttas condições, 'i sto €., d<2ntro d ~ c.ertas
(~irKl;;"J no prir11~~lol I ~,,=~· a .~ lyfetfle ' m 11:n t1cel! (~ !:11_.o em um C.E.G ou C.L. S.:1passa de l g'Ji condições sodals. As.5hn como o '" ~sptrito empresarial", a informação
~1Lriõ!: os i:"l9rit':l.Jlron~s p. r~ 54% 1'!ritr~~ m; q~Ji!dl'ü$ supcm~P.5: p:'.:1" m rl m lado. J 1% dos ac:11=.!rá~iru.
:..7% dos a5ri.cul1ori!5 qu~ t~m ·..1111 füJ10 na s1x~~tti t' (li 1 dr·ql~ ll •ri~ Rtlrmarn d14eji!tr c;.ue ele! cm~~~ ;ic:onâmka é e~eLto do poder sobre a e conomia: p orque a propensão pa ra
na q ua trten~e d.ii~c::i. contra 41 % dos. quéld.ros ,super'.01êoS (S.O.F R.E.S.. l.c-t frMç.oh-; ~e adqu3ri-Ja depende das chances de utilização bem-sucedida e porque as
j?n! l,,'irn~s dr-:, J.~dW! O!lô;i11)ÇI rforiç,'~. jurllho ;:i.gosto de 197 3; ·1;·.:r t\;pi2r.dice). ManLE:'m.ki ~ rrli.'.:SU'IO!
chances de adquirHa dependem das chairices de utilizá-la com s.ucesso.
!:;~~1:.:l! . .>1ô ,,.,.1111110 rk 11m g<:.tudo ;ioorc i!l 1".;!Jlrí>s.i?nt;:içfo d.o M1Jro "~tre adQlescen1éS do er..sino
lf'crJco. no qui.'JI é i:-..::ilor.r..d1.> ~11 ~.·itl~ 1cJ1.t q11~ "a Jll)S1Çiio •::1n~u<11Ja fl i'.a hl0aTqiJi~ profi~:;5o~::.I, Uma compeMnda econômÊca qu~, como a da clona-de-casa das classes
desde o pri.mein:: .am prego, de.per.de ~EralmmtP. d:i. nr..lurELi:'I d i:I Íônn1:1:;.!jo r~Vúbidd ~ \qui}, p:•r
!O.'.li'r r..1 e2. est<i ~""c-::1.:id:i. à o rigem scd al}e que çi "natureza dos es1•..dCíS proj~os r~~~-i? fielm~nte
.iQlJe l:o. d~ '1$'~tdC$ '~ui:inc:; a1'1.1~~:n1 í!". A.m oint? Léi:::!"I e;.:re\.-e: •-f espantr-tSJ o r€'alisma das
l (1. .'\ ~nál is1' fid~ càndiÇ0.;: -parti ·ulan~.s qu;:t, dev~ n sm" J'r~bidfis par11 que :<.;:?; wn-11'! tJ::-is~wJ (J
F&Sp~1a& k.1tt1rt'çid.us p r:M .ú m.:J!l p o r @4t~;pln <1c:en.-:.a .do:: salârk.1s o:?S~l!radas 0 11 da de..;i:!jo d e
onbll'r i·n1li!n1o E!l"~ito Í!!to 8, sirnµl-esmroite. a -rit:::mamil'I l rorir~ ~à eC-O:irwnia prnÍissioi:.:tl, e,,,:-ib
'e'
d:ir prDsse.;llim-BT1t o .i:.c:s. ·e sLu dQS <.:ip cs a ~idl'I G.0 e::C~b~.;,;;;;li 1tô ~colar" i'/11.. 1.. F.QN "R;:~ - 11on
'.:1mb~11 1 eem d1'.1~·id(l levad.ri p::::r outra..~ vü1:.:., a rnm:h~:i~ i?SS~ forrna p ilradigmilrtic.a da l?JTO
J1.f..(Í(IÇ,;<iÇliQlh~ ~ l"~l'~ti?ltion. de l";:wenir ::1:-.ez des ilddesamLs de I" e-:ni.;eigiH:'.ITl€õl1 1.0!Ct:.T1lqll~·, , iri
~li~i-;,.~tl;'I lW .. C(I~ ):lt-1 ~lil C~í 1f~lir (> ~ialc.r drJ \JnJ{I d :1 erlq(\ç rtt11~t)j)L)l1;:~~-ic·~ d(j pririó1 io g<i:r~Cr
n
81.11'1\zt~n de ps'J.'Ôi{.l ió3fr:., 23 7-1<3), 1%9-l9i0, r;. Jü{i.g..1 081;;.
O/.l.:.o µrl1l ki'!~ •~o m:1d,. r:i 11·®!· .,, , • 1ruldti pl:lkl r ~i8Ü'>l'l'l 1Xlt,, ~tl'lill .. r d~~mi.'ilr.rd.:i tJr~•''"'âf:

90 t 1
popuJares! deve suas Cllfacteristicas às condições particu]ares de Sl. fü estratégias d.e protest-0 (vo~ce) ou até de boicote d la Nader, t.ãc pai;sam de
aqujsição. e de sua utilização, e fundona como um szstema de defesa
1 ílÇóes esta tístkas que! restiltantes de um simp fos agregaqo, conjunto acllttvo
inteframen~e adentado para a mintmtzação das, despesas, não é ma~ do de agentes pass1va e tnecanlcamente totalizados (corno votos de uma eleição),
que um conjunto he:teróclito de mejos-conhe.cimenros capa2es de funda- opõem-se às verdadeiras ações coletlL'aS> tais como reE\.•indicações, greves ,
mentar estratégias defensivas , p(ljssivas e incliv1duais ~ o domínio prático de rnanifostações ou r~\,;oluç.ões, ]evadas a cabo por grupos mobilizados pela e
si:stemas de classlfj cação corno ··marcas" de produtos, escalas d~ preços, para êl reaHzaçáo de uma estrategia. comum ~ com base em uma orquestr.a~
cate.gorjas de .quatldade , etc., assocla~se ar aos preceitos receitas e raclo- çfüJ prc2vl.a das d1sposiç6f!s e dos interesses, prodi. Jzida e garantida por um
nalizações de uma esp écie de vulgata económjca! conjunto de meias-ver- parelho perman~nt'2 e éxphcJtamente regido por man.dato.
dades 5,e]ecionadas en1 função das disposições étkas (e't'hos) que lhes Todo agente econômico é un1a espécie de ern.presário que p.rocura
conferem uma coerência prática. Mas o faro para "'bons negôdos '' está ;;xtra ir o meU1or rend~m ento de recursos raros. Mas o sucesso de seus
tão distànte dô ".senso para n~góc~os~· quanta '; a arre d e faze.r economtas' 1
empreendirn entos depende, prirneh"amerrte, das- chances de corisen.rar ou
do poder de ·· faz'2r a '2conomía". Condenado a estratégias a curto prazo e 8Lu1ient:ar s{i!u patrln16nlo. considerando o volume e a esrtutura desse
de curto alcance, o consum idor sem recursos não pode co]ocar os vários patrfrnônio e . por conseqil~ncia. dos ins[rurnentos de produção e reprcr
vendedores em concorrência a não ser n1edhmte o dispêndio c.onsjderáv~J cii.1~~0 que possui ou controla; e, em segundo lug"ar, de suas disposições
de tempo é trabalho (cálculos, ''transtornos" , deslocamentos~ etc.) ·e nada ~co11õrrücas (no sentidb mais amplo), ]sto é, de sua pro pensã'o e aptidão
tem a opor 2tl€m da fuga (exfr) ou do fJrotesto impotente (uoice), às pura percebºr essas chances. Esses dois fatores não são independentes:
estratégias dos vendedores € ! e111 particular, aos seus esforços para ~s disposicões·em relação ao futuro ('cujas disposições econômicas são uma
embaralhar sisternaUcam ente os Jndkes que servem de referênda aos dknensào p.artic:ular) depend~m do futuro objetivo do patrtimôn to - que.
sistemas de classiflcação dispon~veis (imlEações, simult'ições, fo.ls1ficações, p-ar sua vez. depende das estratégias de investi m~mto dais. gerações ante~
etc.). O pequeno·burguês mantém con1 o merc'1do de capitais uma relação ·i or~s - , isto é, da posição atual e potendal do agente ou do gn~po de
totahnente homóloga àqllt!la que a dona~de-cas-a clas classes populares gentés con5iderado na estrutura da distribuição do capital, (econômi.co ~
mrmtétn com o nrnrcado dos produtos de consum o: suas estratégias cultural e social) entendido como poder sobr·e os instrumr2ntos de produção
purainente defensivas arman1-sie: cotn t..lma comp etênda da mesma natu- e reprodução. Segue-se que os àgente.s tendem tanto majs a procurar a
reza, Exemplo paradign1a·Uco de, sa.bfr cu!turel~ seu di.scurso (!ccmóniic:o segu. anç.a das '-'ap l.lcaçõ~s de qu~. vive de rendirnentos ", qu€ ofen~cem
deve sua lógica - aquela do br>cabraque de noções descontextualizadas e lucros com fraca dispersão portanto menos aleatórbs! 111as baixos e
1
heteróclitas 1 de palavras mal conheddas até em .sua -aparência fonê.tica, e ·xro.stos à desvaknizaçáot quanto· nlenos importante 'for seu c:ap]taJ;
de fórm ula~ desligadas de seu prtodp1o - à .sua gênese e sua função. Esses orle:n~am-se.~ ao contrârmo, t~nto rnais para a$ aplicações de risco, tna$
fragmentos de conhecimento. recolh1dos sem ordem nem métcxlo, ao lucrativas da especulação ~ quanto major for seu capital, capaz de asse.1u·
acaso das coriversas, lei ura~ ou transações. ou reunidos apressadamªnre, rar-1he$ os re:cursos n11cessárlos para pagar comptet.an1ente. o preço do
dia nte da imirJfmcia d~ uma dectsáo econômica 1 serão uttllzados para pôr liseo e garantir :seu ~estabelecimento em ca~o de? fr~casso.
a prowl ~ boa.fé do vendooor ou mos[rar que não se admitlríi ser ''levado ~sso S·é constara c:lararn e:nte no caso das estratégias de inveslin1ento
na conversa'' (como no caso do uso de um termo têcnico dian te do
esc.olar17 . Não dispondo cle informações sufi.clentemente atuallz.adas para
m ecânico} e sobretudo, tª )vez, para radona Hzar, posterio,m1ente, urna
dºcisão económtca engendrada, de fató, pelos. prirtdpios 1nconsc:if;ntes do
ethos de dasse . Essas réplicas anárquicas não poder.i~m estar mais
l 7 .1'1..lnda r,.1 1~ I)~-:-; .:»:!~•tak1 1.J~ ~u s..=nba) c.::;t:urlo 1t11r1plrlce d~ r<...tii.:;t)l-& ·nrr;:: o parl'lrr.(1r:iíü ~fl~ 1:.ílttd~<c~M
distantes das estratég ias das grandes empresas que possuem os melos para d>.:! r..plic;:n,-:.fiu pmp1iaml3r~1 e eco11õmici"). 1u:lo µ ;:m:'.l:e ir.diG11ir q ue rnmo no dorn:ni.u e.s;:olar. os
prever as flu1uaçõe.s do rnêrcado e explorá-tas, senà() détº rrniná-las, ºm ~ger:.1e:; são 1;:;r;so mais: mdinados à ~udaoa di'l esptculaçàc (por oposição à bus.:a dr.. ~-e;11ra.nç.<1)
quanto mi1lio r -E: sua rir,,'Jeza em .:<ipitaí e. r art! c.ularrr1011:12. ei-:i 1 ::apita~ cu~Lural. .4ssim, n:L fa~t:L de
virtude do poder qr..1e ex~~rcem 5obre o rnen:ado. T €oric9;mente toc:!o~po·
um lr..dl.::ador rnBls ad~u.;ida. pode d11!'le?r.;a~t? qu,~ m 1ICL 111.;1rc (tdit r-.::la pas5."J d .., .;i{Ôl6l lô.i!
derosos. uma \lez que sua defecção s~mulrartru) , à maneira de um voto q 1IÇHW~ s JpP.1io~1_o;. , ()11 ;'> r.ep'.!'•"!$t1 fl,tAm 5i.. d1":1$ C?-.·~d$. di;_!i êin 46tr <10 illõt~antíi rl,fJS .1Q1 :• , l?I
hostil: dever~a arrulnar o empreendin1ento do produtor, os consun1idore.s dl!én:.'1 t~·~ ett.:re eis qu~tlros superior.as e as. Olllras da::se: rociiliS ;,2 muito frnc!I: em re<içâo as
ilp~ie<:.<;ões de · pai di? fomili.>:i. ., . t ilis. e.orno obrigr:u:;..Ces cu d.;:,,,i:iósitos em cad~r'..<:1a de paupi!JnÇilj
estão. de fato. reduzidos à irnpotênda pela impossibilidade em que se m;')k; L~r<XIE~cm:~ ,-. 1)0$$e d~ ur.i~. "<:art~1\'t - rl<' itÇÕP.S, :w~ cr'I'.«~ mulm t"'m t11n(',~ô :1('1 'f(!r.tli!o
ericon trarn de organjzar coleti.vamente suas esh-~tégias; suas defeeçõés •:1~llA. , s~l 1 •·:w qi.:.~ c'.~M• 'r!'ll'l1ltl!m linV1 rort rortell"lt;.á<J estati$fi::l'I r·l}J1) ü rn~·el d h1~Ci\J.;..:tol. d-i!}lc:i0rJ1:i

singulares não adquirem efk-áda s.enão pela agregação estatis~~ca que se 1.1n 1b~'.::-;~ ·dti n ii.o1ii .;;I i 11~1.rtJ.i;'iltJ rnrn:idetadà' !!ln si mesmo já que. i:.:m tcdoo !;"'/!. 11i-.·eis d1?. ri!rrlL!I. o
nürnem de .dm · r.1.Qr d~ fi.ac 11Jn 11 rm t·c111d!.! um cúp.lii:·mi:> d{> ensi llL"'.i su;:11ati!;}:r cr.1e p~11m a.i;:ões
opera indepenc.fonteme.nte deles e sobre a quaJ não têm poder algum . As /. Qml!) c~1NJd:1 0111 r ·lri ;l\tU' 'l~ fll11k1t 1• ,, lt1 1~1.11t1 :'lio <: •rhfl~tí.11.::6 ~-~l>).11-r.i.:> I' r, PI 1 l. HAROV, . L1:0

92
conhecer a tem,po ~ •'arostas'' a s~rem feitas, nem de um capital eco- liberais~ enquanto que as frações relativ~m en1e po•Jco providas de çaplta]
nômico suHcientement ~ importante para suportar a espera incerta dos econômico. mas rka~ ern capll.aJ cultural ou soda], procurarão prek~rf!n­
ganhos financeiros ~ riem tampouco de um capita] social suficientemente ch~lm12.nu~ as pt·ofissóes arrtsticas ou d e n2presentação o u. hoje em di<l , as
grande para encontrar uma sa.ida altemativa mn caso de fracasso. as carreir~s-r~fúgio <las burocraci~s públtca e privada da pesquisa ou da
fan Liljas das classºs popu]ares e médias {ao menos, nas frações não-assa- produção CLtkura] de massa. A segurança proporcionada pela certeza
lariadas) têm todas as chances de fazerem maus investimentos ª-Sco]ares. intin1a de poder contar con1 uma série de '' redes de proteção'' está na
Em um dom1nio no qua], como em outros. a rentabiltdacle das aplicações origem de iodas as audácias, inclusive int€Jectuais: vetadas aos pequeno--
depende consjderavelmente do momenro em que estes são efetuados, os burgueses en:\ d econ-ê rid a d e sua insegurançíii an s1osa por segurança . Náo
mais desprovidos não são capazes de descobrir os ramos de ensino mais é por acaso que . en1 todas i'l5 encruii~hada$ do cursus escl'J]a~ (e ern toda~
cotados - estaheleéim'2ntos, seções, opções1 espedaJidades. etc. - senão ~:> r~víra\.'olrn.s da carreira intelacrua!l apre.senta·s'2 <l •=escolha" entre as
com atraso, quando jâ e sra riam desvalorizados se. porventura, tal d'2sva- estra.t~glas daquele que ''vive de rnndin1entos '' 1 empenhado na maximiza·
lori.zação não veio a acontecer pelo s•mp]es fato de sº terern ton1ado ~o da segurança que garante o que já adquiriu e as estratégias do 1

acessiveis aos menos favorec)dos . Vê-se, além d~sso , o que separa as


18
especulador que. v~sa rna:•dmizar o lucro: os rarnos dº e.nslno E:!. as carreiras
informações abstratas qu~ ur11 bacheller* or~ginário das classes populares de mG1iót risco, portanto, norrnalmen1e, as de maior prestígio ~ têm sen1pre
ou médias pode obter de um órgão espedalizadD de orientação sobre as un1a. espécie de par n1enos glorioso, releg ado àqueles que nao possuem
posições raras e a famWaridad~ proporcionada a urn jovem da cJasse suficien~e capital (econômico . cultural e sodalj para a.ssurni rttrn os rbcos
dirigente pelo convívio direlo com parentes que ocupam. essas posições, da perda lotal r.io pretenéerém ganhar tudo~ ta.is riscos nunca são assumidos
permitindo-lhe adotar C!.Straté.gias ''racionzüs ~· sem ter que pensá-las en- a não ser qt rnndo se tem a certezã de nunca perder tudo ao ter.tar ganha r
quanto tais sob a fom1a de. um projeto expl~cito de vida ou de uma tt.~do . É, sem dú-....-ida, no espaço delirnitado pe~os t12nnos dessas d.lternaUvas
reconversão cakulada ou cínica (o q ue consUtui un1a vantage.n1 d eçisi\1a que se ccnsü tui o sentirn ento do suce..sso ou do fracasso1 sendo que cada
s.~mpre que a •-sinceridade'' e a ''ingenuidade" da "vocação'' ou da '·con- rraj etária particular recebe o seu valor vivido de sua pos1ç.ão no s ~s tenra
versão'' fazem parte das condições tác.Has de ocupação da pos1~0 1 como hierarquizado dos trajetórias alte rnati uas que foram rejeitadas ou aban-
no caso das profissões art1sticas}. Ademais 1 o cãpital social associado a u clonadas: ass1m 1 por exemplo, é no interior do sistema de trajetórias,
pertenc~men[Q à classe dominante (''relaçóes.''), que p~rrn ite n1aximizar o apar.entenlente confundjdas na origenl. cuJo cume é representado pelo
rendimento econômko e simbóllco dos certlfícéldos 12sc0Jare.s no mercado pint nr e pe!o fllósu fc de vanguarda. que Sé d efinem as mais fundamentillS
de trabalho. permlh~ tambkm mlnimlzar as perdas en1 caso de fracasso : propriêdades de profissões como as de professor de desenho ou de
assim, as diferentes frações. em função da estnitura de seu c~pitaJ ! Hlo.sofia, determinadas objedva e subjetsvam~nt~ por .sua relação negativa
encontrarão suas estratég1a5 c.crnpensatór:ias de reprodução na transmis- com o conjunto do.s trajet6rlas abandonadas: a amplituda do desvio
são do capital económico (compra de fundos de com érdo~ etc.}, como os necessário para passar a un1a trajetória mais baixa mede, então, a
ºmpresár~os da indústria ou do comércio e até os rnm11bros das profjssões knportânda do trabalho de desi11vestimento que deve ser empnumclidc
parÇt ·'vm~r mais baixo'', como SQ diz c.omurn.e!nte, lsto ·é, para supe~~ar os
efelios do superinvestin1Emto favorecldo pe]c) indlfer€nciação inlci~I das
1
dispntilé.s du p.l~'irnc; ne"", h 1 &;rn1(>1111.;'> e1 sli!.LlsLlr:~•i.: 14 ~). teVF!Tt:.iro ele 1973. p. ~23 e, trajetórias 'J. Recoloca.da n a ordem das sucessões, a alternativa do dsco e
12Spociab1Hmte. Quadros e!~ p . 121. A r~·laçtio (JIJ~ • 1~ : :bci.~,_..a 12rwre as 13tr. 1éqias i!CtmõmiCl'..s e
a :-.aplta} cultural S1.Jscilil ~ qi.:.esl.:i'.> tfa i 11legr~.j(; dt) .;{.:-11:& " "1ª ccmpelêna~ eru:licti :.l '.:, s~
r:tpf,~r.tm.."1$. d~ h~li~u:;~:::. entre o dcmirjo ;prático ft o C<Jtr 1n'.-O ~ilnb()ll,~n ~k1 0.,'l,i l~~l i ~. 11jc1s
il io$l.J'Un"H.:nto.."; 5$..o lor.'ll}CkJCS "f)i'! lil 00lli:i!li(50 (t:ss!l ~el;.)ç.jo SS?í~ ~vdo>:1 no <:<t!;D C~S. g.:tsk.1~
1'J . A iti.$b111l~·Ao c•.:.1'd "'r fa\'O~~ ' 'l:.!k~ ~-Od\fy,l.,Q ;:io ~~unir lrx;li...~duo:i!i dc:;.tlnaoos a carrÇ"!iras multa
ralat:..'Os fi esLéLi "ili.
di-,:e1·g~nte · ('«. Bcl1s-Ar1-c, µor exemplo, ou á F1.1culd&cle d~ ~te.si ~ ~ô s r.•lr-~ré di'! di:SIJ~.Sl\o
18. Esst:. ddd··~!-it-.ull l~nbóm pn _· l,,;,71r d !Sfd!~_gias inada• Laà.as . p::::r serem eÍâun\J~ 1:1 ci:;ntrãt;c1Hpr); t~il.!: camJir:is prrmwt das pilra ob1er 1r;,\1esLimentos qu<1se to dos d~rroporcio11~ck1s 6 co11m1µ.:irtlud
é assim que. ao •,•eriCic<1!"E'm o l\oqud::: d a 1~111;~{:d•J~ ca; r,;>lrft por 11.Ao pcs.sui!'em o h:loc.::;:,'a u rêa 1, C6 ::iu :.: i.Ji:s r - "berão de fato. ::? ,, f.:1r :1i::.r15c:entado 01.Jtro fo~or de discordil;i::i<l ~11Lrn <IS .n.spirnç~
empregados prclongarrL com freqüe1l('I", ~ seu ln~ .tir111 !nle atl! qt te ô5 :ílltY.:is al::ancem esse diploma ~ ih c.hun.:-es d .:•Jt:!Lll.'as. a saber. qui.:, em uma oonJunti ira de :r~n!!:liiçãc d-:'.IS chi"lnce; de ill:A!SSO. o
- e orr1~1ftP. ~té ~i: 1"'!!Vlrnmcmte ro mcrr.mto err.. que o diphma de üucFrcJrer NT,: Pessoa (~ ··i... lt'!-~·~ f 1" 1~1HI~ 1:1 s1ttrri (•S rr.dl\.•ldu{~~ :.ul~tr~efrlru ~ ;.u;;i ação Prn l ílli'I c::i1 :L1içiki pra'..~sória ·:a de
concluiu ooni w ~ Sü• l~ 1JSf\.rnc, ;:1Y.u1...C..iiri;)S e. por:anto, ~0JT1.01J-ss porlud:Jra do l!lç}CC(J"Íüt.Jrécltt q r.;,1 ·-e r;~ .w:.l;.)11le c;.·...i ~lnd~mle.I ~ qufil, ltl't 1;1·11e8J 100-tl':;; li µir·• 11~;ú-:_1 ·, ;:,~1 ~> 1~:r.v.rro.:: ::r,mp l(!lr.m.;;n1e
dei:<cu dl:! desempE111à!r: !)5 Í1mçór · IW~" ..v'M é f):J!Jilfr..• . de <1lltro~, quand.o .i;~arava a '"p~Ui.1:-.a l!.ncemiltol. ;::.o seu meio fom]fi;:i:r, E> prcpi.ci.a. n de:;•J iil~! soojeli·.·i:.merlta cle seu u':!:.;Uflr.;. obj~l l'..•r> .;.:.
l'X fflia" - 'via inIC!rior de ares;;c "p"!l:• p~.io cxil'l l"' - ros r..•r...;:lii. (1,00 -p1irni1tk>s'' ldt!tentore:s do PI :·h••rr i'I< .:1 l •• ~m~i'. l~npJicica d P. um fucu1õ muito dl$ti!lnt~ é"~ c..wrr.G'ição ~ QlJill. cbjetii.·amen1e, ~
C E P.) d~ ·· grand~ 1xirta", abe:i-1a s1; 111 1:1€ a.::is Lih 1l 1m:;s de un 1cl:iplo1'tll1 l\ôhl:'i~. 11 r.~1. t r.1rt n d1111tr~ ,,,~.,,, l: votpu1a . r>cd1_,'-f<~ rl\.l(.tllÇflf {t hipót;-~ d<! C]IJ~ a probabilid.ad·e de o
• N. ç_fo R.: P<'".O~ qu~-=t:Hlclll~t.J cem suc~iSO seus es1'zlos serumJári(;() é 1omuu~. por.anta. portadora im•e:t:Jm~nlo ~·.swl;n 11fir render o lucro esp~do. i. e., a r1rd.Jfll1il kJi'Jcle de um :W1• ~!ri n t.."CS~tmttrl t(),
do ''bt)rci.'lllluréê!J' (ou, J)i'! forrt-:<i .'l~(!i..rl;n-1.a , -1::,-.c''). 'iim 11lrn·1r· 11H•1t1 • :mi ' 1ir:1:; 1· p->i d6gic.o, t! dçi úu~trw;ão corr.P~iva , .::rP.SCe ri.o medida em q•.:p

94
da segurança~ daquele que '' vive de rendlrnentos'' e do especula.dor. tra· nhre esse s~ste.ma ~. por conseguinte ~ sobre os lucros maL.eri.ais e simbó-
duz-se na oposição entre a frnma por ~ceJencia revesttda pela apropriação lko5 proporcionados pe os diplomas que e.le outorga. ern suma. sobre os
monopolís1ica na ordem dos bens ~imbólicos! a saber, a prioridade diferent.es privilégios que eJe transmlte~ com a colaboração insensivelm~nte
ternporaJ (cuja exdusiviciade rl~Lintlva proporcionada. em dom1nios dife- x.Lorquida das classes despossuídas que tendeln a e.s1abª1ecer uma pro-
ren'les , pelo vanguardismo e pelo esnobismo, cons-t i' ui um caso particular} porcão entre s~us inv;Qs imento~ escolares~ os Jucros prornetidos, porrnn-
e a posse desposstüda à r~·..re]ja, aquela que se apropda apenas de un1 bem U\ antecipar os veredic os do s~s1ema • Os direitos que o direito dá não
21

desvalorizado. não pelo 1'empo. mas por sua difusão, ou melhor, por sua s,10 senão a forma explícita, garantida: l~gítima , de todo esse conjunto de
divulgação! que se opera no tempo. dwnces aproprtadas, de possíveis monopolizados por onde as relações
O rnundo econômico e social'. cargos a conquistar, estudos a fazer. de fcrça presentes se projetmn sobre o futuro . cornandando , em re.torno!
bens a consum~r, propriedades a comprar. mulheres a esposar. etc., jamais rlS disposições pre:.entes. O p oder c-0n10 apropriação antecipada, como
revest12, a não ser na experiênc:ía imaginária que pressupõe a neutraJizaç.ão futuro aproprtado: é o que mantém as relações éntre os agentQ.s para a!ém
do senso das realidac.k~s. a forma de um unlversn de poss[v€js igua1m12.nte la criaç5o contínua das ~ntE;raqõcs ocas.lonaãs . Pcderín1nos opor, 5€ aqui
compossíveis para todo sujeito possivºL Apresenta-se como campo lme· fusse o caso , determinadas formações soc:íê.ds en1 que sornente as relações
d1atarn~nte e:;rrururado segundo a oposição entre o qllê já está aprop riado duráveis são as relações de dependênc;a pessoal que não podem s~r
per outros. d€ direito ou cle fato - portanto impos~ível. alienado - e o que, 1
rnantidas no d~curso do tempo, para alé.m das pessoas. senilo ao preço
previamente p ossuído, pertence ao un1verso normal do que é evidenre. Ter cle um trabalho incessante, a outras formações em que o domínb dos
o poder é p os5:u ir em potênda o uso exclusivo ou privili~giado de bens ou mecanismos (tais corno o mercado de lTabaJho ou o mercado escolar) que,
ser...·iços fornmlmente d1sponlve1s a todos: o poder dá o monopólio de Jm1 _eu funcionarnénto próprio . tendem. a assegurar él reprodução das
certos possfve1s. forma rrnente jnscritos no futuro de .:cxio age~tc 2c·_ A relações de dorninação, c.onfere. uni direito de preempção sobre os
herança, e. não só à econômica, é um con1Lmto de direjcos de preempção p ossiveis que dispensa dn trabalho incessante que é necessâ.rlo! em 01 1tTo~
sobre o /t~ t t~ ro~ sobre as. posições sociais p-a.ssíveis de .serem ocupadas <2'. e mtextos, p~ra se apropriar duravelmente do futuro dos outros.
por conseguinre, sobre as maneiras possiw2!s de ser homem. É asslm que
deve ser H<la a distribuição. entre as dasses! das chanc~s de acesso às
dtfm·ºntes ordens do sistema de ensino. projeção dos pcderes diferenciais

2.] - r ambé11 1 í"tJ) J)ó litkll. V dorni1IJ(I t'.ci!> l í l.!!1rl1111-!?nl cs ll.~111 1 1


ét cmmm:l::.r a µ tL= ~h'ro>lkl "' dorn:ntHos.
1:• os l t11.::r1"'lS 1::.rometidcs pelo romo d 1.: 1J11~1n.o r..u carreira rnnst-:ler.21~ le!!.:;•~li't, faculd..;id:::, disciplim'I~ t!S~ !ie sr 'bel qu~. n~~,; doTnir.:.<:1, i.x•ITT[l~ncia ê sC!mpn.·. t'r:'J ~ juri<lk:0 ~fo t1m-110, 1 dl;!f'
l:áo rnnio; dr:.;pf.r!.("...•; a. ;(?'Jldo miiis difk;il r.. a nteeipaç.ão cxa1a do5 lur:-~ c:·-~ 1'X1l.1r;~ do invl?'Slirn-e:-il<:1 ra:;:;r.. ";;ld"J. e -r111p~Of:t'lde-se q,•.>e n J~M~"lío - desespau :J~ d •11tlstM pahl::ioos - 11~L> · $-::r..áo e
du: i;,;01pi~('ll c11k\1rai e dcs \:tG'{lS -e"C~ 1C.í1nlcce e ~lmbólicc!!. dcs àiplom;:is.. t"rr1 1od;J!'> tis cfom:::es tlrf' eM l.w clt1 IDtdr rsr.:-:. Ti rtlei f.'ilt'0.:e mdic"tJ (1' 11! as chancco. dt! lcr ~.-.»<, :!. Li.mil. opinioo '>:·:l,:.r:? urr..a
S"1 Dirn1'1 ll l"91:.i~ ;; d ;: fa.s.:lg:::m en':re ~spirt~õ1• · 11tJ1~ LLmden a ser r.cnu]Z!Cl.-.s pd" )11c:tr, milxlmc -e ~ 1;;l 1h.Jiçiío, 11 t.1nif€SI ··ar) ~~IP.mentilr d~ ~r~tr:-ua.o de as50J.1.Zar-~'.3 v clt,'1r.iínlo da mesm:.i . s eyi l)Çl~a
og r~.Jll.21d~ nu1i : li ?t raridade dos certift{\1d.:) ··~rtJla::-i.e no m~rr:i'ld 1c rr .~w.lho kmrl<; são r:~~-.s;,,v.'.i-la. SEjLI 1:ar-<i (I' nsf<Jttn:i ln. depe111k• .mdamemalment~ rk1 fhk~ P.fotii.·<llt'. tn té e>:;.Y ~lrJo
nec.~5ãrirJLr,E!l1tc 1r;,.-e.~lid.:'s mL 1m !emp::; dsp:::i-is) d1rn~11u~11 ll)Jls em n:~l?.lçâo ao que i.i~ (!I'~ ;~~i~ solJroe ,i.,.c;!I, in.::.fü1.i.çfü1 De k1d1iS "~ lnforniaç-ões (t:n 1~>-~ld.~s pf!a .a..~ãliss Sl?CW 111.-i ~ cb: l,,.!'t; ::onjun'!.CJ
morcarlo 110 mo1mmlo .:>~;"; qi.1ç os fY.Jt'l iY.fores d.esses ::1Lr.;lcm1M!'. 1 -~vam scus esludos·lo11 r~c'{hi. n~ de µ~r~~·.,111tM •'OO::L!rr-.a1I~ tio ~ 1...::i1 J, r.rar-ostas n::; d.ío!•J.:! :"! d'6 ..:.bm:::.is llflCG p01 <:llfr::rr~k:5 inmb..:.1'J s
~eus di piorna!:) ~lU, mllii~ f';.:?it i'l111er.t~ . .!.ln relação ~ 1E:pH?$,1 r11:J..çào que :.:~ inv~bdvrr· . i. e., o.:, frnnce.:~ d~ ~ n:1<tgam, LI rni'l i!. imr:vrti>ntL~, sem di'.n.idli. s~ ••11t<:n":i. r..as \.'art~~ <kts nAf">-r:::s:;>c!:tils
irtlh.~rluas e::oolL riu1 ª-os e sutis fon•llJC.· , tlr:.ham d.~ rnooilde do.:; dir1lomils espera~oo e dos lucros em (ur..ç&c. ;.:r um lat:lo, das -::aractri~'K:~ soçfois s ea::;l,JI'~ ij, :; tl!.'!iEDas mte1TCKj<Jcl.1t~ (cr;.t~rrria
.oortêl. 1l•.•1~;> 12m iunção das dis;i~1ç6 ·.s i 1•Ci1lr.i!t~M pc.1r um €staclo ; 1r:1~f, 1 rla me"c<1C-:J~ 3f os :.;':<.":lr,.profissicrnl. 111..,1;·1 de ir.s-..ru;ão, a. J e.. JJl"H !':(l:t'o lado, c!.-.i ePi1r1r.teristias da~ ;:ienJLlr.;as
im~.1 ~xh~1 ·~ ~i"ío merr!JS ricc 5 em q u iilq11er' ~r:·;">:l.e ri~ capilal que r:.ri.o D :-u~1 ..iral. portanto fr:t"muli'Jdas. A " ' 'nli.:;c íla L'~LruLura de t.;..T111 i'111 1r'*~t<t ('..:.lJontàne::i. cle ot.r)1!"11.r1Stacbs r.rn umi1 &::inrlb!-1 n1
cbrtgoch:.>::. ~ ~f>;'.; ;:ir tudo de~ im't!!'tm nl::; C!irol(.lr \~ (m~~~ano se sw C'JJ.IU ! r:11h 1iral é 1elafr... ,,. i:rJ;JTc I!. <:t'..s.i? do !:!s~~rm1 i 1~ t•11.o;ft\a ;v.lmirJls1.riX:k. 1•"lô ~:-:r~unto de5 ór:.~oos: dr~ Jl1lpe:nsa ~ranc~
rru:nte ~racol ~ p:.iuoo lJt:'~f:.:t!tiY.:lr.-s para e;-:trmr o n ;J!llror r111Yllmrnto eoonürrm:o "' . 1rnbo llco d ;nostrn <le mi'..neiro ~inda 111ais ,,_•dente, .qu" a a,IJI n~ríD mob! lt.:mdo (n;:i l~i~ Ja. pellç~ pnlitica) <1
1'
:; 'l• ' <;1!r'i.ficad:)S es.::olor.;:.s (e, ~ , Ir. Ç:Ô<!S as.s.:.\lanultJS ci..<lS da~Q> riod~!'~'>I. r15JJeito da irl--"~~n coincide, r:t:ilii$ tr. 1 trwr-,,'15, corn "' }'.11'}luh'lç..1•'> :li":ê;. lJ!ílJ<'irios r.;a-es<:r;~,,.:: rn 1futuros.
d1r l::5 ou L...:lirekis, dí> ~'!1.r;ino su::>E'liot. P&Jo la10 de e- interessa d0.-<:H~"b per '.Jm !Jf\JfXI v LJ d •.!Is~
20 , A. .:.;:idolc-;i<> da eKpil'Ji~r,,.;:; : t r~ r;orill , L~c é. <'- ant.liu ~las ('qto::llçõe; ee<:1nflrn11:as e ~ i.:iib <J\I:<?
ilt.,J frrr "ionamcmtc ci'.o sistC'ma d:? .sni.nc d~p@Mr ci:n grau a n q,u:: ~s $l!it2'1'n!l si:r\ls ili:)S :.f.l•L~
m c:1i!tm p;:iss.j'.,.·às as tl1í crer.t'-'! ft:r11111. :1,, t~xper!.i1:nciti tempcn~I. dr.~~lc <i lmprei,'>dcn i.:i f~m~•.,d~
ir :.;~ S.">rs, C6 rm:n rl::r·::is dl'.S d~1~ 1"1. .11.-.s ::ha.""ICes de í!t('-"- e i'i::: ..:il31 f:fna de .f3l"'t;~11v ~;FL; a~ mais früeL'lS
C.Q sL•bpr<..1l~c~ríD ac~ f!. previs;io g...11cm1 ·'iZl:'ldo1 do <;rri1n~s:'.itio, c-onsllrl•I rnu das dimensõ~
têm L:1i ·.L;:1r:m ~ m.ii!: frnQi ch;•w - l:.5 rk. t1>.r s.cesso <.:. t..:.11 ap.in iãc- e.'<.plicil.:i i! sis.C r· -Jd\-:a !>'*1re o
Iurrdacr~~:11t oi~ rfa .;;~dologi<1 ··cor'i.imic.-J. As ·e:;ln.i'h.Jt'êl~ trmpot"ilis e. ern ·µi'lr1 lcul;i,r. as d:ispr.:!:~~ões
:;iste:mr:i de r:::~111r.. ·:r11~;, p c: 1u.:;âi:; Fr~i...111):• O::I"t'. t::ido CZ1so, 1111 1 ,ilrr,. 11l 1•1 L~ d 1'! ire;n.:çâo~ \? qu(ir.<:b
frcm:e ao fo1.·Jro que ~i1r> 1l1S'i.'!°~~1 1•1 ralmcmle m.cukt1das pali"I "surd~ p: P.s~iiod~ reli~ç0es !!::t11~ôm:::.:is -
11 ~~;>;m rnl il::ess;::. 11,):; t ~n 1 !õ -r~11 ::l 1'lllD~s m11itv 11Xh~lrlil5 de perc~r , ,.., :~1:11;-àl!!i ~:bjd r•::is deMil;.'
r>1llO rlL~ M-.1-rx. isto €, r;':'.fo ::i• :t.,rn;; d.as !iar.~õe.; e-anãmic.:M ~ ~· nhólici\;; i?lsso::i<.t.(.k\S ') Li~l'li'i
~Lun1~ . f-:i n mm::. . .:. pJ:) ,hCtrl.=td~ di:: um <i g Lmt'=! lsolnrlo t~! acesso - f, i a de qualq~JEr
p• sici'io : fQt 't'jnln=>.da dentrv d!!S esrn.1t11rl):: ~ 1 ~00C.mh~s. !:âci •Jmi'I di)s n11 11.=tQ:~..~~ pdas qua~ as
pm 1.Ji111·n1o d<' p r:'.}cumçilo ~ d~h·~!}<i .;;!o - il umil opir uf.o .;1.1q 1lkl~.=t 2 :-:oerenl l! ~br1· ,1 ~Lmn<t
rsl ru~i.oms objt•l'l1-'ô r.<'lr-"r.g·.H~m e5trulura too~ ~ .":)!p.mén.ciri . i'I mm ·ç .J p1 e. "~~erienciL'l
1

cm '' :srr..o -!'.'. D~rt;dl'· tr ri~ um.a aç~c ~sll,lí~.11.-:u cieslir..ada rJ 1r.fl.üimcibr' r. fun..:iona~:sento clo 11)~'.I!".~:
~onórn:::a 5.;:m rw:m!JJiJr f)~l<:l~ vi;::i~ de uma delén;\it'a[l<)u; m<Jc:ártiü1 íJl I dt;? 11:m~ tnr:~?/.'.l;i, do.
f)1'l)t:111 I,. d Ç.íilll •'rrr ic111~ <·I•• .t~1 fl 0 J1..,d1~ dl"SSe s~h:11 1\1 lfi.l ld 51Ja Hrpro:luçã.1 , I'! do gr;;11 r::m que e:.1.à.
;:<.·t~d~~l::l?.. acl ~uada
tr;t. , ,,.~ qd.ri - 1.hwt11.·.1m 1 111• l•1t~'1 1 1.1LJ•1 fr.'ilm inle - ém s i Íl ll !~i l'ldmL!nl o .
O SENTIDO,." E A fNCLINAÇÃO"*"'" de que a fa,rníJia dlspõe e os ínvestimentos monetários ou não qu~ déve
consenbr para reproduzir , através de. sua descendência ~ a s ua posição -
Enquanto necessidode ietra. vhiuds.. o 12thos dº c.la_sº é a prop-ensàia dinarnicarnenle definida - na ~strutura socjaJ, isto é.~ pata realtzar q Futuro
ao provável ?ºla qual se re.al iza a causalidade do futuro obiet~vo er.n todos que lhe está destinado, dando aos fithos os mejos para reall2ar as atnb1ções
os rasos de correspondência· entre as dispo5jçóes e as ~hances (ou as ~tetivas que forma para ete:s. A..ss.im se expUca a forrna da relação que se
posições atu21is e potenciais na €strulurn da dls[ribuição do capital econô- observa entre as estratégias de fecundtdade das dlferenres dasses ou
mica i:! cultural}; ass.·m, sBria vão tent~r isolar ~stati.sticamer~te: o efeilo das fraçôes de classe e "'s chances de ascensão s-odal objretivamente ofen~cLdas
dJsposições éticas, perfeitornente redundanle~! neste caso, das co11dições a seus membros (Quaclr·o ij. As das.s~s populares ; .cujas chances. de ace..i;so
das quali. são o produto e. que. elas tendem a reproduzir. Ern sun a, os à dasse dhigente em duas gerações s.ão pratk::ainente nulas, ten1 taxas de
efeitos do hab!tu.s j-a mai~ Sc2 encontram tilo bem esconà1dos a não s€r fecundtd~de muito eleva.das que docre.scem ~igeiramente quando aumen·
quando aparecern con10 o efe~to direto das estruturas (ou de uma p osição ra1n as chanci?:S de ascºnsào 1n~erg~raçõ~s: Ass!m que a~ probabiJid.ades
dderrninada nessas estruturas, tal con10 pode ser ro..ferer.icio.da através dos de acesso à classe d~rigente (ou, o que dá no mesmo, aos instn1mentos
indicadores do capjtal econômico 0 1i.1 do capita] cultural} porqu e são capazes de assegurá·.lo 1 co·m o o sísha•na. das instituições dº ensino superior)
produzidos por agentes que são a esttutura "feita homern''. TGxlavia! há aiingem um certo patamar, as taxas de fecundidade mostram uma sens1vel
casos em que o~ efei~os desse ethos sempre em ação deixÇlm-se percebér baixõ entre os contramestres e empregados de e.sctitór1o, fracão ern
diretamente porque o capital eíeUvam~n.te possu~do no fnsw.n te consrde- Lransiç.ão entre a classe popular e a dasse ffté.d~a2 \ a e:ss..~ fat1a irttt?;~1ecli~rla.
rado - ou o tutL1ro objetivo por ele assegurado - nEio basrn. parn expltcar pertenc:.:l!.m ainda os artesão~*-4 . fra.ção também dé transição , porém em
comp!etament e deterrn1nada~ prãticas ou. o que dá no n1esm o 1 dis poskô12.s decJínb, Nas classes médias propriamente ditas; cu}as chances de ascensão
que ele necessariarnente engendra ~nquanto saldo das aquisições ant~rb­ sáo lncomparavelmente 1nais elevadas (e mi:.üto mais d~Spérsas do que as
res que encerra em potência o seu futurQ e. por çons·eguinte, a propensão rendas}, as taxas de fecundidade mantêm-se em ~Jma diferença mínima
a fazê-lo ti.d\.rir . {oscilando entre 1.67 e 1. 71)i com as classes superiores, a taxa de
Fecundjdé:lde torna a subir fortemente, dando u~stemunho de qu.e a repro-
É as5'lrn que as prática$ da fração ascendente da pequ~na burguesia
cltJção bio,ógica não desempenha a rr-u2:sma funçJo no sistema das estraté-
(e, de modo mais. g:eraL das classes ~ tndividuos em asce.ns.ão) nãos~ de.ixam
gias di?. reprodução dessa-s categorias qiu e só precisam ~nanter sua pos1çâo.
compre~nder con1pletam ente a parUr do C()nhecimento das charic~s
sincronicacr~enta. nu;~d1du.s ou, em outras palavras. dl~tlngi.,1mt'l-s€ s iste1nati~
cumente do que clevf::!rlan1 ser tecricam€nte se dependessem apenas do
capital úconôrnico e/ ou da ca.p1ta) culrural.
lss-o é obselvado 'parUculannenta bem no caso da fecund]dadé que~
s-e ndo importante paru as ba~as rEmda!) p Q55a por um mínimo que1
1

corresponde grosso rnodo às rendas moorasl para crescer novamente con1


as rendas elevadas. Se isso acor1tece desse modo é porque o custo t"elativo
:Z3. A.:: cnt.~gõ1t.a.-=.: cJ....".I i~pr~-g<irlcs .i1 c~~ctll6ri..:.i r..i vumi;!f'(.iácioo rwo {:!Sj,,f o bl31Tl d1?1lni.di:1s ..~m. mi
do hlho ~ baixo para as famHlus con1 renda rnais bajxa que, não podendo ci!ol egcria dC4 L!rnpr~adc~ fl~ .::sei-li (mo, ~o liiêú de bru.1c.hrios o·J c-ornetciános. ~ possi•Jel
vis lumbrar para os filhos lJm futuro diferente de .S€Ll próprio pres~nte, fazmn ':'r't::'On~~il" w 1~rr~~d~ de4.1rme.tém -Ci.l ferrC\.iàrios. A cat-eg,ori;::. dos: oom::::1clfiric~ ~. s;ern tr.'J~:-IPJ,
J i11db 1ni.li!< h~ii'.mó!}en~. )6 que aí se eocontrnrn :ljudantes d.e a<:C11Jgue ((ln=llf.(lnt í:< q1J1' o.s ~)udi:mt1j.S
inv12sfünen os educativos extremamente reduz1dos e baixo também para 1
dE silll::k bart;:, e pzid:uta si!io d<iss5ficooc:r.) ç:::mc~· 01::...~r-lc.s q~Je_ ltl~d.-.:. ), ao l.:ide ti~ repretier~~;nt~
~s familia.s doladQ.s de rª"nda elevada~ já que~ renda cresce paralelamente do:'!. v;:mda~ ou g(!r:>fltr~:: ó~ lüjl'l <".(lrl) i..·'111.;i:r ~I 1 ur~ws. P~u~ y.;;i u;;r1n i:onÍilmilli;iiO rl.:i rupótese
aos tnvestlrnentos. passa por Utn máxlmo que corresDonde às rendas Ol'O!'>f'.?ta. oo fato d P. t] )i.'J 11 t illl!.;\ d(' f 1xLrK li• il'rdr~ dt::5 ~in pre;Jixl~ de ~rilfaio de: s!?lar püblk n
[~t1tre. osqu1:i~ !!: rn .im 1'l f'i':il~;!: rl~s tril-7k lh~,;:lore!; braçat;: e de 2 .04 wr.Mi!i apgn~i; 'J 1 .8,~ pi!ira os
médias. isto ê. â,s clas5es medias forçadas ~ p~la ambição da t:iscensáo soda]!
emµre~dos de e.sc::itóric da setor privrid.:i que sãc qua5e. Ci:x1os as.sala:rl.;ui<1s n~G-:trtnn11als.
a faz.erem investimentos educativos relat]van1Emte desproporcíonados aos
2'1. O es!udo de G. Calot e J.·C. De...ille i!.prnsenta iZl ti'!Xi!i de f~uoold;id~ doo i!ttcs~oo tê ÇorMrci.:itilés
seus r12cursas22 . Esse custo relativo é deHnido p.e]a relação entre os recursos C.on.iun1a:me11'1.e ÍOU sejr.i. 1,92). .Mas e po~:s.ll.'i':J: ~t,1brJei:.ftl', f'l(:IF n 1-eiO dl::' q lJ1il'llt> d.1100~. qu'-! ili ta:K3
de lt'!>:undid:l.de do~ .a:rte-~ào;. ~ m1ld.=.menm s11p "11t:r b dos 1:11r:4um;:rs rnmerd.1'.intes: c;cm efeito,
11ti r:iistl'J~1 tJC(lo r;.;Jr c.:1te.9ori~5 soc:iopmflssionilís d r:> ;nümE!fD de filher.; c.:im ldi!id12 ln íerlc:r .i!i 1~
n(J!i pt:( e11w •:segun:lo u r~::cnseiln'l.€ntb de _'J6B) qu11 mosLr<s glabf.tlmP..nt(! e J))rl?.<:trt.'.! ~Cr'ltltir.&
.. , dt>R, 'Ko or..;ir:.al pe.'1! e di.'1 dl5hibuiçilo dns Ln~as de f~·.md l:.1o1Je apn~r!ntad"1 110 Qulach1 1. ( 1~ <1rt~fil'J<!. ocur..11:1.m urn-11
"'"' N ~ :R.: Nr) -:1rigioçil, J>etti:.hat1 t. JXl!iLÇi1 , mL~>I ::: ~::.ai~ pró:.:lmil do'\ ~>llcr>i ::.l'lf:S. do ql1..;i !JS ~·t.'!Q'll~r'los .i:omercianle.s: <i nüm<!r.n mêclo
d(~ ill l 1r;.o-., e.: m 1 1d1'1 1(' 11!'vl'Jl>J' 11 } J 10!! por cri:5til e de 1 ,35 p;::.rn os Q'JJt!r~'l'iõS. 1 01 1Jarai r:
2.2 . P. BOl '. RP IEP .:!. A. IJAKBEL, UL..i. !in d\rn m111ltl1~.1.:? ll'l ti~m(!r fr1 DARRAS. L'1 PtirtO!.'W de.~
artesf!O.S. 0.88 µa::il- Cs mnpt~óil r' Ü, Í'~ para L"-"' p,cqlJ<'ro:-; OOr.L'l~QeiíU~
ber.iej1ce;S. Piltis. td. J c M lt"J,JIL
l 9GG. p. J 36-154_

98
Quadro 1 - Taxa de fecundidade e ·chances de acesso à do; se~ en1 outras palavras , certas categorias de agentes podem ~uperesti­
dasse dirigente das diferentes classes e frações de classe mar suas chances e ass1m realmente ~umentárias, é porque as disposições
ChaJ~ces de a!'.: e.s.s o cU. T~xa de tendem a reproduzir não a posição da qua) sào o produto , c~ptada em um
Profissões • dass.es superiores'* f er.undidade ** momento dado do ·r empo, mas o sentrdô: no ponto con siderado, da
trajet6rla jndjvidual e coletlva. ~1ais precisamente. as dispos ções frenre ao
Assalariados agricolas 1~8 3,00 futuro e! por consequência! as estratégias de reprodução, dependem não
Peões 2,3 2,77
só da pos1çào sincronJcamente definida da classe e do indi.v]duo n a clas_e;
Agricultores 2,9 2,83
3,7
rnas do sentido da traje.tóriã col@tiva d o grupo do q ual faz parte o 1nd1v~duo
Operário.s sem quaUficaç1ío 2i42
Operarias quàl.if kaclos. 4.3 2. 10 ou o grupo (e.g. fração de classe.~ Jlnhagem} e, .secund()r1amente, do sentido
Contr~mestres 9.6 1.94 da trajetória parttcuJar a um indivíduo ou a um gru po englobado am re)ação
Artesãos 10 ,6 wtd< à trajetória do grupo englobante.
Empregado$ de escritório 10,9 Ainda q ue se;a possível. sob a cond1ção de se colocar ern um nivel um
Empregados de comé:rda 12,0 tanto grosseiro de agre ga ção estatístjca~ opor um e thos p equeno-burguês
1

P~quenos comercianrns 15,6 da abstinenda e poupança ao ethos burgu~s da nat11ralidade, não se pode
Quadros médios 19.2 1,71 deixar de consjderar que €5sa dispos]ção re:veste um número de moda;lida-
Técnicos ZOA 1.67 des e:spedtkas. e até singuJares 1 igual ao das mane ira.s de ascendºr a uma
Professores primários 32.5 l.68
posição inooia dentro da estrutura socia~, de m anter-se nessa posiç ão o u
lndusttiais 3!:>,0 2.09
atravessá-la~ os men1brcs da mesma d a sse podem ter disp osições frente
Gr'.:1 11<le:s comercia ntes 35,6
ErLget.ih e]ros 38,7 .ao futuro. portanto di~postçóes mo rais, rad1(Àj1me.nte diferentes segundo
Quadros supetiores 4 2,0 ~.oo faça1n parte dê uma fração glo ba!mente em asc~nsão ou em declínio; e
Professores 52.7 secundariamente~ confo nne se encontrem rue~ mesmos - primeiran1ente,
Profissões liberais 54.5 _l - -2. 06 enquanto membros de uma Unhagem e, ~m seguida.. enquanto individuos
--1
- em movimento ascendente ou descendente. É as:iilm que, se os peque-
w l.N.S.E.E. [lnsH"ut n~H0nalde lastatisliq ue et d~ étud es éCCJr'lõmlql 1esL l:ºnquéJe
l J OS'.i- n o-burgu eses em seu conjunta te nden1 a m ostra,r-s€ maJs rigoristas sempre
f ortr1allr.m et qu.c:Hfica t!on projess ionn e1le 1970. Probabllid"1des de acesso às
que questões morais estão e m jogo; todo um conjunto de índices opõe o
lasses supe:rtores para o honums . ·egundo a profissão do pru.
rigorlsrno repressivo das frações ettl r~gressão fo:m partlcular 1 os pequenos
~ 1: Número rnedlo de hlhos por famHia c0n1plem! fr~ G. C.l\LOT, J .-C. DEVIU.E,
"NupHalllê el f~condité .sekin !e milie~J ~odo cu.lturnl", in f:conomie et statls!ique,
artesãos e come rcia ntes em ded inio) e o rtgorisn10 ascétko das frações
(27), outubro de 1971, p. 28. em as-censàu {a111bos disUntos do conservadorismo éüco que se enconrra
.,,.* tr Ci. no1a de rodapé 24. rrn grande burgu~sia ~radidonal} . PélO fato de que, tanto na produção
quanto na a·._;aJiação das prá licas, ela não conhece e não reconh~ce, em
1JJtjn1a an à.lise 1 nenhum. outro critério a lem d.a contribuição que essás
Os pequeno-burg•.Jeses ascendentes são rrôprjamente defjnidos pelo prática.., podem trazer à ascensão sociaJ~ a peqllena uurguesja ascendenLe
fato de se determinarem em função de chances o bje tivas que não teriam que se mostra habitualmente muito mais rigorista do que as outras d as.ses
se não tlvessem. a pretensão d€ obtê-las e se não acresc(;!n[assem, por {em particular, €m tudo o que diz respeno ~ educação dos fUhos 1 SQll
conseguinte. aos seus recursos em capital econôrn ico e cultural, recursos trabalho~ saídas, Jcituras. sexualidade, ·e tc.) pod e, sem n€nhuma contradi·
.m orais. Como essa força ad icional não pode eJ<ercer·se a não S€r ção, mostrar·se rnuLto mGnos rigorosa do que a moral dominant12 é do q ue
negatiua m eri te, corno poder de lim itação e de réStrição, é compreensive! as fr.~ çõ~s da classe dominante mais vincula das a essa moral. sempre que
que não se possa inedfr seus ºfeitos senão sob forma de "grnnd~a.s tl.:> práticas condenadas (cmn o o aborto e o ac12Sso dos menores aos meios
negativas.,, cortio teria dito Kant. quer se n·ah2 de ·· ºtonornias •r co1no contraceptivos) são postos a serviço da ascensão.itt_Esse rigorismo ascético,
redução de desp esas. ou de limitação dos nasclmentos co1no rest rição da
fecundidad12 natur~I . isto é, en1 todos os c.a~os de m o rQf ou, o que dõ no
mesmo, de econom1a, a "Inals moral das ciendas morais!·. Se; ne.ss12 e.aso,
c:is dlsposições não são totalm12n1e definid as péla rt!.laçã.o, em um momento
25. ('.'.'r:'l íormt m u•tr , 1~ tort1)Ju1raç,;:jo fl.1 f' tjue.i r.l burg esla d1~ p:-ome.ção ~emprcgt.<fo-s de escr:.I::!Yi J ,
dado do tempo. entre o capital p ossuído e o estado do ine rcado, isco ê, 41mJ:r0$ rnl' it,.,,, t.!LC,) ~ .-4, [11~~\ l<':l h'I ~)IJl --' llP.Sitt ti 15. f,t'OO :só~~ ilpres\",t\tbV-' reµresent.;iç~r..
pelas chanc~s objetivan1ente assoc1ada_:; à posse de um capitaJ determinci" 1:t i -omu O'í m n pl'P': 1dr:• 1·f,1l ~." ,,,,l JIL ~ 1 l'I •rr.Prel;il , vl! cl ·cot«i.dc.P , il..'I r • "?}1cioni::.t a.$,

100 101
q uas,.e S€mpre 3:SSOclaclo a um progressismo prudent~ .e m pofüica! difere 0 p'razo de acesso ao bem ççlbiça-do exçede os ~1n1it~ de uma vida hlJmana,
radica~mente 1 e111 sua inodalidade e no número dé seus i?frejtos, do ~]~ é o horoem do pra,zer e do presentg .adiados que serão v5vidos mais
tig,orismo repressr1.,.10 mais freqüente nas frações em decJínio; com efeito
1
1 1 t.arde ··quando ho·uver tempo·', ··quando tudo estiver pago' 1 ''quando
tendo por prindpio o ress12nUn~ento ligado à regressão social, tal rigorismo 1entürm r os estudos··. h quarp1o as crtanç~.5 estiverem,crBscida s" ou ··qtLando
pa rece n ão ter outra finalidade scenão a de proporcionar àqueles que s6 estiv.er aposentado'·. Isto é., com multa heqüência1 quando já for tarcl~
t€n1 um passado a satisfaç.ào de condenarem simbo1ica·mente aqueles que dern ais 1 quando, rnndq inve scido sua \.:ida . já não houver ternpo para
têm um futuro, ]sto é 1 essenda]mente , os jovenszto. E pode se v12r o melho r 5
rncuperar s~llS fundos e. for preciso, como se õl2. "voar n1ais baixo ! ou
meJh(::ir, ''Cl brir mão em retaçãô a suas pr~tensôes '. Não ha reparação
1
ínclke des~a- distinçào no fato de que os membros d~s frações ascendentes
passam do ascetism.o otimista ao pessim•sm o, repressivo, à rnedida que para um presente perdido .. Pri.ncipaln1ºnte quando acaba aparecendo (por
avançam em idade e. ficam desencantados frente ao futuro que justificava e..x~mplo; col'n a ruptura da relação de identificação com os filhos) a
27
seus sacrifícios _ ''O tJresente, diz La Bruyêre, é. para os rlcos; o fururo desproporção en'tre as. :;,c.u)?fações e os 5.a.Crifldo$ qLH~ , retrospedi\.•am,ente~
para os virtuosos e o~ hábeis··. Toda a existênda do pequeno-burguês subrral o sentido a u1n passado inteiramente deHnido por sua tensão en1
ascendente é a n tedpação de um, futuro q ue, na maior1a das vez.as; não relaçã<:) .(;)0 futuro. A esses pardmontosos qu.e deram tudo sem contar a
podera viver s~não per procurac;ão, por ]n[ermédio dos hlhos. para os esses avaros de si que., por cúmu]o de generos)dad~ ~goísm ou d~ Bgoismo
q uais "transfere~ como se dtz. suas ambiçâ<~s!'. Espéde de projeção generoso. sacriH~ram- se totaJrnern:e ao alter .ego que e:perav~n'l se: -
jmaginária de sua trajetória pa.ssada, o futuro ··que. sonha para· o filhó!' e 5eja a curl.o prazo. em primeira pessoa elevando-s~ na hJeratq\.LLa s?ctal ~
no q uai se proj~ta des ~speradamente de.vor"tl o Sªll pra:sente. Por estar sQiéL a prazo mals bngo 1 por ínterméd)o de un1 slJb!i;tttuto moldçK1o a sua
condenado às estratégias da vári.as gerações~ que se impõen1 toda vez q ue ~~agf!m Gsse Hlho péio qual ··fü~eram tudo'' e que ··fües deve tudo'' - nada
resta senao o re:: sentimer"'Jto que serript·12. os acon1panh ou. em estado de
os ~mimndort!l>,, ecc.J. i15 .:.fü:posiçõe.s frenre L"tó JuL·uro e, p or c<Jnseguin te, o oor~·Jn~o d;:is pr.iticas virtu~lidade , sôb a forma do rr1edo d€ st;?rem otários de um rnurido soei.à~
e opiniões de~end;:m-i tam'b(!m. s&und<irir:im~t e , da antig(!Jldad~ e ampli.d.t:i...:) de mo•...-Jn-ien.:o &. que ]hes ·cobra tanto. Para obter a desforra, basta-]hes tomar posição em
;::is.::qnsão socla_ e d4 s-,:it1. cti~~l'!:tadc- no 1•_'lp~~o sor.Utl; os n:v:1nbms da nov~ p[~u~t'\:'"t \;uJr_gw.•si.il.
v~~ndoor.l"L}S d~ 1-i(IJ'..5 ~~mb611 -~ qoo s~ d 1,,. (11)'1 px=i~~ po.,W•es "de h;turo~ a~rirl,::i mal cli~flnJrl;,is.. mal
1
S{::U terreno predlleto, o da moral. transformar sua necessidade em virttJde!
~t• • da d~ d~ l'StnJltJr'o!:l ooci~I G i:i 4~11;1:111. ooir10 ~QI diz, -tJJd~ ~ e&f)eri"o11çd.s"', ~tndo:t qui.:: um clrigir sua moral particular1 tao ,P<!ffeâtcm1enrn confarrni:l à idéia comum. da
ilt1Lh."' irtenli ta~. sEto JM Ini1kll'ls. mm <li:s.r.xJsiçóes ~~uicu gr)r:mw aocêc.h::M dü qlt.z oo n-;~r1littiS· Lia moral, como mora~ universal. E qu~ eles não tém somente a moral de seu
l:Jtlq 1J~1i'I burgu~ia i:!e p rnm;:içi:i::; qua .se oriil'ill m1tt. qu~ semp1é pçir '.lm &.sf-::irço d!l biLltodid í11õ .
~ara. posiçb2s M muito definidi'ls_ clõ'lrar1Je11te 5Jluadi'l5 em um~ hie.rnrquli:., ele.
jnter~sse, ·c omo todo o mundot mas lnteresse p~]a n1oral: para esses
2 6. ASSl1tt. d('.:S'.(;t:br~-s · por e.xemvlo. (JL..~ o s, ~ules~os ~ cômél'C'i nl~ rr1aruf1JS1.f•m 11t"r1A ~l.Jsocl~
denunciadore~ dos priví1€giados. a mora]idéld€ é o único diplom" que dá
[Jr-Óxirnll dl!i """""4J;.}ju_ie ~n rf!inç.ão .w;:ir; roti~[tis (20% de11Lre ~ de.:ltirntt~ qu,é. !) u~f'IJSI& mo:.J~nô .• d irei to a todos os privi]égios. A indignação rnoral engendra posicion~rnc:m·
iJl{]u~m que zomb1:1 do piliJito" -::ontra 1.3% doo qu~dius superivres i2 o~6oos, 9~ o:.bs que.:~ Los polkUços fundarnen tainumrn amb'lgucs: o anarquismo humanfr;ta e um
n'cl.a;i ~ G% dcs agrk1il:co-i;::;.; o u alrA'l Z8% de-ttre ~ i'l [lJOl.'iID1 ~ idéi.a de que a Mpmh.!Til é urr..a
q1uasti\o pura~~ ·.:nm~ ·· r.anú-:.:1. 20'#, Li.o s qu;:iàro_s m.a:lio3!, operati.os e agri::ultet"es, s l 5% dc-5
pouco choramh'tgas ~ quê pode prdongar-se para alérn da adoJescêncla en-t
qi..l.:i.dM $,m~!ii.on..::~ (,Jliti d*' $ttçi ôs i 1ilti. !l)r'tJí>\~ a dlw q\-~ õS pmf~SCl;';':i. t\ilo sab~ni t i\ZJ,!l"Sll: alguns velhos boêmios românticos, umrienta-se mu1to fadlm~rue1 com a
r;!Spiiitar fou l.llf!j i\, 62';!i, 0011rra 55%~1tre os q..i.i;dros milidKJ~ e eo1pr~ti.os, r:A'K m'h'P. o~ c:pC!!'â1io51, jdade. para o niilisrno d~ co loraç~o fas.c:~sta~ endausurad o no remoer e
4B'};'1entrE os ilgric11lbri:s e 45~ i?Illrt? ü5 quildros supizriml3), rp1e são os m !'l:is in;:lirY.1éos õ itntXtti!'I~ . . L~

o fracasso da:; f.ílhos r.i."".6 e.sl:-.xla!: t11.o fatc de qu-E "r.ão estw:rarn e suik ienta'' ~-ou 5\!j<'S. 57·;..s ron1ra ruininar dos esc:~ndalos e complôs · .
41% anlTI! ~ quadrc<S mã:..::in~ .e. emp regrdos. 46~ enrre r.6 oparittios € asn::ultJ;;f~ 41}'}(, e11rre C1b
quadras superic-~li!S) w julgar que a discir~na não ê Sl!\.'l?ra e bas::ante OCt!i e.st:ab::locimen1os e.soolilJ'rs
(ou s'-1 • 45~ 0:::1ih1rl) 38~ 4$'11r rJ 03 op<!t'árl~ 3lí% imb"c oe; riuatirc6 mt:t!las e emix·~ dCG, 3'1 %
erure os ilgt1cull·~re-.: e 3(1','\. enlie os qu~ superiorf':!i) (F'cml~. S. O,f. R E.S.. I.er. Fm t1ç.n1,1: et ;''cm 2 8. C• qll(~ 513 des·~f~-·e i;.1lJI e11ma fCITTk'I. d~·1tre J;)'!Ib'i'.6, di:l e'.'t!ll •ç.ii.O das dis~si1;fü:s r,ditlr.as, aqu'2-l.i l q;vt:
rnooerne, 24·2'9 de .:ibril ds 1 972~ e S.0 J-.R E.$, Lss F1"1~GI~ cr 11es 1r,ir"bler1 1,;s de ,l'f!çj1.,~r:a: lorr l..?1.·a os émprcg~s a q11adros rn~lit;)S <t ackotarem, çpm :1 avanço &. i:.fade, pc:slç6es. rei;n'.SS:.\100 ~
tic~ JQr.!'J!P., ~tudl.'! ;)Upr~ do:>.s p illrc:trAsi, t . li. ji:.mba•ag,osto ds 1973). repr~~.... ~ m:é.s pr6:<i1m1s J~ JY,o;:,i~é..._>s da; p~wc-ntJ€. oomerd::iT1L~ ~~ ::,obr\:iudo, .dtis l~"YJU~nc;s
.mrl~;S(lj ,,m de::linm, d:J- qu~ '.lit!'l. IY..L:;içõe:. doo lnethbi'cs mr:iis po,.'i!11.$ ti ~.!ia próirnti dasse. m:!Ji
2 7 . A hipótese praprul a a.:irru. par.::.::12 er:.con<rar 1J1 n e.::: meço d.: vEifL.::;111;ã.;:i no fol[} .;:li.'! qu~ E <:1t>sfil'/.él. rtgotiSCf'l!I rlo que n~prl.'!SS',vc~. ~- l2'~iso. e;,it.;!r;tüYJ0'Y.e. l?o;i.cir mtilvE/;~8J' uma r.::la~o 1.J[!.fl3-l 11.!ltét+.-=a
!').') t'!i1n('1go i;ii) frt'iç!io <li;:.;;. i;•...1ooros m~cbJY.i e empre;ados.. diferenças emre <i!: i;)i:-;r:is l?lilras qui::
1:0 11'1' , çi GYo1.:iJherimimlo blliógico e a evo.'l,1~-âr> ~m dtreçiio ;'):::; -::.01 ervadoiismo. As tru!ddn;M de
são m~is· marcantes do G"Ue rio ~m~J:i:> da~ ô utws cl~SSojg ou (raçõ;~ d» ctil:$Q, !lemp~í:! que as dlspC5içful B 1,;osi:;ito r "tll'rleil.S não rrmn~~m umil !'a..:iç.iii.:i .:ip;:.rnrilii! oom a. i,da~e ~ot"f!~•-=- por lnt~~
pel"SIJíl':°Zl! f ~tb'.S oferocem <is d1spc!lÇÓeS rer:m::i;s~-...'d~ '-111,('l O[;)J))'ll,Jt'Jldarl.;; d1~ 111:: .:r1{i.$!1< O ([)Clr .d. s mudnnçru: dli )ll::ie;k&:i scci~l qu · ~ apera.m nc- [ !?;l)r,ó; o nllma-o de renf:i<l.S di;! evd.o..:.;~:i da~
"-'-:r?lllp~o. <i p~rtr: do~ tni7.mbrc$ do?.ssa categof.. :l. que: :rejeitom ~ id~~ '-~ qll~ os i-Jr'Ôtessc..i~ 11;'.!lõ opiniêor5 p::Jll~ie;is 1~ [g!Jíll r:io tl<is Í<..1rtr ..=is .de er.ivelr.admil1 1t t sodru, isto é. ~ h~Jl2tórias sod~is . .~
siio lit-'Vm~ u b!tSt.ílliC p~ssa d~. 36.2 't: par.;>. 2'9'.0% <:: 26.4·},', quarx:lo S"2 pi!'ls:=ri d.as pesi::ol'.ls ccctL t.droki~ rot~r..r~;k:ra quE ccet.>t1íl!!'" a relação l!lll:re i:. ;!:'.•~l~1çlio ~ dire~o ao •~e ~o.ac.kiri!smo ~
idade i1~f-Erior a 35 nr.os paii"I as p.a<:soi!Js 1111 it.ii:-;,:, etária dos 3{; .:'I 5(J o'lt'll:J$ l.l t':(;ffi m~i$ doiJ. 00 o envelh •tün~to ~mt™:itnm.el'~'1 1;1 ,..;iciad:J a um prt:KJrrj,·.so ~ X1bedt1:ii'- P. ruzwl como lm
Cin;:u;, res.µectli:am •r:.te; da 1ne!rn.a forma. a tr.ii ção di!::~oi gmpo q ue consi.de:rí'.'l qui& <J:.o f:1c':tf ;,:;..x';(lt'1~ anlru1.10\õgiC<1. e 1?11oor~..i. fl(",,"'&.'.'J relaçito a m12.l hor ju~c1fü:·.Qil~1 i!i pi!'lm ti $1..ll:i r~pre:enlr:i:;OO p{Nia~t'it ú
€õZ~(· 1x.ill1>::d ~ Is f.(1$$(1 M 44 ,M'i.parà 4 { ,C.% e 60. 4:lfo raan•.;ame11te ãs ITI·:asmms fa 1)(1;15 eLMíllS à "fu::llct11. das idqdogitis " lrloi't'i1çi(ls rw:Jlllât:t:iiJios ("°l'I J1,JV.c: rJtooe d~.•{:? 5~ bmn illlJl"O"A'!.it.~i\"l Ct) ffl
o
(d_!.F.O.P_. /\Wtude i"ég.:::rd des e.riseienttr.~s. rtt~T'ÇC rl;~ 1970 at"!f:üise :11!!0...1ndária t'~alizad:i. E.'.lll 'i •JJ ~·.rm t1..-xl~ .u •TI 1, • l oorl!:.ld~ar:do q~~ ().'lt'<l snnpli:Rt'.(»', iH ~numí!Jiw.:is tu~~ dn
t:i<!lo Ccnir~ de SQt.'k}.lcgle e 1) n::ipP.enr.:el. 11 1,.'{dh.!l".lmt't .to ~od. 1rtt t1 uf..,r(?d~~ ~i é•tkll, •11t"-" D~.1El');)·burgl,,l as ou b'l.ITgu~ (os 1 1r~C6

102 1 0~
~ sa voc,:,ção das uarjantes sistemáticas do estilo ascético de vida Se é verdade que as frações n1ais ricas en1 capital econômico, a saber 1

QU~ ~raderjza propr2am.cmte as dassºs médias basra p<ira mostrar que as os pequenos e rnédios cornerciantes artesãos ou proprietário-s de terras., 1

estratE?gias objetivamente orientadas para a manutenção ou me!hora da orientam-se de preferência {ao menos até uma data r~cente) para a
posição ocuµada na estrutura social constituen1 um sisrema que só pode poupança. enquanto as frações mals ricas em capital cultural (os quadro.s
ser apreendido ~ entendido enquanto tal pelo retorno ao seu prindpio méd ios e os empregados} recnrrem pnncipaln1ente à escola, ambas têm
gerador e uJilfic.ador, o ethos de dasse. por Lntermooio do qual toda a vis.ão e.m cornum o fato de inve;;rrrem, em suas estratégias econõmicQs e
do n1undo º.conômico e social, toda a relação con1 o outro e com o próprio escolare..s d€terminadas dispos]ções asc~ticas que caracter)zam a clienrela
1

corpo! enfim. tudo o qu~ foz o estilo próprio do grupo afirma-s<Z em cada id~al cio banco e da escola: boa vontade cultural e espírito económico.
uma da suas práLicc1s, quer seja a mais natural em aparênda1 a nleno:; seriedade e alinco no trabalho - ouiras tantas garantías que o pequeno~
c.ontrolada pela consdência. pela razão ou até pela moral. Com efeito, as burgues oferece a essas insrtru1ções, embora fique ln eiramente à mercê
~stratéglas de tecundídade dos pequenoM burgue$eS ascenden es. assim d~s n1esmas (ao contrário do detentor de um üerdade!ro Câpitai, econô-
como suas 12..Stratêgias escolares, só reve]am seu sentido e funç~o ao serem rr:ico ou cultural) já que é unicamente por seu interm êdio que p ode obrer
1

recolocadas no slsterna das e.51ratégias de reprc<lução caracteristicas cle os lucros de \.Lrn patrimônio fundanHantalmente negativo'' . A pretensão
uma c1asse que não consegue realizar com sucesso o seu empreendimento tan1bém pode ... er escrita como pré-tensao: sentido asc:en.sional convertido
de {01·mação de cap:w J senão sob a condição de restringir o seu consumo em indin ação para perpetuar a ascensão passada; d a qual essa jncfü1ação
e concentrar todos os ~eus recursos e.m um pequeno núrn12ro de: descen- é o produto, ele tem como corilTapartjda o €spírito econômico e toJa a
dentes, encarregados de. prolongar a ~ rajetória ascendente do grupo. Os pequenez a.ssodada às vtrtudes pequeno-bLirgue.sas. Se é verdade que a
pequeno-burgueses que, t~ndo conseguido 11\.•rar-se do proletaria.do - seu
passado - a[mejam ter acesso :à burguesia - seu futuro - pr~cisom , para
realizar o acúmulo lnlc)al necessbrio a e.ssa ascensão! r·etirar de algun Jugar
os recursos lndlspensáveis para st..1prir a ausência de capital ~ essa energia
da vida sodal. Seu habitus é o sentido de sua traJerórla social. inc i'.1iduãl 29. U clim1t11 l~<'.;-1l1k1 IMr>:.:.o, l~ I oon::o se ror.hgura a1rav~ dos dl~11rs.!."1S d() .. d:rri~~1;?J 1l es e:, sobretudo,
il1l l'W iJs (kJ~ l lrr; @dimento5 bo.JrocrátiCCS impf ~))L~m.'11!:;$ í}e,Til ::_.ci tX.°io r;,.'.'H" OS beC"teh!:!á.Jio."I L ~
ou coletiva. que se tornou indrnação pela qual essa trajetória asc~nclent~ -m 1~ ~·'·(h111no •:d P. BO'JR mE~. L BóLTA.N~KL ~ .J.-C CH.·'iiMBORE.DON. L~ !fonq1Je e t si:::
tende a prolongar-se e realizar-se: espkie de rdsus perser., erandj em que o 1 di t:r.'! 1H!J. É'fen c11!.s p:J u r .UflL! .iD _lõ,1-!'lg'IC: d lJ C~:~d11. í>-oJris . C~nlre de scdolo~ie i:>.ump~õ":íll".õ?.,
] 963: n.á-:J di.fe:-t.? la nt1') do dl t?nl1~ x:t •('ti ~1~1 •sÇ(Jla, o ''bem nl-Jno", tal C(ltnO ~ J~i11ir:X!
trajeto passado se çons€J\.'a sob a forma de urna d1sposíção frente ao futuro, objcLi\lilITTE11te p elas opo.=oaç6L!!l dP. !in}r~,jo l' p-lias ::.preciaçón das p ro!e!i$Of\'-'l. o -1 :~111 cli nte"
em que o já não pro]onga-se num ainda não~ delimita as an1bicõié!S ''razoáveis·· IÍ Ln 'b1'tln;:~dor e hone:10: Eu.a. ··,_- m: 1bw~...1<J J.t{':.:i<)t\I'" loJ fru;.:..i, pi!d~um crêditc r('!la: '"'"n~ 1l1) lt.:iixo
e, por conseguinte~ o preço que 6 necessário pagar pQira realizar essa pretensão mm;. r.t longo pr~zc...; r.t!.,;i üÍ<?l'ül"'~ !'.lt1r' 11Lia~ rt'~. m:.\s a:p·lml'.I~ g?.i~ntl::is r:-r~;>il:1,, semlo q u!.! s1i'1
primeirn fü:i. se cmoo Lr;irn so.11.::; vi r-~udes; conhece sufü:lentemffJt~ o 1!';1·;·.m ., p tirn &er o oh.Feto
rea.ista. A f1i?.<l uena burguesia ascendente refaz. ~nderinkiami2r'tte, a hi5tótia de urna ~pi. ~i1.:;. í> ,..,,.,·kmtil , n1ru; não :> bnstar.t2 pa'l'<t dL~fr:iul ~ , l'ddono1hnt'nte. !:"US in:~cssfS
das origens do capitalísmo: para tanto, só pode contar, à semeU1ança dos e 1irar e 111.~x! 1111: IJ~:;·.·0:·ko dc1o; '-''1r:Ulgens oferecidas Ao Jv111 . x:l,.,...>il, ttuadro 111cdia . de preforàlc2
Íl.11 1 n<'1!il :1i1~:1too h1ft:rrrw,d:> e ba.s:t ...me par:l. oomp '1'ntktr 11& ~:Jenci11s bumr:nll i12s, mas nãc
puritanos com seu ascetis1no. Nas trocas !$Odals em que autros podem
1
e; 1ul10. b~IJ -i!. ao µor.~ c:fo se:- c?.ipf'-..z d~ :-:11or 111nd rw:i.slê1ida r:rgi:111:.zndrJ prl?',.'..sfl,o.fl e- b::isl a1:.M
apresentar garantias reais - dinhe~ro 1 cultura ou relações - ela não pode 1tirl:I s~r :.uf:dE-nLeme~t:? prl?vírl<'nt c, 1nt1:c1 ~a'>> t -r recursos su:fici;;r'll es p:!.ra pcdr•r dts:i-)1~th1r 11111
cforecer :;emáo garanti as moralsi pobre {relam..-arnente) etn capiral econô- cr€GitO, i:i GS-: i;:. cl1:?.tlt<! Oj':.Ô.:1 11',,-:;}l', p :Jr: l l! í< J~dO, O "cliente chal-:i·· , ~Onl p r:!'ltl C~ QU.1~~0 ~lf)l.-°i<JT
[JOSSUidc-r da elevndn C1!1p1t~I 1;11h ll11'll lex. proíf350r de di~ eito! que .. r~a~ki "~I l~t<ir" rXJI, 1l'ic k:.Stá
mico. cuJturaJ e social não pode ··ju·:;;tificar suas pretensões'!, como se diz! do 1m niJ ~:) p c]:; 111édo dl' perd ~r ti ::::-.ance Ot.J p!"IESklr..a.:I() t')C'J21 uf!:f r ,-.::i.'i t.JE:l eriCorili°l!IT lJm tet<i
e~ por conseguint 0 , e~· chances de real!zá-fas, a não s·er sob a condição de riu~ forl'1l!,_.. 111 11<1 c;:;nl n·ou'çcia 1,i.essoal irnponant l\ 11;.o l tii 1 ;n1~sx.li:i::l02 de um pr~Z\> rl,
pa.g~r com sacnfídos~ privações! renúncias, em surna , com vinude. 1 ei.".m bo]si:;o mu:ki longa. cf-:.:rere gari'tn~ rnr.M. e· rh~t'ü...- d"s rn;!:cs inlelec~u~!l p-:iYa mu:r.Jlr .:i.:;i
111( IJ1f'l' .. conrHooes rli::!õsas vamag.::n:.; e, l~õr f:l~lr latlo. o ".:.:~ente d.i! pouco interc..<;~C! ~, ~nrr1 n
per.IS de m :.?Jnbr, da?; ~ l<ts~" J1op111<lr~..• q.Je e press:.On;:.do p21.1 ·.Jrg !'.:n:~, n.11 >1~\> ::011tribu~ção
p1~"'°c<1:, rl('Sr{a ur1 ; i;r~d~L.a longo. C"tfo c for~· . 1 ~fnr'ltla:.i rt:ft'f• e i:ouc~s ni11rnnri.11s i: e,st.Ji'lis e
pn,~c nl 171-$1~ il(ll t(•(n do p-õ4.ôJTirll" dn ra.:ion.alidflrl ~ .rt:l)nÔfftl;XI T.:sce li:brno e r.;:-w :ltdü; qutn! IO i'IO
i;ri" nd r-o. ler'J!l. sido r~cusada dtJ ~ .1fr'!. ~·t\~ln, tir.oTTJl•E t' il ci mt1:<irr..::: p-rm:-:l~o das. 1.'ll.11Lager~
°" .. ortómk Lis ofl?l'eckltis p~..'.'.:- ~ fl!'X 1 " ~-m pilrUci 1l~r, da " p crsr nt1l:zaç.iio . - O .::ri:ti 110 :1il!I) M.1r.>;,,
ão ju i7.n q11<1. ft ' -.;n~;;)I· p(}!itio.:iJ f11z. da mw~liwde ::ló!. urn l t011 t~!1 D~:; !i.1~ d el"'rT'°' .;:. !.:.mbiilflidade
00

CJ:')1~id<.:!rt.d•~ p ·la irl.;JOlogiLI) µooem ser r.kstn::1uidas ern duae gra.ni:!:es d ass.::.s ::iuê rnrre:i1x.m ::1 m. 11r d1.ncl~ il<i , crs.:::ir:.a}izaçilo de: cr di1a: qu<1 dc; .::. !'1i l"'í.':t, '~! ~llt"!r.;:.s.:.:.a :) eh:. p~!:!E.o::., ~ncer,;;.<;:;<1 -:w.:
g •ijo.,S;;..1 ~mdti, fl() r;u1~.i: l, ~dc1I (.111 i:'ICl i rt11:::a ·m , e. p;A m 11ro Ir;:!::; que. .::ss~ d11a5 d<isses c!e Lrnjelánas p l.1:: s::inml ir'ls ri.e !:oli.1ib:Jicl.:1d e ~st.::<.lt:td~ ~ IJ~"-Od. Lili com o .f: defini d::. pda <'r.:::1xim1& r<•lítica .
k ·,Jõim por 1,·..a~ difofanr(.._.,, Ft tli~J)r~iç:j s ,...,.. ~rJl'l.\!l.dvr'.Js ;IX'rli.'!1mmle, muito diterentes em sua i51~ i:-. p~n .:iCIJ ~·alcr n' 1:·•l '11i<J ~elil r.io·.1panç::. µ::>teick1I ~\ie F(l~I" ~'!: :~ftln, l··t.,· .11:lr;. ''111 r:J1)Side
rr..odcl1dcd:~~. •.,(>.;;() riu~ 1:-iMtFt lff•'CA'~r' a::. 'Ji'lrlE:c"<J.:11l~ d!'! icwlo~i.1 C? CtS pr'ú 1c1pioi; s::;ciLi:t3 d~ ._,..,lriilç-iv 1 ~i.·••J :.i..:a iditd1·, 1:1L>I ·:.'.\i.;, ~Loclo de silúd·.'? ~ m ç1ral:...-;li'l rle, n)~. .~ •r.·b·Jo- l! dr .:erfo fo1bi:itlad~.

dil rclt1c;ão ,~1tra e e t~ l)!?11Íi ~dtn1!~~0 Mco11iiglco IJ-0 c11.:;c IJ1t:c1111~ 11 i.v soc::a 1' 1-"'Iõ trrinsfon7l~r umn u IJ.JL"o:.'.(.l (')1..-dc r ;J'l'í'C·~ intPre:=.s.a Hi1' 1 rl?i pP.~[M êC:.1 mpl~u' cm c;eus ntcmo.,,, p~~= pn.~. dr:>.:;
relaçi)o i:sta1 stlc::i. _::;cçialogkrim-.f'lt~ lr.i:d1giv(1 I <lt"r'l lial ntoitlln:.1. proj :i~os o • cl• nr 1~bd , t 10 q 1i. t 111 d 1• 1111Jis '''.'" •!SSu i\I '

104 H .>
pré.-te.rLsão força o pequeno-burguês a entrar na conco rrênda ou concu rso pelo cáJculo, do miná-lo por uma estratégia de investimento que organtia
das pr~1 ~ri sôes an•agcnis[as e o impele a r.;~ver sen1pre abaixo dos seus éJ prátka presente em função dos lucros es perados ou dos custos previsí-
rne Jós, ao pre.ço de uma tensão pern">~rtc?.t)te, ~empn~ pronta a -expkxHr veis. As r'21açóes de famllia ou de amizade não podem mais ser para o
€m agressjvidade {em vez de agres,ão}, ~d a é também o que lhe dá a fo rça pequ eno-burguês o que são para o proletâlio, urna garantia contra a
nec:e~!;àt'ln para extrair rl~~ si mesmo, por tódas as forma s da ~uto~expl. ora­ infelicidade e a calam1dacle. contra a solidão e a rn]sétia, urna redl?. d~
ção - éf'n pait icuJar, a:>cm1srno e mall husiGinismo - <)S m eios econôm i to~ amparos e protecões da qual será possive~ obter, conforme a necessidade,
e culrurais indispen.-áveJs à ascen$ãO. L~ma ajuda, um emprésUmo ou urn emprego. Elas n áo são a1nda o q l1€,
Ê na ord em da sociabilidade e d~s satisfaç<Jes correlativa qua o fora desse conteX[O. se denomina " reJaçôes'' , í~to ê, uni capital social
p equeno-b11rgue~ rea]]z~ o.s ~acrifidos mais important€s, sen~o os ma~s 1ndjsp ensáv el à obt~nção do melhor rendirnenro do capUa! econõmico e
manifestos. Cérto de que não dev<:? sua posjção a nada além dê seu mérito, culturL:tl~'J. São apenas entraves que, custe o que custar. devºrão ser
est.S convjcto de que só se deve conlar consigo próprio parã obt r a destruídos porque a gratidão, a ajudõ mútua, a solldaried.ad e e as satisfações
~aJvação: .::ada Lm1 por si, cada um para sj. A preocupi:;ição ~m concen1rar rnateriahi e simbólicas qu~ ~Jas .;ropordonmn , a curto ou longo prazo 1

esforços e. rnduzir os custos leva a romp er os laço.5 - até os farnUlares - fazem parte dos Juxos pro1b1dos· .
que verihenn a opo~· se à ascensão individual: n au há tempo , r en1 t ;1eios~ Limitando à própria famllia a Lnn nú1nero reduz1do de fühos, quando
nem lampouc;o gosto para ntaoter relaç.Õ·t!s con1 os CU[ros n1Q.111bros da não ao füho único1 no qua! se concentram todas as esperanças e esforços,
fa.ni.Hia que não souberam '· e 'í.rlrar'':~J. A pobreza tem séus drcuJo.s viclôsos o tJequeclo-burguês não faz mais do gu ~ oh12dec~r ao sistema de ex•gênctas
e os dev~res de soJidarledad que çont~ibuen1 para acorrentar os trJenos q•1,e está impHcado ~rn sua ambição: na )n1possjh]lidade de aumenlar a
de~ prO'i.:idcs {reJativamcnte) aos mals carf'-ntes fozem da miséria um eterno renda, precisa reduzJr a despesa. isto 12.. o número de consum1dores::.J. !\i'las.
re,começo. A '·decolagem ,. prnssupõe sén'Jpra uma n1pH,ffa, sendo qL.J.ê: a procedendo assim , acaba por se confonuar, além disso, tacitamente, à
re;eição do~ antigos companhe1ros de hlfortún1o não reprQ.senta senão urn reprE?sentação dominante da fecundidade legitima, isto ê, subordinada aos
de ~eus aspectos. O que ê. ex=g1do do trânsf1..1ga é wna d emJb~da da escaJa lrnperaUvos dr:i reprodução sedai: a Hmltaçào dos na~dm.e ntos é. uma forrna
Jos valores , un-ta conversão de toda a aUtutkL Assim. op1ar peJa família (sen1 dúvida ~ a formã cleme111ar) de t1 umerus ciausus. O pequeno-burguês
restrHa ou pelo n ho único, en1 vez da fo mí)ja numerosa - cujas cau~as é um pro letárjo que se fat p<2queno para torriar·s.e. bur~uês. Renunciando
nega1ivas. tal como o domínio h1~ufici~n·e das 1ecr..icas anttroncepciona1s, à prolifkidade do prolctárlo~ q1Je se reproduz, tal e qual e em grande
não constitttem uma explkac;ão sufidente - é renundar à concepção número. o pequeno-burguês. ··escolhe'' a reprodução restrjta e selebva 1
populJir dae; i;-elações famHiare.s e das funçõe-S ela unidade doméstk a; é.
abandonar, t>Jérn das saUsfações da grand~ famllin 1nl ~grada~ sotidár•a de
todo ur 1 1n odo de sock.bjJid~dé raclidon~1 , com ua:i trocas, testas, 31. A b'1tí!graç,), cl.!1 fo111fliti l! ~~a.ia ... ~ m1:1is, " ri.111d.;:.11,:il r . s~ .i p:is$iviil ri IÍ: .,. nS!'ilm, à med:.d& ~llJ~ ô
confli tos, etc .. as garantia~ proporcionadas por umõ d e.sc.end~ncia nume- 11 -.:Jl•.frdLY.l v;;il • lc::.r11;:."t11:Jo f) r.A'llÇô<?S m;:1ii: ~{;'•lo:.• (!t~" d<>r 1lro dc1 h i _rarquia ~=~ •l.:11 , .lã. que el<i µen n iti.'
r.-...'U111t1k1Y o r;::ir-iirnl ' 'Ci conju~1l() rl<! s:::u; me'l11br?;~ jr:í. ai e:;se rcspeito P . BOUH!J[[ LJ L
~osa. únk a proteção ma;s ou rnenos segurél, princlpalmcmte para as rnãº-s,
BOLTAZ...-..SKI e ~.( de Si\~N'í MAR71N, Jo::, c1t.;..
contra as lncenez.as da velhice , em urt~ universo assombrildo pela. lnstab1~ .32 . Está kmz•~ d~ ser focil w1 1s(·g~1ir a ccnc1liação t:'llCl'i~ •.• mblçii.o da õsi:;:'<'r=-".IÚ(J lr.dl•.•iJ.ual t: iJ
hdi~dé doméstica € pe a ~nseguro.nça econômica e social. Es~a conversão p iJrlJçl!>1tl;.ttÇJ íiP.. ddC'.Si?l doe; i')t~·r(;SS<:S L'Ol(11Í'.10S d<t dd~Uj O ffi ô 1Yl,o'O é (\':.1€, ~~11 1 ·~ti!nl abs::ilul.a•
da ç.tjtude frente cio grupo fammar é inseparável de uma conversão das. Lnenle t?Xciud ··nL~- . !'~razões prfJ LkJ:, e i ••ml:;i~m o fa10 de i.~ ir:~ µir~• :i1n ~m d•u:is •yls.:}e,.; 1:.italm a-il~
orxi:r.1a~ do mur-.:.fr; ~1\.ií'll. ..-\ s empr%1J~ de rc:.:ciclag>t111 ou de prô1noçao 111terrm (c1Y1•t .ir~r.6
disposições frente no fu uro: dotar-se de uma descendên c~a numerosa é ~nwrno5. e.tc. I n~\'.J sm-i.:i~, tA() positi','õ)ITLEõtllJ s~nclan.:idas se. nlt'.! m du ~v~rl .~Oi?..mento l~~'f'•lW
tomar precCltJÇões palpávei$ contra o 1uturo . por uma es(ratégi~ que é, de s~r.:lglf fS!i<=m a ade.sõc iJ ir11>'1it11~Ao ~ P:. ~rdem srxiJI d~ qu.;il fozun pari ,

certa mancjra. o equl\.•a]ente funciona] da consti1ui.ção de reservei5; é erguer 33. As Gi!lf P.g;"}rias si1'.:i:lfas ~ 10 toro::> da da5.c.;c or.icr·hi11 lõl>~fü;cs qutilifi..;:C)uO.:; 4 pri:;fi:;sin1 1ais) ouLl!11 1
cont:ra ele, com am:ec'?dênda, prot~çõe3~ nJo é esforçat·se par~ submetê-lo 1Jm.a rt'11ili:. ~l~bc'tl média por c.[!S~I ~11l•.1al.:r.1 e a l 4 212 f k .(,~mf!nt2 12 6% f µ.:tr: . o co11junlc
.ifos opi::r;]n1J6l c:.<.mw?.i 14 344 F prir...i os ~ .('Yfagadas (G BANDEm~H , - Lea n: '.•erw dcs rr..~1,..ges
a1 1%5'' in L ·s Coii~.tlom d.e J'.'.•'\'.S.E E , M 7, dcrembw liê :970. p. 291. Sê!:Jl•:.:-k:· a
:P sq.L ~1!1a scbre as ror:diç6es d ~ vld;uios c:asrus. r{'.1l~nrfri p~ l.'.:'l.S E.E. i!m 1971, O!i cperârios
teu'l lltn Co;.m 11mo ar:/11:1.l mÉdió 01 C.1.'lnl SG'l5i',1 elrn~1tl:' la'. l?J i'.o d:::is ~rnprn3L'ld~ 122 85• ,53 F
3 0 . Os conlli~os ~ :;~ c11sLns ·=l' •·. !:do ~ co 1:.trilpi.'lrlkki d?.. a::LJ;lv;tin ::v:1c-ir1' !.-'1'J r:-::.rtkularmer-t. <'~ •"'·'adaa ~oncr:i 24 Ci52,B8 FI' Se for l1?1.·ado em cr'>11ta o n•.lmero de p~-.C•M peâ' casal ·:3,64 p1'lrlj o.r;
n~ "-l.d-Eclac.=~ ~~' (111,! ns Lra.diçf:~ t~. dJ::laried<ic e i1rq16~11 1 e -pt!!:=o de um~ ·~?Jrga. e:<rr:.!l~oovr,1 <.i~ •rArlo~ ccn Lra 2.86 1 íl'41 M ~nprégru:!::is), rss dl fP.tL~nçM aes::ern , lá q1 i.1 n :-tm.'iur.:1::: arn ti:'ll
S-.'1 1.m • :)~ !ndi-.~dU~l: ;!(r: ._i~ <~l':.S&l t\!':!:~m foJr~:.ivel :;;bsE:T.',1r', .:tln '.Jn li'I p r.sqt11'õr! ~h!'í~ a d::::mOUlfo rn~dio p:_:.t f'>~õl ~tir..ge 8 41 O 09 F pnra C6 crnpresndus o."Ontra b 277. 8!} f v~•re. oS ,1pcrãrios;
dc-11 1csli .11. feit~ n j) :'1!'.g~li 1 om • Q60, que a fos' l'fo dr;ed~C1fi1. "m :iu e se c11cc11lra (1 D0.1uerta e cwmumQ J 111.:111L'~Mic per 11nidaLl~ d·• ('Dnsut ru::· se-ia de ~ 7 ~1 9S F raira os cper5rir~ <:t::n lra
purç1u 11=~.1. cr,m~~;u)nrk il um e1h' t1rtamento dl't ra!L· d1) sdidt'lLieJC!d ·,.. " '1 um rdr.üriwl'~1<"• l~'I. 11 1 3 ...,so F 1 ... u ~· 1~)1 ,~~os \G. BIGt lA, ~r_e.,:; co1".ditiom; d,! v11!: dt:s rnii.n!l.ge.s Q ) 971",
U"Yh.k1d.;:; d ~I ~cnl 1 IÍ . 1) t-<1S'1 1. ln L ·11 ciJn111 r.'i,ns li' f ,' NS, · 1~ . :.t. 21, 1"v-r:r ~w ·t· l (73)

10ó
li eqü ntecnente Jin~itada a um produto único, coneebldo e moldado em ocial. A esse prlnc.iplo de divísão \.'em somar-se outro: a qualidade -
função das expectar]v,as rigorosamente s.eJe-rivas da dasse ~mportadora. <1preciada do ponl o de \.:~sta da dasse don-linante - da relação qu<Z os
R~tra i-se em un1a famíli a estreitamente unida. mas llmitada e um pouco cle ·entores das rtLaneir.;~s n egatlvamente qua.Hficadas (so[aque , hexrs cor-
opressiva. Não é por acaso que o adjetivo pequeno ou algum da seus poral, etc, ) mantêm com as qualidades que a taxinorni~ dommanl.e lh.es
Slrtônlmos , 5CO'lpre InaiS OU menos pejorativos, pode ser iiSsociado a tudo · tribui. Concretam'2nte. a oposição fundamental ·entre. a natu.rolidooe.
o que diz~ pensa, faz . t.em ou é o pequeno-burguês, indu5ive à sua mora] qlJõJidade dominante, e o constrangiment·o1qualtdàd€ domhu~da, dupllca-
que, no entanto, é o seu ponto forte: eshita e rigorosa. e]a tem qualquer c.e d~ urna opos1ção s.ecundár1a entre. a pretensão, como canslrangbrnento
coisa de limitado e forçado, de tenso e 5uscepdvel, de tacanho e rígjdo por {nos deoJls sentidos) recusado (por un1a ''e..xagerada auEG'-f.SHma que leva a
drnbiçõ'2s, ob}etivos exagerados'' , de acordo com o ~kicJnárlo. Rohert} e... a
força do formalisino e do escrúpuJo. Pequenas preQcUpações, pequenas
necessidades, o peqqeno-burguês é um bu rgu€s que vive de form.a mes- rnuclés tia. como constrangimento aceito (por uma Jouvflv~I moderaçao
1
quinha. Sua própria lu~xjs* corpor<:il, na quaf s€ exprll"ne toda a sua relação na apreciaçâo de seu próprio m.érlLo "). É assím que as qua~idades domina~
objetiva com o ff1iL.mdo soclal. ea d~ urn homem que deve faz'1r-se pequeno das recebem sempre duas expressões: urna, francamente negativa! situa-se
para passar pela po rta esrreita q ue dá acesso ã burguesia: por obrigar-se ria sê.ri e da pre .e nsáo (que deve.ser repr~mida) ; a outra. e1.1f em fsti ca, atribul
a ser escri o e sóbr1o, discreto e severo? em sua maneira não só de vestir, lãs 4 ualtdad€s domin~das o respelto que elas atr.ae111 para sj ao se ac~itarern
n1as tambQ.m de falar - ess-a linguagem hipercorreta pelo excesso de como tais. Ou seja~ alguns desses qUi::lHficativos que en1 v)rr:ude de sua
v1gll§.nda e pruclênda - , º m seus gestos e em toda a sua postura, falta-lhe pollsscn1ia, podem entrar em relaçõe~ de opósiçáô conlp e~as com dife·
semprn. um pouco de envergadura amplldão , largueza e liberalidades-1.1 r "ntes adjetivos da outra sé:rl~: sendo que cada um sublmha um dos
A taxinomia éUca don11nante, aplicaçào do si.5ten1a de dassitkaçào i:'l5 pedos da opos~çáo fundamental entre o grande {ou o largo) e ~
peq ueno, a partir da qual se engendram todas as oposições partic11lares ~.
3

social da dasse dorninante ao campo da moral, resurne-se. em um sistema


de quaHded~ e quallf~cativos que se organizam em torno da oposição entre
as rrranefras positivamenb~ sancionadas ou '' d]stintas '' (isto é~ as maneirõs \BURGUé::S}: "d1s. into" (PEQUENO-BURGUÊS}: (?OVO); ·' modes(o ·
de dorn1nantes) e as numeiras n.egaciv~tnente sancionadas. Enquanto f Agt3d CJ~ w11p~o {menre. " prnten~ioso" ga uche, pes()d6o.
vestigjos qtLase 1ndêléveis de dois modos de aqu~siçõo que tendem a gestos. etc.}, 1lmitado, lact:i nho, embaraçado. tim]do,
perpe~ uar~se no que for aclquhido - ao menos, no termo do processo , sob g,eneroso, nobre. rico, constra...ngtdo, desajeitado.
largo {d~ ide3as, etc.). pequeno, rnesqulr'lho. encabu!ado'·, pobre.
11

a fonna da incerteza e da lnquietudçz quanto à boa maneira favorecida por 11

llberat hvre 1 pão-duro, pcu-c;lmontoso, "n)ode$tO ,


urn modo de aquisição ilegítimo - e que constituem , p or isso. o acompa· bonachão" ... rmtural ''.
11

He.x ivel. natural, õ3tr1co, fcnnalista,


nhaniento simbólico de todas as prátkãs~ essªS dois estilos estão predis- franco (na maneira de
lr<lliqullo, desenvoko. severo,
postos a oferecer um critºtio último, sem apelacão, ao juizo de distlnção rig1do. t et-:iso, forçado. falar) ,
:;~u ro

abêrt o , vasro. escrupuloso, predso, sólido.


fllc . ·etc. 1
.. N . l°!:J R.. Con.~m~t? ;:J ,,. p r·::i:;:iriB:;ifi! ~ .J~socii'ld.:11: no usu de r.nrpo em que s~ CXl~rk1ri2a e riíic:>ii;-~o e.e
dil~se de l•tr.i:, 1:;-ESSca.
:l•t. bu {! i,.•1.mJçide, Cl'm"!IJ s.e tentQ11 wosl rnr. q 11'-' f, cm rei:Jd.:id~ 1 ;"ll!r:; n'1. menj~ <lo ~od-6lqgn G,lJB o
pP.:iuer11.;-b11r9ues ê t.im burs·dês em rnlnlrHur<:i, v&s~ ti,:,d:--1 ó qui! $eia p ·rdid{j ~e J~~e e.bi'lrrl:maJo
o :mi:.CJto d~ peqv1~r~o-bLi·rg..'.~s. <?!n 1:;.me e~ 11~~ definição obJmll.'l:m1 da ab,:rtJt.·.d~é..4lju~. Essas du-3$ cla~ses de habllus que, por s.ua vez. pod~m se.r subdli...•1didas
c o r11. lhu:res, D.'3 r :;m::d as. n.çifl·~ ;..s oom.J.ritrfln ;. "'Cb Jmn fortr";d eSpiY.i?Jr11e11t1? l?\•01:.:11:!õrJ1, u lndefin1damente - pens€-se, [JOr exemplo, na ··naturalida.de forçada" do
m r\.\h ni.;. d.z r-rnf.'ti~<:des s.:i lc lr:sH.~mem\~ r~tiPe:nte;. Al.f:.t1L:.J:sse. ·il rnd1 1ç&-, obí.ell'la11tP. por 1

m.~1s oruLnl ~1 1<- ~eji'I. nada t~1 1 1 (1 ·,.-er cc!'n o dL:!5}~:re;,c· d.s d<tjiS{ - que :r-~pcrt:ute em c.inlüs. 1}3{,"'ritos
consagt•t!drJ;S nos . qul'dlr.r:.iu:-gu(!s,1s1 :;d~m de µar.e.;. da trn::licior.n~) do.1 prnfe:ia iEli~iií:m•Le e al•,·-o
pr.r-d1h2rt'> do ,· nãmrr:.P.. tXJllLico (p~Ml'.l·sc cm ~~i!irx l11l1JJ-do de Prouti}mn .:1 - pmquc relaclon.:i as • 5 . Dt:·.•e·!>e ei..rirnr tratzlr est..i:. L;a.-..;i:ncmi<i , r;::-cmc:..idil pefo H1LS1.l~!J€1n <:omun). b: )L~ll'!iJ,j U0.5 :;(11 11 l..::to~~(;~
prr)i:;::-h:iad e.s d t;) l·. 1;,i:us, q~. i'.'1~ ~l:?:nr:'I e x.k•n:dk<1d~..; ~~lc r11cl~mc dí! da~. ~orrio a ·'prl)I v.f'l s,]oº' i:? <Guti'O:S atrmm~tc:d6bgos. istc e. -:c-mv urn sisrecr'..l). rnifi~<Jdo e rei çües .tgi.;;n~: e.:~ or_ . .:.):;1.;:bo l:l
0 11 Ll ··~s:r"l~~<t .. ..:.s concbi;.ó(•.•, 00.11.?fj•:a?:> d;~ qu~ são o pl'odu:o~ j)q·.Jdi5 q1i.~ )Jodern pf(,.~ !'1LC<1r·se di. coi n:,i,,,. 11 ~{-;-il r..nc..~lí' I),.._.rh:;~lfl Ft t.ini :inn.:.1' ni'J 1:~f:lti t1 :i s.~·1.:iço d~ ft.Jn.çê.-v_<: p:rfltic~.:;. ob~~~foce
..:cm '.~rt11d(~ 111imOS i::-ltr 1á·y~··!- e u r l'$...,11n'lr um semblitiil e 111.:;1...s ..i11g?t to". esq J~~e1 n·se :le ~UP. ili umil /f.;Ji.:n pr~tic:J. ,l\sslm, '-' ;JrM:i" qu~ ry,, burgLi~Q.. 0:1~10 é, rl'!- 1 te.J i!l'• ÍTl'l~it('.1.: ~1 ffn_1.:in1i·
rJS tJfv[me::Jnd..:~ C:011d'i'nac.Ja9 per ies >fio ~ COJ1lrt1µa r1Jd11 lr.Wi1á·.,-e( d(JS li 1'2C"ill1h::Z"JCS. qi lt! .. l11i l<i5 !:2 o:nrmu .lrz) rr.3errd.rn111 r.n p ""i'. 1Si"lr ~:':I r.i:ie p:;1 opc::1:iio f1 peq •mn hi.J• l h'.!Sill n.:11& " o
;:; ,,; ·gu:rurr.. a i'-~Wl'1s."Jo u1dn:1:11ttJ., i::~o ~. l'i ~x~m:;.\o !õel<;,1·.... dos in:fr...frlurJ.S confcrm:..=;t~. ct:mc " 1,>,.'(l .. !l ~ 1)1 t•?. 111 ~o p1~T1~/i·k1 .::?inc- 1; p .,,.ti, .,,, 1)p..<>::":in:~ dn:i .:'idad~; na r: lr..111p:::1_.o:ó e.
se o:; ·••...f·~~ :..:" · e ;i:.; "\tj~l 11d..:s ·· cics P"Il"-· c110--uur:Juc.s ' " fqi..i:' - serti ,~~em,, J.,01nb ar ~tst ~ d.Spe::to1 JlQ 1" l.!ll!;J<'r · lr.irl 1 j'Wi.\ lr~Hv~lrti!Ç/1(1 1•:lpltl1 1 l~~,;~1~ _1\.'í 1lqii ~'l 11r1S =t'~ÔI-,,~ cl1)l!'1iN1.'1;>..:; d :?. :A:;;P
u
1~c ::>n Pf111e111 L:.:ti)u 1~is sen.'iC> •rn rclaç~1:- ~..t<Ji:i moral :fr,. 11i.in1~ti?) d 1?.·c>_c;5('t11. ~1ffiaunP.flt • .. lcml~i'r.~E). p<Qr opc'Jlçi.io L.mtQ "º "bur:;ul>~ ' quilr.l.o DO "µ;;G.·,11;mo·bur9u1<:. , 1slo i . o ..:.ulet 1\~.:o
1: 111 seu Gl!>O ~,. m1p1.~1acr:s ?lr>S i'lger,14?S •• r)ikJ is e.:;tnrti;.'T?Js ~ab µn'!t~tl.I d~ q-..le M ~lrucuras •, u\11r- .'I it'l' • 'fiJ! '" "' n, .•oni-'r , 1r,,,ir,1 li ·lida (-' ~(!li•'r~~,1. i;.-p.:iri!.-::k, ~rP.ni'J!i por a~g:unms ! n•.·ers(?J?S
lhES d r" m a huerdildC! :"'are:\ ''iU&h.:!r'' ;i 1)1.:.,.:. .:tlier..a.y.\j ~ d·· ~h i.11 dei l:..1111 r11)1•1.1111 >111t• lr1 .liJ 1· r•11u J, ·d im gi·11n1~ -:'I v11 1·... rl<11'.:t
1

108 1()4)
pequen.o-burguês paruenu - em função de varjáveis secundárias que! d~ ESTRUTURAS PATRIMONIAIS E ESTRATÉGIAS DE
cada vez 1 designam particufartdades das condições de. produção dos. REPRODUÇÀO
habitus, remetem, em última análise, para dois modos dº aqujs.ição, fsto
é ~ para dois sistemas de sançÇie~ rnaterlajs e simbólicas assoc1adas a duas A s5im, deixando de fora o caso QXcepdonal em que se encon1ran1
classes de condicôes de existência consideradas en1 sua eficácia €ducativa. l reenchidas as condições (econômic<Js e outras) necessárias para tomar
A naturaJ1clade (a.i;s[m como o '" constrangjmento'\ seu ant6nitno} designa, poss:~1 QJ a r:ição racional na qual o agente toma ~l J as decisões en1 função
ao inesmo tempo, uma maneira de ser e um ttpo pait ku lar de condições de um cálculo do~ lucros passiv~i.s dio serem ussegurõdos pel,os diferente.s
mat121iais d~ existêncía, mais precisamf;!nte. uma disposiçZ!o disflnta e' as mercados, as prá1kas de uma das~e detenninada de agentes dependem
condlçóes dº e.xist~nda das q1..1ais efa é o produto e quê, por seu intennooio. r,5n openas da e3trutura das chEmces teóricas m '>dias de lucro tnas das. 1

~o continuament~ le1nbradas: o princípio e o efeito dessa disposição chances espec:ficai rter') l ê ligadas a essa classe, isto é, da rel(:lção. em um
distinrn e distintiva não é outro sehâo a experi ência do mundo e de si c.:omo rncm1211to dado do ten1po, entre essa estn1turn objetiva (dentiHcaunent~
necessária, corno coincidência rea lizada do ser e do dever-ser, que calculável) a a ~struturil d~ dis'lribuição das dift!rcnles espécies de capital
(cap~tal econômko, c.apitaJ cultural, capital soem]) enL .1?.ndidas, sob o prisma
fundament~ e autor1za todas as formas [ntimas ou ©<teriortzadas da
eira çonsiderndo, como instrumencos de apropriaç.ão dessa$ chances. A
confiança em s1! segurança. desenvolrura, aparên cia agradável, fac ilidade.
.~ntecipaç~o prática., ina[s ou menos adequada, q.J€ está no prind pio dessa
f1exlbilidade, Uberdade 1 elegância. ou. ern uma palavrn ~ natura.tidade.
''causJ.lidade do provável" clev~-se ao habicus. rr~arrir. geradora de r~postas
Tudo predispõe o pequeno-burguªs a entrar na luta da pretensão e da prnviamcntc adap t iida~ (1nedian l ~ urna ~rnprovisação permanenre) a todas
cllstinçã-o, essa fonna da luta cotidiana das dasses , da qual sai necessetria- s cond1ções obju iva5 klênt~c~s ou Lornótogas às condições de sua
mente vct1d doi e smn recursos, urna VéZ que. ao engajar-se nela, reconhe- produção: guiando-se por índ lces que está predisposto a perceber e
ceu a l12glrimida<le do jogo ê o i;n~Jor do cacife. Essa .cornpeUção é um ca$o decifrar, e. que, de certo modo sh ex3ste1n para '2 le, o habims engendra,
1

part1cular de todas as re)ações de concorrência, nas quats a clu.sse nesse çaso, pr~~ticas que ~e anrncipam ao futuro obj ~tivo. Sena sem dúvida
privl[eglada esforça-se para reprimir .as pretensões {nobiliárias. escolar€s váo, n~ss. s condições~ proc·\.lrar un1 a.ncadt?.am·ento linear de CQUsas no
oiu outras} daquela que se lhe s~gue imediatam ente , entre outras colsas Jm aranh~do cl í2 relações sig rificafr.:as que leva a uma pràtica objeCh·'êsment€
tra~ando suas ambições e aspirações como uma esp~de de dd ]rio subjetivo 1 djUsLada ao pr01~1 á'l.nd . É assim que, au ser apreendidc segundo os esquQma~
baseado em urna auto~estima por demais elevada. e procurando fazer de apreciação que se encon ram nas. ca1P.gorias de n!unos e pais tnais
com que passem por pr~tenslosas! isto é, presunçosas! desproporciona- diretamente ~ubmetidas à autoridade escolar , o ~YJto escoh1r {por si.~a vez~
das, éXcessivas, arrogantes. ridículas ou. no mirümo, prematura5. É assim det~nnlnado - ao menos, em parte - pelQdetecção dos indices que sen..1em
que ela afirma a sua dlstinç~10 em refação à classe inferjor, op ondo a.o seu sempre de base à cooprnção, t~is con10 as boas intenções r~[ctivamente ã
jurididsmo o monopóHo dos dtulos {nobiliárquicos. escolares ou outros) lnstituiç~o) fundona c01110 um ~stimulo reauvanrn que redobra a propen~ão
sobre os quais repousam seus própr1os privifégios . Por seu lado . a ç]asse '-' investir na escolti e reforça o ef~ito de consagraçào €Xercãdo pela sarn,rão
inferior exige ou r~ivjndica o acesso aos privJ l egios~ ate então reservados escolar, portanto. a ade~o à autorádacle da insutuição esço]ar. Tudo se
à classe s uperior~ em outras palavras , converte em pretensões legítimas passa como se o futuro obj12tivo, que ·Csrà em porência no presente, não
(daí! sua p ropensão ao ju ridjcismo) sua pré-tensão. isto é, sua vontade pudesse advir f-;.énào c:om a cobboração ou at€ a o;mpUddade de u1na prática
de consegujr acJia_ntaclot antes da hora, a crédito, é3S vantagens que, ao qu . por su~ vez. é comandada por esse tuturo objcHvo~ con10 se. em outras
menos em uma situação de concorrência, portanto de tr<lnslação pe1111a- palavras o fato de [er chatices pos.ltivas oi:J negativas de ser ter ou fazer
f

nente ~ há de obter de qualquer rnodo. Isso quer dizer que não se dºv12 ver qualquer co' sa predispusesse, preclesrinando, a agir de modo a que essac;
con10 um, desmenrido às anáJi.ses anteriores o fato dt:! que a pequena hances se r~nlizen1. C.om ef.ejao ! a c.ausalidade do prováve.J é o resultado dessa
burguesia ascética, tradicionalmente votada à poupança. a.cabe por se voltar, cspéde de dia ética ·entre o ltcbih.Js! cujas antecip ações prá icas repou&aJ11
no âmbito da sodedade de concorrênc1a, para o crédito; é! ainda, a pretensão t1bre tcdci a expêriênd a anterior. e as significações prováveis, êsto é~ o dado
â burguesia, prindpio de todac; a5 suas vlr1udes negativas. que leva a p€quena q~ 1e e1e toma corno uma a.percepção seletiva e uma apreciação oblíqua dos
burguesia a buscar esses meios de i;.~ver adma de seus rneio.s 1 ao prerro de lndlces do fumro para cujo ~dvento deve conttibutr (coisas ''a serem feitas''.
unta tensão e d~ uma contenção permanentes. e que assin1 a sujeita a urna ··,, ~erem d~tas ··. etc.): ô!i práticas s.éo o resultado dess12 encontro entre um
nova fonna de asc.erlsrno, própria a desernpenhar por outros meios, mais .19 !11Le pr~disposto e pr N nldo. e um mundo presumido, isto é, pressen-
bem ajustados às novas estruturas eoonômicé3s, as funções amtlgas. 1Ido • prejulge1do. o únlc;o ciue Ih à cl;\do conhec~r.

110 ll1
A presença do passado1 nessa espécie de falsa antedpação do i.u.turo~ geraçõe~ . O h abitus , ~~to º-,
o orga.rfr;mo do qual o grupo se· apropriou e
não se vé!~ paradoxalm ente , senão quando a causalidade do pl·ovável é. que é apropr"ado ao grupo: funciona. corno o supo rte n1aterial da m emória
desmentida e quando a defas-agem ~nt re as chances objetivas e a:;;; [Jrálicas e . .letiva: jnsttumento de um grupo~ tende a r~produiir nos sucessores o
(com as aspirações que estas impJicam ou que as acompanham) obriga a q u12 tot adquhido pêlos prndecessoms , oui slmplesrnJ2nü2 os predecessores 1

1nvocar o impeto de. urna ~r.aj etória pas~ada e a histerese das disposições nos sucessores. A hereditariedade soda~ do~ c~racter~s adquiridos, as$egurada
amtigas~''. J\'o caso~ por exemplo, da pequena burguesia a.scenden~e. o ('J or ele, oferece ao grupo um dos meios ma.is eficazes para perpetuar-se
habitus não mais funciona. corno um operador prático da causahdade do enquanto gnlpo e transcender os limites da Hnitucle bjol6gk:a no sentido -de
provável, mas ten1 em m~rn uma. aspéde de ponto in1ag~nár1o. d12sfigado salvaguardar sua rnane:ra chst:itttiva de ~xistir. Essa ~tJ-éck~ de tendência do
do .uturo 'Y'irt.1...mlrnente inserira nü presente. sob a forrnQ dos instnJrnentos grupo parà p€rse;..:erar em .seu s~r náo tern sLijeiio pr<.;priam01te dito, ainda
de apropriaçao do fuhlro a tualn1ent'3 possuídos. Ass:m. a propensão clas que possa encarnar--&e 1 a cada momento. em um ou outro de .seus membros;
farnilías e crianças, escoladzadas a investir dinheiro: esforços e esperanças opera em um niv€l muno mais profundo que as ''tradiçõºs familiares'' : cu'a
no sistema escolar~ tende a rep roduzir (nos dois senHdos) a re]ação objmiva pG:m1arn~ncia pressupõe uma ftde idade consc:ienten1ent€ mantida e um çerto
entre a elas.se de agentes em questão e a instltutção e~cular quº se {;'X prime núrnero· de guatdiã12s - pot· isso. das ímpliCüm um.a rigidez estranha às
co;ncretament~ através de indices práticos! tal con10·a presença no universo esrratégja,s do habitus gue, frente a sil1..1ações n clVas , é capaz da inventar novas
tamillar ffamllla restr[ta ou extensa "-relações '' de vi.z1nhança ou dº traba
...
ho) ~
m<àne~ras de d~sempenhar as funções antigas {por exe.rnpJo~ o recur.so ~
dos sec.u nd~ristas o u univen;jtârios, dos bad1e1iers ou licendés··· . E as
1
instrumentos de reproducfá.o ) come,> a e$cola, desconh.e ddos ou recusados
sanções positivas ou negativas da instituição escolar não podem fazer mais pela tradição)i ma]s profundo, também , do que ç.s e;.strarégias conscientes
do que rraier um reforço sêcundário ãs cert12zas práticas da e:;stadsrica p el.as quais os agentes entend e.m agir 12.Xpressa.mente sobre o seu futuro e
esporiti111ea que leva a senUr como ncturr::il e normal ou corno irn1;;irováv~l , rno~dá-]o confo:rrn12. a in1agem do passado, como as disposições testam€n-
in12sp<2rado ou irnposs[ve] o acesso a esses diplomas ou instltuições. Mas: tárias ou até as norn1as explicitas, simp]e$ chamadas à Drdc~rn, ~sto é, ao
procis amen1f:, corno $~ vê no caso do filho d e professor primfuio, cuja prni.:ave~, cuja efic.áda é redobrada por s~ intervenção.
boa-vont<:1de escolar incita a proloog.a r em d ireção à escola normal superior As '2stratégins e as práticas fenom€nalmente mu~to dri:erenles produ-
a tra)etória patern a, é o sentido da trajetór~a da linhagen1 da duas ou rrês ztêas p~Jcs agentes g quº , pm· interrntdio destes. fomm aproprtadas pelos
gerações e ~ rm~i s ~spectfic;:.an1<znte a hi st6ria df2 sua re~aç~o objetti..Ja com fl glupos, dese1n pen harn sempre.~ em part.2. í unções d 12. rept"odução: quais-
i:-i.stituição escola r que, tacitamente vivida ou e;xplidcam~nr~ ton:11...tn icada quer qu~ sej~m as funções que seus autores ou o grupo em conjunto lh~s
atra·...·és dós julgamen.o.s> conselhos ou prec.i!!itos~ ceirnanda, a cada mo- aLdhuart1 o fmcialmente~ são objetivarnente or1entG1das por~ a. c..:.)nserr.JaçJio
mento ~ a rel~ç.ao prática corn essa 1nstltuíçãó_Ass1m1 o habltus representa ou o aurnenta do patrimônio e. co1Telativarnente, pura a lnanute nçâo ou
a Lnércia do grupo. depositada em cada organ ismo sob a forma cle melhorjé) da posiçao do grupo dentro da ~strJhJ.rn sodal. Para imputar as
rlsquemas de percepção, àpreciação e aç.ão que tenderr1. con1 mai.s firrne.za e5tnukgia:::. d ~ r~praduç.ão ao calculo rnciona! ou à intenção e~trnt~gica.
do que odas as norrnas g.xplldtas (aliàs . geralménte congruent<J:s com essas seria preci.sc nJo Elnglobar nesse conceito senBo as estratégias e.xpJid ta-
dispos]ções}. a assegurar a conformidade da s prátk1;1s pará ci l ~rr1 das men~e cot~sütuidas ,com o ob;et~vo de cumpr~r essa funç~o, lsto é, as
~st rõtégjas propdarnenw suc~~soriais 1 e ace-itar taci.am€nte a d efin;\-:~o
oficial das estrnkgias de reprodução reconb~cíclas cerno legftirtws em um
dc,do momento:ir:. Ore fato~ o habitus. como relação herdada de •urna
.3fl,_ Nes.se G.'lso, ilS .lJ..nCedp i:iç<Jes do ~mbilu!i Si:'.-::i i:!liH.121 JH<~i":. n:::nli~.:1&, 11a 1110'!d.. -~•'i '1'~;~ Pr jrnjP.t611;:i
pciss.)d<1 que ~1 se exprime. i:St.o é L ~·J5 irri~? dr~ ~~"' l' f' r; · !Vi-ti ~· u 11<i, p!!r:kJi"9-!iõL? nml
co;t•t lf:1,Ji.!l1 ·n~~ .::rm wi ~!'L.'ij •Infla :~m:.ra· qu:1ndo o fui um sr; c-;-.;.or.1ra ~omo -uP. implic<!.dr:• :no 38. A ~\'!tli'l 1111_.m...r:.1.CI. a. d.:.bm~Laçdo da:,rnlo qu~ e h;µLim.,,_m~:rtto? lrnr:isml~íi..·ii ii! i 11~~'P'~ro1t.1 el01,.,ri1(':,
)i'\!:.SàdO - Ili.) l:a${J pC!:' ,~1?.1 npk.1, ~fo Íllr..ri de pn:::!i!Ss1::.r prhnZJ1i.:.,. iiJP- f:l Ópl io f)]l1.0 .:Je Gllllli~ 1;f>s, das ma1;:?"iras. l~ilimns d.::. Cüll" "'rvá-1.-;J e Lram miti-lo, · u ôuj~tu <le 11111a lt,Uí. ;.darl.;i 01,1 ::ic:!c:'..?..ra~-.
~ ·~ ~~rê. ~ 1rc1fc.»l.)i - as õlsp~h;ôoes ptL.dun~as pci! p ••!:içào pa:r!:fina, da pr.;:1pri..<J ·~111 de•.•ir, ~ntre. ;:i5 d.issi:s. 1\ m e:lid;:i qm: a fon;.:1 do!' i:k11 ró 1Md<JS ti ...~1'!)~1 1(.1 ; )tM i!l'J I•;t{I., a \ f itic?i i;ub-,:-ersiva,
.Jl'..Cn11) ?..nt'...'l m, pi"'L:í'di.m.t:b·<.i. o d '".'.i r da p i:...:..ii)ia q1~e µ r::n 1rn <1 lk~ir ;:i cl=sse diri::i,i.l:nl(~ 11 prl11 lpiu de. su~ t:i'!'p~.:r~~('º· t<'.rr.:lr:! a ::l?'~bingi:: a e.ster.::i

3 7 . A ri:'::; jNtN õ ,'l ; 1wc::;t1r 1~:1 Sl?'»tZfflj'j de of:!L:;ir,;:: de:~~~Lxfo t;::unbb-J, err:. pilr'l€ , r.hl ro11m1di!. di.slribui~·flo
dai;11ik1 q"'Je e 1~~gihl11rJmP11t ~J1'!nsmi:<.'5'Ív~ "J1-<.~ ... Tf.;ll.'1~11'! Ç'A<• d1") ~ilt'i\t~1 af.:iil:r i\rl.o do me.de Cl:i'
L:'!.!.t"l'.:rí:i~·-lJtl IJ.~1i>,.1,eJ-erlrkJ 1: p~a .:'r jck i'.1 :ia~ id20logizis qus '.'iSi!i:t":. ~i.-15li~ic6·1o (p:Jr' ~.;?J)'1pl 1 ( 1
d(1 C?. p~t~ l(dnJrlll ~!'"ltt<-. lls. da!'i~: o d~t::> de d8monstri:l~o e a aç~.o· dl:' i.:idtimer•1o :co;i:.:o ~1 1çl.:i)
11i.r:loq: ·, .:I• '·n?i~dm r.ntç."~; 4".$5~ ~r:f'°)r;o da •.rigi lfinda cntic~ e dos rnrtjri:xi.e-; int:t1ll11':11;,ff1~is da
"!Ji:~•rdd:-:s pdAs prf:t.tic..a:::. dc~mimmt~ ·'.t.1s priti::as de e5".:olllr.:Z'-"~ilo di.'i dt'lsse <lo1) 1l•1•~· 1~i::) f1·. I) 1:od.,...m
q.wre.~r~:s: no C'iL::.--.::i em q '.J!? a distlibulção dils probabi:.idr.id.-..?s objelj•,.'L'IS tlE:! v<'.~S::.;1;. _.. t ::t ClemalS!
ll:'e.11S"o'lt::;::;~C1 (.: 111)1 (f03 fa:·or::-_;; qu e c:anl:ribuem p<i~il k ·.iar a tmr 1Sft;.rn·1t1çã!'.; da:; Ç-_t;:n 1t,,.;;i&:'l L
:..·
rr:::pt.-::lu1: -~.>; M (3:)~ntêgla:<. ~·b:-.i"iz~ r. de b ?iixo .::usto, 1n<i:: dedi:u-.w:li!!:i. como i.!< !1,,r::s:.ff,IS::!·~ d r..
1-:-:n 1c;1lrn11:nrn ,-.Ji!isln)ôt1i ;:(J : os d.::ltos '·d~.s.morQ:.ii;:i: lle:s'' dÉ' 'J.llht :r iKb i;rot •llhr· :JadoL' d.: ;1 ·e;;;:::i :;Ac.,
pr . .'.ll?r ~ :.ir..~ 1)rb.. .lhglos :-ida sui:.;;s.~o is~ linhil à.irem. cedem pro9rns!.'i'Ji.mii<?~11 .: e l~J~~· <i .::.urr:i.s
(!J~~~ , r~,éor1j.il.dc$ p('!lc;. ...-Jei1o de exclusão .que é exer.::iw por L•m~ ~ç~o •:.:pJ· ~ ~ ~ .:~n:1 µolisc!~ (1 , ,
l'l.'-~it. .:i:;..;,t~QU!'~m um :i. =~i:lr.s-mis:::i)c ::líssir.Jul;:idn quB µocl-=- ~~ d!i!SCi.JI ·J '" e.: l,1 1'nq .1nmi::o mi, r·:::rl amo ,
C!.'.l l? 1,~•.•:1. d-s. 1?J<::H::los ;:i oenc<:!.r<!lre111 .:i .i ptipri.!lf;ilf.;o dr:> .'.lt'I n t 11 1 d.:t ptf. Ii.~?.. Mf'_'Yil'ra da ~c.rnb 11m a.
pmí.~.a.rn;;!nl e roco:nh.Et:ic!ti. e Je~R~mtl rm1.s o preç(.i .de ul:'I dêS!{,1il('.! 1na!tJF ~ (],~ 11111 -usLc d!!
pro,·m ed ~d e i1: 2·P.TI'.<:. ao o~Jt- l]Y-Oll p.
iiic:!llm ulçiçü 111;,!,J, clt•\.".;ii:lo k:çma .:i i 111,.•eslimier•l.;;i '=!::r::ol::r~.

11 2
herança, é a raiz comum de práticas que n ão pod~m1 aut erir sua coerPndQ. de melhor, transposições sistemáticas impostas pelas condjções particular~$ de
um projeto consciente, runda que a cunsdênci.a ex.pHcita das d1anc:es e suõ trnplementação~ nesse caso 1 o mesrno erhos ascético que segundo as
bnplicclçúes t'Ossa c-.onforlr uma s1stematlcidade expHcita , e~1 çertos pontos. à expectativas. devetic;l exprimir~se sempre na poupança, pode manttestar-s~ ,
sisten1aücjdacle objetiva da 5 ··esco~has '' práticas do habitu s3 :1: nada :;eria mais em um cont'2xto determinado, par uma forma particular de utllizar o crédito.
pL.YtigrJ::-0 do que tentar ex] brar ~esuntégtas ~plidtarner.te otientadas para a As práticas do mesmo agenre e. mais amp]amente: as práticas de tcx:los o.s
manutenção ou o aumer.ro do pQrrirnôn io E.~, a forliorf1 a salvaguarda d~ !;UQ. agentes da mesma classe devem a afinidade d+-Z estilo. quê faz cotn que cada
rntegf:dad~ p~ra além C:as gerações, sem levar em conla estrntégm..s que não uma seia uma metáfora. de qualquer uma das outras. ao fato de que são o
se confessam jamcris co rr.o 1a35 - por ex·emplo. aquelas que regen1as prátic~s produt~ das transferências incessantes. de um campo pa~ outro, dos mesmos
de focundidad@. , a ·· es'"'olha ' do cônjuge ou de urn estab~ l (,!drn~nto escolar. esquemas de perce~o, pensamento e a~o: parad3gma famfüar desse
Ess.as esrrategias devem st1a coerénda pró tica cw !ato de qu(~ , ape:rador analógico que é o habitus~ a dispes1ção adquirida que denominamos
objct]varnente o ri12ntadas para o desempenho da mes1na função, s~o o ''escrita''! jsto é, lJma forma singular de traçar caracteres! produz sen"lpre
produ1o de \J rn sé e m e~mo princ[pio gerador que fondóna como prindp1o a rnesma ''escrirn" , isto é~ traços gráficos que, a despeito das diferenças de
unifü:~dor. Enquànto es.tnttLtras cstn 1turadas {opus opera~um} que a n1~~-­ 1an lanho. matéria e cor ligadas ao suporte - folha d e papel ou quadro-negro
ma "StruLUra l!Srrutunml e (modus operanch ) produz sem cessar, ao preço - ou ao instrumento - can G!ta-tinteíro ou bastonete de giz; a despe•to,
de r·e traduções jrn :->os1as pc.b J6gica pr6pria aos diferentes campos, todas p orronto, das diferen~s entre os conjun to.s motores mobtlizndos, apre.sen·
as p ráticas do 1nesn e agente sác objetivamente harmonizodas entre si. tam uma afinldadB d~ est11o, um ar de família irnedi~tamente perc;êpth,•eís.
fora d ~ qualqu~r b1.. rc3 intencional d a c oeréncia. e objetf\.·i;lmente orques- Coristruh- um obj12to tal co m o o ~ istema de estratégias de reprodução,
tra.das. fora de. Q. ualqu c:: r acrn·d o con::.ch.•n (C!, co1n a.s de todos os rn et.nbros seqüências objetivamente a rd ê.nadas 12 orientadas de práticas que todo
da m esma da sse'~i.:o_ Sendo o produto da ~p lkação das estruturas objetivas grupo deve produzir p~ró reproduzir-se ffiquanro grup-o·ii , é encontrar o
do cosn1os ~t:ün ôrr1ko e soda! .sobre u1n organism.o que sua 1 6~ica própria meio para pensar em sua unidade os fe11õrnenos objetivati'1êtlte llgados quº'
fcva ~ futi d onar de n1c..d.o sist emático., o h;~hirus engendra conlinuan1en e as diferentes ciências do homem ap reendem de 'fom1a desordenada e em
meláforas práticas: lsto e: numa outra llnguagern, transferencias {das q uais estado de separação.t.<!. Restaurando na dênda das ptá.ticas a unidade que
a transferência de hábim~ motores não é senão um exemplo particular}. ou, s ~ estabelece na prática p ode-se. assim , pensar sob e55e conceito o
r o nj unLo das estratégias negativas de. re produção que visam evitar o

39. ,ô, e.. _t:~~LO do o!:'ll'l'lf'.<J <li:. L!:::."'.to~é~l.'IS c.:l>letilJil.S de rep~oduçáo, q1,1,~ stlo !.!.'< ph:' lrnr111<'1li • OOl l"lit11idns
.:o. :J c"1mlajias 5U '!l('.d i\L') P. ·,.,..J}'.)~ 1;n1rr;Ípio~ S~::> cxpliciti.'imente fom1ulado.s " j11r.d1:-~tn<.'IJ I[( • 4 1. S<' a!I ~1rncê!g5i!a3 de r~µ:roduç.ão nii<: podem c1l'i'lr~~r . ..i b eir1 rl..zr;.: :-..'11"1~..Ci na , cla.:ue:; C."-1 íraçào?S
~; :-ill1tkl~ r'2!ice .::Gn1n -e t!.arti~1:!.i11io :1 o;('f 1r'il~)':'fnlt ldt U1n 1351vo:h d:::i conJLill rc d~ priuic-J.S q ue de: dasse que esti:ro ]cs,1:::mmm;..i (qLlo)( ·lo n(to í>f,i [iC1"\111(;b1 r;,>J C:..0,,:[.1!::51ilS. 3. dgsclas,si ficilÇ<ÍO por ta em
'.·i~ m nsseg ·~r :l 1ra.nsrni!:!:iln <lo j.•i!.ll'iml~ rir:. ~ r.:rr- r1:1 ~·-~~IX-'3 1 " '' ;; rr1b1irr:o po:.'SSlv'el de di!gradaçtio ill~o a perder. ~·m r ~~!.;;.~d:ir fJ ir ac.a:d:ic:. da tra1~nissáá do(J capital e:nlr~ as g~rnções, pode· e
~<'nrfrr.-!I, tor•m duv;;:b , il rnçl51r ! c&..<U i'i5::> i ra;s.a IX>s;;i•.'El oom os rnl!c;:.-<1(13 tr1!1d1::it:11·1,;,i(j dl::' 'fh!'$ "1Lri5í)j ~t;.:;Onh'llr', n.;is fr~n~~ 1n1~ior..15 da p q1J1?11t1 hUJgue:;t.:i ou ale n as camt:1d.:i:: :s.r;11)eziorQ.$ dê! ·la~ .. <'
- qu,;. ~ 1<\ .l~~!ll.i"-Ç~r:> da·~ ~ll'd(~~ pn;pr~mc:nLe !:IJc~sori, is. &:si le a cm r:pra :J.i C! 1drvs ai~ l1::i. 4 í\P'fél!'i;'J estra1e_-.; n:; .,,,.~i:ls quai5 f,5SES gn1pms vi s, 1n H!prvdjJ.tir ,,q•Jilo ctifü <JS fH.".flilr'n rla co11rliç.ão
.~ ~ . d 1
di.fer-Ent~ kmnas -ifo fra.•..t"!õ~ L.;;:"al, ~\ 1(1t 11.) m~is fr!J(,j..i~I~ q wm o n :..:ts im µortnnl t;! ·2 l} 1mm11fu'tiü E ' .r . ,1 1. l •
uas chsses •.•ol1!Jas iJ !Sllllp les reprcx:Juyi.ç r:fB ~ll1'1 ~)<j$[~,t ~Jl1. ~ J'()l('trtl".li"..-;,J0 e !il,lt)'JlH>.l!"o.:U llJ O:: tlSS.:.m
• I m~ma p o posiçáo ti.'imbém ~-~lia '..1 ~.d{t , ll1 lJk Jl1 j. f)) ( ,'f(J r1d1.s. J)i'rrn :'1 1r<.1J151Tii5sfiu do rnpi:nl tllllural,
!:li! me.plica o ilpr:iri:.'::i1mm.ló &i proprs11Sà('} ;, hwe;-:tlr no s!slL~:,'ª c:2 e~i;~~· no s~ di'!.S c~r/)~cltJ:;
1"ilíi.1 l;u r IJ~ ~plii:.:i~nrnenle ccn.!:~11<1& conio tal ,~ ) ?.i~lr..rif'lln 1~~11tt: "º}ldr'llí-11~-iii. n m• >kii:. que e;. :;•..-pl"J'iol'r.;s ~:..t ).n·d~<!rla.rlo J':tl'C(l(:Upaci(l!l ("ITT poupar uos Jl!.ho.s a Le~tudt'l n o ~J.Jpr1)]1:J!Afl{IOO
1....1~ltr1I culll. "'1 r ,: 1&c.11lt1.;. ú 111,,i!, w ll u:Jsç . q•.:ar :do n&o ·e m v.alor absol.1.:.to, :..:.i r.i ·~ 1r:s '"rn v;;lr.r' rdt:1l'i ..u .
(e.onipo!ltCJ, p•1i.nr:::l1)..:Jm en1.2, d e eslr an3eiros).
h;dL~se .a1b ª~''-'lÇ«"i!' ~· lrl~1Ó11"' •J tk q~ u- " ::;er.so de rea!k~aáE:''. o s.:;t:so clt1c;,1.,;l-i q1 1r: "rt,~(J )l!:S ~
42 . T.'.i' l t;cm!iCl'l,JçA::: LC!ITl pm combção a destruiçãc; cli!s :::li·yi sf:.õs tradiciv:nl'li~ ::lo .:J~ e'.! dwt itlcn qu~.
rm'111itido '' t l!:'n 1..anl:J ma!!:. d r.Jr...;~ óc J '"""'"''~11 i.Jlll ~l<1ri:i J~ senso prót1c.o. i!'LO é, <14u~m e.a
ni'itó lla::-.!ii)m Ge dio.•isões flr9ZI J7.ilC10flh i:! da ci ~ l ( Sf.1dal (11U,~, ftOi' :".';li!i \.-'<1.Z, S..lô ça..::ad_as li pL.'lrtiT
•!li.plintN,"il:= qtl:!l 1Lc mais ba..>:a l> l"....L:..=:.:1 pu:.l1;:f!.;.1 111'1 bitT~T'Cll•in svci.il: por esse mofr,:c, J e e:>:t!1·~
das cl.io,.•i!:Ões insri'h.Jrj::;t>&;is d.:i l-•r?.11 :(:! Sí IAI1 1i)i'l!! r.on.c;tlt uidas em dominms de oojeli'.i::hltl~
s:::l:t"P. .:t.~ rrah::as LllTI da mini'.} que r -i.:u-1 a apaclL~ 111,1 , , l.:le-~'1:;.~t!. ti 1l!Jld':'t: ;.]I) iJ tUÍ!:C.Jt:do. do OC1\'io,
&.-;p<11, dó:i réflido · 'ür I~ ir~fot);?)1:-l,mt~. serv.:lo que as d:.1. ;cciolc·gfa d~ e:Jucaç5ó '>:.~~ 1 vn~1 .1
dr. 11tl:.B tfo ~ q•1e fun:iorn. rnmo d l31b::i 1il - 1Lo SE a rel~ãc ca:n ~ :")r..dr· ,~ nhj ~ r.,~ ·~ :c1 1d~ d
·v .,. • 111 ét da ooch)~gii!i 04onó micrl e, por mofr,•o ainda m ais ÍO:"le, com i\s d!l'i e-.·011o·u1l.:i P.lén•
l<Qrní?l'~I~ 0:: • 1 •.•r:J, '11'\êl~ JvP" llscil. 2.oi~ligndi1 Í.. rnodirl<r ~llJC li ir:d.,;d.oo Sr: .;j~·.1 r..;,1 r.M'Cl:'ciul:; ·:.: 1~·11 ,
eli ·~ :<;t)m ~1~1 :? um i' :'oeciolcgia compara~va dos sjsLem~!: de l:'.Slrocé9~ de r~t · 001J~~(J hl~lonc.a­
i!'o..",:": 1ldlJ q11~r di~f:!r qué i.l S r•ratirns SE tomem -@~ Vr?I. mais rrreuflS!as É, .:J~ ti!.10, t>:) ro · . ; ! (1
rnt:!n1 r. oo!'IP.t'\•ados p6mitina estab,;:licer ~npir~:urri!'.!1 tlC o tm lv "rso dos JSCQ pos!ii'.1 is dos
dil ITTantim"r~. ;:i O•t'>f!fWClhun od~li rt • ··-1:1 . qu::.11rlo 1<1orirc111~rnk1s aoli11': 1Lo"~ J,.J :?'l'IZU:'!.•v,·I, íaze111
diforcmt~s instrumentos insci;1u::krrl<liiS ou oíicil.:60:, {ti) (jU'~ a <"la~ <1irig~nte p :Jde di~par. nas
µarte das Jib~dad,;s. rnn.! l):ilrif!s. e (11~ r ·co; ·n6 1dM, pclil cl-:'iiniç.lr:r -cbiel io,.·~ da scl1Jrl~ja l!.
d iºerentes é pOCllS, r.)ll.n 'i 8~~Jr(lt i,J(l r;t1'>f1rt~1 YP.lJt:'OOUç!a e: .as lei~ dt! ÍUIXiOllllr.Jl?JllO d~
1Jl'l"'IU~m, :;Jvrqu.;: il r{'b çfü.) q,.J:i.>:~ ra<'!Qt aii?.;rde. .;;1,;11Y1 ãs wndi~.ões ::;b.ieliv.n a:..il·J1•1u idas pelti
'n1~l' ~ 11is1no · til~1cmoos f''-' lcrs q1 1;:ili; clõ :í.1r.d FI p ,rµ e:".Er sui!i p rópnil d.;:irnjna•; io O l<11o d ·
~pb:ili:.çilo e p.i:l!;i ;;in.i1Ü3e -afor;Y, ;""; 1.-tr 1).S 11W i•:":t- d r.: ~<l~1)I ~ao.
descr~o,.•e:r ~slé1ndti.;.:atr1,er1l1i1. I• r, ~. ~•f!IJ<ifll r> S):;LL>mé'J . o mnju mo da; 12stra1~rl5 de. r;?f!roduçfü)
40. O h· nitus '.Jm cor~trmo irrm Jl11.oo?! ~5 m,.11;.f l:i:>t~ç:ões fon.1 dM q_t1L!;is não posst> Elir ilpr.c:er:.::lido; co.c1rc~e1 J."'J'l ::t1Jr:-t1s d;"' utrur. êpc.:a náo se-ia regre:lir ã Khagr ilfia di"J ~)istóml dos ~r:.on:~.cin ·~r\1-0S c~1
i ·:o;o não s1gr.' fim q•.Je, seguooc ;; Çrlt•'1fnC1rl·.:il ( Ih :-c:; li~tr~-0 u :Jo c:iom:ir:ra.Jsmo. s$ preciso ver <Ú lii$L611a il 11 •d.ótlcPi. ma!l :wii oG?t'"ICOll~~i!.r o m eio pa.ra esc.ap M ~ i:illematiVLI entre jcliogl<1'Í~i.i­
11m .sim1;~ e=; nrxme. mais ciu mmos. arbicri r1o i:'! 11H11~ cu )J wr1o s ~rbfü'.!)JÍ.:JL JITTll.e •~pJic:i.do a um JlfJl b~I COl1)prom~ b i!:.!ilartl.p. •ntrc t1 cu11Sl m ; .50 "° il d-e...o:;cr}Çi!lo, M q11i"ll fü:' i1nl to11~im~<100
1'<":nj11nl;:i de r•ilti~õ ~!i esLatis'ika!i iC..•-.:umrar-~â urn. é . IYrSkãc:. n11.,ls slst em:itlr:{! dt1S pror>rt;:C.iKl~ l i!<n'to~ ln1~lhos hi~1órh;1~ qua1i&l nãQ SE! e!:qui~·ilm por mdo du r.•w µoslm~ta d05 n1<'1;oorJ.i;
rio l1olb it1Jo: •:.!. cn p.uticuia~ d:!i 111 1.-e11.!'11:!d ud(.' .:;ln~Ut)~r.'!{J que a c~1 t1CL('rb:~. ir. P BOURDIEU. '-Jl ld) 1Lila111.m , di'J'i mb11Jrldé - IF KJrilo pmsai.1l!So - dzi :t:liogra bzi ·~ di:.s _~1'.lfm~~ - J;l0 JA() coo-:.r:..r11~vd.~
Esqu 1s:;L' d ';m ~ ,' li ·n.rie de la .Cl ru 1fr1!JI;.!, PnF1s-G1~1 1~•_oe, Proz. 1972 p, 17 4-J89). • m ~ li hrn) gro111 d t 1111 iLi ~li d.~ d (·11 h, - Ll \1erd,,.Jrir tor;:.;1r••o.;ã..~ ioon•ÁI

] ]q 1]. ~
esfacek~rnenlo do pat~lmónio , corr,elativo rj multiplicação excessiva dos mente garantidas (djrejtos}; as e.s t ro tég ias ma trl mon ia js. raso particular das
h ~rdelros: ou seja, em primejro lugar, as estratégias de fecundidade (ou, precedentes, que de;vern assegurar a reprodução biológka do grupQ sem
mais exatamente, de limitação da fecundidade). estratégias a longo prazo runeaçar sua reprodução social pelo ~s<m1Qnto desigual e prover. pela al•ança
- jã qu<t dep,;mde delas o futuro da Jinhagem e do seu palrimônjo - que crnn um gmpo ao rnenos equivalente sob todas as relações socialmente
visan1 lin1itar o nümero de filhos e , por conseguinte. o trabalho de pertinentes. a nlcmutenção do capital de relações sodais; por fim , as estraté-
reprodução socíal, n~duzindo o nún1ero dos pretendenle.s ao patrimônio ; gíos iàeológkas que \.'isam legi.thnar os priv~lêg]os, naturn~iza.ndo-os . Reck.1zin-
em segundo lugar, as estratégias lndtretas de limjtaçà.ô da fecundidade, J o as estratég1as de. reprodL~ção aos seus produtos. considerados
como o casamento tardia ou o celibato, que tem a dupla v.antagem de separadamente e çomo fale; c:on.suma<lo: condenarno·t1os. se}a a converter o
impedir a reprodução béológka '!. êXdLfü (ao menos, de fato) da herança (é ~1stema das práticas de um agente ou de uma dasse de agentes nutna rapsooia
a funÇãQ da ,Orientação de certos filhos para O Sa·cerdódo, nas fi:HOí)ias de. dados. r~iclos por lguru número de leis positivistas, seja a ··articular
aristocráUcas ou burguesas sob o Antigo Regime, cu do celibato dos filhos ~L stânc·as··. isto é~ anicular índeHnidarnenLe discursos sobre ins(âncias. De fato.
'· -
1na i.s novo.s em certa.s uarnçoes ca1nponesas )ii..•, A estas acrescenrarn-se sendo o produto do mesmo princípio todas essas estratégias são objet íz.Ja-
1

todas as estratégiÇJS posirivas, como as esrratéglaS sucessoriais~ cujos tnen te orquestradas, o que tende a excluir as incompaHb;Hdades entre
vestígios codificados no costume ou no direi to não rept~se.nrnm senão o práHcas neces.sariamQ.Jlte interdependentes - já que c:ada urna deve contar
aspecto mais visível, estratégias abertamente orientadas para sua l·eQI praticamente com as ccnseqilB-ndê.lS da outra~.q - e favorecer as suplências
função - trans.mitfr o patrimônio: com o rninhno possivel de degradação, funcionais, como dizem os b iólogos. Qualquer tentativa foita no senrido
<li'.! u1na geração a ou(ra - que devem , entre outras cojsas, recuperar os tle colocar em evidênda o sistema comp,eto das relações entre élS estrn.té-
fracassos das estra l{!.gias d~ focundidade, como um número excesstvo de gias que çada uma da~ classes de uma formação social determinada põe
flU1os. ou os inevítàveis addentes da reprodução biológica (cOJllO um em açao. em djfereotes campos d~ prát1cas, esbarra não só na ausênda
nún1ero exc ess lvo de rneninas}. Mas é pr,e dso também levar em conta, de est:atíst1cas s1smmaticamenrn constnüdas, rn.a5 também no fato de que
]nseparave!mente. as estratég~as educa tJuas, conscientes e inconscientes a ~gregaçáo estatisti.ca tende a embaralhar as relações que se €$lab~Jecem
- das quais as estrãtégias escolares das famíHas e crianças escolarlladas praticrunente~ na existência de cada agf,mt~ s1ngular ou dº- cada unidade
são um aspecto particular - . invest>mentos a prazo muito longo que nào social elementar, entre todas as práticas suc~ssivas ; nesse caso , cada nova
são nece.ss.atiamente percebidos como Eals e que não se reduzem~ corno -u-atégla. ~ncontra seu ponto de partida e seus lin1ites no produto das
estratégias anteriores .G . Pode-s~ . todav'a. como se utilizass en1os sucessivos
4
p€nsa a economia do ''capital humano··, ~ sua dimensão estritamen e
econômica , ou até n-~onet~ria. já que visam primordialrnente produzir ·ocos de projetor~ iluminar. pouco a pouco t d iferen re5 s ~tores da rede da:;
agentes sociais çqpazes e dignos de receberem a herança do gnJ po ~ isto
é , de serem herdados pelo grupo~ as es tratégias qU{!! podem ser denon1i-
nadas profi!<l ttcas! destinadas à manter o patrimônio biol6giço clo grupo ,
assegurando ao.:; seus m8.mbros os c.uldados contínuos ou desconttnuos 4 4,, P fo :1110 de :::.v ~11ll~r<·nt .. pr:>ntos cilf P.'.l'~nt,;s de> t:klo d\:? i,.'):li'.'J ccmo proce5sc irn:vJ:Sive1, i:.s
dl1,•tcntcs 1:, jh ;,c(!gl.% d,: r~pt·::idvção si\c tambem CT0.'10,' ogicamsnte a rtrcufoda.s, t~"t rn.;;:dk:l:::i f!l:n
com o objetivo <le preservar a saúde ou afa~tar a doençzi; as estratégias
.:i11e.. ri <'.'ld11 rnom~1.r.:~,, cada uma dirvc contar com o s resul~<'.ld0s alcL't11çl:!'Jt;x:; JXJa' :>qu"•lr1f. •111P. ~
p ropriamente econômkrrs, de curto ou longo prazo. com o as op éraÇÕí:!S pn1ce.àeram ou que lm urrw. r,t:r.sc)~fü,·<1 r~m por ~ u1::tl$ c.11rL:i : ê: n35lm que. par exempla, ni!l
de crédito , poupança e investJn tento, destinadas a assegurar a reprod1.1çà,<0 lracilçSo bee.rne.~m . .JS eSlr'.J~~j.~ n Hltrl1 r1<Jr.1i'llS .rl ~pendi ~m 1111.!itc· e.;Lr ei1Jl'9i:mte das 1rnt li!gii'J!i de
[ t':.1J1)d~~lc df1 Íêlt·l :,íll,-:1 (par lr.1~11'.Mlo d n 11úm erõ d Ci.:io prelen:ienle:s ::.:::- ]Ji'ltrimõn:{J e do r'*;:u~c~Uvo
do patrimônio econômko: as estratégias de im.1estfmen t<:> social, cons· !!i~:.:1>, j tr: P., rl1) n(1mam de filhos a serem d:::taáos com unm bí?rilnçl'.I oo compe11:.iao:.·t;o)i dl\S
d ente ou jn conscientemertt~ oriílntadas para a 1nstauraçao e manutenção 1 ~-.1 f'11aj.~ .,~.JuL:a.Li•J,:is, .:u!u ~:<i'.o era a oor.diçf.n p1.1ri) ~ lm plerr'lertta.;;ot> d(f::, ,;:;,~ .t~IM qu~
t..'1:.i'i 1.'a m d<2S!:artar da he.rarn;::t a-s f1lh:::!; Jni)Í!:. novos e m; f~h.OJi: (1:$l~ i:;~o Cd6C:.1i tén:o ?spro prl11c!c>
ele relações sociais diretameme rnobil ii~veis e utilizáv'2~s . a curto ou longo
~ eis ,;11trr.-s pelr.i celitato .;,~u pela c1 nlr.rttr.(~:.;); drl~• <'~(!'at1~glas p optiam°":;t e ecori:>1nkils que
prazo , islo é, para a transformação. operada [J€ta alquimia da troca de r.·isi1v'1m m;IJ e r: ulr.&s co i.,f3 ' . a 111!'1N.Jt~:n(ff.n cu .:1umc·,ntc do c.a.pltal de Lerri\S, ek. E!ósi'J
dinheiro, trabalho, tempo. etc. por obrigações duráv·ei'"'. subjet"vamente i lenJ~er1 lên ·id ~ c~:ndici· ·e µor v<'n l;is. ~r.rnç~<'.s . sim1o que .nnil 1~müia pcdfo ser olirig"dei.
1

! lu r.,r I~ 111Lri!L> te1ri po, d l:'l':lµO!'-SIJ p <!, .:itfos .::~"llteio5 r: :i.ra com:;:>eru:<1:- a~ despe.s.&..s llJOr' \.'~.Z ~ , ~•li
sent~das (senfünento.s de r2conhecimento, de r~sperro , etc.} ou in~lituc.ional-
1<'rTt.S:• ! w.i.:c-;!;fir; ittS p,.,~-:! -(ir:>t.11 ' 1 1~cm te°f(IS ~l dinh eiro , uma Í i'.!. niÍ~il d~-~~ltid n\lltl\!rO<J,1 ()1 1
r •"!'",t"IPe.!~t<-r .f!i po sk:l\c ~ateti.al - e. ;;:::bretu.dc. simbólirn - 1.k 1 ar..•r::'J. e.rx'J::. u"n · .1 f;drl~~t: ! ;"6igu;:il
.:15 l'.S$1t11 1: p í'it71 1:> es ci!c 1e ~r.ldo :isl;} é, . ara ::: cor .r.m1o ~1c;l 1?m~licr. dr:: lrrlç-::;~ .:Jl~t1 nrh1 t'X'i'. .:~li "
43 . .S& r(: o1:i ~.J111(:":<'$ 5<,ir:t.~I~ dr! celibuto dos 1ilhos mil is no·Y'05 r..., tt~ir.;:~l> b~1'fi 1~o:.1. r..1f!1 P B OL !R:)I EU 1·• r.if 1P'Ji:t:t.in 1:-:ê..:ts il" r;n'toc"m;; e. cb tt!: d.e um rJ!]O:nf e ::;.ms,ul,1r 0 11 de 11m l11SS 1 r:ie (!!:j~1t~. (dn!;SC!
" L~ :'-ITr)tê~i;::~ nM~.rimGni•1l-i!S rldn..:; b j;!Jr;ti11íW. d 'S !>tr11túçil~.!i d~ ~·ep'r. ocluct3on'', in .'111r1cr1.i-s '27 i-·~ 1 :rd(~C> d" cb ss "~. como pafi'I a ·si 11 0 da.~ o bms dr! o1 ie d ·· uma cw:>::a- <!. a hl~~.jr..ít, dt1 1."d l)
1 1

i<l -5) iulho -i:l111rn:iro de 19 72 . 11 05- l 07 S ·lirt: o'.!:!- ~ 1n~:) !'; d, r.d iha•o de-:; p;id::- es $::.b e A!"ltiao d.• 11m 1ni- 1•Jidur1 o u d~ 11111 i'.lf'. -fKI ande 'i" 'J . o 111~mr. rnôJ14:S • ,·x~rpt1ri'1 i~1(x)1 ,l rdr nu:n;~J Cb(J!'.
H ·gh))1• 1Jrr F.Y. BESNAR O, S.-1!.11Jt?,'1ir d 'iJt~ nor:::ig · na ir.::. 'P Tis. 18âfl , [, p l·l, cit11t:fo ln I::.,{~ ri "\ !:~J.1s i:.::inlas d ..•p io t· LI·• •"'.115 dt ·· ~1 ;..;:,1de.:irkJr~; P,11 1 6~- pró l~'ls pr()d~~1<:ts (t.n'.ltnr-se·:n d.os
C,'\H3ER. í'11c BvL:r9i::v 1st(' lri .' 8!h f.RrH IJrJ,: J.•1 Fr:Jn1~e. P:ir.::eton ?:-ir..:etcm Unive~l1'.y' ?res~ {'Ylrn s:;ii:foi;, n~·r..Jf!qí 1 lfr' l 11lr 11r;i"> ~ 1• qlt,,. to!i ~.:•, f:-:rn 'C'1 , ,:;P.rn rlüvid:i., i). melhcr i::r:.r.:;l!ln dõ
J967 r. l:.:'. G, íllllíJL •l"i$lil mi; ir• d(I 1Ili) • 1" a • <k l 1r,1.,, LI! iid.1:. pvr 1~111 'C1ij11n l.:i íl ~ t "li'lr/,ie.'I signliiciut1Ç$.

11 1 17
relações que conferem, à prática de un1a das.se, a coerência e adaptaçao dn caplrn.l ec~nômico (dor e) ou do capi1 al d~ honO) ab:~ldade (virgindade!.
às condições de ~istênda. que lhe são próprias. n1ndu.tc::"' , etc.r, E cabe con:;idf2rar se não se de.;e ver o efeito d~ urn outro
Assim! as estatísticas da entrada ·na sixieme, segundo a classe social rrocesso de suplênd~ íunciona! no cresdrnento da Jecundkiade da classe
e o número d~ ftlhos na farnília·! permtrem, por exêfnplo, pen::gber a relação 1
b mir ante e até das frações dominantes dessa classe, cUJa reprodução
que se estabe1ece, mais ou menos diretam·enre, entre a5 estratégias de t(!pous.ava, prindpnJment~, sobre a Lransruissão do capitaJ econômico: ccn-
fecundidade e as estratég& as educ..ativasq;,: 1ê-se ai que as chances de entrar 'lr~rlBimente ao que se observa quando a reprod·uçào é assegur,.~da pela
na sixieme para as crianças perl~ncentes às fan1ilias. das classes médias 1rnnsmiss~o din:~tQ do pa[ri.Jnônio oconôm~co a um dos d~ce:ndcntes (en1
{mtesãos e con1erdantes}quadros médios ·e empregados) que se djstínguem detr1men1o dos ]n i'.!resses do.s in::livicluus que sã.o ~xduk3os do estanüo de
do resto de sua classe por uma acentuada fecundidade (quatro filhos ou he:rd(:!.ircs legí1 imos lJ-ela sua pos1çãc.> - filhos mais novos - , ~exo ou outro 1ndk:í:!
mais), não são maís elevadas que as dos fí1hos de operários pertencentes socia lménte r12conhocido), nada, senào o cuslo do_ estudos, impede de
a unta farnma. de dois ou nés filhos; vewsa a1 ta:rnbén1 que as chances de l s~egr..1rar o ·· estabelPdm cm to'' da totalidade dos descendentes {alnd:1 que o

ingressar em um liceu {o que pressupõe um grau mais elevado de ambição i".lpirn] cultural trnos1n~ sível por cabeça dhnir)Llé'.l., sem dúvêda . côm o tiím1ero
~scolar) são ainda mais estreitamente ligadas ao tanianho da familia 1
e ffhos. pelo fato d~ que, ao contrilrio do cap~taJ cukural. teoricamente
{sobretudo , entre os empregados e os artesãos ou comerei.antes}. Contra d\.1isível ao tnHn3:n, o tempo de adulto, disponí.ve.J para a transmissão, é Bnilo},
a explieciç.ão apar~nte que faria do número de; filhos (e dos custos quando i:l reprodução pode ser assegurada: ao menüs parcialmenle, pela
correlativos} a c.ausa da queda da taxa de e.sco~ariza.çào 1 a limitação da. transm issão do capita' cuHura] e pela uufü~ação do siscema d~ en sino.
fecundidade 12 a an1b1ç.ão escolar d~ven1 ser 'Ji5tas como duas manifestaçõe.s Nessas condiçõ€5, co1Ttpr~~nde~se que os burguesGs possam, hoje! dispen-
da n1esma dispos1çti.o a ascese para a ascensão. 5cLT o l'ecurso à rcstrtção dos nascimentos qu ~ lhes éra Jinposto outrora

Como as estratégias escolares p redsan1 contar com os resultados das {t tuaJmenle; I:!. o que es á acontecendo com os peq\.~<?no·burguesªs} como
estratégias de fecundídade que, de ant€rnão, são condicionadas pelas uma das condições flind an-Jentais da reprodução social.
exig~ncias do invesHmento escolar~ as estratégia5 matrimoniai n~o são, Para Lon1ar perceptlvel a noces$~dade de pen ~ar como tal o ~istema
com toda a certeza. independentes da.s estratirg~as: e.scolares e de modo dns estrai t,g1as de reprodução, não há ~ com todci a certeza. meJho·r exemplo
rnajs geral, do conjunto das estratégias de reprodução. Basta pensar na quê o do investjmcnl·o C:!ducaUvo, ;, .rotado n s~r cbjeto de apré12.nsõ "ª parciais
transfom1ação dàs estratégias utiUzadas? tr.adicionalmen1e, pela classe e abstrata$ pela dlv1seto do trabalho entre as disdplinas. Os ecotiomistas
dominante para casar a~ filhas que é tambem, assim como a transformação têm o rn érlto aparente de formuJar expUcitamen1e a ques1ão da relaçjo -
concomitante das estrat~glas de fe2cundidade (conb']buindo, sem dúvlda, e d e sua evoJuçào n ô rernpo - entre as raxas de lt)cro asseguràdas ·pelo
p ara ~xpllcá-ia), correlaüva a uma trari.sfr>rmaçao das relações objetivas ir J.•esUmento P.ducatjvo e pelo lnvéstitnc~to econômico. Mas. além do fato
e..ntre a classe dirig.ente e o sistemã de énsino. Com os progr~ sos do acesso de q1.2c sua m ed~da do rendirnento do investl m(!!nto ·es olar· não l~va ~rn
das m oças ao ensino super~or, os mecanismos d.e auto-orientação (''voca- con.a senão os jnv~stimºntos e os lucros monetários C)U d1reLam ente
Ç<)o ·~ ) e de seleção que. produzem grupos L?.scolares (faculdade oH ésco]a, c.:onvcnsiveis em d inheiro, conto os gastos acarretados pelos estudos e o
disdpfüia. etc.) socíalment e muíto hon1ogêneos n10.straram tendência para equ]-;...-alen e em dinheiro do tempo ccnsagrado ao esmdo, eles não c:onse-
assegurar a endogamia de e.lasse {ou de fta~o) pelo menos , tão 12hcazmen- ~uem explicar as paatíis r€!lat1vas que os diforerit~s agent12s ou. ~s diferentes
rn - mas s€gundo um n~odo 1ntejrame.nte diferente - quan1o o intervendo- dass~s cone :idem ao ini.Jestirnento econômjco e ao inveslimento cu ·urnl,
nls mo das ían1llias e 1 em particular, seus esforços p~ra organizar as ro~s não Jevam em conta , sistematicamente, a es truturá das chances
ocasiões diretarnfilnte controladas de en contro (balle-S, festas-surpresa! Jif >r Jndais de fucrc que lhes são prometidas pelos cliferen es rnerca<los
46
gincanas, etc.). Esse efeito inesperado da escolarização conhibulu muito, '2 111 funçf.to clc vo lu me e da eslnHlJra de seu p.a'lrinLúnio _ E rnai.s airida, ao
sem. dúv~da, pata encorajar as familias a abandonar a política ditigista (em c ru ~ ir de rerni'.lmú 1r c)S estral égias de investimen1o escolar par~ o ârnbito
[Odo caso , bem d lfkU de hnpor) em provêlto da nào-intervenção ao m€smo 1

ten1po que era complecamente redefinido o ~ lste.ma dos critérios que


detem ünavam o valor das rnoças no mercado rnatrimonial, quer se tratasse 4 7 . O 111-rsmo l,;.p:·:~:";;-=:nl) foi obs.;it"..<:tdt:o p :; E.'i:f1Ca5 Un:dv.,, 11d :_! -e. ~nrlogt1m~;i soa11ol" q11.:! ~
.::::::rre'..a'IJ1:.1 ,:1r1 'd ")i,.x rl\ilrr.r:n:o dn educl\Ç€lo :J, · 111i1S!><i · as.;::: dado • •.. 111 !'t'I).=.~: m en co é:i :it:'.léÇ~(.1
·t1;:.ii1, 1r-nd;~ .a 1.u mp&1!iJr C>8 •>feiUJ~ do "aumen~o d.tt llc •e•d(IC.<> r un -,~idr. ila> jctv'l-~ r.s. n<1 ~..cclhti
do ccw;·,.j .,.. , Ci..Jll't:!là llVtr ~o "dr!drnu d.,,.s. l11çcs fomui!JrB.> lr,1t:f,1! '1:~. 1i!.1S" ld . B.K. ECKLANIJ Na.v.
116. Cf. A. GIRAR D e H B.l\.STlm·;, .. La scrn.ljfj ·3l1Qn :;cdi!I.? dé lti rl,;rno.::raüs.,unn rfe I' nsl?lgr'l..:l~l~m , MaLing Bom'td..:11 is m 1'.L1.11Cd1ion '' , in Sor.ioí B !u,'tNY. 17 (4), d~e111~)l'f:qil~ 19 ./ 0 ;:r. 2.69-277,1
ín - Pr.pu.'c:i!ion" et i'e-meig ricmcnJ , Parb;. Pres:>it.~ Unli.1en=i1<\lre\.. ~fo F'n mca. J 7 0 48 . Cf '"'" i.1rfo:ulo1 G.S. BL,;;('.KI H Humâl'l Cai:; ll td, Nu...1.1 Yml~ r.::;h unl:w Ut:l\.~:=.i~· PYe:;s. 196•1,

118 1 l t)
das estntégjas educali,.ias e do s1s. erna das estratégias de: reprodução, de patrões da lndüstria e do comércio que, 1.endo outros m.ei-os e outras
cond(;!narn-.se a dºjxar escapar, por um paradoxo necessária ~ o ma is b12m vias de exHa não dependem~ no n1e smo grau , da sanção escolar. in\.1estem
ocull o e socia m~nrn mais lmportante dos investimentos educativos ~ a menos jnteress€ e trabalho nos estudos não ob'têm o mesmo rend]rn ento º
saber, a transmissão domésüca do capital cultural: as interrogaçôes ingê- escolar (o rnesmo ª>{iU)) de seu capHal cultural. Isto quer dizer que a
nuas sobra a relaç~o entre á ''aptidão '· (abHH>~) para os estudos e o propensão ao inve stimento escoJar. um dos fatori;:....r.; do êxito escolar (com
jnvestirnento nos estudos dão testemunho da lgnorância de que ··a aptidão'' o capital cultural). depende não somente do exito atual ou esperado (Le..
ou o ''clon1·· é tan1bém o produto de um investimento e.1n leinpo e em das chances de êxito prometidas à categoria em s~u conjunto~ consideran-
capital cultural!:'~. Ê compreensível que, e111 se tratando de ava~]ar os l1,.1cros do seu capital culturnJ)i mas torrtbém do grau etll qu~ a reprodução da
d o ]nvestimento escole;ir, náo s~ vá atém da consideraç~o das rendas posição dessa cJasse de agentes dependt: - no passado, assirn como no
monelàrla.s individu3js Sétlão para lndagar - nun·1a iógica tipicamente futuro - do cap jtal escolar corno forma sodafmente cert1ficada e garantida
funcionalista - sobre a rent~bilidade das despesas com educação para a do capital cultura]. O ;'jnteresse·· que um agente ou uma classe dé agentes
"sociedade'' en1 seu conjunto (sodal rare of retun1t" ou sobre a conhi- d~dica aos '·estudos'· depende de seu ~xito escolar e do grau em que o
buição que a educação traz à '·produUr..ridade nacional' (tire social gain of fi!xíto escofar é 1 cm seu casa pc;irtku~ar! condição necessátia e suhc.iente
educat fon as measured by its e.ffec.ts on nado na~ prodLicUuiryf L_ Essa para o ê..xlEo social. A propensão a investir no sLstema escolar - que, com
deflnlção das funções da educação, que ignora a contr•buição que o sistema o capital ,cultura) do qual ela depende pardalmente. cornanda o êxito
de en s Lno traz à rep rodução da .c2strutur0: social ao sancionar a transmissão escojar - dGpende, por sua vez~ do g-rau crn que o êxito sedai '1. deµend(;Znt.e
<lo êxito escora~ i. Ass lm, considerando que , por um lado! um grupo
1

hereditáli~ do capital cu tural~ enoontra-se, d12 fa.Ea, ln.plicada, desde a


or)gem, num.a definição ~o ''cap2tal humcn'lo., que, não obstance suas depende tanto nienos complatam en1e do capiml escoJar. para sua repro-
conotações ''humanis as!', não escapai ao economismo e ignora! entre dução , qwmro mais rico é seu capital econômico. e que, por outro, o
outras co3sas, que o rendâmento escolar da ação es.co!ar depende do capita] rendimento económico e sodal do capital escolar depende do capital
cultural prevjamente )nves lido p~~ta farnilia e que o rend~men.o econÕlnico econômico e social que podê s;er posto a seu serviço, as estratégias
e socia l do cerrifjcado escolar dep ende do capital social1também herdado , escolarn.s (e, de TY•odo n1ais geral, o conjunto das estrarégias educativas,
que pode s.er posto a seu serviço. inclusive as don16sticas) d-ependem não s6 do cap it~I cultural possuido -
M~s, inversanHmte, o esludo interno do siste1na de en5lno e das Wl'L do~ fotores d12tem1in'-1ntes do êxito escolar e, por conseguinte~ da prcr

estratégias nele éngendradas pode.tia ter d es\.iiado cJ~ cunstru\.ão du ::.i$lema pensão ao investimento ec;coJar - más do peso relativo do capltal cult ura[
completo das relaçõe-, no jnt~rior dq qual se! dêfinen1 as_ es(ratégias es· na estnttura do patrimônio e. portanto , não pod~rn s€r isoladas do conjunto
cobres, caso não tl\lesse sido observado que a propensão a investir €ffi das escratégjas conscientes ou lnconsdentes pelas quais os grupos tenmm
trabalho e ap icacão esco!a.r não depende. exdus~v.;in~enle, J o vo1urne Jo ma 1ter ou m eJhorar sua posição na es triJturn social.
capitaJ cu!hxa1 possuído!:- 2 : as fraçôes das dasses médias mais rlcas en1 Para explicar 1nrngralmente as estratégias d e! reprodução . é preciso ,
capital cultural {e.g. os professorQ.S primários) têm uma prop ensão a in\•,estjr port..: nta, l'1 var em conta não ap~mas as chances globais de r~produção
no .mercado escolar {isto é 1 Lnna boa~vontade cL.Ül11n:sl çomo esplríto (tais como pod~m ser percebidas , por exemplo. através das çhances de
empresarial escolar) incomparavelmente mab fort~ que as frações domi- e~censão social, como foi íelto no caso das es'lratégias de fecundidadº},
nantes. da classe domi r)ar'lt~ , embora e_tas não sc)am menos ricas en1 mus também o sistema das chances diferenc ia is de lucro que os
capital cu~c1..m~Jli'.)_ Diferentemente dos fllhos de professores primários que
rendem a co~centrâr todos os. inves imentos no m ercado escolar, os flliio.s
54 . Nà0 Ct~l"! aql•i <lestr.z•.•er o unli.1 1~1 ~011 1pleto ::!.:is r.e:liaçée; µ:r~li~ n ·I~ rrX! iS se esl~bel~c.e,
;;:;;~) t!.'da c~sc.., :i. rd;u;::to i:it-:itT'l o '-'Olum C! e .... e.sLr.JL11r;i. dr: IJQrri111õ 11io . e ilS estrnti'!.gias d~
~n·Je.i;timen~o . Pod • 0~~'.ê!iN>E , p ends que. ~)ti ~:liso dr>bv~ timen~o esoolar, () ~lto 1.isool"1r ~I' 1e,
4 9 . Iâ 1 t",,3.f,(,_
pc:.r ~·.J \.'• 17. 1 dr~pvnd.;io r!.:1 capi:.11 cuj1·11r~1t lll' "11lri.:J ~ -d<) 1.:orope-.sík: a lr.\\",t;;l-r 11.:i ~~eo!c (qu ~ ê
5 0 . fo' ;'! 121 CÍ<'JK:i k!n-1~ J o v'Jlume dc.i c..a1::.icc1I euJI urill f~ dt.i seu pese nil ('l.Stnrt'.n a ri~tr. 1t"11.n1idl), f?.l'.l?T r P t1or si
u·n RI r:il ::; ·~e ~ ef.. ~:;a .:.cbr<' n !•t0~ens&.c LI ir.•,.estir, c:c~-.t ltukl~ J Jl'3rbr <lrn; i11clY.:.:!!:. prâ:.co.:: d a
s1. Id ~ l -s.
n:!:i~;,o ooj i!l i\.•i.l :':t:"l C!o 1:--, ·tituiçfoio esrnlLir (?.a::.lm , p ~ ~· 111plo. :-i !'.;TüU Nfl que a i r.111LI:=.. p~
52 ,, CI, P H<n .1R tJ:t-:l.... . "H.:!f)r<Jrl11,".l;lon e.ult,,,~~lk cl r.::.produ.ction ;o-.:Ll!]e'', )n h~fom;a~ior. sur ieos lnl l 'tlr~l-.dlo <le ~:~u c.:h.rl..: - o JVu - l')11 111 mimo~ .grn•.1, de outro d . s~11!'1 1r1~rr:~ ros. dei.· e su::.
,o;r.i<r11Ct'& soc1 ~Je.!i. 10 ~), l(J'1l ;:.i. L 15-7(J 1 >:1:>t ·~;'O.._, iJ scçt.:l. ou á l:.ist1, J('lk1), Qul111Cr> , o f1-:i1c própri'J ~ es1n :hJ1 fl c.Jc: p~.11ri;t'ftmio. ele resu:t:!I
5 3. /' l 11d0&r.; <.':' td~1 ··J ri ~ti•.•i) ••J. íl~··1 x 1!'lt<,'••1) i..•111 1c-b ('1e ar1J11;:is aa i:a pi1a.J ultural e a. C:-.an -15 te:l•rrras. L!!.m~~. sem rlÜ'_..rla., d ·-;, 1o1:ô ri' q•Je €5Sr etriw de .::~m~-.1grt1-;:bo ~ L:'.into ~::1i!..is eficaz qw.nt0 r11RI~
a:Je este assegun~1::-. na fzil:a C.e )m.1eslim.::=-ib acf:idom 1de "vb Lutl~' d~•Je-~ t1>i111UctP,, ex: 1m, ·~ 1rnrie., <.ui\ 1ml1 ,::J)f.1,1 •• ,. cr.;:- u J' 1l,w. d(I i'l~· ·n~ · t d ôLi·.·aml'::nle des:pn:1..;ido.~ d<:. nit it,.,I · '(Jl1f>mko,
dt.J ~~to d q11•"? ,j e. 1unifa il ""!'•, :'1111....1 ,:i ~=-?.iJr,I ó ia ia•r.iliae-. 1~"-i11.i1 1111, d l.ill.!res - r i 11 11lll'll1 i~

120 12 1
dlfe entes rnercc1dos {n-Jercado de 1.rnbalho. mercado escolar, etc.) o ferê· porque - como é o caso em nossos dias - e~s se distinguem. ao menos,
c~m aos possuidores d~ um patrimônio com determinado vo lume e tanto pelas subespécies de cap1tal escolar que tendem a assegurar por
composição. É assim qUQ.. por exemplo, um capi1a' cl.lkural fraco em valor lrwestimentos escoJares cons]deravelmenta ampliados (sobretudo nas fra·
absoluto pude exercer uma influêncja determlnan ce sobre as práti cas cões dominantes) quanto pelo peso relattvo qu~ atribuem aos investimentos
quando - por exemplo , entre ;s empregados - tem um peso rela1ivo n;u~to
56
econ ômicos e aos investimentos e.scolares •
forte na cstn 11.11ra do patrimônio. Em outras pa]a\.11(.1;S. e.ss~s es1.rare91as mudança da relação entre o p atrimõnio {con-
Segue-se que qua]qtJer
dependem da relaçào que se es tabd~te em um momento determinado sid erado em sr;m volume e compos]ção) e o siste1na dos instrumentos de.
en1 rn. por um lado. o patrhnônío dos di(erenteis agente..s e classes de reprodução, com a tra.nsfomw.,ção correlativa do siste111a das chances de
õgente s consjd~rado em s€u volume g~obal , ass!m como em sua composj.. lucro, tende a lrivar a uma reestruturação do s1sterna das estratégias de
ção (isto é, leveindo em conta os pesos respectlvos do çapltaJ econômico! Investim ento~ os d~entores de capltal, rião podem manter sua posição na
do capital cultural e do capi1al social) e, por outr? . os difere~I~ instrum ~n~ estrutura social (ou n~ estrutura de um campo detern1inado, como o
tos de re!produçâo dispun[ve1s, quer séjam otidaís ou ottclosos ou ate arllstico 0 1.1 o den tífico}, se não ao preço de· reco n ve rsõ~s das esp€cié5 de
clandestinos: é. crnn (:delto. essa refação que déine as chances de rendi- capital que detêm em outras espécies. ma]s rentáveis e/ou ·maãs legítimas
m enl':o dlierendal que os diferentes instrumento~ de reprodução podem no estado considerado do:s instrurrnmtos de reprodução~ essas reconversões.
of ere.cer aos tn.vestimeri tos àe cada classe ou fra ção de classe. Mais objetivamente impostas pela necessidade de evltar a d~svalorização do
prec1samf:! nte. a estrutura do sístema das QSCra1.égias Ôe reprOOUÇ~O Car'aCª pa1rirnônio, podem ser subjetivamente vividas como mudanças de gosro
terístka de uma unidadQdoméstica ou de uma classe sociaJ, seu modo de ou de vocação. tsto é, como conr.ie rsõei'i.. Em forn1ações socia•s enl que
rep1-odução, corno combinação particular das es(rategias de rr2.produçá.o o estado da relação de fcrçd Emtre as cla~ses faz com que a classe dirjgenle.
às qt~ais r~côrre efotivamen1 e para rnant~r ou ilUmentar ~eu patril:1ônic) ~ d eva constantemente mudar para conservar su a estrutura , as frações
posição na estrutura, dª'pende do valor relativo do lucro que as dl!enmtes J ominan.tes d~ssa dasse réndetn necess.arfaunente ~ div]dir~se, sobretudo
e~péci es do lnvestimentos podetn assegurar-lhe 1 c:ons:derando seu poder nos períodos <le transtom1ação rá pida e de crts~ do modo de reproduçao
efetivo ~obre os djferent e~ mecanism·os lnstituclonalàzados (tais. corno e 1m \.rigor~ segundo os ' graus!• (e
1
as forrn as) de reconversão dQ suas
mercado .econõn1lco, o tnºrcado matrimonial olJ o mercado escolar) que
p odem kncionar como lnstrumenros d ~ reprodução: a estnirura da discri-
buição do t.JO"ler subre os h1str\..Unentos de reproduç~o e. num estado .':i5. t:sperd "!:>e, de um wnjunti., de pí.5qu1sas d[Lld~fl 1tm1~ &aJ1) at:ild111~~nkJ . s.ol~:iot• .is dt1 ~::t ·ud.~~ ""
rrnr.ça e, nli'Jli pal1KuJ:im~:2HLe, sobr e n c.IBS!ii.'l Cfü~i.:rU'.~'. que p.:?m~ll."lfrl flíOOSil~ "1.SSaS Ç)f11'.)li~ ,
det~nninaclo da defin1ç.ào dominante daquilo que é le.giUnmmente trans~ A s pe:;qu!sns .;cbr -2 a tr;m;.formaçào di11 iBtrutul'il dü ~tnfXl .:1.:is ln;irlçLo~l'.)l)_i;: d~ (•11 ino r,·· ·or -
m1ss1ve] e das maneiras leg1timas de transmiti-los, o fator deterrninante do _grar1de.s éc.1 fes [N.T .: Cara~".r~;i;i~n-~,~ por 'L~t.:im indcU<!rld ·n1"'8 e.to ISlêl lloJ u11i 1Jmi!l~Jio, r~
rendimento difo.rencja] que os diferentes ~nscrumentos de reproduç~lO es1ão cn nar1~1) 1x"1r .::c:ur"'.1Jr.><..1 1; , "' t.l-e '~n'1r~m li fôTmiJ.r t'IS elices inle]&;:Lu.eús e d~ngences dn n<>ção) e
facuk1adrl!..; - <JU1~ 'i f.,LJfH.!Jali1.1i.\ ti. ;r~1 ~ fon· li>;«io do- mouo dê ;:iproprii.,~tl d::xs h~.;:rc~ do CL'pitill
aptos a oterecer aos investimentos das diferentes dasse,s ou frações de 1'(:0n~1ri1Co (tais cumo foram i'l11dll.si.'t:.lt"ls em~ )â. pirolicildo. d. P. 130URDlt:.::C, L. BOLTAM)·
classe e. po r cans ~gu~nb2> o fatt)r determinante da reproduHbil3dêtde do KI e M. c.k' SA:NT-Ml\.ffflN. .'e.:. c1t. t hõo ro~n~cer d:i.dos no sentdo de torna.r milís mlm~losi)
p atrirnônio e da p osição scdat clas n1esn1a..tt. portanto, da e~Ltl.llura das .o i!mi\li!;e d",i: e.st1·~Li:'giils es.c.olilres das difer;mtes frações di!I d ass.;;. dhríg&"ltC (!. das t rnr,isk:rm(.lçô(IJ:
por qu e pil.:."3i!lln. ~1:n ~az~o das mur! i!.nQí!.::. sol:w~~1~1~s nc> e.a rnrio 1).~011õ1 r'lJCO. A~ f:>~1ul~.:;s q 1ti!
propensõ~s diferenciais a in'\.i12stir sobre os dlferentes m~rccldos . visam ra-:oJcx:ar c s gosto.;. :? ccnsumo cul11• .lf;il~ dM difol'1~11c11." fritç1~ d~ díi~-S~ d111~~r;t~ n1 ~ ~tb'ni;;
d:l.S r râtic.i1:=> r•.-ms'btuci•_.,, ~o •.:.'it.'lv u·~ ufu'c CE!ri1ctet-l~~kó d.;!: ~ad.!! 111r)., dizli.15. d~~rk1;"' l'!pruer~
Isso quer d~er que n5o seria poss~ve] explicar intºgrnlmente estratégias U't~ S~11 h,. 1CÍô l ll'IM 1t!n lt: prbllc;J O í>rirlCll ~io g~r.Jdar d::is d ifermles si~L·~rnas de !5lTiJtÊ!gi;1!: .'\o
consciente ou inconsdenternente orientadas p ara a reproduçào do patri- tér111~110 dr'S!-i.\S i:J lemriliz.~õc:s pilrcial5. !: 1 râ. p~q,,.Ji. c:cnstruir o sis1e r-..a :Jas r.;;Jaç0es enlre as
mônio , s~não sob condJç!io de possuir ucn conhecimento (sincrônko e <'J:1rucuras patrimoniais das di f.::rentí!!i cb $CS e fr ~Õ13 ~e cl3S5e (com as cr:.ns~om1açôe:. p~n:;
quais são ~Ít!Lüdf'ls~ e as astralegins de ai;=:.ica{ào e Lranstd:>sào d1:::. i:.apita: eoor.tin :.irn, c:11IL11raJ l?
diacrônico) do pamrr~ônio econômico, culrural e .soci~J de cada fração de S(Jd1 1 (0 qu • 1m~Jllca 1·'·' r i-;m ' i:flt?i, <:1 lfo 1 dlaS i.J~h::n·• li~ lonn~:; tle opl~~·~v ~1 11~1);.iC'l!i pEili'l

classe. Em todo caso . pode-se observar que as diferen1'eS traçoes da da.sse ,iy~1>n0ml.1 . k:n n'1 ~ ieuos r~o11~·.l~idi.:.s de ~n·-·esl:ime:1Los que nik: podem ser CJercebidas -

d ~rigente , que se. di stinguen1 pela estrutura pàtrlrnorüaL isto é, pelo perfil "n:.1uc1~ 1to se ~s;.>ern '.mli:l pesq·.!lsi:l e.d. hcx. • a n5o ser por irrterrn.€dio de indi.cado re5 dis~~os.
~IJ:.S Con 10 ti~ t1JXii!:: de CO~ri.'Jl~ dY.> C<lSi:ill"lento. de c:!otes. de t~Ulmentos, d e C:C'rrlpTil d~ q·J:ldros,
da d~s tribuiçáo clas diferentes espécles (e .sub~spéc;es} do captml que é<G e;t:i.dias :no ~trar.gelro rk y?t~Clf)e.~.:ir.. •~fll a CJC'le.Ç.Ôl\:., ote.)
possu em e, c.:crrelmivamen te~ pela estrutura de sua renda, ori~nta1n·se para 56. l <11 ~ o p1indpk1d.~ ÍenC:m~n....~ s.o <ils cl ·• e:;;!:.:11€1 '! 11atu~e;u1 m11~t:) dtr~ ~n~ , íXJfnO t\ N.;,'.ô11•. (.-r.;.'\o
1

estratégias de reprodução qu'2 apresentam e~trrnuras inversas. sºja p orque d~ um. r:.rtstn<n!;:·Ui. jui·i::ti/1•i et11 l;x.rn::t~cibi de ~t~dô ou. 110 'i?XC"r:'emo o pu::.to . .ti re:::or.-~er..;ilo d e
11m 1a p rk c.~u tl~ tcwlxh::itle d.;:: umil disci~linil denLiticil er.n outt-.n. ou de um s enero ctter.5tio oi.1
- esse era o caso, atê uma época recente, na França - as fraçóê5 domina.das ttt1i~fko em um :;.ulro ln~si? Cíl.S:J, <l< dLstitn~~ \!l'\trP. R,..~rd f'.idie obj~ti•.1;::; e ;i \i !rd?i;fo si..bj1~tlv~ P.itll"lg~
e as fraçõ~s dom inantes atr3buem pesos jnversos respectivamente aos <!IJ 1'º117o 111.l;iorno , 11 ..=i~1rn .dl(I L· s1~r, 1111~ v~. ~11 a NCCt~·;;;r.!.~~o • f.o a:i 1• lúJ ~.}'.lto 1 i.s1o \
investimentos econômicos e aos investim ~ntos cukurais. {'! ~scolares~ r.eja p ruclwil ..:iu 1 ki »iml.il11i o, ~ 11 , l.;ir 'y \ilrll'> r pcrcl."bidil como canvITT"'..ão~.

122
) h at >t•~ prállcas e ideológ icas de reproduç~o, portanto, segundo o grau <'r•stocratas do inrerior sem fo rtuna nem cultur~ . nas vésp eras da Hevo)ucão
atn que estão adapt()das à nova situação. Surgindo quando o rrtoclo <lc Francesa. ou, num uni;;erso 1otatmente d1ferent~ os professo res de línguas
rePTod1..i.ção estabek~cido já não func:lona normalmente e não é mai5 antiga.s n1ais estreitamente vkJculadas aos (~XQrddos de crgrégation"ll) serão
p oss.i've] cont~nrnr~se em dei~ar agtr os meeanísn1os de reprodução! as condenados ao conse rvadodsrno do desesperor~J .
ideol.oglas conservadoras, q ue ten-1 por função[ seja legitimar o mo<lo d e As reconversões representam outros tantos deslocamento~ e.m um
reprodução antigo ~ exprl:-nindo a.quilo que disp€Jlsava palavras en quanto espaço sodal que nada ten1 en1 comum com o espaço . ao m esm o tempo,
as coisas se passavam nonnatme.rue, transformando, ass im~ a doxQ e m abstrato e r~alista dos estudos d e. ·' mobillclade sodal'' . O nlesrnc realismo
ortodoxio~ seja radorializdr - no d uplo sentido do termo - a reconversão, que l12va a de~crever corno ''mobilidade ascende nte" os efe ito s da transla-
apressando a ton1ada de consciência das transfcnuações e a elaboração ção da estrutura J as reduções de classe {por exernplo, com a passage1n
das estralég ia.<> adaptadas: e legitimando ~ssas novas estraté gias aos o lhos intergerações de professor primário a professor de C.E.G.} leva a ignorar
dos ·' integristéls·~. tende m a apresentar, 1nvarlave!n1e nte 1 nos mais dl\.•ersos que a reprodução da estrulura soctal pode, d entro de certas c.ondjções~
contextos. três va r1a n tes='7 : o conservadorismo de van g11arda daqueles que, exigir um a =· hereditatiedade prof1ssional" muito fraca (ou, se preferirmos!
tendo realtiado a reconversão de suas estratégias de re produção, não uma ··r1glde2 '' rrn11to fraca) : esse é o ca~o sempre que os agentes não
besitam ern partidpar da contestação das bases antigas da dominaçãó de conseguen1 mant~ r ~ua posição dentro da e.stflJtura social senão ao preço
~ua dasse 1 o consen.1adorisr11io reac~onârmo da retaguarda de classe que é de uma reconversão de seu capital, isto e, de uma mudança de condição
~evada a buscar em uma idco1ogja ret rógrada urna cornpensação p<lra a (por '2.Xl?rmp]o . e.cm a passagem da cond içã o de pequeno proprietário rural
sua regressão econômira e social (€ o cas o ~ nas vésperas da Revd ução à condição de pequeno funcionário público, o u de pequeno artesão a
Francesa, da '·ple be nobi))ária'', como di2 Mathie~. cuja recusa da perda empregado de com~rdo) . En1 ~un1a~ a te oria das das5es sc-ciajs e de suas
dos privilégios condena a urna m1s érta arroga.nte}~' ; por flrrt, o conserva-
8
transformações ni?mete a urna teoria dos campos, isto é. a uma topologia
dorismo esclareddo daqueles que, ocupando uma posição jntem.w:diárla (é soda t Cc~paz de faxer a d1stin ção entre os desfoéamentos no ín te r~or d o
o caso, por e,"{ernplo. das burocradas d ~ E::;[ado) esforçam-se por concillar espaço próprjo de um campo, associados ao acúmu lo (positivo ou
os ,e_xtremos € esclarecer óS membros de sua classe cuja cegueira reaci~­ n~gativo} cla esp éde d e capital que constitui o objeto esp<2dflco da
náriaou "revoludonãria'' ameaça os jnteresses da classe em seu conjunto""'_ concorrenôa que o define como tal , e os desloca me ntos entre campos,
Es;;;t'1s fo rmas e graus de reconversão, assim con10 as estratégias jdeol6gl.cas associados à reccni..1C2rsão do capital de un1a espéde determinada ,em o utra
que lhes são conelata.'), corrcsponden1, avidente m enle 1 a condições eco- QSpéc1e, corn aceitação iam um outro carnpo, sendo que ambas as classe~
nômicas e socials diferentes! sendo que a propensão e a aptidão à de deslocamentos dependem, em seu signífkado e valor, das r12]a9ões
reconversão dependen1 do vo ume e composição do patrimônio possuido: o bjetivas entre o s diferentes campos , portanto: das taxas de conversão das
os agentes ou os grupos nl~is ricos (relativamente} de uma espécie de ti lfore n tes espécies de capital. e da5 mud anças pelas quais estas são
capital owtrd que não a quela q ue sen.ria de base ao poder antigo serào os õfetadas n.o decurso do tempo, ao térmlno das luras entre as classes e as
tn~]s propensos e mais aptos a ~mpreender utTiã reconversão;, ao contrá.rlo , frações de classe.
as frações mais estritamente liga.das à espécie de capital a m éaç.ada (e.g. os

57. Q C~SC da i:lr'.51.ccraci;:i pru$:õl,1r~1 , d,, !>"-!JS ide6lcgas e de :i"Ji:IS id o logilt!. dlJ [1.,li rl :': no S:tngu2 , qu e
w11 1\'.ç~m il de!i~m.....nh.121•se ct.Ji:<lldo a~ l;,::is~ ~r?tdldcnai:s do pu::I - da_d.,i::_.z s.=i<J (tl üav1d:i_=., ., N .-X. R : E o Lü l1ç 11r• "!J l'...l?'Slin.ado ;:, r~cn.tar pr'<Jt ií!:'l!:C>f"e:> p~r., e ~i ai e pam nlgum ;1s fan1ldad cs,
w11~11tul. sani diwk!i). i:I mcl.nór ili..:;:;lri!çr;o ct~;ia't análi:;e.;; ~d. H . ROS.t.NB.i:.~G . füJ!\!rj LJ C ~tlr.!J
t10. Somo.?r?r<-.: 11m cti~l!dc o-Jmpi)r~LivD da:.- esLr al é;las d e rt.!rntl.,.~::.~t) ~udm{'I, ei.·..dentemenr.u. p~mltir
011 d A 1·:~ itcrt!q=. Tr1~ PnJ ss!a.'7! Ex-perieJJcs. J 6.{i(). l 8 15, Carr..brirlge, H ~rv~rd Un ivi:r.. ~LV Pi"~r:,
1958 , esp.:!cii"lhnrnlc p. Z•1 ; .l.H. GIWS. Th:e Pru~:.srm1 Bl-'~t!l'l lJ::rac'.,o fr2 Cnm, 184~1 81.'.iO. F1 001'\:;t m;}m omr.]ela Ó:.1 .:;isoe!1"1a cfo di!H":oh 'l.!l QI I'' t ~~lito O U ]r;terdit<Jm . c:J:'t", Ci?J~i) Cll O, .'l:i
Or1g~1JS o/ a 11 A.a'ttl in ;s irn 1iu~ E1 ho-s. StMdford, SLand lord U1W.-~l'::;lry Prr~, l 971: e pnnr.1~1 re-::on\'(lrs-::1é;!, ~ :·.Jnd.o !>Lã 011r.1 :Jlttn.:~ \u~de"' ~imples r,> assag:<m ;;i 11m~ M: ' liÇ.ít> .,."ltinh.:i <1Li!: v
111<'nll~, R BER DAHL ·'The S1iin:ie i'lrrl 'Ih~ O t lg111. t>f Comer.. <1".:lsm i n Pnis!ôia- , ~n f.i9N4?er. th
0
salto lJl'lt":!i 1.nn ourra '.Jn:vet·il)J, :.;;!ti mo menlo lde:d~ rl!i p.r111léi'!.;;; 01'11 ir!Ício d· :;,::e - i'IS m:i.is
G~n r 'J.'~_,; S111!i'l~.s, (; Ç3l. Spr.ng ! 97 3. ;J. 298-3211 arrL.:.:r.ida.$ m, -. t a.1111J~rn. ~~ dfr,rid:i:, as tni!.ils rfflti\v{'..i:_, - ôl M .adescei: rios ri:f::m o.•cr!idm da
UJ>:1{!c1111fl l .:.1n; I. t:s mudanças :s.«un~;\rl~s :11J.a i:lt! irr;plica111 ld.;:.sC.e n rei-m 1•,ocrsciu n::i pmprl.:;i
58. A. MP..Tl-llEZ, ~,a Hé1m i11r1 on jrn.'lçi:J;ss, P.nis, ,A, , Cc1lm , 1951 cama f. p . 7·8 luc;ill". p er exemr.-lo, :).1(: a n ·1.ucw.a-siin q ue im1)Iic· a C!ll l~:t:;r.:i.;ão), .ele. ~•·ní! 1>r•·Ciso diS[JC;:- de
5 9. Em 1')1ltl'rl (ll"llSi. o, c1211Lan:m1os desc·l?\·Cf Ili IOTT11o!! tl~L•rnim re.b ~:OTI!il~f'.1 i:ldcnsmo es::li:!ni;:ÍC..Q fl(t F:rn.nça ;mal.ises qu,: '! \".Stlfü'i$:ir1r1 n co11Ii--J1ira·~ão r :!1.'e:,-lxfrt em difcrnnt,;>;,; i "íiC: n 1e11t~. pP.lb ::fo~'SE' &rigente
i:ILU~.l. rtii 1d 0Nt; ·:lo PJ ·~~fütur.:t d ~~.sa kirolo_;pa ..:om i'.'1 Cmlwi.\ d~: <"1•11 ntc•O dta 1~adução e drcwra.;,:ilv r: J!':.-s.1:t11;· lri ,- ,..,., .:.c"~7~pD de ;:>::is1çc ,.s, is tô i>, .=. r ei •·' 1 "i r>tii~ti\o•~s er'Ltre ~ ]X)sições dc!'i ..:ig.:>.:1t 1<1-::
r~ qual elt'l s~ romlil".õ · í111 1d :-; :11 •:p:)L
rn :::utrascoisas, c<:Jm vs ··~:Ji"l:.iO.o\ 1;ó 1Ct'('X') ;:i~ i:IS comi!i!:Õd n çirn~''")(I:; q1 . 1i 1;1 h 1~in 111 ~rn••.i..:; ~t11 r .;.."1L1!.S d ~ r• .(;.JWP'l 1..\1.>, i11qliddv res, r12acioná~os .'! mo1,'~rl.')~C!5
0

••

iJ ' r.lr.nc 0 11 ~ cdéquios, onde se ei1W11tram ~ dií P.ff!!ll :"S fra.çfl....">S:•~ m m <li> (ur~õl.l5 dl'! n ··"dr, ~;· oçeio 111 ;d moo::, ~ 'lUl! rdi\r~<.:; 1 , 'i!o!J ll <l ~1rutuJil do campo das Comarl;is de pr>&lç.â<'.J i '· ~16giGL'l5 :
das cslral~tJ1 !t. .Jt• M1-:.1w1~1 são di:ls óf érenles {TdÇ~ (lll"· ,.1.. dt>.E.empcml1e1 1 ITU~kfcl d 1 ,,. ollll(hl ti . 11 or; I\

124 .
l •) f',
APÊNDICE
A é·o rrost>ondênc::ia entre as chances e as aspirações escolare5
Cli11nr.-~ P<!f!C'!m Aws..""J rln-. fi!ho5 à mtl•Jersxmu\' ('I) 1 E~<ibeloom::~o illn itj(lc.h1 Seção alrr1~d.1 1 Ntvd almejado (5)
ª'*°"":s de t1 ( Xl' LI {:ir11t1lc10 oo
ingres-sc l'1i'l i·• ~!:.!) (qu;smo d:o ingresso n~~ 3"
acessa "" l"
(5) s..~~) lS•
sêrie !3}
h (I iv.l Nctrmal •Possir..-cl P<_~;j._'ç~ l~lp-05- Semi ~C.E.G C E.S _ IUcai S=m rr,;11.:;ai Nhic?Jr.. Olãssi ISem C.i'\.P. iR F..P(~. -B?.w:i.racl:Uplo
i?l'"ISiJJo llc'.:~1i 1 U"ii!S m:JS .s1\ll~ n~.('t<"St rP.Spos- e 11','J 1'.1'1 r~pns- \ IH'(ll " ma ~P.
~•11'3ior oo 3" bem 111tilto l,1 a;rirnn- lt."I e.cm ~'l'r:irio
fh!'"H'1G) sôrie difrci) Ui fKil <-liUit"t 1 (111'.&> sup
111 M 1 ·~71111]
~r;icdcores .
1
1G.>JI .1~11 k ck")S 2.7 6 ,8 13 33 z:i 18 26 29 1 :fü 17 24 27 181 !m 16
~pi 1:"!-l•kolas 8.f) 7 .7 15 33 z~ 18 26 29 =~() 11 24~-
27 1~ ~~º 16
01Jo;riu11;-,5 :~ ,"1 9,5 15 1 u 20 2ft 1-'> 26.1 M ~H 21 28 :n ,1~ H 23 22 :n 3J 15
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P'arrões 1n:l e i.:• lm
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_ P. BOURDlEU. J. C . PA';SERON. l ,{] Reproductio n, Pilrist F..rl_.de Minuil, 1970, p . 260 .


. QJcuio efotuado no Centre de Sodologce e c.ffopi:erme_ - Fontes: l.N.S.E.E. e MLnistere de l'Éducotion Nationale.
3. U\l.E.D.. Populatíon et l'enseignemenf, P<.~m, PresSees Univer:;iktirf'.s de Fra ncc, 1970. P- 249_
4. í.F.O.P.. .Enqut;:te otipre~~ des lamines de ~a n§n fon pcr"i.~i~nne (n = 393)~ seh~mbro de 1968.
5 S.O .F.R.E.S., Les França fs et res r>rnblemes d~ l'éd1Jcation nafium.rle! junl)o-agosto de 1973. Ne~ pesquisa, os industriais eos g'l"õndP.S comcrcianks
são considerados conjuntamente com os 4 Uiuiros superiores e. os membros das proíissões 1ib~is .

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1. AS LEIS DE TRANSFORMAÇAO DO CAMPO DE PRODUÇÃO
OOS PRODUTORES E DO CAMPO DE PRODUÇÃO ECONÔMICA
AS DEFASAGENS ESTRUlURAIS DAi RESULTANTES

T odas cts p squ1sas de nlobihdade. 1oda5 as cornparações hist-Oricas


1

considerarn como fora de questão o que d e.veria constituir o objeto central


da in1 errogaç~o . ou seja. u. perman(}nci" da relação entrP. as pq~avras e as
cr i.-as . ·e ntre os diplomas e os cargos, en·re o nominal e o real; qual sent~do
haverá ein iden(lf]c.ar o professor p~·iml~rio de 1880 com o profos~or
pr1mário de 1930 € com o profe.sso:r prin1ário de 1974? O filho d~ um
professor primário será reah n~iitt:!. fflh o de t in1 profoss.or primário no
sentido em que ele próptio ê prof~s.rsor primário'? Não será que~ identidade
nomiHal oculta a disparidiide real:? Mas Isso nãu fd tudo: na luta }ntre as
dassl':?.$. os dominantes podem pagar com .:-at1sfaçóebo reais ou nominais
{q~e. do ponte <le t 1ista sociológico, não sao m eno s rnai~}. ]s o quer d;zer
que:, se a ldent;dade nominal pode encobrir a c!Herença TeaL certas
di-erenças nm't1lnais pode1n servir para n1ant~r identidades reais: a lógica e
dos que ··clasecnpenham o p ap el de''. tv1as é ainda simples demais: n~o é
impur.emen Le q1.J~ $e paga con-Lfalsn s promessas. Ter o riorn e é .sent lr-se
cem o lilrejto d~ e:.xigEr a:; colsas que, normahnenEe estão associada~ a t~1s 1
1
ptibvras. ~:;to é, às prátkas {por i?.xemplo, o efeito de 1' estudanttzaç..~o '
e.xerddo pela escolarizar;ào nos C.E.G.) e aos corre.spondentes benefkios
n la~~riais e simbólicos {sao as reivjnd)caçÕe"- salarje.i$, ele.(
As ceor1as da mobilidade reduzem íl rnobmdade ind'viduaL por um lado,
o qu~ e o produto da mudança do a )are lho de p rodução do::; agentes
(sisterna de eri-lno - SE) e. p or out ro , o que dependl3 da transformação da

1. l:;~r.'I r.oL.1 de Lraba'._ho, ba.~nçó e pr~o:rnrrw ~11idul 111 r ,1· "Jr'..,.ui~1Cls !')f'. • 11so ~1 1L.!rnL1, cem pc) f1111 ã.u
,,f :• 11 .~ <11:'(.ll~~o, ~ob uma torn-.n pro·v:st:ria e rnpida. ~s hivól~~ ::;r.;o:..ir " .~~ q.~ 1:; n~1;,J1tso1 1111 1
1-;:;: 1j11nk1 ,J<• 1~.;·.,q~. 1~:=t°' @! .anr.il m ('r.tc: O::: &KUl1'!::::ntC6 estão ni p:l.Ti) ·::onlr~('jl;:)I LÇiV u s 1·: f.,;: h s
Je: 111 :.'! Íc r mul.:içilti , m•.Jit.1 •-·~'7r6:,; . 1:1i ~; \1n 1 1~1 b .1~ ft'l11Jl 71!': .. p ,rrnr11.<;!"1t i;a t<-.Ól~::as d e;;;;es pr::::<l•,JIC~
1

d;1,Jl~11~ ti5<1 · rJ, drr1biilhr- de r<'lll I po: ·~ f.1{:i liL, 1r ,, rt>·1!1rlicr.~iJ1J du..-: \:m t ·1~i[1':{. 1 d :.is1Kr~.:1r>:fo o,; c.k.ij~tos
do ~;;.:;' r.>O ;.• 1nt1~•' e• t:OS .:l•lrn 1nla, d ... o.•h!e1·;.,o~.lade !'J.:I rC' a::; q •:us inooe ;:i ar:.<Úse En :::;nlTl!~r~.'1 ,
r,•,; µruxímo 111'.t.~L.'I'• ; e• ti! ••" ri"·' '~ )t ... . h• lt.il,. •111,h n,~li.tn ':o<; ~10 qui'l<!ir d .sr; ~'rc•gra"'li!

l '} )
estnLtura ào~ postos de [fé}ba lho, ~sto é, cia trnns:OlTnação do apllrelho cle enslno e o aparell1o econômico ~, ª-m parricular, da tensão e..)tru1ural
econó1rüco. O matedalismo su1nãrio que. reconhecendo aper1as o deter- que resulta do fato de que o ststema de ensmno e o aparelho econôn1ico
minismo tecno ógico, foria das rnuda.nça.- da máquina o principio das obedecem a ~ógicas diferentes e Iêrn 1 por esse n1otivo. durações estruturais
mudanças de proris.sáo do~ agentes que e.st~o a seu serv1ç-o, esquece que º
muito desiguais: na lógica do SE que restde o prindpjo da defasagem
os aparelhos como o SE. que prcdu~wm os ~8enres para a produ ç8o ~ têrn estrutural entre o SE e o al)aHdh o '2 Conômico que dá o funda meniQ objeEivo
uma autonomia re1aUva que est..â na ori-gem de efeitos de histereS·" fo.g. o i-±0$ jogos estratégicos dos agentes-.
SE produz literatos~ enquanto o aparelho de produç.;o exlgirl~ denli5tas). Os- tn [ºresses dos compradores de torça de trabaJho levam~rios a
A. exp1kaçào pe!o deten11in is1no tecrtológ iro é. sem di.:1vído. '.-,n toi reduzir ao minirno a .a utonon1ia do SE., colocando-o, assim como a
menos verdadeira r..a ff1~dida em qu-e n()S dMghnos pilra setor •·s da famiha, soh a depertdânda dire.rn da economia ~ nesse casa, a <lUtonomia
prcdução nos quais a impmiância do capital cultural investjdo º- rr 12ilm- manifestá-se sob a forma de defasagem tenlporal entre:~ a rapidez da
(por[an to , rnals verdad€ira para os operárlos sern quallficaçd.o cla cc 1~srn.~­ evo]ução do SE e a rapidez da evolução do i.iparefüo econõmíco (dat
ção do que para os técnicos em e'etrCmica). É. n~c~ss.fuiô 12...-.capar aos dois por exen1p]o ~ a voncade do patronato de encurta r os es udos). Com o
ttpos d e l'{::xlui;.:ão: ~o jogn ienrn~ a5 mudanças cio aparelho de pro-dLLçilo é crescím~nto do papel do SE na reprocluçi\o esta escapa não só às
as liludanças do ,sj~l sma de eris1no que está nà origem das dere sage:n~ l2r:itre farnlHas, ma5 tarnbén1 i~s empresas. O qt.h2 k~va o SE a escapar às famílias
os habitu.s e as estruturas. E.ss.as defasager.is devQm, prntamo, ser co~11 - faz corn que, da mesma forma. ctle t&Scape à economia.- Com o SE. un1a
preendidas ern referência ao es ado e- à hist6ria da. re a·çáo -entre o si51erna ~nstãnda sociahnerire pot ente chegu a fundonar de m.a-nelra relativa·
de ensino e o sisterna d~ protluçáo. mente ind ependente en1 relação à ~c:onomla. Aparelho de produção de
t. prec1sa.
então, anabsar a relação º-Tltre as [G-is de transforn1á~ào do produtor.e.s com petentes. o SE é tarribém un.1 a.parelho jmidico qu~
campo de produção econômica ~as leis de lr('Jln,sformaç§o do campo de. garante. a .e;ofnpetencia: a massa dos ágen.ies, cujo valor no mercado de
produção do~ produtores, ou s~ja , a escola e :=:i famítLGi. sendo ql~€ ã escola trabalho de.pende da garantla esco lar , tende a constl'!uir un.La força soc ial
1'~ncle a oc1.J par lugar cada vez n1ai.s importante. na medida em que o
l JlTI cada v-ez mais lm portan t 1:1'!.
~p~relho econômko se desenvolve e ganha uma cmnplexidacle cada vez É preciso distinguir a Gconomia, cuja diriâtnk:a própria está no prãnd·
maior. Nos rncdos de produção mais an 1gos. nos quais .era rnenôr a p~o das rnudançãs do sistema dos cargos e o slsten1a de ensino que é o
quan idade de capltal cultural que estave incorporado às rn~quinas ~ ~os produtor principal das capacrl~des técnicas dos produton~s a dos diplorn:as
agent@s, a~ rnudanças do modo de procluçao cocndnaai..1 ~rt 1 mads rá pida 12 de que são potiadores. Cada um dos dois sistemas obedece à sua lógk:a
mais din~1 amente a rr~udança das re[a,ções de produção. Em um estado do própria: ~m relação ao sistema econômk.o r o SE te1n unrn. autonomia
modo de produção izm que e muJto grande o cap~tal culhu-a] jncorporado relativa ~ urn terT1po de evolL1çâo próprio ; difere:nter11ente dos outros
nds máquinas e nos p:-odutores que fazem funcjonàr as máquinas. o ,sjgtema sisternas . o SE tem umfl auton_om.ia rebhva forte em rela~ão à economia,
de ensDno te rna-se ci ins . . ãncia drnninan e de produção dos agent12s. Ora, portanto, un1a duração estru.t uml parttcularmente cl~da~~dã 12m relação a
por exercer nã.o só fLmçõe.; de r~produção da força quaMicada dº trabalh·ô ela. Uni a economia capLal•sta pode le r u 111 SE parcialmente medieval.
(que chc1marnmo5 pa·ra ~irnplHk.ar! função de reprodução técnka). mas
1 Segue-se que o jogo entre os dojs si~Letn~s, que se lnan1festei. através cio
também funções de reprodução da posição dos agentes e de seu grupo na jogo entre diploma e. cargo. ~alvez não hmha pniceâl'.lrtrns.
estrutura so---ial (função de reprodução .soc]al), posàçho que é relativam ente A caract(i!rí~tica pen1nent€ do sistema d~ e-ns~no no que: diz respelto à
~ndepencle.n~c! da cap~ci<lad12 propriamente t~cn ica, o sisrº 1ua de º.nsino relci.ç ão q'l.L~ rnanret: ) ·tom o ap21.r121l 10 econômico reside não no fato de que
dep ende menos díre tom.ente dos ex~gêndas do sis temr. de produção produz produLores cloladns d~ llmi:l certa competência técnica (da qual nao
do que díls ex~gênc:fas da reprodução do grupo fdm iJjci r. AIQm dbso. a l~n1 o monopóho), n1as no fato d ~ que doLa ~e~.J.s pro<lmos. providos ou
lágic~ esp~cifka do sj~tema de ens ino, tal como foi d~scrirn. nos traba1hos não de ~ J tnà competenc1a récn ic.::t, tecnicamente n1ensurável . de d iplon1as
antedores~ faz con1 q-u12- ele tenda a se organ~zar en1 Ílmção dos hnperafrvos dotados de um valer lmh.rf!rsal e r~br1va1nente bnemporal. Ass1n11intrc..~ uz
d'2 su~ pr6pr1a rfl produçã.o. o que o pred~s põe a exerce.r a função de o prindpio de unrn. au'onomia dos agentes eccmômícos dotados de
re.produçac social. em vez da funçi.io de reprodução técnica. \lê-se que a diplomas em rnlaçliio ció jogo livr12 dci necessidade econfünica (assim se
i:lnálise das Jel:s internas do sistema de ensino con10 campo relativan1ente QXplka a hosUlidade dos a.gentes dominanles do ca·m po ~conôrn~co e.n1
;_=iutônomo e a ccndição prév~a de. toda ariáHse. das rdaçõ~s ~r)tre o iste:ma relaçào ç\o SE, mecanismo coletlvo de proteção e suai preferênda pel.CJ:s
1

13()
diplomas "da cas.a 1' - engenh~iro 1'da casct "} O diploma ··universaJila'' o epós a institucionalização
trabalhador porque. análogo nes, e aspecto à moeda, rran~forrr1a-o n i.Jm
•·trabalhador livre: ' no sentido de Marx, mas cuja con1petência e todos os n 9a:nmfü1 Dh,IQm~ de Esta.do de audioprotéaco
-e.sc-0lar e a. Lei r.• 67-4 de 3 de janeiro d e 1967
díreltos correlativos são garan[igos em rodos os rt:ércado s {por oposição insti.tudo1;3ll~­
(Pr..;.i:;Wer: _e dil Republiai Prú ~:;,; rn11l::;Lri:J, tr::.i 1'.I11.:-.> dri Edu::.1L.: 1L• N~ ic.nal,
ao produto ··da casa'' q ue estã acorrentado a um mercado porque todas çio di1 pro~u
Q-..:~~ S1.x:lals F.l<,..(" ,mhat~ll~ e Vil i111as de Gu~:
as suas pro p t·iooades lhe ·vem do cargo qu~ ocupa}. Garante uma corrtpe- He_gi.dc m12nt.:;ção dcr pmf1s.s.::J.r. cfo ~1 :.diopl'ócrJ: 1m.
ênda de direjto que pode corresponder ou não~ un-La competência de falo T ~º ~:.d::i il::lo'lad~ p1:tJ A5t:E:'111lilélei N;:.::-.ç.ni\l .í" f.a-iacb, ;.'ª
Ou rJa rc ismo merente ao certificado QS.Co]atj. O tempo do diploma não é. o da V rr,~..:.irl.-1nt, da Rcyühlir.<1 p romulo;:i l'l lei., o.~ loor ê Q ,i;r.;:,u iill e.:

cnmpetênck1: a Ob$ôli?.scênçia dus capacidades (equivaJen~e ao .de..'igr..d e da.s


(descrii;ão t
A rtigo :ini::o. - ~~r:1~11td<J a.o Cndigo 6 Sa:.:d2 Púbfü.:i:'I, li·.w N . l1111
do cargo) 1~11.;:!<i \/, (l~slm rooigido;
máquinas) é dissm11üado--negado pela i.nten1porniHdade do dip!oma, Eis aj um Ti~i.do V: Pn;.fi~~~~ d.e- çWd!o,om ct?ttco
faror ~upfon1entar d~ defa sagern temporal. As propriedades pesso ais. como '"1-\n: L 5 1o~t - s.- r) ccr~111..1l_ • .:<;1r"..Q f!o! 'i\.'l":.nda a profusão d12 <iudiOPJO-
l~il.XJ tcbls M pe.::s.aas que -p!'oca:iem <i tlslàlaç.Jo ~ d(J rl.'J 1(!o$ o 11 L<'.fü~1~lle;
o dip]oma, são adquhidas de uma só vez e ac;ompanham o indivíduo al.ditivos.
durante toda a sua ·vida. Re.sultcl dai a possibilidade de un1a defosagem entre F.:;.__".i'I np<'r(l~O c.::w-.pmende ;:. escolhn. b ~d.li• l8~·· o. :) t:nl ~.;.o, e ~L nlrd e

G)S compete?ncias garantidas Pºlo diplo ma Q as caracterlsiicas dos cargos.


d~ efü:~c'..a irr:.a!ill~d e f~J'll.\fl~ 11 e da pr6use a.•.dll!,;a .:. a a::Jur rlÇáu r rolaira do
.-:11!1....1~1 1te a~dil io.'O UJm apilridoo
cuja 1nudança, dependente da econc)n üa, é mais rá.pida. A w lciC';'!Çni:::• rl~~ cada ap.ardl-Y.:i de prótese iluditi•."a ê S".bmel.xlt!o it rmt~:-t'.('.10
mã::lir:a 1;d:~..i n -s r:l.:.-.ri'irit6rii1 l"'tt. e 1-v~·J l'i.r.. •••m af)<l~i;:loo, ç.p6s eo:i'.lm e otol~iceo
(crta-ção do ;) aud!orn.::trko cç.:nru õ? t,ICc-.al.
dlploma~ Ait L - 1()..~ - F. cria d~, () dlplcrnLi ::le &ttldc de .:iui:h:iproi~_litrJ, 1) : 1r~:OO.:.Ji :
:.i.pf...:; .:>311:.dcs pr'2J)~ralértos e ).)l'tlY'•i' (:tJ~: • ~l'i'~i'lma ~ fix:~ti per da.1"lD
Textos de ilustração ;:;ti:.inwtld:::. aci 1-:.am:;c!f do r.)JJ 1i!:tro .d:>..s Q\;P-=.100 Som~. ::lo s;1h 1islro 4~ &.! '- t..<;r1.r.
N & io nl'll e rb m:ni~lro dolõ E.x.-Ct.?1nht.1tt.:Jlte5 <:: \/il:imiü d.;: ÔJ~.
antes da in stitudona liza çio
"Nin_guém p·Ddi.!rii t:!Xi!t'cer i"I prr:fi ~sbo d • 1'1• ~= lh_:. µn;:;M1h-x·, .')1~ n~/,) for titular desse
~Qxllfkaçtin das dir km•il í! o:fo r~1 :lorn.:i dP. Fsado d.õ? douto11 em medicina.
rela~ d\:. fafo •·p,~ L S lü-3 . - [ A lituln· tr,:iri..~~tório ::: par den:·og~tçílo ilS ~1.:QS1~~ ~fo
Le Fi3oro, 2 de feverei10 de 1973 enb'e o diploma .rti!-lf) L : l O-~ acim a. esrao tmbili':ilcloo c:.:nt~ 1111,!.r l = ('!-..RY:;ci1:> ii.<i µ f~o de
e o cargo) ~udioprol êl~t>·
18.000 protéticos dentários à eSpêra ·· 1• i\s pe-.:~ rmmit.los <.-lt: ~ n c«~rrl!l~ de e;tw:;\:;,5 t·§cnioos de ilrÜ~lir..i
i!l~!.ci!da. aC6 apan~h05 ·'2 prõtesi! .:: rliU\/o r:x 111i::;;iJ~ }l~s f;u:~ukfad:::s ôe
de um estatuto profissional m~ia1 li'l. d · fc1m .~la r.ii.1 ;ao.l!.daci~ ntis'ras de ine:.D: ina e-<l'=' fdh:I 1ki(I:
O 3" C:::nqr~ [n~~:1 ;.:!..:~;,~I dr.i Pr<il 1o·s~· d~ ••;p.t•d.1.i.(, •C.ín M ~!'. . : '""1:c,v.J,!r • d u c1 fo.11 .:li.! "Z~ $;:?b Tes€r\.\!! de :s~a 1L wJ:r;Q'\1ltdo'.\.i;; riar uma~~&:. nadon~ de quaf.ficu~'k>,
0 ;::1Lánn. 11u l! ~ E.Í-:<ri;a n es:e rri!J!n imtc. !li!. r -:~ul..imenla~ãr:i. est e r..,mr;. d e em;mo 11iio t· r qu1,e :--0'~ •l'L~triuirla por dt'O'a:o d.o rritnis'lro dru; Q.:mÓ"S i !.'..$. .1~.r,td:i ao
Mais:::-.'1 de 11ü d i!rnie. ~11 1 P11rl~ t:::ri~cEU ~ 11&-: 1'1 du 1>',•r.~p.,1(Jrir). Al<!n 1 d:.= :;e , n.10 oom11on ~ pa1-.2;:er do rrW::i.'t:-lro dd &!A..!•<•~ ~adí)11i!l L~ d::t rrunrStro dr:~ Ex ::crrh:íla::J.13 l!
p rotiss."iô ?.! o c.:isiáo d ::: expor suas difl.culdades nenh um<i "pnss1:1 rell:'." 1xu<i :.: én.s~11rj :,.q -;-u-ivr 1·, \.•'i füt"'iét!i d.·:? Gu~~ . .lls pes.sr.05 q•m ro:npr: y !Jl'J •) t ,- ;;1c<.cY!k:lo. ~~1mC'.11t<?. frl
I N deccrr~ I" çonf.;;-r•·r1.~l11 de l n 1t'irç.r1.~.~. 1 ;:'l~l­ c-tr~ p.-1r1 1r'IJ.13:r, p ari!. :is P3t 11Llos d1'1u:í1ic-s. -;-.· i1 ~t~ral/i;:i do;,:. Mpdl'..:lh•J& (•Jll rli!flr:wnLL'S ai..<ditivc~ durnnl~. J>;!Kl n~'71ct! drio.X'.i P.)Y1•,
ca1ida on le111 Praru;.a, d cznik1 mil pri:•I!?1i1z:i~ csião ,, ~p ·e. rint;;s d--. rrot11Ulg~;:oo da lei t." 67-4 tW 3 d~ l.)n ·~e». ir~V17;
N'>S:li:i r1n>lh~li·) - ( 1~..:-l.1r::~ i'lm. '111 11'!-l;ll)'I: ! d~t! r i•Jul~ill..!J-'it.<i.:;lt< . />i. 11dtnlnl~\ri'l(lin. diz<-tr.
··~ $(f. rP.S<;!11,'i.1 d~ r,:1~rc1n n n.; pro.o:l.S ds um ~rr:tt: prt>fl~ ·1<.111r~ t 11 !":hi't1~~.
.1 • .
C6 í o2'y í '25€'1l[i)IU •'?5 u:J~ p:r c~e l~ CCl5
l . ..! . -
"'" !w-i ltaDtf!ITI ~e-s., '1 . 6 vá:'ios .:mo:S que •.·ei1 1fo~erxk~ :..:'.Jvkl~
1111 1 c·,lt11tuk1 NP.nhu mi!I (lu?Jltlr...:iç~.1.;: 1~-.rtY.ular - d~ 11 1~i::~uior" a tal r i·vin:b::a fü.:; :.:rn. a foll. d~
p ::r:.nn1o. r«r:..~um.n [ió!':.tnli~ - t• "''°;::X.ló a ~1u~m 1:11~11-o _ ro::i(is!:i01:.ei[ s6 IXlcl . 1>111 nh11;r 11,:,~ ~ (reguL~'"'-'liayüi1
"l\rl. L 51 0~ . - A t1l 11.~l=-ide pmti.ssion~ de ;Judiópr·:::ilê:t·:ó só [YJdcr6 .s~
l •' I m d. b-.1.:i!.;,ir 111 11 i?o~ra16rio e. )1rÓI L.:S.f!. Para 1i nt111 1Wl'lt C1fi rf ar.tário !l d" m~ quài:fode das oondiç.ôes •. ·mc-..1:i. l!m 11111 J:::CCJI re.serv.Jdo J1ill L lal hm ~ ttii 11 p.Y.1::: d1~ 7.:or~o ::om as
~e :on-...1r p rotético. P.. pre~.:i. apb; e B.E.P.C.. de exercido) on:liç6r?S f1:-.L'ldm: por rJ Til.o. o fii n i;l1~ Th;tTni;:ix r:; FY5Licil dil ilud:.::;,Jról~.se
c).;il · , Ili ~r~ 1'1 1IQ!; ··fi~ .1 p , :Xli?.'i!:wrn 111n ('. /., p 1. ~I... ' t 1. l.x1.. i:n~t.'\?i l t.! J• r~.,.' ..t'-t41\.: " lr ' n11 u. i: 1.11 ••l• r!d111:.d ~ ·~ sl!guooa al[neil d.o ;:uü:.:io L 5 10-l
em s~±.!il. com outros d.oi,s anos. um brcv!•( r l'f'r(rc::s :-tn 1'"1t:! ~· •.r l l', '1 i rr ~~~ ~ w• lt· 1 .11.· ... , ' i ...
r.
1
i

1< 1A.....JIL-.!. J. r: :.ri..• l! .-rl .1!>!!> . An L 5 10-5 - p-tL)ll 1~ô :) alug1.;;:?l. ilS ·.•emiai: ilj[j~< rn~. (I~ \.';""11d:-.... fi1t""
rol lí-~11>11éil ' 111(' p: ifi :~ s r s~;JIC.0 par ui n i'll ;,,.)
ne dr ~1 1 1on~-trilÇ~Cl·, as i.112ndas <1 dcmic1l:.:.1 ~ p:.;[' cvrr• , 1~ ,11!J,;~1f'1i!. dP. apae-i.!111 !i
de prótese auwli·-·~.
~sistema de • LI a' ~ 1:
sanções}
.•Vt. ~ SHf-..1.J , - P.. su.;1 t'n!icio l e::1pcr~ria o·~ rib~c•ll•'.a do l '>\1.: td1.,"11":- ~(1
I~ of'.:;são de i'll 1dmpm:t~ko r <l •r/;o ··;; l)j'(1niÂn .l;,~;is pdos rribt.nais, ~::es­
S[;{ii'in uznce <1 ~111c1~\.lUcr p e11.1 , ~~il crirni!"l:l..l, sejil correõon~I L·:.:r ~ •'Xl-i·lf~J.
n ' "t(' ú.tlnJn rnsc) 1 di)s penas que c~mp:;:;:t1:11 11 ~1f)ün;:-.s m1.;ILiJi., .
A l1~";'1h.: 1'I f..;"'!'! f. "'-'<Cf:'.Jtl')::lri cx:m:;:- ll?i d~ E::t1.u:lo.
:,l.:,, ·~ ..·11 ! O/ f1r l.::d rlro q. de jm1 ·i:ro d(' ] <;r,:. 7 1~ jj'!J.1 .i~tl q Of/1:-:~e..I de !'[d~cêf !ot~
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NLlt 1011'2.'LI 1~·j d" 19 d~ ~ ~iwiw dí! 19G71

l (j2
2 ~ O MERCADO DE TRABA.l.HO E AS TRANSAÇÕES ENTRE P rofissões de 11epresentação e rentabili.7..ação d o .c apita] socíal
.D ETENTORES DE DIPLOMAS E DETENTORES DE CARGOS
Eco le des cadres )eunes fiUes
Para compreender como se esl a bel ecem 1 na práticai as refações iantre
o sisten1a de €nsino e o aparelho econõm ico e como se man)fosta, de: forma kECEPCJONlSTA
práHca, a autonomia reJatJva do SE, é preciso tomar por objeto o efe rto Ser r.c.t:ep.;:~;:i.;ii!ilo ih, 1J.l1.çlr b:.:\P, uITT.J das p~c: f~E!' S{lr.hticla~ pclils 111oç.tt.: ,. ~. nn!f C:.-!'Jr 11~ti'I
ern ser.,iiç:..;. e d. r'~p~ ""'v11c.m1 ;-" cl,Ql:.:f!.n, a gi-an..1~ familia, e .1:; de:rn.1,s sflo iu l3~: ló p31' rd~r.f.:!"l~.!.i'.l a
próprío da gcrran t~a eseolo r SCÇJbre o me rcaci o de t ra ba iho (definido como
t
•!lii, 121:.Ião. 11 ~uico in q:órlanle qcte 1;?nlt.,i u11 •·l i!!l-•r l!!!.i-t'fll'f'í"."iíO l!rr.r-.pr"-""':...""L~i..,el.
sistema das r-elaçóes ob~ etivõs que con1andan1 as transaçóes que se op~ram., - :V.i!i: 1Lt!•"!.Q•~n ~ •.hsc·fl!ca. s.:!m 1:!5'.quecer .qu !! ci u.:r1iforlt.e \•er':rm::.lh.o d A r\') , r:-110.,
na prática, ~tr~ ag~:ntes detentores de diplomas garantidos peJo SE e agentes
- ou instituições ~ detentores de cargos). A ··articulação,, das lnstânclas não
~ssa de urna paJavra fácil cle articular enquanto não 1iver sido possivd
compreender a lágka e.specífiC4 das lnum-eráveis confrontações, todas dife- l 1 ÉCOLE PARJS[ENNE DES tlO'fESSES
rentes, mM todas igua~nente necessárlas, en) rderência à posição relariva dos [A .ESCOIA PARJSIENSE DAS RECEPCIONISTAS]
agentes envolvidos nas refações de força que ~e estabelecern, em urn dado l>Y~p~1r.:1 r:::.a~a. LUT.o'i nova pm fi:;s[i.c dl?';;':i. ::i&t i'l \ llTI ft•l Uti:) }Jrc11 1is:i\.I' P M'B J~~ .ll!i d1$1"1mas, imeligenl es,
.:.prt.'Ciil<l~i!.S dl.lS ~l~lf,>~ f;(J~"~"- Um número cc:idu i,.'1?2 m:ricr dé !:?! r· µr""tJO:S dll'í> íl·~~h~ ~l~i!.a
n-hom~ntc)~ entre os d~tentore.5 de determinado d~ploma e o.s detentores de
of1">ct1?.dci-:1s r..<1 Hee1?pçào. Ú1'gjlniz.."1.Ç:âo E,xpo~lç.ck.s ílclnç~ E."tt12rfores e: trrl cr...:as e"
lirn cargo. Nessas transações, os vendedores de força de trabalho tên1 uma dcn".!.tti0$; oorn~d~->,, i1ulú~trl.a, turimno_ a dmit:tístraçãa; trans.i;xntes !L1iÉ:reos.
força nmto ma1or quanrn rnais •mportantº for .seu capim] escolar como caplral
cu]tllt't'l l lnCOf(JO ado que rcc.::clJ~U á .SanÇilo escolar e, pnr e$Sê molJ·...-o, ·é Stá
juridicamente garantidc)_O q1J~ têrn para cifo:rece:r no merc;ado de trabalh? {e, Assjm, fka demonscrado. d~ passuge1n 1 mas na prática, a inaniclade
111ais an1plamente? sua ]cientidade social) pode se reduzir inteiramente à da oposiç.àa escolar entre a análisie das estn•turas. . . . aqui , a anáitise ainda
capacidade lmpllcada no fato de ocupar um cargo (engcBnheLro '·da casa''} torma! e vazia das re)açóes entre o sistem a de ensLno e o ~parelho
ou, ao contrár[o. a.o diploma que possuem e que, e1.~12ntualrnente, não ~conómíco - e a anáhs.e pardal e cega das eslrõ"'é:gia.s - .aqui, a análise'. dos
contern qualquer ínfonnação ccmcêtl'.ent~ à capar.idade para ocupar jogos ~ deis clupbs j agos possibilitada pe]o jogu ob~eti '·!O da. relaç.§o enm2
d'd'2rrninado cargo (par .e xemplo , agrégé,., ou rnembro do Conselho d~ o diplOJTia e o cargo: i:!: sob a. corJdição de construir! por tm1a anáHse das
Estada}, sE!ndo que numerosos .a gentes {sobretudo. nas da5ses médias) têm estruturas objetivas., o lugar onde s.12 engendram praticamente as e.straté~
prop1ied~des que s~o devLdas.~ en1 patte, ao d•plon1a e, em parte~ ao cargo. gias, que se pode .e scapar da irr~a]id~de da. articulação teoretidsta das
O va1or que receb~m no mercadô de tt·abalho dep~nde tão nm is ·estrita~ irjstânclas e. ao mesmo te.rnpo. da abstraç~o Mperernp~rmsta das de.scriçóes
rn<?.nte J e seu capirn.l es(o]e.r quantu tnais rigorosamente cuJlfi.ca<la for a lnterac1onisras que, sob a aparência de voltar às própria~ cois~, to locan1
r~la~ão en~ re o diploma e e cargo. Ao contrário, quanto ma.ls íluida:s e entre- parênt~ses as condições estn~turais , prnianto, o verdadefro S8titido,
incertas forem a defin1çã.o do diplcn1a e a do cargo. portanto, sua relação. das estratég•as analisadas. Desde qu{2 o pb·obJema da relação entre o
corno no caso das novas profissõés (p:rofissõ~s de representação, etc. ) 1 diplorna .e o ecirgo é apresenmdo, a:;,sim , como manlf?::;taiçao, no plane da
mai5- espaço sobra para as estrat~gi21s de h~efo; ma1s poss1biUdad125 terão, exper'ência prâríca, da re lação entre o '' ten1po " de transformação da
por exemplo, os detentores de capital Soodal (relaç·Ões, hexis** corporal, récnka, da .f:!~onGrr~í~ e da escola. acab<:i·se por ver se reintroduzir a po 11ítka
etc.) de obt"er tun ·rendim enl o elevado de seu capital escolar.
1 (caso contrário, abaridonada) sob a forma d~ estratégicrs ~ndiuiduats que
os agentes utilizrun para se defenderem conl ra a ~xplor~çào ou para
P..'Xerçê-la - nas. lLitas de classe cotidiémas - crnn o intuito de obterem o
rendilnento máximo de s-eu:s djp!omas ou tlrarern o maior proveito de l:!et.1s
cargos: ou ainda, sob a forn1a d€ estra t égias co.íetiL a.s, uLillz:adas pe los 1

sindicatos que visa~n estab ~lecer, pe1o conflito ou pela negoc~ação , uma
relação garantida entre o diploma e o cargo - ora, ta~ relação é, a r;ada
~· N. cio R PC55:Ja :iue -::i~·~.;:\•e &'\.ili:;. nu cc;m:ur.m rlr:: "<Jgri>:;-:?Lir:m··. lor11.:in;:l~i;!, 1-.;-;::fo11Co, r:-::i;l ~dr:.:n'J momento, o objdo d~ urna luta, na :medida em que os vendedores de
d a füulo de ·'ag;rôgt!" e füula:r do p~s:.::.i de.' rafo.s~or d~ lic!lu ou de focuh:laie:.
rrLlbalhb tentani ,_ 'VaJorlzar seus diplomàs'·. '2rJquat to os compradores
•"' N i·k.1 R. C:onj~1~Q d<': prnpíioop,(j(l~c; ?..:=;!';c-~i.::id.~s ;:io u~o ..:lo rnrp=- em que se exleriotiza a ;posição de
dd ·~ de Ulfl• pG.s.St=-<::.. proc.ur m i0b1e.r, p 10 menor preço as ~pac.iclaclas que, s~ presume. s.ão
1
1

134
gardntidas por e'Sses diplomas (Essa luta i!. Lrm dos. prlndp~os de~ 1nflaçào As.sin1, os ah.i:nos das gra ndes écoles * são o exemplo por execelênç]ã do
ocanõtnicl!l). f _em gumde parte) por desempenhar um pcrpe i' de te rrn~­ pequQno grupo que dev.i sua força à 1m.port~ncia do capiml soci.z.] possuído
nan te nessa lu ta ~ que o SE cori stjrui un1 objeto de uta pofftka: ~ula
1
1
p or seus membros.. predsamente. grQç.as ao seL~ núm .ero r€drJzido - por-
que pode tomar a fcn.na. aqui também. de estrakgja faidi'v1idual - por tanto, de sua raridade .... e rambén1 da solidatiedade. que os une e permite
.(gxernplo: com ó~ esrr.atílytas d~ n~conversão que estão na origem dos que acum~Jlsm sin1bo.ka.rnente. e, muitas vezes, na prática~ o cap~tal q1.~~
p rocessos de inflação dos oelilficados ·e.scolares {d. P. BOUHDlEU. L. detêm lnd3viduclmente_
BOLTANS~\I e M. DE SAlNT MARTIN, ·• Les stratégies. de HKOJ'l\.'ê rsio n " ,
in lnformotíon su 1• /es sde nc-es sod(1 ]es", 12 (5) , 1973. p. 61-113) i ou A o rdem escolar eiu 1 985, segundo a empresa:
d12 Q:Srratêg~as coletivas {organizadas pelos sindicatos de: professores ou pais a utopia de uma univ~r~idade s ubmissa
de alunos e sobre1 udo, ·q.lvez, nesse campo, por grupos de pressão rnenos
1
visivei~) . Os mestres da e.çonorrjia rêrri intereS3<2 e:m suprint ir o dtp 1oma i\s Gm.ndt!s. Éc.c ,"e.s oor.1lmw1n !l.1mdo a A g:rand.:1 n·.:i~ dr.1. · -C1 1dri~: ~. :;:.n1~1ta-=>r
n:i t:i é "11Sll10 i:.·a.1 pETior No 'l!r.1-ll nto, ~i6m evdui- PJ:f?'. o criSn ::> supP.'!"iDr d~ •:una d11Jl)~f10, cuj1:1
e seu fu ndame nto, ou se,ía , a autonomia do SE~ interc~sa-U1es a co~1fusdo do rnt~l't.-:-. :.it, q n::ol<!nt,;id?.Jl .111111. rl ir:?;"..;t:1'!l1mt,• mls!'l:.i1) t! {orrn<ir o!';~ 1~.i.-:nlc.Qs o u n:, q1 1?.idrr:tj; ~i1e­
completa entre o dirlorna e o cargo. Desejam ter as capacida<le.s 1'écn:cas pt:ir<1 .::: p~ep•mlç~10 di.'>S ca.vro?irns tnd'"tstrt..:i:is. ::i..alizacbs dil indústria e do comércio. Um gnmde
produzidas pelo in~ rurnento de produ ção de produtores (o Si:), sem pCJJgar ;'~. U r.áV\!l'!lid:ute i..\1lm u ~ Stl:i. Vt'Jl'.:.t-i..?o lr.1- 11(11 ri.._'lf'() ( I~ !m;I li 1Il'õ!i, ~OOl<l~, •:?. ,1~b(Jr._,'kr.er-110;1
r.::· 111..:s1 r e$, T ~ido llqu~lc ~u 17i:bJit:os ou p11ram.;cr.~a priv<idas. pmpi4Ja -D!i jc·.ami;
l~ ... 1: <1 ÍL)t11 1·:-:,: ao
a contrzipartida, ou :seja, as garantJas que cónfere a ex~stê..ncia de um SE pretec: :1 ' d ·ica.r•5a il'.:5Sli!r1::::•.:i lmen1 E!, l!!D e.nsino t? l::i!Ya i"IEl m?.'1.5 d!·..~rsas Çnll'«it"oit5. A'i _~:,t.flJt JfF.1.$ pP.-
re[atlvãmcnte autõnmno (Le. o diplon1a) . O SE não produz compdênc~a ~ P<'~~· ·I~, ;.1roc11r 1> .;SJi.::;lrxi S:l•j;ti,:ric:.r J k.1ri3~ cfa56gicl.:S 00.ô conctbidl\S prira [JrnTiitir q·we op
1
dur.-.çiio rrur.!.5tra2a 11:13 b.cukla::les. ~'·'-·~n:; arf.:~.Jiram r!ln d:J!$ erµJs , um •xih 1m., d1~
(por exerrrt'.1lo, as capaddndes do engen heiro) sem produz1r o ( !Íe~to de ~pmidru:iil i? 1:-::inbocimer.it.G cp.1!? i.c.. co..\:Jque Em
con:ilçôc?S clt'! s~ adcipt{l.j'L~íl"i, rapi:fa1ru~i)~t!, A :;::1<1
garanlia. uníversalizante- eterrüz~mte da competêncià {o cliplo cna de enge- A t."4.~nltidclJ:'{\ \1 m1~ç..fuJ d~ Unh'l.~~idndç
flJ-:tirit jJTOfi&Jilô bsr) ,)i~r' fti:1.~. ~n p~rtiruh:1r. q~""
nheiro). Os mestn2:; da econ omia não se interessa111 pelo diploma que dá !'..:. fa.--.:!..!l::laJ~~ a".el .:ern um par--e! 111lj:lartCll"'r :.fase c.:..il:::cad:i na rCITili?l;ã:J prohssi.0nc1I e nil:::
{<!
ll::i', pr;ü; o:': i11 1P.J15u <t 11.rcimid<i.Ci:: d.;i r;m(~-.ireii. :~us ~· 1~ toor.çi:l'~,.. S ' 11::; pro;~ro1 1 1ó"l::i ..:: ~1.uirialic.J.­
aos agentes u1na certa liberdade em relação ao sistema econõ1nlco. Qua11to l\.c lado dos p1 of ~:·r-:g d:. en-c.fl"!;~ púl;:bc.:.i, ~ C.~ são- ce1-..cebiclos em -ssLreitL'I tlg~ rnm .::is
maior for a autonorn ta da 1nstância produtora de dip l.omas em r elllç"5o à. Jl :l'"~i'..ri( 1(}Ttfl.'ll' 1?Jt!.o~ {: ' q•.mdm:.: d A "~UCJJ.­ rn A~~leid~ (i..-.::; lt 1di13hk 1!'l (! r,i=i ~11(:trt.i1 d.:i
.:;.k· p~m:.õtn nte'' Tmm 5e ri' 11m.:i t:::.refo ~mcn· ~~fo ni:I q 1I~ i5liiO irnroir11"'.L>'...d::is C ' OI gr arn:Js IU'ITif:
éconotnia . n1anor será a dependência. do dip!cma qué ~ta as.segura e 111 ~.i1 .'.O:P.ils d~ u m q•,J~rto IJ~ f~qr)11lnçili1> 81iV'1 - - '*·· do i!Y.lt-,O dc-.;;7.lj'!'t:! ~. !'}Ili'\$, :r~":fl,rtllrlil 1urn CL"' q1J?1õ'iros
relação à economia. Daí. o soriho patrona! de uma e.scob confundlda corn .;,;rc~ l 968 - liEIS Utl, d~i·..-atr~e:r1Ce. CU;!50:S de prô- d..i.~ {tr1,~.1~~s n~:.oi ~ ( 1 qw f{ll,.'Or\.'Vé tdt»".l'.!
l!'~Ç~C:>, P ridnQ , m 2 10ntV! i;~t.i p mfiS!il!m;::.I i.Jrn h'"IS<~C- dO!i FShdal"'~ 1~1 \.id0 ô:6 11~'1Ó.".I~.
a en1pres,a. de uma ~sc..:ola ''da casa '"~ (d. Colóquio de Orl é~ns sobre ~ ciJmn:;~ csp~C- is. as urs:Y.C 11• turno5 d~ C?srnliJs A.s. JJr.61.11.:i!'l •1 11l [Jf L!!,~ p.-1s.sari:ll'•• "' :>•~ li ~~,m~­
•·forrn açao p ~rmariente ·· , 13-14 de no'i.~an1b ro de 1970 e d.ocum<mtos e faculdades. o u ~implesme~:ite mis empr.::s.as. Fl'lr 1wlt:1 vdL'I cl~t'!S ~1tJIX'-ler~m~1tos, <tos -iJUi.'lis
:3=tõ rr1~.Jl.:t · c~1m<:~c:;;~ :1 de-3 r.ec-~~X"li11 l,l.s ;\ !]te.f'\-
L:i;rta 1~:r.r:l17lt'l1rnt~1~61. jl~"J!'ll , =>L1JJ :-t. ~11m Alg1t-
anexos). Por seu· lado, os prodwor~s dº dlplmnas estão in~eressados em rl-? ma:orm de-:;, profes..:;c~e:.. fc:;:rmJdeies e mfor- rn;,s E.frtu"Kl~ ~Clt~des ~m ~uM pr6pri.as e&:.:cl.ás.
d ~f<mder a autonomia e o valor do diploma. Es5e interesse é compatilhado il" der'" ~- rr~CTI 1~;'lr1.'! km" dt>i:.:11sulo; 1111_ntos sliô
O utra!i pi!irtiopan~ indinztarr.Ef'tt-e da financt..1ml!fl1a
qu.::.dros das e:1:1Y."C::Eiti5. Mas é pr~iso fr:..rm;)r e :J!o! i;...,1(1L~ethw.:i 1k•s i..·.-:1~~1u1o:b~.
pebs p o rtado r e$ do mesmo . ..anta rna1s que S'?l.J ••..-alor econõm lco e soc;a] i't~í:!t{()jçCJar o;; 1::.::in.hL'r:!.iYtCnU'J!l :1..s.'i4S :~~ffil 1>'?S
Em gr.rnl. 8 predso p::!:Ji:'lr µ;:m1 ~L lilr zl.
d ~p ende sobr12tudo do diploma. O pod er conferido por urn diploma não o-:asX::ci~i!:: E:s :::- papel daF.. fa-::u~d~es..
M.:is. ?,10 l:i.do d;...s l~ls.Js. do .E.~ta.cb , ·i'.$ prtipr! ;:-s
é pessoal. mas co~eth.ro. uma vez que, não se pede con estar o poder Lil:wrad.a.s tli!: ~ésadi\ ~are:f.:i ~fa formar 11 err1lJre:>M i:'d.:r1.Jh:irv111 o l 1cibito d~ Hr1cir'l-:.:W)" ·~
P,·õ'ind. Jl)~~i1 d~ ~r..:~j;ó$ ti~ l:!COrLQI t~io'!' .;'::;; P..5L1Jdas d os jm •e.ns '=tue 1.:ír:ia a fa2F.r nr: ~ de $;zt.!
k~gíhnic (os dire~1os) confer3do por um diploma íJO seu portador. se.m Cmver.:.i &.de:. volto~ilm il :::m 'i~rd.<ii:iei.ra m::;
1~~°"~ - a q11~ .i ~ L:..i:·n.ou 1..;in 1l'i pra':k11 c::.:::-r~Le
s a - Lm l"l!;f)o.ço o'."f,;;i. L~~1U urn. ~iXl • •tro, f'h'l${! 111"'1'!1 nos Lli:<1dn$ UrJdru.
cor..H.~~ta_ • ao rnesmo t.en1 po. o poder de todos os por(adores de diplomas
•' •esenvdvi1fJl:!I ttr.· do.:; t' ·n~ :.ciml'nto.:; f·.mdi!t·
e a autoridad~ do SE que Jhe da garant1a. No entanto. s12rli.:t fa lso ver uma 1nt.1i ai d'1 sc-r~ d<iu•-" f! .~r~·pr!.:;e - 742 - 29 d12 nm1e111brn CE: l q.]9
an tinmnia no fato de que o diploma é tanto mais precioso (car o) quanto
mais ra ro .2. embora tenhc.. 1ao mesmo tem po. rner1os d efensores. De fato.
a força de um dlplorna não se mede pela força de s1Jbv~r~ão (port~nto,
urücarnente pelo número) de s~i..Js deten1or<2s, rnas peJo capüal social de
que stlo providos e que acumu l.am em d~corre11da da cUstinçâo que os
constítul objer.i\· al1'1enrn corno grupo e pede s€n rir també.nl de base para
1

agrupam.er.tos intenciona is (associaçõlils de antigos alunos, e, tbes . ek.}.

.. N. dr.J 1;: ~ [11!';:111 11!ç 1 ::?i. dr l'r.51111.l sur rri,Jr 1 irilí!l~'·m1211hs ª' ~ls.1 em;; ll'fli'.1 P.rs~I ?>.ria . 'l'. lP T<'l:JllL;'.Jlll F•Jr
• N. :fo R.: No Dri~lri..a.l. ~ e le- 1110 ls:J.'1. L~m;•~r ·o ..: se d~:.lrmm l1 'I' 11111 Ir (~Ires i1 ·l~:li.ti.'li:Si f' dh lacr)l !il6 <l!l rn: ~.:'lo.

136
A educação penni;tnentc e o sonho patrooal de uma esc ola "da casa ·· Os n1embros d as frações dirlgentes da cJasse dominante que, sobre1.üdô
por mten r.édlo das gra nd ~s éco!es , utlhzam a titulação em suas próprias
M. CEYRACfi
A escoJa não prepara os j O\.'ens para
estrntégias de reproduçáo, não podem con~estar abertamente a legitimid a-
c.on1prec nderetn a sociedade de do cerr;fk ado e.sc:olar e, as~im, privar os vendedores de força de trabaJho
da proteção assegurada p elo dip b ma sem se privarem de um insrru.rnento
Um ··cara a cara '' entte ,os diretores de C.E.T~ mul[O é icaz dª legi[imação do acº sso às posições dom inantes e de
e os repr~entantes do e. N.P.F. dissimulação dos modos di:retos de mmsm,issão do patrimôn1o. R~s1 ~- lhe$
11lltô .;!! 1)-fl !l!:ndirntC!i. ~J 1 1ri'ibalh~::lot • , sri:.J~
agir sobre o sis,t ema clas il'tstând J.s àistribuldorns de dip!ornas e tentar
k1rrn;;-1çi\o a p~rf-3i.çcamcnt · proth~k11v·1 :..::;, Re· con1rolar indire1arrumt~ a cofaçãa dº graus, favorecG:mdo as in.s tltu~ções ele
Um tul 1L:::: 11 ILÍI I' d't(~Q:; vele pr:r.::ç~1:1!:Xi~oo de c çirdr.1no!i '1' m. ·rn ·..irt11d · d~.::s 21;:;.orêos, ~o::Jo
s~ UPJS :J1t~G',l1<'.l• ,~. i;.s. ::iir~orei; .::'. din?l:.irus de Lr h e. llvu:k:~ rnril a. [)OS~!°::iilkfode J;.., ::;::;il:.dtm 11~L'1i!J
ensino vinculad~ .à eccmom~a por ligações pes:;oais (corpo docente, etc .)
e.i;,T. ifo.-.;.111 ~ bnpr12S.5~0 d ' ~ ~(1 t;..:'i' L:4. :ido ··Licenç;:. fc1mo.1ç:~1 · q 111J t){'Jfk!"~ 1~rnk1r.:;:11·se ~ti? ott insritttct(H1a1.s (Conselho dí2 Adrninàstração! subvenções! etc.), ei11 detri·
rE!\.oeilr O ftuidt) (fo SoGI 1 :)L'Jl."lõn 11m l c:- rJC!P i...~genLéS urn fü 10 1 1~rn ; m.pa ir.I e.qrnl
do · a1Jc:n3.L.:i que, t.od1wm, bi:.eilar.J111u·l:J:-;:1n !'.jr;ufo 1rJ<.m 1o da$ insrâr.ida.5 r r;!laUvan L2r1te autônomas (unl\.1ersicladª-S) - cm r elacE]o
"Pôr!arl!{I. tlot1d~1 '1 M . l l .ll1 d:11, :::~ ,~Jusns 1
iZS't~ ''rm<.:. . . . Cl'Jl'l" 111i'llJh11al e :n~~ negligendarru11 a estas ! \õale lembrar que elas têm por ''m issão'' a ·fom1ação de professores
ll'ill 11J11 ,,,. ~..J~ •1'· ::isté...;.<: qu~ [-,es ío.rtm;, kmr.'.l!uJ.:1•
.::.r e t'fl ·!J u • ê rn !.:ez de prr.~1., rnrcr>~ iV /tt:~t..!~
por escrilo- r)tlct; p , T1 i1·irxi~ll~
!t:!t:t; 1<:.os, pcxio?rc;J a&h.: .., (J m .:; lJO !!lr..t::.re.>a, pos- i:t de mestres·· e não a lnstruç.ào e a ''seleção d 43 homen s'' destln~dos à
:tl lh01â 'dr~:<; dé! j ormação q uc. cl fõôs, ç f'.m~~ Ir.a
pmf'is";;t~mt1° ~urre; tm.i m nh; (P.r : 1r e nia 1s i.'! 11'~.
produçao. A contradição pa[ronal - ccnser~~ar as vantagens que a mulayao
Eis i'1 1!1-~:1lit;.dçii0 de!: d irig1?.nll':'l5 rio C i\',P F. \' •1 •• " u ofe:-ece à T4?.prodL~ç,ào da cJa.sse dominante sem d~tx.ar dê controJar o P,CéSSo
',tJ. l_gLifü B..E. P . d~t::i• 1 M Çot))ct, estão aa'ap-
O: p~trfos !!!itâo .cli~ oJ -:::rdn. '' 1\'.~-~ 11~r. d.as outra.s classes aos pod izres con:feridos; p~lo diplomÇ) - ~nccmrra sua
w.J~· C..•1 r..:,-t'..:'!"S.;1dade&· das profi;.;~õç;s, $;;i.ei {'.W. (j.;.il;'
Cv:!n•:.s~~m.:1>:?1'11 (:: 1 ·r11..':'dta1l'í.iS .:i::u'pa( . E JX •rqUl3
q u ··i-é IT10 5, absvfo.~:11 i 1í L1! , d12-darc'..i. :i.t. Hlíºv • ~olução t lO d esenvolvin1erito das institu ições de ~nsiflo pri'Vado ~ das em-
lt11 . {o!!,Su n-1!.•·as re~ 1011.01soJ b~)1ci~1° l!'S de!:: i:: l°CJj.e.i;;~c­
1e::Li f~cm í~ rt!tm1eo :J°.? C./ .P qw:. pnr :;uc• :=~.
res, 1nc s w m cni ~ r.i_lu,·:16- ,'ós .S:J.oM.:-... s;r,1,p1'•-:s-
pres~ de formação, recup(~racfto e recjcfagern. incre.rneritada.s peJa. apari-
!:Dr'fC.!",'.):J,°7.:iicirt 1 sótl 11'.~t'iN o
S:J~é-ÇI 1,oações. Es;;es
Fllt;"t~ t~ dama 11da 11 ces ., Pr:: 1 en::-ia i 1 11~:11~c. pr~i· cão da ''(on ni;lç!o perrnanante'· e lalve2, ruais geralm(:!nte, na instau·roção
t:.
~eo. •c!1ti 11o.i;.o::a t.pi.~ldc,;, .X.1~ir l:>. P. ,P.1-.~~ ol1: 0..'6
~ou •·1 e
:ir· 1..:·l. a .;:.~t r1~wra~ de accl.'111 11~11 w
1
'J-.'.e não ;:-orr~}",00rx:icm1 o 11" '-:-.-: •rdodf!im coeupa-
·
e~ !.~Cé! 111: tr~t.:::- S(: da e'Kfri:)··) r!J°1n6 ri~: r~-..de e;:;-::c.• de um ststema de ensjno tripa.rtido: grandes éco les para a reprodução da
(Ôt) - :·~Yll' t·xl!m,c.'o. ~~111 R E P ât..: rT1'údr•1i~• r...X,.
/umJKe 1c-•Ti'G~rc...~ n1l1~,1ran'(Jl'<?.i 0 11 j resodores,I -
.·~T C' t.m i [!Ç'i'. "I M ria 1\1..rs e euid~tl!-!:.~ qu se CS.'i ,_., classe dominante: escolas récnJca_s, con'lTOkiclai~ pela economia, para a
~~!ü.be.l l!cl 111 11 o.; nda re !:o foctirum 1~111 pos~­
1~\'.l~r}l L.. ill ,')!ô'IX.::ÍO d;: C<W,é tll(,'(."(J Q() ~te;. de!! reproduç~o oa força qualificada de trabalho: Lmjversidade para a rep ro du-
~õo !!°.e ri'i~~ "l1St.ir, 14élc ~(Jílm('r.:e. fo rrnat.;ê..e."
~ n::ilx1.lriô nu m .nti'.\ 1" A p€T!]l LTll'il. da um dimo r tl .
c.::.T :1ue ~11 '-:t1..:vt::ll:1 H".l-.;::r o ~111~: n) dlr1gerrt~
OOo'-:-1,• ),l!?m~ti HJl'i'.'S s , E.:1'1 {;1(.1 ri H:t~.'CI • •:rja p [IJ r 5 ll.::'
oo cào da untvers.i.dacle. Assjrn, o con]ulo o bjetivo das estrnt~3ias das fra.ções
µ ufogã!:')JQ sob a pr~ssao dos :1 ~~.s...o.;; ihm'~s.
r
C.N f. IX'J\.".êt.'..\:1m, n::sse: .::riso, d~ i:T...1ç IL) l~ m1
s réü 111 ; Ji.r.ado~ Q W J rv.s mid,::r~ ·•,
Jiti.g,e.nte::.o da d a::.se danlina(itQ com as e.strat~glús dos •,u.mded.ores de
i\.."l:l .si:iplan..."'rJ:IX', •.1r:.;'..; o B , E-P., nc• iimbit·::i dos
c. i: -: . Oci- repn:senlziru e: du l~L'lbvn1 lo;;i r(':)i1 r:nd.c- Quen t da::idiril ;::i r~p i1o d3 ili•11:.i llcl?..1..ie d~ serviços-esco ares (cujo núrn~ro ten de a õUrnenLi;'lr ao 11T1e.smo rempo que
rrllTI: "Não !Y..lm·Dli f:n.urd~:IS rl !:.<il ~IJg€5 tÕO ' . d if~t.r;I=- n 1tvi.tl'ulç4(!.<; -ac:ipechliztidai::- nt- ~i o volUlne dos detentores de d1plomas) contribi..1i para explicar que çi. uni-
!)õ1n!ic d~'i:<:<t brefo di: Íor'u ..... :,:;10 ? S::ib!"e esse
P..li fus. de rm1rn;-lrn Sõ0111I M. l l11t.1•~h ~ M versalização do valor atr~buido ao diploma e o m onopó]jo correiativo das
Corpd Ú1;.Ji.'l l"fl lt 13nc41tcl1i!J cbr~m12L1trtl ;:.::) .awJi'l.6· p:;rno , i!. rf'.o, i;ic:6t.1. oos d!.Jig_i::nt~ do C.N.P ,F cnl
ri;;:- t;.wz G:lt'lm hot>thõ ;:.:..: ) 1r~k1r~m ~"il!l im:ansi· 1m 1i10 clarn: " Os o rg m ;-1s1nas ~t~i'! d(!J'i:'!J,dem do 1 pos i.çôes n1als cobiçadas -pelos de e ntores de diplomas possa e:oincidh com
cl;,:rf);:h.> ck1s 1.'ll1ido::;. P;.m1 el~, é · l.:r111~ri cá i,d edu ·açéfo r.t~c1~1,.,~J dç1,.1e.1iio, como os a LJ!F i:;.1. um depau~ ~rJtrnento de rnonopóllo univ.ersit{uio da colação de. graus: o
.~er rn hmet !cfos a u qo i:;pl'(..li,i!1Ç!'.Jf:o; t100 serf.!o
•?eh~, Gf'.:13 ' O.llC1U jrpm {)
1
e.
E T. . 30:>Ç~ do,; rnu-
ret<.,1\"i~)r:if:ldos itl ::i fac.1a '. ~e:;se c!:IS::i , ~ ~~.~­
,·~'rES dos E.E.P üt1!r'f'111 JJara as i!c,;('u.s f &nr· c re:scün enio do número de diplomados (que tend e a favorecer a e>:dusao
;:o~". ·· ,\ 65 a.::.ha mos, uo
1 rot.-:
rl.i .otf; qwç- ~s:KJ fJ
bé eu.111 nk1~ ,rB;:eb.zr.:So 1.m 'li- p..1Jt r:!l~ç~o con c-e-
1 itl.1 p:.:r -r..om~.:;s;&,..5- m:icionr.ii.; proíissl< n.-.1 s·· in$" dos nã.o-diplmnado.s e a obsolescênc~a dos rn ecanjsmos ma~s antigos de
~011 1 ·, r •pllr:cu i.n~• d ire1or df': ~ E.. T .. · pois dá e;
;.:i'.l.
: ...das pelr.is c~·gi'lrurrçól:;!S J'.:{l.i~i.:nrils • p.::.las sin· promoção e. secundari:mnen~e, a des•..ra.lorizaçao de cada diploma pa1i1cJJ~ar
r.>;lS .i:l li l }1d:.:d E.1 OCIS ; . l}~tiS q'Lti> ~d" rr:LJP..11am r,l:).S
~cMc:s doe 1r~l1<11"h&:-Jcrci.:;. n~ seqümoil. d o n:::..01-
r. :-tlí&:Js iJ.rfo [1e lec1rn, !J 1[:;$ d12 ~n/ret~:to r r.tri . cm
d 1), 115..".Í I 1;11{ {] l}"ITI Í 1?".'l?r ..:n.. dot 1 1) ~:o!J :.ch re -3. que é corre[ativa à tlanslação do sis .. ema dos diplomas), a universalização do
~(.~~ :J~n'n_. o~ h<i·:caJtfür-i!.iJ~ oL• bw 1.'l;L-. 6 ... tC:-c .. dr:<•,
o q ~~e rc ,O ru ,p t1~'l 111rlO p t'DttWÇÓD '·· ser~ur~r..·;a do ·~n)t)r<'!go, te.conhecirnento atribuído ao diplcn1a e a unifieãçáo, iàô menos sob es:::e
i\ nprm.iaçi.io setit, t"1•1J!o . -concl}:Jid<1 [)C:'
O:; dir:.genle::; d~ r1.et10ll?ICO r1r\õ dis..:on:la~1.
um~ com i::::J.io q 11C, ru11~.uil~1i:;;nt e. ni.i.c côl'l 1~ot ­
asp~to, do mercado de. trabalho, engendraram sua contrapartida~ a divers~­
m:l~ u..:h~rt. ui: k1 n; ·:l;l ~. n 1 ! li ~~·e! é!:::u lllx~ d e
11
º' fortni'1~[1Cl ac.~lerad3. l lrl rnerl:drt -an t['W.:' r .<1'..o?.i"l
Iillrit q1.J?.ilq1,K;.t· ~epresenlimtB da ~d1 h~~êc> r..;icio- ficação do mercado escolar e o desen-·.;olvimento de urn eipCJn'! lbo escolar mais
p:::ss1bih:li1rl-i!s d\'! p t':;tm :'.'i ~" ~.~raa do.'!red.d~s no::; nLJ c•.1 dos prures<;vr~.=s. diretameme ajustado ao s~stema e.c--.onô111ko ca~~ de fo2?r conçonência ao
!
lrdbtllia :'!.'('-'.", (i:-:l 1.•ens. o u 11.loi l:Il:tl Sl::c"Tl.~ÇO r1r s !:!• t··. LI
i nonopdio do sisteua de ensino do setor púbLic.o. As instituições de ens1no
L.'nl""Jr~1.~ , 11~ ~;eq·:Jenciri tJos l 11 ir·:-:~ ;u~1 ;~ acordos
ilssilmdos. ~n 9 df' ]11lru::· p iüsa di:-J. entr e o Jmlro • corrL fraca autonomia. criadas. financiadas o u controladas pela~ empresa~
:são ,eJcm1G.mos detarminarites da luta ent~e cS classes e frações de elas.se
que estão interessadas ern defonder o \-1alor do d lplm11a (frações sup~rior12s
clas dassa.5 popularº s. operár1o~ qualificados, contrameslres ; etc .. nova~

]38
frações das dass es me dias técnicos, quadros mrédios do crnn ércio ou dos 'v'Do..· ~ t~a qul7.I' ser nem <:d·.iO!~ Õ: r. e111m t~;i&:llO:t:!<,
serviç9s rnédko-soc1ais. ~te, ) e as fraçõ~.s dhigêntes. da classe don1inante 1 ~-e;··1 d rnliit;,, r..;:::1 t tfueliâo,

que consideram o controle do vator do d]p]oma e dos mecani mos de .e, CQmuoo,
Vc. .~ rnrri.b@1n 501~/J c:::im 1Jrnd p~ L<:i('~o .=:c...;i~~
acesso ao mesmo um dos instrumen:tos aprnprlad o PC!fÇi c.ontro~Q r o i... alor 1
e u ) í°lJt1 iro b1 ITI1;-1nt.e.. .
e~~~(m, t1.11.· h2S ~e 1nct.s
da força qualificada de trabalhó, fixá-Ja contê· la ou1 em outros casos. 1
1 1 \.'~-...~ ~ p(Xierii tornilr~s:
de..1.;valorlzá-Ja , 'éXdutndo-a·· ou 'desqualificando-a'·.
G~rer.te de vm:h::.::
ÓIJf.IC1r') di'! âP.im<iÇ~C·
1'l1'U1111>1,:...;1r-int(..:-pru.t~~ d,~ congressos, ;:,n:,.,1ttldOr ..l~ lorrn;;.çã<J.
,.11-.Jrneu:!or de ~ti'CÕ\'..· (C!::m<71is 1 ;::.nimildor de ~i:ll<:1 ~ 1. n ·1rJ,J1$itL},
::le. e.5ca~é<>..<: ri E mven 10,,,
;:.r.in ,,,chr .:ie Lwis1110. cmni::wrlo :.1'2- t ordc:
Gesk:r de cdu;'ri'~ fl-2 i~r.1~
INPE H:11sr.ic·r1s6vel por ~nlro d'-! tr'r:;1';;t 111"nta
C(l1';f.d ho!1ho 1?.m ati\;ichd~ de k12b'T
Instituto Nacional para a Protnoção na Empresa E;:1De1-.:: 1·ir(; ('!'1-, H-;.i,~r<?olcg-;~
ô.Jr.sultor ern l{lr'm&~..ll~1
O:ganismo privado rle fillsino il .(: isli: ri1;~t1
tllQe1:.heir::: em ra:ri.. L<•.m 1:mt<J
Ci"tro Senhor, C.:1r c.ulti:ir .;:.1:::1 a ial i'.tjdde
D~eL11t • '(o,1 m.e'ítl ~a. sa: ç .) S(J oom a S ·r..hr;t11.i! , , , . , . , , r~c:. !;a Ç(Jt'.,~~u··..~ir.:i de! Or~LmLi!içácJ . Trrtr,.t'. ng- onsult.'lnl.
Pergt n-.1ei·lhE! p:::r qm~ mt:f.~vD o !;e1-Jim õiinda não ~e enrnrt'lr<l'.':1 entrn 05 cDndid:itas lrucri7o5 e se
t;;.'Ti ~zjt 1mf1 difJ;)..,kh:tdí!. pAt1ieul.:,r', í.:miiliê!l', tlr;.:i11~r,:1 '" ('>r.1tr~. I~<'- dl~S0-mP. {Ili~, ri:-i l\'.-:"ln t m ;":, ''
n
.; en 01' e.sta'.'!! t'eíleti ncb :no ass ur.to
Eu b folk:lto; t~n~::: observa& , frr:qlh'!J'1~41m~te. que o.s moi: lhc.res re5ul't.:Jdcs ncs l!!-:i:lmes ::tio 3. LUTA DE Cl.ASSIFICAÇÔES E LUTA DE CLASSES
<.Jbli::los J)'!l.:1:i f!ltwtOS .;.1uie S<~ S1' b1SC"T'!V1:1n ) a 1100 km:1a r'~fl{l)(.t1ot (li iM, t1".;tl 1,{!;l'(k~. vnw.cs @nr:::<Jnt' A-1•..B
ern siluitçôes br~lht1:1tes t no1mt1I, .;iquel.:s que ruíl~tr!m ;m1ã d~ k:irnar 1111 1a d.:cisf:io irl'l:-::.tri.nlt~
s.ãa p oi:!:>.:J,] !I {I ·1uct t t se pod~ wn~im·' IT1t1Í$ L.z•rd~ r~p0t;i$:.1 ;;,il.id.Jcl~ r111tJOT[f1ntizs.
O SE dese.rripenha um papel caplta] n os conílitos. transaçôe5 cu 1

No enta nlo, ~ e;oqje;rieli:i~ no-s Lem rev.'!2lo:ico iS,1.mlmimtc q t.t " n; o !l'Tõ pre.;:~s:::i negod21çõ12S inclividuais ol 1 coletivas que se desenro l~m enb-e os déten~ores
do~ meios de produçito e o~ vendedores de. sua força de rnbalho sobre:
1) a d'2ÍtrJição do c:Jrgo: as tarefas que seus ocupantes de.,_;em executar
e também., ao mesrno tempo , as q1Je e]r..5 podem recusar:
2) as condições de acQsso ao c..arg.o; as propriedades que devem possulr
HEP seus ocUpãJlÍQS (essendaln1ente, diplomas. por veze: • também. a idadEt, etc}

ÊCOLE DES HAUTES ÊTIJDES POLYREL.ATI ONNEt.LES 3} a ren1uneraçào ofere.c'da aos ocup.a n ~e5 do cargo e. o lugar dessa
(ESCOLA. DE Esnuos POURRELACIONAlS AVANÇADOS] remuneração €Tl'l Ulna bier ~rqui.a de re.rnun~raçõe;s ;
Socied c'ldc c.: rt fl s-e m fi ns lucrodt.10.s 4) o nome do cargo ou 1 se. p rnferlm1os. d.l posição.
~as soc1eclades divididas ern clas,ses; a& cax:nom}a.s ~odai~. o~ sist emas
HEP (HEC - École des Hautes Êtudes Cmnme.rclLtl.es) de c.as:s:ficação que p odL~zem a repri;~enração dos gnlpos (por ext=:mplo.
Dlstin,ç ão soda] -e di.s.tinç.ã.o llngüistkiilr as cêlt egor~as sodoprofissionais ou as categorias iridiciári(;l.s) s§:o. a .cada
.•6•. qu;i~ hõcn:i1-.lmra da ::.:.d.1 nwr·~'=in 1!. C'.Oflf1i::;jo (•nrr.::. a imiraç.:io e , prr:d.na ddLI>m 11(;~ mites momento, o produto e o cb}eto das rlllaçõe.s de fo:rça entre 1.s classes. De
J('(lt):)~\:. j~O dl:-~'tô <t · to:1.;i<; a-:; ~l'.'?."ffti\"1 tlr~ r:!l~! 01~t...:,rS::l-, Cft~(t r•J'!.1tiCJJ[,1r1·1117!1)tc tiph:,r;; dt~ 1~n'(tr \:,.'!...-,
d::: blefe e:<~dd~s. nil rr'.,.)io1fa di'.15 •.·ez~ cctl'. .:i. e:t.tmplit.ida::le é.E. :11...<is \oi:i:'t"ifiS, por m~o dzi!i l?_l.!;i!:; :-. acordo com o e~tacJo das reJàçôes de forçã Uff~ grupo pode obter o cargo 1

)ftj tih 1ii,:$0 ri.;! ·:J IS1r;.(.I .:.ole~ p.::;.rn i.!. o&pirnl i!JIL."'i d.01Lârit1 d :; •1~riuL'l:;õe:. e di.'Js :1rtllifr:ui:;.J.s c1:Jl'r1in.J~. s.Qrn übter c:i remuneração rna1ér~al e a rernuneração siTr.h6lka dos qu12 têm
dlrnito a lal {" o que desemp:inha o papel dê'') ou obter todas as varitagºns
materiais cot11 exceção do norne. (subd;retor) . Pode. ao çon tnirlu, s~r pago
cmn e nome. Se!.fl1 ter as v?.ntagens rnc.~erLa)s conespondentes a S t?.1,1~
diplomas. Os pana.dor€ . . de diplomas podent n.i.torquir a es$.aS estrméglas 1

ten ·ando crlas sltuaçoes ::!e fato consurnadrJ. s.r::rvi1.--se dos diplomas para
ti;!n.ar obter a.s rcrn.1~mcr.Hçõ~s corn~spondenrn!i ou as rr.munerac;:ões nate·
ri tJis e as t1.-1nc(j s 1c;u i tan~ur apropriar-~e dos diploma correlativos. Em
1

140
suma! há sernpr~ uma defasagem entre o nominaJ e o reoJ (maior ou ce flxaders da lu a ou n€goc)aç~o entre os grupos. determinados slste1nas
menor <le acordo com as épocns ê con1 os .secares da mesma formação cl~ classificação - tais con10 o vocabulC:. rio das profissões ou das oondíçõ~s,
sodaJ): ora , a lura de c1assifkações utiJiza essa defasagem por meio de com seus termos crus e seus ~füfemismo_ - não sáo. como s~ria pretendido
es[rarégias que visan1 aproxin1ar o nomjnal do real ou o ma] do nonür1al'.!_ pela tradição idealista. formas d~ construção da reaHcl~cle soc~~ ou mesmo da
Essa Juta está institur;ionalizadâ nas instânctas d'2; negod'1çãu coleliva qu e experiência cJessa realidade, mas sirnplesrnente os pri:ndpios de consHruiç~o
produzem as convenções cole!Lvas que tegalizarn os .sistemas de dass·fica- da t!Xperiência of k iar' ;rz legírfrna do rnur.do soc~al eni um dado momcm1o do
ção estahelecldos e flxnn1 urn esrado garantido da relaçã.o de for~a entr€ terrmo. QJer ;:)~trate de taxinomi<:is burocráticu_ proveni~n1.~!i da negodaçào
as cl ass~.s a respelto da s!stema de d assificação. Mas o mercado de trabalho <.:.ole~~va e submeUdas con~tanternente a múlHplas deformações de-..:id~s à
não é o único lugar desse barga~ning: de todos os estudos que t~m s?do press~o dos diferentes gr1.J pcs. ou dos sisten-ws cl~ dassif:cação menos
fe itos para cleret·mjnar o prestigio relativo das profissões ou os meios de al~an1en:C3 ra.donalizados vejculados p ela linguagen1 comum e utilizado~
tornar ma i~ atraente ta] ou tal proflss.;o abando nada : não há nada a re er r~las dlfarentes classes. em s.uas operaçóes co~idi onas de classiflcaçào, ~ss~s
além das inumeráveis formas que reveste a luta pela deíintção da Imagem 1axinornias têrn funções p rá1icas , ~ ni:io som '-'nte lógic'15. Na codificação
das profissões, 5endo qtle a afim1acão da respeitabilidade e da bonorabiJi- sociaJ , as p alavras sáo segt :1das de efo ll os (eis (J definição do direjto). Nõ
délde ê a r~spo$t'1 ao estereótipo redutor e à difam ação. Produto da lutaº t!Srn.bdecimento da deOn içcio da profissão, o esquecimento de uma palavra
cJa negociacào, os nomes dº profissões (ou postos de trabalho) pode!rão provoca <id~itos: por exemplo, 1~m indhliduo poderá SEff oLdgado a '2Xecutar
ser Sl1brnetidos, ~rn certas condições (a serem d efinidas). a processo$ de uma tarefa que. não deseja e.xercer ou, vk:e-i..1etsa: pode não ter habtllmções
:nfl acão. Os d ~ferentes grupos hão de tent ar mudar os nomes para pnra executa r t ar~fas que. dese'a•ia exercer .
manterem as distândas. em r~laçào a cerLos grupos e aproxirnare1n se de
au~ros grupos (nesse caso 21 dlstânda semânrka é uma expte.s~õo tn1ns-
1
um ex.~mplo de taxinomia burocrá tica: o dicio nário das profissões
fom1ada da distância ~od~l) . A psicologia e a sociologla do ln:ib()Jho (Dídiorin<:rite des mt! iers, Paris. PUF. 1955)
cootribuern para a proo.uç,ão das tax~nonüas burc:>c;rállçç_$ (cuja ' Uma é
repre~en rada pelo catálogo das proftssoes clo ~NSEE.,.), fornec·endo de.scr1·
32.46 . Condutor tipógrafo.
ções ditas objetivas da tarefa a s.er exeo.ttada e das p ropriedades que devcrn Operário h.Jb11i~ ..t :_i :i1Mi! c;und•..lZI~ as m~q11:11A!õ Lip<Jgráh· 11!Z . ' 'ln t)ô)" tlra.gem p lor:.o, '.'~iu V• >r
possuir OS ag~ntes e.nca rregado.s de executá- la. Assim, eoS taXk'lürr1ias Lirn9en' rvl<.1h•.' ,
burocráticas 5ào o prod11to do registro, segundo procedi.merHo.s reconhe- .!rn.02, "'Céin~ur~ ~chapelaria)

cidos corno cientificos, Le.., segundo procedintentos positiv!sr~ . de ta~ino- Ü)J•"'T'j r la c.p \!dillizL do CI ll ~..'OI ÍCl'tT • ._,~;I :n~ U!~ CC!"ll?. O LU::".t0Í::il UI ihl' o-\: lo ' ''' 1 fhnl 11..fi de ffll rihar
i)r;\ T~liJ M 'J~ •Jlt u): IS
111li~S que não são produzidas d entifl.camente, n1as negoc1adas no
84. 71. Comm)tür füumcelr·o
bargaíning en[re empregadorP...s ~empregados . A s taxtnornias positivistas, E~.p~ ·t,;,l\.·,tB <'tn m;:.t i!ria de 'b;.mcn e Bul",. e;> \·'e lo r.::s :;uscc:ti·;-=I cl • q 11j.jr' (1 r{'$.,V,)(j ou :l.
cotT10 as do INSEE ou as ' d asses' da sociologia ·amerkana (imensa
1 1
.:-Dll!tl•: 1dac.<? de que i! con:ii..:lL:~r ' 1o1 d plir 1:1 ãu 1P.Js = -..rx,,:li\·v... l11nr1:-;i..
negação das classes}. são o produto d e um r~gistro do dado, tal como ete 91. 14. Commlto:i- fi.~{!11
s~ apr12.Senta ~ que e:r\cerra impJicltamente u1na ade:são à ord~m estahe1ec1· Prolis::' oni:'ll ..:sp1~3.1l:t.ada 11as q\1E!5f:'lo:: r;il.rt1J\oZll' IH\.-; dlt..ic"•rM"l impostes e hob~liliJJo ,, 1tt::":n'iü-
ll wr Ut'r) l>ll.íCl.:"ul ;.í . um em p r~ria .
da. A ilusão cio registrô {q ue os etnometodólogos recorocam na ordem do
9 2 , 41 . Çni'L~µltor juridko
dia, com a teoda neo-schutziana do acco un t, que fo.z d~ ciênda o simples .Í1 ll).:;l;i, q .11:: estuda . seonndo 11 · dnn lp.11r~~ dc-,.;; ç_fü;ntes, tjUi:!~lÔt!S j11:!°ÍLb::;-1s 1.llii t:::::rr,a l l ii~klS
regisrrn do senso comum con10 aparelbo verbal constltulnte do mundo) segu!"irladc ~o :1111. ::;i~1 ~~·Ai frsc.-L.. :S<;S1.Jro5. <i.::k1t.11h·.··· dr 11 .'i bl hc.. IEgi;;IAç.-io fi11m1criTfl ~hJ ~.>!<'! ~e
conduzi: aceitar a imposição dB urri uacJo pré-construido {ou 1nesmo uma 11ri t ~ pií,h!i!i< o liberal.

defin1ção oficial do mundo), en1 vez de romper com a aparência que este 92 .61. Conge.lheim d e triburut1
V.;.r. MagJstrad::;.
propÜ'-' e, asshn , constn.llr reabnente as regras d e sua construção (d.. por
79. 12 . Conselheiro de embal1'.adt
exemplo, J.D. DOUGLAS. Understanding Euer1~ay Life, Afd1nf:!, Chí-
Fu!:'l:".!~infü:-c superior v~11•:1.Jl.11:t0 ~· rnt ~ vn 1bai»L1 :x r. 1.mr:.-.rr~ li, rtc1 "stulio d.a csrtc.'b
cago, 1970, e P. ATTEWELL, ''E[hnornethodology sinc,:e GarfinkeJ", in problerrm~.
Theoryand Society, 1(2). 1974, p . 179-2 10). Produtos rnomentan·eanrnn- 79. 12. Conselhmrn do f:.«ado
f·l~tr.bro do Co1t!l:..;!ll11 ) ( I~ E!il i't1 la.

2. P-:l'fli!i1, mente Lrnnsprimnt;:i ni-:. 1'fW!'.;;ádo tlE:'. ~n1,b~lr.o. onde 6-tá mullv dir,;ternru-ic•• bg&:'l a it be11 'l~dr>S
111 l .:in Is. L~ <.l:nh1Y1w1.i. ]ndk!!-s, ::arràrr.!:i. snlários, a Juta d.:J. dzissih::-AÇl':><'!· 101 ni:1·w 1ol ~hn;ml e
Ctj)fl•:~ t';.() m e:-c~oo dos bens. simbblico:s.,
.. N clu R Slglil rle J·ru~ 1LI i t ''ª~ IOttL'l i rJe iti 'f(:f ! l ICJ LJC: e 1 de'$ éJ.uàes êconom !q1,tes.

142
Objeto e inslnrrnento pdndpa da Juta sjrnbólica entre as dassa.. pe]a
definição do m undo social, ou seja, para a consti1ru ição das classlficações
soci.~s . a term•nologia socJal (nom ~
das classes, profissões. etc.) perten ce
- c:-0mo ern Ol~t re~ sociedades. a tenninologla d~ pa.r~niesco - à o rd~m das
catego rtas oficia rs. ou seja, do·direito, linguagem l!Utor]zada e linguagem
de autoridade que! nas fot11~0ições sod a.is dotadas d12 urn i;1.pC1re~ho escotar,
deve o essencial de sua aurc ridade ao slstema de ensici o. Como as
taxinornias burocrá~kas que integram todas as situaç.füzs profissionais. a do
' côneLlr·~
1
e a do conselheüro de Estado. em um sist,enrn de catGgorias
homogêneas ~ ex_plidlas, o 5lS-temd de Ei.m:sjrio introduir pouço a pouco,
toàas as profissões - ff1:(?srno as menos raciorjallz.c1.das 12 as ma.ls abandoA
nadas à r edagogia tradicional - no univerw bierarqujzado do cel1iHcado
€scoJar, de modo que! o efotto de naturalizaç~o e de e[ernjzaçã.o das
classifica.çóas q ue ele 'l ffrl de a produ?.ir êITl ra2ão d~ suai inérd~ est<2nd12-se,
progres sivamente. a toda a estrutura social. Asslm! a luta de dassificuções
é um a d1mensãQ- ma.1, 5em duvida, amai~ lH~m oculra - da h.Jta d12. dass ~s.
Se não há taxJnom ia - tratar-se-ia das categorias en1pregada.s para julgar
as ô bras de arte - qu12 nztneta, em últ!mf.) ins.tãnc1a., à oposição rmtr~ as
el as.ses~ essa n~l~ç~Q é. 1.anco rnenô"s aparente quanto rnais autônomo i2 o
campo no qual esses s]srnmas de classif3caçao são produzidos. O efel o
propr1~n1-1?.n e 1dºol6glco do irr.econ hecknento* resulta da transformação
que cada campo impõe às d ass•ficações origin ánas e1 ao lnesmo tempo.
à fomrn. irr12conhedvel que reveste àl a luta de d asslficaçoes,

Classificação, Desclassiflcação,
Rec la ss ificação

PJERRE BOL'RDlEU

Tmd:Jção: Drn1CE B;··.R&·:o.. R..'\ CATA~I


Re~.•l.i;âo rérn ;'ca: Gu1u IIBvl · JoMJ rn: rtMTA..<; TEIXElRA

Fonl s: B:..:u~J PIP.Fre, ·a wsemenl, de::J.:.c;scrni<"J 11 re~hs!!~


mí?llf', pu~ t:t'.9lr.i!lme.1t'1 ln AC,~$ de .'a rer::f.er-:.~ e.' l
. ,l~t1~:es soclal!?s. Pmis. í l . N , 1· lJ'.,t~~ l '1í"S., p. 3 22.

144
A e~trat~la,s de reprodução e, em. particular~as e.sil'atêgias derecon~
versão pelas quais as indivíduos ou as fomUias vjsarn a manter ou a melhorar
s ua posição no espaço social~ rnantendo ou aumentando seu capital ao
pre.ço de uma reconversão de uma espécie de capita~ nuffiél outra mais
rentável e/ou mais ]egltima (por ex.ernp1o. do capital econômico ~rn capital
cultura]), dependem das opon:unidades o bjetivas de lucro que são ofereci~
das aos seus invesr~mcntos. num estado deiennlnado dos [nstrumentos
institudonall.zados de reprodução {estado da tradição e da Jej sucessoria l.
do n:iercndo de trabalho. do sistem.a escofar etc.) ie do capital que e]as têm
para reproduz~r. A~ tr~nsforrnações recentes datS rº-]açõe~ en'lrl!. acS diferen-
tes classes sodais e o sist~ma de ensino~ con1 .a cons€CJilente explosào
ºscolar e todas as rnodif~cações con·~am..·as do próprio sisten1a de. ensino
€ também todas as transformações da estnlturu social que res~1~tam (pelo
n1enos, anl parte) dLl. transfonnação de relações esta beleddas entre os
cliplornas e os cargos., sáa o re~u!h~do de um.a 1ntens1ficação da toni::orrên·
ç'n pela:s títutos esco.l.ares; para a qual; sen1 dúvida; tem conttibu]do muito
o fo1o de que, pa.ra assegurar sua reprc<luç§o, a~ fraçÕ~5 da dass,e
don11nante (emprn.súr~os da indústria e do comêrcío) e das classes médias
{artesãos ~comerciantes), as mnis. rjcas cm czipjtül econômico, tiveram que
intensificar forternente a utiljzação que faziam do ~istema de ensino.
A diferença entre o capital esco!ar dos adultos de uma classe ou de
t1ma fração de clllssc {medida pela tuxa dos portador€S de um djplorna igual
ou superior ao B.E.P.C.) ~ as taxas de esco~tizaçáo dos ~dol~s-centé.S
co1Te5pondentes é nitidamente rnais marc-ada entre os rui.esãos; os comer-
dante:; e o$ industriais do que entre os ~mpre!gados. (:! Ot1 quadros m~dtos ;
a ruptura da co~Tespondênda que se observa comumente entre as <0por-
tu r1idadQs d~ escolarização dos jovens e o pilhin1ôn1o culLurr1l dos ~dukos
fica sendo o ind2ce de um;a transformação profunda das di$pOS1çóe~ com
relação ao investimento escolar. Enquanto a, parte dos portadores do
B.E.P .C. ou d~ um diploma sup~nor é nítidümente mais fruc:a entre os
pequenos artesãos e comerciantes da faixa etfü·:a de 45-54 anos do que
entre os empregados de. escrit6r~o (ou seja, em 1962! S~7% contra 10J%L
seus füho~ s~o escolarizados (aos. 18 anos) nas mesmas proporções (42,,l%
·e 43 13% en1 f96 2 - d. M. Praderie, ''Heritage social e.t chances d'ascen-
sion", rn Darras. Le Partoge des bénéfjces, Paris, Ed. de JVfüiulr, 1966,
p. 348 ). Do n1esmo modo . os industr1ais e grandes comerciantes que têm
um capHal escolar rnríls fraco do que o dos técnicos e quadros médios (ou
sej3, respecti.vamenta 20% ê 28. 9% da de.tentcre~ de .in1 dtplorr:ia, paln
tn<.:t1c,,s, lgual ao B.E.P.C.} escolarlz~n1 os filhos nas mesmas proporções seushon-1ólogos en1 1962, o.is tltu~ares do B. E.P.C. pertencentes às mesmas
(65.8% e 6'},~2%). QiJanto aos agricuJ ores, iniciou-se o mesrno processo, con10 bixas etári<Js que, em 1962, ocupavam prindpalmente posições de en1pre-
mostra o cresdmento muito rápido das taxas de escolarização d€ cr]anças gados vharn, em 1968, crescer suas chances de- se tomarem conn-amestr~,
satdas dessa dasse. enLre 1962 ~ 1975 (Fonte.: fNSEE, Recensemenl général opf;.l.rários profissionais ou n1esn10 operários sem qualificação. Enquanto que,
de la populatlon de 1968, Résu ltats du sondage au J/2(f pour la em 1962 os portadores do ooccarauréaJ* que enlravam diretarnente na vida
1
France e ntfr?reJ Forrnatío;1 , Paris. lrnptirner1e nationu.le, 1971}. ativn totTu.1.vam·se em sua grande ma~orla. professores primáiios~ eles rinham.
A entrada de frações. a1~ enrão fracas urrnz~doras da <=scola. na corrida em 1968, chances impo1tantes de se tomarem técnicos, empregados de
e na concon-êtida pelo ~itulc escolar, lérrt tido como efeito obtíg<:)r ns frnções esniLórlo ou mesmo operários. A mesma tcndênci.tl se obsº~ª ern relação
de das.se! cuja reprodução era assegurada prindpal o u exdusiva1nente pela aus portadores de um dip]oma superior ao baccalauréo.t co111 idade de 25
escola 1 a intensificar seL1s investilnentos para ma:nter a raridade rclativa de a 34 anos que 1 em 1968, tlnhnn1 mais upor1unidad€S do que em 1962 de
seus diplomas e, corr12lativamente, sua posição na estrutura de cJasses· se ton1arem professores primárlos o u técnicos e , nitidamente! n-~enos
ness~ caso. o d1p]oma. e o sistema escolar que o confere, torn<)m·se assbn oportun1dé:!des de se tornarem quadros superiores da ad•ninistração, enge-
um dos objetos prtvilegla.dos de uma concorrência entrG ns classes que nheiros ou membros de profissões liberais~.
engendra rnn cre.sdmento geral e contínuo da d ernand9 por educação e Sobre 100 jovens üapazes} de 15-24 L1nos portadores do B.E.P.C.
1
uma i n fiação de t1 tu!os e..s;;co!ares • e. ocupando um ernpr~go ern 1962, contou-se 41,7 empregados
ReJacjonando CJ :n(llnero de portadores de um dado dlpbma ao número contra 36,3 somente em 1968 C2, inversamen~e, 5,8 operâr1os sem
de jov(!;J"Js com ldade mocL:tl de rrol~zaç.ot"'io de cnda um dos exames, qualificação e 2 p~ões em 1962 contrz. 7 ! 8 e 3, 8 cm 1968. Os
pode-se dar moo esâm;J.tl';,.;a grosse-i.ra da evolução di'l rnridade r~õliva jovens da mesma ldade que são porta,dores apenas do baccalauréat
dos portadores d12 u.m d'. plon1a: para 100 jovens de 15 anos contou-se tê111 mui"'o menos chnnccs de se tomarem quadros méd~os {57,4%)
6,8 novos portadores de um B.E.P.C., 6.E.., ou B.S. em 1936, 7,9 em 1968 do que e:rn 1962 (73~9%) e, lnversameme~ multo mais
em 1946~ 23 16 em 1960. 29,5 em 1965. Para 100 j01.:ms de 18 chance9 de se tomarem ernprr.)fl~dos (l 9, 9% contra 8 1 8'~\i) ou
anos, contou-!-e 3 bachelicrs'" cm 1936, 4,5em1946, 12,6 ern 1960, mesmo operârios (1 ] %contra 6A%). Quanlo aos hormms de 25-34
161 l em 1970. Para l 00 jovens de 23 anos~ concou-se 1,2 novos ano~ que são portadores de um d·ploma superior na bacco.l~ur éat,
portadores de um diploma de enstno sl1perior em 1936, 2 em 1946, têm menos chances de exerc<!I' prc1flssões. superiores em 1968
1,5 mn 1950, 2.4 em 1960, 6,6 em 1968. (68%) do que em 1962 {73,3%) e. em pãrl.icular, de serem membros
de. l'rofissões tiberais (7.6% contra 9,4%}; inversamente têm Lima
probnbllidade mais forle de serern pro! essores primários (1O!4,3
A cornparação <los c-0rgos que ocupam, em duus épocé:)is dHerentes, contra 7,5%) ou tê~n1cos (5 1 4~:1(1 contm 3 17%}. No que concerne. as
os mulares d~ urn n)esmo diploma, dá uma tdéia aproxin~ada das vmi ações mo~s, observam-se éenômenos análogos, mas ligeiramente Dte-
do valor dos diplom-;:is no 1nercado de traba lho. Enquanto o.s homens de nu.adcs. É o b.acc~1luuréat que, para clas, sofreu a desvalorlwção
15 a 24 anos d esprovidos de diplomas ou. apenas p ortadores do C .F..P . m,ais forte: cm 1968. uma moça, de 15-24 imos portadora do
baccalaur.éat t ern, .se e](;! trnballrn, mais d1ances de se tomar
ocupatn. em 1968. posições inteiran~ente semelhantes às que detinham
emprizg'1da (23, 7% cootra 12%} e m 12nos chances de tornar-se
pro(essora primirria (50% contra 71 ,7%.).

1. /\os cleilos dr!i ccr..com':mcia cr..tre cs i;l1.lpas cm lufa J..-ela recl<J!:!:iíiiz~ãa e canhíl n des~ifiCL1çl';o Tendo presente que o volume de cargos corrºspondentes pode. tér
C'j lJ<? $<,! o~gi'lr.iz.l ~ l<.:~O 1:e.
do l'itula e.:;oola!' rt'2is geralrncm1e., em lcrno ele l oo:i. ei]:é.::ie d€ Lrunbém varíado no mestno jntervalo> pode-se con$lderar que um diploma
cll~kJmM ~ Q~I~ ç s ~t'.JJ)Ç5 r.flrrn<im " ms:Hi.1<.?l!'t !IV'· ~i)tid;i.d~ !'.X'!~ ~alaçAo a o1JLros g,11-rpos~.
Lern toda.s as chances de ter sofrido uma desvalorização todas as vezes que
é pr<eei:ru E1Cl'~.ê(!tl1.er IJr;"t ft t<..:t' Uf1 ít11:.eç~O ql!C i<>. pod~ ch;1:nl!lr t~~J r'l,I t !l l'tl i'. 0 Cl'l..$dmmlo
genemÜZildc da es::.ola!'iznç5o ~err.. por efeíl o fil2e:" cres~er "-' milssa do rnpi:.al. rul~nl qult'. ~~ ct1d~
mome:n~o. exi:s.t2 no estildo :ncc~.1.do, de rr.odc c;,'tle. sabendo-se qJe o rb<ilo (.fo ''~º Qiêolnr
e "' <ll~tab illtk..d(!. dl'.'! S<'J 1:;. C!fclcos n<':p<":J''..d\!m <la lmpcrtr)-11c~ do cr:iplta! c:ul::un~I cíirerçimente
r
1r .,sr Midt> t'Jt!ll'I i:.111i~iris. JX>:.l~·soe :,· 4l'lY. q·J~: o Tt2í".dl:ncnto di:'S P.Çlío 12."IC~t' tnnrl~ ?- Çf'(";,'iCCr
cor..t ir ~1Jül1'".l?l1'.c.. cam i'l cond1~ão da q ue os o ..1Lrc!! Í.:1Lcres :s>i!: nli.'lrl.hmbtir n con~tar.t~. Em :$'.Jll:d,
e
o nrndlmemo do 01i:!!iln0 in•,:es· L"Tlen:a ~olar maior. D q·.1e SEl11 d~vid::i contribu i pam p1o._-luz:ir " N:L OJ, t~~ fo1:11 1.:i bb!!'f~'ii'.'IJiJ, "bacft: ern fra.ncés, Je;igna, ao me.'lrrD tcm;io, C'l<: 4:;.l(~ 11 1eii ~o dir.:km~
·um ef~ico lnflac:ioná~·io que k irna ru dlpl.....HT.ilS .-:.1:1':5.Si'.1i:!is a 1lm nt.Jmem mnior tlr! J')L""&Oil5. cxmfo6Jo .:.o finil <lti 2~ cida da ensino d i.: 2!.J g~au.
•· N.T.; Nn sifl~\1J~ b•a1:c.~~. l'l<:."is.aa <JllC. <'.ondu~u com .'il,JC('_r;~o S.i?'US esh.Jdos seci..:ndários e t o.Y110U.-s.e, 2. cr. e. Dd<:()".rrl, " Li 'l'-'UTl~ dur.!ô la vle nctl'. a". I~ Er:t:Jt)Om ie
1
(!f stát1stiqvc, n. 18. d;:zl?:flbra de
p:.;;I Gii ;to, r it1.::dOr1'! do ''b~ .::,ftlo!tur~( ~(')LI. l)i\ ÍOT!'t~ ~b!'f:'Vlti~a. • bac:''), 1970. p, J-] 5,

14 8
o crescimento do número de portDdores de ticu)os escolares é mzüs rápido 1 . As tal!'.as de atividade de muJheres de 2.5·34 anos,
do que o cresclmento do número de! p os ições às quais esses diplqma:s segundo os diplomas em 196 2 e 196 8
conduzta.m no inído do período. Tudo parece indk:é'.lr que o baccafau réat
e os d1plomas inler~orczs têm .sido os n1ais êlfotado.s pela desva lorização: 1
CEP 1 0 \P BEPC bac bac
· 9 ...
de fato; entra os homens ativos. o número de portadores do B .E.P.C. ou 1962 '
1
43.8 ,'.) . I 59'.B 67.1 1
6'1.9
-
do baccalau nfot (con1 exclusão de l~m diploma do enstno supe rior}
1968 46.3 60.6 63.5 1
74 .3 ~~
l I ,5
cresceu 97% enrre 1954 e 1968, enquanto o númf!ro de en1rxegados ,e 1

dC2 quadros médios apenas cresceu~ no mesmo ternpo, 41 %; do inesrno Fonte.: H\'SEL CUec.ensemen t génércr! d~ la pop1J,1a tto11 de 1968. Rest~ Iw 1.s dri
modo, o número de pot1âdotes de rnn diploma superior ao baccalauréat sorrdage nu 1/2of~m'1 p0 1;r 11a Fm nce e n~. lêre . Form12tkH1. Ptitis. [rnprimeric~
e ntre os homens cresceu 85%, enqunntcJ> o n(Jrnero de quadros superiores nali cnale, 1971 (11[30 foi possh.: ,1 lsol~ r ~s rnuUier\!S desproi...iidas de dtplomas).
e membros de proflssões liberals c i'csceu ap enas 68% (s12.nc.J c que 0
conjun to de profissõ es Hbercüs c re:sce u 49%). A diferença é, sem dúvida, Pode-se, sem paradoxo ~ afirmar que õs prlncipais. vifünas dci desvaJo-
mais rnarcante do que dizem. os l1Úm eros : d~ foto . a pari. ~ da<iuefes que 1·ízaçao dos 'líLUlos esco~ares são aqueles q11e en1ram no mercado de
detêm os meios d~ resistir à desvalo rização e, em particular, o copira] Lrabalho r-'esp rovidos de d~plomas . Com efeiLo, a des;.ialorização do diploma
scci.al "gado a un1a. ongelTl social e~evada , cresce à roédida que o jndh..·3duo acornpanha-s e da excensão progressii. .•a do monopólio do~ detentores d~
sobe na hierarquia dos diplon1as. títulos escolares sobrn posições alé aí abe rtas a nã.o-dlplom_ados, o q tlf! tem
A isso é necessário acniscentar a desvalorizaçào majs uen1 cnrnuílnda como efeito ~hT)iC.~r a des·~·alorl2ação dos dipl01 na~ Hm ltEmdo a concorrencia~
que resulta <lo íato de que as posiçõ'2s (e os diplomas que conduzem às mas ao preço de uma re -lriçáo de oportunidadas de cti.tTeira olerradus aos
niesmas) podêro ter pe rdido o seu val.or dist intivo , se bem que o n úm ero não-diplomados (que <.:arneçam por baixo e segL:em passo tl passo 11a
de cargos t enha crescido na mesma proporç~o dos diplomas que, no carreira}* e de um reforço da predf.?terrnjnação escolar <las opo~tunicli:1d as
in icio do p e.rlodo. davam aces.so a esses cargos (.;! p ~la n1e.sn1a razão: é~ de t rajetória proflss~onol. Entre os quadros rnédios da u.dmin1striicão
por exenip[o, ü c~so da posiç5o de professor q ue em Lodos os r.lveis, {homens de 25-34 anos) nà(l se contavam, ~rn 1975, rnaii,; de 43, J i/"í. de
agenles totalm<mte d P.~rro ·,;~dos de d1p~oma d ) ensino geai ou tendo
1

perdeu .s ua raridade .
ape nas o C.E.P. contra 561('> em 1962 ~ parl'\ os q uadros superior~:; da
O cre..<;cln-,en to muito rápido evidencJado p ela esco]ari2eic~ o das udm irnstrução ~ as prc porçoes flr'clffi r~pectivarnente de 25,5'.~·~ ~ 33'f~. e.
m en lné.ls parckipou da desvalorlzação dos títulos escoiares. E rnnto inais para os engªnhGi.ros, de lZ/~1 e17.4% . lnv~r::.arnente 1 eri1re 1962 e 1968,
que a transformação das r~pres entações da d~vis.ão do trabaU10 entre os a p arte dos p-0nadore.s de um dlp!mua de f!nsino super;or p éL SOU de. 7 :5%
sexos (marca.d a forteinente, sem dt1vjda, pcto crescimento do acesso di:.=s p~rct 10 ,2% e.m n~leção aos quadros ~uperiores da administração e de 68%
menjnas no ens ino supetior) acompémha-se p or um crescim ento da p~rte para 76,61f, em rQ]aç5.o ao~ eng,énheiros. Da1un1 decré.scimo da dispersão
dus mulher~s que lançatn no mercado cJe lrabalho dip!oma s, ci.1é então dos deren1 ores dos mesmos d1plomas e ntre. cargos dife rentes e da dispe rsão
p<lrc1a1nl~nte guardados con10 reserva ( e .; investjdos" sorn í!nte no mer~ segundo o tit ulo escolar dos ocupm1~es <lo tnesmo cargo ou, dito de: outra
cu.do lha lrimoniar). E esse! crcsc.irn~nlo é tanro rnaís rnarcr1do qua nto o modo , urn reforço da dependência entre o título escolar e o carqo ocupado.
dip]o m(l possuído é n1a!s elevado: é assim que a p<lrte das n1ulheres de
Vê-se que o rncrcvdo dos cargos oferecidos ao titufo escolar não cessou
25 a 34 anos quº-. detentoras de um diplon1a superior ao baccalauré at, de crescer, (! claro, em d~trilnento dos :nào-dipl01nados. A gen eral~zação
exe rcen1 uma profiss[10 ~ passou de 6 7 ~ 9% e m 1962 para 77 ,5% em do reconhec1mento co nfe rido ao titulo escolnr te m p or e~elto, se1n dui...•id.a.
1968> atingjndo quase 85% em 1975.
unifir:ar o sist et-:1a oficial de d1plornas e quaHdade~ que. dão direiro à
Jsso significa1 de passagem, o seguinte: p~lo foto de que toda segr~ ocupação de posições sodais e redur.ir os l'.lf º-it os de grupos 3sd ados. li.gados
gação (segundo s ~xo ou etnia) contribui p ara fre~r a desvalorização p or um à exis téncla de espa ços soc)<lis dotados J e seus próp r1os prindrio~ d€
efeilo de numerus dausus~ toda dess@-gl"egação tende a rastitu1r sua plena hlerarquiza,ção: sem que o t ítulo esc;ular chegue jamal~ a iin por-.se c:omple·
eficf1cia aos mecanismos de uesvalcrização (o que faz con1 que~ con10 tarn ente p elo m cnôs, fe ra dos lJmites do sist en~â escolc:~r1 co m o padrão
1

rno strou um estudo arnerk:ano sobre os 12.foitos eco nô micos da dessGgre- (ln1co e universal da valor dos agc,,mtes ºconômi,..os .
gação racial~ o s n:iais; desprovidos de diplom.as sejam os que n1ais direla-
n1ente se ressentem desses efoitos).

1 o I' 1
Fora do mercado propriamente esco~r, o diploma vale o que. d'? dHerentes frac6es QOS indic.adores (]nfcdi2n1ét':lte r muito imperfé1tos) do
ponta de vista e:::onôtT1ico E?. sodril, vale o :seu detentor 1 si:;:i.ndo que
c;. rendim :>.n to :::lo caipttal escotur dep,znd~ clo celpital ~ronümico e
volum e º da <Bt rutura do ca.pitaJ que e l~s detêm. P or não se p oder
t!~Labelecer, crn110 se dºsejarla a ~volução por e~ egori.a.s discriminadot"a:S
soi;::ial <]Ue poclP. ser consag~·.ado a sua valori.7'41çe.0. De m0cb geral, 1

f.J~ quadt"oS tt'.r11 tíl<J.ls chance de à5éender ils i1mçõês de d}reçâa do do n1ontan~e da rénda 1 de uma parte. e da (:!st rurura da renda~ de outra
qu:e ~s fun ções de produção, fabri;::açâo <.!: manutgn.ç.âo. na me- pane, para o p ~riodo de 1954-1975 (o que le'"'OUa reproduzir um quadro
d)<la em que sua origem socia l é rmüs elevada. A a:nál~s~ se.- - 2 bfa - ap resentando essa ravGlução por categorias aproximativas para o
cur.dâria ~1ue fizemos da enqLLête rnaHz:ada pe~o INSEE em 1964 pe.rtodo de 1954-1968), i ndko~1-se1 a'érn da distribuição por Jon1es de
sobre a mobilidade prof iss.ional e·.,·idencia que 4 I ,7 % das. fi lhos renda, o montante da renda dedarat.La aos s·erviços hscais. font~ e~plorada
de! membros de profi ~sões liberais, 38.9% dos fUho:5 ·de pt-0 fes- µ~lo INSEE, ainda que se safüa que essa rc?nda ~ subestJm.ada em
sorns qu'1 sã o engenheiros, quadros médios ou da administração,
proporções n1uito vatiár...·ds; sizgur.ido A. Vmen~uvia -· '·Les reve.nus prin1ai-
t'2cnk:os ern empJ'esas , ccuparn 11Jnções aidmtnisti::ativeis e de
dlr~ç~o geral contra 25 1 7% do conjunt e. Ao con1rárlo, 47,9%
rn.s çies ménages en 1975 ·· ~ in Econo m ~ei et statistíque, n . 103. smembro
d o5 fi ll1os de ()'J·e rári os qualificados : 43 ,8 % <los filhos de com ra- d e 1978; p. 61 - :rnria pre çiso m uk~p icar por l, l OE salârios e venci mentos.
m-•srrns. 41. 1%dos fühos de te.cn ic.os d es emp enbam funções d 2 por 3 ,6 os bcnefkb.s agrícolas. por 2, 9 os ga_nhos de capita~s mobiliários
produçâo , fabricação e rnanu e nção contn~ 29,7% d0 .çon,íunto. etc . ~ vê-se que basta aplicar Qssas con eçôes paru restltLfü a seu verdadeiro
Sabe-se também que~, em 1962, os quadros sup.ariores :saldo~ de ]ugar as profissões independentes e, em p articular, os ogrktlhores e as
famiUas de. empregados reC·"'birun um s.:i lârlo anual médio de 18 artesãos ou pequenos com.f:!1-ciances. As ca.tegorias mais ricas (relativamen·
027 F ce ntra 29 470 F ~ra os fithos de jndustriais ou de grand~ rn) en1 capital econômko (tal como se pode consiatar n-ted1ante CJS
com crciantcs~ os cngenheko.:; filhos de asi!alatiados ag:rko laJ: ~ de
indicadores da possº d~ •.,ia]ores n1obiliárlos, J e propdeda.des rurn.ls ou
camponeses , 20 227 F con.tra 31388 F para os iilho. de industriais
'2: d~ gr(1i"ldE?S eome.1c..!a n.t~.
Hrbanas. etc.) t~nd~rn ~ n.:?cuar, de forma bas.tanie brutal, corno o mo.sha
a diminuiçl!lo de st!u vnlume (e o Ci1SO de agricultore.s, arlesãos. com12:rdan-
tes e industriais} f~ o foto de que a pnrte dQjo ve n s djminui ou cresce menos
A rran.sfonnação da distr;buição dos cargos. entre os pot1ador~s d11 rapidatT1 enr~ do qu e etTJ outros Jugares {o fato de que a evolução dos
dtu]os que n2su.ta aU[Ol'r'JaEicarrt~nte do cn~sdn~entc) do nürnero de ti tulados
individLtos de 20-34 anos seja, en tre os pequenos c92nercLÇintes e os
faz com que, a. cada momento: tunô p~rte dos portadores de títulos - e at'te:;.ãos, ig1...1al ou flge1rameli[t~ supedor à do conju nto da caregoria pode
sem dúvida. em prtrr: eiro lugar, os que são maís d<asproviclos dos rneios
se explicar pela chegada de c:cmerdQntes e ·artesãos de urn novo estilo}.
h~rdaJo:s para faz~r valBr os. diplomas - seja ·. . .1füna. da desv.alorjzação. As
Uma parte do crescimento apan mte do capi~at escoJat (e , ~fi·rn dúvida:
estratégias. com as quais aque]es que estão n1ais G.xpostos â des\.'a~orizaç.Zio
econômk:.o) dessas c.ategor1as d(Ne-.se, sen1 dúvida, ao fato de que o êxcdo
esfor~am·s~ prn· Jutar - .a cut'to prazo (êlo.Jon.go de soo pr6ptiél carreira) ou
d longo prazo (rner:Banle as es1rntégias de es.colariiaçáo dos fi lhos - contra
q'U e::! <;!slá na ori9cn1de seu cled!ni.o num.ético atinge seus ex[ri:it 0 5 ln i eriores.
essa d-esva]ortzação constituen1 um do.s fo.tore5 determ inantes do cre.sd· Ao contrário das pn~ce<lenk~, as frações de classe ticas ern capital
nterito do número de djp]omas distrib~J1doii que, por sua vez, contribuí para cultura l (medido, por ex~rnplo . p~las 1axas de portadores do B.E.P.C. 1 do
a desvalmização. A dia lética da desvalorização e recupera~ão tende. assirn, bacca,'auréa t o u de um d iplorna de estudos superiores.) conhec~~ran1 L1rn
a n utri r· sº a si própria. cre·5cimento ben1 signiíicatii,Jo qu e irn p]ica nun~ rejui...•enescimento e se
1T.aduz~ Jnais fre~Uentemente : por um a tone femin ização e urna e levação
da taxa de. d~plornadn:; (ais cmego d.as mais 't ípicas d esse processo sàó as
ES1RATÉGIAS DE REPRODUÇÃO E TRANSFORMAÇÕF.S
M ORFOLÓGICAS
ª
dos en-tp:régaclos de escritório do com~cio~ dos tecnicos! dos qur.idros
médio~ e superiores, dos docent es. àcs professores primárlo~ e, .sobretudo:
professores para cs qual<; esses diferemes processos associados sao excepcio·
As estratégjas às quais os indivíduos e as famillas rnnl recorrido parQ. naln1eme lntensos e. 1nuito pa~iicuJr. rmente, na g~~raçào rna1s )ovem - à
sa·lvaguardar ou melhorar sua. posição no espaço sod a[ s~ retraduzem em dif"1 tQnça dos engél1he3ros pam os qual,!\ o processo p arece 1mobiliz21do, s~rido
transformações que afetam ~nsepamvelmente o L~o.rum e das diforn.ntcs qu~ ,., taxa de crescim~mo l!. ma.is frnCQ )Gl"a a geração m.ais ~ovem do que
fraç6es cle d as:>e e sua es t.ru tu ra pa t d mo n kl /_ para o conjut1lo). Outrn traço marcanr~ . a estab iUd, d(;! ~~~lai j·;.~ d{)s prof ssões
Para se dar unla Idéia aproximada dessas transformações, construiu-se llb >rais qu '; por llTílj;t po)áfa:a deliberooaae n un~e rLJS daUSHS~ COC15€gUÍU ltmiCQr
un-t quadro que permite re la.dcnar os 1nc11ce5 da evo.lução do volume das o cresdml?.fito nun1~l'ico ~' ' L fo1• i~nlnl<;r o (qu12 permaneceré1n1 rn JJto mais fracos

152
do que nas pro(is;~ões su.p<2tlotes com grande capital esco}ar) e escap~r,
1gualn1ente, à pe.rda da rarklocle. e, sohretudo, à rooefir.llçtio n1ais ou n1enos
critica do cargo que a tnultiplic.acão de titLj}~do.s ·e, mais ainda, a f!XLS[fulcin de.
wn exc.ed~mte de p ortadóres deJ ID.Üos com relação aos cargos. acan-etam.
As. rnodificaçõf2S de estrntégias de reprodução que estão no prindplo
dessas transformações motfológícas rn.arcam-s~, de um k1do. pelo cresd 9

menta da parte dos salários na renda das cat"~gortas d ltas ind~penden te.s
e, de outro, na dive.rsiflca.ç5.o dos haveres e das aplicaçoes dos quadros 1r,1 1 N f"- ~ ~ ·~
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supedores que te:1dern a de.ter seu caplta] tanto sob a fo1m<;1 gçonôniE~ ~ 'd"
(.Q ....:

quaoio sob a forrna ctJ.ltura~, contrar]amente aos empresários~ portadores


sobretudo de capital eçonôrnlc.o~ ~ ·t:)arte dos salários, vencimentos ~
pensões na renda dos empres~tios passa de 12, 9% em 1956 para. 16 ~ 4%
~m 1965; com a mudança das taxinomias, em 1975, 5abe-5e que essa
parte representa 19.2:%da reri.da dos a~1csitos ~pequenos comerciantes e .:-W::~
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31.8:>b da rQnda dos industríais e grandes com€rciantes (Enlte os produtores


agrícolas, ao contrário, ela permaneceu praticun1e.11te constante: 23 18% em
1956, 23,5% em 1965 ~ 24,8% e.m 1975). &ibe-se a liás. que em 1975 .....
a palié nos fundos de recursos da re.nda urbana OtL nLral e da renda f"; u-; C': Ir'; ..... - w:r.. -' r"': :t:_.
rnobiliár1a é 1nLdto mais forte entre os que.dn:)S !-illp12r1ores do setol' privndõ N C'"'.. N
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{5,8%) do qu~ ª-nrre os quadros super]otes do setor público {2, 7%) - Dados.
comunicaiidos por A . Vllleneuve.

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1

154
-
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['.; A t€convers5o do capital econórnko em capital escolal' é uma das
r~ C' '
e.straE~gias que permlrern a burgt1esia de negócios manter a posjçao , de
urna parte ou da totallclade de seus h€rdeiros pennitlndo~U"Jes tirar anted -
1

padarn12nte u1na parte dos benizfícios das empresas indtJstriais e com e.reiais
sob a fornui de salários. mo do de apropr~ação mai~ bem d1ssimulado - e
seTn dúvida! mais seguro - do que. a renda. É asslrn que. entre 1954 ª
1975. a parte relativa dos indus~rjals e grand es comerciantes dím~nui, de
forma bastante brutal, enquanto cresce conslderaveJmente a parte dos
assalariados que devem sua posição aos se.tls citulos escolar~s (quadros,
12ngenhehos: professores 12 intelectuais ~ ffi?l!) que, à semelhança dos q1Ja-
dros do setor privado podem rirm· de .sua~ açõe.s uma pa.rte lmportante de
1

seus r(!cursos - d. Quadro 3). [gi..1almente. a de.sapariçilo de muitas das


ne.qu'2nas empresas comerd ajs ou attes.ana>s ocult a o trabalho cl~ recon-
Vér sào ! mais ou rnen.os bem-sucedido - realizado pelos agen1~s pé!\rt:1cula-
res. segundo 16gicas que dependem , em cada caso 1 da :iituação singular
dessas ér'npresas - e qu·e l~va a uma tnff1sfom1açao do peso de diteren'l~.s
frações das classes rn~d1as (cL QLtadro 4}: a~ ainda, a pan:e dos pequenos
r:omerc;a_ntes e artesãos, as.sirYL corrto a parte do~ agricul o res, conhece
uma queda ma.rcElnte enquantc cresce a proporção de profe ssores primá-
rios, d e (écnlcos ou d~ pessoal médico ou da árna social. Alénl diss o. a
-- nil~tlva estabilidade. morfológiça d~ um grupo prcfisslonal pode ocukar
urna transforn1.a.ç5.o da sua estrutura que. resulta da reconve rsão no p róprio
loca l de trabalho dos i;lgentes presente5 no grupo no cútneço do pedodo
(ou cJ12 seus hlhos) e/ou de sua .sub.slituiçtlo por age.111cs originádos J e outros
grupos. Asshn, p or exemplo, a dimlnuiçao rf:!lativamente fraca do volume
global da categoria dos comerciantes . dea~ntores em sua gnmde maioria
(93%) de pequena~ em pt·e..s~s mdi•..1lcluals que. errL pan e. devem ao cr~sc1-
mento do consurno das fa mílias o fato de pcxi12rem re~istir it crise, oculta
' uma tran:;fo rm8ção da estrutura dessa protiss5o: a estagnação ou a
dhn inuição de pequenos comércios de alim entação, particularm ente a in·
1·;
'=!
N gidos pele concorrénc.la dos supermercados ou loja~ de departnrnento~ é
.....
qua_Q compe.osa<la por urn ct e:>cirn ento do cornércio do automóvel, do
equipamento doméstico (móveis, decoraçáo, C!tc.;t e sobreTudo do ~porte,
- -1- -<l
do Jazer~ da cultura (Uvrarlas. Jo)as de discos . ,etc.}e de farmácias (Pvd#-Se
~ ~· ~
r-
supor que. no inter jor n1esn10 da ~·im entação . il evoJução que o.s núTneros
reLraça.m inascara tronsfonn ações que condulern a um.a redefin ~ção pro~
Htesslvd da profissão: assin1, o fe.chamento dos comércios de aHment.ação
geral~ os Tr ta) fortemente atingidos pela crLst2. 12 da padarias n_ zona rural
pode coexi51ir crnn a abertura de buliques ck. dletetica, dé produtos nat urais
l'egionais, de. dlin1entação bjológica ou cJe p adarias €5pec1a ~zadas na
o:::. fabrjcação do pão à anüga). Essa.5 trnnsfon11ações da natureza das empre-
8 i o-~

~ 2 "' L."'~ -t
sas c.oHterd~1s - que .são colTefan!i..•as. d ~ transfon uações , 1;1 0 !n es.n10
u- .....
-e "" ,.,: ;:"'"JC'

p eríodo, da estrutura do ~cnsumo tias fan1m~s qu~. por suõ vez. é


r- ,_

~ ~ :-...
.....
cctTel Ativa do crescim ento da rcnd" é sobrell.ldo , tah.1€Z, do aurrl~J\lO do

lf(l
capila] culruraL descmca.de"'do pela. Lrêlnl:llação da esbi.Hura de oportunida- 4 . As mudanças morfológicas no interior da d.asse mé dia,
des de ac~ss.o ao sistema de en~lno- estão ligadas por uma relação dia1ética ~fJI tlUTil ~'{.) TrJ Xil a rl'.J~l d 1 Parle dAs •M 11l ,r~l' 11:1{.)
a urna elevação do capital cullural dos proprietários ou dos admlnistrndo- v71riaç.ão ~'J
1
res. Tudo leva a crer que a categoria dos artesãos sofreu transformações 1954 19&2 1968 1 ~.'5 t9ó4 l :J·G2 :'J 8 l 'i!i4 : <J(,2 1'J >8 1975
internas um pouco semelhantes"às dos con~erc1ant es; com efeito, o rápido l9G2 19ú.lõj 1975
desenvolvirnento do artesanato de luxo e do artesanato de rute! que ex)gem A11; 1( ] :.; 14.6 11 .2 9.3 1&,ú -2.1 ·Ü,!) ·2 1 1 ,..~ 16,0 14 7 11 ,9
l·\~~111 ::'t ::::s.
a posse de um patrimôn)o econômico, assim como de um capital cultural.,
velo con-tpensar o d~clinio d~s camadas ma.is tk~sfavorecidas do arÜ:!!SaT)Ci[O
tradicional. Cornpreende-se qu€ a dhninuição do volume dessas r;at€gorias
i:•Jrnerd..:nll;!c;
--
kmpfegaco 1j .
24. 1 20.0
- L5A ] 1 ,.1 l ,'.l -1 .7 -1. 7 51 ,7 51.3 50.2

e: "l ..
~S.2

l 3.4 o
médias se}a acompanhado por uma ~ levação do capitat cukural medido
n;rncrdo
l·)~J~'rrJÇ!rtdt J'. : ,,;
8,5·
--·
9 ,(l 9 ,4 (j l ,) i.4 ~2
--
57 1) ';;) I ' o" 59.4

pelo nív e] cfo ir1strução. ' • 1.~nit6rio 3: .3 33,2 :i,7 3K5 ] ,<J J ') J :=;~ n sr:·,4 Íl 1,CJ 65,0
--
Art<3sãos OlJ ccrneirc1anres de luxo. de cuJtura c u de aute, gerentes de QwlCTJ-O:. mdk:!> LI~
;id1 i;i1.i~•I 10 2 1L o 11 1 12,0 20 Z.b 3,9 24,t; 31 ,. 1·1 .9 44,':·
' boutiques" de çonf~cção. revenrledôres de ··grifos'' 1 comerciant~s de
1

Prok.<:!!CC'C'.:'~ pr!mê.ik....=. 7 i'I .. 7 íl 84 9.] 4 i· 4.9 4 .0 t)g_3· 65,l li2 7 , r,,3_5


roupas e d~ a.d'2r12;ços exóticcs ou de objetos rústicos! de discos, antiquários.
dec.oradores. designers , fotógrafos ou mesmo prnprieEár~os de restauran- reé11'cos J . ,.1 ü.1 8,0 1 1i ,·1 ,l !-')- - 7,5 5 .2 7.] 7,9 l 1,3 1q,.:;
rcs ou de "b1strots" da moda. cermn ista.s prov~nçais e livre~ros de vanguarda
~n l
e;., 11111.,:,-1'\
11 1i".;~H-:'cr ·:.;<.i(lis 1.9 , :t.& 3,"i 7,.H 8.'1 .S 83.2 79.0
m11penhados ~m prolongar paro além dos ·estudos o estado J~ índistinção - -
i
~

... lrr::hLi1 :da 05 s~r./.~o; 1r.a iic{l-Súcli'll$


entre o li)zcr e o trabalho, a mlllt~nda a o diletant]snlo, cn.racwristico da
fnn•~: 1.. TI1iJ.. ,,11r t. L. ~1~ari :?iS s~Ctillci;,;n L9í' 5 l'e-:t~ G1C!:"1 du salariat" in.Eçor :1m ,,. ,,~ -~Ml 1-< I fºJlt~
c.:un díçi~a ~studantH, todos ~sses \'endedorés d12 bens ou serviços culturals. / ._, J~i1·t 1C-i"1:>rõSl O dlJ ) ...,
lV n -~
t 1' . r. ..~ ..:J
- • do.:i dL~ fJLIO:irO . ~I ~!i,lr~.Ll$ ' lo \,Ô0:,~1 1 11? ~!.\L:'..-!SÜVO';chs
Ó S C.:t
encontram ~m profjssõés antbígu~s. à rm~d1da de seus de~e:jos, em que o f"l!~('l .Sel'lt llentr~ d . 19S4 (! 1962' d~ !;("tll!fagL'lT I Lfo qu.-..rh> ,!11 1 1l"Jf>S e "~ $ ~)!);.l;)l~l'Ul peli quinto eJ) "1
êxito depende, pe~o menos , tanto da distincão sutilrnBnte desenvolta do 1q "1t". '"'.
, ;:). ~.e. ..1_ .J _
as 1..i.<il.Y..15 . ... •
1 111p=rr.iw1~ mais prni"~;;.;J'J <lt: 11•• " ~.~· µód~ d~-µ~ robre ~e ~tiodo.

"-!.' , 'i ' ue. t1nl re 19:54 " 1i:;l/5, , '!li 11111'~ d\' r,i..:p11I 1ç·r'.o otov.J foi r)'.Jti'lo,.o.elmen~c. mod:.f icufo: enquancc-
·vendedor e, aces~oriamente , de seus produtos, quanto da natureza e <i L~xa d~ a:;no'.'1 úo~~ , .-1 11 pr.~~t': ~:s 1; .~~:,.:tlllnaJ.o!i p nssa.1 cl.z. 26.7 ~ ~~~ 9.3~ e. a t:i..'<il d.a opr-.rát10~
qualidade das mercadorias, um t1leio de obter o ·rnelbor rendhnêrlto para ..i .J111 r.1.:;iu r 1t• ro i 1g • ra111 ~ 1C1! ·:~'"' 3:-l,~. ]Jdr'C:. 37 7-:tiL o con,1unto é.:i. cl~se moola co1:h~~c:1?1J lJ mP.i ÍN1·:'"

l. i.>:11 d .. i'Hi~.-in a;11LO lpd:;~rn:Jo d t 27 X1pura 3 í'"Xi d~ :;:iopuh~iio ~tlv?.f - <'!n rl<1 f~t":~ 1i'>;1i-,:;, dt> n11m .:t;1t:i
um c~pitol cultu. a] no c;ua] a çompetiincia técnkc.' con1a menos do que a Ji1 1 x:i;~u1 · ç.;o •-.s':lt)l1J:-ihd.a desse i:E(or·, COIT'.O mos~ra. e Q.:.:ulro 4 - r. ?..> 1,,:;i~.. ~ d~mh 'l!1 111 • •.·lu ~l!u.:. "IF·li•,1,,-,i.;
fatnlHaridade. com a cultura da classe dominanté ~o dorn1n1o dos s1gnos e p.1s•:..:1:- de 4,3~ mm1 7.S':U.
emblemas da dis;t!nção e do gosto. Sâo outros tantoo traços que pr~L~.>ãem
esse novo tipo de artesànato e de cornércio com g:-and~ lrrvestilnento
e: ,111-ural. que orna possível n ren1abll ldade d a hera ri ço cul IJl ai~ d ~r J.tarnent·P. O TEl\itPO DE COMPREENDER
transmitlda pela famíliél. a senJir d" refúgio .a os f~.hos da classe dorrnnan1 e,
e~im inados pelõ E!:i cola . En tre os efeito5 do processo de inflação de mulos esi:olarns e~ da
desvuforizaç.t."10 correlativa que, pouco a pouco, obriga rodas as classes e

,- 3. As mudanças morfo~ógkas no inteTior da classe dominante

-
1 ~54 1~5? J68 11}7 5
1 1
r ;!Ji.tl u11
•...
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- l'!l)
r1i'l ç.<10
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: Y.'.54 ] cy62 1968 17 ,J4 !'-JbZ 19 68 1975


..
frações de classe - a cmneçar pelos maiores utilizadores da escola - a
i~Hensiflc:ar s?..m c:es:;;ar sua utilização da escola e a contrlbuir, a~51m. por
sua vez! para a superproclu~:ão de di plomas. o ma1s impottan.e é, sem
d(1vida algunrn, o conjunto de eslraPg;as que 0S portadores de diploma~
de11valori2a.C:os 1em acionado pârn manter sua p 05ição herdada ou ob er
• <)(ú~ 1968 ~ g75
-Grn 1:Je1: con • •r1.·l.=t:"it r:.:. -- de -ºus diplc rlia:!'. o e,quivalenle rea~ ao qt~e e.stes garantiam num estado
:n.a 17.0 1 1 ).~ 1 1 o -1.5 o o' -4.~ 1-1 '--) 14,2 -' 3 ,7 13,S
0.6 - 3 ,.:>.,
ar.. <?rtcr <l~ rE?lação entre os dip]oma:;; ~ os cargos .
1 :lu~tririis
.-
11.C
-
7,9 f>.~~ .3 5

·1 7
+O 5 -1 2,0 -12,9 15,6 17 3 19- ,~i 22.2 1
~':.1 .2 30.2 ::(2,9 30,8
Sahizndo qc.e o que garant~ o fi~ulo ~sco1ar - nessG aspecto ! mais
P1 ,1fls::!L1n~i$ libern]S
c;.•u;,dr~ superiores c.ki
1 ;1 ,ít l 2.3
--
10 9 líl.l
próx~. 16 do 1:~ u lo dt?. nobreza do que desta espécie de. t icu]o de propri~dadP.
wJ111itn'1ll'oi'.ç~o 33,5 '.J,7 l5 3 . 3.8.3 - 3 q ·I :}, l - '.}
\..!. 'J S.6 11.l ] 3,4 17 ,l 1; m qLlt? é. transfonnado p elas definições estritamente técnicas - é, nn
E1 1~:mh :>~ ros 9.2 13.!J ! 4 / t 1:-..,o -7.8 +f\1 - 4.7 2.1 3,2 ~.4 4,4 •xp erl&nda soda], ínfü1ltamente outrà cois41 e mziis do que u dire~tu Je
PI of~<;or'2..5 1 proflSsóe> 1 ocu pat un121 pos1ção e a cap cidade pára d~sernpenhá~la . imagit1a·se
li~·'li'lrí<1"- " 1':4~x:a5 9.71 12 ~ 1 (:.,(1 22. 1 1 5.7 .. 9.3 <l.5 39.9 43,U 44.7 47 ,ô íad lt nenl í-' quti o.s porladcir s d d;plomas desv'"!lori.za.do.- Séntern-se pouct'J

158
JncHnados a percc?;ber (e n todo caso~ isso é dJfícH) e reconhacer a desvalo- ccn10 o conjunto dos pa)s. vizinhos, cofld1sdpulos (a "tum1a ''). colegels
r1zação de dip]on1as GOS qua1s estão fortemente tden•ifkados. ao mesmo pode cun[ribuis· para mascarar 'f ortemente os efottos eia desvalorização.
1en1po, objº'tivarncmte (en1 grand e parte , são constítutjvos de sua ídenti- Todos esses efeitos <le lrrcconhectmento tndh~dual e coletivo não têm nada
dade social} e subjeth.~amen1 e. _!'v1a~ a preocupaç5o em g(:)rant•r a auto-es- ~lusório de vez qu~ p odem orientar realmente l.ls práticas e. ern particular.
tilne. qlle 1ncli.na o ind~v[duo a se apegar ao L>cdo r nomfnal dos diplomas e as estr<lt ég ias individuais e coletivas que visam a afinnar ou a rnsrnurar na
cargos não chegaria a sustentar e Impor o ineconhecimento * dessa objeth,iidade o valor subjetlvamente ligado ao d1pJoma ou ao cargo e podem
desvalorização se n5o reenccn1:.ràsse a cumpliçjdadc de mecan1smos obje- contribuir para det€rminar sua reavaHação real.
tivos! do~ quais os rnais importantes são~ por um lado, a histeres,e dos Sabendo que nas transações em que se define o \.•ala r de mercado do
habltus que fev~ a apHcar, ao n.ovo estado do mercado d e dtplomas, ítu]o escolar a força dos \Jendedorn.s da torça clé! trabalho dependê~ s12 se
dekrrninadas categorlas de percepção e de apreci.;lção que corr~spondem deixa de lado seu capltal sociaJ, do valor de seus Htulos esco~ares e isso
ã um estado anterior d€ oporlunidades objetlvc.s de avaliação e, por outro, a ~ontece tan o mais estreitamente quanto a re.lação entre o diploma ~ o
n exisrnncin de mercados relativamente a u ônomos rios quais o enfraqu~ cargo é ma is rigorosamente ccdificada {é o caso da~ pbsições estabelecidas
d rnento elo Vê)]or dos tjtulos esco~ares opera-se a um rilrno 1ncnos rápido. em oposkào às pos1ç.ões novas), vê-se qu~ a desvalorização dos tltulos
O efeiLo dº histerese é t:'1nto n1ais nlarcante quanto rna1o r é a distfü1cia ~!scolares serve diretarnentº aus int~m:~sses dos deteotore~ de cargos; além
em relação ao sistema íl~~colar e 1nais frê)G:'l ou mais abstrata a infonn~~o di.s~o. se os portadores de diplomas '2stão vjnculados ao valor nmntnaJ dos
sob. e o mercado dos títulos. escolares. Entre as 1rtfom1açõG.S consíitutivas liploma.s, islo é. o que estes garan ]arn ~ ern direito, no estado anter'ior, o$
do ~pilal culturaJ herdado, uma das mais preciosas é o conhº'dmento J etentcres de cargos e-tão vínculados ao valor real dos diploma ~ , aquele
pr-ático ou en1d]to das fü.Jtuaçõ~ desse 111ercado ou seja. o sentido do
1
que se cJ~t~rm lna no momento con.s3derado na concorrência entre os
InvesHmen f 0 que pennite obter -0 melhor rendirnento do capital cu]turai
1 titulares (os ~fe1tos dessa espécie de desqualificaçfü) estrutura] vêm se juntar
herda.do sobre o ·mercado ~scolar ou do capit.,'\l escolar sobre o tnen:ado. a todas <15 estratégiar.:; de d<2.Squalificação acionadas pela." empresas, desde
de. rrabnlhc ; nesse caso, por exemplo, c:onvérn sab e.r abandon<lr a tempo há muito rnn1po). Nessa luta tonto ntals desigua] quanto 1nenor é o valor
os ramos de cnsh'lo ou as can-eiras desvalorizados para se orlenrnr eni retaUvo do d ip lorna na h~erarquk.t dos diplomas e quanto mais desvalorizado
direção de ramos de ens]nQ ou carrelras de futuro, é)O invés de .se apegar &. o mesmo, pode ocorrer que o portador de diplorr.as não rnnha outro
aos valores escoJares que proporcionavam os mo is altos lucros num ~stcido recut-so para defender o valor de s~Ll dlplmn a a não ser recusar \.•ender sua
anter!or do mercado. Ao contTàrio, a histerase das categorias de p eroepção força de Crabalho pdo preço que lhe é oferecido: nesse caso,~ escolha d~
~de E1preciaç5.o foz corn que os portadores de cilp]omas desvalorizados se ficar no de..semprr2go assume o sentido de uma greve ·( ~ndividual)~.
tmn em. de algum rnodo, cúmplices da sua própria mistificaç.ão de vez que~
por tun efeito tipíco de allodoxia, atribuecn aos diplomas desva]crlz.ados que UMA G RAÇÃO ENGAN.ADA
lhes sào oL.Horgados rnn valor que não U1es é objet~vament<~ reconhecido: ussim
se expllca. que os mais d~spro\:ldos de infom"taçâo em relação ao mercado de A defasagem êntre as aspiraç.ões que o sistema de en~ino produz e as
diplon1as - qu12.! desde há muito. sabem reconhecer o enfraquecil.ne.nto do oportunidades que reahnente oferecê f:!. nu1na fose de inflação de diplomas,
salário real pçw tras da conservação do salário nominal - possam continuar a um fato e:-1rutural que afeta! em diferentes graus segu11do a ra:r~dc~de dos
buscar e aceilar cs cerHHcados que roce.bem em pagamento d€ S€US anos de respectivos diplomas e segundo sua orígen1 sociaJ>o cml_\unto dos membros
estudos (e, inclusive, qLJarido sào os primeit·os a ser atingkfos 1 per falta de
e~. pital social, pe]a dcsvnlorização dos djp)omas) ,
O apego a un1a representação anUga do valor do di.f)lom.a. fo.vor.e ddo .:i. 0 e.r;lu:::lo d i:. 'I' •,il')Jui.,;fo :11'!' <l~f)"l;ulr l.=t~ ~ c fottas de ernpr~o J::~mfü.• fu2er IJ 11), !.d i'.:t.1 Sr'>.'.tn C.(iv~..:J:!i par·
ci. 1 , i"':"rpt:rfd~fl. rl . d~f..::t ~·?..g~m f;." ltm as a!:~i~;:,o.ções do~ l'9 'r·.t ·· · ' f>.) r~mp1 "'QD.:'l que lh·::s s.=.c,
pela hLsforese dos h~bitus contribui, certarncmte pm-a a e,-..;istênda de mer..
!
J 121i··'l'o t) r;. tn, prnpói::tos: obsl'::r'.'u·se <lS'Sirn q•..;e. dii!. :.:e té t1 1b ro d~ 1 9.~ S a s..;1anbro de: 1967, e•
cados nos q ua.ls os tlnuos podem escapar (pelo n1enos, nn aparência) à des- ~lÚ!fü~f:- 00;\ q ue proc 1.!Yu1Jum empre:JO IXlrrL id.'Jd1~ lr"1F.m:.)l' a 11'1 ari::::~ :JU.r~e l1nh~ bipllc1'1do.
~"'!')(jWllj1C o 1-;úmeo de e l~:-lils Ui!' ""1'! 1préfló pri!i trril n.~ç,~.J r?.ELiKic n t.ri:J; <1 'efas..'lg c m ê pmticul,'1 r-
valorização; çorn efeilo, o valor v~ncufo.clo, do ponto de \tfa;l.a objetivo e
:nem~ l mpc;r.a::-ite n::: qu~ :::or..::"°rne <..rS e·1 nrJt•' Q0.3 ·:n ~scrtl6~ios e similares que er<tm os rn,1b
subjetivo. a uru titulo escola r s6 se deflne na totQJidade dos usos sociais qlle pro::ur.:C.Os i,,s ll~m<1n1.1,!S t~l .•1i~·.:ts .:i,15 L~r íipre~:::s "n 1~critr:..ricis T~p11?:e".!oJ111 30. 4';{ d:..: rnn:•.tt,1c} rl?L'.
d~li~ pocforn sºr lciios. É assjm que a avaliação dos d1pl. o mas que se efet ua den·...100~. l 'l n-1u(11 :~(" ;, •JI ·:TI1í!i crirr ·sp:ir~ni.es !": • réfrl1'.srml~m 3. 3'h. dr:; cr•; r 11 111.> da:-. of m .:r5,
Pa~ece qulí! J t n~h..>'t • ~r[ • d· is lu.,\?rL'> á pr , urn de: •.!1n ett tµ regü esi.'10 1 1::el.; t11en~. , ; c;o 1~~1 1;•ll~·~::.
nos gru pos de j11terconhécírnento mn~s dirccamente subn1etidos à 1xova, en:. c bl;,. r ur;·, l!ll •[ r~ go o:,rr,,~'ili nclvt rce ; 11a qua'. ifi <11)k1 qu<n tlc• i:J1) gi.'lr., nlir 1.•11t .!!l'll~ric t::1nkrrrn1~
(ts ::..•1b·; 1.,pl~11co::i•"?S· 4 4>-.!. nà·::i .r.::CJiiil1iacr. um emprego nilo ·· 11eSp1.:1 -h ~1;J '1 si..· • l)!.J?.o li:1rnção:
35% r''"' íl,.tl'i11rn 1<'n~· .•r ttm .;t.l11rJ( " ( m eor ~~ que j• tl~i'IVóm 1'2: tl~r·~ito (d M1 MM·~(!r..Ot 1 N. /~isê,
F. f<• t1l -J1t<,.11 1, l...-:.: 'r?.in.'1.!: fa.cí' ,, l\. mpk:i , P õ1U., Ed. Univ '~11.:ritu.:;. E i7G . 1' :230:·
1

160
d&t 1Jma geração escolar, Os recêm-ch~g.ados ao ensino sectmdário são se eles sentissem que<) quº está em jogo não é mais ~ em todo ça~o. como
levados a esperar, só pe~o fato de terem ~1do acesso ao mes mo. o que f!!$te ant12s um fracasso individua]1 vivido, com. <::>s (Z.ncorajamentos do sistêma
proporcionava no tem p o em qt112 ~st~\~am excluidos desse ensino. Ta.Ls escolar. como imputável aos Hrnltes da pessoa, mas a lógica mesma da
aspiraçoes qL1e, num outro tempo e para outro púb lico. e-ram perfeitamente instituição .escolar, .A d~uaJificaçâo estrutural que afeta o conjumo dos
realistas, de vez que c:órte~po11tliam a oportlmidades objetivas, são fr.eqüen- n1embros da geração~ desUnados a c-bte~ de séllS dtplmnas menos do que teria
r12.rnente desmentidas de forma mats. ou menos ráp ida, pelos VÉ!r~dlctos ç.lo obtido a geração· precedente. está 110 prhlcípio de uma espécie de desilusão
merceldo escolar ou do rn~rcado de ' rabalbo. O menor paradoxo do quê coletiva que ]ncita essa geração eng.anarJa e dés3'uclld.a a estender a todas as
se c hama a ~· den1ocratização escolar'' ~ que t~nhç. ~Jdo tlecessário que as inslit\.llçôes a revoka m12.Sclada de. re.ssenUrnento que ~he. inspira o ~istema
dasses popuk1res q u~. até rmtáo, não davam importância ou acei1a•y··am escolar. Essa espécie de hurnor anrilns(itucional (que s.e nutre de critica
sem saber bem do que. se tratava a ideologi<:i da ··escola ltb~rtaJor~.' ,
1

1deológ[ca. e dentlfica) conduz! no !imite,, a uma e~péde de denúncia dos


p'1ss~s.sem pelo ensino s~cuncJario para descobrir, mediante a relegaç.fio e pressupostos t-adtarneni.e assumidos da ordem soclaL a uma suspensão prátka
a eBminação ~ a e:scola conservadora. A de..silusão coletiva qu~ re5uJt~ da da adesão dóx!ca aos desafios que propõe. aos valores que prolessa ~ a uma
defasag·en1 estruturaJ entre as ÇJSp~raçóes e as oporttm1dades. entre a rncusa dcs lnvestin1€ntos que são a condição de seu funcionam emo.
idenrldade 5ocial que o sêstema de ensino parece prometer ou aquela que
propoe a ritulo provtsória (isto '2 . o .12stan.Jto d~ :·estuclan1~ - no $.enUdo Os desenc;.ru\htdo:t!õ
''D1: in~:;~. fl7- 011~ tt0>. t'.1-..:::rm:ll'ei um cirn go de L. que fuzjil -E:S:>1?. trnbL"Jlh.o . E:1.1 li 1li.J ,, lis.'!' 1ii
m1Jito amplo que a palar,;ra te.1n ern seu uso popu lar - locaJizado ~ por um t.od.us os ir~tuios d.ri! enqu~l~s du P~r;J. Tcl~k.1 e1 {u1:1 1 1~ r.rc. ur~ i 1rrant e d::;~a m iEes. firz1lmer.1.e
tempo rm:ds; ou menos lon go, fora das necessidades do nmndo do trabalho 1 a::he.i lrab.:"'!!hi;i. DepoÍ3 ao fim d<? alguns meg """· tleti! J'i'Jlll -de mi;: chflno.·:.r nfm ha--;11) l S:~i " ~11:1u~('.S.
no estatuto ambfgL~o que define a adolescência:) ~a identidade soda] ql1e Eu tinha direito 1)0 "seg:uro tltsE'ml rizgo" O fJL'i> f . ,por 1 rw:~). ~ g~1~t·., ·~hrq,u .:tS..'11111 s.l'rt.:: mr:?.S-..,..5. em
r,~guldP.o ,1 ~l~!~~e ~·i1.Jlrna durante cfois m 1Ç!i..:!5 . bepois 1.:ol~ci il foU1 er,;,1u~CttS dt..H'bflle q11!'!13~ s,.e<:.;s.
fl!l. .i't
of erec~ rt!alrnente, para, qu~ .scü ·da esco l~, o rn€rc;;do de trabaJho, está mes€8. ,il'lhi'.'1 un l ,·oiur' Lú 1.:.:11" 1 1~1 i-1po dct1.::r!r~1n.:1(Y.1 mas dei>: 1 a C:$ ri lt.Jrio, .;ó Linha l&iic.:ü li!
no prtn.dpio da desaiec~o com re~ação .aõ trabãlho 12 a todas as manjfcs- demrn. dd\fam e Lrabalho· JIOT ·l:<J p1'iCh(1, r~1 emoorrl . D1J. qu111.iu r m~u:lr ' 1r;;,b...,:lidrl ;.<) 11m .111)1lí;{l
::.. diJ i,;m IJ(...t seu ll11rnP. N11m t11» ri~ Sôi;>_,e(Ji:v..;l{! ~mo (!Ssa,, o 1!fi!lbalho pt:.rn mim nio é o es.s1?J1cii.1l
tãç.ões da recusa da fJnitude socra/1 que es l:6 na nü.z de todas as fugas e Enterdido c-om-o r:.tt. Chinil t!:.lve-~ i::'JJ puo:.!1 ~e t. ~b,c'llh.ü d~}l lic,r;i:;. or dia" (F., 24 a.ni:.;;:;, ·ci'L.~arJa .
d12 todas a~ recusas co·nstitutjvas da "'contracu]h..Jra!' adolescente. Sen1 .\xttx:llÍüJ.J ~a: e a},:ium me_.~ di'i fa::uidad de lrill"i:'15. pa.i qu·:? •.riv~ de 1"2l't:lils:•

dúvida) €:;;s.a discordârid a - e o de.sencantarne:nto que aí se engendr~ - "Q,ll!r d-.i !':~ 1õ m n o::imba nn fio!,. ~ sa cst.:i pi:.~· á. n-i.: rgem : em d ~errrúnadc:; an11'1r::rllo não IJii
mais nrio;: JlL:l.Ç.ã.o pet=éir..'i21 ~ no ím is a; emp-tõ:!g:::s q."" 9i! d~ 1 1~ 5d1 , trrl:vill 11% ;;.m fJll•~ !'it~ ~· ·~a l.rrilkhd.\i.
reveste-se de fon.na.s .dlferentes, do po·n ·o de vista subjêt•vo e obj12Hvo, '1' erJ10 fei~ ~!:!ínpro? biscr.l~i; r.cl-a niu}1·J aµ<1ixo1:;.1 :nl~. e1~t, ft'lr.fJ ect:;mr-1ii'!S pdr • 11.d~ :pM 1·
s~gundo as class~s s.oclals. É asstm QU€! pare os jovell5 d;;;i. da_,,Sse operárlCJi, aburn n l'3l!Q, De qi..;,,:-!.}qu.;::r 11 !OUU. pn1itt• lHlr' . r ·par J'l~O ,np,r- n?.:biio:..
a pas5agern pelo ensino secundárlo tem por e fejto introduz~r quebras na D~ 0-1::; d-e ler ~on11.1do CQrllU~ JIO .l.mc.:~ fi;2 rno f!i1o r fi lHl't.(l ?;ol:"t:nla d~ fi!r.li'IS. Dq~·.:iis,, ~orilre:i
dial€tka das aspiraçõ.e5 e das oportunidades que levavu a aceitar, âs v~:zes 1:rab,1lho num jornill de D::-eux. &il redDLor esbgiãtio, mi.l~ no fim d"' t..loii:. 1 1H~ "·~ i,.: 11 r.:1~1!. e.i..·.:i :1.~
~1l~~'<'J" Ili 11 ~í?gl - 1ti.;. lfo jllftUlli!):a, í!f!'l:ÍCI Cõ'fl~ci-me f! 1~~ 11~rXer 111<1!1 nia de 1.•ii.~ ~gradilr i'IO pcS!óO• 1
com complacêr1cia {como acontecia com os filhos dos rr1in~iro~ ql.Le Tudo e• que l~l I eEcre.-.•iil pas..o:..1va 1 :J.r um cr.-..u Et1 111nibén1 b.:i~-..., fole~. M ~ h31.'li'I ~: <:~~ d•~ for<í'l
idt.!nrlficavam sua entrada no e.statuto d e homem .adulto con1 a d~sdda ~ 110 1r'.i~ll1o:;i, 1-:11 1iAO ·r'.11 rnu~;, <:0r11ba~t...Y.1 i": !'A..Gõ nnh,,1 ·.,.x1ntad~ do:: . Jt<ir. Ao fim de !:ei:s meses. não
me co11fit1!.-'1tr'• ;i"li:Jis lr<1b::.lh.o I::! fu~ erc:º;:ic.:-r.'I. Em ~~ <Jiu.~ me 1.hli!<.· 1:.~~var pL1ln m 1Loda a<lntJn~"'h·r.i;.~
m ina) quase sen1pre comq urna e .rid~ncia, uma coisa qLrn se impõe. o
1

m ~11!ic:r;;\.rl 1 ,,.,..., trab?.ilba1r n 5 C:m d.:..:;. [s;~v na Lni!lgem , ih1rnnlt:i trll!s semam.i!: ~~e !:enh
1

cle!:itlno sodaL O mal- e!~ rar no [rÇlbalho· experknemado e nianiiestaclo, de ·~ r:·Mtrnng do . .:rJÍ num m1.111rlo d• lr"lb.:'!:lho ;:iu u r·._0 r<)ru 1~0~. f'i .('I t0'1":>1111 ."!!> r)ef.~t a:; q11~· rn~
chni~i;il'?Jm, cak•az i\..'l r~l ?.içt..C'.s <:-ntrn cl;i.J.. êi d(mrm.da . ::-ifo h;:wi~ nenl-i..miil ~ôlidari E"d!.!.de. Ao fi:c~ de
maneira patilcularmente viva! pelas vítimas mais evidentes da de.scla.ssifi- ~8s S~(°j[:.!.J~. ri.e tlu'i1iti : '•rnJllC::. 1jfv"o cit.J.Xi li* ~. 1i~1 1,•lct 1.1111 q11. 1 r.JI (' 11·..1d:-1J;,:. u S.'? r ,,..!rar d~ l.A11
caçilo1 corno es,s~s bad1rd1ers. condenados a desempenhar um papel de di•1 par~ ct...'1.rn 1;e1E! hrivii'I fEilv quin.n! m im. tcE í.'t m . is de :11Ler..,L:1lol. E".!l~ =~. l;~ ~:::~ !õc- d{!111i1fr<im. O
:·(111111]0 .Z r~11".1 1.• 'F' .'lçf!ibl'J11 rlc 1.1~'1~ l;ir:-;~'1 '"' ri:: .'.'ir • ÇE, e:=m1do..:j mmc.a t'2 int;<;ressar~m ~ ~·:::.:i'- se
OS* ot 1de cart~iros. ~ ; dg certo modo , comurn a toda uma geri::lção: ~ se. ;..-.~ tnlJim 1•.;q:::dam~t e çoruide:rrido como intelec.1•. :1.1.
isso se exprime através de fonn as ins6titas de lutn, de rejv~ndicaçáo ou de F.111 (~1.Jld , ~f1(:~i)ll r.;:;.;. 1>el ~ A N.P P [A~·'.:1~·;iri N11ckinal l l ar:i. n L-.uprngo] um trab:Lho d12
evasão. freqílen lemenle mal comprnendid.a5 pela::; organiZQÇ0~!5 1rn.d1cio- rnnlabilidr:de num orgô:-ii!:imo d~ 1isrnliz.i..; ãr,;. t!.a i:;:.rn~ b-.win.,.1 D!!JJOi• Linl 1a tld'-' \ 11 11d l:i t i':ti{I i::l.::i
:·o niL".5l!l:l que 11liw dnba s ida JaJ~ J.OJfo l o.:i.: ::J 11 .w 1.: :i. t!l11.jr;:1. dr?pai~ de 1.:..mu -:::le!õcc:n1xislurn. h.1i
nais de luta sh1dical ou política, é porque têm por objeto ouh-a cais ..~ e mab; r.;mbor<J Eu tinba i'lgli.;mLi:d ó ;1i. d::as m ·L . e 111-2i . Em ~1::11 L'l ;)bru "ii u1 r1 1'1'1 "s t! ~ \.<lld 1rna -e ·~dtiJI
do que. o posro cl~ trabalho - a ··.sltuação ,.; como se diz1a outrora. :; A,N P E t.il'lrtj ~rt1 11 1 ;;ir rrl.:lb?.ilh::i f 11i i'<itr.;;·9.=it~<'1t 1 t:1~ ;;, .-?". } <iuríl.nt~· !'l(!I!> 11':.~i?$.. to rmgócia ~n:li~
Profur.dan1Emte cclocados em questão, em sua. identidade. social, na lc1.:::o qu..'i: ~ti li2. I.:. 1.1m lri:::inlbc miernal , chega L.:.m mo1Tier.1.o em q•..-e vo;;e é:1~ti é:..imr>l1:.iV1me11c..:
nll1luco :..obre l:i tui:'l 11lokJ, t,.•Cc~ k.in tt ir'f 1pre~~ció d~· c;.J" L-Xh.:6 qr..:etem e. n Jí~I .. 1)jlxa!)l 1 fc:G dm1nl!I
hnag ~'n deles próprios, por urn sjstecna ~sccla.r e um sbtemei social que Depois de G:-:::is H"".reses dõ? deserr.~·:tegc, m-2" ir:.scr,z·,•i 1m S.:"\".C.'F. [Sxio;,:dúc.11.i: Nd-:'.'il:J1 1fll d"'s
lh€s 1em PàSO com promessas , só podem restaurar sua integtidade pessoal 1;.,iJ.1 1(1(15. d~ F~Tm: . fu. 1'Cl:-ilra:aài p.:i'.l'n .=1s f, 'ia-;, fM!l.:i as r13er...-as ele:ln''.m k'i'ls f.1}pe-i!tdor .não sei a
e social opondo uma recusa global a esses \.1<2redictos . Tudo se passa como q 11\;! ... 1. fiqui!'i qua1ro m e.51.!5 . íui 1'!inb.x 3. po n.l'.•t! ~~nha .;i inl ençã-:.J de ir vi1.·1:!f 110 -ram rx .1 e a inda .as~ou
.11" •:G . 2 • a11r.is, Lr~m1:111 bomb.:'1 n o o:::t::n i.:~11 r~.:.:t D. 1~~ü ~~l!n~~ Ú"' vokia, m.~ fax!n1•IY~i
1
Cf. C. Ma.t hey, ' Reçhe rc he de travrul e t tem:p.s. mi c;btm1.:o.9oc:; il)t(IJ"\.·,~u.!$ •k .50 j~~~
f!'a.vailleurs prl\•es d 'emp.loi ... Úl L'en tJ•ee dntls la vh~ active·, Cahkrs du Cen1n?: d 'é·
hiu1is de rcmplul, 15 , Paris, PCF, 1'111, p. 4 7'9'-658.

162
Compreeod~-se que o confüto <Zntre as gerações qu~ se exptir11e não
A LUTA CONTRA A DESCLASSIFICAÇÃO
..omente no seio das famílias, rnas também na jnstituição ~:scolar, nas
organizações políticas ou sindicais e sobniiudo, ta1v~z. no ambiente do
traba~ho todas as vezes que se '?nconcrarn frente a frente os autodidatas à As estrateglas que os agentes empregam para ev•tar a desvalorizaçáo
antiga que, trinta anos majs cedo~ tinhan1 começado sua ativtdade com um dos diplomas que ~ corre]ativa da multiplLcaç.ão dos titulares - aliás.,
certificado de estudos ou um bre vet* e uma imensa boa. \.'Ootade cultural. habituaknenrn, só é possiv-el reconhecer as mais vis!veis isto é, as estraté· !

gias coJetivas pelas quals utn grupo dominado visa n1an ter ou aumentar ~s
e os jovens ixJcheNer.s ou !~cenctés** ou os autodidatas de novo ~stilo qu~
fevam para a instltujç~o seu hurnor antiinstituc]onaJ, toma freqüentemente vantagens adqulridas - encon tram assim seu fundamento na defasagem,
panícularmente marcante, e1n certas conjunturas e certas poslçõcs sodais,
a forma de rnn confüro úlrimo sobnz os próprios fundam entos, da ordetn
social: rnais radicai e também mais incerta em seus próprios fundamenros
entre as oportunldades objetivãmente ofereddas. num dado monlénto do
de q ue ~ contestação polrtk~ em ~ua forma habitual, e~sa esp éc l.2 dê hui11or tempo e as aspiraç6es realistas que s.ão apenas o produto de um outro
~stado de oportun id~des obj12tívas: essa defasagém é, ma~s freqüentemen-
desenca ntado, que :vaca aq~Jele da prim eira geração romântica, combate,
t~, o efeito de urn dºdinio com reJação à trajetória individua] ou coletiva
de foto, os dogrna.s tu.ndamentais da ordem pequeno-burguesa; '·carreira'',
sjtuação", ''tunn a", "promoção ·', índ1c:e·· etc. 1
'
que se achélva lnscrtta c:oni o potcnda!jdade objetiva na posição anterlor e
na tra)etóri~ que conduziu a essa posição. Es.se efoito d€ t ra)e t~r:z~
Enq ua nto iml 1 962 só 0 ,8% dos p eões com idad e de 15 a 24 anos interrompida faz com que as asplraçôes! semelhantes a um proJetll
tern o B.E.P.C. , 0. 1 %o baccalauréat ou um diploma superior, ein jmpu!sionado por .sua inércia, desenhem, adma da trajetória real - a do
19 7 5 as taxas c.orre.spondem es são 8,6% e 2,8% <em 1975, as
taxas põra os p eões com icl.ade SU.['.H.!d or a 55 ~ rios foram mantidas
H1ho e neto de politécnico que s~ ton1aram engenheit'os comerdt;ib ou
n.urn nh,ie.J rnuito baixo, ou .seja , O,9% e O!31'iL Entre os emrr~a­ psic6logos, ou a do lkendé em direito que, por falta de capitaJ social,
d~s o nde se -contava desde 1962, e mesmo entre os mais idosos, tornou-se anjmador cultural - u1n a traje ótia não menos real e que n~da
uma parte re]ativ(;l m ente forte de porta dores ce d ip lonms, a p~rt a ten1 en1 todo caso. de imaginário no sentldo que, hab~tualmente~ sê da à
dos dip lomas ma~s elevados aumenta mais rapidam eme entre os pa!a~•ra: inscrita no fünago das disposições, essa in1possíi,.1el poten<:ialidade
mais jovens do que entre os mais klos os, d e n'I~ neka. que a pri rte objetiva, espécle de esperança ou promessa 1raída, é o que pOOl"l levm· a un'.3
dos diplomas elevados toma·se ma l$ forte enáre os prirnejro~ do aproxima~..ão. a despeito de touas as diferenças, en'lTe os fiU1os d~ ~~U:gL•es1_a
que entre os segur1dos (em 1962. 25·~~. dos .e!mp re.gados com ida.d~ que não obtiveram do sisten1a escolar os me.ios de [J€rseguk a crajetona m~is
de J5 a 24 anos t~m o brei...oet. 2% o b.;lç. O, 2% um diploma d~ provável para sua classe e os filhos das d';tsses módias e poptdar(!S que; por
faculdade ou de grande é.cole c.ontrtl 38%. 8% e 1. 7 r~. em l 975 .
falta de capital rukural e soda,, não ob"'" iveram de srus tltu!os escalares o que
.sendo qtte, r.n~ra os máis idos.os. as taxa~ correspondente.s Slt~
e~tes assegura.varn num outro estado do mercado - duas cate.ganas que , em
16, l 'X:. 3,3% e 1.4%). Além de todas as Lransforrnaçôes d~
re ções entre colegas de geraçõe.ii. d]ferentes que est€io insc1itas particular; são ievadas a S<Z or1entar para posiçõ.es novas,
nessas dis lribuk;õe..,, é prnclso levar em conta as transfonn~ções Aqueles q ll e pretend€rn escapar à d~sclassiilcaçõo podem . Con1 1

da relação com o trabalho que resukam da >nstélJação en1 rostos efeito, ou produzir n ov<:Hi p rof1ssões mais ê;ljustadas às s1Jas preten~óes
freqüenremertt12 degradtidlos (com a C1uromatlzaçém e to<las as (sodahnente fu ndadas num estado anterior das relações entre. os d1pJo-
forrnas de mecanização das. tarefas que transforman11.,1 m grande
1nas e os cargos) ou então reordenar 1 e1n conformidade com suas pre-
núm ero d e e mpregados em OS das grandes burc(:l~\Clas) de
ag1;:~ntes providos rl e diploma.'> rna~s d evados do q u€ no pa::isado. 1ensões, p.'1r ineio de 1,1Tna redeítn•ção que lmpllca uma reavaBação. as
T udo p ermite supot Qlle a op osição entre o rigor um pouco estrito , profissões às quais seus cl~plon1as dão ac.es5;o·i. A chegada a um ccirgo de
e a té mesmo m esq1...tinho, dos tna~s sdosos e a descontração dos
mais jovens~ perce.btda cérlam ente como um "de:lxur acontecer",
combinadlt. em pan:lcul~r! com a barba e cabelos com prtdos. 11. Coru~a ., rt'p:-~1.:1 ir.:i.:;~o rc~nsta .z :lx1SLl'I q; 1~ ('.'ltfi impl'..:od.a em :. ·~t i!to\ i:i!dições d ~~r.,..'.:~g~~ do
re,t,.?.ilh.c. é preciso ~~I fl l':tAr ftlJG O ,[l"JStO r.ii:J é T 1 tfUf~"y'd t'l~m ;):'.} posto 1OOl"ICO. 151i1 .:!, <li .:tlw1d1.1d~
arributos etadicionais dô boêmja intel ectuaJ ou artisti ca, exprirne ~-~l ~.f>fflf'> dr;1 pede ser ut!Si.:t~I ·~ mn r •gula111e11k1s. nn..:111.:t:rí'. :O ~ crgm1ogrJn~. ní!m aa i-:·nsto TC\'ll
o utra c::::.isa e m ais do que um a simples oposição entre geracões i.11.;: 01 nr) r,11~ pede ser il~:nt•> P•~ln d.l!ií!l'vu•;~..o da a~:·v J.:rJlil r.;> ;il é :iquele que o ç11., 'l~(i, ~ n~ITI rr..c:s~no
ou uma nmdcmça di:l moda cosméti-ca ou de roupas, pda : - e:lL'tt; .,çi rt'f"itre ~ dois. De ruk1 ' 1ontr.. ·l?ffi 5Ud iltlu1iç8.r:. i.:orJn~il qu:i.ntn .:m :suu 1 1>11cl~·~ p:rM1 ' :!.,
O!; tl~kH: são ci cf.Jl<'Lt' dr. lutas pa-mm11:'ntr2:l :1u<> p::.oem i::par r.xs o ti..tfJfltlt·i>S. do posto .:. ~L-1
sup ,,fiorJ::S ou a Sf!U'l subvr: li n~rlo!i ou oc-:s O!:l.Ãi:;,1~ 11l~ d:> pcbl !JS ,:"IZi:ihas e w 11 ·if.f\'ntes ou i.'11cx.-lõ!1
entr i:: el·:?.~ (pr:~ ID:•~rr.pki. 0 r11 ~hg ~ ~ ~. r a:ém•dt(:!Q<:itk1s m d1pJcm:td::is e ::; · 11~~11?1.;ina?os
., N. d J\ Ni;;i ~i~1 Ema t~lui:-.a,~;,:.m:i.I fratYt:...:;, é ' titulo i?!i-e:Ja1 ::bU;Jo após . re.~i;;.:içi:lc:;. d.~ um :.Ul SO
pmflS~iOI HJiz,'.Jnl e d 2 oflt ll:{;, í.,-ito em !ie!l·•.i;Ji't i'IO 1 · cldn m:: .). Os µrt> Ii:;•n(! ~nces c1 • os ocu~i'lnt~ d~ 11m 1:.asto pcdt:111 q,_r b11f'fL!.SSe GJTI n:rld:Jlll", d'~ fo1o
~· 1 ., 11 <l,., dirt:ico. CJ )IJ<Sl Q de '~ m;meiril q ut ..~~ ,-1~c. piY»!I. ~r i::i.:up [tt!:i t>C! o mr:1S , nlem tl(JS
+"' N du R :r"'~cms µon~dor.,s d-a dirilo n1J Lu1i·vers:ILótio do ·· i 1?11 e". tf1ul l~1L"T1 f0...di~ 1tc mr(I t l di"1~nkm~ 1~ r.rnpriedades icl r.11C' ;: ~!J d 'les (.::-f. ai; lutM n<J <-Jo da das.s~ cl.orm11anh~ L!lltre .::~
r. <J .~ • ~ido do~ C?SCLJd\:$ :!.uperkir~
, 1 U• C6 - LI LK..!lr. lb. l)le nàtio11dl tf ~d11111iy.1r.1ú Jlll •!.d11XI ÉnJk!1 1l•,lf1~:+mi,quel).
9
' 1 ' ' d;• acns -o d,.., fato :ãqw.il '25 que !'estão en1
agentes que. seti do dotados de diplomas diferentes daqu12l~s- do~ ocup.antes em ps.Lco.cg.m. erc. - so ao e; """ ~ • ~. ! • ... _ • .,

condicões de juntat a esses dip1omas formats os d1plornits rei."115) ·


cornuns ! traz~m em sua relação com o cargo. considerado tanto em ~ua
definição téc11ica, quanto em sua definição soda!. determlnadas ar1tude.s O peso relafr. .•o das diferentes ~ateg~das ql1e participam d~~
d isposiçõ~$ e exigênc1os desconhecidas. des~ncadeia n~cessariamenva
s~stemtl Je p roducão ct1!tura~ fot prowndarmmte traansforn.rn
no d os d o1s ú.l~imos d ecênios D!> novas. catego nas
transformaç.ües do cargo: entre.as q•Je se observam quando os recém~che­ d o,. • .o on;;;i. l · ·
de p ro clur·:l·r12s as ·alarlados que nasce.ram do e~ '.S~n,r...io v tm~~.~~
gados são portadores d~ diploma!' superjores, as mais visívejs são o do rádio é da tel evisão ou dos organismos. pubhco~ nu pn ~a
cresdrnentó da divisão d o trabalho resultanre da autonornizaçã.o de u11rn dos. de resquisa (]'H~rticularme.me. E!m ciêrtd~$ .sociais ) conb~­
parte das taréas que eram ~té aJI. teórica ou p ratiçamentQ., asseguradas ceram um. cresdm ento cons1derável. (j.s~irn co rno os extrat~s
per profissões de extensão majs ampla {que se p(!nse na diversjfk:açâo das iníer-lo n2s do corpo docente. r.:i nq uan to dedin~vam as prof1 s-
,..a! p"ofL·s .,. ões J' ur1dt~as isto e , o artesanato
profissões de en.sino ou de assistência) e, freqüent12rnente: a redefinjção s õ es art .~s nc
· az::- ·e ....
;:> • . ::> • ,

das carreiras ligadas à apariçao de reiv1ndicações novas, tanto em sua fom1a it1 telectua.lj essas transformações modo ló~ i c~s ! ~iu e se ac.o~·
quanto err1 seu con eúdo. Tudo 1~va a crer que a amplitude. da redefinição p,mham pelo de en\1o]vime nco de n ovas m~t.~nc1as de cirgam~
ds um cçirgo que resuka da transformação das propriedades escolilres de zaç5o cla vtda 'nteleccual (comissões de reílexac , de. est~do~ etc.)
e de nô'i.'ô$ modos 1ns..itucionaliz.:i.clos .de comttnlcaçao tcol6..
s étls ocupantes - e da todas as propriedades assodadas - tem cedas as
oporttunidades de ser tanto maior quanto é ma1s importante a elasticidade qu ·tos. dôb"' "n~· etc.. } são de. n~turez.a u fc.n11;rncer o aparecimento
~ u .. ~. b ~ -1 •
de novris tipos de inte lectums. rna1s. dir~~a.mente ~~ orama~ o~ a
da. definjç.ão técnrca e soda( do CG1rgo (a1iás. é provêivel que ela cresça à dem<:lrt.dn dcs pcderes econômkos e. poht1cos, e~ mtroduç~~ de
medida. que se sobe na hierarquia dos cargos) e que os noi,,•os ocupantes n m:os rtlodos de p~n 5 amento e de expressão, de n"ovas te~ahca
sào de origem sociaJ n 1ais elevada e, por ~sso, menos propensos a aceitar .~... maneha 5 de conceber o crr:.balho mtelectual
~ d e n ov '"'~ t _ e .a
as ambições llrrdtadas! progressivas e pre visívels na escala de uma vjda~ funç.eio do i.nteleclua L É po!5$ive.I que. essas u-~ns ~rmê)çoes, as
dos p~LJen os burgiueses comuns. Essas duas propriecl.odes não são, con1 quais e preciso atrescent.a.r o crescime11to.c:on~1deravel dri P~P~:
certeza, 1ndependen1es: de fato , que eles sejartL levados a ton1ar essa atl tud~ ~ação de estudanlés, lo catizados oi..una s~ uaçao df'. a~re~dLZ ~
por seu s12nso de investimento ~ sua Intuição das possibilidades que tais int eledU().lS, e o desenvoiv1menlo de t.odo um t.";OnJ~ni. o ~~
propriedades oferecem ao ~'2Ll capital ou por sua preocup<:ição ~in não se profiss ões serni-lnteleduais, tenham co~~e~uido. p or efeito ~nn·
cipal fomec~r b produção ··int electual ysto e .. ~o ern:;~~srno
re balxa rem , ori12n ando -se para as profissões estabeJecldas, p artjculé.)rmen-
fH03ÓÍiCO-p0lLtico) O qu e 3 1'arte burgu~a ~Ttl [\ U t"\ICà ~ clJ~~()f,
te odiosas, PlTI sua [ransparente u nivocida de , os H1hos da b~.Jrguesia is to é, um públk.o mu;to importante e d1·..ie.rstH:~d.o para JUsllt~~;r
arHeQçados de desdas.sificação dirigem-se, pr]oritartamente! parçi as pro,..
0 de.sêlwolvimento e 0 hmc.konamento de mstanc1a!io de produ-.ao
fissões anttgas mais indeterminadas e para os setores nos qua]s são e de chfusôo especificas e o aparecim ento, 1u~s franja.s ~o campo
elabo rc..- das as nova~ profissÔQS. Portanto~ o efeito de redefinição criadora u niversitàrlo e. do campo mt electual, de uma espec1e de. a~a
obse1v21·se. sobretudo. nas ocupacõ~s com grande dispersão e pouco v'ulgarização - d~i ciuaJ os "novos fi.l~sofos'' reprêsfil:tam o.hmit~
proHss-ion~Jizadas e nos setores ma1s novos da produção cultural e artistica. exemplar {Sobre a evolução das d1terent ~ cêlteg?na~ soc Lopro
cofftü as grandes empresas públicais ou privadas de produção cultural fsss.ionais, ver L ihéven or, ·'Les c.arégones soc.1a~es en 1975.
(l"áidio, 'le)evisão, rnarkãting. publicidade! pesquisa e111 c~ências scc~ais. etc.) L 'extension du sal. ar~at·, ~n Économie er statlst1qu·'. n. 93 ,
outubro de 1977, p. 3-31; e sobre a desenvu]•,,1 imento re~Lll~r,
nas quais o~ cargos e a$ carreir()s é)fr .da não adqulriram a rigidez das velhas
entrn 19G 2 e 19 7 5, do setor de "estudos e ~ssess on~ as
º
profissões burocrátjcas onde o recrutamento ainda se faz·, n.la is freqüen~
1
"" ,, - eon~e~hciros
emprcs'"'s - 1·ur3d•cos.. contãbe)s e flnõnc~ 1ros.
tern ente por cooptação. is1o é. na base dçis ·relações ·· e das afirddcd es de
1
pub•kitárlos, esc ritórios de arquite.tura. _ et~. - q~e em!;.~e.ga
hablcus, e não em nome dos [itulos esoo]ares {de modo que os füho:; d<;i muirn:S mulheres e con.&titui umêl perspectri.'a unportdnte ptln~ o~
burguesia paris~en~~, qu e têm mais oportunidade.s de chegar a:o:s ,estaturas diplomados. ver P. T rogan. ··Croissance reguhere d~ l emplm
:nt erm cdiários, entre os estudos ~ a profLssão! oferecidos. ror ·e xem p lo,
peJas grandes burocraclas da produção cuJtural ~ que podetn ''segurnr'' ial
atividade per rnals tempo. en1 \i(!2 dG? aceitarem diretamente urna ocupação
bem deHnida, mas d~íinifr.;a - corno a de profes~ CJr- têm rnais chances de
entrarem ~ sere111 bem sucedidos ern proHssóes para as quais os diplon1as
espedflcos - diploma do ln stjtut des hautes études cinéma tograpl1Jques
ou du Éco le tec hn ~que de photo e t de. dnéma Jicence e.m sociologia ou

166
dans les acrivltês d' études et de consefls ·•• 1ri Economie et s.U.u:is·
lk~ue, n. 93! o Lüu.b r o de 1977. p p . 73·80) Um.11 pwfissã.o que prolonga. su:ar \•ocaçio de mulher,
• 1rr.1 r.t:X"epQt;; •h.:~.:.r , Se!:]Ul ido M o r:.sleur Trntor.. ~ P1·z:Hente-~w:id<idor da E"'s00l,:i - t1 - llt"t"?.;t
j.::i 1.'t:!rn, um a mulhol!f jcven qu Ih~ prr~ t?.: .il"JIÇO i:.' r)fl'i f> .:;orrls.:..r' ,

Mas, o Jugar por exce~ên9cla dessa forma d e muda nç.a deve ser \.'oi:.:~ :lll~)~..:1 con-:'.titou '1-gi:intJeztt, t1 .:unilbi.lidr'ld,e. a <l:r.gri<l de i,f.,~..1; daqucl~ <"JU"'.: ~0Jb1n111
e.ss.z amini1{.?
procurado no con.~un1'o de profis~ óes que têm em comum assegu rar o S U rnrtlro mi,{! e ui rí • Sôniso profjs~ion:ll&quo